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Hemorragia e Choque 1 🔬 Hemorragia e Choque HEMORRAGIA Definição: “saída de sangue do espaço vascular para o compartimento extravascular (cavidade ou interstício) ou para fora do organismo” ≠ hiperemia: aumento do volume de sangue no interior de vasos, especialmente na microcirculação Hiperemia ativa: aumento da velocidade do fluxo consecutiva à dilatação arteriolar, causando o rubor Causada pro estímulos vasodilatadores ou metabólicos e por mediadores inflamat´roias vasodilatadores Em casos de hiperemia nuerogênica por desnervação simpática pode haver hipotensão arterial, especialmente postural, por vasodilatação arteriolar Hiperemia passiva (congestão): redução da drenagem venosa Causas: a. Retorno venoso reduzido em consequência de bloqueio obstrutivo e localizado b. Redução do retorno venoso sistêmico ou pulmonar Hiperemia passavia na IC Hiperemia passiva no baço Hiperemia passiva crônica nos MMII Hiperemia mista: hiperfluxo + dificuldade de retorno venoso CLassificações: Hemorragia e Choque 2 → Quanto à topografia: Hemorragia externa: saída de sangue para o meio externo (inclui os sangramentos tubários, do tubo digestivo…) Hemorragia interna: sangramento para órgãos ou cavidades (do intestino ou cavidades celômicas, craniana…) → Em geral, o nome sugere o mecanismo envolvido na hemorragia Equimose: hemorragia intra- intersticial de vasos sanguíneos superficiais (acontece ao nível dos capilares que não possuem pressão suficiente para o extravassamento de sangue) → se apresenta em manchas planas, difusas, irregulares, azuladas ou arroxeadas, mais extensa que a púrpura e pode apresentar discreto aumento de volume local Hemorragias puntiformes ou petéquias: lesões de até 3mm, geralmente múltiplas → resultam de defeitos qualitativos ou quantitativos de plaqueta Púrpura: lesões de até 1cm, geralmente na pele, múltipla, plana ou discretamente elevada → Quanto à etiologia: Rexe: consecutiva à ruptura da parede vascular Causas: traumas, enfraquecimento da parede vascular Fisiopatogenia: Lesão do próprio vaso → vasculite Lesão de estruturas adjacentes → tuberculose, úlcera, neoplasia maliganas Aumento da pressão sanguínea → HAS Diapedese: sangramento com ou sem diminuta solução de continuidade vascular; diapedese pelo endotélio Causas: Diapedese paracelular: alteração local nas junções intercelulares Diapedese transcelular: formação de poros nas células endoteliais Hemorragias por diapedese ocorre em vênulas ou capilares quando existe hiperemia passiva e resulta de aumento da pressão intravascular Hemorragia e Choque 3 Ocorre: na hipóxia, embolia gordurosa, septicemia por meningococos, alergia a drogas… Evolução da equimose: Hemoglobina → biliverdina → biliverdina → hemossiderina Hemorragias superficiais na pele. A. Púrpuras e B. petéquias em paciente com púrpura trombocitopênica idiopática. C. Sufusão hemorrágica na parede lateral do tórax e no abdome de paciente com cirrose hepática descompensada Evolução cromática de equimose Equimose Petéquias e púrpuras subpleurais causada por Hemorragia e Choque 4 Hematoma: todo sangramento interno que se acumula e forma uma nova cavidade; ex. síndrome compartimental � Hemorragias em cavidade pré-formadas: Hemotórax: quando a hemorragia ocorre dentro da cavidade torácica Hemoperitôneo: hemorragia dentro do peritônio Hemopericárdio: hemorragia no pericardio Hemartrose: hemorragia na cavidade articular Hemassalpinge: coleções sanguíneas na luz da tuba uterina Hematométrio: coleções sanguíneas na cavidade uterina � Exteriorização de hemorragias por orifícios: Epistaxe: eleiminação de sangue pelas narinas Hemoptise: pela tosse oriunda do sistema respiratório de maior volume Escarro hemoptoico: pela tosse oriunda do sist. repsiratorio de menor volume Hematêmese: eliminação de sangue pela boca oriundo do sistema digestório e eliminado por vômito Melena: eliminação de sangue pelo ânus; de origem alta e com sangue digerido na cor escura asfixia Hematoma extradural; síndrome compartimental Hematoma cerebral por rompimento dos vasos lenticulares, causa comum do AVC Hemorragia e Choque 5 Hematocolpo: coleções sanguíneas na cavidade vaginal Hemobilia: hemorragia no interior da vesícula biliar ou dos ductos biliares Hematoquezia: pelo ânus, de origem baixa e sangue não digerido na cor vermelho vivo Otorragia: perda de sangue pelo meato acústico externo Hematúria: eliminação de sangue com a urina Metorragia: originado do útero fora do período de menstruação Menorragia ou hipermenorreia: perda excessiva de sangue na menstruação Polimenorreia: frequência e/ou duração de perda sanguínea aumentada na menstruação Nos olhos: Hifema: hemorragia da câmara anterior do olho Hiposfagma: hemorragia ocular subconjuntival Etiopatogênese → Hemorragias podem ser causadas por quatro mecanimos 1. Lesão da parede vascular Sangramento por comprometimento da parede do vaso ocorre por ruptura ou diapedese 3. Alterações quantitativas ou qualitativas de plaquetas O tempo de sangramento começa a ficar alterado quando as plaquetas caem abaixo de 100.000 por mm3 de sangue, Hematoma intrapericárdico (hemopericádio) Hemorragia e Choque 6 Causas: (mais comum) Traumatismo mecânico que provoca ruptura do vaso (hemorragia por rexe) (pode estar associado a defeitos na resistência vascular ou na coagulação do sangue) Lesões vasculares de pequenas artérias (arteriolosclerose) associadas à HAS resultam nos chamados microaneurismas cerebrais (aneurisma de Charcot- Bouchard), que muitas vezes se rompem e causam hemorragia cerebral Gengivorragia durante a escovação de dentres pode ser um primeiro sinal de uma trombocitopenia (número reduzido de plaquetas - trombócitos) no sangue), onde um traumatismo pequeno e habitual é capaz de provocar hemorragia devido à associação com a redução do número de plaquetas Ulcerações na parede vascular podem causar hemorragia por mecanismos variáveis Hemorragias espontâneas tornam-se evidentes quando o número de plaquetas é inferior a 20.000/mm3 Hemorragias graves acontecem quando esse número está abaixo de 10.000 plaquetas/mm3 Trombocitopenia: redução do número de plaquetas Causas: +++ Aplasia e infiltração neoplásica da medula óssea Síndrome mieolodisplásica Hiperesplenismo Medicamentos - substância fica adsorvida à plaqueta e induz a síntese de anticorpos (lise plaquetária pro ativação do complemento) Autoanticorpos (especialmente púrpura trombocitopênica idiopatica) Próteses valvares - podem aumentar a destruição de plaquetas (lise mecânica) Hemorragia e Choque 7 Vasculite, a púrpura é geralmente palpável e o sangramento pode ser atribuído à destruição segmentar da parede vascular pelo exsudato inflamatório Inflamações parenquimatosas com supuração (necrose liquefativa de inflamação purulenta), granulomatosas ou necrosantes podem ocorrer e perfurar a parede vascular (ex.: na turberculose pulmonar a hemorragia é frequente) Hemorragia por diapedese 2. Alteração na coagulação sanguínea Manifesta-se por uma hemorragia espontânea, provocada quase sempre por traumatismos pequenos, sendo o sangramento desproporcional à intensidade da lesão Menorragias: sangramento espontâneo durante períodos menstruais Deficiências congênitas de fatores de coagulação → tempo de tromboplastina alterado, Trombocitopatia: alterações funcionais de plaquetas Causas: Medicamentos - fármacos que interferem na agregação plaquetária (ex.: Ácido acetilsalicílico e anti- inflamatórios não esteroides têm em comum o fato de inibirem a ciclo-oxigenase (COX), diminuindo a produção de tromboxano, o que reduz a agregação e a ativação de plaquetas) Tromboxano sintase age sobre a prostaglandina → TAX2 (potente agregador de plaquetas e vasconstritor) A maior gravidade da hemorragia digestivaprovocada por esses medicamentos deve- se à redução também na síntese de prostaglandina E2, o que reduz a ação protetora desses autacoides na mucosa gástrica Hemorragia e Choque 8 embora o tempo de sangramento possa ser normal Hemofilia A - deficiência do fator VIII Hemofilia B ou doença de Christmas - deficiência do fator IX Doença de von Willebrand - deficiência do fator vW → Apesar da formação do tampão plaquetário, a hemostasia está comprometida, porque o tampão não é estabilizado pela formação de fibrina, que depende dos fatores plasmáticos da coagulação Deficiências adquiridas de fatores de coagulação → mais frequentes que as congênitas e estão associadas a: Doenças carenciais - hipovitaminose K (cofator na síntese hepática de fatores de coagulação) A ativação e a agregação plaquetárias podem ser inibidas também por bloqueadores de receptores de ADP plaquetários (p. ex., clopidogrel, prasugrel), largamente utilizados na prevenção de trombose arterial → por ter ação independente da via do tromboxano, tais fármacos atuam de forma sinérgica quando combinados com o ácido acetilsalicílico Disfunção plaquetária é também obervada na uremia, na cirrore hepática e em pacientes submetidos a circulação extracorpórea Absorção de substâncias sobre as plaquetas, como ocorre em algumas paraproteinemias e após o Hemorragia e Choque 9 Diminuição do aporte de vitamina K, associada a deficiência de outras vitaminas, está relacionada com problemas em sua absorção Doenças hepáticas - deficiência dos fatores II, VII, IX, X e das proteínas C e S Na insuficiência hepática de qualquer natureza, fenômeno hemorrágicos são frequentes e devem- se à redução na síntese dos fatores da coagulação Depleção desses fatores quando existe ativação sistêmica da coagulação (coagulopatia de consumo) Coagulopatia de consumo → quadro hemorrágico associado à redução dos fatores de coagulação consumidos em excesso Coagulação intravascular disseminada (CID) - a ativação sistêmica da coagulação sanguínea leva ao consumo de seus fatores, nesses casos, há redução do fibrinogênio (fator I) e aumento da quantidade de suo de penicilina é uma causa menos frequente de difunção plaquetária → esse processo mascara receptores e moléculas de adesão nas plaquetas 4. Mecanismos complexos Dengue hemorrágica → os mecanismos da hemorragia e do choque na dengue são complexos e ainda mal esclarecidos Além da trombocitopenia que acompanha a doença, existem alterações funcionais na parede vascular induzidas por anticorpos contra antígenos do vírus que dão reação cruzada com células endoteliais A disfunção endotelial na dengue é responsável não só pela fuga de plasma como também, em parte, por fenômenos hemorrágico Hemorragia e Choque 10 produtos de degradação de fibrina (potentes inibidores da coagulação) CID aumenta a atividade fibrinogênica que atua sobre a fibrina recém- formada e sobre o fibrionogênio, razão pela qual os seus produtos de degradação aumentam na circulação Hemorragias por excesso de anticoagulantes endógenos ou exógenos → hemorragias por ação dos inibidores dos fatores de coagulação (antitrombina, inibidor da via do fator tecidual, alfa 2- macroglobulina, cofator II da heparina) por fibrinólise exagerada resultante de ativação excessiva do plasminogênio ou por inibição de inativadores naturais deste Essa hemorragia é comum em pacientes em tratamento com anticoagulante (heparinização) ou em intoxicação com susbtâncias com ação anticoagulante (ex.: warfarin) Tratamento trombolítico com ativadores exógenos do plasminogênio pode ter Hemorragia e Choque 11 como complicação hemorragias variadas, às vezes graves Consequências/complicações: → Consequências variadas dependendo do volume perdido, do local e da velocidade da perda sanguínea Choque hipovolêmico → >20% do volume total de sangue Anemia ferropriva → sangramento crônico/repetido consequencia da espoliação de ferro Asfixia → sangramento pulmonar intraveolar Tamponamento cardíaco → sangue se acumula no saco pericárdio e o coração sofre para realizar a diástole (menor movimento do cardíaco), ficando todo o ciclo cardíaco comprometido Síndrome compartimental → sangue faz volume em um espaço estreito; ex.: síndrome compartimental (aumento da pressão intracraniana, podendo causar morte encefálica) Outros: hidrocefaleia por bloqueia da reabsorção liquórica, sequelas motoras, cegueira por turvação do corpo vítrio, deslocamento da retina ou glaucoma quando a hemorragia é intraocular Diáteses hemorrágicas São hemorragias de causas não identificadas Etiologias Mecanismos Manifestações Aletação vascular Doença de Osler ↑ Telangiectasias Epistaxe, sangramento pele Escorbuto (hipovitaminose C) Defeito na membrana basal Petéquias e equimoses Aletação plaquetária Hemorragia e Choque 12 Etiologias Mecanismos Manifestações Aplasia medular ↓ plaquetas Petéquias, epistaxe, sangue gengival Choque Consumo de plaquetas Petéquias, epistaxe, sangue gengival Alteração na coagulação Hemofilia A ↓ fator VIII Equimoses, hematomas, hemartrose Doença Von Willebrand ↓ fator VIII e vW Epistaxe Hipovitaminose K ↓ fator II, VII, IX e X Epistaxe � Fator VIII: cofator procoagulante, que desempenha um papel crucial na cascata da coagulação intrínseca Fator vW (von Willebrand): participa do processo de coagulação e permite a agregação das plaquetas onde há rompimentos de vasos sanguíneos, participando assim no início da coagulação Fator II: provoca aumento dos níveis plasmáticos da protrombina, predispondo à trombose venosa Fator VII: glicoproteína sintetizada pelo fígado, dependente da vitamina K; possui papel importante na iniciação da coagulação sanguínea, pois sua forma ativada, em associação ao fator tissular, é responsável pela ativação dos fatore IX e X da coagulação. Fator IX: uma das principais proteínas da cascata de coagulação; sua deficiência causa hemofilia B Fator X: protrombinase, é uma enzima da cascata de coagulação CHOQUE Definição: hipoperfusão sistêmica secundária ao baixo volume sanguíneo e débito cardíaco, que leva à uma hipotensão e hipóxia generalizada Hemorragia e Choque 13 → Hipoperfusão de células-tecidos → ↓ O2 → Hipotensão → Hipoperfusão → Hipóxia � PA <100/60 mmHg ou PAM < 80mmHg A manutenção da PA e da pressão de perfusão tecidual depende de três componentes: 1. Bomba cardíaca que impulsiona o sangue nos vasos 2. Volume de sangue circulante 3. Compartimento vascular → Em condições normais, a quantidade de sangue ejetado na circulação ocupa o compartimento vascular de modo a exercer tensão na parede dos vasos suficiente para manter a PA e a perfusão O choque pode ser provocado por: Falência da bomba cardíaca (coque cardiogênico) Redução da volemia (coque hipovolêmico) Aumento do compatimento vascular (choque distributivo) → anafilático e séptico Falência no enchimento do VE (choque obstrutivo) Tipos de choque → Quanto à etiologia: 1. Cardiogênico Mecanismo: falha da bomba miocárdica por motivo “intrínseco” ou compressão extrínseca → baixo débito cardíaco por insuficiência cardíaca aguda, especialmente no VE Causas: IAM Trajeto PAF no coração, com tamponamento cardíaco Hemorragia e Choque 14 Miocardites agudas Ruptura de valvas cardíacas ou músc. papilar Arritmias Tamponamento cardíaco 2. Hipovolêmico Mecanismo: redução aguda e intensa do volume de sangue ou plasma, resultado da perda de líquidos para o meio externo Causas: Hemorragias graves Desidratação por vômitos, diarreia e queimaduras Passagem rápida de líquido do meio intra para a o meio extracelular Causas menos frequentes, como retenção de grande quantidade de líquido na luz intestinal (íleo paralítico) 3. Séptico Mecanismo: baixa pressão causa vasodilatação periférica como resposta sistêmica à hiperinfestação de microorganismo (infecções) Choque hipovolêmicoHemorragia e Choque 15 Liberação de mediadores inflamatórios que causam a dilatação arteriolar e inundação do leito capilar (reduz retorno venoso) Citocinas pró-inflamatórias têm efeito depressor sobre o miocárdio, reduzindo a eficácia do coração em bombear o sangue para a periferia Causas: infecções bacterianas (ou microorganismos) disseminadas (septicemias) ou por lesões causadas por agentes físicos ou químicos) 4. Neurogênico Mecanismo: vasodilatação periférica por perda do tônus vascular induzidos por nervos parassimpáticos (pode ser tanto por ↑ ou ↓↓↓ do parassimpático) Causas: TCE Anestesia geral Lesão medular 5. Anafilático Mecanismo: hipersensibilidade por IgE, causando vasodilatação 6. Choque obstrutivo Mecanismo: restrição no enchimento das câmaras cardíacas esquerdas de instalação súbita Causas: são embolia pulmonar maciça (bloqueio do fluxo sanguíneo nas artérias pulmonares) e hidro ou hemopericárdio agudos (levam a restrição diastólica por preenchimento do espaço pericárdico por líquido de edema ou por sangue) Choque séptico, que pode ser provocado por inúmeras agressões (infecciosas ou não), Hemorragia e Choque 16 arteriolar por aumento agudo da histamina, queda rápida de PA, inundação do leito capilar e diminuição do retorno venoso Causas: alergias !!!REVER Estágios do choque → Respotas adaptativas: 1. Precoce → compensado: Estímulo simpático (barroreceptores e quimiorreceptores) por endoadrenalina causa vasocontrição ↑FC e ↑força de ejeção na tentativa de reverter o choque Adrenalina da suprarrenal, vasopressina e angiotensina I, retenção de sódio nos rins (↑vasoconstrição) aumento da volemia (acúmulo de água por Choque anafilático Hemorragia e Choque 17 liberação do ADH) Reabsorção de líquido do interstício para o compartimento vascular (facilitada pela diminuição da pressão hidrostática nos capilares por causa da hipotensão) A reabsorção de fluido pobre em proteínas reduz um pouco a pressão coloidosmótica do plasma (ocorre hemodiluição) 2. Progressivo → descompensado: → Aqui o corpo já não consegue mais reverter, podendo entrar em síncope → Mecanismo de retroalimentação negativa para contrabalançar a hipotensão e hipovolemia podem induzir retroalimentação positiva → estímulos que pioram o distúrbio hemodinâmico ↓função miocárdica e acidose metabólica Hipóxia gera aumento da glicólise anaeróbica, acidose lática Acidose piora o quadro hemodinâmico → reduz resposta vascular às catecolaminas e aumento a abertura dos esfíncteres pré-capilares Vários mediadores pró-inflamatórios são liberados pelos tecidos hipóxicos, aumentando a permeabilidade vascular (histamina C3a, C5a e cininas) e a vasodilatação, o que reduz mais ainda o retorno venoso No choque séptico, essa fase torna-se ainda mais grave, porque alarminas circulantes (PAMP e DAMP, dependendo da origem do choque séptico) mantêm a produção de citocinas que ativam células endoteliais e leucócitos a elas aderidos a produzir mais e mais substâncias vasodilatadoras O quadro hemodinâmico agrava-se também porque citocinas pró- inflamatórias, como IL-1 e TNF-α, são depressoras do miocárdio Pele com aspecto cianótico e fria Lesão endotelial progressiva Aumento do risco de trombose por exposição de fatores residuais de coagulação e/ou por redução na atividade anticoagulante do endotelio Hemorragia e Choque 18 Pode ocorrer CID Com a manutenção da hipoperfusão, ocorrem hipóxia e, consequentemente, lesões degenerativas e necrose em diversos órgãos Sinais de insuficiência funcional vão se acumulando, e surge o que se denomina falência de múltiplos órgãos (FMO) 3. Irreversível - progressiva: Lesões teciduais francas → momento que os órgãos ficam muito tempo sem irrigação Nos territórios de menor perfusão, notadamente naqueles mais afastados do coração, é frequente necrose isquêmica Rins: além de necrose tubular aguda pode haver necrose cortical subcapsular Coração: aparecem infartos subendocárdicos em faixa, circunferenciais Sistema nervoso central: ocorre necrose em faixa nos territórios de interface entre as artérias cerebrais Baço: surge necrose subcapsular Trato digestivo: formam-se úlceras na mucosa, especialmente na borda antimesentérica Fígado: encontra-se necrose centrolobular Pâncreas: aparece necrose acinar Pulmões: as lesões são progressivas e caracterizadas por: Liberação de citocinas que promovem aumento do número e da adesividade Necrose tubular aguda, com aumento do espaço do glomérulo e desaparecimento dos espaços vasculares Hemorragia e Choque 19 de leucócitos à parede capilar Aumento da permeabilidade capilar, com edema alveolar Agressão ao epitélio alveolar por radicais livres e enzimas liberados por leucócitos intravasculares e pelo exsudato no interstício alveolar, formando membranas hialinas. Tais alterações são seguidas de reparo por síntese de MEC nos septos alveolares e parede dos bronquíolos, levando a fibrose progressiva do parênquima pulmonar Os espaços aéreos (alvéolos) reduzem- se pelo aumento da MEC, que pode até comprometer os bronquíolos respiratórios e provocar sua obstrução O epitélio alveolar adquire forma cuboide, desaparecendo os pneumócitos típicos Esse é o quadro do chamado dano alveolar difuso (DAD), que é o substrato anatômico dos pulmões em pacientes que desenvolvem a chamada síndrome de angústia (desconforto) respiratória aguda (SARA) A infusão de líquidos e de outras soluções coloidais na tentativa de manter a perfusão tecidual pode causar, em um indivíduo com aumento da permeabilidade vascular, quadros de anasarca às vezes desfigurantes Hemorragia e Choque 20 Órgãos atingidos Mais importantes: Intestino: necrose da mucosa, podendo atingir a muscular → enterocolopatia hemorrágica por hipoperfusão esplâcnica) Sítios: mais comum no cólon esquerdo e ângulo esplênico (flexura cólica esquerda), pois possui a menor oxigenação do intestino (anastomose de Riolan e de Drummond) Rins: podem resultar em necrose tubular aguda com prejudicação na filtração (a célula renal da papila possui um dos menores hematócritos do corpo, sendo o efeito do choque bastante pronunciado) Evolução: fase de oligúria (necrose) → fase diurética (regeneração do epitélio tubular) Necessária as sondagem para controle da função renal Hipófise: necrose isquêmica da adenohipófise Consequência: insuficiencia hipofisária (Síndrome de Sheehan) Hemorragia e Choque 21 � Síndrome de Sheehan: hipopituitarismo pós-parto secundário à necrose hipofisária decorrente de hipotensão ou choque hipovolêmico em virtude de hemorragia maciça durante ou logo após o parto Apresentação do quadro clínico: Aguda ou crônica Sintomas e sinais iniciais: insuficiência adrenal aguda, sendo a agalactia o sinal mais precoce, acompanhada de rápida involução da mama e o não retorno aos ciclos menstruais regulares Posteriormente: características dos diversos déficits hipofisários, como astenia, fadiga e confusão mental, além de pele hipopigmentada e rarefação dos pelos axilares e pubianos, tendo a hiponatremia como distúrbio eletrolítico mais comum, o qual pode estar presente por mais de 30 anos após o início da doença Coração: hemorragias subendocárdicas e subepicárdicas; necrose focais de fibras com perda de massa Cérebro: endocefalopatia isquêmica (hipóxica)