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DD099 - LEGISLAÇÃO NACIONAL E INTERNACIONAL SOBRE MEDIAÇÃO E OUTROS PROCEDIMENTOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS ATIVIDADE PRÁTICA Programa de estudos: MESTRADO EM RESOLUÇÃO DE CONFLITOS E MEDIAÇÃO Nome e sobrenome: DINOMAR DA SILVA CRUZ MOTA DISCIPLINA: DD099 - LEGISLAÇÃO NACIONAL E INTERNACIONAL SOBRE MEDIAÇÃO E OUTROS PROCEDIMENTOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS ATIVIDADE PRÁTICA Data: 05.12.2022 Caso prático Atividade 1. Monte um quadro comparativo dos ADR e explique por qual razão a mediação seria a melhor opção para este casal: Mediação A mediação é uma prática exercida fora do âmbito e do controle do poder judiciário, não é complexa e burocrática como o processo judicial, apesar de haver um procedimento pré-fixado. Há sempre três etapas fundamentais: premeditação, negociação mediada e estabelecimento do acordo, mediação é um processo mais cooperativo e é uma opção favorável em conflitos, ela pode aliviar as tensões, oferecer uma oportunidade para o casal debater, desabafar sua raiva ou explicar sua posição a buscar consertar as relações familiares ou conjugal, ainda pode ajudar o casal a encontrar soluções criativas e positivas para resolver seus conflitos. Mediação/ Arbitragem A arbitragem é caracterizada pela liberdade de escolha das partes e a autonomia da vontade, oferece flexibilidade em poder escolher seu próprio árbitro. O conflito é tratado na medida do que for levado pelas partes ao conhecimento do órgão arbitral, e no fim do procedimento arbitral sempre haverá uma sentença arbitral decidindo o conflito, ou seja, assim como na jurisdição estatal, as partes formulam os pedidos e adotam previamente uma posição específica. Mediação/ Conciliação No que tange a conciliação, ela pode oferece uma oportunidade para o casal entrarem em acordo, mesmo que a conciliação seja tentada já no curso do processo, assim as partes que já fizeram os seus pedidos, poderá transigir no intuito de obter um acordo que beneficie ambos na medida do possível. A conciliação é exercida no âmbito e sob o controle do poder judiciário, e pode ocorrer antes ou durante a demanda judicial e segue o procedimento estabelecido na Lei 9.099 e no CPC. A conciliação é mais indicada em casos de conflitos objetivos, onde há uma controvérsia pontual entre as partes e, sua utilização é indicada quando o conflito advém de uma situação circunstancial e não há necessidade de preservação do relacionamento entre as partes, é muito utilizada para dirimir conflitos oriundos de relações de consumo. Mediação/ Contrato de Transação O contrato de transação, é um contrato bilateral, que mediante concessões recíprocas do casal põe fim a uma controvérsia, além disso, é um contrato consensual e comutativo, ou seja, depende da vontade das partes e as prestações recíprocas (o que cada parte cede à outra) são equivalentes. Seu objeto de transação só podem ser os direitos patrimoniais de caráter privado conforme previsão legal e, portanto, não é possível dispor de direitos personalíssimos ou de caráter público. A família contemporânea é considerada a base da sociedade ao longo da história, mas atualmente vem passando por constantes transformações que ensejam novos e complexos arranjos, o qual alguns conflitos se apresentam no seio dos familiares, em sua maioria transformados em litígios processuais, ou seja, ficando ao encargo da decisão do Estado-juiz, já assoberbado de infindáveis processos. No entanto, a mediação vem surgindo efeito significativo por ser o método mais adequado em resoluções de conflitos em relações preexistentes e importantes. No caso descrito, a mediação seria a melhor opção, pois o casal podem buscar a solucionar a melhor solução para resolver seus interesses de forma eficaz, pois este método prioriza e favorece o diálogo, a boa comunicação, o trabalho em conjunto e a cooperação de ambas as partes, em busca de uma solução construída e decidida pelas mesmas, de acordo com suas realidades, interesses e necessidades, e gerando um resultado além de um acordo satisfatório para a família e pacificação social, evitando futuros conflitos. Para DINIZ (2012) em Curso de direito Civil Brasileiro: Direito de Família: “Os conflitos familiares decorrem de uma inadequada comunicação, por isso a mediação familiar tem por escopo primordial estabelecer uma comunicação, conducente ao conhecimento do outro e à intercompreensão, partindo de explicações, buscando informações se permitindo a intersubjetividade entre os mediados para que cada um possa entender o que o outro diz ou quer”. Segundo TARTUCE (2016) a mediação aplica -se às situações em que se evidenciam crônicos e determinantes componentes emocionais do conflito e existe a intenção, a conveniência ou a necessidade de se dar continuidade ao relacionamento entre os envolvidos. 2. Explique por qual razão os grupos feministas no EUA oficialmente se opuseram a mediação. Os grupos feministas no EUA se opuseram a mediação na época, argumentando que a mulher é a parte mais fraca em um conflito matrimonial, expondo que este método não oferecia as suficientes garantias de equilíbrio e igualdade a ela. Nesse sentido, assinala Suares (1996) que entre as investigações importantes sustenta que as mulheres alcançam piores acordos quando concorrem ao sistema de mediação do que quando solucionam seus conflitos no sistema judicial formal. A resolução 1325 buscou uma maior participação e envolvimento das mulheres na Manutenção, promoção pela paz e segurança, e reafirma a necessidade da implementação de leis para proteger seus direitos contra abusos e qualquer outro tipo de violência baseada em gênero, em busca de promover a justiça e enfrentar a discriminação contra as mulheres. Essa resolução foi importante em diversos níveis, inclusive por ser a primeira vez que o Conselho de Segurança da ONU voltou suas atenções inteiramente para o assunto das mulheres em conflitos, ou seja, reconheceu a existência de discriminação, fazendo-se assim necessário a adoção de legislações e políticas específicas para tratar desses problemas e aumentar a participação das mulheres em processos de paz. A função exercida pelas mulheres nos processos de paz possui grande importância, e vem de longa data, mas, no entanto, deve-se analisar de que forma esta participação acontece e como ela se dá ao longo de todo o processo de mediação e de busca pela paz em conflitos. A participação das mulheres nos processos de mediação ocorre em grande maioria de maneira informal, assim, elas se envolvem sem quaisquer seguranças, com o objetivo de impedir o início de uma guerra ou trabalhar nas consequências que venha causar. 3. Leia e analise a seguinte tabela comparativa e escreva as diferenças e semelhanças existentes nas leis de mediação dos seguintes países; PAIS LEIS DIFERENÇAS SEMELHANÇAS Equador A Lei de Arbitragem e Mediação, RO/145, em seu art. 43 define como: “... um procedimento de solução de controvérsias pela qual as partes, assistidas por um terceiro neutro chamado mediador, buscam um acordo voluntario, para tratar de assuntos que possam ser transgredidos, de natureza extrajudicial e definitiva, que ponham fim ao conflito”. Lei Infra constitucional específica. Confere à mediação com o conceito de procedimento de solução de controvérsia de natureza extra judicial Indica a mediação como um processo de solução assistida por um terceiro neutro com a finalidade de reestabelecer a relação e facilitar a comunicação entre as partes na busca de um acordo satisfatório. California O art. VI de sua constituição estabelece a situação pacifica de conflitos como uma função essencial do poder judiciário, e que a mediação está comtemplada no Código do Processo Civil, no de Evidência e Civil, como um processo informal em que uma pessoa natural, e sem poder de decisão, facilita a comunicação entre as partes, ajudando-as a encontrar acordos mutuamente aceitáveis que atendem seus interesses. Artigo da Constituição Estadual e confere um caráter de funçãoessencial do poder judiciário, ou seja, tratando a mediação como um processo informal. Indica a mediação como um processo de solução assistida por um terceiro neutro com a finalidade de reestabelecer a relação e facilitar a comunicação entre as partes na busca de um acordo satisfatório. Catalunha Lei 9/1988 (15 de julho de 1988) do Código da Família Catalunha: Art. 79.2: A autoridade judiciária poderá encaminhar as partes a uma pessoa ou entidade mediadora com o objetivo de tentar resolver as divergências e apresentar proposta de acordo regulatório. Lei Infraconstitucional Generalista- código de Família, onde a autoridade judicial que encaminha as partes ao mediador ou entidade mediadora. Indica a mediação como um processo de solução assistida por um terceiro neutro com finalidade de reestabelecer uma relação que facilitará a comunicação entre as partes em busca de um acordo satisfatório. 4. Explique com suas próprias palavras o conceito de mediação familiar oferecido por R (98). O conceito de mediação familiar oferecido pela R (98), 1 é amplo, é um processo de mediação no qual um terceiro, o mediador é uma pessoa imparcial e neutra, oferece assistência as partes em negociar suas questões de conflitos que são objetos de litígio, buscando a obtenção de acordos em comuns. Esse mediador pode utilizar técnicas alternativas e complementares de resoluções de conflitos peculiares a essas questões familiares, perseguindo a superação consensual destes conflitos pelas próprias partes envolvidas. A mediação deve ser conduzida por um profissional qualificado, e assim permitir que os conflitantes tomem decisões por si mesmos e encontrem soluções duradouras e mutuamente aceitáveis. Nas palavras de Haim Gruspun: “A mediação familiar pode ser procurada quando se inicia uma crise na família e atuar de forma preventiva, quando mais protege os filhos. Pode ser procurada após a sentença do juiz no tribunal e fazer a mediação para resolução dos problemas entre os pais sobre esses filhos. Poderá ser procurada por indicação do juiz, antes de exarar a sentença para cursos, orientação ou mediação.” 5. Segundo a figura do mediador, o que define em grande medida a própria figura da mediação, que tem reconhecida no R (98) 1 outras funções. Aponte-as. · Velar pelos interesses dos menores no processo. · Identificar casos de violência e avaliar se a mediação é viável ou não. · Informar as partes da possibilidade que elas têm de recorrer a qualquer tipo de ajuda buscando resolverem seus problemas conjugais e familiares, ou de consultar um advogado ou qualquer outro profissional que considerem necessário (por exemplo um assessor fiscal), já que o mediador não é um assessor jurídico. 6. A mediação como uma conveniência para os acordos e interesses da família, ate onde pode ser estendido? COSTA (2013) sobre este entendimento disserta em seu trabalho acadêmico: “Mediação Familiar” pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra: “O mediador desempenha uma função crucial devendo evitar, embora sem propor ou assumir uma posição de assessor jurídico, a adoção deste tipo de acordos contrários à ordem pública e bons costumes, evitando igualmente e a utilização da Mediação Familiar para afastar critérios legais.” Em relação aos critérios legais presente no caso prático, os casos de processos de divórcio são de extrema importância da uma atenção especial na adaptação dos menores a realidade vivenciada e, não deixando que ambos os progenitores continuam a ter responsabilidades educativas, afetivas e econômicas com seus filhos. ROSA (2017) em “Mediação Familiar: Divórcio com responsabilidades parentais a filho menor” aborda sobre este ponto: “Na situação de existirem menores no centro do conflito das partes, o mediador ao empregar seus ensinamentos, tem sempre como principal preocupação, o interesse do menor em causa bem como o seu bem-estar, para que sofra o menos possível com o conflito existente entre os pais.” Enfim, a mediação não pode ser utilizada em conflitos onde exista violência doméstica, maus-tratos infantis ou maus-tratos de idosos, consumo de drogas, doenças de foro psicológico ou mental, em conflitos que entre os genitores não tenham uma relação de igualdade e respeito mútuo. No entanto, verifica-se em muitas relações que uma das partes se encontra em posição inferior e até mesmo de submissão em relação à outra, o qual gera a não observância absoluta dos princípios da mediação, principalmente o da autonomia e voluntariedade dos envolvidos, uma vez que uma das partes afetadas não consegue exprimir sua real vontade, interesse ou necessidade naquele momento perante o processo. 7. Argumente os princípios da mediação na tabela a seguir com seu material de estudo e informações adicionais que você investigar: Os princípios da mediação. Voluntariedade As partes gozam de inteira liberdade para iniciar o procedimento de mediação familiar, para desistir dele em qualquer momento do mesmo sem necessidade de alegar causa alguma e para alcançar os acordos que estimem mais convenientes a seus interesses, com respeito, nesse ultimo caso, as normas de caráter imperativo estabelecidas na legislação vigente. Imparcialidade O Mediador não pode estar envolvido com o problema apresentado pelas partes, muito menos ter relacionamento com um dos envolvidos ou ter interesse na causa, os envolvidos devem ser tratados com igualdade, sem privilégios ou julgamentos. Neutralidade O mediador atuante, que não poderá adotar decisões alinhando-se de forma interessada com parte alguma, influi-las ou dirigi-las a consecução de soluções conforme seu critério pessoal ou impor soluções. Confidencialidade O processo de mediação deve ser confidencial, ou seja, é proibida a divulgação pelas partes e pelo mediador, e todos os envolvidos devem agir com lealdade e boa-fé, não sendo admitido conduta que venha a prejudicar um dos envolvidos. A mediação é um meio consensual que envolve a participação voluntária dos participantes na conversa, sendo essencial que haja disposição e boa-fé para que possam se comunicar e buscar soluções. REFERENCIAS: Apostila FUNIBER, Módulo Legislação nacional e internacional sobre mediação e outros procedimentos de resolução de conflitos. BARBOSA, Águida Arruda. Direito de Família e Ciências Humanas. In: NAZARETH, Eliana Riberti (coordenadora) Instituto de estudos interdisciplinares de Direito de Família. Caderno de estudos n.º 01. São Paulo: Jurídica Brasileira, 1998; Costa, Andreia Filipa Espinho (2013). Mediação Familiar. Dissertação da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. Direito de família. 18. Ed. Aum. E atual. De acordo com o novo código civil (Lei n. 10.406, de 10-01-2002). SãoPaulo: Saraiva, 2002. FACHIN, Luis Edson. Direito de família: elementos críticos à luz do novo código civil brasileiro. 2. Ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2003. GRUNSPUN, Haim. Mediação Familiar: o mediador e a separação de casais com filhos. 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