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R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 1 RADIOLOGIA 3° Semestre Vitor Enrique Bini RADIOLOGIA AULA 2 2.FÍSICA DA RADIAÇÃO 2.1 CONCEITOS A SEREM LEMBRADOS - Matéria (tudo que ocupa lugar no espaço em estado sólido, líquido e gasoso); - Elemento (materiais que compõem a matéria); - Átomo (vão compor os elementos). 2.1.1 ÁTOMO Núcleo - Prótons: carga positiva; - Nêutrons: carga neutra; - Nêutrons + prótons = n de massa (A) 2.1.2 ELETROSFERA **A eletrosfera vai possuir no máximo 7 camadas. - Elétrons: carga negativa; - Carga total do átomo igual a zero. . camadas: diferentes níveis de energia Quanto mais externas as camadas da eletrosfera = menor energia de ligação Quanto mais internas as camadas da eletrosfera = maior energia de ligação 2.1.3 IONIZAÇÃO - íon: átomo com desbalanço de elétrons e prótons: carga total diferente de zero; - Processo onde átomo ou molécula adquire carga; - Íons positivo ou negativo; - Energia suficiente para superar força de atração do núcleo aos elétrons. 2.1.4 RADIAÇÃO - Emissão e transmissão (propagação) de energia através do espaço, da matéria ou do vácuo. . Radiação corpuscular; . Radiação eletromagnética. **Tudo que se propaga é radiação, por exemplo, ondas de rádio, luz visível, do controle remoto. A única radiação que faz mal é a radiação que penetra nosso corpo e provoca ionização dos átomos. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 2 2.1.4.1 Radiação Corpuscular - São originárias de desintegrações nucleares, emitidos por partículas radioativas (são partículas que possuem o núcleo do átomo instável), ou provocadas por meios artificiais. - Possuem massa e carga elétrica; - Exemplos: partículas alfa (hélio sem e-), partículas beta (núcleo de átomos radioativos), nêutrons, prótons. 2.1.4.2 Radiação eletromagnética NÚCLEOS Estáveis com excesso de energia EXCESSO DE ENERGIA Emitida em forma de matéria (partículas) Radiação alfa e beta emitida em forma de ondas Eletromagnéticas. Radiação Gama 2.1.4.2 Radiação Eletromagnética - Consequência do movimento de energia através do espaço; - Combinação de campo elétrico e campo magnético; - Sem massa; - Velocidade igual à luz no vácuo; - MENOR comprimento de onda MAIOR frequência MAIOR poder de penetração; . exemplos: Luz visível, ondas de rádio, microondas, raios x. **quanto menor o comprimento de onda do raio x, maior a penetração. Quando penetra causa ionização das células. 2 segundos a) luz visível b) raio x R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 3 2.2 RAIOS X 2.2.1 CONCEITOS Uma forma de radiação eletromagnética, sem carga elétrica, com propriedades análogas às da luz com poder de ionização do corpo. Radiação emitida pelo frenagem dos elétrons (radiação Bremsstrahlung) e pela sua transição para níveis internos dos átomos (radiação Característica). 2.2.2 CLASSIFICAÇÃO DOS RAIOS X - Raios X moles: pouco poder de penetração (comprimento de onda grande); - Raios X duros: penetram em corpos densos **Se aumentar ainda mais o comprimento de onda do raio x, vira luz ultravioleta. Se o comprimento de onda for menor do que do raio x duro, será gama. **Usa-se uma placa de alumínio para amenizar os raios x moles. 2.2.3 PROPRIEDADES DOS RAIOS X Propriedades iguais da luz: - Propagam-se em linha reta; - Possui a velocidade da luz no vácuo; - São divergentes; - Não sofrem influência do campo elétrico ou magnético; - Impressionam chapas fotográficas. Propriedades diferentes da luz: - É invisível (por isso se utiliza o bip no aparelho, para saber que não há mais emissão); - Não sofre reflexão e refração; - Produz ionização (penetram e mudam os átomos das células); - Fluorescem substâncias: platinocianeto de bário, tungstato de cálcio; - Atravessam estruturas opacas à luz, proporcionalmente ao número atômico; - Ionizam gases. 2.3 PRODUÇÃO DOS RAIOS X 2.3.1 ELEMENTOS FUNDAMENTAIS 1) Gerador de elétrons; 2) Acelerador de elétrons; 3) Alvo ou anteparo. **Colocados no ambiente rarefeito (vácuo). **O mais caro do aparelho de raio x é a ampola. 2.3.2 TUBOS DE RAIO X Todos os tubos de raio-x, odontológicos ou médicos, são chamados de tubos de Coolidge, porque seguem o desenho original de W.C. apresentado em 1913. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 4 2.3.3 FONTE DE ELÉTRONS –mA Princípios da emissão termoiônica: “Todo filamento metálico aquecido no vácuo produz ao seu redor uma nuvem de elétrons livres cuja quantidade é proporcional à temperatura deste filamento.” **A ampola é de filamentos de tungstênio. **DDP – diferença de potencial. Cátodo Ânodo DDP bloco de cobre e+ e+ e+ e+ e- e- pastilha de tungstênio e- e- raio x e calor 99% B 0,2% de raio x Filamento de tungstênio Placa de vidro **O raio X é formado pela parada brusca dos elétrons 2.3.4 ACELERADOR DE ELÉTRONS – KV - Gerado por uma DDP; - Quanto maior a DDP maior a velocidade - Ânodo + - Cátodo - 2.3.4.1 Cátodo – - Dispositivo focalizador de molibdênio (que possui no seu interior o filamento de tungstênio).; - Filamento de tungstênio – Esse filamento fica alojado numa calota côncava de molibdênio (cátodo) - (alto ponto de fusão); 2.3.4.2 Ânodo + - Placa de cobre (condutibilidade térmica) – No interior possui uma pastilha de tungstênio. R A D IO LO G IAV it o r En ri q u e B in i 5 PROCESSOS DE PRODUÇÃO DE RAIOS X Pode ocorrer por dois métodos: ➢ Radiação Bremsstrahlung (geral) ou frenamento: - Quando o elétron se choca com o núcleo do tungstênio e esse choque desvia o elétron incidente, causando uma frenagem brusca no mesmo. Essa frenagem vai liberar energia na forma de raio X. - Conhecida como raios X comum - Radiação branca ➢ Radiação Característica: - Relação com a eletrosfera do tungstênio, onde um elétron incidente retira um elétron de uma das camadas da eletrosfera. Imediatamente o espaço deixado pelo elétron expulso é ocupado por outro elétron de uma camada mais afastada. Esse deslocamento de um elétron de uma camada para outra libera energia na forma de raio X. - Resumindo, há uma Ionização do átomo de tungstênio pela remoção do elétron; - Ocorre acima de 80 kVp até 150 kVp - 10 a 28% de radiação característica haverá no feixe útil. - Baixa energia – filtradas pelo aparelho. É a menor menor porção emitida em um tubo de raios X. **a produção então do raio x ocorrerá pelo deslocamento do elétron da camada mais externa para uma camada mais interna,gerando raio x e calor. **choque com o núcleo é a radiação Bremsstrahlung; enquanto que choque com um outro elétron é a radiação Característica. **Ambas as radiações se sobrepõem, havendo cerca de 10 a 28% de radiação característica no feixe útil com tensões de 80 a 150 kVp. AULA 3 3.1 TÉCNICAS RADIOGRÁFICAS INTRA-BUCAIS Técnicas Radiográficas intra-Orais (intra-bucal) ➢ Periapical: pega todo o dente, raiz e coroa. ➢ Interproximal (bite-wing asa de mordida): área com superiores e inferiores. ➢ Oclusal: utiliza um filme de maior dimensão e é possível visualizar uma área maior. 3.1.1 Posição da Cabeça PLANOS ANTROPOLÓGICOS DE POSICIONAMENTO Maxila ➢ Plano sagital mediano; ➢ Plano de camper: vai da linha tragus (orelha) à asa do nariz (para exame periapical esse plano deve estar paralelo horizontalmente ao solo). Mandíbula ➢ Linha trágus-comissura labial (plano sem nome). 3.1.2 Divisão da arcada dentária **no exame periapical completo são usados 14 filmes: 7 na superior e 7 na inferior. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 6 **em dentes posteriores usa-se filmes na horizontal e anteriores na vertical; **incisivo lateral superior deve ser radiografado com o canino pois os 4 incisivos superiores não saem no mesmo filme. **incisivos inferiores: os 4 conseguem sair no mesmo filme **canino inferior é radiografado sozinho (centrado), e no superior com o incisivo lateral. 3.2 POSICIONAMENTO DO FILME ➢ Observar o lado de exposição: direito ou esquerdo; ➢ Região a ser radiografada deve estar no centro do filme; ➢ Picote deve estar voltado para a coroa. ➢ Borda do filme deve ultrapassar 2-3 mm a face oclusal do elemento que está sendo radiografado; ➢ Dentes posteriores – filmes na horizontal ➢ Dentes anteriores – dentes na vertical. 3.3 MANUTENÇÃO DO FILME NA BOCA ➢ MÃO Maxila: dedo polegar do lado oposto a ser radiografado e os outros dedos na posição de sentido (abertos) apoiados na face. Mandíbula: dedo indicador da mão do lado oposto a ser radiografado, polegar apoiado no mento e demais dedos fechados. ➢ POSICIONADOR Utiliza-se um posicionar que despensa o apoio do filme com a mão. 3.4 ÂNGULOS DE INCIDÊNCIA DOS RAIOS X ➢ Ângulo vertical (acima ou abaixo da linha oclusal): - Acima são ângulos positivos + - Abaixo são ângulos negativos - ➢ Ângulo horizontal (à direita ou à esquerda do plano sagital mediano). 3.5 TEMPO DE EXPOSIÇÃO ➢ Fornecido pelo fabricante do filme; ➢ Levar em consideração as especificações do aparelho. 3.6 PROCESSAMENTO ➢ Tabela tempo/temperatura ➢ Sequência correta INDICAÇÕES DAS TÉCNICAS PERIAPICAIS ➢ Observação de infecção/inflamação periapical; R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 7 ➢ Avaliação periapical; ➢ Avaliação pós-traumática dos dentes e do osso alveolar. ➢ Avaliação de presença e do posicionamento de dentes não irrompidos; ➢ Avaliação da morfologia radicular (dilacerações) antes das extrações; ➢ Procedimentos endodônticos; ➢ Avaliação pré e pós-operatória de cirurgias apicais. ➢ Avaliação minuciosa de cistos apicais e outras lesões no osso alveolar (mais comum é o cisto apical); ➢ Avaliação pós operatória de implantes. TÉCNICAS PERIAPICAIS ➢ Técnica da bissetriz: - com posicionador tipo Han-shin - sem posicionador (caso haja náusea ou desconforto para o paciente) ➢ Técnica do paralelismo - com posicionador tipo XCP - sem posicionador TÉCNICA DA BISSETRIZ Posição da Cabeça Maxila ➢ Plano de camper paralelo ao solo; ➢ Plano sagital mediano perpendicular ao solo. Mandíbula ➢ Linha trágus-comissura labial paralela ao solo; ➢ Plano sagital mediano perpendicular ao solo. (inserir imagem) TEOREMA DE CIESZINSKI A imagem projetada terá o mesmo comprimento e as mesmas proporções do objeto radiografado, desde que o feixe de raios X seja perpendicular à bissetriz do ângulo formado entre filme e objeto. **bissetriz (corta o ângulo ao meio). R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 8 O feixe de raio x deve ser perpendicular à bissetriz ÂNGULOS DE POSICIONAMENTO DA CABEÇA PARA RADIOGRAFIAS UTILIZANDO A TÉCNICA DA BISSETRIZ R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 9 DISTORÇÕES DA TÉCNICA DA BISSETRIZ ➢ Encurtamento; - perpendicular ao filme ** quanto maior o ângulo, mais curto o dente. ➢ Alongamento - perpendicular ao dente ** quanto menor o ângulo, mais alongado o dente. AULA 4 (continuação professora) AULA DE FILMES RADIOGRÁFICOS FILMES RADIOGRÁFICOS E ACESSÓRIOS (AULA 4 – 2a PARTE) RECEPTORES DE IMAGEM ➢ Filme (radiografia convencional); ➢ Sensor ou receptor (radiografia digital). FILMES RADIOGRÁFICOS É o meio usado para registrar a imagem radiográfica depois de ter sido exposto aos RX e processado nas soluções adequadas PELÍCULA RADIOGRÁFICA Camadas: ➢ Base; ➢ Emulsão; ➢ Capa protetora. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 10 Base Têm função de suporte para a emulsão. ➢ Poliéster ➢ Rígida, porém flexível ➢ Fina (0,2 mm) ➢ Azulada ou esverdeada ➢ Plana ➢ Retangular com bordas arredondadas (para não machucar o paciente) Sobre a base, em ambos os lados, é usada uma cola, um adesivo para fixar a emulsão à base. Em um dos cantos da base está o picote. EMULSÃO A constituição da emulsão é baseada em dois componentes principais, os sais halogenados de preta (brometo de prata e iodeto de prata)e a matriz onde se encontram os sais suspensos. Em síntese: serve para acomodar os cristais de halogeneto de prata e para receber uma camada protetora contra estragos acidentais. ➢ A matriz possui aspecto de Gelatina (dupla) – formada por pele e ossos de animais. É onde se encontram os sais suspensos. Possui característica de absorção de produtos químicos presentes no processamento radiográfico. Não se dissolve em água e endurece após o processamento radiográfico. Uma película protetora é colocada sobre a emulsão (em ambos os lados) para evitar contaminação e prevenir estragos acidentais. Essa película diminui o tempo de exposição do paciente ao RX. ➢ Cristais de halogeneto de prata: - Brometo de prata - Iodeto de prata: aumenta a sensibilidade ao raio X. VELOCIDADE DO FILME ➢ Sensibilidade (depende da forma e do tamanho dos cristais) ➢ Forma e tamanho dos cristais; ➢ D,E e F (a sensibilidade/ velocidade é expressa por letras do alfabeto. D é o mais lento, E é o intermediário e F é o mais rápido) ➢ Imagem latente (imagem presente de um filme já exposto, porém antes de passar pelas soluções químicas, ou seja, ainda está invisível. ** o filme é rápido quando requer menor tempo de exposição ** os cristais de um filme rápido são maiores. Porque se fabrica então o filme lento? Porque o filme lento possui uma melhor resolução, mais rico de detalhes. Porém, na prática a diferença é praticamente imperceptível. Os filmes mais rápidos são mais baratos. CAPA PROTETORA DA PELÍCULA ➢ Gelatina transparente – proteger a emulsão contra acidentes mecânicos. Com isso finaliza a película. É colocada sobre ambos os lados da emulsão. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 11 CONJUNTO COMPLETO (FILME) ➢ Película; ➢ Papel preto; ➢ Lâmina de chumbo; ➢ Invólucro plástico. CONJUNTO ➢ Filme ou película - Receptor ➢ Papel preto - Proteger o filme contra a luz e umidade ➢ Lâmina de chumbo - Proteção para o paciente - Proteção da radiação secundária (velamento) ➢ Invólucro plástico - Proteger do contato com a saliva PICOTE (ponto gravado em uma extremidade do filme) ➢ Côncavo/convexo (em um lado côncavo e no outro convexo) ➢ Depressão/saliência; ➢ Serve para orientar na moldagem; - Convexidade para operador ➢ Orientar na exposição; - Convexidade para o tubo. ** o picote deve ficar para cima (a parte convexa/saliência fica para cima) FILMES RADIOGRÁFICOS Podem ser: ➢ Intra-bucais ou no-screen; ➢ Dosimétricos; ➢ Extra-bucais ou screen **No-screen não utiliza placa intensificadora. INTRA-BUCAIS OU NO-SCREEN ➢ Periapical; ➢ Interproximal. É um filme periapical adaptado. ➢ Oclusal. É quase igual ao periapical, porém maior 5x7. A parte de trás é de papel e não de plástico para baixar o custo. FILME DOSIMÉTRICO ➢ Utilizado por quem trabalha muito com raio X. ➢ Mede as doses de radiação à qual o profissional é exposto. ➢ Chamado de dosímetro ou medidor de radiação. ➢ Pode vir em forma de crachá. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 12 EXTRA-BUCAIS OU SCREEN ➢ Possui muitas películas. Utilizado em técnicas: ➢ Panorâmica; ➢ Projeções de crânio e seios da face; ➢ Cefalométricos ➢ Entre outros... Chassi (Suporte de filme) – ver imagem abaixo ** o chassi é a parte metálica da placa onde o raio x extra-bucal é colocado ➢ Vários tipos e formas; ➢ Alumínio ou fibra de carbono; ➢ Filme prensado entre 2 placas intensificadoras. Placas Intensificadoras (ECRANS) - ver imagem acima Têm a função de converter a radiação X absorvida em luz. Os filmes screen são mais sensíveis à luz do que à radiação X. A presença das telas intensificadoras chega a reduzir em até 60 vezes a dose de radiação X necessária para a formação da imagem latente em relação aos filmes no- screen. Nos filmes intra-orais não há necessidade do uso de telas intensificadoras, porque a imagem formada teria uma menor nitidez (detalhes), e também devido ao alto custo para sua produção, uma vez que essas telas não são descartáveis. ➢ Placas constituídas de pequenos cristais de tungstato de cálcio, platinocianeto de bário ou elementos terras raras (cristais), formando uma camada uniforme sobre uma base rígida. ➢ O filme é rapidamente sensibilizado pela luz e requer menor quantidade de radiação para registrar. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 13 Ecrans: ➢ Desvantagem - Imagem menos nítidas do que as Observadas em filmes sem ecran. ➢ Vantagens - Requer menos tempo de exposição 10 a 60 vezes menor. ➢ Mais sensíveis à luz do que à radiação; ➢ Utilizam chassis: - Manter o ecran em contato com o filme ➢ Utilizam placas intensificadoras: - Absorvem os raios x e emitem luz visível AULA 5 TÉCNICA PERIAPICAL (CONTINUAÇÃO) PARALELISMO Se é aumentada a distância do cone de raios x em relação à boca do paciente, temos que aumentar o tempo de exposição também. POSICIONAMENTO Posição da cabeça é idêntica à da técnica da bissetriz. A diferença é que na bissetriz o filme fica colado no palato, no paralelismo não. Na técnica do paralelismo o filme deve ficar o mais paralelo possível ao dente. A distância do cone é de 40 cm na técnica do paralelismo e 20 cm na bissetriz. Por conta da maior distância no paralelismo, temos que aumentar o tempo de exposição (dobrar). VANTAGENS DAS TÉCNICAS PERIAPICAIS COM POSICIONADOR ➢ Menor distorção de forma e tamanho; ➢ Fácil posicionamento; ➢ Maior simplicidade de execução da técnica; ➢ Padronização das radiografias. ➢ Menor exposição aos raios X devido ao menor número de repetições (pois causam menor número de erros ao tirar o raio x. No final, por conta dos menores erros, essa técnica gera uma menor exposição pois acarreta em menos repetições). DESVANTAGENS DAS TÉCNICAS PERIAPICAIS COM POSICIONADOR ➢ Maior possibilidade de movimento (maior tempo); ➢ Maior tempo de exposição; ➢ Desconforto ao paciente; ➢ Maior custo operacional (como por exemplo a esterilização); ➢ Dificuldade em crianças e pacientes agitados. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 14 RADIOGRAFIA INTERPROXIMAL (CHAMADA TAMBÉM DE BITE WING – ASA DE MORDIDA) INDICAÇÕES DA TÉCNICA INTERPROXIMAL ➢ Adaptação marginal de restaurações; ➢ Restabelecimento de pontos de contato; ➢ Excesso de restaurações proximais; ➢ Cáries interproximais e oclusal; ➢ Relação cárie/câmara pulpar; ➢ Condições das cristas ósseas alveolares; ➢ Avaliação periodontal; ➢ Presença de cálculos salivares (tártaro). POSIÇÃO DA CABEÇA ➢ Plano trágus-asa do nariz (plano de Camper) paralelo ao solo (plano horizontal); ➢ Plano sagital mediano perpendicular ao solo (horizontal). ÂNGULOS UTILIZADOS ➢ Vertical: +8 a +10 ➢ Horizontal: paralelo às faces interproximais. **marco zero pro plano vertical é o plano oclusal, ou seja, a linha oclusal corresponde a 0o. **marcozero para o plano horizontal é o plano sagital mediano. DIVISÃO DA ARCADA DENTÁRIA EM POSTERIORES série de dois filmes série de quatro filmes ANTERIORES série de três filmes (técnica de Lowet) RADIOGRAFIA – TÉCNICA OCLUSAL INDICAÇÕES ➢ pacientes desdentados; ➢ pesquisa e localização de corpos estranhos, raízes residuais e supranumerários; ➢ delimitação e localização de alterações patológicas; ➢ Localização de fraturas; ➢ Pesquisa de cálculo salivar, cálculo na glándula (ducto de Wharton). ➢ Pesquisa de dentes irrompidos ➢ Mensurações ortodônticas; ➢ Controle da ação de diversos aparelhos; ➢ Extensão de fendas palatinas; R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 15 POSIÇÃO DO FILME NA BOCA ➢ RADIOGRAFIA TOTAL DA BOCA: longo eixo do filme perpendicular ao PSM (Plano Sagital Mediano). ➢ RADIOGRAFIA PARCIAL DA BOCA: longo eixo do filme paralelo ao PSM. MANUTENÇÃO DO FILME NA BOCA (como segurar o filme na boca) PACIENTES DENTADOS ➢ Fechando suavemente a boca. PACIENTES DESDENTADOS ➢ Maxila: o paciente irá pressionar o filme contra o rebordo superior com os dedos polegares das duas mãos (demais dedos abertos). ➢ Mandíbula: o paciente irá pressionar o filme contra o rebordo inferior com os dedos indicadores de ambas as mãos (demais dedos fechados). POSIÇÃO DA CABEÇA MAXILA ➢ Plano de camper (linha tragus-asa do nariz) paralelo ao solo (plano horizontal). ➢ Plano sagital mediano perpendicular ao solo. MANDÍBULA ➢ Plano sagital mediano perpendicular ao plano horizontal e plano oclusal dos dentes superiores em ângulo reto (90o) em relação ao plano horizontal, obtido com a inclinação da cabeça do paciente para trás ÁREAS DE INCIDÊNCIA DA RADIOGRAFIA OCLUSAL TOTAL MAXILA ➢ Oclusal total; ➢ Ângulo vertical +65o ➢ Área de incidência – glabela MANDÍBULA Técnica Oclusal total; ➢ Ângulo vertical de 90o (perpendicular ao plano do filme) difícil de conseguir os 90o. Minha referência vai ser o filme. Vou estender ao máximo a cabeça do paciente para conseguir os 90o com o filme. É conseguido inclinando-se a cadeira do paciente. ➢ Ângulo horizontal 0o ➢ Área de incidência – porção mediana do assoalho bucal. ÁREA DE INCIDÊNCIA DA RADIOGRAFIA OCLUSAL PARCIAL (OU LATERALIZADA) MANDÍBULA Técnica Oclusal parcial ou lateralizada ➢ Ângulo vertical 90o (perpendicular ao plano do filme); ➢ Ângulo horizontal 0o; R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 16 ➢ Área de incidência – porção mediana do assoalho bucal (deslocada para a direita ou esquerda, dependendo do lado que se queira radiografar). ÁREA DE INCIDÊNCIA – OCLUSAL REGIÃO DE SÍNFISE Técnica oclusal da região de sínfise ➢ Ângulo vertical de 55o (ao plano do filme); ➢ Ângulo horizontal 0o; ➢ Área de incidência – sínfise mandibular (linha mediana do mento). AULA 6 PROCESSAMENTO DE FILME RADIOGRÁFICO TIPOS DE CÂMARA ESCURA ➢ Portátil; (vantagens: portátil. Desvantagem revela poucos filmes ao mesmo tempo) ➢ Quarto escuro; (vantagens: precisa apenas de um cômodo e faz processamento de vários filmes. Desvantagens: ninguém pode entrar na sala pois queima o filme. Não é indicado para clínica pela maior mão de obra.) ➢ Labirinto. (vantagem: pode entrar e sair da sala. Desvantagem: espaço, pois necessita de corredores. CÂMARA ESCURA REQUISITOS NECESSÁRIOS ➢ Luz de segurança (luz vermelha) ➢ Água corrente para fazer as lavagens; ➢ Ventilação: deve haver um exaustor para a remoção (evaporação) dos gases dos produtos químicos; ➢ Limpeza. Bancada seca: Bancada para manipulação do filme Termômetro Relógio Parte úmida: Tanques com solução química Água corrente LANTERNA DE SEGURANÇA Vermelha por conta do comprimento de onda do vermelho, que é um comprimento de onda maior, o que não vai queimar o filme ao utilizar em um tempo razoável de trabalho, ou seja, com exposição não muito prolongada à essa luz. Essa luz vermelha na verdade possui uma lâmpada de luz branca de 15w, e deve ficar a 1,20cm de altura na bancada. Caso a altura seja maior, deve- se usar uma lâmpada mais potente. O que torna a luz vermelha já a lâmpada é de luz branca? Um filtro vermelho feito de cristais que vai sobre a lâmpada branca. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 17 PASSOS PARA REVELAR UM FILME RADIOGRÁFICO 1) REVELADOR ➢ Interage somente com sais de prata que foram expostos aos raios x, reduzindo os cristais de prata para prata metálica, que é negra, e isso vai fazer aparecer a parte escura da radiografia. ➢ pH 10 a 12 (básico, alcalino) ➢ COMPONENTES DO REVELADOR: 1) Redutor/agente ativo (elon e hidroquinona, que são responsáveis em fazer a transformação da prata em prata metálica); 2) Acelerador/alcalinizante (NaCO3 ou NaOH) carbonato e hidróxido. Esse agente que vai dar o pH alcalino à solução e serve para acelerar a reação química. E ela não pode ser demorada, tem que ser um processo rápido. 3) Preservativo/antioxidante (Na2(SO3)), sulfito de sódio. Agente preservativo para que a solução com contato com o ar não oxide rapidamente. 4) Retardador/modelador/controlador (KBr) brometo de potássio 5) Veículo (H2O). 2) LAVAGEM INTERMEDIÁRIA Tirei do revelador, agora vou passar pela água, ou seja, lavagem intermediária. Serve para dizer ao revelador parar de agir; neutraliza o revelador e proporciona a limpeza do filme. ➢ Impedir que o filme leve produto do revelador para o interior do tanque fixador; ➢ Neutralizar a ação do revelador; ➢ 20 segundos. A lavagem intermediária é de cerca de 20 segundos. **o revelador é básico 3) FIXADOR Depois da lavagem vou passar para o fixador: ➢ Dissolve os sais de prata que não foram expostos aos raios x, além de fixar as imagens produzidas pelo revelador e endurecer a emulsão. 1) Agente ativo (clareador): NaSO (hipossulfito de sódio). Forma a imagem branca da radiografia. 2) Acidificador (ácido Acético): neutraliza vestígio do revelador; 3) Preservativo/antioxidante: Na2(SO)3 sulfito de sódio 4) Endurecedor: alúmen de potássio ou cromo; 5) Veículo: H2O 4) LAVAGEM FINAL Mais longa, mais demorada. Remove do filme todas as soluções químicas que existam na superfície do filme para que ele não fique manchado. Se não lavar adequadamente vai ficar solução da película que vai oxidar e deixar o filme com aparência marrom/amarelada. ➢ Remover o fixador, evitando a formação de compostos químicos na superfície do filme que pode amarelar a radiografia. ➢ A lavagem deve durar 10 minutos. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 18 5) SECAGEM Usa-se geralmente uma secadora de roupa, e isso faz o filme secar uniformemente. Não é indicado a secagem natural ou usando seringa tríplice. ➢ Durante a secagem a emulsão contrai, voltando a espessura normal. 6)MONTAGEM DAS RADIOGRAFIAS ** o filme é formado por cristais de halogeneto de prata e gelatina (onde os cristais estão fixados). MÉTODOS DE PROCESSAMENTO QUÍMICO Pode ser manual ou automático: ➢ MANUAL (dois tipos) - Método Visual (ou inspecional) - Método Tempo/temperatura: O método tempo/temperatura é o método adotado na faculdade. Por que método tempo/temperatura? O tempo vai depender da temperatura da solução. O método Inspecional ou visual não é recomendado. Você coloca o filme na colgadura e coloca na solução reveladora, e você tem que inspecionar visualmente se a radiografia está boa, então é um método muito complexo e que requer muita experiência, além de ser muito subjetivo. Isso faz com que as radiografias não fiquem padronizadas. Você tem que ficar tirando e colocando na solução o tempo todo pois você tem que esperar o ponto certo, e isso faz com que haja mais exposição à luz, podendo prejudicar a radiografia. No processamento manual leva-se cerca de 30 minutos para obter uma radiografia para interpretação. ➢ AUTOMÁTICO: Realizado por aparelho automatizado, onde o filme passa pelo processo de revelação sendo conduzido por esteiras. Dura aproximadamente 2 minutos. PROCESSAMENTO MANUAL VISUAL Desvantagens: ➢ Falta de padronização; ➢ Maior contato com a lanterna de segurança; ➢ Impede de revelar muitas radiografias ao mesmo tempo; Vantagens: ➢ Compensar sub ou super exposição. Quando o paciente recebe pouca exposição de raio x vai-se compensar a sub-exposição. Para compensar isso, deixa-se mais tempo no revelador. Por exemplo, se em uma radiografia normal deixa-se 2 min no revelador, nesse caso deixa-se 4 min, para compensar a prata metálica. Isso vale também quando expõe por tempo demais. Nesse caso deixa-se menor tempo no revelador. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 19 PROCESSAMENTO MANUAL TEMPO/TEMPERATURA O técnico mergulha um termômetro no revelador. Usa-se uma tabela fornecida pelo fabricante para verificar a temperatura e o tempo que o filme deve ficar no revelador. Quanto mais quente estiver a solução, menos tempo deixa-se no revelador. A média é de 2 a 3 minutos. PROCESSAMENTO AUTOMÁTICO O revelador é mais quente e mais concentrado. O filme entra por mecanismo de esteiras entrando e saindo das soluções e saindo por fim seco. Todos os filmes saem com o mesmo tom, então isso causa raios X padronizados/uniformes. Possui um tamanho pequeno. Vantagens: ➢ Rapidez; ➢ Uniformidade; ➢ Espaço. Desvantagens ➢ Manutenção e limpeza; ➢ Preço. **Tem que limpar. Todo dia deve-se trocar a água do tanque. CICLO DE PROCESSAMENTO (REVISÃO) ➢ Desembalagem do filme e prender na colgadura; ➢ Imergir a colgadura na solução reveladora, agitando suavemente para remover as bolhas de acordo com a tabela tempo/temperatura (2 min) ➢ Lavagem intermediária por 20 seg. ➢ Imersão no fixador por 10 minutos (fixação inicial 3 minutos). O que é essa fixação inicial? Deixa-se no fixador por 3 minutos para ver se o raio X está bom e se pode dispensar o paciente. Depois dos 3 minutos o filme já pode pegar luz que não estraga. Então depois desses 3 minutos eu volto o filme para o fixador por mais 7 minutos para completar os 10 minutos e completar o ciclo correto. ➢ Lavagem em água corrente por 10 minutos; ➢ Secagem por 20 segundos. OBSERVAÇÕES FINAIS ➢ Por convenção: revelador sempre à direita na caixa reveladora (mas as vezes pode ficar à esquerda também) ➢ Super-revelação + escura; ➢ Sub-revelação + clara; ➢ Solução fixadora não deve ser contaminada pelo revelador: isso porque forma sais que inviabilizam os cristais de prata. ➢ Fixação inicial após 3 minutos; Para completar o ciclo completo. ➢ Filmes não fixados ficam amarelo-verde depois marrons; ➢ Revelador e fixador levemente amarelados; ➢ Quando começam a deteriorar: revelador (marrom-escuro); fixador (branco leitoso). R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 20 AULA 7 PROTEÇÃO RADIOLÓGICA FONTES DE RADIAÇÃO: ➢ NATURAL: ex. Radiação solar ➢ ARTIFICIAL: ex. Raio x FONTES ARTIFICIAIS DE RADIAÇÃO ➢ Tubo de raios X ➢ Invólucro de vidro ➢ Catodo ➢ Capa focalizadora ➢ Cabeçote ➢ Óleo FONTES NATURAIS DE ONDAS ELETROMAGNÉTICAS ➢ Sol RADIAÇÃO IONIZANTE Radiação capaz de provocar um desequilíbrio do átomo e uma alteração na morfologia. NORMAS DE PROTEÇÃO ➢ Justificativa do uso ➢ Princípio de Alara – ato de tentar fazer o paciente tomar a menor quantidade de radiação x para o diagnóstico. ➢ Proteção ao paciente ➢ Proteção ao profissional PRINCÍPIO DE ALARA “As Low As Reasonable Achievable˜ PROTEÇÃO AO PACIENTE 1) Com relação ao aparelho: ➢ Quilovoltagem ➢ Filtração ➢ Colimação ➢ Radiação de fuga do cabeçote ➢ Cilindro localizador ➢ Cronômetro eletrônico PROTEÇÃO DO APARELHO QUILOVOLTAGEM Energia efetiva do aparelho. Quanto maior o KV maior a penetração. Hoje trabalha-se em torno de 40 Kv. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 21 FILTRAÇÃO Fica na saída do cilindro. Filtro de alumínio. Atenua raios com pouco poder de penetração. Barra os raios x de menor poder de penetração. COLIMAÇÃO Direcionamento de feixes divergentes. RADIAÇÃO DE FUGA DO CABEÇOTE Nível de fuga de radiação do cabeçote LOCALIZADOR CILINDRO ABERTO Faz com que a exposição seja mais direcionada. LOCALIZADOR LONGO CRONÔMETRO ELETRÔNICO Cronômetro mais seguro. PROTEÇÃO RELACIONADOS AO FILME Com relação ao filme radiográfico: ➢ Filme de velocidade E e F – a proteção do filme é ter um filme mais rápido. ➢ Posicionadores – reduz as repetições e a exposição do paciente. ➢ Processamento adequado – evitar erros de processamento. Evitar repetições. ➢ Ecrans intensificadores de terras raras - acarretam em menor tempo de exposição. PROTEÇÃO ASSOCIADAS A BARREIRA PROTETORA AOS ÓRGÃOS CRÍTICOS DO PACIENTE ➢ Avental de chumbo; ➢ Colar de tireóide. OUTRAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO AO PACIENTE ➢ Contínuo treinamento da equipe de trabalho e programa de garantia de qualidade. ➢ Colaboração do paciente. ➢ Evitar presença de acompanhantes. PROTEÇÃO AO OPERADOR ITENS BÁSICOS: ➢ Posição do operador ➢ Distância do operador ➢ Barreiras protetoras ITENS COMPLEMENTARES: ➢ Serviço de monitoramento POSIÇÃO IDEAL De 90 até 135° à fonte primária do raio x R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 22 LEI NUNCA ➢ Nunca ficar menos de 2m de distância ao paciente durante à exposição. ➢ Nunca segurar filme na boca do paciente. ➢ Nunca segurar o cabeçote. ➢ Nunca permanecer na frente da direção do feixe. BARREIRAS FÍSICAS ➢ Biobo protetor de chumbo (1,25mm). ➢ Paredes com material absorvente de radiação (chumbo, concreto, alvenaria, aço e massa baritada). MONITORAMENTO ➢ Dosímetro – cristais termoluminescentes de fluoreto de lítio. Dosímetro utilizado paradosar a exposição do operador aos raios x. PORTARIA 453 ➢ Serve para orientar. Medidas que visam aumentar a segurança para o paciente. AULA 8 EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO RADIOBIOLOGIA Estudo dos efeitos da radiação ionizante nos organismos vivos. INTERAÇÃO DOS RAIOS X COM A MATÉRIA Intensidade do feixe de raios x é reduzida pela interação com a matéria encontrada na sua trajetória. ➢ ABSORÇÃO ➢ DISSIPAÇÃO OU ESPALHAMENTO EFEITOS DOS RAIOS X NA MATÉRIA ➢ Nível de elétrons ➢ Modificações de moléculas ➢ Modificações celulares - Efeito direto - Efeito indireto EFEITO DIRETO ➢ A radiação ioniza uma macromolécula orgânica ou biológica. ➢ Representa 1/3 dos efeitos. EFEITO INDIRETO ➢ A radiação ioniza a água e formam radicais livres em consequência da hidrólise. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 23 ➢ Produzem peróxidos – agentes oxidantes. ➢ Estes radicais livres interagem com outras moléculas orgânicas. ➢ Representa 2/3 dos efeitos. EFEITOS BIOLÓGICOS DAS RADIAÇÕES (ler essa parte no livro) ➢ Efeitos determinísticos (determinantes). – já está definido. ➢ Efeitos estocástico – vai ser estocado. EFEITOS DETERMINÍSTICOS ➢ A severidade da resposta é proporcional à dose. ➢ Altas doses. ➢ Tem dose limite para os efeitos serem observados. Exemplos: - Alterações pós-radioterapia - Síndromes pós-radiação agudas (por exemplo explosão nuclear) **um outro exemplo seria um explosão nuclear. EFEITOS ESTOCÁSTICOS ➢ A probabilidade de ocorrência é proporcional à dose e não à sua severidade. ➢ O efeito existe ou não. ➢ Não tem dose limite. Exemplo: - Câncer **O Raio x da odontologia é estocástico RADIOSSENSIBILIDADE (maturação das células) ➢ Diferentes células respondem à radiação de diferentes formas. ➢ MAIS SENSÍVEIS (Lei de Bergonié e Tribondeau) - Alto índice de mitose - Previsão de mitoses futuras - Mais primitivas quanto à diferenciação ➢ EXCETO: Linfócitos e ovócitos (nesses dois casos são células muito diferenciadas, mas são sensíveis. São as únicas exceções). **As células das crianças são mais sensíveis pois estão realizando mais mitose. **Células mais diferenciadas, menos sensibilidade; menos diferenciadas, mais sensíveis. SENSIBILIDADE DOS TECIDOS ALTA ➢ Órgãos linfóides ➢ Medula óssea ➢ Testículos ➢ Intestinos ➢ Mucosas R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 24 INTERMEDIÁRIA ➢ Capilares ➢ Cartilagem ➢ Epitélio ➢ Osso em crescimento ➢ Glândulas salivares ➢ Pulmão ➢ Rim ➢ Fígado BAIXA ➢ Eritrócitos (hemácias) maduros ➢ Células musculares ➢ Neurônios EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO ➢ Grandes doses no corpo todo (acidentes) ➢ Grandes doses em pequenas áreas (radioterapia) ➢ Pequenas doses no corpo todo (natural ou diária) ➢ Pequenas doses em pequenas áreas (diagnóstico) ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA RADIAÇÃO EFEITOS A CURTO PRAZO ➢ Dependem da sensibilidade do tecido ➢ Morte celular associada à mitose - Redução do número de células EFEITOS A LONGO PRAZO ➢ Dependem da extensão do dano aos capilares ➢ Morte celular associada à necrose e fibrose ➢ Distúrbio no reparo CAUSAS DA MORTE CELULAR ➢ Morte ligada à mitose ➢ Morte ligada à atrofia fibrosa progressiva por perda de nutrição EFEITOS DA RADIAÇÃO NOS TECIDOS BUCAIS ➢ Radioterapia – alta dose local ➢ Mucosite – descamação ➢ Perda do paladar – papilas gustativas ➢ Xerostomia (boca seca) ➢ Cárie de radiação – saliva ➢ Alteração no desenvolvimento dentário ➢ Osteorradionecrose R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 25 EFEITOS DA RADIAÇÃO NO CORPO ➢ Acidentes e bombas ➢ Depende da dose – determinísticos ➢ Síndrome aguda da radiação - Distúrbios hematopoiéticos – células do sangue - Distúrbios gastrointestinais – células protetoras - Distúrbios do Sistema Nervoso Central (SNC) – neurônios e capilares neurais CARCINOGÊNESE (É estocástico. Maior risco em crianças pois) ➢ Após 10 anos ➢ Quando criança o risco é 2x maior - Leucemia - tireóide - Esôfago - SNC - Glândula salivar ALARA – As Low As Reasonable Achiavable Tão baixa quanto razoavelmente praticável/possível NOTA “Os efeitos determinísticos das radiações não surgem nos procedimentos radiológicos odontológicos.” “Os efeitos somáticos estocásticos são possíveis, a princípio, em qualquer exposição à radiação ionizante.” UNIDADES DE MEDIDA ➢ Dose absorvida (Gray-Gy) ou Rad - Dose de energia absorvida por unidade de massa - Radiação penetrante – radiação que atravessa ➢ Dose efetiva (Sievert – Sv) - Utilizada para estimar riscos em seres humanos ➢ Dose equivalente (Rem) ou (Rbe) - Dose de equivalência biológica - Expressa a absorção de energia nos tecidos humanos UNIDADES DE MEDIDA ➢ 1R = 1 RAD = 1 REM ➢ 1 GRAY (GY) = 100 RAD ➢ 1SV = 100 REM ➢ 10MSV = 1 REM (Roentgen equivalent man) R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 26 AULA 9 (cap. 21) SISTEMAS RADIOGRÁFICOS DIGITAIS DE IMAGENS EM ODONTOLOGIA INTRODUÇÃO Imagem digital é formada NÃO por grânulos de prata, mas por conjunto de pequenas unidades denominadas PIXEL (Picture Element), que corresponde à menor unidade de formação da imagem digital. Os pixels têm a ver com a resolução da imagem. Os pixels são formados por linhas e colunas e formam a matriz. Isso é o que dá resolução da imagem. Quanto menor o pixel, melhor a resolução da imagem. SISTEMAS RADIOGRÁFICOS DIGITAIS ODONTOLÓGICOS A) SISTEMA DIGITAL INDIRETO - Filme digitalizado. B) SISTEMA DIGITAL DIRETO - CCD (Charged-Coupled Device) - CMOS (Complementary Metal Oxide Semiconductor) C) SISTEMA DIGITAL DE AQUISIÇÃO INDIRETO - Placas de armazenamento de fósforo (PSP ou PSPL – PhotoStimulable Phosphor Luminescence). CARACTERÍSTICAS DE SENSORES DIGITAIS 1) Sensibilidade: “habilidade do receptor de imagens em ser sensibilizado com pequenas doses de radiação.” Sistema Intrabucais PSP – reduz 50% da dose dos filmes de velocidade F Sistemas Intrabucais CCD – reduz 30% da dose dos filmes de velocidade F Para digitalizar não precisa comprar outro aparelho, ampola e sistema de saída. O que vai mudar é o receptor de imagem (que vai na boca do paciente. A) SISTEMA DIGITALIZADO Como funciona: aparelho de raio x (normal) vai atingir o filme e vai produzir uma imagem latente. Você processa o filme, tira uma foto, scanneia ou etc e manda para outra pessoa. Isso é digitalizar. B) SISTEMAS DIGITAIS DIRETOS Não há mais o filme radiográfico, o qual é substituído por um sensor (Chip) que pode ser: CCD (Charge-Coupled Device – Dispositivo de carga acoplada) CMOS (Cê-Mós) (Semicondutor de óxido de Metal Complementar). Nessa técnica não há câmara escura. Possui sensor CCD e sensor CMOS. Um receptor CCD ou CMOS é colocado atrás do dente ligado a um cabo de fibra ótica ligado ao computador. Essa imagem vai ser sensibilizadae digitalizará a imagem e irá transmitir ao computador. A diferença do CCD pra o CMOS é só a tecnologia. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 27 ** esse sistema não é o mais utilizado. DESVANTAGENS: ➢ Sensor CCD é rígido e espesso, e isso incomoda. ➢ A área ativa útil do sensor CMOS é menor do que no filme. Com isso o dente pode não aparecer por inteiro, com isso pode ser possível ser realizados mais radiografias. Por exemplo, no filme se tira 14 na periapical; nessa técnica terei que fazer mais para radiografar todos os dentes. C) SISTEMAS DIGITAIS INDIRETOS É o sistema digital mais utilizado. A imagem radiográfica digital é obtida por meio de placas de armazenamento de fósforo (PSPL – PhotoStimulable Phosphor Luminescence) que, ao serem expostas aos raios x, armazenam uma imagem latente, sendo necessário o scaneamento da placa, ou seja sua leitura, para a visualização da imagem no monitor do computador. **Se chama indireta porque deve-se passar a imagem por um scanner para que ela possa ser passada para o computador. O aparelho de raio x é o mesmo. Agora não tem filme e nem CCD. Poe-se atrás do dente uma placa de fósforo. A radiografia atinge os cristais de fósforo. Essa imagem é captada e escaneada (leva 20 a 30 segundos para ler) e enviada para o computador para ser visualizada. O scanner faz a leitura da imagem e limpa o sensor e “cospe” para fora. A placa de fósforo é semelhante ao filme, possui bordas arredondadas, reutilizável, sem picote, é flexível, possui somente uma face ativa. A placa deve ser envolta por um envelope e um protetor de plástico para ser levado à boca do paciente. A desvantagem é que a placa de fósforo custa 200 reais e ela pode estragar se morder. VANTAGENS DOS SISTEMAS DIGITAIS ➢ Manipulação do brilho e contraste ➢ Mensurações lineares e angulares ➢ Zoom – aumenta a imagem ➢ Negativo – imagem invertida, ou seja, o radiopaco fica radiolúcido. ➢ Relevo – o dente fica destacado, sobressaltado. Melhora o diagnóstico. ➢ Pseudocores – mostra as estruturas em outras cores. ➢ Facilita a comunicação com o paciente ➢ Não utiliza soluções de processamento e câmara escura ➢ Redução da dose (redução do tempo de exposição) ➢ Imagem aparece quase instantaneamente (Sistemas Digitais Diretos) – 2 a 3 seg. ➢ Imagem pode ser manipulada (corrigida) – através do software ➢ Economia de espaço na clínica Para imprimir as radiografias digitais é preciso uma impressora que imprima a seco, “DRY”, que imprime numa placa plástica. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 28 DESVANTAGENS DOS SISTEMAS DIGITAIS ➢ Alto custo inicial ➢ Difícil acesso às regiões posteriores (utilizando CCD e CMOS –devido ao volume do sensor e presença do cabo) ➢ Placas de fósforo são danificadas facilmente e deve-se fazer a reposição AULA 10 TÉCNICAS DE LOCALIZAÇÃO LIMITAÇÕES DO EXAME RADIOGRÁFICO ➢ Imagem bidimensional; ➢ Sobreposição de imagens, MÉTODOS CONVENCIONAIS TÉCNICA DE CLARK Princípio físico de paralaxe. Princípio de Paralaxe ➢ Clark se baseou no princípio de paralaxe: 1) Se observarmos dois objetos semelhantes sem linha reta, o objeto mais próximo encontrará o mais distante. 2) Se nos deslocarmos para a esquerda, dissociaremos os objetos. Um dos objetos acompanhará o nosso deslocamento, enquanto que o outro se deslocará no sentido contrário ao nosso deslocamento. Portanto: ➢ O objeto mais próximo sempre se desloca no sentido contrário ao do observador – Vestibular. ➢ O objeto mais distante smpre acompanha – PALATAL OU LINGUAL. Indicações: ➢ Localização de dentes não irrompidos – talvez seja uma das principais indicações. ➢ Dissociação de canais radiculares ➢ Localização de alterações patológicas ➢ Diagnóstico de fraturas dentárias ➢ Localização de corpos estranhos Teoria de Clark (1909): consiste na variação do ângulo horizontal de incidência dos raios-x. Técnica do deslocamento horizontal do tubo. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 29 Aplicações: Existe 3 deslocamentos do tubo: ➢ Requer 3 tomadas periapicais com variação do ângulo horizontal ➢ Orto, mésio e distorradial **necessita de 3 radiografia para a técnica, pois realizo 3 incidências. Quando acompanha é palatal. É uma técnica usada para saber se o dente está na frente ou atrás. Sentido contrário do tubo está na vestibular; sentido do tubo está na palatal. TÉCNICA DE MILLER-WINTER Para mandíbula Aplicações ➢ Restrita à mandíbula; ➢ Requer 2 incidências perpendiculares entre si: - 1 periapical - 1 oclusal com filme periapical **usa-se uma radiografia periapical e uma oclusal. Pega a coroa de lado e de cima/embaixo Indicações: ➢ Localização de dentes não irrompidos; ➢ Localização de alterações patológicas; ➢ Localização de corpos estranhos. TÉCNICA DE DONOVAN Para mandíbula Quando a técnica de Miller-Winter não registra inteiramente o terceiro molar incluso. Geralmente quando estão na posição horizontal ou inclinados. ➢ Modificação da técnica de Miller-Winter; ➢ Tomada oclusal (com filme periapical) sobre o ramo da mandíbula; ➢ Filme inclinado sobre o ramo da mandíbula; ➢ O paciente segura o filme. Dedo indicador do lado oposto; ➢ Na região mésio-oclusal do 2o molar; ➢ O paciente inclina a cabeça para trás e para o lado oposto; ➢ Incidência do feixe: sentido ângulo da mandíbula. Indicações: ➢ Localização de dentes não irrompidos mais posteriores onde o filme oclusal não alcança. TÉCNICA DE PARMA Para mandíbula Técnica: ➢ Rotação do filme permitindo maior alcance e mobilidade das pontas. **Gira-se a ponta do filme para conseguir radiografar uma raiz ou estrutura que a periapical não conseguiu em molares. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 30 Indicações: ➢ Diminuir o desconforto e dificuldades encontradas durante o exame radiográfico periapical na região de molares. TÉCNICA DE LE MASTER Para maxila Indicações: ➢ Evitar sobreposição do osso e processo zigomático na região de molares; ➢ Visa melhorar o paralelismo com a interposição de um rolete de algodão. **coloca-se um rolete de algodão entre o dente e o filme, reduzindo assim o ângulo vertical, “aliviando”o processo zigomático e osso zigomático. Para região de molares superiores. TÉCNICAS CONJUGADAS ➢ Duas técnicas perpendiculares entre si; ➢ Ângulo reto; ➢ Ex.: periapical e oclusal, panorâmica e telerradiografia, panorâmica e telerradiografia, panorâmica e oclusal, periapical e lateral. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u eB in i 31 RADIOLOGIA DIAGNÓSTICA 4o Semestre Vitor Enrique Bini AULA 1 RADIOGRAFIA PANORÂMICA ➢ Possui várias terminologias: Radiografia panorâmica, Pantomografia; Ortopantomografia, Radiografia rotacional; ➢ Obtidas por diversos aparelhos os quais operam por um sistema rotacional. ➢ Fonte de raios X e filme movimentam-se sincronizadamente enquanto o paciente permanece imóvel. CARACTERÍSTICAS DA IMAGEM RADIOGRÁFICA ➢ Feixe estreito colimado de radiação; ➢ Movimento em torno do objeto (paciente); ➢ Projeção de fragmentos de imagem em um filme em movimento; ➢ Apresenta distorção total da imagem (ampliação no sentido horizontal e vertical). Quando posiciona-se errado o paciente não há uma ampliação e sim uma distorção; PLANO DE CORTE ➢ Plano imaginário onde o objeto deve estar posicionado para ser visualizado com nitidez. É o posicionamento para que determinada região seja registrada. CENTRO DA CAMADA DE CORTE ➢ Ampliações horizontais e verticais se igualam. É o ponto onde há o correto registro da raiografia. INDICAÇÕES DA RADIOGRAFIA PANORÂMICA ➢ Diagnóstico inicial; ➢ Fraturas de mandíbula, como casos de politraumatismo. Na mandíbula há uma visualização com muita clareza; ➢ Estudo do seio maxilar e fossa nasal. Há uma visualização muito boa destas regiões; ➢ Alterações dos órgãos dentais. São as anomalias dentárias, dentes supranumerários, agenesia,...; ➢ Assimetria e presença de lesões ósseas, como por exemplo cistos; ➢ Nível ósseo para periodontia e implantodontia; ➢ Avaliação de cronologia de erupção. É uma fonte quase segura de estimativa fisiológica e cronológica do paciente; ➢ Avaliação de tratamento ortodôntico. Há uma boa orientação de como a inclinação e reabsorção das raízes dentárias estão. ➢ Avaliação de pacientes especiais; ➢ Levantamento da saúde bucal. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 32 CONTRA-INDICAÇÕES DA RADIOGRAFIA PANORÂMICA ➢ Identificação precoce de perdas ósseas alveolares; ➢ Exames da integridade de lâmina dura. Não há como analisar a integridade da lâmina dura,, nesse caso se faz uma radiografia periapical; ➢ Identificação de cáries incipientes. A panorâmica identifica apenas cáries mais avançadas; ➢ Exames que exijam alta definição de imagem; VANTAGENS ➢ Visão global das estruturas; ➢ Baixo custo e rapidez; ➢ Baixa dose de radiação, equivale a apenas 4 periapicais; ➢ Técnica simples e confortável. Há uma dificuldade, porém, no posicionamento do paciente. Quando há má posicionamento do paciente há distorções no sentido horizontal; ➢ Rapidez e facilidade de treinamento; ➢ Facilidade na sua interpretação; ➢ Ganho de tempo no processamento. Pois há apenas um filme para toda boca; ➢ Procedimento com mínimo de controle de infecção, pois não há contato com o interior da boca do paciente; DESVANTAGENS ➢ Baixa nitidez da imagem (menor detalhes); ➢ Posicionamento correto (distorção). O paciente tem maior tendência de movimento, promovendo distorções; ➢ Sobreposição de dentes, principalmente na região de pré-molares superiores; ➢ Interferência da coluna vertebral. Normalmente acontece quando o paciente está com a coluna mal posicionada, sobrepondo a coluna vertebral na imagem; ➢ Custo do aparelho. O investimento gira na casa dos R$100.000; ➢ Presença de artefatos. ARTEFATOS Toda e qualquer imagem observada que não é natural da região e sim produto de manipulação. Exemplos: brincos, próteses, colar, porte de arma de fogo; IMAGENS FANTASMAS Toda e qualquer imagem Observada de estruturas anatômicas ou artefatos onde o local da imagem é diferente do local do objeto ou estrutura anatômica. A imagem aparece geralmente do lado oposto, ampliado e ligeiramente acima. Ou seja, se o brinco aparecer do lado direito, quer dizer que o objeto estava do lado esquerdo; POSICIONAMENTO DO PACIENTE ➢ Instruir o paciente que apoie o mento e posicione os incisivos (na canaleta), em relação topo a topo (não morde em oclusão), no bloco de mordida; ➢ Plano sagital mediano perpendicular ao solo; ➢ Plano de Frankfurt (linha trágus ao rebordo inferior da órbita ocular) paralelo ao solo; R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 33 ➢ Fechar os guias laterais (apoio frontal) para o paciente ficar com a cabeça estabilizada; ➢ Fechar os lábios e a língua no “céu na boca”. São orientações a passar ao paciente, pois poderá haver sombra na imagem. ANATOMIA RADIOGRÁFICA 1) Órbita; 2) Fissura pterigomaxilar; 3) Seio maxilar; 4) Tuberosidade da maxila; 5) Processo zigomático da maxila; 6) Osso zigomático; 7) Arco zigomático; 8) Eminência articular do osso temporal; 9) Fossa nasal; 10) Septo nasal; 11) Palato duro; 12) Cabeça da mandíbula; 13) Incisura da mandíbula; 14) Processo coronóide da mandíbula; 15) Canal da mandíbula; 16) Forame mentual; 17) Naso e oro-faringe; 18) Processo estilóide; 19) Lóbulo da orelha; 20) Conduto auditivo externo; 21) Coluna vertebral; 22) Osso hióide. MATERIAL PARA DESENHO RADIOGRÁFICO ➢ 1 folha de papel vegetal tamanho A4; ➢ Fita adesiva; ➢ Tesoura; ➢ Lápis ou lapiseira; ➢ Lápis de cor; ➢ Borracha. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 34 AULA 2 CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA INTERPRETAÇÃO DE RADIOGRAFIAS 1) CONHECIMENTO DAS TÉCNICAS; 2) ESCOLHA ADEQUADA DO MÉTODO (PRESCRIÇÃO EM RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA); 3) RADIOGRAFIA BOA – O exame deve estar em boas condições. A radiografia boa tem que ter: ➢ O mínimo de distorção (ampliação e encurtamento). Os dentes devem ter proporções mais próximas da real. ➢ Máximo de nitidez. ➢ Grau médio de densidade (grau de escurecimento) e contraste (diferença dos vários tons de cinza). 4) ANATOMIA RADIOGRÁFICA – Deve-se conhecer a anatomia normal, as variações do normal para identificar a anomalia/alteração. 5) PATOLOGIA RADIOGRÁFICA; 6) CONDIÇÕES AMBIENTAIS FAVORÁVEIS. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 35 PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO RADIOGRÁFICA Princípio 1 – “Deve ser feita na incidência que melhor reproduza a região estudada.” Princípio 2 – “A radiografia deve mostrar toda lesão e tecido ósseo normal da região que circunda.” Princípio 3 – “Grau máximo de nitidez, mínimo de distorção e médio de densidade e contraste.” Princípio 4 – “Radiografia deve ser montada em cartela.” – isso para orientar na interpretação. Também serve para evitar a perda dos filmes. CONHECENDO UMA LESÃO INTRA-ÓSSEA Devo verificar no paciente: ➢ Idade do paciente; ➢ Sexo; ➢ Raça. [Comentário do professor]: Isso por que há algumas doenças que ocorrem mais em crianças, outras em idosos, outras em pessoas mais claras. Então é importante analisar esses fatores no paciente. FATORES ASSOCIADOS À LESÃO ➢ Localização da lesão; ➢ Tamanho e duraçãoda lesão – ver o tamanho e sentido da lesão, que estruturas ela atinge; ➢ Bordas da lesão – são os limites da lesão. [Comentário do professor]:Se é sabido que as bordas da lesão possuem limites definidos (que crescem devagar). Lesões que não possuem limites bem definidos possuem bordas indefinidas. - Lesões que crescem devagar: cistos benignos. - Lesões que possuem potencial de expandir para o corpo: inflamação/infecção maligna. ➢ Situação dos dentes comprometidos; A lesão pode: - Envolver o dente; - Deslocar o dente; - Reabsorver raiz; - Flutuando na lesão – geralmente dentes com lesão maligna possuem esse aspecto. ➢ Única ou múltipla. O PROCESSO DE INTERPRETAÇÃO Quais são os passos para se descrever uma lesão intraóssea? 1) Detectar se está alterado. 2) Descrever a lesão; 3) Classificar; R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 36 4) Reconhecer; 5) Criar diagnósticos diferenciais; 6) Associar achados clínicos. Detectar Aparência: ➢ Normal; ➢ Variações do normal; ➢ Anormal ou patológico: - Aumento da radiopacidade. - Aumento da radioluscência. - Combinação de aumento de radiopacidade e radioluscência. - Remodelamento ósseo sem alteração na densidade. Ocorre geralmente em lesões de tecido mole. Descrever Descrição da imagem radiográfica ➢ Osteolítica (radiolúcida) que destrói osso x osteoblástica (radiopaca) forma osso; ➢ Margens (contorno ou borda); ➢ Localização e extensão; ➢ Relação com os dentes; ➢ Alteração na cortical. Tipos de lesão na cortical: Abaular Romper Adelgar (Cortical fina) Classificação de lesões ➢ Neoplasias; ➢ Císticas; ➢ Traumáticas; ➢ Desenvolvimento; ➢ Sistêmicas. CONSIDERAÇÕES GERAIS ➢ Seja metódico – siga uma ordem! ➢ Seja imparcial – não se deixe influenciar por uma impressão clínica; ➢ Não pare quando localizar uma anormalidade; R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 37 ➢ Não seja obrigado a dar um diagnóstico em uma radiografia sem diagnóstico. Exames adicionais podem ser necessários; ➢ Use o bom senso; ➢ Interprete exames no contexto clínico; ➢ Na dúvida, consulte. AULA 3 ASPECTOS RADIOGRÁFICOS DA CÁRIE DOENÇA CÁRIE ➢ Novos conceitos; ➢ Tratamentos conservadores; ➢ Diagnóstico precoce – pois a cárie é uma doença progressiva que pode ser paralisada, e até mesmo ser regredida; ➢ Avaliação do comportamento da lesão. CÁRIE DENTÁRIA CONCEITO A cárie é uma doença infectocontagiosa, multifatorial, decorrente da ação de ácidos orgânicos, principalmente ácido lático, que se forma a partir de um hospedeiro suscetível, consumindo com frequência dieta rica em carboidratos (especialmente a sacarose), colonizado por uma microbiota predominante, sob ação da saliva e do tempo. A mancha branca é um sinal de atividade cariosa e a recuperação da lesão depende de uma atuação firme no sentido de equilibrar o processo (saúde-doença). Essa atuação compreende controle mecânico da placa dental, controle da dieta e uso de flúor. Se o processo de perda não for paralisado ou revertido via remineralização, com deposição de mineral pela saliva, resultará em uma cavitação. Uma certa quantidade mínima de mineral deve ser perdida antes de ser detectada na radiografia. A imagem radiográfica sempre vem depois da cárie/destruição. Deve haver 30 a 40% de desmineralização do esmalte para que apareça na radiografia, ou seja, a doença já vai estar ocorrendo. Ela é muito menor na radiografia do que realmente ela é clinicamente. [Comentário do professor]: Hoje em dia uma cárie sem cavidade ainda não deve ter intervenção, pois é uma cárie inicial, pois nem sempre há necessidade de intervenção, as vezes se faz um tratamento preventivo. Quando uma lesão de cárie é detectada em uma imagem radiográfica convencional e é comparada com a imagem observada em um corte histológico, a imagem radiográfica revela uma extensão menor, ou seja, há uma subestimação da lesão, ou seja, ela é menor na radiografia do que realmente é. INTERPRETAÇÃO RADIOGRÁFICA DE CÁRIES Haverá subestimação da imagem radiográfica. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 38 DIAGNÓSTICO DE CÁRIE RADIOGRAFIA CONVENCIONAL INFLUÊNCIA DA IMAGEM: ➢ Angulação do feixe; ➢ KV do aparelho (capacidade de penetração) – kV mais baixo fornece menos informação e mais alto fornece mais informações; ➢ Tempo de exposição – tempo muito baixo fica pouco densa e muito alto muito densa; ➢ Processamento – para radiografias convencional, não se aplicando às radiografias digitais (não precisam de processamento convencional); ➢ Acuidade visual e experiência do observador. [Comentário do professor]: Interproximal é a melhor técnica para diagnóstico de cárie, pois há menos interposição de estruturas, pois o ângulo é paralelo ao objeto; CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES DE CÁRIE LOCALIZAÇÃO: ➢ Cicatrículas – associadas aos sulcos, fissuras; ➢ Superfície lisa - associadas a outras regiões do dente. [Comentário do professor]: Não se descreve no diagnóstico se a localização da cárie é em cicatrículas ou superfície lisa. FACES: ➢ Proximais – pode ser distal ou mesial; ➢ Oclusal – na oclusal do dente. Possui forma mais irregular e maior extensão; ➢ Vestibular/lingual – mais limitadas e menor extensão; ➢ Radicular – destruição de cemento, ou seja, já está a nível de raiz. INÍCIO DO DESENVOLVIMENTO: ➢ Primária – quando não há restauração associada ao dente. Cárie que progrediu. Vem da destruição do esmalte e dentina; ➢ Secundária (recidiva ou recorrente) – associada a uma restauração, ou seja, está sob (abaixo) a restauração. Pode estar associada a erro da restauração, erro de preparo, ou mesmo a falta de higienização. Não se cita “de esmalte e dentina”, pois está abaixo da restauração. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 39 Cárie (primária) oclusal. Cárie na bifurcação. Esmalte e dentina. Cárie recidiva oclusal. Cárie recidiva mesial. Cárie de cemento. Recidiva de cárie em mais de uma face. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 40 TECIDOS ASSOCIADOS: ➢ Esmalte – quando restringe/limita a extensão da cárie somente ao esmalte. Normalmente a maioria da cárie de esmalte não requer intervenção, pois não houve cavitação, faz-se conservação, para parar oprocesso. ➢ Esmalte e dentina; ➢ Cemento – que está na raiz. QUANTIDADE DE TECIDO DESTRUÍDO ➢ Incipiente – cárie pequena. Associada até 1/3 do esmalte; ➢ Cavitária – engloba esmalte e dentina; ➢ Grande destruição – que destrói boa parte e/ou quase toda coroa. Normalmente associada a cemento e dentina. Cárie de esmalte. Cárie de esmalte e dentina. Cárie de esmalte. Cárie esmalte e dentina. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 41 Cárie de esmalte. Restauração de resina composta (1) e amálgama (2). INTERPRETAÇÃO RADIOGRÁFICA DE CÁRIES VELAMENTO CERVICAL Não é lesão de cárie ao nível do colo. Várias imagens radiolúcidas na região de colo. É causada por: ➢ Constrição do colo cervical; ➢ Densidade do osso alveolar; ➢ Junção amelocementária. ➢ Forma triangular; ➢ Normalmente atinge todos os dentes. Banda Radiolúcida. CÁRIE RADICULAR/CEMENTÁRIA ➢ Recessão gengival; ➢ Limites indefinidos; ➢ Forma de pires/cratera; ➢ Não envolve esmalte. [Comentário do professor]: A cárie está abaixo do esmalte, não envolvendo o esmalte. O caminho dela vai ser pelo cemento. Velamento cervical. Notar que no velamento vários dentes apresentam-se com essa característica, não apenas um. 2 1 R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 42 AULA 4 PRESCRIÇÃO EM RADIOLOGIA ODONTOLÓGICA ➢ Radiografias – essencial para dentistas – presença e extensão de alterações; ➢ Função no plano de tratamento, monitoração da progressão de doenças e na eficácia do tratamento. ➢ No Brasil, a Portaria 453/98 do Ministério da Saúde, fundamentada no princípio básico da justificação, estabelece: - Que nenhuma prática deve ser autorizada a menos que produza suficiente benefício para o indivíduo em matéria de diagnóstico, de modo a compensar o detrimento que possa ser causado. ➢ Objetivo maior do profissional da odontologia é preservar e promover a saúde bucal do paciente, evitando riscos que possam estar relacionados à procedimentos de intervenção e/ou investigação. RADIAÇÃO IONIZANTE Risco/benefício Deve-se analisar os riscos e benefícios relacionados à exposição do paciente. GUIA PARA PRESCRIÇÃO ➢ Solicite, ou execute o exame radiográfico, somente após o exame clínico. ➢ Esteja certo do benefício que o exame trará ao diagnóstico e plano de tratamento; ➢ Utilize o mínimo de exposição à radiação necessária para obtenção de uma imagem de qualidade. *A radiografia é do paciente, não do CD, ou seja, o paciente paga pela radiografia, então o dono é ele. USO DE RADIOGRAFIAS ANTERIORES ➢ São sempre úteis independente de quando foram realizadas. ➢ Recentes: úteis para o problema em questão. ➢ Antigas: podem demonstrar se uma condição piorou, permaneceu a mesma, ou mostrou um processo de cicatrização, como a progressão de cáries e doenças periodontal. PORQUÊ? QUANDO INDICAR? ➢ Características individuais do paciente: - Idade; - Saúde geral; - Achados clínicos; - História dental; - Questão legal. DIRETRIZES BÁSICAS PARA A PRESCRIÇÃO DE RADIOGRAFIAS DO COMPLEXO MAXILOFACIAL ➢ Paciente visitando o dentista: - Paciente novo/retorno. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 43 ➢ Idade dentária: - Dentição decídua, mista, permanente, parcialmente edêntulo, desdentado. ➢ Risco à cárie, doença periodontal, anormalidade de crescimento e desenvolvimento. ➢ Em uma criança com dentição decídua, o fechamento dos espaços interproximais nos dentes decíduos posteriores necessitará de avaliação radiográfica usando-se técnica interproximal. ➢ Em uma criança com dentição mista, uma radiografia periapical ou panorâmica é usada para avaliar o desenvolvimento dentário. ➢ Em pacientes adultos desdentados, os exames radiográficos geralmente são realizados durante uma avaliação da necessidade de prótese. ➢ Foi relatado que 33% a 41% dos pacientes desdentados exibem patologia. Dessa forma, são recomendados exames radiográficos individualizados com base nos sinais clínicos. CÁRIE DENTÁRIA ➢ Clínicos que solicitam radiografias podem detectar cáries não evidentes clinicamente, tanto em esmalte quanto em dentina. ➢ Lesões cariosas: estágio: - Progressão; - Estabilidade; - Regressão. ➢ Em crianças e adolescentes, lesões cariosas proximais que não podem ser examinadas visualmente ou com uma sonda exploradora, devem ser radiografadas pela técnica interproximal, o método mais eficiente. ➢ Dependendo do risco de cárie dentária do paciente, o exame radiográfico deve ser realizado a cada 6 a 12 meses. LESÕES DE CÁRIE RADIOGRÁFICAS INTERPROXIMAIS Alto Risco Baixo Risco ➢ Crianças: 6 meses; ➢ Adolescentes: 6 a 12 meses; ➢ Adultos: 12 a 18 meses. ➢ Crianças: 12 a 24 meses; ➢ Adolescentes: 18 a 36 meses; ➢ Adultos: 24 a 36 meses. ➢ No retorno dos pacientes adultos com todos os dentes e parcialmente desdentados a avaliação do risco de cárie dentária deve determinar a frequência (6 a 18 meses) de retorno para radiografia para monitorar lesões detectáveis apenas por exame radiográfico. ➢ Em pacientes adultos desdentados, exames radiográficos não devem ser realizados se não houver evidência de patologia. Diferentes opiniões. ➢ Existe um consenso entre os clínicos de que exames radiográficos tem um importante papel na avaliação de pacientes com doença periodontal após a doença ser inicialmente detectada pelo exame clínico. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 44 ➢ No exame radiográfico de crianças, adolescentes e adultos com doença periodontal, é necessário observar o osso alveolar de suporte, a crista óssea alveolar, o comprimento e formato das raízes, a perda óssea em regiões de furca e o depósito de cálculo dentário. ➢ A imagem deve centralizar-se em áreas em que a doença periodontal possa ser identificada clinicamente. A progressão da doença periodontal, conforme avaliadas clinicamente, determinará a frequência necessária para os exames radiográficos. ➢ Radiografias subsequentes após o término do tratamento ajudarão a monitorar a progressão da doença e a determinar quando a destruição do osso alveolar está estabilizada. ➢ Em crianças cujo dentes permanentes ainda não tenham irrompido, o exame radiográfico não é recomendado na ausência de sinais clínicos. ➢ Em adolescentes, o posicionamento e o desenvolvimento dos terceiros molares podem ser avaliados com imagens periapicais selecionadas ou uma radiografia panorâmica. [Comentário do professor]: Só se remove dente quando a raiz está 2/3 formada. ➢ Em pacientes com implantes, patologia, aqueles que necessitam de tratamento restauradores ou endodôntico, ou em outras circunstâncias, a tecnologia de imagem pode ser valiosa para avaliação das opções de tratamento.GESTANTES ➢ Nas pacientes grávidas, a exposição fetal situa-se ao redor de 1mGy para um levantamento radiográfico completo. Não deve haver alteração no critério de seleção normal, quando utilizados os cuidados habituais para qualquer outro paciente: avental e colarinho de chumbo, dando prefer6encia a filmes rápidos, localizadores, retangulares e longos. PATOLOGIA DOS MAXILARES ➢ Observar toda a lesão; ➢ Incidência perpendicular à original; ➢ Avaliar a expansão óssea ou perfuração das corticais; ➢ Uso de técnicas apropriadas. AULA 5 ALTERAÇÕES DENTÁRIAS ALTERAÇÕES DIMENSIONAIS São elas: ➢ Macrodontia; e ➢ Microdontia. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 45 MACRODONTIA Caracteriza-se por dentes cujas dimensões apresentam-se além dos limites de normalidade. Dependendo do número de dentes envolvidos, pode ser classificada em generalizada, focal/localizada. ➢ Generalizada: todos os dentes do arco apresentam dimensões acima dos padrões anatômicos; ➢ Local ou focalizada: apenas um ou outro grupo de dentes apresenta dimensões acima do normal. Radiografias mostrando macrodontia em incisivos centrais superiores. MICRODONTIA ➢ Nanismo dentário; ➢ Generalizada (verdadeira ou relativa) e focal; ➢ 3o molares superiores; ➢ Incisivos laterais superiores (dente conóide). [Comentário do professor]: Quando há diminuição total do dente, coroa e raiz. Pode se chamar de nanismo dental. O dente mais acometido é o 3o molar e o incisivo lateral. Os incisivos laterais quando acometidos por nanismo são também chamados de dentes conóides, pois possuem forma de cone. A microdontia generalizada verdadeira é quando há deficiência de hormônio de crescimento. É relativa quando a base óssea é grande para o tamanho dos dentes. Radiografias mostrando microdontia em incisivo lateral superior. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 46 ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS ➢ Fusão; ➢ Geminação; ➢ Concrescência; ➢ Dilaceração; ➢ Dens in dente; ➢ Taurodontismo; ➢ Raízes fusionadas; ➢ Raízes supranumerárias; ➢ Cúspides em garra; ➢ Pérolas em esmalte; ➢ Nódulos pulpares; ➢ Molares em amora; ➢ Incisivos de Hutchinson. FUSÃO DENTÁRIA É a união de dois elementos dentários, ou seja, dois dentes se unem tornando-se um. Ela pode ser completa ou incompleta. A completa é quando a coroa e a raiz estão fusionadas. E a incompleta é quando une somente a coroa ou somente a raiz. Um dente se une a outro geralmente por falta de espaço. É possível ver dois condutos radiculares. A fusão pode ser radicular, coronária ou completa. Fusão coronária. Fusão completa. GEMINAÇÃO DENTÁRIA É a tentativa de um elemento dentário se dividir ao meio, por fator genético, na tentativa de formar outro elemento dentário. É mais raro de se observar. Normalmente se encontra apenas um conduto radicular. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 47 CONCRESCÊNCIA DENTÁRIA É a união de dois dentes pelo CEMENTO, os unindo. O que causa isso é a falta de espaço na arcada dentária. A relevância clínica diz respeito ao planejamento cirúrgico, pois ao extrair um dente irá vir junto o outro. DILACERAÇÃO DENTÁRIA É uma mudança brusca da trajetória do dente (da raiz ou coroa). A raiz que era reta por exemplo, fez uma curva. O mais comum é a dilaceração radicular. Ela ainda pode ser corono- radicular quando muda no encontro da coroa com a raiz, ou ainda coronária que ocorre na coroa. Normalmente trauma causa dilaceração. A relevância clínica é endodontia, pois torna tratamento de canal mais complicado, até mesmo impossibilitando o tratamento. E no procedimento cirúrgico, na exodontia, pois pode fraturar o dente. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 48 DENS IN DENTE Quer dizer um dente dentro de outro dente. O conceito é: a invaginação das estruturas mineralizadas do dente (esmalte e dentina). Se elas invaginam para dentro do dente a gente chama de dens in dente. Essa invaginação pode criar micro-comunicaçõs do meio externo com a polpa, facilitando a instalação de bactérias. Deve-se obstruir essa comunicação com o meio externo antes de ocorrer lesão periapical. A característica mais comum do dens in dente é um aspecto dentro do dente que parece uma pera invertida. Vê-se uma área mais mineralizada no interior do conduto. TAURODONTISMO Vem de touro, dente de touro. É uma alteração associada a fatores genéticos. A genética dos esquimós favorecem o aparecimento desse evento. A câmara pulpar vai crescer para oclusal e apical. A área de bifurcação ou trifurcação do dente fica mais para apical, parecendo que os dentes possuem as raízes mais curtas. O dente em si não é diferente, não atrapalhando na exodontia. Porém, na endodontia haverá uma câmara pulpar maior. Então a relevância clínica é na endodontia. Taurodontismo só ocorre em MOLARES. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 49 RAÍZES FUSIONADAS É qualquer diminuição da quantidade de raízes. Então um molar superior, por exemplo, que possui 3 raízes, aparece na radiografia com somente duas, isso quer dizer que possui raiz fusionada. Pode haver vários condutos. A relevância clínica é na exodontia e endodontia, que serão mais fáceis. Notar vários condutos. RAÍZES SUPRANUMERÁRIAS Quando há mais raízes que o normal do dente. Notar 3ª raiz em molar inferior. CÚSPIDE EM GARRA Nada mais é que uma cúspide acessória em dente anterior (Incisivo central, lateral e canino), geralmente em incisivo lateral. Quando há uma cúspide na palatal do incisivo lateral tem aspecto de garra. É chamada de garra quando está no incisivo lateral. As cúspides em garra podem favorecer o acúmulo de tártaro na região. Imagens do mesmo paciente mostrando cúspide em garra. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 50 PÉROLAS DE ESMALTE São estruturas mineralizadas do dente em forma esférica (normalmente esmalte) localizada na junção amelo-cementária ou região de bi ou trifurcação. Isso não causa problema nenhum em paciente saudáveis, mas em paciente com doença periodontal, a pérola pode agravá- la, pois vai acumular tártaro. São raros. NÓDULOS PULPARES São muito comuns. São áreas mineralizadas dentro da câmarapulpar. A etiologia é desconhecida. A câmara pulpar normalmente é radiolúcida, mas na mineralização ela vai aparecer com uma área radiopaca. Na câmara pulpar os nódulos são arredondados e no canal são longos. A relevância clínica é na endodontia pois aumenta a dificuldade para acessar o canal. Não possui sintomatologia e não requer tratamento. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 51 INCISIVO DE HUTCHINSON São incisivos que apresentam coroa em forma de barril (terço incisal mais estreito que o terço médio), com ou sem a presença de fenda centro-incisal. Em cerca de 63% dos pacientes com sífilis congênita pode-se observar incisivos de Hutchinson, muito embora pacientes sem história de sífilis possam apresentar incisivos com tais características. ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS ➢ Anodontia – Agenesia; ➢ Dente supranumerário AULA 6 ASPECTO RADIOGRÁFICO DAS ALTERAÇÕES PERIAPICAIS E PERIODONTAIS PERIÁPICE E PERIODONTO NORMAL ALTERAÇÕES PERIAPICAIS (PERIAPICOPATIAS) ➢ Periodontite apical aguda; ➢ Abscesso periapical; ➢ Granuloma periapical; ➢ Cisto radicular. PERIODONTITE APICAL AGUDA ➢ Etiologia: - Físico: trauma; - Químico: por exemplo ácido na região apical. - Agentes microbianos: cáries que progridem ➢ Característica da periodontite apical aguda: é o aumento do espaço periodontal (pericementário) ou nenhum sinal radiográfico. ➢ Lâmina dura intacta. Ainda nessa lesão há a lâmina dura intacta. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 52 [Comentário do professor]: A característica radiográfica dessa lesão é o espaço periodontal ou nenhuma alteração, pois pode não aparecer na radiografia. Nessa lesão ainda há resposta à vitalidade/sensibilidade por parte do dente. ABSCESSO PERIAPICAL ➢ Necrose pulpar. ➢ Aspecto radiográfico: rarefação óssea periapical com limites da lesão difusa (ROPD); ➢ O tamanho da lesão é variável; ➢ Lâmina dura nesse caso já está rompida/alterada. [Comentário do professor]: Dente nessa lesão já não responde à vitalidade/sensibilidade. Há uma lesão radiolúcida na região periapical sem limites definidos. GRANULOMA PERIAPICAL ➢ Crescimento de tecido de granulação – produz em uma área inflamada um tecido de granulação; ➢ Assintomático: não sente-se sensibilidade. É um achado radiográfico, ou seja, não há uma característica clínica que o diferencie. ➢ Processo inflamatório: baixa intensidade e longa duração; ➢ A imagem radiográfica que será vista é radiolúcida. Os aspectos radiográficos: rarefação óssea periapical circunscrita (ROPC); ➢ Associado a um dente desvitalizado. Não há resposta à vitalidade; ➢ A lesão possui formato oval ou esférico, unilocular, cujo diâmetro normalmente não ultrapassa 10mm. Unilocular quer dizer que há apenas uma cavidade, se vendo apenas uma imagem radiolúcida. [Comentário do professor]: É uma imagem radiolúcida. Uma imagem que diferencia do abscesso é sua forma, seu contorno, pois tem limites. A lesão está circunscrita com o osso, ou seja, “abraçada” com o osso. Somente através de exame histopatológico será possível confirmar a lesão e a diferenciar do abscesso. A lesão é crônica. O granuloma responde melhor ao tratamento periodôntico que o cisto radicular. Abcesso periapical. Notar aspecto difuso da lesão. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 53 Granuloma periapical. CISTO RADICULAR ➢ Também chamado de cisto apical, cisto periapical ou cisto periodontal apical; ➢ As características dessa lesão é a proliferação do epitélio do granuloma periapical. Na lâmina histopatológica se vê epitélio. ➢ Dente com necrose pulpar; ➢ Assintomático; ➢ Osteogênese reacional. Então o osso promove uma reação, provocando uma osteogênese, ou seja, uma formação de osso. ➢ Os aspectos radiográficos dessa lesão são a rarefação óssea periapical circunscrita tipo cística (ROPCC). É formado um halo radiopaco ao redor da lesão. [Comentário do professor]: A diferença para o granuloma é que aqui se vê na lâmina histopatológica epitélio, enquanto no granuloma se vê tecido de granulação. O cisto geralmente é maior que o granuloma, mas nem sempre. A lesão é crônica. GRANULOMA X CISTO ➢ Tamanho da lesão: cistos são maiores que 10mm; ➢ Estrutura interna da lesão: cistos totalmente radiolúcidos. Nas lesões císticas é possível ver uma imagem mais radiolúcida; ➢ Frequência da lesão: granulomas são mais frequentes; ➢ Critério histopatológico – um apresenta granulação e o outro epitélio. ALTURA DA CRISTA ÓSSEA ALVEOLAR ➢ 1-2mm abaixo da junção amelocementária. [Comentário do professor]: Quando a distância entre a junção amelocementária e a crista óssea alveolar é de 1 a 2mm quer dizer que é sadio. O limite do saudável é de 1 a 2 mm do periodonto. Mais que isso já há lesão/patologia. Cisto radicular (apical) - Notar o halo radiopaco ao redor da lesão. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 54 Crista óssea alveolar sadia. Crista óssea alveolar lesionada. ALTERAÇÕES DO PERIODONTO (PERIODONTOPATIAS) ➢ Gengivite: não envolve tecido duro, somente mole. Geralmente associado ao tártaro; ➢ Periodontite: já há destruição do tecido ósseo. Os tipos de periodontite são: - Reabsorção horizontal; - Reabsorção vertical; - Comprometimento endo-perio; - Comprometimento da furca. [Comentário do professor]: Na gengivite não há comprometimento de tecido ósseo, por isso não possui característica radiográfica. Periodontite. Periodontite com reabsorção vertical. RADIOGRAFIAS E PERIODONTIA ➢ Osso alveolar: - Lâmina dura (cortical alveolar); - Osso esponjoso; - Crista óssea alveolar. ➢ Espaço do ligamento periodontal; ➢ Dente. À medida que o dente perde sustentação ele ganha mobilidade. PERIOPATIAS ➢ Ausência da lâmina dura da crista óssea alveolar; ➢ Reabsorção horizontal da crista óssea alveolar; ➢ Reabsorção vertical da crista óssea alveolar; *Se não houver dente ocorre reabsorção fisiológica do rebordo alveolar. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 55 [Comentário do professor]: Na doença periodontal, quando se perde o dente, começa a haver reabsorção do rebordo alveolar. RAREFAÇÃO DA CRISTA ÓSSEA ALVEOLAR ➢ Acometimento da doença periodontal – início da perda óssea; ➢ Perda da lâmina dura na região da crista óssea. É uma perda inicial do osso que se progredir causará doença periodontal. ASPECTOS RADIOGRÁFICOS DA DOENÇA PERIODONTAL ➢ Reabsorção óssea horizontal:- Reabsorção da crista alveolar, das corticais (lâmina dura) vestibulares e linguais (generalizada); - A região da crista óssea continua paralela à JAC, porém em um nível inferior; ➢ Reabsorção óssea angular/defeito ósseo vertical: - O osso residual forma um ângulo oblíquo com a JAC (localizado); - O defeito infra-ósseo refere-se a uma deformidade vertical que se estende apicalmente ao longo da raiz. Reabsorção óssea horizontal. Reabsorção óssea vertical. .......... .Notar o aspecto generalizado. Notar o aspecto mais localizado. DISTRIBUIÇÃO DA REBSORÇÃO ➢ Localizada: vertical; ➢ Generalizada: horizontal. INTENSIDADE DA REABSORÇÃO ➢ Leve ou discreta (1 a 2mm abaixo do nível normal); ➢ Moderada (3 a 4mm); ➢ Severa (5 a 6mm com envolvimento de furca). R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 56 REABSORÇÃO HORIZONTAL ➢ Quando ocorre é paralelo à junção amelocementária; ➢ Discreta – 1 a 2mm ou 1/3 da raiz; ➢ Moderada – 2 a 3mm ou metade da raiz; ➢ Severa – mais de 3mm ou mais da metade da raiz. ➢ Quando atingir furca: reabsorção severa. Níveis de absorção óssea horizontal. SINAIS RADIOGRÁFICOS SUGERINDO LESÃO DE FURCA ➢ Aumento do espaço periodontal (pericementário); ➢ Perda do detalhe da lâmina dura; ➢ Diminuição da densidade óssea da região; ➢ Reabsorção óssea em “meia-lua”, que se estende à furca; ➢ Perdas ósseas acentuadas em volta do dente ou de suas raízes. LIMITAÇÕES DA RADIOGRAFIA NO DIAGNÓSTICO PERIODONTAL ➢ Não registra presença de bolsa periodontal ou mobilidade dentária; ➢ Não registra a morfologia interna ou a profundidade dos defeitos ósseos; ➢ Não demonstra a proporção entre tecidos moles e duros; ➢ A imagem radiográfica mostra a destruição óssea menos grave do que ela ocorre de fato – geralmente aparece subestimada.; ➢ Não estabelece um distinção específica entre o caso tratado com êxito e o caso não tratado. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 57 AULA 7 Continuação da aula anterior... ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS ANODONTIA Redução do número de dentes esperados para cada uma das dentições, podendo ser classificada como anodontia parcial ou total. Na total há ausência de todos os dentes e está associado à displasia ectodérmica, que causa comprometimento de estruturas de origem ectodérmica sem força para irromper. A parcial (mais comum), corresponde à ausência de um ou mais elementos dentários. Pode-se usar o termo oligodontia quando há falta de vários dentes. DENTES SUPRANUMERÁRIOS São todos aqueles dentes que excedem ao número normal de dentes esperados para cada uma das dentições. De acordo com a localização ou época de irrupção, os dentes supranumerários podem ser ainda denominados, de maneira particular, como: ➢ Mesiodente: localizam-se próximos à linha média da maxila, entre os incisivos centrais. ➢ Distomolar: são aqueles que se posicionam à distal dos terceiros molares; ➢ Paramolar: aparecem à vestibular ou palatino, em relação aos molares superiores – mais comumente por palatino; ➢ Dente pré-decíduo: são estruturas córneas que se apresentam sobre os rebordos alveolares ao nascimento, e que podem, na verdade, representar cistos gengivais dos recém-nascidos. Os dentes supranumerários ainda podem apresentar a mesma forma (eumorfos) dos dentes da região em que aparecem, ou podem apresentar forma anômala/diferente (dismorfos), sendo mais comumente eumorfos na região de pré-molares inferiores. ALTERAÇÕES ESTRUTURAIS DENTÁRIAS Qualquer perturbação de ordem ambiental ou genética, durante a odontogênese, pode gerar uma alteração na estrutura do esmalte, da dentina ou de ambos. As alterações estruturais são divididas em: Anodontia parcial em incisivos laterais. Oligodontia envolvendo vários dentes. Dente supranumerário mesiodente (entre os incisivos centrais). R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 58 ➢ De esmalte: - Amelogênese imperfeita; - Hipoplasia de esmalte; ➢ De dentina: - Dentinogênese imperfeita; - Displasia dentinária; ➢ De esmalte e dentina: - Odontodisplasia regional. DE ESMALTE AMELOGÊNESE IMPERFEITA Caracteriza-se pela hipoplasia ou pioclacificação do esmalnte envolvendo todos os dentes. Pode ser classificada em três tipos, a saber: hipoplásico, hipocalcificado e hipomaturado. O desenvolvimento do esmalte apresenta três etapas distintas: a etapa de formação (deposição de matriz orgânica), a etapa de calcificação (mineralização da matriz) e a etapa de maturação (aumento de volume dos cristais de hidroxiapatita - maturação). No tipo hipoplásico há uma formação deficiente da matriz orgânica, em face do fato de a alteração comprometer a etapa formativa de desenvolvimento do esmalte. Já no tipo hipocalcificado há o comprometimento da etapa de calcificação, havendo uma mineralização deficiente da matriz orgânica. E no hipomaturado há uma perturbação da etapa de maturação do processo de desenvolvimento do esmalte dentário, formando cristais imaturos. A amelogênese é uma anomalia hereditária, dessa forma, em qualquer tipo de amelogênese, todos os dentes, de ambas as dentições são afetados. A radiopacidade do esmalte pode-se apresentar semelhante ao da dentina. Amelogênese imperfeita. HIPOPLASIA DE ESMALTE Defeito caracterizado por esmalte de menor espessura ou área sem cobertura de esmalte, ou ainda por esmalte de menor densidade, envolvendo um ou outro grupo de dentes. Desse modo, temos a hipoplasia propriamente dita, e a hipocalcificação. Pode apresentar esmalte fino, R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 59 com densidade normal deixando a dentina visível por transparência. Causa deficiência nos pontos de contato, oclusal baixa e plana, mordida aberta. A hipoplasia apresenta um esmalte de dureza normal e quantidade deficiente. Já na hipocalcificação o esmalte se apresenta em quantidade normal, porém como mineralização deficiente. Dentre os fatores etiológicos temos as deficiências nutricionais (vitaminas A, C e D; as doenças exantêmicas: sarampo, varíola, rubéola; a sífilis congênita; a hipocalcimia; distúrbios perinatais: trauma, prematuridade, eritroblastose fetal; infecções focais; o trauma local; e a ingestão de substâncias químicas (fluoretos). Processos patológicos periapicais, consequentes a infecções pulpares, e trauma em dentes decíduos, estão constantemente associados à hipoplasia de esmalte em dentes permanentes. Nesses casos, a hipoplasia normalmente acomete um único dente, que leva a denominação de dente de Turner. Mais comum em pré-molares. Dente hipoplásico de Turner. Hipoplasia de esmalte. Notar a radiopacidade do esmalte pouco evidente. DE DENTINA DENTINOGÊNESE IMPERFEITASe caracteriza, via de regra, por dentes de raízes curtas e cônicas, constrição cervical, coroas bulbosas, espaços pulpares obliterados e atrição pronunciada, podendo ser classificada como: ➢ Tipo I: ocorre associação com osteogênese imperfeita e há um comprometimento mais severo dos dentes decíduos; ➢ Tipo II: não há envolvimento ósseo; ➢ Tipo III: também chamado tipo Brandywine, apresenta, também, apenas alterações dentárias, mas com algumas variações clínicas e radiográficas: exposições pulpares, radioluscências periapicais e dentes em concha ou dentes de Rushton, nos quais a dentina aparece delgada e as câmaras pulpares e os canais radiculares apresentam-se anormalmente amplos. A dentinogênese imperfeita é de caráter hereditário e compromete ambas as dentições, e é também conhecida como dentina opalescente hereditária. Resumindo então: os dentes apresentam raízes curtas e cônicas, coroas bulbosas, constrição cervical, espaços pulpares obliterados, coloração marrom-azulada. Há fragilidade na união entre esmalte e dentina. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 60 Dentinogênese imperfeita. Radiografia de dentes exibindo coroas bulbosas, constrição cervical e canais e câmaras pulpares obliterados. DISPLASIA DENTINÁRIA Dentes com espaços pulpares obliterados parcial ou completamente, raízes hipodesenvolvidas (pouco desenvolvidas/com defeito) e lesões periapicais caracterizam, via de regra, a displasia dentinária. Há um distúrbio na formação da dentina. Existem variações, o que permite classificar a displasia em: ➢ Tipo I: tipo radicular – dentes podem se apresentar sem raiz; há uma desorganização da dentina radicular e encurtamento da raiz. Esmalte e dentina da coroa normais; ➢ Tipo II: tipo coronário – tamanho normal das raízes; aspectos clínicos e radiográficos semelhantes a dentinogênese imperfeita; os dentes permanentes apresentam extensão apical da câmara pulpar, onde, em geral, desenvolvem-se nódulos; ➢ Tipo III: tipo misto – combinação das características do tipo I e II. Assim como a dentinogênese imperfeita, a displasia dentinária mostra um caráter hereditário autossômico dominante. Displasia mostrando dentes com raízes encurtadas. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 61 DE ESMALTE E DENTINA ODONTODISPLASIA REGIONAL Condição referida também como dentes fantasmas ou odontogênese imperfeita, o que se vê são dentes com aspecto de desorganização estrutural de esmalte e dentina, apresentando espaços pulpares anormalmente amplos (câmaras pulpares aumentadas), finas camadas de dentina e esmalte, raízes curtas e ápices radiculares abertos. Os dentes permanentes são mais afetados que os decíduos. Dentes ântero-superiores são os mais frequentemente envolvidos, podendo irromper ou não, e os fatores etiológicos sugeridos (pois a etiologia é desconhecida) são: trauma, deficiências nutricionais, infecções, alterações metabólicas, doenças sistêmicas, fatores genéticos e defeito vascular local. Odontodisplasia regional – notar desorganização dos dentes e câmaras pulpares aumentadas e com ápices abertos. ALTERAÇÕES TOPOGRÁFICAS DENTÁRIAS Os dentes devem estar dispostos corretamente nos arcos dentários, em cada uma das dentições. Qualquer alteração dessa disposição pode ser considerada uma alteração topográfica. Assim, podemos considerar como alterações topográficas as seguintes condições: ➢ Dente não-irrompido; ➢ Transposição; ➢ Giroversão; ➢ Ectopia; ➢ Retenção dentária; ➢ Infra-oclusão. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 62 DENTE NÃO IRROMPIDO São dentes que por alguma razão não fizeram sua irrupção. Vários fatores etiológicos são sugeridos: ausência de espaço no arco dentário; barreira física na trajetória de irrupção; trajetória anormal de irrupção, devido à mudança de posição do germe dentário; retenção do dente decíduo; força irruptiva insuficiente; morfologia dentária anormal; e desenvolvimento ectópico do germe dentário. Os mais comumente acometidos são os 3º molares inferiores e caninos superiores, em seguida, os pré-molares (superiores e inferiores), e os caninos inferiores. TRANSPOSIÇÃO Dentes em posições invertidas no arco dentário. Pode ocorrer em função de uma anodontia. Por exemplo, quando há agenesia do incisivo lateral superior, o canino migra ocupando seu lugar. A frequência de transposição é relativamente baixa e acomete mais comumente canino e dente vizinho, mais comumente o pré-molar vizinho. Notar dentes fora do seu sítio normal, na região de caninos inferiores. Terceiro molar não irrompido. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 63 GIROVERSÃO Quando um dente apresenta-se “girado” em torno do seu longo eixo. É frequentemente observado entre incisivos superiores e pré-molares inferiores. Germes dentários também podem sofrer giroversão e acabarem se corrigindo durante o processo de desenvolvimento e irrupção dentária. Ele ainda pode se giroverter em decorrência da falta de um dente vizinho, mas isso não é uma giroversão genuína. Giroversão de incisivo central. Giroversão de pré-molar. ECTOPIA É o mesmo que transmigração. Dente irrompe fora do seu sítio normal ou ainda em sítios incomuns. Normalmente está associado à ausência de espaço no arco dentário, a uma barreira física na trajetória de irrupção, devido à mudança de posição do germe dentário, e à retenção do dente decíduo. Dente vai irromper distante do processo alveolar. Ectopia de canino por falta de espaço no arco dentário. Ectopia de incisivo central superior. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 64 RETENÇÃO DENTÁRIA Condição associada à primeira dentição e que se caracteriza pela remanescência de dentes decíduos nos arcos dentários. Os dentes retidos podem ou não apresentar rizólise, e a condição pode estar associada à anodontia ou irrupção ectópica (irrompido fora do local adequado) do dente sucessor. Com frequência, podemos registrar a retenção de molares, caninos superiores e incisivos laterais superiores decíduos em função da anodontia de pré-molares e incisivos laterais permanentes, respectivamente. Notar a retenção dos segundos molares decíduos. INFRA-OCLUSÃO Condição normalmente associada a molares decíduos, que corresponde a dentes que se situam aquém do plano oclusal. Anquilose dento-alveolar é a causa primária que leva à manifestação da condição, o que provocaria o subdesenvolvimento do processo alveolar e a aparente submersãodo molar decíduo envolvido. A infra-oclusão pode ser: ➢ Leve: 1 mm aquém do plano oclusal; ➢ Moderada: 2 mm aquém do plano oclusal; ➢ Severa: superfície oclusal aquém dos pontos de contato dos dentes vizinhos. As vezes a infra-oclusão severa pode deixar o dente recoberto pelo tecido gengival. Infra-oclusão de molar decíduo. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 65 AULA 8 LESÕES INTRA-ÓSSEAS ASPECTO RADIOGRÁFICO DOS CISTOS MAXILARES [Comentário do professor]: Cisto é uma cavidade patológica (não anatômica), revestida por epitélio e possui seu interior com líquido, semi-líquido e, às vezes, até sólido. CISTO RADICULAR (PERIAPICAL, PERIODONTAL APICAL) [Comentário do professor]: De origem inflamatória, ou seja, o que fez ele se desenvolver foi uma inflamação. É o mais comum dentre os cistos odontogênicos. Sua etiologia está relacionada com a proliferação dos restos epiteliais de Malassez, presentes no ligamento periodontal, os quais são estimulados por uma inflamação decorrente de uma necrose pulpar. Esse cisto pode ser decorrente de uma infecção, podendo atingir grandes dimensões sem apresentar manifestações clínicas devido ao seu caráter crônico. CARACTERÍSTICAS RADIGRÁFICAS ➢ Pode estar localizado no periápice ou laterais da raiz; ➢ Lesão radiolúcida unilocular (só possui uma cavidade), com halo radiopaco; ➢ Perda da lâmina dura – perde a lâmina pois é um processo inflamatório; ➢ Reabsorção radicular externa – devido ao processo de longa duração a raiz vai absorvendo, então ela vai diminuindo de tamanho (irregular). DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL (Características dessa lesão/hipótese diagnóstica para a lesão) ➢ Cisto periodontal lateral; ➢ Outras doenças do periápice. [Comentário do professor]: O tratamento do cisto geralmente consiste em abrir e remover. [Retirado do livro]: O tratamento do cisto radicular consiste na remoção total da cápsula cística, com extremo cuidado, pois qualquer resquício da mesma acarretará no insucesso do tratamento, já que o cisto continuará a se desenvolver mesmo com a ausência do elemento dentário. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 66 Exemplos de cistos radiculares. Cisto radicular de grandes dimensões. CISTO RESIDUAL [Comentário do professor]: Também é proveniente de estímulo inflamatório. ➢ Exodontia de dente com cisto periapical sem remoção do cisto. [Comentário do professor]: É quando se remove um dente e se deixou o cisto lá. Ou seja, é um cisto periapical que foi deixado no lugar. As lesões císticas são assintomáticas. Eventualmente pode ocorrer sintoma. [Retirado do livro]: Os cistos residuais ou cistos periodontais residuais são cistos radiculares, os quais não foram totalmente ou parcialmente removidos durante o procedimento cirúrgico, R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 67 continuando seu crescimento no interior do processo alveolar, podendo atingir grande tamanho e provocar abaulamento das corticais ósseas, sendo assim descobertos/encontrados. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS ➢ Similar ao cisto periapical, sem o dente. Ou seja, é igual o cisto periapical, porém agora não há dente no lugar. [Retirado do livro]: Radiograficamente são vistos como uma imagem radiolúcida, de densidade homogênea, de limites definidos por um halo radiopaco (osteogênese reacional) no local de um dente ausente. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ➢ Tumor odontogênico queratocístico. [Retirado do livro]: o tratamento é a excisão cirúrgica total da lesão. Notar a ausência dentária no local do cisto. CISTO PARADENTÁRIO [Comentário do professor]: Decorrente de processo inflamatório também. [Retirado do livro]: É uma afecção pouco frequente e que também pode ser chamada de cisto inflamatório colateral, cisto periodontal inflamatório, cisto mandibular bucal infectado, ou ainda cisto da bifurcação vestibular. Acredita-se que sua origem (embora discutível) seja a mesma dos cistos radiculares, ou seja, dos restos epiteliais de Malassez. ASPECTO RADIOGRÁFICO ➢ Radiolúcido bem definida, unilocular, na face distal ou vestibular ou lingual do dente semi- irrompido (tem que ser no dente semi-irrompido). [Comentário do professor]: O cisto paradentário não ocorre em dente que ainda está dentro do osso alveolar. Pode ocorrer outro cisto nesse dente, mas não o paradentário. Para ocorrer o paradentário precisa haver um dente parcialmente irrompido. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ➢ Cisto dentígero; ➢ Cisto periodontal lateral. [Retirado do livro]: O tratamento recomendado é a enucleação do cisto, com a preservação do dente associado. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 68 Cisto paradentário. Notar o halo radiopaco ao redor da lesão. Somente os 3 cistos citados acima são provenientes de processos inflamatórios Dente extraído com Cisto paradentário. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 69 CISTO DENTÍGERO (CISTO FOLICULAR) [Comentário do professor]: Proveninete de restos epiteliais de Malassez que se proliferaram e formaram essas lesões. [Retirado do livro]: O cisto dentígero é o de maior expressão dentre os cistos odontogênicos de desenvolvimento. Esse cisto tem maior incidência até a terceira década de vida, apresentando discreta predileção pelo sexo masculino. Está mais comumente associado aos 3º molares inferiores, seguido pelos caninos superiores. Mas pode ocorrer nos outros dentes. Geralmente são descobertos em exames radiográficos de rotina ou na investigação da demora na erupção de um dente, pois no início são assintomáticos, porém não são autolimitantes, podendo atingir grandes proporções, levando à assimetria facial, à parestesia e ao apinhamento dentário. ASPECTOS RADIOGRÁFICO ➢ Área radiolúcida unilocular bem definida circundando a coroa de um dente não irrompido. ➢ Pode se dividir em central (quando a imagem envolve centralmente a coroa do dente), lateral ou circunferencial; ➢ Este cisto pode provocar deslocamento e reabsorção de dentes adjacentes. [Comentário do professor]: O cisto dentígero deve começar na junção amelocementária e acabar na junção amelocementária também. Se a área estiver central, o cisto é central; se estiver deslocada para a lateral vai ser cisto lateral; e quando a lesão toma outro aspecto de círculo diferente, ela é circunferencial. Pode ser confundido com o espaço do folículo pericoronário. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ➢ Cisto dentígero x folículo aumentado (capuz pericoronário) – 3 a 4 mm? ➢ Outros cistos e tumores odontogênicos.[Retirado do livro]: O tratamento para esse cisto é a enucleação, com a remoção do dente não irrompido associado. Entretanto, se a erupção do dente envolvido for considerada possível, o dente pode ser mantido no local após remoção do cisto. Cisto dentígero lateral. Cisto dentígero circunferencial. Cisto dentígero central. Notar círculo irregular. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 70 CISTO PERIODONTAL LATERAL [Comentário do professor]: Também pode estar na lateral da raiz. É proveniente de restos residuais Malassez, mas a lesão não veio do canal. Essa lesão está aprisionada no osso alveolar. O teste de vitalidade irá ser positivo, com lâmina dura íntegra. Essa lesão não é proveniente do dente, mesmo estando perto dele. A lesão estará entre as raízes. [Retirado do livro]: É um cisto pouco frequente, que se desenvolve na região proximal da raiz de um dente. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS ➢ Radioluscência bem definida, unilocular, entre as raízes de dentes vitais. Pode aparecer também multilocular (mais de uma cavidade) ou policísticos – cisto odontogênico, chamado de botrióide (“cachos de uva” – variação raríssima). DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ➢ Tumor odontogênico queratocístico. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 71 CISTO ODONTOGÊNICO CALCIFICANTE (CISTO DE GORLIN) [Comentário do professor]: É calcificante. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS ➢ Cisto odontogênico epitelial calcificante: - Áreas radiolúcidas uniloculares bem definidas com radiopacidades no interior (50%); ➢ Reabsorção radicular; ➢ Divergências das raízes - Dente incluso associado (canino) em 30% dos casos. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ➢ Radiolúcidos: dentígero, tumor odontogênico queratocístico; ➢ Radiolúcido com calcificações no interior: TOA (tumor odontogênico adenomatóide), odontoma, tumor odontogênico epitelial calcificante. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 72 CISTO ÓSSEO SIMPLES [Comentário do professor]: Não é considerado um cisto verdadeiro. Muitos autores falam que ele é um pseudo-cisto. Era chamado de cisto ósseo traumático, mas esse nome não se utiliza mais. Não é revestido por epitélio, e dentro ele pode estar vazio ou possuir conteúdo sanguinolento. Ao abrir a lesão não há nada para retirar. Pode fazer punção para aspirar. Pode ser confundido com abcesso. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS ➢ Imagem radiolúcida com contornos festonados (aspecto de nuvem desenhada) pela presença de raízes dentárias. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ➢ Radiolúcidos: dentígeros, tumor odontogênico queratocístico. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 73 DEFEITO ÓSSEO STAFNE (CISTO ÓSSEO DE DESENVOLVIMENTO) [Comentário do professor]: Não é um cisto e não é uma lesão, é uma variação anatômica na mandíbula. Depressão na cortical lingual da mandíbula que serve para alojar a glândula submandibular. O que se faz para tratar? Nada. Além de glândula pode alojar músculo e tecido linfóide (esses dois são mais raros). CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS ➢ Imagem radiolúcida, forma arredondada, bem delimitada e fica entre a base da mandíbula e o canal mandibular; ➢ Unilateral – o que pode levar ao diagnóstico errado. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 74 AULA 9 ASPECTOS RADIOGRÁFICOS DOS TUMORES ODONTOGÊNICOS AMELOBLASTOMA Aspectos radiográficos: ➢ Deslocamento ou reabsorção dos elementos dentários adjacentes; ➢ Expansão e adelgamento das corticais; ➢ Região posterior da mandíbula; ➢ Unilocular (ameloblasto unilocular/unicística); ➢ Multilocular (bolhas de sabão, favo de mel). [Comentário do professor]: A raiz se absorve e fica com aparência de lâmina de faca. É uma lesão comum em região posterior de mandíbula. São dois tipos: Unilocular (ocorre mais em pacientes jovens) e o multilocular (mais comum e ocorre mais em idosos). A lesão possui aspecto de bolhas de sabão ou favo de mel. O ameloblastoma é uma lesão agressiva, mas é benigna. Diagnóstico diferencial: ➢ Cisto dentígero, tumor odontogênico, queratocístico, cisto residual, lesão central de célular gigantes e mixoma. TUMOR ODONTOGÊNICO EPITELIAL CALCIFICANTE ➢ Também pode ser chamado de tumor de Pindborg; ➢ Associação à dentes não irrompidos; ➢ Ocorre geralmente em pacientes mais velhos; ➢ Assintomática, tumefação local (aumento de volume); Aspectos radiográficos: ➢ Radiolúcido, bem delimitado, associado a dente completamente formado, focos radiopacos; Diagnóstico diferencial: ➢ Cisto dentígero, ameloblastoma (multilocular), TOA (tumor odontogênico adenomatóide) e odontoma complexo. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 75 [Comentário do professor]: Para diferenciar do TOA: o TOA ocorre em pacientes mais jovens e o tumor odontogênico epitelial calcificante ocorre em pacientes mais velhos. FIBROMA AMELOBLÁSTICO ➢ Incomum; ➢ Crescimento lento, aumento de volume, assintomático. [Comentário do professor]: Lesão mais incomum e aspecto mais inespecífico. Aspectos radiográficos: ➢ Podem produzir expansão óssea, associação com dentes inclusos. ➢ Imagem radiolúcida de limites bem definidos, uni ou multilocular. Diagnóstico diferencial: ➢ Cisto dentígero, ameloblastoma, lesão central de células gigantes e mixoma odontogênico. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 76 FIBRO ODONTOMA-AMELOBLÁSTICO Aspectos radiográficos: ➢ Região posterior da mandíbula, associado a dentes não-irrompidos. ➢ Área radiolúcida de limites bem definidos, uni ou multilocular, contendo em seu interior massas radiopacas de densidade semelhante às do odontoma complexo. [Comentário do professor]: Pequena modificação no fibroma ameloblástico. Praticamente mesma lesão, mas agora com focos radiopacos dentro da lesão. Diagnóstico diferencial: ➢ Tumor de Pindborg, cisto odontogênico calcificante, odontoma complexo, odontoameloblastomae TOA. TUMOR ODONTOGÊNICO ADENOMATÓIDE (TOA) [Comentário do professor]: Lesão um pouco mais comum. As lesões presentes no tumor se parecem com glândulas. Geralmente ocorre em canino superior. A literatura cita que o aspecto dessa lesão parece com imagem de céu estrelado. Aspecto radiográfico: ➢ Área radiolúcida, limites definidos, associado a dentes da região anterior da maxila (caninos), com radiopacidades ao redor do dente não-irrompido. Diagnóstico diferencial: ➢ Cisto dentígero, ameloblastoma unicístico, fibroma ameloblástico, tumor de Pindborg e tumor de Gorlin. [Comentário do professor]: Para diferencial do cisto dentígero: o cisto dentígero começa na junção amelocementária, enquanto o TOA não começa na junção emalocementária e ainda o TOA possui focos radiopacos no interior. Para diferencial do tumor de Pindborg deve-se analisar o local da lesão e a idade do paciente. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 77 ODONTOMA COMPOSTO [Comentário do professor]: A lesão mais comum dos tumores benígnos citados na aula. Muitas vezes descoberto acidentalmente. Lesão silenciosa, assintomática. Mas possui imagem característica, sendo mais fácil saber que é a lesão. Essa lesão pode estar associada a dente não- irrompido. É delimitado por halo radiolúcido que delimita a lesão, contendo dentículos (pequenos dentes) no seu interior. Aspectos radiográficos ➢ Imagem característica; ➢ Maxila, região anterior; ➢ Vários dentículos, podendo estar agrupados de forma desordenada, com limites definidos. ➢ Pode estar associada a dentes não irrompidos. [Comentário do professor]: Massa tumoral com quantidade variada de dentículos (pequenos dentes) no seu interior. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 78 ODONTOMA COMPLEXO [Comentário do professor]: Ocorre mais na região posterior dos maxilares. Também massa radiopaca delimitada por banda/halo radiolúcido. O complexo não possui forma de dentículos mas uma mistura de dentina e esmalte no interior. Não há os dentículos, mas uma imagem misturada de dentina e esmalte no interior da lesão. Uma massaroca de imagem radiopaca. A lesão sai inteira na cirurgia. Aspectos radiográficos: ➢ Região posterior dos maxilares; ➢ Pode estar associado a dentes não-irrompidos. ➢ Massa radiopaca, de forma irregular, delimitada por delgada banda radiolúcida. Diagnóstico diferencial: ➢ Fibro-odontoma ameloblástico, cisto odontogênico calcificante, osteoma, osteomielite crônica esclerosante focal, displasia cemento-ósseo periapical. *todas as lesões que acabam com oma são lesões benígnas. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 79 MIXOMA ODONTOGÊNICO Aspectos radiográficos: ➢ Imagem radiolúcida, multilocular, mal definida, com septos intra-ósseos dispostos em ângulos retos, paralelos ou oblíquos entre si (raquete de tênis ou degraus de escada), bolhas de sabão, favo de mel. ➢ Características agressivas. Diagnóstico diferencial: ➢ Lesão central de células gigantes, ameloblastoma. [Comentário do professor]: Remoção da lesão mais difícil pois a margem não é bem definida. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 80 FIBROMA ODONTOGÊNICO Características radiográficas: ➢ Não patognomônico (sem aspecto característico); ➢ Área radiolúcida, arredondada ou ovalada, limites definidos. Às vezes com discretas calcificações; ➢ Uni ou multilocular; ➢ Abaula corticais, deslocamento das raízes, reabsorção radicular externa; ➢ Região apical de um dente irrompido. Diagnóstico diferencial: ➢ Cisto dentígero, fibroma ameloblástico, ameloblastoma e tumor odontogênico adenomatóide. CEMENTOBLASTOMA BENIGNO [Comentário do professor]: Proveniente das células do cemento. Há proliferação anormal de células de cementoblastos. Normalmente em molares inferiores (mais acometidos). Normalmente o dente deve ser removido também durante o tratamento. Características radiográficas: ➢ Imagem radiolúcida, mista ou radiopaca, de forma ovalada, fusionada à raiz de um dente, circunscrita por halo radiolúcido; ➢ Reabsorção radicular externa. Diagnóstico diferencial: ➢ Hipercementose, osteíte condensante (osteomielite esclerosante focal) e displasia cemento-ósseo periapical. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 81 TUMOR ODONTOGÊNICO CERATOCÍSTICO (TOC) – lesão importante [Comentário do professor]: Formação de camada de queratina. Normalmente não causa deslocamento/expansão de cortical. O paciente que possui TOC terá várias lesões desse tipo. Está associado à Síndrome de Gorlin. Essa lesão tem alto índice de recidiva (até 30%). ➢ Restos celulares da lâmina dental; ➢ 10 a 40 anos, região posterior de mandíbula; ➢ Crescimento ântero-posterior – sem expansão óssea; ➢ Múltiplos ceratocistos – Síndrome do carcinoma nevoide basocelular (Gorlin); ➢ Radilúcidos, margens radiopacas bem definidas; ➢ Lesões maiores – multilocular; ➢ Associado à dentes não irrompidos – DD; ➢ Tratamento: enucleação e curetagem; ➢ Alta recidiva (30%): cistos satélites. Diagnóstico diferencial: ➢ Cisto radicular, cisto residual, cisto periodontal lateral. TUMORES ODONTOGÊNICOS MALIGNOS [Comentário do professor]: São raros e geralmente não se dá o diagnóstico, porém deve-se saber o aspecto radiográfico para saber encaminhar o paciente. ➢ Fibrossarcoma ameloblástico; ➢ Osteossarcoma (mais comum). ➢ Ameloblastoma maligno. BENIGNO ➢ Crescimento lento; ➢ Abaular e adelgaçar corticais; ➢ Respeito à integridade alvéolo dentária; ➢ Causa reabsorção radicular externa. MALIGNO ➢ Crescimento rápido e agressivo; ➢ Limites indefinidos, difusos (roído de traça/raios de sol); ➢ Abaular, adelgaçar ou romper corticais; R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 82 ➢ Aspecto de dentes flutuantes na massa tumoral. [Comentário do professor]: Lesão que rompe cortical é agressiva/malígna AULA 10 ASPECTO RADIOGRÁFICO DE PATOLOGIAS ÓSSEAS DOS MAXILARES LESÕES ÓSSEAS INFLAMATÓRIAS OSTEOMIELITES ➢ Supurativas: - Aguda - Crônica ➢ Esclerosante crônica: - Focal - Difusa ➢ Osteíte Deformante (Garrè) ➢ Osteorradionecrose – associado a tratamentos de tumores malignos que se submetem-se a radioterapia. Há a lesão e com radioterapia há aceleraçãoda lesão. OSTEOMIELITE SUPURATIVA AGUDA ➢ Etiologia: causas locais (infecção periapical aguda, pericoronarites, lesões periodontais, traumatismos, infecção no seio maxilar). ➢ Aspectos clínicos: dor acentuada, elevação de temperatura e linfoadenopatia regional; ➢ Aspectos radiográficos: imagens radiolúcidas difusas no tecido ósseo (microabscessos). [Comentário do professor]: Não há imagem circunscrita e sim difusa. Osteomielite aguda. Área radiolúcida maldefinida em Osteomielite aguda com sequestro ósseo. Área corpo mandibular direito. radiolúcida em corpo mandibular direito com massa radiopaca central de osso necrótico. Sequestro ósseo R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 83 OSTEOMIELITE SUPURATICA CRÔNICA ➢ Etiologia: após uma fase aguda ou por infecção dentária. Ou seja, se a osteomielite aguda não for tratada ela pode evoluir para a crônica. ➢ Aspectos clínicos: sinais e sintomas atenuados. ➢ Aspectos radiográficos: lesão mista, radiolúcido-radiopaco, com bordos mal definidos e radiopacidade difusa no interior (sequestro ósseo). ➢ Sequestro ósseo: osso necrosado separado do osso sadio por uma banda radiolúcida. Um fragmento de osso necrótico que se separa do osso vitalizado é denominado sequestro ósseo. [Comentário do professor]: Há diminuição da dor comparado com a osteomielite aguda. Lesão que tem como principal característica a aparência de sequestro ósseo. Possui linhas radiolúcidas e radiopacas juntas na lesão. Osteomielite crônica. A, Área radiolúcida maldefinida em corpo mandibular direito adjacente a um sítio de extração recente. B, Após a intervenção inicial, o paciente não retornou para acompanhamento devido à ausência de dor significativa. Uma área radiolúcida aumentada e maldefinida em corpo mandibular direito foi descoberta 2 anos após a cirurgia inicial. OSTEOMIELITE ESCLEROSANTE CRÔNICA (FOCAL E DIFUSA) FOCAL ➢ Sinonímia: conhecida também por Osteíte condensante. ➢ Etiologia: necrose pulpar, ROPD. ➢ Aspectos clínicos: pacientes jovens, primeiro molar inferior. ➢ Aspectos radiográficos: massa radiopaca circunscrita envolvendo e se estendendo sob os ápices das raízes do dente envolvido. ➢ Diagnóstico diferencial: - Cementoblastoma benigno - Hipercementose [Comentário do professor]: Uma das diferenças dessa lesão para a hipercementose é que, nesse caso, se consegue identificar a continuidade da lâmina dura do processo inflamatório. A B (Osteíte Esclerosante Focal (Osteíte condensante). Áreas de radiopacidade aumentadas circundando os ápices do primeiro molar inferior desvitalizado. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 84 DIFUSA ➢ Etiologia: infecção de baixa intensidade (periodontal). ➢ Aspectos clínicos: rara, pessoas idosas, desdentados. ➢ Aspectos radiográficos: esclerose difusa do osso, algumas vezes extensa e bilateral. Flocos de algodão. ➢ Diagnóstico diferencial: fibroma ossificante, doença de Paget, displasia cemento-ósseo florida. Osteomielite esclerosante difusa. Área difusa de radiopacidade aumentada em corpo mandibular direito nas regiões adjacentes aos dentes. Nenhum outro quadrante apresentava envolvimento. OSTEOMIELITE CRÔNICA COM PERIOSTITE PROLIFERATIVA (OSTEOMIELITE DE GARRÈ) ➢ Etiologia: ROPD, pericoronarites recorrrentes. ➢ Aspectos clínicos: exclusiva de criança e jovens, mandíbula, 1o molar inferior. Dor de dente e aumento de volume na superfície externa do osso. ➢ Aspectos radiográficos (muito vista em radiografias oclusais): - Padrão de casca de cebola; - Padrão unilamelar; - Padrão sólido. [Comentário do professor]: Possui como característica a aparência de casca de cebola, onde se pode ver linhas radiopacas como se fossem camadas de uma cebola. Lesão muito vista em radiografia oclusal, onde mostra a imagem clássica. Porém pode ser visualizada em outras radiografias também. Radiografia oclusal evidenciando duplicação óssea com aspecto de casca de cebola R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 85 OSTEORRADIONECROSE ➢ Doses acima de 4.500 rad. ➢ Etiologia: irradiação + trauma + infecção. ➢ Aspectos clínicos: dor aguda (intensa), pulsátil e lancinante, fístula, ulceração, fratura, sequestro, exposição do osso afetado, odor fétido, mal estar, linfadenopatia e disfagia. ➢ Aspectos radiográficos: múltiplas rarefações ósseas difusas de limites imprecisos. [Comentário do professor]: Processo inflamatório, está associada a tratamentos radioterápicos. O paciente já possui lesões ósseas/alterações ósseas. E essa radioterapia evolui essas lesões e evolui para osteorradionecrose. Osteorradionecrose na região posterior direta da mandíbula. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 86 AULA 11 Continuação da aula anterior... LESÃO CENTRAL DE CÉLULAS GIGANTES (Granuloma Central de Células Gigantes, Tumor de Células Gigantes) ➢ Clínico: aumento de volume assintomático. ➢ Aspectos radiográficos: - Imagem radiolúcida; - Multilocular “bolhas de sabão”; - Unilocular (região anterior); - Bem definidas, tamanho variável (5mm a 10cm); - Deslocamento dentário; - Abaula corticais, perfuração da cortical e parestesia; ➢ Diagnóstico diferencial: Unilocular: granuloma periapical ou cisto radicular; Multilocular: amelobastoma ou outras lesões multiloculares. [Comentário do professor]: É uma lesão muito expansiva; que atravessa a linha média e “gosta” de absorver raiz. Ocorre mais em mandíbula. Geralmente, os casos na maxila são menores. Granuloma central de células gigantes. A, Um aumento de volume púrpuro-azulado está presente na crista alveolar anterior deste garoto de 4 anos de idade. B, A radiografia oclusal mostra uma lesão radiolúcida com expansão da cortical. C, Radiografia panorâmica mostrando uma lesão radiolúcida na região anterior da mandíbula. QUERUBISMO ➢ Displasia óssea familiar ou displasia fibrosa hereditária. ➢ Expansão bilateral, indolor. ➢ Aspectos radiográficos: - Áreas radiolúcidas multiloculares, bilaterais, causa expansão e adelgamento das corticais; - Ocorre mais em ângulo e ramo da mandíbula; - Rizólise dos dentes decíduos, anomalias radiculares e deslocamento da posição dos dentes permanentes em formação, erupção ectópica ou impactação de alguns dentes. [Comentário do professor]: Começa a destruir osso e começa a construir um tecido parecido com osso. Apresenta aspecto bochechudo. Acomete mais criança, na faixa de 5 anos, e geralmente ocorre em 2 quadrantes. Conforme a criança cresce, a doença paralisa. Não possui necessariamente um tratamento. A B C R A D IO LO G IAV it o r En ri q u e B in i 87 Querubismo. A, Radiografia panorâmica de um garoto branco de 7 anos de idade. Radiolucências multiloculares bilaterais podem ser vistas na mandíbula posterior. B, Mesmo paciente 6 anos depois. As lesões no ramo mandibular demonstram resolução significativa, mas áreas de envolvimento ainda estão presentes no corpo da mandíbula. DOENÇA DE PAGET (Osteíte Deformante) ➢ Monostótica (apenas em um osso) ou poliostótica (vários ossos); ➢ Desequilíbrio entre a reabsorção e neoformação óssea – reabsorve mais do que forma osso. ➢ Aspectos radiográficos: - Áreas radiolacas em forma de flocos de algodão, alterações nos ossos do crânio; - Dentes poderão apresentar hipercementose; - Alterações sorológicas: fosfatase alcalina; - Transformação maligna: osteossarcoma. ➢ Diagnóstico diferencial: displasia cemento- ósseo. Doença de Paget. Radiografia periapical mostrando a aparência em “flocos de algodão” do osso. R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 88 OSTEOESCLEROSE IDIOPÁTICA (“Ilha de osso denso”, cicatriz óssea, enostose, osteopetrose periapical focal) ➢ Aspecto radiográfico: - Massas radiopacas arredondadas ou elípticas bem-definidas de 3 a 20mm; - Associadas ou não ao ápice, entre as raízes ou abaixo delas; - Reabsorção radicular em 10% dos casos; ➢ Diagnóstico diferencial: osteíte condensante. [Comentário do professor]: Não causa aumento de volume. Não requer tratamento e nem acompanhamento. Pode estar associada ou não ao ápice (pode estar em qualquer lugar). OSTEOMA (Oma = terminação de benigna; sarcoma = maligno) ➢ Tumor benigno de osso; ➢ Aspectos radiográficos: - Massas escleróticas circunscritas e ovaladas; - Não é possível observar o trabeculado ósseo normal; - Podem ser periosteais ou endoteais; ➢ Diagnóstico diferencial: osteíte condensante osteoesclerose e odontoma. [Comentário do professor]: O osteoma não é originário do dente. Tem crescimento limitado. Osteoesclerose idiopática. A, Uma área assintomática de esclerose óssea é vista entre e nos ápices das raízes dos primeiros e segundos molares inferiores. B, Nenhuma alteração apreciável pode ser vista nessa radiografia tirada 10 anos depois. LESÕES FIBRO-ÓSSEAS São lesões benignas onde há destruição de osso e formação de tecido fibro-ósseo.. Não há causa definida, muitas relacionadas a fatores genéticos e raciais. ➢ Displasia fibrosa; ➢ Displasias cemento-ósseas: - Displasia cemento-óssea florida - Displasia cemento-óssea periapical - Displasia cemento-óssea focal ➢ Fibroma cemento-ossificante R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 89 DISPLASIA FIBROSA ➢ Substituição de tecido ósseo por tecido fibro-ósseo; ➢ Tumefação indolor da área afetada; ➢ Monostótica – polistótica; ➢ Aspectos radiográficos: radiopaca condensante, com aspecto de “vidro despolido”, mal delimitadas; ➢ Diagnóstico diferencial: fibroma cemento-ossificante. [Comentário do professor]: Essa lesão pode crescer muito e deformar o rosto do paciente. Não há tratamento para a lesão, e sim mais estético para não deixar o paciente ficar com a face deformada. A lesão é autolimitante, ou seja, para com o tempo. Em 1: Displasia fibrosa. Radiografia periapical mostrando aparência radiográfica difusa de “vidro despolido”. Em 2: Displasia fibrosa. Radiografia oclusal mostrando expansão localizada da mandíbula e a aparência radiográfica de “vidro despolido”. As margens da lesão não são bem definidas e se misturam ao osso adjacente. DISPLASIAS CEMENTO ÓSSEAS [Comentário do professor]: As 3 seguintes são a mesma lesão, mas em locais diferentes: Começam radiolúcidas e depois ficam radiopacas. Geralmente não causam expansão de cortical óssea (sem sintoma), se descobrindo a lesão em exame de rotina. Não há tratamento. DISPLASIA CEMENTO-ÓSSEA FLORIDA ➢ Ocorre em vários quadrantes (mais de um lugar). ➢ Aspectos radiográficos: - Lesões radiopacas lobulares interpostas por áreas mistas e radiolúcidas; - Áreas dentadas ou não; - Pode mostra displasia cemento-óssea periapical e cisto ósseo simples associado (pseudo- cisto, que pode estar vazio ou com sangue). 1 2 R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 90 Displasia cemento-óssea florida. Lesões mistas radiolúcidas e radiopacas múltiplas envolvendo as regiões anterior e posterior da mandíbula. DISPLASIA CEMENTO-ÓSSEA FOCAL ➢ Ocorre mais comumente em mulheres na faixa dos 40 anos de idade. ➢ Aspectos radiográficos: - Assintomáticas, cerca de 1,5cm de diâmetro; - Mais comum na região posterior da mandíbula; - Radiolúcidas à densamente radiopacas; usualmente mistas bem-definidas; - Áreas dentadas ou não ➢ Diagnóstico diferencial: fibroma cemento-ossificante (separa-se do osso durante a cirurgia). Displasia cemento-óssea focal. A, uma área radiolúcida envolve a área edêntula do primeiro molar e área apical do segundo molar. B, radiografia do mesmo paciente tirada 9 anos após, mostrando um padrão misto radiolúcido e radiopaco. DISPLASIA CEMENTO-ÓSSEA PERIAPICAL (Displasia cementária periapical, cementoma periapical) ➢ Aspectos radiográficos: - Região periapical inferior anterior; - Assintomática, autolimitante, não expande corticais; - Início: imagem radiolúcida bem delimitada; R A D IO LO G IA V it o r En ri q u e B in i 91 - Quando as lesões tornam-se maduras há aumento da radiopacidade – lesões mistas ou radiopacas com halo radiolúcido); ➢ Diagnóstico diferencial: cistos e granulomas periapicais (somente na fase inicial). O que faz para diferenciar? Teste de vitalidade pulpar. [Comentário do professor]: Com o tempo a lesão inicial (radiolúcida) vai formar áreas radiopacas. Então somente na fase inicial pode ser confundida com cistos e granulomas periapicais. Lesões fibro-ósseas não causam absorção radicular. FIBROMA CEMENTO-OSSIFICANTE (Fibroma ossificante, fibroma cementificante) ➢ Aspectos radiográficos: - Região de pré-molares e molares; - Lesão unilocular bem-definida, radiolúcida, mista ou radiopaca; - Bordo esclerótico em algumas lesões; ➢ Diagnóstico diferencial: Displasia cemento-óssea focal, tumor odontogênico epitelial calcificante, cisto odontogênico calcificante. Fibroma ossificante. A, Aumento da maxila posterior causado por um grande fibroma ossificante. B, Note a mistura de lesão radiolúcida e radiopaca expandindo a maxila posterior. Displasia cemento-óssea periapical. Radiografia periapical mostrando múltiplas lesões radiolúcidas nos ápices dos dentes ântero-inferiores.