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Logística Em presarial M arcio A . H . Fedichina Código Logístico I000104 ISBN 978-65-5821-094-8 9 786558 210948 Logística Empresarial Marcio A. H. Fedichina IESDE BRASIL 2021 © 2021 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Golden Sikorka /Shutterstock Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F318L Fedichina, Marcio A. H. Logística empresarial / Marcio A. H. Fedichina. - 1. ed. - Curitiba [PR] : Iesde, 2021. 162 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-65-5821-094-8 1. Logística empresarial. 2. Canais de distribuição - Administração. 3. Administração da produção. I. Título. 21-74104 CDD: 658.5 CDU: 005.936.43 Marcio A. H. Fedichina Doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP). CEO, tendo atuado em diversas empresas nacionais e multinacionais de médio e grande porte (consultorias e treinamentos) e na coordenação e gestão de instituições de ensino. Professor universitário de cursos das áreas de administração e gestão em diversas instituições de Ensino Superior. Pesquisador, tendo vários trabalhos publicados em periódicos e congressos científicos, com ênfase em temas relacionados a produção e operações, à logística, às redes de suprimentos e aos simuladores organizacionais. Consultor ad hoc da Capes/MEC na Avaliação Quadrienal 2017. Avaliador de trabalhos da Agência de Inovação da USP, do International Conference on Information Systems and Technology Management (Contecsi), dos Seminários em Administração (Semead – FEA/USP) e da Revista Brasileira de Gestão de Negócios. SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! 1 Logística e gestão da cadeia de suprimentos 9 1.1 Histórico, conceitos e importância 10 1.2 Fatores de complexidade logística e cadeia de valor 18 1.3 Elementos da gestão logística 24 2 Estratégia e competitividade na gestão logística 32 2.1 Estratégia e posicionamento na rede logística 32 2.2 Fluxos de informações, de bens e serviços 37 2.3 Fluxos puxados, empurrados e híbridos 45 2.4 Relacionamento na logística 47 2.5 Mapeamento dos processos logísticos 52 3 Recursos logísticos 63 3.1 Serviço ao cliente 63 3.2 Modais de transporte 71 3.3 Armazenagem e distribuição 79 3.4 Tecnologia de informação logística 90 3.5 Logística reversa 102 4 Gestão da demanda, suprimentos e estoques 108 4.1 Gestão da demanda 108 4.2 O efeito chicote e a coordenação da demanda 115 4.3 Suprimentos na logística 118 4.4 Estoques na logística 126 5 Medição de desempenho na logística 136 5.1 O que é medição de desempenho 136 5.2 Tipos de medição de desempenho logístico 143 5.3 Tendências em logística empresarial 149 6 Resolução das atividades 156 Esta obra objetiva discutir os principais conceitos da logística empresarial e a sua importância para o aumento competitivo das organizações. Os estudos da logística e da cadeia de suprimentos vão além dos mecanismos que envolvem o controle e a gestão. Eles necessitam que novos elementos sejam incorporados ao processo logístico, como a análise dos seus diversos elementos operativos (compras, recebimento, fluxo, movimentação, armazenagem, estocagem e distribuição), o alinhamento da estratégia empresarial com as políticas e os objetivos definidos, a proposta de competição e atendimento ao cliente (serviço ao cliente), o uso de tecnologias de informação e comunicação, o compartilhamento de dados, entre outros. O primeiro capítulo apresenta alguns conceitos da gestão logística e da cadeia de suprimentos, bem como de cadeia de valor, e os principais elementos que compõem o gerenciamento das operações logísticas empresariais. O segundo capítulo trata das atividades logísticas e do fluxo operacional, procurando focar o posicionamento estratégico e o alinhamento com as operações, os modelos de fluxos puxado, empurrado e híbrido, o relacionamento com os parceiros de negócio e o mapeamento dos processos logísticos. O terceiro capítulo descreve os principais recursos logísticos (estratégicos e operacionais) presentes na gestão da logística empresarial. Também apresenta os recursos relacionados ao serviço ao cliente, os principais tipos de modais de transporte, a armazenagem e distribuição, a tecnologia envolvida na logística e a logística reversa. Outros elementos da gestão logística e da cadeia de suprimentos, como a gestão da demanda, os suprimentos e os estoques, são apresentados no quarto capítulo. Também são abordadas as causas da variabilidade da demanda, os problemas de sincronização entre os parceiros (elos) da cadeia APRESENTAÇÃO Vídeo de suprimentos (efeito chicote), os fatores que influenciam as compras e algumas ferramentas de gestão e controle de estoques. O quinto capítulo discute a importância do uso de sistemas de medição de desempenho na logística. São descritos o conceito de medição de desempenho e a sua importância para a gestão das operações logísticas, os principais tipos de indicadores logísticos e algumas tendências da logística para o futuro. Gerenciar a logística na empresa, portanto, é um importante elemento na gestão eficiente das organizações, por ser um dos principais responsáveis pela melhoria contínua dos processos e pelo aumento competitivo empresarial no mercado. Bons estudos! Logística e gestão da cadeia de suprimentos 9 1 Logística e gestão da cadeia de suprimentos Desde o início da civilização, o ser humano sempre procurou comer- cializar os seus produtos da melhor maneira, buscando atender e satisfa- zer aos seus clientes. Quanto melhor era a oferta de produtos (qualidade, preço, prazo de entrega, condições físicas da mercadoria, entre outros), maiores eram as possibilidades de venda e de lucros. Imagine um camponês que tem uma pequena propriedade rural, si- tuada nos arredores de uma cidade. Ele planta hortaliças e verduras, além de criar aves poedeiras. Todas as manhãs, ainda de madrugada, ele colhe os hortifrutigranjeiros, carrega-os em seu veículo, e os leva para vender na feira da cidade. O camponês sempre oferta produtos frescos e colhidos no dia, ele é conhecido por comercializar produtos de ótima qualidade, o que garante o seu sucesso nas vendas e o reconhecimento dos clientes. Essa, portanto, é a essência fundamental da logística: ofertar produtos e serviços, de acordo com as expectativas e as necessidades dos consumi- dores. Assim, este capítulo apresenta os principais conceitos da logística e da cadeia de suprimentos e fornece alguns dos elementos fundamentais que compõem o processo de gestão nas organizações. Bons estudos! 10 Logística Empresarial 1.1 Histórico, conceitos e importância Vídeo A logística e a gestão da cadeia de suprimentos consistem em al- gumas das atividades mais antigas da humanidade. Ao longo do tem- po, elas foram sendo aperfeiçoadas e aprimoradase se mostraram, cada vez mais, importantes elementos de apoio às operações e aos processos de atendimento ao cliente. Mesmo nas guerras, a logística é muito importante, pois é a respon- sável pelo sistema de abastecimento das tropas que estão em com- bate. Por exemplo, o fornecimento de pessoas (médicos, enfermeiros, cozinheiros, religiosos etc.), medicamentos, alimentos, estoque de mu- nição e informação é um dos principais fatores que podem influenciar a vitória ou a derrota em uma batalha. Esse sistema (cadeia) de abaste- cimento nas guerras, muitas vezes, é denominado de sistema de apoio ou de intendência. Em uma das guerras mais conhecidas, a Guerra da Independência norte-americana, a derrota britânica é atribuída muitas vezes a fa- lhas logísticas na cadeia de suprimentos durante a operação. Como os suprimentos vinham da Inglaterra, eles demoravam para chegar, e o exército inglês não conseguia repor os suprimentos (munições e alimentos) necessários às tropas. Em outro exemplo, na Segunda Guerra Mundial, a logística teve papel fundamental no desembarque na Europa ao promover um sistema sincronizado de ataque pelas tro- pas aliadas (CHRISTOPHER, 2011). 1.1.1 Conceitos e fundamentos De acordo com Taylor (2005, p. 322), a cadeia de suprimentos con- siste em uma “rede de instalações e rotas de transporte que trans- formam matérias-primas em produtos acabados e os entregam aos consumidores”. Ao mesmo tempo, para Simchi-Levi et al. (2003, p. 27), a gestão da cadeia de suprimentos é um conjunto de abordagens utilizadas para integrar eficien- temente fornecedores, fabricantes, depósitos e armazéns, de forma que a mercadoria seja produzida e distribuída na quanti- dade certa, para a localização certa e no tempo certo, de forma a minimizar os custos globais do sistema ao mesmo tempo em que atinge o nível de serviço desejado. • Conhecer o histórico e os principais conceitos relacionados à logística. • Reconhecer a impor- tância da logística e da cadeia de suprimentos para a competitividade organizacional e para o aumento da eficiência das operações empresariais. Objetivos de aprendizagem Logística e gestão da cadeia de suprimentos 11 A figura a seguir ilustra a estrutura de uma cadeia de suprimentos típica. Figura 1 Cadeia de suprimentos típica Fonte: Adaptada de Corrêa, 2010, p. 27. Mercado e ambiente global Fornecedores Concorrentes Fabricantes Ambiente competitivo Organização Distribuidores e varejistas Clientes U suários Fluxo de bens e serviços Fluxo de informação Fluxo financeiro Observe, na Figura 1, que uma cadeia de suprimentos é formada por diversos parceiros de negócio (elos) que necessitam interagir en- tre si para que seus produtos e serviços possam ser consumidos pelo cliente (usuário). O fluxo de bens e o monetário transitam no mesmo caminho, mas em sentidos opostos. Enquanto o fluxo de bens segue o caminho dos fornecedores até o usuário (consumidor), passando pelos fabricantes, distribuidores e varejistas, o fluxo monetário segue o sentido oposto, partindo do consumidor, chegando até o fornecedor. Ao mesmo tem- po, as informações são trocadas entre os elos da cadeia, permitindo que os processos sejam integrados e que os fluxos (bens e monetário) ocorram de maneira eficiente. Basicamente, esse é o funcionamento de uma cadeia de suprimen- tos típica. Como exemplo, podemos citar uma cadeia de suprimentos do setor de pneus. O fornecedor extrai o látex das seringueiras e o envia para o fabricante tratar a borracha e desenvolver o pneu. Após a fabricação, os pneus são comercializados para os distribuidores e va- rejistas, que os estocam para o atendimento ao cliente. Este, por fim, adquire o pneu para o seu veículo, realizando o pagamento pelo produ- to, que abastece monetariamente todos os elos participantes e gera o compartilhamento de informações ao longo da cadeia de suprimentos. 12 Logística Empresarial O Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP, ou em tradução livre, conselho de profissionais de gerenciamento da ca- deia de suprimentos), a principal entidade mundial sobre logística e cadeia de suprimentos, define a logística como “a parte da gestão da cadeia de suprimentos que planeja, implementa e controla o fluxo eficiente e eficaz de recebimento, entrega e armazenamento de produtos, ser- viços e informações, entre o ponto de origem e o de destino, com a finalidade de atender às necessidades dos clientes” (CSCMP..., 2021, tradução nossa). Os conceitos de Taylor (2005), Simchi-Levi et al. (2003) e do CSCMP são completos e denotam as principais características da cadeia de su- primentos e da logística. No entanto, é importante ressaltarmos que as funções logísticas em uma empresa ultrapassam as atividades re- lacionadas à preocupação evidente no fluxo de mercadorias (entrada, armazenagem e saída). Elas também promovem a intensa troca de in- formações entre os parceiros de negócio, estabelecendo um melhor relacionamento entre eles. Resumidamente, logística consiste no uso conjunto de ferramen- tas, técnicas, metodologias e conhecimentos, com vistas a subsidiar a gestão e o fluxo de recebimentos de insumos, movimentação e arma- zenagem de mercadorias, estocagem de produtos e distribuição. A fi- gura a seguir ilustra a evolução do pensamento logístico. Figura 2 Evolução do pensamento logístico Al ek sa nd r B ry lia ev /S hu tte rs to ck (Continua) ERA DO "CAMPO AO MERCADO" ATÉ OS ANOS 1940 ANOS 1940 – 1960 ERA DA ESPECIALIZAÇÃO • Economia agrária. • Começou no início do século XX, quando a principal atividade consistia no transporte para o escoamento da produção agrícola. • Ênfase nos desempenhos funcionais. • Sofreu influência militar, pois havia a necessidade do armazenamento e transporte de armas, munições, produtos de saúde e alimentos no campo de batalha. A preocupação dessa era consistia no abastecimento adequado das tropas – função muito importante para o sucesso das batalhas. Logística e gestão da cadeia de suprimentos 13 ERA DA INTEGRAÇÃO INTERNA ERA DO SUPPLY CHAIN ANOS 1960 – 1970 MEADOS DOS ANOS 1980 ATÉ OS DIAS ATUAIS ANOS 1970 ATÉ MEADOS DE 1980 ERA DO FOCO NO CLIENTE • Funções integradas. • Denominada era das funções integradas, a questão logística começou a ser analisada conjuntamente com as outras operações da empresa. Uma visão mais sistêmica da organização começou a ser observada, e as atividades de estoque, manufatura e distribuição passaram a ser consideradas. É tida a era que dá início aos estudos logísticos. • Logística como diferenciação. • É considerada uma era em que a logística passa a ser uma questão estratégica nas empresas. O avanço da tecnologia de informação e comunicação e os processos de integração dos mercados possibilitaram o desenvolvimento do pensamento relacionado a uma gestão da cadeia de suprimentos integrada (ou Supply Chain Management – SCM). Com isso, novas perspectivas de alcance de maior competitividade no mercado passaram a considerar a logística e o SCM nesse contexto. • Busca por eficiência. • Refere-se ao uso de metodologias quantitativas nas funções logísticas. Questões como o desempenho, a produtividade e os custos da operação (estoques, por exemplo) passaram a ser consideradas e estudadas, principalmente em cursos de gestão e administração. Fonte: Elaborada com base em Fleury et al., 2000. O SCM é considerado um importante método de gestão das organi- zações modernas. As empresas verificaram que não era mais possível a busca pela maior produtividade interna se os outros parceiros de ne- gócio não estavam sendo produtivos. Assim, conceitos que envolvem a logística e o SCM, como o comakership (gestão do relacionamento com o cliente), as alianças estratégicas, as subcontratações e a distribuição por diversos canais, são elementos importantes que desafiam as orga- nizações a serem competitivas no atual momento. Nas empresas, as operações logísticas representam significativa participaçãonos seus custos totais – entre 5% e 35% do faturamento bruto (BOWERSOX; CLOSS, 2001). Dessa maneira, a logística e a gestão 14 Logística Empresarial da cadeia de suprimentos constituem um importante mecanismo com- petitivo para as organizações. Ao desenvolver maior integração dos fluxos e das operações (de bens e de serviços) entre os seus diversos parceiros de negócio, pro- movendo o relacionamento entre eles e gerenciando conjuntamente os processos, a gestão da cadeia de suprimentos e a logística se tornam relevantes para que as empresas consigam aumentar a sua capacidade de competição no mercado. 1.1.2 Fases do processo logístico As principais fases do processo logístico envolvem as atividades mais relevantes que estão relacionadas ao fluxo das mercadorias na empre- sa. É importante destacarmos que essas fases podem ser divididas em outras subpartes, dependendo das características do produto ou dos ob- jetivos da empresa. A figura a seguir ilustra essas principais dimensões. Figura 3 Fases do processo logístico m at sa be /S hu tte rs to ckSUPRIMENTO Conferência (quantidade, estado físico, qualidade, configuração, especificações e prazos) da mercadoria que chega à empresa. Atividade importante para garantir que erros no recebimento sejam comunicados e que haja procedimentos relacionados à devolução ou ao abatimento dos problemas verificados. A adoção de processos rígidos de controle do recebimento evita a ocorrência de diversos problemas nos processos logísticos seguintes. MOVIMENTAÇÃO Movimentação das mercadorias de modo eficiente, para que não ocorram acidentes com os produtos ou as pessoas. Para isso, o adequado uso de equipamentos e maquinários é necessário, uma vez que evita problemas e gera operações seguras no fluxo de produtos até o armazém. Quando possível, é recomendável que a empresa utilize processos automatizados e que estes sejam padronizados nessas tarefas. ARMAZENAGEM Estocagem ordenada dos produtos. A organização é fundamental nessa fase do processo, pois ela garante que os produtos sejam classificados, ordenados e dispostos em uma sequência lógica e de fácil localização; por exemplo, a disposição de produtos nas gôndolas, separados por critérios como a maior ou menor circulação, prazo de validade, espaço ocupado, entre outros. (Continua) Logística e gestão da cadeia de suprimentos 15 PICKING OU SEPARAÇÃO Separação das mercadorias de acordo com os pedidos do cliente. O processo de separação depende fundamentalmente das dimensões anteriores para que seja operacionalizado de maneira eficiente. O uso de softwares de gestão dessa fase também é importante, visto que gera confiabilidade e eficiência ao processo. DISTRIBUIÇÃO Entrega das mercadorias ao cliente. Assim como a separação, esta fase necessita que as anteriores sejam eficientemente organizadas e integradas. Tarefas relacionadas a essa dimensão, como a checagem da documentação, das quantidades corretas, dos trajetos a serem percorridos, dos prazos combinados etc., são algumas ações importantes a serem consideradas. Fonte: Elaborada pelo autor. Assim, a logística é muito importante para a competitividade das or- ganizações, pois ela consiste na integração de ações que visam entregar os produtos e serviços corretos, na localidade certa, em perfeito estado físico e no tempo combinado. Ela contribui decisivamente para o plane- jamento, a organização e a administração do fluxo de produtos e servi- ços, desde o seu recebimento até o momento da entrega ao cliente final. 1.1.3 Importância da logística Gerenciar a logística na organização é uma atividade fundamental para o desenvolvimento e a melhoria dos processos operacionais rela- cionados ao fluxo de produtos e serviços. A Figura 4 ilustra os principais objetivos ao se criar uma estratégia logística e os principais benefícios proporcionados por ela. Figura 4 Objetivos e benefícios da estratégia logística Objetivos Otimização do capital Melhoria dos processos Redução de custos im Gh an i/S hu tte rs to ck Benefícios Melhoria dos serviços prestados Maior visibilidade dos processos Aumento da rentabilidade Fonte: Elaborada pelo autor. 16 Logística Empresarial Desenvolver o conhecimento em logística, portanto, significa desen- volver uma estratégia competitiva empresarial que objetiva principal- mente a otimização do capital monetário investido, por meio do uso de métodos e técnicas que reduzem a dependência por armazéns e estoques; a melhoria contínua dos processos (serviços de recebimento, estocagem, movimentação e de entrega das mercadorias); e a conse- quente redução dos custos da operação. Com isso, um bom gerenciamento logístico permite à organização conseguir alcançar níveis elevados de competitividade, em que os bene- fícios para ela são evidentes, como a melhoria dos serviços prestados, com maior agilidade e eficiência na operação; a maior visibilidade dos processos, por meio do acompanhamento direto nas operações, desde o recebimento até a distribuição; e o aumento da rentabilidade, por meio da otimização dos processos e da redução dos custos operacionais. Os objetivos e benefícios descritos permitem considerar que a utili- zação da logística nas empresas demanda a integração dos processos organizacionais – tanto internos quanto externos. Essa integração é denominada logística integrada; utiliza elementos de gestão conjunta de diversas áreas da empresa e de fora dela, como a integração com o marketing, as finanças, a manufatura, o pessoal, os fornecedores e os clientes. A figura a seguir ilustra um sistema logístico integrado. Figura 5 Sistema logístico integrado Fornecedores Logística integrada Marketing / finanças pessoal / manufatura ClientesRecebimento Fluxo de materiais Fluxo monetário Fluxo de informações Distribuição Fonte: Elaborada pelo autor. Desse modo, a logística integrada deve ser considerada um sistema, ou seja, um conjunto de elementos interligados, gerenciados de maneira Logística e gestão da cadeia de suprimentos 17 coordenada, com o propósito de atingir objetivos comuns da organiza- ção. Isso porque ela permite à empresa alcançar a excelência logística (redução de custos e melhoria do nível de serviço). Algumas dimensões da excelência logística podem ser citadas, como a busca pelo sucesso do cliente, a integração interna e externa, os processos com base no tempo, a mensuração de desempenho e o benchmarking 1 (FLEURY et al., 2000). A logística integrada também se caracteriza por apresentar basica- mente três ciclos de atividade principais, conforme mostra a Figura 6. O ciclo de suprimento refere-se às atividades caracterizadas pelo sistema de compras e de recebimento das mercadorias, incluindo a seleção dos fornecedores, a realização do pedido de compra, o transporte e o recebimento. O ciclo de apoio à manufatura envolve as ativi- dades que compõem a produção no caso dos fabricantes, ou o sistema de armazenamento dos produtos no caso dos distribuidores e va- rejistas. Esse ciclo fundamenta-se em auxiliar a gestão dos estoques, da movimentação in- terna dos materiais e do processo de separa- ção dos itens de acordo com os pedidos. Já o ciclo de distribuição física caracteriza-se por apresentar os principais elementos necessá- rios para a entrega das mercadorias ao cliente final. Ele envolve a determinação do tipo de transporte a ser uti- lizado, o trajeto, as distâncias a serem percorridas, o tempo do percur- so, o cumprimento dos prazos acordados e os custos envolvidos. Dessa maneira, a compreensão dos ciclos das atividades logísti- cas é essencial para o entendimento e a gestão dos processos logís- ticos na organização. A complexidade das operações organizacionais demanda que a análise logística aborde as atividades presentes nesses ciclos, procurando desenvolver um processo logístico mais ágil e consistente. Processos bem-sucedidos copiados de outros seto- res de negócio. Por exem- plo, o setor hospitalarrealiza benchmarking do setor hoteleiro, visando à melhoria no atendimento aos seus pacientes. 1 Figura 6 Ciclos de atividades logísticas Ci clo d e su pr im ent o Ciclo de apoio à m anufatura Ciclo de distribuição físic a seamuss/Shutterstock Fonte: Elaborada pelo autor com base em Bowersox; Closs, 2001. Assista ao vídeo O que é logística?, publicado pelo canal IFRO Câmpus Porto Velho Zona Norte. Ele traz alguns exemplos práticos para ampliar a sua reflexão sobre esse importante conceito. Disponível em: https://youtu.be/ OdGxTs6vgUQ. Acesso em: 6 ago. 2021. Vídeo https://youtu.be/OdGxTs6vgUQ https://youtu.be/OdGxTs6vgUQ 18 Logística Empresarial 1.2 Fatores de complexidade logística e cadeia de valor Vídeo Um dos principais propósitos da gestão logística e da cadeia de su- primentos consiste em entregar um pacote de valor que possa agregar tanto aos fornecedores quanto aos clientes. Ao mesmo tempo, geren- ciar a logística e a cadeia de suprimentos é uma tarefa complexa que exige a integração de diversos processos e operações. 1.2.1 Fatores de complexidade logística O entendimento sobre a cadeia de suprimentos e a logística pressu- põe a observação de que ela é um completo paradoxo. Ao mesmo tem- po que se constitui em uma das atividades econômicas mais antigas, refere-se também a um dos conceitos de gestão mais modernos. O que vem fazendo da logística um dos fundamentos de gestão mais moder- nos são basicamente dois conjuntos de mudanças: as mudanças eco- nômicas, que aumentam a necessidade por maior competitividade das organizações, e as mudanças tecnológicas, que viabilizam a efetividade das operações logísticas cada vez mais complexas (FLEURY et al., 2000). A complexidade logística é determinada pela ocorrência de diver- sos fatores que influenciam o modo de gerenciamento das operações logísticas empresariais. A figura a seguir mostra alguns desses fatores. Figura 7 Alguns fatores de complexidade logística Fa uz yS to re /S hu tte rs to ck Fatores de complexidade logística 1 2 3 6 5 4 Tecnologia da informação Velocidade no lançamento de produtos Organizações em rede Questão socioambiental Valorização do cliente Competição global Fonte: Elaborada pelo autor. • Estudar os principais fatores que influenciam a gestão da logística e da cadeia de suprimen- tos, com os desafios e as oportunidades. • Compreender a cadeia de suprimentos como um elemento de valor para as organizações. Objetivos de aprendizagem A proliferação de novos negócios e o aumento da competição global geram significativas influências no modo de gestão logística das organi- zações. A necessidade de desenvolvimento de novos mecanismos de ação e o estabelecimento de modelos que permitam a melhoria da efi- ciência das operações fazem com que as empresas tenham que conti- nuamente perseguir o aumento de sua competitividade (redução dos custos da operação, aumento da rentabilidade do negócio, melhoria nos processos, entre outros fatores). Por exemplo, corporações que atuam em diversos países necessitam flexibilizar as suas operações logísticas, adequando-as ao perfil competitivo específico de cada localidade. O avanço da tecnologia da informação (TI) proporciona a melho- ria (velocidade e precisão) da comunicação de dados e voz, permitindo a integração dos processos entre os elos da cadeia de suprimentos. Além disso, o desenvolvimento de novos equipamentos de movimenta- ção e transporte logístico tem auxiliado as operações de fluxo dos pro- dutos e serviços, viabilizando um melhor atendimento às necessidades dos clientes. Tecnologias como a internet de última geração utilizada na comunicação e a solução de uso da sobreposição de dois contêi- neres (denominada de double stack) em um mesmo vagão ferroviário são alguns exemplos de soluções tecnológicas que visam melhorar a eficiência das operações. Na Figura 8, temos um exemplo de sistema double stack; observe o uso de dois contêineres em um mesmo vagão e o potencial de redução de custos no transporte. Além disso, a cada dia, novos produtos e serviços são lan- çados em uma velocidade cada vez maior. O aumento da competitividade tem gerado novos desafios para as em- presas; com o surgimento veloz de novos produtos, rapidamente eles se tornam obsoletos e necessi- tam de atualizações e inovações. O lançamento de novas gerações de modelos de veículos, Maersk Line/Wikimedia Commons Logística e gestão da cadeia de suprimentosLogística e gestão da cadeia de suprimentos 1919 Figura 8 Sistema double stack 20 Logística Empresarial por exemplo, tem os seus prazos cada vez mais encurtados. Veículos que antigamente levavam muitos anos para serem remodelados, como alguns veículos antigos (a Kombi, por exemplo, que não teve mudanças em seu design por muitas décadas), hoje precisam passar por um face- lift (novo design), pelo menos, a cada três anos – como os veículos da Honda ou Toyota, que a cada três anos passam por um facelift e uma nova geração surge a cada cinco ou seis anos. Outro exemplo refere-se à quantidade de novos produtos de estética e beleza, com milhares de lançamentos a cada ano. A necessidade competitiva também fez com que as empresas bus- cassem se organizar em redes de negócio, para que pudessem otimi- zar as suas operações e focar suas atividades principais (essenciais). Hoje, diversos modelos de redes de organizações têm sido criados para atender a essas necessidades, como a marca Café do Cerrado, que con- siste em uma associação cooperativista de cafeicultores que trabalham em conjunto para o desenvolvimento da marca e das características únicas do café plantado naquela região (triângulo mineiro). Com a utilização mais intensa de recursos naturais e sociais, as empresas também necessitam, a cada dia, elaborar mecanismos que possam justificar o desenvolvimento de seu negócio em modelos sus- tentáveis e que promovam a conservação ambiental, além de ser socialmente aceitáveis. Um dos mecanismos atualmente desenvolvi- dos para esse fim é o Environmental, Social and Governance (ESG) 2 , ou melhores práticas ambientais, sociais e de governança corporativa. Trata-se de um conjunto de dados, transformados em métricas, que mostram que a empresa adota padrões e boas práticas com relação à sustentabilidade, ao socialmente consciente, ao respeito ambiental e à governança corporativa. O ESG promove as organizações responsáveis e projeta melhores perspectivas futuras para os negócios delas, princi- palmente considerando que as operações logísticas são fundamentais para o aumento competitivo no mercado. Por fim, a conquista dos clientes torna-se a cada dia um dos prin- cipais objetivos da organização. Atender o cliente da melhor manei- ra e procurar satisfazer às suas necessidades são desafios logísticos importantes e que devem ser considerados pelas empresas. Diversos negócios são criados na busca pela satisfação plena dos clientes, pro- porcionando a eles um novo relacionamento e uma nova experiência Para saber mais sobre o modelo de negócio da rede Café do Cerrado, acesse o link a seguir. Disponível em: https://www. cafedocerrado.org/index. php?pg=home. Acesso em: 6 ago. 2021. Saiba mais Clique no link a seguir para saber mais sobre o ESG. Disponível em: https://www. ecycle.com.br/esg/. Acesso em: 6 ago. 2021. 2 https://www.cafedocerrado.org/index.php?pg=home https://www.cafedocerrado.org/index.php?pg=home https://www.cafedocerrado.org/index.php?pg=home https://www.ecycle.com.br/esg/ https://www.ecycle.com.br/esg/ Logística e gestão da cadeia de suprimentos 21 de compra e uso dos produtos e serviços. Um exemplo é a empresa Salesforce 3 , que presta serviços nessa era do cliente. A compreensão sobre os fatores de complexidade logística é funda- mental para que a gestão da cadeia de suprimentos seja eficientemente administrada, gerando significativos ganhos (redução de custos, otimi- zação de operações,aumento da rentabilidade, maior velocidade no fluxo de produtos e serviços, entre outros) a todos os elos participantes. 1.2.2 Cadeia de valor Gerenciar a logística e a cadeia de suprimentos significa desenvol- ver um conjunto de atividades integradas que visam entregar valor para fornecedores, clientes e acionistas. O conceito de cadeia de valor foi originalmente criado por Porter (1990), ao analisar que o nível compe- titivo da organização é determinado pelo valor que a cadeia de supri- mentos a que ela pertence efetivamente consegue entregar a clientes, fornecedores e acionistas. Para o autor, a cadeia de valor necessita se posicionar em uma das principais estratégias de competição: buscar a diferenciação do negócio por meio da oferta de custos mais baixos, foco ou pela agregação de valor ao produto ou serviço (qualidade) que seja reconhecido pelo cliente. A figura a seguir mostra a matriz de com- petitividade elaborada pelo autor. Figura 9 Vantagem competitiva de Porter Amplitude de mercado Origem de vantagem competitiva Liderança em custo Diferenciação Foco em custo baixo Foco em diferenciação Custo Mercado global Mercado específico Exclusividade Fonte: Adaptada de Bertaglia, 2003, p. 45. Clique no link a seguir para saber mais sobre a empresa Salesforce. Disponível em: https://www. salesforce.com/br/. Acesso em: 6 ago. 2021. 3 https://www.salesforce.com/br https://www.salesforce.com/br 22 Logística Empresarial As estratégias genéricas elaboradas por Porter (1990) descrevem uma orientação sobre como as organizações devem se posicionar para conse- guirem competir no mercado. Caso a vantagem competitiva seja focada no custo, a empresa necessita desenvolver uma liderança em baixo cus- to (mercado global) ou focar as suas estratégias no custo mais baixo do mercado (mercado específico). Em contrapartida, caso a organização desenvolva uma estratégia de diferenciação, ela necessita que a sua ca- deia de suprimentos seja caracterizada por agregar valor aos produtos e serviços no mercado global, ou atender o consumidor de mercados específicos por meio da diferenciação customizada a esses mercados. Assim, a logística e o SCM estão intimamente ligados à criação de valor, a qual está relacionada a duas premissas principais: tempo e lugar. Produtos e serviços não conseguem gerar valor, a menos que estejam no momento (tempo) e no lugar em que os clientes preferem consumi-los (BALLOU, 2001). Portanto, o principal objetivo da logística e do SCM consiste em maximizar o valor agregado geral. Para isso, é necessário que a cadeia de suprimentos alcance a rentabilidade no ne- gócio (lucros) em todos os seus parceiros (elos). A lucratividade em uma cadeia de suprimentos é a diferença entre a receita gerada pelo cliente e os custos envolvidos nos elos em todo o processo que originou o pedido do cliente. A figura a seguir mostra os principais atores da cadeia de suprimentos, que são os responsáveis pela gestão das receitas e custos no SCM. Figura 10 Principais atores do SCM Fornecedores de materiais Prestadores de serviço Organização Clientes Vyacheslavikus/Shutterstock Fonte: Elaborada pelo autor. As operações realizadas por esses atores, muitas vezes, são inde- pendentes e representam os interesses da organização na busca pela excelência e criação de valor – e até a sua sobrevivência no mercado (BOWERSOX; CLOSS, 2001). Logística e gestão da cadeia de suprimentos 23 Os fornecedores de materiais consistem nos atores que são os res- ponsáveis pelo abastecimento das mercadorias (matérias-primas, in- sumos e recursos) com os menores custos para o funcionamento da cadeia de suprimentos. A organização é a responsável pelo processa- mento dos materiais em produtos acabados ou serviços que serão ofertados e comercializados aos clientes. Os clientes são os consumi- dores dos produtos acabados. Por fim, os prestadores de serviços são os responsáveis pela logística, pela distribuição, pelo assessoramento, pela consultoria e pelo apoio nas operações da cadeia de suprimentos. Dessa forma, a atuação desses atores é muito importante para tornar o processo logístico eficiente, com maior flexibilidade e assertividade no fluxo de mercadorias do fornecedor ao cliente. A figura a seguir ilustra as principais fases de decisão com potencial de gerar valor em uma cadeia de suprimentos. Figura 11 Fases de decisão em um SCM ESTRATÉGIA OU PROJETO DE CADEIA DE SUPRIMENTOS PLANEJAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS OPERAÇÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS Consiste na estruturação e na configuração da cadeia de suprimentos, ou seja, como ela será definida para os próximos anos. Com base nessa definição, são identificados e analisados quais recursos e processos serão alocados, como decisões sobre terceirização ou realização interna, localização da instalação (fábrica, armazém e centro de distribuição), capacidade da operação, centralização ou descentralização dos locais, modos de transporte, rotas a serem percorridas e o sistema de informação a ser utilizado. Um projeto de cadeia de suprimentos adequadamente configurado garante que os objetivos estratégicos sejam alcançados e gera valor ao produto ou serviço entregue ao cliente. Refere-se ao processo de planejamento da cadeia de suprimentos com base na configuração e nas limitações desenvolvidas no momento da definição estratégica do projeto. O objetivo principal dessa fase é procurar maximizar o valor gerado durante o período de planejamento – normalmente de três meses a um ano. O planejamento consiste em decisões sobre os mercados a serem atendidos, questões que envolvem a manufatura (subcontratações, por exemplo), políticas de armazenagem e estocagem e como os produtos ou serviços serão efetivamente comercializados (decisões de marketing e preços). Durante essa fase, é importante considerar os aspectos relacionados à incerteza, às mudanças do mercado e à posição dos concorrentes. Inclui definições de médio e longo prazos (ações e planos) e de curto prazo (definições operacionais e procedimentais). Consiste em ações realizadas no curto prazo (horas, dias ou semanas). As ações da operação são determinadas e fixas, pois já foram elaboradas e criadas nas fases de estratégia e planejamento. Nessa fase, ações são desempenhadas, como o controle dos estoques, dos pedidos (quantidade e prazos), dos tempos de entrega, dos meios de transporte e das reposições necessárias. Assim, o objetivo central é atender aos pedidos realizados pelos clientes de maneira a maximizar o desempenho das operações de atendimento. da vo od a/ Sh ut te rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor com base em Chopra; Meindl, 2011. Assista ao vídeo Cadeia de valor (Porter) | o que é e as 04 dicas incríveis (para trabalhar do jeito certo!), publicado pelo canal Blog Abri Minha Empresa. Ele trata dos principais elementos da cadeia de suprimentos com potencial para gerar valor aos clientes. Disponível em: https://youtu.be/ QkiFJ6Fyiy0. Acesso em: 6 ago. 2021. Vídeo https://youtu.be/QkiFJ6Fyiy0 https://youtu.be/QkiFJ6Fyiy0 24 Logística Empresarial Para que uma logística seja eficientemente gerenciada, é muito im- portante que ela esteja inserida dentro do contexto da gestão da ca- deia de suprimentos. Assim, o SCM necessita conter os aspectos que envolvem a gestão logística, para que os processos sejam eficientes e causem benefícios a todos os elos participantes. 1.3 Elementos da gestão logística Vídeo Nesta seção, trataremos especificamente dos principais elementos que compõem a gestão da logística nas organizações. Muitas vezes, esta consiste na integração de diversos processos e ações que visam melhorar o fluxo de materiais, desde o fornecedor até o consumidor final. Entretanto, primeiro, vamos entender o conceito de gestão. A gestão empresarial consiste em uma ciência social aplicada rela- cionada aos conhecimentos necessáriospara a administração de uma empresa, com o propósito de alcançar os objetivos e as metas determi- nados. Basicamente, uma empresa é constituída de recursos organiza- cionais, que são os responsáveis por representar os principais aspectos que envolvem um negócio, conforme mostra a figura a seguir. Recursos organizacionais Administrativos Gestão administrativa Operacionais Produção, logística e operações Financeiros Capital financeiro empregado na empresa Pessoais/Humanos Pessoas e comportamentos Mercadológicos Mercado interno e externo Fa uz yS to re /S hu tte rs to ck Figura 12 Principais recursos organizacionais Fonte: Elaborada pelo autor. 1 2 3 4 5 • Conhecer os princi- pais fatores-chave de desempenho logístico. • Compreender que os fatores-chave são fundamentais para que a gestão da logística e da cadeia de suprimentos seja realizada de manei- ra eficiente e competitiva pelas empresas. Objetivos de aprendizagem Logística e gestão da cadeia de suprimentos 25 Gerenciar uma organização, portanto, envolve o desenvolvimento e o trabalho do planejamento (planejar ações relativas ao futuro, isto é, as próximas ações), da organização (estabelecer ordens de atividades e processos), da direção e execução (conduzir as ações, garantindo que o que foi planejado seja executado de maneira eficiente) e do controle e avaliação (analisar os resultados e as proposições de alteração ou melhoria). Essas são as principais funções do ato de administrar ou ge- renciar uma empresa. Assim, realizar uma gestão eficiente na organização consiste em ações integradas nos vários setores da empresa, por meio da associa- ção dos processos, das atividades e das informações, proporcionan- do uma visão sistêmica e objetiva das operações que apontem para o trajeto desejado. Com isso, uma adequada gestão consegue tomar decisões assertivas que geram potencial de crescimento do negócio. Nesse sentido, a gestão logística é o gerenciamento do processo integrado que combina as diversas ações e atividades relacionadas ao fluxo de materiais, do fornecedor ao consumidor final, em uma cadeia de suprimentos. 1.3.1 Fatores-chave de desempenho Alguns fatores-chave de desempenho logístico e da cadeia de supri- mentos são importantes. A figura a seguir mostra os principais. Figura 13 Fatores-chave de desempenho Fonte: Elaborada pelo autor. Fatores-chave de desempenho Instalações Estoque Transporte Informação Compras – sourcing Precificação – pricing 26 Logística Empresarial Vamos conhecer, em detalhes, cada um desses fatores-chave de de- sempenho logístico da cadeia de suprimentos, com base em Chopra e Meindl (2011). As instalações referem-se aos locais físicos e às estruturas onde os produtos são fabricados, montados ou armazenados. Observe na figura a seguir a importância dos diferentes tipos de instalações para o desempenho logístico. Figura 14 Tipos de instalações M ac ro ve ct or /S hu tte rs to ck A decisão sobre as instalações está ligada à sua localização, à capa- cidade da infraestrutura e à sua flexibilidade. Esses aspectos influen- ciam diretamente o desempenho logístico e da cadeia de suprimentos. Um atacadista, por exemplo, deve decidir entre ter diversos pontos de atendimento (melhoria no atendimento) espalhados e próximos aos clientes e reduzir sua eficiência operacional (pelo maior número de lo- cais), ou centralizar a sua distribuição em apenas um local (menor nível de atendimento), com maior eficiência. O estoque consiste em todos os materiais necessários, desde o re- cebimento da mercadoria, passando pelo processo de movimentação e transformação, até o momento de sua armazenagem e posterior embar- que para a distribuição (na empresa e em sua cadeia de suprimentos). As políticas de estoque podem influenciar a eficiência das opera- ções, pois a estratégia adotada – manter altos estoques para atender às necessidades do cliente, ou manter menos estoques para melhorar os custos de armazenagem – faz com que a organização desenvolva a sua competência competitiva de acordo com os objetivos traçados. Na Figura 15, observe a disposição dos estoques em um centro de distribuição. A organização, por meio da otimização da estoca- gem, estrutura o processo de armazenagem em sistemas elevados, em que os estoques podem ser agrupados em prateleiras sobre- postas, aproveitando os espaços com maior eficiência. Ao mesmo tempo, o uso de equipamentos como empilhadeiras, sistemas de elevação, carrinhos de movimentação etc. é necessário para tornar o processo de depósito e retirada mais eficiente. Uma das maiores re- des varejistas do mercado de vestuário, a espanhola Zara, é um dos principais exemplos de como o gerenciamento dos estoques gera vantagem competitiva para a empresa. Veja mais sobre o sistema de estoque e operações da Zara no link a seguir. Disponível em: https:// analistamodelosdenegocios.com. br/modelo-de-negocio-da-zara/. Acesso em: 6 ago. 2021. Saiba mais Figura 15 Armazém com produtos em estoque Maha Heang 245789/Shutterstock Logística e gestão da cadeia de suprimentosLogística e gestão da cadeia de suprimentos 2727 https://analistamodelosdenegocios.com.br/modelo-de-negocio-da-zara https://analistamodelosdenegocios.com.br/modelo-de-negocio-da-zara https://analistamodelosdenegocios.com.br/modelo-de-negocio-da-zara Com relação ao transporte, este envolve o processo de movimenta- ção do estoque de um ponto a outro dentro da organização ou da cadeia de suprimentos. Diversas combinações de transporte podem ser configu- radas (tipos de rotas, tipos de transporte/modais, entre outros), as quais influenciam a capacidade de movimentação da carga e a sua eficiência. Observe na Figura 16 os vários tipos de modais de transporte exis- tentes (rodoviário, marítimo, aéreo, ferroviário, dutoviário e internet). O uso de um modal, ou a combinação de dois ou mais deles, permite o aumento da capacidade de transporte e a melhora da eficiência da operação, com a redução dos custos envolvidos no processo. Uma das principais organizações cuja essência do seu negócio está funda- da no transporte de cargas é a FedEx 4 . A empresa, uma das maiores do mundo em transporte e movimentação de cargas, utiliza diversos sistemas e modais de transporte para aumentar a eficiência e a velo- cidade da sua operação. Já a informação consiste na identificação e na análise dos dados referentes a todo o processo logístico, que envolve as instalações, os estoques, o transporte, os custos, os preços, os fornecedores e os clien- tes. Ela é muito importante para o processo de gestão logística e da cadeia de suprimentos, pois é a responsável pela integração de dados Clique no link a seguir para conhecer mais sobre a FedEx. Disponível em: https://www.fedex. com/pt-br/home.html. Acesso em: 6 ago. 2021. 4 Suwin/Shutterstock 2828 Logística EmpresarialLogística Empresarial Figura 16 Tipos ou modais de transporte https://www.fedex.com/pt-br/home.html https://www.fedex.com/pt-br/home.html Logística e gestão da cadeia de suprimentos 29 e informações e pela padronização dos processos, ajustando-os ao mo- delo de negócio proposto. Figura 17 Informação na logística M ac ro ve ct or /S hu tte rs to ck Rastreamento das entregas Entregas rápidas e no momento certo Frete marítimo Armazém de produto Carga aérea Pacote Em bar que s Log ísti ca A Figura 17 mostra a importância da informação na integração das operações logísticas em uma cadeia de suprimentos. Ela tem a capaci- dade de processar dados que podem ser compartilhados por todos os elos do SCM, tornando as decisões mais rápidas e assertivas. O fator compras, ou sourcing, envolve o processo de aquisição de materiais e a busca pela fonte dos recursos que suprem as atividades de produção, estocagem e armazenamento, distribuição e análise de informações (também denominada em inglês de procurement). A figura ao lado mostra as compras e seu processo deintegração na organização e na cadeia de suprimentos. Decisões como realizar internamente ou terceirizar afetam a capacidade organiza- cional de responder eficientemente à demanda e sua relação de custos. Por exemplo, uma empresa que tem suas fábricas distantes, instaladas em países de baixo custo, reduz custos, mas tem as suas operações prejudi- Figura 18 Compras na logística Acesse o site ILOS para saber mais sobre a importância do sistema de informação logísti- ca para o aumento da competitividade. Disponível em: https://www.ilos. com.br/web/a-importancia-de- sistemas-de-informacao-para-a- competitividade-logistica/. Acesso em: 13 jul. 2021. Saiba mais Panchenko Vladimir/Shutterstock COMPRAS Leia o Capítulo 1 do livro Gestão da cadeia de suprimentos: estratégia, planejamento e operações. Ele traz importantes ele- mentos sobre a logística e a cadeia de suprimen- tos, com exemplos de empresas reais. CHOPRA, S.; MEINDL, P. 4. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. Livro https://www.ilos.com.br/web/a-importancia-de-sistemas-de-informacao-para-a-competitividade-logistica https://www.ilos.com.br/web/a-importancia-de-sistemas-de-informacao-para-a-competitividade-logistica https://www.ilos.com.br/web/a-importancia-de-sistemas-de-informacao-para-a-competitividade-logistica https://www.ilos.com.br/web/a-importancia-de-sistemas-de-informacao-para-a-competitividade-logistica 30 Logística Empresarial cadas com relação ao atendimento ao mercado (maior demora no abas- tecimento). Outro exemplo são as empresas terceirizadas que buscam melhorar o sistema de resposta à demanda, sem que a redução de custos seja prejudicada; por exemplo, a empresa Flextronics 5 . Por fim, o fator precificação, ou pricing, envolve a determinação de quanto uma organização cobra pelos produtos e serviços. Estratégias que envolvem a precificação podem ser especificamente relacionadas à diferenciação do preço com o aumento da qualidade e a melhoria na resposta ao cliente, ou ao baixo custo, que envolve uma oferta de produtos e serviços com preços competitivos e mais acessíveis ao consumidor. Outras estratégias envolvem um sistema de precificação por meio do uso de diversos canais de atendimento (denominados de omnichannel) e o uso intensivo de dados e informações de compras dos clientes – considerando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Esse é o caso do Alibaba 6 , uma das maiores empresas globais. Para administrar a logística e a cadeia de suprimentos de manei- ra adequada e competitiva, portanto, é muito importante que esses fatores-chave sejam considerados e presentes no processo de geren- ciamento das operações. Considerá-los e gerenciá-los adequadamen- te permite à organização ser eficiente nas suas atividades logísticas e, consequentemente, atender efetivamente o seu consumidor final. CONSIDERAÇÕES FINAIS A logística e a gestão da cadeia de suprimentos são atividades muito im- portantes para as operações de atendimento da empresa ao seu cliente. Assim, as organizações que objetivam o sucesso competitivo no mercado (interno e externo) passam a depender do relacionamento e da integração com os seus parceiros de negócio (fornecedores, terceirizados e clientes). Dessa maneira, o processo da logística empresarial exige que os adminis- tradores da organização desenvolvam características de gestão relativas à maior flexibilidade, agilidade e compreensão sobre as mudanças. Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos, isto é, o desenvolvimento de novos equipamentos de movimentação e criação de sistemas de con- trole de estoques e distribuição, têm proporcionado à logística e à gestão da cadeia de suprimentos nas empresas uma evolução contínua para no- vos patamares competitivos. Essa evolução permite às organizações con- seguir melhor estruturar os seus processos e desenvolver avanços para atender adequadamente aos seus consumidores. Clique no link a seguir para saber mais sobre o sistema de negócio da empresa Flextronics. Disponível em: https://www. istoedinheiro.com.br/flextronics- -a-maior-montadora-do-mundo/. Acesso em: 6 ago. 2021. 5 Clique no link a seguir para saber mais sobre a estratégia da empresa Alibaba. Disponível em: https://www.clien- tesa.com.br/artigos/68723/o-novo- -varejo-e-a-evolucao-dos-clientes. Acesso em: 6 ago. 2021. 6 https://www.istoedinheiro.com.br/flextronics-a-maior-montadora-do-mundo/ https://www.istoedinheiro.com.br/flextronics-a-maior-montadora-do-mundo/ https://www.istoedinheiro.com.br/flextronics-a-maior-montadora-do-mundo/ https://www.clientesa.com.br/artigos/68723/o-novo-varejo-e-a-evolucao-dos-clientes https://www.clientesa.com.br/artigos/68723/o-novo-varejo-e-a-evolucao-dos-clientes https://www.clientesa.com.br/artigos/68723/o-novo-varejo-e-a-evolucao-dos-clientes Logística e gestão da cadeia de suprimentos 31 Assim, a organização deve entender a logística e a cadeia de suprimen- tos em que está inserida, as quais consistem em um fundamento impor- tante para que as empresas sejam eficientes, competitivas e busquem a melhoria contínua em suas operações. ATIVIDADES Atividade 1 Explique por que a logística é considerada um paradoxo. Atividade 2 Qual é o impacto dos fatores de complexidade para a gestão da logística e da cadeia de suprimentos? Atividade 3 Por que compreender os fatores-chave de desempenho é impor- tante para a gestão logística? REFERÊNCIAS BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2001. BERTAGLIA, P. R. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. São Paulo: Saraiva, 2003. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gestão da cadeia de suprimentos: estratégia, planejamento e operações. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. CHRISTOPHER, M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. São Paulo: Cengage Learning, 2011. CORRÊA, H. L. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. CSCMP Supply Chain Management Definitions and Glossary. CSCMP, 2021. Disponível em: https://cscmp.org/CSCMP/Educate/SCM_Definitions_and_Glossary_of_Terms.aspx. Acesso em: 6 ago. 2021. FLEURY et al. Logística empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. PORTER, M. E. Vantagem competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1990. SIMCHI-LEVI, D. et al. Cadeia de suprimentos: projeto e gestão. Porto Alegre: Bookman, 2003. TAYLOR, D. A. Logística na cadeia de suprimentos: uma perspectiva gerencial. São Paulo: Pearson Addison-Wesley, 2005. https://cscmp.org/CSCMP/Educate/SCM_Definitions_and_Glossary_of_Terms.aspx 32 Logística Empresarial 2 Estratégia e competitividade na gestão logística A gestão estratégica e competitiva da logística e da cadeia de supri- mentos (SCM) demanda que a organização atenda fundamentalmente às necessidades do cliente. A análise estratégica pressupõe que a compe- titividade de uma empresa e de sua cadeia de suprimentos é destacada pelos melhores procedimentos adotados, os mais eficientes e que geram maior valor agregado aos produtos e serviços oferecidos. Assim, pensar em estratégia e competitividade na gestão logísti- ca significa compreender e desenvolver mecanismos e processos que possibilitem o melhor fluxo dos produtos e serviços (menor tempo e cus- to e maior rapidez e agilidade) nas entregas ao cliente, proporcionando valor que seja efetivamente reconhecido e valorizado por quem consome. Este capítulo, portanto, visa descrever o sistema estratégico de com- petitividade logística e como o mapeamento dos processos deve ocorrer. O entendimento das estratégias logísticas é fundamental para a melhoria contínua dos processos e fluxos de produtos e serviços, tornando-os mais eficientes e valiosos ao cliente. 2.1 Estratégia e posicionamento na rede logística Vídeo O interesse na estratégia logísticae de gerenciamento da cadeia de suprimentos ou SCM (supply chain management, em inglês) tem se veri- ficado crescente nos meios tanto acadêmico quanto empresarial, cor- porativo. Essa preocupação com a logística e a sua cadeia constitui um dos principais elementos que compõem a experiência competitiva da organização no mercado. Ser competitivo, basicamente, significa atuar de maneira a atender às necessidades dos clientes (e ser valorizado por eles), por meio de desempenho superior à concorrência. Esse de- sempenho vale para os processos logísticos da organização e para os relativos à sua cadeia de suprimentos. Estratégia e competitividade na gestão logística 33 A gestão da logística e da cadeia de suprimentos demanda que a or- ganização desenvolva diversas ações planejadas e estratégicas, as quais visam analisar continuamente as operações e atividades realizadas. 2.1.1 Entendendo o que é estratégia e posicionamento Para que possamos compreender o papel da estratégia na com- petitividade logística, precisamos inicialmente entender o conceito de estratégia, que consiste em “realizar de maneira diferente as ativida- des que os concorrentes realizam e que, por conseguinte, geram uma vantagem competitiva” (BERTAGLIA, 2003, p. 37). Ao mesmo tempo, para Porter (1990, p. 22), a estratégia “de uma unidade empresarial é o cami- nho para a vantagem competitiva que determinará o seu desempenho”. Os conceitos apresentados mostram a importância da estratégia para as organizações, pois ela é o processo de adaptação, mudança, transformação e desenvolvimento de ações que visam aumentar o ní- vel competitivo e de excelência, agregando valor ao cliente e sustentan- do o negócio no longo prazo. A estratégia é materializada na empresa por meio de sua inser- ção em um plano estratégico, o qual é composto de diversos ele- mentos que norteiam suas ações em direção ao alcance dos seus objetivos. A figura a seguir ilustra alguns dos principais elementos de um plano estratégico. Figura 1 Elementos do plano estratégico Fonte: Elaborada pelo autor. af af .a sf /F au zy St or e/ Sh ut te rs to ck Análise dos ambientes interno e externo Missão, visão e princípios norteadores Objetivos Estratégias Prazos e responsáveis • Estudar os elementos que compõem o planejamento e a estratégia logística. • Distinguir os níveis de decisão estratégica e as principais etapas para a elaboração de uma estra- tégia logística e da rede de suprimentos. Objetivos de aprendizagem 34 Logística Empresarial Vamos conhecer esses principais elementos. A análise dos ambien- tes interno e externo é a análise do ambiente organizacional. Uma das principais ferramentas a ser utilizada nesse momento é a matriz SWOT 1 , a qual envolve a análise interna da organização (pontos fortes e fracos) e a externa (oportunidades e ameaças). Isso permite que a empresa conheça e entenda o seu ambiente de negócios e quais são as suas principais características que devem ser reforçadas ou mesmo melhoradas. O entendimento do seu ambiente de negócios permite à organização se posicionar melhor diante dos desafios e das oportuni- dades oferecidos pelo mercado. A missão é a razão de existência da empresa e quais os produtos ou serviços oferecidos por ela ao mercado. Possui um fundamento filosófico que norteia as ações organizacionais e posiciona-as com relação ao mercado de atuação. Já a visão é o posicionamento e o direcionamento dos rumos que a empresa está tomando e como ela pretende ser no médio e longo prazo. Retrata como a empresa se en- xerga nos próximos anos e décadas. Por fim, os princípios norteado- res são os valores que posicionam e orientam a organização em suas ações. A ética, a satisfação do cliente, o compliance, a valorização das pessoas, a melhoria contínua da qualidade, entre outros, são alguns exemplos de princípios. Os objetivos são o “lugar” onde a empresa quer chegar no futu- ro, ou seja, qual posição ela quer estabelecer. Servem como direcio- nadores da organização, fundamentando as ações, as atividades e os processos em determinado sentido e direção. Aumentar o faturamen- to, reduzir os custos operacionais, melhorar o relacionamento com os clientes e fornecedores, aumentar a eficiência do transporte e otimizar os estoques são alguns exemplos de objetivos a serem alcançados. Já as estratégias são as responsáveis pela determinação das ações e pelo desenvolvimento dos processos a serem realizados para o al- cance de objetivos e posições organizacionais estabelecidos. Portanto, consistem na operacionalização das atividades da empresa em direção aos objetivos traçados. Finalmente, os prazos são os momentos em que cada ação, ativi- dade e processo deve ser realizado, dentro de um planejamento inte- Sigla para strengths (pon- tos fortes); weaknesses (pontos fracos); opportunities (oportunida- des); e threats (ameaças). 1 compliance: atuação dentro de regras e pro- cedimentos aprovados e adequados interna e externamente. Glossário Estratégia e competitividade na gestão logística 35 grado e conjunto com as diversas áreas da empresa. Além dos prazos determinados, são estabelecidos os responsáveis (pessoas ou áreas) para o desenvolvimento dessas ações. Em uma organização, a estratégia e o posicionamento também po- dem ser divididos em, pelo menos, três níveis principais de decisão es- tratégica (Figura 2). O objetivo é distribuir as decisões em níveis que possam atender aos diversos objetivos da empresa. Definir o plano estratégico e, consequentemente, considerar a logística e a cadeia de suprimentos nesse contexto é fundamental para que a organização de- senvolva competência competitiva e melhore seus resultados. Figura 2 Níveis de decisão estratégica Trata-se de organizações que possuem mais de uma unidade de negócios, sendo direcionadas de acordo com as estratégias norteadoras da unidade central. Envolve a definição das ações que cada unidade de negócio deve realizar. Esse nível refere-se à maneira de gestão das unidades, por meio da análise com- petitiva junto aos seus fornecedores, clientes, concorrentes e ambiente de negócios. Envolve o menor nível, ou mais específico, em que são elaboradas as estratégias de operações, flu- xo, relacionamento na cadeia de suprimentos, armazenagem de produtos, distribuição e entrega, entre outros. Corporativa Competitiva Funcional Al ek sa nd r B ryl iae v/ Sh ut te rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor com base em Corrêa, 2010. Em organizações menores, os três níveis de decisão estratégica po- dem não ser facilmente reconhecidos. No entanto, é importante que a pequena e a média empresa considerem, pelo menos, dois níveis de decisão: um mais relacionado às propostas da organização e outro di- recionado às ações específicas de cada área. 36 Logística Empresarial 2.1.2 Estratégia competitiva na logística e na cadeia de suprimentos Desenvolver uma adequada estratégia logística e de cadeia de supri- mentos, que possa ser competitiva, demanda algumas etapas a serem cumpridas para o entendimento e a caracterização dos produtos e servi- ços oferecidos pela empresa. Basicamente, esse entendimento permite que a organização consiga determinar a melhor estruturação de sua ca- deia de suprimentos, aprimorando as suas operações e aumentando a sua competitividade. A figura a seguir ilustra as principais etapas. Figura 3 Etapas de elaboração estratégica logística Etapa 1 Etapa 2 Etapa 3 Tipo de produto ou serviço Tipo de cadeia de suprimento Relação produto e cadeia de suprimento Vyac hes lav iku s/S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor com base em Corrêa, 2010. Na etapa 1 é importante que a organização reconheça o tipo de produto ou serviço ofertado ao mercado. Os produtos podem ser classificados em funcionais e inovadores. Os funcionais são aqueles consumidos no dia a dia, em geral, “commoditizados”, que as pessoas compram, por exemplo, de vários canais varejistas, comoprodutos de limpeza, de mercearia, chocolates, salgadinhos e combustíveis. Já os inovadores são aqueles diferenciados, com valor agregado relevante, lançados, em geral, com ciclo de vida mais curto e demanda menos previsível. São oferecidos ao consumidor atribuindo-lhes outras razões para comprá-los, além da questão do menor preço. Após a determinação da característica dos produtos ou serviços ofe- recidos, é importante entender os principais aspectos dos processos que os envolvem. Segue-se, então, à etapa 2. Como os produtos fun- cionais devem estar sempre disponíveis para o cliente, exigem que a cadeia de suprimentos seja pautada pela eficiência de seus processos. A sua demanda é contínua e relativamente prevista, portanto devem estar à disposição no momento exato de seu consumo e com os meno- commodity: produto comum e de baixo valor agregado. Glossário Estratégia e competitividade na gestão logística 37 res preços possíveis. Já os produtos inovadores requerem que a estru- tura da cadeia de suprimentos tenha a agilidade, flexibilidade e rapidez necessárias para o atendimento de um produto com demanda instável e imprevisível. Eles exigem uma cadeia de resposta mais rápida e que possa atender às situações inesperadas de sua demanda. Na etapa 3 é necessário estruturar a estratégia logística e da ca- deia de suprimentos mais adequada a cada tipo de produto ou serviço oferecido. Uma cadeia de suprimentos também pode ser considera- da uma rede de suprimentos, pois, em muitos casos, uma empresa relaciona-se com diversos parceiros de negócio diferentes (fornecedo- res, clientes e terceirizados), formando realmente uma grande rede de conexões e operações integrada. O quadro a seguir mostra a matriz de adequação dessa etapa. Quadro 1 Matriz de adequação Produto funcional Produto inovador Rede de suprimento eficiente Adequado Inadequado Rede de suprimento de resposta rápida Inadequado Adequado Fonte: Fischer, 1997 apud Corrêa, 2010, p. 39. O quadro mostra que a estratégia mais adequada para os produtos funcionais é a configuração de rede de suprimentos eficiente, pois per- mite que os processos e recursos sejam organizados de modo a reduzir custos e realizar as reposições e disponibilidades de produtos de maneira mais eficaz. Já a rede de resposta rápida é mais adequada aos produtos inovadores, pois possibilita que a rede de suprimentos seja mais flexível e adaptável, de acordo com uma demanda instável e incerta. Leia o Capítulo 2 do livro Gestão de redes de supri- mento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. Ele traz impor- tantes elementos sobre a logística e a cadeia de su- primentos, com exemplos de empresas reais. CORRÊA, H. L. São Paulo: Atlas, 2010. Leitura 2.2 Fluxo de informações, de bens e serviços Vídeo O fluxo logístico é a movimentação (interna e externa) dos recursos organizacionais, como os bens materiais, a informação e os valores fi- nanceiros, ao longo do SCM. A análise e o controle da movimentação desses recursos fazem com que as operações logísticas aconteçam de maneira efetiva, com todos os elos da cadeia verificando as vantagens e sustentando o negócio. 38 Logística Empresarial A gestão logística e da cadeia de suprimentos demanda que a iden- tificação e a análise dos fluxos logísticos sejam efetivamente verificadas e entendidas para a realização da melhor estratégia de ação. Esse processo envolve o desenvolvimento de diversas ações ope- racionais e estratégicas, devendo ser implementado para que os elos da cadeia obtenham os recursos necessários para a sustentabilidade (e sobrevivência) dos negócios. Esses recursos devem ser eficiente- mente planejados, organizados, gerenciados e controlados, para que os objetivos organizacionais sejam alcançados. Dessa maneira, estu- dar e compreender a relevância do gerenciamento dos fluxos logísti- cos dentro da cadeia de suprimentos consiste em identificar e analisar as principais atividades e operações presentes nela, gerenciando-as e dimensionando-as, com vistas a proporcionar a entrega de valor e o ganho competitivo do negócio. Compreender a logística e a cadeia de suprimentos pressupõe o fluxo que o cliente faz ao realizar a compra do produto ou serviço no varejo. O consumidor abastece o SCM com o fluxo monetário (o seu pagamento vai ser distribuído a todos os elos da cadeia de suprimen- tos). Em contrapartida, do outro lado da cadeia, o fornecedor disponi- biliza os bens ou serviços que fluirão pelos outros elos da cadeia até chegarem ao consumidor. Nesse processo logístico, a troca, tanto de informações quanto de bens e serviços, entre os elos deve ser eficiente e contínua. A figura a seguir apresenta os três principais tipos de fluxos dentro da logística e da cadeia de suprimentos. Figura 4 Principais fluxos da cadeia logística Vyacheslavikus/Shutterstock Bens e serviços Monetário Informação Fonte: Elaborada pelo autor. Vamos conhecê-los em maiores detalhes nas subseções a seguir. 2.2.1 Fluxo de bens e serviços Refere-se ao movimento de matérias-primas, componentes e pro- dutos acabados nos vários elos da cadeia de suprimentos. O objetivo principal da identificação, da análise e do controle do fluxo de bens e Aprender sobre os princi- pais tipos de fluxo logístico, desde a análise do sistema de movimentação até o posicionamento estratégico e competitivo que envolve a sua adoção. Objetivo de aprendizagem Estratégia e competitividade na gestão logística 39 serviços é que o produto ou serviço tenha o seu valor agregado a cada momento da cadeia de suprimentos, com os posteriores reconheci- mento e compra pelo cliente. O porte da empresa e o tamanho de sua rede de suprimentos não são considerados relevantes no processo de análise desse fluxo. Pelo contrário, as atividades e operações de como as mercadorias são adquiridas e movimentadas na empresa e, em seguida, vendidas e dis- tribuídas são aspectos muito importantes a serem adotados. A figura a seguir ilustra o fluxo de bens e serviços sob a perspecti- va de três dimensões principais: o sistema de compras, as operações internas (fabricação, movimentação e estocagem) e a distribuição do pacote de valor. Figura 5 Dimensões do fluxo de bens e serviços Compras Atividades Distribuição Fluxo de bens e serviços Vyac hes lav iku s/S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor. As compras (sistema de suprimento) são as atividades inerentes ao processo de aquisição de materiais (matérias-primas, componentes ou produtos) pela organização. Essas atividades, desde a requisição e compra até o abastecimento da mercadoria adquirida na empresa, en- volvem uma variada gama de processos de recebimento. No contexto 40 Logística Empresarial interno da organização, as compras ativam os processos de descarga e recebimento do material adquirido, sua movimentação e sua armaze- nagem (isto é, o espaço disponível e suas condições), as pessoas envol- vidas, o trajeto a ser percorrido, a quantidade de itens e o sistema de estocagem. Dessa forma, essa dimensão trata da movimentação das mercadorias, desde o fornecedor até a disponibilização eficiente, para que sejam utilizadas pela empresa. As atividades referem-se às operações realizadas internamente na empresa, relacionadas à movimentação, ao uso e ao manuseio das mercadorias compradas. Essa dimensão trata da movimentação e do controle dos produtos no recebimento, na movimentação, na armaze- nagem, no controle, na transformação (fabricação) e no preparo para a distribuição. O principal aspecto abordado nas atividades diz respeito ao alcance da eficiência do fluxo das mercadorias, com a redução de custos operacionais e a melhoria da movimentação das cargas. Por fim, a distribuição trata do processo de entrega do pacote de valor (de bens e serviços) ao consumidor final. Sua movimentação caracteriza-se por apresentar a locomoção das mercadorias, da estoca- gem na empresa até a entrega ao cliente. A organização efetivaa distri- buição das mercadorias por meio de diversos modos próprios (modais disponíveis) ou terceirizados. Outro aspecto importante é a ação inte- grada com o marketing, ao agregar valor aos pacotes oferecidos e en- tregues (tempo, prazo, custo, estado da mercadoria, entre outros). Esse fluxo refere-se à manufatura da mercadoria pelo fornecedor, a sua ar- mazenagem e a sua efetiva distribuição ao cliente que a adquiriu. 2.2.2 Fluxo de informação Caracteriza-se, na logística, por apresentar a troca de dados e in- formações entre os parceiros de negócio da cadeia de suprimentos. O fluxo é bidirecional, ocorrendo de um lado a outro, com vistas à in- tegração de informações que possam contribuir para a melhoria das operações e a redução dos custos do processo. A integração das in- formações permite que os elos da cadeia de suprimentos realizem, de maneira conjunta, o planejamento e o controle das operações, propor- cionando a busca pela sua coordenação conjunta e melhoria do pro- cesso de gestão logística. Estratégia e competitividade na gestão logística 41 O fluxo de informação inadequado gera descoordenação e falta de integração nas atividades, prejudicando o desempenho logístico. A fi- gura a seguir ilustra o fluxo de informação e o fluxo monetário (ou financeiro) dentro da cadeia de suprimentos. Figura 6 Fluxo de informação e fluxo financeiro na cadeia logística Cadeia de suprimentos Fluxo de informação Usuário final Gestão de informações: fornecedores, clientes, atividades internas e distribuição. Fluxo financeiro Fluxo financeiro Organização Fluxo financeiro Fluxo de bens Fluxo de bens Compras P&D Produção Logística Comercial Finanças Gestão estratégica da rede (projeto da rede, gestão de risco, alinhamento de incentivos) Fonte: Adaptada de Corrêa, 2010. Percebemos na figura que a troca contínua e em tempo real de informações possibilita a integração dos diversos elos da cadeia, permitindo que as operações e os processos possam ser coordena- dos de maneira eficiente. Veja, por exemplo, uma empresa fabricante de peças automotivas e sua distribuição para uma rede varejista de lojas. A troca de informa- ções entre elas permite que a organização realize um adequado plane- jamento de fabricação das peças, reduzindo os custos e melhorando a movimentação de seu material. Assim, todos os elos podem se bene- ficiar dos ganhos competitivos e gerar maior valor agregado ao cliente final. O impacto na melhoria das operações entre os elos da cadeia de suprimentos é significativo quando eles estão dispostos a trocar infor- mações e alinhar os processos operacionais. Outro importante elemento do fluxo de informação é o monitora- mento e controle das operações conjuntas. A integração da informação 42 Logística Empresarial permite que o controle do fluxo de produtos seja mais eficiente, desde a chegada da mercadoria, sua fabricação, estocagem até a distribuição. Dessa maneira, o fluxo adequado da informação é muito importan- te para a gestão logística, contribuindo para o funcionamento e a inte- gração das operações da cadeia de suprimentos. 2.2.3 Fluxo monetário É o responsável pelo abastecimento do dinheiro dentro da cadeia de suprimentos, permitindo que todos os elos possuam valor mone- tário para o seu funcionamento. Os elos da cadeia de suprimentos são empresas que possuem objetivos específicos a serem alcançados e que, portanto, necessitam que as suas atividades agreguem valor e rentabilidade aos negócios. Na Figura 6 vimos que o fluxo monetário parte da compra do produto ou serviço pelo cliente. Desse ponto em diante, por meio do pa- gamento do usuário final, outros elos recebem o valor monetário correspondente à sua participação no processo que agregou valor ao produto final. A compreensão do fluxo financeiro sugere que a cadeia de supri- mentos seja analisada dentro de uma visão sistêmica e estratégica, em que cada elo contribui com a sua parcela no desenvolvimento do valor do produto final. Dessa maneira, a participação de cada elo torna-se muito importante no processo de criação de valor, encarecendo-o ou reduzindo os seus custos, e está diretamente relacionada à competiti- vidade de toda a cadeia de suprimentos. 2.2.3.1 Custos de transação Consistem na análise financeira que envolve as transações entre produtos e serviços. Uma transação trata de diversas atividades que potencialmente geram custos na operação, como a facilidade ou a di- ficuldade na busca por fornecedores, a informação sobre produtos e serviços disponíveis, a confecção de contratos, a cotação de preços, a disponibilidade de itens necessários, entre outros. Segundo Corrêa (2010), os custos de transação são analisados por, pelo menos, quatro fatores principais: a quantidade de fornecedores potenciais que podem ser localizados para a aquisição de determinado ativo (bem); as características dos ativos envolvidos na transação (sim- ples ou complexos); a incerteza que envolve a transação pelo número Estratégia e competitividade na gestão logística 43 limitado de informações sobre a transação; e a frequência com que as transações ocorrem. A figura a seguir ilustra os fatores que influenciam os custos de transação. Figura 7 Fatores que influenciam os custos de transação. Baixo custo de transação Alto custo de transação Alto Baixa Baixa Baixa Baixo Alta Alta Alta Número de potenciais fornecedores Especificidade de ativos do cliente Incerteza envolvida Frequência envolvida Fonte: Corrêa, 2010, p. 47. A figura mostra que os menores custos de transação envolvem um elevado número de fornecedores, pela facilidade de encontrar o forne- cedor adequado, baixa especificidade de ativos (podem ser utilizados de diversas maneiras), baixa incerteza envolvida (as perturbações nas operações são reduzidas) e baixa frequência (diretamente relacionada ao número de transações realizadas). Entretanto, os maiores custos de transação ocorrem quando existem poucas opções de fornecedores, elevada especificidade dos ativos transacionados e alta incerteza e fre- quência nas transações. Assim, o estudo rigoroso dos custos de transação é um impor- tante elemento a ser considerado para a redução do fluxo monetá- rio em particular e a melhoria contínua das operações logísticas no contexto mais amplo. 2.2.3.2 Competências centrais Outro aspecto importante refere-se à análise das competências cen- trais (core competences, em inglês) da organização. Elas podem ser de- finidas como o conjunto de competências (habilidades, conhecimentos e tecnologias) únicas da organização e que a diferenciam das demais empresas, sendo difícil de serem copiadas pelos concorrentes (HAMEL; PRAHALAD, 1994). Assim, elas consistem na capacidade organizacional de possuir excelência na competição de produtos e serviços. A figura 44 Logística Empresarial a seguir demonstra as principais características que a empresa precisa ter, de modo a reconhecer competências centrais. Figura 8 Características das competências centrais m at sa be /S hu tte rs to ck Valor para o cliente A organização necessita possuir características competitivas que geram valor relevante para o cliente. Este percebe e reconhece o valor como algo que é oferecido, de maneira exclusiva, pela empresa. Diferenciação sobre a concorrência Existem características únicas da organização que a diferenciam dos demais concorrentes, tornando-a competitivamente reconhecida no mercado. Como exemplo, podemos citar as empresas Avon Brasil e Natura, que possuem elevada expertise (conhecimento acumulado) em distribuição de produtos nas casas dos clientes. Extendabilidade A empresa possui a capacidade de aproveitar o seu conhecimento e estender as suas operações para a prestação de serviços similares ou mesmo complementares. Um exemplo é a Avon Brasil, que utilizou o seu conhecimento em distribuição eficiente de produtos de beleza para distribuir também calçados. Hoje a empresa é considerada uma das maiores distribuidorasdesse tipo de produto no Brasil. Fonte: Elaborada pelo autor com base em Hamel; Prahalad, 1994. As competências centrais devem ser reconhecidas pela organização como um importante elemento competitivo para que ela possa desen- volver os negócios de maneira diferenciadora e exclusiva. A figura a se- guir apresenta as características descritas anteriormente e o processo de reconhecimento de uma competência central. Compe- tência não central Compe- tência central Baixo Baixa Baixa Alto Alta Alta Valor para o cliente Diferenciação sobre a concorrência Extendabilidade Figura 9 Reconhecimento da competência central Fonte: Corrêa, 2010, p. 49. Estratégia e competitividade na gestão logística 45 A figura mostra que uma competência central, para ser efeti- vamente reconhecida pela empresa, necessita oferecer um valor elevado ao cliente, possuir características que a diferenciem da con- corrência e apresentar possibilidade de estender as suas operações a outros produtos e serviços. 2.3 Fluxos puxados, empurrados e híbridos Vídeo O fluxo de bens materiais consiste na análise estratégica da característica do fluxo necessário e predominante na cadeia de supri- mentos, o qual pode ser empurrado (push, em inglês), puxado (pull, em inglês) ou híbrido. A figura a seguir mostra os três tipos de fluxo de bens materiais. Figura 10 Fluxos empurrado, puxado e híbrido Fonte: Corrêa, 2010, p. 44. Estratégia de fluxo empurrado pura Fluxo empurrado Matéria- -prima Usuário Fronteira empurrado-puxado Estratégia de fluxo puxado pura Fluxo puxado Matéria- -prima Usuário Fronteira empurrado-puxado Estratégia híbrida Fluxo puxado Matéria- -prima Usuário Fronteira empurrado-puxado Fluxo empurrado Os fluxos empurrados são aqueles em que os produtos são ma- nufaturados e estocados pelo fornecedor antes do pedido do cliente. Conhecer o sistema dos fluxos de materiais empurrado, puxado e hí- brido (combinação entre os sistemas empurrado e puxado). Objetivo de aprendizagem 46 Logística Empresarial Empresas que utilizam esse tipo de fluxo planejam e executam os processos de manufatura estocando os produtos e organizando o seu envio para o cliente imediatamente após o seu pedido de com- pra. A disponibilidade de produtos nesse tipo de fluxo é maior, po- dendo o consumidor encontrar mais rapidamente o que necessita. Itens como refrigerantes, papel higiênico e enlatados, disponíveis para a comercialização na rede varejista (supermercados), ou mes- mo móveis para escritório, fabricados e vendidos para as lojas, são alguns exemplos de fluxo empurrado. O fluxo puxado consiste nos produtos manufaturados após o pe- dido realizado pelo consumidor. Caracterizam-se por serem customi- zados e elaborados de acordo com as necessidades do cliente. Assim, esse tipo de fluxo leva um tempo maior para ser elaborado, fazendo com que o cliente tenha de esperar algum tempo para receber o pro- duto. Alguns exemplos de fluxos puxados envolvem a fabricação de móveis planejados, a configuração de um computador por meio da escolha dos componentes e a montagem parcial de um alimento de acordo com as opções do cliente (como um sanduíche). Já o fluxo híbrido caracteriza-se por apresentar a integração entre os fluxos empurrado e puxado. O desafio, nesse caso, é definir a fron- teira de cada fluxo dentro da cadeia de suprimentos. Esse fluxo pro- porciona a melhora das operações logísticas, pois permite a otimização dos processos. O principal objetivo da configuração híbrida é aprovei- tar as vantagens oferecidas pelos sistemas empurrado (baixo custo, proporcionado pela padronização dos processos) e puxado (otimização do pedido, permitindo ao cliente ter a sensação de que o produto foi elaborado de acordo com a sua necessidade). Muitas cadeias de suprimentos procuram configurar a sua estrutura no fluxo híbrido, visando à melhoria dos processos e das operações. Um sistema híbrido utilizado atualmente por lojas de materiais de constru- ção é o sistema tintométrico para o preparo de diversas cores de tin- tas. Antes, havia apenas até 30 cores disponíveis no catálogo de tintas residenciais. Com a implementação do sistema tintométrico, o número de opções diferentes (diversas tonalidades e cores) disponível ao cliente passou a mais de 2.000, utilizando três bases de tinta principais. Assim, o lojista consegue reduzir a quantidade de latas e galões de tinta compra- dos (apenas três tipos de bases) e proporcionar ao cliente a escolha da Leia o Capítulo 5 do livro Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. Ele complementa os assuntos tratados nesta seção, tra- zendo os conceitos que en- volvem uma logística mais responsiva e ágil dentro da cadeia de suprimentos. CHRISTOPHER, M. São Paulo: Cengage Learning, 2011. Leitura sistema tintométrico: máquina de mistura de cores. Glossário RossHelen/Shutterstock Figura 11 Sistema tintométrico Estratégia e competitividade na gestão logística 47 Empresas que utilizam esse tipo de fluxo planejam e executam os processos de manufatura estocando os produtos e organizando o seu envio para o cliente imediatamente após o seu pedido de com- pra. A disponibilidade de produtos nesse tipo de fluxo é maior, po- dendo o consumidor encontrar mais rapidamente o que necessita. Itens como refrigerantes, papel higiênico e enlatados, disponíveis para a comercialização na rede varejista (supermercados), ou mes- mo móveis para escritório, fabricados e vendidos para as lojas, são alguns exemplos de fluxo empurrado. O fluxo puxado consiste nos produtos manufaturados após o pe- dido realizado pelo consumidor. Caracterizam-se por serem customi- zados e elaborados de acordo com as necessidades do cliente. Assim, esse tipo de fluxo leva um tempo maior para ser elaborado, fazendo com que o cliente tenha de esperar algum tempo para receber o pro- duto. Alguns exemplos de fluxos puxados envolvem a fabricação de móveis planejados, a configuração de um computador por meio da escolha dos componentes e a montagem parcial de um alimento de acordo com as opções do cliente (como um sanduíche). Já o fluxo híbrido caracteriza-se por apresentar a integração entre os fluxos empurrado e puxado. O desafio, nesse caso, é definir a fron- teira de cada fluxo dentro da cadeia de suprimentos. Esse fluxo pro- porciona a melhora das operações logísticas, pois permite a otimização dos processos. O principal objetivo da configuração híbrida é aprovei- tar as vantagens oferecidas pelos sistemas empurrado (baixo custo, proporcionado pela padronização dos processos) e puxado (otimização do pedido, permitindo ao cliente ter a sensação de que o produto foi elaborado de acordo com a sua necessidade). Muitas cadeias de suprimentos procuram configurar a sua estrutura no fluxo híbrido, visando à melhoria dos processos e das operações. Um sistema híbrido utilizado atualmente por lojas de materiais de constru- ção é o sistema tintométrico para o preparo de diversas cores de tin- tas. Antes, havia apenas até 30 cores disponíveis no catálogo de tintas residenciais. Com a implementação do sistema tintométrico, o número de opções diferentes (diversas tonalidades e cores) disponível ao cliente passou a mais de 2.000, utilizando três bases de tinta principais. Assim, o lojista consegue reduzir a quantidade de latas e galões de tinta compra- dos (apenas três tipos de bases) e proporcionar ao cliente a escolha da Leia o Capítulo 5 do livro Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. Ele complementa os assuntos tratados nesta seção, tra- zendo os conceitos que en- volvem uma logística mais responsiva e ágil dentro da cadeia de suprimentos. CHRISTOPHER, M. São Paulo: Cengage Learning, 2011. Leitura sistema tintométrico: máquina de mistura de cores. Glossário RossHelen/Shutterstock Figura 11 Sistema tintométrico cor desejada, em uma disposição elevada de op- ções. A Figura 11 ilustra o sistema tintométrico. Os fluxos híbridos são importantes,pois possi- bilitam que a fronteira entre os fluxos empurrado e puxado seja transferida mais perto do ponto de consumo (cliente). Esse movimento proporciona a redução de custos na operação e customiza o pedido do cliente. A esse processo damos o nome de pos- tergação (postponement, em inglês). Por exemplo, um restaurante que elabora sanduíches pode desenvolver um sistema empurrado (padronizado e com baixo cus- to) para disponibilizar opções de pão, carne, salada e mo- lho ao cliente. Ao mesmo tempo, o consumidor escolhe as diversas opções de montagem do seu lanche (sistema puxado), tendo a sen- sação de que o produto foi customizado de acordo com as suas preferências gastronômicas. 2.4 Relacionamento na logística Vídeo A busca pelo aumento competitivo no mercado faz com que a orga- nização desenvolva uma cadeia de suprimentos fluida o suficiente para poder gerar vantagens de competição diferenciadoras e que tragam benefícios, com o alcance dos objetivos esperados, como a redução de custos, a eficiência nos processos, a agilidade nas operações, a melhor armazenagem, o melhor fluxo de movimentação etc. Na busca pelo melhor atendimento ao cliente (procurando satisfa- zer às suas necessidades), as organizações têm direcionado suas estra- tégias para o compartilhamento de competências entre elas, visando à cooperação mútua de atividades e operações para atingir as necessida- des logísticas de entrega de valor. Como no médio ou longo prazo cada participante da cadeia de su- primentos verifica ganhos e perdas, decorrentes do relacionamento com os seus parceiros de negócio, é cada vez maior a convicção de que a cooperação com clientes e fornecedores tem elevado poten- cial de gerar vantagens competitivas na logística. Afinal, o “princípio básico do gerenciamento da cadeia de suprimento está fundamen- tado na convicção de que a eficiência pode ser aprimorada por meio • Conhecer os principais elementos que funda- mentam um acordo logístico. • Assimilar os aspectos que norteiam o relacio- namento entre fornece- dores e clientes. Objetivos de aprendizagem 48 Logística Empresarial do compartilhamento da informação e do planejamento conjunto” (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p. 99). Algumas premissas são importantes quando nos referimos ao pro- cesso de relacionamento na cadeia de suprimentos: a necessidade do trabalho cooperativo e integrado, por meio do compartilhamento de informações, e a redução de trabalhos repetitivos, ou mesmo duplica- dos, gerando gasto desnecessário de energia e esforço nas atividades. A figura a seguir mostra os principais elementos que norteiam a compreensão dos acordos em um SCM. Figura 12 Elementos que fundamentam acordos no SCM. Risco Poder Liderança Refere-se ao entendimento pelas organizações de que quanto maior é o risco percebido no desenvolvimento do negócio, maiores são as chances de ocorrer a cooperação. O aumento das relações e da colaboração reduz sensivelmente os riscos envolvidos no negócio para todas as empresas que participam da cadeia de suprimentos, proporcionando maior grau de previsibilidade nas operações conjuntas. Trata-se da capacidade de condução das operações colaborativas, por meio de incentivos gerados pelo elo da cadeia de suprimento que apresenta maior poder relativo. Normalmente essa função é desempenhada pelo elo com o maior poder de concentração das atividades mais próximas do consumidor, como a atuação do setor varejista sobre os fabricantes. Diz respeito ao posicionamento estratégico de certo elo da cadeia de suprimentos ao liderar as principais ações cooperativas e que determinam as vantagens competitivas reais. Muitas vezes, a questão do poder econômico, do tamanho da organização e de possuir uma marca reconhecida e forte no mercado são aspectos que levam a organização a se tornar líder de uma cadeia de suprimentos, sendo essa liderança respeitada e compartilhada mutuamente pelos demais elos da cadeia. Fonte: Elaborada pelo autor com base em Bowersox; Closs, 2001. A análise dos três elementos que influenciam os acordos logísticos na cadeia de suprimentos evidencia um fator principal para que qual- quer cooperação possa acontecer: a confiança. Um exemplo que retrata muito bem a questão da confiança entre parceiros é o chamado dilema do prisioneiro. Ele funciona da seguin- te maneira: dois assaltantes cometem um roubo e são presos pela polícia, sendo colocados em salas de interrogatório diferentes. Caso um deles resolva confessar, será beneficiado pela delação premiada e solto, enquanto o outro que ficou calado receberá uma pena maior. Caso ambos confessem, serão presos, recebendo uma pena intermediá- Estratégia e competitividade na gestão logística 49 ria. No entanto, caso nenhum deles confesse, receberão uma pena bem menor. O dilema do prisioneiro retrata uma realidade em que o fator confiança entre os presos é fundamental para que eles rece- bam uma pena menor. Passando esse dilema para o ambiente organizacional, imagine, por exemplo, três empresas de tecnologia que se unem, fornecendo cada uma o seu melhor técnico para o desenvolvimento conjunto de novas plataformas tecnológicas. Essa ação certamente visa à re- dução dos custos de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, ao au- mento da velocidade de inovações. No entanto, uma das empresas decide não selecionar o seu melhor técnico, e sim um profissional menos experiente, contando que as outras empresas vão escolher os seus melhores profissionais. Se todas pensarem assim, a nova equipe a ser formada não será composta dos melhores, tornando o processo menos eficiente. Como as três organizações não podem contar umas com as outras, o resultado tende a ser ruim para todas. Assim, o relacionamento na cadeia de suprimentos somente conse- guirá ser bem-sucedido se os elos participantes sentirem confiança com relação aos seus parceiros de negócio no planejamento e nas estratégias, nos objetivos, nas operações ou nos sistemas logísticos empregados. Níveis mais altos de confiança entre parceiros favorecem que menos comportamento oportunista ocorra na rede de suprimen- to, com benefício para a rede como um todo. Reiteração de relacio- namentos, com contratos de prazo mais longo e mais intensidade de interações pessoais e cumprimento reiterado de promessas e acordos, favorece o desenvolvimento de níveis mais altos de con- fiança entre parceiros bem-intencionados. (CORRÊA, 2010, p. 72) Os acordos realizados na logística e na cadeia de suprimento, muitas vezes, são caracterizados por contratos de desempenho estabelecidos entre duas partes, os quais possuem a função de regular as operações e estabelecer os parâmetros necessários para o seu adequado funcio- namento conjunto. Eles são denominados acordos de nível de serviço ou SLA (service level agreement, em inglês) e consistem no estabeleci- mento de um contrato entre duas partes (fornecedor e cliente), com o propósito de definir regras e resultados de desempenho (quantidades, operações, troca de informações, compartilhamento de atividades, res- ponsabilidades, garantias etc.) que beneficiem ambas as partes. 50 Logística Empresarial 2.4.1 Relacionamento com os fornecedores O relacionamento entre a organização e seus fornecedores é uma atividade cada vez mais constante e frequente no contexto atual de com- petição. Aumentar os processos de integração com os fornecedores per- mite que as operações e os fluxos de mercadorias possam ocorrer de maneira mais eficiente e ágil, resultando na diminuição de operações redundantes, custos e atividades. O tipo de parceria estratégica mais co- mum verificado é aquele que envolve o fornecedor e o varejista. Normalmente os varejistas sozinhos verificam uma instabilidade muito maior de sua demanda, enquanto a relação entre fornecedor e varejista é caracterizada por uma estabilidade maior em suas opera- ções, tornando o relacionamento entre eles mais estável e contínuo. Os tipos de parcerias varejista-fornecedorpodem ser vistos como um continuum. De um lado está o compartilhamento de informação, que ajuda o fornecedor a planejar de forma mais eficiente e, do outro lado, um modelo de consignação, no qual o fornecedor possui e gerencia, de forma completa, o estoque até que o varejista o venda. (SIMCHI-LEVI et al., 2003, p. 150) Dessa maneira, os fornecedores recebem, em tempo real, as in- formações de venda no varejo e utilizam-nas para sincronizar as suas operações (previsão, fabricação, estoque e distribuição) com o perfil da demanda do varejo. O termo da gestão do relacionamento com o fornecedor é tam- bém conhecido como SRM (supplier relationship management, em in- glês). Essa relação objetiva identificar e entender os fornecedores, segmentando-os de acordo com as necessidades e prioridades da or- ganização, na busca pela maximização dos resultados. A SRM, portanto, permite que a organização desenvolva as estra- tégias mais adequadas a cada tipo de fornecedor, criando parcerias que possam fundamentar maior competitividade e eficiência nas ope- rações. Estratégias como o estabelecimento de contratos de médio e longo prazo e o desenvolvimento de parcerias estratégicas de forneci- mento são alguns exemplos que as empresas devem seguir. 2.4.2 Relacionamento com os clientes Identificar e entender o cliente é um importante aspecto relaciona- do à gestão da logística e da cadeia de suprimentos. Mas colocamos uma questão: como conhecer os clientes de uma empresa? Estratégia e competitividade na gestão logística 51 O processo de compreensão das necessidades do cliente não é uma tarefa simples. É preciso a realização de diversas ações que procuram entender quem são os clientes, o que eles desejam, quais são as suas necessidades, como ocorre a sua satisfação, de que maneira aumentar o seu consumo etc. A figura a seguir ilustra alguns dos principais ele- mentos para o reconhecimento e entendimento do cliente. Figura 13 Elementos para o entendimento do cliente Pesquisa direcionada Conexão empresa-cliente Operações estruturadas Fonte: Elaborada pelo autor. O processo de relacionamento com o cliente envolve ações que de- vem ser realizadas pela organização, as quais possam a apoiar na tarefa de identificar e entender melhor o seu cliente. Para isso, é importante que ela desenvolva pesquisas ou contrate institutos especializados em pesquisas direcionadas aos seus diversos públicos-alvo (segmentação de clientes). Nesse momento, o uso de seu banco de dados e a análise conjunta das informações coletadas nas pesquisas são ações funda- mentais para o entendimento do comportamento do cliente (perfil das compras) e do que ele realmente necessita. Com base nos resultados analisados, a empresa inicia o processo de conexão com o cliente, estabelecendo mecanismos que possam aumentar a interação com os consumidores por meio do uso de redes sociais, campanhas temáticas ou divulgação de ações colaborativas de desenvolvimento (teste organizado de uso de produtos e serviços, por exemplo). O objetivo da conexão é se aproximar dos clientes e comple- mentar os resultados alcançados nas pesquisas direcionadas. Com o processo de entendimento sobre o cliente, a empresa inicia a estruturação de suas operações visando ao atendimento das expec- tativas e necessidades de seus consumidores. Nesse momento são ela- borados processos e atividades necessários para que os clientes sejam atendidos de maneira que a entrega agregue valor e diferenciação nos 52 Logística Empresarial produtos e serviços. Agregar valor na entrega ao cliente significa consi- derar elementos como o tempo do ciclo da entrega, a disponibilidade de estoque, a frequência e a confiabilidade da entrega, a qualidade da documentação do pedido, a assistência técnica antes, durante e após o pedido e a rastreabilidade do pedido e da entrega. Uma das principais ferramentas criadas no final dos anos 1990, e que ainda possui relativa relevância para as empresas, trata-se do uso de um conjunto de softwares de relacionamento com o cliente, deno- minado de CRM (customer relationship management, em inglês, ou ges- tão do relacionamento com o cliente, em português). O CRM é o agrupamento de sistemas de informação e ferramentas que visam integrar as informações geradas pelo contato com o cliente. Seu objetivo principal é apoiar as ações organizacionais que envolvem o relacionamento com o cliente. Assim, é muito mais do que um simples atendimento ao consumidor (como aquele 0800 localizado nas emba- lagens dos produtos), pois se refere ao uso de ferramentas e sistemas que possuem como objetivo entender o cliente, procurando estabele- cer uma melhor relação com ele. Portanto, é um importante item de gestão de cliente que auxilia na criação de uma base sustentável para a gestão logística, de modo a ajudar na competitividade do negócio. 2.5 Mapeamento dos processos logísticos Vídeo O que é um processo? Consiste nas atividades desenvolvidas pela empresa (interna e externamente) para planejar, executar e controlar a logística de um produto ou serviço, visando garantir a integridade da entrega ao cliente. Os pilares que sustentam a gestão logística e a cadeia de suprimentos consistem em processos operacionalizados para entregar valor ao cliente. Produtos e serviços são entregues ao consumidor por meio de processos operacionais que fundamentam suas operações. A principal função da gestão logística e da cadeia de suprimen- tos é estruturar os processos, tornando-os mais eficientes, por meio do gerenciamento das informações e das mercadorias, tanto dentro quanto fora da organização. Dessa maneira, um processo logístico possui algumas etapas que devem ser gerenciadas, conforme ex- posto na figura a seguir. Leia o texto O que é CRM? O guia completo, o qual complementa as informa- ções tratadas nesta seção com outros elementos importantes e presentes em uma gestão de CRM nas organizações. Disponível em: https://www. pipedrive.com/pt/blog/o-que-e- crm. Acesso em: 22 set. 2021. Leitura • Reconhecer as etapas do processo logístico. • Aprender sobre a mode- lagem de processos. • Estudar os principais métodos de mapeamen- to de processos. Objetivos de aprendizagem https://www.pipedrive.com/pt/blog/o-que-e-crm https://www.pipedrive.com/pt/blog/o-que-e-crm https://www.pipedrive.com/pt/blog/o-que-e-crm Estratégia e competitividade na gestão logística 53 Go ro de nk of f/ Sh ut te rs to ckSuprimento e recebimento consistem no processo de aquisição e recebimento dos produtos e insumos necessários para o funcionamento da empresa. A esco- lha dos fornecedores, a cotação de preços, a negociação e os tempos e prazos combinados, assim como os pro- cedimentos de descarregamento das mercadorias (equi- pamentos, maquinários e estrutura física), são algumas ações importantes dessa etapa. Figura 14 Etapas do processo logístico Je ns on /S hu tte rs to ckMovimentação e manufatura refere-se aos processos relacionados à movimentação das cargas internamente na empresa, bem como aos processos produtivos que transformam os insumos em produtos acabados. O uso de equipamentos de movimentação (empilhadeiras, esteiras, ganchos suspensos, entre outros) e o fluxo de produção entre os diversos maquinários são alguns exemplos dessa etapa. M ih ai _A nd rit oi u/ Sh ut te rs to ckEstocagem abarca os processos de armazenagem dos produtos (tanto insumos e componentes quanto produ- tos acabados), pensando no momento em que serão efetivamente utilizados pela empresa. Layout do espaço físico, sistema de empilhamento, uso de máquinas au- tomatizadas de movimentação de cargas, controle da quantidade e validade das mercadorias e avaliação das cargas são algumas das ações dessa etapa. In ge ni er ia -lo gi st ica /W iki m ed ia C om m on s Separação (picking) refere-se aos processos respon- sáveis pela separação das mercadorias, preparando-as para o embarque, de acordo com os pedidos dos clientes. Usode sistemas automatizados de separação, controle manual ou tecnológico por meio de etiquetas eletrônicas, QR codes ou códigos de barra e uso de ma- quinários para a consolidação das cargas são algumas atividades dessa etapa. Tr av el m an ia /S hu tte rs to ck Distribuição envolve os processos de carregamento das cargas e a definição dos melhores trajetos a se- rem utilizados para a entrega do produto ou serviço ao cliente. Uso de sistemas de carregamento, escolha do melhor modal (tipo de transporte), definição das rotas mais eficientes, análise dos custos do transporte, esta- belecimento dos tempos e prazos de entrega e cuidado com a integridade dos produtos são algumas operações relativas a essa etapa. Fonte: Elaborada pelo autor. 54 Logística Empresarial O entendimento dos principais elementos que envolvem a gestão logística e da cadeia de suprimentos é fundamental para que as organi- zações sejam eficientes e desenvolvam competência competitiva. 2.5.1 Modelagem dos processos logísticos Modelagem é o processo de se criar um modelo representativo do funcionamento de um sistema específico de maneira simplificada. Isso permite que os processos sejam identificados, e o seu funcionamento verificado. Dessa forma, modelos apoiam as ações de análise dos pro- cessos e auxiliam na sua reorganização e melhoria. Existem diversos tipos de modelo e dois são apresentados na figura a seguir. Modelos matemáticos Modelos de simulação T VE CT OR IC ON S/ Sh ut te rs to ck Figura 15 Tipos de modelos de processos Fonte: Elaborada pelo autor com base em Taylor, 2005. Vamos conhecer esses dois modelos segundo Taylor (2005). No modelo matemático são inseridas formulações matemáticas que procuram calcular de maneira ágil e chegar aos resultados precisos, sempre de acordo com parâmetros definidos. Ele é formado por equações que necessitam de dados de entrada (inputs) para que os cálculos sejam realizados e os resultados (outputs) sejam apresenta- dos. Esse modelo é indicado para resolver problemas complexos e que exijam maior compreensão do funcionamento do sistema, sendo muito utilizado para problemas relacionados à previsão, por exemplo. Esse sistema de modelagem permite que os processos sejam otimi- zados ao desenvolver cálculos que permitam alcançar os melhores resultados possíveis com base nas entradas de dados. Já o modelo de simulação refere-se ao sistema que, similar ao modelo matemático, utiliza-se de entradas, cálculos e resultados em seu funcionamento. No entanto, ele procura imitar o comportamen- Estratégia e competitividade na gestão logística 55 to dos processos em vez de transformá-los em equações. Esse tipo de modelo pode ser elaborado por meio de diversos meios (tecno- lógicos ou não). Por exemplo, uma simulação que utiliza cartões e objetos contribui para que uma equipe entenda melhor o sistema de funcionamento do processo de manuseio e estocagem. O avanço tecnológico tem fundamentado o desenvolvimento de novos mode- los de simulação mais integrados e que proporcionam uma nova ex- periência de entendimento do processo. Um dos métodos utilizados na gestão logística e da cadeia de su- primentos é denominado de método de Monte Carlo (MMC), o qual consiste no uso de cálculos estatísticos com base em amostragens alea- tórias, visando alcançar resultados determinísticos. Ele normalmente é descrito como um método que utiliza a simulação estatística por meio de números aleatórios, com o propósito de simular situações de fun- cionamento do processo, utilizando a probabilidade de ocorrência. O MMC é muito usado para simular a previsão de desempenho futuro de uma cadeia de suprimentos, com base em um conjunto único de da- dos representativos das condições reais de um negócio (TAYLOR, 2005). Em outras palavras, com base nas condições operacionais estabeleci- das em uma cadeia de suprimentos, o MMC apresenta situações pro- babilísticas simuladas de sua performance futura. Outro modelo importante na análise do desempenho da gestão lo- gística e da cadeia de suprimentos é o SCOR (supply chain operations reference, em inglês, ou modelo de referência de operações da cadeia de suprimentos, em português). Trata-se de uma ferramenta de gestão utilizada para o tratamento, a melhora e a comunicação de decisões de gerenciamento da cadeia de suprimentos junto aos fornecedores e clientes. O modelo objetiva retratar em detalhes os processos logísticos necessários para atender às necessidades de um cliente. Também auxi- lia no entendimento dos processos ao longo da cadeia de suprimentos, fornecendo fundamentos que levam à sua melhoria contínua. Assim, o SCOR é “um método explícito desenvolvido pelo Supply Chain Council para mapear, analisar, avaliar e comparar atividades de gestão de redes de suprimento” (CORRÊA, 2010, p. 197). A figura a se- guir ilustra esse modelo. 56 Logística Empresarial Figura 16 Modelo SCOR do Supply Chain Council Fonte: Corrêa, 2010, p. 198. Planejamento Entrega Entrega EntregaSuprimento Suprimento Produção Produção Produção Entrega Planejamento Planejamento Planejamento Planejamento Devoluções Empresa focal Cliente externo ou interno Fornecedor externo ou interno Fornecedor do fornecedor Cliente do cliente SCOR – Supply Chain Operations Reference Model Suprimento Suprimento A figura mostra os diversos processos logísticos considerados no modelo SCOR, sendo evidenciadas as principais operações de uma ca- deia de suprimentos, desde os fornecedores até o cliente final. Ainda, o modelo SCOR detalha quatro níveis principais, desde o planejamento macro até a implantação dos processos, decompostos em atividades e procedimentos operacionais, conforme vemos na figura a seguir. Figura 17 Modelo de referência – SCOR Nível 1 Macro Escopo do projeto Fora do escopo do projeto Nível 2 Configuração (categorias de processo) Nível 3 Elementos do processo (processos decompostos) Nível 4 Implementação (elementos dos processos decompostos) Aleksandr Bryliaev/Shutterstock Fonte: Adaptada de Stewart, 1997 apud Pires, 2004. Estratégia e competitividade na gestão logística 57 As principais vantagens do uso do modelo SCOR referem-se ao de- talhamento dos processos, desde o nível 1, mais estratégico, até o nível 4, mais operacional. Ao dimensionar esses quatro níveis de ação, o modelo possibilita que as empresas pertencentes à cadeia de su- primentos possam analisar os processos desenvolvidos ao longo da cadeia, identificando os problemas e procurando solucioná-los conti- nuamente e cada vez melhor. 2.5.2 Mapeamento dos processos logísticos O mapeamento dos processos trata-se de uma atividade relaciona- da à descrição dos processos. O seu objetivo principal é identificar to- dos os processos logísticos envolvidos nas operações de recebimento, transformação e entrega do produto ou serviço ao cliente final. A iden- tificação e o entendimento dessas etapas pressupõem que elas sejam eficientes e que contribuam para o aumento da competitividade da or- ganização e de sua cadeia de suprimentos. Existem diversas ferramentas que auxiliam no mapeamento dos processos logísticos. Entre elas, vamos destacar algumas, como os dia- gramas e fluxogramas, o service blueprint (planta de serviço, em tradu- ção livre) e o value stream mapping ou VSM (mapeamento do fluxo de valor, em tradução livre). O diagrama representa os detalhes que compõem uma operação, descrita em detalhes e com uma sequência ordenada de atividades. Para mapear os processos logísticos, podem ser utilizados dois tipos de diagrama: o fluxograma e o infográfico. O primeiro representa os símbolos utilizados no diagrama que mostram a ordem da ocorrência das atividades; o segundo traz conteúdos visuais que se propõem a indicar, de maneira simplificada e mais clara, os caminhos e procedi- mentos do funcionamento das atividades. O infográfico utiliza-se de imagens, ilustrações, vídeos, hyperlinks, entre outros.As figuras a se- guir ilustram esses tipos de diagrama. É possível criar fluxo- gramas em diversos softwares. Um deles, mui- to utilizado para mapear os processos logísticos, é o Bizagi Modeler, que possui versão gratuita para uso pessoal. Disponível em: https://www. bizagi.com/pt/plataforma/modeler. Acesso em: 22 set. 2021. Saiba mais https://www.bizagi.com/pt/plataforma/modeler https://www.bizagi.com/pt/plataforma/modeler 58 Logística Empresarial Figura 18 Exemplo de um fluxograma M on st er Z tu di o/ Sh ut te rs to ck Figura 19 Exemplo de um infográfico iM Ai in fo gr ap hi c/ Sh ut te rs to ck O service blueprint é uma “ferramenta que serve para mapear os processos que concorrem para que o serviço ao cliente tenha sucesso” (CORRÊA, 2010, p. 206). Em muitos processos, existe o contato com o cliente, cuja ação é muito importante para determinar a sua satisfação. Em outras palavras, trata-se de um desenho esquemático (com o uso de um software ou não) que simula as operações e os processos en- volvidos antes, durante e depois do atendimento ao cliente. A figura a seguir ilustra um exemplo. Estratégia e competitividade na gestão logística 59 Figura 20 Exemplo de um service blueprint Suprimentos Limpa/mantém Repõe, arruma Monitora segurança Rebobina, checa, repõe Supre Treina/define padrões Mantém Treina Mantém site internet Pesquisa filmes Define padrões Adquire/transporta Monitora segurança Aconselha Mantém informado Mantém atualizada Define padrões Supre Prepara avaliação Tabula avaliação Mantém Suporte técnico Autoriza Repõe embalagem Repõe ficha avaliação C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 C9 C10 C11 C12 C13 C14 C15 C16 C17 C18 M1 M2 M3 M4 M5 M6 M7 M8 M9 M10 M11 M12 M13 M14 M15 M16 M17 M18 Início do ciclo Ganha acesso ao local Encontra vaga para estacionar Caminha até a porta Entra e é saudado Pede indicações ao funcionário Vai à estante Escolhe filme Entra na fila de atendimento Escolhe guloseimas no checkout Entrega cartão Aguarda processamento Faz pagamento Recebe os filmes Recebe saudação de despedida Sai da loja Caminha até o carro Sai do estacionamento Fim do ciclo RH Tecnologia/info Marketing/produto Finanças Manutenção Qualidade ClienteContatoSuporteProduçãoGestão Linha de controle Linha de suporte Linha de visibilidade Linha de contato Processo do serviço (Prestador) Ciclo do serviço (Cliente) C1, C2, ... Cn → Momentos de contato com o cliente. M1, M2, ... Mn → Momentos da verdade, ou seja, quando o cliente entra em contato com o processo. Fonte: Corrêa, 2010, p. 209. O VSM é o mapeamento dos processos que seguem os princípios das operações enxutas (também denominado de lean manufacturing ou produção enxuta). Consiste em elementos de gestão incorporados na organização e que visam continuamente à redução dos desperdí- cios nas operações por meio de melhorias contínuas e permanentes. Basicamente, existem sete tipos principais de desperdícios (atividades e processos que agregam custo, mas não agregam valor aos clientes) atacados pela filosofia lean: de produção, de tempos (espera e prazos), de distribuição/transporte, de excesso de processos, de estoque, de movimentação e de defeitos. O VSM mapeia o que ocorre nas operações, tanto internas no nível organizacional quanto externas no nível da cadeia de suprimentos. O seu 60 Logística Empresarial objetivo é detalhar as operações da empresa e de sua cadeia de supri- mentos, procurando analisar as interações e os processos conjuntos (fluxo) necessários para agregar valor ao cliente. Inicia-se com a verifi- cação dos processos que devem ser mapeados na cadeia de suprimen- tos. Dessa maneira, em cada elo da cadeia, são mapeados os processos internos e sua integração com os processos das empresas parceiras (outros elos). A figura a seguir demonstra um processo da cadeia de suprimentos a ser mapeada pelo VSM. Figura 21 Cadeia de suprimentos e o mapeamento pelo VSM em destaque Aços Brasil Peças S/A Montadora Freios São Paulo Segunda camada Primeira camada Fonte: Corrêa, 2010, p. 214. A figura mostra a cadeia de suprimentos de uma montadora de veí- culos. Observamos que ela possui diversos fornecedores (de primeira, segunda e terceira camada), os quais serão os responsáveis pelo abas- tecimento dos freios para que a montadora realize a montagem dos au- tomóveis. O VSM mapeia internamente todos os fornecedores da cadeia de suprimentos e analisa a integração dos processos no momento da ocorrência do sistema de abastecimento e recebimento dos elos. Assim, são analisados os processos internos e integrados, visando à redução de desperdícios e duplicidades ao longo da cadeia de suprimentos. O mapeamento de processos logísticos, portanto, é uma ação re- levante a ser desempenhada pela organização e sua cadeia de su- primentos, pois faz com que as atividades envolvidas no processo possam funcionar de maneira coordenada e alinhada com os objeti- vos de melhor atendimento ao cliente, proporcionando, consequen- temente, valor à entrega. Leia o Capítulo 3 do livro Gestão da cadeia de suprimentos: conceitos, estra- tégias, práticas e casos. Ele apresenta alguns modelos de mapeamento, parcerias e integração de processos de- senvolvidos por importantes universidades americanas. PIRES, S. R. I. São Paulo: Atlas, 2004. Leitura Estratégia e competitividade na gestão logística 61 CONSIDERAÇÕES FINAIS Identificar e conhecer os produtos, além da definição da melhor confi- guração da cadeia de suprimentos (eficiente ou de resposta rápida) e sua consequente elaboração dos processos, são relevantes tarefas a serem realizadas pela organização. Além disso, analisar os processos de fluxo de materiais (empurrado, puxado e híbrido) permite que a empresa en- tenda o funcionamento de sua cadeia de suprimentos e configure as suas operações internas, visando à adequação e integração dessas operações. Estabelecer o relacionamento com os fornecedores e clientes também é um passo fundamental para que a empresa entenda como se comporta o mercado consumidor e desenvolva sistemas operacionais que agreguem valor ao produto ou serviço oferecido. Ainda, para conseguir entender melhor os processos logísticos, a organização necessita mapeá-los por meio de métodos específicos, que têm como objetivo a compreensão das atividades envolvidas na empresa e em sua cadeia de suprimentos. Assim, posicionar estrategicamente a gestão logística e da cadeia de su- primentos é uma importante ação a ser desenvolvida pela organização, na busca da melhoria dos processos e do aumento de sua competitividade. ATIVIDADES Atividade 1 Cite os produtos para os quais as redes de suprimento eficientes e de resposta rápida são mais adequadas na produção e distribuição. Atividade 2 Descreva o que são os fluxos empurrado, puxado e híbrido. Atividade 3 Por que o mapeamento dos processos logísticos é um importan- te elemento de competição organizacional? 62 Logística Empresarial Atividade 4 Considere os dois produtos a seguir e responda às questões: Produto 1: smartphone. Produto 2: amaciante de roupas. a) Defina qual é o produto funcional e qual é o inovador. b) Defina a configuração de rede de suprimento mais adequa- da a cada um deles. c) Estabeleça a estratégia a ser adotada. REFERÊNCIAS BERTAGLIA, P. R. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. São Paulo: Saraiva, 2003. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. CORRÊA, H. L. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. HAMEL, G.; PRAHALAD, C. K. Competing for the future. Boston: Harvard Business School Press, 1994. PIRES, S. R. I. Gestão da cadeia de suprimentos (supply chain management): conceitos, estratégias, práticas e casos. São Paulo: Atlas, 2004. PORTER, M. E. Vantagem competitiva. Rio de Janeiro:Campus, 1990. SIMCHI-LEVI, D. et al. Cadeia de suprimentos: projeto e gestão. Porto Alegre: Bookman, 2003. TAYLOR, D. A. Logística na cadeia de suprimentos: uma perspectiva gerencial. São Paulo: Pearson Addison-Wesley, 2005. Recursos logísticos 63 3 Recursos logísticos A gestão da logística e da cadeia de suprimentos demanda uma sé- rie de elementos, que são os principais responsáveis pelo aumento da eficiência organizacional e de seus parceiros. Esses elementos são mui- to importantes e envolvem o processo prático e operacional das ações logísticas aplicadas na organização e em toda a sua cadeia (rede) de suprimentos. Este capítulo aborda os principais elementos e recursos logísticos (operacionais e estratégicos) que estão presentes na gestão logística das operações. Ao longo do capítulo, discutiremos os elementos relacionados aos serviços ao cliente, aos principais modais de transporte, ao sistema de armazenagem e distribuição e às tecnologias aplicadas na logística e na logística reversa. A compreensão e o estudo desses elementos são fundamentais para que os gestores logísticos desenvolvam competências que ajudem a me- lhorar as operações logísticas nas organizações, ofertando produtos e ser- viços de maneira eficiente, de acordo com as necessidades dos clientes. 3.1 Serviço ao cliente Vídeo O principal objetivo das operações logísticas é a busca pelo pleno atendimento ao cliente. Oferecer produtos e serviços de qualidade, que atendam às necessidades do cliente, por meio de um projeto bem definido e desenhado (de processos, operações e atividades), é pri- mordial para que a sustentabilidade organizacional seja efetivamente concretizada. Assim, os esforços empresariais – aquisição de maquinários e equi- pamentos, recrutamento e treinamento de pessoas (entre elas os gestores), bem como investimento em tecnologia e desenho de sua estrutura – contribuem decisivamente para que a organização ofereça um pacote de valor ao cliente, sendo reconhecida e valorizada. • Conhecer os principais aspectos que potencia- lizam o valor percebido oferecido na gestão logística e na cadeia de suprimentos. • Compreender de que modo esses aspectos estão relacionados às atividades de segmen- tação, à análise da ren- tabilidade e à satisfação do cliente. Objetivos de aprendizagem 64 Logística Empresarial Alguns aspectos de valor importantes devem ser considerados quando nos referimos especificamente ao atendimento aos clientes. A figura a seguir ilustra alguns deles. Figura 1 Serviço ao cliente: principais aspectos de valor. Fonte: Elaborada pelo autor. Vyacheslavikus/Shutterstock Prazos e tempos Distribuição Informação Disponibili- dade Estado físico do produto ou serviço Vamos conhecer em detalhes esses aspectos. • Prazos e tempos: consistem no cumprimento dos prazos acor- dados e no processo ágil e flexível (eficiência de tempo) de atendimento ao cliente. Empresas que cumprem prazos e são suficientemente ágeis na realização dos pedidos e no processo de entrega conseguem agregar diferenciais competitivos que são efetivamente valorizados pelo seu cliente. • Distribuição: é o processo de entrega efetiva do produto ou serviço ao cliente. Refere-se às escolhas que envolvem o tipo de modal de transporte, os custos, o preparo dos entregadores, a flexibilidade nos roteiros, a velocidade da entrega e as condições do produto ou dos serviços entregues. A distribuição é respon- sável pela efetivação dos esforços logísticos da organização. Ao entregar e distribuir produtos e serviços, a distribuição conecta o cliente à empresa, proporcionando o uso pelo cliente do que está sendo ofertado. • Informação: abrange a aquisição e o desenvolvimento de tecno- logias de comunicação que possam integrar as operações e ati- vidades internas e de seus parceiros, além de oferecer ao cliente a possibilidade de rastreamento das etapas de fabricação e en- trega dos produtos e serviços. O uso de tecnologias de informa- ção é fundamental para que as organizações consigam agilizar os processos, integrando-os e sincronizando-os, visando entregar a melhor experiência ao cliente. • Disponibilidade: esse aspecto está diretamente relacionado à disponibilidade de produtos e serviços ao cliente, de acordo com as suas necessidades de aquisição. Para apresentar disponibili- Recursos logísticos 65 dade de produtos e serviços, é preciso existir um esforço organi- zacional com relação ao processo de armazenagem e de controle dos estoques, à localização e à infraestrutura dos armazéns e à eficiência do sistema de entrega. • Estado físico do produto ou serviço: no momento da entrega do produto ou serviço ao cliente é muito importante o estado físico em que a mercadoria se encontra. Aspectos relacionados à conservação da embalagem, à aparência do produto, aos prazos de validade e à inexistência de danos são considerados pelo cliente no momento do recebimento da mercadoria. O esforço para manter o produto ou serviço em condições ideais esperadas pelo cliente relaciona-se diretamente com o tipo de armazenagem, manuseio e transporte que será utilizado na carga em movimentação. Dessa maneira, proporcionar um pacote de valor ao cliente ultrapassa a simples análise do produto ou serviço e a sua qualidade, pois se relacio- na também com as condições e situações inerentes ao processo logístico, como recebimento, armazenagem, movimentação e entrega de mercado- rias. No caso de serviços, a gestão logística está relacionada à proximidade e à frequência de atendimento, ao sistema tecnológico de comunicação utilizado (sistemas de comunicação remotos, integração de sistemas que permitem a análise de dados e processos integrados, entre outros), além do apoio das operações durante e após os serviços prestados. 3.1.1 Gestão logística e segmentação O processo de segmentação é muito importante para que a empre- sa consiga definir e estruturar as suas operações, objetivando o atendi- mento das necessidades do cliente. Segmentar significa classificar os clientes em perfis de consumo di- ferentes, possibilitando que eles possam ser identificados e posiciona- dos estrategicamente, de acordo com as operações da empresa. As organizações possuem diferentes tipos de clientes, com diversas expectativas e necessidades de atendimento. Assim, a segmentação auxilia a empresa no entendimento de quem é o cliente (faixa etária, perfil de consumo, região geográfica, estilo de consumo etc.) e como ele pode ser mais bem atendido em suas expectativas e necessidades. A segmentação é realizada por meio da classificação e do posiciona- mento de grupos e perfis comuns de clientes, visando à configuração e 66 Logística Empresarial à customização de pacotes de valor que possam atender a cada um dos segmentos identificados. Como o propósito é entregar valor (reconhecido e valorizado pelo cliente e potencial cliente), nesse caso o processo de segmentação do mercado auxilia consideravelmente, direcionando os esforços logísti- cos às atividades que realmente agregam valor. Uma das principais ferramentas utilizadas para identificar e enten- der o perfil do cliente e, consequentemente, realizar a segmentação, é o desenvolvimento de pesquisas quantitativas e qualitativas. A figura a seguir mostra esses dois tipos de pesquisa. Fonte: Elaborada pelo autor. Figura 2 Pesquisa quantitativa e qualitativa Ti po s de p es qu is a Quantitativa Utiliza métodos de pesquisa, em que os dados objetivos coletados são tabulados e as respostas resultam de análises matemático-estatísticas que buscam correlacionar respostas e identificar padrões de comportamento e de perfil. É aquela em que as respostas, muitas vezes, representam a percepção do cliente e as suas experiências em relação ao uso do produto ou serviço. Procura estabelecer percepções comuns e identificar as principais necessidades tácitas dos clientes. Qualitativa O uso conjunto de pesquisas quantitativas e qualitativasé indicado para que as percepções, necessidades e opções do cliente sejam efi- cientemente identificadas e possam contribuir para a estruturação da gestão logística de atendimento. A utilização de pesquisas permite que a organização conheça me- lhor o seu cliente e possa organizar a logística em relação à frequência dos pedidos, à confiabilidade do prazo de entrega, à disponibilidade dos produtos em estoque, à qualidade das embalagens, às datas de validade, à exatidão da emissão da nota fiscal, à coordenação entre fabricação e distribuição e aos processos contínuos de revisão de atua- lização e de oferta de novos produtos. A segmentação é uma importante ferramenta de melhoria dos ser- viços logísticos. No entanto, erros de segmentação, como a realização Recursos logísticos 67 de pesquisas malfeitas, equívocos de análise de dados e inexistência de segmentos relevantes, podem prejudicar esse processo, fazendo com que a organização tenha problemas operacionais, além de prejuízos. Outro importante elemento a ser considerado consiste na coorde- nação de diversos segmentos simultâneos identificados, o que pode gerar dificuldades na gestão logística e na condução (integração e sin- cronização) das operações. 3.1.2 Estratégias de aumento da rentabilidade do cliente Todas as atividades organizacionais possuem pelo menos dois tipos de cliente: os mais e os menos rentáveis. A figura a seguir mostra esses dois tipos em uma operação de serviço ao cliente. Figura 3 Tipos de cliente im Gh an i/S hu tte rs to ck Rentáveis São os clientes que proporcionam significativo retorno financeiro para a organização. Não rentáveis São aqueles que proporcionam pouco retorno financeiro para a organização. Fonte: Elaborada pelo autor. Com base na análise da rentabilidade do cliente, as organizações podem elaborar diferentes estratégias, visando melhorar sua rentabi- lidade. A Figura 4 ilustra algumas das oportunidades estratégicas que podem ser desenvolvidas. Figura 4 Estratégias de rentabilidade dos clientes Foco nos clientes rentáveis Atração de clientes rentáveis Relação custo- preço-valor Descontos Fonte: Elaborada pelo autor. seamuss/Shutterstock 68 Logística Empresarial Vamos ver detalhadamente essas estratégias: • Foco nos clientes rentáveis: refere-se ao desenvolvimento da correta identificação desse tipo de cliente e à busca pela sua sa- tisfação e fidelização. São clientes que devem ter as suas expec- tativas atendidas (e até superadas), com especial atenção para que continuem consumindo os produtos e serviços da empresa. Normalmente esse tipo de cliente exige que os serviços logísti- cos sejam realizados de maneira eficiente e de acordo com as suas necessidades. Assim, ter o foco voltado a clientes rentáveis possibilita que a empresa consiga manter as suas operações e aumente as suas expectativas de ganho. • Atração de clientes rentáveis: trata-se da análise e atração de clientes potenciais e daqueles que são clientes das empresas concorrentes. Muitas vezes, esses clientes possuem elevada ca- pacidade de gerar ganhos significativos para a organização. Assim, a empresa precisa reconhecer esse tipo de cliente e procurar atraí-lo, utilizando informações como a maneira de consumo, o volume de compras, sua localização geográfica, entre outras. • Relação custo-preço-valor: propõe-se a identificar os custos operacionais que agregam valor aos serviços oferecidos e, assim, cobrar o preço adequado, que realmente represente aquele nível de serviço logístico prestado. • Descontos: são ações estratégicas que visam atender ao consu- midor por meio da atratividade relacionada ao preço. Descontos estratégicos podem influenciar o consumo dos produtos e serviços e estão diretamente relacionados aos sistemas de operação para a disponibilização das mercadorias. Ao mesmo tempo, os descontos têm a capacidade de proporcionar vendas em maiores volumes e quantidades, mesmo que as margens sejam menores, mas com elevada participação nas receitas e nos resultados de lucratividade. Outra estratégia importante é aquela aplicada aos clientes não ren- táveis. Ela consiste em desenvolver mecanismos que otimizem e re- duzam os custos da operação logística, permitindo a oferta de preços mais baixos, com menores níveis de serviços prestados. Muitas vezes, esses clientes são importantes para que a organização consiga man- ter suas receitas e seus volumes de produção/distribuição dentro de parâmetros equilibrados, permitindo que as ações sejam focadas nos clientes de maior rentabilidade. Recursos logísticos 69 3.1.3 Satisfação do cliente A busca pela satisfação plena do cliente é, provavelmente, o maior pro- pósito da gestão logística e da cadeia de suprimentos. O processo de ge- renciamento da satisfação ocorre por meio de diversos objetivos a serem atingidos e que estão relacionados ao processo logístico. Corrêa (2010) descreve os cinco objetivos de desempenho a serem relacionados com o gerenciamento da satisfação dos clientes. O quadro a seguir ilustra esses objetivos de desempenho que envolvem o gerenciamento da satisfação do cliente e seus desdobramentos para a gestão logística. Quadro 1 Objetivos da gestão logística Grandes objetivos Subobjetivos Descrição Preço/custo Custo de produzir Custo de servir Custo de produzir o produto Custo de entregar e servir o cliente Velocidade Acesso Atendimento Cotação Entrega Tempo e facilidade para ganhar acesso à operação Tempo para iniciar o atendimento Tempo para cotar preço, prazo e especificação Tempo para entregar o produto Confiabilidade Pontualidade Integridade Segurança Robustez Cumprimento de prazos acordados Cumprimento de promessas feitas Segurança pessoal ou de bens do cliente Manutenção do atendimento mesmo que algo dê errado Qualidade Desempenho Conformidade Consistência Recursos Durabilidade Confiabilidade Limpeza Conforto Estética Comunicação Competência Simpatia Atenção Características primárias do produto Produto conforme as especificações Produto sempre conforme especificações Características acessórias do produto Tempo de vida útil do produto Probabilidade de falha do produto no tempo Asseio das instalações da operação Conforto físico do cliente oferecido pelas instalações Características (das instalações e dos produtos) que afetam os sentidos Clareza, riqueza, precisão e frequência da informação Grau de capacitação técnica da operação Educação e cortesia no atendimento Atendimento atento Flexibilidade Produtos Mix Entregas Volume Horários Área Habilidade de introduzir/modificar produtos economicamente Habilidade de modificar o mix produzido economicamente Habilidade de mudar datas de entrega economicamente Habilidade de alterar volumes agregados de produção Amplitude de horários de atendimento Amplitude de área geográfica na qual o atendimento pode ocorrer Fonte: Corrêa, 2010, p. 83. 70 Logística Empresarial Vamos analisar mais detalhes desses objetivos de desempenho (CORRÊA, 2010): • Preço/custo: refere-se ao objetivo que identifica os custos envol- vidos na operação (de fabricação e de distribuição) e a sua rela- ção com o preço determinado pelo produto ou serviço. A relação preço/custo é fundamental para que a empresa consiga entre- gar um pacote de valor ao cliente. Fabricantes de smartphones, por exemplo, procuram lançar anualmente novos produtos que apresentam maior capacidade de processamento, maior nitidez da tela, maiores recursos de operação e maior memória, visando agregar valor ao produto e estabelecer um novo patamar de pre- ços a serem praticados. • Velocidade: diz respeito ao tempo envolvido nas operações de aquisição, manuseio, fabricação, armazenagem e distribuição das mercadorias. O tempo das operações é muito importante para que o cliente perceba agilidade nos processos de atendimento, influenciando assim a sua satisfação. Uma rede de fast food, por exemplo, evidencia processos velozesde atendimento, procuran- do satisfazer o cliente que busca por esse tipo de alimentação. • Confiabilidade: consiste em atividades que geram segurança ao cliente, em sua experiência de consumo dos produtos e serviços da empresa. O cumprimento de prazos dos pedidos realizados e o atendimento correto em qualquer circunstância promovem a sensação de segurança para o cliente, gerando a sua satisfação. Empresas de e-commerce que cumprem prazos de entrega e dis- tribuem os produtos em perfeitas condições físicas são exemplos de empresas que possuem elevado potencial de aumentar a sa- tisfação do cliente. • Qualidade: refere-se à padronização dos processos relativos ao modo como os produtos e serviços são elaborados, às percepções do cliente relacionadas à experiência de uso e de consumo, à dura- bilidade, entre outros elementos importantes relacionados à qua- lidade. Empresas que cumprem com o prometido nas embalagens e que atendem às expectativas do cliente proporcionam qualidade ao produto e serviço, gerando a satisfação do consumidor. • Flexibilidade: diz respeito à capacidade de reorganizar o sistema de atendimento relacionado aos tempos e prazos, aos volumes entregues, ao desenvolvimento de novos produtos e serviços, en- tre outros. Empresas que conseguem reorganizar o seu sistema O Capítulo 3 do livro Gestão de redes de supri- mento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado retrata as diversas dimensões que envolvem o relaciona- mento com clientes e com fornecedores e descreve algumas das principais ações a serem gerenciadas para que um serviço seja bem execu- tado e ocorra a satisfação dos parceiros de negócio. CORRÊA, L. H. São Paulo: Atlas, 2010. p. 67-98. Leitura Recursos logísticos 71 de funcionamento, empregando processos flexíveis, possuem elevado potencial de gerar satisfação no cliente. Desenvolver a gestão logística e da cadeia de suprimentos visando à melhoria do serviço para o cliente é uma tarefa complexa e que depen- de do entendimento das expectativas e necessidades do consumidor, para, desse modo, fazer com que ele fique satisfeito. Diversas ações são necessárias nesse sentido, pois a percepção do cliente quanto aos serviços logísticos prestados pela organização proporciona que ele desenvolva uma relação de confiança e segu- rança em suas transações, promovendo a relativa recorrência no processo de consumo. 3.2 Modais de transporte Vídeo O transporte de cargas é a atividade que representa a maior parcela dos custos logísticos da organização e de sua cadeia de suprimentos. A busca pela redução dos custos operacionais, de manutenção, de ma- nuseio e a melhoria contínua das atividades de distribuição ocasionam o desenvolvimento de mecanismos de integração de um ou mais mo- dais de transporte (denominados multimodalidade ou intermodalidade) num mesmo processo de distribuição e movimentação das cargas. O principal objetivo é atender aos requisitos específicos de opera- ção em relação aos volumes transportados, aos custos envolvidos, às distâncias percorridas e ao tempo utilizado. 3.2.1 Tipos de modais de transporte Ao analisar os processos de movimentação, transporte de cargas e distribuição, a empresa precisa considerar as expectativas e necessi- dades de seus clientes, sua localização geográfica, os prazos e tempos envolvidos no processo, os volumes movimentados e transportados, a relação dos custos operacionais e fretes, dentre outros aspectos. Ao mesmo tempo, as organizações devem analisar a infraestrutura necessária e disponível para o transporte (rodovias, ferrovias, linhas aéreas, portos, terminais, rios, mares, dutos e internet) entre a sua lo- calização e a dos mercados consumidores. • Identificar os principais modais de transporte pre- sentes no sistema logístico. • Diferenciar os modais de transporte com base em suas características competitivas dentro do cenário de movimentação e distribuição das cargas (multimodalidade e inter- modalidade em uma rede de suprimentos). Objetivos de aprendizagem 72 Logística Empresarial A análise da distribuição e da infraestrutura orienta o planejamento de sua matriz (tipo de rede) de transporte, incluindo o uso dos mo- dais certos e com potencial de tornar as operações mais eficientes e rentáveis. A figura a seguir mostra o processo de análise desses dois aspectos. Figura 5 Processo de análise: distribuição e infraestrutura. Distribuição Expectativas e necessidades dos clientes Serviço ao cliente, localização geográfica, prazos e tempos envolvidos, volumes, custos operacionais e fretes Projeto de rede Multimodalidade e intermodalidade Infraestrutura Fonte: Elaborada pelo autor. Nota-se na Figura 5 que, para o projeto de rede multimodal e in- termodal ser efetivamente desenhado e elaborado, ele precisa de que diversos elementos sejam considerados e analisados em dimensões. A Figura 6 a seguir ilustra as principais dimensões de análise. Econômica: aspectos financeiros que envolvem a operação de transportes, como as características econômicas e de operação dos modais. Estrutural: características de disponibilidade de infraestrutura em portos, terminais e localidades a serem operacionalizadas pelo transporte. Eficiência operacional: atividades que envolvem o gerenciamento das ações de embarque e desembarque, o tempo gasto, as composições das cargas a serem transportadas e a estratégia de movimentação (remessa direta, estoques no depósito e cross docking). Fa uz yS to re /S hu tte rs to ck Figura 6 Dimensões de análise Fonte: Elaborada pelo autor. Recursos logísticos 73 Os principais modais de transporte existentes são o rodoviário, o ferroviário, o hidroviário (ou aquaviário ou de cabotagem), o aéreo, o dutoviário e a internet. Esses seis modais apresentam características específicas e próprias relacionadas ao sistema de transporte logístico, que se relacionam com o tipo de processo envolvido durante a movimentação das cargas e orientam as variáveis de decisão a serem tomadas em seu uso (com- partilhado ou isolado). Para Caixeta-Filho e Martins (2001), essas variáveis estão relaciona- das ao custo operacional, ao tempo de movimentação e de trânsito, à capacidade de transporte (quantidade e volume), à frequência do serviço ao cliente, à integração de informações, à confiabilidade do sistema de transporte, à acessibilidade e flexibilidade de integração multimodal e intermodal, à segurança (perdas e danos) e às especificidades da carga. Um estudo comparativo entre os modais, apresentado por Nazário (2000 apud FLEURY et al., 2000), cita algumas relações entre os modais de transporte e é apresentado na figura a seguir. Figura 7 Comparativo entre modais de transporte Velocidade (-) (+) Consistência Disponibilidade Capacidade de movimentação Frequência Dutoviário Aéreo Internet Dutoviário Aquaviário Aquaviário Aquaviário Dutoviário Aquaviário Aéreo Ferroviário Ferroviário Aéreo Aéreo Ferroviário Rodoviário Rodoviário Rodoviário Ferroviário Rodoviário Aéreo Internet Ferroviário Internet Internet Internet Dutoviário Aquaviário Rodoviário Dutoviário Fonte: Nazário, 2000 apud Fleury et al., 2000, p. 146. 74 Logística Empresarial As diferentes características apresentadas pelos modais permitem que seja determinada a melhor configuração multimodal e intermodal a ser desenvolvida pela organização. Cada modal possui vantagens e desvantagens no processo logístico de distribuição. O quadro a seguir apresenta os principais modais e compara as suas características principais em relação aos diversos processos logís- ticos envolvidos na organização e na sua cadeia de suprimentos. Quadro 2 Análise comparativa entre os modais Modal Rodoviário Ferroviário Aéreo Aquático Tubular Eletrônico Custo unitário Médio $ X por tone- lada por km Baixo $ X/5 por tone- lada por km Muito alto $ 3X por tone- lada por km Baixo $ X/20 por tonelada por km Baixíssimo Baixíssimo, tendendoa zero Volumes/ quantidades Pequenos a médios – alguns kg (motoboy) a 40 ton. (carretas) Grandes, carga completa de vagão e muito mais eficiente Pequenas, mais adequado para produtos densos em va- lor ou perecível Grandes para granel, médios para contêineres Enormes volumes para justificar investi- mento inicial Pequenos ou grandes volumes (download de filmes, gran- des bases de dados) Variedade de produtos Muito alta, cargas mistas Alta, mas es- pecialmente adequado para granel/ baixa varie- dade Muito alta em pequenas quantidades Baixa, mas conteineriza- ção e carga fracionada aumentam variedade Muito res- trita: gás, petróleo, água Todos que são baseados em informa- ção (imagem, dados, áudio e vídeo) Velocidade Média de in- fraestrutura (80 km/h) Metade da velocidade do rodoviá- rio, exceto (raros) trens rápidos Muito alta para distâncias in- tercontinentais medindo-se em horas ou dias Fluvial lenta: 10 km/h; oceânico mais rápida: 10 a 12 dias para cruzar o oceano Varia conforme bombea- mento; em geral, não é uma questão Extremamen- te rápido relativamente a outras opções Frequência Alta e flexível Média e fixa, depende da rota Média e fixa em geral, no mínimo diária Baixa, depende da rota Transpor- te cons- tante e contínuo, mas unidi- recional Ilimitada Confiabili- dade Média, depende da infraestrutu- ra e da frota Alta Alta Média, depende de infraestrutu- ra, portos Alta Alta (Continua) Recursos logísticos 75 Modal Rodoviário Ferroviário Aéreo Aquático Tubular Eletrônico Cobertura geográfica Muito alta na maioria das regiões Alta nos EUA e na Europa, baixa no restante Global, mas esparsa (depende de aeroportos) Global em oceânico, flu- vial depende da região Muito bai- xa, ponto a ponto Altíssima tendendo a aumentar ainda mais Capilaridade Muito alta, malha densa na maioria das regiões Baixa, malha só é densa em certas regiões Muito baixa, depende de aeroportos Muito baixa para oceâ- nico, baixa para fluvial Baixíssi- ma, ponto a ponto Altíssima, malha densa de computa- dores Distâncias Curtas a médias Médias a longas Médias a mui- to longas Longas a muito longas Médias a longas Longas ou curtas Fonte: Corrêa, 2010, p. 326. O quadro mostra que o modal rodoviário (o principal no Brasil) se caracteriza por apresentar frequência e flexibilidade elevadas no trânsito e nas rotas. No entanto, esse modal é limitado em relação ao volume transportado, consistindo, assim, no tipo ideal para entregas fragmentadas em pequenas e médias distâncias. O modal aéreo, por exemplo, realiza o transporte a grandes distân- cias e de maneira rápida. Entretanto, sua limitação está relacionada à relação peso-volume do que será transportado e aos elevados custos de operação envolvidos (combustível, movimentação nos aeroportos, seguros e riscos, entre outros). Já o modal ferroviário possui uma elevada capacidade de transporte de carga (volume e peso transportado) e consegue percorrer grandes distâncias, porém sua flexibilidade em relação à mudança de rotas e sua velocidade são muito limitadas. Normalmente esse tipo de modal é mais utilizado para o transporte de commodities (produtos padroni- zados e de baixo valor agregado, como grãos, minério de ferro, açúcar, fertilizantes, produtos químicos, entre outros). Uma rede de transporte, que utiliza diversos modais, de acordo com as suas vantagens competitivas, é condição fundamental para que a empresa desenvolva eficiência e reduza os custos operacionais en- volvidos. A escolha do sistema combinado entre um ou mais modais, portanto, traduz-se no principal fator, entre a maior ou menor compe- titividade da empresa no mercado. A integração de pelo menos dois modais de transporte muitas vezes gera maior eficiência nas operações, pois são utilizadas as vantagens 76 Logística Empresarial características de cada modal para otimizar o processo de movimenta- ção da carga (e com menores custos na operação). Essa integração entre os modais é denominada multimodalidade e intermodalidade, as quais podem ser entendidas como a integração de modais de transporte na busca pela economia relativa a cada um deles, visando à integração do processo de movimentação e à redução dos custos totais da operação (BOWERSOX; CLOSS, 2001). A diferença entre os termos é que a intermodalidade consiste na integração de mais de um modal, mas os contratos de serviço logístico de cada modal são individualizados; já a multimodalidade é realizada por um operador logístico, operador de transporte multimodal (OTM), em que é confec- cionado apenas um contrato de serviço e todas as operações são de responsabilidade desse operador. A intermodalidade pode ocorrer em diversos tipos de configuração: rodoviário-ferroviário, aéreo-ferroviário, aquaviário-rodoviário, aéreo- -rodoviário, entre outros. A figura a seguir apresenta uma integração entre os modais aéreo e rodoviário. Figura 8 Exemplo de integração entre modais M as ch a Ta ce /S hu tte rs to ck Recursos logísticos 77 Observe que a figura mostra o processo de transporte de com- postos químicos para a fabricação de medicamentos (elevado valor agregado), transportado via modal aéreo. Após a chegada do avião ao aeroporto, os compostos são armazenados e, em seguida, carregados em caminhões, que farão a entrega para as indústrias farmacêuticas. Nesse caso, foram utilizados os modais aéreo e rodoviário, em vir- tude do tipo de produto específico a ser transportado (de alto valor agregado e que não demanda muito espaço, peso e volume), buscando a otimização dos processos e a redução de custos, procurando maximi- zar as potencialidades (vantagens) específicas de cada modal utilizado. Um dos principais problemas enfrentados na multimodalidade e na intermodalidade é a disponibilidade da infraestrutura necessária para o uso do modal. Por exemplo, o uso de terminais e portos, que são os responsáveis pela transição entre um modal e outro, normalmente é caracterizado pela limitação de sua infraestrutura, o que acaba preju- dicando o processo de troca de modal e a movimentação dos produtos entre eles (aumento significativo do tempo de troca, por exemplo). Além dos problemas com a infraestrutura dos terminais e portos, a multimodalidade e a intermodalidade possuem outros entraves relati- vos à sua regulamentação para mais de um modal. Assim, a redução das dificuldades (infraestrutura e regulamentação) que envolvem a multimodalidade e a intermodalidade é a principal im- pulsionadora para o surgimento de novas empresas que prestam ser- viços logísticos, basicamente focados no melhor tipo de transporte a ser utilizado. 3.2.2 Multimodalidade/intermodalidade e transporte internacional O aumento do comércio global, ocasionado pelos movimentos de integração dos mercados, tem levado a uma maior movimentação de cargas, culminando na elevação da importância do transporte inter- nacional. Ao mesmo tempo, o objetivo da multimodalidade e intermo- dalidade consiste na obtenção das melhores vantagens de cada modal. As organizações têm buscado a melhoria de seus processos de transporte (custos, prazos e tempos) adotando mecanismos que en- volvem o uso conjunto de recursos logísticos, muitas vezes vindos de Acesse o site da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e leia a lei que regulamenta as atividades dos opera- dores de transporte multimodal (OTM). Disponível em: https://portal.antt. gov.br/transporte-multimodal-de- cargas. Acesso em: 14 ago. 2021. Saiba mais https://portal.antt.gov.br/transporte-multimodal-de-cargas https://portal.antt.gov.br/transporte-multimodal-de-cargas https://portal.antt.gov.br/transporte-multimodal-de-cargas 78 Logística Empresarial diversos países, tanto para o sistema de recebimento como para o de distribuição. Algumas forças atuam em direção a uma maior integraçãodos pro- cessos globais, proporcionando a otimização de processos e a redução dos custos operacionais. A Figura 9 mostra algumas dessas forças. Figura 9 Forças que influenciam a integração de mercados Fonte: Elaborada pelo autor. Principais forças Mercado global Tecnologia Política e economia Custos da operação Fireofheart/Shutterstock Vamos conhecê-las um pouco melhor: • Mercado global: consiste na análise e no planejamento, visando ao atendimento a um mercado consumidor presente na maior parte do planeta. • Custo da operação: envolve a busca incessante das empresas pela melhoria competitiva global, por meio da redução de custos nas operações de transporte (maior eficiência no uso de recursos localizados em diversos países). • Tecnologia: viabiliza e potencializa as trocas de informações, possibilitando decisões precisas e em tempo real. • Política e economia: relacionam-se às tentativas de os governos e países terem maior supremacia e influência global. Recursos logísticos 79 Dessa maneira, o transporte internacional é dominado por transpor- tadores marítimos, tanto em volume como em peso. Em seguida, vem o transporte aéreo, que representa os produtos de maior valor agrega- do, seguido pelos transportes rodoviário, ferroviário e dutoviário, que normalmente atuam no comércio entre países vizinhos. A escolha dos tipos de modais no transporte internacional depende fundamentalmente das localidades geográficas envolvidas (fornecimen- to e mercado consumidor). Países que são vizinhos e fazem fronteira de maneira terrestre, por exemplo, normalmente utilizam os modais rodo- viário e ferroviário. Já países cujas localizações são distantes utilizam os modais marítimo, aéreo e dutoviário para as trocas de produtos. As implicações que envolvem a estruturação das cadeias de supri- mento (redes logísticas) estão diretamente relacionadas ao aumento significativo da competitividade entre as cadeias globais de suprimento. A utilização, pelo país, do transporte internacional e a busca por maior eficiência nas operações de movimentação das cargas são con- dições relevantes para que as empresas alcancem um nível de serviço superior e novos mercados consumidores. Entenda melhor a dife- rença entre os sistemas intermodal e multimodal assistindo ao vídeo do canal Laboratório de En- genharia de Transportes (LET-CTU). Ele apresenta, de maneira didática, as principais diferenças e as vantagens competitivas dos dois sistemas. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=KKjG8_ g9juo. Acesso em: 14 ago. 2021. Vídeo 3.3 Armazenagem e distribuição Vídeo No momento do consumo, os clientes visitam as lojas e procuram produtos e serviços dos quais necessitam, sem se importar se os forne- cedores estão a cinco ou a mil quilômetros de distância. A função logística consiste em desenvolver estratégias de ação que possam suprir essa disponibilidade de produtos e serviços aos clientes (no momento, na quantidade e no local desejados). Os sistemas de distribuição e de armazenagem são importantes elementos que influenciam e direcionam a função logística no que se refere à operação de disponibilização de produtos e serviços ao consumidor. Manusear produtos e distribuí-los de maneira eficiente são ativida- des logísticas complexas, pois exigem que níveis altos de serviço sejam realizados e que o atendimento ao cliente aconteça independentemen- te das distâncias entre os mercados de fornecimento e de consumo. • Reconhecer a importân- cia da armazenagem e da distribuição no desen- volvimento competitivo organizacional. • Estudar diferentes mé- todos de localização de instalações, distribuição e estrutura de depósi- tos, terceirização por operadores logísticos e estratégia de operações dos armazéns e da distribuição. Objetivos de aprendizagem https://www.youtube.com/watch?v=KKjG8_g9juo https://www.youtube.com/watch?v=KKjG8_g9juo https://www.youtube.com/watch?v=KKjG8_g9juo 80 Logística Empresarial 3.3.1 Sistema de armazenagem A armazenagem pode ser entendida como o conjunto de atividades relacionadas ao recebimento, embarque e desembarque, manuseio, movimentação e estocagem de insumos (matérias-primas), produtos semiacabados, componentes e produtos acabados nas organizações. De acordo com Ballou (2001, p. 201): armazenando algum estoque, uma empresa pode, com frequên- cia, reduzir os custos de produção por meio da produção de lotes econômicos em tamanho e em sequência. Por esse meio, a em- presa evita as grandes flutuações nos níveis de produção devido às incertezas e às variações nos padrões de demanda. A figura a seguir mostra as principais funções estratégicas dos armazéns. Figura 10 Funções dos armazéns Vyacheslavikus/ShutterstockManuseio dos produtos Armazenagem dos produtos Serviços de valor agregado Fonte: Elaborada pelo autor com base em Mentzer et al., 2007 apud Corrêa, 2010, p. 310. Vamos estudar em detalhes cada função dos armazéns (CORRÊA, 2010, p. 310). • Manuseio dos produtos: consiste no sistema de movimentação das cargas, responsável pelo recebimento e desembarque, pela movimentação interna, estocagem, separação de acordo com os pedidos e pelo embarque para a distribuição (podendo ocorrer de maneira manual ou automatizada). Os processos de manuseio devem ser detalhados e identificados, visando entender como cada operação ocorre e quais são os custos envolvidos nela. O propósito do manuseio é analisar as operações de movimenta- ção e de estocagem interna das cargas e avaliar possíveis meca- nismos que possam otimizar os processos, buscando diminuir as movimentações e o tempo gasto. • Armazenagem de produtos: diz respeito aos processos de guarda dos produtos, no momento em que eles chegam e são Recursos logísticos 81 recebidos no armazém. Diversos processos de armazenagem estão relacionados a essa operação, como o uso de equipamen- tos de movimentação (empilhadeiras, por exemplo), os sistemas de acondicionamento das cargas (diretamente no chão, uso de pallets, sistema de empilhamento vertical, entre outros) e o uso de prateleiras, caixas ou contêineres, de acordo com os produtos armazenados. O objetivo da armazenagem é otimizar os espaços físicos utilizados, por meio do planejamento eficiente de layouts (desenho da configuração das prateleiras e dos corredores) e do sistema de entrada e saída da mercadoria, ou seja, sai primeiro a mercadoria que entrou primeiro. • Serviços de valor agregado: referem-se ao uso dos armazéns de maneira estratégica, de modo a agregar valor ao pacote de serviços logísticos entregue ao cliente. Algumas ações estratégi- cas envolvem os sistemas de rotulagem e de identificação por etiquetas (eletrônicas ou não); o sistema de embalagem com pro- dutos consolidados, por exemplo, embalagem com três escovas dentais, em vez de apenas uma; e as operações de montagem do produto final, como a montagem de um computador com mouse, teclado, monitor etc. A Figura 11 ilustra um layout de um sistema de armazenagem e de distribuição. Figura 11 Layout de uma estrutura de depósito In sp iri ng /S hu tte rs to ck 82 Logística Empresarial Observe na Figura 11 o sistema de movimentação das mercadorias, desde a armazenagem dos produtos até a separação e o embarque nos caminhões de distribuição. Existem alguns tipos de depósitos que evidenciam essa preocupa- ção e consistem em soluções práticas e funcionais que promovem a viabilidade econômica e operacional das atividades de armazenagem. 3.3.1.1 Definindo o local dos armazéns A localização dos armazéns é muito importante para que a gestão logística e da cadeia de suprimentos consiga estabelecer mecanismos eficientes de operação, seja pela proximidade com os mercados forne- cedores ou consumidores. Alguns fatores influenciam na escolha da melhor localização do ar- mazém, são eles: • a proximidade dos mercados consumidores e fornecedores; • a disponibilidade de uma malha de transportes adequada; • a existênciade mão de obra qualificada; • a disponibilidade de insumos e suprimentos em quantidade, qualidade e preços competitivos; • o custo do metro quadrado do terreno e da construção; • a oferta de serviços públicos, como telecomunicações, água e energia elétrica; • os benefícios fiscais oferecidos pelo governo local; • as regulamentações de trabalho e ambientais, a percepção da comunidade local e a existência de sindicatos; • a proximidade de empresas similares, também denominada de arranjos produtivos locais (APLs). Existem alguns métodos de localização de armazéns (instalações). A figura a seguir mostra três deles. Figura 12 Métodos para a instalação de armazéns Vyacheslavikus/Shutterstock Análise dimensional/ ponderação de fatores Centro de gravidade Momentos de transporte Fonte: Elaborada pelo autor. Saiba mais sobre os APLs no texto da Série Empreen- dimentos Coletivos, do Sebrae. Disponível em: https://www. sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ bis/arranjo-produtivo-local-serie- empreendimentos-coletivos,5980ce 6326c0a410VgnVCM1000003b740 10aRCRD. Acesso em: 14 ago. 2021. Leitura https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/arranjo-produtivo-local-serie-empreendimentos-coletivos,5980ce6326c0a410VgnVCM1000003b74010aRCRD https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/arranjo-produtivo-local-serie-empreendimentos-coletivos,5980ce6326c0a410VgnVCM1000003b74010aRCRD https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/arranjo-produtivo-local-serie-empreendimentos-coletivos,5980ce6326c0a410VgnVCM1000003b74010aRCRD https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/arranjo-produtivo-local-serie-empreendimentos-coletivos,5980ce6326c0a410VgnVCM1000003b74010aRCRD https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/arranjo-produtivo-local-serie-empreendimentos-coletivos,5980ce6326c0a410VgnVCM1000003b74010aRCRD https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/arranjo-produtivo-local-serie-empreendimentos-coletivos,5980ce6326c0a410VgnVCM1000003b74010aRCRD Recursos logísticos 83 Vamos conhecê-los em detalhes a seguir: • Método da análise dimensional e ponderação de fatores: rea- liza comparações entre duas localidades por meio de um cálculo matemático (utilizando critérios quantitativos e qualitativos) que resulta no denominado coeficiente de mérito (CM). Seguem os passos para a construção por meio desse método: 1. listar os fatores relevantes que devem ser considerados na decisão de localização; 2. estabelecer uma ponderação para ser aplicada aos fatores qualitativos (por exemplo, seguindo uma escala de importância de 1 a 10); 3. atribuir valores numéricos para todos os custos (terreno, construção, treinamento, por exemplo); 4. estabelecer um peso para cada fator, qualitativo e quantitativo, de acordo com a sua importância relativa para a decisão; 5. calcular um CM para cada localidade em relação às outras. Dados n fatores diferentes, o coeficiente de mérito CM1,2 da localida- de 1 em relação à localidade 2 é calculado pela fórmula: CM F F x F F x F F P P n n 12 11 2 1 1 12 2 2 2 1 2 , , , , , , , � � � �� � � �� � � �� � � �� � � � � �� �� � � �� Pn Fij = valor do fator j na localidade i Pn = peso relativo (importância) do fator n Se CM1,2 for maior do que 1, a localidade 2 é a preferida. Caso contrá- rio, se o CM1,2 for menor do que 1, a localidade 1 deve ser a escolhida. • Método do centro de gravidade: considera as coordenadas geográficas de localidades de consumo e de fornecimento e, por meio delas, calcula qual é a melhor localização do armazém, ou seja, aquela que mais se relaciona com os locais estudados. Para realizar esse método, insere-se as localidades numa escala de coordenadas (que pode ser definida arbitrariamente ou não) e são calculadas as coordenadas X e Y, que definem o ponto que mais se relaciona com os outros pontos considerados. • Método dos momentos de transporte: tem por objetivo ponde- rar uma determinada localidade e compará-la às demais existen- tes em uma determinada região geográfica. Para cada localidade, 84 Logística Empresarial calcula-se o momento que as demais localidades consideradas possuem, que é obtido pela seguinte formulação: M custo ransporte x quantidade x distância = ( de t )∑ A localidade que resultar na menor soma de momentos será a escolhida. Esses métodos são fundamentais para direcionar a empresa na bus- ca por uma melhor performance na armazenagem e na movimentação (distribuição) das cargas. Uma gestão logística e da cadeia de suprimen- tos bem-sucedida depende de uma adequada análise da localização dos armazéns, em que a melhoria da eficiência das operações deve ser o principal objetivo da organização. 3.3.2 Distribuição e estruturas de depósitos A gestão logística e da cadeia de suprimentos demanda que as organi- zações desenvolvam estruturas de depósitos que possam atender ao nível de serviço esperado pelo cliente (cumprimento de prazos, tempo, agilidade, flexibilidade, entre outros) e que agreguem valor às suas operações de aten- dimento e distribuição. Um dos principais depósitos, frequentemente utiliza- do pelas organizações, é o centro avançado de distribuição (CAD). A figura a seguir mostra como funciona um desses depósitos. Fonte: Elaborada pelo autor. Figura 13 Centro avançado de distribuição (CAD) SISTEMA DIRETO Fornecedor Centro de distribuição avançado Cliente 1 Cliente 2 Cliente 3 Carga fracionada mais próxima do cliente Carga consolidada em grandes distâncias SISTEMA ESCALONADO Fornecedor CAD Central Cliente 1 CAD 1 Cliente 2 CAD 2 Cliente 3 CAD n... Carga consolidada em grandes distâncias Carga separada em médias distâncias Carga fracionada mais próxima do cliente Recursos logísticos 85 Os CADs operam especificamente de duas maneiras principais: por meio do sistema direto (entregas diretas ao cliente), que consiste em um sistema de entrega mais próximo dos clientes, permitindo que eles recebam diretamente do CAD. Já o sistema escalonado (entregas por meio de outros CADs mais próximos do cliente) consiste no sistema de distribuição que entrega para CADs mais próximos do cliente, permitin- do que a entrega seja realizada de maneira mais eficiente. Empresas que operam por meio do comércio eletrônico (e-commerce) normalmente utilizam o sistema direto de entregas ao cliente; já os fa- bricantes de produtos de consumo (por exemplo, produtos capilares num supermercado) utilizam o sistema escalonado de armazenagem, mais eficiente na distribuição dos produtos. 3.3.2.1 Terceirização por meio de operadores logísticos O aumento contínuo da competitividade e da complexidade nas operações logísticas, principalmente aquele relacionado à distribuição, tem feito com que as empresas direcionem os seus esforços, cada vez mais, para a melhoria contínua dos processos de movimentação de cargas (redução de custos operacionais, otimização dos tempos e pra- zos de entrega e aumento do nível de serviço logístico – valor). Alguns dos principais fatores de complexidade nas operações se re- ferem à maior proliferação de produtos, ao aumento das exigências por maior eficiência, ao ciclo de vida mais curto dos produtos e à seg- mentação dos clientes e dos canais de distribuição. A busca pela melhoria de performance tem influenciado o surgi- mento de novos modos de desenvolvimento do processo de distribui- ção, como as parcerias estratégicas entre o fornecedor, o distribuidor e o varejista. As parcerias estratégicas começam a fazer sentido quando elas pro- curam agregar valor aos produtos, melhorar o acesso ao mercado, for- talecer as operações, incrementar capacitação tecnológica, acentuar o posicionamento estratégico e as habilidades organizacionais e, por fim, construir solidez financeira (SIMCHI-LEVI et al., 2003). A Figura 14 ilustra os principais fatores que influenciam o desenvol- vimento de uma parceria estratégica. 86 Logística Empresarial Fi re of he ar t/ Sh ut te rs to ck Figura 14Fatores que influenciam uma parceria estratégica Parceria estratégica Agregar valor aos produtos Melhorar o acesso ao mercado Fortalecer as operações Incrementar capacitação tecnológica Acentuar o posicionamento estratégico Desenvolver habilidades organizacionais Construir solidez financeira Fonte: Elaborada pelo autor. A figura anterior mostra que, para desenvolver uma parceria estra- tégica voltada aos processos de distribuição, é importante que a orga- nização elabore os objetivos a serem alcançados, em quais aspectos a melhoria de performance do negócio deve ocorrer e qual é o nível de serviço desejado. O desenvolvimento de uma parceria estratégica pode ocorrer por meio da associação com os denominados operadores logísticos, que podem ser chamados também de logística terceirizada ou logística contratada. Os operadores logísticos “foram criados com o objetivo de prestar serviço logístico integrado a clientes embarcadores [...] e oferecer um serviço suficientemente abrangente para atender a todas as ne- cessidades logísticas do embarcador ou a uma parte significativa delas” (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p. 108). Assim, o surgimento dos operadores logísticos veio para comple- mentar a necessidade que as organizações possuem de melhorar as suas operações e os seus processos de distribuição. Muitas vezes, a Recursos logísticos 87 necessidade de agregar maior valor aos produtos fornecidos e distri- buídos orienta as organizações na formação de parcerias com outras organizações, que complementam os seus serviços logísticos. As vantagens de contratação de um operador logístico envolvem as potencialidades de redução de custos (operacionais, investimentos na frota e nas estruturas e instalações) e a melhoria da qualidade na pres- tação do serviço de distribuição (manter o foco na atividade central de seu negócio e o aumento da flexibilidade nas operações). No entanto, algumas desvantagens são evidenciadas, como o risco de redução da comunicação entre a empresa e o mercado, podendo gerar dificuldades de relacionamento e, consequentemente, perda de sensibilidade na análise e no entendimento do cliente; a falta de inte- gração entre os objetivos da empresa e de seu operador logístico, isto é, descoordenação e falta de sincronia entre as operações; e a possibi- lidade de desenvolvimento de uma dependência nas operações contra- tadas, tornando o processo difícil e caro para ser revertido. Mesmo assim, compartilhar uma parceria com operadores logísti- cos pode ser fundamental para que a empresa alcance níveis superio- res de competitividade. Porém, os resultados da parceria devem ser medidos, controlados e acompanhados continuamente, visando ao atendimento aos objetivos definidos. 3.3.3 Estratégia nas operações dos armazéns e da distribuição Para que o nível de serviço logístico agregue valor ao cliente, as or- ganizações utilizam sistemas de manuseio de mercadorias, os quais procuram separar e compor novas cargas de maneira mais eficiente e reduzir custos na operação. O manuseio das mercadorias nos armazéns possui uma importante função estratégica para as empresas. Ela consiste na otimização dos processos de movimentação das cargas, proporcionando agilidade nos recebimentos, nos desembarques, na separação e no embarque dos produtos (já fracionados), de acordo com os pedidos dos clientes. Além do sistema operado pelo CAD, existem outros modelos opera- cionais que buscam melhorar as atividades de manuseio e separação de mercadorias, como mostra a Figura 15. 88 Logística Empresarial Figura 15 Sistemas de manuseio e distribuição de mercadorias Vyacheslavikus/ShutterstockTransit-point Cross-docking Merge in transit Fonte: Elaborada pelo autor. Vamos conhecer detalhadamente cada um deles: • Transit point: consiste num sistema que trabalha especificamen- te com o fluxo da mercadoria, sem o acúmulo de estoques em sua instalação. O objetivo é atender a determinada região distante da fonte de abastecimento (fábrica, armazém, centro de distribuição etc.) ou que seja de difícil acesso (como os centros de cidades antigas) por meio do envio de cargas consolidadas, em um veículo maior (como uma carreta), que serão repassadas, em um local prede- terminado, para outros veículos menores que operam localmen- te (para várias camionetas, por exemplo). (PIRES, 2004, p. 246) A figura a seguir mostra como funciona esse sistema. Fonte: Elaborada pelo autor com base em Pires, 2004. Figura 16 Transit point Carga consolidada Veículos grandes Transit point Rota A Veículos menores Rota B Veículos menores Rota n Veículos menores Normalmente as instalações do transit point são simples e de bai- xo custo. No entanto, as operações dependem de elevado volume de movimentação. Assim, o transit point consiste em atividades de movi- mentação de cargas, visando ao atendimento de uma área de mercado específica, que fica distante dos armazéns centrais (CADs), funcionando assim como uma área de passagem. Nelas, os produtos têm origem de diversos fornecedores ou de vários armazéns centrais e seguem dire- tamente para os clientes. Caso os volumes movimentados sejam pe- Recursos logísticos 89 quenos, é necessário que sejam realizadas programações de entrega para que determinadas regiões sejam atendidas em dias específicos, por exemplo, a entrega da segunda-feira será para a localidade A; na terça-feira, entrega para a localidade B; e assim por diante. • Cross-docking: diz respeito ao sistema de recebimento de cargas consolidadas de diversos fornecedores. Os produtos consolida- dos são separados em cargas menores e, posteriormente, elas são carregadas em veículos menores que farão a entrega dos produtos, de acordo com as localidades e os pedidos específicos. O termo cross-docking (docas cruzadas) é uma alusão ao “cruza- mento” que ocorre nesses pontos de distribuição, em que produ- tos chegam – por exemplo, dos fabricantes, em docas colocadas em um lado da instalação – descarregados, e cargas mistas são enviadas de maneira “cruzada” para outros caminhões, em docas, no outro lado da instalação, onde são remontadas confor- me os pedidos das lojas, carregadas e despachadas, sem estoca- gem intermediária. (CORRÊA, 2010, p. 334) A figura a seguir ilustra esse sistema. Figura 17 Cross-docking Fonte: Corrêa, 2010, p. 333. Do fabricante Para o varejista Cross-docking Observe na figura anterior que o sistema cross-docking recebe os produtos dos fornecedores em cargas consolidadas e os separa (man- tendo o mínimo de estoque) em cargas fracionadas, que são poste- 90 Logística Empresarial riormente carregadas em veículos menores para a realização da distribuição específica aos clientes. O sistema cross-docking, portanto, visa aumentar a eficiência do sis- tema de separação e consolidação de cargas mistas, sem a necessidade de estoques na instalação. Esse sistema é muito importante para a gestão logística e da cadeia de suprimentos, pois permite o aumento da movimentação (fluxo) das mercadorias, a otimização dos recursos financeiros e a melhoria (redução) dos tempos dos processos de sepa- ração, embarque e distribuição. • Merge in transit: é considerado uma extensão do sistema cross-docking, porém especificamente voltado a produtos com alto valor agregado, por exemplo, os notebooks. Consiste nos pro- cessos de montagem de produtos de elevado valor agregado, em que o seu sistema de fornecimento é originado de diferentes fábri- cas especializadas. A operação merge in transit procura coordenar o fluxo dos componentes gerenciando os respectivos lead times de produção e transporte, para que estes sejam consolidados em ins- talações próximas aos mercados consumidores, no momento de sua necessidade, sem implicar estoques intermediários (LACERDA, 2000 apud FLEURY et al., 2000). Esse sistema é coordenado de ma- neira mais rigorosa que o cross-docking, utilizando avançados siste- mas de informação e comunicação, que visam a um maiorcontrole dos fluxos dos materiais e seu preciso rastreamento. O desenvolvimento da estratégia que melhor se adapta às carac- terísticas do negócio constitui elemento fundamental para que as organizações melhorem a eficiência das operações e busquem conti- nuamente o aumento competitivo no mercado. 3.4 Tecnologia de informação logística Vídeo A tecnologia da informação (TI) aplicada aos processos logísticos é uma importante ferramenta de apoio à gestão da cadeia de suprimen- tos (rede de suprimentos). Em dias atuais, é improvável que uma eficiente gestão logística e da cadeia de suprimentos possa ocorrer sem que a tecnologia de informa- ção esteja presente para auxiliar e apoiar os processos de tomada de decisão logísticos, tanto operacionais como estratégicos. Assista ao vídeo Caso de sucesso com ope- rador logístico, do canal Jungheinrich Brasil, sobre o trabalho de um operador logístico de armazéns. Observe as atividades no manuseio e na movimentação interna das cargas e pallets. Note também a verticalização do armazém (com ganho de espaço) e o uso de em- pilhadeiras verticais. Um detalhe importante a ser observado é a parceria entre a empresa e o seu operador logístico para a melhoria dos processos internos de estocagem. Disponível em: https://youtu.be/ FC8n6LYmV3o. Acesso em: 15 ago. 2021. Vídeo https://youtu.be/FC8n6LYmV3o https://youtu.be/FC8n6LYmV3o Recursos logísticos 91 Uma das empresas pioneiras no uso da TI no processo de fabricação e customização de produtos, de acordo com o pedido do cliente, além do posterior envio do produto dentro de uma entrega programada, foi a Dell Computer. Já na segunda metade dos anos 1990, a empresa rece- bia os pedidos específicos dos clientes, iniciava a fabricação customiza- da dos computadores e determinava o momento (data) da entrega. Ela apresentou um faturamento de US$ 12,3 bilhões em 1998, crescendo 60% em apenas um ano (NAZÁRIO, 2000 apud FLEURY et al., 2000). O fluxo de informação consiste em um elemento de relevante im- portância para as operações logísticas. O momento da aquisição dos insumos e matérias-primas, a movimentação e a armazenagem dos pro- dutos e sua fabricação, o momento do embarque para a distribuição e o retorno de informações sobre o consumo são algumas atividades de apoio às informações logísticas. Antes da evolução tecnológica, a troca de informações era realizada por meio do uso manual e do papel. Com o avanço tecnológico da infor- mação, a troca de dados e informações entre empresas, departamentos e com o cliente passou a ser realizada por meios eletrônicos e digitais, proporcionando maior agilidade, rapidez e precisão nos processos, au- xiliando as empresas na integração e na sincronização das operações. O uso de tecnologias de informação, portanto, permite que as orga- nizações acompanhem as operações em tempo real, podendo, desse modo, ajustar os processos sempre que necessário. Atualmente existem alguns mecanismos tecnológicos que auxiliam as empresas no processo de acompanhamento das cargas, facilitando o seu controle e rastreando o seu trajeto. Um dos principais mecanismos de informação utilizado é o sistema GPS (Global Positioning System – sistema de posicionamento global). O uso dessa tecnologia de posicionamento com o uso de satélites permite que uma carga seja monitorada continuamente e em tempo real, in- formando aos gestores logísticos a ocorrência de algum problema não previsto, como uma parada inesperada devido a um furo de pneu, fur- tos, acidentes, congestionamentos, entre outras situações. A Figura 18 ilustra um sistema de GPS e o processo de comunicação. • Perceber a importância da tecnologia de infor- mação nas operações logísticas e na cadeia de suprimentos. • Distinguir alguns dos principais sistemas de informação logísticos, entendendo a sua rele- vância para a logística empresarial. Objetivos de aprendizagem 92 Logística Empresarial Figura 18 GPS ar ka 38 /S hu tte rs to ck Satélite GPS Veículo com sistema de rastreamento Rede de comunicação celular Servidor dedicado Internet Computador, notebook ou celular A Figura 18 mostra um caminhão sendo monitorado pela central de operação da empresa, por meio de um sistema de GPS. Assim, o GPS facilita a comunicação entre o sistema de transporte e a central de con- trole logístico, permitindo obter a informação, em tempo real, sobre o posicionamento e a localização geográfica da carga. Essas informações também servem para comunicar o cliente sobre a situação do seu pedi- do e realizar a previsão da entrega (evitando, assim, imprevistos). Alguns mecanismos que proporcionam melhor controle e maior agi- lidade na identificação dos produtos são os sistemas de código de barras e de QR code. A figura a seguir ilustra esses sistemas de codificação e identificação. Figura 19 Exemplos de código de barras e QR code Sp ic yT ru ffe l/S hu tte rs to ck Outro mecanismo importante para a redução de tempos dos processos de identificação de materiais é o RFID (radio frequency identification – identificação por radiofrequência). A figura a seguir ilustra uma etique- ta eletrônica operada pelo sistema RFID. Recursos logísticos 93 Essa tecnologia por radiofrequência normalmente é utilizada por meio de tags (etiquetas) que contêm um chip e são fixa- das nas cargas. As etiquetas eletrônicas contêm informações sobre as cargas, sendo captadas por um sistema coletor que contém informações sobre o volume, as especificações, as di- mensões e outras informações. Normalmente as etiquetas eletrônicas são lidas por sistemas de coleta de informações fundamentados em leitores ou por- tais, leitores manuais ou de prateleiras. A figura a seguir ilustra os principais tipos de coletores RFID. Figura 21 Sistema que utiliza o RFID Sp re ad th es ig n/ P N1 11 6/ Ic on ic B es tia ry / ve ct or po uc h /S hu tte rs to ck Produtos individuais Leitor em portal fixo Leitor portátil Servidor local Servidor integrador ERP SCM CRM Leitor em prateleira Paletts e baús Fonte: Elaborada pelo autor com base em Corrêa, 2010. Nor Gal/Shutterstock Figura 20 Etiqueta eletrônica e RFID 94 Logística Empresarial Observe, na figura, que os produtos que chegam à empresa são de- sembarcados, passam por um sistema de coleta de informações (leito- res), que identifica a mercadoria e insere as informações nos sistemas internos (servidores), e, posteriormente, alimenta os sistemas de infor- mação de gestão logística. Outros mecanismos de apoio da TI se referem ao controle das ope- rações logísticas, ao desenvolvimento de produtos com um design que possibilita o sistema de empilhamento e a redução de volume de carga, como o design de cadeiras que permitem o encaixe e a sobreposição, e ao desenvolvimento de embalagens mais adequadas ao armazena- mento e transporte – a criação do sistema de “caixinha” para armaze- nar leite e molho de tomate, por exemplo. 3.4.1 Sistemas de informação logística No processo de gestão logística e da cadeia de suprimentos, a orga- nização deve utilizar sistemas de informação que possam auxiliá-la no gerenciamento das atividades e nas tomadas de decisão. Diversos sistemas de informação estão disponíveis para que as or- ganizações melhorem continuamente as suas operações e busquem mecanismos que gerem valor agregado aos produtos e serviços ofere- cidos ao cliente. A figura a seguir mostra alguns dos sistemas de infor- mação mais utilizados na logística. Figura 22 Sistemas de informação logísticos Geographic Information System (sistemas de informações geográficas) Electronic Data Interchange (troca eletrônica de dados) Efficient Consumer Response (resposta eficiente ao consumidor) Consumer Relationship Management (gestão do relacionamento com o cliente) GIS EDI ECR CRM (Continua) Assista ao vídeo O que é RFID?, do canal Verup, que mostra, em detalhes, o seu funcionamento e como ela age na redução dos custosoperacionais da empresa, por meio do sistema magnético de co- municação e transferência de dados. Disponível em: https://youtu. be/3J99pqx7ZDM. Acesso em: 15 ago. 2021. Vídeo m at sa be /S hu tte rs to ck https://youtu.be/3J99pqx7ZDM https://youtu.be/3J99pqx7ZDM Recursos logísticos 95 Supplier Relationship Management (gerenciamento do relacionamento com o fornecedor) Data Warehouse e Data Mining (banco de dados e mineração de dados) Vendor Management Inventory (gestão dos estoques pelo vendedor) Warehouse Management System (sistema de gerenciamento de armazéns) Transport Management System (sistema de gerenciamento de transporte) Sales and Operation Planning (planejamento das vendas e operações) Enterprise Resources Planning (planejamento dos recursos empresariais) SRM TMS DW/ DM S&OP VMI ERP WMS Fonte: Elaborada pelo autor. Vamos conhecer cada um desses sistemas de informação aplicados à logística. • GIS: consiste num conjunto de sistemas integrados (software, hardware, dados geográficos, pessoas e organização) que visa apoiar o processo de decisão, envolvendo a utilização de dados e informações georreferenciados pela organização. Ele não é apenas um software, pois utiliza ferramentas geoespaciais e de tratamento de dados robustas sobre a geografia, as pessoas e a organização, resultando em informações disponibilizadas em mapas, que retratam a geografia dos lugares de interesse. Possui muitas funções de apoio gerenciais para a organização, dentre elas: o apoio à definição dos locais das fábricas ou armazéns, às ações de marketing direcionadas e ao entendimento da geografia do mercado consumidor. 96 Logística Empresarial • EDI: consiste na integração de dados entre empresas parceiras de negócio. É o responsável pelo compartilhamento de informa- ções entre as empresas, visando à melhoria dos processos ope- racionais e à sincronização das atividades logísticas. Um exemplo é o relacionamento entre empresas fabricantes e uma rede de supermercados. Quando um produto em estoque, como o sabão em pó, está acabando, um novo pedido eletrônico é emitido pela rede de supermercados e o produto é separado e preparado para ser distribuído pelo fabricante. Esse processo melhora significati- vamente as atividades de compra, pois agiliza e torna a função de compras mais eficiente. A figura a seguir ilustra o funcionamento básico de um EDI. ar ka 38 /S hu tte rs to ck Empresa envia os dados de compra/pedido Servidor de transferência de dados Servidor de transferência de dados Empresa recebe os dados de compra/ pedido EDI Figura 23 EDI Na figura, é possível observar o sistema de funcionamento do EDI. A empresa envia (sending company) os dados e as informações, que são transferidos de servidor para servidor (file transfer server) e, posterior- mente, recebidos pela outra empresa parceira do negócio (receiving company). Para Pires (2004, p. 166), “o EDI tem desempenhado um pa- pel importante, na medida em que atua como um grande facilitador tecnológico na implementação de diversas práticas que visam, sobretu- do, desburocratizar, agilizar e reduzir custos na cadeia de suprimentos”. Para que o EDI seja implementado, é necessário que as empresas desenvolvam estratégias conjuntas e padronizem os documentos a serem integrados (o que, muitas vezes, causa elevação dos custos de implantação). Normalmente as parcerias EDI são realizadas a médio e longo prazos e demandam que as empresas parceiras estabeleçam um relacionamento comercial próximo. • ECR: refere-se ao sistema de relacionamento entre a empresa e o seu cliente, objetivando a reposição automática e eficiente dos estoques. A Figura 24 mostra a relação entre fabricante/fornece- dor e varejista num sistema ECR. Recursos logísticos 97 Figura 24 ECR Fabricantes/fornecedores Varejistas Troca de informações ECR Fonte: Elaborada pelo autor. A figura anterior mostra uma intensa troca de informações e desen- volvimento conjunto de soluções que possam melhorar as operações de entrega e de recebimento entre os parceiros de negócio. Algumas das soluções já realizadas no sistema ECR são a criação do sistema de codificação dos produtos, das etiquetas eletrônicas (RFID) e de diversas melhorias nas operações de recebimento das mercadorias. Assim, o ECR consiste numa ferramenta estratégica de negócios ca- racterizada pela integração das operações de entrega e recebimento entre fornecedores e varejistas, visando à melhoria da eficiência da gestão logística e da cadeia de suprimento por meio do melhor atendi- mento ao consumidor final (entrega de valor). A prática do ECR, portan- to, proporciona vantagens significativas às empresas parceiras, como o estreitamento das relações entre os elos da cadeia de suprimentos, a redução dos custos operacionais e do retrabalho e a otimização das operações de entrega e recebimento. • CRM: é uma estratégia de marketing voltada para a satisfação e a entrega de valor ao cliente. Proporciona o desenvolvimento de maior relacionamento com o cliente, procurando, por meio da aná- lise de dados dos pedidos e do consumo, entender as expectativas e necessidades desse cliente, atendendo-o da melhor maneira possível. Exemplos das relações do CRM nas funções organiza- cionais são a busca pela lealdade e por um maior relacionamento com o consumidor, os serviços prestados, as vendas, o marketing, a comunicação e o gerenciamento do banco de dados. O principal objetivo do CRM é compreender melhor os consumidores da em- presa para, assim, poder selecionar, classificar e segmentar ofertas que atendam às expectativas e às necessidades, proporcionando um atendimento customizado e com elevado nível de serviço. • SRM: diz respeito às atividades relacionadas à gestão adequada da rede de fornecedores, com vistas ao atendimento eficiente e preciso da empresa cliente. Planeja e gerencia estrategicamen- 98 Logística Empresarial te o processo de integração entre os parceiros de negócios (que fornecem produtos e serviços), maximizando o valor agregado dessa integração. As ações relevantes no SRM servem para que a organização procure melhorar o relacionamento com os seus fornecedores (próprios e terceirizados). A relação de aquisição de produtos e serviços (procurement) é evidenciada nesse sistema de gestão de relacionamento. • DW/DM: o data warehouse é o banco integrado de dados da orga- nização. As principais ações da empresa, como as atividades admi- nistrativas, de vendas, financeiras, de operações, de distribuição, entre outras, são armazenadas no banco de dados de maneira bruta, ou seja, sem que haja a existência de filtros e classificações nos dados. Já o data mining se refere à mineração dos dados bru- tos. Em outras palavras, consiste na filtragem de dados, visando auxiliar o processo de tomada de decisões operacionais e estra- tégicas. Por exemplo, uma loja de departamentos busca realizar correlações entre as vendas de smartphones e produtos de som e áudio. Caso exista uma relação entre as vendas, a empresa con- segue elaborar estratégias comerciais que visam amplificar as ven- das desses produtos. Outro exemplo é o caso dos supermercados, que podem correlacionar as vendas de fraldas descartáveis em dias específicos da semana (sábados e domingos), com a venda de bebidas (pais que compram fraldas acabam levando alguma bebi- da para casa). A figura a seguir ilustra esse sistema. Figura 25 DW/DM Fontes geradoras de dados Data warehouse Data mining Ba kh tia r Z ei n/ Sh ut te rs to ck A figura anterior mostra as fontes geradoras de dados (vendas, as atividades administrativas, as operações etc.) que são armazenadas no banco de dados (data warehouse). Em seguida, os dados são filtrados e são buscadas as suas correlações pela análise de dados (data mining). Recursos logísticos 99 As informações coletadas das análises permitem que a organização elabore estratégias para melhorar as suas vendas. • VMI:essa ferramenta de gestão da informação permite que o fornecedor (vendedor) controle os estoques do seu cliente, ope- rando os reabastecimentos e as entregas das mercadorias. Ao mesmo tempo, ao ter contato com as vendas e os estoques dos clientes, o vendedor consegue prever vendas que o auxiliam no seu processo de fabricação e de distribuição. Possui o objetivo de equilibrar a estocagem/armazenagem e o consumo dos produ- tos, garantindo um sistema de abastecimento eficiente que reduz perdas e desperdícios no processo. A figura a seguir mostra o processo desse sistema. Figura 26 VMI m at sa be /i m Gh an i/ Ar na Ph ot o /S hu tte rs to ck Checagem do estoque do cliente Planejamento e análise dos produtos Previsão e controle da fabricação e distribuição Entrega dos produtos de acordo com a demanda A figura anterior mostra as principais ações realizadas pelo vendedor, desde a checagem dos estoques do cliente, posteriormente passando pelo planejamento e, por fim, pela análise dos produtos e seus perfis de consumo. Com base na análise do consumo, ele realiza a previsão e o controle de sua fabricação e distribuição para, em seguida, operaciona- lizar os processos de entrega, de acordo com a demanda real e prevista. • WMS: são softwares desenvolvidos para auxiliar a empresa na gestão, na otimização e na automatização dos processos logís- ticos relacionados aos estoques e aos fluxos de movimentação nos centros de distribuição, depósitos e armazéns. Consiste no sistema de informação responsável pelo endereçamento dos produtos em estoque, pois cada produto possui um endereço no armazém, como se fosse o endereço de uma residência com o nome do bairro, da rua e da casa, e pelo controle eficiente dos recebimentos, abastecimentos e reabastecimentos. A Figura 27 ilustra o WMS aplicado a um depósito. 100 Logística Empresarial A figura anterior mostra um sistema de movimentação de cargas no depósito, controlado pelo WMS. O controle é realizado por meio dos códigos de barras ou sensores automáticos, em que cada produto (SKU – stock keeping unit ou unidade de controle de estoque) possui um único código de referência e de identificação. • TMS: são softwares que permitem a organização e o controle, de maneira eficiente, do sistema logístico de transporte e a dis- tribuição de mercadorias nos vários modais. Controla, além da distribuição e dos veículos da frota, o controle do fluxo de infor- mações, a contratação de fretes, a manutenção, o rastreamento das entregas, as melhores rotas, a redução dos custos de trans- porte, as simulações, os prazos e tempos, entre outros. • S&OP: um dos grandes desafios das organizações é o equilíbrio entre a demanda e as operações que envolvem o abastecimento das mercadorias. Segundo Bertaglia (2003, p. 355), “o S&OP é um processo que permite integrar os diversos planos existentes na organização, de tal forma que a administração da cadeia de abas- tecimento seja mais efetiva, trazendo vantagens competitivas”. As vantagens oferecidas pelas empresas que desenvolvem esse sistema são (WALLACE, 2001): Figura 27 WMS Dm itr y K al in ov sk y/ Sh ut te rs to ck Recursos logísticos 101 • melhor atendimento ao cliente; • redução de estoques; • estabilidade do ritmo de produção; • trabalho em equipe; • aumento da responsabilidade na execução dos planos; entre outros. Assim, o principal objetivo do S&OP é o balanceamento das ope- rações de oferta e demanda. Ele tem a função de conectar os planos estratégico e de ações aos processos e às atividades ope- racionais, priorizando iniciativas multidisciplinares e que envol- vem e integram diversos níveis da organização. • ERP: são softwares de gestão que procuram integrar em um único sistema as principais áreas e funções da empresa, como a finan- ceira, de pessoal, da logística e da cadeia de suprimentos, comer- cial/vendas, entre outras. Sua função é controlar as informações, integrando dados e proporcionando o controle máximo da em- presa em suas atividades e nas tomadas de decisão. O conceito do sistema ERP surgiu com base nos conceitos do MRP (Material Requirements Planning – planejamento das necessidades de mate- rial) e do MRP II (Manufacturing Resources Planning – planejamento dos recursos da manufatura). O sistema MRP pode ser conside- rado o precursor do ERP, pois a sua função era calcular, por meio das encomendas e pedidos, a quantidade dos materiais necessá- rios e o tempo em que eles estariam disponíveis para uso. Já o sistema MRP II ampliou as atividades desenvolvidas pelo MRP e inseriu novos módulos, como o financeiro e o de pessoal (custos envolvidos, quantidade de operadores, número de máquinas ne- cessárias, entre outros). Os principais módulos do sistema ERP nas empresas são: estoques, financeira, de pessoas, fabricação, serviços, compras e MRP/MRPII. O uso das tecnologias de informação na gestão logística e na cadeia de suprimentos, portanto, constitui uma importante ferramenta de ge- renciamento dos processos internos e externos da empresa. É muito difícil (se não impossível) desenvolver uma logística integrada sem o uso das tecnologias de informação. Aplicar a TI nos processos logísti- cos se traduz em condição primordial para que as organizações sejam competitivas e tomem decisões mais assertivas nos negócios. 102 Logística Empresarial 3.5 Logística reversa Vídeo A logística reversa pode ser entendida como as operações de fluxo de materiais e se preocupa com as questões sociais e econômicas. Ela é caracterizada por ações, procedimentos e operações integrados, obje- tivando realizar a coleta de resíduos sólidos dos consumidores, promo- vendo o retorno desses resíduos para as empresas que os fabricaram. Sua proposta consiste no devido reaproveitamento e reciclagem ou outro destino final sustentável. Por resíduos sólidos podemos entender latas de bebidas, pneus inu- tilizáveis, medicamentos vencidos, garrafas PET, embalagens de agro- tóxicos, pilhas e baterias, óleos de cozinha e lubrificantes, embalagens plásticas em geral, lâmpadas fluorescentes, papel/papelão, vidro, com- ponentes eletrônicos, entre outros. Ao contrário do fluxo normal de produtos na logística (dos forne- cedores/fabricantes ao consumidor final), a logística reversa trata da movimentação dos produtos no sentido contrário (dos consumidores aos fornecedores/fabricantes). A figura a seguir ilustra o processo de logística reversa. ar ka 38 /S hu tte rs to ck Coleta do material Transporte Recebimento Inspeção Separação Reuso Reciclagem Descarte Figura 28 Logística reversa O processo de logística reversa se inicia na recuperação ou coleta dos resíduos sólidos, no transporte para a área de recebimento, no preparo e na consolidação das cargas. Em seguida, as cargas são inspecionadas, classificadas e ordenadas para que recebam o destino final, ou seja, sua redefinição para outros fins: reciclagem ou descarte como sucata. 3.5.1 Sustentabilidade O uso continuado de produtos pela humanidade tem gerado o acú- mulo de muitos resíduos sólidos (lixo), que, não sendo tratados, vão eventualmente ser descartados em terrenos, rios, lagos e mares. • Assimilar os conceitos de logística reversa e sustentabilidade. • Reconhecer a importân- cia da logística reversa e seus pressupostos para a gestão logística. • Estudar a gestão de processos que envolvam planejamento e controle das operações reversas. • Conhecer ações e práticas que permitam a sustentabilidade da organização no médio e no longo prazo. Objetivos de aprendizagem Recursos logísticos 103 Por sustentabilidade, termo que tem sido cada vez mais presente nas discussões estratégicas das organizações, entende-se os processos necessários que visam à melhoria da eficiência do uso dos recursos materiais e ambientais na fabricação e no descarte pós-consumo. Organizações sustentáveis procuram desenvolver mecanismos de ação que possam otimizar o uso dos recursos materiais,gerando assim a redução dos descartes e o melhor uso dos recursos ambientais. Existe a necessidade de se realizar mudanças rápidas e abran- gentes, de tal maneira que elas conscientizem toda a humanida- de no que se refere à preservação do meio ambiente, objetivando uma mudança de valores no ser humano, para garantirmos a preservação dos recursos naturais do planeta e, em consequên- cia, a saúde humana. (BOLDRIN, 2005, p. 22) No entanto, uma das principais questões que envolvem a sustenta- bilidade na logística reversa é a preocupação financeira (viabilidade econômica na realização dos processos reversos). Apesar do potencial de melhoria nos processos reversos, como a redução de custos opera- cionais, o desenvolvimento de embalagens sustentáveis e a otimização das atividades, resíduos cuja operação reversa não proporciona equilí- brio financeiro tendem a ser negligenciados. Normalmente produtos que se destacam nas operações de logística reversa são aqueles que possuem uma cadeia de reciclagem financei- ramente viável ou aqueles que são obrigados, por lei, a desenvolverem as ações. No Brasil, temos a Lei n. 12.305/2010, que instituiu a Política Nacio- nal de Resíduos Sólidos (PNRS). Ela possui uma abordagem moderna e apresenta relevantes instrumentos para se enfrentar o manejo incorre- to dos resíduos sólidos. Essa lei regulamenta algumas ações que devem ser realizadas por organismos públicos e privados, promovendo maior transparência em suas ações de gerenciamento dos resíduos sólidos. Outro aspecto relevante para as empresas se refere à estabilização das quantidades e da qualidade que efetivamente retornam para o seu devido manuseio. Em muitos casos, os resíduos não retornam aos for- necedores/fabricantes em quantidades desejadas e necessárias, além de retornarem com a qualidade prejudicada, para o seu processo de clas- sificação e reutilização, tornando o processo inviável economicamente. Saiba mais sobre a PNRS acessando o texto integral da Lei n. 12.305/2010. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2007-2010/2010/lei/l12305. htm. Acesso em: 16 ago. 2021. Leitura http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm 104 Logística Empresarial 3.5.2 Planejamento e controle da logística reversa O planejamento e o controle dos fluxos reversos de materiais en- volvem várias ações a serem realizadas pelas empresas para que eles aconteçam de maneira eficiente e contínua. O quadro a seguir apre- senta alguns aspectos que influenciam a gestão do planejamento e do controle das operações reversas. Item Medida de desempenho (ao longo do ciclo de vida) Uso de recursos Total de energia consumida Total de material consumido Remanufa- tura/ reuso/ reciclagem Tempo para recuperação do produto % materiais recicláveis/reutilizáveis (volume ou peso) disponíveis ao fim da vida do produto % em volume ou peso do produto reciclado e reutilizado Pureza do material reciclado utilizado % materiais reciclados/reutilizados (volume ou peso) usados como insumo de manufatura % do produto descartado ou incinerado Fração das embalagens ou contêineres reciclados Taxa de recuperação de materiais Taxa de recursos reciclados/produtos virgens Taxa de materiais reciclados/produtos potencialmente recicláveis Produtividade de materiais: saídas em termos econômicos/entradas em termos econômicos. Característica do produto Vida útil de operação do produto Massa total de produtos produzidos Emissões e efluentes Total de materiais tóxicos ou perigosos utilizados Total de descarte tóxico ou perigoso gerado Geração de resíduos sólidos % dos produtos (peso ou volume) descartados em aterros sanitários Concentração de produtos perigosos em produtos e coprodutos Estimativas de riscos de efeitos adversos em humanos e meio ambiente Taxa de descarte por entradas Economia/ emissões Ecoeficiência: adição do máximo valor com o mínimo uso de recursos e mínima geração de poluição. Quadro 3 Aspectos da gestão da logística reversa Fonte: Corrêa, 2010, p. 361. Vamos entender um pouco melhor esses aspectos. • Uso de recursos: refere-se à maneira como os recursos são utili- zados (energia e materiais a serem consumidos). Conceitos como Recursos logísticos 105 a taxa de eficiência (recursos utilizados dividido por recursos to- tais) e eficácia (resultados obtidos dividido pelos objetivos pro- postos) são constantemente utilizados. • Remanufatura/reuso/reciclagem: diz respeito às atividades de gerenciamento relacionadas aos tempos de recuperação dos produtos, às taxas de sucesso nos materiais reciclados e ao ciclo de vida dos produtos em relação ao sucesso de sua recuperação. • Característica do produto: consiste na análise da vida útil das operações e do volume de produtos efetivamente recuperados. • Emissões e efluentes: refere-se à taxa de risco da utilização e geração de resíduos tóxicos e perigosos no processo. • Economia/emissões: diz respeito ao conceito de ecoeficiên- cia, por meio do uso de menos recursos e menor emissão de poluentes. A análise dos aspectos anteriores permite considerar que as organi- zações necessitam desenvolver mecanismos de gestão logística reversa mais flexíveis e adaptáveis às especificidades dos produtos. O sucesso na aplicação da logística reversa depende fundamentalmente da com- petência organizacional em considerar esses aspectos e ser suficiente- mente capaz de gerenciar os processos reversos de maneira efetiva. 3.5.3 ESG O termo ESG (Environmental, Social and Governance – governança ambiental, social e corporativa) não necessariamente pode ser consi- derado um termo novo no mercado. Ele vem surgindo como uma im- portante tendência, pois é o responsável pela resposta contemporânea das empresas aos desafios impostos pela sociedade, quanto a ques- tões sobre a gestão do meio ambiente, os impactos sociais e o sistema de governança empresarial empregado. O ESG faz com que a organização mostre e projete ao mercado que é responsável e comprometida com os objetivos e valores da socieda- de, demonstrando ações que visam à sustentabilidade do meio am- biente, de seus clientes, funcionários, fornecedores e investidores. Dessa maneira, o ESG pode ser compreendido como um conjun- to de ações que envolvem padrões e boas práticas, objetivando gerar transparência sobre as ações sociais, ambientais e gerenciais. Os três pilares do ESG (ambiental, social e corporativo) são men- surados e analisados como critérios para observar se uma empresa 106 Logística Empresarial desenvolve a estratégia e a sustentabilidade em suas ações. Em outras palavras, a prática do ESG permite avaliar a empresa sobre as suas prá- ticas sustentáveis e que geram impacto nos pilares, possibilitando que investimentos do mercado possam ser realizados. Normalmente empresas que desenvolvem as boas práticas do ESG são bem vistas no mercado e transmitem confiança e segurança para que novos investimentos aconteçam. O ESG permite verificar se uma empresa possui e desenvolve cons- ciência sobre a sua função no mercado (ambiental, social e corporativa) e proporciona à empresa mostrar os impactos que o seu negócio gera (positivos e negativos) e o valor agregado potencial que ela pode ofe- recer à sociedade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os recursos logísticos são elementos muito importantes para a com- posição das ações e para o correto gerenciamento da logística e da cadeia de suprimentos. Pensar em recursos logísticos significa considerar as principaisope- rações que garantem a maior competitividade da organização, como o pleno atendimento ao cliente (serviço ao cliente); a escolha da melhor in- fraestrutura dos tipos de transporte (modais); a localização e o sistema de funcionamento dos centros de distribuição, armazéns e depósitos; a estratégia do sistema de distribuição; o uso de tecnologias de informação logísticas; a logística reversa de produtos e as boas práticas ambientais, sociais e de governança. Os recursos logísticos na gestão dos processos de recebimento, fa- bricação, separação, movimentação e distribuição são elementos signi- ficativos que possibilitam às organizações desenvolverem competência competitiva e, consequentemente, obterem sucesso em seu modelo de negócio. ATIVIDADES Atividade 1 Explique por que a segmentação de clientes é importante para a gestão logística e da cadeia de suprimentos. O vídeo Você sabe o que é Logística reversa? mostra o funcionamento do sistema e as principais exigência da legislação. Disponível em: https://youtu.be/ qQb_gD5NweI. Acesso em 16 ago. 2021. Vídeo https://youtu.be/qQb_gD5NweI https://youtu.be/qQb_gD5NweI Recursos logísticos 107 Atividade 2 Qual o impacto da escolha do melhor modal de transporte para a gestão logística? Atividade 4 Qual a importância do uso da tecnologia de informação para as operações logísticas? Comente. Atividade 3 Cite e explique brevemente as principais funções da armazenagem. Atividade 5 Cite e explique brevemente dois elementos impulsionadores para a realização da logística reversa nas cadeias de suprimento. REFERÊNCIAS BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2001. BERTAGLIA, P. R. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. São Paulo: Saraiva, 2003. BOLDRIN, V. P. Logística reversa: em estudo de caso no retorno das embalagens vazias de agrotóxicos. (Dissertação de Mestrado). Unifecap. 2005. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. CAIXETA-FILHO, J. V.; MARTINS, R. S. (org.). Gestão logística do transporte de cargas. São Paulo: Atlas, 2001. CORRÊA, H. L. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. FLEURY et al. (org.). Logística empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. PIRES, S. R. I. Gestão da cadeia de suprimentos: conceito, estratégias, práticas e casos. São Paulo: Atlas, 2004. SIMCHI-LEVI, D. et al. Cadeia de suprimentos: projeto e gestão. Porto Alegre: Bookman, 2003. WALLACE, T. F. Planejamento de vendas e operações: guia prático. São Paulo: Imam, 2001. 108 Logística Empresarial 4 Gestão da demanda, suprimentos e estoques A gestão eficiente da logística empresarial e de sua cadeia de supri- mentos decorre da necessidade de entender o comportamento atual da demanda (consumo) e de como ela se comportará no futuro. Como a principal função da logística consiste no atendimento das expectativas e necessidades do consumidor em relação ao preço, ao atendimento, aos prazos e ao tempo e às condições (estado físico) dos produtos e serviços, a compreensão do perfil de demanda pela organi- zação é um item fundamental do sucesso em suas operações de supri- mento, estocagem e distribuição. Assim, entender a demanda permite que a gestão dos elementos que fundamentam o seu comportamento possa ser efetivamente realizada e gerenciada, de maneira eficiente e eficaz, para o melhor atendimento do consumidor. Neste capítulo, procuramos descrever os elementos fundamentais que constituem a gestão logística, como o entendimento da demanda, o sistema de compras e suprimentos e o sistema de armazenagem envolvi- do nos processos. 4.1 Gestão da demanda Vídeo A gestão da demanda pode ser entendida como uma série de ações práticas que permite compreender (prever e atender) a demanda do mercado consumidor por bens e serviços ofertados pela organização, possibilitando o equilíbrio entre o que é oferecido ao mercado e o que efetivamente é demandado por ele. O gerenciamento adequado da demanda pressupõe considerar alguns elementos importantes, que são os responsáveis pela ação de os processos logísticos serem alinhados às necessidades dos clientes. A figura a seguir mostra os principais elementos que compõem uma adequada gestão da demanda. Conhecer os principais aspectos que envolvem a gestão adequada da demanda em uma operação logística. Objetivo de aprendizagem Figura 1 Elementos da gestão da demanda Entendimento do mercado Análise da demanda e da operação Elaboração de pesquisas Estratégias de ação sobre a demanda Vyacheslavikus/Shutterstock Fonte: Elaborada pelo autor. Vamos compreender esses elementos principais. • Entendimento do mercado Também conhecido como análise de mercado, consiste funda- mentalmente na coleta de dados e informações, tanto quantitativas quanto qualitativas, da estrutura do mercado em que a empresa atua- rá, como as principais regiões geográficas, o perfil do cliente, os seus hábitos de consumo e as suas expectativas e necessidades. O mercado consumidor é formado pelas empresas que: comercializam produtos e serviços de consumo em massa, como refrigerantes, cosméticos, passagens aéreas e equipamentos esportivos, investem parte significativa de seu tempo tentando estabelecer uma imagem de marca superior. Grande parte da solidez de uma marca depende do desenvolvimento de um pro- duto superior, com embalagem adequada, disponível nos locais adequados e sustentado por propaganda contínua e serviço confiável. (KOTLER; KELLER, 2006, p. 9) Dessa maneira, o entendimento do mercado pressupõe que a organização consiga compreender as características do mercado em que atua ou irá atuar, procurando compatibilizar e ajustar a sua pro- posta de valor aos requisitos do consumo planejado. Fr ee do m z/ Sh ut te rs to ck Gestão da demanda, suprimentos e estoquesGestão da demanda, suprimentos e estoques 109109 Assim, o principal objetivo do entendimento do mercado é a compreensão de sua dinâmica estrutural, sendo importante identificar os fatores-chave de sucesso e/ou fracasso, as projeções e as tendências, bem como as ameaças e as oportunidades oferecidas em um ambiente logístico de desenvolvimento estratégico e operacional. • Análise da demanda e da operação Após o adequado entendimento do mercado, há a fase da adequa- ção das operações logísticas, de acordo com a demanda identificada. A demanda identificada é a quantidade em que um determinado produto ou serviço será efetivamente consumido em um específico pe- ríodo de tempo. Já a capacidade das operações logísticas é compreendida como a quantidade total de operações logísticas também em um certo período de tempo – são elas: capacidade de instalações, de distribui- ção, de armazenagem, de operações de recebimento e carregamento de produtos, entre outros. Alguns perfis de demanda são identificáveis em relação ao está- gio de vida do produto ou serviço. Esses estágios basicamente podem apresentar um perfil de demanda que seja estável e equilibrado ao longo do tempo (como o consumo de arroz), com a tendência crescente (como o de um novo modelo de smartphone) ou decrescente (como o consumo dos aparelhos de DVD e Blu-ray), e sazonais (como o consu- mo de panetones no Natal, de sorvetes em épocas mais quentes do ano, entre outros). Logística EmpresarialLogística Empresarial110110 ES B Pr of es si on al /S hu tte rs to ck Gestão da demanda, suprimentos e estoques 111 Para o desenvolvimento do processo de adequação entre a demanda e as operações logísticas de produção e atendimento, Slack et al. (2009) tratam da análise dos 4 Vs de processo, ilustrados na figura a seguir. Figura 2 4 Vs Fonte: Slack et al., 2009, p. 21. Baixa Volume Variedade Variação Visibilidade Baixa Baixa Baixa Alta Alta Alta AltaOs 4 Vs de processo são muito importantes para a definição estrutural dos processos logísticos. Vamos analisar dois tipos de oferta de alimentos: o sistema fast-food e o de alta gastronomia. O sistema fast-food, isto é, as redes de restaurante como McDonald’s, Burger King e Bob’s, oferece produtos e serviços padronizados, com alto volume, mas com baixa variedade, ou seja, opções de sanduíches predetermi- nadas, e sem variação, pois não permite que o consumidor altere as características dos produtos, além da baixa visibilidade, uma vez que há pouco contato com os funcionários e o pessoal que elabora os produtos. Já um restaurante especializado em alta gastronomia trabalha, normalmente, com baixos volumes para atender a uma clientela exi- gente, alta variedade de opções, em que o cliente pode escolher o que ele gostaria que o prato tivesse – por exemplo, legumes ou batatas de acompanhamento –, alta variação, pois oferece opções diversas de composição dos pratos, como mais ou menos sal, algum tempero especial, o “ponto” da carne, entre outros, e alta visibilidade, que, mui- tas vezes, proporciona o contato entre o chefe da cozinha e os clientes, visando à customização dos pratos e a um atendimento personalizado. A análise da demanda e a sua consequente adequação às opera- ções permitem que os restaurantes fast-food elaborem seu portfólio de produtos e serviços de acordo com as expectativas e necessidades 112 Logística Empresarial do consumidor – nesse caso, produtos mais baratos, padronizados e de atendimento rápido. Já os restaurantes de alta gastronomia organi- zam os processos para que o atendimento ao cliente seja específico e personalizado; por isso, normalmente, são mais caros, customizados e levam mais tempo na preparação dos pratos. • Elaboração de pesquisas Muitas vezes, o processo de entendimento da demanda decorre da realização e análise de pesquisas de mercado, que visam captar as principais expectativas, necessidades e tendências do consumo. Fundamentalmente, o plano de pesquisa deve contemplar pelo me- nos cinco aspectos. A figura a seguir mostra esses aspectos. Figura 3 Aspectos do plano de pesquisa da vo od a/ M y F la t S ty le /ic on im /M r. Ra sh ad / Pu ch on g Ar t/ Ar t s tu di o G/ m at sa be /S hu tte rs to ck OBSERVAÇÃO Observação do processo de consumo e uso dos produtos, permitindo que o comportamento do consumidor seja identificado e analisado. GRUPO DE FOCO (FOCUS GROUP) Reunião de seis a dez consumidores especialmente selecionados, visando à discussão de vários tópicos de interesse mais detalhadamente. (Continua) Th an ak or n. P/ Sh ut te rs to ck DADOS COMPORTAMENTAIS Processo de coleta de dados por meio do comportamento de compra originado nos bancos de dados de consumo – quando o cliente passa o código de barras do produto e acessa os produtos em sites e aplicativos. PESQUISA EXPERIMENTAL Tipo de pesquisa em que o consumidor vivencia experiências controladas e descreve as suas percepções no uso do produto ou serviço. LEVANTAMENTOS Coleta de informações sobre o conhecimento, as convicções, as preferências e o grau de satisfação do cliente. Fonte: Adaptada de Kotler; Keller, 2006. A escolha do método adequado a ser utilizado no plano de pesquisa é fundamental para que o processo de coleta de informações seja reali- zado de maneira eficiente e para que o comportamento do consumo possa ser efetivamente identificado e analisado. • Estratégias de ação sobre a demanda Essas estratégias consistem no desenvolvimento de ações que vi- sam ajustar a demanda de acordo com as capacidades de operação da organização. Essas ações são relacionadas principalmente à elabo- Gestão da demanda, suprimentos e estoquesGestão da demanda, suprimentos e estoques 113113 Ji rs ak /S hu tte rs to ck 114 Logística Empresarial ração de estratégias que procuram controlar o fluxo de consumo da demanda em determinados períodos e horários. A figura a seguir ilustra uma estratégia de nivelamento da demanda. Figura 4 Transferência de parte da demanda do pico para o vale por promoções e/ou comunicação Demanda original Demanda nivelada demanda tempo Fonte: Corrêa, 2010, p. 233. Por exemplo, um restaurante que tenha capacidade de atendimento de 100 clientes e verifique a formação de filas no horário do almoço, das 12h às 14h, pode estabelecer uma ação promocional que ofereça um suco grátis aos clientes que forem almoçar das 11h às 12h e a partir das 14h. Bares e restaurantes que promovem o happy hour ou a promoção de pratos em determinados dias da semana também são exemplos de estratégias de ação sobre a demanda. Outro caso são os supermerca- dos que realizam promoções (leve três, pague dois) e diminuem preços visando aumentar o consumo de certo produto e reduzir os estoques. Ainda, outra ação sobre a demanda envolve a estratégia de cicli- cidade oposta na operação logística. A figura a seguir mostra essa estratégia de ação. Figura 5 Exploração de produtos com ciclicidade oposta de demanda Produto A Produto B Demanda total Fonte: Corrêa, 2010, p. 233. demanda tempo Gestão da demanda, suprimentos e estoques 115 Um exemplo clássico desse caso envolve a produção e distribuição de panetones nas festas de final de ano e a produção cíclica oposta de colomba pascal na época da Páscoa. Assim, a organização conse- gue manter a sua produção constante ao longo do ano, mantendo os funcionários e equilibrando as operações de fabricação, estocagem e distribuição dos produtos. 4.2 O efeito chicote e a coordenação da demanda Vídeo O efeito chicote, também denominado de bullwhip effect, consiste na distorção entre entradas e saídas – isto é, pedidos de compra e entre- gas –, ocorrida entre os elos da cadeia de suprimentos. Ele é basicamente um fenômeno que ocorre quando, em vez de considerar a demanda do cliente final como referência, os elos da ca- deia de suprimentos alinham as suas operações (produção, estocagem e distribuição) à demanda que foi solicitada pelo elo seguinte da cadeia. O elo de contato com o consumidor – o varejo, por exemplo –, na tentativa de divulgar uma promoção de certo produto, acaba tendo os estoques reduzidos consideravelmente e passa a realizar um pedido maior ao seu fornecedor (elo anterior é o revendedor). Como o fornece- dor não sabe exatamente como foram realizadas as vendas do produto pelo seu cliente, ele acaba tendo de realizar ajustes em suas atividades logísticas, o que gera um potencial aumento dos custos operacionais. A figura a seguir ilustra o efeito chicote em uma cadeia de suprimentos. Figura 6 Efeito chicote fornecedor varejista fabricante atacadista demanda Fonte: Corrêa, 2010, p. 233. Produção Período 1 2 3 4 5 6 • Aprender sobre o fenô- meno do efeito chicote nas operações da cadeia de suprimentos. • Conhecer as principais ferramentas de previsão de demanda quantitativas e qualitativas. Objetivo de aprendizagem 116 Logística Empresarial Observe, na Figura 6, que pequenas alterações na demanda (consu- midor final) fazem com que o varejo alinhe os seus pedidos ao forne- cedor. No entanto, essas pequenas variações têm o poder de gerar elevadas mudanças na programação dos elos da cadeia de supri- mentos. Verifique a diferença entre a variação do varejo, que está mais próxima da demanda, e a do fornecedor, que está mais distante. Certamente, a variação elevada do fornecedor causará a ne- cessidade de ajustes na produção, o que potencializa os custos da ope- ração. Com isso, operações mais caras serão aplicadas aos preços do fornecedor, sendo incorporadas nos elos seguintes e gerando maiores preços ao consumidor final, de modo a reduzir a competitividade da cadeia de suprimentos. As principais causas do efeito chicote são os equívocos nos processos de previsão da demanda, a demora excessiva dos prazos de entrega eoperação (lead times), os volumes do lote de compra e de fabricação, as inconsistências da troca de informação entre os elos da cadeia de suprimentos e a realização de promoções e liquidações que alteram a análise do comportamento da demanda. Logo, o efeito chicote tem significativo potencial para causar pro- blemas para a organização, como a elevação dos custos da operação logística, por meio de estoques maiores, de ajustes no processo de distribuição, devido à incerteza nos pedidos, de oscilações nas vendas, que aumentam o risco de falta ou o excesso de produtos, e de desgaste no relacionamento entre os elos da cadeia de suprimentos. Esse é um fenômeno que deve ser continuamente combatido pela organização e sua cadeia de suprimentos. A gestão da demanda necessi- ta considerar a situação nociva causada pelo efeito chicote e o potencial de elevação de custos que ele proporciona às operações logísticas. 4.2.1 Ferramentas logísticas de previsão de demanda A gestão da demanda pressupõe outro elemento importante: o uso de ferramentas de previsão que possam direcionar os esforços no entendimento da demanda futura. A previsão de demanda é uma competência especializada da empresa, por meio da qual a organização deve ter a capacidade de Gestão da demanda, suprimentos e estoques 117 prever acontecimentos futuros que possam influenciar a demanda dos produtos e serviços, mantendo o seu estoque de mercadorias de acordo com a análise da demanda real e prevista. A figura a seguir ilustra alguns dos principais métodos de previsão. Figura 7 Métodos de previsão de demanda Métodos qualitativos Pesquisas Opinião da equipe Posição de especialistas im Gh an i/S hu tte rs to ck Métodos quantitativos Médias móveis Suavizamento exponencial Mínimos quadrados Fonte: Elaborada pelo autor. Os métodos qualitativos são: • Pesquisa: realizar pesquisas de mercado, visando aumentar a identificação e o conhecimento sobre o mercado e o seu perfil de demanda. • Opinião da equipe: promover reuniões conjuntas entre as áreas da empresa, objetivando obter a percepção das pessoas sobre o comportamento do consumo. • Posição de especialistas: recorrer a um grupo de especialistas e conhecedores do mercado, para que eles possam indicar ca- minhos e em qual sentido a empresa deve focar os esforços de planejamento da demanda. Já os métodos quantitativos são os seguintes: • Médias móveis: cálculo matemático que prevê, para o próximo período, a realização da média aritmética dos períodos passados. Já a média ponderada realiza o cálculo da média com base em da- dos históricos coletados em períodos anteriores, com a atribui- ção de um peso específico para cada período anterior. • Suavizamento exponencial: método que utiliza apenas os da- dos do período anterior (demanda real e prevista) e determina 118 Logística Empresarial subjetivamente o fator de suavizamento (índice de erro) aplicado na diferença ocorrida entre a demanda real e a prevista. • Mínimos quadrados: método que usa os dados históricos de pe- ríodos passados e descreve uma reta de tendência que direciona- rá as previsões dos períodos futuros. É importante ressaltar que o avanço da tecnologia computacional tem influenciado muito o desenvolvimento de novos métodos de pre- visão mais sofisticados e que utilizam um maior número de informa- ções, com agilidade e precisão. No entanto, a precisão do método mais adequado a ser usado pela empresa não necessariamente decorre de aspectos como a facilidade de uso, e sim da análise detalhada dos dados históricos. Outro ponto importante é que, para uma melhor previsão de demanda, deve-se fazer o uso combinado dos métodos qualitativos e quantitativos, além de análise e controle contínuo dos resultados, rea- lizando um monitoramento constante da previsão, para que ela não se distancie demais da demanda real. Realizar previsão de demanda é uma atividade muito importante para as empresas e a sua cadeia de suprimentos. Com isso, elas compreendem e gerenciam melhor os movimentos futuros do consumo por meio do compartilhamento de informações em toda a cadeia de suprimentos. 4.3 Suprimentos na logística Vídeo Toda organização, para que possa funcionar de maneira adequada e eficiente, necessita de insumos (ativos físicos e serviços) que funda- mentam as suas operações. A gestão de suprimentos compõe um importante fator de custos na organização, os quais chegam a representar até 60% do valor das vendas finais ao consumidor. Em outras palavras, de cada R$ 100,00 que a empresa vende (receita bruta), ela deve repor o estoque do pro- duto, representado por até R$ 60,00 de todo o faturamento. Assim, as atividades que envolvem os suprimentos contribuem decisivamente para que o fluxo de mercadorias (movimentação) e estoques na empresa seja equilibrado e eficiente, fazendo com que os insumos (quantidade) sejam direcionados aos locais corretamente e nos momentos adequados. Assista ao vídeo Efeito Chi- cote - Como diminuir perdas na cadeia de suprimentos, publicado pelo canal Ser Logístico. O vídeo aborda os principais aspectos que causam problemas no processo logístico (produção, estocagem e distribuição) em uma cadeia de suprimentos. Disponível em: https://youtu. be/A1kiwdL2B4o. Acesso em: 6 out. 2021. Vídeo Compreender os princi- pais elementos estraté- gicos que envolvem os suprimentos na logística, seus tipos e processos. Objetivo de aprendizagem https://youtu.be/A1kiwdL2B4o https://youtu.be/A1kiwdL2B4o Gestão da demanda, suprimentos e estoques 119 4.3.1 Tipos de suprimentos Os insumos podem ser produzidos na própria empresa, quando ocorre a complementação, em etapas, na elaboração e montagem de um produto, por exemplo, ou adquiridos de terceiros, como fornece- dores de produtos e serviços. Ao mesmo tempo, também podem se originar de diferentes estratégias de produção e operação, envolvendo tanto fornecedores locais como internacionais. A figura a seguir ilustra alguns tipos de suprimento. Figura 8 Tipos de estratégias de suprimento Terceirização doméstica (outsourcing) Produção doméstica (insourcing) Terceirização global (global sourcing) Produção por subsidiária no exterior (offshoring) CO M PR A PR O D U Çà O NACIONAL INTERNACIONAL Fonte: Corrêa, 2010, p. 103. Vamos conhecer mais detalhes desses quatro tipos de suprimentos a seguir (CORRÊA, 2010): • Produção doméstica (insourcing): diz respeito a quando uma empresa produz os próprios insumos, a partir de uma outra uni- dade de produção, dentro do mesmo país. • Produção por subsidiária no exterior (offshoring): refere-se ao caso de uma empresa que decide produzir o seu insumo, mas a partir de uma unidade localizada no exterior. • Terceirização doméstica (outsourcing): consiste na atividade em que a empresa obtém os insumos a partir de um fornecedor (terceiro) dentro do país. • Terceirização global (global sourcing): trata-se das atividades de aquisição de insumos, realizadas pela empresa, com fornecedo- res (terceiros) internacionais. 120 Logística Empresarial A escolha do tipo de suprimento mais adequado necessita ser ali- nhada com o perfil da demanda a ser atendida. Assim, fatores como a localização do mercado local e global, o tempo de entrega, a qualidade da especificação do insumo, os meios de transporte utilizados, os custos envolvidos, entre outros, são importantes elementos a serem considerados pelas organizações na busca por maior competitividade e melhor atendimento à demanda. 4.3.2 Processo de suprimentos O processo que envolve as atividades de suprimentos é caracteriza- do por uma série de ações desenvolvidas pela organização quanto ao seu sistema de aquisição e compra. A figura a seguir ilustra alguns dos principais elementos do processo de suprimentos. Fa uz yS to re /S hu tte rs to ck Selecionar e avaliar fornecedores Comparar preços e fazer a cotação Negociar a aquisição e decisão Determinar volume e momentoda compra Avaliar o sistema de recebimento Figura 9 Processo de suprimentos Fonte: Elaborada pelo autor. Vamos conhecer um pouco melhor esses elementos. • Selecionar e avaliar fornecedores: etapa do processo em que os fornecedores são identificados, selecionados e avaliados, de acordo com critérios que envolvem a confiabilidade nas entregas, a qualidade das especificações dos insumos, os prazos atendidos, o relacionamento com a empresa, a flexibilidade na distribuição, os preços envolvidos, entre outros. Gestão da demanda, suprimentos e estoques 121 • Comparar preços e fazer a cotação: momento em que os pre- ços dos fornecedores são comparados e que são analisadas as suas condições de compra. O processo de cotação inclui, além dos preços oferecidos pelos fornecedores, a análise de outros fa- tores de avaliação, tratados na etapa de seleção e avaliação. • Negociar a aquisição e decisão: processo de negociação da compra (preços e prazos), o que envolve o estabelecimento da política de relacionamento esperado, abrangendo continuida- de do abastecimento, apoio nas ocorrências que envolvem a falta de produtos e a pós-venda ao cliente, suporte técnico envolvido no produto, entre outros. Após o processo de negociação, toma- -se a decisão sobre o sistema de fornecimento. • Determinar volume e momento da compra: período e quanti- dade em que o produto ou serviço será efetivamente adquirido. É importante para a organização, uma vez que consiste na eta- pa em que ela define as quantidades de insumos necessárias e quando eles serão abastecidos, auxiliando os processos logísti- cos de fluxo e estocagem de mercadorias. • Avaliar o sistema de abastecimento: momento em que os pro- dutos são descarregados na empresa. Diversas ações devem ser realizadas, como a conferência dos produtos em relação ao pedi- do (quantidade e especificações), o estado físico dos produtos de- sembarcados, o atendimento ao prazo combinado, entre outros. É muito importante para a empresa, pois, além das checagens dos produtos recebidos, permite que o processo de avaliação do fornecedor efetivamente aconteça. Compreender o processo de suprimentos e desenvolver ações gerenciais que permitam a sua adequada operação são importantes ele- mentos que os gestores logísticos devem considerar para que a eficiência na operação possa ocorrer, com a redução de falhas e de custos. 4.3.3 Sistemas de programação de suprimentos Os sistemas mais comuns de abastecimento nas empresas são o Material Requirements Planning (MRP) e o Just in time (JIT). O sistema MRP, ou planejamento das necessidades de materiais, surgiu primeiramente nos Estados Unidos, no início dos anos 1960, propondo-se a trabalhar todo o conjunto de informações relativas às 122 Logística Empresarial entradas dos recursos para o planejamento de produção e, conse- quentemente, às saídas que iriam abastecer os outros setores da empresa, como custos, vendas, contabilidade, finanças, entre outros. Inicialmente, esse sistema fornecia o cálculo das necessidades de materiais (insumos) requeridos pelo processo produtivo, com relação à quantidade e ao tempo de utilização, de acordo com os prazos de entrega previamente estabelecidos. Ele consiste em um “método mecânico formal de programação de suprimentos no qual o tempo de compras ou de saída da produção é sincronizado para satisfazer necessidades operacionais, período a pe- ríodo, ao equilibrar a requisição de suprimento para as necessidades e pela duração do tempo de reabastecimento” (BALLOU, 2001, p. 219). No início dos anos 1970, a American Production and Inventory Control Society (APICS), ou Sociedade Americana de Controle da Produção e dos Estoques, desenvolveu, nos EUA, um programa publicitário e educacio- nal sobre o MRP, em âmbito nacional, pois as publicações existentes até então eram de natureza acadêmica e pouco práticas. Em 1974, Joseph Orlick lançou o livro intitulado Material Requirement Planning. Já no Brasil, os interesses foram despertados por meio das iniciati- vas da Associação Brasileira de Administração de Materiais (ABAM), que promoveu seminários e conferências sobre o MRP. Atualmente, a divul- gação do MRP está a cargo da Associação Brasileira de Administração Industrial (ABAI), que, com a APICS, ministra cursos e seminários rela- cionados ao assunto (FEDICHINA, 2003). A figura a seguir ilustra o sistema MRP. Figura 10 Definição de MRP Fornecimento de produtos e serviços Recursos de produção Demanda de produtos e serviços Consumidores da operação produtiva MRP Decisão da quantidade e do momento do fluxo de materiais em condições de demanda de serviços Fonte: Adaptada de Slack et al., 2002. Gestão da demanda, suprimentos e estoques 123 Com os avanços no aprimoramento da técnica de cálculo de necessi- dades de materiais MRP, ficou evidente que ela poderia ser aplicada a outras funções da organização. Inicialmente, os esforços foram dire- cionados para algumas atividades pertencentes ao processo produtivo que complementavam as necessidades de materiais – por exemplo, as informações que eram geradas pelo sistema e que poderiam ser apro- veitadas para controlar a capacidade produtiva. Assim, outros módulos foram sendo desenvolvidos e incorpora- dos ao módulo original do MRP, tornando-o mais complexo. Essa nova concepção de sistema que retrata, de maneira mais abrangente, o processo de manufatura se convencionou denominar de MRP II, de Manufacturing Resources Planning ou planejamento dos recursos da manufatura. Basicamente, os sistemas MRP II surgiram, nos anos 1980, como uma ampliação do sistema MRP, pois, além de executar funções de planejamento de produção e estoques, tratavam do planejamento da capacidade de produção e dos aspectos financeiros envolvidos (orçamentos e custos). Os sistemas MRP II priorizam a hierarquia administrativa dentro do contexto produtivo, em que os planos de produção de longo prazo são detalhados em diversos procedimentos operacionais, considerando o planejamento das máquinas e a capacidade estrutural específica em cada período do trabalho a ser realizado. O Enterprise Resources Planning (ERP), ou planejamento dos recursos do empreendimento, consiste em um sistema integrado de gestão de informações, com um banco de dados único, contínuo e consistente. Ele constitui um importante instrumento para a melhoria dos pro- cessos de negócio, integrando as diversas atividades empresariais. O conceito de integração de um sistema ERP nas organizações surgiu no início dos anos 1990, por meio da ampliação das áreas de cobertura dos sistemas MRP II, principalmente para as áreas como fi- nanças e recursos humanos. Por ser caracterizado como um sistema que objetiva a integração das informações e do tratamento do conhecimento gerado na organi- zação, o ERP tem se evidenciado como uma das principais ferramentas tecnológicas utilizadas pelas empresas que buscam patamares eleva- dos de eficiência e de competitividade (FEDICHINA et al., 2006). 124 Logística Empresarial Os principais módulos do ERP, que foram sendo incorporados ao sistema MRP, são: estoques, produção, gestão de pessoas, serviços e financeiro. A figura a seguir ilustra o posicionamento estratégico do sistema ERP. Figura 11 Abordagem do sistema ERP Fonte: Adaptada de Colângelo Filho, 2001. Corporação Es tr at ég ia ERP Empresa Fi na nç as Departamento MRP II MRP Pr od uç ão O uso dos módulos do ERP, de maneira direta e integrada, permite que as informações sejam constantemente atualizadas e disponibiliza- das por meio de relatórios gerenciais, bem como que as decisões sejam tomadas imediatamente, isto é, em tempo real, facilitando a gestão dos processos logísticos da empresa. O sistema JIT é uma filosofia de trabalho e se baseia no conceito de que os produtos somente devem ser comprados, movimentados, produzidos e distribuídos na hora certa. Ele é o responsável pela eficiência e precisão da cadeia de suprimentos,alinhando as atividades logísticas e as operações, sempre de acordo com o nível da demanda, ocorrendo no seu devido tempo – nem antes nem depois –, e evitando estoques parados no pro- cesso e desperdício de insumos produtivos. Alguns elementos são significativamente considerados no JIT, como a administração dos recursos materiais, o arranjo físico do processo, a gestão da qualidade e da qualidade total, a organização do trabalho, a gestão de pessoas e o projeto do produto ou serviço. Gestão da demanda, suprimentos e estoques 125 A figura a seguir mostra alguns dos principais fundamentos associados à filosofia JIT. Figura 12 Filosofia JIT Fi re of he ar t/ Sh ut te rs to ck Treinamento 5S Gestão da qualidade Liderança Melhoria contínua (Kaizen) Cartões (Kanban) Equipes de trabalho Fonte: Elaborada pelo autor. Vamos entender, detalhadamente, esses conceitos associados ao JIT. • Treinamento: processo de treinar as pessoas da organização, vi- sando ao trabalho eficiente e produtivo. • 5S 1 : técnica de gestão da qualidade, criada nos anos 1950, no Japão, por Kaoru Ishikawa, que objetiva a melhoria do ambiente de trabalho, por meio da melhor alocação dos insumos e dos pro- dutos (planejamento, organização e operação). • Gestão da qualidade: atividade de padronização de processos, com o objetivo de controlar e melhorar os produtos e serviços oferecidos pela empresa. • Liderança: formação de líderes dentro das empresas, os quais serão os responsáveis pela condução eficiente dos trabalhos junto aos liderados. • Melhoria contínua (Kaizen): atividades que buscam melhorar continuamente os produtos e processos da empresa e fazem Seiri: senso de utilização; Seiton: senso de organi- zação; Seiso: senso de limpeza; Seiketsu: senso de higiene e saúde; e Shitsuke: senso de discipli- na e autodisciplina. 1 126 Logística Empresarial com que a organização repense continuamente as suas opera- ções, a fim de encontrar melhorias contínuas, mesmo que peque- nas, ao longo do tempo. • Cartões (Kanban): ferramentas, como cartões ou processos vi- suais eletrônicos, utilizadas para o controle dos processos de abastecimento, estocagem, produção e distribuição. Consistem no principal sistema de controle do fluxo de movimentação de mercadorias dentro da empresa. • Equipes de trabalho: desenvolvimento de equipes de traba- lho nas empresas. A principal função dessas equipes é realizar reuniões periódicas, que objetivam discutir os problemas e as fa- lhas encontrados no processo logístico, além de buscar soluções conjuntas para essas ocorrências. A programação dos suprimentos, tanto por meio dos sistemas MRP, MRP II e ERP, como pelo sistema JIT, é um importante elemento a ser considerado pelas organizações que buscam melhorar continuamente as suas operações logísticas internas e as de sua cadeia de suprimento. 4.4 Estoques na logística Vídeo Os estoques são considerados, por muitos estudiosos, a base para a gestão logística da cadeia de suprimentos. Como são caracterizados por produtos que são movimentados (transportados) e armazena- dos nos elos da cadeia de suprimentos, eles são os responsáveis pela fundamentação do nível de serviço oferecido ao cliente final. O estoque apresenta relevância nas diversas fases da cadeia de suprimentos (rede de suprimentos), basicamente porque a empresa, além do estoque de produto, necessita ter estoque de insumos e de processo entre os momentos da produção. A gestão do estoque, portanto, significa um direcionamento estraté- gico de ações que visam manusear e controlar o estoque de mercado- rias e, ao mesmo tempo, reduzir os custos gerados pela sua existência. Um sistema de estoque está ilustrado na figura a seguir. Assista aos vídeos a seguir sobre os sistemas ERP e JIT. Eles exemplificam adequadamente como esses sistemas funcio- nam na gestão logística das operações. • O que é ERP? (Enterprise Resource Planning), do canal Mestre do ERP. Disponível em: https://youtu.be/ GsshtMhb8b0. Acesso em: 5 out. 2021. • Just in time e suas aplicações na Logística, do canal Signa. Disponível em: https://youtu. be/jL_zMWK561U. Acesso em: 5 out. 2021. Vídeo • Reconhecer a importância dos estoques nas ope- rações logísticas de uma empresa. • Compreender o sistema de estoque, as suas principais características e alguns sistemas de controle de estoque na logística. Objetivos de aprendizagem https://youtu.be/GsshtMhb8b0 https://youtu.be/GsshtMhb8b0 https://youtu.be/jL_zMWK561U https://youtu.be/jL_zMWK561U Gestão da demanda, suprimentos e estoques 127 Figura 13 Sistema de estoque Fornecedor Gestão de suprimentos Gestão logística de estoques Gestão do nível de serviço Compras e abastecimento Distribuição e atendimento Recebimento, manuseio, armazenagem e movimentação Organização Cliente final Fonte: Elaborada pelo autor. A Figura 13 mostra que uma condição ideal seria que as organiza- ções realizassem o planejamento dos estoques objetivando o atendi- mento da demanda do cliente final. No entanto, essa condição não é factível, pois situações que envolvem o abastecimento/recebimento das mercadorias dos fornecedores e a instabilidade da demanda do cliente final causam distorções entre entrada e saída de produtos, ne- cessitando de algum mecanismo que possa balancear essas dificulda- des. Esse mecanismo consiste na formação do estoque. A figura a seguir representa as distorções de entrada e saída que po- dem ocorrer e que fundamentam a formação de estoque na empresa. Figura 14 Distorções entre entrada e saída de mercadorias Fonte: Elaborada pelo autor. EmpresaFornecedores (entradas) Demanda (saídas) A Figura 14 traz que os volumes e prazos de entrada (fornecedo- res) normalmente são diferentes da saída (demanda), o que gera a ne- cessidade da formação do estoque para sustentar o nível de serviço a 128 Logística Empresarial ser oferecido ao cliente – não ter produtos demais, pois aumenta custos de armazenagem, nem de menos, visto que gera falta de produtos. O estoque gerenciado de maneira inadequada – isto é, em excesso ou falta – pode influenciar e reduzir o nível de atendimento ao cliente, bem como gerar a perda de receita/faturamento. A gestão logística do estoque exige o uso de softwares de gestão, planejamento e controle do estoque. Os principais objetivos nessa gestão envolvem: melhoria da eficiência das operações de movimenta- ção, manuseio, armazenagem e distribuição, redução dos custos ope- racionais e aumento do nível de serviço prestado ao cliente. Dessa maneira, uma gestão de estoques eficiente é muito importante para as operações logísticas em uma cadeia de suprimentos. Outro elemento relevante é que uma gestão eficiente proporciona economia das operações (otimização dos processos), possibilitando um melhor planejamento, o qual considere a melhoria do fluxo dos produtos na cadeia de suprimentos. A gestão de estoques, portanto, desempenha um papel de extrema importância para a empresa, pois a auxilia na busca pelo estoque otimiza- do, ou seja, sem excesso e falta, de acordo com a demanda. Assim, a orga- nização consegue alcançar níveis elevados de atendimento, redução de custos, maior produtividade, rentabilidade e competitividade no negócio. 4.4.1 Características dos estoques logísticos Dependendo do tamanho, porte e segmento da empresa, ela tem uma ou mais tipologias de estoque de produtos, que são necessárias ao seu adequado funcionamento. A figura a seguir representa algumas dessas tipologias. Figura 15 Tipos de estoque Estoque sazonal Estoque de segurança Estoque intermitente Estoque elevado Estoque mínimo Fonte: Elaborada pelo autor. Gestão da demanda, suprimentos e estoques 129 Vamos conhecer, em seguida, cada um dos tipos de estoque. • Estoque sazonal: planejamento de estoque de mercadorias vi- sando ao atendimento de uma demanda que apresenta elevada variação ao longo de um período. Por exemplo, o planejamento antecipadode estoques de produtos para datas festivas, como Dia das Mães, das Crianças, dos Pais, Natal, Páscoa, entre outras, a fim de atender ao mercado nessas épocas do ano. • Estoque intermitente: planejamento de estoque em empresas que têm muitos produtos. Assim, esses produtos são comprados ou fabricados de acordo com uma programação – por exemplo, em lotes de compra ou fabricação –, com o intuito de manter os estoques de todos os produtos comercializados. • Estoque de segurança: quantidade de estoque que supre as necessidades de atendimento quando alguma intercorrência acontece – como greve na fábrica, quebra no transporte, aumento da demanda, acidentes, entre outros. • Estoque elevado: estratégia de estoque que procura manter os estoques em níveis máximos, buscando atender às variações de demanda em qualquer momento das vendas. Ela invariavelmente apresenta custos maiores de operação e riscos elevados de obso- lescência e de perdas de produtos. • Estoque mínimo: planejamento de estoque que visa manter o estoque reduzido e suficiente para o atendimento das necessi- dades momentâneas de venda. Normalmente, para se chegar ao estoque mínimo, a empresa realiza o cálculo que envolve o consumo esperado no tempo de espera do produto, até ser re- cebido pela empresa, acrescido de uma quantidade específica de estoque de segurança. O avanço das tecnologias de informação tem permitido a redução dos níveis mínimos de estoque. Conhecer e gerenciar os diversos tipos de estoque é uma atividade relevante para a logística da organização, pois permite que a empresa garanta um adequado fluxo das mercadorias, desde o momento de seu recebimento e armazenagem até a saída – isto é, o embarque e a distri- buição – para o seu destino. A gestão de estoques possibilita que os produtos estejam sempre prontos para serem utilizados, bem como que a organização alcance patamares elevados de níveis de serviço e de competitividade. 130 Logística Empresarial 4.4.2 Sistemas de controle de estoque A gestão eficiente de estoque consiste em um importante compo- nente (ou o principal) para que a organização consiga entregar valor ao cliente. Dois sistemas de programação de suprimentos tratados (os MRP, MRP II e ERP, e os JIT) constituem relevantes operações que apoiam o planejamento e controle das mercadorias recebidas e a sua posterior armazenagem. De acordo com Ching (1999, p. 83), “valor agregado ao cliente pode ser entendido como proporcionar ao cliente produtos e serviços que têm um valor maior do que os oferecidos por concorrentes em mercados semelhantes”. Vamos, agora, conhecer outros sistemas de controle de estoques, suas características e seus perfis de gerenciamento. 4.4.2.1 Sistema de demanda independente O sistema de demanda independente, também denominado de sistema máximos e mínimos, sistema do ponto de ressuprimento ou sistema do gráfico dente de serra, é o método que visa acompanhar o desempenho (demanda) do consumo do produto, por meio do estabe- lecimento de limites máximos e mínimos, da determinação da quanti- dade de ressuprimento e do tamanho do lote de compra em relação ao tempo de entrega definido. A figura a seguir ilustra esse sistema. Figura 16 Sistema de demanda independente Quantidade Tempo Tempo de entrega Estoque mínimo Ponto de ressuprimento Estoque máximo Demanda Estoque médio Quantidade do lote de compra (tamanho do lote - Q) Fonte: Elaborada pelo autor. Gestão da demanda, suprimentos e estoques 131 Os elementos que compõem o sistema de demanda independente são: • Estoque máximo: quantidade máxima calculada para determi- nado produto em estoque. É o resultado da soma do estoque mínimo e do lote de compra. • Estoque médio: estoque médio de determinado ciclo/período de reposição. É o resultado da soma do estoque máximo e do esto- que mínimo dividido por 2. • Quantidade do lote de compra: quantidade, em unidades ou peças, adquirida no momento da realização do pedido. O tama- nho do lote de compra pode ser determinado por meio de análi- ses que envolvem o consumo (demanda) e os períodos de tempo de ressuprimento ou, ainda, pelo método da redução dos custos, denominado de lote econômico de compras (LEC). • Ponto de ressuprimento: resultado da soma do estoque míni- mo e da quantidade de consumo no tempo de espera. Em outras palavras, o tempo de espera é calculado desde a realização do pedido até o momento em que a mercadoria chega e está dispo- nível na empresa. • Estoque mínimo: quantidade de segurança do estoque. Serve para suprir os momentos em que a demanda aumenta e em que existe o risco de falta de produtos. Para calcular o estoque mí- nimo, são usados métodos, como o do percentual do consumo, utilizando a raiz quadrada do fator de segurança em relação ao consumo e com grau probabilístico de atendimento. Desafio 1. Uma peça é consumida a uma razão de 600 unidades por mês e o tempo de espera (TE) do lote - Q é igual a 30 dias. Sendo o valor do estoque mínimo (EMn) definido em 300 unidades e o tamanho dos lotes de compra equiva- lente a três meses de consumo, calcule: a. O ponto em que deverá ser feito o novo ressuprimento (PR); b. O estoque máximo (EMx) e o médio (EMe). 2. Se o fornecedor reduzir o prazo de entrega do produto para 15 dias, permanecendo o consumo constante, qual será a posição exata do esto- que no momento em que o lote de reposição for entregue? Considere o estoque total (ET). (Continua) 132 Logística Empresarial Solução: 1. a. PR = EMn + (C x TE) → PR = 300 + (600 x 1) → PR = 900 unidades b. Q = 3 meses de consumo → Q = 3 x 600 → Q = 1.800 unidades EMx = EMn + Q EMx = 300 + 1.800 EMx = 2.100 unidades EMe = (EMn + EMx) / 2 EMe = (300 + 2.100) / 2 EMe = 1.200 unidades 2. PR = 900 unidades C = (300) → consumo de 15 dias após o pedido ------ = 600 unidades – estoque atual no momento da chegada do produto ET = 600 + Q → ET = 600 + 1.800 → ET = 2.400 unidades 4.4.2.2 Sistema de revisão periódica Esse sistema consiste no controle do estoque por meio do acompanhamento periódico do estoque atual em momentos previa- mente estabelecidos. Por exemplo, a empresa decide apurar os seus estoques semanalmente; assim, toda semana os estoques são mensu- rados, e são definidas as quantidades de reposição até atingir o esto- que máximo, com base na quantidade em estoque disponível. A figura a seguir ilustra o sistema de revisão periódica. Figura 17 Sistema de revisão periódica Lotes de ressuprimento (variáveis)Estoque máximo Períodos de revisão (fixos) Tempo Fonte: Adaptada de Corrêa, 2010. Nível de estoques Gestão da demanda, suprimentos e estoques 133 O sistema de revisão periódica se diferencia do sistema de demanda independente por apresentar um lote de compra (Q) variável, ou seja, ele será determinado conforme a quantidade disponível de estoque no momento da revisão (contagem). Ao mesmo tempo, esse sistema tem período de revisão fixo – diário, semanal, mensal etc. –, o que não ocorre com o sistema de demanda independente, que é variável, pois depende de quando a quantidade em estoque atingirá o ponto de ressuprimento. Um sistema de informação utilizado na revisão periódica é o Vendor Management Inventory (VMI) ou estoques gerenciados pelo fornecedor, que auxilia o processo de previsão e reabastecimento dos estoques realizado pelo vendedor. O vendedor controla as posições de estoque dos seus clientes, o que permite a ele realizar o planejamento de fabri- cação e de reposições, reduzindo custos e melhorando a eficiência da operação de distribuição. 4.4.2.3 Curva ABC A curva ABC, também denominada de curva de Pareto ou regra 80/20, consiste no sistema de controle que classifica os itens analisados – os produtos em estoque, por exemplo – de acordo com a sua importância. Ela considera que existe uma relação de causa e efeito, em que 80% dos efeitos são originados por 20% das causas. Esse sistema utiliza critérios, como o tamanho do faturamento,os custos de estoques, a rentabilidade do produto, entre outros, para a realização da classificação. Assim, os produtos são classificados com base em um ou mais critérios determinados e posicionados do maior ao menor grau de importância. O principal objetivo da curva ABC é a classificação dos produtos em ordem de importância, permitindo que a empresa faça a gestão do estoque dos produtos mais importantes, com maior atenção e rigidez no controle, e realize menores investimentos para o controle daqueles menos importantes. Com isso, os custos operacionais de controle po- dem ser reduzidos, melhorando a eficiência e aumentando os lucros. Por exemplo, um supermercado que tem mais de 10.000 itens dife- rentes em estoque utiliza a curva ABC para classificar, sob o critério de faturamento, quais produtos geram maior receita. Dessa forma, a empresa consegue controlar melhor esses produtos para que não faltem e não sejam danificados. A figura a seguir ilustra o princípio da curva ABC ou de Pareto (Pareto Principle). A parte IV do livro Gestão da cadeia de suprimentos: estratégia, planejamen- to e operações traz importantes elementos sobre a gestão eficiente do estoque na logística e na cadeia de supri- mentos, com exemplos práticos. CHOPRA, S.; MEINDL, P. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2015. p. 254-371. Leitura 134 Logística Empresarial as te l d es ig n/ Sh ut te rs to ck Figura 18 Princípio de Pareto Observe, na Figura 18, que existe uma elevada concentração de valor em um pequeno número de itens – isto é, elevados efeitos em poucas causas. Essa constatação permite que a organização gerencie melhor os produtos mais importantes, que estão na parte esquerda da figura. CONSIDERAÇÕES FINAIS Gerenciar a demanda é muito importante para a gestão logística e da cadeia de suprimentos. Com o uso do gerenciamento da demanda, a empresa consegue ajustar as suas operações logísticas, com vistas ao melhor atendimento ao seu consumidor. Atender bem o cliente é pro- curar satisfazer às suas expectativas e necessidades, principalmente quanto ao cumprimento do prazo de entrega, do preço justo e do perfeito estado físico do produto. Com um adequado gerenciamento da demanda, a organização pla- neja de maneira mais eficiente os suprimentos e as compras, atuando dentro do planejamento – com a análise de fornecedores e os processos de suprimentos, de recebimento e de movimentação das cargas – e da operação de maneira eficiente. Além disso, o gerenciamento da demanda e do suprimento possibilita que a empresa administre adequadamente o seu sistema de armazena- mento, procurando otimizá-lo dentro de uma perspectiva de redução dos custos operacionais de estocagem e das atividades relacionadas ao pre- paro para a distribuição. O único caso em que o uso da curva ABC não se aplica é quando a relação dos produtos não apresenta concentração, ou seja, quando não é possível determinar o grau de importância dos produtos. Importante Gestão da demanda, suprimentos e estoques 135 Gerenciar demanda, suprimentos e estoques, portanto, é uma ativi- dade fundamental na área da logística empresarial e compõe os princi- pais fundamentos que todo gestor deve considerar nas operações de sua organização e da cadeia de suprimentos de que ela participa. ATIVIDADES Atividade 1 O que é gestão da demanda e qual é a sua importância para a logística? Atividade 2 Explique a importância da gestão de suprimentos para a logística das organizações. Atividade 3 Explique a importância da gestão de estoques no processo logístico. REFERÊNCIAS BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2001. CHING, H. Y. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada: supply chain. São Paulo: Atlas, 1999. COLÂNGELO FILHO, L. Implantação de sistemas ERP: um enfoque de longo prazo. São Paulo: Atlas, 2001. CORRÊA, H. L. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. FEDICHINA, M. A. H. Fatores críticos de sucesso em implantações de sistemas ERP: um estudo exploratório. 2003. Dissertação (Mestrado em Administração) – Faculdade de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo. FEDICHINA, M. A. H. et al. Pós-implementação de sistemas ERP: um estudo exploratório. In: 13º SIMPEP. Anais [...] Bauru: Unesp, nov. 2006. Disponível em: https://simpep.feb. unesp.br/anais/anais_13/artigos/899.pdf. Acesso em: 6 out. 2021. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson Pentice Hall, 2006. SLACK, N. et. al. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. https://simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/899.pdf https://simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/899.pdf 136 Logística Empresarial 5 Medição de desempenho na logística As atividades de gestão da logística e da cadeia de suprimentos en- volvem uma série de mecanismos de controle e acompanhamento que devem ser implementados pelas organizações para que níveis elevados de eficiência e produtividade possam ser alcançados. Os indicadores de desempenho logístico estão presentes no sis- tema de avaliação de desempenho da logística e evidenciam as métri- cas utilizadas no processo de entendimento e gestão do recebimento, do fluxo de mercadorias (embarque e desembarque), da armazenagem e da distribuição. O uso de indicadores logísticos permite que a sua influência seja per- cebida e auxilie no direcionamento de outras áreas da empresa, como as finanças, as operações e processos, o marketing, as compras, o transpor- te, entre outras. Assim, este capítulo trata da importância da medição de desempenho logístico, bem como de suas principais características, e descreve os mo- vimentos atuais e futuros da logística empresarial. 5.1 O que é medição de desempenho Vídeo O interesse das organizações pela implementação dos sistemas de medição de desempenho tem crescido continuamente. A elevação da competitividade nos mercados e a incessante busca pela melhoria das operações, com a consequente redução dos custos operacionais, são importantes fatores a serem considerados para o alcance dos objetivos de desempenho organizacional. A medição de desempenho nas organizações é um processo rele- vante, que auxilia a gestão e a melhora dos fluxos logísticos. Por exem- plo, uma empresa do ramo alimentício de fast-food precisa atender Medição de desempenho na logística 137 aos clientes da maneira mais rápida possível e com a melhor entrega (sanduíche adequadamente montado e com os ingredientes corretos). Para isso, necessita medir o desempenho dos diversos atores envolvidos (o caixa, o sistema de programação dos produtos, o pre- parador dos ingredientes, o montador do sanduíche, o embalador e o entregador). Assim, essas operações devem ocorrer de maneira eficiente e que atenda à expectativa do cliente por um produto rápido e preciso, sendo sincronizadas em um processo de: Entrega Montagem Elaboração A organização mede e sincroniza os tempos envolvidos nessas ati- vidades, visando ao entendimento do processo e à sua integração em uma operação conjunta e eficiente de atendimento ao cliente. A medição de desempenho, portanto, refere-se a um sistema com- posto de medidas e métricas (ou indicadores), pessoas, processos e métodos utilizados nas atividades de medição e quantificação do de- sempenho (resultado) efetivo de determinada operação da organiza- ção e de sua cadeia de suprimento. Estabelecer a medição de desempenho significa viabilizar o sistema de acompanhamento, controle e avaliação dos processos, verificando se os resultados alcançados atendem aos objetivos de desempenho or- ganizacionais definidos. Ao mesmo tempo, medir o desempenho per- mite que a empresa possa reavaliar os processos e alterá-los quando não atingirem a performance desejada. Outro aspecto importanteda medição de desempenho diz respeito à operacionalização das atividades envolvidas e à integração do siste- ma de avaliação com as estratégias de negócio da empresa. “Um maior foco na eficácia e no desempenho de toda a cadeia de suprimento exi- ge medidas que possuam uma perspectiva integrada. Essa perspectiva deve ser compatível e consistente entre funções da empresa e entre empresas do canal” (BOWERSOX; CLOSS, 2001, p. 569). Assim, medir o desempenho das operações da empresa é uma ta- refa muito importante para o sucesso logístico e de gestão. Essa é uma ação necessária para a compreensão do caminho a ser percorrido, dos ajustes necessários na trajetória e de quanto ainda falta para alcançar os objetivos estratégicos organizacionais. • Compreender o sistema de avaliação de desem- penho logístico, os prin- cipais fatores-chave do desempenho e algumas orientações importantes que devem ser conside- radas no processo de criação de indicadores de desempenho. • Reconhecer a importân- cia da elaboração de me- didas de desempenho para o aumento compe- titivo organizacional. Objetivos de aprendizagem 138 Logística Empresarial A evolução do pensamento relacionada ao processo de medição de desempenho na logística iniciou-se no enfoque direto ao estabeleci- mento de preços de fretes e de custos de transportes e modais. Em seguida, os estudos logísticos em análise de desempenho focaram o custo e lucro total e o canal de distribuição logístico. Atualmente, o desempenho logístico é analisado sob a pers- pectiva da organização como um todo e da responsabilidade total (econômico-social) da cadeia de suprimentos (POIST, 1989). A figura a seguir ilustra o sistema de medição de desempenho na empresa e na cadeia de suprimentos. Figura 1 Sistema de medição de desempenho logístico Fornecedores Organização Processos e operações Clientes Medição de desempenho (indicadores) Fonte: Elaborada pelo autor. A figura mostra o sistema de medição de desempenho (por meio de métricas e indicadores) aplicado tanto aos processos de recebimento de mercadorias (dos fornecedores) e ao fluxo interno de movimenta- ção e armazenagem quanto ao transporte e à distribuição das merca- dorias aos clientes. Especificamente na área logística existem alguns fatores-chave em que a medição de desempenho deve atuar. A figura a seguir indica esses principais fatores. Medição de desempenho na logística 139 Fi re of he ar t/ Sh ut te rs to ck Instalações Estoque Transporte Informação Compras (sourcing) Precificação (pricing) Figura 2 Fatores-chave de desempenho logístico Fonte: Elaborada pelo autor com base em Chopra; Meindl, 2011. Vamos definir cada fator-chave de acordo com Chopra e Meindl (2011) e refletir sobre o impacto gerado no desempenho da gestão logística e da cadeia de suprimentos (rede de suprimentos). As instalações constituem o local físico e real no qual os produtos são armazenados e fabricados (local de armazenamento e produ- ção). Indicadores de desempenho desse fator-chave relacionam-se à sua localização, capacidade de operação/fabricação e flexibilidade operacional para o atendimento às necessidades do cliente, aumen- tando a taxa de responsividade. Decisões que envolvem a centraliza- ção ou a descentralização das instalações também são importantes elementos a serem considerados para o aumento da eficiência das atividades de atendimento. 140 Logística Empresarial O estoque refere-se a matérias-primas, produtos em processo, com- ponentes e produtos acabados. Indicadores desse tipo são medidas que descrevem a sua quantidade, os volumes produzidos e estocados, o tempo relacionado à sua movimentação (recebimento, movimenta- ção interna e distribuição), os índices de estocagem e os custos das operações de armazenagem. O transporte diz respeito ao sistema interno de movimentação de produtos na organização e na cadeia de suprimentos. Indicadores desse fator-chave referem-se ao cálculo dos tempos envolvidos, das ca- pacidades transportadas e dos custos operacionais de movimentação. A escolha dos modais e das rotas influencia diretamente o desempe- nho apurado nesse fator. A informação trata do fluxo de dados e informações que trafegam entre os vários elos da cadeia de suprimentos. A informação está li- gada à coleta e à análise do fluxo de comunicação entre os parceiros, permitindo que informações de instalações, estoques, transportes, custos, preços e clientes possam ser estudadas, visando direcionar um melhor processo de tomada de decisão. A informação constitui o maior fator-chave, pois está integrada a todos os outros fatores de medição de desempenho. As compras, ou sourcing, relacionam-se aos processos de aqui- sição ou terceirização dos insumos necessários ao processo de ar- mazenagem e fabricação. Indicadores como volume e quantidade de compra, tempos de recebimento, qualidade e especificação dos in- sumos adquiridos, avaliação e relacionamento com os fornecedores, entre outros, são importantes aspectos a serem considerados na me- dição do desempenho logístico. A precificação, ou pricing, refere-se ao sistema de entrega (preço mais valor) cobrado efetivamente do cliente. O sistema de precificação (preços maiores ou menores) influencia diretamente o desempenho da cadeia de suprimentos e determina como ela se comportará (o seu de- sempenho) durante o período. A principal importância do sistema de medição logístico é o fato de permitir a reflexão sobre a estratégia organizacional na direção dos objetivos conjuntos definidos. Além disso, o processo de integração dos diversos setores da empresa é muito importante, pois por meio dele Medição de desempenho na logística 141 é possível melhorar a tomada de decisão (mais assertiva) e aumentar a motivação e o engajamento das pessoas na organização. Desenvolver um adequado processo de medição de desempenho denota diversas orientações. A figura a seguir ilustra algumas delas. ar ve c/ Sh ut te rs to ck Alinhamento, estratégia e competitividade Feedback rápido e preciso Objetivos e metas definidos Simplicidade na aplicação Quantidades que podem ser influenciadas e controladas Relevância Reflexão sobre o processo envolvido Melhoramento Figura 3 Orientações para a medição de desempenho Fonte: Elaborada pelo autor com base em Corrêa, 2010. Alinhamento, estratégia e competitividade referem-se ao ajus- te do posicionamento estratégico da organização com os objetivos competitivos do negócio. No exemplo da rede de fast-food, a empre- sa deve alinhar a estratégia de seu negócio (melhor atendimento), com os objetivos de competição (elaboração de medidas e análise de processos, visando ao atendimento mais rápido possível). Simplicidade na aplicação diz respeito ao estabelecimento de medidas simples e fáceis de serem utilizadas, pois são fundamentais para influenciar o comportamento de trabalho das pessoas. Medidas complexas dificultam o entendimento e podem causar ambiguidade na interpretação dos resultados alcançados. Feedback rápido e preciso trata de ações que proporcionam rápi- do retorno sobre o comportamento da operação, permitindo a análise e a agilidade na tomada de decisão corretiva. Caso ocorra de maneira rápida e precisa, essa orientação conduz as novas decisões, evitando, muitas vezes, que o processo tenha problemas que demorem para ser resolvidos. Imagine, por exemplo, um sistema de freios de cami- 142 Logística Empresarial nhão que não informa adequadamente um problema. A demora no feedback pode gerar situações ruins e acidentes. Quantidades que podem ser influenciadas e controladas referem-se à elaboração de medidas que geram resultados quantitati- vos que podem ser ajustados e controlados pelas pessoas e pela orga- nização medida. Reflexão sobre o processo envolvido diz respeito ao envolvi- mento de fornecedores e clientes, tendo em vista auxiliar na determi- nação das medidas a serem definidas. Essa orientação é importante, pois fundamentarealmente o processo envolvido sob a ótica das partes interessadas. Objetivos e metas definidos consistem em estabelecer objetivos e metas que estejam em consonância com as estratégias da organização. Os resultados alcançados devem ser medidos, analisados e estrutura- dos sempre de acordo com os objetivos que se quer atingir. Caso isso não ocorra, não faz sentido manter determinada medição. Relevância indica que o sistema de medição deve ser relevante e realmente traduzir resultados que possam ser utilizados para ajustar os processos e induzir os comportamentos das pessoas na estabiliza- ção e na melhoria das operações. Melhoramento diz respeito ao estabelecimento de medidas que busquem a melhoria contínua de processos e atividades. Por exemplo, medidas que visam ao percentual de redução dos custos de transporte sobre a receita são mais eficazes do que determinar apenas o indicador de custo de estoque sobre a receita. Elaborar um sistema adequado de medição de desempenho é uma tarefa que demanda um trabalho apurado e um estudo dos indicado- res mais relevantes e que realmente possuem potencial de promover a melhoria contínua e a mudança de comportamento das pessoas envol- vidas. Determinar os indicadores mais assertivos constitui uma tarefa de toda a organização, por meio da análise conjunta e integrada dos objetivos a serem atingidos. Indicamos a leitura do Capítulo 3 do livro Gestão da cadeia de suprimen- tos: estratégia, planeja- mento e operações, que apresenta os princi- pais fatores-chave de desempenho e discute o papel de cada um no alinhamento estratégico e competitivo. O livro trata de importantes elementos que envolvem o processo de medição de desempe- nho logístico. CHOPRA, S.; MEINDL, P. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. Leitura Medição de desempenho na logística 143 5.2 Tipos de medição de desempenho logístico Vídeo A elaboração de indicadores de desempenho logístico é muito im- portante para o alcance das metas e dos objetivos propostos no plano estratégico da organização. Ao mesmo tempo, fatores relacionados à imprevisibilidade das atividades podem ocasionar a necessidade de ajustes e alterações, visando à melhoria dos processos. O controle logístico ajuda a assegurar que as metas, em torno das quais os planos logísticos foram desenvolvidos, são alcançadas após o plano ter sido posto em ação. O dinamismo e as incertezas do ambiente logístico ao longo do tempo podem causar desvios do desempenho planejado do processo. (BALLOU, 2001, p. 513) O sistema de medição de desempenho logístico – denominado de key performance indicator (KPI), ou indicador-chave de performance e desempenho – é realizado por meio da definição de métricas que co- letam dados dos processos das operações logísticas da empresa e da cadeia de suprimentos. A principal função dos KPIs é servir como uma ferramenta de ges- tão logística composta de diversas métricas que realizam a medição de processos e induzem o comportamento das pessoas na busca da melhor eficiência das operações. Assim, os KPIs são medidas quanti- tativas que descrevem o desempenho de uma organização na efetiva- ção de estratégias, objetivos e metas. No artigo Indicadores de desempenho logístico, da autora Lívia B. Ângelo, pu- blicado no Gelog/Ufsc em 2005, é possível saber mais a respeito de alguns indicadores de desempenho logístico adicionais e como eles são importantes para a estratégia organizacional. Acesso em: 19 out. 2021. https://docplayer.com.br/3963594-Indicadores-de-desempenho-logistico.html Artigo Adiante, trataremos dos principais KPIs relacionados à gestão logísti- ca e da cadeia de suprimentos. A figura a seguir apresenta os principais motivos para o estabelecimento de KPIs na gestão logística. • Compreender a impor- tância do estabelecimen- to de indicadores de desempenho. • Conhecer como as me- didas de desempenho podem ser utilizadas em cada operação da gestão logística. Objetivos de aprendizagem https://docplayer.com.br/3963594-Indicadores-de-desempenho-logistico.html 144 Logística Empresarial Figura 4 Razões para estabelecer KPIs Melhoria contínua Decisões assertivas Resultados de desempenho Fonte: Elaborada pelo autor. Fi re of he ar t/S hu tte rst ock A busca constante pela melhoria contínua somente é possível com o acesso a dados da performance das operações organizacionais. O acompanhamento das ocorrências e o controle, em tempo real, de suas variações permitem que a empresa realize ajustes e alterações nos processos logísticos, visando corrigir os erros e melhorar continua- mente os processos. As decisões assertivas são realizadas com base na coleta de da- dos e informações reais e precisas e na análise dos resultados sob a perspectiva dos objetivos organizacionais determinados. Melhores de- cisões são tomadas quando o processo de coleta e análise de dados e informações é identificado corretamente e estudado conforme os pro- pósitos competitivos da organização. Os resultados de desempenho referem-se à comunicação e di- vulgação dos resultados aos diretores e colaboradores da empresa. Os resultados apurados nos KPIs permitem que a organização realize uma análise consistente de performance e determine ações que ele- vem a sua competitividade. Além disso, a divulgação dos resultados dos KPIs influencia diretamente a ação dos colaboradores, possibili- tando que a mudança de comportamento (em direção à melhoria das operações) aconteça. Medição de desempenho na logística 145 Os KPIs devem ser implementados pelos gestores logísticos com a sua equipe, podendo também envolver equipes multifuncionais, integradas e centradas nos objetivos da organização. Para a determinação de KPIs em logística, é importante que as prin- cipais funções logísticas sejam conhecidas. Por meio do conhecimento de suas principais funções são determinados os indicadores de desem- penho específicos para cada atividade. A figura a seguir aborda as prin- cipais funções logísticas. Agora vamos conhecer algumas aplicações de KPIs nas principais funções logísticas. Figura 5 Principais funções logísticas Fonte: Elaborada pelo autor. Fi re of he ar t/ Sh ut te rs to ck Supri- mentos Estoques Serviço ao cliente Transporte Informação A área de suprimentos é responsável pelo sistema de abasteci- mento de insumos, matérias-primas e materiais, visando ao adequa- do funcionamento da empresa. Quer seja uma fabricante, quer seja um atacadista ou varejista, a organização necessita de componentes e produtos para que os processos (movimentação, produção, arma- zenagem e distribuição) aconteçam e os produtos possam ser dispo- nibilizados para consumo. A seguir veremos alguns KPIs relacionados à área de suprimentos. 146 Logística Empresarial Figura 6 KPIs de suprimentos ic on de si gn er /S hu tte rs to ckCusto e preço de aquisição (valor monetário e condições de pagamento) Percentual de produtos gerenciados pelo fornecedor Percentual de compras em consignação das compras totais Atendimento de pedidos inesperados e urgentes Pedidos por empregado Giro de estoque de insumos Pagamento de fornecedores no prazo Número de fornecedores ativos Compras por empregado Avaliação de fornecedores Colaboração com os fornecedores Compras genéricas e específicas Custo do transporte do recebimento Percentual de recebimentos com e sem defeitos Fonte: Elaborado pelo autor. KPIs elaborados para essa área devem contemplar as principais operações que envolvem a função de suprimentos na gestão logística e da cadeia de suprimentos. Os estoques são os responsáveis pelo adequado funcionamento das operações da empresa, pois contribuem para que ela não pare por falta de peças, componentes e produtos. Um fator importante é a questão da localização de instalação para que a empresa consiga, de maneira eficiente, a disponibilização dos produtos pelos fornecedores ou mesmo a melhor distribuição das mercadoriasaos clientes. Veja a seguir alguns exemplos de KPIs de estoques. Figura 7 KPIs de estoques AS AG S tu di o/ Sh ut te rs to ck (Continua) Custo de estoque de insumos, componentes e produtos acabados Custo do estoque em processo (em fábricas) Giro ou rotação de estoques Custo dos produtos acabados estocados (no atacado e no varejo) Medição de desempenho na logística 147 Custo da movimentação interna dos produtos Localização próxima aos mercados fornecedores e consumidores Custo médio dos estoques Giro médio dos estoques Custo de troca dos produtos com defeitos Existência de fornecedores qualificados Mercado consumidor real e potencial próximo da empresa Fonte: Elaborado pelo autor. Os estoques, quando bem gerenciados, são indispensáveis para que a empresa consiga atender, de maneira eficiente, ao mercado consumidor. O serviço ao cliente diz respeito ao adequado atendimento às suas expectativas e necessidades em relação ao prazo combinado, ao preço, às condições físicas do produto entregue, à flexibilidade da entrega, entre outros fatores. A figura a seguir mostra alguns exemplos de KPIs de serviço ao cliente. Figura 8 KPIs de serviço ao cliente ga la ira /S hu tte rs to ck Tempo do ciclo do pedido (momento do pedido até a entrega) Tempo de ciclo para pedidos inesperados (em quantidade e tempo) Tempo de ciclo de solução de problemas do cliente Tempo do processo produtivo e das operações Percentual de pedidos atrasados Existência de sistema de atendimento ao cliente Percentagem de entrega no prazo combinado Nível de satisfação do cliente Grau de relacionamento com o cliente Percentual de pedidos entregues completos sobre pedidos com falhas Fonte: Elaborado pelo autor. O serviço ao cliente envolve o adequado gerenciamento dos re- cursos da operação logística que atendam ao esperado pelo cliente em suas diversas dimensões relacionadas ao processo de manuseio, carregamento e distribuição. 148 Logística Empresarial O transporte refere-se ao sistema de movimentação das cargas da empresa ao cliente. Trata-se do processo de distribuição das mercado- rias dentro de parâmetros e procedimentos determinados. A figura a seguir mostra alguns exemplos de KPIs de transporte. Figura 9 KPIs de transporte Li ne - de si gn /S hu tte rs to ck Relação das rotas traçadas e custo da operação Custo dos veículos utilizados e do pessoal Taxa de utilização do sistema cross-docking Percentual de transporte com carga completa Custo do transporte Custos dos produtos em trânsito Taxa de danos no transporte Uso do transporte multimodal Relação peso por empregado Percentual de transporte próprio e terceirizado Percentual de entregas sem defeitos Percentual de receita pelo volume transportado Taxa de atualização dos equipamentos e veículos de transporte Fonte: Elaborado pelo autor. O transporte visa ao atendimento dentro dos prazos e custos defini- dos nas operações de distribuição. A informação é um elemento muito importante, pois é a respon- sável pelo alinhamento e balanceamento (por meio da troca de infor- mações) entre os diversos elos da cadeia de suprimentos. Observe na figura a seguir alguns exemplos de KPIs de informação. Figura 10 KPIs de informação Ne w Ve ct or s/ Sh ut te rs to ck (Continua) Taxa de entrega do fornecedor e capacidade interna de processamento Processamento de pedidos Grau de compartilhamento de processos Compartilhamento de vendas com os fornecedores Medição de desempenho na logística 149 Rastreabilidade na cadeia de suprimentos (entregas e recebimentos) Velocidade da atualização dos dados Dados sobre a movimentação das cargas Automatização dos processos de movimentação e armazenagem Rastreabilidade das operações internas e externas Fonte: Elaborado pelo autor. Internamente, a informação integra as diversas áreas da organiza- ção, proporcionando o trabalho sincronizado e eficiente das operações. Para que a gestão logística e da cadeia de suprimentos ocorra de ma- neira eficiente e eficaz, é necessário que os processos sejam acompa- nhados continuamente, possibilitando o desenvolvimento de melhorias e ajustes. Essas alterações somente são elaboradas por meio de um mi- nucioso controle das operações, em que a utilização dos diversos KPIs, nas suas várias funções (logísticas), é extremamente necessária para o aumento da competitividade organizacional. 5.2.1 Produtividade logística Um dos principais conceitos utilizados na elaboração dos KPIs lo- gísticos envolve o fundamento relacionado à produtividade das opera- ções e atividades. A produtividade pode ser entendida como a medida das entradas e saídas de um processo, sendo considerada o resultado para a análise do desempenho. De outro modo, produtividade consiste em conseguir que os mesmos recursos (pessoas, materiais e tempo) sejam capazes de realizar mais operações/atividades, significando maior produção com os mesmos recursos e os menores custos no processo. A figura a seguir exemplifica o conceito de produtividade. Figura 11 Produtividade logística Outputs (saídas) Inputs (recursos utilizados) Resultados de desempenho Fonte: Elaborada pelo autor. Uma empresa que continuamente busca a melhoria dos processos e do atendimento ao cliente é a Amazon, por meio de sua rede de lojas de conveniência Amazon Go, que está presente, prin- cipalmente, nos Estados Unidos e no Reino Unido. As lojas caracterizam-se pelos clientes não preci- sarem passar pelo caixa para pagar os produtos; simplesmente utilizam um aplicativo e podem sair com as mercadorias compradas. Em outras lojas, os próprios clientes passam os produtos em um sistema (posto) de checagem e contabilização das compras (denominado de self-checkout). Com isso, a produtividade da loja aumenta significativa- mente, gerando ganhos de eficiência tanto para a empresa quanto para os clientes. Saiba mais acessando o link a seguir. Disponível em: https://www. remessaonline.com.br/blog/ amazon-go-o-futuro-esta-mais- perto/. Acesso em: 19 out. 2021. Saiba mais https://www.remessaonline.com.br/blog/amazon-go-o-futuro-esta-mais-perto/ https://www.remessaonline.com.br/blog/amazon-go-o-futuro-esta-mais-perto/ https://www.remessaonline.com.br/blog/amazon-go-o-futuro-esta-mais-perto/ https://www.remessaonline.com.br/blog/amazon-go-o-futuro-esta-mais-perto/ 150 Logística Empresarial Desse modo, a produtividade é a relação positiva entre os resulta- dos de desempenho alcançados (outputs) divididos pela utilização dos recursos disponíveis (inputs). Quanto maior o desempenho apurado, maior a produtividade aferida. As principais ações que visam ao aumento de produtividade devem considerar os seguintes aspectos: • utilização de KPIs e monitoramento contínuo do desempenho; • controle e redução dos estoques parados e obsoletos; • utilização de sistemas de gestão da informação; • conhecimento, em detalhes, de clientes, fornecedores e produtos; • análise, sob a ótica da produtividade e dos custos, das operações próprias e terceirizadas. O aumento da produtividade nas operações logísticas é de funda- mental importância para que as organizações atinjam elevados níveis competitivos e consigam atender melhor aos seus clientes. 5.3 Tendências em logística empresarial Vídeo O aumento da competitividade na busca de mercados potenciais e reais, ocasionado principalmente pelos processos de integração das economias mundiais, tem direcionado as empresas na melhoria contínua de suas operações logísticas e da cadeia de suprimentos, tornando-as mais eficientes no atendimento às exigências do cliente. O papel da logística, como uma ação integradora de processos e ope- rações que visam otimizar o fluxo de materiais internamente e entre os diversos elos da cadeia de suprimentos, é muito importante para que as organizações alcancem um elevado grau de eficiência e competitividade.Dessa maneira, a gestão logística e da cadeia de suprimentos objetiva fundamentalmente a sincronização das atividades, procu- rando eliminar operações em duplicidade e tornar a cadeia de supri- mentos mais sustentável, com a redução da utilização dos recursos envolvidos na operação. A figura a seguir ilustra alguns elementos que impactam a gestão logística. O vídeo Produtividade (na logística e como medir a produtividade) apresenta o conceito de produtividade na logística e mais algu- mas medidas importantes que devem ser utilizadas no processo logístico. Disponível em: https://youtu. be/6FuhOqtdjW8. Acesso em: 19 out. 2021. Vídeo • Entender a logística e quais os seus movimen- tos futuros. • Compreender quais elementos impactam a gestão logística. • Conhecer algumas das principais tendências das operações logísticas para os próximos anos. Objetivos de aprendizagem https://youtu.be/6FuhOqtdjW8 https://youtu.be/6FuhOqtdjW8 Medição de desempenho na logística 151 Figura 12 Elementos que impactam a gestão logística Tecnologias disruptivas Desenvolvimen- to de novas máquinas e equipamentos Gestão sustentável Qualidade do nível de serviço Vyacheslavikus/Shutterstock Fonte: Elaborada pelo autor. O surgimento constante de novas tecnologias de informação e co- municação tem proporcionado um elevado ganho de competitividade nas operações logísticas. O uso da inteligência de negócios (business intelligence – BI) no tratamento dos dados gerados pelos sistemas de gestão logística – por exemplo, banco de dados (data warehouse – DW), mineração de dados (data mining – DM), planejamento dos recursos do empreendimento (enterprise resources planning – ERP), gestão do relacio- namento com o consumidor (customer relationship management – CRM), sistema de gerenciamento de transportes (transportation management system – TMS), resposta eficiente ao consumidor (efficient consumer response – ECR), entre outros – tem permitido que as organizações con- trolem melhor as suas operações logísticas, gerando maior agilidade e assertividade da tomada de decisões. Outra importante contribuição das novas tecnologias é a melhor comunicação entre os parceiros de negócio terceirizados, o chamado dropshipping, sistema de venda ao cliente utilizando uma empresa par- ceira terceirizada para armazenar os produtos e realizar a distribuição. A empresa terceirizada é responsável pela logística de estoque e distri- buição, enquanto a organização principal foca o marketing e o relacio- namento com o cliente. O desenvolvimento de novas máquinas e equipamentos impactará principalmente o setor de transporte e distribuição. O desen- volvimento de veículos autônomos e o monitoramento e rastreamento das mercadorias permitem a sincronização dos processos de carrega- mento das cargas, gerando maior agilidade e eficiência nas operações. Equipamentos aplicados à gestão de armazéns, como o uso de robôs e automação, terão papel fundamental para o ganho competitivo na mo- vimentação dos produtos, na otimização do sistema de empilhamento e paletização e na redução dos custos. Ao mesmo tempo, tecnologias 152 Logística Empresarial de informação e comunicação que integram os diversos departamen- tos da empresa e da cadeia de suprimentos facilitarão a troca de infor- mações, tornando as decisões mais ágeis e assertivas. A gestão sustentável refere-se ao movimento que visa tornar as operações empresariais mais sustentáveis e com o uso de recursos naturais de maneira mais eficiente. Movimentos que envolvem uma logística sustentável têm surgido em vários países, principalmente no desenvolvimento de tecnologias para a melhoria de pneus de veículos, do consumo de energia (combustíveis), das rotas e da redução do des- gaste de peças e equipamentos. Um dos movimentos mais importantes com relação a uma gestão em- presarial mais sustentável é o ESG (environmental, social and governance, ou meio ambiente, social e governança), que consiste na avaliação or- ganizacional das responsabilidades ambiental e social, proporcionadas pelas suas operações. Por meio do estabelecimento de KPIs, a empresa consegue monitorar e controlar as suas ações, visando mostrar e garan- tir ao mercado a sua sustentabilidade no médio e longo prazo. A qualidade do nível de serviço diz respeito à principal proposta organizacional: utilizar a melhoria dos processos logísticos, visando ao aumento da qualidade do nível de serviço ao cliente. A principal função da logística é melhorar continuamente os processos para que os pro- dutos cheguem ao cliente no prazo correto, com o melhor preço, nas condições ideais e de acordo com as suas expectativas. Esse processo de cumprimento e pleno atendimento ao cliente é denominado de fulfillment, ou seja, atender ao cliente de maneira total, desde o mo- mento do recebimento do pedido até a efetiva entrega do produto. O aumento competitivo da organização depende exclusivamente de um elevado nível de serviço prestado. Esses elementos são muito importantes para influenciar os projetos logísticos, pois servem como direcionadores das ações e dos processos realizados pela organização. Sobre as principais tendências da logística, podemos descrever al- gumas delas que, atualmente, estão sendo aplicadas pelas empresas com foco nos processos e nas operações logísticas. A figura a seguir ilustra algumas delas. Medição de desempenho na logística 153 Fa uz yS to re /S hu tte rs to ck Novos sistemas de distribuição Logística reversa e sustentável Operações logísticas Segurança de dados Sistemas colaborativos Figura 13 Tendências em operações logísticas Fonte: Elaborada pelo autor. Os novos sistemas de distribuição consistem no uso, cada vez maior, de novos equipamentos que realizam entregas em curtas distân- cias, como drones, veículos autônomos e robôs. A adoção desses novos sistemas tem sido cada dia mais viável, à medida que a capacidade de carga tem sido ampliada. Esses sistemas são considerados uma das principais soluções das operações de entrega, pois facilitam o desloca- mento nos grandes municípios e reduzem os custos na operação. A logística reversa e sustentável por maior eficiência nas ope- rações é uma relevante tendência, pois é a responsável pelo retorno de embalagens e resíduos e pelo sistema de devolução de produtos com defeito. Seu principal benefício é contribuir para os projetos sustentáveis da organização, como a utilização de embalagens eco- lógicas, o uso de veículos menos poluentes, a redução dos desperdí- cios, entre outros. As novas operações logísticas visam à melhoria do atendimento ao cliente (maior rapidez, agilidade no processo e redução de custos). Entre as suas ações, podemos citar a denominada entrega antecipada, criada inicialmente pela empresa Amazon e seguida posteriormente por outras empresas. Esse método tem o propósito de agilizar o pro- cesso de distribuição dos produtos ao cliente, elevando o seu nível de satisfação. Ele funciona assim: antes de o consumidor efetivar a com- Conheça o sistema de entregas por meio de robôs (em fase de testes) da empresa Rappi no link a seguir. Disponível em: https://forbes.com. br/colunas/2020/04/rappi-testa- robos-para-entrega-de-comida-em- domicilio/. Acesso em: 19 out. 2021. Saiba mais Conheça alguns exemplos de logística reversa aplica- da ao setor de cosméticos no link a seguir. Disponível em: https://www. vgresiduos.com.br/blog/cinco- bons-exemplos-de-logistica- reversa-do-setor-de-cosmeticos/. Acesso em: 19 out. 2021. Saiba mais https://forbes.com.br/colunas/2020/04/rappi-testa-robos-para-entrega-de-comida-em-domicilio/ https://forbes.com.br/colunas/2020/04/rappi-testa-robos-para-entrega-de-comida-em-domicilio/ https://forbes.com.br/colunas/2020/04/rappi-testa-robos-para-entrega-de-comida-em-domicilio/ https://forbes.com.br/colunas/2020/04/rappi-testa-robos-para-entrega-de-comida-em-domicilio/ https://www.vgresiduos.com.br/blog/cinco-bons-exemplos-de-logistica-reversa-do-setor-de-cosmeticoshttps://www.vgresiduos.com.br/blog/cinco-bons-exemplos-de-logistica-reversa-do-setor-de-cosmeticos https://www.vgresiduos.com.br/blog/cinco-bons-exemplos-de-logistica-reversa-do-setor-de-cosmeticos https://www.vgresiduos.com.br/blog/cinco-bons-exemplos-de-logistica-reversa-do-setor-de-cosmeticos 154 Logística Empresarial pra, a empresa inicia, de maneira antecipada, o processo de entrega do produto, retirando-o do estoque e preparando-o para a distribuição. Com o avanço da tecnologia da informação e comunicação, a ques- tão envolvendo a segurança de dados compartilhados entre as em- presas tornou-se um tema importante e necessário. Uma das principais tecnologias desenvolvidas nesse campo é a blockchain, que consiste em proporcionar transações seguras de dados no meio digital. Na logística, o blockchain permite que documentos sejam transacionados, assina- dos e validados, pagamentos realizados, e contratos estabelecidos (os denominados smart contracts, ou contratos inteligentes). Os sistemas colaborativos referem-se ao compartilhamento de recursos materiais, físicos e humanos entre organizações, em que a priorização é a qualidade e a redução dos custos dos processos. No Brasil, esse conceito ainda está iniciando, mas deve se consolidar ao longo dos próximos anos. A aplicação de sistemas colaborativos na logística envolve a utilização de novos canais de atendimento ao cliente (também denominados de multicanal, ou omnichannel) ou o uso de sistemas integrados de gestão, que permitem a execução das tarefas de maneira integrada e de várias localidades simultâneas. O sistema de transporte pode verificar significativos ganhos de pro- dutividade por meio da gestão colaborativa e da sincronização das operações com os parceiros. Os principais desafios futuros da logística no Brasil e no mundo referem-se basicamente a três fatores principais: tecnologia, pessoas e gestão, isto é, a adequação das organizações para se ajustarem aos contínuos avanços tecnológicos, a busca por profissionais qualificados que integrem a tecnologia aos processos e o gerenciamento das opera- ções logística em constante evolução competitiva. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para que uma gestão logística e da cadeia de suprimentos adequada e eficiente possa ocorrer, é necessário que as operações e atividades sejam constantemente monitoradas e acompanhadas durante o processo. Por isso, a utilização de sistemas e métricas de medição de desempenho é muito importante para a organização, pois permite que a performance dos Assista ao vídeo Amazon no Brasil: saiba os preços, frete e produtos para com- prar, do canal Tech Tudo, e conheça o sistema de entrega antecipada da empresa Amazon. Disponível em: https://youtu. be/7MoCFE0YA6E. Acesso em: 19 out. 2021. Vídeo Assista ao vídeo Contratos inteligentes | Expresso Futuro com Ronaldo Lemos, do Canal Futura, e conheça o sistema de contrato inteligente. Disponível em: https://youtu.be/ ozZKkxn3Lg4. Acesso em: 19 out. 2021. Vídeo Assista ao vídeo Contratos inteligentes | Expresso Fu- turo com Ronaldo Lemos, do Canal Futura, e conhe- ça o que são sistemas colaborativos e alguns exemplos de empresas que os praticam. Disponível em: https://youtu.be/ ozZKkxn3Lg4. Acesso em: 15 out. 2021. Vídeo https://youtu.be/7MoCFE0YA6E https://youtu.be/7MoCFE0YA6E https://youtu.be/ozZKkxn3Lg4 https://youtu.be/ozZKkxn3Lg4 https://youtu.be/ozZKkxn3Lg4 https://youtu.be/ozZKkxn3Lg4 Medição de desempenho na logística 155 processos seja identificada, medida e controlada e que ajustes e alterações sejam desenvolvidos para a melhoria contínua das operações logísticas. Desse modo, o uso de indicadores de desempenho constitui um im- portante mecanismo de auxílio à gestão logística, pois eles são os respon- sáveis pelo reconhecimento e pela avaliação dos processos, auxiliando na mudança de comportamentos e direcionando os objetivos a serem alcançados pela empresa. A logística empresarial, portanto, é uma atividade essencial de compe- titividade nas organizações. Ao integrar processos internos e externos, ela aumenta o nível de serviço prestado ao cliente, proporcionando maiores receitas e fidelização e redução de custos no processo. Praticamente todas as empresas necessitam da logística para realizar as suas operações de maneira eficiente e eficaz. Este é o papel da logística empresarial nas organizações: melhorar continuamente os processos e elevar o nível competitivo empresarial no mercado. ATIVIDADES Atividade 1 Por que as organizações devem implementar medidas de desem- penho nos processos logísticos? Atividade 2 Cite e explique brevemente as principais razões para o estabele- cimento de indicadores de desempenho (KPIs) nas organizações. Atividade 3 Entre as principais tendências das operações logísticas, explique o significado dos novos sistemas de distribuição. REFERÊNCIAS BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2001. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. 156 Logística Empresarial CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gestão da cadeia de suprimentos: estratégia, planejamento e operações. 4. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. CORRÊA, H. L. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. POIST, R. F. Evolution of conceptual approaches to the design business of logistics systems: a sequel. Transportation Journal, v. 28, n. 3, p. 35-39, 1989. Resolução das atividades 1 Logística e gestão da cadeia de suprimentos 1. Explique por que a logística é considerada um paradoxo. A logística é considerada um verdadeiro paradoxo. Desde os primórdios da humanidade, ela procurou desenvolver mecanismos que auxiliassem os produtores na oferta de produtos ao cliente, nas melhores condições possíveis. Hoje, ela é considerada um dos conceitos mais modernos, pois é a responsável pelo atendimento ao cliente, no momento correto, pelo preço certo, nos prazos combinados e nas condições adequadas, sendo fundamental para o desenvolvimento competitivo da organização. 2. Qual é o impacto dos fatores de complexidade para a gestão da logística e da cadeia de suprimentos? O entendimento e o estudo sobre os fatores de complexidade logística são muito importantes para que a gestão da logística e da cadeia de suprimentos seja adequadamente estruturada e administrada, gerando relevantes ganhos no processo, como a redução de custos, a otimização de operações, o aumento da rentabilidade, a maior velocidade no fluxo de produtos e serviços, entre outros. 3. Por que compreender os fatores-chave de desempenho é importante para a gestão logística? Considerar os fatores-chave de desempenho na gestão logística é uma tarefa muito importante para a organização, pois eles são as principais funções que um processo logístico deve considerar (com ações práticas e de melhoria), para tornar a organização mais eficiente e competitiva no mercado. 2 Estratégia e competitividade na gestão logística 1. Cite os produtos para os quais as redes de suprimento eficientes e de resposta rápida são mais adequadas na produção e distribuição. A rede eficiente é mais adequada para os produtos funcionais, como detergente, sabão em pó, macarrão, enlatados, entre outros. Já a rede de resposta rápida trata de produtos considerados inovadores, como smartphones, notebooks etc. Resolução das atividades 157 2. Descreva o que são os fluxos empurrado, puxado e híbrido. O fluxo empurrado (push) é aquele em que os produtos são manufaturados e estocados pelo fornecedor antes do pedido do cliente, com a formação de estoques no processo. Já o fluxo puxado (pull) consiste em produtos manufaturados após o pedido do cliente. Por fim, o fluxo híbrido apresenta a integração entre os fluxos empurrado e puxado. 3. Por que o mapeamento dos processos logísticosé um importante elemento de competição organizacional? Porque ele permite que os processos sejam conhecidos, possibilitando sua análise, e que suas possibilidades de redução de desperdícios e duplicidade de trabalho sejam verificadas. Assim, a empresa consegue melhorar continuamente as suas operações, tornando-se mais eficiente e competitiva no mercado. 4. Considere os dois produtos a seguir e responda às questões: Produto 1: smartphone. Produto 2: amaciante de roupas. a) Defina qual é o produto funcional e qual é o inovador. Produto 1: inovador. Produto 2: funcional. b) Defina a configuração de rede de suprimento mais adequada a cada um deles. Produto 1: rede de suprimento de resposta rápida. Produto 2: rede de suprimento eficiente. c) Estabeleça a estratégia a ser adotada. Produto 1: estratégia de agilidade, flexibilidade e rapidez na reposição de produtos (demanda incerta e imprevisível). Produto 2: estratégia de redução de custos na operação e disponibilização de produtos (demanda relativamente previsível). 3 Recursos logísticos 1. Explique por que a segmentação de clientes é importante para a gestão logística e da cadeia de suprimentos. A segmentação dos clientes é importante porque o seu objetivo é entregar um pacote de valor (reconhecido e valorizado pelo cliente 158 Logística Empresarial e potencial cliente). A segmentação auxilia consideravelmente a ação logística, pois direciona os esforços nas atividades que agregam valor ao consumidor. 2. Qual o impacto da escolha do melhor modal de transporte para a gestão logística? A escolha do modal de transporte mais adequado permite que a empresa desenvolva a eficiência das operações logísticas, reduzindo os custos, otimizando os tempos e os prazos de entrega e melhorando a sua competitividade na distribuição. 3. Cite e explique brevemente as principais funções da armazenagem. As principais funções da armazenagem são: o manuseio dos produtos (a movimentação e o fluxo dos produtos internamente), o próprio sistema de estocagem das mercadorias (sistemas de prateleiras, corredores, esteiras e automatização) e os serviços de valor agregado (por meio da agilidade e flexibilidade nos processos). 4. Qual a importância do uso da tecnologia de informação para as operações logísticas? Comente. A tecnologia de informação utilizada nas ações logísticas da empresa faz com que ela consiga realizar o controle das atividades e trocar informações entre as áreas, com os fornecedores e clientes, permitindo a sincronização e a integração das operações. 5. Cite e explique brevemente dois elementos impulsionadores para a realização da logística reversa na empresa e nas cadeias de suprimento. O principal impulsionador é a viabilidade financeira do processo e a obrigatoriedade legal. A análise dos custos da operação e os tempos considerados nas atividades reversas são os elementos que constituem a verificação econômica. O outro elemento consiste nas obrigações de ação previstas na legislação do país. 4 Gestão da demanda, suprimentos e estoques 1. O que é gestão da demanda e qual é a sua importância para a logística? A gestão da demanda é conceituada como uma série de ações efetivas e práticas, as quais permitem atender e prever a demanda do mercado consumidor (bens e serviços ofertados pela organização). Resolução das atividades 159 Sua importância consiste em permitir o balanceamento entre o que é oferecido ao mercado e o que efetivamente é demandado por ele. 2. Explique a importância da gestão de suprimentos para a logística das organizações. A gestão de suprimentos tem importante contribuição para que o fluxo de mercadorias (movimentação) e estoques na empresa aconteça de maneira equilibrada e eficiente, proporcionando que a quantidade e a qualidade dos insumos sejam alocadas aos locais de destino corretamente e nos momentos adequados. 3. Explique a importância da gestão de estoques no processo logístico. A gestão de estoques contém três dimensões principais: a gestão de suprimentos, que envolve as compras e o abastecimento; a gestão logística de estoques, que se refere ao recebimento, ao manuseio, à armazenagem e à movimentação; e a gestão do nível de serviço, que é relativa à distribuição e ao grau de nível de atendimento. 5 Medição de desempenho na logística 1. Por que as organizações devem implementar medidas de desempenho nos processos logísticos? A organização deve implementar um sistema de medição de desempenho objetivando viabilizar o sistema de acompanhamento, controle e avaliação dos processos por meio dos resultados alcançados e o seu atendimento aos objetivos de desempenho definidos. Além disso, a medição de desempenho permite que a empresa possa avaliar os processos e alterá-los quando necessário. 2. Cite e explique brevemente as principais razões para o estabelecimento de indicadores de desempenho (KPIs) nas organizações. • Melhoria contínua: busca constante de melhoria contínua nos processos por meio do acesso a dados do desempenho das operações. • Decisões assertivas: decisões que visam ao alcance dos objetivos determinados pela empresa, por meio da coleta de dados e informações reais e precisas e da análise dos resultados. • Resultados de desempenho: avaliação dos resultados e adequação aos propósitos organizacionais. 160 Logística Empresarial 3. Entre as principais tendências das operações logísticas, explique o significado dos novos sistemas de distribuição. Os novos sistemas de distribuição referem-se ao uso contínuo de novos equipamentos (drones, veículos autônomos e robôs) para curtas distâncias. Eles são considerados uma das principais soluções das operações de entrega, ao facilitar o deslocamento e a redução dos custos operacionais. Resolução das atividades 161 Logística Em presarial M arcio A . H . Fedichina Código Logístico I000104 ISBN 978-65-5821-094-8 9 786558 210948 Página em branco Página em branco