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Livro Didático Digital
Neurociências e as 
Práticas Pedagógicas: 
Jogos, Brincadeiras e Didática 
Aplicados à Neuroeducação
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
VIVIANA GONDIM DE CARVALHO
AUTORIA
Viviana Gondim fe Carvalho
Sou Doutoranda em Humanidades, Culturas e Artes, Mestre em 
Letras e Ciências Humanas, pós-graduada em Psicopedagogia e Docência 
do Ensino Superior. Sou especialista em Informática Educativa e graduada 
em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 
Autora de artigos e livros didáticos. Atuo na área educacional, com ênfase 
em Educação a Distância, Psicopedagogia, Comunicação, Recursos 
Humanos e Neuroeducação. Atuei em grandes empresas nacionais e 
multinacionais, consolidando a educação virtual, desenvolvendo materiais 
didáticos, preparando ambientes multimidiáticos. Coordenei fábricas de 
conteúdos, desenvolvendo produtos para educação a distância como 
apostilas, games, simuladores, vídeos etc. Atualmente, atuo na Educação 
a Distância e desenvolvo pesquisas sobre a utilização de tecnologia a 
fim de melhorar o desempenho dos alunos por meio das ferramentas 
tecnológicas. 
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
O Jogo Simbólico da Criança ................................................................. 10
O Jogo Simbólico ............................................................................................................................ 10
Brincar Livre e Brincar Coordenado .................................................... 18
O Brincar ............................................................................................................................................... 18
O Brincar Livre ................................................................................................................................... 18
O Brincar Coordenado ................................................................................................................. 21
O Papel da Brincadeira na Educação Infantil .................................. 25
Brincadeira na Educação Infantil ........................................................................................25
A BNCC e o Dreito de Brincar da Criança na Educação Infantil ................. 30
Jogos e Brincadeiras Adequados às Faixas Etárias ...................... 33
Jogos e Brincadeiras ...................................................................................................................33
7
UNIDADE
03
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
8
INTRODUÇÃO
Você já parou para pensar como as crianças são capazes de 
transformar quaisquer atividades em brincadeiras? Pois é, o brincar é 
algo inerente à infância e tem papel fundamental no desenvolvimento 
humano, tanto na parte física como psicológica. Além do mais, o lúdico 
representado em brinquedos ou brincadeiras, pode significar um meio 
da criança se expressar e desenvolver seu pensamento crítico- reflexivo, 
acerca do mundo. 
Além disso, as brincadeiras têm um papel fundamental na educação 
infantil, fase na qual as crianças estão desenvolvendo rapidamente o 
intelecto e precisam de apoio educativo por meio de formas lúdicas para 
que haja interesse no que está sendo apreendido. 
Então preparado para conhecer mais sobre o universo lúdico no 
cotidiano infantil? Então embarque nesta jornada de conhecimento e 
bons estudos!
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Identificar a importância do jogo simbólico para a criança.
2. Interpretar as diferenças entre brincar livre e brincar coordenado.
3. Reconhecer o papel da brincadeira no desenvolvimento infantil.
4. Identificar jogos e brincadeiras adequados às faixas etárias.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho! 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
10
O Jogo Simbólico da Criança
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de entender 
a importância do jogo simbólico para a criança e suas 
aplicabilidades, conhecendo, assim, formas de utilização 
desses jogos para o desenvolvimento da criança. E então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Então 
vamos lá. Avante!.
O Jogo Simbólico
O brincar é uma das características que mais marcam a infância. 
Por meio da brincadeira, em especial do jogo simbólico, é que a criança 
compreende e reorganiza as estruturas mentais, a partir do momento que 
vive e representa situações cotidianas. 
Figura 1 - O jogo simbólico estimula a imaginação e a fantasia da criança
Fonte: Freepik 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
11
Deste modo, é possível definir o jogo simbólico como a representação 
corporal do imaginário predominando a fantasia, prendendo a criança à 
realidade. Por meio da imaginação e do faz de conta, as crianças podem 
modificar seus desejos, porém quando expressam, corporalmente as 
atividades, precisam respeitar a realidade concreta e as relações com o 
mundo.
A criança cria um mundo imaginário por meio do jogo simbólico e 
assim é possível que, na brincadeira, represente e expresse as insatisfações 
e sentimentos que lhe tocam no mundo real. Deste modo, a brincadeira 
percorre tanto a formação social e pessoal quanto o conhecimento de 
mundo. 
McCune (1981) caracteriza o jogo simbólico por meio de seis critérios:
1. Corresponde a execução de uma atividade familiarizada da criança 
na ausência do contexto social habitual ou do material necessário.
2. Trata-se da execução de uma ação fora de sua função habitual.
3. O objetivo inanimado é tratado como sendo um objeto animado.
4. A ação ou objeto é substituído por outra ação ou objeto.
5. A imitação de uma ação geralmente é executada por alguém ou 
por um objeto com um valor representativo real.
6. A conduta da criança demonstra as suas características afetivas, 
indicando a qualidade não literal da atividade.
O jogo simbólico é descrito por muitos estudiosos como fato 
fundamental para o desenvolvimento infantil, pois além de favorecer a 
interação com outros indivíduos, possibilita a expressão de emoções 
e vivências da criança. Alguns autores afirmam que o jogo simbólico é 
capaz de estimular o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional, social 
e cultural das crianças. 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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Vejamos a seguir a contribuição de alguns autores sobre o assunto: 
Quadro 1 – Contribuição de autores
JEAN PIAGET
Valoriza a contribuição do jogo simbólico para o 
desenvolvimento cognitivo e afetivo-emocional.
VYGOTSKY
Destaca a contribuição social, proporcionadapor esta 
atividade.
CHATEAU
Explica que o surgimento do comportamento lúdico está 
ligado ao despertar da personalidade, distinguindo-o dos 
jogos funcionais do bebê. 
OAKLANDER
Ressalta a importância do brincar para as crianças, ao 
explicar que, por meio da brincadeira, elas experimentam 
o seu mundo e aprendem mais sobre ele, o que representa 
fator essencial para o seu desenvolvimento sadio. 
PAIN
Segundo a autora, a atividade lúdica fornece informações 
sobre os esquemas que organizam e integram o 
conhecimento da criança em um nível representativo 
e, portanto, considera de grande importância para o 
diagnóstico de problemas de aprendizagem na infância. 
Fonte: Elaborado pelo autor (2021).
EXEMPLO: 
Existem alguns exemplos bem clássicos do jogo simbólico, em 
especial os que têm como base o fantasioso mundo infantil, como a 
brincadeira de casinha, representações de super-heróis, fadas, princesas, 
unicórnio, ou seja, tudo aquilo que não existe, que vem da imaginação.
De acordo com Piaget, devido à função simbólica, a criança, a partir 
do segundo ano de vida, inicia a representação, possibilitando por meio 
dela gerar símbolos e condutas que vão surgindo, mais ou menos ao 
mesmo tempo, como a imitação diferida, imagem mental, jogo simbólico, 
linguagem e desenho. Deste modo, é possível encontrar, neste período, a 
inteligência constituída por um pensamento que passa a ser representado 
por meio da linguagem (signos coletivos) e símbolos individuais (imitação 
diferida, imagem mental e jogo simbólico).
Ainda segundo Piaget, o jogo simbólico é representado por fases. 
Vejamos a seguir cada uma delas e suas definições. 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vygotsky
13
Fase I
A primeira fase está centrada na categoria da projeção dos 
esquemas simbólicos nos objetos novos, isto é, a criança passa a atribuir 
a outras pessoas e a outras coisas, o esquema que se tornou familiar. 
Neste período, em vez da criança fazer de conta que dorme, passa a fazer 
sua boneca dormir, ou comer, ou tomar um remédio, ou seja, passa a 
transformar, simbolicamente, uns objetos nos outros. 
EXEMPLO: 
Esconde-esconde com alguém imaginário, imaginação de animais, 
objetos e pessoas que não estão presentes no ambiente (levar uma xícara 
imaginária à boca brincando de tomar chá), jogos de compensação fictícia 
(agora que a boneca se “comportou bem”, poderei dar uma bala a ela e a 
própria criança chupa a bala).
Esta fase acompanha as crianças até os três anos de idade. 
Figura 2- No jogo simbólico, a criança pode conversar com seres inanimados
Fonte: Freepik 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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Fase II
Dos quatro até os sete anos de idade, há um progresso na coerência 
das cenas, na ordem em que se apresentam, que chamamos de um jogo 
de combinação simbólica ordenada. As cenas representadas ganham 
um cuidado maior na representação e até mesmo uma riqueza maior de 
detalhes. Esta fase, também se refere ao início do simbolismo coletivo, 
compreendendo os papéis e as diferenças. Com isto, o jogo simbólico 
favorece o progresso da socialização, o que possibilita uma representação 
de ideias mais coerentes e ordenadas. 
EXEMPLO: 
Ao brincar de casinha, a criança insere alguns elementos decorativos 
e até mesmo a noção de rua, jardins etc. As brincadeiras tornam-se mais 
detalhadas e as falas, durante as representações e conversas com seres 
inanimados, também. 
Figura 3 - As brincadeiras, durante a fase II, tornam-se mais detalhadas com incrementos 
que representam o mundo real
Fonte: Freepik 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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Piaget em seu estudo traz três características que diferenciam os 
jogos simbólicos das crianças de quatro a sete anos, sendo eles:
 • A ordem relativa das construções lúdicas deu lugar para aquilo 
que Piaget chamou de jogos de combinação simbólica ordenada.
 • Houve uma preocupação crescente pela verossimilhança e pela 
imitação exata daquilo que é real.
 • Iniciou-se o símbolo coletivo propriamente dito.
É explicitado nos pensamentos de Piaget que no período de sete 
a oito anos há uma mudança muito clara em relação à socialização e ao 
simbolismo lúdico, recaindo os seus reflexos sobre o pensamento. Assim, 
o autor traz a compreensão da sua última fase para esse período.
Fase III
Nessa última fase, compreendida entre oito e onze anos, ocorre 
o declínio do simbolismo lúdico, cedendo lugar aos jogos de regras 
e a construções simbólicas, cada vez menos, imaginários. Observa-
se um avanço nas construções, trabalhos manuais, desenhos, que se 
apresentam cada vez melhores e mais adaptados ao real. A criança, ao 
longo deste período, por meio da socialização e de uma coordenação 
cada vez mais estreita dos papéis, passa a abandonar o jogo egocêntrico 
e a participar de jogos de regras, os quais envolvem a cooperação entre 
os participantes e favorecem a adaptação social. 
EXEMPLO: 
Jogos de times (futebol, vôlei, basquete etc.), jogos de desafios 
(pega varetas, cartas, adivinhações).
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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Figura 4- Na última fase, os jogos lúdicos passam a ser mais reais
Fonte: Freepik 
A partir de doze anos, a criança começa a confundir seus interesses 
com os dos adultos. Nesta fase, pode aumentar o interesse por 
videogames, jogos de tabuleiro, esportes, danças e ginástica. 
Torna-se importante ser ressaltado que o jogo corresponde a uma 
característica do comportamento infantil, havendo uma maior dedicação 
do tempo das crianças a ele. É por meio dos jogos que as crianças 
canalizam e liberam as suas energias, possuindo o poder de transformar 
a realidade conforme as vontades e necessidades. Ainda, libera as 
fantasias, serve como forma de conhecer o outro e de autoconhecimento. 
É por meio dele que a criança sente os desafios e lida com ela mesma 
desenvolvendo as suas habilidades operatórias, sua criatividade e sua 
autoconfiança e, no fim de tudo, mas não menos importante, os jogos são 
uma fonte de bem-estar e prazer.
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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RESUMINDO:
Gostou do que estudou? Espero que tenha aprendido 
tudo direitinho. Vamos agora relembrar o um pouco do 
que foi estudado. Você deve ter compreendido que o 
jogo simbólico corresponde à representação corporal do 
imaginário predominando a fantasia, prendendo a criança 
à realidade. Além disso, estudou os seus critérios de 
caracterização do jogo simbólico e a contribuição de Jean 
Piaget, Vygotsky, Chateau, Oaklander e Pain com relação a 
esse conteúdo. Em seguida, foi possível entender as fases 
do jogo simbólico de acordo com Piaget, sendo ela dividida 
em três fases, a primeira fase vai do nascimento até os três 
anos, a segunda fase vai dos 4 aos 7 anos e, por fim, a 
terceira fase vai dos 8 aos 11 anos. 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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Brincar Livre e Brincar Coordenado
OBJETIVO:
Existem diferentes brincadeiras e diferentes formas de 
brincar. Nesse capítulo você irá compreender sobre o 
que vem a ser o brincar livre e o brincar coordenado, 
entendendo a importância de cada uma dessas espécies. 
Vamos lá!.
O Brincar 
O brincar é uma atividade livre e espontânea, responsável pelo 
desenvolvimento físico, moral, cognitivo, e que ocorre por meio de 
brincadeiras, brinquedos e objetos que subsidiam as atividades infantis. 
Para Froebel na visão de Kishimoto a brincadeira é uma atividade 
espiritual mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo, típico 
da vida humana como todo – da vida natural/interna do homem e de todas 
as coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e 
interno, e paz com o mundo.
No ambiente escolar, o brincar acontece de duas maneiras: livre e 
coordenado. A seguir você irá compreender cada um dos dois. 
O Brincar Livre
A brincadeira é considerada como uma mais valia para a 
aprendizagem, correspondendo a uma forma de construção do processo 
cognitivo.O brincar, por ser uma atividade livre que não inibe a 
fantasia, favorece o fortalecimento da autonomia da 
criança e contribui para a não formação e até quebra 
de estruturas defensivas. Ao brincar de que é a mãe da 
boneca, por exemplo, a menina não apenas imita e se 
identifica com a figura materna, mas realmente vive 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
19
intensamente a situação de poder gerar filhos, e de ser 
uma mãe boa, forte e confiável. (OLIVEIRA, 2000, p.19)
Assim, como já vem sendo comentado, a brincadeira é um elemento 
para que a criança se desenvolva, colaborando com a internalização das 
normas sociais e a assumir comportamentos avançados.
Um dos tipos de brincadeiras são as brincadeiras livres, que 
consistem nos jogos espontâneos criados pela criança, onde elas usam 
sua imaginação ou decidem que querem brincar de acordo com a sua 
experiência.
As brincadeiras tradicionais são expressivamente 
transmitidas de uma geração a outra, fora das instituições 
oficiais, na rua, nos parques, nas praças etc. Assimiladas 
pelas crianças de maneira espontânea, mudam de forma 
com o passar do tempo - variam suas regras, culturas e 
grupos sociais, mas seu conteúdo permanece o mesmo. 
(FRIEDMAN, 2006, p. 78)
O brincar livre ocorre espontaneamente, quando a criança, por si 
só ou em pequenos grupos, decide a brincadeira sem a mediação de um 
adulto. Neste modelo, é interessante oferecer alguns materiais permitindo 
que elas explorem e criem situações por meio de jogos. Como exemplo, 
os encaixes, as sucatas, as fantasias, os fantoches, as máscaras, as caixas, 
entre outros, possibilitam que elas criem diferentes formas de brincar com 
os objetos. 
EXEMPLO: 
Um clássico exemplo do brincar livre é a “brincadeira de casinha”, 
na qual as situações acontecem de acordo com a vontade das crianças. 
Ao se observar as brincadeiras livres, é possível criar conclusões sobre 
a vida social da criança, pois as brincadeiras imitam a vida em sociedade, 
como também demonstram a responsabilidade, o companheirismo, a 
negociação de regras e as noções do compartilhamento. 
Quando a criança brinca de forma livre, ela coloca sua imaginação 
para funcionar, transformando o mundo a sua volta. Assim,
Quando a criança brinca, além de conjugar materiais 
heterogêneos (pedra, areia, madeira e papel), ela faz 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
20
construções sofisticadas da realidade e desenvolve seu 
potencial criativo, transforma a função dos objetos para 
atender seus desejos. Assim, um pedaço de madeira 
pode virar um cavalo; com areia, ela faz bolos, doces 
para sua festa de aniversário imaginária; e, ainda, cadeiras 
se transformam em trem, em que ela tem a função de 
conduto, imitando o adulto. (BENJAMIN, 2002, p.79)
É nesse contexto que também podemos trazer a importância da 
brincadeira ao ar livre. Isso porque as crianças muitas vezes vivem dentro 
de casa, escolas, sendo a brincadeira ao ar livre uma experiência rara para 
elas. Elas transformam uma árvore em um castelo, usam a imaginação e 
brincam com ela.
Figura 5 – brincadeira ao ar livre
Fonte: freepik 
Sabemos que o mundo digital vem tirando das crianças o brincar, 
provocando assim o seu desiquilíbrio psicológico e físico, potencializando 
o isolamento social e tirando delas a arte da criação. É analisando todo 
o contexto da atualidade que podemos ver a importância da brincadeira 
livre e ainda mais, da brincadeira ao ar livre.
O nível de atividade física nas crianças tem demonstrado 
que a tecnologia tem ganhado espaço no mundo das 
crianças e vem diminuindo a atividade física na infância. 
As crianças vêm se tornando cada vez mais sedentários 
por hábitos como assistir televisão, jogar vídeo game, usar 
computador. (MOYLES, 2002, p. 13)
É nesse contexto que observamos a importância do brincar livre e 
de estimular as crianças ao ato de brincar.
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
21
O Brincar Coordenado
Além do brincar livre, temos o brincar coordenado. 
No brincar coordenado, o papel do adulto é ser o mediador, 
permitindo a socialização do grupo, a integração e participação das 
pessoas envolvidas, favorecendo atitudes de respeito, aceitação, 
confiança e conhecimento mais amplo da realidade social e cultural. 
Além disso, o adulto pode proporcionar situações de aprendizagens 
específicas e aquisição de novos conhecimentos, dando condições para 
que a criança explore diferentes materiais, objetos e brinquedos. É de 
suma importância no brincar coordenado que haja um objetivo claro a 
ser atingido. É importante que o professor planeje os objetivos que deseja 
atingir, bem como o tempo e o espaço que a brincadeira deve acontecer. 
Também é aconselhável que sejam inseridas atividades que 
favoreçam a troca de saberes que auxiliem na construção do conhecimento 
e da autonomia.
EXEMPLO: 
Alguns exemplos de atividades coordenadas podem ser as 
atividades artísticas como desenhos, pinturas e modelagens, guiadas 
em prol de um objetivo como elaborar o sistema solar de massinha de 
modelar. 
Figura 6 - Atividades artísticas com propósito são consideradas brincar coordenado
Fonte: Freepik
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
22
Na brincadeira coordenada, o adulto deve buscar brincadeiras 
que proporcionem a integração e participação de todos os envolvidos, 
tendo em mente a promoção de sentimentos de confiança, respeito, 
envolvimento social e conhecimento. Também é importante proporcionar 
o conhecimento de diferentes tipos de materiais, brinquedos e objetos.
As brincadeiras coordenadas, em sua grande maioria, são 
elaboradas com um fim especifico.
Brincar facilita o crescimento e, em consequência, promove 
a saúde. O não-brincar em uma criança pode significar que 
ela esteja com algum problema, o que pode prejudicar 
seu desenvolvimento. O mesmo pode-se dizer de adultos 
quando não brincam ou quando proíbem ou inibem a 
brincadeira nas crianças, privando-as de momentos que 
são importantes em suas vidas, e nas dos adultos também. 
(WINNICOTT, 1982 p. 176)
Sabendo da importância da brincadeira, do quanto as crianças 
amam brincar, é importante o adulto ter em mente o que se espera 
alcançar por meio da brincadeira coordenada e, procurar mudar as 
brincadeiras para que a criança não abuse delas. Assim, é importante ter 
em mente algumas dicas, como:
 • Ludicidade – é importante tornar sempre o ambiente agradável, 
tendo em vista que as crianças necessitam de boas doses de 
estímulo. Além de deixar o ambiente agradável, é importante 
deixa-lo divertido, pois esses dois pontos constituem a chave para 
conquistar a audiência.
 • Versatilidade – importante que os locais de desenvolvimento 
das brincadeiras sejam alterados, como já falamos. As crianças 
passam muito tempo trancadas nos dias atuais. Assim, atividades 
ao ar livre proporcionam uma maior empolgação e liberdade para 
elas.
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
23
 • Contextualização – as brincadeiras podem e muitas vezes devem, 
ser conectados com assuntos para que a criança possa aprender. 
Assim, a aprendizagem será mais divertida e há uma facilitação na 
assimilação dos conteúdos.
 • Espírito coletivo – é importante que, sempre que possível, sejam 
elaboradas atividades em grupo, pois, o ato de brincar com outras 
crianças faz com que haja um aumento na possibilidade do 
desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais.
É em meio a esse contexto que podemos enxergar a importância 
das brincadeiras e de, antes de aplicar uma brincadeira para uma criança, 
é necessário a análise do bem que essa brincadeira pode trazer para elas.
Uma boa brincadeira coordenada de socialização que estimula a 
criatividade é continuar a história. Nessa brincadeira pode-se fazer um 
círculo e o adulto começa a contar a história, em seguida, pede para que 
as crianças vão completando a história de acordo com sua criatividade.
Essa brincadeira proporciona a interaçãoentre as crianças e a 
criatividade, além de possibilitar que o adulto veja quais tipos de ideias 
as crianças possuem na mente, dando para analisar os seus traumas, 
pensamentos, desejos, entre outros.
Figura 7 – brincadeira conte a história
Fonte: Freepik
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
24
RESUMINDO:
Iniciamos nosso capítulo relembrando sobre a importância 
sobre o brincar, para assim, em seguida, estudar o 
brincar livre e o brincar coordenado. No que tange ao 
brincar livre, vimos que ele consiste em deixar a criança 
a vontade, deixando que ela use sua imaginação ou que 
brinque daquilo que ela realmente quer, sem que haja a 
intervenção de qualquer mediador. O brincar corporativo, 
por sua vez, constitui na brincadeira que tem um mediador 
para indicar as brincadeiras e as regras, assim, eles aplicam 
as brincadeiras de acordo com aquilo que eles esperam 
ou que querem desenvolver nas crianças. Os dois tipos de 
brincar são importantes para a formação e desenvolvimento 
da criança.
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
25
O Papel da Brincadeira na Educação 
Infantil
OBJETIVO:
Compreendendo a importância das brincadeiras, neste 
capítulo nos dedicaremos a análise da sua importância no 
ensino da educação infantil, vendo que além de contribuir 
para o desenvolvimento da criança, a brincadeira constitui 
em norma obrigatória nas escolas. Vamos lá? .
Brincadeira na Educação Infantil 
Segundo Vygotsky o sujeito se constitui através de interações 
no seu meio social. Com essa estrutura social, as funções psicológicas 
são construídas. Pode-se assim dizer, que o processo de socialização 
que a criança está inserida resulta em sua aprendizagem e seu 
desenvolvimento. Durante esse processo, é importante destacar que o 
brincar é um seguimento primordial no desenvolvimento da criança, pois 
é nesse momento que ela constrói suas brincadeiras simbólicas com 
características do seu “mundo real”. 
É no brincar que a “zona de desenvolvimento proximal” surge na 
criança, pois há uma relação direta com a aprendizagem envolvendo 
assim outras funções como afetividade, memória, linguagem, atenção, 
entre outras. Dessa forma, a construção de mundo da criança acontece 
conforme ela vai praticando suas funções (VYGOTSKY; 1998).
Outros aspectos importantes em seus estudos são a emoção 
e a imaginação. A primeira funciona como um mediador interno ligado 
ao estímulo externo. Já a imaginação desperta novas emoções e 
estratégicas mnemônicos, pois auxilia a criança a aprender a partir de 
experiências. Junto a tudo isso temos a linguagem que contribui para o 
seu desenvolvimento oral, escrito e gestual.
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
26
Pode-se dizer que todos esses aspectos juntos: linguagem, emoção, 
memória, imaginação e pensamento contribuem para que a criança seja 
um ser social que constrói sua relação com o mundo (VYGOTSKY, 1998).
Figura 8 – criança 
Fonte: Freepik
A criança através do contexto social em que faz parte, sofre 
interferência no seu comportamento com as vivências mediadas entre ela 
e a linguagem em volta e isso acontece através da relação desses meios 
ou funções (VYGOTSKY, 1998).
Deste modo, é importante apontar que na educação infantil, as 
brincadeiras de jogo simbólico exercem a função de máxima importância, 
permitindo promover à criança um momento único de desenvolvimento, 
no qual ela exercita a sua imaginação, a capacidade de criar e de fantasiar 
situações lúdicas.
Brincar é a principal atividade da infância, pois responde à 
necessidade de meninos e meninas de olhar, tocar, satisfazer a 
curiosidade, experimentar, descobrir, expressar, comunicar, sonhar, ou 
seja, o brincar se torna uma necessidade de descobrir, conhecer, dominar 
e amar o mundo.
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
27
Apesar de brincadeiras, crianças e jogos serem elementos que 
naturalmente estão ligados, o sistema escolar em geral precisa utilizar esta 
ligação para permitir que as crianças desenvolvam seus conhecimentos, 
satisfaçam a necessidade infantil de movimentos e expressão, além do 
desenvolvimento do próprio corpo. 
As brincadeiras infantis, manifestam-se de diversas maneiras e estão 
intimamente ligadas aos componentes do processo de aprendizagem 
tais como: estruturas afetivas, cognitivas, motoras, sociais, econômicas 
e políticas. O brincar é o modo que a criança tem de manifestar com 
seu corpo seus pensamentos e expressões. É por meio do lúdico, que 
a criança aprende brincando, relacionando os conteúdos programáticos 
aos jogos e brinquedos, tornando o processo de aprendizagem mais 
prazeroso e divertido. 
Na Educação Infantil, é preciso ensinar na e pela brincadeira”, 
é preciso, para isso romper a artificial dicotomia entre 
“atividades dirigidas” (supostamente ensinar) e “atividades 
livres” (supostamente brincar), [...] É papel do professor 
revelar para a cada criança, como indica Elkonin (1960), 
as facetas da realidade que ela somente pode conhecer 
pela via de sua mediação - tendo em vista o postulado de 
Leontiev (1978) de que os objetos e fenômenos da cultura 
não podem ser apropriados imediatamente pela criança 
[...]. (PASQUALINI, 2010, p. 185)
Ao utilizar a ludicidade na educação infantil, os educadores servem-
se da estruturação cognitiva dos conhecimentos prévios, ao mesmo 
tempo, que elaboram novos conhecimentos. De acordo com Paulo Freire, 
ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a 
sua própria produção ou a sua construção. Ao proporcionar situações em 
sala de aula para que os alunos façam perguntas e agucem a curiosidade, 
promove-se o olhar crítico- reflexivo da criança.
Vigotsky (2007) sustenta que o brinquedo e o ato de brincar 
desempenham um grande papel no desenvolvimento da autonomia e 
da identidade da criança. Assim, a brincadeira na educação infantil deve 
ser utilizada de forma planejada, com significado e intencionalidade. 
Compreendendo a importância das brincadeiras, deve-se priorizar um 
lugar adequado, com materiais interessantes para as crianças e que 
estimulem a sua socialização e a criatividade.
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
28
IMPORTANTE:
Segundo os Parâmetros Nacionais da Educação Infantil 
do nosso país, a instituição de educação infantil é um dos 
espaços de inserção das crianças nas relações éticas e 
morais que permeiam a sociedade na qual estão inseridas. 
A Leis de Diretrizes e Bases, 9394/96 no art. 29 reforça que 
a educação infantil é conceituada com a primeira etapa da 
Educação Básica e tem como finalidade o desenvolvimento 
integral da criança até cinco anos de idade, em seus aspectos 
físico, psicológico, intelectual e social, complementando a 
ação da família e da comunidade. 
Deste modo, é importante que nas instituições, que oferecem 
educação infantil, forneçam meios lúdicos e interativos que permitam às 
crianças aprender a construir, explorar, sentir, inventar e movimentar. O 
jogo, o lúdico e o brinquedo, na educação infantil, são tão importantes 
como dormir, comer e os seus cuidados de higiene. 
Outro ponto importante a ser considerado são os objetivos que 
se têm ao proporcionar o brincar em grupo e individualmente. O brincar 
em grupo gera aspectos emocionais, desenvolve a autoestima, a 
liderança, raciocínio e postura diante de adversidade. O brincar sozinho 
irá proporcionar a fantasia a partir de suas concepções, desenvolvendo o 
imaginário e a concentração etc.
Figura 9 – brincar em grupo
Fonte: Freepik
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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Vejamos a seguir o que famosos autores comentam sobre a 
importância das brincadeiras para o ensino das crianças:
Quadro 2 – A importância das brincadeiras
VYGOTSKY
O autor destaca o papel do ato de brincar na constituição do 
pensamento infantil, pois é brincando, jogando, que a criança 
revela seu estado cognitivo, visual, auditivo, tátil, motor, seu 
modo de aprender e entrar em uma relação cognitiva como 
mundo de eventos, pessoas, coisas e símbolos.
BROUGÈRE
O estudioso afirma que a escola deve preocupar-se com 
todo o contexto para favorecer o brincar das crianças. Um 
professor- mediador constrói um ambiente também mediador 
do brincar. 
FREINET
Para o pedagogo, a criança aprende pela experimentação 
concreta no mundo real, na relação com o mundo, com 
as pessoas, enfim, com o meio social. Acreditava que 
experimentos ou vivências devem fazer sentido para as 
crianças, devem partir de um “querer” experimentar.
PAULO 
FREIRE
Para o educador e filósofo, na educação infantil, o jogo, a 
brincadeira são condições para o aprendizado da criança. A 
brincadeira faz parte da cultura infantil em todos os povos. 
VIVIANA 
CARVALHO
Para a educadora, os jogos podem se tornar
importantes componentes no processo de ensino e 
aprendizagem,
estimulando o interesse do aprendiz de
forma prazerosa e interessante.
Fonte: elaborado pelo autor (2021).
Segundo Vygotsky, na educação infantil, o educador poderá fazer 
o uso de jogos, brincadeiras, histórias e outros, para que de, forma lúdica, 
a criança seja desafiada a pensar e resolver situações problemáticas para 
que imite e recrie regras utilizadas pelo adulto, ou. seja, o aprendizado 
torna-se mais fluido e prazeroso, quando as crianças encontram a 
ludicidade como meio de conhecimento, em vez de ficarem presas 
somente ao conhecimento transposto no quadro e nos livros. 
Deste modo, podemos concluir que as instituições de ensino que 
oferecem a educação infantil constituem-se um local privilegiado para o 
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desenvolvimento das crianças. Os educadores devem mediar as relações 
de aprendizagem, entre a criança e o mundo, utilizando para tal brinquedos 
e brincadeiras, como parte do processo orientador de suas práticas.
A relação entre a brincadeira e o desenvolvimento 
deve ser comparada com a relação entre a instrução 
e o desenvolvimento. Por trás da brincadeira estão as 
alterações das necessidades e as alterações de caráter 
mais geral da consciência. A brincadeira é fonte do 
desenvolvimento e cria a zona de desenvolvimento 
iminente. A ação num campo imaginário, numa situação 
imaginária, a criação de uma intenção voluntária, a 
formação de um plano de vida, de motivos volitivos - tudo 
isso surge na brincadeira, colocando-a num nível superior 
de desenvolvimento, elevando-a para a crista da onda e 
fazendo dela a onda decúmana do desenvolvimento na 
idade pré-escolar, que se eleva das águas mais profundas, 
porém relativamente calmas. (VIGOTSKI, 2008, p. 35)
É necessário que o professor na educação infantil possua uma rotina 
e esta deve envolver cuidados, por isso frisa-se tanto nas brincadeiras. 
A apresentação de novos conteúdos às crianças requer sempre as mais 
diferentes estruturas didáticas, desde contar uma nova história, propor 
uma técnica diferente de desenho até situações mais elaboradas, 
como, por exemplo, o desenvolvimento de um projeto que requer um 
planejamento cuidadoso com um encadeamento de ações que visam 
desenvolver aprendizagens específicas. 
Estas estruturas didáticas contém múltiplas estratégias que são 
organizadas em função das intenções educativas expressas no projeto 
educativo, constituindo-se em um instrumento para o planejamento do 
professor.
A BNCC e o Dreito de Brincar da Criança 
na Educação Infantil 
A Base Nacional Comum Curricular é um documento que aborda 
aspectos didáticos pedagógicos para a educação infantil. 
De acordo com a BNCC, seis direitos de aprendizagem e 
desenvolvimento devem ser garantidos a todas as crianças para que elas 
possam aprender e se desenvolver. Vamos conhecer cada um deles?
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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Conviver: a criança tem o direito de conviver com outras crianças e 
adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, 
ampliando os conhecimentos de si e do outro, o respeito em relação à 
cultura e às diferenças entre as pessoas.
Brincar: a criança tem o direito de brincar cotidianamente de diversas 
formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros 
(crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções 
culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas 
experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, 
sociais e relacionais.
Deste modo, o brincar é uma atividade essencial para o pleno 
desenvolvimento da criança.
Participar: a criança tem o direito de participar ativamente, com os 
adultos e outras crianças, tanto do planejamento na gestão da escola e das 
atividades propostas pelo educador quanto na realização das atividades 
da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais 
e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando 
conhecimento, decidindo e se posicionando.
Explorar: as crianças têm o direito de explorar movimentos, gestos, 
sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, 
relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola 
e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas 
modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.
Aqui a BNCC assegura às crianças o direito de serem sujeitos dentro 
do processo de construção cultural, ou seja, a partir dessa exploração a 
criança vai assimilando os elementos culturais de sua sociedade.
Expressar: as crianças têm o direito de se expressar como sujeitos 
dentro de um diálogo, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, 
sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, 
por meio de diferentes linguagens.
Conhecer-se: por fim, a BNCC da Educação Infantil traz como 
direito da criança o direito de conhecer-se, construir sua identidade 
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pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de 
seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, 
interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e 
em seu cotidiano familiar e comunitário.
Trouxemos o conhecimento da BNCC para que você possa observar 
a importância do ato de brincar para as crianças.
RESUMINDO:
Você entendeu tudo direitinho? Vamos relembrar tudo 
aquilo que estudamos nesse capítulo. Começamos nosso 
capítulo com o estudo da brincadeira na educação infantil, 
vendo que é por meio da relação social que o indivíduo se 
constitui, onde essa relação causa interferência em seu 
comportamento. Assim, vimos que na educação infantil o 
ato de brincar é essencial, não apenas para a aprendizagem, 
mas para a socialização das crianças, sendo o ato de brincar 
um dos direitos da aprendizagem e do desenvolvimento 
estabelecido pela Base Nacional Comum Curricular.
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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Jogos e Brincadeiras Adequados às 
Faixas Etárias
OBJETIVO:
Esse capítulo será dedicado a expor os jogos e as 
brincadeiras e a sua adequação a cada faixa etária, isto 
porque, os jogos e as brincadeiras devem ser estabelecidos 
de acordo com a idade do indivíduo. Vamos juntos conhecer 
esses jogos e brincadeiras?.
Jogos e Brincadeiras 
Para cada fase do desenvolvimento da criança, há brinquedos e 
brincadeiras adequados ao estágio do desenvolvimento infantil. O brincar, 
quando é adequado à faixa etária da criança, tem mais chances de ser 
efetivo para o desenvolvimento, socialização e interação do que quando 
não é estimulante. 
Figura 10 - As brincadeiras devem ser adequadas à faixa etária infantil
Fonte: Freepik 
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IMPORTANTE:
Uma simples bolinha de pano colorida, por exemplo, pode 
fazer maravilhas para um bebê que está descobrindo cores, 
formas e texturas, enquanto uma criança mais crescida 
com certeza vai preferir um jogo de tabuleiro. 
Vejamos a seguir as fases do desenvolvimento infantil e as 
brincadeiras e brinquedos quemais se adequam a cada uma delas. 
Bebês até os 5 meses:
Nesta fase, ocorre o desenvolvimento sensório motor no qual o 
mundo é descoberto pelos sentidos. Nesta idade, o bebê ama cores, 
texturas, sons e formas. Num primeiro momento, ele descobre as 
mãozinhas e a boca e logo depois já consegue acompanhar um objeto 
com o olhar e até arrisca colocar os próprios pezinhos na boca.
Brincadeiras adequadas a esta fase:
 • Mordedores com formas e texturas.
 • Chocalhos e bolinhas que emitem som.
 • Coisas que o bebê possa agarrar, morder, manipular.
 • Bolinhas de pano ou borracha bem coloridas.
 • Móbiles.
Figura 11 - Brinquedos de pano são interessantes na fase sensório motora
 
Fonte: Freepik 
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Bebês de 6 a 9 meses:
Nesta fase, os bebês gostam de jogar tudo no chão, pois já 
compreendem os movimentos que causam nas coisas e nos objetos. 
Além disso, continuam gostando de levar os objetos à boca e agora usam 
tais objetos, também, para coçar a gengiva e dentinhos que estão por vir. 
O corpinho já está mais firme e ele consegue se sentar para brincar.
Brincadeiras adequadas a esta fase:
 • Brinquedos de pano que ele possa jogar ao chão muitas vezes.
 • Cubos coloridos para empilhar ou jogar.
 • Martelos e objetos que ele possa bater e ouvir o som.
 • Brinquedos de borracha que possam ser levados à boca.
 • Blocos de encaixe grandes.
 • Livrinhos de plástico ou aqueles de banho fazem muito sucesso 
nessa fase.
 • Tapetes musicais.
 Figura 12 - Brinquedos de empilhar já podem ser oferecidos quando o bebê consegue 
sentar 
Fonte: Freepik 
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Bebês de 10 a 12 meses:
Nesta fase, o bebê já é capaz de engatinhar e até mesmo ficar em 
pé, apoiado em algo. Além disso, começa a explorar o que há ao seu 
redor e inicia o processo de consciência corporal. Gosta de se balançar 
como se estivesse dançando. Já consegue segurar firme os objetos e 
deve-se incentivar a coordenação motora e a troca de objetos de uma 
mão para a outra.
Brincadeiras adequadas a esta fase:
 • Ensinar musiquinhas e estimular a bater palminhas e dançar.
 • Brincar na frente do espelho.
 • Livros com imagens bem grandes e bem coloridos.
 • Blocos grandes de empilhar ou construir.
 Figura 13 - Brinquedos de montar estimulam a coordenação motora 
Fonte: Freepik
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Bebês de 1 a 2 anos:
Nesta fase, o bebê já anda sozinho e o mais importante para se 
trabalhar, é o equilíbrio. Outra coisa muito importante é estimular a força 
com carrinhos de puxar, caminhões que possam ser empurrados pela 
sala (para aprender a noção de espaço, tamanho e peso).
Brincadeiras adequadas a esta fase:
 • Brinquedos amarrados a barbantes para que ele possa puxar.
 • Piscina de bolinhas.
 • Folhear revistas.
 • Giz de cera para começar os primeiros rabiscos.
 • Bolas para chutar.
 • Balanço.
 • Baldinho de areia com pá.
 • Instrumentos musicais.
 • Peças de montar tipo Lego (adequado para a idade).
 • Livro de atividades com lápis ou giz de cera.
 • Teatrinho de fantoches, dedoches e contação de história.
 • Carrinho tipo triciclo, mas sem pedal.
Crianças de 2 a 4 anos:
Nesta fase, a criança já corre e adora brincadeiras interessantes ao 
ar livre, onde gasta muita energia e estimula diversos tipos de habilidades 
como andar para trás e para os lados, pular, subir e descer escadas.
Também é a fase de estímulo ao desenho, não só porque a 
criança gosta, mas porque é muito importante para o desenvolvimento 
da criatividade. Ela descobre que pode produzir peças de massinha ou 
“presentes” para papais e vovôs. O imaginário está bem aguçado e a 
criança vive num mundo de fantasia. Adora se fantasiar e brincar de faz de 
conta. Gosta de amigos imaginários e bate longos papos em um telefone 
de brinquedo.
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Brincadeiras adequadas a esta fase:
 • Argila, tinta e massinha para modelar.
 • Fantasias.
 • Barracas.
 • Quebra- cabeça com peças grandes.
 • Bonecos com roupas para vestir e tirar.
 • Instrumentos como pandeiros, pianinhos, tambores.
 • Brinquedos de faz de conta.
 • Lousa.
Figura 14 - Nesta fase crianças gostam de desenhar em lousas
Fonte: Freepik 
Crianças de 5 a 6 anos:
Nesta fase, a criança testa sua autonomia infantil e constrói sua 
própria identidade. Passa a querer escolher a roupa infantil que vai vestir e 
começa a ficar mais seletiva com os alimentos, colocados em seu prato. A 
fantasia vai, cada vez mais, perdendo seu espaço e agora o que ela quer 
é brincar em grupos e interagir com outras crianças.
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https://www.petitpapillon.com.br/blog/autonomia-infantil
https://www.petitpapillon.com.br/roupa-infantil.html
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Brincadeiras adequadas a esta fase:
 • Futebol.
 • Bicicleta, patins, patinete.
 • Esconde-esconde.
 • Pular corda.
 • Jogo de adivinhar.
 • Jogo da memória.
 Figura 15 - Jogos
Fonte: Freepik (2021).
Crianças de 7 a 9 anos:
Nesta fase, as crianças gostam de competir entre si e preferem 
jogos de inteligência, maratonas de disciplinas e jogos como torta na cara. 
Estimule a leitura de livros ou revistas em quadrinhos, pois o gosto pela 
leitura se forma nesta fase de vida. 
Brincadeiras adequadas a esta fase:
 • Jogos de cartas e tabuleiro.
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 • Revistas de passatempo.
 • Quebra- cabeças mais difíceis.
 • Games (sempre com moderação).
 • Troca de cartas e álbum de figurinhas.
 • Atividades esportivas.
 • Caça ao tesouro.
 • Detetive.
Figura 16 - Nesta fase, as crianças gostam de competir em jogos 
Fonte: Freepik 
Crianças a partir de 10 anos:
Nesta fase, o interesse por brinquedos, praticamente, não existe 
mais. As crianças, desta faixa etária, gostam mesmo é do celular e do 
videogame. Têm ídolos que são youtubers e aprendem de tudo por meio 
desta plataforma. Ainda é possível estimular com brincadeiras as crianças, 
nesta fase, quando são propostas atividades em grupo. 
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Brincadeiras adequadas a esta fase:
 • Artes marciais.
 • Teatro e música.
 • Oficinas.
 • Desafios mentais.
Figura 17 - Artes marciais podem ser estimulantes nesta fase
Fonte: Freepik 
Agora que você já entendeu as brincadeiras adequadas para cada 
idade, vejamos o que Piaget fala sobre as brincadeiras adequadas à cada 
fase do desenvolvimento infantil: 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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Quadro 3 – Brincadeiras adequadas à cada fase
FASE 
SENSÓRIO 
MOTORA 
(0 A 2 ANOS 
DE IDADE)
Segundo Piaget, é importante estimular o bebê 
com brincadeiras que permitam a construção das 
principais categorias do conhecimento humano 
que organizam a sua experiência na construção 
do mundo: objeto, espaço, causalidade e tempo.
FASE PRÉ-
OPERATÓRIA
(2 A 7 ANOS DE 
IDADE)
De acordo com Piaget, as primeiras reconstituições 
linguísticas de ações surgem junto à reprodução 
de situações ausentes, por meio da brincadeira 
simbólica e da imitação, quando a criança começa 
a verbalizar o que só realizava motoramente.
FASE DE 
OPERAÇÕES 
CONCRETAS
(7 A 11 OU 12 
ANOS)
Piaget afirma que as brincadeiras com regras 
se tornam muito produtivas, nesta idade, pois já 
são mais fáceis de serem compreendidas com 
a evolução da linguagem egocêntrica para a 
linguagem social.
FASE DE 
OPERAÇÕES 
FORMAIS 
(11 OU 12 
ANOS EM 
DIANTE)
Para Piaget, nesta fase a criança, ampliando as 
capacidades conquistadas na fase anterior, já 
consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em 
que ela é capaz de formar esquemas conceituais 
abstratos e por meio deles executar operações 
mentais em princípios da lógica formal. Por isso, 
jogos e atividades em grupo são mais aceitos. 
Fonte: Elaborado pelo autor (2021).
RESUMINDO:
O brincar é importante em qualquer fase da vida. Porém, 
para que ele seja efetivo, algumas precauções devem ser 
tomadas, como adequar as brincadeirase os brinquedos 
à faixa etária da criança e definir se as brincadeiras serão 
livres ou coordenadas. 
Cada brincadeira tem o seu papel importante no desenvolvimento 
afetivo, cognitivo e motor infantil e deve ser estruturada pelo adulto que 
irá acompanhar o desenvolvimento e o seu resultado. Além disso, o 
brincar favorece o processo de ensino e aprendizagem, desde que seja 
organizado pelos educadores com um propósito e os meios corretos de 
atingir esta aprendizagem. 
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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REFERÊNCIAS
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que brinca. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992.
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Distância. Pará de Minas: VirtualBooks Editora, 2018.
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CRAIDY, C.M.; KAERCHER, G. E. Educação infantil: pra que te quero? 
Porto Alegre: Artmed, 2001.
FREIRE, Paulo. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1991.
KISHIMOTO, T.M. Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. São 
Paulo: Cortez, 2002.
MOYLES, J. R. Só Brincar? O papel do brincar na educação infantil. 
Porto Alegre: ArtMed, 2002
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com crianças e adolescentes. São Paulo: Editora Summus,1980. 
OLIVEIRA, M.K. de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento um 
processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1997.
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Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.
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aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas,1992.
REGO, T.C. Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da 
educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
SANTOS, SM.P. dos. O lúdico na formação do educador. Vozes, 
Petrópolis, 2002.
VYGOTSKY, L.S; LURIA, A.R. & LEONTIEV, A.N. Linguagem, 
desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1998.
VIGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento 
dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Neurociências e as Práticas Pedagógicas
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	O Jogo Simbólico da Criança
	O Jogo Simbólico
	Brincar Livre e Brincar Coordenado
	O Brincar 
	O Brincar Livre
	O Brincar Coordenado
	O Papel da Brincadeira na Educação Infantil
	Brincadeira na Educação Infantil 
	A BNCC e o Dreito de Brincar da Criança na Educação Infantil 
	Jogos e Brincadeiras Adequados às Faixas Etárias
	Jogos e Brincadeiras

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