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Roteiro da unidade 1 Plano de Logística Sustentável Sustentabilidade: percurso conceitual, normativo e Agenda 2030 Danielle Abud Dra. Educação Roteiro da unidade 2 Plano de Logística Sustentável Sustentabilidade: percurso conceitual, normativo e Agenda 2030 Danielle Abud O conteúdo deste documento faz parte do material didático do curso Plano Diretor de Logística Sustentável: metodologia de construção, implementação e monitoramento. Professor: Prof.ª Dra. Danielle Abud Brasília | 2022 Roteiro da unidade 3 Sumário Sustentabilidade: percurso conceitual, normativo e Agenda 2030 ...................... 4 Videoaula .................................................................................................................... 4 Apresentação .............................................................................................................. 4 Objetivo de aprendizagem .......................................................................................... 4 Sustentabilidade: percurso conceitual e normativo .............................................. 6 1.1 Introdução......................................................................................................... 6 1.2 Sustentabilidade: aspectos gerais .................................................................... 8 1.3 Plano de Logística Sustentável ...................................................................... 13 1.4 Agenda 2030 e o Plano de Logística Sustentável .......................................... 16 1.5 Acórdãos do TCU e o PLS ............................................................................. 18 1.6 Considerações finais ...................................................................................... 20 1.7 Referências .................................................................................................... 21 Apêndice I – Vídeos complementares ................................................................... 22 Boas Práticas Legislativas e os impactos da Agenda 2030 da ONU ........................ 22 Apêndice II – Atividade avaliativa (Quiz) ............................................................... 23 Apêndice III – Atividade avaliativa (Prova) ........................................................... 24 Roteiro da unidade 4 Sustentabilidade: percurso conceitual e normativo e Agenda 2030 Videoaula No vídeo a seguir, a profª Danielle Abud traz uma reflexão sobre os aspectos gerais da sustentabilidade, os atos normativos sobre o Plano de Logística Sustentável (PLS) e o alinhamento do PLS com a Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, vamos destacar as deliberações do Tribunal de Contas da União (TCU) que orientam a inserção de informações sobre a sustentabilidade. Confira! <!-- gravar uma aula virtual, de 5 a 15 minutos sobre o conteúdo desta unidade de ensino e informar, aqui, a URL do local onde o vídeo pode ser encontrado --> Apresentação Olá! Seja muito bem-vindo (a) ao nosso curso! Nesta unidade serão abordados os aspectos gerais da sustentabilidade, bem como os instrumentos legais, os atos normativos sobre o Plano de Logística Sustentável. Além disso, vamos tratar sobre o alinhamento do PLS com a Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU), e destacar as deliberações do Tribunal de Contas da União (TCU) que orientam a inserção de informações sobre a sustentabilidade, no âmbito da administração pública federal. Esta primeira unidade compõe etapa essencial para o acompanhamento do Curso e irá colaborar com as etapas seguintes do aprendizado. Desejamos sucesso e boa aula! Objetivo de aprendizagem Ao final desta unidade, espera-se que você seja capaz de: conceituar a sustentabilidade no âmbito da gestão pública, bem como refletir sobre o alinhamento do PLS com a Agenda 2030 e identificar as principais deliberações do TCU para Roteiro da unidade 5 promoção da sustentabilidade. Para isto, você deverá realizar as seguintes atividades: ler o conteúdo de ensino que contém o texto de referência, assistir à videoaula e responder ao exercício avaliativo. Bibliografia básica BESSA, Fabiane; DOETEZER, G. D.; VILLAC, T. Gestão Pública Brasileira: inovação sustentável em rede. Belo Horizonte: Fórum: 2021. FREITAS, J. Sustentabilidade: Direito ao Futuro. 4 ed. Belo Horizonte: Fórum, 2011. Roteiro da unidade 6 Sustentabilidade: percurso conceitual e normativo 1.1. Introdução Nesta unidade, conduziremos a nossa atenção para os aspectos gerais da sustentabilidade a partir dos referenciais teóricos que orientam o tema. Complementam essa construção os instrumentos normativos sobre o Plano de Logística Sustentável, a convergência dos aspectos do PLS em apoiar o cumprimento da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e a sinalização da jurisprudência fiscalizatória pelos acórdãos do TCU para promoção da sustentabilidade. Começaremos esta primeira etapa convidando-o a refletir sobre o conceito de sustentabilidade, a partir da indispensável relação com o desenvolvimento sustentável. Observe que o assunto já faz parte do nosso cotidiano antes mesmo da década de 1990 e está exarado, em constante periodicidade, em acordos internacionais, normas infralegais, acórdãos, etc. Como você já deve imaginar, foi a partir do cenário dos impactos ambientais causados pelos processos produtivos que o tema da sustentabilidade se tornou um alerta global para necessidade de novo desenho sobre o modelo de desenvolvimento dos países. Esse posicionamento trouxe, para a discussão internacional, a necessidade de reorientação nas relações econômicas e na forma de uso dos recursos naturais. Vamos observar neste percurso que a década de 1970 marcou, pela primeira vez, em nível mundial, a preocupação sobre as ações humanas em torno da questão Fonte: Trechos da Declaração da Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente (Estocolmo, 1972), parágrafo 6. ONUBR Nações Unidas no Brasil. ambiental! “Chegamos a um ponto na História em que devemos moldar nossas ações em todo o mundo, com Roteiro da unidade 7 A despeito da atenção para os fenômenos ambientais, sociais, econômicos e culturais de forma integrada ou da visão de como tratar as consequências nocivas ao meio ambiente decorrentes das atividades produtivas, a discussão do tema teve inserção diferenciada em termos de evento e cronologia, como veremos na seção a seguir. No Brasil, no tocante aos aspectos legislativos, apenas em tempo recente o debate sobre a sustentabilidade foi introduzido na gestão pública. De acordo com Villac (2021), a internalização da Agenda 21 e o Programa Ambiental na Administração Pública (A3P)1 marcaram o início voluntário desse processo. Em consonância com a A3P, o Plano de Logística Sustentável (PLS) se tornou o instrumento de referência cuja função precípua se relaciona à consecução dos ideais de sustentabilidade, a partir da definição de ações e estratégias que contribuem com princípio da eficiência na administração pública. O PLS, por sua vez, converge para o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) previstos na Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas, especialmente no que se refere ao consumo e à produção responsáveis, no caso, o uso eficiente dos recursos naturais e o papel das instituições públicas na forma de agir em suas múltiplas dimensões de atuação. A última seção desta unidade examina a importância da Agenda 2030, da qual o Brasil é signatário e reconhece a necessidade de alinhamento das instituições públicas em avançar em resultados focados nas metas estabelecidasque configuram a trajetória para o alcance de objetivos globais. Trataremos de detalhar nas próximas seções os assuntos destacados. Esperamos por você! 1 A3P: A Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) é um programa de adesão voluntária que visa implantar a responsabilidade socioambiental nas atividades administrativas e operaci onais da administração pública. Roteiro da unidade 8 1.1. Sustentabilidade: aspectos gerais É provável que você já tenha estudado sobre Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade em algum momento. A história do tema é relativamente recente, mas é preciso destacar que as expressões não são equivalentes. Tratamos de voltar no tempo apenas por alguns segundos para entender que essa trajetória de pouco mais de trinta anos evidencia um raro consenso entre os países em favor do meio ambiente e registra importantes acordos na história. Vejamos os marcos desse percurso para compreendermos as distinções conceituais e encontrarmos as referências que orientam a sustentabilidade no setor público. Destaca-se inicialmente a década de 1980 como sendo o marco da ação protetora do Estado, em relação ao meio ambiente, resultado da influência da primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, também conhecida como Conferência de Estocolmo, realizada na Suécia, em 1972, que tratou da cooperação internacional entre os países, com o propósito de reconhecimento da existência de problemas comuns sobre as questões ambientais. Em 1987, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento produziu o Relatório Our Common Future (Nosso Futuro Comum), conhecido como Roteiro da unidade 9 Relatório Brundtland, contribuindo para e popularizar o conceito oficial de Desenvolvimento Sustentável (DS), que já havia sendo concebido desde a década de 1970 como sendo: O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social, econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais De acordo com Galleli (2017, p. 29), o Relatório de Brundtland descreve, em tom conciliatório e estratégico, a definição oficial de desenvolvimento sustentável podendo ser considerado o mainstream da literatura de referência no assunto. Isso porque orienta caminhos teóricos e práticos para o DS. A origem da expressão sustentável, no entanto, vem do alemão “nachhaltend” ou “nachhaltig” (longevidade), a palavra foi registrada em 1713, no livro Lyra, de Carlowitz, em francês durabilité (durável) e em holandês duurzaamheid e duurzaam (sustentável) (HOFER, 2009). De acordo com Feil e Schreiber (2017), o termo reflete uma “solução à escassez de recursos naturais desde a antiguidade, consolidando-se ao longo do tempo na cultura humana, em busca da utilização desses recursos de forma contínua e perpétua”. O uso do termo, por sua vez, foi adotado na Conferência das Nações Unidades para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro e conhecida como Eco/922, na qual foi elaborada a Agenda 21. Os eventos seguintes, Rio+20, 21ª Conferência das Partes (COP 21) e 11ª Reunião das Partes no Protocolo de Quioto (MOP-11), de relevância mundial, continuam a debater ações conjuntas que mobilizaram ações coletivas para o enfretamento dos problemas socioambientais, como destaca a linha do tempo dos marcos da sustentabilidade apresentada a seguir. 2 Eco/92: Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento também conhecida como Rio-92 evento que discutiu as premissas para o desenvolvimento sustentável. O principal documento ratificado pelo encontro foi chamado de Agenda 21. https://www.redalyc.org/journal/3232/323252763008/html/#B28 Roteiro da unidade 10 1972. Conferência Estocolmo. Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 1987. Relatório Brundtland. Adoção do conceito de Desenvolvimento Sustentável aplicado no relatório “Nosso Futuro Comum”. 1992. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e abertura de dois tratados multilaterais para assinatura: da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima e da Convenção sobre Diversidade Biológica, Conferência conhecida como Eco- 92. 2002. Conferência de Joanesburgo, conhecida com Rio+10. Terceira grande Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente marcada pela avaliação da aplicação da Agenda 213 e pe la adoção de medidas já negociadas em Conferências anteriores. 2009. A Conferência sobre Mudança do Clima de Copenhague (COP15) destacou a necessidade de medidas para evitar o aquecimento global e as mudanças climáticas. 2015. A Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável conduz à adoção dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como parte de uma nova agenda global de desenvolvimento sustentável. O documento “Transformando Nosso Mundo” foi apresentado como resultado do processo inclusivo de negociações com governos, entidades sociais e empresas com a finalidade de promover universalmente o desenvolvimento social, a proteção ambiental e a prosperidade econômica. 2019. A Assembleia Geral das Nações Unidas declara 2021-2030 como a Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas. 2021. COP 26. Chamamento para acelerar a ação em direção aos objetivos do Acordo de Paris e da Convenção -Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O entendimento da sustentabilidade, a partir das conferências internacionais, foi associado ao tema central do desenvolvimento sustentável, tornando-se a diretriz para compreensão dinâmica, evolutiva e não linear do processo de desenvolvimento 3 Agenda 21: Documento ratificado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro contendo o resultado do compromisso das nações para promoção do desenvolvimento sustentável. 50 Anos de história Linha do tempo dos marcos da sustentabilidade https://unfccc.int/process-and-meetings/conferences/past-conferences/copenhagen-climate-change-conference-december-2009/copenhagen-climate-change-conference-december-2009 http://web.unep.org/environmentassembly/new-un-decade-ecosystem-restoration-inspire-bold-un-environment-assembly-decisions Roteiro da unidade 11 dos países, associado aos dilemas relativos às questões econômicas, sociais e ambientais. Podemos compreender a sustentabilidade como sendo a capacidade de manter algo em estado contínuo, podendo ser considerada como um objetivo, ou seja, um parâmetro que possibilita legar às gerações futuras uma condição semelhante à atual, sem comprometer o atendimento às necessidades daqueles que ainda estão por vir. O desenvolvimento sustentável, por sua vez, passa a ser o caminho que devemos percorrer para alcançar a sustentabilidade, ou seja, uma estratégia de longo prazo para que possamos ter um desenvolvimento simultaneamente: includente, do ponto de vista social, sustentável pela perspectiva ambiental, ecológico e sustentado pela vertente do economicamente viável, como nos ensina Sachs (1986). Diante desses argumentos, percebemos que os dois temas finais, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, complementam-se ao revelar a preocupação em criar as condições para que os esforços rumo à proteção ambiental e às responsabilidades sociais tenham sucesso. O aspecto central é o balanceamento dessas dimensões, que induzem um sentido de responsabilidade comum e estabelecem rotas de desenvolvimento incrementadas pela capacidade de inovação e pelosprocessos de transformação. Posto isso, como você já deve imaginar, o papel do Estado é essencialmente relevante neste contexto. As decisões da administração pública não podem estar desvencilhadas da observância de princípios que implica aplicação imediata com vistas a garantir os recursos para um presente e futuro igualmente sustentáveis. A integração da dimensão ambiental que considera o impacto das atividades sobre o meio ambiente, na forma de utilização dos recursos naturais, associada aos pilares sociais e econômicos nas estratégias de gestão faz-se necessária para que as organizações tenham a capacidade de desenvolverem-se sustentavelmente. Para tanto, é imprescindível o agir do poder público considerando as repercussões futuras desse caminho eleito. De acordo com Munck (2013), a sustentabilidade no contexto das organizações constitui-se de intentos que primam pelo equilíbrio macro nos diversos sistemas sociais. Roteiro da unidade 12 A concepção de Juarez Freitas propõe novas dimensões para serem incorporadas à tradicional visão do entendimento baseado no tripé econômico, social e ambiental. O autor agrega o pilar da ética que consagra “a empática solidariedade como dever universalizável” e a dimensão político-jurídica que “determina, com eficácia direta, independentemente da regulamentação, a tutela do direito ao futuro” (FREITAS, 2019). No âmbito do setor público, a sustentabilidade é entendida como princípio orientador da atuação estatal, em sua esfera preventiva e também como provedora de serviços públicos e tem conduzido as organizações à incorporação de iniciativas que determinam um novo modo de agir das instituições. Para Dubois (2019), a sustentabilidade tem sido implementada visando à atuação do Estado como indutor de desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e de práticas de racionalização no uso de materiais e serviços que dizem respeito à eficiência do gasto público e à primazia na gestão de processos. Cabe recordar que, de forma convergente, incumbe à Administração Pública o princípio da eficiência previsto no Art. 37, caput, da Constituição Federal – como princípio orientador da ação administrativa e normativamente exigível do agir estatal. Nesse sentido, a capacidade das instituições em lidar com a sustentabilidade enseja escolhas por ela empreendida em relação à necessidade de: Estratégias de desenvolvimento desenhadas e implementadas que resultem de planejamento de ações, que criem condições e esforço contínuo para eliminação do desperdício, poupança de recursos naturais e iniciativas inovadoras. Diante desse cenário, tem-se que a sustentabilidade deve representar um novo modo de agir das organizações. Sua incorporação, considerada pelo contexto que se encontra, admite uma série de elementos determinantes a serem adotados, como por exemplo: Definição de política de responsabilidade social; Declaração de valores organizacionais; Estabelecimento de instrumentos de planejamento; e; Roteiro da unidade 13 Definição de indicadores. Disso resulta que a sustentabilidade no setor público há de ser materializada no correspondente Plano de Logística Sustentável, que, por sua vez, reflete a prática e a concretização da ação organizacional. Assim sendo, vejamos no próximo tópico o que é um Plano de Logística Sustentável e quais os instrumentos normativos que orientam a sua elaboração. 1.2. Plano de Logística Sustentável O Plano de Gestão de Logística Sustentável é uma ferramenta que organiza ações e gera estratégias que contribuem para o alcance do princípio da eficiência na administração pública. Pode ser considerado como um mecanismo de aprimoramento da gestão, especialmente no que tange ao uso de metas e indicadores de desempenho que orientam o processo de tomada decisão pelos gestores. Segundo Arantes et al. (2014, p.13), o PLS é instrumento de planejamento que visa a “regulamentação e acompanhamento das iniciativas de sustentabilidade socioeconômica e relativas ao meio ambiente por meio de um diagnóstico organizacional e da previsão de um cenário futuro com melhorias contínuas para a organização”. No âmbito dos poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, o PLS é tratado de acordo com normativos próprios. Vejamos as definições que são aplicadas: PODER JUDICIÁRIO (Resolução CNJ 400/ 2021) Art. 5° Instrumento que se alinha à Estratégia Nacional do Judiciário, e aos Planos Estratégicos dos órgãos, com objetivos e responsabilidades definidas, indicadores, metas, prazos de execução, mecanismos de monitoramento e avaliação de resultados, que permite estabelecer e acompanhar práticas de sustentabilidade, racionalização e qualidade, que objetivem uma melhor eficiência do gasto público e da gestão dos processos de trabalho, considerando a visão sistêmica do órgão. Roteiro da unidade 14 PODER EXECUTIVO (Portaria SEGES n°8.678/2021) Plano Diretor de Logística Sustentável - PLS: instrumento de governança, vinculado ao planejamento estratégico do órgão ou entidade, ou instrumento equivalente, e às leis orçamentárias, que estabelece a estratégia das contratações e da logística no âmbito do órgão ou entidade, considerando objetivos e ações referentes a critérios e a práticas de sustentabilidade, nas dimensões econômica, social, ambiental e cultural. PODER LEGISLATIVO/SENADO FEDERAL (Ato da Diretoria-Geral n° 24/2014) Ferramenta de planejamento que possibilita estabelecer práticas de sustentabilidade e de racionalização dos gastos institucionais e dos processos administrativos, caracterizando uma agenda estruturante para uma atuação socioambientalmente correta. O que temos em comum na definição do PLS? O PLS é uma ferramenta de gestão que estabelece de igual maneira para TODOS OS PODERES ações referentes a critérios e práticas de sustentabilidade. Qual a diferença entre eles? Não há diferença! O que temos é um processo de INOVAÇÃO de normas infralegais e regulamentares. A Portaria da Secretaria de Gestão, do Ministério da Economia, inovou ao definir o PLS como: Roteiro da unidade 15 Plano Diretor de Logística Sustentável classificado como instrumento de governança vinculado ao planejamento estratégico do órgão ou entidade, ou instrumento equivalente, e às leis orçamentárias. Como comenta Vanice Valle (2003 p. 132), é evidente que a busca pelo “desenvolvimento sustentável não se poderia jamais alcançar sem a participação do Estado, seja à conta de seus deveres específicos de atuação nas vertentes que compõem, seja por força de seus deveres de fomento e indução”. Nesse sentido, as inovações publicadas recentemente nos normativos do Judiciário, Executivo e Legislativo cumprem relevante papel, pois sinalizam o avanço do PLS - fruto do amadurecimento e adequação das ações que lhe cabe promover, trazendo a todas as instituições incumbidas do mesmo intento desafios permanentes. De forma complementar, a evidência desse movimento de inovação do PLS, temos o Decreto Presidencial n° 10.024/2019, que vincula o plano de logística sustentável ao pregão eletrônico. Igualmente, dá-se destaque, na nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei nº 14.133/2021), a convergência de oportunidade e a evolução dos marcos normativos que exerce influência sobre a temática do Plano de Logística Sustentável. Agora que já estabelecemos o conceito de PLS, começamos a entender o quanto este instrumento é determinante no alcance e na transversalidade dos aspectos inerentes à sustentabilidade. Mas, antes de nos aprofundarmos sobre o processo de elaboração desse documento, que tal conhecermos a Agenda 2030, da ONU, e a relação que se estabelece com o PLS? Roteiro da unidade 16 1.3. Agenda 2030 e o Plano de Logística Sustentável O que é a Agenda 2030? Emsetembro de 2015, líderes mundiais e representantes da sociedade civil reuniram-se na sede da ONU, em Nova York, e decidiram um plano de ação global para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que as pessoas alcancem a paz e a prosperidade. Essa iniciativa, conhecida como Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, resultou na criação de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para enfrentar as questões urgentes que afligem os tempos atuais. Para contextualizar! Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável foram construídos a partir das bases dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), os quais, em seu conjunto, almejam à eliminação da extrema pobreza e da fome do planeta, fatores que afetavam especialmente as populações mais pobres, dos países menos desenvolvidos. A Agenda 2030 aprimora e amplia tais objetivos, que são: um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. A Agenda 2030 afirma que, para pôr o mundo em um caminho sustentável, é preciso tomar medidas ousadas e transformadoras. Os ODS, por sua vez, constituem uma ambiciosa lista de metas a serem cumpridas até 2030. Vejamos o que cada um dos 17 Objetivos apresenta: Roteiro da unidade 17 ODS Objetivo Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles. Roteiro da unidade 18 Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. Qual a relação da Agenda 2030 com o PLS? Agenda deve ser adotada de forma integrada pelas instituições no sentido de promover um esforço global para garantir a realização do plano previsto. No entanto, de modo específico, o PLS converge com a Agenda 2030 quando garante a implementação do ODS 12, por exemplo, que se refere à forma como nos relacionamos com os recursos da natureza, especialmente sob o ponto de vista do consumo e da produção sustentável. É no aspecto da adoção de parâmetros e práticas de responsabilidade social, integração e publicação de informações; promoção de práticas de contratação com critérios de sustentabilidade que as instituições colaboram para o cumprimento das prioridades nacionais. Dessa forma, uma organização pública ao instituir o PLS contribui com a implementação da Agenda 2030 em nível local, ao mesmo tempo em que atua para Roteiro da unidade 19 que as iniciativas realizadas se somem a outras tantas para promoção de um esforço coletivo em prol da sustentabilidade planetária. Antes de seguirmos adiante, você pode acompanhar na próxima seção como o Tribunal de Contas da União tem atuado, por meio de suas recomendações, para implementação das ações de sustentabilidade no âmbito da Administração Pública Federal. 1.4. Acórdãos do TCU e o PLS Com vistas ao cumprimento de sua missão institucional, o TCU realiza inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo, Judiciário, incluídas fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Pod Público Federal. O histórico de fiscalizações em relação ao tema da sustentabilidade é amplo e analisa, por exemplo, em que medida as ações promovidas pela administração pública federal na área de sustentabilidade estão de fato sendo efetivadas (Acórdão nº 1.752/2011). Por meio das auditorias, são expedidas determinações e recomendações! Vejamos a seguir algumas deliberações sobre o tema e o resultado das determinações em processo de auditoria operacional. Acordão nº 2.512/2016-TCU-Plenário - Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) - determinações e recomendações Auditoria em Sustentabilidade na Administração Pública Federal - Relatório Final da Equipe Auditoria em Sustentabilidade na Administração Pública Federal - Relatório Ministro André Luiz Auditoria em Sustentabilidade na Administração Pública Federal - Voto Ministro André Luiz Acórdão nº 1.056/2017-TCU-Plenário - Sustentabilidade na Administração Pública Federal Infográfico - 2017 - Informações de Auditoria Acórdão nº 600/2019 - Plenário - Planos de Gestão de Logística Sustentável (PLS) devem estar previstos no planejamento estratégico de cada órgão e entidade da APF Acórdão nº 3254/2021 - Plenário - Monitoramento do Acórdão 1.056/2017- TCU-Plenário, no âmbito do TC 006.615/2016-3, ao apreciar a auditoria operacional sobre a sustentabilidade na administração pública federal, com as alterações propostas pelo Acórdão 600/2019-TCU-Plenário. Para aprofundar o tema, sugerimos a leitura complementar do texto “O Tribunal de Contas da União e a Sustentabilidade”, apresentado por Luis Gustavo Gomes e Suzete de Fátima Locatelli Winkeller, no Livro Gestão Pública Brasileira: inovação sustentável em rede. https://portal.tcu.gov.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A81881F7595543501762A325AB6303C https://portal.tcu.gov.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A81881F7595543501762A332031338A https://portal.tcu.gov.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A81881F7595543501762A33AF503586 https://portal.tcu.gov.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A81881F7595543501762A2CC97220FB Roteiro da unidade 20 1.2. Considerações finais Nesta unidade apresentamos os relevantes avanços que ocorreram nas últimas décadas em prol da sustentabilidade. Abordamos as principais Conferências e a distinção entre os termos desenvolvimento sustentável e sustentabilidade. Apresentamos a sustentabilidade por meio de concepção pluridimensional defendida por Juarez Freitas a partir de cinco dimensões: social, ética, jurídico- política, econômica e ambiental. Conduzimos especial atenção à definição do Plano de Logística Sustentável tratando de destacar visão integrada do conceito atribuído pelos normativos dos poderes: judiciário, legislativo e executivo. Evidenciamos a importância da Agenda 2030 e o alinhamento que podemos determinar ao tratarmos, entre outros aspectos, da relação com o consumo e produção sustentável. Por fim, destacamosos Acórdãos proferidos pelo TCU sobre os atos concretos que, pela extrema importância, se tornam boa orientação e recomendações sobre o tema da sustentabilidade, no âmbito do setor público. Na próxima Unidade de Ensino, vamos abordar sobre PLS associado a dois importantes temas: governança e planejamento estratégico. Vamos entender o que são critérios de sustentabilidade e conhecer o Índice de Sustentabilidade Ambiental (IASA) desenvolvido pelo TCU. A partir desse embasamento, iniciaremos uma nova etapa que constituirá fase importante para aqueles que desejam construir Plano de Logística Sustentável. Esperamos por vocês! Roteiro da unidade 21 1.3. Referências ARANTES, R. S.; NETO, A. M. V.; CARDOSO, J. R. Planos de Gestão de Logística Sustentável: Ferramenta para Boas Práticas na Gestão Pública. Congresso CONSAD de Gestão Pública, 7. Brasília: 2014. FEIL, A.A.; SCHEREIBER, D. Sustentabilidade e desenvolvimento sustentável: desvendando as sobreposições e alcances de seus significados. Cad. EBAPE. BR, v.14, n°3, Artigo 7, Rio de Janeiro, Jul./Set. 2017. FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: Direito ao Futuro. Belo Horizonte: Fórum, 2019. GRAU, Eros. A ordem econômica na Constituição de 1988. 8 ed. rev.atual. São Paulo: Malheiros, 2003. GALLELI, B.D. Sustentabilidade nas organizações: uma proposta de gestão a partir das inter-relações entre estratégia, competências organizacionais e competências humanas. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. HOFER, R. History of the Sustainability Concept - Renaissance of Renewable Resources. In: HOFER, R. Sustainable Solutions for Modern Economies. Londres: Royal Society of Chemistry, 2009. MUNCK, L. Gestão da Sustentabilidade nas organizações: um novo agir frente à lógica das competências. São Paulo, Cengage Learning, 2013 SACHS, I. Espaços, tempos e estratégias do desenvolvimento. São Paulo: Vértice, 1986. VALLE, V. R. L. do. Sustentabilidade das escolhas públicas: dignidade da pessoa trazida pelo planejamento público. A&C Revista de Direito Administrativo & Constitucional, ano 11, n. 45, p.127-149, jul./set. 2011. VILLAC, T.; BESSA F.L.B.N.; DOETZER, G.D. Gestão Pública Brasileira: Inovação Sustentável em Rede. Belo Horizonte: Fórum, 2021. Roteiro da unidade 22 Apêndice I – Vídeos complementares Na internet encontramos materiais que podem ser úteis para compreensão e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos. Por esse motivo recomendamos que acessem e assistam ao seguinte vídeo: Boas Práticas Legislativas e os impactos da Agenda 2030 da ONU Este vídeo integra a programação do Mês da Sustentabilidade, evento realizado anualmente pela Rede Nacional de Sustentabilidade no Legislativo (RLS)4 com o intuito de compartilhar boas práticas de sustentabilidade desenvolvidas pelo poder legislativo. Nesta edição apresentamos a experiência do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Tribunal de Contas do Estado de Goiás e Câmara Municipal de Presidente Prudente como inspiração para iniciarmos a atividade seguinte! <- https://www.youtube.com/watch?v=vzLqhjYLM3E -> 4 RLS: A Rede Nacional de Sustentabilidade no Legislativo é constituída pelo Tribunal de Contas da União, Senado Federal, Câmara dos Deputados e por demais órgãos e entidades da administração pública e da sociedade civil e destina-se à consecução de interesses comuns voltados à discussão e à proposição de questões e iniciativas relativas à gestão pública sustentável e eficiente no âmbito do Poder Legislativo. Para saber mais acesse: https://www.congressonacional.leg.br/rede-legislativo-sustentavel https://www.youtube.com/watch?v=vzLqhjYLM3E https://www.congressonacional.leg.br/rede-legislativo-sustentavel teiro da unidade 27