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Patologia Mamária 13/08/2021 Objetivos: Reconhecer o diagnostico dos principais nódulos mamários Entender o laudo histopatológico de câncer de mama Patologia mamária Inicialmente: diagnóstico e estudo das lesões malignas da mama Atualmente: foco também nas leões benignas, calculando o risco de desenvolvimento de câncer. Fisiologia Nutricional (lactação) Visíveis e com significado pessoal, sexual, social e cultural. Anatomia Localiza-se da 2-3 costela a 6- 7 em mulheres Alterações periódicas na vida adulta (pp/ na gestação). Tanto ao longo da vida quanto todo mês no ciclo menstrual, o tecido da mama cicla em relação aos hormônios da mulher; Quanto mais jovem cronologicamente for a mama, mais densa ela é, mais cheia de tecido mamário. Quando a mulher vai envelhecendo, esta mama ganha mais tecido adiposo e faz a mesma ficar mais translucida, a radiação passa sem manchar de branco. Então, a mamografia é feita a partir dos 50 anos e não aos 20 anos porque uma mama jovem é muito difícil achar nódulo. Faz antecipadamente o início de rastreio quando for necessário de cada caso. Papila ou mamilo é a parte central para onde convergem todos os ductos lactíferos Serve para nutrir o outro indivíduo (aleitamento materno) Aumento da variedade de diagnósticos de lesões benignas Campanhas na imprensa sobre o câncer mamário Incentivo ao auto-exame das mamas. Popularização do exame mamográfico de rastreio. Verificação histológica de novas lesões. Passa a estudar muito mais a mama benigna do que no passado. Com esse aumento, consegue catalogar cada vez mais novas lesões e determinar quais delas tem risco de vir a desenvolver câncer de mama no futuro. Queixas principais/ Sinais e Sintomas 1. Dor (mastalgia) - dor na mama não é um sinal clássico de câncer de mama. Em geral, as inflamações doem mais porque é uma inflamação aguda acontecendo (dor, rubor, calor, edema/tumor); 2. Massa Palpavel; 3. Granulosidade (encaroçamento)– mama com granulosidade; 4. Descarga papilar (láctea, hemorrágica, serosa)- (saída de líquido – láctea (descobre também tumores de hipófise quando ocorre descarga láctea fora do período de amamentação), hemorrágica (papilomas, doenças mamárias benignas, que torceram e enfartaram, necrosaram e vão sangrar como resposta normal da injúria tecidual que foi sofrida) e serosa (líquido transparente como água, não terá pus, a descarga serosa é a mais suspeita a malignidade)); 5. Alteração mamográfica Mamografia (1980) Suspeita da malignidade em mamografias: - Densidades (lesões que substituem o estroma adiposo por tecido radiodenso). Se tiver alguma alteração na densidade, virá uma área suspeita; - Calcificações (formadas nas secreções, restos necróticos, estroma). Os ductos mamários contêm leite se a mulher estiver lactando, se não, ele contém pequenas quantidades de líquido seroso só para a manutenção das células e esses podem calcificar. Ou seja, em casos de câncer de mama, as células mamárias produzem mais secreções e pode haver descarga papilar serosa, essas mais secreções que estão acumuladas no próprio trajeto do ducto que está revestido de células epiteliais malignas, podem ser calcificadas pelo organismo e calcifica no interior das luzes dos ductos mamários. 0: não conseguiu avaliar. 1: negativo para malignidade, mama benigna. 2: mama benigna, mas com alguma alteração, podendo ser benigno. 3: encontra alguma alteração, nódulo benigno, por exemplo. 4: suspeito para malignidade. 4a/4b/4c. 5: altamente suspeito para malignidade. No ponto de vista radiológico, diz que a paciente tem câncer de mama. Se na biopsia não ter câncer de mama, mas no pedido médico está BI- RADS 5, a amostra colhida pode não ter sido a certa e precisa realizar novamente. 6: categoria incluída posteriormente. Precisa da biopsia para ser comprovado. Outros métodos de imagem USG: 1. Distingue lesões solidas das císticas 2. Define melhor mamas jovens (densas) RNM: detecta lesões pela rápida captação de contraste (> vascularização e fluxo sanguíneo tumoral). Padrão ouro para neoplasia de difícil diagnóstico na mama. Pausa para refrescar a memória: Um ácino refere-se a qualquer conjunto de células que se assemelha à bagas de framboesa ou uva (acinus é latim para bagas) Glandulas exócrinas, de forma geral, tem aspcto acinar: estomago, fígado, pâncreas, glândulas mamarias, lacrimais, prostáticas etc. Normal Lesão Lóbulos e ductos terminais Cisto, adenoma esclerosante, papiloma de pequenos ductos, hiperplasia, hiperplasia atípica, carcinoma Ductos grandes (lactíferos) Ectasia ductal, metaplasia escamosa de ductos lactíferos, papiloma de grandes ductos, doença de Paget Estroma intralobular Fibradenoma, tumor phyllodes Estroma interlobular Necrose gordurosa, lipoma, fibromatose, sarcoma Histologia 2 estruturas: Ductos e lóbulos ou ácinos (unidade ducto- lobular terminal = UDLT – onde acontece a maior parte dos problemas de mama); Tanto os ductos quanto os lóbulos normais, são forrados por DOIS tipos de células epiteliais: luminal (voltada para a luz do ducto. Tem o citoplasma mais rosa, ela que introduz as secreções) e mioepitelial/basal (encostada na membrana basal do ducto. Tem o citoplasma mais claro, “branquinho”. Tem uma função levemente contrátil para drenar a produção de secreção para fora, se isso não acontecer, pode calcificar); 2 tipos de estroma (colágeno, fibroblasto, tecido de sustentação do mesênquima da mama): intralobular e interlobular; Mesênquima (vasos, tecido adiposo etc); Mamilo (desembocam ductos principais): o tecido deixa de ser glandular para virar um epitélio escamoso ceratinizado. O caule seria o ducto principal, chegando no final dos ramos os ductos terminais, os ácinos ou lóbulos terminais, formando neste conjunto a unidade ducto- lobular terminal. OBS: A imuno-histoquímica é um exame que permite detecção de antígenos específicos e imunofenotipagem de tecidos ou agentes infecciosos. Ou seja, é uma técnica que ajuda a ver o fenótipo das células, utiliza um anticorpo que sabe o que é e faz a reação, se a célula mostrar a reação, indica que ela tem aquele fenótipo, expressa aquele anticorpo. Lesões epiteliais benignas Alta frequência Em geral, assintomáticas e detectadas por alterações mamográficas ou incidentalmente São classificadas de acordo com o Risco subsequente de desenvolver câncer de mama A maioria NÃO é precursora de câncer. Redução de risco: cirurgia x acompanhamento Classificação de Risco para Carcinoma invasor – OMS Lesões Não proliferativas RR = 1 (cisto na mama); Proliferativas sem atipias RR =1,5 – 2; Proliferativas com atipias RR = 4 – 5 (hiperplasia ductal atípica da mama, não tem câncer ainda, mas tem risco de desenvolver câncer de mama de 4 a 5 vezes maior de pacientes que não tem essa hiperplasia); Carcinoma in situ RR 8 – 11; Lesão colunar atípica sem risco definido. Alterações fibrocísticas da mama Desvio fisiológico da função hormonal da mulher, não é uma doença, apenas resposta hormanal; Cistos, fibrose, metaplasia, ectasia ductal e hiperplasia ductal sem atipias; Mastopatia fibrocistica: considerada um desvio da normalidade (resposta tecidual ao estrógeno); 50% das mulheres clinicamente normais apresentam esta alteração. Ginecomastia Aumento da mama masculina (desequilíbrio entre estrogênio e androgênio); O estrogênionão circula livre em quantidades altas na corrente sanguínea, ele é convertido em subprodutos. Se não tem estrogênio, não tem testosterona; Hiperestrogenismo: cirrose hepática (é o fígado quem metaboliza o estrogênio para converter em testosterona e em outros metabólicos. Se o fígado não está funcionando, o estrogênio fica sobrando, sem ser convertido), falência produção androgênica testicular, uso de drogas e anabolizantes - estrogênio). O estrogênio é o hormônio que faz características feminilizantes no organismo humano; Tem mais ductos e poucos ácinos, porque não precisa produzir leite. Se começar a estimular, eles vão começar a aparecer e assim começa a ter riscos como na mama feminina. Nódulos mamários Principal motivo de investigação de patologias mamárias Nódulos benignos Tumores estromais da mama: tumores bifásicos (componete epitelial e estromal intralobular) 1. Fibroadenoma 2. Tumor filoide Critérios: bem delimitado e contorno arredondado/liso; Neoplasia benigna cresce por expansão, empurra os tecidos para os lados. As malignas crescem por infiltração. Fibroadenoma Nódulo mais comum em mulheres jovens (em mulheres mais idosas, atrofia epitelial e hialinização estromal) Associação de fatores complexos = grupo de maior risco Macroscopia Nódulos bem circunscritos, ovais ou arredondados, de coloração branca a acinzentada, com contorno/ bordas lisas, consistência elástica. Microscopia Proliferação de estroma intralobular, envolvendo e distorcendo o epitélio ductal associado. Estroma pouco celular, sem figuras de mitose. Pode ser mixoide ou hinalinizado. Nódulo mais comum de mulheres jovens (em geral abaixo de 20 anos). A idade é uma característica epidemiológica importante, mas o principal são as características do nódulo. Coloração: branco / acinzentado. Pode estar mais amarelado por tecido adiposo ou se estiver fresco estará mais rosa avermelhado. O nódulo tem começo, meio e fim (não tem infiltração) – pode fazer a retirada somente do nódulo. Nodulolectomia: retirada do nódulo Mastectomia: retirada de toda a mama Segmentectomia: segmento de algo. Microscopia: este estroma intralobular está proliferado, e isso faz com que ele cresça e distorça o epitélio do ducto que está morando em volta dele. Crescimento por expansão (sem infiltração). Sem figuras de mitose: significa não ser tumor maligno, pois uma das características do maligno é ele se proliferar anarquicamente, independente do ciclo celular. Estroma pouco celular: poucas células Fibroadenoma mixoide: quanto mais jovem, mais mucina ele vai ter. Quanto mais velho, mais colaginizado ou hialinizado (Fibroadenoma hialinizado). Revisando... Fibroadenoma: - É uma lesão benigna - Não é pré neoplásica (risco relativo de 1 ou 1,5 no máximo) - É formado pela proliferação do estroma, e os ductos e lóbulos epiteliais só acompanham o crescimento desse estroma. O que pode acontecer é: uma célula epitelial, que era benigna,se malignizar e proliferar dentro do ducto e assim formar um carcinoma dentro do fibroadenoma. Não se chama fibrosarcoma porque o componente estromal não malignizou, continua sendo um fibroadenoma benigno, só as células do epitélio que contorna ele, alguma delas virou carcinoma. Avanços da investigação diagnóstica (passo a passo): Ultrassonografia Mamografia Ressonância Biópsia. Esses nódulos benignos (fibroadenoma e tumor filoide) tendem a surgir no estroma. Eles são uma alteração do componente estromal da mama. E o epitélio que está em volta intimamente relacionado apenas acompanha o crescimento do estroma. É chamado TUMOR BIFÁSICO, porque tem duas fases: - fase estromal: a mais importante, constitui o grosso da lesão - fase epitelial: que contorna o estroma / nódulo). Embora tenham o epitélio, ele não é a doença, está ali apenas acompanhando. Por isso são chamados de tumores estromais. No carcinoma ocorre ao contrário. A doença está no epitélio, o estroma está apenas acompanhando. Ambos vivem juntos, o que vai diferenciar são as características que a célula tem, para determinar uma via de doença ou outra Fibroadenoma com alterações complexas Cistos maiores que 3 mm Adenose esclerosante Calcificação epiteliais Metaplasia apócrina Pode surgir um carcinoma no componente epitelial do fibroadenoma Tumor filoide Geralmente após a idade de incidência do fibroadenoma (após os 40 anos) Antigo cistossarcoma phyllodes Espectro benigno, borderline (locamente agressivo) e maligno. Casos malignos tendem a recorrência local e apenas raramente metastatizam (componente estromal) Como os sarcomas em geral, metástase hematogenica. Muito raramente disseminação linfática. Macroscopia Nódulos bem circunscritos (no caso do pólo benigno), ovais ou arredondados, de coloração branca a acinzentada, com protusões bulhosas ou fendas. IMPORTANTE! Macroscopia Considerar a variabilidade desses aspectos em relação ao espectro biológica do tumo, se benigno, borderline ou maligno. Microscopia Comparando com o fibroadenoma, há uma MAIOR CELURARIDADE estromal, com crescimentoo excessivo (aspecto foliáceo) fazendo projeções delineadas pelo epitélio. Presença de mitoses no estroma e maior pleomorfismo nuclear Bordas infiltrativas nos casos malignos Tratamento Fibroadenoma: nodulectomia Tumor filoide benigno e boderline: retirados com margens de segurança. Tumor filoide maligno: mastectomia simples. Parecido com fibroadenoma, porém em geral acontece em idade superior (a partir dos 40 anos de idade). Cistosarcoma filoides (nome usado no passado). Era usado esse nome, pois antigamente era encontrado os tumores em estado maligno, destrutivo. Com o avanço da ciência, foi visto que o diagnostico filoides na verdade é um espectro, que vai desde o benigno até o maligno. Diferente do fibroadenoma que não maligniza, o tumor filoides tem esse potencial(pode começar benigno e o estroma dele malignizar). Hoje pelos métodos de imagem e pela retirada dos nódulos precocemente evita causar muitos danos. Em geral se comportam como sarcoma (tumores mesenquimais), então as metástases do tumor filoides maligno são hematogênicas. As vias linfonodais são mais comuns nos carcinomas (tumores epiteliais). O tipo de tumor geralmente escolhe uma via preferencial de metástase, porém não são exclusivas. Quanto mais avançado o estadiamento do carcinoma maior a chance de mudança da via. A malignidade quando acontece é no componente estromal, não no epitélio. Macroscopia: vai depender a ponta do espectro. A ponta benigna do espectro é parecida com fibroadenoma, porém com protrusões em folha ( faz umas fendas). Microscopia: em relação ao fibroadenoma os tumores filoides (benigno) têm mais células no estroma. E quanto mais célula tiver, mais irá caminhar para ponta maligna do espectro. Então essa maior celularidade do estroma vai fazer a distinção pelo microscópio do fibroadenoma do tumor filoides. Além do tumor filoides tender a fazer o desenho foliáceo. Achar mitose e atipia nas células pelo microscópio também é uma forma de distinção, pois no fibroadenoma não encontra. Tumor Filoide podem ser três tipos: benigno, borderline e maligno. No tumor maligno a borda vai infiltrar e vai encontrar pleomorfismo nuclear (núcleo de várias formas). Ou seja, pleomorfismo nuclear é uma marca de malignidade. Tratamento: Fibroadenoma : retirada do nódulo Tumor filoide benigno e bordeline : retiradado nódulo com uma margem de mama ao redor dele para garantir se tiver uma atipia já fez uma cirurgia mais robusta. Tumor filoides maligno: retirada da mama inteira (mastectomia simples, sem retirada da axila que é nos casos do carcinoma que preferem a via linfática). Claro que com um estadiamento clinico. Porque é necessário olhar no microscópio após a cirurgia? Porque pode ter um carcinoma e não ter sido visto e assim a paciente precisa continuar o tratamento do novo diagnostico. Nódulos MALIGNOS Tumores epiteliais da mama: (componente epitelial é a neoplasia e o estroma é desmoplásico/ reativo ao tumor) 1. Carcinoma “in situ” 2. Carcinoma invasor Lesões epiteliais malignas da mama = câncer de mama Neoplasia maligna extracutânea mais comum em mulheres É a segunda causa de morte por câncer no mundo e a principal causa de morte por câncer em mulheres (520 mil em 2012). Mortalidade: cerca 20% Fatores de risco: estímulo estrogênico e idade Todas as neoplasias se originam de mutações no DNA Estatisticamente acontece mais no epitélio, no componente epitelial da mama. Os tumores benignos são mais encontrados no estroma. Em geral o câncer de mama é um carcinoma (é o mais comum, porém pode ser também um sarcoma). Após o câncer de pele, o câncer de mama é o mais comum em mulheres. Mortalidade cerca de 20% Fatores de risco: estímulo do estrogênio e idade. Qualquer câncer maligno tem a ver com a idade. Porque a mutação acontece quando a célula está se dividindo, e quanto mais velho, maior a chance de erro na leitura das duas fitas de DNA (mutação). Se ocorrer em uma só, a pessoa não vai ter o câncer. Nos jovens, geralmente quando ocorre o câncer, é mais agressivo. Pois ele já nasce com um erro em uma fita de DNA, e se a partir da mitose afeta a outra ele já vai ter o câncer (Câncer hereditário). Porque metade do erro já veio, a outra metade que seria esporádico tende a acontecer antes. Câncer esporádico (90% dos casos): ele acontece por uma mutação que a gente não sabe se vai acontecer. Se não tem mutação de DNA não tem neoplasia. Como evitar? Qualidade de vida: alimentação, sono, hábitos de vida, exposição solar. Fatores de risco: Exposição hormonal ao estrogênio (sexo feminino é um fator de risco para câncer de mama). Idade da menarca precoce e menopausa tardia (relação de exposição ao estrogênio). História reprodutiva – nulipara - na gestação tem baixo estímulo de estrogênio e alta de progesterona, é uma proteção por nove meses. Amamentação protege porque naquele período estrogênio está baixo, e está em alta citosina e prolactina. * Quanto mais precoce a amamentação, mais a célula fica protegida para toda a vida. Uso de estrógenos exógenos (anti concepcional). P53 : guardião do DNA, gene que concerta quando ocorre um erro (mata a célula por apoptose). O câncer pode ocorrer quando a pessoa já carrega essa alteração genética, mas também por alteração dos genes de proteção do corpo. Câncer de mama – etiologia Esporádico (cerca de 90%) Fatores de risco = exposição hormonal (ser do gênero feminino, idade de menarca e menopausa, hist.. reprodutiva, amamentação, estrógenos exógenos). Hereditário (cerca de 10%) Cópia anormal de gen supressor tumoral BRCA1 e 2, TP53, CHEK2 Classificação Morfológica: In situ x invasor (localização e extensão) Ductal x lobular (não significa origem mas sim padrão arquitetural e citológico) Perfil de expressão genética: Luminais X HER2/neu + X fenótipo basal (marcadores de RH, HER2 e de células miopitelinais) As diversas características histológicas dos carcinomas de mama são manifestações fenotípicas de complexas mudanças genéticas que guiam a carcinogênese (3 vias) CDIS -> CDI Baseia-se na progressão das lesões no modelo muti-step linear, que não é mais unanimidade na literatura Evolução molecular do câncer de mama Quanto maiores forem os níveis de instabilidade genética identificados, maiores serão as alterações proliferativas e atipias vistas ao microscópio óptico. Grau nuclear é fortemente associado com o número e o padrão de anormalidade genética. Grau histológico I Bem diferenciado e carcinoma tubular: Baixo número de anormalidades genéticas. 16q loss Grau histológico III Pouco diferenciados Fenótipos basais: complexas anormalidades genéticas: Perda do 11q, 14q, 8p, 13q: Ganho do 17q, 8q, 5p Amplificação do 17q22 – 24, 6q22, 8q22, 11q13 e 20q13 Baixo grau X Alto Grau Diferentes alterações genéticas Rara progressão de lesões de baixo grau para lesões de alto grau Classificação do câncer de mama 1. Estadiamento 2. Tipo histológico 3. Grau histológico 4. Opressão de receptores 5. Amplificação 6. K67 7. Classificação molecular (testes multiétnicos) Vias genéticas principais da carcinogênese em mama (classificaçãi genética ou molecular) Carcinoma RE positivo e HER2 negtivo (via dominante 50-65% dos casos, herança BRCA2) Carcinoma HER2 positivo (aprox. 20% dos casos, ligadas ao TP53 – sd Li- Fraumeni) Carcinoma RE negativo e HER2 negativo (via menos compreendida, cerca de 15%, mutações BRCA1 ou falta de expressão do mesmo em casos esporádicos) Via oncogênica: Célula normal Hiperplásica / Proliferação celular (ainda benigna) Mutação / Displásica (pré maligna) Neoplasia Carcinoma in situ (não saiu do compartimento, no câncer de mama: restrito ao ducto). Carcinoma invasivo (quando sai do compartimento do ducto). No câncer de mama a classificação vai ser pelo: -Estadiamento - Tipo histológico (microscópio) - Grau histológico - Expressão dos receptores hormonais (estrogênio e progesterona) - Presença ou não do HER2 amplificado - Índice de proliferação celular (marcador KI-67) - classificação molecular (testes multi genéticos) Conclusão: A morfologia do tumor tende a correlacionar com a expressão genética. Os marcadores imuno histoquímicos têm que ser feito para dizer qual braço da via, se são receptores hormonais positivos, negativos ou HER2. Marcador hormonal positivo: fenótipo lobular e ductal (tumores luminais A e B, tendem a mostrar receptores de estrogênio e progesterona positivo ou negativo se for luminal B. Marcador hormonal negativo: tendência de fenótipo basal. (tumor do fenótipo basal). Classificação morfológica: - Carcinoma in situ 1. Ductal 2. Lobular In situ: não invadiu / não tem chance de fazer metástase, pois somente quando o câncer invade a membrana basal (extrapola os limites do epitélio) que ele tem chance de alcançar vaso linfático e sanguíneo. Importância clinica de diferenciar in situ e invasivo: saber que a doença está restrita ao sitio de origem e muito provável não tem metástase. “Provável” por não saber se o diagnóstico está correto, erro de amostragem por biopsia pequena. Considerando que foi olhado todo tumor, e todo ele é in situ não tem chance de metástase, nem linfática nem hematogênica. Ou seja, retirando todo o tumor o paciente está curado. E continua seguimento oncológico para acompanhamento. Carcinoma invasivo: infiltração de todo o tecido em volta. Pode alcançar vasos e outras estruturas. Carcinoma invasivo de mama tipo não especial (antigo ductal) Tipo especial (precisa escrever o nome) Na cirurgia oncológica grampeia a veia, para que evite a disseminação de célula do tumor durante o procedimento. Em outras cirurgias se grampeia as artérias com objetivo de uma cirurgia mais limpa. Classificação morfológica(histopatológica): Carcinomas in situ da mama: Ductal Lobular Carcinomas invasores da mama: Tipo não especial (tne) (antigo carcinoma duetal invasor SOE) Tipo especial: LOBULAR, tubular, medular, mucinoso, papilar, secretor, inflamat etc Carcinoma ductal in situ Termo usado para descrever proliferação de células epiteliais malignamente transformadas, que permanecem em seu sítio de origem, confinadas pela membrana basal. Ausencia de vasos sanguíneos ou linfáticos na camada epitelial inviabiliza metástases. Ultraestrututalmente há descontinuidade da membrana basal e extensão celular Carcinoma lobular in situ (CLIS) Proliferação clonal de células descoesas (perda de proteína de adesão E-caderina). Não altera os espaços envolvidos (apenas preenche). Geralmente é um achado incidental de biópsia (não está associado a microcalcificação ou reações estromais que produzam densidades mamográficas). As células que foram chamadas de lobulares são células que não tem uma proteína (a e- caderina) de adesão celular e isso. É importante porque as células malignas possuem E- caderina que fazem a adesão celular. (esse tipo lobular possui a neoplasia como células soltas que preenchem o espaço). Esse tipo de câncer é especial porque perdeu a possibilidade de adesão das células. Quando o câncer lobular (que não tem a e-caderina) sai do contorno do lóbulo deixa de ser in situ (controlado pela membrana basal) e passa ser invasivo (invade em fileira indiana, sai uma célula e depois outra). Obs.: a consistência do maligno é mais firme, não é delimitado enquanto a consistência dos benignos é mais amolecida. Classificação morfológica (histopatológica): Carcinomas in situ da mama (ductal e lobular) Carcinomas invasivos da mama 1. Tipo não especial (TNE) “carcinoma ductal invasor” 2. Tipo especial: carcinoma lobular, tubular, medular, mucinoso, papilar, secretor, inflamatório, etc. Fatores Prognósticos Elementos com impacto sobre o comportamento da doença: 1. Envolvimento axilar 2. Tamanho do tumor 3. Tipo histológico 4. Grau histológico 5. Grau prognóstico de Nottingham 6. Receptores hormonais (RE/ RP) 7. HER2/neu (C-ERB-B2) 8. Invasão linfática e sanguínea Estadiamento In situ: prognóstico excelente Metástase a distância, apesar de longos períodos remissivos (tratamentos) especialmente nos tumores RH-positivos. Metástases linfonodais: sem envolvimento ganglionar taxa sobrevida de 10 anos = 70 – 80 %. Com metástase ganglionar essa taxa cai para 30 – 40 % Cada órgão tem seu estadiamento e saber o estadiamento correto faz com que aumente as chances de vida da paciente, ou seja, trate corretamente a pessoa. Fatores preditivos São as características clinicas, patológicas e biológicas usadas para estimar a possibilidade de resposta a um tipo particular de terapêutica adjuvante. Ou seja, entender se o tratamento escolhido é o que vai gerar a melhor resposta do paciente. Obs.: margem livre de tumor= margem negativa significa negativo para malignidade, ou seja, a intenção da cirurgia e conseguir margens negativas para não ser uma cirurgia contaminada. No presente a margem é negativa se não tiver célula de tumor encostando na tinta. (Quando a distância para a linha é pequena, escreve-se no laudo uma ressalva sobre essa distância). Linfonodo sentinela axilar Ao tirar toda cadeia ganglionar a pessoa passa a ter uma maior morbidade. E para saber se há necessidade de tirar toda a cadeia ou não, faz o linfonodo sentinela. Em teoria o linfonodo sentinela é o primeiro que recebe o agressor então na mama coloca um corante azul e uma sonda radioativa, injeta isso no tumor e observa para qual via linfática vai primeiro. Retira-se só esse linfonodo sentinela e observa no microscópio, se não tiver célula tumoral nele, não terá no restante da cadeia linfática (estaticamente na maioria dos casos não há malignidade nos outros linfonodos). Câncer de mama masculino Raríssimo (risco de 0,11% durante a vida) Fatores de risco e patogenia semelhantes a da mulher Em geral, apresentam-se como nódulos subareolares palpáveis e/ou descargas papilares Tumores pequenos podem fazer invasão de pele e parede torácica Geralmente RE positivos Tratamento semelhante ao da mulher LAUDOS Diagnostico: carcinoma invasor de mama (pela classificação morfológica tem potencial de metástase). Tipo não especial (é o mais comumente encontrado). Graduação 3 (é mais agressivo). Tumor de 5,5 cm. = faz com que coloque a paciente em estadiamento oncológico (in situ, metastase, etc). No laudo tem que conter a classificação de estadiamento e os fatores prognósticos e preditivos para escolher o tratamento da paciente. Quando o carcinoma é invasivo é obrigatório pesquisar metástase.