Prévia do material em texto
Profa. Dra. Juliana Mauri UNIDADE II Tópicos de Atuação Profissional EAN é uma ferramenta-chave para desenvolver bons hábitos alimentares, com o objetivo de prevenir e tratar doenças, fomentando bons hábitos por meio de escolhas alimentares saudáveis. A história da então chamada educação nutricional (meados do século XX) inicia-se em 1940, a partir do conceito de que fome era sinônimo de ignorância alimentar, determinada pela baixa renda da população, e favorecia a desnutrição. Desde então, percorreu um longo caminho até se desenvolver o Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional em 2012, servindo como pilar para desenvolver políticas públicas e determinar ações que considerassem a alimentação saudável uma estratégia para combater DCNTs. Princípios e Práticas da Educação Alimentar e Nutricional (EAN) A EAN visa promover práticas autônomas e voluntárias de hábitos alimentares saudáveis. Nesse contexto, educador nutricional é o agente que constrói conhecimento sobre alimentação saudável, respeitando a individualidade da população e seus integrantes. Princípios e Práticas da Educação Alimentar e Nutricional (EAN) A Lei n. 9.394/1996 estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional: Art. 1º: A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. Princípios para ação em EAN A educação se baseia em quatro pilares: Aprender a conhecer: relaciona-se à aquisição de conhecimento, como raciocínio lógico, compreensão, dedução e memória. Na EAN esse princípio pode se aplicar ao processo de fornecer informações que favoreçam a compreensão da alimentação e suas implicações; Aprender a fazer: relaciona-se à prática do conhecimento teórico. A EAN espera que, adquirido o conhecimento, o aprendiz desenvolva hábitos alimentares que favoreçam a saúde; Princípios para ação em EAN A educação se baseia em quatro pilares: Aprender a conviver: relaciona-se a atitudes e valores. Na EAN, uma vez que o hábito alimentar se torne constante, o indivíduo se apropria do conhecimento e o considera como próprio. Aprender a ser: relaciona-se à autonomia, à intelectualidade ativa e independente. Visa formar indivíduos capazes de estabelecer relações interpessoais, se comunicar e evoluir permanentemente, intervindo de modo consciente e proativo. Princípios para ação em EAN Princípios fundamentais da EAN: incentivar a sustentabilidade social, ambiental e econômica; planejar, avaliar e monitorar ações; valorizar a cultura alimentar local e respeitar a diversidade de opiniões e perspectivas, considerando diferentes saberes como legítimos; promover o alimento como referência, valorizando a culinária enquanto prática emancipatória; Princípios para ação em EAN Princípios fundamentais da EAN: educar enquanto processo permanente e gerador de autonomia ativa das pessoas; diversidade nos cenários de prática; abordar o sistema alimentar em sua integralidade e intersetorialidade; promover o autocuidado e a autonomia. Princípios para ação em EAN A EAN visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis, sendo o nutricionista o agente facilitador da construção do conhecimento em alimentação, dada sua formação. As ações do nutricionista, em suas diversas áreas, alinham-se com a EAN na promoção de práticas alimentares saudáveis, de forma a atender diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica (Pnab), Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) e Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan). Compreensão do papel do nutricionista em EAN A culinária como ferramenta de EAN pode atender individualmente ou em grupo (nos serviços de saúde) por ações como divulgação de receitas, demonstração e degustação de alimentos preparados nas oficinas de culinária, e ainda em vivências culinárias com temas específicos; por exemplo: “dia da cozinha verde” (preparos, demonstrações, premiações e outros), estimulando os usuários de um setor ou serviço a comer alimentos verdes. Combinar aspectos sensoriais da alimentação regional – como cheiro, textura, cor e sabor – e seus aspectos simbólicos – com suas necessidades nutricionais orgânicas – pode gerar autonomia e ampliar as possibilidades dos indivíduos. Comida, alimento e culinária como elementos de referência e valorização dos diferentes saberes e culturas na EAN Um programa de EAN é constituído de processos de ensino, treinamento e facilitação pelos quais o indivíduo é auxiliado a selecionar e implementar comportamentos desejáveis de alimentação e estilo de vida. O nutricionista deve ser o decodificador da ciência da nutrição, estando capacitado para interpretar os avanços nesta área e traduzi-los em melhores práticas que possibilitem o melhor da alimentação de indivíduos e coletividade. Caminhos para planejar ações em EAN Caminhos para planejar ações em EAN Fonte: adaptado de: livro-texto. Questões Qual é o problema? O que deve mudar? O que fazer para as mudanças esperadas se concretizarem? Como fazer para o conteúdo ser assimilado? Como comunicar? O que e como analisar para determinar se os objetivos foram alcançados? Etapas do programa Objetivos Diagnóstico educativo Conhecer a realidade do indivíduo ou comunidade e a problemática nutricional a trabalhar Objetivos Determinar as ações envolvidas para as mudanças pretendidas Conteúdo programático Selecionar os temas a trabalhar Estratégia de ensino (motivação, métodos e técnicas de ensino, recursos humanos e materiais) Estabelecer o conjunto de procedimentos, técnicas e métodos que visam estimular a aprendizagem Avaliação Determinar o valor ou o volume do êxito na obtenção dos objetivos preestabelecidos A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. Qual o papel do nutricionista? a) Oferecer informações referentes à alimentação e nutrição para professores para o conhecimento sobre nutrição. b) Oferecer informações sobre nutrição para tratar doenças baseadas em evidências científicas. c) Incentivar hábitos alimentares saudáveis por meio de atividades interativas e lúdicas e receitas. d) Orientar hábitos alimentares saudáveis por meio somente de cartilhas. e) Orientar compra de produtos industrializados com 0% de gordura para fazer receitas. Interatividade A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. Qual o papel do nutricionista? a) Oferecer informações referentes à alimentação e nutrição para professores para o conhecimento sobre nutrição. b) Oferecer informações sobre nutrição para tratar doenças baseadas em evidências científicas. c) Incentivar hábitos alimentares saudáveis por meio de atividades interativas e lúdicas e receitas. d) Orientar hábitos alimentares saudáveis por meio somente de cartilhas. e) Orientar compra de produtos industrializados com 0% de gordura para fazer receitas. Resposta Comportamento alimentar pode ser definido como um conjunto de ações relacionadas aos alimentos que se inicia na decisão, passa pela disponibilidade, considera o preparo, horário e local, e se encerra na ingestão. Para Alvarenga et al. (2015), o comportamento alimentar se inicia antes da ingestão; seria um ato de pré-deglutição, pois se relaciona à cultura, sociedade e experiência do indivíduo com o alimento. Comportamento alimentar A definição da relação do homem e do alimento seria mais bem explicada pela expressão atitudes alimentares. 1. Afetivo: refere-se a sentimentos, humor e emoções (favoráveis ou não) causadas por um objeto; 2. Cognitivo: refere-se a crenças e ao conhecimento sobre um objeto (influenciadopor vários fatores); 3. Volitivo: refere-se à intenção ou ação sobre o objeto – ou seja, a predisposição para agir. Definição de atitude, prática e comportamento alimentar na escolha e no consumo de alimentos O comportamento alimentar (ou escolha alimentar) resulta de vivências do indivíduo ao longo da vida. Definição de atitude, prática e comportamento alimentar na escolha e no consumo de alimentos Fonte: adaptado de: livro-texto. Estímulos alimentares internos ↓ Paladar Estímulos alimentares externos ↓ - Informação - Ambiente social - Ambiente físico Gostar Consequências antecipadas Fatores ideacionais Comportamento alimentar Alimento - Escolha - Seleção - Preferência Ingestão alimentar Figura 1 – Modelo hipotético do comportamento alimentar O avanço da tecnologia, desde a produção de alimentos até a forma de comunicação, é um fator preocupante para a literatura, como o aumento de DCNTs. A publicidade veiculada por diversos canais estimula o consumo de alimentos industrializados, uma vez que essa indústria investe muito para vender seus produtos ao maior número possível de pessoas. Publicidade e práticas alimentares A pressão feroz dos meios de comunicação, direcionada a algumas faixas etárias e gênero, promove o consumo de alimentos com densidade energética elevada, distorcendo a autoimagem e favorecendo a busca incessante por dietas milagrosas, que prometem perda de peso rápido, determinando escolhas alimentares equivocadas e, consequentemente, favorecendo transtornos alimentares ou doenças relacionadas à ingestão de alimentos desbalanceados. Publicidade e práticas alimentares É importante integrar todas as dimensões do comportamento humano (biológico, sociocultural, econômico e ambiental) para determinar as motivações pessoais que fundamentam escolhas alimentares. O nutricionista deve ser habilitado para identificar os motivos que levam alguém a adotar novos hábitos alimentares e trabalhar com estratégias que mantenham a motivação. Estratégias e ferramentas para diagnosticar comportamentos e práticas alimentares Algumas estratégias: Entrevista motivacional; Comer intuitivo; Comer com atenção plena (mindful eating); Terapia cognitivo-comportamental. Estratégias e ferramentas para diagnosticar comportamentos e práticas alimentares É um estilo de conversa usado no aconselhamento e tem por objetivo favorecer o diálogo entre profissional e paciente, despertando a motivação para mudar hábitos relacionados à alimentação. O respeito é fundamental para garantir o reconhecimento e a aceitação do outro, sua história e legitimidade de suas escolhas, evitando julgamentos. Entrevista Motivacional O profissional que trabalha com entrevista motivacional deve desenvolver a empatia e a capacidade de escuta ativa, observando não só as falas, mas também as expressões faciais e corporais, pois podem refletir dados importantes do paciente, como medo, culpa, insegurança, insatisfação, vergonha ou conforto. Um dos pontos cruciais dessa técnica é o profissional não perder o foco e não se colocar numa posição de superioridade, pois é um momento de compartilhar informações, assumindo-se assim um caráter horizontal. As decisões sobre a prescrição dietética são tomadas com o paciente, e não impostas pelo nutricionista. Entrevista Motivacional Comer intuitivo é uma técnica criada pelas nutricionistas norte-americanas Evelyn Tribole e Elyse Resch, cuja proposta é fazer as pessoas se tornarem confiantes em suas habilidades de distinguir sensações físicas das emocionais e desenvolver sabedoria emocional para atender suas necessidades biológicas. A proposta visa uma sintonia entre comida, corpo e mente, baseando-se em três pilares: Permissão incondicional para comer; Comer para atender necessidades fisiológicas, e não emocionais; Apoiar-se nos sinais internos de fome e saciação para determinar o que, quanto e quando comer. Comer Intuitivo Comer Intuitivo Fonte: adaptado de: livro-texto. Quadro 9 – Comer intuitivo versus comer disfuncional Comer intuitivo Comer disfuncional Padrão alimentar Intervalos regulares entre refeições Intervalos irregulares, beliscadas, restrições (comer muito pouco) ou compulsões (comer demais) e comer com pressa Como a alimentação é regulada Sinais internos da fome, apetite e saciedade Controle interno e externo inapropriado: dieta, contar calorias, eventos emocionais Propósito do comer Satisfazer a saúde, o crescimento e o bem-estar Emagrecer, aliviar a ansiedade ou o estresse Prevalência Crianças, pessoas que não interferem em seus mecanismos de regulação natural, mais homens que mulheres Mais frequente em meninas e mulheres Físico Promove energia, saúde, crescimento e desenvolvimento de crianças. O peso geralmente é estável e expressa fatores genéticos e ambientais Sensação de cansaço, tontura, frio, puberdade atrasada ou precoce. O peso é instável, com altos e baixos Mental Pensamentos claros e habilidade de concentração. Os pensamentos sobre comida não tomam muito tempo do seu dia e se concentram na hora das refeições Concentração diminuída e preocupação com a comida. Pensamentos focados no planejamento alimentar e imagem corporal ocupam muito tempo do seu dia Emocional Humor estável, não se afeta pela comida Instabilidade no humor, chateação, irritabilidade, ansiedade e baixa autoestima. Preocupação com a imagem corporal é descontada na comida Social Relacionamento saudável com amigos e familiares e com o contexto alimentar Menor integração social, isolamento, capacidade de afeto e generosidade diminuída. Dificuldade de compartilhar refeições Atenção plena (ou mindfulness) é uma técnica inspirada na meditação. Pode ser definida como a capacidade intencional de trazer atenção para o momento presente, sem julgamentos nem críticas, como uma atitude de abertura e curiosidade. Quem come com atenção plena se atenta ao sabor, textura e processos do comer, verificando, antes da refeição, seu instinto de fome e se conectando com seus pensamentos para conhecer seus sentimentos com relação à satisfação, emoção e estado físico. Comer com atenção plena (mindful eating) É uma ferramenta que muda o comportamento alimentar e tem como princípio determinar emoções e comportamentos pela forma como interpretamos a realidade. Integra técnicas e conceitos de duas abordagens principais: terapia comportamental (ou behaviorismo) e terapia cognitiva. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) Existem algumas estratégias e ferramentas para diagnosticar comportamentos e práticas alimentares. Uma dessas estratégias é um estilo de conversa usado no aconselhamento e tem por objetivo favorecer o diálogo entre profissional e paciente, despertando a motivação para mudar hábitos relacionados à alimentação. Qual é essa estratégia? a) Terapia cognitivo-comportamental. b) Comer intuitivo. c) Educação nutricional. d) Comer com atenção plena (mindful eating). e) Entrevista motivacional. Interatividade Existem algumas estratégias e ferramentas para diagnosticar comportamentos e práticas alimentares. Uma dessas estratégias é um estilo de conversa usado no aconselhamento e tem por objetivo favorecer o diálogo entre profissional e paciente, despertando a motivação para mudar hábitos relacionados à alimentação. Qual é essa estratégia? a) Terapia cognitivo-comportamental. b) Comer intuitivo. c) Educação nutricional. d) Comer com atenção plena (mindful eating). e) Entrevista motivacional. Resposta O termo fitoterapia deriva do grego phutón (vegetal) e do latim científico therapia (tratamento). Consiste no uso interno ou externo de vegetais para tratar doenças, seja in natura, seja sob forma de medicamento. O Ministério da Saúde, por meio da Política e Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, visa garantir à população brasileira oacesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade e o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional. Atuação do nutricionista – Fitoterapia Pensando na nutrição integrativa, o CFN publicou a Resolução n. 680 para descrever o uso da fitoterapia na prática clínica. O nutricionista aplica a fitoterapia com base em plantas medicinais e suas diferentes preparações, englobando plantas in natura, drogas vegetais e derivados vegetais, exceto substâncias ativas isoladas ou altamente purificadas. No entanto, existem algumas regras. Essa habilitação só será outorgada para quem tiver título de especialista em fitoterapia ou em nutrição e fitoterapia pela Asbran OU ter cursado pós-graduação lato sensu em fitoterapia, com diploma emitido por instituição de ensino superior credenciada no MEC, com no mínimo 200 horas de disciplinas específicas de fitoterapia, atendendo assim os critérios do CFN (2021a). Fitoterapia e nutrição: prescrição e legislação aplicada Fitoterapia e nutrição: prescrição e legislação aplicada Fonte: adaptado de: livro-texto. Identificação da família Conhecer a família da planta medicinal conforme sua classificação botânica, pois isso já possibilita a previsão de possíveis efeitos farmacológicos ou mesmo tóxicos da espécie Nomenclatura popular Plantas medicinais são conhecidas, na maioria das vezes, por diferentes nomes populares. Quando a planta é de uso mundial, ainda tem nomes populares diferentes nos diversos países em que é utilizada Parte utilizada/órgão vegetal Conhecer a parte da planta e a forma correta de seu uso. Diferentes partes de plantas – como raiz e folha – podem apresentar propriedades terapêuticas completamente diferentes Indicações terapêuticas Indicar a planta medicinal nos derivados vegetais e formas farmacêuticas a cada condição clínica Ter habilitação para prescrever fitoterápicos segundo a Resolução n. 680/2021 Fitoterapia e nutrição: prescrição e legislação aplicada Fonte: adaptado de: livro-texto. Contraindicações Entender restrições de uso da planta medicinal nas formas farmacêuticas Precauções de uso Conhecer precauções de uso da planta medicinal na forma indicada Efeitos adversos Saber os efeitos adversos possíveis ou já descritos na literatura técnico-científica com a planta medicinal nas formas farmacêuticas Interações medicamentosas Saber informações e interações medicamentosas descritas ou potenciais com a planta medicinal Formas farmacêuticas Descrever as formas farmacêuticas para utilizar a parte da planta medicinal Vias de administração e posologia (dose e intervalo) Prescrever a melhor forma de usar o fitoterápico segundo a literatura técnico-científica Tempo de utilização Conhecer o tempo orientado para usar o fitoterápico, baseando-se na literatura técnico-científica Superdosagem Conhecer procedimentos diante do uso excessivo do fitoterápico Prescrição Conhecer os fitoterápicos de prescrição médica e nutricional Informações sobre segurança e eficácia Conhecer estudos com derivados da planta medicinal, incluindo ensaios clínicos e não clínicos (farmacológicos e toxicológicos) das plantas medicinais ou de suas preparações farmacêuticas Ao adotar a fitoterapia, o nutricionista deve considerar: evidências científicas quanto a critérios de eficácia e segurança, de dados de uso seguro e efetivo publicados na literatura ou de uso tradicional reconhecido; diagnósticos, laudos e pareceres dos demais membros da equipe multidisciplinar, definindo com eles, sempre que pertinente, a conduta a ser instituída; indicações, contraindicações e precauções de uso; Fitoterápicos prescritos por nutricionistas a necessidade de oferecer orientações técnicas necessárias para minimizar, quando possível, os efeitos adversos; as interações com outras plantas medicinais, com medicamentos e alimentos; os riscos da potencial toxicidade dos produtos prescritos; a necessidade de monitorar a evolução clínica, necessidade de ajustes de doses e sua suspensão (quando os objetivos forem alcançados) ou por outros critérios técnicos. Fitoterápicos prescritos por nutricionistas Os princípios de saúde, longevidade e qualidade de vida baseiam-se numa alimentação adequada e equilibrada em energia, macro e micronutrientes, fibras e fitoquímicos; porém a individualidade genética também pode influenciar esses fatores. De 2003 até o momento, o crescente progresso no entendimento do genoma humano tem criado novas possibilidades para estudar as interações entre alimentação, expressão gênica, variabilidade genética, saúde e doença. Assim surgiu na área da nutrição uma ciência moderna e promissora – a genômica nutricional –, que compreende a nutrigenética e a nutrigenômica. Epigenética, nutrigenética e nutrigenômica Nutrigenética é o estudo do efeito da variação genética individual na resposta à dieta e nutrição e no risco de desenvolver doenças; Nutrigenômica estuda o efeito de componentes bioativos da dieta na expressão de genes e consequências nas funções bioquímicas/fisiológicas, podendo influenciar o desenvolvimento de doenças ou promover um estado de saúde adequado. Epigenética – estudo da variação herdável que ocorre sem mudar a sequência do DNA. Dentre os eventos envolvidos nela, destacam-se o padrão de metilação do DNA, as modificações de histonas, a ação de microRNA e a estabilidade cromossômica. Epigenética, nutrigenética e nutrigenômica Nutrição de precisão, cujo objetivo é desenvolver recomendações nutricionais mais abrangentes e dinâmicas, com base em parâmetros variáveis e interativos no ambiente interno e externo de uma pessoa ao longo da vida. Suas abordagens incluem outros fatores além da genética, como hábitos alimentares, atividade física, microbiota e metaboloma. Epigenética, nutrigenética e nutrigenômica Fonte: adaptado de: livro-texto. Figura 2 – Os três níveis de nutrição de precisão de acordo com a Sociedade Internacional de Nutrigenômica e Nutrigenética Níveis de nutrição de precisão Nutrição personalizada baseada em genes Nutrição individualizada Nutrição estratificada Nutrientes e compostos bioativos influenciam a saúde na prevenção e no tratamento de DCNTs. Para compreender essa interação, é essencial estudar o genoma, as variantes genéticas decorrentes de polimorfismos e a alimentação, ampliando o conhecimento por meio de: nutrigenética, que visa detectar quais variantes genéticas geram respostas metabólicas diferenciadas entre indivíduos, mesmo que consumam a mesma dieta; nutrigenômica, que estuda a modulação da expressão gênica por nutrientes e compostos bioativos dos alimentos. Genômica nutricional nas DCNTs O principal enfoque dos testes genéticos relacionados à nutrição é a análise de polimorfismos de nucleotídeo único (do inglês Single Nucleotide Polymorphisms – SNP), que poderiam nos direcionar para as necessidades nutricionais individuais, a fim de reduzir o risco de DCNTs. O futuro da nutrição de precisão não se baseará apenas na nutrigenética, mas se somará a outros determinantes, como fatores nutricionais, estilo de vida, incluindo hábitos de atividade física, metabolômica ou microbiômica intestinal. É essencial o nutricionista se habilitar nessa nova ciência, a fim de prevenir doenças e promover a saúde. Testes nutrigenéticos em nutrição Características para um alimento funcional: Alimento natural; Alimento ao qual um componente foi adicionado; Alimento do qual um componente foi removido; Alimento no qual a natureza de um ou mais componentes foi modificada; Alimento no qual a biodisponibilidade de um ou mais componentes foi modificada. Alimentos funcionais Para uma prescrição consciente e segura de alimentos funcionais, é necessário conhecer as classes de compostos funcionais e suas propriedades.Alimentos funcionais Fonte: adaptado de: livro-texto. Propriedades funcionais Probióticos e prebióticos Probióticos Prebióticos Fruto-oligossacarídeos Inulina Lactulose Probiótico: equilibra a microbiota intestinal Prebiótico: modula a microbiota intestinal Fibras (oligossacarídeos) Betaglucano Dextrina resistente Goma guar Polidextrose Quitosana Capacidade de reter substâncias tóxicas ingeridas ou produzidas no trato gastrintestinal Redução do tempo do trânsito intestinal Formação de substâncias protetoras pela fermentação bacteriana dos compostos de alimentação Alimentos funcionais Fonte: adaptado de: livro-texto. Propriedades funcionais Compostos fenólicos Flavonoides Isoflavonas Combate os radicais livres Quelantes de metais pesados Ácidos graxos Ômega-3 Ômega-6 Monoinsaturados Anti-inflamatório Anticoagulante Vasodilatador Sulfurados e nitrogenados Glicosinofatos Isotiocianatos Indóis Proteção contra a carcinogênese e mutagênese Ativadores de enzimas na destoxificação do fígado Compostos antioxidantes Carotenoides Luteína Zeaxantina Vitamina C Vitamina E Ajudam a neutralizar a ação dos radicais livres Participam indiretamente de sistemas enzimáticos Fitoesteróis Reduzem a absorção de colesterol Alimentos funcionais Fonte: adaptado de: livro-texto. Quadro 13 – Nutrientes e não nutrientes com classe funcional, componentes-chave, dose recomendada e alegações padronizadas Classe funcional Componentes-chave Dose recomendada Alegação padronizada Ácidos graxos EPA e DHA Não declarada “O consumo de ácidos graxos ômega-3 auxilia na manutenção de níveis saudáveis de triglicerídeos, desde que associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis” Carotenoides Licopeno Não declarada “O licopeno tem ação antioxidante que protege as células contra os radicais livres. Seu consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis” Carotenoides Luteína Não declarada “A luteína tem ação antioxidante que protege as células contra os radicais livres. Seu consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis” Alimentos funcionais Fonte: adaptado de: livro-texto. Fibras alimentares Psillium (ou psyllium) Mínimo de 3 g de psillium “O psillium (fibra alimentar) auxilia na redução da absorção de gordura. Seu consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis” Fibras alimentares Quitosana Mínimo de 3 g de quitosana “A quitosana auxilia na redução da absorção de gordura e colesterol. Seu consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis” Fitoesteróis Fitoesteróis g de fitoesteróis livres “Os fitoesteróis auxiliam na redução da absorção de colesterol. Seu consumo deve estar associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis” Polióis Manitol/xilitol/ sorbitol Não declarada “Manitol/xilitol/sorbitol não produz ácidos que danificam os dentes. O consumo do produto não substitui hábitos adequados de higiene bucal e de alimentação” Probióticos Lactobacillus, bifidobacterium e enterococcus Não declarada A alegação de propriedade funcional ou de saúde deve ser proposta pela empresa e será avaliada, caso a caso, com base nas definições e princípios estabelecidos na Resolução n. 18/1999 Trata-se de microrganismos vivos que, se administrados em quantidade adequada, beneficiam a saúde do hospedeiro. As espécies mais estudadas são lactobacillus e bifidobacterium. As recomendações para o uso de probióticos, especialmente na prática clínica, devem ligar as cepas específicas aos benefícios declarados a partir de estudos em seres humanos. Para garantir um efeito contínuo, eles devem ser ingeridos diariamente, e as alterações favoráveis na composição da microbiota intestinal, segundo a Anvisa (2020), devem estar entre 108 e 109 unidades formadoras de colônia na recomendação diária do produto pronto para consumo, conforme indicação do fabricante. Probióticos Trata-se de uma grande classe de pequenos carboidratos não digeríveis, contendo apenas de 1 a 10 açúcares mal absorvidos no intestino delgado. Podem ser encontrados em vários alimentos, como frutas, vegetais, legumes e cereais, mel, leite e produtos lácteos e adoçantes. Uma dieta baixa em fodmaps não é apenas uma restrição de glúten e lactose, mas uma eliminação maior e mais consistente de diferentes grupos alimentares. Algumas limitações e preocupações potenciais da dieta baixa em fodmaps devem ser destacadas, como a dificuldade da adequação nutricional, a fim de evitar desequilíbrios nutricionais e calóricos, além do custo e da dificuldade em ensinar a técnica dietética. Fodmaps Ao prescrever um fitoterápico, quais fatores o nutricionista deve considerar? a) Eficácia de segurança. b) Indicações de uso sem se preocupar com as contraindicações, afinal é fitoterápico. c) Riscos da potencial toxicidade. d) Monitorar a evolução clínica. e) Ajustar a dose sempre que necessário e de acordo com a tolerância do paciente. Interatividade Ao prescrever um fitoterápico, quais fatores o nutricionista deve considerar? a) Eficácia de segurança. b) Indicações de uso sem se preocupar com as contraindicações, afinal é fitoterápico. c) Riscos da potencial toxicidade. d) Monitorar a evolução clínica. e) Ajustar a dose sempre que necessário e de acordo com a tolerância do paciente. Resposta Vitamina A: No Brasil, a deficiência de vitamina A é um problema de saúde pública. A falta de vitamina A pode se manifestar como deficiência subclínica ou clínica. A clínica (xeroftalmia) é definida por problemas no sistema visual, atingindo três estruturas oculares: retina, conjuntiva e córnea, diminuindo a sensibilidade à luz, até uma cegueira parcial ou total. A primeira manifestação funcional é a cegueira noturna – diminuição da capacidade de enxergar em locais com baixa luminosidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a administração de suplementos de vitamina A para prevenir carência, xeroftalmia e cegueira de origem nutricional em crianças de 6 a 59 meses. Deficiências nutricionais: aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e nutricionais Vitamina D: O nível de 25(OH)D < 20 ng/ml já é considerado insuficiência, sendo necessária suplementação nutricional de vitamina D. A vitamina D funciona no corpo humano como um hormônio cuja principal função biológica é manter os níveis séricos de cálcio e fósforo dentro da normalidade, atuando ativamente no metabolismo ósseo. A deficiência na infância se associa a uma doença que causa deformidades esqueléticas conhecida como raquitismo. Deficiências nutricionais: aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e nutricionais Vitamina D: Algumas condições favorecem a deficiência de vitamina D, com fatores extrínsecos e intrínsecos: Extrínsecos: Dieta inadequada; Baixa exposição à luz solar; Intrínsecos: Envelhecimento; Má absorção; Obesidade; Doenças renais; Hiperpigmentação da pele. Deficiências nutricionais: aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e nutricionais Ferro: A anemia por deficiência de ferro, no Brasil, é um problema nutricional de grande magnitude e acomete principalmente crianças, mulheres em idade fértil e gestantes. A OMS define anemia como a condição na qual a concentração sanguínea de hemoglobina se encontra abaixo dos valores esperados (inferior a −2DP), tornando-se insuficiente para atender às necessidades fisiológicas exigidas. Dentre as políticas nacionais que visam prevenir a anemia ferropriva em crianças, cita-se a fortificação de alimentos – adotada pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Deficiências nutricionais: aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e nutricionais Ácido fólico: A deficiência de ácido fólico é consideradaa causa final da produção de defeitos do tubo neural. As necessidades de ácido fólico aumentam durante a gravidez devido à rápida divisão celular no feto e ao aumento de perda urinária. OMS e o Ministério da Saúde recomendam uma dose diária de 400 µg (0,4 mg) por pelo menos 30 dias antes da concepção até o primeiro trimestre de gestação para prevenir os defeitos do tubo neural e durante toda a gestação para prevenir a anemia. Deficiências nutricionais: aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e nutricionais Define-se desnutrição como a condição resultante da deficiência de energia, macro e micronutrientes, que pode causar alterações na composição corporal, funcionalidade e estado mental, podendo ser causada por fatores de privação alimentar, doenças, idade avançada, entre outros, isolados ou combinados. As complicações provenientes da desnutrição são: pior resposta imunológica; atraso na cicatrização; risco elevado de complicações cirúrgicas e infecciosas; maior probabilidade de desenvolver lesões por pressão; aumento no tempo e custo de internação e do risco de mortalidade. Desnutrição hospitalar A desnutrição proteico-calórica pode ser do tipo marasmo e/ou kwashiorkor. Se houver diminuição da quantidade total de alimentos, denomina-se marasmo (também chamada de desnutrição calórica total); já a deficiência na composição dos alimentos consumidos de fonte proteica chama-se kwashiorkor; e a kwashiorkor marasmática apresenta ambas as deficiências. Intervenções nutricionais em pacientes com desnutrição devem atingir pelo menos de 30 a 35 kcal/ kg de peso corporal, 1,2 a 1,5 g de proteína/kg de peso corporal, 5 a 7g/kg de peso corporal (50 a 60% do valor energético total) de carboidratos e 0,5 a 1 g/kg de peso corporal (30 a 40% do VET) de gordura. Kwashiorkor e marasmo Síndrome multifatorial que leva à perda contínua de massa muscular esquelética, com ou sem perda de massa gorda, associada à inflamação sistêmica e a alterações metabólicas que não podem ser completamente revertidas exclusivamente pelo suporte nutricional convencional, levando à incapacidade funcional progressiva e aumentando a morbidade. Intervenções nutricionais em pacientes com caquexia devem atingir pelo menos de 25 a 30 kcal/ kg de peso corporal, 1,2 a 2 g de proteína/kg de peso corporal, Caquexia Fonte: adaptado de: livro-texto. Quadro 15 – Estágios da caquexia no câncer Pré-caquexia Caquexia Caquexia refratária Perda de peso < 5% Inflamação sistêmica Perda de peso > 5% ou IMC < 20 e perda de peso > 2% ou Sarcopenia e perda de peso > 2% Inflamação sistêmica Catabolismo Não responsivo ao tratamento anticâncer Expectativa de vida < 3 meses Morte Mudanças metabólicas usualmente associadas com sintomas como anorexia Segundo o National Cholesterol Education Program (NCEP, 2001), é necessária a presença de pelo menos três destas alterações clínicas: Obesidade visceral (fator-chave para desencadear a síndrome); Elevação de glicose; Elevação de triglicerídeos; Redução dos níveis de HDL-c; Aumento da pressão arterial e secreção de adipocina. Síndrome metabólica O plano alimentar deve conter: de 50 a 60% de carboidratos; de 0,8 a 1 g/kg de peso corporal/dia; de 25 a 35% de gorduras; < 10% de ácido graxo saturado; até 10% de ácido graxo poli-insaturado; até 20% de ácido graxo monoinsaturado; colesterol < 300 mg; fibras de 20 a 30 g ao dia. Síndrome metabólica A assistência nutricional e dietoterápica pelo nutricionista visa um acompanhamento que promova, preserve e recupere a saúde do indivíduo ou coletividade, compreendendo avaliação, diagnóstico, intervenção, monitoramento, aferição e reavaliação dos resultados (CFN, 1991, 2018b). É exclusividade do nutricionista: atuar na assistência nutricional; prescrição dietética; planejar, analisar, supervisionar e avaliar as dietas com o paciente crítico na UTI. Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Os avanços na ciência da nutrição têm mostrado que os nutrientes exercem funções além do papel fisiológico e podem também modular o funcionamento do sistema imune. A relação entre nutrição e imunologia é complexa e vasta, o que tem sido objeto de estudo de várias substâncias utilizadas em dietas, chamadas de imunonutrição. Imunonutrição São cuidados ativos e totais, voltados a pacientes cujas doenças não respondem mais a tratamentos curativos, e têm o objetivo de melhorar sua qualidade de vida e a de seus familiares, aliviando a dor e problemas biopsicossociais e espirituais. É fundamental que uma equipe inter e multidisciplinar faça a abordagem paliativa, incluindo nutricionistas, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, psicólogos, dentistas, fonoaudiólogos, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais, musicoterapeuta, a fim de que o paciente e seus familiares tenham conforto, apoio e qualidade de vida. Cuidados paliativos A assistência nutricional e dietoterápica pelo nutricionista visa um acompanhamento que promova, preserve e recupere a saúde do indivíduo ou coletividade, compreendendo avaliação, diagnóstico, intervenção, monitoramento, aferição e reavaliação dos resultados (CFN, 1991, 2018b). Na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), é papel exclusivo do nutricionista: a) Atuar na assistência nutricional. b) Fazer a prescrição dietética. c) Prescrição de suplementação para todos os pacientes. d) Supervisionar e avaliar as dietas. e) Fazer triagem nutricional. Interatividade A assistência nutricional e dietoterápica pelo nutricionista visa um acompanhamento que promova, preserve e recupere a saúde do indivíduo ou coletividade, compreendendo avaliação, diagnóstico, intervenção, monitoramento, aferição e reavaliação dos resultados (CFN, 1991, 2018b). Na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), é papel exclusivo do nutricionista: a) Atuar na assistência nutricional. b) Fazer a prescrição dietética. c) Prescrição de suplementação para todos os pacientes. d) Supervisionar e avaliar as dietas. e) Fazer triagem nutricional. Resposta ATÉ A PRÓXIMA!