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Prévia do material em texto

O48ll Oliveira, Joaquina Maria Batista de. 
 Leitura, interpretação e produção textual / Joaquina Maria Batista 
de. -- Manaus: CEUNI-FAMETRO, 2021.
 224p. 
 ISBN: 978-85-64293-02-1 
 1. Língua portuguesa 2. Leitura 3. Interpretação 4. Produção 
textual I. Título.
 CDU.:801.7 
Todos os direitos reservados © FAMETRO
IME Instituto Metropolitano de Ensino Ltda
Wellington Lins de Albuquerque | Presidente - IME
Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque | Reitora
Cinara da Silva Cardoso | Vice-Reitora
Iyad Amado Hajoj | Diretor de EaD e Expansão
Leonardo Florêncio da Silva | Diretor Editorial e Gestor de EaD
Adilsimar Saraiva Maciel | Coordenação Pedagógica EaD
Luciana Braga | Projeto Gráfico, Capa e Editoração
Ana Augusta de Oliveira Simas | Supervisora de Revisão e Revisora
Anne Caroline do Nascimento Ribeiro | Revisora
Karoline Alves Leite | Revisora
Liene Costa | Revisora
Amenayde Cristine Corrêa | Assistente Editorial
Imagens | depositphotos.com
 Responsável Técnico: Lorena de Fátima Vidal (CRB: 410/11-AM) 
Biblioteca CEUNI-FAMETRO
FAMETRO
Av. Djalma Batista, Nossa Sra. das Gracas. Manaus, AM
"Nos termos da Lei n.º 9.610/98, o autor desta obra é titular de todo o complexo de 
direitos autorais sobre a presente criação. Assim, é vedada a cópia, reprodução, 
edição ou distribuição desta obra sem autorização expressa do Autor ou da Edito-
ra e, ainda é vedado utilizar, citar, publicar esta obra integral ou parcialmente sem 
deixar de indicar ou anunciar o nome, pseudônimo ou sinal convencional do autor 
sob pena da aplicação das medidas previstas nos Art. 101 a 110 da Lei n.º 9.610/98."
Ficha catalogada na Biblioteca CEUNI-Fametro
“Sejam todos e todas bem-vindos ao EaD 
do Centro Universitário Fametro”
O Centro Universitário Fametro acredita que o 
papel de uma instituição de ensino é formar não apenas 
profissionais, mas também formar profissionais no 
Ensino Superior, com valores éticos, humanísticos e 
com respeito ao meio ambiente capazes de contribuir 
para o desenvolvimento da nossa Amazônia. 
A Fametro, portanto, tem premissas claras a 
cumprir como instituição de ensino de qualidade. 
Praticar o ensino, pesquisa e extensão é a sua principal 
bandeira. 
A Fametro, ao longo das últimas duas décadas, 
vem se consolidando como a melhor instituição de 
ensino do Norte, um espaço democrático e docentes 
com variadas visões de mundo. Somos uma instituição 
de ensino plural que avança a cada ano em busca 
sempre de desenvolver a economia da Amazônia. Nossa 
estrutura é moderna, estamos em diversos municípios 
levando uma educação inclusiva e de qualidade.
Conheça o Centro Universitário Fametro e viva a 
experiência em estudar numa instituição com o corpo 
docente com mestres e doutores e de qualidade de 
ensino comprovada pelo MEC. 
Maria do Carmo Seffair
Reitora
Pa
la
vr
a 
da
 R
ei
to
ra
“É a educação que faz 
o futuro parecer um 
lugar de esperança e 
transformação”.
UNIDADE I
 
Linguagem e seus domínios
1.1 Linguagem verbal
1.2 Linguagem não verbal
1.3 Linguagem mista 
1.4 Conceitos e importância da leitura
1.5 Tipos e técnicas de leitura
1.6 Análise e estrutura de um livro/texto
1.7 Interpretação do conteúdo de um livro 
1.8 Crítica de um livro como 
transmissão de conhecimentos
 
1.9 Anotação
Su
m
ár
io
13
15
16
16
16
25
31
32
33
38
UNIDADE II 
Interpretação: da palavra à comunicação
2.1 Tipologia textual
2.2 Narração
2.3 Descrição
2.4 Injunção 
2. 5 Dialogal 
2.6 Dissertação
2.7 Organização do texto
2.8 Análise
UNIDADE III 
Semiótica e texto não-verbal: 
principais conceitos
3.1 Linguagem verbal 
3.2 Linguagem não verbal
3.3 Linguagem mista
3.4 Interpretação de texto não verbal
45
64
65
72
75
78
83
92
97
103
104
104
104
111
UNIDADE IV 
Coesão e coerência textual
4.1 Coerência
4.2 Tipos de parágrafos dissertativos
4.3 Texto dissertativo: 
reconhecer e produzir
4.4 Texto dissertativo: artigo de opinião
Referências 
Caderno de Exercícios
131
144
147
164
172
184
189
U
ni
da
de
 1
Videoaula 1
Videoaula 2
13
LINGUAGEM E 
SEUS DOMÍNIOS1
É através da linguagem que 
o ser humano se constitui 
social e individualmente. 
A linguagem se divide em 
verbal e não verbal e pode 
ser também mista. Segundo 
Bechara (2004), a linguagem 
é qualquer sistema de signos 
simbólicos empregados na 
intercomunicação social para 
expressar e comunicar ideias e 
sentimentos, isto é, conteúdo 
da consciência. Sendo assim, a 
língua é o grande potencial da 
linguagem verbal, sendo vital 
para o desenvolvimento da 
1 Fonte: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. rev. e ampl. Rio de 
Janeiro: Lucerna, 2004.
14
Anotações: humanidade. Segundo Faraco e Mandryk (2012), “a 
realidade humana é, de fato, inseparável da língua”. 
Neste sentido, é através dela que constituí-
mos a interação verbal – maior modo de comuni-
cação humana e, também, como nos constituímos 
como pessoas. Assim, a língua é parte fundamental 
e determinante na vida do homem e na manutenção 
da vida em sociedade. Os falantes, portanto, desde 
o seu nascimento, já estão inseridos em uma língua, 
no caso dos brasileiros, da língua portuguesa. Esta 
língua é assimilada de modo muito rápido pelo fa-
lante, que já mantém uma característica inata para 
aprendê-la, segundo o linguista americano Noam 
Chomsky. Além disso, a língua é moldada de acordo 
a situação de convívio social, o que possibilita afir-
mar que todos os nativos de uma língua conhecem 
plenamente a sua língua. 
É importante lembrar que o compêndio gra-
matical é diferente da língua. Pode ser entendido 
como um livro com as regras e normas descritas e 
um conjunto de regras pré-estabelecidas da língua. 
A língua envolve toda a prática linguística utilizada 
por indivíduos em uma comunidade e pode não es-
tar dentro das regras gramaticais, mas dentro da 
organização linguística da comunidade de falantes. 
Assim, ela é um conjunto de práticas sociais mais 
amplo que a gramática. Um falante nativo não “erra” 
a sua língua, uma vez que as questões históricas e 
geográficas influenciam na língua falada pela co-
munidade. Deste modo, considerar que uma comu-
nidade fala melhor que a outra, que os falantes de 
um Estado falam melhor que os de outros Estados, 
é uma forma de inferiorizar grupos sociais. O que 
devemos considerar é a situação e a intenção. No 
campo da linguagem verbal, temos os três grandes 
15
 
eixos desta disciplina: leitura, interpretação e es-
crita, sem deixar de lado a linguagem não-verbal, 
presente na interpretação do mundo e da escrita. 
1.1 LINGUAGEM VERBAL
Existem várias formas de comunicação. Quan-
do o homem se utiliza da palavra, ou seja, da lingua-
gem oral ou escrita, dizemos que ele está usando 
uma linguagem verbal, pois o código é a palavra. Tal 
código está presente quando falamos com alguém, 
lemos ou escrevemos. 
De acordo com Fiorin (2002), a linguagem ver-
bal é, então, a matéria do pensamento e o veículo 
da comunicação social. Assim como não há socie-
dade sem linguagem, não há sociedade sem comu-
nicação. Como realidade material – organização de 
sons, palavras frases - a linguagem é relativamente 
autônoma: como expressão de emoções, ideias, 
propósitos, no entanto, ela é orientada pela visão 
de mundo, pelas injunções da realidade social, his-
tórica e cultural de seu falante. 
A linguagem verbal é a forma de comunicação 
mais presente em nosso cotidiano. Mediante a pa-
lavra falada ou escrita, expomos aos outros as nos-
sas ideias e pensamentos, estabelecemos comuni-
cação e existimos em um mundo feito de palavras. 
Ela está presente em textos, em propagandas, em 
reportagens (jornais, revistas, etc.), em obras lite-
rárias e científicas, na comunicação entre as pes-
soas, em discursos (políticos, representantes de 
classe, candidatos a cargos públicos, etc.); e em 
várias outras situações.
A linguagem verbal 
é produzida com a 
utilização da língua e 
pode-seapresentar 
na modalidade oral 
(falada) ou escrita.
16
1.2 LINGUAGEM NÃO VERBAL 
Linguagem não verbal é o uso de imagens, figu-
ras, desenhos, símbolos, dança, pintura, música, mí-
mica, escultura e gestos como meio de comunicação. 
Neste contexto, temos a simbologia que é 
uma forma de comunicação não verbal. Exemplos: 
sinalização de trânsito, semáforo, logotipos, ban-
deiras, uso de cores para chamar a atenção ou ex-
primir uma mensagem. É muito interessante obser-
var que, para manter uma comunicação, utilizamos 
tanto a linguagem verbal quanto a não verbal. 
1.3 LINGUAGEM MISTA
Linguagem mista ou híbrida é o uso simultâ-
neo da linguagem verbal e da linguagem não verbal. 
Muito comum nas histórias em quadrinhos e nas 
propagandas. É uma linguagem com muito poten-
cial, pois a união de ambas, amplia o poder comu-
nicacional.
2. CONCEITOS E IMPORTÂNCIA 
DA LEITURA
Em conformidade com Paulo Freire2, a leitu-
ra de mundo antecede a da palavra, logo, a leitura 
posterior não se pode desconsiderá-la, visto serem 
interdependentes. Linguagem e realidade se entre-
A linguagem mista 
ou híbrida é feita 
com a utilização da 
linguagem verbal e 
não verbal ao mesmo 
tempo.
A linguagem não 
verbal é feita sem a 
utilização da língua e 
engloba: sons, cores, 
gestos, símbolos.
2 FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se 
completam. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.
17
laçam dinamicamente, de modo que a compreen-
são do texto a ser alcançada por sua leitura crítica, 
implica a percepção das relações entre o texto e o 
contexto. Para o educador, o mundo do leitor é fun-
damental para a compreensão da leitura.
Por exemplo, se alguém gosta de carros e tra-
balha em uma concessionária de veículos, saberá o 
nome das marcas, dos modelos e, provavelmente, 
acompanha toda a tecnologia de produção dos au-
tomóveis. Este alguém, certamente, terá domínio do 
vocabulário relacionado ao tema, carros. Por isso, se 
for necessário ler algum material sobre este tema, 
será mais fácil compreender o texto. Por outro lado, 
se esse alguém não sabe nada sobre enfermagem, 
algumas ou muitas expressões serão incompreensí-
veis. E, se o assunto não faz parte do seu mundo, terá 
muito mais dificuldade de compreensão. 
Portanto, ainda segundo Paulo Freire (1989), a 
compreensão do texto a ser alcançada por sua lei-
tura crítica implica a percepção das relações entre o 
texto e o contexto. O contexto, então, é fundamental 
para a compreensão, não só de leitura, mas também 
de interpretação e produção dos mais diversos tipos 
de texto.
O contexto se dá de dentro para fora do tex-
to. É como se determinadas palavras, expressões 
levassem do sentido do texto para o mundo real. 
Esse mundo real é o contexto. É possível partir de 
contextos para o texto, quando se observa o mundo, 
os acontecimentos e, depois, vai-se aos textos para 
compreender o fato através das palavras. Sendo as-
sim, o contexto é um dos fatores determinantes para 
o entendimento da leitura. 
Contexto é tudo 
aquilo que, embora 
não esteja no texto, é 
importante para sua 
compreensão. É o 
ambiente, é o sujeito 
da ação e sua função 
social, são os fatores 
sociais, culturais 
e psicológicos. É a 
situação concreta 
a que o texto se 
refere. Há diferentes 
tipos de contextos 
(social, político, 
cultural, estético, 
esportivo, educacional, 
histórico...).
18
Anotações: Exemplo 1
Fonte: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noti-
cia/2018/04/>.
Exemplo 2
Fonte: <https://www.otempo.com.br/capa/brasil/>.
A palavra guerra aparece nas duas manche-
tes, porém ela tem significado diferente, na primei-
ra, sabe-se que há conflito armado na Síria e ocorre 
verdadeiramente uma guerra; já no exemplo dois, 
trata-se da grande violência proporcionada pelo 
tráfico, mas não pode ser compreendida na mes-
ma acepção do exemplo 1. Como sabemos disso? 
Simplesmente pelo contexto, somos brasileiros e 
sabemos que não estamos em guerra armada, por 
isso, somos levados a compreender sob outra óti-
ca. Outro exemplo é quando lemos uma placa como 
a da figura, sabemos que o lugar de compra é a casa 
onde está a placa. Como sabemos isso?
Fonte:< http://www.fatoreal.blog.br/seguranca/falta-de-se-
guranca-e-uma-solucao-criativa/>.
19
Anotações:É simples, a partir do nosso conhecimento de 
mundo, ou seja, o contexto nos indica um conheci-
mento para além do que está escrito. Então, isto vai 
ao encontro do pensamento de Paulo Freire, ao afir-
mar que não lemos apenas palavras, lemos, antes, o 
mundo. Caso não sejamos bons leitores do mundo, 
teremos dificuldade na leitura das palavras. Ob-
servem que, para compreendermos um conceito, 
tivemos que refletir sobre ele, ampliá-lo, entender 
o que significa a palavra mundo, o que é contexto, 
para então, compreender plenamente o que o autor 
entende por leitura do mundo. 
Assim deve ser feito em todo ato de leitura, 
pois ler é um processo, é uma ação que envolve re-
flexão, busca, paciência e, principalmente, prática. 
Quanto mais lemos, mais adquirimos habilidade. 
Devemos também considerar a inter-relação entre 
leitor e texto, pois ele não é um ser passivo, sem 
conhecimento anterior. Quando se põe a desvendar 
um texto, os conhecimentos anteriores são aciona-
dos e pode haver um diálogo com o texto. Soares 
(2000) amplia a concepção de leitura ao apresentar 
a relação entre leitor e autor mediado pelo mundo: 
Leitura não é esse ato solitário; é in-
teração verbal entre indivíduos, e in-
divíduos socialmente determinados: 
o leitor, seu universo, seu lugar na 
estrutura social, suas relações com o 
mundo e com os outros; o autor, seu 
universo, seu lugar na estrutura so-
cial, suas relações com o mundo e os 
outros (SOARES, 2000, p. 18).
Portanto, o processo de interação entre livro 
e leitor é discutido por Leffa (1999) ao considerar a 
20
leitura como um processo interativo entre os es-
quemas do leitor e do autor, vivendo um momento 
sócio histórico. Dessa forma, a concepção de leitu-
ra interativa compreende leitura não como uma ati-
vidade de decodificação de itens linguísticos, como 
um processo dinâmico de construção de sentidos. 
Nessa concepção de interação, o leitor não é mero 
receptor de mensagens, ele se porta como coautor.
Ampliando o conceito de leitura, Kleiman 
(2002) entende como um processo cognitivo que 
envolve uma relação entre “o sujeito leitor e o texto 
enquanto objeto, entre linguagem escrita e com-
preensão, memória, inferência e pensamento”. 
Para a autora, a leitura só pode acontecer quando 
aspectos cognitivos são acionados, dentre eles: 
compreensão, memória, inferência e pensamento. 
Destes quatro aspectos, dois merecem destaque: 
memória e inferência.
Em primeiro plano, a memória é fator primor-
dial na leitura porque será acionada para relembrar 
conhecimentos que se unirão ao novo conhecimen-
to da leitura. Todas as vezes que se faz uma leitura, 
vem à mente outras leituras já feitas. Certamente 
que, a memória só pode ser acionada se houver co-
nhecimentos prévios. Quanto mais leitura se tem, 
maior é o repertório para ser relembrado. O segun-
do termo utilizado, inferência3 , também é impor-
tante para a realização de uma leitura completa:
A Inferência textual está relacionada à com-
preensão da leitura. Significa interpretar os ele-
mentos que estão explícitos e implícitos no texto, 
de modo que o leitor consiga ampliar a análise de 
Inferência é 
uma dedução 
feita com base em 
informações ou um 
raciocínio que usa 
dados disponíveis 
para se chegar a uma 
conclusão. Inferir é 
deduzir um resultado, 
por lógica, com base 
na interpretação de 
outras informações. 
Inferir também pode 
significar chegar 
a uma conclusão 
a partir de outras 
percepções ou da 
análise de um ou mais 
argumentos.
3 < https://www.significados.com.br/>.
21
tudo que foi escrito e compreender a ideia central 
do texto. A inferência textual pode requerer al-
gum conhecimento prévio sobre o tema da leitura. 
Quando se realiza o atode ler, nem sempre as in-
formações estão claras e visíveis, nem é possível 
compreender um texto apenas fazendo uma leitura 
literal. Para ampliar a compreensão, alguns concei-
tos devem ser considerados, como os de IMPLÍCI-
TOS E EXPLÍCITOS4. 
Informações explícitas são aquelas gritante-
mente expostas no texto. Não há necessidade de 
se aguçar a mente, de fazer um grande esforço para 
compreender as informações. Neste caso, a inter-
pretação deve se voltar apenas ao que foi redigido no 
texto. Já os implícitos são os elementos que o leitor 
deverá deduzir a partir de informações explícitas.
O implícito requer a capacidade do leitor de 
deduzir o que o autor quis dizer no texto, mas não 
disse. Ou seja, é necessário que o leitor enxergue 
o que não está escrito, o que está nas entrelinhas. 
Vamos ler o implícito dos textos5 abaixo:
Implícito: se a tartaruga não for monitorada, 
dificilmente se saberá a idade dela.
Implícitos – 1) o inchaço é passageiro, não é 
duradouro; 2) se for um número grande, pode trazer 
consequências mais graves. No campo dos implíci-
tos estão os PRESSUPOSTOS E SUBENTENDIDOS 
que também são responsáveis por fazer uma boa 
Quantos anos vive uma 
tartaruga?
A tartaruga vive entre 
80 e 100 anos. [...] As 
tartarugas estão entre os 
animais de vida mais longa 
e é o único animal hoje que 
vive mais que o homem. 
[...] Um dos critérios 
usados para saber a idade 
da tartaruga é contar os 
anéis que formam seu 
casco. 
Mas, com o passar do 
tempo, esse critério 
deixa de ser útil porque o 
número de anéis aumenta 
muito e não é mais 
possível distingui-los. 
Muitas vezes, o tamanho 
da tartaruga pode ser um 
indicativo da sua idade. 
SUPERINTERESSANTE, 
fev.1995.
4 Marcelo Rosenthal; Lilian Furtado; Tiago Omena; Pedro Henrique. 
Interpretação de Textos e Semântica para concursos: teoria, es-
quemas, exercícios e questões de concursos comentadas. Cam-
pus concurso. Acessado em <www.elsevier.com.br>
5 <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materi-
ais/0000014237.pdf>.
22
Anotações: leitura. Vamos agora verificar qual a distinção entre 
eles:
PRESSUPOSTOS: o autor do texto emprega 
palavras ou expressões com a intenção de que o lei-
tor realize a inferência. Ele não passa uma informa-
ção completa, mas o uso de determinada palavra ou 
expressão dá a ideia pretendida. Os pressupostos 
podem ser marcados por:
Verbos – os alunos deixaram o curso de língua 
inglesa, porque essa matéria não foi incluída no edi-
tal do concurso. 
• Com o emprego de DEIXARAM, o autor dá a 
entender que os alunos vinham cursando o 
Inglês, até a publicação do edital; não está 
escrito no texto que estavam cursando, 
mas, pressupõe-se por conta do verbo.
Advérbios – “João também não fez o que foi 
solicitado. ” 
• Com o emprego do advérbio TAMBÉM, o 
autor da frase afirma que além de João, 
outras pessoas não fizeram o solicitado.
Adjetivos – Os candidatos estudiosos têm 
grandes possibilidades de aprovação. 
• Com o emprego do adjetivo ESTUDIOSOS, 
o autor pretende dizer que há candidatos 
estudiosos e candidatos não estudiosos. 
E mais: que o candidato não estudioso 
tem menos possibilidades de aprovação.
Orações adjetivas – Os funcionários que fize-
ram greve foram demitidos. 
• Com a oração adjetiva QUE FIZERAM GRE-
VE com caráter restritivo, o autor leva o 
leitor a pressupor que aqueles que não fi-
zeram greve continuaram empregados.
Palavras denotativas – Mesmo João fez to-
dos os exercícios. 
23
Com o emprego da palavra denotativa de in-
clusão MESMO, pressupõe-se que todos fizeram os 
exercícios, inclusive João. Também se depreende 
que João era a pessoa com a menor expectativa de 
que fizesse os exercícios.
SUBENTENDIDOS: a partir de uma informa-
ção, pelo menos aparentemente independente – já 
que o autor não usa palavra ou expressão eviden-
ciando a intenção, o leitor realiza uma leitura das 
entrelinhas, de elementos que não estão expostos, 
explícitos, mas que são lógicos em relação ao con-
texto. Às vezes, para se observar o subentendido, 
é necessário conhecer o contexto (momento políti-
co, social e até mesmo pessoal do autor).
Vejamos nos exemplos6 abaixo como se dá o 
subentendido:
O adolescente é um bicho ético, que detesta 
a hipocrisia: está procurando, em cada experiência 
nova, um fundamento da arte de viver. Para isso, a 
verdade é essencial. Cada experiência é decisiva 
porque ele sabe que em cada escolha está se cons-
truindo como pessoa. Tudo tem que ser falado, dis-
secado em miúdos.
Coloquei uma carta
Numa velha garrafa
Mais uma carta
De solidão
Coloquei uma carta
Um pedido da alma
Salvem meu coração
LS JACK. Uma carta. In: ÁLBUM:V.I.B.E.[s.l.]
Subentendido 
– quando sai da 
adolescência pode 
se tornar hipócrita. 
Os adultos são mais 
hipócritas que os 
adolescentes.
Subentendido – na 
letra da canção o autor 
relata que colocou 
uma carta em uma 
garrafa e embora não 
esteja escrito neste 
trecho que a garrafa 
será jogada na água, 
nosso conhecimento 
de mundo, nossa 
interpretação do 
contexto nos leva a esta 
compreensão, a este 
subentendido.6 < http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/
materiais/0000014237.pdf>.
24
Inferência: 
dedução feita 
com base nas 
informações
Explícitos: 
interpretação do 
que foi realmente 
escrito no texto
Implícitos: 
enxergar nas 
entrelinhas do 
texto
Pressuposto: 
palavras do texto 
que remetem ao 
entendimento
Subentendido: 
não há palavras 
que remetam ao 
entendimento. 
Apenas o contexto.
Na Lanchonete, Zezinho pede uma média com 
leite e pão com manteiga. Depois de pagar, ele bebe 
o café, sente que não tem açúcar e pergunta:
Zezinho: Tem açúcar?
Garçonete: Tem sim.
Zezinho: Tenho que pagar de novo?
Garçonete: Não
Zezinho: Então me dá 2kg...
Esquematizando as informações destacadas 
acima a respeito da inferência, temos:
Leitura: perspectivas disciplinares. 
São Paulo: Ed. Ática, 2000. p. 18-29.
Diante das abordagens, já foi possível perceber 
que a leitura é fundamental para o desenvolvimento 
do ser humano.
Subentendido - 
a garçonete subentende 
que o açúcar era para 
adoçar o café e não um 
pacote. Não foi dito pelo 
Zezinho a quantidade de 
açúcar, mas no contexto 
da lanchonete, 
entende-se que é 
uma quantidade 
suficiente apenas para 
adoçar o café.
25
Anotações:
Neste sentido, na universidade, será impres-
cindível para dar conta das exigências, pois nenhu-
ma formação acadêmica se faz sem leitura e escrita. 
Observe no esquema abaixo os principais conceitos 
relacionados à leitura estudados.
1.5 TIPOS E TÉCNICAS DE LEITURA
Vamos agora estudar a respeito dos tipos de 
leituras que podemos fazer e das técnicas que po-
dem tornar as leituras mais eficazes. Não se trata 
de receita para ler melhor, mas de processos de es-
tudo bem definidos e detalhados que, se seguidos, 
podem proporcionar melhor desempenho na habili-
dade da leitura.
LEITURA
Mundo
Memória
Pressuposto
Subentendido
Interação
Inferência
26
Para Adler7 (1974), o processo de compreen-
der um livro pode ser assim dividido:
• Deve se aproximar dele, primeiro, consi-
derando-o um todo, com uma unidade e 
uma estrutura de partes; 
• e, segundo, considerando seus elemen-
tos, suas unidades de linguagem e pensa-
mento.
Para auxiliar neste 
campo, a obra “A Arte 
de Ler”, de Mortimer 
J. Adler (1974) será de 
grande subsídio. Assim 
como a obra de Molina, 
“Ler Para Aprender”.
7 ADLER, Mortimer J. A arte de ler: Como adquirir uma educação lib-
eral. Tradução de: Inês Fortes de Oliveira. Rio de Janeiro: AGIR ed-
itora, 1974. Copyright de ARTES GRÁFICAS INDÚSTRIAS REUNIDAS 
S. A. (AGIR).
27
Anotações:Significa que o livro ou texto trata de um as-
sunto em geral, o todo; mas esse todo é dividido em 
partes, capítulos e subtópicos. Além disso, deve-se 
considerar a linguagem do texto, a organização e o 
pensamento veiculado por ele. 
Na leitura que se faz, devem-se considerar 
estas questões:
Qual o todo deste texto – o assunto geral?
Como está dividido?
Como se organiza?A linguagem é simples ou precisa de mais atenção?
Qual o pensamento veiculado pelo autor?
Qual ideia realmente o autor quer passar?
Adler (1974) lista três leituras distintas para 
que se obtenha um bom resultado.
• A primeira leitura pode ser chamada es-
trutural ou analítica. O leitor procede do 
todo para as partes. 
• A segunda leitura pode ser chamada inter-
pretativa ou sintética. O leitor procede das 
partes para o todo. 
• A terceira leitura pode ser chamada crítica 
ou avaliadora. O leitor julga o autor e vê se 
concorda ou não com ele. 
Para realizar a primeira leitura, ESTRUTURAL 
OU ANALÍTICA, é preciso saber: 
1. que tipo de livro se lê, isto e, qual o assunto 
dele; 
2. o que o livro, como um todo, procura dizer; 
3. em quantas partes esse todo se divide e 
4. dos problemas principais, quais são os 
que o autor está procurando resolver. 
Para a segunda leitura, INTERPRETATIVA OU 
SINTÉTICA, os passos são:
28
Anotações: 1. descobrir e interpretar as palavras impor-
tantes do livro; 
2. fazer o mesmo para as sentenças impor-
tantes e 
3. para os parágrafos que exprimem argu-
mentos. 
4. saber quais de seus problemas o autor re-
solveu, e quais deixou sem solução. 
Quanto à leitura CRÍTICA OU AVALIADORA, vá-
rias observações podem ser feitas – quatro ao todo. 
Antes de criticar ou julgar um autor, 
tem-se sempre que compreendê-lo. 
Conheci muitos “leitores” que fazem, 
primeiro, a terceira leitura. Pior do 
que isso, nunca chegam a fazer as 
duas primeiras. Pegam o livro e logo 
começam a mostrar os defeitos dele. 
Estilo cheios de opiniões, e o livro é 
apenas um pretexto para exprimi-las. 
Não deviam ser chamados “leitores”. 
São como muitas pessoas que vocês 
conhecem, que acham que conversar é 
falar e, nunca, ouvir. Essas pessoas não 
merecem o esforço que se faz falando 
com elas, e, muitas vezes, nem mere-
cem ser ouvidas. (ADLER 1974, p. 106)
Esta leitura apresenta nível mais de comple-
xidade maior porque, como leitor, precisa-se ana-
lisar a obra lida e discutir o assunto a partir de ou-
tros conhecimentos já existentes, bem como fazer 
algumas críticas. A respeito do conceito de crítica, 
deve-se compreender numa visão mais ampla, pois 
muitos acreditam que criticar é falar mal, é discor-
dar, é procurar defeito. No campo da ciência, criti-
29
Anotações:car é estabelecer juízos a partir de outros conheci-
mentos. Pode-se questionar:
• A respeito deste assunto, em que o autor 
amplia a discussão?
• Quais elementos novos o autor estabelece 
para esta teoria, para este tema?
• Quais aspectos o autor não trata?
• Em que se parece com as ideias de outros 
autores?
• Em que difere de outros autores?
• Comparando com a realidade, como o se 
aproxima ou se distancia dela?
Há que se ter, pois, muito cuidado para não 
fazer críticas com base no senso comum, manifes-
tando meramente sua opinião, sem nenhuma base 
teórica. Não se emite opinião pura e simples quan-
do se trata de teoria, de conceito, de informação 
científica. Por isso, dizer que concorda ou discorda 
só porque “acha”, não é o suficiente para fazer uma 
crítica da leitura.
Para melhor compreensão do processo de lei-
tura estabelecido por Adler (1974, p. 209-210), far-
-se-á uma análise de texto como exemplo.
Vamos tomar como base uma notícia veicula-
da pela revista Isto É,8 que trata sobre o estudo de 
pessoas com necessidades especiais.
Cresce o número de estudantes com 
necessidades especiais
Nos últimos cinco anos, de 2014 a 2018, o 
número de matrículas de estudantes com neces-
sidades especiais cresceu 33,2% em todo o país, 
8 <https://istoe.com.br/>. em 31/01/19 - 11h02
30
Anotações: segundo dados do Censo Escolar divulgados hoje 
(31) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesqui-
sas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No mesmo 
período, também aumentou de 87,1% para 92,1% o 
percentual daqueles que estão incluídos em clas-
ses comuns.
Em 2014, eram 886.815 os alunos com defi -
ciência, altas habilidades e transtornos globais do 
desenvolvimento matriculados nas escolas bra-
sileiras. Esse número tem aumentado ano a ano. 
Em 2018, chegou a cerca de 1,2 milhão. Entre 2017 
e 2018, houve aumento de aproximadamente 10,8% 
nas matrículas.
De acordo com dados do CEN-
SO, na rede pública está o maior ín-
dice dos estudantes em classes 
comuns. Nas escolas, 97,3% 
dos alunos com necessi-
dades educacionais es-
peciais estavam nessas 
classes em 2018. Na 
rede particular, o per-
centual foi 51,8%.
Por lei, pelo Plano 
Nacional de Educação (PNE), 
o Brasil deve incluir todos os es-
tudantes de 4 a 17 anos na escola. 
Os estudantes com necessidades 
especiais devem ser matriculados 
preferencialmente em classes co-
muns. Para isso, o Brasil deve garantir 
todo o sistema educacional inclusivo, 
salas de recursos multifuncionais, 
classes, escolas ou serviços especia-
lizados, públicos ou conveniados.
nas matrículas.
De acordo com dados do CEN-
SO, na rede pública está o maior ín-
dice dos estudantes em classes 
comuns. Nas escolas, 97,3% 
dos alunos com necessi-
dades educacionais es-
peciais estavam nessas 
Nacional de Educação (PNE), 
o Brasil deve incluir todos os es-
tudantes de 4 a 17 anos na escola. 
Os estudantes com necessidades 
especiais devem ser matriculados 
preferencialmente em classes co-
muns. Para isso, o Brasil deve garantir 
todo o sistema educacional inclusivo, 
salas de recursos multifuncionais, 
classes, escolas ou serviços especia-
lizados, públicos ou conveniados.
31
Anotações:Segundo os dados do Censo, 38,6% das es-
colas públicas de ensino fundamental e 55,6% 
das privadas têm banheiros para pessoas com 
necessidades especiais. Além disso, também no 
ensino fundamental, 28% das escolas públicas 
e 44,7% das particulares têm dependências 
adequadas para pessoas com necessidades 
especiais.
No ensino médio, 60% das escolas públicas e 
68,7% das escolas particulares dispõem de banhei-
ro especial e 44,3% das públicas e 52,7% das priva-
das têm dependências adequadas.
1.6 ANÁLISE E ESTRUTURA 
DE UM LIVRO/TEXTO
 
Veja abaixo um exemplo de análise da estrutura:
Tipo e assunto: o texto é uma notícia de jor-
nal. Seu assunto é a inclusão de pessoas com ne-
cessidades especiais na escola.
Constituição: dividido em 6 parágrafos com 
informações e muitos dados estatísticos.
Enumeração das partes: 
• Apresenta o aumento de pessoas com ne-
cessidades nas escolas;
• Retrospectiva – de 2014 a 2018;
Classificá-lo de acordo com seu tipo e seu assunto.
Expor, com a máxima brevidade, sua constituição.
Enumerar as partes principais em sua ordem e 
relação, e analisá-las como se analisou o todo.
Definir o problema ou problema; que o autor está 
procurando resolver.
32
• Censo;
• Lei - Plano Nacional de Educação (PNE);
• Censo;
• Diferença escola pública e escola particu-
lar.
Problema: a inserção de pessoas com ne-
cessidades especiais nas escolas brasileiras.
1.7 INTERPRETAÇÃO DO CONTEÚDO 
DE UM LIVRO
Proposições principais: 
• De 2014 a 2018, o número de matrículas de 
estudantes com necessidades especiais 
cresceu 33,2% em todo o país.
• Entre 2017 e 2018, houve aumento de apro-
ximadamente 10,8% nas matrículas.
• Plano Nacional de Educação (PNE): o Bra-
sil deve incluir todos os estudantes de 4 a 
17 anos na escola, preferencialmente em 
classes comuns. 
• Todo o sistema educacional inclusivo: sa-
las de recursos multifuncionais, classes, 
Vejamos agora como 
proceder para fazer 
a interpretação do 
conteúdo do livro ou 
do texto estudado:
Compreender as proposições principais do autor, 
estudando suas sentenças mais importantes. 
Conhecer os argumentos do autor, descobrindo-
-os na série de sentenças ou construindo-os fora 
delas.
Indicar quais problemas o autor resolveu e que 
problemas não resolveu; e, quanto aos últimos, 
ver se o autor reconheceu seu fracasso.
33
Anotações:escolas ou serviços especializados, públi-
cos ou conveniados.
• Segundo os dados do Censo, metade das 
escolas públicas e particulares têm estru-tura para receber alunos com necessida-
des especiais.
Argumentos do autor:
• O argumento principal do autor está nos 
dados estatísticos do Censo e de outras 
pesquisas.
Problemas que o autor resolveu e não resolveu
• O autor claramente aponta o crescimento 
das matrículas dos alunos com necessida-
des especiais. Destaca de forma satisfa-
tória o crescente número de alunos nesta 
condição nas escolas brasileiras. De forma 
superficial trata a respeito das condições 
das escolas para receber estes alunos, 
mas não enfatiza o descaso com muitos 
prédios escolares que sequer têm rampa 
para cadeirantes. Além disso, o autor não 
trata da formação dos professores para 
atender à necessidade deste público.
1.8 CRÍTICA DE UM LIVRO COMO 
TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTOS
Antes de iniciar esta etapa de leitura, atente 
para as Máximas Gerais propostas pelo autor: 
1. Não começar a crítica antes de completar 
a análise e a interpretação. (Não digam 
que concordam, discordam ou deixam 
34
Anotações: de julgar, antes de poderem dizer “Com-
preendo”.) 
2. Não discordar, como se se estivesse bri-
gando ou disputando. 
3. Respeitar a diferença entre o conhecimen-
to e a opinião, apresentando os motivos de 
qualquer julgamento crítico que se fizer.
Critérios Específicos de Observação 
Crítica
Autor não está informado:
• Qual a estrutura necessária para receber 
alunos com necessidades especiais;
• Formação adequada de professores para 
esta necessidade dos alunos;
• Recursos pedagógicos.
Autor mal-informado:
• Acredita que apenas banheiros adequa-
dos é o suficiente para inserir um aluno 
com necessidade especial na escola.
Autor ilógico:
• Nos dados estatísticos percebe que ape-
nas metade das escolas atendem às ne-
cessidades dos alunos com necessidades 
especiais em relação ao banheiro, mas 
Mostrar em que o autor não está informado.
Mostrar em que o autor está mal informado.
Mostrar em que o autor é ilógico.
Mostrar em que a análise ou concepção do autor 
é incompleta.
35
não faz nenhuma referência para mostrar 
a ineficiência das escolas neste campo.
Análise incompleta:
• Não demonstra a realidade das esco-
las brasileiras, pois em grande parte não 
têm condições estruturais para receber 
surdos, cegos, autistas e demais neces-
sidades especiais. Mostrando apenas os 
dados de matrícula aparenta dizer que es-
tas crianças estão verdadeiramente tendo 
acesso à educação, mas resta saber se 
completam o ano escolar e o que apren-
dem durante o ano.
FAULSTICH9 (2002) também estabelece tipos 
de leitura pra os textos técnicos. Ele divide em 2 ti-
pos de leitura, a INFORMATIVA e a INTERPRETATI-
VA, como demonstrado:
9 FAULSTICH, Enilde L. de J. Como ler, entender e redigir um texto. 
Petrópolis: Editora Vozes, 2002.
LEITURA 
TÉCNICA
LEITURA 
INFORMATIVA
LEITURA SELETIVA
Identificar em cada parágrafo a palavra-chave 
da ideia central e as palavras-chave das ideias 
secundárias.
Selecionar na sequência esse conjunto de 
palavras que formará o resumo do texto. 
LEITURA CRÍTICA
Leitura abrangente do assunto. 
Reconhecer a hierarquia das ideias.
Verificar como o texto está organizado, 
dividido.
36
É importante destacar que Faulstich (2002) 
segue as capacidades cognitivas estabelecidas por 
Benjamin Bloom10 et, al adaptadas para o processo 
de leitura interpretativa. Como pode ser observa-
do, a leitura não é uma tarefa simples como muitos 
acreditam ser. Ela requer tempo e cuidado para que 
não seja superficial e sem significado.
Compreender a leitura como um processo, 
contribui para a aquisição da habilidade na interpre-
tação. Se se pensar em leitura como pegar o texto, 
10 BLOOM. S. B. et. alii. Taxionomia dos objetos educacionais. 
Porto Alegre, Globo, 1973.
LEITURA 
TÉCNICA
LEITURA 
INTERPRETATIVA
COMPREENSÃO
Entender a mensagem literal defendida pelo 
autor, entender o ponto de vista, a tese.
ANÁLISE
Desdobrar o texto em partes percebendo a 
relação das partes com o todo.
SÍNTESE
Retirar de cada parágrafo as ideias centrais e 
ordenar as ideias principais.
APLICAÇÃO
Associar assuntos paralelos. Utilizar o assunto 
aprendido no texto em outros textos. projeção 
de novas ideias a partir do conhecimento 
adquirido.
37
Anotações:ler de qualquer jeito e finalizar, possivelmente se-
rão perdidas muitas informações. Por isso, tem-se 
a ideia de processo: primeira leitura para conhecer 
o texto e fazer um rápido mapeamento; segunda 
leitura para apreender a essência do texto, a ideia 
defendida pelo autor e, só então, poder fazer críti-
cas ao texto e relacionar o texto com outros textos.
Destaca-se que um livro, um texto e um artigo 
podem ser relacionados a outros tipos de informa-
ção como documentários, filmes, séries, novelas, 
desenhos animados, músicas e quadros. Lembre-
-se de que todo o conhecimento de mundo deve 
ser acionado quando se faz uma leitura porque, só 
assim, é possível estabelecer relações, comparar e 
criticar.
Neste capítulo, foram apresentados dois 
modelos de técnicas e de processo de leitura: a 
primeira, de Mortimer (1974), com 3 etapas bem 
detalhadas e que podem servir para leituras mais 
exigentes; a segunda, de Faulstich (2002) apresen-
ta 2 etapas que servirão para leituras mais rápidas. 
Ao final desta unidade, o que se deve ter com-
preendido é que a leitura é parte do processo de 
formação universitária. Não há formação, tampou-
co, conhecimento sem leitura, por isso, quando se 
investe em uma formação acadêmica séria, consis-
tente, para ter sucesso, deve-se ler todos os textos, 
todos os livros indicados e solicitados pelo profes-
sor. Há que se ler com cuidado, com calma e paciên-
cia. Mesmo que no começo pareça uma tarefa chata 
e enfadonha, não é bom desistir. Cada vez que se lê 
um texto completo, mais fácil fica a leitura do próxi-
mo e, assim, constrói-se o gosto pela leitura.
38
Anotações: Formação + Leitura = Excelência
 Apesar de ser um assunto tratado pela dis-
ciplina de Metodologia do Estudo, tratar-se-ão de 
algumas técnicas utilizadas na universidade duran-
te o processo de leitura ou mesmo após a leitura. 
As informações são de Medeiros (2011) e são úteis 
para cumprir as principais atividades de leitura na 
universidade. Durante o estudo, em especial, um 
estudo independente em que está apenas o leitor e 
o texto, precisa: 
a) Anotar;
b) Esquematizar o texto;
c) Transformar o texto em roteiro;
d) Realizar resumos.
1.9 ANOTAÇÃO
Este é um ponto de partida para qualquer es-
tudante, seja diante de uma aula expositiva, uma 
palestra ou um livro. Realizar anotações ajuda a 
compreender melhor o que está sendo lido e de-
pois serve como ponto de partida para outras ati-
vidades. Medeiros, (2011, p. 8) considera a anotação 
como “[...] processo de seleção de informações 
para posterior aproveitamento.”
Antes de iniciar as anotações é preciso defi-
nir onde elas serão feitas e isso depende do leitor e 
do propósito da leitura. Pode-se anotar no próprio 
livro/texto, em um caderno, em um bloco de ano-
tações ou mesmo no computador ou tablet. Caso 
esteja lendo vários livros, é bom registrar a fonte de 
onde as anotações foram extraídas.
39
Anotações:Ex.: MEDEIROS, João Bosco. Como tornar 
o estudo e a aprendizagem mais eficazes. In: ___. 
Redação científica: a prática de fichamentos, resu-
mos, resenhas. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2011. cap. 1, 
p. 5-18.
Medeiros, 2011 classifica as anotações em:
a) Anotações corridas:
• Realizar a leitura total do texto, sem inter-
rupção;
• Reler o texto, levando em consideração as 
palavras desconhecidas; localizando-as 
no dicionário – anotar o mais próximo pos-
sível;
• Buscar em enciclopédias e almanaques, 
informações relevantes para a compreen-
são do texto, sejam elas: históricas, geo-
gráficas entre outras;
• Só destacar os trechos e as palavras-cha-
ve após ter compreendido o texto;
• Realizar a redação da anotação corrida e 
submetê-la a uma avaliação própria; ha-
vendo a necessidade de correções, refa-
zer a redação.
b) Anotações esquemáticas: “ordenamhierarqui-
camente as partes principais do conteúdo de uma 
comunicação” (MEDEIROS, 2011, p. 8).
• Deve ser realizada após o estudo do texto 
e as anotações corridas.
• Pode ser apresentado como: 1) esquema 
vertical das ideias do autor; ou 2) por cha-
ves ou diagramas.
• Há diversos tipos de esquemas, dentre 
eles o mapa-conceitual, os organogramas;
40
Anotações: c) Anotações resumidas: “[...] proporciona melho-
res resultados para a leitura, bem como para a pró-
pria redação. [...] só consegue fazer um bom resu-
mo quem realmente assimilou as ideias principais 
do texto” (MEDEIROS, 2011, p. 13).
• Apresenta a síntese de informações extraí-
das de livros, artigos e exposições orais.
• O resumo consiste na condensação de um 
texto, apresentando as ideias principais, 
respeitando a estrutura e a inter-relação 
das ideias.
• Deve ser feito em parágrafos mantendo as 
ideias do texto, mas com a escrita do alu-
no; resumo não é cópia de partes do texto, 
é uma síntese das principais ideias, rees-
crita pelo aluno.
MEDEIROS (2011) chama atenção para dois fa-
tores importantes:
A técnica de SUBLINHAR, tão comum no ato 
de ler, porém mal utilizada pelos alunos, pois ten-
dem a sublinhar indistintamente, sem considerar o 
que de fato importa. O autor indica que não deve ser 
feito na primeira leitura e deve-se sublinhar apenas 
as ideias principais, as palavras-chave.
Também solicita atenção especial para o VO-
CABULÁRIO, pois “[...] quem pouco lê tem vocabu-
lário reduzido” (MEDEIROS, 2011, p. 16). A leitura se 
torna incompreensível, portanto, ineficaz, se não 
há domínio do vocabulário. Recomenda-se buscar 
no dicionário toda palavra desconhecida que apa-
rece no texto ou tentar descobrir o sentido da pala-
vra no contexto.
41
42
U
ni
da
de
 2
Videoaula 1
Videoaula 2
45
INTERPRETAÇÃO: 
DA PALAVRA À 
COMUNICAÇÃO
Parece simples afirmar 
que a interpretação de um tex-
to está diretamente ligada às 
palavras do texto e só elas são 
importantes. Já vimos na uni-
dade que trata da leitura a sua 
ampla concepção, envolvendo o 
conhecimento de mundo. Todo 
o aprendizado sobre a leitura é 
importante para esta etapa em 
que trataremos da interpreta-
ção textual. É preciso ter em 
mente que interpretar um texto 
não é um processo complexo, 
mas envolve diversos campos 
do conhecimento, como o sen-
46
tido das palavras, gênero e processo de comunica-
ção. Primeiramente, vamos tratar do sentido que as 
palavras apresentam no texto, pois assim teremos 
condição de focar nossa atenção e direcionar a in-
terpretação do texto para o sentido que as palavras 
ganham no texto.
No que se refere a palavra, há dois sentidos, 
a denotação e a conotação. Estes mecanismos 
devem servir para que o leitor atente melhor para 
o que foi escrito/dito e, assim, interpretar mais fa-
cilmente o que foi comunicado. O sentido do texto 
nem sempre está no sentido real da palavra, ou seja, 
no sentido literal, por isso, o produto do texto vela 
significados para desvelá-los (...). Para que o leitor 
entenda os textos, é preciso perceber a relação en-
tre o que se diz e o que se quer dizer (PLATÃO E FIO-
RIN11 , 2006, p. 328). Dependendo do contexto em 
que as palavras estão inseridas, seu sentido pode 
ser alterado e ter significado fora do usual. Por isso, 
é importante conhecer os dois sentidos. Vejamos:
Ex: Eu acredito em anjo, por isso peço prote-
ção a eles.
Neste exemplo, a palavra anjo significa: no 
cristianismo, no judaísmo e no islamismo, ser pu-
ramente espiritual, servidor de Deus e mensageiro 
entre Ele e os homens. Podemos observar que o 
sentido desta palavra é o usual, o literal, logo, po-
demos afirmar que ela está no sentido denotativo.
11 SAVIOLI, F. Platão & FIORIN, J. Luiz. Lições de texto: leitura 
e redação. São Paulo: Ática, 2006, p. 328.
SENTIDO DENOTATIVO
É o literal, comum; 
aquele que exprime a 
significação usual da 
palavra.
47
Se utilizarmos anjo em outro contexto.
Ex: Aquele menino sempre foi um anjo.
Vamos observar que o sentido da palavra é fi-
gurativo, é uma forma de dizer que o menino é bom, 
não está empregada de modo literal. 
De modo sintético, podemos dizer que:
Vamos compreender o conceito aplicado a al-
guns exemplos:
Exemplo 1
É preciso ter cuidado com as palavras. Elas 
são verdadeiras armas. Algumas vezes mortais. 
Certas pessoas têm o dom de dizer as mais afiadas, 
que entram feito uma flecha envenenada. Porém, 
em muitos casos, o atingido é aquele que usou a 
arma, ou seja, o falador. Esse, por exemplo, pode 
SENTIDO CONOTATIVO
Figurado: depende 
de um contexto 
particular.
PALAVRA DENOTAÇÃO
CONOTAÇÃO SENTIDO 
REAL
SENTIDO 
FIGURADO
48
Anotações: sofrer horríveis arrependimentos por ter dito o que 
não deveria ter dito. Mas como não dizer aquilo 
que pensamos? Há maneiras de dizer sem dizer, e 
de dizer, desdizendo. (Ana Miranda. O oráculo in-
sondável. In: Correio Braziliense, Caderno C, p. 10, 
2/4/2006 (com adaptações).
Veja a relação feita pela autora do texto. Ela 
associa a palavra “palavra” a “armas”, afiadas, fle-
cha. Temos aqui o sentido conotativo, pois as pa-
lavras não são armas de verdade, a autora está uti-
lizando o sentido figurado. Neste caso, o trabalho 
do leitor, para interpretar o texto, é maior, pois ele 
precisa compreender o sentido que palavras que-
rem dar ao texto. No caso do texto em questão, 
quando afirma que as palavras são armas, ela quer 
dizer que podem machucar, ofender, causar danos; 
quando se refere a flechas, quer enfatizar o quan-
to uma palavra pode adentrar a mente e ficar por 
muito tempo. Portanto, a associação de palavras a 
armas simboliza o perigo. Como afirma Affonso Ro-
mano De Sant’anna:
Há vários modos de matar um homem:
com o tiro, a fome, a espada
ou com a palavra - envenenada. 
Não é preciso força.
Basta que a boca solte
a frase engatilhada
e o outro morre - na sintaxe da emboscada.
Diariamente utilizamos expressões que são 
conotativas e precisam ser traduzidas para obter-
mos o sentido que verdadeiramente querem dar. 
Em outros casos, as palavras estão no seu sentido 
literal:
49
Anotações:A menina passou o dia de cara amarrada.
A sacola foi amarrada para maior segurança.
O temporal varreu as ruas assustadoramente.
A vizinha varreu a rua.
Ele ficou no fundo do poço por causa das drogas.
O homem desceu até o fundo do poço para colocar 
o equipamento.
Observe algumas expressões idiomáticas co-
notativas que utilizamos no dia a dia:
Olha o passarinho!
Na metade do século 19, os fotógrafos tinham 
de permanecer parados por até 15 minutos, a fim 
de que sua imagem fosse impressa dentro da má-
quina. Fazer as crianças ficarem imóveis por tanto 
tempo era um verdadeiro desafio. Por isso, gaiolas 
com pássaros ficavam penduradas atrás dos fotó-
grafos, o que chamava a atenção dos pequenos. As-
sim, a expressão “Olha o passarinho” ficou conheci-
da como a frase dita pelo fotógrafo na hora da pose 
para a foto.
Motorista barbeiro
Antigamente, os barbeiros eram conhecidos 
não apenas por realizar o corte de cabelo e barba, 
mas também por desempenhar tarefas como: ex-
tração de dentes, remoção de calos e unhas, entre 
outros. Geralmente, os serviços extras deixavam 
consequências desagradáveis aos clientes. No sé-
culo 15, o termo “barbeiro” era atribuído a atividades 
mal executadas. Com o tempo, passou a ser rela-
cionado aos motoristas. Daí a expressão “motorista 
barbeiro”, ou seja, mau motorista.
50
Anotações: Bafo de onça
A onça é um animal carnívoro que se lambuza 
bastante na hora de comer a caça. Por esta razão, 
fede muito e sua presença é detectada a distância, 
na mata. Assim, pessoas que possuem o hálito fé-
tido passaram a ser chamadas de “bafo de onça”. A 
expressão também faz referência ao hálito de quem 
está (ou esteve) alcoolizado.
Santinha do pau oco
Expressão que se refere à pessoa que se faz 
de boazinha, mas não é. Nos séculos 18 e 19, os 
contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras 
preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por 
dentro.O santo era “recheado” com preciosidades 
roubadas e enviado para Portugal.
Disponível em: http://www.soportugues.com.br/
secoes/proverbios/index.php. 
Outro aspecto fundamental na interpretação 
do texto é saber como a comunicação/oral ou es-
crita está sendo produzida, qual é o centro dela. 
Para isso, precisamos estudar o processo da comu-
nicação, como afinal acontece esse processo tão 
comum entre os seres humanos? A teoria da comu-
nicação será estudada a partir da perspectiva do 
estudioso desta questão Roman Jakobson12 (2007). 
Ele estabeleceu alguns elementos importantes 
quando acontece ou para que aconteça a comuni-
cação. Nas palavras do autor:
12 JAKOBSON, Roman. Linguística e Comunicação. Tradução 
de Izidoro Blikstein e José Paulo Paes. São Paulo: Editora 
Cultrix, 2007.
51
Anotações:Analisemos os fatores fundamentais 
da comunicação linguística: qualquer 
ato de fala envolve uma mensagem e 
quatro elementos que lhe são conexos: 
o emissor, o receptor, o tema (topic) da 
mensagem e o código utilizado. A re-
lação entre esses quatro elementos é 
variável (JAKOBSON, 2007, p. 19).
Esses elementos podem aparecer sozinhos ou 
em conjunto em um texto e constituem uma hierar-
quia entre elas, por isso, é importante saber qual é 
o verdadeiro eixo da comunicação, a função primá-
ria, as funções secundárias e a intenção do escritor, 
para qual elemento, a comunicação, volta-se.
Amemos! 
Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
(Álvares de Azevedo)
Na poesia de Álvares de Azevedo temos a 1ª 
pessoa e a 2ª pessoa, mas o predomínio é da 1ª pes-
soa, pois é o EU que direciona o texto, é, portanto 
predominantemente emotivo, embora tenha trecho 
conativo. Importante também destacar que “o pro-
blema essencial para a análise do discurso é o do 
código comum ao emissor e ao receptor e subja-
cente à troca de mensagens” (JAKOBSON, 2007, p. 
21). Como será visto posteriormente, o código ver-
bal é a língua portuguesa e deve ser comum tanto 
para o emissor quanto para o receptor, sem isso, 
não há comunicação entre ambos. Para esta teoria, 
Jakobson (2007, p. 122) definiu que:
52
O REMETENTE envia uma MENSAGEM 
ao DESTINATÁRIO. Para ser eficaz, a 
mensagem requer um CONTEXTO a 
que se refere (Ou “referente”, em outra 
nomenclatura, algo ambíguo), apreen-
sível pelo destinatário, e que seja ver-
bal ou suscetível de verbalização; um 
CÓDIGO total ou parcialmente comum 
ao remetente e ao destinatário (ou, 
em outras palavras, ao codificador e 
ao decodificador da mensagem); e, 
finalmente, um CONTACTO, um canal 
físico e uma conexão psicológica en-
tre o remetente e o destinatário, que 
os capacite a ambos a entrarem e per-
manecerem em comunicação. 
Todos estes fatores da comunicação verbal 
foram esquematizados pelo autor como: 
 
CONTEXTO
REMETENTE MENSAGEM DESTINATÁRIO
-------------------------------------------------------
CONTACTO - CANAL
CÓDIGO
53
Vamos analisar melhor cada um destes ele-
mentos propostos por Jakobson (2007):
Vejamos como esse processo de comunicação 
se dá, analisando algumas situações concretas:
Situação de escrita:
Quando escrevemos, temos a intenção que al-
guém leia o conteúdo e o entenda. Quem escreve é 
o emissor. Quem lê é o receptor. O meio, o veículo 
nos quais vamos fixar as palavras, podem ser papel, 
computador, celular, muro, camisa, entre outros. 
EL
EM
EN
TO
S 
DA
 C
OM
U
N
IC
AÇ
ÃO
REMETENTE: 
também considerado EMISSOR – o que manda, envia, fala, escreve 
uma mensagem. Está centrada no EU – primeira pessoa singular;
DESTINATÁRIO: 
também denominado RECEPTOR – o que recebe a mensagem. Está 
centrado no TU/VOCÊ – 2ª. Pessoa;
CONTEXTO: 
também conhecido como REFERENTE - é a informação, o conteúdo, 
o assunto a ser tratado;
CÓDIGO: 
símbolo utilizado para a realização da comunicação. Se for verbal é a 
língua falada; se for não verbal é o gesto, o som, as cores etc.;
CONTACTO: 
também denominado de CANAL – é o veículo/meio por onde passa ou 
se fixa o código;
MENSAGEM: 
significado da comunicação, entendimento.
54
Anotações: Estes são chamados de canal. O assunto, os fatos, 
o raciocínio que o emissor expõe são denominados 
referentes ou contextos. A língua que o emissor uti-
liza é o código. E o entendimento é a mensagem.
Jornal da TV:
 O apresentador do jornal é o emissor. Quem 
assiste ao jornal é o receptor. Imagine que a notícia 
seja um campeonato de futebol. Este é referente ou 
contexto, ou seja, é o assunto do qual se trata. Sua 
voz e todos os aparatos tecnológicos da TV são o 
canal, são o veículo por onde passa a comunicação. 
Ele usa principalmente a língua portuguesa, que é 
o código. A compreensão do tema é a mensagem.
Um telefonema:
Quem liga é o emissor, quem atende é o re-
ceptor. O assunto tratado é o referente ou contexto. 
A voz e o telefone são os veículos por onde o código 
passa, é o canal. A língua portuguesa é o código. O 
entendimento do assunto é a mensagem.
Uma mensagem no muro:
Fonte: tumblr.com
55
Anotações:Quem escreveu a mensagem no muro é o 
emissor, todos os que lerem a informação, serão 
receptores. O assunto tratado é o referente ou con-
texto. O canal, ou seja, o veículo onde está fixado 
o código é o muro. A língua portuguesa escrita é o 
código. O entendimento é a mensagem.
Uma camisa:
Fonte: <https:usesambarelove.com.br>.
Quem vai usar a camisa será o emissor, todos 
os que lerem a informação, serão receptores. O as-
sunto tratado é o referente ou contexto. O canal, ou 
seja, o veículo onde está fixado o código é a camisa. 
A língua portuguesa escrita é o código. O entendi-
mento é a mensagem.
Assim, para que a comunicação possa acon-
tecer de forma satisfatória, todos estes elementos 
devem ser considerados, sob pena de termos um 
ruído na comunicação:
56
Após compreender este assunto, vamos am-
pliar nosso estudo para as funções da linguagem, 
tema que está diretamente ligado aos elementos 
da comunicação já estudados. É importante tê-los 
compreendido para entender com facilidade o que 
será estudado agora. Cada função da linguagem 
está relacionada a um elemento de comunicação. 
Assim, cada um dos fatores determina uma diferen-
te função da linguagem. Estes elementos, dificil-
mente, são encontrados isolados nos textos, visto 
que podem ser interdependentes ou complemen-
tam informações. 
Se a informação se volta para o emissor – 
FUNÇÃO EMOTIVA.
Se a informação se volta para o receptor – 
FUNÇÃO CONATIVA.
Se a informação se volta para o canal – 
FUNÇÃO FÁTICA.
Se a informação se volta para o código – 
FUNÇÃO METALINGUÍSTICA.
Se a informação se volta para o contexto – 
FUNÇÃO REFERENCIAL.
Se a informação se volta para a mensagem – 
FUNÇÃO POÉTICA.
Jakobson (2007, p. 123-126) determina 
as funções como forma de compreender em 
que elemento da comunicação a informação 
está centrada, tendo em vista que se o objetivo 
da comunicação for o emissor, o centro da 
comunicação é ele, ou seja, o assunto a ser 
tratado é o próprio emissor. Se sabemos desta 
informação, certamente teremos mais facilidade 
para compreender o texto em questão.
Ruído: é tudo o 
que dificulta a 
comunicação, interfere 
a transmissão e 
perturba a recepção 
ou compreensão da 
mensagem; tudo 
o que possibilita a 
perda de informação 
durante o transporte 
da mensagem entre o 
emissor e o receptor. 
57
Detalhando cada uma delas, temos:
• Função EMOTIVA ou “expressiva”, centra-
da no REMETENTE/EMISSOR, “visa a uma 
expressão direta da atitude de quem fala 
em relação àquilo de que está falando. 
Tende a suscitar a impressão de uma cer-
ta emoção, verdadeira ou simulada”. Nesta 
função, o tema é tratado em 1ª pessoa do 
singular, são as opiniões, os sentimentos 
do emissor.
Vejamos o exemplo:
• Função CONATIVA, centrada no receptor. 
Esta função age diretamente sobre o 
receptor de modo a fazer com que ele 
execute a solicitação, a ordem,o pedido do 
emissor. São comunicações que partem 
do emissor com a intenção de que sejam 
executadas pelo receptor. É a função feita 
em 2ª pessoa – TU/VOCÊ; é a função do 
verbo no imperativo, os verbos de ordem; 
também pode ser feita em forma de pedido 
ou solicitação.
A PRIMEIRA NOITE DE LIBERDADE
Cristovão Tezza
Fui levado pela velha até o sótão; o excesso 
de gentileza era a evidência de que me enganavam. 
Docilmente me deixei levar; mãos nas minhas cos-
tas, ela me conduzia balbuciando consolos. Não ou-
sei fazer perguntas. De qualquer modo, me respon-
deriam com mentiras.
Obs: só poderá ser 
função emotiva se a 
comunicação for feita 
em 1ª pessoa. Caso 
contrário, será outra 
função.
Observe no exemplo 
que o texto está em 
1ª pessoa singular, 
sabemos disso 
pelos pronomes e 
pelos verbos, como 
destacados. O objetivo 
desta comunicação 
é tratar do sujeito 
que fala, que escreve 
para contar sobre si 
mesmo. Temos aqui a 
comunicação centrada 
no emissor.
58
Ex: 
Use camisinha! (ordem)
Beba Coca-Cola! (ordem)
Diga não às drogas! (ordem)
Se dirigir, não beba! (ordem)
“Se você procura o melhor imóvel, vá logo ao 
endereço certo” (uso da 2ª. Pessoa você) (Folha de 
São Paulo)
Por favor, dê-me o caderno de anotações! 
(pedido) 
• Função FÁTICA, vão aparecer em mensa-
gens que servem basicamente para pro-
longar ou interromper a comunicação, 
para verificar se o canal funciona (“Alô, 
está me ouvindo?”), para atrair a atenção 
do interlocutor ou confirmar sua atenção 
continuada (pois, é; huhum; é...; então; 
isso, isso...; hummm).
• Função METALINGUÍSTICA, voltada para 
o código. No caso, se a linguagem for ver-
bal, o código dos brasileiros é a língua por-
tuguesa. Assim, toda comunicação feita 
para tratar do código está na função me-
talinguística. Dizemos que seria o código 
– língua portuguesa que tem como assun-
to o próprio código – a língua portuguesa. 
Ex: o dicionário usa a língua verbal escrita 
– língua portuguesa para tratar do signifi-
cado das palavras da língua portuguesa. 
Observe que temos um material em língua 
portuguesa que trata da língua portugue-
sa, é, portanto, função metalinguística.
Obs: diz-se que 
a função fática 
não favorece uma 
comunicação. Seu 
objetivo maior é manter 
uma conversa ou 
checar se o canal está 
funcionando e pode ser 
utilizado, é o caso do 
alô, para checar se o 
telefone – canal desta 
comunicação – está 
funcionando; caso 
também de quando 
checamos aparelhagem 
de som: “alô, som, 
testando, 1,2,3”.
Obs: deverá vir em 2ª 
pessoa, mesmo que 
oculta ou com verbos 
no imperativo.
59
Em que língua está escrita? Ou qual a forma de 
composição?
Qual o assunto?
Se a resposta para as duas for: “a língua portu-
guesa, teremos função metalinguística.
Vamos a alguns exemplos:
a) A gramática é metalinguística 
Em qual língua está escrita? Língua portuguesa.
Qual o assunto? Normas e regras da Língua 
portuguesa.
Temos então, o código para tratar do código.
B) Um manual de redação 
Qual a forma de composição? Redação.
Qual o assunto? Normas e regras da produção 
de redação.
Temos então, o código para tratar do código, 
ou seja, temos um material escrito em língua por-
tuguesa, utilizando redação para tratar do assunto 
redação.
Uma poesia cujo assunto é a poesia:
Qual a forma de composição? Poesia.
Qual o assunto? Poesia.
Temos então, o código para tratar do código, 
ou seja, a poesia foi feita para tratar dela mesma. 
E se o assunto da poesia fosse o amor, ainda 
seria metalinguística?
Não, porque o código não estaria tratando 
dele mesmo, estaria tratando de outro assunto. 
Observe: 
“Gastei uma hora pensando no verso
Que a pena não quer escrever
(...) mas a poesia deste momento
Obs: uma forma de 
reconhecer a função 
metalinguística é fazer 
duas perguntas: 
60
Anotações: Inunda minha vida inteira”
(Carlos Drummond de Andrade)
Temos função poética por conta da estrutura 
em verso, mas se perguntarmos, qual a forma de 
composição? A resposta é: em verso; qual o as-
sunto? A escrita de um verso. Temos função meta-
linguística porque o código se volta para o código. 
Também podemos afi rmar que há função emotiva 
no 1º e 4º versos por conta da 1ª pessoa do singular – 
eu. Importante destacar que também temos função 
metalinguística na linguagem não verbal ou mista, 
como podemos observar abaixo:
Neste caso, a palavra jornalismo carrega os 
símbolos do jornalismo. Utilizou-se a palavra para 
representar os elementos relacionados à palavra. 
Podemos dizer que o código (palavra) está sendo 
61
utilizado para tratar do próprio código (elementos 
da profi ssão).
• Função REFERENCIAL, está centrada na 
informação, o fato, o assunto. O objetivo 
desta função é tratar especifi camente 
do assunto sem interferência do emissor 
e sem apelo ao receptor. Há uma preten-
sa busca pela imparcialidade. É feita em 
3ª pessoa singular/plural ou mesmo na 1ª 
pessoa do plural. Esta é a função dos tex-
tos acadêmicos, de toda comunicação 
científi ca.
Quando os favores acabam, 
começa a ingratidão
Por Delmo Menezes - 
5 de agosto de 2016
Ingratidão é uma 
forma de fraqueza. 
“A ingratidão é o mais 
horrendo de todos os pe-
cados”, já dizia Alexandre Her-
culano. Ser ingrato tem a ver com 
o ser humanista, porque o humanista 
atribui suas vitórias a ele mesmo, e não 
a um ser supremo. Johann Goethe diz: 
“Jamais conheci homem de valor que 
fosse ingrato”.
O ingrato não reconhece que sem 
ajuda, não chegaria a lugar nenhum. Es-
quece com muita facilidade as coisas 
boas que lhe fi zeram. Vive no “seu mun-
do”, busca apenas os seus próprios inte-
Quando os favores acabam, 
começa a ingratidão
forma de fraqueza. 
“A ingratidão é o mais 
horrendo de todos os pe-
cados”, já dizia Alexandre Her-
culano. Ser ingrato tem a ver com 
o ser humanista, porque o humanista 
atribui suas vitórias a ele mesmo, e não 
a um ser supremo. Johann Goethe diz: 
“Jamais conheci homem de valor que 
fosse ingrato”.
O ingrato não reconhece que sem 
ajuda, não chegaria a lugar nenhum. Es-
quece com muita facilidade as coisas 
boas que lhe fi zeram. Vive no “seu mun-
do”, busca apenas os seus próprios inte-
Obs: atente para não 
confundir, a função 
emotiva está ligada à 1ª 
pessoa do singular. A 
função referencial aceita 
a 1ª. pessoa do plural. 
Quando a comunicação é 
feita com vistas a tratar 
do assunto, sem utilizar 
a 1ª pessoa singular 
ou a 2ª pessoa. Assim, 
se o tema é “trabalho 
infantil”, deve-se tratar 
especifi camente do 
assunto sem dar opinião 
pessoalizada – eu acho, 
eu penso, eu acredito 
ou fazer apelo ao 
receptor – você deve 
ter cuidado. O exemplo 
abaixo demonstra como 
o assunto é tratado de 
modo isento de opinião 
e apelos.
62
resses. É um tipo de pessoa que se torna cega para 
o amor (e doação) de quem está ao lado. O pior erro 
de um ingrato, é afastar as pessoas que mais se im-
portam com ele. As pessoas esquecem que um dia 
podem precisar de você novamente.
A ingratidão é falta de bom senso, de visão, de 
sabedoria e de humildade. O ingrato não vê o que 
os outros veem e nem sentem o que os outros sen-
tem, não por que não querem ou não desejam, mas 
por incapacidade, por fraqueza moral e ausência de 
amor. Há na cabeça do ingrato, um vazio de amor ao 
próximo, que se manifesta não eventualmente, mas 
permanentemente. [...]
Função POÉTICA, quando a mensagem é cen-
tro da informação. Embora ela esteja voltada para a 
mensagem, esta função tem características muito 
particulares, quais sejam: estrutura em forma de 
verso, estrofes e pode ter linguagem figurada.
Importante considerar as duas formas de 
composição: prosa e verso.
Prosa – toda comunicação feita em parágrafos;
Verso – toda comunicação feita em linhas.
Exemplo:
Minha terra tem palmeiras (1ª Linha – 1º Verso)
Onde canta o sabiá (2ª Linha – 2º Verso)
As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá 
[...]
Não permita Deus que eu morra sem que eu volte 
para lá
Sem que desfrute os primores que não encontro 
por cá. [...]
Podemos considerarque a função é poética 
Obs: pode-se dizer 
que toda comunicação 
estruturada em forma 
de versos – em linhas – 
está na função poética, 
independente de outras 
características que 
possa ter. 
63
por conta da estrutura em versos. Também po-
demos considerar que no 1º, 4º e 5º versos temos 
também função emotiva por conta da 1ª pessoa do 
singular – eu.
Observe outro exemplo:
“Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei.”
(Abel Silva)
Neste exemplo, temos uma letra de música 
que é também função poética por causa da estru-
tura em verso, mas também é emotiva por conta da 
1ª. Pessoa singular em todos os versos.
Vejamos o esquema dos fatores fundamentais 
com um esquema correspondente das funções:
 REFERENCIAL
EMOTIVA POÉTICA CONATIVA
 
FÁTICA
 
METALINGUÍSTICA
Fonte: Jakobson (2007).
Dificilmente encontramos mensagens em que 
FUNÇÕES DA LINGUAGEM
EMOTIVA CONATIVA FÁTICA REFERENCIAL METALINGUÍSTICA POÉTICA
Centrada no 
emissor
EU
Centrada no 
receptor
TU_VOCÊ
Feita para 
checar o 
canal
Voltada 
para o 
assunto
O código 
é utilizado 
para tratar 
do próprio 
código
Atenta 
para a 
mensagem. 
Estrutura 
em versos
64
Anotações: haja apenas uma dessas funções. Normalmente 
elas se organizam em nossa vida de modo que a uti-
lizamos de acordo com nossas necessidades. Em 
um mesmo texto temos, em alguns casos, mais de 
uma função, por isso, nas questões de prova, deve-
mos atentar para o que predomina, o que se apre-
senta de forma mais intensa.
2.1 TIPOLOGIA TEXTUAL
Abordar a tipologia textual, enquanto ele-
mento de interpretação textual, é considerar que 
quando se tem conhecimento sobre ela, facilita in-
terpretação e, consequentemente a sua produção, 
isto porque cada texto atende a uma estrutura dife-
rente e a uma finalidade própria. Assim, ao se depa-
rar com um texto descritivo e o conhece, é possível 
antecipar algumas considerações, antes mesmo 
de conhecer o conteúdo tratado nele. Por exemplo, 
sabe-se que trata de caracterização, de especifica-
ção e de detalhamento, pois os textos descritivos 
têm estas características.
Tradicionalmente, os tipos textuais são clas-
sificados de três formas: narrativo, descritivo e 
dissertativo (informativo ou argumentativo). Atual-
mente, foram acrescidos mais dois tipos para me-
lhor agrupamento: o injuntivo e o dialogal. Embora 
tenham características diferentes na sua composi-
ção e organização, nem sempre, são constituídas 
apenas por um tipo textual. É normal haver mais 
de uma tipologia em um mesmo texto, neste caso, 
teremos uma predominância de um tipo textual. Se 
tomarmos um romance como exemplo, veremos 
que possui características da narrativa, mas em di-
65
versos trechos encontraremos a descrição. Obser-
vem a síntese do que estudamos nesta etapa:
Para que fique mais fácil compreender, vamos 
analisar abaixo cada tipo textual, iniciando pela 
NARRAÇÃO:
2.2 NARRAÇÃO
O centro do texto narrativo é o FATO, a história 
a ser contada – seja verídica ou inventada. Para que 
o fato seja contado, alguns elementos são necessá-
rios como personagens, espaço e tempo. 
Na narração, há um narrador que relata um 
fato, ocorrido num determinado espaço e tempo. Ele 
pode aparecer de forma clara no texto ou de modo 
implícito. Os fatos são apresentados em uma se-
quência de ações que vão se desenrolando com cer-
ta lógica até que atinja o ponto máximo do problema 
da narração e assim tenha o desfecho, ou seja, o final 
da trama. 
Toda narração precisa de um conflito, sem 
este não há fato para contar. Os conflitos são de 
diversas ordens: inveja, assassinato, brigas por di-
versos motivos, assalto, doença, guerra, traição, 
mistérios, amor, paixão etc. Pode-se dizer que os 
conflitos são a base dos fatos, portanto, sem con-
flitos não há narração.
Vejamos alguns exemplos de textos narrativos:
Observe o texto e 
vamos verificar se 
ele apresenta as 
características da 
tipologia narrativa:
NARRAÇÃO
 Fato
DESCRIÇÃO
Característica 
INJUNÇÃO
Ordem 
DIALOGAL
Diálogo
DISSERTAÇÃO
 Informação 
66
Texto 1 - Poesia
HISTÓRIA ANTIGA
No meu grande otimismo de inocente, 
Eu nunca soube por que foi... um dia, 
Ela me olhou indiferentemente, 
Perguntei-lhe por que era... Não sabia...
Desde então, transformou-se de repente
A nossa intimidade correntia
Em saudações de simples cortesia
E a vida foi andando para frente...
Nunca mais nos falamos... vai distante...
Mas, quando a vejo, há sempre um vago ins-
tante
Em que seu mudo olhar no meu repousa, 
E eu sinto, sem, no entanto, compreendê-la, 
Que ela tenta dizer-me qualquer cousa, 
Mas que é tarde demais para dizê-la...
(RAUL DE LEONI)
Texto 2 - Música
Faroeste caboclo
Legião Urbana
E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
“Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já tá em tempo de a gente se casar”
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez
[...]
O texto conta a 
história de duas 
pessoas que se 
separaram e ficaram 
com uma história mal 
resolvida. De modo 
muito sintetizado, 
temos uma narração.
67
Anotações:Sentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
[...]
E nisso o sol cegou seus olhos
E então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester-22
A arma que seu primo Pablo lhe deu
[...]
E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor
E o povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
[...]
E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz...
Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
[...]
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai 
morreu
[...]
E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto Central
[...]
E o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
 [...]
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali.
68
[...]
Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
[...]
Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu
[...]
Mas acontece que um tal de Jeremias,
Traficante de renome, apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que, com João ele ia acabar
[...]
Texto 3 - Fábula
O VELHO, O MENINO E O BURRO
Num lugar que você sabe, este fato aconte-
ceu. A pessoa que eu descrevo, você, talvez, tenha 
conhecido. E se você não se lembra, procure na 
consciência. Porque se houver semelhança, não é 
mera coincidência.
O burrico vinha trotando pela estrada. De um 
lado vinha o velho, puxando o cabresto. Do outro 
vinha o menino, contente, que o dia estava fresqui-
nho e o sol brilhava no céu. Sentados no barranco 
estavam dois homens. No que viram o burro mais o 
velho e o menino, um cutucou o outro:
– Veja só, compadre! Que despropósito! Em 
vez do velho montar no burro, vem puxando ele!
O velho e o menino se olharam. Assim que 
viraram na primeira curva, o velho parou o burro e 
montou nele.
Podemos observar 
que o texto é uma 
letra de música, 
mas que conta uma 
narrativa, relata 
um fato a partir da 
grande problemática 
da personagem 
João de Santo Cristo 
de conseguir uma 
vida melhor. Temos 
personagens, conflito, 
tempo, espaço que se 
desenvolvem numa 
ordem lógica.
69
Anotações:O menino segurou o cabresto e lá se foram os 
três, muito satisfeitos. Até que perto da ponte tinha 
uma casa com uma mulher na janela.
– Olha só, Sinhá, venha ver o desfrute! O velho 
no bem-bom, montadono burro, e o pobre do meni-
no gramando a pé!
O velho e o menino se olharam de novo. As-
sim que saíram da vista da mulher, o velho desceu 
do burro e botou o menino na sela. E foram andan-
do um pouco ressabiados, o velho puxando o burro 
pelo cabresto, pensando no que o povo podia dizer. 
Logo, logo, passaram numa porteira onde estava 
parada uma velha mais uma menina.
– Mas que absurdo, minha gente! Um velho 
que nem se aguenta nas pernas andando a pé, e o 
guri, bem sem-vergonha, escanchado no burro!
Os dois se olharam e nem esperaram. O velho 
mais que depressa montou na garupa do burro e lá 
se foram os três. Dali a pouco encontraram um pa-
dre que vinha pela estrada mais o sacristão:
– Olha só, que pecado, onde é que já se viu? 
O pobre do burro, coitadinho, carregando dois pre-
guiçosos! Mas isso é coisa que se faça?
O velho e o menino, desanimados, desmonta-
ram e nem discutiram: saíram carregando o burro. 
Mas nem assim o povo sossegou! Cada vez que pas-
savam por alguém, era só risada!
– Olha só os dois burros carregando o terceiro!
Quando chegaram em casa, o velho sentou 
cansado, se assoprando:
– Bem feito! — ele dizia. — Bem feito!
– Bem feito o quê, vô?
– Bem feito pra nós. Que a gente já faz muito 
de pensar pela própria cabeça, e ainda quer pensar 
70
Anotações: pela cabeça dos outros. Agora eu sei por que é que 
meu pai dizia:
“Quem quer agradar a todos a si próprio não 
faz bem! Pois só faz papel de burro e não agrada a 
ninguém!”
Fato – conflito: montar ou não no burro
Personagem: menino, padre, as pessoas
Espaço: lugar que você sabe qual é
Tempo: indeterminado
Podemos afirmar que o texto é uma narrativa, 
pois seu propósito é relatar um fato, contar um con-
flito através de personagens que agem num tempo 
e num espaço.
Texto 4 - Piada
- Bonito papel! 
Quase três da madrugada e os senhores com-
pletamente bêbados, não é?
Foi aí que um dos bêbados pediu:
- Sem bronca, minha senhora. Veja logo qual 
de nós é o seu marido que os outros querem ir para 
casa. (Stanislaw Ponte Preta)
Neste texto, também temos uma narração 
que se desenvolve a partir de um problema - os ho-
mens estarem bêbados -, apresentando como per-
sonagens os bêbados e uma senhora, no tempo de 
três horas da manhã, no espaço, a casa da senhora.
71
Texto 5 - Conto 
Tragédia brasileira
Manuel Bandeira
Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos 
de idade.
Conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituída, 
com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empe-
nhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a 
num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, 
manicura… Dava tudo quanto ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca boni-
ta, arranjou logo um namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma 
surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mu-
dou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, 
Misael mudava de casa.
Os amantes moravam no Estácio, Rocha, 
Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bom 
Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, 
Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no 
Estácio, Todos os santos, Catumbi, Lavradio, Boca 
do Mato, Inválidos…
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, 
privado de sentidos e de inteligência, matou-a com 
seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decú-
bito dorsal, vestida de organdi azul.
Sintetizando a tipologia textual narração, temos:
O conto apresenta 
uma clara estrutura 
narrativa: o fato é o 
casamento de Misael 
com Maria Elvira 
(personagens); o 
conflito se dá por conta 
dos namorados de 
Maria Elvira; o espaço 
são vários bairros 
do Rio de Janeiro, 
não há um tempo 
determinado. O texto se 
organiza de modo que 
o conflito vai tomando 
proporções maiores 
à medida que o texto 
progride, chegando ao 
clímax quando Misael 
fica privado de seus 
sentidos e mata a 
esposa, num desfecho 
trágico da trama. 
72
Anotações:
2.3 DESCRIÇÃO
A outra tipologia textual é a DESCRIÇÃO, cujo 
eixo norteador é a CARACTERIZAÇÃO. Descrever é 
apresentar o ser, objeto ou lugar da forma como é 
ou está; é detalhar, pormenorizar, apresentar seu 
estado. É um tipo de texto normalmente curto e 
quase nunca existe sozinho, está inserido em ou-
tras tipologias como a narração, a dissertação ou 
mesmo a injunção. Esta tipologia é muito utilizada 
nos romances para caracterizar as personagens, o 
espaço, os objetos. É de fundamental importância 
na construção da narração para que o leitor possa 
compreender melhor os fatos que estão sendo nar-
rados.
 Seu processo de composição se dá através 
de elementos como: adjetivos e verbos de ligação. 
Pode-se fazer descrição técnica e literária. A des-
crição técnica é feita por diversos campos de co-
nhecimento, tais quais: arquitetura, engenharia, 
psicologia. Já a descrição literária, fica por conta 
dos contos, dos romances, das poesias etc.
 Vejamos algumas descrições:
ENREDO
É a própria 
narrativa, 
a história 
contada.
TEMPO
 Data: mês, 
ano, século, 
dia da 
semana.
PERSONAGEM 
Pessoa, 
animal, objeto 
personificado.
ESPAÇO
Lugar onde 
acontece o 
fato.
CONFLITO
O problema 
vivido pelas 
personagens.
NARRAÇÃO
73
Texto 1 - Trecho de música
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca, de varanda, um 
quintal e uma janela
Para ver o sol nascer
 
Texto 2 - Poesia
RETRATO
Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?
Texto 3 - Descrição técnica
O motor está montado na traseira do carro, fi-
xado por quatro parafusos à caixa de câmbio, a qual, 
por sua vez, está fixada nos coxins de borracha na 
extremidade bifurcada do chassi. Os cilindros estão 
dispostos horizontalmente e opostos dois a dois. 
Observe que as 
palavras destacadas 
são características do 
lugar e da casa.
74
Anotações: Cada par de cilindros tem um cabeçote comum de 
metal leve. As válvulas, situadas nos cabeçotes, 
são comandadas por meio de tuchos e balancins. 
O virabrequim, livre de vibrações, de comprimento 
reduzido, com têmpera especial nos colos, gira em 
quatro pontos de apoio e aciona o eixo excêntrico 
por meio de engrenagens oblíquas. As bielas con-
tam com mancais de chumbo-bronze e os pistões 
são fundidos de uma liga de metal leve.
(Fonte: Manual de instruções [Volkswagen]. In: 
Comunicação em prosa moderna. GARCIA Othon, 
Rio de janeiro: Editora FGV, 1996, p.388.)
Texto 4 - Descrição literária
Havia à Rua do Hospício, próximo ao campo, 
uma casa que desapareceu com as últimas recons-
truções.
Tinha três janelas de peitoril na frente; duas 
pertenciam à sala de visitas; a outra a um gabinete 
contíguo.
O aspecto da casa revelava, bem como seu in-
terior, a pobreza da habitação.
A mobília da sala consistia em sofá, seis ca-
deiras e dois consolos de jacarandá, que já não 
conservavam o menor vestígio de verniz. O papel da 
parede de branco passara a amarela e percebia-se 
que em alguns pontos já havia sofrido hábeis re-
mendos.
O gabinete oferecia a mesma aparência. O 
papel que fora primitivamente azul tomara a cor de 
folha seca.
Havia no aposento uma cômoda de cedro que 
também servia de toucador, um armário de vinháti-
co, uma mesa de escrever, e finalmente a marque-
75
Anotações:sa, de ferro, com o lavatório, e vestida de mosqui-
teiro verde.
Tudo isto, se tinha o mesmo ar de velhice dos 
móveis da sala, era como aqueles cuidadosamente 
limpo e espanejado, respirando o mais escrupuloso 
asseio. Não se via uma teia de aranha na parede, nem 
sinal de poeira nos trastes. O soalho mostrava aqui 
e ali fendas na madeira; mas uma nódoa sequer não 
manchava as tábuas areadas.” 
(José de Alencar)
2.4 INJUNÇÃO
Na INJUNÇÃO,o centro está nos COMANDOS 
oferecidos ao receptor, é um tipo de texto em que 
predomina a ordem, os pedidos, os conselhos e, por 
isso, há predominância de verbos no modo impera-
tivo e sequência de orações coordenadas. Impor-
tante destacar que o texto injuntivo cumpre uma 
função social de auxiliar o leitor a realizar deter-
minada ação: bula de remédio, receitas em geral, 
manuais, são alguns exemplos de textos injuntivos 
com o propósito de servir como guia para o leitor 
executar de modo favorável a ação desejada. Não 
é simplesmente uma ordem para o leitor executar, 
tem uma finalidade, uma função.
 Vamos aos exemplos:
Texto 1 – Receita 
Receita de Fritada de calabresa 
Por Irene Sanches
Ingredientes
3 colheres (sopa) de azeite
76
1 linguiça calabresa defumada
1 cebola picada
2 dentes de alho amassados
3 tomates picados
6 ovos
1/4 xícara (chá) de queijo parmesão ralado
1/4 xícara (chá) de manjericão picado
Sal e pimenta do reino a gosto
Modo de preparo
Em uma frigideira, coloque o azeite, a lingui-
ça, a cebola, o alho e frite até dourar.
Junte o tomate e cozinhe por 10 minutos.
Em uma tigela, bata os ovos, o parmesão, o 
manjericão, sal e pimenta com um garfo.
Despeje sobre o refogado e frite dos dois la-
dos até dourar.
Decore como desejar e sirva em seguida.
Rendimento:6 porções
Tempo de preparo: 15 minutos 
Fonte: <https://www.comidaereceitas.com.br >.
Texto 2 – Bula de remédio
Advertências e Precauções
O que devo saber antes de usar?
Antes de usar Novalgina Infantil, deve-se fa-
lar com o médico em casos de historial de alergia 
atópica ou asma, diabetes ou se se estiver a tomar 
outros medicamentos.
Durante o tratamento com Novalgina, caso 
sejam sentidos sintomas como febre, calafrios, dor 
de garganta ou feridas na boca, deve-se consultar o 
médico logo que possível.
O tratamento com Novalgina Infantil nunca 
deve ser interrompido sem conhecimento do médi-
77
Anotações:co e os horários, as doses e duração do tratamento 
devem ser rigorosamente respeitados.
Mecanismo de Ação
Como funciona?
Novalgina tem na sua composição Dipirona 
Sódica, um derivado pirazolônico não-narcótico, 
que apresenta ação analgésica, antipirética e es-
pasmolítica.
A Dipirona é uma pro-droga, cuja metaboliza-
ção gera a formação de diferentes metabólitos, dos 
quais, dois deles, 4-metil-aminoantipirina e 4-ami-
noantipirina, têm propriedades analgésicas.
Novalgina Gotas, Novalgina Xarope e Novalgi-
na Supositório, começam a ter efeito entre 30 a 60 
minutos após a sua administração e, geralmente, o 
seu efeito antitérmico e analgésico dura cerca de 4 
horas.
Novalgina Infantil dá sono?
Não, Novalgina Infantil não dá sono, porém, a 
criança ou o bebê pode ter mais sono que o normal, 
pois a febre e a dor aumentam a necessidade de 
descansar ou dormir.
Fonte: <https://www.bulario.com/nWovalgina_infantil/>.
Texto 3 – Manual
Fonte: <https://bit.ly/2BHOcPj>.
78
Anotações: Texto 4 – Poesia 
Receita da Juventude
(Letícia Migliacci)
Ingredientes
50g de curiosidade
1kg de atividade
2 xícaras de aprendizado
3 colheres (sopa) de fazer tudo errado
4 litros de diversão
5g de paixão
5 litros de beleza
50g de esperteza.
Modo de preparo
Despeje a curiosidade junto com a esperteza, 
adicione a atividade e a beleza. Misture bem e dei-
xe esfriar. Depois acrescente o aprendizado e as 3 
colheres de fazer tudo errado. Por fim, acrescente 
a paixão e os 4 litros de diversão, espere crescer e a 
juventude está formada.
Tempo de preparo: 7 a 30 anos
Rendimento: 1 jovem.
 
Fonte: <https://pt.scribd.com/doc/312026288/
Producao-Textual-Receita-Poetica>
2.5 Dialogal
Temos também, a tipologia textual que os es-
tudiosos denominam de DIALOGAL. Esta tipologia 
compreende como ponto principal o DIÁLOGO, ou 
seja, uma interação contínua entre emissor e recep-
tor de modo que os dois são participantes ativos do 
processo de comunicação. Muito comum na comu-
79
Anotações:nicação verbal - na modalidade oral -, esta tipologia 
também acontece na versão escrita, em especial 
quando busca representar situações de conversa, 
na tentativa de reproduzir situações reais. Também 
é um tipo de texto que vai se apresentar em outros 
textos, como a narração.
Vejamos alguns exemplos:
Texto 1 – Entrevista
O texto, na linguagem original, foi publicado 
na Folha da Manhã em 5 de maio de 1954.
O jornalista italiano Alfredo Paniucci, de “Épo-
ca”, obteve em fins do mês passado uma entrevista 
de Chaplin – em sua vila de Corsier-Vevey, Genebra 
– que pode ser considerada sensacional. [...]
Depois de descrever o aspecto da vila, as par-
ticularidades que pôde notar, na sala de espera, 
Paniucci, que é o primeiro jornalista a ser recebido 
por Chaplin na sua vila Suíça, diz que ele lhe parece, 
em trajes esportivos, com um aspecto extraordina-
riamente juvenil. [...]
O jornalista vê, nas estantes, obras de Thake-
rav, de Platão, Maupassant, Plutarco, Balzac, Di-
ckens, Poe e Thomas Payne. Num angulo, descobre 
“Mein Kampf”, de Hitler. Chaplin exclama, sorrindo: 
“Não sou nazista, não. Li-o antes de realizar “O Gran-
de Ditador”. Mac Carthy gostaria de possuir este li-
vro. Mas não o darei, jamais.” E ante uma pergunta 
do jornalista, diz, sempre sorrindo, os olhos azuis 
exprimindo ironia: “A maior parte de meus livros são 
sobre psicologia. Gosto muito de estudar o próxi-
mo; gosto das ciências ocultas. Ah! Se eu pudesse 
transformar-me em feiticeiro!”
80
Ambos voltam para a outra sala, já acompa-
nhados de Oona. Na porta o jornalista quer dar pas-
sagem primeiro a Chaplin, mas este abre caminho 
e diz: “É inútil você querer ver minhas costas; não 
sou Marilyn Monroe.” E ri, gostosamente. [...] Mas 
aproveita o instante para fazer uma pergunta sobre 
o próximo filme de Chaplin. Ele agora parece irritar-
-se. Diz apenas: “Até agora não tenho nada de con-
creto. Posso dizer que não será uma tragédia como 
“Mr. Verdou” e “Luzes da Ribalta”, mas uma comedia 
moderna: um filme que focalizará os diferentes sis-
temas de vida dos americanos e dos europeus.” E 
ante uma nova pergunta de Paniucci, o gênio diz: 
“Os americanos não me querem bem. Durante 30 
anos me admiraram e depois passaram a odiar-me. 
Feriram-me profundamente.”
A esta altura, diz o repórter, alguns fotógrafos 
que permaneceram na cidade já estavam entran-
do na vila de Chaplin. Eles entram e batem chapas, 
perturbam a entrevista. O mestre ordena uísque 
para todos, e grandes doses são servidas. E Chaplin 
aproveita para retirar-se da sala.
Texto 2 – Tirinha
Fonte: Maurício de Sousa Produções.
81
Anotações:Texto 3 – Música
 
O que será de nós?
Detonautas
Quando vejo azul, você enxerga cinza 
Onde vejo luz, você escuridão 
Quando eu digo oi, você responde tchau, tchau 
E a casa continua nessa confusão 
E se eu quero um doce, você não abre a boca 
E a gente não se entende mais, mais 
Eu quero ir pra rua, cê quer ficar em casa 
E o que ficou pra trás, ficou pra trás.
TEXTO 4 – ROMANCE
Trecho da obra Dom Casmurro
Quando levantei a cabeça, dei com a figura de 
Capitu diante de mim. Eis aí outro lance, que pare-
cerá de teatro, e é tão natural como o primeiro, uma 
vez que a mãe e o filho iam à missa, e Capitu não 
saía sem falar-me. Era já um falar seco e breve; a 
maior parte das vezes, eu nem olhava para ela. Ela 
olhava sempre, esperando.
Desta vez, ao dar com ela, não sei se era dos 
meus olhos, mas Capitu pareceu-me lívida. Seguiu-
-se um daqueles silêncios, a que, sem mentir, se 
pode chamar de um século, tal é a extensão do tem-
po nas grandes crises. Capitu recompôs-se; disse 
ao filho que se fosse embora, e pediu-me que lhe 
explicasse...
— Não há que explicar, disse eu.
— Há tudo; não entendo as tuas lágrimas nem 
as de Ezequiel. Que houve entre vocês?
82
Anotações: — Não ouviu o que lhe disse?
Capitu respondeu que ouvira choro e rumor 
de palavras. Eu creio que ouvira tudo claramente, 
mas confessá-lo seria perder a esperança do silên-
cio e da reconciliação; por isso negou a audiênciae confirmou unicamente à vista. Sem lhe contar o 
episódio do café, repeti-lhe as palavras do final do 
capítulo.
— O quê? perguntou ela como se ouvira mal.
— Que não é meu filho.
Grande foi a estupefação de Capitu, e não me-
nor a indignação que lhe sucedeu, tão naturais am-
bas que fariam duvidar as primeiras testemunhas 
de vista do nosso foro. Já ouvi que as há para vários 
casos, questão de preço; eu não creio, tanto mais 
que a pessoa que me contou isto acabava de perder 
uma demanda. [...] Após alguns instantes, disse-
-me ela:
— Só se pode explicar tal injúria pela convic-
ção sincera; entretanto, você que era tão cioso dos 
menores gestos, nunca revelou a menor sombra de 
desconfiança. Que é que lhe deu tal ideia? Diga, — 
continuou vendo que eu não respondia nada, — diga 
tudo; depois do que ouvi, posso ouvir o resto, não 
pode ser muito. Que é que lhe deu agora tal convic-
ção? Ande, Bentinho, fale! fale! Despeça-me daqui, 
mas diga tudo primeiro.
— Há coisas que se não dizem.
— Que se não dizem só metade; mas já que 
disse metade, diga tudo.
Tinha-se sentado numa cadeira ao pé da 
mesa. Podia estar um tanto confusa, o porte não 
era de acusada. Pedi-lhe ainda uma vez que não tei-
masse.
83
Anotações:— Não, Bentinho, ou conte o resto, para que eu 
me defenda, se você acha que tenho defesa, ou pe-
ço-lhe desde já a nossa separação: não posso mais!
— A separação é coisa decidida, redargüi, pe-
gando-lhe na proposta. Era melhor que a fizésse-
mos por meias palavras ou em silêncio; cada um iria 
com a sua ferida. Uma vez, porém, que a senhora 
insiste, aqui vai o que lhe posso dizer, e é tudo.
Não disse tudo; mas pude aludir aos amores 
de Escobar sem proferir-lhe o nome. Capitu não 
pôde deixar de rir, de um riso que eu sinto não po-
der transcrever aqui; depois, em um tom juntamen-
te irônico e melancólico:
— Pois até os defuntos! Nem os mortos esca-
pam aos seus ciúmes!
Concertou a capinha e ergueu-se. Suspirou, 
creio que suspirou, enquanto eu, que não pedia 
outra coisa mais que a plena justificação dela, dis-
se-lhe não sei que palavras adequadas a este fim. 
Capitu olhou para mim com desdém, e murmurou:
Fonte: <http://machadodeassis.ufsc.br/>.
2.6 DISSERTAÇÃO 
A última tipologia é a DISSERTAÇÃO, cujo cen-
tro está na INFORMAÇÃO. É uma tipologia utilizada 
para informar os fatos e analisá-los de forma cien-
tífica e o mais verdadeiro possível. É o texto da re-
dação científica, das reportagens jornalísticas, de 
todo e qualquer texto que busque certa imparciali-
dade e queira apresentar o conhecimento a respei-
to de determinado assunto. Embora a informação 
seja o foco desta tipologia, a análise crítica também 
é parte fundamental, tendo em vista a dupla função 
do texto dissertativo: expor e argumentar.
84
Anotações: Assim, temos:
Na vida cotidiana, os dois tipos de texto dis-
sertativo são muito utilizados, seja individualmen-
te, seja como texto dissertativo expositivos-argu-
mentativo. Os livros didáticos de biologia, história, 
geografia etc. são exemplos de texto dissertativo 
expositivo. Eles apenas informam os aconteci-
mentos, tratam do tema de modo objetivo. Já nas 
reportagens, temos informações e análises, acon-
tecimentos e críticas, ou seja, texto dissertativo 
expositivo-argumentativo. É raro ter texto somente 
argumentativo, pois a base da argumentação é um 
tema que precisa ser apresentado de modo objeti-
vo para depois ser analisado.
Neste texto, apresenta-se uma ideia central a 
respeito de um tema e se apresentam provas, ar-
gumentos para defender o ponto de vista, de modo 
a demonstrar que a ideia central é verdadeira, por 
isso, as provas e os argumentos devem ser convin-
centes e pautados em informações consistentes 
e verdadeiras. O senso comum e as falácias – afir-
mação falsa ou errônea – não serão bem-vindas em 
uma argumentação séria.
Este o tipo de texto da universidade, a maioria 
dos trabalhos acadêmicos devem ser feitos utili-
zando o texto dissertativo: resumo, resenha, resu-
mo crítico, artigo científico, monografia, disserta-
ção, tese. É ainda o tipo de texto escolhido para os 
O texto dissertativo EXPOSITIVO – apenas apresenta as 
informações, os acontecimentos, o tema de modo impessoal, 
sem apresentar comentários que levem a uma crítica.
O texto dissertativo ARGUMENTATIVO – comenta as informações, 
analisa o tema, debate os acontecimentos, faz críticas ao tema.
85
Anotações:processos de seleção de todas as esferas: vestibu-
lar, concursos, etc.
Vejamos os exemplos:
Texto 1 – Informações históricas
Uma análise histórica da escravidão 
no Brasil
Embora a escravidão no Brasil tenha sido, ou 
ainda é, um dos pontos mais polêmicos discutidos 
na história, o fato é que não o deixará de ser tão 
cedo por conta da carência de documentos regis-
trados desta realidade. Difícil era haver nesta época 
do Brasil algum escravo alfabetizado que pudesse 
deixar qualquer escrito útil como fonte de pesqui-
sa. Contudo, apesar das dificuldades, as lacunas 
presentes neste polêmico estudo são preenchidas 
com infindáveis discussões acerca de como se da-
ria o processo escravista. O que se sabe, ao certo, 
é que muitos estudiosos o caracterizam como uma 
das formas mais cruéis de tratamento do ser huma-
no. Analisemos, portanto, os fatos.
A escravidão foi trazida para o Brasil com um 
propósito: para povoar o Brasil seria necessário 
abastecê-lo com a mão de obra necessária para pôr 
em prática o processo produtivo, bem como o abas-
tecimento da metrópole com produtos americanos. 
Eles eram necessários para que houvesse uma di-
nâmica no país, para que o processo produtivo an-
dasse e para que a família latifundiária obtivesse as 
melhores condições possíveis de sobrevivência. No 
entanto, embora se pudesse atribuir a estes indi-
víduos uma lista de utilidades, o tratamento a eles 
imposto se resumia a umas chicoteadas e muito 
trabalho. 
86
Anotações: É difícil, atualmente, imaginarmos como 
uma população relativamente numerosa pudesse 
se submeter a castigos tão severos. A primeira 
pergunta que nos fazemos é o porquê da não rebe-
lião dos escravos, da obediência incômoda a tanta 
humilhação. Mas é interessante notar que os escra-
vos eram trazidos de lugares pobres da África, co-
mercializados como uma “mercadoria”, separados 
de suas famílias e levados a lugares nunca antes 
conhecidos. Seria bem mais fácil enfrentar a situa-
ção perto de suas tribos e familiares. Alguns che-
gavam até mesmo a sofrer de banzo, uma espécie 
de nostalgia provocada por saudades da terra natal 
que geralmente os levava a morte. Enquanto isso, 
sua sobrevivência se baseava em negociações com 
seus senhores e na acomodação em relação à si-
tuação a que eram submetidos.
Fonte: <https://www.portaleducacao.com.br/>
Texto 2 – Reportagem
Reciclagem ajuda a preservar o meio 
ambiente e gera empregos na Paraíba
Fábrica recicla sacolas plásticas em Guarabira.
Em Sousa, empresa transforma garrafas em canos.
Sacolas e garrafas plásticas podem deixar de 
ser lixo e passarem a ser geradoras de renda. Na 
Paraíba, a reciclagem, além de ajudar a preservar o 
meio ambiente, tem garantido o emprego de muitos 
moradores. Durante esta semana, o JPB 2ª Edição 
exibe uma série de reportagens especiais sobre sa-
neamento básico nos municípios da Paraíba. Nesta 
quinta-feira (18), dia em que é veiculada a quarta e 
última reportagem da série, o destaque é para a re-
ciclagem. [...]
87
Anotações:“Se a gente fosse trabalhar só com material 
virgem, seria o dobro de poluição. Então a gente ti-
rou 350 do mercado de plástico e voltou novamente 
pro mercado. Evitando que a poluição aumente”, re-
latou o sócio-gerente da fábrica, Carlos Magno. Dos 
70 funcionários, 60 são do bairro onde a fábrica está 
instalada, um dos mais carentes de Guarabira. Mui-
tos são ex-catadores e outros, a exemplo de Danilo 
Félix, encontraram nela sua primeira oportunidade 
de trabalho, aos 18 anos.
“Hoje a gente pode dizer que uma sacola é di-
nheiro. A gente sobrevive da sacola, édaqui que sai 
o nosso salário. Então não tem condições de a gente 
pegar e jogar uma sacola. [...] Em Sousa, no Sertão, 
há 10 anos, uma empresa transforma garrafas de 
plástico em canos. São 50 toneladas produzidas por 
mês. O produto final é usado exclusivamente para 
esgoto. “Era uma ideia muito real, muito boa, pra a 
gente utilizar aquele material que não era utilizado, 
era exposto aos lixões”, lembrou o empresário Mar-
celo Abrantes Furtado.
Além da produção dos canos, outra parte do 
plástico é triturada e vendida para uma fábrica de 
tecidos. O rótulo e as tampinhas também são re-
vendidas para outas indústrias. Tudo é aproveitado. 
A fábrica emprega diretamente 40 pessoas. Outras 
dezenas são fornecedoras da matéria-prima, que 
garantem a renda procurando garrafas nas ruas. [...]
“Tem aquilo, os três Rs: reaproveitar, reutilizar 
e reciclar. Eu acho que existe mais um, o ressigni-
ficar. Às vezes você pode pegar um material que 
normalmente as pessoas veem como uma coisa e 
transformar em arte, transformar em utensílio. En-
tão eu acho que você ressignifica alguma coisa”, 
afirmou o artista.
88
Anotações: Texto 3 – Resumo
“Vidas Secas” – 
Resumo da obra de Graciliano Ramos
O livro possui 13 capítulos que, por não te-
rem uma linearidade temporal, podem ser lidos em 
qualquer ordem. Porém, o primeiro, “Mudança”, e 
o último, “Fuga”, devem ser lidos nessa sequência, 
pois apresentam uma ligação que fecha um ciclo. 
“Mudança” narra as agruras da família sertaneja na 
caminhada impiedosa pela aridez da caatinga, en-
quanto que em “Fuga” os retirantes partem da fa-
zenda para uma nova busca por condições mais 
favoráveis de vida. Assim, pode-se dizer que a mi-
séria em que as personagens vivem em Vidas Secas 
representa um ciclo. Quando menos se espera, a si-
tuação se agrada e a família é obrigada a se mudar 
novamente.
Fabiano é um homem rude, típico vaqueiro do 
sertão nordestino. Sem ter frequentado a escola, 
não é um homem com o dom das palavras, e chega 
a ver a si próprio como um animal às vezes. Empre-
gado em uma fazenda, pensa na brutalidade com 
que seu patrão o trata. Fabiano admira o dom que 
algumas pessoas possuem com a palavra, mas as-
sim como as palavras e as ideias o seduziam, tam-
bém o cansavam.
Sem conseguir se comunicar direito com as 
pessoas, entra em apuros em um bar com um sol-
dado, que o desafiou para um jogo de apostas. Irri-
tado por perder o jogo, o soldado provoca Fabiano o 
insultando de todas as formas. O pobre vaqueiro su-
porta tudo calado, pois não conseguia se defender. 
89
Anotações:Até que, por fim acaba, insultando a mãe do solda-
do e sendo preso. Na cadeia, pensa na família, em 
como acabou naquela situação e acaba perdendo a 
cabeça, gritando com todos e pensando na família 
como um peso a carregar.
Sinhá Vitória é a esposa de Fabiano. Mulher 
cheia de fé e muito trabalhadora. Além de cuidar 
dos filhos e da casa, ajudava o marido em seu tra-
balho também. Esperta, sabia fazer contas e sem-
pre avisava ao marido sobre os trapaceiros que ten-
tavam tirar vantagem da falta de conhecimento de 
Fabiano. Sonhava com um futuro melhor para seus 
filhos e não se conformava com a miséria em que 
viviam. Seu sonho era ter uma cama de fita de cou-
ro para dormir.
Nesse cenário de miséria e sem se darem 
muita conta do que acontecia a seu redor, viviam os 
dois meninos. O mais novo via na figura do pai um 
exemplo. Já o mais velho queria aprender sobre as 
palavras. Um dia ouviu a palavra “inferno” de alguém 
e ficou intrigado com seu significado. Perguntou a 
Sinhá Vitória o que significava, mas recebeu uma 
resposta vaga. Vai então perguntar a Fabiano, mas 
esse o ignora. Volta a questionar sua mãe, mas ela 
fica brava com a insistência e lhe dá um cascudo. 
Sem ter ninguém que o entenda e sacie sua dúvida, 
só consegue buscar consolo na cadela Baleia.
Um dia a chuva chega (o “inverno”) e ficam to-
dos em casa ouvindo as histórias de Fabiano. His-
tórias essas que ele nunca tinha vivido, feitos que 
ele nunca havia realizado. Em meio a suas histórias 
inventadas, Fabiano pensava se as coisas iriam me-
lhorar dali então. Para o filho mais novo, as sombras 
90
Anotações: projetadas pela fogueira no escuro deixavam o pai 
com um ar grotesco. Já o mais velho ouvia as histó-
rias de Fabiano com muita desconfiança.
O Natal chegou e a família inteira foi à festa da 
cidade. Fabiano ficou embriagado e se sentia mui-
to valente, só pensando em se vingar do soldado 
que lhe colocou atrás das grades. Uma hora, can-
sado de seu próprio teatro, faz de suas roupas um 
travesseiro e dorme no chão. Sinhá Vitória estava 
cansada de cuidar do marido embriagado e ter que 
olhar as crianças também. Em um dado momen-
to, ela toma coragem para fazer o que mais esta-
va com vontade: encontra um cantinho e se abaixa 
para urinar. Satisfeita, acende uma piteira de barro 
e fica a sonhar com a cama de fitas de couro e um 
futuro melhor.
No que talvez seja o momento mais famoso 
do livro, Fabiano vê o estado em que se encontrava 
Baleia, com pelos caídos e feridas na boca, e achou 
que ela pudesse estar doente. O vaqueiro resolve, 
então, sacrificar a cadela. Sinhá Vitória recolhe os 
filhos, que protestavam contra o sacrifício do pobre 
animal, mas não havia outra escolha. O primeiro tiro 
acerta o traseiro de Baleia e a deixa com as patas 
inutilizadas. A cadela sentia o fim próximo e chega 
a querer morder Fabiano. Apesar da raiva que sen-
tia de Fabiano, o via como um companheiro de mui-
to tempo. Em meio ao nevoeiro e da visão de uma 
espécie de paraíso dos cachorros, onde ela poderia 
caçar preás à vontade, Baleia morre sentindo dor e 
arrepios.
E assim a vida vai passando para essa famí-
lia sofredora do sertão nordestino. Até que um dia, 
com o céu extremamente azul e nenhuma nuvem à 
91
Anotações:vista, vendo os animais em estado de miséria, Fa-
biano decide que a hora de partir novamente havia 
chegado. Partiram de madrugada largando tudo 
como haviam encontrado. A cadela Baleia era uma 
imagem constante nos pensamentos confusos de 
Fabiano. Sinhá Vitória tentava puxar conversa com 
o marido durante a caminhada e os dois seguiam 
fazendo planos para o futuro e pensando se existi-
ria um destino melhor para seus filhos.
Fonte: <https://guiadoestudante.abril.com.br>.
Atente para a diferença entre TIPO TEXTUAL 
E GÊNERO TEXTUAL:
O tipo textual é o que acabamos de estudar e 
tem um caráter amplo de aplicação, são estruturas 
maiores que servem para organizar vários gêneros 
de texto. Os tipos textuais são narração, descrição, 
injunção, diálogo e dissertação. Já os gêneros tex-
tuais estão inseridos na forma de sua composição 
dentro das tipologias textuais, mas mantêm ca-
racterísticas próprias da sua utilização social. São 
vários os gêneros textuais, entre eles estão conto, 
crônica, propaganda, história em quadrinho, fábula, 
piada, reportagem, notícia, bula, música e outros.
Vejamos: uma fábula é um gênero textual que 
faz parte da tipologia narrativa; o conto é um gêne-
ro que faz parte da tipologia narrativa, a bula é um 
gênero textual que pertence a tipologia injuntiva. 
Assim, podemos verificar que a tipologia é a estru-
tura macro que engloba os gêneros que são muito 
diversificados:
92
 
Relembrando:
A interpretação de texto é facilitada quan-
do se compreende a tipologia textual porque cada 
tipo tem um propósito social, um eixo norteador 
que serve como direção para o leitor compreender 
o texto. Os estudiosos afirmam que quando o leitor 
conhece pouco os tipos textuais, sente dificuldade 
de compreender o texto. 
2.7 ORGANIZAÇÃO DO TEXTO
Neste tópico, vamos aprender como um texto 
se organiza. Numa primeira análise, podemos afir-
mar que os textos se organizam em introdução, de-
senvolvimento e conclusão. Dependendo do tipo de 
texto, estas etapas acontecem de modo diferente, 
porém, mantêm certa semelhança. Na introdução 
do texto é o momento de apresentar o tema, os per-
NARRAÇÃO
Romance
Piada
Conto
Tipo de textoGêneros textuais
93
Anotações:sonagens, o tempo, o espaço, dependendo da tipo-
logia. Não se deve perder de vista que a introdução, 
no texto dissertativo, também deve indicar a ideia 
central defendida em um texto. Dessa forma, quan-
do se procura saber a ideia central defendida em 
um texto, deve-se buscar na introdução.
Os parágrafos de desenvolvimento no texto 
dissertativo apresentam argumentos, fatos, exem-
plos, comparações, citações para defender a ideia 
principal; nos textos narrativos apresenta o conflito 
e vai ampliando até que atinja o ponto máximo. Na 
conclusão do texto, faz-se um fechamento, apre-
senta-se quais foram as principais ideias debatidas 
e como elas foram abordadas. Pode-se ainda apre-
sentar uma proposta para resolver um problema le-
vantado ao longo do texto. Na narração, apresenta-
-se um desfecho para o conflito. Algumas tipologias, 
como a descrição, injunção e o diálogo não apresen-
tam estrutura própria para introdução, desenvolvi-
mento e conclusão. Estão num contexto mais livre 
e podem se organizar de acordo com a exigência do 
gênero textual.
Em um texto, um parágrafo de argumentação 
pode servir apenas para informar, já outro, busca 
convencer o leitor do ponto de vista defendido. Outro 
aspecto é o fato de que a dissertação pode utilizar 
outras tipologias, como a descrição ou a narração 
para servir de argumento do texto. Isso não quer di-
zer que o texto deixou de ser dissertativo, continua 
sendo um texto dissertativo que utiliza outras tipolo-
gias para argumentar.
Não há fórmulas mágicas para a interpretação 
de texto, é preciso ler constantemente, procurar di-
ferentes tipos de texto e exercitar a leitura. Quanto 
mais leitura fizer, maior será a facilidade de com-
94
Anotações: preender. Em textos científicos é muito importante 
saber a ideia central do texto, a argumentação e a 
que conclusões chega o texto. Assim, podemos fa-
zer alguns questionamentos que nos levarão a estas 
ideias, vejamos:
I - Qual é o assunto? Qual é o ponto central do 
texto? De que realmente o texto quer tratar? Ao res-
ponder a essa pergunta, o leitor será obrigado a dis-
tinguir as questões secundárias da principal, isto é, 
aquela em torno da qual gira o texto inteiro. Quando 
o leitor não sabe dizer do que o texto está tratan-
do, ou sabe apenas de maneira genérica e confusa, 
é sinal de que ele precisa ser lido com mais aten-
ção ou de que o leitor não tem repertório suficiente 
para compreender o que está diante de seus olhos. 
Neste caso, o uso do dicionário será indispensável. 
Estas indagações levarão à IDEIA PRINCIPAL
II - Quais são os argumentos utilizados pelo 
autor para fundamentar a ideia central? Quais a 
ideias que comprovam a ideia central? O argumen-
to é um recurso para convencer o leitor de que fala 
a verdade. Saber reconhecer os argumentos do au-
tor é também um sintoma de leitura bem feita, um 
sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvol-
vimento das ideias. Na verdade, entender um texto 
significa acompanhar com atenção o seu percurso 
argumentativo. Conseguiremos assim identificar 
os ARGUMENTOS do texto.
III - Qual é a opinião do autor sobre a questão 
posta em discussão? Qual a análise que o autor faz 
das ideias apresentadas? Quais as críticas feitas 
pelo autor? Nesta etapa de leitura, já se avançou 
bastante e se pode analisar o texto por sua carga 
ideológica, pela sua construção social e histórica. 
Não se está mais preso apenas ao texto, mas ao 
95
Anotações:todo que engloba o que está escrito. É uma inter-
pretação mais complexa porque não se pode fugir 
do texto, não se trata de concordar ou discordar; o 
importante nesta etapa é conseguir compreender a 
parte crítica do texto. Teremos aqui a ANÁLISE CRÍ-
TICA do texto.
IV – Qual/quais a(s) conclusão(ões) do autor ao 
final dos argumentos? Finalizado o texto e feita uma 
série de argumentações para defender um ponto de 
vista, qual a síntese que se pode fazer do texto? Es-
tas questões remetem às CONCLUSÕES do autor.
Nem sempre os textos apresentam uma parte 
crítica. Há textos que se apresentam apenas com 
o objetivo de informar, de passar uma informação 
sem debater. Neste caso, busca-se compreender 
as demais etapas. Vamos analisar um texto para 
compreender o que foi exposto:
Texto 1 – Dissertação
O texto abaixo foi escrito por Marcio Pos-
chmann na Folha de S. Paulo.
O Brasil tem hoje um grande exército de jo-
vens na faixa etária de 15 a 24 anos aguardando uma 
possibilidade de apresentar ao mercado de traba-
lho o seu potencial. O maior drama deste exército 
juvenil é a ausência de vagas oferecidas àqueles 
que procuram o seu primeiro emprego. Nos últi-
mos dez anos, o país criou apenas 100 mil postos 
de trabalho para pessoas na faixa etária de 15 a 24 
anos, enquanto 2,8 milhões de jovens ingressaram 
no mercado de trabalho. Poucos são os cursos uni-
versitários no país que oferecem disputa tão acen-
tuada como atualmente ocorre no mercado de tra-
96
Anotações: balho, que tem 28 jovens concorrendo, em média, 
a cada vaga aberta. O aprofundamento da compe-
tição no interior do mercado de trabalho decorre 
também do fechamento de empregos tradicional-
mente ocupados pelos jovens. Dos 3,2 milhões de 
empregos formais destruídos na década de 1990, 
2 milhões atingiram o segmento com menos de 25 
anos de idade.
Além disso, parte das vagas oferecidas aos jo-
vens são ocupadas por adultos, já que o desempre-
go também afeta gravemente os chefes de família, 
que, desesperados, aceitam qualquer coisa. Para-
lelamente, a pouca experiência profissional, a baixa 
escolaridade e os traços de menor responsabilida-
de fazem parte das razões usadas por patrões e de 
até especialistas para explicar o desemprego juve-
nil, sem que estejam em consonância com a reali-
dade do mercado de trabalho. Ao contrário do sen-
so comum, a maior geração de vagas tem ocorrido 
nos postos de trabalho mais simples, não exigindo, 
necessariamente, maior grau de profissionaliza-
ção. São os casos das ocupações de emprego do-
méstico, de limpeza e conservação e de segurança 
privada e pública, que foram as que mais cresceram 
nos anos 90.
Ao mesmo tempo, ganha importância a defesa 
do individualismo, por meio da promoção da cultura da 
autoajuda. Isto é, a transferência do problema do de-
semprego ao próprio jovem que, na condição de sem 
emprego, precisa fazer curso disso, daquilo e muito 
mais, sem falar nas falsas dicas de como realizar um 
currículo “esperto”, como responder “inteligentemen-
te” a questões nas entrevistas etc. Como se bastasse 
ter conhecimento para que o emprego surgisse.
Apesar de tudo isso, há saídas para os jovens 
97
Anotações:que não sejam o desespero do desemprego, a vio-
lência da criminalidade, a degradação da prostitui-
ção e a fuga pelas drogas. Por não haver alternativas 
individuais para todos, apenas para alguns, o país 
precisa de um projeto nacional de desenvolvimento 
que viabilize o crescimento econômico em mais de 
5,5% ao ano e por toda uma década. Ademais, dois 
programas nacionais devem ser constituídos. O pri-
meiro diz respeito à manutenção do jovem por mais 
tempo na escola, fazendo com que ingresse mais 
tardiamente no mercado de trabalho.
 A melhora na educação nacional é necessária, 
assim como a difusão de medidas de transferência 
de renda para as famílias carentes com vistas a fi-
nanciar o tempo do jovem na escola, por meio de 
programas de renda mínima, bolsa escolas, entre 
outros. O segundo programa deve conter uma es-
tratégia especificamente voltada à abertura de va-
gas aos jovens no mercado de trabalho. O estímulo 
à criação de postos de trabalho subsidiados no se-
tor privado e de programas de utilidade coletiva no 
setor público contribui para a geração de maiores e 
melhores saídas aos jovens.
 
2.8 ANÁLISE
• Tema: trabalho
• Delimitação do tema: jovem
• Ideia principal: escassez de empregos 
para os jovens – dados estatísticos
• Ideias secundárias: argumentação
• Adultos ocupam vagas;
• Escolaridade;
• Vagasem empregos simples;
98
Anotações: • Individualismo;
• Análise crítica:
Basta fazer curso e ter conhecimento que o 
emprego surge – pensamento individualista. Cria-
-se a ideia de que o problema do emprego está no 
jovem e não na questão social, nas políticas públi-
cas que não geram novos empregos;
Muitos jovens têm escolhido o caminho da 
prostituição, das drogas por falta de oportunidades.
• Conclusão: 
Propostas para resolver ou minimizar o pro-
blema:
Projeto nacional para a geração de emprego;
Programas nacionais: manter o jovem mais 
tempo na escola – bolsa-escola; abertura de vagas 
destinadas aos jovens;
Vamos relembrar um assunto já visto ante-
riormente, a linguagem e sua organização:
A linguagem acompanha o homem em diver-
sos períodos da história: através dos desenhos nas 
grutas, por meio dos rituais de povos tradicionais, 
das danças, das músicas, das cerimônias e dos jo-
gos; das produções arquitetônicas e da arte: dese-
nhos, pinturas, esculturas, poética, cenografi a etc. 
(SANTAELLA131 s.a).
13 SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. Coleção primeiros passos, 
sem ano. Digitalizado e formatado por: Projeto de Democratização 
da Leitura. Acessado in: www.portaldetonando.com.br. Acessado 
em 17/02/2019.
99
Quando a comunicação 
acontece temos: 
o emissor transmite uma 
mensagem ao receptor através 
de um canal tratando de um 
contexto ou referente utilizando 
um código comum.
Sintetizando:
U
ni
da
de
 3
Videoaula 1
Videoaula 2
103
SEMIÓTICA E 
TEXTO NÃO-
VERBAL: 
PRINCIPAIS 
CONCEITOS
Juntamente com a lingua-
gem verbal, oral e escrita, te-
mos outras linguagens que tam-
bém representam os sistemas 
sociais e históricos do mundo. 
(SANTAELLA, s.a). A linguagem 
abrange um vasto campo, tendo 
em vista que acontece de forma 
tão intensa na vida em socieda-
de e de modo tão diferenciado. 
Ela envolve, inclusive, a lingua-
gem dos surdos-mudos, o sis-
tema codificado da moda, da 
culinária e tantos outros (SAN-
TAELLA, s.a).
Como já vimos anterior-
mente, sua organização se dá 
em:
104
Anotações:
3.1 LINGUAGEM VERBAL14
Dentre as várias formas de comunicação, 
aquela que utiliza a palavra, ou seja, a linguagem 
oral ou escrita é a linguagem verbal, pois o código 
usado é a palavra. Esse tipo de linguagem está pre-
sente quando falamos com alguém, quando lemos, 
quando escrevemos. Pode-se afirmar que é muito 
presente em nosso cotidiano e se apresenta em 
diversas formas: propagandas, reportagens, obras 
literárias e científicas, comunicação entre as pes-
soas, em discursos e em várias outras situações.
3.2 LINGUAGEM NÃO VERBAL
Neste tipo de linguagem, não se usa a língua, 
mas outros símbolos que podem significar como: 
imagens, figuras, desenhos, símbolos, dança, pin-
tura, música, mímica, escultura e gestos. No con-
texto, temos a simbologia que é uma forma de co-
municação não verbal. 
3.3 LINGUAGEM MISTA
Esta linguagem utiliza simultaneamente a lin-
guagem verbal e a linguagem não verbal, usando 
palavras escritas e figuras ao mesmo tempo. Ago-
ra, que já relembramos como se divide a lingua-
gem, podemos traçar os caminhos que nos levarão 
ao campo da semiótica. Não queremos que haja 
14 Fonte: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. 
ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.
 FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Linguística: Objetos Teóri-
cos. São Paulo: Contexto, 2002.
105
Anotações:uma base completa da ciência Semiótica, mas uma 
compreensão de como a linguagem em toda a sua 
plenitude comanda a vida do homem e para um bom 
processo de leitura e interpretação não basta ape-
nas dominar o campo da linguagem verbal, pois a 
linguagem não verbal assume papel significativo no 
nosso cotidiano.
As informações repassadas nesta parte do 
estudo são de Fidalgo e Gradim (2004/2005) , que 
ajudam a compreender a semiótica enquanto ciên-
cia e como o seu campo de atuação tem base para 
auxiliar o universitário a ter uma formação mais 
efetiva. A semiótica, quando considerada no plano 
da comunicação enfatiza a criação dos significados 
e a formação das mensagens a transmitir. Toda vez 
que nos comunicamos, o fazemos a partir dos sig-
nos; essa ação levará o receptor a elaborar outra 
mensagem também utilizando signos e assim su-
cessivamente. Portanto, há uma série de elemen-
tos a se considerar para que esta comunicação se 
torne eficiente e atinja o seu poder de comunicar, 
vejamos:
• Os tipos de signos utilizados para criar 
mensagens.
• As regras de formação.
• Códigos que os interlocutores partilham 
entre si.
• Denotações e conotações dos signos uti-
lizados.
• Tipo de uso dado aos signos. 
Santaella traz uma definição de semiótica que 
pode clarear o entendimento:
106
Anotações: A Semiótica é a ciência que tem por 
objeto de investigação todas as lin-
guagens possíveis, ou seja, que tem 
por objetivo o exame dos modos de 
constituição de todo e qualquer fenô-
meno como fenômeno de produção 
de significação e de sentido. (SAN-
TAELLA, s.a).
É possível observar que a comunicação não 
acontece em fluxo, numa sequência, se dá “como 
um sistema estruturado de signos e códigos” (FI-
DALGO e GRADIM, 2005, p. 19. Para compreender o 
processo de comunicação a partir da perspectiva 
dos signos, dois conceitos são apresentados:
Esclareçamos: o signo é uma coisa 
que representa uma outra coisa: seu 
objeto. Ele só pode funcionar como 
signo se carregar esse poder de re-
presentar, substituir uma outra coisa 
diferente dele. Ora, o signo não é o ob-
jeto. Ele apenas está no lugar do obje-
to. Portanto, ele só pode representar 
esse objeto de um certo modo e numa 
certa capacidade. Por exemplo: a pa-
lavra casa, a pintura de uma casa, o 
desenho de uma casa, a fotografia de 
uma casa, o esboço de uma casa, um 
filme de uma casa, a planta baixa de 
uma casa, a maquete de uma casa, ou 
mesmo o seu olhar para uma casa, são 
todos signos do objeto casa. Não são 
a própria casa, nem a ideia geral que 
temos de casa. Substituem-na, ape-
nas, cada um deles de um certo modo 
107
Anotações:que depende da natureza do próprio 
signo. A natureza de uma fotografia 
não é a mesma de uma planta baixa 
(SANTAELLA, s.a, p. 12).
Vejamos como Fidalgo e Grandim (2004, 2005) 
classificaram os signos, compreendendo-os na sua 
diversidade:
Há muitos e diversos tipos de signos 
e qualquer definição de signo deverá 
ter em conta não só a polissemia15 do 
termo signo, mas sobretudo a diver-
sidade dos próprios signos. Mesmo a 
definição mais geral de signo como 
algo que está por algo para alguém re-
clama que se especifique melhor essa 
relação de “estar por/para”. Daí que 
seja extremamente importante apon-
tar, ainda que não exaustivamente, di-
versos tipos de signos, sobretudo os 
mais importantes.
Vamos compreender como os autores classi-
ficaram os signos:
Sinais enquanto signos que levam a uma ação 
mecânica ou convencionalmente pelo receptor. 
Exemplo: sinais de rádio e de televisão provocam 
nos receptores determinados efeitos. Pode-se di-
zer que há, também, uma aplicação convencional 
dos sinais, como nos casos de “dar o sinal de parti-
da”, “fazer-lhe sinal para vir”, “dar o sinal de ataque”. 
Este tipo de signos é utilizado em máquinas, e é uti-
15 Vários sentidos de uma palavra.
108
Anotações: lizado por homens e animais. Quando toca a cam-
pa de uma escola, foi dado o sinal para vir. Então, 
a campa da escola é um signo, no caso, não verbal 
que comunica. Numa luta ou jogo, quando o juiz dá 
um sinal com a mão ou com o apito, os lutadores/
jogadores iniciam. O gesto e apito são signos. 
Veja baixo uma ilustração de dois tipos de sig-
nos: sinais e sintomas.
Sintomas são signos compulsivos, não ar-
bitrários, em que o significante está associado ao 
significado por um laço natural. Por exemplo, a fe-
bre está naturalmente ligada a alguma doença, é 
um signo que comunica que há alguma infecção no 
corpo; se ocorreu uma geada, é um sintoma de que 
a temperatura atmosférica desceu até zero graus 
centígrados,assim, a geada é um signo que traz 
uma comunicação.
SIGNOS
Sinais Sintomas
109
Anotações:Ícones são signos baseados na semelhança 
entre o significante e o significado. Se temos uma 
pintura, até mesmo uma fotografia, vamos obser-
var que há semelhança destes com o objeto pintado 
ou fotografado. Logo, são ícones. Também quando 
temos a planta de uma casa, a imagem no espelho, 
as pessoas vistas pela televisão. Então, o signo 
compreende aquilo que tem semelhança com o ser 
ou com o objeto, mas não é o ser-no-mundo ou o 
objeto real.
Índices são signos em que o significante é con-
tíguo, ou seja, está muito próximo ao significado. Um 
tipo importante de índices são as expressões que re-
ferem demonstrativamente, como “este aqui”, “esse 
aí”, “aquele ali”. Quando afirmamos “este aqui”, este 
signo está substituindo ou ser ou objeto. Os números 
nas fardas dos soldados também são índices, pois 
aquele número equivale ao soldado. Mais um exem-
plo é o relógio, como um índice do tempo, o número 
do relógio representa o tempo na realidade. 
A seguir temos dois exemplos de signos: íco-
nes e índices:
SIGNOS
Ícones Índices
OXE ESSE AÍOXE ESSE AÍ
Não sei, só sei que foi assimNão sei, só sei que foi assim
110
Anotações: Símbolos são signos em que há uma relação 
convencional entre representante e representado, 
sem que haja relação de semelhança ou de conti-
guidade. Convencionou-se associar a arara ao su-
permercado DB; a baleia (considerada peixe) repre-
senta o Santos; Usain Bolt escolheu como símbolo 
um raio. A relação simbólica é intencional. Cabe 
ressaltar, que para ser símbolo há algo de comum 
entre o representante e o representado. A arara 
tem em comum com o DB o fato de representarem 
a Amazônia; Bolt é tão rápido quanto o raio; San-
tos e baleia (popularmente chamado pela torcida de 
peixe) se relacionam como símbolo porque o time 
do Santos sempre foi ligado aos mares por um fator 
de localização geográfica.
Os nomes são signos que, embora sejam con-
vencionais, não há um atributo intencional para apro-
ximá-los. Ex: Maria é um nome que vai simbolizar um 
ser, mas não quer dizer que todas as Marias simboli-
zam a mesma pessoa. Elas apenas têm em comum o 
nome (FIDALGO e GRANDIM, 2005, p. 20-21).
Para efeito de ilustração, abaixo, mais dois 
exemplos de signos: símbolos e nomes:
SIGNOS
Símbolos Nomes
Ana
César
Érica
Maria
Leonardo
111
Anotações:Os signos constituem parte significativa da 
comunicação humana, seja ela verbal ou não verbal. 
Ao estudarmos os signos, conseguimos ampliar 
nossa visão da linguagem. O apito do juiz, o toque 
do despertador, o vermelho do semáforo são signos 
que têm significado na vida social e comunicam.
Em síntese, temos vários tipos de signos:
3.4 INTERPRETAÇÃO DE TEXTO 
NÃO VERBAL
Como já explicitado, muito da comunicação 
pode se dar não verbalmente: a expressão facial 
diante do que nos alegra ou incomoda, o sorriso, um 
aperto de mão, são signos comuns na comunicação 
humana. A manifestação das emoções humanas é 
uma forma de comunicação não verbal e muito re-
vela sobre a individualidade do ser ou mesmo da 
TIPOS 
DE 
SIGNOS
Sinais
Sintomas
Ícones
Índices
Símbolos
Nomes
112
Anotações: coletividade. Para efeito de organização, Fidalgo e 
Gradim (2005, p. 131) dividiram a comunicação não 
verbal em três grandes áreas:
[...] a área da comunicação facial e 
corporal, de que o suporte é o próprio 
corpo; a área da comunicação pelos 
artefactos utilizados, jóias, roupas; 
e a área da comunicação mediante a 
distribuição espacial, a posição que 
os corpos tomam no espaço, em rela-
ção entre eles e em relação a espaços 
determinados.1 (FIDALGO e GRANDIM, 
2005, p.131)
Nesta divisão, o centro da linguagem não 
verbal é o corpo, na primeira, as expressões de-
monstradas; na segunda os artefatos utilizados e 
na terceira o espaço que o corpo utiliza. Por esta 
perspectiva, pode-se entender a expressão: “o cor-
po fala”. A respeito desta questão, Schelles16 (2008) 
afirma:
O corpo fala e fala mesmo. Aponta as mentiras, 
expõe verdades inconscientes, reforça as ideias, dá 
ênfase à comunicação, favorece ou dificulta o en-
tendimento e promove a interação com emissor e 
receptor da mensagem. Sendo assim, a linguagem 
funciona como um meio de manutenção ou criação 
de relações de poder e controle; pode servir tanto 
como um fator agregador quanto como colabora-
dor, dependendo dos objetivos a serem atingidos 
16 SCHELLES, Suraia. A importância da linguagem não-verbal nas 
relações de Liderança nas organizações. Revista Esfera nº. 1 Jan./
Jun. 2008.
113
Anotações:pelas lideranças e a forma que as mesmas a utili-
zam em suas relações profissionais.
Não podemos ignorar o poder da comunicação 
não verbal e o seu alcance, tendo em vista que, 
através dela pode acontecer a comunicação entre 
povos de língua diferente: gestos, cores, expressões 
faciais. Não podemos também acreditar que não 
haverá comunicação se houver apenas a linguagem 
não verbal, prova disso são os filmes, como os de 
Charles Chaplin, desenhos animados sem fala, 
histórias em quadrinhos sem fala. Todos eles 
comunicam, embora não haja o elemento verbal da 
língua. 
É preciso romper com a ideia de que a 
linguagem verbal é o único meio de comunicação 
humana, pois através de uma cor, estabelecemos a 
vida ou a morte no trânsito: verde e vermelho; um 
som estabelece a hora de entrar e sair da escola; 
listras brancas no asfalto sinalizam para o motorista, 
parada, para o pedestre, passagem; um apito inicia 
ou para um jogo. Dessa forma, a linguagem não 
verbal é tão importante quanto a verbal e está 
presente em nossa vida na mesma medida. Basta 
observar as figuras para compreendermos o poder 
desta comunicação:
114
Ainda temos a linguagem não verbal associa-
da à verbal, o que dá uma nova linguagem, a híbri-
da ou mista, com potência para ampliar o poder da 
comunicação, pois aquilo que as palavras têm difi-
culdade para comunicar, pode ser comunicado pela 
linguagem não verbal e vice-versa. É uma lingua-
gem rica e na nossa sociedade pós-moderna ganha 
destaque pela sua beleza e rapidez na informação, 
vejamos alguns exemplos:
Fone: oficinaenem.wordpress.com.
Para uma melhor compreensão de textos com 
elementos não verbais, vamos estudar alguns gê-
neros de textos e suas especificidades para que 
possamos ampliar nosso conhecimento e facilitar o 
processo de interpretação de texto com linguagem 
Mas por que você
Não quer mais brincar de 
casinha comigo, Cebolinha?
ADIVINHA!
115
não verbal. Nesta etapa, os estudos de Guimarães17 
 (2013) serão fundamentais 
A imagem não é apenas um elemento de co-
municação, mas pode ser um documento históri-
co, pode revelar aspectos muito particulares de um 
tempo: fotos são a história de pessoas e épocas, por 
exemplo. “Como a História está em constante movi-
mento e transformação, as imagens também estão 
sempre se construindo” (GUIMARÃES, 2013, p. 127).
Além da imagem se inserir como elemento 
histórico, também pode trazer para o presente fa-
tos e pessoas do passado, como afirma Guimarães 
(2013, p. 128), “nessa linguagem tecida de imagens 
emoldurando as palavras, surpreendem-se ecos 
de vozes alheias, antigas ou recentes, iluminando 
faces e fotos remotos ou próximos, que lançam luz 
sobre os mecanismos da memória”. Por exemplo, 
propagandas como imagens do passado, são recu-
peradas no presente:
Fonte: Propagandas Históricas.
17 GUIMARÃES, Elisa. Linguagem verbal e não verbal na malha discur-
siva. Revista Bakhtiniana, São Paulo, 8 (2): 124-135, Jul./Dez. 2013.
116
Anotações: Nesta propaganda, recupera-se a figura do 
quadro de Leonardo Da Vinci, a Monalisa, para ser 
utilizada em um anúncio publicitário da Bombril. A 
figura ilustre de Monalisa é recuperada para dar um 
ar de sofisticação e elegância ao produto. No caso 
deste anúncio, não há linguagem verbal, todo o po-
tencial do anúncio está na linguagem não verbal. 
Importante frisar que, quem não conhece a 
obra de LeonardoDa Vinci, não conseguirá esta-
belecer a relação dela com o produto, vai acreditar 
que se trata apenas da divulgação do produto com 
uma mulher na imagem. Sem o conhecimento pré-
vio, a interpretação do texto será comprometida.
Observe o outro anúncio publicitário que tam-
bém utiliza conhecimento de outro contexto do dis-
curso para inserir em seu anúncio:
Aqui, temos linguagem verbal e não verbal, 
em que há interação entre as linguagens e uma 
completa a outra. A informação não está concen-
trada apenas na imagem, mas as palavras auxiliam 
na compreensão. Além disso, temos a referência a 
um discurso que não pertence a este anúncio, já foi 
produzido anteriormente, trata-se da obra do car-
tunista Ziraldo, O Menino Maluquinho.
Temos um anúncio da Hortifruti que utiliza o 
pepino, um produto vendido no estabelecimento e 
coloca sobre o pepino o símbolo do Menino Malu-
117
Anotações:quinho, uma panela. Mas se o anúncio publicitário 
acabasse aí, talvez não desse o entendimento es-
perado, assim, a linguagem verbal é trazida para 
esclarecer: “pepino maluquinho, o mais levado da 
hortifruti”. Com isso, o entendimento se torna claro, 
pois há uma clara referência à obra de Ziraldo. 
Novamente, é preciso esclarecer que para 
aqueles que não sabem da existência da obra O Me-
nino Maluquinho, não acontecerá o entendimento 
pleno. O leitor saberá que aquele estabelecimento 
vende pepino, mas terá perdido a beleza do anún-
cio. Quando apela para a obra, o efeito esperado é o 
de sofisticação, de qualidade, de alegria, de versa-
tilidade. Não é apenas um lugar onde se vende ver-
duras e legumes, é mais que isso. Guimarães (2013, 
p. 126) comenta:
O movimento do olhar que transita 
do visível ao nomeado e vice-versa 
reflete a estratégia fundamental do 
discurso da propaganda, ou seja, o 
intento de persuadir o leitor a crer na 
veridicção da imagem e, por conse-
guinte, o despertar do desejo de com-
pra do produto anunciado.
Já verificamos que a publicidade utiliza com 
grande competência o hibridismo da linguagem, 
por isso, a atenção do leitor, quando se depara com 
um texto publicitário, é focar sua atenção para as 
duas linguagens. A imagem se apresenta num plano 
tão real a ponto de se acreditar que a imagem é a 
realidade.
Por exemplo, a figura abaixo é de um peru as-
sado. É comum olharmos para fotos de comida e 
118
sentir vontade de comer, pois as imagens parecem 
ser a realidade.
O discurso publicitário, como pode ser visto, 
é atraente e persuasivo, pois precisa alcançar um 
objetivo maior. 
Observe que há 
diferença entre 
propaganda e 
publicidade. A 
propaganda tem o 
intuito de promover a 
adesão; já a publicidade 
desperta o desejo de 
compra, de consumo.
119
Anotações:Vejamos aqui:
PUBLICIDADE
Fonte: WordPress.com.
PROPAGANDA
Fonte: Alex Camilo de Melo, in google.
Publicidade e propaganda, embora sejam ter-
mos usados como sinônimo, não são. Vejamos:
120
Anotações:
Fonte: <Yuri Vasconcelos, in: https://super.abril.com.
br/2017>.
 
No campo das histórias em quadrinhos, a inte-
ração entre imagem e palavra se dá na maioria das 
vezes, ainda que seja possível ter apenas a lingua-
gem não verbal em alguns quadrinhos. A principal 
característica do quadrinho, sem dúvida, é a histó-
ria contada, a narração. Por isso, os quadrinhos se 
organizam de maneira sequenciada através de ima-
gens, palavras e balões.
Fonte: Maurício de Sousa Produções.
Os balões têm grande importância nas histó-
rias em quadrinhos. É através deles que se sabe se 
a conversa e num tom normal, se está gritando, se 
está pensando.
Propaganda é a atividade associada à divulgação 
de ideias (políticas, religiosas, partidárias, etc.) 
para influenciar um comportamento.
Já publicidade, em sua essência, quer dizer tor-
nar algo público.
121
Anotações:
Fonte: <http://nerdseotomeuniverse.blogspot.com.br/>.
Para garantir uma boa interpretação das his-
tórias em quadrinhos, dois aspectos devem ser 
considerados: a narrativa e a união entre imagem 
e palavra. Analisar separadamente, para interpretar 
não é recomendado:
Da mesma forma que cinema, tea-
tro e outras mídias constituídas por 
elementos verbais e não verbais, as 
mensagens em quadrinhos só podem 
ser compreendidas como um todo – a 
separação dos universos da palavra e 
da imagem corre o risco de uma infor-
mação incompleta e mesmo inconce-
bível. A possibilidade da compreensão 
em totalidade explica-se até mesmo 
pela forma de composição narrativa, 
característica estrutural da história 
em quadrinhos. O contexto enuncia-
tivo, pois, é reconhecido pelo leitor 
devido ao conjunto da obra. (GUIMA-
RÃES, 2013, p. 128).
122
Anotações: Por outro lado, temos a charge como um gê-
nero discursivo, em que se utiliza a caricatura como 
forma de ironizar, satirizar, criticar um fato da atua-
lidade. A caricatura se caracteriza pelo exagero no 
traço mais marcante da personagem principal da 
charge. De modo geral, as charges ganham conota-
ção política, mas é possível encontrar charges so-
bre diversos assuntos.
A charge faz uma espécie de crítica da crítica, 
o exagero das personagens já se manifesta como 
uma crítica, a forma como trata dos problemas so-
ciais também canaliza uma crítica. Não é possível 
compreender o sentido de uma charge, sem consi-
derar a crítica que está sendo feita. 
Fonte: blogderocha.com.br.
Observe na questão abaixo, como a charge 
aparece como recurso de interpretação. Há o ele-
mento verbal e o não verbal que se unem e devem ser 
interpretados em conjunto. O tema é o meio ambien-
te e vai ser tratado como sátira. O leitor, portanto, 
deve ler a sátira e compreender a linguagem híbrida 
para obter sucesso ao responder. Questões como 
123
essa são comuns nas provas e concursos, numa cla-
ra demonstração de que a linguagem não verbal está 
presente em diversas situações acadêmicas. 
Quanto à fotografia, ela se apresenta como 
uma imagem do real, como uma cópia da realida-
de. Cada foto corresponde a um período histórico 
e conta uma sequência de fatos, por exemplo: esti-
lo de roupa, de cabelo, tipo de construção, organi-
zação da cidade. Tudo isso é possível observar em 
uma única foto. Exemplo:
Tirada em 1972 por 
Huynh Cong Ut, fotógrafo 
da agência Associated 
Press, esta imagem 
ganhou o Prêmio Pulitzer 
no ano seguinte e se 
transformou no símbolo 
da Guerra do Vietnã. 
Phan Thị Kim Phúc, a 
menina da foto, hoje é 
embaixadora da UNESCO 
aos 51 anos.
Lemyr Martins foi autor 
de uma das fotos mais 
famosas do Rei Pelé, 
no ano de 1970, quando 
o Brasil foi campeão 
da Copa do Mundo de 
Futebol.
124
Anotações: A fotografia para ser interpretada precisa do 
conhecimento de mundo do leitor, para saber o tem-
po e o espaço da foto; da sua sensibilidade para per-
ceber o que se apresenta na fotografia. Para Barthes 
(1992, p.23-24), quando queremos saber o sentido de 
uma fotografia, devemos atentar a três fatores:
• Perceptiva – quando calcada na analogia 
da foto com a realidade, o que se vê;
• Cognitiva – quando depreendida a partir do 
conhecimento de mundo; 
• Ideológica – quando se associa a imagem a 
razões ou a valores culturais. 
Vejamos alguns exemplos:
Perceptiva
Fonte: Revista Pesquisa Fapesp.
Fonte:<https://exame.abril.com.br/marketing/10-fotogra-
fias-historicas-que-viraram-pecas-publicitarias/>.
125
Anotações:Cognitiva
Fonte: Revista Bula.
Ideológica
Fonte: <https://exame.abril.com.br/>.
Na primeira imagem, na perspectiva da per-
cepção, temos troncos de árvores, 5 visíveis que 
remetem ao tema do desmatamento da floresta; 
na imagem seguinte, considerando a cognição, o 
conhecimento, somos levados ao filme “um sonho 
126
de liberdade”; na última foto, pelo viés da análise 
ideológica, vamos compreender Gandhi como um 
grande líder pacifista, que usou o jejum como forma 
de protesto contra as injustiças sociais. Toda foto-
grafia pode ser analisada nos três aspectos. Sendo 
assim, quanto mais conhecimento de mundo o lei-
tor tem, mais fácil fica sua interpretação.Esta é uma questão do 
ENEM, 2008, na qual 
o centro da questão 
está em uma imagem, 
ou seja, linguagem não 
verbal. Neste caso, 
é preciso acionar o 
conhecimento de 
mundo, o conhecimento 
de história para que 
se possa analisar a 
imagem e responder 
o que se pergunta. 
É muito comum, 
em concursos, 
vestibulares a utilização 
da linguagem não 
verbal, por isso, a 
importância de estudar 
como proceder para 
interpretá-las.
127
U
ni
da
de
 4
Videoaula 1
Videoaula 3
Videoaula 2
Videoaula 4
131
COESÃO E 
COERÊNCIA 
TEXTUAL
Para produzir um texto 
não basta colocar palavras em 
uma folha de papel, de qualquer 
jeito. É preciso ter união das 
palavras, conexão entre perío-
dos, organização das ideias e 
sequência. Para o texto ser bem 
desenvolvido, há que unir os 
elementos gramaticais ao con-
teúdo e estrutura, em outras 
palavras, não basta dominar o 
assunto e conhecer o tema. É 
comum ouvir dos alunos, por 
exemplo, “eu tenho todas as 
ideias, mas não sei colocar no 
papel”. Isto porque, faltam-lhes 
132
conhecimentos, seja sobre a língua culta, o assunto, 
os diversos tipos de textos, regras da escrita como 
coesão, coerência, entre outros, para que expres-
sem seus pensamentos através da escrita. Muitos 
alunos reclamam: “eu tenho todas as ideias, mas 
não sei colocar no papel”. Isto porque, faltam-lhes 
conhecimento de modo que possa expressar suas 
ideias através da escrita. Um dos elementos ne-
cessários para um bom texto é o conhecimento dos 
elementos de coesão (que são também elementos 
gramaticais), sem eles, as ideias não ganham sen-
tido na escrita, logo, não se transformam em texto.
Fazendo uma analogia à costura de um tecido, 
por exemplo, tem-se que a funcionalidade da linha 
é de unir o tecido para formar a roupa. Assim tam-
bém é no texto, a coesão é responsável por unir as 
palavras, as frases, as orações, os períodos, os pa-
rágrafos para formar o texto.
Os principais elementos de 
coesão se dão através de meca-
nismos gramaticais, os princi-
pais são: pronomes, preposição, 
conjunção, substantivos, adjetivos 
(sinônimo, antonomásia, hiperônimo, 
hipônimo, etc.), portanto, quando se 
tem conhecimento das funcionali-
dades destas categorias, facilita a 
construção dos textos. 
Dessa forma, fica claro que só 
há texto se houver conectividade, 
coesão, sem isso, há bastante proba-
bilidade de elaborar textos confusos, 
truncados, desorganizados e sem se-
quência. 
133
Anotações:A coesão é um elemento de fundamental im-
portância na elaboração dos textos, independente 
da tipologia, pois, em grande parte, é através des-
te recurso que o texto pode progredir e ter certa 
continuidade harmônica. Não se quer dizer que um 
texto sem elementos coesivos seja um texto sem 
sequência. É possível haver pequenos trechos sem 
que haja recursos coesivos e sejam plenamente in-
teligíveis.
Para esta etapa do estudo, a obra de Fáve-
ro18 servirá como guia teórico. A autora (S. A, p. 13) 
destaca que a coesão textual depende de alguns 
elementos, como: referência, substituição, elipse, 
conjunção. Vejamos primeiramente como se dá a 
coesão por referência:
1) REFERÊNCIA — quando um signo linguístico 
se relaciona a um ser ou objeto extralinguístico. Po-
de-se dividir em:
ANÁFORA - anafórica: quando o item de re-
ferência retoma um signo já expresso no texto. 
Quando um nome (seja próprio, comum, simples, 
derivado ou qualquer outro) é substituído por um 
referente (pronome, advérbio, numeral). Pode-se 
ainda dizer que primeiro temos o NOME, depois o 
REFERENTE. Vejamos os exemplos abaixo:
 
O sonho de Teresa era ser cantora, mas ela ainda 
não conseguiu realizar esse desejo. 
NOME: Teresa 
REFERENTE (pronome): ela
 18 FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e Coerência Textuais. Série 
Princípios. Ática. Versão digital distribuída por: http://
groups-beta.google.com/group/digitalsource.
134
Anotações: O rapaz ficou preocupado com os últimos 
acontecimentos. Ele sabia as consequências de um 
tsunami. 
NOME: rapaz 
REFERENTE (pronome): Ele
Moro em Manaus grande parte da minha vida 
e, mesmo que haja problemas, posso afirmar que 
aqui eu sou feliz
NOME: Manaus 
REFERENTE (advérbio): aqui
Como pode ser observado, a anáfora é utili-
zada para que não ocorra a repetição de palavras, 
uma vez que se substitui a palavra por um referen-
te. Importante lembrar que a anáfora se dá sempre 
com o referente após o nome.
Outro elemento coesivo também parte da RE-
FERÊNCIA é a catáfora:
CATÁFORA (catafórica): quando o item de re-
ferência antecipa um signo ainda não expresso no 
texto. A catáfora é um processo inverso a anáfora. 
Primeiro temos o referente, depois temos o nome.
Vejamos alguns exemplos para melhor com-
preender:
Ela saiu sem dizer nada, não se despediu e pa-
recia estar preocupada. Lembro-me bem deste dia 
porque foi o dia em que minha mãe desapareceu.
REFERENTE (pronome): Ela 
NOME: mãe
135
Anotações:Lá vivi bons momentos, brinquei, nadei, comi 
frutas tiradas do pé, fui criança e fui feliz. A casa da 
vovó me traz doces recordações.
REFERENTE (advérbio): Lá 
NOME: casa da vovó
Sintetizando, conseguimos coesão em um 
texto através do processo de referência utilizando a 
anáfora ou a catáfora. Estes recursos permitem um 
texto sem repetição de palavras, o que levará a um 
texto mais fluente, com maior progressão:
Outra forma de obtermos a coesão é pelo pro-
cesso de substituição:
2) SUBSTITUIÇÃO — colocação de um item no 
lugar de outro(s) ou até de uma oração inteira. Pode 
ser nominal (feita por meio de pronomes pessoais, 
numerais, indefinidos, nomes genéricos como coi-
sa, gente, pessoa) e verbal (o verbo “fazer” é substi-
tuto dos causativos, “ser” é o substituto existencial). 
A substituição se dá quando um componente é re-
Coesão por 
REFERÊNCIA
Anáfora Catáfora
NOME primeiro, 
REFERENTE depois
REFERENTE primeiro, 
NOME depois
136
Anotações: tomado ou precedido por uma proforma (elemento 
gramatical representante de uma categoria como, 
por exemplo, o nome; caracteriza-se por baixa den-
sidade sêmica: traz as marcas do que substitui). 
Quando se fala em baixa densidade sêmica, 
está se afirmando que não há sinônimo perfeito, 
não há como fazer uma substituição de uma palavra 
por outra que tenha o mesmo significado. O máxi-
mo que pode ocorrer é que haja uma aproximação, 
uma equivalência de sentido.
A coesão por substituição se dá através de 
alguns elementos que são utilizados para a não re-
petição da palavra, ou até mesmo uma repetição 
intencional. Vejamos como se divide a coesão por 
SUBSTITUIÇÃO:
REITERAÇÃO (do latim reiterare = repetir) é 
a repetição de expressões no texto (os elementos 
repetidos têm a mesma referência). Faz-se a repe-
tição do mesmo item lexical com o objetivo dar ên-
fase ao elemento repetido. Neste caso, a repetição 
é intencional.
Assim era a escola de minha infância: escola 
do castigo e da punição, escola do aprendizado e da 
descoberta.
Água, sinônimo de vida; água do banho e da 
comida; água do lazer e da purificação; água salva-
ção da vida humana na terra.
Outra forma de coesão por substituição se dá 
através dos sinônimos, vejamos:
SINÔNIMOS - A questão da sinonímia é extre-
mamente complexa. Não existe sinonímia verdadei-
ra, já que todos os elementos léxicos são, de algum 
modo, diferenciados e a língua não é um espelha-
137
mento simétrico do mundo. Não há sinônimo per-
feitos. A sinonímia é feita considerando não apenas 
o significado da palavra, mas o seu sentido no tex-
to. Substitui-se uma palavra por seu equivalente.
O menino tagarelava sem parar, não parava 
quieto, parecia querer viver tudo em um só instan-
te. Para a mãe, aquele garoto era a alegria da casa.
Várias vezes fui àquela casa, era grande e ilu-
minada; aconchegante, com um ar de tranquilida-
de. Mesmo com o passar do tempo, ainda sinto que 
é o meu lar.
Observe que casa e lar, neste exemplopodem 
ser considerados sinônimos, mas pode haver situa-
ções em que esta substituição não seria possível. 
Outra forma de fazer coesão por substituição é uti-
lizando hiperônimos e hipônimos:
HIPERÔNIMOS E HIPÔNIMOS - Quando o pri-
meiro elemento mantém com o segundo uma re-
lação todo-parte, classe-elemento, tem-se um hi-
perônimo; e, quando o primeiro elemento mantém 
com o segundo uma relação parte-todo, elemento-
-classe, tem-se o hipônimo. Diferentemente dos hi-
perônimos, os hipônimos permitem maior precisão, 
deixando o texto menos vago.
Vejamos, como isso se dá na prática, existem 
elementos que são amplos e dentro deles vários ou-
tros elementos estão relacionados.
A palavra automóvel é o todo, é uma palavra 
ampla, de categoria maior; Enquanto que carro, 
moto, ônibus são palavras que fazem parte do todo 
– automóvel. 
 Este recurso coesivo sempre vai aparecer 
aos pares, seja colocando hiperônimo na frente e o 
HIPERÔNIMO: nome de 
maior categoria – flor, 
eletrodoméstico, fruta, 
zona da cidade.
HIPÔNIMO: nome 
de menor categoria 
– rosa, geladeira, 
banana, bairro.
138
Anotações: hipônimo depois, ou vice-versa. Importante saber 
que também é um recurso para não repetir as mes-
mas palavras ao longo do texto.
Muitos doces são produzidos na cidade de Ipi-
xuna, mas a cocada é a especialidade.
Doces – hiperônimo
Cocada – hipônimo
Doce abrange uma amplidão de outros ele-
mentos, por isso é hiperônimo; cocada é apenas um 
tipo de doce, portanto é hipônimo.
O tucano canta alegremente no alto das árvo-
res, mas toda vez que esse pássaro canta, é sinal de 
que vai chover.
Tucano – hipônimo
Pássaro – hiperônimo
Tucano está inserido em outro campo de pala-
vra de maior significado, é um tipo de pássaro, por 
isso é hiperônimo; já pássaro é a palavra de maior 
categoria, hiperônimo.
Ainda no processo de coesão por SUBSTITUI-
ÇÃO, temos a Antonomásia ou Expressões nomi-
nais definidas: 
ANTONOMÁSIA OU EXPRESSÕES NOMINAIS 
DEFINIDAS: Quando há retomadas (repetições) do 
mesmo fenômeno por formas diversas, esse tipo de 
reiteração se baseia no conhecimento do mundo 
do leitor e não num conhecimento somente linguís-
tico. No exemplo. São apelidos, profissão, como a 
pessoa, objeto, lugar é conhecido, características 
próprias da pessoa ou lugar, nacionalidade, etc.
139
Vejamos alguns exemplos:
Michael Jackson foi um cantor de grande 
sucesso nos anos 80, era um artista versátil, tan-
to dançava quanto cantava, mas ainda hoje, o rei 
do pop tem grande prestígio no campo da música. 
Pena que o cantor não esteja mais entre nós, pois 
ainda tinha muito a contribuir no campo artístico.
NOME: Michael Jackson. 
COMO É CONHECIDO (ANTONOMÁSIA): 
artista, rei do pop, cantor.
Sabemos que Manaus viveu um período de 
grande desenvolvimento em algumas áreas na épo-
ca da borracha. A Paris dos trópicos investiu em 
construção como o Teatro Amazonas que hoje é um 
dos cartões postais da cidade. 
NOME: Manaus.
ANTONOMÁSIA COMO É CONHECIDA: 
Paris dos trópicos.
Também podemos fazer a antonomásia com 
nomes de cidades, como é o caso de Manaus ou 
com nomes de times. 
Para efeito de síntese, podemos observar 
que a coesão por substituição se apresenta em 4 
campos que podem até parecer-se, pois todos eles 
substituem um NOME por outro NOME, mas cada 
um deles tem especificidades próprias. Como mos-
tra o esquema:
Observe que para não 
repetir o nome Michael 
Jackson, utilizou-se 
um termo como é 
conhecido – rei do pop; 
duas características 
ligadas à profissão: 
artista e cantor.
140
Outro elemento de coesão é a Elipse:
ELIPSE – se dá quando há uma omissão de 
um item lexical recuperável pelo contexto, ou seja, 
a substituição por zero (0). Pode ocorrer elipse de 
elementos nominais, verbais e oracionais. Neste 
caso, a coesão é feita pela omissão de uma palavra 
que já foi dita.
O exemplo abaixo nos dá esta indicação:
O jogador de futebol vivia um momento de 
grande tensão, pois se não fizesse um gol, poderia 
perder seu contrato. Durante a partida, *não mediu 
esforços para conseguir o que tanto queria: o gol.
NOME: jogador 
OMISSÃO - ELE
*Queria tanto falar com o professor e explicar 
o que aconteceu, pois *não quero que ele pense que 
eu sou irresponsável.
OMISSÃO/EU 
PRONOME 
OMISSÃO/EU
Coesão por SUBSTITUIÇÃO
REITERAÇÃO SINÔNIMO HIPERÔNIMO/HIPÔNIMO SINÔNIMO
Repetição da 
palavra com 
o objetivo 
de enfatizar, 
destacar, chamar 
atenção.
Substituição de 
um NOME, por um 
NOME
 APROXIMADO.
Substituição 
de um NOME 
de MAIOR 
CATEGORIA 
por um NOME 
DE MENOR 
CATEGORIA
(vice-versa).
Substituição 
de um NOME 
por APELIDO, 
PROFISSÃO, 
NACIONALIDADE, 
COMO É 
CONHECIDO.
141
Nós saímos cedo para pegar o barco, eles 
também*
VERBO: saímos 
OMISÃO/SAÍRAM
3) COESÃO SEQUENCIAL: os mecanismos de 
coesão sequencial têm por objetivo fazer progredir 
o texto, fazer caminhar o fluxo informacional. Não 
há retomada de itens, sentenças ou estruturas. A 
coesão sequencial normalmente é feita através de 
conjunções, ligando termos, orações ou períodos, 
estabelecendo entre eles uma relação de sentido. 
Exemplos:
Gosto de você. Não gosto do seu irmão – 2 
períodos simples, sem conexão.
Gosto de você, mas não gosto do seu irmão.
Gosto de você e do seu irmão.
Pode-se observar que a ideia é construída a 
partir do conectivo, por isso, conhecer o sentido que 
as trazem as conjunções é muito importante. Além 
disso, é possível perceber que ao utilizar as conjun-
ções, o texto progride, e se amplia.
Vejamos dois tipos de coesão sequencial: a se-
quenciação temporal e a sequenciação por conexão:
SEQUENCIAÇÃO TEMPORAL: quando obede-
ce à sequencialização dos enunciados. Assim, a se-
quenciação temporal pode ser obtida por:
a) Ordenação linear dos elementos — orde-
na-se na ordem cronológica dos fatos, como nos 
exemplos:
Ideia de adversidade, de 
pensamento contrário 
ao primeiro pensamento 
estabelecido.
Ideia de adição.
142
• Vim, vi e venci.
• Acordou, tomou o café e saiu apressado.
b) Expressões que assinalam a ordenação ou 
continuação das sequências temporais – a orde-
nação se dá pelo encadeamento dos fatos e na se-
quência de seus acontecimentos:
• Primeiro vi os pássaros voando e os ani-
mais correndo em direção à mata, depois 
vi uma grande onda que vinha em minha 
direção.
• Trataremos agora dos elementos de coe-
são e deixaremos para mais tarde a elabo-
ração dos parágrafos.
c) Partículas temporais: marcadores de tem-
po que ficam expressos no texto.
• Hoje é um dia muito importante, pois vou 
participar de um evento científico.
• Deixarei para resolver tudo isso amanhã, 
quando tiver mais tempo.
SEQUENCIAÇÃO POR CONEXÃO: conectar é 
unir, juntar. No texto, para haver sequência, é pre-
ciso unir uma parte a outra, caso contrário, vamos 
ter apenas frases, não um texto. Por o exemplo:
SEQUENCIAÇÃO TEMPORAL 
Ordenação Linear 
dos Elementos Ordenação Temporal Partícula Temporal
Ordena-se na ordem cronológica 
dos fatos, como nos exemplos 
apresentados no texto.
A ordenação se dá pelo 
encadeamento dos fatos, 
na sequência de seus 
acontecimentos.
Partículas temporais: 
marcadores de tempo que 
ficam expressos no texto.
143
• Minha casa é bonita. Eu gosto dela. Todo 
dia fico feliz por que vou para lá.
• Para mim, minha casa é bonita e eu gosto 
muito dela, por isso, todos os dias, fico fe-
liz em voltar para ela.
Para obter este tipo de coesão, utilizam-se 
os elementos conjuntivos que são: advérbios e lo-
cuções adverbiais; conjunções coordenativas e 
subordinativas; locuções conjuntivas, preposições 
e locuções prepositivas; itens continuativos como 
então, daí etc. É importante destacar que para se 
obter a coesão, é importante a escolha de conec-
tivo adequado para expressar asdiversas relações 
semânticas; (p. 14)
→ Separamos alguns termos responsáveis 
pela coesão sequencial nos textos:
ADIÇÃO/INCLUSÃO
Além disso; também; vale lembrar; pois; outrossim; agora; de 
modo geral; por iguais razões; inclusive; até; é certo que; é 
inegável; em outras palavras; além desse fator.
OPOSIÇÃO Embora; não obstante; entretanto; mas; no entanto; porém; ao contrário; diferentemente; por outro lado...
AFIRMAÇÃO/IGUALDADE
 Felizmente; infelizmente; obviamente; na verdade; realmente; 
de igual forma; do mesmo modo que; nesse sentido; 
semelhantemente.
EXCLUSÃO Somente; só; sequer; senão; exceto; excluindo; tão somente; apenas...
ENUMERAÇÃO Em primeiro lugar; a princípio.
EXPLICAÇÃO Como se nota; com efeito; como vimos; portanto; pois; é óbvio que; isto é; por exemplo; a saber; de fato; aliás...
CONCLUSÃO
 Em suma; por conseguinte; em última análise; por fim; 
concluindo; finalmente; por tudo isso; em síntese, posto isso; 
assim; consequentemente.
CONTINUAÇÃO Em seguida; depois; no geral; em termos gerais; por sua vez; outrossim.
144
Anotações: 4.1 COERÊNCIA
A coerência textual tem relação direta com 
o sentido do texto. É comum os alunos afirmarem 
que coerência é quando tem lógica, ou seja, o texto 
deve ter uma significação correta, sem contradi-
ção, sem afirmações falsas, sem duplo sentido. 
A coerência pode ser compreendida como um 
processo contínuo de sentidos, fazendo com que o 
texto tenha interpretabilidade. De acordo com Mar-
cuschi (1986), a base da coerência é a continuidade 
de sentidos em meio ao conhecimento ativado pe-
las ideias do texto.
Já Platão e Fiorin19, (1998, p. 397) apresentam 
diferentes níveis de coerência:
• Numa narrativa, as ações acontecem num 
tempo sucessivo, de forma que o que é 
posterior depende do que é anterior.
19 FIORIN, J. L. e PLATÃO, F. Para entender o texto: leitura e 
redação. São Paulo: Ática, 1998.
COERÊNCIA NARRATIVA COERÊNCIA ARGUMENTATIVA 
COERÊNCIA
Quando as implicações 
lógicas entre as partes da 
narrativa são respeitadas. 
Relações de implicação 
ou de adequação entre 
pressupostos ou afirmações 
explícitas no texto e as 
conclusões decorrentes destes.
145
• Alguns raciocínios lógicos se prestam 
como exemplos de incoerência argumen-
tativa, tais como: Toda cidade tem pobres. 
João Pessoa tem pobres. Logo, João Pes-
soa é uma cidade. Existe nesta afirmação 
uma inadequação, entre as “premissas” e a 
conclusão, pois pode haver pobres em lu-
gares que não são cidades ou vice-versa.
Temos ainda a coerência espacial e a figurati-
va, apresentadas a seguir:
• Ao se fazer um texto descritivo, ou narra-
tivo, há que o espaço necessário para ter 
determinada visão, porque se o espaço 
é muito distante, se o personagem não 
está posicionado de frente, há aspectos 
que não poderão ser vistos e isso deve ser 
considerado na escrita do texto.
• As figuras devem ser estabelecidas de 
acordo com o tema. Por exemplo, há 
COERÊNCIA
COERÊNCIA ESPACIAL COERÊNCIA FIGURATIVA
Diz respeito à compatibilidade 
entre os enunciados
do ponto de vista de 
localização no espaço.
Quando há uma compatibilidade 
entre temas e figuras ou de 
figuras entre si. As figuras se 
encadeiam num percurso, para 
manifestar um determinado 
tema, por isso, têm que ser 
compatíveis umas com as outras, 
senão o leitor não percebe o 
tema que se deseja veicular.
146
figuras esperadas quando se trata de 
pescaria: canoa, anzol, peixe, rio, isca, 
pescador, etc.
Temos também a coerência do nível de lingua-
gem e temporal, como observamos abaixo:
• Incoerente, pois, usar expressões chulas 
ou de linguagem informal num texto ca-
racterizado pela norma culta formal. A não 
ser em textos, cujo gênero seja permitido 
tal uso.
• As ações temporais devem ser sequen-
ciadas numa temporalidade compatível, 
de modo que seja possível ao leitor acom-
panhar essa sequência temporal. Caso 
contrário, efetiva-se uma subversão na 
sucessividade dos eventos, ocasionando 
a incoerência. 
• Não se deve dizer, por exemplo, “acordei 
cedo, hoje, às dez horas. Fui ao trabalho, 
vesti a roupa, tomei banho e fui caminhar, 
depois do almoço...”
COERÊNCIA NÍVEL 
DA LINGUAGEM COERÊNCIA TEMPORAL
COERÊNCIA
Compatibilidade do ponto 
de vista da variante linguística 
escolhida, em nível 
do léxico e da organização 
sintática utilizada no texto. 
Respeita as leis da 
sucessividade dos eventos 
ou apresenta uma 
compatibilidade entre os 
enunciados do texto, do ponto de 
vista da localização no tempo. 
147
4.2 TIPOS DE PARÁGRAFOS 
DISSERTATIVOS
Quando nos colocamos na condição de es-
critores, de modo geral, temos consciência de que 
parágrafos construídos que vão se unir para formar 
um texto. Ter isso em mente é fundamental porque 
então sabemos que o texto é uma construção de 
partes que formam um todo.
Por isso, nesta primeira parte da produção tex-
tual, vamos estudar a construção dos parágrafos. 
Como esta disciplina pretende servir de instrumento 
para uma vida acadêmica mais consistente, vamos 
estudar apenas a composição do texto dissertativo.
Apesar de haver técnicas de elaboração de 
parágrafos dissertativos, não há receitas prontas. 
O segredo é prática: aprende-se a escrever, escre-
vendo. Quanto mais dedicação a esta atividade, ha-
verá mais terá segurança ao escrever um texto.
Primeiro, vamos compreender o que é um 
PARÁGRAFO20:
“uma unidade de composição constituída por 
um ou mais períodos, em que se desenvolve deter-
minada ideia central, ou nuclear, a que se agregam 
outras, secundárias, intimamente relacionadas 
pelo sentido e logicamente decorrentes dela” (GAR-
CIA, p. 220).
Vejamos como este conceito é aplicado na 
prática:
Observe que na 
introdução do texto há 
a exposição da ideia 
principal, também 
conhecida como: ideia-
núcleo, tese, ponto 
de vista, ideia central. 
Para provar, comprovar, 
discutir a ideia central, 
será necessário 
construir parágrafos 
de argumentação com 
ideias secundárias. 
Após isso, o parágrafo 
de fechamento, 
denominado de 
conclusão.
20 Algumas informações foram retiradas do material de: COR-
REIA, Andreza. Português Instrumental. 2013.
148
Para ampliar o entendimento a respeito do que 
é um parágrafo, é importante conhecer algumas es-
pecificidades:
• A mudança de linha e o afastamento da 
margem esquerda servem como indica-
dores de onde começa e onde termina um 
parágrafo. 
• O texto é um conjunto de parágrafos.
• O parágrafo serve para dividir o texto: 
como já vimos no organograma, cada pa-
rágrafo apresenta uma ideia nova ligada à 
ideia principal.
• O uso adequado do parágrafo possibilita a 
compreensão do texto, pois cada ideia po-
derá ser expressa e desenvolvida em cada 
parágrafo. 
• Parágrafo não tem tamanho. Sua exten-
são depende de como será feita a abor-
dagem (GARCIA, 2013). Certamente que 
deve haver uma organização lógica, um 
planejamento para que haja harmonia no 
IDEIA PRINCIPAL 
ponto de vista
Ideia secundária
ARGUMENTO 1 
Ideia secundária 
ARGUMENTO 2
Ideia secundária 
ARGUMENTO 3 
A educação é o caminho para o desenvolvimento de um país;
Todos os países desenvolvidos têm boa educação em 
todos os níveis;
As condições sociais e financeiras de 
quem alcança o ensino superior melhora 
para ele e sua família;
Somente os países com educação 
desenvolvida conseguem produzir 
tecnologia.
149
parágrafo e não tenha grande diferença na 
quantidade de linhas de um parágrafo para 
outro. 
Observe que estamos tratando da composi-
ção do parágrafo, ou seja, uma unidade menor que 
o texto, mas este se comporta com uma estrutura 
de introdução, desenvolvimento e conclusão, como 
demonstra o exemplo abaixo:
Tema: desenvolvimento.
Delimitação: o desenvolvimento tecnológico 
X o desenvolvimento humano.
Ponto de vista: o ser humano ainda age como 
animal irracional.
Tema: educação.
Delimitação: educação e cultura.
Ponto de vista: a educação só consegue mu-
danças efetivas se ampliar o capital cultural do aluno.
Apesar do desenvolvimento tecnológico avança-do, o homem ainda age como um animal irracio-
nal. 
Frase-núcleo
Não é raro vermos homens brigando entre si 
por questões supérflluas; pessoas morrendo de 
fome sem receber auxílio; guerras; solidão; des-
respeito gratuíto. 
Desenvolvimento
O desenvolvimento tecnológico não melhorou o 
ser humano, por isso ainda somos atrasados.
Fechamento do 
parágrafo
Frase núcleo - uma 
frase como: tema + 
delimitação do tema + 
ponto de vista.
150
Vimos até aqui, o que é o parágrafo e como ele 
se organiza, mas há outros elementos que são fun-
damentais para uma boa escrita: a parte gramatical 
- acentuação, regência, concordância, ortografia 
etc. e a elaboração de parágrafos sem lógica, sem 
concatenação, sem coesão.
Fique atento para:
• Utilizar corretamente as normas gramati-
cais vigentes;
• Não elaborar o parágrafo de qualquer jeito: 
sem sequência, sem pontuação, sem os 
conectivos adequados, sem organização.
Antes de iniciar o texto, ao escrevendo o pri-
meiro parágrafo, a introdução, deve-se refletir bem 
a respeito do tema (assunto sobre o qual será tra-
tado no texto), pois é a partir dele que se define a 
ideia central e as ideias secundárias. É bom fazer 
um esquema antes de iniciar o texto, para colocar 
todas as ideias, assim como o conhecimento.
O parágrafo dissertativo se divide em três ca-
tegorias: introdução, argumentação e conclusão. 
A educação sozinha não consegue mudanças 
efetivas, é necessário ampliar o capital cultural 
dos alunos.
Frase-núcleo
Acesso a livros, cinema, teatro, múscia, shows, 
dentre outros eventos culturais solidificam o 
que é aprendido na escola e faz com estes con-
teúdos tenham sentido. 
Desenvolvimento
Se aliarmos escola e cultura de forma adequada, 
os alunos conseguirão uma formação acadêmi-
ca sólida.
Fechamento do 
parágrafo
151
Estas três etapas estão divididas e têm funções 
específicas, porém, mantêm uma relação de modo 
que não sejam parágrafos isolados, mas um texto.
Abaixo, a especificidade de cada parágrafo 
que compõe o texto dissertativo:
 
Analisando cada parágrafo separadamente, 
podemos ter clareza de como elaborar cada pará-
grafo de forma consistente e correta. A introdução 
é a apresentação do texto, momento em que se in-
forma o tema, de modo geral, sua delimitação e o 
ponto de vista – ideia principal.
Fome no Brasil
Tema: Fome
Delimitação: fome no Brasil
Ponto de vista – ideia principal: a fome no Bra-
sil é causada por conta da má distribuição de renda
A partir desta esquematização é que se cons-
tituem os argumentos. Por isso, elaborar um es-
• Tema
• Delimitação
• Ponto de vista 
• (ideia princiapal 
defendida no texto)
• Comprovação do ponto 
de vista (ideia principal 
defendida no texto)
• Ideias secundárias 
para defender a ideia 
principal
• Síntese do texto
• Apresenta 
proposta
152
Anotações: quema do texto antes de começar faz a diferença 
porque já se tem um esboço do que será abordado 
em cada parágrafo. Esta organização antes da ela-
boração do texto é fundamental para o sucesso da 
produção. Não importa o tipo de texto, seja um rela-
tório, um resumo ou qualquer outro texto, o impor-
tante é planejar, organizar as ideias antes de iniciar 
a escritura do texto. 
Há nos manuais de redação, uma série de 
técnicas para se utilizar como possibilidade para a 
construção dos parágrafos dissertativos. Nos ma-
nuais, há uma divisão entre técnicas para a intro-
dução e técnicas para a argumentação. Neste ma-
terial, considerando que qualquer técnica pode ser 
utilizada tanto na introdução quanto na argumenta-
ção, vamos conhecer as técnicas na sua totalidade. 
Certamente, precisamos ter em mente o objetivo 
do parágrafo para poder aplicar a técnica, pois se o 
parágrafo é de introdução, o objetivo é apresentar 
o tema, a delimitação e o ponto de vista; se é um 
parágrafo de argumentação, o objetivo é apresen-
tar comprovação do ponto de vista.
 Assim, vamos conhecer as técnicas que po-
dem ser utilizadas na composição do parágrafo dis-
sertativo:
TRAJETÓRIA HISTÓRICA
Apresentam-se elementos do passado e do 
presente, que sejam similares, que tenham algu-
ma semelhança. Só é possível fazer uma trajetória 
histórica se houver fato no passado que possa ser 
153
Anotações:comparado, de alguma maneira, a outro no pre-
sente. A trajetória histórica deixa o texto com mais 
sofisticação e mais confiável, pois a história é fato 
concretizado. Esta técnica só deve ser utilizada 
quando houver conhecimento que legitime a fonte 
histórica. Sem isso, corre-se o risco de utilizar in-
formação falsa e prejudicar o conteúdo do texto.
Vejamos um exemplo21:
De 1909 a 2002, foram construídas 140 escolas 
técnicas no Brasil. De 2003 a 2010, houve a entrega 
de 214 escolas pelo Ministério da Educação (MEC), 
conforme previa o plano de expansão da Rede Fede-
ral de Educação Profissional, além da federalização 
de outras escolas em todo território nacional. Até 
2012, o país contava com 354 unidades e mais de 400 
mil vagas em todo país. A previsão é de ampliação de 
mais de 208 novas escolas para serem entregues até 
2014, que somarão 562 unidades, gerando, aproxi-
madamente, 600 mil vagas (LOPES, 2013).
 
COMPARAÇÃO SOCIAL, GEOGRÁFICA 
OU HISTORICAMENTE
A comparação se dá através de similaridade 
ou diferença. Pode-se comparar dois países, dois 
fatos, duas personagens, enfim, comparar dois ele-
21 Exemplo retirado do artigo científico de: LOPES, Chris-
tiani Bortoloto; BORTOLOTO, Claudimara Cassoli; ALMEIDA, 
Shiderlene Vieira de. O Ensino Médio: trajetória histórica 
e a dualidade educacional presente nas diferentes refor-
mas. In: PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 34, n. 2, p. 555-581, 
maio/ago. 2016 http://www.perspectiva.ufsc.br. Acesso em 
02/02/2019.
154
Anotações: mentos, para comprovar o tema. Observe o exem-
plo22 em que se compara idosos que vivem em insti-
tuições e idosos que vivem em comunidades:
O idoso institucionalizado fica impedido de 
gerir seus bens, tem restringida a liberdade de ad-
ministrar seu tempo; seu espaço; relações sociais, 
e de tomar decisões. No contexto da instituciona-
lização ocorrem perdas de referências; do senti-
mento de pertença, e a vontade individual fica sub-
metida às decisões administrativas da instituição, 
podendo conduzir a apatia, passividade, alienação 
e anulação de identidade – portanto, à diminuição 
da percepção de controle. Além disso, observa-
-se que muitos idosos institucionalizados já são 
bem idosos, possuem saúde deteriorada, situação 
econômico-financeira precária e apresentam 
história de abandono ou descaso por parte dos 
familiares, quadro que os predispõe a baixa 
percepção de controle. Diferentemente dos idosos 
institucionalizados, os idosos da comunidade têm 
mais possibilidade de exercer o poder de comando 
sobre suas próprias vidas, tomar decisões, fazer 
escolhas – enfim, possuem mais liberdade para 
exercer controle sobre o ambiente em que vivem.
CONCEITUANDO OU DEFININDO UMA 
IDEIA OU SITUAÇÃO 
Ao tratar de alguns temas na elaboração dos 
textos, surgem palavras-chave de extrema importân-
cia e que merecem ser conceituadas para um melhor 
entendimento do leitor. Nesses casos, pode-se fazer 
a definição dessa palavra e continuar o parágrafo com 
155
Anotações:
22 KHOURY, Hilma Tereza Tôrres; SÁ-NEVES, Ângela Carina. 
Percepção de controle e qualidade de vida: comparação en-
tre idosos institucionalizados e não institucionalizados. IN: 
Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, 2014; 17(3):553-
565. http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v17n3/1809-9823-rb-
gg-17-03-00553.pdf. 
as informações necessárias. Não se trata de concei-
tuar somente, como demonstra o exemplo22: 
A qualidade de vida na velhice é fortemente 
determinada pela manutenção da capacidade fun-
cional – independência e autonomia. Autonomia 
se caracteriza pela habilidade de tomar decisões 
e controlar a própria vida. Independência é a capa-
cidade para executar as atividades de vida diária. 
Manter a capacidade funcional – critério atual de 
velhicesaudável – não depende apenas de fatores 
orgânicos. Fatores psicológicos, como as crenças 
de auto eficácia e a percepção de controle, desem-
penham papel fundamental na manutenção da saú-
de e independência na velhice e estão associadas a 
qualidade de vida, bem-estar ou satisfação com a 
vida. (KHOURY; SÁ-NEVES, 2014)
ENUMERAÇÃO
Um tipo de parágrafo muito consistente é o 
que utiliza a técnica da enumeração. Significa es-
tabelecer uma contagem dos elementos relaciona-
dos ao tema geral. É um tipo de parágrafo que têm 
marcadores próprios como: primeiro, segundo, ter-
ceiro; um primeiro aspecto, além disso, outro fator; 
em primeira análise, também pode-se destacar, fi-
nalmente. Observe o exemplo abaixo:
O novo decreto não foi desprovido de mobili-
zação e foi perpassado por diversos interesses. In-
156
Anotações: clusive, houve três propostas anteriores, que dis-
putavam a sua efetivação e fomentavam o debate 
em torno do mesmo. A primeira, ancorada na LDB 
de 1996, defendia a ideia de revogação do Decreto 
nº 2.208/1997, bem como o fortalecimento da or-
ganização do Ensino Médio. No mais, criticava a 
continuidade de mudanças oriundas de decretos 
estabelecidos pelo governo, com reprodução de 
método impositivo anterior. A segunda proposta 
defendia a manutenção do atual decreto e propu-
nha apenas mínimas alterações. A terceira posição, 
por sua vez, partilhava da ideia da revogação do de-
creto, defendendo a promulgação de um novo. Es-
ses documentos ofereceram sugestões de supres-
são, melhoria e acréscimo para o novo Decreto nº 
5.154/2004 (BRASIL, 2004) (LOPES, BARTOLO, AL-
MEIDA, 2016).
CONTESTANDO UMA IDEIA OU CITAÇÃO, 
CONTRADIZENDO, EM PARTES 
Quando o tema apresenta uma ideia com a 
qual não se concorda inteiramente, pode-se con-
cordar com o tema, em partes, ou seja, afirmar que 
a ideia do tema é verdadeira, mas que há controvér-
sias; logo, cabe discutir o assunto evidenciando a 
questão polêmica relacionada a ele. No exemplo23 
abaixo, a autora contradiz a ideia de que a cidade de 
Brasília é apenas a beleza de uma cidade planejada 
por um grande arquiteto:
23 ALVES, Lara Moreira. A construção de Brasília: uma con-
tradição entre utopia e realidade. In: https://cpdoc.fgv.br/
sites/default/files/brasilia/arquivos/LaraALVES-Aconstru-
caodeBrasilia.pdf
157
Anotações:No Núcleo Bandeirante, por exemplo, conhe-
cida como a cidade pioneira ou cidade livre – que 
serviu de ponto de apoio à epopeia da construção 
da nova capital e abrigava engenheiros, arquitetos, 
técnicos e trabalhadores braçais, em seus hotéis 
e casas feitos de madeira, cujas construções se 
transformaram em alvenaria – vivem, hoje, operá-
rios que não conseguiram manter as condições de 
vida que o Plano Piloto fixara. Assim, constatamos 
que Brasília subverteu as teorias modernas nas 
quais seu plano foi baseado. Foi, realmente, o cair 
das utopias, o fim do sonho diante da dura realida-
de social, apesar de todas as fantasias gestadas 
durante a década da utopia (1954-1964), marcada 
pela morte de Getúlio Vargas e pela busca de um 
novo centro: progressista, modernista, grandioso 
e irreal. [...] Diante destas considerações, a cida-
de nova engendra um paradoxo: sobre um intenso 
horizonte, foi construído um dos maiores conjuntos 
arquitetônicos modernistas do mundo, encravado 
no centro de um país, e no seu entorno vivem pes-
soas em condições de vida abaixo da linha estipula-
da pela ONU.
REFUTANDO O TEMA, CONTRADIZENDO 
TOTALMENTE
Refutar significa rebater os argumentos; 
contestar as asserções; não concordar com algo; 
reprovar; ser contrário a algo; contrariar com pro-
vas; desmentir; negar. Isso pode se dar com temas 
em o senso comum é tratado como verdade, mas 
as análises mais aprofundadas vão mostrar o con-
trário. Esse tipo de parágrafo é uma forma de você 
158
Anotações: demonstrar independência e ser autor do seu texto, 
não apenas um reprodutor de ideias. 
Por exemplo, a globalização é fato presente 
da pós-modernidade e se apresenta como posi-
tiva para todas as nações, porém o efeito é extre-
mamente negativo. Modificaram-se as questões 
éticas, o respeito à diversidade e aos direitos dos 
cidadãos. Somente os mais ricos se beneficiam 
enquanto metade da população mundial está na 
miséria. Longe do progresso anunciado pela glo-
balização, temos mais fome, mais violência, mais 
exclusão, mais desemprego, mais concentração de 
rendas, mais insegurança.
ELABORANDO UMA SÉRIE DE 
INTERROGAÇÕES
Uma forma de construir o parágrafo é fazer 
uma série de perguntas, porém alguns cuidados são 
necessários: não fazer muitas perguntas, em torno 
de 3; todas as perguntas devem ser respondidas, se 
forem feitas na introdução, serão respondidas na 
argumentação, se forem feitas na argumentação, 
deverão ser respondidas em seguida. Em textos 
curtos (30 linhas) não se orienta mais que 2 pergun-
tas. Outro cuidado é a qualidade da pergunta para 
não ser um questionamento ingênuo, vazio. Obser-
ve o exemplo abaixo: 
Esse tipo de contexto institucional poderia 
afetar negativamente a qualidade de vida dos idosos 
abrigados. Assim, pergunta-se, como se apresentam 
as percepções de controle e de qualidade de vida en-
tre idosos institucionalizados? Haveria relação entre 
Percepção de controle e qualidade de vida no con-
texto institucional? Haveria diferença com relação 
159
Anotações:a estas questões, comparando-se com idosos que 
vivem na comunidade? (KHOURY; SÁ-NEVES, 2014).
CARACTERIZANDO ESPAÇOS 
OU ASPECTOS
24A descrição de espaços ou de tempos, ou 
ainda com uma narração de fatos pode ser um tipo 
de parágrafo utilizado no texto dissertativo. Não é 
necessário fazer uma descrição ou narração longa 
para que não perca seu caráter dissertativo. Obser-
va-se a descrição utilizada em um artigo científico:
A visualidade monumental de Brasília cons-
trói-se por paralelismo e ortogonalismo, em com-
posições de volumes estanques, cuja percepção é 
favorecida por grandes distâncias. A monumenta-
lidade brasiliense está presente, por exemplo, na 
Praça dos Três Poderes, na Catedral, na Esplanada 
dos Ministérios e em outros prédios governamen-
tais. Localizada na escala coletiva ou monumen-
tal, no centro de Brasília, a Praça dos Três Poderes 
é simbolicamente desenhada como um triângulo 
equilátero, em cujos vértices situam-se os poderes 
Legislativo, Executivo e Judiciário. Procurou-se de-
pois a adaptação à topografia local, à melhor orien-
tação, arqueando-se um dos eixos a fim de contê-lo 
na forma triangular que define a área urbanizada. 
Idealizado por Lúcio Costa, esse triângulo é perce-
bido quando se estabelecem, virtualmente, retas 
de ligação entre os edifícios, tendo como ponto 
24 ALVES, Lara Moreira. A construção de Brasília: uma con-
tradição entre utopia e realidade. In: https://cpdoc.fgv.br/
sites/default/files/brasilia/arquivos/LaraALVES-Aconstru-
caodeBrasilia.pdf
160
Anotações: focal o Congresso Nacional. Sua monumentalidade 
constrói-se por simetria, na qual a verticalidade do 
Congresso Nacional se torna um eixo de referência 
entre o Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal 
Federal. (ALVES)
RESUMO DO QUE SERÁ APRESENTADO 
NO DESENVOLVIMENTO 
Uma das maneiras mais fáceis de se elaborar a 
introdução é apresentar o resumo do que se vai dis-
cutir no desenvolvimento. Para isso, a redação já deve 
estar toda planejada, pois serão apresentados um es-
quema do texto como um todo. Deve-se ter cuidado 
para não apresentar pontos que não serão discutidos 
posteriormente no texto. Trouxemos como exemplo25 
um trecho de um trabalho científico:
Neste trabalho, objetivamos investigar se os 
ditados populares podem ser tratados dentro das 
teorias da semântica e da pragmática da mesma 
forma que as expressões metafóricas. Assim, apre-
sentamos um breve panorama dos pressupostos 
teóricos e dos tratamentos dispensados à metáfora 
pela semântica e pela pragmática, com o objetivo 
de verificar a nossa hipótese. Além disso, apresen-
tamos uma pequena caracterização do que sãoos 
ditados populares e quais são as suas diferenças 
mais aparentes das expressões idiomáticas. Ao 
final, apresentamos a semântica dinâmica como 
uma terceira via para o tratamento desse fenômeno 
e uma breve análise dessas expressões dentro de 
25 LEGROSKI, Marina Chiara. Quem não tem cão, caça com 
gato: Uma tentativa de tratamento dos ditados populares 
na Semântica Dinâmica. Curitiba, 2011. In: https://acer-
vodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/25479/Disserta-
cao_Marina_FINAL.pdf?sequence=1
161
Anotações:duas teorias dinâmicas.
HIPÓTESE
Apresentar hipótese é se colocar um passo à 
frente do problema e criar hipóteses sobre o assun-
to, que tanto podem ser positiva quanto negativas. 
E afirmar como o tema vai se apresentar no futu-
ro a partir das hipóteses. Vejamos como o exemplo 
apresenta um a hipótese de que não haverá desen-
volvimento sem investir em educação:
Enquanto o país não investir em educação de 
qualidade em todos os níveis e para todas as classes 
sociais, vai continuar subdesenvolvido, sem conse-
guir melhorar as condições econômicas e sociais, 
pois somente a educação pode trazer avanço e pro-
gresso. Embora seja um investimento a longo prazo, 
nenhum país alcançou o desenvolvimento sem ter 
feito sérios investimentos no campo da educação
BILATERALIDADE
Trabalhar com a bilateralidade é apresentar 
aspectos positivos e aspectos negativos, pontos 
favoráveis e pontos desfavoráveis do argumento. É 
trabalhar com os “prós e contras”, sem dar ênfase 
a apenas um deles. Procure trabalhar com apenas 
dois parágrafos no desenvolvimento: um com os 
aspectos favoráveis; outro com os desfavoráveis. 
De um lado, compreende-se a televisão como 
responsável por noticiar informações fidedignas e 
esclarecedoras sobre questões de interesse públi-
co, com função de informar o fato de forma mais 
neutra possível. De outro lado, ela se apresenta 
claramente em favor dos interesses políticos e 
162
Anotações: econômicos dos mais favorecidos, desestimula o 
pensamento crítico e concentra-se nas questões 
sensacionalistas, o que proporciona uma fuga da 
realidade social.
CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS
Trabalhar com causas e consequências é apre-
sentar o motivo, o porquê, a causa do fato; em segui-
da apresentar o que vai acontecer, como vai ficar a 
situação por conta do fato. Veja o exemplo a seguir:
Imbuídos de uma ideologia de formação de ca-
pital humano, para o empresariado, os trabalhadores 
teriam os ganhos provenientes de sua qualificação, 
que seriam imediatamente absorvidos por ele mes-
mo e pelo setor patronal. Essa era a justificativa para 
atribuir ao próprio trabalhador a responsabilidade 
por sua formação, sendo ele o seu principal financia-
dor. A consequência imediata desse posicionamen-
to foi o aumento da privatização da educação profis-
sional brasileira (OLIVEIRA, 2011).
EXEMPLIFICAÇÃO
A exemplificação é a maneira fácil de se de-
senvolver um parágrafo da dissertação. Devem-se 
apresentar exemplos concretos, que sejam impor-
tantes para a sociedade. Argumente sobre perso-
nagens históricas, artísticas, políticas, sobre fatos 
históricos, culturais, sociais importantes.
Em uma sociedade muito violenta, veicula-se 
a ideia de fazer justiça com as próprias mãos. Mui-
tos afirmam que se fez algo errado precisa pagar e 
não importa como, porém, é preciso considerar a 
163
Anotações:máxima da justiça: “todos são inocentes até que se 
prove o contrário”. Assim, não podemos nós mes-
mos julgar, condenar e aplicar a pena porque acha-
mos que alguém é culpado, como foi o caso de Fa-
biane Maria de Jesus, espancada e morta em São 
Paulo, ao ser confundida com uma suposta seques-
tradora de crianças que praticava rituais de magia 
negra. Esse é um exemplo de que a justiça deve ser 
feita de forma correta se não quisermos viver em 
um faroeste.
DADOS ESTATÍSTICOS
Neste tipo de argumento, a comprovação é 
feita com base em dados concretos que são apre-
sentados. Normalmente, são porcentagens esta-
tísticas do fato em questão. É um argumento bem 
consistente, deve-se apenas ter cuidado para que 
as fontes sejam seguras e confiáveis.
Outro fator que pode afetar a percepção de 
controle nas instituições é o espaço pessoal dis-
ponível. Os idosos institucionalizados geralmente 
compartilham o quarto com outros idosos. No pre-
sente estudo, mais de 60% dos residentes em ILPIs 
não tinham um quarto individual, contra apenas 18% 
dos que viviam na comunidade. A elevada densida-
de social do ambiente de moradia é desfavorável à 
percepção de controle, uma vez que a privacidade 
fica comprometida. Isso é especialmente impor-
tante no caso do idoso institucionalizado, onde o 
único espaço realmente dele seria o próprio quarto 
(KHOURY; SÁ-NEVES, 2014).
164
Anotações: CITAÇÃO
Este é um parágrafo consistente e de grande so-
fisticação, posto que um autor de renome, com com-
petência no assunto será introduzido no texto para 
validar as ideias discutidas. Não basta fazer a citação, 
é preciso discutir as ideias. Apenas autores com auto-
ridade no assunto podem ser inseridos no texto.
O Brasil ainda passa fome. Fato real e lamentá-
vel em um país com grande produção de alimentos. 
João Cabral de Melo Neto em sua obra Morte e Vida 
Severina chama atenção para este problema: “somos 
muitos Severinos iguais em tudo na vida, morremos 
de morte igual, mesma morte Severina, [...] de velhi-
ce, antes dos trinta; de emboscada antes dos vinte 
e de fome, um pouco por dia”. Como vivemos em um 
país desigual, há muitas pessoas no topo d pirâmi-
de econômica, enquanto muitos sequer conseguem 
uma alimentação diária. Sem resolver a questão da 
fome, não há como desenvolver o país.
4.3 TEXTO DISSERTATIVO: 
RECONHECER E PRODUZIR
A escrita não pode ser vista, assim como a 
leitura, como uma mágica ou como um dom, que 
uns têm e outros não. Escrever é um processo in-
dividual, depende da construção social, do conhe-
cimento de mundo, do repertório que se construiu. 
Principalmente, a escrita é um processo, se apren-
de a fazer fazendo, a cada dia.
Escrever é também um processo interpes-
soal, dialógico porque escrevemos a partir do que 
outros já escreveram, escrevemos para que outros 
leiam. Estas são preocupações importantes: quem 
165
Anotações:eu tomo como base para escrever e para quem es-
crevo, com qual objetivo. 
Ainda mais, quando escrevo, preciso ter em 
mente:
• Quem eu sou;
• Para quem estou escrevendo;
• Qual o objetivo;
• Estes três aspectos vão definir:
• Linguagem;
• Nível de formalidade;
• Tipo de texto;
• Forma como vai ser escrito.
Certamente, uma carta para o presidente da 
empresa não será escrita da mesma forma que uma 
carta para alguém próximo, como sua mãe, por exem-
plo. Este aspecto parece sem importância, mas defi-
ne o tipo de texto, a linguagem, o nível de formalida-
de que você vai utilizar e deve ser pensado antes de 
iniciar a produção do texto. Os textos que produzimos 
são resultado de escolhas feitas previamente consi-
derando os aspectos mencionados e as condições 
históricas vividas pelo escritor, pois o vocabulário, 
as expressões, a sintaxe se alteram com o passar do 
tempo. Para escrever um bom texto, podemos dividir 
sua produção em três partes igualmente importantes:
Pré-textual
TRÊS ETAPAS PARA 
A PRODUÇÃO TEXTUAL
Textual Pós-textual
166
Na etapa pré-textual, o escritor precisa plane-
jar seu texto e organizar todos os aspectos relacio-
nados ao que vai escrever:
• Tema e sua delimitação;
• Ponto de vista – ideia principal do texto;
• Quais argumentos – conteúdo – ideias se-
cundárias;
• Quais técnicas – dados estatísticos, traje-
tória histórica, enumeração etc.;
• Linguagem adequada ao texto;
• Como vai estruturar o texto;
• Quem eu sou, para quem escrevo, qual o 
objetivo.
Observe os aspectos 
sobre os quais você 
precisa planejar antes 
de iniciar o texto 
propriamente dito:
PLANEJAMENTO
TEMA
PONTO 
DE VISTA
ARGUMENTAÇÃO
CONCLUSÃO
delimitar
verificar as informações
ideia principal do texto
técnicas
conteúdosíntese
proposta
enumeração
citação
histórica
167
Anotações:Na etapa textual, o escritor escreve o texto 
de acordo com o que planejou. Na etapa pré-tex-
tual, apenas fez um esquema, já na etapa textual, 
desenvolve o texto. Se a etapa anterior for bem de-
senvolvida, o escritor terá facilidade na escrita do 
texto. Sua atenção será para utilizar o vocabulário 
adequado e os elementos de coesão corretos.
Nesta etapa vai compor o texto de acordo 
com o que foi esquematizado. É imprescindível ter 
conhecimento sobre o assunto, estabelecer rela-
ção de coesão dentro dos parágrafos e conectar 
um parágrafo ao outro. O vocabulário também deve 
estar de acordo com o nível do texto escrito, em se 
tratando de texto dissertativo, a linguagem é sem-
pre técnica, gramaticalmente correta e vocabulário 
adequado. Evite termos coloquiais como: pra, coi-
sa, algo, tipo assim, só que, a gente, dentre outros.
Na etapa pós-textual, o escritor relê o texto e 
faz as correções:
Na etapa 
pós-textual 
o escritor vai 
reler o texto 
e fazer as 
correções:
Vocabulário; Aspectos 
gramaticais;
Conteúdo – se 
está tudo 
certo;
Coesão – se há 
repetição de 
palavras, se 
há sequências 
longas sem 
conectivos.
168
Como já visto, temos texto dissertativo-expo-
sitivo e dissertativo-argumentativo e ainda os dois 
juntos. Este tipo de texto serve para toda e qual-
quer comunicação acadêmica: responder a uma 
pergunta na prova, fazer um resumo, uma resenha, 
uma análise crítica, um artigo científico, uma mo-
nografia, um artigo de opinião, etc.
Quanto à estrutura do texto dissertativo, temos:
Mesmo quando o texto for pequeno, por exem-
plo, para responder a uma questão na prova, esta 
estrutura pode ser mantida e certamente vai ga-
rantir melhor entendimento por parte do leitor. Por 
isso é importante escrever constantemente para ir 
internalizando a estrutura do texto e internalizar o 
procediemento de modo que se torne tarefa mais 
fácil de ser executada.
Observe, no texto abaixo, como estas três 
partes estão organizadas:
TEXTO DISSERTATIVO
INTRODUÇÃO
DESENVOLVIMENTO
CONCLUSÃO
Parte do texto que apresenta 
a proposição, a tese, a ideia 
central (ponto de vista central) 
a ser desenvolvida.
Consiste na argumentação, 
no desenrolar da ideia central 
apresentada.
Parte final da produção escrita, 
em que reafirmamos o nosso 
ponto de vista e/ou oferecemos 
uma possível solução para a 
problemática apresentada.
169
Anotações:
Tema: desafio da educação dos surdos no Brasil
Marcus Vinícius de Oliveira
No Brasil, o início do processo de edu-
cação de surdos remonta ao Segundo 
Reinado. No entanto, esse ato não se 
configurou como inclusivo, já que se 
caracterizou pelo estabelecimento de 
um “apartheid” educacional, ou seja, 
uma escola exclusiva para tal público, 
segregando-o dos que seriam conside-
rados “normais” pela população.
INTRODUÇÃO: 
Tema: desafios 
da educação dos 
surdos no Brasil
Ponto de vista: 
não houve inclu-
são 
Assim, notam-se desafios ligados à 
formação educacional das pessoas 
com dificuldade auditiva, seja por este-
reotipação da sociedade civil, seja por 
passividade governamental. Portanto, 
haja vista que a educação é fundamen-
tal para o desenvolvimento econômico 
do referido público e, logo, da nação, 
ela deve ser efetivada aos surdos pelos 
agentes adequados, a partir da resolu-
ção dos entraves vinculados a ela.
ARGUMENTO I: 
CONSTATAÇÃO
Estereótipos; 
Educação deve 
ser efetivada
Sob esse viés, pode-se apontar como 
um empecilho à implementação desse 
direito, reconhecido por mecanismos 
legais, a discriminação enraizada em 
parte da sociedade, inclusive dos pró-
prios responsáveis por essas pessoas 
com limitação. Isso por ser explicado 
segundo o sociólogo Talcott Parsons, 
o qual diz que a família é uma máquina 
que produz personalidades humanas, 
o que legitima a ideia de que o precon-
ceito por parte de muitos pais dificulta 
o acesso à educação pelos surdos.
ARGUMENTO II: 
CITAÇÃO
Discriminação 
enraizada, inclu-
sive pelos fami-
liares
170
Anotações:
Tal estereótipo está associado a uma 
possível invalidez da pessoa com defi-
ciência e é procrastinado, infelizmente, 
desde o Período Clássico grego, em que 
deficientes eram deixados para morrer 
por serem tratados como insignifican-
tes, o que dificulta, ainda hoje, seu ple-
no desenvolvimento e sua autonomia. 
ARGUMENTO III: 
HISTÓRIA
Deficientes eram 
deixados para 
morrer
[...]
Afinal, dados estatísticos mostram 
que o número de brasileiros com defi-
ciência auditiva vem diminuindo tanto 
em escolas inclusivas – ou bilíngues 
-, como em exclusivas, a exemplo da-
quela criada no Segundo Reinado. Essa 
situação abjeta está relacionada à ine-
xistência ou à incipiência de professo-
res que dominem a Libras e à carência 
de aulas proficientes, inclusivas e proa-
tivas, o que deveria ser atenuado por 
meio de uma maior gerência do Estado 
nesse âmbito escolar.
ARGUMENTO IV: 
EXEMPLO
Alunos com defi-
ciência auditiva 
diminuem no 
Brasil nas escolas 
brasileiras
Diante do exposto, cabe às instituições 
de ensino com proatividade o papel 
de deliberar acerca dessa limitação 
em palestras elucidativas por meio de 
exemplos em obras literárias, dados 
estatísticos e depoimentos de pessoas 
envolvidas com o tema, para que a 
sociedade civil, em especial os pais de 
surdos, não seja complacente com a 
cultura de estereótipos e preconceitos 
difundidos socialmente. Outrossim, o 
próprio público deficiente deve alertar 
a outra parte da população sobre seus 
direitos e suas possibilidades no Es-
tado civil a partir da realização de dias 
de conscientização na urbe e da divul-
gação de textos proativos em páginas 
virtuais, como “Quebrando o Tabu”. [...]
ARGUMENTO V: 
EXEMPLO
Alunos com defi-
ciência auditiva 
diminuem no 
Brasil nas escolas 
brasileiras
Fonte do texto: 
<https://blogdoenem.com.br/redacao_enem_nota_1000/>.
171
Anotações:Ao finalizar as observações do esquema e do 
texto, é possível perceber claramente a estrutura 
do texto dissertativo de modo positivo e objetivo. 
Embora o exemplo seja de uma redação de vesti-
bular, serve como base para qualquer outro tipo de 
texto, mesmo se for mais longo, pois o que é dife-
rente é a quantidade de argumentos, de modo que a 
introdução do texto é feita em um único parágrafo, 
assim como a conclusão.
A introdução do texto será o guia do tex-
to, essa deve iniciar com uma frase núcleo que é 
a síntese do que o texto vai tratar, depois vem um 
comentário a respeito ou como será desenvolvido 
e fecha com uma frase conclusiva. Temos aqui o 
parágrafo-padrão ou parágrafo-perfeito, como já 
estudado anteriormente. Assim, precisamos se-
guir alguns princípios que devem ser observados no 
desenvolvimento do texto:
Unidade: todas as informações do texto es-
tão conectadas à ideia central apresentado na 
frase-núcleo. Os dados, exemplos, citações estão 
a serviço da ideia central, caso contrário haverá 
dispersão das ideias e o leitor não conseguirá com-
preender sobre o que realmente está tratando. Para 
Sena26 (2004, p. 155):
Trata-se, portanto, de uma caracte-
rística de fundamental importância, 
pois, além de prender o leitor a um 
único assunto, direciona a bateria de 
ideias secundárias, ou a argumenta-
26 SENA, Odenildo. A engenharia do texto: um caminho rumo à 
prática da boa redação. Manaus: EDUA/FAPEAM, 2004.
172
Anotações: ção propriamente dita, para um único 
alvo. Aumenta, com isso, a probalida-
de de persuasão.
Convencimento: o texto dissertativo tem 
como propósito apresentar argumentos que con-
vençam o leitor a respeito de uma suposta verdade, 
estabelecida no ponto de vista. Todo o esforço du-
rante o texto é para formular a melhor argumenta-
ção, por isso os parágrafos de dados estatísticos, 
citação, trajetória histórica, exemplos, dentre ou-
tros são pensados como forma de apresentar fatos 
inquestionáveis.
 A parte mais importante da produção de tex-
to dissertativo está na construção dos parágrafos. 
Quandose compreende plenamente a elaboração 
dos parágrafos, pode-se construir o texto, pois bas-
ta atentar-se para o que é solicitado em cada pará-
grafo: introdução, argumentação, conclusão.
4.4 TEXTO DISSERTATIVO
Artigo de opinião
Alguns textos, embora mantenham a estrutu-
ra dissertativa, apresentam elementos próprios de 
composição e são textos solicitados na universida-
de, por isso, vamos estudar alguns deles:
Artigo de opinião: texto cujo propósito é o 
convencimento do leitor, porém, o autor deve afir-
mar um posicionamento explícito. Antes de formu-
lar o texto, o autor deve ter conhecimento não ape-
nas do ponto de vista que defente, mas dos pontos 
contrários a sua opinião, pois uma estratégia argu-
mentativa é rebater o que a firma a opinião oposta. 
173
Anotações:Deve-se considerar ainda o público leitor, para 
definir a linguagem adequada ao leitor, embora não 
seja possível o uso da linguagem informal. O texto 
deve iniciar de forma que a opiniaõ defendida já se 
mostre claramente na introdução e os argumentos 
voltados para provar a opiniaõ apresentada, quias-
quer um dos tipos de parágrafos apresentados po-
dem ser utilizados como técnica argumentativa. Na 
conclusão, fecha-se o texto com uma síntese do 
que foi papresentado. 
Vejamos um exemplo de artigo de opinião:
CADA INDIVÍDUO É RESPONSÁVEL 
POR SUA CONDUTA
Cassildo Souza
Atribuir à sociedade como um todo a culpa 
por certos comportamentos errôneos não parece, 
em minha maneira de pensar, uma atitude sensa-
ta. Costumamos ouvir por aí coisas do tipo “O Bra-
sil não tem mais jeito”, “O povo brasileiro é corrup-
to por natureza”, “Todas as pessoas são egoístas” 
e frases afins. Essa é uma visão já cristalizada no 
pensamento de boa parte de nosso povo.
Entretanto, se há equívocos, se existem er-
ros, se modos ilícitos são verificados, eles sempre 
terão partido de um indivíduo. Mesmo que depois 
essas práticas se propaguem, somente serão con-
taminados por elas aqueles que assim o desejarem. 
Uma corporação que, por exemplo, está sob inves-
tigação criminal em decorrência da ação de alguns 
de seus componentes, não estará necessariamente 
corrompida em sua totalidade. Aliás, a meu juízo, 
isso é quase impossível de acontecer. 
174
Anotações: É preciso compreender que nem todo mun-
do se deixa influenciar por ações fraudulentas. De 
repente o que alguém acha interessante pode ser 
considerado totalmente inviável por outra pessoa e 
não acredito que seja justo um ser humano ser res-
ponsabilizado apenas por fazer parte de um grupo 
“contaminado”, mesmo sem ele, o cidadão, ter exer-
cido qualquer coisa que comprometa a sua idonei-
dade moral.
Todos sabemos que um indivíduo é constituí-
do suficientemente para pagar por suas falcatruas. 
Por isso, não concordo que haja julgamento geral. É 
preciso que saibamos separar o bom do ruim, o ho-
nesto do corrupto, o bom-caráter do mau-caráter, o 
dissimulado do verdadeiro. Todos têm consciência 
do que seja certo ou errado e devem carregar so-
zinhos o fardo de terem sido desleais, incorretos e 
vulgares, sem manchar a imagem daqueles que, por 
vias do destino, constituem certas facções que não 
apresentam, totalitariamente, uma conduta legal. 
Fonte: <https://centraldasletras.blogspot.com/
p/modelos-de-redacao.html>.
Nota-se no exemplo que o centro do texto gira 
em torno da opinião apresentade de imediato nas 
duas primeiras linhas do texto. O que vem a seguir são 
argumentos que vão sustentar a opinão apresentada.
Resenha: este tipo de texto mescla dois outros 
tipos de texto: o resumo e a crítica. Basicamente a 
resenha é um texto para apresentar uma obra artís-
tica ao público, pode ser: livro, série, filme, musical, 
show, peça teatral, CD, enfim, qualquer obra artís-
tica. Texto muito utilizado pelos jornalistas, ganha 
preferência nas universidades pelo potencial de re-
sumir e criticar.
175
Anotações:O texto apresenta três etapas bem definidas: 
descrição técnica: em que apresenta a parte técni-
ca da obra: autor, personagens, editora, etc., resu-
mo da obra e análise crítica. Para efeito de melhor 
entendimento, serão apresentados 7 passos para 
se escrever uma boa resenha:
1. Identifique a obra: coloque os dados bi-
bliográficos essenciais do livro ou artigo 
que será resenhado;
2. Identifique o autor: quem é o autor da obra 
que foi resenhada e não do autor da rese-
nha (no caso, você). Fale brevemente da 
vida e de algumas outras obras do escritor 
ou pesquisador. 
3. Apresente a obra: situe o leitor descre-
vendo em poucas linhas todo o conteúdo 
do texto a ser resenhado;
4. Descreva a estrutura: fale sobre a divisão 
em capítulos, em seções, sobre o foco 
narrativo ou até, de forma sutil, o número 
de páginas do texto completo;
5. Descreva o conteúdo: Aqui sim, utilize de 
3 a 5 parágrafos para resumir claramente 
o texto resenhado;
6. Analise de forma crítica: nessa parte, e 
apenas nessa parte, há que dar sua opi-
nião. Argumente-se baseando em teorias 
de outros autores, fazendo comparações 
ou até mesmo utilizando-se de explica-
ções que foram dadas em aula. É difícil en-
contrarmos resenhas que utilizam mais de 
3 parágrafos para isso, porém, não há um 
limite estabelecido. Dê asas ao seu senso 
crítico.
176
Anotações: 7. Recomende a obra: já se leu, resumiu e 
deu sua opinião, agora é hora de analisar 
para quem o texto realmente é útil (se for 
útil para alguém). Utilize elementos so-
ciais ou pedagógicos, baseie-se na idade, 
na escolaridade, na renda, etc.
O CONDE DE MONTE CRISTO - RESENHA
Alexandre Dumas, o grande artista literário 
que através de sua escrita moldou narrativas que 
encantaram gerações, e que retratou a importân-
cia da literatura que o consagrou como o maior es-
critor de entretenimento francês; fez de “O Conde 
de Monte Cristo” uma obra que ultrapassou a linha 
tênue que separa e diminui a história apenas como 
algo concebido para entreter.
A obra em questão tem uma importância tão 
grande, que antecede o magistral “Os Miseráveis” 
de Victor Hugo, como uma das quatro principais 
obras-primas de importância histórica, quando o 
assunto é o retrato democrático e social da França. 
Um calhamaço de leitura fácil, que nos hipnotiza e 
nos leva a uma jornada grandiosa, que tem por obje-
tivo, apresentar um protagonista que busca vingan-
ça aqueles que outrora lhe fizeram mal.
Edmond Dantès é um personagem encanta-
dor, que nos assusta tamanha a sua audácia, sua 
inteligência e sua sede por justiça. Após ser vítima 
da armação de três personagens que lhe invejam 
por motivos diversos, é preso injustamente no dia 
de seu noivado e passa quatorze anos enclausurado 
em uma das piores prisões da época. Com a ajuda 
do destino, consegue escapar, se torna milionário e 
177
Anotações:ressurge das cinzas, como a mitológica ave grega, 
para se vingar de todos aqueles que foram os for-
jadores de seu sofrimento. Um tema que fascina a 
sociedade de maneira geral, que vê nesta jornada a 
chance de encarar a aplicação da justiça divina que 
tanto anseia, aplicada de forma humana. Mas é im-
portante nos atermos à importância de outra grande 
obra-prima para a concretização da obra de Dumas.
Não é à toa que o protagonista deste monu-
mento literário se chama Dantès. Assim como Dan-
tè de Alighieri, o personagem central de Dumas 
passa por três estágios bem distintos que podem 
ser encarados como o Inferno, o Purgatório e o Pa-
raíso, muito bem apresentados em “A Divina Comé-
dia.” Uma jornada de desconstrução e aprendizado 
psicológico que traz peso narrativo e nos faz refletir 
sobre os meambros da vingança como forma de li-
bertação. Não se trata apenas de uma obra sobre 
vingança, mas sim este tema atrelado a libertação 
espiritual de um ser injustiçado.
“O Conde de Monte Cristo”, como entreteni-
mento, tem a força de fluir como um rio tempes-
tuoso, que nos leva a devorarmos as milhares de 
páginas em uma velocidade que surpreende. Es-
truturado como um romance de folhetim, os capí-
tulos curtos possuem ganchos que teimpedem de 
abandonar com facilidade a leitura e te forçam a 
continuar a ler, com a sede de descobrir qual o pró-
ximo passo a ser dado pelo justiceiro, que como um 
Deus, manipula e tece os caminhos a serem percor-
ridos por aqueles que foram seus predadores, mas 
que agora se tornaram a caça.
O romance tem personagens tridimensio-
nais, que são magistralmente bem trabalhados, e 
178
Anotações: que nos entregam diálogos fascinantes, situações 
magníficas e que nos levam a um labirinto narrativo 
pouco visto nos romances. O desenrolar da trama é 
cheio de curvas, voltas e reviravoltas que nos dei-
xam impressionados pela capacidade criativa de 
Dumas, independente das polêmicas que lhe envol-
vem como romancista.
As comparações com o grande poema épico 
da literatura italiana, são vários, e reforçam minha 
teoria de que o robusto romance aqui resenhado, 
nada mais é que o outro lado da moeda de “A Divi-
na Comédia.” É o poema transformado em romance 
convencional, que transporta os círculos concên-
tricos de Alighieri, para a estrutura social francesa, 
alimentada pela poder monetário que dá força aos 
meros mortais de exercerem o papel de deuses so-
ciais e de juízes carcerários.
É uma obra-prima que vai muito além do espe-
rado de um romance folhetinesco, mas que apesar 
de trazer reflexões palpáveis e significativas, não 
perde a graça e nem se envergonha de ser o que é. 
Um livro que foi criado com o objetivo de divertir, de 
envolver e de surpreender, sendo acessível e menos 
pesado no que tange digestões mentais, o que o di-
fere e muito com a grande outra obra já citada, a 
magistral histórica “Os Miseráveis.” 
Pra quem tiver oportunidade e interesse, leia 
“A Divina Comédia” antes de embarcar na jornada 
tecida por Dumas. É fascinante constatar e “reen-
contrar” os personagens épicos caracterizados de 
forma romantizada. Desde os animais que inter-
rompem a progresso de Dantè Alighieri, apresenta-
dos como os algozes do Dantè de Dumas, até Virgí-
lio representado como o abade Faria, o homem que 
irá lhe servir como mentor.
179
Anotações:Apesar de suas amarras como escritor, Ale-
xandre Dumas insere em “O Conde de Monte Cris-
to” mesmo que de forma mais leve, críticas sociais, 
políticas e psicológicas. Uma obra que foi taxada 
em sua época como subliteratura e que hoje é uma 
das obras mais importantes já escritas. A verdadei-
ra grandeza literária eternizada, que nos enriquece 
como leitores, como críticos e como cidadãos.
Fonte: Fernando Lafaiete. In: <http://www.mundodasresenhas.
com.br/o-conde-de-monte-cristo-a-divina-comedia-de-alexandre-
dumas/>.
Importante afirmar que a crítica não é o senso 
comum: falar mal, dar sua opinião pautado apenas 
em conhecimentos superficiais, concordar ou dis-
cordar. Criticar é analisar a obra a partir de outras 
obras, de conhecimentos científicos, comparar com 
outras obras, com a realidade social. É a parte mais 
importante do texto e a mais difícil de ser construída, 
porque precisa de um bom repertório teórico.
Texto de informação: é um texto em que se 
expõe um tema, fato ou circunstância ao leitor. É 
um texto em prosa, com linguagem clara e direta, 
cujo objetivo é transmitir informação sobre algo, 
estando isento de duplas interpretações. O centro 
deste texto é a informação, por isso, não busca 
adesão do leitor por estratégias de convencimento, 
mas pela qualidade da informação. 
Diferente dos textos em que o poder de con-
vencer está centrado na opinião, neste texto, bus-
ca-se certa imparcialidade, pois os fatos devem 
falar por si mesmos.
O texto informativo tem como função conhe-
cer ou transmitir explicações e informações de ca-
180
Anotações: ráter geral. Visa compreender ou comunicar as ca-
racterísticas principais do tema:
O texto de informação também portanto, se 
apresentar em anúncios e propagandas. O poder 
persuasivo da propaganda a ser feito pela qualidade 
da informação.
O anunciante aposta que o produto por si só 
se vende, sem que seja necessário fazer qualquer 
outro tipo de apelo, como na propaganda antiga da 
Ford.
BALEIA AZUL
Por Joice Silva de Souza
Mestre em Ciências Biológicas (UFF, 2016)
Graduada em Biologia (UNIRIO, 2014)
A Baleia Azul (Balaenoptera musculus) é o 
maior mamífero e, possivelmente, o maior animal 
a habitar o Planeta Terra, alcançando até 30 me-
tros de comprimento e peso de 200 toneladas. Para 
181
Anotações:efeito de comparação, o elefante africano, um dos 
maiores animais terrestres do mundo, pode pe-
sar até 13 toneladas. Portanto, se fosse um animal 
terrestre, a Baleia Azul seria esmagada pelo seu 
próprio peso, caso não possuísse ossos grandes 
e pesados para sustentá-la; entretanto, como um 
animal marinho, seu corpo é sustentado pela água. 
Esta relação com a densidade da água e a abundân-
cia de recursos alimentares, são os dois principais 
fatores que possibilitaram o crescimento extraor-
dinário desta espécie.
Alimentação
Assim como outros cetáceos da subordem Mys-
ticeti, a Baleia azul não possui dentes e alimenta-se 
exclusivamente de pequenos crustáceos denomi-
nados krill. Estima-se que estas baleias consumam 
até 4 toneladas de krill por dia, o qual fica retido em 
suas “barbatanas bucais”, estruturas formadas por 
uma série de placas de queratina sobrepostas (en-
tre 260-400) que ocupam o lugar dos dentes nestes 
animais. Durante a alimentação, sulcos presentes na 
garganta da Baleia Azul se expandem, permitindo a 
entrada de grandes quantidades de água e alimento 
em sua boca; quando esta se fecha, a água é expelida 
através das barbatanas bucais e o alimento fica reti-
do em seu interior, sendo posteriormente levado ao 
estômago com o auxílio da língua.
Ecologia
A Baleia Azul é uma espécie cosmopolita, 
e realiza migrações sazonais para regiões tropi-
182
Anotações: cais durante o inverno com fins reprodutivos. Já 
no verão, esta espécie movimenta-se em direção 
às águas mais frias e produtivas dos polos à pro-
cura de alimento. Estes cetáceos geralmente são 
avistados em pares, mas podem ser encontrados 
solitários, em pequenos ou grandes grupos de até 
60 indivíduos (este último associado a áreas de ali-
mentação). Seu corpo alongado e aerodinâmico 
contribui para a alta velocidade de natação da es-
pécie, que pode alcançar até 48,3 km/h em situa-
ções de alerta. A Baleia Azul apresenta, em geral, 
uma coloração azulada-acinzentada, porém nas 
águas frias da Antártica, Atlântico Norte e Pacífico 
Norte costuma apresentar a região ventral amare-
lo-esverdeada, devido à presença de micro-orga-
nismos do fitoplâncton denominados diatomáceas. 
Outras características destes animais são a sua ca-
beça achatada e larga em forma de U, uma pequena 
nadadeira dorsal e a emissão de sons de alta e baixa 
frequência que podem ser ouvidos a milhares de km 
de distância. Esta última, inclusive, deu à espécie o 
título de voz mais poderosa do reino animal, visto 
que seus sons podem alcançar até 188 decibéis.
Reprodução
A Baleia Azul atinge a maturidade sexual en-
tre 5-10 anos, e sua gestação dura até 12 meses. O 
novo filhote nasce com 7 a 8 metros de comprimen-
to, pesando em média 3 toneladas, e apresenta uma 
das maiores taxas de crescimento do reino animal, 
ganhando até 90 kgs por dia em seus primeiros me-
ses de vida, quando ainda é alimentado pela mãe. 
Em geral, um novo indivíduo é adicionado à popu-
183
Anotações:lação a cada 2-3 anos, porém, suspeita-se que este 
intervalo esteja diminuindo como resposta à caça 
destes animais, em uma tentativa de manter suas 
populações em equilíbrio.
Ameaças
O declínio da Baleia Azul se iniciou no século 
20, com o advento de novas tecnologias de navega-
ção e caça, como navios motorizados e arpões ex-
plosivos, e teve seu auge registrado na década de 
30, quando mais de 29.000 baleias foram mortas em 
apenas uma temporada. Em 1966, a Comissão Ba-
leeira Internacional proibiu a caça destes animais, 
que enfrentam obstáculos para sua recuperação 
até os dias atuais, e são classificadas como amea-
çadasde extinção pela IUCN. A poluição marinha e 
o aquecimento global são alguns dos desafios en-
frentados para a conservação destas baleias, visto 
que afetam a disponibilidade de recursos alimenta-
res, comprometendo a sobrevivência da espécie. 
Algumas das populações restantes são, inclusive, 
classificadas como uma subespécie da Baleia Azul 
conhecida como “pygmy blue whales” (em livre tra-
dução - Baleias Azul pigmeias), uma versão menor 
das Baleias Azuis tradicionais.
184
Anotações: REFERÊNCIAS
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uma educação liberal. Tradução de: Inês Fortes de 
Oliveira. Rio de Janeiro: AGIR editora, 1974. Copyri-
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contradição entre utopia e realidade. In: https://
cpdoc.fgv.br/sites/default/files/brasilia/arquivos/
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BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portu-
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2004.
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cacionais. Porto Alegre, Globo, 1973.
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digir um texto. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.
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FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três 
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sociados: Cortez, 1989.
185
Anotações:GUIMARÃES, Elisa. Linguagem verbal e não verbal 
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lo, 8 (2): 124-135, Jul./Dez. 2013.
JAKOBSON, Roman. Linguística e Comunicação. 
Tradução de Izidoro Blikstein e José Paulo Paes. 
São Paulo: Editora Cultrix, 2007.
KLEIMAN, Ângela. Oficina de Leitura: Teoria e Prá-
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LEFFA, V.J. Perspectivas no estudo da leitura: tex-
to, leitor e interação social. In: LEFFA, V. J.; PEREI-
RA, A. E. (Org.). O ensino de leitura e produção tex-
tual: alternativas de renovação. Pelotas: Educat, 
1999. p. 13-37.
MEDEIROS, João Bosco. Como tornar o estudo e a 
aprendizagem mais eficazes. In: Redação científi-
ca: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 
11. ed. São Paulo: Atlas, 2011. cap. 1, p. 5-27.
ROSENTHAL, Marcelo; FURTADO, Lilian; OMENA, 
Tiago; et.all.. Interpretação de Textos e Semânti-
ca para concursos: teoria, esquemas, exercícios 
e questões de concursos comentadas série pro-
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<15/02/12019>.
SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. Coleção pri-
meiros passos, sem ano. Digitalizado e formatado 
por: Projeto de Democratização da Leitura. Aces-
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em 17/02/2019.
186
Anotações: SAVIOLI, F. Platão & FIORIN, J. Luiz. Lições de tex-
to: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2006, p. 328.
SCHELLES, Suraia. A importância da linguagem 
não-verbal nas relações de Liderança nas organiza-
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SENA, Odenildo. A engenharia do texto: um cami-
nho rumo à prática da boa redação. Manaus: EDUA/
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SOARES, M. As condições sociais da leitura: uma 
reflexão em contraponto. In: ZILBERMAN, R.; SIL-
VA, E. T. (Org.). Leitura: perspectivas disciplinares. 
São Paulo: Ed. Ática, 2000. p. 18-29.
187
Anotações:
188
189
Ca
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de
 E
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QUESTÃO 01
Analise as afirmações abaixo:
1. A fala, ao contrário da língua, é algo pu-
ramente individual. “São as combinações 
pelas quais o falante realiza o código da 
língua no propósito de exprimir seu pensa-
mento pessoal...” 
2. Do ponto de vista científico, tudo o que 
consideramos “erro” ao “falar errado” é, na 
verdade, algum fenômeno ou aconteci-
mento que pode e deve analisado por es-
tudos linguísticos. 
3. Pensamos a linguagem e somos o que a 
linguagem nos faz ser. Construímos e des-
truímos mundos diferentes. Podemos es-
treitar relacionamentos ou nos distanciar-
mos de relações com o exterior. 
4. A criança para aprender a sua língua não 
precisa estudar a gramática.
5. Acreditar que o bom português é aquele 
falado em determinada região do país con-
siste também em um preconceito, embora 
algumas regiões falem de fato o português 
correto.
Marque a alternativa que analisa corretamen-
te as afirmações:
a. Apenas a II e a V estão incorretas.
b. Todas estão incorretas.
c. Todas estão corretas.
d. Apenas a III e IV estão corretas.
e. Apenas a V está incorreta.
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QUESTÃO 02
Sobre as linguagens verbal e não verbal, assi-
nale V ou F:
1. A linguagem verbal utiliza qualquer códi-
go para se expressar, enquanto a lingua-
gem não verbal faz uso apenas da língua 
escrita.
2. São utilizadas para criar atos de comuni-
cação que nos permitem dizer algo.
3. A linguagem não verbal é aquela que utili-
za qualquer código que não seja a palavra, 
enquanto a linguagem verbal utiliza a lín-
gua, seja oral ou escrita, para estabelecer 
comunicação.
4. Linguagem verbal e não verbal, quando si-
multâneas, colaboram para o entendimen-
to do texto.
5. A linguagem verbal, por dispor de elemen-
tos linguísticos concretos, pode ser con-
siderada superior à linguagem não verbal.
Marque a alternativa que analisa corretamen-
te as assertivas:
a. V – V – V – V – V.
b. F – V – V – V – V.
c. V – V – V – V – F.
d. F – V – V – V – F.
e. V – F – V – F – V.
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QUESTÃO 03
Leia a tirinha e responda:
Ao analisar a tirinha, pode-se considerar que 
temos:
a. Subentendido porque possuem marcas 
linguísticas, como a palavra: adivinha.
b. Subentendido porque as informações 
estão escondidas, dependentes da in-
terpretação do leitor. Não possuem mar-
ca linguística, sendo deduzidos através 
do contexto comunicacional e do co-
nhecimento que os destinatários têm do 
mundo.
c. Pressuposto, já que as informações implí-
citas são facilmente compreendidas de-
vido a marcas linguísticas, como o que se 
manifesta na fala de Helga: “adivinha”, pois 
o leitor compreende que ela é quem assu-
me o papel de homem.
d. É um subentendido porque a mulher está 
dizendo que seu marido é a mulher da 
relação.
e. É um pressuposto que dá a ideia da 
grandiosidade De todas as mulheres. 
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 1
QUESTÃO 04
Todas as alternativas são subentendidos pos-
síveis, exceto:
a. “Você gostaria de ir ao cinema comi-
go qualquer dia?” (rapaz abordando uma 
moça numa festa).
b. “E você é simpático” (mulher respondendo 
a um elogio feito por um admirador).
c. “A bolsa da senhora está pesada?” (um ra-
paz).
d. “Você tem horas?” (um homem apressado).
e. “Este seu namorado é bonito” (o outro não 
era bonito).
QUESTÃO 05
Leia o texto para responder as questão 5 e 6:
TEXTO I
Formar um leitor competente supõe formar al-
guém que compreenda o que lê; que possa aprender 
a ler também o que não está escrito, identificando 
elementos implícitos; que estabeleça relação entre 
o texto que lê e outros textos já lidos; que saiba que 
vários sentidos podem ser atribuídos a um texto; 
que consiga justificar e validar a sua leitura a partir 
da localização de elementos discursivos. 
BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros 
Curriculares Nacionais: Língua
Portuguesa, 1º a 4º séries. Brasília: Secretaria de Educação 
Fundamental, 1997.
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 1
O fragmento “vários sentidos podem ser atri-
buídos a um texto...” pode ser entendido como:
a. Visão crítica do leitor, formada a partir de 
várias leituras, quando faz mais de um tipo 
de análise do texto.
b. Cada leitor entende o texto do jeito que 
quiser.
c. Quando se lê, só é possível um tipo de lei-
tura e um tipo de análise de texto. 
d. Qualquer leitor, mesmo no nível mais bá-
sico de leitura consegue extrair os vários 
sentidos de umtexto.
e. Tudo depende do leitor, ele é que faz o 
sentido do texto.
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QUESTÃO 06 
Leia o texto abaixo, analise e marque a alter-
nativa correta:
Texto 1
A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero, 
com confortos de matriz, outra vez feto.
(João Cabral de Melo Neto)
I. Pode-se afirmar, analisando a estrutura, 
que o texto faz uso da função poética.
II. Não há trechos em função emotiva, nem 
conativa.
III. No trecho, “o arquiteto: o que abre para 
o homem”, temos um exemplo de função 
metalinguística.
IV. O texto todo é função fática, pois não se 
consegue entender nada do texto.
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Marque a alternativa que faz uma análise cor-
reta das afirmações:
a. Todas estão corretas.
b. Todas estão incorretas.
c. Apenas a I e II estão corretas.
d. Apenas a III e IV estão corretas.
e. Apenas a IV está incorreta.
QUESTÃO 07
Assinale a alternativa que contenha a sequên-
cia correta sobre as funções da linguagem, impor-
tantes elementos da comunicação:
1. Ênfase no emissor (lª pessoa) e na expres-
são direta de suas emoções e atitudes.
2. Evidencia o assunto, o objeto, os fatos, os 
juízos. É a linguagem da comunicação.
3. Busca mobilizar a atenção do receptor, pro-
duzindo um apelo ou uma ordem.
4. Ênfase no canal para checar sua recepção 
ou para manter a conexão entre os falantes.
5. Visa à tradução do código ou à elaboração 
do discurso, seja ele linguístico ou extralinguístico.
6. Voltada para o processo de estruturação da 
mensagem, com rimas, versos, estrofes e para seus 
próprios constituintes, tendo em vista produzir um 
efeito estético.
( ) função metalinguística.
( ) função poética.
( ) função referencial.
( ) função fática.
( ) função conativa.
( ) função emotiva.
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 2
a) 1, 2, 4, 3, 6, 5.
b) 5, 2, 6, 4, 3, 1.
c) 5, 6, 2, 4, 3, 1.
d) 6, 5, 2, 4, 3, 1.
e) 3, 5, 2, 4, 6, 1.
QUESTÃO 08
Texto para responder as questões 8 e9:
Na 3ª série, a Educação Física busca mobili-
zar os alunos para uma prática regular e reflexiva, 
a respeito de jogos, ginásticas, lutas e danças. Em 
2015, como forma de enriquecer as experiências e 
a participação ativa do estudante, propus como fe-
chamento do curso e instrumento de avaliação for-
mativa um exercício de autoria e síntese de habili-
dades que, com certeza, irão fomentar novas ideias 
para o curso em 2016.
O “Trabalho de Autoria” possui duas etapas, 
sendo a primeira a redação de um projeto em gru-
pos pequenos, formatado dentro do rigor da elabo-
ração de trabalhos acadêmicos no Ensino Médio, 
que revele uma problematização nos campos da 
saúde, qualidade de vida ou outros no âmbito das 
atividades físicas, e sustente a criação de uma em-
presa, a sua finalidade, a justificativa, o seu nome 
ou razão social, além do segmento de atuação no 
mercado: Saúde, Lazer e/ou Atividades Físicas.
[...] Nessa segunda etapa, o foco é a demons-
tração de autonomia e de habilidades relacionadas 
com a socialização de saberes, de comunicabilida-
de e envolvimento prático dos integrantes na exe-
cução da “aula modelo”. Os retornos aos alunos se 
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 2
desenvolvem em rodas de conversas e reflexões 
sobre pontos positivos e para melhorar.
Dessa forma, acredito revisitar o acervo cul-
tural, motor, as experiências de comunicação, o 
planejamento antecipado, a expressão pessoal, o 
poder de síntese e a coerência nos registros das 
ideias, da problematização e consequente propos-
ta de atuação em um segmento de relevância so-
cial presente nas bases da área da Educação Física 
(saúde, lazer e atividades físicas), suscitando no 
aluno as habilidades de autocrítica e de exploração 
de suas potencialidades. (Matéria publicada no site 
Estadão)
A respeito do texto, é verdadeiro:
I. Temos no 1º. e 4º. parágrafos do texto, fun-
ção emotiva.
II. No 2º. e 3º. parágrafos do texto, temos 
função referencial.
III. Todo o texto está em função emotiva.
IV. Todo o texto está em função referencial.
V. Temos trechos em função conotativa.
Marque a sequência que analisa corretamente 
as proposições:
a. V – V – V – V – V.
b. F – F – F – F – F.
c. F – V – F – V – F.
d. V – V – F – F – F.
e. V – V – F – F – V.
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QUESTÃO 09 
A respeito do texto, é correto afirmar:
I. O emissor é, possivelmente, um professor 
de educação física que trata de assunto 
referente à sua prática.
II. O canal é o computador, o site.
III. O código é a língua portuguesa verbal es-
crita.
IV. O receptor são os leitores do site, em es-
pecial os que querem saber sobre Educa-
ção Física.
Assinale a alternativa que analisa correta-
mente as afirmações:
a. Todas estão corretas.
b. Todas estão incorretas.
c. Apenas a III e IV estão corretas.
d. Apenas a I e II estão corretas.
e. Apenas a III está incorreta.
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QUESTÃO 10 
Analise o texto abaixo:
Fonte: Google imagens
Pode-se afirmar que não é verdadeiro, apenas 
a alternativa:
a. Temos a função poética por conta da es-
trutura do texto e da sua organização ar-
tística.
b. Temos função conativa porque o texto 
todo está com verbo no imperativo.
c. Se fosse 1ª. pessoa do singular seria fun-
ção emotiva.
d. É possível que um texto tenha mais de uma 
função da linguagem.
e. Temos função metalinguística.
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QUESTÃO 11
A imagem abaixo é exemplo de um texto não 
verbal, conhecido como charge. Marque a alternati-
va incorreta a respeito deste texto:
Fonte: Google imagens
a. De modo geral, as charges ganham cono-
tação política, mas é possível encontrar 
charges sobre diversos assuntos.
b. No caso da charge em questão, a críti-
ca está voltada para aspectos sociais, no 
caso, a obsessão pelo padrão corporal im-
posto socialmente.
c. A charge faz uma espécie de crítica da crí-
tica, o exagero das personagens já se ma-
nifesta como uma crítica, a forma como 
trata dos problemas sociais também ca-
naliza uma crítica. 
d. Não é possível compreender o sentido de 
uma charge, sem considerar a crítica que 
está sendo feita. 
e. A charge é um texto que embora tenha 
imagem, o centro da sua informação é a 
linguagem verbal.
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 3
QUESTÃO 12
Este é um anúncio publicitário da venda do 
cigarro. Considere a publicidade e a citação de Gui-
marães para responder a questão:
Fonte: Google imagens.
O movimento do olhar que transita do visível 
ao nomeado e vice-versa reflete a estratégia funda-
mental do discurso da propaganda, ou seja, o inten-
to de persuadir o leitor a crer na veridicção da ima-
gem e, por conseguinte, o despertar do desejo de 
compra do produto anunciado (GUIMARÃES, 2013, 
p. 126).
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 3
Analise as proposições:
I. Já verificamos que a publicidade utiliza 
com grande competência do hibridismo 
da linguagem, por isso, a atenção do leitor, 
quando se depara com um texto publicitá-
rio, é focar sua atenção para as duas lin-
guagens. 
II. A imagem se apresenta num plano tão real 
a ponto de se acreditar que é verdade ab-
soluta o que está sendo mostrado.
III. Na publicidade, o cigarro é apresentado 
como sinônimo de aventura e liberdade.
IV. Para analisar corretamente este anúncio, 
o leitor deverá compreender a época em 
que se veiculava tal ideia.
V. O discurso publicitário, como pode ser 
visto, é atraente e persuasivo, inclusive, 
no anuncio em questão, apresenta-se um 
homem forte, elegante, autoconfiante.
Assinale a alternativa correta: 
a. Somente as afirmações II e IV estão cor-
retas. 
b. Todas estão corretas. 
c. Somenteas afirmações III e IV estão incor-
retas. 
d. Todas estão incorretas. 
e. Somente a afirmação IV está incorreta.
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QUESTÃO 13
Fonte: Maurício de Sousa Produções.
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I. A principal característica do quadrinho é 
a história contada, a narração, que se or-
ganiza utilizando linguagem verbal e não-
-verbal ao mesmo tempo.
II. Os quadrinhos se organizam de maneira 
sequenciada através de imagens, palavras 
e balões. 
III. A linguagem não-verbal sintetiza o que as 
palavras necessitariam de mais palavras 
para expressar.
IV. No segundo quadrinho, temos um ba-
lão que indica pensamento, mas isso não 
importa porque na história em quadrinho 
basta eu ver a sequência das imagens e ler 
o texto.
V. Compreender os balões ajuda a com-
preender a história em quadrinho. Pode-
mos afirmar que os três balões seguintes 
indicam dúvida do Cebolinha.
Assinale a alternativa correta: 
a. Todas estão incorretas. 
b. Todas estão corretas. 
c. Somente as afirmações II e IV estão corre-
tas. 
d. Somente as afirmações III e IV estão incor-
retas. 
e. Somente a afirmação IV está incorreta.
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QUESTÃO 14
Assinale a firmação incorreta a respeito da fo-
tografia abaixo:
 
Fonte: Google imagens.
TripAdvisor
Praia da Ponta Negra: ponta negra antiga.
a. Quanto à fotografia, ela se apresenta como 
uma imagem do real, como uma cópia da 
realidade de um tempo específico.
b. Cada foto corresponde a um período histó-
rico e conta uma sequência de fatos.
c. As fotos servem para recordar momentos 
individuais e não podem recuperar aspec-
tos sociais e históricos, só quando forem 
pensadas para esta finalidade.
d. A foto aciona a memória do receptor -mo-
rador da cidade - e, ao fazer isso, percebe 
que se trata de um tempo antigo, pois tem 
o conhecimento de mundo de como é a 
atual praia da Ponta Negra.
e. A foto é histórica, pois remete a um tempo 
passado e apresenta uma organização so-
cial e espacial diferente.
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QUESTÃO 15
Sobre a fotografia abaixo, analise as proposi-
ções:
Fonte: G1 - O portal de notícias da Globo
Tema Tragédia em Brumadinho.
I. Uma das formas de se analisar a fotogra-
fia é utilizando a percepção, a cognição e 
o aspecto ideológico.
II. Uma análise perceptiva da foto pode indi-
car a irresponsabilidade da empresa que 
administra a barragem, que não teve cui-
dado para que o fato não acontecesse.
III. Uma análise cognitiva deve considerar a 
empresa que administra a barragem, a ci-
dade de Brumadinho, o acontecimento.
IV. No aspecto Ideológico, deve-se analisar o 
que se está vendo na fotografia.
Marque o que analisa corretamente as 
proposições: 
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 3
a. Todas estão incorretas. 
b. Todas estão corretas. 
c. Somente as afirmações II e IV estão corre-
tas. 
d. Somente as afirmações I e III estão incor-
retas. 
e. Somente a afirmação IV está incorreta.
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 4
QUESTÃO 16
Leia o texto e responda o que se pede: 
INTRODUÇÃO
A arquitetura moderna na Europa, segundo 
Siegfried Giedion, teve de percorrer três etapas 
para a sua aceitação: as habitações populares e os 
prédios de pequeno porte; os projetos urbanísticos, 
e “a etapa mais difícil e perigosa (...) a reconquista 
da expressão monumental”.
ARGUMENTO 1
No Brasil, o primeiro grande marco da arqui-
tetura moderna foi uma obra monumental: o Minis-
tério da Educação e Saúde (hoje Palácio Gustavo 
Capanema), construído entre 1937 e 1943, no Rio 
de Janeiro, edifício que teria forte impacto inter-
nacional. O projeto contou com a consultoria de Le 
Corbusier (que o inclui em suas obras completas), e 
teve a participação de Affonso Eduardo Reidy, Jor-
ge Moreira, Carlos Leão e Ernani Vasconcellos, sob 
a liderança de Lucio Costa e de Oscar Niemeyer.
ARGUMENTO 2
Apresentado pela revista norte-americana 
Progressive Architecture, em 1943, como “a obra de 
arquitetura moderna mais importante das Améri-
cas”, o Ministério da Educação e Saúde é conside-
rado, até hoje, um dos paradigmas da arquitetura 
moderna mundial, precursor dos grandes edifícios 
públicos modernos construídos na Europa e nos 
EUA após a guerra, (como a sede da ONU, em Nova 
York, de 1947/1952, primeiro prédio de vidro de 
grande porte realizado nos EUA).
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ARGUMENTO 3
Desde a década de 1920, existiam boas obras 
de arquitetura moderna no Brasil, como as do ar-
quiteto russo Gregori Warchavchik, formado na Itá-
lia, radicado em São Paulo a partir de 1923. A cons-
trução do Ministério da Educação e Saúde apenas 
comprovou que – em um país de mínima influência 
cultural em termos mundiais – um grupo de jovens 
arquitetos era capaz de interpretar com talento as 
teorias e os princípios do mais revolucionário arqui-
teto daquele momento: Le Corbusier. Como disse 
André Maurois, “Em nenhuma outra cidade do mun-
do Le Corbusier encontraria, em 1937, um governo 
que desejando construir ministérios em sua ca-
pital, Rio de Janeiro, o convidaria como consultor 
para colaborar livremente com arquitetos locais”.
ARGUMENTO 4
Vale citar Lucio Costa: “essas fachadas envi-
draçadas que marcam o estilo americano para o pú-
blico em geral, na realidade não foi nada americano, 
mas uma coisa europeia e aplicada pela primeira 
vez no Brasil, na América do Sul, em escala monu-
mental “. A sua realização deu o ímpeto que faltava 
ao movimento em sua luta inicial de se implantar no 
Brasil.
[...]
Analisando o texto a partir do processo de 
argumentação em texto dissertativo, é verdadeiro 
firmar que o:
I. Argumento 1 é de dados concretos, com 
utilização de fatos históricos.
II. Argumento 2 é feito por consenso, pois é 
uma verdade universal, aceita por todos.
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III. Argumento 3 mescla dados concretos, fa-
tos históricos com argumento de autori-
dade, feito pela citação de André Maurois.
IV. Argumento 4 é construído por argumento 
de autoridade, feito pela citação de Lucio 
Costa.
Marque a alternativa que analisa corretamen-
te o exposto:
a. Todas as alternativas estão corretas.
b. Nenhuma das alternativas está correta.
c. Apenas a I, II, estão corretas.
d. Apenas a I, III, IV estão corretas.
e. Apenas a III, IV estão corretas.
TEXTO PARA A QUESTÃO 17 E 18
O PAPEL DO BIOMÉDICO NA SAÚDE PÚBLICA
Revista Interfaces: Saúde, Humanas e Tecno-
logia. Ano 2, V. 2, Número Especial, jun, 2014.
INTRODUÇÃO
Atualmente, destaca-se a crescente cons-
cientização para que as diferentes áreas do conhe-
cimento se integrem em prol do bem comum da 
sociedade, por meio de uma atuação multidiscipli-
nar. Dentre os profissionais da saúde, encontra-se 
o biomédico, a quem compete atuar em equipes de 
saúde, a nível tecnológico e nas atividades comple-
mentares de diagnósticos. 
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ARGUMENTO 1
Ética, respeito ao ser humano e rigor 
científico: esses são os princípios que norteiam 
a rotina de trabalho de biomédico. Trabalhando 
de forma integrada com os demais profissionais 
da área e com as várias instâncias do complexo 
sistema de saúde, o biomédico atua como agente 
transformador da realidade em benefício da 
coletividade (CAMPOS, 2014).
ARGUMENTO 2
Ao se examinar o campo da prática biomé-
dica, vários problemas tornam-se imediatamente 
aparentes: a insatisfação de pacientes e médicos, 
os custos crescentes de tratamentos e exames, a 
formação inadequada de recursos humanos, o mer-
cantilismo e a competição entre os próprios profis-
sionais da área, a precariedade dos programas de 
saúde, etc. – problemas graves e complexos que, 
entretanto, parece se banalizar, dada a frequência 
com a qual somos confrontados com eles no coti-
diano (GUEDES C.R. et al, 2006). 
ARGUMENTO 3
É evidente que nas últimas décadas, o sistema 
de saúde sofreu uma renovada dose de confiança, 
em paralelo ao avanço dos conhecimentos 
biomédicos aberto pelas novas possibilidades de 
estudo das doenças no nível molecular e genético. 
Contudo, esse sistema ainda traz questões como: 
(a) o seu crescente distanciamentoda prevenção 
primária, pois, quanto mais se capacita para atuar 
sobre os efeitos da doença, mais se desaprende 
de como atuar sobre os seus determinantes; (b) os 
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seus efeitos iatrogênicos, dos quais se reforçam 
evidências, (c) por fim, os seus custos crescentes, 
que não somente tornam as perspectivas 
macroeconômicas desse sistema sombrias, como 
também são bases das iniquidades de acesso, 
mesmo nas economias desenvolvidas (BARRETO, 
2004).
CONCLUSÃO
A saúde pública no cenário brasileiro con-
quistará maior êxito na medida em que houver uma 
real interação entre profissionais envolvidos. Esta 
proposta permeia a proposta do PET/Saúde, que 
prevê o envolvimento dos acadêmicos de gradua-
ção da área da saúde na vivência das práticas pro-
fissionais, através de um aprendizado que integre 
ensino, pesquisa, extensão e comunidade, de forma 
interdisciplinar e multiprofissional; além de propi-
ciar o desenvolvimento de ações em saúde, produ-
ção de conhecimento e pesquisas, de acordo com 
as necessidades e prerrogativas do Sistema Único 
de Saúde (SUS).
QUESTÃO 17 
Analisando o texto a partir do processo de 
argumentação em texto dissertativo, é verdadeiro 
afirmar que o:
I. Argumento 1 é de autoridade, pois refere-
-se a estudos de outro pesquisador.
II. Argumento 2 é feito por argumento de au-
toridade e também por argumento do ab-
surdo, ao apresentar os problemas e pro-
curar rebatê-los.
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III. Argumento 3 apresenta argumento de 
bilateralidade; e também de autoridade, 
pois refere-se a estudos de outro pesqui-
sador.
IV. A conclusão apresenta uma proposta para 
o problema discutido.
Marque a alternativa que analisa corretamen-
te o exposto:
a. Apenas a I, II, estão corretas.
b. Apenas a I, III, IV estão corretas.
c. Apenas a III, IV estão corretas.
d. Nenhuma das alternativas está correta.
e. Todas as alternativas estão corretas.
QUESTÃO 18 
Analisando a estrutura do texto 1, pode-se 
afirmar que se trata de um texto dissertativo. Isto 
porque:
a. Há introdução, parte que apresenta tema 
e argumentos. Há um só tipo de argumen-
to no desenvolvimento; na conclusão, fe-
cha-se o assunto.
b. O texto apresenta o assunto de forma sen-
timental, emotiva.
c. Os argumentos são todos falaciosos.
d. O texto está escrito de modo informal, é de 
fácil compreensão, como deve ser o texto 
dissertativo.
e. O texto apresenta a estrutura: introdu-
ção, argumentos e conclusão; trata de um 
assunto de forma referencial, focado no 
assunto; apresenta argumentações diver-
sas, o que torna o texto mais consistente.
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QUESTÃO 19
Analisando a composição do parágrafo abai-
xo, assinale a opção que o analisa corretamente:
Censura moralista
Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-
-se, em crise. Comenta-se esta crise, por exemplo, 
apontando a precariedade das práticas de leitura, 
lamentando a falta de familiaridade dos jovens com 
livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos 
municípios, do preço dos livros em livrarias, num 
nunca acabar de problemas e de carências. Mas, 
de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm 
dizendo que talvez não seja exatamente assim, que 
brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pes-
quisas tradicionais não levam em conta. E, também 
de um tempo para cá, políticas educacionais têm 
tomado a peito investir em livros e em leitura.
LAJOLO, M. Disponível em: www.estadao.
com.br. Acesso em: 2 dez. 2013 (fragmento).
a. O tema do parágrafo é pesquisas acadêmi-
cas.
b. O ponto de vista defendido é a contradição 
da ideia de que a leitura está em crise.
c. Na primeira linha do texto já se trabalha o 
argumento do texto.
d. Não há delimitação do tema no parágrafo.
e. O texto não é coerente porque afirma algo 
e depois discorda.
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QUESTÃO 20
Analise os parágrafos dissertativos:
I. “ A convivência com um dependente de 
álcool ou drogas, além de todos os seus 
reveses, também pode se tornar um ví-
cio poderoso, uma doença. Se tomarmos 
como exemplo mães, mulheres e irmãos 
que costumam assumir para si a tarefa de 
conservar a ovelha negra da família, pas-
sam a viver em função do problema alheio. 
Ora se comportam como salvadores, ora 
assumem o papel de vítima, ora cooperam 
e alimentam ainda mais o vício.”
II. “Desde que aprendeu a manejar o fogo e a 
roda, o homem passou a gerar uma força 
produtiva, a qual desencadeou as inven-
ções, as conquistas e o progresso. Mas 
essa produtividade prejudicou o relacio-
namento entre os povos, assim como en-
tre patrão e empregado, nodomínio pela 
tecnologia e na exploração da mão-de-
-obra.”
III. “Na medida em que a caça é proibida no 
Brasil, não se pode admitir a existência de 
uma Associação Brasileira de Caça nem de 
lojas de caça e pesca. Um novo capítulo da 
Constituição Brasileira proíbe essas ativi-
dades. Caça não é esporte, porque esporte 
pressupõe igualdade de condições entre 
os contendores, um conhecimento prévio 
de ambas as partes das regras do jogo, e a 
existência de um juiz que faça cumprir es-
sas regras”.
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IV. “A cada ano que passa, mil crianças mor-
rem por dia debaixo do céu brasileiro. 
Morrem de doenças para as quais a medi-
cina criou uma infinidade de nomes, todos 
sinônimos de um só mal: fome, subnutri-
ção”.
Respectivamente, os parágrafos utilizam a 
técnica:
a. Trajetória Histórica – Exemplificação – 
Contradição – Dados Estatísticos.
b. Exemplificação – Contradição – Trajetória 
Histórica – Dados Estatísticos.
c. Dados Estatísticos – Trajetória Histórica – 
Contradição – Exemplificação.
d. Exemplificação – Trajetória Histórica – 
Contradição – Dados Estatísticos.
e. Exemplificação – Dados Estatísticos – 
Contradição – Trajetória Histórica.
QUESTÃO 21
A dissertação é um __________ textual no 
qual se desenvolve ou se explica um assunto. 
Tal definição subdivide-se, ainda, em dois: 
______________ e ______________. No primeiro 
prevalece a apresentação de um (a) _________ ; 
no segundo, a (o) __________________ almejando a 
persuasão do interlocutor.
A alternativa que completa adequadamente 
os espaços em branco da definição acima é:
a. Tipo – expositivo – argumentativo – tese – 
ideia do autor.
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b. Gênero – argumentativo – expositivo – tese 
– ideia do autor.
c. Gênero – expositivo – argumentativo – sa-
ber teórico – defesa de um ponto de vista.
d. Tipo – argumentativo – expositivo – tese – 
defesa de um ponto de vista.
e. Tipo – expositivo – argumentativo – saber 
teórico – defesa de um ponto de vista.
QUESTÃO 22
Quanto a estrutura do texto dissertativo, ana-
lise as proposições:
I. A parte que define o texto dissertativo é o 
desenvolvimento.
II. O desenvolvimento apresenta a ideia prin-
cipal e as ideias secundárias.
III. Não pode fazer proposta na conclusão, só 
no desenvolvimento.
IV. A introdução apenas apresenta tema e de-
limitação.
V. Em cada parágrafo pode ser apresentado 
até três argumentos.
a. Apenas a I, II, estão corretas.
b. Apenas a I, III, IV estão corretas.
Estrutura
Introdução Estrutura Conclusão
1 parágrafo 2 ou 3 parágrafos 1 parágrafo
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c. Apenas a III, IV estão corretas.
d. Nenhuma das alternativas está correta.
e. Todas as alternativas estão corretas.
QUESTÃO 23
Se considerarmos que o texto é uma viagem, 
como se fosse para o lugar da fotografia abaixo, de-
vemos tomar algumas medidas, exceto:
a. Etapa pré-textual – primeiro passo da via-
gem, traça-se o percurso que o texto vai 
fazer.
b. Escrever o texto é o mesmo que ir para a 
viagem.
c. A etapa pós-textual é desarrumar as ma-
las, lavara as roupas, arrumar a cas. Com o 
texto é corrigi-lo.
d. Planejamento só é necessário se a viagem 
for longa, assim também o texto. Se for 
um texto pequeno, não precisa de planeja-
mento.
e. Seguir estas etapas garante uma viagem 
mais tranquila e um texto com mais 
qualidade.
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QUESTÃO 24
“De acordo com uma pesquisa de uma univer-
sidade inglesa, nãoimporta em qual ordem as le-
tras de uma palavra estão, a única coisa importante 
é que a primeira e a última letras estejam no lugar 
certo. O resto pode ser uma total bagunça que você 
pode ainda ler sem problemas. Isto é porque nós 
não lemos cada letra isolada, mas a palavra como 
um todo.” Não, o trecho acima não foi publicado por 
descuido. Trata-se de uma brincadeira que está 
circulando na internet, mas que é baseada em prin-
cípios científicos: “O cérebro aplica um sistema de 
inferência nos processos de leitura. Esse sistema, 
chamado ‘sistema de preenchimento’, se baseia 
em pontos nodais ou relevantes, a partir dos quais 
o cérebro completa o que falta ou coloca as partes 
corretas nos seus devidos lugares”, explica o neuro-
logista Benito Damasceno. Esse mecanismo
não funciona apenas com a leitura: “Quando 
vemos apenas uma ponta de caneta, por exemplo, 
somos capazes de inferir que aquilo é uma caneta 
inteira”, diz Damasceno.
Assinale a alternativa correta sobre o primeiro 
parágrafo do texto.
a. É rigoroso na separação entre a exposição 
e a forma de exemplificação de um con-
ceito.
b. Opera com um mecanismo que permite a 
demonstração prática da ideia defendida.
c. Divulga, com precisão técnica, uma des-
coberta científica recente, ao mesmo 
tempo em que indica formas de testá-la.
d. Corresponde a um teste científico, que 
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não inclui a exposição das hipóteses que o 
fundamentam.
e. Desenvolve um conceito teórico que tem 
sua aplicação exemplificada nos outros 
parágrafos.
QUESTÃO 25
Pode-se afirmar que o trecho abaixo é um tex-
to dissertativo?
Ser feliz é provavelmente o maior desejo de 
todo ser humano. Na prática, ninguém sabe definir 
direito a palavra felicidade. Mas todos sabem exa-
tamente o que ela significa. Nos últimos tempos, 
psicólogos, neurocientistas e filósofos têm voltado 
sua atenção de modo sistemático para esse tema 
que sempre fascinou, intrigou e desafiou a huma-
nidade. 
As últimas conclusões a que eles chegaram 
são o tema de uma densa reportagem escrita pelo 
redator-chefe de ÉPOCA, David Cohen, em parceria 
com a editora Aida Veiga. O texto, conduzido com 
uma dose incomum de bom humor, inteligência e 
perspicácia, contradiz várias noções normalmente 
tidas como verdade pela maior parte das pessoas. 
A felicidade, ao contrário do que parece, não é mais 
fácil para os belos e ricos.
I. Sim, porque a linguagem se apresenta na 
modalidade culta, técnica.
II. Não, porque o tema felicidade não pode 
ser tratado em um texto dissertativo.
III. Sim, porque o tema é tratado de modo que 
o assunto é a prioridade e é tratado de for-
ma científica.
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IV. Não, porque o texto dissertativo preci-
sa ter mais informalidade, para poder ser 
compreendido por todos.
V. Sim, pois há uma ideia central apoiado por 
ideia secundária que vai sendo discutido 
de modo objetivo.
Marque a alternativa correta:
a. Apenas a I, II, estão corretas.
b. Apenas a I, III, IV estão corretas.
c. Apenas a III, IV estão corretas.
d. Nenhuma das alternativas está correta.
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