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FO TO S: G US TA VO D E OL IV EI RA 29 janeiro a 4 de fevereiro 2023 - Ano XXX - nº 1.30429 janeiro a 4 de fevereiro 2023 - Ano XXX - nº 1.304 Páginas: 5 a 7Páginas: 5 a 7 Curso dos Bispos abordou o valioso papel que as Novas Comunidades exercem na evangelização Na comemoração dos 20 anos da Escola Diaconal Santo Efrém foram ordenados 14 novos diáconos permanentes Páginas: 19 a 24Páginas: 19 a 24 2 ARQUIDIOCESE B i c h e c t o m i a C i r u r g i a B u c o M a x i l o - F a c i a l E n d o d o n t i a I m p l a n t o d o n t i a L e n t e d e C o n t a t o O d o n t o g e r i a t r i a O d o n t o p e d i a t r i a O r t o d o n t i a - P a c i e n t e s e s p e c i a i s P e r i o d o n t i a - P r ó t e s e T o x i n a B o t u l í n i c a ( B o t o x ) Com atuação PS G PROGRAMA SOCIAL ODONTOLÓGICO GESTACIONAL PRÉ NATAL ODONTOLÓGICO Dr. Wellington Vasques Novo Conceito em Odontologia Especialidades (021) 3301-1271 / 3301-1147 (021) 96715-5131 @odontovasquesvp www.doutorvasques.com Vila da Penha Campo Grande (021) 2415-0014 / 2413-4884 (021) 97301-2655 @odontovasquescg www.odontovasques.com PROGRAMA SOCIAL DE IMPLANTE DA TERCEIRA IDADE ODONTOLOGIA PREMIUM 29 DE JANEIRO 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ ATOS DO GOVERNO ARQUIDIOCESE DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO Rua Benjamin Constant, 23 - Glória - 20241-150 - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: (21) 2292-3132 Arcebispo Metropolitano: Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist. Vigário Episcopal para a Comunicação Social: Padre Doutor Arnaldo Rodrigues da Silva Diretor de Jornalismo da Arquidiocese do Rio: Carlos Moioli - MTE: 0038788/RJ FUNDAÇÃO CULTURAL, EDUCACIONAL E DE RADIODIFUSÃO CATEDRAL DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO Rua Benjamin Constant, 23 - 8º andar - Glória - 20241-150 - Rio de Janeiro - RJ - Tel.: (21) 3231-3560 - Fax: 3231-3566 Diretor Geral: Padre Doutor Arnaldo Rodrigues da Silva • Diretor Administrativo/Financeiro: Padre Ionaldo Pereira da Silva • Diretora Jurídica: Doutora Claudine Milione Dutra • Diretor Adjunto: Diácono Claudino Affonso Esteves Filho TESTEMUNHO DE FÉ: Tel.: (21) 3231-3568 / 3231-3569 Banca Digital: https://digital.maven.com.br/pub/ otestemunhodefe/ • Mídias sociais: facebook.com/ jornaltf / @testemunhodefe_ / otestemunhodefe. blogspot.com.br Redação e Jornalismo: jornalismo@arquidiocese.org.br • Jornalista Responsável: Carlos Moioli • Revisor: Carlos Gustavo Trindade • Diagramadora: Elizabeth Eiras • Repórter Fotográfico: Gustavo de Oliveira Atendimento de Publicidade: • Deniere Freitas Fonseca - Tel.: (21) 3231-3582 - 99435-2837 - e-mail: deniere@ radiocatedral.com.br Segundo as normas internacionais sobre a propriedade intelectual e direitos autorais, recordamos aos leitores que todo o conteúdo do jornal ”Testemunho de Fé” pode ser reproduzido, parcial ou totalmente, desde que seja citada a fonte. Informes publicitários e anúncios são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não cabendo ao jornal responsabilidade sobre os mesmos. 18 a 24 de janeiro de 2023 • Delegando ao Exmo. e Revmo. Dom Antonio Luiz Catelan Fer- reira, Bispo Titular de Tunes e Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro, a faculdade de dedi- car a Deus, no dia 25 de janeiro de 2023, Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, o altar da Igreja Paroquial São Paulo Apóstolo, em Copacabana, Vi- cariato Episcopal Sul. • Transferindo o Revdo. Pe. An- selmo da Silva Nascimento, SDB do ofício de Administrador Paroquial da Paróquia Santa Bárbara, em Rocha Miranda, Vicariato Episcopal Subur- bano, para o ofício de Vigário Paroquial na referida Paróquia Santa Bárbara. • Nomeando o Revdo. Pe. Romeu do Nascimento Dias, SDB para o ofício de Pároco da Paró- quia Santa Bárbara, em Rocha Miranda, Vicariato Episcopal Suburbano. • Transferindo o Revdo. Pe. Fr. Agostinho Morosini, OAR do oficio de Vigário Paroquial na Paróquia São Januário e Santo Agostinho, em São Cristóvão, Vicariato Episcopal Urbano, para o ofício de Vigário Paro- quial na Paróquia Santo Agos- tinho, no Novo Leblon, Barra da Tijuca, Vicariato Episcopal Jacarepaguá. • Nomeando o Revdo. Pe. Vag- ner Lucas Pimentel, SCJ para o ofício de Vigário Paroquial na Paróquia Bom Jesus da Penha, na Penha, Vicariato Episcopal Leopoldina. • Nomeando o Revdo. Pe. Carlos Vieira Lima, SVD para o ofício de Vigário Paroquial na Paróquia Cristo Redentor, em Laranjei- ras, Vicariato Episcopal Sul. • Aceitando a renúncia do Revdo. Pe. Alexandre Paciolli Moreira de Oliveira ao ofício de Vigário Paroquial na Paróquia São José, na Lagoa, Vicariato Episcopal Sul. • Concedendo ao Revdo. Pe. Eduardo Sales de Lima, SSS li- cença para exercer o ministério sacerdotal nesta Arquidiocese. • Concedendo ao Revdo. Pe. Luiz Fernando Klein, SJ licença para exercer o ministério sacerdotal nesta Arqudiocese. • Nomeando o Revdo. Diác. Car- los Alberto dos Santos Mon- teiro para exercer o ministério diaconal na Paróquia São João Evangelista, em Campo Gran- de, Vicariato Episcopal Campo Grande. • Nomeando o Revdo. Diác. Edu- ardo da Costa Ramos para exercer o ministério diaconal na Paróquia São Marcelino Cham- pagnat, em Jacarepaguá, Vica- riato Episcopal Jacarepaguá. • Nomeando o Revdo. Diác. Elias Ferreira da Silva para exercer o ministério diaconal na Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Vila Nova, Campo Grande, Vica- riato Episcopal Campo Grande. • Nomeando o Revdo. Diác. Elias Pereira dos Santos para exer- cer o ministério diaconal na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, Vicariato Episcopal Sul. • Nomeando o Revdo. Diác. Eraldo Santana Moreira para exercer o ministério diaconal na Paróquia Nossa Senhora da Luz, no Alto da Boa Vista, Vicariato Episcopal Norte. • Nomeando o Revdo. Diác. Gil- son Bruno Gentil para exercer o ministério diaconal na Paró- quia Apóstolo São Pedro, em Cavalcante, Vicariato Episcopal Suburbano. • Nomeando o Revdo. Diác. Jorge Luiz de Faria para exercer o ministério diaconal na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Jardim Palmares, Paciência, Vicariato Episcopal Santa Cruz. • Nomeando o Revdo. Diác. José Carlos Sampaio Fernandes para exercer o ministério diaconal no Santuário Nossa Senhora de Fátima, situado no território da Paróquia Imaculada Conceição, no Recreio dos Bandeirantes, Vicariato Episcopal Jacarepa- guá. • Nomeando o Revdo. Diác. Marcos Moizes da Silva para exercer o ministério diaconal na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em Jardim Gua- dalajara, Inhaúma, Vicariato Episcopal Suburbano. • Nomeando o Revdo. Diác. Nir- mo Antonio Araujo Filho para exercer o ministério diaconal na Paróquia Nossa Senhora da Apresentação, em Irajá, Vicaria- to Episcopal Suburbano. • Nomeando o Revdo. Diác. Re- nato Claudio de Souza Mo- êdo para exercer o ministério diaconal na Paróquia Nossa Senhora do Bonsucesso, em Bonsucesso, Vicariato Episco- pal Leopoldina. • Nomeando o Revdo. Diác. Ri- cardo Antonio Ximenes Arau- jo para exercer o ministério diaconal na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Ilha do Governador, Vicariato Episcopal Leopoldina. • Nomeando o Revdo. Diác. Ri- cardo Lima Miranda para exer- cer o ministério diaconal na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Vila Santa Rita, Campo Grande, Vicariato Episcopal Campo Grande. • Nomeando o Revdo. Diác. Ser- gio Gonçalves Alencar para exercer o ministério diaconal na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Turiaçu, Vicariato Episcopal Suburbano. ANUNCIE AQUI: SÃO MAIS DE 287 PARÓQUIAS VENDO O SEU ANÚNCIO VOZ DO PASTOR 3 TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 FEVEREIRO DE 2023 Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist. Arcebispo do Rio de Janeiro DIA 29 DE JANEIRO 9h - Missa do padroeiro da Paró- quia São João Bosco, no Riachuelo 17h - Participação no encerra- mento da assembleia paroquial na Paróquia Nossa Senhora da Apresentação, no Irajá 18h - Missa de posse do padre Romeu do Nascimento Dias, SDB, novo pároco da Paróquia Santa Bárbara em Rocha MirandaDIA 30 DE JANEIRO 19h - Missa pelo primeiro aniver- sário da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Vila Cruzeiro, Penha DIA 1º DE FEVEREIRO 8h - Missa no Colégio Marista, na Barra da Tijuca 19h30 - Missa de posse do padre Diogo dos Santos Espagolla, na Paróquia Nossa Senhora da Ajuda, na Freguesia, Ilha do Governador DIA 2 DE FEVEREIRO 19h - Missa de renovação do com- promisso dos membros da comu- nidade Canção Nova, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima Rainha de Todos os Santos, em Todos os Santos DIA 3 DE FEVEREIRO 9h - Missa na festa do padroeiro da Paróquia São Brás, em Madureira 19h30 - Missa pelo 10º aniversário da Paróquia Bom Jesus, em Man- garatiba, Paciência DIA 4 DE FEVEREIRO 9h - Missa “O Rio Celebra” na Pa- róquia São João Batista, na Vila São João, Campo Grande 16h30 - Missa de apresentação de Dom Geraldo de Paula Souza, bispo auxiliar de Niterói, na Nova Catedral de Niterói AGENDA DO ARCEBISPO O Jornal Testemunho de Fé congratula-se com todos os aniversariantes desta semana e suas comunidades NATALÍCIO DIA 29 DE JANEIRO • Pe. Elio Frison, PODP • Pe. Emerson Manoel da Silva • Dom Henrique de G. Coelho, OSB • Pe. José Geraldo Gomes • Pe. Ricardo Torri de Araújo, SJ DIA 30 DE JANEIRO • Pe. Edmilson José dos Santos • Pe. Eduardo C. da Costa e Silva • Dom Eduardo de S. Schulz, OSB • Pe. Frei Gustavo Tubiana, OAD • Pe. João Henrique Mattos, SSCC • Diác. Carlos H. Pires Robaço DIA 31 DE JANEIRO • Pe. Diogo Rodrigues Oliveira • Pe. Jan Bacal, MIC • Pe. José Carlos R. Silva Junior • Pe. Renato Martins Gonçalves DIA 1º DE FEVEREIRO • Pe. Claudio dos S. Fernandes • Pe. Cristiano Siqueira de Lima • Pe. Elisandro I. da Silva, SdC • Pe. Marcelo de Assis Paiva • Pe. Raúl Escudero González DIA 2 DE FEVEREIRO • Dom Antonio Luiz C. Ferreira • Pe. Samuel Afonso Leonardo • Diác. Antonio N. Fernandes DIA 3 DE FEVEREIRO • Pe. Jean Nicaisse Milien, SSST • Diác. Sebastião G. Clemente DIA 4 DE FEVEREIRO • Pe. Gleiciano de Freitas da Silva • Pe. Frei Haroldo M. Filho, OSA ORDENAÇÃO DIA 29 DE JANEIRO • Pe. Filipe H. de Araújo, SCJ • Pe. Rosivaldo D. Vieira, MI DIA 1º DE FEVEREIRO • Pe. Manoel Evangelista da Silva DIA 2 DE FEVEREIRO • Diác. Lucas da Silva Souza DIA 4 DE FEVEREIRO • Pe. Frei Danilo G Almeida, OSA ANIVERSARIANTES Celebramos o quarto do Tempo Comum, e acompanhamos Jesus em sua vida pública anunciando o Reino de Deus. Nesse domingo, Jesus sobe ao monte para rezar e ensinar os discípulos. Ouviremos no Evangelho o conhecido “Sermão da Montanha”, iniciando com as bem-aventuranças. Em nossa vida somos chamados a ser bem-aventurados, ou seja, pautar a nossa vida pelos ensinamentos de Jesus e buscar a santidade. Bem-aventurados somos nós, quando vamos com a nossa família à missa aos domingos, escutamos o que o Senhor tem a nos falar e comungamos do seu Corpo e Sangue. Ao ser batizados, já nos torna- mos bem-aventurados, pois passamos a pertencer a Deus, somos lavados de toda a mancha do pecado, nos tornamos novas criaturas. Após o batismo, nos tornamos testemunhas de Jesus Cristo e somos cha- mados a trilhar uma vida de santidade, ou seja, as bem-aventuranças. Após buscar seguir os preceitos do Senhor aqui na terra e trilhar um caminho de santidade, almejamos o prêmio das bem-aventuranças, que é a vida eterna. Edifiquemos o Reino de Deus aqui na terra, para vivê-lo de maneira definitiva no céu. Que possamos tornar as bem- -aventuranças nosso “programa de vida” e pautar a nossa vida segundo o Evangelho de Cristo. Sejamos li- vres para amar a Deus e ao próximo e nos tornemos ricos para Deus. A primeira leitura da missa desse domingo é da profecia de Sofonias (Sf 2,3; 3,12-13). O profeta diz para o povo buscar o Senhor, e praticar tudo aquilo que advém do Reino de Deus. Em primeiro lugar, aquele que busca a Deus deve ser humilde e pautar a vida na caridade, no amor e na justiça. Escolhendo trilhar o caminho da justiça, da caridade e da humildade, seremos merecedores do prêmio eterno no dia da vinda do Senhor. Coloque- mos a esperança em Deus e na sua misericórdia que jamais falha. O salmo responsorial é o 145 (146), que diz em seu refrão: “Fe- lizes os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”. Essa pobreza de espírito que o salmista diz, e que depois Jesus vai falar nas bem- -aventuranças, não significa a pobreza econômica, mas significa que devemos ser livres para amar a Deus e amando a Deus seremos merecedores da vida eterna. Devemos nos desprender de tudo aquilo que nos impede de amar a Deus e ao próximo. A segunda leitura é da primeira carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 1, 26-31). A leitura segue o que estamos ouvindo há alguns domingos, desde o início do Tempo Comum. Paulo ensina à comuni- dade sobre a humildade, e que todos nós devemos nos aceitar com as nossas capa- cidades e inteligência, pois foi assim que fomos chamados por Deus. Não precisa ser muito sábio e inteligente para falar de Deus. O Senhor escolhe os fracos para confundir os fortes e, ainda, não escolhe capacitados, mas capacita os escolhidos. O Evangelho desse domingo é de Ma- teus (Mt 5, 1,12a). Este Evangelho é sobre as bem-aventuranças, iniciando o conheci- do “Sermão da Montanha”, e é o centro do Evangelho de Mateus. Jesus, vendo a multidão, subiu ao monte e sentou-se. O monte é sempre o lugar do encontro com o Senhor e de onde, desde o Antigo Testamento, Deus falava com os profetas. Jesus sente no coração que a multidão que ali estava precisava de um ensina- mento, pois muitos estavam longe de Deus e trilhando um caminho de peca- do. Podemos destacar a primeira bem- -aventurança que diz: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Jesus com essa bem- -aventurança não se refere apenas a algo material, mas devemos ser livres para amar a Deus, ou seja, nenhum bem mate- rial deve nos impedir de servir ao Senhor. Somos pobres em espírito toda vez que fazemos a vontade de Deus. Um exemplo de pobreza de espírito é a Virgem Maria, que não hesitou em dizer “sim” a Deus, se despojou de tudo para servi-Lo. Sejamos dóceis à ação do Espírito Santo e que possamos conformar a nossa vida com a vontade de Deus. As bem-aventuranças são o caminho que devemos seguir para almejar a vida eterna. Com certeza, os santos que nos precederam viveram as bem-aventu- ranças, eles são testemunhas para nós, e assim como eles, devemos procurar colocar em prática as bem-aventuranças no nosso dia a dia. O Evangelho das bem- -aventuranças também é proclamado no dia de todos os santos, para justamente nos indicar que o caminho para a santi- dade inicia aqui. Celebremos com alegria o 4º Domin- go do Tempo Comum e que possamos colocar em prática as bem-aventuranças e estar disponíveis para amar e servir a Deus e ao próximo. 4º Domingo do Tempo Comum “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. (Mt 5,3) 4 EDITORIAL 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ Bom Samaritano, uma das mais famosas parábolas de Jesus. Século XVI. Por Jacopo Bassano. Acervo da na National Gallery de Londres São com essas palavras que o Santo Padre, o Papa Francisco, dá o tom de sua mensagem para o 31° Dia Mundial do Enfermo, celebrado anualmente no dia de Nossa Senhora de Lourdes, por disposição de São João Paulo II desde 1992. Tais palavras nos reportam à parábola do Bom Samaritano, agora associada ao caminho sinodal vivenciado pela Igreja neste ano: “Trata bem dele! A compaixão como exercício sinodal de cura”. O Santo Padre nos recorda que a celebração do Dia Mun- dial do Enfermo em meio ao atual percurso sinodal é uma oportunidade de avaliar se nossa caminhada é feita em conjunto ou “se se vai na mesma estrada, mas cada um por conta própria, cuidando dos próprios interesses e deixando que os outros se arranjem”, e ainda nos convida a “refletir sobre o fato de podermos aprender, preci- samente através da experiênciada fragilidade e da doença a ca- minhar juntos segundo o estilo de Deus, que é proximidade, compaixão e ternura”. Chama-nos a atenção na re- ferida mensagem a sagacidade do Papa reinante no que diz res- peito às realidades mais íntimas do coração humano. Trata-se realmente de um grande pastor especialista em Humanidade. Particularmente, penso que é de se destacar dois aspectos da mensagem: quando ele fala da fragilidade humana e quando afirma que ninguém está pre- parado para a doença. O Papa nos convida a refletir sobre o fato de que a experiência da fragilidade e da doença pode nos ensinar a caminhar juntos “segundo o estilo de Deus, que é proximidade, compaixão e ter- nura”. Neste momento da história humana em que o valor de cada pessoa é mensurado de acordo com sua capacidade produtiva, todo ser humano quer ser forte, seja em nível econômico, políti- co, intelectual ou mesmo físico, pois força significa produtividade que, por sua vez, é “sinônimo” de reconhecimento e aceitação. Afinal de contas, pessoas fortes gozam de prestígio junto à so- ciedade, são pessoas de sucesso. Contudo, é a experiência da fragilidade que nos faz reconhe- cer nossa insuficiência e total dependência de Deus. Deus mesmo conhece nos- sas fragilidades e elas não são capazes de nos excluir do amor de Deus. Muito pelo contrário! Assim como um pai ou uma mãe costuma dar mais atenção para o filho mais frágil, porque mais carente de cuidados, Deus tem um olhar especialmente solícito para com os seus filhos mais fra- Trata bem dele cos. É o que o Romano Pontífice quer que compreendamos quan-do afirma que “Naturalmente as experiências do extravio, da doença e da fragilidade fazem parte do nosso caminho: não nos excluem do povo de Deus; pelo contrário, colocam-nos no centro da solicitude do Senhor, que é Pai e não quer perder pela estrada nem sequer um dos seus filhos. Trata-se, pois, de aprender com Ele a ser verdadei- ramente uma comunidade que caminha em conjunto, capaz de não se deixar contagiar pela cultura do descarte”. Neste sentido, a parábola do Bom Samaritano nos traz uma lição significativa. A pessoa fisicamente frágil foi abando- nada na estrada depois de ser roubada e espancada por alguém que podemos supor fisicamente mais forte. E aqueles que eram moralmente fortes perante a sociedade (o sacerdote e o levi- ta) foram covardes, insensíveis e omissos, não aproveitando a oportunidade de serem frater- nos para com aquela vítima. E isto lamentavelmente se repete hoje em muitas situações. Assim diz Francisco: “Com efeito, há uma profunda conexão entre esta parábola de Jesus e as múl- tiplas formas em que é negada hoje a fraternidade. De modo particular, no fato de a pessoa espancada e roubada acabar abandonada na estrada, pode- mos ver representada a condição em que são deixados tantos ir- mãos e irmãs nossos na hora em que mais precisam de ajuda”. E a grande virada, ou superação de uma situação de injustiça, se dá a partir de um movimento inte- rior de compaixão e caridade. E esta disposição vem exatamente de um samaritano, alguém considerado moralmente fraco e desprezível, por isso sempre objeto de discriminação. Na- quele momento, o samaritano se fez solidário, porque a fragi- lidade humana é o que todo ser humano tem de mais comum. O seu reconhecimento coloca a todos no mesmo nível e nos torna mais solidários uns para com os outros, sobretudo para com aqueles que são ainda mais frágeis que nós. “Nunca estamos prepara- dos para a doença; e muitas vezes nem sequer para admitir a idade avançada”, é o que ainda afirma o Santo Padre. De fato, esta nossa “geração saúde”, que busca a todo instante uma vida saudável através de hábitos ali- mentares e práticas esportivas que proporcionem melhor qua- lidade de vida corporal, não está preparada para a doença, para a decadência do vigor corpóreo, “tememos a vulnerabilidade, e a invasiva cultura do mercado impele-nos a negá-la”, vivemos em um tempo em que “não há espaço para a fragilidade”. Quan- do a doença e a dor sobrevêm a nós, com elas vêm também a frustração, por vezes o abando- no por parte dos outros, “ou nos pareça que devemos abandoná- -los a fim de não nos sentirem um peso para eles”. O momento da doença é dramático para todo ser humano porque nos hu- milha, oprime e nos coloca em condições que independem de nossa força, seja ela de que nível for. A força financeira não salva, a intelectual não cura, a física já foi comprometida. É o momento em que toda vaidade, orgulho e prepotência cedem espaço à fragilidade. Penso que a doença seja a forma mais humilhante de pobreza em toda plenitude de seu significado. É o momento em que até a fé, ou sobretudo ela, é posta à prova: “Começa assim a solidão, e envenena- -nos a sensação amarga duma injustiça, devido à qual até o Céu parece fechar-se-nos”. Conforme ainda afirma o Papa, “sentimos dificuldade de permanecer em paz com Deus, quando se arruí- na a relação com os outros e com nós mesmos”. Ora, todos nós somos frágeis e vulneráveis. E a pandemia da Covid-19 nos provou isto colocando a Humanidade de joelhos. Ela nos provocou maior gratidão para com os cientistas e profissionais de saúde, assim como também nos tornou mais caridosos e solidários para com os que mais sofrem. Porém, o retorno à normalidade não pode nos provocar uma diminuição destes sentimentos ou valores tão admiráveis entre as pessoas. Neste sentido, a devoção a Nossa Senhora de Lourdes, com suas 18 aparições e seu piedo- síssimo santuário nos Pirineus franceses, “aparece ao nosso olhar como uma profecia, uma lição confiada à Igreja no coração da modernidade. Não tem valor só o que funciona, nem conta só quem produz. As pessoas doentes estão no âmago do povo de Deus, que avança juntamente com eles como profecia duma Humanidade onde cada qual é precioso e ninguém deve ser des- cartado”, conforme as próprias palavras do Papa Francisco. PADRE VALTEMARIO S. FRAZÃO JR. ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 5 A Arquidiocese do Rio de Janeiro está em festa com a or- denação de 14 novos diáconos permanentes, durante missa realizada na Catedral de São Sebastião, no Centro, presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, no dia 21 de janeiro. “Neste mês intenso de ja- neiro, em que realizamos a Trezena de São Sebastião e comemoramos solenemente a festa do nosso padroeiro, que marca a vida e a caminhada da arquidiocese e também da cidade São Sebastião do Rio de Janeiro, temos a oportunidade de ordenar 14 novos diáconos permanentes”, disse o arcebispo no início da celebração. Os novos diáconos, forma- dos pela Escola Diaconal Santo Efrém, que no próximo dia 12 de fevereiro completa 20 anos de criação, são: Carlos Alberto dos Santos Monteiro, Eduardo da Costa Ramos, Elias Ferreira da Silva, Elias Pereira dos Santos, Eraldo Santana Moreira, Gilson Bruno Gentil, Jorge Luiz de Faria, José Carlos Sampaio Fer- nandes, Marcos Moizes da Silva, Nirmo Antônio Araújo Filho, Renato Claudio de Souza Mo- êdo, Ricardo Antônio Ximenes Araújo, Ricardo Lima Miranda e Sergio Gonçalves Alencar. “Podemos afirmar que es- ses homens foram escolhidos por Deus. Além do trabalho que já exercem no âmbito pro- fissional, a responsabilidade com a família e de tudo o que representam e significam para a sociedade, eles assumem também o chamado do Senhor para servir a Igreja como diáco- nos. Já serviam como ministros, catequistas, professores e, em tantas outras realidades, mas, a partir agora, passam a servi-la como diáconos permanentes”, disse o arcebispo na homilia. “É um dom de Deus para a Igreja ver esses sinais todos se multiplicando na comunidade. Estamos justamente no Ano Vocacional Missionário e, claro, a multiplicação de ministérios é muito importante para que a evangelização chegue em todos os cantos também atravésdos diáco- nos permanentes”, acrescentou. A missa contou com a pre- sença de familiares, amigos e fiéis das paróquias de origem e de caminhadas dos diáconos, e foi concelebrada por dezenas de bispos e sacerdotes. Estavam os bispos auxiliares Dom Paulo Celso Dias do Nas- cimento, Dom Tiago Stanislaw, Dom Juarez Delorto Secco, Dom Roque Costa Souza e Dom Célio da Silveira Calixto Filho, e os eméritos, Dom Assis Lopes e Dom Karl Josef Romer. Ainda os bispos eméritos de Iguatu (CE), Dom Edson de Castro Homem, e de Guanhães (MG), Dom Jere- mias Antônio de Jesus. Na ref lexão da primeira leitura da missa, dos Atos dos Apóstolos, Dom Orani lembrou que quando começou a aumen- tar o trabalho dos apóstolos, foi necessário instituir os diáconos, homens de bem para servir às mesas. “Hoje, nossos irmãos es- tão sendo ordenados para a liturgia, a palavra e a caridade, e assim colaborar na grande missão da Igreja. Os diáconos permanentes realizam vários trabalhos e ministérios em nos- sa arquidiocese, mas ainda são poucos. Temos muito trabalho e precisamos de mais diáconos. Rezemos pelas vocações diaco- nais para que a Igreja possa ser mais presente na sociedade, por toda a arquidiocese”. “Somos chamados a ben- dizer a Deus pelas vocações, pelo chamado, rezar pelos que estão sendo ordenados. Que eles vivam no Senhor e levem adiante, nas suas comunidades, nos seus trabalhos, nas suas realidades, o Evangelho e o testemunho. Peçamos ainda ao Senhor que dinamize, cada vez mais, nossa caminhada eclesial e arquidiocesana, de maneira especial para que com renovado ardor missionário nós vivamos aquilo que já é permanente, a nossa missão”, disse o arcebispo. Ainda na homilia, Dom Orani evidenciou que a ordena- ção de novos diáconos é dom e graça que o Senhor proporciona para que a Igreja esteja presente na grande cidade através do diá- logo com a sociedade e a cultu- ra, e na missão evangelizadora. “Os diáconos permanentes têm a facilidade de estarem junto com os bispos e padres, participando das preocupações da arquidiocese, como também serem presentes no mundo, no trabalho, na escola, na comu- nidade, na sociedade, enfim, em tantas outras situações que existem e fazem parte dessa preocupação da Igreja em ser presença em todos os cantos”, disse. “Pedimos ao Senhor que se multipliquem esses e outros ca- rismas e ministérios para que a missão da Igreja possa continu- ar, cada vez mais, em renovado ardor, além de chegar no âmbito geográfico e sociológico a todas as pessoas que habitam essa ci- dade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Diante de tantas crises, violências e problemas, que os nossos diáconos continuem a colaborar em tantas frentes de missão e evangelização, e que essa cidade, cada vez mais, transpareça o rosto de Jesus Cristo”, concluiu o arcebispo. CARLOS MOIOLI Cardeal Tempesta ordena 14 diáconos permanentes ‘Com renovado ardor vivamos o que já é permanente, a nossa missão’ Cardeal Tempesta e os novos diáconos permanentes ordenados no dia 21 de janeiro GUSTAVO DE OLIVEIRA 6 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ O diaconato, como minis- tério permanente, foi restabe- lecido na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro sob o pastoreio de Dom Eugenio de Araujo Sales (Ata de Reunião dos Diáconos Permanente, Livro 1 - ARDP 1, f. 41). A pri- meira turma começou em 1984 e ordenou nove diáconos em 6 de junho de 1987 (ARDP 1, ff. 1-19. 23). Homens maduros, profissionais, pais de família e empolgados com a possibi- lidade de servirem a Deus de um modo, até então, inusita- do. A primeira pergunta que os responsáveis pela formação se fizeram foi: como preparar (formar) um diácono? Os primeiros a se verem envolvidos com esta tarefa foram monsenhor Narbal da Costa Stencel (diretor da Co- missão Arquidiocesana para o Diaconato Permanente de 1984 até 1988, até ser ordenado bispo e tornar-se responsável pela animação dos diáconos permanentes até o ano 2000), padre Bruno de Souza Gayão, padre Edson de Castro Homem, (que após ordenação episcopal também será bispo animador dos diáconos de 2005 até 2015), padre José Mazine Rodrigues e monsenhor Gilson José Macedo da Silveira. A exigência de uma boa for- mação era cobrada por Dom Eu- genio. Inicialmente, exigia-se três anos do Curso Mater Eccle- siae, mais formação específica ao diaconato que ocorria em um dia da semana à noite e/ou nas manhãs de sábado. O pri- meiro esboço dessa formação direcionada vemos na reunião de 16 de julho de 1985. Padre Edson propôs um curso sobre teologia do diaconato, o estudo da diaconia de Cristo e da Igreja; matéria sobre os ministérios eclesiais, a natureza do diaco- nato, e o conceito de hierarquia; propunha-se, ainda, uma aná- lise da relação entre sacerdócio e ministério e da relação entre o diácono, o presbítero e o bispo; a sacramentalidade do diaconato e sua relação com os leigos; por fim, um esboço sobre a tríplice diaconia e o perfil do diácono (ARDP 1, ff. 22-22v, 31, 80 e 82.). Na busca de uma melhor formação, críticas foram feitas. O diácono Roberto Luiz Fer- nandes Lima, em reunião de 14 de setembro de 2000, afirmou que o Curso Mater Ecclesiae era insuficiente na formação de diáconos (ARDP 1, ff. 29-29v). Padre Pedro Paulo concordou com a colocação do diácono Ro- berto Luiz. Falou-se da necessi- dade da filosofia e do ensino da Língua Portuguesa na revisão curricular. Contudo, será a cria- ção da Escola Diaconal Santo Efrém o salto de qualidade na formação do diacônio carioca. A CRIAÇÃO DA ESCOLA DIACONAL SANTO EFREM Aos 12 dias do mês de feve- reiro de 2003, sob o pastoreio de Dom Eusébio Oscar Scheid, foi criada a Escola Diaconal Santo Efrém. O decreto episco- pal traz as razões que motiva- ram a instituição da escola: (1) as novas orientações formativas das Normas Fundamentais para a Formação dos Diáconos Permanentes e do Diretório do Ministério e da Vida dos Diáconos Permanentes; (2) o dever de pastor e pai de prover, cuidar e estimular a formação ao diaconato permanente; (3) a necessidade de acompanhar o itinerário da formação, dando aos aspirantes e candidatos o conhecimento espiritual, pas- toral e teológico para o exercício do ministério diaconal. Neste sentido, a Escola Dia- conal Santo Efrém é um marco na história do diacônio carioca. É, pois, o resultado do esforço conjunto dos bispos animado- res do diaconato permanente, da Comissão para os Diáconos da Arquidiocese, dos respon- sáveis pela formação e, certa- mente, de Dom Eusébio Oscar Scheid. Coube ao padre Pedro Nunes de Almeida, como dire- tor, auxiliado pelo diácono Juranir R. Machado, a tarefa de organização es- trutural da escola: disciplinas, cor- po docente, fun- cionalidade etc. (ACDP 2, f. 34v). Em 25 de maio de 2002, sugeriu-se dois nomes para a instituição: Edi- th Stein e Santo Efrém, que foram encaminhados a Dom Eusébio para que escolhesse. Ganhou aquele a que chamam de “Arpa do Espírito Santo”, sinal pro- fético dos novos tempos que so- pravam na arqui- diocese. Em fevere i - ro de 2003, teve início o ano letivo da Escola Diaconal Santo Efrém. Mas, Dom Eusébio queria mais in- vestimento no capital cultural e simbólico do diaconato. Assim, em 27 de dezembro daque- le ano, inaugurou uma sede própria nas dependências da Igreja São Joaquim, no Estácio. O diácono Alonso Sena Frazão, recém-eleito presidente dos Diáconos Permanentes, cui- dou do contrato de comodato. Mais tarde, o arcebispo pro- moveu, com recursos próprios, uma reforma no prédio, sob a responsabilidade do diácono Miguel Elias. A reinauguração ocorreu em julho de 2007, onde passou a sediar a Escola Diaco- nal Santo Efrém, com aulas aos sábados. Durante o governo de Dom Orani João Tempesta, a Escola Diaconal Santo Efrém foi transferida para o Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio Comprido, onde permanece até os dias dehoje. A opção por um centro está- vel de formação, com profissio- nais especialmente destinados a este trabalho, foi fundamental para o desenvolvimento e apri- A formação do diacônio carioca: 20 anos de criação da Escola Diaconal Santo Efrém Restabelecimento arquidiocesano do diaconato permanente Diáconos da Turma Nossa Senhora Aparecida FOTOS: DIVULGAÇÃO ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 7 moramento dos candidatos ao ministério diaconal. Ob- servando as dioceses do Brasil que restauraram o diaconato como ministério permanente, podemos concluir que as que mais ordenaram diáconos são aquelas que desenvolveram um programa de formação próprio e estável, materializado em uma escola diaconal. Nesse cenário, destaca-se a Arquidiocese do Rio de Janeiro, com 258 diá- conos em pleno exercício mi- nisterial, atualmente o maior diacônio do Brasil. Atualmente, os candidatos ao diaconato na Escola Santo Efrém apresentam bom nível de formação com preparação específica ao ministério em quatro anos de formação e um ano preparatório, o propedêu- tico. Um perfil do candidato mostra quão enriquecedor é o diácono para a vida da Igreja. Em pesquisa realizada em 2017, constatou-se com relação à formação primeira dos aspi- rantes ao ministério que 67% possuem nível superior, com 19% destes com pós-graduação lato sensu e 9% com cursos de mestrado, doutorado e pós- -doutorado. As áreas de forma- ção são variadas. Há advoga- dos, economistas, contadores, professores, pesquisadores, médicos, também, militares, enfermeiros, farmacêuticos, empresários etc. A faixa etária predominante é de 36 a 45 anos (44,2%). Se considerarmos a faixa etária até os 55 anos, alcançaremos a cifra de 72,1% dos candidatos. A FORMAÇÃO AO MINISTÉRIO DIACONAL EM FASES POSSÍVEIS A história da formação do ministério diaconal no Rio de Janeiro pode ser concebida em três fases distintas e, a um só tempo, engranzadas. A primeira corresponde ao governo de Dom Eugenio de Araujo Sales. Trata-se de um período de organização da formação, de fomento das diversas práticas pedagógicas, de incremento da concepção acerca do que é o diaconato, de maturação sobre sua fun- cionalidade, de identificação de um perfil vocacional e de preparação das comunidades e do presbitério para acolher os novos ministros ordenados. Foi uma fase de experimen- tos e de superações, com um crescimento moderado do diacônio (38 ordenações de 1987-2000), que deu lugar a um processo formativo mais ousado e empreendedor que marcará o momento seguinte. A segunda fase formativa se caracteriza pelo aumento das vocações e pela consolidação e estabilidade do ministério diaconal na arquidiocese. Este momento se enleia ao governo de Dom Eusébio Oscar Scheid, que muito trabalhou para apa- relhar o diaconato carioca. Instituiu uma sede própria, que mais tarde deixou de existir, Diáconos da Turma São João Damasceno Diáconos da Turma São José mas, principalmente, criou a Escola Diaconal Santo Efrém. Há, pois, um acelerado cresci- mento numérico dos diáconos (73 ordenações de 2001-2008), fruto de uma formação sistemá- tica, em formato institucional, com método pedagógico crítico e com investimento financeiro e humano especializado. A esco- lha de um centro de preparação para os futuros diáconos foi imprescindível para seu pleno desenvolvimento, com aprimo- ramento intelectual e prático daqueles ministros. A fase atual, consoante ao governo de Dom Orani João Tempesta (212 ordenações de 2009-2023), caracteriza-se por um maior conhecimento nas comunidades do diaconato permanente, consequente- mente, por uma maior procura pelo ministério e, também, por uma significativa exigência de capacitação dos candidatos na arquidiocese. Trata-se de uma fase onde os diáconos são co- nhecidos, seus trabalhos reco- nhecidos e seus estilos de vida, desejados. O perfil dos candi- datos também mudou quanto à faixa etária. Enquanto os pri- meiros diáconos possuíam mais de 50 anos, em média. Hoje, a faixa etária predominante oscila entre os 35 e 50 anos. Quanto à formação, aumentou-se em um ano o tempo de preparação e cresceu o nível de exigência formativa. CELEBRAMOS 20 ANOS... PARA MUITOS MAIS Ao celebrarmos 20 anos de sua criação, afirmamos ser a Escola Diaconal Santo Efrém uma instituição fundamental não apenas para a consolidação e a estilização formativa do ministério diaconal, mas estra- tégia essencial para a própria construção do capital cultural e simbólico do diacônio carioca em sua identidade própria e percepção ministerial na arqui- diocese. Trata-se, pois, de lugar de cultivo da vocação, sinal pri- vilegiado da arte do cuidado de uma Igreja ministerial, que en- tende a hierarquia como serviço e que, servidora e dialogal, tem no diácono o sinal privilegiado do Cristo Servo no mundo. DIÁCONO LUCIANO ROCHA DOUTOR EM HISTÓRIA (UERJ) E PÓS-DOUTORADO EM TEOLOGIA (PUC- RIO) FONTE: LUCIANO ROCHA. MINISTÉRIO DIACONAL: HISTÓRIA E TEOLOGIA. SÃO PAULO: PAULUS, 2020. (ADAPTADO PELO AUTOR). FOTOS: DIVULGAÇÃO 8 PAPA FRANCISCO 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 202329 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE Foi divulgada, no dia 24 de janeiro, a mensagem do Papa Francisco para o 57° Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado em 21 de maio próximo com o tema: “Falar com o coração. Testemunhando a verda- de no amor”. O Pontífice inicia o texto, recor- dando que, nos anos precedentes, foi refletido sobre os verbos “ir, ver e escutar como condição necessá- ria para uma boa comunicação”. Este ano, o Papa se detém sobre o “falar com o coração”. “Foi o coração que nos mo- veu para ir, ver e escutar, e é o coração que nos move para uma comunicação aberta e acolhedora”, ressalta Francisco, recordando que “não devemos ter medo de proclamar a verdade, por vezes incômoda, mas de o fazer sem amor, sem coração. Só ouvindo e falando com o coração puro é que podemos ver para além das aparências, superando o rumor confuso que, mesmo no campo da informação, não nos ajuda a fazer o discernimento na complexidade do mundo em que vivemos. O apelo para se falar com o coração interpela radicalmente este nosso tempo, tão propenso à indiferença e à indignação, baseada por vezes até na desinformação que falsifica e instrumentaliza a verdade. Com efeito, «o programa do cristão – como escreveu Bento XVI – é “um coração que vê”». Trata-se de um coração que revela, com o seu palpitar, o nosso verdadeiro ser e, por essa razão, deve ser ouvido. Isto leva o ouvinte a sintonizar-se no mesmo comprimento de onda, chegando ao ponto de sentir no próprio coração também o pulsar do outro. Então pode ter lugar o milagre do encontro, que nos faz olhar uns para os outros com com- paixão, acolhendo as fragilidades recíprocas com respeito, em vez de julgar a partir dos boatos, seme- ando discórdia e divisões”. JESUS FALA COM O CORAÇÃO AOS DISCÍPULOS DE EMAÚS O Papa explica que “comuni- car cordialmente quer dizer que a pessoa que nos lê ou escuta é levada a deduzir a nossa par- ticipação nas alegrias e receios, nas esperanças e sofrimentos das mulheres e homens do nosso tempo. Quem assim fala, ama o outro, pois preocupa-se com ele e salvaguarda a sua liberdade, sem a violar. Podemos ver este estilo no misterioso Viandante que dia- loga com os discípulos a caminho de Emaús depois da tragédia que se consumou no Gólgota. A eles, Jesus ressuscitado fala com o coração, acompanhando com res- peito o caminho da sua amargura, propondo-Se e não Se impondo, abrindo-lhes amorosamente a mente à compreensão do sentido mais profundo do sucedido. De fato, eles podem exclamar com alegria que o coração lhes ardia no peito enquanto Ele conversava pelo caminho e lhes explicava as Escrituras”. A seguir, Papa Fran- cisco recorda que: Num período da história mar- cado por polarizações e oposições – de que, infelizmente,nem a co- munidade eclesial está imune – o empenho em prol duma comunica- ção «de coração e braços abertos» não diz respeito exclusivamente aos agentes da informação, mas é responsabilidade de cada um. Todos somos chamados a procurar a verdade e a dizê-la, fazendo-o com amor. FRANCISCO DE SALES, EXEMPLO LUMINOSO DO FALAR COM O CORAÇÃO “Um dos exemplos mais lumi- nosos e, ainda hoje, fascinantes deste «falar com o coração» temo- -lo em São Francisco de Sales, Doutor da Igreja, a quem dediquei recentemente a Carta Apostólica Totum amoris est, nos 400 anos da sua morte”, ressalta o Papa. “A par deste aniversário importante e relacionado com a mesma circuns- tância”, recorda ele, “apraz-me re- cordar outro que se celebra neste ano de 2023: o centenário da sua proclamação como padroeiro dos jornalistas católicos, feita por Pio XI com a Encíclica Rerum omnium perturbationem. Mente brilhan- te, escritor fecundo, teólogo de grande profundidade, Francisco de Sales foi bispo de Genebra no início do século XVII, em anos difíceis marcados por animadas disputas com os calvinistas. A sua mansi- dão, humanidade e predisposição a dialogar pacientemente com todos, e de modo especial com quem se lhe opunha, fizeram dele uma extraordinária testemunha do amor misericordioso de Deus”. “O santo bispo de Genebra nos recorda, através dos seus escritos e do próprio testemunho de vida, que «somos aquilo que comuni- camos»: uma lição contracorrente hoje, num tempo em que, como Comunicar com o coração para promover uma cultura de paz Coletiva de imprensa do Papa Francisco em avião durante viagem apostólica Mensagem do Papa Francisco para o 57° Dia Mundial das Comunicações Sociais experimentamos particularmente nas redes sociais, a comunicação é muitas vezes instrumentalizada para que o mundo nos veja, não por aquilo que somos, mas como desejaríamos ser. Possam os agentes da comunicação sentir- -se inspirados por este santo da ternura, procurando e narrando a verdade com coragem e liberda- de, mas rejeitando a tentação de usar expressões sensacionalistas e agressivas”, sublinha ainda o Pontífice. O SONHO DO PAPA “Como já tive oportunidade de salientar, ‘também na Igreja há grande necessidade de escutar e de nos escutarmos. É o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros’. Duma escuta sem preconceitos, atenta e disponível, nasce um falar segundo o estilo de Deus, que se sustenta de proximidade, compaixão e ter- nura. Na Igreja, temos urgente ne- cessidade duma comunicação que inflame os corações, seja bálsamo nas feridas e ilumine o caminho dos irmãos e irmãs.” Sonho uma comunicação ecle- sial que saiba deixar-se guiar pelo Espírito Santo, gentil e ao mesmo tempo profética, capaz de encon- trar novas formas e modalidades para o anúncio maravilhoso que é chamada a proclamar no terceiro milênio. DESARMAR OS ÂNIMOS PROMOVENDO UMA LINGUAGEM DE PAZ A seguir, o Papa lembra que “hoje é necessário falar com o co- ração para promover uma cultura de paz, onde há guerra; para abrir sendas que permitam o diálogo e a reconciliação, onde campeiam o ódio e a inimizade. No dramático contexto de conflito global que estamos a viver, urge assegurar uma comunicação não hostil. É necessário vencer «o hábito de denegrir rapidamente o adversário, aplicando-lhe atributos humilhan- tes, em vez de se enfrentarem num diálogo aberto e respeitoso».” Segundo o Papa Francisco, “precisamos de comunicadores prontos a dialogar, ocupados na promoção dum desarmamento integral e empenhados em des- mantelar a psicose bélica que se aninha nos nossos corações, como exortava profeticamente São João XXIII na Encíclica Pacem in terris: «a verdadeira paz entre os povos não se baseia em tal equilíbrio [de armamentos], mas sim e exclusi- vamente na confiança mútua»”. “Uma confiança que precisa de comunicadores não postos à defesa, mas ousados e criativos, prontos a arriscar na procura dum terreno comum onde encontrar- -se. Também agora, como há 60 anos, a humanidade vive uma hora escura temendo uma escalada bélica, que deve ser travada o mais depressa possível, inclusivamen- te em termos de comunicação. Fica-se apavorado ao ouvir com quanta facilidade se pronunciam palavras que invocam a destruição de povos e territórios; palavras que, infelizmente, se convertem muitas vezes em ações bélicas de celerada violência. Por isso mesmo há que rejeitar toda a retórica belicista, assim como toda a forma de pro- paganda que manipula a verdade, deturpando-a com finalidades ideológicas. Em vez disso seja promovida, a todos os níveis, uma comunicação que ajude a criar as condições para se resolverem as controvérsias entre os povos.” “Como cristãos, sabemos que é precisamente na conversão do coração que se decide o destino da paz, pois o vírus da guerra provém do íntimo do coração humano. Do coração brotam as palavras certas para dissipar as sombras dum mundo fechado e dividido e construir uma civilização melhor do que aquela que recebemos. É um esforço que é exigido a todos e cada um de nós, mas faz apelo de modo particular ao sentido de responsabilidade dos agentes da comunicação a fim de realizarem a própria profissão como uma missão”, conclui o Papa. VATICAN NEWS VATICAN NEWS PAPA FRANCISCO TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 9 No dia 25 de janeiro, foi publicada a Mensagem do Papa Francisco para o 97° Dia Mundial das Missões que será celebrado em 22 de outubro. O Papa inicia recordando o tema deste ano que se inspira na história dos discípulos de Emaús, narrada por Lucas no seu Evangelho (cf. 24, 13-35): “Corações ardentes, pés ao caminho”. Francisco observa que “os dois discípulos estavam confusos e desiludidos, mas o encontro com Cristo na Palavra e no Pão partido acendeu neles o entusiasmo para pôr os pés ao caminho rumo a Jerusalém e anunciar que o Senhor tinha verdadei- ramente ressuscitado”. Em seguida, fala sobre a transfor- mação dos discípulos narrada pelo Evangelho, a partir de algumas imagens sugestivas: “corações ardentes pelas Escrituras explicadas por Jesus, olhos abertos para O reconhecer e, como ponto culminante, pés ao caminho. Afirmando em seguida que meditando sobre estes três aspectos, que traçam o itinerário dos discípulos missionários, “podemos renovar o nosso zelo pela evangelização no mundo de hoje”. CORAÇÕES ARDENTES PELAS ESCRITURAS O primeiro aspecto: Corações arden- tes, “quando nos explicava as Escrituras”. A Palavra de Deus ilumina e transforma o coração na missão, recorda que assim “como no início da vocação dos discí- pulos, também agora, no momento da frustração, o Senhor toma a iniciativa de Se aproximar dos seus discípulos e caminhar ao lado deles. Na sua grande misericórdia, Ele nunca Se cansa de estar conosco, apesar dos nossos defeitos, dú- vidas, fraquezas e não obstante a tristeza e o pessimismo nos reduzam a “homens sem inteligência e lentos de espírito”, pessoas de pouca fé. Hoje como então, o Senhor ressuscitado está próximo dos seus discípulos missionários e caminha ao lado deles, sobretudo quando se sen- tem frustrados, desanimados”. Dirigindo-se aos missionários afirma: “Em Cristo, expresso a minha proximida- de a todos os missionários e missionárias do mundo, especialmente àqueles que atravessam um momento difícil: caríssi- mos, o Senhor ressuscitado está sempre convosco e vê a vossa generosidade e os vossos sacrifícios em prol da missão evangelizadora em lugares distantes. Nem todos os dias da vida são cheios de sol, mas lembremo-nos sempre das palavras do Senhor Jesus aos seus ami- gos, antes da Paixão: “No mundo, tereis tribulações; mas tende confiança: Eu já venci o mundo!” “Portanto”, acrescenta, ‘O anúncio deve ser dado sem exclusões e com alegria’ Mensagem do Papa Francisco para o 97° Dia Mundial das Missões “deixemo-nos sempre acompanhar pelo Senhor ressuscitado que nos explicao sentido das Escrituras. Deixemos que Ele faça arder o nosso coração, nos ilumine e transforme, para podermos anunciar ao mundo o seu mistério de salvação com a força e a sabedoria que vêm do seu Espírito. OLHOS QUE “SE ABRIRAM E O RECONHECERAM” O segundo aspecto: Olhos que “se abriram e O reconheceram” ao partir o pão. Jesus na Eucaristia é ápice e fonte da missão, é “o elemento decisivo que abre os olhos dos discípulos”, continua Fran- cisco, “é a sequência de ações efetuadas por Jesus: tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e deu-lhe. São gestos comuns de qualquer chefe de família ju- dia, mas, realizados por Jesus Cristo com a graça do Espírito Santo, renovam para os dois comensais o sinal da multiplica- ção dos pães e, sobretudo, da Eucaristia, o Sacramento do Sacrifício da cruz”. Porém, continua, precisamente no momento em que reconhecem Jesus naqu’Ele-que-parte-o-pão, “Ele desa- pareceu da sua presença”. “Este fato”, explica, “faz compreender uma realidade essencial da nossa fé: Cristo que parte o pão torna-Se agora o Pão partido, partilhado com os discípulos e, depois, consumido por eles. Tornou-Se invisível, porque agora entrou dentro do coração dos discípulos para fazê-los arder ainda mais, impelindo-os a retomar sem de- mora o seu caminho para comunicar a todos a experiência única do encontro com o Ressuscitado! Assim, Cristo ressuscitado é aqu’Ele- -que-parte-o-pão e, simultaneamente, o Pão-partido-para-nós. E, por con- seguinte, cada discípulo missionário é chamado a tornar-se, como Jesus e n’Ele, graças à ação do Espírito Santo, aquele-que-parte-o-pão e aquele-que-é- -pão-partido para o mundo”. Concluindo este aspecto recorda aos missionários: “A propósito, é preciso ter presente que, se o simples repartir o pão material com os famintos em nome de Cristo já é um ato cristão missionário, quanto mais o será o repartir o Pão eucarístico, que é o próprio Cristo? Trata-se da ação missionária por excelência, porque a Eucaristia é fonte e ápice da vida e missão da Igreja”. Pés ao caminho, com a alegria de proclamar Cristo Ressuscitado Quanto ao terceiro aspecto destacado na mensagem aos missionários: pés ao caminho, com a alegria de proclamar Cristo Ressuscitado. A eterna juventude de uma Igreja sempre em saída, Francis- co recorda: “Depois de abrir os olhos ao reconhecerem Jesus na fração do pão, os discípulos partiram sem demora e volta- ram para Jerusalém. Este sair apressado para partilhar com os outros a alegria do encontro com o Senhor, mostra que ‘a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele, são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Je- sus Cristo, renasce sem cessar a alegria’”. “Não se pode encontrar verdadeiramente Jesus ressuscitado”, observa, “sem se inflamar no desejo de o contar a todos. Por isso, o primeiro e principal recurso da missão são aqueles que reconheceram Cristo ressuscitado, nas Escrituras e na Eucaristia, e que trazem o seu fogo no coração e a sua luz no olhar. Eles podem testemunhar a vida que não morre ja- mais, mesmo nas situações mais difíceis e nos momentos mais escuros. TODOS TÊM DIREITO DE RECEBER O EVANGELHO Depois de refletir sobre a imagem de pôr “os pés ao caminho”, o Papa sugere: “aproveito esta ocasião para reiterar que ‘todos têm o direito de receber o Evangelho. Os cristãos têm o dever de o anunciar sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível’. A conversão missionária permanece o principal ob- jetivo que nos devemos propor como indivíduos e como comunidade, porque ‘a ação missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja’”. Papa Francisco conclui recordando os aspectos destacados em sua mensagem: “Saiamos também nós, iluminados pelo encontro com o Ressuscitado e animados pelo seu Espírito. Saiamos com corações ardentes, olhos abertos, pés ao caminho, para fazer arder outros corações com a Palavra de Deus, abrir outros olhos para Jesus Eucaristia, e convidar todos a ca- minharem juntos pelo caminho da paz e da salvação que Deus, em Cristo, deu à Humanidade”. JANE NOGARA VATICAN NEWS Papa Francisco: “Saiamos com corações ardentes, olhos abertos, pés ao caminho, para fazer arder outros corações com a Palavra de Deus, abrir outros olhos para Jesus Eucaristia, e convidar todos a caminharem juntos pelo caminho da paz e da salvação que Deus, em Cristo, deu à Humanidade” VATICAN NEWS A ACN É UMA PONTE que liga àqueles que podem ajudar com aqueles que precisam de ajuda seja um benfeitor! acn.org.br/seja-um-benfeitor OU ACESSE O QRCODE aguacancaonova.comaguacancaonova.com contato@aguacancaonova.comcontato@aguacancaonova.com (12) 3186-2100(12) 3186-2100 www. otestemunhodefe .com.br Leia o Jornal Testemunho de Fé pela internet: CLASSIFÉ LIGUE E ANUNCIE:3231-3580 OS CLASSIFICADOS DO JORNAL TESTEMUNHO DE FÉ ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 11 A então Capela São Sebas- tião, situada em Inhoaíba, rece- be todos os anos, desde 2010, a visita da imagem peregrina do padroeiro da cidade e da arqui- diocese, dentro da programação da Trezena de São Sebastião, conduzida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. Neste ano, a visita foi es- pecial. Dom Orani elevou a capela, cuja comunidade de fiéis existe desde a década de 1920, à condição de paróquia, dedicada ao mesmo padroeiro. É a paróquia de número 36 do governo de Dom Orani e a de número 287 da arquidiocese. “A Paróquia São Sebastião nasce no contexto da Trezena do nosso padroeiro, que neste ano tem como tema: ‘São Sebastião, vocacionado à missão’, e dentro do Ano Vocacional Missionário. O Papa Francisco também co- meçou a falar em suas catequeses nas audiências de quartas-feiras da paixão pela evangelização”, disse o arcebispo. “A evangelização é a gran- de preocupação da Igreja. Ser missionário é algo permanente na Igreja. Ou somos missioná- rios ou não somos Igreja. Ser missionário é anunciar, teste- munhar, é contagiar pela vida as pessoas que estão perto ou longe de nós”, acrescentou. O decreto de criação da Paróquia São Sebastião foi lido pelo vigário episcopal do Vica- riato Campo Grande, cônego Dom Orani instala a Paróquia São Sebastião, em Inhoaíba Luiz Carlos Pereira, no início da celebração eucarística de insta- lação da paróquia, realizada no dia 11 de janeiro. O território pastoral da nova paróquia foi desmembrado da Paróquia Santa Sofia, em Cos- mos, da qual estava vinculada, e da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Campo Grande, que cedeu a Capela São Miguel, também situada em Inhoaíba. Na mesma celebração, Dom Orani deu posse ao primeiro administrador paroquial, padre Felipe de Souza Pertence, até então, vigário paroquial da Pa- Cardeal Tempesta, cônego Luiz Carlos, padres Felipe, Fábio, Alan Dias e demais concelebrantes róquia Santa Sofia, em Cosmos. O trabalho de preparação para instalação da nova paróquia foi conduzido pelo pároco de Santa Sofia, padre Fábio Santos de Mello, que se empenhou na criação e o fortalecimento das pastorais, reformas estruturais dos prédios da comunidade e o início da construção da casa paroquial. Na homilia, ao refletir sobre o episódio da cura de Pedro e da ação missionária de Jesus (Mar- cos 1,29-39), Dom Orani lem- brou aos fiéis que a comunidade não deve esperar que as pessoas venham até a paróquia. O arce- bispo lembrou – como narra o Evangelho -, que a sogra de Simão estava de cama, com febre, e Jesus se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu, e ela começou a servi-los. “A ‘Igreja em saída’ que tanto falamos é ir ao encontro das pessoas onde elas estão, e não esperar que venham até a comunidade. Inclinar-sesobre as pessoas significa ressuscitar, trazer à vida. A nossa missão de ir às casas para proclamar a Boa Notícia às pessoas é para que elas se levantem de suas mortes e passem a viver como homens e mulheres novos”, disse. “O nosso anúncio deve levar as pessoas a fazer uma verdadei- ra experiência do amor a Deus. Ao serem evangelizadas e terem experimentado a libertação em suas vidas, elas devem passar também a colocar-se a serviço dos outros. A experiência de sentir o amor de Deus deve le- var a contagiar as pessoas com o bem, a buscar a vida que se encontra somente em Jesus, o único que tira todos os males do coração”, destacou o arcebispo. Dom Orani concluiu sua homilia convidando os fiéis a serem missionários itinerantes, irem a todos os lugares geográ- ficos ou não que necessitam de evangelização, de anunciar a Palavra de Deus. “Peço a Deus que esse espírito e ardor missionário coloquem todos a caminho para que as pessoas desta região da cidade possam fazer uma bela experiência do amor de Deus em suas vidas”. CARLOS MOIOLIPadre Felipe faz a profissão de fé e o juramento de fidelidade FOTOS: GUSTAVO DE OLIVEIRA 12 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ A então Capela São Se-bastião, em Inhoaíba, hoje Paróquia São Se- bastião, criada e instalada no dia 11 de janeiro de 2023 pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, foi criada oficialmente no dia 20 de janeiro de 1930 com a presença de Dom Benedet- to Aloisi Masella, na época núncio apostólico do Brasil, residente no Rio de Janeiro. A compra do terreno, com escri- tura, onde se encontra locali- zada a capela foi feita em 1923 pela quantia de 200 mil réis. Antes dessa data, já exis- tiam atividades pastorais na capela sob os cuidados da Paróquia Nossa Senhora do Desterro, em Campo Grande, da qual era vinculada. Em 1º de janeiro de 1945, com a criação da Paróquia Santa Sofia, em Cosmos, a ca- pela passou a pertencer a esta paróquia, que teve como seu primeiro pároco o padre José Avelino Fernandes Quadra, que recebeu a provisão canô- nica no dia 13 de abril de 1951. De acordo com anotações do livro de Tombo da Paró- quia Santa Sofia, percebe-se o grande “fascínio que o glorioso mártir exerce sobre nossa gen- te”. Tais aspectos demonstram a grande devoção da população pelo santo padroeiro da comu- nidade. Vale destacar a presença das Pias Filhas de Maria como um grande serviço espiritual da capela. Outro forte ponto de evangelização são as aulas de catecismo nas escolas do bair- ro e as primeiras comunhões dos alunos. No dia 18 de agosto de 1955, é concedida a autorização para a permanência do Santíssimo Sacramento na Capela São Sebastião. Por volta do ano de 1975, começaram a serem formados os primeiros grupos de Círcu- los Bíblicos em Inhoaíba com o apoio do pároco, o então padre Geraldo Barcelos. Em 1978, a comunidade começou a contar com a pre- sença de seminaristas que muito auxiliaram e continuam Paróquia São Sebastião, em Inhoaíba auxiliando no trabalho pasto- ral. Vale destacar o apoio de Domingos Ormonde e Gustavo Auler, com a supervisão do padre José dos Santos Almeida, que muito dinamizaram os cuidados pastorais no tempo em que aqui se dedicaram. No ano seguinte, em julho de 1979, o terreno da capela começou a ser murado. Uma grande tentativa de aumentar o sentido de res- ponsabilidade e união comu- nitária foram os chamados “Encontros de Base”, que começaram a ser realizados em 1978, e a “Assembleia Comunitária”. Junto com o conselho comunitário, tais encontros favoreciam um senso de responsabilidade e de comunidade para os fiéis. No início, ta is encontros e conselhos não possuíam muita adesão, mas graças a insistência e perseverança do padre José dos Santos foi possível e importante a reali- zação dos mesmos. Em março de 1982, acon- teceram as primeiras Vias- -Sacras pelas ruas do bairro de Inhoaíba. Em setembro de 1982, acon- teceu a chamada “Semana Alicerce” na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz, a nível vicarial. Tal iniciativa foi realizada pela primeira vez em outubro do mesmo ano a nível paroquial. A experiência foi muito im- portante para a formação dos leigos da comunidade. Já em 1983, a Capela São Se- bastião contava com a existên- cia de dez grupos de Círculos Bíblicos e 28 catequistas. Em 1984, as festas do pa- droeiro da Capela São Sebas- tião começaram a ser prepara- das por uma equipe. Em 1985, ficou evidente a necessidade de uma preparação espiritual para a festa do padroeiro de São Sebastião. Tal preparação é feita no ano de 1986, com uma semana devocional antes do dia do padroeiro. Em 1989, assumiu a paró- quia o padre Parampathu Ku- riakose Kuncherya, conhecido como padre Tiago, falecido no dia 20 de setembro de 2014, que muito contribuiu para o crescimento da fé da comu- nidade, incentivando “mais a oração que as falas”. Ainda em 1989, deu-se início a algumas obras de reformas na Capela São Sebastião. Em 1990, foi criado o Grupo de Oração Boa-Nova, vincula- do à Renovação Carismática Católica. Pelos relatos da visita pastoral realizada em 1993, o referido grupo possuía em média 120 membros. Na última sexta-feira do mês, era realiza- da uma vigília com a participa- ção de cerca de 200 pessoas. A partir das experiências vivenciadas em sua terra natal, em 1992, padre Tiago criou o grupo denominado “Pequenos Missionários” com as crianças da comunidade. O mesmo tinha como objetivo, além da perseverança na vida de ora- ção, arrecadar donativos nas casas das pessoas da comuni- dade em prol dos mais neces- sitados. Em setembro de 1993, o bispo auxiliar do Rio Dom Karl Josef Romer, ao realizar a visita pastoral, ficou impressionado com a “formação que o povo mostra ter, pelo espírito de comunidade e sensibilidade eclesial”, destacando que, bre- vemente, a capela poderia se tornar paróquia. Visando tal perspectiva, em 1996, foi feita uma reforma em algumas salas da cate- quese e elaborado um projeto para construção de uma casa paroquial, mas por motivos diversos a criação da paróquia não foi possível. Em dezembro de 1996, foi provisionado o diácono Nelson Primitiva capela na década de 1930 Fachada da capela em 1993 Em obras no ano 2000 FOTOS: DIVULGAÇÃO ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 13 Soares Filho para auxiliar os serviços pastorais, principal- mente na Capela São Sebas- tião. Na visita pastoral de 1997, foi relatada a existência de 17 catequistas e seis auxiliares na Capela São Sebastião com a frequência de aproximada- mente 350 catequizandos. Além de já contar com uma considerável vida pastoral, que igualava a vivência comunitá- ria e de evangelização de sua matriz. Em 1998, foi terminada a construção da quadra de eventos na capela. No grande Ano do Jubileu de 2000, mais exatamente em março, foi dado o início da construção do atual templo da Capela São Sebastião, tendo em vista que a construção existente já não comportava o número de 350 fiéis (em média) que participa- vam das missas, além do esta- do precário que se encontrava a construção com infestação de cupim no forro e nas estru- turas de madeira da mesma. Com a ajuda dos fiéis e de amigos, padre Tiago conseguiu terminar uma primeira fase da obra no dia 18 de novembro, fi- cando a torre para a finalização no ano seguinte. A construção de um viaduto em frente à capela, inaugurado em 18 de dezembro de 2011, desfavore- ceu a visibilidade da fachada da igreja. Em agosto de 2014, foi realizada a primeira tarde de louvor na Capela São Sebas- tião com animação do então vigário paroquial, padre Fábio de Mello. No mês seguinte, em meio aos festejos da padroeira da matriz, faleceu o padre Tiago, que muito marcou o território paroquial com seu ardor missionário. Padre Fábio Santos de Mello, ordenado em 10 de maio de 2014, assumiu entãocomo pároco da Paróquia Santa Sofia e continua o cuidado e o apos- tolado junto aos fiéis. Ao longo do tempo, a capela Fachada da Capela São Sebastião, em Inhoaíba Visita da imagem de São Sebastião foi adquirindo suas tradições e dinâmicas próprias, bem como alguns eventos tradicionais, tais como: a citada tarde de louvor, a visita da imagem peregrina durante a Trezena do padroeiro da arquidiocese, o “Jantar com Maria”, o “Arraiá do Tião”, entre outros. Com as diversas atividades e eventos foi possível realizar algumas melhorias na comuni- dade, como por exemplo, uma obra de reforma e pintura do templo e adjacências realiza- das em 2016. Além do aspecto físico é notável o crescimento espiritual e o cuidado pastoral ao longo de todo o histórico da comunidade. A Capela São Sebastião pos- sui um terreno de aproximada- mente 1.750m². O templo mede 330m² com uma pequena sacristia e a Capela do Santíssi- mo. Há ainda um prédio pasto- ral de dois andares com 165m² (em cada andar), contendo no térreo duas salas, uma cantina, uma sala para paramentos; e no segundo andar há quatro salas para catequese e dois banheiros. Consta ainda em nosso terreno: dois banhei- ros, uma cozinha e depósito, além de uma quadra para even- tos com aproximadamente 345 m² e um pátio descoberto com aproximadamente 390 m² que funciona como estacionamen- to e é utilizado como área de evento nas grandes festas. SÃO MIGUEL ARCANJO A Capela São Miguel, si- tuada na Rua Ponte de Pedra, Aguiar Torres, em Inhoaíba, foi inaugurada no dia 19 de Dom Orani e padre Tiago na Trezena de 2012 novembro de 2005, ano que foi comprado o terreno, pelo pároco da Paróquia Santa Te- resinha, em Campo Grande, na época, padre Jorge Pereira Bispo. Construída em um período de muita violência urbana, o padre Jorge invocou a inter- cessão do arcanjo, pois “só São Miguel pode entrar nessa guerra”. As atividades se iniciaram com um grupo dos Círculos Bíblicos organizado na casa de dona Dóia, e, depois, na sede da associação de moradores. Com a aquisição do terreno localizado na Rua Ponte de Pedra, a comunidade começou a se reunir no local, onde já havia uma construção. Assim foi colocado o telhado e o contrapiso no galpão, sendo posteriormente feitas as me- lhorias no local. Até a criação da Paróquia São Sebastião, a Capela São Miguel Arcanjo pertencia à Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Campo Grande. CARLOS MOIOLI Primeira missa de padre Felipe na capela em maio de 2022 Interior da capela durante Trezena do padroeiro FOTOS: DIVULGAÇÃO ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 15 Para celebrar o Domingo da Palavra de Deus, instituí- do pelo Papa Francisco no 3º Domingo do Tempo Comum, a Arquidiocese do R io de Janeiro convocou para o dia 22 de janeiro os que estão diretamente na missão e no serviço da Palavra de Deus: catequistas, agentes de Pas- toral e coordenadores dos Círculos Bíblicos. A Pastoral da Pessoa com Deficiência (Pasped) também se fez presente com repre- sentantes do Mov imento Ecumênico da Fraternidade Cristã (FCD), Catequese Di- Pasped participa, na Catedral do Rio, do Domingo da Palavra Deus Representantes da Pastoral da Pessoa com Deficiência na Missa do Domingo da Palavra de Deus, realizada na Catedral de São Sebastião Dom Antonio Catelan e os intérpretes em Libras ferenciada, Pastoral do Cego e Pastoral do Surdo. A manhã solene iniciou-se às 9h com a Oração da Igreja, Liturgia das Horas e momen- to de grande silêncio para que a Palavra de Deus proclamada penetrasse nas mentes e nos corações. A Catedral era as- sembleia orante! Em seguida, deu-se início a celebração eucarística das 10h, presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, e concelebra- da pelo bispo auxiliar Dom Antônio Catalan e demais sacerdotes. Na Liturgia da Palavra, a primeira leitura do profeta Isaías foi proclamada em brai- le por um membro da Pastoral do Cego e toda a celebração foi interpretada por quatro intér- pretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) das comunida- des do Méier, Lagoa, Penha e São João de Meriti. As comunidades de surdos da Arquidiocese do Rio pre- sentes foram as paróquias do Imaculado Coração de Maria, no Méier, Santa Margarida Maria, na Lagoa, Bom Jesus da Penha, na Penha, Nossa Se- nhora do Desterro, em Campo Grande, Nossa Senhora de Fátima, no Pechinha, São João Bosco, no Riachuelo, e São Francisco Xavier, na Tijuca. Da Arquidiocese de Nite- rói, a Paróquia Santana, na Porciúncula, e da Diocese de Duque de Caxias, a Paróquia de São João Batista, de São João de Meriti. Da FCD estiveram presen- tes o Núcleo da Tijuca, duas cadeirantes, voluntárias e grande número da Catequese Diferenciada com as catequis- tas e coordenação. Após a Sagrada Comu- nhão, Dom Orani entregou a cada representante dos nove vicariatos da arquidiocese e aos representantes da Cate- quese Diferenciada e da Pas- toral do Surdo exemplares da Bíblia, ratificando a missão de uma Igreja permanentemente missionária e evangelizadora. Ainda, no final toda a assem- bleia recebeu um versículo bí- blico das mãos dos sacerdotes. Dom Catelan anunciou, no final da missa, que a arquidio- cese está preparando material e todo o rito de preparação a todos os catequistas, que, a partir de então, serão um ministério dentro da Igreja. O Papa Francisco insti- tuiu, recentemente, o mi- nistério de catequista: uma necessidade urgente para a evangelização no mundo contemporâneo. Ainda destacou que a Pa- lavra de Deus deve estar nos corações das pessoas, em todos os lugares e em todas as situações humanas, refor- çando que a Palavra é sempre luz no caminho do cristão. Louvemos a Deus por esse domingo celebrado com fé, alegria e esperança em nossas comunidades e pastorais. PROFESSOR CESAR BACCHIM COORDENADOR ARQUIDIOCESANO DA PASPED FOTOS: DIVULGAÇÃO 16 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ “Estamos reunidos no Dia do Senhor, a páscoa semanal dos cristãos, para ouvir o Se- nhor que nos fala ao coração e que também nos convida a colocar em prática a Palavra de Deus em nossa vida”, disse o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, na acolhida da missa do Do- mingo da Palavra de Deus, na Catedral de São Sebastião, no Centro, no dia 22 de janeiro. Segundo explicou Dom Orani, o Domingo da Palavra de Deus, que neste ano teve como tema: ‘Nós vos anuncia- mos o que vimos’ (1 Jo 1,3), foi instituído pelo Papa Francisco há quatro anos, para ser cele- brado no 3º Domingo do Tempo Comum, com a finalidade de valorizar a Palavra de Deus na comunidade. “O Senhor passa hoje no meio de nós para confirmar a nossa caminhada de comunhão e de unidade. Como é bonito ver representantes da Iniciação à Vida Cristã, Círculos Bíblicos, Novas Comunidades e de tantas outras pastorais e ministérios que exercem a missão com o Envio de agentes pastorais em missão marca o Domingo da Palavra de Deus na arquidiocese O Domingo da Palavra de Deus foi instituído pelo Papa Francisco com a finalidade de valorizar a Palavra de Deus na comunidade Diácono Artur, padre Allexsandro e agentes pastorais junto com as Bíblias doadas anúncio da Palavra de Deus”, disse o arcebispo, anuncian- do que no próximo ano, na mesma celebração, irá investir com o caráter de ‘ministério’ os catequistas que servem com dedicação a Igreja. Entre os concelebrantes esta- vam o bispo auxiliar e animador da Iniciação à Vida Cristã, Dom Antônio Luiz Catelan Ferreira, o coordenador arquidiocesano de pastoral, cônego Cláudio dos Santos, o vigário episcopal do Vicariato Norte, cônego Aldo de Souto Santos, e os padres Allexsandro Martins Valente e Vanderson de Oliveira. A celebração eucarística, que pôde ser acompanhada em braile e pela Língua Brasileira de Sinais (Libras), contou com o ícone da Visitação de NossaSenhora que está em visita nos vicariatos da arquidiocese de 20 de janeiro até 19 de março, para incentivar e dinamizar a ação missionária. Durante a celebração, Dom Orani deu a bênção de envio para os agentes pastorais repre- sentantes dos noves vicariatos episcopais da arquidiocese, entregando para cada um, de forma simbólica, um exemplar da Bíblia. Antes da missa, os moradores em situação de rua atendidos pela Pastoral Social da Catedral de São Sebastião, durante o café da manhã, tam- bém receberam cada um exem- plar da Bíblia. Na homilia, ao refletir a li- turgia do dia, Dom Orani convi- dou os fiéis a fazerem memória de quando Cristo os chamou para segui-Lo: “onde estáva- mos? Jogando ou consertando as nossas redes?” O arcebispo incentivou a todos para não perder tempo, que a missão é permanente e sempre é preciso para dar um passo a mais para bem realizar a missão. “Sempre há necessidade de dar um passo a mais para responder as necessidades da evangelização. O mundo é uma galileia de pagãos que aos poucos perde os valores cristãos e também estão cansados e abatidos com tantas situações. Como Igreja, precisamos rea- vivar o dom de Deus em nossas vidas, e, com renovado ardor, contagiar as pessoas com a Boa Notícia da salvação”, disse. “É preciso deixar que a Pala- vra de Deus nos fale ao coração, à nossa vida e nos impulsione em anunciar Jesus Cristo as pes- soas que estão perto ou longe. Ele é a nossa salvação e razão de nossa existência. Enquanto FOTOS: PASCOM ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 17 Igreja façamos a diferença no mundo que necessita de tes- temunhas. Sejamos aqueles que semeiam e sejam um sinal de esperança e confiança no mundo”, concluiu o arcebispo. TESTEMUNHOS Contemplar o rosto de Jesus “Nosso Papa, ao instituir o Domingo da Palavra de Deus, nos ensina que a Palavra de Deus sempre deve estar no início, quer das celebrações, do ano, da vida”, disse Agar Vinagre, da Animação Bíblica de Pastoral do Rio de Janeiro (ABPRJ), da Paróquia São Ra- fael Arcanjo, em Vista Alegre. “Desde a véspera, ao or- ganizar com amigas algumas das bíblias a serem doadas aos assistidos pela Catedral durante o café da manhã, manuseando uma a uma, numa prévia de tudo que estava por vir neste Domingo da Palavra de Deus, não imaginava os rostos nem as reações, mas no dia 22 de janeiro, eu contemplei o rosto de Jesus”, disse. “Abençoado domingo no qual pude experimentar nova- mente o amor de Deus mais de perto, vendo o próprio Jesus nos irmãos assistidos da Catedral, eles que receberam com alegria as Sagradas Escrituras. Pude falar com alguns, incentivando a ler e crer na Palavra de vida, a ouvir Deus através das Escritu- ras, que os ama incondicional- mente”, destacou Agar Vinagre. Gratidão “Eu louvo, bendigo e agra- deço ao Senhor pelo Domingo da Palavra de Deus. Foi uma manhã maravilhosa, meu co- ração ardia de tanta alegria e gratidão a Jesus pela sua infinita misericórdia de se fazer precisar de mim, de eu ser um canal do Dom Orani com ministros extraordinários da Sagrada Comunhão e membros da Comissão Arquidiocesana da Iniciação à Vida Cristã Dom Catelan com agentes pastorais do Vicariato Norte Agentes pastorais do Vicariato Suburbano seu amor, da sua graça aos teus filhos amados tão necessitados de vós, de ver em cada um deles a tua presença, foi um momen- to de levar, partilhar e também receber a tua Palavra”, partilhou Sueli Farias, da Paróquia Nossa Senhora do Amparo e Santa Maria Goretti, em Cascadura. Consciência de ser missionários Para Maria Helena da Silva, do Santuário da Divina Mise- ricórdia, em Vila Valqueire, a celebração proporcionou a participação de todos, “na qual nós, enquanto membros da Igreja, fomos exortados a assu- mir a consciência de que somos missionários desde o nosso Batismo. Pois sem a dimensão missionária, a Igreja perde a sua razão de ser”. “É muito importante ter- mos a Bíblia como referência, falar da vida à luz da Palavra de Deus. A preocupação em coletar bíblias e distribuí-las, principalmente para os assis- tidos, favorece ainda mais a ação evangelizadora. Pois cria condições para que o Evangelho seja melhor vivido a cada dia. E colaborando com essa vivên- cia, estão os Círculos Bíblicos, caminho eficaz para o exercí- cio da atividade missionária”, destacou Maria Helena da Silva. Sede de Deus Jeferson Macedo, que parti- cipa da Animação Bíblica de Pas- toral do Rio de Janeiro (ABPRJ) na Paróquia Nossa Senhora do Desterro, no Vicariato Campo Grande, contou ser gratificante participar do café da manhã com os assistidos em situação de vulnerabilidade e ver o quanto eles se sentiram acolhidos, como eles estavam sedentos do pão da Palavra de Deus. “Eles receberem o exemplar da Bíblia e não se apressavam em ir embora. Pelo contrário, muitos ficaram dialogando conosco sobre seus anseios; e também o zelo e carinho pelos companheiros que não con- seguiram chegar para receber uma Bíblia”, acrescentou. Jeferson Macedo desta- cou três momentos que foram marcantes na distribuição dos exemplares da Bíblia: “uma ges- tante que emocionada chorou ao receber a Bíblia, pois era o primeiro presente que recebia, e que iria ler a Palavra de Deus todos os dias para o seu filho”. Também “um idoso que ficou muito feliz em receber uma Bíblia nova, pois a sua já estava muito rasgada e ele já não con- seguia ler direito, e aproveitou para pedir uma com letras graú- das”. Ainda “um jovem que pe- diu para escolher na mesa uma Bíblia grande dizendo que tem muito interesse em conhecer mais a Palavra de Deus”. Semeadores da Palavra de Deus Os coordenadores dos Cír- culos Bíblicos da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Botafogo, no Vica- riato Sul, Marco Antonio de Araújo e Margarete Araújo, ficaram felizes – a convite de José Virginio, coordenador dos Círculos Bíblicos, em Campo Grande –, em partici- par da celebração com todos os anunciadores das Palavras de Deus. Ambos externaram, por es- crito, suas satisfações: “Mesmo sem saber qual seria a missão, disse ‘ eis-me aqui’. Tal qual não foi a minha surpresa, nós os 11 representantes dos Círcu- los Bíblicos, fomos levados ao presbitério e não ao altar onde acontece toda a ação de graças, onde se recorda o mistério de Cristo, que se entregou e deu a vida por nós. No fim da mis- sa, fomos levados à presença do Dom Orani, onde fomos presenteados, cada um de nós, com uma Bíblia, ou seja, com a Palavra de Deus para semearmos em todos os lugares”. “Foi para nós um dia muito gratificante! Nos sentimos muito bem acolhidos tanto pelos or- ganizadores, pelo presidente da assembleia, assim como por seus auxiliares e, também, pela assem- bleia onde conhecemos gente nova e tivemos a oportunidade de fazermos novas amizades”, destacou Marco Antonio Araújo. CARLOS MOIOLI FOTOS: PASCOM 18 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ O Concílio Vaticano II aborda o tema da vocação como um clamor dirigido a todos, ligado à missão da Igreja e relacionado com o chamado universal à santidade, como aparece, por exemplo, na Constituição Dogmática Lumen Gentium (cf. LG 39.51). Cada fiel deve buscar a perfeição da caridade, edificando o próximo pela prática dos conselhos evangélicos: castidade, obediência, pobreza. Na Constituição Pastoral Gaudium et Spes surge com mais evidência o caráter comunitário: diante do chamado de Deus, cada pessoa responde à própria vocação graças ao encontro com os irmãos e irmãs, no diálogo e no serviço mútuo (cf. GS 24-25). Já o Decreto Apostolicam Actuositatem ressalta a missão do laicato, entendendo o apostolado como qualquer atividade que ordene o mundo para Cristo (cf. AA 7). As comunidades cristãs devem promover todas as vocações, testemunhando uma espiritualidade de comunhão. A leitura do Documento de Aparecida, com as conclusõesda V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em 2007, permite notar que o chamado é fruto de um amor que se antecipa na busca do ser amado, conduzindo-o ao amor-serviço e à autodoação como pessoa eucarística, alimento para a vida do semelhante: “Conhecer Jesus é nossa alegria; segui-Lo é uma graça, e transmitir esse tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar” (DAp 18). Nosso amado Papa Francisco, participante ativo na V Conferência, se inspirou nela e na Exortação Evangelii Nuntiandi (Paulo VI, 1975) para apresentar sua “programática” Exortação Evangelii Gaudium, onde coloca em relevo a dimensão da misericórdia, a cultura do encontro e a conversão pastoral para uma Igreja Vocação: Graça e Missão (3ª parte) “A vocação é graça. Cada um de nós participa respondendo ao dom recebido de forma gratuita e generosa. Todos são presenteados por Deus com sua vocação”. (Texto-Base, 32) O objetivo do acompanhamento vocacional é ajudar a discernir o chamado de Deus, fundado na escuta, testemunhando a verdade e o amor em saída, anunciando o Evangelho com alegria (cf. EG 10). Em 2018, foi realizado o Sínodo dos Bispos sobre os jovens, dando origem à Exortação Christus Vivit, na qual o Papa Francisco fala sobre o discernimento, desenvolvido em três sensibilidades de escuta: ouvir o outro, discernir e orientar o coração ao Senhor (cf. ChV 292-294). O objetivo do acompanhamento vocacional é ajudar a discernir o chamado de Deus, fundado na escuta, testemunhando a verdade e o amor, resplandecendo a amizade de Jesus, apontando o caminho da vida, da santidade e do serviço. DOM CÉLIO DA SILVEIRA CALIXTO FILHO BISPO REFERENCIAL DA PASTORAL VOCACIONAL VATICAN NEWS TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL 19 Prezados irmãos no episcopa- do e no sacerdócio, Com grande alegria recebo a todos, na abertura deste 32º Curso para Bispos da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, agora novamente presencial, depois de dois anos em formato on-line, de- vido à pandemia. O retorno a esta modalidade tradicional do nosso encontro proporciona uma maior interação entre os conferencistas e participantes, com melhor apro- veitamento da partilha de conteú- dos e experiências. Não podemos esquecer, também, do sentido de colegialidade, experimentado con- cretamente na convivência fraterna, da qual todos temos saudade, além de um merecido descanso em terras cariocas. Como é praxe não temos nenhum compromisso de chegar a conclusões ou decisões. As confe- rências e os debates servem para nos motivar ao aprofundamento. Os conferencistas nacionais e in- ternacionais nos ajudam na refle- xão e cada um terá suas próprias conclusões. O tema foi escolhido devido às demandas e questionamentos acontecidos no curso do ano pas- sado, e que vamos desenvolver nestes dias, é “Novas Comunidades e a Evangelização hoje”. Penso que a escolha foi muito acertada e real- mente sensibilizou uma boa parte do nosso episcopado, pois tivemos quase 100 bispos inscritos, embora alguns tiveram de desmarcar suas vindas devido a várias questões. O nosso curso pretende nos apre- sentar uma perspectiva muito importante, pois trará uma riqueza de informações que nos auxiliarão em nossos trabalhos para fomentar e pastorear as Novas Comunidades que se encontram em nossas Igre- jas particulares. Conforme já havia expressado em nossas cartas, pelas quais os convidamos a participarem do nosso curso, nossa proposta “é apresentar e estudar o tema não exclusivamente de forma teórica, baseada em definições e deter- minações, mas também a partir de algumas realidades brasileiras. Claro que são limitadas, pois o uni- verso das Novas Comunidades em nosso país é imenso. Uma dinâmica de partilha e escuta sobre essas experiências poderá ser muito enri- quecedora para o nosso ministério”. A Igreja reconhece aos fiéis, em virtude do batismo, o direito de associação e protege sua liberdade de fundar e dirigir. Entre as várias formas de concretização deste direi- to, encontram-se as associações de fiéis (cf. cân. 215; 298-329 do Código de Direito Canônico), que, sobre- tudo a partir do Concílio Vaticano II, viveram um período de grande florescimento, trazendo à Igreja e ao mundo contemporâneo abundância de graças e frutos apostólicos. Na esteira do Concílio Vaticano II, que reconheceu no apostolado laical organizado uma expres- são da vocação missionária e da responsabilidade dos fiéis leigos (cf. Apostolicam actuositatem , 1, 18-19), São João Paulo II viu nas agregações de fiéis a essência da própria Igreja: “tornar presente no mundo o mistério de Cristo e a sua obra salvífica” (Mensagem aos participantes do Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais, 27 de maio de 1998). Com intuição profética, São João Paulo II, dirigindo-se aos movimen- tos eclesiais por ocasião da Vigília de Pentecostes do ano de 1998, lançou-lhes um novo desafio: “Hoje se abre diante de vós uma nova etapa: a da maturidade eclesial. Isso não significa que todos os proble- mas foram resolvidos. É, antes, um desafio. Um caminho a seguir. A Igreja espera de vós frutos “madu- ros” de comunhão e compromisso”. (Discurso aos movimentos eclesiais e novas comunidades na Vigília de Pentecostes , 30 de maio de 1998). Os Papas que sucederam São João Paulo II também se dedica- ram a esse tema, de modo que, em nossos dias, constatamos um zelo pastoral por essas novas formas de associação dos leigos que pre- cisamos não apenas ampliar com coração paterno, mas também com o conhecimento necessário para bem orientar essa grande parcela do rebanho do Senhor. Desejo expressar, neste mo- mento, nossa gratidão a todos os conferencistas que se dispuseram a compartilhar conosco neste curso seus saberes e suas experiências. Neste curso queremos fazer me- mória do primeiro conferencista que abriu este evento ao qual faço men- ção, com reverente e grata memória, o saudoso Papa Emérito Bento XVI, que estará para sempre ligado ao nosso curso. Na época, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Joseph Ratzinger nos deu a honra de ser conferencista na primeira edição do Curso para Bispos da nossa Arquidiocese (O múnus petrino e a Igreja no final deste milênio – que se transformou em artigo e em livro). Mais tarde, ele viria também aqui para um curso do Celam. Sobre esses detalhes e ho- menagens versará a nossa última conferência deste ano. Sobre a questão das Novas Comunidades, podemos lembrar a palavra de Bento XVI aos bis- pos participantes do seminário de estudo promovido pelo Pontifício Conselho para os Leigos, em 17 de maio de 2008, quando ele explorou as implicações desta nova fase de maturidade eclesial, apontando, como forma de compreender ade- quadamente as agregações dos fiéis Abertura e acolhida do Curso para os Bispos 2023 CARDEAL ORANI JOÃO TEMPESTA, O. CIST. ARCEBISPO METROPOLITANO DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO De público, expresso a ele nossos agradecimentos. Também registro as participa- ções importantes para o desdobra- mento do nosso tema, como do Pe. Alexandre Awi Mello, ex-secretário do Dicastério para os Leigos, a Fa- mília e a Vida, e hoje superior geral dos padres de Schoenstatt, que nos falará sobre “Acompanhamento e integração das Novas Comuni- dades”. Dom Roberto Lopes, abade beneditino emérito e nosso vigário episcopal para os Institutos de Vida Consagrada, Sociedades de Vida Apostólica, Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades e também responsável pelo escritório da Causa dos Santos de nossa arquidiocese, que nos relatará o “Panorama de um fenômeno nos movimentos e Novas Comunidades”. Ao tratamos do tema das Novas Comunidades, nada mais oportuno do que conhecermos dois relatos de experiências específicas sobre Novas Comunidades que serão compartilhados conosco pelo Pe. Geovane FerreiraSilva, fundador e moderador da Associação Filhos da Preciosa Vida, e por Moysés Louro de Azevedo Filho, fundador e moderador geral da Comuni- dade Católica Shalom, no “Painel com Fundadores”, e com D. Gilson Andrade, D. Wellington Queiroz e D. Wilson Tadeu Painel, no “Painel com Bispos”. No dia do passeio iremos visitar in loco um trabalho das Novas Comunidades em nossa cidade dentro da realidade de hoje do shopping center. Iremos a um deles, mas as demais experiências estarão presentes para partilhar as várias situações de evangelização. Finalizo apresentando a todos os irmãos aqui presentes nossas boas-vindas, em meu nome e tam- bém em nome da coordenação do curso, cuja equipe tem trabalhado incessantemente para lhes oferecer o que pudemos realizar de melhor, a fim de que tenham dias fecundos, motivadores e agradáveis entre nós. Menciono, além de D. Joel, o caríssi- mo Con. Cláudio dos Santos, nosso coordenador de pastoral. O Espírito Santo nos assista na unidade, na partilha e na aquisição de conhecimentos para que tudo seja colocado a serviço da Igreja e para o bem do povo de Deus. Espero que tenham um bom descanso aqui no Rio e aprovei- tem este tempo de aprofunda- mento. Boa noite e bom curso para todos. à luz do desígnio de Deus e da mis- são da Igreja, uma comunhão mais madura de todos os componentes eclesiais, porque todos os carismas, respeitando a sua especificidade, podem contribuir plena e livremente para a edificação do único corpo de Cristo. Neste ano, temos a participação do ilustre Cardeal da Santa Sé, pre- feito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, o Cardeal Kevin Farrell, que estará conosco na tarde de amanhã para nos falar sobre “Desafios e caminhos: uma visão do Dicastério responsável pelas Novas Comunidades”. Por outro lado, lamentamos a ausência de Dom Edgar Peña Parra, substituto na Secretaria de Estado, que precisou desmarcar sua vinda ao Rio de Janeiro para proferir uma conferência em nosso curso, devi- do à mudança de data da viagem do Santo Padre à Africa e que ele necessita de assessorar. Manifesto nossa gratidão ao apoio da CNBB a este evento, na pessoa de seu secretário geral, Dom Joel Portella Amado, que acompa- nha e coordena o curso conosco. Nesse sentido, agradecemos a D. Karl Josef Romer os anos em que coordenou este curso. Outro irmão no episcopado que nos falará nestes dias é Dom Antônio Luiz Catelan Ferreira, nos- so bispo auxiliar e membro da Comissão Teológica Internacional, que nos falará sobre “As Novas Comunidades e a relação entre os dons carismáticos e os dons hie- rárquicos: eclesiologia e pastoral a serviço do Evangelho” e encerrará o nosso curso com “As Conferências do Cardeal Josef Ratzinger no 1º Curso para Bispos (1990)”. Agradecemos, também, a dis- ponibilidade do grande canonista, Mons. Luís Navarro, Reitor da Pon- tifícia Universidade da Santa Cruz, em compartilhar conosco seu co- nhecimento sobre o tema do nosso curso, através de duas conferências relativas “As novas comunidades eclesiais: sua colocação na Igreja e no Direito” e “Sacerdotes e novas comunidades”. Ao citar a disponibilidade do Mons. Luis Navarro, quero des- tacar que ele está nos prestando uma inestimável colaboração nas questões ligadas às Novas Comu- nidades, ao longo de todo o dia de hoje. Desde a manhã até a tarde desta 2ª feira, tivemos uma Jornada de Estudos Canônicos dedicada aos leigos representantes de associa- ções, movimentos e Novas Comu- nidades da nossa Arquidiocese e do Regional Leste 1, constando de quatro palestras do Mons. Navarro. GUSTAVO DE OLIVEIRA Cardeal Tempesta na abertura do Curso para os Bispos, no Sumaré CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ20 De 23 a 27 de janeiro, no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro, ocorreu a 32ª edição do Curso Anual dos Bispos do Brasil, com a temá- tica: “Novas comunidades e a evangelização hoje”. Realizado desde 1990, este ano o curso teve entre os con- ferencistas o Cardeal Kevin Far- rell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, e o padre Luis Navarro, reitor da Pontificia Università della Santa Croce, em Roma. Na abertura do curso, reali- zada na noite de segunda-feira, 23 de janeiro, o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, ressaltou o fato de que essa é a primeira edição do curso realizada de forma presencial desde a pandemia do Covid-19. Segundo Dom Orani, “o tema foi escolhido devido às demandas e questionamentos acontecidos no curso do ano passado” e que esse tema tra- balhado nas conferências “trará uma riqueza de informações que nos auxiliarão em nossos trabalhos para fomentar e pas- torear as novas comunidades que se encontram em nossas Igrejas particulares”. Presente no evento, o nún- cio apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, desta- cou que a Igreja no Brasil está atenta aos sinais dos tempos, ao Espírito que inspira ao nosso tempo um estilo de comunhão a partir da sinodalidade, que cria novas formas de vivência da vida cristã. O bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário- -geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado, indicou que a temática do curso pode ajudar o episcopado nos estudos e nos trabalhos já desenvolvidos pela Conferência Episcopal. Na manhã de terça-feira, 24 de janeiro, os bispos par- ticiparam de um painel com o cônego Geovane Ferreira, fundador da Associação Fa- mília da Preciosa Vida, e com Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Católica Shalom; e de outro painel com os bis- pos Dom Gilson Andrade, de Nova Iguaçu, Dom Welling- ton Queiroz, de Cristalândia (TO), e Dom Wilson Tadeu Jönck, de Florianópolis. Na tarde do dia 24 de ja- neiro, o Cardeal Kevin Farrel, prefeito do Dicastério para os Leigos, Família e Vida, apre- sentou a conferência “Desafios e caminhos: Uma visão do Dicastério responsável pelas novas comunidades”. Na sua conferência, o Car- deal Farrell recordou que a função episcopal é de ser um verdadeiro evangelizador e “não simplesmente um administra- tor de estruturas eclesiásticas”. Dessa forma, indicou o Cardeal Kevin, o bispo deve contar com colaboradores e pode encon- trar essa ajuda na difusão da mensagem de Cristo nas novas comunidades a que é chamado a motivar, encorajar e formar, porque esses movimentos “são sempre mais colaboradores do bispo no anúncio do Evangelho”. Em sua análise, o Cardeal Farrell ressaltou que a observa- ção da situação atual da Igreja no Brasil deve levar a distinguir entre pequenos grupos locais, de pouca estruturação, que, tendo sua importância eclesial, ainda assim não necessitam de iniciar um percurso de reco- nhecimento jurídico, daqueles nascidos de um carisma, com identidade e história muito próprias. “Entrar nestas comu- nidades, fazer parte delas – dis- se o Cardeal Farrell –, significa compartilhar a espiritualidade, o estilo de vida, os fins apostóli- cos. Não se trata simplesmente de compartilhar momentos de oração com um grupo, mas o entrar na comunidade é per- cebido pelas pessoas como um chamado que comporta frequentemente uma mudança de vida radical”. Como grande sinal de dis- cernimento acerca dos carismas conferidos, Dom Farrell chama a atenção para o cuidado com a unidade da Igreja e a justa com- preensão da ação do Espírito Santo, já que é dele que procede aquela unidade fundamental que se manifesta na diversidade dos dons e carismas. “Do único e idêntico Espírito vêm todos os ministérios que edificam a Igreja”, recordou o Cardeal Far- rell. “O Espírito Santo suscita em alguns homens a vocação a ser pastores e o mesmo Espírito Santo suscita os carismas das Novas Comunidades. Sem con- tradição. Não existe um espírito que inspira a hierarquia e um outro espírito que torna a Igreja viva e carismática. Assim como não é concebível um Espírito Santo que aja de fora da Igreja! O espírito que vivificaa Igreja é o Espírito Santo. O espírito que age contra a Igreja e que divide a Igreja é o espírito maligno”. Por fim, o Cardeal Kevin Farrell convidou os bispos a considerar as Novas Comuni- dades “como um grande dom que Deus fez à Igreja no Brasil”. Na quarta-feira, dia 25 de janeiro, Festa da Conversão de São Paulo, os bispos iniciaram o dia com missa pelo Cardeal Kevin Farrell. Destacando a figura de São Paulo como o grande evangelizador que se abriu para a graça de Cristo, o cardeal convidou todos a imi- tarem o exemplo do Apóstolo das Gentes na disponibilidade e abertura de coração na obra da difusão da mensagem de Cristo. Em seguida, os estudos prosseguiram com uma con- ferência do vigário episcopal para os Institutos de Vida Con- sagrada, Sociedade de Vida Apostólica, Movimentos Ecle- siais e Novas Comunidades da arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Roberto Lopes, OSB. Em sua conferência, inti- tulada “Movimentos e novas comunidades: panorama de um fenômeno”, Dom Roberto traçou um panorama históri- co do surgimento das novas comunidades no contexto pós- -Vaticano II, buscando também referências na experiência da Igreja em sua caminhada de Curso dos Bispos abordou o valioso papel que as Novas Comunidades exercem na evangelização GUSTAVO DE OLIVEIRA CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 21 dois mil anos. “Os Movimentos Eclesiais e as Novas Comuni- dades – explicou Dom Roberto – encontram seu significado mais profundo a partir de uma experiência, de um encontro extraordinário e misterioso com o evento cristão. Deus se mani- festa na história, tornando-a, portanto, história de salvação, deixando-se experimentar por homens e mulheres que, por sua vez, sentem esse divino encontro. Tais relatos podem ser verificados a partir dos tempos apostólicos, passando pelas diversas etapas da vida da Igreja até os nossos dias”. Dom Roberto destacou tam- bém que as Novas Comunida- des apresentam uma grande ca- pacidade de assimilar o espírito trazido pelo Concílio Vaticano II, seja na espiritualidade, na formação, no apostolado ou na promoção das vocações e no incremento do testemunho cristão na sociedade. Dessa forma, concluiu Dom Roberto, “muitas comunidades novas exercem um significativo papel valioso na evangelização do nosso Brasil e no mundo”. Também na manhã de quar- ta-feira, 25 de janeiro, os bispos participaram da conferência “As novas comunidades eclesiais: sua colaboração na Igreja e no Direito”, apresentada pelo padre Luis Navarro, reitor da Pontifi- cia Università dela Santa Croce, de Roma. Na parte da tarde, os bispos participantes do curso fizeram uma visita ao trabalho de evangelização de uma nova comunidade em um shopping center, na zona norte do Rio de Janeiro, e depois celebraram as Vésperas no Monumento do Da esq. para a dir., Dom Joel Portella Amado, Cardeal Kevin Farrel, Cardeal Tempesta, Dom Giambattista Diquattro e Dom Karl Josef Romer Cristo Redentor, no Corcovado. Na quinta-feira, 26 de janei- ro, a primeira conferência “As novas comunidades e a relação entre os dons carismáticos e os dons hierárquicos: eclesiologia e pastoral a serviço do Evange- lho” foi apresentada por Dom Antônio Luiz Catelan Ferreira, bispo auxiliar do Rio de Janeiro e professor na PUC-Rio. Dom Antônio Catelan refle- tiu as Novas Comunidades do ponto de vista propriamente da eclesiologia em um aspecto bem particular: “a relação en- tre elas e a hierarquia eclesial. E o faz com a finalidade de evidenciar seu potencial evan- gelizador, como oferta provi- dencial de recursos espirituais e humanos em vista do anúncio de Jesus Cristo e da experiência da fé cristã que tenda a um profundo enraizamento pessoal e comunitário. Fazendo isso, indiretamente, dá também uma atenção privilegiada à relação entre elas e a eclesiologia sacra- mental missionária do Concílio Vaticano II, inserindo a reflexão na trilha da aplicação, recepção ou hermenêutica do Concílio”. A segunda conferência do dia, 26 de janeiro, foi apresen- tada pelo padre Alexandre Awi Mello, ISch, que foi secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, com o tema: “Acompanhamento e integra- ção das Novas Comunidades”. No Curso para os Bispos do ano passado, padre Alexandre fez uma exposição sobre a “Re- novação Carismática, CHARIS e Novas Comunidades”, na qual focou na descrição do papel do CHARIS, o novo e único ser- viço internacional para todas as realidades que participam da grande “corrente de graça” da Renovação Carismática Católica. Neste ano, padre Alexandre lembrou, em sua conferência, a necessidade de “acompanhar e integrar as Novas Comunida- des para que possam progredir rumo à maturidade eclesial de- sejada e, portanto, um exercício da missão maternal da Igreja que, inspirada por Maria, Mãe de Jesus e da Igreja, e sob a sua intercessão, não abandona os seus filhos em suas alegrias e tristezas, buscas e decisões, mas está ao seu lado, com ter- nura e firmeza de “Mãe e Mestra misericordiosa” que “continua a acompanhar a Igreja e a im- plorar o Espírito, que vivifica todas as vocações”, que integra todos os carismas e, ainda hoje, é capaz de iluminar a vida dos homens e mulheres do nosso tempo”. O reitor da Pontificia Uni- versità dela Santa Croce, de Roma, padre Luis Navarro, fez a última conferência do dia 26 de janeiro, com o tema: “Sacer- dotes e Novas Comunidades”. Padre Luis Navarro tratou em sua conferência sobre a presença dos clérigos e das vocações sacerdotais nos mo- vimentos e nas Novas Comu- nidades. “Ainda que os modos de conceituar estas realidades sejam variados, nos escritos da Conferência Episcopal brasi- leira, esta optou, baseando-se na experiência de décadas, em descrever as Novas Comunida- des como uma nova forma as- sociativa que se distingue tanto das formas tradicionais como também dos movimentos: têm uma matriz carismática, podem ter como fundadores tanto lei- gos, como clérigos e religiosos, nascem muitas vezes de grupos de oração da Renovação caris- mática e realizam uma vasta ta- refa de evangelização. Agrupam pessoas de diferentes estados de vida e atraem muitos jovens. Uma característica essencial é que constituem comunidades, têm fortes laços comunitários. Na terminologia cunhada nes- tas terras, distinguem-se entre as comunidades de Vida e as de Aliança”, disse. Também fez parte da pro- gramação do dia 26 de janeiro um momento sobre a missão da Fundação Pontificia Ajuda à Igreja que sofre (ACN), apre- sentado por Ana Manente e Rodrigo Arantes. A única conferência apre- sentada na sexta-feira, 27 de janeiro, foi feita por Dom An- tônio Luiz Catelan Ferreira, que abordou sobre o Papa emérito Bento XVI, homenageado com exposições de fotos e de um busto. O então Cardeal Joseph Ratinzer foi lembrado por par- ticipar da inauguração do Curso para os Bispos, em 1990, no Rio de Janeiro, numa feliz iniciativa do então Cardeal Eugenio de Araujo Sales. DA REDAÇÃORealizado no Centro de Formação do Sumaré o curso reuniu bispos de várias regiões do país FOTOS: GUSTAVO DE OLIVEIRA CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL22 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ O ano era 1990. Ano em que o mundo veria a Alemanha Ocidental – resquícios de um mundo (e de um muro) que já não mais existem – vencer a Copa da Itália, e o Brasil via o início do governo do primeiro presidente eleito pelo sufrágio universal, depois da redemocratização, em 1985. Também a Igreja no Brasil teve nesse ano um fato memorável: realizava-se em julho, aqui no Rio de Janeiro, o primeiro Curso dos Bispos, que teve como grande conferencista o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Joseph Ratzinger, depois Papa Bento XVI, falecido em 31 de dezembro passado. Nesta semana que passou realizou-se a 32ª edição do curso, o que demonstra que a iniciativase tornou verdadeiro patrimônio da Igreja brasileira e de seu episcopado. A cada ano reúnem-se no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro, os bispos de diversas partes do país para tratar de algum tema atual e de grande relevância para a condução do povo de Deus presente nesta Terra de Santa Cruz. Em 1990, primeira edição, o tema era “O múnus petrino no final do milênio diante dos problemas da Igreja”. Preparando-se para o séc. XXI que estava às portas, os bispos brasileiros se voltavam para a unidade em torno do sucessor de Pedro como chave para a solução de diversos problemas enfrentados pela Igreja então. Naqueles anos, os debates estavam acalorados com queda do muro de Berlim, acontecida no ano anterior, e se intensificariam com o fim da União Soviética no ano seguinte. Em reportagem do “Jornal do Brasil”, uma semana antes do curso, D. Karl Josef Romer, bispo auxiliar da arquidiocese carioca e idealizador do curso junto com o Cardeal Arcebispo D. Eugenio Sales, indicava o caminho pelo qual entendia que a Igreja devia caminhar no novo contexto histórico que se desenhava: “Entre o sistema coletivista marxista e o capitalista, deve ser buscada a nova imagem do homem e da sociedade, inspirados pelo Evangelho e não por interesses políticos.” A presença do então Cardeal Ratzinger junto ao episcopado brasileiro gerou um sentimento comum de que a unidade em torno do Papa precisava ser o grande mote a conduzir os pastores em seu pastoreio. Em sua reflexão, o futuro Papa Bento indicava que o grande sinal e garantidor dessa unidade eclesiológica é o Sacramento da Eucaristia. “Os discípulos se tornam povo – dizia Ratzinger – através da comunidade com o Corpo e o Sangue de Cristo, que por sua vez é comunidade com Deus.” Muito atento ao presente, e por isso sempre atualíssimo em seu falar, o cardeal não deixou de fazer uma acurada análise daquele contexto social vivido pelo mundo enquanto esteve em terras cariocas. Em entrevista a um jornal, ao ser questionado sobre o crescimento da incredulidade nas grandes cidades, logo pontuou: “Onde a perda de Deus se torna presente também volta a existir um novo desejo de Deus. Esta é a experiência de hoje. O homem, a longo prazo, não pode viver sem Deus. Sem conhecer a fé, faz a experiência de um vazio insuportável.” Palavras ditas em 1990 que, passados mais de 30 anos, podem se dizer proféticas. A primeira edição do Curso dos Bispos contou com 96 prelados participantes. Entre eles, nomes célebres na história recente da Igreja, como os cardeais D. Eugenio Sales e D. Lucas Moreira Neves, o arcebispo emérito de Olinda, D. Helder Câmara e o então presidente da CNBB, D. Luciano Mendes de Almeida. A partir daí, o Curso dos Bispos oferecido pela arquidiocese carioca em unidade com a CNBB tornou-se um espaço de estudos, debate e convivência que enriquece o trabalho de um episcopado que encontra realidades tão distintas de norte a sul neste país continental, mas que sabe encontrar a unidade no Cristo e em sua Palavra. Saudando a feliz iniciativa e empenho dos que os antecederam em 1990, saudamos hoje o espírito de continuidade e desejo de aperfeiçoamento dos que nos pastoreiam no presente. Assim, temos sempre a garantia de que neles nos pastoreia o próprio Bom Pastor que por nós deu a vida. EDUARDO DOUGLAS SANTANA SILVA SEMINARISTA DA CONFIGURAÇÃO III Curso dos Bispos: um patrimônio da Igreja no Brasil No primeiro Curso para os Bispos a presença do Cardeal Joseph Ratzinger (a esq.), em 1990 ARQUIVO PESSOAL DE DOM ROMER TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL 23 Há coisas na Igreja que se ex- plicam humanamente, boa parte – a inteligência, uma pessoa, a perspectiva histórica –, mas não só. Há coisas que são e devem ser simultaneamente inspiradas. Surgiu numa reunião dos bis- pos auxiliares com o Cardeal D. Eugenio, de repente, esta ideia, de que o Rio de Janeiro oferecesse aos bispos de todo o Brasil um curso pastoral, teológico e espi- ritual. Um grande amigo meu, bispo auxiliar, se assustou e disse: “ora, não estás mais normal?” eu respondi: “Se estou normal, eu não sei; mas acho que minha ideia é certa.” D. Eugenio, em sua sabedoria, cortou essa conversa secundária e disse: “Depende de uma coisa: D. Romer, quem seria o conferencista para convidar- mos o episcopado do Brasil? Não uma iniciativa contra a CNBB, nada disto! Com a CNBB, com o episcopado!”. Minha resposta foi, creio, certa: “Acho, D. Eugenio, que devemos convidar o grande professor, hoje cardeal, Joseph Ratzinger (que morreu, há pouco tempo, como Papa Bento XVI)”. D. Eugenio, de olhos arregalados, FOTO: BRUNO CARVALHO A primeira edição do Curso dos Bispos, em 1990: memória histórica Dom Karl Josef Romer durante o Curso para os Bispos, no Sumaré, em 2023 respondeu: “Bom, se o senhor consegue Ratzinger, eu garanto que o curso será bem aceito”. Eu fui à minha terra para vi- sitar minha família e, passando por Roma, dirigi-me ao Cardeal Ratzinger. Ele me recebeu de- licadamente e perguntou-me: “Como vai a Igreja no Brasil?” Achei ótima a pergunta: “Vai bem, há muitas coisas positi- vas. Há uma ideia para dina- mizarmos os bispos, com uma fundamentação bela, forte e clara, com um curso teológico- -pastoral”. O Cardeal Ratzinger respondeu: “Mas que ideia mara- vilhosa. Pode di- zer ao Sr. cardeal que achei a ideia muito boa”. Aí eu “soltei o tiro”: “ E m i n ê n c i a , estou aqui em nome do Cardeal do Rio de Janei- ro, D. Eugenio Sales, para apre- sentar ao senhor essa ideia e con- vidá-lo para que seja o senhor o primeiro confe- rencista que nos fale da grande teologia da Igreja e da grande mis- são no mundo moderno a par- tir da fé, e não da política”. Era o ano de 1988. Ele respondeu: “Veja, a ideia é boa, é encantadora, porém, eu não tenho mais tempo livre.” Ele ia fazer palestras na França, na Alemanha e nos EUA. Pergun- tei: “e no próximo ano, 1989?”. Também não podia, sua agenda estava cheia de compromissos. Aí tive a coragem de dizer: “Eminência, há uma grande esperança na Igreja, Deus vai nos dar o ano de 1990”. “Mas quando deve ser?”, perguntou Ratzinger. “Única pergunta que não repondo – disse –. Só o se- nhor poderá responder. Quan- do o senhor puder, podemos.” Olhando sua agenda, o cardeal respondeu-me: “Bom, acho que há uma possibilidade em 1990, no mês de julho”. Foi a única edição do curso que não foi em janeiro/fevereiro. “Ótimo!”, respondi imediatamente. Voltei ao Brasil. O Sr. Car- deal D. Eugenio ficou muito contente. Fez as primeiras cartas convidando os bispos, indicando que o Cardeal Rat- zinger, que já tinha fama mun- dial, havia aceitado por estima à Igreja e ao episcopado brasi- leiro. Escreveram-se 105 bispos. É verdade, alguns idosos, que estavam doentes, não puderam vir, mas 105 se inscreveram e 96 se fizeram presentes. Foi algo muito belo. Houve, além de Ratzinger, um palestrante do Brasil, teólogo, bispo, mas a grande figura, evidentemente, foi Ratzinger. Tudo isso nos deu motiva- ção para que a cada ano, quase, o curso se realizasse. Foi uma graça de Deus. Quantos bispos vêm de longe, muitas vezes com renúncias. Por outro lado, assim como D. Eugenio, nosso estimado Cardeal D. Orani, com essa bela visão de Igreja, com a arquidiocese e a ajuda de amigos da Alemanha, ajuda a manter tudo isto, com suporte e estrutura. Acho que aqui, com o Cur- so dos Bispos, temos algo da presença de Deus na Igreja, onde as graças fluem entre os episcopados. D. KARL JOSEF ROMER BISPO AUXILIAR EMÉRITO DO RIO DE JANEIRO 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉCURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL24 “Uma aula prática para nós!” As- sim definiu Dom Fernando Rifan, bispo administrador apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, a visita feita pelos bispos na CapelaSão Paulo II, no Shopping Via Brasil, zona norte do Rio de Janeiro. A visita foi feita na tarde do dia 25, dentro da programação do 32º Curso para os Bispos do Brasil. Trabalhando com o tema: “Novas comunidades e evangelização hoje”, o Curso para os Bispos proporcionou uma visita ao trabalho desenvolvido pela Comunidade Shalom nessa reali- dade tão própria para o nosso tempo que são os shoppings centers. Ali, no meio de uma realidade comercial e de lazer, os missionários apresentaram o amor de Cristo ao grande número de pessoas que afluem ao centro comer- cial carioca. Shirley Guimarães, missionária da Comunidade de Aliança, comentou sobre algumas das atividades reali- zadas pela Comunidade Shalom na Arquidiocese do Rio de Janeiro: “A Co- munidade Shalom no Rio tem mais de 25 anos, contando com vários campos de trabalho. Trabalhamos na cultura em eventos como o “Halleluya”, em encontros como o “Renascer”, além de outros encontros e acampamen- tos com os jovens. Temos também os centros de evangelização, que são pontos espalhados pela cidade, onde nos encontramos para os grupos de oração e de formação. Dentre esses cinco pontos que a comunidade tem na cidade, um deles fica aqui no Sho- pping Via Brasil, onde há uma capela, aberta diariamente para adorações, missas, acompanhamentos espirituais e grupos de oração. Há, também, ao lado da capela, o espaço Lolek, onde acompanhamos os jovens que vêm ao shopping e encontram esse espaço para carregar o celular ou se distrair um pouco. Nos aproximamos desses jovens e os evangelizamos, acolhemos e apresentamos a comunidade”. A jovem Larissa Maria, vocacio- nada à Comunidade de Aliança, que participa das atividades da capela visitada pelos bispos, explicou que “aqui no shopping desenvolvemos muitas atividades, e a principal é o acolhimento. Os jovens se aproximam do nosso espaço para carregar o tele- fone ou usar o Wi-Fi, e a partir dessa oportunidade, tiramos um grande momento de evangelização, no qual nós acolhemos e trazemos a alegria do Cristo, indiretamente entrando na vida desses jovens, tocando em suas feridas, criando laços e vínculos de amizade. E assim, – completou de forma bem sutil –, Deus age em nossos espaços para trazer uma nova forma de evangelizar a esses que precisam”. Após a visita à capela e ao espaço de socialização, os bispos seguiram para um momento de diálogo, no qual foram apresentados os trabalhos FOTOS: BRUNO CARVALHO 32º Curso dos Bispos: Igreja em saída com as novas comunidades Bispos visitam capela instalada no interior de um Shopping Cardeal Tempesta com jovens consagrados da Comunidade ShalomBispos durante visita em shopping da cidade realizados não só pela Comunidade Shalom no Shopping Via Brasil, mas também pela Comunidade Católica Remidos no Senhor, no Shopping Ban- gu, Zona Oeste, e pela Comunidade do Caos à Glória, no Carioca Shopping. O Cardeal Arcebispo Dom Orani Tempesta ressaltou que a evangeliza- ção nos shoppings centers é uma das várias experiências de evangelização da grande cidade, recordando que há, por exemplo, uma paróquia localizada em um shopping, a paróquia Santa Cruz do Senhor, em Copacabana. “Ali, as pessoas vão para uma refeição, para um momento de lazer, e a Igreja é chamada a estar presente em tudo, a estar em saída. Por isso quisemos hoje trazer os bispos numa experiên- cia aqui no Shopping Via Brasil, para ouvir sobre esse trabalho de encontro com pessoas que precisam ser evange- lizadas, que precisam acolher a Pala- vra de Deus que aqui é semeada e que será regada mais tarde, onde outros colherão os frutos da evangelização que começa nesses locais”. Após a apresentação dos trabalhos, foi feito um momento de diálogo, no qual os bispos puderam interagir com perguntas e contribuições junto às falas dos missionários e membros das novas comunidades. Para Dom João Mamede, bispo de Umuarama-PR, “a visita foi muito útil para nós bispos, já que o programa do curso tematiza justamente sobre as Novas Comunidades. O Espírito Santo está aí, não dorme, está atuan- do em toda parte, e também aqui no shopping encontra corações sensíveis que acolhem seu impulso e o concre- tizam em gestos de missão, amor e caridade”. Após a visita, os bispos seguiram para o Santuário Cristo Redentor, onde celebraram a Oração das Vésperas. Ao fim, a estátua do Cristo recebeu a pro- jeção dos brasões episcopais de todos os bispos participantes do curso. EDUARDO DOUGLAS SANTANA SILVA SEMINARISTA DA CONFIGURAÇÃO III ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 25 O I Festival de Música Católica Canção do Monte, organizado pela Paróquia Nossa Senhora do Montserrat, em Vargem Pequena, no Rio de Janeiro, será realizado no dia 11 de fevereiro de 2023, a partir das 16h. Trata-se de um evento destinado a músicos ca- tólicos: grupos de cantos, bandas e intérpretes de música sacra, de conteúdo doutrinal católico. O evento havia sido idealizado em 2019. No entanto, devido à pandemia da Covid-19, não foi possível realizá-lo. Sabemos que existe um tempo para cada coisa e, nesse intervalo quando a Capela Nossa Senhora do Montserrat foi elevada à Paró- quia, o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, no- meou o padre Jones Campos dos Santos, antes vigário paroquial na Paróquia Nossa Senhora Mãe da Divina Providência, para missão de pastorear essa pequena parcela do povo de Deus na região de Vargem Pequena. Tocar vidas e permitir que pessoas de todas as idades expe- rimentem a presença do Espírito Santo através da música é algo que também faz parte da missão do padre Jones. O Senhor tem usado a mú- sica cristã para tocar pessoas e transformar a história de muita gente, e todos nós podemos dar testemunho disto. A música tem um papel funda- mental na evangelização e, embora seja apenas um meio, uma vez usada com sabedoria, ela produz muitos frutos. Promover um evento assim se justifica de forma muito clara. A Igreja nos convida à vivência do Evangelho e, buscando alcançar os corações por meio da música, o festival dará a oportunidade de vozes e composições católicas serem reveladas e, acima de tudo, a oportunidade de anunciar a Pa- lavra e o Amor de Deus ao povo. Para esta edição, houve um grande empenho dos paroquianos. Hoje, são mais de 50 colaborado- res envolvidos diretamente para promover a apresentação das sete canções finalistas. Os sete finalistas foram pré- -selecionados por um corpo de jurados e, no palco, serão avaliados por nomes da música católica, como: Aline Venturi, Maira Jaber, padre Fábio Escobar, André Florên- cio e Davidson Silva. Serão três músicas premiadas. Haverá show com os cantores Davidson Silva e Olívia Ferreira. Dessa forma, o objetivo é tor- nar o Festival de Música Católica Canção do Monte, um evento anual nas Vargens. Os critérios de participação eram: participar com uma música autoral e inédita. Os ingressos que darão acesso ao festival podem ser adquiridos pelo público através da plataforma Sympla. Se você se interessou e quer dividir esse momento conosco, acompanhe nosso perfil no ins- tagram @cancao_monte. Lá, você acessa todas as informações sobre o festival. DANIELLE ROCHA COORDENADORA DO I FESTIVAL DE MÚSICA CATÓLICA CANÇÃO DO MONTE I Festival de Música Católica Canção do Monte “Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior louvor, se viverdes santamente”. Santo Agostinho 26 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ Fiel à advertência de Jesus: “quem acolhe o menor a mim acolhe”, a Pastoral do Menor na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro tem por mis- são A DEFESA E GARANTIA DE DIREITOS A CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITU- AÇÃO DE RISCO PESSOAL E SOCIAL, PROPICIANDO A PROTEÇÃO INTEGRAL COM VIDA DIGNA DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES À LUZ DO EVANGELHO, CONTRIBUIN-DO PARA A TRANSFORMA- ÇÃO DA SOCIEDADE. Diante da triste realidade que assola o bairro de Campinho, na zona norte do Rio, um ato ecumê- nico foi realizado, no dia 18 de janeiro, no Centro Sócio Espor- tivo Comendador Armindo da Fonseca (CSE) – polo de atendi- mento da ação evangelizadora –, com o objetivo de pedir paz para a comunidade. O assessor eclesiástico ad- junto da Pastoral do Menor, padre Gilvan André da Silva, presidiu a celebração, que con- tou, ainda, com as presenças da conselheira e fundadora da pastoral no Rio, Maria Christina Sá, da coordenadora de pro- jetos, Regina Leão, da equipe pedagógica e administrativa do CSE, das crianças e adolescen- tes atendidos pela iniciativa e suas famílias. “Diante do que vi e ouvi da parte das crianças, famílias, educadores e colaboradores diversos, percebo que a situação é muito grave. Pude acompa- nhar um pouco a af lição de cada um, é realmente algo de extrema gravidade e urgência. Se não fosse o amor que aquelas pessoas carregam em seus sofri- dos, amedrontados e apertados corações, certamente já teriam todos desistido. Que Deus te- nha misericórdia de nós e nos faça instrumentos de sua paz!”, desejou padre Gilvan André. Diante dos relatos dos fun- cionários administrativos e da equipe pedagógica do Centro Sócio Esportivo Comendador Armindo da Fonseca ficou deliberado, em reunião com os membros da Pastoral do Menor, diversas providências frente aos acontecimentos e episódios de violência vividos pelos que residem na região e/ ou são atendidos pela institui- ção. O objetivo é estimular um processo que visa à sensibiliza- ção, à conscientização crítica, à organização e à mobilização da comunidade como um todo, na busca de uma resposta trans- formadora, promovendo nos projetos de atendimento direto a participação das crianças e adolescentes como protagonis- tas do mesmo processo. DA REDAÇÃO Pastoral do Menor: Ato ecumênico pede paz para Campinho CENTRO SÓCIO ESPORTIVO CAMPINHO 2022 O Centro Sócio Esportivo Co- mendador Armindo da Fonseca foi criado em 1993 com o intuito de atender crianças e adolescentes, em consonância com a Política Nacional de Assistência Social / PNAS 2004. As ações desenvolvi- das são de Proteção Social Básica, tendo como objetivo contribuir na “prevenção de situações de risco por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições, e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários”. Outro aporte legal é o Estatuto da Crian- ça e do Adolescente/ Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1990, no que tange o apoio socioeducativo em meio aberto. As atividades realizadas propiciam o desenvol- vimento de potencialidades e am- pliação do universo informacional, cultural e esportivo, com ênfase, nos valores artísticos, culturais e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura. No ano de 2022, atendendo 160 crianças e adolescentes e com 117 famílias. Desafios: O ano de 2022 foi marcado por conflitos entre o poder paralelo, por disputa de território. PESQUISA DE SATISFAÇÃO Aplicada no final de 2022 às famílias, crianças e adolescentes a fim de avaliar o trabalho e ver o que pode melhorar em termos de atividades/atendimentos: 99% das famílias responderam que a atuação do CSE (Centro Sócio Esportivo) na comunidade é bas- tante positiva, 53% veem o espaço como um local de aprendizado e convivência e 93% avaliam como ótimo o trabalho desenvolvido pela equipe pedagógica. Outro item com 62% de aprovação pe- las crianças e adolescentes foi a comida ofertada nos dois turnos. DESTAQUES - Fornecimento, com qualidade, de duas refeições diárias - Protagonismo infantojuvenil com a participação de um ado- lescente no CPA – Comitê de Participação de Adolescente do CONANDA – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, órgão do Sistema de Garantia de Direitos na gestão 2020/2022. - Hoje, conta com 16 adolescen- tes compondo a EDC, onde se reúnem mensalmente para troca de temas transversos, onde bus- cam alinhar informações, trocar conhecimentos e experiências, planejar e executar ações junto à comunidade e aos atendidos pelo CSE. RESULTADO No final de 2022, houve nova eleição CPA, na qual esse mesmo adolescente foi novamente eleito para a gestão 2023/2025. Ressal- tamos que outro adolescente foi eleito também para o CPA – CO- NANDA nessa nova gestão. Encaminhamos nove ado- lescentes para o Jovem Aprendiz (primeiro emprego) e obtivemos quatro efetivações. NOVAS PARCERIAS NESSE ANO DE 2022: Boxe Social Victor Farias atende 28 adolescentes para aulas de box. Instituto Besouro / Rio Soli- dário com um curso de Empre- endedorismo Feminino com 20 mulheres da comunidade forma- das e aptas a dar continuidade ao seu negócio ou abri-lo de forma correta para geração de renda. Instituto Anima / Perseverar oferece curso para dez mulheres, mães dos nossos atendidos, em um curso prático de Cozinha Sustentável / Reaproveitamento Alimentar, objetivando que no futuro sejam elas as multiplica- doras desse curso para incenti- varem outras mulheres. Instituto Anima / Perseverar oferece curso para 80 crianças e adolescentes, uma oficina prática de reaproveitamento alimentar (em andamento) a fim de fazê-los conhecer novos sabores e texturas com o que normalmente é descar- tado, como cascas e sementes de legumes, frutas e outros. Secretaria Estadual de Meio Ambiente, que com o curso Am- biente Jovem com olhar voltado para o meio ambiente formou 34 jovens da comunidade, ofertando uma bolsa de estudos mensal no valor de R$ 200 como forma de incentivo. Apoio do MPT, na aquisição de material esportivo proveniente de multas aplicadas através do Termo de Ajustamento de con- duta/TAC. Belíssima festa natalina na qual foram apadrinhados 160 crianças e adolescentes, com a entrega de roupas e calçados e uma farta ceia, tendo apoio de 35 mães no evento. FOTOS: PASTORAL DO MENOR ARQUIDIOCESE Teatro Santa Clara Paróquia Nossa Senhora da Conceição Santa Cruz Colégio N. Sra. de Lourdes R. São Clemente, 438 Botafogo CCSP Cardeal Orani Tempesta Pç. N. Sra. da Apresentação, 352 Irajá 19 A 21 DE FEVEREIRO ENTRADA GRATUITA! INÍCIO 9H MAIS INFORMAÇÕES: i @SHALOMRIO TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 27 O Retiro de Carnaval 2023 da Comunidade Católica Shalom está confirmado e com uma novidade. O evento acontece, de 19 a 21 de fevereiro, em três lugares na cidade do Rio de Janeiro. São eles: CCSP Cardeal Orani Tempesta, em Irajá, Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Botafogo, e Teatro Santa Clara, situado na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz. O Renascer conta com o tema: “Minha alma engrandece o Senhor‘’, com uma proposta de Carnaval di- ferente, atingindo a cidade nas três zonas, com muita alegria e oração. O evento ainda terá a presença de Dom Orani, na Zona Norte, Dom Roberto, na Zona Oeste, e Dom Antônio Cate- lan, na Zona Sul. Com atividades culturais e de espiritualidade voltadas para jo- vens, famílias, crianças e adultos, a programação conta com palestras, apresentações artísticas de dança, música e teatro, entre elas, o espe- táculo “O Canto das Irias” (na Zona Norte e Zona Sul) e o show do cantor Jadir Barcellos (no CCSP), além de cursos, missas, Seminário de Vida no Espírito Santo e estandes temáticos. O objetivo é proporcionar aos participantes uma alegria que não acaba na Quarta-Feira de Cinzas. Desde 1986, teve o início do retiro de Carnaval da Comunidade Católica Shalom, em Fortaleza, no Ceará. Mas ao longo dos anos, se espalhou pelo Brasil e por alguns países. A essên- cia do Renascer é anunciar o amor de Deus, propondo um Carnaval diferente com três dias de oração e muita alegria. A entrada é gratuita. Mais infor- mações pelo Instagram @shalomrio. LOCAIS DOS RETIROS: O CCSP Cardeal OraniTempes- ta fica na Praça Nossa Senhora da Apresentação, 352, em Irajá; o Colégio Nossa Senhora de Lourdes fica na Rua São Clemente, 438, em Botafogo; e o Teatro Santa Clara fica na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Praça Dom Romualdo, 11, em Santa Cruz. DA REDAÇÃO Comunidade Católica Shalom promove retiro de Carnaval em três lugares do Rio de Janeiro ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 29 Teodoro nasceu em Antio- quia, 350, e morreu em Mopsu- éstia, 428, onde foi bispo a partir de 392. Dedicou-se em particular à exegese bíblica, contudo, de seus escritos, permanecem so- mente algumas obras, as homilias catequéticas e grande parte da disputa com os macedônios. Sua exegese sobre os doze profetas não segue interpretação cristo- lógica minuciosa à maneira da escola alexandrina, mas situa essas doze figuras proféticas en- tre os séculos VIII-VI da história de Israel, visando mais uma base factual para suas interpretações do que o método alegórico. É dentro deste quadro hermenêu- tico que situamos seu comentário ao profeta Sofonias. Como se sabe, o pequeno livro do profeta Sofonias, escrito provavelmente no século VI a. C., insere-se num contexto de domínio político de povos es- trangeiros sobre o povo de Deus. Nesta situação de sofrimento, as palavras do profeta são um alento para os que se mantêm fiéis a Iahweh. Mas nada é tão simples. A verdade é que o próprio povo de Deus, em sua grande maioria, parece afastar-se dos decretos divinos. Eis que a mensagem profética amaldiçoa os infiéis e promete uma bem-aventurança àquele pequeno ‘resto’ que se manteve fiel, ainda sob muitos sofrimentos. É uma mensagem perene, onde se exorta ao grande povo de Deus a voltar-se para ele, pois todos somos chamados a pertencer ao pequeno grupo fiel, ou seja, a termos as mesmas atitudes dos mais fiéis. A perícope de Sofonias (2,1-3; 3, 11-13), objeto do comentário aqui selecionado, é esta: ‘Vinde todos, juntai-vos, na- ção despudorada, antes que o decreto do Senhor produza esse dia que passara como um turbilhão de pó, antes que venha sobre vós a ira do furor do Senhor, antes que venha sobre vós o dia da indignação do Senhor. Buscai o Senhor todos vós, os humildes nesta terra, vós os que guardais os seus preceitos; buscai a justiça, buscai a mansidão, para ver se podeis achar um abrigo no dia do furor do Senhor. Naquele dia, ó Jerusalem, não serás confundida por causa de todos os teus pecados cometidos contra mim, porque então ex- terminarei do meio de ti aqueles que, com as suas palavras fausto- sas, excitavam a tua soberba, e tu, para o futuro, não te orgulharás mais por possuires o meu santo monte. Deixarei subsistir no meio de ti um povo pobre e hu- milde, que esperará no nome do Senhor. Os que restarem de Israel não cometerão iniquidades, não proferirão a mentira; não se acha- rá na sua boca língua enganosa, porquanto serão apascentados e repousarão, sem haver quem lhes cause medo’. O texto condena a nação despudorada e reserva o prêmio da paz para os mais fiéis à alian- ça do Senhor. Estes podem ser chamados de remanescentes, o ‘resto’ dos fiéis, e também os que estão na periferia da vida social, os quais serão finalmente agra- ciados por Iahweh. Trata-se de uma profecia universal, dirigida incialmente ao povo eleito. Trata- -se igualmente de uma advertên- cia ao grande grupo humano que se afasta da mensagem divina. Enfim, a passagem de Sofonias pode ser relacionada às bem- -aventuranças dos evangelhos, seja de Lucas, seja de Mateus. No Evangelho de Lucas, as bem- -aventuranças são seguidas de maldições (Lc 6,24-26). E embora em Mateus isto não ocorra, o texto de Sofonias refere-se expli- citamente à bem-aventurança do pobre, como em Mateus (5, 3). Teodoro, por sua vez, co- menta a passagem mostrando inicialmente o convite à reunião do povo em torno do nome de Senhor; em seguida, ressalta as muitas admoestações para os perigos em que incorrem; e, fi- nalmente, enfatiza a defesa que o profeta faz do mais pobre: “Então, depois de revelar os problemas, como de costume, o profeta lhes dá esperança, procedendo desta maneira: ‘Vinde todos, juntai- -vos, nação despudorada, antes que o decreto do Senhor produza esse dia que passara como um turbilhão de pó, antes que venha sobre vós a ira do furor do Se- nhor, antes que venha sobre vós o dia da indignação do Senhor’ (vv.1-2), isto é, todos vós que até agora não aceitaram instrução em seu dever, agora, de qualquer forma, reúnam-se e ofereçam a Deus orações em comum para que não sofram ruína absoluta como uma flor repentinamente arrancada quando a ira divina vos é infligida de forma esma- gadora. ‘Buscai o Senhor todos vós, os humildes nesta terra’ (v.3): vós que fostes humilhados pelos desastres infligidos além de todos os habitantes da terra, prestai atenção à reverência e implorem pela misericórdia divina. ‘Buscai a justiça, buscai a mansidão’: neste momento, tornai-vos justos juízes do que é vosso dever e, distinguindo entre o melhor e o pior, prestai atenção ao que é certo. Buscai a gentileza e fazei vossa escolha para que vos sintais seguros no dia da ira do Senhor. Escolhei a justiça e a tolerância em vez de perseguir a injustiça contra os mais pobres como fizestes anteriormente; e preocupai-vos em mostrar inte- resse por estas coisas, pois ‘esco- lher’ tem este sentido, de modo que será vossa bem-aventurança obter a ajuda do Senhor no tem- po da retribuição” (Teodoro de Mopsuéstia. ‘Commentary on the Twelve Prophets’. Translated by Robert C. Hill. Washington, D.C.: The Catholic University of America Press, 2004, p. 294, tradução do autor). Jerusalém, para o cristão, é a Igreja, que se deve lembrar tam- bém da constante advertência do profeta à conversão, mesmo que, ao final, somente um pequeno grupo reste fiel. É neste peque- no grupo que reside o mistério salvífico: “‘Naquele dia, ó Jeru- salem, não serás confundida por causa de todos os teus pecados cometidos contra mim, porque então exterminarei do meio de ti aqueles que, com as suas pa- lavras faustosas, excitavam a tua soberba, e tu, para o futuro, não te orgulharás mais por possuires o meu santo monte’(v. 11): nesta altura não suportareis nada da grande vergonha em que agora estais envolvidos por causa da vossa irreverência; tudo o que fizestes ao tratardes meu nome com desonra e serdes a fonte de tal insolência para mim por meio da adoração dos ídolos, removerei de vós, suspendendo as penalida- des impostas por eles a vós. Não vivereis mais com tanta arrogân- cia na montanha designada para minha adoração, negligenciando meu serviço enquanto de- votais adoração completa aos ídolos” (p. 303). Pelo que se sabe, Sofo- nias pensa precisamente no pobre e no excluído da vida pública (Erich Zenger. ‘Introdução ao Antigo Testamen- to’. São Paulo: Loyola, p. 521ss), que são oprimidos pelos ricos. Também fala dos mentirosos, que afetam a vida do povo de Deus, da Igreja, encontrados em todos os tempos da história da fé: “‘Deixarei subsistir no meio de ti um povo pobre e humilde’ (v.12): Eu vos trarei de volta do castigo do cativeiro, para que vivais uma vida de mansidão e humildade, e com reverência gozeis do meu favor. Os que restarem de Israel não cometerão iniquidades, não proferirão a mentira; não se acha- rá na sua boca língua enganosa, porquanto serão apascentados e repousarão, sem haver quem lhes cause medo’ (vv. 12-13): em vosso retorno do cativeiro, continuareis a honrar meu nome, desistireis de toda iniquidade e vos afastareis de todos os atos impróprios, prá- ticas nas quais vos envolvestes. Nesse tempo, vós também tereis o cuidado de evitar fingir que me adorais com propósito enga- noso, enquanto estais devotados aos ídolos. Assim, a partir de agora, podereis pastar com total segurança e desfrutar de vossas propriedades, e vivereis em paz total, sem ninguémem posição para assustar-vos ou remover- -vos de vosso próprio lugar” (p. 303-304). Alguns aspectos são funda- mentais neste comentário de Teodoro: em primeiro lugar, a ênfase de quem justifica seu povo é Deus; em segundo lugar, o reco- nhecimento dos excluídos como lugar da conversão oferecida a todo o povo de Deus, o mistério do pobre em bens materiais que se universaliza, em Mateus, pelo ‘pobre no espírito’: ‘Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus’ (5,3). Enfim, não se pode esquecer que Lucas é explícito em seu juízo sobre os ri- cos: ‘Mas, ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação!’ (6,24). Isto quer dizer que ‘só em Deus repousa a minha alma, dele vem a minha salvação. Só ele é o meu rochedo e a minha salvação, o meu baluarte: por nada vacilarei’ (Sl 61,2-3). CARLOS FREDERICO CALVET DA SILVEIRA PROFESSOR DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PETRÓPOLIS E DO SEMINÁRIO SÃO JOSÉ, NO RIO DE JANEIRO Teodoro de Mopsuéstia: malditos e bem-aventurados REPRODUÇÃO: HTTPS://W W W .JOHN SAN IDOPOULOS.COM /2015/08/AN -IN TERPRETATION -OF-BEATITUDES-OF.HTM L 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉLITURGIA30 Reunidos no Espírito para celebrar o mistério da nossa fé, somos alimen- tados pelo Cristo por meio da sua dupla mesa: da Palavra e da Eucaristia. Ambas as mesas proporcionam para todos nós aquilo que pedimos a Deus na oração coleta, isto é, que possamos adorá- -lo de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade1. Na celebração eucarística são muitas as maneiras pelas quais podemos render a Deus o nosso culto de adoração. Uma delas acontece quando escutamos aten- tamente às Santas Escrituras. Assim, os nossos corações se enchem de louvor e os nossos lábios cantam com o salmista: “O Senhor é fiel para sempre” (Sl 145,7). Quando escutamos a Palavra de Deus em ambiente de adoração, o Espírito Santo vai introduzindo-nos progressivamente no mistério da Aliança e nos transforma numa “eucaristia” para os nossos irmãos. Na primeira leitura, ouvimos um texto do profeta Sofonias que exerceu sua atividade em Jerusalém durante o reinado de Josias entre 629 e 609 a.C., mais precisamente antes da reforma religiosa executada por este monarca. Sendo assim, o livro é considerado pré-exílico. Contudo, alguns exegetas declaram que o livro foi ampliado com alguns textos no tempo pós-exílico2. Antes do rei Josias, os habitantes da cidade santa eram governados por Manassés, rei ímpio que conduziu o povo de Deus a infidelidade à Aliança: promoveu os costumes dos povos es- trangeiros assim como erigiu altares aos deuses destes povos, além disso, dedicou-se às adivinhações, magias e proporcionou que crescesse as injusti- ças sociais contra os mais pobres. Após o reinado de Manassés, Josias sobe ao trono e realiza a reforma reli- giosa. É nesse contexto que Sofonias exerce seu ministério profético atuando contra a idolatria cultual, os abusos da autoridade ímpia, as injustiças e tudo aquilo que configura a infidelidade à Aliança que Deus fez com o seu povo. Diante desse quadro, no qual as víti- mas das autoridades civis e políticas abusam do poder que têm subjugando os mais simples, não tardará para que o dia do Senhor se manifeste intervindo em favor dos mais pobres e castigando aqueles que multiplicam a espiral de violência provocando as desigualdades sociais. Àqueles que sofrem como vítimas dessas atrocidades do poder autoritário, isto é, os mais pobres e vulneráveis, es- caparão do castigo divino. No entanto, não deixam de ser destinatários do anúncio feito por Sofonias e também são exortados à conversão. Diz o profe- ta: “Buscai o Senhor, humildes da terra, que pondes em prática seus preceitos; praticai a justiça, procurai a humildade; achareis talvez um refúgio no dia da cólera do Senhor” (Sf 2,3). É importante ressaltar que “os humildes da terra” não podem ser interpretados apenas dentro de uma classe sociológica, mas aqueles que estão com os corações abertos à comunhão com Senhor e com os irmãos. Algo que não acontece com os orgulhosos que se julgam autossufi- cientes e não precisam de ninguém. De qualquer modo, todos são chamados para se converterem à humildade, pois essa virtude será uma proteção no “dia da ira do Senhor”. O resultado dos sobreviventes ao “dia do Senhor” é acentuado pelo pro- feta que os identifica como um punhado de homens humildes e pobres. Estes, portanto, serão o “resto de Israel” que vão pôr a sua esperança no nome do Senhor (cf. Sf 3,12). “Eles não cometerão iniquidades nem falarão mentiras; não se encontrará em sua boca uma língua enganadora; serão apascentados e re- pousarão, e ninguém os molestará” (Sf 3,13). Esse oráculo apresenta o verdadei- ro sentido da conversão à humildade e traz uma perfeita referência do espírito de pobreza destacada no AT. Aos humildes da terra e pobres em espírito, “o Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos. O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caí- do; o Senhor ama aquele que é justo. É o Senhor quem protege o estrangeiro. Ele ampara a viúva e o órfão, mas confunde os caminhos dos maus” (Sl 145,7.8-9a.9bc). Desprovidos de proteção nesse mundo, aqueles que formam o “resto de Israel” trarão consigo as promessas das bem- -aventuranças. No Evangelho desse domingo escu- tamos o célebre texto que narra uma parte do primeiro dos cinco principais discursos de Jesus conhecido como “Sermão da Montanha” (Mt 5,1-7,27). Vale ressaltar que a comunidade cristã a qual Mateus escreve o seu texto é fortemente marcada pelo judaísmo religioso. A Lei e os Profetas são a fonte de suas tradi- ções e costumes. Desse modo, sabemos que Deus, no monte Sinai, entregou a Moisés o Decá- logo como um dom para os hebreus a fim de que, observando os mandamen- tos, fosse um povo bem-aventurado. No início do discurso do “Sermão da Montanha”, Mateus nos apresenta Jesus como um novo Moisés. Depois de subir ao monte e estando sentado, o Filho de Deus ensina aos seus discípulos um programa de vida que contempla o mistério do Reino dos céus (cf. Mt 5,1-2), inaugurado em nós pelo batismo. R. E. Brown assevera que “existem paralelos entre Moisés e o Jesus de Mateus. O me- diador veterotestamentário da revelação divina encontrou Deus numa montanha; o revelador neotestamentário fala a seus discípulos numa montanha (Mt 5,1-2). Para os cristãos, ao lado dos Dez Man- damentos como expressão da vontade de Deus, as oito bem-aventuranças (Mt 5,3-12) têm sido reverenciadas como ex- pressão suscinta dos valores priorizados por Jesus”3. Diante dos nove macarismos4 pre- sentes no Evangelho dessa liturgia, eles estão divididos em três grupos: No primeira grupo, os macarismos estão relacionados entre si (cf. Mt 5,3-6), dirigindo-se, em especial, aos pobres; no segundo, dirigem-se com mais atenção ao comportamento do discípulo de Jesus nesse mundo (cf. Mt 5,7-11); no último grupo, o macarismo se dirige aos discípulos que sofrem a perseguição por causa da fé no Filho de Deus (cf. Mt 5,12). Inicialmente, no primeiro grupo, Jesus dirige as promessas de uma vida bem-aventurada aos pobres em espírito (cf. Mt 5,3). O conceito do termo “pobre” tem ressonância veterotestamentária, um tema muito valioso no Trito-Isaías (cf. Is 56-66). Nele, o termo pobre apon- tava para o povo de Israel exilado, sem pátria e sem liberdade (cf. Is 57,15,; 61,1; 66,2). Posteriormente, a expressão “po- bre de Iahweh” indicava o judeu que era piedoso e fiel à Torá equivalendo ao conceito de “justo” (cf. Eclo 10,13; Pr 16.19; 29,23; Sl 34,19). Na literatura de Qunran, os membros dessa comunidade tinham o costume de serem chamados de anawin (pobres). “A raiz hebraica anaw exprime ‘sujeição’, ‘subordinação’; em relação a Deus, o anaw é, pois, aquele que se humilha diante de Deus e depo-sita nele a sua confiança”5. Da parte do evangelista, o acento sobre o termo “pobre” não corresponde em nada à uma categoria social, ao contrário, ela aponta para uma atitude interior do ho- mem. O termo grego pneuma, de grande importância na antropologia bíblica e correspondente ao hebraico ruah, não deve ser interpretado na perspectiva in- telectiva do homem, mas como o núcleo dos sentimentos humanos. O “pobre em espírito” é aquele que em sua pobreza e debilidade põe a sua confiança no socorro divino. Agindo dessa maneira, a promessa do Reino do Céus será uma realidade. Quanto aos aflitos (cf. Mt 5,4), nesse macarismo é possível observar uma referência muito cara para a comuni- dade de Mateus que tem fortes raízes judaicas. À luz do Trito-Isaías, o Mes- sias, cheio do Espírito, tem a missão de consolar aqueles que estão com os corações tristes (cf. Is 61,2). A comuni- dade mateana vê em Jesus a realização dessa promessa. Nele, os discípulos “Bem-aventurados os pobres em espírito” (Mt 5,3) TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 31LITURGIA encontram uma nova esperança que é capaz de transformar o seu luto em consolo e alegria. O terceiro macarismo que se refere aos mansos (cf. Mt 5,5), segundo E. Bou- zon, pode ser considerado como uma explicação e exemplificação do primeiro macarismo, inclusive, influenciado pelo Sl 37,116. Na versão grega desse salmo, o termo hebraico anawin (pobres) foi traduzido por praeís7, adjetivo plural que significa “mansos”, humildes”, “do- ces”. Os praeís, isto é, os mansos, são os pobres que se mostram confiantes em Deus estendendo a sua bondade e mansidão de forma concreta no rela- cionamento com os outros. Os mansos não devem ser interpretados como pessoas fracas que toleram a injustiça, mas recebem essa qualidade porque são tolerantes, pacíficos e recusam as atitudes de violência. Estes, por sua vez, herdarão a nova terra que se concreti- zará em Cristo. Concluindo o primeiro grupo de macarismos, Jesus proclama bem- -aventurados os que têm fome e sede de justiça (cf. Mt 5,6). O tema da justiça é central na teologia do AT, pois tal vir- tude exprime o modo como os membros da comunidade devem se relacionar com Deus e uns com os outros orien- tados pelo direito divino. Contudo, as infidelidades dos israelitas à Aliança fizeram crescer a injustiça provocando a divisão entre os homens. Diante desse cenário, a missão do Messias anuncia- da pelo profeta não será outra senão restabelecer a justiça que foi abando- nada pelos filhos de Israel (cf. Is 11,1-4; Jr 23,5; 33,14-16). Na plenitude dos tempos, Jesus revela-se o verdadeiro Messias que realizará a justiça ofertando-se na cruz, devolvendo ao Pai aquilo que lhe é devido: Todos os filhos e filhas de Deus que estavam dispersos pelo pecado e, reconduzidos ao coração de Deus, serão saciados. O segundo grupo de macarismos é formado a partir do louvor e elogio aos comportamentos concretos do homem. Tais comportamentos são observados no relacionamento humano e fundamen- tados pelo novo modo de se relacionar com Deus. Os misericordiosos são aqueles, cujos corações são capazes de se compadecer com a dor alheia, são profundamente tocados pelo sofrimento do próximo e amam sem limites. Eles não estão inertes nem apáticos, ao contrário, o coração mi- sericordioso está sempre em movimento, mostrando-se capaz de ir em direção ao outro para estender-lhe a mão e celebrar a vida nova manifestada, sobretudo, na reconciliação. Quem age dessa forma, será tratado por Deus da mesma medi- da (cf. Lc 6,36-38). Dele, alcançará a sua misericórdia (cf. Mt 5,8). No que diz respeito aos puros de coração, o termo kardia, para os se- mitas, indica o centro das decisões do homem que marcam profundamente a sua existência (cf. Ex 4,21; Dt 2,30; Pr 4,23; Mt 23,26). Ser puro de coração “significa ser simples, sem dolo e sem malícia no relacionamento com os outros. Em sua simplicidade, ele está também apto para ver a Deus, isto é, participar do Reino de Deus anunciado por Jesus”8. Nesse macarismo, está evidente uma alusão ao hino sálmico. Nele, o salmista apresenta as condições necessárias para o judeu en- trar no interior do Templo: “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação? Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime” (Sl 24,3-4). Em outras palavras, é aquele que tem um coração honesto, leal e justo e não compactua com a mentira e a maldade. Em relação aos homens e mulheres que promovem a paz (cf. Mt 5,9), esse macarismo leva em consideração aqueles que recusam o caminho da violência e que a lei dos mais fortes possam reger os relacionamentos humanos. São ca- pazes de arriscar a própria vida a fim de promover o shalom onde só existe ódio, a guerra e a divisão. Cristo torna-se mode- lo singular daquele que o Pai enviou para destruir o muro de inimizade e todas as forças antagônicas que haviam entre Deus e o homem (cf. Ef 2,13-14). Derraman- do a sua paz sobre os corações humanos, o Ressuscitado estabelece uma nova co- munhão entre a criatura e o seu Criador (cf. Jo 20,19.21.26). Seguindo o testemunho de Cristo, aqueles que trabalham ativa- mente pela paz terão a alegria de serem chamados filhos de Deus. Concluindo o segundo grupo de macarismos, que também serve de introdução à ultima bem-aventurança, Jesus proclama “bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justi- ça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10). Sem dúvida, Mateus expõe uma situação concreta vivida pelos cristãos de sua comunidade que sofrem por agir de acordo com a vontade de Deus. São per- seguido por parte daqueles que praticam a injustiça, a opressão e potencializam o ambiente de morte. A estes irmãos que sofrem a perseguição por causa do teste- munho de Cristo, Deus intervirá em seu favor assegurando-lhes a sua vida plena com a posse do Reino. O terceiro e último grupo apresenta apenas um macarismo, uma espécie de continuação com o macarismo anterior. Nele, os protagonistas são os homens e as mulheres, membros da comunidade cristã que professam concretamente a fé recebida no batismo. O Senhor lhes diz: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5,11-12). Nesse último ma- carismo, não há dúvida que seja uma espécie de “atualização posterior das bem-aventuranças feita pela comunida- de primitiva a partir de sua experiência concreta de perseguições e calúnia. A atmosfera é a de um discurso escatoló- gico para confirmar na fé a comunidade perseguida e sofredora”9. No livro dos Atos dos Apóstolos, o testemunho da Igreja nascente mostra a vida dos pri- meiros cristãos que experimentam o cumprimento das bem-aventuranças proclamadas pelo Filho de Deus. Amados irmãos e irmãs, durante toda a sua peregrinação, desde a Galileia, caminhando pela Judéia, até Jerusalém, por onde Jesus passava, realizou o bem e, como um novo Moisés, libertou do mal muitas pessoas que encontrava no caminho. Olhando para cada homem, manifestou o rosto misericordioso do Pai, por exemplo: Ao curar o leproso (cf. Lc 5,12-16) e o paralítico (cf. Lc 5,17-26); ao chamar Levi para segui-Lo (cf. Mt 9,9); ao perdoar os pecados da mulher que chorava e com as lágrimas lavava os seus pés (cf. Lc 8,36-50); ao curar a hemorroíssa que Nele viu a esperança de sua vida (cf. Lc 8,43-46); ao curar um homem de mão atrofiada em dia de sábado (cf. Mc 3,1-6) para mostrar, que “o sábado foi feito para o homem e não homem para o sábado; de modo que o Filho do Homem é senhor até do sábado” (Mc 2,27-28). Enfim, são muitos os episódios em que Jesus se apresenta como o núcleo de uma vida bem-aventurada, cujos ensinamentos iluminam a Lei antiga revelando-lhes o verdadeiro sentido por meio da nova Lei que culminarácom a sua oferta pascal na cruz. As bem-aventuranças proclamadas por Jesus revelam também o seu apelo à conversão da nossa vida ao mistério do Reino. Esse apelo consiste em abando- narmos o espírito de autossuficiência e o coração cheio de sentimentos ruins que geram maldades por uma vida plasmada pelo Espírito Santo. É Ele que faz crescer em nós a confiança absoluta em Deus, gera em nossas vidas a humildade de Cristo e transforma o nosso coração de pedra em coração de carne capaz de se compadecer com a dor alheia, indepen- dentemente dos males que sofremos. Essa é a vocação que todos nós recebemos pelo batismo: Sermos con- formados ao Cristo no Espírito. Com efeito, esse é o testemunho que Paulo dá à comunidade de Corinto em relação a eleição que o Senhor faz àqueles que Ele chama para serem seus instrumentos de salvação. Além disso, em tom de exorta- ção, recorda a importância da conversão diária à humildade para que ninguém possa atribuir a si mesmo o bem que realiza. O apóstolo afirma: “Na verdade, Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim con- fundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma ser- ventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele. Quem se gloria, glorie-se no Senhor” (1Cor 1,27-29.31). PADRE EUFRÁZIO MORAIS MESTRE EM TEOLOGIA SISTEMÁTICO-PASTORAL PELA PUC-RIO E PÁROCO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CABEÇA, NA PENHA 1 Oração Coleta - 4º Domingo do Tempo Comum. 2 ZENGUER, E. Introdução ao Antigo Testamento, p.525-526. 3 BROWN, R. E., Introdução ao Novo Testamento, p. 269-270. O autor citado condensa os dois macarismos presentes em Mt 5,10-11 com um único macarismo. 4 Do grego makários, adjetivo que significa “bendito”, “feliz”, chamamos de “macarismos” o conjunto das bem-aventuranças proclamadas por Jesus no sermão da montanha (Mt 5,3-11). 5 BOUZON, E., ROMER, K. J. A Palavra de Deus - No anúncio e na oração. Ano A. p.374. E. Bouzon, diferente de R. E. Brown, julga ter nove macarismos dentro dos discurso do Sermão da Montanha. 6 BOUZON, E., ROMER, K. J. A Palavra de Deus - No anúncio e na oração. Ano A. p.374. 7 RUSCONI, C. Dicionário do Grego do Novo Testamento, p. 386. 8 BOUZON, E., ROMER, K. J. A Palavra de Deus - No anúncio e na oração. Ano A. p.375. 9 BOUZON, E., ROMER, K. J. A Palavra de Deus - No anúncio e na oração. Ano A. p.375. 1ª Leitura - Sf 2,3; 3,12-13 Salmo - 145(146) 2ª Leitura - 1Cor 1,26-31 Evangelho - Mt 5,1-12a 4º Domingo Do Tempo Comum - LiTurgia Diária - ano a missa Do Dia - 29 De janeiro De 2023 SEGUNDA-FEIRA Dia 30 de janeiro 1ª Leitura - Hb 11,32-40 Salmo - 30(31) Evangelho - Mc 5,1-20 TERÇA-FEIRA Dia 31 de janeiro 1ª Leitura - Hb 12,1-4 Salmo - 21(22) Evangelho - Mc 5,21-43 QUARTA-FEIRA Dia 1º de fevereiro 1ª Leitura - Hb 12,4-7.11-15 Salmo - 102(103) Evangelho - Mc 6,1-6 QUINTA-FEIRA Dia 2 de fevereiro 1ª Leitura - Ml 3,1-4 ou Hb 2,14-18 Salmo - 23(24) Evangelho - Lc 2,22-40 SEXTA-FEIRA Dia 3 de fevereiro 1ª Leitura - Hb 13,1-8 Salmo - 26(27) Evangelho - Mc 6,14-29 SÁBADO Dia 4 de fevereiro 1ª Leitura - Hb 13,15- 17.20-21 Salmo - 22(23) Evangelho - Mc 6,30-34 32 ESTUDO BÍBLICO 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ Livros do Novo Testamento (1Livros do Novo Testamento (14949)) PADRE PEDRO PAULO A. SANTOS DOUTOR EM TEOLOGIA BÍBLICA pedosantos@gmail.com @pedro.pedropaulo Neste artigo prossegue-se no cami- nho da descoberta de S. Paulo em seu extenso operado apostólico-missionário, os Escritos atribuídos a ele no Cânon do Novo Testamento, seu contexto missio- nário entre os judeus e pagãos na Ásia Menor cristã. 1. CARTAS ‘PROTO-PAULINAS’ Como se leu anteriormente, as treze cartas paulinas não constituem um bloco monolítico. Estas Cartas, mesmo permanecendo sob a esfera de S. Paulo, sua doutrina e linguagem, têm sido classificadas diversamente em relação à sua autoria direta,isto é, do punho de S. Paulo. As 7 cartas que atendem a este quesi- to de comprovação da ‘autoria direta’ de Paulo são denominadas ‘proto-paulinas’: 1. Romanos 2. 1 Coríntios 3. 2 Coríntios; 4. Gálatas 5. 1 Tesssalonicenses 6. Filipenses 7. Filemon 2. CARTAS ‘DEUTERO-PAULINAS’ Além dessa classificação, encontra- -se um outro grupo de cartas que, sob a mesma êgide do Apóstolo, não são consideradas de seu direto punho, mas, avançadas no tempo, permanecem como documentos do ‘corpus’ Paulino (13 Car- tas). Elas parecem ter sido escritas pelos colaboradores diretos de S. Paulo, após sua morte, para manter as comunidades fora da ‘orfandade’ da mente e da palavra de S. Paulo. São denominadas, assim, de ‘dêutero-canônicas, algumas denomina- das ‘Cartas da Prisão’. 1. Colossenses 2. Efésios 3. 2 Tessalonicenses 3. AUTENTICIDADE OU IDENTIDADE IMPROVÁVEL: Trata-se de um grupo de 3 Cartas: 1. Ia e IIa Timóteo 2. Carta a Tito Estas cartas são denominadas de ‘Pastorais’, pois se dirigem, no caso de Timóteo e Tito, aos bispos colaborado- res de S. Paulo, que continuaram, após sua prisão e condenação em Roma a guiar as Igrejas do Apostolado Paulino, e, mesmo se algumas vezes são relacio- nadas ao grupo dêutero-paulino, sua autenticidade é de comprovação muito mais discutível. 4. CARTA AOS HEBREUS. Este documento será incluído entre as cartas de S. Paulo até o início do IIo séc. Cristão. Mas, antes da definição do Cânon no IIIo séc., será descartado da esfera pau- lina pela sua principal temática (Cristo Sumo e Eterno Sacerdote), vocabulário e argumentação inéditas às cartas ‘proto- -paulinas’ e mesmo ter sido escrita a ‘judeus-cristãos’, quase esclusivamente. Permaneceu, deste modo, um texto de doutrina e autoridade apostólicas, mas não é Paulina. Livros do Novo Testamento (1Livros do Novo Testamento (15500)) No percurso denso e complexo das Cartas de S. Paulo convém perceber suas características principais, pelas quais se estabelecem os pontos de contato entre o escritor e seus leitores, na cultura cristã primitiva, em pleno Império Romano. COMUNICAÇÃO LITERÁRIA PAULINA Toda a comunicação de S. Paulo com o gentios/judeus-cristãos realizou-se atra- vés da pregação presente no ato missioná- rio, nos espaços previstos na vida comum do judaísmo, como as Sinagogas, seja no espaço público greco-romano, as praças. Mas, foi de importância capital, na medida em que se expandia a vida e a es- trutura eclesial da Tradição Paulina a uso da literatura. S. Paulo estabelece uma rede de comunicação escrita/lida que circulará entre as diversas formas de organização cristã, possibilitante que, mesmo distan- te, pessoalmente se dirigisse e orientasse os rumos das Igrejas por ele fundadas. Outro aspecto relevante é a questão do formato literário escolhido. S. Paulo, para além da Carta aos Romanos, na qual ele desenvolve na ‘forma de tratado’ as grandes questões do Cristianismo nas- cente à importante comunidade judaico- -cristã na diáspora romana, desenvolverá nas cartas uma forma privilegiada de comunicação interpessoal, com doutrina e orientações morais e pastorais, que as tornaram ferramentas personalizadas, dirigidas às realidades, carcterísticas e problemas concretos. As cartas por sua própria natureza e finalidade são documentos que registram, não somente questões amplas e abstratas (doutrina), mas encerram uma forma de comunicação de documentário, dinâmi- ca, que se refere às circusntâncias concre- tas e algumas imediatas no contexto de interlocução entre o emissário da carta e seus destinatários. Assim, a carta é tam- bém, a seu modo, um documento históri- co que pode retratar aspectos ‘biográficos’ daquela forma de vida comunitária. GÊNERO EPISTOLAR PAULINO: Por um lado estas cartas trazem as marcas do “aqui e agora”. Respondem às questões mais urgentes do contextoexistencial das Comunidades (Rom 1,12 )em vista de corrigir, confirmar e consolar Desejo ardentemente ver-vos, a fim de comunicar-vos alguma graça espiritual, com que sejais confirmados, ou melhor, para me encorajar juntamente convosco naquela vossa e minha fé que nos é co- mum (Rm 1, 11-12) Por isso, elas são ocasionais e de- terminadas. mas não particulares ou privadas, porque sempre exprimem a re- lação do Apóstolo com as comunidades. O contexto literário é aquele ‘original’ em relação às cartas-tratados e bilhetes familiares. Isto é, de certa maneira ao analisarmos o ‘tipo’ de cartas escritas por S. Paulo às suas comunidades, estas se diferenciam em muitos aspectos das formas previstas naquele tempo, dando início a uma forma epistolar ‘original’. Escritas em papiro, são digitadas ou escritas por Paulo (cf. Rom 16,22- ama- nuense Tércio ou 1 Cor 16, 21; Gal 6,11): Eu, Tércio, que escrevi esta carta, vos saúdo no Senhor (Rm 16, 22) Com exceção do breve ‘bilhete’ a Filemon, as Cartas Paulinas eram ende- reçadas às Igrejas para cumprirem um papel litúrgico comunitário ( cf. 1 Ts 5,27). O material litúrgico, hinos e doxologia , confirmam o contexto das cartas. FORMAS LITERÁRIAS: Toda forma de comunicação, oral ou escrita, está estruturada sobre os princí- pios das relações mais eficazes entre a in- tenção ou projeto de referir algo a alguém e as condições e suportes materiais para esta comunicação (voz e a carta). Por isso, para que a comunicação entre S. Paulo e suas igrejas fosse eficaz ele adotará as ‘regras’ da escrita e da elaboração literária de seus destinatários (e sua também), reestruturando aspectos para melhor es- tabelecer seus fins doutrinais e pastorais. Alguns elementos são obrigatórios na identificação do gênero literário ‘carta’ ou ‘epístola’: ESTRUTURA DA CARTA PAULINA Ao menos cinco elementos aparecem como uma constante (estrutura identifi- cável) na formatação das cartas Paulinas: 1) endereço com os nomes do remetente - destinatario; 2) saudação; 3) breve preâmbulo ( bem frequente); 4) corpo da carta; 5) augúrios e saudações. ESPAÇO OUVINTE 33 Faça parte da família Catedral. Seja um Amigo da Rádio (21)3231-3560 radiocatedral.com.br TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 Agência 0087-6 Conta 13953-x A Rádio Catedral precisa de você! Faça sua contribuiçao através do depósito, transferência bancária em uma das nossas contas ou pelo PagSeguro ANIMADORA PAROQUIAL 01/02 - Ilda Ferreira AMIGOS 29 DE JANEIRO São Valério de Ravena e São Valé- rio de Tréviri • Aida dos Anjos Bordalo Cortes • Amilton Ignácio da Silva • André dos Santos Silva • Artur Henrique Loureiro de Lyra • Bárbara Sader de Souza • Carlos Alberto R. Gonçalves • Francisca Salles Waterman • Francisco Jezualdo Medeiros • Irene Cordeiro Neves • Katia Regina C. Silva Oliveira • Liete Pinna Cardoso • Lindalva Carlos de Oliveira • Luzimar Alves de Souza Oliveira • Luzinete Morenno Azevedo • Malva Angélica Benevides Silva • Manoel José da Silva • Marcelo do Nascimento • Marcos Sidney A. de Abreu • Maria Antonia C. S. de Souza • Maria Augusta de Araujo • Maria José Ornelas Medeiros • Mariuza E. Santos Bezerra • Nely Barbosa Figueiredo • Osvaldo Flor de Pinho • Regina Ferreira dos Santos • Regina Maria L. Castro Loureiro • Roseana Sousa Epifanio • Sandra Resende Tavares Ortiz • Tania Pereira de Mattos • Thereza Cristina M. de Souza • Valda Macedo Barreto Nogueira • Vilma Clara de Paiva Santos • Wesley de Sousa Borges 30 DE JANEIRO Santa Martinha • Adriana Cabral de Lacerda • Alessandra Gouvea Rodrigues • Almerinda Dias Rodrigues • Ana Lucia de Oliveira Araujo • Analucia Teixeira Guanabarino • Ângela Maria R. Lima Sousa • Brando Pereira Barbosa • Carla Landia da Silva • Carmelita Baptista de Andrade • Edileuza Maria C. da Silva • Edilza Barbosa da Silva Praxedes • Francisca Oliveira Ferreira • Lilia da Silva Madruga • Luiza Rosendo J. Assunção • Maria Célia da Silva e Silva • Maria das G. R. Mantovani • Maria de Lourdes Santos • Maria de Oliveira Pereira da Silva • Maria Elizabeth Cavor Maldari • Marilene F. Araujo Barbosa • Marlene Barros da Silva Miranda • Ozanete Santiago da Silva • Raquel Pinheiro Mesquita • Regina Carmelita Rodrigues Real • Rosana Ramos dos Santos Alves • Rosely dos Santos Crespo • Rosita Duarte da Silva • Vera Lucia Borges Pereira • Viviane Denevit • Zuleide de São Justo Pinheiro 31 DE JANEIRO São João Bosco • Adelina Aguiar de Oliveira • Andreia Cassilha • Anna Maria dos Santos Correa • Berenice Dias dos Santos • Camila França Sena Sampaio • Deivanir Vieira Fernandes • Dolores Correia Nunes • Eliezer Pereira Lopes • Germano Américo dos Santos • Gilda dos Santos Filha • Glória Regina da Silva Tabuquine • Ilza Nogueira dos Santos • Joana de Jesus Brandão Coelho • José Adão Soares • José Pereira da Silva • Leonardo Lopes Gonçalves • Luiz Bento Batista • Luiz Emílio Justiniano • Luiz Procópio dos Santos • Lusimar Freire Silva • Marcia Andrea da Silva Lucente • Maria Angélica M. Rocha e Silva • Maria Augusta de Souza Costa • Maria de Fátima Oliveira • Maria do Carmo da Silva Calixto • Maria Ferreira Batista • Maria Olinda Taveira Rebelo • Marina da Silva Gonçalves • Mariza Magalhães • Rosangela R. de Carvalho • Simone Xavier Passos • Teresa Filomena de Jesus Vieira • Tereza Cristina L. Mello Cunha • Therezinha Gonçalves Sirieiro • Vania Grigolli Soares de Lima • Vania Valeria I. de Souza Silva • Vera Lucia Baptista Pensabem • Zilah Souza da Costa 1 DE FEVEREIRO Santo Albino • Aliete Pereira da Silva • Ana Lúcia Milanez Campos • Ana Maria Rodrigues • Cassipore Bernardes Carvalho • Cristianne Cordeiro Cantreva • Dulce Hermenegildo Jorje • Eduardo Haruo Saito • Expedito Azevedo • José Ribeiro da Silva • Juleide Maria Leal Silva Carmona • Juracy de Lima Ramiro • Leny Magdaleno Galhardo • Lucia de Almeida • Marcelo Valente Tomaz • Maria Ágda Cunha Fernandes • Maria Antonia de Paula • Maria Auxiliadora G. Hillmer • Maria da C. Fontes Nejaim • Maria da Penha Rocha Pengaly • Maria de Fátima Silva de Brito • Maria de Jesus Teixeira Medeiros • Maria de Lourdes L. Oliveira • Maria do Carmo de Lima • Maria do Carmo Ferreira Gon • Maria Eugênia Cesário • Marlene Alencar de Almeida • Marly Motta Bessa • Mauriza Correa de Souza • Ney Bretas Neves • Olga Martins da Silveira • Olindina Alves Costa • Pedro da Silva Ferreira • Rita de Cassia A. Feitosa Costa • Suely da Silva Coelho Lima • Vera Maria Domingues Augusto 2 DE FEVEREIRO São Simplício • Alany da Luz Gonçalves Ferreira • Américo da Silva Soares • Ana Maria Vitor Leite • Andreia da Fonseca Souza Silva • Angelina Broto Lima • Antonio Negreiros Fernandes • Arlete de Jesus Abrãao Vasques • Camila Elvira Pereira • Catarina Rosa de Souza • Christine V. O. Salles Pereira • Davison Antunes Pojo • Eliana Ramos Moreira da Silva • Eunice Carvalho de Oliveira • Francisca Gomes da Silva • Francisca Zeneida Gonçalves • Haroldo José de Jesus Cella • Ilca Araujo da Rocha • Januncio Balduino de Brito • José Lino Gomes Soares • Josefa Maria Purificação da Paz • Kelly Pereira de Lima • Leonardo de Araujo Estevão • Leticia Ribeiro Soares • Luiz Paulo Caetano da Silva • Marcia Andrea F. Silva Reis • Maria Anna Thereza de Rezende • Maria Candida da Silva Teixeira • Maria da Gloria Klem da Motta • Maria da Purificação da Silva Pio • Maria Ferreira Fernandes • Maria Nazareth Ramos • Maria Rosa Rodrigues • Marisa de Almeida Fontes • Marli da Conceição S. da Silva • Mauricio Teotonio da Silva • Mirtes Lacerda Campos • Nerci Rodrigues Alcantara • Neuma Maria de S. Assunção • Odilia Marinho Otavio • Orlando do Rosário Miranda • Ruth Alves de Carvalho • Sebastiana Martins da Silva • Talita da Silva Pereira • Tania Maria da Cruz Brito • Wanilda Ribeiro Barreto 3 DE FEVEREIRO São Brás • Adriana Sayão Carvalho • Avani Albuquerque de Souza • Clemir Cunha de Carvalho • Creusa Couto dos Santos Ribeiro • Dora Lice Ferraz Firme • Edirani Joaquim do Nascimento • Elisabete F. Vieira de Azevedo • ElizabethGonçalves Figueiredo • Jaider Silva • Jandira Selma da Silva Wanzeller • José Waldir de V. Leopecio Junior • Josilea Cordeiro da Silva • Juliana da Mota F. Faver • Luciana Pessoa R. de Azevedo • Marcia Helena da Silva Sousa • Maria das Graças Martins • Maria de F. C. Silva Zuqueto • Maria Eduarda F. Afonso • Monica da Silva Gomes • Neusa da Cunha dos Santos • Otelina José Coutinho • Rosali Azevedo Kunzel • Rosimery F. de Oliveira Lima • Sandra Alves Calvão • Soraia Barros Lima Pereira 4 DE FEVEREIRO São João de Brito • Ana Cristina Pinto • Andrea Moreira Sequeira • Carmem Lucia G. de Melo • Eufrasia Soares • Francisca M. de Castro Scher • Gloria Maria P. Costa Madureira • Hailton Hortencio da Silva • Herminia Celia Luiz do Rosário • Ilda Lopes Valadão • Joaquim Olympio de Oliveira • Lucia Helena Dias Machado • Maria Aparecida de Freitas • Maria José Fernandes Lobo • Maria Lucia da Silva Oliveira • Maria Lucilene P. de Queiroz • Nadia Lucia da Fonseca Lima • Rejane Braga de Oliveira • Salette Rodrigues Menezes • Solange Maria Batista Silva • Valdete Lima da Costa Souza • Valquiria Vale de Oliveira Araujo • Vera Lucia de Souza Teixeira • Vera Maria Ferry Braga • Vilma Maria Inacia • Zilá Regina de A. Pereira Amigo, Sua contribuição mensal agora em nova modalidade: Pix. 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