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Carla Bertelli – 5° Período Exame do Paciente em Coma Exame do Paciente em Coma Possui 2 dimensões: Vigília e Cognição VIGÍLIA: função primitiva mantida por estrutura profundas do TE e tálamo: SISTEMA ATIVADOR RETICULAR. COGNIÇÃO: exige integridade cortical e dos principais núcleos subcorticais. Função de aquisição do conhecimento onde este ocorre através da percepção, atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, linguagem... Sistema Ativador Reticular Ascendente Formação reticular é uma parte do tronco encefálico envolvida no ciclo do sono, do despertar e filtra estímulos sensoriais relevantes ou não. Atua ativando o córtex cerebral. Responsável ainda por reflexos como respiratório, vasomotor e locomotor, o SNA, além do eixo hipotálamo-hipofisário. Apresenta-se de forma intermédia entre a substância branca e cinzenta. Ocupa parte do tronco cerebral projetando-se para medula e diencéfalo. É toda zona do tronco cerebral onde não existe núcleos específicos. Anamnese • Forma de Instalação – Abrupto ou Gradual • Sinais neurológicos focais ocorridos ou não antes da perda de consciência • Febre • Trauma • Uso de medicação e outras drogas • Comorbidades (hepatopatia, etc) Exame Físico Geral –Pressão arterial; –Frequência cardíaca; –Padrão e frequência respiratória; –Temperatura; –Sinais de TCE; –Pele: marcas de agulhas, cianose, icterícia, palidez, sangramentos, etc. Exame Neurológico –Nível de consciência; –Reflexos de TE; –Fundoscopia; –Sinais meníngeos; –Exame motor (quando possível); –Reflexos. Carla Bertelli – 5° Período Nível de Consciência –Vígil-Abertura ocular espontânea, alerta e responsivo –Sonolento-Responde a estímulos verbais ou toques leves –Obnubilado-Compreensão dificultada, responde a toques mais vigorosos –Torporoso-Dorme se não estimulado e, responde somente a retirada –Coma-Não se consegue acordar, profundo comprometimento da atividade Prognóstico no Coma Pós Trauma Craniano Diagnóstico Diferencial do Coma Escala de Coma de Glasgow Coma <8 Carla Bertelli – 5° Período Reflexos De Tronco Reflexo Fotomotor II – Aferente III – Eferente • Miose: hipotermia, lesões pontinas, intoxicação por opiáceos; • Midríase: botulismo, lesão mesencefálica, intoxicação por anticolinérgico, fármacos atropínicos; • Anisocoria: pensar em lesão focal; • Encefalopatias metabólicas geralmente preservam reação pupilar As pupilas devem estar com dilatação média ou completa (3 a 9 mm) e na linha média. A forma pupilar não é importante para o diagnóstico da ME. Não devem apresentar qualquer resposta (contração) d estimulação luminosa por 10 segundos. O reflexo consensual deve estar ausente. Deve ser dada atenção especial à história de dirurgia oftalmológica, uso de midriáticos tópicos, atropina venosa (não altera a contração) e trauma ocular ou da face. • Lesões Pontinas causam miose • Lesões no mesencéfalo causa midríase • Isso é visto em isquemias de porção posterior Reflexo Óculo-Cefálico Aferente – VIII Eferente – III, IV e VI Manobras de rotação da cabeça de um lado para o outro. Caso há lesão em alguma dessas vias o olho do paciente vai acompanhar o movimento da cabeça Se o paciente tiver com as vias funcionantes ele vai manter o olho para cima e o olho não vai junto com o movimentos da cabeça Não fazer em pacientes com lesões no pescoço Teste Calórico ou Oculovestibular Injetar soro fisiológico gelado ou água aquecida. Se estiver funcionante o olho do paciente vai se movimentar para o lado do qual foi injetado o líquido Carla Bertelli – 5° Período • Via aferente - nervo vestibulo-coclear (VIII) – ponte • Via eferente - nervo oculomotor, abducente, trocear (III, IV, VI) - fasciculo longitudinal medial - mesencéfalo/ponte. • Movimento Lateral Direito – Abducente • Movimento Medial – Oculomotor !!!Fascículo longitudinal medial!!! Durante o olhar horizontal, o fascículo longitudinal medial (FLM) em cada lado do tronco encefálico permite que a abdução de um olho ocorra de modo coordenado com a adução do outro, O FLM conecta as seguintes estruturas: • Núcleo do VI nervo (que controla o músculo reto lateral, responsável pela abdução) • Centro do olhar horizontal adjacente (formação reticular paramediana pontina) • Núcleo do nervo oculomotor contralateral (que controla o músculo reto medial, responsável pela adução) O FLM também conecta os núcleos vestibulares com o núcleo do 3° e 4° pares cranianos. A oftalmoplegia internuclear resulta de uma lesão no FLM: • Em pessoas jovens, geralmente é causada por esclerose múltipla e pode ser bilateral • Em idosos, geralmente é unilateral e causada por acidente vascular encefálico Reflexo Corneano Tocar com algodão/cotonete no globo ocular do paciente. Reflexo de fechar o olho Via Aferente – Nervo Trigêmeo – Ponte Via Eferente – Nervo Facial – Ponte A estimulação da córnea com a ponta de uma gaze ou algodão não produz resposta de defesa ou fechamento ocular. Reflexo de Vômito Aferente – IX Eferente – IX e X Reflexo da Tosse Morte Encefálica O paciente deve estar identificado, seus exames conferidos e a família avisada do início do protocolo. A causa do coma deve ser conhecida e demonstrável por exames de imagem ou pelo exame do liquor; "o protocolo para a ME não deve ser iniciado quando a causa do coma é desconhecida.8 * a irreversibilidade do processo causador do coma deve ter sido constatada e ordinariamente descrita no prontuário médico Carla Bertelli – 5° Período Excluir causa metabólica: •Tax<36°C, PIA < 60 mmHg, Sat. O < 90%; •deve ser excluído distúrbio hidroeletrolítico grave, como sódio sérico superior a 160 ou inferior a 120 mEg/L. Excluir intoxicação exógena: • Pesquisar uso de bloqueador neuromuscular, drogas psicotrópicas, agentes anestésicos e barbitúricos. Aguardar 48 ou 24 horas para o paciente que usou barbitúrico ou as demais drogas, respectivamente. 22 Duas Vias – Chamar a família ver se autorizam a doação de órgãos, e se não preencher critérios de doação legalmente há autorização para desligar os aparelhos e entregar o corpo à família Coma Sem Resposta – Glasgow 3 Implica descobrir por completo o paciente, expondo os quatro membros. O estímulo doloroso deve ser realizado na face, utilizando a região supraorbitária ou a articulação têmporo-mandibular. O estímulo doloroso na face permite testar a via trigeminal aferente; se houver qualquer reação motora, é sinal que o tronco encefálico não está completamente comprometido. O estímulo doloroso sobre as unhas utilizando o cabo do martelo de reflexo pode ser utilizado observando se ocorre alteração da mímica facial. O estímulo no esterno ou nos mamilos não é o mais adequado porque não testa vias do tronco encefálico e pode elucidar reflexo medular, o que não exclui o diagnóstico de ME. O paciente com suspeita de ME apresenta-se com grave injúria neurológica, que frequentemente lesa o diencéfalo e o tronco cerebral, impedindo que vias inibitórias originárias do telencéfalo e do tronco possam atuar na medula. Consequentemente, os reflexos de origem medular são comuns nesses padentes (30 a 56%).23 Após o diagnóstico de ME, quanto mais longo for o tempo em que se mantém o suporte, mais possibilidades há de surgirem (Reflexos medulares, Reflexos osteotendinosos, cutâneo-abdominal, cutáneo-plantar em extensão ou flexão, cremastérico superficial e profundo, ereção peniana reflexa, arrepio, sudorese, rubor, reflexos fexores de retirada dos membros inferiores ou superiores, reflexo tônico-cervical e sinal de Lázaro (fexão dos braços com ou sem apreensão) são todos sinais de reatividade medular e não afastam o diagnóstico de morte encefálica. Ausênciade reflexos de tronco encefálico Perde-se os reflexos no sentido crânio caudal Reflexo de Lázaro – Quanto mais o paciente está em coma, é comum encontrar esse sinal. São apenas reflexos Confirmação da Morte Encefálica Teste da Apneia É essencial para o diagnóstico da ME. Possui valor preditivo positivo próximo de 100%, entretanto, ressalta- se a possibilidade de efeitos deletérios para o padente. Por isso deve ser o último teste a ser realizado e abortado quando surgirem sinais de hipóxia ou Isquemia (PIA < 90 mmHg ou Sat 0z < 75%). Hiperventilar por 10 min para fazer com a PCO2 dele caia abaixo de 75 Faz uma gasometria A sua realização consiste em: • Ajuste os parâmetros do ventilador para obter PaCo2 em torno de 45 mmHg; • Aumente a concentração de oxigênio no ventilador para 100% pelo menos durante 10 minutos; Carla Bertelli – 5° Período • Mantenha um acesso intra-arterial (artéria radial ou femoral) acoplado a uma conexão de três vias para facilitar a coleta das gasometrias; • Desconecte o ventilador (marque o tempo) e instale uma sonda profunda na traqueia, com fluxo de oxigênio de 6 L/min em adultos ou 1 L/5 kg/min em crianças • Observe atentamente o aparecimento de qualquer incursão respiratória por 10 minutos ou até que a PacO2 esteja acima de 55 mmHg. Nota: A prova deve ser interrompida se ocorrer dissaturação grave (< 75%), bradicardia ou hipotensão. Nessas condições, o teste sera considerado válido se constatada apneia em vigência da PaCO2 acima de 55 mmHg. Assinado por 2 neurologistas ou 1 intensivista e 1 neuro