Prévia do material em texto
Mariana M. de Almeida 2022.2 Trauma Crânioencefálico É o tipo de trauma mais encontrado nas emergências. Além disso, grande parte dos sobreviventes do TCE apresentam dano neurofisiológico que resulta em invalidez. Por isso, o objetivo do atendimento de suspeita de TCE é PREVINIR LESÃO CEREBRAL SECUNDÁRIA e a melhor forma de fazer isso é: • Oxigenação adequada • Manter PA suficiente para perfusão cerebral • Enviar o paciente para centro do trauma urgentemente Locais de sangramento: 1. Hematoma subgaleal – sangramento entre a pele e o osso (famoso galo) 2. Hematoma extradural – sangramento entre o osso e acima da dura-máter 3. Hematoma subdural – sangramento abaixo da dura-máter e acima da aracnoide 4. Hematoma subaracnoide – sangramento abaixo da aracnoide 5. Sangramento intraparenquimatoso – sangramento no tecido encefálico Pressão intracraniana x Doutrina de MonroKellie A calota craniana é fixa e não temos grandes variações do espaço ósseo, por isso, se temos aumento de PIC, o líquor e o sangue venoso vão fazer alterações para tentar compensar, porque o volume total do conteúdo intracraniano se mantém CONSTANTE. O paciente vítima de trauma morre principalmente de choque hemorrágico, partindo disso, a pressão arterial média dele estará diminuída. O paciente com hematoma intracraniano, tem pressão intracraniana aumentada. Resultado: pressão de perfusão cerebral diminuída e para diminuir a injúria do TCE é preciso evitar danos secundários. Mariana M. de Almeida 2022.2 • PIC normal – 10mmHg • PIC > 20mmHg – piores desfechos • PPC (pressão de perfusão cerebral) = PAM – PIC TCE – lesões cerebrais traumáticas Primária: corresponde as lesões que ocorrem no momento do trauma. 1. Fraturas de crânio → avaliar se foi em calota x base, linear x estrelada, aberta x fechada 2. Fraturas de base crânio (se atentar a battle, guaxinim, otorreia) → precisamos realizar uma TC com janela óssea e não podemos subestimar, até porque para ocorrência dessa fratura é necessária uma força considerável 3. Lesões cerebrais difusas (a clínica é perda de consciência): → Concussões (lesão cerebral traumática leve): caracteriza-se por um distúrbio neurológico não focal transitório com perda de consciência, sem nenhuma lesão identificada. O paciente retorna e não tem alterações radiológicas, muito comum em lutas. → Lesão axonal difusa: Ocorre por lesões de alta velocidade/desaceleração/lesões por cisalhamento. O paciente apresenta alteração difusa, não focal, com alterações radiológicas, além disso, é grave com prognóstico ruim e grandes chances para morte encefálica. 4. Lesões cerebrais focais: → Hematomas subdurais • São mais comuns; • Ocorre geralmente uma dilaceração de vasos superficiais relacionados com vasos venosos; • Tem formato de meia lua que contorna o cérebro; • O comprometimento cerebral costuma ser mais grave do que nos epidurais, pois está em maior contato com o parênquima cerebral. → Hematomas epidurais • São raros; • Tem forma biconvexa e sangramento de origem arterial; • A maioria resulta da ruptura da artéria meníngea; • Regiões temporal ou temporo-parietal; • A clínica é o paciente apresentar um intervalo de lucidez e de repente rebaixar o nível de consciência. Mariana M. de Almeida 2022.2 CUIDADO! CUIDADO! CUIDADO! CUIDADO! → Contusões e hematomas intracerebrais: • São mais comuns que os epidurais e a maioria acontece nos lobos frontal e temporal • Podem evoluir para hematomas com efeito de massa (20% dos casos) • Diante da grande possibilidade de evolução, é necessário repetir a TC para avaliar mudança nos padrões Caso clinico: JAS, 16 anos, vítima de colisão moto x carro; estava na moto sem capacete. 1. Segurança da cena; 2. Paramentação; 3. X – verificar presença de lesão exsanguinante; 4. Restrição manual do movimento da coluna + avaliação da via aérea; 5. I(inspeção)P(palpação)A(ausculta - presença/ausência de MV)P(percussão) 6. 1H6P (conter sangramento, checar pulso, pele, perfusão e lugares de armazenamento de sangue (pança, pelve, pernas), expansão volêmica com ringer lactato e jelco 18) 7. Glasgow (varia entre 3-15) + avaliação pupilar (feita por REATIVIDADE À LUZ) 8. Exposição do paciente, avaliação do dorso, prevenção de hipotermia Obs1: Hematoma em expansão e inalação de fumaça são indicações de via aérea definitiva precoce na letra A para que o nosso paciente não perca a patência. Obs2: Lembrar que pegamos acesso com o jelco 18 e começamos a infundir o ringer em 250ml podendo fazer até 4 ciclos = 1000ml. Se não resolver, podemos fazer hemoderivados (1 de hemácia: 1 de plasma: 1 de plaquetas), além disso podemos fazer ácido tranexâmico (1g em bolus) até 03 horas do trauma. Obs3: Ex: Glasgow 9 e Glasgow p -1 significa que Glasgow p = 8 e Glasgow = 9, portanto não intubamos (para intubação glasglow < 8) Obs4: Glasgow P indica prognóstico, mas não define conduta. Obs5: Se durante a avaliação o paciente tiver resposta assimétrica, consideramos o melhor desempenho do paciente. Obs6: Principais indicações de IOT: 1. Incapacidade de manutenção da perviedade da via aérea (GCS ≤ 8) 2. Risco iminente de obstrução de VA (ex: inalação de fumaça) 3. Incapacidade/prejuízo da ventilação (uso de musculatura acessória) 4. Acidose metabólica (tendência a hiperventilação) Mariana M. de Almeida 2022.2 Relembrando... A pupila é só prognostico, não muda o Glasgow terapêutico. Então um paciente com Glasgow 9, mas tem uma pupila não reagente, ele perde um ponto, mas não é indicativo de IOT!!!!! Se houver diminuição de 2 pontos ou mais da escala de Glasgow → PRECISA INTUBAR O PACIENTE. Pois ele está piorando. Classificação do TCE 1. Leve: glasgow 13-15 2. Moderado: glasgow 9-12 3. Grave: glasgow ≤ 8 A lesão cerebral é agravada por agressões secundárias. Além disso, em pacientes com TCE grave, a hipotensão na admissão é acompanhada de aumento em 50% na taxa de mortalidade quando comparados aos sem hipotensão. Lesão cerebral secundária → Causas sistêmicas: 1. Hipóxia 2. Aumento ou diminuição de CO2 (diminuem a pressão de perfusão cerebral) 3. Anemia – choque hemorrágico 4. Hipotensão – choque grau III 5. Aumento ou diminuição de glicose → Causas intracranianas: 1. Convulsão – aumenta a demanda de O2 2. Edema cerebral – aumenta a PIC 3. Hematomas Mariana M. de Almeida 2022.2 ATLS • Uso de anticoagulante (heparina, rivaroxabana, varfarina) • Perda de consciência > 5 min • Glasgow ≤ 12 • Mecanismo penetrante Quando solicitar TC? Tratamento: PREVENIR LESÃO SECUNDÁRIA EM UM CÉREBRO JÁ LESADO! * Cada hemácia é importante! Faça o controle da hemorragia e evite hipóxia! * A melhor forma de tratar o D no contexto pré-hospitalar é fazendo um A, B e C bem feito. Além disso: 1. Soluções salinas isotônicas – manter a PAS 90-100mmHg 2. Fazer hiperventilação se sinais de herniação (age reduzindo a PaCO2 e produz vasoconstrição cerebral, no entanto, é preciso usar com moderação e por tempo limitado pois pode prejudicar a perfusão tecidual. → Hiperventilação -> alcalose -> vasoconstrição → PaCO² > 35mmHg = PHTLS classifica como hipercapnia branda → FR: 10 ipm adultos, 20 crianças e 25 bebês, após a hiperventilação fica 20 adultos, 25 crianças, 30 bebês → Sinais de herniação:anisocoria (tamanhos diferentes das pupilas), sinais de hipertensão intracraniana (Tríade de Cushing – bradicardia, hipertensão, bradipneia), ventilação de cheyne- stoke, pupilas não reativas 3. Manitol (solução a 20%; 0,25 a 1g/kg IV em bolus) – importante ter cuidado com pacientes hipotensos, pois o manitol é diurético e pode piorar a pressão de perfusão cerebral 4. Anticonvulsivantes (fenitóina): reduz a incidência de convulsões na primeira semana após o trauma. É usado como profilaxia secundária, se o paciente convulsionar a gente oferta. CANADIAN • Glasgow < 15 por 02 horas • Fratura exposta ou afundamento do crânio • Sinais de fratura de base de crânio • >1 episódio de vômito • > 65 anos • Amnésia retrograda > 30 min • Mecanismo perigoso (atropelamento, ejeção veicular, queda ≥ 1m ou 5 degraus) Obs: Na letra D, o Glasgow abaixo de 8 a intubação é para evitar a broncoaspiração e proteção de via aérea, sendo possível adiar alguns minutos para que seja feito no ambiente hospitalar. No entanto, na letra A, a via aérea definitiva é para manutenção da vida, portanto, não devemos atrasar.