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Maria Eduarda de Alencar – Odontologia 2019.2 Choque Elétrico Introdução - Passagem de corrente elétrica pelo corpo, utilizando o mesmo como condutor; → Eletricidade - Eletricidade Natural ou Cósmica-raios: Fulminação – acidente por uma corrente elétrica natural que teve um desfecho letal – fulguração – acidente por uma corrente elétrica natural sem um desfecho letal, mas gera lesões; !!! Sinal de Lichtenberg - Marcas queraunográficas. Lesões de aspecto arboriforme e tonalidade arroxeada, precedentes de fenômenos vasomotores, devido a um acidente com choque elétrico de fontes naturais, e que podem desaparecer com a sobrevivência; !!! Em geral, a morte pelos efeitos da eletricidade atmosférica se dá por inibição direta dos centros nervosos por paralisia respiratória e asfixia. As lesões mais intensas são encontradas nos locais de entrada e saída da corrente elétrica – isso permite saber qual o percurso do raio; - Eletricidade Artificial ou Industrial: Eletroplessão – efeito proporcionado pela eletricidade industrial com ou sem êxito letal, não proposital – eletrocussão – proposital, um exemplo são os casos de execução; !!! Marca Elétrica de Jellinek - Representa a porta de entrada da corrente elétrica, tem a forma circular, estrelada, de consistência endurecida, bordas altas, leito deprimido, tonalidade branco-amarelada, fixa, indolor, asséptica e de fácil cicatrização; → Lesões Prováveis - As lesões causadas por choque elétrico, são devido à três fatores, principalmente → térmicos, eletroquímicos e fisiopatológicos; - A gravidade dessas lesões vai variar de acordo com alguns fatores, como a intensidade da corrente, o tipo de corrente, o percurso da corrente no corpo – se passou pelo coração é uma gravidade maior, por exemplo – a duração da exposição à corrente e a resistência elétrica à corrente; !!! Intensidade da Corrente - Ela é medida em amperes – a tensão é em volts; 𝐼 = ∆𝑄 ∆𝑇 I = Intensidade da corrente elétrica ΔQ = Carga elétrica; ΔT = Intervalo de tempo em segundos; - Uma corrente superior a 500 V é considerada de alta voltagem ou alta tensão. Nesses valores, ela pode causar lesões graves e com maior probabilidade de danos internos; - Em relação a intensidade, as consequências variam muito: Valor (I) Consequências 1-10 mA Apenas formigamento 10-20 mA Forte formigamento e dor 20 mA -1 A Convulsões e parada respiratória 1-2 A Fibrilação Acima de 2 A Queimaduras e parada cardíaca Acima de 3 A Valor mortal - O grande risco do choque é gerar danos aos órgãos internos; → Tipo de Corrente - Existem dois tipos → corrente contínua (CC) e corrente alternada (CA); - Na corrente contínua (CC) os elétrons movem-se em um único sentido, isso ocorre nas baterias, por exemplo; - Na corrente alternada (CA) os elétrons variam sua direção constantemente, de 50-60 vezes por segundo. Esse é o tipo de corrente que está no dia-a-dia, nas redes elétricas; - Na questão do perigo, a CA é a que mais fornece perigo ao indivíduo, uma vez que entrando em contato com ela, o indivíduo apresenta contrações contínuas na musculatura, fazendo com que o paciente fique “agarrado” à fonte elétrica; → Percurso da Corrente - O percurso que a corrente percorre irá determinar os tecidos que serão afetados; - A mão é o ponto de origem mais frequente, mas não é o único; % de Corrente que Intercepta o Coração Cabeça/Pé 9,7% Braço/Pé 7,9% Braço/Braço 2,9% Cabeça/Braço 1,8% Pé/Pé 0% - Quanto mais a corrente transita pelo coração, maior o risco. Além disso, quando a corrente passa pela cabeça, pode causar paralisia do centro nervoso do bulbo, acarretando em parada respiratória; → Duração da Exposição - Quanto maior o tempo de exposição, maior o perigo, visto que piores são as lesões; → Resistência Elétrica a Corrente - Assim como todo elemento condutor de eletricidade, o corpo humano apresenta valores de resistência elétrica – capacidade de impedir o fluxo da eletricidade; - O valor da resistência elétrica do corpo humano, chamada de resistência ôhmica, varia de pessoa para pessoa e depende de alguns fatores → área de contato, pressão de contato, resistência da pele – a capacidade de resistência se concentra quase toda na pele, quanto mais espessa, mais resistente – e umidade da pele – pele seca = 100.000 Ohms, pele molhada = 1.000 Ohms, alta tensão = 500 Ohms; - Se a resistência for alta o dano provavelmente será apenas local. Possíveis Danos do Choque Elétrico - Há várias possibilidades, dentre elas, pode-se citar → queimaduras, hemorragias, danos musculares – rabdomiólise – fraturas ósseas, catarata – em questão de dias – lesão do sistema nervoso, alterações cardíacas, danos renais – mioglubinúria e hemoglobinúria – osteonecrose e comprometimento do aparelho respiratório; → Queimaduras - Acho queimaduras elétricas variam de primeiro a terceiro grau, as mais graves, geralmente, são indolores – queima as terminações nervosas – podem ter coloração amarela acinzentada e, frequentemente, estão associadas à presença de necrose central; - O grau da lesão externa pode subestimar a lesão interna, especialmente nos casos de lesões por baixo voltagem. Nessa situação, queimaduras superficiais pouco significativas podem coexistir com coagulação muscular maciça e necrose; - As lesões por raios apresentam baixo percentual de queimaduras profundas. Primeiros Socorros - Antes de socorrer a vítima, é necessário cortar a corrente elétrica → desligando a chave geral de força, retirando os fusíveis da instalação ou puxando o fio da tomada – desde que ele esteja encapado; - Se essa ação não for possível, deve-se tentar afastar a vítima da fonte de energia – fio ou aparelho elétrico – utilizando luvas de borracha grossa ou materiais isolantes e que estejam secos, como cabo de vassoura, tapete de borracha, jornal dobrado, pano grosso, dobrado e corda. Isso serve para evitar que o socorrista também entre em contato com a fonte de energia e fique preso, assim como a vítima; - Não se deve tocar na vítima de forma alguma até que ela esteja totalmente separada da corrente elétrica ou que esta seja interrompida; - Em caso de parada cardiorrespiratória, deve- se iniciar imediatamente as manobras de ressuscitação cardiopulmonar, insistindo nas manobras de mesmo que a vítima não esteja se recuperando – dando resposta – até a chegada do atendimento especializado; - Depois de obtida – se for obtida – a ressuscitação cardiorrespiratória, deve ser feito um exame geral da vítima para localizar possíveis queimaduras, fraturas ou lesões que possam ter ocorrido em caso de queda durante o acidente; - Deve-se atender primeiro a hemorragias, seguido de fraturas e queimaduras; - As queimaduras devem ser tratadas de forma similar às térmicas. Além disso, deve-se fazer uma profilaxia antitetânica e antibiótica – pois as lesões geradas tem grande potencial de infectar- se – e reposição da volemia – as queimaduras podem levar a perda de líquido corporal, podendo gerar um choque hipovolêmico; - Sempre importante destacar que a prevenção é o melhor tratamento, por isso, deve-se sempre utilizar EPI’s quando se for manipular eletricidade → Luvas de proteção – o material varia de acordo com o serviço risco – máscaras – existem diversos modelos e materiais – capacetes, viseira, capuzes e óculos de proteção, além de botas ou proteção para os pés.