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2 Oficinas Pedagógicas: Reinventando a Prática Pedagógica Acadêmicos: Ana Giggi, Angel Caroline Fortes, Martinha Bissani de Oliveira. Tutor Externo: Silvana Lazzarini Bulla Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Licenciatura em Pedagogia (PED 3179) 15/06/2022 RESUMO O presente trabalho tem por objetivo apresentar a importância de reinventar a forma de ensino nas escolas, introduzindo assim oficinas no contexto escolar, que possibilitem uma aprendizagem significativa e de qualidade para todos os envolvidos, possibilitando também desta forma que os alunos não aprendam só de maneira tradicional, mas também explorem outras formas de ensino pela qual possam adquirir conhecimento. Palavras-chave: Práticas pedagógicas. Estratégias. Planejamento. 1. INTRODUÇÃO Um dos pontos mais principais a serem pensado pelo professor no processo ensino-aprendizagem é o de criar meios de dinamizar a forma de repassar os conteúdos para melhor ser assimilado por parte dos alunos. Cabe ao professor planejar e analisar quais são os melhores métodos e/ou abordagens a serem utilizadas para que haja uma aprendizagem significativa. “o professor deverá ser um verdadeiro estrategista, o que justifica a adoção do termo estratégia, no sentido de estudar, selecionar, organizar e propor as melhores ferramentas facilitadoras para que os estudantes se apropriem do conhecimento” (ANASTASIOU; ALVES, 2004, p. 69). Qualquer estratégia de ensino pode agregar valores ao processo de ensino e de aprendizagem, na medida em que estão diretamente ligadas ao objetivo proposto. (RODRIGUES, 2007), portanto, as estratégias de ensino são capazes de dinamizar a aprendizagem dos alunos no sentido de torná-la mais significativa. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 oFICINAS PEDÁGOGICAS: Estratégias de Aprendizagem Uma das estratégias de ensino capazes de dinamizar a aprendizagem dos alunos são as oficinas pedagógicas, porém, o que viria a ser uma oficina? E qual a sua importância pedagógica? Para Schulz apud Viera e Volquind (2002, p. 11) a oficina se caracteriza como sendo “um sistema de ensino-aprendizagem que abre novas possibilidades quanto à troca de relações, funções, papéis entre mediador e seu aluno”. Portanto, utilizar as oficinas de ensino pode ser considerado um meio de articular de acrescentar mais saberes. As oficinas pedagógicas são momentos de ensino e aprendizagem por natureza abertas e dinâmicas, o que se revela essencial no caso da escola pública instituição que recebe indivíduos dos meios populares, cuja cultura precisa ser valorizada e respeitada para que se promova as necessárias abordagens entre os saberes populares e os saberes científicos ensinados na escola (MOITA; ANDRADE, 2006, p. 11). As oficinas possibilitam uma estimulação do saber ao criar e recriar situações, materiais, ferramentas e conhecimentos baseando-se na relação do aluno com o objeto de estudo em questão. Ainda para Anastasio e Alves (p 95, 2004): A oficina se caracteriza como uma estratégia do fazer pedagógico onde o espaço de construção e reconstrução do conhecimento são as principais ênfases. É lugar de pensar, descobrir, reinventar, criar e recriar, favorecido pela forma horizontal na qual a relação humana se dá. Pode-se lançar mão de músicas, textos, observações diretas, vídeos, pesquisas de campo, experiências práticas, enfim vivenciar ideias, sentimentos, experiências, num movimento de reconstrução individual e coletiva. Esse tipo de estratégia possui um enorme potencial pedagógico quando usado com sabedoria, o que poderia significar uma ótima estratégia para trabalhar determinados assuntos dentro do Ensino de Ciências. As oficinas também são capazes de conhecimento de forma participativa e questionadora, baseada em situações do cotidiano do aluno (NASCIMENTO et al., 2007). Vale ressaltar, que a oficina pedagógica se diferencia do minicurso enquanto estratégias, sendo que, o minicurso se caracteriza como sendo uma atividade que quer um supervisionamento constante, e a oficina não tem essa necessidade. Há várias formas de utilizar uma oficina, porém, é necessário observar o planejamento da tarefa ou atividade a ser realizada, pois assim como as demais estratégias de ensino, a oficina deve ser uma atividade com um objetivo bem definido, embora possua como característica um planejamento mutável. Deve analisar que as oficinas pedagógicas possuem como foco uma ação consciente, ou seja, sua principal ferramenta é a atividade prática (PAVIANI; FONTANA; 2009). Portanto, o presente estudo tem como objetivo principal investigar as vantagens sobre o uso de oficinas pedagógicas para a prática pedagógica. A relevância desse estudo pode ser explicada a partir da necessidade de se formarem profissionais que possam conhecer e utilizar diferentes estratégias de ensino em suas aulas, tendo em vista que, os professores podem mudar o cenário educacional de defasagem ao qual a educação está inserida Há diversas formas que um professor pode explorar e adotar para que haja um processo de ensino mais dinâmico, podemos citar, por exemplo, a utilização de recursos didáticos, utilização de espaços não formais e até mesmo formas diferenciadas de avaliação, porém, para que uma estratégia possa vir a utilizada com êxito, o professor deve ter clareza de onde ele pretende chegar com ela (ANASTASIOU; ALVES, 2004). Muito já se foi discutido sobre a forma tradicional de ensino, ao qual, Stacciarini e Esperidião (1999) afirmam se tratar de um modelo que aos poucos, vem deixando de corresponder às necessidades atuais dos alunos, sendo necessário buscar o desenvolver de suas capacidades de analisar e criticar o mundo e suas transformações. Desta forma, fica evidente a importância de se utilizar novas formas de ensino ao adotar novas estratégias em sala de aula, por que novas estratégias podem favorecer um planejamento eficiente e consequentemente um melhor desempenho do aluno (SOUZA, 2010). Na atividade docente deve haver planejamento constante, momentos de reflexão, avaliação das práticas usadas, e diversificação das mesmas, utilizando métodos e recursos variados, buscando proporcionar aprendizagens a todos os alunos, assim como valorizar e respeitar os ritmos de aprendizagem de cada um (NASCIMENTO; DUARTE, 2014). O professor estuda formas mais dinâmicas, de tornar suas aulas mais empolgantes, evitando assim dificuldades relacionadas à falta de motivação de seus alunos em sala. Uma das principais dificuldades a serem enfrentadas pelo professor durante o processo educacional é a resistência dos alunos em participar ativamente das aulas, o que pode vir a ser um obstáculo para o processo de aprendizagem do aluno. Assim como cada aluno possui suas características próprias e ideias, cada professor carrega consigo um conjunto de ideias, princípios e metodologias que o define como um educador e que são características de natureza pessoal e/ou profissional que o mesmo desenvolveu durante seu processo de formação docente. Podemos dizer então que a visão, postura em sala de aula, estratégias utilizadas e formação docente são fatores determinantes para que o professor seja capaz de promover a motivação de seus alunos (RAASCH, 1999). A motivação em sala pode também ser entendida como uma via de mão dupla, pois para que o processo de aprendizagem possa ser mais eficaz, é necessário que o mediador do conhecimento, no caso, o professor, esteja atento ao que acontece á sua volta em sala de aula e que se sinta encorajado a mudar o cenário educacional, caso se encontre em um ambiente resistente à aprendizagem. Trata-se de uma questão bastante discutida no âmbito educacional, como enfatiza Moraes e Varela (2007). O tema motivação ligado à aprendizagem está sempre em evidência nos ambientes escolares, impelindo professores a se superar ou fazendo-os recuar, chegando à desistência nos casos mais complexos. Porém, ela tem um papel muito importante nos resultados que o professores e alunos almejam (Moraes e Varela p.6 2007). 2.2 OFICINAS NA PRÁTICA: POESIA Entre outras oficinasque o professor pode trabalhar em seu planejamento, citamos aqui também a oficina de poemas, qual além de desenvolver a escrita do aluno já alfabetizado, irá ajudá-lo no desenvolvimento da linguagem e também da criatividade, vejamos: Embora não nos demos conta, a criança recebe ainda no berço o primeiro contato com a poesia e seus elementos: o ritmo e a rima, manifestados na voz que acalenta, nas cantigas de ninar e, mais tarde, na musicalidade das parlendas, das brincadeiras de roda, nos trava-línguas, nas adivinhas, jogos da tradição oral. O aproveitamento das estruturas rítmicas, aliado ao controle da respiração, das expressões da fala, da postura, além de possibilitar o desenvolvimento cognitivo e a motricidade, é fator positivo no processo do domínio da palavra. São essenciais para o desenvolvimento do ser humano no plano linguístico e no psicológico, que se desenvolve através das atividades corporais, musicais e outras. Percebe-se, assim, a importância da poesia já nas séries iniciais e no preparo adequado e cuidadoso quando da exploração desse gênero textual. Como afirma Ligia Morrone Averbuck (1993, p. 57), “[...] a poesia não pode ser ensinada, mas vivida: o ensino da poesia é, assim, o de sua descoberta”. A experiência com a poesia visa aguçar a emoção, a fantasia e a sensibilidade do jovem leitor. A poesia possibilita à criança o gosto pelo jogo rítmico e o jogo da linguagem, ao mesmo tempo é lúdica e libertadora. De todos os gêneros a serem explorados em sala de aula, deve a poesia ser a menos comprometida com os aspectos ligados à moral, à instrução e à exploração de atividades obrigatórias de “entendimento” do poema lido. É fundamental que a poesia seja apresentada e vivenciada com frequência no espaço escolar e seja selecionada cuidadosamente, a fim de propiciar a sensibilidade para a arte poética no aluno, através de textos diversificados, com ou sem rima, curtos e mais longos, temas, autores e épocas variados, poesias complexas e/ou simples. E ainda, oportunizar novas formas de expressar seu “entendimento” de poesia, através de desenhos, colagens, pintura, bem como a tentativa de criação de novos poemas. Essas e outras oportunidades constituem, para a criança, meios eficazes e válidos no desenvolvimento da criatividade e da sensibilidade frente a um texto poético. Não se trata de que a escola deva assumir a responsabilidade de fazer poetas. Para Averbuck (1993, p. 67), “[...] é importante que a escola desenvolva no aluno habilidades e competências para sentir a poesia, apreciá-la e percebê-la como uma forma de comunicação com o mundo”. Sugere-se que o professor explore o texto poético que é carregado de significado, de ritmo, cadência e melodia. O contato com a poesia é, portanto, o da descoberta, do jogo das palavras e do domínio da sonoridade. Para a criança alfabetizada, uma forma de desenvolver a imaginação e a criatividade é a decomposição de textos poéticos, “criando” novos poemas. Para que ela seja atraída pela magia da palavra poética, é preciso “[...] criar uma atmosfera de uma legítima oficina poética, em que a desconstrução dos textos seja o caminho para novas construções” (AVERBUCK, 1993, p. 76). Já nos níveis mais avançados de escolaridade, pensando nos adolescentes, o professor poderá também lançar mão da música. A utilização dos textos musicais favorece a aproximação de uma linguagem que fala diretamente ao jovem http://paginasefolhas.blogspot.com/2009/07/dia-de-sol-com-poema.html A partir da leitura de poemas, o professor poderá propor uma oficina de criação escrita, prática que atrai os alunos pela gama de artifícios que o gênero oferece. Além disso, a poesia infantil da modernidade recobre-se de significações múltiplas: palavras, imagens, rimas, sonoridades, forma, cor e luz. 2.3 TEATRO O teatro sempre foi uma forma de expressão artística profundamente ligada à comunidade. Mesmo com a expansão da mídia, não perdeu seu espaço, a presença física do artista e do espectador é insubstituível. Os sentimentos vivenciados e expressos no teatro provocam, além das sensações e emoções dessa atividade, a possibilidade do aluno colocar-se no lugar do outro, desenvolver e priorizar a noção do trabalho em grupo, perder continuamente a timidez e ampliar o seu repertório cultural. O teatro surgiu com as festas chamadas dionisíacas, celebradas na Grécia em honra a Dionísio, deus da fertilidade e do vinho. Essas comemorações eram realizadas em época de colheita ou quando se fabricava o vinho. Nas festividades havia cantos, danças e representação da vida de Dionísio. A arte teatral era tão popular na Grécia Antiga que anualmente eram promovidos concursos de textos teatrais. Os autores escreviam as peças, as encenavam para o público e para uma comissão julgadora, que premiava o melhor trabalho. O teatro grego, além de retratar o cotidiano do homem, evidenciava costumes, personalidades, deuses e belezas da Grécia. Desde os tempos mais antigos é fonte de cultura, educação, diversão e lazer. Da Grécia foi levado para Roma e dela para o mundo. Um texto teatral apresenta geralmente três partes: a exposição, o conflito e o desenlace. A exposição revela aos espectadores a situação que “desequilibra” a vida normal da personagem. Situação que prenderá a atenção do público e se modificará até o desfecho, ao final da peça. O conflito é a parte na qual a situação vivida pelas personagens, apresentada na exposição, chega ao clímax. Há sempre um desafio a ser superado, surgem obstáculos que se opõem à ação da personagem e esta se esforçará para triunfar. O desenlace é o relaxamento da tensão instaurada desde a revelação da situação-problema, ou seja, a catarse. A solução marca os tipos de peça teatral – drama, comédia ou tragédia. https://cultura.culturamix.com/curiosidades/pecas-de-teatro-para-apresentar-na-escola O teatro se desenvolve em atos, divididos em cenas. O ato apresenta acontecimentos que estão diretamente ligados ao eixo central, apresentando uma resposta, mas não valendo por si só, deixando sempre em aberta para o ato seguinte parte da situação-problema, mantendo assim o interesse do público. A cena, por sua vez, representa o ponto culminante de cada ato. A mesma expõe a unidade mínima de uma peça teatral. Alguns estudiosos empregam o termo quadro como sinônimo. No contexto escolar existem várias peças teatrais possíveis de encantar o público infantojuvenil, bastando, para isso, que elas envolvam os espectadores com personagens que suscitem a identificação e o apoio do público. As peças teatrais devem ser ajustadas à idade da criança. Assim, conforme Maria Antonieta Antunes Cunha (1991, p. 139), teremos: · De 4 a 7 anos - as histórias de lendas e folclores são apreciadas, bem como as pantomimas, que são as representações teatrais por meio de gestos. · De 8 a 12 anos - as histórias que versam sobre personagens do mundo real são as mais indicadas. · De 12 anos em diante as adaptações das obras clássicas terão maiores chances de sucesso. Obras de Gil Vicente, Martins Pena, Maria Clara Machado, Oswald de Andrade, Nelson Rodrigues, da escritora inglesa Agatha Christie e Shakespeare, entre outros. Trabalhar com o teatro na escola é desenvolver uma atividade visando aproximar as crianças e jovens dessa linguagem. Para tanto, é necessário colocar a turma em contato com diversos autores, com estilos variados, e observar o tipo de texto: tragédia, comédia, situações do cotidiano e/ou mistério. O professor poderá também sugerir aos estudantes que façam um mapeamento dos folguedos populares, festas, autos e outras manifestações folclóricas que mais chamam a atenção do grupo e que possam ser representados na escola. Em uma encenação podem ser transmitidos conhecimentos culturais, históricos, científicos ou morais, por exemplo, mas eles não devem ser vistos como objetivo, e sim como consequência. O ideal é que os alunos se envolvam com a trama e as personagens e sintam prazer em representar. A representação teatral desenvolve a memória, estimula o senso críticoe artístico e auxilia no aperfeiçoamento da leitura. É importante estimular a participação de todos os estudantes, sem exigir o profissionalismo, observar atentamente a postura e, se possível, fotografar e filmar as encenações para depois convidar a classe a analisar a montagem. Esse exercício de autoavaliação serve para aprimorar as próximas apresentações. 3 MATERIAIS E METÓDOS Ao elaborar o trabalho utilizamos algumas formas de pesquisa, dentre elas encontram-se meios tais como, internet, revistas, artigos e livros. Esses meios foram utilizados com o intuito de abordar da melhor maneira os tópicos no presente trabalho. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO As oficinas pedagógicas permitem uma análise da realidade de cada aluno sem a fuga do conteúdo que deve ser abordado, além de permitir o intercâmbio de experiências, em que o saber não se constitui apenas no resultado final do processo de aprendizagem, igualmente presente no processo de construção do conhecimento. São situações de ensino e aprendizagem de forma aberta e dinâmica, sendo uma valiosa forma estratégica para a formação tanto dos educadores, quanto para os discentes. Com as oficinas, os professores tanto ensinam quanto aprendem. Há uma troca mútua de conhecimentos de forma descontraída, na qual ambos os lados saem renovados de cada etapa escolar. O projeto das oficinas é uma forma de avaliação do aluno e do professor em relação ao conteúdo e às aulas ministradas, pois através delas o professor pode avaliar cada aluno de forma mais informal, adentrando-se a cada participação do aluno e, a partir dessa interação, perceber se o conteúdo foi transmitido de acordo com o planejado. As oficinas pedagógicas têm como objetivo ser um instrumento de apoio didático-pedagógico que visam suprir as dificuldades de aprendizagem relacionadas com o conteúdo em questão. REFERÊNCIAS ABRAÃO JUNIOR CABRAL E SANTOS; Literatura Infantojuvenil, 2013 - Uniasselvi ANASTASIOU, l. g. c; ALVES, l. p. estratégias de ensinarem. processos de ensinar na universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula, v. 3, p. 67-100, 2004. ANTUNES, h. s. ser aluna, ser professora: um olhar sobre os ciclos de vida pessoal e profissional. santa maria: ed. da UFMS, 2011. RODRIGUES, r. c. estratégias de ensino e aprendizagem para modalidade de educação a distância. in: congresso internacional de educação a distância. 2007. SOUZA; l. f. n. i. estratégias de aprendizagem e fatores motivacionais relacionados. educar em revista, n. 36, p. 95-107, 2010. SOUZA; oficinas pedagógicas como estratégia de ensino: uma visão dos futuros professores de ciências naturais planaltina, df junho, 2016 f.