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Livro Didático Digital Neurociências e as Práticas Pedagógicas: Jogos, Brincadeiras e Didática Aplicados à Neuroeducação Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria VIVIANA GONDIM DE CARVALHO AUTORIA Viviana Gondim de Carvalho Sou Doutoranda em Humanidades, Culturas e Artes, Mestre em Letras e Ciências Humanas, pós-graduada em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior. Sou especialista em Informática Educativa e graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Autora de artigos e livros didáticos. Atuo na área educacional, com ênfase em Educação a Distância, Psicopedagogia, Comunicação, Recursos Humanos e Neuroeducação. Atuei em grandes empresas nacionais e multinacionais, consolidando a educação virtual, desenvolvendo materiais didáticos, preparando ambientes multimidiáticos. Coordenei fábricas de conteúdos, desenvolvendo produtos para educação a distância como apostilas, games, simuladores, vídeos etc. Atualmente, atuo na Educação a Distância e desenvolvo pesquisas sobre a utilização de tecnologia a fim de melhorar o desempenho dos alunos por meio das ferramentas tecnológicas. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Brincar com Papéis de faz de Conta ................................................... 10 O Faz de Conta .................................................................................................................................. 10 Aprender a Ensinar pelo Lúdico ............................................................ 16 Formas de Ensinar pelo Lúdico ........................................................................................... 16 Como e Quando Utilizar as Atividades Lúdicas ........................................................ 21 O Cérebro e a Brincadeira ......................................................................24 O Cérebro Durante a Brincadeira ........................................................................................24 Tipos de Jogos e Brincadeiras Lúdicas ............................................32 Os Diferentes Tipos de Jogos e de Brincadeiras Lúdicas .................................32 7 UNIDADE 04 Neurociências e as Práticas Pedagógicas 8 INTRODUÇÃO Você já parou para pensar como as crianças utilizam a imaginação, durante as brincadeiras? Pois é, nesta unidade veremos como o faz de conta ocorre na infância e qual é a importância dos jogos e brincadeiras para o desenvolvimento social, cognitivo e moral das crianças, ou seja, a ludicidade é peça-chave para que as crianças aprendam e simulem a vida adulta e adquiram conhecimentos para aplicação no mundo real. Você quer aprender mais sobre este lúdico mundo de jogos e brincadeiras? Então embarque nesta jornada de conhecimento e bons estudos! Neurociências e as Práticas Pedagógicas 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Explicar a importância do faz de conta na infância. 2. Apontar como ensinar de forma lúdica. 3. Interpretar o que ocorre no cérebro durante as brincadeiras. 4. Identificar tipos de jogos e brincadeiras lúdicas. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Neurociências e as Práticas Pedagógicas 10 Brincar com Papéis de faz de Conta OBJETIVO: Ao final desta unidade, você será capaz de reconhecer os efeitos da brincadeira com papéis de faz de conta no desenvolvimento infantil. Vamos conhecer mais sobre o faz de conta?. O Faz de Conta Como já sabemos, a infância é marcada pela arte do brincar e uma das brincadeiras características da criança é o que se chama de faz de conta. Quando analisamos o faz de conta no âmbito do brincar dos indivíduos, podemos observar que ele possui diferentes nomenclaturas, como por exemplo jogo imaginativo, jogo simbólico, brincadeira imaginativa, todos esses nomes trazendo o mesmo significado: uma brincadeira em que as crianças usam a fantasia, a imaginação, recriam e criam os elementos que as cercam. No entanto, é importante conhecermos a definição de faz de conta. DEFINIÇÃO: O faz de conta é considerado um jogo simbólico, por meio do qual a criança representa situações não percebidas no momento. O desenvolvimento do jogo simbólico ocorre com a interiorização dos esquemas sensório-motores. De acordo com Morais (1994), o faz de conta consiste em satisfazer o eu, por meio de uma transformação do real em função dos desejos: a criança que brinca com boneca refaz sua própria vida, corrigindo-a a sua maneira, e revive todos os prazeres ou conflitos, resolvendo-os, compensando-os, ou seja, completando a realidade com a ficção. (MORAIS, 1994, P.78) Neurociências e as Práticas Pedagógicas 11 Figura 1- O desenvolvimento da cultura na criança passa pelo brinquedo e pela brincadeira Fonte: Freepik Ao analisar duas ou mais crianças brincando de faz de conta, podemos notar que elas criam um cenário e desenvolvem papéis de sociodrama, é nesse sentido que Smith (2006) expõe que As crianças fingem que a ação ou um objeto têm significados diferentes do seu significado usual; por exemplo, se uma criança gira os braços, diz “biii-biii” e distribui pedacinhos de papel, ela está fingindo que está dirigindo um ônibus, buzinando e distribuindo as passagens. Se essas ações estiverem suficientemente integradas, podemos dizer que a criança está dramatizando ou desempenhando um papel (no caso, fingindo ser um motorista de ônibus). (SMITH, 2006, P.27) Por meio do faz de conta, há criação de cenas, fazendo com que a criança desenvolva a sua criatividade, habilidades de linguagem e exponha o que se passa na sua cabeça e a forma de ver a vida. A brincadeira de faz de conta, também conhecida como simbólica, de representação de papéis ou sociodramática, é a que deixa mais evidente a presença da situação imaginária. Ela surge com o aparecimento da representação e da linguagem, em torno 2/3 anos, quando a criança começa a alterar o significado dos objetos, dos eventos, a expressar seus sonhos e fantasias e a assumir papéis presentes no contexto social. (KISHIMOTO, 2002, p.39) Neurociências e as Práticas Pedagógicas 12 Podemos enxergar o faz de conta como uma forma utilizada pelas crianças para assimilar e acomodar a realidade a sua volta. Mas o que vem a ser essa assimilação e essa acomodação? A assimilação e a acomodação são contrárias, onde a primeira é uma forma de realização das vontades da criança, é a forma de ver o mundo da sua maneira, sem que haja preocupação com o que está a sua volta, achando que todos pensam da mesma formaque ela; já a acomodação ocasiona mudanças internas no indivíduo, buscando aceitar a realidade a sua volta. Vejamos a seguir o que alguns estudiosos consideram sobre o ato de brincar e o faz de conta: Quadro 1 – Considerações sobre o ato de brincar e faz de conta MARIETA NICOLAU Brincar não constitui perda de tempo, nem é simplesmente uma forma de preencher o tempo .... O brinquedo possibilita o desenvolvimento integral da criança, já que ela se envolve afetivamente e opera mentalmente, tudo isso de maneira envolvente, em que ela imagina, constrói conhecimento e cria alternativas para resolver os imprevistos que surgem no ato de brincar. BROUGÉRE O mundo do tempo livre das crianças, especialmente de seus jogos é cheio de sentido e significações; é simbólico, ou seja, a criança, ao brincar, transfere ou transforma suas ações (simbólicas) para o mundo real. MORAIS; CARVALHO Por meio do faz de conta, as crianças mostram a forma como percebem os valores, opiniões e as ações características de sua cultura. Ao brincar de faz de conta, a criança está mudando o significado das coisas e deve fazê-lo por meio de códigos e significados socialmente adquiridos. Ao mesmo tempo, está criando um significado, que pode passar a ser compartilhado no grupo de brinquedo, tornando-se um novo elemento da cultura e da história do grupo. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 13 GARVEY A brincadeira de faz de conta é definida como uma subcategoria de brincadeira, na qual as ações, objetos, pessoas, lugares ou outras dimensões da realidade são transformados ou tratados de maneira não literal. PELLEGRINI E BJORKLUND A brincadeira de faz de conta tem um caráter, essencialmente social, o que implica a função imediata de ajudar crianças mais jovens a tomar a perspectiva de outros brincantes. MORAIS; OTTA Nas brincadeiras de faz de conta, simbólicas ou fantasiosas, a criança trata os objetos como se fossem outros, podendo atribuir propriedades diferentes das que eles realmente têm, ou atribuir a si e aos outros, papéis diferentes dos habituais, criando cenas imaginárias e representando-as. Fonte: Elaborado pelo autor (2021) Outra vantagem ligada às brincadeiras de faz de conta é o aprimoramento da linguagem. Ao brincarem e inventarem novos mundos e situações, as crianças narram suas próprias histórias e se comunicam com personagens imaginários e colegas. Isso faz com que, mesmo que ainda não tenham um vocabulário muito extenso, elas exercitem sua capacidade de comunicação, experimentando palavras e imitando a forma como os adultos falam. A seguir, vejamos algumas brincadeiras muito comuns no universo do faz de conta: 1. Recriar personagens Em geral neste tipo de brincadeira, as crianças interpretam cenas e personagens favoritos. Pode ser um personagem de desenho ou filme, cantar músicas e repetir as falas é bem comum. A diversão é agir como o personagem favorito. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 14 Figura 2 - Crianças gostam de imitar gestos dos super-heróis Fonte: Freepik 2. Brincar de detetive A natureza das crianças é composta também por curiosidade. Elas exploram tudo que está ao seu redor e querem descobrir o mundo. Na brincadeira de detetive, as crianças desenvolvem a imaginação e aguçam a curiosidade, desenvolvendo mistérios e investigações. Figura 3 - Brincar de detetive aguça a curiosidade Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 15 3. Fazer transformações A ideia aqui é o improviso. As crianças, em geral, gostam de se passar por objetos inanimados. Tudo começa a partir de frases como: “E se você, de repente, se transformasse em…”. A partir daí é a imaginação que manda. Uma xícara, um foguete, um liquidificador, uma televisão, não importa. 4. Modificar histórias Já pensou poder se transformar em uma princesa ou príncipe dos contos de fadas? Pois é, uma das mais populares brincadeiras de faz de conta entre as crianças é se passar por personagens de histórias que já existem, modificando a lógica. EXEMPLO: E se em vez de beijar o sapo, a princesa se transformasse em um sapo fêmea? E se o Super-Homem tivesse medo de altura? Criar, imaginar e experimentar são atividades essenciais para a formação plena das crianças. RESUMINDO: E então, gostou do que estudamos nesse capítulo? Vamos recordar um pouco para que você possa relembrar. Sabemos que existem diferentes formas de brincar. Nesse capítulo aprendemos um pouco mais sobre o faz de conta, sendo ele um jogo simbólico em que as crianças representam situações não percebidas no momento. Vimos que pelo faz de conta, as crianças representam aquilo que está na sua cabeça, criando o seu próprio mundo. Em seguida, podemos ver as considerações feitas pelos diferentes estudiosos sobre a arte de brincar e do faz de conta, a exemplo de Marieta Nicolau, Brougére, Garvey e Pellegrini. Por fim, conhecemos algumas brincadeiras que são comuns no mundo do faz de conta, a exemplo da brincadeira de recriar personagens em que as crianças interpretam cenas e personagens favoritos, podendo ser um personagem de desenho ou filme, cantar músicas e repetir as falas é bem comum; a diversão é agir como o personagem favorito. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 16 Aprender a Ensinar pelo Lúdico OBJETIVO: Compreendendo a importância do lúdico e todo o processo de compreensão e desenvolvimento das crianças, é necessário que se tenha conhecimento sobre como ensinar por meio da ludicidade, pois não basta conhecer o lúdico, deve saber aplicar. Vamos então conhecer esse método de ensinar? Vamos lá!. Formas de Ensinar pelo Lúdico Ensinar constituir na arte da aprendizagem, sendo ela, em seu sentido amplo, a aquisição de hábitos, preferências, isto é, o alcance de desempenhos como resposta aos desafios. De acordo com Almeida (1992), é necessário que o educador se conscientize de que ao desenvolver o conteúdo programático, por intermédio do ato de brincar, não significa que está ocorrendo um descaso ou desleixo com a aprendizagem do conteúdo formal. Quando se pensa em ensinar por meio do lúdico, o professor deve ter em mente que Tem-se de encontrar uma maneira de desenvolver, dentro do sistema educacional como um todo, e em cada componente, um clima conducente ao crescimento pessoal; um clima no qual a inovação não seja assustadora, em que as capacidades criadoras de administradores, professores e estudantes sejam nutridas e expressadas, ao invés de abafadas. Tem-se de encontrar, no sistema, uma maneira na qual a focalização não incida sobre o ensino, mas sobre a facilitação da aprendizagem autodirigida. (ROGERS, 1986, p. 244) Diante desse contexto, podemos ver que o lúdico é uma forma de desvincular o ensino da formalidade, trazendo uma nova maneira de ensinar, mas sempre com o foco de trazer conhecimento para a criança. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 17 Ao trabalhar o conteúdo, por meio de atividades lúdicas, o educador está estimulando o processo de construção do conhecimento, respeitando o estágio do desenvolvimento, no qual a criança se encontra, e agindo de uma maneira agradável e significativa para o próprio educador. Figura 4- A brincadeira é uma forma agradável de aprender Fonte: Freepik A criança, muitas vezes, precisa de um suporte e orientação para se desenvolver. Pode-se assim dizer que a brincadeira é uma ação livre da criança e os brinquedos fornecem suporte para as ações dos educadores no desenvolvimento de habilidades e conhecimentos. Educadores podem criar diversas brincadeiras, sejam em tabuleiros, no espaço da sala, do pátio. Enfim, o que não pode faltar é a criatividade para impulsionar as crianças a estes jogos interessantes. Toda criança passa por intenso processo de desenvolvimento corporal e mental. Nesse desenvolvimento se expressa a própria natureza da evolução e esta exige a cada instante uma nova função ea exploração de nova habilidade. Essas funções e essas novas habilidades, ao entrarem em ação, impelem a criança a buscar um tipo de atividade que lhe permita manifestarse de forma mais completa. A imprescindível “linguagem” dessa atividade é o brincar, é o jogar. Portanto, a brincadeira infantil está muito mais relacionada a estímulos internos que a contingências exteriores. (ANTUNES, 2008, p.37) Neurociências e as Práticas Pedagógicas 18 O jogo, como estratégia de ensino e de aprendizagem em sala de aula, deve favorecer na criança a construção do conhecimento científico, proporcionando a vivência de situações reais ou imaginárias, propondo a ela desafios e instigando-a a buscar soluções para as situações que se apresentam durante o jogo, levando-a a raciocinar, trocar ideias e tomar decisões. É importante considerar o exposto por Rau (2007, p. 49) que diz que “o jogo, para ser utilizado como recurso pedagógico, precisa ser contextualizado significativamente para o aluno por meio da utilização de materiais concretos e da atenção à sua historicidade.” Conforme podemos extrair da fala de Rau, o jogo e as atividades lúdicas para que possam ser utilizadas, é necessário que o professor conheça a sua funcionalidade, a forma de ser aplicada e a relação que a atividade tem com o conteúdo trabalhado. Ao utilizar o brinquedo nas aulas como material pedagógico, é importante que o professor não se deixe levar por uma liberdade de exploração, ou seja, simplesmente deixar os alunos em um determinado espaço brincando sem nenhuma orientação e consciência de suas ações. Deve haver planejamento, e as atividades devem ser mediadas pelo professor, desafiando os alunos na resolução de problemas, aumentando o repertório de respostas para suas ações, estimulando sua criatividade e, principalmente, contribuindo para a sua formação. (TEXEIRA, 2012, p. 67) Por meio da utilização das atividades lúdicas é necessário que o professor faça um planejamento e organize atividades para diferentes momentos e espaços, para que seja desenvolvida a autonomia e a construção do saber. É dever do professor incentivar nas atividades lúdicas, a participação dos alunos, mas sempre ter em mente que os alunos devem participar de forma espontânea e com liberdade. Ao discutir o papel do professor em atividades que incluam jogos e brincadeiras trazem que, nas situações de jogos e brincadeiras, o professor deve propor às crianças perguntas que agucem sua curiosidade. Seu papel será o de orientar a criança a descobrir todas as possibilidades oferecidas pelos jogos, de pensar juntos, Neurociências e as Práticas Pedagógicas 19 porém respeitando o momento de aprendizagem dos alunos. (CÓRIA-SABINE E LUCENA, 2004, p. 42) Assim, é necessário o professor sempre enxergar a sua importância nesse processo de construção do conhecimento por meio da ludicidade, sendo ele o mediador dessa construção. Ao pensarmos que a educação deve ser entendida como um processo de relação entre o professor e o aluno, em que o professor deve realizar a mediação entre o seu conhecimento e o conteúdo que ele está propondo a ensinar para seus alunos, e que não se devem dar respostas prontas para eles, partimos do pressuposto de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Assim sendo, o professor tem um papel muito importante ao mediar a construção do saber do seu aluno, e também, deverá entender que é ele quem deve criar os espaços, disponibilizar materiais, sempre buscando propiciar a aprendizagem do seu aluno. (FREIRE, 1996, p. 47) Deste modo, o professor deve ser consciente de que a ludicidade deve ter um fim pedagógico e não ser apenas uma atividade de simples brincadeira. Figura 5 – Professor nas atividades lúdicas Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 20 Os jogos e as brincadeiras podem auxiliar os educadores no desenvolvimento de diversas atividades, nas mais variadas disciplinas como português, matemática etc. Vejamos a seguir algumas formas de ensinar, utilizando atividades lúdicas: Quadro 2 – Formas de ensinar utilizando o lúdico DISCIPLINA BRINCADEIRA BENEFÍCIOS Matemática Boliche Esta brincadeira pode ajudar os alunos a desenvolverem o domínio da adição. Matemática Bingo Esta brincadeira é útil no desenvolvimento das habilidades relacionadas às quatro operações fundamentais da matemática (adição, subtração, multiplicação e divisão). Português Caça-palavras Esta é uma brincadeira que ajuda a desenvolver a criatividade do aluno e estimula o aprendizado para elaborar palavras relacionadas a um mesmo tema e escrevê-las de forma correta. Português Jogo da forca Esta brincadeira auxilia no desenvolvimento do aprendizado de palavras. Ciências Pipa e cata- vento São brinquedos que podem ensinar sobre o ar de forma lúdica. Geografia Jogo batalha naval O jogo, no ensino de geografia, contribui para o desenvolvimento de noções cartográficas de forma espontânea. Fonte: Elaborado pelo autor (2021) Neurociências e as Práticas Pedagógicas 21 Como e Quando Utilizar as Atividades Lúdicas Como já sabemos, as atividades lúdicas devem ser bem planejadas, pois, só assim, elas podem acarretar em um desenvolvimento integral do aluno. Antunes (2013, p.40) aponta que “os jogos devem ser utilizados somente quando a programação possibilitar e somente quando se constituírem em um auxílio eficiente ao alcance de um objetivo dentro dessa programação”. A ludicidade proporciona um processo de ensino e aprendizagem bastante agradável, mas, para que as atividades lúdicas possuam um cunho pedagógico, é importante que sejam observados pelo professor alguns elementos que irão contribuir para que a atividade seja bem sucedida. Figura 6 – Professor e a ludicidade Fonte: Freepik Antunes (2013) aponta 4 elementos que devem ser considerados no desenvolvimento das atividades lúdicas, a saber: Neurociências e as Práticas Pedagógicas 22 1. Capacidade de se constituir em um fator de autoestima do aluno – jogos que sejam demasiadamente fáceis ou difíceis podem ocasionar um desinteresse para os alunos. É importante que sejam escolhidas pelo professor atividades correspondentes a seu nível cognitivo. Caso a atividade seja fácil demais ou difícil demais, o aluno pode sentir-se incapacitado ou fracassado. 2. Condições psicológicas favoráveis – o professor deve ter em mente o desenvolvimento de atividades que combatam a apatia, com a finalidade de desafio e inserção para o grupo. Deve ser demonstrado pelo professor entusiasmo no ato de preparação e proposição da atividade. Esse entusiasmo causa estímulo para que o aluno queira jogar. 3. Condições ambientais – para que o jogo tenha sucesso, é fundamental que o ambiente esteja organizado, assim como o material que será utilizado e que eles sejam higienizados. 4. Fundamentos técnicos – os jogos necessitam ter começo, meio e fim, não devendo NUNCA ser interrompido. Se o professor não souber se a atividade será ou não concluída, ela não deverá ser iniciada. Deste modo, é possível ver a necessidade de um planejamento cuidadoso, para que as atividades lúdicas possam ser utilizadas de forma adequada. Sendo essas atividades planejadas e aplicadas da forma correta, com as finalidades pré-definidas, elas acarretaram mudanças significativas em diversos aspectos cognitivos, sociais e emocionais. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 23 RESUMINDO: E então, gostou do conteúdo desse capítulo? Espero que sim e que tenha compreendido tudo direitinho. Mas vamos relembrar um pouco do que foi visto. Estudamos que é por meio do ensino que são adquiridos hábitos e preferencias. Assim, quando o professor ensina por meio do lúdico, ele busca ensinar algo ao aluno. Deste modo, entendemos que o professor por meio do lúdico buscadesenvolver, dentro do sistema educacional como um todo, e em cada componente, um clima conducente ao crescimento pessoal. Assim, o lúdico constitui em uma forma de desvinculação da formalidade de ensino. O jogo, como estratégia de ensino e de aprendizagem em sala de aula, deve favorecer na criança a construção do conhecimento científico, proporcionando a vivência de situações reais ou imaginárias. Vimos ainda, as formas de ensinar em cada disciplina por meio do lúdico, trazendo exemplos de brincadeiras e os seus benefícios. Por fim, estudamos como e quando utilizar as atividades lúdicas. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 24 O Cérebro e a Brincadeira OBJETIVO: Já sabemos a importância do lúdico e como essa atividade pode ser utilizada para o desenvolvimento das crianças, mas é importante conhecer como o cérebro funciona no momento da atividade lúdica, para assim saber que pontos estimular. Vamos lá?. O Cérebro Durante a Brincadeira Iniciamos nosso capítulo lembrando que é por meio da neurociência que são desenvolvidos os estudos sobre a compreensão do cérebro humano, como também o seu funcionamento e desenvolvimento. Essa disciplina apresenta resposta sobre a aprendizagem humana, trazendo meios para compreender o que é comum em todos os cérebros. Assim, por meio desses conhecimentos se torna possível conhecer caminhos novos para a educação, ocasionando uma reestruturação do ensino. No decorrer da aprendizagem, o cérebro passa por diferentes transformações físicas e químicas, havendo também influência de fatores ambientais. De acordo com Piaget (2004) no que tange o desenvolvimento do cérebro, ele relata que o cérebro primeiro se prepara para as funções motoras (pegar objetos, se arrastar, andar etc.). Em seguida, ele evolui para as funções cognitivas. O mais importante para que a criança possa se desenvolver mais rápido é que os estímulos aconteçam da forma correta. Quando vemos uma criança brincando, comendo, conversando, podemos enxergar que ela começa a se desenvolver de forma mais rápida, isso acontece porque o cérebro gosta de brincar, sendo essas ações responsáveis pelo desenvolvimento do sistema límbico. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 25 NOTA: O sistema límbico é o responsável pela sensação de bem estar. A medida que a rede neural recebe informações significativas, as sinapses são fortalecidas. Importante ser destacado que as sinapses correspondem à comunicação entre os neurônios, fazendo com que eles se conectem, melhorando as capacidades cognitivas de cada pessoa. Levando em consideração todo esse contexto sobre neurociência, vamos associá-la com o ato de brincar. A “brincadeira” pode ser definida como a ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo, ao mergulhar no momento lúdico. Pode-se dizer que é o lúdico em ação. Dessa forma, brinquedo e brincadeira relacionam-se diretamente com a criança e não se confundem com o jogo. A brincadeira resulta em estímulo ao desenvolvimento cognitivo, físico, emocional, social e moral da criança. O papel do brinquedo é estimular a representação e expressar imagens que lembram aspectos da realidade. EXEMPLO: As panelinhas de brinquedo podem representar o ato de cozinhar que a criança vê em família, porém, com artefatos acessíveis ao universo infantil. Desta maneira, ela representa o que vivencia e explora os fatos da sua imaginação na brincadeira do faz de conta. Você sabe o que acontece do ponto de vista neurológico, no cérebro de uma criança, quando ela anda em um carrossel? A brincadeira fica armazenada em uma parte profunda e primária de nosso cérebro que é justamente a parte que governa as principais habilidades de sobrevivência. Assim, a brincadeira corresponde a um meio de interação da criança com o mundo, promovendo o desenvolvimento da mesma. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 26 Desenvolvimento neuronal e comportamento lúdico mantêm fortes correlações, importantes a serem consideradas, desde a primeira infância. Todo nosso comportamento, desde as mais simples às mais complexas funções, depende do sistema nervoso, e a palavra sistema é fundamental para a compreensão dos mecanismos pelos quais sensação, percepção, memória, movimento e ação, linguagem, pensamento, emoção resultam da fina, adequada e harmônica integração de toda a rede neuronal. (ANTUNHA, 2006, p. 53) E, é por isso, que para os nossos cérebros, brincar é tão importante quanto comer ou dormir. Figura 7 - Brincar é essencial à sobrevivência humana Fonte: Freepik Mas brincar? Por que a brincadeira é tão intrínseca à vida que fica guardada em uma parte tão profunda e primária do cérebro? Durante décadas, cientistas se esforçaram para descobrir o porquê. Descobriu-se que a evolução elimina sistematicamente qualquer comportamento que limite a chance de sobrevivência de um animal, a menos que sirva a um propósito vital. Embora as brincadeiras fiquem, profundamente, enraizadas em nossos cérebros primitivos, os resultados Neurociências e as Práticas Pedagógicas 27 do brincar parecem afetar o lobo frontal do cérebro que é a parte mais sofisticada dele, modificando as conexões dos neurônios. Sem a experiência de brincar, estes neurônios não são alterados. O lobo frontal do nosso cérebro é anfitrião de uma ampla variedade de funções, incluindo a tomada de decisão, planejamento, resolução de problemas, razão, desenvolvimento social e emocional, ou seja, de todos os processos vitais para a sobrevivência. De acordo com Metring (2014) O lúdico ainda é a melhor maneira de acessar o cérebro por várias vias sensórias, pois desde muito cedo nosso cérebro gosta de brincar. Isso vale para crianças, adolescentes ou adultos. Na brincadeira, o sistema límbico permite maiores impressões de prazer do que de desprazer. Portanto, ao lúdico podemos associar conteúdos importantes para a vida do aprendiz. (METRING, 2012, p.49) No entanto, é necessário sempre lembrar que cada pessoa possui uma forma particular de processamento de informações, não dependendo apenas do cérebro, mas também do afeto no decorrer das relações e ainda, a pessoa deve ser compreendida em sua totalidade. Deve-se levar em consideração, também, que o processo de aprendizagem no cotidiano escolar fica mais fácil quando existe a atuação de forma correta e eficiente na estimulação da plasticidade cerebral (METRING, 2014). Ainda, devemos destacar que no ato de brincar as crianças ficam calmas e felizes, fazendo com que a serotonina (substância contida no cérebro) entre em ação. A serotonina controla o equilíbrio do humor, fazendo com que a criança fique mais feliz. Assim, a brincadeira ocasiona uma redução de estresse e traz benefícios para a memória. Vejamos a seguir o que acontece no cérebro humano ao brincar, por exemplo, com um videogame, com brinquedos, com instrumentos musicais etc. • O que acontece no cérebro ao brincar com videogame? Os videogames são ferramentas poderosas para treinar o cérebro, uma atividade que se assemelha ao treinamento físico. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 28 Figura 8 – Vídeogame Fonte: Freepik Os videogames também melhoram a capacidade do lobo frontal do cérebro, que está particularmente ligado ao processamento da atenção e das funções executivas. Estes recursos são muito úteis para planejar, decidir e julgar moralmente. Existem estudos científicos que explicam que o uso frequente (mais de nove horas por semana) de videogame, em comparação com o uso pouco frequente, pode beneficiar uma ampla gama de operações mentais. O amplo uso das técnicas de neuroimagem, para observar a atividade cerebral em tempo real, descobriu que os videogames mobilizam regiões específicas do cérebro. O brincar na infância, por exemplo, fornece o primeiro impulso no desenvolvimento de uma vida saudável, tanto física quanto psicologicamente. Jogarvideogames, por sua vez, ativa diferentes regiões do cérebro, relacionadas ao prazer, como o circuito estriado ventral esquerdo, que é uma área envolvida na antecipação de recompensas. Existem indícios de que jogos melhoram a funcionalidade das funções executivas, o que resulta em melhor desempenho escolar. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 29 Por outro lado, existem estudos que apoiam a hipótese de que o uso de videogame, nas fases iniciais do desenvolvimento, é um fator de risco em termos de aumento de comportamentos agressivos. Por isso, é sempre bom utilizar o videogame com moderação. • O que acontece no cérebro ao brincar com instrumentos musicais? Tocar um instrumento musical envolve múltiplos componentes do sistema nervoso central. Figura 9 – criança brincando com música Fonte: Pixabay A prática musical pode aprimorar a neurogênese ligada à melhoria da atividade de aprendizado e memória. Estudos indicam que estimular o cérebro, brincando com instrumentos musicais, pode produzir mais sinapses, que são as conexões químicas entre neurônios, que formam circuitos que ocorrem durante o curso do aprendizado. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 30 • O que acontece no cérebro ao brincar com brinquedos educativos? Os chamados brinquedos educativos são populares há muitos anos, e a maioria dos pais compra-os para dar aos filhos como forma de melhorar o desempenho na escola. Mas os brinquedos educativos também podem reforçar as partes do cérebro, usadas para tomar decisões mais tarde na vida. Figura 10 – brinquedos educativos Fonte: Pixabay As habilidades, aprendidas muito cedo pelas crianças, podem desencadear mudanças permanentes na estrutura do cérebro, pois levam os neurônios a construírem novas conexões que ainda funcionam na idade adulta. Brinquedos estimulantes são vitais para ajudar o cérebro a se conectar, adequadamente, durante a infância, quando tem a capacidade de mudar sua estrutura. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 31 Por meio da brincadeira podemos desenvolver o sistema neurológico completamente, e ainda, a brincadeira faz com que seja desenvolvida uma das coisas mais importantes e que possibilita sonharmos: a imaginação. É no brincar na infância que conseguimos na vida adulta criar possibilidades e potencialidades para seguir caminhos novos. RESUMINDO: Finalizamos mais um capítulo, você gostou do que estudou até agora? Espero que sim, mas é importante recapitular um pouco do que foi estudado. Você deve ter visto que é a neurociência que estuda o cérebro humano, desde o seu funcionamento até seu desenvolvimento. Assim, essa disciplina traz o que é comum a todos os cérebros. Diante desse contexto, você deve ter compreendido que é por meio da neurociência que podemos compreender as funções do cérebro e como ele age com as atividades lúdicas, sendo essa ação por meio da produção de serotonina (que realiza o controle do humor) e um desenvolvimento mais rápido. Vimos ainda, que a brincadeira fica armazenada em uma parte profunda e primária de nosso cérebro que é justamente a parte que governa as principais habilidades de sobrevivência e que o lúdico ainda é a melhor maneira de acessar o cérebro por várias vias sensórias, pois desde muito cedo nosso cérebro gosta de brincar. Por fim, de forma especifica, podemos estudar como o cérebro funciona ao jogar videogame, brinquedos e instrumentos musicais. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 32 Tipos de Jogos e Brincadeiras Lúdicas OBJETIVO: Existem diferentes tipos de jogos e de brincadeiras lúdicas, cada uma com a sua forma de passar aos indivíduos uma aprendizagem diferentes. Vamos conhecer alguns desses tipos? Vamos lá! Os Diferentes Tipos de Jogos e de Brincadeiras Lúdicas Os jogos e brinquedos lúdicos podem exercer grande influência na vida das crianças, em especial quando falamos de desenvolvimento cognitivo. A criança deve ter contato, desde muito cedo, com jogos e brincadeiras lúdicas e é sempre importante ter um adulto por perto que irá mediar as atividades. Figura 11 - A criança deve ter sempre acesso ao lúdico Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 33 O brinquedo pode simular a realidade, substituindo ou estando presente no lugar de algo. Pode-se dizer que um dos objetivos do brinquedo é dar à criança um substituto dos objetos reais para que possa manipulá-los. O brinquedo é um estimulante material para fazer fluir o imaginário infantil, tendo relação estreita com o nível de seu desenvolvimento. Diferente dos brinquedos, os jogos como xadrez e de construção, por exemplo, exigem de modo explícito ou implícito, o desempenho de habilidades definidas pela estrutura do próprio objeto e suas regras. A função do jogo é construir cérebros pró-sociais, cérebros sociais que sabem como interagir com os outros de maneira positiva. Vejamos a seguir alguns exemplos de jogos e brincadeiras lúdicas. • Pintura Nas atividades com pintura, as crianças podem não só desenvolver a criatividade como também trabalhar a coordenação motora. Por isso, a pintura é considerada uma atividade de muita utilidade. Figura 12 - A pintura exercita a criatividade Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 34 • Pular corda A brincadeira de pular corda é extremamente prazerosa, além de estimular a coordenação motora. Por exigir muitos movimentos da criança, os braços, as pernas e os pés são os maiores beneficiados. Figura 13 - Pular corda estimula movimentos físicos Fonte: Freepik • Amarelinha O jogo da amarelinha pode promover o raciocínio lógico e o desenvolvimento de movimentos corporais. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 35 Figura 14- Amarelinha estimula o desenvolvimento motor Fonte: Freepik • Jogar bola Jogar bola reflete-se nos músculos de todo o corpo. Além disso, os jogos coletivos de bola como basquete, futebol, vôlei etc auxiliam na socialização das crianças. Figura 15 - Os jogos com bola coletivos auxiliam a socialização da criança Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 36 • Colorir Desenhar e colorir figuras são atividades adoradas por todas as crianças. São benéficas para o desenvolvimento da coordenação motora, além de auxiliarem na integração da criança no espaço que está inserida. Outro resultado positivo da atividade é que estimula o raciocínio e a criatividade. Figura 16- Desenhar estimula o raciocínio e a criatividade Fonte: Freepik • Jogos lúdicos em plataformas digitais Os smartphones, tablets e outras tantas ferramentas digitais são essenciais para o desenvolvimento do raciocínio lógico dos pequenos. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 37 Há diversos aplicativos, voltados justamente para essas questões pedagógicas-educativas. Figura 17 - Existem muitos jogos digitais com função educativa Fonte: Freepik • Massinha O ato de brincar com massinhas é um ótimo estimulante dos movimentos da coordenação fina. Amassar estes objetos é uma forma lúdica de trabalhar os músculos das mãos. Figura 18 - Massinha estimula os músculos das mãos Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 38 • Brincar de bolinha de gude Embora esta brincadeira não esteja tão presente na vida das crianças de hoje, nunca é tarde para apresentar a elas quão legal pode ser. Além disso, a bolinha de gude é excelente para exercitar os movimentos dos dedos. Figura 19 - Bolinha de gude auxilia no estímulo dos músculos das mãos Fonte: Freepik • Jogo da velha O jogo da velha é uma brincadeira muito tradicional e tem função de estimular o raciocínio lógico da criança e, ao mesmo tempo, trabalhar a coordenação motora. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 39 Figura 20 - Jogo da velha Fonte: Freepik ACESSE: Para conhecer mais exemplos de brincadeiras lúdicas acesse o tema, clicando aqui. Neurociências e as Práticas Pedagógicas https://espacoludico.wordpress.com/jogos-e-brincadeiras/40 Além dos benefícios educativos dos jogos e brincadeiras, estas atividades podem significar um ganho imensurável na vida de um indivíduo, pois elas desenvolvem também a interação social. Uma criança que pratica estas brincadeiras tende a fortalecer sua percepção das coisas que estão ao redor e ser mais feliz. RESUMINDO: E então, gostou de mais um capítulo de estudo? Espero que sim, mas é sempre importante relembrar tudo que foi estudado. Após o estudo desta unidade, podemos concluir que as brincadeiras, o brinquedo e os objetos lúdicos são parte essencial do desenvolvimento infantil. Por meio da ludicidade, os educadores podem transformar um conteúdo de aula “chato” em algo mais prazeroso e as crianças, por sua vez, aprendem brincando. Adequar o tipo de brinquedo e brincadeira à faixa etária, é papel do educador que deve levar em conta o poder da imaginação infantil e os benefícios que cada atividade pode representar. Vimos então diferentes tipos de brincadeiras, como colorir, jogar bola, amarelinha, jogo da velha, cada uma delas auxiliando na aprendizagem de uma forma diferente. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 41 REFERÊNCIAS ANTUNES, C. Jogos para estimulação das múltiplas inteligências. Petrópolis: Vozes, 2013. BAQUERO, R. Vygotsky e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. Brougère, G. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez, 1995. CARVALHO, A.M.C. et al. Brincadeira e cultura: viajando pelo Brasil que brinca. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992. CARVALHO, V. G. de. Jogos online e simuladores na educação a distância. 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