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UNIDADE 2 - PSICOLOGIA E A PESSOA COM DEFICIÊNCIA CONCEITO, TIPOS E INCLUSÃO NO CONTEXTO EDUCACIONAL Nesta unidade você verá: // deficiência: conceituação contemporânea // deficiência e educação formal // os tipos de deficiência // deficiências específicas OBJETIVOS DA UNIDADE • Entender como a deficiência é conceituada na contemporaneidade; • Correlacionar os conceitos de estigma e preconceito à experiência das pessoas com deficiência; • Compreender o papel da rede de apoio no processo de inclusão educacional; • Aprender o que são e quais as tecnologias assistivas utilizadas para a inclusão de pessoas com deficiência; • Estudar a importância da inclusão no contexto educativo formal; • Conceituar e diferenciar os diversos tipos de deficiência: física, sensorial e intelectual; • Conhecer o conceito de deficiências múltiplas e suas implicações; • Identificar semelhanças e diferenças entre a síndrome de Down, o transtorno do espectro autista e a deficiência. TÓPICOS DE ESTUDO • Deficiência: conceituação contemporânea // Conceituação da deficiência // Capacitismo, estigma e preconceito • Deficiência e educação formal // A importância da inclusão no ambiente escolar // Tecnologias assistivas // Família e escola: rede de apoio • Os tipos de deficiência // Deficiência sensorial: visual e auditiva // Deficiência física // Deficiência intelectual // Deficiências múltiplas • Deficiências específicas VER VIDEO NO AVA DEFICIÊNCIA: CONCEITUAÇÃO CONTEMPORÂNEA VER VIDEO NO AVA Antes de apresentar a conceituação de deficiência, é importante ressaltar que todo fenômeno está situado em seu processo histórico e sofre diversas modificações em relação às suas concepções ao longo do tempo. Estudar infância, idade adulta, velhice, loucura, saúde, doença, maternidade e diversos outros fenômenos implica em estudar e entender o processo histórico e a rede de significados atribuídos ao fenômeno. Estudar a deficiência não é diferente. Scliar, ao estudar a evolução histórica da concepção de saúde, afirma que ela sempre reflete a concepção econômica e política e o contexto social na qual está inserida. Assim, segundo o autor, “saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de concepções científicas, religiosas, filosóficas” (2007, p. 30). Embora nosso foco de estudo seja a deficiência, e diferencie-se do fenômeno estudado por ele, ela também recebe todas essas influências em suas concepções. É importante destacar também que as concepções não estão desalinhadas com as práticas. Pelo contrário: o ser humano busca criar teorias (mesmo que fundamentadas no senso comum), concepções e ideias que servem para nortear suas práticas sociais. Assim, a forma que o indivíduo enxerga e pensa um fenômeno como a deficiência orienta e direciona suas atitudes e comportamentos frente a ele. Um exemplo de como as doenças refletem as concepções sociais é a história de Samuel Cartwright, um médico do séc. XIX do estado da Louisiana, conhecido por ser um dos mais escravagistas dos Estados Unidos. Ele diagnosticou a drapetomania, evidenciada pelo desejo dos escravos de fugir e também criou o diagnóstico da disestesia etiópica, que explicava a falta de motivação para o trabalho entre os escravos. Para ambas as situações, o tratamento médico recomendado por Cartwright era o açoite. Essa situação notabiliza a relação entre período histórico, concepções e práticas. CONCEITUAÇÃO DA DEFICIÊNCIA Pensando no que foi apresentado, como é possível compreender a deficiência na atualidade? Primeiramente, vale ressaltar que o conceito que direciona as práticas, ações e legislações na atualidade não é o único existente. Isso porque, ao longo da história, constrói-se uma perspectiva hegemônica sobre o fenômeno; mas as visões anteriores e as críticas que vão propor uma nova visão no futuro continuam coexistindo, visto que nenhum conceito é absoluto. Dito isso, pode-se afirmar que a perspectiva contemporânea de deficiência rompe com o discurso biomédico e o mítico-religioso por entender que o ser humano é um ser integral, que se constitui biologicamente, socialmente, psicologicamente e espiritualmente. Dessa forma, não se pode pensar em nenhum fenômeno que perpassa a humanidade sem considerar todas as nuances formativas do indivíduo, o que também vale para a deficiência. De acordo com o Decreto n. 3.956/2001, que promulga a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, a deficiência é “uma restrição física, mental ou sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária, causada ou agravada pelo ambiente econômico e social” (BRASIL, 2001a, n.p.). Nessa perspectiva, é possível afirmar que a deficiência é um fenômeno que surge necessariamente do encontro entre restrições da estrutura fisiológica e/ou psíquica com a forma de funcionamento do meio socioeconômico. Em outras palavras, a deficiência não é algo que está na pessoa, um "problema" individual e de ordem biológica; tampouco é uma característica unicamente social, que não encontra evidência no corpo. A deficiência configura-se, de fato, como um fenômeno decorrente da interação, uma vez que o próprio ser humano, seus ideais, parâmetros de saúde e funcionalidade, práticas e crenças também decorrem dessa interação. CAPACITISMO, ESTIGMA E PRECONCEITO Para discutir a forma como se constroem preconceitos acerca do fenômeno da deficiência, é necessário discorrer sobre a temática de capacitismo e de estigma e a cultura. Para início de conversa, é importante estudar a teoria de cultura do sociólogo clássico Sorokin e a maneira como ele acreditava que essa influencia os indivíduos e os faz compartilhar preconceitos. Para o autor, toda organização social adota o que ele chama de cultura ideológica, a qual consiste na: [...] totalidade dos valores e normas adotados por indivíduos e grupos interagentes, o que consolida o aspecto cultural da interação significativa. As ações e reações significativas, por meio das quais os conteúdos da ‘cultura ideológica’ são objetivados e socializados, constituem sua ‘cultura comportamental’ e, num terceiro nível, a ‘cultura material’, significando todos os demais objetos, veículos e energias materiais por meio dos quais a ‘cultura ideológica’ se manifesta, se socializa e se consolida (MAZZOTTA; D’ANTINO, 2011, p. 379). Assim, como forma de entender a si mesmo, aos outros e à estrutura social, o indivíduo utiliza-se das ações coletivas, manifestações verbais, símbolos, textos e construções materiais. Isso posto, a cultura ideológica é constituída pela forma como o ser humano se comporta e reage aos materiais que existem em determinada sociedade. O ser humano sempre discriminou de maneira positiva ou negativa fenômenos específicos, fazendo com que, de maneira simbólica, houvesse uma segregação de diferentes grupos ao longo da história. Ao longo da história humana, todos os indivíduos que apresentavam uma diferença muito acentuada do padrão eram tratados de forma segregadora, além de serem vítimas de violência simbólica. É possível entender a violência simbólica como uma ação estratégica que atua como maneira “de impedir outros indivíduos ou grupos de defender os seus próprios interesses” (FREITAG; ROUANET, 1993, p. 112). Embora a lista de grupos sociais que sofreram e sofrem com essa violência simbólica seja extensa, nosso objetivo aqui é apresentar de que maneira as pessoas com deficiência, seja ela física, mental ou múltipla, sofrem por meio de uma cultura de violência simbólica que os colocam como sujeitos da diferença. Conforme discutido, a cultura pode ser interpretada como um “conjunto de formassimbólicas impregnadas nas pessoas e nos grupos estruturados que se exteriorizam nos comportamentos e nos recursos materiais” (MAZZOTTA; D’ANTINO, 2011, p. 379). Assim, toda expressão de preconceito é construída e alimentada por esse ciclo. Uma das formas que têm alimentado esse ciclo de violência simbólica é o capacitismo. É importante entender que o capacitismo, tal qual outros tipos de desigualdades, não se dá apenas por meio de ofensas e segregação voluntárias. Ao contrário: muitas pessoas, mesmo conscientes da importância da inclusão, continuam perpetuando discursos e práticas capacitistas. Por que isso acontece? Porque, como dito anteriormente, nós tendemos a reproduzir os valores de nossa cultura por meio da fala, de símbolos e de comportamentos. E, como a cultura na qual estamos inseridos é pautada em padrões, além de supervalorizar a produtividade dentro desses padrões, o capacitismo é uma das violências que podem ser reproduzidas de forma involuntária. Outro sociólogo que auxilia a compreender o processo psicossocial que ocorre com a deficiência é Erving Goffman. Por meio do estudo de populações marginalizadas, ele apresentou uma série de contribuições que se somam ao estudo das sociedades humanas. Em seu trajeto acadêmico, teve contato com o interacionismo simbólico, que defende que o "eu" individual é formado principalmente por meio das relações sociais que o ser humano estabelece com os outros. Por influência do interacionismo simbólico, em seus trabalhos Goffman estudou profundamente as relações humanas e as dinâmicas interpessoais dessas relações. Seu trabalho discorre sobre como, nas relações dos indivíduos, há uma troca de significados, simbolismos e como se dão essas relações sociais em diferentes grupos, especialmente em grupos minoritários. Em sua obra Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada (1981), ele apresenta uma leitura bastante completa das relações humanas. A palavra estigma existe desde a Grécia Antiga e referia-se a uma marca no corpo dos escravos, feita para que a sociedade fosse capaz de identificar o sujeito e diferenciar-se dele. O estigma servia para que a sociedade em geral reconhecesse os escravos e os retirassem de todo e qualquer convívio social que os demais cidadãos possuíam. O que Goffman apresenta enquanto novidade em sua teoria é que o estigma é uma característica de todas as sociedades. O estigma seria um desvio do padrão de conduta esperado e imposto a determinados grupos e indivíduos. Em sua obra A representação do eu na vida cotidiana (2002), Goffman evidencia a presença de papéis sociais que todo sujeito exerce ao participar de um grupo. Assim, a variância desse papel pode tornar o sujeito vítima de alguma forma de estigma. Existem três tipos de estigma, segundo Goffman. O primeiro deles seriam as abominações do corpo, as quais podem ser visualizadas de maneira mais físico-corpórea. Qualquer sujeito que possui um sinal ou marca visível em seu corpo que apresente qualquer característica destoante do padrão social estabelecido seria vítima desse estigma. Neste grupo encontram-se os sujeitos com alguma deficiência física e sujeitos acima ou abaixo do peso padrão estabelecido, entre outros. Goffman acreditava que toda e qualquer característica física que denote um desvio do padrão social estabelecido caracteriza o sujeito como estigmatizado. Esse estigma demarca um aspecto da identidade social: a alteridade. Ao excluirmos o outro, ele é colocado em um patamar de diferenciação. Assim, somente podemos tratar alguém de maneira diferente se ele é diferente de mim. Goffman ainda preconiza dois tipos de estigma, que não possuem tanta relação com a deficiência como o primeiro. O segundo estigma consiste nas culpas de caráter, sendo destinado para indivíduos como prostitutas, ladrões e homossexuais, entre outros. Diferentemente do primeiro, este grupo recebe o estigma por ter condutas consideradas imorais e, por isso, também são vítimas de exclusão. No terceiro, encontram-se os estigmas de marcas tribais, raciais ou religiosas. Essas marcas denotam o pertencimento social dos indivíduos a tais grupos. Independentemente do tipo, o mesmo fenômeno empregado com os escravos na Grécia Antiga se repete, agora com novas roupagens: a exclusão. E, para que haja exclusão, é preciso tratar a vítima de estigma como alguém diferente do padrão, deteriorando assim a identidade do outro. Ao tratar o outro como alguém sem identidade, ainda retira-se dele toda e qualquer dignidade: o outro não é digno de ser humano, de receber compaixão ou de direitos. Por esse motivo, ao longo de vários anos, as pessoas com deficiência, junto ao grupo de pessoas com transtornos mentais, sofreram uma série de maus tratos em diversos hospitais psiquiátricos espalhados pelo Brasil. ASSISTA: Para compreender melhor a história da institucionalização de pessoas com deficiência e com transtornos mentais no Brasil, assista ao documentário Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex. Ele mostra o sofrimento desse público e o tratamento desumanizado que os indivíduos sofriam antes da reforma psiquiátrica. Goffman afirmava que os estigmas variam a depender do contexto. Sobre isso, já foi discutido como todo fenômeno está inserido no conjunto de concepções histórico-políticas de seu tempo. É por esse motivo que é tão importante que a deficiência seja discutida nos mais variados cenários: acadêmico, político, senso comum. À medida que diferentes pessoas dialogam, há em conjunto uma série de avanços nos direitos das PCD. Assim sendo, um dos locais em que é possível notar esse avanço atualmente é a escola. DEFICIÊNCIA E EDUCAÇÃO FORMAL A discussão sobre a inclusão no ambiente escolar vem crescendo ultimamente. Desde a declaração de Salamanca, em 1994, diversos países vêm trabalhando para que o acesso à escola inclusiva chegue a todos. No Brasil, também se percebe uma série de mudanças ocasionadas por esse movimento em prol da inclusão. Desse modo, a legislação brasileira atua de forma a promover o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais preferencialmente em classes comuns da escola e em todos os níveis, etapas e modalidades de educação e ensino. Apesar da inegável importância de avanços legais como esse, não se nota uma mudança nos paradigmas de inclusão ligados ao dia a dia. Pelo contrário: pode-se ver um despreparo por parte das escolas, professores e sociedade em geral no papel de implantar as mudanças necessárias que a inclusão exige. Assim, mesmo que haja leis que garantam o direito das pessoas, ainda persistem diversos traços culturais que orientam concepções e práticas sobre a pessoa com deficiência, o que torna a inclusão mais difícil. Isso ocorre porque não basta apenas implantar uma lei para que as práticas sociais se organizem frente a ela, uma vez que também é necessário estruturar e organizar os caminhos para sua implantação. Um exemplo disso é a Lei n. 10.216/2001, que preconiza o fim dos hospitais psiquiátricos no Brasil. Para extingui-los foi necessário não apenas desativar os hospitais, mas estruturar uma Rede de Atenção Psicossocial que os substituísse. Portanto, embora haja uma conscientização maior da população em geral acerca da inclusão, as discussões atuais têm apresentado muito mais a importância da inclusão do que estratégias para incluir. Educadores, de um modo geral, sabem que devem incluir, mas não sabem como fazê-lo. Para atestar-se disso, basta dialogar com educadores e ouvir os relatos relacionados às dificuldades de formação para lidar com a inclusão e as queixas referentes ao grande número de alunos em sala de aula e altas demandas do trabalho. Assim, além de apresentar uma discussão sobre o motivo de incluir, é importante desenvolver meios que direcionem sobre como incluir. Esses dois tópicos serão discutidos a seguir. Primeiramente, é importante levantar o seguinte questionamento: por queincluir? A IMPORTÂNCIA DA INCLUSÃO NO AMBIENTE ESCOLAR Inicialmente, discorreremos sobre o papel do sistema nervoso em nosso organismo. Para isso, é necessário recorrer a alguns conhecimentos da Anatomia e da Fisiologia. De acordo com Schirmer e colaboradores (2007), o papel do sistema nervoso inclui coordenar e controlar a maior parte das funções de nosso corpo. Ele é fundamental, posto que orienta a percepção que temos do mundo, além de auxiliar nosso corpo em tarefas que envolvem memória, raciocínio e locomover-se, por exemplo. Nosso corpo possui uma série de órgãos sensoriais. Os principais são pele, língua, nariz, ouvidos e olhos. Todos eles captam estímulos físicos e químicos e os transformam em impulsos elétricos, que são transmitidos ao sistema nervoso central. Ao chegar no sistema nervoso, ele integra as informações recebidas e determina uma resposta como forma de reação aos estímulos. Como os estímulos são das mais diferentes ordens, as respostas também o são. Houve um estudo psicológico que demonstrou essa relação entre os órgãos sensoriais e a resposta psicológica ao estímulo sensorial: o estudo de Pavlov sobre condicionamento com cães. Embora tenha realizado um dos primeiros trabalhos em Psicologia e seja considerado um teórico antigo por muitos, seu experimento representa bem o funcionamento do sistema nervoso, e o fisiologista ganhou o prêmio Nobel de Medicina em 1904 com seu trabalho. Em seu experimento, Pavlov realizou o seguinte procedimento: inicialmente, ele percebeu que, ao dar comida ao cachorro, ele apresentava uma resposta estímulo, que era salivar. Esse elemento já representa o que foi aprendido sobre o sistema nervoso. O animal, ao utilizar um órgão sensorial (visão), apresentou uma resposta comportamental, que foi salivar. No entanto, Pavlov foi além. Ele decidiu acrescentar um estímulo neutro e sem qualquer relação com a comida, como o toque de um sino. Com isso, o cão não apresentou nenhuma salivação, posto que a saliva era uma resposta ao estímulo sensorial de ver a comida. Durante seu processo de investigação, Pavlov, antes de dar comida aos cachorros, tocava o sino. Assim, a comida, juntamente ao som, gerava a resposta incondicionada dos cães, que era salivar. Depois de um período fazendo isso, ele descobriu que, ao tocar o sino, o cachorro começava a salivar mesmo sem a presença da comida. Assim, ele descobriu que os seres também aprendem a apresentar determinadas respostas por meio de diversos estímulos. Ao compreender que a comida sempre vinha depois do sino, os cães não precisavam mais do órgão sensorial do olho para que o cérebro enviasse a resposta. Figura 1. Estudo do condicionamento clássico realizado por Ivan Pavlov. Fonte: SWANSON, 2018, n.p. (Adaptado). Dessa maneira, torna-se possível estabelecer a seguinte relação entre o funcionamento do sistema nervoso central: primeiro, há uma experiência sensorial coletada por determinado órgão sensitivo no corpo humano. Esse órgão leva a informação até o sistema nervoso, que a processa e emite um comportamento resposta. Figura 2. Funcionamento do sistema nervoso central. Fonte: SCHIRMER et al., 2007, p. 15. (Adaptado) Quanto às respostas, elas podem ser apresentadas de imediato ao estímulo ou armazenadas na memória e utilizadas posteriormente. Hoje mais do que nunca, é possível afirmar que desde muito novos somos extremamente bombardeados por diversos estímulos, com milhares de informações. Porém, “armazenamos e utilizamos aquelas que, de alguma forma, sejam significativas para nós e descartamos outras não relevantes” (SCHIRMER et al., 2007, p. 15). Lefévre, citado por Camargo (1994), afirma que o cérebro infantil passa a demonstrar evolução desde o nascimento da criança. Parte dessa evolução ocorre por questões genéticas, mas também recebe muita influência da relação da criança com o meio. Como discutido, a criança percebe o mundo pelos sentidos e, a partir de então, age, interage, modifica, entende, pensa de modo complexo e comporta-se de maneira mais assertiva à medida que o cérebro desenvolve-se e ela entende melhor seu corpo. É exatamente por esse motivo que a criança com deficiência não pode estar em um mundo à parte para desenvolver suas habilidades motoras, sociais e emocionais. Seu desenvolvimento só ocorrerá de maneira completa se feito em interação com seu ambiente de pertencimento, com outros que participam desse ambiente e com ferramentas de desenvolvimento. Para isso, é necessário que o espaço seja pensado, estruturado e organizado de modo a permitir a presença de pessoas com deficiência. Por esse motivo, torna-se essencial que o espaço escolar seja um espaço de todos. Para Schirmer e colaboradores: O ambiente escolar é para qualquer criança o espaço por natureza de interação de uns com os outros. É nesse espaço que nos vemos motivados a estabelecer comunicação, a sentir a necessidade de se locomover, entre outras habilidades que nos fazem pertencer ao gênero humano. O aprendizado de habilidades ganha muito mais sentido quando a criança está imersa em um ambiente compartilhado que permite o convívio e a participação. A inclusão escolar é a oportunidade para que de fato a criança com deficiência não esteja à parte, realizando atividades meramente condicionadas e sem sentido (2007, p. 17). Conforme já discutido, apesar de compreender a importância da inclusão, manter-se nesse lugar ideativo não é o suficiente. É necessário delimitar estratégias sobre como incluir e de que maneira a inclusão pode ser realizada em cada espaço e com cada grupo de pessoas, uma vez que a inclusão remete sempre a lidar com a diferença. Incluir crianças com deficiências visuais na escola é totalmente diferente de incluir crianças com deficiência intelectual, por exemplo. Assim, cabe pensar em estratégias de inclusão para os mais variados cenários. De antemão, destaca-se que não há uma fórmula pronta nem um caminho das pedras previamente pensado e formulado sobre a inclusão. Ao tratar de qualquer elemento da subjetividade, o psicólogo deve levar em consideração esse aspecto. Apesar disso, há dois fatores importantes para a inclusão, que serão abordados a seguir. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS O termo "tecnologias assistivas", embora novo, é extremamente importante na promoção de inclusão e vida independente para o público PCD. Toda tecnologia, em geral, caminha de maneira a facilitar e promover melhor qualidade de vida. Desde o surgimento da escrita, uma das primeiras tecnologias desenvolvidas na cultura humana, a comunicação humana foi facilitada, e diversas ferramentas surgiram ao longo dos anos com o intuito de simplificar as atividades do cotidiano. Lâmpada, talheres, telefones, relógios e mochilas são só alguns exemplos de uma lista quase infinita de recursos que pertencem à nossa rotina e a facilitam. As tecnologias assistivas (TA), por sua vez, referem-se ao conjunto de “equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas funcionais encontrados pelos indivíduos com deficiências” (COOK; HUSSEY, 1995, n.p.). Conforme visto, as deficiências são diversas e, por esse motivo, há também uma enorme possibilidade de TA para os mais variados públicos e tipos de deficiências. Apesar de ser uma discussão relativamente recente, as tecnologias assistivas são debatidas em vários países do mundo e por vários grupos. Isso evidencia, de maneira relevante, a necessidade de uma classificação geral e universal das TA. Muito embora ainda não se tenha estabelecido nenhum documento oficial geral, veremos a seguir 11 categorias de TA. A primeira delas remete a tecnologias de auxílio para a vida diária. Durante a vida da PCD, há uma série de ferramentas que necessitam de pequenas adaptações que promovam a autonomia para realizar atividades simples e rotineiras, como tomar banho, comer ou vestir-se. Exemplos dessa categoria são talheresmodificados, suportes para utensílios domésticos e roupas feitas com maior facilidade para vestir e despir-se (como o velcro no lugar de botões, por exemplo). Na segunda categoria temos a comunicação aumentativa alternativa (CAA), uma ferramenta desenvolvida para pessoas sem fala ou escrita funcional ou ainda que possuam defasagens entre a necessidade de comunicar-se e a habilidade de comunicação. Os recursos presentes são “pranchas de comunicação, construídas com simbologia gráfica (Bliss, PCS e outros), letras ou palavras escritas [...] utilizados pelo usuário da CAA para expressar suas questões, desejos, sentimentos, entendimentos.” (BERSCH, 2017, p. 6). Assim, por meio de pranchas ou softwares específicos, a função comunicativa é garantida. Há ainda os recursos que tornam acessível o uso do computador. Podem ser tanto hardwares como softwares que possibilitem o acesso ao computador de pessoas com algum tipo de privação sensorial (seja ela visual ou auditiva), intelectual ou motora. Os exemplos podem ser diversos, como mouse e teclado adaptados, softwares de reconhecimento de voz e órtese para digitação, entre outros. O quarto foca nas PCD com alguma dificuldade motora. As tecnologias referem-se aos sistemas de controle do ambiente. Indivíduos com alguma dificuldade ou impossibilidade motora, por meio desse grupo de TA, conseguem controlar aparelhos eletrônicos do seu dia a dia por meio de controles remotos ou de voz. Um exemplo desse grupo, bastante famoso e utilizado inclusive por pessoas que não compõem o grupo PCD, é a Alexa, entre outras ferramentas de comando de voz. Juntamente a isso, também para atender ao público com dificuldades motoras, há o grupo de projetos arquitetônicos para acessibilidade, composto por “projetos de edificação e urbanismo que garantem acesso, funcionalidade e mobilidade a todas as pessoas, independente de sua condição física e sensorial” (BERSCH, 2017, p. 8). Toda adaptação estrutural, seja em casa, no trabalho ou na cidade entra nesta categoria. Alguns exemplos incluem a presença de rampas, elevadores, adequações em banheiros ou qualquer mudança que retire ou diminua as barreiras físicas presentes. A sexta divisão desta categoria, e talvez uma das TA mais famosas, são as órteses e as próteses. Enquanto a prótese remete a peças artificiais que vão substituir partes inexistentes do corpo, com o objetivo de suprir necessidades e funções sequeladas, as órteses são dispositivos ortopédicos colocados junto a uma parte do corpo, servindo para apoiar, alinhar, prevenir ou corrigir deformidades e para auxiliar na mobilidade. Ambas são feitas sob medida e auxiliam a PCD no dia a dia. Figura 3. Tecnologias assistivas de prótese e órtese, respectivamente Outra categoria de TA diz respeito àquelas que oferecem auxílio à mobilidade. Esse grupo também é bastante conhecido por várias pessoas e inclui bengalas, cadeiras de rodas, andadores ou qualquer outro equipamento utilizado cujo foco seja a melhoria da mobilidade pessoal. Com o avanço da tecnologia, esses equipamentos estão em melhora constante. Um exemplo disso é a cadeira de rodas, que atualmente pode apresentar presença de motor. Existem grupos também que ampliam a função visual. Normalmente destinados a pessoas com deficiências sensoriais de caráter visual, servem para possibilitar novas formas sensoriais de relacionar-se com aspectos da vida. Alguns exemplos dessas tecnologias são lentes, lupas, softwares ampliadores de tela, material com textura e relevo e recursos que traduzem conteúdos visuais em texto. O nono grupo de TA relaciona-se às tecnologias que ampliam a função auditiva e é destinado a pessoas com deficiências sensoriais de caráter auditivo. São exemplos dessa categoria aparelhos para surdez, celulares com mensagens escritas, softwares que transformam o texto falado em mensagens de texto e livros em geral em linguagem de sinais, além do sistema de legenda e de avatares. DICA: Você já considerou aprender a Língua Brasileira de Sinais? Segundo o IBGE, a Libras é a língua de 10 milhões de brasileiros. Por isso, é essencial que os profissionais, inclusive da Psicologia, estejam preparados para acolher esses indivíduos. A décima categoria de TA inclui aquelas que possibilitam uma maior mobilidade em veículos. Esse grupo comporta tanto as tecnologias desenvolvidas para que as PCD dirijam automóveis como também as concebidas para facilitar o embarque e o desembarque. Exemplos desse grupo são volantes adaptados e a presença de elevadores para cadeira de rodas em ônibus, bem como a inclusão arquitetônica em serviços como aeroportos e autoescolas, por exemplo. Por último, mas não menos importante, estão as TA ligadas ao esporte e lazer. A pessoa com deficiência, como todas as demais, possui o direito de realizar atividades físicas e prazerosas. Devido a algumas limitações causadas pela deficiência, esses indivíduos necessitam de determinadas tecnologias que os auxiliem neste aspecto. Assim, todo e qualquer recurso que favoreça a prática de esportes e a participação em atividades de lazer compõem este grupo. Como exemplos, pode-se citar bola sonora, cadeiras de rodas adaptadas para esportes e próteses específicas para determinadas atividades como andar no gelo ou de skate, entre outros. É importante compreender que as tecnologias assistivas dizem respeito a qualquer produto, instrumento ou estratégia pensados para prevenir, aliviar, compensar ou neutralizar uma deficiência ou incapacidade específica. Nesse sentido, destaca-se que existe uma diferença entre as TA e as ferramentas tecnológicas utilizadas para reabilitação na medicina: as TA são utilizadas pelas PCD no dia a dia. FAMÍLIA E ESCOLA: REDE DE APOIO É praticamente consenso que a escola e a família exercem função educativa e de formação da personalidade dos indivíduos. Mesmo possuindo características distintas, ao discorrer sobre a temática da inclusão, elas podem complementar-se e servir como meios para promover o desenvolvimento físico e intelectual de inúmeras crianças. Do ponto de vista psicossocial, a família é a instituição de socialização primária das crianças, a qual é bastante afetiva. Para Portela e Almeida (2009, p. 150), “a família possibilita a realização de vínculos filiais expressos em relações afetivas e emocionais entre seus membros, difíceis de se encontrar em outros ambientes sociais, pois o ser humano, ao nascer, já se encontra integrado numa família específica, com características próprias". O psicólogo sociointeracionista Lev Vygotsky apresenta, em sua teoria, uma visão bastante consistente do papel da família na socialização da criança e na formação do seu psicológico. Para ele, o indivíduo, por meio do processo de maturação orgânica, tem as funções psicológicas superiores desenvolvidas por meio da interação social. Ele também afirmou que a aprendizagem é social e acontece entre semelhantes em uma zona em que o mais experiente auxilia o menos experiente, gerando desenvolvimento. Embora Vygotsky fale da relação do sujeito com todo o meio social, a família é o primeiro canal de contato da criança com a cultura em que está inserida, de modo que: [...] o ser humano realiza ações de ordem externa, que serão analisadas pelas pessoas com quem convive, segundo os significados estabelecidos culturalmente. A partir dessa análise, será possibilitado ao sujeito conferir significados às suas ações e, paralelamente, desenvolver processos psicológicos internos, que podem ser interpretados por ele mesmo a partir dos instrumentos colocados pelo grupo social do qual participa e compreendidos através dos códigos partilhados pelos membros desse grupo. Dessa maneira, para Vygotsky, o desenvolvimento pleno do ser humano depende do aprendizado que realiza num certo grupo cultural, através da interação que estabelece com os outros indivíduos da sua espécie (PORTELA; ALMEIDA, 2009, p. 151). Se a educaçãofamiliar é um fator essencial para o desenvolvimento psíquico de qualquer criança, ao falar sobre crianças com necessidades educativas especiais esse cenário apenas se reforça. A escola, em seu papel educativo, apresenta ganhos diversos quando caminha junto aos pais, tanto no que diz respeito ao desenvolvimento emocional dos alunos e à inclusão dos estudantes como à relação aluno/escola/comunidade e ao desempenho acadêmico. Figura 4. Resultados do SAEB de 1999, comparando a ausência e a presença dos pais. Fonte: PORTELA; ALMEIDA, 2009, p. 154. (Adaptado). Os dados acima são antigos; datam de 1999, do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), mas apresentam a realidade e a importância da parceria entre família e escola. É importante atentar para que essa relação se dê de maneira saudável: nem uma relação de cobrança por parte da família, nem de autoritarismo por parte da escola. Essa aproximação, é válido dizer, não é apenas levar e buscar a criança na escola e comparecer às reuniões: “as famílias precisam se aproximar da escola não apenas comparecendo a reuniões [...] mas é preciso que ela se inteire mais diretamente no processo educacional acadêmico dos seus filhos, ajudando-os a aprender” (SANTOS, 1999, p. 43). Por fim, aponta-se que educar crianças com necessidades educacionais especiais remete a promover uma educação integral. Embora historicamente família e escola tenham tecido uma relação complicada, é importante a presença ativa dos dois, por serem os grupos mais ativos na socialização das crianças. Uma relação de proximidade atua para a criança como uma rede de apoio capaz de promover qualidade de vida. OS TIPOS DE DEFICIÊNCIA VER VIDEO NO AVA Ao estudar o fenômeno da deficiência, é possível perceber que esse conceito é primordialmente relacionado à socialização, uma vez que a pessoa com deficiência é aquela que lida com obstáculos que atrapalham sua participação na sociedade em igualdade de oportunidades a partir da presença de um impedimento de longo prazo. Entretanto, esses impedimentos podem ser de várias ordens, origens e naturezas. As pessoas com deficiência são, como qualquer indivíduo, diferentes entre si, e a deficiência pode se apresentar de formas diversas. Por isso, para fins de estudo, pesquisa e construção de políticas públicas, elas são divididas de acordo com seus tipos, constituindo-se principalmente em deficiências sensoriais, físicas e intelectuais, como será visto a seguir. DEFICIÊNCIA SENSORIAL: VISUAL E AUDITIVA As deficiências sensoriais são aquelas em que o impedimento atinge um ou mais sentidos do indivíduo, ocorrendo por meio de sua perda total ou parcial. Nessa definição, podem ser incluídas as perdas sensoriais de qualquer um dos cinco sentidos – tato, olfato, audição, visão e paladar. Entretanto, é possível que você nunca tenha ouvido falar em deficiência olfativa, por exemplo. Isso se dá porque apenas são categorizados como deficiência os casos em que há desigualdade na participação social em relação às pessoas sem este impedimento. Assim, se a pessoa possui uma perda olfativa, mas não há comprometimento de sua funcionalidade e participação em sociedade, não há um caso de deficiência. É por isso que, ao discorrer sobre deficiência sensorial, as deficiências auditivas e visuais são mais conhecidas e proeminentes em termos de estudo e conscientização. A deficiência auditiva é uma das deficiências consideradas sensoriais e pode ser definida como a ausência parcial ou completa da audição. De acordo com o Decreto n. 5.296, há deficiência auditiva nos seguintes casos: "perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz" (BRASIL, 2004, n.p.). A pessoa surda é aquela que possui perda total da audição, ao passo que a pessoa parcialmente surda é aquela que tem perda parcial, mas é compreendida como pessoa com deficiência devido às limitações funcionais. As causas da deficiência auditiva são múltiplas, podendo ser decorrentes de lesões tanto na orelha quanto no aparelho auditivo como um todo, e são categorizadas em condutiva, mista, neurossensorial e central. Figura 5. Visão interna da orelha e ouvido com sinalização da origem de cada tipo de perda auditiva. Fonte: GOMES, 2018, n.p. (Adaptado) Conforme evidenciado na Figura 5, a perda auditiva condutiva é aquela decorrente de alterações na orelha externa e média que impedem o som de chegar ao ouvido de forma satisfatória. Nesses casos, por vezes, é possível que haja reversibilidade da perda do sentido. Já a deficiência auditiva de ordem neurossensorial é também conhecida como surdez do nervo. Ela se dá, evidentemente, devido a lesões nas células do nervo auditivo ou nas células ciliadas da orelha interna. A mista é aquela em que as causas se encontram tanto no ouvido externo e médio quanto no interno, de forma que há dificuldade ou incapacidade tanto de conduzir o som pela orelha quanto de processar esse som, uma vez que há lesões no ouvido interno ou no próprio nervo. Por fim, a surdez central é aquela em que a impossibilidade de ouvir decorre de alterações no sistema nervoso central, e não na captação do som em si. Essas alterações podem se dar no córtex cerebral ou em regiões abaixo deste. Dentro do processo de inclusão das pessoas com deficiência auditiva, ressalta-se uma das ferramentas assistivas mais populares: a Libras. A Língua Brasileira de Sinais é considerada, pela legislação brasileira, como a língua natural da pessoa surda, uma vez que pode ser aprendida mais naturalmente. Além da Libras, a leitura orofacial é essencial para a compreensão e comunicação dessa população. CURIOSIDADE: Você provavelmente já ouviu a expressão "surdo-mudo". Ela serviu por muito tempo para designar pessoas que não falam e que são surdas. Entretanto, esse termo é equivocado, visto que a pessoa surda que não fala o faz não por incapacidade de seu aparelho fonador, mas sim pela perda auditiva. O termo adequado para descrever esse aspecto é "pessoa surda não oralizada". A deficiência visual é a perda do sentido da visão em grau parcial ou total. Nessa definição, a pessoa com deficiência visual é aquela que tem a perda da visão como um impedimento irreversível e irremediável, ou seja, que não pode ser tratado com medicação, cirurgias ou uso de lentes. As origens da deficiência visual são diversas, podendo ser tanto congênitas quanto adquiridas. Mesmo as adquiridas podem surgir de um episódio repentino(doença, acidente, etc) ou mesmo ser consequência de uma perda gradual do sistema ocular/visual. A deficiência visual é dividida em três tipos, de acordo com a severidade da perda do sentido: baixa visão, próximo à cegueira(ou cegueira parcial) e cegueira total. De acordo com a Portaria n. 3.128, de 24 de dezembro de 2008: Considera-se baixa visão ou visão subnormal, quando o valor da acuidade visual corrigida no melhor olho é menor do que 0,3 e maior ou igual a 0,05 ou seu campo visual é menor do que 20º no melhor olho com a melhor correção óptica (categorias 1 e 2 de graus de comprometimento visual do CID 10) e considera-se cegueira quando esses valores encontram-se abaixo de 0,05 ou o campo visual menor do que 10º (categorias 3, 4 e 5 do CID 10) (BRASIL, 2008). A pessoa com baixa visão é aquela que, mesmo após procedimentos médicos de tratamento ou correção, ainda mantém uma perda significativa da visão, a qual culmina em um comprometimento funcional. Essas pessoas encontram barreiras para a realização das atividades cotidianas em decorrência da limitação de sua visão, sendo necessário recorrer a recursos como lupas ou lentes de aumento, que não tratam mas ajudam a compensar as dificuldades encontradas. Já a cegueira parcial, ou a deficiência visual próximo à cegueira, é aquela em que o indivíduo possui o sentido da visão em níveis altamente comprometidos,mas ainda mantém alguns atributos, como a percepção da luz. Nesses casos, o indivíduo, por identificar a presença e a origem das fontes de luz, consegue também identificar sombras, percebendo os objetos como vultos. A cegueira total, cegueira ou deficiência visual total, como o próprio nome indica, é a condição em que há a ausência total da visão. A cegueira pode ser decorrente de alterações nos olhos ou mesmo no sistema nervoso. Em todos os casos, é importante que as pessoas com deficiência tenham acesso a tecnologias assistivas aliadas a políticas de construção de um desenho universal de sociedade em que haja possibilidades de circulação, participação e apropriação livre para todas as pessoas, a despeito das deficiências. Não havendo, porém, essas circunstâncias, buscam-se algumas mudanças, as chamadas adaptações razoáveis, que permitem uma inclusão da PCD visual mais adequada. Entre as ferramentas utilizadas, tanto no contexto público quanto na vida cotidiana de pessoas com deficiência visual, estão as bengalas, o piso tátil, os recursos e sinais sonoros, o cão-guia e o sistema Braille, entre outros. As bengalas são ferramentas que auxiliam a pessoa cega a identificar obstáculos e a caminhar com mais autonomia e segurança. Elas também permitem a sinalização do tipo de deficiência que o indivíduo possui, de forma a garantir mais segurança em casos de emergência ou de necessidade de ajuda (Figura 6). Figura 6. Diferentes bengalas utilizadas por pessoas com deficiência visual. Fonte: REAÇÃO, 2021, n.p. (Adaptado) Também faz-se uso do piso tátil, uma ferramenta de facilitação da mobilidade e da autonomia da pessoa com deficiência. Ele permite, por meio do tato, que o indivíduo identifique a textura e sua respectiva função. A textura em listras é condutora, direcionando o trajeto, enquanto a textura em bolinhas é de alerta, chamando a atenção para entradas de estabelecimentos e obstáculos no caminho. A presença dos estímulos auditivos também é essencial para pessoas com deficiência visual. Por isso, os sinais sonoros nos sinais de trânsito, os recursos sonoros de leitura nos dispositivos digitais e mesmo a audiodescrição nas produções cinematográficas são essenciais para a inclusão social e o acesso à participação em espaços coletivos. Figura 7. Mulher com deficiência visual utilizando bengala branca e caminhando sobre piso tátil. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 21/09/2021. O sistema Braille, desenvolvido primariamente no ano de 1824, é um dos recursos assistivos mais conhecidos, configurando-se como um sistema de escrita tátil. Em outras palavras, em vez de se utilizar do sentido da visão para codificar e decodificar as letras, esse sistema recorre ao tato, permitindo assim a comunicação por meio de leitura e escrita também entre pessoas com deficiência visual. DEFICIÊNCIA FÍSICA De acordo com o Decreto n. 5.296, deficiência física é a "alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física" (BRASIL, 2004, n.p.). Ou seja, a deficiência física não afeta algum dos sentidos ou as funções intelectuais do indivíduo, mas sim suas condições físicas, sejam elas estruturais, motoras ou relativas ao funcionamento físico em geral. Essa deficiência, assim como as outras, não se limita a apenas uma origem e causa, mas pode ser decorrente de questões genéticas e inatas ou adquiridas por meio de doenças, lesões e acidentes, entre outros. Popularmente, ao pensar em uma pessoa com deficiência física, automaticamente nos remetemos à imagem de alguém em uma cadeira de rodas. Isso se dá devido à representação em filmes, desenhos e produções audiovisuais em geral, que não costumam mostrar a diversidade de tipos de deficiência física, nem os variados jeitos que essas pessoas vivem e se apresentam socialmente. Por isso, é importante ter em mente que a deficiência física é um conceito amplo que engloba uma série de categorias dentro de si e que é importante conhecer e visibilizar esses tipos, a fim de que haja uma promoção eficaz da inclusão desses indivíduos. Assim, além de definir a deficiência física, o Decreto n. 5.296 de 2004 também apresenta todas as condições físicas que podem ser assim consideradas: Deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (BRASIL, 2004). Tabela 1. Diferentes tipos de Deficiência Física. Fonte: DEFICIENTE ONLINE, 2021. (Adaptado). É importante observar que boa parte dos tipos descritos culmina em dificuldades de locomoção, comprometimento na autonomia para uso de ferramentas e adversidades na realização de tarefas. Ter essas competências, porém, é essencial para uma boa qualidade de vida. É possível perceber até mesmo que, ao falar em liberdade, são comuns expressões como "direito de ir e vir" ou "ir para onde quer". Porém, em uma sociedade capacitista, grande parte dos espaços e recursos, sejam públicos ou privados, são projetados por e para pessoas sem deficiência. As pessoas com deficiência física, por vezes, não conseguem sequer entrar em determinados estabelecimentos. Assim, para a inclusão da pessoa com deficiência física no contexto social, é preciso lançar mão de uma série de tecnologias, dispositivos e estratégias. Alguns exemplos são as rampas, corrimãos, elevadores e entradas adaptadas em banheiros e outros espaços. Outras tecnologias assistivas relevantes incluem o uso de órteses e próteses, bem como cadeiras de rodas, muletas e outros recursos. Por fim, vale ressaltar que a inclusão da pessoa com deficiência física demanda mudanças que vão desde o planejamento e a construção de espaços públicos, passam pela falta de acessibilidade em espaços e serviços privados e chegam até as práticas educacionais no contexto escolar. É essencial, por isso, buscar incluir essas pessoas não apenas ao permitir ou facilitar sua locomoção, mas também garantindo dignidade, respeito e acolhimento nos espaços. DEFICIÊNCIA INTELECTUAL A deficiência intelectual é uma das categorias mais mal compreendidas no que diz respeito aos conceitos de deficiência. Isso se dá porque, dentro do campo científico, especialmente na Psicologia e na Psiquiatria, observam-se tensões quanto ao conceito de normalidade, ou seja, o estabelecimento de qual é o parâmetro do funcionamento psíquico. Se esse debate já existe em relação às deficiências físicas e sensoriais, a subjetividade da constituição psicológica torna essa definição ainda mais desafiadora. Além da dificuldade de estabelecer os níveis de inteligência que seriam utilizados como parâmetro – o que também é difícil, visto que a noção de inteligência não é estática –, outros conceitos como transtorno mental e doença mental agravam a complexidade do assunto. Sabemos, entretanto, que toda deficiência só o é porque as características do indivíduo encontram barreiras no contexto social que tornam sua participação desigual. Ou seja, a deficiência intelectual diz respeito a impedimentos permanentes no desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Segundo o Decreto n. 5.296, a deficiência mental é definida como: [...] funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: comunicação, cuidado pessoal, habilidades sociais, utilização dos recursos da comunidade, saúde e segurança, habilidades acadêmicas, lazer e trabalho (BRASIL, 2004). Apartir dessa definição, compreendemos que a pessoa com deficiência intelectual é aquela que não atinge a capacidade cognitiva plena, tendo assim prejuízos no que diz respeito a desenvolvimento da autonomia, tomada de decisão e convívio social. Um dos parâmetros mais comuns é a defasagem de pessoas com deficiência intelectual na obtenção do pensamento abstrato, bem como a dificuldade em se adequar às regras explícitas e implícitas que regem o convívio social. CURIOSIDADE: O uso do termo “especial” para descrever pessoas com deficiência é inadequado. Um dos motivos para isso é que o termo é generalista, além de ser frequentemente utilizado também para pessoas com transtornos mentais. Os termos “pessoa com deficiência” e “pessoa com transtorno mental” são mais específicos e também é possível utilizar a expressão “pessoa com necessidades educativas específicas” (NEE) no contexto escolar. As causas da deficiência intelectual também são multifatoriais, podendo ter relação com a gestação, incluindo acontecimentos estressantes, lutos e hábitos de vida nocivos; ou com episódios na primeira infância. Segundo Tédde: As causas da D.I. são desconhecidas de 30 a 50% dos casos. Estas podem ser genéticas, congênitas ou adquiridas. Dentre as quais as mais conhecidas são: síndrome de Down, síndrome alcoólica fetal, intoxicação por chumbo, síndromes neurocutâneas, síndrome de Rett, síndrome do X-frágil, malformações cerebrais e desnutrição proteico- calórica (2012, p. 24). Sua inclusão se dá por meio da adaptação da metodologia escolar (como, por exemplo, o uso de itens concretos para ensinar conceitos abstratos), do acesso ao cuidado multidisciplinar e da promoção de políticas de respeito e participação efetiva na comunidade. DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS Chamamos de deficiências múltiplas o contexto em que há duas ou mais deficiências concomitantes no mesmo indivíduo, podendo estas serem de quaisquer origens ou tipos. Não há um número ou uma lista específica dos tipos de deficiências múltiplas, uma vez que elas podem resultar da combinação de ao menos duas das muitas deficiências existentes. Nesses casos, há uma perda ainda mais significativa na funcionalidade, pois torna-se mais desafiador encontrar tecnologias assistivas e metodologias de suporte. Além do aspecto funcional, as múltiplas deficiências podem até mesmo culminar na redução da autonomia e em complicações no ato de realizar tarefas, na saúde emocional, na vida social e no desenvolvimento acadêmico. Faz-se necessário o cuidado de uma equipe multidisciplinar de apoio e intervenção, bem como o uso de políticas e práticas de acessibilidade e inclusão já citadas anteriormente. DEFICIÊNCIAS ESPECÍFICAS Como já visto, o conceito de deficiência é uma macrocategoria que engloba uma infinidade de outros conceitos diferentes entre si, mas que compartilham a experiência de viver em um mundo capacitista, rodeado de barreiras de diversas naturezas. Por isso, torna-se importante visibilizar algumas deficiências já categorizadas nos grupos anteriores de acordo com o seu tipo, mas que apresentam características específicas e relevantes de se analisar. A seguir, conheceremos uma síndrome e um transtorno relacionados à questão da deficiência e da inclusão. // SÍNDROME DE DOWN "A síndrome de Down (SD) ou trissomia do 21 é uma condição humana geneticamente determinada, é a alteração cromossômica (cromossomopatia) mais comum em humanos e a principal causa de deficiência intelectual na população." (BRASIL, 2013, p. 9). Trata-se não de uma doença ou de uma deficiência, mas sim de uma síndrome, ou seja: um conjunto de sinais e sintomas. A princípio, essa diferenciação gera confusão, visto que muitos compreendem a síndrome de Down como um tipo de deficiência intelectual, o que não corresponde à realidade. A SD é uma síndrome que pode ter como um de seus sinais e sintomas a presença de deficiência intelectual. Em outras palavras, ela pode ser uma das causas desse tipo de deficiência, mas não é uma deficiência em si mesma. Seu diagnóstico é feito por meio da identificação do fenótipo característico e de exames laboratoriais. Em relação às características que compõem esse fenótipo, tem-se que: O fenótipo da SD se caracteriza principalmente por: pregas palpebrais oblíquas para cima, epicanto (prega cutânea no canto interno do olho), sinófris (união das sobrancelhas), base nasal plana, face aplanada, protrusão lingual, palato ogival (alto), orelhas de implantação baixa, pavilhão auricular pequeno, cabelo fino, clinodactilia do 5º dedo da mão (5º dedo curvo), braquidactilia (dedos curtos), afastamento entre o 1º e o 2º dedos do pé, pé plano, prega simiesca (prega palmar única transversa), hipotonia, frouxidão ligamentar, excesso de tecido adiposo no dorso do pescoço, retrognatia, diástase (afastamento) dos músculos dos retos abdominais e hérnia umbilical. Nem todas essas características precisam estar presentes para se fazer o diagnóstico clínico de SD. Da mesma forma, a presença isolada de uma dessas características não configura o diagnóstico, visto que 5% da população podem apresentar algum desses sinais (BRASIL, 2013, p. 15-16). // TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) O transtorno do espectro autista, também conhecido como TEA, é um dos transtornos mais conhecidos e discutidos atualmente. Apesar disso, ainda há muita confusão sobre sua natureza. Afinal, seria o TEA um transtorno mental? Uma deficiência? Como as características do TEA afetam o indivíduo e sua vida em coletividade? O transtorno do espectro autista é definido como um transtorno global do desenvolvimento, o que significa que este é um transtorno que afeta funções relevantes para o desenvolvimento do indivíduo como um todo. Não se trata, por exemplo, de um transtorno da fala, mas sim de uma alteração significativa na forma como as funções cognitivas, psíquicas e sociais são constituídas. Apesar de não configurar-se propriamente como uma deficiência, para efeito legal, o indivíduo com TEA é também considerado uma PCD. De acordo com o Manual de orientação da sociedade brasileira de pediatria, o TEA pode ser definido da seguinte forma: O transtorno do espectro do autismo (TEA) é um transtorno do desenvolvimento neurológico, caracterizado por dificuldades de comunicação e interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos. Esses sintomas configuram o núcleo do transtorno, mas a gravidade de sua apresentação é variável. Trata-se de um transtorno pervasivo e permanente, não havendo cura, ainda que a intervenção precoce possa alterar o prognóstico e suavizar os sintomas (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2019, p. 1). Figura 8. Características do transtorno do espectro autista. Fonte: PET UFMT, 2019. (Adaptado) Sua nomenclatura remete ao fato de que, como dito, existe uma grande variação de formas como esse transtorno se apresenta e que impactam a funcionalidade do indivíduo, constituindo assim um espectro de possibilidades. Isso posto, a Figura 9 retrata os graus do TEA. Figura 9. Níveis de gravidade do TEA e seu impacto na comunicação social. Fonte: SILVA, 2019. (Adaptado) Compreendidas as características do TEA, é possível observar que há condições de pessoas com este transtorno viverem em sociedade com qualidade de vida, autonomia e um bom desenvolvimento integral. Entretanto, para que isso aconteça, faz-se necessária a ajuda, em diferentes níveis, da família, dos cuidadores, dos educadores e dos profissionais de saúde. Ademais, as tecnologias e ferramentas de inclusão e adaptação são essenciais para a escolarização e o acesso a serviços e direitos em igualdade de oportunidades. SINTETIZANDO Pode-se dizer que a deficiência é um fenômeno complexo: ela não pode ser definida de maneira completa, pois tanto a deficiência quanto a pessoa com deficiência não apresentam conceitos estáticos, mas queencontram-se em aprimoramento, conflito e avaliação. Assim, pode-se afirmar que a deficiência é sempre multifatorial e não pode ser tratada como um tema em que há uma definição fechada e resumida. De maneira geral, é importante destacar que a deficiência não é uma doença, mas sim uma das diversas maneiras de experienciar a vida social. Dentro dessa experiência, há alguns fenômenos sociais pelos quais a PCD passa, como o estigma. Goffman, um sociólogo clássico, define o estigma como uma marca presente em pessoas que destoam do padrão social. Uma das formas de desvio propostas por Goffman são as abominações do corpo, em que o tecido social exclui e estigmatiza pessoas com corpos entendidos como diferentes da norma. O estigma é sempre circunscrito em um período, e suas concepções são influenciadas pelo cenário social e político. É devido a isso que é tão importante que a ampliação da discussão sobre a inclusão de PCD seja realizada. Esse debate atualmente encontra-se em evolução, pois entende-se que não basta apenas discutir sobre o motivo de incluir, mas como incluir. Quanto à classificação dos tipos de deficiência, conceberam-se algumas subdivisões com o objetivo de facilitar sua compreensão e estudo. O primeiro grupo é o de deficiências sensoriais, compostas pela deficiência visual e auditiva principalmente. Sobre a deficiência auditiva, pode-se dizer que ela existe quando há perda parcial ou total da audição. As causas são múltiplas, como lesões ou má formação. Na deficiência visual enquadram-se três grupos: pessoas com baixa visão, próximo à cegueira ou cegueira. O fator comum que une este grupo é a ausência parcial ou total de visão nos dois olhos. Para que seja categorizada como deficiência visual, essa característica precisa ser irreversível, não podendo ser tratada com nenhuma ferramenta ou procedimento médico. Temos ainda a deficiência física, que consiste em alterações parciais ou completas em alguma parte do corpo humano, e que acarreta no comprometimento da mobilidade e coordenação. As causas também são diversas, como fator inato, lesão ou adoecimento nos membros. Por fim, há a deficiência intelectual, que consiste em um atraso no desenvolvimento. O sujeito com essa deficiência apresenta dificuldades para aprender, para realizar as tarefas do dia a dia e na interação com o meio. O sujeito com deficiência deve ser entendido como um ser integral, um ser de direitos que precisa de cuidados e de uma rede de apoio. A escola e a família podem exercer este papel de rede de apoio e cuidado para auxiliá-lo nesta experiência. Junto a isso, há também a presença de tecnologias assistivas, que remetem ao arsenal de recursos que auxiliam e ampliam as habilidades funcionais de PCD. A presença desses fatores auxilia na qualidade de vida e na inclusão de pessoas com deficiência. VER VIDEO NO AVA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Decreto n. 3.956, de 8 de outubro de 2001. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Poder Executivo, 08 out. 2001a. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2001/d3956.htm>. Acesso em: 21 set. 2021. BRASIL. Decreto n. 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Poder Executivo, 02 dez. 2004. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2004/decreto/d5296.htm>. Acesso em: 22 set. 2021. BRASIL. Lei n. 10.216, de 6 de abril de 2001. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Poder Executivo, 06 abr. 2001b. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm>. Acesso em: 21 set. 2021. BRASIL. 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