Prévia do material em texto
DOENÇAS OSTEOARTICULARES RELACIONADAS AO TRABALHO (DORT) - distúrbios osteomusculares: engloba uma variedade de sintomas, mas o principal é a dor, acompanhada ou não de edema, “formigamento”, limitação funcional e perda de força “distúrbio”: mais amplo do que “lesão” → alteração do funcionamento normal → pode ocorrer se há desequilíbrio entre a capacidade de resposta biológica e as exigências ambientais (físicas, psicológicas e sociais), haja ou não evidência de modificação estrutural (lesão) - distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT): reconhecimento de associação entre o quadro osteomuscular e o trabalho, entendido como desencadeante ou agravante definir a etiologia como ocupacional é importante pela repercussão previdenciária e legal que pode ter para trabalhadores e empresas ABORDAGEM DO DORT NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: - avaliação inicial: usada, junto com os recursos disponíveis, para traçar um plano que incluirá a necessidade ou não de referência para especialistas caracterização do quadro: recente ou crônico (>3 meses), localizado ou regional, severo ou não identificar exposições ambientais e vulnerabilidades associadas ao desencadeamento ou manutenção do distúrbio osteomuscular, na situação de trabalho ou fora dele tentar identificar as expectativas em relação a tratamento, previdência (benefício, nexo causal) e trabalho (afastar ou não, retornar ou não, causa judicial) → yellow flags - anamnese clínica: caracterização da dor: localização, início, progressão, duração, fatores precipitantes/agravantes, episódios anteriores sinais e sintomas associados: insônia ou sono não reparador, depressão, parestesia/hipoestesia, formigamento, edema, alterações de cor (vermelhidão/palidez), de temperatura (calor/frio); limitação de movimento revisão de sistemas: condições médicas preexistentes, musculoesqueléticas e psiquiátricas; condições favorecedoras de vulnerabilidade (diabetes e outras doenças endócrinas e metabólicas, obesidade, gravidez; doenças infecciosas recentes; fatores de risco para doenças crônicas como hipertensão, fumo, álcool, sedentarismo) tratamentos anteriores: imobilização, infiltração, AINEs, analgésicos, corticosteróides, fisioterapia, cirurgia - anamnese ocupacional: condição de atividade atual: ativo (empregado ou não) ou inativo (em benefício ou aposentado); mercado formal/informal; demitido recentemente ou em aviso prévio → existe associação entre o início ou desenvolvimento dos sintomas e mudanças na condição de atividade? ocupações anteriores: tempo no emprego, tempo na função, ocupações anteriores e sua associação com sintomas riscos biomecânicos: considerando a localização, avaliação da consistência entre o tipo de exposição, a dose (tempo e intensidade) e o quadro clínico organização do trabalho/riscos psicossociais: trabalho em esteira, demanda por produtividade, horas-extras, turnos, hierarquia, grau de controle sobre a execução, grau de satisfação, relacionamento com colegas/chefias → associação entre modificações na rotina (horários, carga, troca de função, chefia ou turno) e desencadeamento/agravamento da DORT evidência epidemiológica de risco ocupacional: existência de casos similares em colegas de trabalho - avaliação psicossocial (yellow flags): perfil psicológico do paciente, sentimentos com relação à doença, à empresa e ao retorno ao trabalho experiência no sistema de saúde e de previdência - número de afastamentos, tempo de benefícios previdenciários disputas judiciais implicações da doença na vida familiar (ganhos e perdas) - exame físico: observação (inicia na sala de espera e continua durante toda consulta): postura, gestos, como executa atividades (levantar, deambular, sentar, gesticular, despir-se), atitude colaborativa ou não durante o exame físico exame físico geral: peso, altura, PA, estado geral, red flags para outra patologia grave que mereça encaminhamento exame físico específico orientado pela localização dos sintomas: inspeção, palpação de músculos, tendões e articulações; amplitude dos movimentos articulares passivo e ativo; dor à mobilização; sensibilidade e força; tremor; contratura muscular, banda fibrosa e pontos-gatilho; edema, alterações de cor, temperatura e trofismo da região em comparação ao membro contralateral; anquilose manobras específicas para evidenciar compressão de nervos periféricos e sugerir condições ortopédicas localizadas CARACTERIZAÇÃO DO QUADRO DOLOROSO: - principais formas de apresentação clínica: dor difusa em MMSS, cintura escapular e pescoço, sem sinais de lesão definida e sem limitação significativa (mais frequente nas empresas) → manifestação inicial mais comum dos DORT → dor se intensifica durante a jornada de trabalho e remite à noite; estes trabalhadores, em geral, continuam trabalhando e se automedicam para aliviar a dor dor mais localizada, sugestiva de lesão definida (bursite, tendinite, síndrome do túnel do carpo) e limitação progressiva para o trabalho, (mais frequente, na fase inicial da incapacidade) → exigências biomecânicas específicas podem desencadear lesões localizadas (síndromes compressivas de nervos periféricos, tendinites, bursites, etc.) dor crônica regional moderada a severa, com ou sem lesão definida associada e com limitação significativa lombalgias crônicas: grupo separado tanto pela localização como pela história natural - progressão de aguda para crônica, ao contrário dos DORT de MMSS, de instalação insidiosa → é, como dor crônica de pescoço e/ou MMSS, uma das mais importantes causas de incapacidade para o trabalho muitas apresentações dentro dessas quatro formas são mais bem caracterizadas como síndromes dolorosas inespecíficas SÍNDROMES DOLOROSAS REGIONAIS: - as DORT podem se apresentar como 2 síndromes dolorosas regionais: a miofascial e a complexa de dor regional tipo 1 (também chamada de distrofia simpático-reflexa) - dor crônica: duração > 3 meses ou além do período esperado para a resolução da patologia não se correlaciona com o tamanho do dano, que pode ser indetectável com as técnicas diagnósticas atuais apresenta-se de forma amplificada, caráter mais regional há hipersensibilidade mesmo a estímulos que normalmente não evocariam dor há alteração no balanço entre estímulo e supressão da dor, possivelmente mediada pelo SN autônomo → modulação exercida por condições psicológicas sobre dor crônica - síndrome dolorosa miofascial: dor persistente, contratura muscular e redução de força e parestesias na região afetada, fadiga, insônia e, frequentemente, depressão ponto-gatilho miofascial: achado de exame físico característico → ponto sensível localizado sobre uma banda muscular tensa, cuja estimulação provoca resposta local de dor e “retirada”, e um padrão de dor referida característico para áreas específicas em cada músculo → pode ser suficiente para caracterizar a síndrome - síndrome de dor regional complexa: condição de fisiopatologia desconhecida caracterizada por dor persistente, alodinia (dor devido a estímulo mecânico ou térmico que não costuma provocar dor) ou hiperalgesia (resposta exagerada a um estímulo normalmente doloroso) muitas vezes há edema, alterações de cor da pele ou atividade sudomotora anormal na região afetada dor não se restringe ao domínio de um nervo periférico, tende a envolver toda uma região anatômica como a mão (ou pé) ou até mesmo toda a extremidade ou quadrante corporal mais descrita em sequência a traumatismo agudo, cirurgia ou imobilização de membro, particularmente após lesão de nervo periférico (causalgia) também é reconhecida em associação a outras condições como neuropatia diabética, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio é importante causa de incapacidade fatores de risco: imobilização, e no trabalho, desempenho de atividades com maior requerimento de força comparada à repetição (microtraumas?) - diagnóstico: eminentemente clínico → não há exames objetivos de rotinapara diagnóstico dessas síndromes exames complementares: mais para burocracia do que útil para decisão terapêutica → documentar objetivamente a existência de patologia a síndrome de dor regional complexa acomete parcela pequena de pacientes com DORT, mas, dada a gravidade, responde por proporção significativa da demanda em serviços que oferecem tratamento continuado para dor crônica osteomuscular - fibromialgia→ diagnóstico diferencial com DORT dor muscular crônica generalizada não considerado como causalmente associado ao trabalho IDENTIFICAÇÃO DE EXPOSIÇÕES AMBIENTAIS E VULNERABILIDADES ASSOCIADAS: - FATORES OCUPACIONAIS: físicos ou biomecânicos: necessários, mas não suficientes para explicar as DORT → praticamente universal no trabalho grau de exposição (duração, frequência e intensidade) é o que se associa a risco → classificar o esforço em uma escala de pouco, moderado ou muito exposição a mais de um fator - repetição, força, desvio postural - tem efeito potencializado fatores organizacionais e/ou psicossociais: má organização do trabalho ou problemas de interpessoais adicionam estresse mental ou psíquico à demanda física favorecem a redução do limiar fisiológico para o desencadeamento de enfermidade principais fatores associados: má gestão de produção, trabalho sob tensão, anulação do mecanismo de regulação (pausas e outros tempos improdutivo) para prevenção ou recuperação de fadiga, aumento de trabalhadores vulneráveis - FATORES EXTRATRABALHO: exposições biomecânicas ou psicossociais em casa, lazer ou outra atividade ocupacional secundária, assim como a vulnerabilidade individual inata ou adquirida exemplos de vulnerabilidades: distúrbio osteomuscular preexistente decorrente de sobrecarga neste ou em outros trabalhos ou em outras atividades não ocupacionais; outras patologias osteoarticulares preexistentes (artrites, sequelas de acidentes, deformidades congênitas); ou gravidez e outras condições ou doenças metabólicas, imunoinflamatórias ou neuropsiquiátricas EXPECTATIVAS DO PACIENTE COM RELAÇÃO A TRATAMENTO, TRABALHO E PREVIDÊNCIA: - avaliar o significado da doença para o paciente e as reais expectativas com o tratamento - estabelecer relação de confiança médico-paciente - identificar fatores associados à má evolução do tratamento, que podem ser decorrentes de más condições objetivas do trabalho, ou de aspectos psicossociais (yellow flags) que antecedem a doença ou surgem com ela PLANO DE TRATAMENTO E REABILITAÇÃO: - focado em dor crônica regional → em casos graves, encaminhar ao especialista - terapia medicamentosa inespecífica: paracetamol → dor crônica leve a média → efeito mais fraco que os AINEs, mas menor custo e menos efeitos adversos (no TGI e sistema cardiovascular); AAS também pode ser uma alternativa, com risco de sangramento se uso prolongado; risco de hepatotoxicidade AINEs→ variam bastante nas respostas individuais atentar-se aos efeitos adversos(TGI, discrasias sanguíneas e nefrotoxicidade); elevar a dose noturna se o paciente tiver dor à noite; considerados eficazes para a dor lombar, mas não dor neuropática exacerbada *naproxeno → escolha para paciente com risco cardiovascular devido ao grande risco cardiovascular dos demais AINEs *½ vida >10h: piroxicam, naproxeno, tenoxicam, meloxicam → requerem dias para atingir a [ ] plasmática máxima → em geral, prazo de 2 semanas para avaliar sucesso salicilato tópico → analgésico tópico útil em dores agudas, mas não na dor crônica diclofenaco sódico → anti-inflamatório tópico equivalente ao AINE VO nas osteoartroses de joelho e mão (evidências limitadas para outras dores crônicas) opióides → dor crônica moderada → não parece mais efetivo que AINEs no manejo de dor crônica *codeína em dose única de 65 mg não se mostrou superior a 600 a 1.000 mg de aspirina ou de paracetamol; no entanto, com a repetição das doses, o alívio é mais eficaz que o produzido por estes dois, provavelmente devido à diminuição da reatividade emocional à dor *para dores crônicas tipo lombalgia, os opióides resultam em pequena melhora, porém melhora funcional menor quando comparados com outros analgésicos *para dor neuropática, devem ser segunda ou terceira linha, mas de primeira linha para as exacerbações de dor neuropática severa, que em geral duram 3-5 dias *tramadol reduz substancialmente a dor em casos de fibromialgia e dor neuropática, mas não há evidências de que seja melhor que outros opióides *principais efeitos adversos: náusea, constipação e sonolência *uso prolongado pode levar a hiperalgesia, ou seja, o paciente fica hipersensível ao estímulo nociceptivo, além do risco de adicção à droga, overdose acidental e mortalidade → em tratamentos crônicos, há risco de dependência miorrelaxantes → adjuvantes para dores musculares agudas ou crônicas na presença de espasmo muscular *mecanismo de ação não é bem conhecido, e seus efeitos são medidos principalmente por respostas subjetivas, com resultados inconsistentes, de pouco eficazes nas dores crônicas a eficazes no alívio da dor na fibromialgia e no espasmo muscular *a maioria dos pacientes tem resposta benéfica após 7-10 dias de uso, com a dosagem de 10 m g/dia de ciclobenzaprina → pode-se elevar a dose para 30 m g/dia; porém, nesses casos, há maior ocorrência de boca seca e sonolência *uso da medicação cerca de 2h antes de deitar diminui a sonolência pela manhã *sedação limita a tolerância a longo prazo *benzodiazepínicos = miorrelaxantes de origem central → podem ser utilizados nos casos agudos tomando-se o cuidado de fazê-lo por tempo limitado (2 a 3 semanas) corticosteróides de depósito (p. ex., Diprospan®, diproprionato + fosfato sódico de betametasona) → absorção errática e resultados imprevisíveis → na prática, para os casos não responsivos aos AINEs, utiliza-se até três ampolas por via IM com intervalos de uma semana entre as aplicações antidepressivos tricíclicos → úteis nos casos de dor crônica miofascial associada ou não à depressão *menor eficácia na dor neuropática *estimular a realização de atividade física concomitante *amitriptilina nas dores crônicas: 25-50 mg/dia, em geral seguras, embora não isentas de efeitos colaterais → aumento da dose = 10-25 mg/semana, sendo a dose máxima para tratamento de depressão de 300 mg/dia contraindicada para uso simultâneo com inibidores da monoaminoxidase → esperar no mínimo 14 dias entre a interrupção deste medicamento para iniciar amitriptilina evitar a também após IAM e na presença de ICCA uso em pacientes com arritmias cardíacas (bloqueio de ramo) deve ser cauteloso, bem como no hipertireoidismo, alteração de função hepática ou renal e em idosos em algumas pessoas, mesmo a dose de 25 mg pode causar sonolência excessiva → reduzi-la à metade efeitos adversos: boca seca, visão borrada, retenção urinária, náusea, vômitos, constipação, hipotensão, icterícia, hipertensão, taquicardia, disforia, insônia e ganho de peso tomar 2-3h antes de dormir → demora cerca de 1-3 semanas para o máximo efeito tanto em relação à analgesia como em relação ao sono, independentemente da dose depois de 3 semanas, quando a alcança efeito pleno, se houve bom resultado, deve-se procurar manter o uso por, no mínimo, 6 meses antes de diminuir ou interromper inibidores seletivos da recaptação de serotonina → efeito benéfico porém menos efetivo que inibidores da serotonina e noradrenalina (p. ex., duloxetina e milnacipram), que são bem tolerados e efetivamente reduzem os sintomas funcionais da fibromialgia anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina e carbamazepina ou oxcaibazepina) → principais fármacos utilizados para dor crônica não relacionada com câncer *gabapentina: efetiva no tratamento da dor neuropática e com pequeno benefício na radiculopatia por comprometimento lombar, mas não nos casos de dor lombar inespecífica *pregabalina: melhorou sintomas da fibromialgia *carbamazepina e oxcarbazepina: achados mistos na melhorada dor crônica - medidas físicas: fisioterapia, calor local, exercícios para reabilitação (fortalecimento e alongamento) acupuntura pode ser benéfica para dor lombar crônica, cervicalgia e fibromialgia - medidas educativas: orientações fatores desencadeantes e agravantes → movimentos repetitivos, força, vibração, posições inadequadas prevenção de intercorrências medidas gerais de promoção da saúde → controle de peso, atividade física e exercícios aeróbicos afastamento do trabalho = possibilitar o repouso relativo da região afetada durante a agudização dos sintomas evitar imobilização do segmento em caso de agudização da dor → evitar surgir ou agravar dor regional neuropática encorajar manutenção e retorno ao trabalho, respeitadas as limitações funcionais e condições objetivas do ambiente - manejo de fatores psicossociais: reconhecer sinais de estresse e identificar fatores associados → conformação > eliminação da dor terapia cognitivo-comportamental, relaxamento, hipnose maior benefício de tratamentos psicológicos na fibromialgia - terapias alternativas: manipulação da coluna para dor lombar baixa massagem (para dor crônica) → pode aliviar dor cervical, ombros, lombares e fibromialgia - medidas administrativas: para o INSS, não basta um fator ocupacional estar associado à causalidade; é preciso que seja a causa, caso contrário, não é concedida a previdência *é responsabilidade do médico clínico: atender casos de baixa complexidade e também de sequelas crônicas resultantes de acidentes e doenças do trabalho fornecer atestado de presença se solicitado fornecer atestado de incapacidade temporária para o trabalho, quando justificado → período máximo de 15 dias setor privado com carteira de trabalho: primeiros 15 dias de incapacidade são pagos pela empresa e, após isso marcar perícia previdenciária autônomo, avulso ou segurado especial: período de incapacidade é pago integralmente pelo INSS (médico perito do INSS confirma o diagnóstico) preencher, no caso de acidentes de trabalho ou doenças de trabalho, o atestado médico inicial na Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT), documento oficial do INSS dado pela empresa FATORES PROGNÓSTICOS: - reduz cronificação: atentar a aspectos psicológicos; evitar investigação excessiva desnecessária; evitar recomendações inconsistentes; e orientar prevenção de recorrência - grupos de risco: os que o problema primário é uma situação de trabalho adversa; os que a dor (e não o trabalho) é o problema; “angustiados” por problemas funcionais e crônicos NECESSIDADE DE AÇÕES COLETIVAS: - a avaliação biomédica continua sendo o principal critério para o estabelecimento de capacidade ou não dos pacientes para o retorno ao trabalho - o foco no individual tem baixa probabilidade de levar a intervenções que melhorem de maneira substancial o desempenho dos pacientes com relação à capacidade de retorno ao trabalho - é evidente que mais investimentos precisam ser feitos na prevenção, tanto do desencadeamento dos DORT como da evolução para a incapacidade - tais investimentos devem ser feitos pelas empresas - em melhorias de ambientes e processos de trabalho - e pela previdência social, de forma a permitir que o trabalhador se recupere sem temer a perda de seu sustento CRITÉRIOS PARA RECONHECER DOENÇA COMO PROFISSIONAL: - intensidade da associação: quanto maiores os efeitos da exposição na frequência ou no desenvolvimento, maiores as probabilidades de que exista uma relação causal entre a exposição e esse desenvolvimento ou frequência; - concordância: diferentes publicações convergem em resultados e conclusões similares, em termos gerais - especificidade: exposição a um fator de risco específico se traduz em um padrão claramente definido da(s) doença(s); - relação ou sequência temporal: entre a exposição e o aparecimento da doença transcorre um período de tempo compatível com qualquer mecanismo biológico proposto; - gradiente biológico: quanto maiores o nível e a duração da exposição, maior a gravidade das doenças ou sua incidência; - plausibilidade biológica: de acordo com os conhecimentos que se têm hoje sobre as propriedades toxicológicas e químicas e outras características físicas do risco ou perigo estudado, é racional afirmar, do ponto de vista biológico, que a exposição conduz ao desenvolvimento da doença; - coerência: quando, a partir de uma síntese das evidências (estudo epidemiológico), deduz-se relação causal - estudos de intervenção: teste preventivo simples que permite verificar se a exclusão de determinado perigo ou a redução de um risco concreto no ambiente de trabalho ou da atividade laboral impede o desenvolvimento de uma doença específica ou reduz sua incidência. NÃO SÃO CONSIDERADAS DOENÇAS DO TRABALHO: doença degenerativa ; inerente a grupo etário; que não produza incapacidade laborativa; endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO (CAT): documento por meio do qual a Previdência Social é informada sobre a ocorrência de acidente de trabalho ou a suspeita de doença relacionada ao trabalho - embora a emissão seja uma obrigação legal das empresas diante de situações de acidentes de trabalho e doenças relacionadas ao trabalho, ela também pode ser emitida por sindicatos, profissionais de saúde do SUS, autoridades públicas ou mesmo pelo próprio segurado ou seus dependentes - campo “atestado médico”: preenchido com as informações relatadas pelo trabalhador e obtidas a partir da consulta - constatação e a comprovação do nexo causal entre as queixas do paciente-trabalhador e a doença ou acidente alegados, para fins previdenciários, serão feitas na perícia médica do INSS NOTIFICAÇÃO DE AGRAVOS RELACIONADOS AO TRABALHO (SINAN): - notificação compulsória: intoxicações exógenas, acidentes com exposição a material biológico; câncer de origem ocupacional; dermatoses ocupacionais; acidentes de trabalho graves (resultam em morte ou em mutilações, e acontecem com indivíduos < 18 anos); pneumoconioses (silicose, pneumoconiose dos trabalhadores do carvão, asbestose, beriliose, siderose, estranhose, por poeiras mistas); perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados; LER)/DORT; transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho - sempre que houver suspeita ou confirmação de patologias ou eventos que constem na lista nacional de doenças de notificação compulsória, deverá ser feito, obrigatoriamente, o preenchimento do Sinan - quando essa suspeita ocorre, deve ser preenchida a Ficha Individual de Notificação (FIN) pelas unidades assistenciais, para cada paciente a FIN deve ser encaminhada às Secretarias Municipais, que devem repassar semanalmente os arquivos para as Secretarias Estaduais de Saúde (SES) a FIN tem modelo padronizado e deverá ser impressa em duas vias: a primeira via enviada pela US para o local no qual será feita a digitação, caso a unidade de saúde não seja informatizada, e a segunda arquivada na própria US