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SEMIOLOGIA DO SISTEMA URINARIO
EXAME DO PACIENTE 
Resenha (Identificação) 
Para avaliar o sistema urinário, assim como ocorre com outras partes do organismo, diversas informações sobre as características do animal têm grande relevância na definição do tipo de abordagem semiológica e na interpretação dos resultados dos exames para fins diagnósticos e prognósticos. A identificação deve incluir, necessariamente, os itens espécie, raça, sexo, idade e procedência. O sistema urinário pode ser acometido por uma grande variedade de afecções. Muitas doenças (pielonefrite, urolitíase e cistite, dentre outras) podem ocorrer em animais de todas as espécies, machos ou fêmeas, jovens ou adultos. Contudo, existem afecções que ocorrem especificamente em algumas espécies (como por exemplo obstrução uretral por tampões nos felinos) e outras que acometem preferencialmente algumas raças (como por exemplo displasia renal em cães Lhasa Apso e Shih Tzu). Considerando a idade do paciente, o clínico pode conduzir os exames de forma mais eficiente. Muitos problemas se manifestam nos primeiros meses de vida, enquanto outros aparecem na vida adulta. Um exemplo interessante é a incontinência urinária das cadelas cuja causa mais provável será ureter ectópico se o sintoma aparecer no animal jovem, mas tratar-se-á, provavelmente, de distúrbio hormonal se for em cadela adulta castrada. 
Anamnese 
O primeiro aspecto a ser considerado na anamnese é o conhecimento de que muitas das doenças que acometem os órgãos urinários resultam em comprometimento sistémico. Por outro lado, muitas doenças com sintomas sistémicos (exemplo: diabetes melito, lúpus eritematoso, erliquiose, toxemia e miopatia de esforço, dentre outras) e outras afecções localizadas (exemplo: piometra) podem causar doença renal secundária suficientemente grave para causar a morte. Assim, o paciente pode apresentar sintomas indicativos de alterações em diversos órgãos e sistemas, além daqueles especificamente relacionados ao aparelho urinário. Portanto, a anamnese deve envolver todos os itens de caráter geral que compreendem a queixa atual (tipo, frequência e duração do problema) e informações sobre apetite/vômito/tipo de alimento consumido, fezes/defecação, comportamento/déficit neuromotor, funções/transtornos reprodutivos, doenças/tratamentos anteriores, vacinação, vermifugação, tratamentos em andamento ou efetuados nos últimos dias, possíveis cirurgias/acidentes/esforço físico recentes e outros que possam ser particularmente importantes para o animal em questão. Também devem ser feitas perguntas sobre aspectos que, dircta ou indiretamcnte, revelem o estado e a função dos órgãos urinários, explorando mais detalhadamente, inclusive, itens já questionados na anamnese geral (Tabela 9.2).
Exame Físico Geral 
No momento da execução do exame físico geral do paciente, os órgãos urinários devem ser considerados. Contudo, em função das particularidades anatómicas de cada espécie animal, tanto no que se refere à conformação geral como às peculiaridades dos órgãos urinários, os acessos semiológicos são distintos para cada caso. Com base nas informações obtidas na anamnese e nos resultados do exame físico geral, o clínico deve decidir sobre a necessidade de aprofundar a investigação por meio de exames especiais do sistema urinário, que incluem o exame específico e os complementares (Tabela 9.3). 
Exames Específicos e Complementares do Trato Urinário 
Concluída a avaliação inicial do paciente, se for encontrado qualquer indício de doença do trato urinário, ficam indicados exames complementares que serão eleitos de acordo com as possibilidades diagnosticas aventadas. Dentre os exames especiais, a urinálise destaca-se por ser necessária em praticamente 100% dos casos. Outros exames incluem as provas de função renal, exames radiográficos, ultrassonografia e uretrocistoscopia. A técnica de palpação destaca-se no exame físico de rotina. A palpação dos órgãos urinários, seja externa ou por via retal, é útil para verificação das características anatómicas e para avaliação da sensibilidade. É importante ressaltar que o examinador não pode executar movimentos bruscos. O contato de pelo menos uma das mãos do examinador com o corpo do paciente deve sempre ser mantido durante as trocas de posição. A pressão necessária para palpar cada órgão deve ser aplicada de forma gradativa, até que se atinja o grau mínimo necessário. O término da pressão também deve ser feito de forma gradativa. Estes cuidados evitarão desconforto desnecessário ao paciente e, principalmente, impedirão que um grau normal de sensibilidade venha a ser erroneamente interpretado como dor decorrente de doença. O aumento da sensibilidade ou dor, quando existir, será manifestado por gemidos ou reação de defesa, durante o toque suficientemente profundo, mas suave, da área afetada. Outro dado a ser destacado é que a ausência de sensibilidade dolorosa ou mesmo de alterações anatómicas detectáveis à palpação dos órgãos urinários não descarta a possibilidade de doença. Muitas afecções, inclusive várias de caráter grave, não cursam com alterações perceptíveis à palpação.
Resumo da sequência de exame clínico do sistema urinário.
	Resenha e anamnese 
Exame físico Geral 
• Peso corporal, temperatura, frequência de pulso e respiratória, mucosas (coloração e estado dos vasos), grau de hidratação 
• Boca (úlceras, alterações da língua, inserção dos dentes, aumento maxilar, hálito urêmico) 
• Exame geral dos demais órgãos e sistemas
	3. Próstata (importante em cães) 
• Posição, tamanho, simetria, consistência 
• Dor? 
4. Uretra dos machos 
• Meato urinário 
• Secreção uretral ou prepucial? 
• Tamanho, forma e consistência das porções palpáveis? 
• Anormalidades periuretrais?
	Específico 
1. Rins 
• ambos são palpáveis? 
• Tamanho, simetria e posição? 
• Forma, contorno e consistência? 
• Dor?
	5. Micção 
• Frequência? 
• Disúria? 
• Retenção? 
• Incontinência?
	2. Bexiga 
• Posição? 
• Tamanho, formato, consistência? 
• Cálculos ou massas palpáveis? 
• Espessura da parede? 
• Dor?
	Exames complementares 
• Urinálise 
• Cateterização vesical 
• Técnicas para diagnóstico por imagem 
• Provas de função renal 
• Biopsia
Exame dos Rins 
Para examinar os rins, deve ser feito exame físico de ambos os órgãos, sempre que possível, e também do seu produto mais acessível - a urina. Os exames complementares dos rins incluem tanto avaliações feitas por inspeção e palpação, como exames laboratoriais e provas de função renal (Quadro 9.1 e Tabelas 9.4 e 9.5). Os rins podem apresentar diversos tipos de alterações tanto congénitas quanto adquiridas (Tabela 9.7). Estes órgãos possuem grande capacidade de reserva funcional e podem manter a produção de urina, como também suas demais funções, enquanto sofrem algum tipo de doença. Assim, ao serem examinados os rins, o clínico deve avaliar (1) a possibilidade de existência de alguma doença renal em curso, sem comprometimento importante da função e (2) a possibilidade de haver déficit da função renal. Quando ocorre déficit da função renal, o exame do paciente deve ser conduzido de modo a elucidar a causa envolvida. Nos casos de déficit funcional com comprometimento da função de depuração (redução severa da filtração glomerular), o paciente apresenta aumento das concentrações séricas dos produtos finais do metabolismo de substâncias nitrogenadas (creatinina e ureia). Este achado laboratorial, denominado azotemia, pode ter causa pré-renal, renal ou pós-renal (Tabela 9.6). Se o problema persiste, o paciente sofre alterações orgânicas importantes em função de quebra da homeostase e passa a apresentar um conjunto de sinais e sintomas clínicos e laboratoriais, que caracterizam o quadro conhecido como síndrome urêmica ou uremia (Quadro 9.2). Esta condição pode se apresentar tanto sob a forma aguda como sob a forma crónica, de acordo com o tipo de doença renal em curso. Outra condição bastante peculiar é a do paciente com glomerulonefrite crónica. Neste caso os rins perdem a capacidade de conservar proteína e desenvolve-seuma condição sistémica denominada síndrome nefrótica, que se caracteriza por proteinúria, hipoprotcinemia, edema e ascite.
	Técnica para palpação externa dos rins em cães e gatos
	A palpação externa dos rins é feita com as gemas dos dedos (indicador, médio e anular), posicionados um junto ao outro e ligeiramente flexionados. As gemas dos dedos são posicionadas o mais profundamente possível, abaixo das apófises transversas das vértebras lombares, a partir do ângulo formado com as últimas costelas, e vão sendo deslizadas em direção caudal e caudo-ventral. Este procedimento deve ser feito com ambas as mãos, simultaneamente, aplicadas cada uma de um dos lados do corpo do paciente, dirigidas uma contra a outra (como se as gemas dos dedos de uma das mãos fossem tocar as da outra). Uma vez localizado o órgão, o examinador deve avaliar tamanho, forma, características da superfície, consistência e sensibilidade.
Sumário das técnicas indicadas para o exame dos rins de cães, gatos, equinos e ruminantes.
	Exame físico de rotina
Inspeção direta (região renal) Palpação externa 
	• Eficiente somente em casos de aumento aberrante dos rins 
• possível para alguns animais pequenos (excelente para gatos) 
	Exames específicos e complementares
Inspeção indireta ou diagnóstico por imagem (radiografias simples e contrastadas, ultra-sonografia)
Urinálise (análise física, química e sedimentoscópica da urina)
Provas de função renal
Cultura de urina
Biópsia renal
	Possível para animais de porte pequeno e para alguns filhotes de animais de porte grande
Este exame é extremamente importante; pode ser empregado para todos os animais
Indicadas sempre que houver suspeita de insuficiência renal; de modo geral são aplicáveis a todos os animais, exceto para ruminantes machos quando houver necessidade de cateterização vesical
Indicada para os casos de suspeita de infecção do trato urinário; pode ser feita quando for possível coletar a urina de forma asséptica
Indicada para os casos cuja definição precisa do tipo de doença renal possa ser útil para o prognóstico e tratamento
Provas de função renal.
	Perfil bioquímico sérico (exames mais comuns) 
Avaliação da função glomerular 
Avaliação da função tubulointersticial
	Dosagens das concentrações séricas de creatinina, ureia, proteína, potássio e fósforo, dentre outros
Clearance de creatinina 
Razão proteína:creatinina urinária
Excreção fracionada de sódio Densidade ou osmolalidade urinária Teste de privação de água
Causas de azotemia (aumento das concentrações séricas de ureia e de creatinina).
	Causas pré-renais 
	Desidratação severa 
Insuficiência cardíaca 
Hipoadrenocorticismo 
Outros
	Causa renal
Causas prós-renais
	Doença renal com comprometimento da função
Obstrução uretral (parcial ou total) 
Obstrução de colo vesical (parcial ou total) 
Ruptura de bexiga 
Deslocamento de bexiga (hérnia perineal)
Exame dos Ureteres 
Os ureteres podem sofrer processos obstrutivos parciais ou totais que resultam, a longo prazo, em grande dilatação pelo acúmulo de urina normal ou contaminada por infecções, caracterizando o quadro de megaureter. O desenvolvimento de megaureter, em um grande número de casos observados em cães e gatos, é secundário a processo congénito de falha na implantação do ureter na bexiga (ureter ectópico), com ocorrência de obstrução. Em animais pequenos, o exame dos ureteres é possível somente por inspeção indireta, por meio de radiografia contrastada (urografia excretora). Este exame radiográfico é útil para diagnosticar processos obstrutivos ureterais, com ou sem megaureter e ainda é adequado para diagnosticar os casos de ruptura ureteral. Em condições excepcionais, parte dos ureteres pode ser examinada por meio de ultra-sonografia. Nos casos de megaureter em grandes animais, a anormalidade, algumas vezes, pode ser detectada por meio de palpação retal. Alguns pacientes podem apresentar quadro peculiar de incontinência urinária observada ao longo das 24 horas do dia, sob forma de gotejamento regular e contínuo, acompanhado por episódios de micção normal (fases de armazenagem e de eliminação). Nestes casos, os sinais revelados pelo histórico, pela inspeção e pela palpação da bexiga são indicadores que sugerem falha na implantação de um dos ureteres (Fig. 9.2A). Se o paciente apresentar, desde o nascimento, incontinência urinária sob forma de gotejamento regular e contínuo, com ausência de micção, a causa mais provável será a falha de implantação de ambos os ureteres (Quadro 9.3).
Exame da Bexiga e da Uretra 
A palpação externa da bexiga pode ser feita, em pequenos animais, seguindo a mesma orientação das manobras já descritas para a palpação renal (Tabela 9.8). O paciente pode estar em posição quadrupedal ou em decúbito lateral. O local a ser acessado compreende as paredes laterais da porção mais caudal do abdome, imediatamente à frente do púbis, comumente entre as virilhas. As gemas dos dedos são deslocadas para frente, para cima e para baixo, até a localização do órgão. Para gatos e cães pequenos, a palpação vesical também pode ser feita com uma única mão, sob forma de pinça, com a concorrência do polegar. Ainda, nos cães pequenos, a bexiga repousando no assoalho pélvico pode ser acessada pela combinação de palpação retal ou vaginal (com um dedo) e de palpação externa (mão sob forma de pinça). Nos equinos e nos bovinos, a bexiga pode ser examinada por palpação retal; nas fêmeas é possível examinar a bexiga por palpação vaginal. Durante a palpação vesical verifica-se localização, volume, forma, consistência, tensão e sensibilidade. Caso a bexiga contenha pouco volume de urina, pode ser avaliada a espessura da parede e, muitas vezes, é possível detectar a presença de cálculos ou de massas anormais. Quando indicado, durante a palpação, pode ser feita expressão manual da bexiga para verificar se a uretra está patente (desobstruída) ou para coleta de amostra de urina. A bexiga também pode ser examinada por meio de radiografias e ultra-sonografia, que são métodos de inspeção indireta (Fig. 9.2). Em pequenos animais, as grandes distensões de bexiga, causadas por retenção de urina, podem ser detectadas por inspeção direta do abdome. Nestes casos, o conteúdo líquido pode ser identificado e delimitado por meio de percussão digito-digital (som maciço). Na tabela 9.9 estão apresentadas as técnicas para exame da uretra.
Avaliação da Micção 
Para avaliação da micção devem ser consideradas as informações obtidas durante a anamnese (Tabela 9.3). A esse respeito deve ser lembrado que são frequentes informações não precisas que, não raramente, decorrem de falta de clareza das perguntas formuladas pelo veterinário. O ideal é que a avaliação seja feita pelo próprio clínico (inspeção), assim que possível. Para identificar os transtornos da micção, deve ser considerada a postura normal à micção, que é particular para cada espécie animal (Tabela 9.10). As alterações da micção podem estar relacionadas a vários problemas que incluem tanto afecções do trato urinário como afecções extra-urinárias. Com o exame clínico completo e o detalhamento na avaliação do trato urinário é possível diagnosticar a causa do transtorno da micção. Os termos semiológicos apropriados para cada tipo de alteração da micção e suas possíveis causas estão apresentadas nas Tabelas 9.11 e 9.12.
Frequência da Micção 
Para manter o equilíbrio de água, o volume da urina produzida em 24 horas deve ser proporcional ao volume de água ingerida. Entretanto, quando ocorre aumento de perda de água por vias extrarenais (respiração, transpiração, defecação, lactação), deve haver diminuição do volume de urina produzida, a menos que haja aumento compensatório da ingestão de água. A frequência de micção, indicada pelo número de vezes que o animal urina em 24 horas, deve ser proporcional ao volume de urina produzida no mesmo período (Tabela 9.13). Cada espécie animal tem um padrão para a frequência de micção (lembrar que os recém-nascidos sempre urinam muito mais que os adultos). Contudo, diversascondições fisiológicas ou patológicas podem implicar alteração do número de vezes que o animal urina. As variações na frequência de micção recebem denominações específicas que incluem polaquiúria ou polaciúria, oligosúria e iscúria ou retenção de urina. Outra condição que também modifica a frequência de micção é a perda de urina decorrente de incontinência urinária (ver Fig. 9.3 e Tabela 9.14).
Sumario das técnicas indicadas para o exame dos ureteres de cães, gatos.
O exame físico dos ureteres é bastante limitado, restringindo-se a inspeção indireta (radiografia e ultrassonografia). Dados da anamnese e do exame físico de outros componentes do sistema urinário podem sugerir alterações ureterais. Os processos inflamatórios que podem acometer os ureteres, independentemente da causa ou da gravidade, não são detectáveis por meio de métodos semiológicos. As alterações verificáveis se restringem a alguns defeitos anatômicos, processos obstrutivos e casos de ruptura.
Aplicabilidade
	Exame físico de rotina 
Inspeção direta (região vesical)
Palpação externa
Exames específicos e complementares 
Palpação interna digital combinada com palpação externa
Percussao digito-digital
Cateterismo vesical - com sonda flexível
- com sonda flexível ou rígida
Inspeção indireta ou diagnostico por imagem (radiografia simples e contrastada, ultrassonografia,)
Inspeção direta por cistoscopia
Urinalise (analise física, química e sedimentoscopia da urina)
Citopatologia
	
Eficiente somente em animais pequenos e não obesos
Eficiente somente em animais pequenos e não obesos
Indicada para cães pequenos
Indicada para esclarecimento de casos de retenção de urina em animais pequenos
Indicado para cães, gatos machos
Possivel para todas as femeas
Possivel para cães, gatos
Eficiente para avaliação da face interna da bexiga e para biopsia
Todas as espécies
Pode ser útil para detectar células neoplásicas obtidas em lavados vesicais, pode ser empregado quando for possível cateterização vesical
Posturas normais e atitudes comuns à micção.
	Caninos
	As cadelas flexionam os membros pélvicos de modo que o períneo fique paralelo ao solo, faltando pouco para tocá-lo. Os cães levantam um dos membros pélvicos e direcionam o jato para um objeto selecionado. Quando filhotes, antes da maturidade sexual, os machos adotam a mesma postura de micção das fêmeas. Os cães adultos, principalmente os machos, podem urinar pequenas quantidades, muitas vezes seguidas, para marcar território
	Felinos
	A postura adotada, tanto pelas fêmeas como pelos machos, é a mesma das cadelas. Os felinos fazem uma pequena cova onde depositam a urina, cobrindo-a após a micção. Machos e fêmeas sexualmente maduros podem ter o hábito (não desejado pelo proprietário) de eliminar urina sob a forma de spray (marcação de território). Primeiro o animal cheira o alvo, então se vira de costas e emite o jato. O alvo é sempre uma superfície vertical de cerca de 20cm acima do solo
	Disúria (dificuldade para urinar). 
Caracteriza-se por sinais de desconforto ou de dor à micção, podendo haver dificuldade para eliminação da urina. De acordo com a causa e a intensidade do problema, as manifestações de disúria podem variar tanto quanto ao tipo como quanto à intensidade. Assim, a disúria pode ser classificada como micção dolorosa, estrangúria ou tenesmo vesical
	Causas possíveis 
• Enfermidades dolorosas da bexiga, uretra, vagina ou prepúcio 
• Enfermidade dolorosa de outros órgãos comprimidos pela prensa abdominal durante a micção 
• Peritonite aguda 
• Tumores ou cálculos vesicais 
• Obstruções uretrais
Variações do estado de disúria.
	Micção dolorosa
	Durante os esforços de micção, o animal apresenta gemidos, desassossego, movimentos de um lado para o outro, olhares dirigidos para o ventre, agitação da cauda, "sapateado"
	Estrangúria
	Caracteriza-se por esforços prolongados, com intervenção enérgica da prensa abdominal, sem eliminação de urina, ou que acabam por produzir eliminação de poucas gotas ou de poucos jatos finos de urina, acompanhados de manifestação de dor (gemidos)
	Tenesmo vesical
	É um esforço constante, prolongado e doloroso para emissão de urina. Nos casos extremos, o animal pode conservar constantemente a postura de micção. Nesse quadro, a vontade de urinar é constante, mesmo que a bexiga contenha volume de urina pequeno ou esteja vazia
Frequência normal de micções em 24 horas para adultos.
	Cães
	Muito variável
	Cadelas
	2 a 4 vezes
	Gatos
	2 a 4 vezes
Variações da frequência de micção
	Polaquiuria – Micção anormalmente frequente (o animal urina muitas vezes por dia) – diferenciar de poliuria
	Aumento da produção de urina, neste caso, o volume a cada micção sera normal
Inflamaçao da bexiga, uretra, vagina ou prepúcio, excitação reflexa da bexiga (meningite, raiva, neurites).
Neste caso, o volume a cada micção sera pequeno ou muito pequeno
	Oligosúria – micção rara em razão da produção de urina – diferenciar de oliguria
	Doença renal
Desidratação, privação de água ou transtornos da sede
	Iscuria (retenção de urina) – falta persistente de eliminação apropriada de urina, apesar da bexiga encontrar-se cheia e de poder haver tentativas e esforço de micção. A iscuria pode ser completa, incompleta (eliminação de gotas de urina) ou paradoxal (pode haver eliminação de urina se for exercida pressão externa sobre a bexiga) – diferenciar de anuria
	Obstrução uretral (cálculos, tumores, inflamações graves, estenoses, tampões uretrais)
Dissinergia reflexa
Paresia do detrusor
	Incontinência urinaria – refleta perda total ou parcial da capacidade de conter (armazenar) a urina que é, então, eliminada sem a postura normal de micção. A urina pode sair em gotas, em jorros breves ou escorrer constantemente. Em muitos casos, o paciente apresenta incontinência urinaria mas também, tem micções normais ao longo do dia.
	Comprometimento nervoso (medula sacra ou suas aferentes e ou eferentes)
Disturbios hormonais em cadelas castradas
Inflamaçao crônica grave da bexiga (pode coexistir micção normal)
Nocturia (a urina é eliminada enquanto o animal dorme) em razão da poliuria ou da infecção vesical
Ureter ectópico (se for unilateral, também existira micção normal)
Fistula vesicovaginal (pode coexistir micção normal)
Fistula vesicoumbilical (persistência de uraco)
Micção impropria, causada por submissão (comum em cães).
Volume de Urina 
A análise do volume de urina requer acompanhamento por 24 horas com mensuração de todos os volumes eliminados (Tabela 9.15). Isso pode ser feito colocando-se o animal em gaiolas metabólicas ou empregando bolsas coletoras. Entretanto, estes procedimentos comumente não podem ser empregados na rotina. Mesmo assim, pode e deve ser feita a avaliação por estimativa do volume de urina. O proprietário ou tratador do animal pode inferir sobre possíveis aumentos ou diminuições do volume de urina produzida, considerando o número de vezes que o animal está urinando por dia e os tamanhos das "poças" de urina, formadas a cada micção. Para tanto, o veterinário deve conduzir, com muita clareza, suas perguntas. Muito frequentemente o informante se refere ao fato de que o "animal está urinando muito" não fazendo distinção entre polaquiúria (micção muito frequente, sinal típico de cistite aguda) e poliúria (aumento do volume de 24 horas, comum na insuficiência renal crónica, dentre outras afecções). As variações do volume de urina produzida em 24 horas devem ser qualificadas obedecendo as denominações: poliúria (muita urina), oligúria (pouca ou pouquíssima urina) ou anúria (quantidade desprezível ou nenhuma urina) (ver Tabela 9.16).
Alterações Macroscópicas da Urina 
Alguns tipos de alterações na composição da urina podem ser verificados pelos proprietários ou tratadores dos animais. O veterinário deve obter informações sobre o aspecto da urina levando em consideração que, na maioria das vezes, a resposta só será válida se a urina foi vista durante ou imediatamente após a micção. As alterações de urina, mais comumente descritas pelos informantes,incluem urina anormalmente escura e de odor fétido. Também há relatos de presença de sangue, de cálculos pequenos, de muco, de catarro ou de pus. Uma observação importante a ser feita é a de que, em nosso meio, com muita frequência, os informantes descrevem como "pus na urina" o que, na realidade, seriam cristais eliminados em abundância; "odor fétido anormal", para o que seria característico da espécie, além de outros equívocos. Seja qual for a alteração descrita, a informação deve ser validada pela inspeção feita pelo próprio veterinário. Uma amostra de urina, coletada adequadamente, deve ser enviada para exame laboratorial (urinálise e outros exames indicados). É importante, também, a certificação de que a urina não esteja sendo contaminada por material proveniente do trato genital (secreções vaginais, uterinas, prostáticas e prepuciais). A presença de sangue na urina merece investigação especial, feita por inspeção do paciente, tanto durante o ato da micção como durante um período de intervalo (lembrar que, muitas vezes, o informante observou atentamente e pode fornecer os detalhes, se for questionado). Para esta inspeção, o clínico deve considerar três momentos distintos durante a micção: a fase inicial ou de eliminação do primeiro jato de urina, a fase intermediária ou do jato médio, e a fase de conclusão ou do jato final. Adicionalmente, considera-se a fase de repouso ou de intervalo entre as micções (Tabelas 9.17 c 9.18; Quadros 9.4 e 9.5 e Fig. 9.4).
Variações do volume de urina produzida em 24 horas – distúrbios e causas.
	Poliúria – aumento do volume de urina produzida em 24 horas. Nesse caso, o paciente apresentara aumento da frequência de micções e o volume a cada micção sera normal ou acima do usual. A urina terá coloração bem clara, mas a densidade ira variar de acordo com a causa da poliuria. De modo geral, o paciente poliúrico apresenta polidpsia compensatória – diferenciar de polaquiúria.
	Insuficiencia renal crônica
Pielonefrite
Diabete, distúrbios adrenocorticais e outros endocrinometabolicos
Piometra
Insuficiencia hepática
Polidpsia psicogênica, encefalopatias, dor (a poliuria é compensatória ou secundaria)
Uso de diuréticos
Resposta fisiológica a ingestão excessiva de agua (a poliuria é compensatória)
	Oligúria – diminuição do volume de urina produzida em 24 horas. A densidade e a coloração da urina variam de acordo com a causa – diferenciar de oligosuria
	Doença renal grave (densidade e coloração da urina variam de acordo com o tipo de doença renal)
Desidratação (a urina terá densidade alta e coloração mais intensa)
Disturbios nervosos com transtorno da sede (a urina terá densidade alta e coloração mais intensa)
Resposta fisiológica a privação de agua (a urina terá densidade alta e coloração mais intensa)
Febre
	Anúria – ausência de produção de urina ou produção de volume desprezível – diferenciar de iscuria
	Doença renal agua grave ou fase terminal de insuficiência renal crônica
Desidratação grave
Hipovolemia aguda
Hipotensao arterial sistêmica grave
COLETA DE URINA PARA EXAME LABORATORIAL 
A coleta de urina para exames laboratoriais deve ser feita obedecendo rigorosamente os critérios necessários para cada caso. As amostras podem ser obtidas por micção espontânea, por cateterismo vesical e por cistocentcse. No caso de coleta por micção espontânea recomenda se o aproveitamento da urina do jato médio. Entretanto, em casos específicos, pode ser examinada a urina do primeiro jato (contém mais material proveniente da uretra) ou a do jato final (contém mais material que esteja sendo sedimentado na bexiga), de forma isolada ou em comparação com a urina do jato médio. Caso seja empregado o cateterismo vesical também deve ser desprezado o volume inicial que conterá maior abundância de material que tenha sido aprisionado na sonda durante sua passagem pela uretra (também pela vagina no caso de fêmeas). Quando a urina for obtida por cistocentese pode ser aproveitado todo o volume coletado. Os resultados dos exames realizados devem ser interpretados sempre considerando o jato de urina aproveitado e a forma de coleta da amostra. A amostra de urina deve ser acondicionada em recipiente estéril e livre de resíduos químicos. Depois de receber a amostra, o frasco deve ser hermeticamente fechado e refrigerado até o momento do exame. O ideal é que não decorram mais do que 40 minutos (máximo de 2 horas) entre a coleta e realização dos exames desejados. O exame de urina fica indicado nas situações apontadas no Quadro 9.6. Os resultados esperados nas urinálises de urinas normais estão apresentados nas Tabelas 9.19 e 9.20.
Diferenciação entre hemogiobinúria e mioglobinúria. 
Hemoglobinúria - Presença de hemoglobina na urina em decorrência de hemólise intravascular (babesiose, leptos-pirose, anemia hemolítica do recém-nascido, envenenamentos, acidente ofídico, queimaduras extensas). A urina apresenta-se avermelhada ou acastanhada. 
Mioglobinúria - Presença de mioglobina na urina em decorrência de lesão muscular extensa (miopatia de esforço). A urina tem coloração castanho-avermelhada.
Casos em que se deve solicitar urinálise.
1. Quando o paciente apresentar sinais sugestivos de doença do trato urinário (superior ou inferior) 
2. Quando o paciente apresentar sinais de doença sistémica 
3. Quando o paciente apresentar quadro clínico de doença grave de causa desconhecida 
4. Sempre que for examinado um paciente geriátrico 
5. Sempre que for feita avaliação antes de anestesias
CONSIDERAÇÕES GERAIS PARA ORIENTAR O DIAGNÓSTICO DE DOENÇAS DO TRATO URINÁRIO
Gomo regras gerais para orientar o tipo e sequência de procedimentos, bem como o raciocínio clínico para o diagnóstico de doenças do trato urinário, o examinador deve estar atento para as considerações que se seguem. 
1. Os distúrbios da micção são altamente relevantes para o diagnóstico. As anormalidades da micção decorrem de problemas na bexiga, na uretra ou em ambas, salvo os raros casos de transtornos do sistema nervoso central que determinam alterações na frequência de micção, os casos de doenças dolorosas localizadas no abdome ou pelve e as incapacitações musculoesqueléticas. 
2. As doenças renais, exceto pela possibilidade de alterações do volume de urina produzida e, consequentemente, da frequência de eliminação de urina, não se manifestam por distúrbios da micção. As doenças renais são detectadas principal mente por meio das suas manifestações sistémicas observadas ao exame geral, em associação aos achados da urinálise e, em parte dos casos, nos resultados de exames especiais tais como provas de função renal, urografias excretoras e ultrassonografias renais. 
3. Os exames especiais do trato urinário são empregados, algumas vezes, apenas para con ferir certo refinamento ao diagnóstico (exemplo: biopsia renal para diagnóstico de um tipo específico de glomerulonefrite), mas em grande número de casos, um ou mais exames especiais são requeridos, de forma imperativa, para o diagnóstico (por exemplo, prova de função renal para diagnóstico de insuficiência renal crónica; cistografia de contraste duplo para diagnóstico de cálculos vesicais radiolucentes). 
4. Se ao examinar o paciente forem detectados sinais indicativos de doença do trato urinário, ou se for necessário diagnóstico diferencial, a urinálise (exames físico, químico e sedimentoscópico de urina) é imprescindível. Mesmo nos casos de processos mecânicos como a obstrução uretral por cálculos já detectados, a urinálise deve ser feita no momento conve niente, para verificação de possível distúrbio concorrente ou predisponente. 
5. As doenças do trato urinário, exceto nos casos dramáticos como a obstrução uretral (iscúria e tenesmo vesical) e nefrite intersticial aguda causada por leptospirose (sinais sistémicos e alteração macroscópica de urina), dentre ou tros, podem cursar de forma insidiosa, ou se rem "suportadas" pelos animais domésticos sem manifestações relevantes. O examinador deve estar atento para os pequenos detalhes da re senha e anamnese que, combinados a resulta dos por vezesaparentemente irrelevantes do exame físico, indiquem a necessidade de urinálise e de exames especiais para conclusão bem-sucedida do diagnóstico. 
6. Informações sobre o volume e aspecto macros cópico da urina comumcnte são obtidas com facilidade na anamnese ou durante o exame fí sico. É importante que o examinador conside re que o relato ou observação de urina em vo lume normal ou abundante e com aspecto macroscópico "bom" (urina clara e límpida) não são informações que, por si só, excluem a possibilidade de doença renal. A produção de urina com estas características, muitas vezes, está relacionada a doenças renais graves e possível insuficiência renal. Adicionalmente, este tipo de urina pode estar relacionado a doenças como diabetes melito ou insípido, polidipsia psicogênica, uso de diuréticos não revelado pelo proprietário, dentre outros problemas. 
7. A hematúria macroscópica pode ser relatada durante a anamnese c observada ao exame físico do paciente. As hematúrias podem ocorrer por lesão mecânica (trauma acidental ou por urólitos), inflamação ou neoplasia de qualquer órgão do sistema urinário ou genital. A observação precisa do tipo e momento de ocorrência da perda de sangue traz informações, muitas vezes decisivas, para a localização do problema. Gotejamcnto de sangue ou de secreção sanguinolenta pela vulva ou óstio prepu-cial, fora dos momentos de micção, são indicativos de transtorno dos órgãos genitais (comum na doença prostática do cão). Nas fêmeas também devem ser consideradas as manifestações fisiológicas de cio, parto e puerpério.
Referência Bibliográfica: 
FEITOSA, Francisco Leydson F. (Org.). Semiologia veterinária: a arte do diagnóstico. 3. ed. ed. São Paulo: Roca, 2017. 627 . p.