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GESTÃO DA QUALIDADE APLICADA NA EMPRESA UNIASSELVI-PÓS Autoria: Moisés Barbosa Junior Indaial - 2021 1ª Edição CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Copyright © UNIASSELVI 2021 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. B238g Barbosa Junior, Moisés Gestão da qualidade aplicada na empresa. / Moisés Barbosa Junior. – Indaial: UNIASSELVI, 2021. 148p.; il. ISBN 978-65-5646-341-4 ISBN Digital 978-65-5646-340-7 1. Empreendedorismo. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 650 Impresso por: Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Jóice Gadotti Consatti Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Marcelo Bucci Jairo Martins Marcio Kisner Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................5 CAPÍTULO 1 CONCEITOS, EVOLUÇÃO E MARCOS TEÓRICOS DA QUALIDADE ...............................................................................7 CAPÍTULO 2 FERRAMENTAS E METODOLOGIAS PARA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE E SUAS APLICAÇÕES .......................................53 CAPÍTULO 3 A QUALIDADE COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE E MELHORIA CONTÍNUA ............................................................101 APRESENTAÇÃO Prezado acadêmico. Neste livro intitulado Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa, você aprenderá como a qualidade tem a capacidade de transformar processos de produtos e serviços em organizações para que sejam competitivas. Para isso, serão apresentados ao decorrer de todo o livro, as principais ferramentas, filosofias e conceitos sobre a temática. No primeiro capítulo, temos uma visão ampla e abrangente do que a qualidade significa, de como pode ser aplicada, a adaptação do seu conceito com o decorrer do tempo e como são aplicadas as principais ferramentas, a partir de uma abordagem teórica. Neste momento, espera-se expandir o seu conhecimento e seu olhar crítico para que compreenda o verdadeiro significado da qualidade dentro das organizações e, assim, possa contribuir para enriquecer o seu conceito. A partir dos conceitos e do apanhado histórico, instiga-se que você, leitor ou leitora, se torne um guru da qualidade e aumente o significado do termo com o que já possui de experiência e com o que irá aprender. Em seguida, no segundo capítulo, a qualidade é colocada em prática. Para isso, apresentamos os gurus da qualidade, assim chamados por contribuírem significativamente com os conceitos e ferramentas que utilizamos até hoje. Depois, apresentamos as ferramentas da qualidade e como são aplicadas, dando significado aos números obtidos com as aplicações e fazendo com que você possa replicá-las no seu cotidiano. Por fim, apresentamos as ferramentas da qualidade que estão presentes mais do que nunca no nosso dia a dia e são uma evolução de tudo que já foi ensinado até o segundo capítulo. No terceiro e último capítulo, a gestão da qualidade total, o benchmarking e os sistemas de medição de desempenho são aprimorados e exemplificados, fazendo com que você tenha capacidade de aplicá-los e possa contribuir para tornar sua empresa competitiva e atraente aos investidores e usuários. Em suma, o livro traz uma abordagem teórica e prática para que você expanda seus conhecimentos e se torne um especialista em qualidade. Ao longo de todos os capítulos estão presentes atividades, sugestões de leitura e curiosidades para que você possa ter diferentes experiências na sua leitura. Bons estudos. Professor Moisés Barbosa Junior CAPÍTULO 1 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • compreender os diversos significados da qualidade; • analisar a evolução histórica da qualidade; • entender as aplicações da qualidade em diversas áreas do conhecimento; • desenvolver um olhar crítico em relação aos conceitos da qualidade e suas funcionalidades. 8 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 9 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO No nosso cotidiano, presenciamos situações em que julgamos como boas ou ruins, adequadas ou não. Quando fazemos isso, estamos falando da qualidade de algo. No entanto, o que é qualidade? Como definir a qualidade, sabendo que algo que me agrada pode não agradar outra pessoa? O que está relacionado à qualidade? A partir desta perspectiva, este capítulo apresenta diversas definições de qualidade, conceituando, a partir da visão de renomados autores, as características presentes na gestão da qualidade. Apresenta, também, todos os fatores que estão presentes na gestão da qualidade. Para isso, imagine que você vai adquirir um imóvel, mas está preocupado somente com o preço e o seu colega, que vai adquirir o mesmo imóvel, está interessado apenas na localização. Com isso, temos que os fatores relacionados à qualidade variam de acordo com a percepção de cada usuário e tentamos, aqui, concatenar os mais variados atributos relacionados à gestão da qualidade. Além disso, para que o entendimento seja ainda melhor, este capítulo traz uma abordagem cronológica da gestão da qualidade, apresentando desde os primeiros entendimentos do que era qualidade até os dias de hoje. Esse entendimento histórico se faz necessário para que entendamos o que a qualidade é na atualidade. Após apresentar a linha cronológica da gestão da qualidade e seus precursores, este capítulo faz uma revisão teórica da gestão da qualidade, ampliando o entendimento para que, em leituras futuras, a aplicação de tais seja feita de maneira fácil e apresenta quais são as aplicações dessas que podem ser úteis aos leitores. 2 DEFINIÇÕES E FATORES DA QUALIDADE Todas as pessoas já ouviram falar que a qualidade de determinado produto ou serviço é boa ou ruim. No ato de aquisição de determinado bem, avaliamos a sua qualidade levando em consideração algumas características, como o preço, a aparência e os requisitos técnicos para o seu desempenho. 10 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Nesse ato de compra, existe um subjetivismo ligado ao conceito de qualidade, o qual não possui uma única definição e é confuso. Carpinetti (2016) explica que o conceito de qualidade possui variações na literatura e, por vezes, alguns sinônimos utilizados são errôneos e não dizem respeito à qualidade. Carpinetti (2016) apresenta as três principais percepções em relação à qualidade que estão presentes no nosso dia a dia: 1. A qualidade está associada aos requisitos técnicos de um produto ou serviço e também depende de sua durabilidade. Ou seja, ao adquirirmos um produto ou serviço, esperamos que o seu funcionamento seja competente às funcionalidades. Dessa forma, um produto com o melhor desempenho seria mais agradável e teria melhor qualidade. 2. A qualidade está associada ao grau de satisfação do cliente final. Com isso, se o produto ou serviço adquirido satisfaz à necessidade e torna o cliente satisfeito, este “possui qualidade”. 3. Por fim, a qualidade está associada à fabricação. Se o produto atende aos requisitos de seu projeto, este possui qualidade. Isto é, se fabricado de acordo com o que foi descrito e não possui avarias ou imperfeições, a qualidade está inerente ao que foi manufaturado. O fator de maior relevância para qualquer organização é a gestão da qualidade. Tanto no meio acadêmicocomo no meio empresarial, a qualidade é o elemento estratégico que denota competitividade às organizações. Conforme Carpinetti (2016), a gestão da qualidade é um fator estratégico para que haja melhoria de competitividade e produtividade e sua relevância provém de um longo processo de mutação dos conceitos da qualidade. Com o passar dos tempos, a qualidade vem sendo desmitificada, haja vista que nos primórdios de sua definição essa era tida apenas relacionada à fabricação de um produto, sem qualquer análise minuciosa do desempenho e dos elementos que fazem parte da cadeia produtiva. Com isso, conforme Carpinetti (2016), a qualidade era vista somente em relação à perfeição do produto até a década de 1950. Desta forma, a definição da qualidade estava voltada apenas às características físicas de um produto manufaturado. Ainda, a palavra qualidade condizia com algo que estava aceitável, sendo sinônimo de algo que é bom para o consumidor. Recapitulando, os pensamentos dos primeiros trabalhos desenvolvidos pelo ser humano, estes estavam ligados apenas ao trabalho braçal, como 11 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 artesãos e camponeses. Com isso, a qualidade estava ligada ao visual. Se o produto manufaturado por um artesão possuía uma estética aceitável, este consequentemente possuía qualidade. Quando o produto não atendia a esse requisito, não possuía qualidade. Com o passar do tempo, pesquisadores vêm explorando o conceito de qualidade e adaptando este à realidade em que estão presentes. Grandes pesquisadores como Juran, Deming e Ishikawa foram precursores do conceito de gestão da qualidade e serão explorados posteriormente. Após a década de 1950, a qualidade se transforma e mais atributos são identificados para que seu conceito seja aprimorado. Ela deixa de ser um atributo físico de um produto e começa a ganhar espaço nas características intrínsecas no processo de manufatura como um todo. As definições de Juran levam à qualidade não apenas a aspectos técnicos nessa época, mas também a características que são esperadas pelos clientes. Quando as características esperadas pelo cliente são atendidas, a satisfação em relação ao que era esperado é, também, atendida. Com isso, o conceito de qualidade sofreu alterações ao longo do tempo, haja vista que definições mais abrangentes são identificadas. A qualidade passou a ter novas atribuições e desempenha um papel importante nas organizações, uma vez que começa a ser relacionada ao que é demandado pelo usuário. A qualidade não está mais relacionada apenas às características de um produto ou serviço oferecido ao mercado consumidor, mas as suas exigências que devem ser satisfeitas. No entanto, ainda temos outro fator relevante para o consumidor, o preço do que é comprado. Para o consumidor, somente a palavra qualidade não basta para que o produto ou serviço seja considerado bom ou ruim, ainda há necessidade em que o preço seja agradável. Assim, surge a definição da qualidade ligada ao preço em que o produto ou serviço é ofertado no mercado. Essa definição se baseia na percepção do consumidor e não de especialistas da qualidade, uma vez que somente o preço não diz respeito aos atributos necessários para definir se um produto possui ou não boa qualidade. Embora haja definições distintas e muitos atributos estejam relacionados ao conceito de qualidade, a ISO – International Organization for Standartization – (ABNT, 2005, s.p.) dá uma definição amplamente utilizada ao termo qualidade, sendo definida como o “grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos”. Ou seja, por meio da definição da ISO, a qualidade precisa satisfazer aos requisitos que devem estar presentes para o bom desempenho de um produto ou serviço. 12 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Para a ISO 8420, a qualidade pode ser definida como “conjunto das características de um produto ou serviço que lhe conferem aptidão para satisfazer necessidades explícitas ou implícitas”. Quando apresentadas as necessidades explícitas, estas condizem aos requisitos que esperamos que tal produto ou serviço desempenhe de maneira satisfatória. Enquanto as necessidades implícitas condizem com o que não esperamos, mas sabemos que devem estar presentes na aquisição de algo. Exemplificando o conceito anterior, ao comprar um liquidificador, temos as necessidades explícitas baseadas na funcionalidade do liquidificador, como processar alimentos, liquidificar algo. Já as implícitas seriam a potência do liquidificador, a duração do produto, a sua resistência etc. De fato, concomitante à definição da norma ISO, a qualidade deve estar centrada na satisfação do cliente, sendo este o principal ator que deve ter atenção em todo processo. Conforme explica Carpinetti (2016), muitas vezes, o preço é o único fator levado em consideração pelo mercado consumidor e, embora algumas pessoas estejam dispostas a pagar mais por aquilo que lhes é ofertado, o preço mais baixo acaba sendo o fator da escolha de um produto ou serviço. Assim, o preço também está relacionado ao nível de competitividade de uma empresa no mercado, uma vez que o temos como fator-chave para escolha. Unido ao preço, existem consumidores que esperam o bom desempenho do que é adquirido. Carpinetti (2016) explica que o desempenho e o preço estão presentes como conceito de qualidade. Dessa forma, quando o consumidor compra algo que possui o desempenho esperado e o preço foi baixo, este possui qualidade. Além de todos os itens apresentados anteriormente, que fazem parte das definições dos conceitos da qualidade, a seguir são elencados alguns que pertencem a todos os processos produtivos, apresentados por Lobo (2010), são eles: 1. Entidade: aquilo que é tido como individual, podendo ser um produto, um processo, uma organização. 13 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 2. Inspeção: as atividades características de uma entidade, em que podemos medir, verificar, averiguar e avaliar os parâmetros que são definidos. 3. Controle da qualidade: são as técnicas utilizadas que garantem que a qualidade seja assegurada em um produto ou serviço. Quando fazemos o controle da qualidade, estamos analisando todo o processo, de maneira operacional, para que as deficiências sejam eliminadas. 4. Processo: define as atividades de transformação de bens e serviços, em que estão presentes entradas e saídas, as quais ocasionam o produto ou serviço final ofertado ao usuário. 5. Conformidade: quando os requisitos de um produto ou serviço são satisfeitos no processo de transformação. 6. Não conformidade: em contrapartida à conformidade, quando um ou mais requisitos não forem satisfeitos no processo, damos o nome de não conformidade, a qual também pode ser chamada de defeito. Para facilitar o entendimento em relação aos atributos referentes à qualidade que são perceptíveis aos usuários, Carpinetti (2016) elencou e os definiu de maneira a facilitar a compreensão acerca do tema, os quais se encontram no quadro a seguir. QUADRO 1 – ATRIBUTOS DA QUALIDADE Atributo Descrição Desempenho técnico ou funcional Grau com que o produto cumpre a sua missão ou função básica. Facilidade ou conve- niência de uso Inclui o grau com que o produto cumpre funções secundárias que suple- mentam a função básica. Disponibilidade Grau com que o produto encontra-se disponível para uso quando requisi- tado (por exemplo: não está “quebrado”, não encontra-se em manutenção etc.). Confiabilidade Probabilidade que se tem de que o produto, estando disponível, consegue realizar sua função básica sem falhar, durante um tempo predeterminado e sob determinadas condições de uso. Mantenabilidade (ou manutenibilidade) Facilidade de conduzir as atividades de manutençãono produto, sendo um atributo do projeto do produto. Durabilidade Vida útil média do produto, considerando os pontos de vista técnico e eco- nômico. Conformidade Grau com que o produto encontra-se em conformidade com as especifica- ções de projeto. Instalação e orienta- ção de uso Orientação e facilidades disponíveis para conduzir as atividades de insta- lação e uso do produto. 14 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Assistência técnica Fatores relativos à qualidade (competência, cortesia etc.) dos serviços de assistência técnica e atendimento ao cliente (pré, durante e pós-venda). Interface com o usuário Qualidade do ponto de vista ergonômico, de risco de vida e de comunica- ção do usuário com o produto. Interface com o meio ambiente Impacto no meio ambiente, durante a produção, o uso e o descarte do produto. Estética Percepção do usuário sobre o produto a partir de seus órgãos sensoriais. Qualidade percebida e imagem da marca Percepção do usuário sobre a qualidade do produto a partir da imagem e reputação da marca, bem como sua origem de fabricação (por exemplo, “made in Japan”). FONTE: Adaptado de Carpinetti (2016) A partir do que foi apresentado no quadro anterior, podemos notar que a qualidade não pode ser facilmente definida a partir de uma única visão ou atribuindo apenas um ou outro atributo, mas há um conjunto de fatores relacionados à qualidade que podem ser destacados e devem estar presentes quando colocamos em prática. As diversas definições apresentadas até agora não são singulares e não devem ser compreendidas separadamente, mas devemos utilizá-las em conjunto para termos uma melhor definição do conceito de qualidade e qual sua relevância para o meio empresarial. 2.1 ABORDAGENS DA QUALIDADE Além dos atributos em relação à qualidade, existem as abordagens em relação ao produto definidas por Lobo, Limeira e Marques (2015), são elas: 1. Abordagem transcendente: de acordo com esta abordagem, a qualidade está relacionada à excelência, sendo um atributo primordial para que haja qualidade em algo. No entanto, a qualidade não possui exatidão, mas requer que seja trabalhada cotidianamente para que seja adquirida experiência. 2. Abordagem baseada no produto: como os processos produtivos possuem diferenças para que qualquer produto seja manufaturado, compele uma diferença, também, ao que é necessário para que o produto seja feito. Nesse sentido, a abordagem baseada no produto está relacionada aos requisitos ou atributos que são demandados pelo usuário, fazendo com que seja necessário que estes sejam atendidos durante o processo. Para que a qualidade esteja presente, no que é esperado pelo usuário. As 15 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 autoras comentam que existem críticas em relação a essa abordagem: a primeira é porque a maior qualidade só pode ser obtida com altos custos, fazendo com que tudo esteja dentro do que é esperado. Em segundo, porque a qualidade é tida como uma característica do que é produzido e não como algo que afete seu desempenho, baseando-se apenas nos atributos físicos do produto. 3. Abordagem baseada nos usuários: usuário, consumidores e clientes possuem o papel principal para a definição dessa abordagem. Segundo ela, a principal característica da qualidade está relacionada à satisfação daqueles que obtêm o produto e possuem suas necessidades atendidas, fazendo com que haja êxito na compra do produto. Essa abordagem enfrenta alguns problemas, sendo um deles atender à necessidade de diferentes pessoas, uma vez que cada usuário pode ter uma expectativa diferente para cada produto, e como identificar os atributos que agregam qualidade ao produto e fazer sua distinção entre cada um dos usuários. Essa abordagem baseia-se unicamente na necessidade dos usuários e não leva em consideração outros fatores que influenciam o processo produtivo. 4. Abordagem baseada em manufatura: como o próprio nome sugere, a abordagem baseada em manufatura está relacionada ao processo produtivo e está intrinsicamente relacionada à equipe da engenharia. Uma vez que o processo está padronizado e produzindo em conformidade com o que foi estipulado no processo e suas especificações, a qualidade está presente. Estar em conformidade com os requisitos de produção é o fator que define esta abordagem. Podemos notar que aqui apenas o processo produtivo está sendo considerado para que a qualidade seja conceituada. 5. Abordagem baseada em valor: essa abordagem diz respeito aos preços e custos presentes em determinado produto. Para que a qualidade esteja presente, há necessidade que um produto possua um preço baixo e, concomitantemente, um custo baixo de produção. Exemplificando, se um sapato atende à principal necessidade e tem um valor baixo, há qualidade neste produto. O parâmetro para que se faça uma avaliação da qualidade é o dinheiro investido. Nota-se que as abordagens discutidas anteriormente fazem referência a apenas alguns aspectos da qualidade, sem que haja uma união entre todos os atributos que podem ser identificados e julgados como requisitos para que se tenha qualidade. Uma das preocupações é que todas as abordagens possam ser concatenadas e pensadas como uma única abordagem. Por exemplo, considerar o preço, o processo, o usuário, o produto e a excelência como requisitos para 16 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa que a qualidade seja atendida é um dos grandes desafios encontrados pelas organizações até os dias de hoje. Na literatura é feita de maneira simples a definição do conceito de qualidade, embora não haja consenso entre autores. Por exemplo, atrelar a qualidade ao processo produtivo e dizer que isso a define foi fácil. Agora, se pegarmos algum processo produtivo, por exemplo, o de um carro, consegue imaginar quantas pessoas, subprocessos, especificações, regras, normas e outros fatores estão presentes na produção de um único veículo? Assim, colocar a qualidade em prática é um dos grandes desafios. 2.2 QUALIDADE E GESTÃO DE SERVIÇOS As definições e características apresentadas até aqui demonstram que a qualidade está ligada a um produto, embora foram discutidos produtos e serviços. Antes de falar da qualidade de serviço e suas definições, precisamos diferenciá-lo de produto. Produto é aquilo que tocamos, que podemos “pegar com as mãos”. Já o serviço é aquilo intangível, o qual não temos contato. Como exemplo de serviço, temos a limpeza de um carro e um empréstimo bancário. Se um consumidor pretende adquirir, por exemplo, um empréstimo bancário e o representante da agência não possui cordialidade no atendimento, isso demonstra ser um serviço de qualidade? Assim, podemos dar início à definição de qualidade a serviços. Cordialidade no atendimento, tempo de espera e empatia fazem parte da boa qualidade quando falarmos sobre a gestão de serviços. Agora, imagine que você adquiriu o empréstimo, mas o dinheiro não foi depositado em sua conta na data prevista. A qualidade também deve estar presente no pós-venda, fazendo com que a satisfação do usuário seja atendida em todas as etapas de uma venda. Uma das formas de fidelizar um cliente e fazê-lo voltar a adquirir determinado produto ou serviço e consiste em atender aos 17 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 requisitos da qualidade. Além de manter o cliente, também há chances de que aquilo que você está ofertando seja divulgado, promovendo o seu negócio. Em suma, temos que a qualidade deve estar presente em todo processo que envolve um usuário e suas expectativas devem ser superadas. Assim, temos que a qualidade também está relacionada tanto aos produtos quanto aos serviços. No entanto, a qualidade pode ser ruim, não sendo agradável ao consumidor ou cliente. Disso, surge afalta da qualidade. Quando a expectativa não é atendida e o usuário não possui satisfação, temos a carência da qualidade, fazendo com que haja falta total ou parcial da qualidade em um produto ou serviço. A falta da qualidade está relacionada aos atributos anteriormente definidos. Sendo assim, não atender aos requisitos técnicos, possuir baixa durabilidade, avarias, estragos e possuir danos empobrecem e deixam a qualidade de lado. Quando um desses itens não é atendido, a qualidade não é satisfeita em sua totalidade e leva ao descontentamento do usuário. 1) Imagine que você pretende lançar no mercado uma agenda diferente das que já existem. A agenda terá a finalidade de organizar eventos empresariais, sendo o seu público-alvo, empresas da região em que você está presente. Antes de lançar o produto, você ainda não sabe ao certo quais devem ser os itens que precisam conter na agenda, pois não sabe qual é a real necessidade dos usuários. Sabendo disso, qual seria sua atitude para determinar as características da agenda a ser vendida, considerando o contexto que foi supracitado? Quais seriam os requisitos da qualidade em que você investiria para ter sucesso no lançamento do produto e nas vendas? 3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA QUALIDADE E SEUS GURUS A qualidade não é algo que surgiu do dia para a noite, é um conceito que vem sendo abordado há muito tempo, o qual apenas não possui um termo para defini- 18 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa lo e está presente desde o início da humanidade, quando deveria existir um certo padrão ao fazer algum produto (RODRIGUES, 2006). 3.1 CONCEITOS E EVOLUÇÃO DA QUALIDADE Desde os primórdios, o homem tinha que se preparar para administrar seus processos, e na Antiguidade, o foco eram os alimentos, a caça, a colheita que tinham datas específicas e era necessário armazenar alguns deles gerando estoque. A separação de cada uma dessas atividades, do plantio, da caça, da colheita, do lar, temos o princípio da administração, que uma vez sendo avaliada, cria perspectivas de melhoria contínua, e desta forma associa-se diretamente à gestão da qualidade. No entanto, é a partir da década de 1950 que surge a preocupação com a gestão da qualidade, quando conceitos, filosofias e padrões são desenvolvidos para que haja padronização na produção e os produtos manufaturados possuam adequação ao que se espera ser produzido. A gestão da qualidade total, como ficou conhecida a partir dessas feitorias, começa a ser abordada com vista ao que é esperado pelo cliente, envolvendo toda a empresa no processo de obtenção da qualidade, não apenas atribuindo a responsabilidade a apenas um setor ou a algumas pessoas (LONGO, 1996). Assim, começaram a surgir os primeiros gurus da qualidade e suas técnicas, filosofias e ferramentas para que a qualidade aconteça de fato dentro das organizações. Como exemplo, temos Shewhart, um engenheiro que possuía habilidade em estatística e que começou a garantir o controle da qualidade a partir de ferramentas de Controle Estatístico de Processos (CEP). Shewhart desenvolveu suas ferramentas a partir do século XX em uma empresa multinacional que trabalhava. Rodrigues (2006) explica que no início do século XX, a qualidade passou a ser percebida como parte da padronização e das normas de uma organização. Essa abordagem dá-se no início dos estudos de Frederick Taylor, com os princípios da Administração Científica, fazendo com que o estudo de tempos e métodos esteja presente para melhoria contínua no trabalho, otimizando a produção e aumentando a produtividade. No entanto, embora Taylor tenha começado os estudos de tempos e métodos (ou tempos e movimentos), ainda havia muito a se melhorar. Taylor iniciou suas 19 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 filosofias utilizando o trabalho do colaborador e como este era desempenhado, a fim de meios mais fáceis de desenvolver o trabalho fossem identificados. Dessa forma, Longo (1996) aponta que a gestão da qualidade total é atingida quando temos todos os fatores relacionados à produção de bens e serviços ligados à satisfação do cliente. É com base nesses preceitos que a qualidade vem evoluindo ao longo do tempo, conforme demonstra o quadro a seguir. QUADRO 2 – EVOLUÇÃO DA QUALIDADE Início séc. XX - anos 30 Anos 30 - anos 50 Anos 60 - anos 80 Anos 80 - até os dias de Hoje Inspeção da Qualidade Controle da Qualidade Garantia da Qualidade Gestão pela Qualidade Total Co nc eit o Atividades de me- dição, comparação, verificação. Atividades planeja- das e sistemáticas que, de uma forma integrada, podem garantir que a quali- dade desejada será alcançada. Atividades centradas na monitorização, nomeadamente, na análise dos desvios e reposição dos parâ- metros dos proces- sos nas condições desejadas. Cultura da empresa capaz de assegurar a satisfação dos clientes. Ca ra cte rís tic as • Não participa na concepção. • Inspeção no final da linha. • Pouca Consciencialização para a qualidade e pouco know-how. • Melhorias nos processos introduzi- das pela produção. • Ferramentas da Qualidade orientadas para a produção. • Processos estáveis. • Integração de forne- cedores. • Objetivos da qua- lidade atravessam todas as áreas das empresas. • Ferramentas da qualidade orientadas para a prevenção. • Desenho adequado à elevada capacida- de dos processos. • Início do desen- volvimento dos colaboradores. • Preocupações crescentes com a orientação para o cliente. • Orientação com- pleta para o cliente e atividades sistemáti- cas orientadas para a cadeia de valor. • Participação ativa da direção da em- presa. • Delegação e em- powerment. • Zero defeitos e difusão do conceito de cliente interno. • Extenso uso de ferramentas da qualidade. • Alinhamento cultural. 20 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Mé tod os e Fe rra me nta s Uso insuficiente de ferramentas da qualidade. Fluxogramas e mapas de proces- sos; formulários de recolher dados; diagrama de causa e efeito; diagrama de Pareto; gráficos; cartas de controle, histogra- mas. AMFE; auditoria; desenho e teste de protótipos; círculos da qualidade; normas da série ISO 9000. QFD; inquéritos a clientes; inquéritos a colaboradores; benchmarking, modelos de exce- lência; autocontrole, kaizen, reengenha- ria. Fu nç õe s/E lem en - tos E nv olv ido s Produção. Produção; Controle da Qualidade. Produção; Qualidade; I&D; Compras. Todas as funções, clientes e fornece- dores. FONTE: Adaptado de Fraga (2011) O Quadro 2 apresenta a evolução do conceito de qualidade com o passar do tempo. Para essa evolução nós damos o nome de “Eras da Qualidade”. Na primeira era, no início dos anos 1930, a gestão da qualidade estava voltada apenas para a inspeção de produtos acabados. Essa abordagem da qualidade não considerava nenhum requisito demandado pelo usuário final ou seguia padrões pré-definidos de qualidade. A inspeção acontecia apenas quando o produto final saía da linha de produção. Ou seja, quando o produto acabado precisava ser enviado para venda, os inspetores analisavam se estava conforme ou não conforme, se possuía uma estética aceitável e se parecia ser de acordo com seus requisitos de funcionalidade. Pode-se notar que na primeira era da qualidade não haviam ferramentas que analisassem o trabalho que estava sendo desempenhado dentro de uma organização, bem como uma equipe para qualidade não era formada para que houvesse gestão dentro da empresa. Entre os anos 1930 e 1950, a qualidade começa a ganhar maior notoriedade, visto que entramos na Era do Controle da Qualidade. Nessa era, as organizações começam a integrar ferramentas para análise e gestão dos processos produtivos. Nesse mesmo espaço de tempo, começam a surgir os primeiros chamados “Gurus da Qualidade”, como Ishikawa e Shewhart, os quais desenvolveramferramentas que auxiliam na obtenção da boa qualidade dentro de processos produtivos. 21 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 Com o surgimento dos primeiros gurus da qualidade e suas benfeitorias para a área, os processos começam a ter gestão e melhorias são implementadas dentro das organizações. Após a Era do Controle da Qualidade, surge a era da Garantia da Qualidade. Durante este período, estudiosos e especialistas analisaram que a qualidade deve ser assegurada dentro de uma organização e não apenas monitorada. Para que a qualidade seja assegurada, uma equipe precisa ser treinada continuamente, a fim de que os processos continuem dentro dos padrões de qualidade estabelecidos e haja de fato a garantia da qualidade. Com isso, surgem as normas ISO e as auditorias dentro das organizações. As normas ISO são um reconhecimento às organizações que mantêm um processo produtivo padronizado. Essas normas fazem com que haja uma organização e gestão da qualidade dentro da empresa e, para que sejam obtidas, há necessidade em que um comitê seja formado dentro da organização. Esse comitê é responsável pelas auditorias que acontecem e nessas auditorias são realizadas análises com o objetivo de adequar as atividades de acordo com o que é recomendado para que a certificação da ISO seja atendida. Dessa maneira, na Era da Garantia da Qualidade podemos ver que equipes são formadas e treinadas, bem como padrões são estabelecidos para que a qualidade comece a estar presente em todos os processos da organização e o máximo de pessoas seja envolvida. Por fim, a partir dos anos 1980, a qualidade passa pela Era da Gestão da Qualidade Total e utilizada até os dias de hoje. Nessa fase da gestão da qualidade, todos as entidades da organização são envolvidas no processo de qualidade, bem como as ferramentas utilizadas em outras eras ainda fazem parte e continuam a obter melhorias para que atendam cada vez mais às necessidades das empresas. Na era atual em que vivemos, o fator-chave é a satisfação do cliente. Para que a satisfação seja atingida, filosofias, teorias e ferramentas começam a ser cada vez mais implementadas. Podemos citar: • a cultura de Zero Defeitos, em que todo o processo deve ser isento de defeitos, garantindo a produção correta; • o brainstorming, em que todas as pessoas de uma área da empresa podem dar ideias para que melhorias sejam identificadas e implementadas dentro de uma organização; • modelos de excelência, os quais são modelos previamente já aplicados em organizações que servem de referência e base para replicação. 22 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa As cinco abordagens citadas anteriormente ganham maior sentido e têm suas definições destacadas por Paladini et al. (2007). Nelas, os autores tentam dar sentido às definições da qualidade, tendo uma abordagem de acordo com o apanhado histórico e o significado que a qualidade vem tendo com o decorrer do tempo. Para isso, os autores explicitam cada abordagem baseado em uma frase que dá sentido ao que foi proposto no seu desenvolvimento. Este conceito pode ser melhor compreendido observando o quadro a seguir. QUADRO 3 – ABORDAGENS DA QUALIDADE ABORDAGEM DEFINIÇÃO FRASE Transcendental Qualidade é sinônimo de excelência inata. É absoluta e universalmente reconhe- cível. Dificuldade: pouca orientação prática. “A qualidade não é nem pensamento nem matéria, mas uma terceira entida- de independente das duas... Ainda que qualidade não possa ser definida, sabe se que ela existe” (PIRSIG, 1974). Baseada no produto Qualidade é uma variável precisa e mensurável, oriunda dos atributos dos produtos. Corolários: melhor qualidade só com maior custo. Dificuldade: nem sempre existe uma correspondência nítida entre os atribu- tos do produto e a qualidade. “Diferenças na qualidade equivalem a diferenças na quantidade de alguns elementos ou atributos desejados” (ABBOTT, 1955). Baseada no usuário Qualidade é uma variável subjetiva. Produtos de melhor qualidade atendem melhor aos desejos do consumidor. Dificuldades: agregar preferências e distinguir atributos que maximizam a satisfação. “A qualidade consiste na capacidade de satisfazer desejos...” (EDWARDS, 1968). “Qualidade é a satisfação das necessi- dades do consumidor.... Qualidade é adequação ao uso”. (JU- RAN, 1974). Baseada na produção Qualidade é uma variável precisa e mensurável, oriunda do grau de confor- midade do planejado com o executado. Esta abordagem dá ênfase a ferramen- tas estatísticas (Controle do processo). Ponto fraco: foco na eficiência, não na eficácia. “Qualidade é a conformidade às espe- cificações”. “...prevenir não- conformidades é mais barato que corrigir ou refazer o trabalho” (CROSBY,1979). 23 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 Baseado no valor Abordagem de difícil aplicação, pois mistura dois conceitos distintos: exce- lência e valor, destacando os trade-off qualidade x preço. Esta abordagem dá ênfase à Engenharia/Análise de valor- -EAV. “Qualidade é grau de excelência a um preço aceitável” (BROH,1974). FONTE: Adaptado de Paladini et al. (2007) Para atingir os objetivos dentro da organização é necessário ter um planejamento detalhado e um conhecimento profundo da cultura da empresa, para desta forma, com bom senso, conseguir traçar metas possíveis de serem alcançadas, atender à legislação e aos anseios dos gestores dentro da organização. A preocupação com a qualidade deixou de ser uma estratégia de diferenciação e passou a ser uma necessidade para a sobrevivência das empresas no mercado. Os clientes estão cada vez mais exigentes e buscam produtos que atendam as suas necessidades a baixo custo e no tempo exato. As empresas que queiram continuar no mercado tornando-se competitivas, necessariamente devem ter um sistema que garanta a qualidade de seus produtos e serviços (PINTO et al., 2006). Quando se elabora um plano, deve-se levar em conta não só as diretrizes, mas também todas as contingências e necessidades peculiares e específicas da própria atividade que se está planejando e que possam ser consideradas como críticas para o atendimento daquelas (CERQUEIRA, 1995). Os sistemas de gestão da qualidade e controle dos processos, como grande parte das evoluções da humanidade veio com a necessidade de reduzir perdas, retrabalhos e criar um processo dinâmico com o custo reduzido e alta rentabilidade. Com tantas definições para qualidade, pode-se entender qualidade como o alcance das satisfações humanas, seja com produto ou serviço, independentemente da empresa é fundamental que as mesmas ofereçam produtos de qualidade, para que possam se manter firme no mercado. A qualidade não é apenas mais uma opção das instituições, pois a concorrência utiliza metodologias e ferramentas com objetivo de extrair delas todo potencial de melhoria e aceitação dos produtos. “São ferramentas simples e muito eficazes que auxiliam o gestor na solução de problemas e ainda permitem o crescimento do ser humano em direção à melhoria da qualidade de vida, pois podem também ser utilizados na esfera pessoal” (SELEME; STADLER, 2011, p. 11). 24 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Tais ferramentas têm como objetivo tornar a melhoria do produto de forma contínua em que basicamente o produto estará sempre melhorando, trazendo cada vez mais satisfação para seus clientes além de fazer com que a empresa se torne um poderoso diferencial competitivo, aumentando o desempenho do processo produtivo e a lucratividade da empresa, buscando sempre o aumento de seus recursos utilizáveis. Sucintamente será demonstrado como o adequado controle e uso de ferramentas poderão, através de um processo disciplinar, auxiliar a organização a alcançar níveis de superação, excelência,qualidade e satisfação. 1) A qualidade vem se transformando com o passar dos tempos e, a partir dos estudos realizados, novas concepções são atribuídas a ela. Sabendo disso, assinale a alternativa que representa a era da qualidade que vivemos nos dias de hoje: a) ( ) Gestão da Qualidade Total. b) ( ) Inspeção da Qualidade. c) ( ) Controle da Qualidade. d) ( ) Integração da Qualidade. e) ( ) Reutilização da Qualidade. 3.2 GURUS DA QUALIDADE Se pararmos para pensar, um dia a qualidade não possuía uma definição e nem um nome próprio. Ou seja, alguém precisou iniciar o percurso da qualidade e defini-la, fazendo com que outros pudessem aprimorar o seu conceito. Além disso, após a definição da qualidade, especialistas precisaram gerenciá-la, fazendo com que acontecesse a gestão da qualidade. No entanto, quem é o responsável por isso? Isso se deve a apenas uma pessoa ou a um grupo? Aqui, teremos os principais difusores da qualidade mundo afora, os quais são denominados “Gurus da Qualidade”. 25 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 • Walter Shewhart Como a qualidade era vista apenas no produto final, Shewhart foi responsável por introduzir a estatística aos processos relativos à gestão da qualidade. Dessa forma, foi o precursor do controle estatístico da qualidade em indústrias. Com esse bem-feito, Sherhart foi um dos responsáveis pelo controle do processo da qualidade como um todo, garantindo a análise eficaz dos produtos, sem que fosse analisado apenas o processo final ou o produto acabado. Sua contribuição para a gestão da qualidade está em uma das ferramentas mais difundidas e utilizadas em qualquer organização. Shewhart foi o criador do ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Action) ou Ciclo de Shewhart. O Ciclo PDCA, como é comumente conhecido, é uma das ferramentas da qualidade de melhoria contínua que possui a utilização para que os processos estejam em constante análise e erros sejam eliminados. O Ciclo PDCA é melhor discutido posteriormente, em que sua utilização e aplicação será abordada de maneira sucinta. Além do Ciclo de Shewhart, o guru da qualidade, por ter afinidade com a estatística, desenvolveu o Controle Estatístico de Processos (CEP). Dentro dessa área, a ferramenta conhecida como cartas de controle é utilizada para análise de atributos e variáveis. Com a utilização dessas cartas é possível identificar no processo quais pontos podem ser melhorados e a melhoria se faça presente de maneira contínua. Além disso, Shewhart introduziu que o processo pode ser analisado como um todo, em que as ferramentas cartas de controle e o Ciclo PDCA são utilizados constantemente dentro de um processo para que este esteja dentro dos padrões de produção. • William Edwards Deming Natural dos Estados Unidos, Deming realizou sua graduação em Engenharia e Matemática, obtendo todos os títulos pela Universidade de Wyoming. Posteriormente, obteve o título de mestre em física e matemática pela Universidade de Minas do Colorado e o título de Doutor pela Universidade Yale. Deming trabalhou durante anos como professor universitário, desenvolvendo pesquisas na área de agricultura. A grande contribuição de Deming para a qualidade foi no aprimoramento do Ciclo PDCA, criado por Shewhart na década de 1920. O ciclo era conhecido como Ciclo PDS (Plan, Do, See), no entanto, como Deming fazia parte do JUSE (Japan 26 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Union of Scientists and Engineers), Deming precisou adequar o método para que fosse interpretado de maneira correta. Dessa forma, o verbo “See” foi alterado, ficando o ciclo como Ciclo PDCA. Blog da Qualidade: https://blogdaqualidade.com.br/. • Joseph Moses Juran Juran era natural da Romênia e nasceu em 1904, mas migrou aos Estados Unidos ainda quando criança, onde se formou Engenheiro Eletricista pela Universidade de Minnesota em 1924. A gestão da qualidade se inicia em sua vida na Western Electrical Company, onde exercia o cargo de gestor. Em 1926 foi convidado a ingressar no departamento de inspeção estatística, onde o desafiaram a desenvolver novos métodos de análise de controle da qualidade. Juran acreditava que a qualidade não estava presente apenas no processo de fabricação ou na utilização de um serviço, mas deveria compor, também, o pós-venda. Essa visão do guru da qualidade amplia o conceito de qualidade e propõe que esta deve estar presente em todas as dimensões do desenvolvimento do produto. O guru denomina essa ampla abordagem da qualidade como espiral do progresso da qualidade, conforme mostrado na Figura 1. 27 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 FIGURA 1 – ESPIRAL DO PROGRESSO DA QUALIDADE FONTE: Adaptada de Carpinetti (2016) Na Figura 1, todas as áreas envolvidas em um processo de produção estão destacadas. Para isso, estão dentro da manufatura desde colaboradores até fornecedores. Juran destaca que o envolvimento de todos e a busca pela excelência na qualidade deve partir de um conjunto de esforços para que o usuário seja satisfeito e o produto ou serviço seja feito de maneira correta. Uma leitura complementar é o Manual da Qualidade, escrito por Juran em 1950. Na obra, o autor apresenta detalhadamente todos os atores envolvidos no progresso da qualidade. JURAN, J. M. Controle da Qualidade – HANDBOOK. Volume III. São Paulo: Editora Makron Books, 1992. 28 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • Kaoru Ishikawa Ishikawa foi um engenheiro químico formado pela Universidade de Tóquio, nascido no Japão, e suas contribuições na área da qualidade são bem-vistas até os dias de hoje. O guru desenvolveu pesquisas e trabalhos na indústria de combustíveis e tecnologia, e foi professor na universidade em que obteve seu título de engenheiro. Ishikawa disseminou a qualidade no Japão durante toda sua vida e foi um membro de participação ativa da União Japonesa de Cientistas e Engenheiros (JUSE). Em parceria com os demais membros da JUSE, Ishikawa viria a desenvolver a primeira ferramenta da qualidade, o círculo da qualidade. O círculo da qualidade consiste em uma reunião com demais pessoas de uma mesma equipe para que se entre em consenso de como melhorar processos dentro de uma organização e resolver problemas relativos à qualidade. Com o passar do tempo, o círculo da qualidade obteve o nome de Círculo de Controle da Qualidade (CCQ). A grande contribuição de Ishikawa para a qualidade está no Diagrama de Ishikawa (também conhecido como Diagrama de Espinha de Peixe, Diagrama de Causa-Efeito ou Diagrama dos 6M). Nesta ferramenta utilizada até os dias de hoje, Ishikawa propõe a análise das influências do processo baseadas em seis principais fatores: 1. Máquinas. 2. Material. 3. Mão de obra. 4. Meio ambiente. 5. Método. 6. Medidas. Por meio da análise das causas em cada um dos seis fatores, Ishikawa propõe a identificação das suas influências na produtividade, fazendo com que sejam destacadas as soluções possíveis da causa e seus efeitos na produção. 29 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 O livro Controle da Qualidade Total a Maneira Japonesa é um dos mais utilizados em universidade para o ensino da gestão da qualidade e é uma leitura pertinente para entender as contribuições de Ishikawa à área. • Armand Vallin Feigenbaum Feigenbaum é natural dos Estados Unidos, onde obteve os títulos de mestre e doutor pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Durante anos foi o responsável pelo setor de Controle da Qualidade da General Eletric, onde atuava diretamente com a gestão da qualidade e comandava equipes responsáveis pela análise de todos os processos. Feigenbaum foi quem introduziu o Controle da Qualidade Total(em inglês, Total Quality Control, TQC). O TQC tem como principal objetivo unir forças de todas as pessoas envolvidas no processo de um produto ou serviço a fim de que o cliente obtenha satisfação naquilo que está adquirindo. Para isso, o guru define, em 1951, na sua obra prima intitulada Controle da Qualidade Total, as quatro atividades que devem compor o controle da qualidade: • Controle de projeto. • Controle de material recebido. • Controle de produto. • Estudo de processos especiais. A Figura 2 apresenta o detalhamento das atividades propostas por Feigenbaum. 30 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa FIGURA 2 – ATIVIDADES DO CONTROLE DA QUALIDADE TOTAL FONTE: Adaptada de Carpinetti (2016) Dentro de sua obra, o autor explica quais são os passos a serem seguidos para que a qualidade seja alcançada em sua totalidade. Com isso, Feigenbaum é o precursor do conceito de Gestão da Qualidade Total, o qual foi difundido mundialmente e rendeu prêmios ao autor. Além disso, o autor também aprimorou os conceitos de Custos da Qualidade, em que demonstrou que a falta de qualidade em um determinado produto ou serviço também acarreta custos para as organizações e devem ser evitados. Isso demonstrou que a qualidade, quando presente no ambiente organizacional é benéfica, principalmente em quesitos financeiros. Mais informações sobre a vida e carreira dos gurus da qualidade podem ser encontradas no livro Gestão da qualidade – teoria e prática, de Carpinetti (2016). 31 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 Os gurus apresentados aqui foram os precursores da gestão da qualidade mundo afora, fazendo com que o conceito fosse difundido e aprimorado a partir de seus estudos. Com isso, a qualidade ganha novas ferramentas e conceitos quando especialistas a desenvolvem com suas aplicações. • Phillip Bayard Crosby Crosby foi um americano, nascido nos Estados Unidos, que quando analisada sua formação, não teríamos como dizer que foi um guru da qualidade. Crosby obteve graduação em medicina e diploma em direito. No entanto, o guru desenvolveu pesquisas para que a qualidade estivesse presente em todos os processos e foi um dos que adotou o conceito de Zero Defeitos. Para que esse conceito fosse implementado, Crosby defendia que deveria ser feito certo na primeira vez, fazendo com que o processo não tivesse avarias e retrabalho. Outro fator importante defendido por Crosby é de que a qualidade não é feita de forma gratuita e por isso deve ser feita corretamente desde a primeira vez. Para Crosby, o custo da não qualidade é maior do custo em ter qualidade. O guru fazia menção aos custos com retrabalho, eliminação de avarias e defeitos, manutenção e outros fatores que precisam ser corrigidos quando a qualidade não estava presente no processo. Como legado, Crosby escreveu diversos livros, os quais alguns são destacados a seguir: • Cortando o custo da qualidade, 1967; • A estratégia de gestão da situação, 1969; • A qualidade é investimento, 1979; • Qualidade sem lágrimas, 1984; • Correndo coisas: a arte de fazer as coisas acontecerem, 1986; • A Organização Eternamente Sucedida, 1988; • Vamos falar de qualidade, 1989; • Liderando, a arte de se tornar um executivo, 1990; • Completude: qualidade para o século XXI, 1994. 32 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 1) Imagine que um estudante precisa entregar um relatório sobre as contribuições dos gurus apresentados à professora da disciplina de gestão da qualidade. Como você iria descrê-los no seu relatório? Quais as principais características que seriam apontadas aos gurus? 4 ABORDAGEM CONCEITUAL DAS FERRAMENTAS DA QUALIDADE E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS A origem das ferramentas da qualidade não possui uma data específica para dizer quando começaram a ser desenvolvidas ou aplicadas. No entanto, é a partir da década de 1960 que o termo “As Sete Ferramentas da Qualidade” ganham notoriedade e são difundidas mundialmente (MEIRA, 2003). Para auxiliar no processo da obtenção da qualidade em processos, sejam eles de bens ou serviços, existe uma gama de ferramentas que podem ser utilizadas com o intuito de se obter e garantir que seja alcançada a satisfação do cliente e o processo esteja em conformidade com que é esperado. Para isso, nós temos as ferramentas quantitativas e qualitativas da qualidade. As qualitativas não envolvem cálculos ou estatísticas para sua aplicação, mas requerem criatividade e conhecimento sobre o processo daqueles que a estão utilizando. Como exemplo, temos o ciclo PDCA, 5W2H, Diagrama de Pareto, Fluxograma, Porquês, entre outros. Já as ferramentas quantitativas requerem que haja ao menos afinidade com áreas das exatas, como a matemática e estatística, para que sejam aplicadas dentro das organizações. Essas ferramentas traduzem em números o que está acontecendo dentro de um processo e auxiliam na tomada de decisão. Por exemplo, temos as Cartas de Controle e histograma, bem como podemos avaliar outros fatores que influenciam na qualidade, como a cultura organizacional. Neste capítulo, uma abordagem teórica das principais ferramentas e filosofias da qualidade são apresentadas, bem como suas aplicações práticas são discutidas, mostrando as principais implicações da implementação de gestão da 33 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 qualidade dentro das organizações e como podem ser replicadas por especialistas e pesquisadores. 4.1 CICLO PDCA Uma das mais utilizadas ferramentas da qualidade, o ciclo PDCA é utilizado pela maioria das organizações de maneira cíclica, ou seja, não há um momento em que deixe de ser utilizado, ou seja, substituído por outra ferramenta. Para que seja utilizado, o Ciclo PDCA possui suas quatro fases, sendo elas: P (Planejar); D (Executar); C (Controlar); e A (Agir). FIGURA 3 – CICLO PDCA FONTE: Adaptada de Paladini (2016) 34 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Na etapa P, primeira etapa a seguir, acontece o planejamento. É nesse momento em que o problema a ser resolvido é identificado pela equipe que está utilizando o Ciclo PDCA. Na segunda etapa, D, acontece a execução de tudo que foi planejado na etapa anterior. É por meio dessa etapa que as demais podem ou não obter sucesso na sua aplicação. Quando colocada em prática, tudo que foi elaborado na etapa do planejamento é executado de acordo com o que foi pré-definido. Na terceira etapa, C, acontece a verificação do que foi aplicado na etapa da execução. É nessa etapa que os envolvidos analisam e avaliam se o que foi implementado obteve sucesso ou não. Por fim, a etapa A consiste na etapa de ação, em que pode-se identificar as melhorias que devem ser aplicadas ao Ciclo e se o processo foi de fato ou não implementado. Essa etapa requer uma análise sucinta e minuciosa para que seja avaliado se tudo que foi planejado foi executado e verificado nas etapas anteriores e os pontos que podem ser melhorados. No Ciclo PDCA, todas as etapas devem ser seguidas, sem que haja adaptação na ferramenta durante sua aplicação. Um bom site para entender melhor o funcionamento do Ciclo PDCA e todas as teorias envoltas na ferramenta é o da Organização das Ferramentas da Qualidade: https://ferramentasdaqualidade.org/ pdca/. 4.2 PDCL Além do Ciclo PDCA, existe uma variação da ferramenta, chamada PDCL. Este ciclo possui as quatro fases do original, alterando-se apenas a última, a qual muda de “Agir” para “Aprender”. Por ser uma sigla em inglês, a letra L corresponde à palavra “Learning”, do inglês “Aprender”. O Quadro 4 apresenta os passos para utilização do ciclo PDCL. 35 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 QUADRO 4 – CICLO PDCL FONTE: Adaptado deFNQ (2016) Na etapa L de aprendizado, melhorias contínuas são identificadas a partir da elaboração e aplicação das demais fases. Nessa etapa são concatenados os aprendizados com a aplicação do ciclo e as melhorias são inseridas. 4.3 5S COMO PROGRAMA DE APOIO AOS SISTEMAS DE QUALIDADE O Programa 5S é amplamente utilizado nas empresas para que haja todos os sensos envolvidos na sua aplicação e garanta que a empresa esteja organizada. O Programa 5S nasceu no Japão com o intuito de contribuir para a melhoria da qualidade composto a partir das iniciais das palavras japonesas Seiri, Seiton, Seisou, Seiketsu e Shitsuke, que foram traduzidas para o português, de modo que fizesse sentido e não perdesse a essência do programa, respectivamente, como Senso de Utilização, Senso de Ordenação, Senso de Limpeza, Senso de Saúde e Senso de Autodisciplina (MOREJÓN, 2005). Segundo Silva (1996, p. 1), “o programa 5S originou-se na década de 50, em empresas japonesas. Seu objetivo consistia em eliminar o trabalho forçado, ou seja, introduzia a ideia de qualidade como um hábito e não como mero ato”. Cada S tem um sentido e deve ser implementado na ordem que segue: 36 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • SEIRI: Senso de Utilização O Senso de Utilização se caracteriza por darmos atenção apenas ao que deve ser utilizado e ao que será necessário dentro da organização. Nesse senso mantemos apenas aquilo que é útil, descartando o que é supérfluo ou não possui utilidade. Segundo Rodrigues (2006), o objetivo deste senso é de que a alocação e utilização materiais, móveis e objetos sejam otimizadas no ambiente de trabalho, reduzindo o tempo gasto necessário para encontrar algo que precise ser utilizado e o arranjo físico fique adequado e não atrapalhe a produção e movimentação de pessoas. • SEITON: Senso de Ordem Este senso faz com que tudo seja organizado de maneira lógica e que seja de fácil localização dentro do arranjo físico disponível. Rodrigues (2006) destaca que a ordenação racional de equipamentos, materiais, documentos facilita a utilização do que apenas é necessário e quando é necessário. • SEISO: Senso de Limpeza O próprio nome já sugere o que deve ser realizado na aplicação deste senso. Manter o ambiente de trabalho limpo e organizado é essencial para que se possa ter transparência e confiança no que precisa ser desempenhado dentro da organização. Para Rodrigues (2006), deixar o ambiente sempre limpo ou em condições de melhor utilização é o grande objetivo da aplicação do senso de limpeza. • SEIKETSU – Senso de Saúde Um grande desafio está no senso de saúde, o qual visa deixar trabalhadores de toda organização em plena condição de exercer suas funções e estar com a saúde física e mental favorável. Para isso, Rodrigues (2006) explica que se deve manter o ambiente de trabalho adequado e favorável para que todos os trabalhadores não possuam dificuldade para exercer suas funções, sem que acarrete algum problema físico ou mental. 37 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 • SHITSUKE – Senso de Disciplina O último senso consiste em treinar e desenvolver trabalhadores para que o seu trabalho seja desempenhado de acordo com o que é necessário e para que não hajam falhas no ambiente de trabalho. Além disso, esse senso exige, outrossim, que o trabalhador possua autodisciplina e exerça suas funções com ética e moral dentro da organização. Rodrigues (2006) explica que o trabalhador precisa ser educado e treinado para que o trabalho seja desempenhado sem afetar a saúde mental, física e a ética. A conscientização de toda equipe é um ponto a ser trabalhado no momento em que o senso de disciplina está sendo implementado. Como notado até agora, as definições e conceitos do Programa 5S não possui dificuldade na sua interpretação. No entanto, quando deve ser aplicado, pode ser algo trabalhoso. Suponhamos que uma empresa de corte e costura possua 100 funcionários e está implementando o Programa de 5S. Há necessidade em que sejam feitas reuniões com os 100 funcionários e todos sejam treinados para que o 5S seja feito de maneira correta. Este é apenas um exemplo do quão complexo pode ser a implementação dos sensos. Com o decorrer do tempo, as organizações sofrem constantes alterações e, com isso, há necessidade em que as ferramentas da qualidade também sofram alterações, visando a uma melhor aplicabilidade para solucionar problemas. Com isso, o programa 5S foi adaptado para o Programa 10S. Uma indicação de atividade é a identificação dos demais sensos presentes no programa 10S, com base na leitura do artigo GESTÃO DA QUALIDADE: APLICAÇÃO DO PROGRAMA 10 S EM UMA PEQUENA INDÚSTRIA MADEIREIRA LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE CAMPO MOURÃO – PARANÁ, de Ito e Morigi (2016), disponível em http://anais.unespar.edu.br/ii_ secisa/data/uploads/administracao.pdf. 38 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 4.4 QFD O QFD (do inglês Quality Function Deployment) é um método para pesquisa de mercado, o qual envolve a opinião e condições impostas por usuário para o desenvolvimento de produtos. Quando aplicado, o produto final é manufaturado de acordo com os requisitos dos clientes. Também pode ser chamado como Desdobramento da Função Qualidade. Segundo Carpinetti (2016), o QFD é basicamente um processo de conversão de dados em requisitos, extração de características de produto a partir de requisitos e relação entre requisitos e características. Embora a definição seja utilizada voltada à produção de bens, o QFD também pode ser aplicado ao desenvolvimento de serviços. A principal atividade do QFD é a matriz da qualidade, também chamada de Casa da Qualidade. É a partir dessa matriz que todos os requisitos dos clientes que são pesquisados funcionam como as entradas para que o método comece a ser aplicado. Nela, todos os requisitos dos clientes são avaliados em uma escala linguística e notas são atribuídas. A matriz da qualidade pode ser vista na Figura 4. FIGURA 4 – MATRIZ DA QUALIDADE FONTE: Adaptada de Carpinetti (2016) 39 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 Segundo Carpinetti (2016), a tabela horizontal, dos requisitos dos clientes, é a entrada da matriz da qualidade; e a tabela das características de qualidade (vertical) é a saída do sistema. A matriz da qualidade é obtida pelo cruzamento da tabela dos requisitos do cliente (ou da qualidade exigida) com a tabela das características de qualidade. A intersecção entre as duas tabelas é a matriz de relações entre requisitos e características. O livro Gestão da qualidade – teoria e prática, escrito por Palladini (2016) apresenta todas as definições e desdobramentos do QFD, bem como exemplos de sua aplicação. 4.5 5W2H A utilização da ferramenta 5W2H consiste na realização contínua de perguntas para identificar o que está afetando o processo produtivo. A nomenclatura faz referência à inicial, em inglês, de pronomes servem para interrogação. 1- What? O quê? • O que tem sido/está sendo feito? • O que acontecerá se não for feito? • O que deve ser feito? 2- Who – Quem? • Quem deve fazer? • Quem não deveria fazer? • Quem mais deverá fazer? 3- When? Quando? • Quando deverá ser feito? • Quando deve ser avaliado? • Quando devemos implementar? 4- Where? Onde? • Onde deve ser feito? • Onde não deve ser feito? • Onde seria ideal fazer? 40 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 5- Why? Por quê? • Por que devemos fazer? • Por que devemos executar tal atividade? • Por que é nossa responsabilidade? 6- How? Como? • Como deve ser feito? • Como pode ser melhorado? • Como devemos executar? 7- How Much? Quanto? • Quanto vai custar implementar? • Quanto vai custar não ser implementado? • Quanto custa deixar o processo como está? Essas são algumas das perguntasque devem estar presentes durante a aplicação do método 5W2H. No entanto, foram supracitadas apenas algumas questões que podem ser realizadas durante sua utilização, não ficando o método limitado apenas a estas. As questões levantadas podem ser elaboradas a partir do contexto e situação em que a organização se encontra e qual problema pretende eliminar/identificar. 4.6 DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO Também chamado de Ishikawa ou Espinha de Peixe, essa ferramenta se assemelha com uma espinha de peixe, a qual auxilia na identificação das causas que estão afetando um processo. A espinha de peixe pode ser identificada na Figura 5. 41 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 FIGURA 5 – DIAGRAMA DE ISHIKAWA FONTE: Adaptada de Carpinetti (2016) No diagrama apresentado, um grupo pode representar graficamente as diversas causas que estão influenciando o processo, as quais acometem erros. Essas causas estão relacionadas aos seis M, sendo eles Mão de obra, Materiais, Máquinas, Medidas, Meio Ambiente e Métodos. Uma aplicação do Diagrama de Ishikawa pode ser encontrada em Costa Filho, Coelho Júnior e Costa (2006). Os autores utilizam o método para eliminar as causas que afetam a linha de produção de uma indústria de cartucho de toner e propõe melhorias a partir de suas análises. 4.7 FLUXOGRAMA O fluxograma é umas das ferramentas mais utilizadas para que um processo seja representado graficamente. A facilidade na identificação do processo e de todas as suas etapas é feita de maneira fácil porque o fluxograma possui uma 42 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa disposição visual de todos os componentes envolvidos no processo que facilitam essa identificação. Para que seja colocado em prática, há necessidade em que a simbologia utilizada no fluxograma seja utilizada. Com isso, várias representações são dispostas para que quem irá elaborar um fluxograma consiga dispor o processo de maneira correta. Essa simbologia utilizada para que o fluxograma seja elaborado consiste na padronização de sua representação, sendo uma abordagem utilizada a nível global. Na Figura 6 são apresentados alguns dos símbolos utilizados para elaboração do fluxograma. FIGURA 6 – SÍMBOLOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DO FLUXOGRAMA FONTE: Adaptada de Lobo (2010) A utilização do fluxograma pode ser feita por profissionais de quaisquer áreas, não se limitando apenas a quem tem um prévio conhecimento em informática. Isso se dá pela facilidade na representação dos símbolos. 4.8 DIAGRAMA DOS PORQUÊS No nosso cotidiano, sempre que temos uma dúvida, iniciamos perguntando o “porquê” de algo ter acontecido para que possamos identificar as causas que 43 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 fizeram determinado problema surgir. Na utilização dos porquês seguimos esse mesmo princípio, visto que precisamos perguntar repetidas vezes “por quê” tal fato ocorreu, a fim de encontrar avarias, causas e consequências. Na literatura podemos encontrar apenas os “5 Porquês”, em que devemos perguntar o porquê apenas cinco vezes. Entretanto, ao realizar apenas cinco questionamentos, a verdadeira causa raiz pode não ser identificada e falhas podem ocorrer na sua eliminação. Desta forma, o método não se limita apenas a cinco questões, podendo se estender o quanto for necessário até que o problema de fato seja identificado. 4.9 DIAGRAMA DE PARETO O Diagrama de Pareto é conhecido pela representação da proporção 80/20. Isso quer dizer que 80% dos problemas resultam de 20% de causas do processo. Para que seja representado, utilizamos um gráfico de barras, determinando a frequência com que cada problema surgiu. Os problemas com as frequências maiores representam 80%, enquanto os de menor frequência representam apenas 20%. Exercícios com o Diagrama de Pareto serão abordados no próximo capítulo. 4.10 BRAINSTORMING Uma organização é composta por diversas pessoas, de culturas diferentes e que possuem conhecimentos distintos. Sabendo disso, a técnica de brainstorming (a qual nem sempre é tratada como uma ferramenta) é utilizada como uma “explosão de ideias”. Uma equipe é criada para que a solução de um problema seja encontrada a partir de várias ideias distintas. Todas essas ideias são anotadas e, ao final do brainstorming, são concatenadas para que uma única solução seja encontrada. A técnica não se limita apenas para solução de problemas, mas pode ser utilizada para que um novo produto seja introduzido no mercado, um processo seja melhorado no seu desenvolvimento e um serviço seja desenvolvido. Lobo (2010) explica que o brainstorming é um método de geração coletiva de novas ideias pela contribuição e participação de diversos indivíduos inseridos num grupo. A utilização desse método baseia-se no pressuposto de que um grupo gera mais ideias do que os indivíduos isoladamente. 44 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Para que o brainstorming tenha eficácia na sua aplicação, Lobo (2010) propõe regras que podem ser utilizadas, sendo elas: • Suspenda a crítica. • Gere ideias em quantidade. • Combine ideias. • Mantenha ininterrupto o fluxo de ideias. • Registre as ideias. Com isso, a maior vantagem e implicação na aplicação da técnica consiste na pluralidade das equipes que compõem a sua aplicação, fazendo com que haja uma gama de ideias que podem ser aplicadas. 4.11 DIAGRAMA DE DISPERSÃO Para que o comportamento de duas variáveis seja identificado de maneira gráfica, foi desenvolvido o diagrama de dispersão. Nele, um gráfico é plotado, onde o eixo vertical faz a representação dos valores de uma medida e o eixo horizontal de outra variável que está sendo estudada. Nesta ferramenta, a qual é uma das sete ferramentas da qualidade, podemos analisar como duas variáveis se comunicam e qual seu comportamento. Vamos analisar dois casos nas figuras 7 e 8. FIGURA 7 – EXEMPLO DE DISPERSÃO LINEAR FONTE: Adaptada de Lobo (2010) 45 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 FIGURA 8 – EXEMPLO DE DISPERSÃO NÃO LINEAR FONTE: Adaptada de Lobo (2010) Na Figura 7, as duas variáveis representadas nos eixos possuem similaridade e podemos concluir que uma influencia a outra. Essa análise se dá, pois, a representação dos pontos acontece de maneira linear e, conforme uma variável tem seu valor aumentado, o mesmo acontece com a outra. Já na Figura 8, as duas variáveis não possuem relação, pois os pontos plotados no gráfico não seguem um padrão de distribuição e estão dispersos. Essa conclusão se dá apenas pela análise visual do gráfico, sem que haja necessidade de cálculos. 1) Imagine que você é gerente de qualidade de uma multinacional e precisa fazer uma apresentação aos colaboradores de sua área sobre as ferramentas da qualidade. Nessa apresentação, você apresentará uma ferramenta capaz de solucionar um problema relacionado à satisfação dos clientes, haja vista que o setor onde você atua está recebendo muitas reclamações e você e sua equipe precisam encontrar a causa raiz e as possíveis soluções do problema. Com essas informações, sabendo que há necessidade em encontrar o real problema que acomete diversas reclamações e que você precisa identificar as soluções junto a sua equipe, qual(is) ferramentas você apresentará? 46 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 4.12 CARTAS DE CONTROLE As cartas de controle ou gráficos de controle é uma ferramenta quantitativa da gestão da qualidade que permite identificar se um processo se apresenta ou não sob controle. Para que sejam utilizadas, as cartas são construídas para atributos de um produto ou serviço ou para variáveis (medidas) de um produto. A partir desses fatores, gráficos com limites superiorese inferiores são construídos, em que são plotados os pontos dos atributos ou variáveis para que seja identificado se o processo está sob controle. 4.13 FERRAMENTAS GERENCIAIS DA QUALIDADE Além das sete ferramentas utilizadas na gestão da qualidade, também temos as sete ferramentas gerenciais da qualidade que auxiliam no processo de tomada de decisão. São elas: 1. Diagrama de relações: como o próprio nome sugere, essa ferramenta apresenta as relações entre os diversos processos que envolvem um determinado processo produtivo, seja de bens ou de serviços. 2. Diagrama de afinidades: apresenta as relações dentro de uma área, identificando todos os subprocessos e fatores que estão presentes dentro de um único processo. 3. Diagrama em árvore: apresenta os níveis hierárquicos de um processo, fazendo os desdobramentos de todas as etapas que são necessárias para a realização de uma determinada ação. 4. Matriz de priorização: a matriz de priorização, conforme o próprio nome sugere, relaciona diversos fatores envolvidos em um processo com o objetivo de priorizá-los. Para isso, podemos atribuir notas ou pesos a cada um dos fatores elencados para que haja uma priorização. 5. Matriz de relações: a matriz de relação faz uma comparação par a par entre diversos processos envolvidos dentro da produção de um bem ou serviço. É muito utilizado no método QFD, o qual será abordado em capítulos futuros. 6. Diagrama de processo decisório (Process Decision Program Chart): representa a tomada de decisão dentro de um processo. Para isso, faz-se um gráfico em árvore, onde para cada alterativa existem duas 47 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 possibilidades, “sim” ou “não”. Por exemplo, podemos questionar se uma alternativa é viável. Se for, segue um caminho; se não, outro até que finalize o processo decisório. 7. Diagrama de atividades (diagrama de flechas): esse diagrama faz uma representação gráfica de atividades que estão conectadas para uma melhor visualização. Com ele, podemos construir um gráfico capaz de representar quais são tarefas dependem uma das outras e quais são suas precedências. Para compreender melhor o funcionamento das ferramentas aqui apresentadas, sugerimos a leitura do livro Gestão da Qualidade – Conceitos e Técnicas, por Carpineti (2016). 1) Até aqui foram apresentadas as principais ferramentas utilizadas para que qualidade seja garantida e assegurada dentro das organizações. No entanto, existem outras ferramentas, sejam elas qualitativas ou quantitativas, que podem ser utilizadas com o mesmo objetivo ou, ainda, que podem ser utilizadas em união às ferramentas já apresentadas. A partir desse contexto, realize uma pesquisa e identifique que outras ferramentas podem ser utilizadas além das que foram descritas. 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, vimos as abordagens e conceitos referentes à qualidade, a evolução histórica do termo, os gurus precursores e disseminadores da gestão da qualidade, e uma explanação teórica ampla para que as ferramentas da qualidade possam ser aplicadas em problemas cotidianos no meio empresarial nos próximos capítulos. Para que a qualidade fosse compreendida, todas as abordagens até aqui trabalhadas foram necessárias, fazendo com que os atributos e as características 48 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa baseadas na opinião de diferentes autores complementassem o conceito e pudéssemos ter um discernimento amplo sobre o que é qualidade e como podemos entendê-la. Embora não haja uma única definição para o conceito de qualidade, o que foi apresentado aqui auxilia no processo de compreensão da definição e abre espaço para que a discussão sobre o termo seja continuada. Quando temos os fatores relacionados à qualidade em nossa mente, podemos analisar o seu comportamento histórico. Isso se faz necessário para que possamos entender como a qualidade se transformou ao longo do tempo. Visto isso, entendemos que a qualidade era sinônimo de processo conforme ou não conforme, tendo sido transformada em um conceito mais amplo a partir de pesquisas, fazendo com que o usuário final tivesse papel na gestão da qualidade e tivesse sua expectativa atendida. Quando a expectativa do usuário, cliente ou consumidor é atendida ou até mesmo superada, temos a qualidade presente em nosso processo, seja ele de produto ou serviço. E é a partir das abordagens históricas que vimos até aqui que o cliente entra em cena e pode ter seus direitos reivindicados, fazendo parte da história da gestão da qualidade. Quando entendemos os conceitos e conhecemos o percurso da gestão da qualidade, temos aporte teórico suficiente para entender o funcionamento da qualidade na prática, ou seja, como são abordadas as ferramentas da qualidade para que tenhamos algo de qualidade quando fornecemos um produto ou serviço. Dessa forma, encerrando o capítulo, a abordagem teórica das ferramentas da qualidade e suas filosofias abrem a compreensão para a futura utilização destas. Esse conhecimento teórico se faz necessário para que possamos conhecer o verdadeiro significado do porquê devemos aplicar tais ferramentas e para quais situações são demandadas. Assim, os objetivos do capítulo são sanados, visto que você possui aporte teórico suficiente para que o olhar crítico sobre a qualidade seja desenvolvido, tendo consigo todo o emaranhado de pensamentos que fazem parte das definições, aplicações e evoluções da gestão da qualidade. Por fim, esperamos que todo conhecimento adquirido até aqui possa aprimorar a sua visão e permita que a sua opinião em relação ao que é qualidade se una aos conceitos apresentados até o momento, uma vez que podem contribuir para a evolução das definições. Além disso, seu entendimento estará marcado na história da qualidade e novas ferramentas podem ser desenvolvidas por você e, ainda, as que já existem podem ser aprimoradas, ampliando os horizontes do que hoje chamamos de gestão da qualidade. 49 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira De Normas Técnicas. ABNT NBR ISO/IEC 17000:2005: Avaliação de conformidade – Vocabulário e princípios gerais. Rio de Janeiro, 2005. ALMEIDA, J. F. et al. Aplicação da metodologia MASP ao processo de alteração técnica de produtos em uma indústria de médio porte. Engenharia de Produção, Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável: a Agenda Brasil, v. 10. CAMPOS, V. F. TQC – Controle da Qualidade Total no estilo japonês. Belo Horizonte: Editora de Desenvolvimento Gerencial, 1999. CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. CARVALHO, M.; PALADINI, E. Gestão da qualidade: teoria e casos. Elsevier Brasil, 2013. CARVALHO, S. da C. S. Aplicação de métodos e ferramentas da qualidade no setor de envase em uma organização do segmento de cosméticos. 2018. CERQUEIRA, J. P. de. ISO 9000 no ambiente da qualidade total. Série Qualidade e Produtividade. Rio de Janeiro: Imagem Ed.; 1995. COSTA FILHO, C. F.; COELHO JÚNIOR, L. C. B.; COSTA, M. G. F. Indústria de cartucho de toner sob a ótica da remanufatura: estudo de caso de um processo de melhoria. Prod. v. 16, n. 1, São Paulo, jan./abr. 2006. DA FONSECA, A. V. M.; MIYAKE, D. I. Uma análise sobre o Ciclo PDCA como um método para solução de problemas da qualidade. XXVI Encontro Nacional de Engenharia de Produção, p. 1-9, Fortaleza, CE, 2006. DEMING, W. E. Qualidade: a revolução da administração. São Paulo: Marques Saraiva, 1990. FILHO, F. A. O. Indicadores da Qualidade: aplicação no setor de laminados de uma empresa metalúrgica cearense de transformação de alumínio. Revista nº 46 Tecnologia Fortaleza, artigo nº 19, p. 46-50. Dez. 1998. 50 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa FNQ.#24. Novo modelo de excelência da gestão. 2016. Disponível em: https:// prod.fnq.org.br/comunidade/wpcontent/uploads/2018/12/n_24_novo_modelo_de_ excelencia_da_gestao_meg.pdf. Acesso em: 20 dez. 2020. FRAGA, S. V. A qualidade na construção civil: uma breve revisão bibliográfica do tema e a implementação da ISO 9001 em construtoras de Belo Horizonte. Monografia apresentada à Escola de Engenharia da UFMG ao Curso de Especialização em Construção Civil com ênfase em: Gestão na Construção Civil. Belo Horizonte – Minas Gerais, 2011. GOLDBARG, M. C. TIMES – Ferramenta eficaz para a qualidade total. São Paulo: Makron Books, 1995. JURAN, J. M. Controle da Qualidade – HANDBOOK. Volume III. São Paulo: Makron Books, 1992. LOBO, R. N. Gestão da Qualidade. 1. ed. São Paulo: Érica, 2010. LOBO, R. N.; LIMEIRA, E. T. N. P.; MARQUES, R. N. 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O’HANLON, T. Auditoria da Qualidade com base na ISO 9001:2000: conformidade agregando valor. Tradução: Gilberto Ferreira de Sampaio. Editora Saraiva. São Paulo, 2006. 51 Conceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da QualidadeConceitos, Evolução E Marcos Teóricos Da Qualidade Capítulo 1 PALADINI, E.P. Gestão da qualidade: teoria e prática. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2016. PALADINI, E. P. et al. Avaliação Estratégica da Qualidade. São Paulo: Atlas, 2007. PINTO, J. S. et al. Análise do impacto da implantação da NBR ISO 9001:2000 em uma empresa metalúrgica da região metropolitana de campinas. Faculdades Integradas Metropolitanas de Campinas. Área Temática: Operações. 2006. RODRIGUES, M. V. Ações para a qualidade GEIQ: Gestão Integrada para a Qualidade padrão Seis Sigma, classe mundial. 2. ed. atual. e ampl. Rio de Janeiro: QualityMark, 2006. SELEME, R.; STADLER, H. Controle da Qualidade: as ferramentas essenciais. Curitiba: InterSaberes, 2011. SILVA, J. M. Administração empreendedora e qualidade. São Paulo: Saraiva, 1996. 52 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa CAPÍTULO 2 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • conhecer os conceitos de padronização e melhoria; • conhecer as ferramentas básicas da qualidade e aplicações; • desenvolver a habilidade de aplicação das ferramentas da qualidade; • aplicar as ferramentas da qualidade no meio industrial; • diagnosticar problemas e solucioná-los com as ferramentas da qualidade. 54 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 55 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Caro acadêmico! Neste capítulo, daremos continuidade aos assuntos tratados no Capítulo 1. Anteriormente, vimos as definições da qualidade sob a ótica de diversos pesquisadores renomados na área, as principais ferramentas da qualidade e como elas foram desenvolvidas, bem como apresentamos os gurus da qualidade, os quais são reconhecidos até hoje pelos avanços acrescentados ao conceito da qualidade e como ela pode ser aplicada nas organizações. No entanto, quando falamos de planejamento, controle e melhoria da qualidade, na maioria das situações práticas utilizamos ferramentas que podem ser qualitativas e/ou quantitativas. Qual a diferença entre ferramentas qualitativas e quantitativas? A principal diferença entre ferramentas quantitativas e qualitativas é: dados quantitativos apresentam números, enquanto dados qualitativos permitem compreender a complexidade e os detalhes dos dados obtidos. Os dados quantitativos visam coletar fatos concretos: números. São estruturados e estatísticos. Eles formam uma base para o uso da ferramenta. Variáveis quantitativas podem ser contínuas ou discretas. As variáveis do tipo contínuas. Já os dados qualitativos coletam informações que não buscam apenas medir um tema, mas descrevê-lo, usando impressões, opiniões e pontos de vista. As ferramentas qualitativas não utilizam cálculos e nem dados estatísticos para sua aplicação, mas necessitam de variáveis linguísticas ou análise a partir da observação de fatos para que possam ser colocadas em prática. Assim, este capítulo traz ferramentas qualitativas e quantitativas da qualidade e o passo a passo para que possam ser reproduzidas e aplicadas dentro das organizações, bem como exemplificar como fazê-las. Bons estudos. 2 FERRAMENTAS QUANTITATIVAS As variáveis quantitativas são caracterizadas por números e são classificadas de duas formas: 1. Contínuas: números com medições que podem assumir valores mensurados por meio de um instrumento matemático: Exemplos: massa (balança), tempo (relógio), idade (tempo) etc. 56 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 2. Discretas: as medições avaliam os números de contagem para um resultado direto e com sentido. Exemplo: número de filhos, número de animais, número de pessoa, etc. As variáveis qualitativas são variáveis que demonstram valores ligados à qualidade e classificam objetos, indivíduos etc. Podem ser: 1. Ordinais: são ordenadas como categorias. Exemplos: escolaridade, ano, idade, mês, classe social. 2. Nominais: doente ou sadio, ruim ou bom, cor dos olhos, marca preferida etc. As ferramentas da qualidade, em geral, podem ser qualitativas ou quantitativas, ou mesmo uma mistura dos dois. O que definirá serão as variáveis envolvidas na ferramenta. 2.1 ESTRATIFICAÇÃO A estratificação é uma das ferramentas da qualidade que podem ser úteis para que o processo esteja sob bom desempenho. É a partir dela que podemos analisar, de maneira visual, o comportamento dos dados de um determinado processo. Trivellato (2010) afirma que a ferramenta de estratificação é a divisão de um determinado grupo de dados em diversos subgrupos de acordo com os fatores desejados, os quais são conhecidos como fatores de estratificação. Se o gestor avaliar as causas que influenciam os processos de produção que podem ter alguma variação, esses fatores serão considerados possíveis fatores de estratificação. Alguns fatores são considerados como fatores naturais, ou seja, têm impacto nos processos de produção, tais como: turnos, máquinas, tempo, métodos, pessoas, medidas, matéria-prima, condições ambientais etc. Marshall Junior et al. (2008) exemplificam: pode-se imaginar como informação global o número de acidentes em uma indústria. Essa informação não ajuda a compreender o problema. Quando o total de ocorrências é estratificado por departamento, turno, por dia da semana, por tipo, por categoria, entre outras classificações (estratos), porém, fornece valiosas informações sobre onde, efetivamente, ocorre o problema para que este seja, então, tratado de forma sistemática. Os mesmos autores ilustram um exemplo de estratificação: Trivellato (2010) afirma que a ferramenta de estratificação é a divisão de um determinado grupo de dados em diversossubgrupos de acordo com os fatores desejados, os quais são conhecidos como fatores de estratificação. 57 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 GRÁFICO 1 – ESTRATIFICAÇÃO FONTE: Marshall Junior et al. (2008, p. 107) A estratificação é uma das mais simples ferramentas de qualidade de que dispõe para diagnósticos gerenciais (PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2011). Por exemplo: em uma vinícola, podemos saber a quantidade de uvas que um trabalhador pode colher ao longo de um dia de trabalho. Se estratificarmos mais, dividindo os trabalhadores em homens e mulheres, por turnos de trabalho, por meses do ano etc. Até chegar ao ponto de identificar que um desvio de produtividade é causado por condições ergonômicas inadequadas no posto de trabalho. 2.1 MATRIZ GUT Nas organizações, eventos programados e não programados acontecem o tempo todo. Alguns desses eventos exigem atenção imediata, enquanto outros podem receber um tratamento depois. Não é tão simples definir o que é mais prioritário dentro de inúmeros processos. Para auxiliar os gestores nessa questão, uma ferramenta importante é chamada Matriz GUT. De acordo com Marshall Junior et al. (2008), a matriz GUT é a representação de problemas ou riscos potenciais por meio de quantificações que procuram o estabelecimento de prioridades para abordá-los, objetivando a minimização dos seus impactos. A matriz GUT é utilizada na priorização de problemas e na análise de riscos. Os problemas são relacionados, conforme o quadro a seguir, e analisados sob os aspectos de gravidade (G), urgência (U) e tendência (T). 58 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa QUADRO 1 – MODELO CONCEITUAL DA MATRIZ GUT VALOR GRAVIDADE URGÊNCIA TENDÊNCIA G.U.T. 5 Gravíssima Ação imediata Agravar rapidamente 125 4 Muito grave Ação rápida Agravar no curto prazo 64 3 Grave Ação normal Agravar no médio prazo 27 2 Pouco grave Ação lenta Agravar no longo prazo 8 1 Menor gravidade Pode esperar acomodar 1 FONTE: Seleme e Stadler (2012, p. 100) De maneira geral, é atribuído um número inteiro entre 1 e 5 a cada uma das dimensões (G, U e T), correspondendo o 5 a maior intensidade e o 1 a menor, e multiplicam-se os valores obtidos para G, U e T para obtenção de um valor para cada problema ou fator de risco analisado. Os problemas ou fatores de risco que tiverem maior pontuação serão tratados com prioridade (MARSHALL JUNIOR et al., 2008). Vejamos um exemplo de matriz GUT para uma situação hipotética: QUADRO 2 – MATRIZ GUT MATRIZ GUT Problemas G U T GxUxT 1. Concepção do imóvel em não conformidade com as expectativas do mercado. 5 4 1 20 2. Demora na formação do grupo de investidores. 5 5 4 100 3. Retração dos investidores por tendências macroeconômicas. 4 3 3 36 4. Desistência de 25% dos investidores durante a execução da obra. 5 5 2 50 5. Esfriamento do mercado imobiliário. 4 3 3 36 6. Mão de obra adequada não disponível no momento requisitado. 5 5 3 75 7. Planejamento de custos inconsistente, com incorrência em gastos não orçados. 4 3 3 36 8. Planejamento de compras inconsistente. 5 3 2 30 9. Aumento do preço de insumos básicos e de acabamento. 5 5 4 100 10. Longos períodos de chuvas. 4 3 2 24 FONTE: Marshall Junior et al. (2008, p. 112) Os desdobramentos da utilização de uma matriz GUT são óbvios, ou seja, os problemas que recebem maior pontuação devem receber prioridade na solução, porém, após as ações, deve-se tornar outras medidas para assegurar que a ocorrência indesejada não se repita, por exemplo, treinamento e qualificação de colaboradores envolvidos no processo crítico. 59 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 Conforme Seleme e Stadler (2012), o uso da matriz GUT permite que a organização direcione de forma adequada os recursos, potencializando a solução que será encontrada. 2.3 FMEA (ANÁLISE DE MODOS DE FALHAS E EFEITOS) FMEA significa Failure Modes and Effects Analysis, traduzido como Análise de Modos de Falhas e Efeitos, e é uma metodologia que previne falhas e analisa os riscos dos processos. Isso acontece através da identificação de causas e efeitos, a fim de entender as ações que serão tomadas para impossibilitar as falhas. Segundo a NBR 5462:1994, a FMEA é um método qualitativo de análise da confiabilidade, que envolve o estudo dos modos de falha que podem existir, e a determinação dos efeitos que estes podem ter sobre o desempenho da função do sistema (ABNT, 1994). O modo de falha é composto pelo efeito, causa e detecção, em que o efeito é a consequência que a falha reflete no sistema; a causa é a razão da ocorrência da falha; e a detecção é a forma utilizada no controle dos procedimentos para que sejam evitadas as falhas. Segundo Garrido (2017), a FMEA é uma técnica para avaliação e aumento da confiabilidade, que determina os efeitos nos sistemas e falhas em equipamentos, antes mesmo da fase de processos. Pode ser utilizada em diversas áreas como em equipamentos semicondutores, sistemas hidráulicos e pneumáticos, indústrias siderúrgicas e para os circuitos elétricos. Esse método de análise de risco consiste principalmente em arranjar as atividades em grupos, detectando falhas e avaliando os efeitos. Com isso, são identificadas as ações a fim de eliminar ou restringir a probabilidade de ocorrência. As ações também objetivam que o cliente não receba produtos com falha de conformidade. No começo, a FMEA era destinada para avaliar situações em fase de projeto, contudo, pode ser usada ao decorrer do ciclo de vida dos equipamentos, a fim de localizar falhas à medida que o mesmo envelhece. Ou seja, também pode ser usada em componentes em operação, não mais com o foco em prevenção de falhas, mas trabalhando com as falhas que já são corriqueiras no sistema. • Conceitos básicos a) Causa da Falha: fatores que culminam na falha, ou seja, a razão primitiva para que as falhas ocorram. 60 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa b) Modo de Falha: maneira em que a falha é percebida, ou seja, descreve o modo em que o item deixa de realizar sua função. c) Efeito da Falha: consequência que o modo de falha exerce sobre a função do sistema em geral. d) Ocorrência de Falha (O): trata-se da quantidade de vezes em que a falha ocorre. e) Severidade de Falha (S): refere-se à gravidade da falha no momento em que ela decorre. f) Detecção de Falha (D): é a possibilidade de que se encontre a falha antes mesmo que ela venha a ocorrer. g) RPN – Risk Priority Number: é o cálculo associado ao modo de falha. A partir desse valor, devem ser priorizadas as deficiências do processo, para que seja possível tomar ações preventivas e corretivas (é necessário ordenar o RPN do maior para o menor). • Tipos de FMEA De acordo com Moubray (1997), a FMEA é dividida em três principais grupos, que mesmo separados por blocos, possuem o mesmo objetivo principal de identificar as falhas que podem vir a causar dano potencial ou prejuízo. 1. FMEA de Processo: identifica e previne falhas diretamente ligadas a processos de produção de um item. Tem por benefício, a identificação iminente dos modos de falha de processos, assim como a detecção de pontos importantes dos processos e a identificação de possíveis encolhimentos dos processos produtivos. 2. FMEA de Projeto: auxilia o processo de identificar e dificultar as falhas referentes à etapa de projeto, podendo ser utilizada desde o projeto de componentes isolados de um sistema, até o projeto do sistema em geral. Objetiva analisar e homologar os parâmetros do projeto antes de sua entrega. 3. FMEA de Sistema: de forma similar à FMEA de Projeto, esta é usada similarmente para analisar sistemas em sua fase primária de projeto, tendo como foco, os modos de falhaque estão presentes entre as conexões dos sistemas, incluindo o contato sistema-componentes. • Elaboração e Etapas da FMEA Os métodos para realização da FMEA são simples e se baseiam na identificação e disposição dos modos de falha em uma tabela, a fim de que a interpretação seja facilitada, que é elaborada por um grupo de colaboradores especializados. As etapas da FMEA são: 61 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 1. Definir o processo a ser analisado. 2. Definir os componentes da equipe. 3. Identificar os efeitos. 4. Reconhecer a principal causa e as secundárias. 5. Priorizar de acordo com o nível de risco. 6. Atuar mediante às ações preventivas. 7. Definir prazo e responsável pelas ações. • Cálculo do RPN Esta técnica calcula o valor do risco individual para cada falha, levando em consideração a severidade, ocorrência e a detecção da falha. Matematicamente falando, o valor é composto pela multiplicação desses três aspectos citados, de acordo com a seguinte fórmula: RPN = S x O x D Os fatores que resultam no RPN são conhecidos como a Severidade, a Probabilidade de Ocorrência e Probabilidade de Detecção. A Severidade (S) é avaliada de forma qualitativa com relação aos efeitos de modo de falha, em que cada um possui um grau correspondente variando de 1 a 10, conforme a tabela, proposta por Lafraia (2001). Nesta escala, o grau 1 representa um efeito de baixa gravidade e o de grau 10 indica alta gravidade. QUADRO 3 – CLASSIFICAÇÃO DE SEVERIDADE Classificação de severidade Ranking Marginal: o usuário naturalmente não perceberia a falha, uma vez que não teria efeito real no sistema. 1 Baixa: o usuário perceberia leves variações no desempenho do sistema, pois a falha causaria pequenos transtornos. 2 e 3 Moderada: o usuário notará uma razoável deterioração na atividade do sistema, podendo causar desconforto ao mesmo, uma vez que a falha ocasiona tal descon- forto. 4,5 e 6 Alta: alto nível de desagrado ao usuário, já que o sistema se torna inoperante, mas não há descumprimento de exigências legais, nem risco à segurança. 7 e 8 Muito alta: neste nível, há descumprimento das exigências legais, envolvendo riscos à segura operação do sistema. 9 e 10 FONTE: Adaptado de Lafraia (2001) 62 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa A Ocorrência (O) ou Probabilidade de Ocorrência estima a probabilidade de que ocorra uma falha. Para esta avaliação é usada uma escala qualitativa graduada de 1 a 10, conforme demonstrado a seguir: QUADRO 4 – CLASSIFICAÇÃO DA OCORRÊNCIA Classificação de Ocorrência Remota: falha hipotética 1 Baixa: relativamente poucas falhas 2 e 3 Moderada: falhas ocasionais 4, 5 e 6 Alta: falhas com repetições 7 e 8 Muito alta: falhas quase inevitáveis 9 e 10 FONTE: Adaptado de Lafraia (2001) Na fase de projeto devem ser consideradas as informações das literaturas técnicas, os dados do fabricante e em dados de componentes similares, mas quando os equipamentos estiverem em operação, devem ser considerados os históricos das falhas ocorridas, das manutenções e também o conhecimento dos colaboradores. Quando há dados quantitativos, há a necessidade de fazer uma equivalência com o Quadro 4, através da fórmula a seguir, arredondando o resultado para usar no cálculo do RPN: A Detecção (D) ou Probabilidade de Detecção avalia a probabilidade de detectar a falha antes que ela ocorra, ou tenha efeito sobre o sistema. Essa condição é a analisada para o grupo, modo de falha + efeito. Também é considerado de forma qualitativa, variando de 1 a 10, em que 1, a falha é detectável, e 10, o modo de falha não será detectado, de acordo com o quadro a seguir: 63 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 QUADRO 5 – CLASSIFICAÇÃO DE DETECÇÃO Classificação de Detecção Ranking Muito Alta: seguramente a falha será detectada 1 e 2 Alta: grande chance de determinar a falha 3 e 4 Moderada: determina a falha com probabilidade de 50% 5 e 6 Baixa: não é provável que a falha seja determinada 7 e 8 Muito baixa: improvável a detecção da falha 9 Absolutamente indetectável: com certeza a falha não será detectada 10 FONTE: Adaptado de Lafraia (2001) Após justificado cada item da composição do RPN, podemos fazer mais considerações sobre o mesmo, que é utilizado para privilegiar reparos e ações corretivas, ou seja, as falhas que possuírem valor mais elevado do RPN são priorizadas em termos das que possuem menor valor do RPN. A técnica cresce de acordo com o crescimento dos três fatores que a compõe: severidade, ocorrência de falha e detecção de falha. Como cada fator varia de 1 a 10, o RPN varia de 1 a 1000. Como o crescimento não é linear, o seu valor médio não corresponde a 500 e sim 125, pois desta maneira é composto pela média possível de cada fator que o compõe. De acordo com esta peculiaridade, RPN com valor entre 126 e 1000 são considerados de alta criticidade, com necessidade de ações prioritárias. A seguir, temos uma situação hipotética da utilização do FMEA: QUADRO 6 – EXEMPLO DE APLICAÇÃO DO FMEA Nome do componente Função do componente Modo de falha Efeito potencial O S D RPN Ação corretiva recomendada Motor Elétrico Bombardear água para a caixa d’água central Estator – Falha de isolamento Perda de fluxo 1 3 5 15 Estator – Enrola- mento danificado Perda de fluxo 4 4 6 96 Realizar inspeção mensalmente no estator Estator – Rotor Queimado Perda de fluxo 4 4 5 80 Realizar termo- grafia mensal- mente Estator – Vibra- ção excessiva Perda de fluxo 5 6 5 150 Realizar análise de vibração mensalmente Estator – Rola- mento travado Perda de fluxo 5 6 6 180 Realizar inspeção semanal no rolamento FONTE: Adaptado de Caviativa (2013) 64 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Analisando o exemplo, concluímos que o modo de falha “Estator – Rolamento travado” tem prioridade com a ação corretiva recomendada de realizar inspeção semanal no rolamento. A segunda prioridade é o “Estator – Vibração Excessiva” com ação corretiva de realizar análise de vibração mensalmente, e assim sucessivamente de acordo com o RPM do maior para o menor. 1) Uma das ferramentas estudadas até agora foi o FMEA, a qual possui alguns tipos que podem ser utilizados. Sabendo disso, assinale quais são os três tipos de FMEA: a) ( ) FMEA de projeto, FMEA de processo, FMEA de sistema. b) ( ) FMEA de empresa, FMEA de organização, FMEA de sistema. c) ( ) FMEA de projeto, FMEA de empresa, FMEA de sistema. d) ( ) FMEA de processo, FMEA de dispersão, FMEA de sistema. e) ( ) FMEA de dispersão, FMEA de processo, FMEA de projeto. 3 FERRAMENTAS QUALITATIVAS A partir de agora, serão apresentadas as ferramentas quantitativas da qualidade. Essas ferramentas possuem a capacidade de trabalhar com dados numéricos e transformá-los em informações para que o processo seja analisado. Com isso, ferramentas que transformam números em indicadores e que visam gerir a qualidade por meio de dados quantitativos. 3.1 BRAINSTORMING E VARIAÇÕES Essa ferramenta, também conhecida como tempestade de ideias, é um processo de grupo em que os indivíduos dão suas ideias de forma livre, sem críticas, sem pressão, dentro de um período de tempo previamente estipulado (MARSHALL JUNIOR et al., 2008). Custódio (2015) esclarece que o brainstorming busca ideias inovadoras e soluções de problemas, mediados por um líder, que apresentará o motivo da reunião e um secretário que anotará as ideias sem permitir que ocorram debates, desprezo ou críticas. Para esse autor, o brainstorming pode ocorrer de duas formas: 65 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesCapítulo 2 1. Estruturado: o grupo é organizado para cada um dar sua ideia, se a pessoa preferir, passa a vez, para que o próximo possa dar uma opinião. 2. Não estruturado: as pessoas dão sugestões à medida que elas surgem em suas mentes. Para Marshall Junior et al. (2008), o objetivo do brainstorming é o lançamento e detalhamento de ideias com certo foco, em um ambiente descontraído, com a solução do problema por meio da busca de sugestões dos participantes, a partir de um processo de criatividade em grupo. De acordo com os mesmos autores, a prática indica que os grupos não devem ter muitos integrantes, recomendando-se no máximo 15 colaboradores. A participação dos colaboradores deve ser voluntária, com as regras de participação bem claras. É fundamental a utilização de um facilitador, devidamente treinado para o gerenciamento da atividade em grupo. Marshall Junior et al. (2008) destacam que o brainstorming tem as seguintes características: 1. Capacidade de autoexpressão, livre de inibições ou preconceitos da própria pessoa ou de qualquer outro membro do grupo. 2. Liberação da criatividade. 3. Capacidade de aceitar e conviver com as diferenças conceituais e multidisciplinares. 4. Ausência de julgamento prévio. 5. Registro das ideias. 6. Capacidade de síntese. 7. Delimitação do tempo. 8. Ausência de hierarquia durante o processo. Custódio (2015) apresenta cinco etapas para um brainstorming efetivo, conforme o quadro a seguir: 66 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa QUADRO 7 – FASES PARA UM BRAINSTORMING EFETIVO ETAPA DETALHADAMENTO 1. Definição da equipe O grupo deve ser composto por um líder que conheça o problema ou necessida- de, um secretário que anotará as ideias, pessoas ligadas à solução do problema e pessoas de outros setores que possam auxiliar de forma criativa. Este grupo geralmente não ultrapassa 12 pessoas. 2. Introdução do tema O líder, na abertura da reunião, define as regras, definindo se utilizará a forma estruturada ou não estruturada, introduz o tema a ser trabalhado, mostrando a importância de cada participante no processo; caso haja necessidade, o proble- ma pode ser redefinido e ele pede que todos estejam concentrados nos objetivos e participem efetivamente. 3. Geração de ideias Permite-se um tempo para pensarem sobre o problema para que comecem a coleta de ideias, na qual cada participante vai falando e suas ideias anotadas pelo secretário. Essa parte da dinâmica deve durar até o esgotamento de ideias. O líder deve estar atento para que o assunto a ser abordado não seja desviado, prejudicamento o resultado esperado. 4. Análise e seleção de ideias O grupo deverá remover as ideias que não ajudam na busca do resultado e agru- par as que serão aproveitadas, observando que a participação no grupo é iguali- tária e não devem prevalecer as monopolizações e imposições. 5. Priorização de ideias As ideias relacionadas como importantes devem ser hierarquizadas, permitindo que sejam realizadas. FONTE: Adaptado de Pardo (2016) Podemos concluir que o brainstoming não é um simples bate-papo informal, mas é uma técnica bastante produtiva para a geração de ideias inovadoras e criativas que auxiliarão a obter resultados e resolver problemas. 3.2 APLICAÇÃO DOS 5S Os sensos devem ser aplicados na sequência em que foram apresentados. Nas organizações, o senso de descarte ou de liberação de áreas deve sempre vir primeiro, para que depois dele sejam aplicados o de organização e o de limpeza. Esses três primeiros são mais simples de se implementar por se constituírem em ações práticas perfeitamente visíveis e identificáveis. Vejamos a seguir, as ações que se fazem necessárias para a aplicação de cada um dos cinco sensos. 1. Ações para seiri – é necessário retirar do local objetos que não são utilizados rotineiramente no desempenho de uma função, devendo- se conhecer todas as peças, as ferramentas e os instrumentos para a realização do trabalho e manter somente esses elementos. 67 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 2. Ações para seiton – quanto aos objetos restantes, a organização deve buscar o menor es- forço de execução. Por exemplo, a ferramenta utilizada mais vezes no posto de trabalho nº 3 deve ser disposta de tal forma a ficar próxima desse posto. Uma solução simples são os quadros de ferramentas, vistos nas boas oficinas mecânicas, com a localização exata de uma ferramenta de acordo com o seu tipo. 3. Ações para seiso – a manutenção de pisos, bancadas e equipamentos permite, além da localização rápida de elementos do trabalho, a identificação das situações chamadas não conformes. Locais com manchas, entulhos e outras inadequações devem ser limpos e monitorados. 4. Ações para seiketsu – a verificação das três ações anteriores serve de alerta para o funcionário, que deve manter o estado ideal e o padrão estabelecido. Essa ação de auxílio ao funcionário deve ser executada pelo superior imediato já devidamente treinado nos sensos. 5. Ações para shitsuke – os funcionários precisam aceitar verdadeiras melhorias no trabalho. Assim, um plano de incentivos em direção à busca dessas melhorias pode trazer bons resultados à organização e ao ambiente de trabalho. Os cinco sensos desempenham um papel fundamental nas organizações, mas não somente nelas. Podem ser aplicados em escritórios, ambientes prestadores de serviços que trabalham com o público, sistemas logísticos de transporte e distribuição, hospitais, setores individuais ou na organização como um todo. Sua aplicação transforma e educa o funcionário não somente para o trabalho, mas também em sua vida pessoal. Dada sua importância, os cinco sensos, em muitas organizações, são estendidos aos familiares dos funcionários em treinamentos e visitas realizadas às instalações de fábricas e sistemas produtivos. O sucesso na implementação dos cinco sensos depende de um programa de manutenção das ações propostas, por isso não devem ser realizados somente uma única vez, sob pena de se perderem no tempo. Outra consideração fundamental é que o programa seja apoiado e incentivado pelas instâncias superiores como parte de uma abordagem estratégica implantada pela organização. 68 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa As principais ferramentas da qualidade estão presentes na seção a seguir, pois fazem parte das sete principais ferramentas da qualidade. No entanto, alguns autores consideram o processo de certificação algumas ferramentas qualitativas da qualidade. Por exemplo, pesquise no artigo escrito por Severo e Sousa (2016), Ferramentas Quantitativas e Qualitativas para Avaliação da Sustentabilidade das Edificações as certificações disponíveis. 1) Qual o objetivo do brainstorming? 4 AS SETE PRINCIPAIS FERRAMENTAS DA QUALIDADE As sete ferramentas da qualidade são utilizadas por todas as organizações e não se limitam apenas à produção de bens de consumo, mas a todos àqueles que pretendem manter a qualidade em harmonia em seu processo. Foram desenvolvidas e aprimoradas pelos gurus da qualidade, os quais foram apresentados no Capítulo 1 e serão trabalhadas nesta seção as suas aplicações. Na maior parte da literatura são apresentadas sete ferramentas básicas (e principais) da qualidade, que são, de acordo com Barros e Bonafini (2014): 1. Diagrama de causa e efeito. 2. Folha de verificação. 3. Histograma. 4. Gráfico de Pareto. 5. Diagrama de dispersão/correlação. 6. Fluxograma. 7. Gráfico de controle. Há outras ferramentas, além dessas mencionadas, porém, nesse primeiro momento, daremos atenção especial a essas sete ferramentas. 69 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 Quando aplicadas de maneira correta, as ferramentasnão beneficiam só a área da qualidade, mas também podem ser benéficas a outras áreas, como a área de segurança no trabalho, conforme exposto pelo SINTRIVEL. A notícia pode ser acessada em https:// sintrivel.com.br/noticia/as-ferramentas-da-qualidade-na-gestao-da- seguranca-e-saude-no-trabalho-sst/. 4.1 DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO Essa ferramenta, que também pode ser chamada de Diagrama de Ishikawa ou Espinha de Peixe tem como objetivo auxiliar os gestores a lidar com problemas e suas reais causas. Esse gráfico é uma ferramenta de representação das possíveis causas que levam a um determinado efeito. As causas são agrupadas por categorias e semelhanças previamente estabelecidas durante o processo de classificação (MARSHALL JUNIOR et al., 2008). Esse gráfico se aplica: [...] quando o efeito de um processo é problemático, isto é, quando o processo não gera o efeito desejado. Buscam-se então as causas analisando o que se convencionou chamar de 6Ms – medição, materiais, mão de obra, máquinas, métodos e meio ambiente. Nem sempre é necessário analisar todos esses aspectos, e isso vai depender das especificidades de cada processo (PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2011, p. 88). Marshall Junior et al. (2008, p. 105) destacam que a “grande vantagem é que se pode atuar de modo mais específico e direcionado ao detalhamento das causas possíveis”. Shoji, Graham e Walden (1997) dizem que para que a análise das causas seja passível de ensino e difusão, deve existir um processo claro pelo qual se possa considerar causas possíveis de um determinado problema. Esse processo gira justamente em torno da construção do diagrama de causa e efeito. Marshall Junior et al. (2008) dizem que dependendo da complexidade do diagrama, é possível desdobrar algumas causas em um novo diagrama de causa e efeito, com maior profundidade e detalhamento, permitindo assim uma abordagem com mais detalhes. 70 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa O ideal é construir o diagrama de forma colaborativa, com a participação das pessoas que têm algum vínculo com o processo que está sob análise. Assim, garante-se que não se excluirá nenhum aspecto importante. É importante lembrar que o gerenciamento envolve o entendimento de processos, ou seja, um conjunto de entradas e transformando em um conjunto de saídas. Assim, poderíamos pensar em um gráfico de causa e efeito, como um processo, ilustrado na figura 1: FIGURA 1 – DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO FONTE: Adaptado de Sant’ana e Blauth (1999) Como podemos perceber, o diagrama pode ser ajustado às necessidades da organização, primeiramente no estabelecimento das responsabilidades por meio da designação da autoridade de cada elemento ou ação. Percebemos também que a análise é representada pelos 6 Ms, que são: • 1 M (materiais): refere-se à análise das características de materiais quanto a sua uniformidade, padrão etc. • 2 M (máquina): diz respeito à operacionalização do equipamento e ao seu funcionamento adequado. • 3 M (método): considera a forma como serão desenvolvidas as ações. • 4 M (meio ambiente): avalia qual situação pode ser a causa de um determinado efeito (situações de execução e/ou de infraestrutura fixa). • 5 M (mão de obra): caracteriza o padrão da mão de obra utilizada, se ela é devidamente treinada, se tem as habilidades necessárias, enfim, se está qualificada para o desempenho da tarefa. • 6 M (medida): traduzida pela forma como os valores são representados (por distância, tempo, temperatura etc.) e pelos instrumentos de medição utilizados. 71 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 Os 6 Ms são os aspectos que caracterizam as causas ou as ações que produzem os efeitos. No exemplo a seguir (Figura 2), podemos verificar sua aplicação. O diagrama é de fácil representação ou construção, como podemos perceber, e o próprio nome indica que ele tem um formato de espinha de peixe. Na extremidade, que se assemelha à cabeça do peixe, temos o problema ou o efeito apresentado. FIGURA 2 – DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO PARA UMA AULA COM QUALIDADE TOTAL FONTE: Adaptada de Sant’ana e Blauth (1999) Os 6 Ms estão representados pelos cinco grandes grupos anotados na espinha, que são: atendimento ao aluno, domínio do conteúdo, entusiasmo do professor, didática, relacionamento do professor com os alunos. A partir daí, identificamos quais elementos compõem cada um dos grupos e realizamos sua análise verificando a ocorrência ou não do efeito apresentado como consequência. Portanto, podemos utilizar a ferramenta para a identificação de efeitos positivos e negativos, o que possibilita a potencialização do primeiro e a eliminação do segundo. 4.2 FOLHA DE VERIFICAÇÃO Essa ferramenta de qualidade serve para coletar dados, já que para uma efetiva aplicação das ferramentas da qualidade é essencial que se trabalhe com dados confiáveis, que possam ser tratados e transformados em informações que ajudarão na tomada de decisão. 72 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Para Werkema (2006), a Folha de Verificação é uma ferramenta gerencial de extrema importância, pois representa um meio de facilitar, organizar e padronizar a coleta e registro de dados, para que a sua posterior compilação e análise sejam otimizadas. Uma folha de verificação é um formulário, na qual constam os itens a serem examinados, para facilitar a coleta e o registro dos dados. Trivellato (2010, p. 27) destaca os principais objetivos na utilização da Folha de Verificação: • Facilitar o trabalho de quem realiza a coleta de dados; • Organizar os dados durante a coleta, evitando que haja a necessidade de se organizar os dados posteriormente; • Padronizar os dados que serão coletados, independente de quem realize a coleta. Para Marshall Junior et al. (2008, p. 109), a “Folha de verificação é uma ferramenta usada para quantificar a frequência com que certos eventos ocorrem, num certo período de tempo”. Já Kume (1993) diz que folhas de verificação são documentos utilizados para registrar anotações, o que é feito de forma ordenada e já direcionada para o problema ou situação que se deseja resolver. São três tipos de folhas de verificação: 1. Para a distribuição do processo de produção. 2. Para item defeituoso. 3. Para registro de reclamações de clientes. O primeiro modelo, representado a seguir, destina-se ao acompanhamento do processo produtivo, com vistas a avaliar se as peças fabricadas estão dentro do padrão e qual a frequência com que ocorrem as não conformidades. Essas informações servem de base para outras ferramentas, tais como o histograma (que será abordado adiante) e a confecção da curva representativa do processo. Sua utilização é bastante simples, uma vez que, a partir do modelo apresentado, já parametrizado (ou seja, com o padrão especificado), o apontador somente registra as ocorrências conforme elas se apresentam: 73 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 QUADRO 8 – FOLHA DE VERIFICAÇÃO PARA A DISTRIBUIÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO Especificação desvio anotações frequência5 10 15 1,0 × × 2,00 0,9 × × 2,00 0,8 × × 2,00 0,7 × × × 3,00 0,6 × × × 3,00 Especificação 0,5 × × × 3,00 0,4 × × × × 4,00 0,3 × × × × × × 6,00 0,2 × × × × × × × × 8,00 0,1 × × × × × × × × × × 10,00 5,000 0 × × × × × × × × × × × 11,00 -0,1 × × × × × × × × × × 10,00 -0,2 × × × × × × × × 8,00 -0,3 × × × × × × 6,00 -0,4 × × × × 4,00 Especificação -0,5 × × × 3,00 -0,6 × × × 3,00 -0,7 × × × 3,00 -0,8 × × 2,00 -0,9 × × 2,00 -1,0 × × 2,00 FONTE: Adaptado de Seleme e Stdler (2012) No exemplo de Seleme e Stdler (2012), o apontador registrou que, no processo produtivo apresentado com padrão de 5,0 ± 0,05 (especificação), foram produzidas: 11 unidades com a medida de 5,0;10 unidades com medida de 5,0 e desvio de +0,1; 10 unidades com medida de 5,0 e desvio de -0,1. Isso permite que sejam registradas automaticamente as frequências com que as medidas ocorrem para a construção de histogramas e a análise do processo. Outro modelo é o apresentado no Quadro 9, a seguir, que possibilita identificar a ocorrência de itens defeituosos no processo produtivo. Estes são registrados na folha de verificação, em que são anotados também os defeitos que aparecem em cada peça, quando realizada a verificação do produto. 74 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Nesse caso, a peça poderá ter mais de um defeito, por exemplo, trincas e deformações, necessitando de uma marcação em cada tipo de defeito. Essa ação permite identificar em qual processo está ocorrendo o problema e se é necessário intervir a fim de que os defeitos apresentados sejam reduzidos. QUADRO 9 – FOLHA DE VERIFICAÇÃO PARA ITEM DEFEITUOSO FONTE: Adaptado de Seleme e Stdler (2012) Esse quadro mostra que, no lote de 3.000 unidades analisadas, 60 unidades apresentaram defeitos, os quais somam 82, caracterizando-se, assim, mais de um defeito por peça. Um terceiro exemplo vem da área de prestação de serviços, na qual a folha de verificação demonstra muito a sua força quando requer que as organizações estruturem seus processos de serviço e mantenha-os sob controle. 75 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 QUADRO 10 – FOLHA DE VERIFICAÇÃO PARA REGISTRO DE RECLAMAÇÕES DOS CLIENTES Mês Atendimentos Reclamações Unidades % Janeiro 13508 111 0,82 Fevereiro 14370 118 0,82 Março 11240 121 1,08 Abril 11070 110 0,99 Maio 13580 130 0,96 Junho 12340 118 0,96 Julho 1440 120 0,83 Agosto 15080 130 0,86 Setembro 15250 135 0,89 Outubro 14870 138 0,93 Novembro 15180 142 0,94 Dezembro 15390 120 0,78 Totais/Ano 166318 1493 0,90 FONTE: Adaptado de Seleme e Stdler (2012) Como podemos observar, as folhas de verificação são ferramentas poderosas para a análise de processos e a melhoria de qualidade, pois identificam defeitos e variações e possibilitam a execução de ações efetivas, focadas no problema. A folha de verificação pode ser analisada de forma horizontal, como ocorre normalmente, mas também de forma vertical, quando se deseja analisar o impacto do período de tempo considerado. Porém, “a folha de verificação não considera pesos, ou ainda, níveis de importância relativa entre os eventos, o que pode ser fundamental para uma análise mais apurada” (MARSHALL JUNIOR et al., 2008, p 109). É a partir da folha de verificação que se torna possível a aplicação de outras ferramentas para analisar problemas. Sendo assim, a folha de verificação é um ponto de partida para o controle de qualidade (PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2011). 4.3 HISTOGRAMA Essa ferramenta surge como uma ferramenta estatística para o tratamento de dados. O histograma é um gráfico de barras que indica a distribuição de dados categorizados. Na medida em que os gráficos de controle mostram o comportamento de uma variável ao longo do tempo, o histograma fornece uma fotografia da variável num determinado instante, representando uma distribuição de frequência. As frequências são agrupadas estatisticamente na forma de 76 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa classes, mas quais observa-se a tendência central dos valores e sua variabilidade (MARSHALL JUNIOR et al., 2008). Barros e Bonafini (2014, p. 44) esclarecem que o histograma “sempre parte de uma coleta de dados, que pode ser realizada por meio de uma folha de verificação”. Podemos construir um histograma a partir de uma distribuição de classes e frequências, conforma a tabela a seguir: TABELA 1 – DISTRIBUIÇÃO HIPOTÉTICA DE CLASSES E FREQUÊNCIAS DE UMA BASE DE DADOS FONTE: Barros e Bonafini (2014, p. 15) A partir dessa tabela de distribuição de classes e frequências, construímos o histograma, conforma ilustrado a seguir: GRÁFICO 2 – HISTOGRAMA FONTE: Barros e Bonafini (2014, p. 16) 77 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 Sendo assim, conseguimos visualmente identificar muito mais facilmente a causa ou frequência de um problema ou efeito. • Passos para a construção de um histograma Para exemplificar, consideremos que, em um dado processo de medição de espessura de chapas de madeira, foram extraídas nove amostras, com dez elementos em cada uma, e queremos estabelecer qual(is) é(são) a(s) espessura(s) que apresenta(m) as maiores ocorrências, ou frequência maior. A Tabela 2 mostra os valores resultantes das medições. TABELA 2 – RESULTADOS DE MEDIÇÕES PARA CONTROLE DE FREQUÊNCIA amostra resultado das medições máx. mín. 1-10 10,04 10,07 10,09 10,09 10,04 10,04 10,08 10,13 10,17 10,10 10,17 10,04 11-20 10,11 10,14 10,02 10,16 10,05 10,06 10,08 10,14 10,12 10,10 10,14 10,02 21-30 10,12 10,09 10,09 10,09 10,08 10,11 10,17 10,15 10,07 10,14 10,17 10,07 31-40 10,08 10,06 10,05 10,14 10,10 10,12 10,13 10,10 10,09 10,08 10,13 10,05 41-50 10,14 10,09 10,10 10,10 10,13 10,09 10,01 10.12 10,09 10,06 10,13 10,01 51-60 10,13 10,06 10,17 10,10 10,12 10,08 10,09 10,14 10,16 10,11 10,17 10,06 61-70 10,10 10,06 10,08 10,08 10,10 10,11 10,09 10,17 10,16 10,11 10,16 10,06 71-80 10,12 10,07 10,10 10,09 10,08 10,08 10,08 10,12 10,09 10,05 10,12 10,05 81-90 10,07 10,11 10,04 10,08 10,12 10,11 10,12 10,11 10,08 10,08 10,12 10,04 limites 10,17 10,01 FONTE: Adaptada de Seleme e Stdler (2012) Nesse caso, para o tratamento dos dados, foram realizados os seguintes passos: 1. Cálculo da amplitude, que é traduzido pela diferença entre o maior e o menor valor dos elementos de cada amostra por meio da determinação do máximo e do mínimo valor de cada amostra. Para o cálculo, temos como amplitude o valor de R= 10,17 – 10,01 = 0,16. O próximo passo é a determinação do intervalo de classe. 2. Para determinar o intervalo de classe, devemos realizar a divisão da amplitude por valores numéricos que permitam a obtenção de uma quantidade de intervalos entre 5 e 20, aproximadamente. No exemplo, o intervalo de classe é obtido da seguinte forma: 0,16 / 0,02 = 8 ou 0,16 / 0,05 = 3,2 ou 0,16 / 0,10 = 1,6. Escolhemos, portanto, 8 intervalos de classe por serem valores entre 5 e 20. A partir do número de classe, passamos a definir as classes por meio da utilização do menor valor. Portanto, a primeira classe deve conter o menor valor apresentado nas medições (esse valor, em nosso exemplo, é igual a 10,01) e a 78 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa classe final deve conter o maior valor (esse valor, em nosso exemplo, é igual a 10,17). Assim, temos a variação total que deve ser considerada. Então, dividimos a variação encontrada pelo número de classes, obtendo (10,17–10,01) / 8 = 0,02. Desse modo, cada classe, a partir da primeira, terá um incremento de valor de 0,02. Devemos ainda trabalhar, nesse caso, com uma casa decimal a mais para a determinação e o estabelecimento das classes. Para a primeira classe, ficamos com a seguinte situação: a) Iniciamos com o valor de 10,01; acrescentando mais uma casa decimal, obtemos 10,005 da seguinte forma: (10,01 – 0,005) = 10,005. b) Incrementamos com o valor encontrado 0,02, obtendo 10,03; acrescentando mais uma casa decimal, temos 10,035. Assim, chegamos aos valores iniciais e finais da primeira classe. Para o restante, acrescentamos o incremento de 0,02. Agora temos todas as condições para prepararmos a tabela de frequência. Devemos ainda estabelecer o ponto médio de cada uma das classes e obter as frequências a partir da contagem das ocorrências dentro do intervalo de classe, o que gera a tabela a seguir. TABELA 3 – DETERMINAÇÃO DE FREQUÊNCIAS classe médio frequência 10,005 10,035 10,020 2 10,035 10,05510,045 7 10,055 10,075 10,065 10 10,075 10,095 10,085 26 10,095 10,115 10,105 18 10,115 10,135 10,125 12 10,135 10,155 10,145 8 10,155 10,175 10,165 7 90 FONTE: Adaptada de Seleme e Stdler (2012) Devemos tomar o cuidado para que a somatória das leituras represente exatamente o número realizado. Para o caso das chapas de madeira, construímos o histograma (Gráfico 3) considerando, no eixo vertical, o número de ocorrências dentro de cada classe e, no horizontal, os intervalos de classe correspondentes (faixas de espessura das chapas). Podemos definir também a espessura média das chapas. 79 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 GRÁFICO 3 – HISTOGRAMA FONTE: Adaptado de Seleme e Stdler (2012) Como pode-se verificar, identificamos perfeitamente as classes e as frequências no histograma construído, permitindo uma análise por segmentos ou grupos de amostras e dados. A maior parte das amostras realizadas indicam que o processo produz, com uma frequência maior, chapas com espessuras entre 10,075 e 10,095. Se quisermos melhorar o processo, devemos identificar e estabelecer padrões de qualidade com variações menores. Na construção do histograma, estabelecemos uma série de medidas úteis à análise dos dados e da distribuição, visualizada por meio de sua representação gráfica. Identificamos, então, a forma da distribuição dos dados, a tendência central nos dados e a dispersão (o quanto os dados estão espalhados). A média da amostra é a medida de tendência central mais importante e é traduzida por: Outra medida de tendência central é a mediana, que se traduz por um valor que ocupa a posição central dos dados, colocados em ordem crescente e analisados. A quantidade dos dados pode ser par ou ímpar, o que dificulta a identificação da mediana. Se for ímpar, a mediana é o valor central da série e, se for par, é obtido através da média dos dois valores centrais. 80 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Medida importante também é a moda ou valor modal, que é aquele que aparece frequentemente mais vezes em uma determinada amostra, ou seja, o que tem a maior frequência. Já as medidas de dispersão são utilizadas para verificar o quão dispersos são os valores da amostra apresentada. Constituem medidas de dispersão a amplitude total, o desvio quartil, o desvio médio, a variância e o desvio padrão. A amplitude total é a diferença encontrada entre o maior e o menor valor da amostra considerada. Quando os dados estão agrupados em classes, a amplitude pode ser obtida pela diferença entre o ponto médio da última classe e o ponto médio da primeira classe ou a diferença entre o limite superior da primeira classe e o limite inferior da última classe. O desvio quartil permite dividir a distribuição em quatro partes iguais, ou seja, com o mesmo número de elementos. A divisão se dá com o auxílio da mediana, em que o primeiro quartil (quartil inferior) é obtido através da mediana dos dados abaixo da mediana de toda a amostra; o segundo quartil é a própria mediana, enquanto o terceiro quartil (quartil superior) é a mediana dos dados superiores à mediana de toda a amostra. Assim, o desvio quartil é representado pela média da diferença entre o terceiro e o primeiro quartil. O desvio médio é utilizado para analisar a dispersão dos valores de uma série ou amostra com relação à média e é representado por: A variabilidade dos dados amostrais é representada pela variância amostral. Somente existe variância se existe variação. Se todos os dados forem iguais, a variância da amostra é igual a S2 = 0. Em outros casos, é representada por: , em que S² é a variância. A variação dos dados amostrais também pode ser representada pelo chamado desvio padrão amostral, que é traduzido por: , em que S é o desvio padrão. 81 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 Conforme Montgomery (2004), o resultado obtido com a aquisição dos dados caracteriza o tipo de distribuição. Em uma classificação geral, é possível ter duas distribuições de probabilidade: a distribuição discreta e a distribuição contínua. A distribuição discreta se caracteriza quando o parâmetro que está sendo medido só pode assumir valores únicos, e a distribuição contínua acontece quando a variável que está sendo medida é expressa em uma escala contínua. Vejamos, a seguir, exemplos das duas distribuições: GRÁFICO 4 – CASO DISCRETO E CASO CONTÍNUO FONTE: Adaptado de Montgomery (2004) Disso depreendemos que o estudo das distribuições permite ao gestor compreender melhor como se comporta uma amostra a partir de sua distribuição, possibilitando, então, a realização de inferências sobre a qualidade de um processo. Com o crescente desenvolvimento dos mercados é significativa também a utilização de parâmetros estatísticos para a caracterização da população, seja na resolução de problemas, seja na definição de tendências. O item a seguir elucida essa questão e constitui-se em uma aplicação prática das distribuições aqui apresentadas 4.4 GRÁFICO DE PARETO Mariani (2005, p. 117) diz que é de Pareto o princípio de que “poucas coisas são vitais, sendo a maioria delas triviais”. Segundo o chamado princípio de Pareto, 80% dos efeitos são derivados de 20% das causas. Esse princípio também é conhecido como princípio dos 80/20. 82 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • Construindo o gráfico/diagrama de Pareto Obtivemos, a partir de uma folha de verificação para item defeituoso, os dados apresentados na tabela a seguir, em que temos a quantidade em função do tipo de defeito apresentado na peça. Consideremos que seja necessário reduzir os problemas apresentados “atacando” aqueles de maior ocorrência. Para isso, construímos a tabela, ordenando os defeitos por uma quantidade maior de ocorrências. Assim, o defeito riscos deve ser relacionado primeiramente e, por penúltimo, o de menor ocorrência, nesse caso o defeito cor. Existe também o item outros, que se refere a diversos defeitos que não são significativos inicialmente, mas que devem também ser considerados para a análise. Com a quantidade ordenada dos itens, estabelecemos as quantidades acumuladas de defeitos em unidades, calculamos os percentuais por defeitos e os percentuais acumulados e temos, assim, os resultados indicados na tabela a seguir: TABELA 4 – TABELA PARA CONSTRUÇÃO DO GRÁFICO DE PARETO FONTE: Adaptada de Seleme e Stdler (2012) Defeito Ocorrências quantidade (q) acumulada (a) quantidade (%) acumulada (%) riscos 24 24 29,27% 29,27% deformação 17 41 20,73% 50,00% trincas 13 54 15,85% 65,85% frestas 10 64 12,20% 78,05% rugosidade 8 72 9,76% 87,80% cor 7 79 8,54% 96,34% outros 3 82 3,66% 100,00% 82 100,00% Verificamos, nesse caso, que o item risco representa 29,27% dos problemas detectados no processo de fabricação da peça. Após ordenarmos os itens pela quantidade dos maiores para os menores problemas, deixando o item outros para o final, iniciamos a construção do diagrama (Gráfico 5), definindo dois eixos verticais, um pelo número de defeitos, que varia de 0 a 82, e outro que varia percentualmente pelo número de defeitos. Na horizontal, indicamos o tipo do defeito na ordem descrita anteriormente. Estabelecendo barras para a caracterização do número de defeitos, temos o defeito riscos com sua barra indo até a quantidade de ocorrências registradas. Repetimos o processo para os outros itens na sequência estabelecida. Marcamos 83 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 também, para acompanhamento, os valores acumulados em percentuais, por meio de um gráfico de linha, o que permite a visualizaçãototal de todos os problemas comparativamente. GRÁFICO 5 – DIAGRAMA DE PARETO POR ITENS DEFEITUOSOS FONTE: Adaptado de Seleme e Stdler (2012) Podemos verificar visualmente o impacto que o gráfico traduz. Fica evidenciado que o item riscos é o causador do maior número de defeitos e que, se o “atacarmos”, isto é, se nos concentrarmos em sua resolução, reduziremos o maior número de defeitos apresentados. Portanto, além da análise, um dos maiores benefícios trazidos pelo gráfico é o seu formato simplificado, que torna possível sua transmissão aos funcionários com relativa facilidade. 4.5 DIAGRAMA DE DISPERSÃO As situações que acontecem em uma organização são dependentes de vários fatores. Um resultado pode depender diretamente de uma ação ou processo. Um problema pode ter várias causas, sendo que algumas podem estar 84 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa mais relacionadas ao problema do que outras. Para descobrir a relação entre essas tantas variáveis utilizamos a ferramenta Diagrama de Dispersão, também chamada de gráfico de dispersão ou diagrama de correlação. Marshall Junior et al. (2008) destacam que o diagrama de dispersão auxilia na visualização da alteração sofrida por uma variável quando outra se modifica. Um exemplo seria o impacto do incremento de fertilizantes sobre a produtividade (quantidade colhida por hectare plantado). Conforme se aumenta a quantidade de fertilizante, aumenta-se a produtividade. Outro exemplo seria tentar verificar se há correlação entre o número de horas-extras realizadas por funcionários da produção com a quantidade de erros nos processos de fabricação. Para se chegar a alguma conclusão é preciso colher dados de duas variáveis dentro do mesmo período de tempo. A seguir, temos um exemplo de gráfico de dispersão, em que se apresenta uma correlação entre a aplicação de fertilizantes e o aumento da produtividade. GRÁFICO 6 – DIAGRAMA DE DISPERSÃO FONTE: Lélis (2012, p. 65) Marshall Junior et al. (2008) advertem que esse diagrama serve apenas para demonstrar a intensidade da relação entre as variáveis selecionadas, não garantindo que uma variável seja causa de outra, não garantindo a causa-efeito. Dependendo da dispersão apresentada é possível identificar diferentes níveis de correlação: positiva, negativa ou sem correlação. Os diagramas de dispersão podem ter vários tipos de comportamentos dependendo se as variáveis analisadas têm correlação ou não e se uma possível correlação é forte, fraca ou nula. Na figura a seguir, apresentamos os possíveis resultados de um gráfico de dispersão: 85 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 FIGURA 3 – DIAGRAMAS DE DISPERSÃO FONTE: Barros e Bonafini (2014, p. 53) Werkema (2006), no Quadro 11, apresenta os passos a serem seguidos para construção de um Diagrama de Dispersão, ressaltando que, geralmente, essa construção é feita por meio de softwares estatísticos, que tornam a tarefa mais simples. QUADRO 11 – ETAPAS PARA A CONSTRUÇÃO DE UM DIAGRAMA DE DISPERSÃO ETAPAS PARA A CONSTRUÇÃO DE UM DIAGRAMA DE DISPERSÃO 1) Colete pelo menos 30 pares de observações (x,y) das variáveis cujo tipo de relacionamento será estudado. 2) Registre os dados coletados em uma tabela. 3) Escolha a variável que será representada no eixo horizontal x. Essa variável deve ser aquela, que, por algum motivo, é considerada preditora da outra variável, a qual será plotada no eixo y. 4) Determine os valores máximo e mínimo das observações de cada variável. 5) Escolha escalas adequadas e de fácil leitura para os eixos horizontal e vertical. O menor valor da escala deve ser menor que o mínimo e o maior da escala deve ser maior que o máximo das observações da variável correspondente. Os comprimentos dos dois eixos devem ser aproximada- mente iguais. 6) Desenhe as escalas em papel milimetrado. 7) Represente no gráfico os pares de observações (x,y). 8) Registre as informações importantes que devem constar no gráfico: - Título; - Período da coleta; - Número de pares de observações; - Identificação e unidade de medida de cada eixo; - Identificação do responsável pela construção do diagrama. FONTE: Werkema (2006, p. 164) 86 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 4.6 FLUXOGRAMA Essa ferramenta nada mais é do que uma representação gráfica que possibilita fácil visualização dos passos de um processo. Apresenta a sequência lógica e de encadeamento de atividades e decisões, isso permite que obtenhamos uma visão integrada do fluxo de um processo técnico, administrativo ou gerencial, o que proporciona uma análise crítica para identificação de falhas e de oportunidades de melhorias (MARSHALL JUNIOR et al., 2008). Os símbolos usados para desenhar um fluxograma são padronizados, de modo que “qualquer pessoa que os conheça é capaz de compreender o funcionamento do processo, tão somente examinando os símbolos constantes em sua representação gráfica” (PEARSON EDUCATION DO BRASIL, 2011, p. 96). Marshall Junior et al. (2008), por meio da figura a seguir, apresentam um exemplo de fluxograma. 87 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 FIGURA 4 – EXEMPLO DE FLUXOGRAMA FONTE: Marshall Junior et al. (2008, p. 108) Custódio (2015) salienta que para se construir um fluxograma é preciso conhecer antecipadamente as atividades, incluindo os formulários que compõem o fluxo do processo. Existem vários tipos de fluxogramas: • Diagramas de bloco ou linear: não envolve tomada de decisão e permite uma rápida avaliação de um processo. • Fluxograma funcional: permite a visualização da interface entre os departamentos; na construção, pode-se definir uma linha de tempo para identificação dos processos com restrição. 88 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • Fluxograma Ansi: desenvolvido pela American National Standards Institute (Ansi), é muito utilizado na programação de sistemas e na gestão da qualidade e negócios por sua capacidade de representar fielmente os processos. • Fluxograma de processo simples: estruturado para a tomada de decisões, indicando de forma simplificada o processo para um conjunto de atividades. Veja um exemplo de um fluxograma de processo simples: FIGURA 5 – EXEMPLO DE UM FLUXOGRAMA DE PROCESSO SIMPLES FONTE: Adaptada de Custódio (2015) 89 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 4.7 GRÁFICO DE CONTROLE Também chamada de carta de controle, essa ferramenta auxilia os gestores a lidar com a padronização de processos. Custódio (2015, p. 29) define da seguinte forma essa ferramenta: [...] é um gráfico usado no acompanhamento de processos em que se determina um limite superior, um limite inferior de controle e uma linha media. Tais limites são estatisticamente determinados. Essa carta é muito utilizada nas empresas por ser a ferramenta que melhor capta o processo e pode contribuir para sua melhoria. Pearson Education do Brasil (2011, p. 96) credita a Shewhardt a concepção da Carta ou Gráfico de Controle e complementa que “é um método que permite a análise da variação a qual um processo está submetido, mostrando se essa variação está dentro do padrão médio esperado ou se apresenta um desvio que precisa ser investigado”. Marshall Junior et al. (2008, p. 103) definem a carta de controle: “A carta de controle é um tipo específico de gráfico e controle que serve para acompanhar a variabilidade de um processo, identificando suas causas comuns (intrínsecas ao processo) e especiais (aleatórias)”. As causas comuns estão relacionadas ao funcionamento do próprio sistema enquanto as causas aleatórias refletem ocorrênciasfora dos limites de controle (MARSHALL JUNIOR et al., 2008, p. 103). Para tanto, Shewhart idealizou os gráficos de controle, que podem ser de tipos diferentes, em função do controle que queremos executar. Esses tipos são apresentados no quadro a seguir, juntamente com uma descrição dos usos desenvolvidos. 90 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa QUADRO 12 – TIPOS DE GRÁFICOS DE CONTROLE Valor caracterís- tico Nome Usos valor contínuo (variáveis) gráfico x – r (média e amplitude) É usado para controlar e analisar valores, tais como comprimento, peso etc. gráfico x (valor individual) É usado quando os dados de um processo são ob- tidos em intervalos muito grandes e não podem ser divididos em subgrupos. valor discre- to (atributos) gráfico pn (número de itens defeituosos) É usado quando a característica da qualidade é repre- sentada pelo número de itens defeituosos e amostras de tamanho constante. gráfico p fração defeituosa) É usado quando a característica da qualidade é re- presentada pela fração defeituosa com amostras de tamanho variável. gráfico c (número de defeitos) É usado para analisar um processo a partir dos defei- tos em uma amostra de tamanho constante. gráfico u (número de defeitos por unidade) É usado para analisar um processo a partir dos defei- tos em uma amostra de tamanho variável. FONTE: Adaptado de Kume (1993) Paladini (2002) aponta que o primeiro modelo básico se caracteriza pela avaliação por variáveis (valor contínuo) e o segundo modelo, por atributos (valor discreto). No primeiro caso, a análise é quantitativa e temos interesse em determinar a variação e os desvios que ocorrem no processo. No segundo, as características de qualidade não são medidas. Assim, por exemplo, no acendimento de lâmpadas, apenas avaliamos se acendem ou não. Enquanto a análise do primeiro grupo (valor contínuo) é quantitativa, a análise do segundo (valor discreto) é qualitativa. A representação dos gráficos de controle é, em geral, muito simples e de fácil compreensão, entretanto as análises resultantes são complexas e demandam estudos acessórios. Representamos o gráfico de controle com eixos nos quais determinamos as faixas de aceitação, trabalho ou operação, sendo que é por meio delas que realizamos a análise. A seguir, no gráfico, apresentamos o modelo geral dos gráficos de controle. 91 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 GRÁFICO 7 – MODELO DE REPRESENTAÇÃO PARA GRÁFICOS DE CONTROLE FONTE: O autor Como podemos verificar no gráfico, o eixo vertical indica as amostras e o eixo horizontal é reservado à representação dos valores médios (LC), dos limites superiores de controle (LSC) e dos limites inferiores de controle (LIC). De forma geral, somente realizamos a aceitação dos valores se estes estiverem entre os limites superiores e inferiores representados no gráfico. Se os pontos estiverem fora dessa faixa, podemos afirmar que o processo está fora de controle e, portanto, devemos revisá-lo. Para a aplicação dos gráficos de controle, temos a lista de fórmulas constantes do quadro a seguir, para o estabelecimento dos limites de controle. Os gráficos de controle, nesse caso, são construídos para uma especificação de controle de 3 σ (3 desvios padrões) em relação à média do processo. QUADRO 13 – FORMULÁRIO PARA GRÁFICOS DE CONTROLE FONTE: O autor 92 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Para saber sobre o funcionamento dos demais gráficos de controle, o livro de Douglas Montgomery, Introdução ao controle estatístico da qualidade, é indicado. Para o gráfico x (apresentado no Quadro 13), o valor de Rm representa a amplitude móvel, uma vez que a amplitude não pode ser obtida já que os intervalos entre eles são muito grandes. Nos demais gráficos, representa a fração defeituosa e o tamanho do subgrupo ou lote analisado. Assim, é traduzido por: Em que: = número de itens defeituosos = quantidade dos subgrupos Não basta que se construam os gráficos de controle, é necessário interpretá- los para que com eles seja possível identificar uma possibilidade de melhoria no processo em análise. Os seguintes critérios devem ser considerados: 1. pontos fora dos limites de controle; 2. sequência de pontos de controle em número superior a 6, acima ou abaixo da linha de controle; 3. quando as sequências de pontos apresentam uma tendência crescente ou decrescente; 4. quando 3 ou mais pontos consecutivos estão na faixa entre 2 e 3 sigmas; 5. a proximidade excessiva dos pontos em relação à linha central também pode indicar uma seleção errada na formação dos subgrupos; 6. quando a sequência dos pontos apresenta uma periodicidade, traduzindo uma tendência de pontos acima e abaixo da linha central Muitas vezes, os gráficos de controle somente permitem identificar o local de origem das causas, que podem ser obtidas por meio de ferramentas e processos complementares no estudo da qualidade. Quando se identificam essas causas, é preciso estabelecer e implementar as ações corretivas necessárias à solução do problema. 93 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 A situação exemplificada a seguir exibe uma aplicação da utilização dos gráficos de controle na identificação de situações-problema. • Exemplificando gráficos de controle por variáveis Situação: uma empresa começou a realizar o atendimento de seus clientes em seu próprio estabelecimento e considera como item de controle mais importante o tempo de espera e atendimento ao cliente, sendo que esse tempo deve situar-se em 12,00 min ± 2,00 min. Os dados apresentados se referem às primeiras amostras obtidas. número de amostras consideradas: 4 = k tamanho das amostras: 4 = n dados: 12,00 ± 2,00 QUADRO 14 – AMOSTRAS E MEDIDAS amostra 1 medida 1 12,00 amostra 2 medida 1 10,00 medida 2 13,00 medida 2 12,00 medida 3 11,00 medida 3 13,00 medida 4 13,00 medida 4 11,00 amostra 3 medida 1 12,00 amostra 4 medida 1 12,00 medida 2 13,00 medida 2 14,00 medida 3 14,00 medida 3 12,00 medida 4 11,00 medida 4 11,00 FONTE: O autor Resolução: o gráfico é o tipo , uma vez que o valor analisado é mensurável; portanto, é feita a análise por variáveis. Assim, calcularemos os valores de e de cada amostra para, então, calcularmos . No exemplo considerado temos: Cálculo da média: n = tamanho do subgrupo ou o tamanho da amostra. 94 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Cálculo da amplitude: R1 = maior valor – menor valor = 13,00 – 11,00 = 2,00 = amplitude da amostra 1. Então, temos para as quatro amostras os seguintes valores e os respectivos cálculos de e : TABELA 5 – MÉDIA E AMPLITUDE FONTE: O autor Com os valores de e , podemos calcular os limites de controle para as amostras coletadas. Os valores de A2 , D3 , D4 podem ser obtidos na tabela de coeficientes, de acordo com o tamanho do subgrupo ou o tamanho da amostra, nesse caso, quatro amostras. TABELA 6 – COEFICIENTES PARA O GRÁFICO , R E DESVIO PADRÃO n desvios padrão médias amplitudes C2 B3 B4 A2 A3 D2 D3 D4 2 0,7979 - 3,2670 1,8800 2,5900 1,1280 - 3,2670 3 0,8862 - 2,5680 1,0230 0,9540 1,6930 - 2,5750 4 0,9213 - 2,2660 0,7290 0,6280 2,0590 - 2,2820 5 0,9400 - 2,0890 0,5770 0,4270 2,3260 - 2,1150 6 0,9515 0,0300 1,9700 0,4830 1,2870 2,5340 - 2,0040 7 0,9594 0,1180 1,8820 0,4190 1,1820 2,7040 0,0760 1,9240 8 0,9650 0,1850 1,8150 0,3730 1,0990 2,8470 0,1360 1,8640 9 0,9693 0,2390 1,7610 0,3370 1,0320 2,9700 0,1840 1,8160 10 0,9727 0,2840 1,7160 0,3080 0,9750 3,0780 0,2230 1,7770 11 0,9754 0,3210 1,6790 0,2850 0,9270 3,1730 0,2560 1,7440 12 0,9776 0,3540 1,6460 0,2660 0,8860 3,2580 0,2840 1,7160 13 0,9794 0,3820 1,6180 0,2490 0,8500 3,3360 0,3080 1,6920 14 0,9810 0,4060 1,5940 0,2350 0,8170 3,40700,3290 1,6710 15 0,9823 0,4280 1,5720 0,2230 0,7890 3,4720 0,3480 1,6520 16 0,9835 0,4480 1,5520 0,2120 0,7630 3,5320 0,3640 1,6360 17 0,9845 0,4660 1,5340 0,2030 0,7390 3,5880 0,3790 1,6210 18 0,9854 0,4820 1,5180 0,1940 0,7180 3,6400 0,3920 1,6080 19 0,9862 0,4970 1,5030 0,1870 0,6980 3,6890 0,4040 1,5960 95 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 20 0,9862 0,5100 1,4900 0,1800 0,6800 3,7350 0,4140 1,5860 21 0,9876 0,5230 1,4770 0,1730 0,6630 3,7780 0,4250 1,5750 22 0,9882 0,5340 1,4660 0,1670 0,6470 3,8190 0,4340 1,5660 23 0,9887 0,5450 1,4550 1,1620 0,6330 3,8580 0,4430 1,5570 24 0,9892 0,5550 1,4450 0,1570 0,6190 3,8950 0,4520 1,5480 25 0,9896 0,5650 1,4350 0,1530 0,6060 3,9310 0,4590 1,5410 FONTE: Adaptado de Kume (1993) Vejamos os cálculos dos LSCs e dos LICs para a média e a amplitude: QUADRO 15 – LIMITES DE CONTROLE FONTE: O autor • Gráfico e aplicação Na construção do gráfico da média, analisamos os pontos fora do gráfico, a tendência e a proporção padrão 70%. GRÁFICO 8 – MÉDIA FONTE: O autor 96 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Consideramos que 70% dos pontos estarão em torno da linha média central se os pontos tiverem o comportamento de uma distribuição normal, representando aproximadamente 68,26% para (desvio padrão). Na construção do gráfico da amplitude, analisarmos pontos fora do limite e o padrão de distribuição. GRÁFICO 9 – AMPLITUDE FONTE: O autor Conclusões: verificamos que não existem pontos fora dos limites de controle da média e da amplitude, de modo que o processo se mantém estável dentro dos parâmetros de 70% em torno da linha média, atendendo, inclusive, às necessidades da especificação de 12,00 min ± 2,00 min. Portanto, nesse caso, com os dados apresentados, o processo é capaz de atender às especificações. 1) O que é um gráfico de controle? 97 Ferramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas AplicaçõesFerramentas E Metodologias Para Avaliação Da Qualidade E Suas Aplicações Capítulo 2 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Este capítulo apresentou as aplicações das ferramentas da qualidade, e como fazê-las, que são quantitativas e qualitativas, exemplificando o passo a passo das mais diversas ferramentas que possuímos para que a qualidade possa ser mantida dentro de uma organização. Com o auxílio dessas ferramentas, a qualidade, que antes era mantida apenas com um atributo de um produto ou serviço, agora pode ser transformada como um requisito essencial para que a empresa obtenha sucesso no mercado competitivo. Quando aplicadas de maneira eficiente, as ferramentas não visam apenas melhorar a qualidade percebida pelos clientes, mais influenciam na opinião dos próprios colaboradores da organização. Por exemplo, quando mantemos um processo produtivo padronizado e temos instruções claras de como fabricar determinado produto, o colaborador terá a seu dispor todas as informações de que precisa, fazendo com que erros sejam minimizados e a segurança dentro do processo se faça presente. Como fechamento, temos que a qualidade deve estar presente e beneficiar todos os agentes que estão envolvidos nos processos, seja da manufatura de um produto ou na oferta de um serviço, prezando pela satisfação dos usuários e melhorar a qualidade de vida no trabalho dos colaboradores. REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileira De Normas Técnicas. NBR 5462:1994: confiabilidade e mantenabilidade. Rio de Janeiro, 1994. BARROS, E.; BONAFINI, F. Ferramentas da Qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. 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Belo Horizonte: Werkema Editora, 2006. 100 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa CAPÍTULO 3 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • saber os sistemas de Medição de Desempenho; • saber os processos e agentes da gestão da qualidade; • saber o processo de gestão da qualidade total; • conhecer o conceito de Sistema de Medição de Desempenho bem como a metodologia BSC para medição de desempenho; • conhecer as características do modelo de gestão da qualidade; • conhecer os agentes de decisão, transformação e consolidação da gestão da qualidade; • estudar as normas de certificação de qualidade; • estudar sobre o processo de benchmarking. 102 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 103 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De CompetitividadeE Melhoria Contínua Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Prezado aluno! Neste livro, até o momento, foram estudados no primeiro capítulo os conceitos da qualidade, a sua abordagem histórica e foi realizada uma abordagem conceitual das ferramentas da qualidade que ajudam a tornar as organizações competitivas. No segundo capítulo, passamos a estudar a aplicação das principais ferramentas da qualidade e como podem auxiliar no processo de tomada de decisão, bem como destacou-se a importância em utilizá-las para que as organizações possuam a qualidade presente em seus processos. Até o presente momento, como está sendo o processo de aprendizagem? Necessitamos dos conceitos e filosofias estudados para que o conteúdo seja continuado. Desta forma, este capítulo apresentará os sistemas de medição de desempenho e como são suas aplicações, assim como há exemplos e situações que podem ser replicadas no seu cotidiano. Além disso, trazemos a gestão da qualidade total (do inglês, Total Quality Management), um sistema amplamente utilizado ao redor do mundo e que será útil para que seja aplicado no seu cotidiano. Por fim, o capítulo apresenta o benchmarking, o qual está intrinsicamente relacionado ao conceito de competitividade dentro das organizações e é um dos tópicos mais abordados e requisitos aos profissionais no cenário em que nos encontramos. Com isso, o convidamos a fazer uma leitura do capítulo para que seus conhecimentos sejam aprimorados. Bons estudos! 2 SISTEMAS DE MEDIÇÃO DE DESEMPENHO A partir de agora, estudaremos os sistemas de medição de desempenho. Como o próprio nome sugere, serão abordadas as quantificações que podem auxiliar no processo de tomada de decisão na gestão da qualidade por meio de medições. 104 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Podemos compreender a medição de desempenho como uma técnica utilizada para quantificar a eficiência e a eficácia das atividades de um negócio. A eficiência vai tratar da utilização econômica dos recursos, levando em consideração um determinado nível de satisfação. A eficácia avalia o resultado de um processo em que se avalia se as expectativas dos clientes são ou não atendidas (NEELY et al., 1995). Eficácia: • Atender às expectativas dos clientes. • “Fazer as coisas certas”. Como exemplo, pensaremos no transporte coletivo. Pode ser eficaz ao atender à expectativa dos clientes, ou seja, levando-os de um lugar para outro. A eficácia diz relação ao que é esperado pelos clientes e se isso é ou não atendido. Eficiência: • Medida econômica na utilização dos recursos. • Produtividade dos recursos. • “Fazer certo as coisas”. Tomando o mesmo exemplo do transporte coletivo, a eficiência diz relação ao preço da passagem, se é de baixo custo ou não, se é um ônibus econômico e se os recursos do transporte estão funcionando corretamente. FIGURA 1 – PROCESSOS EFICIENTES X EFICAZES FONTE: Adaptada de O’Mara et al. (1998) 105 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 O’Mara et al. (1998) dizem que um sistema de medição de desempenho não apenas fornece dados necessários para controlar as várias atividades da empresa, mas também pode influenciar as decisões e o comportamento da organização. Já Stainer e Nixon (1997) dizem que um sistema de medição focado em metas pode ser um valioso instrumento que pode propor mudanças importantes na administração de processos. Martins (1999) afirma que existe uma divisão temporal na formulação de sistemas de medição de desempenho. Antes da década de 1990, os sistemas baseavam-se apenas em indicadores financeiros. Após a década de 1990, os sistemas passam a buscar também o uso de outras dimensões de desempenho. Bititci et al. (1997) dizem que existe um grande número de organizações que possuem e utilizam extensos sistemas de medição de desempenho baseados em indicadores financeiros e de custos. Por esses sistemas serem fundamentados em técnicas e métodos tradicionais, eles falham em apoiar os objetivos estratégicos das empresas e não promovem a melhoria contínua. Indicadores de desempenho tradicionais são baseados em sistemas contábeis, financeiros e de custos. Alguns exemplos de indicadores de desempenho tradicionais são: Retorno sobre o investimento (ROI), Retorno sobre o patrimônio, Retorno sobre vendas, Variação nos preços, Vendas por funcionário, Lucro por unidade produzida, Margem de lucro, Produtividade etc. Porém, esses indicadores possuem muitas limitações. A principal delas é que esses indicadores são em grande parte baseados em sistemas gerenciais cujo foco é a lucratividade e o controle e a redução dos custos de mão de obra. Noble (1997) complementa que os indicadores tradicionais são também limitados porque: a) os indicadores financeiros são em algumas vezes muito velhos para serem úteis; b) eles quantificam o desempenho e outros esforços de melhoria somente em termos financeiros e contábeis; c) possuem um formato predeterminado que é utilizado pelos vários departamentos da empresa. Todo registro é inflexível e ignora o fato de que cada um tem suas únicas e próprias características, prioridades e contribuição; d) tendem a ser incompatíveis com o conceito de melhoria contínua; e) não são aplicáveis às novas técnicas gerenciais que dão às operações de chão de fábrica mais responsabilidade e autonomia em planejamento, qualidade, produção e manutenção. Bititci et al. (1997) afirmam que a maioria dos pesquisadores acredita que há necessidade de reformulação nos sistemas de medição de desempenho e que 106 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa estes contemplem não apenas os indicadores financeiros. White (1996) afirma que parte dessas pesquisas surge a partir da necessidade de que cada empresa deve utilizar medidas que sejam relevantes para sua própria situação. Por outro lado, alguns dados são comuns a todas as empresas. A padronização é uma forma de evitar a proliferação desnecessária de medidas e ter a certeza que as variáveis realmente importantes estão sendo corretamente medidas. Há na literatura, propostas de sistemas de medição de desempenho. Algumas das mais importantes, segundo Martins (1999), são: Balanced Scorecard (BSC) (KAPLAN; NORTON, 1992); SMART – Performance Pyramid (CROSS; LYNCH, 1990); Sistema de Medição de Desempenho Integrado (BITITCI et al. 1997). Sendo assim, constatando que somente indicadores tradicionais não são capazes de mostrar a realidade da empresa, Neely et al. (1995) propõem uma análise de medição de desempenho em três níveis: os indicadores de desempenho individuais, um sistema de medição de desempenho e como este sistema se relaciona com o ambiente. Dentro dessa discussão, a análise dos indicadores passa pelas seguintes questões: • Quais indicadores serão utilizados? • Para que eles são utilizados? • Quanto irão custar? • Que benefícios eles trarão? Dessa maneira, Neely et al. (1995) dizem que os indicadores de desempenho individuais fazem parte de um conjunto maior chamado de dimensões de desempenho, que são divididos em qualidade, tempo e flexibilidade. Assim, pode-se ver um sistema de indicadores de desempenho como um conjunto integrado de dimensões de desempenho, desdobradas em indicadores individuais que visam fornecer informações sobre desempenho para determinados objetivos. Para Meyes (1994), Neely et al. (1995), Eccles e Pyburn (1992) e Bititci et al. (1997), um sistema de indicadores de desempenho deve conter dados para monitorar o passado e o presente e planejar o futuro. Os indicadores de desempenho devem ser integrados dentro de um único sistema, em que se deve considerar informações dos vários sistemas para fornecer a quantidade necessária de dados em termos de acuracidade e confiabilidade. Os gestores, ao configurá-los, devem resolver questões como o desenvolvimento de metodologias para a coletados dados, assim como a periodicidade e destino. Devem também prover a solução de conflitos entre os indicadores, a inclusão da cultura da empresa e o apropriado equilíbrio do sistema com o ambiente que o envolve, levando em consideração as medidas internas (da própria organização) e externas (consumidores e concorrentes). Ao longo do tempo, o desenho de 107 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 qualquer sistema de indicadores de desempenho deve refletir as operações básicas do suporte organizacional, sempre lembrando da relação intrínseca entre indicadores de desempenho e a estratégia da empresa. Dornier et al. (2000, p. 629) dizem que “os indicadores de desempenho são as ferramentas-chave do sistema de controle, permitindo ações e decisões coerentes, acertadas e orientados para a estratégia”. Na Figura 2 verificamos uma importante função dos indicadores nos resultados das ações geradas pela organização em relação a sua estratégia. FIGURA 2 – RELAÇÃO ENTRE A ESTRATÉGIA E OS INDICADORES FONTE: Dornier et al. (2000, p. 630) Uma das deficiências da maioria das empresas é ligar a estratégia de longo prazo às ações de curto prazo. Um bom planejamento estratégico não garante que as ações, que visam implementá-lo, ocorrerão como desejado. As declarações de visão e de estratégia não se convertem em ações nos níveis locais sem os meios adequados (KAPLAN; NORTON, 2000). Destacamos que um SMD deve combinar indicadores de resultado e de desempenho futuro. Os indicadores de resultado (indicadores de fatos) são consequências de esforços passados e atendem à função de controle, pois possibilitam uma análise evolutiva com a comparação de dados passados. Os indicadores de desempenho futuro (indicadores de tendência) são consequências dos objetivos estratégicos e combinam a função de planejamento, pois possibilitam uma análise prospectiva, em que é realizada uma comparação entre planejado e realizado. 108 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 2.1 SISTEMAS TRADICIONAIS DE MEDIÇÃO DE DESEMPENHO De acordo com Kaplan (1983), entende-se por SMD tradicional, aqueles sistemas oriundos da contabilidade de custos tradicional e baseados excessivamente em indicadores financeiros. Esses sistemas enfatizam duas importantes perspectivas ao se avaliar o desempenho: a busca pela eficiência operacional e o gerenciamento orientado por uma visão financeira e contábil. A busca por essa eficiência operacional tem sua origem na Escola da Administração Científica. Os indicadores utilizados buscam representar o grau de utilização dos recursos organizacionais. Os indicadores mais comuns são os índices relacionados com produtividade. Com o sucesso do modelo de produção em massa, eles passaram a aparecer de maneira expressiva no processo de provisão de informações para a gestão das indústrias. Atualmente, muitas empresas produzem lotes de vários produtos de baixo custo, com alta qualidade e com características que dependem das necessidades e expectativas dos clientes, isso tudo em um ambiente com constante mudança tecnológica. Sendo assim, sistemas de medição de desempenho que utilizam somente indicadores de eficiência, do uso dos recursos financeiros e físicos não são mais adequados ao novo ambiente fabril. 2.1.1 Incoerência dos SMD Tradicionais Diante do exposto anteriormente, observamos que o uso dos SMD tradicionais possui uma série de incoerências quando comparados a uma nova realidade das organizações. Algumas dessas incoerências são: • Visão Fragmentada: uma estrutura organizacional por departamentos e a irrelevância das informações financeiras e contábeis para o gerenciamento diário das operações levaram às diversas áreas funcionais a criarem seus respectivos SMD, a fim de atender as suas necessidades correntes. Segundo Bititci (1994 apud KIYAN, 2001), as práticas de contabilidade de custo são empregadas para controlar os processos separadamente. Como isso, projetos de melhoria isolados são encorajados sem a devida consideração sobre os objetivos e a visão de negócios gerais. Segundo Goldratt (1998), essa visão fragmentada 109 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 se deve à forma de analisar os resultados financeiros, com o enfoque nos custos e não nos lucros. Podemos entender melhor fazendo uma analogia a um processo logístico, que seria uma espécie de corrente. Cada elo representa um departamento, desde compras, suprimentos até o elo que representa a distribuição. Nesta corrente, o indicador mais próximo do custo de cada departamento é o peso de cada elo. Sendo assim, podemos verificar que controlar os custos leva o gestor a uma determinada forma de administrar e de medir o desempenho, pois diminuindo o peso ou o custo de um elo, o gestor está diminuindo o peso ou o custo da corrente como um todo. Com enfoque no lucro (ou ganhos), o indicador mais próximo do ganho de cada departamento seria a resistência de cada elo. Assim, o comportamento seria diferente, pois aumentando a resistência ou o ganho de um elo, o gestor não estaria necessariamente aumentando a resistência ou ganho da corrente como um todo. Assim, segundo Goldratt (1998), o enfoque nos ganhos induziria o gestor a administrar localmente com foco no resultado global da empresa. • Ênfase na Eficiência Produtiva: o foco na eficiência do processo foi, por muito tempo, uma das estratégias que trazia a vantagem competitiva em um ambiente onde a dimensão custo representava um fator de sucesso. Porém, este cenário modificou-se, forçando as organizações a buscarem novas formas de competir em um mercado competitivo e ofertante. Atender aos novos requisitos, como rapidez de entrega, confiabilidade, segurança de operação, disponibilidade de produtos personalizados, entre outros, tornou-se, então, pontos a serem priorizados pelas empresas. O cenário atual exige que a eficácia, indicador do quanto o esforço organizacional atende às expectativas dos clientes e benchmarking, seja ponderada com a questão da eficiência, quando do direcionamento dos planos de ações. • Ênfase no Financeiro em detrimento da Estratégia: segundo Kaplan e Norton (1996 apud KIYAN, 2001), as medidas financeiras empregadas são muito genéricas e não estão relacionadas com objetivos estratégicos específicos que promovem uma vantagem competitiva sustentável. Sendo assim, estes sistemas acabam deixando de avaliar dimensões como satisfação do cliente, exposição da imagem da marca perante futuros clientes, entre outros, pois estes são difíceis de serem quantificados em termos de moeda (ou financeiros). Ressaltamos que, apesar dos SMD tradicionais apresentarem prioritariamente indicadores de desempenho financeiros, Martins (1999) observa que os indicadores de produtividade não são financeiros e existem desde o início da Revolução Industrial. Porém, não tinham a representatividade necessária para se contrapor ao enfoque nas medidas financeiras, pois o uso e o relato delas era restrito aos supervisores e ao “staff” da produção. 110 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • Deficiência na divulgação dos indicadores em tempo hábil: a necessidade de informação em tempo hábil, para suportar a gestão das operações diárias, acaba não sendo atendida pelos SMD baseados em informações financeiras e contábeis. Segundo Johnson e Kaplan (1991 apud KIYAN, 2001), os dados mensais de poucas contas podem ser relevantes para o controle de custo. Porém, a maioria das ações da produção - para controle do trabalho, materiais, utilização de equipamentos, níveis de estoque, serviços e resultados - ocorrem diariamente. Se um problema surge, os gestores de produção precisarão lidar com eles imediatamente, não podendo esperar até o mês seguinte paradescobrir as não conformidades na produção. Schalkwyk (1998 apud KIYAN, 2001) ressalta que a compilação e manipulação de dados financeiros demandam um longo período de tempo, estes dados não possuem utilidade quando se exige uma rápida tomada de decisão. Concluímos que os SMD tradicionais baseados em informações financeiro/contábeis vão perdendo sua importância à medida que se distanciam dos níveis estratégicos da organização, tornando os níveis mais operacionais da empresa os mais aptos a perceber ganhos com o uso de indicadores não financeiros. 2.2 NOVOS MODELOS DE SISTEMAS DE MEDIÇÃO DE DESEMPENHO Neely et al. (1995) apresentam sete grandes contingências que podem ser apontadas como fatores que contribuíram para a evolução dos SMD que são: • Mudança da Natureza do Trabalho Os SMD tradicionais alocam os custos indiretos tomando como base o trabalho direto. A diminuição da representatividade dos custos da mão de obra direta nos custos totais do produto. Para muitas indústrias, essa diminuição resultou em um problema de distorção na maneira de se ratear os custos indiretos. • Aumento da Competição O aumento da concorrência força as empresas a reduzir custos e fornecer um maior “valor” para seus clientes. Isso afetou os SMD tradicionais pelo fato de ter que competir em outras dimensões além do custo - como qualidade de serviço, flexibilidade e velocidade - forçando as organizações a buscarem informações de desempenho em relação às outras empresas. O aumento da concorrência levou também a mudanças na posição estratégica no mercado. Assim, as empresas também foram forçadas a mudar a forma de medição de desempenho. 111 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 • Mudanças dos Papéis Organizacionais Vários gestores passaram a apresentar posturas mais ativas em relação à questão da medição de desempenho. Segundo os autores, muitas das críticas sobre os SMD baseados em sistemas contábeis partiram da própria comunidade contábil (NEELY et al., 1995). Os gerentes de recursos humanos também assumiram um papel bastante ativo no desenvolvimento de um SMD, visto que o tema impacta expressivamente em questões que vão desde a influência dos indicadores sobre o comportamento das pessoas até o desenvolvimento de sistemas de recompensa baseados no desempenho. • Mudanças das Demandas Externas As organizações estão sujeitas a uma grande variedade de demandas externas, que implicam sobre a medição de desempenho. As empresas devem prover informações do desempenho para atender às necessidades dos vários grupos que compõem a comunidade de stakeholders. 2.2.1 Balanced Scorecard (BSC) Apesar de hoje termos uma grande variedade de sistemas de medição de desempenho, iremos apresentar o Balanced Scorecard (BSC) (tradução: indicadores equilibrados), por se tratar do sistema mais difundido na literatura e um dos mais utilizados atualmente. A metodologia BSC foi desenvolvida em 1992 por Robert Kaplan e David Norton, professores da Harvard Business School. A princípio, o BSC foi anunciado como um modelo que visava avaliar a performance organizacional, no entanto, quando foi de fato aplicado nas organizações, acabou se transformando em uma metodologia para a gestão estratégica. Segundo Kaplan e Norton (1997, p. 2), “o Balanced Scorecard traduz a missão e a estratégia das empresas num conjunto abrangente de medidas de desempenho que serve de base para um sistema de medição e gestão estratégica”. Além disso, é um instrumento que integra as medidas derivadas da estratégia sem deixar de lado as medidas financeiras, que são a base de qualquer planejamento estratégico. Para Kaplan e Norton (1997), o balanced scorecard reflete o equilíbrio entre objetivos de curto e longo prazo, entre medidas financeiras e não financeiras, entre indicadores de tendências e ocorrências e, também, entre as perspectivas internas e externas de desempenho. Esse conjunto serve como base para o sistema de “O Balanced Scorecard traduz a missão e a estratégia das empresas num conjunto abrangente de medidas de desempenho que serve de base para um sistema de medição e gestão estratégica”. 112 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa mensuração e gestão estratégica por meio do qual o desempenho organizacional é avaliado sob quatro perspectivas: financeira, do cliente, dos processos internos da empresa e do aprendizado e crescimento. Esse conjunto de informações possibilita que a empresa acompanhe não somente a performance sob indicadores financeiros, mas a da empresa como um todo. Ao relacionar os objetivos, as iniciativas e os indicadores com a estratégia da empresa, o BSC garante o alinhamento das ações das diferentes áreas organizacionais em torno de objetivos estratégicos comuns e das metas a atingir, permitindo que a própria estratégia seja avaliada e atualizada conforme o desempenho organizacional. Porém, Kaplan e Norton (1997) afirmam que o balanced scorecard é mais do que um sistema de medidas táticas ou operacionais. Empresas inovadoras utilizam o scorecard como um sistema de gestão estratégica para administrar a estratégia a longo prazo. Conforme representa a figura a seguir, no centro do BSC encontram- se a visão e a estratégia da empresa. FIGURA 3 – BALANCED SCORECARD FONTE: Adaptada de Kaplan e Norton (1997) Segundo Kaplan e Norton (1997), as empresas adotam o BSC para viabilizar processos gerenciais críticos e alinhá-los com suas estratégias. Os autores destacam que o BSC introduz novos processos gerenciais que, isolados ou em conjunto, contribuem para alinhar objetivos de longo prazo com ações de curto prazo e alertam, ainda, que empresas que utilizam o balanced scorecard não devem se basear apenas em resultados financeiros como indicadores de performance. Kaplan e Norton (1997) definiram quatro processos que orientam a construção de um BSC: 113 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 1. Esclarecer e traduzir a visão e a estratégia Esse primeiro processo visa criar um consenso acerca da visão e da estratégia da organização. A visão e a estratégia são expressas por um conjunto de medidas e objetivos bem definidos e que abrangem vários fatores. Com isso, o processo tem início com a tradução da estratégia em objetivos específicos para cada unidade de negócio da empresa. As primeiras metas que deverão ser estabelecidas são as financeiras, nas quais se deve priorizar a receita e o crescimento de mercado, a lucratividade ou a geração de fluxo de caixa (KAPLAN; NORTON, 1997). Após o estabelecimento das metas financeiras, deve-se estabelecer as metas para a perspectiva dos clientes. É importante que na perspectiva dos clientes fique claro quais os segmentos de clientes e mercados que a empresa está competindo. Os próximos objetivos e medidas a serem estabelecidos são os da perspectiva dos processos internos, nos quais inovações serão projetadas visando à busca pela excelência e, consequentemente, a obtenção de um desempenho superior para clientes e acionistas. Por fim, as metas de aprendizado e crescimento, nas quais serão estabelecidos os investimentos na atualização dos funcionários, na tecnologia, sistemas de informações e na melhoria dos processos organizacionais. Esses investimentos em pessoal, sistemas e procedimentos produzem inovações e melhorias importantes tanto para os processos internos como para os clientes e acionistas. Os autores ressaltam a importância de o BSC ser desenvolvido pelo grupo gestor da empresa, pois assim, a estratégia fica clara para todo o grupo e os objetivos estratégicos são construídos em conjunto. 2. Comunicar e associar objetivos estratégicos e medidas O segundo processo é mobilizar todos os colaboradores da empresa em torno das ações dirigidaspara atingir os objetivos. É fundamental que todos conheçam a estratégia adotada por sua área e saibam de que forma ela está relacionada aos fatores de sucesso da empresa. Os objetivos estratégicos e medidas do BSC podem ser divulgados por meio de newsletters, quadros de aviso, vídeos, reuniões de equipe, treinamentos, entre outros. Kaplan e Norton (2000) afirmam que, quando os funcionários conhecem e compreendem os objetivos que devem ser alcançados para que a estratégia da empresa seja consolidada, conseguem estabelecer mais facilmente metas que apoiem o alcance dessa estratégia. Outro ponto importante dessa divulgação é que ela incentive o diálogo entre as áreas da empresa não apenas em relação aos objetivos de curto prazo, mas também em relação à formulação e à implementação de estratégias de longo prazo (KAPLAN; NORTON, 1997). 3. Planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas estratégicas O terceiro processo busca integrar os planos financeiros e estratégicos utilizando as medidas do BSC como base para alocação de recursos e definição de prioridades. Os gestores podem concentrar sua atenção em iniciativas para alcançar os objetivos estratégicos em longo prazo sem prejuízo dos objetivos em curto prazo. Kaplan e Norton (1997) recomendam que os gestores estabeleçam 114 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa metas para os objetivos do scorecard com três a cinco anos de antecedência, projetando o crescimento esperado para esse período. Os autores orientam que as metas devem ser de superação para seus processos de atendimento aos clientes, processos internos e objetivos de aprendizado e crescimento. O ideal é que elas sejam direcionadas aos clientes e estejam relacionadas com a satisfação das expectativas deles. Com esse trabalho de desenvolvimento conjunto, o balanced scorecard proporciona à empresa um alinhamento dos objetivos estabelecidos entre as áreas (e até mesmo unidades de negócio de uma mesma empresa) e foco na melhoria contínua na execução dos processos. Esse alinhamento desencadeado nas relações de causa e efeito incorporadas ao BSC acaba se transformando em uma performance financeira superior (KAPLAN; NORTON, 2000). Outra vantagem enfatizada pelos criadores do BSC é que, quando a equipe diretiva estabelece metas de superação de 3 a 5 anos, é possível estabelecer marcos de referência para cada ano fiscal, ou seja, em que ponto da meta de superação a empresa pretende chegar nos primeiros 12 meses do plano, nos próximos 12, e assim por diante. Essas referências servem como indicadores para mensuração e avaliação dentro da trajetória estratégica de longo prazo. Ao se fazer esse acompanhamento, os gestores conseguem quantificar os resultados esperados de longo prazo, estabelecer referenciais no curto prazo para o alcance das metas de longo prazo, identificar pontos críticos e implementar ações corretivas visando ao alcance da estratégia de longo prazo. 4. Melhorar o feedback e o aprendizado estratégico O quarto processo é considerado o aspecto mais inovador, aquele que realmente cria um diferencial competitivo sustentável. Como podem surgir novas oportunidades ou respostas às ameaças não previstas na formulação do plano estratégico, os gestores devem avaliar se os objetivos continuam válidos. Caso contrário, a estratégia deve ser ajustada e revista tendo como base os acontecimentos e as avaliações de desempenho. Por meio dos referenciais de curto prazo estabelecidos, as revisões gerenciais mensais/trimestrais/anuais realizadas pelos gestores acompanharão os resultados financeiros alcançados, comparando-os com os pretendidos. Nesse aspecto, o fundamental é que se tenha um acompanhamento detalhado do alcance das metas estabelecidas para as quatro perspectivas do balanced scorecard por todos os gestores da empresa, pois, assim, profissionais de diferentes áreas passam a compreender a dinâmica total do negócio e como suas tarefas influenciam outras atividades e o alcance da estratégia da empresa (KAPLAN; NORTON, 2000). Com essas revisões periódicas e análise dos resultados obtidos, os gestores podem verificar se devem continuar com a mesma estratégia ou se a empresa necessita de uma estratégia nova para alcançar os resultados projetados devido a mudanças no cenário econômico mundial, por exemplo (KAPLAN; NORTON, 1997). Vale ressaltar que as análises devem considerar informações ambientais, ou seja, mudanças econômicas, políticas, de necessidades da população etc. 115 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 2.2.2 As quatro perspectivas do BSC A seguir, verificamos que o BSC é baseado em quatro perspectivas, que são: • Perspectiva financeira Pergunta-chave: “Para sermos bem-sucedidos financeiramente, como deveríamos ser vistos pelos nossos acionistas?” Kaplan e Norton (1997) dizem que os indicadores financeiros são importantes por revelar se a implementação e a execução da estratégia da empresa estão contribuindo efetivamente para a melhoria dos resultados. Embora o foco do ponto de vista estratégico seja a sobrevivência no longo prazo, a capacidade corrente da empresa em gerar resultados e se sustentar financeiramente não pode ser negligenciada. Para Kaplan e Norton (1997), as medidas financeiras se relacionam com a rentabilidade, o crescimento da empresa e o valor para o acionista. A perspectiva financeira serve de base para que se projetem os objetivos e medidas das demais perspectivas do BSC, ou seja, ele deve contemplar a construção global da estratégia da empresa, tendo como ponto de partida os objetivos financeiros de longo prazo, mas sempre os relacionando com as ações relativas aos processos financeiros, clientes, processos internos e funcionários. Ainda segundo Kaplan e Norton (2000), as empresas trabalham com duas estratégias básicas: crescimento da receita e produtividade com o objetivo de criação de valor para o acionista. A estratégia de crescimento da receita irá se refletir nas outras perspectivas, pois para gerar novas fontes de receita são necessários novos mercados, produtos ou clientes, ou mesmo a ampliação do relacionamento com os clientes existentes. Já a estratégia de produtividade irá refletir na execução eficiente das atividades operacionais em apoio aos clientes atuais, podendo incluir também a redução de custos e até mesmo desenvolvimento e treinamento dos funcionários. Esses reflexos de uma perspectiva na outra são chamados, por Kaplan e Norton (1997), de relações de causa e efeito. No atual ambiente de negócios, as medidas financeiras de curto prazo podem não refletir o cenário em que a empresa se encontra, pois indicam apenas uma parte de sua realidade. Empresas que utilizam somente indicadores financeiros para mensurar seus resultados estão limitando a avaliação de sua performance, pois esses indicadores não melhoram a satisfação dos clientes, nem a qualidade dos produtos ou a motivação dos funcionários etc. Entende-se que os indicadores financeiros são o resultado de ações operacionais e que os bons resultados financeiros são consequência de todo o restante. 116 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • Perspectiva dos clientes Pergunta-chave: “Para alcançarmos nossa visão, como deveríamos ser vistos pelos nossos clientes?” Nessa perspectiva, o BSC busca identificar os segmentos de clientes e mercados em que a empresa competirá e as medidas da performance da empresa nesses segmentos. Essa perspectiva abrange a forma como esse valor deve ser criado para o cliente, como a demanda por esse valor deve ser satisfeita e o motivo pelo qual o cliente vai querer pagar por isso. Antigamente, as empresas se concentravam em suas capacidades internas, com ênfase no desempenho de produtos e em inovação tecnológica, no entanto, aquelas que não perceberam as necessidades dos clientes acabaram perdendo mercado paraas concorrentes. Por isso, atualmente, as empresas estão voltando sua missão para o cliente, utilizando norteadores como ser “o principal fornecedor para nossos clientes. Segundo Kaplan e Norton (1997), o grupo de medidas essenciais de resultados dos clientes é comum a todos os tipos de empresa e inclui indicadores de: • Participação no mercado: reflete a proporção de negócios em um determinado mercado em termos de clientes, valores gastos ou unidades vendidas. • Retenção de clientes: controla, em termos absolutos ou relativos, a intensidade com que uma unidade de negócios retém ou mantém relacionamentos contínuos com seus clientes. • Captação de clientes: mede, em termos absolutos ou relativos, a intensidade com que uma unidade de negócios conquista novos clientes e negócios. • Satisfação de clientes: mede a satisfação dos clientes de acordo com critérios específicos de desempenho dentro da proposta de valor (tempo, qualidade e preço). • Lucratividade de clientes: normalmente, o preço não é o principal fator considerado pelos consumidores, sendo encarado como apenas mais um item de avaliação. Entre os fatores relacionados ao fornecedor que os clientes tendem a avaliar estão o não cumprimento de prazos, o fato de ele não entregar o que foi especificado, não atender aos padrões mínimos de qualidade, não conseguir fazer programações de entrega confiáveis etc. • Perspectiva dos processos internos Pergunta-chave: “Para satisfazermos nossos acionistas e clientes, em qual processo de negócios devemos alcançar a excelência?” 117 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 Os processos internos da organização referem-se à identificação dos recursos e das capacidades necessárias para aumentar o nível de qualidade (KAPLAN; NORTON, 1997). Nessa perspectiva, são definidos os processos em que a empresa precisa buscar excelência com o foco em atender aos objetivos dos acionistas e às necessidades dos clientes. Para que a empresa consiga atingir padrões de excelência em relação aos seus processos internos, é fundamental que os empregados, nos seus vários níveis de atuação, estejam alinhados com a missão e com as estratégias da empresa. Para viabilizar esse alinhamento e a identificação de pontos críticos é fundamental que exista um bom sistema de informações que garanta que as metas estabelecidas pelos níveis superiores sejam atingidas por meio de ações operacionais tomadas nos níveis inferiores, de maneira alinhada e sistemática. Um bom sistema caracteriza-se, entre outros fatores, por uma boa flexibilidade de análise e detalhamento das informações. Cada organização se utiliza de processos diferenciados para criar valor para os clientes e produzir resultados financeiros positivos. Porém, Kaplan e Norton (1997), após acompanharem inúmeras implementações de scorecards, constataram que uma cadeia de valor genérica pode ser utilizada como modelo para construção da perspectiva dos processos internos. Esse modelo engloba três processos principais: inovação, operações e serviços de pós-venda. FIGURA 4 – MODELO DA CADEIA DE VALOR GENÉRICA PARA PROCESSOS INTERNOS FONTE: Adaptada de Kaplan e Norton (1997, p. 102) No processo de inovação são pesquisadas as necessidades dos clientes e criados os produtos ou serviços que os atenderão. No processo de operações, que é o segundo estágio da cadeia de valor, esses produtos e serviços criados são desenvolvidos e oferecidos aos clientes. No terceiro estágio, o serviço pós- venda, são desenvolvidas ações para criar um relacionamento com os clientes (KAPLAN; NORTON, 1997). Na perspectiva dos processos internos, as empresas devem buscar conhecer aspectos relacionados a custos financeiros, à qualidade, 118 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa ao tempo e à performance que lhes possibilitem oferecer produtos e serviços diferenciados a seus clientes. • Perspectiva do aprendizado e crescimento Pergunta-chave: “Para alcançarmos nossa visão, como sustentaremos nossa capacidade de mudar e melhorar?” A implementação de uma estratégia começa pela educação e qualificação daqueles que irão executá-la. Um programa de comunicação bem estruturado compartilha com todos os empregados a estratégia e os objetivos que precisam ser atingidos. Essa perspectiva identifica a infraestrutura necessária para gerar crescimento e melhorias a longo prazo e apresenta objetivos voltados à capacidade dos funcionários, dos sistemas de informação e à motivação, empowerment e alinhamento (KAPLAN; NORTON, 1997). As medidas relacionadas aos funcionários são: satisfação, retenção e produtividade. Essas medidas são impulsionadas pelos vetores (subsídios aos objetivos estratégicos): competências dos funcionários, infraestrutura tecnológica e clima para a ação (alinhamento dos procedimentos e rotinas organizacionais), conforme ilustrado a seguir: FIGURA 5 – INDICADORES ESSENCIAIS FONTE: Adaptada de Kaplan e Norton (1997) 119 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 Os objetivos estabelecidos nessa perspectiva oferecem condições que possibilitam o alcance dos objetivos das outras três perspectivas em uma inter- relação que não ocorre de forma desordenada, mas com base em relações de causa e efeito. Indicadores de performance Kaplan e Norton (1997) recomendam entre 20 e 25 indicadores, ou um número próximo de dois indicadores de performance para cada objetivo estratégico definido pela empresa. Um grande número de objetivos estratégicos e de indicadores pode ocasionar perda de foco. Os primeiros objetivos que devem ser delineados na construção do scorecard são os financeiros, seguidos dos objetivos estratégicos relacionados aos clientes, logo após os objetivos para os processos internos e, por último, os objetivos relacionados ao aprendizado e crescimento. Neste momento, as perguntas-chave apresentadas em cada perspectiva do BSC servem como norteadoras: quais os objetivos financeiros da empresa? Qual o valor que devemos criar para os nossos clientes para atingir esses objetivos financeiros? Quais os processos internos que precisamos ter estruturados para atender às necessidades de nossos clientes? O que nossos funcionários precisam saber para que os processos internos sejam bem desenvolvidos e para que os clientes fiquem satisfeitos com os serviços/ produtos ofertados pela nossa empresa? Assim, vão sendo criadas relações de causa e efeito entre os objetivos estratégicos. Exemplos de indicadores de performance nas quatro perspectivas do BSC A seguir são elencados os indicadores considerados relevantes por Kaplan e Norton (1997; 2000) para cada perspectiva do BSC: • Indicadores da perspectiva financeira: o Novos produtos e serviços: mede o valor gerado pelos novos produtos e serviços. o Novos clientes e mercados: mede o valor gerado pelos novos clientes e mercados. o Volume de vendas: mede o valor gerado pelo volume de vendas realizado. o Relação custo/melhoria de produtividade: mede a relação do valor investido (custo) com a melhoria na produtividade. o Relação receita/funcionário: mede o valor da receita gerada por funcionário. o Giro de caixa: indica o número de vezes por ano que o caixa da 120 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa empresa gira, sendo este calculado pela divisão entre as receitas e o capital circulante da empresa. • Indicadores da perspectiva dos clientes: o Participação de mercado: participação da empresa em um determinado mercado (marketshare). o Captação de clientes: mede a quantidade de novos clientes. o Índice de retenção de clientes: mede o grau de relacionamento que cada unidade tem com seus clientes (pode ser medido pela quantidade de vendas para um mesmo cliente). o Satisfação dos clientes: mede o nívelde satisfação dos clientes com os produtos e/ou serviços oferecidos pela empresa. o Lucratividade dos clientes: mede o lucro líquido por cliente ou segmento. • Indicadores da perspectiva de processos internos: o Percentual de vendas geradas por novos produtos: relação da venda de novos produtos pelos produtos já existentes. o Número de novos produtos: mede o grau de inovação da empresa. o Lançamento de novos produtos versus lançamento da concorrência: relação entre os produtos lançados pela empresa e os produtos lançados pela concorrência. o Inovações no processo de gestão: mede a quantidade de novas ferramentas/práticas implementadas para melhorias no processo de gestão. o Tempo de desenvolvimento de novos produtos: mede o tempo que a empresa leva para lançar um novo produto no mercado. o Entrega eficiente de produtos: tempo que a empresa leva para entregar os produtos. o Qualidade da produção: mede o índice de qualidade dos produtos. o Gerenciamento da marca: mede o valor da marca (a valorização ou desvalorização dentro de um determinado período de tempo). • Indicadores da perspectiva de aprendizado e crescimento: o Satisfação dos funcionários: mede o grau de satisfação dos funcionários com a empresa (é possível determinar critérios para essa mensuração). o Retenção dos funcionários: mede a capacidade que a empresa tem de reter seus funcionários. o Produtividade dos funcionários: mede a produtividade dos funcionários em um determinado período (esse indicador pode ser utilizado para auxiliar na remuneração variável). 121 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 o Treinamento e desenvolvimento: mede a quantidade de horas que os funcionários despenderam se atualizando, reciclando seus conhecimentos. o Grau de motivação dos funcionários: mede a motivação dos funcionários em realizar o trabalho. Esses são apenas alguns exemplos de indicadores, pois eles devem ser elaborados com base no objetivo estratégico da empresa. Outro ponto que precisa ser abordado é a relação de causa e efeito que um indicador tem sobre o outro, pois os resultados obtidos em um indicador impactam diretamente nos resultados obtidos nos demais, sendo essa a razão de ser necessário alinhar os objetivos estratégicos definidos. Lembrando que, para que os indicadores sejam eficazes, precisam ser simples e mensuráveis. Na metodologia do BSC, cada objetivo estratégico será formado por um conjunto de indicadores e estes devem possibilitar a mensuração efetiva do objetivo estratégico, para assim cumprirem sua função. O balanced scorecard supera, dessa maneira, as limitações dos sistemas de mensuração exclusivamente financeiros, pois integra novas perspectivas, inclui a criação de valor (para os clientes e acionistas) e aborda o papel fundamental dos ativos intangíveis na vantagem competitiva das empresas. A metodologia de Kaplan e Norton (2000) coloca no centro de suas operações a estratégia da empresa. Os autores definiram então cinco princípios das organizações focadas na estratégia e que pretendem utilizar o balanced scorecard como forma de gestão estratégica. Princípio 1: traduzir a estratégia em termos operacionais por meio do balanced scorecard e dos mapas estratégicos, pois ela precisar ser compreendida por todos. Princípio 2: alinhar a organização à estratégia conectando e integrando todas as estratégias das unidades de negócios, criando, assim, um ambiente de sinergia e comprometimento. Princípio 3: transformar a estratégia em tarefa de todos por meio da consciência estratégica. Para isso, é fundamental que todos conheçam a estratégia e entendam seu papel no alcance dos objetivos contemplados por ela, o que acabará integrando os scorecards pessoais aos da organização e utilizando os scorecards das unidades de negócio para distribuição de recompensas. Princípio 4: converter a estratégia em processo contínuo por meio de ações que precisam ser adotadas pelas empresas que implementam o BSC. São elas: conectar a estratégia ao processo orçamentário (iniciativas de curto e longo prazo); implementação de reuniões gerenciais para troca de informações; análise e avaliação da estratégia; adoção de um processo de aprendizado estratégico por meio de revisões contínuas das estratégias e atualizações dos scorecards conforme as necessidades identificadas. 122 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Princípio 5: mobilizar a mudança por meio da liderança executiva para garantir as transformações necessárias. O envolvimento de todos, o trabalho em equipe e o foco na estratégia são condições essenciais para o sucesso da implementação do BSC. Para Kaplan e Norton (2000), a jornada de implementação do BSC não é fácil ou curta e demanda comprometimento de toda a equipe (não apenas das lideranças), além da integração de toda a organização. A estratégia deve ser comunicada e reforçada com frequência. Para os criadores da metodologia, as empresas que sustentam esforços e zelam pelos cinco princípios tendem a se manter no caminho da boa performance. O site “Blog da Qualidade” apresenta uma leitura complementar ao conceito de BSC. Disponível em https://blogdaqualidade.com.br/ o-que-e-bsc-balanced-scorecard/. 1) Para que o BSC seja eficazmente aplicado, Kaplan e Norton (1997) definiram quatro processos que orientam a sua construção. Assinale a alternativa que corresponde aos quatro processos definidos pelos autores: a) ( ) Esclarecer e traduzir a visão estratégica, comunicar e associar objetivos estratégicos e medidas, planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas estratégicas, melhorar o feedback e o aprendizado estratégico. b) ( ) Esclarecer e perpetuar a visão estratégica, comunicar e associar objetivos estratégicos e medidas, planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas estratégicas, melhorar o feedback e o aprendizado econômico. c) ( ) Aprimorar e dificultar a visão estratégica, comunicar e dissociar objetivos estratégicos e medidas, planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas estratégicas, melhorar o feedback e o aprendizado estratégico. d) ( ) Dificultar e traduzir a visão estratégica, comunicar e associar objetivos estratégicos e medidas, planejar, estabelecer metas e desalinhar iniciativas estratégicas, melhorar o feedback e o aprendizado estratégico. 123 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 2) Imagine que você vai adquirir um carro e pretende saber se esse carro é eficiente e eficaz ao mesmo tempo. Na sua opinião, quais são os fatores que definem a eficiência e eficácia do veículo? 3 GESTÃO DA QUALIDADE TOTAL No momento em que nos encontramos, há necessidade em que as organizações sejam competitivas e possuam a qualidade como principal diferencial. Para isso, temos a Gestão da Qualidade Total, um sistema de gestão que envolve todas partes interessadas para priorizar a qualidade dentro da empresa. Paladini (2012) aponta que os sistemas de gestão têm características gerais e peculiaridades que lhes conferem um modelo conceitual diversificado, haja vista conter várias definições e também uma estrutura organizacional complexa por envolver os recursos humanos. Paladini (2012, p. 109) destaca: “Essa abrangência poderia tornar muito difícil o estudo desses sistemas, não fosse o fato de que todos têm dois objetivos básicos: devem desenvolver mecanismos que, em um primeiro momento, garantam a sobrevivência da organização e, a seguir, possibilitem sua permanente e contínua evolução”. Slack, Alistair e Johnston (2013) consideram que a qualidade reduz custos e retrabalho, refugo, reclamações e devoluções. O mais importante: boa qualidade gera clientes satisfeitos. Nesse sentido, podemos acreditar que, em longo prazo, a qualidade será o fatormais importante que afetará o desempenho de uma empresa em relação ao mercado e à concorrência. Por meio da qualidade, a organização obterá vantagem competitiva, garantindo a sua sobrevivência no mercado. Na figura a seguir, Slak, Alistair e Johnston (2013) posicionam a gestão da qualidade no ambiente da produção: 124 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa FIGURA 6 – POSICIONAMENTO DA GESTÃO DA QUALIDADE EM RELAÇÃO À PRODUÇÃO FONTE: Slack, Alistair e Johnson (2013, p. 255) O conceito tradicional de Gestão da Qualidade envolve duas áreas básicas de atuação: uma no âmbito global e outra no âmbito operacional. Sendo assim, Paladini (2012, p. 112) aponta que: Cabe à Gestão da Qualidade colaborar decisivamente no esforço da alta administração da empresa no sentido da definição das políticas da qualidade da organização; no âmbito operacional, cabe à Gestão da Qualidade desenvolver, implantar e avaliar programas de qualidade. A Gestão da Qualidade pode ser conceituada, portanto, de forma muito sintética, como o processo de definição, implantação e avaliação de políticas de qualidade. O nível em que se define a política de qualidade é a cúpula, uma vez que essa política reflete os objetivos e as nomas de toda a organização. A alta administração é quem define as formas de atuação no mercado, o nível de tecnologia utilizada e o grau de qualificação da mão de obra. De acordo com Paladini (2012), constitui ação básica da política da qualidade definir cada um dos elementos a seguir: • Estratégias de atuação da empresa no mercado. • Recursos, ou formas de operação, da empresa. • Nível de prioridade para investimentos e valor associado a cada um deles. • Suporte tecnológico a ser transferido ao processo produtivo, em termos de gestão, habilitação do pessoal, equipamentos, materiais, operações, informações e ambientes de trabalho. • Formas e níveis de intensidade de envolvimento da mão de obra, além de métodos de alocação, formação ou qualificação do pessoal. Paladini (2012, p. 118) também adverte que o modelo tradicional de Gestão da Qualidade enfrenta restrição relevante: 125 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 Considera-se que a ação básica da Gestão da Qualidade é desenvolver, implantar e avaliar um programa de qualidade, desde que este programa esteja em um processo de funcionamento que se julga ser adequado, a função da Gestão da Qualidade estará extinta. Por outro lado, pode-se pensar que o próprio programa é finito, acaba em determinado momento. De acordo com Paladini (2012), o conceito de Gestão da Qualidade evolui e começa a caracterizar-se quando se percebe a extrema abrangência do programa em termos físicos, já que agora, procura-se alcançar todos os setores, áreas e funções da empresa. Assim, definem-se as características “espaciais” da Gestão da Qualidade, obtendo-se uma nova dimensão dessa gestão, que envolve a evolução contínua. Sendo assim, está caracterizada a ideia de qualidade total e definido o novo modelo de gestão, conhecido como TQM, ou como gerenciamento de qualidade total. Segundo Miguel (2001), TQM é uma sigla que significa Total Quality Management, traduzido para o português, Gerenciamento ou Gestão pela Qualidade Total. Além disso, o TQM incorpora uma série de ações que a organização deve realizar para atingir a melhor qualidade possível e obter um diferencial no mercado. Miguel (2001) destaca que o gerenciamento da qualidade se torna “total” quando incorpora uma estrutura de integração que considera aspectos estratégicos importantes: percepção do cliente, competitividade e eficiência operacional. Ainda, devemos acrescentar um quarto parâmetro: o conceito de qualidade como forma organizacional verdadeira, um senso coletivo de objetivos em comum que abrange todos os membros de uma empresa comprometidos entre si (MIGUEL, 2001). Miguel (2001) também destaca que, na realidade, um amplo espectro de conceitos, abordagens e técnicas de gerenciamento é colocado sob a bandeira do TQM. Esses conceitos incluem tópicos como: • Gerenciamento do processo. • Liderança. • Gestão de fornecedores. • Sistema de qualidade. • Controle Estatístico do Processo. • Políticas da qualidade. • Programa de zero defeitos. • Treinamento. 126 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • Planejamento. • Determinação dos custos da qualidade. • Benchmarking. Weidmann (1997) apresenta sete fatores de sucesso para a TQM: 1. Estratégia de longo prazo. 2. Gerenciamento da qualidade como um processo permanente. 3. Gerenciamento da qualidade como responsabilidade gerencial. 4. Satisfação do cliente como fator-chave. 5. Conceito de qualidade orientado para o cliente. 6. Foco nos funcionários. 7. Gerenciamento por fatos. Miguel (2001) indica que o gerenciamento da qualidade por meio de oito princípios da qualidade, advertindo que a abordagem da Política da Qualidade, como base da família ISO 9000 é muito indireta, não expressando linguagem gerencial. Ele destaca ainda, que a relação entre o sistema da qualidade de uma empresa e o sistema gerencial não é muito clara e tampouco operacional. Nesse contexto, Miguel (2001) expõe que a aplicação dos Princípios de Gerenciamento de Qualidade melhorará a base das normas ISO 9000. Esses princípios são os seguintes: • Princípio 1 – Organização focada no cliente: as organizações dependem dos clientes e, como consequência, devem entender as necessidades atuais e futuras dos clientes, atender aos seus requisitos e buscar exceder suas expectativas. • Princípio 2 – Liderança: os líderes devem estabelecer uma unidade de propósito e direção da organização. Eles devem criar e manter o ambiente interno de uma forma na qual as pessoas posam torna-se totalmente envolvidas na busca dos objetivos. • Princípio 3 – Envolvimento das pessoas: o pessoal de todos os níveis é a essência da organização e seu total envolvimento permite o uso de suas habilidades para benefícios da organização. • Princípio 4 – Abordagem de processos: a busca de resultados é alcançada mais eficientemente quando os recursos e atividades envolvidas são gerenciados como um processo. • Princípio 5 – Abordagem do sistema para gerenciamento: identificar, entender e gerenciar um sistema de processos inter-relacionados em direção a um dado objetivo aumenta a eficiência da organização. • Princípio 6 – Melhoria contínua: esse princípio deve ser um objetivo permanente da organização. 127 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 • Princípio 7 – Abordagem factual para tomada de decisões: ações efetivas são baseadas na análise de dados e informações reais. • Princípio 8 – Relação com fornecedores com benefícios mútuos: benefícios mútuos para a organização e seus fornecedores valoriza o relacionamento. Nesse sentido, Paladini (2012) enfatiza a importância do TQM: De fato, o TQM enfatiza o gerenciamento da qualidade por toda a empresa, ou seja, uma abordagem sistemática para estabelecer e atingir metas da qualidade. A ideia básica que suporta esse conceito é exatamente a visão “espacial” da qualidade total, que enfatiza o envolvimento de todos os setores, áreas e principalmente, recursos em um esforço único pela qualidade, com contribuições específicas, segundo as características de cada recurso. Dessa forma, identificamos facilmente uma relação entre a TQM e o planejamento, o qual consiste em um conjunto de atividades com o objetivo de viabilizar a política da qualidade e os objetivos gerais da organização em termos de qualidade. Todas as atividades e procedimentos do TQM são estruturados de forma planejada, abrangente e evolutiva. A dissertação de mestrado de Fonseca (2016) apresenta a TQM aplicada aos serviços públicos e está disponível em https://tede. ufam.edu.br/handle/tede/5154.3.1 CARACTERÍSTICAS DO MODELO DE GESTÃO DA QUALIDADE TOTAL De acordo com Las Casas (2006, p. 20), “proporcionar qualidade total em serviços é uma situação na qual uma organização fornece qualidade e serviços superiores a seus clientes, proprietários e funcionários”. Por meio dessa definição, percebemos que a qualidade não se limita a clientes externos, engloba aqueles que interagem com a empresa, ou seja, colaboradores e administradores. Segundo Paladini (2012), a noção de TQM introduziu alterações relevantes no modelo de gestão tradicional, acrescentando maior abrangência para a função, evolução contínua e maior compromisso com o planejamento. Há algumas situações que diferenciam o processo de Gestão da Qualidade do modelo tradicional. 128 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Nem sempre a qualidade foi abordada na sua totalidade, com a TQM. Sendo assim, como diferenciar a visão tradicional em relação à TQM? Paladini (2012) identifica oito situações que podemos aplicar em nosso cotidiano para diferenciá-las. • Situação 1 A visão da gestão tradicional: A empresa é um conjunto de setores. Cada um deles possui objetivos e métodos próprios de atuação. O alcance desses objetivos é responsabilidade individual de cada setor. A visão da Gestão da Qualidade: A missão de cada área da empresa é contribuir decisivamente para o alcance dos objetivos da organização como um todo. Ações prioritárias da Gestão da Qualidade: a. A avaliação do desempenho de cada área da empresa deve considerar a participação efetiva de cada uma dessas áreas no processo de alcance dos objetivos gerais de toda a organização. A primeira meta da gestão da qualidade é a otimização do todo. b. É fundamental estabelecer um processo de intensa interação entre os setores, evitando-se que eles permaneçam isolados. c. A competição entre setores não é algo recomendado. Devem ser priorizadas ações globais, com contribuições entre os setores bem definidas e caracterizadas. d. A gestão da qualidade trabalha com um único objetivo, válido para todos os setores, e especifica a participação na função de cada um no alcance desse objetivo. Evita-se objetivos individuais dos setores. e. A característica básica da ação dos setores é a integração entre eles mesmos, essa é a única forma de alcançar objetivos setoriais. f. Confere-se um grau uniforme de competência e especialização a todos os setores. Não há interesse em manter setores superespecializados, muito menos setores com funcionamento precário. 129 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 • Situação 2 A visão da gestão tradicional: A estrutura das operações é linear, contínua e sequencial. A visão da gestão da qualidade: A estrutura das operações é interativa. Ações prioritárias da gestão da qualidade: a. Definimos cada setor como fornecedor do setor seguinte e cliente do setor anterior. A meta continua sendo os clientes externos, mas a meta imediata é o setor seguinte. Os primeiros objetivos de cada setor são voltados para o atendimento das necessidades do setor seguinte no fluxo de produção. Esse processo é ampliado e cada setor acaba tendo alguma relação cliente-fornecedor com todos os demais setores da empresa. b. Ao invés de relações verticais, priorizam-se as relações horizontais entre setores. • Situação 3 A visão da gestão tradicional: A empresa é composta por um conjunto de pessoas. Cada uma delas possui especificidades, interesses, objetivos e métodos próprios de atuação. O alcance de níveis ótimos de desempenho de cada pessoa é responsabilidade dela mesma. A visão da Gestão da Qualidade: A missão de cada recurso humano da empresa é contribuir decisivamente para o alcance de toda a organização. É necessário entender e respeitar a individualidade dos colaboradores. Ações prioritárias da Gestão da Qualidade: a. A avaliação de desempenho de cada funcionário da empresa deve considerar sua participação efetiva no processo de alcance dos objetivos gerais da organização (procedimento idêntico ao adotado em relação aos setores) e sua capacidade de integração com os grupos, setores e áreas da empresa. b. É fundamental estabelecer um processo que traga interação entre pessoas, evitando-se a qualquer preço que elas permaneçam isoladas ou entrem em conflito. c. A competição entre pessoas ou grupos de pessoas não é recomendada. Devem ser priorizadas ações globais, com contribuições bem definidas e caracterizadas. d. A gestão da qualidade deve harmonizar objetivos e interesses individuais com os interesses globais da organização. Essa harmonia é a única forma de envolver as pessoas em um esforço pela qualidade. 130 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa e. Os recursos humanos da organização devem ter nível uniforme de competência, motivação e especialização. Não há interesse, na empresa, em manter profissionais superespecializados, tampouco pessoas despreparadas. f. Enfatizam-se tanto as relações hierárquicas quanto a atribuição, a cada funcionário, de igual importância na produção da qualidade e chances efetivas de trabalharem para esse fim. • Situação 4 A visão da gestão tradicional: O projeto de produtos e serviços é estruturado em setores especializados. A visão da gestão da qualidade: O projeto de produtos e serviços é estruturado com base em necessidades e expectativas de clientes e consumidores. Ações prioritárias da gestão da qualidade: a. A pesquisa de mercado, em termos das características atuais dos clientes ou de suas tendências, define qual a ação da gerência e define o rumo da empresa. b. A gestão da qualidade prioriza sua própria interação com setores comerciais da empresa e considera subordinada a eles, e decorrente deles, a ação dos setores de projeto da organização. • Situação 5 A visão da gestão tradicional: O planejamento estratégico da organização prioriza seus pontos fortes, isto é, as potencialidades da empresa em termos de processos, serviços e produtos. O crescimento da empresa está sempre voltado para si mesmo. O planejamento estratégico deve priorizar a eliminação de defeitos no processo de fabricação, reduzir custos de produção e minimizar causas que comprometam o alcance de determinados níveis de produção previstos. A visão da gestão da qualidade: O planejamento estratégico da organização prioriza oportunidades de atuação no mercado, levando em consideração a concorrência. Portanto, o crescimento da empresa está sempre voltado para fora, em direção a mercados consumidores bem definidos. O planejamento estratégico deve priorizar a eliminação das fontes de inadequação do processo, reduzir a zero elementos que não agreguem valor ao produto e minimizar causas que comprometam o alcance de determinados níveis de satisfação do cliente. 131 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 Ações prioritárias da gestão da qualidade: a. A gestão da qualidade prioriza diferenciações de produtos e serviços que atendam às necessidades e preferências de segmentos específicos ou grandes áreas do mercado. b. A gestão da qualidade considera o processo produtivo um meio para atingir os verdadeiros objetivos da empresa: atender ao cliente. Acredita que só se justificam investimentos no processo se, de alguma forma, tais investimentos contribuem para aumentar a satisfação do cliente. c. A gestão da qualidade prioriza a eliminação de perdas, mas entende como perda tudo que não contribui para manter ou aumentar a adequação do produto ou do serviço ao uso. • Situação 6 A visão da gestão tradicional: A qualidade é construída pela correção dos defeitos, em ações com resultados imediatos. A visão da gestão da qualidade: A qualidade é construída pela prevenção dos defeitos e perdas, em ações de resultados consistentes,obtidos a longo prazo. Ações prioritárias da gestão da qualidade: a. Priorizam-se ações de longo prazo, que envolvam um grande número de pessoas. Ações de resultados imediatos são relevantes como elementos motivacionais para o alcance de resultados mais amplos. • Situação 7 A visão da gestão tradicional: Os controles são fixados em pontos críticos do processo, onde geralmente ocorrem os defeitos. O controle é definido como um processo que visa corrigir falhas e impor comportamento ao processo. O controle é feito pelo acompanhamento de limites máximos de peças defeituosas, níveis médios de peças defeituosas e intervalos de tolerância de defeitos. A visão da gestão da qualidade: Os controles são fixados em função do planejamento. O controle é definido com um processo que visa confrontar a qualidade obtida com a qualidade corrigida. 132 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa O controle é feito buscando a evolução do processo rumo à perda zero. Ações prioritárias da gestão da qualidade: O planejamento da qualidade deve ser uma prioridade. Sem ele, não há como desenvolver o processo de controle. O planejamento é um processo evolutivo, gradativo, que tende para zero, único percentual de defeituosos admissível: qualquer outro percentual compromete a adequação do produto ou serviço ao uso. • Situação 8 A visão da gestão tradicional: Quem determina a qualidade são as pessoas que atuam na fábrica, e são essas pessoas que estruturam a gestão da qualidade. A visão da gestão da qualidade: Quem determina a qualidade são os clientes, são informações sobre o comportamento deles que estruturam a Gestão da Qualidade. Ações prioritárias da Gestão da Qualidade: A gestão tende a tornar-se um pouco independente das pessoas, e mais dependente das informações disponíveis. O ideal é que qualquer pessoa, em dada situação, tomaria a mesma decisão tendo em vista as informações disponíveis. As informações, distribuídas, constituem-se na base do processo de delegação da autoridade, num processo inverso ao da gestão tradicional, para qual o segredo da uniformidade de ação era a centralizar a autoridade. As pessoas são diferentes umas das outras por acrescentarem às decisões tomadas com base nas informações disponíveis. O modelo, assim, garante um resultado mínimo e diferencia as pessoas pelo que elas acrescentam a este mínimo. Paladini (2012) enfatiza que conceitos corretos são cruciais para o sucesso de sua implantação; conceitos inadequados são meio caminho andado para o fracasso. Sendo assim, é importante perceber que os conceitos e as práticas da qualidade são constantemente aprimorados, e requerem dos gestores uma atualização constante de seus conhecimentos para encarar os novos desafios propostos pelo mercado competitivo. 133 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 1) Considere que você está definindo um novo produto a ser lançado no mercado e precisa levantar informações sobre esse produto. Sabendo que há o olhar tradicional e a visão da gestão da qualidade, o que seria considerado para o lançamento do produto? 2) Miguel (2001) define alguns fatores que devem ser levados em consideração para que a Gestão da Qualidade Total aconteça de maneira correta dentro das organizações. Sabendo disso, assinale a alternativa que corresponde a três fatores destacados pelo autor. a) ( ) Treinamento, Planejamento e Liderança. b) ( ) Tomada de indecisão, Planejamento e Lidernaça. c) ( ) Treinamento, Feedback, Persuasão. d) ( ) Planejamento, Tomada de decisão, Logística Reversa. e) ( ) Sistemas de Medição, Treinamento, Feedback. 3.2 O AGENTE DE DECISÃO: O GERENTE DA QUALIDADE No processo de gestão há um elemento básico: o agente de decisão, é ele quem define as metas da qualidade e as formas de envolvimento dos recursos da organização no esforço para atingi-las. Esse agente pode ser um grupo de pessoas, uma área técnica, uma função ou apenas uma única pessoa (PALADINI, 2012). Sendo assim, Paladini (2012) também diz que quando a organização define o “gerente de qualidade”, não se deve entender apenas uma pessoa, mas um grupo de pessoas, uma área ou uma função: Sempre se acostuma pensar no gerente da qualidade como um profissional que reúne características que não existem na maioria dos mortais. Esse conceito é falso. Ampliando o conceito de gerência da qualidade, passa-se a pensar em um conjunto de super-homens ou em uma função comparável à de diretor superintendente de uma empresa de porte da IBM. Não é bem assim (PALADINI, 2012, p. 125). 134 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Slack (2002, p. 98) diz que: A TQM coloca a função de qualidade em uma, possivelmente difícil e certamente desafiadora, nova posição de influência. O seu papel deve mudar, é claro. Em uma filosofia que reforça tanto que todos contribuam para a qualidade quanto que todos devem arcar com a responsabilidade pelo melhoramento da qualidade, os profissionais da qualidade não podem mais reter sozinhos a propriedade das informações, tarefas e técnicas da qualidade. O seu papel deve ser mais largo – abrangendo a tarefa de planejamento e implementação globais da qualidade; deve ser mais consultivo – facilitando, guiando, coordenando e monitorando o programa de melhoria da qualidade da empresa. Pelo tamanho da responsabilidade da Gestão da Qualidade Total na empresa, não é justo depositá-la somente no gerente. Por isso Slack (2002, p. 50) enfatiza que as organizações criaram o grupo guia, cuja função é “primeiro planear a implementação do programa e segundo assegurar-se que o seu papel irá diminuindo com o tempo”. Dessa forma, o papel do gerente da qualidade é coordenar as ações de implantação, controle e monitoramento do programa. O perfil de um gerente da qualidade, segundo Paladini (2012), abrange três características básicas: as comuns, as desejáveis e as necessárias. As características comuns são: a. Liderança: capacidade de influenciar pessoas, conduzindo-as em uma determinada direção. b. Oportunidade de motivação: é através da motivação que as pessoas aderem e atingem as metas propostas pelo gerente. Sem ela, não há como garantir esforços consistentes para alcanças essas metas. c. Controle da Informação: essa capacidade inclui tanto a captação quanto a transmissão de informações. d. Dinamismo: isso envolve agilidade e rápida percepção da realidade. e. Planejamento: com a finalidade de introduzir o hábito do planejamento da qualidade é necessário que o gerente atue de forma planejada. 135 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 As características desejáveis incluem: a. Competência técnica: capacidade técnica de conceber, viabilizar, implantar e avaliar o programa e o modelo da qualidade total. b. Visão horizontal da empresa: conhecer a empresa, em toda a sua extensão física e administrativa. c. Conhecimento do produto e processo: o pleno conhecimento do processo produtivo é essencial para garantir o correto direcionamento de todos os esforços em prol da qualidade. Já as características necessárias são: a. Relacionamento humano: cabe ao gerente da qualidade não apenas integrar as pessoas no esforço em prol da qualidade, mas qualificar sua contribuição a esse esforço, tornando-o eficiente e eficaz. b. Capacidade de interação: envolve a habilidade de interagir com autoridades formais da organização, tanto para influenciá-las em suas decisões. c. Capacidade de compreensão: refere-se à qualidade na visão e percepção dos clientes da empresa. Há também os chamados grupos de melhoria, ninguém sabe tanto sobre um processo quanto quem trabalha nele. Os operadores que trabalham na linha são normalmente os que melhor conhecem o processo. Os colaboradores dentro deum sistema usam as redes de informação formais e informais. Eles não têm apenas experiência sobre o processo, mas também são afetadas pelas mudanças dele, devendo ter os principais papéis na melhoria do desempenho de qualidade (SLACK, 2002). 3.3 OS AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO: OS RECURSOS HUMANOS Os recursos humanos nas empresas desempenham papel fundamental e relevante no esforço pela qualidade. Para Paladini (2012, p. 28), “trata-se de uma contribuição única: eles são os agentes de transformação, ou seja, aqueles que mudam efetivamente a história da organização em termos de qualidade”. O mesmo autor descreve as características particulares do potencial humano nas organizações: 136 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • É o de mais difícil compreensão, pois envolve aspectos subjetivos que, em geral, não podem ser descritos por dispositivos teóricos ou procedimentos analíticos. • É o de mais difícil avaliação porque seu processo de aprendizagem depende de sua motivação, e esta pode acelerar ou retardar, de forma intensa e pouco previsível, todos os mecanismos de reação ao conhecimento transmitido. • É o que requer maior investimento em seu processo de integração às metas da empresa, porque seu engajamento pode depender de estratégias de formação e motivação cujo resultado efetivo só aparece depois de um longo tempo. • É o recurso mais complexo da organização. Como são os recursos mais complexos dentro da organização, os recursos humanos merecem uma habilidade e atenção especial por parte dos gestores, bem como investimentos constantes em treinamentos, capacitação e motivação, pois o seu engajamento depende do atingimento das metas e objetivos propostos. 3.4 AGENTE DE CONSOLIDAÇÃO: A CULTURA DA ORGANIZAÇÃO Segundo Paladini (2012), há correntes que defendem a normalização como única possibilidade de garantia de sucesso dos programas de qualidade. Outras garantem que a otimização dos recursos é um elemento-chave do sucesso; outras, ainda atribuem à estatística esse papel. Há quem aposte na reengenharia, engenharia simultânea e estratégias e filosofias semelhantes. Há ainda aqueles que sustentem que os controles rigorosos são a única forma para que a qualidade funcione. Levando em consideração a experiência prática de um grupo de empresas brasileiras, sul-americanas e centro-americanas, de acordo com Paladini (2012), sustenta-se aqui o fator determinante não só da implantação, mas, principalmente, da consolidação de programas da qualidade é a cultura local. Paladini (2012) também enfatiza que caso a sociedade em sua totalidade adquira a cultura da qualidade, a implantação de valores que privilegiem a qualidade no país estará garantida. Para a implementação de um sistema de gestão da qualidade eficiente, é importante e necessário compreendermos a cultura organizacional da empresa, estabelecendo de maneira clara os objetivos e metas a que os administradores se propõem. Além disso, é fundamental a colaboração, cooperação e envolvimento 137 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 de todos os colaboradores, clientes e fornecedores, fortalecendo o programa de qualidade. 3.5 CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE Certamente, você já deve ter ouvido falar de empresas que possuem um certificado ISO, por exemplo, 9001, 9002, 14001, entre outros. Nesta seção, vamos conhecer um pouco sobre a certificação ISO. Trata-se da designação da International Organization for Standardization uma entidade fundada em 1946 e que tem sede em Genebra, na Suíça. A razão das normas internacionais existirem é para facilitar o comércio entre países, estabelecendo padrões esperados pelos consumidores. De acordo com Miyatake e Pardo (2014, p. 188), um dos objetivos das normas internacionais é “auxiliar a transpor barreiras comerciais e tornar o comércio internacional mais justo e seguro”. Uma das normas internacionais mais conhecidas mundialmente é a série ISO 9000. Carpinetti (2012, s.p.) descreve características dessa norma ISO 9001: A norma ISO 9001: 2008 – Sistema de gestão da qualidade: requisitos – estabelece requisitos de gestão da qualidade com base em um modelo de sistema de gestão. Ou seja, a ISSO 9001 estabelece um conjunto de atividades interdependentes, que interagem formando um sistema de atividades (chamada requisitos) de gestão da qualidade, com o objetivo comum de gerenciar o atendimento dos requisitos dos clientes na realização do produto e entrega de pedidos. A partir dessa norma, a ISSO criou um procedimento de certificação de sistema da qualidade: O certificado ISSO 9001, que as empresas obtêm por meio de um processo de auditoria de certificação, é um documento emitido por um organismo independente (terceira parte) que atesta que o sistema produtivo da empresa está capacitado para gerenciar o atendimento de requisitos dos clientes. Por ter caráter voluntário (não obrigatória), a certificação ISO é uma atividade que será tanto mais aceita quanto maior for a credibilidade de quem a atesta. Marshall Junior et al. (2008) destacam que a certificação é realizada por um órgão acreditado (autorizado formalmente para realizá-la) de terceira parte, ou seja, que não tenha vínculo com a empresa, que comprovando a conformidade do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) com as práticas adotadas pela empresa, poderá emitir esse certificado. No Brasil, essa certificação é concedida pelo INMETRO. Entre os vários organismos credenciados pelo INMETRO para a realização das auditorias, destaca-se a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (2016), a qual possui os principais objetivos de normalização: 138 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • Intercambialidade. • Controle de variedade. • Proteção ao meio ambiente. • Segurança. • Comunicação. • Compatibilidade. • Proteção do produto. • Eliminação de barreiras técnicas e comerciais. De acordo com a ABNT (2016, s.p.), é objetivo da normalização: O estabelecimento de soluções, por consenso das partes interessadas, para assuntos que têm caráter repetitivo, tornando-se uma ferramenta poderosa na autodisciplina dos agentes dos mercados, ao simplificar os assuntos, e evidenciando ao legislador se é necessária regulamentação específica em matérias não cobertas por normas. Na figura a seguir estão representados os objetivos de normalização da ABNT: FIGURA 7 – OS OBJETIVOS DA NORMALIZAÇÃO FONTE: ABNT (2016, s.p.) 139 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 Quem se beneficia com as normas? A ABNT (2016) escreve os beneficiados com as normas: • Empresas: a adoção de normas significa que os fornecedores podem desenvolver e oferecer produtos e serviços que atendam às especificações que têm ampla aceitação em seus fatores. Empresas que utilizam Normas Internacionais podem competir em muito mais mercados ao redor do mundo. • Inovadores: as normas sobre aspectos como terminologia, compatibilidade e segurança aceleram a disseminação das inovações e seu desenvolvimento em produtos possíveis de serem fabricados e negociados. • Clientes: a compatibilidade da tecnologia em todo o mundo é atingida quando produtos e serviços são baseados em normas, fornece aos clientes ampla gama de ofertas. Eles também se beneficiam dos efeitos da concorrência entre fornecedores. • Governos: as normas proporcionam as bases tecnológicas e cientificas que sustentam a saúde, a segurança e a legislação ambiental. • Comércio Internacional: as normas internacionais criam uma “igualdade” para todos os concorrentes nesses mercados. A existência de normas nacionais ou regionais divergentes pode criar barreiras técnicas ao comércio. As normas internacionais são os recursos técnicos pelos quais a política de acordos comerciais pode ser colocadaem prática. • Países em desenvolvimento: as normas internacionais que representam um consenso internacional são uma fonte importante de know-how tecnológico. Ao definir as características dos produtos e serviços esperados para atender aos mercados de exportação, nas normas internacionais fornecem aos países em desenvolvimento uma base para tomar decisões certas ao investir seus escassos recursos, e assim evitando desperdícios. • Consumidores: a conformidade de produtos e serviços oferece garantias sobre qualidade, segurança e confiabilidade para os consumidores. • Qualquer pessoa: as normas contribuem para a qualidade de vida, em geral, assegurando que o transporte, máquina e ferramentas utilizados sejam seguros. • Meio ambiente: normas sobre a qualidade do ar, da água e dos solos, sobre as emissões de gases e de radiação e sobre aspectos ambientais de produtos podem contribuir com a preservação do meio ambiente. 140 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa 3 BENCHMARKING A necessidade de melhoria contínua em um ambiente altamente competitivo levou às empresas a repensarem seus processos e buscar soluções para suas deficiências perante os concorrentes. Porém, muitas vezes, a solução não se encontra dentro da organização. Por isso, é preciso expandir a busca por soluções e buscar alternativas mais eficazes. Esse é o princípio do benchmarking. Marshall Junior et al. (2008, p 148) definem benchmarking da seguinte forma: “Benckmarking é um processo contínuo e sistemático para avaliar produtos, serviços e processos de trabalho de organizações que são reconhecidas como representantes das melhores práticas, com a finalidade de melhoria organizacional”. Já Costa e Formoso (2011) definem da seguinte maneira: Benchmarking pode ser entendido como um processo contínuo e sistemático de investigação relativo ao desempenho de processos ou produtos, comparando-os com aqueles identificados como as melhores práticas. O processo de benchmarking também pode auxiliar na implementação dos indicadores, permitindo a avaliação do desempenho da empresa em relação aos padrões atingidos por outras empresas e a definição de novos objetivos para a melhoria contínua. Sendo assim, a organização buscará em outra organização, que pode ser, mas não necessariamente, sua concorrente, a avaliação de produtos, serviços, processos que sejam considerados de excelência e que possam servir como referência para aprimoramento da organização. Carpinetti (2012) diz que o sucesso da aplicação do benchmarking depende da existência de algumas suposições e pré-condições. Primeiramente, deve haver também um reconhecimento e aceitação de que existem lições a serem aprendidas a partir da experiência de terceiros, que podem levar à melhoria de desempenho. Outra pré-condição é a existência de potenciais parceiros de benchmarking ou, no mínimo, a percepção de possibilidade de acesso à experiência de terceiros, considerados referência. Por último, é fundamental que haja respeito e ética profissional na condução de projetos de benchmarking, caso contrário, a falta de confiança comprometerá definitivamente qualquer iniciativa futura. Outros condicionantes da prática do benchmarking estão relacionados à capacitação da empresa em conduzir projetos de melhoria, como cultura de melhoria contínua, abordagem científica, visão de processos, comprometimento, liderança entre outros. 141 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 Ribeiro (2004), em sua tese de doutorado, utiliza o benchmarking em uma indústria de manufatura e os resultados são promissores. Além disso, apresenta um novo modelo que pode ser replicado. Disponível em https://core.ac.uk/download/pdf/302941321.pdf. 4.1 TIPOS DE BENCHMARKING Existem vários tipos de benchmarking, que podem ser classificados quanto ao objeto de estudo e quanto à natureza do parceiro. Carpinetti (2012) classifica o benchmarking quanto ao objeto de estudo, e existem dois tipos fundamentais: • Benchmarking de produto: é o tipo de benchmarking mais praticado. O benchmarking começou com o benchmarking de produto. A prática mais comum é as empresas fazerem benchmarking sem declarar que o fazem. Essa prática de analisar o produto do concorrente e incorporar conceitos, soluções e tecnologias dos concorrentes é limitada pelas proteções legais das patentes. O esforço de dissecar o produto do concorrente e por meio de uma engenharia reversa reproduzir os atributos do produto concorrente é, na maioria das vezes, limitado pela falta de conhecimento sobre as tecnologias dos processos de fabricação. • Benchmarking de processo: quando o objeto de estudo é o “como fazer”, o benchmarking é classificado como de processo, e inclui processos produtivos e de gestão. Algumas classificações diferenciam benchmarking de processo e benchmarking estratégico. O benchmarking de processo, especialmente processos de gestão e estratégico se tornaram mais comuns a partir da formalização do benchmarking como prática gerencial. Outra classificação, também de Carpinetti (2012), para diferenciar os tipos de benchmarking é quanto à natureza do parceiro, que pode ser: interno, concorrente direto, do mesmo setor ou de setores distintos, como segue: • Benchmarking interno: o benchmarking interno é cada vez mais comum em grandes corporações. Por meio da intranet da empresa, as diferentes unidades distribuídas geograficamente disponibilizam as informações relacionadas as suas melhores práticas, os benchmarks da organização. É um tipo de benchmarking de processo, que pode ser relacionado a processos produtivos ou de gestão de unidades de negócio diferentes. 142 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Os responsáveis pelas melhores práticas são estimulados a disponibilizar as informações sobre como se conseguiu obter resultados superiores. As facilidades de troca de informações, o dever de compartilhar as melhores práticas e o baixo custo associado a essas práticas tornam esse tipo de benchmarking mais viável e mais eficaz. • Benchmarking competitivo: quando a comparação é com um concorrente direto, chamamos de benchmarking competitivo. O benchmarking competitivo é desenvolvido com o objetivo de comparar o desempenho da empresa em relação aos seus concorrentes. Nesse tipo de benchmarking, comparam-se produtos, processos produtivos e de gestão. Apesar de empresas concorrentes fazerem a comparação de produtos, serviços, preços e outras informações para lançar estratégias competitivas, a realização de projetos de benchmarking em que haja uma relação de cooperação e compartilhamento de informação sobre melhores práticas é muito difícil de acontecer, pelo fato de as empresas perceberem essa troca de experiência como uma ameaça a sua sobrevivência. • Benchmarking funcional: quando a comparação é com empresas de um mesmo setor, mas não concorrentes, denomina-se benchmarking funcional. Neste caso, o objetivo é comparar processos produtivos e de gestão similares. Este tipo de benchmarking também é bastante viável. Por exemplo, empresas fabricantes de autopeças, não concorrentes, mas pertencentes à mesma cadeia produtiva, podem estabelecer uma parceria para trocar experiências sobre práticas de desenvolvimento de fornecedores, capacitação de pessoas ou projetos de melhoria seis sigma. Nesse tipo de benchmarking, não é difícil encontrar potenciais parceiros, mas os projetos são mais pontuais, menos sistemáticos que no caso de benchmarking interno. • Benchmarking genérico: o benchmarking genérico é aquele em que empresas de setores de atuação distintas fazem comparações e trocam experiências sobre processos de suporte. Por exemplo, uma indústria pode trocar experiência com um banco no que se refere à gestão de recursos humanos ou sobre gestão de informação. 143 A Qualidade Como Fator De Competitividade E MelhoriaContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 Ribeiro (2004) elenca os blogs que podem ser consultados para entender o benchmarking. 4.2 PROCESSO DE BENCHMARKING Independentemente do tipo de benchmarking, o seu processo de realização começa com a identificação da necessidade de melhoria e a decisão pela condução dessa prática como caminho a seguir. A partir daí, o processo de benchmarking inclui basicamente os passos a seguir (ilustrados na Figura 8): 144 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa • Conhecer o objeto de estudo (produto ou processo): o objetivo é levantar todas as informações sobre o produto ou processo com vistas à comparação com outros. Informações sobre desempenho, com dados quantitativos ou qualitativos, sobre como as atividades são realizadas, problemas existentes. Quanto maior o conhecimento sobre o produto ou processo e suas limitações, melhor será a capacidade da equipe em explorar o parceiro de benchmarking. • Identificar fontes de informação e parceiros de benchmarking: o objetivo é identificar fontes de informação sobre desempenho de produtos ou processos que sirvam como comparativo e fontes de informação sobre possíveis parceiros. As fontes de informação podem ser: literatura especializada; serviços prestados por entidades setoriais; seminários, serviços de benchmarking oferecidos por empresas ou associações. Atualmente, existem vários serviços de benchmarking disponíveis pela internet. • Fazer comparações e trocar experiências: o objetivo é conhecer a prática, processos, produtos do parceiro, como o objetivo principal de identificar o que o parceiro faz de diferente que se julgue como uma melhoria do produto ou processo e que possa ser apropriado. • Definir ações, planejar, implementar e rever progresso: nesta última etapa, o objetivo é realizar a melhoria com base na experiência trazida do parceiro. Envolve planejamento, implementação e revisão. FIGURA 8 – PASSOS PARA A REALIZAÇÃO DE UM BENCHMARKING FONTE: Adaptada de Carpinetti (2012) Apesar de essas etapas serem requeridas para a realização de um processo de benchmarking, o rigor e formalismo com que cada uma dessas etapas é desenvolvida varia bastante. Por exemplo, dependendo do tipo de benchmarking, a identificação do objeto de melhoria, fontes de informação e parceiros pode ser bastante imediata, dispensando maiores formalismos do método. Além disso, 145 A Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria ContínuaA Qualidade Como Fator De Competitividade E Melhoria Contínua Capítulo 3 muitas vezes o benchmarking acontece de forma acidental, não planejada. Por exemplo, pode acontecer de uma ação de melhoria de um produto ou processo ser concebida a partir de uma troca de informação casual, com um cliente, um fornecedor ou mesmo com um colega de profissão. Portanto, muitas melhorias decorrentes de benchmarking podem não seguir esse roteiro. 1) Com base no que foi discutido, defina o conceito de benchmarking. 2) O benchmarking pode ser de alguns tipos, conforme foi apresentado ao decorrer do capítulo. Um deles é quando estamos interessados em estudar diretamente nosso concorrente, comparando nossa empresa com as concorrentes. Sabendo disso, assinale a alternativa que corresponde ao tipo de benchmarking citado: a) ( ) Competitivo. b) ( ) Genérico. c) ( ) De processo. d) ( ) De produto. e) ( ) Interno. 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, pudemos compreender os diferentes significados de como os indicadores de desempenho, a TQM e o benchmarking podem trazer a qualidade às organizações, fazendo com que elas tenham seus processos em bom estado de funcionamento, o que as torna competitivas. Para isso, agora você pode replicar o que foi estudado neste capítulo no seu dia a dia. Assim, aplique os conceitos, ferramentas e filosofias e consiga destacar os pontos positivos da qualidade que fortalecem os negócios. Vale lembrar que o que foi estudado em todos os capítulos não se limitam apenas às organizações, mas podem ser aplicados na sua vida pessoal. Desta forma, imagine que você pretende adquirir um bem. Se você não tiver planejamento, o que acontecerá? Use a qualidade e suas ferramentas no auxílio das suas projeções de vida. 146 Gestão da Qualidade Aplicada na Empresa Para finalizar, tenha a qualidade sempre presente em sua vida e não a deixe em segundo plano. Tudo o que fazemos e temos deve ser de qualidade e pode sempre ter um melhor desempenho. Este livro didático finaliza o seu propósito em demonstrar os conhecimentos necessários para essa finalidade. REFERÊNCIAS ABNT – Associação Brasileiras de Normas técnicas. Normalização. 2016. Disponível em: http://www.abnt.org.br/normalizacao/o-que-e/objetivos. Acesso em: 19 maio 2021. BITITCI, U. S. et al. Integrated performance measurement systems. International Journal of Operations & Production Management, v. 17, n. 5, p. 522-534, 1997. CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012. CROSS, K. F.; LYNCH, R. L. Managing the corporate warriors. Quality Progress, Milwaukee, 1990. DORNIER, P. P. et al. 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