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(Logomarca) TRANSTORNO DE DEFICT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE-TDAH 1 IDENTIFICAÇÃO Nome: CPF: Idade: Solicitante: Nº Inscrição no CRP: Finalidade 2 DESCRIÇÃO DA DEMANDA Ricardo era um menino de 13 anos encaminhado por seu psiquiatra a um programa de hospitalização parcial para adolescentes devido aos constantes conflitos que assustavam tanto seus colegas de aula quanto seus familiares. De acordo com seus pais, Ricardo geralmente era instável e irritável, com episódios frequentes em que agia como “um monstro enfurecido”. Desse modo, ficou quase impossível estabelecer limites. Mais recentemente, Ricardo quebrou a porta de um armário para pegar o videogame que havia sido retido para convencê-lo a fazer o dever de casa. Na escola, ele era conhecido por ter pavio curto e recentemente havia sido suspenso por socar outro garoto no rosto depois de perder uma partida de xadrez.Durante a infância, Ricardo era um menino ativo, “sempre correndo”. Também era um “garoto sensível”, constantemente preocupado que as coisas dessem errado. Seu nível de tolerância à frustração sempre foi inferior ao de seus pares, de modo que seus pais desistiram de levá-lo às compras porque sabiam de antemão que ele ficaria histérico se não lhe comprassem os brinquedos que queria. Os relatos no boletim da escola indicavam inquietude, oscilação na atenção e impulsividade. Quando Ricardo tinha 10 anos, um psiquiatra infantil o diagnosticou com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), tipo combinado. Ele foi encaminhado para um terapeuta comportamental e começou a tomar metilfenidato, com melhora nos sintomas. Ao chegar à 5a série, sua instabilidade emocional se tornou mais acentuada e persistente. Ele geralmente estava de mau humor, reclamando que a vida era “injusta”. Ricardo e seus pais começaram a travar batalhas diárias para estabelecer limites durante o café da manhã, enquanto ele demorava para se aprontar para ir à escola e no final da tarde continuavam discutindo sobre deveres de casa, videogames e horário de dormir. Durante essas discussões, o menino frequentemente gritava e atirava objetos próximos. Quando chegou à 7a série, seus pais estavam cansados e os irmãos o evitavam. De acordo com os pais, ele não tinha problemas de apetite e, embora discutissem sobre o horário de dormir, ele não parecia apresentar um distúrbio do sono. Aparentemente gostava de suas atividades diárias, mantinha uma boa energia e não tinha história de euforia, grandiosidade ou redução da necessidade de sono que durasse mais de um dia. Embora o descrevesse como “instável, isolado e solitário”, seus pais não achavam que ele estava deprimido. Negaram história de alucinações, abuso, trauma, conduta suicida ou homicida, desejo de auto agressão ou qualquer desejo premeditado de ferir os outros. Ele e seus pais negaram que o menino tivesse consumido álcool ou drogas. Sua história médica não tinha informações relevantes. Sua história familiar era relevante em relação a ansiedade e depressão no pai, alcoolismo nos avós paternos e possivelmente TDAH sem tratamento na mãe. 3-PROCEDIMENTOS Pessoas ouvidas no processo: Número de encontros: Duração do processo realizado: APRESENTAR OS RECURSOS TÉCNICOS CIENTÍFICOS UTILIZADOS ESPECIFICANDO O REFERENCIAL TEÓRICO METODOLÓGICO QUE FUNDAMENTOU SUA ANÁLISE, INTERPRETAÇÃO E CONCLUSÃO. CITAR AS PESSOAS OUVIDAS NO PROCESSO DE TRABALHO DESENVOLVIDO, AS INFORMAÇÕES, NÚMEROS DE ENCONTROS OU TEMPO DE DURAÇÃO. 4 ANÁLISE O psiquiatra de Ricardo o encaminhou a um programa de internação parcial para adolescentes devido à irritabilidade persistente e aos ataques de raiva recorrentes e graves. Ao avaliar esse menino de 12 anos, seria importante observar a natureza, a gravidade, a frequência e a duração dos ataques. Eles estão fora do âmbito “normal de desenvolvimento” das crianças? O que os provoca? Os ataques ocorrem em casa, na escola, com pares ou em mais de um contexto? Como eles afetam sua vida? Qual o humor geral desse menino no intervalo entre ataques? Os ataques refletem falta de controle sobre suas reações emocionais ou são um comportamento calculado para atingir um resultado desejado? Em que idade esses ataques emocionais e/ou comportamentais começaram? Há sintomas depressivos neurovegetativos correspondentes? Alguma vez ele já exibiu sintomas do tipo maníaco como grandiosidade, redução da necessidade de sono, pressão por falar ou pensamentos acelerados? Em caso positivo, esses sintomas persistiram por tempo suficiente para satisfazer os critérios de um episódio maníaco? Ele abusa de substâncias? Alguma vez exibiu sintomas psicóticos como paranoia, delírios ou alucinações de qualquer natureza? No caso de Ricardo, sua irritabilidade intensa parece ser persistente, enquanto seus ataques tendem a ser extremos e incongruentes com seu nível geral de desenvolvimento. Eles estão evidentemente interferindo em todos os aspectos de sua vida. Esse comportamento não parece estar sob seu controle, e a irritabilidade e os ataques não lhe proporcionam nada positivo; na verdade, as três coisas que ele afirma que mais gostaria de mudar estão relacionadas ao sintoma (“parar de me irritar tanto”) ou às consequências dos sintomas (“ter mais amigos” e “me sair melhor na escola”). Esses sintomas vêm se agravando desde o início do ensino fundamental. 5 CONCLUSÃO Ele não apresenta sintomas neurovegetativos proeminentes de depressão e não há história de mania, psicose ou abuso de substância. Portanto, ele satisfaz os critérios para transtorno disruptivo de desregulação do humor e Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, apresentação combinada (TDDH), um novo diagnóstico no DSM-5 listado entre os transtornos depressivos. A característica fundamental do TDDH é a irritabilidade crônica, grave e persistente, incongruente com o estágio de desenvolvimento da criança e que causa prejuízo significativo. O DSM-5 define essa característica fundamental como apresentando duas manifestações clínicas proeminentes: ataques de raiva graves e frequentes (verbais ou comportamentais) e humor raivoso ou irritável, persistente e crônico, presente entre os graves ataques de raiva. Embora alguns dos sintomas do TDDH possam se sobrepor aos sintomas de outros diagnósticos, esse transtorno parece realmente representar um grupo de jovens cujos perfis de sintoma diferem dos perfis de outros diagnósticos do DSM-5 e vão além dos “ataques de raiva” congruentes com a idade. Por exemplo, o transtorno bipolar também pode levar a conflitos interpessoais e irritabilidade. Contudo, crianças e adolescentes com TDDH não exibem outros sintomas fundamentais de mania, como redução da necessidade de sono, pressão por falar, ciclagem do humor e pensamentos acelerados que persistem durante vários dias. Transtornos disruptivos do comportamento, como transtorno de oposição desafiante, transtorno explosivo intermitente e transtorno da conduta diferem do TDDH no sentido de que não são caracterizados por intensa irritabilidade persistente entre ataques. De acordo com a definição do DSM-5, o TDDH não pode coexistir com o transtorno bipolar, com o transtorno de oposição desafiante ou mesmo com o transtorno explosivo intermitente. Caso o paciente tenha alguma vez passado por um episódio maníaco, o diagnóstico de transtorno bipolar suplanta o diagnóstico de TDDH. Caso o paciente satisfaça os critérios para transtorno explosivo intermitente ou transtorno de oposição desafiante, mas também satisfaça os critérios para TDDH, ele deve ser diagnosticado apenas com TDDH. O TDDH pode ser comórbido com uma variedade de outros diagnósticos. Por exemplo, Ricardo apresenta problemas antigos relativos à atenção e ansiedade. Quando estava na escola primária, ele foi diagnosticado com TDAH do tipo combinado, o que indica que satisfez a maioria dos critérios em ambas as categorias do TDAH: atenção e hiperatividade e impulsividade. Observou-se também que Ricardo tem preocupações crônicas. Embora essa característica não tenha sido investigada mais a fundo na história,esse paciente pode muito bem corresponder às exigências para um transtorno de ansiedade. Será importante acompanhar Ricardo longitudinalmente. O objetivo disso, obviamente, é empregar a avaliação diagnóstica e o plano de tratamento mais austero, que, no entanto, podem mudar no contexto do desenvolvimento geral do paciente. Como um adolescente com diagnóstico de TDDH, ele vai continuar correndo o risco de desenvolver uma série de condições psiquiátricas comórbidas, incluindo outros transtornos do humor, de ansiedade e por uso de substâncias. NA CONCLUSÃO INDICAM-SE OS ENCAMINHAMENTOS E INTERVENÇÕES, O DIAGNÓSTICO, PROGNÓSTICO E HIPÓTESE DIAGNÓSTICA, A EVOLUÇÃO DO CASO, ORIENTAÇÃO OU SUGESTÃO DO PROJETO TERAPÊUTICO. ( Local – Data ) Nome do Profissional CRP__/_____ RUBRICA-SE DA PRIMEIRA ATÉ A ÚLTIMA LAUDA, ASSINANDO A ÚLTIMA 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Axelson D, Findling RL, Fristad MA, et al: Examining the proposed disruptive mood dysregulation disorder diagnosis in children in the Longitudinal Assessment of Manic Symptoms study. J Clin Psychiatry 73(10):1342– 1350, 2012 Copeland WE, Angold A, Costello EJ, Egger H: Prevalence, comorbidity, and correlates of DSM-5 proposed disruptive mood dysregu- lation disorder. Am J Psychiatry 170(2):173– 179, 2013 Leibenluft E: Severe mood dysregulation, irritability, and the diagnostic boundaries of bipolar disorder in youths. Am J Psychiatry 168(2):129–142, 2011 Margulies DM, Weintraub S, Basile J, et al: Will disruptive mood dysregulation disorder reduce false diagnosis of bipolar disorder in children? Bipolar Disord 14(5):488–496, 2012 Mikita N, Stringaris A: Mood dysregulation. Eur Child Adolesc Psychiatry 22 (suppl 1):S11–16, 2013 Wozniak J, Biederman J, Kiely K, et al: Mania-li- ke symptoms suggestive of childhoodonset bipolar disorder in clinically referred chil- dren. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 34(7):867–876, 1995