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FO
TO
S:
 G
US
TA
VO
 D
E 
OL
IV
EI
RA
29 janeiro a 4 de fevereiro 2023 - Ano XXX - nº 1.30429 janeiro a 4 de fevereiro 2023 - Ano XXX - nº 1.304
Páginas: 5 a 7Páginas: 5 a 7
Curso dos Bispos abordou o valioso
papel que as Novas Comunidades
exercem na evangelização
Na comemoração dos 20 anos da Escola Diaconal Santo 
Efrém foram ordenados 14 novos diáconos permanentes
Páginas: 19 a 24Páginas: 19 a 24
2 ARQUIDIOCESE
B i c h e c t o m i a
C i r u r g i a B u c o M a x i l o - F a c i a l 
E n d o d o n t i a
I m p l a n t o d o n t i a
L e n t e d e C o n t a t o
O d o n t o g e r i a t r i a
O d o n t o p e d i a t r i a
O r t o d o n t i a - P a c i e n t e s e s p e c i a i s
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Vila da Penha Campo Grande
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29 DE JANEIRO 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ
ATOS DO GOVERNO
ARQUIDIOCESE DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO 
Rua Benjamin Constant, 23 - Glória - 20241-150 - Rio de 
Janeiro - RJ - Tel.: (21) 2292-3132
Arcebispo Metropolitano: Cardeal Orani João Tempesta, 
O.Cist.
Vigário Episcopal para a Comunicação Social: Padre 
Doutor Arnaldo Rodrigues da Silva
Diretor de Jornalismo da Arquidiocese do Rio: Carlos 
Moioli - MTE: 0038788/RJ
FUNDAÇÃO CULTURAL, EDUCACIONAL E DE RADIODIFUSÃO 
CATEDRAL DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO 
Rua Benjamin Constant, 23 - 8º andar - Glória - 20241-150 - 
Rio de Janeiro - RJ - Tel.: (21) 3231-3560 - Fax: 3231-3566
Diretor Geral: Padre Doutor Arnaldo Rodrigues da Silva 
• Diretor Administrativo/Financeiro: Padre Ionaldo 
Pereira da Silva • Diretora Jurídica: Doutora Claudine 
Milione Dutra • Diretor Adjunto: Diácono Claudino Affonso 
Esteves Filho
TESTEMUNHO DE FÉ: Tel.: (21) 3231-3568 / 3231-3569
Banca Digital: https://digital.maven.com.br/pub/
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Redação e Jornalismo: jornalismo@arquidiocese.org.br 
• Jornalista Responsável: Carlos Moioli • Revisor: Carlos 
Gustavo Trindade • Diagramadora: Elizabeth Eiras • 
Repórter Fotográfico: Gustavo de Oliveira
Atendimento de Publicidade: • Deniere Freitas Fonseca 
- Tel.: (21) 3231-3582 - 99435-2837 - e-mail: deniere@
radiocatedral.com.br
Segundo as normas internacionais sobre a propriedade 
intelectual e direitos autorais, recordamos aos leitores 
que todo o conteúdo do jornal ”Testemunho de Fé” pode 
ser reproduzido, parcial ou totalmente, desde que seja 
citada a fonte. Informes publicitários e anúncios são de 
responsabilidade exclusiva de seus autores, não cabendo 
ao jornal responsabilidade sobre os mesmos.
18 a 24 de janeiro de 2023
• Delegando ao Exmo. e Revmo. 
Dom Antonio Luiz Catelan Fer-
reira, Bispo Titular de Tunes e 
Auxiliar de São Sebastião do Rio 
de Janeiro, a faculdade de dedi-
car a Deus, no dia 25 de janeiro 
de 2023, Festa da Conversão 
de São Paulo Apóstolo, o altar 
da Igreja Paroquial São Paulo 
Apóstolo, em Copacabana, Vi-
cariato Episcopal Sul.
• Transferindo o Revdo. Pe. An-
selmo da Silva Nascimento, 
SDB do ofício de Administrador 
Paroquial da Paróquia Santa 
Bárbara, em Rocha Miranda, 
Vicariato Episcopal Subur-
bano, para o ofício de Vigário 
Paroquial na referida Paróquia 
Santa Bárbara.
• Nomeando o Revdo. Pe. Romeu 
do Nascimento Dias, SDB para 
o ofício de Pároco da Paró-
quia Santa Bárbara, em Rocha 
Miranda, Vicariato Episcopal 
Suburbano.
• Transferindo o Revdo. Pe. Fr. 
Agostinho Morosini, OAR do 
oficio de Vigário Paroquial na 
Paróquia São Januário e Santo 
Agostinho, em São Cristóvão, 
Vicariato Episcopal Urbano, 
para o ofício de Vigário Paro-
quial na Paróquia Santo Agos-
tinho, no Novo Leblon, Barra 
da Tijuca, Vicariato Episcopal 
Jacarepaguá.
• Nomeando o Revdo. Pe. Vag-
ner Lucas Pimentel, SCJ para o 
ofício de Vigário Paroquial na 
Paróquia Bom Jesus da Penha, 
na Penha, Vicariato Episcopal 
Leopoldina.
• Nomeando o Revdo. Pe. Carlos 
Vieira Lima, SVD para o ofício de 
Vigário Paroquial na Paróquia 
Cristo Redentor, em Laranjei-
ras, Vicariato Episcopal Sul.
• Aceitando a renúncia do Revdo. 
Pe. Alexandre Paciolli Moreira 
de Oliveira ao ofício de Vigário 
Paroquial na Paróquia São José, 
na Lagoa, Vicariato Episcopal 
Sul.
• Concedendo ao Revdo. Pe. 
Eduardo Sales de Lima, SSS li-
cença para exercer o ministério 
sacerdotal nesta Arquidiocese.
• Concedendo ao Revdo. Pe. Luiz 
Fernando Klein, SJ licença para 
exercer o ministério sacerdotal 
nesta Arqudiocese.
• Nomeando o Revdo. Diác. Car-
los Alberto dos Santos Mon-
teiro para exercer o ministério 
diaconal na Paróquia São João 
Evangelista, em Campo Gran-
de, Vicariato Episcopal Campo 
Grande.
• Nomeando o Revdo. Diác. Edu-
ardo da Costa Ramos para 
exercer o ministério diaconal na 
Paróquia São Marcelino Cham-
pagnat, em Jacarepaguá, Vica-
riato Episcopal Jacarepaguá.
• Nomeando o Revdo. Diác. Elias 
Ferreira da Silva para exercer o 
ministério diaconal na Paróquia 
Nossa Senhora das Graças, em 
Vila Nova, Campo Grande, Vica-
riato Episcopal Campo Grande.
• Nomeando o Revdo. Diác. Elias 
Pereira dos Santos para exer-
cer o ministério diaconal na 
Paróquia Nossa Senhora da 
Paz, em Ipanema, Vicariato 
Episcopal Sul.
• Nomeando o Revdo. Diác. 
Eraldo Santana Moreira para 
exercer o ministério diaconal 
na Paróquia Nossa Senhora 
da Luz, no Alto da Boa Vista, 
Vicariato Episcopal Norte.
• Nomeando o Revdo. Diác. Gil-
son Bruno Gentil para exercer 
o ministério diaconal na Paró-
quia Apóstolo São Pedro, em 
Cavalcante, Vicariato Episcopal 
Suburbano.
• Nomeando o Revdo. Diác. Jorge 
Luiz de Faria para exercer o 
ministério diaconal na Paróquia 
Santa Rita de Cássia, em Jardim 
Palmares, Paciência, Vicariato 
Episcopal Santa Cruz.
• Nomeando o Revdo. Diác. José 
Carlos Sampaio Fernandes para 
exercer o ministério diaconal no 
Santuário Nossa Senhora de 
Fátima, situado no território da 
Paróquia Imaculada Conceição, 
no Recreio dos Bandeirantes, 
Vicariato Episcopal Jacarepa-
guá.
• Nomeando o Revdo. Diác. 
Marcos Moizes da Silva para 
exercer o ministério diaconal 
na Paróquia Nossa Senhora 
de Guadalupe, em Jardim Gua-
dalajara, Inhaúma, Vicariato 
Episcopal Suburbano.
• Nomeando o Revdo. Diác. Nir-
mo Antonio Araujo Filho para 
exercer o ministério diaconal 
na Paróquia Nossa Senhora da 
Apresentação, em Irajá, Vicaria-
to Episcopal Suburbano.
• Nomeando o Revdo. Diác. Re-
nato Claudio de Souza Mo-
êdo para exercer o ministério 
diaconal na Paróquia Nossa 
Senhora do Bonsucesso, em 
Bonsucesso, Vicariato Episco-
pal Leopoldina.
• Nomeando o Revdo. Diác. Ri-
cardo Antonio Ximenes Arau-
jo para exercer o ministério 
diaconal na Paróquia Nossa 
Senhora Aparecida, na Ilha do 
Governador, Vicariato Episcopal 
Leopoldina.
• Nomeando o Revdo. Diác. Ri-
cardo Lima Miranda para exer-
cer o ministério diaconal na 
Paróquia Santa Rita de Cássia, 
em Vila Santa Rita, Campo 
Grande, Vicariato Episcopal 
Campo Grande.
• Nomeando o Revdo. Diác. Ser-
gio Gonçalves Alencar para 
exercer o ministério diaconal na 
Paróquia Santa Rita de Cássia, 
em Turiaçu, Vicariato Episcopal 
Suburbano.
ANUNCIE AQUI: SÃO MAIS DE 287 PARÓQUIAS VENDO O SEU ANÚNCIO
VOZ DO PASTOR 3 TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 FEVEREIRO DE 2023
Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist. 
Arcebispo do Rio de Janeiro
DIA 29 DE JANEIRO
9h - Missa do padroeiro da Paró-
quia São João Bosco, no Riachuelo
17h - Participação no encerra-
mento da assembleia paroquial 
na Paróquia Nossa Senhora da 
Apresentação, no Irajá
18h - Missa de posse do padre 
Romeu do Nascimento Dias, SDB, 
novo pároco da Paróquia Santa 
Bárbara em Rocha MirandaDIA 30 DE JANEIRO
19h - Missa pelo primeiro aniver-
sário da Paróquia Nossa Senhora 
Aparecida, na Vila Cruzeiro, Penha
DIA 1º DE FEVEREIRO
8h - Missa no Colégio Marista, na 
Barra da Tijuca
19h30 - Missa de posse do padre 
Diogo dos Santos Espagolla, na 
Paróquia Nossa Senhora da Ajuda, 
na Freguesia, Ilha do Governador
DIA 2 DE FEVEREIRO
19h - Missa de renovação do com-
promisso dos membros da comu-
nidade Canção Nova, na Paróquia 
Nossa Senhora de Fátima Rainha 
de Todos os Santos, em Todos os 
Santos
DIA 3 DE FEVEREIRO
9h - Missa na festa do padroeiro da 
Paróquia São Brás, em Madureira
19h30 - Missa pelo 10º aniversário 
da Paróquia Bom Jesus, em Man-
garatiba, Paciência
DIA 4 DE FEVEREIRO
9h - Missa “O Rio Celebra” na Pa-
róquia São João Batista, na Vila São 
João, Campo Grande
16h30 - Missa de apresentação 
de Dom Geraldo de Paula Souza, 
bispo auxiliar de Niterói, na Nova 
Catedral de Niterói
AGENDA DO ARCEBISPO
O Jornal Testemunho de Fé congratula-se com todos os aniversariantes desta semana e suas comunidades
NATALÍCIO
DIA 29 DE JANEIRO
• Pe. Elio Frison, PODP
• Pe. Emerson Manoel da Silva
• Dom Henrique de G. Coelho, OSB
• Pe. José Geraldo Gomes
• Pe. Ricardo Torri de Araújo, SJ
DIA 30 DE JANEIRO
• Pe. Edmilson José dos Santos
• Pe. Eduardo C. da Costa e Silva
• Dom Eduardo de S. Schulz, OSB
• Pe. Frei Gustavo Tubiana, OAD
• Pe. João Henrique Mattos, SSCC
• Diác. Carlos H. Pires Robaço
DIA 31 DE JANEIRO
• Pe. Diogo Rodrigues Oliveira
• Pe. Jan Bacal, MIC
• Pe. José Carlos R. Silva Junior
• Pe. Renato Martins Gonçalves
DIA 1º DE FEVEREIRO
• Pe. Claudio dos S. Fernandes
• Pe. Cristiano Siqueira de Lima
• Pe. Elisandro I. da Silva, SdC
• Pe. Marcelo de Assis Paiva
• Pe. Raúl Escudero González
DIA 2 DE FEVEREIRO
• Dom Antonio Luiz C. Ferreira
• Pe. Samuel Afonso Leonardo
• Diác. Antonio N. Fernandes
DIA 3 DE FEVEREIRO
• Pe. Jean Nicaisse Milien, SSST
• Diác. Sebastião G. Clemente
DIA 4 DE FEVEREIRO
• Pe. Gleiciano de Freitas da Silva
• Pe. Frei Haroldo M. Filho, OSA
ORDENAÇÃO
DIA 29 DE JANEIRO
• Pe. Filipe H. de Araújo, SCJ
• Pe. Rosivaldo D. Vieira, MI
DIA 1º DE FEVEREIRO
• Pe. Manoel Evangelista da Silva
DIA 2 DE FEVEREIRO
• Diác. Lucas da Silva Souza
DIA 4 DE FEVEREIRO
• Pe. Frei Danilo G Almeida, OSA
ANIVERSARIANTES
Celebramos o quarto do Tempo 
Comum, e acompanhamos Jesus em 
sua vida pública anunciando o Reino 
de Deus. Nesse domingo, Jesus sobe ao 
monte para rezar e ensinar os discípulos. 
Ouviremos no Evangelho o conhecido 
“Sermão da Montanha”, iniciando com as 
bem-aventuranças. Em nossa vida somos 
chamados a ser bem-aventurados, ou seja, 
pautar a nossa vida pelos ensinamentos 
de Jesus e buscar a santidade. 
 Bem-aventurados somos nós, quando 
vamos com a nossa família à missa aos 
domingos, escutamos o que o Senhor tem 
a nos falar e comungamos do seu Corpo 
e Sangue. Ao ser batizados, já nos torna-
mos bem-aventurados, pois passamos a 
pertencer a Deus, somos lavados de toda 
a mancha do pecado, nos tornamos novas 
criaturas. Após o batismo, nos tornamos 
testemunhas de Jesus Cristo e somos cha-
mados a trilhar uma vida de santidade, ou 
seja, as bem-aventuranças. 
Após buscar seguir os preceitos do 
Senhor aqui na terra e trilhar um caminho 
de santidade, almejamos o prêmio das 
bem-aventuranças, que é a vida eterna. 
Edifiquemos o Reino de Deus aqui na 
terra, para vivê-lo de maneira definitiva 
no céu. Que possamos tornar as bem-
-aventuranças nosso “programa de 
vida” e pautar a nossa vida segundo 
o Evangelho de Cristo. Sejamos li-
vres para amar a Deus e ao próximo 
e nos tornemos ricos para Deus. 
A primeira leitura da missa 
desse domingo é da profecia de 
Sofonias (Sf 2,3; 3,12-13). O profeta 
diz para o povo buscar o Senhor, e 
praticar tudo aquilo que advém do 
Reino de Deus. Em primeiro lugar, 
aquele que busca a Deus deve ser 
humilde e pautar a vida na caridade, 
no amor e na justiça. Escolhendo 
trilhar o caminho da justiça, da 
caridade e da humildade, seremos 
merecedores do prêmio eterno no 
dia da vinda do Senhor. Coloque-
mos a esperança em Deus e na sua 
misericórdia que jamais falha. 
O salmo responsorial é o 145 
(146), que diz em seu refrão: “Fe-
lizes os pobres em espírito, porque 
deles é o reino dos céus”. Essa 
pobreza de espírito que o salmista diz, 
e que depois Jesus vai falar nas bem-
-aventuranças, não significa a pobreza 
econômica, mas significa que devemos 
ser livres para amar a Deus e amando 
a Deus seremos merecedores da vida 
eterna. Devemos nos desprender de tudo 
aquilo que nos impede de amar a Deus e 
ao próximo. 
A segunda leitura é da primeira carta 
de São Paulo aos Coríntios (1Cor 1, 26-31). 
A leitura segue o que estamos ouvindo 
há alguns domingos, desde o início do 
Tempo Comum. Paulo ensina à comuni-
dade sobre a humildade, e que todos nós 
devemos nos aceitar com as nossas capa-
cidades e inteligência, pois foi assim que 
fomos chamados por Deus. Não precisa 
ser muito sábio e inteligente para falar 
de Deus. O Senhor escolhe os fracos para 
confundir os fortes e, ainda, não escolhe 
capacitados, mas capacita os escolhidos. 
O Evangelho desse domingo é de Ma-
teus (Mt 5, 1,12a). Este Evangelho é sobre as 
bem-aventuranças, iniciando o conheci-
do “Sermão da Montanha”, e é o centro 
do Evangelho de Mateus. Jesus, vendo a 
multidão, subiu ao monte e sentou-se. 
O monte é sempre o lugar do encontro 
com o Senhor e de onde, desde o Antigo 
Testamento, Deus falava com os profetas. 
Jesus sente no coração que a multidão 
que ali estava precisava de um ensina-
mento, pois muitos estavam longe de 
Deus e trilhando um caminho de peca-
do. Podemos destacar a primeira bem-
-aventurança que diz: “Bem-aventurados 
os pobres em espírito, porque deles é o 
Reino dos Céus”. Jesus com essa bem-
-aventurança não se refere apenas a algo 
material, mas devemos ser livres para 
amar a Deus, ou seja, nenhum bem mate-
rial deve nos impedir de servir ao Senhor. 
Somos pobres em espírito toda vez 
que fazemos a vontade de Deus. Um 
exemplo de pobreza de espírito é a Virgem 
Maria, que não hesitou em dizer “sim” a 
Deus, se despojou de tudo para servi-Lo. 
Sejamos dóceis à ação do Espírito Santo 
e que possamos conformar a nossa vida 
com a vontade de Deus. 
As bem-aventuranças são o caminho 
que devemos seguir para almejar a vida 
eterna. Com certeza, os santos que nos 
precederam viveram as bem-aventu-
ranças, eles são testemunhas para nós, 
e assim como eles, devemos procurar 
colocar em prática as bem-aventuranças 
no nosso dia a dia. O Evangelho das bem-
-aventuranças também é proclamado no 
dia de todos os santos, para justamente 
nos indicar que o caminho para a santi-
dade inicia aqui.
Celebremos com alegria o 4º Domin-
go do Tempo Comum e que possamos 
colocar em prática as bem-aventuranças 
e estar disponíveis para amar e servir a 
Deus e ao próximo.
4º Domingo do Tempo Comum
“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. (Mt 5,3)
4 EDITORIAL 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ
Bom Samaritano, uma das mais 
famosas parábolas de Jesus. Século 
XVI. Por Jacopo Bassano. Acervo da 
na National Gallery de Londres
São com essas palavras que o 
Santo Padre, o Papa Francisco, 
dá o tom de sua mensagem para 
o 31° Dia Mundial do Enfermo, 
celebrado anualmente no dia de 
Nossa Senhora de Lourdes, por 
disposição de São João Paulo II 
desde 1992. Tais palavras nos 
reportam à parábola do Bom 
Samaritano, agora associada 
ao caminho sinodal vivenciado 
pela Igreja neste ano: “Trata 
bem dele! A compaixão como 
exercício sinodal de cura”.
O Santo Padre nos recorda 
que a celebração do Dia Mun-
dial do Enfermo em meio ao 
atual percurso sinodal é uma 
oportunidade de avaliar se 
nossa caminhada é feita em 
conjunto ou “se se vai na mesma 
estrada, mas cada um por conta 
própria, cuidando dos próprios 
interesses e deixando que os 
outros se arranjem”, e ainda nos 
convida a “refletir sobre o fato 
de podermos aprender, preci-
samente através da experiênciada fragilidade e da doença a ca-
minhar juntos segundo o estilo 
de Deus, que é proximidade, 
compaixão e ternura”. 
Chama-nos a atenção na re-
ferida mensagem a sagacidade 
do Papa reinante no que diz res-
peito às realidades mais íntimas 
do coração humano. Trata-se 
realmente de um grande pastor 
especialista em Humanidade. 
Particularmente, penso que é 
de se destacar dois aspectos da 
mensagem: quando ele fala da 
fragilidade humana e quando 
afirma que ninguém está pre-
parado para a doença. 
O Papa nos convida a refletir 
sobre o fato de que a experiência 
da fragilidade e da doença pode 
nos ensinar a caminhar juntos 
“segundo o estilo de Deus, que 
é proximidade, compaixão e ter-
nura”. Neste momento da história 
humana em que o valor de cada 
pessoa é mensurado de acordo 
com sua capacidade produtiva, 
todo ser humano quer ser forte, 
seja em nível econômico, políti-
co, intelectual ou mesmo físico, 
pois força significa produtividade 
que, por sua vez, é “sinônimo” 
de reconhecimento e aceitação. 
Afinal de contas, pessoas fortes 
gozam de prestígio junto à so-
ciedade, são pessoas de sucesso. 
Contudo, é a experiência da 
fragilidade que nos faz reconhe-
cer nossa insuficiência e total 
dependência de Deus. 
Deus mesmo conhece nos-
sas fragilidades e elas não são 
capazes de nos excluir do amor 
de Deus. Muito pelo contrário! 
Assim como um pai ou uma mãe 
costuma dar mais atenção para 
o filho mais frágil, porque mais 
carente de cuidados, Deus tem 
um olhar especialmente solícito 
para com os seus filhos mais fra-
Trata bem dele cos. É o que o Romano Pontífice quer que compreendamos quan-do afirma que “Naturalmente 
as experiências do extravio, da 
doença e da fragilidade fazem 
parte do nosso caminho: não 
nos excluem do povo de Deus; 
pelo contrário, colocam-nos no 
centro da solicitude do Senhor, 
que é Pai e não quer perder pela 
estrada nem sequer um dos 
seus filhos. Trata-se, pois, de 
aprender com Ele a ser verdadei-
ramente uma comunidade que 
caminha em conjunto, capaz 
de não se deixar contagiar pela 
cultura do descarte”.
Neste sentido, a parábola do 
Bom Samaritano nos traz uma 
lição significativa. A pessoa 
fisicamente frágil foi abando-
nada na estrada depois de ser 
roubada e espancada por alguém 
que podemos supor fisicamente 
mais forte. E aqueles que eram 
moralmente fortes perante a 
sociedade (o sacerdote e o levi-
ta) foram covardes, insensíveis 
e omissos, não aproveitando a 
oportunidade de serem frater-
nos para com aquela vítima. E 
isto lamentavelmente se repete 
hoje em muitas situações. Assim 
diz Francisco: “Com efeito, há 
uma profunda conexão entre 
esta parábola de Jesus e as múl-
tiplas formas em que é negada 
hoje a fraternidade. De modo 
particular, no fato de a pessoa 
espancada e roubada acabar 
abandonada na estrada, pode-
mos ver representada a condição 
em que são deixados tantos ir-
mãos e irmãs nossos na hora em 
que mais precisam de ajuda”. E a 
grande virada, ou superação de 
uma situação de injustiça, se dá 
a partir de um movimento inte-
rior de compaixão e caridade. E 
esta disposição vem exatamente 
de um samaritano, alguém 
considerado moralmente fraco 
e desprezível, por isso sempre 
objeto de discriminação. Na-
quele momento, o samaritano 
se fez solidário, porque a fragi-
lidade humana é o que todo ser 
humano tem de mais comum. 
O seu reconhecimento coloca 
a todos no mesmo nível e nos 
torna mais solidários uns para 
com os outros, sobretudo para 
com aqueles que são ainda mais 
frágeis que nós.
“Nunca estamos prepara-
dos para a doença; e muitas 
vezes nem sequer para admitir 
a idade avançada”, é o que ainda 
afirma o Santo Padre. De fato, 
esta nossa “geração saúde”, que 
busca a todo instante uma vida 
saudável através de hábitos ali-
mentares e práticas esportivas 
que proporcionem melhor qua-
lidade de vida corporal, não está 
preparada para a doença, para a 
decadência do vigor corpóreo, 
“tememos a vulnerabilidade, e 
a invasiva cultura do mercado 
impele-nos a negá-la”, vivemos 
em um tempo em que “não há 
espaço para a fragilidade”. Quan-
do a doença e a dor sobrevêm 
a nós, com elas vêm também a 
frustração, por vezes o abando-
no por parte dos outros, “ou nos 
pareça que devemos abandoná-
-los a fim de não nos sentirem 
um peso para eles”. O momento 
da doença é dramático para todo 
ser humano porque nos hu-
milha, oprime e nos coloca em 
condições que independem de 
nossa força, seja ela de que nível 
for. A força financeira não salva, 
a intelectual não cura, a física já 
foi comprometida. É o momento 
em que toda vaidade, orgulho 
e prepotência cedem espaço à 
fragilidade. Penso que a doença 
seja a forma mais humilhante de 
pobreza em toda plenitude de 
seu significado. É o momento 
em que até a fé, ou sobretudo 
ela, é posta à prova: “Começa 
assim a solidão, e envenena-
-nos a sensação amarga duma 
injustiça, devido à qual até o Céu 
parece fechar-se-nos”. Conforme 
ainda afirma o Papa, “sentimos 
dificuldade de permanecer em 
paz com Deus, quando se arruí-
na a relação com os outros e com 
nós mesmos”.
Ora, todos nós somos frágeis 
e vulneráveis. E a pandemia 
da Covid-19 nos provou isto 
colocando a Humanidade de 
joelhos. Ela nos provocou maior 
gratidão para com os cientistas 
e profissionais de saúde, assim 
como também nos tornou mais 
caridosos e solidários para com 
os que mais sofrem. Porém, o 
retorno à normalidade não pode 
nos provocar uma diminuição 
destes sentimentos ou valores 
tão admiráveis entre as pessoas. 
Neste sentido, a devoção a 
Nossa Senhora de Lourdes, com 
suas 18 aparições e seu piedo-
síssimo santuário nos Pirineus 
franceses, “aparece ao nosso 
olhar como uma profecia, uma 
lição confiada à Igreja no coração 
da modernidade. Não tem valor 
só o que funciona, nem conta 
só quem produz. As pessoas 
doentes estão no âmago do povo 
de Deus, que avança juntamente 
com eles como profecia duma 
Humanidade onde cada qual é 
precioso e ninguém deve ser des-
cartado”, conforme as próprias 
palavras do Papa 
Francisco.
PADRE VALTEMARIO 
S. FRAZÃO JR.
ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 5
A Arquidiocese do Rio de 
Janeiro está em festa com a or-
denação de 14 novos diáconos 
permanentes, durante missa 
realizada na Catedral de São 
Sebastião, no Centro, presidida 
pelo arcebispo metropolitano, 
Cardeal Orani João Tempesta, 
no dia 21 de janeiro. 
“Neste mês intenso de ja-
neiro, em que realizamos a 
Trezena de São Sebastião e 
comemoramos solenemente a 
festa do nosso padroeiro, que 
marca a vida e a caminhada 
da arquidiocese e também da 
cidade São Sebastião do Rio de 
Janeiro, temos a oportunidade 
de ordenar 14 novos diáconos 
permanentes”, disse o arcebispo 
no início da celebração.
Os novos diáconos, forma-
dos pela Escola Diaconal Santo 
Efrém, que no próximo dia 12 
de fevereiro completa 20 anos 
de criação, são: Carlos Alberto 
dos Santos Monteiro, Eduardo 
da Costa Ramos, Elias Ferreira 
da Silva, Elias Pereira dos Santos, 
Eraldo Santana Moreira, Gilson 
Bruno Gentil, Jorge Luiz de 
Faria, José Carlos Sampaio Fer-
nandes, Marcos Moizes da Silva, 
Nirmo Antônio Araújo Filho, 
Renato Claudio de Souza Mo-
êdo, Ricardo Antônio Ximenes 
Araújo, Ricardo Lima Miranda e 
Sergio Gonçalves Alencar.
“Podemos afirmar que es-
ses homens foram escolhidos 
por Deus. Além do trabalho 
que já exercem no âmbito pro-
fissional, a responsabilidade 
com a família e de tudo o que 
representam e significam para 
a sociedade, eles assumem 
também o chamado do Senhor 
para servir a Igreja como diáco-
nos. Já serviam como ministros, 
catequistas, professores e, em 
tantas outras realidades, mas, 
a partir agora, passam a servi-la 
como diáconos permanentes”, 
disse o arcebispo na homilia.
“É um dom de Deus para a 
Igreja ver esses sinais todos se 
multiplicando na comunidade. 
Estamos justamente no Ano 
Vocacional Missionário e, claro, 
a multiplicação de ministérios 
é muito importante para que a 
evangelização chegue em todos os 
cantos também atravésdos diáco-
nos permanentes”, acrescentou. 
A missa contou com a pre-
sença de familiares, amigos e 
fiéis das paróquias de origem e 
de caminhadas dos diáconos, e 
foi concelebrada por dezenas de 
bispos e sacerdotes. 
Estavam os bispos auxiliares 
Dom Paulo Celso Dias do Nas-
cimento, Dom Tiago Stanislaw, 
Dom Juarez Delorto Secco, 
Dom Roque Costa Souza e Dom 
Célio da Silveira Calixto Filho, e 
os eméritos, Dom Assis Lopes e 
Dom Karl Josef Romer. Ainda os 
bispos eméritos de Iguatu (CE), 
Dom Edson de Castro Homem, 
e de Guanhães (MG), Dom Jere-
mias Antônio de Jesus.
Na ref lexão da primeira 
leitura da missa, dos Atos dos 
Apóstolos, Dom Orani lembrou 
que quando começou a aumen-
tar o trabalho dos apóstolos, foi 
necessário instituir os diáconos, 
homens de bem para servir às 
mesas. 
“Hoje, nossos irmãos es-
tão sendo ordenados para a 
liturgia, a palavra e a caridade, 
e assim colaborar na grande 
missão da Igreja. Os diáconos 
permanentes realizam vários 
trabalhos e ministérios em nos-
sa arquidiocese, mas ainda são 
poucos. Temos muito trabalho 
e precisamos de mais diáconos. 
Rezemos pelas vocações diaco-
nais para que a Igreja possa ser 
mais presente na sociedade, por 
toda a arquidiocese”.
“Somos chamados a ben-
dizer a Deus pelas vocações, 
pelo chamado, rezar pelos que 
estão sendo ordenados. Que 
eles vivam no Senhor e levem 
adiante, nas suas comunidades, 
nos seus trabalhos, nas suas 
realidades, o Evangelho e o 
testemunho. Peçamos ainda ao 
Senhor que dinamize, cada vez 
mais, nossa caminhada eclesial 
e arquidiocesana, de maneira 
especial para que com renovado 
ardor missionário nós vivamos 
aquilo que já é permanente, a 
nossa missão”, disse o arcebispo. 
Ainda na homilia, Dom 
Orani evidenciou que a ordena-
ção de novos diáconos é dom e 
graça que o Senhor proporciona 
para que a Igreja esteja presente 
na grande cidade através do diá-
logo com a sociedade e a cultu-
ra, e na missão evangelizadora. 
“Os diáconos permanentes 
têm a facilidade de estarem 
junto com os bispos e padres, 
participando das preocupações 
da arquidiocese, como também 
serem presentes no mundo, no 
trabalho, na escola, na comu-
nidade, na sociedade, enfim, 
em tantas outras situações que 
existem e fazem parte dessa 
preocupação da Igreja em ser 
presença em todos os cantos”, 
disse. 
“Pedimos ao Senhor que se 
multipliquem esses e outros ca-
rismas e ministérios para que a 
missão da Igreja possa continu-
ar, cada vez mais, em renovado 
ardor, além de chegar no âmbito 
geográfico e sociológico a todas 
as pessoas que habitam essa ci-
dade de São Sebastião do Rio de 
Janeiro. Diante de tantas crises, 
violências e problemas, que os 
nossos diáconos continuem 
a colaborar em tantas frentes 
de missão e evangelização, e 
que essa cidade, cada vez mais, 
transpareça o rosto de Jesus 
Cristo”, concluiu o arcebispo.
CARLOS MOIOLI
Cardeal Tempesta ordena 14 diáconos permanentes
‘Com renovado ardor vivamos o que já é permanente, a nossa missão’ 
Cardeal Tempesta e os novos diáconos permanentes ordenados no dia 21 de janeiro
GUSTAVO DE OLIVEIRA
6 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ
O diaconato, como minis-
tério permanente, foi restabe-
lecido na Arquidiocese de São 
Sebastião do Rio de Janeiro sob 
o pastoreio de Dom Eugenio de 
Araujo Sales (Ata de Reunião 
dos Diáconos Permanente, 
Livro 1 - ARDP 1, f. 41). A pri-
meira turma começou em 1984 
e ordenou nove diáconos em 6 
de junho de 1987 (ARDP 1, ff. 
1-19. 23). Homens maduros, 
profissionais, pais de família 
e empolgados com a possibi-
lidade de servirem a Deus de 
um modo, até então, inusita-
do. A primeira pergunta que 
os responsáveis pela formação 
se fizeram foi: como preparar 
(formar) um diácono?
Os primeiros a se verem 
envolvidos com esta tarefa 
foram monsenhor Narbal da 
Costa Stencel (diretor da Co-
missão Arquidiocesana para 
o Diaconato Permanente de 
1984 até 1988, até ser ordenado 
bispo e tornar-se responsável 
pela animação dos diáconos 
permanentes até o ano 2000), 
padre Bruno de Souza Gayão, 
padre Edson de Castro Homem, 
(que após ordenação episcopal 
também será bispo animador 
dos diáconos de 2005 até 2015), 
padre José Mazine Rodrigues e 
monsenhor Gilson José Macedo 
da Silveira. 
A exigência de uma boa for-
mação era cobrada por Dom Eu-
genio. Inicialmente, exigia-se 
três anos do Curso Mater Eccle-
siae, mais formação específica 
ao diaconato que ocorria em 
um dia da semana à noite e/ou 
nas manhãs de sábado. O pri-
meiro esboço dessa formação 
direcionada vemos na reunião 
de 16 de julho de 1985. Padre 
Edson propôs um curso sobre 
teologia do diaconato, o estudo 
da diaconia de Cristo e da Igreja; 
matéria sobre os ministérios 
eclesiais, a natureza do diaco-
nato, e o conceito de hierarquia; 
propunha-se, ainda, uma aná-
lise da relação entre sacerdócio 
e ministério e da relação entre 
o diácono, o presbítero e o 
bispo; a sacramentalidade do 
diaconato e sua relação com os 
leigos; por fim, um esboço sobre 
a tríplice diaconia e o perfil do 
diácono (ARDP 1, ff. 22-22v, 31, 
80 e 82.). 
Na busca de uma melhor 
formação, críticas foram feitas. 
O diácono Roberto Luiz Fer-
nandes Lima, em reunião de 14 
de setembro de 2000, afirmou 
que o Curso Mater Ecclesiae 
era insuficiente na formação de 
diáconos (ARDP 1, ff. 29-29v). 
Padre Pedro Paulo concordou 
com a colocação do diácono Ro-
berto Luiz. Falou-se da necessi-
dade da filosofia e do ensino da 
Língua Portuguesa na revisão 
curricular. Contudo, será a cria-
ção da Escola Diaconal Santo 
Efrém o salto de qualidade na 
formação do diacônio carioca.
A CRIAÇÃO DA ESCOLA 
DIACONAL SANTO EFREM
Aos 12 dias do mês de feve-
reiro de 2003, sob o pastoreio 
de Dom Eusébio Oscar Scheid, 
foi criada a Escola Diaconal 
Santo Efrém. O decreto episco-
pal traz as razões que motiva-
ram a instituição da escola: (1) 
as novas orientações formativas 
das Normas Fundamentais 
para a Formação dos Diáconos 
Permanentes e do Diretório 
do Ministério e da Vida dos 
Diáconos Permanentes; (2) o 
dever de pastor e pai de prover, 
cuidar e estimular a formação 
ao diaconato permanente; (3) 
a necessidade de acompanhar 
o itinerário da formação, dando 
aos aspirantes e candidatos o 
conhecimento espiritual, pas-
toral e teológico para o exercício 
do ministério diaconal.
Neste sentido, a Escola Dia-
conal Santo Efrém é um marco 
na história do diacônio carioca. 
É, pois, o resultado do esforço 
conjunto dos bispos animado-
res do diaconato permanente, 
da Comissão para os Diáconos 
da Arquidiocese, dos respon-
sáveis pela formação e, certa-
mente, de Dom Eusébio Oscar 
Scheid. Coube ao padre Pedro 
Nunes de Almeida, como dire-
tor, auxiliado pelo 
diácono Juranir R. 
Machado, a tarefa 
de organização es-
trutural da escola: 
disciplinas, cor-
po docente, fun-
cionalidade etc. 
(ACDP 2, f. 34v). 
Em 25 de maio de 
2002, sugeriu-se 
dois nomes para 
a instituição: Edi-
th Stein e Santo 
Efrém, que foram 
encaminhados a 
Dom Eusébio para 
que escolhesse. 
Ganhou aquele a 
que chamam de 
“Arpa do Espírito 
Santo”, sinal pro-
fético dos novos 
tempos que so-
pravam na arqui-
diocese. 
Em fevere i -
ro de 2003, teve 
início o ano letivo da Escola 
Diaconal Santo Efrém. Mas, 
Dom Eusébio queria mais in-
vestimento no capital cultural e 
simbólico do diaconato. Assim, 
em 27 de dezembro daque-
le ano, inaugurou uma sede 
própria nas dependências da 
Igreja São Joaquim, no Estácio. 
O diácono Alonso Sena Frazão, 
recém-eleito presidente dos 
Diáconos Permanentes, cui-
dou do contrato de comodato. 
Mais tarde, o arcebispo pro-
moveu, com recursos próprios, 
uma reforma no prédio, sob a 
responsabilidade do diácono 
Miguel Elias. A reinauguração 
ocorreu em julho de 2007, onde 
passou a sediar a Escola Diaco-
nal Santo Efrém, com aulas aos 
sábados. Durante o governo de 
Dom Orani João Tempesta, a 
Escola Diaconal Santo Efrém 
foi transferida para o Seminário 
Arquidiocesano de São José, no 
Rio Comprido, onde permanece 
até os dias dehoje.
A opção por um centro está-
vel de formação, com profissio-
nais especialmente destinados a 
este trabalho, foi fundamental 
para o desenvolvimento e apri-
A formação do diacônio carioca:
20 anos de criação da Escola Diaconal Santo Efrém
Restabelecimento arquidiocesano do diaconato permanente
Diáconos da Turma Nossa Senhora Aparecida
FOTOS: DIVULGAÇÃO
ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 7
moramento dos candidatos 
ao ministério diaconal. Ob-
servando as dioceses do Brasil 
que restauraram o diaconato 
como ministério permanente, 
podemos concluir que as que 
mais ordenaram diáconos são 
aquelas que desenvolveram um 
programa de formação próprio 
e estável, materializado em uma 
escola diaconal. Nesse cenário, 
destaca-se a Arquidiocese do 
Rio de Janeiro, com 258 diá-
conos em pleno exercício mi-
nisterial, atualmente o maior 
diacônio do Brasil. 
Atualmente, os candidatos 
ao diaconato na Escola Santo 
Efrém apresentam bom nível 
de formação com preparação 
específica ao ministério em 
quatro anos de formação e um 
ano preparatório, o propedêu-
tico. Um perfil do candidato 
mostra quão enriquecedor é o 
diácono para a vida da Igreja. 
Em pesquisa realizada em 
2017, constatou-se com relação 
à formação primeira dos aspi-
rantes ao ministério que 67% 
possuem nível superior, com 
19% destes com pós-graduação 
lato sensu e 9% com cursos de 
mestrado, doutorado e pós-
-doutorado. As áreas de forma-
ção são variadas. Há advoga-
dos, economistas, contadores, 
professores, pesquisadores, 
médicos, também, militares, 
enfermeiros, farmacêuticos, 
empresários etc. A faixa etária 
predominante é de 36 a 45 anos 
(44,2%). Se considerarmos 
a faixa etária até os 55 anos, 
alcançaremos a cifra de 72,1% 
dos candidatos. 
A FORMAÇÃO AO MINISTÉRIO 
DIACONAL EM FASES 
POSSÍVEIS
A história da formação do 
ministério diaconal no Rio de 
Janeiro pode ser concebida 
em três fases distintas e, a 
um só tempo, engranzadas. 
A primeira corresponde ao 
governo de Dom Eugenio de 
Araujo Sales. Trata-se de um 
período de organização da 
formação, de fomento das 
diversas práticas pedagógicas, 
de incremento da concepção 
acerca do que é o diaconato, 
de maturação sobre sua fun-
cionalidade, de identificação 
de um perfil vocacional e de 
preparação das comunidades 
e do presbitério para acolher 
os novos ministros ordenados. 
Foi uma fase de experimen-
tos e de superações, com um 
crescimento moderado do 
diacônio (38 ordenações de 
1987-2000), que deu lugar a 
um processo formativo mais 
ousado e empreendedor que 
marcará o momento seguinte. 
A segunda fase formativa se 
caracteriza pelo aumento das 
vocações e pela consolidação 
e estabilidade do ministério 
diaconal na arquidiocese. Este 
momento se enleia ao governo 
de Dom Eusébio Oscar Scheid, 
que muito trabalhou para apa-
relhar o diaconato carioca. 
Instituiu uma sede própria, que 
mais tarde deixou de existir, 
Diáconos da Turma São João Damasceno
Diáconos da Turma São José
mas, principalmente, criou a 
Escola Diaconal Santo Efrém. 
Há, pois, um acelerado cresci-
mento numérico dos diáconos 
(73 ordenações de 2001-2008), 
fruto de uma formação sistemá-
tica, em formato institucional, 
com método pedagógico crítico 
e com investimento financeiro e 
humano especializado. A esco-
lha de um centro de preparação 
para os futuros diáconos foi 
imprescindível para seu pleno 
desenvolvimento, com aprimo-
ramento intelectual e prático 
daqueles ministros.
A fase atual, consoante ao 
governo de Dom Orani João 
Tempesta (212 ordenações de 
2009-2023), caracteriza-se 
por um maior conhecimento 
nas comunidades do diaconato 
permanente, consequente-
mente, por uma maior procura 
pelo ministério e, também, por 
uma significativa exigência de 
capacitação dos candidatos na 
arquidiocese. Trata-se de uma 
fase onde os diáconos são co-
nhecidos, seus trabalhos reco-
nhecidos e seus estilos de vida, 
desejados. O perfil dos candi-
datos também mudou quanto 
à faixa etária. Enquanto os pri-
meiros diáconos possuíam mais 
de 50 anos, em média. Hoje, a 
faixa etária predominante oscila 
entre os 35 e 50 anos. Quanto 
à formação, aumentou-se em 
um ano o tempo de preparação 
e cresceu o nível de exigência 
formativa. 
CELEBRAMOS 20 ANOS... 
PARA MUITOS MAIS
Ao celebrarmos 20 anos de 
sua criação, afirmamos ser a 
Escola Diaconal Santo Efrém 
uma instituição fundamental 
não apenas para a consolidação 
e a estilização formativa do 
ministério diaconal, mas estra-
tégia essencial para a própria 
construção do capital cultural 
e simbólico do diacônio carioca 
em sua identidade própria e 
percepção ministerial na arqui-
diocese. Trata-se, pois, de lugar 
de cultivo da vocação, sinal pri-
vilegiado da arte do cuidado de 
uma Igreja ministerial, que en-
tende a hierarquia como serviço 
e que, servidora e dialogal, tem 
no diácono o sinal privilegiado 
do Cristo Servo no mundo.
DIÁCONO LUCIANO 
ROCHA
DOUTOR EM 
HISTÓRIA (UERJ) E 
PÓS-DOUTORADO 
EM TEOLOGIA (PUC-
RIO)
FONTE: LUCIANO 
ROCHA. MINISTÉRIO 
DIACONAL: HISTÓRIA E TEOLOGIA. SÃO 
PAULO: PAULUS, 2020. (ADAPTADO PELO 
AUTOR).
FOTOS: DIVULGAÇÃO
8 PAPA FRANCISCO 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 202329 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 
Foi divulgada, no dia 24 de 
janeiro, a mensagem do Papa 
Francisco para o 57° Dia Mundial 
das Comunicações Sociais, que 
será celebrado em 21 de maio 
próximo com o tema: “Falar com o 
coração. Testemunhando a verda-
de no amor”.
O Pontífice inicia o texto, recor-
dando que, nos anos precedentes, 
foi refletido sobre os verbos “ir, ver 
e escutar como condição necessá-
ria para uma boa comunicação”. 
Este ano, o Papa se detém sobre 
o “falar com o coração”.
“Foi o coração que nos mo-
veu para ir, ver e escutar, e é o 
coração que nos move para uma 
comunicação aberta e acolhedora”, 
ressalta Francisco, recordando 
que “não devemos ter medo de 
proclamar a verdade, por vezes 
incômoda, mas de o fazer sem 
amor, sem coração. Só ouvindo 
e falando com o coração puro é 
que podemos ver para além das 
aparências, superando o rumor 
confuso que, mesmo no campo da 
informação, não nos ajuda a fazer 
o discernimento na complexidade 
do mundo em que vivemos. O 
apelo para se falar com o coração 
interpela radicalmente este nosso 
tempo, tão propenso à indiferença 
e à indignação, baseada por vezes 
até na desinformação que falsifica 
e instrumentaliza a verdade. Com 
efeito, «o programa do cristão – 
como escreveu Bento XVI – é “um 
coração que vê”». Trata-se de um 
coração que revela, com o seu 
palpitar, o nosso verdadeiro ser e, 
por essa razão, deve ser ouvido. 
Isto leva o ouvinte a sintonizar-se 
no mesmo comprimento de onda, 
chegando ao ponto de sentir no 
próprio coração também o pulsar 
do outro. Então pode ter lugar o 
milagre do encontro, que nos faz 
olhar uns para os outros com com-
paixão, acolhendo as fragilidades 
recíprocas com respeito, em vez de 
julgar a partir dos boatos, seme-
ando discórdia e divisões”.
JESUS FALA COM O CORAÇÃO 
AOS DISCÍPULOS DE EMAÚS
O Papa explica que “comuni-
car cordialmente quer dizer que 
a pessoa que nos lê ou escuta 
é levada a deduzir a nossa par-
ticipação nas alegrias e receios, 
nas esperanças e sofrimentos 
das mulheres e homens do nosso 
tempo. Quem assim fala, ama o 
outro, pois preocupa-se com ele e 
salvaguarda a sua liberdade, sem 
a violar. Podemos ver este estilo 
no misterioso Viandante que dia-
loga com os discípulos a caminho 
de Emaús depois da tragédia que 
se consumou no Gólgota. A eles, 
Jesus ressuscitado fala com o 
coração, acompanhando com res-
peito o caminho da sua amargura, 
propondo-Se e não Se impondo, 
abrindo-lhes amorosamente a 
mente à compreensão do sentido 
mais profundo do sucedido. De 
fato, eles podem exclamar com 
alegria que o coração lhes ardia 
no peito enquanto Ele conversava 
pelo caminho e lhes explicava as 
Escrituras”. A seguir, Papa Fran-
cisco recorda que:
Num período da história mar-
cado por polarizações e oposições 
– de que, infelizmente,nem a co-
munidade eclesial está imune – o 
empenho em prol duma comunica-
ção «de coração e braços abertos» 
não diz respeito exclusivamente 
aos agentes da informação, mas 
é responsabilidade de cada um. 
Todos somos chamados a procurar 
a verdade e a dizê-la, fazendo-o 
com amor.
FRANCISCO DE SALES, 
EXEMPLO LUMINOSO DO 
FALAR COM O CORAÇÃO
“Um dos exemplos mais lumi-
nosos e, ainda hoje, fascinantes 
deste «falar com o coração» temo-
-lo em São Francisco de Sales, 
Doutor da Igreja, a quem dediquei 
recentemente a Carta Apostólica 
Totum amoris est, nos 400 anos 
da sua morte”, ressalta o Papa. “A 
par deste aniversário importante e 
relacionado com a mesma circuns-
tância”, recorda ele, “apraz-me re-
cordar outro que se celebra neste 
ano de 2023: o centenário da sua 
proclamação como padroeiro dos 
jornalistas católicos, feita por Pio 
XI com a Encíclica Rerum omnium 
perturbationem. Mente brilhan-
te, escritor fecundo, teólogo de 
grande profundidade, Francisco de 
Sales foi bispo de Genebra no início 
do século XVII, em anos difíceis 
marcados por animadas disputas 
com os calvinistas. A sua mansi-
dão, humanidade e predisposição 
a dialogar pacientemente com 
todos, e de modo especial com 
quem se lhe opunha, fizeram dele 
uma extraordinária testemunha 
do amor misericordioso de Deus”.
“O santo bispo de Genebra nos 
recorda, através dos seus escritos 
e do próprio testemunho de vida, 
que «somos aquilo que comuni-
camos»: uma lição contracorrente 
hoje, num tempo em que, como 
Comunicar com o coração para 
promover uma cultura de paz
Coletiva de imprensa do Papa Francisco em avião durante viagem apostólica
Mensagem do Papa Francisco para o 57° Dia Mundial das Comunicações Sociais
experimentamos particularmente 
nas redes sociais, a comunicação 
é muitas vezes instrumentalizada 
para que o mundo nos veja, não 
por aquilo que somos, mas como 
desejaríamos ser. Possam os 
agentes da comunicação sentir-
-se inspirados por este santo da 
ternura, procurando e narrando a 
verdade com coragem e liberda-
de, mas rejeitando a tentação de 
usar expressões sensacionalistas 
e agressivas”, sublinha ainda o 
Pontífice.
O SONHO DO PAPA
“Como já tive oportunidade de 
salientar, ‘também na Igreja há 
grande necessidade de escutar e 
de nos escutarmos. É o dom mais 
precioso e profícuo que podemos 
oferecer uns aos outros’. Duma 
escuta sem preconceitos, atenta e 
disponível, nasce um falar segundo 
o estilo de Deus, que se sustenta 
de proximidade, compaixão e ter-
nura. Na Igreja, temos urgente ne-
cessidade duma comunicação que 
inflame os corações, seja bálsamo 
nas feridas e ilumine o caminho 
dos irmãos e irmãs.”
Sonho uma comunicação ecle-
sial que saiba deixar-se guiar pelo 
Espírito Santo, gentil e ao mesmo 
tempo profética, capaz de encon-
trar novas formas e modalidades 
para o anúncio maravilhoso que é 
chamada a proclamar no terceiro 
milênio.
DESARMAR OS ÂNIMOS 
PROMOVENDO UMA 
LINGUAGEM DE PAZ
A seguir, o Papa lembra que 
“hoje é necessário falar com o co-
ração para promover uma cultura 
de paz, onde há guerra; para abrir 
sendas que permitam o diálogo e 
a reconciliação, onde campeiam o 
ódio e a inimizade. No dramático 
contexto de conflito global que 
estamos a viver, urge assegurar 
uma comunicação não hostil. É 
necessário vencer «o hábito de 
denegrir rapidamente o adversário, 
aplicando-lhe atributos humilhan-
tes, em vez de se enfrentarem num 
diálogo aberto e respeitoso».” 
Segundo o Papa Francisco, 
“precisamos de comunicadores 
prontos a dialogar, ocupados na 
promoção dum desarmamento 
integral e empenhados em des-
mantelar a psicose bélica que se 
aninha nos nossos corações, como 
exortava profeticamente São João 
XXIII na Encíclica Pacem in terris: 
«a verdadeira paz entre os povos 
não se baseia em tal equilíbrio [de 
armamentos], mas sim e exclusi-
vamente na confiança mútua»”.
“Uma confiança que precisa 
de comunicadores não postos à 
defesa, mas ousados e criativos, 
prontos a arriscar na procura dum 
terreno comum onde encontrar-
-se. Também agora, como há 60 
anos, a humanidade vive uma hora 
escura temendo uma escalada 
bélica, que deve ser travada o mais 
depressa possível, inclusivamen-
te em termos de comunicação. 
Fica-se apavorado ao ouvir com 
quanta facilidade se pronunciam 
palavras que invocam a destruição 
de povos e territórios; palavras que, 
infelizmente, se convertem muitas 
vezes em ações bélicas de celerada 
violência. Por isso mesmo há que 
rejeitar toda a retórica belicista, 
assim como toda a forma de pro-
paganda que manipula a verdade, 
deturpando-a com finalidades 
ideológicas. Em vez disso seja 
promovida, a todos os níveis, uma 
comunicação que ajude a criar as 
condições para se resolverem as 
controvérsias entre os povos.”
“Como cristãos, sabemos que 
é precisamente na conversão do 
coração que se decide o destino da 
paz, pois o vírus da guerra provém 
do íntimo do coração humano. 
Do coração brotam as palavras 
certas para dissipar as sombras 
dum mundo fechado e dividido e 
construir uma civilização melhor 
do que aquela que recebemos. É 
um esforço que é exigido a todos 
e cada um de nós, mas faz apelo 
de modo particular ao sentido de 
responsabilidade dos agentes da 
comunicação a fim de realizarem 
a própria profissão como uma 
missão”, conclui o Papa.
VATICAN NEWS
VATICAN NEWS
PAPA FRANCISCO TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 9
No dia 25 de janeiro, foi publicada 
a Mensagem do Papa Francisco para o 
97° Dia Mundial das Missões que será 
celebrado em 22 de outubro. 
O Papa inicia recordando o tema 
deste ano que se inspira na história 
dos discípulos de Emaús, narrada por 
Lucas no seu Evangelho (cf. 24, 13-35): 
“Corações ardentes, pés ao caminho”. 
Francisco observa que “os dois discípulos 
estavam confusos e desiludidos, mas o 
encontro com Cristo na Palavra e no Pão 
partido acendeu neles o entusiasmo para 
pôr os pés ao caminho rumo a Jerusalém 
e anunciar que o Senhor tinha verdadei-
ramente ressuscitado”. 
Em seguida, fala sobre a transfor-
mação dos discípulos narrada pelo 
Evangelho, a partir de algumas imagens 
sugestivas: “corações ardentes pelas 
Escrituras explicadas por Jesus, olhos 
abertos para O reconhecer e, como ponto 
culminante, pés ao caminho. Afirmando 
em seguida que meditando sobre estes 
três aspectos, que traçam o itinerário 
dos discípulos missionários, “podemos 
renovar o nosso zelo pela evangelização 
no mundo de hoje”.
CORAÇÕES ARDENTES PELAS 
ESCRITURAS
O primeiro aspecto: Corações arden-
tes, “quando nos explicava as Escrituras”. 
A Palavra de Deus ilumina e transforma 
o coração na missão, recorda que assim 
“como no início da vocação dos discí-
pulos, também agora, no momento da 
frustração, o Senhor toma a iniciativa 
de Se aproximar dos seus discípulos e 
caminhar ao lado deles. Na sua grande 
misericórdia, Ele nunca Se cansa de estar 
conosco, apesar dos nossos defeitos, dú-
vidas, fraquezas e não obstante a tristeza 
e o pessimismo nos reduzam a “homens 
sem inteligência e lentos de espírito”, 
pessoas de pouca fé. Hoje como então, 
o Senhor ressuscitado está próximo dos 
seus discípulos missionários e caminha 
ao lado deles, sobretudo quando se sen-
tem frustrados, desanimados”. 
Dirigindo-se aos missionários afirma: 
“Em Cristo, expresso a minha proximida-
de a todos os missionários e missionárias 
do mundo, especialmente àqueles que 
atravessam um momento difícil: caríssi-
mos, o Senhor ressuscitado está sempre 
convosco e vê a vossa generosidade e 
os vossos sacrifícios em prol da missão 
evangelizadora em lugares distantes. 
Nem todos os dias da vida são cheios 
de sol, mas lembremo-nos sempre das 
palavras do Senhor Jesus aos seus ami-
gos, antes da Paixão: “No mundo, tereis 
tribulações; mas tende confiança: Eu já 
venci o mundo!” “Portanto”, acrescenta, 
‘O anúncio deve ser dado sem 
exclusões e com alegria’
Mensagem do Papa Francisco para o 97° Dia Mundial das Missões
“deixemo-nos sempre acompanhar pelo 
Senhor ressuscitado que nos explicao 
sentido das Escrituras. Deixemos que Ele 
faça arder o nosso coração, nos ilumine 
e transforme, para podermos anunciar 
ao mundo o seu mistério de salvação 
com a força e a sabedoria que vêm do 
seu Espírito.
OLHOS QUE “SE ABRIRAM E O 
RECONHECERAM”
O segundo aspecto: Olhos que “se 
abriram e O reconheceram” ao partir o 
pão. Jesus na Eucaristia é ápice e fonte da 
missão, é “o elemento decisivo que abre 
os olhos dos discípulos”, continua Fran-
cisco, “é a sequência de ações efetuadas 
por Jesus: tomou o pão, pronunciou a 
bênção, partiu-o e deu-lhe. São gestos 
comuns de qualquer chefe de família ju-
dia, mas, realizados por Jesus Cristo com 
a graça do Espírito Santo, renovam para 
os dois comensais o sinal da multiplica-
ção dos pães e, sobretudo, da Eucaristia, 
o Sacramento do Sacrifício da cruz”. 
Porém, continua, precisamente no 
momento em que reconhecem Jesus 
naqu’Ele-que-parte-o-pão, “Ele desa-
pareceu da sua presença”. “Este fato”, 
explica, “faz compreender uma realidade 
essencial da nossa fé: Cristo que parte 
o pão torna-Se agora o Pão partido, 
partilhado com os discípulos e, depois, 
consumido por eles. Tornou-Se invisível, 
porque agora entrou dentro do coração 
dos discípulos para fazê-los arder ainda 
mais, impelindo-os a retomar sem de-
mora o seu caminho para comunicar a 
todos a experiência única do encontro 
com o Ressuscitado! 
Assim, Cristo ressuscitado é aqu’Ele-
-que-parte-o-pão e, simultaneamente, 
o Pão-partido-para-nós. E, por con-
seguinte, cada discípulo missionário 
é chamado a tornar-se, como Jesus e 
n’Ele, graças à ação do Espírito Santo, 
aquele-que-parte-o-pão e aquele-que-é-
-pão-partido para o mundo”. Concluindo 
este aspecto recorda aos missionários: “A 
propósito, é preciso ter presente que, se 
o simples repartir o pão material com os 
famintos em nome de Cristo já é um ato 
cristão missionário, quanto mais o será o 
repartir o Pão eucarístico, que é o próprio 
Cristo? Trata-se da ação missionária por 
excelência, porque a Eucaristia é fonte e 
ápice da vida e missão da Igreja”.
Pés ao caminho, com a alegria de 
proclamar Cristo Ressuscitado
Quanto ao terceiro aspecto destacado 
na mensagem aos missionários: pés ao 
caminho, com a alegria de proclamar 
Cristo Ressuscitado. A eterna juventude 
de uma Igreja sempre em saída, Francis-
co recorda: “Depois de abrir os olhos ao 
reconhecerem Jesus na fração do pão, os 
discípulos partiram sem demora e volta-
ram para Jerusalém. Este sair apressado 
para partilhar com os outros a alegria do 
encontro com o Senhor, mostra que ‘a 
alegria do Evangelho enche o coração e 
a vida inteira daqueles que se encontram 
com Jesus. Quantos se deixam salvar por 
Ele, são libertados do pecado, da tristeza, 
do vazio interior, do isolamento. Com Je-
sus Cristo, renasce sem cessar a alegria’”. 
“Não se pode encontrar verdadeiramente 
Jesus ressuscitado”, observa, “sem se 
inflamar no desejo de o contar a todos. 
Por isso, o primeiro e principal recurso 
da missão são aqueles que reconheceram 
Cristo ressuscitado, nas Escrituras e na 
Eucaristia, e que trazem o seu fogo no 
coração e a sua luz no olhar. Eles podem 
testemunhar a vida que não morre ja-
mais, mesmo nas situações mais difíceis 
e nos momentos mais escuros.
TODOS TÊM DIREITO DE RECEBER O 
EVANGELHO
Depois de refletir sobre a imagem de 
pôr “os pés ao caminho”, o Papa sugere: 
“aproveito esta ocasião para reiterar 
que ‘todos têm o direito de receber o 
Evangelho. Os cristãos têm o dever de 
o anunciar sem excluir ninguém, e não 
como quem impõe uma nova obrigação, 
mas como quem partilha uma alegria, 
indica um horizonte estupendo, oferece 
um banquete apetecível’. A conversão 
missionária permanece o principal ob-
jetivo que nos devemos propor como 
indivíduos e como comunidade, porque 
‘a ação missionária é o paradigma de toda 
a obra da Igreja’”.
Papa Francisco conclui recordando os 
aspectos destacados em sua mensagem: 
“Saiamos também nós, iluminados pelo 
encontro com o Ressuscitado e animados 
pelo seu Espírito. Saiamos com corações 
ardentes, olhos abertos, pés ao caminho, 
para fazer arder outros corações com a 
Palavra de Deus, abrir outros olhos para 
Jesus Eucaristia, e convidar todos a ca-
minharem juntos pelo caminho da paz 
e da salvação que Deus, em Cristo, deu 
à Humanidade”.
JANE NOGARA
VATICAN NEWS
Papa Francisco: “Saiamos com corações ardentes, olhos abertos, pés ao caminho, para fazer arder outros corações com a Palavra de Deus, abrir outros 
olhos para Jesus Eucaristia, e convidar todos a caminharem juntos pelo caminho da paz e da salvação que Deus, em Cristo, deu à Humanidade”
VATICAN NEWS
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ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 11
A então Capela São Sebas-
tião, situada em Inhoaíba, rece-
be todos os anos, desde 2010, a 
visita da imagem peregrina do 
padroeiro da cidade e da arqui-
diocese, dentro da programação 
da Trezena de São Sebastião, 
conduzida pelo arcebispo do 
Rio de Janeiro, Cardeal Orani 
João Tempesta.
Neste ano, a visita foi es-
pecial. Dom Orani elevou a 
capela, cuja comunidade de 
fiéis existe desde a década de 
1920, à condição de paróquia, 
dedicada ao mesmo padroeiro. 
É a paróquia de número 36 do 
governo de Dom Orani e a de 
número 287 da arquidiocese.
“A Paróquia São Sebastião 
nasce no contexto da Trezena do 
nosso padroeiro, que neste ano 
tem como tema: ‘São Sebastião, 
vocacionado à missão’, e dentro 
do Ano Vocacional Missionário. 
O Papa Francisco também co-
meçou a falar em suas catequeses 
nas audiências de quartas-feiras 
da paixão pela evangelização”, 
disse o arcebispo.
“A evangelização é a gran-
de preocupação da Igreja. Ser 
missionário é algo permanente 
na Igreja. Ou somos missioná-
rios ou não somos Igreja. Ser 
missionário é anunciar, teste-
munhar, é contagiar pela vida 
as pessoas que estão perto ou 
longe de nós”, acrescentou. 
O decreto de criação da 
Paróquia São Sebastião foi lido 
pelo vigário episcopal do Vica-
riato Campo Grande, cônego 
Dom Orani instala a Paróquia
São Sebastião, em Inhoaíba
Luiz Carlos Pereira, no início da 
celebração eucarística de insta-
lação da paróquia, realizada no 
dia 11 de janeiro. 
O território pastoral da nova 
paróquia foi desmembrado da 
Paróquia Santa Sofia, em Cos-
mos, da qual estava vinculada, 
e da Paróquia Santa Teresinha 
do Menino Jesus, em Campo 
Grande, que cedeu a Capela 
São Miguel, também situada 
em Inhoaíba. 
Na mesma celebração, Dom 
Orani deu posse ao primeiro 
administrador paroquial, padre 
Felipe de Souza Pertence, até 
então, vigário paroquial da Pa-
Cardeal Tempesta, cônego Luiz Carlos, padres Felipe, Fábio, Alan Dias e demais concelebrantes
róquia Santa Sofia, em Cosmos. 
O trabalho de preparação para 
instalação da nova paróquia 
foi conduzido pelo pároco de 
Santa Sofia, padre Fábio Santos 
de Mello, que se empenhou na 
criação e o fortalecimento das 
pastorais, reformas estruturais 
dos prédios da comunidade e 
o início da construção da casa 
paroquial.
Na homilia, ao refletir sobre 
o episódio da cura de Pedro e da 
ação missionária de Jesus (Mar-
cos 1,29-39), Dom Orani lem-
brou aos fiéis que a comunidade 
não deve esperar que as pessoas 
venham até a paróquia. O arce-
bispo lembrou – como narra o 
Evangelho -, que a sogra de Simão 
estava de cama, com febre, e Jesus 
se aproximou, segurou sua mão e 
ajudou-a a levantar-se. Então, a 
febre desapareceu, e ela começou 
a servi-los.
“A ‘Igreja em saída’ que 
tanto falamos é ir ao encontro 
das pessoas onde elas estão, e 
não esperar que venham até a 
comunidade. Inclinar-sesobre 
as pessoas significa ressuscitar, 
trazer à vida. A nossa missão de 
ir às casas para proclamar a Boa 
Notícia às pessoas é para que 
elas se levantem de suas mortes 
e passem a viver como homens 
e mulheres novos”, disse. 
“O nosso anúncio deve levar 
as pessoas a fazer uma verdadei-
ra experiência do amor a Deus. 
Ao serem evangelizadas e terem 
experimentado a libertação em 
suas vidas, elas devem passar 
também a colocar-se a serviço 
dos outros. A experiência de 
sentir o amor de Deus deve le-
var a contagiar as pessoas com 
o bem, a buscar a vida que se 
encontra somente em Jesus, o 
único que tira todos os males do 
coração”, destacou o arcebispo.
Dom Orani concluiu sua 
homilia convidando os fiéis a 
serem missionários itinerantes, 
irem a todos os lugares geográ-
ficos ou não que necessitam 
de evangelização, de anunciar 
a Palavra de Deus. “Peço a 
Deus que esse espírito e ardor 
missionário coloquem todos a 
caminho para que as pessoas 
desta região da cidade possam 
fazer uma bela experiência do 
amor de Deus em suas vidas”.
CARLOS MOIOLIPadre Felipe faz a profissão de fé e o juramento de fidelidade
FOTOS: GUSTAVO DE OLIVEIRA
12 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ
A então Capela São Se-bastião, em Inhoaíba, hoje Paróquia São Se-
bastião, criada e instalada no 
dia 11 de janeiro de 2023 pelo 
arcebispo do Rio de Janeiro, 
Cardeal Orani João Tempesta, 
foi criada oficialmente no dia 
20 de janeiro de 1930 com a 
presença de Dom Benedet-
to Aloisi Masella, na época 
núncio apostólico do Brasil, 
residente no Rio de Janeiro. A 
compra do terreno, com escri-
tura, onde se encontra locali-
zada a capela foi feita em 1923 
pela quantia de 200 mil réis.
Antes dessa data, já exis-
tiam atividades pastorais na 
capela sob os cuidados da 
Paróquia Nossa Senhora do 
Desterro, em Campo Grande, 
da qual era vinculada.
Em 1º de janeiro de 1945, 
com a criação da Paróquia 
Santa Sofia, em Cosmos, a ca-
pela passou a pertencer a esta 
paróquia, que teve como seu 
primeiro pároco o padre José 
Avelino Fernandes Quadra, 
que recebeu a provisão canô-
nica no dia 13 de abril de 1951. 
De acordo com anotações 
do livro de Tombo da Paró-
quia Santa Sofia, percebe-se o 
grande “fascínio que o glorioso 
mártir exerce sobre nossa gen-
te”. Tais aspectos demonstram 
a grande devoção da população 
pelo santo padroeiro da comu-
nidade.
Vale destacar a presença 
das Pias Filhas de Maria como 
um grande serviço espiritual 
da capela. Outro forte ponto de 
evangelização são as aulas de 
catecismo nas escolas do bair-
ro e as primeiras comunhões 
dos alunos.
No dia 18 de agosto de 1955, 
é concedida a autorização para 
a permanência do Santíssimo 
Sacramento na Capela São 
Sebastião.
Por volta do ano de 1975, 
começaram a serem formados 
os primeiros grupos de Círcu-
los Bíblicos em Inhoaíba com o 
apoio do pároco, o então padre 
Geraldo Barcelos. 
Em 1978, a comunidade 
começou a contar com a pre-
sença de seminaristas que 
muito auxiliaram e continuam 
Paróquia São Sebastião, em Inhoaíba
auxiliando no trabalho pasto-
ral. Vale destacar o apoio de 
Domingos Ormonde e Gustavo 
Auler, com a supervisão do 
padre José dos Santos Almeida, 
que muito dinamizaram os 
cuidados pastorais no tempo 
em que aqui se dedicaram. No 
ano seguinte, em julho de 1979, 
o terreno da capela começou a 
ser murado.
Uma grande tentativa de 
aumentar o sentido de res-
ponsabilidade e união comu-
nitária foram os chamados 
“Encontros de Base”, que 
começaram a ser realizados 
em 1978, e a “Assembleia 
Comunitária”. Junto com o 
conselho comunitário, tais 
encontros favoreciam um 
senso de responsabilidade e 
de comunidade para os fiéis. 
No início, ta is encontros 
e conselhos não possuíam 
muita adesão, mas graças a 
insistência e perseverança 
do padre José dos Santos foi 
possível e importante a reali-
zação dos mesmos.
Em março de 1982, acon-
teceram as primeiras Vias-
-Sacras pelas ruas do bairro 
de Inhoaíba.
Em setembro de 1982, acon-
teceu a chamada “Semana 
Alicerce” na Matriz de Nossa 
Senhora da Conceição, em 
Santa Cruz, a nível vicarial. 
Tal iniciativa foi realizada pela 
primeira vez em outubro do 
mesmo ano a nível paroquial. 
A experiência foi muito im-
portante para a formação dos 
leigos da comunidade.
Já em 1983, a Capela São Se-
bastião contava com a existên-
cia de dez grupos de Círculos 
Bíblicos e 28 catequistas. 
Em 1984, as festas do pa-
droeiro da Capela São Sebas-
tião começaram a ser prepara-
das por uma equipe. Em 1985, 
ficou evidente a necessidade 
de uma preparação espiritual 
para a festa do padroeiro de 
São Sebastião. Tal preparação 
é feita no ano de 1986, com 
uma semana devocional antes 
do dia do padroeiro.
Em 1989, assumiu a paró-
quia o padre Parampathu Ku-
riakose Kuncherya, conhecido 
como padre Tiago, falecido no 
dia 20 de setembro de 2014, 
que muito contribuiu para o 
crescimento da fé da comu-
nidade, incentivando “mais a 
oração que as falas”. Ainda em 
1989, deu-se início a algumas 
obras de reformas na Capela 
São Sebastião.
Em 1990, foi criado o Grupo 
de Oração Boa-Nova, vincula-
do à Renovação Carismática 
Católica. Pelos relatos da visita 
pastoral realizada em 1993, 
o referido grupo possuía em 
média 120 membros. Na última 
sexta-feira do mês, era realiza-
da uma vigília com a participa-
ção de cerca de 200 pessoas.
A partir das experiências 
vivenciadas em sua terra natal, 
em 1992, padre Tiago criou o 
grupo denominado “Pequenos 
Missionários” com as crianças 
da comunidade. O mesmo 
tinha como objetivo, além da 
perseverança na vida de ora-
ção, arrecadar donativos nas 
casas das pessoas da comuni-
dade em prol dos mais neces-
sitados. 
Em setembro de 1993, o 
bispo auxiliar do Rio Dom Karl 
Josef Romer, ao realizar a visita 
pastoral, ficou impressionado 
com a “formação que o povo 
mostra ter, pelo espírito de 
comunidade e sensibilidade 
eclesial”, destacando que, bre-
vemente, a capela poderia se 
tornar paróquia.
Visando tal perspectiva, 
em 1996, foi feita uma reforma 
em algumas salas da cate-
quese e elaborado um projeto 
para construção de uma casa 
paroquial, mas por motivos 
diversos a criação da paróquia 
não foi possível.
Em dezembro de 1996, foi 
provisionado o diácono Nelson 
Primitiva capela na década de 1930
Fachada da capela em 1993 Em obras no ano 2000
FOTOS: DIVULGAÇÃO
ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 13
Soares Filho para auxiliar os 
serviços pastorais, principal-
mente na Capela São Sebas-
tião.
Na visita pastoral de 1997, 
foi relatada a existência de 17 
catequistas e seis auxiliares 
na Capela São Sebastião com 
a frequência de aproximada-
mente 350 catequizandos. 
Além de já contar com uma 
considerável vida pastoral, que 
igualava a vivência comunitá-
ria e de evangelização de sua 
matriz.
Em 1998, foi terminada 
a construção da quadra de 
eventos na capela. No grande 
Ano do Jubileu de 2000, mais 
exatamente em março, foi 
dado o início da construção 
do atual templo da Capela São 
Sebastião, tendo em vista que 
a construção existente já não 
comportava o número de 350 
fiéis (em média) que participa-
vam das missas, além do esta-
do precário que se encontrava 
a construção com infestação 
de cupim no forro e nas estru-
turas de madeira da mesma.
Com a ajuda dos fiéis e de 
amigos, padre Tiago conseguiu 
terminar uma primeira fase da 
obra no dia 18 de novembro, fi-
cando a torre para a finalização 
no ano seguinte. A construção 
de um viaduto em frente à 
capela, inaugurado em 18 de 
dezembro de 2011, desfavore-
ceu a visibilidade da fachada 
da igreja. 
Em agosto de 2014, foi 
realizada a primeira tarde de 
louvor na Capela São Sebas-
tião com animação do então 
vigário paroquial, padre Fábio 
de Mello. No mês seguinte, em 
meio aos festejos da padroeira 
da matriz, faleceu o padre 
Tiago, que muito marcou o 
território paroquial com seu 
ardor missionário.
Padre Fábio Santos de 
Mello, ordenado em 10 de maio 
de 2014, assumiu entãocomo 
pároco da Paróquia Santa Sofia 
e continua o cuidado e o apos-
tolado junto aos fiéis.
Ao longo do tempo, a capela 
Fachada da Capela São Sebastião, em Inhoaíba
Visita da imagem de São Sebastião
foi adquirindo suas tradições e 
dinâmicas próprias, bem como 
alguns eventos tradicionais, 
tais como: a citada tarde de 
louvor, a visita da imagem 
peregrina durante a Trezena 
do padroeiro da arquidiocese, 
o “Jantar com Maria”, o “Arraiá 
do Tião”, entre outros. 
Com as diversas atividades 
e eventos foi possível realizar 
algumas melhorias na comuni-
dade, como por exemplo, uma 
obra de reforma e pintura do 
templo e adjacências realiza-
das em 2016. Além do aspecto 
físico é notável o crescimento 
espiritual e o cuidado pastoral 
ao longo de todo o histórico da 
comunidade.
A Capela São Sebastião pos-
sui um terreno de aproximada-
mente 1.750m². O templo mede 
330m² com uma pequena 
sacristia e a Capela do Santíssi-
mo. Há ainda um prédio pasto-
ral de dois andares com 165m² 
(em cada andar), contendo no 
térreo duas salas, uma cantina, 
uma sala para paramentos; e 
no segundo andar há quatro 
salas para catequese e dois 
banheiros. Consta ainda 
em nosso terreno: dois banhei-
ros, uma cozinha e depósito, 
além de uma quadra para even-
tos com aproximadamente 345 
m² e um pátio descoberto com 
aproximadamente 390 m² que 
funciona como estacionamen-
to e é utilizado como área de 
evento nas grandes festas. 
SÃO MIGUEL ARCANJO
A Capela São Miguel, si-
tuada na Rua Ponte de Pedra, 
Aguiar Torres, em Inhoaíba, 
foi inaugurada no dia 19 de 
Dom Orani e padre Tiago na Trezena de 2012
novembro de 2005, ano que 
foi comprado o terreno, pelo 
pároco da Paróquia Santa Te-
resinha, em Campo Grande, 
na época, padre Jorge Pereira 
Bispo.
Construída em um período 
de muita violência urbana, o 
padre Jorge invocou a inter-
cessão do arcanjo, pois “só 
São Miguel pode entrar nessa 
guerra”. 
As atividades se iniciaram 
com um grupo dos Círculos 
Bíblicos organizado na casa de 
dona Dóia, e, depois, na sede 
da associação de moradores.
Com a aquisição do terreno 
localizado na Rua Ponte de 
Pedra, a comunidade começou 
a se reunir no local, onde já 
havia uma construção. Assim 
foi colocado o telhado e o 
contrapiso no galpão, sendo 
posteriormente feitas as me-
lhorias no local.
Até a criação da Paróquia 
São Sebastião, a Capela São 
Miguel Arcanjo pertencia à 
Paróquia Santa Teresinha 
do Menino Jesus, em Campo 
Grande.
CARLOS MOIOLI 
Primeira missa de padre Felipe na capela em maio de 2022 Interior da capela durante Trezena do padroeiro
FOTOS: DIVULGAÇÃO
ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 15
Para celebrar o Domingo 
da Palavra de Deus, instituí-
do pelo Papa Francisco no 3º 
Domingo do Tempo Comum, 
a Arquidiocese do R io de 
Janeiro convocou para o dia 
22 de janeiro os que estão 
diretamente na missão e no 
serviço da Palavra de Deus: 
catequistas, agentes de Pas-
toral e coordenadores dos 
Círculos Bíblicos. 
A Pastoral da Pessoa com 
Deficiência (Pasped) também 
se fez presente com repre-
sentantes do Mov imento 
Ecumênico da Fraternidade 
Cristã (FCD), Catequese Di-
Pasped participa, na Catedral do Rio,
do Domingo da Palavra Deus
Representantes da Pastoral da Pessoa com Deficiência na Missa do Domingo da Palavra de Deus, realizada na Catedral de São Sebastião
Dom Antonio Catelan e os intérpretes em Libras
ferenciada, Pastoral do Cego 
e Pastoral do Surdo. 
A manhã solene iniciou-se 
às 9h com a Oração da Igreja, 
Liturgia das Horas e momen-
to de grande silêncio para que 
a Palavra de Deus proclamada 
penetrasse nas mentes e nos 
corações. A Catedral era as-
sembleia orante! 
Em seguida, deu-se início 
a celebração eucarística das 
10h, presidida pelo arcebispo 
metropolitano, Cardeal Orani 
João Tempesta, e concelebra-
da pelo bispo auxiliar Dom 
Antônio Catalan e demais 
sacerdotes. 
Na Liturgia da Palavra, a 
primeira leitura do profeta 
Isaías foi proclamada em brai-
le por um membro da Pastoral 
do Cego e toda a celebração foi 
interpretada por quatro intér-
pretes da Língua Brasileira de 
Sinais (Libras) das comunida-
des do Méier, Lagoa, Penha e 
São João de Meriti. 
As comunidades de surdos 
da Arquidiocese do Rio pre-
sentes foram as paróquias do 
Imaculado Coração de Maria, 
no Méier, Santa Margarida 
Maria, na Lagoa, Bom Jesus 
da Penha, na Penha, Nossa Se-
nhora do Desterro, em Campo 
Grande, Nossa Senhora de 
Fátima, no Pechinha, São João 
Bosco, no Riachuelo, e São 
Francisco Xavier, na Tijuca.
Da Arquidiocese de Nite-
rói, a Paróquia Santana, na 
Porciúncula, e da Diocese de 
Duque de Caxias, a Paróquia 
de São João Batista, de São 
João de Meriti. 
Da FCD estiveram presen-
tes o Núcleo da Tijuca, duas 
cadeirantes, voluntárias e 
grande número da Catequese 
Diferenciada com as catequis-
tas e coordenação. 
Após a Sagrada Comu-
nhão, Dom Orani entregou a 
cada representante dos nove 
vicariatos da arquidiocese e 
aos representantes da Cate-
quese Diferenciada e da Pas-
toral do Surdo exemplares da 
Bíblia, ratificando a missão de 
uma Igreja permanentemente 
missionária e evangelizadora. 
Ainda, no final toda a assem-
bleia recebeu um versículo bí-
blico das mãos dos sacerdotes. 
Dom Catelan anunciou, no 
final da missa, que a arquidio-
cese está preparando material 
e todo o rito de preparação 
a todos os catequistas, que, 
a partir de então, serão um 
ministério dentro da Igreja.
O Papa Francisco insti-
tuiu, recentemente, o mi-
nistério de catequista: uma 
necessidade urgente para 
a evangelização no mundo 
contemporâneo. 
Ainda destacou que a Pa-
lavra de Deus deve estar nos 
corações das pessoas, em 
todos os lugares e em todas 
as situações humanas, refor-
çando que a Palavra é sempre 
luz no caminho do cristão.
Louvemos a Deus por esse 
domingo celebrado com fé, 
alegria e esperança em nossas 
comunidades e pastorais. 
PROFESSOR CESAR BACCHIM
COORDENADOR ARQUIDIOCESANO DA 
PASPED
FOTOS: DIVULGAÇÃO
16 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ
“Estamos reunidos no Dia 
do Senhor, a páscoa semanal 
dos cristãos, para ouvir o Se-
nhor que nos fala ao coração 
e que também nos convida a 
colocar em prática a Palavra 
de Deus em nossa vida”, disse 
o arcebispo do Rio de Janeiro, 
Cardeal Orani João Tempesta, 
na acolhida da missa do Do-
mingo da Palavra de Deus, na 
Catedral de São Sebastião, no 
Centro, no dia 22 de janeiro.
Segundo explicou Dom 
Orani, o Domingo da Palavra 
de Deus, que neste ano teve 
como tema: ‘Nós vos anuncia-
mos o que vimos’ (1 Jo 1,3), foi 
instituído pelo Papa Francisco 
há quatro anos, para ser cele-
brado no 3º Domingo do Tempo 
Comum, com a finalidade de 
valorizar a Palavra de Deus na 
comunidade. 
“O Senhor passa hoje no 
meio de nós para confirmar a 
nossa caminhada de comunhão 
e de unidade. Como é bonito ver 
representantes da Iniciação à 
Vida Cristã, Círculos Bíblicos, 
Novas Comunidades e de tantas 
outras pastorais e ministérios 
que exercem a missão com o 
Envio de agentes pastorais em missão marca 
o Domingo da Palavra de Deus na arquidiocese
O Domingo da Palavra de Deus foi instituído pelo Papa Francisco com a finalidade de valorizar a Palavra de Deus na comunidade
Diácono Artur, padre Allexsandro e agentes pastorais junto com as Bíblias doadas 
anúncio da Palavra de Deus”, 
disse o arcebispo, anuncian-
do que no próximo ano, na 
mesma celebração, irá investir 
com o caráter de ‘ministério’ 
os catequistas que servem com 
dedicação a Igreja.
Entre os concelebrantes esta-
vam o bispo auxiliar e animador 
da Iniciação à Vida Cristã, Dom 
Antônio Luiz Catelan Ferreira, 
o coordenador arquidiocesano 
de pastoral, cônego Cláudio dos 
Santos, o vigário episcopal do 
Vicariato Norte, cônego Aldo 
de Souto Santos, e os padres 
Allexsandro Martins Valente e 
Vanderson de Oliveira.
A celebração eucarística, 
que pôde ser acompanhada em 
braile e pela Língua Brasileira 
de Sinais (Libras), contou com 
o ícone da Visitação de NossaSenhora que está em visita nos 
vicariatos da arquidiocese de 20 
de janeiro até 19 de março, para 
incentivar e dinamizar a ação 
missionária. 
Durante a celebração, Dom 
Orani deu a bênção de envio 
para os agentes pastorais repre-
sentantes dos noves vicariatos 
episcopais da arquidiocese, 
entregando para cada um, de 
forma simbólica, um exemplar 
da Bíblia. Antes da missa, os 
moradores em situação de rua 
atendidos pela Pastoral Social 
da Catedral de São Sebastião, 
durante o café da manhã, tam-
bém receberam cada um exem-
plar da Bíblia. 
Na homilia, ao refletir a li-
turgia do dia, Dom Orani convi-
dou os fiéis a fazerem memória 
de quando Cristo os chamou 
para segui-Lo: “onde estáva-
mos? Jogando ou consertando 
as nossas redes?” O arcebispo 
incentivou a todos para não 
perder tempo, que a missão é 
permanente e sempre é preciso 
para dar um passo a mais para 
bem realizar a missão.
“Sempre há necessidade 
de dar um passo a mais para 
responder as necessidades da 
evangelização. O mundo é 
uma galileia de pagãos que aos 
poucos perde os valores cristãos 
e também estão cansados e 
abatidos com tantas situações. 
Como Igreja, precisamos rea-
vivar o dom de Deus em nossas 
vidas, e, com renovado ardor, 
contagiar as pessoas com a Boa 
Notícia da salvação”, disse. 
“É preciso deixar que a Pala-
vra de Deus nos fale ao coração, 
à nossa vida e nos impulsione 
em anunciar Jesus Cristo as pes-
soas que estão perto ou longe. 
Ele é a nossa salvação e razão 
de nossa existência. Enquanto 
FOTOS: PASCOM
ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 17
Igreja façamos a diferença no 
mundo que necessita de tes-
temunhas. Sejamos aqueles 
que semeiam e sejam um sinal 
de esperança e confiança no 
mundo”, concluiu o arcebispo. 
TESTEMUNHOS
Contemplar o rosto de Jesus
“Nosso Papa, ao instituir o 
Domingo da Palavra de Deus, 
nos ensina que a Palavra de 
Deus sempre deve estar no 
início, quer das celebrações, 
do ano, da vida”, disse Agar 
Vinagre, da Animação Bíblica 
de Pastoral do Rio de Janeiro 
(ABPRJ), da Paróquia São Ra-
fael Arcanjo, em Vista Alegre.
“Desde a véspera, ao or-
ganizar com amigas algumas 
das bíblias a serem doadas aos 
assistidos pela Catedral durante 
o café da manhã, manuseando 
uma a uma, numa prévia de 
tudo que estava por vir neste 
Domingo da Palavra de Deus, 
não imaginava os rostos nem 
as reações, mas no dia 22 de 
janeiro, eu contemplei o rosto 
de Jesus”, disse.
“Abençoado domingo no 
qual pude experimentar nova-
mente o amor de Deus mais de 
perto, vendo o próprio Jesus nos 
irmãos assistidos da Catedral, 
eles que receberam com alegria 
as Sagradas Escrituras. Pude 
falar com alguns, incentivando 
a ler e crer na Palavra de vida, a 
ouvir Deus através das Escritu-
ras, que os ama incondicional-
mente”, destacou Agar Vinagre.
Gratidão
“Eu louvo, bendigo e agra-
deço ao Senhor pelo Domingo 
da Palavra de Deus. Foi uma 
manhã maravilhosa, meu co-
ração ardia de tanta alegria e 
gratidão a Jesus pela sua infinita 
misericórdia de se fazer precisar 
de mim, de eu ser um canal do 
Dom Orani com ministros extraordinários da Sagrada Comunhão e membros da Comissão Arquidiocesana da Iniciação à Vida Cristã 
Dom Catelan com agentes pastorais do Vicariato Norte Agentes pastorais do Vicariato Suburbano
seu amor, da sua graça aos teus 
filhos amados tão necessitados 
de vós, de ver em cada um deles 
a tua presença, foi um momen-
to de levar, partilhar e também 
receber a tua Palavra”, partilhou 
Sueli Farias, da Paróquia Nossa 
Senhora do Amparo e Santa 
Maria Goretti, em Cascadura.
Consciência de ser 
missionários 
Para Maria Helena da Silva, 
do Santuário da Divina Mise-
ricórdia, em Vila Valqueire, 
a celebração proporcionou a 
participação de todos, “na qual 
nós, enquanto membros da 
Igreja, fomos exortados a assu-
mir a consciência de que somos 
missionários desde o nosso 
Batismo. Pois sem a dimensão 
missionária, a Igreja perde a sua 
razão de ser”.
“É muito importante ter-
mos a Bíblia como referência, 
falar da vida à luz da Palavra 
de Deus. A preocupação em 
coletar bíblias e distribuí-las, 
principalmente para os assis-
tidos, favorece ainda mais a 
ação evangelizadora. Pois cria 
condições para que o Evangelho 
seja melhor vivido a cada dia. E 
colaborando com essa vivên-
cia, estão os Círculos Bíblicos, 
caminho eficaz para o exercí-
cio da atividade missionária”, 
destacou Maria Helena da Silva.
Sede de Deus
Jeferson Macedo, que parti-
cipa da Animação Bíblica de Pas-
toral do Rio de Janeiro (ABPRJ) 
na Paróquia Nossa Senhora do 
Desterro, no Vicariato Campo 
Grande, contou ser gratificante 
participar do café da manhã 
com os assistidos em situação de 
vulnerabilidade e ver o quanto 
eles se sentiram acolhidos, como 
eles estavam sedentos do pão da 
Palavra de Deus.
“Eles receberem o exemplar 
da Bíblia e não se apressavam 
em ir embora. Pelo contrário, 
muitos ficaram dialogando 
conosco sobre seus anseios; e 
também o zelo e carinho pelos 
companheiros que não con-
seguiram chegar para receber 
uma Bíblia”, acrescentou. 
Jeferson Macedo desta-
cou três momentos que foram 
marcantes na distribuição dos 
exemplares da Bíblia: “uma ges-
tante que emocionada chorou 
ao receber a Bíblia, pois era o 
primeiro presente que recebia, 
e que iria ler a Palavra de Deus 
todos os dias para o seu filho”. 
Também “um idoso que ficou 
muito feliz em receber uma 
Bíblia nova, pois a sua já estava 
muito rasgada e ele já não con-
seguia ler direito, e aproveitou 
para pedir uma com letras graú-
das”. Ainda “um jovem que pe-
diu para escolher na mesa uma 
Bíblia grande dizendo que tem 
muito interesse em conhecer 
mais a Palavra de Deus”.
Semeadores da Palavra de 
Deus
Os coordenadores dos Cír-
culos Bíblicos da Paróquia 
Santa Teresinha do Menino 
Jesus, em Botafogo, no Vica-
riato Sul, Marco Antonio de 
Araújo e Margarete Araújo, 
ficaram felizes – a convite de 
José Virginio, coordenador 
dos Círculos Bíblicos, em 
Campo Grande –, em partici-
par da celebração com todos 
os anunciadores das Palavras 
de Deus.
Ambos externaram, por es-
crito, suas satisfações: “Mesmo 
sem saber qual seria a missão, 
disse ‘ eis-me aqui’. Tal qual 
não foi a minha surpresa, nós 
os 11 representantes dos Círcu-
los Bíblicos, fomos levados ao 
presbitério e não ao altar onde 
acontece toda a ação de graças, 
onde se recorda o mistério de 
Cristo, que se entregou e deu 
a vida por nós. No fim da mis-
sa, fomos levados à presença 
do Dom Orani, onde fomos 
presenteados, cada um de nós, 
com uma Bíblia, ou seja, com a 
Palavra de Deus para semearmos 
em todos os lugares”.
“Foi para nós um dia muito 
gratificante! Nos sentimos muito 
bem acolhidos tanto pelos or-
ganizadores, pelo presidente da 
assembleia, assim como por seus 
auxiliares e, também, pela assem-
bleia onde conhecemos gente 
nova e tivemos a oportunidade 
de fazermos novas amizades”, 
destacou Marco Antonio Araújo.
CARLOS MOIOLI
FOTOS: PASCOM
18 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ
O Concílio Vaticano II aborda o 
tema da vocação como um clamor 
dirigido a todos, ligado à missão da 
Igreja e relacionado com o chamado 
universal à santidade, como aparece, 
por exemplo, na Constituição 
Dogmática Lumen Gentium (cf. LG 
39.51).
Cada fiel deve buscar a perfeição 
da caridade, edificando o próximo 
pela prática dos conselhos 
evangélicos: castidade, obediência, 
pobreza.
Na Constituição Pastoral Gaudium 
et Spes surge com mais evidência 
o caráter comunitário: diante do 
chamado de Deus, cada pessoa 
responde à própria vocação graças ao 
encontro com os irmãos e irmãs, no 
diálogo e no serviço mútuo (cf. GS 
24-25).
Já o Decreto Apostolicam 
Actuositatem ressalta a missão do 
laicato, entendendo o apostolado 
como qualquer atividade que ordene 
o mundo para Cristo (cf. AA 7). As 
comunidades cristãs devem promover 
todas as vocações, testemunhando 
uma espiritualidade de comunhão.
A leitura do Documento de 
Aparecida, com as conclusõesda V 
Conferência Geral do Episcopado 
Latino-Americano e Caribenho, em 
2007, permite notar que o chamado 
é fruto de um amor que se antecipa 
na busca do ser amado, conduzindo-o 
ao amor-serviço e à autodoação como 
pessoa eucarística, alimento para a 
vida do semelhante: “Conhecer Jesus 
é nossa alegria; segui-Lo é uma graça, 
e transmitir esse tesouro aos demais é 
uma tarefa que o Senhor nos confiou 
ao nos chamar” (DAp 18).
Nosso amado Papa Francisco, 
participante ativo na V Conferência, 
se inspirou nela e na Exortação 
Evangelii Nuntiandi (Paulo VI, 1975) 
para apresentar sua “programática” 
Exortação Evangelii Gaudium, onde 
coloca em relevo a dimensão da 
misericórdia, a cultura do encontro e 
a conversão pastoral para uma Igreja 
Vocação: Graça e Missão (3ª parte)
“A vocação é graça. Cada um de nós participa respondendo ao dom recebido de forma 
gratuita e generosa. Todos são presenteados por Deus com sua vocação”. (Texto-Base, 32)
O objetivo do 
acompanhamento 
vocacional é 
ajudar a discernir o 
chamado de Deus, 
fundado na escuta, 
testemunhando a 
verdade e o amor
em saída, anunciando o Evangelho 
com alegria (cf. EG 10).
Em 2018, foi realizado o Sínodo 
dos Bispos sobre os jovens, dando 
origem à Exortação Christus Vivit, 
na qual o Papa Francisco fala sobre 
o discernimento, desenvolvido 
em três sensibilidades de escuta: 
ouvir o outro, discernir e orientar o 
coração ao Senhor (cf. ChV 292-294). 
O objetivo do acompanhamento 
vocacional é ajudar a discernir o 
chamado de Deus, fundado na escuta, 
testemunhando a verdade e o amor, 
resplandecendo a amizade de Jesus, 
apontando o caminho da vida, da 
santidade e do serviço.
DOM CÉLIO DA SILVEIRA 
CALIXTO FILHO
BISPO REFERENCIAL DA 
PASTORAL VOCACIONAL
VATICAN NEWS
 TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL 19
Prezados irmãos no episcopa-
do e no sacerdócio,
Com grande alegria recebo a 
todos, na abertura deste 32º Curso 
para Bispos da Arquidiocese de São 
Sebastião do Rio de Janeiro, agora 
novamente presencial, depois de 
dois anos em formato on-line, de-
vido à pandemia. O retorno a esta 
modalidade tradicional do nosso 
encontro proporciona uma maior 
interação entre os conferencistas 
e participantes, com melhor apro-
veitamento da partilha de conteú-
dos e experiências. Não podemos 
esquecer, também, do sentido de 
colegialidade, experimentado con-
cretamente na convivência fraterna, 
da qual todos temos saudade, além 
de um merecido descanso em terras 
cariocas. Como é praxe não temos 
nenhum compromisso de chegar a 
conclusões ou decisões. As confe-
rências e os debates servem para 
nos motivar ao aprofundamento. 
Os conferencistas nacionais e in-
ternacionais nos ajudam na refle-
xão e cada um terá suas próprias 
conclusões.
O tema foi escolhido devido 
às demandas e questionamentos 
acontecidos no curso do ano pas-
sado, e que vamos desenvolver 
nestes dias, é “Novas Comunidades 
e a Evangelização hoje”. Penso que 
a escolha foi muito acertada e real-
mente sensibilizou uma boa parte 
do nosso episcopado, pois tivemos 
quase 100 bispos inscritos, embora 
alguns tiveram de desmarcar suas 
vindas devido a várias questões. 
O nosso curso pretende nos apre-
sentar uma perspectiva muito 
importante, pois trará uma riqueza 
de informações que nos auxiliarão 
em nossos trabalhos para fomentar 
e pastorear as Novas Comunidades 
que se encontram em nossas Igre-
jas particulares.
Conforme já havia expressado 
em nossas cartas, pelas quais os 
convidamos a participarem do 
nosso curso, nossa proposta “é 
apresentar e estudar o tema não 
exclusivamente de forma teórica, 
baseada em definições e deter-
minações, mas também a partir 
de algumas realidades brasileiras. 
Claro que são limitadas, pois o uni-
verso das Novas Comunidades em 
nosso país é imenso. Uma dinâmica 
de partilha e escuta sobre essas 
experiências poderá ser muito enri-
quecedora para o nosso ministério”. 
A Igreja reconhece aos fiéis, 
em virtude do batismo, o direito de 
associação e protege sua liberdade 
de fundar e dirigir. Entre as várias 
formas de concretização deste direi-
to, encontram-se as associações de 
fiéis (cf. cân. 215; 298-329 do Código 
de Direito Canônico), que, sobre-
tudo a partir do Concílio Vaticano 
II, viveram um período de grande 
florescimento, trazendo à Igreja e ao 
mundo contemporâneo abundância 
de graças e frutos apostólicos.
Na esteira do Concílio Vaticano 
II, que reconheceu no apostolado 
laical organizado uma expres-
são da vocação missionária e da 
responsabilidade dos fiéis leigos 
(cf. Apostolicam actuositatem , 1, 
18-19), São João Paulo II viu nas 
agregações de fiéis a essência da 
própria Igreja: “tornar presente 
no mundo o mistério de Cristo e a 
sua obra salvífica” (Mensagem aos 
participantes do Congresso Mundial 
dos Movimentos Eclesiais, 27 de 
maio de 1998). 
Com intuição profética, São João 
Paulo II, dirigindo-se aos movimen-
tos eclesiais por ocasião da Vigília 
de Pentecostes do ano de 1998, 
lançou-lhes um novo desafio: “Hoje 
se abre diante de vós uma nova 
etapa: a da maturidade eclesial. Isso 
não significa que todos os proble-
mas foram resolvidos. É, antes, um 
desafio. Um caminho a seguir. A 
Igreja espera de vós frutos “madu-
ros” de comunhão e compromisso”. 
(Discurso aos movimentos eclesiais 
e novas comunidades na Vigília de 
Pentecostes , 30 de maio de 1998).
Os Papas que sucederam São 
João Paulo II também se dedica-
ram a esse tema, de modo que, em 
nossos dias, constatamos um zelo 
pastoral por essas novas formas 
de associação dos leigos que pre-
cisamos não apenas ampliar com 
coração paterno, mas também com 
o conhecimento necessário para 
bem orientar essa grande parcela 
do rebanho do Senhor.
Desejo expressar, neste mo-
mento, nossa gratidão a todos os 
conferencistas que se dispuseram 
a compartilhar conosco neste curso 
seus saberes e suas experiências. 
Neste curso queremos fazer me-
mória do primeiro conferencista que 
abriu este evento ao qual faço men-
ção, com reverente e grata memória, 
o saudoso Papa Emérito Bento XVI, 
que estará para sempre ligado ao 
nosso curso. Na época, prefeito da 
Congregação para a Doutrina da 
Fé, o Cardeal Joseph Ratzinger nos 
deu a honra de ser conferencista 
na primeira edição do Curso para 
Bispos da nossa Arquidiocese (O 
múnus petrino e a Igreja no final 
deste milênio – que se transformou 
em artigo e em livro). Mais tarde, ele 
viria também aqui para um curso do 
Celam. Sobre esses detalhes e ho-
menagens versará a nossa última 
conferência deste ano.
Sobre a questão das Novas 
Comunidades, podemos lembrar 
a palavra de Bento XVI aos bis-
pos participantes do seminário de 
estudo promovido pelo Pontifício 
Conselho para os Leigos, em 17 de 
maio de 2008, quando ele explorou 
as implicações desta nova fase de 
maturidade eclesial, apontando, 
como forma de compreender ade-
quadamente as agregações dos fiéis 
Abertura e acolhida do Curso para os Bispos 2023
CARDEAL ORANI JOÃO TEMPESTA, O. CIST.
ARCEBISPO METROPOLITANO DE SÃO 
SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO
De público, expresso a ele nossos 
agradecimentos.
Também registro as participa-
ções importantes para o desdobra-
mento do nosso tema, como do Pe. 
Alexandre Awi Mello, ex-secretário 
do Dicastério para os Leigos, a Fa-
mília e a Vida, e hoje superior geral 
dos padres de Schoenstatt, que nos 
falará sobre “Acompanhamento 
e integração das Novas Comuni-
dades”.
Dom Roberto Lopes, abade 
beneditino emérito e nosso vigário 
episcopal para os Institutos de Vida 
Consagrada, Sociedades de Vida 
Apostólica, Movimentos Eclesiais 
e Novas Comunidades e também 
responsável pelo escritório da Causa 
dos Santos de nossa arquidiocese, 
que nos relatará o “Panorama de 
um fenômeno nos movimentos e 
Novas Comunidades”. 
Ao tratamos do tema das Novas 
Comunidades, nada mais oportuno 
do que conhecermos dois relatos 
de experiências específicas sobre 
Novas Comunidades que serão 
compartilhados conosco pelo Pe. 
Geovane FerreiraSilva, fundador 
e moderador da Associação Filhos 
da Preciosa Vida, e por Moysés 
Louro de Azevedo Filho, fundador 
e moderador geral da Comuni-
dade Católica Shalom, no “Painel 
com Fundadores”, e com D. Gilson 
Andrade, D. Wellington Queiroz e 
D. Wilson Tadeu Painel, no “Painel 
com Bispos”. No dia do passeio 
iremos visitar in loco um trabalho 
das Novas Comunidades em nossa 
cidade dentro da realidade de hoje 
do shopping center. Iremos a um 
deles, mas as demais experiências 
estarão presentes para partilhar as 
várias situações de evangelização.
Finalizo apresentando a todos 
os irmãos aqui presentes nossas 
boas-vindas, em meu nome e tam-
bém em nome da coordenação do 
curso, cuja equipe tem trabalhado 
incessantemente para lhes oferecer 
o que pudemos realizar de melhor, 
a fim de que tenham dias fecundos, 
motivadores e agradáveis entre nós. 
Menciono, além de D. Joel, o caríssi-
mo Con. Cláudio dos Santos, nosso 
coordenador de pastoral.
O Espírito Santo nos assista na 
unidade, na partilha e na aquisição 
de conhecimentos para que tudo 
seja colocado a serviço da Igreja e 
para o bem do povo de Deus. 
Espero que tenham um bom 
descanso aqui no Rio e aprovei-
tem este tempo de aprofunda-
mento. Boa noite e bom curso 
para todos. 
à luz do desígnio de Deus e da mis-
são da Igreja, uma comunhão mais 
madura de todos os componentes 
eclesiais, porque todos os carismas, 
respeitando a sua especificidade, 
podem contribuir plena e livremente 
para a edificação do único corpo de 
Cristo. 
Neste ano, temos a participação 
do ilustre Cardeal da Santa Sé, pre-
feito do Dicastério para os Leigos, 
a Família e a Vida, o Cardeal Kevin 
Farrell, que estará conosco na tarde 
de amanhã para nos falar sobre 
“Desafios e caminhos: uma visão do 
Dicastério responsável pelas Novas 
Comunidades”.
Por outro lado, lamentamos a 
ausência de Dom Edgar Peña Parra, 
substituto na Secretaria de Estado, 
que precisou desmarcar sua vinda 
ao Rio de Janeiro para proferir uma 
conferência em nosso curso, devi-
do à mudança de data da viagem 
do Santo Padre à Africa e que ele 
necessita de assessorar.
Manifesto nossa gratidão ao 
apoio da CNBB a este evento, na 
pessoa de seu secretário geral, Dom 
Joel Portella Amado, que acompa-
nha e coordena o curso conosco. 
Nesse sentido, agradecemos a D. 
Karl Josef Romer os anos em que 
coordenou este curso.
Outro irmão no episcopado 
que nos falará nestes dias é Dom 
Antônio Luiz Catelan Ferreira, nos-
so bispo auxiliar e membro da 
Comissão Teológica Internacional, 
que nos falará sobre “As Novas 
Comunidades e a relação entre os 
dons carismáticos e os dons hie-
rárquicos: eclesiologia e pastoral a 
serviço do Evangelho” e encerrará o 
nosso curso com “As Conferências 
do Cardeal Josef Ratzinger no 1º 
Curso para Bispos (1990)”.
Agradecemos, também, a dis-
ponibilidade do grande canonista, 
Mons. Luís Navarro, Reitor da Pon-
tifícia Universidade da Santa Cruz, 
em compartilhar conosco seu co-
nhecimento sobre o tema do nosso 
curso, através de duas conferências 
relativas “As novas comunidades 
eclesiais: sua colocação na Igreja e 
no Direito” e “Sacerdotes e novas 
comunidades”.
Ao citar a disponibilidade do 
Mons. Luis Navarro, quero des-
tacar que ele está nos prestando 
uma inestimável colaboração nas 
questões ligadas às Novas Comu-
nidades, ao longo de todo o dia de 
hoje. Desde a manhã até a tarde 
desta 2ª feira, tivemos uma Jornada 
de Estudos Canônicos dedicada aos 
leigos representantes de associa-
ções, movimentos e Novas Comu-
nidades da nossa Arquidiocese e 
do Regional Leste 1, constando de 
quatro palestras do Mons. Navarro. 
GUSTAVO DE OLIVEIRA
Cardeal Tempesta na abertura do Curso para os Bispos, no Sumaré
CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ20
De 23 a 27 de janeiro, no 
Centro de Estudos do Sumaré, 
no Rio de Janeiro, ocorreu a 
32ª edição do Curso Anual dos 
Bispos do Brasil, com a temá-
tica: “Novas comunidades e a 
evangelização hoje”. 
Realizado desde 1990, este 
ano o curso teve entre os con-
ferencistas o Cardeal Kevin Far-
rell, prefeito do Dicastério para 
os Leigos, a Família e a Vida, e 
o padre Luis Navarro, reitor da 
Pontificia Università della Santa 
Croce, em Roma.
Na abertura do curso, reali-
zada na noite de segunda-feira, 
23 de janeiro, o arcebispo do 
Rio de Janeiro, Cardeal Orani 
João Tempesta, ressaltou o fato 
de que essa é a primeira edição 
do curso realizada de forma 
presencial desde a pandemia do 
Covid-19. Segundo Dom Orani, 
“o tema foi escolhido devido às 
demandas e questionamentos 
acontecidos no curso do ano 
passado” e que esse tema tra-
balhado nas conferências “trará 
uma riqueza de informações 
que nos auxiliarão em nossos 
trabalhos para fomentar e pas-
torear as novas comunidades 
que se encontram em nossas 
Igrejas particulares”.
Presente no evento, o nún-
cio apostólico no Brasil, Dom 
Giambattista Diquattro, desta-
cou que a Igreja no Brasil está 
atenta aos sinais dos tempos, 
ao Espírito que inspira ao nosso 
tempo um estilo de comunhão 
a partir da sinodalidade, que 
cria novas formas de vivência 
da vida cristã. O bispo auxiliar 
do Rio de Janeiro e secretário-
-geral da CNBB, Dom Joel 
Portella Amado, indicou que a 
temática do curso pode ajudar 
o episcopado nos estudos e nos 
trabalhos já desenvolvidos pela 
Conferência Episcopal.
Na manhã de terça-feira, 
24 de janeiro, os bispos par-
ticiparam de um painel com 
o cônego Geovane Ferreira, 
fundador da Associação Fa-
mília da Preciosa Vida, e com 
Moysés Azevedo, fundador da 
Comunidade Católica Shalom; 
e de outro painel com os bis-
pos Dom Gilson Andrade, de 
Nova Iguaçu, Dom Welling-
ton Queiroz, de Cristalândia 
(TO), e Dom Wilson Tadeu 
Jönck, de Florianópolis. 
Na tarde do dia 24 de ja-
neiro, o Cardeal Kevin Farrel, 
prefeito do Dicastério para os 
Leigos, Família e Vida, apre-
sentou a conferência “Desafios 
e caminhos: Uma visão do 
Dicastério responsável pelas 
novas comunidades”.
Na sua conferência, o Car-
deal Farrell recordou que a 
função episcopal é de ser um 
verdadeiro evangelizador e “não 
simplesmente um administra-
tor de estruturas eclesiásticas”. 
Dessa forma, indicou o Cardeal 
Kevin, o bispo deve contar com 
colaboradores e pode encon-
trar essa ajuda na difusão da 
mensagem de Cristo nas novas 
comunidades a que é chamado 
a motivar, encorajar e formar, 
porque esses movimentos “são 
sempre mais colaboradores do 
bispo no anúncio do Evangelho”.
Em sua análise, o Cardeal 
Farrell ressaltou que a observa-
ção da situação atual da Igreja 
no Brasil deve levar a distinguir 
entre pequenos grupos locais, 
de pouca estruturação, que, 
tendo sua importância eclesial, 
ainda assim não necessitam de 
iniciar um percurso de reco-
nhecimento jurídico, daqueles 
nascidos de um carisma, com 
identidade e história muito 
próprias. “Entrar nestas comu-
nidades, fazer parte delas – dis-
se o Cardeal Farrell –, significa 
compartilhar a espiritualidade, 
o estilo de vida, os fins apostóli-
cos. Não se trata simplesmente 
de compartilhar momentos de 
oração com um grupo, mas o 
entrar na comunidade é per-
cebido pelas pessoas como 
um chamado que comporta 
frequentemente uma mudança 
de vida radical”.
Como grande sinal de dis-
cernimento acerca dos carismas 
conferidos, Dom Farrell chama 
a atenção para o cuidado com a 
unidade da Igreja e a justa com-
preensão da ação do Espírito 
Santo, já que é dele que procede 
aquela unidade fundamental 
que se manifesta na diversidade 
dos dons e carismas. “Do único 
e idêntico Espírito vêm todos 
os ministérios que edificam a 
Igreja”, recordou o Cardeal Far-
rell. “O Espírito Santo suscita 
em alguns homens a vocação a 
ser pastores e o mesmo Espírito 
Santo suscita os carismas das 
Novas Comunidades. Sem con-
tradição. Não existe um espírito 
que inspira a hierarquia e um 
outro espírito que torna a Igreja 
viva e carismática. Assim como 
não é concebível um Espírito 
Santo que aja de fora da Igreja! 
O espírito que vivificaa Igreja é 
o Espírito Santo. O espírito que 
age contra a Igreja e que divide 
a Igreja é o espírito maligno”.
Por fim, o Cardeal Kevin 
Farrell convidou os bispos a 
considerar as Novas Comuni-
dades “como um grande dom 
que Deus fez à Igreja no Brasil”.
Na quarta-feira, dia 25 de 
janeiro, Festa da Conversão de 
São Paulo, os bispos iniciaram 
o dia com missa pelo Cardeal 
Kevin Farrell. Destacando a 
figura de São Paulo como o 
grande evangelizador que se 
abriu para a graça de Cristo, o 
cardeal convidou todos a imi-
tarem o exemplo do Apóstolo 
das Gentes na disponibilidade 
e abertura de coração na obra da 
difusão da mensagem de Cristo.
Em seguida, os estudos 
prosseguiram com uma con-
ferência do vigário episcopal 
para os Institutos de Vida Con-
sagrada, Sociedade de Vida 
Apostólica, Movimentos Ecle-
siais e Novas Comunidades da 
arquidiocese do Rio de Janeiro, 
Dom Roberto Lopes, OSB.
Em sua conferência, inti-
tulada “Movimentos e novas 
comunidades: panorama de 
um fenômeno”, Dom Roberto 
traçou um panorama históri-
co do surgimento das novas 
comunidades no contexto pós-
-Vaticano II, buscando também 
referências na experiência da 
Igreja em sua caminhada de 
Curso dos Bispos abordou o valioso papel que as 
Novas Comunidades exercem na evangelização
GUSTAVO DE OLIVEIRA
CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 21
dois mil anos. “Os Movimentos 
Eclesiais e as Novas Comuni-
dades – explicou Dom Roberto 
– encontram seu significado 
mais profundo a partir de uma 
experiência, de um encontro 
extraordinário e misterioso com 
o evento cristão. Deus se mani-
festa na história, tornando-a, 
portanto, história de salvação, 
deixando-se experimentar por 
homens e mulheres que, por 
sua vez, sentem esse divino 
encontro. Tais relatos podem 
ser verificados a partir dos 
tempos apostólicos, passando 
pelas diversas etapas da vida 
da Igreja até os nossos dias”. 
Dom Roberto destacou tam-
bém que as Novas Comunida-
des apresentam uma grande ca-
pacidade de assimilar o espírito 
trazido pelo Concílio Vaticano 
II, seja na espiritualidade, na 
formação, no apostolado ou 
na promoção das vocações e 
no incremento do testemunho 
cristão na sociedade. Dessa 
forma, concluiu Dom Roberto, 
“muitas comunidades novas 
exercem um significativo papel 
valioso na evangelização do 
nosso Brasil e no mundo”.
Também na manhã de quar-
ta-feira, 25 de janeiro, os bispos 
participaram da conferência “As 
novas comunidades eclesiais: 
sua colaboração na Igreja e no 
Direito”, apresentada pelo padre 
Luis Navarro, reitor da Pontifi-
cia Università dela Santa Croce, 
de Roma. Na parte da tarde, os 
bispos participantes do curso 
fizeram uma visita ao trabalho 
de evangelização de uma nova 
comunidade em um shopping 
center, na zona norte do Rio de 
Janeiro, e depois celebraram as 
Vésperas no Monumento do 
Da esq. para a dir., Dom Joel Portella Amado, Cardeal Kevin Farrel, Cardeal Tempesta, Dom Giambattista Diquattro e Dom Karl Josef Romer
Cristo Redentor, no Corcovado.
Na quinta-feira, 26 de janei-
ro, a primeira conferência “As 
novas comunidades e a relação 
entre os dons carismáticos e os 
dons hierárquicos: eclesiologia 
e pastoral a serviço do Evange-
lho” foi apresentada por Dom 
Antônio Luiz Catelan Ferreira, 
bispo auxiliar do Rio de Janeiro 
e professor na PUC-Rio.
Dom Antônio Catelan refle-
tiu as Novas Comunidades do 
ponto de vista propriamente 
da eclesiologia em um aspecto 
bem particular: “a relação en-
tre elas e a hierarquia eclesial. 
E o faz com a finalidade de 
evidenciar seu potencial evan-
gelizador, como oferta provi-
dencial de recursos espirituais 
e humanos em vista do anúncio 
de Jesus Cristo e da experiência 
da fé cristã que tenda a um 
profundo enraizamento pessoal 
e comunitário. Fazendo isso, 
indiretamente, dá também uma 
atenção privilegiada à relação 
entre elas e a eclesiologia sacra-
mental missionária do Concílio 
Vaticano II, inserindo a reflexão 
na trilha da aplicação, recepção 
ou hermenêutica do Concílio”.
A segunda conferência do 
dia, 26 de janeiro, foi apresen-
tada pelo padre Alexandre Awi 
Mello, ISch, que foi secretário 
do Dicastério para os Leigos, a 
Família e a Vida, com o tema: 
“Acompanhamento e integra-
ção das Novas Comunidades”.
No Curso para os Bispos do 
ano passado, padre Alexandre 
fez uma exposição sobre a “Re-
novação Carismática, CHARIS 
e Novas Comunidades”, na qual 
focou na descrição do papel do 
CHARIS, o novo e único ser-
viço internacional para todas 
as realidades que participam 
da grande “corrente de graça” 
da Renovação Carismática 
Católica. 
Neste ano, padre Alexandre 
lembrou, em sua conferência, 
a necessidade de “acompanhar 
e integrar as Novas Comunida-
des para que possam progredir 
rumo à maturidade eclesial de-
sejada e, portanto, um exercício 
da missão maternal da Igreja 
que, inspirada por Maria, Mãe 
de Jesus e da Igreja, e sob a sua 
intercessão, não abandona os 
seus filhos em suas alegrias e 
tristezas, buscas e decisões, 
mas está ao seu lado, com ter-
nura e firmeza de “Mãe e Mestra 
misericordiosa” que “continua 
a acompanhar a Igreja e a im-
plorar o Espírito, que vivifica 
todas as vocações”, que integra 
todos os carismas e, ainda hoje, 
é capaz de iluminar a vida dos 
homens e mulheres do nosso 
tempo”.
O reitor da Pontificia Uni-
versità dela Santa Croce, de 
Roma, padre Luis Navarro, fez 
a última conferência do dia 26 
de janeiro, com o tema: “Sacer-
dotes e Novas Comunidades”.
Padre Luis Navarro tratou 
em sua conferência sobre a 
presença dos clérigos e das 
vocações sacerdotais nos mo-
vimentos e nas Novas Comu-
nidades. 
“Ainda que os modos de 
conceituar estas realidades 
sejam variados, nos escritos da 
Conferência Episcopal brasi-
leira, esta optou, baseando-se 
na experiência de décadas, em 
descrever as Novas Comunida-
des como uma nova forma as-
sociativa que se distingue tanto 
das formas tradicionais como 
também dos movimentos: têm 
uma matriz carismática, podem 
ter como fundadores tanto lei-
gos, como clérigos e religiosos, 
nascem muitas vezes de grupos 
de oração da Renovação caris-
mática e realizam uma vasta ta-
refa de evangelização. Agrupam 
pessoas de diferentes estados 
de vida e atraem muitos jovens. 
Uma característica essencial é 
que constituem comunidades, 
têm fortes laços comunitários. 
Na terminologia cunhada nes-
tas terras, distinguem-se entre 
as comunidades de Vida e as de 
Aliança”, disse.
Também fez parte da pro-
gramação do dia 26 de janeiro 
um momento sobre a missão 
da Fundação Pontificia Ajuda 
à Igreja que sofre (ACN), apre-
sentado por Ana Manente e 
Rodrigo Arantes.
A única conferência apre-
sentada na sexta-feira, 27 de 
janeiro, foi feita por Dom An-
tônio Luiz Catelan Ferreira, que 
abordou sobre o Papa emérito 
Bento XVI, homenageado com 
exposições de fotos e de um 
busto. O então Cardeal Joseph 
Ratinzer foi lembrado por par-
ticipar da inauguração do Curso 
para os Bispos, em 1990, no Rio 
de Janeiro, numa feliz iniciativa 
do então Cardeal Eugenio de 
Araujo Sales. 
DA REDAÇÃORealizado no Centro de Formação do Sumaré o curso reuniu bispos de várias regiões do país
FOTOS: GUSTAVO DE OLIVEIRA
CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL22 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ
O ano era 1990. Ano em que o 
mundo veria a Alemanha Ocidental 
– resquícios de um mundo (e 
de um muro) que já não mais 
existem – vencer a Copa da Itália, 
e o Brasil via o início do governo 
do primeiro presidente eleito 
pelo sufrágio universal, depois da 
redemocratização, em 1985. Também 
a Igreja no Brasil teve nesse ano 
um fato memorável: realizava-se 
em julho, aqui no Rio de Janeiro, 
o primeiro Curso dos Bispos, que 
teve como grande conferencista o 
então prefeito da Congregação para 
a Doutrina da Fé, o Cardeal Joseph 
Ratzinger, depois Papa Bento XVI, 
falecido em 31 de dezembro passado. 
Nesta semana que passou 
realizou-se a 32ª edição do curso, o 
que demonstra que a iniciativase 
tornou verdadeiro patrimônio da 
Igreja brasileira e de seu episcopado. 
A cada ano reúnem-se no Centro de 
Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro, 
os bispos de diversas partes do país 
para tratar de algum tema atual e de 
grande relevância para a condução do 
povo de Deus presente nesta Terra de 
Santa Cruz. Em 1990, primeira edição, 
o tema era “O múnus petrino no final 
do milênio diante dos problemas da 
Igreja”. Preparando-se para o séc. 
XXI que estava às portas, os bispos 
brasileiros se voltavam para a unidade 
em torno do sucessor de Pedro como 
chave para a solução de diversos 
problemas enfrentados pela Igreja 
então. 
Naqueles anos, os debates estavam 
acalorados com queda do muro de 
Berlim, acontecida no ano anterior, 
e se intensificariam com o fim da 
União Soviética no ano seguinte. Em 
reportagem do “Jornal do Brasil”, 
uma semana antes do curso, D. 
Karl Josef Romer, bispo auxiliar da 
arquidiocese carioca e idealizador do 
curso junto com o Cardeal Arcebispo 
D. Eugenio Sales, indicava o caminho 
pelo qual entendia que a Igreja devia 
caminhar no novo contexto histórico 
que se desenhava: “Entre o sistema 
coletivista marxista e o capitalista, 
deve ser buscada a nova imagem do 
homem e da sociedade, inspirados 
pelo Evangelho e não por interesses 
políticos.” 
A presença do então Cardeal 
Ratzinger junto ao episcopado 
brasileiro gerou um sentimento 
comum de que a unidade em torno 
do Papa precisava ser o grande 
mote a conduzir os pastores em seu 
pastoreio. Em sua reflexão, o futuro 
Papa Bento indicava que o grande 
sinal e garantidor dessa unidade 
eclesiológica é o Sacramento da 
Eucaristia. “Os discípulos se tornam 
povo – dizia Ratzinger – através 
da comunidade com o Corpo e o 
Sangue de Cristo, que por sua vez é 
comunidade com Deus.” 
Muito atento ao presente, e 
por isso sempre atualíssimo em 
seu falar, o cardeal não deixou de 
fazer uma acurada análise daquele 
contexto social vivido pelo mundo 
enquanto esteve em terras cariocas. 
Em entrevista a um jornal, ao ser 
questionado sobre o crescimento da 
incredulidade nas grandes cidades, 
logo pontuou: “Onde a perda de 
Deus se torna presente também 
volta a existir um novo desejo de 
Deus. Esta é a experiência de hoje. 
O homem, a longo prazo, não pode 
viver sem Deus. Sem conhecer a 
fé, faz a experiência de um vazio 
insuportável.” Palavras ditas em 
1990 que, passados mais de 30 anos, 
podem se dizer proféticas. 
A primeira edição do Curso dos 
Bispos contou com 96 prelados 
participantes. Entre eles, nomes 
célebres na história recente da 
Igreja, como os cardeais D. Eugenio 
Sales e D. Lucas Moreira Neves, o 
arcebispo emérito de Olinda, D. 
Helder Câmara e o então presidente 
da CNBB, D. Luciano Mendes de 
Almeida. A partir daí, o Curso dos 
Bispos oferecido pela arquidiocese 
carioca em unidade com a CNBB 
tornou-se um espaço de estudos, 
debate e convivência que enriquece 
o trabalho de um episcopado que 
encontra realidades tão distintas de 
norte a sul neste país continental, 
mas que sabe encontrar a unidade no 
Cristo e em sua Palavra. Saudando a 
feliz iniciativa e empenho dos que os 
antecederam em 1990, saudamos hoje 
o espírito de continuidade e desejo 
de aperfeiçoamento dos que nos 
pastoreiam no presente. Assim, temos 
sempre a garantia de que neles nos 
pastoreia o próprio Bom Pastor que 
por nós deu a vida.
EDUARDO DOUGLAS SANTANA 
SILVA
SEMINARISTA DA CONFIGURAÇÃO 
III
Curso dos Bispos: um patrimônio da Igreja no Brasil
No primeiro Curso para os Bispos a presença do Cardeal Joseph Ratzinger (a esq.), em 1990
ARQUIVO PESSOAL DE DOM ROMER
 TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 CURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL 23
Há coisas na Igreja que se ex-
plicam humanamente, boa parte 
– a inteligência, uma pessoa, a 
perspectiva histórica –, mas não 
só. Há coisas que são e devem 
ser simultaneamente inspiradas. 
Surgiu numa reunião dos bis-
pos auxiliares com o Cardeal D. 
Eugenio, de repente, esta ideia, 
de que o Rio de Janeiro oferecesse 
aos bispos de todo o Brasil um 
curso pastoral, teológico e espi-
ritual. Um grande amigo meu, 
bispo auxiliar, se assustou e disse: 
“ora, não estás mais normal?” 
eu respondi: “Se estou normal, 
eu não sei; mas acho que minha 
ideia é certa.” D. Eugenio, em sua 
sabedoria, cortou essa conversa 
secundária e disse: “Depende de 
uma coisa: D. Romer, quem seria 
o conferencista para convidar-
mos o episcopado do Brasil? Não 
uma iniciativa contra a CNBB, 
nada disto! Com a CNBB, com o 
episcopado!”. Minha resposta foi, 
creio, certa: “Acho, D. Eugenio, 
que devemos convidar o grande 
professor, hoje cardeal, Joseph 
Ratzinger (que morreu, há pouco 
tempo, como Papa Bento XVI)”. 
D. Eugenio, de olhos arregalados, 
FOTO: BRUNO CARVALHO
A primeira edição do Curso dos Bispos,
em 1990: memória histórica
Dom Karl Josef Romer durante o Curso para os Bispos, no Sumaré, em 2023
respondeu: “Bom, se o senhor 
consegue Ratzinger, eu garanto 
que o curso será bem aceito”. 
Eu fui à minha terra para vi-
sitar minha família e, passando 
por Roma, dirigi-me ao Cardeal 
Ratzinger. Ele me recebeu de-
licadamente e perguntou-me: 
“Como vai a Igreja no Brasil?” 
Achei ótima a pergunta: “Vai 
bem, há muitas coisas positi-
vas. Há uma ideia para dina-
mizarmos os bispos, com uma 
fundamentação bela, forte e 
clara, com um curso teológico-
-pastoral”. O Cardeal Ratzinger 
respondeu: “Mas 
que ideia mara-
vilhosa. Pode di-
zer ao Sr. cardeal 
que achei a ideia 
muito boa”. Aí 
eu “soltei o tiro”: 
“ E m i n ê n c i a , 
estou aqui em 
nome do Cardeal 
do Rio de Janei-
ro, D. Eugenio 
Sales, para apre-
sentar ao senhor 
essa ideia e con-
vidá-lo para que 
seja o senhor o 
primeiro confe-
rencista que nos 
fale da grande 
teologia da Igreja 
e da grande mis-
são no mundo 
moderno a par-
tir da fé, e não 
da política”. Era 
o ano de 1988. 
Ele respondeu: 
“Veja, a ideia é 
boa, é encantadora, porém, eu 
não tenho mais tempo livre.” Ele 
ia fazer palestras na França, na 
Alemanha e nos EUA. Pergun-
tei: “e no próximo ano, 1989?”. 
Também não podia, sua agenda 
estava cheia de compromissos. 
Aí tive a coragem de dizer: 
“Eminência, há uma grande 
esperança na Igreja, Deus vai 
nos dar o ano de 1990”. “Mas 
quando deve ser?”, perguntou 
Ratzinger. “Única pergunta que 
não repondo – disse –. Só o se-
nhor poderá responder. Quan-
do o senhor puder, podemos.” 
Olhando sua agenda, o cardeal 
respondeu-me: “Bom, acho que 
há uma possibilidade em 1990, 
no mês de julho”. Foi a única 
edição do curso que não foi 
em janeiro/fevereiro. “Ótimo!”, 
respondi imediatamente. 
Voltei ao Brasil. O Sr. Car-
deal D. Eugenio ficou muito 
contente. Fez as primeiras 
cartas convidando os bispos, 
indicando que o Cardeal Rat-
zinger, que já tinha fama mun-
dial, havia aceitado por estima 
à Igreja e ao episcopado brasi-
leiro. Escreveram-se 105 bispos. 
É verdade, alguns idosos, que 
estavam doentes, não puderam 
vir, mas 105 se inscreveram e 
96 se fizeram presentes. Foi 
algo muito belo. Houve, além 
de Ratzinger, um palestrante 
do Brasil, teólogo, bispo, mas a 
grande figura, evidentemente, 
foi Ratzinger. 
Tudo isso nos deu motiva-
ção para que a cada ano, quase, 
o curso se realizasse. Foi uma 
graça de Deus. Quantos bispos 
vêm de longe, muitas vezes 
com renúncias. Por outro lado, 
assim como D. Eugenio, nosso 
estimado Cardeal D. Orani, 
com essa bela visão de Igreja, 
com a arquidiocese e a ajuda 
de amigos da Alemanha, ajuda 
a manter tudo isto, com suporte 
e estrutura. 
Acho que aqui, com o Cur-
so dos Bispos, temos algo da 
presença de Deus na Igreja, 
onde as graças fluem entre os 
episcopados.
D. KARL JOSEF ROMER
BISPO AUXILIAR EMÉRITO DO RIO DE 
JANEIRO
29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉCURSO ANUAL PARA OS BISPOS DO BRASIL24
“Uma aula prática para nós!” As-
sim definiu Dom Fernando Rifan, 
bispo administrador apostólico da 
Administração Apostólica Pessoal 
São João Maria Vianney, a visita feita 
pelos bispos na CapelaSão Paulo II, no 
Shopping Via Brasil, zona norte do Rio 
de Janeiro. A visita foi feita na tarde 
do dia 25, dentro da programação do 
32º Curso para os Bispos do Brasil. 
Trabalhando com o tema: “Novas 
comunidades e evangelização hoje”, 
o Curso para os Bispos proporcionou 
uma visita ao trabalho desenvolvido 
pela Comunidade Shalom nessa reali-
dade tão própria para o nosso tempo 
que são os shoppings centers. Ali, no 
meio de uma realidade comercial e de 
lazer, os missionários apresentaram o 
amor de Cristo ao grande número de 
pessoas que afluem ao centro comer-
cial carioca. 
Shirley Guimarães, missionária da 
Comunidade de Aliança, comentou 
sobre algumas das atividades reali-
zadas pela Comunidade Shalom na 
Arquidiocese do Rio de Janeiro: “A Co-
munidade Shalom no Rio tem mais de 
25 anos, contando com vários campos 
de trabalho. Trabalhamos na cultura 
em eventos como o “Halleluya”, em 
encontros como o “Renascer”, além 
de outros encontros e acampamen-
tos com os jovens. Temos também 
os centros de evangelização, que são 
pontos espalhados pela cidade, onde 
nos encontramos para os grupos de 
oração e de formação. Dentre esses 
cinco pontos que a comunidade tem 
na cidade, um deles fica aqui no Sho-
pping Via Brasil, onde há uma capela, 
aberta diariamente para adorações, 
missas, acompanhamentos espirituais 
e grupos de oração. Há, também, ao 
lado da capela, o espaço Lolek, onde 
acompanhamos os jovens que vêm ao 
shopping e encontram esse espaço 
para carregar o celular ou se distrair 
um pouco. Nos aproximamos desses 
jovens e os evangelizamos, acolhemos 
e apresentamos a comunidade”.
A jovem Larissa Maria, vocacio-
nada à Comunidade de Aliança, que 
participa das atividades da capela 
visitada pelos bispos, explicou que 
“aqui no shopping desenvolvemos 
muitas atividades, e a principal é o 
acolhimento. Os jovens se aproximam 
do nosso espaço para carregar o tele-
fone ou usar o Wi-Fi, e a partir dessa 
oportunidade, tiramos um grande 
momento de evangelização, no qual 
nós acolhemos e trazemos a alegria 
do Cristo, indiretamente entrando 
na vida desses jovens, tocando em 
suas feridas, criando laços e vínculos 
de amizade. E assim, – completou de 
forma bem sutil –, Deus age em nossos 
espaços para trazer uma nova forma 
de evangelizar a esses que precisam”. 
Após a visita à capela e ao espaço 
de socialização, os bispos seguiram 
para um momento de diálogo, no 
qual foram apresentados os trabalhos 
FOTOS: BRUNO CARVALHO
32º Curso dos Bispos: Igreja em saída 
com as novas comunidades
Bispos visitam capela instalada no interior de um Shopping
Cardeal Tempesta com jovens consagrados da Comunidade ShalomBispos durante visita em shopping da cidade
realizados não só pela Comunidade 
Shalom no Shopping Via Brasil, mas 
também pela Comunidade Católica 
Remidos no Senhor, no Shopping Ban-
gu, Zona Oeste, e pela Comunidade do 
Caos à Glória, no Carioca Shopping. 
O Cardeal Arcebispo Dom Orani 
Tempesta ressaltou que a evangeliza-
ção nos shoppings centers é uma das 
várias experiências de evangelização 
da grande cidade, recordando que há, 
por exemplo, uma paróquia localizada 
em um shopping, a paróquia Santa 
Cruz do Senhor, em Copacabana. “Ali, 
as pessoas vão para uma refeição, para 
um momento de lazer, e a Igreja é 
chamada a estar presente em tudo, 
a estar em saída. Por isso quisemos 
hoje trazer os bispos numa experiên-
cia aqui no Shopping Via Brasil, para 
ouvir sobre esse trabalho de encontro 
com pessoas que precisam ser evange-
lizadas, que precisam acolher a Pala-
vra de Deus que aqui é semeada e que 
será regada mais tarde, onde outros 
colherão os frutos da evangelização 
que começa nesses locais”.
Após a apresentação dos trabalhos, 
foi feito um momento de diálogo, no 
qual os bispos puderam interagir com 
perguntas e contribuições junto às 
falas dos missionários e membros das 
novas comunidades. 
Para Dom João Mamede, bispo de 
Umuarama-PR, “a visita foi muito útil 
para nós bispos, já que o programa 
do curso tematiza justamente sobre 
as Novas Comunidades. O Espírito 
Santo está aí, não dorme, está atuan-
do em toda parte, e também aqui no 
shopping encontra corações sensíveis 
que acolhem seu impulso e o concre-
tizam em gestos de missão, amor e 
caridade”.
Após a visita, os bispos seguiram 
para o Santuário Cristo Redentor, onde 
celebraram a Oração das Vésperas. Ao 
fim, a estátua do Cristo recebeu a pro-
jeção dos brasões episcopais de todos os 
bispos participantes do curso. 
EDUARDO DOUGLAS SANTANA 
SILVA
SEMINARISTA DA CONFIGURAÇÃO 
III
ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 25
O I Festival de Música Católica 
Canção do Monte, organizado 
pela Paróquia Nossa Senhora do 
Montserrat, em Vargem Pequena, 
no Rio de Janeiro, será realizado 
no dia 11 de fevereiro de 2023, a 
partir das 16h. Trata-se de um 
evento destinado a músicos ca-
tólicos: grupos de cantos, bandas 
e intérpretes de música sacra, de 
conteúdo doutrinal católico. 
O evento havia sido idealizado 
em 2019. No entanto, devido à 
pandemia da Covid-19, não foi 
possível realizá-lo. 
Sabemos que existe um tempo 
para cada coisa e, nesse intervalo 
quando a Capela Nossa Senhora 
do Montserrat foi elevada à Paró-
quia, o arcebispo do Rio de Janeiro, 
Cardeal Orani João Tempesta, no-
meou o padre Jones Campos dos 
Santos, antes vigário paroquial na 
Paróquia Nossa Senhora Mãe da 
Divina Providência, para missão de 
pastorear essa pequena parcela do 
povo de Deus na região de Vargem 
Pequena.
Tocar vidas e permitir que 
pessoas de todas as idades expe-
rimentem a presença do Espírito 
Santo através da música é algo 
que também faz parte da missão 
do padre Jones. 
O Senhor tem usado a mú-
sica cristã para tocar pessoas e 
transformar a história de muita 
gente, e todos nós podemos dar 
testemunho disto.
A música tem um papel funda-
mental na evangelização e, embora 
seja apenas um meio, uma vez 
usada com sabedoria, ela produz 
muitos frutos.
Promover um evento assim 
se justifica de forma muito clara. 
A Igreja nos convida à vivência do 
Evangelho e, buscando alcançar 
os corações por meio da música, 
o festival dará a oportunidade de 
vozes e composições católicas 
serem reveladas e, acima de tudo, 
a oportunidade de anunciar a Pa-
lavra e o Amor de Deus ao povo. 
Para esta edição, houve um 
grande empenho dos paroquianos. 
Hoje, são mais de 50 colaborado-
res envolvidos diretamente para 
promover a apresentação das sete 
canções finalistas.
Os sete finalistas foram pré-
-selecionados por um corpo de 
jurados e, no palco, serão avaliados 
por nomes da música católica, 
como: Aline Venturi, Maira Jaber, 
padre Fábio Escobar, André Florên-
cio e Davidson Silva. 
Serão três músicas premiadas. 
Haverá show com os cantores 
Davidson Silva e Olívia Ferreira. 
Dessa forma, o objetivo é tor-
nar o Festival de Música Católica 
Canção do Monte, um evento anual 
nas Vargens.
Os critérios de participação 
eram: participar com uma música 
autoral e inédita.
Os ingressos que darão acesso 
ao festival podem ser adquiridos 
pelo público através da plataforma 
Sympla. 
Se você se interessou e quer 
dividir esse momento conosco, 
acompanhe nosso perfil no ins-
tagram @cancao_monte. Lá, você 
acessa todas as informações sobre 
o festival.
DANIELLE ROCHA
COORDENADORA DO I FESTIVAL DE 
MÚSICA CATÓLICA CANÇÃO DO MONTE
I Festival de Música Católica Canção do Monte
“Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior 
louvor, se viverdes santamente”. Santo Agostinho
26 ARQUIDIOCESE 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ
Fiel à advertência de Jesus: 
“quem acolhe o menor a mim 
acolhe”, a Pastoral do Menor na 
Arquidiocese de São Sebastião 
do Rio de Janeiro tem por mis-
são A DEFESA E GARANTIA 
DE DIREITOS A CRIANÇAS 
E ADOLESCENTES EM SITU-
AÇÃO DE RISCO PESSOAL 
E SOCIAL, PROPICIANDO A 
PROTEÇÃO INTEGRAL COM 
VIDA DIGNA DAS CRIANÇAS 
E ADOLESCENTES À LUZ DO 
EVANGELHO, CONTRIBUIN-DO PARA A TRANSFORMA-
ÇÃO DA SOCIEDADE. Diante 
da triste realidade que assola o 
bairro de Campinho, na zona 
norte do Rio, um ato ecumê-
nico foi realizado, no dia 18 de 
janeiro, no Centro Sócio Espor-
tivo Comendador Armindo da 
Fonseca (CSE) – polo de atendi-
mento da ação evangelizadora 
–, com o objetivo de pedir paz 
para a comunidade. 
O assessor eclesiástico ad-
junto da Pastoral do Menor, 
padre Gilvan André da Silva, 
presidiu a celebração, que con-
tou, ainda, com as presenças 
da conselheira e fundadora da 
pastoral no Rio, Maria Christina 
Sá, da coordenadora de pro-
jetos, Regina Leão, da equipe 
pedagógica e administrativa do 
CSE, das crianças e adolescen-
tes atendidos pela iniciativa e 
suas famílias.
“Diante do que vi e ouvi da 
parte das crianças, famílias, 
educadores e colaboradores 
diversos, percebo que a situação 
é muito grave. Pude acompa-
nhar um pouco a af lição de 
cada um, é realmente algo de 
extrema gravidade e urgência. 
Se não fosse o amor que aquelas 
pessoas carregam em seus sofri-
dos, amedrontados e apertados 
corações, certamente já teriam 
todos desistido. Que Deus te-
nha misericórdia de nós e nos 
faça instrumentos de sua paz!”, 
desejou padre Gilvan André. 
Diante dos relatos dos fun-
cionários administrativos e da 
equipe pedagógica do Centro 
Sócio Esportivo Comendador 
Armindo da Fonseca ficou 
deliberado, em reunião com 
os membros da Pastoral do 
Menor, diversas providências 
frente aos acontecimentos e 
episódios de violência vividos 
pelos que residem na região e/
ou são atendidos pela institui-
ção. O objetivo é estimular um 
processo que visa à sensibiliza-
ção, à conscientização crítica, à 
organização e à mobilização da 
comunidade como um todo, na 
busca de uma resposta trans-
formadora, promovendo nos 
projetos de atendimento direto 
a participação das crianças e 
adolescentes como protagonis-
tas do mesmo processo.
DA REDAÇÃO
Pastoral do Menor:
Ato ecumênico pede paz para Campinho
CENTRO SÓCIO ESPORTIVO 
CAMPINHO 2022 
O Centro Sócio Esportivo Co-
mendador Armindo da Fonseca 
foi criado em 1993 com o intuito de 
atender crianças e adolescentes, 
em consonância com a Política 
Nacional de Assistência Social /
PNAS 2004. As ações desenvolvi-
das são de Proteção Social Básica, 
tendo como objetivo contribuir na 
“prevenção de situações de risco 
por meio do desenvolvimento 
de potencialidades e aquisições, 
e o fortalecimento de vínculos 
familiares e comunitários”. Outro 
aporte legal é o Estatuto da Crian-
ça e do Adolescente/ Lei Federal 
nº 8.069, de 13 de julho de 1990, no 
que tange o apoio socioeducativo 
em meio aberto. As atividades 
realizadas propiciam o desenvol-
vimento de potencialidades e am-
pliação do universo informacional, 
cultural e esportivo, com ênfase, 
nos valores artísticos, culturais 
e históricos próprios do contexto 
social da criança e do adolescente, 
garantindo-se a estes a liberdade 
da criação e o acesso às fontes 
de cultura.
No ano de 2022, atendendo 
160 crianças e adolescentes e 
com 117 famílias. 
Desafios: O ano de 2022 foi 
marcado por conflitos entre o 
poder paralelo, por disputa de 
território.
PESQUISA DE SATISFAÇÃO 
Aplicada no final de 2022 às 
famílias, crianças e adolescentes 
a fim de avaliar o trabalho e ver o 
que pode melhorar em termos de 
atividades/atendimentos:
99% das famílias responderam 
que a atuação do CSE (Centro Sócio 
Esportivo) na comunidade é bas-
tante positiva, 53% veem o espaço 
como um local de aprendizado e 
convivência e 93% avaliam como 
ótimo o trabalho desenvolvido 
pela equipe pedagógica. Outro 
item com 62% de aprovação pe-
las crianças e adolescentes foi a 
comida ofertada nos dois turnos.
DESTAQUES
- Fornecimento, com qualidade, 
de duas refeições diárias
- Protagonismo infantojuvenil 
com a participação de um ado-
lescente no CPA – Comitê de 
Participação de Adolescente do 
CONANDA – Conselho Nacional 
dos Direitos da Criança e do 
Adolescente, órgão do Sistema 
de Garantia de Direitos na gestão 
2020/2022. 
- Hoje, conta com 16 adolescen-
tes compondo a EDC, onde se 
reúnem mensalmente para troca 
de temas transversos, onde bus-
cam alinhar informações, trocar 
conhecimentos e experiências, 
planejar e executar ações junto 
à comunidade e aos atendidos 
pelo CSE.
RESULTADO
No final de 2022, houve nova 
eleição CPA, na qual esse mesmo 
adolescente foi novamente eleito 
para a gestão 2023/2025. Ressal-
tamos que outro adolescente foi 
eleito também para o CPA – CO-
NANDA nessa nova gestão.
Encaminhamos nove ado-
lescentes para o Jovem Aprendiz 
(primeiro emprego) e obtivemos 
quatro efetivações.
NOVAS PARCERIAS NESSE 
ANO DE 2022:
Boxe Social Victor Farias 
atende 28 adolescentes para 
aulas de box.
Instituto Besouro / Rio Soli-
dário com um curso de Empre-
endedorismo Feminino com 20 
mulheres da comunidade forma-
das e aptas a dar continuidade ao 
seu negócio ou abri-lo de forma 
correta para geração de renda.
Instituto Anima / Perseverar 
oferece curso para dez mulheres, 
mães dos nossos atendidos, em 
um curso prático de Cozinha 
Sustentável / Reaproveitamento 
Alimentar, objetivando que no 
futuro sejam elas as multiplica-
doras desse curso para incenti-
varem outras mulheres.
Instituto Anima / Perseverar 
oferece curso para 80 crianças e 
adolescentes, uma oficina prática 
de reaproveitamento alimentar 
(em andamento) a fim de fazê-los 
conhecer novos sabores e texturas 
com o que normalmente é descar-
tado, como cascas e sementes de 
legumes, frutas e outros.
Secretaria Estadual de Meio 
Ambiente, que com o curso Am-
biente Jovem com olhar voltado 
para o meio ambiente formou 34 
jovens da comunidade, ofertando 
uma bolsa de estudos mensal no 
valor de R$ 200 como forma de 
incentivo.
 Apoio do MPT, na aquisição 
de material esportivo proveniente 
de multas aplicadas através do 
Termo de Ajustamento de con-
duta/TAC.
Belíssima festa natalina na 
qual foram apadrinhados 160 
crianças e adolescentes, com a 
entrega de roupas e calçados e 
uma farta ceia, tendo apoio de 35 
mães no evento.
FOTOS: PASTORAL DO MENOR
ARQUIDIOCESE
Teatro Santa Clara
Paróquia Nossa Senhora 
da Conceição
Santa Cruz
Colégio N. Sra. de 
Lourdes
R. São Clemente, 438
Botafogo
CCSP Cardeal Orani 
Tempesta
Pç. N. Sra. da Apresentação, 352
Irajá
19 A 21 DE FEVEREIRO
ENTRADA GRATUITA!
INÍCIO 9H
MAIS INFORMAÇÕES: i @SHALOMRIO
 TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 27
O Retiro de Carnaval 2023 da 
Comunidade Católica Shalom está 
confirmado e com uma novidade. 
O evento acontece, de 19 a 21 de 
fevereiro, em três lugares na cidade 
do Rio de Janeiro. São eles: CCSP 
Cardeal Orani Tempesta, em Irajá, 
Colégio Nossa Senhora de Lourdes, 
em Botafogo, e Teatro Santa Clara, 
situado na Paróquia Nossa Senhora 
da Conceição, em Santa Cruz.
O Renascer conta com o tema: 
“Minha alma engrandece o Senhor‘’, 
com uma proposta de Carnaval di-
ferente, atingindo a cidade nas três 
zonas, com muita alegria e oração. O 
evento ainda terá a presença de Dom 
Orani, na Zona Norte, Dom Roberto, 
na Zona Oeste, e Dom Antônio Cate-
lan, na Zona Sul.
Com atividades culturais e de 
espiritualidade voltadas para jo-
vens, famílias, crianças e adultos, a 
programação conta com palestras, 
apresentações artísticas de dança, 
música e teatro, entre elas, o espe-
táculo “O Canto das Irias” (na Zona 
Norte e Zona Sul) e o show do cantor 
Jadir Barcellos (no CCSP), além de 
cursos, missas, Seminário de Vida no 
Espírito Santo e estandes temáticos.
O objetivo é proporcionar aos 
participantes uma alegria que não 
acaba na Quarta-Feira de Cinzas. 
Desde 1986, teve o início do retiro 
de Carnaval da Comunidade Católica 
Shalom, em Fortaleza, no Ceará. Mas 
ao longo dos anos, se espalhou pelo 
Brasil e por alguns países. A essên-
cia do Renascer é anunciar o amor 
de Deus, propondo um Carnaval 
diferente com três dias de oração e 
muita alegria.
A entrada é gratuita. Mais infor-
mações pelo Instagram @shalomrio.
LOCAIS DOS RETIROS: 
O CCSP Cardeal OraniTempes-
ta fica na Praça Nossa Senhora 
da Apresentação, 352, em Irajá; o 
Colégio Nossa Senhora de Lourdes 
fica na Rua São Clemente, 438, em 
Botafogo; e o Teatro Santa Clara 
fica na Paróquia Nossa Senhora da 
Conceição, na Praça Dom Romualdo, 
11, em Santa Cruz.
DA REDAÇÃO
Comunidade Católica Shalom promove retiro 
de Carnaval em três lugares do Rio de Janeiro
ARQUIDIOCESE TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 29
Teodoro nasceu em Antio-
quia, 350, e morreu em Mopsu-
éstia, 428, onde foi bispo a partir 
de 392. Dedicou-se em particular 
à exegese bíblica, contudo, de 
seus escritos, permanecem so-
mente algumas obras, as homilias 
catequéticas e grande parte da 
disputa com os macedônios. Sua 
exegese sobre os doze profetas 
não segue interpretação cristo-
lógica minuciosa à maneira da 
escola alexandrina, mas situa 
essas doze figuras proféticas en-
tre os séculos VIII-VI da história 
de Israel, visando mais uma base 
factual para suas interpretações 
do que o método alegórico. É 
dentro deste quadro hermenêu-
tico que situamos seu comentário 
ao profeta Sofonias.
Como se sabe, o pequeno 
livro do profeta Sofonias, escrito 
provavelmente no século VI a. 
C., insere-se num contexto de 
domínio político de povos es-
trangeiros sobre o povo de Deus. 
Nesta situação de sofrimento, as 
palavras do profeta são um alento 
para os que se mantêm fiéis a 
Iahweh. Mas nada é tão simples. 
A verdade é que o próprio povo 
de Deus, em sua grande maioria, 
parece afastar-se dos decretos 
divinos. Eis que a mensagem 
profética amaldiçoa os infiéis e 
promete uma bem-aventurança 
àquele pequeno ‘resto’ que se 
manteve fiel, ainda sob muitos 
sofrimentos. É uma mensagem 
perene, onde se exorta ao grande 
povo de Deus a voltar-se para 
ele, pois todos somos chamados 
a pertencer ao pequeno grupo 
fiel, ou seja, a termos as mesmas 
atitudes dos mais fiéis.
A perícope de Sofonias (2,1-3; 3, 
11-13), objeto do comentário aqui 
selecionado, é esta: 
‘Vinde todos, juntai-vos, na-
ção despudorada, antes que 
o decreto do Senhor produza 
esse dia que passara como um 
turbilhão de pó, antes que venha 
sobre vós a ira do furor do Senhor, 
antes que venha sobre vós o dia 
da indignação do Senhor. Buscai 
o Senhor todos vós, os humildes 
nesta terra, vós os que guardais 
os seus preceitos; buscai a justiça, 
buscai a mansidão, para ver se 
podeis achar um abrigo no dia do 
furor do Senhor.
Naquele dia, ó Jerusalem, não 
serás confundida por causa de 
todos os teus pecados cometidos 
contra mim, porque então ex-
terminarei do meio de ti aqueles 
que, com as suas palavras fausto-
sas, excitavam a tua soberba, e tu, 
para o futuro, não te orgulharás 
mais por possuires o meu santo 
monte. Deixarei subsistir no 
meio de ti um povo pobre e hu-
milde, que esperará no nome do 
Senhor. Os que restarem de Israel 
não cometerão iniquidades, não 
proferirão a mentira; não se acha-
rá na sua boca língua enganosa, 
porquanto serão apascentados e 
repousarão, sem haver quem lhes 
cause medo’.
O texto condena a nação 
despudorada e reserva o prêmio 
da paz para os mais fiéis à alian-
ça do Senhor. Estes podem ser 
chamados de remanescentes, o 
‘resto’ dos fiéis, e também os que 
estão na periferia da vida social, 
os quais serão finalmente agra-
ciados por Iahweh. Trata-se de 
uma profecia universal, dirigida 
incialmente ao povo eleito. Trata-
-se igualmente de uma advertên-
cia ao grande grupo humano que 
se afasta da mensagem divina. 
Enfim, a passagem de Sofonias 
pode ser relacionada às bem-
-aventuranças dos evangelhos, 
seja de Lucas, seja de Mateus. 
No Evangelho de Lucas, as bem-
-aventuranças são seguidas de 
maldições (Lc 6,24-26). E embora 
em Mateus isto não ocorra, o 
texto de Sofonias refere-se expli-
citamente à bem-aventurança do 
pobre, como em Mateus (5, 3).
Teodoro, por sua vez, co-
menta a passagem mostrando 
inicialmente o convite à reunião 
do povo em torno do nome de 
Senhor; em seguida, ressalta as 
muitas admoestações para os 
perigos em que incorrem; e, fi-
nalmente, enfatiza a defesa que o 
profeta faz do mais pobre: “Então, 
depois de revelar os problemas, 
como de costume, o profeta lhes 
dá esperança, procedendo desta 
maneira: ‘Vinde todos, juntai-
-vos, nação despudorada, antes 
que o decreto do Senhor produza 
esse dia que passara como um 
turbilhão de pó, antes que venha 
sobre vós a ira do furor do Se-
nhor, antes que venha sobre vós 
o dia da indignação do Senhor’ 
(vv.1-2), isto é, todos vós que até 
agora não aceitaram instrução 
em seu dever, agora, de qualquer 
forma, reúnam-se e ofereçam a 
Deus orações em comum para 
que não sofram ruína absoluta 
como uma flor repentinamente 
arrancada quando a ira divina 
vos é infligida de forma esma-
gadora. ‘Buscai o Senhor todos 
vós, os humildes nesta terra’ 
(v.3): vós que fostes humilhados 
pelos desastres infligidos além 
de todos os habitantes da terra, 
prestai atenção à reverência 
e implorem pela misericórdia 
divina. ‘Buscai a justiça, buscai 
a mansidão’: neste momento, 
tornai-vos justos juízes do que é 
vosso dever e, distinguindo entre 
o melhor e o pior, prestai atenção 
ao que é certo. Buscai a gentileza 
e fazei vossa escolha para que 
vos sintais seguros no dia da ira 
do Senhor. Escolhei a justiça e a 
tolerância em vez de perseguir a 
injustiça contra os mais pobres 
como fizestes anteriormente; e 
preocupai-vos em mostrar inte-
resse por estas coisas, pois ‘esco-
lher’ tem este sentido, de modo 
que será vossa bem-aventurança 
obter a ajuda do Senhor no tem-
po da retribuição” (Teodoro de 
Mopsuéstia. ‘Commentary on 
the Twelve Prophets’. Translated 
by Robert C. Hill. Washington, 
D.C.: The Catholic University 
of America Press, 2004, p. 294, 
tradução do autor).
Jerusalém, para o cristão, é a 
Igreja, que se deve lembrar tam-
bém da constante advertência do 
profeta à conversão, mesmo que, 
ao final, somente um pequeno 
grupo reste fiel. É neste peque-
no grupo que reside o mistério 
salvífico: “‘Naquele dia, ó Jeru-
salem, não serás confundida por 
causa de todos os teus pecados 
cometidos contra mim, porque 
então exterminarei do meio de 
ti aqueles que, com as suas pa-
lavras faustosas, excitavam a tua 
soberba, e tu, para o futuro, não 
te orgulharás mais por possuires 
o meu santo monte’(v. 11): nesta 
altura não suportareis nada da 
grande vergonha em que agora 
estais envolvidos por causa da 
vossa irreverência; tudo o que 
fizestes ao tratardes meu nome 
com desonra e serdes a fonte de 
tal insolência para mim por meio 
da adoração dos ídolos, removerei 
de vós, suspendendo as penalida-
des impostas por eles a vós. Não 
vivereis mais com tanta arrogân-
cia na montanha designada para 
minha adoração, negligenciando 
meu serviço enquanto de-
votais adoração completa 
aos ídolos” (p. 303). 
Pelo que se sabe, Sofo-
nias pensa precisamente 
no pobre e no excluído da 
vida pública (Erich Zenger. 
‘Introdução ao Antigo Testamen-
to’. São Paulo: Loyola, p. 521ss), 
que são oprimidos pelos ricos. 
Também fala dos mentirosos, 
que afetam a vida do povo de 
Deus, da Igreja, encontrados em 
todos os tempos da história da fé: 
“‘Deixarei subsistir no meio de ti 
um povo pobre e humilde’ (v.12): 
Eu vos trarei de volta do castigo 
do cativeiro, para que vivais uma 
vida de mansidão e humildade, 
e com reverência gozeis do meu 
favor. Os que restarem de Israel 
não cometerão iniquidades, não 
proferirão a mentira; não se acha-
rá na sua boca língua enganosa, 
porquanto serão apascentados e 
repousarão, sem haver quem lhes 
cause medo’ (vv. 12-13): em vosso 
retorno do cativeiro, continuareis 
a honrar meu nome, desistireis de 
toda iniquidade e vos afastareis 
de todos os atos impróprios, prá-
ticas nas quais vos envolvestes. 
Nesse tempo, vós também tereis 
o cuidado de evitar fingir que 
me adorais com propósito enga-
noso, enquanto estais devotados 
aos ídolos. Assim, a partir de 
agora, podereis pastar com total 
segurança e desfrutar de vossas 
propriedades, e vivereis em paz 
total, sem ninguémem posição 
para assustar-vos ou remover-
-vos de vosso próprio lugar” (p. 
303-304).
Alguns aspectos são funda-
mentais neste comentário de 
Teodoro: em primeiro lugar, a 
ênfase de quem justifica seu povo 
é Deus; em segundo lugar, o reco-
nhecimento dos excluídos como 
lugar da conversão oferecida a 
todo o povo de Deus, o mistério 
do pobre em bens materiais que 
se universaliza, em Mateus, pelo 
‘pobre no espírito’: ‘Felizes os 
pobres no espírito, porque deles 
é o Reino dos Céus’ (5,3). Enfim, 
não se pode esquecer que Lucas é 
explícito em seu juízo sobre os ri-
cos: ‘Mas, ai de vós, ricos, porque 
tendes a vossa consolação!’ (6,24). 
Isto quer dizer que ‘só em Deus 
repousa a minha alma, dele vem 
a minha salvação. Só ele é o meu 
rochedo e a minha salvação, o 
meu baluarte: por nada vacilarei’ 
(Sl 61,2-3).
CARLOS FREDERICO CALVET 
DA SILVEIRA
PROFESSOR DA 
UNIVERSIDADE CATÓLICA 
DE PETRÓPOLIS E DO 
SEMINÁRIO SÃO JOSÉ, NO RIO 
DE JANEIRO
Teodoro de Mopsuéstia: 
malditos e bem-aventurados
REPRODUÇÃO: HTTPS://W
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TERPRETATION
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29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉLITURGIA30
Reunidos no Espírito para celebrar 
o mistério da nossa fé, somos alimen-
tados pelo Cristo por meio da sua dupla 
mesa: da Palavra e da Eucaristia. Ambas 
as mesas proporcionam para todos nós 
aquilo que pedimos a Deus na oração 
coleta, isto é, que possamos adorá-
-lo de todo o coração e amar todas as 
pessoas com verdadeira caridade1. Na 
celebração eucarística são muitas as 
maneiras pelas quais podemos render 
a Deus o nosso culto de adoração. Uma 
delas acontece quando escutamos aten-
tamente às Santas Escrituras. Assim, os 
nossos corações se enchem de louvor e 
os nossos lábios cantam com o salmista: 
“O Senhor é fiel para sempre” (Sl 145,7). 
Quando escutamos a Palavra de Deus em 
ambiente de adoração, o Espírito Santo 
vai introduzindo-nos progressivamente 
no mistério da Aliança e nos transforma 
numa “eucaristia” para os nossos irmãos.
Na primeira leitura, ouvimos um 
texto do profeta Sofonias que exerceu 
sua atividade em Jerusalém durante o 
reinado de Josias entre 629 e 609 a.C., 
mais precisamente antes da reforma 
religiosa executada por este monarca. 
Sendo assim, o livro é considerado 
pré-exílico. Contudo, alguns exegetas 
declaram que o livro foi ampliado com 
alguns textos no tempo pós-exílico2. 
Antes do rei Josias, os habitantes 
da cidade santa eram governados por 
Manassés, rei ímpio que conduziu o 
povo de Deus a infidelidade à Aliança: 
promoveu os costumes dos povos es-
trangeiros assim como erigiu altares 
aos deuses destes povos, além disso, 
dedicou-se às adivinhações, magias e 
proporcionou que crescesse as injusti-
ças sociais contra os mais pobres. 
Após o reinado de Manassés, Josias 
sobe ao trono e realiza a reforma reli-
giosa. É nesse contexto que Sofonias 
exerce seu ministério profético atuando 
contra a idolatria cultual, os abusos da 
autoridade ímpia, as injustiças e tudo 
aquilo que configura a infidelidade à 
Aliança que Deus fez com o seu povo. 
Diante desse quadro, no qual as víti-
mas das autoridades civis e políticas 
abusam do poder que têm subjugando 
os mais simples, não tardará para que o 
dia do Senhor se manifeste intervindo 
em favor dos mais pobres e castigando 
aqueles que multiplicam a espiral de 
violência provocando as desigualdades 
sociais.
Àqueles que sofrem como vítimas 
dessas atrocidades do poder autoritário, 
isto é, os mais pobres e vulneráveis, es-
caparão do castigo divino. No entanto, 
não deixam de ser destinatários do 
anúncio feito por Sofonias e também 
são exortados à conversão. Diz o profe-
ta: “Buscai o Senhor, humildes da terra, 
que pondes em prática seus preceitos; 
praticai a justiça, procurai a humildade; 
achareis talvez um refúgio no dia da 
cólera do Senhor” (Sf 2,3). É importante 
ressaltar que “os humildes da terra” 
não podem ser interpretados apenas 
dentro de uma classe sociológica, mas 
aqueles que estão com os corações 
abertos à comunhão com Senhor e com 
os irmãos. Algo que não acontece com 
os orgulhosos que se julgam autossufi-
cientes e não precisam de ninguém. De 
qualquer modo, todos são chamados 
para se converterem à humildade, pois 
essa virtude será uma proteção no “dia 
da ira do Senhor”.
O resultado dos sobreviventes ao 
“dia do Senhor” é acentuado pelo pro-
feta que os identifica como um punhado 
de homens humildes e pobres. Estes, 
portanto, serão o “resto de Israel” que 
vão pôr a sua esperança no nome do 
Senhor (cf. Sf 3,12). “Eles não cometerão 
iniquidades nem falarão mentiras; não 
se encontrará em sua boca uma língua 
enganadora; serão apascentados e re-
pousarão, e ninguém os molestará” (Sf 
3,13). Esse oráculo apresenta o verdadei-
ro sentido da conversão à humildade e 
traz uma perfeita referência do espírito 
de pobreza destacada no AT.
Aos humildes da terra e pobres em 
espírito, “o Senhor é fiel para sempre, 
faz justiça aos que são oprimidos; ele dá 
alimento aos famintos, é o Senhor quem 
liberta os cativos. O Senhor abre os olhos 
aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caí-
do; o Senhor ama aquele que é justo. É o 
Senhor quem protege o estrangeiro. Ele 
ampara a viúva e o órfão, mas confunde 
os caminhos dos maus” (Sl 145,7.8-9a.9bc). 
Desprovidos de proteção nesse mundo, 
aqueles que formam o “resto de Israel” 
trarão consigo as promessas das bem-
-aventuranças.
No Evangelho desse domingo escu-
tamos o célebre texto que narra uma 
parte do primeiro dos cinco principais 
discursos de Jesus conhecido como 
“Sermão da Montanha” (Mt 5,1-7,27). Vale 
ressaltar que a comunidade cristã a qual 
Mateus escreve o seu texto é fortemente 
marcada pelo judaísmo religioso. A Lei 
e os Profetas são a fonte de suas tradi-
ções e costumes. 
Desse modo, sabemos que Deus, no 
monte Sinai, entregou a Moisés o Decá-
logo como um dom para os hebreus a 
fim de que, observando os mandamen-
tos, fosse um povo bem-aventurado. 
No início do discurso do “Sermão da 
Montanha”, Mateus nos apresenta Jesus 
como um novo Moisés. Depois de subir 
ao monte e estando sentado, o Filho 
de Deus ensina aos seus discípulos 
um programa de vida que contempla o 
mistério do Reino dos céus (cf. Mt 5,1-2), 
inaugurado em nós pelo batismo. R. E. 
Brown assevera que “existem paralelos 
entre Moisés e o Jesus de Mateus. O me-
diador veterotestamentário da revelação 
divina encontrou Deus numa montanha; 
o revelador neotestamentário fala a seus 
discípulos numa montanha (Mt 5,1-2). 
Para os cristãos, ao lado dos Dez Man-
damentos como expressão da vontade 
de Deus, as oito bem-aventuranças (Mt 
5,3-12) têm sido reverenciadas como ex-
pressão suscinta dos valores priorizados 
por Jesus”3.
Diante dos nove macarismos4 pre-
sentes no Evangelho dessa liturgia, 
eles estão divididos em três grupos: 
No primeira grupo, os macarismos 
estão relacionados entre si (cf. Mt 
5,3-6), dirigindo-se, em especial, aos 
pobres; no segundo, dirigem-se com 
mais atenção ao comportamento do 
discípulo de Jesus nesse mundo (cf. Mt 
5,7-11); no último grupo, o macarismo 
se dirige aos discípulos que sofrem a 
perseguição por causa da fé no Filho 
de Deus (cf. Mt 5,12).
Inicialmente, no primeiro grupo, 
Jesus dirige as promessas de uma vida 
bem-aventurada aos pobres em espírito 
(cf. Mt 5,3). O conceito do termo “pobre” 
tem ressonância veterotestamentária, 
um tema muito valioso no Trito-Isaías 
(cf. Is 56-66). Nele, o termo pobre apon-
tava para o povo de Israel exilado, sem 
pátria e sem liberdade (cf. Is 57,15,; 61,1; 
66,2). Posteriormente, a expressão “po-
bre de Iahweh” indicava o judeu que 
era piedoso e fiel à Torá equivalendo ao 
conceito de “justo” (cf. Eclo 10,13; Pr 16.19; 
29,23; Sl 34,19). Na literatura de Qunran, 
os membros dessa comunidade tinham 
o costume de serem chamados de 
anawin (pobres). “A raiz hebraica anaw 
exprime ‘sujeição’, ‘subordinação’; em 
relação a Deus, o anaw é, pois, aquele 
que se humilha diante de Deus e depo-sita nele a sua confiança”5. Da parte do 
evangelista, o acento sobre o termo 
“pobre” não corresponde em nada à 
uma categoria social, ao contrário, ela 
aponta para uma atitude interior do ho-
mem. O termo grego pneuma, de grande 
importância na antropologia bíblica e 
correspondente ao hebraico ruah, não 
deve ser interpretado na perspectiva in-
telectiva do homem, mas como o núcleo 
dos sentimentos humanos. O “pobre em 
espírito” é aquele que em sua pobreza 
e debilidade põe a sua confiança no 
socorro divino. Agindo dessa maneira, 
a promessa do Reino do Céus será uma 
realidade.
Quanto aos aflitos (cf. Mt 5,4), nesse 
macarismo é possível observar uma 
referência muito cara para a comuni-
dade de Mateus que tem fortes raízes 
judaicas. À luz do Trito-Isaías, o Mes-
sias, cheio do Espírito, tem a missão 
de consolar aqueles que estão com os 
corações tristes (cf. Is 61,2). A comuni-
dade mateana vê em Jesus a realização 
dessa promessa. Nele, os discípulos 
“Bem-aventurados os pobres em espírito” (Mt 5,3)
 TESTEMUNHO DE FÉ | 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 31LITURGIA
encontram uma nova esperança que 
é capaz de transformar o seu luto em 
consolo e alegria.
O terceiro macarismo que se refere 
aos mansos (cf. Mt 5,5), segundo E. Bou-
zon, pode ser considerado como uma 
explicação e exemplificação do primeiro 
macarismo, inclusive, influenciado pelo 
Sl 37,116. Na versão grega desse salmo, 
o termo hebraico anawin (pobres) foi 
traduzido por praeís7, adjetivo plural 
que significa “mansos”, humildes”, “do-
ces”. Os praeís, isto é, os mansos, são 
os pobres que se mostram confiantes 
em Deus estendendo a sua bondade e 
mansidão de forma concreta no rela-
cionamento com os outros. Os mansos 
não devem ser interpretados como 
pessoas fracas que toleram a injustiça, 
mas recebem essa qualidade porque 
são tolerantes, pacíficos e recusam as 
atitudes de violência. Estes, por sua vez, 
herdarão a nova terra que se concreti-
zará em Cristo.
Concluindo o primeiro grupo de 
macarismos, Jesus proclama bem-
-aventurados os que têm fome e sede 
de justiça (cf. Mt 5,6). O tema da justiça 
é central na teologia do AT, pois tal vir-
tude exprime o modo como os membros 
da comunidade devem se relacionar 
com Deus e uns com os outros orien-
tados pelo direito divino. Contudo, as 
infidelidades dos israelitas à Aliança 
fizeram crescer a injustiça provocando 
a divisão entre os homens. Diante desse 
cenário, a missão do Messias anuncia-
da pelo profeta não será outra senão 
restabelecer a justiça que foi abando-
nada pelos filhos de Israel (cf. Is 11,1-4; Jr 
23,5; 33,14-16). Na plenitude dos tempos, 
Jesus revela-se o verdadeiro Messias 
que realizará a justiça ofertando-se na 
cruz, devolvendo ao Pai aquilo que lhe é 
devido: Todos os filhos e filhas de Deus 
que estavam dispersos pelo pecado e, 
reconduzidos ao coração de Deus, serão 
saciados.
O segundo grupo de macarismos é 
formado a partir do louvor e elogio aos 
comportamentos concretos do homem. 
Tais comportamentos são observados no 
relacionamento humano e fundamen-
tados pelo novo modo de se relacionar 
com Deus.
Os misericordiosos são aqueles, cujos 
corações são capazes de se compadecer 
com a dor alheia, são profundamente 
tocados pelo sofrimento do próximo e 
amam sem limites. Eles não estão inertes 
nem apáticos, ao contrário, o coração mi-
sericordioso está sempre em movimento, 
mostrando-se capaz de ir em direção ao 
outro para estender-lhe a mão e celebrar 
a vida nova manifestada, sobretudo, na 
reconciliação. Quem age dessa forma, 
será tratado por Deus da mesma medi-
da (cf. Lc 6,36-38). Dele, alcançará a sua 
misericórdia (cf. Mt 5,8).
No que diz respeito aos puros de 
coração, o termo kardia, para os se-
mitas, indica o centro das decisões do 
homem que marcam profundamente a 
sua existência (cf. Ex 4,21; Dt 2,30; Pr 4,23; 
Mt 23,26). Ser puro de coração “significa 
ser simples, sem dolo e sem malícia no 
relacionamento com os outros. Em sua 
simplicidade, ele está também apto para 
ver a Deus, isto é, participar do Reino 
de Deus anunciado por Jesus”8. Nesse 
macarismo, está evidente uma alusão ao 
hino sálmico. Nele, o salmista apresenta 
as condições necessárias para o judeu en-
trar no interior do Templo: “Quem subirá 
até o monte do Senhor, quem ficará em 
sua santa habitação? Quem tem mãos 
puras e inocente coração, quem não 
dirige sua mente para o crime” (Sl 24,3-4). 
Em outras palavras, é aquele que tem 
um coração honesto, leal e justo e não 
compactua com a mentira e a maldade.
Em relação aos homens e mulheres 
que promovem a paz (cf. Mt 5,9), esse 
macarismo leva em consideração aqueles 
que recusam o caminho da violência e 
que a lei dos mais fortes possam reger 
os relacionamentos humanos. São ca-
pazes de arriscar a própria vida a fim de 
promover o shalom onde só existe ódio, a 
guerra e a divisão. Cristo torna-se mode-
lo singular daquele que o Pai enviou para 
destruir o muro de inimizade e todas 
as forças antagônicas que haviam entre 
Deus e o homem (cf. Ef 2,13-14). Derraman-
do a sua paz sobre os corações humanos, 
o Ressuscitado estabelece uma nova co-
munhão entre a criatura e o seu Criador 
(cf. Jo 20,19.21.26). Seguindo o testemunho 
de Cristo, aqueles que trabalham ativa-
mente pela paz terão a alegria de serem 
chamados filhos de Deus.
Concluindo o segundo grupo de 
macarismos, que também serve de 
introdução à ultima bem-aventurança, 
Jesus proclama “bem-aventurados os 
que são perseguidos por causa da justi-
ça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 
5,10). Sem dúvida, Mateus expõe uma 
situação concreta vivida pelos cristãos de 
sua comunidade que sofrem por agir de 
acordo com a vontade de Deus. São per-
seguido por parte daqueles que praticam 
a injustiça, a opressão e potencializam o 
ambiente de morte. A estes irmãos que 
sofrem a perseguição por causa do teste-
munho de Cristo, Deus intervirá em seu 
favor assegurando-lhes a sua vida plena 
com a posse do Reino.
O terceiro e último grupo apresenta 
apenas um macarismo, uma espécie de 
continuação com o macarismo anterior. 
Nele, os protagonistas são os homens e 
as mulheres, membros da comunidade 
cristã que professam concretamente a fé 
recebida no batismo. O Senhor lhes diz: 
“Bem-aventurados sois vós, quando vos 
injuriarem e perseguirem, e mentindo 
disserem todo tipo de mal contra vós, 
por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, 
porque será grande a vossa recompensa 
nos céus” (Mt 5,11-12). Nesse último ma-
carismo, não há dúvida que seja uma 
espécie de “atualização posterior das 
bem-aventuranças feita pela comunida-
de primitiva a partir de sua experiência 
concreta de perseguições e calúnia. A 
atmosfera é a de um discurso escatoló-
gico para confirmar na fé a comunidade 
perseguida e sofredora”9. No livro dos 
Atos dos Apóstolos, o testemunho da 
Igreja nascente mostra a vida dos pri-
meiros cristãos que experimentam o 
cumprimento das bem-aventuranças 
proclamadas pelo Filho de Deus.
Amados irmãos e irmãs, durante toda 
a sua peregrinação, desde a Galileia, 
caminhando pela Judéia, até Jerusalém, 
por onde Jesus passava, realizou o bem 
e, como um novo Moisés, libertou do 
mal muitas pessoas que encontrava no 
caminho. Olhando para cada homem, 
manifestou o rosto misericordioso do 
Pai, por exemplo: Ao curar o leproso (cf. 
Lc 5,12-16) e o paralítico (cf. Lc 5,17-26); ao 
chamar Levi para segui-Lo (cf. Mt 9,9); 
ao perdoar os pecados da mulher que 
chorava e com as lágrimas lavava os seus 
pés (cf. Lc 8,36-50); ao curar a hemorroíssa 
que Nele viu a esperança de sua vida (cf. 
Lc 8,43-46); ao curar um homem de mão 
atrofiada em dia de sábado (cf. Mc 3,1-6) 
para mostrar, que “o sábado foi feito para 
o homem e não homem para o sábado; 
de modo que o Filho do Homem é senhor 
até do sábado” (Mc 2,27-28). Enfim, são 
muitos os episódios em que Jesus se 
apresenta como o núcleo de uma vida 
bem-aventurada, cujos ensinamentos 
iluminam a Lei antiga revelando-lhes o 
verdadeiro sentido por meio da nova Lei 
que culminarácom a sua oferta pascal 
na cruz. 
As bem-aventuranças proclamadas 
por Jesus revelam também o seu apelo à 
conversão da nossa vida ao mistério do 
Reino. Esse apelo consiste em abando-
narmos o espírito de autossuficiência e o 
coração cheio de sentimentos ruins que 
geram maldades por uma vida plasmada 
pelo Espírito Santo. É Ele que faz crescer 
em nós a confiança absoluta em Deus, 
gera em nossas vidas a humildade de 
Cristo e transforma o nosso coração de 
pedra em coração de carne capaz de se 
compadecer com a dor alheia, indepen-
dentemente dos males que sofremos. 
Essa é a vocação que todos nós 
recebemos pelo batismo: Sermos con-
formados ao Cristo no Espírito. Com 
efeito, esse é o testemunho que Paulo dá 
à comunidade de Corinto em relação a 
eleição que o Senhor faz àqueles que Ele 
chama para serem seus instrumentos de 
salvação. Além disso, em tom de exorta-
ção, recorda a importância da conversão 
diária à humildade para que ninguém 
possa atribuir a si mesmo o bem que 
realiza. O apóstolo afirma: “Na verdade, 
Deus escolheu o que o mundo considera 
como estúpido, para assim confundir os 
sábios; Deus escolheu o que o mundo 
considera como fraco, para assim con-
fundir o que é forte; Deus escolheu o 
que para o mundo é sem importância e 
desprezado, o que não tem nenhuma ser-
ventia, para assim mostrar a inutilidade 
do que é considerado importante, para 
que ninguém possa gloriar-se diante dele. 
Quem se gloria, glorie-se no Senhor” (1Cor 
1,27-29.31).
PADRE EUFRÁZIO MORAIS
MESTRE EM TEOLOGIA 
SISTEMÁTICO-PASTORAL 
PELA PUC-RIO E PÁROCO DA 
PARÓQUIA NOSSA SENHORA 
DA CABEÇA, NA PENHA
1 Oração Coleta - 4º Domingo do Tempo Comum.
2 ZENGUER, E. Introdução ao Antigo 
Testamento, p.525-526.
3 BROWN, R. E., Introdução ao Novo Testamento, 
p. 269-270. O autor citado condensa os dois 
macarismos presentes em Mt 5,10-11 com um 
único macarismo.
4 Do grego makários, adjetivo que significa 
“bendito”, “feliz”, chamamos de “macarismos” o 
conjunto das bem-aventuranças proclamadas 
por Jesus no sermão da montanha (Mt 5,3-11). 
5 BOUZON, E., ROMER, K. J. A Palavra de Deus 
- No anúncio e na oração. Ano A. p.374. E. 
Bouzon, diferente de R. E. Brown, julga ter nove 
macarismos dentro dos discurso do Sermão da 
Montanha.
6 BOUZON, E., ROMER, K. J. A Palavra de Deus - 
No anúncio e na oração. Ano A. p.374.
7 RUSCONI, C. Dicionário do Grego do Novo 
Testamento, p. 386.
8 BOUZON, E., ROMER, K. J. A Palavra de Deus - 
No anúncio e na oração. Ano A. p.375.
9 BOUZON, E., ROMER, K. J. A Palavra de Deus - 
No anúncio e na oração. Ano A. p.375.
1ª Leitura - Sf 2,3; 3,12-13
Salmo - 145(146)
 2ª Leitura - 1Cor 1,26-31
Evangelho - Mt 5,1-12a
4º Domingo Do Tempo Comum - LiTurgia Diária - ano a
missa Do Dia - 29 De janeiro De 2023
SEGUNDA-FEIRA 
Dia 30 de janeiro
1ª Leitura - Hb 11,32-40
Salmo - 30(31)
Evangelho - Mc 5,1-20
TERÇA-FEIRA 
Dia 31 de janeiro
1ª Leitura - Hb 12,1-4
Salmo - 21(22)
Evangelho - Mc 5,21-43
QUARTA-FEIRA
Dia 1º de fevereiro
1ª Leitura - Hb 12,4-7.11-15
Salmo - 102(103) 
Evangelho - Mc 6,1-6
QUINTA-FEIRA 
Dia 2 de fevereiro
1ª Leitura - Ml 3,1-4 ou 
Hb 2,14-18
Salmo - 23(24)
Evangelho - Lc 2,22-40
SEXTA-FEIRA
Dia 3 de fevereiro
1ª Leitura - Hb 13,1-8
Salmo - 26(27)
Evangelho - Mc 6,14-29
SÁBADO 
Dia 4 de fevereiro
1ª Leitura - Hb 13,15-
17.20-21
Salmo - 22(23)
Evangelho - Mc 6,30-34
32 ESTUDO BÍBLICO 29 DE JANEIRO A 4 DE FEVEREIRO DE 2023 | TESTEMUNHO DE FÉ
Livros do Novo Testamento (1Livros do Novo Testamento (14949))
PADRE PEDRO PAULO A. SANTOS
DOUTOR EM TEOLOGIA BÍBLICA
pedosantos@gmail.com
@pedro.pedropaulo
Neste artigo prossegue-se no cami-
nho da descoberta de S. Paulo em seu 
extenso operado apostólico-missionário, 
os Escritos atribuídos a ele no Cânon do 
Novo Testamento, seu contexto missio-
nário entre os judeus e pagãos na Ásia 
Menor cristã.
1. CARTAS ‘PROTO-PAULINAS’
Como se leu anteriormente, as treze 
cartas paulinas não constituem um bloco 
monolítico. 
Estas Cartas, mesmo permanecendo 
sob a esfera de S. Paulo, sua doutrina 
e linguagem, têm sido classificadas 
diversamente em relação à sua autoria 
direta,isto é, do punho de S. Paulo. 
As 7 cartas que atendem a este quesi-
to de comprovação da ‘autoria direta’ de 
Paulo são denominadas ‘proto-paulinas’:
1. Romanos
2. 1 Coríntios
3. 2 Coríntios; 
4. Gálatas
5. 1 Tesssalonicenses
6. Filipenses
7. Filemon
2. CARTAS ‘DEUTERO-PAULINAS’
Além dessa classificação, encontra-
-se um outro grupo de cartas que, sob 
a mesma êgide do Apóstolo, não são 
consideradas de seu direto punho, mas, 
avançadas no tempo, permanecem como 
documentos do ‘corpus’ Paulino (13 Car-
tas). Elas parecem ter sido escritas pelos 
colaboradores diretos de S. Paulo, após 
sua morte, para manter as comunidades 
fora da ‘orfandade’ da mente e da palavra 
de S. Paulo. São denominadas, assim, de 
‘dêutero-canônicas, algumas denomina-
das ‘Cartas da Prisão’.
1. Colossenses
2. Efésios
3. 2 Tessalonicenses
3. AUTENTICIDADE OU IDENTIDADE 
IMPROVÁVEL: 
Trata-se de um grupo de 3 Cartas:
1. Ia e IIa Timóteo
2. Carta a Tito
Estas cartas são denominadas de 
‘Pastorais’, pois se dirigem, no caso de 
Timóteo e Tito, aos bispos colaborado-
res de S. Paulo, que continuaram, após 
sua prisão e condenação em Roma a 
guiar as Igrejas do Apostolado Paulino, 
e, mesmo se algumas vezes são relacio-
nadas ao grupo dêutero-paulino, sua 
autenticidade é de comprovação muito 
mais discutível.
4. CARTA AOS HEBREUS.
Este documento será incluído entre 
as cartas de S. Paulo até o início do IIo 
séc. Cristão. 
Mas, antes da definição do Cânon no 
IIIo séc., será descartado da esfera pau-
lina pela sua principal temática (Cristo 
Sumo e Eterno Sacerdote), vocabulário e 
argumentação inéditas às cartas ‘proto-
-paulinas’ e mesmo ter sido escrita a 
‘judeus-cristãos’, quase esclusivamente. 
Permaneceu, deste modo, um texto 
de doutrina e autoridade apostólicas, 
mas não é Paulina.
Livros do Novo Testamento (1Livros do Novo Testamento (15500))
No percurso denso e complexo das 
Cartas de S. Paulo convém perceber suas 
características principais, pelas quais se 
estabelecem os pontos de contato entre 
o escritor e seus leitores, na cultura cristã 
primitiva, em pleno Império Romano.
COMUNICAÇÃO LITERÁRIA PAULINA
Toda a comunicação de S. Paulo com o 
gentios/judeus-cristãos realizou-se atra-
vés da pregação presente no ato missioná-
rio, nos espaços previstos na vida comum 
do judaísmo, como as Sinagogas, seja no 
espaço público greco-romano, as praças. 
Mas, foi de importância capital, na 
medida em que se expandia a vida e a es-
trutura eclesial da Tradição Paulina a uso 
da literatura. S. Paulo estabelece uma rede 
de comunicação escrita/lida que circulará 
entre as diversas formas de organização 
cristã, possibilitante que, mesmo distan-
te, pessoalmente se dirigisse e orientasse 
os rumos das Igrejas por ele fundadas.
Outro aspecto relevante é a questão 
do formato literário escolhido. S. Paulo, 
para além da Carta aos Romanos, na qual 
ele desenvolve na ‘forma de tratado’ as 
grandes questões do Cristianismo nas-
cente à importante comunidade judaico-
-cristã na diáspora romana, desenvolverá 
nas cartas uma forma privilegiada de 
comunicação interpessoal, com doutrina 
e orientações morais e pastorais, que as 
tornaram ferramentas personalizadas, 
dirigidas às realidades, carcterísticas e 
problemas concretos. 
As cartas por sua própria natureza e 
finalidade são documentos que registram, 
não somente questões amplas e abstratas 
(doutrina), mas encerram uma forma de 
comunicação de documentário, dinâmi-
ca, que se refere às circusntâncias concre-
tas e algumas imediatas no contexto de 
interlocução entre o emissário da carta e 
seus destinatários. Assim, a carta é tam-
bém, a seu modo, um documento históri-
co que pode retratar aspectos ‘biográficos’ 
daquela forma de vida comunitária.
GÊNERO EPISTOLAR PAULINO: 
Por um lado estas cartas trazem as 
marcas do “aqui e agora”. Respondem 
às questões mais urgentes do contextoexistencial das Comunidades (Rom 1,12 
)em vista de corrigir, confirmar e consolar
Desejo ardentemente ver-vos, a fim de 
comunicar-vos alguma graça espiritual, 
com que sejais confirmados, ou melhor, 
para me encorajar juntamente convosco 
naquela vossa e minha fé que nos é co-
mum (Rm 1, 11-12)
Por isso, elas são ocasionais e de-
terminadas. mas não particulares ou 
privadas, porque sempre exprimem a re-
lação do Apóstolo com as comunidades. 
O contexto literário é aquele ‘original’ 
em relação às cartas-tratados e bilhetes 
familiares. Isto é, de certa maneira ao 
analisarmos o ‘tipo’ de cartas escritas 
por S. Paulo às suas comunidades, estas 
se diferenciam em muitos aspectos das 
formas previstas naquele tempo, dando 
início a uma forma epistolar ‘original’.
Escritas em papiro, são digitadas ou 
escritas por Paulo (cf. Rom 16,22- ama-
nuense Tércio ou 1 Cor 16, 21; Gal 6,11):
Eu, Tércio, que escrevi esta carta, vos 
saúdo no Senhor (Rm 16, 22)
Com exceção do breve ‘bilhete’ a 
Filemon, as Cartas Paulinas eram ende-
reçadas às Igrejas para cumprirem um 
papel litúrgico comunitário ( cf. 1 Ts 5,27). 
O material litúrgico, hinos e doxologia , 
confirmam o contexto das cartas. 
FORMAS LITERÁRIAS:
Toda forma de comunicação, oral ou 
escrita, está estruturada sobre os princí-
pios das relações mais eficazes entre a in-
tenção ou projeto de referir algo a alguém 
e as condições e suportes materiais para 
esta comunicação (voz e a carta). Por isso, 
para que a comunicação entre S. Paulo 
e suas igrejas fosse eficaz ele adotará as 
‘regras’ da escrita e da elaboração literária 
de seus destinatários (e sua também), 
reestruturando aspectos para melhor es-
tabelecer seus fins doutrinais e pastorais.
Alguns elementos são obrigatórios na 
identificação do gênero literário ‘carta’ 
ou ‘epístola’:
ESTRUTURA DA CARTA PAULINA
Ao menos cinco elementos aparecem 
como uma constante (estrutura identifi-
cável) na formatação das cartas Paulinas:
1) endereço com os nomes do remetente 
- destinatario;
2) saudação;
3) breve preâmbulo ( bem frequente);
4) corpo da carta;
5) augúrios e saudações. 
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29 DE JANEIRO
São Valério de Ravena e São Valé-
rio de Tréviri
• Aida dos Anjos Bordalo Cortes
• Amilton Ignácio da Silva 
• André dos Santos Silva
• Artur Henrique Loureiro de Lyra
• Bárbara Sader de Souza
• Carlos Alberto R. Gonçalves
• Francisca Salles Waterman
• Francisco Jezualdo Medeiros
• Irene Cordeiro Neves
• Katia Regina C. Silva Oliveira
• Liete Pinna Cardoso
• Lindalva Carlos de Oliveira
• Luzimar Alves de Souza Oliveira
• Luzinete Morenno Azevedo 
• Malva Angélica Benevides Silva
• Manoel José da Silva
• Marcelo do Nascimento 
• Marcos Sidney A. de Abreu
• Maria Antonia C. S. de Souza
• Maria Augusta de Araujo
• Maria José Ornelas Medeiros
• Mariuza E. Santos Bezerra
• Nely Barbosa Figueiredo
• Osvaldo Flor de Pinho
• Regina Ferreira dos Santos
• Regina Maria L. Castro Loureiro
• Roseana Sousa Epifanio
• Sandra Resende Tavares Ortiz
• Tania Pereira de Mattos
• Thereza Cristina M. de Souza
• Valda Macedo Barreto Nogueira
• Vilma Clara de Paiva Santos
• Wesley de Sousa Borges
30 DE JANEIRO
Santa Martinha
• Adriana Cabral de Lacerda
• Alessandra Gouvea Rodrigues
• Almerinda Dias Rodrigues 
• Ana Lucia de Oliveira Araujo
• Analucia Teixeira Guanabarino
• Ângela Maria R. Lima Sousa
• Brando Pereira Barbosa
• Carla Landia da Silva
• Carmelita Baptista de Andrade
• Edileuza Maria C. da Silva 
• Edilza Barbosa da Silva Praxedes
• Francisca Oliveira Ferreira
• Lilia da Silva Madruga
• Luiza Rosendo J. Assunção
• Maria Célia da Silva e Silva
• Maria das G. R. Mantovani
• Maria de Lourdes Santos
• Maria de Oliveira Pereira da Silva
• Maria Elizabeth Cavor Maldari
• Marilene F. Araujo Barbosa
• Marlene Barros da Silva Miranda
• Ozanete Santiago da Silva
• Raquel Pinheiro Mesquita
• Regina Carmelita Rodrigues Real
• Rosana Ramos dos Santos Alves
• Rosely dos Santos Crespo
• Rosita Duarte da Silva
• Vera Lucia Borges Pereira
• Viviane Denevit
• Zuleide de São Justo Pinheiro
31 DE JANEIRO
São João Bosco
• Adelina Aguiar de Oliveira
• Andreia Cassilha
• Anna Maria dos Santos Correa
• Berenice Dias dos Santos
• Camila França Sena Sampaio
• Deivanir Vieira Fernandes 
• Dolores Correia Nunes
• Eliezer Pereira Lopes
• Germano Américo dos Santos
• Gilda dos Santos Filha
• Glória Regina da Silva Tabuquine
• Ilza Nogueira dos Santos
• Joana de Jesus Brandão Coelho
• José Adão Soares
• José Pereira da Silva
• Leonardo Lopes Gonçalves
• Luiz Bento Batista
• Luiz Emílio Justiniano 
• Luiz Procópio dos Santos
• Lusimar Freire Silva
• Marcia Andrea da Silva Lucente
• Maria Angélica M. Rocha e Silva
• Maria Augusta de Souza Costa
• Maria de Fátima Oliveira
• Maria do Carmo da Silva Calixto
• Maria Ferreira Batista
• Maria Olinda Taveira Rebelo
• Marina da Silva Gonçalves
• Mariza Magalhães
• Rosangela R. de Carvalho
• Simone Xavier Passos
• Teresa Filomena de Jesus Vieira
• Tereza Cristina L. Mello Cunha
• Therezinha Gonçalves Sirieiro
• Vania Grigolli Soares de Lima
• Vania Valeria I. de Souza Silva
• Vera Lucia Baptista Pensabem
• Zilah Souza da Costa
1 DE FEVEREIRO 
Santo Albino
• Aliete Pereira da Silva
• Ana Lúcia Milanez Campos
• Ana Maria Rodrigues
• Cassipore Bernardes Carvalho
• Cristianne Cordeiro Cantreva
• Dulce Hermenegildo Jorje
• Eduardo Haruo Saito
• Expedito Azevedo
• José Ribeiro da Silva
• Juleide Maria Leal Silva Carmona
• Juracy de Lima Ramiro
• Leny Magdaleno Galhardo
• Lucia de Almeida
• Marcelo Valente Tomaz
• Maria Ágda Cunha Fernandes
• Maria Antonia de Paula
• Maria Auxiliadora G. Hillmer
• Maria da C. Fontes Nejaim
• Maria da Penha Rocha Pengaly
• Maria de Fátima Silva de Brito
• Maria de Jesus Teixeira Medeiros
• Maria de Lourdes L. Oliveira
• Maria do Carmo de Lima
• Maria do Carmo Ferreira Gon
• Maria Eugênia Cesário
• Marlene Alencar de Almeida
• Marly Motta Bessa
• Mauriza Correa de Souza
• Ney Bretas Neves
• Olga Martins da Silveira
• Olindina Alves Costa
• Pedro da Silva Ferreira
• Rita de Cassia A. Feitosa Costa
• Suely da Silva Coelho Lima
• Vera Maria Domingues Augusto
2 DE FEVEREIRO 
São Simplício
• Alany da Luz Gonçalves Ferreira
• Américo da Silva Soares
• Ana Maria Vitor Leite
• Andreia da Fonseca Souza Silva
• Angelina Broto Lima
• Antonio Negreiros Fernandes
• Arlete de Jesus Abrãao Vasques
• Camila Elvira Pereira
• Catarina Rosa de Souza
• Christine V. O. Salles Pereira
• Davison Antunes Pojo
• Eliana Ramos Moreira da Silva
• Eunice Carvalho de Oliveira
• Francisca Gomes da Silva
• Francisca Zeneida Gonçalves
• Haroldo José de Jesus Cella
• Ilca Araujo da Rocha
• Januncio Balduino de Brito
• José Lino Gomes Soares
• Josefa Maria Purificação da Paz
• Kelly Pereira de Lima
• Leonardo de Araujo Estevão
• Leticia Ribeiro Soares
• Luiz Paulo Caetano da Silva
• Marcia Andrea F. Silva Reis
• Maria Anna Thereza de Rezende
• Maria Candida da Silva Teixeira
• Maria da Gloria Klem da Motta
• Maria da Purificação da Silva Pio
• Maria Ferreira Fernandes
• Maria Nazareth Ramos
• Maria Rosa Rodrigues
• Marisa de Almeida Fontes
• Marli da Conceição S. da Silva
• Mauricio Teotonio da Silva
• Mirtes Lacerda Campos
• Nerci Rodrigues Alcantara 
• Neuma Maria de S. Assunção
• Odilia Marinho Otavio
• Orlando do Rosário Miranda
• Ruth Alves de Carvalho
• Sebastiana Martins da Silva
• Talita da Silva Pereira
• Tania Maria da Cruz Brito
• Wanilda Ribeiro Barreto
3 DE FEVEREIRO 
São Brás
• Adriana Sayão Carvalho
• Avani Albuquerque de Souza
• Clemir Cunha de Carvalho
• Creusa Couto dos Santos Ribeiro
• Dora Lice Ferraz Firme
• Edirani Joaquim do Nascimento
• Elisabete F. Vieira de Azevedo
• ElizabethGonçalves Figueiredo
• Jaider Silva
• Jandira Selma da Silva Wanzeller
• José Waldir de V. Leopecio Junior
• Josilea Cordeiro da Silva
• Juliana da Mota F. Faver
• Luciana Pessoa R. de Azevedo
• Marcia Helena da Silva Sousa
• Maria das Graças Martins 
• Maria de F. C. Silva Zuqueto
• Maria Eduarda F. Afonso
• Monica da Silva Gomes
• Neusa da Cunha dos Santos
• Otelina José Coutinho
• Rosali Azevedo Kunzel
• Rosimery F. de Oliveira Lima
• Sandra Alves Calvão
• Soraia Barros Lima Pereira
4 DE FEVEREIRO 
São João de Brito
• Ana Cristina Pinto
• Andrea Moreira Sequeira
• Carmem Lucia G. de Melo
• Eufrasia Soares
• Francisca M. de Castro Scher
• Gloria Maria P. Costa Madureira
• Hailton Hortencio da Silva
• Herminia Celia Luiz do Rosário
• Ilda Lopes Valadão
• Joaquim Olympio de Oliveira
• Lucia Helena Dias Machado
• Maria Aparecida de Freitas
• Maria José Fernandes Lobo
• Maria Lucia da Silva Oliveira
• Maria Lucilene P. de Queiroz
• Nadia Lucia da Fonseca Lima
• Rejane Braga de Oliveira
• Salette Rodrigues Menezes
• Solange Maria Batista Silva
• Valdete Lima da Costa Souza
• Valquiria Vale de Oliveira Araujo
• Vera Lucia de Souza Teixeira
• Vera Maria Ferry Braga
• Vilma Maria Inacia
• Zilá Regina de A. Pereira
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