Prévia do material em texto
Concílio de Calcedônia O Concílio de Calcedônia foi um concílio ecumênico de grande importância na história do cristianismo, realizado para resolver controvérsias cristológicas e estabelecer a doutrina ortodoxa sobre a natureza de Jesus Cristo. Quando ocorreu? O Concílio de Calcedônia ocorreu de 8 de outubro a 1 de novembro de 451 d.C., na cidade de Calcedônia, na Bitínia (atual Turquia), em frente a Constantinopla [1]. Problematização A principal razão para a convocação do Concílio foi a necessidade de anular as decisões do Segundo Concílio de Éfeso (449 d.C.), conhecido pejorativamente como o "Latrocínio de Éfeso" [1]. Este concílio anterior, presidido por Dióscoro de Alexandria, havia reabilitado Eutiques e deposto bispos ortodoxos, gerando grande controvérsia e ameaçando um cisma entre o Oriente e o Ocidente [1]. O Imperador Marciano convocou o Concílio de Calcedônia com o objetivo de restaurar a paz e a unidade na Igreja, afirmando a doutrina católica ortodoxa [1]. Heresias O Concílio de Calcedônia foi convocado para combater principalmente a heresia do Monofisismo, ensinada por Eutiques [1]. • Monofisismo (Eutiquianismo): Esta heresia, defendida por Eutiques, afirmava que, após a encarnação, as duas naturezas de Cristo (divina e humana) se fundiram para formar uma única natureza (mono = uma; physis = natureza). Eutiques argumentava que Jesus não era totalmente humano, mas que sua humanidade havia sido absorvida por sua divindade [1]. O Concílio também abordou as consequências da controvérsia nestoriana, que havia sido tratada em concílios anteriores, mas que ressurgiu indiretamente através das discussões sobre a natureza de Cristo [1]. Doutrina A principal conquista doutrinária do Concílio de Calcedônia foi a formulação do Credo Calcedoniano (ou Definição de Calcedônia), que estabeleceu a doutrina da união hipostática [1]. O Credo Calcedoniano afirma que Jesus Cristo é: • "Perfeito tanto na divindade quanto na humanidade" [2]. • "Verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem" [2]. • Possui duas naturezas (divina e humana), que coexistem "sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação" em uma única pessoa (hipóstase) [1]. Esta doutrina refutou o monofisismo ao afirmar a distinção das duas naturezas de Cristo e o nestorianismo (que havia sido condenado anteriormente) ao enfatizar a unidade da pessoa de Cristo [1]. Disciplina Além das questões doutrinárias, o Concílio de Calcedônia também abordou questões de disciplina e jurisdição eclesiástica, emitindo 28 cânones [1]. Alguns pontos disciplinares notáveis incluíram: • Cânon 28: Concedeu à Sé de Constantinopla (Nova Roma) privilégios e jurisdição eclesiástica semelhantes aos de Roma, devido ao seu status de capital imperial. Este cânon gerou controvérsia e não foi aceito imediatamente por Roma [1]. • Outros cânones trataram de questões como a conduta do clero, a administração de dioceses e a proibição de certas práticas [1]. Referências [1] Concílio de Calcedónia. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Conc%C3%ADlio_de_Calced%C3%B3nia. Acesso em: 13 out. 2025. [2] Verdadeiro Deus, verdadeiro homem: o Concílio de Calcedônia. Ligonier Ministries. Disponível em: https://pt.ligonier.org/artigos/verdadeiro-deus-verdadeiro- homem-o-concilio-de-calcedonia/. Acesso em: 13 out. 2025. https://pt.wikipedia.org/wiki/Conc%C3%ADlio_de_Calced%C3%B3nia https://pt.ligonier.org/artigos/verdadeiro-deus-verdadeiro-homem-o-concilio-de-calcedonia/ https://pt.ligonier.org/artigos/verdadeiro-deus-verdadeiro-homem-o-concilio-de-calcedonia/