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HIV e AIDS Surgimento do HIV • Acredita-se que o vírus de imunodeficiência símia (SIV), de chimpanzés, foi transmitido a seres humanos por contato com sangue durante a caça desses animais → se transformou em HIV • Surgimento na África Ocidental Epidemiologia • Primeiros casos em 1981/1982 o 1° → casos em homo e bissexuais o Logo depois → novos casos em usuários de drogas injetáveis, hemofílicos, pacientes de transfusão e heterossexuais caribenhos/africanos • Primeira droga licenciada → azidotimidina ou AZT em 1987 • Advento do “coquetel” ou TARV → modificação da história natural da doença • Infecção pelo HIV e AIDS fazem parte da lista nacional de notificação compulsória de doenças • É uma pandemia mundial • Possui status de doença crônica → tem tratamento mas não tem cura • No Brasil (atualmente): o Mais de 1 milhão de casos e mais de 360 mil óbitos o Número de casos vem reduzindo o Mais prevalente em homens e em indivíduos de 20-34 anos o Não tem mais diferença significativa entre o número de heterossexuais ou homossexuais portadores o Hemofílicos, transmissão vertical e transfusão são minoria Vírus da imunodeficiência humana • Retrovírus (vírus de RNA) com dois tipos biológicos: HIV-1 e HIV-2 o HIV-2 ↓ imunodeficiência que HIV-1 • Classificação filogenética: o Grupos: HIV-1 (M, N, O, P) e HIV-2 (A- H) o Existem ainda subtipos dos grupos e sub-subtipos • Estrutura: • Infecção: o 1) Glicoproteína GP-120 liga a receptores CD4 o 2) Entra na célula e faz replicação com transcrição reversa o 3) As células infectadas se fundem com linfócitos CD4 e disseminam o vírus no organismo → sintomas da fase aguda o 4) Organismo ativa imunidade específica contra HIV → L-TCD8 o 5) Controle da carga viral → sintomas da fase aguda desaparecem o 6) Vírus entra em latência por anos -> indivíduo assintomático Transmissão • Tipos: o Sexual → hetero e homossexual o Parenteral → sangue e hemoderivados o Vertical → gestação, intraparto e amamentação • Fluidos corporais que contêm o vírus: o Sangue o Sêmen o Secreção vaginal o Leite materno o Outras secreções que estejam com sangue • Não contêm o vírus: o Saliva, urina, fezes, vômitos Transmissibilidade do HIV • Todas as vias de transmissão podem contaminar, porém a transmissibilidade vai depender de: o Tipo de exposição o Tipo de agulha ou material biológico o Presença de outras IST’s o Carga viral do portador do vírus HIV o Imunidade do indivíduo exposto Fisiopatogenia • Deficiência progressiva quantitativa e qualitativa dos linfócitos T CD4 o HIV altera TCD4 e os destroi por ação direta e indireta • Principais células alvo do HIV: o Linfócitos T CD4 e macrófagos ▪ Macrófagos servem de reservatório, têm suas funções alteradas e podem ser destruídos nas fases tardias • Outros: células dendríticas, megacariócitos, linfócitos B, células NK e outras • Anticorpos específicos contra o HIV são sintetizados 1-2 semanas após a infecção → são identificados em sangue e fluidos o Essas primeiras semanas são conhecidas como janela imunológica História natural da doença Progressão da infecção pelo HIV para AIDS • Progressores rápidos: queda rápida da contagem LT-CD4 e carga viral elevada / evolução para AIDS 1 a 2 anos após a transmissão → 5 a 10% o Progressores intermediários: queda mais lenta da contagem LT-CD4 / evolução para AIDS 8-10 anos após transmissão → 80% • Progressores lentos ou não progressores: discreta queda contagem LT-CD4, e carga viral baixa / evolução para AIDS em > 10 anos ou mesmo não progressão da doença → 10 a 15% o Controladores de elite → mantém viremia menor que 50 cópias/ml FASES Infecção aguda • Em 40% é assintomática, no restante há SRA Síndrome retroviral aguda (SRA): • Entre 1ª e 3ª semana • Vírus está com alta carga viral e os níveis de LT descendentes → mais fácil de transmitir • 50-90% dos indivíduos infectados • Semelhante a quadro de dengue, gripe ou mononucleose • Principais achados: o Febre, adenopatia, faringite, exantema, mialgia e cefaleia • Outros: o Esplenomegalia, letargia, astenia, anorexia, náuseas, vômitos, diarreia, perda de peso, úlceras orais o Meningite asséptica, neurite periférica sensitiva ou motora, paralisia do nervo facial ou síndrome de Guillain Barré • Autolimitada → desaparece em 3-4 semanas o Linfadenopatia, letargia e astenia podem persistir por meses Latência clínica • Nessa etapa, HIV está ativo mas reproduz em níveis muito baixos • Pode durar várias décadas para individuo em tratamento, e cerca de 1 década para não tratados • Exame físico normal, exceto pela linfadenopatia • Exames laboratoriais podem estar alterados → plaquetopenia (comum), anemia (normocítica e normocrômica) e leucopenia • Enquanto a contagem de LTCD4 permanece acima de 350 células/mm3 → episódios infecciosos mais frequentes são bacterianos Fase sintomática (síndrome pré-aids) • Alta carga viral e diminuição na contagem de LTCD4 → entre 200 e 300 células/mm³ • Maior susceptibilidades a doenças oportunistas • Sintomas: o Constitucionais (febre baixa, perda ponderal, sudorese noturna, fadiga) o Diarreia crônica o Cefaleia o Alterações neurológicas o Infecções bacterianas (pneumonia, sinusite, bronquite) o Lesões orais (leucoplasia oral pilosa e candidíase oral de repetição) o Candidíase vulvovaginal persistente o Herpes-zoster Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) • Critério do CDC modificado (Brasil) → evidência laboratorial de infecção pelo HIV + TCD4 < 350 ou doença definidora de AIDS • Critério do RJ / Caracas → evidência laboratorial de infecção pelo HIV + > ou = 10 pontos de acordo com escala de sinais/sintomas ou doenças AIDS avançada → CD4 < 200 células ou estágio clinico 3 ou 4 pela OMS Gravemente imunossuprimido → CD4 < 50 → Doenças oportunistas podem aparecer na fase intermediária ou na AIDS Doenças que definem o estágio da infecção Doenças definidoras da AIDS → doenças que indicam que a pessoa já está em estado de imunodepressão avançado Diagnóstico • Definitivo: laboratorial → 2 ou mais testes combinados de diferentes metodologias ou fabricantes diferentes • Tipos de testes: o Imunoensaios de terceira e quarta gerações o Testes rápidos o Western blot, imunoblot e outros o Teste molecular • A detecção por cada teste depende das semanas de infecção → gráfico o Ex: fase inicial e na síndrome retroviral aguda, anticorpos estão começando a ser produzidos, então só diagnostica com carga viral • Existe um período em que nenhum teste é capaz de detectar → eclipse (10 dias iniciais) Abordagem inicial após o diagnóstico • Acolhimento e eorientações quanto a práticas de risco, histórico médico atual e passado, doenças familiares, histórico psicossocial • Exame físico completo • Exames complementares: o Genotipagem pré-tratamento → identifica o subtipo do vírus e a quais antirretrovirais ele é sensível ▪ Indicações: indivíduos coinfectados TB-HIV, gestantes, crianças e pessoas que tenham se infectado com um parceiro em uso atual ou prévio de TARV e o O monitoramento laboratorial após a primeira consulta é feito utilizando a contagem de LT-CD4 e carga viral de HIV • Paciente deve saber após a primeira consulta: o Como o vírus causa a doença o Diferença entre infecção por HIV e AIDS o Importância da contagem de LT-CD4 e exame de carga viral o Meios de transmissão o Como evitar a contaminação o Como a terapia antirretroviral (TARV) funciona e sua utilidade o ISTs e hepatites devem ser evitadas o É possível infectar-se com outra cepa de HIV, mais patogênica ou resistente o Testes laboratoriais e sua utilidade • Paciente que chega com sinais de imunossupressão avançada e/ou sintomas de infecções oportunistas → recomenda-se a internação• Importante avaliação de risco cardiovascular, investigação de tuberculose, rastreamento de neoplasias, controle de imunizações Tratamento – terapia antirretroviral (TARV) • Consiste na terapia combinada de dois ITRN + um IP ou um ITRNN • O início da TARV está recomendado para todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente do seu estágio clínico e/ou imunológico, tendo em vista: o Redução de morbimortalidade o Diminuição da transmissão da infecção → pois baixa carga viral está associada a menor concentração do vírus nas secreções genitais o Impacto na redução da tuberculose o Disponibilidade de opções terapêuticas cômodas e bem toleradas • Tratamento é feito por toda a vida de forma ininterrupta • Situações de prioridade de atendimento para início de TARV (caso precise escolher por falta de acesso): Classes de antirretrovirais • Inibidores da transcriptase reversa • Análogos de nucleosídeos/nucleotídeos → ITRN • Não análogos de nucleosídeos/nucleotídeos → ITRNN • Inibidores de protease → IP • Inibidores da integrase • Inibidores da fusão • Antagonistas de CCR5 Medicamentos: Efeitos adversos: Linhas de tratamento • Primeira linha: tenofovir (TDF) + lamivudina (3TC) (2 em 1) e dolutegravir (DTG) o Inclusive para gestantes e mulheres vivendo com HIV em idade fértil) • Se coinfecção com tuberculose: o Quadro leve: tenofir + lamivudina + efavirenz o Quadro grave: tenofir + lamivudina + dolutegravir (dose dobrada) • Outros esquemas de acordo com comorbidades, uso de medicações prévias, e falha terapêutica Profilaxias • Primárias: o CD4< 200 → pneumocistose e neurotoxoplasmose: ▪ SMT+TMP 2cp/dia ou 1 cp/dia ou 2cp 3 vezes na semana • Secundárias: o De acordo com infecção oportunista apresentada e recuperação do CD4: ▪ Pneumocistose: SMT+TMP 2cp/dia ▪ Neurotoxoplasmose: SPAF ▪ Neurocriptococose: Fluconazol ▪ Micobacteriose atípica: Azitromicina • Paciente com TCD4 < 200 → Bactrim • Paciente com TCD4 < 450 → Bactrim e Azitromicina semanal Prevenção combinada • Testagem regular para HIV e outras ISTs • PEP e PrEP • Prevenção da transmissão vertical • Imunuzação para HBV e HPV • Redução de danos e gerenciamento de risco e vulnerabilidades • Diagnóstico oportuno e tratamento adequado das ISTs • Uso habitual e correto de preservativos • Supressão da replicação viral pelo TARV (indetectável = intransmissível) DOENÇAS OPORTUNISTAS ASSOCIADAS A SIDA • Infecções oportunistas → infecções que são mais frequentes ou mais severas devido a imunossupressão no paciente infectado pelo HIV o São a principal causa de morbi-mortalidade nesta população o muitos pacientes infectados pelo HIV só descobrem através de uma doença indicadora da AIDS Candidíase • Infecção oportunista mais comum em pacientes com HIV → principalmente por Candida albicans o Orofaríngea é mais comum que a esofágica (está na maioria dos casos) • Ocorre maus comumente quando CD4 < 200 céls/mm3 • Manifestações clínicas: o Candidíase orofaríngea → placas esbranquiçadas indolores e removíveis na mucosa, quelite angular, pápulas eritematosas o Candidíase esofágica → dor difusa e desconforto retroesternal, associada a disfagia e/ou odinofagia • Diagnóstico: o Candidíase orofaríngea →clínico o Candidíase esofágica → clínico + resposta a terapia → definitivo: visualização das lesões por EDA • Tratamento: o Candidíase orofaríngea → Fluconazol 100 mg/dia por 7-14 dias ▪ Alternativa → suspensão oral de Nistatina 5ml (gargarejar e engolir 4-5 x ao dia) o Candidíase esofágica → Fluconazol 100-400 mg/dia por 14-21 dias ▪ Alternativa → itraconazol oral 200 mg/dia, voriconazol 200 mg VO ou EV ex/dia • Não se realiza profilaxia Pneumocistose (PCP) • Agente: Pneumocystis jirovecii, organismo ubíquo caracterizado como fungo, mas com características de protozoários • Causa mais comum de doença pulmonar oportunistas em PVHIV com CD4<200 • Aquisição geralmente na infância → doença ocorre por nova aquisição do fungo ou por reativação • Fatores de risco: o CD4< 200 céls/mm3 o CD4< 14% o Carga viral elevada • 13-18% dos pacientes apresentam co-infecções (TB, SK, PNM bacteriana) • Manifestações clínicas: o Quadro subagudo (dias a semanas) de dispneia progressiva, febre, tosse não produtiva e desconforto torácico o Pode haver ainda fadiga e perda de peso o Exame físico pode ser normal ou apresentar taquipneia, taquicardia e ausculta com estertores finos ao final da expiração • Achados radiológicos: o Infiltrado intersticial peri-hilar e simétrico na radiografia o Atenuação pulmonar em vidro fosco na TC • Achados laboratoriais: o Hipóxia (pO2 < 70mmHg) o LDH aumentado (> 500mg/dL) o 1,3 Beta-D-glucan • Diagnóstico: o Clínico + achados laboratoriais e de imagem o Patógeno não pode ser cultivado → Pesquisa direta através de LBA o PCR é método emergente • Tratamento: o 1ª linha: SMX-TMP (sulfametoxazol + trimetoprima = Bactrim), com 15-20mg de TMP/kg/dia VO de 6/6 ou 8/8h por 21 dias o Alternativas: ▪ Clindamicina 300 mg 6/6h + Primaquina 15-30 mg 1x/dia por 21 dias ▪ Dapsona + Trimetoprim o Doença grave ou moderada e pO2 < 70 mmHg em ar ambiente → recomenta-se associação com corticoide: ▪ Prednisona 40 mg VO de 12/12h nos primeiros 5 dias, com redução progressiva pela metade até completar 21 dias o TARV: deve ser iniciada dentro de 2 semanas de tratamento para pacientes ainda sem uso • Profilaxia: o Tipos: ▪ Primária → quando CD4 < 200 ou doença definidora de AIDS ▪ Secundária → se história prévia de PCP o Manter até CD4 > 200 por mais de 3 meses o Manter se CD4 entre 100-200 e carga viral indetectável por 3-6 meses o Droga: SMX-TMP 800/160mg → 2 comprimidos/dia ou 800/160mg 3x/sem ▪ Proteção cruzada para Toxoplasmose ▪ Alternativas: Dapsona, Dapsona + Pirimetamina + Ác. folínico e Pentamidina aerossol Neurotoxoplasmose • Agente: Toxoplasma gondii • Causa mais comum de lesões expansivas cerebrais em PVHIV • Quase exclusivamente causada por reativação de infecção latente • Pacientes geralmente apresentam CD4< 100 céls/mm3 • Rara quando CD4> 200 céls/mm3 • Manifestações clínicas: o Cefaleia, confusão, fraqueza motora, febre o Pode haver convulsões o Exame físico → déficits focais (hemiparesia, disfasia, outras alterações motoras) o Se não tratada → convulsões, estupor e coma • TC de crânio: o Lesões hipodensas em substância cinzenta ou gânglios da base, com captação anelar ou nodular de contraste o Edema perilesional • RM: o Mais sensível para identificar lesões pequenas ou localizadas em fossa posterior • Diagnóstico: o Clínica o Exame de imagem sugestivo o IgG para toxoplasma positivo o Resposta clínico-radiológica, após 10 a 14 dias de tratamento antiparasitário o Outros → PCR no LCR • Diagnóstico diferencial: o Linfoma do SNC, LEMP, tuberculoma, criptococoma, abscesso cerebral • Tratamento: o Primeira escolha → Sulfadiazina + pirimetamina+ ácido folínico por 6 a 8 semanas ▪ Sulfadiazina 1.000mg (peso < 60kg) a 1500 mg (peso > 60 kg) VO 6/6h ▪ Pirimetamina 200 mg VO no D1 e 50mg/dia (<60 kg) a 75mg/dia (>60kg) VO ▪ Ácido fólico 10 mg/dia VO o Alternativas → ▪ Clindamicina 600 mg VO ou EV 6/6h + pirimetamina+ ácido folínico por 6 semanas ▪ SMT+TMP (Bactrim) 25 mg/kg de SMX 2x/dia VO ou EV por 6 semanas • Profilaxia: o Primária: ▪ CD4< 100 céls/mm3 e IgG positivo para toxoplasmose ▪ SMT+TMP 2CP/dia o Secundária: ▪ História prévia de NTX ▪ Sulfadiazina+ pirimetamina+ ácido folínico (em doses menores) ▪ Até CD4> 200 céls/mm3 por mais de 6 meses e sem novos sintomas Meningite criptocócica • Agentes: Cryptococcus neoformans, ocasionalmente Cryptococcus gatii • Causa mais frequente de meningite oportunista nas PVHIV • Fator de risco: CD4< 100• Meningite / meningoencefalite subaguda: o Febre o Mal-estar o Cefaleia o Náuseas e/ou vômitos o Rebaixamento do nível de consciência o Sinais meníngeos (apenas 1/3 dos pacientes) o Letargia o Redução do sensório o Alteração de personalidade o Alteração de pares cranianos • Complicações: o Diminuição da capacidade mental (30%) o Redução da acuidade visual (8%) o Paralisia permanente de nervos cranianos (5%) o Hidrocefalia • Diagnóstico: o Punção lombar com análise do LCR → pleocitose linfocítica, proteínas elevadas, glicose reduzida, pressão de abertura liquórica > 25 cmH2O, tinta da China positiva, e cultura (90% +) ▪ Pressão de abertura é essencial pois hipertensão intracraniana é responsável pela maioria das mortes nas 2 primeiras semanas após inicio do tratamento o Hemocultura → 55% de positividade o CrAg → LCR ou soro • Tratamento: o Realizado em 3 fases → indução (2 semanas), consolidação (8 semanas) e manutenção (pelo menos 1 ano e 2 contagens CD4 > 200 com intervalo de 6 meses) • Quando iniciar TARV? o Início imediato não é recomendado → entre 2-10 semanas de tratamento → risco de SIRI ▪ SIRI (Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune)→ condição inflamatória exacerbada, provocada pelo aumento de linfócitos TCD4+ após início da terapia antirretroviral (TARV) → piora clínica relacionada a agentes infecciosos latentes (SRI oculta) ou em tratamento o Adiar até completar a fase de indução ou até a fase de consolidação se possível → iniciar no mínimo após 4-6 semanas • Profilaxia secundária: o Tratamento de manutenção com fluconazol o Manter até pelo menos CD4> 100 por 3 meses e CV indectetável • Manejo da HIC secundária a meningite criptocócica: o Se pressão de abertura liquórica > 25 cmH2O + sinais de HIC = realizar punção lombar e retirar 20-30 ml de líquor ▪ Repetir a PL de alívio diariamente até a estabilização da PIC, da pressão de abertura e/ou melhora clínica o Se PIC persistentemente elevada após 7-10 dias de PL diária → considerar a abordagem neurocirúrgica para derivação liquórica (lombar externa ou lombo-peritoneal) o Manitol, acetazolamida e corticosteroides NÃO devem ser usados Tuberculose • Principal causa de morbi-mortalidade em pessoas com HIV • Sempre realizar teste de HIV em pessoas com diagnóstico de TB, e sempre triar TB em PVHIV (questionar sobre febre, tosse, sudorese noturna e emagrecimento) • Pode ocorrer com qualquer valor de CD4, porém quanto maior a imunossupressão, maior o risco de TB ativa • Prevenção de TB ativa: o Diagnóstico e tratamento de TB latente (ILTB) → quando a pessoa está infectada mas sem manifestação da doença ativa o Prova tuberculínica (PT) anual ▪ Se PT> 5mm ou IGRA positivo → tratar o Todas as PVHIV com CD4 < 350 devem receber tratamento para ILTB, desde que descartada TB ativa • Tratamento da ILTB: o Isoniazida (INH) por 6-9 meses o Rifapentina 900mg/semanal + Isoniazida 900mg/semanal por 12 semanas • Apresentação clínica: o Pode ocorrer com qualquer nível de CD4 o CD4>350-400 cel/mm³ → apresentação similar ao HIV negativo, com doença limitada ao pulmão, sintomas clássicos o CD4<200 cel//mm³ → sinais e sintomas de envolvimento extrapulmonar, alterações radiográficas inespecíficas • CD4 >350-400 → Reativação TB • CD4 < 200 → TB primária • Diagnóstico: o Clínica o Achados radiográficos o Exame de escarro: 3 amostras (pesquisa de BAAR e cultura) o Culturas de outros sítios: hemocultura, linfonodos, LCR o Histopatológico o Biologia molecular: ▪ Xpert MTB/RIF (GeneXpert): detecta o M. tuberculosis e mutações de resistência a rifampicina ▪ Líquidos: escarro (S: 88%, E: 98%), linfonodos (S:96%), LCR (S:85%), líquido pleural (34%) • Tratamento da TB ativa: o Fase intensiva (2 meses): RHZE (rifampicina, isoniazida,pirazinamida e etambutol) o Fase de manutenção (meses seguintes): ▪ Se forma pulmonar e formas extrapulmonares, exceto SNC → RH (rifampicina e isoniazida) por 4 meses ▪ Se SNC → RH por 7-10 meses o Quando há contraindicação a esquemas de ARV que permitem o uso de rifampicina → uso de rifabutina • TARV na coinfecção TB-HIV: o Risco de SIRI (paradoxal X desmascarada) o Iniciada em todos os pacientes com TB ativa (AI) independente da forma clínica ▪ Se naive e CD4< 50 ou sinais de imunodeficiência avançada: iniciar após 2 semanas de tratamento para TB ▪ Se CD4> 50: iniciar após 8 semanas o Se a pessoa já estava em uso de TARV quando diagnosticou TB: ▪ Início imediato do tratamento para TB ▪ Avaliar TARV em uso quanto a interações com anti-TB → trocar se necessário o O que iniciar? ▪ Quadro leve: TDF+3TC+EFV ▪ Quadro grave: TDF+ 3TC+DTG (dose dobrada) • Síndrome inflamatória de reconstituição imune (SIRI): o Resposta inflamatória exacerbada que estimula formação de granulomas → agravamento de lesões pré-existentes ou aparecimento de novos sinais, sintomas e achados radiológicos o Pode ocorrer em pacientes coinfectados TB-HIV que iniciam TARV → resposta a antígenos micobacterianos o Não indica falha no tratamento da TB e nem na TARV o Tratamento → corticoterpaia (prednisona 1-2 mg/kg/dia por 2 semanas, seguida de redução de 0,75 mg/kg/dia por mais 2 semanas) Micobacteriose atípica • Agente: Complexo Mycobacterium avium (MAC) • Transmissão: inalação e ingestão • Fatores de risco: o CD4< 50 céls/mm3 o Carga viral elevada o IOs prévias o Colonização pelo M. avium • Manifestações clínicas: o Doença disseminada → febre, sudorese noturna, emagrecimento, dor abdominal, diarreia, hepatoesplenomegalia, linfonodomegalias ▪ Laboratório → anemia e elevação de FAL o Forma pulmonar isolada: < 5% dos casos • Diagnóstico: o Clínica o Isolamento da bactéria por hemocultura, cultura de linfonodos, aspirado de medula óssea, cultura de escarro • Tratamento: o Varia conforme a espécie isolada o Macrolídeos sempre nos esquemas de tratamento o MAC: Claritromicina 500mg BID + Etambutol 15mg/kg MID por +- 1 ano o TARV deve ser iniciada após pelo menos 14 dias de tratamento • Profilaxia: o Primária: ▪ NÃO é recomendada para pessoas que iniciam TARV imediatamente ▪ CD4< 50 céls/mm3 se TARV não for iniciada ▪ Azitromicina 1200 mg/semana o Secundária: ▪ Claritromicina+ Etambutol (mesmas doses de tratamento) ▪ Suspensão quando? → pelo menos 12 meses de tratamento correto + sem sinais de doença ativa + CD4> 100 por pelo menos 6 meses Doença pelo citomegalovírus • Agente: Citomegalovírus, vírus DNA, da família do herpes vírus o Esse vírus permanece em estado de latência após a infecção primária • Maioria dos casos ocorre por reativação em pessoas previamente expostas ao vírus (soropositivas) • Fatores de risco: o CD4< 50 céls/mm3 (pode ocorrer a partir de <100) o Outras IO prévias o Carga viral elevada • Se apresenta principalmente por acometimento da retina e/ou TGI • Manifestações clínicas: o Retinite ▪ Manifestação mais comum ▪ 2/3 dos casos é unilateral ▪ Pode ser assintomática ▪ Sintomas → escotomas, redução da acuidade visual, perda súbita da visão ▪ Sem tratamento → lesão evolui progressivamente ▪ Uma das principais causas de cegueiras em pessoas com AIDS ▪ Diagnóstico: • Clínico • Exame oftalmológico o Doença no aparelho digestivo: ▪ Colite → perda de peso, anorexia, dor abdominal, diarreia, hemorragia, perfuração ▪ Esôfago → odinofagia, desconforto e dor retroesternal, náuseas, febre, acometimento do esôfago distal ▪ Diagnóstico: • Clínico • Endoscopia e colonoscopia: ulcerações • Biopsia: células com corpos de inclusão intra-nuclear (“olhos de coruja”) o Pneumonite o Acometimento do SNC → demência, ventriculoencefalite e polirradiculomielopatias ▪ LCR: pleocitose com predomínio de neutrofílico • Tratamento: o Fase de indução: ▪ 1ª linha → Ganciclovir 5mg/kg de 12/12h por 14-21 dias ▪ Alternativa → Foscarnet 90mg/kg 12/12h por 14-21dias o Fase de manutenção → profilaxia secundária: ▪ Ganciclovir 5mg/kg/dia ou Foscarnet 90mg/kg/dia ▪ Até CD4> 100 por pelo menos 3- 6 meses, em uso regular de TARV • TARV pode ser iniciada após 1 semana de tratamento Sarcoma de Kaposi • Agente: Herpes vírus humano tipo 8 • Atualmente → queda importante na incidência • Fatores de risco: o CD4< 200 céls/mm3 • Manifestações clínicas: o Leões de pele indolores, arroxeadas e induradas o Pode ocorrer acometimento de mucosas e víscera • Diagnóstico: o Clínica + Histopatológico • Tratamento: o Formas leves a moderadas → antirretrovirais o Formas graves e com acometimento visceral → antirretrovirais + quimioterapia • Não realiza-se profilaxia primária e secundária Criptosporidiose • Agentes: Cryptosporidium hominis, Cryptosporidium parvum, Cryptosporidium meleagridis • Causa importante de diarreia crônica em pacientes com SIDA • Infecção → ocorre pela ingestão de oocistos ou por contato pessoa-pessoa (HSH) • Manifestações clínicas: o Diarreia aquosa (poucos a vários episódios) associada a náuseas, vômitos, dor abdominal o Febre e síndrome de má absorção em casos graves o Colangite e pancreatite por invasão do protozoário • Diagnóstico: o Clínica + exame parasitológico de fezes • Tratamento: o Suporte clínico: hidratação, correção DHE o Antirretrovirais o Nitazoxanida 500-1000mg 12/12h por 14 dias • Prevenção primária → uso de TARV • Não há profilaxia secundária Isosporíase • Agente: Isospora belli • Infecção ocorre pela ingestão de oocistos esporulados • Fator de risco → CD4< 200 céls/mm3 • Manifestações clínicas: o Diarreia aquosa, não sanguinolenta, dor abdominal, cólicas, náuseas, vômitos, febre o Desidratação, DHE • Diagnóstico → clínico + exame parasitológico de fezes • Tratamento: o Suporte clínico: hidratação, correção de DHE o SMT+TMP 800/160mg QD por 10 dias o Alternativa: Ciprofloxacino 500mg BID por 7 dias • Profilaxia primária → uso de TARV • Profilaxia secundária: o SMT+TMP 800/160mg 3x por semana o Até CD4> 200 céls/mm3 por 6 meses e sem sinais de infecção pelo I. belli PROFILAXIAS PRÉ E PÓS EXPOSIÇÃO Profilaxia pré-exposição (PrEP) • Uso de antirretrovirais orais para reduzir risco de adquirir a infecção • Critérios de elegibilidade: o Adultos e adolescentes sexualmente ativos, maiores de 15 anos, com peso maior ou superior a 35 kg o Com contexto de risco aumentado de se infectar por HIV • Critérios de exclusão: o Resultado de teste de HIV positivo o Clearence de creatinina < 60 ml/min • Testagem: o Teste rápido com resultado negativo para infecção por HIV na primeira consulta o Exposição de risco recente (30 dias) + sinais e sintomas de infecção viral aguda → exame de carga viral o Exposição de risco recente, fora da janela de 72h (PEP) e sem sintomas → início imediato do PrEP • Uso diário e regular do medicamento é fundamental → efetividade relacionada ao grau de adesão à profilaxia o Uso regular + boa adesão → após níveis protetores não necessitam de PEP após exposição de risco o Uso irregular + adesão abaixo do ideal → PEP pode ser indicada até 72h após exposição • Importante para pacientes em uso de PrEP: o Orientação que PrEP protege apenas para o HIV, mão protegendo de outras ISTs o Testagem de ISTs e hepatites virais o Orientações da vacinação de hepatite B o Avaliação da função renal a cada 12 meses → TDF pode levar a perda progressiva da função renal o Avaliação do histórico de fraturas patológicas → TDF pode diminuir massa óssea (incerto) • Esquema antirretroviral do PrEP: o Iniciado após teste negativo (de preferência no mesmo dia ou no máximo após 7 dias) o Fumarato de tenofovir desoproxila (TDF) 300 mg+ entricitabina (FTC) 200 mg → 1 comprimido diário ▪ Níveis protetores na mucosa anal após 7 dias, e no tecido cervicovaginal após 20 dias o Nova recomendação: dose de ataque de 2 comprimidos de TDF/FTC no D1, seguido de 1 comprimido diário nos próximos dias ▪ Se tomados até 2h antes da relação → no mesmo dia já tem níveis protetores na mucosa anal o Efeitos adversos: náusea, cefaleia, flatulência, amolecimento das fezes/diarreia e edemas • Existe uma série de interações medicamentosas, sendo necessário evitar ou ter cautela com uma série de medicamentos o Não afeta eficácia de contraceptivos e repositores hormonais o Uso de drogas e álcool não afeta a eficácia do PrEP, mas pode prejudicam o uso correto • Interromper PrEP em caso de: o Diagnóstico de HIV o Desejo da pessoa o Mudança no potencial de risco de infecção o Persistência ou ocorrência de eventos adversos relevantes o Baixa adesão • Uso na concepção, gestação e aleitamento: o Mulheres HIV negativas, com desejo de engravidar de parceiro soropositivo, ou que tenham frequentes situações com potencial exposição → podem usar PrEP ao longo da gravidez e amamentação → proteção para mãe e para o bebê • Importante o acompanhamento clínico e laboratorial, com testagem de HIV, a cada 30 dias na primeira dispensação e depois a cada 3 meses Profilaxia pós-exposição (PEP) • Consiste no uso de medicação até 72 h após situação de risco de exposição ao HIV, visando evitar a infecção • Quatro passos da avaliação da PEP: • Importante entender os materiais e exposição com risco para transmissão: • Importante para quem procura o uso do PEP: o Verificar se há indicação de PrEP → pessoas que procuram muito a PEP ou que estejam em alto risco por exposições contínuas o Oferecer testagem para HIV, sífilis e hepatites virais o Orientar vacinação de HPV e hepatites o Diagnosticar e tratar IST o Orientar sobre sexo seguro o Orientar sobre redução de danos • Não se deve atrasar e nem condicionar o atendimento da pessoa exposta à presença da pessoa fonte o Porém, se pessoa fonte estiver presente e for não reagente → PEP não está indicada • Esquema antirretroviral para PEP (28 dias): o Padrão: ▪ Preferencial → 1 cp TDF/3TC 300 mg/300 mg + 1 cp DTG 50 mg VO – 1x/dia o Gestantes: ▪ Gestante < 12 semanas, pessoa em processo de tentar engravidar, atraso menstrual e presença de sinais e sintomas de gravidez (com risco de já ter concebido) → iniciar PEP com TDF + 3TC + ATV + RTV ▪ Gestante > 12 semanas → esquema preferencial (TDF/3TC + DT) o Crianças expostas a material perfurocortante, violência sexual, leite materno de PVHIV ou exposição sexual de risco: ▪ No caso de leite materno → orientar de imediato que é CONTRAINDICADA a amamentação por PVHIV e informar sobre direito de receber fórmula e medicamento inibidor da lactação ▪ Adolescentes → direito a privacidade e sigilo, salvo em caso de internação ou risco de vida • Efeitos adversos e toxicidade: o No geral são bem tolerados o Sintomas inespecíficos, leves e autolimitados → efeitos do TGI, cefaleia e fadiga o TDF → associado a possibilidade de toxicidade renal e risco potencial de exacerbação em infectados por HBV ▪ Necessário acompanhamento ▪ Se não for tolerado → AZT + 3TC como alternativa o DTG → cuidado em pessoas em uso de metformina (DTG aumenta a concentração desse fármaco) ▪ Caso não seja indicado, o medicamento alternativo é ATV + RTV ▪ ATV + RTV → contraindicado em uso de medicamentos que interfiram na acidez gástrica • Mesmo com PEP → orientar todas as pessoas potencialmente expostas a repetir a testagem 4-6 semanas e 12 semanas após a exposição → Tanto no PrEP, como no PEP, no caso de teste reagente, deve-se realizar um segundo teste rápido diferente do primeiro para estabelecer a infecção para HIV e então dispensar o uso dessas profilaxias