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TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Poética De manhã escureço De dia tardo De tarde anoiteço De noite ardo. A oeste a morte Contra quem vivo Do sul cativo A oeste é meu norte. Quero que contem Passo por passo Eu morro ontem Nasço amanhã Ando onde há espaço: - Meu tempo é quando. (Vinícius de Moraes) 1. (Unirio) A característica que o texto NÃO apresenta é: a) espacialidade. b) atemporalidade. c) musicalidade. d) versos brancos. e) valorização do inconsciente. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Texto I Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o segurava era a família. Vivia preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço. Deveria continuar a arrastá-los? Sinha Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo. Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 23ª ed., 1969, p. 75. Texto II Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro, enigmático, impermeável. Não há solução fácil para uma tentativa de incorporação dessa figura no campo da ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma constituição de narrador em que narrador e criaturas se tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o debate acontece porque, para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que "Vidas Secas" faz é, com pretenso não envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam plenamente capazes. Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes. In: Teresa. São Paulo: USP, nº 2, 2001, p. 254. 2. (Enem) No texto II, verifica-se que o autor utiliza a) linguagem predominantemente formal, para problematizar, na composição de "Vidas Secas", a relação entre o escritor e o personagem popular. b) linguagem inovadora, visto que, sem abandonar a linguagem formal, dirige-se diretamente ao leitor. c) linguagem coloquial, para narrar coerentemente uma história que apresenta o roceiro pobre de forma pitoresca. d) linguagem formal com recursos retóricos próprios do texto literário em prosa, para analisar determinado momento da literatura brasileira. e) linguagem regionalista, para transmitir informações sobre literatura, valendo-se de coloquialismo, para facilitar o entendimento do texto. 3. (Enem) A partir do trecho de "Vidas Secas" (texto I) e das informações do texto II, relativas às concepções artísticas do romance social de 1930, avalie as seguintes afirmativas. I. O pobre, antes tratado de forma exótica e folclórica pelo regionalismo pitoresco, transforma-se em protagonista privilegiado do romance social de 30. II. A incorporação do pobre e de outros marginalizados indica a tendência da ficção brasileira da década de 30 de tentar superar a grande distância entre o intelectual e as camadas populares. III. Graciliano Ramos e os demais autores da década de 30 conseguiram, com suas obras, modificar a posição social do sertanejo na realidade nacional. É correto apenas o que se afirma em a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A flor e a náusea Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me? Olhos sujos no relógio da torre: Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse. Em vão me tento explicar, os muros são surdos. Sob a pele das palavras há cifras e códigos. O sol consola os doentes e não os renova. As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase. Vomitar esse tédio sobre a cidade. Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado. Nenhuma carta escrita nem recebida. Todos os homens voltam para casa. Estão menos livres mas levam jornais e soletram o mundo, sabendo que o perdem. [...] Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros. É feia. Mas é realmente uma flor. Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura. Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se. Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. 4. (Pucrs) No poema, a flor nascida no asfalto ( ) simboliza a resistência à coisificação do homem nas grandes cidades, regidas pelo ritmo dos “negócios”. ( ) irrompe com uma força inusitada, substituindo o tédio e a náusea pela esperança. ( ) não consegue reverter o sentimento de tédio e de ódio que toma conta do eu lírico do poema. ( ) é apenas uma imagem para ressaltar que nada pode modificar o cenário desumano da cidade. ( ) passa despercebida de muitos na rotina da cidade, embora o inusitado do seu nascimento. O preenchimento correto dos parênteses, de cima para baixo, é: a) V – F – V – V – F b) F – F – V – V – V c) V – F – V – F – F d) V – V – F – F – V e) V – F – F – V – V TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir. Brasil O Zé Pereira chegou de caravela E preguntou pro guarani da mata virgem — Sois cristão? — Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte Teterê tetê Quizá Quizá Quecê! Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu! O negro zonzo saído da fornalha Tomou a palavra e respondeu — Sim pela graça de Deus Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum! E fizeram o Carnaval Oswald de Andrade, Poesias Reunidas. 5. (Fgvrj) Entre as estratégias expressivas de que se vale o poema, só NÃO se encontra a a) reprodução da variante oral-popular da linguagem. b) referência a verso célebre da literatura brasileira, extraído de I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias. c) estrutura semelhante à do “poema-piada”, praticado no Modernismo. d) utilização de versos brancos e de versos livres. e) citação de expressões do tupi-guarani, do nheengatu e da língua iorubá. 6. (Fgvrj) Considere as seguintes anotações referentes ao poema de Oswald de Andrade: I. Mistura de registros linguísticos, níveis de linguagem e pessoas verbais incompatíveis entre si. II. Paródia das narrativas que pretendem relatar a fundação do Brasil. III. Glosa humorística do tema habitual das “três raças formadoras” do povo brasileiro. Contribui para o caráter carnavalizante do poema o que se encontra em a) II e III, somente. b) II, somente. c) I, II e III. d) I e II, somente. e) I, somente. 7. (Unichristus - Medicina) Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem normalmente as coisas e, em consequência, fazem arte pura, guardando os eternos ritmos da vida e adotando, para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. A outra espécie é formada dos que interpretam à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência: são frutos de fim de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes brilham um instante, as mais das vezes com luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento. Embora eles se deem como novos, precursores duma arte a vir, nada é mais velha do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranoia e com a mistificação(...). LOBATO, Monteiro. In: BRITO, Mário da Silva. História do Modernismo Brasileiro: Antecedentes da Semana de Arte Moderna. Rio de Janeiro Civilização Brasileira, 1971 (adaptado). O texto apresenta críticas feitas por Monteiro Lobato à pintura moderna de Anita Malfatti que evidenciam um(a) a) atitude irracional, violenta e misógina. b) grande preocupação com o futuro da arte impressionista. c) postura conservadora em relação aos conceitos artísticos. d) total desconhecimento sobre o conceito do belo em arte. e) visão xenófoba ao rejeitar a arte acadêmica. Parte 2- 1. Analise o poema para responder aos itens abaixo. Poema tirado de uma noticia de jornal Manuel Bandeira João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p 136. Com base na análise do poema, a) transcreva dois versos cujo conteúdo indique ação. b) O poema contém, além de lirismo, elementos narrativos e descritivos. Transcreva um verso que apresente elementos descritivos. 2. Texto 1 Espalham-se, por fim, as sombras da noite. O sertanejo que de nada cuidou, que não ouviu as harmonias da tarde, nem reparou nos esplendores do céu, que não viu a tristeza a pairar sobre a terra, que de nada se arreceia, consubstanciado como está com a solidão, para, relanceia os olhos ao derredor de si e, se no lagar pressente alguma aguada, por má que seja, apeia-se, desencilha o cavalo e reunindo logo uns gravetos bem secos, tira fogo do isqueiro, mais por distração do que por necessidade. Sente-se deveras feliz. Nada lhe perturba a paz do espírito ou o bem-estar do corpo. Nem sequer monologa, como qualquer homem acostumado a conversar. Raros são os seus pensamentos: ou rememora as léguas que andou, ou computa as que tem que vencer para chegar ao término da viagem. No dia seguinte, quando aos clarões da aurora acorda toda aquela esplêndida natureza, recomeça ele a caminhar, como na véspera, como sempre. Nada lhe parece mudado no firmamento: as nuvens de si para si são as mesmas. Dá-lhe o Sol, quando muito, os pontos cardeais, e a terra só lhe prende a atenção, quando algum sinal mais particular pode servir-lhe de marco miliário na estrada que vai trilhando. TAUNAY, Visconde de. Inocência. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000002.pdf>. Acesso em: 20 set. 2012. Texto 2 Na planície avermelhada, os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. – Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo. A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos. – Anda, excomungado. O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde. RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. Rio de Janeiro: Record, 1986, pp. 9-10. Texto 3 Toda viagem é interior embora por fora se vista o carro ou o trem e se aprenda a nadar com o navio e a voar pelos ares, com as bombas e os aviões; toda viagem se faz por dentro como as estações se fabricam, invisíveis a partir do vento silenciosas como quando um pensamento muda de tempo e de marcha distraído de si, e entra em outro clima com a cabeça no ar: psiu, míssil, além do som e de qualquer mapa ou guia que desenrolo míope, sobre a estrada que passa sob meu pé-pneumático sob o célere céu azul do meu chapéu; toda viagem avança e se alimenta apenas de horizontes futuros, infinitos, vazios e nuvens: toda viagem é anterior. FREITAS FILHO, Armando. Longa vida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982, pp.115-116. a) Tomando como base a leitura comparativa dos textos 1, 2 e 3, determine o sentido da palavra “viagem” em cada um deles. b) Determine o gênero literário predominante no texto 3, justificando a sua resposta com aspectos que o caracterizam. 3. Leia o texto que segue, de Cecília Meireles. “Grande é a diferença entre o turista e o viajante. O primeiro é uma criatura feliz, que parte por este mundo com a sua máquina fotográfica a tiracolo, o guia no bolso, um sucinto vocabulário entre os dentes (...) O viajante é criatura menos feliz, de movimentos mais vagarosos, todo enredado em afetos, querendo morar em cada coisa, descer à origem de tudo, amar loucamente cada aspecto do caminho, desde as pedras mais toscas às mais sublimadas almas do passado, do presente e até do futuro – um futuro que ele nem conhecerá.” Sobre o turista e o viajante, é correto afirmar que a) o turista pertence à classe social superior à do viajante, motivo por que é mais feliz. b) o movimento do viajante e do turista é caracterizado pelo sentimento de intensa felicidade. c) a diferença entre o viajante e o turista está no envolvimento pessoal que cada um experimenta ao visitar os lugares desconhecidos. d) o viajante e o turista partem em busca de conhecimento acerca do passado, do presente e do futuro das cidades incluídas em seu roteiro. e) o viajante e o turista preocupam-se em carregar uma máquina fotográfica, um guia e um sucinto vocabulário. 4. Leia o trecho do conto As margens da alegria, de Guimarães Rosa. “ESTA É A ESTÓRIA. Ia um menino, com os Tios, passar dias no lugar onde se construía a grande cidade. Era uma viagem inventada no feliz; para ele, produzia-se em caso de sonho. Saíam ainda com o escuro, o ar fino de cheiros desconhecidos. A Mãe e o Pai vinham trazê-lo ao aeroporto. (...) O voo ia ser pouco mais de duas horas. O menino fremia no acorçoo, alegre de se rir para si, confortavelzinho, com um jeito de folha a cair. A vida podia às vezes raiar numa verdade extraordinária. Mesmo o afivelarem-lhe o cinto de segurança via forte afago, de proteção, e logo novo senso de esperança: ao não sabido, ao mais. Assim um crescer e desconter-se – certo como o ato de respirar – o de fugir para o espaço em branco. O Menino.” De acordo com o texto, afirma-se: I. O menino experimentava sensações até então inusitadas no enfrentamento do desconhecido, com sentimentos de entusiasmo e de descoberta. II. A viagem parecia encaminhar-se na direção do não sabido e da revelação de algo extraordinário. III. O viajante sentia medo e até dificuldade de respirar durante o percurso, e tinha vontade de fugir do seu destino. IV. A viagem de avião daria ao menino o acesso a uma cidade ainda sem história. A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: O bicho Manuel Bandeira Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entreos detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: 1993. p. 201-202. 5. Quanto aos aspectos semânticos, a leitura de ambos os poemas leva à a) reflexão. b) idealização. c) comicidade. d) objetividade. 6. Os poemas de Augusto de Campos e de Manuel Bandeira tematizam a) a miséria, que, muitas vezes, tem como contraponto a riqueza de muitos. b) a questão da fome e da violência que se verifica nos grandes centros urbanos. c) o descaso social com relação aos menores abandonados e às crianças de rua. d) o desemprego, que ocorre sempre quando a demanda é maior do que a oferta. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: A(s) questão(ões) a seguir toma(m) por base uma passagem da crônica O pai, hoje e amanhã, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). A civilização industrial, entidade abstrata, nem por isso menos poderosa, encomendou à ciência aplicada a execução de um projeto extremamente concreto: a fabricação do ser humano sem pais. A ciência aplicada faz o possível para aviar a encomenda a médio prazo. Já venceu a primeira etapa, com a inseminação artificial, que, de um lado, acelera a produtividade dos rebanhos (resultado econômico) e, de outro, anestesia o sentimento filial (resultado moral). O ser humano concebido por esse processo tanto pode considerar-se filho de dois pais como de nenhum. Em fase mais evoluída, o chamado bebê de proveta dispensará a incubação em ventre materno, desenvolvendo-se sob condições artificiais plenamente satisfatórias. Nenhum vínculo de memória, gratidão, amor, interesse, costume – direi mesmo: de ressentimento ou ódio – o ligará a qualquer pessoa responsável por seu aparecimento. O sêmen, anônimo, obtido por masturbação profissional e recolhido ao banco especializado, por sua vez cederá lugar ao gerador sintético, extraído de recursos da natureza vegetal e mineral. Estará abolida, assim, qualquer participação consciente do homem e da mulher no preparo e formação de uma unidade humana. Esta será produzida sob critérios políticos e econômicos tecnicamente estabelecidos, que excluem a inútil e mesmo perturbadora intromissão do casal. Pai? Mito do passado. Aparentemente, tal projeto parece coincidir com a tendência, acentuada nos últimos anos, de se contestar a figura tradicional do pai. Eliminando-se a presença incômoda, ter-se-ia realizado o ideal de inúmeros jovens que se revoltam contra ela – o pai de família e o pai social, o governo, a lei – e aspiram à vida isenta de compromissos com valores do passado. Julgo ilusória esta interpretação. O projeto tecnológico de eliminação do pai vai longe demais no caminho da quebra de padrões. A meu ver, a insubmissão dos filhos aos pais é fenômeno que envolve novo conceito de relações, e não ruptura de relações. (De notícias e não notícias faz-se a crônica, 1975.) 7. Com o termo unidade humana, empregado no penúltimo período do terceiro parágrafo, Drummond sugere que a) cada ser humano será como um produto industrial qualquer. b) cada indivíduo já nascerá como um democrata por natureza. c) não haverá diferença de sexo entre as pessoas. d) os homens se tornarão solidários e dotados de livre arbítrio. e) a população mundial agirá como se fosse um só ser. 8. De acordo com a crônica, o autor acredita que a inseminação artificial apresentará uma consequência no sistema de valores familiares: a) anestesia do sentimento filial. b) negação do poder de Deus. c) valorização da figura paterna. d) divinização da ciência. e) quebra das leis da natureza. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: PORTÃO O portão fica bocejando, aberto para os alunos retardatários. Não há pressa em viver nem nas ladeiras duras de subir, 1quanto mais para estudar a insípida cartilha. Mas se o pai do menino é da oposição, à 2ilustríssima autoridade municipal, prima por sua vez da 3sacratíssima autoridade nacional, 4ah, isso não: o vagabundo ficará mofando lá fora e leva no boletim uma galáxia de zeros. A gente aprende muito no portão fechado. ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Carlos Drummond de Andrade: Poesia e Prosa. Editora Nova Aguilar:1988. p. 506-507. 9. Os dois superlativos (ref. 2 e 3) emprestam ao poema um tom de a) ironia. b) seriedade. c) respeito. d) espiritualidade. 10. A tela de Tarsila do Amaral apresenta uma marcante característica do Modernismo. Assinale a alternativa que contém essa característica. a) Idealização da natureza, pois no quadro aparecem frutos tropicais. b) Equilíbrio e racionalismo, pois há na tela a predominância de cores neutras. c) Resgate da cultura popular brasileira, por se tratar de uma tela em que há elementos da fauna, da flora e do cotidiano do país. d) Objetividade e racionalismo, por trazer à tona o mar com todo o seu colorido. e) Religiosidade e cromatismo, principais características da primeira geração do Modernismo. 11. Evocação do Recife A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos É macaquear A sintaxe lusíada… BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007. Segundo o poema de Manuel Bandeira, as variações linguísticas originárias das classes populares devem ser a) satirizadas, pois as várias formas de se falar o português no Brasil ferem a língua portuguesa autêntica. b) questionadas, pois o povo brasileiro esquece a sintaxe da língua portuguesa. c) subestimadas, pois o português “gostoso” de Portugal deve ser a referência de correção linguística. d) reconhecidas, pois a formação cultural brasileira é garantida por meio da fala do povo. e) reelaboradas, pois o povo “macaqueia” a língua portuguesa original. 12. Leia o excerto do poema “Nosso tempo”, de Carlos Drummond de Andrade, publicado na obra A rosa do povo, em 1945. I Esse é tempo de partido, tempo de homens partidos. Em vão percorremos volumes, viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra. Visito os fatos, não te encontro. Onde te ocultas, precária síntese, penhor de meu sono, luz dormindo acesa na varanda? Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo sobe ao ombro para contar-me a cidade dos homens completos. Calo-me, espero, decifro. As coisas talvez melhorem. São tão fortes as coisas! Mas eu não sou as coisas e me revolto. Tenho palavras em mim buscando canal, são roucas e duras, irritadas, enérgicas, comprimidas há tanto tempo, perderam o sentido, apenas querem explodir. [...] Todas as afirmativas estão corretamente associadas ao poema e seu contexto, EXCETO a) É perceptível, a partir da análise das imagens do poema, a influência de um tempo de guerra. b) A forma fragmentada, com versos livres e esquema irregular de rimas, espelha imagens de um homem igualmente dilacerado, em crise. c) Ainda que viva em um mundo em crise, o eu lírico não se indaga sobre a sua condição neste mundo, o que confere a esse sujeito um caráter de alienação frente ao tempo no qual está inserido. d) O verso Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos traz uma ambiguidade marcante: ao mesmo tempo em que apresenta imagens que residem num plano concreto, do cotidiano, também aponta para o campo metafórico, da batalha. e) A necessidade do levante do eu lírico se materializa, na última estrofe, numa imagem bélica: a explosão. Página 11 de 11