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Neoplasias de Mama O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o primeiro entre as mulheres. O prognóstico é bom quando diagnosticado e tratado precocemente. Carcinogênese Iniciação Eventos genéticos ou agentes oncogênicos ativam proto-oncogenes em oncogenes e inativam genes supressores de tumor. Promoção Estímulo contínuo através de onco-promotores. Progressão Crescimento descontrolado com capacidade de invasão e metastatização. [?] Proto-oncogenes: Genes normais envolvidos na multiplicação celular e que sofrem processos genéticos, tornando-se oncogenes participativos na proliferação anormal de células. Exemplo: HER-2, c-myc e int. [?] Genes supressores tumorais: Genes envolvidos no controle da multiplicação celular. Exemplo: p-53, BRCA-1, BRCA-2. Estadiamento Tamanho do Tumor (T) Tx Não avaliado T0 Nenhuma evidência Tis Carcinoma in situ T1 Tumor até 2 cm T1mic Microinvasão ≤ 0,1 cm T1a Tumor > 0,1 cm ≤ 0,5 cm T1b Tumor > 0,5 cm ≤ 1 cm T1c Tumor > 1 cm ≤ 2 cm T2 Tumor > 2 cm ≤ 5 cm T3 Tumor > 5 cm T4 Qualquer T com extensão na pele ou parede torácica T4a Extensão para costela ou músculos intercostais ou serráteis (não inclui peitoral) T4b Edema (casca de laranja) T4c T4d Carcinoma inflamatório Linfonodos (N) Nx Não avaliado N0 Linfonodo sem metástase N1 Metástase em linfonodo(s) axilar(es) ipsilateral(is) móvel(is) N2a Metástase em linfonodo(s) axilar(es) ipsilateral(is) fixo(s) a outro(s) ou a outra estrutura N2b Metástase apenas em linfonodo(s) de cadeia mamária interna na ausência de metástase axilar N3a Metástase em linfonodo infraclavicular ipsilateral N3b Metástase em linfonodo da cadeia mamária interna ipsilateral e em linfonodo axilar N3c Metástase em linfonodo supraclavicular supraclavicular ipsilateral Metástase a distância (M) Mx Não avaliado M0 Nenhuma metástase M1 Metástase a distância Anatomia A mama é um órgão par, situado na região anterior do tórax, sobre o músculo peitoral maior, sendo uma glândula sudorípara modificada de origem ectodérmica. Pode ainda haver uma extensão da mama em direção à borda lateral do músculo peitoral maior, denominada de cauda de Spencer. Estruturalmente a mama divide-se em cerca de 15 a 20 lobos, e cada um é formado por 20 a 40 lóbulos (unidade funcional da mama) e esses por 10 a 100 alvéolos (unidade secretora em repouso) ou ácinos (unidade secretora desenvolvida na gestação e lactação). Por meio de ductos em um desenho radial, o produto das glândulas é drenado até os seios lactíferos, localizados sob os mamilos. Diferenciar as principais afecções benignas da mama O tecido mamário benigno é heterogêneo, contendo gordura, estroma (arcabouço da mama) e parênquima (ductos e lóbulos). Os principais motivos que levam as pacientes ao consultório são dor, nódulo, alteração mamográfica e derrame papilar. Os diagnósticos em mastologia obedecem ao exame tríplice na sua maioria: Exame clínico: Inspeção estática e dinâmica, palpação das mamas, axilas, regiões infra e supra claviculares e regiões esternocostais. Exame de imagem: Mamografia e/ou ultrassom. Ressonância magnética em casos especiais. Exame anatomopatológico: Por meio de punção aspirativa por agulha fina (PAAF – citologia), biópsia de fragmento ou biópsia cirúrgica (histologia). Alterações Funcionais Benignas da Mama Expressão recomendada pela Sociedade Brasileira de Mastologia em 1994 com ampla sinonímia – displasia mamária, doença fibrocística, mastopatia fibrocística – as quais representam entidades como a dor, o cisto, o derrame papilar e o espessamento (nodularidade). A expressão displasia mamária também foi modificada em outros países por Alteração Normal do Desenvolvimento e Involução da Mama (ANDI). Mastalgia Sua fisiopatologia é controversa, envolvendo fatores hormonais, metabólicos e emocionais. A mastalgia cíclica tem relação com o período pré-menstrual. Amastalgia acíclica já não obedece a essa relação. Seja qual for a etiologia da dor, o primeiro passo é excluir qualquer alteração na mama e acalmar a paciente. A conduta não medicamentosa geralmente é bem sucedida. Excluídas as causas mamárias, o primeiro passo além do esclarecimento seria o uso de sutiãs adequados e a diminuição de metilxantilas (café, chocolate e refrigerante). A terapia medicamentosa pode ser baseada em AINEs, antiestrogênio, antiprolactinêmico (bromocriptina e cabergolina) e o antigonadotrófico (danazol), entre outros. Descarga papilar Representa a saída de secreção pela papila fora da gestação ou lactação. Menos de 5% têm causa maligna. O derrame fisiológico não necessita de grandes investigações. Na maioria dos casos apresenta aspecto seroso, é bilateral, multiductal e não espontâneo. Quando patológico, o derrame geralmente é aquoso ou sanguinolento, espontâneo, unilateral e uniductal. Podem ser indicados exame de imagem, citologia e eventual exérese da lesão. O derrame papilar leitoso após um ano do término da amamentação é denominado galactorreia. Geralmente está associada à amnorreia e infertilidade. Substâncias relacionadas com o aumento da prolactina: anti-hipertensivos (Verapamil, Metildopa, Reserpina), hormônios (Anticoncepcionais orais), psicoativos e outros (Cimetidina, Ranitidina, Cocaína, Metoclopramina, Opiáceos). Alterações Inflamatórias da Mama Mastite Puerperal Não Epidêmica Também chamada de endêmica, esporádica ou casual que acomete o tecido conjuntivo interlobular. Ocorre em virtude de fatores associados, como o ingurgitamento e a estase venosa e linfática. Dificulta a amamentação, predispondo a formação de fissuras papilares que servem como porta de entrada para bactérias. A mais comum é o Staphylococcus aureus. A contaminação também pode ocorrer por via hematogênica ou pelos ductos. O quadro inicial é inflamatório, podendo evoluir para a formação de abscesso. Os sintomas iniciais são dor, calor, rubor, tumor, picos de febre e mal-estar. O tratamento depende da fase em que o quadro se encontra. No ingurgitamento com dor e calor, prosseguir com a amamentação. Estimular a sustentação adequada das mamas, uso de compressas frias e analgésico ou anti-inflamatório. As fissuras devem ser tratadas com creme cicatrizante. Epidêmica Acomete o tecido glandular, é menos comum e trata-se de uma infecção hospitalar. A principal via é a transpapilar por contaminação através da orofaringe do recém-nascido. O Staphylococcus aureus penicilinase-resistente é o agente mais comum. A secreção purulenta pelo mamilo determina a suspensão da amamentação. Mastite Não Puerperal Ectasia ductal Corresponde à dilatação ductal com acúmulo de secreção, podendo romper e causar reação inflamatória com posterior invasão anaeróbia. É mais comum no processo involutivo da mama em pacientes acima de 40 anos. As tabagistas aumentam as chances da patologia e da recorrência. As principais manifestações são massa retroareolar, descarga e fibrose. Na retração mamilar, o diagnóstico diferencial com carcinoma deve ser feito. Realizar biópsia nas pacientes com massa. Se houver descarga papilar, proceder com a excisão subareolar dos ductos. Descrever as principais neoplasias da mama (Quadro clínico e Características Tumorais) Introdução Mais de 95% dos tumores malignos da mama são adenocarcinomas. Anatomopatológico O exame macroscópico das peças provenientes de procedimentos cirúrgicos é importante, seja para fins diagnósticos ou terapêuticos. Diagnóstico As biópsias incisionais a bisturi e com agulha grossa, a macroscopia é pouco informativa para diagnóstico. A lesão pode ser aparente ou não e exames complementares poderão ser úteis na identificação, como as microcalcificações. Quando aparentes, podem ser medidas em duas ou três maiores dimensões e essa informação determinará o tamanho da lesão, que pode ser ainda maior no exame microscópico. Outra medida é a borda da lesão e a linha de ressecção mais próxima, que representa amargem cirúrgica de segurança. Tratamento Nos tratamentos conservadores a exérese da lesão deve ter margens livres para garantia terapêutica. Pararessecções radicais, deve-se dar atenção especial à pele, mamilo e planos musculares, se incluídos. Nas dissecções axilares, no mínimo 10 a 12 linfonodos devem ser encontrados, mas todos os gânglios dissecados devem ser submetidos ao exame histológico. Após a análise macroscópica, são confeccionadas lâminas das peças para análise microscópica, na qual serão identificadas características peculiares a determinados tipos de tumor. Malignos Classificação histológica A classificação tradicional ou histopatológica baseia-se no tipo de célula, arquitetura e características histológicas distintas. Mais de 95% dos tumores malignos da mama são adenocarcinomas1. Os carcinomas são classificados em invasivos ou não invasivos (in situ). A nomenclatura também baseia-se na semelhança dos espaços afetados em ductos e lóbulos. 1 Os demais são representados por linfomas, sarcomas e neoplasia metastáticas. Carcinoma ductal in situ (CDIS) Corresponde a 12% dos tumores mamários, com aumento considerável nas últimas duas décadas. Relacionam-se a quase 50% dos casos detectados por mamografia, sendo as microcalcificações o principal achado. As calcificações podem aparecer por dois mecanismos diferentes: o secretor, que é um processo ativo de secreção vesicular dentro do conteúdo extracelular e o necrótico, que é passivo e forma-se dentro do material necrótico em torno dos fragmentos. A lesão in situ consiste na incapacidade de invadir a membrana basal, que barra metástases a distância. No entanto, podem disseminar-se pelo sistema ductal, gerando lesões extensas. Atualmente o carcinoma ductal in situ é subdividido em três categorias: alto, intermediário e baixo grau, de acordo com o tamanho, margens, grau nuclear e idade, passando a se chamar Índice Prognóstico USC/Van Nuys. Carcinoma ductal invasivo Representa de 80 a 90% dos casos de câncer de mama. Quando a lesão não preenche os critérios dos tipos especiais é classificada como carcinoma ductal invasor sem outra especificação (SOE), sendo um diagnóstico de exclusão. Uma lesão é classificada como tipo especial quando é composta por 90% de células típicas histológicas do tipo especial. Se apresentar apenas pequenos focos, ainda é tida como SOE. Os casos de carcinoma ductal invasivo exibem aumento pronunciado do estroma fibroso denso, responsável pela consistência endurecida. Seu padrão de crescimento ocorre na forma de nódulos bem delimitados, de consistência pétrea, com 1 a 2 cm de diâmetro, raramente ultrapassando 4 a 5 cm. Pode revelar aderência infiltrativa aos tecidos adjacentes ao exame clínico, com fixação à parede torácica subjacente, enrugamento cutâneo e retração mamilar. No preparo do material, ao corte transversal, a massa é característica, com coloração esbranquiçada ou acinzentada, espiculada ou circunscrita, com consistência cartilaginosa dura, retração abaixo da superfície de corte e som áspero ao corte; no foco central exibe pequenos focos puntiformes ou estrias de estroma elastótico esbranquiçado e em certos pontos com focos de calcificações. O tumor consiste, histologicamente, em células malignas dispostas em cordões, ninhos celulares sólidos, túbulos, massas anastomosantes e mistura de todas essas formas invadindo o estroma, com variação desde pequenas células com núcleos regulares moderadamente hipercromáticos até células gigantes com grandes núcleos irregulares e hipercromáticos; a invasão dos linfáticos e espaços perineurais é frequente. Um carcinoma é classificado como microinvasor quando há predominância de carcinoma ductal in situ, com um a três focos de carcinoma invasor de dimensão menor do que 1 mm. A avaliação histológica da formação de túbulos, atipias nucleares e índice mitótico é usada para graduação do carcinoma ductal invasivo em bem diferenciado, de médio grau de diferenciação e pouco diferenciado. Em mais da metade dos tumores bem diferenciados ocorrem aneuploidia e ausência de receptores hormonais, características que variam com o grau da lesão. Carcinoma lobular in situ Manifesta-se pela proliferação de um ou mais ductos terminais (ácinos), com uma proliferação de células frouxamente aderentes, pouco maiores, com núcleos ovais ou redondos e pequenos nucléolos. Em geral, a presença de células em anel de sinete contendo mucina. Raramente deforma a arquitetura subjacente e é um achado incidental em biópsias (1 a 6%) efetuadas por outros motivos, tendo em vista que raramente encontra-se associado a calcificações e numa forma de massa. É bilateral em 50 a 70% das mulheres quando ambas as mamas são examinadas. A maioria dessas lesões detectadas incidentalmente não evoluem para doença clinicamente reconhecível. A presença de comedonecrose, alto grau nuclear e de acentuada distensão dos lóbulos por proliferação, é um critério associado a elevado grau de transformação maligna. Carla falou estudar características tumorais Carcinoma lobular invasivo O carcinoma lobular invasor é o segundo tipo mais frequente de câncer de mama, correspondendo a 8% a 15%. É caracterizado pela presença de células pequenas e monótonas que infiltram o tecido mamário na forma de “fila indiana” ou agrupamentos lineares em arranjo targetoide ao redor de ductos e lóbulos não neoplásicos. Sua forma clássica, corresponde a 4% dos casos, caracteriza-se pela presença de células pequenas, com alta relação núcleo/citoplasmática, citoplasma escasso e núcleos densos, excêntricos e angulados. O carcinoma lobular apresenta algumas variáveis, entre elas a sólida, a alveolar, a pleomórfica, a túbulo-lobular e a de células em anel de sinete, e as formas mistas são frequentes. Nas formas sólidas, que têm pior prognóstico. No estudo imuno-histoquímico, o carcinoma lobular, mesmo em suas formas variantes, é positivo em alta porcentagem para receptor de estrógeno, é negativo para E-caderina e apresenta padrão perinuclear no exame de citoqueratina, quando esse é positivo. Ele se metastatiza mais frequentemente para ossos, serosas, líquido cefalorraquidiano, ovário e útero. Classificação molecular O uso da classificação tradicional pelo uso de parâmetros histológicos vem sendo usado com relativo sucesso ao longo dos anos com o objetivo de separar tais lesões em grupos com comportamento e prognóstico distintos, não sendo, no entanto, o modelo ideal para tratamentos personalizados. Existem pelo menos quatro tipos moleculares de câncer de mama. São eles: Luminal A, Luminal B, HER2 positivo e Triplo-Negativo. Cada tipo apresenta um perfil genético próprio, que está associado a um comportamento biológico específico. Luminares Receberam esta denominação porque a expressão característica do seu agrupamento de genes é reminiscente das células epiteliais luminais do dúctulos mamários. São o tipo mais comum representando 60 a 70% dos carcinomas mamários. Estes tumores expressam caracteristicamente citoqueratinas luminais (CK8 e CK18), receptores de estrogênio e progesterona, e genes associados à ativação do receptor de estrogênio (LIV 1, GATA 3 e CCND1). [?] Os receptores hormonais são proteínas localizadas na superfície de cada célula, quando esses estão em grande quantidade nos tumores, os hormônios se ligam a esses receptores e estimulam a multiplicação das células malignas. [!] No câncer de mama, a presença desses receptores hormonais permite opções de tratamento específicas, além da quimioterapia. Esse tipo de tumor também pode ocorrer em pessoas que possuem mutação nos genes BRCA1 e/ou BRCA2. Luminar A Apresentam receptores de estrogênio e/ou progesterona positivos, não apresentam a expressão da proteína HER2 (HER2 negativo) e possuem crescimento mais lento das células. Representam a maioria dos tumores luminais, quase o dobro dos luminais B, e são responsáveis por 30 a 40% de todos os carcinomas mamários infiltrantes, tendo omelhor prognóstico de todos, com as melhores taxas de sobrevida. O principal fator de diferenciação dos tumores luminais A dos B é seu índice proliferativo seguido da expressão de receptor de progesterona. As principais alterações encontradas no seu perfilde expressão gênica se traduzem por mutações de PIK3CA, mutações de MAP3KI, expressão elevada de ESR1, de XBPI; mutações de GATA3, de FOXA; ganhos de 1q, 8q, perda de 8p, 16q. Perfil Imunohistoquímico Molécula Presença RE (Estrógeno) Positivo RP (Progesterona) Positivo HER-2 Negativo Índice Proliferativo (Ki-67) Baixo Luminar B Também possuem receptores estrogênio e/ou progesterona positivos e não expressam a proteína HER2 (HER2 negativo) porém apresentam um nível mais acelerado de proliferação celular. Representa 20 a 30% de todos os carcinomas mamários infiltrantes e tem pior prognóstico do que os luminais A. Seu perfil genético caracteriza-se por mutações de TP53, amplificação de ciclina D1, amplificação de MDM2, perda de ATM, instabilidade genômica aumentada, e amplificações focais. Perfil Imunohistoquímico Molécula Presença RE (Estrógeno) Positivo RP (Progesterona) Positivo HER-2 Negativo ou Positivo Índice Proliferativo (Ki-67) Alto Um pequeno número de tumores luminal B são chamados triplo-positivos, quando expressam RE, RP e HER-2 positivos. HER-2 Os tumores HER-2 enriquecidos constituem 12 a 20% dos carcinomas mamários infiltrantes. Os tumores HER-2 enriquecidos tendem a ter crescimento mais rápido que os luminais e têm pior prognóstico, porém, com o advento de terapias-alvo, têm excelente resposta ao tratamento e melhora expressiva de prognóstico. Seu perfil genético caracteriza-se por hiperexpressão de HER-2 e genes relacionados, mutações de TP53, mutações de PIK3CA, hiperexpressão de FGFR4, hiperexpressão de EGFR, mutações de APOBEC, amplificação de ciclina D1 e alta instabilidade genômica. Perfil Imunohistoquímico Molécula Presença RE (Estrógeno) Negativo RP (Progesterona) Negativo HER-2 Alto (Hiperexpressão) Índice Proliferativo (Ki-67) Alto Triplo Negativo Aproximadamente 15 a 20% de todos os carcinomas mamários infiltrantes são triplo-negativos. Constitui o grupo mais heterogêneo de classificação gênica e de mais difícil reprodutibilidade à imuno-histoquímica. Apesar de qualquer dos subtipos intrínsecos poder ser avaliado como triplo-negativo à imuno-histoquímica, os basaloides são os que mais frequentemente são encontrados nesta categoria. Cerca de 50-75% dos carcinomas mamários triplo-negativos têm fenótipo basal e aproximadamente 80% dos tumores basaloides são RE e HER-2 negativos. Quando comparados aos outros subtipos tumorais, têm evolução clínica muito desfavorável, acometem pacientes de faixa etária mais baixa, têm grande potencial metastático com recidivas mais frequentes e taxas de sobrevida menores. As pacientes acometidas por doença metastática têm, com os tratamentos atuais, sobrevida média global de 13 a 18 meses. Os subtipos mais comuns e mais bem caracterizados dos subtipos moleculares triplo-negativos são: Basaloide 1 (BS1); Basaloide 2 (BS2); Imunomodulatório (IM), mesenquimal (M); Perfil Imunohistoquímico Molécula Presença RE (Estrógeno) Negativo RP (Progesterona) Negativo HER-2 Negativo Índice Proliferativo (Ki-67) Geralmente Alto Benignos Tumor Phylodes Tumor fibroepitelial raro, podendo ser benigno, borderline ou maligno. Tem semelhança com o fibroadenoma à mamografia, ao ultrassom e histologicamente. Seu tecido estromal apresenta maior celularidade do que o fibroadenoma. É geralmente volumoso, bem circunscrito e multinodular. Em 20% dos casos o linfonodo axilar ipsilateral aumenta e, na sua maioria, não significa metástase. O tratamento requer exérese completa com margem ampla conferindo menor chance de recorrência. Fibroadenoma Constituído de estroma e tecido epitelial de ductos e lóbulos. Geralmente se mostra como um nódulo circunscrito, elástico e móvel. Quando o crescimento é rápido (Carla falou que é lento) ou apresenta dimensões superiores a 5cm, realiza-se diagnóstico diferencial com o fibroadenoma juvenil ou tumor filoide. Caso a descrição do patologista conclua associação do fibroadenoma com cisto, papilomatose apócrina ou adenose esclerosante, ele passa a ser denominado de fibroadenoma complexo. É rara a transformação de fibroadenoma em carcinoma. O tríplice diagnóstico deve ser realizado na maioria dos casos. A remoção cirúrgica do fibroadenoma em determinados casos é discutível. Quando a paciente tiver idade acima de 25 anos ou apresentar nódulo com mais de 2 cm, a tumorectomia poderá ser indicada. Papiloma Define-se como eixo conjuntivo-vascular revestido por dupla camada, uma epitelial e uma mioepitelial, que cresce na luz do ducto. Tipos de Papiloma: Papiloma intraductal: Neoplasia benigna geralmente solitária e subareolar. Pode apresentar-se como massa palpável com ponto de gatilho. A clínica apresenta derrame espontâneo seroso ou hemático. O tratamento é a ressecção do ducto acometido, nas mulheres sem prole definida, ou ressecção dos ductos principais. Não apresenta risco para carcinoma se não houver atipias. Papiloma múltiplo: Lesões geralmente bilaterais, múltiplas e periféricas, sendo o derrame papilar menos frequente. Ocasionalmente se encontra massa palpável. A conduta é a excisão ductal completa e acompanhamento. Na ausência de hiperplasia não há risco para carcinoma. Recorrências são frequentes. Papilomatose juvenil: Geralmente se apresenta como massa palpável. O tratamento resume-se à exérese. O exame de anatomia patológica dará o diagnóstico definitivo. Existe aumento do risco para carcinoma mamário. Crescimento, como é diagnosticado, é acidental?? A palpação clínica é difícil. Compreender os fatores de risco da neoplasia de mama Sexo A relação do câncer de mama entre os homens e as mulheres é de cerca de 1 para 100. Idade A incidência do câncer de mama aumenta com a idade. Os tumores benignos e as alterações funcionais benignas são mais frequentes na menacme, e o carcinoma é mais diagnosticado no climatério e na senectude. História Pregressa História prévia de hiperplasia, atipia ou câncer de mama. Sabe-se hoje que somente aquelas que tiveram lesões caracterizadas como hiperplasias epiteliais atípicas têm risco aumentado (até seis vezes maior do que aquelas sem essas alterações). A grande maioria das pacientes que já tiveram o diagnóstico de displasia mamária são, na verdade, portadoras de alterações funcionais benignas e não têm risco aumentado para o câncer de mama. História Familiar Câncer de mama em parentes de 1o principalmente quando na pré-menopausa ou tumor bilateral. Dieta Os Estados Unidos têm as mais altas taxas de câncer de mama no mundo, enquanto no Japão elas são as menores, o que foi relacionado ao consumo de gordura animal. Nenhum estudo, porém, provou tal relação. Nas mulheres, o consumo de soja está ligado ao menor nível de estradiol circulante. Mulheres asiáticas que migraram para os EUA aumentaram o risco pelas gerações, reflexo da mudança do hábito alimentar e estilo de vida, também associado à obesidade. História ginecológica A menarca precoce e a menopausa tardia são fatores de risco significativo. História obstétrica Gravidez em idade precoce está relacionada com a diminuição do risco de câncer de mama, sendo o mesmo observado com o aumento na paridade. Dos tipos de estrogênios, o estriol, que é um hormônio da gestação, ocupa os receptores no tecido mamário com efeitos não tão potentes quanto o estradiol e a estrona. Estrona (E1) Produzida principalmente pelas células adiposas, mas também nos ovários e na placenta. Ele é o principal hormônio circulante após a menopausa. Estradiol (E2) [Mais forte] Este é o tipo mais ativo de estrógeno e está envolvido com ciclo menstrual e se liga muito fortemente aos receptores de estrogênio. Estriol (E3) É um subproduto escasso do metabolismo da estrona e é produzido pela placenta na gravidez, ele auxilia no aumento do útero e prepara o corpo para o parto. Estetrol (E4) Só é produzido durante a gravidez, por meio do fígado do feto. Amamentação Já a lactação parece conferir algum grau de proteção, não sofrendo influência da idade ou número de gestações, sendo mais um motivo para sua recomendação. Terapia Hormonal Esse é o maiscontroverso tema envolvendo as patologias mamárias. Toda mulher deve ser individualizada, e a terapia hormonal indicada ou não, levando em conta os riscos e os benefícios. Considera-se a história familiar e pregressa de câncer de mama assim como fenômeno tromboembólico e doença cardiovascular. Por outro lado, a presença de fogachos, a osteoporose e a atrofia urogenital são fatores do outro lado da moeda a serem pesados. Quanto à terapia de reposição hormonal, a literatura mostra uma tendência de discreto aumento do risco de câncer de mama quando ocorre o uso dessas substâncias por um período superior a 10 anos. Entender os processos de rastreio e diagnóstico da neoplasia de mama Estratégias de rastreamento de câncer para população de risco padrão, normalmente, baseiam-se em apenas dois critérios para definição de população-alvo: sexo (feminino) e faixa etária. Rastreamento A mamografia de rastreamento possibilita um diagnóstico mais precoce e subsequente terapia local e sistêmica. Além de reduzir a mortalidade do câncer de mama, o rastreamento com mamografia e a detecção precoce têm mais tendência a identificar tumores em um estágio mais apropriado para terapia local conservadora. O autoexame ou o exame físico das mamas realizado por um profissional de saúde têm pouca sensibilidade e especificidade, e não se recomenda o autoexame regular das mamas. Contudo, todas as mulheres devem estar familiarizadas com a aparência normal de suas mamas e perceber e relatar imediatamente quaisquer alterações a um profissional de saúde. Como as mamas constituem um local comum de malignidade potencialmente fatal em mulheres, o exame da mama é uma parte importante do exame físico de rotina. Não se recomenda o exame de imagem de rastreamento da mama para homens, visto que o câncer de mama é muito raro e facilmente detectado. É importante assinalar que as lesões unilaterais devem ser avaliadas da mesma forma que em mulheres com índice de suspeita apropriadamente alto. Rastreio A mamografia de rastreamento (exame de rotina em mulheres sem sinais e sintomas de câncer de mama) é recomendada na faixa etária de 50 a 69 anos, a cada dois anos. Fora dessa faixa etária e dessa periodicidade, os riscos aumentam e existe maior incerteza sobre benefícios. A mamografia permite identificar melhor as lesões mamárias em mulheres após menopausa. Antes desse período, as mamas são mais densas e a sensibilidade da mamografia é reduzida, o que gera exposição desnecessária à radiação e a necessidade de realização de mais exames. O rastreamento com mamografia, mesmo na faixa etária recomendada, implica em riscos que precisam ser conhecidos pelas mulheres. As mulheres devem ser orientadas sobre riscos e benefícios do rastreamento mamográfico. Atualmente não se recomenda o autoexame das mamas. Baixa efetividade e possíveis danos associados a essa prática. As mulheres devem ter a postura atenta no conhecimento do seu corpo e no reconhecimento de alterações suspeitas para procura de um serviço de saúde o mais cedo possível. A mulher deve ser estimulada a conhecer o que é normal em suas mamas e a perceber alterações suspeitas de câncer,por meio da observação e palpação ocasionais de suas mamas, em situações do cotidiano. Mamografia A mamografia por sistema écran-filme foi considerada o melhor método de exame por imagem da mama. Os cânceres de mama de crescimento lento são identificados por mamografia ao menos 2 anos antes que o tumor alcance um tamanho detectável pela palpação. A mamografia é o único método reprodutível de detecção do câncer de mama impalpável, mas seu uso depende da disponibilidade de equipamento de alta tecnologia e de um radiologista especialista em mama. Ultrassonografia É uma técnica sensível e minimamente invasiva, que vem sendo usada sobretudo em mulheres jovens com tecido mamário denso. Algumas lesões são detectadas somente por ultrassonografia. É a modalidade preferida para distinguir entre tumores sólidos e císticos. A ultrassonografia não detecta microcalcificações com fidedignidade e não é tão útil em mulheres com predomínio de tecido adiposo nas mamas.