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Livro Didático Digital Neurociências e as Práticas Pedagógicas: Jogos, Brincadeiras e Didática Aplicados à Neuroeducação Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria VIVIANA GONDIM DE CARVALHO AUTORIA Viviana Gondim fe Carvalho Sou Doutoranda em Humanidades, Culturas e Artes, Mestre em Letras e Ciências Humanas, pós-graduada em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior. Sou especialista em Informática Educativa e graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Autora de artigos e livros didáticos. Atuo na área educacional, com ênfase em Educação a Distância, Psicopedagogia, Comunicação, Recursos Humanos e Neuroeducação. Atuei em grandes empresas nacionais e multinacionais, consolidando a educação virtual, desenvolvendo materiais didáticos, preparando ambientes multimidiáticos. Coordenei fábricas de conteúdos, desenvolvendo produtos para educação a distância como apostilas, games, simuladores, vídeos etc. Atualmente, atuo na Educação a Distância e desenvolvo pesquisas sobre a utilização de tecnologia a fim de melhorar o desempenho dos alunos por meio das ferramentas tecnológicas. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO O Jogo Simbólico da Criança ................................................................. 10 O Jogo Simbólico ............................................................................................................................ 10 Brincar Livre e Brincar Coordenado .................................................... 18 O Brincar ............................................................................................................................................... 18 O Brincar Livre ................................................................................................................................... 18 O Brincar Coordenado ................................................................................................................. 21 O Papel da Brincadeira na Educação Infantil .................................. 25 Brincadeira na Educação Infantil ........................................................................................25 A BNCC e o Dreito de Brincar da Criança na Educação Infantil ................. 30 Jogos e Brincadeiras Adequados às Faixas Etárias ...................... 33 Jogos e Brincadeiras ...................................................................................................................33 7 UNIDADE 03 Neurociências e as Práticas Pedagógicas 8 INTRODUÇÃO Você já parou para pensar como as crianças são capazes de transformar quaisquer atividades em brincadeiras? Pois é, o brincar é algo inerente à infância e tem papel fundamental no desenvolvimento humano, tanto na parte física como psicológica. Além do mais, o lúdico representado em brinquedos ou brincadeiras, pode significar um meio da criança se expressar e desenvolver seu pensamento crítico- reflexivo, acerca do mundo. Além disso, as brincadeiras têm um papel fundamental na educação infantil, fase na qual as crianças estão desenvolvendo rapidamente o intelecto e precisam de apoio educativo por meio de formas lúdicas para que haja interesse no que está sendo apreendido. Então preparado para conhecer mais sobre o universo lúdico no cotidiano infantil? Então embarque nesta jornada de conhecimento e bons estudos! Neurociências e as Práticas Pedagógicas 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Identificar a importância do jogo simbólico para a criança. 2. Interpretar as diferenças entre brincar livre e brincar coordenado. 3. Reconhecer o papel da brincadeira no desenvolvimento infantil. 4. Identificar jogos e brincadeiras adequados às faixas etárias. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Neurociências e as Práticas Pedagógicas 10 O Jogo Simbólico da Criança OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender a importância do jogo simbólico para a criança e suas aplicabilidades, conhecendo, assim, formas de utilização desses jogos para o desenvolvimento da criança. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. O Jogo Simbólico O brincar é uma das características que mais marcam a infância. Por meio da brincadeira, em especial do jogo simbólico, é que a criança compreende e reorganiza as estruturas mentais, a partir do momento que vive e representa situações cotidianas. Figura 1 - O jogo simbólico estimula a imaginação e a fantasia da criança Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 11 Deste modo, é possível definir o jogo simbólico como a representação corporal do imaginário predominando a fantasia, prendendo a criança à realidade. Por meio da imaginação e do faz de conta, as crianças podem modificar seus desejos, porém quando expressam, corporalmente as atividades, precisam respeitar a realidade concreta e as relações com o mundo. A criança cria um mundo imaginário por meio do jogo simbólico e assim é possível que, na brincadeira, represente e expresse as insatisfações e sentimentos que lhe tocam no mundo real. Deste modo, a brincadeira percorre tanto a formação social e pessoal quanto o conhecimento de mundo. McCune (1981) caracteriza o jogo simbólico por meio de seis critérios: 1. Corresponde a execução de uma atividade familiarizada da criança na ausência do contexto social habitual ou do material necessário. 2. Trata-se da execução de uma ação fora de sua função habitual. 3. O objetivo inanimado é tratado como sendo um objeto animado. 4. A ação ou objeto é substituído por outra ação ou objeto. 5. A imitação de uma ação geralmente é executada por alguém ou por um objeto com um valor representativo real. 6. A conduta da criança demonstra as suas características afetivas, indicando a qualidade não literal da atividade. O jogo simbólico é descrito por muitos estudiosos como fato fundamental para o desenvolvimento infantil, pois além de favorecer a interação com outros indivíduos, possibilita a expressão de emoções e vivências da criança. Alguns autores afirmam que o jogo simbólico é capaz de estimular o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional, social e cultural das crianças. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 12 Vejamos a seguir a contribuição de alguns autores sobre o assunto: Quadro 1 – Contribuição de autores JEAN PIAGET Valoriza a contribuição do jogo simbólico para o desenvolvimento cognitivo e afetivo-emocional. VYGOTSKY Destaca a contribuição social, proporcionadapor esta atividade. CHATEAU Explica que o surgimento do comportamento lúdico está ligado ao despertar da personalidade, distinguindo-o dos jogos funcionais do bebê. OAKLANDER Ressalta a importância do brincar para as crianças, ao explicar que, por meio da brincadeira, elas experimentam o seu mundo e aprendem mais sobre ele, o que representa fator essencial para o seu desenvolvimento sadio. PAIN Segundo a autora, a atividade lúdica fornece informações sobre os esquemas que organizam e integram o conhecimento da criança em um nível representativo e, portanto, considera de grande importância para o diagnóstico de problemas de aprendizagem na infância. Fonte: Elaborado pelo autor (2021). EXEMPLO: Existem alguns exemplos bem clássicos do jogo simbólico, em especial os que têm como base o fantasioso mundo infantil, como a brincadeira de casinha, representações de super-heróis, fadas, princesas, unicórnio, ou seja, tudo aquilo que não existe, que vem da imaginação. De acordo com Piaget, devido à função simbólica, a criança, a partir do segundo ano de vida, inicia a representação, possibilitando por meio dela gerar símbolos e condutas que vão surgindo, mais ou menos ao mesmo tempo, como a imitação diferida, imagem mental, jogo simbólico, linguagem e desenho. Deste modo, é possível encontrar, neste período, a inteligência constituída por um pensamento que passa a ser representado por meio da linguagem (signos coletivos) e símbolos individuais (imitação diferida, imagem mental e jogo simbólico). Ainda segundo Piaget, o jogo simbólico é representado por fases. Vejamos a seguir cada uma delas e suas definições. Neurociências e as Práticas Pedagógicas https://pt.wikipedia.org/wiki/Vygotsky 13 Fase I A primeira fase está centrada na categoria da projeção dos esquemas simbólicos nos objetos novos, isto é, a criança passa a atribuir a outras pessoas e a outras coisas, o esquema que se tornou familiar. Neste período, em vez da criança fazer de conta que dorme, passa a fazer sua boneca dormir, ou comer, ou tomar um remédio, ou seja, passa a transformar, simbolicamente, uns objetos nos outros. EXEMPLO: Esconde-esconde com alguém imaginário, imaginação de animais, objetos e pessoas que não estão presentes no ambiente (levar uma xícara imaginária à boca brincando de tomar chá), jogos de compensação fictícia (agora que a boneca se “comportou bem”, poderei dar uma bala a ela e a própria criança chupa a bala). Esta fase acompanha as crianças até os três anos de idade. Figura 2- No jogo simbólico, a criança pode conversar com seres inanimados Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 14 Fase II Dos quatro até os sete anos de idade, há um progresso na coerência das cenas, na ordem em que se apresentam, que chamamos de um jogo de combinação simbólica ordenada. As cenas representadas ganham um cuidado maior na representação e até mesmo uma riqueza maior de detalhes. Esta fase, também se refere ao início do simbolismo coletivo, compreendendo os papéis e as diferenças. Com isto, o jogo simbólico favorece o progresso da socialização, o que possibilita uma representação de ideias mais coerentes e ordenadas. EXEMPLO: Ao brincar de casinha, a criança insere alguns elementos decorativos e até mesmo a noção de rua, jardins etc. As brincadeiras tornam-se mais detalhadas e as falas, durante as representações e conversas com seres inanimados, também. Figura 3 - As brincadeiras, durante a fase II, tornam-se mais detalhadas com incrementos que representam o mundo real Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 15 Piaget em seu estudo traz três características que diferenciam os jogos simbólicos das crianças de quatro a sete anos, sendo eles: • A ordem relativa das construções lúdicas deu lugar para aquilo que Piaget chamou de jogos de combinação simbólica ordenada. • Houve uma preocupação crescente pela verossimilhança e pela imitação exata daquilo que é real. • Iniciou-se o símbolo coletivo propriamente dito. É explicitado nos pensamentos de Piaget que no período de sete a oito anos há uma mudança muito clara em relação à socialização e ao simbolismo lúdico, recaindo os seus reflexos sobre o pensamento. Assim, o autor traz a compreensão da sua última fase para esse período. Fase III Nessa última fase, compreendida entre oito e onze anos, ocorre o declínio do simbolismo lúdico, cedendo lugar aos jogos de regras e a construções simbólicas, cada vez menos, imaginários. Observa- se um avanço nas construções, trabalhos manuais, desenhos, que se apresentam cada vez melhores e mais adaptados ao real. A criança, ao longo deste período, por meio da socialização e de uma coordenação cada vez mais estreita dos papéis, passa a abandonar o jogo egocêntrico e a participar de jogos de regras, os quais envolvem a cooperação entre os participantes e favorecem a adaptação social. EXEMPLO: Jogos de times (futebol, vôlei, basquete etc.), jogos de desafios (pega varetas, cartas, adivinhações). Neurociências e as Práticas Pedagógicas 16 Figura 4- Na última fase, os jogos lúdicos passam a ser mais reais Fonte: Freepik A partir de doze anos, a criança começa a confundir seus interesses com os dos adultos. Nesta fase, pode aumentar o interesse por videogames, jogos de tabuleiro, esportes, danças e ginástica. Torna-se importante ser ressaltado que o jogo corresponde a uma característica do comportamento infantil, havendo uma maior dedicação do tempo das crianças a ele. É por meio dos jogos que as crianças canalizam e liberam as suas energias, possuindo o poder de transformar a realidade conforme as vontades e necessidades. Ainda, libera as fantasias, serve como forma de conhecer o outro e de autoconhecimento. É por meio dele que a criança sente os desafios e lida com ela mesma desenvolvendo as suas habilidades operatórias, sua criatividade e sua autoconfiança e, no fim de tudo, mas não menos importante, os jogos são uma fonte de bem-estar e prazer. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 17 RESUMINDO: Gostou do que estudou? Espero que tenha aprendido tudo direitinho. Vamos agora relembrar o um pouco do que foi estudado. Você deve ter compreendido que o jogo simbólico corresponde à representação corporal do imaginário predominando a fantasia, prendendo a criança à realidade. Além disso, estudou os seus critérios de caracterização do jogo simbólico e a contribuição de Jean Piaget, Vygotsky, Chateau, Oaklander e Pain com relação a esse conteúdo. Em seguida, foi possível entender as fases do jogo simbólico de acordo com Piaget, sendo ela dividida em três fases, a primeira fase vai do nascimento até os três anos, a segunda fase vai dos 4 aos 7 anos e, por fim, a terceira fase vai dos 8 aos 11 anos. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 18 Brincar Livre e Brincar Coordenado OBJETIVO: Existem diferentes brincadeiras e diferentes formas de brincar. Nesse capítulo você irá compreender sobre o que vem a ser o brincar livre e o brincar coordenado, entendendo a importância de cada uma dessas espécies. Vamos lá!. O Brincar O brincar é uma atividade livre e espontânea, responsável pelo desenvolvimento físico, moral, cognitivo, e que ocorre por meio de brincadeiras, brinquedos e objetos que subsidiam as atividades infantis. Para Froebel na visão de Kishimoto a brincadeira é uma atividade espiritual mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo, típico da vida humana como todo – da vida natural/interna do homem e de todas as coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e interno, e paz com o mundo. No ambiente escolar, o brincar acontece de duas maneiras: livre e coordenado. A seguir você irá compreender cada um dos dois. O Brincar Livre A brincadeira é considerada como uma mais valia para a aprendizagem, correspondendo a uma forma de construção do processo cognitivo.O brincar, por ser uma atividade livre que não inibe a fantasia, favorece o fortalecimento da autonomia da criança e contribui para a não formação e até quebra de estruturas defensivas. Ao brincar de que é a mãe da boneca, por exemplo, a menina não apenas imita e se identifica com a figura materna, mas realmente vive Neurociências e as Práticas Pedagógicas 19 intensamente a situação de poder gerar filhos, e de ser uma mãe boa, forte e confiável. (OLIVEIRA, 2000, p.19) Assim, como já vem sendo comentado, a brincadeira é um elemento para que a criança se desenvolva, colaborando com a internalização das normas sociais e a assumir comportamentos avançados. Um dos tipos de brincadeiras são as brincadeiras livres, que consistem nos jogos espontâneos criados pela criança, onde elas usam sua imaginação ou decidem que querem brincar de acordo com a sua experiência. As brincadeiras tradicionais são expressivamente transmitidas de uma geração a outra, fora das instituições oficiais, na rua, nos parques, nas praças etc. Assimiladas pelas crianças de maneira espontânea, mudam de forma com o passar do tempo - variam suas regras, culturas e grupos sociais, mas seu conteúdo permanece o mesmo. (FRIEDMAN, 2006, p. 78) O brincar livre ocorre espontaneamente, quando a criança, por si só ou em pequenos grupos, decide a brincadeira sem a mediação de um adulto. Neste modelo, é interessante oferecer alguns materiais permitindo que elas explorem e criem situações por meio de jogos. Como exemplo, os encaixes, as sucatas, as fantasias, os fantoches, as máscaras, as caixas, entre outros, possibilitam que elas criem diferentes formas de brincar com os objetos. EXEMPLO: Um clássico exemplo do brincar livre é a “brincadeira de casinha”, na qual as situações acontecem de acordo com a vontade das crianças. Ao se observar as brincadeiras livres, é possível criar conclusões sobre a vida social da criança, pois as brincadeiras imitam a vida em sociedade, como também demonstram a responsabilidade, o companheirismo, a negociação de regras e as noções do compartilhamento. Quando a criança brinca de forma livre, ela coloca sua imaginação para funcionar, transformando o mundo a sua volta. Assim, Quando a criança brinca, além de conjugar materiais heterogêneos (pedra, areia, madeira e papel), ela faz Neurociências e as Práticas Pedagógicas 20 construções sofisticadas da realidade e desenvolve seu potencial criativo, transforma a função dos objetos para atender seus desejos. Assim, um pedaço de madeira pode virar um cavalo; com areia, ela faz bolos, doces para sua festa de aniversário imaginária; e, ainda, cadeiras se transformam em trem, em que ela tem a função de conduto, imitando o adulto. (BENJAMIN, 2002, p.79) É nesse contexto que também podemos trazer a importância da brincadeira ao ar livre. Isso porque as crianças muitas vezes vivem dentro de casa, escolas, sendo a brincadeira ao ar livre uma experiência rara para elas. Elas transformam uma árvore em um castelo, usam a imaginação e brincam com ela. Figura 5 – brincadeira ao ar livre Fonte: freepik Sabemos que o mundo digital vem tirando das crianças o brincar, provocando assim o seu desiquilíbrio psicológico e físico, potencializando o isolamento social e tirando delas a arte da criação. É analisando todo o contexto da atualidade que podemos ver a importância da brincadeira livre e ainda mais, da brincadeira ao ar livre. O nível de atividade física nas crianças tem demonstrado que a tecnologia tem ganhado espaço no mundo das crianças e vem diminuindo a atividade física na infância. As crianças vêm se tornando cada vez mais sedentários por hábitos como assistir televisão, jogar vídeo game, usar computador. (MOYLES, 2002, p. 13) É nesse contexto que observamos a importância do brincar livre e de estimular as crianças ao ato de brincar. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 21 O Brincar Coordenado Além do brincar livre, temos o brincar coordenado. No brincar coordenado, o papel do adulto é ser o mediador, permitindo a socialização do grupo, a integração e participação das pessoas envolvidas, favorecendo atitudes de respeito, aceitação, confiança e conhecimento mais amplo da realidade social e cultural. Além disso, o adulto pode proporcionar situações de aprendizagens específicas e aquisição de novos conhecimentos, dando condições para que a criança explore diferentes materiais, objetos e brinquedos. É de suma importância no brincar coordenado que haja um objetivo claro a ser atingido. É importante que o professor planeje os objetivos que deseja atingir, bem como o tempo e o espaço que a brincadeira deve acontecer. Também é aconselhável que sejam inseridas atividades que favoreçam a troca de saberes que auxiliem na construção do conhecimento e da autonomia. EXEMPLO: Alguns exemplos de atividades coordenadas podem ser as atividades artísticas como desenhos, pinturas e modelagens, guiadas em prol de um objetivo como elaborar o sistema solar de massinha de modelar. Figura 6 - Atividades artísticas com propósito são consideradas brincar coordenado Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 22 Na brincadeira coordenada, o adulto deve buscar brincadeiras que proporcionem a integração e participação de todos os envolvidos, tendo em mente a promoção de sentimentos de confiança, respeito, envolvimento social e conhecimento. Também é importante proporcionar o conhecimento de diferentes tipos de materiais, brinquedos e objetos. As brincadeiras coordenadas, em sua grande maioria, são elaboradas com um fim especifico. Brincar facilita o crescimento e, em consequência, promove a saúde. O não-brincar em uma criança pode significar que ela esteja com algum problema, o que pode prejudicar seu desenvolvimento. O mesmo pode-se dizer de adultos quando não brincam ou quando proíbem ou inibem a brincadeira nas crianças, privando-as de momentos que são importantes em suas vidas, e nas dos adultos também. (WINNICOTT, 1982 p. 176) Sabendo da importância da brincadeira, do quanto as crianças amam brincar, é importante o adulto ter em mente o que se espera alcançar por meio da brincadeira coordenada e, procurar mudar as brincadeiras para que a criança não abuse delas. Assim, é importante ter em mente algumas dicas, como: • Ludicidade – é importante tornar sempre o ambiente agradável, tendo em vista que as crianças necessitam de boas doses de estímulo. Além de deixar o ambiente agradável, é importante deixa-lo divertido, pois esses dois pontos constituem a chave para conquistar a audiência. • Versatilidade – importante que os locais de desenvolvimento das brincadeiras sejam alterados, como já falamos. As crianças passam muito tempo trancadas nos dias atuais. Assim, atividades ao ar livre proporcionam uma maior empolgação e liberdade para elas. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 23 • Contextualização – as brincadeiras podem e muitas vezes devem, ser conectados com assuntos para que a criança possa aprender. Assim, a aprendizagem será mais divertida e há uma facilitação na assimilação dos conteúdos. • Espírito coletivo – é importante que, sempre que possível, sejam elaboradas atividades em grupo, pois, o ato de brincar com outras crianças faz com que haja um aumento na possibilidade do desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais. É em meio a esse contexto que podemos enxergar a importância das brincadeiras e de, antes de aplicar uma brincadeira para uma criança, é necessário a análise do bem que essa brincadeira pode trazer para elas. Uma boa brincadeira coordenada de socialização que estimula a criatividade é continuar a história. Nessa brincadeira pode-se fazer um círculo e o adulto começa a contar a história, em seguida, pede para que as crianças vão completando a história de acordo com sua criatividade. Essa brincadeira proporciona a interaçãoentre as crianças e a criatividade, além de possibilitar que o adulto veja quais tipos de ideias as crianças possuem na mente, dando para analisar os seus traumas, pensamentos, desejos, entre outros. Figura 7 – brincadeira conte a história Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 24 RESUMINDO: Iniciamos nosso capítulo relembrando sobre a importância sobre o brincar, para assim, em seguida, estudar o brincar livre e o brincar coordenado. No que tange ao brincar livre, vimos que ele consiste em deixar a criança a vontade, deixando que ela use sua imaginação ou que brinque daquilo que ela realmente quer, sem que haja a intervenção de qualquer mediador. O brincar corporativo, por sua vez, constitui na brincadeira que tem um mediador para indicar as brincadeiras e as regras, assim, eles aplicam as brincadeiras de acordo com aquilo que eles esperam ou que querem desenvolver nas crianças. Os dois tipos de brincar são importantes para a formação e desenvolvimento da criança. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 25 O Papel da Brincadeira na Educação Infantil OBJETIVO: Compreendendo a importância das brincadeiras, neste capítulo nos dedicaremos a análise da sua importância no ensino da educação infantil, vendo que além de contribuir para o desenvolvimento da criança, a brincadeira constitui em norma obrigatória nas escolas. Vamos lá? . Brincadeira na Educação Infantil Segundo Vygotsky o sujeito se constitui através de interações no seu meio social. Com essa estrutura social, as funções psicológicas são construídas. Pode-se assim dizer, que o processo de socialização que a criança está inserida resulta em sua aprendizagem e seu desenvolvimento. Durante esse processo, é importante destacar que o brincar é um seguimento primordial no desenvolvimento da criança, pois é nesse momento que ela constrói suas brincadeiras simbólicas com características do seu “mundo real”. É no brincar que a “zona de desenvolvimento proximal” surge na criança, pois há uma relação direta com a aprendizagem envolvendo assim outras funções como afetividade, memória, linguagem, atenção, entre outras. Dessa forma, a construção de mundo da criança acontece conforme ela vai praticando suas funções (VYGOTSKY; 1998). Outros aspectos importantes em seus estudos são a emoção e a imaginação. A primeira funciona como um mediador interno ligado ao estímulo externo. Já a imaginação desperta novas emoções e estratégicas mnemônicos, pois auxilia a criança a aprender a partir de experiências. Junto a tudo isso temos a linguagem que contribui para o seu desenvolvimento oral, escrito e gestual. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 26 Pode-se dizer que todos esses aspectos juntos: linguagem, emoção, memória, imaginação e pensamento contribuem para que a criança seja um ser social que constrói sua relação com o mundo (VYGOTSKY, 1998). Figura 8 – criança Fonte: Freepik A criança através do contexto social em que faz parte, sofre interferência no seu comportamento com as vivências mediadas entre ela e a linguagem em volta e isso acontece através da relação desses meios ou funções (VYGOTSKY, 1998). Deste modo, é importante apontar que na educação infantil, as brincadeiras de jogo simbólico exercem a função de máxima importância, permitindo promover à criança um momento único de desenvolvimento, no qual ela exercita a sua imaginação, a capacidade de criar e de fantasiar situações lúdicas. Brincar é a principal atividade da infância, pois responde à necessidade de meninos e meninas de olhar, tocar, satisfazer a curiosidade, experimentar, descobrir, expressar, comunicar, sonhar, ou seja, o brincar se torna uma necessidade de descobrir, conhecer, dominar e amar o mundo. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 27 Apesar de brincadeiras, crianças e jogos serem elementos que naturalmente estão ligados, o sistema escolar em geral precisa utilizar esta ligação para permitir que as crianças desenvolvam seus conhecimentos, satisfaçam a necessidade infantil de movimentos e expressão, além do desenvolvimento do próprio corpo. As brincadeiras infantis, manifestam-se de diversas maneiras e estão intimamente ligadas aos componentes do processo de aprendizagem tais como: estruturas afetivas, cognitivas, motoras, sociais, econômicas e políticas. O brincar é o modo que a criança tem de manifestar com seu corpo seus pensamentos e expressões. É por meio do lúdico, que a criança aprende brincando, relacionando os conteúdos programáticos aos jogos e brinquedos, tornando o processo de aprendizagem mais prazeroso e divertido. Na Educação Infantil, é preciso ensinar na e pela brincadeira”, é preciso, para isso romper a artificial dicotomia entre “atividades dirigidas” (supostamente ensinar) e “atividades livres” (supostamente brincar), [...] É papel do professor revelar para a cada criança, como indica Elkonin (1960), as facetas da realidade que ela somente pode conhecer pela via de sua mediação - tendo em vista o postulado de Leontiev (1978) de que os objetos e fenômenos da cultura não podem ser apropriados imediatamente pela criança [...]. (PASQUALINI, 2010, p. 185) Ao utilizar a ludicidade na educação infantil, os educadores servem- se da estruturação cognitiva dos conhecimentos prévios, ao mesmo tempo, que elaboram novos conhecimentos. De acordo com Paulo Freire, ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Ao proporcionar situações em sala de aula para que os alunos façam perguntas e agucem a curiosidade, promove-se o olhar crítico- reflexivo da criança. Vigotsky (2007) sustenta que o brinquedo e o ato de brincar desempenham um grande papel no desenvolvimento da autonomia e da identidade da criança. Assim, a brincadeira na educação infantil deve ser utilizada de forma planejada, com significado e intencionalidade. Compreendendo a importância das brincadeiras, deve-se priorizar um lugar adequado, com materiais interessantes para as crianças e que estimulem a sua socialização e a criatividade. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 28 IMPORTANTE: Segundo os Parâmetros Nacionais da Educação Infantil do nosso país, a instituição de educação infantil é um dos espaços de inserção das crianças nas relações éticas e morais que permeiam a sociedade na qual estão inseridas. A Leis de Diretrizes e Bases, 9394/96 no art. 29 reforça que a educação infantil é conceituada com a primeira etapa da Educação Básica e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até cinco anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Deste modo, é importante que nas instituições, que oferecem educação infantil, forneçam meios lúdicos e interativos que permitam às crianças aprender a construir, explorar, sentir, inventar e movimentar. O jogo, o lúdico e o brinquedo, na educação infantil, são tão importantes como dormir, comer e os seus cuidados de higiene. Outro ponto importante a ser considerado são os objetivos que se têm ao proporcionar o brincar em grupo e individualmente. O brincar em grupo gera aspectos emocionais, desenvolve a autoestima, a liderança, raciocínio e postura diante de adversidade. O brincar sozinho irá proporcionar a fantasia a partir de suas concepções, desenvolvendo o imaginário e a concentração etc. Figura 9 – brincar em grupo Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 29 Vejamos a seguir o que famosos autores comentam sobre a importância das brincadeiras para o ensino das crianças: Quadro 2 – A importância das brincadeiras VYGOTSKY O autor destaca o papel do ato de brincar na constituição do pensamento infantil, pois é brincando, jogando, que a criança revela seu estado cognitivo, visual, auditivo, tátil, motor, seu modo de aprender e entrar em uma relação cognitiva como mundo de eventos, pessoas, coisas e símbolos. BROUGÈRE O estudioso afirma que a escola deve preocupar-se com todo o contexto para favorecer o brincar das crianças. Um professor- mediador constrói um ambiente também mediador do brincar. FREINET Para o pedagogo, a criança aprende pela experimentação concreta no mundo real, na relação com o mundo, com as pessoas, enfim, com o meio social. Acreditava que experimentos ou vivências devem fazer sentido para as crianças, devem partir de um “querer” experimentar. PAULO FREIRE Para o educador e filósofo, na educação infantil, o jogo, a brincadeira são condições para o aprendizado da criança. A brincadeira faz parte da cultura infantil em todos os povos. VIVIANA CARVALHO Para a educadora, os jogos podem se tornar importantes componentes no processo de ensino e aprendizagem, estimulando o interesse do aprendiz de forma prazerosa e interessante. Fonte: elaborado pelo autor (2021). Segundo Vygotsky, na educação infantil, o educador poderá fazer o uso de jogos, brincadeiras, histórias e outros, para que de, forma lúdica, a criança seja desafiada a pensar e resolver situações problemáticas para que imite e recrie regras utilizadas pelo adulto, ou. seja, o aprendizado torna-se mais fluido e prazeroso, quando as crianças encontram a ludicidade como meio de conhecimento, em vez de ficarem presas somente ao conhecimento transposto no quadro e nos livros. Deste modo, podemos concluir que as instituições de ensino que oferecem a educação infantil constituem-se um local privilegiado para o Neurociências e as Práticas Pedagógicas 30 desenvolvimento das crianças. Os educadores devem mediar as relações de aprendizagem, entre a criança e o mundo, utilizando para tal brinquedos e brincadeiras, como parte do processo orientador de suas práticas. A relação entre a brincadeira e o desenvolvimento deve ser comparada com a relação entre a instrução e o desenvolvimento. Por trás da brincadeira estão as alterações das necessidades e as alterações de caráter mais geral da consciência. A brincadeira é fonte do desenvolvimento e cria a zona de desenvolvimento iminente. A ação num campo imaginário, numa situação imaginária, a criação de uma intenção voluntária, a formação de um plano de vida, de motivos volitivos - tudo isso surge na brincadeira, colocando-a num nível superior de desenvolvimento, elevando-a para a crista da onda e fazendo dela a onda decúmana do desenvolvimento na idade pré-escolar, que se eleva das águas mais profundas, porém relativamente calmas. (VIGOTSKI, 2008, p. 35) É necessário que o professor na educação infantil possua uma rotina e esta deve envolver cuidados, por isso frisa-se tanto nas brincadeiras. A apresentação de novos conteúdos às crianças requer sempre as mais diferentes estruturas didáticas, desde contar uma nova história, propor uma técnica diferente de desenho até situações mais elaboradas, como, por exemplo, o desenvolvimento de um projeto que requer um planejamento cuidadoso com um encadeamento de ações que visam desenvolver aprendizagens específicas. Estas estruturas didáticas contém múltiplas estratégias que são organizadas em função das intenções educativas expressas no projeto educativo, constituindo-se em um instrumento para o planejamento do professor. A BNCC e o Dreito de Brincar da Criança na Educação Infantil A Base Nacional Comum Curricular é um documento que aborda aspectos didáticos pedagógicos para a educação infantil. De acordo com a BNCC, seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento devem ser garantidos a todas as crianças para que elas possam aprender e se desenvolver. Vamos conhecer cada um deles? Neurociências e as Práticas Pedagógicas 31 Conviver: a criança tem o direito de conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando os conhecimentos de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas. Brincar: a criança tem o direito de brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. Deste modo, o brincar é uma atividade essencial para o pleno desenvolvimento da criança. Participar: a criança tem o direito de participar ativamente, com os adultos e outras crianças, tanto do planejamento na gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto na realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimento, decidindo e se posicionando. Explorar: as crianças têm o direito de explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia. Aqui a BNCC assegura às crianças o direito de serem sujeitos dentro do processo de construção cultural, ou seja, a partir dessa exploração a criança vai assimilando os elementos culturais de sua sociedade. Expressar: as crianças têm o direito de se expressar como sujeitos dentro de um diálogo, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens. Conhecer-se: por fim, a BNCC da Educação Infantil traz como direito da criança o direito de conhecer-se, construir sua identidade Neurociências e as Práticas Pedagógicas 32 pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu cotidiano familiar e comunitário. Trouxemos o conhecimento da BNCC para que você possa observar a importância do ato de brincar para as crianças. RESUMINDO: Você entendeu tudo direitinho? Vamos relembrar tudo aquilo que estudamos nesse capítulo. Começamos nosso capítulo com o estudo da brincadeira na educação infantil, vendo que é por meio da relação social que o indivíduo se constitui, onde essa relação causa interferência em seu comportamento. Assim, vimos que na educação infantil o ato de brincar é essencial, não apenas para a aprendizagem, mas para a socialização das crianças, sendo o ato de brincar um dos direitos da aprendizagem e do desenvolvimento estabelecido pela Base Nacional Comum Curricular. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 33 Jogos e Brincadeiras Adequados às Faixas Etárias OBJETIVO: Esse capítulo será dedicado a expor os jogos e as brincadeiras e a sua adequação a cada faixa etária, isto porque, os jogos e as brincadeiras devem ser estabelecidos de acordo com a idade do indivíduo. Vamos juntos conhecer esses jogos e brincadeiras?. Jogos e Brincadeiras Para cada fase do desenvolvimento da criança, há brinquedos e brincadeiras adequados ao estágio do desenvolvimento infantil. O brincar, quando é adequado à faixa etária da criança, tem mais chances de ser efetivo para o desenvolvimento, socialização e interação do que quando não é estimulante. Figura 10 - As brincadeiras devem ser adequadas à faixa etária infantil Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 34 IMPORTANTE: Uma simples bolinha de pano colorida, por exemplo, pode fazer maravilhas para um bebê que está descobrindo cores, formas e texturas, enquanto uma criança mais crescida com certeza vai preferir um jogo de tabuleiro. Vejamos a seguir as fases do desenvolvimento infantil e as brincadeiras e brinquedos quemais se adequam a cada uma delas. Bebês até os 5 meses: Nesta fase, ocorre o desenvolvimento sensório motor no qual o mundo é descoberto pelos sentidos. Nesta idade, o bebê ama cores, texturas, sons e formas. Num primeiro momento, ele descobre as mãozinhas e a boca e logo depois já consegue acompanhar um objeto com o olhar e até arrisca colocar os próprios pezinhos na boca. Brincadeiras adequadas a esta fase: • Mordedores com formas e texturas. • Chocalhos e bolinhas que emitem som. • Coisas que o bebê possa agarrar, morder, manipular. • Bolinhas de pano ou borracha bem coloridas. • Móbiles. Figura 11 - Brinquedos de pano são interessantes na fase sensório motora Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 35 Bebês de 6 a 9 meses: Nesta fase, os bebês gostam de jogar tudo no chão, pois já compreendem os movimentos que causam nas coisas e nos objetos. Além disso, continuam gostando de levar os objetos à boca e agora usam tais objetos, também, para coçar a gengiva e dentinhos que estão por vir. O corpinho já está mais firme e ele consegue se sentar para brincar. Brincadeiras adequadas a esta fase: • Brinquedos de pano que ele possa jogar ao chão muitas vezes. • Cubos coloridos para empilhar ou jogar. • Martelos e objetos que ele possa bater e ouvir o som. • Brinquedos de borracha que possam ser levados à boca. • Blocos de encaixe grandes. • Livrinhos de plástico ou aqueles de banho fazem muito sucesso nessa fase. • Tapetes musicais. Figura 12 - Brinquedos de empilhar já podem ser oferecidos quando o bebê consegue sentar Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 36 Bebês de 10 a 12 meses: Nesta fase, o bebê já é capaz de engatinhar e até mesmo ficar em pé, apoiado em algo. Além disso, começa a explorar o que há ao seu redor e inicia o processo de consciência corporal. Gosta de se balançar como se estivesse dançando. Já consegue segurar firme os objetos e deve-se incentivar a coordenação motora e a troca de objetos de uma mão para a outra. Brincadeiras adequadas a esta fase: • Ensinar musiquinhas e estimular a bater palminhas e dançar. • Brincar na frente do espelho. • Livros com imagens bem grandes e bem coloridos. • Blocos grandes de empilhar ou construir. Figura 13 - Brinquedos de montar estimulam a coordenação motora Fonte: Freepik Neurociências e as Práticas Pedagógicas 37 Bebês de 1 a 2 anos: Nesta fase, o bebê já anda sozinho e o mais importante para se trabalhar, é o equilíbrio. Outra coisa muito importante é estimular a força com carrinhos de puxar, caminhões que possam ser empurrados pela sala (para aprender a noção de espaço, tamanho e peso). Brincadeiras adequadas a esta fase: • Brinquedos amarrados a barbantes para que ele possa puxar. • Piscina de bolinhas. • Folhear revistas. • Giz de cera para começar os primeiros rabiscos. • Bolas para chutar. • Balanço. • Baldinho de areia com pá. • Instrumentos musicais. • Peças de montar tipo Lego (adequado para a idade). • Livro de atividades com lápis ou giz de cera. • Teatrinho de fantoches, dedoches e contação de história. • Carrinho tipo triciclo, mas sem pedal. Crianças de 2 a 4 anos: Nesta fase, a criança já corre e adora brincadeiras interessantes ao ar livre, onde gasta muita energia e estimula diversos tipos de habilidades como andar para trás e para os lados, pular, subir e descer escadas. Também é a fase de estímulo ao desenho, não só porque a criança gosta, mas porque é muito importante para o desenvolvimento da criatividade. Ela descobre que pode produzir peças de massinha ou “presentes” para papais e vovôs. O imaginário está bem aguçado e a criança vive num mundo de fantasia. Adora se fantasiar e brincar de faz de conta. Gosta de amigos imaginários e bate longos papos em um telefone de brinquedo. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 38 Brincadeiras adequadas a esta fase: • Argila, tinta e massinha para modelar. • Fantasias. • Barracas. • Quebra- cabeça com peças grandes. • Bonecos com roupas para vestir e tirar. • Instrumentos como pandeiros, pianinhos, tambores. • Brinquedos de faz de conta. • Lousa. Figura 14 - Nesta fase crianças gostam de desenhar em lousas Fonte: Freepik Crianças de 5 a 6 anos: Nesta fase, a criança testa sua autonomia infantil e constrói sua própria identidade. Passa a querer escolher a roupa infantil que vai vestir e começa a ficar mais seletiva com os alimentos, colocados em seu prato. A fantasia vai, cada vez mais, perdendo seu espaço e agora o que ela quer é brincar em grupos e interagir com outras crianças. Neurociências e as Práticas Pedagógicas https://www.petitpapillon.com.br/blog/autonomia-infantil https://www.petitpapillon.com.br/roupa-infantil.html 39 Brincadeiras adequadas a esta fase: • Futebol. • Bicicleta, patins, patinete. • Esconde-esconde. • Pular corda. • Jogo de adivinhar. • Jogo da memória. Figura 15 - Jogos Fonte: Freepik (2021). Crianças de 7 a 9 anos: Nesta fase, as crianças gostam de competir entre si e preferem jogos de inteligência, maratonas de disciplinas e jogos como torta na cara. Estimule a leitura de livros ou revistas em quadrinhos, pois o gosto pela leitura se forma nesta fase de vida. Brincadeiras adequadas a esta fase: • Jogos de cartas e tabuleiro. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 40 • Revistas de passatempo. • Quebra- cabeças mais difíceis. • Games (sempre com moderação). • Troca de cartas e álbum de figurinhas. • Atividades esportivas. • Caça ao tesouro. • Detetive. Figura 16 - Nesta fase, as crianças gostam de competir em jogos Fonte: Freepik Crianças a partir de 10 anos: Nesta fase, o interesse por brinquedos, praticamente, não existe mais. As crianças, desta faixa etária, gostam mesmo é do celular e do videogame. Têm ídolos que são youtubers e aprendem de tudo por meio desta plataforma. Ainda é possível estimular com brincadeiras as crianças, nesta fase, quando são propostas atividades em grupo. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 41 Brincadeiras adequadas a esta fase: • Artes marciais. • Teatro e música. • Oficinas. • Desafios mentais. Figura 17 - Artes marciais podem ser estimulantes nesta fase Fonte: Freepik Agora que você já entendeu as brincadeiras adequadas para cada idade, vejamos o que Piaget fala sobre as brincadeiras adequadas à cada fase do desenvolvimento infantil: Neurociências e as Práticas Pedagógicas 42 Quadro 3 – Brincadeiras adequadas à cada fase FASE SENSÓRIO MOTORA (0 A 2 ANOS DE IDADE) Segundo Piaget, é importante estimular o bebê com brincadeiras que permitam a construção das principais categorias do conhecimento humano que organizam a sua experiência na construção do mundo: objeto, espaço, causalidade e tempo. FASE PRÉ- OPERATÓRIA (2 A 7 ANOS DE IDADE) De acordo com Piaget, as primeiras reconstituições linguísticas de ações surgem junto à reprodução de situações ausentes, por meio da brincadeira simbólica e da imitação, quando a criança começa a verbalizar o que só realizava motoramente. FASE DE OPERAÇÕES CONCRETAS (7 A 11 OU 12 ANOS) Piaget afirma que as brincadeiras com regras se tornam muito produtivas, nesta idade, pois já são mais fáceis de serem compreendidas com a evolução da linguagem egocêntrica para a linguagem social. FASE DE OPERAÇÕES FORMAIS (11 OU 12 ANOS EM DIANTE) Para Piaget, nesta fase a criança, ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior, já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e por meio deles executar operações mentais em princípios da lógica formal. Por isso, jogos e atividades em grupo são mais aceitos. Fonte: Elaborado pelo autor (2021). RESUMINDO: O brincar é importante em qualquer fase da vida. Porém, para que ele seja efetivo, algumas precauções devem ser tomadas, como adequar as brincadeirase os brinquedos à faixa etária da criança e definir se as brincadeiras serão livres ou coordenadas. Cada brincadeira tem o seu papel importante no desenvolvimento afetivo, cognitivo e motor infantil e deve ser estruturada pelo adulto que irá acompanhar o desenvolvimento e o seu resultado. Além disso, o brincar favorece o processo de ensino e aprendizagem, desde que seja organizado pelos educadores com um propósito e os meios corretos de atingir esta aprendizagem. Neurociências e as Práticas Pedagógicas 43 REFERÊNCIAS BENJAMIN, W. Rua de mão única. São Paulo: Brasiliense, 2002. CARVALHO, A.M.C. et al. Brincadeira e cultura: viajando pelo Brasil que brinca. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992. CARVALHO, V.G. de. Jogos on-line e simuladores na Educação a Distância. Pará de Minas: VirtualBooks Editora, 2018. CHATEAU, J. O jogo e a criança. São Paulo: Summus, 1987. CRAIDY, C.M.; KAERCHER, G. E. Educação infantil: pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001. FREIRE, Paulo. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1991. KISHIMOTO, T.M. Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. 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Neurociências e as Práticas Pedagógicas _heading=h.y2wm69vbgg5 _heading=h.gr5f8m6hv3j8 _heading=h.fod67az6g9w8 _heading=h.brzozbfy3uwq _heading=h.4d34og8 _heading=h.gx0pxbh5mn9s _heading=h.7fvnax4yyxyw _heading=h.uawpi2b0p416 _heading=h.6hm0a7fe70dk _heading=h.8nsss4mhf5x _GoBack _heading=h.7k7jaue0bzxx _heading=h.cdbft5q5l9vg _heading=h.qm3pf01oxw3q _heading=h.vbxrgsubg033 _heading=h.dufyd7tw3xsw _heading=h.57ofagnsw7cb _heading=h.mts67j2dj704 _heading=h.uz1b7txfja5 _heading=h.75h1ki6qwitl _heading=h.9haaon5h5osw _heading=h.cd9zvun2m05h _heading=h.l0r5e7iqv7wf _heading=h.j17g76frarc1 _heading=h.205uby67kjsv _heading=h.tqbsisart63x _heading=h.8cexse4s97mx _heading=h.d0mydvsfq5gq _heading=h.rej3pgcegngr _heading=h.80ys1hsk3dit _heading=h.f6j96xl5so0y _heading=h.151t0t7jn2gw _heading=h.fqzwynrs3wgn _heading=h.eq9k3nu9rso2 _heading=h.h05vofvocnnb _heading=h.1c2rmxeupiqp _heading=h.7khgg4b6g2vq _heading=h.wdks58c85hbv _heading=h.75kbiqcvbfs1 _heading=h.wwpaaaml7m9x _heading=h.c88vk7cmfl13 _heading=h.fxogww721mrx _heading=h.gmflwui1imfk _heading=h.33rbeuwqo9y7 _heading=h.dnp2j7nxjtb2 _heading=h.vospske4n11r _heading=h.5ysinupiod4d _heading=h.8xlyq4dfmfpf _heading=h.kw2xd2iyvsa4 _heading=h.v75b8u91f5bx _heading=h.mccudssz5p5x _heading=h.bj7xte9vyqfl _heading=h.isf51fzfhrcc _heading=h.9b38bvd62hrr _heading=h.qulszwvineg9 _heading=h.vtud0twywte _heading=h.tfrxedgarpie _heading=h.uckbl7i841c0 _heading=h.bwgw643suan3 _heading=h.9p8lwbp9ytmk _heading=h.4bp5q45d49pa _heading=h.ck3wfxjs5ymb _heading=h.ixv158mokuuw _heading=h.csbxrhpgec5u _heading=h.co3vxchpn4zn _heading=h.e8xaqahmvu2g _heading=h.welfkwmg84h3 _heading=h.uad6wy6djiko _heading=h.umvlrvj151pl _heading=h.uv0025djlvn0 _heading=h.f0ktqt30k587 _heading=h.pwwzsvimrdba _heading=h.mtuamg7xxb4c _heading=h.xy2q7rvbx6vn _heading=h.jjp8i1vdj9xd _heading=h.ygt3k6j509i5 _heading=h.2rvmwihrszo6 _heading=h.5wniaxozo4nm _heading=h.szom8uaoontz _heading=h.egx0dhtju5xb _heading=h.sl5rweehdem7 _heading=h.nb1w2nzg6oih _heading=h.eh463sjjqdxo _heading=h.mv0upexoy30l _heading=h.h6uwdib201ei _heading=h.jcms8f9lmjnx _heading=h.kx8p6wchkrgl _heading=h.qrcb18ezyjqz _heading=h.9ece2nrj3td2 _heading=h.4zawzamq9tcb _heading=h.bv9ngl5ate1o _heading=h.osjgupoll6sv _heading=h.oxpuylz3l5t1 _heading=h.8r05b3kvyy57 _heading=h.ugydz1dt7zr6 _heading=h.qpe80g10xv5y _heading=h.h7sajv4weaj7 _heading=h.5blun3ohlim _heading=h.8av0yj5okwsq _heading=h.v6lf6rpbz7qt _heading=h.vp4spu9l25jz _heading=h.cw6bz2eo16hh _heading=h.7iexubrbpwr7 _heading=h.tobt4srvuq3l _heading=h.8681pzsjcrui _heading=h.9hjk2uwvckiu _heading=h.sjsxx1h8qf9x O Jogo Simbólico da Criança O Jogo Simbólico Brincar Livre e Brincar Coordenado O Brincar O Brincar Livre O Brincar Coordenado O Papel da Brincadeira na Educação Infantil Brincadeira na Educação Infantil A BNCC e o Dreito de Brincar da Criança na Educação Infantil Jogos e Brincadeiras Adequados às Faixas Etárias Jogos e Brincadeiras