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DESIGNER E SUSTENTABILIDADE 06

Aula sobre design e sustentabilidade: aborda planejamento e construção de cenários futuros, Agenda 2030, papel do UX e da Indústria 4.0, impactos ambientais no design, greenwashing, exemplos como Kodak e locadoras vs. streaming e a importância de identificar tendências.

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Jeffery Mo

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DESIGN E SUSTENTABILIDADE 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Jaime Ramos 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, falaremos sobre a importância do planejamento e da 
construção de cenários para o futuro, tanto para empresas, quanto para os 
designers. A Agenda 2030, com suas metas e compromissos dos países para o 
desenvolvimento social e ambiental, é apresentada como balizador para as 
mudanças que devem ocorrer nos próximos anos. O papel da experiência do 
usuário (UX) e da indústria 4.0 como indutores de mudanças nos 
comportamentos e na tecnologia também será abordado. Finalmente, serão 
apresentadas algumas perspectivas para o futuro do design, em função das 
novas demandas ambientais e sociais. 
CONTEXTUALIZANDO 
O design deverá mudar no futuro próximo para atender às novas 
demandas da sociedade. As consequências dos impactos ambientais tendem a 
ficar cada vez mais visíveis. Isso leva a mudanças na legislação e na cooperação 
entre os países. Como resultado, as empresas terão de se adequar, e o design 
faz parte desse processo. Isso já é realidade para algumas empresas que, por 
exigência da legislação, dos investidores e dos clientes, estão de fato buscando 
melhorar sua interação com o meio ambiente. Outras ainda estão tentando 
esconder os efeitos nocivos dessas interações enquanto vendem uma imagem 
de amigas do meio ambiente, em uma estratégia conhecida como greenwashing. 
Os designers têm um papel importante no sentido de auxiliarem essas empresas 
a adotarem práticas mais amigas do meio ambiente e de informar aos usuários 
essas mudanças. Por outro lado, para que isso aconteça, o design também 
precisa mudar. 
A capacidade de perceber tendências e de, com base nisso, imaginar o 
que irá acontecer no futuro é um exercício extremamente importante não apenas 
para empresas mas também para os profissionais. Isso em muitos casos vai 
determinar a sobrevivência ou o desaparecimento tanto de empresas quanto de 
algumas profissões. 
A necessidade de adequar os nossos sistemas de produção e consumo 
aos limites do planeta deve obrigar muitas empresas a mudarem seu foco no 
futuro próximo. As que não se adequarem às mudanças correm o risco de 
 
 
3 
desaparecer. Para os designers, a grande questão que surge é: de que forma as 
exigências na área ambiental podem impactar nos modos de fazer do design? 
TEMA 1 – CONSTRUÇÃO DE CENÁRIOS 
A palavra design é frequentemente usada como sinônimo de 
planejamento. Isso não deve ser surpresa pois designers são profissionais que 
estão constantemente tentando resolver situações, levando em conta o passado, 
bem como o contexto presente, mas sempre pensando e planejando como será 
o nosso mundo no futuro. 
Grandes empresas investem recursos na construção de cenários para o 
futuro. Essa ação é importante para garantir a sobrevivência de um 
empreendimento ao longo do tempo. Muitas empresas falharam em prever ou 
se adaptar as mudanças e encolheram ou foram extintas como provavelmente 
aconteceu aos dinossauros. A Kodak era a maior fabricante de câmeras e filmes 
fotográficos do mundo. Eles inventaram a câmera digital, mas não se 
interessaram muito por essa nova tecnologia. Eram os líderes da fotografia 
analógica e acreditaram que continuariam dominando o setor. Isso deu certo por 
um tempo, mas quando japoneses popularizaram a fotografia digital, a Kodak 
perdeu mercado rapidamente e quase desapareceu. Não faz muito tempo, 
existiam grandes locadoras de filmes em DVDs. Muitas ignoraram a evolução 
das tecnologias e acreditaram que bastaria serem as melhores do setor para se 
manterem no topo, mas desapareceram com a popularização dos serviços de 
streaming em demanda, como a Netflix. 
Prever o futuro nem sempre é uma tarefa fácil. Algumas coisas são 
mesmo difíceis de prever. Quem iria prever que em 2020 teríamos uma 
pandemia que iria provocar tantas mudanças nas relações comerciais, de 
trabalho e até entre os grupos? Mesmo nesse caso, seria possível identificar 
antes algumas mudanças que já estavam acontecendo. Trabalho em home 
office, compras pela internet e educação a distância já existiam antes. A 
pandemia apenas acelerou essas mudanças em uma velocidade nunca vista 
antes. Quem estava mais preparado para o futuro se saiu melhor. Também 
nesse caso muitas empresas foram extintas e outras tantas surgiram nesse 
processo. 
Quando falamos em construir cenários para o futuro do design, não se 
trata de buscar informações em uma bola de cristal ou em algo mágico. Trata-se 
 
 
4 
de identificar tendências levando-se em conta apenas as informações que 
temos. Por exemplo, na área da sustentabilidade, podemos verificar que no 
passado recente a natureza era vista muitas vezes como um empecilho para o 
progresso. Atualmente podemos dizer que há uma consciência muito forte de 
que os ecossistemas naturais são importantes para a manutenção da vida no 
planeta. Podemos, em função disso, imaginar que, em um futuro próximo, a 
sociedade, os governos e até mesmo empresas se envolvam cada vez mais na 
busca de soluções ambientalmente sustentáveis. 
Figura 1 – Tendências podem ser traçadas com base em comportamentos do 
passado e do presente 
 
Créditos: Eans/Shutterstock. 
Assim, podemos dizer que o design do futuro, além de questões estéticas, 
funcionais e de usabilidade, deve levar um conta a sustentabilidade nos seus 
projetos, não apenas por uma postura ética, mas também porque isso será uma 
exigência da sociedade. À medida que nos aproximamos dos limites do planeta, 
tanto para a capacidade de fornecer recursos naturais quanto para a capacidade 
de absorver nossas emissões, observamos que consumidores e governos 
passam a exigir mais responsabilidade ambiental das empresas. Novos 
empregos vêm surgindo na esteira dessas mudanças. Vagas para analista de 
sustentabilidade, especialista socioambiental e ecodesigner são ofertadas por 
empresas com uma frequência cada vez maior. 
As mudanças na área ambiental trazem desafios, e o design pode 
contribuir para resolvê-los. Você, como usuário de uma série de produtos, com 
certeza já teve dúvidas sobre como descartar uma embalagem. Devo jogar no 
lixo comum ou ela pode ser reciclada? Seria possível usá-la em outra função? 
 
 
5 
Como designer, você pode colocar informações sobre a reciclagem no rótulo 
dessa embalagem. Pode também sugerir futuras reutilizações, evitando que ela 
acabe em um aterro sanitário ou lixão. 
Os designers devem levar em conta que o seu trabalho muitas vezes tem 
implicações ambientais, éticas e sociais. Muitas vezes, esse trabalho contribui 
para piorar esses aspectos. A obsolescência planejada, o incentivo ao consumo 
desenfreado, a expansão dos descartáveis que aumentam também o problema 
do lixo. Todas essas ações, negativas do ponto de vista ambiental, contaram 
com a participação do design. 
O design tem um papel importante na criação de interfaces entre o meio 
artificial e o ser humano. Ajuda a estabelecer pontes entre as empresas e os 
clientes e, assim, também tem a possibilidade de influenciar tendências positivas 
para a sustentabilidade ao incentivar comportamentos ambientalmente 
responsáveis. 
TEMA 2 – AGENDA GLOBAL 
Para entender melhor o que será a busca da sustentabilidade no futuro, 
vale a pena levantar as iniciativas que já estão sendo feitas em nível local e 
global. De um ponto de vista global, é interessante conhecer os acordos 
internacionais e inciativas promovidas pela ONU (Organização da Nações 
Unidas) e os compromissos assumidos pelos países para a busca da 
sustentabilidade no presente e no futuro. 
No Encontro da Terra no Rio (Rio 92), foram assentadas bases 
importantes para busca do desenvolvimento sustentável. Os países fizeram 
acordos sobre a necessidade de reverter as mudanças climáticas, a 
conservação das florestas e a preservação da biodiversidade. Com base nessas 
discussões, emergiuuma série de princípios conhecidos como a Agenda 21 
visando atacar os problemas ambientais para buscar o desenvolvimento 
sustentável ou atender às necessidades humanas levando em conta a 
necessidade de proteger o meio ambiente no século 21. 
De acordo com dias (2015), 
Na Agenda 21 os governos elaboraram pautas de ação detalhadas 
que, se aplicadas, poderiam fazer o mundo abandonar o modelo de 
crescimento in- sustentável em favor de atividades que protegeriam e 
renovariam os recursos naturais dos quais dependem o crescimento e 
o desenvolvimento. 
 
 
6 
Na Rio+20, em 2012, foram formulados metas e objetivos que deveriam 
ser alcançados pelos países nas busca da sustentabilidade, o “documento O 
Futuro que Queremos”, reconheceu que a formulação de metas poderia ser útil 
para o lançamento de uma ação global coerente e focada no desenvolvimento 
sustentável.” (Plataforma Agenda 2030, 2020). Nessa conferência, foram 
elaborados os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) com metas que 
deveriam ser alcançadas pelos países, dentro das possibilidades e limitações de 
cada um. 
Mas era necessário reformular, estabelecer metas, acompanhar e ampliar 
os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS). Em 2015, os países se 
reuniram novamente, e na Assembleia Geral das Nações Unidas formularam a 
Agenda 2030, que estabelece os 17 ODS que deveriam ser cumpridos pelos 
participantes desse acordo global nos 15 anos seguintes ao encontro. Esses 
ODS previam a busca de ações em parceria para tentar resolver problemas 
crônicos tais como a redução das desigualdades e da miséria, com mais acesso 
à saúde e a educação, ações para promover o desenvolvimento econômico e 
social, mantendo o foco no combate às mudanças climáticas e preservação do 
solo e da água. 
Segundo a Plataforma Agenda 2030 (2020), 
Os 17 objetivos são integrados e indivisíveis, e mesclam, de forma 
equilibrada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a 
econômica, a social e a ambiental. São como uma lista de tarefas a 
serem cumpridas pelos governos, a sociedade civil, o setor privado e 
todos cidadãos na jornada coletiva para um 2030 sustentável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
Figura 2 – Os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 
 
Créditos: Mintblac/Shutterstock. 
Dias (2015) relaciona os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável 
conforme apresentados no quadro a seguir: 
Quadro 1 – Objetivos do desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 
OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS) 
Objetivo 1 Erradicar a pobreza em todas as suas formas em todas as 
partes. 
Objetivo 2 Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a 
nutrição e promover a agricultura sustentável. 
Objetivo 3 Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar de todos 
em todas as idades. 
Objetivo 4 Garantir uma educação de qualidade e equitativa e promover as 
oportunidades de aprendizagem permanente para todos. 
Objetivo 5 Alcançar a igualdade de gênero e a autonomia de todas as 
mulheres e meninas. 
Objetivo 6 Garantir a disponibilidade e gestão sustentável da água e 
saneamento para todos. 
Objetivo 7 Garantir o acesso à energia acessível, confiável, sustentável e 
moderno para todos. 
Objetivo 8 Promover um crescimento econômico sustentado, inclusivo e 
sustentável, um emprego pleno e produtivo e um trabalho digno 
para todos. 
Objetivo 9 Construir infraestruturas resistentes, promover a industrialização 
inclusiva e sustentável e promover a inovação. 
Objetivo 10 Reduzir a desigualdade dentro e entre países. 
Objetivo 11 Tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, 
seguros, resistentes e sustentáveis. 
Objetivo 12 Assegurar padrões de consumo e produção sustentáveis. 
 
 
8 
Objetivo 13 Adotar medidas urgentes para combater as mudanças climáticas 
e seus impactos. 
Objetivo 14 Conservar e utilizar de modo sustentável os oceanos, os mares e 
os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. 
Objetivo 15 Proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos 
ecossistemas terrestres, o manejo sustentável das florestas, 
combater a desertificação e deter e reverter a degradação da 
terra e deter a perda da biodiversidade 
Objetivo 16 Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o 
desenvolvimento sustentável, facilitar o acesso a justiça para 
todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas 
em todos os níveis. 
Objetivo 17 Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria 
mundial para o desenvolvimento sustentável. 
Fonte: Dias, 2015. 
Os ODS da Agenda 2030 são o resultado de discussões e acordos entre 
as nações que se comprometeram a cumprir e colocar em prática as ações 
previstas nesses objetivos. Para que isso seja possível esses governos precisam 
da participação dos estados, munícipios e da sociedade como um todo. O 
planejamento dessas ações tem desdobramentos com a atribuição de metas 
para esses atores. Além disso, as empresas também são chamadas a fazer a 
sua parte. Assim, o design do futuro próximo também será orientado no sentido 
de desenvolver ações, dentro do seu campo de atuação, para reduzir impactos 
ambientais e promover o desenvolvimento econômico e social com base nessas 
ações. 
A World Design Organization, ou Organização Mundial do Design, WOD, 
(2020) identifica quais são os objetivos de desenvolvimento sustentável que 
estão fortemente relacionados com o design e sobre os quais os designers 
podem contribuir de forma mais significativa para que possam ser alcançados 
até 2030. O Quadro 2 apresenta esses objetivos e a sua relação com o design 
de um modo amplo: 
Quadro 2 – Como o design pode contribuir com as metas dos ODSs 
ODS N. POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES DO DESIGN 
3 Promover a inovação baseada no design para ajudar a reduzir doenças 
e fortalecer a saúde e o bem-estar 
4 Fortalecer a educação em design de qualidade que enfatize a 
sustentabilidade, a responsabilidade social, o contexto, o pensamento 
sistêmico, e que oriente e incentive a próxima geração de líderes de 
design sustentável 
6 Melhorar o acesso à água potável e fortalecer os serviços de higiene e 
saneamento 
 
 
9 
7 Aumentar nosso uso de energia limpa e melhorar a eficiência energética 
em nossas operações, produtos e cadeias de abastecimento para ajudar 
a combater as mudanças climáticas 
9 Promova infraestrutura inclusiva e sustentável, industrialização e 
inovação com foco na acessibilidade e acessibilidade do usuário 
11 Usar o design como uma ferramenta para tornar as cidades e 
assentamentos humanos mais inclusivos, seguros, resilientes e 
sustentáveis 
12 Incentivar o uso eficiente de recursos e de alternativas sustentáveis, 
contribuindo para um sistema de produção e consumo mais responsável 
17 Promover parcerias públicas, privadas e da sociedade civil, fortes e 
inclusivas, que compartilhem conhecimento e se baseiem em 
experiências e estratégias de recursos, para apoiar a realização dos 
ODS em todos os países, em particular nos países em desenvolvimento 
Fonte: WDO, S.d. 
TEMA 3 – EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO 
No tema anterior, vimos que o consenso internacional sobre a 
necessidade de mudanças no futuro próximo nos fornece uma valiosa direção 
para caminharmos em busca da sustentabilidade. Para o bem ou para o mal, o 
design e a tecnologia são poderosos agentes de mudanças. Ao planejar 
soluções em produtos e sistemas visuais que moldam hábitos de consumo e o 
comportamento de milhares de pessoas, os designers precisam estar 
conscientes dos impactos ambientais e sociais dessas soluções. 
Uma das maneiras de incentivar o uso de soluções que contribuam para 
a redução de impactos ambientais é projetá-las para que sejam mais acessíveis 
e que proporcionem uma boa experiência para os usuários. Websites leves, com 
acesso rápido e fáceis de navegar, não apenas promovem uma experiência de 
uso mais agradável mas também ajudam a reduzir o consumo de energia,que é 
uma das grandes fontes de impactos ambientais na atualidade e que tende a 
continuar sendo no futuro. 
A mesma tecnologia que nos permite executar tarefas a distância, 
reduzindo a necessidade de transportes e o consumo de combustíveis fósseis, 
também faz com que passemos a usar cada vez mais computadores interligados 
com provedores e outros sistemas que utilizam energia elétrica em grande 
quantidade, com os impactos ambientais desse consumo. Isso cria novos 
desafios para os designers de interfaces no sentido de continuarem inovando 
sem esquecer da necessidade de reduzirmos a nossa pegada ecológica. 
É muito comum deixarmos aparelhos elétricos ligados por mais tempo que 
o necessário. Isso implica não apenas despesas maiores mas também impactos 
 
 
10 
ambientais devidos ao uso da energia. A lista vai de ferros de passar roupa até 
consoles para videogames. O design pode ajudar a reduzir o consumo desses 
aparelhos, criando alertas sonoros ou visuais para o usuário, dispositivos que 
desligam após um tempo de inatividade ou até mesmo por meio da gamificação, 
criando jogos que dão pontos ou recompensas para comportamentos 
ambientalmente sustentáveis. 
Outra tecnologia já existente, mas que deve ganhar cada vez mais 
destaque no futuro vem da IOT (Internet of things) ou, em português, Internet 
das Coisas. Essa tecnologia visa conectar vários aparelhos via internet tornando 
possível gerenciar o seu consumo de energia por meio de um smartphone, por 
exemplo. O design pode contribuir na criação de interfaces que facilitem a 
interação entre usuário e aparelhos, que melhor gerenciados podem ter melhor 
performance do ponto de vista ambiental. 
O design tem buscado apoio na UX (user experience ou experiência do 
usuário), buscando soluções para melhorar a satisfação do usuário com os 
produtos, com a consequente fidelização desse usuário. De início, busca-se 
melhorar a unboxing experience, momento em que o usuário recebe um produto 
e abre a caixa. Esse momento, às vezes esperado com ansiedade, deve ser 
memorável. A caixa deve ser de qualidade fácil de abrir e entender, recados, 
brindes, e às vezes até aromas podem contribuir que essa experiência seja 
positiva. As pessoas chegam a filmar esse momento para compartilhar depois 
nas redes sociais. Em um segundo momento, vem a dúvida: o que fazer com 
essa embalagem? Pode ser reaproveitada? Pode ser descartada como material 
reciclável? 
No futuro próximo, o designer deverá pensar em como melhorar a 
experiência do usuário também no momento do descarte ou reaproveitamento 
de embalagens e outros objetos quando atingem o final da sua vida útil. Não é 
uma tarefa muito fácil. Quem gosta de colocar o lixo para fora? Como criar 
mecanismos que incentivem o usuário a adotar procedimentos mais sustentáveis 
na sua relação com o meio é um dos desafios do design sustentável no futuro. 
TEMA 4 – INDÚSTRIA 4.0 
Para o futuro próximo, o design assumirá uma importância cada vez 
maior. A tarefa do designer será ainda mais complexa e desafiadora por 
incorporar requisitos ambientais ao processo de projeto. Isso exigirá mudanças 
 
 
11 
de atitudes e da forma de atuar. Mudanças do foco na produção para o foco na 
entrega de serviços criaram uma nova área de atuação chamada de design de 
serviços. Uma nova Revolução Industrial que já está acontecendo com o 
surgimento da Indústria 4.0 também terá impacto no design e na sustentabilidade 
ambiental. 
Segundo a ABDI (2020), 
As 3 primeiras revoluções industriais trouxeram a produção em massa, 
as linhas de montagem, a eletricidade e a tecnologia da informação, 
elevando a renda dos trabalhadores e fazendo da competição 
tecnológica o cerne do desenvolvimento econômico. A quarta 
revolução industrial, que terá um impacto mais profundo e exponencial, 
se caracteriza, por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão 
do mundo físico, digital e biológico. 
 
Figura 3 – Alguns dos componentes da indústria 4.0 
 
Créditos: ElenaBSL/Shutterstock. 
A indústria 4.0 pode dar uma grande contribuição na direção da 
sustentabilidade. A busca da eficiência nos processos, por meio da automação 
e da redução de desperdícios, leva à redução do consumo de materiais, de 
energia e também da geração de lixo. Tudo isso evidentemente contribui também 
para reduzir os impactos ambientais associados a essas ações. 
Um dos princípios da indústria 4.0 é a descentralização da produção. 
Produzir localmente ajuda a reduzir os impactos ambientais do transporte. A 
outra característica é a personalização. A ideia é produzir segundo a demanda 
e atendendo às necessidades do usuário. Imagine você entrando em uma loja 
 
 
12 
para comprar um tênis. Na entrada, o vendedor obtém as medidas do seu pé 
utilizando-se de um scanner 3D. Você também escolhe cores adereços e outras 
aplicações. Uma impressora 3D imprime o tênis e você sai com um produto feito 
sob medida e personalizado segundo as suas preferências. 
O que isso tem a ver com a sustentabilidade e com design? 
Primeiramente, ao eliminar a necessidade de transporte, de milhares de caixas 
de tênis, o meio ambiente é beneficiado, pois o transporte marítimo é hoje uma 
das grandes fontes de poluição. Para o design, surgem novas oportunidades 
para pensar os produtos dentro de uma ótica da personalização e diferenciação. 
Figura 4 – Tênis feito em impressora 3D 
 
Créditos: Ronaldl/Shutterstock 
Ao projetar pensando em atender às necessidades individuais e não 
apenas às de um usuário médio, o designer dever estar ainda mais próximo 
deste. Como conhecer esse usuário para poder oferecer a ele soluções 
personalizadas? A Big Data, outro componente da indústria 4.0, pode dar a 
resposta. De acordo com Siltori (2020), “Big Data: é um termo utilizado para 
referenciar ao armazenamento de todas as informações que necessitam ser 
registradas na organização, permitindo que os mesmos sejam analisados 
posteriormente ou em tempo real caso seja necessário”. No nosso caso, com 
base nessas informações levantadas em tempo real, o designer pode tomar 
decisões de projeto para atender melhor a cada um desses usuários. 
De acordo com Milanez (2020), 
 
 
13 
O potencial de crescimento orientado ao design é enorme. Projetar 
com usuários, stakeholders, para negócios, com a responsabilidade de 
humanizar produtos criando experiências consistentes, satisfatórias, 
composicional e de valor, são ações mandatórias. 
Um temor frente a esse processo de mudanças vem do fato de que ele 
tem potencial para eliminar muitos empregos e profissões. Por outro lado, é fato 
conhecido que muitas outras atividades relacionadas à análise de dados irão 
surgir. O design terá um papel importante nesse processo pois encontra-se na 
linha de frente da criação de interfaces entre o homem e a máquina, que serão 
cada vez mais importantes. 
TEMA 5 – PERSPECTIVAS 
A contribuição do design para a busca da sustentabilidade ambiental pode 
ser vista em inciativas de ecodesign que visam à redução do consumo de 
materiais e energia, bem como a redução do volume lixo. Projetar pensando no 
fim da vida útil dos objetos, planejando esse final com estratégias de reúso, 
upcycling e redução de consumo de energia tem sido uma prática cada vez mais 
frequente frente à emergência dos problemas ambientais. 
Para o futuro serão necessárias mudanças ainda mais radicais. O design 
continuará levando em conta a estética como requisito em seus projetos. Mas 
possivelmente a interpretação do que é estético seja vista de uma forma mais 
ampla e considere também a beleza de uma interação mais saudável com a 
natureza. Uma estética que considere também os alcances impactos sociais de 
cada solução de design. 
O foco na resolução de problema e necessidade humana vai continuar 
fazendo parte do briefing de qualquer projeto. Mas o leque de soluções deve ser 
ampliado. Em lugar de vender produtos muitas empresas,irão vender serviços 
ou soluções para atender a uma determinada necessidade. Isso está sendo cada 
vez mais comum nos dias de hoje com o aparecimento de serviços de locação 
por assinatura para veículos e outros bens que antes teríamos de comprar. Do 
ponto de vista do design e da sustentabilidade, isso tem implicações. É 
necessário projetar pensando em durabilidade, mínimo de manutenção e em 
múltiplos usuários para um mesmo produto. Novos negócios deverão surgir em 
decorrência dessas mudanças com potencial para a geração de novos 
empregos. 
 
 
14 
Na crescente urgência das empresas em alinhar seus esforços de 
inovação em torno da sustentabilidade, o design de serviços terá um papel 
fundamental. Ele pode impulsionar o design de modelos de negócios centrados 
no necessidades do cliente e contribuir para mudar os paradigmas de produção 
e consumo atuais focados no incentivo a compra e ao descarte para um modelo 
mais sustentável. 
Os desafios para o desenvolvimento sustentável são bastante complexos 
e interconectados. As mudanças para resolvê-los exigem um pensamento 
sistêmico e aberto para múltiplas possibilidades. O modelo atual, orientado para 
produzir bens e fazer com que eles cheguem até o consumidor, precisa mudar 
para um modelo bem mais amplo e complexo. Imagine um sistema em que você 
possa levar um sapato velho para uma loja para que ele seja encaminhado para 
a fábrica, onde possa ser usado para a fabricação de um novo sapato. Isso 
requer mudanças em todo o sistema de produção e consumo para a implantação 
de sistema de logística reversa que dependem de mudanças na 
comercialização, comportamento do consumidor e também do design. 
Um bom design hoje precisa cativar o usuário e ser desejado. Para isso, 
o foco das empresas e dos designers tem sido o atendimento aos interesses 
desse usuário. Para o futuro esse foco precisa mudar um pouco e envolver para 
além do usuário também o interesse coletivo, pensando nas interações e 
produtos e sistemas de produtos e serviços com o meio ambiente e com o 
impacto que isso pode ter na coletividade. 
Outra preocupação do design é com a viabilidade de um ponto de vista 
produtivo e comercial. Hoje, para se tornarem realidade, as soluções criadas 
pelos designers devem ser factíveis do ponto de vista da tecnologia disponível e 
dos sistemas de produção. No futuro, essas soluções devem considerar também 
que a tecnologia, materiais e sistemas de produção utilizados devem ser de 
baixo impacto ambiental. Ou seja, devem levar em conta os limites dos 
ecossistemas tanto para fornecer recursos naturais quanto para absorver as 
emissões das ações humanas. 
 
 
15 
TROCANDO IDEIAS 
No fórum, comente com seus colegas sobre novos campos de atuação 
para os designers no futuro, considerando as mudanças geradas pelas 
demandas ambientais e de sustentabilidade nesse futuro. Compare com as 
respostas dos seus colegas. 
NA PRÁTICA 
Construa, de forma simplificada, um cenário para o futuro (próximos 15 
anos) considerando a área do design em você pretende atuar, e as possíveis 
mudanças na forma de atuação do design nessa área, em função das exigências 
provocadas pela busca da sustentabilidade ambiental. 
FINALIZANDO 
A sustentabilidade ambiental não é apenas um modismo. É um tema que 
precisamos discutir por ser importante para o nosso bem-estar, para o nosso 
futuro e para a garantir um futuro para os nossos filhos e netos. Ela deve ser 
buscada pelas empresas, tanto por ser uma demanda da sociedade, quanto por 
questões éticas e morais. 
Hoje já estamos vivenciando uma série de mudanças nos processos 
tecnológicos e nos comportamentos de consumo que terão impacto no modo de 
operar das empresas. Os designers têm um papel importante no sentido de 
utilizarem a tecnologia e orientarem comportamentos de consumo na direção de 
um modo de vida que promova o bem estar sem deixar de lado a 
sustentabilidade ambiental. 
O design participa da construção do mundo em que vivemos. Os objetos, 
as nossas roupas, os espaços onde vivemos, os nossos acessos às informações 
por meio da programação visual, o mundo digital e virtual que nos envolve cada 
vez mais, tudo isso tem a participação do design. Nesse novo mundo que 
podemos antever, teremos de interagir cada vez mais com as máquinas. O 
design tem um papel importante na construção de interfaces visuais que facilitem 
essa interação e pode contribuir para que os resultados dessas interações sejam 
também mais sustentáveis. 
Como vimos nesta aula, o design do futuro continuará tendo de levar em 
conta aspectos relacionados a estética, funcionalidade, viabilidade comercial, 
 
 
16 
entre outros. Mas deverá incorporar de forma definitiva a consideração dos 
impactos ambientais das suas soluções e projetos. Se, no passado recente, o 
design auxiliou na construção de uma sociedade consumista, no futuro próximo 
deverá mudar o foco para o desenvolvimento de soluções que incentivem 
comportamentos mais amigos do meio ambiente. 
 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. Agenda brasileira 
para a Indústria 4.0: o Brasil preparado para os desafios do futuro. Brasília: 
ABDI, 2020. Disponível em: <http://www.industria40.gov.br/>. Acesso em: 17 
dez. 2020. 
DIAS, R. Sustentabilidade: origem e fundamentos; educação e governança 
global; modelo de desenvolvimento. São Paulo: Atlas, 2015. 
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