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O48ll Oliveira, Joaquina Maria Batista de. Leitura, interpretação e produção textual / Joaquina Maria Batista de. -- Manaus: CEUNI-FAMETRO, 2021. 224p. ISBN: 978-85-64293-02-1 1. Língua portuguesa 2. Leitura 3. Interpretação 4. Produção textual I. Título. CDU.:801.7 Todos os direitos reservados © FAMETRO IME Instituto Metropolitano de Ensino Ltda Wellington Lins de Albuquerque | Presidente - IME Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque | Reitora Cinara da Silva Cardoso | Vice-Reitora Iyad Amado Hajoj | Diretor de EaD e Expansão Leonardo Florêncio da Silva | Diretor Editorial e Gestor de EaD Adilsimar Saraiva Maciel | Coordenação Pedagógica EaD Luciana Braga | Projeto Gráfico, Capa e Editoração Ana Augusta de Oliveira Simas | Supervisora de Revisão e Revisora Anne Caroline do Nascimento Ribeiro | Revisora Karoline Alves Leite | Revisora Liene Costa | Revisora Amenayde Cristine Corrêa | Assistente Editorial Imagens | depositphotos.com Responsável Técnico: Lorena de Fátima Vidal (CRB: 410/11-AM) Biblioteca CEUNI-FAMETRO FAMETRO Av. Djalma Batista, Nossa Sra. das Gracas. Manaus, AM "Nos termos da Lei n.º 9.610/98, o autor desta obra é titular de todo o complexo de direitos autorais sobre a presente criação. Assim, é vedada a cópia, reprodução, edição ou distribuição desta obra sem autorização expressa do Autor ou da Edito- ra e, ainda é vedado utilizar, citar, publicar esta obra integral ou parcialmente sem deixar de indicar ou anunciar o nome, pseudônimo ou sinal convencional do autor sob pena da aplicação das medidas previstas nos Art. 101 a 110 da Lei n.º 9.610/98." Ficha catalogada na Biblioteca CEUNI-Fametro “Sejam todos e todas bem-vindos ao EaD do Centro Universitário Fametro” O Centro Universitário Fametro acredita que o papel de uma instituição de ensino é formar não apenas profissionais, mas também formar profissionais no Ensino Superior, com valores éticos, humanísticos e com respeito ao meio ambiente capazes de contribuir para o desenvolvimento da nossa Amazônia. A Fametro, portanto, tem premissas claras a cumprir como instituição de ensino de qualidade. Praticar o ensino, pesquisa e extensão é a sua principal bandeira. A Fametro, ao longo das últimas duas décadas, vem se consolidando como a melhor instituição de ensino do Norte, um espaço democrático e docentes com variadas visões de mundo. Somos uma instituição de ensino plural que avança a cada ano em busca sempre de desenvolver a economia da Amazônia. Nossa estrutura é moderna, estamos em diversos municípios levando uma educação inclusiva e de qualidade. Conheça o Centro Universitário Fametro e viva a experiência em estudar numa instituição com o corpo docente com mestres e doutores e de qualidade de ensino comprovada pelo MEC. Maria do Carmo Seffair Reitora Pa la vr a da R ei to ra “É a educação que faz o futuro parecer um lugar de esperança e transformação”. UNIDADE I Linguagem e seus domínios 1.1 Linguagem verbal 1.2 Linguagem não verbal 1.3 Linguagem mista 1.4 Conceitos e importância da leitura 1.5 Tipos e técnicas de leitura 1.6 Análise e estrutura de um livro/texto 1.7 Interpretação do conteúdo de um livro 1.8 Crítica de um livro como transmissão de conhecimentos 1.9 Anotação Su m ár io 13 15 16 16 16 25 31 32 33 38 UNIDADE II Interpretação: da palavra à comunicação 2.1 Tipologia textual 2.2 Narração 2.3 Descrição 2.4 Injunção 2. 5 Dialogal 2.6 Dissertação 2.7 Organização do texto 2.8 Análise UNIDADE III Semiótica e texto não-verbal: principais conceitos 3.1 Linguagem verbal 3.2 Linguagem não verbal 3.3 Linguagem mista 3.4 Interpretação de texto não verbal 45 64 65 72 75 78 83 92 97 103 104 104 104 111 UNIDADE IV Coesão e coerência textual 4.1 Coerência 4.2 Tipos de parágrafos dissertativos 4.3 Texto dissertativo: reconhecer e produzir 4.4 Texto dissertativo: artigo de opinião Referências Caderno de Exercícios 131 144 147 164 172 184 189 U ni da de 1 Videoaula 1 Videoaula 2 13 LINGUAGEM E SEUS DOMÍNIOS1 É através da linguagem que o ser humano se constitui social e individualmente. A linguagem se divide em verbal e não verbal e pode ser também mista. Segundo Bechara (2004), a linguagem é qualquer sistema de signos simbólicos empregados na intercomunicação social para expressar e comunicar ideias e sentimentos, isto é, conteúdo da consciência. Sendo assim, a língua é o grande potencial da linguagem verbal, sendo vital para o desenvolvimento da 1 Fonte: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004. 14 Anotações: humanidade. Segundo Faraco e Mandryk (2012), “a realidade humana é, de fato, inseparável da língua”. Neste sentido, é através dela que constituí- mos a interação verbal – maior modo de comuni- cação humana e, também, como nos constituímos como pessoas. Assim, a língua é parte fundamental e determinante na vida do homem e na manutenção da vida em sociedade. Os falantes, portanto, desde o seu nascimento, já estão inseridos em uma língua, no caso dos brasileiros, da língua portuguesa. Esta língua é assimilada de modo muito rápido pelo fa- lante, que já mantém uma característica inata para aprendê-la, segundo o linguista americano Noam Chomsky. Além disso, a língua é moldada de acordo a situação de convívio social, o que possibilita afir- mar que todos os nativos de uma língua conhecem plenamente a sua língua. É importante lembrar que o compêndio gra- matical é diferente da língua. Pode ser entendido como um livro com as regras e normas descritas e um conjunto de regras pré-estabelecidas da língua. A língua envolve toda a prática linguística utilizada por indivíduos em uma comunidade e pode não es- tar dentro das regras gramaticais, mas dentro da organização linguística da comunidade de falantes. Assim, ela é um conjunto de práticas sociais mais amplo que a gramática. Um falante nativo não “erra” a sua língua, uma vez que as questões históricas e geográficas influenciam na língua falada pela co- munidade. Deste modo, considerar que uma comu- nidade fala melhor que a outra, que os falantes de um Estado falam melhor que os de outros Estados, é uma forma de inferiorizar grupos sociais. O que devemos considerar é a situação e a intenção. No campo da linguagem verbal, temos os três grandes 15 eixos desta disciplina: leitura, interpretação e es- crita, sem deixar de lado a linguagem não-verbal, presente na interpretação do mundo e da escrita. 1.1 LINGUAGEM VERBAL Existem várias formas de comunicação. Quan- do o homem se utiliza da palavra, ou seja, da lingua- gem oral ou escrita, dizemos que ele está usando uma linguagem verbal, pois o código é a palavra. Tal código está presente quando falamos com alguém, lemos ou escrevemos. De acordo com Fiorin (2002), a linguagem ver- bal é, então, a matéria do pensamento e o veículo da comunicação social. Assim como não há socie- dade sem linguagem, não há sociedade sem comu- nicação. Como realidade material – organização de sons, palavras frases - a linguagem é relativamente autônoma: como expressão de emoções, ideias, propósitos, no entanto, ela é orientada pela visão de mundo, pelas injunções da realidade social, his- tórica e cultural de seu falante. A linguagem verbal é a forma de comunicação mais presente em nosso cotidiano. Mediante a pa- lavra falada ou escrita, expomos aos outros as nos- sas ideias e pensamentos, estabelecemos comuni- cação e existimos em um mundo feito de palavras. Ela está presente em textos, em propagandas, em reportagens (jornais, revistas, etc.), em obras lite- rárias e científicas, na comunicação entre as pes- soas, em discursos (políticos, representantes de classe, candidatos a cargos públicos, etc.); e em várias outras situações. A linguagem verbal é produzida com a utilização da língua e pode-seapresentar na modalidade oral (falada) ou escrita. 16 1.2 LINGUAGEM NÃO VERBAL Linguagem não verbal é o uso de imagens, figu- ras, desenhos, símbolos, dança, pintura, música, mí- mica, escultura e gestos como meio de comunicação. Neste contexto, temos a simbologia que é uma forma de comunicação não verbal. Exemplos: sinalização de trânsito, semáforo, logotipos, ban- deiras, uso de cores para chamar a atenção ou ex- primir uma mensagem. É muito interessante obser- var que, para manter uma comunicação, utilizamos tanto a linguagem verbal quanto a não verbal. 1.3 LINGUAGEM MISTA Linguagem mista ou híbrida é o uso simultâ- neo da linguagem verbal e da linguagem não verbal. Muito comum nas histórias em quadrinhos e nas propagandas. É uma linguagem com muito poten- cial, pois a união de ambas, amplia o poder comu- nicacional. 2. CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA LEITURA Em conformidade com Paulo Freire2, a leitu- ra de mundo antecede a da palavra, logo, a leitura posterior não se pode desconsiderá-la, visto serem interdependentes. Linguagem e realidade se entre- A linguagem mista ou híbrida é feita com a utilização da linguagem verbal e não verbal ao mesmo tempo. A linguagem não verbal é feita sem a utilização da língua e engloba: sons, cores, gestos, símbolos. 2 FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989. 17 laçam dinamicamente, de modo que a compreen- são do texto a ser alcançada por sua leitura crítica, implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Para o educador, o mundo do leitor é fun- damental para a compreensão da leitura. Por exemplo, se alguém gosta de carros e tra- balha em uma concessionária de veículos, saberá o nome das marcas, dos modelos e, provavelmente, acompanha toda a tecnologia de produção dos au- tomóveis. Este alguém, certamente, terá domínio do vocabulário relacionado ao tema, carros. Por isso, se for necessário ler algum material sobre este tema, será mais fácil compreender o texto. Por outro lado, se esse alguém não sabe nada sobre enfermagem, algumas ou muitas expressões serão incompreensí- veis. E, se o assunto não faz parte do seu mundo, terá muito mais dificuldade de compreensão. Portanto, ainda segundo Paulo Freire (1989), a compreensão do texto a ser alcançada por sua lei- tura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. O contexto, então, é fundamental para a compreensão, não só de leitura, mas também de interpretação e produção dos mais diversos tipos de texto. O contexto se dá de dentro para fora do tex- to. É como se determinadas palavras, expressões levassem do sentido do texto para o mundo real. Esse mundo real é o contexto. É possível partir de contextos para o texto, quando se observa o mundo, os acontecimentos e, depois, vai-se aos textos para compreender o fato através das palavras. Sendo as- sim, o contexto é um dos fatores determinantes para o entendimento da leitura. Contexto é tudo aquilo que, embora não esteja no texto, é importante para sua compreensão. É o ambiente, é o sujeito da ação e sua função social, são os fatores sociais, culturais e psicológicos. É a situação concreta a que o texto se refere. Há diferentes tipos de contextos (social, político, cultural, estético, esportivo, educacional, histórico...). 18 Anotações: Exemplo 1 Fonte: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noti- cia/2018/04/>. Exemplo 2 Fonte: <https://www.otempo.com.br/capa/brasil/>. A palavra guerra aparece nas duas manche- tes, porém ela tem significado diferente, na primei- ra, sabe-se que há conflito armado na Síria e ocorre verdadeiramente uma guerra; já no exemplo dois, trata-se da grande violência proporcionada pelo tráfico, mas não pode ser compreendida na mes- ma acepção do exemplo 1. Como sabemos disso? Simplesmente pelo contexto, somos brasileiros e sabemos que não estamos em guerra armada, por isso, somos levados a compreender sob outra óti- ca. Outro exemplo é quando lemos uma placa como a da figura, sabemos que o lugar de compra é a casa onde está a placa. Como sabemos isso? Fonte:< http://www.fatoreal.blog.br/seguranca/falta-de-se- guranca-e-uma-solucao-criativa/>. 19 Anotações:É simples, a partir do nosso conhecimento de mundo, ou seja, o contexto nos indica um conheci- mento para além do que está escrito. Então, isto vai ao encontro do pensamento de Paulo Freire, ao afir- mar que não lemos apenas palavras, lemos, antes, o mundo. Caso não sejamos bons leitores do mundo, teremos dificuldade na leitura das palavras. Ob- servem que, para compreendermos um conceito, tivemos que refletir sobre ele, ampliá-lo, entender o que significa a palavra mundo, o que é contexto, para então, compreender plenamente o que o autor entende por leitura do mundo. Assim deve ser feito em todo ato de leitura, pois ler é um processo, é uma ação que envolve re- flexão, busca, paciência e, principalmente, prática. Quanto mais lemos, mais adquirimos habilidade. Devemos também considerar a inter-relação entre leitor e texto, pois ele não é um ser passivo, sem conhecimento anterior. Quando se põe a desvendar um texto, os conhecimentos anteriores são aciona- dos e pode haver um diálogo com o texto. Soares (2000) amplia a concepção de leitura ao apresentar a relação entre leitor e autor mediado pelo mundo: Leitura não é esse ato solitário; é in- teração verbal entre indivíduos, e in- divíduos socialmente determinados: o leitor, seu universo, seu lugar na estrutura social, suas relações com o mundo e com os outros; o autor, seu universo, seu lugar na estrutura so- cial, suas relações com o mundo e os outros (SOARES, 2000, p. 18). Portanto, o processo de interação entre livro e leitor é discutido por Leffa (1999) ao considerar a 20 leitura como um processo interativo entre os es- quemas do leitor e do autor, vivendo um momento sócio histórico. Dessa forma, a concepção de leitu- ra interativa compreende leitura não como uma ati- vidade de decodificação de itens linguísticos, como um processo dinâmico de construção de sentidos. Nessa concepção de interação, o leitor não é mero receptor de mensagens, ele se porta como coautor. Ampliando o conceito de leitura, Kleiman (2002) entende como um processo cognitivo que envolve uma relação entre “o sujeito leitor e o texto enquanto objeto, entre linguagem escrita e com- preensão, memória, inferência e pensamento”. Para a autora, a leitura só pode acontecer quando aspectos cognitivos são acionados, dentre eles: compreensão, memória, inferência e pensamento. Destes quatro aspectos, dois merecem destaque: memória e inferência. Em primeiro plano, a memória é fator primor- dial na leitura porque será acionada para relembrar conhecimentos que se unirão ao novo conhecimen- to da leitura. Todas as vezes que se faz uma leitura, vem à mente outras leituras já feitas. Certamente que, a memória só pode ser acionada se houver co- nhecimentos prévios. Quanto mais leitura se tem, maior é o repertório para ser relembrado. O segun- do termo utilizado, inferência3 , também é impor- tante para a realização de uma leitura completa: A Inferência textual está relacionada à com- preensão da leitura. Significa interpretar os ele- mentos que estão explícitos e implícitos no texto, de modo que o leitor consiga ampliar a análise de Inferência é uma dedução feita com base em informações ou um raciocínio que usa dados disponíveis para se chegar a uma conclusão. Inferir é deduzir um resultado, por lógica, com base na interpretação de outras informações. Inferir também pode significar chegar a uma conclusão a partir de outras percepções ou da análise de um ou mais argumentos. 3 < https://www.significados.com.br/>. 21 tudo que foi escrito e compreender a ideia central do texto. A inferência textual pode requerer al- gum conhecimento prévio sobre o tema da leitura. Quando se realiza o atode ler, nem sempre as in- formações estão claras e visíveis, nem é possível compreender um texto apenas fazendo uma leitura literal. Para ampliar a compreensão, alguns concei- tos devem ser considerados, como os de IMPLÍCI- TOS E EXPLÍCITOS4. Informações explícitas são aquelas gritante- mente expostas no texto. Não há necessidade de se aguçar a mente, de fazer um grande esforço para compreender as informações. Neste caso, a inter- pretação deve se voltar apenas ao que foi redigido no texto. Já os implícitos são os elementos que o leitor deverá deduzir a partir de informações explícitas. O implícito requer a capacidade do leitor de deduzir o que o autor quis dizer no texto, mas não disse. Ou seja, é necessário que o leitor enxergue o que não está escrito, o que está nas entrelinhas. Vamos ler o implícito dos textos5 abaixo: Implícito: se a tartaruga não for monitorada, dificilmente se saberá a idade dela. Implícitos – 1) o inchaço é passageiro, não é duradouro; 2) se for um número grande, pode trazer consequências mais graves. No campo dos implíci- tos estão os PRESSUPOSTOS E SUBENTENDIDOS que também são responsáveis por fazer uma boa Quantos anos vive uma tartaruga? A tartaruga vive entre 80 e 100 anos. [...] As tartarugas estão entre os animais de vida mais longa e é o único animal hoje que vive mais que o homem. [...] Um dos critérios usados para saber a idade da tartaruga é contar os anéis que formam seu casco. Mas, com o passar do tempo, esse critério deixa de ser útil porque o número de anéis aumenta muito e não é mais possível distingui-los. Muitas vezes, o tamanho da tartaruga pode ser um indicativo da sua idade. SUPERINTERESSANTE, fev.1995. 4 Marcelo Rosenthal; Lilian Furtado; Tiago Omena; Pedro Henrique. Interpretação de Textos e Semântica para concursos: teoria, es- quemas, exercícios e questões de concursos comentadas. Cam- pus concurso. Acessado em <www.elsevier.com.br> 5 <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materi- ais/0000014237.pdf>. 22 Anotações: leitura. Vamos agora verificar qual a distinção entre eles: PRESSUPOSTOS: o autor do texto emprega palavras ou expressões com a intenção de que o lei- tor realize a inferência. Ele não passa uma informa- ção completa, mas o uso de determinada palavra ou expressão dá a ideia pretendida. Os pressupostos podem ser marcados por: Verbos – os alunos deixaram o curso de língua inglesa, porque essa matéria não foi incluída no edi- tal do concurso. • Com o emprego de DEIXARAM, o autor dá a entender que os alunos vinham cursando o Inglês, até a publicação do edital; não está escrito no texto que estavam cursando, mas, pressupõe-se por conta do verbo. Advérbios – “João também não fez o que foi solicitado. ” • Com o emprego do advérbio TAMBÉM, o autor da frase afirma que além de João, outras pessoas não fizeram o solicitado. Adjetivos – Os candidatos estudiosos têm grandes possibilidades de aprovação. • Com o emprego do adjetivo ESTUDIOSOS, o autor pretende dizer que há candidatos estudiosos e candidatos não estudiosos. E mais: que o candidato não estudioso tem menos possibilidades de aprovação. Orações adjetivas – Os funcionários que fize- ram greve foram demitidos. • Com a oração adjetiva QUE FIZERAM GRE- VE com caráter restritivo, o autor leva o leitor a pressupor que aqueles que não fi- zeram greve continuaram empregados. Palavras denotativas – Mesmo João fez to- dos os exercícios. 23 Com o emprego da palavra denotativa de in- clusão MESMO, pressupõe-se que todos fizeram os exercícios, inclusive João. Também se depreende que João era a pessoa com a menor expectativa de que fizesse os exercícios. SUBENTENDIDOS: a partir de uma informa- ção, pelo menos aparentemente independente – já que o autor não usa palavra ou expressão eviden- ciando a intenção, o leitor realiza uma leitura das entrelinhas, de elementos que não estão expostos, explícitos, mas que são lógicos em relação ao con- texto. Às vezes, para se observar o subentendido, é necessário conhecer o contexto (momento políti- co, social e até mesmo pessoal do autor). Vejamos nos exemplos6 abaixo como se dá o subentendido: O adolescente é um bicho ético, que detesta a hipocrisia: está procurando, em cada experiência nova, um fundamento da arte de viver. Para isso, a verdade é essencial. Cada experiência é decisiva porque ele sabe que em cada escolha está se cons- truindo como pessoa. Tudo tem que ser falado, dis- secado em miúdos. Coloquei uma carta Numa velha garrafa Mais uma carta De solidão Coloquei uma carta Um pedido da alma Salvem meu coração LS JACK. Uma carta. In: ÁLBUM:V.I.B.E.[s.l.] Subentendido – quando sai da adolescência pode se tornar hipócrita. Os adultos são mais hipócritas que os adolescentes. Subentendido – na letra da canção o autor relata que colocou uma carta em uma garrafa e embora não esteja escrito neste trecho que a garrafa será jogada na água, nosso conhecimento de mundo, nossa interpretação do contexto nos leva a esta compreensão, a este subentendido.6 < http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/ materiais/0000014237.pdf>. 24 Inferência: dedução feita com base nas informações Explícitos: interpretação do que foi realmente escrito no texto Implícitos: enxergar nas entrelinhas do texto Pressuposto: palavras do texto que remetem ao entendimento Subentendido: não há palavras que remetam ao entendimento. Apenas o contexto. Na Lanchonete, Zezinho pede uma média com leite e pão com manteiga. Depois de pagar, ele bebe o café, sente que não tem açúcar e pergunta: Zezinho: Tem açúcar? Garçonete: Tem sim. Zezinho: Tenho que pagar de novo? Garçonete: Não Zezinho: Então me dá 2kg... Esquematizando as informações destacadas acima a respeito da inferência, temos: Leitura: perspectivas disciplinares. São Paulo: Ed. Ática, 2000. p. 18-29. Diante das abordagens, já foi possível perceber que a leitura é fundamental para o desenvolvimento do ser humano. Subentendido - a garçonete subentende que o açúcar era para adoçar o café e não um pacote. Não foi dito pelo Zezinho a quantidade de açúcar, mas no contexto da lanchonete, entende-se que é uma quantidade suficiente apenas para adoçar o café. 25 Anotações: Neste sentido, na universidade, será impres- cindível para dar conta das exigências, pois nenhu- ma formação acadêmica se faz sem leitura e escrita. Observe no esquema abaixo os principais conceitos relacionados à leitura estudados. 1.5 TIPOS E TÉCNICAS DE LEITURA Vamos agora estudar a respeito dos tipos de leituras que podemos fazer e das técnicas que po- dem tornar as leituras mais eficazes. Não se trata de receita para ler melhor, mas de processos de es- tudo bem definidos e detalhados que, se seguidos, podem proporcionar melhor desempenho na habili- dade da leitura. LEITURA Mundo Memória Pressuposto Subentendido Interação Inferência 26 Para Adler7 (1974), o processo de compreen- der um livro pode ser assim dividido: • Deve se aproximar dele, primeiro, consi- derando-o um todo, com uma unidade e uma estrutura de partes; • e, segundo, considerando seus elemen- tos, suas unidades de linguagem e pensa- mento. Para auxiliar neste campo, a obra “A Arte de Ler”, de Mortimer J. Adler (1974) será de grande subsídio. Assim como a obra de Molina, “Ler Para Aprender”. 7 ADLER, Mortimer J. A arte de ler: Como adquirir uma educação lib- eral. Tradução de: Inês Fortes de Oliveira. Rio de Janeiro: AGIR ed- itora, 1974. Copyright de ARTES GRÁFICAS INDÚSTRIAS REUNIDAS S. A. (AGIR). 27 Anotações:Significa que o livro ou texto trata de um as- sunto em geral, o todo; mas esse todo é dividido em partes, capítulos e subtópicos. Além disso, deve-se considerar a linguagem do texto, a organização e o pensamento veiculado por ele. Na leitura que se faz, devem-se considerar estas questões: Qual o todo deste texto – o assunto geral? Como está dividido? Como se organiza?A linguagem é simples ou precisa de mais atenção? Qual o pensamento veiculado pelo autor? Qual ideia realmente o autor quer passar? Adler (1974) lista três leituras distintas para que se obtenha um bom resultado. • A primeira leitura pode ser chamada es- trutural ou analítica. O leitor procede do todo para as partes. • A segunda leitura pode ser chamada inter- pretativa ou sintética. O leitor procede das partes para o todo. • A terceira leitura pode ser chamada crítica ou avaliadora. O leitor julga o autor e vê se concorda ou não com ele. Para realizar a primeira leitura, ESTRUTURAL OU ANALÍTICA, é preciso saber: 1. que tipo de livro se lê, isto e, qual o assunto dele; 2. o que o livro, como um todo, procura dizer; 3. em quantas partes esse todo se divide e 4. dos problemas principais, quais são os que o autor está procurando resolver. Para a segunda leitura, INTERPRETATIVA OU SINTÉTICA, os passos são: 28 Anotações: 1. descobrir e interpretar as palavras impor- tantes do livro; 2. fazer o mesmo para as sentenças impor- tantes e 3. para os parágrafos que exprimem argu- mentos. 4. saber quais de seus problemas o autor re- solveu, e quais deixou sem solução. Quanto à leitura CRÍTICA OU AVALIADORA, vá- rias observações podem ser feitas – quatro ao todo. Antes de criticar ou julgar um autor, tem-se sempre que compreendê-lo. Conheci muitos “leitores” que fazem, primeiro, a terceira leitura. Pior do que isso, nunca chegam a fazer as duas primeiras. Pegam o livro e logo começam a mostrar os defeitos dele. Estilo cheios de opiniões, e o livro é apenas um pretexto para exprimi-las. Não deviam ser chamados “leitores”. São como muitas pessoas que vocês conhecem, que acham que conversar é falar e, nunca, ouvir. Essas pessoas não merecem o esforço que se faz falando com elas, e, muitas vezes, nem mere- cem ser ouvidas. (ADLER 1974, p. 106) Esta leitura apresenta nível mais de comple- xidade maior porque, como leitor, precisa-se ana- lisar a obra lida e discutir o assunto a partir de ou- tros conhecimentos já existentes, bem como fazer algumas críticas. A respeito do conceito de crítica, deve-se compreender numa visão mais ampla, pois muitos acreditam que criticar é falar mal, é discor- dar, é procurar defeito. No campo da ciência, criti- 29 Anotações:car é estabelecer juízos a partir de outros conheci- mentos. Pode-se questionar: • A respeito deste assunto, em que o autor amplia a discussão? • Quais elementos novos o autor estabelece para esta teoria, para este tema? • Quais aspectos o autor não trata? • Em que se parece com as ideias de outros autores? • Em que difere de outros autores? • Comparando com a realidade, como o se aproxima ou se distancia dela? Há que se ter, pois, muito cuidado para não fazer críticas com base no senso comum, manifes- tando meramente sua opinião, sem nenhuma base teórica. Não se emite opinião pura e simples quan- do se trata de teoria, de conceito, de informação científica. Por isso, dizer que concorda ou discorda só porque “acha”, não é o suficiente para fazer uma crítica da leitura. Para melhor compreensão do processo de lei- tura estabelecido por Adler (1974, p. 209-210), far- -se-á uma análise de texto como exemplo. Vamos tomar como base uma notícia veicula- da pela revista Isto É,8 que trata sobre o estudo de pessoas com necessidades especiais. Cresce o número de estudantes com necessidades especiais Nos últimos cinco anos, de 2014 a 2018, o número de matrículas de estudantes com neces- sidades especiais cresceu 33,2% em todo o país, 8 <https://istoe.com.br/>. em 31/01/19 - 11h02 30 Anotações: segundo dados do Censo Escolar divulgados hoje (31) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesqui- sas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No mesmo período, também aumentou de 87,1% para 92,1% o percentual daqueles que estão incluídos em clas- ses comuns. Em 2014, eram 886.815 os alunos com defi - ciência, altas habilidades e transtornos globais do desenvolvimento matriculados nas escolas bra- sileiras. Esse número tem aumentado ano a ano. Em 2018, chegou a cerca de 1,2 milhão. Entre 2017 e 2018, houve aumento de aproximadamente 10,8% nas matrículas. De acordo com dados do CEN- SO, na rede pública está o maior ín- dice dos estudantes em classes comuns. Nas escolas, 97,3% dos alunos com necessi- dades educacionais es- peciais estavam nessas classes em 2018. Na rede particular, o per- centual foi 51,8%. Por lei, pelo Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil deve incluir todos os es- tudantes de 4 a 17 anos na escola. Os estudantes com necessidades especiais devem ser matriculados preferencialmente em classes co- muns. Para isso, o Brasil deve garantir todo o sistema educacional inclusivo, salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especia- lizados, públicos ou conveniados. nas matrículas. De acordo com dados do CEN- SO, na rede pública está o maior ín- dice dos estudantes em classes comuns. Nas escolas, 97,3% dos alunos com necessi- dades educacionais es- peciais estavam nessas Nacional de Educação (PNE), o Brasil deve incluir todos os es- tudantes de 4 a 17 anos na escola. Os estudantes com necessidades especiais devem ser matriculados preferencialmente em classes co- muns. Para isso, o Brasil deve garantir todo o sistema educacional inclusivo, salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especia- lizados, públicos ou conveniados. 31 Anotações:Segundo os dados do Censo, 38,6% das es- colas públicas de ensino fundamental e 55,6% das privadas têm banheiros para pessoas com necessidades especiais. Além disso, também no ensino fundamental, 28% das escolas públicas e 44,7% das particulares têm dependências adequadas para pessoas com necessidades especiais. No ensino médio, 60% das escolas públicas e 68,7% das escolas particulares dispõem de banhei- ro especial e 44,3% das públicas e 52,7% das priva- das têm dependências adequadas. 1.6 ANÁLISE E ESTRUTURA DE UM LIVRO/TEXTO Veja abaixo um exemplo de análise da estrutura: Tipo e assunto: o texto é uma notícia de jor- nal. Seu assunto é a inclusão de pessoas com ne- cessidades especiais na escola. Constituição: dividido em 6 parágrafos com informações e muitos dados estatísticos. Enumeração das partes: • Apresenta o aumento de pessoas com ne- cessidades nas escolas; • Retrospectiva – de 2014 a 2018; Classificá-lo de acordo com seu tipo e seu assunto. Expor, com a máxima brevidade, sua constituição. Enumerar as partes principais em sua ordem e relação, e analisá-las como se analisou o todo. Definir o problema ou problema; que o autor está procurando resolver. 32 • Censo; • Lei - Plano Nacional de Educação (PNE); • Censo; • Diferença escola pública e escola particu- lar. Problema: a inserção de pessoas com ne- cessidades especiais nas escolas brasileiras. 1.7 INTERPRETAÇÃO DO CONTEÚDO DE UM LIVRO Proposições principais: • De 2014 a 2018, o número de matrículas de estudantes com necessidades especiais cresceu 33,2% em todo o país. • Entre 2017 e 2018, houve aumento de apro- ximadamente 10,8% nas matrículas. • Plano Nacional de Educação (PNE): o Bra- sil deve incluir todos os estudantes de 4 a 17 anos na escola, preferencialmente em classes comuns. • Todo o sistema educacional inclusivo: sa- las de recursos multifuncionais, classes, Vejamos agora como proceder para fazer a interpretação do conteúdo do livro ou do texto estudado: Compreender as proposições principais do autor, estudando suas sentenças mais importantes. Conhecer os argumentos do autor, descobrindo- -os na série de sentenças ou construindo-os fora delas. Indicar quais problemas o autor resolveu e que problemas não resolveu; e, quanto aos últimos, ver se o autor reconheceu seu fracasso. 33 Anotações:escolas ou serviços especializados, públi- cos ou conveniados. • Segundo os dados do Censo, metade das escolas públicas e particulares têm estru-tura para receber alunos com necessida- des especiais. Argumentos do autor: • O argumento principal do autor está nos dados estatísticos do Censo e de outras pesquisas. Problemas que o autor resolveu e não resolveu • O autor claramente aponta o crescimento das matrículas dos alunos com necessida- des especiais. Destaca de forma satisfa- tória o crescente número de alunos nesta condição nas escolas brasileiras. De forma superficial trata a respeito das condições das escolas para receber estes alunos, mas não enfatiza o descaso com muitos prédios escolares que sequer têm rampa para cadeirantes. Além disso, o autor não trata da formação dos professores para atender à necessidade deste público. 1.8 CRÍTICA DE UM LIVRO COMO TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTOS Antes de iniciar esta etapa de leitura, atente para as Máximas Gerais propostas pelo autor: 1. Não começar a crítica antes de completar a análise e a interpretação. (Não digam que concordam, discordam ou deixam 34 Anotações: de julgar, antes de poderem dizer “Com- preendo”.) 2. Não discordar, como se se estivesse bri- gando ou disputando. 3. Respeitar a diferença entre o conhecimen- to e a opinião, apresentando os motivos de qualquer julgamento crítico que se fizer. Critérios Específicos de Observação Crítica Autor não está informado: • Qual a estrutura necessária para receber alunos com necessidades especiais; • Formação adequada de professores para esta necessidade dos alunos; • Recursos pedagógicos. Autor mal-informado: • Acredita que apenas banheiros adequa- dos é o suficiente para inserir um aluno com necessidade especial na escola. Autor ilógico: • Nos dados estatísticos percebe que ape- nas metade das escolas atendem às ne- cessidades dos alunos com necessidades especiais em relação ao banheiro, mas Mostrar em que o autor não está informado. Mostrar em que o autor está mal informado. Mostrar em que o autor é ilógico. Mostrar em que a análise ou concepção do autor é incompleta. 35 não faz nenhuma referência para mostrar a ineficiência das escolas neste campo. Análise incompleta: • Não demonstra a realidade das esco- las brasileiras, pois em grande parte não têm condições estruturais para receber surdos, cegos, autistas e demais neces- sidades especiais. Mostrando apenas os dados de matrícula aparenta dizer que es- tas crianças estão verdadeiramente tendo acesso à educação, mas resta saber se completam o ano escolar e o que apren- dem durante o ano. FAULSTICH9 (2002) também estabelece tipos de leitura pra os textos técnicos. Ele divide em 2 ti- pos de leitura, a INFORMATIVA e a INTERPRETATI- VA, como demonstrado: 9 FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. Petrópolis: Editora Vozes, 2002. LEITURA TÉCNICA LEITURA INFORMATIVA LEITURA SELETIVA Identificar em cada parágrafo a palavra-chave da ideia central e as palavras-chave das ideias secundárias. Selecionar na sequência esse conjunto de palavras que formará o resumo do texto. LEITURA CRÍTICA Leitura abrangente do assunto. Reconhecer a hierarquia das ideias. Verificar como o texto está organizado, dividido. 36 É importante destacar que Faulstich (2002) segue as capacidades cognitivas estabelecidas por Benjamin Bloom10 et, al adaptadas para o processo de leitura interpretativa. Como pode ser observa- do, a leitura não é uma tarefa simples como muitos acreditam ser. Ela requer tempo e cuidado para que não seja superficial e sem significado. Compreender a leitura como um processo, contribui para a aquisição da habilidade na interpre- tação. Se se pensar em leitura como pegar o texto, 10 BLOOM. S. B. et. alii. Taxionomia dos objetos educacionais. Porto Alegre, Globo, 1973. LEITURA TÉCNICA LEITURA INTERPRETATIVA COMPREENSÃO Entender a mensagem literal defendida pelo autor, entender o ponto de vista, a tese. ANÁLISE Desdobrar o texto em partes percebendo a relação das partes com o todo. SÍNTESE Retirar de cada parágrafo as ideias centrais e ordenar as ideias principais. APLICAÇÃO Associar assuntos paralelos. Utilizar o assunto aprendido no texto em outros textos. projeção de novas ideias a partir do conhecimento adquirido. 37 Anotações:ler de qualquer jeito e finalizar, possivelmente se- rão perdidas muitas informações. Por isso, tem-se a ideia de processo: primeira leitura para conhecer o texto e fazer um rápido mapeamento; segunda leitura para apreender a essência do texto, a ideia defendida pelo autor e, só então, poder fazer críti- cas ao texto e relacionar o texto com outros textos. Destaca-se que um livro, um texto e um artigo podem ser relacionados a outros tipos de informa- ção como documentários, filmes, séries, novelas, desenhos animados, músicas e quadros. Lembre- -se de que todo o conhecimento de mundo deve ser acionado quando se faz uma leitura porque, só assim, é possível estabelecer relações, comparar e criticar. Neste capítulo, foram apresentados dois modelos de técnicas e de processo de leitura: a primeira, de Mortimer (1974), com 3 etapas bem detalhadas e que podem servir para leituras mais exigentes; a segunda, de Faulstich (2002) apresen- ta 2 etapas que servirão para leituras mais rápidas. Ao final desta unidade, o que se deve ter com- preendido é que a leitura é parte do processo de formação universitária. Não há formação, tampou- co, conhecimento sem leitura, por isso, quando se investe em uma formação acadêmica séria, consis- tente, para ter sucesso, deve-se ler todos os textos, todos os livros indicados e solicitados pelo profes- sor. Há que se ler com cuidado, com calma e paciên- cia. Mesmo que no começo pareça uma tarefa chata e enfadonha, não é bom desistir. Cada vez que se lê um texto completo, mais fácil fica a leitura do próxi- mo e, assim, constrói-se o gosto pela leitura. 38 Anotações: Formação + Leitura = Excelência Apesar de ser um assunto tratado pela dis- ciplina de Metodologia do Estudo, tratar-se-ão de algumas técnicas utilizadas na universidade duran- te o processo de leitura ou mesmo após a leitura. As informações são de Medeiros (2011) e são úteis para cumprir as principais atividades de leitura na universidade. Durante o estudo, em especial, um estudo independente em que está apenas o leitor e o texto, precisa: a) Anotar; b) Esquematizar o texto; c) Transformar o texto em roteiro; d) Realizar resumos. 1.9 ANOTAÇÃO Este é um ponto de partida para qualquer es- tudante, seja diante de uma aula expositiva, uma palestra ou um livro. Realizar anotações ajuda a compreender melhor o que está sendo lido e de- pois serve como ponto de partida para outras ati- vidades. Medeiros, (2011, p. 8) considera a anotação como “[...] processo de seleção de informações para posterior aproveitamento.” Antes de iniciar as anotações é preciso defi- nir onde elas serão feitas e isso depende do leitor e do propósito da leitura. Pode-se anotar no próprio livro/texto, em um caderno, em um bloco de ano- tações ou mesmo no computador ou tablet. Caso esteja lendo vários livros, é bom registrar a fonte de onde as anotações foram extraídas. 39 Anotações:Ex.: MEDEIROS, João Bosco. Como tornar o estudo e a aprendizagem mais eficazes. In: ___. Redação científica: a prática de fichamentos, resu- mos, resenhas. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2011. cap. 1, p. 5-18. Medeiros, 2011 classifica as anotações em: a) Anotações corridas: • Realizar a leitura total do texto, sem inter- rupção; • Reler o texto, levando em consideração as palavras desconhecidas; localizando-as no dicionário – anotar o mais próximo pos- sível; • Buscar em enciclopédias e almanaques, informações relevantes para a compreen- são do texto, sejam elas: históricas, geo- gráficas entre outras; • Só destacar os trechos e as palavras-cha- ve após ter compreendido o texto; • Realizar a redação da anotação corrida e submetê-la a uma avaliação própria; ha- vendo a necessidade de correções, refa- zer a redação. b) Anotações esquemáticas: “ordenamhierarqui- camente as partes principais do conteúdo de uma comunicação” (MEDEIROS, 2011, p. 8). • Deve ser realizada após o estudo do texto e as anotações corridas. • Pode ser apresentado como: 1) esquema vertical das ideias do autor; ou 2) por cha- ves ou diagramas. • Há diversos tipos de esquemas, dentre eles o mapa-conceitual, os organogramas; 40 Anotações: c) Anotações resumidas: “[...] proporciona melho- res resultados para a leitura, bem como para a pró- pria redação. [...] só consegue fazer um bom resu- mo quem realmente assimilou as ideias principais do texto” (MEDEIROS, 2011, p. 13). • Apresenta a síntese de informações extraí- das de livros, artigos e exposições orais. • O resumo consiste na condensação de um texto, apresentando as ideias principais, respeitando a estrutura e a inter-relação das ideias. • Deve ser feito em parágrafos mantendo as ideias do texto, mas com a escrita do alu- no; resumo não é cópia de partes do texto, é uma síntese das principais ideias, rees- crita pelo aluno. MEDEIROS (2011) chama atenção para dois fa- tores importantes: A técnica de SUBLINHAR, tão comum no ato de ler, porém mal utilizada pelos alunos, pois ten- dem a sublinhar indistintamente, sem considerar o que de fato importa. O autor indica que não deve ser feito na primeira leitura e deve-se sublinhar apenas as ideias principais, as palavras-chave. Também solicita atenção especial para o VO- CABULÁRIO, pois “[...] quem pouco lê tem vocabu- lário reduzido” (MEDEIROS, 2011, p. 16). A leitura se torna incompreensível, portanto, ineficaz, se não há domínio do vocabulário. Recomenda-se buscar no dicionário toda palavra desconhecida que apa- rece no texto ou tentar descobrir o sentido da pala- vra no contexto. 41 42 U ni da de 2 Videoaula 1 Videoaula 2 45 INTERPRETAÇÃO: DA PALAVRA À COMUNICAÇÃO Parece simples afirmar que a interpretação de um tex- to está diretamente ligada às palavras do texto e só elas são importantes. Já vimos na uni- dade que trata da leitura a sua ampla concepção, envolvendo o conhecimento de mundo. Todo o aprendizado sobre a leitura é importante para esta etapa em que trataremos da interpreta- ção textual. É preciso ter em mente que interpretar um texto não é um processo complexo, mas envolve diversos campos do conhecimento, como o sen- 46 tido das palavras, gênero e processo de comunica- ção. Primeiramente, vamos tratar do sentido que as palavras apresentam no texto, pois assim teremos condição de focar nossa atenção e direcionar a in- terpretação do texto para o sentido que as palavras ganham no texto. No que se refere a palavra, há dois sentidos, a denotação e a conotação. Estes mecanismos devem servir para que o leitor atente melhor para o que foi escrito/dito e, assim, interpretar mais fa- cilmente o que foi comunicado. O sentido do texto nem sempre está no sentido real da palavra, ou seja, no sentido literal, por isso, o produto do texto vela significados para desvelá-los (...). Para que o leitor entenda os textos, é preciso perceber a relação en- tre o que se diz e o que se quer dizer (PLATÃO E FIO- RIN11 , 2006, p. 328). Dependendo do contexto em que as palavras estão inseridas, seu sentido pode ser alterado e ter significado fora do usual. Por isso, é importante conhecer os dois sentidos. Vejamos: Ex: Eu acredito em anjo, por isso peço prote- ção a eles. Neste exemplo, a palavra anjo significa: no cristianismo, no judaísmo e no islamismo, ser pu- ramente espiritual, servidor de Deus e mensageiro entre Ele e os homens. Podemos observar que o sentido desta palavra é o usual, o literal, logo, po- demos afirmar que ela está no sentido denotativo. 11 SAVIOLI, F. Platão & FIORIN, J. Luiz. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2006, p. 328. SENTIDO DENOTATIVO É o literal, comum; aquele que exprime a significação usual da palavra. 47 Se utilizarmos anjo em outro contexto. Ex: Aquele menino sempre foi um anjo. Vamos observar que o sentido da palavra é fi- gurativo, é uma forma de dizer que o menino é bom, não está empregada de modo literal. De modo sintético, podemos dizer que: Vamos compreender o conceito aplicado a al- guns exemplos: Exemplo 1 É preciso ter cuidado com as palavras. Elas são verdadeiras armas. Algumas vezes mortais. Certas pessoas têm o dom de dizer as mais afiadas, que entram feito uma flecha envenenada. Porém, em muitos casos, o atingido é aquele que usou a arma, ou seja, o falador. Esse, por exemplo, pode SENTIDO CONOTATIVO Figurado: depende de um contexto particular. PALAVRA DENOTAÇÃO CONOTAÇÃO SENTIDO REAL SENTIDO FIGURADO 48 Anotações: sofrer horríveis arrependimentos por ter dito o que não deveria ter dito. Mas como não dizer aquilo que pensamos? Há maneiras de dizer sem dizer, e de dizer, desdizendo. (Ana Miranda. O oráculo in- sondável. In: Correio Braziliense, Caderno C, p. 10, 2/4/2006 (com adaptações). Veja a relação feita pela autora do texto. Ela associa a palavra “palavra” a “armas”, afiadas, fle- cha. Temos aqui o sentido conotativo, pois as pa- lavras não são armas de verdade, a autora está uti- lizando o sentido figurado. Neste caso, o trabalho do leitor, para interpretar o texto, é maior, pois ele precisa compreender o sentido que palavras que- rem dar ao texto. No caso do texto em questão, quando afirma que as palavras são armas, ela quer dizer que podem machucar, ofender, causar danos; quando se refere a flechas, quer enfatizar o quan- to uma palavra pode adentrar a mente e ficar por muito tempo. Portanto, a associação de palavras a armas simboliza o perigo. Como afirma Affonso Ro- mano De Sant’anna: Há vários modos de matar um homem: com o tiro, a fome, a espada ou com a palavra - envenenada. Não é preciso força. Basta que a boca solte a frase engatilhada e o outro morre - na sintaxe da emboscada. Diariamente utilizamos expressões que são conotativas e precisam ser traduzidas para obter- mos o sentido que verdadeiramente querem dar. Em outros casos, as palavras estão no seu sentido literal: 49 Anotações:A menina passou o dia de cara amarrada. A sacola foi amarrada para maior segurança. O temporal varreu as ruas assustadoramente. A vizinha varreu a rua. Ele ficou no fundo do poço por causa das drogas. O homem desceu até o fundo do poço para colocar o equipamento. Observe algumas expressões idiomáticas co- notativas que utilizamos no dia a dia: Olha o passarinho! Na metade do século 19, os fotógrafos tinham de permanecer parados por até 15 minutos, a fim de que sua imagem fosse impressa dentro da má- quina. Fazer as crianças ficarem imóveis por tanto tempo era um verdadeiro desafio. Por isso, gaiolas com pássaros ficavam penduradas atrás dos fotó- grafos, o que chamava a atenção dos pequenos. As- sim, a expressão “Olha o passarinho” ficou conheci- da como a frase dita pelo fotógrafo na hora da pose para a foto. Motorista barbeiro Antigamente, os barbeiros eram conhecidos não apenas por realizar o corte de cabelo e barba, mas também por desempenhar tarefas como: ex- tração de dentes, remoção de calos e unhas, entre outros. Geralmente, os serviços extras deixavam consequências desagradáveis aos clientes. No sé- culo 15, o termo “barbeiro” era atribuído a atividades mal executadas. Com o tempo, passou a ser rela- cionado aos motoristas. Daí a expressão “motorista barbeiro”, ou seja, mau motorista. 50 Anotações: Bafo de onça A onça é um animal carnívoro que se lambuza bastante na hora de comer a caça. Por esta razão, fede muito e sua presença é detectada a distância, na mata. Assim, pessoas que possuem o hálito fé- tido passaram a ser chamadas de “bafo de onça”. A expressão também faz referência ao hálito de quem está (ou esteve) alcoolizado. Santinha do pau oco Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos séculos 18 e 19, os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro.O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal. Disponível em: http://www.soportugues.com.br/ secoes/proverbios/index.php. Outro aspecto fundamental na interpretação do texto é saber como a comunicação/oral ou es- crita está sendo produzida, qual é o centro dela. Para isso, precisamos estudar o processo da comu- nicação, como afinal acontece esse processo tão comum entre os seres humanos? A teoria da comu- nicação será estudada a partir da perspectiva do estudioso desta questão Roman Jakobson12 (2007). Ele estabeleceu alguns elementos importantes quando acontece ou para que aconteça a comuni- cação. Nas palavras do autor: 12 JAKOBSON, Roman. Linguística e Comunicação. Tradução de Izidoro Blikstein e José Paulo Paes. São Paulo: Editora Cultrix, 2007. 51 Anotações:Analisemos os fatores fundamentais da comunicação linguística: qualquer ato de fala envolve uma mensagem e quatro elementos que lhe são conexos: o emissor, o receptor, o tema (topic) da mensagem e o código utilizado. A re- lação entre esses quatro elementos é variável (JAKOBSON, 2007, p. 19). Esses elementos podem aparecer sozinhos ou em conjunto em um texto e constituem uma hierar- quia entre elas, por isso, é importante saber qual é o verdadeiro eixo da comunicação, a função primá- ria, as funções secundárias e a intenção do escritor, para qual elemento, a comunicação, volta-se. Amemos! Quero de amor Viver no teu coração! Sofrer e amar essa dor Que desmaia de paixão! (Álvares de Azevedo) Na poesia de Álvares de Azevedo temos a 1ª pessoa e a 2ª pessoa, mas o predomínio é da 1ª pes- soa, pois é o EU que direciona o texto, é, portanto predominantemente emotivo, embora tenha trecho conativo. Importante também destacar que “o pro- blema essencial para a análise do discurso é o do código comum ao emissor e ao receptor e subja- cente à troca de mensagens” (JAKOBSON, 2007, p. 21). Como será visto posteriormente, o código ver- bal é a língua portuguesa e deve ser comum tanto para o emissor quanto para o receptor, sem isso, não há comunicação entre ambos. Para esta teoria, Jakobson (2007, p. 122) definiu que: 52 O REMETENTE envia uma MENSAGEM ao DESTINATÁRIO. Para ser eficaz, a mensagem requer um CONTEXTO a que se refere (Ou “referente”, em outra nomenclatura, algo ambíguo), apreen- sível pelo destinatário, e que seja ver- bal ou suscetível de verbalização; um CÓDIGO total ou parcialmente comum ao remetente e ao destinatário (ou, em outras palavras, ao codificador e ao decodificador da mensagem); e, finalmente, um CONTACTO, um canal físico e uma conexão psicológica en- tre o remetente e o destinatário, que os capacite a ambos a entrarem e per- manecerem em comunicação. Todos estes fatores da comunicação verbal foram esquematizados pelo autor como: CONTEXTO REMETENTE MENSAGEM DESTINATÁRIO ------------------------------------------------------- CONTACTO - CANAL CÓDIGO 53 Vamos analisar melhor cada um destes ele- mentos propostos por Jakobson (2007): Vejamos como esse processo de comunicação se dá, analisando algumas situações concretas: Situação de escrita: Quando escrevemos, temos a intenção que al- guém leia o conteúdo e o entenda. Quem escreve é o emissor. Quem lê é o receptor. O meio, o veículo nos quais vamos fixar as palavras, podem ser papel, computador, celular, muro, camisa, entre outros. EL EM EN TO S DA C OM U N IC AÇ ÃO REMETENTE: também considerado EMISSOR – o que manda, envia, fala, escreve uma mensagem. Está centrada no EU – primeira pessoa singular; DESTINATÁRIO: também denominado RECEPTOR – o que recebe a mensagem. Está centrado no TU/VOCÊ – 2ª. Pessoa; CONTEXTO: também conhecido como REFERENTE - é a informação, o conteúdo, o assunto a ser tratado; CÓDIGO: símbolo utilizado para a realização da comunicação. Se for verbal é a língua falada; se for não verbal é o gesto, o som, as cores etc.; CONTACTO: também denominado de CANAL – é o veículo/meio por onde passa ou se fixa o código; MENSAGEM: significado da comunicação, entendimento. 54 Anotações: Estes são chamados de canal. O assunto, os fatos, o raciocínio que o emissor expõe são denominados referentes ou contextos. A língua que o emissor uti- liza é o código. E o entendimento é a mensagem. Jornal da TV: O apresentador do jornal é o emissor. Quem assiste ao jornal é o receptor. Imagine que a notícia seja um campeonato de futebol. Este é referente ou contexto, ou seja, é o assunto do qual se trata. Sua voz e todos os aparatos tecnológicos da TV são o canal, são o veículo por onde passa a comunicação. Ele usa principalmente a língua portuguesa, que é o código. A compreensão do tema é a mensagem. Um telefonema: Quem liga é o emissor, quem atende é o re- ceptor. O assunto tratado é o referente ou contexto. A voz e o telefone são os veículos por onde o código passa, é o canal. A língua portuguesa é o código. O entendimento do assunto é a mensagem. Uma mensagem no muro: Fonte: tumblr.com 55 Anotações:Quem escreveu a mensagem no muro é o emissor, todos os que lerem a informação, serão receptores. O assunto tratado é o referente ou con- texto. O canal, ou seja, o veículo onde está fixado o código é o muro. A língua portuguesa escrita é o código. O entendimento é a mensagem. Uma camisa: Fonte: <https:usesambarelove.com.br>. Quem vai usar a camisa será o emissor, todos os que lerem a informação, serão receptores. O as- sunto tratado é o referente ou contexto. O canal, ou seja, o veículo onde está fixado o código é a camisa. A língua portuguesa escrita é o código. O entendi- mento é a mensagem. Assim, para que a comunicação possa acon- tecer de forma satisfatória, todos estes elementos devem ser considerados, sob pena de termos um ruído na comunicação: 56 Após compreender este assunto, vamos am- pliar nosso estudo para as funções da linguagem, tema que está diretamente ligado aos elementos da comunicação já estudados. É importante tê-los compreendido para entender com facilidade o que será estudado agora. Cada função da linguagem está relacionada a um elemento de comunicação. Assim, cada um dos fatores determina uma diferen- te função da linguagem. Estes elementos, dificil- mente, são encontrados isolados nos textos, visto que podem ser interdependentes ou complemen- tam informações. Se a informação se volta para o emissor – FUNÇÃO EMOTIVA. Se a informação se volta para o receptor – FUNÇÃO CONATIVA. Se a informação se volta para o canal – FUNÇÃO FÁTICA. Se a informação se volta para o código – FUNÇÃO METALINGUÍSTICA. Se a informação se volta para o contexto – FUNÇÃO REFERENCIAL. Se a informação se volta para a mensagem – FUNÇÃO POÉTICA. Jakobson (2007, p. 123-126) determina as funções como forma de compreender em que elemento da comunicação a informação está centrada, tendo em vista que se o objetivo da comunicação for o emissor, o centro da comunicação é ele, ou seja, o assunto a ser tratado é o próprio emissor. Se sabemos desta informação, certamente teremos mais facilidade para compreender o texto em questão. Ruído: é tudo o que dificulta a comunicação, interfere a transmissão e perturba a recepção ou compreensão da mensagem; tudo o que possibilita a perda de informação durante o transporte da mensagem entre o emissor e o receptor. 57 Detalhando cada uma delas, temos: • Função EMOTIVA ou “expressiva”, centra- da no REMETENTE/EMISSOR, “visa a uma expressão direta da atitude de quem fala em relação àquilo de que está falando. Tende a suscitar a impressão de uma cer- ta emoção, verdadeira ou simulada”. Nesta função, o tema é tratado em 1ª pessoa do singular, são as opiniões, os sentimentos do emissor. Vejamos o exemplo: • Função CONATIVA, centrada no receptor. Esta função age diretamente sobre o receptor de modo a fazer com que ele execute a solicitação, a ordem,o pedido do emissor. São comunicações que partem do emissor com a intenção de que sejam executadas pelo receptor. É a função feita em 2ª pessoa – TU/VOCÊ; é a função do verbo no imperativo, os verbos de ordem; também pode ser feita em forma de pedido ou solicitação. A PRIMEIRA NOITE DE LIBERDADE Cristovão Tezza Fui levado pela velha até o sótão; o excesso de gentileza era a evidência de que me enganavam. Docilmente me deixei levar; mãos nas minhas cos- tas, ela me conduzia balbuciando consolos. Não ou- sei fazer perguntas. De qualquer modo, me respon- deriam com mentiras. Obs: só poderá ser função emotiva se a comunicação for feita em 1ª pessoa. Caso contrário, será outra função. Observe no exemplo que o texto está em 1ª pessoa singular, sabemos disso pelos pronomes e pelos verbos, como destacados. O objetivo desta comunicação é tratar do sujeito que fala, que escreve para contar sobre si mesmo. Temos aqui a comunicação centrada no emissor. 58 Ex: Use camisinha! (ordem) Beba Coca-Cola! (ordem) Diga não às drogas! (ordem) Se dirigir, não beba! (ordem) “Se você procura o melhor imóvel, vá logo ao endereço certo” (uso da 2ª. Pessoa você) (Folha de São Paulo) Por favor, dê-me o caderno de anotações! (pedido) • Função FÁTICA, vão aparecer em mensa- gens que servem basicamente para pro- longar ou interromper a comunicação, para verificar se o canal funciona (“Alô, está me ouvindo?”), para atrair a atenção do interlocutor ou confirmar sua atenção continuada (pois, é; huhum; é...; então; isso, isso...; hummm). • Função METALINGUÍSTICA, voltada para o código. No caso, se a linguagem for ver- bal, o código dos brasileiros é a língua por- tuguesa. Assim, toda comunicação feita para tratar do código está na função me- talinguística. Dizemos que seria o código – língua portuguesa que tem como assun- to o próprio código – a língua portuguesa. Ex: o dicionário usa a língua verbal escrita – língua portuguesa para tratar do signifi- cado das palavras da língua portuguesa. Observe que temos um material em língua portuguesa que trata da língua portugue- sa, é, portanto, função metalinguística. Obs: diz-se que a função fática não favorece uma comunicação. Seu objetivo maior é manter uma conversa ou checar se o canal está funcionando e pode ser utilizado, é o caso do alô, para checar se o telefone – canal desta comunicação – está funcionando; caso também de quando checamos aparelhagem de som: “alô, som, testando, 1,2,3”. Obs: deverá vir em 2ª pessoa, mesmo que oculta ou com verbos no imperativo. 59 Em que língua está escrita? Ou qual a forma de composição? Qual o assunto? Se a resposta para as duas for: “a língua portu- guesa, teremos função metalinguística. Vamos a alguns exemplos: a) A gramática é metalinguística Em qual língua está escrita? Língua portuguesa. Qual o assunto? Normas e regras da Língua portuguesa. Temos então, o código para tratar do código. B) Um manual de redação Qual a forma de composição? Redação. Qual o assunto? Normas e regras da produção de redação. Temos então, o código para tratar do código, ou seja, temos um material escrito em língua por- tuguesa, utilizando redação para tratar do assunto redação. Uma poesia cujo assunto é a poesia: Qual a forma de composição? Poesia. Qual o assunto? Poesia. Temos então, o código para tratar do código, ou seja, a poesia foi feita para tratar dela mesma. E se o assunto da poesia fosse o amor, ainda seria metalinguística? Não, porque o código não estaria tratando dele mesmo, estaria tratando de outro assunto. Observe: “Gastei uma hora pensando no verso Que a pena não quer escrever (...) mas a poesia deste momento Obs: uma forma de reconhecer a função metalinguística é fazer duas perguntas: 60 Anotações: Inunda minha vida inteira” (Carlos Drummond de Andrade) Temos função poética por conta da estrutura em verso, mas se perguntarmos, qual a forma de composição? A resposta é: em verso; qual o as- sunto? A escrita de um verso. Temos função meta- linguística porque o código se volta para o código. Também podemos afi rmar que há função emotiva no 1º e 4º versos por conta da 1ª pessoa do singular – eu. Importante destacar que também temos função metalinguística na linguagem não verbal ou mista, como podemos observar abaixo: Neste caso, a palavra jornalismo carrega os símbolos do jornalismo. Utilizou-se a palavra para representar os elementos relacionados à palavra. Podemos dizer que o código (palavra) está sendo 61 utilizado para tratar do próprio código (elementos da profi ssão). • Função REFERENCIAL, está centrada na informação, o fato, o assunto. O objetivo desta função é tratar especifi camente do assunto sem interferência do emissor e sem apelo ao receptor. Há uma preten- sa busca pela imparcialidade. É feita em 3ª pessoa singular/plural ou mesmo na 1ª pessoa do plural. Esta é a função dos tex- tos acadêmicos, de toda comunicação científi ca. Quando os favores acabam, começa a ingratidão Por Delmo Menezes - 5 de agosto de 2016 Ingratidão é uma forma de fraqueza. “A ingratidão é o mais horrendo de todos os pe- cados”, já dizia Alexandre Her- culano. Ser ingrato tem a ver com o ser humanista, porque o humanista atribui suas vitórias a ele mesmo, e não a um ser supremo. Johann Goethe diz: “Jamais conheci homem de valor que fosse ingrato”. O ingrato não reconhece que sem ajuda, não chegaria a lugar nenhum. Es- quece com muita facilidade as coisas boas que lhe fi zeram. Vive no “seu mun- do”, busca apenas os seus próprios inte- Quando os favores acabam, começa a ingratidão forma de fraqueza. “A ingratidão é o mais horrendo de todos os pe- cados”, já dizia Alexandre Her- culano. Ser ingrato tem a ver com o ser humanista, porque o humanista atribui suas vitórias a ele mesmo, e não a um ser supremo. Johann Goethe diz: “Jamais conheci homem de valor que fosse ingrato”. O ingrato não reconhece que sem ajuda, não chegaria a lugar nenhum. Es- quece com muita facilidade as coisas boas que lhe fi zeram. Vive no “seu mun- do”, busca apenas os seus próprios inte- Obs: atente para não confundir, a função emotiva está ligada à 1ª pessoa do singular. A função referencial aceita a 1ª. pessoa do plural. Quando a comunicação é feita com vistas a tratar do assunto, sem utilizar a 1ª pessoa singular ou a 2ª pessoa. Assim, se o tema é “trabalho infantil”, deve-se tratar especifi camente do assunto sem dar opinião pessoalizada – eu acho, eu penso, eu acredito ou fazer apelo ao receptor – você deve ter cuidado. O exemplo abaixo demonstra como o assunto é tratado de modo isento de opinião e apelos. 62 resses. É um tipo de pessoa que se torna cega para o amor (e doação) de quem está ao lado. O pior erro de um ingrato, é afastar as pessoas que mais se im- portam com ele. As pessoas esquecem que um dia podem precisar de você novamente. A ingratidão é falta de bom senso, de visão, de sabedoria e de humildade. O ingrato não vê o que os outros veem e nem sentem o que os outros sen- tem, não por que não querem ou não desejam, mas por incapacidade, por fraqueza moral e ausência de amor. Há na cabeça do ingrato, um vazio de amor ao próximo, que se manifesta não eventualmente, mas permanentemente. [...] Função POÉTICA, quando a mensagem é cen- tro da informação. Embora ela esteja voltada para a mensagem, esta função tem características muito particulares, quais sejam: estrutura em forma de verso, estrofes e pode ter linguagem figurada. Importante considerar as duas formas de composição: prosa e verso. Prosa – toda comunicação feita em parágrafos; Verso – toda comunicação feita em linhas. Exemplo: Minha terra tem palmeiras (1ª Linha – 1º Verso) Onde canta o sabiá (2ª Linha – 2º Verso) As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá [...] Não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá Sem que desfrute os primores que não encontro por cá. [...] Podemos considerarque a função é poética Obs: pode-se dizer que toda comunicação estruturada em forma de versos – em linhas – está na função poética, independente de outras características que possa ter. 63 por conta da estrutura em versos. Também po- demos considerar que no 1º, 4º e 5º versos temos também função emotiva por conta da 1ª pessoa do singular – eu. Observe outro exemplo: “Só uma coisa me entristece O beijo de amor que não roubei A jura secreta que não fiz A briga de amor que eu não causei.” (Abel Silva) Neste exemplo, temos uma letra de música que é também função poética por causa da estru- tura em verso, mas também é emotiva por conta da 1ª. Pessoa singular em todos os versos. Vejamos o esquema dos fatores fundamentais com um esquema correspondente das funções: REFERENCIAL EMOTIVA POÉTICA CONATIVA FÁTICA METALINGUÍSTICA Fonte: Jakobson (2007). Dificilmente encontramos mensagens em que FUNÇÕES DA LINGUAGEM EMOTIVA CONATIVA FÁTICA REFERENCIAL METALINGUÍSTICA POÉTICA Centrada no emissor EU Centrada no receptor TU_VOCÊ Feita para checar o canal Voltada para o assunto O código é utilizado para tratar do próprio código Atenta para a mensagem. Estrutura em versos 64 Anotações: haja apenas uma dessas funções. Normalmente elas se organizam em nossa vida de modo que a uti- lizamos de acordo com nossas necessidades. Em um mesmo texto temos, em alguns casos, mais de uma função, por isso, nas questões de prova, deve- mos atentar para o que predomina, o que se apre- senta de forma mais intensa. 2.1 TIPOLOGIA TEXTUAL Abordar a tipologia textual, enquanto ele- mento de interpretação textual, é considerar que quando se tem conhecimento sobre ela, facilita in- terpretação e, consequentemente a sua produção, isto porque cada texto atende a uma estrutura dife- rente e a uma finalidade própria. Assim, ao se depa- rar com um texto descritivo e o conhece, é possível antecipar algumas considerações, antes mesmo de conhecer o conteúdo tratado nele. Por exemplo, sabe-se que trata de caracterização, de especifica- ção e de detalhamento, pois os textos descritivos têm estas características. Tradicionalmente, os tipos textuais são clas- sificados de três formas: narrativo, descritivo e dissertativo (informativo ou argumentativo). Atual- mente, foram acrescidos mais dois tipos para me- lhor agrupamento: o injuntivo e o dialogal. Embora tenham características diferentes na sua composi- ção e organização, nem sempre, são constituídas apenas por um tipo textual. É normal haver mais de uma tipologia em um mesmo texto, neste caso, teremos uma predominância de um tipo textual. Se tomarmos um romance como exemplo, veremos que possui características da narrativa, mas em di- 65 versos trechos encontraremos a descrição. Obser- vem a síntese do que estudamos nesta etapa: Para que fique mais fácil compreender, vamos analisar abaixo cada tipo textual, iniciando pela NARRAÇÃO: 2.2 NARRAÇÃO O centro do texto narrativo é o FATO, a história a ser contada – seja verídica ou inventada. Para que o fato seja contado, alguns elementos são necessá- rios como personagens, espaço e tempo. Na narração, há um narrador que relata um fato, ocorrido num determinado espaço e tempo. Ele pode aparecer de forma clara no texto ou de modo implícito. Os fatos são apresentados em uma se- quência de ações que vão se desenrolando com cer- ta lógica até que atinja o ponto máximo do problema da narração e assim tenha o desfecho, ou seja, o final da trama. Toda narração precisa de um conflito, sem este não há fato para contar. Os conflitos são de diversas ordens: inveja, assassinato, brigas por di- versos motivos, assalto, doença, guerra, traição, mistérios, amor, paixão etc. Pode-se dizer que os conflitos são a base dos fatos, portanto, sem con- flitos não há narração. Vejamos alguns exemplos de textos narrativos: Observe o texto e vamos verificar se ele apresenta as características da tipologia narrativa: NARRAÇÃO Fato DESCRIÇÃO Característica INJUNÇÃO Ordem DIALOGAL Diálogo DISSERTAÇÃO Informação 66 Texto 1 - Poesia HISTÓRIA ANTIGA No meu grande otimismo de inocente, Eu nunca soube por que foi... um dia, Ela me olhou indiferentemente, Perguntei-lhe por que era... Não sabia... Desde então, transformou-se de repente A nossa intimidade correntia Em saudações de simples cortesia E a vida foi andando para frente... Nunca mais nos falamos... vai distante... Mas, quando a vejo, há sempre um vago ins- tante Em que seu mudo olhar no meu repousa, E eu sinto, sem, no entanto, compreendê-la, Que ela tenta dizer-me qualquer cousa, Mas que é tarde demais para dizê-la... (RAUL DE LEONI) Texto 2 - Música Faroeste caboclo Legião Urbana E Santo Cristo há muito não ia pra casa E a saudade começou a apertar “Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia Já tá em tempo de a gente se casar” Chegando em casa então ele chorou E pro inferno ele foi pela segunda vez Com Maria Lúcia Jeremias se casou E um filho nela ele fez [...] O texto conta a história de duas pessoas que se separaram e ficaram com uma história mal resolvida. De modo muito sintetizado, temos uma narração. 67 Anotações:Sentindo o sangue na garganta, João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e [...] E nisso o sol cegou seus olhos E então Maria Lúcia ele reconheceu Ela trazia a Winchester-22 A arma que seu primo Pablo lhe deu [...] E Santo Cristo com a Winchester-22 Deu cinco tiros no bandido traidor Maria Lúcia se arrependeu depois E morreu junto com João, seu protetor E o povo declarava que João de Santo Cristo Era santo porque sabia morrer [...] E João não conseguiu o que queria Quando veio pra Brasília, com o diabo ter Ele queria era falar pro presidente Pra ajudar toda essa gente que só faz... Não tinha medo o tal João de Santo Cristo Era o que todos diziam quando ele se perdeu [...] Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu [...] E João aceitou sua proposta E num ônibus entrou no Planalto Central [...] E o Santo Cristo até a morte trabalhava Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar [...] E João de Santo Cristo ficou rico E acabou com todos os traficantes dali. 68 [...] Já no primeiro roubo ele dançou E pro inferno ele foi pela primeira vez [...] Foi quando conheceu uma menina E de todos os seus pecados ele se arrependeu Maria Lúcia era uma menina linda E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu [...] Mas acontece que um tal de Jeremias, Traficante de renome, apareceu por lá Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo E decidiu que, com João ele ia acabar [...] Texto 3 - Fábula O VELHO, O MENINO E O BURRO Num lugar que você sabe, este fato aconte- ceu. A pessoa que eu descrevo, você, talvez, tenha conhecido. E se você não se lembra, procure na consciência. Porque se houver semelhança, não é mera coincidência. O burrico vinha trotando pela estrada. De um lado vinha o velho, puxando o cabresto. Do outro vinha o menino, contente, que o dia estava fresqui- nho e o sol brilhava no céu. Sentados no barranco estavam dois homens. No que viram o burro mais o velho e o menino, um cutucou o outro: – Veja só, compadre! Que despropósito! Em vez do velho montar no burro, vem puxando ele! O velho e o menino se olharam. Assim que viraram na primeira curva, o velho parou o burro e montou nele. Podemos observar que o texto é uma letra de música, mas que conta uma narrativa, relata um fato a partir da grande problemática da personagem João de Santo Cristo de conseguir uma vida melhor. Temos personagens, conflito, tempo, espaço que se desenvolvem numa ordem lógica. 69 Anotações:O menino segurou o cabresto e lá se foram os três, muito satisfeitos. Até que perto da ponte tinha uma casa com uma mulher na janela. – Olha só, Sinhá, venha ver o desfrute! O velho no bem-bom, montadono burro, e o pobre do meni- no gramando a pé! O velho e o menino se olharam de novo. As- sim que saíram da vista da mulher, o velho desceu do burro e botou o menino na sela. E foram andan- do um pouco ressabiados, o velho puxando o burro pelo cabresto, pensando no que o povo podia dizer. Logo, logo, passaram numa porteira onde estava parada uma velha mais uma menina. – Mas que absurdo, minha gente! Um velho que nem se aguenta nas pernas andando a pé, e o guri, bem sem-vergonha, escanchado no burro! Os dois se olharam e nem esperaram. O velho mais que depressa montou na garupa do burro e lá se foram os três. Dali a pouco encontraram um pa- dre que vinha pela estrada mais o sacristão: – Olha só, que pecado, onde é que já se viu? O pobre do burro, coitadinho, carregando dois pre- guiçosos! Mas isso é coisa que se faça? O velho e o menino, desanimados, desmonta- ram e nem discutiram: saíram carregando o burro. Mas nem assim o povo sossegou! Cada vez que pas- savam por alguém, era só risada! – Olha só os dois burros carregando o terceiro! Quando chegaram em casa, o velho sentou cansado, se assoprando: – Bem feito! — ele dizia. — Bem feito! – Bem feito o quê, vô? – Bem feito pra nós. Que a gente já faz muito de pensar pela própria cabeça, e ainda quer pensar 70 Anotações: pela cabeça dos outros. Agora eu sei por que é que meu pai dizia: “Quem quer agradar a todos a si próprio não faz bem! Pois só faz papel de burro e não agrada a ninguém!” Fato – conflito: montar ou não no burro Personagem: menino, padre, as pessoas Espaço: lugar que você sabe qual é Tempo: indeterminado Podemos afirmar que o texto é uma narrativa, pois seu propósito é relatar um fato, contar um con- flito através de personagens que agem num tempo e num espaço. Texto 4 - Piada - Bonito papel! Quase três da madrugada e os senhores com- pletamente bêbados, não é? Foi aí que um dos bêbados pediu: - Sem bronca, minha senhora. Veja logo qual de nós é o seu marido que os outros querem ir para casa. (Stanislaw Ponte Preta) Neste texto, também temos uma narração que se desenvolve a partir de um problema - os ho- mens estarem bêbados -, apresentando como per- sonagens os bêbados e uma senhora, no tempo de três horas da manhã, no espaço, a casa da senhora. 71 Texto 5 - Conto Tragédia brasileira Manuel Bandeira Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade. Conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empe- nhada e os dentes em petição de miséria. Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura… Dava tudo quanto ela queria. Quando Maria Elvira se apanhou de boca boni- ta, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mu- dou de casa. Viveram três anos assim. Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moravam no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos… Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decú- bito dorsal, vestida de organdi azul. Sintetizando a tipologia textual narração, temos: O conto apresenta uma clara estrutura narrativa: o fato é o casamento de Misael com Maria Elvira (personagens); o conflito se dá por conta dos namorados de Maria Elvira; o espaço são vários bairros do Rio de Janeiro, não há um tempo determinado. O texto se organiza de modo que o conflito vai tomando proporções maiores à medida que o texto progride, chegando ao clímax quando Misael fica privado de seus sentidos e mata a esposa, num desfecho trágico da trama. 72 Anotações: 2.3 DESCRIÇÃO A outra tipologia textual é a DESCRIÇÃO, cujo eixo norteador é a CARACTERIZAÇÃO. Descrever é apresentar o ser, objeto ou lugar da forma como é ou está; é detalhar, pormenorizar, apresentar seu estado. É um tipo de texto normalmente curto e quase nunca existe sozinho, está inserido em ou- tras tipologias como a narração, a dissertação ou mesmo a injunção. Esta tipologia é muito utilizada nos romances para caracterizar as personagens, o espaço, os objetos. É de fundamental importância na construção da narração para que o leitor possa compreender melhor os fatos que estão sendo nar- rados. Seu processo de composição se dá através de elementos como: adjetivos e verbos de ligação. Pode-se fazer descrição técnica e literária. A des- crição técnica é feita por diversos campos de co- nhecimento, tais quais: arquitetura, engenharia, psicologia. Já a descrição literária, fica por conta dos contos, dos romances, das poesias etc. Vejamos algumas descrições: ENREDO É a própria narrativa, a história contada. TEMPO Data: mês, ano, século, dia da semana. PERSONAGEM Pessoa, animal, objeto personificado. ESPAÇO Lugar onde acontece o fato. CONFLITO O problema vivido pelas personagens. NARRAÇÃO 73 Texto 1 - Trecho de música Eu queria ter na vida simplesmente Um lugar de mato verde Pra plantar e pra colher Ter uma casinha branca, de varanda, um quintal e uma janela Para ver o sol nascer Texto 2 - Poesia RETRATO Cecília Meireles Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face? Texto 3 - Descrição técnica O motor está montado na traseira do carro, fi- xado por quatro parafusos à caixa de câmbio, a qual, por sua vez, está fixada nos coxins de borracha na extremidade bifurcada do chassi. Os cilindros estão dispostos horizontalmente e opostos dois a dois. Observe que as palavras destacadas são características do lugar e da casa. 74 Anotações: Cada par de cilindros tem um cabeçote comum de metal leve. As válvulas, situadas nos cabeçotes, são comandadas por meio de tuchos e balancins. O virabrequim, livre de vibrações, de comprimento reduzido, com têmpera especial nos colos, gira em quatro pontos de apoio e aciona o eixo excêntrico por meio de engrenagens oblíquas. As bielas con- tam com mancais de chumbo-bronze e os pistões são fundidos de uma liga de metal leve. (Fonte: Manual de instruções [Volkswagen]. In: Comunicação em prosa moderna. GARCIA Othon, Rio de janeiro: Editora FGV, 1996, p.388.) Texto 4 - Descrição literária Havia à Rua do Hospício, próximo ao campo, uma casa que desapareceu com as últimas recons- truções. Tinha três janelas de peitoril na frente; duas pertenciam à sala de visitas; a outra a um gabinete contíguo. O aspecto da casa revelava, bem como seu in- terior, a pobreza da habitação. A mobília da sala consistia em sofá, seis ca- deiras e dois consolos de jacarandá, que já não conservavam o menor vestígio de verniz. O papel da parede de branco passara a amarela e percebia-se que em alguns pontos já havia sofrido hábeis re- mendos. O gabinete oferecia a mesma aparência. O papel que fora primitivamente azul tomara a cor de folha seca. Havia no aposento uma cômoda de cedro que também servia de toucador, um armário de vinháti- co, uma mesa de escrever, e finalmente a marque- 75 Anotações:sa, de ferro, com o lavatório, e vestida de mosqui- teiro verde. Tudo isto, se tinha o mesmo ar de velhice dos móveis da sala, era como aqueles cuidadosamente limpo e espanejado, respirando o mais escrupuloso asseio. Não se via uma teia de aranha na parede, nem sinal de poeira nos trastes. O soalho mostrava aqui e ali fendas na madeira; mas uma nódoa sequer não manchava as tábuas areadas.” (José de Alencar) 2.4 INJUNÇÃO Na INJUNÇÃO,o centro está nos COMANDOS oferecidos ao receptor, é um tipo de texto em que predomina a ordem, os pedidos, os conselhos e, por isso, há predominância de verbos no modo impera- tivo e sequência de orações coordenadas. Impor- tante destacar que o texto injuntivo cumpre uma função social de auxiliar o leitor a realizar deter- minada ação: bula de remédio, receitas em geral, manuais, são alguns exemplos de textos injuntivos com o propósito de servir como guia para o leitor executar de modo favorável a ação desejada. Não é simplesmente uma ordem para o leitor executar, tem uma finalidade, uma função. Vamos aos exemplos: Texto 1 – Receita Receita de Fritada de calabresa Por Irene Sanches Ingredientes 3 colheres (sopa) de azeite 76 1 linguiça calabresa defumada 1 cebola picada 2 dentes de alho amassados 3 tomates picados 6 ovos 1/4 xícara (chá) de queijo parmesão ralado 1/4 xícara (chá) de manjericão picado Sal e pimenta do reino a gosto Modo de preparo Em uma frigideira, coloque o azeite, a lingui- ça, a cebola, o alho e frite até dourar. Junte o tomate e cozinhe por 10 minutos. Em uma tigela, bata os ovos, o parmesão, o manjericão, sal e pimenta com um garfo. Despeje sobre o refogado e frite dos dois la- dos até dourar. Decore como desejar e sirva em seguida. Rendimento:6 porções Tempo de preparo: 15 minutos Fonte: <https://www.comidaereceitas.com.br >. Texto 2 – Bula de remédio Advertências e Precauções O que devo saber antes de usar? Antes de usar Novalgina Infantil, deve-se fa- lar com o médico em casos de historial de alergia atópica ou asma, diabetes ou se se estiver a tomar outros medicamentos. Durante o tratamento com Novalgina, caso sejam sentidos sintomas como febre, calafrios, dor de garganta ou feridas na boca, deve-se consultar o médico logo que possível. O tratamento com Novalgina Infantil nunca deve ser interrompido sem conhecimento do médi- 77 Anotações:co e os horários, as doses e duração do tratamento devem ser rigorosamente respeitados. Mecanismo de Ação Como funciona? Novalgina tem na sua composição Dipirona Sódica, um derivado pirazolônico não-narcótico, que apresenta ação analgésica, antipirética e es- pasmolítica. A Dipirona é uma pro-droga, cuja metaboliza- ção gera a formação de diferentes metabólitos, dos quais, dois deles, 4-metil-aminoantipirina e 4-ami- noantipirina, têm propriedades analgésicas. Novalgina Gotas, Novalgina Xarope e Novalgi- na Supositório, começam a ter efeito entre 30 a 60 minutos após a sua administração e, geralmente, o seu efeito antitérmico e analgésico dura cerca de 4 horas. Novalgina Infantil dá sono? Não, Novalgina Infantil não dá sono, porém, a criança ou o bebê pode ter mais sono que o normal, pois a febre e a dor aumentam a necessidade de descansar ou dormir. Fonte: <https://www.bulario.com/nWovalgina_infantil/>. Texto 3 – Manual Fonte: <https://bit.ly/2BHOcPj>. 78 Anotações: Texto 4 – Poesia Receita da Juventude (Letícia Migliacci) Ingredientes 50g de curiosidade 1kg de atividade 2 xícaras de aprendizado 3 colheres (sopa) de fazer tudo errado 4 litros de diversão 5g de paixão 5 litros de beleza 50g de esperteza. Modo de preparo Despeje a curiosidade junto com a esperteza, adicione a atividade e a beleza. Misture bem e dei- xe esfriar. Depois acrescente o aprendizado e as 3 colheres de fazer tudo errado. Por fim, acrescente a paixão e os 4 litros de diversão, espere crescer e a juventude está formada. Tempo de preparo: 7 a 30 anos Rendimento: 1 jovem. Fonte: <https://pt.scribd.com/doc/312026288/ Producao-Textual-Receita-Poetica> 2.5 Dialogal Temos também, a tipologia textual que os es- tudiosos denominam de DIALOGAL. Esta tipologia compreende como ponto principal o DIÁLOGO, ou seja, uma interação contínua entre emissor e recep- tor de modo que os dois são participantes ativos do processo de comunicação. Muito comum na comu- 79 Anotações:nicação verbal - na modalidade oral -, esta tipologia também acontece na versão escrita, em especial quando busca representar situações de conversa, na tentativa de reproduzir situações reais. Também é um tipo de texto que vai se apresentar em outros textos, como a narração. Vejamos alguns exemplos: Texto 1 – Entrevista O texto, na linguagem original, foi publicado na Folha da Manhã em 5 de maio de 1954. O jornalista italiano Alfredo Paniucci, de “Épo- ca”, obteve em fins do mês passado uma entrevista de Chaplin – em sua vila de Corsier-Vevey, Genebra – que pode ser considerada sensacional. [...] Depois de descrever o aspecto da vila, as par- ticularidades que pôde notar, na sala de espera, Paniucci, que é o primeiro jornalista a ser recebido por Chaplin na sua vila Suíça, diz que ele lhe parece, em trajes esportivos, com um aspecto extraordina- riamente juvenil. [...] O jornalista vê, nas estantes, obras de Thake- rav, de Platão, Maupassant, Plutarco, Balzac, Di- ckens, Poe e Thomas Payne. Num angulo, descobre “Mein Kampf”, de Hitler. Chaplin exclama, sorrindo: “Não sou nazista, não. Li-o antes de realizar “O Gran- de Ditador”. Mac Carthy gostaria de possuir este li- vro. Mas não o darei, jamais.” E ante uma pergunta do jornalista, diz, sempre sorrindo, os olhos azuis exprimindo ironia: “A maior parte de meus livros são sobre psicologia. Gosto muito de estudar o próxi- mo; gosto das ciências ocultas. Ah! Se eu pudesse transformar-me em feiticeiro!” 80 Ambos voltam para a outra sala, já acompa- nhados de Oona. Na porta o jornalista quer dar pas- sagem primeiro a Chaplin, mas este abre caminho e diz: “É inútil você querer ver minhas costas; não sou Marilyn Monroe.” E ri, gostosamente. [...] Mas aproveita o instante para fazer uma pergunta sobre o próximo filme de Chaplin. Ele agora parece irritar- -se. Diz apenas: “Até agora não tenho nada de con- creto. Posso dizer que não será uma tragédia como “Mr. Verdou” e “Luzes da Ribalta”, mas uma comedia moderna: um filme que focalizará os diferentes sis- temas de vida dos americanos e dos europeus.” E ante uma nova pergunta de Paniucci, o gênio diz: “Os americanos não me querem bem. Durante 30 anos me admiraram e depois passaram a odiar-me. Feriram-me profundamente.” A esta altura, diz o repórter, alguns fotógrafos que permaneceram na cidade já estavam entran- do na vila de Chaplin. Eles entram e batem chapas, perturbam a entrevista. O mestre ordena uísque para todos, e grandes doses são servidas. E Chaplin aproveita para retirar-se da sala. Texto 2 – Tirinha Fonte: Maurício de Sousa Produções. 81 Anotações:Texto 3 – Música O que será de nós? Detonautas Quando vejo azul, você enxerga cinza Onde vejo luz, você escuridão Quando eu digo oi, você responde tchau, tchau E a casa continua nessa confusão E se eu quero um doce, você não abre a boca E a gente não se entende mais, mais Eu quero ir pra rua, cê quer ficar em casa E o que ficou pra trás, ficou pra trás. TEXTO 4 – ROMANCE Trecho da obra Dom Casmurro Quando levantei a cabeça, dei com a figura de Capitu diante de mim. Eis aí outro lance, que pare- cerá de teatro, e é tão natural como o primeiro, uma vez que a mãe e o filho iam à missa, e Capitu não saía sem falar-me. Era já um falar seco e breve; a maior parte das vezes, eu nem olhava para ela. Ela olhava sempre, esperando. Desta vez, ao dar com ela, não sei se era dos meus olhos, mas Capitu pareceu-me lívida. Seguiu- -se um daqueles silêncios, a que, sem mentir, se pode chamar de um século, tal é a extensão do tem- po nas grandes crises. Capitu recompôs-se; disse ao filho que se fosse embora, e pediu-me que lhe explicasse... — Não há que explicar, disse eu. — Há tudo; não entendo as tuas lágrimas nem as de Ezequiel. Que houve entre vocês? 82 Anotações: — Não ouviu o que lhe disse? Capitu respondeu que ouvira choro e rumor de palavras. Eu creio que ouvira tudo claramente, mas confessá-lo seria perder a esperança do silên- cio e da reconciliação; por isso negou a audiênciae confirmou unicamente à vista. Sem lhe contar o episódio do café, repeti-lhe as palavras do final do capítulo. — O quê? perguntou ela como se ouvira mal. — Que não é meu filho. Grande foi a estupefação de Capitu, e não me- nor a indignação que lhe sucedeu, tão naturais am- bas que fariam duvidar as primeiras testemunhas de vista do nosso foro. Já ouvi que as há para vários casos, questão de preço; eu não creio, tanto mais que a pessoa que me contou isto acabava de perder uma demanda. [...] Após alguns instantes, disse- -me ela: — Só se pode explicar tal injúria pela convic- ção sincera; entretanto, você que era tão cioso dos menores gestos, nunca revelou a menor sombra de desconfiança. Que é que lhe deu tal ideia? Diga, — continuou vendo que eu não respondia nada, — diga tudo; depois do que ouvi, posso ouvir o resto, não pode ser muito. Que é que lhe deu agora tal convic- ção? Ande, Bentinho, fale! fale! Despeça-me daqui, mas diga tudo primeiro. — Há coisas que se não dizem. — Que se não dizem só metade; mas já que disse metade, diga tudo. Tinha-se sentado numa cadeira ao pé da mesa. Podia estar um tanto confusa, o porte não era de acusada. Pedi-lhe ainda uma vez que não tei- masse. 83 Anotações:— Não, Bentinho, ou conte o resto, para que eu me defenda, se você acha que tenho defesa, ou pe- ço-lhe desde já a nossa separação: não posso mais! — A separação é coisa decidida, redargüi, pe- gando-lhe na proposta. Era melhor que a fizésse- mos por meias palavras ou em silêncio; cada um iria com a sua ferida. Uma vez, porém, que a senhora insiste, aqui vai o que lhe posso dizer, e é tudo. Não disse tudo; mas pude aludir aos amores de Escobar sem proferir-lhe o nome. Capitu não pôde deixar de rir, de um riso que eu sinto não po- der transcrever aqui; depois, em um tom juntamen- te irônico e melancólico: — Pois até os defuntos! Nem os mortos esca- pam aos seus ciúmes! Concertou a capinha e ergueu-se. Suspirou, creio que suspirou, enquanto eu, que não pedia outra coisa mais que a plena justificação dela, dis- se-lhe não sei que palavras adequadas a este fim. Capitu olhou para mim com desdém, e murmurou: Fonte: <http://machadodeassis.ufsc.br/>. 2.6 DISSERTAÇÃO A última tipologia é a DISSERTAÇÃO, cujo cen- tro está na INFORMAÇÃO. É uma tipologia utilizada para informar os fatos e analisá-los de forma cien- tífica e o mais verdadeiro possível. É o texto da re- dação científica, das reportagens jornalísticas, de todo e qualquer texto que busque certa imparciali- dade e queira apresentar o conhecimento a respei- to de determinado assunto. Embora a informação seja o foco desta tipologia, a análise crítica também é parte fundamental, tendo em vista a dupla função do texto dissertativo: expor e argumentar. 84 Anotações: Assim, temos: Na vida cotidiana, os dois tipos de texto dis- sertativo são muito utilizados, seja individualmen- te, seja como texto dissertativo expositivos-argu- mentativo. Os livros didáticos de biologia, história, geografia etc. são exemplos de texto dissertativo expositivo. Eles apenas informam os aconteci- mentos, tratam do tema de modo objetivo. Já nas reportagens, temos informações e análises, acon- tecimentos e críticas, ou seja, texto dissertativo expositivo-argumentativo. É raro ter texto somente argumentativo, pois a base da argumentação é um tema que precisa ser apresentado de modo objeti- vo para depois ser analisado. Neste texto, apresenta-se uma ideia central a respeito de um tema e se apresentam provas, ar- gumentos para defender o ponto de vista, de modo a demonstrar que a ideia central é verdadeira, por isso, as provas e os argumentos devem ser convin- centes e pautados em informações consistentes e verdadeiras. O senso comum e as falácias – afir- mação falsa ou errônea – não serão bem-vindas em uma argumentação séria. Este o tipo de texto da universidade, a maioria dos trabalhos acadêmicos devem ser feitos utili- zando o texto dissertativo: resumo, resenha, resu- mo crítico, artigo científico, monografia, disserta- ção, tese. É ainda o tipo de texto escolhido para os O texto dissertativo EXPOSITIVO – apenas apresenta as informações, os acontecimentos, o tema de modo impessoal, sem apresentar comentários que levem a uma crítica. O texto dissertativo ARGUMENTATIVO – comenta as informações, analisa o tema, debate os acontecimentos, faz críticas ao tema. 85 Anotações:processos de seleção de todas as esferas: vestibu- lar, concursos, etc. Vejamos os exemplos: Texto 1 – Informações históricas Uma análise histórica da escravidão no Brasil Embora a escravidão no Brasil tenha sido, ou ainda é, um dos pontos mais polêmicos discutidos na história, o fato é que não o deixará de ser tão cedo por conta da carência de documentos regis- trados desta realidade. Difícil era haver nesta época do Brasil algum escravo alfabetizado que pudesse deixar qualquer escrito útil como fonte de pesqui- sa. Contudo, apesar das dificuldades, as lacunas presentes neste polêmico estudo são preenchidas com infindáveis discussões acerca de como se da- ria o processo escravista. O que se sabe, ao certo, é que muitos estudiosos o caracterizam como uma das formas mais cruéis de tratamento do ser huma- no. Analisemos, portanto, os fatos. A escravidão foi trazida para o Brasil com um propósito: para povoar o Brasil seria necessário abastecê-lo com a mão de obra necessária para pôr em prática o processo produtivo, bem como o abas- tecimento da metrópole com produtos americanos. Eles eram necessários para que houvesse uma di- nâmica no país, para que o processo produtivo an- dasse e para que a família latifundiária obtivesse as melhores condições possíveis de sobrevivência. No entanto, embora se pudesse atribuir a estes indi- víduos uma lista de utilidades, o tratamento a eles imposto se resumia a umas chicoteadas e muito trabalho. 86 Anotações: É difícil, atualmente, imaginarmos como uma população relativamente numerosa pudesse se submeter a castigos tão severos. A primeira pergunta que nos fazemos é o porquê da não rebe- lião dos escravos, da obediência incômoda a tanta humilhação. Mas é interessante notar que os escra- vos eram trazidos de lugares pobres da África, co- mercializados como uma “mercadoria”, separados de suas famílias e levados a lugares nunca antes conhecidos. Seria bem mais fácil enfrentar a situa- ção perto de suas tribos e familiares. Alguns che- gavam até mesmo a sofrer de banzo, uma espécie de nostalgia provocada por saudades da terra natal que geralmente os levava a morte. Enquanto isso, sua sobrevivência se baseava em negociações com seus senhores e na acomodação em relação à si- tuação a que eram submetidos. Fonte: <https://www.portaleducacao.com.br/> Texto 2 – Reportagem Reciclagem ajuda a preservar o meio ambiente e gera empregos na Paraíba Fábrica recicla sacolas plásticas em Guarabira. Em Sousa, empresa transforma garrafas em canos. Sacolas e garrafas plásticas podem deixar de ser lixo e passarem a ser geradoras de renda. Na Paraíba, a reciclagem, além de ajudar a preservar o meio ambiente, tem garantido o emprego de muitos moradores. Durante esta semana, o JPB 2ª Edição exibe uma série de reportagens especiais sobre sa- neamento básico nos municípios da Paraíba. Nesta quinta-feira (18), dia em que é veiculada a quarta e última reportagem da série, o destaque é para a re- ciclagem. [...] 87 Anotações:“Se a gente fosse trabalhar só com material virgem, seria o dobro de poluição. Então a gente ti- rou 350 do mercado de plástico e voltou novamente pro mercado. Evitando que a poluição aumente”, re- latou o sócio-gerente da fábrica, Carlos Magno. Dos 70 funcionários, 60 são do bairro onde a fábrica está instalada, um dos mais carentes de Guarabira. Mui- tos são ex-catadores e outros, a exemplo de Danilo Félix, encontraram nela sua primeira oportunidade de trabalho, aos 18 anos. “Hoje a gente pode dizer que uma sacola é di- nheiro. A gente sobrevive da sacola, édaqui que sai o nosso salário. Então não tem condições de a gente pegar e jogar uma sacola. [...] Em Sousa, no Sertão, há 10 anos, uma empresa transforma garrafas de plástico em canos. São 50 toneladas produzidas por mês. O produto final é usado exclusivamente para esgoto. “Era uma ideia muito real, muito boa, pra a gente utilizar aquele material que não era utilizado, era exposto aos lixões”, lembrou o empresário Mar- celo Abrantes Furtado. Além da produção dos canos, outra parte do plástico é triturada e vendida para uma fábrica de tecidos. O rótulo e as tampinhas também são re- vendidas para outas indústrias. Tudo é aproveitado. A fábrica emprega diretamente 40 pessoas. Outras dezenas são fornecedoras da matéria-prima, que garantem a renda procurando garrafas nas ruas. [...] “Tem aquilo, os três Rs: reaproveitar, reutilizar e reciclar. Eu acho que existe mais um, o ressigni- ficar. Às vezes você pode pegar um material que normalmente as pessoas veem como uma coisa e transformar em arte, transformar em utensílio. En- tão eu acho que você ressignifica alguma coisa”, afirmou o artista. 88 Anotações: Texto 3 – Resumo “Vidas Secas” – Resumo da obra de Graciliano Ramos O livro possui 13 capítulos que, por não te- rem uma linearidade temporal, podem ser lidos em qualquer ordem. Porém, o primeiro, “Mudança”, e o último, “Fuga”, devem ser lidos nessa sequência, pois apresentam uma ligação que fecha um ciclo. “Mudança” narra as agruras da família sertaneja na caminhada impiedosa pela aridez da caatinga, en- quanto que em “Fuga” os retirantes partem da fa- zenda para uma nova busca por condições mais favoráveis de vida. Assim, pode-se dizer que a mi- séria em que as personagens vivem em Vidas Secas representa um ciclo. Quando menos se espera, a si- tuação se agrada e a família é obrigada a se mudar novamente. Fabiano é um homem rude, típico vaqueiro do sertão nordestino. Sem ter frequentado a escola, não é um homem com o dom das palavras, e chega a ver a si próprio como um animal às vezes. Empre- gado em uma fazenda, pensa na brutalidade com que seu patrão o trata. Fabiano admira o dom que algumas pessoas possuem com a palavra, mas as- sim como as palavras e as ideias o seduziam, tam- bém o cansavam. Sem conseguir se comunicar direito com as pessoas, entra em apuros em um bar com um sol- dado, que o desafiou para um jogo de apostas. Irri- tado por perder o jogo, o soldado provoca Fabiano o insultando de todas as formas. O pobre vaqueiro su- porta tudo calado, pois não conseguia se defender. 89 Anotações:Até que, por fim acaba, insultando a mãe do solda- do e sendo preso. Na cadeia, pensa na família, em como acabou naquela situação e acaba perdendo a cabeça, gritando com todos e pensando na família como um peso a carregar. Sinhá Vitória é a esposa de Fabiano. Mulher cheia de fé e muito trabalhadora. Além de cuidar dos filhos e da casa, ajudava o marido em seu tra- balho também. Esperta, sabia fazer contas e sem- pre avisava ao marido sobre os trapaceiros que ten- tavam tirar vantagem da falta de conhecimento de Fabiano. Sonhava com um futuro melhor para seus filhos e não se conformava com a miséria em que viviam. Seu sonho era ter uma cama de fita de cou- ro para dormir. Nesse cenário de miséria e sem se darem muita conta do que acontecia a seu redor, viviam os dois meninos. O mais novo via na figura do pai um exemplo. Já o mais velho queria aprender sobre as palavras. Um dia ouviu a palavra “inferno” de alguém e ficou intrigado com seu significado. Perguntou a Sinhá Vitória o que significava, mas recebeu uma resposta vaga. Vai então perguntar a Fabiano, mas esse o ignora. Volta a questionar sua mãe, mas ela fica brava com a insistência e lhe dá um cascudo. Sem ter ninguém que o entenda e sacie sua dúvida, só consegue buscar consolo na cadela Baleia. Um dia a chuva chega (o “inverno”) e ficam to- dos em casa ouvindo as histórias de Fabiano. His- tórias essas que ele nunca tinha vivido, feitos que ele nunca havia realizado. Em meio a suas histórias inventadas, Fabiano pensava se as coisas iriam me- lhorar dali então. Para o filho mais novo, as sombras 90 Anotações: projetadas pela fogueira no escuro deixavam o pai com um ar grotesco. Já o mais velho ouvia as histó- rias de Fabiano com muita desconfiança. O Natal chegou e a família inteira foi à festa da cidade. Fabiano ficou embriagado e se sentia mui- to valente, só pensando em se vingar do soldado que lhe colocou atrás das grades. Uma hora, can- sado de seu próprio teatro, faz de suas roupas um travesseiro e dorme no chão. Sinhá Vitória estava cansada de cuidar do marido embriagado e ter que olhar as crianças também. Em um dado momen- to, ela toma coragem para fazer o que mais esta- va com vontade: encontra um cantinho e se abaixa para urinar. Satisfeita, acende uma piteira de barro e fica a sonhar com a cama de fitas de couro e um futuro melhor. No que talvez seja o momento mais famoso do livro, Fabiano vê o estado em que se encontrava Baleia, com pelos caídos e feridas na boca, e achou que ela pudesse estar doente. O vaqueiro resolve, então, sacrificar a cadela. Sinhá Vitória recolhe os filhos, que protestavam contra o sacrifício do pobre animal, mas não havia outra escolha. O primeiro tiro acerta o traseiro de Baleia e a deixa com as patas inutilizadas. A cadela sentia o fim próximo e chega a querer morder Fabiano. Apesar da raiva que sen- tia de Fabiano, o via como um companheiro de mui- to tempo. Em meio ao nevoeiro e da visão de uma espécie de paraíso dos cachorros, onde ela poderia caçar preás à vontade, Baleia morre sentindo dor e arrepios. E assim a vida vai passando para essa famí- lia sofredora do sertão nordestino. Até que um dia, com o céu extremamente azul e nenhuma nuvem à 91 Anotações:vista, vendo os animais em estado de miséria, Fa- biano decide que a hora de partir novamente havia chegado. Partiram de madrugada largando tudo como haviam encontrado. A cadela Baleia era uma imagem constante nos pensamentos confusos de Fabiano. Sinhá Vitória tentava puxar conversa com o marido durante a caminhada e os dois seguiam fazendo planos para o futuro e pensando se existi- ria um destino melhor para seus filhos. Fonte: <https://guiadoestudante.abril.com.br>. Atente para a diferença entre TIPO TEXTUAL E GÊNERO TEXTUAL: O tipo textual é o que acabamos de estudar e tem um caráter amplo de aplicação, são estruturas maiores que servem para organizar vários gêneros de texto. Os tipos textuais são narração, descrição, injunção, diálogo e dissertação. Já os gêneros tex- tuais estão inseridos na forma de sua composição dentro das tipologias textuais, mas mantêm ca- racterísticas próprias da sua utilização social. São vários os gêneros textuais, entre eles estão conto, crônica, propaganda, história em quadrinho, fábula, piada, reportagem, notícia, bula, música e outros. Vejamos: uma fábula é um gênero textual que faz parte da tipologia narrativa; o conto é um gêne- ro que faz parte da tipologia narrativa, a bula é um gênero textual que pertence a tipologia injuntiva. Assim, podemos verificar que a tipologia é a estru- tura macro que engloba os gêneros que são muito diversificados: 92 Relembrando: A interpretação de texto é facilitada quan- do se compreende a tipologia textual porque cada tipo tem um propósito social, um eixo norteador que serve como direção para o leitor compreender o texto. Os estudiosos afirmam que quando o leitor conhece pouco os tipos textuais, sente dificuldade de compreender o texto. 2.7 ORGANIZAÇÃO DO TEXTO Neste tópico, vamos aprender como um texto se organiza. Numa primeira análise, podemos afir- mar que os textos se organizam em introdução, de- senvolvimento e conclusão. Dependendo do tipo de texto, estas etapas acontecem de modo diferente, porém, mantêm certa semelhança. Na introdução do texto é o momento de apresentar o tema, os per- NARRAÇÃO Romance Piada Conto Tipo de textoGêneros textuais 93 Anotações:sonagens, o tempo, o espaço, dependendo da tipo- logia. Não se deve perder de vista que a introdução, no texto dissertativo, também deve indicar a ideia central defendida em um texto. Dessa forma, quan- do se procura saber a ideia central defendida em um texto, deve-se buscar na introdução. Os parágrafos de desenvolvimento no texto dissertativo apresentam argumentos, fatos, exem- plos, comparações, citações para defender a ideia principal; nos textos narrativos apresenta o conflito e vai ampliando até que atinja o ponto máximo. Na conclusão do texto, faz-se um fechamento, apre- senta-se quais foram as principais ideias debatidas e como elas foram abordadas. Pode-se ainda apre- sentar uma proposta para resolver um problema le- vantado ao longo do texto. Na narração, apresenta- -se um desfecho para o conflito. Algumas tipologias, como a descrição, injunção e o diálogo não apresen- tam estrutura própria para introdução, desenvolvi- mento e conclusão. Estão num contexto mais livre e podem se organizar de acordo com a exigência do gênero textual. Em um texto, um parágrafo de argumentação pode servir apenas para informar, já outro, busca convencer o leitor do ponto de vista defendido. Outro aspecto é o fato de que a dissertação pode utilizar outras tipologias, como a descrição ou a narração para servir de argumento do texto. Isso não quer di- zer que o texto deixou de ser dissertativo, continua sendo um texto dissertativo que utiliza outras tipolo- gias para argumentar. Não há fórmulas mágicas para a interpretação de texto, é preciso ler constantemente, procurar di- ferentes tipos de texto e exercitar a leitura. Quanto mais leitura fizer, maior será a facilidade de com- 94 Anotações: preender. Em textos científicos é muito importante saber a ideia central do texto, a argumentação e a que conclusões chega o texto. Assim, podemos fa- zer alguns questionamentos que nos levarão a estas ideias, vejamos: I - Qual é o assunto? Qual é o ponto central do texto? De que realmente o texto quer tratar? Ao res- ponder a essa pergunta, o leitor será obrigado a dis- tinguir as questões secundárias da principal, isto é, aquela em torno da qual gira o texto inteiro. Quando o leitor não sabe dizer do que o texto está tratan- do, ou sabe apenas de maneira genérica e confusa, é sinal de que ele precisa ser lido com mais aten- ção ou de que o leitor não tem repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. Neste caso, o uso do dicionário será indispensável. Estas indagações levarão à IDEIA PRINCIPAL II - Quais são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a ideia central? Quais a ideias que comprovam a ideia central? O argumen- to é um recurso para convencer o leitor de que fala a verdade. Saber reconhecer os argumentos do au- tor é também um sintoma de leitura bem feita, um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvol- vimento das ideias. Na verdade, entender um texto significa acompanhar com atenção o seu percurso argumentativo. Conseguiremos assim identificar os ARGUMENTOS do texto. III - Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Qual a análise que o autor faz das ideias apresentadas? Quais as críticas feitas pelo autor? Nesta etapa de leitura, já se avançou bastante e se pode analisar o texto por sua carga ideológica, pela sua construção social e histórica. Não se está mais preso apenas ao texto, mas ao 95 Anotações:todo que engloba o que está escrito. É uma inter- pretação mais complexa porque não se pode fugir do texto, não se trata de concordar ou discordar; o importante nesta etapa é conseguir compreender a parte crítica do texto. Teremos aqui a ANÁLISE CRÍ- TICA do texto. IV – Qual/quais a(s) conclusão(ões) do autor ao final dos argumentos? Finalizado o texto e feita uma série de argumentações para defender um ponto de vista, qual a síntese que se pode fazer do texto? Es- tas questões remetem às CONCLUSÕES do autor. Nem sempre os textos apresentam uma parte crítica. Há textos que se apresentam apenas com o objetivo de informar, de passar uma informação sem debater. Neste caso, busca-se compreender as demais etapas. Vamos analisar um texto para compreender o que foi exposto: Texto 1 – Dissertação O texto abaixo foi escrito por Marcio Pos- chmann na Folha de S. Paulo. O Brasil tem hoje um grande exército de jo- vens na faixa etária de 15 a 24 anos aguardando uma possibilidade de apresentar ao mercado de traba- lho o seu potencial. O maior drama deste exército juvenil é a ausência de vagas oferecidas àqueles que procuram o seu primeiro emprego. Nos últi- mos dez anos, o país criou apenas 100 mil postos de trabalho para pessoas na faixa etária de 15 a 24 anos, enquanto 2,8 milhões de jovens ingressaram no mercado de trabalho. Poucos são os cursos uni- versitários no país que oferecem disputa tão acen- tuada como atualmente ocorre no mercado de tra- 96 Anotações: balho, que tem 28 jovens concorrendo, em média, a cada vaga aberta. O aprofundamento da compe- tição no interior do mercado de trabalho decorre também do fechamento de empregos tradicional- mente ocupados pelos jovens. Dos 3,2 milhões de empregos formais destruídos na década de 1990, 2 milhões atingiram o segmento com menos de 25 anos de idade. Além disso, parte das vagas oferecidas aos jo- vens são ocupadas por adultos, já que o desempre- go também afeta gravemente os chefes de família, que, desesperados, aceitam qualquer coisa. Para- lelamente, a pouca experiência profissional, a baixa escolaridade e os traços de menor responsabilida- de fazem parte das razões usadas por patrões e de até especialistas para explicar o desemprego juve- nil, sem que estejam em consonância com a reali- dade do mercado de trabalho. Ao contrário do sen- so comum, a maior geração de vagas tem ocorrido nos postos de trabalho mais simples, não exigindo, necessariamente, maior grau de profissionaliza- ção. São os casos das ocupações de emprego do- méstico, de limpeza e conservação e de segurança privada e pública, que foram as que mais cresceram nos anos 90. Ao mesmo tempo, ganha importância a defesa do individualismo, por meio da promoção da cultura da autoajuda. Isto é, a transferência do problema do de- semprego ao próprio jovem que, na condição de sem emprego, precisa fazer curso disso, daquilo e muito mais, sem falar nas falsas dicas de como realizar um currículo “esperto”, como responder “inteligentemen- te” a questões nas entrevistas etc. Como se bastasse ter conhecimento para que o emprego surgisse. Apesar de tudo isso, há saídas para os jovens 97 Anotações:que não sejam o desespero do desemprego, a vio- lência da criminalidade, a degradação da prostitui- ção e a fuga pelas drogas. Por não haver alternativas individuais para todos, apenas para alguns, o país precisa de um projeto nacional de desenvolvimento que viabilize o crescimento econômico em mais de 5,5% ao ano e por toda uma década. Ademais, dois programas nacionais devem ser constituídos. O pri- meiro diz respeito à manutenção do jovem por mais tempo na escola, fazendo com que ingresse mais tardiamente no mercado de trabalho. A melhora na educação nacional é necessária, assim como a difusão de medidas de transferência de renda para as famílias carentes com vistas a fi- nanciar o tempo do jovem na escola, por meio de programas de renda mínima, bolsa escolas, entre outros. O segundo programa deve conter uma es- tratégia especificamente voltada à abertura de va- gas aos jovens no mercado de trabalho. O estímulo à criação de postos de trabalho subsidiados no se- tor privado e de programas de utilidade coletiva no setor público contribui para a geração de maiores e melhores saídas aos jovens. 2.8 ANÁLISE • Tema: trabalho • Delimitação do tema: jovem • Ideia principal: escassez de empregos para os jovens – dados estatísticos • Ideias secundárias: argumentação • Adultos ocupam vagas; • Escolaridade; • Vagasem empregos simples; 98 Anotações: • Individualismo; • Análise crítica: Basta fazer curso e ter conhecimento que o emprego surge – pensamento individualista. Cria- -se a ideia de que o problema do emprego está no jovem e não na questão social, nas políticas públi- cas que não geram novos empregos; Muitos jovens têm escolhido o caminho da prostituição, das drogas por falta de oportunidades. • Conclusão: Propostas para resolver ou minimizar o pro- blema: Projeto nacional para a geração de emprego; Programas nacionais: manter o jovem mais tempo na escola – bolsa-escola; abertura de vagas destinadas aos jovens; Vamos relembrar um assunto já visto ante- riormente, a linguagem e sua organização: A linguagem acompanha o homem em diver- sos períodos da história: através dos desenhos nas grutas, por meio dos rituais de povos tradicionais, das danças, das músicas, das cerimônias e dos jo- gos; das produções arquitetônicas e da arte: dese- nhos, pinturas, esculturas, poética, cenografi a etc. (SANTAELLA131 s.a). 13 SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. Coleção primeiros passos, sem ano. Digitalizado e formatado por: Projeto de Democratização da Leitura. Acessado in: www.portaldetonando.com.br. Acessado em 17/02/2019. 99 Quando a comunicação acontece temos: o emissor transmite uma mensagem ao receptor através de um canal tratando de um contexto ou referente utilizando um código comum. Sintetizando: U ni da de 3 Videoaula 1 Videoaula 2 103 SEMIÓTICA E TEXTO NÃO- VERBAL: PRINCIPAIS CONCEITOS Juntamente com a lingua- gem verbal, oral e escrita, te- mos outras linguagens que tam- bém representam os sistemas sociais e históricos do mundo. (SANTAELLA, s.a). A linguagem abrange um vasto campo, tendo em vista que acontece de forma tão intensa na vida em socieda- de e de modo tão diferenciado. Ela envolve, inclusive, a lingua- gem dos surdos-mudos, o sis- tema codificado da moda, da culinária e tantos outros (SAN- TAELLA, s.a). Como já vimos anterior- mente, sua organização se dá em: 104 Anotações: 3.1 LINGUAGEM VERBAL14 Dentre as várias formas de comunicação, aquela que utiliza a palavra, ou seja, a linguagem oral ou escrita é a linguagem verbal, pois o código usado é a palavra. Esse tipo de linguagem está pre- sente quando falamos com alguém, quando lemos, quando escrevemos. Pode-se afirmar que é muito presente em nosso cotidiano e se apresenta em diversas formas: propagandas, reportagens, obras literárias e científicas, comunicação entre as pes- soas, em discursos e em várias outras situações. 3.2 LINGUAGEM NÃO VERBAL Neste tipo de linguagem, não se usa a língua, mas outros símbolos que podem significar como: imagens, figuras, desenhos, símbolos, dança, pin- tura, música, mímica, escultura e gestos. No con- texto, temos a simbologia que é uma forma de co- municação não verbal. 3.3 LINGUAGEM MISTA Esta linguagem utiliza simultaneamente a lin- guagem verbal e a linguagem não verbal, usando palavras escritas e figuras ao mesmo tempo. Ago- ra, que já relembramos como se divide a lingua- gem, podemos traçar os caminhos que nos levarão ao campo da semiótica. Não queremos que haja 14 Fonte: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004. FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Linguística: Objetos Teóri- cos. São Paulo: Contexto, 2002. 105 Anotações:uma base completa da ciência Semiótica, mas uma compreensão de como a linguagem em toda a sua plenitude comanda a vida do homem e para um bom processo de leitura e interpretação não basta ape- nas dominar o campo da linguagem verbal, pois a linguagem não verbal assume papel significativo no nosso cotidiano. As informações repassadas nesta parte do estudo são de Fidalgo e Gradim (2004/2005) , que ajudam a compreender a semiótica enquanto ciên- cia e como o seu campo de atuação tem base para auxiliar o universitário a ter uma formação mais efetiva. A semiótica, quando considerada no plano da comunicação enfatiza a criação dos significados e a formação das mensagens a transmitir. Toda vez que nos comunicamos, o fazemos a partir dos sig- nos; essa ação levará o receptor a elaborar outra mensagem também utilizando signos e assim su- cessivamente. Portanto, há uma série de elemen- tos a se considerar para que esta comunicação se torne eficiente e atinja o seu poder de comunicar, vejamos: • Os tipos de signos utilizados para criar mensagens. • As regras de formação. • Códigos que os interlocutores partilham entre si. • Denotações e conotações dos signos uti- lizados. • Tipo de uso dado aos signos. Santaella traz uma definição de semiótica que pode clarear o entendimento: 106 Anotações: A Semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todas as lin- guagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenô- meno como fenômeno de produção de significação e de sentido. (SAN- TAELLA, s.a). É possível observar que a comunicação não acontece em fluxo, numa sequência, se dá “como um sistema estruturado de signos e códigos” (FI- DALGO e GRADIM, 2005, p. 19. Para compreender o processo de comunicação a partir da perspectiva dos signos, dois conceitos são apresentados: Esclareçamos: o signo é uma coisa que representa uma outra coisa: seu objeto. Ele só pode funcionar como signo se carregar esse poder de re- presentar, substituir uma outra coisa diferente dele. Ora, o signo não é o ob- jeto. Ele apenas está no lugar do obje- to. Portanto, ele só pode representar esse objeto de um certo modo e numa certa capacidade. Por exemplo: a pa- lavra casa, a pintura de uma casa, o desenho de uma casa, a fotografia de uma casa, o esboço de uma casa, um filme de uma casa, a planta baixa de uma casa, a maquete de uma casa, ou mesmo o seu olhar para uma casa, são todos signos do objeto casa. Não são a própria casa, nem a ideia geral que temos de casa. Substituem-na, ape- nas, cada um deles de um certo modo 107 Anotações:que depende da natureza do próprio signo. A natureza de uma fotografia não é a mesma de uma planta baixa (SANTAELLA, s.a, p. 12). Vejamos como Fidalgo e Grandim (2004, 2005) classificaram os signos, compreendendo-os na sua diversidade: Há muitos e diversos tipos de signos e qualquer definição de signo deverá ter em conta não só a polissemia15 do termo signo, mas sobretudo a diver- sidade dos próprios signos. Mesmo a definição mais geral de signo como algo que está por algo para alguém re- clama que se especifique melhor essa relação de “estar por/para”. Daí que seja extremamente importante apon- tar, ainda que não exaustivamente, di- versos tipos de signos, sobretudo os mais importantes. Vamos compreender como os autores classi- ficaram os signos: Sinais enquanto signos que levam a uma ação mecânica ou convencionalmente pelo receptor. Exemplo: sinais de rádio e de televisão provocam nos receptores determinados efeitos. Pode-se di- zer que há, também, uma aplicação convencional dos sinais, como nos casos de “dar o sinal de parti- da”, “fazer-lhe sinal para vir”, “dar o sinal de ataque”. Este tipo de signos é utilizado em máquinas, e é uti- 15 Vários sentidos de uma palavra. 108 Anotações: lizado por homens e animais. Quando toca a cam- pa de uma escola, foi dado o sinal para vir. Então, a campa da escola é um signo, no caso, não verbal que comunica. Numa luta ou jogo, quando o juiz dá um sinal com a mão ou com o apito, os lutadores/ jogadores iniciam. O gesto e apito são signos. Veja baixo uma ilustração de dois tipos de sig- nos: sinais e sintomas. Sintomas são signos compulsivos, não ar- bitrários, em que o significante está associado ao significado por um laço natural. Por exemplo, a fe- bre está naturalmente ligada a alguma doença, é um signo que comunica que há alguma infecção no corpo; se ocorreu uma geada, é um sintoma de que a temperatura atmosférica desceu até zero graus centígrados,assim, a geada é um signo que traz uma comunicação. SIGNOS Sinais Sintomas 109 Anotações:Ícones são signos baseados na semelhança entre o significante e o significado. Se temos uma pintura, até mesmo uma fotografia, vamos obser- var que há semelhança destes com o objeto pintado ou fotografado. Logo, são ícones. Também quando temos a planta de uma casa, a imagem no espelho, as pessoas vistas pela televisão. Então, o signo compreende aquilo que tem semelhança com o ser ou com o objeto, mas não é o ser-no-mundo ou o objeto real. Índices são signos em que o significante é con- tíguo, ou seja, está muito próximo ao significado. Um tipo importante de índices são as expressões que re- ferem demonstrativamente, como “este aqui”, “esse aí”, “aquele ali”. Quando afirmamos “este aqui”, este signo está substituindo ou ser ou objeto. Os números nas fardas dos soldados também são índices, pois aquele número equivale ao soldado. Mais um exem- plo é o relógio, como um índice do tempo, o número do relógio representa o tempo na realidade. A seguir temos dois exemplos de signos: íco- nes e índices: SIGNOS Ícones Índices OXE ESSE AÍOXE ESSE AÍ Não sei, só sei que foi assimNão sei, só sei que foi assim 110 Anotações: Símbolos são signos em que há uma relação convencional entre representante e representado, sem que haja relação de semelhança ou de conti- guidade. Convencionou-se associar a arara ao su- permercado DB; a baleia (considerada peixe) repre- senta o Santos; Usain Bolt escolheu como símbolo um raio. A relação simbólica é intencional. Cabe ressaltar, que para ser símbolo há algo de comum entre o representante e o representado. A arara tem em comum com o DB o fato de representarem a Amazônia; Bolt é tão rápido quanto o raio; San- tos e baleia (popularmente chamado pela torcida de peixe) se relacionam como símbolo porque o time do Santos sempre foi ligado aos mares por um fator de localização geográfica. Os nomes são signos que, embora sejam con- vencionais, não há um atributo intencional para apro- ximá-los. Ex: Maria é um nome que vai simbolizar um ser, mas não quer dizer que todas as Marias simboli- zam a mesma pessoa. Elas apenas têm em comum o nome (FIDALGO e GRANDIM, 2005, p. 20-21). Para efeito de ilustração, abaixo, mais dois exemplos de signos: símbolos e nomes: SIGNOS Símbolos Nomes Ana César Érica Maria Leonardo 111 Anotações:Os signos constituem parte significativa da comunicação humana, seja ela verbal ou não verbal. Ao estudarmos os signos, conseguimos ampliar nossa visão da linguagem. O apito do juiz, o toque do despertador, o vermelho do semáforo são signos que têm significado na vida social e comunicam. Em síntese, temos vários tipos de signos: 3.4 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO NÃO VERBAL Como já explicitado, muito da comunicação pode se dar não verbalmente: a expressão facial diante do que nos alegra ou incomoda, o sorriso, um aperto de mão, são signos comuns na comunicação humana. A manifestação das emoções humanas é uma forma de comunicação não verbal e muito re- vela sobre a individualidade do ser ou mesmo da TIPOS DE SIGNOS Sinais Sintomas Ícones Índices Símbolos Nomes 112 Anotações: coletividade. Para efeito de organização, Fidalgo e Gradim (2005, p. 131) dividiram a comunicação não verbal em três grandes áreas: [...] a área da comunicação facial e corporal, de que o suporte é o próprio corpo; a área da comunicação pelos artefactos utilizados, jóias, roupas; e a área da comunicação mediante a distribuição espacial, a posição que os corpos tomam no espaço, em rela- ção entre eles e em relação a espaços determinados.1 (FIDALGO e GRANDIM, 2005, p.131) Nesta divisão, o centro da linguagem não verbal é o corpo, na primeira, as expressões de- monstradas; na segunda os artefatos utilizados e na terceira o espaço que o corpo utiliza. Por esta perspectiva, pode-se entender a expressão: “o cor- po fala”. A respeito desta questão, Schelles16 (2008) afirma: O corpo fala e fala mesmo. Aponta as mentiras, expõe verdades inconscientes, reforça as ideias, dá ênfase à comunicação, favorece ou dificulta o en- tendimento e promove a interação com emissor e receptor da mensagem. Sendo assim, a linguagem funciona como um meio de manutenção ou criação de relações de poder e controle; pode servir tanto como um fator agregador quanto como colabora- dor, dependendo dos objetivos a serem atingidos 16 SCHELLES, Suraia. A importância da linguagem não-verbal nas relações de Liderança nas organizações. Revista Esfera nº. 1 Jan./ Jun. 2008. 113 Anotações:pelas lideranças e a forma que as mesmas a utili- zam em suas relações profissionais. Não podemos ignorar o poder da comunicação não verbal e o seu alcance, tendo em vista que, através dela pode acontecer a comunicação entre povos de língua diferente: gestos, cores, expressões faciais. Não podemos também acreditar que não haverá comunicação se houver apenas a linguagem não verbal, prova disso são os filmes, como os de Charles Chaplin, desenhos animados sem fala, histórias em quadrinhos sem fala. Todos eles comunicam, embora não haja o elemento verbal da língua. É preciso romper com a ideia de que a linguagem verbal é o único meio de comunicação humana, pois através de uma cor, estabelecemos a vida ou a morte no trânsito: verde e vermelho; um som estabelece a hora de entrar e sair da escola; listras brancas no asfalto sinalizam para o motorista, parada, para o pedestre, passagem; um apito inicia ou para um jogo. Dessa forma, a linguagem não verbal é tão importante quanto a verbal e está presente em nossa vida na mesma medida. Basta observar as figuras para compreendermos o poder desta comunicação: 114 Ainda temos a linguagem não verbal associa- da à verbal, o que dá uma nova linguagem, a híbri- da ou mista, com potência para ampliar o poder da comunicação, pois aquilo que as palavras têm difi- culdade para comunicar, pode ser comunicado pela linguagem não verbal e vice-versa. É uma lingua- gem rica e na nossa sociedade pós-moderna ganha destaque pela sua beleza e rapidez na informação, vejamos alguns exemplos: Fone: oficinaenem.wordpress.com. Para uma melhor compreensão de textos com elementos não verbais, vamos estudar alguns gê- neros de textos e suas especificidades para que possamos ampliar nosso conhecimento e facilitar o processo de interpretação de texto com linguagem Mas por que você Não quer mais brincar de casinha comigo, Cebolinha? ADIVINHA! 115 não verbal. Nesta etapa, os estudos de Guimarães17 (2013) serão fundamentais A imagem não é apenas um elemento de co- municação, mas pode ser um documento históri- co, pode revelar aspectos muito particulares de um tempo: fotos são a história de pessoas e épocas, por exemplo. “Como a História está em constante movi- mento e transformação, as imagens também estão sempre se construindo” (GUIMARÃES, 2013, p. 127). Além da imagem se inserir como elemento histórico, também pode trazer para o presente fa- tos e pessoas do passado, como afirma Guimarães (2013, p. 128), “nessa linguagem tecida de imagens emoldurando as palavras, surpreendem-se ecos de vozes alheias, antigas ou recentes, iluminando faces e fotos remotos ou próximos, que lançam luz sobre os mecanismos da memória”. Por exemplo, propagandas como imagens do passado, são recu- peradas no presente: Fonte: Propagandas Históricas. 17 GUIMARÃES, Elisa. Linguagem verbal e não verbal na malha discur- siva. Revista Bakhtiniana, São Paulo, 8 (2): 124-135, Jul./Dez. 2013. 116 Anotações: Nesta propaganda, recupera-se a figura do quadro de Leonardo Da Vinci, a Monalisa, para ser utilizada em um anúncio publicitário da Bombril. A figura ilustre de Monalisa é recuperada para dar um ar de sofisticação e elegância ao produto. No caso deste anúncio, não há linguagem verbal, todo o po- tencial do anúncio está na linguagem não verbal. Importante frisar que, quem não conhece a obra de LeonardoDa Vinci, não conseguirá esta- belecer a relação dela com o produto, vai acreditar que se trata apenas da divulgação do produto com uma mulher na imagem. Sem o conhecimento pré- vio, a interpretação do texto será comprometida. Observe o outro anúncio publicitário que tam- bém utiliza conhecimento de outro contexto do dis- curso para inserir em seu anúncio: Aqui, temos linguagem verbal e não verbal, em que há interação entre as linguagens e uma completa a outra. A informação não está concen- trada apenas na imagem, mas as palavras auxiliam na compreensão. Além disso, temos a referência a um discurso que não pertence a este anúncio, já foi produzido anteriormente, trata-se da obra do car- tunista Ziraldo, O Menino Maluquinho. Temos um anúncio da Hortifruti que utiliza o pepino, um produto vendido no estabelecimento e coloca sobre o pepino o símbolo do Menino Malu- 117 Anotações:quinho, uma panela. Mas se o anúncio publicitário acabasse aí, talvez não desse o entendimento es- perado, assim, a linguagem verbal é trazida para esclarecer: “pepino maluquinho, o mais levado da hortifruti”. Com isso, o entendimento se torna claro, pois há uma clara referência à obra de Ziraldo. Novamente, é preciso esclarecer que para aqueles que não sabem da existência da obra O Me- nino Maluquinho, não acontecerá o entendimento pleno. O leitor saberá que aquele estabelecimento vende pepino, mas terá perdido a beleza do anún- cio. Quando apela para a obra, o efeito esperado é o de sofisticação, de qualidade, de alegria, de versa- tilidade. Não é apenas um lugar onde se vende ver- duras e legumes, é mais que isso. Guimarães (2013, p. 126) comenta: O movimento do olhar que transita do visível ao nomeado e vice-versa reflete a estratégia fundamental do discurso da propaganda, ou seja, o intento de persuadir o leitor a crer na veridicção da imagem e, por conse- guinte, o despertar do desejo de com- pra do produto anunciado. Já verificamos que a publicidade utiliza com grande competência o hibridismo da linguagem, por isso, a atenção do leitor, quando se depara com um texto publicitário, é focar sua atenção para as duas linguagens. A imagem se apresenta num plano tão real a ponto de se acreditar que a imagem é a realidade. Por exemplo, a figura abaixo é de um peru as- sado. É comum olharmos para fotos de comida e 118 sentir vontade de comer, pois as imagens parecem ser a realidade. O discurso publicitário, como pode ser visto, é atraente e persuasivo, pois precisa alcançar um objetivo maior. Observe que há diferença entre propaganda e publicidade. A propaganda tem o intuito de promover a adesão; já a publicidade desperta o desejo de compra, de consumo. 119 Anotações:Vejamos aqui: PUBLICIDADE Fonte: WordPress.com. PROPAGANDA Fonte: Alex Camilo de Melo, in google. Publicidade e propaganda, embora sejam ter- mos usados como sinônimo, não são. Vejamos: 120 Anotações: Fonte: <Yuri Vasconcelos, in: https://super.abril.com. br/2017>. No campo das histórias em quadrinhos, a inte- ração entre imagem e palavra se dá na maioria das vezes, ainda que seja possível ter apenas a lingua- gem não verbal em alguns quadrinhos. A principal característica do quadrinho, sem dúvida, é a histó- ria contada, a narração. Por isso, os quadrinhos se organizam de maneira sequenciada através de ima- gens, palavras e balões. Fonte: Maurício de Sousa Produções. Os balões têm grande importância nas histó- rias em quadrinhos. É através deles que se sabe se a conversa e num tom normal, se está gritando, se está pensando. Propaganda é a atividade associada à divulgação de ideias (políticas, religiosas, partidárias, etc.) para influenciar um comportamento. Já publicidade, em sua essência, quer dizer tor- nar algo público. 121 Anotações: Fonte: <http://nerdseotomeuniverse.blogspot.com.br/>. Para garantir uma boa interpretação das his- tórias em quadrinhos, dois aspectos devem ser considerados: a narrativa e a união entre imagem e palavra. Analisar separadamente, para interpretar não é recomendado: Da mesma forma que cinema, tea- tro e outras mídias constituídas por elementos verbais e não verbais, as mensagens em quadrinhos só podem ser compreendidas como um todo – a separação dos universos da palavra e da imagem corre o risco de uma infor- mação incompleta e mesmo inconce- bível. A possibilidade da compreensão em totalidade explica-se até mesmo pela forma de composição narrativa, característica estrutural da história em quadrinhos. O contexto enuncia- tivo, pois, é reconhecido pelo leitor devido ao conjunto da obra. (GUIMA- RÃES, 2013, p. 128). 122 Anotações: Por outro lado, temos a charge como um gê- nero discursivo, em que se utiliza a caricatura como forma de ironizar, satirizar, criticar um fato da atua- lidade. A caricatura se caracteriza pelo exagero no traço mais marcante da personagem principal da charge. De modo geral, as charges ganham conota- ção política, mas é possível encontrar charges so- bre diversos assuntos. A charge faz uma espécie de crítica da crítica, o exagero das personagens já se manifesta como uma crítica, a forma como trata dos problemas so- ciais também canaliza uma crítica. Não é possível compreender o sentido de uma charge, sem consi- derar a crítica que está sendo feita. Fonte: blogderocha.com.br. Observe na questão abaixo, como a charge aparece como recurso de interpretação. Há o ele- mento verbal e o não verbal que se unem e devem ser interpretados em conjunto. O tema é o meio ambien- te e vai ser tratado como sátira. O leitor, portanto, deve ler a sátira e compreender a linguagem híbrida para obter sucesso ao responder. Questões como 123 essa são comuns nas provas e concursos, numa cla- ra demonstração de que a linguagem não verbal está presente em diversas situações acadêmicas. Quanto à fotografia, ela se apresenta como uma imagem do real, como uma cópia da realida- de. Cada foto corresponde a um período histórico e conta uma sequência de fatos, por exemplo: esti- lo de roupa, de cabelo, tipo de construção, organi- zação da cidade. Tudo isso é possível observar em uma única foto. Exemplo: Tirada em 1972 por Huynh Cong Ut, fotógrafo da agência Associated Press, esta imagem ganhou o Prêmio Pulitzer no ano seguinte e se transformou no símbolo da Guerra do Vietnã. Phan Thị Kim Phúc, a menina da foto, hoje é embaixadora da UNESCO aos 51 anos. Lemyr Martins foi autor de uma das fotos mais famosas do Rei Pelé, no ano de 1970, quando o Brasil foi campeão da Copa do Mundo de Futebol. 124 Anotações: A fotografia para ser interpretada precisa do conhecimento de mundo do leitor, para saber o tem- po e o espaço da foto; da sua sensibilidade para per- ceber o que se apresenta na fotografia. Para Barthes (1992, p.23-24), quando queremos saber o sentido de uma fotografia, devemos atentar a três fatores: • Perceptiva – quando calcada na analogia da foto com a realidade, o que se vê; • Cognitiva – quando depreendida a partir do conhecimento de mundo; • Ideológica – quando se associa a imagem a razões ou a valores culturais. Vejamos alguns exemplos: Perceptiva Fonte: Revista Pesquisa Fapesp. Fonte:<https://exame.abril.com.br/marketing/10-fotogra- fias-historicas-que-viraram-pecas-publicitarias/>. 125 Anotações:Cognitiva Fonte: Revista Bula. Ideológica Fonte: <https://exame.abril.com.br/>. Na primeira imagem, na perspectiva da per- cepção, temos troncos de árvores, 5 visíveis que remetem ao tema do desmatamento da floresta; na imagem seguinte, considerando a cognição, o conhecimento, somos levados ao filme “um sonho 126 de liberdade”; na última foto, pelo viés da análise ideológica, vamos compreender Gandhi como um grande líder pacifista, que usou o jejum como forma de protesto contra as injustiças sociais. Toda foto- grafia pode ser analisada nos três aspectos. Sendo assim, quanto mais conhecimento de mundo o lei- tor tem, mais fácil fica sua interpretação.Esta é uma questão do ENEM, 2008, na qual o centro da questão está em uma imagem, ou seja, linguagem não verbal. Neste caso, é preciso acionar o conhecimento de mundo, o conhecimento de história para que se possa analisar a imagem e responder o que se pergunta. É muito comum, em concursos, vestibulares a utilização da linguagem não verbal, por isso, a importância de estudar como proceder para interpretá-las. 127 U ni da de 4 Videoaula 1 Videoaula 3 Videoaula 2 Videoaula 4 131 COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL Para produzir um texto não basta colocar palavras em uma folha de papel, de qualquer jeito. É preciso ter união das palavras, conexão entre perío- dos, organização das ideias e sequência. Para o texto ser bem desenvolvido, há que unir os elementos gramaticais ao con- teúdo e estrutura, em outras palavras, não basta dominar o assunto e conhecer o tema. É comum ouvir dos alunos, por exemplo, “eu tenho todas as ideias, mas não sei colocar no papel”. Isto porque, faltam-lhes 132 conhecimentos, seja sobre a língua culta, o assunto, os diversos tipos de textos, regras da escrita como coesão, coerência, entre outros, para que expres- sem seus pensamentos através da escrita. Muitos alunos reclamam: “eu tenho todas as ideias, mas não sei colocar no papel”. Isto porque, faltam-lhes conhecimento de modo que possa expressar suas ideias através da escrita. Um dos elementos ne- cessários para um bom texto é o conhecimento dos elementos de coesão (que são também elementos gramaticais), sem eles, as ideias não ganham sen- tido na escrita, logo, não se transformam em texto. Fazendo uma analogia à costura de um tecido, por exemplo, tem-se que a funcionalidade da linha é de unir o tecido para formar a roupa. Assim tam- bém é no texto, a coesão é responsável por unir as palavras, as frases, as orações, os períodos, os pa- rágrafos para formar o texto. Os principais elementos de coesão se dão através de meca- nismos gramaticais, os princi- pais são: pronomes, preposição, conjunção, substantivos, adjetivos (sinônimo, antonomásia, hiperônimo, hipônimo, etc.), portanto, quando se tem conhecimento das funcionali- dades destas categorias, facilita a construção dos textos. Dessa forma, fica claro que só há texto se houver conectividade, coesão, sem isso, há bastante proba- bilidade de elaborar textos confusos, truncados, desorganizados e sem se- quência. 133 Anotações:A coesão é um elemento de fundamental im- portância na elaboração dos textos, independente da tipologia, pois, em grande parte, é através des- te recurso que o texto pode progredir e ter certa continuidade harmônica. Não se quer dizer que um texto sem elementos coesivos seja um texto sem sequência. É possível haver pequenos trechos sem que haja recursos coesivos e sejam plenamente in- teligíveis. Para esta etapa do estudo, a obra de Fáve- ro18 servirá como guia teórico. A autora (S. A, p. 13) destaca que a coesão textual depende de alguns elementos, como: referência, substituição, elipse, conjunção. Vejamos primeiramente como se dá a coesão por referência: 1) REFERÊNCIA — quando um signo linguístico se relaciona a um ser ou objeto extralinguístico. Po- de-se dividir em: ANÁFORA - anafórica: quando o item de re- ferência retoma um signo já expresso no texto. Quando um nome (seja próprio, comum, simples, derivado ou qualquer outro) é substituído por um referente (pronome, advérbio, numeral). Pode-se ainda dizer que primeiro temos o NOME, depois o REFERENTE. Vejamos os exemplos abaixo: O sonho de Teresa era ser cantora, mas ela ainda não conseguiu realizar esse desejo. NOME: Teresa REFERENTE (pronome): ela 18 FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e Coerência Textuais. Série Princípios. Ática. Versão digital distribuída por: http:// groups-beta.google.com/group/digitalsource. 134 Anotações: O rapaz ficou preocupado com os últimos acontecimentos. Ele sabia as consequências de um tsunami. NOME: rapaz REFERENTE (pronome): Ele Moro em Manaus grande parte da minha vida e, mesmo que haja problemas, posso afirmar que aqui eu sou feliz NOME: Manaus REFERENTE (advérbio): aqui Como pode ser observado, a anáfora é utili- zada para que não ocorra a repetição de palavras, uma vez que se substitui a palavra por um referen- te. Importante lembrar que a anáfora se dá sempre com o referente após o nome. Outro elemento coesivo também parte da RE- FERÊNCIA é a catáfora: CATÁFORA (catafórica): quando o item de re- ferência antecipa um signo ainda não expresso no texto. A catáfora é um processo inverso a anáfora. Primeiro temos o referente, depois temos o nome. Vejamos alguns exemplos para melhor com- preender: Ela saiu sem dizer nada, não se despediu e pa- recia estar preocupada. Lembro-me bem deste dia porque foi o dia em que minha mãe desapareceu. REFERENTE (pronome): Ela NOME: mãe 135 Anotações:Lá vivi bons momentos, brinquei, nadei, comi frutas tiradas do pé, fui criança e fui feliz. A casa da vovó me traz doces recordações. REFERENTE (advérbio): Lá NOME: casa da vovó Sintetizando, conseguimos coesão em um texto através do processo de referência utilizando a anáfora ou a catáfora. Estes recursos permitem um texto sem repetição de palavras, o que levará a um texto mais fluente, com maior progressão: Outra forma de obtermos a coesão é pelo pro- cesso de substituição: 2) SUBSTITUIÇÃO — colocação de um item no lugar de outro(s) ou até de uma oração inteira. Pode ser nominal (feita por meio de pronomes pessoais, numerais, indefinidos, nomes genéricos como coi- sa, gente, pessoa) e verbal (o verbo “fazer” é substi- tuto dos causativos, “ser” é o substituto existencial). A substituição se dá quando um componente é re- Coesão por REFERÊNCIA Anáfora Catáfora NOME primeiro, REFERENTE depois REFERENTE primeiro, NOME depois 136 Anotações: tomado ou precedido por uma proforma (elemento gramatical representante de uma categoria como, por exemplo, o nome; caracteriza-se por baixa den- sidade sêmica: traz as marcas do que substitui). Quando se fala em baixa densidade sêmica, está se afirmando que não há sinônimo perfeito, não há como fazer uma substituição de uma palavra por outra que tenha o mesmo significado. O máxi- mo que pode ocorrer é que haja uma aproximação, uma equivalência de sentido. A coesão por substituição se dá através de alguns elementos que são utilizados para a não re- petição da palavra, ou até mesmo uma repetição intencional. Vejamos como se divide a coesão por SUBSTITUIÇÃO: REITERAÇÃO (do latim reiterare = repetir) é a repetição de expressões no texto (os elementos repetidos têm a mesma referência). Faz-se a repe- tição do mesmo item lexical com o objetivo dar ên- fase ao elemento repetido. Neste caso, a repetição é intencional. Assim era a escola de minha infância: escola do castigo e da punição, escola do aprendizado e da descoberta. Água, sinônimo de vida; água do banho e da comida; água do lazer e da purificação; água salva- ção da vida humana na terra. Outra forma de coesão por substituição se dá através dos sinônimos, vejamos: SINÔNIMOS - A questão da sinonímia é extre- mamente complexa. Não existe sinonímia verdadei- ra, já que todos os elementos léxicos são, de algum modo, diferenciados e a língua não é um espelha- 137 mento simétrico do mundo. Não há sinônimo per- feitos. A sinonímia é feita considerando não apenas o significado da palavra, mas o seu sentido no tex- to. Substitui-se uma palavra por seu equivalente. O menino tagarelava sem parar, não parava quieto, parecia querer viver tudo em um só instan- te. Para a mãe, aquele garoto era a alegria da casa. Várias vezes fui àquela casa, era grande e ilu- minada; aconchegante, com um ar de tranquilida- de. Mesmo com o passar do tempo, ainda sinto que é o meu lar. Observe que casa e lar, neste exemplopodem ser considerados sinônimos, mas pode haver situa- ções em que esta substituição não seria possível. Outra forma de fazer coesão por substituição é uti- lizando hiperônimos e hipônimos: HIPERÔNIMOS E HIPÔNIMOS - Quando o pri- meiro elemento mantém com o segundo uma re- lação todo-parte, classe-elemento, tem-se um hi- perônimo; e, quando o primeiro elemento mantém com o segundo uma relação parte-todo, elemento- -classe, tem-se o hipônimo. Diferentemente dos hi- perônimos, os hipônimos permitem maior precisão, deixando o texto menos vago. Vejamos, como isso se dá na prática, existem elementos que são amplos e dentro deles vários ou- tros elementos estão relacionados. A palavra automóvel é o todo, é uma palavra ampla, de categoria maior; Enquanto que carro, moto, ônibus são palavras que fazem parte do todo – automóvel. Este recurso coesivo sempre vai aparecer aos pares, seja colocando hiperônimo na frente e o HIPERÔNIMO: nome de maior categoria – flor, eletrodoméstico, fruta, zona da cidade. HIPÔNIMO: nome de menor categoria – rosa, geladeira, banana, bairro. 138 Anotações: hipônimo depois, ou vice-versa. Importante saber que também é um recurso para não repetir as mes- mas palavras ao longo do texto. Muitos doces são produzidos na cidade de Ipi- xuna, mas a cocada é a especialidade. Doces – hiperônimo Cocada – hipônimo Doce abrange uma amplidão de outros ele- mentos, por isso é hiperônimo; cocada é apenas um tipo de doce, portanto é hipônimo. O tucano canta alegremente no alto das árvo- res, mas toda vez que esse pássaro canta, é sinal de que vai chover. Tucano – hipônimo Pássaro – hiperônimo Tucano está inserido em outro campo de pala- vra de maior significado, é um tipo de pássaro, por isso é hiperônimo; já pássaro é a palavra de maior categoria, hiperônimo. Ainda no processo de coesão por SUBSTITUI- ÇÃO, temos a Antonomásia ou Expressões nomi- nais definidas: ANTONOMÁSIA OU EXPRESSÕES NOMINAIS DEFINIDAS: Quando há retomadas (repetições) do mesmo fenômeno por formas diversas, esse tipo de reiteração se baseia no conhecimento do mundo do leitor e não num conhecimento somente linguís- tico. No exemplo. São apelidos, profissão, como a pessoa, objeto, lugar é conhecido, características próprias da pessoa ou lugar, nacionalidade, etc. 139 Vejamos alguns exemplos: Michael Jackson foi um cantor de grande sucesso nos anos 80, era um artista versátil, tan- to dançava quanto cantava, mas ainda hoje, o rei do pop tem grande prestígio no campo da música. Pena que o cantor não esteja mais entre nós, pois ainda tinha muito a contribuir no campo artístico. NOME: Michael Jackson. COMO É CONHECIDO (ANTONOMÁSIA): artista, rei do pop, cantor. Sabemos que Manaus viveu um período de grande desenvolvimento em algumas áreas na épo- ca da borracha. A Paris dos trópicos investiu em construção como o Teatro Amazonas que hoje é um dos cartões postais da cidade. NOME: Manaus. ANTONOMÁSIA COMO É CONHECIDA: Paris dos trópicos. Também podemos fazer a antonomásia com nomes de cidades, como é o caso de Manaus ou com nomes de times. Para efeito de síntese, podemos observar que a coesão por substituição se apresenta em 4 campos que podem até parecer-se, pois todos eles substituem um NOME por outro NOME, mas cada um deles tem especificidades próprias. Como mos- tra o esquema: Observe que para não repetir o nome Michael Jackson, utilizou-se um termo como é conhecido – rei do pop; duas características ligadas à profissão: artista e cantor. 140 Outro elemento de coesão é a Elipse: ELIPSE – se dá quando há uma omissão de um item lexical recuperável pelo contexto, ou seja, a substituição por zero (0). Pode ocorrer elipse de elementos nominais, verbais e oracionais. Neste caso, a coesão é feita pela omissão de uma palavra que já foi dita. O exemplo abaixo nos dá esta indicação: O jogador de futebol vivia um momento de grande tensão, pois se não fizesse um gol, poderia perder seu contrato. Durante a partida, *não mediu esforços para conseguir o que tanto queria: o gol. NOME: jogador OMISSÃO - ELE *Queria tanto falar com o professor e explicar o que aconteceu, pois *não quero que ele pense que eu sou irresponsável. OMISSÃO/EU PRONOME OMISSÃO/EU Coesão por SUBSTITUIÇÃO REITERAÇÃO SINÔNIMO HIPERÔNIMO/HIPÔNIMO SINÔNIMO Repetição da palavra com o objetivo de enfatizar, destacar, chamar atenção. Substituição de um NOME, por um NOME APROXIMADO. Substituição de um NOME de MAIOR CATEGORIA por um NOME DE MENOR CATEGORIA (vice-versa). Substituição de um NOME por APELIDO, PROFISSÃO, NACIONALIDADE, COMO É CONHECIDO. 141 Nós saímos cedo para pegar o barco, eles também* VERBO: saímos OMISÃO/SAÍRAM 3) COESÃO SEQUENCIAL: os mecanismos de coesão sequencial têm por objetivo fazer progredir o texto, fazer caminhar o fluxo informacional. Não há retomada de itens, sentenças ou estruturas. A coesão sequencial normalmente é feita através de conjunções, ligando termos, orações ou períodos, estabelecendo entre eles uma relação de sentido. Exemplos: Gosto de você. Não gosto do seu irmão – 2 períodos simples, sem conexão. Gosto de você, mas não gosto do seu irmão. Gosto de você e do seu irmão. Pode-se observar que a ideia é construída a partir do conectivo, por isso, conhecer o sentido que as trazem as conjunções é muito importante. Além disso, é possível perceber que ao utilizar as conjun- ções, o texto progride, e se amplia. Vejamos dois tipos de coesão sequencial: a se- quenciação temporal e a sequenciação por conexão: SEQUENCIAÇÃO TEMPORAL: quando obede- ce à sequencialização dos enunciados. Assim, a se- quenciação temporal pode ser obtida por: a) Ordenação linear dos elementos — orde- na-se na ordem cronológica dos fatos, como nos exemplos: Ideia de adversidade, de pensamento contrário ao primeiro pensamento estabelecido. Ideia de adição. 142 • Vim, vi e venci. • Acordou, tomou o café e saiu apressado. b) Expressões que assinalam a ordenação ou continuação das sequências temporais – a orde- nação se dá pelo encadeamento dos fatos e na se- quência de seus acontecimentos: • Primeiro vi os pássaros voando e os ani- mais correndo em direção à mata, depois vi uma grande onda que vinha em minha direção. • Trataremos agora dos elementos de coe- são e deixaremos para mais tarde a elabo- ração dos parágrafos. c) Partículas temporais: marcadores de tem- po que ficam expressos no texto. • Hoje é um dia muito importante, pois vou participar de um evento científico. • Deixarei para resolver tudo isso amanhã, quando tiver mais tempo. SEQUENCIAÇÃO POR CONEXÃO: conectar é unir, juntar. No texto, para haver sequência, é pre- ciso unir uma parte a outra, caso contrário, vamos ter apenas frases, não um texto. Por o exemplo: SEQUENCIAÇÃO TEMPORAL Ordenação Linear dos Elementos Ordenação Temporal Partícula Temporal Ordena-se na ordem cronológica dos fatos, como nos exemplos apresentados no texto. A ordenação se dá pelo encadeamento dos fatos, na sequência de seus acontecimentos. Partículas temporais: marcadores de tempo que ficam expressos no texto. 143 • Minha casa é bonita. Eu gosto dela. Todo dia fico feliz por que vou para lá. • Para mim, minha casa é bonita e eu gosto muito dela, por isso, todos os dias, fico fe- liz em voltar para ela. Para obter este tipo de coesão, utilizam-se os elementos conjuntivos que são: advérbios e lo- cuções adverbiais; conjunções coordenativas e subordinativas; locuções conjuntivas, preposições e locuções prepositivas; itens continuativos como então, daí etc. É importante destacar que para se obter a coesão, é importante a escolha de conec- tivo adequado para expressar asdiversas relações semânticas; (p. 14) → Separamos alguns termos responsáveis pela coesão sequencial nos textos: ADIÇÃO/INCLUSÃO Além disso; também; vale lembrar; pois; outrossim; agora; de modo geral; por iguais razões; inclusive; até; é certo que; é inegável; em outras palavras; além desse fator. OPOSIÇÃO Embora; não obstante; entretanto; mas; no entanto; porém; ao contrário; diferentemente; por outro lado... AFIRMAÇÃO/IGUALDADE Felizmente; infelizmente; obviamente; na verdade; realmente; de igual forma; do mesmo modo que; nesse sentido; semelhantemente. EXCLUSÃO Somente; só; sequer; senão; exceto; excluindo; tão somente; apenas... ENUMERAÇÃO Em primeiro lugar; a princípio. EXPLICAÇÃO Como se nota; com efeito; como vimos; portanto; pois; é óbvio que; isto é; por exemplo; a saber; de fato; aliás... CONCLUSÃO Em suma; por conseguinte; em última análise; por fim; concluindo; finalmente; por tudo isso; em síntese, posto isso; assim; consequentemente. CONTINUAÇÃO Em seguida; depois; no geral; em termos gerais; por sua vez; outrossim. 144 Anotações: 4.1 COERÊNCIA A coerência textual tem relação direta com o sentido do texto. É comum os alunos afirmarem que coerência é quando tem lógica, ou seja, o texto deve ter uma significação correta, sem contradi- ção, sem afirmações falsas, sem duplo sentido. A coerência pode ser compreendida como um processo contínuo de sentidos, fazendo com que o texto tenha interpretabilidade. De acordo com Mar- cuschi (1986), a base da coerência é a continuidade de sentidos em meio ao conhecimento ativado pe- las ideias do texto. Já Platão e Fiorin19, (1998, p. 397) apresentam diferentes níveis de coerência: • Numa narrativa, as ações acontecem num tempo sucessivo, de forma que o que é posterior depende do que é anterior. 19 FIORIN, J. L. e PLATÃO, F. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1998. COERÊNCIA NARRATIVA COERÊNCIA ARGUMENTATIVA COERÊNCIA Quando as implicações lógicas entre as partes da narrativa são respeitadas. Relações de implicação ou de adequação entre pressupostos ou afirmações explícitas no texto e as conclusões decorrentes destes. 145 • Alguns raciocínios lógicos se prestam como exemplos de incoerência argumen- tativa, tais como: Toda cidade tem pobres. João Pessoa tem pobres. Logo, João Pes- soa é uma cidade. Existe nesta afirmação uma inadequação, entre as “premissas” e a conclusão, pois pode haver pobres em lu- gares que não são cidades ou vice-versa. Temos ainda a coerência espacial e a figurati- va, apresentadas a seguir: • Ao se fazer um texto descritivo, ou narra- tivo, há que o espaço necessário para ter determinada visão, porque se o espaço é muito distante, se o personagem não está posicionado de frente, há aspectos que não poderão ser vistos e isso deve ser considerado na escrita do texto. • As figuras devem ser estabelecidas de acordo com o tema. Por exemplo, há COERÊNCIA COERÊNCIA ESPACIAL COERÊNCIA FIGURATIVA Diz respeito à compatibilidade entre os enunciados do ponto de vista de localização no espaço. Quando há uma compatibilidade entre temas e figuras ou de figuras entre si. As figuras se encadeiam num percurso, para manifestar um determinado tema, por isso, têm que ser compatíveis umas com as outras, senão o leitor não percebe o tema que se deseja veicular. 146 figuras esperadas quando se trata de pescaria: canoa, anzol, peixe, rio, isca, pescador, etc. Temos também a coerência do nível de lingua- gem e temporal, como observamos abaixo: • Incoerente, pois, usar expressões chulas ou de linguagem informal num texto ca- racterizado pela norma culta formal. A não ser em textos, cujo gênero seja permitido tal uso. • As ações temporais devem ser sequen- ciadas numa temporalidade compatível, de modo que seja possível ao leitor acom- panhar essa sequência temporal. Caso contrário, efetiva-se uma subversão na sucessividade dos eventos, ocasionando a incoerência. • Não se deve dizer, por exemplo, “acordei cedo, hoje, às dez horas. Fui ao trabalho, vesti a roupa, tomei banho e fui caminhar, depois do almoço...” COERÊNCIA NÍVEL DA LINGUAGEM COERÊNCIA TEMPORAL COERÊNCIA Compatibilidade do ponto de vista da variante linguística escolhida, em nível do léxico e da organização sintática utilizada no texto. Respeita as leis da sucessividade dos eventos ou apresenta uma compatibilidade entre os enunciados do texto, do ponto de vista da localização no tempo. 147 4.2 TIPOS DE PARÁGRAFOS DISSERTATIVOS Quando nos colocamos na condição de es- critores, de modo geral, temos consciência de que parágrafos construídos que vão se unir para formar um texto. Ter isso em mente é fundamental porque então sabemos que o texto é uma construção de partes que formam um todo. Por isso, nesta primeira parte da produção tex- tual, vamos estudar a construção dos parágrafos. Como esta disciplina pretende servir de instrumento para uma vida acadêmica mais consistente, vamos estudar apenas a composição do texto dissertativo. Apesar de haver técnicas de elaboração de parágrafos dissertativos, não há receitas prontas. O segredo é prática: aprende-se a escrever, escre- vendo. Quanto mais dedicação a esta atividade, ha- verá mais terá segurança ao escrever um texto. Primeiro, vamos compreender o que é um PARÁGRAFO20: “uma unidade de composição constituída por um ou mais períodos, em que se desenvolve deter- minada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela” (GAR- CIA, p. 220). Vejamos como este conceito é aplicado na prática: Observe que na introdução do texto há a exposição da ideia principal, também conhecida como: ideia- núcleo, tese, ponto de vista, ideia central. Para provar, comprovar, discutir a ideia central, será necessário construir parágrafos de argumentação com ideias secundárias. Após isso, o parágrafo de fechamento, denominado de conclusão. 20 Algumas informações foram retiradas do material de: COR- REIA, Andreza. Português Instrumental. 2013. 148 Para ampliar o entendimento a respeito do que é um parágrafo, é importante conhecer algumas es- pecificidades: • A mudança de linha e o afastamento da margem esquerda servem como indica- dores de onde começa e onde termina um parágrafo. • O texto é um conjunto de parágrafos. • O parágrafo serve para dividir o texto: como já vimos no organograma, cada pa- rágrafo apresenta uma ideia nova ligada à ideia principal. • O uso adequado do parágrafo possibilita a compreensão do texto, pois cada ideia po- derá ser expressa e desenvolvida em cada parágrafo. • Parágrafo não tem tamanho. Sua exten- são depende de como será feita a abor- dagem (GARCIA, 2013). Certamente que deve haver uma organização lógica, um planejamento para que haja harmonia no IDEIA PRINCIPAL ponto de vista Ideia secundária ARGUMENTO 1 Ideia secundária ARGUMENTO 2 Ideia secundária ARGUMENTO 3 A educação é o caminho para o desenvolvimento de um país; Todos os países desenvolvidos têm boa educação em todos os níveis; As condições sociais e financeiras de quem alcança o ensino superior melhora para ele e sua família; Somente os países com educação desenvolvida conseguem produzir tecnologia. 149 parágrafo e não tenha grande diferença na quantidade de linhas de um parágrafo para outro. Observe que estamos tratando da composi- ção do parágrafo, ou seja, uma unidade menor que o texto, mas este se comporta com uma estrutura de introdução, desenvolvimento e conclusão, como demonstra o exemplo abaixo: Tema: desenvolvimento. Delimitação: o desenvolvimento tecnológico X o desenvolvimento humano. Ponto de vista: o ser humano ainda age como animal irracional. Tema: educação. Delimitação: educação e cultura. Ponto de vista: a educação só consegue mu- danças efetivas se ampliar o capital cultural do aluno. Apesar do desenvolvimento tecnológico avança-do, o homem ainda age como um animal irracio- nal. Frase-núcleo Não é raro vermos homens brigando entre si por questões supérflluas; pessoas morrendo de fome sem receber auxílio; guerras; solidão; des- respeito gratuíto. Desenvolvimento O desenvolvimento tecnológico não melhorou o ser humano, por isso ainda somos atrasados. Fechamento do parágrafo Frase núcleo - uma frase como: tema + delimitação do tema + ponto de vista. 150 Vimos até aqui, o que é o parágrafo e como ele se organiza, mas há outros elementos que são fun- damentais para uma boa escrita: a parte gramatical - acentuação, regência, concordância, ortografia etc. e a elaboração de parágrafos sem lógica, sem concatenação, sem coesão. Fique atento para: • Utilizar corretamente as normas gramati- cais vigentes; • Não elaborar o parágrafo de qualquer jeito: sem sequência, sem pontuação, sem os conectivos adequados, sem organização. Antes de iniciar o texto, ao escrevendo o pri- meiro parágrafo, a introdução, deve-se refletir bem a respeito do tema (assunto sobre o qual será tra- tado no texto), pois é a partir dele que se define a ideia central e as ideias secundárias. É bom fazer um esquema antes de iniciar o texto, para colocar todas as ideias, assim como o conhecimento. O parágrafo dissertativo se divide em três ca- tegorias: introdução, argumentação e conclusão. A educação sozinha não consegue mudanças efetivas, é necessário ampliar o capital cultural dos alunos. Frase-núcleo Acesso a livros, cinema, teatro, múscia, shows, dentre outros eventos culturais solidificam o que é aprendido na escola e faz com estes con- teúdos tenham sentido. Desenvolvimento Se aliarmos escola e cultura de forma adequada, os alunos conseguirão uma formação acadêmi- ca sólida. Fechamento do parágrafo 151 Estas três etapas estão divididas e têm funções específicas, porém, mantêm uma relação de modo que não sejam parágrafos isolados, mas um texto. Abaixo, a especificidade de cada parágrafo que compõe o texto dissertativo: Analisando cada parágrafo separadamente, podemos ter clareza de como elaborar cada pará- grafo de forma consistente e correta. A introdução é a apresentação do texto, momento em que se in- forma o tema, de modo geral, sua delimitação e o ponto de vista – ideia principal. Fome no Brasil Tema: Fome Delimitação: fome no Brasil Ponto de vista – ideia principal: a fome no Bra- sil é causada por conta da má distribuição de renda A partir desta esquematização é que se cons- tituem os argumentos. Por isso, elaborar um es- • Tema • Delimitação • Ponto de vista • (ideia princiapal defendida no texto) • Comprovação do ponto de vista (ideia principal defendida no texto) • Ideias secundárias para defender a ideia principal • Síntese do texto • Apresenta proposta 152 Anotações: quema do texto antes de começar faz a diferença porque já se tem um esboço do que será abordado em cada parágrafo. Esta organização antes da ela- boração do texto é fundamental para o sucesso da produção. Não importa o tipo de texto, seja um rela- tório, um resumo ou qualquer outro texto, o impor- tante é planejar, organizar as ideias antes de iniciar a escritura do texto. Há nos manuais de redação, uma série de técnicas para se utilizar como possibilidade para a construção dos parágrafos dissertativos. Nos ma- nuais, há uma divisão entre técnicas para a intro- dução e técnicas para a argumentação. Neste ma- terial, considerando que qualquer técnica pode ser utilizada tanto na introdução quanto na argumenta- ção, vamos conhecer as técnicas na sua totalidade. Certamente, precisamos ter em mente o objetivo do parágrafo para poder aplicar a técnica, pois se o parágrafo é de introdução, o objetivo é apresentar o tema, a delimitação e o ponto de vista; se é um parágrafo de argumentação, o objetivo é apresen- tar comprovação do ponto de vista. Assim, vamos conhecer as técnicas que po- dem ser utilizadas na composição do parágrafo dis- sertativo: TRAJETÓRIA HISTÓRICA Apresentam-se elementos do passado e do presente, que sejam similares, que tenham algu- ma semelhança. Só é possível fazer uma trajetória histórica se houver fato no passado que possa ser 153 Anotações:comparado, de alguma maneira, a outro no pre- sente. A trajetória histórica deixa o texto com mais sofisticação e mais confiável, pois a história é fato concretizado. Esta técnica só deve ser utilizada quando houver conhecimento que legitime a fonte histórica. Sem isso, corre-se o risco de utilizar in- formação falsa e prejudicar o conteúdo do texto. Vejamos um exemplo21: De 1909 a 2002, foram construídas 140 escolas técnicas no Brasil. De 2003 a 2010, houve a entrega de 214 escolas pelo Ministério da Educação (MEC), conforme previa o plano de expansão da Rede Fede- ral de Educação Profissional, além da federalização de outras escolas em todo território nacional. Até 2012, o país contava com 354 unidades e mais de 400 mil vagas em todo país. A previsão é de ampliação de mais de 208 novas escolas para serem entregues até 2014, que somarão 562 unidades, gerando, aproxi- madamente, 600 mil vagas (LOPES, 2013). COMPARAÇÃO SOCIAL, GEOGRÁFICA OU HISTORICAMENTE A comparação se dá através de similaridade ou diferença. Pode-se comparar dois países, dois fatos, duas personagens, enfim, comparar dois ele- 21 Exemplo retirado do artigo científico de: LOPES, Chris- tiani Bortoloto; BORTOLOTO, Claudimara Cassoli; ALMEIDA, Shiderlene Vieira de. O Ensino Médio: trajetória histórica e a dualidade educacional presente nas diferentes refor- mas. In: PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 34, n. 2, p. 555-581, maio/ago. 2016 http://www.perspectiva.ufsc.br. Acesso em 02/02/2019. 154 Anotações: mentos, para comprovar o tema. Observe o exem- plo22 em que se compara idosos que vivem em insti- tuições e idosos que vivem em comunidades: O idoso institucionalizado fica impedido de gerir seus bens, tem restringida a liberdade de ad- ministrar seu tempo; seu espaço; relações sociais, e de tomar decisões. No contexto da instituciona- lização ocorrem perdas de referências; do senti- mento de pertença, e a vontade individual fica sub- metida às decisões administrativas da instituição, podendo conduzir a apatia, passividade, alienação e anulação de identidade – portanto, à diminuição da percepção de controle. Além disso, observa- -se que muitos idosos institucionalizados já são bem idosos, possuem saúde deteriorada, situação econômico-financeira precária e apresentam história de abandono ou descaso por parte dos familiares, quadro que os predispõe a baixa percepção de controle. Diferentemente dos idosos institucionalizados, os idosos da comunidade têm mais possibilidade de exercer o poder de comando sobre suas próprias vidas, tomar decisões, fazer escolhas – enfim, possuem mais liberdade para exercer controle sobre o ambiente em que vivem. CONCEITUANDO OU DEFININDO UMA IDEIA OU SITUAÇÃO Ao tratar de alguns temas na elaboração dos textos, surgem palavras-chave de extrema importân- cia e que merecem ser conceituadas para um melhor entendimento do leitor. Nesses casos, pode-se fazer a definição dessa palavra e continuar o parágrafo com 155 Anotações: 22 KHOURY, Hilma Tereza Tôrres; SÁ-NEVES, Ângela Carina. Percepção de controle e qualidade de vida: comparação en- tre idosos institucionalizados e não institucionalizados. IN: Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, 2014; 17(3):553- 565. http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v17n3/1809-9823-rb- gg-17-03-00553.pdf. as informações necessárias. Não se trata de concei- tuar somente, como demonstra o exemplo22: A qualidade de vida na velhice é fortemente determinada pela manutenção da capacidade fun- cional – independência e autonomia. Autonomia se caracteriza pela habilidade de tomar decisões e controlar a própria vida. Independência é a capa- cidade para executar as atividades de vida diária. Manter a capacidade funcional – critério atual de velhicesaudável – não depende apenas de fatores orgânicos. Fatores psicológicos, como as crenças de auto eficácia e a percepção de controle, desem- penham papel fundamental na manutenção da saú- de e independência na velhice e estão associadas a qualidade de vida, bem-estar ou satisfação com a vida. (KHOURY; SÁ-NEVES, 2014) ENUMERAÇÃO Um tipo de parágrafo muito consistente é o que utiliza a técnica da enumeração. Significa es- tabelecer uma contagem dos elementos relaciona- dos ao tema geral. É um tipo de parágrafo que têm marcadores próprios como: primeiro, segundo, ter- ceiro; um primeiro aspecto, além disso, outro fator; em primeira análise, também pode-se destacar, fi- nalmente. Observe o exemplo abaixo: O novo decreto não foi desprovido de mobili- zação e foi perpassado por diversos interesses. In- 156 Anotações: clusive, houve três propostas anteriores, que dis- putavam a sua efetivação e fomentavam o debate em torno do mesmo. A primeira, ancorada na LDB de 1996, defendia a ideia de revogação do Decreto nº 2.208/1997, bem como o fortalecimento da or- ganização do Ensino Médio. No mais, criticava a continuidade de mudanças oriundas de decretos estabelecidos pelo governo, com reprodução de método impositivo anterior. A segunda proposta defendia a manutenção do atual decreto e propu- nha apenas mínimas alterações. A terceira posição, por sua vez, partilhava da ideia da revogação do de- creto, defendendo a promulgação de um novo. Es- ses documentos ofereceram sugestões de supres- são, melhoria e acréscimo para o novo Decreto nº 5.154/2004 (BRASIL, 2004) (LOPES, BARTOLO, AL- MEIDA, 2016). CONTESTANDO UMA IDEIA OU CITAÇÃO, CONTRADIZENDO, EM PARTES Quando o tema apresenta uma ideia com a qual não se concorda inteiramente, pode-se con- cordar com o tema, em partes, ou seja, afirmar que a ideia do tema é verdadeira, mas que há controvér- sias; logo, cabe discutir o assunto evidenciando a questão polêmica relacionada a ele. No exemplo23 abaixo, a autora contradiz a ideia de que a cidade de Brasília é apenas a beleza de uma cidade planejada por um grande arquiteto: 23 ALVES, Lara Moreira. A construção de Brasília: uma con- tradição entre utopia e realidade. In: https://cpdoc.fgv.br/ sites/default/files/brasilia/arquivos/LaraALVES-Aconstru- caodeBrasilia.pdf 157 Anotações:No Núcleo Bandeirante, por exemplo, conhe- cida como a cidade pioneira ou cidade livre – que serviu de ponto de apoio à epopeia da construção da nova capital e abrigava engenheiros, arquitetos, técnicos e trabalhadores braçais, em seus hotéis e casas feitos de madeira, cujas construções se transformaram em alvenaria – vivem, hoje, operá- rios que não conseguiram manter as condições de vida que o Plano Piloto fixara. Assim, constatamos que Brasília subverteu as teorias modernas nas quais seu plano foi baseado. Foi, realmente, o cair das utopias, o fim do sonho diante da dura realida- de social, apesar de todas as fantasias gestadas durante a década da utopia (1954-1964), marcada pela morte de Getúlio Vargas e pela busca de um novo centro: progressista, modernista, grandioso e irreal. [...] Diante destas considerações, a cida- de nova engendra um paradoxo: sobre um intenso horizonte, foi construído um dos maiores conjuntos arquitetônicos modernistas do mundo, encravado no centro de um país, e no seu entorno vivem pes- soas em condições de vida abaixo da linha estipula- da pela ONU. REFUTANDO O TEMA, CONTRADIZENDO TOTALMENTE Refutar significa rebater os argumentos; contestar as asserções; não concordar com algo; reprovar; ser contrário a algo; contrariar com pro- vas; desmentir; negar. Isso pode se dar com temas em o senso comum é tratado como verdade, mas as análises mais aprofundadas vão mostrar o con- trário. Esse tipo de parágrafo é uma forma de você 158 Anotações: demonstrar independência e ser autor do seu texto, não apenas um reprodutor de ideias. Por exemplo, a globalização é fato presente da pós-modernidade e se apresenta como posi- tiva para todas as nações, porém o efeito é extre- mamente negativo. Modificaram-se as questões éticas, o respeito à diversidade e aos direitos dos cidadãos. Somente os mais ricos se beneficiam enquanto metade da população mundial está na miséria. Longe do progresso anunciado pela glo- balização, temos mais fome, mais violência, mais exclusão, mais desemprego, mais concentração de rendas, mais insegurança. ELABORANDO UMA SÉRIE DE INTERROGAÇÕES Uma forma de construir o parágrafo é fazer uma série de perguntas, porém alguns cuidados são necessários: não fazer muitas perguntas, em torno de 3; todas as perguntas devem ser respondidas, se forem feitas na introdução, serão respondidas na argumentação, se forem feitas na argumentação, deverão ser respondidas em seguida. Em textos curtos (30 linhas) não se orienta mais que 2 pergun- tas. Outro cuidado é a qualidade da pergunta para não ser um questionamento ingênuo, vazio. Obser- ve o exemplo abaixo: Esse tipo de contexto institucional poderia afetar negativamente a qualidade de vida dos idosos abrigados. Assim, pergunta-se, como se apresentam as percepções de controle e de qualidade de vida en- tre idosos institucionalizados? Haveria relação entre Percepção de controle e qualidade de vida no con- texto institucional? Haveria diferença com relação 159 Anotações:a estas questões, comparando-se com idosos que vivem na comunidade? (KHOURY; SÁ-NEVES, 2014). CARACTERIZANDO ESPAÇOS OU ASPECTOS 24A descrição de espaços ou de tempos, ou ainda com uma narração de fatos pode ser um tipo de parágrafo utilizado no texto dissertativo. Não é necessário fazer uma descrição ou narração longa para que não perca seu caráter dissertativo. Obser- va-se a descrição utilizada em um artigo científico: A visualidade monumental de Brasília cons- trói-se por paralelismo e ortogonalismo, em com- posições de volumes estanques, cuja percepção é favorecida por grandes distâncias. A monumenta- lidade brasiliense está presente, por exemplo, na Praça dos Três Poderes, na Catedral, na Esplanada dos Ministérios e em outros prédios governamen- tais. Localizada na escala coletiva ou monumen- tal, no centro de Brasília, a Praça dos Três Poderes é simbolicamente desenhada como um triângulo equilátero, em cujos vértices situam-se os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Procurou-se de- pois a adaptação à topografia local, à melhor orien- tação, arqueando-se um dos eixos a fim de contê-lo na forma triangular que define a área urbanizada. Idealizado por Lúcio Costa, esse triângulo é perce- bido quando se estabelecem, virtualmente, retas de ligação entre os edifícios, tendo como ponto 24 ALVES, Lara Moreira. A construção de Brasília: uma con- tradição entre utopia e realidade. In: https://cpdoc.fgv.br/ sites/default/files/brasilia/arquivos/LaraALVES-Aconstru- caodeBrasilia.pdf 160 Anotações: focal o Congresso Nacional. Sua monumentalidade constrói-se por simetria, na qual a verticalidade do Congresso Nacional se torna um eixo de referência entre o Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal. (ALVES) RESUMO DO QUE SERÁ APRESENTADO NO DESENVOLVIMENTO Uma das maneiras mais fáceis de se elaborar a introdução é apresentar o resumo do que se vai dis- cutir no desenvolvimento. Para isso, a redação já deve estar toda planejada, pois serão apresentados um es- quema do texto como um todo. Deve-se ter cuidado para não apresentar pontos que não serão discutidos posteriormente no texto. Trouxemos como exemplo25 um trecho de um trabalho científico: Neste trabalho, objetivamos investigar se os ditados populares podem ser tratados dentro das teorias da semântica e da pragmática da mesma forma que as expressões metafóricas. Assim, apre- sentamos um breve panorama dos pressupostos teóricos e dos tratamentos dispensados à metáfora pela semântica e pela pragmática, com o objetivo de verificar a nossa hipótese. Além disso, apresen- tamos uma pequena caracterização do que sãoos ditados populares e quais são as suas diferenças mais aparentes das expressões idiomáticas. Ao final, apresentamos a semântica dinâmica como uma terceira via para o tratamento desse fenômeno e uma breve análise dessas expressões dentro de 25 LEGROSKI, Marina Chiara. Quem não tem cão, caça com gato: Uma tentativa de tratamento dos ditados populares na Semântica Dinâmica. Curitiba, 2011. In: https://acer- vodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/25479/Disserta- cao_Marina_FINAL.pdf?sequence=1 161 Anotações:duas teorias dinâmicas. HIPÓTESE Apresentar hipótese é se colocar um passo à frente do problema e criar hipóteses sobre o assun- to, que tanto podem ser positiva quanto negativas. E afirmar como o tema vai se apresentar no futu- ro a partir das hipóteses. Vejamos como o exemplo apresenta um a hipótese de que não haverá desen- volvimento sem investir em educação: Enquanto o país não investir em educação de qualidade em todos os níveis e para todas as classes sociais, vai continuar subdesenvolvido, sem conse- guir melhorar as condições econômicas e sociais, pois somente a educação pode trazer avanço e pro- gresso. Embora seja um investimento a longo prazo, nenhum país alcançou o desenvolvimento sem ter feito sérios investimentos no campo da educação BILATERALIDADE Trabalhar com a bilateralidade é apresentar aspectos positivos e aspectos negativos, pontos favoráveis e pontos desfavoráveis do argumento. É trabalhar com os “prós e contras”, sem dar ênfase a apenas um deles. Procure trabalhar com apenas dois parágrafos no desenvolvimento: um com os aspectos favoráveis; outro com os desfavoráveis. De um lado, compreende-se a televisão como responsável por noticiar informações fidedignas e esclarecedoras sobre questões de interesse públi- co, com função de informar o fato de forma mais neutra possível. De outro lado, ela se apresenta claramente em favor dos interesses políticos e 162 Anotações: econômicos dos mais favorecidos, desestimula o pensamento crítico e concentra-se nas questões sensacionalistas, o que proporciona uma fuga da realidade social. CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS Trabalhar com causas e consequências é apre- sentar o motivo, o porquê, a causa do fato; em segui- da apresentar o que vai acontecer, como vai ficar a situação por conta do fato. Veja o exemplo a seguir: Imbuídos de uma ideologia de formação de ca- pital humano, para o empresariado, os trabalhadores teriam os ganhos provenientes de sua qualificação, que seriam imediatamente absorvidos por ele mes- mo e pelo setor patronal. Essa era a justificativa para atribuir ao próprio trabalhador a responsabilidade por sua formação, sendo ele o seu principal financia- dor. A consequência imediata desse posicionamen- to foi o aumento da privatização da educação profis- sional brasileira (OLIVEIRA, 2011). EXEMPLIFICAÇÃO A exemplificação é a maneira fácil de se de- senvolver um parágrafo da dissertação. Devem-se apresentar exemplos concretos, que sejam impor- tantes para a sociedade. Argumente sobre perso- nagens históricas, artísticas, políticas, sobre fatos históricos, culturais, sociais importantes. Em uma sociedade muito violenta, veicula-se a ideia de fazer justiça com as próprias mãos. Mui- tos afirmam que se fez algo errado precisa pagar e não importa como, porém, é preciso considerar a 163 Anotações:máxima da justiça: “todos são inocentes até que se prove o contrário”. Assim, não podemos nós mes- mos julgar, condenar e aplicar a pena porque acha- mos que alguém é culpado, como foi o caso de Fa- biane Maria de Jesus, espancada e morta em São Paulo, ao ser confundida com uma suposta seques- tradora de crianças que praticava rituais de magia negra. Esse é um exemplo de que a justiça deve ser feita de forma correta se não quisermos viver em um faroeste. DADOS ESTATÍSTICOS Neste tipo de argumento, a comprovação é feita com base em dados concretos que são apre- sentados. Normalmente, são porcentagens esta- tísticas do fato em questão. É um argumento bem consistente, deve-se apenas ter cuidado para que as fontes sejam seguras e confiáveis. Outro fator que pode afetar a percepção de controle nas instituições é o espaço pessoal dis- ponível. Os idosos institucionalizados geralmente compartilham o quarto com outros idosos. No pre- sente estudo, mais de 60% dos residentes em ILPIs não tinham um quarto individual, contra apenas 18% dos que viviam na comunidade. A elevada densida- de social do ambiente de moradia é desfavorável à percepção de controle, uma vez que a privacidade fica comprometida. Isso é especialmente impor- tante no caso do idoso institucionalizado, onde o único espaço realmente dele seria o próprio quarto (KHOURY; SÁ-NEVES, 2014). 164 Anotações: CITAÇÃO Este é um parágrafo consistente e de grande so- fisticação, posto que um autor de renome, com com- petência no assunto será introduzido no texto para validar as ideias discutidas. Não basta fazer a citação, é preciso discutir as ideias. Apenas autores com auto- ridade no assunto podem ser inseridos no texto. O Brasil ainda passa fome. Fato real e lamentá- vel em um país com grande produção de alimentos. João Cabral de Melo Neto em sua obra Morte e Vida Severina chama atenção para este problema: “somos muitos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte Severina, [...] de velhi- ce, antes dos trinta; de emboscada antes dos vinte e de fome, um pouco por dia”. Como vivemos em um país desigual, há muitas pessoas no topo d pirâmi- de econômica, enquanto muitos sequer conseguem uma alimentação diária. Sem resolver a questão da fome, não há como desenvolver o país. 4.3 TEXTO DISSERTATIVO: RECONHECER E PRODUZIR A escrita não pode ser vista, assim como a leitura, como uma mágica ou como um dom, que uns têm e outros não. Escrever é um processo in- dividual, depende da construção social, do conhe- cimento de mundo, do repertório que se construiu. Principalmente, a escrita é um processo, se apren- de a fazer fazendo, a cada dia. Escrever é também um processo interpes- soal, dialógico porque escrevemos a partir do que outros já escreveram, escrevemos para que outros leiam. Estas são preocupações importantes: quem 165 Anotações:eu tomo como base para escrever e para quem es- crevo, com qual objetivo. Ainda mais, quando escrevo, preciso ter em mente: • Quem eu sou; • Para quem estou escrevendo; • Qual o objetivo; • Estes três aspectos vão definir: • Linguagem; • Nível de formalidade; • Tipo de texto; • Forma como vai ser escrito. Certamente, uma carta para o presidente da empresa não será escrita da mesma forma que uma carta para alguém próximo, como sua mãe, por exem- plo. Este aspecto parece sem importância, mas defi- ne o tipo de texto, a linguagem, o nível de formalida- de que você vai utilizar e deve ser pensado antes de iniciar a produção do texto. Os textos que produzimos são resultado de escolhas feitas previamente consi- derando os aspectos mencionados e as condições históricas vividas pelo escritor, pois o vocabulário, as expressões, a sintaxe se alteram com o passar do tempo. Para escrever um bom texto, podemos dividir sua produção em três partes igualmente importantes: Pré-textual TRÊS ETAPAS PARA A PRODUÇÃO TEXTUAL Textual Pós-textual 166 Na etapa pré-textual, o escritor precisa plane- jar seu texto e organizar todos os aspectos relacio- nados ao que vai escrever: • Tema e sua delimitação; • Ponto de vista – ideia principal do texto; • Quais argumentos – conteúdo – ideias se- cundárias; • Quais técnicas – dados estatísticos, traje- tória histórica, enumeração etc.; • Linguagem adequada ao texto; • Como vai estruturar o texto; • Quem eu sou, para quem escrevo, qual o objetivo. Observe os aspectos sobre os quais você precisa planejar antes de iniciar o texto propriamente dito: PLANEJAMENTO TEMA PONTO DE VISTA ARGUMENTAÇÃO CONCLUSÃO delimitar verificar as informações ideia principal do texto técnicas conteúdosíntese proposta enumeração citação histórica 167 Anotações:Na etapa textual, o escritor escreve o texto de acordo com o que planejou. Na etapa pré-tex- tual, apenas fez um esquema, já na etapa textual, desenvolve o texto. Se a etapa anterior for bem de- senvolvida, o escritor terá facilidade na escrita do texto. Sua atenção será para utilizar o vocabulário adequado e os elementos de coesão corretos. Nesta etapa vai compor o texto de acordo com o que foi esquematizado. É imprescindível ter conhecimento sobre o assunto, estabelecer rela- ção de coesão dentro dos parágrafos e conectar um parágrafo ao outro. O vocabulário também deve estar de acordo com o nível do texto escrito, em se tratando de texto dissertativo, a linguagem é sem- pre técnica, gramaticalmente correta e vocabulário adequado. Evite termos coloquiais como: pra, coi- sa, algo, tipo assim, só que, a gente, dentre outros. Na etapa pós-textual, o escritor relê o texto e faz as correções: Na etapa pós-textual o escritor vai reler o texto e fazer as correções: Vocabulário; Aspectos gramaticais; Conteúdo – se está tudo certo; Coesão – se há repetição de palavras, se há sequências longas sem conectivos. 168 Como já visto, temos texto dissertativo-expo- sitivo e dissertativo-argumentativo e ainda os dois juntos. Este tipo de texto serve para toda e qual- quer comunicação acadêmica: responder a uma pergunta na prova, fazer um resumo, uma resenha, uma análise crítica, um artigo científico, uma mo- nografia, um artigo de opinião, etc. Quanto à estrutura do texto dissertativo, temos: Mesmo quando o texto for pequeno, por exem- plo, para responder a uma questão na prova, esta estrutura pode ser mantida e certamente vai ga- rantir melhor entendimento por parte do leitor. Por isso é importante escrever constantemente para ir internalizando a estrutura do texto e internalizar o procediemento de modo que se torne tarefa mais fácil de ser executada. Observe, no texto abaixo, como estas três partes estão organizadas: TEXTO DISSERTATIVO INTRODUÇÃO DESENVOLVIMENTO CONCLUSÃO Parte do texto que apresenta a proposição, a tese, a ideia central (ponto de vista central) a ser desenvolvida. Consiste na argumentação, no desenrolar da ideia central apresentada. Parte final da produção escrita, em que reafirmamos o nosso ponto de vista e/ou oferecemos uma possível solução para a problemática apresentada. 169 Anotações: Tema: desafio da educação dos surdos no Brasil Marcus Vinícius de Oliveira No Brasil, o início do processo de edu- cação de surdos remonta ao Segundo Reinado. No entanto, esse ato não se configurou como inclusivo, já que se caracterizou pelo estabelecimento de um “apartheid” educacional, ou seja, uma escola exclusiva para tal público, segregando-o dos que seriam conside- rados “normais” pela população. INTRODUÇÃO: Tema: desafios da educação dos surdos no Brasil Ponto de vista: não houve inclu- são Assim, notam-se desafios ligados à formação educacional das pessoas com dificuldade auditiva, seja por este- reotipação da sociedade civil, seja por passividade governamental. Portanto, haja vista que a educação é fundamen- tal para o desenvolvimento econômico do referido público e, logo, da nação, ela deve ser efetivada aos surdos pelos agentes adequados, a partir da resolu- ção dos entraves vinculados a ela. ARGUMENTO I: CONSTATAÇÃO Estereótipos; Educação deve ser efetivada Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à implementação desse direito, reconhecido por mecanismos legais, a discriminação enraizada em parte da sociedade, inclusive dos pró- prios responsáveis por essas pessoas com limitação. Isso por ser explicado segundo o sociólogo Talcott Parsons, o qual diz que a família é uma máquina que produz personalidades humanas, o que legitima a ideia de que o precon- ceito por parte de muitos pais dificulta o acesso à educação pelos surdos. ARGUMENTO II: CITAÇÃO Discriminação enraizada, inclu- sive pelos fami- liares 170 Anotações: Tal estereótipo está associado a uma possível invalidez da pessoa com defi- ciência e é procrastinado, infelizmente, desde o Período Clássico grego, em que deficientes eram deixados para morrer por serem tratados como insignifican- tes, o que dificulta, ainda hoje, seu ple- no desenvolvimento e sua autonomia. ARGUMENTO III: HISTÓRIA Deficientes eram deixados para morrer [...] Afinal, dados estatísticos mostram que o número de brasileiros com defi- ciência auditiva vem diminuindo tanto em escolas inclusivas – ou bilíngues -, como em exclusivas, a exemplo da- quela criada no Segundo Reinado. Essa situação abjeta está relacionada à ine- xistência ou à incipiência de professo- res que dominem a Libras e à carência de aulas proficientes, inclusivas e proa- tivas, o que deveria ser atenuado por meio de uma maior gerência do Estado nesse âmbito escolar. ARGUMENTO IV: EXEMPLO Alunos com defi- ciência auditiva diminuem no Brasil nas escolas brasileiras Diante do exposto, cabe às instituições de ensino com proatividade o papel de deliberar acerca dessa limitação em palestras elucidativas por meio de exemplos em obras literárias, dados estatísticos e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema, para que a sociedade civil, em especial os pais de surdos, não seja complacente com a cultura de estereótipos e preconceitos difundidos socialmente. Outrossim, o próprio público deficiente deve alertar a outra parte da população sobre seus direitos e suas possibilidades no Es- tado civil a partir da realização de dias de conscientização na urbe e da divul- gação de textos proativos em páginas virtuais, como “Quebrando o Tabu”. [...] ARGUMENTO V: EXEMPLO Alunos com defi- ciência auditiva diminuem no Brasil nas escolas brasileiras Fonte do texto: <https://blogdoenem.com.br/redacao_enem_nota_1000/>. 171 Anotações:Ao finalizar as observações do esquema e do texto, é possível perceber claramente a estrutura do texto dissertativo de modo positivo e objetivo. Embora o exemplo seja de uma redação de vesti- bular, serve como base para qualquer outro tipo de texto, mesmo se for mais longo, pois o que é dife- rente é a quantidade de argumentos, de modo que a introdução do texto é feita em um único parágrafo, assim como a conclusão. A introdução do texto será o guia do tex- to, essa deve iniciar com uma frase núcleo que é a síntese do que o texto vai tratar, depois vem um comentário a respeito ou como será desenvolvido e fecha com uma frase conclusiva. Temos aqui o parágrafo-padrão ou parágrafo-perfeito, como já estudado anteriormente. Assim, precisamos se- guir alguns princípios que devem ser observados no desenvolvimento do texto: Unidade: todas as informações do texto es- tão conectadas à ideia central apresentado na frase-núcleo. Os dados, exemplos, citações estão a serviço da ideia central, caso contrário haverá dispersão das ideias e o leitor não conseguirá com- preender sobre o que realmente está tratando. Para Sena26 (2004, p. 155): Trata-se, portanto, de uma caracte- rística de fundamental importância, pois, além de prender o leitor a um único assunto, direciona a bateria de ideias secundárias, ou a argumenta- 26 SENA, Odenildo. A engenharia do texto: um caminho rumo à prática da boa redação. Manaus: EDUA/FAPEAM, 2004. 172 Anotações: ção propriamente dita, para um único alvo. Aumenta, com isso, a probalida- de de persuasão. Convencimento: o texto dissertativo tem como propósito apresentar argumentos que con- vençam o leitor a respeito de uma suposta verdade, estabelecida no ponto de vista. Todo o esforço du- rante o texto é para formular a melhor argumenta- ção, por isso os parágrafos de dados estatísticos, citação, trajetória histórica, exemplos, dentre ou- tros são pensados como forma de apresentar fatos inquestionáveis. A parte mais importante da produção de tex- to dissertativo está na construção dos parágrafos. Quandose compreende plenamente a elaboração dos parágrafos, pode-se construir o texto, pois bas- ta atentar-se para o que é solicitado em cada pará- grafo: introdução, argumentação, conclusão. 4.4 TEXTO DISSERTATIVO Artigo de opinião Alguns textos, embora mantenham a estrutu- ra dissertativa, apresentam elementos próprios de composição e são textos solicitados na universida- de, por isso, vamos estudar alguns deles: Artigo de opinião: texto cujo propósito é o convencimento do leitor, porém, o autor deve afir- mar um posicionamento explícito. Antes de formu- lar o texto, o autor deve ter conhecimento não ape- nas do ponto de vista que defente, mas dos pontos contrários a sua opinião, pois uma estratégia argu- mentativa é rebater o que a firma a opinião oposta. 173 Anotações:Deve-se considerar ainda o público leitor, para definir a linguagem adequada ao leitor, embora não seja possível o uso da linguagem informal. O texto deve iniciar de forma que a opiniaõ defendida já se mostre claramente na introdução e os argumentos voltados para provar a opiniaõ apresentada, quias- quer um dos tipos de parágrafos apresentados po- dem ser utilizados como técnica argumentativa. Na conclusão, fecha-se o texto com uma síntese do que foi papresentado. Vejamos um exemplo de artigo de opinião: CADA INDIVÍDUO É RESPONSÁVEL POR SUA CONDUTA Cassildo Souza Atribuir à sociedade como um todo a culpa por certos comportamentos errôneos não parece, em minha maneira de pensar, uma atitude sensa- ta. Costumamos ouvir por aí coisas do tipo “O Bra- sil não tem mais jeito”, “O povo brasileiro é corrup- to por natureza”, “Todas as pessoas são egoístas” e frases afins. Essa é uma visão já cristalizada no pensamento de boa parte de nosso povo. Entretanto, se há equívocos, se existem er- ros, se modos ilícitos são verificados, eles sempre terão partido de um indivíduo. Mesmo que depois essas práticas se propaguem, somente serão con- taminados por elas aqueles que assim o desejarem. Uma corporação que, por exemplo, está sob inves- tigação criminal em decorrência da ação de alguns de seus componentes, não estará necessariamente corrompida em sua totalidade. Aliás, a meu juízo, isso é quase impossível de acontecer. 174 Anotações: É preciso compreender que nem todo mun- do se deixa influenciar por ações fraudulentas. De repente o que alguém acha interessante pode ser considerado totalmente inviável por outra pessoa e não acredito que seja justo um ser humano ser res- ponsabilizado apenas por fazer parte de um grupo “contaminado”, mesmo sem ele, o cidadão, ter exer- cido qualquer coisa que comprometa a sua idonei- dade moral. Todos sabemos que um indivíduo é constituí- do suficientemente para pagar por suas falcatruas. Por isso, não concordo que haja julgamento geral. É preciso que saibamos separar o bom do ruim, o ho- nesto do corrupto, o bom-caráter do mau-caráter, o dissimulado do verdadeiro. Todos têm consciência do que seja certo ou errado e devem carregar so- zinhos o fardo de terem sido desleais, incorretos e vulgares, sem manchar a imagem daqueles que, por vias do destino, constituem certas facções que não apresentam, totalitariamente, uma conduta legal. Fonte: <https://centraldasletras.blogspot.com/ p/modelos-de-redacao.html>. Nota-se no exemplo que o centro do texto gira em torno da opinião apresentade de imediato nas duas primeiras linhas do texto. O que vem a seguir são argumentos que vão sustentar a opinão apresentada. Resenha: este tipo de texto mescla dois outros tipos de texto: o resumo e a crítica. Basicamente a resenha é um texto para apresentar uma obra artís- tica ao público, pode ser: livro, série, filme, musical, show, peça teatral, CD, enfim, qualquer obra artís- tica. Texto muito utilizado pelos jornalistas, ganha preferência nas universidades pelo potencial de re- sumir e criticar. 175 Anotações:O texto apresenta três etapas bem definidas: descrição técnica: em que apresenta a parte técni- ca da obra: autor, personagens, editora, etc., resu- mo da obra e análise crítica. Para efeito de melhor entendimento, serão apresentados 7 passos para se escrever uma boa resenha: 1. Identifique a obra: coloque os dados bi- bliográficos essenciais do livro ou artigo que será resenhado; 2. Identifique o autor: quem é o autor da obra que foi resenhada e não do autor da rese- nha (no caso, você). Fale brevemente da vida e de algumas outras obras do escritor ou pesquisador. 3. Apresente a obra: situe o leitor descre- vendo em poucas linhas todo o conteúdo do texto a ser resenhado; 4. Descreva a estrutura: fale sobre a divisão em capítulos, em seções, sobre o foco narrativo ou até, de forma sutil, o número de páginas do texto completo; 5. Descreva o conteúdo: Aqui sim, utilize de 3 a 5 parágrafos para resumir claramente o texto resenhado; 6. Analise de forma crítica: nessa parte, e apenas nessa parte, há que dar sua opi- nião. Argumente-se baseando em teorias de outros autores, fazendo comparações ou até mesmo utilizando-se de explica- ções que foram dadas em aula. É difícil en- contrarmos resenhas que utilizam mais de 3 parágrafos para isso, porém, não há um limite estabelecido. Dê asas ao seu senso crítico. 176 Anotações: 7. Recomende a obra: já se leu, resumiu e deu sua opinião, agora é hora de analisar para quem o texto realmente é útil (se for útil para alguém). Utilize elementos so- ciais ou pedagógicos, baseie-se na idade, na escolaridade, na renda, etc. O CONDE DE MONTE CRISTO - RESENHA Alexandre Dumas, o grande artista literário que através de sua escrita moldou narrativas que encantaram gerações, e que retratou a importân- cia da literatura que o consagrou como o maior es- critor de entretenimento francês; fez de “O Conde de Monte Cristo” uma obra que ultrapassou a linha tênue que separa e diminui a história apenas como algo concebido para entreter. A obra em questão tem uma importância tão grande, que antecede o magistral “Os Miseráveis” de Victor Hugo, como uma das quatro principais obras-primas de importância histórica, quando o assunto é o retrato democrático e social da França. Um calhamaço de leitura fácil, que nos hipnotiza e nos leva a uma jornada grandiosa, que tem por obje- tivo, apresentar um protagonista que busca vingan- ça aqueles que outrora lhe fizeram mal. Edmond Dantès é um personagem encanta- dor, que nos assusta tamanha a sua audácia, sua inteligência e sua sede por justiça. Após ser vítima da armação de três personagens que lhe invejam por motivos diversos, é preso injustamente no dia de seu noivado e passa quatorze anos enclausurado em uma das piores prisões da época. Com a ajuda do destino, consegue escapar, se torna milionário e 177 Anotações:ressurge das cinzas, como a mitológica ave grega, para se vingar de todos aqueles que foram os for- jadores de seu sofrimento. Um tema que fascina a sociedade de maneira geral, que vê nesta jornada a chance de encarar a aplicação da justiça divina que tanto anseia, aplicada de forma humana. Mas é im- portante nos atermos à importância de outra grande obra-prima para a concretização da obra de Dumas. Não é à toa que o protagonista deste monu- mento literário se chama Dantès. Assim como Dan- tè de Alighieri, o personagem central de Dumas passa por três estágios bem distintos que podem ser encarados como o Inferno, o Purgatório e o Pa- raíso, muito bem apresentados em “A Divina Comé- dia.” Uma jornada de desconstrução e aprendizado psicológico que traz peso narrativo e nos faz refletir sobre os meambros da vingança como forma de li- bertação. Não se trata apenas de uma obra sobre vingança, mas sim este tema atrelado a libertação espiritual de um ser injustiçado. “O Conde de Monte Cristo”, como entreteni- mento, tem a força de fluir como um rio tempes- tuoso, que nos leva a devorarmos as milhares de páginas em uma velocidade que surpreende. Es- truturado como um romance de folhetim, os capí- tulos curtos possuem ganchos que teimpedem de abandonar com facilidade a leitura e te forçam a continuar a ler, com a sede de descobrir qual o pró- ximo passo a ser dado pelo justiceiro, que como um Deus, manipula e tece os caminhos a serem percor- ridos por aqueles que foram seus predadores, mas que agora se tornaram a caça. O romance tem personagens tridimensio- nais, que são magistralmente bem trabalhados, e 178 Anotações: que nos entregam diálogos fascinantes, situações magníficas e que nos levam a um labirinto narrativo pouco visto nos romances. O desenrolar da trama é cheio de curvas, voltas e reviravoltas que nos dei- xam impressionados pela capacidade criativa de Dumas, independente das polêmicas que lhe envol- vem como romancista. As comparações com o grande poema épico da literatura italiana, são vários, e reforçam minha teoria de que o robusto romance aqui resenhado, nada mais é que o outro lado da moeda de “A Divi- na Comédia.” É o poema transformado em romance convencional, que transporta os círculos concên- tricos de Alighieri, para a estrutura social francesa, alimentada pela poder monetário que dá força aos meros mortais de exercerem o papel de deuses so- ciais e de juízes carcerários. É uma obra-prima que vai muito além do espe- rado de um romance folhetinesco, mas que apesar de trazer reflexões palpáveis e significativas, não perde a graça e nem se envergonha de ser o que é. Um livro que foi criado com o objetivo de divertir, de envolver e de surpreender, sendo acessível e menos pesado no que tange digestões mentais, o que o di- fere e muito com a grande outra obra já citada, a magistral histórica “Os Miseráveis.” Pra quem tiver oportunidade e interesse, leia “A Divina Comédia” antes de embarcar na jornada tecida por Dumas. É fascinante constatar e “reen- contrar” os personagens épicos caracterizados de forma romantizada. Desde os animais que inter- rompem a progresso de Dantè Alighieri, apresenta- dos como os algozes do Dantè de Dumas, até Virgí- lio representado como o abade Faria, o homem que irá lhe servir como mentor. 179 Anotações:Apesar de suas amarras como escritor, Ale- xandre Dumas insere em “O Conde de Monte Cris- to” mesmo que de forma mais leve, críticas sociais, políticas e psicológicas. Uma obra que foi taxada em sua época como subliteratura e que hoje é uma das obras mais importantes já escritas. A verdadei- ra grandeza literária eternizada, que nos enriquece como leitores, como críticos e como cidadãos. Fonte: Fernando Lafaiete. In: <http://www.mundodasresenhas. com.br/o-conde-de-monte-cristo-a-divina-comedia-de-alexandre- dumas/>. Importante afirmar que a crítica não é o senso comum: falar mal, dar sua opinião pautado apenas em conhecimentos superficiais, concordar ou dis- cordar. Criticar é analisar a obra a partir de outras obras, de conhecimentos científicos, comparar com outras obras, com a realidade social. É a parte mais importante do texto e a mais difícil de ser construída, porque precisa de um bom repertório teórico. Texto de informação: é um texto em que se expõe um tema, fato ou circunstância ao leitor. É um texto em prosa, com linguagem clara e direta, cujo objetivo é transmitir informação sobre algo, estando isento de duplas interpretações. O centro deste texto é a informação, por isso, não busca adesão do leitor por estratégias de convencimento, mas pela qualidade da informação. Diferente dos textos em que o poder de con- vencer está centrado na opinião, neste texto, bus- ca-se certa imparcialidade, pois os fatos devem falar por si mesmos. O texto informativo tem como função conhe- cer ou transmitir explicações e informações de ca- 180 Anotações: ráter geral. Visa compreender ou comunicar as ca- racterísticas principais do tema: O texto de informação também portanto, se apresentar em anúncios e propagandas. O poder persuasivo da propaganda a ser feito pela qualidade da informação. O anunciante aposta que o produto por si só se vende, sem que seja necessário fazer qualquer outro tipo de apelo, como na propaganda antiga da Ford. BALEIA AZUL Por Joice Silva de Souza Mestre em Ciências Biológicas (UFF, 2016) Graduada em Biologia (UNIRIO, 2014) A Baleia Azul (Balaenoptera musculus) é o maior mamífero e, possivelmente, o maior animal a habitar o Planeta Terra, alcançando até 30 me- tros de comprimento e peso de 200 toneladas. Para 181 Anotações:efeito de comparação, o elefante africano, um dos maiores animais terrestres do mundo, pode pe- sar até 13 toneladas. Portanto, se fosse um animal terrestre, a Baleia Azul seria esmagada pelo seu próprio peso, caso não possuísse ossos grandes e pesados para sustentá-la; entretanto, como um animal marinho, seu corpo é sustentado pela água. Esta relação com a densidade da água e a abundân- cia de recursos alimentares, são os dois principais fatores que possibilitaram o crescimento extraor- dinário desta espécie. Alimentação Assim como outros cetáceos da subordem Mys- ticeti, a Baleia azul não possui dentes e alimenta-se exclusivamente de pequenos crustáceos denomi- nados krill. Estima-se que estas baleias consumam até 4 toneladas de krill por dia, o qual fica retido em suas “barbatanas bucais”, estruturas formadas por uma série de placas de queratina sobrepostas (en- tre 260-400) que ocupam o lugar dos dentes nestes animais. Durante a alimentação, sulcos presentes na garganta da Baleia Azul se expandem, permitindo a entrada de grandes quantidades de água e alimento em sua boca; quando esta se fecha, a água é expelida através das barbatanas bucais e o alimento fica reti- do em seu interior, sendo posteriormente levado ao estômago com o auxílio da língua. Ecologia A Baleia Azul é uma espécie cosmopolita, e realiza migrações sazonais para regiões tropi- 182 Anotações: cais durante o inverno com fins reprodutivos. Já no verão, esta espécie movimenta-se em direção às águas mais frias e produtivas dos polos à pro- cura de alimento. Estes cetáceos geralmente são avistados em pares, mas podem ser encontrados solitários, em pequenos ou grandes grupos de até 60 indivíduos (este último associado a áreas de ali- mentação). Seu corpo alongado e aerodinâmico contribui para a alta velocidade de natação da es- pécie, que pode alcançar até 48,3 km/h em situa- ções de alerta. A Baleia Azul apresenta, em geral, uma coloração azulada-acinzentada, porém nas águas frias da Antártica, Atlântico Norte e Pacífico Norte costuma apresentar a região ventral amare- lo-esverdeada, devido à presença de micro-orga- nismos do fitoplâncton denominados diatomáceas. Outras características destes animais são a sua ca- beça achatada e larga em forma de U, uma pequena nadadeira dorsal e a emissão de sons de alta e baixa frequência que podem ser ouvidos a milhares de km de distância. Esta última, inclusive, deu à espécie o título de voz mais poderosa do reino animal, visto que seus sons podem alcançar até 188 decibéis. Reprodução A Baleia Azul atinge a maturidade sexual en- tre 5-10 anos, e sua gestação dura até 12 meses. O novo filhote nasce com 7 a 8 metros de comprimen- to, pesando em média 3 toneladas, e apresenta uma das maiores taxas de crescimento do reino animal, ganhando até 90 kgs por dia em seus primeiros me- ses de vida, quando ainda é alimentado pela mãe. Em geral, um novo indivíduo é adicionado à popu- 183 Anotações:lação a cada 2-3 anos, porém, suspeita-se que este intervalo esteja diminuindo como resposta à caça destes animais, em uma tentativa de manter suas populações em equilíbrio. Ameaças O declínio da Baleia Azul se iniciou no século 20, com o advento de novas tecnologias de navega- ção e caça, como navios motorizados e arpões ex- plosivos, e teve seu auge registrado na década de 30, quando mais de 29.000 baleias foram mortas em apenas uma temporada. Em 1966, a Comissão Ba- leeira Internacional proibiu a caça destes animais, que enfrentam obstáculos para sua recuperação até os dias atuais, e são classificadas como amea- çadasde extinção pela IUCN. A poluição marinha e o aquecimento global são alguns dos desafios en- frentados para a conservação destas baleias, visto que afetam a disponibilidade de recursos alimenta- res, comprometendo a sobrevivência da espécie. Algumas das populações restantes são, inclusive, classificadas como uma subespécie da Baleia Azul conhecida como “pygmy blue whales” (em livre tra- dução - Baleias Azul pigmeias), uma versão menor das Baleias Azuis tradicionais. 184 Anotações: REFERÊNCIAS ADLER, Mortimer J. 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Marque a alternativa que analisa corretamen- te as afirmações: a. Apenas a II e a V estão incorretas. b. Todas estão incorretas. c. Todas estão corretas. d. Apenas a III e IV estão corretas. e. Apenas a V está incorreta. 191 U ni da de 1 QUESTÃO 02 Sobre as linguagens verbal e não verbal, assi- nale V ou F: 1. A linguagem verbal utiliza qualquer códi- go para se expressar, enquanto a lingua- gem não verbal faz uso apenas da língua escrita. 2. São utilizadas para criar atos de comuni- cação que nos permitem dizer algo. 3. A linguagem não verbal é aquela que utili- za qualquer código que não seja a palavra, enquanto a linguagem verbal utiliza a lín- gua, seja oral ou escrita, para estabelecer comunicação. 4. Linguagem verbal e não verbal, quando si- multâneas, colaboram para o entendimen- to do texto. 5. A linguagem verbal, por dispor de elemen- tos linguísticos concretos, pode ser con- siderada superior à linguagem não verbal. Marque a alternativa que analisa corretamen- te as assertivas: a. V – V – V – V – V. b. F – V – V – V – V. c. V – V – V – V – F. d. F – V – V – V – F. e. V – F – V – F – V. 192 U ni da de 1 QUESTÃO 03 Leia a tirinha e responda: Ao analisar a tirinha, pode-se considerar que temos: a. Subentendido porque possuem marcas linguísticas, como a palavra: adivinha. b. Subentendido porque as informações estão escondidas, dependentes da in- terpretação do leitor. Não possuem mar- ca linguística, sendo deduzidos através do contexto comunicacional e do co- nhecimento que os destinatários têm do mundo. c. Pressuposto, já que as informações implí- citas são facilmente compreendidas de- vido a marcas linguísticas, como o que se manifesta na fala de Helga: “adivinha”, pois o leitor compreende que ela é quem assu- me o papel de homem. d. É um subentendido porque a mulher está dizendo que seu marido é a mulher da relação. e. É um pressuposto que dá a ideia da grandiosidade De todas as mulheres. 193 U ni da de 1 QUESTÃO 04 Todas as alternativas são subentendidos pos- síveis, exceto: a. “Você gostaria de ir ao cinema comi- go qualquer dia?” (rapaz abordando uma moça numa festa). b. “E você é simpático” (mulher respondendo a um elogio feito por um admirador). c. “A bolsa da senhora está pesada?” (um ra- paz). d. “Você tem horas?” (um homem apressado). e. “Este seu namorado é bonito” (o outro não era bonito). QUESTÃO 05 Leia o texto para responder as questão 5 e 6: TEXTO I Formar um leitor competente supõe formar al- guém que compreenda o que lê; que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos; que estabeleça relação entre o texto que lê e outros textos já lidos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos. BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa, 1º a 4º séries. Brasília: Secretaria de Educação Fundamental, 1997. 194 U ni da de 1 O fragmento “vários sentidos podem ser atri- buídos a um texto...” pode ser entendido como: a. Visão crítica do leitor, formada a partir de várias leituras, quando faz mais de um tipo de análise do texto. b. Cada leitor entende o texto do jeito que quiser. c. Quando se lê, só é possível um tipo de lei- tura e um tipo de análise de texto. d. Qualquer leitor, mesmo no nível mais bá- sico de leitura consegue extrair os vários sentidos de umtexto. e. Tudo depende do leitor, ele é que faz o sentido do texto. 195 U ni da de 2 QUESTÃO 06 Leia o texto abaixo, analise e marque a alter- nativa correta: Texto 1 A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir portas abertas, em portas; casas exclusivamente portas e teto. O arquiteto: o que abre para o homem (tudo se sanearia desde casas abertas) portas por-onde, jamais portas-contra; por onde, livres: ar luz razão certa. Até que, tantos livres o amedrontando, renegou dar a viver no claro e aberto. Onde vãos de abrir, ele foi amurando opacos de fechar; onde vidro, concreto; até fechar o homem: na capela útero, com confortos de matriz, outra vez feto. (João Cabral de Melo Neto) I. Pode-se afirmar, analisando a estrutura, que o texto faz uso da função poética. II. Não há trechos em função emotiva, nem conativa. III. No trecho, “o arquiteto: o que abre para o homem”, temos um exemplo de função metalinguística. IV. O texto todo é função fática, pois não se consegue entender nada do texto. 196 U ni da de 2 Marque a alternativa que faz uma análise cor- reta das afirmações: a. Todas estão corretas. b. Todas estão incorretas. c. Apenas a I e II estão corretas. d. Apenas a III e IV estão corretas. e. Apenas a IV está incorreta. QUESTÃO 07 Assinale a alternativa que contenha a sequên- cia correta sobre as funções da linguagem, impor- tantes elementos da comunicação: 1. Ênfase no emissor (lª pessoa) e na expres- são direta de suas emoções e atitudes. 2. Evidencia o assunto, o objeto, os fatos, os juízos. É a linguagem da comunicação. 3. Busca mobilizar a atenção do receptor, pro- duzindo um apelo ou uma ordem. 4. Ênfase no canal para checar sua recepção ou para manter a conexão entre os falantes. 5. Visa à tradução do código ou à elaboração do discurso, seja ele linguístico ou extralinguístico. 6. Voltada para o processo de estruturação da mensagem, com rimas, versos, estrofes e para seus próprios constituintes, tendo em vista produzir um efeito estético. ( ) função metalinguística. ( ) função poética. ( ) função referencial. ( ) função fática. ( ) função conativa. ( ) função emotiva. 197 U ni da de 2 a) 1, 2, 4, 3, 6, 5. b) 5, 2, 6, 4, 3, 1. c) 5, 6, 2, 4, 3, 1. d) 6, 5, 2, 4, 3, 1. e) 3, 5, 2, 4, 6, 1. QUESTÃO 08 Texto para responder as questões 8 e9: Na 3ª série, a Educação Física busca mobili- zar os alunos para uma prática regular e reflexiva, a respeito de jogos, ginásticas, lutas e danças. Em 2015, como forma de enriquecer as experiências e a participação ativa do estudante, propus como fe- chamento do curso e instrumento de avaliação for- mativa um exercício de autoria e síntese de habili- dades que, com certeza, irão fomentar novas ideias para o curso em 2016. O “Trabalho de Autoria” possui duas etapas, sendo a primeira a redação de um projeto em gru- pos pequenos, formatado dentro do rigor da elabo- ração de trabalhos acadêmicos no Ensino Médio, que revele uma problematização nos campos da saúde, qualidade de vida ou outros no âmbito das atividades físicas, e sustente a criação de uma em- presa, a sua finalidade, a justificativa, o seu nome ou razão social, além do segmento de atuação no mercado: Saúde, Lazer e/ou Atividades Físicas. [...] Nessa segunda etapa, o foco é a demons- tração de autonomia e de habilidades relacionadas com a socialização de saberes, de comunicabilida- de e envolvimento prático dos integrantes na exe- cução da “aula modelo”. Os retornos aos alunos se 198 U ni da de 2 desenvolvem em rodas de conversas e reflexões sobre pontos positivos e para melhorar. Dessa forma, acredito revisitar o acervo cul- tural, motor, as experiências de comunicação, o planejamento antecipado, a expressão pessoal, o poder de síntese e a coerência nos registros das ideias, da problematização e consequente propos- ta de atuação em um segmento de relevância so- cial presente nas bases da área da Educação Física (saúde, lazer e atividades físicas), suscitando no aluno as habilidades de autocrítica e de exploração de suas potencialidades. (Matéria publicada no site Estadão) A respeito do texto, é verdadeiro: I. Temos no 1º. e 4º. parágrafos do texto, fun- ção emotiva. II. No 2º. e 3º. parágrafos do texto, temos função referencial. III. Todo o texto está em função emotiva. IV. Todo o texto está em função referencial. V. Temos trechos em função conotativa. Marque a sequência que analisa corretamente as proposições: a. V – V – V – V – V. b. F – F – F – F – F. c. F – V – F – V – F. d. V – V – F – F – F. e. V – V – F – F – V. 199 U ni da de 2 QUESTÃO 09 A respeito do texto, é correto afirmar: I. O emissor é, possivelmente, um professor de educação física que trata de assunto referente à sua prática. II. O canal é o computador, o site. III. O código é a língua portuguesa verbal es- crita. IV. O receptor são os leitores do site, em es- pecial os que querem saber sobre Educa- ção Física. Assinale a alternativa que analisa correta- mente as afirmações: a. Todas estão corretas. b. Todas estão incorretas. c. Apenas a III e IV estão corretas. d. Apenas a I e II estão corretas. e. Apenas a III está incorreta. 200 U ni da de 2 QUESTÃO 10 Analise o texto abaixo: Fonte: Google imagens Pode-se afirmar que não é verdadeiro, apenas a alternativa: a. Temos a função poética por conta da es- trutura do texto e da sua organização ar- tística. b. Temos função conativa porque o texto todo está com verbo no imperativo. c. Se fosse 1ª. pessoa do singular seria fun- ção emotiva. d. É possível que um texto tenha mais de uma função da linguagem. e. Temos função metalinguística. 201 U ni da de 3 QUESTÃO 11 A imagem abaixo é exemplo de um texto não verbal, conhecido como charge. Marque a alternati- va incorreta a respeito deste texto: Fonte: Google imagens a. De modo geral, as charges ganham cono- tação política, mas é possível encontrar charges sobre diversos assuntos. b. No caso da charge em questão, a críti- ca está voltada para aspectos sociais, no caso, a obsessão pelo padrão corporal im- posto socialmente. c. A charge faz uma espécie de crítica da crí- tica, o exagero das personagens já se ma- nifesta como uma crítica, a forma como trata dos problemas sociais também ca- naliza uma crítica. d. Não é possível compreender o sentido de uma charge, sem considerar a crítica que está sendo feita. e. A charge é um texto que embora tenha imagem, o centro da sua informação é a linguagem verbal. 202 U ni da de 3 QUESTÃO 12 Este é um anúncio publicitário da venda do cigarro. Considere a publicidade e a citação de Gui- marães para responder a questão: Fonte: Google imagens. O movimento do olhar que transita do visível ao nomeado e vice-versa reflete a estratégia funda- mental do discurso da propaganda, ou seja, o inten- to de persuadir o leitor a crer na veridicção da ima- gem e, por conseguinte, o despertar do desejo de compra do produto anunciado (GUIMARÃES, 2013, p. 126). 203 U ni da de 3 Analise as proposições: I. Já verificamos que a publicidade utiliza com grande competência do hibridismo da linguagem, por isso, a atenção do leitor, quando se depara com um texto publicitá- rio, é focar sua atenção para as duas lin- guagens. II. A imagem se apresenta num plano tão real a ponto de se acreditar que é verdade ab- soluta o que está sendo mostrado. III. Na publicidade, o cigarro é apresentado como sinônimo de aventura e liberdade. IV. Para analisar corretamente este anúncio, o leitor deverá compreender a época em que se veiculava tal ideia. V. O discurso publicitário, como pode ser visto, é atraente e persuasivo, inclusive, no anuncio em questão, apresenta-se um homem forte, elegante, autoconfiante. Assinale a alternativa correta: a. Somente as afirmações II e IV estão cor- retas. b. Todas estão corretas. c. Somenteas afirmações III e IV estão incor- retas. d. Todas estão incorretas. e. Somente a afirmação IV está incorreta. 204 U ni da de 3 QUESTÃO 13 Fonte: Maurício de Sousa Produções. 205 U ni da de 3 I. A principal característica do quadrinho é a história contada, a narração, que se or- ganiza utilizando linguagem verbal e não- -verbal ao mesmo tempo. II. Os quadrinhos se organizam de maneira sequenciada através de imagens, palavras e balões. III. A linguagem não-verbal sintetiza o que as palavras necessitariam de mais palavras para expressar. IV. No segundo quadrinho, temos um ba- lão que indica pensamento, mas isso não importa porque na história em quadrinho basta eu ver a sequência das imagens e ler o texto. V. Compreender os balões ajuda a com- preender a história em quadrinho. Pode- mos afirmar que os três balões seguintes indicam dúvida do Cebolinha. Assinale a alternativa correta: a. Todas estão incorretas. b. Todas estão corretas. c. Somente as afirmações II e IV estão corre- tas. d. Somente as afirmações III e IV estão incor- retas. e. Somente a afirmação IV está incorreta. 206 U ni da de 3 QUESTÃO 14 Assinale a firmação incorreta a respeito da fo- tografia abaixo: Fonte: Google imagens. TripAdvisor Praia da Ponta Negra: ponta negra antiga. a. Quanto à fotografia, ela se apresenta como uma imagem do real, como uma cópia da realidade de um tempo específico. b. Cada foto corresponde a um período histó- rico e conta uma sequência de fatos. c. As fotos servem para recordar momentos individuais e não podem recuperar aspec- tos sociais e históricos, só quando forem pensadas para esta finalidade. d. A foto aciona a memória do receptor -mo- rador da cidade - e, ao fazer isso, percebe que se trata de um tempo antigo, pois tem o conhecimento de mundo de como é a atual praia da Ponta Negra. e. A foto é histórica, pois remete a um tempo passado e apresenta uma organização so- cial e espacial diferente. 207 U ni da de 3 QUESTÃO 15 Sobre a fotografia abaixo, analise as proposi- ções: Fonte: G1 - O portal de notícias da Globo Tema Tragédia em Brumadinho. I. Uma das formas de se analisar a fotogra- fia é utilizando a percepção, a cognição e o aspecto ideológico. II. Uma análise perceptiva da foto pode indi- car a irresponsabilidade da empresa que administra a barragem, que não teve cui- dado para que o fato não acontecesse. III. Uma análise cognitiva deve considerar a empresa que administra a barragem, a ci- dade de Brumadinho, o acontecimento. IV. No aspecto Ideológico, deve-se analisar o que se está vendo na fotografia. Marque o que analisa corretamente as proposições: 208 U ni da de 3 a. Todas estão incorretas. b. Todas estão corretas. c. Somente as afirmações II e IV estão corre- tas. d. Somente as afirmações I e III estão incor- retas. e. Somente a afirmação IV está incorreta. 209 U ni da de 4 QUESTÃO 16 Leia o texto e responda o que se pede: INTRODUÇÃO A arquitetura moderna na Europa, segundo Siegfried Giedion, teve de percorrer três etapas para a sua aceitação: as habitações populares e os prédios de pequeno porte; os projetos urbanísticos, e “a etapa mais difícil e perigosa (...) a reconquista da expressão monumental”. ARGUMENTO 1 No Brasil, o primeiro grande marco da arqui- tetura moderna foi uma obra monumental: o Minis- tério da Educação e Saúde (hoje Palácio Gustavo Capanema), construído entre 1937 e 1943, no Rio de Janeiro, edifício que teria forte impacto inter- nacional. O projeto contou com a consultoria de Le Corbusier (que o inclui em suas obras completas), e teve a participação de Affonso Eduardo Reidy, Jor- ge Moreira, Carlos Leão e Ernani Vasconcellos, sob a liderança de Lucio Costa e de Oscar Niemeyer. ARGUMENTO 2 Apresentado pela revista norte-americana Progressive Architecture, em 1943, como “a obra de arquitetura moderna mais importante das Améri- cas”, o Ministério da Educação e Saúde é conside- rado, até hoje, um dos paradigmas da arquitetura moderna mundial, precursor dos grandes edifícios públicos modernos construídos na Europa e nos EUA após a guerra, (como a sede da ONU, em Nova York, de 1947/1952, primeiro prédio de vidro de grande porte realizado nos EUA). 210 U ni da de 4 ARGUMENTO 3 Desde a década de 1920, existiam boas obras de arquitetura moderna no Brasil, como as do ar- quiteto russo Gregori Warchavchik, formado na Itá- lia, radicado em São Paulo a partir de 1923. A cons- trução do Ministério da Educação e Saúde apenas comprovou que – em um país de mínima influência cultural em termos mundiais – um grupo de jovens arquitetos era capaz de interpretar com talento as teorias e os princípios do mais revolucionário arqui- teto daquele momento: Le Corbusier. Como disse André Maurois, “Em nenhuma outra cidade do mun- do Le Corbusier encontraria, em 1937, um governo que desejando construir ministérios em sua ca- pital, Rio de Janeiro, o convidaria como consultor para colaborar livremente com arquitetos locais”. ARGUMENTO 4 Vale citar Lucio Costa: “essas fachadas envi- draçadas que marcam o estilo americano para o pú- blico em geral, na realidade não foi nada americano, mas uma coisa europeia e aplicada pela primeira vez no Brasil, na América do Sul, em escala monu- mental “. A sua realização deu o ímpeto que faltava ao movimento em sua luta inicial de se implantar no Brasil. [...] Analisando o texto a partir do processo de argumentação em texto dissertativo, é verdadeiro firmar que o: I. Argumento 1 é de dados concretos, com utilização de fatos históricos. II. Argumento 2 é feito por consenso, pois é uma verdade universal, aceita por todos. 211 U ni da de 4 III. Argumento 3 mescla dados concretos, fa- tos históricos com argumento de autori- dade, feito pela citação de André Maurois. IV. Argumento 4 é construído por argumento de autoridade, feito pela citação de Lucio Costa. Marque a alternativa que analisa corretamen- te o exposto: a. Todas as alternativas estão corretas. b. Nenhuma das alternativas está correta. c. Apenas a I, II, estão corretas. d. Apenas a I, III, IV estão corretas. e. Apenas a III, IV estão corretas. TEXTO PARA A QUESTÃO 17 E 18 O PAPEL DO BIOMÉDICO NA SAÚDE PÚBLICA Revista Interfaces: Saúde, Humanas e Tecno- logia. Ano 2, V. 2, Número Especial, jun, 2014. INTRODUÇÃO Atualmente, destaca-se a crescente cons- cientização para que as diferentes áreas do conhe- cimento se integrem em prol do bem comum da sociedade, por meio de uma atuação multidiscipli- nar. Dentre os profissionais da saúde, encontra-se o biomédico, a quem compete atuar em equipes de saúde, a nível tecnológico e nas atividades comple- mentares de diagnósticos. 212 U ni da de 4 ARGUMENTO 1 Ética, respeito ao ser humano e rigor científico: esses são os princípios que norteiam a rotina de trabalho de biomédico. Trabalhando de forma integrada com os demais profissionais da área e com as várias instâncias do complexo sistema de saúde, o biomédico atua como agente transformador da realidade em benefício da coletividade (CAMPOS, 2014). ARGUMENTO 2 Ao se examinar o campo da prática biomé- dica, vários problemas tornam-se imediatamente aparentes: a insatisfação de pacientes e médicos, os custos crescentes de tratamentos e exames, a formação inadequada de recursos humanos, o mer- cantilismo e a competição entre os próprios profis- sionais da área, a precariedade dos programas de saúde, etc. – problemas graves e complexos que, entretanto, parece se banalizar, dada a frequência com a qual somos confrontados com eles no coti- diano (GUEDES C.R. et al, 2006). ARGUMENTO 3 É evidente que nas últimas décadas, o sistema de saúde sofreu uma renovada dose de confiança, em paralelo ao avanço dos conhecimentos biomédicos aberto pelas novas possibilidades de estudo das doenças no nível molecular e genético. Contudo, esse sistema ainda traz questões como: (a) o seu crescente distanciamentoda prevenção primária, pois, quanto mais se capacita para atuar sobre os efeitos da doença, mais se desaprende de como atuar sobre os seus determinantes; (b) os 213 U ni da de 4 seus efeitos iatrogênicos, dos quais se reforçam evidências, (c) por fim, os seus custos crescentes, que não somente tornam as perspectivas macroeconômicas desse sistema sombrias, como também são bases das iniquidades de acesso, mesmo nas economias desenvolvidas (BARRETO, 2004). CONCLUSÃO A saúde pública no cenário brasileiro con- quistará maior êxito na medida em que houver uma real interação entre profissionais envolvidos. Esta proposta permeia a proposta do PET/Saúde, que prevê o envolvimento dos acadêmicos de gradua- ção da área da saúde na vivência das práticas pro- fissionais, através de um aprendizado que integre ensino, pesquisa, extensão e comunidade, de forma interdisciplinar e multiprofissional; além de propi- ciar o desenvolvimento de ações em saúde, produ- ção de conhecimento e pesquisas, de acordo com as necessidades e prerrogativas do Sistema Único de Saúde (SUS). QUESTÃO 17 Analisando o texto a partir do processo de argumentação em texto dissertativo, é verdadeiro afirmar que o: I. Argumento 1 é de autoridade, pois refere- -se a estudos de outro pesquisador. II. Argumento 2 é feito por argumento de au- toridade e também por argumento do ab- surdo, ao apresentar os problemas e pro- curar rebatê-los. 214 U ni da de 4 III. Argumento 3 apresenta argumento de bilateralidade; e também de autoridade, pois refere-se a estudos de outro pesqui- sador. IV. A conclusão apresenta uma proposta para o problema discutido. Marque a alternativa que analisa corretamen- te o exposto: a. Apenas a I, II, estão corretas. b. Apenas a I, III, IV estão corretas. c. Apenas a III, IV estão corretas. d. Nenhuma das alternativas está correta. e. Todas as alternativas estão corretas. QUESTÃO 18 Analisando a estrutura do texto 1, pode-se afirmar que se trata de um texto dissertativo. Isto porque: a. Há introdução, parte que apresenta tema e argumentos. Há um só tipo de argumen- to no desenvolvimento; na conclusão, fe- cha-se o assunto. b. O texto apresenta o assunto de forma sen- timental, emotiva. c. Os argumentos são todos falaciosos. d. O texto está escrito de modo informal, é de fácil compreensão, como deve ser o texto dissertativo. e. O texto apresenta a estrutura: introdu- ção, argumentos e conclusão; trata de um assunto de forma referencial, focado no assunto; apresenta argumentações diver- sas, o que torna o texto mais consistente. 215 U ni da de 4 QUESTÃO 19 Analisando a composição do parágrafo abai- xo, assinale a opção que o analisa corretamente: Censura moralista Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz- -se, em crise. Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências. Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pes- quisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado a peito investir em livros e em leitura. LAJOLO, M. Disponível em: www.estadao. com.br. Acesso em: 2 dez. 2013 (fragmento). a. O tema do parágrafo é pesquisas acadêmi- cas. b. O ponto de vista defendido é a contradição da ideia de que a leitura está em crise. c. Na primeira linha do texto já se trabalha o argumento do texto. d. Não há delimitação do tema no parágrafo. e. O texto não é coerente porque afirma algo e depois discorda. 216 U ni da de 4 QUESTÃO 20 Analise os parágrafos dissertativos: I. “ A convivência com um dependente de álcool ou drogas, além de todos os seus reveses, também pode se tornar um ví- cio poderoso, uma doença. Se tomarmos como exemplo mães, mulheres e irmãos que costumam assumir para si a tarefa de conservar a ovelha negra da família, pas- sam a viver em função do problema alheio. Ora se comportam como salvadores, ora assumem o papel de vítima, ora cooperam e alimentam ainda mais o vício.” II. “Desde que aprendeu a manejar o fogo e a roda, o homem passou a gerar uma força produtiva, a qual desencadeou as inven- ções, as conquistas e o progresso. Mas essa produtividade prejudicou o relacio- namento entre os povos, assim como en- tre patrão e empregado, nodomínio pela tecnologia e na exploração da mão-de- -obra.” III. “Na medida em que a caça é proibida no Brasil, não se pode admitir a existência de uma Associação Brasileira de Caça nem de lojas de caça e pesca. Um novo capítulo da Constituição Brasileira proíbe essas ativi- dades. Caça não é esporte, porque esporte pressupõe igualdade de condições entre os contendores, um conhecimento prévio de ambas as partes das regras do jogo, e a existência de um juiz que faça cumprir es- sas regras”. 217 U ni da de 4 IV. “A cada ano que passa, mil crianças mor- rem por dia debaixo do céu brasileiro. Morrem de doenças para as quais a medi- cina criou uma infinidade de nomes, todos sinônimos de um só mal: fome, subnutri- ção”. Respectivamente, os parágrafos utilizam a técnica: a. Trajetória Histórica – Exemplificação – Contradição – Dados Estatísticos. b. Exemplificação – Contradição – Trajetória Histórica – Dados Estatísticos. c. Dados Estatísticos – Trajetória Histórica – Contradição – Exemplificação. d. Exemplificação – Trajetória Histórica – Contradição – Dados Estatísticos. e. Exemplificação – Dados Estatísticos – Contradição – Trajetória Histórica. QUESTÃO 21 A dissertação é um __________ textual no qual se desenvolve ou se explica um assunto. Tal definição subdivide-se, ainda, em dois: ______________ e ______________. No primeiro prevalece a apresentação de um (a) _________ ; no segundo, a (o) __________________ almejando a persuasão do interlocutor. A alternativa que completa adequadamente os espaços em branco da definição acima é: a. Tipo – expositivo – argumentativo – tese – ideia do autor. 218 U ni da de 4 b. Gênero – argumentativo – expositivo – tese – ideia do autor. c. Gênero – expositivo – argumentativo – sa- ber teórico – defesa de um ponto de vista. d. Tipo – argumentativo – expositivo – tese – defesa de um ponto de vista. e. Tipo – expositivo – argumentativo – saber teórico – defesa de um ponto de vista. QUESTÃO 22 Quanto a estrutura do texto dissertativo, ana- lise as proposições: I. A parte que define o texto dissertativo é o desenvolvimento. II. O desenvolvimento apresenta a ideia prin- cipal e as ideias secundárias. III. Não pode fazer proposta na conclusão, só no desenvolvimento. IV. A introdução apenas apresenta tema e de- limitação. V. Em cada parágrafo pode ser apresentado até três argumentos. a. Apenas a I, II, estão corretas. b. Apenas a I, III, IV estão corretas. Estrutura Introdução Estrutura Conclusão 1 parágrafo 2 ou 3 parágrafos 1 parágrafo 219 U ni da de 4 c. Apenas a III, IV estão corretas. d. Nenhuma das alternativas está correta. e. Todas as alternativas estão corretas. QUESTÃO 23 Se considerarmos que o texto é uma viagem, como se fosse para o lugar da fotografia abaixo, de- vemos tomar algumas medidas, exceto: a. Etapa pré-textual – primeiro passo da via- gem, traça-se o percurso que o texto vai fazer. b. Escrever o texto é o mesmo que ir para a viagem. c. A etapa pós-textual é desarrumar as ma- las, lavara as roupas, arrumar a cas. Com o texto é corrigi-lo. d. Planejamento só é necessário se a viagem for longa, assim também o texto. Se for um texto pequeno, não precisa de planeja- mento. e. Seguir estas etapas garante uma viagem mais tranquila e um texto com mais qualidade. 220 U ni da de 4 QUESTÃO 24 “De acordo com uma pesquisa de uma univer- sidade inglesa, nãoimporta em qual ordem as le- tras de uma palavra estão, a única coisa importante é que a primeira e a última letras estejam no lugar certo. O resto pode ser uma total bagunça que você pode ainda ler sem problemas. Isto é porque nós não lemos cada letra isolada, mas a palavra como um todo.” Não, o trecho acima não foi publicado por descuido. Trata-se de uma brincadeira que está circulando na internet, mas que é baseada em prin- cípios científicos: “O cérebro aplica um sistema de inferência nos processos de leitura. Esse sistema, chamado ‘sistema de preenchimento’, se baseia em pontos nodais ou relevantes, a partir dos quais o cérebro completa o que falta ou coloca as partes corretas nos seus devidos lugares”, explica o neuro- logista Benito Damasceno. Esse mecanismo não funciona apenas com a leitura: “Quando vemos apenas uma ponta de caneta, por exemplo, somos capazes de inferir que aquilo é uma caneta inteira”, diz Damasceno. Assinale a alternativa correta sobre o primeiro parágrafo do texto. a. É rigoroso na separação entre a exposição e a forma de exemplificação de um con- ceito. b. Opera com um mecanismo que permite a demonstração prática da ideia defendida. c. Divulga, com precisão técnica, uma des- coberta científica recente, ao mesmo tempo em que indica formas de testá-la. d. Corresponde a um teste científico, que 221 U ni da de 4 não inclui a exposição das hipóteses que o fundamentam. e. Desenvolve um conceito teórico que tem sua aplicação exemplificada nos outros parágrafos. QUESTÃO 25 Pode-se afirmar que o trecho abaixo é um tex- to dissertativo? Ser feliz é provavelmente o maior desejo de todo ser humano. Na prática, ninguém sabe definir direito a palavra felicidade. Mas todos sabem exa- tamente o que ela significa. Nos últimos tempos, psicólogos, neurocientistas e filósofos têm voltado sua atenção de modo sistemático para esse tema que sempre fascinou, intrigou e desafiou a huma- nidade. As últimas conclusões a que eles chegaram são o tema de uma densa reportagem escrita pelo redator-chefe de ÉPOCA, David Cohen, em parceria com a editora Aida Veiga. O texto, conduzido com uma dose incomum de bom humor, inteligência e perspicácia, contradiz várias noções normalmente tidas como verdade pela maior parte das pessoas. A felicidade, ao contrário do que parece, não é mais fácil para os belos e ricos. I. Sim, porque a linguagem se apresenta na modalidade culta, técnica. II. Não, porque o tema felicidade não pode ser tratado em um texto dissertativo. III. Sim, porque o tema é tratado de modo que o assunto é a prioridade e é tratado de for- ma científica. 222 U ni da de 4 IV. Não, porque o texto dissertativo preci- sa ter mais informalidade, para poder ser compreendido por todos. V. Sim, pois há uma ideia central apoiado por ideia secundária que vai sendo discutido de modo objetivo. Marque a alternativa correta: a. Apenas a I, II, estão corretas. b. Apenas a I, III, IV estão corretas. c. Apenas a III, IV estão corretas. d. Nenhuma das alternativas está correta. 224 U ni da de 4