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Pawel Klimas
5. Capacitores e Dielétricos
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Capacitor
q �q
Va Vb
Capacitor é um componente que
armazena cargas elétricas num campo
elétrico, acumulando um desequilíbrio
interno de carga elétrica.
Do ponto de vista técnico qualquer dois
condutores formam um capacitor. É
conveniente assumir que inicialmente os
condutores são neutros. Deste modo a
transmissão de carga de um condutor
para outro ressalta em cargas iguais e
opostas nas condutores.
Os condutores que formam um capacitor
chamamos placas do capacitor.
O potencial elétrico em todos os pontos da
mesma placa toma o mesmo valor.
Simbolo:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Carga_el%C3%A9trica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_el%C3%A9ctrico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_el%C3%A9ctrico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Carga_el%C3%A9trica
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Num estado arbitrário as placas do capacitor tem potenciais e e as cargas
nas placas tem valores e .
Va Vb
q �q
Capacitância do capacitor é calculada pela relação entre a diferencia do potencial (ou
tensão elétrica) existente entre as placas do capacitor e a carga elétrica nele armazenada.
C :=
q
�V
�V = Va � Vb
Capacitância do capacitor medi capacidade de armazenamento de energia (ou carga). Este
parâmetro depende da geometria e a composição (materiais dielétricos) do capacitor.
Como a capacitância é uma constante, então a
variação infinitesimal da tensão “dV” deve ser
relacionada co variação infinitesimal da carga
“dq’’ de modo que
C =
dq
dV
Unidade de capacitância é FARAD
F =
C
V
=
C
J/C
=
C2
J
=
=
A2 s2
J
=
A2 s2
Nm
=
A2 s4
kgm2
mF = 10�3F
µF = 10�6F
nF = 10�9F
pF = 10�12F
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Capacitor plano
Campo não é uniforme na borda. Este efeito pode ser
desprezado se as placas do capacitor ficaram muito
perto.
0
d
z
A
Campo uniforme dentro do capacitor
Campo nulo fora do capacitor
~E = Eẑ
~E = ~0
Deslocamento infinitésimo no caminho “C”
d~l = x̂ dx+ ŷ dy + ẑ dz
Q
�Q
Va
Vb
C
�V =
Z
C
~E · d~l =
Z d
0
Edz = Ed
E =
�0
"0
= const
=
�0
"0
Q = �0 A
Tensão elétrica
Carga elétrica na placa (+)
Capacitância do capacitor
Observação: o caminho que conecta as placas
pode ser arbitrário.
C =
q
�V
= "0
A
d
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Capacitor esférico
Campo esférico dentro do capacitor
Campo nulo fora do capacitor
~E = ~0
Deslocamento infinitésimo no caminho “C”
d~l = r̂ dr + ✓̂ rd✓ + '̂ r sin ✓ d'
~E = r̂
kQ
r2
Tensão elétrica
Carga elétrica na placa (+)
Capacitância do capacitor
Observação: o caminho que conecta as placas
pode ser arbitrário.
Q = 4⇡r2a�0
C =
Q
�V
= 4⇡"0
1
ra
� 1
rb
��1
C
ra
rb
Q
�Q
Va
Vb
�V =
Z
C
~E · d~l =
Z rb
ra
kQ
r2
dr =
Q
4⇡"0
1
ra
� 1
rb
�
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Capacitor cilíndrico
Campo dentro do capacitor pode ser aproxima -
do por campo cilíndrico para e
Campo nulo fora do capacitor
~E = ~0
Deslocamento infinitésimo no caminho “C”
Tensão elétrica
Carga elétrica na placa (+)
Capacitância do capacitor
Observação: o caminho que conecta as placas
pode ser arbitrário.
C
Q
�Q
Va
Vb
⇢b
L
~E = ⇢̂
2kQ
L
1
⇢
L � ⇢a L � ⇢b
d~l = ⇢̂ d⇢+ '̂ ⇢d'+ ẑ dz
�V =
Z
C
~E · d~l =
Z ⇢b
⇢a
2kQ
L ⇢
d⇢ =
Q
2⇡"0L
ln
rb
ra
Q = 2⇡⇢aL�0
C =
Q
�V
= 2⇡"0L
ln
⇢b
⇢a
��1
⇢a
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Associação de capacitores
Associação em serie Associação em paralelo
+_
C1 C2 CN
VaVb
�V1 �V2 �VN
�q �q�qq q q
+
_
C1 C2 CN Va
Vb
q1
�q1 �q2
q2 qN
�qN
�V �V �V
Cargas nas placas (+) de todos os capacitores
são as mesmas q1 = q2 = . . . = qN ⌘ q
Tensão elétrica nas terminais “a” e “b” é igual
a soma das tensões nos capacitores
�V =
NX
k=1
�Vk
1
C
=
�V
q
=
NX
k=1
�Vk
q
=
NX
k=1
1
Ck
Capacitância equivalente
Tensões entre as placas (+) e (-) de todos os
capacitores são as mesmas
Soma das cargas acumuladas nas placas (+) e
(-) é igual a carga do capacitor equivalente
Capacitância equivalente
�V1 = . . . = �VN ⌘ �V
q =
NX
k=1
qk
C =
q
�V
=
NX
k=1
qk
�V
=
NX
k=1
Ck
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Exemplo 1: Redução a associações em serie e em paralelo
Consideramos uma associação de capacitores:
em serie em paralelo em serie
C1 C2
C3C4
C5 C23 C235
C1
C5
C1
1
Ceq
=
1
C1
+
1
C4
+
1
C235
C123 = C23 + C5
C4 C4
1
C23
=
1
C2
+
1
C3
A capacitância equivalente deste circuito pode ser derivada pela redução
para associações em serie e em paralelo. Esta situação não é genérica.
Mostramos isto no próximo exemplo.
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Exemplo 2: Sistema irredutível
Consideramos uma associação de
capacitores:
C1 C2
C3C4
C5Va Vb
A
B
C
X
Y
C
C1 = C3 = C5 = 2C
C2 = C4 = C
Para simplificar calculo consideramos:
unidade de capacitância
Esta associação não pode ser reduzida
Para calcular capacitância equivalente
precisamos encontrar tensões elétricas nas 5
capacitores (sistema com 5 variáveis)
Precisamos 5 equações independentes
3 equações associadas com quedas de
potencial
A
B
C
X
Y
2 equações associadas com conservação
de carga em nós X e Y
�V1 +�V2 = �V
Va � Vb ⌘ �V
�V3 +�V4 = �V
�V1 +�V3 +�V5 = �V
�q1 + q2 + q5 = 0
+
+
+
+
+_
_ _
_
_
q3 � q4 � q5 = 0
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X
Y
Substituindo capacitâncias:
�C1�V1 + C2�V2 + C5�V5 = 0
C3�V3 � C4�V4 � C5�V5 = 0
X
Y
Dividindo por “C”:
�2�V1 +�V2 + 2�V5 = 0
2�V3 ��V4 � 2�V5 = 0
Forma final das equações:
2�V3 ��V4 � 2�V5 = 0 [5]
�2�V1 +�V2 + 2�V5 = 0 [4]
�V1 +�V3 +�V5 = V [3]
�V3 +�V4 = V [2]
�V1 +�V2 = V [1]
[1]� [4] : 3�V1 � 2�V5 = V
[2] + [5] : 3�V3 � 2�V5 = V
�V1 = �V3
[3] : 2�V1 +�V5 = V
[1]� [4] : 3�V1 � 2�V5 = V
�V1 = �V3 =
3
7
V
�V5 =
1
7
V
�V4 =
4
7
V
�V2 =
4
7
V[1] : �V2 = V ��V1
[2] : �V2 = V ��V3
Capacitância equivalente:
Ceq =
q
V
=
q1 + q4
V
=
C1�V1 + C4�V4
V
=
(2C)( 37V ) + C(
4
7V )
V
=
10
7
C
A solução:
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Energia do campo eletrostático
Consideramos um capacitor de capacitância “C” e uma bateria. Ao ligar a bateria a
capacitor a carga começa se acumular nas placas dele ate a diferença de potenciais entre
as placas atingir o valor da tensão nos terminais da bateria.
A dinâmica deste processo será estudado mais adiante. Agora estamos interessados
encontrar a quantidade de energia necessária para carregar um capacitor.
Va Vb Va Vb Va Vb
Va � Vb = 0 Va � Vb = �V (q) =
q
C
Va � Vb = �V (Q) =
Q
C
0 0 q �q Q �Q
INICIAL INTERMEDIÁRIO FINAL
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Trabalho infinitesimal realizado pala força externa (bateria) para transferir a carga
“dq” entre as placas na presença da tensão elétrica “∆V” é convertido em energia
armazenada no capacitor
dWext(b ! a) =
Z a
b
~Fext · d~l =
Z a
b
(�dq ~E) · d~l = dq
Z b
a
(� ~E · d~l) =
= dq
Z b
a
dV = (Va � Vb)dq = �V (q)dq =
q
C
dq = dU
Trabalho total de para carregar o capacitor de q = 0 ate q = Q
U =
Z U
0
dU 0 =
Z Q
0
q
C
dq =
Q2
2C
U =
Q2
2C
=
C�V 2
2
=
Q�V
2
Energia armazenada no capacitor
Observação: Num processo real existem perdas de energia (resistência de fios
etc.) portanto a energia fornecida pela bateria é maior do que energia armazenada
no capacitor.
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Relação entre energia do capacitor e intensidade do campo eletrostático
Consideramos um capacitor plano. Campo no interior entre as placas pode ser
aproximado por campo uniforme E=const enquanto o campo fora do capacitor
seja desconsiderado.0
d
z
A
Q
�Q
Va
Vb
C
U = 12C(�V )
2 = 12 ("0
A
d )(Ed)
2
= "02 E
2 Ad
E =
�0
"0
=
�V
d
C = "0
A
d
const volume
=
Z
vol
u d3x
u :=
"0
2
~E2
região entre as placas
Densidade de energia do
campo eletrostático
Energia armazenada no capacitor é a energia do próprio campo elétrico
Aqui a passagem entre o produto e a integral de uma densidade foi imediata porque a
densidade era constante. Precisamos mostrar que esta abordagem leva ao resultado
correcto no caso de campo não uniforme.
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Testando a ideia de densidade de energia: capacitor esférico
Calculamos a energia armazenada num capacitor esférico como trabalho realizado pela força
externa. Utilizando a formula para energia armazenada no capacitor temos que
C =
Q
�V
= 4⇡"0
1
ra
� 1
rb
��1
U =
1
2
Q2
C
=
Q2
8⇡"0
1
ra
� 1
rb
�
Testamos a ideia de que a energia pode ser calculada integrando a densidade
de energia
~E = kQ
r̂
r2
u =
"0
2
~E2 =
"0
2
k2
Q2
r4
=
1
32⇡2"0
Q2
r4
Integramos sobre volume entre as cascas esteáricas (onde campo não é nulo).
U =
Z
vol
u d3x =
Z 2⇡
0
d'
Z ⇡
0
sin ✓d✓
Z rb
ra
drr2u(r) = 4⇡
Z rb
ra
drr2
1
32⇡2"0
Q2
r4
=
Q2
8⇡"0
Z rb
ra
dr
r2
=
Q2
8⇡"0
1
ra
� 1
rb
�
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Energia do campo de casca esférica
rb
ra
�a
�b
rb
~E = 0
~E = 0
Consideramos uma casca esférica com carga “Q” distribuída
uniformemente na superfície dela. sabemos que campo
elétrico dentro da casca é nulo e o campo fora dela é igual a
campo de carga puntiforme “Q” localizada no cento da
esfera.
Consideramos que uma força externa (pressão) diminui raio
de esfera aproximando cargas.
Energia armazenada no campo da esfera maior/menor é a
integral de volume da densidade de energia
u(r) =
Q2
32⇡2"0
1
r4
Ua/b = 4⇡
Z 1
ra/b
drr2u(r) =
Q2
8⇡"0
1
r
���
1
ra/b
=
Q2
8⇡"0
1
ra/b
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A diferença da energia dos campos depois e antes é igual a
�U = Ua � Ub =
Q2
8⇡"0
1
ra
� 1
ra
�
Esta energia é exatamente a energia do campo criado no processo de compressão da esfera.
O campo no região aparece como resultado desta compressão.ra < r < rb
Pode-se mostrar pelo calculo explicito que o trabalho realizado pela força externa sobre as
cargas (contra a força da repulsão delas) é igual a energia do campo elétrico dentro da casca
ra < r < rb
Campo elétrico (em geral eletromagnético) É UMA FORMA DE
MATÉRIA. Como tal, ele tem a energia. A energia é apenas uma
das quantidades associadas com o campo eletromagnético.
Outras são: momento linear e momento angular.
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Cargas elétricas em meios materiais
Meios materiais são compostos de átomos que formam redes cristalinas, moléculas complexas
etc. Cada átomo possui sua estrutura eletrônica. Maioria de elétrons esta ligada com núcleo
atômico. Dependendo do tipo de material os elétrons da ultima camada podem, ou não,
deslocar-se livremente no interior do meio material. A forma da mobilidade dos elétrons (ou
íons) determina se eles são classificados como cargas livres ou ligadas.
CARGAS ELÉTRICAS
LIVRES LIGADAS
Podem deslocar-se livremente
nas distancias macroscópicas no
interior de material.
Possuem a mobilidade restringida
a interior de molécula com qual
estão ligadas.
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Dielétricos
Dielétricos são materiais isolantes (para campos que não ultrapassam valores críticos) com
moléculas neutras. Moléculas dielétricas podem ter (ou adquirir) momento do dipolo elétrico.
MOLÉCULAS DIELÉTRICAS
NAO-POLARES POLARES
Não possuem momento do dipolo elétrico
permanente. Na presença do campo elétrico
externo aparece momento induzido.
Possuem o momento do dipolo elétrico permanente.
Na presença do campo elétrico externo ocorre
alinhamento de moléculas com campo externo e
aparece o momento do dipolo macroscópico.
~E = 0 ~E 6= 0 ~E = 0 ~E 6= 0
+
-
-
-
-
+
-
-
-
-
nuvem eletrônica
nucleo
~p 6= 0~p = 0
~pmacro = 0 ~pmacro 6= 0~pmacro = 0 ~pmacro 6= 0
~p ~p
~p
~p
~p ~p
~p
~p
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Constante dielétrica
Constante dielétrica pode ser introduzida através da comparação de capacitâncias
do capacitor sem e com preenchimento com material dielétrico.
Va
Vb
Q
�Q
C0 :=
Q
�V
C > C0
fato experimental
Definição da constante dielétrica:
C = C0 =
Q
�V
=
Q
�V
:=
C
C0
> 0
Para a mesma voltagem nos
dois capacitores, o capacitor
com dielétrico acumula maior
quantidade de carga.
Dois capacitores tem a mesma
carga. A voltagem entre as
placas é menor no capacitor
com dielétrico.
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A voltagem entre es placas esta relacionada com intensidade de campo elétrico:
�V =
Z b
a
~E0 · d~l = E0d
�V
=
Z b
a
~E · d~l = Ed
Isto significa que dois capacitores idênticos carregados coma mesma carga tem camps elétricos
diferentes. A intensidade do campo dentro de capacitor com material dielétrico é menor.
E =
E0
< E0
Campo elétrico resultante dentro de um material dielétrico é uma superposição de
campo externo e o campo induzido (produzido por dipolos elétricos). O campo
resultante de dipolos depende de orientação deles. Esta orientação, por outro lado,
depende do campo medio em qual cada dos dipols se encontra.
~E = ~Eext + ~Eind
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Carga polarizada
O conceito de carga polarizada pode ser introduzido através da aplicação de lei de
Gauss á superfície de um dielétrico.
~E
�a ẑ
��a ẑ
~E0
~E0
S1
S2
+ + + + + +
- - - ---
Campo elétrico não é continuo nas
superfícies da interface “1” e “2”.
I
S
~E · d~a = Qenc
"0
h
Consideramos uma caixa Gaussiana com
bases paralelas a superfície de interface a
altura “h” infinitesimal h ⌧
p
�a
Fluxo do campo pela superfície lateral é
desprezável (caso o campo não ser
perpendicular a superficial de interface )
1
2
( ~E0 � ~E) · ẑ = 1"0
Qenc
�a
( ~E0 � ~E) · ẑ = � 1"0
Qenc
�a
O lado esquerdo é diferente de zero. Isto implica
que deve existir uma carga elétrica associada
com esta discontinuidade. esta carga é chamada
carga polarizada
�(1)p := lim�a!0
Qenc
�a = "0(
~E0 � ~E)|S1 · ẑ
�(2)p := lim�a!0
Qenc
�a = �"0( ~E0 � ~E)|S2 · ẑ
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Densidade da carga polarizada é dada pela discontinuidade da componente normal do campo
elétrico na superfície de interface. Isto significa que valores dos campos são tomados nos limites
aproximando se a superfície de lados opostos dela.
Carga polarizada total (soma das cargas polarizadas nas todas as superfícies de interface) deve ser
nula porque o dielétrico é neutro. Campo elétrico externo apenas desloca cargas.
I
S
�pda = 0
No exemplo mostrado no desenho:
I
S
�pda = �
(1)
p A+ �
(2)
p A = �
(1)
p A� �(1)p A = 0
onde “A” representa área da superfície de dielétrico perpendicular ao campo.
A relação com a constante dielétrica
E0 = E �p = "0(� 1)E
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Vetor de polarização
Os momentos de dipolo elétrico orientam-se no sentido do campo elétrico.
Ao girar dielétrico no campo externo muda a carga carga polarizada na superfície dele.
Introduzimos angulo entre o vetor normal de superfície e o vetor elétrico do campo externo.
~E0~E0~E0
n̂
n̂
n̂
�p(0)
��p(0)
�p(✓)
�p(
⇡
2 � ✓)
��p(⇡2 � ✓)
��p(✓)
✓
�qp = �p(✓)�aCarga polarizada comporta-se como uma especie de fluxo.
Definimos vetor de polarização : ~P �qp = ~P · n̂�a Componente normal de polarização
tem significado de
densidade de cargapolarizada
Pn
Pn = �p
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Relação com momento do dipolo elétrico
�p
��p
�qp
��qp
�qp
��qp
h �~p = (�qph)ẑ
ẑ Momento do dipolo elétrico
associado com dois discos
nas superfícies opostos de
uma placa dielétrica
Utilizando conceito de densidade de carga polarizada
�~p = (�p�a)h ẑ = (Pnẑ) (�a h) = ~P �v
volume
~P = lim
�v!0
�~p
�v
Vetor de polarização represente densidade
volumétrica do momento do dipolo elétrico.
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FSC 5193
Definição formal do vetor de polarização
Abordagem fenomenológica: campos elétricos e densidades de cargas tem interpretação de
campos e densidades médios. Ou seja, nesta abordagem não utilizamos quantidades microscópicas
como valores microscópicos de campo, cargas e momentos dipolares de moléculas individuais.
Para obter quantidades macroscópicas deve ser levar volumes que contem numero de átomos
(moléculas) adequados, isto é, não muito pequenas e não muito grandes.
Por exemplo, no nível microscópico não existe conceito de cargas em repouso - sempre ha movimento
de cargas: processos quânticos e termodinâmicos. Numa situação que corresponde
macroscopicamente com campo eletrostático a quantidade de moléculas utilizadas para obter
valores médios de campo deve ser suficientemente grande. Uma célula que permite obter campos
médios contem aproximadamente 10^6 moléculas.
~E :=
D
~Emicro
E
⇢ := h⇢microi
campo medio
macroscópico
campo
microscópico
densidade de carga
macroscópica
densidade de carga
microscópica
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FSC 5193
Neutralidade de material dielétrico:
⇢(~r)
⇢ ⌘ 0
Densidade de carga dentro do material: ⇢(~r)
Densidade de carga fora do material: ⇢ ⌘ 0
V
V 0
Z
V
⇢(~r)d3x = 0
Esta é a única condição que caracteriza
material dielétrico.
Consideramos uma região V’ tal que o material dielétrico ocupando V encontra-se integralmente
dentro de V’. As bordas ∂V:=S e ∂V’:=S’ não tem pontos em comum. A integral de volume da
densidade de carga sobre a região V’\V é nula porque a densidade é nula nesta região.
Z
V 0
⇢(~r)d3x = 0
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FSC 5193
Esta integral é igual a zero para qualquer superfície fechada que encerra região V.
Matematicamente, isto significa que a função que representa densidade de carga pode ser escrita
na forma de divergente de uma função vetorial
Duas observações:
1. Ainda não temos interpretação física de “P”
2. Sinal menos foi escolhido para futuramente não precisar redefinir “P”
⇢(~r) = �div ~P (~r)
Verificamos nossa hipótese:
Considerando que “P” carateriza propriedades dielétricas do material assumimos que “P=0”
fora do material dielétrico.
Z
V
⇢(~r)d3x =
Z
V 0
⇢(~r)d3x = �
Z
V 0
div ~P (~r)d3x = �
I
S0
~P · d~a = 0
~P |S0 ⌘ 0
Teorema de Gauss
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FSC 5193
Interpretação física de “P”
Calculamos momento do dipolo elétrico do pedaço
~p :=
Z
V
d3x ⇢(~r)~r =
Z
V 0
d3x ⇢(~r)~r = �
Z
V 0
d3x div ~P ~r
Em coordenadas cartesianas
div ~P =
3X
j=1
@P j
@xj
~r =
3X
i=1
xiêi
= �
3X
i=1
3X
j=1
êi
Z
V 0
d3x
@P j
@xj
xi = �
3X
i=1
3X
j=1
êi
Z
V 0
d3x
@
@xj
(P jxi) +
3X
i=1
3X
j=1
êi
Z
V 0
d3xP j�ij
= �
3X
i=1
3X
j=1
êi
I
S0
daj(P jxi) +
3X
i=1
êi
Z
V 0
d3xP i
~P |S0 ⌘ 0
=
Z
V 0
d3x ~P =
Z
V
d3x ~P
Concluímos que “P” deve ser interpretado como densidade volumétrica
de momento do dipolo elétrico.
= . . .
. . .
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Susceptibilidade elétrica
Campo eléctrico externo atua sobre moléculas do material dielétrico resultando em aparência de
polarização (densidade de momento do dipolo elétrico)
Componente normal de vetor de polarização na superfície de dielétrico tem interpretação de
densidade superficial da carga polarizada
�p = Pn = "0(� 1)( ~E · n̂)|S
onde campo elétrico é um campo resultante.
Numa situação geral a relação entre vetor de polarização “P” e o campo elétrico pode ser bastante
complexa (relação não-linear). Neste circo vamos considerar dielétricos lineares onde polarização
dielétrica é proporcional ao campo elétrico
~P = �e"0 ~E
�ePara dielétricos homogêneos e isotrópicos é uma constante (no caso mais geral é uma função
de posição).
�e susceptibilidade elétrica
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n̂ · ~P = �e"0( ~E · n̂)|S = "0(� 1)( ~E · n̂)|S
= 1 + �e
Comparando as duas formulas:
Descreve ração de capacitâncias dos
capacitares com e sem dielétrico.
Parâmetro experimental.
Descreve resposta local de dielétrico
a um campo elétrico aplicado. Em
alguns casos este parâmetro pode ser
calculado em modelos modelos
microscópicos.
Permissividade:
" := "0 = "0(1 + �e)
Constante dielétrica com a mesma dimensão física que constante "0
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Lei de Gauss em dielétricos
A lei de Gauss na forma diferencial relaciona divergente do campo elétrico e densidade de cargas
elétricas. Numa substancia como dielétrico prevalecem cargas ligadas. Ocasionalmente podem
também se encontrar cargas livres (cargas imersas etc.).
div ~E =
1
"0
(⇢liv + ⇢lig)
Densidade de cargas ligadas pode ser eliminada utilizando a relação com divergente de
polarização
⇢lig = �div ~P
div("0 ~E + ~P ) = ⇢lig
A lei de Gauss toma a forma
Definimos novo campo vetorial
chamado DESLOCAMENTO ELÉTRICO
~D := "0 ~E + ~P
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Para dielétricos lineares, homogêneos e isotrópicos o vetor de deslocamento é proporcional a
campo elétrico
~D = "0 ~E + "0�e ~E = "0(1 + �e) ~E = " ~E
Integramos relação diferencial sobre uma região VZ
V
div ~D d3x =
Z
V
⇢liv d
3x
I
S
~D · d~a = qliv
V
S
Forma integral da lei
de Gauss em
dielétricos
Lei de Gauss implica que discontinuidade da componente normal do deslocamento elétrico é
igual a densidade superficial da carga livre nesta superfície (prova: slides em seguida FSC 5193)
D2n �D1n = �
S
"1
"2
n̂
~D1
~D2
D2n|S
D1n|S
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
FSC 5193
Condições de contorno na superfície de dielétrico
Lei de Gauss para dielétricos permite obter a relação entre vetores de deslocamento
elétrico na vizinhança da superfície de interface.
Consideramos uma superfície ’’S’’ que separa dois dielétricos com permissividades diferentes.
Escolhemos uma caixa Gaussiana (superfície fechada) com bases muito pequenas e paralelas a
superfície. As bases da caixa encontram-se nos lados opostos da superfície “S”. Consideramos que
altura da caixa tende para zero. Isto permite:
1. Desprezar fluxo pela superfície lateral ca caixa,
2. Relacionar deslocamentos elétricos em pontos opostos da superfície infinitamente pertos.
S "1
"2
n̂
~D1
~D2
~D1
~D2 n̂
�n̂
�a
�a
h
h ! 0
h ⌧
p
�a
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
FSC 5193
Se a carga livre existir ela deve ser localizada na superfície “S”. No caso contrario (densidade
volumétrica em vez de superficial ) o valor da carga dentro de cilindro tenderia para zero no
limite h ! 0
Como base da caixa Gaussiana é pequena a carga superficial pode ser aproximada por
produto da densidade pela área da base
qlig =
Z
�a
�da ⇡ ��a
Desprezando fluxo pela superfície lateral da caixa e aproximando fluxo pela base como
produto
( ~D2 � ~D1) · n̂�a = ��a
I
S
~D · d~a = qliv
D2n �D1n = �
Lei de Gauss implica que valor da discontinuidade da componente normal do deslocamento elétrico
na superfície de interface é igual a densidade superficial da carga livre nesta superfície.
Na ausência de carga livre a componente normal de deslocamento elétrico é continua na superfície da
interface.
D2n|S = D1n|S
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Preenchimento em camadas
1. Capacitor plano
0
d
2
d
z
�Q
"1
"2
Q = �A
S0S1
Preenchimento em camadas; dois dielétricos
com permissividades e "1 "2
Area da placa “A”; espessuras das camadas d
2
Campos elétricos uniformas em cada região
~E1 = ↵1ẑ ~E2 = ↵2ẑ
↵1 = const
↵2 = const
Valor das constantes depende de quantidade da carga no capacitor. Estas constantes
podem ser eliminadas - não precisamos conhecer o valor da carga no capacitor.
a
b
�V =
Z b
a
~E(z) · d~l =
Z d
0
E(z)dz =
Z d/2
0
↵1dz +
Z d
d/2
↵2dz = (↵1 + ↵2)
d
2
A voltagem entra es placas é uma integral de linha no caminho arbitrário que conecta as placas
d~l = x̂ dx+ ŷ dy + ẑ dz
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Condições de contorno:
Placa do capacitor:
1. Campo fora do capacitor é nulo (portanto deslocamento também),
2. Existe carga LIVRE na placa,
3. Deslocamento no dielétrico que esta em contato com a placa é proporcional ao
campo elétrico.
"1↵1 = �
Superfície da interface:
1. Ausência de cargas livres
2. Campo de deslocamento é continuo na superfície
"1↵1 = "2↵2 ↵2 =
"1
"2
↵1
↵1 =
�
"1
Capacitância:
1
C
=
�V
Q
=
(↵1 + ↵2)
d
2
�A
=
↵1(1 +
"1
"2
)
↵1"1
d
2A
1
C
=
✓
1
"1
+
1
"2
◆
d
2A
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
2. Capacitor esférico
a
b
R1R2
"1
"2
Preenchimento em camadas esféricas; dois
dielétricos com permissividades e "1 "2
raio da placa interna
raio da esfera de contato entre dielétricos
raio da placa externa
R1
R2
R3
R3
Campo elétrico é radial e não é nulo entre as
placas
~E1 = ↵1
r̂
r2
~E2 = ↵2
r̂
r2
↵1 = const
↵2 = const
A voltagem entra es placas é uma integral de linha no caminho arbitrário que conecta as placas
d~l = r̂ dr + ✓̂ rd✓ + '̂ r sin ✓ d'
�V =
Z b
a
~E · d~l =
Z rR
R1
E(r)dr = ↵1
Z R2
R1
dr
r2
+ ↵2
Z R2
R2
dr
r2
= ↵1
✓
1
R1
� 1
R2
◆
+ ↵2
✓
1
R2
� 1
R3
◆
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Condições de contorno:
Placa do capacitor:
1. Campo fora do capacitor é nulo (portanto deslocamento também),
2. Existe carga LIVRE na placa,
3. Deslocamento no dielétrico que esta em contato com a placa é proporcional ao campo elétrico.
Superfície da interface:
1. Ausência de cargas livres
2. Campo de deslocamento é continuo na superfície
"1E1(R1) = �
"1E1(R2) = "2E2(R2) ↵2 =
"1
"2
↵1
Capacitância:
1
C
=
�V
Q
=
↵1(R
�1
1 �R
�1
2 ) + ↵2(R
�1
2 �R
�1
3 )
4⇡R21�
↵1 =
1
"1
�R21
=
↵1(R
�1
1 �R
�1
2 ) +
"1
"2
↵1(R
�1
2 �R
�1
2 )
4⇡↵1"1
1
C
=
1
4⇡
1
"1
✓
1
R1
� 1
R2
◆
+
1
"2
✓
1
R2
� 1
R3
◆�
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Preenchimento paralelo
1. Capacitor plano
0
d
z
�Q
"1 "2
a
b
QA1 A2
�1 �2
Preenchimento paralelo; dois dielétricos com
permissividades e "1 "2
As placas do capacitor formam superfícies equipotenciais.
Campo elétrico é uniforme e tem a mesma intensidade
em dois dielétricos.
Prova:
Escolhemos a0
b0
~E1 = ↵1ẑ ~E2 = ↵2ẑ
�V =
Z b
a
~E1 · d~l =
Z b0
a0
~E2 · d~l ↵1d = ↵2d
~E = ↵ẑAssim vamos considerar
Deslocamentos elétricos devem ser diferentes
~D1 = ("1↵)ẑ ~D2 = ("2↵)ẑ
�V = ↵d
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Aplicando Lei de Gauss encontramos densidades da carga nas placas. Esta densidade
deve ser igual a componente normal do deslocamento elétrico na vizinhança da placa.
�1 = D1n = "1↵ �2 = D2n = "2↵
Carga na placa
Q = �1A1 + �2A2 = ("1A1 + "2A2)↵
Capacitância
C =
Q
�V
=
("1A1 + "2A2)↵
↵d
C =
"1A1 + "2A2
d
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
2. Capacitor esférico �
"1
"2
R1
R2
Preenchimento paraleleo; dois dielétricos com
permissividades e "1 "2
As placas do capacitor formam superfícies equipotenciais.
Campo elétrico é uniforme e tem a mesma intensidade
em dois dielétricos. A prova é idêntica com a prova para
capacitor plano.
~E = ↵
r̂
r2
Voltagem entre as placas
a
b
�V =
Z b
a
~E · d~l = ↵
Z R2
R1
dr
r2
= ↵
✓
1
R1
� 1
R2
◆
Deslocamento elétrico na vizinhança da placa interna
~D1 = "1
↵
R21
r̂ ~D2 = "2
↵
R21
r̂
Densidade de carga LIVRE na placa interna
�1 = D1n(R1) = "1
↵
R21
�2 = D1n(R1) = "2
↵
R21
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Áreas de contato dos dielétricos com a placa interna
O angulo esta tomado a partir do eixo “z” conforme o desenho. A superfície
de contato do dielétrico “2” com a placa interna tem área
A2 = R
2
1
Z 2⇡
0
d'
Z �
0
sin ✓ d✓ = 2⇡(1� cos �)R21
�
enquanto área da superfície do contado do dielétrico “1” é
A1 = 4⇡R
2
1 �A2 = 2⇡(1 + cos �)R21
Carga elétrica na placa interna
C = 2⇡
"1(1 + cos �) + "2(1� cos �)
1
R1
� 1R2
Q = �1A1 + �2A2 = 2⇡
⇣
"1(1 + cos �) + "2(1� cos �)
⌘
↵
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
3. Capacitor cilíndrico
"1
"2
R1
R2
Preenchimento paraleleo; dois dielétricos com
permissividades e "1 "2
As placas do capacitor formam superfícies equipotenciais.
Campo elétrico é uniforme e tem a mesma intensidade
em dois dielétricos. A prova é idêntica com a prova para
capacitor plano.
Voltagem entre as placas
a
b
Deslocamento elétrico na vizinhança da placa interna
Densidade de carga LIVRE na placa interna
~E = ↵
⇢̂
⇢
�V =
Z b
a
~E · d~l = ↵
Z R2
R1
d⇢
⇢
= ↵ ln
R2
R1
~D1 = "1
↵
R1
⇢̂ ~D2 = "2
↵
R1
⇢̂
�1 = D1n(R1) = "1
↵
R1
�2 = D2n(R1) = "2
↵
R1
L
Paweł Klimas, Universidade Federal de Santa Catarina
Áreas de contato dos dielétricos com a placa interna
Carga elétrica na placa interna
A1 = A2 = ⇡R1L
Q = �1A1 + �2A2 = ("1A1 + "2A2)
↵
R1
= ⇡L("1 + "2)↵
Capacitância
C =
⇡L
ln R2R1
("1 + "2)