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Coaching
02
1. O Que é Coaching 5
Terminologia 6
Competências Fundamentais de um Coach 8
Presença em Coaching 9
Comunicando-Se de Maneira Efetiva 10
Questionamento Instigante 10
Comunicação Direta 11
Facilitando o Aprendizado e Resultados 11
Desenvolver Ações 12
Planejamento e Definição de Metas 12
Gestão de Progresso e Responsabilização 13
Fluxograma de um Processo de Coaching 14
A Qualidade do Relacionamento de Coaching 14
Diretrizes para o Executivo 16
Diretrizes para o Coaching 18
As Competências Essenciais
Conhecimento Psicológico 19
Capacidade de Tomar Decisões
que Gerem Lucros nos Negócios (Business Acumen) 21
Conhecimento Organizacional 22
Conhecimento de Coaching 24
Tarefas e Habilidades de Coaching 25
Atributos e Habilidades 26
2. Entenda o Processo de Coaching
e sua Execução Passo a Passo 29
Qual a Efetividade do Processo de Coaching 29
O Coaching e o Processo de Desenvolvimento
de Competências e Habilidades
na Aprendizagem Gerencial 31
Competências e Aprendizagem
no Âmbito Organizacional 33
3
Coaching: Evolução, Conceitos e Processo 35
Metodologia da Pesquisa 39
Análise e Discussão dos Resultados 41
Avaliação Multidirecional
das Competências Emocionais 41
Avaliação Multidirecional
das Habilidades Gerenciais 43
Avaliação de Aprendizagem Pós-Coaching 44
Avaliação dos Possíveis Benefícios
Após o Processo de Coaching 46
Considerações Finais 47
3. Coaching no Processo de Desenvolvimento
Individual e Organizacional 50
Coaching: Uma Breve Revisão
de Conceitos 52
Coaching no Desenvolvimento
de Competências 55
Metodologia 57
Apresentação e Análise dos Resultados 59
O processo de coaching 61
Desenvolvimento de Competências 62
As Aprendizagens do Processo 67
Considerações Finais 69
O Que é Coaching Esportivo 71
Coaching no Futebol
e em Outras Modalidades Esportivas 72
Benefícios do Coaching Esportivo 72
Conheça o Coach Training Esportivo 73
4. Referências Bibliográficas 75
04
5
APOSTILA DE COACHING
1. O Que é Coaching
Fonte: Feliz com Você1
oach é uma palavra inglesa,
mas de origem húngara (kocsi).
Kocs é uma cidade na Hungria que,
no século XV, começou a produzir
carruagens que se tornaram as mais
cobiçadas da época por seu conforto.
Assim, as carruagens de kocs eram
chamados de kocsi.
A palavra coach possui vários
significados. Dois são os mais
comuns:
Veículo para o transporte de
pessoas, originalmente car-
ruagens. Alguns vagões de
trem e tipos de ônibus também
são chamados de coaches;
Técnico ou treinador de pro-
fissionais.
1 Retirado em https://www.felizcomvoce.com.br/
O coaching (Coaching é um
processo de desenvolvimento huma-
no, pautado em diversas ciências co-
mo: Psicologia, Sociologia, Neuro-
ciências, Programação Neurolin-
guística – PNL, entre diversas ou-
tras, que usa de técnicas da Admi-
nistração de Empresas, Gestão de
Pessoas e do universo dos esportes
para apoiar pessoas e empresas no
alcance de metas, no desenvolvi-
mento acelerado e, em sua evolução
contínua.) é um processo no qual
(Coach é o termo é usado para de-
signar os treinadores, aqueles pro-
fissionais responsáveis pelo aperfei-
C
6
APOSTILA DE COACHING
çoamento de habilidades específicas
dos atletas, que estão na beira dos
campos e quadras para orientar.)
coach (profissional) e coachee (Coa-
chee é o cliente atendido pelo coach
nas sessões de coaching. E o plural
de coachee é coachees). (Pessoa que
passa pelo processo de coaching)
identificam objetivos, traçam metas
e estabelecem os pontos que indica-
rão o sucesso. O coach, através do
uso das suas técnicas e habilidades,
presta assessoria, estimula, apoia e
acompanha todo este processo, de
modo a garantir que o rumo definido
durante as sessões com seu cliente
seja seguido e que obstáculos que
possam surgir no caminho se-jam
superados.
O foco do coaching é o futuro:
o coach não se aprofunda nas causas
dos problemas que seu cliente
enfrenta, mas nos sonhos a serem
conquistados e nos meios para tal.
Coach e coachee traçam essas metas
juntos, com base em uma análise
comportamental. Assim, é possível
estipular, logo na primeira sessão de
coaching, objetivos condizentes com
o perfil do indivíduo e dar prosse-
guimento para as próximas, nas
quais, juntos, trabalharão para atin-
gir os resultados determinados. As
abordagens para o coaching são as
mais diversificadas possíveis, sem-
pre se adequando com facilidade às
necessidades do cliente.
O coach evita ao máximo dizer
ao indivíduo ou empresa que o con-
tratou o que fazer. Seu trabalho é
ampliar a percepção do coachee,
fazendo com que ele mesmo descu-
bra a melhor forma para chegar ao
seu objetivo. O coach dá assistência
e oferece as ferramentas necessárias
para que o cliente trilhe seu próprio
caminho de crescimento e continue
sempre crescendo de forma inde-
pendente. Qualquer um pode se tor-
nar um coach. Basta ter vontade e
determinação para assumir o con-
trole da própria vida e ajudar as
pessoas ao seu redor a fazerem o
mesmo.
Terminologia
Coaching: profissão (assim como
psicologia, administração, consul-
toria, etc.)
Coach (plural coaches): Profis-
sional (assim como o psicólogo, ad-
ministrador, consultor, etc.)
Coachee (plural coachees):
CLIENTE que passa pelo processo
de coaching.
Patrocinador: QUEM PAGA pelo
processo de coaching.
Sessão: Um ENCONTRO entre um
coach e seu cliente.
Processo: Um CONJUNTO DE
SESSÕES entre um coach e seu
cliente.
7
APOSTILA DE COACHING
Uma sessão de coaching tem
duração de cerca de* 50 a 90
minutos e o espaçamento en-
tre elas costuma* ser entre
uma e duas semanas. (* apli-
cam-se exceções);
A duração típica* de um pro-
cesso de coaching é de 3 a 6
meses onde acontecem em
média 6 a 12 encontros ou
sessões;
Ao pensarmos no coaching,
devemos imaginar uma linha
de tempo, onde o presente é
um “Ponto A” ou estado atual.
A situação onde o coachee se
encontra hoje.
Em cada etapa mais adiante
dessa linha está o FUTURO. O
futuro pode ser qualquer pon-
to a direita do “Ponto A”, sen-
do o estado desejado, o “Ponto
B”;
Para que o coaching seja
possível, é necessário que o
estado desejado seja diferente,
preferencialmente melhor,
que o estado atual;
Para isso o coaching vai buscar
ferramentas, modelos e técni-
cas oriundas de diversas ciên-
cias e aplicadas em diversos
campos de atuação, como os
descritos no quadro abaixo.
O coaching então é uma es-
pécie de TECNOLOGIA, que mistu-
ra e se utiliza de uma parte dessas
disciplinas para a criação de seu
jeito único de TER CONVERSAS
RELEVANTES PARA O CLIENTE.
Normalmente, através de questiona-
mento eficaz, fazendo com que ele
desenvolva mais FOCO e AÇÕES
com o intuito de se TORNAR quem
ele precisa e, por consequência, al-
cançar um RESULTADO factível e
mensurável. O coachee vai agir com
comprometimento em direção a um
resultado que ele deseja.
FOCO x AÇÃO = RESULTADO
(sendo o resultado, o Estado
Desejado)
“Insanidade é fazer sempre a
mesma coisa e esperar resultados
diferentes.” - Albert Einstein
Então resultado sem aprendi-
zado raramente se sustenta e por
isso é tão necessário no coaching a
geração de conscientização em cada
sessão e em cada etapa do processo
através de feedback sem julgamento
e de feedfoward para a elaboração de
ações e das expectativas de desen-
volvimento ligadas a esse último.
RESULTADO + FEEDBACK =
APRENDIZADO
APRENDIZADO + RESULTADO =
DESENVOLVIMENTO
8
APOSTILA DE COACHING
DESENVOLVIMENTO +
SUSTENTABILIDADE = SER
SER + FAZER = TER (ESTADO
DESEJADO)
Assim, um dos objetivos do
processo de coaching é trabalhar pa-
ra que um cliente desenvolva conhe-cimentos, habilidades e atidudes (de
agora em diante conhecidas como
CHA) para que possa SER a pessoa
capaz de FAZER para TER seu esta-
do desejado com a capacidade para
mantê-lo.
Nem sempre, ao agir, o coa-
chee tem o resultado que ele espera-
va, mas o importante é a ação. Se o
resultado não aconteceu, no feed-
back, coach e cliente analisam o que
deve ser feito ou o que não deve ser
feito para corrigir a caminhada em
direção ao resultado. O aprendizado
é então gerado e prossegue o coa-
ching, pois a pessoa agora sabe ma-
neiras de não agir também.
O coach tem técnicas e ferra-
mentas para ajudar uma pessoa se
comprometer ainda mais, mas a pes-
soa tem que estar disposta a entrar
no processo de coaching. Se a ação
não for feita, não existe o coaching.
O coaching só vai funcionar com a
ação, com o cliente se mantendo no
foco, medindo e aprendendo cada
passo dado em direção ao resultado.
Então, para o coaching, a JORNADA
é mais importante que o DESTINO.
O estado desejado é uma consequên-
cia do processo de transformação e
evolução do cliente que, agora, tem
um tamanho muito maior e as com-
petências necessárias para superar
os desafios que antes (do estado
atual) pareciam intransponíveis.
Competências Fundamentais
de um Coach
Estabelecendo os fundamen-
tos:
Cumprindo Diretrizes Éticas e
Padrões Profissionais - A com-
preensão da ética e dos pa-
drões em coaching e a habi-
lidade de aplicá-los apropria-
damente em todas as situações
de coaching.
Compreender e demonstrar
em seus próprios comporta-
mentos os Padrões de Con-
duta;
Compreender e seguir todas as
Diretrizes Éticas;
Saber comunicar claramente
as distinções entre coaching,
consultoria, psicoterapia e ou-
tras profissões de apoio;
9
APOSTILA DE COACHING
Orientar o cliente sobre a ne-
cessidade de buscar outro pro-
fissional de apoio, sabendo
quando isto é necessário e
quais os recursos disponíveis.
Estabelecendo o contrato de
Coaching - Habilidade de com-
preender o que é necessário na
interação específica de coa-
ching e a chegar a um acordo
com o novo cliente sobre o
processo e relacionamento de
coaching.
Compreender e discutir de
maneira eficaz com o cliente as
diretrizes e os parâmetros es-
pecíficos do relacionamento
de coaching (isto é, logística,
preço, programação, inclusão
de outras pessoas caso isto seja
adequado);
Chegar a um acordo sobre o
que é e o que não é apropriado
no relacionamento, o que está
e o que não está sendo ofere-
cido, e sobre as responsabili-
dades do cliente e do coach;
Determinar se existe uma cor-
respondência entre o seu mé-
todo de coaching e as necessi-
dades do cliente em potencial.
Co-criando o relacionamento:
Estabelecendo Confiança e In-
timidade com o Cliente - Habi-
lidade de criar um ambiente
seguro, de apoio que produza
respeito e confiança mútuos
continuamente.
Mostrar preocupação genuína
pelo bem-estar e futuro do
cliente;
Demonstrar, continuamente,
integridade, honestidade e
sinceridade;
Estabelecer acordos claros e
manter promessas;
Demonstrar respeito pelas
percepções, pelo estilo de
aprendizagem e pela maneira
de ser do cliente;
Fornecer apoio contínuo e
encorajar novos comporta-
mentos e ações, incluindo
aqueles que envolvam riscos e
medo do fracasso;
Pedir permissão ao cliente pa-
ra trabalhar, no coaching, áre-
as novas ou sensíveis.
Presença em Coaching
Habilidade de ser totalmente
consciente e criar um relacionamen-
to espontâneo com o cliente, empre-
gando um estilo aberto, flexível e
confiável:
Estar presente e ser flexível
durante o processo de coa-
ching, conforme o momento;
Usar a sua própria intuição e
confiar no conhecimento inte-
rior da pessoa - deixar que as
coisas aconteçam de maneira
natural;
Estar aberto para o desconhe-
cido e para lidar com riscos;
Ver muitas formas de traba-
lhar com o cliente, e escolher
no momento o que é mais
eficaz;
10
APOSTILA DE COACHING
Usar o humor de maneira efi-
caz para criar leveza e energia;
Ter confiança para mudar a
perspectiva e experimentar
novas possibilidades para a
sua própria ação;
Demonstrar segurança ao tra-
balhar com emoções fortes,
poder se autocontrolar e não
ser dominado ou se deixar en-
volver pelas emoções do
cliente.
Comunicando-Se de Maneira
Efetiva
Escuta Ativa: Habilidade de focar-
se completamente no que o cliente
está dizendo e no que ele não está di-
zendo, entender o significado do que
é dito no contexto dos desejos do
cliente, e dar apoio para que o clien-
te se expresse:
Estar presente para o cliente e
para a agenda do cliente, e não
na agenda do coach para o
cliente;
Ouvir as preocupações, metas,
valores e crenças do cliente
sobre o que é e sobre o que não
é possível;
Distinguir entre as palavras, o
tom de voz e a linguagem do
corpo;
Resumir, parafrasear, repetir,
devolver (espelhar) o que o
cliente falou para garantir
clareza e entendimento;
Encorajar, aceitar, explorar e
reforçar a expressão de senti-
mentos, percepções, preocu-
pações, crenças, sugestões,
etc. por parte do cliente;
Integrar e construir a partir
das ideias e sugestões do
cliente;
“Ir para a última linha” ou
compreender a essência da co-
municação do cliente e ajudá-
lo a chegar diretamente ao
ponto ao invés de envolver-se
em longas histórias descri-
tivas;
Permitir que o cliente expresse
ou "clareie" a situação sem jul-
gamento ou sem se prender
para poder seguir adiante.
Questionamento Instigante
Habilidade de fazer perguntas
que revelem as informações neces-
sárias para o benefício máximo do
relacionamento de coaching e para o
cliente:
Fazer perguntas que reflitam a
escuta e compreensão ativa da
perspectiva do cliente;
Fazer perguntas que evoquem
a descoberta, o insight, com-
promisso ou ação (por exem-
plo, aquelas que desafiem os
pressupostos do cliente);
Fazer perguntas abertas que
criem maior clareza, possibi-
lidades ou novos aprendi-
zados;
Fazer perguntas que façam o
cliente se mover em direção ao
que ele deseja, e não perguntas
que façam o cliente se justi-
ficar ou olhar para trás.
11
APOSTILA DE COACHING
Comunicação Direta
Habilidade de comunicar-se
com eficácia durante as sessões de
coaching, e de usar linguagem que
tenha o maior impacto positivo pos-
sível no cliente:
Ser claro, articulado e direto
ao compartilhar e fornecer
feedback;
Reconstruir e articular para
ajudar o cliente a compreen-
der a partir de outras pers-
pectivas o que ele/ela quer ou
está incerto sobre;
Afirmar claramente os objeti-
vos, a agenda de encontros, o
propósito e as técnicas ou
exercícios de coaching;
Utilizar linguagem apropriada
e respeitosa com o cliente (por
exemplo, não-machista, não-
racista, não-técnica, sem jar-
gões);
Usar metáforas ou analogias
para ajudar a ilustrar um pon-
to ou criar imagens verbais.
Facilitando o Aprendizado e
Resultados
Criando Conscientização: Habi-
lidade de integrar e avaliar com pre-
cisão as múltiplas fontes de informa-
ção, e fazer interpretações que aju-
dam o cliente a se conscientizar e a
partir disto atingir os resultados
estabelecidos:
Ir além do que é dito ao avaliar
as preocupações do cliente,
não se deixar levar pela des-
crição do cliente;
Investigar para maior compre-
ensão, conscientização e
clareza;
Identificar para o cliente as
suas preocupações subjacen-
tes, formas típicas e fixas de
perceber a si mesmo e o mun-
do, diferenças entre os fatos e
a interpretação, disparidades
entre pensamentos, sentimen-
tos e ações;
Ajudar o cliente a descobrir
novos pensamentos, crenças,
percepções, emoções estados
de espírito, etc. para si mesmo,
que reforcem as habilidades de
realizar ações e alcançar o que
é importante para eles; Comunicar perspectivas mais
amplas ao cliente e inspirar o
compromisso de mudar os
seus pontos de vista e encon-
trar novas possibilidades para
ação;
Ajudar o cliente a ver os dife-
rentes fatores inter-relaciona-
dos que o afetam e afetam seus
comportamentos (por exem-
plo, pensamentos, emoções,
aspectos corporais, contexto);
Expressar insights para os
clientes de maneira que eles
sejam úteis e significativos
para o cliente;
Identificar grandes pontos for-
tes e grandes áreas para apren-
12
APOSTILA DE COACHING
dizado e crescimento, e o que é
mais importante para tratar
durante o coaching;
Pedir para que o cliente faça a
distinção entre assuntos tri-
viais e significativos, compor-
tamentos situacionais e recor-
rentes, quando for detectada
uma separação entre o que es-
tá sendo dito e o que está sen-
do feito.
Desenvolver Ações
Habilidade de criar, com o
cliente, oportunidades para o apren-
dizado contínuo durante o coaching
e em situações do trabalho/da vida,
e praticar novas ações que irão levar
de maneira mais eficaz aos resulta-
dos estabelecidos no coaching:
Procurar ideias ("Brainstor-
ming") e ajudar o cliente a de-
finir ações que irão permitir
que ele se manifeste, pratique
e aprofunde novos aprendi-
zados;
Ajudar o cliente a focar-se e
explorar sistematicamente
preocupações e oportunidades
específicas que sejam centrais
às metas estabelecidas de coa-
ching;
Envolver o cliente para que ele
explore ideias e soluções alter-
nativas, para avaliar opções e
tomar decisões relacionadas;
Promover experiências ativas
e autodescoberta, quando o
cliente aplicar o que foi dis-
cutido e aprendido durante as
sessões imediatamente após
no seu trabalho ou no seu con-
texto de vida;
Comemorar sucessos do clien-
te e capacidades de crescimen-
to futuro;
Desafiar os pressupostos e
perspectivas do cliente para
provocar novas ideias e en-
contrar novas possibilidades
para ação;
Defender ou levar adiante
pontos de vista que sejam coe-
rentes com as metas do cliente
e, sem ficar preso, envolver o
cliente de modo a considerá-
los;
Contribuir para a tomada de
iniciativas por parte do cliente
durante a sessão de coaching,
fornecendo apoio imediato;
Encorajar esforços e desafios,
mas também um ritmo confor-
tável de aprendizado.
Planejamento e Definição de
Metas
Habilidade de desenvolver e
manter um plano de coaching eficaz
com o cliente:
Consolidar a informação cole-
tada, estabelecer um plano de
coaching e desenvolver metas
com o cliente que tratem de
preocupações e grandes áreas
para aprendizado e desenvol-
vimento;
13
APOSTILA DE COACHING
Criar um plano com resultados
que sejam possíveis de alcan-
çar, de medir, sejam específi-
cos e tenham prazos de cum-
primento;
Fazer ajustes nos planos, con-
forme permitido pelo processo
de coaching e pelas mudanças
na situação;
Ajudar o cliente a identificar e
ter acesso a diferentes recur-
sos de aprendizagem (por
exemplo, livros, outros profis-
sionais);
Identificar e estabelecer como
alvos primeiros sucessos que
sejam importantes para o
cliente.
Fonte:
https://www.jrmcoaching.com.br/
Gestão de Progresso e Respon-
sabilização
Habilidade de manter a aten-
ção no que é importante para o
cliente e de deixar com ele a respon-
sabilidade de realizar a ação:
Requisitar claramente do
cliente ações que o movam
adiante em direção às metas
estabelecidas por ele;
Demonstrar acompanhamen-
to perguntando ao cliente so-
bre estas ações com as quais
ele se comprometeu durante
as sessões anteriores;
Reconhecer o cliente pelo que
ele fez, não fez, aprendeu ou
conscientizou-se desde as ses-
sões anteriores de coaching;
Preparar, organizar e rever de
maneira eficaz com o cliente as
informações obtidas durante
as sessões;
Manter a continuidade entre
as sessões com o cliente, con-
centrando a atenção no plano
e nos resultados do coaching,
nos cursos de ação estabele-
cidos e nos tópicos para as
próximas sessões;
Focar no plano de coaching,
mas também estar aberto a
comportamentos e ações de
ajuste baseados no processo
de coaching e mudanças de
direção durante as sessões;
Ser capaz de mover-se para
trás e adiante entre o objetivo
em direção ao qual o cliente
está voltado, definindo um
contexto para o que está sendo
discutido e onde o cliente
deseja chegar;
Promover a autodisciplina do
cliente e mantê-lo responsabi-
lizado pelo que ele diz que vai
fazer, pelos resultados de uma
ação que ele pretende realizar,
por um plano específico com
prazos relacionados;
14
APOSTILA DE COACHING
Desenvolver a habilidade do
cliente de tomar decisões, tra-
tar de preocupações chave e
desenvolver a si mesmo (para
ter feedback, para determinar
prioridades e definir o ritmo
de aprendizagem, para refletir
e aprender com as expe-
riências);
Confrontar de maneira positi-
va o cliente com o fato de que
ele/ela não realizou as ações
estabelecidas.
Fluxograma de um Processo
de Coaching
A Qualidade do Relaciona-
mento de Coaching
A qualidade do relacionamen-
to de coaching é um elemento-chave
para o sucesso. O coach cria um am-
biente seguro no qual o executivo
possa se sentir confortável em assu-
mir os riscos necessários para
aprender e se desenvolver. Selecio-
nando de uma ampla base de conhe-
cimento e de um repertório sólido de
ferramentas de aprendizagem, o
coach oferece orientação e ativida-
des que ajudam o executivo a alcan-
çar suas metas de aprendizagem.
Através de conversas investiga-se a
atual situação de trabalho do exe-
cutivo, no intuito de encontrar opor-
tunidades de “aprendizagem de la-
boratório” práticas e orientadas para
os negócios.
A atividade prática do coa-
ching é baseada nos princípios da
aprendizagem de adultos: consciên-
cia, ação, e reflexão. Utilizando da-
dos colhidos da fase do processo de
avaliação, o coach engaja o executivo
em discussões e atividades proje-
tadas para:
Aumentar a autoconsciência
sobre as implicações de com-
portamentos típicos
Aprender habilidades, cons-
truir competências, mudar
comportamentos, e alcançar
resultados.
Refletir sobre maneiras de
desenvolver e refinar habilida-
des e comportamentos.
As ferramentas e atividades de
aprendizagem podem incluir, mas
não estão limitadas a, conversa in-
tencional, ensaios e role-plays, gra-
vações em vídeo, questionar e con-
frontar ao mesmo tempo em que se
15
APOSTILA DE COACHING
dá apoio, leituras relevantes, análise
e planejamento do trabalho, e pla-
nejamento estratégico.
Após a avaliação estar comple-
ta e as metas terem sido estabele-
cidas, formas adicionais de coa-
ching, ou de desenvolvimento além
do coaching executivo, podem ser
necessárias como parte da aprendi-
zagem do executivo.
Esses tipos de atividades de
coaching e de desenvolvimento in-
cluem entre outras, coaching de car-
reira, treinamento em desenvolvi-
mento de gerência, coaching pes-
soal, treinamento em técnicas de
apresentação, coaching sobre como
se vestir para o sucesso, consultoria
de desenvolvimento organizacional,
reengenharia de processos, e coa-
ching em vídeo.
Quando o coach tem experiên-
cia nessas áreas e elas entram no es-
copo do contrato de aprendizagem,
o coach pode fornecer a assistência
diretamente. Se o coach não for qua-
lificado, ou coaching adicional esti-
ver além do escopo do contrato de
aprendizagem, outros arranjos são
feitos. O coach pode fazer os encami-
nhamentos apropriados, ou traba-
lhar com outros membros da organi-
zação para obter a ajuda adicional.
Compromissos do Executivo:
Manter uma atitude aberta em
relação a experimentar novas
perspectivas e comportamen-
tos.
Ter disposição para ser vul-
nerável e assumir riscos.
Colocar ofoco no seu próprio
crescimento dentro do con-
texto do seu papel organiza-
cional atual e futuro.
Transferir a aprendizagem ad-
quirida através do coaching
para o seu dia a dia de tra-
balho.
Compartilhar feedbacks com o
seu coach sobre o quanto o
coaching está sendo útil.
Procurar feedback de outras
pessoas na organização sobre
os resultados do seu coaching.
Compromissos do Coach:
Manter o foco do coaching nas
metas de aprendizagem
Preparar atividades relevantes
para todas as reuniões de
coaching.
Ser você mesmo um modelo
eficiente de práticas de lide-
rança.
Aplicar os princípios da apren-
dizagem de adultos durante o
coaching.
Participar ativamente em to-
das as reuniões com o execu-
tivo e os outros depositários.
Oferecer feedbacks relevantes
e verdadeiros.
Criar um ambiente que dê su-
porte à exploração e mudança.
Fazer os encaminhamentos
apropriados para outros re-
16
APOSTILA DE COACHING
cursos quando você não for a
melhor fonte de ajuda adi-
cional.
Compromissos dos Outros
Parceiros:
Manter uma atitude apoiadora
e paciente em relação ao pro-
cesso de mudança.
Fornecer feedbacks tanto ao
executivo como ao coach sobre
os progressos e preocupações.
Oferecer-se junto ao executivo
para atuar como mentor, coa-
ch, modelo, e apoio, a partir da
sua própria perspectiva dentro
da organização.
Ajudar o executivo e o coach a
encontrarem recursos adicio-
nais dentro ou fora da orga-
nização quando uma assistên-
cia, que esteja além do escopo
do coaching ou da área de es-
pecialização do coach, for ne-
cessária.
Diretrizes para o Executivo
Gerenciar a Confidenciali-
dade:
Associar-se ao coach e a outros
membros de sua organização
para escrever um acordo de
confidencialidade que especi-
fique quais informações serão
e não serão compartilhadas,
em que circunstâncias, com
quem, e como, incluindo dire-
trizes sobre as formas eletro-
nicas de comunicação.
Sempre que houver uma dúvi-
da sobre como a informação é
ou deveria ser manuseada,
conversar diretamente com os
outros membros da parceria
de coaching para chegar a um
acordo.
Responder ao feedback dos
outros de uma forma não-de-
fensiva, sem ficar pensando
quem deve ter dito o quê, ou
fazer retaliações por causa de
feedbacks difíceis de ouvir.
Atividades Pré-coaching:
Consultar os seus depositários
para determinar se o coaching
executivo é adequado para
você, estabelecer as metas
apropriadas, e selecionar o
melhor coach.
Trabalhar em parceria com
outras pessoas para assegurar
que todos os contratos comer-
ciais e financeiros sejam ex-
pedidos.
Passar informações para o seu
coach sobre você, sua organi-
zação, e sua situação, e come-
çar o processo com uma dispo-
sição para aprender.
Contratação:
Participar ativamente no esta-
belecimento de um contrato
de aprendizagem e de um con-
trato pessoal para o seu coa-
ching.
Conforme for apropriado den-
tro da sua organização, partici-
par no estabelecimento, mo-
nitoramento, e administração
17
APOSTILA DE COACHING
dos contratos comerciais/le-
gais/financeiros com o seu
coach.
Aderir ao contrato de aprendi-
zagem e contrato pessoal. Uti-
lizá-los para orientar o que
você faz nas atividades relacio-
nadas ao coaching, inclusive
como você mede o seu pro-
gresso e sucesso.
Avaliação:
Investir o tempo necessário
para acelerar a sua avaliação.
Manter uma atitude aberta em
relação aos feedbacks e outros
resultados das avaliações.
Trabalhar de forma colabora-
tiva com o seu coach para
identificar e fazer perguntas
sobre situações que talvez tra-
gam informações e entendi-
mento sobre você e sua orga-
nização.
Fazer o melhor uso dos feed-
backs e outras informações
das avaliações para mudar a si
mesmo e à sua organização
conforme o necessário.
Estabelecimento de Metas:
Colaborar com os depositários
para entender como os outros
percebem as suas necessida-
des de mudança e desenvol-
vimento.
Ser honesto sobre suas pró-
prias prioridades para o coa-
ching.
Esclarecer o que você precisa
fazer para alcançar suas
metas.
Investir tempo no coaching e
no trabalho para alcançar suas
metas.
Coaching:
Estar aberto e disposto a ten-
tar novas coisas e assumir ris-
cos apropriados.
Colocar o foco naquilo que vo-
cê precisa fazer para aprender
e agir dentro do contexto do
seu papel no trabalho.
Trocar feedbacks com o seu
coach e com outras pessoas na
sua organização sobre o seu
desempenho e sobre como o
coaching tem lhe ajudado a
alcançar os resultados dese-
jados.
Transição para o Desenvolvi-
mento de Longo Prazo:
Trabalhar com o seu coach e
com outras pessoas da sua or-
ganização para identificar me-
lhorias e oportunidades para
continuar o progresso.
Participar na formulação de
um plano de longo prazo para
o seu desenvolvimento conti-
nuado.
Estabelecer um acordo com
uma pessoa apropriada da sua
organização para que esta
apoie e monitore o seu desen-
volvimento futuro.
Colocar o seu plano em ação e
investir o tempo necessário
para alcançar as suas metas de
desenvolvimento de longo
prazo.
18
APOSTILA DE COACHING
Conversar com o seu coach e
com as pessoas apropriadas da
sua organização sobre a efi-
ciência do coach e do processo
de coaching.
Diretrizes para o Coaching
Gerenciar a Confidenciali-
dade:
Trabalhar dentro das diretri-
zes de direitos e confidencia-
lidade dos contratos e docu-
mentos da organização.
De forma geral, dentro dos
limites da lei, manter todas as
informações organizacionais
na confidencialidade, a menos
que elas sejam disponíveis
para o público.
Não compartilhe com nin-
guém, exceto com o próprio
executivo, quaisquer detalhes
que se refiram a este execu-
tivo, a menos que os membros
da parceria de coaching
tenham concordado em outro
sentido.
Quando estiver colhendo feed-
backs de outras pessoas sobre
o executivo, deixar claro logo
de início os termos de confi-
dencialidade e trabalhar estri-
tamente dentro desses termos.
Atividades Pré-coaching:
Participar no processo de se-
leção e orientação de coaches
da organização.
Fornecer as informações ne-
cessárias sobre você e o seu
trabalho.
Associar-se ao executivo e a
outros membros da organiza-
ção para facilitar a tomada de
decisões e a comunicação re-
ferente ao coaching.
Contratação:
Compartilhar seus próprios
padrões e diretrizes para con-
tratação com o executivo e a
organização e ao mesmo tem-
po respeitar e concordar em
usar os padrões da organiza-
ção conforme for viável.
Utilizar ativamente o contrato
de aprendizagem e o contrato
pessoal para planejar e con-
duzir o coaching e para avaliar
o progresso e os resultados.
Negociar os termos dos con-
tratos de boa fé e segui-los
integralmente, ou restabelecê-
los conforme seja mutuamente
consensual e de acordo com os
prazos.
Avaliação:
Ter conhecimento de uma am-
pla gama de metodologias de
avaliação. Administrar apenas
aquelas para as quais você
tenha sido completamente
treinado ou tenha se prepa-
rado adequadamente, ofere-
cendo um contexto claro sobre
os pontos fortes e limitações
das mesmas.
Dar os feedbacks em um am-
biente seguro e de apoio e de
19
APOSTILA DE COACHING
forma que encoraje o execu-
tivo a agir construtivamente
com base nas avaliações.
Ajudar o executivo a utilizar os
dados da avaliação para criar
um plano de ação e desen-
volvimento.
Estabelecimento de Metas:
Facilitar a colaboração entre o
executivo e seus depositários
para identificar e entrar em
acordo sobre metas de coa-
ching específicas e mensurá-
veis.
Documentar as metas do coa-
ching e comunicá-las por es-
crito para todos os membros
da parceria de coaching.
Na medida em que o coaching
progredir, ajustar as metas
com base nos resultados inte-rinos e na mudança de cir-
cunstâncias e prioridades.
Coaching:
Aderir aos padrões e diretrizes
para a prática profissional des-
critos neste Manual.
Manter o foco do coaching nas
metas que foram acordadas
pela parceria.
Participar ativamente em to-
das as reuniões com o execu-
tivo e seus depositários, prepa-
rando atividades relevantes,
agindo como um modelo, apli-
cando princípios de aprendi-
zagem de adultos, e criando
um ambiente que dê suporte à
exploração e à mudança.
Oferecer feedbacks verdadei-
ros e relevantes durante o coa-
ching de maneira útil e
apoiadora.
Transição para o Desenvolvi-
mento de Longo Prazo:
Facilitar, orientar, e fazer re-
comendações para um plano
de desenvolvimento de longo
prazo para o executivo toman-
do como base o que foi viven-
ciado no processo de coaching
e sua experiência profissional.
Conversar com o diretor do
executivo e/ou depositários
para assegurar o compromisso
com o desenvolvimento futuro
do executivo.
Após a conclusão do coaching,
se colocar à disposição para
perguntas e esclarecimentos.
Ocasionalmente checar como
vai indo o executivo, conforme
for apropriado, para manter o
relacionamento e o momen-
tum de aprendizagem.
As Competências Essenciais -
Conhecimento Psicológico
Ao apresentar as competên-
cias e conhecimentos essenciais do
coach executivo eficiente, é impor-
tante diferenciar entre o conheci-
mento psicológico formal, ou seja, o
conhecimento das teorias e concei-
tos psicológicos relevantes para a
prática do coaching executivo, e o
20
APOSTILA DE COACHING
conhecimento psicológico tácito,
também chamado às vezes de inte-
ligência social ou inteligência emo-
cional. Esta sessão descreve o co-
nhecimento psicológico formal ne-
cessário para o coaching executivo
eficiente.
Básico Avançado
Compreensão de: Compreensão de:
Teorias da personalidade
Psicologia das transições entre os estágios
de desenvolvimento
Modelos de motivação humana Modelos de abuso de substância
Teorias do desenvolvimento do adulto,
incluindo o desenvolvimento moral,
intelectual, emocional, relacional, e
espiritual
Diagnósticos clínicos e como eles atuam no
local de trabalho (e.g., narcisismo)
Modelos de aprendizagem do adulto Resolução e mediação de conflitos
Modelos de desenvolvimento de carreira Teoria dos sistemas familiares
Modelos de mudança pessoal e
comportamental
Psicologia anormal/psicopatologia
Equilíbrio vida/trabalho
Métodos e ferramentas de avaliação
psicológica (e.g., 16PF, Strong Interest
Inventory, Firo B)
Técnicas de gerenciamento de estresse
Psicologia social e como os fatores sociais
exercem impacto no comportamento
individual ou de grupo
Como identificar indivíduos que
necessitam de encaminhamento médico
ou psicológico
Modelos de inteligência emocional
O papel da diferença de gênero na vida
adulta
Modelos e métodos de feedback de 360
graus
Modelos de estilo pessoal e de liderança
(e.g., MBTI, DISC)
21
APOSTILA DE COACHING
Capacidade de Tomar Deci-
sões que Gerem Lucros nos Ne-
gócios (Business Acumen)
Coaches executivos precisam
ter a capacidade de tomar decisões
que gerem lucros nos negócios (bu-
siness acumen) para compreender
as metas e contexto de trabalho dos
seus coachees. O conhecimento na
área de negócios também dá aos
coaches executivos credibilidade
junto aos seus coachees e a outras
pessoas da organização do coachee.
Somado ao conhecimento ge-
ral na área comercial, os coaches
precisam adquirir conhecimento do
negócio específico dos seus coa-
chees.
Básico Avançado
Compreensão de: Compreensão de:
Práticas e conceitos comerciais Questões de fusões e aquisições
Conceitos financeiros básicos (e.g., renda e
balancetes)
Várias indústrias específicas e suas
tecnologias
Funções comerciais e sua interdependência O uso e abuso da tecnologia
Processo de planejamento estratégico e sua
relação com o estabelecimento de metas
individuais e de equipe
Práticas comerciais de vanguarda
Tecnologias de informação atuais
Estruturas e práticas governamentais e
como elas interferem nas operações
comerciais
O papel das tecnologias da informação nos
negócios (e.g. E.R.P., Enterprise Management)
Gerenciamento da cadeia/rede de contatos
de suprimentos
Tecnologias de melhoria de processos Ciclo de vida dos produtos
Capitalismo global e empresas globais
Regulamentação do governo (e.g.,
conformidade com leis ou normas
(compliance), aprovação, e outras
regulamentações e processos
governamentais)
As diferenças entre negócios regulamentados
e negócios não regulamentados.
Como os conselhos atuam em relação à
diretoria sênior
22
APOSTILA DE COACHING
As diferenças entre negócios com fins
lucrativos e negócios sem fins lucrativos.
Reengenharia e downsizing
Papéis-chaves de liderança nas organizações
(e.g. COO, CFO, CTO, CEO, Diretor Executivo,
Diretor do Conselho, etc.)
Conhecimento dos eventos, questões e
tendências atuais no mundo dos negócios
Princípios e processos de gerência
Gerência de recursos humanos
Conhecimento Organizacional
Coaches executivos trabalham
com coachees que têm que alcançar
suas metas de trabalho e avançar em
suas carreiras dentro do contexto de
sua(s) organização(ões).
Portanto, é importante que os
coaches executivos compreendam as
estruturas, sistemas e processos or-
ganizacionais e como avaliar todos
esses elementos da organização na
qual o coachee trabalha.
Básico Avançado
Compreensão de: Compreensão de:
Estruturas, sistemas e processos
organizacionais básicos, incluindo as
configurações organizacionais funcional,
divisional e de matriz, bem como os padrões
comportamentais associados a cada uma.
Processos de gerenciamento de talentos
executivos e planejamento de sucessão
Avaliação e diagnóstico organizacional
Tarefas, desafios, e fatores de sucessão
associados a executivos assumindo novos
papéis ou trabalhos (“onboarding”)
Princípios e práticas de planejamento e
desenvolvimento organizacional
A natureza da, e processos associados à
aprendizagem organizacional (e.g.
transferência de conhecimento,
gerenciamento de conhecimento,
compartilhamento de informações, etc.)
O impacto e papel das culturas e
subculturas organizacionais
As diferentes características de empresas de
propriedade familiar e de administração
familiar
23
APOSTILA DE COACHING
As fases do desenvolvimento de equipes e
as características da liderança eficiente de
equipes
Processos associados aos princípios de
planejamento organizacional
Modelos de liderança
As práticas associadas com as mudanças nas
configurações organizacionais
Programas e processos de desenvolvimento
de liderança
Questões de gerenciamento da diversidade
Metodologias de desenvolvimento
organizacional
Teoria dos sistemas organizacionais
A natureza e o papel da política, poder e
influência organizacional
Teorias e práticas de gerenciamento de
mudanças organizacionais
Teoria e práticas de consultoria
O papel da ética nos negócios e na
consultoria organizacional
Modelos da organização que aprende
Modelos de sucessão e de transição de
liderança
O papel da ética nos negócios e na
consultoria organizacional
Modelos da organização que aprende
Modelos de sucessão e de transição de
liderança
O papel da ética nos negócios e na
consultoria organizacional
Modelos da organização que aprende
Modelos de sucessão e de transição de
liderança
24
APOSTILA DE COACHING
Conhecimento de Coaching
Os coaches executivos preci-
sam ter um conhecimento específico
da teoria, pesquisa, e prática neste
campo em desenvolvimento que é
coaching executivo.
Básico Avançado
Compreensão de: Compreensão de:
A história do coaching executivoTendências em evolução na prática do
coaching executivo
Os modelos e teorias do coaching executivo
Como modelos de coaching podem ser
desenvolvidos e adaptados para as
necessidades e tendências emergentes
As definições de coaching e coaching executivo
enquanto prática especializada
Os sete princípios globais do coaching
executivo: perspectiva sistêmica, orientação
para resultados, foco nos negócios, parceria,
competência, integridade, e julgamento ii
As sete diretrizes para o exercício do coaching
executivo em suas diferentes fases para o
coach, o executivo, e a organização do
executivo: gerenciar a confidencialidade,
atividades pré-coaching, contratação, avaliação,
estabelecimento de metas, coaching, e
transição para o desenvolvimento de longo
prazo ii
Princípios e abordagens subjacentes aos
diferentes tipos de coaching e como eles
diferem do, e/ou podem ser incorporados ao
coaching executivo
Diferenças entre o coaching executivo e outros
modelos de coaching
25
APOSTILA DE COACHING
Tarefas e Habilidades de
Coaching
O processo do coaching execu-
tivo pode ser dividido em seis fases:
construir e manter relacionamentos
de coaching, contratação; avaliação;
planejamento de desenvolvimento;
facilitar o desenvolvimento e a um-
dança; e concluir o coaching formal
e fazer a transição para o desenvol-
vimento de longo prazo. Cada uma
destas fases, conforme descritas
abaixo, possui um conjunto de tare-
fas. Muitas dessas tarefas também
podem ser vistas como habilidades
que o coach executivo pode desen-
volver e lapidar.
Construir e Manter Relacionamentos De Coaching
Básico Avançado
Construir e sustentar a confiança
Dar orientação em diversas questões
culturais e interculturais
Fazer com que o coachee, seu chefe, e o RH se
mantenham responsáveis
Utilizar a confiança conquistada para
desafiar valores, suposições, e práticas de
negócios
Identificar e gerenciar resistências e conflitos
Trabalhar com um grupo diversificado de
clientes e depositários (culturas, raças,
gêneros, estilos, etnia, etc.)
Influenciar com e sem autoridade
Fazer sessões com o diretor sênior e com o
pessoal de RH / Eficiência Organizacional
para compartilhar observações,
conhecimento organizacional, dados, e
temas relacionados a liderança e questões
organizacionais
Manter a confidencialidade em questões
organizacionais e individuais delicadas
Manter múltiplas perspectivas
Solicitar feedback sobre seu próprio
desempenho como coach
Utilizar o relacionamento de coaching como
uma ferramenta para ajudar o coachee
Manter o equilíbrio entre o relacionamento
próximo do coaching e os limites profissionais
26
APOSTILA DE COACHING
Fazer observações e explicar sobre o que
acontece no relacionamento de coaching e
suas similaridades e diferenças em relação aos
outros relacionamentos do coachee
Desafiar apropriadamente o coachee e lidar
com suas defesas sem prejudicar o
relacionamento de coaching
Atributos e Habilidades
Vários atributos e habilidades
subjacentes facilitam o desempenho
das Tarefas de Coaching, descritas
na seção anterior. Um indivíduo que
demonstre as nove categorias de
atributos seguintes provavelmente
será mais eficiente como coach exe-
cutivo: autoconfiança madura; ener-
gia positiva; assertividade; sensibili-
dade interpessoal; abertura e flexi-
bilidade; orientação em direção a
metas; parceria e influência; apren-
dizagem e desenvolvimento contí-
nuos; e integridade. Um coach exe-
cutivo eficiente pode continuar a de-
senvolver estes atributos e habilida-
des como resultado das demandas e
oportunidades do papel de coach.
Autoconfiança Madura
Básico Avançado
Mostra-se confortável consigo mesmo
Demonstra um senso de conforto no
convívio com o diretor sênior e outras
pessoas no poder; vê a si mesmo como
alguém do mesmo nível dos diretores
seniores
Mostra maturidade; demonstra que vem
adquirindo sabedoria com a experiência
pessoal e profissional
Demonstra coragem; está disposto a
assumir situações que talvez envolvam um
risco significativo
Mostra confiança; dá o valor apropriado a suas
próprias habilidades e perspectivas
Pensa de forma independente; considera
opções ou perspectivas que talvez estejam
indo contra a visão que prevalece
Mostra humildade; demonstra ter consciência
de que o sucesso geralmente vem dos esforços
de um grupo ou equipe de outros indivíduos, e
não apenas dos próprios esforços
Vem colhendo experiências e aprendendo a
partir de uma variedade de desafios pessoais
e de trabalho
27
APOSTILA DE COACHING
Energia Positiva
Básico
Mostra energia, otimismo e entusiasmo
Gerencia eficientemente suas emoções
Demonstra resiliência; se recompõe após erros e fracassos
Demonstra um senso de humor apropriado
Ajuda o coachee a apreciar seus pontos fortes e habilidade de superar barreiras
Ajuda o coachee a imaginar novas possibilidades
Transmite esperança
2
8
29
APOSTILA DE COACHING
2. Entenda o Processo de Coaching e sua Execução
Passo a Passo
Fonte: Coaching2
um relacionamento profissio-
nal que ajuda pessoas a produ-
zir resultados extraordinários em
sua vida pessoal, carreira, empreen-
dimentos ou organização. A intera-
ção entre o Coach (profissional) e o
Coachee (cliente) faz com que o
Coachee descubra seus sonhos, me-
tas e o seu potencial inexplorado. O
Coach ajuda o Coachee a encontrar a
melhor maneira de se atingir um ob-
jetivo. O Coach apenas dá ao Coa-
chee a estrutura necessária para que
ele possa se encontrar e crescer. O
processo de Coaching, na prática,
significa auxiliar o seu cliente a
explorar o melhor do potencial dele
em busca de seus objetivos. Na ver-
dade, em busca de seus sonhos. Aí
está a verdadeira essência no pro-
cesso de COACHING: ajudar o clien-
2 Retirado em https://www.ibccoaching.com.br/
te a ir em busca de seus sonhos, uti-
lizando dos seus próprios recursos
ou desenvolvendo novos recursos
que o cliente julgue importantes e
necessários para que ele possa
atingir o resultado desejado. O Coa-
ch tira o Cliente da sua zona de con-
forto para que ele possa enxergar
novas possibilidades.
Qual a Efetividade do Pro-
cesso de Coaching
É simples. Pesquisas explicam
claramente que dois terços da hu-
manidade não sabem COMO devem
fazer para serem felizes e realizarem
seus objetivos. O Coach não irá tra-
çar o caminho da sua felicidade. Ele
lhe ajuda a abrir os olhos para que
você veja o que sempre existiu, po-
E
30
APOSTILA DE COACHING
rém até então não deu a devida
atenção. São surpreendentes os re-
sultados, mesmo que a solução seja
simples. O coaching é um dos 10
mais importantes processos para
aumento do desempenho humano,
com foco exclusivamente no cliente.
O coaching é um processo de
aprendizado que oferece as mais
atuais e adequadas ferramentas que
podem levar qualquer pessoa a ocu-
par um lugar de destaque em um
ambiente profissional, além de con-
ciliar uma carreira de sucesso com
uma excelente vida pessoal.
É um processo de orientação e
assessoramento ao desenvolvimento
pessoal e profissional do indivíduo
ou mesmo empresa, fundamentado
em uma relação de ajuda e facilita-
ção aos esforços pessoais do Cliente,
na obtenção dos meios que lhe per-
mitam realizar seus projetos e al-
cançar os resultados pretendidos.
Neste estudo vamos entender
o passo a passo de todo o processo
de Coaching, com as principais fer-
ramentas e quando devem ser apli-
cadas cada uma delas, para que se
possa obter o resultado desejado
destas ferramentas. A aplicação do
processo faz o uso das principais fer-
ramentas listadas abaixo, que irão
gerar todos os insights:
Responsabilidades do Coach e
do Coachee
Rodada Vida;
Roda de Valores;
Área de Alavancagem;
Definição da Meta (Espe-
cífica);
Valor por trás da Meta;
Definição de tarefas;
Medição e cobrança das
tarefas;
Uso do Back Tracking e das
Perguntas Poderosas;
Aplicação da Grade de Metas;
Identificando crenças que
atrapalham o processo;
Transformando Crenças Limi-
tantes em Possibilitadoras;
Gerando apoio em fases de
transição;
Garantindo o processo 100%;
Preparando um Plano de
Ação;
Validando e fixando o Plano de
Ação;
Refazendo Roda da Vida e
Valores;
Sessão Final de Coaching.
As responsabilidades tanto do
Coach quanto do Coachee devem ser
bem esclarecidas desde o início do
processo para que tanto um quanto
outro saiba muito bem qual o seu
papel dentro do processo que irá ser
iniciado.
As responsabilidades de cada
um são:
Responsabilidades do Coach:
Processo;
Acompanhamento das Ta-
refas;
31
APOSTILA DE COACHING
Verificar Metas / Valores;
Não influenciar; se necessário,
sugerir;
Rapport;
Flexibilidade;
Não generalizar os Clientes;
Responsabilidades do
Coachee:
Definição e execução das Ta-
refas
Objetivos/Metas
Todos os Resultados
Gerar as Ações
As ferramentas Roda da Vida e
Roda de Valores são fundamentais
para conhecer o Coachee e qual o Es-
tado Atual do mesmo, ou seja, aonde
ele se encontra referente tanto às
áreas da vida dele quanto de valores
que são importantes para o mesmo.
O Coaching e o Processo de
Desenvolvimento de Compe-
tências e Habilidades na
Aprendizagem Gerencial
O contexto de mercado, alta-
mente competitivo e instável, acaba
tendo um forte impacto no papel e
nas funções do gestor (RUAS; BE-
CKER, 2007). Credita-se isso a uma
suposta influência que exerça sobre
o desempenho das equipes de tra-
balho e, consequentemente, sobre os
resultados organizacionais. Em ter-
mos de aprendizagem no ambiente
de trabalho, essas demandas causa-
ram uma troca do ensinar as pessoas
por uma ênfase no ensinar as pes-
soas a aprender (ANTONELLO,
2010). Tornaram-se necessárias,
também, a mobilização de conheci-
mentos, habilidades e outras apti-
dões, entre elas as competências
emocionais. As competências emo-
cionais ganharam espaço e assu-
mem a posição de diferencial nas
organizações. Conforme Kofman
(2002), o que se aprende na escola
refere-se à capacidade limiar para a
pessoa ingressar no processo com-
petitivo organizacional. Para o au-
tor, as competências mais relevantes
para o desempenho brilhante são as
emocionais. Assim, para prosperar
no mercado de trabalho, cada vez
mais turbulento, as organizações
estão começando a perceber que o
êxito requer mais que maestria téc-
nica. Qualidades interiores como re-
sistência, iniciativa, otimismo e
adaptabilidade estão recebendo no-
va valorização (GOLEMAN, 2001).
O mundo organizacional glo-
balizado e informacional dispõe de
diversos métodos, técnicas e meto-
dologias que colaboram no processo
de aprendizagem organizacional e
no desenvolvimento de competên-
cias gerenciais para atender essas
novas demandas. De acordo com
Bitencourt (2004), o treinamento
32
APOSTILA DE COACHING
tradicional já não responde mais às
necessidades de formação de pes-
soas, às expectativas das empresas
em termos de novas habilidades e
atitudes mais alinhadas à realidade
organizacional e às exigências do
mercado competitivo. Entre as alter-
nativas de intervenções profissio-
nais existentes que contemplam as
novas condições e exigências, existe
o coaching.
Coaching é um processo de
desenvolvimento de competências
(CELESTINO, 2005). O processo de
coaching se baseia nos princípios da
aprendizagem de adultos. Encaixa-
se especialmente no modelo de
aprendizagem vivencial de Kolb
(1984) e se fundamenta nas teorias
de reflexão e ação, perpassando o
conceito de autodesenvolvimento e
aprendizagem organizacional. Uma
das suposições básicas é a de que o
autodesenvolvimento baseado no
modelo reflexão-ação (WESTBRO-
OK, 2010; KOLB, 1984) facilita o
processo de aprendizagem organiza-
cional. Entende-se que, quando o
coaching é aplicado no desenvolvi-
mento ou no aprimoramento de
competências, há a ampliação nos
níveis de desempenho das lideran-
ças e de toda a organização empresa-
rial como “focos irradiadores de ex-
celência, que tendem a se expandir
pelo sistema organizacional como
um todo” (KRAUSZ, 2007, p.28).
O mercado de coaching, em
2011, movimentou algo em torno de
5 bilhões de reais no mundo. Das
maiores empresas americanas, 93%
utilizaram o coaching. De acordo
com o estudo Executive Coaching in
Latin America, de 2010, realizado
por iniciativa da Latin American
Human Resource
Partnership (LAHRP), que
pesquisou 182 empresas em 16 paí-
ses latino-americanos, sendo 39 no
Brasil, 84,6% já utilizaram o coa-
ching. No Brasil, 84% das grandes
empresas aplicaram o coaching em
2011(SOCIEDADE BRASILEIRA
DE COACHING, 2013). Assim, o
coaching passou da condição de ati-
vidade experimental e complemen-
tar para um processo de aprimora-
mento, desempenho e resultados
dentro do ambiente organizacional
(LAGES; O’CONNOR, 2010).
Neste contexto, essa pesquisa
tem como objetivo geral avaliar a
influência da aplicação do coaching
no desenvolvimento das competên-
cias emocionais e habilidades geren-
ciais dos gestores em uma empresa
de serviços. A opção por investigar a
influência da aplicação do coaching
nas competências emocionais e há-
bilidades gerenciais dos gestores em
uma empresa de serviços deve-se à
emergência do tema e ao grande
crescimento em torno dessa prática.
Assim, este estudo espera contribuir
33
APOSTILA DE COACHING
com o desenvolvimento deste tema
para o mundo empresarial, de modo
especial para os gestores e pesquisa-
dores da área de gestão de pessoas e
liderança.
Competências e Aprendiza-
gem no Âmbito Organiza-
cional
O processo de desenvolvimen-
to de competências no indivíduo
inicia-se na aprendizagem. Primeiro
de forma individual e, aos poucos,
compartilhada para a equipe. De
acordo com Senge (1998), o apren-
dizado ocorre no cotidiano, ao longo
do tempo, quando as pessoas estão
envolvidas em questões desafiado-
ras. Fleury e Fleury (2001) consi-
deram que as conjugações de situa-
ções de aprendizagem podem propi-
ciar a transformação do conheci-
mento em competência. A aquisição
de conhecimento e competências
não obedece a uma lógica cumulati-
va e aditiva, mas envolve certa re-
composição por meio da qual novos
saberes são construídos integrando-
se àqueles já detidos pela pessoa
(GALVÃO; SILVA; SILVA, 2012).
Segundo Vasconcelos e Mas-
carenhas (2007), o tipo de apren-
dizagem que mais influencia a pes-
soa é aquele que se adquire por meio
de reflexões, experiências e ações.
Por exemplo, ao criar o Modelo de
Aprendizagem Vivencial, Kolb
(1984) articula conceitos como ex-
periência, percepção, cognição e
comportamento, e enfatiza o caráter
processual da aprendizagem. Assim,
o indivíduo percebe uma realidade,
analisa-a, formula uma hipótese,
aplica-a e verifica o resultado da
ação, ajustando então seus padrões
de comportamento às impressões
derivadas daquela nova experiência.
A aprendizagem organizacio-
nal se refere ao estudo dos processos
de aprendizagem nas e das orga-
nizações. É o processo de mudança
cognitiva – do pensamento indivi-
dual e compartilhado - e de mudan-
ça comportamental (DUSYA; CROS-
SAN, 2005). Conforme Antonaco-
poulou (2000), a aprendizagem de
gerentes se efetiva quando há a par-
ticipação ativa do aprendiz a partir
do reconhecimento da necessidade
de desenvolver a si próprio e ao
estarem dispostos a aprender. Kolb
(1997) acrescenta que a capacidade
de aprender em nível individual e
organizacionalé a base para a pes-
soa se tornar adaptável as mudan-
ças. O autodesenvolvimento e a
aprendizagem autodirigidas são a
base no processo de desenvolvimen-
to de gerentes (ANTONELLO, 20
10). O autodesenvolvimento enfatiza
a escolha e a auto direção. Alinhado
a princípios da área de desenvolvi-
mento de pessoas, concentra-se ini-
34
APOSTILA DE COACHING
cialmente no desenvolvimento do
indivíduo. Para que a aprendizagem
na organização se efetive, torna-se
necessário um intercâmbio entre o
indivíduo e a situação real de traba-
lho (PAULSSON; SUNDIN, 2000).
Os programas de desenvolvimento
gerencial devem compatibilizar edu-
cação, desenvolvimento, práticas
gerenciais por meio da reflexão e
ação e assim serem disseminados na
organização.
Vários trabalhos fortaleceram
o aprimoramento da discussão so-
bre a temática. Entre eles, evidencia-
se o de Argyris e Schön (1974), em
que são desenvolvidas as concepções
de ciclo simples, ciclo duplo e triplo
de aprendizagem.
A aprendizagem de ciclo sim-
ples é uma forma de aprendizagem
instrumental, envolve a descoberta e
correção de erro dentro de um con-
junto de variáveis administrativas.
Ocorre quando regras e valores que
regulamentam o processo não po-
dem ser alvo de questionamentos,
devendo, apenas, ser cumpridos e
fomentar a aprendizagem. Enfatiza-
se que esse tipo de aprendizagem é
ineficiente em uma situação de um-
dança organizacional, pois resolve
superficialmente a questão e não
questiona as causas do problema.
Em contraste a essa aprendizagem
tem-se o ciclo duplo, de caráter não
rotinizado e baseado em processos
cognitivos. Resulta nas mudanças
mentais subjacentes; há um proces-
so de questionamento sobre regras,
valores e problemas, possibilitando
ao gestor uma tomada de atitudes
mais direcionada à realidade.
Por fim, a aprendizagem do ci-
clo triplo envolve “aprender a apren-
der” e exige que o indivíduo reflita
sobre a natureza do seu sistema de
aprendizagem e seus efeitos. O indi-
víduo aprende a modificar a sua for-
ma de aprender, por meio da extra-
ção de lições das próprias experiên-
cias; aprende a aprender- a apren-
dizagem torna-se objeto da própria
aprendizagem e contribui para me-
lhorar o funcionamento dos dois ci-
clos anteriores (ARGYRIS; SCHÖN,
1974).
Os estudos atuais, conforme
Fleury e Fleury (2008), direciona-
dos à aprendizagem organizacional,
tendem a privilegiar as abordagens
cognitivas, que envolvem mudanças
comportamentais e as crenças e
percepções do indivíduo. A criação
de um novo conhecimento começa
pelo indivíduo. Segundo Nonaka e
Takeuchi (1997), a criação do co-
nhecimento provém do esforço indi-
vidual para justificar a crença e o
compromisso do indivíduo com o
seu cargo e com a empresa. O indi-
víduo é ser ativo e responsável pelo
seu próprio desenvolvimento. O
processo de aprendizagem indivi-
35
APOSTILA DE COACHING
dual envolve a estrutura de apren-
dizagem do adulto, que se constitui,
segundo Kolb (1984), um ciclo de
aprendizagem.
Na abordagem de organiza-
ções que aprendem, Garvin (1993),
assumindo uma visão cognitiva e
comportamental, define organiza-
ções que aprendem (learning orga-
nizations) como aquelas capazes de
adquirir, criar, produzir novos in-
sights, transferir conhecimentos e
modificar o comportamento de seus
membros. Partindo de um conceito
mais genérico e simplificado, Senge
(1990) enfatiza que uma empresa
que atua de forma ativa e produtiva
e que sempre melhora sua capacida-
de está na situação de aprendizado.
Coaching: Evolução, Conceitos
e Processo
O coaching é tão antigo quanto
a própria humanidade. Sócrates, por
meio de diálogos com seus discípu-
los, descritos com excelência por
Platão, e baseado em que a verdade
está dentro de nós, já praticava um
dos métodos do coaching, no V sécu-
lo a.C. (KRAUSZ, 2007). As princi-
pais correntes sobre a origem do
coaching baseiam-se na simbologia
de uma carruagem, do francês anti-
go coche. A disseminação do termo
teria ocorrido a partir da França,
alcançado a Inglaterra e, a partir de
então, se popularizado na Europa e
pela América do Norte (DINGMAN,
2004). Atualmente, o coach é um
profissional capacitado que oferece
aos executivos a oportunidade de
desenvolver suas potencialidades
por meio de ferramentas adequadas.
Assim, o processo de coaching
torna-se uma prática de desenvolvi-
mento humano (SINCLAIR, 1994;
UNDERHILL et al., 2010).
O termo coaching no sentido
contemporâneo apresenta diversas
versões. Grant e Cavanagh (2004)
indicam o trabalho de Gorby (1937)
como pioneiro na literatura sobre
coaching, e na sua pesquisa sobre o
Fase Período Característica
Atividade interna 1930 a 1960 Coaching interno; atividade exercida pelo supervisor hierárquico; forma de treinamento.
Rigor acadêmico 1960 a 1990
Período em que documentos submetidos à
apreciação de pares começam a ser publicados;
pesquisas e discussões atendem maior rigor
acadêmico.
Ciência e pesquisas
científicas
A partir de
1990
Crescimento de teses, dissertações e artigos
acadêmicos sobre atividade de coach externo nas
organizações.
36
APOSTILA DE COACHING
assunto citam também o artigo de
W. R. Mahler (1964), como o primei-
ro a utilizar o termo coaching rela-
cionado à administração pessoal
(KRAUSZ, 2007). Na literatura so-
bre o assunto, Gallwey (1996), pro-
fessor de tênis e de linguística, é fre-
quentemente citado como precursor
dessa atividade na forma como é
aplicada atualmente. Segundo Gal-
lwey (1996), o papel do técnico (coa-
ch) era fazer perguntas de modo a
contribuir com o jogador para a am-
pliação de sua consciência sobre co-
mo jogava e, assim, ajustava aquilo
que fosse necessário (KRAUSZ, 20
07). Portanto, o coaching provenien-
te do contexto esportivo teria como
principal característica o fato de o
coach (técnico) preparar seus atletas
rumo a novos padrões de comporta-
mentos, superações e disposição
emocional a fim de conseguir a dire-
ção aos objetivos a serem alcançados
(WOLK, 2008). O desenvolvimento
do coaching na organização poderia
ser dividido em três fases distintas,
de acordo com a pesquisa de Grant e
Cavanagh (2004), apresentadas no
Quadro acima.
Observa-se que a evolução da
atividade do coaching em termos
acadêmicos é recente e está em cons-
trução – portanto, muitas respostas
estão em desenvolvimento. O coa-
ching tem crescido nos últimos anos,
tanto no Brasil como no mundo, e se
apresenta atualmente como uma
ferramenta eficiente e eficaz nos
processos de aprendizado, liderança
e desenvolvimento humano e orga-
nizacional. A necessidade de inova-
ção nas empresas, geração de ideias
mais criativas para resolução de pro-
blemas, engajamento de equipes
para melhor comunicação e maior
rapidez no atingimento dos objeti-
vos organizacionais são algumas ra-
zões da aplicação do coaching no
mundo organizacional (FLAHERTY,
2010).
Ting e Scisco
(2006)
Coaching executivo ajuda a melhor compreensão dos líderes sobre si
mesmos, de tal modo que eles possam explicitar seus pontos fortes e ajudá-
los de forma mais efetiva e intencional, desenvolvendo as necessidades
identificadas e do potencial ainda não testado. Muito do trabalho do coach
envolve ajudar os gestores a adquirirem clareza sobre as próprias
motivações, aspirações e compromisso com a mudança.
Cluterbuck
(2007)
Coaching é uma atividade feita com alguém, e não para alguém. A
responsabilidade de fazer que esse processo funcione é repartida entre
coach e coachee. Ambos precisam demonstrar conduta de confiança e
abertura, essenciais ao estabelecimento de vínculos entre eles.
37
APOSTILA DE COACHING
No meio organizacional, o
coaching tem o papel de desenvolver
a capacidade de liderança; melhorar
o trabalhoem equipe; alinhar metas
do profissional e da organização, de
modo a elevar a produtividade e a
qualidade de vida de quem se sub-
mete ao processo (FABOSSI, 2009).
Entretanto, para haver coaching,
precisa haver a necessidade de um-
dança por parte de alguém, confor-
me Clutterbuck (2008). Essa neces-
sidade pode partir do próprio inte-
ressado ou do executivo, que poderá
determiná-la onde se pretenderá su-
prir uma carência de elevação de de-
sempenho em determinadas áreas.
Neste sentido, o Quadro acima, que
segue, apresenta algumas das defini-
ções e propostas para a prática de
coaching
A partir dos vários conceitos
abordados, percebe-se que o coa-
ching é uma metodologia que valo-
riza a ação, foco e resultados, ênfase
nos processos de aprendizagem e
desenvolvimento e aprimoramento
de competências. O modelo de base
para o coaching denominado pelo
mnemônico GROW (Goal - meta ou
objetivo, Reality - realidade ou esta-
do atual, Options - opções ou estra-
tégias e What - plano de ação), cria-
do originalmente por Graham Ale-
xander na década de 1980 na Euro-
pa, é baseado nos princípios da me-
todologia do Jogo interior de Gal-
lwey (1996) e é utilizado no campo
empresarial (LAGES; O’CONNOR,
2010).
A sequência da sigla GROW
pressupõe que é desejável passar pe-
los quatro estágios, o que geralmen-
te acontece ao se tentar com o novo
ou difícil assunto pela primeira vez.
No entanto, o processo de coaching
poderá ser utilizado numa questão
que já tenha sido discutida ou esteja
acontecendo. Assim, nesse caso o
coaching pode começar e terminar
em qualquer estágio. Segundo Whit-
more (2010) o modelo GROW só é
efetivo se desenvolvido num contex-
to de consciência, responsabilidade
e da habilidade de produzir questio-
namentos ou perguntas eficazes.
O modelo de ciclo de apren-
dizado de Kolb (1984), um modelo
básico de aprendizado experimen-
tal, alinha-se ao processo de coa-
ching por meio do modelo GROW
por envolver um ciclo de experiência
concreta (estabelecimento de me-
tas), observação e reflexão (explora-
ção do estado atual ou da realidade),
formação de conceitos abstratos
(consiste na escolha das estratégicas
e opções a serem desafiadas) e testar
as implicações dos conceitos em no-
vas situações, porém com mais co-
nhecimento e experiência (são as
ações a serem testadas pelo cliente),
e o ciclo se inicia novamente. Sem
ação, não há feedback nem expe-
38
APOSTILA DE COACHING
riência a ser testada por reflexão. O
ciclo se interrompe sem completar
sequer uma revolução (LAGES;
O’CONNOR, 2010). Essa compara-
ção é exposta no Quadro a seguir.
Ciclo de aprendizagem de Kolb e o processo de coaching.
Ciclo de Aprendizado
de Kolb
Processo de Coaching –
Modelo Grow
Ferramentas do Coaching
1. Ciclo de experiência
concreta.
1. Estabelecimento de
metas/objetivos (Goal).
1. Questionário/entrevista.
2.Reflexão e
observação.
2. Exploração do estado
atual (Reality).
2. Avaliação multidirecional das
competências emocionais e
habilidades gerenciais
(Avaliação 360°); Feedback 3X6.
3. Formação de
conceitos abstratos.
3. Consiste na escolha das
estratégicas e opções a
serem desafiados
(Options).
3. Ferramentas do Líder -
coach: responsabilidade
pessoal, gerência e liderança,
método socrático, empatia,
rapport, crenças profissionais,
feedback e valores.
4.Testar as implicações
dos conceitos em novas
situações.
4. Ações a serem testadas
pelo cliente (What).
4. Sessão Superação - Feedback
3X6 (pontos fortes x pontos
fracos) - Análise SWOT; Tomada
de consciência de gaps das
competências emocionais e
gerenciais – eliminar
impedimentos e resgatar
recursos.
5. Sessão de filmes e leitura;
6. Construção do plano de
desenvolvimento individual
(PDI).
7. Plano de ação do PDI para
testar em novas situações.
Avaliação multidirecional das
competências emocionais e
habilidades gerenciais;
8. Questionário de
aprendizagem e benefícios do
processo de pós-coaching;
9. Depoimentos escritos e vídeo.
Fonte: Adaptado de Lages e O’Connor (2010).
39
APOSTILA DE COACHING
Assim, destaca-se que no pro-
cesso de coaching são utilizadas di-
versas ferramentas específicas para
cada etapa do ciclo, as quais envol-
vem avaliação multidirecional e pla-
no de ação de desenvolvimento indi-
vidual, sempre em um processo de
reflexão e ação.
Metodologia da Pesquisa
Esta pesquisa enquadra-se na
abordagem qualitativa, desenvolvi-
da por meio de pesquisa-ação, que
segundo Moresi (2004), consiste
numa pesquisa intervencionista que
representa a tentativa de diminuir a
distância entre o desenvolvimento
dos conhecimentos e a capacidade
prática de enfrentar os problemas
conhecidos. Seguindo essa perspec-
tiva de entendimento sobre o fazer
científico, a pesquisa-ação seguiu as
seguintes fases, aplicadas no perío-
do de janeiro de 2013 a fevereiro de
2014:
a. Primeira fase: Escolha da em-
presa por meio de visitação. Reali-
zação de reuniões para levantamen-
to e discussões acerca do problema
da organização e objetivo a ser al-
cançado por meio de entrevistas e
questionários. Mapeamento das
competências emocionais e geren-
ciais relacionadas ao bom êxito do
líder no atendimento do objetivo.
Esclarecimento para os gestores so-
bre a finalidade da pesquisa cientí-
fica. Construção conjunta do quadro
conceitual da realidade da empresa.
b. Segunda fase: Preparação do
diagnóstico atual dos gestores da
empresa. Aplicação da análise mul-
tidirecional ou avaliação 360° nos
gestores referentes aos aspectos
emocionais, habilidades gerenciais
de pares e superiores, assim como a
avaliação dos gestores pelos subor-
dinados. Utilização do feedback 3x6
qualitativo, que consiste em elencar
os pontos fortes e os pontos fracos
do executivo por meio dos pares e
superiores.
c. Terceira fase: Instrumento de
intervenção – coaching. Aplicação
de sete sessões, com encontros a ca-
da 15 dias, descritas no Quadro 4, a
seguir.
Intervenção do Coaching
Encontros/Sessões Ferramentas
Sessão 1
Autoanálise multidirecional competências emocionais
e habilidades gerenciais (Avaliação 360°); Feedback
3X6.
40
APOSTILA DE COACHING
Sessão 2 Responsabilidade pessoal. Filmes e leituras.
Sessão 3
Ferramentas do Líder-coach: Gerência e liderança,
método socrático, empatia, rapport, crenças
profissionais, feedback e valores. Filmes e leituras.
Sessão 4
Devolutiva ou feedback da avaliação multidirecional e
feedback 3X6.
Sessão superação - feedback 3X6 (pontos fortes x
pontos fracos) - Análise SWOT; Tomada de consciência
de gaps das competências emocionais e gerenciais –
eliminar impedimentos e resgatar recursos. Filmes e
leituras.
Sessão 5 Construção do plano de desenvolvimento individual.
Sessão 6 Socialização do plano de ação de desenvolvimento
pessoal e profissional.
Sessão 7
Acompanhamento e checagem pelo coach das novas
experiências.
Avaliação multidirecional das competências
emocionais e habilidades gerenciais (avaliação 360°) e
de aprendizado e benefícios pós-coaching. .
Depoimentos escritos/vídeo.
d. Quarta fase: Coleta de dados
da avaliação multidirecional e da
avaliação de aprendizado pós-coa-
ching e depoimentos, assim como a
análise dos resultados. Verificação
dos resultados do coaching executi-
vo e extração dos ensinamentos
úteis para continuar a experiência e
aplicá-las em programas no futuro.
Quanto à empresa investigada,
denominada de Empresa X, esta é
composta por três unidades: Mai-
son, Benfica e Via Sul, coordenadas
por cinco líderes, dos quais dois pro-
prietários da empresa (S1 e S2) e os
demais gerentes de cada uma das
unidades (G1, G2 e G3). A organiza-
ção se caracteriza como empresa
familiar. Sua escolha, dentre as vá-
rias organizações visitadas, ocorreupelo ambiente receptivo à ideia de
mudança e apoio dos proprietários.
Conforme Thiollent (2009), a reali-
zação de uma pesquisa-ação é facili-
tada nas organizações que sejam
mais democráticas e que tenham
objetivo para mudança ou melhoria,
esta última se referindo em aumen-
tar os índices de desempenho, quali-
dade ou segurança.
A empresa possui ao todo 70
colaboradores. Contudo, não foi ob-
jeto desta pesquisa o desenvolvi-
mento dos subordinados da empre-
sa estudada, ainda que este se dê por
consequência. O que se buscou ob-
41
APOSTILA DE COACHING
servar foi a mudança no comporta-
mento no que se refere às compe-
tências emocionais e habilidades ge-
renciais dos cinco gestores, depois
da intervenção do coaching. A pes-
quisa-ação iniciou o processo com
cinco gestores, no entanto, durante
o seu período de realização, entre já-
neiro de 2013 e fevereiro de 2014,
um deles pediu demissão da empre-
sa, sendo dado seguimento à pesqui-
sa junto aos demais.
Análise e Discussão dos Re-
sultados
Nesta seção, são apresentados
resultados da avaliação multidire-
cional das competências emocio-
nais, habilidades gerenciais, apren-
dizagem e possíveis benefícios pós-
coaching.
Avaliação Multidirecional das
Competências Emocionais
Antes e logo após o processo
de coaching, foi aplicada uma ava-
liação 360º ou multidirecional. A
função da avaliação 360º, pré e pós-
processo, é de comprovar a efetivi-
dade do coaching. Os gestores rece-
beram uma palestra de sensibiliza-
ção sobre o objetivo e orientações
necessárias sobre a avaliação. Para
cada item avaliado, teriam que dar
pontos de 1 (menor conceito) até 5
(maior conceito), sendo 1 o que não
apresenta domínio da competência;
2, que demonstra pouco domínio da
competência; 3, o item que de-
monstra nível médio de domínio da
competência; o 4 sinaliza um nível
satisfatório de domínio da com-
petência; e o 5, que demonstra um
nível de excelência de domínio da
competência. As competências emo-
cionais constituíam elementos inibi-
dores para os líderes no atingimento
de objetivos profissionais e organi-
zacionais, representadas pelas de-
clarações seguintes.
Não tenho controle no falar.
Não sei elogiar meus funcionários
(S1). Medo, insegurança, orgulho,
pessimismo e impaciência (S2). Me-
do de arriscar, agir por impulso,
choro com facilidade (G3). Quero
aprender a lidar com as pessoas, falo
demais da minha vida pessoal para a
equipe (G1).
Os resultados da avaliação
multidirecional das competências
emocionais e habilidades gerenciais
incluiu, no processo, a terceira etapa
do ciclo de Kolb (1984), que se refere
na formação de conceitos abstratos.
As ferramentas mais importantes
nesta etapa utilizadas pelo coaching
contemplaram leituras, filmes, ses-
são de análise SWOT e construção
de plano de desenvolvimento in-
dividual.
42
APOSTILA DE COACHING
O processo da avaliação mul-
tidirecional se iniciou pela auto ava-
liação dos gerentes que consiste na
oportunidade de autoconhecimento
para o início de possíveis mudanças.
Ao analisar os atores no processo de
auto avaliação, antes e depois do
coaching, observa-se que todos os
líderes perceberam a própria mu-
dança positiva nas competências
pessoais e sociais depois do pro-
grama. Essa análise combina com a
ideia de Geus (1998) que diz que a
essência do ato de aprender é a
capacidade de criar a mudança me-
diante a mudança em si mesmo. As
competências pessoais mais desen-
volvidas no grupo de gestores a par-
tir da auto avaliação foram: auto-
confiança e autocontrole emocional.
Quanto às competências sociais se
destacou a empatia, mostrada pelas
declarações a seguir:
Estou tentando colocar em
prática meu autocontrole...
Passei a elogiar um pouco as
pessoas (S1).
Conscientização dos meus
atos... Tendo mais autocons-
ciência das minhas atitudes e
aquilo que faço e digo (S2).
Diante do que estava, estou
mais confiante (G2).
Ganhei mais autoconfiança,
mais dedicação ao trabalho.
Passei a dar mais confiança
para equipe e a ter uma visão
mais ampla no meu dia a dia
(G3).
Percebe-se pelas declarações
acima, um processo de expansão da
consciência dos gestores no proces-
so da auto avaliação e combina com
a ideia de Barbosa (2008) que afir-
ma que o processo de aprendizagem
de gerente envolve também a parte
prática que consiste na individuali-
dade e a singularidade de cada pes-
soa, por meio do autoconhecimento.
Além disso, a avaliação mul-
tidirecional das competências emo-
cionais envolve o olhar dos gestores
superiores sobre seus gestores. As
competências vistas pelos superio-
res como expressivas de mudanças
dos seus gerentes foram: autocon-
trole emocional (competência pes-
soal) e trabalho em equipe (compe-
tência social). Para a relação dos
gerentes e proprietários, esse novo
desempenho nas competências
emocionais tem implicações no de-
sempenho de suas relações interpes-
soais. Como citam Lopes, Salovey e
Straus (2003), as competências
emocionais são essenciais nas in-
terações sociais.
Ademais, a avaliação multidi-
recional desenvolve a formação da
imagem do outro em relação ao ava-
liado não se restringindo ao gestor
superior como também a avaliação
dos gestores do mesmo nível hierár-
quico. Essa análise dos gestores em
relação a eles mesmos mostra que
43
APOSTILA DE COACHING
todos se perceberam com as compe-
tências emocionais melhores desen-
volvidas pós-coaching. As compe-
tências emocionais que se destaca-
ram pelo grupo como melhor avalia-
das depois do coaching foram: oti-
mismo (pessoais), empatia e tra-
balho em equipe (sociais).
Por fim, essa avaliação incluiu
a percepção dos subordinados em
relação aos seus superiores após o
programa. Neste ponto, todos os
gestores demonstraram mudanças
positivas na percepção dos funcio-
nários avaliadores, dando destaque
à melhoria excelente do colaborador
S2. A possível mudança é adquirida
desde o primeiro feedback da avalia-
ção multidirecional e durante o pro-
cesso são utilizadas ferramentas
emocional-cognitivas para otimizar
possíveis mudanças. Essa análise
combina com a ideia de Swieringa e
Wierdsma (1995) que diz que o com-
portamento do colaborador é perce-
bido pelos outros e proporciona um
retorno que fornecerá informações
para ele corrigir a autoimagem. Esse
quadro também é satisfatório para a
liderança, pois favorece a colabora-
ção dos funcionários no trabalho em
equipe. As competências percebidas
pelos subordinados como mudanças
nos seus superiores foram: autocon-
fiança, autocontrole emocional (pes-
soais) e empatia (social).
Avaliação Multidirecional das
Habilidades Gerenciais
As habilidades gerenciais de-
senvolvidas nos líderes da organi-
zação foram baseadas nos conceitos
de Mintzberg (1974), que incluiu
relacionamentos com colaborado-
res, liderança, resolução de confli-
tos, processamento de informações,
tomada de decisões, alocação de re-
cursos, empreendedorismo e habili-
dade de introspecção. O programa
buscou desenvolver as habilidades
gerenciais como a mudança nas
perspectivas de significados por
meio de vivências desafiadoras e re-
flexões, revelando o caráter trans-
formador da aprendizagem.
A avaliação iniciou com a auto
avaliação que consistiu em uma au-
toanálise dos aspectos gerenciais
mais relevantes na entrega profis-
sional do gestor. Neste ponto, pode-
se observar que, após sete meses de
aplicação de procedimento de coa-
ching, houve uma melhoria na auto
percepção dos gestores tanto no que
tange à auto avaliação quanto ao
desenvolvimento das habilidades de
liderança. A habilidade gerencial
mais auto percebida como geradora
de desenvolvimento foi a habilidade
de introspecção, que se relaciona
com a capacidade de reflexão.44
APOSTILA DE COACHING
Quanto à avaliação dos supe-
riores dos seus líderes substitutos,
após um programa de mudança, foi
perceber o desenvolvimento no
outro com base nas vivências que ele
mesmo experimentou. De maneira
geral, as habilidades que mais se
destacaram no grupo de gestores, na
percepção dos avaliadores, foram a
habilidade de liderança e a tomada
de decisões em condições de ambi-
guidade. Nesse caso específico, são
gestores-proprietários analisando
gerentes, que são funcionários res-
ponsáveis pelo gerenciamento da
empresa similarmente a eles. Re-
presentam equipe de catalisadores
de mudança. Esse raciocínio coadu-
na com Ruas (2001), que enfatiza a
importância do papel gerencial,
sobretudo na condução de processo
de mudança.
No contexto da avaliação
360°, a avaliação dos pares contri-
buiu para confirmar a efetividade do
programa por contemplar os pró-
prios colegas de trabalho na cons-
trução do processo de desenvolvi-
mento dos executivos. Embora se-
jam pares, estes se encontram inter-
ligados e uns sofrem influência dos
demais. Barbosa (2008) comple-
menta ao dizer que o ato de geren-
ciar pessoas ou uma organização
não ocorre de forma isolada.
Esse ato social sofre a influên-
cia de uma série de agentes, tais co-
mo subordinados, pares, clientes,
fornecedores, entre outros, que
atuam em diferentes perspectivas.
As habilidades que os avaliadores
consideraram que mais se desen-
volveram em seus avaliados foram
relacionamento com os colaborado-
res e tomada de decisão em condi-
ções de ambiguidade.
Finalmente, os funcionários
da empresa investigada avaliaram os
aspectos referentes às habilidades
gerenciais de todo corpo de lideran-
ça e cooperaram para o feedback dos
executivos. De maneira geral, os
subordinados perceberam melhoria
nas seguintes habilidades gerenciais
do grupo de líderes: habilidade de
liderança (que envolve orientação,
treinamento, motivação e uso da
autoridade) e tomada de decisões.
Essa avaliação indica um processo
de melhoria nas habilidades que for-
mam um líder por meio da apren-
dizagem.
Avaliação de Aprendizagem
Pós-Coaching
A função da avaliação de
aprendizados pós-coaching, é de
confirmar os aprendizados baseados
nos principais modelos de aprendi-
zagem citados por Fleury e Fleury
(2008), modelo comportamental e
modelo cognitivista. O primeiro
considera o comportamento, por
45
APOSTILA DE COACHING
meios de mudanças comportamen-
tais observáveis, e o segundo enfa-
tiza crenças e percepções do indiví-
duo, que influenciam seu processo
de apreensão da realidade. Para
cada item avaliado, os gestores te-
riam que dar pontos de 0 (menor
conceito) até 5 (maior conceito),
sendo 0 o que não apresenta ne-
nhum aprendizado; 1 apresenta
pouco aprendizado; 2 apresenta
bom nível de aprendizado; 3 eviden-
cia um nível muito bom de apren-
dizado; 4 demonstra um ótimo nível
de aprendizado; 5 sinaliza um exce-
lente nível de aprendizado.
Os itens a serem analisados
pelos coachees foram: parar para
refletir sobre minha responsabilida-
de como pessoa ou gestor; identifi-
car e desafiar crenças pessoais e pro-
fissionais limitantes e a autocrítica;
utilizar técnicas do líder-coach na
equipe; analisar e solucionar proble-
mas de forma eficaz; desenvolver
novas habilidades e novos compor-
tamentos; as técnicas do coaching
ajudaram a obter resultados espera-
dos e o processo coaching foi útil e
relevante para o objetivo da orga-
nização e alinhados aos meus como
gestor(a).
Todos os gestores apresen-
taram, no mínimo, nota 3 (muito
bom) e, no máximo, nota 5 (exce-
lente) em todos os itens, com exce-
ção do S1, que considerou dois itens
com nota mínima 1. O gestor S1,
durante o processo do coaching foi o
único a protelar tarefas de casa.
Quanto aos demais gestores, o
resultado demonstra que houve um
significativo aproveitamento ao lon-
go do processo do coaching, que en-
volveu metas desafiadoras, reflexão,
estratégias e formulação de concei-
tos e ação, combinando com a ideia
de Senge (1998), que diz que o
aprendizado ocorre no decorrer do
tempo, quando as pessoas estão en-
volvidas em questões desafiadoras.
Os depoimentos no final do processo
de coaching sinalizam modificações
estruturais na condução da aprendi-
zagem para o objetivo proposto. As
declarações sinalizam essa afir-
mação.
Hoje me relaciono bem com
meus colaboradores e acredito em
umdanças. No fim do processo de
coaching abri uma nova loja, com
mais otimismo e confiante nessa no-
va etapa de sucesso (S2).
Hoje sou uma líder que utiliza
as ferramentas do coaching (per-
guntas poderosas e feedback) com
meus colaboradores, promovo en-
contros mensais de café da manhã
caprichado, dinâmicas e reconheci-
mento dos melhores profissionais
do mês com direito ao Oscar e fotos.
Não espero mais pelos patrões para
agir, eu tenho iniciativa, controle
46
APOSTILA DE COACHING
emocional e auto responsabilidade
(G3).
O coaching proporcionou uma
mudança como pessoa e profissio-
nal. Melhorou meu relacionamento
com a equipe de profissionais, a
comunicação com as pessoas e me
tornou mais resiliente. Tem horas
que me surpreendo comigo mesma,
de como enfrento as adversidades de
forma madura. Adquiri mais cons-
ciência de auto responsabilidade.
Hoje eu que escrevo minha própria
história (G1).
Antes do coaching, todos os
problemas eram maiores que na
realidade. Depois a minha maneira
de ver o mundo mudou. Estou con-
trolada emocionalmente. Minha
melhoria na autoconfiança faz com
que eu resolva os problemas com
mais facilidade. Estou dando aten-
ção à minha saúde. Estou mais se-
gura no meu trabalho(G2).
Antes do coaching, eu queria
me aposentar. Pensava que já tinha
construído tudo que queria. Depois
percebi que posso mais. Vou abrir
mais duas lojas. Estou utilizando
melhor meu tempo, caminhando,
voltei a estudar inglês e supervisio-
nando mais as lojas. Como líder,
estou utilizando o feedback e per-
guntas poderosas com os funcio-
nários (S1).
Essa última fase do ciclo vi-
vencial de Kolb (1984), que consiste
em testar as implicações dos novos
paradigmas em novas situações, ins-
trumentalizado no coaching pelo
plano de ação de desenvolvimento
individual, remete à aprendizagem
do ciclo triplo. A aprendizagem de
circuito triplo envolve o paradigma
aprender a aprender e exige que o
indivíduo aprenda a modificar a sua
forma de aprender por meio da ex-
tração de lições das próprias expe-
riências (ARGYRIS; SCHÖN, 1974).
Assim, a aprendizagem gerencial
numa perspectiva do ciclo quadri-
fásico de Kolb (1984) se desenvolveu
numa perspectiva de espiral por
meio da meta-aprendizagem.
Avaliação dos Possíveis Bene-
fícios Após o Processo de
Coaching
Quanto aos benefícios gerados
do processo coaching na vida pro-
fissional dos gestores da empresa X,
os itens a serem avaliados pelos coa-
chees foram: melhoria no desem-
penho; melhoria na motivação pes-
soal; melhoria nos relacionamentos;
mais tempo para o gerente; melhor
flexibilidade e maior adaptabilidade
às mudanças. Para cada item ava-
liado, os gestores teriam que dar
pontos de 0 (menor conceito) até 5
(maior conceito), segundo mesmo
critério da avaliação dos apren-
dizados.
47
APOSTILA DE COACHING
O resultado observado de-
monstra que, envolvendo todos os
atores, no item melhoria no desem-
penho, a nota mínima foi 3 (muito
bom) e a máxima 5 (excelente). Esse
quadro representa boa melhoria no
desempenho dos atores. No item
melhoria na motivação pessoal, a
nota mínima foi 3 (muito bom) e a
máxima 5 (excelente), o que reflete
melhoria considerável. Quanto à
categoria melhoria nos relaciona-
mentos, 40% deram a nota 3 (muito
bom); 40% deram nota 4 (ótimo) e
20% nota 5 (excelente).No que
tange à categoria mais tempo para o
gerente, dos 5 gestores, 3 deram no-
ta 3 (muito bom), uma nota 4 (óti-
mo) e um nota1 (pouco).
Quanto ao item melhor flexi-
bilidade, 40% deram nota 2 (bom),
40% nota 3 (muito bom) e 20% nota
5 (excelente). Por fim, referindo-se
ao item maior adaptabilidade às um-
danças, 60% aplicaram nota 4 (óti-
mo), 20% nota 3 (muito bom) e 20%
nota 5 (ótimo). O quadro geral de
resultados demonstra que o pro-
cesso do coaching obteve benefícios
múltiplos nos atores receptores do
programa.
Considerações Finais
A presente pesquisa procurou
avaliar, como objetivo principal, a
influência da aplicação do coaching
no desenvolvimento das competên-
cias emocionais e habilidades geren-
ciais dos gestores em uma empresa
de serviços. Inicialmente, consta-
tou-se maior influência positiva nas
competências: autoconfiança, auto-
controle emocional (pessoais) e tra-
balho em equipe e empatia (sociais),
através da análise multidirecional
antes e depois do coaching. Verifi-
cou-se, nos depoimentos escritos
pelos gestores, tanto no decorrer das
sessões como no final da aplicação
do coaching, evidências pontuais em
relação a melhorias, no que tange às
competências emocionais, com ên-
fase nas pessoas, como maior auto-
confiança, otimismo, iniciativa, au-
tocontrole emocional, adaptabilida-
de; em relação às competências so-
ciais, a competência adquirida cita-
da foi a empatia.
Além disso, percebeu-se na
análise da avaliação multidirecional
das habilidades gerenciais, antes e
depois do processo do coaching, que
ocorreu na maioria dos avaliadores
uma melhoria nas avaliações dos
seus avaliados, com ênfase de pro-
gresso nas habilidades de liderança
e na habilidade de tomar decisões
em condições de ambiguidade. Nos
depoimentos escritos no decorrer da
aplicação do coaching, incluindo o
depoimento final, constatou-se a in-
fluência do programa na potenciali-
zação das habilidades gerenciais no
48
APOSTILA DE COACHING
que se refere, principalmente, à me-
lhoria do relacionamento dos gesto-
res e colaboradores, ao melhor uso
da habilidade de liderança como a
orientação e uso da autoridade e me-
lhoria na comunicação (ouvir e dar
feedback) com ressalva na melhoria
na habilidade de empreender, visto
que os proprietários abriram mais
três lojas depois do processo.
No quadro geral, o processo do
coaching obteve benefícios múlti-
plos nos atores receptores do pro-
grama. Com exceção de um gestor,
que manteve uma nota que denota
pouco benefício no item mais tempo
para o gerente. Esse motivo poderá
estar relacionado à decisão do gestor
em abrir mais duas grandes lojas
durante o programa.
Assim, pode-se concluir que o
processo de coaching influencia no
desenvolvimento das competências
dos gerentes por meio da participa-
ção ativa e responsável do cliente
num ciclo de aprendizagem que en-
volve experiência, reflexão e ação.
Os resultados das informações ad-
vindas da avaliação multidirecional
das competências emocionais e há-
bilidades gerenciais e dos depoi-
mentos escritos indicam visíveis
avanços na melhoria dos padrões
cognitivos, emocionais e comporta-
mentais dos gestores após aplicação
do programa. Outros resultados
acerca da aprendizagem e benefícios
do programa dos participantes em
foco mostram como o processo con-
tribuiu de forma eficaz para a me-
lhoria no aprendizado e alcance de
melhores resultados.
50
APOSTILA DE COACHING
3. Coaching no Processo de Desenvolvimento Indi-
vidual e Organizacional
Fonte: Impulse3
o decorrer do último século, as
mudanças no trabalho e no
âmbito organizacional se tornaram
constantes. O desempenho organi-
zacional está intimamente relacio-
nado ao desempenho individual e
coletivo, assim como a sobrevivência
e o sucesso das organizações depen-
dem fortemente das competências
dos indivíduos. Conforme McClel-
land (1973, apud FLEURY e FLEU-
RY, 2001), as competências abran-
gem um conjunto de saberes neces-
sários, ao longo do tempo, para o
exercício de uma profissão e se ba-
3 Retirado em https://impulse.net.br/
seiam em três dimensões: conheci-
mentos, habilidades e atitudes.
Esse cenário favoreceu o sur-
gimento de novas ferramentas, den-
tre as quais o coaching vem receben-
do destaque. De acordo com Krausz
(2007), o coaching auxilia a ajustar
competências e a orientar quais
devem ser cultivadas, aperfeiçoadas
ou estimuladas. Também desenvol-
ve pessoas e as prepara para as
constantes modificações do ambien-
te coorporativo. Segundo a autora,
essa metodologia consiste em um
processo de desenvolvimento pes-
N
51
APOSTILA DE COACHING
soal e profissional, com foco no pre-
sente e no futuro, que auxilia o indi-
víduo a atingir seus objetivos por
meio da identificação, do entendi-
mento e do aprimoramento de suas
competências. O coach, profissional
responsável por conduzir o proces-
so, auxilia o cliente, o “coachee”, a
atingir o máximo do seu potencial,
incentivando-o na busca dos resul-
tados e ensinando-o a aprender com
seus próprios recursos e limites.
No contexto empresarial, o
coaching organizacional representa
um meio de trabalhar com pessoas e
torná-las mais competentes e mais
realizadas. Dessa forma, segundo
Flaherty (1999), os indivíduos se
tornam capazes de contribuir de ma-
neira mais intensa para suas organi-
zações e de encontrar significado no
que fazem. De modo bem similar,
Chiavenato (2002) coloca que o coa-
ching, dentro da organização, con-
siste em um relacionamento que ge-
ra novos conhecimentos, habilida-
des e atitudes e agrega valor à orga-
nização.
De acordo com Ferreira
(2008), as discussões acerca da
contribuição do coaching para o
desenvolvimento de executivos ain-
da apresentam informações impre-
cisas e incipientes. Da mesma for-
ma, percebe-se que o coaching é um
tema que recebe pouca atenção no
que diz respeito a pesquisas cientí-
ficas. Nota-se, portanto, a necessi-
dade de iniciativas que busquem
aprofundar as questões sobre o as-
sunto. Esses conhecimentos podem
auxiliar no processo de seleção de
alternativas que contribuam de ma-
neira mais consistente com o desen-
volvimento de executivos.
Os líderes que participaram de
coaching trazem dados importantes
para verificar as contribuições do
processo para o indivíduo e para a
organização. Isso significa que anali-
sar executivos, gestores de organi-
zações, que tenham participado de
processos de coaching, permite
identificar os principais benefícios
para o seu desempenho e atuação.
Assim, é possível identificar uma
oportunidade de análise que parte
do indivíduo e de suas ações, para os
impactos causados sobre o am-
biente.
Destaca-se, como objetivo
geral deste estudo, a necessidade de
identificar e analisar a contribuição
do coaching para o indivíduo e para
a organização. Para que isso seja
possível, é importante determinar as
competências individuais desenvol-
vidas a partir do coaching, compre-
ender como ocorreram a busca e o
processo realizado, além de identifi-
car e avaliar os resultados e as
aprendizagens obtidas.
52
APOSTILA DE COACHING
Coaching: Uma Breve Revisão
de Conceitos
A palavra inglesa coach tem a
sua origem entre os séculos XV e
XVI, na cidade húngara de Kocs,
onde foi desenvolvida uma carrua-
gem coberta, conhecida como Koczi.
O veículo foi idealizado para pro-
teger seus habitantes das intempé-
ries regionais ao serem transpor-
tados de um lugar para outro. Essa
palavra, ao longo da história, foi se
transformando à medida que era
pronunciada em línguas diferentes.
Foi na Inglaterra, conforme Chia-
venato (2002), na década de 70, que
o coachingpassou a ser associado
exclusivamente aos esportes. Nessa
época, todo atleta ou equipe esporti-
va era guiada por um coach, um
treinador responsável por desenvol-
ver os esportistas.
Para Krausz (2007), coaching
é um processo de desenvolvimento
pessoal e profissional, com foco no
presente e no futuro, que auxilia
uma pessoa ou um grupo de pessoas
a atingirem seus objetivos por meio
da identificação, do entendimento e
do aprimoramento de suas compe-
tências. O coach, profissional res-
ponsável por conduzir o processo,
auxilia o cliente, o coachee, a atingir
o máximo do seu potencial, incen-
tivando-o na busca dos resultados e
ensinando-o a aprender com seus
próprios recursos e limites. A téc-
nica visa a auxiliar no estabeleci-
mento de metas de maneira orga-
nizada para o alcance de um deter-
minado objetivo.
O coach, inicialmente, realiza
uma avaliação detalhada da situação
atual do cliente e, então, orienta a
elaboração de um plano de ação com
objetivos e metas tangíveis, que pos-
sam ser monitoradas no processo.
Coaching, dessa forma, representa
foco, ação, resultado e melhoria con-
tínua de acordo com o Behavioral
Coaching Institute (2011).
Castellani (2007) afirma que o
coaching tem como objetivo capa-
citar as pessoas na sua auto reali-
zação, a partir do alcance de suas
metas, alinhando-as para uma vida
equilibrada com seus valores, mis-
são e propósito. Conforme o autor,
as metas são trabalhadas levando-se
em consideração aspectos pessoais e
profissionais. O coach, assim, auxi-
lia o coachee não apenas na defini-
ção das metas, mas na estratégia pa-
ra atingir os resultados almejados e
também na superação dos desafios.
Além disso, o processo é realizado a
partir do foco escolhido, na vida
pessoal ou na profissional.
O coaching, como um processo
continuado e planejado de aperfei-
çoamento e superação profissional,
é baseado especialmente na apren-
dizagem-ação e na maiêutica - uma
53
APOSTILA DE COACHING
das formas pedagógicas do processo
socrático, que consiste em multipli-
car as perguntas a fim de obter, por
indução dos casos particulares e
concretos, um conceito geral do ob-
jeto em estudo – consoante Chiave-
nato (2002). No mesmo sentido,
para Rego (2007), no âmbito de um
relacionamento de parceria e de in-
fluência mútua, o coach apoia o coa-
chee na definição e na concretização
de objetivos profissionais. Assim,
utiliza as atividades do cliente como
situações de aprendizagem para me-
lhorar a auto eficácia, o desempe-
nho, o desenvolvimento, a autocon-
fiança e a realização pessoal, bem
como seu valor para a organização e
o mercado de trabalho.
A essência do coaching con-
siste em ajudar o indivíduo a resol-
ver problemas e a transformar o
aprendizado em resultados positi-
vos. Conforme O’Neill (2001), o
aprendizado individual é ampliado
para o grupo de trabalho e, então,
para a coletividade organizacional.
Um coach possui qualificação para
auxiliar as pessoas a expandirem
suas competências, partindo de um
posicionamento a outro, sustentado
por princípios e valores.
De acordo com Lages e O’Con-
nor (2008), existem diversos tipos
de coaching. No entanto, as técnicas
utilizadas, assim como o processo,
são os mesmos. O que ocorre é que,
dependendo da necessidade de cada
indivíduo, o trabalho recebe foco
diferente. Um coach pode se espe-
cializar em uma ou várias áreas, e,
em alguns casos, é necessário asso-
ciar dois tipos de coaching.
Com o desenvolvimento do
mercado de trabalho e a valorização
do capital humano, as organizações
procuram líderes que saibam com-
preender e reconhecer o potencial
de seus liderados, de forma que pos-
sam ser gerados melhores resulta-
dos. De acordo com Di Stéfano
(2005), na busca dessas melhorias,
muitas empresas estão proporcio-
nando programas de coaching para
seus gestores. No capítulo seguinte,
são abordados os principais concei-
tos relacionados ao coaching organi-
zacional, foco desta pesquisa.
O coaching organizacional, co-
mo é conhecido o coaching de execu-
tivos, é um processo individualizado
que otimiza a capacidade do líder
para alcançar metas organizacionais
em curto e longo prazos.
Consoante Ennis et al. (2008),
na organização, o executivo e o coa-
ch trabalham em parceria para al-
cançar aprendizagem e impacto
máximos. O procedimento pode ser
fornecido pelo chefe do executivo,
por profissionais de recursos huma-
nos da organização, ou por um con-
sultor externo. Em alguns casos, um
coach profissional é formalmente
54
APOSTILA DE COACHING
contratado para trabalhar em par-
ceria colaborativa com o executivo e
com outros na organização para al-
cançar os resultados de negócios e os
objetivos de aprendizagem para o
executivo.
Independentemente de quem
forneça essa direção, Stern (2004)
afirma que o importante é que o coa-
ching organizacional seja orientado
pelos objetivos, necessidades e pre-
ferências do executivo e da organi-
zação. O processo pode requerer
qualquer tipo de mudança: atitudes
e hábitos, habilidades em desenvol-
vimento, preparo e desenvolvimento
para tarefas futuras, definição e
implemento de liderança, de metas
de negócios e de estratégias.
Araújo (1999) afirma que o
coaching é um processo diretamente
relacionado à melhoria das ações e
aos resultados do cotidiano das
organizações. Dessa forma, a autora
identifica quatro principais etapas
no processo de coaching. A primeira
diz respeito à criação de uma relação
de confiança. O passo inicial consis-
te em conhecer as pessoas, como
elas são, o que pensam e sentem em
relação a si mesmas, aos outros e à
organização em que estão inseridas.
A segunda etapa alude à cria-
ção de uma visão de futuro do que o
cliente deseja realizar. Nesse mo-
mento, o papel do coach é estimular
e apoiar o coachee a determinar me-
tas, de modo que seja possível criar
oportunidades de aprendizado, cres-
cimento e resultados. Assim, o coach
também pode perceber se o cliente
já possui uma visão estruturada e
projetos claros, ou se os objetivos
são muito amplos, isto é, se é neces-
sário dividi-los em pequenos proje-
tos e organizá-los por etapas.
A terceira etapa consiste em
analisar as realizações e as dificul-
dades. Nessa fase do processo, os
valores e as crenças são revelados,
com o que é mais fácil compreender,
quais são os limites, os medos, as
inseguranças e as ansiedades do
coachee.
A quarta etapa representa o
plano de ação, ou seja, o cliente
apresenta a visão de futuro, os re-
sultados pretendidos, as ações
estratégicas, as competências utili-
zadas, os indivíduos envolvidos e os
prazos. O coach verifica se existe,
por parte do cliente, comprometi-
mento com cada item de seu plano
de ação. Esses quatro processos
constituem um ciclo que pode ser
aplicado a qualquer área, não so-
mente em uma organização, mas
também em projetos de vida pessoal
e educacional.
O processo de coaching auxilia
o gestor a compreender a situação
atual da organização e, ao mesmo
tempo, entender para onde ela está
naturalmente se encaminhando. É
55
APOSTILA DE COACHING
possível, também, identificar os
hábitos menos eficientes e as
maiores dificuldades no que tange à
visão e à condução do negócio, de
acordo com Araújo (1999).
O coaching organizacional,
segundo Flaherty (1999), representa
um meio de trabalhar com pessoas e
torná-las mais competentes e mais
realizadas, de modo que sejam capa-
zes de contribuir de forma mais in-
tensa com suas organizações e en-
contrar significado no que fazem. De
modo bem similar, Chiavenato
(2002) defende que o coaching, na
organização, consiste em um rela-
cionamento que gera novas compe-
tências e agrega valor à organização.
Dessa forma, percebe-se a neces-
sidade de aprofundaros conheci-
mentos quanto ao significado de
competências. Esse conceito será
abordado no capítulo seguinte.
Coaching no Desenvolvimento
de Competências
É sabido que as constantes
mudanças no cenário global e os
avanços nos modelos de reorgani-
zação do trabalho, da gestão e dos
novos empreendimentos, exigem
um novo papel das lideranças, valo-
rizando o que está além do prescrito
para o cargo, mobilizando dimen-
sões de saber-fazer, saber-agir e do
saber-ser (LE BOTERF, 1999;
ZARIFIAN, 2001), onde os “lideres
passaram a lidar com dilemas de
gestão, precisando tomar decisões
complexas, em tempo real, o que os
obrigava a encontrar novas e difíceis
soluções” (VIEIRA e LUZ, 2003,
p.6) para os dilemas da sua ação.
As noções de competência e
qualificação se distinguem porque
essas “expressões [...] ocupam lugar
de destaque nos discursos e docu-
mentos dos diferentes agentes e ins-
tituições sociais” (MANFREDI, 19
98, p.14). As epistemologias de aná-
lise destes conceitos são distintas,
pois a noção de qualificação está
mais associada ao repertório das
ciências sociais e à noção de com-
petência, ancorada nas abordagens
das ciências humanas.
Historicamente, a noção de
competência era associada à lin-
guagem jurídica desde a idade mé-
dia, pois segundo Isambert Jamati
(1997)
“Como se sabe, o termo “com-
petência” (no singular) e os de sua
família (competir, competente, com-
petentemente) pertenciam, no fim
da Idade Média, à linguagem jurí-
dica. Os juristas declaravam, por
exemplo, que tal tribunal era com-
petente para um dado tipo de julga-
men-to. Porém, cabia aos juristas de
determinada instância, e não de
uma outra, atribuir a um homem ou
a uma instituição a competência pa-
ra realizar certo ato, ato que se tor-
56
APOSTILA DE COACHING
nava, assim, juridicamente válido.
(ISAM-BERT-JAMATI, 1997,
p.103)”
Porém, a sua inserção no mun-
do empresarial é oriunda do discur-
so empresarial dos últimos dez anos,
na França, que nasceu da necessida-
de de avaliar e classificar novos co-
nhecimentos e habilidades a partir
de novas situações de trabalho, onde
a noção de qualificação não conse-
guia mais dar conta por si só de to-
das as situações associadas ao bom
desempenho dos trabalhadores. Es-
ta nova noção, a de competência,
também está associada a um modelo
de organização de trabalho qualifi-
cante, onde o indivíduo passa a fazer
o seu cargo através da incorporação
de novas competências (HIRATA,
1994; TANGUY, 1997). No Brasil, a
noção e o uso do termo competência
ganha força no final dos anos 90,
passando a incorporar os discursos
empresariais, educacionais e de for-
mação do trabalhador
Desenvolver competências, de
acordo com Drucker (1999), com-
preende estruturar um conjunto de
saberes necessários a qualquer indi-
víduo ou grupamento humano, que
permita alcançar um degrau supe-
rior no desempenho de suas fun-
ções. Esse conjunto de saberes se
baseia no conhecimento, nas habi-
lidades e nas atitudes exigidas na
execução das atividades.
Ruas (2001, p.7) comenta que
“a efetividade dos processos de um-
dança estaria associada à revisão e
ao desenvolvimento da maneira de
pensar e atuar dos gestores, expres-
são essa muito próxima da noção de
competência [...]”. Este autor as-
lienta que a adoção de uma das
abordagens existentes sobre compe-
tências no âmbito gerencial deve ser
definida de acordo com os objetivos
de sua aplicação e não como uma
decisão teórica.
Neste sentido, um processo de
coaching é definido sob o enfoque de
um processo de aprendizagem con-
tínuo, tanto no âmbito profissional
quanto no pessoal (KRAUZ, 2007).
O principal objetivo é promover a
oportunidade de pessoas e grupos
refletirem sobre seus valores, cren-
ças e principais objetivos, incorpo-
rando, assim, novas aprendizagens.
Essas aprendizagens se relacionam
ao desenvolvimento de novas habili-
dades e à expansão de atitudes, sen-
do essas mais coerentes e eficazes.
O papel do coach, conforme
Castellani (2007), está associado a
um profissional que irá dialogar,
questionar e confrontar o coachee de
forma a estimulá-lo a planejar as
próximas ações, que resultarão em
futuras implementações. Ainda sob
esse enfoque, o coach indica e dispo-
nibiliza recursos e instrumentos que
possam contribuir para o crescimen-
57
APOSTILA DE COACHING
to do coachee. Da mesma forma, o
coach auxilia no processo de definir
as prioridades e de planejar as ações,
com o objetivo de alcançar os re-
sultados esperados. Para que isso
ocorra, são estabelecidas metas viá-
veis, inseridas em um prazo viável.
Krausz (2007) ainda afirma
que o coaching, denominado como
atividade ou processo, funciona co-
mo uma ferramenta de gestão em-
presarial que possibilita transfor-
mação e crescimento na forma de
ser, pensar e estar no mundo. Essas
modificações podem ocorrer em
ambos os contextos, organizacional
e pessoal, daquele que participa da
atividade ou do processo de coa-
ching. Para a autora, as mudanças
que resultam de um processo de
coaching irão repercutir tanto no
ambiente organizacional quanto no
contexto das relações interpessoais,
pois o coachee terá alterado sua ma-
neira de perceber o mundo.
Wolk (2008) afirma que o
coaching é um processo de apren-
dizagem, no sentido de busca e ex-
pansão de ação efetiva, que transfor-
ma a maneira de observar do indiví-
duo. Toda ação resulta de uma de-
terminada observação, visto que ca-
da pessoa interpreta de modo dife-
rente a situação que enfrenta. As-
sim, ao desenvolver a capacidade de
observar, é possível elaborar novos e
diferentes sentidos, que transforma-
rão, por sua vez, as ações do indi-
víduo. Araújo (1999) ressalta que o
coach é um facilitador da aprendi-
zagem, que se compromete a apoiar
o coachee, estimulando seu poten-
cial, para alcançar os resultados por
ele almejados.
Metodologia
Levando em consideração o
objetivo do estudo, de identificar as
reais contribuições do coaching no
processo de desenvolvimento de
competências gerenciais, o método
utilizado pode ser definido como
uma pesquisa exploratória. Na visão
de Selltiz et al. (1972), o objetivo do
estudo exploratório é contribuir
para a construção da teoria e viabi-
lizar a elaboração de hipóteses que
possibilitem o aprofundamento dos
estudos científicos. Para Sampieri et
al. (2006), a pesquisa exploratória
prepara o campo para outros tipos
de pesquisas, sejam elas correlacio-
nam, descritivas ou explicativas.
Fonte:
http://culturacolaborativa.socialbase.
com.br/
58
APOSTILA DE COACHING
Este trabalho caracteriza-se
como uma pesquisa qualitativa do
tipo exploratório, qualitativa em
função de que o estudo busca com-
preender o fenômeno estudado sob
a percepção dos envolvidos, como
afirmam Selltiz et al. (1972), e ex-
ploratória devido ao fato de que as
informações a respeito da relação
entre os programas de coaching e o
desenvolvimento de competências
gerenciais ainda são incipientes.
Ressalta-se, porém, que a pesquisa
não é um estudo de caso, pois seu
objeto de análise não são as em-
presas e seus programas de coa-
ching, mas sim a percepção dos en-
volvidos, ou seja, os líderes que pas-
saram pelo processo.
Foram realizadas para esta
pesquisa nove entrevistas em pro-
fundidade. Os respondentes foram
indicados a partir de diferentes con-
sultores, que trabalham como coa-
chs em seus respectivos institutos e
consultorias. O perfil dos entrevis-
tados compreende líderes de organi-
zações que tenham participado de
processos de coaching. O quadro 1
apresenta, de forma mais detalhada,
as principais informações a respeito
dos participantes.
Foi elaborado um tópico guia
que procurava responder – o que
perguntar? Este roteiro foi construí-do com base no problema de pes-
quisa, questões norteadoras do estu-
do e nos objetivos a serem alcança-
dos. Acertada a seleção final dos su-
jeitos a serem entrevistados, foram
agendados horários e realizadas as
entrevistas, individual e pessoal-
mente pelos pesquisadores. Em mé-
dia, cada entrevista teve a duração
de 60 minutos e, mesmo que seguis-
sem um tópico guia, perguntas adi-
cionais foram realizadas para um
melhor entendimento e/ ou escla-
recimentos das opiniões e percep-
ções dos coordenadores.
Entrevistados Idade Escolaridade/Curso Cargo Atual
1 28 Ensino Superior Completo –
Engenharia Mecânica
Coordenador de
qualidade
2 37
Ensino Superior Completo –
Engenharia Química Gerente de produção
3 43 Ensino Superior Incompleto –
Administração
Gerente comercial
4 38
Pós-Graduação – Engenharia
Mecatrônica
Presidente
5 42
Ensino Superior Incompleto –
Administração
Diretor geral
59
APOSTILA DE COACHING
Fonte: elaborado pelas autoras
As informações obtidas por
meio dos respondentes foram exa-
minadas qualitativamente por meio
de análise de conteúdo. De acordo
com Vergara (2005), a análise de
conteúdo é considerada uma técnica
para o tratamento de dados que visa
a identificar o que está sendo dito a
respeito de determinado tema. Mi-
nayo (2003) afirma que esse método
compreende um conjunto de téc-
nicas de análise das comunicações.
Essas técnicas visam a obter, por
procedimentos e objetivos de descri-
ção do conteúdo das mensagens, in-
dicadores (quantitativos ou não) que
permitam a inferência de conheci-
mentos relativos às condições de
produção e recepção dessas men-
sagens.
Apresentação e Análise dos
Resultados
A apresentação e análise dos
dados foram realizadas com base
nas categorias de respostas dos su-
jeitos, o que possibilita compreen-
der de que forma o coaching auxilia
no processo de desenvolvimento de
competências gerenciais. Para facili-
tar esse entendimento, o Quadro
abaixo apresenta uma síntese dessas
categorias, destacando a participa-
ção dos entrevistados.
De acordo com os dados cole-
tados, foi possível traçar o perfil dos
executivos entrevistados, destacan-
do-se como aspectos principais a
idade, a escolaridade e o cargo dos
participantes. No que se refere à ida-
de, dos nove entrevistados, cinco es-
tão na faixa de 26 a 40 anos. Os ou-
tros quatro participantes têm idades
entre 41 e 55 anos. Observa-se,
quanto à escolaridade e ao cargo,
que os três participantes que con-
cluíram o Ensino Superior encon-
tram-se em cargos de coordenação,
gerencia e diretoria. Os três entre-
vistados pós-graduados exercem
funções gerenciais e de presidência.
Os três respondentes que estão cur-
sando Ensino Superior estão em
cargos gerenciais e de diretoria.
6 26 Ensino Superior Incompleto –
Engenharia de Produção
Gerente comercial
7 27 Pós-Graduação – Gestão
Financeira
Gerente de produção
8 55 Ensino Superior Completo –
Gestão de Recursos Humanos
Diretor geral
9 44 Pós-Graduação – Gestão de
empresas de base tecnológica
Presidente
60
APOSTILA DE COACHING
Os dados descritos demons-
tram que os profissionais entrevista-
dos ocupam funções em que é neces-
sário relacionar-se fortemente com
pessoas. Além disso, as áreas de
formação dos respondentes de-
monstram necessidade de organi-
zação e precisão, pois, em sua maio-
ria, estão voltadas para a adminis-
tração e a engenharia. Percebe-se,
dessa forma, que o coaching tem pa-
pel importante no desenvolvimento
desses indivíduos, pois, como afirma
Minor (2003), o coaching auxilia os
líderes no desenvolvimento de uma
visão ampla da empresa e do cenário
organizacional. Isso significa que,
com mais conhecimento da situação
em que se encontram, é possível
desenvolver com mais facilidade
capacidades de organização e de
precisão.
Macro Categoria Categoria De Análise
Entrevistados
E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 E9
O
p
ro
ce
ss
o
d
e
co
a
ch
in
g
Trajetória de carreira
A - Ascensão X X - - - X X - X
B - Oportunidade - - X X X - - X -
Processo de busca do coaching
A - Necessidade pessoal X - - X - X X X -
B - Necessidade organizacional - X - - X - - - X
Principais objetivos
A - Desenvolvimento profissional X X X - - X X X X
B - Determinação de metas - - - X X - - - -
C
o
m
p
et
ên
ci
as
e
c
o
m
p
e
tê
n
ci
as
d
es
en
vo
lv
id
as
Competências de um bom líder/gestor organizacional
A - Habilidade de motivar X - - - - - - X -
B - Capacidade de liderar - - X - X X X - X
C - Capacidade de foco - X - X - - - - -
Competências individuais
A - Relacionamento Interpessoal - X X - X - X X X
B - Comprometimento X - - X - X - - -
Competências desenvolvidas
A - Comunicação interpessoal X X - - - - - - -
B - Capacidade de liderar - - X - - X X - -
61
APOSTILA DE COACHING
O processo de coaching
Quando solicitado como ocor-
reu o processo de coaching, os res-
pondentes relataram o exposto no
quadro abaixo.
Ocorrência do Processo de Coaching
Entrevistados De que Forma foi Realizado o Processo de Coaching?
1 Encontros semanais e reuniões mensais.
2
Encontros semanais, trabalhos em equipe ou individuais. Eventualmente,
imersão por dois ou três dias, dependendo do tema trabalhado.
3 Inicialmente, encontros semanais, individuais e, posteriormente, semanais.
4 Encontros semanais individuais e, quinzenalmente, com a equipe.
5 Reuniões quinzenais, com definição de pontos a desenvolver.
6 Encontros individuais, quinzenais e, posteriormente, mensais.
7
Reuniões periódicas, aproximadamente uma por mês. Os eventos que
aconteceram no período são utilizados como exemplo para desenvolver
competências que foram colocadas, no início, como objetivo de
desenvolvimento.
C - Capacidade de foco
- - - X X - - X X
A
p
re
n
d
iz
ag
en
s
Principais resultados
A - Mudança de atitudes - X - - - - - - X
B - Alinhamento de metas - - - X X - - - -
C - Autoconhecimento - - - - - X X - -
D - Mudança de paradigmas X - X - - - - X -
Diferenças antes e depois do coaching
A - Fluidez dos processos - - - - X X - - -
B - Definição de estratégias - X - X - - - - -
C - Compreensão situacional X - X - - - X X X
Resultados para a organização
A - Fortalecimento de lideranças X - - - - - - - X
B - Busca de melhoria contínua - - X X X X X - -
C - Determinação de objetivos - X - - - - - X -
62
APOSTILA DE COACHING
8
Sessões semanais, com apresentação dos resultados obtidos durante a
semana.
9
Doze encontros individuais, semanais, de uma hora, com atividades diárias
via web.
Fonte: elaborado pelas autoras
A partir das informações for-
necidas pelos entrevistados, pode-se
perceber que não existe um único
padrão no que diz respeito aos pro-
cedimentos que envolvem o coa-
ching. Independentemente da fre-
quência dos encontros ou das reu-
niões, o que existe é um processo
personalizado, que visa a atender, da
forma mais adequada, as necessi-
dades dos coachees e promover re-
sultados positivos nas áreas deter-
minadas. Para Krausz (2007), o coa-
ching é realizado de maneira distin-
ta com cada cliente, pois foca em
atender objetivos específicos de um
determinado contexto.
Desenvolvimento de Compe-
tências
Os entrevistados foram ques-
tionados quanto à existência, ou
não, de programas relacionados ao
desenvolvimento de competências
em suas organizações de atuação. Os
dados obtidos demonstram que não
existe um padrão, o que não torna
adequada a categorização das res-
postas. O quadro abaixo expõe um
resumo das suas respostas.
Desenvolvimento de Competências a Partir do Coaching.
Entrevistados
A empresa em que você trabalha atualmente possui algum
programa relacionado ao desenvolvimento de competências?
1
Sim, dependendo da função, posição e desempenho,a empresa oferece
oportunidade de cursos para desenvolvimento técnico e
comportamental.
2
Atualmente, não, mas já existiu. Consistia em um programa externo para
desenvolvi- mento interpessoal e um programa interno, realizado em
parceria com instituições de ensino para desenvolvimento de
competências.
3 Não existe, mas está em processo de elaboração.
4
Sim. Realiza-se uma reunião semanal para monitoramento das
atividades do plano de ação do planejamento estratégico, bem como
decisões operacionais.
63
APOSTILA DE COACHING
5
Sim. Trabalha-se com o método de gestão por competências, em que
são definidas as competências necessárias para o cargo. Posteriormente,
ao entrevistar candidatos para determinada vaga, é possível identificar o
que é necessário desenvolver.
6
Sim. Realiza-se também acompanhamento psicológico e avaliação de
desempenho para monitoramento das competências desenvolvidas.
7
Sim. Todas as avaliações, inclusive de processos seletivos, são baseadas
nas competências consideradas principais para a empresa. Por meio do
resultado dessa análise, é elaborado um plano de desenvolvimento, que
é revisado semestralmente.
8
Não existe atualmente, pois, no momento, a empresa está mapeando
novamente todos os processos organizacionais.
Fonte: elaborado pelas autoras
É possível perceber que o
desenvolvimento de competências
faz parte da cultura da maioria das
organizações. A principal diferença
está nos métodos utilizados, assim
como nos responsáveis por esse
processo.
A trajetória de carreira tam-
bém é um fator importante a ser
analisado. Quanto a ela, é possível
identificar duas principais catego-
rias: ascensão e oportunidade. Cinco
dos entrevistados demonstram cres-
cimento contínuo em uma mesma
organização. Isso pode ser visuali-
zado, por exemplo, na fala do res-
pondente 2: “Minha trajetória com-
preende cinco diferentes cargos até
minha posição atual: estagiário, au-
xiliar de produção, assistente técni-
co de produção, consultor de produ-
ção e consultor de projetos. Atual-
mente, após dezesseis anos, ocupo o
cargo de gerente de produção”.
Percebem-se, quanto aos ou-
tros quatro participantes, visíveis
oportunidades de carreira que oca-
sionaram crescimento profissional.
Isso significa que esse perfil de en-
trevistado apresentou mudanças no
decorrer de sua trajetória, no que diz
respeito às organizações de atuação.
O respondente 2 deixa esse fato cla-
ro em sua fala e traz informações im-
portantes a respeito de oportunida-
des: “Trabalhei os primeiros treze
anos em duas empresas de prestação
de serviços. Durante quinze anos,
atuei como sócio proprietário de
duas empresas na área de comuni-
cação. Atualmente, tenho uma em-
presa na área comercial e atuo como
gerente”.
A partir da trajetória de car-
reira dos entrevistados, surgem
também respostas relacionadas ao
processo de busca do coaching. É
possível identificar duas categorias
distintas: necessidade pessoal e ne-
64
APOSTILA DE COACHING
cessidade organizacional. Cinco res-
pondentes demonstraram que o pro-
cesso foi realizado a partir de uma
demanda pessoal, de necessidade de
desenvolvimento de competências
individuais e de mudança de atitu-
des. Quatro respondentes demons-
traram que a busca pelo coaching
deu-se a partir de uma demanda
organizacional. Isso significa que a
necessidade de desenvolvimento de
executivos foi percebida pela organi-
zação. Percebe-se, dessa forma, a
presença de alguns conceitos de
Clutterbuck (2008). Segundo o
autor, para haver coaching, é neces-
sário existir a necessidade de um-
dança, que pode partir do próprio
interessado ou de um dirigente orga-
nizacional, o qual poderá determi-
nar também os fatores que precisam
de desenvolvimento para elevação
de desempenho em determinadas
áreas.
Nota-se que os objetivos, ao
buscar o processo de coaching, estão
principalmente relacionados ao de-
senvolvimento profissional e à de-
terminação de metas claras. Sete dos
nove entrevistados demonstraram
que as maiores expectativas relacio-
nadas ao coaching eram o aprimora-
mento de competências para o aper-
feiçoamento das atividades exer-
cidas. A capacidade de liderar foi
citada como uma das principais há-
bilidades a serem desenvolvidas. Pa-
ra Chiavenato (2002), o novo am-
biente de negócios está impondo
forte pressão, novas demandas e de-
safios para as organizações e, prin-
cipalmente, para sua administração.
Com essas mudanças, surge a neces-
sidade não apenas de gerenciar pro-
cessos, mas também de liderar com-
portamentos e competências.
Ao tratar de competências, ini-
cialmente, os entrevistados foram
questionados a respeito das compe-
tências que acreditavam ser impor-
tantes para o desempenho de um
gestor ou líder organizacional. Des-
tacam-se três principais categorias
de resposta: habilidade de motivar,
capacidade de liderar e capacidade
de foco. Quanto à habilidade de mo-
tivar, dois dos nove respondentes
destacaram a importância de enten-
der os mecanismos que geram moti-
vação para os indivíduos na organi-
zação e de procurar meios eficazes
de colocá-los em prática.
Os respondentes trataram, de
forma individual, os conceitos de li-
derança e motivação. De acordo com
os dados obtidos, para os entrevis-
tados, é possível saber motivar cola-
boradores e equipes, mesmo dei-
xando a desejar em diversos outros
aspectos da liderança. Dessa forma,
percebe-se a necessidade de desen-
volver ambas as habilidades.
Ademais, a respeito da capa-
cidade de liderança, cinco entre-
65
APOSTILA DE COACHING
vistados salientaram a importância
de saber liderar equipes de alto de-
sempenho. Percebe-se a preocu-
pação, por parte dos respondentes,
em fortalecer a capacidade de lide-
rança e promover a integração dos
colaboradores. Para eles, é impor-
tante que os recursos totais sejam
direcionados de maneira adequada
para a sustentação e o crescimento
do negócio.
Quanto à capacidade de foco,
dois entrevistados destacaram o fato
de que saber focar em determinado
aspecto também implica compre-
ender a situação organizacional.
Criar um panorama amplo e visua-
lizar todos os aspectos envolvidos
auxilia, posteriormente, no processo
de estabelecer foco, identificar solu-
ções e tomar as decisões mais
adequadas.
Questionados a respeito das
competências individuais que perce-
biam em si mesmos, os entrevis-
tados voltaram as respostas, princi-
palmente, ao relacionamento inter-
pessoal e ao comprometimento. Per-
cebe-se que, mesmo destacando ini-
cialmente o relacionamento inter-
pessoal como um aspecto positivo,
quando perguntados a respeito das
competências desenvolvidas a partir
do coaching, os respondentes afir-
maram terem desenvolvido forte-
mente a capacidade de comunicação
interpessoal. Isso aprimorou o rela-
cionamento com subordinados, com
equipes e com superiores.
Os dados obtidos nas entre-
vistas demonstram que existe uma
tendência de pessoas do mesmo
nível hierárquico a compartilharem
características comuns, tornando a
comunicação mais viável. Quando a
comunicação atravessa os níveis, é
preciso que as mensagens sejam
traduzidas. Por mais que os indi-
víduos conheçam outros níveis, ou-
tras tarefas e outros conteúdos, as
intenções variam de nível para nível.
Uma fala importante do respon-
dente 9 deixa isso claro: “As infor-
mações trazidas da diretoria eram
transmitidas de maneira inadequa-
da, e a minha equipe também pare-
cia não assimilar os temas abor-
dados. Aprendi que tudo o que eu
desenvolvi a partir do coaching tam-
bém poderia ser transmitido para a
minha equipe. Assim, através da
determinação de metas, passei a de-
senvolvê-la. Isso facilitou a comuni-
cação, pois, mesmo estando em ní-
veis hierárquicos diferentes, agora
todos se sentem suficientementepreparados, não somente para en-
tender as situações que ocorrem,
mas também para dar sugestões e
propostas de melhoria”.
Percebe-se, a partir dos dados
mencionados, a confirmação de
duas ideias de Krausz (2007). A pri-
meira se refere ao coaching executi-
66
APOSTILA DE COACHING
vo. Segundo a autora, o coaching au-
xilia na expansão de consciência e
determinação de metas individuais
para seus executivos, diretores, ge-
rentes e líderes. A segunda está rela-
cionada às equipes, e, conforme a
autora, o coaching se traduz em um
trabalho para a revisão de desem-
penho, para a melhoria de resulta-
dos, de comunicação e de relacio-
namentos.
Entre as competências desen-
volvidas a partir do processo de coa-
ching, três entrevistados destacaram
a capacidade de liderança. Segundo
eles, para que fosse possível desen-
volver essa competência, outras
também precisaram ser aprimo-
radas.
Foram ressaltados o compro-
metimento e a pro atividade. Identi-
ficam-se, dessa forma, conceitos de
Araújo (1999). De acordo com a
autora, o coaching auxilia no desen-
volvimento de algumas competên-
cias necessárias para o exercício da
liderança, ou seja, comportamentos,
habilidades e atitudes a serem
desenvolvidas ou aprendidas.
Os respondentes abordaram o
fato de que a liderança já era uma
competência que se fazia presente
na execução de suas atividades. No
entanto, a maneira de interpretar a
capacidade de liderar foi aprimora-
da. Os respondentes demonstraram
que, após o processo, foi possível
perceber o aperfeiçoamento da habi-
lidade de influenciar e motivar pes-
soas para a realização de um obje-
tivo. Percebe-se, dessa forma, que o
coaching realmente auxilia no de-
senvolvimento da liderança, pois,
como afirma Chiavenato (2003), li-
derar é a habilidade de motivar e
influenciar os indivíduos, de forma
ética e positiva, a fim de que con-
tribuam para alcançarem as metas
da equipe e da organização.
É possível estabelecer tam-
bém, uma relação do desenvolvi-
mento da liderança com a comuni-
cação interpessoal, também aprimo-
rada a partir do processo de coa-
ching. Ainda de acordo com Chia-
venato (2003), liderança é a in-
fluência interpessoal, mostrada em
determinada situação e dirigida no
processo da comunicação humana,
com a finalidade de atingir diversos
objetivos específicos.
A capacidade de foco foi men-
cionada por quatro participantes
como a principal competência de-
senvolvida. Nota-se que a justifica-
tiva para isso reside no aprimora-
mento da capacidade de direcionar a
atenção ao que é importante. O ex-
cesso de atribuições e responsabili-
dades legadas a cada indivíduo acar-
reta, na maioria das vezes, perda de
concentração e dificuldade para
identificar prioridades de ação. Per-
cebe-se que o coaching, pela deter-
67
APOSTILA DE COACHING
minação de metas e prazos viáveis
para a sua realização, auxilia no pro-
cesso de relacionar desejos a ações
efetivas, além de determinar os es-
forços necessários para gerar os re-
sultados esperados. É possível com-
preender, também, que o coaching
permite que seja elaborado um pa-
norama geral da situação em pauta.
Dessa forma, facilita-se o en-
tendimento, por parte dos gestores,
de todos os fatores que precisam de
atenção, do seu grau de importância
e das decisões que precisam ser
tomadas.
As Aprendizagens do Processo
As aprendizagens do processo
envolvem também os principais re-
sultados obtidos para o indivíduo e
para a organização, assim como as
diferenças antes e depois do pro-
cesso de coaching. Quanto aos resul-
tados, dois respondentes identifica-
ram a mudança de comportamento,
que consiste em uma descontinui-
dade; dessa forma, é muito comum o
surgimento do sentimento de resis-
tência. De acordo com os entrevis-
tados, o coaching fornece suporte
nesse processo de transformação, o
que gera maior tranquilidade.
Para Senge (2004), a apren-
dizagem é vista como a capacidade
de transformar a experiência em
conhecimento, acessível a todos os
níveis organizacionais. Percebe-se
que os entrevistados destacam, co-
mo importante resultado da aplica-
ção do coaching, a capacidade de
transmitir conhecimentos, ideias e
estratégias a toda equipe e, conse-
quentemente, a toda a organização.
Dessa forma, é possível compreen-
der que o coaching se relaciona for-
temente com o processo de
aprendizagem.
O autoconhecimento foi desta-
cado por dois participantes como o
fundamental aprendizado do pro-
cesso. Percebe-se que os entrevista-
dos consideram o autoconhecimen-
to uma condição imprescindível pa-
ra que o profissional estimule a
autocritica e, dessa forma, saiba uti-
lizar suas competências para gerar
resultados positivos, além de desen-
volver suas limitações, uma vez que
toma consciência delas. Nota-se que
o processo de mudança de compor-
tamento está intimamente relacio-
nado ao autoconhecimento. Isso se
deve ao fato de que, a partir do mo-
mento em que o indivíduo tem co-
nhecimento de si mesmo, de suas
potencialidades e aspectos a apri-
morar, é possível também compre-
ender os fatores que o levavam a
pensar e agir de determinada manei-
ra. Percebe-se, dessa forma, concei-
tos de Wolk (2008). Para o autor, o
coaching auxilia a desenvolver a
capacidade de observar e, assim, é
68
APOSTILA DE COACHING
possível elaborar novos e diferentes
sentidos, que transformarão, por
sua vez, as ações do indivíduo. Isso
significa que, ao observar-se, é pos-
sível identificar necessidade de um-
dança de atitude.
O alinhamento de metas foi
mencionado por dois entrevistados
como o principal resultado atingido.
A partir dos dados obtidos, percebe-
se que alinhar as metas é dar às
pessoas orientações e informações
claras e específicas de como elas po-
dem contribuir para atingir objeti-
vos e de quais comportamentos que,
praticados, auxiliam a atingir as
metas definidas. Dessa forma, é pos-
sível recuperar um conceito de Zeus
e Skiffington (2000). Para os au-
tores, o coaching funciona como um
instrumento que contribui para o
estabelecimento de estratégias que
visam a transformar os objetivos do
ambiente corporativo em ações ime-
diatas que, consequentemente, ali-
nhem as metas organizacionais com
as metas dos colaboradores.
A mudança de paradigmas foi
tratada por três participantes como
o principal aprendizado do proces-
so. De acordo com os entrevistados,
o coaching estimula a mudança de
paradigmas, já que implica desen-
volver coragem para inovar e dis-
posição para enfrentar o novo. Per-
cebe-se que o coaching auxilia no
processo de mudança de pensamen-
to e, consequentemente, de atitudes.
Isso ocorre devido ao fato de que o
coaching parte da aquisição de no-
vos conhecimentos. Dessa forma, o
indivíduo é instigado a questionar
suas crenças e, então, a visualizar as
situações por perspectivas diferen-
tes, o que favorece o surgimento de
novas ideias e soluções. Nota-se, as-
sim, que a mudança de comporta-
mento se relaciona fortemente à
quebra de paradigmas.
Questionados a respeito das
principais diferenças antes e depois
do coaching, dois participantes des-
tacaram a fluidez dos processos or-
ganizacionais. Isso fica evidente na
fala no entrevistado cinco: “Os pro-
cessos da empresa fluem de maneira
muito mais organizada. Consegui-
mos identificar os principais garga-
los e criar meios para que pudesse-
mos superá-los. Isso se deve, certa-
mente, à nova mentalidade que o
coaching me proporcionou e que,
consequentemente, eu repassei para
minha equipe”. O’Neil (2001) abor-
da essa questão quando afirma que a
essência do coaching consiste em
ajudar o indivíduo a resolver pro-
blemas e a transformar a aprendiza-
gem em resultados positivos. Para a
autora, o aprendizado individual é
ampliado para o grupo detrabalho e,
então, para a coletividade orga-
nizacional.
69
APOSTILA DE COACHING
A definição de estratégias foi
tratada como um importante dife-
rencial obtido por meio do coaching.
De acordo com os respondentes, a
partir do momento em que se vi-
sualiza um panorama geral, em lu-
gar de somente focar no problema
em questão, é possível encontrar so-
luções e definir estratégias para
atingir um objetivo especifico. Isso
vai ao encontro de outro fator men-
cionado pelos entrevistados: a com-
preensão situacional. O coaching
auxilia no entendimento das práti-
cas e da cultura da organização, o
que, mais uma vez, facilita o anda-
mento dos processos organizacio-
nais. O respondente 8 deixa isso
claro quando afirma que “o coaching
trouxe melhorias relacionadas a
tempo e desempenho”.
A partir do coaching, os entre-
vistados destacam a melhoria contí-
nua como um importante resultado.
Percebe-se o desenvolvimento de
uma consciência relacionada à im-
portância de melhorar constante-
mente práticas organizacionais, de-
sempenhos e comportamentos. É
importante salientar que a busca
pela excelência se torna viável a par-
tir de uma mudança de mentalidade,
ou seja, de uma transformação na
maneira de visualizar os aspectos
positivos da empresa e os que pre-
cisam ser aprimorados. Sabe-se que
essa é uma importante competência
desenvolvida, levando-se em consi-
deração a existência de um mercado
em constante desenvolvimento, que
exige capacidade de adaptação e res-
posta rápida à mudança.
A determinação de objetivos,
citada como importante resultado
por dois participantes, se relaciona
fortemente à melhoria contínua.
Traçar objetivos é um meio eficaz
para responder à necessidade de
mudança. Além disso, é importante
destacar o fato de que o coaching
não auxilia apenas a determinar me-
tas, mas a identificar meios de rea-
lizá-las, dentro de prazos viáveis, o
que torna a aplicação do método
ainda mais eficaz.
Considerações Finais
A partir da análise do conteú-
do das entrevistas realizadas, é pos-
sível compreender quais são os prin-
cipais resultados obtidos pela apli-
cação do coaching em executivos,
bem como as competências desen-
volvidas. Os resultados demons-
tram, primeiramente, que não existe
um padrão para a aplicação do coa-
ching, nem mesmo para o processo
de busca. Independentemente de
quem demande necessidade de apri-
moramento, o coaching é orientado
por objetivos, necessidades e prefe-
rências do coachee e da organização.
70
APOSTILA DE COACHING
Percebe-se que o coaching traz
resultados que partem do autoco-
nhecimento e do entendimento do
contexto em que está inserido. A
justificativa para isso reside no fato
de que o processo auxilia na compre-
ensão das potencialidades indivi-
duais, bem como das necessidades
de aprimoramento. A partir disso,
entende-se os motivos pelos quais
surgem mudanças de comporta-
mento e quebra de paradigmas co-
mo resultados do processo. O indi-
víduo passa a entender os motivos
que o levavam a pensar ou a agir de
determinada maneira, e, assim, tor-
na-se mais fácil encontrar recursos
para modificar suas atitudes, a fim
de obter resultados cada vez mais
positivos.
Ao mesmo tempo em que se
desenvolve a capacidade de autoco-
nhecimento, é possível entender, de
forma mais clara, quais são as
principais forças da organização e os
aspectos a desenvolver.
Entende-se que é possível
visualizar com mais facilidade o pa-
norama organizacional, o que per-
mite compreender quais são as prin-
cipais forças da empresa, bem como
os aspectos que necessitam de maior
atenção. Isso explica, também, o
aprimoramento da capacidade de
foco. A partir do entendimento si-
tuacional, encontram-se meios para
direcionar esforços e concentração
em busca de realizar as atividades
que apresentam maior prioridade.
Compreende-se que o coa-
ching proporciona resultados sistê-
micos para o indivíduo e para a
organização. Isso significa que eles
se inter-relacionam de forma a bus-
car a excelência em desempenho. A
capacidade de liderança, por exem-
plo, é fortalecida a partir do apri-
moramento da comunicação que,
consequentemente, desenvolve as
relações interpessoais. Isso se deve
ao fato de que uma boa comunicação
permite maior interação e coope-
ração entre líder e liderados.
Independente de o coaching
ser realizado a partir de uma neces-
sidade pessoal ou organizacional,
toda a empresa é envolvida no pro-
cesso. A aprendizagem provoca uma
reação em cadeia, o que favorece a
transferência de habilidades e co-
nhecimento a todos os níveis orga-
nizacionais. A empresa que dispo-
nibiliza aos seus executivos um pro-
cesso de coaching aplica um método
que proporciona mudança situacio-
nal. Ademais, cria uma filosofia pró-
pria, inserida em seu contexto de
trabalho e cultivada não apenas por
um indivíduo, mas pela coletividade,
que se engaja nos mesmos princí-
pios, objetivos e ações compatíveis
com a cultura organizacional.
O coaching, como um processo
que provoca mudanças de compor-
71
APOSTILA DE COACHING
tamento, abre espaço para futuras
pesquisas. Estudos posteriores po-
dem identificar os impactos que o
coaching, mesmo realizado em am-
biente organizacional, traz para o
indivíduo e sua vida pessoal. Dessa
forma, considera-se adequado, tam-
bém, analisar de maneira mais pro-
funda os métodos aplicados. Por
fim, o envolvimento do coaching
com o desenvolviment da capaci-
dade de liderar deixa uma oportuni-
dade de pesquisa que identifique as
contribuições de um líder que atue
como coach à organização.
O Que é Coaching Esportivo
O Coaching Esportivo é um
nicho do Coaching desenvolvido ex-
clusivamente para atletas e todos os
profissionais ligados às práticas es-
portivas, como técnicos, diretores
esportivos, auxiliares, comissão téc-
nica, fisioterapeutas, psicólogos,
médicos, nutricionistas, preparado-
res, assessores, entre outros.
Fonte: https://runnersworld.com.br/
Apesar de tanto o treinador
esportivo, quanto o coach (profissio-
nal do Coaching responsável por
aplicar as técnicas do coaching es-
portivo) terem como objetivo me-
lhorar o desempenho de seus clien-
tes e incentivá-los a dar o melhor de
si, cada um atua de forma diferente
e não devem ser confundidos.
Enquanto o técnico/treinador
transfere os seus conhecimentos,
técnicas e táticas relativas a um es-
porte específico, o coach esportivo
trabalha aspectos relacionados ao
desenvolvimento pessoal, profissio-
nal, emocional, social, físico e inte-
lectual dos atletas e da equipe utili-
zando uma metodologia que engloba
diversas áreas do conhecimento.
O Coaching Esportivo utiliza
mais de cem ferramentas de Coa-
ching, com foco na prática esportiva.
A metodologia desenvolve temas
como: práticas de liderança aplica-
das ao contexto esportivo, comuni-
cação e psicologia esportiva, progra-
mação neurolinguística aplicada ao
esporte e cases, sempre com o obje-
tivo de potencializar a performance
e atuação dos atletas e demais
profissionais.
Esse tipo de coaching tem um
papel fundamental no desenvolvi-
mento do atleta e da equipe como
um todo. Seu trabalho vai muito
além da aplicação de técnicas liga-
das ao esporte, considerando tam-
72
APOSTILA DE COACHING
bém aspectos como valores, missão,
objetivos, metas, sentimentos, pen-
samentos e outros comportamentos
essenciais.
Enquanto o treinamento e
preparação física trabalham o corpo
do atleta, o coaching esportivo volta-
se para a mente do esportista, aju-
dando-o a ter mais equilíbrio emo-
cional diante das adversidades, de-
senvolver mais autoconfiança e
trabalhar melhor em conjunto para
apresentar uma boa performance
física durante toda a competição,
inclusive em momentos decisivos.O coaching esportivo também
ajuda a ampliar a visão estratégica,
investindo em escolhas mais asser-
tivas para atingir metas e objetivos,
além de ajudar os seus clientes a
manterem-se mais organizados e
otimizar seu tempo.
Coaching no Futebol e em
Outras Modalidades Espor-
tivas
No futebol brasileiro, grandes
times como o Flamengo, Palmeiras,
Fluminense, Figueirense e Atlético
Mineiro têm adotado o Coaching
Esportivo como estratégia para al-
cançar melhores resultados. Mas o
método também é muito solicitado
por atletas individuais. Entre os
medalhistas olímpicos que utilizam
essa poderosa ferramenta estão
César Cielo e Flávio Canto.
Benefícios do Coaching Es-
portivo
O Coaching é um método que
surgiu do esporte na década de 1970.
Apesar de suas técnicas serem muito
empregadas em outros campos, o
Coaching Esportivo ainda continua
sendo utilizado como ferramenta
para otimizar a performance de atle-
tas principalmente nos Estados Uni-
dos e Europa. Por aqui, como vimos,
a técnica ultimamente tem sido mui-
to solicitada em diversas modali-
dades.
Fonte: unisportbrasil.com.br
A aplicação do Coaching Es-
portivo baseia-se na teoria sobre
inteligência emocional, do psicólogo
Daniel Goleman, PhD pela Univer-
sidade de Havard. Segundo o estu-
dioso, as emoções desempenham
um papel fundamental no desem-
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APOSTILA DE COACHING
penho individual. Equilibrar mente
e corpo, portanto, é fundamental pa-
ra obter os resultados desejados du-
rante as práticas esportivas. Nessa
perspectiva, o Coaching Esportivo
proporciona:
Maior comprometimento com
resultados;
Motivação pessoal e profis-
sional;
Capacitação e desenvolvimen-
to de habilidades esportivas;
Comunicação efetiva;
Capacidade de tomar decisões
assertivas, de maneira rápida;
Desenvolvimento de foco,
comprometimento e
disciplina;
Inteligência emocional;
Autoconhecimento e autode-
senvolvimento contínuo;
Definição de objetivos e prio-
ridades;
Boa performance nas com-
petições;
Trabalho em equipe.
Conheça o Coach Training
Esportivo
Agora que você já sabe mais
sobre os benefícios do Coaching Es-
portivo, gostaria de convidá-lo para
conhecer o Leader Coach Training
Esportivo, a melhor e mais eficaz
formação em Coaching focada em li-
deranças, atletas e todos os profis-
sionais que atuam no meio e-
sportivo.
Trata-se de um poderoso trei-
namento que, por meio de uma me-
todologia única e exclusiva, propor-
ciona aos atletas desenvolvimento
pessoal e profissional, melhorando a
performance física, o controle
emocional e, principalmente, os
seus resultados.
O LCT Esportivo oferece apoio
e orientação não só aos atletas em
início de carreira, mas aos que estão
em ascensão ou em processo de
aposentadoria, ajudando-os a admi-
nistrar suas carreiras de forma a
atingir todos os seus objetivos.
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