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Disciplina: Hematologia Clínica
Tema 1
Introdução à Hematologia Clínica
Tema 2
Anemias Microcíticas e Macrocíticas
Tema 3
Hemoglobinopatias, Anemias Hemolíticas e Hemoparasitoses
Tema 4
Coagulação e Alteração da Hemostasia
Tema 5
Leucemias Agudas e Linfomas
Tema 6
Síndromes e Transtornos Hematológicos
Apostila
Introdução à hematologia clínica
Prof.ª Elen de Oliveira
Descrição
Fundamentos básicos da hematopoese e alterações laboratoriais das principais doenças hematológicas.
Propósito
Compreender o conceito da produção das células sanguíneas, bem como os métodos empregados para sua avaliação na rotina laboratorial, é
importante para tornar o profissional de laboratório mais capacitado para identificar as principais alterações hematológicas de importância clínica.
Preparação
Tenham em mãos uma calculadora e um dicionário médico para pesquisar as doenças encontradas ao longo do conteúdo.
Objetivos
Módulo 1
Hematopoese e aspectos da coleta de sangue
Compreender o processo de formação das principais células sanguíneas, suas características morfológicas e os principais aspectos da coleta de
sangue.
Módulo 2
Hemograma: Contagem celular e índices hematimétricos
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Reconhecer como ocorre a avaliação das células sanguíneas, a contagem celular e quais são os principais índices hematimétricos.
Módulo 3
Hemograma: Avaliação morfológica das células sanguíneas
Descrever o preparo de uma distensão sanguínea e os principais tipos de alterações celulares.
ll
Introdução
O sangue é um tecido conjuntivo líquido, com grande capacidade de se regenerar, formado por diversos tipos celulares que têm meia-vida,
morfologia e funções distintas. Apesar de as células sanguíneas se mostrarem muito diferentes entre si, tanto em nível morfológico quanto em
função, todas elas compartilham o mesmo ancestral comum: a célula-tronco hematopoética (CTH).
A hematopoese, que constitui o processo de formação dos componentes celulares do sangue, ocorre durante toda a vida de um indivíduo. O
desenvolvimento e a diferenciação hematopoética são processos biológicos complexos e finamente regulados, com o único objetivo de manter uma
proporção regular de células hematopoéticas circulantes, em condições de homeostase.
E você sabe por que devemos estudar a hematopoese?
Podemos pensar no sangue como um espelho, que nos permite acompanhar o estado de saúde de um indivíduo a partir da avaliação de diversos
parâmetros laboratoriais. Qualquer tipo de falha funcional na produção das células hematopoéticas, que pode estar associado ao envelhecimento
celular ou a um processo patológico, pode comprometer a hematopoese de forma transitória ou definitiva. Esse comprometimento pode repercutir
na quantidade ou na qualidade das células produzidas e pode ser identificado ao se observar essas alterações por meio da avaliação laboratorial do
sangue.
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1 - Hematopoese e aspectos da coleta de sangue
Ao final deste módulo, você será capaz de compreender o processo de formação das principais células sanguíneas, suas
características morfológicas e os principais aspectos da coleta de sangue.
Introdução à hematopoese
Hematopoese normal
A hematopoese pode ser dividida em duas grandes categorias:
®
Hematopoese primitiva
Ocorre com o surgimento das primeiras células sanguíneas durante o desenvolvimento embrionário.
Hematopoese definitiva
Ocorre quando se inicia a produção das células progenitoras eritroides e mieloides que irão constituir o tecido sanguíneo do embrião.
A hematopoese inicial, conhecida como hematopoese primitiva, tem um papel de suporte relevante na produção de células eritroides, plaquetas e
macrófagos antes mesmo da formação do sistema circulatório do embrião.
A hematopoese primitiva é provisória, ocorre na terceira semana de desenvolvimento embrionário, em estruturas do saco vitelínico chamadas de
ilhotas sanguíneas.
Nesse momento, a hematopoese acontece de forma incompleta, uma vez que são produzidas células hematopoéticas transitórias, apenas para
atender às necessidades mais imediatas do embrião.
Formação intrauterina de um embrião.
A hematopoese definitiva é marcada pelo surgimento dos progenitores eritromieloides e linfoides. Nessa fase, surgem as primeiras células com
propriedades funcionais de célula-tronco hematopoética, em uma região do embrião conhecida como aorta-gônada-mesonéfron {AGM), por volta da
5ª semana de gestação. Essas células migram para estabelecer nichos hematopoéticos em diferentes órgãos e tecidos, como a placenta, o timo, o
baço e o fígado fetal.
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Saco Vltellnlco
ReglloAGM
Flgado e Placenta •
_____ ...
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3 semanas 5 semanas 12 semanas Nascimento
Humanos (semanasde9Klaçio)
Desenvolvimento anatômico embrionário.
No fígado, as células-tronco hematopoéticas estão praticamente em constante proliferação, de onde podem dar origem a todos os tipos celulares,
antes de colonizar o baço e, próximo ao nascimento, a medula óssea. Da oitava semana de vida até o nascimento, o fígado atua como o principal
órgão hematopoético. Após o parto, o baço passa a ter um papel progressivamente menor ao passo que a medula óssea e o timo se tornam os
principais sítios definitivos de produção para toda a vida.
Modelo clássico e modelo contínuo da diferenciação hematopoética
Se alguém pedir para você fechar os olhos e imaginar como poderia ser representada a sequência de produção das células hematopoéticas, como
você imaginaria? Seria semelhante à imagem a seguir?
Legenda de siglas:-----------------�
CTM - Célula-tronco multipotente
CPM - Célula progenitora multipotente
PI - Potencialidade intermediária
PB - Potencialidade baixa
PML- Progenitormultipotente linfoide
PLP - Progenitor linfoide precoce
PLC - Progenitor linfoide comum
Hierarquia da diferenciação hematopoética.
PMC - Progenitor mieloidecomum
PGM - Progenitor granulócito-macrófago
PME - Progenitor megacariocitico-eritroide
PDC - Progenitor de célula dendritica comum
PMD - Progenitor de célula monocítica-dendrítica
NK- Célula natural killer
Se você respondeu sim às duas últimas perguntas, significa que você, assim como todos nós, está acostumado a visualizar o processo de
diferenciação hematopoética de forma compartimentalizada, em várias etapas sequenciais, respeitando os limites hierárquicos específicos e, o
mais importante, sem possibilidade de mudanças nas vias para formação das células.
Atualmente, com a incorporação de novas metodologias, temos maior clareza de que o processo hematopoético é contínuo e dinâmico, não
havendo fronteiras claras entre as populações de células localizadas em diferentes níveis hierárquicos, de acordo com o modelo clássico de
diferenciação. Isso significa que as células-tronco podem ter certo grau de liberdade para gerar diretamente determinados progenitores,
pulando as etapas da produção hierárquica dos estágios de diferenciação. Essas vias de diferenciação mais curtas podem ser essenciais para
respostas rápidas em situação de estresse.
De uma forma simples, o modelo contínuo mais atual da diferenciação hematopoética reflete a presença de uma coleção heterogênea de células
organizadas hierarquicamente, que não são categorizadas em etapas de diferenciação, progridem de maneira contínua, gradual, e têm flexibilidade
para redirecionar a diferenciação, de acordo com a necessidade de produção de sangue. Observe as ilustrações, que demonstram os modelos
clássico e contínuo de diferenciação hematopoética!
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MODELO CLÁSSICO
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• • •
Progenitor<!9
unipolentes
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Megaearlócilos Granulóeltos Llnfóci1os
Hemklas MonócllOS
Modelo clássico de diferenciação hematopoética.
MODELO CONTÍNUO
P�deeékllas·lt(ln(:o
hematopoétieu
•
• •
• •
•• • • • • ••
Megacariódto, Granulócitos Linfôcitos
Hemácias Monócilos
Modelo contínuo de diferenciação hematopoética.
Eritropoese
Como as hemácias são produzidas?O processo pelo qual as hemácias são produzidas na medula óssea é chamado de eritropoese. As hemácias são as células mais numerosas do
sangue, não têm núcleo e contêm hemoglobina - proteína que contém ferro (metaloproteína) -, que atua diretamente no transporte de gases, sendo
peças-chave no processo de respiração celular.
Em condições normais, a massa de células eritroides produzidas durante a eritropoese sofre influência direta de mecanismos regulatórios, de forma
que o número total de células circulantes se mantenha sempre constante. Devido a essa necessidade, em determinadas fases do processo de
diferenciação, sucessivas divisões celulares ocorrem, com o objetivo de aumentar o número de células circulantes.
Hemácias normais.
Vamos agora olhar com mais atenção todo esse processo de produção da célula eritroide.
Diferenciação eritropoética
Quando a célula tronco hematopoética (CTH) recebe algum estímulo de diferenciação, ela perde progressivamente seu potencial de autorrenovação
até o momento em que se diferencia nos Progenitores Multipotentes (PM). Os PM continuam o processo de diferenciação com progressiva
restrição de linhagem e dão origem aos progenitores linfoides comuns (PLC) - que têm capacidade de diferenciação restrita à linhagem linfoide -, e
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aos progenitores mieloides comuns (PMC), que se diferenciam em progenitores de granulócitos·macrófagos (PGM) e progenitores
megacariocíticos-eritroides (PMEs).
Célula-tronco -
hem11top�tic11
Progenitor gl'illnulócito m;,crõfc1go
Progenilormieloide (
comum
Progenitor megacariodtico eritroide
- @-(i)---@-@
Eritrobl;i,sto Eritroblasto Eritroblasto Proeritrobla$1:o
ortocrom4itico pollcromjlico basolílico
-·
Reticulócito
Hemácia
CFU-E
8FU-E
Esquema da diferenciação eritroide a partir da célula-tronco hematopoética.
Na sequência, os PMEs dão origem aos progenitores específicos da linhagem eritroide (BFU·E e CFU·E), a partir dos quais as células precursoras
eritroides vão perdendo características de imaturidade e adquirem características de maturidade, que podem ser acompanhadas pelas mudanças
na morfologia celular durante esse processo.
MEDULA º""'
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(policromat�os)
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Sequência de proliferação e maturação das hemácias a partir do eritroblasto.
Em se tratando das células precursoras eritroides, as etapas de maturação que compreendem o processo de formação da célula eritroide madura
são: proeritroblasto, eritroblasto basófllo, eritroblasto policromático, eritroblasto ortocromático, reticulócito e hemácia.
Proeritroblasto Eritroblasto Basófilo Eritroblasto
Policromático em
fase inicial
Diferenciação de eritroblasto, célula precursora eritroide.
Eritroblasto Eritroblasto
Policromático em Ortocromático
fase final com núcleo
picnótico
Vamos agora conhecer melhor a morfologia de cada uma dessas células:
Proeritroblasto. A seta mostra a extrusão citoplasmática.
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Proeritroblasto
Primeira célula vermelha que morfologicamente conseguimos reconhecer. É uma célula com tamanho entre 14 e 19µm de diâmetro. O núcleo é
grande, pode ser ovalado ou arredondado e tem cromatina frouxa. Nucléolos podem ser observados. Uma pequena área de palidez pode ser
encontrada no citoplasma ao redor do núcleo e corresponde à localização do complexo de Golgi. Seu citoplasma é intensamente basofílico (azul
escuro levemente violáceo), homogêneo e pode mostrar extrusões citoplasmáticas (a seta indica a extrusão).
Eritroblasto basófllo.
Eritroblasto basófilo
Célula com tamanho entre 12 e 17µm de diâmetro. O núcleo começa o processo de condensação da cromatina e os nucléolos já não são mais
visíveis. Nessa fase, encontramos intensa produção de ribossomos, devido ao início da hemoglobinização, condição pela qual observamos o
citoplasma profundamente basofílico. As mudanças na cor do citoplasma durante as etapas subsequentes estão diretamente relacionadas com o
aumento da produção de hemoglobina e a diminuição de RNA ribossomal.
Eritroblasto policromático.
Eritroblasto policromático
Célula com tamanho entre 12 e 15µm de diâmetro. O núcleo diminui de tamanho e a condensação da cromatina se intensifica mais nessa fase.
Nucléolos não são observados.
O citoplasma aparece com cor acinzentada e o aumento da produção de hemoglobina pode ficar evidenciado pela presença de áreas mais
rosadas próximas ao núcleo.
Eritroblasto ortocromático.
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Eritroblasto ortocromático
Célula com tamanho de 8 a 12µm de diâmetro. Núcleo picnótico, geralmente excêntrico e cromatina bastante condensada.
Menor célula nucleada dentro dos precursores eritroides. Etapa de diferenciação em que a célula já produziu praticamente todo o repertório de
hemoglobina de que necessita, tornando o citoplasma mais alaranjado.
Eritroblasto expulsando o núcleo.
Reticulócito
Nesse momento, ocorre a extrusão do núcleo. Os reticulócitos são um pouco maiores que os eritrócitos maduros e mantêm certas organelas
citoplasmáticas residuais (mitocôndrias, ribossomos e o complexo de Golgi).
A policromatofilia (coloração vermelho-acinzentada) ocorre por causa da presença de vestígios de RNA na célula. Em cerca de 18 horas, o
reticulócito assume a forma de hemácia madura.
Reticulócito e hemácias maduras.
Hemácia
A principal função das hemácias é o transporte de oxigênio (02) para os tecidos e a remoção do gás carbônico (C02). Essa função só pode ser
realizada com sucesso devido ao seu formato de disco bicôncavo e à sua estrutura flexível, em razão do seu citoesqueleto ser capaz de mudar
sua conformação e se adaptar à passagem por vasos de pequeno calibre. Seu ciclo de vida dura em média 120 dias e a massa de eritrócitos
circulantes no sangue periférico normalmente se mantém constante, visto que há um equilíbrio entre a formação e a destruição dessas células.
Leucopoese
Como os leucócitos são produzidos?
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O processo pelo qual as células brancas ou leucócitos são produzidos na medula óssea é chamado de leucopoese. Os leucócitos podem ser
divididos em granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos), monócitos e linfócitos. Somente as formas mais maduras desses subtipos celulares
são encontradas no sangue periférico, em condições de normalidade.
o
Linfócito Neutrófilo
Leucócitos maduros no sangue periférico.
. . .
. . . .
Basófilo
Diferenciação granulocítica
Eosinófilo Monócito
A linhagem granulocítica se origina após uma série de etapas de proliferação e maturação similares à diferenciação eritroide indo até a etapa de
progenitor multipotente (PM), originando, a seguir, entre outros, os progenitores mieloides comuns (PMC), que formam os progenitores de
granulócitos-macrófagos (PGM), responsáveis pela produção das células das linhagens granulocítica e monocítica.
Célula-tronco
hematopoética
Progenitor mieloide
comum
Progenitor
granulócito macrófago
Progenitor
megacariocítico eritroide
Linhagem granulocítica
( Linhagem monocítica )
Esquema da diferenciação das linhagens granulocitica e monocitica a partir da célula-tronco hematopoética.
No processo de diferenciação e maturação granulocítica, os primeiros precursores identificados morfologicamente são os mieloblastos, que
seguirão uma sequência de diferenciação e amadurecimento formada pelos promielócitos, mielócitos, metamielócitos, bastonetes e células
maduras segmentadas.
Os granulócitos se dividem em dois grandes compartimentos na medula óssea:
®
Compartimento mitótico
As células apresentam grande capacidade de se multiplicar - mieloblastos, promielócitos e mielócitos.
X
®
Compartimento maturativo
As células perdem a capacidade de multiplicação - metamielócitos, bastonetes (bastão) e segmentados.Veja a diferenciação granulocítica:
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Medula
Mieloblasto
Compa
�
------
_,,,,,..- 8asUío
f Ci!,lulasmaduras
Metamielótito
Diferenciação granulocftica dividida em compartimentos mitótico e maturativo.
De maneira geral, a produção de granulócitos na medula óssea leva de 7 a 1 O dias. No entanto, esse tempo pode ser modificado em decorrência de
estímulos específicos.
Características morfológicas da linhagem granulocítica
Cada uma dessas células apresenta algumas características morfológicas que permitem a definição do tipo celular durante a análise das lâminas
de esfregaço sanguíneo. Confira!
Mieloblasto
Célula grande (1 O a 1 Sµm), com alta relação núcleo-citoplasma, e núcleo redondo ou ligeiramente oval. A cromatina é frouxa e os
nucléolos são visíveis. O citoplasma é basofílico (azulado) e, por definição, não há grânulos presentes no citoplasma.
Promielócito
Costuma ser um pouco maior que o mieloblasto (12 a 20µm), com núcleo arredondado ou ovalado, cromatina frouxa, e nucléolos
podem estar presentes, mas menos proeminentes. O citoplasma é basofílico com predomínio de granulações primárias ou azurófilas
(vermelho-arroxeadas), que se acumulam durante essa fase.
Mielócito
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t.:élula que varia de tamanho { l '1. a l HµmJ, com o núcleo excentrico redondo ou oval. A cromatina começa a condensar e nucléolos
são raros. O citoplasma começa a se tornar acidófilo (rosa-azulado), devido ao aparecimento da granulação específica (grânulos
secundários), que permite distinguir morfologicamente um mielócito neutrofílico (granulações róseas finas e discretas) do mielócito
eosinofílico (grânulos maiores e alaranjados) ou basofílico (granulação grosseira e de cor violeta).
Metamielócito
Célula que mede entre 1 O e 18µm, caracterizada por núcleo um pouco recuado, em formato reniforme, cromatina moderadamente
densa e sem nucléolos. O citoplasma é acidófilo (rosado), com granulações primárias, secundárias e terciárias presentes, mas
predominam as granulações secundárias. A partir dessa fase maturativa, as células não são mais capazes de realizar mitose, apenas
amadurecem.
Bastão
Célula medindo entre 1 O e 16µm, com núcleo em forma de bastão ou ferradura, cromatina condensada, sem nucléolos. O citoplasma
é acidófilo (rosado) e tem granulações específicas evidentes.
Segmentado
Célula mede entre 1 O e 1 Sµm, com núcleo lobulado e basofílico. A cromatina é grosseira e condensada. Na maioria das vezes,
mostram de três a quatro lóbulos se forem neutrófilos, e dois segmentos se forem eosinófilos. O citoplasma é acidófilo (rosado) com
granulações específicas dispersas.
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Quais as funções dos neutrófilos, eosinófilos e basófilos?
Vamos relembrar a função dos neutrófilos, eosinófilos e basófilos!
Neutrófilos V
Uma vez liberados na corrente sanguínea, os neutrófilos circulam por cerca de 7 horas, sendo posteriormente destruídos no sistema retículo
endotelial. Entre os leucócitos, os neutrófilos são os mais abundantes, desempenhando um papel fundamental na imunidade inata. Essas
células são rapidamente recrutadas para sítios de inflamação, cuja principal função é combater patógenos por meio da fagocitose, da
atuação de enzimas presentes em seus grânulos e pela produção de espécies reativas de oxigênio.
Eosinófilos V
Os eosinófilos são recrutados para o combate de infecções parasitárias e em processos alérgicos. Sua principal forma de ação é pela
degranulação e liberação de seus mediadores.
Basófilos
Os basófilos representam um percentual muito pequeno do total de leucócitos na corrente sanguínea, na qual circulam por alguns dias e
podem ser recrutados para os tecidos em processos inflamatórios. Essas células expressam receptores de lgE, responsáveis pela ativação
celular em casos de alergia e na defesa contra infecções parasitárias associadas à lgE.
V
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Você sabia que os basófilos também são essenciais na resposta inflamatória?
Saiba mais
Isso acontece pois seus mediadores (histamina, citocinas anti-inflamatórias) auxiliam na modelagem da resposta inflamatória e na recuperação do
tecido lesionado.
Produção de monócitos e linfócitos
Diferenciação monocítica
A linhagem monocítica, assim como as células da linhagem granulocítica, compartilham os mesmos progenitores: progenitor multipotente (PM) e
progenitor mieloide comum (PMC), que formarão os progenitores de granulócitos-macrófagos (PGM), a partir dos quais serão produzidas as células
da linhagem monocítica: monoblasto, promonócito e monócito maduro.
Vamos conhecê-las!
Monoblasto
Célula grande, com diâmetro aproximado de 20µm, alta relação núcleo/citoplasma, núcleo redondo, cromatina frouxa e presença de nucléolo. Seu
citoplasma é regular com basofilia discreta.
Promonócito
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Célula menor que o monoblasto, com diâmetro variando entre 15 e 20µm, núcleo ovalado ou redondo, cromatina delicada, um pouco mais
condensada e com raros nucléolos. O citoplasma é regular, com contorno pouco marcado e basofilia discreta.
Monócito maduro
Célula com tamanho entre 15 e 20µm, núcleo irregular, com chanfraduras, cromatina delicada, citoplasma abundante, contorno irregular, basofilia
discreta, granulações finas e pode apresentar pequenos vacúolos.
Os monócitos/macrófagos têm por função modular o processo inflamatório, podem atuar também por meio da fagocitose em caso de infecção,
secretam espécies reativas de oxigênio e fatores pró-inflamatórios. São as primeiras células mediadoras da resposta imune inata.
Além disso, os monócitos também secretam alguns fatores de crescimento que são importantes para o processo de regeneração tecidual e são
capazes de interligar as respostas imune inata e adquirida, uma vez que essas células também apresentam antígenos aos linfócitos T via receptores
do complexo de histocompatibilidade (MHC).
Diferenciação linfoide
Os linfócitos B, Te NK se originam a partir do progenitor linfoide comum (PLC) que amadurece para linfoblasto, prolinfócito e linfócito maduro. Do
ponto de vista morfológico, os linfócitos T, B e NK são indistinguíveis, sendo necessário o emprego de outras técnicas para a correta distinção.
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Linfoblasto
Célula com tamanho entre 1 O e 20µm, núcleo redondo, cromatina frouxa e nucléolos evidentes. O citoplasma é basofílico, com contorno regular e
granulação escassa ou ausente.
Prolinfócito
Célula menor, com tamanho variando entre 1 O e 15µm, aumento da relação núcleo/citoplasma, núcleo redondo com cromatina mais condensada, e
os nucléolos podem ou não ser visualizados. O citoplasma é discretamente basofílico, com contorno regular e granulação escassa ou ausente.
Linfócito maduro
Célula pequena, com tamanho entre 7 e 1 Oµm, alta relação núcleo/citoplasma, com núcleo redondo, cromatina condensada e nucléolos ausentes. O
citoplasma é escasso, levemente basofílico e granulação escassa ou ausente.
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Existem três tipos principais de linfócitos na corrente sanguínea - células T, células B e células NK -, que compartilham a mesma morfologia. Em
um adulto saudável, 30% a 40% do total de leucócitos na circulação correspondem aos linfócitos, que representam as células efetoras do sistema
imune adquirido.
A ativação dos linfócitos T via MHC pode gerar um estímulo para a proliferação de um subgrupo de células T. citotóxicas, capazes de matar células
infectadas, ou de células T efetoras, que podem ativar propriedades microbicidas de células como os macrófagos, além de induzir os linfócitos B a
produzir lgM e lgG. Dessa forma, os linfócitos B são os responsáveis pela produção de imunoglobulinas e pela memória do sistema imune, enquanto
as células NK são ativadas em resposta a citocinas, formando a primeira linha de defesa, juntamente com os macrófagos e neutrófilos, até que o
sistema imune adquirido possa atuar via ativação de linfócitos Te B.
Coleta de sangue para exames hematológicos
Como é a coleta de sangue para os exameshematológicos?
O procedimento de coleta de sangue (venopunção) é uma das etapas pré-analíticas determinantes para a qualidade de um resultado laboratorial, e
exige um profissional capacitado e experiente. Essa realidade não é diferente para exames de hematologia.
Saiba mais
No setor de hematologia clínica, os exames realizados são o hemograma (avaliação das células hematológicas), mielograma, velocidade de
hemossedimentação (VHS), contagem de reticulócitos, coagulograma (avaliação da coagulação sanguínea) e avaliação dos fatores de coagulação,
fibrinogênio e Dímero-D.
Na maioria das vezes, o paciente que procura um laboratório clínico precisa fazer múltiplas coletas de sangue para avaliar diferentes parâmetros.
Para cada analito, existe um tipo de tubo de coleta específico, diferenciado por cores. Eles podem conter aditivos ou estabilizantes que mantêm o
material adequado para análise. Um dos principais erros pré-analíticos relacionados à coleta de sangue é não respeitar a sequência correta de
coleta dos tubos. Veja!
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Tubo 1
Frasco de hemocultura.
Tubo 2
Sem aditivo (tampa branca),
para dosagem de metais.
Tubo 3
Anticoagulante citrato de
sódio (tampa azul), para
análises de coagulação.
Tubo4
Seco com ativador de coágulo
(tampa vermelha), para
análises imuno
hematológicas.
As análises laboratoriais podem ser feitas no sangue total, no plasma ou no soro, dependendo do tipo de analito a ser avaliado.
Quando o material a ser avaliado for sangue total ou plasma, é necessário que a coleta seja feita em tubos contendo anticoagulante específico com
o objetivo de impedir a cascata de coagulação e a formação de coágulo, lembrando sempre de respeitar a proporção de material biológico e
anticoagulante. Quando se pretende avaliar o soro, utilizam-se tubos de coleta sem anticoagulante para que haja a formação de coágulo.
-- �-+-
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� - - -
Definição de sangue total, plasma e soro.
Coleta de sangue venoso
Veja os principais aspectos relacionados à coleta de sangue venoso em rotina laboratorial.
Para assistir a um vídeo
sobre o assunto, acesse a
versão online deste conteúdo.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Ouestão 1
Vimos que os neutrófilos são as células mais abundantes no sangue periférico e que exercem um papel fundamental na imunidade inata. Sobre
a diferenciação neutrofílica, é correto afirmar que
A as granulações primárias ou azurófilas começam a ser produzidas na fase de mielócito.
B fazem parte do compartimento mitótico: promielócitos, mielócitos e metamielócitos.
e as granulações secundárias ou específicas começam a ser produzidas na fase de mielócito.
D o promielócito é a primeira célula morfologicamente identificada como sendo ligada à linhagem granulocítica.
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E fazem parte do compartimento maturativo: mielócitos, metamielócitos, bastões e segmentado.
Parabéns! A alternativa C está correta.
Fazem parte do compartimento mitótico os mieloblastos, os promielócitos e os mielócitos, enquanto os metamielócitos, os bastões e os
segmentados compreendem o compartimento maturativo, pois já não são capazes de realizar mitoses para proliferar. A primeira célula
morfologicamente identificada como correspondente à linhagem granulocítica é o mieloblasto. As granulações primárias ou azurófilas
aparecem na fase de promielócito, enquanto as granulações secundárias ou específicas aparecem na fase de mielócito.
Ouestão 2
Durante a análise de uma lâmina, você se deparou com a seguinte célula:
Como você classificaria essa célula?
A Linfócito
B Eosinófilo
e Basófilo
D Monócito
E Neutrófilos
Parabéns! A alternativa D está correta.
Os monócitos são células com tamanho entre 15 e 20µm, núcleo irregular, com chanfraduras, cromatina delicada, citoplasma abundante,
contorno irregular, basofilia discreta, granulações finas e podem apresentar pequenos vacúolos.
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2 - Hemograma: Contagem celular e índices hematimétricos
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer como ocorre a avaliação das células sanguíneas, a contagem celular e
quais são os principais índices hematimétricos.
Hemograma completo e contagem celular
Hemograma
O hemograma é o exame laboratorial mais requisitado no mundo. Estudos apontam que sua solicitação pode chegar a representar mais de 80% dos
exames na seção de hematologia. Seu principal objetivo é avaliar as células sanguíneas de forma quantitativa e qualitativa, bem como os índices
hematimétricos.
Relação dos Hemogramas X Demais exames
realizados na seção de Hematologia
25000
20000
15000
10000
S000
21472
•Hem01ramas
5112
• Demais Exames
Gráfico: Número anual de exames solicitados em 2013 no Instituto Nacional de lnfectologia Evandro Chagas.
Apesar de ser um exame simples, ele fornece informações fundamentais para a triagem da saúde do paciente, ao servir de orientação diagnóstica,
como indicador de evolução de doenças crônicas ou infecciosas, além de ser usado como base para prescrição de tratamentos mais complexos.
De maneira geral, o hemograma pode ser decomposto em três grupos principais:
Eritrograma
• Número de eritrócitos
• Hemoglobina
• Hematócrito
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• Volume Corpuscular Médio (VCM)
• Hemoglobina Corpuscular Média (HCM)
• Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM)
• RDW (Red Gel/ Distribution Width)
• Alterações morfológicas da série vermelha
Leucograma
• Contagem global de leucócitos
• Contagem diferencial de leucócitos
• Alterações morfológicas da série leucocitária
Plaquetograma
• Número de plaquetas
• Plaquetócrito*
• PDW (P/ate/et Distribution Width)*
• Volume Plaquetário Médio (VPM)*
*Apesar de serem relatados nos laudos, os equipamentos mais modernos já determinam tais parâmetros.
Vamos aprender como realizamos a contagem celular e definimos os chamados índices hemantimétricos. Mas lembre-se de que compondo o
hemograma, também devemos analisar as alterações morfológicas das células sanguíneas durante a análise microscópica. Fique tranquilo, pois
essas alterações estudaremos em seguida.
Contagem celular manual
Cada subtipo celular possui uma quantidade de células circulantes relativamente constante, que varia de acordo com a faixa etária e o gênero.
Alterações na contagem celular podem ser o primeiro indício de algum desequilíbrio, seja por produção exacerbada, insuficiente ou pelo aumento da
destruição das células.
Câmara de Neubauer no microscópio.
Contagens elevadas de leucócitos podem estar relacionadas a quadros de infecção ou inflamação, assim como um
baixo número de hemácias pode sugerir a presença de anemia.
Por muito tempo, os leucócitos e as hemácias foram quantificados com o auxílio da Câmara de Neubauer no microscópio, que é formada por duas
câmaras com linhas divididas em quadrantes no seu centro (malhas de contagem), e tem profundidade determinada, para que seja aplicado um
volume constante da amostra diluída. Como a profundidade e as linhas são padronizadas, é possível realizar a contagem, determinando o número
de células na amostra.
21/60
Câmara de Neubauer e a malha de contagem.
Para quantificar os leucócitos, os campos a serem contados são os quadrantes externos e grandes. Para a contagem de hemácias, os quadrantes
escolhidos são os internos, observe o esquema!
Esquema da contagem de células na Câmara de Neubauer. L: Leucócitos; H: Hemácias.
Amostra na Câmara de Neubauer ao microscópio. Na imagem, um exemplo de contagem de leucócitos.
Para termos o valor final da contagem realizada, precisamos ajustar os números de acordo com o fator de diluição e multiplicar pela correção da
câmara, segundo as seguintes fórmulas:
N°de células
Área total (mm2) x profundidade (mm) x título de diluição
Ou
N°de células x diluição x fator de correção
N°de quadrantes
Rotacione a tela. �
Antes de aplicar a amostra naCâmara de Neubauer, devemos acrescentar ao material o Líquido de Turk, uma solução corante à base de azul de
metileno ou violeta de genciana (cujo papel é evidenciar os leucócitos, corando seus núcleos) e ácido acético (lisa as hemácias da preparação).
Para entendermos na prática como essa contagem é realizada, faremos juntos uma contagem global de leucócitos!
Suponha que a diluição tenha sido de 1 :20 com Líquido de Turk, e na contagem dos leucócitos ao microscópio tenhamos encontrado a seguinte
quantificação:
22/60
n:28cêlulu n•42cêlules
n=t6cêluln n:2S cêlutas
Nessa quantificação, observamos um total de 111 células (soma de todos os quadrantes).
Utilizando a fórmula, obtemos:
Amostra:
Fator de diluição = 1 :20
Área do quadrado = 1 mm2
Profundidade = 0,1mm
Número de células:
n= 111 células
111 111 ·20 2200
---- = --- = -- = 5.500céls/ul
4 . o, 1 . z1o
o,4 o,4
ou
111li:3
lllx 50 = 5.500céls/ul
ou
número de células (lll)x 50 = 5.500céls/ul
Pronto! Temos a concentração de leucócitos/µL, a leucometria, ou seja, a contagem global das células da série branca.
Contagem celular automatizada
Como fazemos a contagem celular automatizada?
Imagine ter que diluir, contar na Câmara de Neubauer e fazer os cálculos de todos os hemogramas da rotina de um laboratório. Antigamente era
feito assim! Hoje em dia, a automação é cada vez mais indispensável na rotina laboratorial. Grande parte dos equipamentos utiliza dois tipos de
princípios:
Impedância V
A partir da qual os analisadores automáticos contabilizam as células quando há uma interrupção no campo eletromagnético, no momento
em que elas passam na frente do detector.
23/60
Vácuo
Eletrodo
interno
Suspensão
de células
sanguíneas
Esquema de aquisição de amostra por impedância.
Dispersão de luz pelo citômetro de fluxo V
Quando as células são contabilizadas e diferenciadas ao passarem por um feixe luminoso (laser). De modo geral, as amostras seguem um
fluxo unidirecional por uma câmara de amostra, na qual, ao cruzar o feixe de luz, há interrupção do sinal luminoso, detectado por um sensor
frontal ao feixe (FSC - em inglês, forward scotter).
A dispersão da luz incidente, no momento da passagem da célula pelo feixe, é mensurada por um detector lateral (SSC- em inglês, side
scotter). Assim, consegue-se distinguir as células pelos diferentes tamanhos e complexidades. O FSC fornece a informação sobre o tamanho
da célula e o SSC mostra sua composição celular (grânulos, organelas etc.).
Conteúdo interno da célula
(desvio da luz frontal)
-t_�
Tamanho G�anularidade
(desvio da luz frontal) (desvio 9��!1���1!1s?v�!;��r!'scente)
Esquema de aquisição de amostra por dispersão de luz.
Isso quer dizer que, pela análise da dispersão de luz, os contadores automáticos conseguem distinguir as populações celulares pelo tamanho,
complexidade e lobularidade e/ou granularidade, de acordo com as alterações do feixe luminoso identificado pelos dois detectores, fornecendo,
além da contagem global das células, sua distribuição diferencial em número de neutrófilos, monócitos, linfócitos, eosinófilos e basófilos.
(Granularidade) 9�0D .��º (Lobularidade)
···------------.: ___ ·.:· _____________ ..
·--------------------------------•
: : : : : : : : : : .:-•
(Complex:idade)
:::::::::-
· ..
-
-
----
---
- - --·,70
-------•
Feixe de laser · • • • • • • •
-------•
.........
-------•
·-------•
·--------•
............
- - - - • Oº
• _
___
•
{Tamanho)
·-----------•
·--------------------------------•
·--------------------------------•
Esquema das alterações do caminho óptico ao interceptar a célula.
Os detectores transformam o sinal luminoso (feixe de luz) em um sinal eletrônico (dispersão de pontos) que podemos conferir nos gráficos, pelas
combinações dos parâmetros utilizados para diferenciar as populações celulares, duas a duas, a depender do equipamento utilizado.
Veja alguns citogramas para identificação de leucócitos e observe a identificação das diferentes populações celulares.
24/60
Gráficos dotplot para identificação das populações celulares.
Se, por algum motivo, duas ou mais células cruzarem o detector simultaneamente (coincidência). a contagem fornecida será inexata, podendo estar
subestimada. Para minimizar esse erro, os equipamentos apresentam um sistema de diluição padronizado das amostras e aplicam uma fórmula de
correção da coincidência.
í--====:-7 Zonade
,,c=:J"'y
detecção
' .
o ;
�Célula2 ·a·Célula 1 "' ., b , A ertura
��
ulsode /
A
"'etecção
Fenômeno da coincidência
Esquema representativo do fenômeno da coincidência.
A tecnologia empregada dependerá da marca e do modelo do equipamento:
Becjman Coulter CelLDyn Abbott Sysmex Rache Advia Siemens 7
Eritrócitos
Leucócitos
Plaquetas
Reticulócitos
(opcional)
Impedância
Impedância
Impedância
Coloração com novo
azul de metileno
Impedância e óptica
Óptica e fluorescência
Óptica, impedância e
imunofluorescência
Fluorescência com
CKD530®
Tabela: Quadro comparativo das diferentes tecnologias utilizadas por contadores automáticos.
FAILACE et a/., 2009, p. 37.
Impedância
Impedância e óptica
Impedância e
óptica/fluorescência
(alternativa)
Fluorescência com
oxazina polimetina
Impedância
Óptica
Óptica
Fluorescência com
oxazina 750
Atualmente, os equipamentos mais modernos são capazes até de distender a amostra, além de liberar as contagens global e específica. Com o
auxílio da inteligência artificial e de uma biblioteca virtual, as células são localizadas no esfregaço sanguíneo, é feita uma pré-classificação dos
leucócitos, bem como a avaliação morfológica da série vermelha, além da contagem estimada de plaquetas em telas digitais. Enquanto faz a
contagem e análise, o aparelho emite sinais de alerta para o usuário confirmar as análises mais discrepantes e/ou duvidosas.
Veja a demonstração das etapas da análise automatizada!
25/60
As amostras com identificação por código de barras são introduzidas no equipamento para a realização dos esfregaços de forma automática.
Leitura automática das células com fotos para reavaliação.
Resultados disponíveis no computador para análise do técnico responsável.
A automação trouxe algumas vantagens. Vamos conhecê-las!
• Diminuiu o tempo de processamento da amostra e da liberação de laudos.
• Reduziu o custo por exame.
• Passou a apresentar resultados mais padronizados, com menor variabilidade e maior reprodutibilidade.
• Diminuiu significativamente os erros de processamento, contagem e/ou digitação, uma vez que todos os equipamentos podem ser interfaceados
entre si e com computadores.
Análise dos resultados
É somente a partir da liberação dos resultados, após as análises dos parâmetros do hemograma, que começamos a raciocinar a respeito do
diagnóstico do paciente.
Saiba mais
Certamente você já ouviu falar em leucopenia, leucocitose, monocitopenia, entre outros. Mas sabe o que significam?
Todos são termos utilizados para referenciar uma diminuição ou um aumento (relativo ou absoluto) de determinadas populações celulares. Os
sufixos "-ose" e "-filia" estão relacionados ao aumento das contagens celulares, já o sufixo "-penia" indica uma quantificação abaixo do limite inferior.
São exemplos a Neutropenia, neutrófilos abaixo dos valores de referência, e a Linfocitose, linfócitos acima do limite superior de referência.
Os valores de referência para as populações celulares variam de acordo com a padronização do laboratório responsável pelo exame, por isso deve
se usar como comparativo o valor de referência e nunca valores de exames anteriores quando realizados em diferentes laboratórios.
De maneira geral, os intervalos de referência para o hemograma são os demonstrados na tabela, observe!
Eritrograma RN 1 a 11 meses 1 a 2 anos 3 a 10 anos 10 a 15 ani
Eritrócitos 5,2 4,0-4,9 4,0-5,1 4,0-5,1 4,5-6,1
26/60
Eritrograma RN
Leucócitos%
Leucócitos totais
Neutrófilo
2-8
Bastonete
Neutrófilo
20-40
Segmentado
Eosinófilo 4-10
Basófilo 0-1
Linfócito 40-60
Monócito 4-10
* 10'/L = 1000/mm'
Tabela: Valores de referência do erítrograma e leucograma.
BARCELOS; AQUINO, 2018, p. 601-602.
1 a 11 meses 1 a 2 anos
1 a 3 anos
Absoluto*
5,0-15,0
0,1-0,6
2,0-6,0
0,2-1,5
0,0-0,1
2,0-8,0
0,2-1,5
Índices hematimétricos: Hb, HT, VCM
Definição
3 a 10 anos 10 a 15 am
4 a 14 anos
% Absoluto'
4,5-13,5
2-4 0,1-0,4
35-55 2,0-2,6
4-8 0,3-1,0
0,1 0,0-0,1
30-55 1,5-6,5
4-10 0,2-1,0
Índices hematimétricos são um conjunto de informações que nos permite avaliar o grau de normalidade/anormalidade de uma hemácia. Assim
como na contagem celular, a quantificação dos índices hematimétricos também passou por uma evolução nos últimos anos, migrando da forma
manual para a quantificação automatizada. Hoje em dia, a maioria dos contadores automáticos já libera a dosagem desses parâmetros.
Hemoglobina
A dosagem clássica de hemoglobina é realizada por meio de técnica colorimétrica. Inicialmente, faz-se a lise dos eritrócitos e a estabilização da
hemoglobina. Na sequência, faz-se a dosagem de cianometahemoglobina por espectrofotometria. Felizmente, os equipamentos mais modernos já
possuem sistemas livres de cianeto, utilizando tanto lauril sulfato de sódio quanto compostos de oxidação do ferro do heme.
Alterações podem ser apresentadas nas seguintes situações:
Elevada
27/60
• Aumento isolado: situações como envenenamento por monóxido de carbono ou estados de desidratação.
Diminuída
• Muito comum.
• Sinal de alerta para investigação de anemias.
Apesar das variações interlaboratoriais, de acordo com a tecnologia empregada, podemos considerar como referências para dosagem de
hemoglobina:
Mulheres
12 a16g/dL
Homens
13,5 a 18g/dL
Recém-nascidos
> 17,3g/dL
Variações na dosagem de hemoglobina são encontradas dependendo de idade, gênero, altitude e momento do dia.
Normalmente as mulheres têm menor dosagem de hemoglobina por possuírem menor número de eritrócitos.
Hematócrito
É um parâmetro laboratorial que indica o percentual de hemácias no volume total de sangue. Uma técnica manual clássica (praticamente em
desuso) é a dosagem pelo micro-hematócrito. O método baseia-se no preenchimento de um tubo capilar com o sangue até¾ da sua altura. Fecha
se uma das extremidades, coloca-se o capilar em centrífuga apropriada e após a centrifugação faz-se a leitura do capilar.
Sang,e
l
� Plasma
______________ 411.1'
}Eritrócitos :
_,,.
Centrífuga de micro-hematócrito e leitura.
Essa técnica vem sendo considerada obsoleta pelo risco de o operador manusear capilares com amostras sanguíneas, além de não se enquadrar na
rotina laboratorial atual. Entretanto, existem casos nos quais o micro-hematócrito é indicado, como em bancos de sangue para verificação das
condições básicas do voluntário a doador; ou quando a contagem de eritrócitos é dificultada pelo excesso de leucócitos ou por crioaglutininas
muito ativas.
rioaglutininas
28/60
Autoanticorpos em geral de classe lgM que possuem atração por antígenos da membrana eritrocitária, promovendo a aglutinação dessas células
quando em temperatura inferior a 37°C.
Atenção!
Nesses casos, é necessário cuidado especial ao realizar a medição manual, pois o resultado pode sofrer interferências pelo uso de tubos/capilares
inadequados, pela má vedação do capilar com consequente vazamento, pela centrifugação inadequada ou hemólise por exposição a temperaturas
inadequadas.
Hoje em dia, com o advento da automação, os contadores eletrônicos calculam o hematócrito com base no número de eritrócitos e no volume
corpuscular médio (VCM), que estudaremos adiante. Estima-se que o valor do hematócrito calculado possa variar de 1 a 2% em relação ao valor
dosado por micro-hematócrito. O cálculo é baseado na fórmula:
Hematócrito número de eritrócitos x VCM
Rotacione a tela. 0
Os valores de referência podem variar de acordo com os métodos adotados, mas podemos considerar os seguintes valores aproximados:
Mulheres
35 a 45%
Homens
40 a 50%
Crianças acima de 1 ano
37 a 44%
O hematócrito pode estar alterado nas seguintes situações:
Elevado
• Diminuição da volemia plasmática (por desidratação, por exemplo).
• Aumento da massa eritroide (poliglobulia).
Diminuído
• Diminuição da massa eritrocitária (paciente anêmico, por exemplo).
• Aumento do volume plasmático (retenção de líquido, gravidez etc.).
Volume corpuscular médio
O volume corpuscular médio (VCM) é um índice hematimétrico que indica a média do tamanho das hemácias. Assim que foi descrito na literatura
não existiam equipamentos disponíveis e ajustados para mensurar esse parâmetro e calcular uma média. Portanto, de início, ele era medido
manualmente, baseado nos valores do hematócrito e do número total de hemácias, utilizando a fórmula:
29/60
Hematócrito
VCM = -------- x 10
Número de eritrócitos
Rotacione a tela. (;y
Os valores de referência são estimados de acordo com a faixa etária, não sendo considerada nenhuma diferença significativa entre homens e
mulheres. A unidade de medida utilizada para sua mensuração é o fentolitro:
• Adultos: 80 a 100fl
• Crianças: dependente da faixa etária
Comentário
VCM =
I; volume dos eritrócitos
Número de eritrócitos
Atualmente o VCM não é mais estimado pelo hematócrito, mas medido nos contadores automáticos, condição que melhorou muito a
reprodutibilidade desse parâmetro.
a .... + ... ,.,_;,.,_..,,.,_,.,+ .... 1 ... �
A avaliação do VCM é imprescindível na investigação das anemias. Com base no VCM, é possível classificar as anemias em seus três subgrupos,
com base no tamanho da célula:
Microcíticas
VCM inferior a 80fl.
Normocíticas
VMC normal, entre 80 e 1 00fL.
Macrocíticas
VCM acima de 1 00fL.
Veja as causas mais comuns de interferência na medição do volume corpuscular médio:
Erros mais comuns que interferem na medição do VCM V
Excesso de EDTA em relação ao volume de sangue coletado
Por induzir a desidratação das células e consequentemente diminuir o VCM - algumas soluções utilizadas conseguem reidratar os
eritrócitos e minimizar esse "erro".
Crioaglutinação
Podendo contar duas células como uma única célula.
Tempo do processamento da amostra quando conservada à temperatura ambiente
Quanto mais tempo a amostra ficar em temperatura ambiente, mais se eleva o VCM. Essa elevação pode ser diminuída, caso a amostra fique
armazenada em geladeira.
30/60
Para sedimentarmos o conteúdo até este momento, é essencial estabelecermos as relações dos parâmetros já vistos. Vamos supor que recebemos
amostras de três pacientes diferentes, realizamos manualmente o hematócrito, e obtivemos os seguintes resultados:
Pacientes
B
e
Tabela: contagem de hematócritos - pacientes A. B e C.
Elen de Oliveira.
Nº de eritrócitos (milhões/mm3) Hematócrito (%) VCM(fl) 7
6,9 51
5,2 51
4,1 51
Sem calcularmos o VCM, utilizando como base apenas o número de eritrócitos e o valor do hematócrito, o que podemos inferir?
• Os três pacientes possuem o mesmo volume total de massa eritrocitária, 51 %.
• O paciente A tem mais células do que os pacientes B e C; o paciente B tem mais células do que o paciente C.
Logo, para ter mais células ocupando o mesmo volume total de massa eritrocitária, o volume médio de cada célula do paciente A, provavelmente,
será o menor de todos.
Paciente A Paciente B Paciente e
Comparação esquemática das amostras dos pacientes.
Com base nos valores fornecidos e na fórmula para calcular o VCM, temos:
Pacientes
A
B
e
Tabela: Cálculo do VCM - pacientes A. B e C.
Elen de Oliveira.
Saiba mais
Nº de eritrócitos (milhões/mm3)
6,9
5,2
4,1
Hematócrito (%)
51
51
51
O VCM é a média do tamanho de cada hemácia e existe uma faixa de variação considerada normal.
Índices hematimétricos: RDW, HCM,CHCM
VCM (fl)
74
98
124
31/60
Red Gel/ Distribution Width (RDW)
O RDW é uma curva da frequência da distribuição das hemácias, de acordo com o seu tamanho (VCM), sendo uma medida de dispersão
fundamental para avaliar o quanto as hemácias são diferentes ou parecidas entre si, em relação ao seu volume.
Atenção!
Para calcular o RDW e criar o histograma, é necessário ter o volume corpuscular individual de todas as células eritroides contabilizado, para que o
histograma reflita a correlação do volume (fL) com a frequência.
Quando a amostra é homogênea, o RDW encontra-se dentro dos limites estabelecidos, independentemente do VCM, ou seja, as células podem ser
microcíticas, normocíticas ou macrocíticas e ter RDW normal, por apresentarem tamanhos semelhantes entre si.
Nos histogramas a seguir podemos observar que a linha azul pontilhada nos três gráficos representa o valor de VCM nas amostras, a curva em azul
é a referência de normalidade dos limites de variação do volume corpuscular e a curva em vermelho são os histogramas alterados:
Histograma
------� RDW
55 60 65 70 75 80 85 95 100 105 110 115 120 125
Volume (fl)
Histograma com RDW e VCM normais.
Célula normocítica. VCM dentro da normalidade (linha pontilhada azul) e RDW homogêneo (curva azul), ou seja, a população de eritrócitos
encontra-se com o tamanho dentro da normalidade e semelhantes.
Histograma
55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125
Volume (fl)
Histograma com RDW alterado e VCM diminuído.
Célula microcítica. O VCM baixo (linha pontilhada azul) em relação à normalidade (curva azul) e o RDW alterado, mostrando uma população
heterogênea (curva em vermelho).
Histograma
55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125
Volume (fL)
Histograma com RDW alterado e VCM aumentado.
32/60
Célula macrocítica. O VCM alto (linha pontilhada azul) em relação à normalidade (curva azul) e o RDW alterado, mostrando uma população
heterogênea (curva em vermelho).
Histograma
55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125
Volume (fl)
Histograma com RDW alterado e VCM normal.
Existem algumas situações em que é possível o VCM estar dentro dos limites de normalidade, porém, ao avaliarmos o histograma e o valor de
RDW, identificamos que se trata de uma amostra heterogênea do ponto de vista do tamanho celular.
Com isso, podemos observar a importância de nunca olharmos os parâmetros separadamente, pois informações determinantes podem estar
veladas.
Saiba mais
Os valores de referência para o RDW são de 11,5 a 15%. Valores alterados (normalmente elevados) podem ser indicativos de diferentes tipos de
anemia, doenças crônicas e talassem ias, a depender dos resultados dos outros parâmetros e/ou exames.
Hemoglobina Corpuscular Média (HCM)
A Hemoglobina Corpuscular Média (HCM) corresponde ao peso médio de hemoglobina de uma população de eritrócitos. Tal índice é expresso em
picogramas (pg), com valores de referência entre 24 e 33pg, e é calculado com base na dosagem de hemoglobina e no número de eritrócitos pela
fórmula:
Hemoglobina
HCM = -------- x 10
Número de eritrócitos
Rotacione a tela. 0
Veja o seguinte exemplo. Se um paciente tem hemoglobina 14,9g/dL e nº de eritrócitos de 5,2 milhões/mm3, seu valor de HCM será:
Hemoglobina 14, 9
HCM = -------- x 10 = -- x 10 = 28,65pg
Número de eritrócitos 5, 2
Rotacione a tela. 0
O peso de hemoglobina em uma hemácia depende do seu tamanho e da sua concentração. A diminuição do HCM costuma ocorrer na anemia
ferropriva, nas talassemias e demais anemias microcíticas, com CHCM normal ou reduzido. Deve ser o último índice a ser interpretado, uma vez que
depende do VCM e do CHCM para ser corretamente avaliado.
Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM)
A Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) reflete a média da concentração interna de hemoglobina em uma população de
hemácias. É o índice hematimétrico que traduz a cor da hemácia, que pode ser classificada como hipocrômica (CHCM abaixo do normal),
33/60
normocrômica (CHCM dentro dos limites de normalidade) ou hipercrômica (CHCM acima do normal) .
. //
Hemácia normocrômica (uma seta) e hipocrômica (duas setas). À direita, uma hemácia hipercrômica (seta vermelha).
O CHCM é medido em g/dl e encontra-se alterado nas seguintes situações:
Elevado
• Casos em que ocorra perda de área do eritrócito.
• Perda de líquido da célula para o meio.
• Excesso de anticoagulante.
Diminuído
• Hipossaturação da célula, ou seja, células com concentrações de hemoglobina abaixo do normal.
• Na microscopia, se reflete pela presença de um halo central maior e aparência mais pálida da célula.
O CHCM pode ser calculado com base na relação do HCM e VCM, conforme a fórmula:
H emoblogina
-------xlO
Hemoblogina
0 --------xl
HCM N° de eritrócitos CHCM = VCM -+ CHCM
=
Hematócrito
� -+ CHCM = --------H ematócrito
-------- X 10 --------xlO
Nº de eritrócitos
CHCM
= Hemoglobina
x lOOH ematócrito
Os valores de referência de CHCM para adultos são: 32-36g/dl.
�
Veja o seguinte exemplo. Suponha que chegou ao laboratório uma amostra de um paciente que apresenta os seguintes valores:
• Hemoglobina: 15g/dl
• Hematócrito: 46%
Logo, seu CHCM será:
15
CHCM =
46
x 100 = 32,61g/dL
Rotacione a tela. 0
Rotacione a tela. 0
34/60
Interpretando os índices hematimétricos
Veja quais são os índices hematimétricos e como calculá-los, bem como exemplos de hemogramas e a interpretação desses índices durante a
investigação diagnóstica.
Pa,,ass;,,;ca cm ,ideo
[
1 1 lsobre o assunto, acesse a O t>:� versão online deste conteúdo. -o-�
Falta pouco para atingir seus objetivos.
35/60
Vamos praticar alguns conceitos?
Ouestão 1
Vimos que, por muito tempo, a contagem de células era realizada com auxílio da Câmara de Neubauer no microscópio. A respeito desse
assunto, analise as afirmativas a seguir:
1. Para quantificar os leucócitos, os campos a serem contados são os quadrantes internos.
li. Para a contagem de hemácias, os quadrantes escolhidos são os externos e grandes.
Ili. Para contagem de leucócitos, devemos utilizar como corante a hematoxilina e eosina, para evidenciar os leucócitos e lisar as hemácias e,
assim, realizar a contagem.
IV. Para contagem de leucócitos, devemos acrescentar ao material o Líquido de Turk, uma solução corante à base de azul de metileno ou violeta
de genciana.
É correto o que se afirma em
A 1, li e Ili, apenas.
B 1, li e IV. apenas.
e Ili, apenas.
D IV. apenas.
E I e li, apenas.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Na câmera de Neubauer, a contagem de hemácias deve ser realizada no quadrante interno e a contagem de leucócitos deve ser realizada nos
quadrantes externos e grandes. Além disso, utilizamos como corante o Líquido de Turk e o ácido acético. O Líquido de Turk permite evidenciar e
quantificar os leucócitos, pois cora seus núcleos e o ácido acético lisa as hemácias presentes na preparação.
Ouestão 2
Considere um hemograma com os seguintes valores para a dosagem de hemoglobina (Hb), volume corpuscular médio (VCM) e hemoglobina
corpuscular média (HCM):
Hb = 10g/dl
VCM = 84fl
36/60
HCM= 28pg
CHCM = 33%,
Valores de referência: (VCM = 80 a 96fl) (HCM = 27-32pg) (CHCM = 33 a 38%)
Com base nos valores encontrados, o indivíduo em questão encontra-se em um quadro de anemia
A microcítica e hipocrômica.
B macrocítica e normocrômica.
e normocítica e normocrômica.
D normocrômica e hipocrômica.
E macrocítica e hipocrômica.
Parabéns! A alternativa C está correta.
O VCM, o HCM e o CHCM estão dentro dos valores de referência, logo, são células normocíticas e normocrômicas. Caso os valores fossem
inferiores aos de referência para tais parâmetros, seria um quadro de anemia microcítica e hipocrômica; se fossem valores superiores aos de
referência, teríamos um quadro de anemia macrocítica e hipercrômica.
3 - Hemograma:Avaliação morfológica das células sanguíneas
Ao final deste módulo, você será capaz de descrever o preparo de uma distensão sanguínea e os principais tipos de alterações
celulares.
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Hematoscopia
Conceitos gerais
A hematoscopia é a parte da avaliação do hemograma que complementa os dados obtidos pelos contadores hematológicos, a partir da avaliação
morfológica das células em distensão. Apesar de toda automação e inovação nos equipamentos hematológicos, a hematoscopia ainda é muito
necessária, como uma complementação da análise dos parâmetros laboratoriais.
A partir da hematoscopia do sangue periférico, podemos observar as seguintes variações ou alterações:
Nos eritrócitos
• Anisocitose (heterogeneidade no tamanho celular)
• Policromasia (heterogeneidade na coloração)
• Inclusões citoplasmáticas
• Presença de hematozoários
• Presença de células jovens (reticulócitos)
• Poiquilocitose (heterogeneidade das formas eritroide)
Nos leucócitos
• Assincronismos maturativos
• Maturidade celular
• Verificação da morfologia
Nas plaquetas
• Assincronismos maturativos
• Granulação
• Tamanho
Preparo do esfregaço ou distensão sanguínea
A confecção do esfregaço (distensão sanguínea) é uma técnica manual normalmente realizada a partir de uma pequena amostragem do material
(uma gatinha de sangue) em uma lâmina de vidro limpa. O material é espalhado (distendido) ao longo da lâmina base, com o auxílio de uma lâmina
extensora, formando uma fina camada.
Respeitando os passos a seguir e com treino, conseguiremos fazer ótimas lâminas:
A lâmina na qual será feito o esfregaço precisa estar limpa e seca, pois qualquer sujeira e/ou gordura pode atrapalhar.
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Deve-se identificar a lâmina de microscopia, tomando cuidado com a posterior coloração, que pode apagar a identificação .
J.
•
r
"
1
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ti
Com o auxílio de um capilar, coloca-se uma pequena gota da amostra próxima a uma das extremidades.
A lâmina extensora deverá ser encostada na lâmina após a região da gota de sangue.
Em um movimento cuidadoso, deve-se inclinar a lâmina extensora o suficiente para formar uma angulação de aproximadamente 45º e
levá-la ao encontro do material da amostra.
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Após a amostra se espalhar por capilaridade pela borda da lâmina extensora, deve-se deslizar a lâmina em direção à extremidade
oposta de forma Suave, com movimento Único, Rápido e Firme - Regra do SURF.
Nesse momento, a amostra deverá estar espalhada pela lâmina microscópica, como uma película.
Deixe o esfregaço secar e siga para a coloração.
Após a coloração, avalie a lâmina ao microscópio óptico.
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Mas preste atenção no seguinte:
O uso de luvas é essencial para sua segurança ao realizar o esfregaço sanguíneo! A tampa do tubo de coleta NÃO
deve ser usada como conta-gotas!
Erros mais comuns no processo de distensão sanguínea
Gota seca.
Gota concentrada no meio da lâmina.
Borda da lâmina extensora irregular.
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Pausas durante a extensão.
Pressão desigual na lâmina extensora.
Movimento muito rápido.
Gordura ou sujeira na lâmina ou amostra lipêmica.
Gota muito pequena.
Veja algumas dicas sobre o processo:
Dica
• O esfregaço deve ser feito antes que a gota seque ou coagule.
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• Não se deve parar durante o processo de extensão.
• Não se deve aplicar pressão excessiva.
• A angulação pode e deve variar de acordo com a amostra.
• Para amostras mais viscosas (hematócrito alto), o ângulo deve ser mais agudo para resultar em película mais fina.
• Esse conhecimento de identificar tais necessidades só se adquire com a prática laboratorial.
Coloração do esfregaço sanguíneo
Agora que já temos nosso esfregaço preparado, precisamos fazer uso de algum tipo de coloração para identificarmos e distinguirmos as células.
Normalmente, utilizamos corantes Romanowsky (e suas variações: Giemsa, Wright, May-Grünwald e Leishman), que consistem basicamente em
uma mistura de um corante ácido e um corante básico.
O método de coloração pode ser realizado por meio de diferentes protocolos, a depender do tipo de corante e do que precisamos evidenciar no
material.
A coloração pode ser feita de forma manual ou por método automatizado, utilizando coradores automáticos.
Corador automático.
O método Romanowsky é a mistura de eosina com azul de metileno: a eosina confere cor alaranjada à hemoglobina e aos grânulos eosinofílicos,
enquanto o azul de metileno confere coloração azul aos ácidos nucleicos e grânulos basófilos. Observe a tabela:
Componentes celulares
Cromatina
Grânulos promielocíticos
Citoplasma de linfócitos
Citoplasma de monócitos
Citoplasma rico em RNA
Grânulos de neutrófilos e linfócitos
Grânulos basofílicos
Grânulos eosinofílicos
Eritrócitos (hemoglobina)
Tabela: coloração dos componentes celulares pelo método Romanowsky.
8en de Oliveira.
Coloração l
Púrpura
Vermelho-púrpura
Azul
Azul-acinzentado
Azul-escuro
Púrpura-claro ou roxo
Azul ou negro
Laranja
Rosado
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Análise morfológica e estrutural das células sanguíneas
A análise do esfregaço deve ocorrer em uma região intermediária da lâmina (corpo), entre as pontas (cauda e cabeça da lâmina), pois nessa região
as células estão distribuídas de maneira mais homogênea. Deve-se concentrar na região central, pois as bordas podem acumular leucócitos e
agregados plaquetários.
Cauda Corpo Cabeça
Esquema de urna distensão sanguínea.
Inicialmente, deve-se olhar a lâmina de maneira geral, com aumento total de 1 00x, para avaliar a qualidade do esfregaço. Com esse olhar mais
panorâmico, podemos observar a coloração, a distribuição das células e as possíveis formações de rouleaux.
Mas atenção! É necessário diferenciar o verdadeiro rou/eaux da aglutinação e da roseta.
ouleaux
É o empilhamento dos eritrócitos devido à hiperproteinemia. Sua presença é comum em algumas doenças, como mieloma múltiplo e estados
infecciosos e inflamatórios.
Rouleaux verdadeiro de hemácias.
Aglutinação pela presença de crioaglutininas.
Roseta de Hemácias.
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Em algumas situações, dependendo de como o esfregaço tenha sido confeccionado, podemos encontrar o que chamamos de um falso rou/eaux.
Para diferenciá-lo, basta observar se todos os empilhamentos seguem o mesmo sentido.
Rouleaux falso e verdadeiro.
Quando for necessário fazer a contagem morfológica de leucócitos e/ou a confirmação dos valores encontrados nos contadores automáticos,
devemos seguir estas regras:
Leucócitos
• Contar pelo menos 1 O campos no aumento total de 100 ou 400x.
• Fazer a média do total dos leucócitos contados pelo número de campos observados.
• Multiplicar a média por 250, quando utilizar o aumento total de xl 00, ou por 2000, quando utilizar o aumento total de 400x.
Plaquetas
• Contar pelo menos 1 O campos no aumento de 1 000x (em imersão).
• Fazer a média do número total de plaquetas contadas pelo número de campos observados.
• Multiplicar a média pelo fator de correção de acordo com o modelo do microscópio utilizado.
Após a avaliação panorâmica da lâmina, chegou a hora de nos aprofundarmos em seus detalhes: devemos ampliar para o aumento total de xl 000
(com imersão) para iniciar a contagem diferencial dos leucócitos, assim como a avaliação morfológica das células.
Saiba mais
É importante saber como relatar e quantificar os achados. Alguns laboratórios baseiam-se em uma escala que vai até quatro cruzes(++++),
enquanto outros laboratórios definem o máximo de três cruzes(+++), sendo uma cruz(+) rara; duas cruzes(++) moderada; e três cruzes(+++)
frequente. Independentemente da escala adotada pelo laboratório, a Internacional Society for Laboratory Hematology (ISLH) sugere que os relatos
acima de duas cruzes(++) são clinicamente relevantes.
Avaliação no esfregaço sanguíneo da série vermelha
1º passo: tamanho dos eritrócitos, em comparação com os linfócitos
Os eritrócitos normais têm tamanho aproximado ao do núcleo de um linfócitopequeno. Quando a maioria dos eritrócitos possui tamanho inferior,
são considerados microcíticos; quando maiores, macrocíticos. Ou seja, a avaliação morfológica das hemácias pode auxiliar na confirmação do VCM
obtido no equipamento automático.
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Alterações morfológicas no tamanho das hemácias são muito encontradas em quadros de anemias. Quando o material de um paciente apresenta
hemácias de tamanhos diferentes, dizemos que essa lâmina apresenta anisocitose. Nesses casos, a avaliação do RDW auxilia muito para nos dar
uma ideia do quanto essas células são homogêneas ou heterogêneas entre si, do ponto de vista do tamanho.
Macródto
Anisocitose
Lâmina de anisocitose: hemácias de tamanhos variados.
2º passo: forma dos eritrócitos
A hemácia normal possui certo grau de palidez central característica, com bordas arredondadas. Quando encontramos um grau variado de
hemácias de formatos diferentes do normal, dizemos que a lâmina apresenta poiquilocitose. Para descrever e classificar na escala de cruzes,
precisamos analisar pelo menos dez campos de pelo menos cem células.
Quando e como devemos relatar no laudo?
Dependerá do laboratório, mas a recomendação padrão é que, quando a média da alteração (contada em pelo menos 1 O campos) for 1, deve-se
relatar como raro; de 2 a 6, relatar como presente+; de 7 a 12, relatar como presente++; >12, relatar como presente+++ .
Exemplo
"Estomatócitos raros e esferócitos ++" - significa que foram achados pelo menos dez estomatócitos no total (fazendo a média por campo
visualizado, temos um estomatócito por campo), já os esferócitos foram contabilizados de 7 a 12 na média por campo.
Observe as principais alterações de formas encontradas nas células vermelhas (adaptado de SILVA P. H et ai., 2016, p. 54-55):
Acantócitos
Acantocitose hereditária, doença hepática, hipoesplenismo, pós-esplenectomia, queimaduras graves, abetalipoproteinemia, anemias
hemolíticas, doença renal e deficiências enzimáticas.
Esquema e fotografia de acantócitos.
Codócitos
• Codócitos microcíticos: talassemias, deficiência de ferro, presença de hemoglobina C e E.
• Codócitos normocíticos: anemia falciforme, hemoglobinopatia SC se, doença hepática, hipoesplenismo e pós-esplenectomia.
V
V
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• Codócitos macrocíticos: doença hepática e pós-esplenectomia.
• Codócitos artefatuais: excesso de umidade na extensão e excesso de EDTA.
Esquema e fotografia de codócitos.
Dacriócitos
Mielofibrose, mielodisplasias, anemias hemolíticas adquiridas, anemia megaloblástica, talassemias, hiperesplenismo, infiltração medular de
tumores hematológicos e não hematológicos.
Esquema e fotografia de dacriócitos.
Drepanócitos
Anemia falciforme e associações com talassemias e hemoglobinopatias.
Esquema e fotografia de drepanócitos.
Eliptócitos / ovalócitos
Eliptocitose hereditária, anemia megaloblástica, anemia de doença crônica, deficiência de ferro, mielodisplasias, trauma mecânico. Pode
ocorrer artefatualmente.
V
V
V
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Esquema e fotografia de eliptócitos / ovalócitos.
Equinócitos
Doença renal e hepática. Artefato de preparo da extensão (pH alcalino do vidro), excesso de EDTA e amostras envelhecidas(> 12 horas).
Como sua presença ocorre muito devido ao artefato, a sua interpretação deve ser baseada no contexto clínico do paciente.
Esquema e fotografia de equinócitos.
Esferócitos
Esferocitose hereditária, anemia hemolítica autoimune e microangiopática, incompatibilidade ABO, hiperesplenismo, queimaduras graves,
hemoglobinopatias, transfusão com eritrócitos velhos, malária, doença hepática. Pode ser artefato da região mais fina da extensão.
Esquema e fotografia de esferócitos.
Esquizócitos ou fragmentos eritrocitários
Púrpura trombocitopênica trombótica, síndrome hemolítico-urêmica, coagulação intravascular disseminada, queimaduras graves, traumas
mecânicos, talassemia maior, anemia megaloblástica, síndrome HELLP, vasculite, pós-quimioterapia e anemias hemolíticas.
V
V
V
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Esquema e fotografia de esquizócitos ou fragmentos eritrocitários.
Estomatócitos V
Estomatocitose hereditária, alcoolismo, infecções graves. Artefato por exposição dos eritrócitos a pH ácido, substâncias catiônicas e
medicamentos {fenotiazina e clorpromazina).
Esquema e fotografia de estomatócitos.
Queratócitos V
Estresse oxidativo in vivo por uso certos medicamentos, deficiência de G6PD e presença de hemoglobinas instáveis (corpos de Heinz).
Esquema e fotografia de queratócitos.
3º passo: coloração celular
Quando a palidez central na célula for maior que 1 /3 de seu volume total, ela é considerada hipocrômica, computado pelos valores de CHCM no
hemograma. De forma contrária, hemácias hipercrômicas morfologicamente são identificadas por ausência de palidez central.
Além disso, se a célula apresentar um tom mais azulado/acinzentado, há grandes indícios de que ela seja uma célula mais imatura, reticulócitos que
ainda contêm vestígios de RNA residual.
Quando muitos reticulócitos estão presentes na lâmina, dizemos que ela apresenta policromatofilia. Para que tenhamos certeza da presença de
reticulócitos, deve-se usar uma coloração específica que evidencia a sua presença: a coloração com azul de cresil brilhante.
Hemácia policromática à esquerda e reticulócitos corados com Azul de Cresil brilhante.
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4º passo: presença de inclusões eritrocitárias
Recomenda-se relatar como:
• "rara" quando for observada inclusão em uma célula a cada 1 ou 2 campos.
• "+" quando a contagem for de 1 a 3 células por campo.
• "++" quando forem observadas de 4 a 6 células por campo.
• "+++" quando forem vistas mais de 6 células com inclusão eritrocitária por campo.
As inclusões eritrocitárias mais prevalentes na rotina laboratorial são:
l
Pontilhado basófilo
São grânulos azuis-escuros de agregados ribossomais e RNA, que se precipitam na coloração do esfregaço. Podem ser encontrados em casos de
talassemia minar, intoxicação por chumbo, zinco e/ou mercúrio, na anemia perniciosa, na síndrome mielodisplasia (SMD) e na deficiência de
pirimidina 5' nucleotidase. A seta indica a hemácia com pontilhado basófilo.
Corpúsculo de Howell-Joly
São pequenos corpúsculos arredondados e bem definidos de coloração púrpura relacionados a fragmentos remanescentes de DNA, oriundos de
mitoses anômalas. Podem ser encontrados em casos de pós-esplenectomia, anemia megaloblástica, anemia falciforme e talassemia maior.
I
Anéis de Cabot
São finos anéis de microtúbulos remanescentes do fuso mitótico. Podem ser encontrados em anemias megaloblásticas, intoxicação por chumbo,
anemia hemolítica e icterícia alcoólica. A imagem demonstra hemácia com anel de Cabot em forma de anel (à esquerda) e em formato de número 8
(à direita).
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Corpúsculos de Pappenheimer (Siderossomos)
Grânulos anormais devido a fagossomos com excesso de ferro. Podem aparecer em anemias sideroblásticas e anemias hemolíticas. A presença
deve ser confirmada com coloração específica: coloração de azul de Prússia.
Corpúsculos de Heinz
Precipitados de hemoglobina desnaturada. Podem aparecer em variantes instáveis de hemoglobina ou em caso de oxidação de hemoglobina por
fármacos. Esses precipitados são removidos pelo baço, então, normalmente, só são numerosos no sangue de pacientes pós-esplenectomia.
l
Inclusões parasitárias
Os eritrócitos podem conter em seu interior protozoários, como da malária, babesiose, e de bactérias, como na bartonelose. A imagem mostra um
trofozoíto à esquerda e um gametócito à direita (malária).
Avaliação no esfregaço sanguíneo da série branca
Quais são os passos na avaliação da série branca?
1 ° Passo: contagem global e diferencial das células
Para sabermos qual a proporção de cada subtipo celular presente no material.
2° Passo: grau de maturação e diferenciação das células
Um exemplo clássico é o desvio à esquerda, no qual as células mais imaturas de determinada linhagem começama ser liberadas da medula óssea
em processos infecciosos bacterianos agudos ou malignos.
3° Passo: morfologia e estrutura celular
Conheça as mais prevalentes na rotina laboratorial:
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Anomalia de Pelger-Huet
Condição em que o neutrófilo maduro apresenta um núcleo que não está devidamente segmentado, o que costumamos chamar de
hipossegmentação. Normalmente, ele tem dois lobos simétricos, similares ao formato de óculos. Essa condição, geralmente, é
assintomática e está relacionada à herança autossômica. A imagem mostra a presença de neutrófilos bilobulados.
Síndrome de Chediak-Higashi
Condição em que o leucócito apresenta grânulos gigantes e de coloração variável. Observe as lâminas de um paciente com essa
síndrome.
Vacuolização citoplasmática
São vacúolos encontrados em neutrófilos, provenientes de autodigestão, podendo ser formados após a fagocitose de toxinas
bacterianas, por exemplo. Essas vacuolizações também podem ser encontradas em linfócitos e monócitos.
Hipersegmentação
Refere-se ao acúmulo de neutrófilos de tamanho normal, com cinco ou mais lobulações nucleares, que pode estar relacionado com o
tempo médio da célula na circulação. Pode ser observado também em quadros de inflamações crônicas, em pacientes que fazem uso
de corticoide, com deficiência de vitamina B12 e folatos, entre outros.
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Corpúsculo de Dõhle
São inclusões ovais azuis-claras que se localizam na periferia do citoplasma, referentes a ribossomos livres remanescentes. Podem
ser encontradas em infecções bacterianas graves, traumas e queimaduras.
Granulações tóxicas
Presença de granulações primárias em fases finais da maturação da linhagem neutrofílica. Podem estar relacionadas a processos de
mitose acelerados, como em casos de septicemia.
Avaliação no esfregaço sanguíneo das plaquetas
Quais são os passos na avaliação das plaquetas?
São 2 os passos para a avaliação no esfregaço sanguíneo das plaquetas:
D
Alterações em sua quantidade
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D
Alterações no tamanho das plaquetas
A seguir vamos nos aprofundar em cada um deles!
1º Passo: alterações em sua quantidade
Verificar se, no esfregaço sanguíneo, há aumento do número de plaquetas ou diminuição.
A trombocitose (aumento do quantitativo de plaquetas, acima de 1 milhão/mm3) pode ocorrer em casos de pós-esplenectomia, pós-operatório,
anemia ferropriva e artrite reumatoide. A trombocitopenia (diminuição do quantitativo de plaquetas, abaixo de 80 rnil/rnrn3) pode ocorrer em casos
de leucemias, aplasias e púrpura autoimune.
Devemos avaliar se uma baixa contagem no resultado do hemograma não está relacionada ao satelismo P.la�uetário.
atelismo plaquetário
As plaquetas se agregam ao redor de neutrófilos e rnonócitos em forma de "roseta", o que normalmente acontece quando o sangue é coletado em
EDTA.
Observe o satelisrno plaquetário na imagem:
Satelismo plaquetário.
2º Passo: alterações no tamanho das plaquetas
Podem ser classificadas em rnacroplaquetas e plaquetas gigantes. Você sabe a diferença entre elas?
Macro plaquetas
As macroplaquetas têm tamanho entre o de uma plaqueta normal e o de hemácias normais e só devem ser relatadas se forem encontradas em
urna quantidade maior do que 5%, durante a leitura dos esfregaços; são observadas, geralmente, em casos de doenças cardiovasculares,
tromboses e doenças inflamatórias.
X
Plaquetas gigantes
As plaquetas gigantes são maiores do que as hemácias normais. Devem ser relatadas independentemente do número encontrado, e podem
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estar associadas a quadros de mielodisplasia e síndrome de Bernard-Soulier.
Confira as anormalidades no tamanho das plaquetas:
Macroplaquetas (seta vermelha).
Plaqueta gigante (seta verde).
Plaquetas com tamanho reduzido.
Observe um resumo das principais variações quantitativas das células e suas associações clínicas.
Células
Neutrófilos
Condição
Neutrofilia
(contagem superior aos valores de
referência)
Neutropenia
Associações
Infecções piogênicas ou viróticas
Neoplasias, entre outras causas
Uso de algumas drogas (antibióticos, anticonvulsivantes)
]
(contagem inferior aos valores de referência)
Cirrose hepática ou doença de armazenamento (como Gaucher)
Basófilos
Eosinófilos
Basofi/ia
(contagem superior aos valores de
referência)
Eosinofilia
(contagem superior aos valores de
referência)
Eosinopenia
(contagem inferior aos valores de referência)
Anemias hemolíticas crônicas, leucemias
Pós-esplenectomia, entre outras causas
Doenças alérgicas
Infecções parasitárias, hemopatias
Estados tóxicos como hemólise aguda
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Células
Monócitos
Condição
Monocitose
(contagem superior aos valores de
referência)
Monocitopenia
(contagem inferior aos valores de referência)
Linfócitos
Llnfocltose
(contagem superior aos valores de
referência)
Llnfopenla
(contagem inferior aos valores de referência)
Tabela: Variações quantitativas das células e suas associações clínicas.
Elen de Oliveira.
VHS e contagem de reticulócitos
Conheça a técnica de VHS e o processo de contagem de reticulócitos.
Para assistir a um vídeo
sobre o assunto, acesse a
versão online deste conteúdo.
Associações
Coma diabético
Choque
Queimaduras
Esforço físico extenuante (como, por exemplo, o trabalho de
parto)
Processos leucêmicos, infecções por protozoários (malária)
Fase de recuperação de infecções agudas
Fase aguda de processos infecciosos
Desnutrição
Infecção por HIV, entre outras
Convalescença de infecções agudas
Leucemias
Forma fisiológica em crianças de até 5 anos
Casos de imunodeficiência, cirrose hepática
Fase inicial de neoplasias, entre outras causas
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Ouestão 1
A perda excessiva de eritrócitos por hemólise ou por sangramento leva ao aumento do número de reticulócitos no sangue periférico. A
contagem dos reticulócitos no sangue circulante é realizada por meio de coloração específica. Qual dos corantes a seguir é utilizado na
identificação dos reticulócitos?
A Verde malaquita
B Laranja de acridina
C Azul de metileno
D Azul de cresil brilhante
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E Giemsa
Parabéns! A alternativa D está correta.
Os reticulócitos são eritrócitos mais jovens e ainda possuem vestígios de RNA, facilmente corados com azul de cresil brilhante.
Ouestão 2
Durante o estágio, você verificou na lâmina de distensão sanguínea a seguinte anomalia:
Qual é a modificação encontrada?
A Anomalia de Pelger-Huet
B Vacuolização citoplasmática
C Hipersegmentação
D Corpúsculo de Dõhle
E Granulações tóxicas
Parabéns! A alternativa A está correta.
Na figura, vemos um neutrófilo com dois lobos simétricos, similares ao formato similar ao de óculos. Essa característica é comum da anomalia
de Pelger-Huet, condição em que o neutrófilo maduro apresenta um núcleo que não está devidamente segmentado, ou seja, hipossegmentado.
Considerações finais
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Vimos que a hematopoese é um processo complexo de formação das células sanguíneas, oriundas de um único ancestral comum: a célula-tronco
hematopoética, responsável por manter a produção de células circulantes no sangue periférico em proporções constantes.
Aprendemos também que a coleta de sangue é um processo pré-analítico importante para a obtenção de um material de qualidade. A partir da
análise do sangue periférico, podemos avaliar diversos parâmetros laboratoriais que, associados à presença de alterações morfológicas na
distensão sanguínea, auxiliam o diagnóstico de várias patologias.
Agora você está pronto para dar os próximos passos no conhecimento da hematologia, uma área apaixonante e que continua sendo até hoje uma
disciplina imprescindível para diversas áreas das ciências biológicas.
Podcast
Para encerrar, ouça um resumo sobre a importância do estudo da hematologia.
Para ouvir o áudio, acesse a versão
online deste conteúdo.Referências
@
BARCELOS, L. F.; AQUINO, J. L. Tratado de Análises Clínicas. 1. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2018.
CARVALHO, R. C.; HAMER, E. R. Perfil de alterações no hemograma de pacientes HIV\ Revista Brasileira de Análises Clínicas, v. 49, n. 1, p. 57-64,
2017.
FAILACE, R. et ai. Hemograma: Manual de interpretação. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.
FERREIRA, C. N. et ai. O novo modelo da cascata de coagulação baseado nas superfícies celulares e suas implicações. Rev. Bras. Hematol Hemoter,
v. 32, n. 5, p. 416-421, 201 o.
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. Fundamentos em Hematologia. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
MELO, M.; SILVEIRA, C. M. Laboratório de Hematologia: Teorias, técnicas e atlas. 1. ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2015.
NAOUM, F. A. Doenças que alteram os exames hematológicos. São Paulo: Atheneu, 201 O.
OLIVEIRA, R. A. G. Hemograma: Como fazer e interpretar. São Paulo: LMP, 2007.
SILVA, P. H. et ai. Hematologia laboratorial: teoria e procedimentos. Porto Alegre: Artmed, 2016.
SANTOS, P. C. J. L.; SILVA, A. M.; NETO, L. M. R. Hematologia: Métodos e Interpretação. São Paulo: Rocca, 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. Atlas de Hematologia. Consultado na internet em: 8 abr. 2022.
VERRASTRO, T.; LORENZI, T. F.; NETO, S. W. Hematologia e Hemoterapia: fundamentos de morfologia, fisiologia, patologia e clínica. São Paulo:
Atheneu, 2005.
WINTROBE, M. M. et. ai. Clinica! Hematology. 13. ed. Philadelphia: Lea & Febiger, 2014.
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Confira o que separamos especialmente para você!
Faça os desafios da série vermelha e da série branca no site do CellQuiz.
Leia os textos:
1. Interpretação laboratorial do hemograma, de Paulo Cesar Naoum e Flávio Augusto Naoum;
2. Manual prático de hematologia, de Wanessa Lordêlo P. Vivas.
3. Hemograma: O que é, para que serve e como interpretá-lo, de Márcio Carvalho Dalaqua.
https://stecine.azureedge.neVrepositorio/00212sa/03905/index.html# 60/60
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