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COMPLICAÇÕES NA EXTRAÇÃO Laceração do tecido mucoso: Isso geralmente resulta de um dimensionamento inadequado para descolamento, que é então forçosamente retraído para além da capacidade do tecido de se esticar da forma como o cirurgião tenta fazer para ganhar o acesso cirúrgico necessário. A prevenção dessa complicação é tripla: (1) a criação de tamanho adequado de descolamento do tecido para evitar excesso de tensão nele, (2) o uso de quantidade controlada de força para retração do retalho e (3) a criação de incisões de alívio, quando indicado. Feridas Puntiformes Instrumentos como a alavanca reta ou um descolador de periósteo podem deslizar do campo cirúrgico e perfurar ou lacerar o tecido mole adjacente. Mais uma vez, essa lesão é o resultado do uso da força descontrolada e é mais bem prevenida pela utilização de força controlada, com especial atenção ao uso de dedo de apoio ou suporte do lado oposto, antecipando o deslizamento. Instrumentos como a alavanca reta ou um descolador de periósteo podem deslizar do campo cirúrgico e perfurar ou lacerar o tecido mole adjacente. Abração ou Esgarçamento As abrasões ou esgarçamentos nos lábios, cantos da boca ou bordas normalmente resultam da fricção causada pela rotação da haste da broca no tecido mole, ou a partir do contato de um afastador de metal com tecidos moles Fratura da Raiz O problema mais comum associado ao dente a ser extraído é a fratura de suas raízes. Raízes longas, curvas ou divergentes que se encontram em osso denso são as mais propensas a fraturar. Deslocamento Radicular Se uma raiz fraturada de um molar superior está sendo removida por uma alavanca em que se está utilizando uma pressão excessiva em direção apical, ela pode ser deslocada para o seio maxilar. Se o fragmento da ponta da raiz do dente deslocado for pequeno (2 ou 3 mm), e tanto o dente quanto o seio não tiverem infecção preexistente, o cirurgião deve fazer uma breve tentativa de remoção da raiz. Em primeiro lugar, uma radiografia da raiz do dente fraturado deve ser realizada para documentar sua posição e tamanho. Dente Perdido na Faringe Ocasionalmente, a coroa de um dente ou o dente inteiro pode se perder dento da faringe. Se isso ocorrer, o paciente deve ser girado pelo cirurgião e colocado em uma posição em que a boca fique virada para o chão o máximo que conseguir. Deve ser encorajado a tossir e cuspir o dente no chão. O reflexo de aspiração pode por vezes ser usado para ajudar a remover o dente. Lesões ao dente adjacente As lesãos normalmente são causadas pelo uso de broca para remover o osso ou dividir as raízes para sua remoção. O cirurgião deve tomar cuidado para evitar chegar muito próximo ao dente adjacente quando estiver removendo cirurgicamente um elemento. Isso normalmente requer do cirurgião manter certo foco nas estruturas adjacentes do sítio da cirurgia. Fratura ou Deslocamento de uma Restauração Adjacente A lesão mais comum aos dentes adjacentes é a fratura inadvertida, ou o deslocamento da restauração, ou danos a um dente seriamente cariado enquanto o cirurgião-dentista está tentando luxar o dente para removê-lo. Luxação de um Dente Adjacente O uso inapropriado de instrumentos para extração pode luxar um dente adjacente. A luxação é prevenida por um uso criterioso de força nas alavancas e fórceps. Extração de um Dente Errado Uma complicação que todo cirurgião-dentista acredita que nunca ocorrerá, mas surpreendentemente acontece com certa frequência, é a extração de um dente errado. Esse problema pode ser resultado de atenção inadequada à avaliação no pré-operatório. Se o dente a ser extraído estiver seriamente cariado, é menos provável que o dente errado seja extraído. Uma razão comum para a remoção de um dente errado é quando um cirurgião-dentista remove o dente para outro cirurgião-dentista. 1. Focar a atenção no procedimento. 2. Checar com o paciente e o assistente que o dente correto será removido. 3. Checar, e rechecar, imagens e prontuários que confirmem o dente correto. Fratura do Processo Alveolar A extração do dente normalmente requer que o processo alveolar circundante seja expandido, permitindo que, com a expansão óssea, o dente seja removido. No entanto, em algumas situações, em vez de expandir o osso, ocorre um fratura do processo alveolar e sua remoção com o dente. A causa mais comum da fratura do processo alveolar é o uso de força excessiva com fórceps, o qual fratura a parede cortical. 1. Exame minucioso pré-operatória clínico e radiográfico. 2. Não utilizar força excessiva. 3. Usar técnicas cirúrgicas (p. ex., aberta) para reduzir a força requerida. Fratura da Tuberosidade Maxilar A tuberosidade maxilar é importante para deixar estável uma prótese total a ser confeccionada. Se grande porção dessa tuberosidade for removida junto com o dente maxilar, a estabilidade da prótese poderá ser comprometida. Uma abertura no seio maxilar pode também ser criada. As fraturas da tuberosidade maxilar resultam mais comumente de extração dos terceiros molares erupcionados ou dos segundos molares, se estes forem os últimos dentes do arco. O maior objetivo terapêutico para a conduta é manter o osso fraturado no local e providenciar o ambiente mais favorável para cicatrização. Lesão a Estruturas Nervosas Regionais O ramo do quinto nervo craniano, que promove a inervação da mucosa e da pele, são as estruturas neurais adjacentes que mais comumente sofrem lesões durante a extração; a mais frequente envolve um ramo específico: o nervo mentoniano, o nervo lingual, o nervo bucal e o nervo nasopalatino. Os nervos nasopalatinos e bucal são frequentemente seccionados durante a criação de um retalho para remoção de um dente impactado. cautela. Se o nervo mentoniano sofrer lesão, o paciente irá experimentar parestesia ou anestesia do lábio e mento. Se a lesão for resultado do rebaixamento do retalho ou manipulação, a sensação normal usualmente retorna em poucos dias a poucas semanas. Se o nervo mentoniano for seccionado na sua saída do forame mentoniano ou dilacerado ao longo de seu curso, é bem provável que sua função não retorne, e que o paciente fique num estado permanente de anestesia. 1. Estar atento à anatomia nervosa na área cirúrgica. 2. Evitar realizar incisões ou estiramento do periósteo da área inervada. O nervo lingual raramente se regenera se tiver sido seriamente traumatizado. Lesão à Articulação Temporomandibular A remoção dos terceiros molares mandibulares frequentemente requer utilização substancial de força. Se a mandíbula for inadequadamente suportada durante a extração para contrabalançar as forças, o paciente pode experimentar sensação dolorosa nessa região. Comunicações oroantrais A remoção dos molares superiores ocasionalmente resulta em comunicação entre a cavidade oral e o seio maxilar. Se o seio maxilar for amplamente pneumatizado, se houver pouco ou nenhum osso existente entre as raízes dos dentes e o seio maxilar, e se as raízes do dente forem amplamente divergentes, é comum que uma porção óssea do assoalho do seio seja removida com o dente ou uma comunicação seja criada mesmo que o osso não seja removido junto com o dente. As duas sequelas mais preocupantes são (1) sinusite pós-operatória e (2) formação de fístula crônica oroantral. A probabilidade de que esses dois problemas ocorram está relacionada com o tamanho da comunicação oroantral e a conduta após a exposição do seio. 1. Conduzir exame radiográfico pré-operatório meticuloso. 2. Realizar extrações brevemente e seccionar raízes. 3. Evitar pressão apical excessiva nos dentes maxilares posteriores. Sangramento pós-operatório 1. Obter histórico de sangramento. 2. Utilizar técnicas cirúrgicas atraumáticas. 3. Obter boa hemostasia durante a cirurgia. 4. Promover excelentes instruções para o paciente. Infecção A causa mais comum para o retardo da cicatrização tecidual é uma infecção. Uma assepsia cuidadosa e por meio de cirurgia por retalho e debridamento depois da cirurgia podem ser o melhor modo de prevenir uma infecção em áreas de retalhos mucosos. Isso significa que a área de ossoremovida abaixo do retalho tecidual deve ser copiosamente irrigada com baixa pressão e que uma solução salina e todos os debris visíveis devem ser removidos com cureta. Deiscência da Ferida 1. Utilizar técnicas assépticas. 2. Realizar cirurgia atraumática. 3. Fechar a incisão acima do osso intacto. 4. Suturar sem tensão. Fratura da mandíbula É associada quase exclusivamente à remoção cirúrgica dos terceiros molares impactados. A fratura da mandíbula é normalmente resultado de uma aplicação de força excessiva necessária para a remoção do dente e frequentemente ocorre durante o uso de alavancas dentárias. No entanto, quando os terceiros molares inferiores estão profundamente impactados, mesmo pequenas quantidades de força podem causar fratura. As fraturas podem também ocorrer durante a remoção de um dente impactado de uma mandíbula gravemente atrófica. AMANDA BENEVENUTO BEZERRA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ.