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Maria Eduarda Zen Biz | ATM 2025.1 7° fase Medicina | 2022.2 Radiologia UCXX Epilepsia A epilepsia engloba diferentes condições que cursam com crises convulsivas recorrentes. Crise convulsiva: ocorrência transitória de sinais / sintomas devido a atividade neuronal anormal excessiva ou síncrona no cérebro. Pode estar relacionada a uma lesão cerebral ou de forma idiopática, em pessoas geneticamente predispostas A epilepsia pode começar em qualquer idade. Geralmente começa na infância ou em pessoas com mais de 60 anos. A avaliação por imagem tem importância prognóstica - a identificação de alteração estrutural indica pior prognóstico - a cirurgia é mais efetiva quando há alteração estrutural identificada na imagem TC: Papel principal em situação de emergência: pode detectar a maioria dos tumores, sangramento intracraniano, AVCI, malformações vasculares, hidrocefalia, que requeiram tratamento imediato. É sensível para detecção de lesões calcificadas e lesões ósseas. Tem baixa sensibilidade para detectar pequenas lesões corticais. A porcentagem geral de sucesso da TC na detecção de lesões em epilepsias focais é baixa, aproximadamente 30%. Embora a TC possa ser uma boa indicação para crises de início recente em uma emergência, ela não substitui a RM na investigação da epilepsia. RM: Modalidade de escolha para avaliação de lesão estrutural. Identifica e caracteriza lesões causadoras de epilepsia, bem como avalia sua progressão. Auxilia no prognóstico e planejamento cirúrgico. Algumas formas de epilepsia não apresentam alterações estruturais na RM. Os pacientes com epilepsia devem realizar RM do Encéfalo com diagnóstico recente ou aqueles ainda não investigado ou, se epilepsia Refratária - candidatos a cirurgia Indicações de investigação com RM do encéfalo Início das convulsões antes de 1 ano de idade ou depois dos 20 anos. Evidência de crises focais na história, exame ou eletroencefalograma (EEG). Déficit focal neurológico. Falha no controle de convulsões com droga antiepiléptica de primeira linha. Perda do controle das convulsões. Mudança no padrão de convulsão. Estado de mal epiléptico sem causa clara como a omissão de medicamentos. Causas comuns de epilepsia Esclerose mesial temporal o Hiperintensidade hipocampal Malformações do desenvolvimento cortical o Displasia Cortical Focal o Polimicrogiria o Heterotopia o Esquizencefalia o Hemimegalencefalia Cicatrizes corticais e gliais o Ulegiria Cavernoma Tumores associados à epilepsia o Ganglioglioma o DNET o Xantoastrocitoma pleomórfico o Hamartoma hipotalâmico Encefalite de Rasmussen Esclerose Tuberosa Síndrome de Sturge-Weber Epilepsia temporal Esclerose hipocampal (60-80% dos casos) de epilepsia do lobo temporal. Outras causas são tumores de baixo grau, hamartomas, anomalias de migração neuronal, malformações vasculares Esclerose mesial temporal: causa mais comum de epilepsia Redução volumétrica do hipocampo (perda neuronal) na porção interna do lobo temporal (mesial). Hipersinal T2 (gliose) no hipocampo Atrofia e perda da estrutura morfológica do hipocampo Hipersinal T2 na substância branca e redução volumétrica do lobo temporal anterior Dilatação do corno temporal do ventrículo lateral adjacente Etiologia desconhecida o Hipocampo: Situado no lobo temporal. Desempenha um papel no processamento de informações, no ciclo reprodutivo e está envolvido na doença de Alzheimer. Maria Eduarda Zen Biz – ATM 2025.1 7° fase Medicina Coronal T2 e FLAIR são as sequências mais sensíveis para detecção de Esclerose Mesial Temporal Esclerose mesial temporal do lado direito. Observe a perda de volume, que indica atrofia e causa aumento secundário do corno temporal do ventrículo lateral. O sinal alto no hipocampo reflete gliose. Paciente de 35 anos com epilepsia refratária do lobo temporal. A RM mostra hiperintensidade sutil do hipocampo esquerdo no FLAIR axial A RM mostra atrofia do hipocampo esquerdo na imagem coronal T2. O paciente foi tratado com sucesso com amígdalo- hipocampectomia à esquerda. Malformações do desenvolvimento cortical Alterações da organização neuronal tardia Causas esporádicas, infecciosas ou familiares A maioria manifesta-se com epilepsia Maria Eduarda Zen Biz – ATM 2025.1 7° fase Medicina Displasia cortical focal: Desorganização da formação cortical cerebral com neurônios displásicos e falha da migração dos neurônios. Causa mais comum de epilepsia refratária extra- temporal. História de epilepsia de difícil controle nos primeiros anos de vida sugere o diagnóstico de lesões displásticas. São caracterizadas por áreas de espessamento cortical, perda da interface da substância branca e cinzenta, atrofia focal e hipersinal em T2/FLAIR. Local mais comum: nos giros pré e pós-central. Hipersinal T2 cortical / subcortical Indefinição da interface branca-cinzenta Espessamento cortical focal Sinal transmanto - displasia cortical transmantal As imagens mostram displasia cortical focal típica. Há espessamento cortical e borramento da junção da substância cinzenta/branca em T1 (esquerda). A imagem FLAIR à direita mostra a hiperintensidade subcortical. Observe o lobo temporal esquerdo hipoplásico com espessamento cortical (seta) e atrofia da substância branca Imagens de um menino de 15 anos com epilepsia. Notar espessamento e hiperintensidade da cortical do giro frontal superior esquerdo. As imagens FLAIR também mostram alto sinal na substância branca subcortical. Esses achados são típicos de displasia cortical focal. Sinal Transmanto: hiperintensidade T2 estendendo-se da área subcortical até a margem do ventrículo. Este achado representa a migração neuronal interrompida. RM Encéfalo - Homem de 27 anos com epilepsia refratária do lobo occipital. Coronal FLAIR e Axial T2 mostram espessamento cortical hiperintenso e alto sinal no córtex e região subcortical. Notar hiperintensidade subcortical estendendo-se até o ventrículo direito indicando sinal transmanto (seta azul). Esquizencefalia: fenda que conecta o ventrículo lateral com o espaço subaracnoide. A parede da fenda é revestida por córtex polimicrogírico. Normalmente associadas a outras malformações corticais Lábio aberto: separação das fendas. Lábio fechado: as paredes das fendas estão apostas uma com a outra. Esquizencefalia. Fenda de lábio aberto à direita e de lábio fechado à esquerda Esquizencefalia do hemisfério cerebral esquerdo. Observe também a ausência do septo pelúcido. Maria Eduarda Zen Biz – ATM 2025.1 7° fase Medicina Esquizencefalia bilateral Lábio fechado à direita e aberto à esquerda (setas). Ausência do septo pelúcido Polimicrogiria: múltiplos pequenos giros, com padrão de sulcação desorganizado e aberrante O córtex tem função normal. As áreas epileptogênicas são periféricas, nas zonas de comunicação Parênquima envolvido é atrófico Predileção pela fissura silviana Podem existir veias displásicas dilatadas Tratamento é cirúrgico Imagens T1W mostram uma comparação entre laminação normal (esquerda) e polimicrogiria à direita (seta). RM axial T2 - redução volumétrica e pequenos giros na região frontoparietal direita (seta) Hemimegalencefalia: Doença congênita rara da formação cortical. Aumento volumétrico do hemisfério cerebral, com hipertrofia hamartomatosa. Considerada uma forma hemisférica ou gigante de displasia cortical. Pode ocorrer de forma isolada ou sindrômica Espessamento difuso do córtex (lisencefalia, paquigiria ou polimicrogiria). Aumento do ventrículo lateral Sulcos rasos Aumento da calvária Calcificação da substância cinzenta A maioria das crianças afetadas morrem nos primeiros anos de vida. Na hemimegalencefaliaé importante excluir anormalidades contralaterais, pois estas constituem uma contraindicação à hemisferectomia. Menina de 9 anos com epilepsia noturna refratária. A ressonância magnética mostra supercrescimento do hemisfério cerebral esquerdo. T1 mostra substância cinzenta heterotópica que reveste o ventrículo lateral esquerdo (seta azul) A RM mostra um hemisfério esquerdo assimétrico, significativamente maior que o direito, compatível com hemi- megalencefalia. Além disso, há uma perda sutil de diferenciação branco-cinzenta no lado esquerdo. Não há hemi-hipertrofia visível da face ou calvário. Maria Eduarda Zen Biz – ATM 2025.1 7° fase Medicina A RM mostra espessamento predominantemente cortical com giros largos, sulcos rasos e borramento da junção branco-cinzenta direita Aumento acentuado do hemisfério cerebral direito. A substância cinzenta está desorganizada e espessada, consistente com a parada da migração. O ventrículo lateral direito tem morfologia anormal e está aumentado. Há hiperintensidade difusa em T2 em toda a substância branca do hemisfério direito. A calota craniana direita está expandida. Heterotopia: Resultante da interrupção da migração neuronal das margens ventriculares para o córtex. Os pacientes mais comumente apresentam convulsões parciais na segunda década de vida. Além disso, e dependendo da extensão, as crianças podem apresentar atraso no desenvolvimento ou deficiência intelectual. Focos nodulares de tecido cinzento, sem realce. Pode ser subependimário ou Subcortical Imagens de heterotopia subependimária típica Extensas regiões periventriculares e em menor grau subcorticais de heterotopia de substância cinzenta Cavernoma: Malformação cavernomatosa ou angioma cavernoso. Lesão vascular benigna de baixo fluxo, com tendência a sangramentos Nódulos de tamanhos variados com produtos hemáticos em diferentes estágios evolutivos produzindo uma característica em “pipoca”. 50% não são vistos à TC - nódulos densos +/- calcificações Cavernoma no giro pós-central em T1, T2WI e SWI. Observe a aparência da pipoca e o artefato “blooming” Observe a aparência de pipoca com borda periférica de hemossiderina no T2. As lesões são quase completamente pretas no T2*GE devido a artefatos. Os cinco pontos pretos no Maria Eduarda Zen Biz – ATM 2025.1 7° fase Medicina hemisfério cerebral esquerdo em T2* também são cavernomas e não são visíveis em T2WI. Na tomografia é possível caracterizar apenas uma lesão com sangue (hematoma) e o edema (área hipodensa periférica). Na RM notamos lesão heterogênea com focos de hipossinal T2*, representando hemossiderina. Tumores associados a epilepsia Todos os tumores cerebrais podem se manifestar com crises epilépticas. Alguns são frequentemente associados a epilepsia. 10- 30% dos casos de epilepsia refratária ao tratamento apresentam tumor primário do SNC Ganglioglioma DNET Xantoastrocitoma pleomórfico Hamartoma hipotalâmico Características em comum: Localização cortical Frequentes no lobo temporal Relacionados a malformações do desenvolvimento Comportamento benigno, crescimento lento, limites definidos, normalmente sem edema e com sinais de cronicidade (remodelamento ósseo) Ganglioglioma: Tumor incomum, que ocorre em crianças e adultos jovens. Frequentemente localizado no lobo temporal, associado a epilepsia do lobo temporal Achado típico: cisto com nódulo mural sólido e focos de calcificação (50%) Tem bom prognóstico pós-cirúrgico Ganglioglioma em criança. Notar cisto grande com realce de tecido sólido mural. DNET (tumor neuroepitelial disembrioplásico): Acomete crianças e jovens adultos; 65% no lobo temporal Giro “inchado” Aparência cística bolhosa 20-30% com realce pós-contraste Associado a displasia cortical Normalmente não causa outros sintomas além da epilepsia Bom prognóstico DNET. Lesão que espessa o giro cerebral, com alto sinal T2 e realce pelo contraste. Xantoastrocitoma pleomórfico: Tumor raro de criança e adulto jovem Frequentemente cortical e no lobo temporal Lesão com componente cístico e realce intenso pelo contraste Raramente tem calcificação Xantoastrocitoma pleomórfico. Lesão nodular com componente cístico, realce intenso pelo contraste e edema. Maria Eduarda Zen Biz – ATM 2025.1 7° fase Medicina Hamartoma hipotalâmico: Lesão não neoplásica benigna. Visto em crianças com convulsões e puberdade precoce. Heterotopia de substância cinzenta Espessamento nodular do túber cinéreo Sem realce pelo contraste Causa epilepsia de difícil controle Crise gelástica (risos incontroláveis) mais característica Deterioração cognitiva Espessamento nodular do túber cinério Esclerose tuberosa Facomatose doença neurocutânea (autossômica dominante). Caracterizada pelo desenvolvimento de múltiplos tumores benignos e malignos. Classicamente apresenta uma tríade de características clínicas: retardo mental, epilepsia e adenoma sebáceo. Metade dos pacientes tem inteligência normal e um quarto não tem epilepsia. Uma variedade de manifestações intracranianas da ST são conhecidas. Quatro anormalidades comuns do SNC são: tubérculos corticais, nódulos subependimários, astrocitomas subependimários de células gigantes (SGCAs), anormalidades da substância branca. Com exceção dos SGCAs, essas anormalidades podem ser observadas em quase todos os pacientes. Angiofibroma facial. Tuber Cortical - anormalidades do desenvolvimento cortical - neurônios dismórficos - relacionados a epilepsia, déficit cognitivo e distúrbio comportamental. o lesões hiperintensas (setas). Áreas de hiperintensidade subcortical em paciente com esclerose tuberosa, compatível com tubérculos subcorticais. Nódulos subependimários - nódulos hamartomatosos na superfície ventricular - número de nódulos x manifestação neurológica - TC pode visualizar, principalmente calcificado Maria Eduarda Zen Biz – ATM 2025.1 7° fase Medicina Tubérculos corticais / subcorticais (hipersinal subcorticais - setas azuis). Nódulos subcorticais com hipossinal T2 nas superfícies ventriculares (setas vermelhas). Astrocitomas subependimários de células gigantes Origem provável nos nódulos subependimários. Comportamento benigno, Localização típica: forame de Monro - complica com hidrocefalia obstrutiva Anormalidades da substância branca - relacionadas aos tubérculos corticais - bandas radiais - distúrbios de migração neuronal - cistos na substância branca - raros - degeneração da SB ou espaço perivascular alargado TC e RM em paciente com Esclerose Tuberosa. Existem múltiplos nódulos corticais e subependimários. A TC mostra que a maioria das lesões são calcificadas.