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SUMÁRIO
1. Introdução .................................................................... 3
2. Bloqueadores Muscarínicos ................................... 8
3. Química e farmacocinética ..................................... 9
4. Farmacodinâmica .....................................................11
5. Efeitos sobre Sistemas Orgânicos ....................13
6. Aplicações Terapêuticas .......................................21
7. Intoxicação colinérgica ..........................................30
8. Bloqueadores Ganglionares ................................31
Referências Bibliográficas .........................................34
3ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
1. INTRODUÇÃO 
O sistema nervoso colinérgico é re-
ferente ao sistema que depende da 
liberação de acetilcolina para atuar. 
No sistema nervoso periférico, os re-
ceptores muscarínicos da acetilcolina 
ocorrem principalmente nas célu-
las efetoras autônomas inervadas 
pelos nervos parassimpáticos pós-
-ganglionares. Os receptores mus-
carínicos também estão presentes 
nos gânglios autonômicos e em algu-
mas células (por exemplo, células en-
doteliais vasculares) que, paradoxal-
mente, recebem pouca ou nenhuma 
inervação colinérgica. 
Figura 1. Anatomia funcional do sistema Limbico
Fonte: retirado de https://bit.ly/2zJg4Si
No sistema nervoso central (SNC), o 
hipocampo, córtex e tálamo têm 
grandes quantidades de recep-
tores muscarínicos. A acetilcolina 
(ACh) é o neurotransmissor natural 
para esses receptores e virtualmen-
te não tem nenhuma aplicação tera-
pêutica sistêmica, porque suas ações 
são difusas e sua hidrólise é rápida, 
catalisada pela acetilcolinesterase 
4ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
(AChE) e butirilcolinesterase plas-
mática. Os agonistas muscaríni-
cos reproduzem os efeitos da ACh 
nesses locais. Em geral, esses ago-
nistas são congêneres da ACh ou dos 
alcaloides naturais com ações mais 
longas, alguns dos quais estimulam 
receptores nicotínicos, bem como os 
muscarínicos. 
Figura 2. Síntese e reciclagem da acetilcolina na sinapse
Fonte: https://escolaeducacao.com.br/acetilcolina/
As sinapses colinérgicas estão 
presentes: 
1. Nas áreas efetoras autonômicas 
inervadas pelos nervos parassim-
páticos pós-ganglionares (ou, no 
caso das glândulas sudoríparas, 
pelos nervos pós-ganglionares 
simpáticos); 
2. nas células ganglionares sim-
páticas e parassimpáticas e na 
medula suprarrenal, que é iner-
vada por nervos autonômicos 
pré-ganglionares; 
3. nas placas motoras terminais dos 
músculos esqueléticos, que são 
inervadas pelos nervos motores 
somáticos; e
4. em certas sinapses no SNC, onde 
a ACh pode ter ações pré ou 
pós-sinápticas. 
Assim, as sinapses colinérgicas li-
beram acetilcolina. Os principais re-
ceptores colinérgicos são receptores 
nicotínicos (nAChR) e os receptores 
muscarínicos (mAChR), que podem 
5ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
ocorrer tanto nos terminais pré-si-
nápticos quanto nos pós-sinápticos. 
Os receptores muscarínicos são aco-
plados à proteína G (metabotrópicos).
Quando a ACh é administrada siste-
micamente, ela pode atuar em todos 
esses locais potencialmente, contudo, 
como composto de amônia quaterná-
ria, sua penetração no SNC é limitada 
e a quantidade de ACh que alcança 
áreas periféricas com baixo fluxo san-
guíneo é limitada devido a hidrólise 
pela butirilcolinesterase plasmática. 
As ações da ACh, e dos outros fár-
macos relacionados, nos locais efe-
tores autonômicos são conhecidas 
como muscarínicas, com base na 
observação de que o alcaloide mus-
carina atua seletivamente nesses 
locais e produz os mesmos efeitos 
qualitativos da ACh. As ações mus-
carínicas ou parassimpaticomiméti-
cas dos fármacos considerados são 
praticamente equivalentes aos efei-
tos parassimpaticomiméticos da ACh. 
No SNC os receptores muscarínicos 
estão distribuídos amplamente e têm 
a função de mediar várias respostas 
importantes. 
As diferenças entre as ações da 
ACh e outros agonistas muscaríni-
cos são basicamente quantitativas, 
com pouca seletividade por um sis-
tema orgânico ou outro. Todas as 
ações da ACh e dos seus congêneres 
nos receptores muscarínicos podem 
ser bloqueadas pela atropina.
6ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
Figura 3. Receptores colinérgicos nicotínicos e muscarínicos 
Fonte: retirado de https://bit.ly/2LD62EW 
Os receptores muscarínicos foram ca-
racterizados inicialmente pela análise 
das respostas das células e dos siste-
mas orgânicos periféricos e do SNC. 
Por exemplo, os efeitos diferenciados 
de dois agonistas muscarínicos, be-
tanecol e McN-A-343, no tônus do 
esfincter esofágico inferior levaram à 
designação inicial de receptores mus-
carínicos como M1 (ganglionares) e 
M2 (célula efetora). A clonagem dos 
cDNAs que codificam esses recep-
tores muscarínicos identificou cinco 
produtos genéticos diferentes, que 
hoje são designados como recepto-
res muscarínicos M1 a M5. 
Todos os receptores muscarínicos co-
nhecidos são receptores acoplados a 
proteína-G que, por sua vez, acopla 
a vários efetuadores celulares. Em-
bora a seletividade não seja absoluta, 
a estimulação dos receptores M1, M3 
e M5 causa hidrólise de polifosfoi-
nositídeos e a mobilização de Ca2+ 
intracelular como consequência da 
ativação da via PLC-Gq, resultando 
em uma variedade de respostas me-
diadas por Ca2+. Em contraste, os 
receptores muscarínicos M2 e M4 
inibem a adenililciclase e regulam 
canais iônicos específicos por meio 
da sua proteína G sensível à toxina 
pertussis, Gi e Go.
7ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
RECEPTORES 
MUSCARÍNICOS
M1
M3
M5
M2
M4
SNC e gânglio
Glândulas, músculo 
liso e endotélio
SNC
Coração, neurônios, 
músculo liso
SNC
Proteína Gq
Proteína Gi
Ação inibitória Inibem adenililciclase Abre canais de K+
Ação estimulatória IP3 e DAG Mobilização de cálcio intracelular
MAPA MENTAL: ATUAÇÃO DOS RECEPTORES MUSCARÍNICOS
8ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
2. BLOQUEADORES 
MUSCARÍNICOS
Os antagonistas dos receptores mus-
carínicos ou bloqueadores muscaríni-
cos incluem: 
• os alcaloides naturais atropina e 
escopolamina; 
• derivados semissintéticos des-
ses alcaloides, que diferem basi-
camente dos compostos originais 
por sua disposição no organismo 
ou pela duração da ação; 
• derivados sintéticos, entre os 
quais alguns mostram seletivida-
de por subtipos dos receptores 
muscarínicos. 
Entre as duas últimas categorias, os 
fármacos dignos de nota são a homa-
tropina e a tropicamida, que têm ações 
menos duradouras do que a atropina 
e a metescopolamina, o ipratrópio e 
o tiotrópio, que são compostos qua-
ternários e não atravessam a barrei-
ra hematoencefálica ou atravessam 
facilmente outras membranas. Os 
derivados sintéticos que têm alguma 
seletividade por receptores incluem a 
pirenzepina, com seletividade pelos 
receptores M1 e darifenacina e solife-
nacina com seletividade pelos recep-
tores M3. Os antagonistas muscarí-
nicos evitam os efeitos da ACh por 
meio do bloqueio da sua ligação 
aos receptores muscarínicos nas 
células neuroefetoras em junções 
parassimpáticas (e simpáticas co-
linérgicas), nos gânglios periféricos 
e no SNC. 
Ainda que vários efeitos dos anta-
gonistas muscarínicos possam ser 
previstos pelo entendimento das res-
postas fisiológicas mediadas pelos 
receptores muscarínicos nas junções 
neuroefetoras parassimpáticas (e 
simpáticas colinérgicas), às vezes são 
obtidas respostas paradoxais. Por 
exemplo, receptores muscarínicos 
pré-sinápticos de vários subtipos es-
tão presentes nos terminais de nervos 
parassimpáticos pós-ganglionares. 
Como o bloqueio dos receptores pré-
-sinápticos em geral aumenta a li-
beração do neurotransmissor, assim 
o efeito pré-sináptico dos anta-
gonistas muscarínicos pode neu-
tralizar seu bloqueio do receptor 
pós-sináptico. O bloqueio dos re-
ceptores muscarínicos moduladores 
nos gânglios periféricos representa 
um mecanismo adicional de respos-
tas paradoxais. 
Importante consideração no usotera-
pêutico de antagonistas muscarínicos 
é o fato que as funções fisiológicas 
dos diferentes órgãos variam quan-
to à sua sensibilidade ao bloqueio 
dos receptores muscarínicos, mos-
trado na tabela abaixo. Doses peque-
nas de atropina reduzem as secreções 
salivares e brônquicas e a sudorese. 
Com doses mais altas, as pupilas di-
latam, a acomodação do cristalino à 
9ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
visão de perto fica inibida e os efeitos 
vagais no coração são bloqueados, 
resultando em aumento da frequên-
cia cardíaca. As doses mais altas an-
tagonizam o controle parassimpático 
da bexiga e do trato gastrointestinal, 
inibindo a micção e reduzindo o tônus 
e a motilidade intestinal. Doses ainda 
maiores são necessárias para inibir a 
motilidade gástrica e principalmente 
a secreção do estômago. 
SE LIGA! As doses de atropina e da 
maioria dos antagonistas muscarínicos 
que deprimem a secreção gástrica qua-
se sempre também afetam a secreção 
salivar, a acomodação visual, a micção e 
a motilidade gastrointestinal. 
DOSE 
(MG)
EFEITOS
0,5
Discreta redução da frequência cardíaca; algum 
ressecamento da boca; inibição da sudorese
1
Ressecamento marcante da boca; sede; acelera-
ção da frequência cardíaca algumas vezes prece-
dida por desaceleração; leve dilatação da pupila
2
Frequência cardíaca alta; palpitações; resse-
camento acentuado da boca; dilatação das 
pupilas; alguma turvação da visão de perto
5
Acentuação de todos os sinais e sintomas 
descritos anteriormente; dificuldade em 
falar e deglutir; agitação e fadiga; cefaleia; 
pele seca e quente; dificuldade em urinar; 
redução da peristalse intestinal
≥ 10
Acentuação de todos os sinais e sintomas 
descritos anteriormente; pulso rápido e fra-
co; íris praticamente fechada; turvamento 
visual acentuado; pele ruborizada, quente, 
seca e escarlate; ataxia, agitação e excita-
ção; alucinações e delírio; coma
Tabela 1. Efeitos da atropina com relação às doses 
usadas
Fonte: As Bases Farmacológicas da Terapêutica de 
Goodman & Gilman
Essa hierarquia de sensibilidades re-
lativas não é decorrente das diferen-
ças na afinidade da atropina pelos re-
ceptores muscarínicos nesses locais, 
porque a atropina não possui sele-
tividade pelos diferentes subtipos 
desses receptores. Os determinan-
tes mais importantes são os graus de 
regulação das funções dos diferen-
tes órgãos terminais pelo tônus pa-
rassimpático, a “reserva” de recep-
tores e mecanismos de sinalização, 
o envolvimento dos neurônios e re-
flexos intramurais e a existência de 
outros mecanismos regulatórios. 
A maioria dos antagonistas dos re-
ceptores muscarínicos disponíveis na 
clínica é não seletiva e suas ações di-
ferem pouco daquelas da atropina, o 
protótipo desse grupo. Nenhum an-
tagonista subtipo-seletivo, incluin-
do-se a pirenzepina, é totalmente 
seletivo. De fato, a eficácia clínica 
de alguns fármacos pode originar-se 
de um equilíbrio nas ações antagô-
nicas em dois ou mais subtipos de 
receptores.
3. QUÍMICA E 
FARMACOCINÉTICA
Sobre a química desses fármacos, a 
atropina e a escopolamina são és-
teres formados pela combinação 
de um ácido aromático (ácido tró-
pico) e bases orgânicas complexas, 
seja tropina (tropanol) ou escopina. 
Essa última difere da tropina apenas 
10ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
por apresentar uma ponte de oxi-
gênio entre os átomos de carbono 
numerados como 6 e 7. A homatro-
pina é um composto semissintético 
produzido pela combinação da base 
tropina com ácido mandélico. Os deri-
vados de amônio quaternário corres-
pondentes, modificados pelo acrés-
cimo de um segundo grupo metila 
ao nitrogênio, são conhecidos como 
nitrato de metilatropina, brometo 
de metilescopolamina e metilbro-
meto de homatropina. O ipratrópio 
e o tiotrópio também são análogos 
tropínicos quarternários esterificados 
com ácidos aromáticos sintéticos. Um 
fármaco similar, brometo de oxitrópio, 
derivado quaternário da escopolami-
na N-etil substituído, é disponível na 
Europa.
Figura 4. Fórmulas estruturais dos alcaloides da beladona e dos análogos semissintéticos e sintéticos. O C em verme-
lho identifica um átomo de carbono assimétrico.
Fonte: As Bases Farmacológicas da Terapêutica de Goodman & Gilman.
A integridade do éster tropina e 
do ácido trópico é essencial à ação 
muscarínica, tendo em vista que o 
ácido livre ou o álcool básico não pro-
duzem atividade antimuscarínica sig-
nificativa. A existência de um grupo 
OH livre na porção acílica do éster 
também é importante para sua ati-
vidade. Quando administrados por 
via parenteral, os derivados de amô-
nio quaternário da atropina e escopo-
lamina geralmente são mais potentes 
do que seus compostos originais, no 
que se refere às suas atividades blo-
queadoras dos receptores muscarí-
nicos e ganglionares (nicotínicos). Se 
forem administrados por via oral, a 
11ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
absorção dos derivados quaterná-
rios é insatisfatória e imprevisível. 
Os ácidos trópico e mandélico pos-
suem um centro enantiomérico (C em 
vermelho nas fórmulas da imagem 
acima). A escopolamina é l-hioscina e 
muito mais ativa do que a d-hioscina. 
A atropina é racemizada durante a 
extração e consiste em d,l-hiosciami-
na, mas a atividade antimuscarínica é 
atribuída quase unicamente ao l-isô-
mero natural. Os derivados sintéticos 
mostram ampla variação estrutural, 
que replicam espacialmente o ácido 
aromático e a ponte de nitrogênio da 
tropina.
Esses fármacos diferenciam suas ca-
racterísticas farmacocinéticas de 
acordo com suas estruturas quí-
micas. Por exemplo, a absorção de 
aminas terciárias é melhor que a de 
aminos quaternários, ocorrendo prin-
cipalmente no intestino, pela mem-
brana conjuntiva e transdérmica. A 
metabolização desses medicamen-
tos ocorre no fígado e sua elimi-
nação é principalmente renal, com 
a Atropina chegando a 50% de sua 
dose inalterada na urina. Medicamen-
tos por aerossol e inalação são mais 
eliminados nas fezes. A distribuição 
é ampla, com a Escopolamina, por 
exemplo, demorando, em média, de 
30 minutos a 1 hora para chegar no 
SNC. 
4. FARMACODINÂMICA
A atropina e os compostos seme-
lhantes competem com a ACh e 
com outros agonistas muscaríni-
cos por um local de ligação comum 
existente no receptor muscarínico. 
Como o antagonismo produzido pela 
atropina é competitivo, ele pode ser 
revertido se a concentração de ACh 
nos receptores muscarínicos do órgão 
efetor aumentar a nível suficiente. Os 
antagonistas muscarínicos inibem de 
forma menos eficaz as respostas à 
estimulação dos nervos colinérgicos 
pós-ganglionares, do que aos ésteres 
da colina administrados por via injetá-
vel. Essa diferença pode decorrer da 
liberação da ACh pelas terminações 
nervosas colinérgicas em áreas tão 
próximas dos receptores que resul-
tam em concentrações muito altas do 
transmissor na junção neuroefetora.
12ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
DISTRIBUIÇÃO AMPLA
QUÍMICA
Característica se alteram de acordo com 
estruturas químicas
FARMACOCINÉTICA FARMACODINÂMICA
A atropina e a escopolamina são ésteres 
formados pela combinação de um ácido 
aromático e bases orgânicas complexas
A integridade do éster tropina e do 
ácido trópico é essencial à ação muscarínica
A existência de um grupo OH livre 
na porção acílica do éster é importante 
para atividade desses fármacos
O ipratrópio e o tiotrópio são análogos 
tropínicos quarternários esterificados com 
ácidos aromáticos sintéticos. 
INIBIÇÃO COMPETITIVA
METABOLIZAÇÃO HEPÁTICA
ELIMINAÇÃO RENAL
ABSORÇÃO INTESTINAL
EXEMPLO:
A absorção de aminas terciárias é 
melhor que a de aminos quaternários 
Se forem administrados por via oral, 
a absorção dos derivados quaternários 
é insatisfatória e imprevisível
Competem com a ACh por um 
local de ligação comum existente 
no receptor muscarínico
Revertido se a concentração de 
ACh nos receptores muscarínicos do 
órgão efetor aumentar
13ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
5. EFEITOS SOBRE 
SISTEMASORGÂNICOS
Os efeitos farmacológicos da atropi-
na, o antagonista muscarínico de re-
ferência, serve de base para o enten-
dimento dos usos terapêuticos dos 
vários antagonistas muscarínicos. O 
principal efeito farmacológico de do-
ses crescentes de atropina, oferece 
um guia geral aos problemas asso-
ciados à administração desta classe 
de fármacos. 
Sistema cardiovascular
Coração
O principal efeito da atropina no co-
ração é a alteração da frequência. 
Embora a resposta dominante seja 
taquicardia, não raro a frequência 
diminui transitoriamente com as 
doses clínicas médias (0,4-0,6 mg). 
A diminuição é modesta (4-8 bpm) e 
em geral está ausente após injeção IV 
rápida. 
Não há alterações na pressão arte-
rial ou no débito cardíaco. Este efei-
to inesperado é atribuído ao bloqueio 
de receptores muscarínicos M1 pré-
-sinápticos nos terminais nervosos 
pós-ganglionares parassimpáticos 
no nodo SA, o que normalmente ini-
be a liberação de ACh. Doses maio-
res de atropina causam taquicardia 
progressiva por bloqueio dos recep-
tores M1 nas células marca-passo 
SA antagonizando assim o tônus 
parassimpático (vagal) ao coração. A 
frequência cardíaca basal aumenta 
em 35-40 bpm em jovens tratados 
com 2 mg de atropina intramuscular. 
A frequência cardíaca máxima não 
se altera com atropina. 
A influência da atropina é mais no-
tada em adultos jovens saudáveis, 
nos quais o tônus vagal é conside-
rável. Na infância e na idade avan-
çada, mesmo doses altas de atro-
pina podem não acelerar o coração. 
A atropina com frequência provoca 
arritmias cardíacas, mas sem sinto-
mas cardiovasculares significativos. 
A atropina também previne ou abole 
abruptamente a bradicardia ou as-
sistolia causada por ésteres da coli-
na, inibidores da acetilcolinesterase 
ou outros fármacos parassimpati-
comiméticos, bem como a parada 
cardíaca decorrentes da estimula-
ção elétrica do vago. A retirada do 
tônus vagal do coração, pela atropina, 
também pode facilitar a condução AV. 
A atropina diminui o período refra-
tário funcional do nodo AV e pode 
aumentar a frequência ventricular 
em pacientes que têm fibrilação 
ou flutter atrial. Em certos casos de 
bloqueio AV de segundo grau, por 
exemplo, bloqueio AV Wenckebach, 
no qual a atividade vagal é um fator 
etiológico (como na intoxicação por 
digital), a atropina pode reduzir a in-
tensidade do bloqueio. Em alguns 
pacientes com bloqueio AV comple-
to, a frequência ventricular pode ser 
14ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
acelerada pela atropina, em outros 
ela se estabiliza. 
SE LIGA! A atropina pode melhorar a 
condição clínica de pacientes com in-
farto do miocárdio na parede inferior ou 
posterior aliviando a grave bradicardia 
sinusal ou nodal ou o bloqueio AV.
Figura 5. Bloqueio AV de segundo grau, Wenckebach : Alargamento progressivo do PR até que uma onda P não é 
conduzida (em vermelho). Fonte: https://pt.my-ekg.com/ 
Circulação
A atropina, em doses clínicas, neutra-
liza completamente a vasodilatação 
periférica e a acentuada queda de 
pressão arterial causada pelos éste-
res da colina. Em contraste, se admi-
nistrada só, seu efeito nos vasos e na 
pressão não é notável nem é constante. 
Este resultado é esperado, pois a maior 
parte do leito vascular carece de iner-
vação colinérgica significativa. 
SE LIGA! Em doses tóxicas e ocasional-
mente em terapêuticas, a atropina pode 
dilatar os vasos cutâneos, especialmen-
te os da área do rubor (rubor atropínico). 
Esta pode ser uma reação compensató-
ria que permite a radiação do calor resul-
tante do aumento da temperatura indu-
zido pela atropina ao inibir da sudoração.
Sistema respiratório
Embora a atropina possa causar 
broncodilatação e diminuição nas 
secreções traqueobrônquicas em 
indivíduos normais bloqueando o tô-
nus parassimpático (vagal) aos pul-
mões, seus efeitos no sistema res-
piratório são mais significativos em 
pacientes com doença respiratória. 
A atropina pode inibir a bronco-
constrição causada por histamina, 
bradicinina e os eicosanoides, o 
que presumivelmente reflete a par-
ticipação de atividade reflexa paras-
simpática (vagal) na broncoconstri-
ção causada por estas substâncias. 
A habilidade de bloquear os efeitos 
bronconstritores indiretos destes 
mediadores fundamenta o uso dos 
15ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
antagonistas muscarínicos, junto com 
os agonistas β-adrenérgicos, no tra-
tamento da asma. Os antagonistas 
muscarínicos também têm um papel 
importante no tratamento da doen-
ça pulmonar obstrutiva crônica. 
A atropina inibe as secreções do 
nariz, boca, faringe e brônquios e 
assim seca as membranas muco-
sas do trato respiratório. Esta ação 
é especialmente acentuada se a se-
creção é excessiva e forma a base 
para o uso de atropina e outros an-
tagonistas muscarínicos para evitar 
que anestésicos inalatórios irritan-
tes como o éter dietílico aumentem 
as secreções brônquicas. Ainda que 
os novos anestésicos inalatórios se-
jam menos irritantes, os antagonistas 
muscarínicos são usados de modo 
similar, para diminuir a rinorreia as-
sociada ao resfriado comum ou às 
rinites alérgicas e não alérgicas.
SE LIGA! A redução da secreção mu-
cosa e a depuração mucociliar podem, 
contudo, resultar em tampões de muco, 
um efeito adverso potencialmente inde-
sejável em pacientes com doença das 
vias respiratórias.
Olhos
Os antagonistas muscarínicos blo-
queiam as respostas colinérgicas do 
músculo esfíncter pupilar da íris e o 
músculo ciliar que controla a curvatu-
ra do cristalino. Assim, eles dilatam 
a pupila (midríase) e paralisam a 
acomodação (cicloplegia). A ampla 
dilatação da pupila resulta em foto-
fobia, o cristalino é fixo para visão 
distante, objetos próximos pare-
cem turvos e menores do que são. 
A constrição reflexa pupilar normal à 
luz ou à convergência é abolida. Es-
tes efeitos ocorrem com administra-
ção local ou sistêmica dos alcaloides. 
Contudo, doses sistêmicas conven-
cionais de atropina (0,6 mg) têm pou-
cos efeitos oculares, em contraste a 
dose igual de escopolamina, que cau-
sa midríase evidente e perda de aco-
modação. A aplicação local de atro-
pina produz efeito ocular de duração 
considerável, os reflexos pupilares 
e a acomodação podem não se re-
cuperar completamente por 7-12 
dias. Outros antagonistas muscarí-
nicos com durações mais breves são, 
por isso, preferidos como midriáticos 
na clínica oftalmológica. A pilocarpina 
e os ésteres da colina, por exemplo, 
carbacol, em concentração suficien-
te podem reverter os efeitos oculares 
da atropina. 
Os antagonistas muscarínicos ad-
ministrados por via sistêmica têm 
pouco efeito na pressão intraocular, 
exceto em pacientes predispostos 
a glaucoma de ângulo fechado, nos 
quais a pressão pode ocasional-
mente aumentar perigosamente. 
O aumento na pressão ocorre quan-
do a câmara anterior é estreita e a 
íris obstrui o efluxo do humor aquoso 
para as trabéculas. Os antagonistas 
16ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
muscarínicos podem precipitar o pri-
meiro ataque em casos não reconhe-
cidos desta condição relativamente 
rara. Em pacientes com glaucoma de 
ângulo aberto, o aumento agudo da 
pressão é incomum. Fármacos tipo 
atropina em geral podem ser usados 
de forma segura nesta última condi-
ção, particularmente se o glaucoma 
está sendo tratado adequadamente. 
Trato Gastrointestinal
O conhecimento das ações dos ago-
nistas de receptores muscarínicos no 
estômago e nos intestinos leva ao uso 
dos antagonistas muscarínicos como 
fármacos antiespasmódicos para 
distúrbios gastrointestinais (GI) e 
no tratamento da úlcera péptica. 
Embora a atropina neutralize comple-
tamente os efeitos da ACh e outros 
fármacos parassimpaticomiméticos 
na motilidade e secreções GI, ela ini-
be só parcialmente as respostas a es-
timulação vagal. Esta diferença, que 
é particularmente impressionante 
nos efeitos da atropina na motilidade 
intestinal, pode ser atribuída ao fato 
de que as fibras vagais pré-ganglio-
nares inervam o trato GI não só com 
fibraspós-ganglionares colinérgi-
cas, mas também com uma rede de 
neurônios intramurais não colinérgi-
cos. Estes neurônios que formam os 
plexos do sistema nervoso entérico 
utilizam inúmeros neurotransmisso-
res ou neuromoduladores incluindo 
serotonina (5-HT), dopamina e pep-
tídeos cujos efeitos não são bloquea-
dos pela atropina. 
Outra razão do bloqueio incompleto 
das respostas GI a atividade vagal 
pela atropina é que a estimulação va-
gal da secreção gástrica é mediada 
pelo peptídeo liberador de gastri-
na (PLG), e não ACh. As células pa-
rietais secretam ácido em resposta a 
três agonistas, no mínimo, gastrina, 
histamina e ACh, além disso, a esti-
mulação dos receptores muscarínicos 
nas células tipo enterocromafins cau-
sa liberação de histamina. A atropina 
inibe o componente da secreção áci-
da que resulta da estimulação mus-
carínica das células enterocromafins 
(secretoras de histamina) e células 
parietais (secretoras de ácido). 
Secreções
A secreção salivar é particularmen-
te sensível a inibição pelos anta-
gonistas do receptor muscarínicos 
que podem abolir completamente a 
secreção aquosa abundante induzida 
pela estimulação parassimpática. A 
boca torna-se seca e a deglutição e 
fala se tornam difíceis. 
A secreção gástrica durante as fa-
ses cefálica e o jejum também são 
acentuadamente reduzidos pelos an-
tagonistas dos receptores muscarí-
nicos. Em contraste, a fase intestinal 
da secreção gástrica só diminui par-
cialmente. A concentração de ácido 
17ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
não diminui necessariamente, pois a 
secreção de HCO3, bem como de H+ 
estão bloqueadas. As células gástri-
cas que secretam mucina e enzimas 
proteolíticas estão sob controle va-
gal mais diretamente do que as cé-
lulas secretoras de ácido, e nelas a 
atropina diminui a secreção. Embora 
os antagonistas muscarínicos pos-
sam diminuir a secreção gástrica, as 
doses necessárias também afetam a 
secreção salivar, a acomodação ocu-
lar, a micção e a motilidade GI. Assim, 
antagonistas dos receptores H2 da 
histamina e, mais recentemente, 
os inibidores da bomba de prótons 
substituíram os antagonistas mus-
carínicos como inibidores da secre-
ção ácida. 
Contrastando com a maioria dos an-
tagonistas muscarínicos, a pirenzepi-
na, que mostra alguma seletividade 
para os receptores M1, inibe a se-
creção gástrica em doses que têm 
pouco efeito na salivação e frequ-
ência cardíaca. Como os receptores 
muscarínicos nas células parietais são 
principalmente receptores M3 e não 
parecem ter alta afinidade pela piren-
zepina, postula-se que o receptor M1 
responsável pela alteração na secre-
ção gástrica se localize em gânglios 
intramurais. O bloqueio dos recepto-
res muscarínicos ganglionares, ao in-
vés daqueles da junção neuroefetora, 
pode estar subjacente a habilidade da 
pirenzepina de inibir o relaxamento 
do esfíncter esofágico inferior. Aqui, a 
fisiologia e farmacologia são comple-
xas, a pirenzepina declaradamente 
inibe a secreção ácida estimulada por 
carbacol em camundongos nocaute 
isentos de receptores M1. 
Motilidade
Os nervos parassimpáticos aumen-
tam o tônus e a motilidade e rela-
xam os esfíncteres, facilitando assim 
a passagem do conteúdo intestinal. 
Em indivíduos normais e em pacien-
tes com doença GI os antagonistas 
muscarínicos provocam efeito ini-
bidor prolongado na atividade mo-
tora do estômago, duodeno, jeju-
no, íleo e cólon, caracterizado pela 
redução do tônus e na amplitude e 
frequência das contrações peristál-
ticas. São necessárias doses relati-
vamente altas para obter tal inibição. 
Provavelmente isso pode ser expli-
cado pela capacidade de o sistema 
nervoso entérico regular a motilidade 
independente do controle parassim-
pático, os nervos parassimpáticos só 
servem para modular os efeitos do 
sistema nervoso entérico. 
Outros músculos lisos
Trato urinário
Os antagonistas muscarínicos dimi-
nuem o tônus normal e amplitude 
das contrações dos ureteres e da 
bexiga e, com frequência, elimi-
nam o aumento do tônus ureteral 
18ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
causado por fármacos. Contudo, 
essa inibição não pode ser obtida na 
ausência de inibição da salivação, do 
lacrimejamento e da visão turva.
Trato biliar
A atropina exerce leve ação anties-
pasmódica na vesícula biliar e nos 
ductos biliares em humanos. Con-
tudo, este efeito em geral não é su-
ficiente para superar ou prevenir o 
acentuado espasmo e aumento na 
pressão do ducto biliar induzido por 
opioides. Os nitratos são mais efica-
zes que a atropina a este respeito. 
Glândulas sudoríparas e 
temperatura
Pequenas doses de atropina inibem a 
atividade das glândulas de suor iner-
vadas por fibras colinérgicas simpáti-
cas. A pele torna-se quente e seca. A 
sudoração pode ser deprimida a ponto 
de elevar a temperatura corporal, mas 
só após grandes doses ou altas tempe-
raturas ambientes. Importante caracte-
rizar que em adultos essa resposta aos 
fármacos é tolerada por outros meca-
nismos de liberação de calor, contudo, 
em crianças pode tornar-se perigosa, 
dando origem a febre colinérgica.
Sistema nervoso central
Em doses terapêuticas, a atropina 
tem efeitos mínimos no SNC, embora 
possa ocorrer leve estimulação de 
centros parassimpáticos bulbares. 
Doses tóxicas de atropina promovem 
excitação mais evidente causando 
intranquilidade, irritabilidade, deso-
rientação, alucinações ou delírio. Com 
doses ainda maiores a estimulação 
dá lugar a depressão, levando a co-
lapso circulatório e insuficiência res-
piratória após período de paralisia e 
coma. Em contraste com atropina, a 
escopolamina tem efeitos centrais 
proeminentes em doses terapêuti-
cas baixas, por isso a atropina é pre-
ferida ante a escopolamina em várias 
situações. A base para esta diferença 
provavelmente é a maior permeação 
da escopolamina através da barreira 
hematoencefálica. 
Especificamente a escopolamina em 
doses terapêuticas normais causa de-
pressão do SNC manifestada por so-
nolência, amnésia, fadiga, sono sem 
sonhos com redução do sono REM. 
Ela também causa euforia e pode, 
por isso, causar abuso. No passado, 
os efeitos depressores e amnésicos 
eram valorizados quando a escopola-
mina era utilizada como coadjuvante 
aos anestésicos ou como medicação 
pré-anestésica. Entretanto, nos pa-
cientes com dor intensa, as mesmas 
doses da escopolamina podem cau-
sar excitação, agitação, alucinações 
ou delírio em alguns casos. Esses 
efeitos excitatórios são semelhantes 
aos observados com as doses tóxicas 
da atropina. A escopolamina também 
19ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
é eficaz para evitar cinetose, prova-
velmente bloqueando vias neurais 
do aparelho vestibular no ouvido in-
terno para o centro emético no tronco 
cerebral. 
CONCEITO!
Cinetose, também chamada de enjoo 
de movimento ou mal do movimento é 
qualquer distúrbio ou condição que se 
caracteriza pela sensação de enjoo ou 
náusea quando se anda em qualquer 
meio de transporte, ou se movimenta o 
corpo de forma não habitual, perturban-
do o sistema vestibular responsável pelo 
equilíbrio.
Os antagonistas dos receptores mus-
carínicos têm sido utilizados há mui-
to tempo na doença de Parkinson. 
Esses fármacos podem ser coadju-
vantes eficazes ao tratamento com 
levodopa. Os antagonistas muscarí-
nicos também são usados para tra-
tar os sintomas extrapiramidais, que 
ocorrem comumente como efeitos 
adversos do tratamento antipsicótico 
convencional.
20ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
Bloqueiam as respostas colinérgicas 
do músculo esfíncter pupilar da íris 
e o músculo ciliar que controla a 
curvatura do cristalino
Bloqueia os efeitos 
bronconstritores indiretos
BLOQUEADORES 
MUSCARÍNICOS
Midríase
↓ vasodilatação
Cicloplegia+
É eficaz para 
evitar cinetose
Atravessa a barreira 
hematoencefálica
Irritabilidade, 
desorientação, 
alucinações ou delírio
Escopolamina
Doses tóxicas 
da atropina 
Neutraliza 
completamente os 
efeitos da ACh
Inibe só parcialmente 
as respostas a 
estimulaçãovagal
Atropina
↓ secreções 
traqueobrônquicas
↓ secreções das 
mucosas do trato 
respiratório
Evita que anestésicos 
inalatórios irritantes 
aumentem as secreções 
brônquicas
↑ da frequência
Doses baixas -> 
bradicardia
Broncodilatação
Diminui a rinorreia 
associada ao resfriado 
comum ou com rinites
+
Tratamento da asma
MAPA MENTAL: EFEITOS SOBRE SISTEMAS ORGÂNICOS DOS BLOQUEADORES MUSCARÍNICOS
21ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
6. APLICAÇÕES 
TERAPÊUTICAS
Os antagonistas muscarínicos têm 
sido usados no tratamento de vários 
distúrbios clínicos, principalmente 
para inibir os efeitos do parassim-
pático nos tratos respiratório, uri-
nário, GI, nos olhos e coração. Os 
seus efeitos no SNC resultaram no 
emprego para o tratamento da do-
ença de Parkinson, no controle de 
efeitos adversos extrapiramidais 
dos fármacos antipsicóticos e na 
prevenção da cinetose. 
A limitação principal ao uso dos fár-
macos não seletivos geralmente é a 
impossibilidade de obter as respostas 
terapêuticas desejadas sem efeitos 
adversos associados. Apesar desses 
efeitos adversos em geral não serem 
graves, eles podem ser incômodos o 
suficiente a ponto de reduzir a adesão 
do paciente, principalmente durante 
o uso prolongado. No presente, a se-
letividade tem sido assegurada pela 
administração local, (por exemplo, ina-
lação pulmonar ou instilação ocular), 
pois poucos antagonistas muscaríni-
cos disponíveis têm seletividade ab-
soluta. O desenvolvimento de modu-
ladores alostéricos que reconhecem 
locais únicos em subtipos de recep-
tores é considerado atualmente uma 
abordagem importante no desenvol-
vimento de fármacos seletivos para 
o tratamento de condições clínicas 
específicas.
Trato respiratório
O ipratrópio e o tiotrópio são im-
portantes fármacos no tratamen-
to da doença pulmonar obstrutiva 
crônica (DPOC), eles são menos 
eficazes na maioria dos pacientes 
asmáticos. Estes fármacos em geral 
são usados com a inalação de ago-
nistas β-adrenérgicos de longa ação, 
embora haja pouca evidência de si-
nergismo. O ipratrópio é adminis-
trado 4 vezes/dia via um inalado ou 
nebulizador de dosagem graduada, 
o tiotrópio é administrado uma única 
vez ao dia por meio de inalador de pó 
seco. O ipratrópio também é aprova-
do pelo FDA para uso em inaladores 
nasais contra a rinorreia associada ao 
resfriado comum ou com rinite perene 
alérgica ou não alérgica. 
Apesar da redução das secreções na-
sofaríngeas pelos antagonistas mus-
carínicos produzir certo alívio sinto-
mático este tratamento não afeta o 
curso natural da condição. É provável 
que a contribuição dos antihistamí-
nicos de primeira geração, incluídos 
nos remédios de venda livre, con-
tra “resfriados” seja decorrente prin-
cipalmente das suas propriedades 
antimuscarínicas, exceto nas condi-
ções com base alérgica. O resfriado 
comum, sem complicações, em geral 
dura 2 semanas se tratado e 14 dias 
se não tratado, os remédios contra o 
resfriado, contudo, podem minimizar 
algum dos sintomas. 
22ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
Trato geniturinário
A hiperatividade vesical pode ser 
tratada eficazmente com antagonis-
tas dos receptores muscarínicos. Es-
ses fármacos podem reduzir a pressão 
intravesical, aumentar a capacidade 
e reduzir a frequência das contrações 
antagonizando o controle parassim-
pático da bexiga, eles também podem 
alterar a sensação da bexiga durante o 
enchimento. Os antagonistas muscarí-
nicos podem ser usados para tratar a 
enurese das crianças, principalmente 
quando o objetivo for aumentar pro-
gressivamente a capacidade vesical e, 
além disso, para reduzir a frequência 
urinária e aumentar a capacidade da 
bexiga na paraplegia espástica. 
Os antagonistas muscarínicos indi-
cados para a bexiga superativa são a 
oxibutinina, a tolterodina, o cloreto 
de tróspio, a darifenacina, a solife-
nacina e a fesoterodina. Embora al-
guns ensaios comparativos tenham 
demonstrado pequenas, mas estatis-
ticamente significativas, diferenças na 
eficácia entre estes fármacos, não está 
óbvio que estas diferenças tenham 
significado clínico. As reações adver-
sas mais importantes são consequên-
cia do bloqueio do receptor muscaríni-
co e incluem xerostomia, visão turva 
e efeitos GI como dispepsia e cons-
tipação. Os efeitos antimuscarínicos 
relacionados ao SNC incluem sonolên-
cia, tonturas e confusão e são particu-
larmente problemáticos em idosos. 
Os efeitos no SNC são menos pro-
váveis com tróspio, uma amina 
quaternária, e com darifenacina e so-
lifenacina, estes últimos são relativa-
mente seletivos para os receptores 
M3 e por isso têm efeitos mínimos 
nos receptores M1 do SNC que pare-
cem ter papel importante na memória 
e cognição. Os efeitos adversos limi-
tam a tolerabilidade destes fármacos 
e com o uso prolongado a aceitação 
dos pacientes diminui. A xerostomia é 
a causa mais comum para interrupção. 
A oxibutinina, o mais antigo dos anti-
muscarínicos usado atualmente para 
tratar os distúrbios da bexiga supera-
tiva está associado à maior incidência 
de efeitos adversos antimuscarínicos, 
particularmente xerostomia. 
Na tentativa de melhorar a aceitação 
pelos pacientes, a oxibutinina co-
meçou a ser comercializada sob a 
forma de um sistema transdérmico, 
que está associado a menor inci-
dência de efeitos adversos do que 
as preparações orais de liberação 
imediata ou ampliada, uma formula-
ção tópica na forma de gel com oxi-
butinina também parece apresentar 
menos os efeitos adversos. Devido a 
extensa metabolização da oxibutini-
na usada por via oral, pelas enzimas 
CYP3A4 entéricas e hepáticas, são 
usadas doses mais altas na adminis-
tração oral do que na transdermal, a 
dose deve ser reduzida em pacientes 
que usam fármacos que inibem a CY-
P3A4. A tolterodina mostrou seletivi-
dade para a bexiga em animais de la-
boratório e estudos clínicos resultando 
em melhor aceitação pelos pacientes, 
23ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
contudo estudos com receptores iso-
lados não demonstraram seletivida-
de por qualquer subtipo específico. A 
inibição de uma combinação especial 
de receptores vesicais pode explicar 
o sinergismo e a eficácia clínica. 
A tolterodina é biotransformada pela 
CYP2D6 em um metabólito hidroxi-
metiltolterodina. Como esse meta-
bólito possui atividade comparável 
ao fármaco original, as variações dos 
níveis de CYP2D6 não afetam a ati-
vidade antimuscarínica líquida nem a 
duração da sua ação. Contudo em pa-
cientes que biotransformam mal a tol-
terodina via CYP2D6, a via CYP3A4 
torna-se importante para sua elimina-
ção. Como é difícil saber quais pacien-
tes são maus biotransformadores as 
doses de tolterodina devem ser ajus-
tadas em pacientes que fazem uso 
de fármacos que inibem a CYP3A4 
(ajustes de doses em geral não são 
necessários em pacientes que usam 
fármacos que inibem a CYP2D6). 
Pacientes com insuficiência renal ou 
hepática significativa também devem 
receber doses menores do fármaco. 
A fesoterodina, um novo fármaco, 
é um pró-farmaco que é hidrolisa-
do rapidamente ao metabólito ativo, 
a tolterodina. O tróspio, uma amina 
quaternária, é tão eficaz quanto a oxi-
butinina com maior tolerabilidade. O 
tróspio é o único antimuscarínico usa-
do na bexiga superativa que é elimi-
nado primariamente pelos rins; 60% 
da dose absorvida de tróspio é excre-
tada inalterada na urina e a dosagem 
deve ser ajustada para os pacientes 
com insuficiência renal. A solifenaci-
na é relativamente seletiva para os 
receptores muscarínicos do subtipo 
M1 dando-lhe uma relação mais fa-
vorável entre eficácia e efeitos colate-
rais. A solifenacina é biotransforma-
da significativamente pela CYP3A4; 
assim pacientes recebendo fármacos 
inibidores da CYP3A4 devem rece-
ber doses menores. Como a solifena-
cina, a darifenacina é relativamente 
seletiva para os receptores M3. Ela é 
biotransformada por CYP2D6 e CY-
P3A4, como com a tolterodina, esta 
última via se torna mais importante 
em pacientes que são maus metabo-
lizadores de fármacos pela CYP2D6.A doses de darifenacina devem ser 
reduzidas em pacientes que tomam 
fármacos que inibem alguma destas 
CYPs. O cloridrato de flavoxato, um 
fármaco com ação espasmolítica dire-
ta nos músculos lisos, especialmente 
do trato urinário, é usado para alívio 
da disúria, urgência, noctúria e outros 
sintomas urinários associados a dis-
túrbios geniturinários, por exemplo, 
cistite, prostatite, uretrite. O flavoxato 
também tem fraco efeito anti-hista-
mínico, anestésico local, analgésico e, 
em doses altas, antimuscarínico. 
Trato gastrintestinal
Os antagonistas dos receptores 
muscarínicos foram amplamente 
usados para o tratamento da úlce-
ra péptica. Embora possam reduzir a 
24ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
motilidade e a secreção de ácido gás-
trico, as doses que bloqueavam a se-
creção causavam efeitos adversos 
acentuados, como ressecamento da 
boca, perda da acomodação visual, 
fotofobia e dificuldade de urinar. Em 
consequência, a adesão dos pacien-
tes ao tratamento prolongado dos sin-
tomas da doença ácido-péptica com 
esses fármacos era pequena. A piren-
zepina, um fármaco tricíclico seme-
lhante estruturalmente à imipramina, 
tem seletividade pelos receptores M1, 
em comparação com os M2 e M3, mas 
a sua afinidade pelos receptores M1 e 
M4 são semelhantes e, assim, não há 
seletividade total com o subtipo M1. 
A telenzepina, um análogo da pi-
renzepina, tem potência maior e 
seletividade semelhante pelos re-
ceptores M1. Esses dois fármacos 
são usados no tratamento da doen-
ça ácido-péptica na Europa, no Japão 
e no Canadá, mas não estão atual-
mente disponíveis nos EUA. Com as 
doses terapêuticas da pirenzepina, a 
incidência de boca seca, borramento 
visual e distúrbios muscarínicos cen-
trais é relativamente baixa. Os efei-
tos centrais não ocorrem porque seu 
acesso ao SNC é muito limitado. A 
maioria dos estudos indica que a pi-
renzepina (100-150 mg/dia) produ-
zia praticamente o mesmo índice de 
cicatrização das úlceras duodenais 
e gástricas, em comparação com os 
antagonistas dos receptores H2 ci-
metidina e ranitidina, esse fármaco 
também pode ser eficaz na profilaxia 
das recidivas da úlcera. Os efeitos ad-
versos impõem a suspensão do trata-
mento em < 1% dos pacientes. 
Estudos realizados em humanos de-
monstraram que a pirenzepina é mais 
potente na inibição da secreção ácida 
do estômago em resposta aos estí-
mulos neurais do que aos agonistas 
muscarínicos, confirmando a localiza-
ção presumida dos receptores M1 nos 
locais ganglionares. Apesar disso, os 
antagonistas dos receptores H2 e os ini-
bidores da bomba de prótons são con-
siderados geralmente como fármacos 
de escolha para reduzir a secreção áci-
da do estômago. Muitas condições co-
nhecidas ou presumidas que envolvem 
aumento do tônus (espasticidade) ou da 
motilidade do trato GI são tratadas com 
alcaloides da beladona só ou em combi-
nações com sedativos, ansiolíticos. 
Os alcaloides da beladona e seus subs-
titutos sintéticos podem diminuir o tônus 
e a motilidade quando administrados 
nas doses máximas toleradas e po-
de-se esperar que sejam eficazes nas 
condições que envolvem simplesmente 
a contração excessiva da musculatura 
lisa, o que geralmente é questionável. 
Os antagonistas seletivos dos recepto-
res M3 poderiam assegurar maior sele-
tividade, mas é improvável que seriam 
melhor tolerados pois esses receptores 
também exercem papel importante no 
controle de salivação, secreção e con-
tração brônquica e motilidade vesical. 
O glicopirrolato, um antagonista musca-
rínico estruturalmente não relacionado 
25ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
com os alcaloides da beladona, também 
é usado para diminuir o tônus e a motili-
dade GI, sendo uma amina quaternária, 
é menos propenso a causar efeitos ad-
versos no SNC do que a atropina, esco-
polamina e outras aminas terciárias. Os 
fármacos alternativos disponíveis para o 
tratamento da motilidade GI aumenta-
da e dos sintomas associados. A diar-
reia associada a irritação do intesti-
no distal (por exemplo, diverticulite e 
disenterias brandas) pode responder 
aos fármacos do tipo da atropina, 
um efeito que provavelmente envol-
ve ações no transporte de água, bem 
como na motilidade. Contudo, os dis-
túrbios mais graves como disenteria por 
Salmonella, colite ulcerativa e doença 
de Crohn respondem pouco ou nada 
aos antagonistas muscarínicos. Os al-
caloides da beladona e seus substitu-
tos sintéticos são muito eficazes para 
reduzir a salivação excessiva, como 
a induzida por fármacos e aquela 
associada à intoxicação por metais 
pesados e à doença de Parkinson. 
O cloridrato de diciclomina é um anta-
gonista muscarínico fraco que também 
tem efeitos espasmolíticos diretos não 
específicos nos músculos lisos do trato 
GI. É usado, ocasionalmente para tra-
tar a síndrome do intestino irritável com 
predomínio de diarreia. 
Olhos
Efeitos restritos aos olhos podem ser 
obtidos pela administração tópi-
ca dos antagonistas dos receptores 
muscarínicos para produzir midríase 
e cicloplegia. Esse último efeito não 
pode ser obtido sem midríase e re-
quer concentrações mais altas ou a 
aplicação mais prolongada de deter-
minado fármaco. 
A midríase geralmente é necessá-
ria durante todo o exame da retina 
e do disco óptico e nos tratamentos 
da iridociclite e ceratite. Os midriáti-
cos com beladona podem ser alter-
nados com agentes mióticos para 
romper ou evitar a formação de 
aderências entre a íris e o cristalino. 
A cicloplegia total pode ser necessá-
ria ao tratamento da iridociclite e co-
roidite e à avaliação precisa dos erros 
de refração. O brometo de homatro-
pina, um derivado semissintético da 
atropina, o cloridrato de ciclopento-
lato e a tropicamida são fármacos 
usados na prática oftalmológica. 
Eles são preferidos à atropina ou 
escopolamina tópica devido a du-
ração mais curta da sua ação. 
Sistema cardiovascular:
Os efeitos cardiovasculares dos anta-
gonistas dos receptores muscarínicos 
têm limitada utilidade clínica. Em 
geral, eles são utilizados somente 
nas unidades de cuidados corona-
rianos em intervenções a curto pra-
zo ou em procedimentos cirúrgicos. 
A atropina pode ser considerada para 
o tratamento inicial dos pacientes com 
infarto agudo do miocárdio, nos quais 
26ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
o tônus vagal excessivo estiver cau-
sando bradicardia sinusal ou bloqueio 
AV. A bradicardia sinusal é a arritmia 
encontrada mais comumente no in-
farto agudo do miocárdio envolven-
do as paredes inferior ou posterior. 
A atropina pode evitar deterioração 
clínica adicional nos casos de hiper-
tonia vagal ou bloqueio AV, recu-
perando a frequência cardíaca a um 
nível suficiente para manter o estado 
hemodinâmico satisfatório e suprimir 
o bloqueio do nodo AV. 
A determinação das doses deve ser 
criteriosa, porque doses muito bai-
xas podem causar bradicardia pa-
radoxal, enquanto doses excessi-
vas causam taquicardia, que pode 
ampliar o infarto por aumentar as 
demandas de oxigênio. Em alguns 
casos, a atropina é útil para redu-
zir a bradicardia grave e evitar a 
síncope associada à hiperatividade 
do reflexo dos seios carotídeos. Ela 
produz poucos efeitos na maioria dos 
ritmos ventriculares. Em alguns pa-
cientes, a atropina pode suprimir as 
contrações ventriculares prematuras 
associadas a uma frequência atrial 
muito lenta. Além disso, ela pode re-
duzir o grau do bloqueio AV, quando 
a hipertonia vagal for um fator impor-
tante ao distúrbio da condução, como 
ocorre no bloqueio AV do segundo 
grau que pode ser produzido pelos 
digitálicos. Antagonistas seletivos 
dos receptores M2 são de utilidade 
potencial no bloqueio da bradicar-
dia ou bloqueio AV mediados por 
ACh, contudo nenhum está disponí-
vel para uso clínico atualmente. 
Sistema nervoso central
Os alcaloides da beladona estavam 
entre os primeiros fármacos usados na 
profilaxia da cinetose. A escopolami-
na é o fármaco profilático mais efi-
caz para as exposições breves (4-6 
h) ao enjoo grave e, provavelmente, 
tambémpara as exposições que se 
estendem por até alguns dias. Todos 
os fármacos usados para controlar a 
cinetose devem ser administrados 
profilaticamente, porque são muito 
menos eficazes depois que o pacien-
te já tiver desenvolvido náuseas ou 
vômitos. Estudos demonstraram que 
uma preparação transdérmica da 
escopolamina é altamente eficaz 
quando usada antecipadamente para 
evitar cinetose. Ela está incorporada 
a uma unidade adesiva de camadas 
múltiplas, que é aplicada na região 
mastoidea retroauricular, área na qual 
a absorção transdérmica do fárma-
co é particularmente eficaz e resulta 
em uma entrega de cerca de 0,5 mg 
de escopolamina ao longo de 72 h. A 
xerostomia é comum, a sonolência 
ocorre com alguma frequência e o 
turvamento visual é referido por 
alguns pacientes. Midríase e ciclo-
plegia podem ocorrer com a transfe-
rência acidental do fármaco aos olhos 
pelos dedos usados para manusear o 
adesivo. Existem descrições de raros 
mas graves episódios de psicose. 
27ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
Como dito anteriormente, não é mais 
recomendado o uso da escopola-
mina para produzir tranquilidade 
e amnésia. Se for administrada iso-
ladamente aos pacientes com dor 
ou ansiedade grave, a escopolami-
na pode induzir surtos de compor-
tamento descontrolado. Por vários 
anos os alcaloides da beladona e na 
sequência os substitutos sintéticos 
foram os únicos fármacos úteis no 
tratamento da doença de Parkinson. 
Atualmente, o levodopa associa-
do a carbidopa e agonistas do re-
ceptor agonista dos receptores de 
dopamina são os tratamentos mais 
importantes, mas tratamentos al-
ternativos ou concorrentes com 
antagonistas muscarínicos podem 
ser necessários em alguns pacien-
tes. Os antagonistas muscarínicos de 
ação central são eficazes na preven-
ção dos efeitos adversos extrapirami-
dais como distonias ou sintomas de 
parkinsonismo em pacientes tratados 
com fármacos antipsicóticos. 
Os antagonistas muscarínicos usados 
contra a doença de Parkinson e sinais 
extrapiramidais induzidos por fárma-
cos incluem o mesilato de benztro-
pina, o cloridrato de triexifenidila e 
o biperideno. Os três são aminas ter-
ciárias de fácil acesso ao SNC. As evi-
dências correntes, baseadas em es-
tudos usando camundongos nocaute 
de receptores muscarínicos, fármacos 
seletivos para subgrupos e ensaios 
clínicos em estágios iniciais sugerem 
que o bloqueio seletivo de um subtipo 
de receptor muscarínico específico no 
SNC pode ter aplicações terapêuticas 
importantes. Por exemplo, antagonis-
tas muscarínicos seletivos para M1 e 
M4 podem ser eficazes no tratamen-
to da doença de Parkinson com me-
nos efeitos adversos do que os anta-
gonistas muscarínicos não seletivos, 
enquanto os antagonistas seletivos 
de M3 podem ser úteis no tratamento 
da obesidade e anormalidades meta-
bólicas associadas.
Usos em anestesia
O uso de anestésicos que são relati-
vamente não irritantes para brônquios 
praticamente eliminou a necessidade 
do uso profilático dos antagonistas 
dos receptores muscarínicos. A atro-
pina é utilizada comumente para 
bloquear as respostas aos reflexos 
vagais induzidos pela manipulação 
cirúrgica dos órgãos viscerais. A 
atropina ou o glicopirrolato é usa-
do com neostigmina para bloquear os 
efeitos parassimpáticos quando este 
último for administrado para reverter 
o relaxamento da musculatura es-
quelética no pós-operatório. Alguns 
pacientes desenvolvem arritmias 
cardíacas graves, talvez decorrentes 
de bradicardia inicial produzida pela 
atropina combinada com os efeitos 
colinomiméticos da neostigmina. 
28ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
BLOQUEADORES 
MUSCARÍNICOS
APLICAÇÕES 
TERAPÊUTICAS
OU
PRÁTICAS 
OFTAMOLÓGICAS
Brometo de homatropina, o cloridrato 
de ciclopentolato e a tropicamida 
PARKINSON
CINETOSE
Uso alternativo ou 
concomitante não comum
Preparação transdérmica da 
escopolamina como profilaxia
Mesilato de benztropina, cloridrato 
de triexifenidila e biperideno
DIVERTICULITE E 
DISENTERIAS BRANDAS
ÚLCERA PÉPTICA
Atropina
Pirenzepina
100-150 mg/dia
Muitos efeitos adversos
HIPERATIVIDADE 
VESICAL
Oxibutinina, tolterodina, 
cloreto de tróspio, 
darifenacina, solifenacina 
e fesoterodina
ANESTESIA
Atropina ou 
glicopirrolato
RINORREIA
DPOC
Ipratrópio
Tiotrópio - 1 vez ao dia por meio de 
inalador de pó seco
Ipratrópio - 4 vezes/dia via um 
inalado ou nebulizador de dosagem 
graduada
CUIDADOS CORONARIANOS EM 
INTERVENÇÕES A CURTO PRAZO OU 
EM PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS
Atropina
Bloquear as respostas 
aos reflexos vagais e 
bloquear 
os efeitos parassimpáticos 
no pós operatório
MAPA MENTAL: APLICAÇÕES TERAPÊUTICAS DOS BLOQUEADORES MUSCARÍNICOS
29ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
ORIGEM NATURAL
BLOQUEADORES 
MUSCARÍNICOS
Usada como adjuvante em 
anestesia; na intoxicação 
por anticolinesterásicos; 
na bradicardia; como 
antiespasmódico e no 
excesso de salivação. 
Usado na cinetose, 
náusea e vômitos.
Utilizado na doença 
ulcerosa péptica e também 
na bradicardia induzida 
cirurgicamente ou pelo 
nervo vago
Utilizados na asma 
e na doença pulmonar 
obstrutiva crônica
Usada na bexiga 
hiper-reflexa, hiperativa e 
incontinência urinária
Utilizados como 
agentes midriáticos 
ATROPINA
ESCOPOLAMINA
PIRENZEPINA
IPATRÓPIO/ TIOTRÓPIO
OXIBUTINA/TOLTERODINA 
CICLOPENTOLATO/ 
TROPICAMIDA
SINTÉTICOS
MAPA MENTAL: APLICAÇÃO CLÍNICA DOS FÁRMACOS ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS
30ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
7. INTOXICAÇÃO 
COLINÉRGICA 
O uso de inseticidas organofosfo-
rados e a ingestão de determinados 
cogumelos (que encerram musca-
rina) podem ocasionar a intoxicação 
colinérgica pelo excesso de ativida-
de da acetilcolina. Os inseticidas que 
são anticolinesterásicos produzem 
sintomas e sinais em decorrência da 
ativação dos receptores muscarínicos 
e nicotínicos, como, por exemplo, náu-
seas, vômitos, sudorese, salivação, 
lacrimejamento, dispneia, defecação 
e micção involuntárias, palpitações, 
bradicardia, vasodilatação, hipoten-
são, bloqueio cardíaco transitório, 
sensação de asfixia iminente, edema 
agudo do pulmão. É uma síndrome 
que pode levar à morte e representa 
uma emergência médica. 
A fim de combater os efeitos mus-
carínicos, usa-se a atropina com a 
qual se tratam os efeitos sobre o 
sistema nervoso central e periféri-
co dos inseticidas fosforados. Esse 
tipo de intoxicação pode ocorrer nas 
fábricas de produção e embalagem 
dos inseticidas e na sua aplicação na 
agricultura. As pessoas que manipu-
lam esse tipo de inseticida devem ser 
devidamente instruídas quanto ao 
perigo de seu trabalho. O paration, 
quando é o responsável pela intoxica-
ção, exige grandes doses de atropina: 
1 a 2 mg de sulfato de atropina, por 
via intravenosa, de 5 em 5 ou 15 em 
15 minutos, até que se combatam os 
efeitos muscarínicos da intoxicação. 
Os efeitos agudos dos anticolineste-
rásicos podem durar 24 a 48 horas. 
Existe um outro grupo de fármacos 
que pode ser usado no tratamento 
da intoxicação colinérgica e que tem 
como objetivo a regeneração da ace-
tilcolinesterase destruída pelos anti-
colinesterásicos. Trata-se do grupo 
das oximas, que incluem a pralidoxi-
ma, a diacetilmonoxima e a obido-
xima. O grupamento oxima ( = NOH) 
desses compostos possui grande afi-
nidade pelo fósforo e, desse modo, as 
oximas podem hidrolisar o comple-
xo formado pelo anticolinesterá-
sico e a enzima, contanto que esse 
complexo não tenha envelhecido, isto 
é, que não tenha ocorrido a quebra 
de uma das ligações entre o oxigênio 
e o fósforo, o que proporciona maior 
energia da ligação enzima-fósforo. 
Quando se aplica a pralidoxima an-
tes do envelhecimento da enzima, 
essa oxima é capaz de regenerar a 
acetilcolinesterase devido à sua in-
tensa propriedade nucleofílica. De-
pois do envelhecimento, o complexo 
enzima-anticolinesterásico não pode 
ser decomposto pelas oximas. A pra-
lidoxima regenera especialmente a 
colinesterase da placa mioneural. 
Por ser carregada positivamente, apralidoxima não consegue atraves-
sar a barreira hematoencefálica, não 
sendo capaz de converter os efeitos 
da intoxicação ao nível do sistema 
31ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
nervoso central. A diacetilmonoxima 
é uma oxima que atravessa a bar-
reira hematoencefálica, sendo capaz 
de regenerar parte da colinesterase 
central, em animais experimentais. 
A pralidoxima é administrada por 
via intravenosa, na dose de 1 a 2 
mg durante 15 a 30 minutos. A su-
perdosagem da pralidoxima provoca 
fraqueza muscular e outros efeitos 
colaterais.
EFEITOS 
ADVERSOS
Boca seca
Taquicardia
Midríase
Glaucoma
Agitação
Hiperplasia prostática benígna
Efeitos muscarínicos 
em outros sistemas
Intoxicação
Contraindicações relativas
MAPA MENTAL: EFEITOS ADVERSOS DOS BLOQUEADORES MUSCARÍNICOS
8. BLOQUEADORES 
GANGLIONARES
Os bloqueadores ganglionares são 
drogas cuja ação principal é interrom-
per a transmissão neural nos re-
ceptores nicotínicos dos neurônios 
autonômicos pós-ganglionares. 
Essas drogas podem, ainda, bloque-
ar diretamente o canal de acetilcolina 
nicotínico da mesma maneira que os 
bloqueadores nicotínicos neuromus-
culares. Como sua ação é ampla 
(incluindo o bloqueio dos sistemas 
simpático e parassimpático), seu 
uso terapêutico foi muito superado 
por drogas mais específicas. 
Os efeitos clínicos serão a diminuição 
da secreção e motilidade gastrointes-
tinal e predomínio do tônus simpático 
no sistema cardiovascular (ocasio-
nando vasodilatação arteriolar e ve-
nosa, hipotensão postural, taquicar-
dia e diminuição da contratilidade). A 
mecamilamina, no SNC, pode causar 
32ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
sedação, tremores, alterações men-
tais e de movimento.
Eles ainda podem ser usados para 
controlar a pressão sanguínea em 
pacientes com aneurisma aórti-
co dissecante agudo, e para induzir 
hipotensão durante uma cirurgia. 
Apenas uma droga desta classe, o 
trimetafano, ainda é usada no trata-
mento da hipertensão, em função dos 
efeitos tóxicos intoleráveis relaciona-
dos à sua ação primária.
33ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
Bloqueio do 
aumento de IP3
Bloqueio da 
inibição da 
adenilil ciclase
Bloqueador 
não seletivo Cardiovasculares Vasos sanguíneos Respiratórios Grastrointestinais
M1, M3, M5 M2, M4 Atropina
Atua mais em 
glândulas salivares, 
sudoríparas e 
brônquicas
Efeitos
Taquicardia
Bradicardia 
em doses baixas
Risco em pacientes com 
flutter e fibrilação atrial
Vasoconstrição Broncodilatação
Diminuição das 
secreções
Diminuição da 
motilidade
Diminuição da 
secreção salivar
ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS
BLOQUEADORES MUSCARÍNICOS
Geniturinários SNC Oftalmológicos Glândulas sudoríparas
D. De Parkinson
Bloqueiam receptores 
nicotínicos
Lentificação 
da micição
Risco de 
retenção urinária 
em Hiperplasia 
prostática benigna
Atropina tem 
pouco efeito
Escopolamina 
causa amnésia a 
agitação e coma
Midríase
Ciclopegia
Diminuição da 
secreção lacrimal
Diminuição da 
sudorese
Cinetose
Midríase
Pré-operatório 
com anestésicos 
irritantes
DPOC
Diarreia Urgência 
urinária
Bloqueio simpático e 
parassimpático
Uso cínico
BLOQUEADORES GANGLIONARES
IAM
Úlcera péptica Bexiga 
hiperativa
MAPA RESUMO DOS ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS
34ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)
REFERÊNCIAS 
BIBLIOGRÁFICAS
GOODMAN, Louis Sanford. “As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gil-
man.” Organizadores: BRUNTON, LL (2012): 335-415.
SILVA, Penildon. “Farmacologia: Penildon Silva.” (2013).
Surawicz B, Knilans T. Chou’s electrocardiography in clinical practice. 7th ed. Philadelphia: 
Saunders Elservier; 2008.
Rang, Rang, et al. Rang & Dale Farmacologia. Elsevier Brasil, 2015.
35ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS (FARMACOLOGIA)