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RAFAEL XAVIER CUNHA 
 
Imunologia 
Transcrição – Barreiras Físicas, Químicas e 
Biológicas 
Introdução 
 
A imunidade adaptativa, para funcionar, 
depende de, em média, 3 a 5 dias. Portanto, não 
é a imunidade espontânea. 
Quando se tem um episódio patogênico 
ocorrendo, a primeira a funcionar, sempre, é 
a imunidade inata, uma vez que suas células já 
foram fabricadas e ativadas. Ainda que a 
imunidade adaptativa entre em vigor, a 
imunidade inata permanece atuando e assim 
ficará enquanto permanecer um patógeno. 
A imunidade inata sempre está te protegendo, 
funcionando. 
A imunidade inata é a mais básica dentre as 
duas, por não reconhecer 
especificidades/detalhes. Ela reconhece 
padrões. 
As barreiras químicas, físicas e biológicas são 
as primeiras linhas de defesa do sistema 
imune. Quando as mesmas não funcionam, 
entram em ação as segundas linhas de defesa, 
que são as moléculas solúveis (sist. 
complemento) e as células do sistema imune. 
1. Barreiras 
2. Moléculas Solúveis e Tipos celulares 
 
Barreira Física 
A pele e as mucosas funcionam como um 
“muro” no nosso corpo. Elas separam o 
ambiente do hospedeiro. 
A pele e a mucosa funcionam como 
“armaduras” para uma batalha. 
A pele é tudo que reveste o corpo 
externamente, sendo muito resistente. 
A mucosa é tudo aquilo que é interno e que 
reveste as cavidades. A boca, nariz, olhos, 
vagina, uretra, ânus, todos apresentam 
mucosa 
Quando intactas, a pele e a mucosa são 
praticamente impermeáveis à maioria dos 
agentes infecciosos. 
A maioria dos agentes infecciosos não 
conseguem transpor a barreira física se esta 
não estiver rombida. Porém, existem 
exceções à regra, como o ebola. 
A mucosa dos olhos é muito absorvente. 
Muito rapidamente ela absorve e os agentes 
vão para a corrente sanguínea, se não 
eliminados. Portanto deve-se ter cuidado com 
a mucosa dos olhos. 
Hábitos como dormir de boca aberta podem 
ressecar a mucosa e ocasionar rachaduras. 
Dessa forma, qualquer alimento, bebida ou 
através da própria respiração pode me 
colocar em contato com um patógeno. 
 
RAFAEL XAVIER CUNHA 
 
Pele 
A pele difere em resistência conforme o local 
revestido. Mas geralmente todas apresentam 
uma estrutura característica. 
A pele apresenta uma camada de queratina. 
Para um patógeno causar algum dano, ele 
precisa, primeiramente, romper toda a 
camada de queratina da epiderme, para então 
chegar à derme. 
Num geral, quase nenhum patógeno consegue 
romper completamente essa barreira de 
queratina. Assim, para que haja algum dano, 
tem de haver alguma perfuração, lesão etc. 
 
A queratina é uma proteína que, dependendo 
de fatores genéticos e da raça, será 
produzida em maior ou menor quantidade. 
Indivíduos negros apresentam, por exemplo, 
bem mais queratina que indivíduos de outras 
raças, estando bem mais protegidos contra 
raios solares e patógenos. 
A queratina é produzida quando as células do 
tecido morrem. Conforme seu 
envelhecimento, as células vão 
superficializando e vão depositando queratina 
no citoplasma, formando essa camada 
espessa. 
 
Portanto, não se deve tomar banho demais, 
nem banho de menos. Se tomar banho demais, 
pode haver a remoção dessa camada 
protetora de queratina. Se tomar banho de 
menos, essa camada fica muito mais espessa, 
impossibilitanto a hidratação suficiente da 
pele pela oleosidade. 
 
Mucosa 
A mucosa é tudo que reveste internamente. 
É uma camada bem fina, por isso, com o 
tempo, ela adquiriu estruturas especializadas, 
como as vilosidades, flagelos, cílios, etc. 
Especializações celulares fazem com que a 
mucosa apresente mecanismos de integridade 
complexos que não permitem a 
entrada/colonização por patógenos 
A mucosa do trato respiratório apresenta, 
por exemplo, cílios que empurram os 
patógenos que caem alí até que esse 
patógeno encoste num nervo muito sensível, 
que ativa o espirro ou tosse, que vai retirar o 
patógeno pela corrente de ar. 
A mucosa apresenta muco, um líquido viscoso 
produzido pela mucosa crucial para a saúde da 
mucosa. 
A mucosa produz peptídeos antimicrobianos 
que ficam no muco. Essas proteínas 
destroem bactérias, outros vírus etc. Boa 
parte das bactérias são destruídas por esses 
peptídeos. 
O muco costuma apresentar 3 funções: 
1. Lubrifica os tecidos 
↪Proteção contra desidratação, o 
que facilitaria rachaduras e a entrada 
de patógenos 
2. Evita a aderência dos patógenos 
↪Todos os patógenos, para causar 
algum problema, precisar estar fixos 
no tecido. O muco é liso. Portanto, os 
patógenos não conseguem se aderir 
nas células. 
3. Peptídeos Antimicrobianos 
↪As células secretam esses peptídeos 
que ficam no muco. Eles destroem as 
paredes celulares das bactérias. 
 
 
RAFAEL XAVIER CUNHA 
 
As bactérias são classificadas clinicamente de 
duas formas (por conta dos antibióticos, tem 
uns que funcionam somente pra gram-
positivas, outros para gram-negativas e 
existem aqueles de amplo espectrum, que 
funcionam pras duas) 
1. Gram-positivas 
↪Não apresentam lipopolissacarídeos 
(LPS) 
↪Apresentam ácido teicóico ou 
lipoteicóico 
↪Apresentam peptideoglicano 
2. Gram-negativas 
↪Apresentam lipopolissacarídeos 
(LPS) 
↪Apresentam peptideoglicanos 
A lisozima é um peptídeo antimicrobiano, uma 
enzima presente no muco, na saliva, na 
lágrima, no suor etc. Essa enzima destrói a 
parede das bactérias, expondo a membrana 
plasmática da bactéria, que perde a 
capacidade de realizar a osmorregulação. 
Outro peptídeo antimicrobiano é a defensina, 
que causa poros na membrana plasmática 
das bactérias. 
 
Outros Mecanismos Físicos 
Existem outros mecanismos físicos do 
sistema imune como o ato de vomitar, que 
representa uma lavagem do trato 
gastrointestinal superior. Chorar representa 
uma lavagem dos olhos, levando junto os 
patógenos. Urinar, principalmente após 
relações sexuais, é uma lavagem da uretra, 
retirando as bactérias daquele canal. Suar, 
apesar de ter sua função regulatória da 
temperatura corporal, também possui seu 
mecanismo imune, retirando os patógenos da 
pele. Outros que podem ser citados: diarreia, 
movimentos ciliares, corrente de ar (tosse, 
espirro). 
 
As barreiras físicas realmente funcionam? 
Funcionam. Num experimento, limparam as 
mãos por completo de um indivíduo (usaram 
álcool, sabão, escovaram as mãos). Na mão 
esquerda passou-se um cotonete cheio de 
Staphylococcus aureus e na mão direita 
passaram o cotonete cheio de Escherichia coli. 
Depois de 30 minutos com as mãos pro ar, 
colocaram as mãos num recipiente com meio 
de crescimento. Colocaram os recipientes 
numa estufa para que as bactérias pudessem 
crescer. Primeira cresceu, resistiu às 
barreiras. Já a E. coli não resistiu. 
Conclusão: as barreiras funcionam. Existem 
patógenos resistentes, ms existem 
patógenos que não resistem, como a E. coli do 
experimento. 
Pacientes com queimaduras morrem, na 
verdade, de infecções causadas por 
patógenos que caíram diretamente nos 
tecidos. 
Existe uma doença chamada de Discinesia 
Cliliar Primária (DCP). Essa doença causada por 
mutações impossibilita o movimento dos cílios, 
ocasionando em gripes e resfriados 
constantes. 
 
Barreiras Químicas 
São duas: 
1. pH 
2. Ácidos Graxos 
↪Sebo, oleosidade. Isso consegue 
destruir alguns patógenos pela 
presença de gordura (tipo sabão, que 
é gordura também) 
O corpo apresenta regiões com pH distintos, o 
que representa um fator de proteção contra 
patógenos que não aguentam mudanças 
bruscas de pH. Ainda assim, existem exceções. 
 
Microbiota 
Microbiota é uma coleção de 
microorganismos, geralmente bactérias, que 
existem dentro dos organismos e que não 
causam problemas, só beneficiam 
(comensalismo). 
A mais importante delas está no intestino. 
Essas bactérias formam um biofilme (essas 
são toleradas pelo sistema). Com essa 
RAFAEL XAVIER CUNHA 
 
camada, os patógenos não conseguem entrar 
nas células. Elas também produzem proteínas 
não produzidas pelo corpo naturalmente, 
como a vitamina K. 
Elasajudam a absorver os nutrientes com 
melhor qualidade e com mais rapidez. Assim, 
conforme há a entrada de um patógeno junto 
aos alimentos, a microbiota apresenta essa 
competição por alimentos, absorvendo 
rapidamente os nutrientes, impossibilitando 
um meio de colonização nutritivo para outras 
bactérias. 
Produzem proteínas antibióticos para 
matarem outras bactérias invasoras. 
 
Problema com a Microbiota 
Toda vez que há a ingestão de antibióticos. 
Haverá problema com a microbiota. 
Os antibióticos não diferenciam bactérias 
patogênicas das bactérias da microbiota. Ou 
seja, se houver a ingestão prolongada e 
excessiva de antibióticos, haverá a redução da 
microbiota., facilitando a penetração de 
bactérias patogênicas. 
Adultos conseguem, até certo limite, 
reestabelecer a flora. O problema é com as 
crianças e os idosos. 
O problema ocorre quando algum desequilíbrio 
provoca a reprodução de 
bactérias Clostridium difficile, capazes de 
ocasionar infecções e afetar o bom 
funcionamento do trato intestinal. Fatores 
como o uso exagerado de antibióticos e 
deficiência do sistema imunológico podem 
contribuir para esse desarranjo. Se não 
houver tratamento o quanto antes, as 
toxinas das Clostridium difficile podem causar 
inflamação no intestino grosso (colite). O 
paciente costuma apresentar sintomas como 
diarreia, fezes com sangue e febre. Em casos 
raros, a bactéria pode causar infecção no 
revestimento das paredes do abdômen 
(peritonite), sepse e perfuração do cólon. O 
risco de efeitos mais graves é maior em 
pessoas com imunodeficiência, idosos e 
pessoas com doenças crônicas ou 
degenerativas que podem influenciar a 
imunidade ou modificar o processo de 
absorção intestinal. 
 
Transplante de Fezes 
O transplante de microbiota fetal (FMT) 
envolve a administração de toda a 
comunidade microbiana das fezes de 
doadores saudáveis no trato intestinal do 
receptor para normalizar ou modificar a 
composição e a função da microbiota 
intestinal. 
Para conter a infecção, a primeira tentativa 
usualmente é o uso de antibióticos. Quando 
eles não são suficientes, pode ser indicado o 
transplante de microbiota fecal. “Introduz-se 
no intestino do paciente uma solução de fezes 
doadas que contêm bactérias, fungos, 
arqueias (micro-organismos 
morfologicamente semelhantes às 
bactérias) e vírus que irão colonizar o 
intestino do receptor. Todos esses 
agentes vão ocupar o espaço e irão competir 
por nutrientes, o que consequentemente 
acaba por controlar a proliferação 
do Clostridium difficile. Após o transplante, a 
microbiota do intestino se reorganiza e a flora 
se reequilibra. 
Quando essas 
barreiras são 
rompidas, entram em 
ação as moléculas 
solúveis e as células 
do sistema imune 
 
 
 
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