Prévia do material em texto
ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 1 PARTE GERAL 1. Da Aplicação da Lei Penal O Direito Penal é um ramo do direito que surge para tutelar bens jurídicos extremamente relevantes (ex.: vida, liberdade, integridade física etc), ou seja, só deverá ser utilizado quando realmente for necessário e os outros ramos do direito não puderem resolver a situação. Neste sentido, o Direito Penal, por trazer conseqüências graves ao autor do delito, tendo em vista a possibilidade em cercear a liberdade do indivíduo (após o devido processo legal), eis que surgirão princípios e normas para regularem a adequada aplicação deste ramo do direito. Assim, o Direito Penal tem caráter subsidiário, ou seja, conforme dito anteriormente, somente deverá ser aplicado quando realmente necessário e, por esta razão, também denominado de “ultima ratio” que, em outras palavras, seria o soldado reserva, pois deverá ser utilizado na última hipótese, quando os outros ramos do direito (Direito Civil, Administrativo, etc), não forem capazes de resolver aquela situação. Noutro giro, antes de sequer estudarmos os princípios penais fundamentais é necessário que entendamos a norma penal, em sua forma genérica, a seguir: “Pequeno gafanhoto, tenha em mente que o legislador incrimina uma conduta, por meio do gênero INFRAÇÃO PENAL, que por sua vez, derivam duas espécies (crime/delito e contravenção penal)” – Trecho retirado do plano de aula do Prof. Ayllan Reis. Meus queridos, o trecho de aula destacado acima pode não fazer sentido neste momento, mas vai te ajudar muito a compreender a aplicação da norma penal, mais a frente. Ocorre que sempre usamos o termo crime de forma indiscriminada, mas nem toda conduta tipificada como proibida pelo legislador, necessariamente será crime/delito, haja vista a possibilidade de estarmos diante de uma contravenção penal. Ah, professor! Como vou saber a diferença entre crime/delito e contravenção penal? Calma, “pequeno aborígeni de olhos remelentos e esbugalhados”, a tabela abaixo vai te ajudar demais! CRIME/DELITO CONTRAVENÇÃO PENAL a) Está previsto no Código Penal (Decreto – Lei 2848/1940) ou na Legislação Penal extravagante (leis que tratam de direito penal, a) Está prevista na Lei de Contravenções Penais (Decreto – Lei 3688/1941); mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 2 mas estão fora do CP); b) Pode trazer como sanção penas privativas de liberdade (reclusão e detenção) e pena de multa; c) Cabe tentativa; d) Ação Penal Pública ou privada; e) Competência para julgar: Justiça Federal e/ou Justiça Estadual; b) Pode trazer como sanção pena de prisão simples e/ou multa; c) Não cabe tentativa; d) Ação Penal Pública; e) Competência para julgar: Justiça Estadual (como regra) Pois bem, demonstrado de forma bastante sucinta a importância e a aplicação abstrata do Direito Penal, este material passará a abordar outros assuntos específicos, para que possamos compreender os assuntos previstos na maioria dos editais voltados para as carreiras policiais. 1.1 Princípios Penais Fundamentais Esta matéria comporta inúmeros princípios, entretanto, estudaremos apenas os mais importantes, que por sua vez já foram cobrados nas provas anteriores e são de extrema importância para o entendimento da matéria nos estudos iniciais. a) Princípio da Intervenção Mínima: O Direito Penal deve proteger somente os bens jurídicos mais importantes. Assim, deve ser invocado apenas quando a intervenção de outros ramos do direito não forem suficientes para o controle social. O Direito Penal é a ultima ratio (último instrumento) do legislador para as soluções dos conflitos. Seria o soldado reserva. b) Princípio da Fragmentariedade: Como Consequência da aplicação da intervenção mínima, o Direito Penal representará apenas um fragmento na tutela de bens jurídicos específicos, assim como o cirurgião cerebral representa um pequeno fragmento das especialidades médicas. c) Princípio da Legalidade Estrita (ou Reserva Legal): Significa que a norma penal incriminadora somente pode ser criada por lei Federal, ou seja, o crime e a pena só poderão existir, se houver uma lei anterior prevendo/autorizando a criação desta conduta; d) Princípio da Taxatividade: O legislador deve evitar a criação de tipos abertos, indeterminados, que são aqueles sem a descrição típica e completa, que devem ser completados por um raciocínio do juiz. mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 3 Neste sentido, referido princípio, na verdade é um desdobramento do P. da Legalidade, pois, não basta à lei prevê o que é crime, será necessário que o texto legal explique de forma clara e objetiva, como que deve ser referido crime. Em outras palavras, a lei precisa dizer/demonstrar como a conduta deverá ocorrer, para ser considerada delituosa. e) Princípio da Alteridade, Ofensividade ou Lesividade: Este princípio explica bem a questão do suicídio. Isto porque, o Direito Penal somente deve-se ocupar de lesões que saiam da esfera individual do agente. “Eu não posso ser punido por fazer mal a mim mesmo”. Por isso é irrelevante a automutilação, a destruição de bem próprio, o suicídio etc. #OBSDAAPROVAÇÃO: CUIDADO! O indivíduo que danifica seu próprio patrimônio, propositalmente, com a intenção em receber indenização da seguradora, em tese, pratica o crime de Estelionato. Isto porque, ao simular a ocorrência do sinistro e obrigar a seguradora a indenizá-lo, este, estaria recebendo vantagem indevida e causando prejuízo à seguradora que, pagaria indenização por um acidente que nunca ocorreu (posição já pacificada do STJ). Percebam que aquele que danifica seu patrimônio, propositalmente, com a intenção em receber indenização, não responderá pelo crime de dano, haja vista que o bem é seu, entretanto, nada impede que responda pelo crime de estelionato, em relação à vantagem indevida que pretende receber, caso a seguradora pague o valor da indenização por um acidente que nunca ocorrera. f) Princípio da Pessoalidade (Intranscendência) – art. 5º, XLV, CF/88: A responsabilidade penal é pessoal e intransferível, ou seja, a pena não pode passar da pessoa do condenado. OBS.: RESPONSABILIDADE CIVIL X PENA DE MULTA: Cuidado. A dívida referente à responsabilidade civil, decorrente da prática de um crime não possui natureza penal (possui natureza cível), logo, pode passar da pessoa do condenado, inclusive na herança. Já a dívida oriunda de condenação criminal por pena de multa, embora gere uma dívida ao condenado, ainda assim não perde sua natureza penal, não podendo, portanto, passar da pessoa do condenado, inclusive pela herança. Se o condenado falecer, tal valor não poderá ser cobrado pelo Estado, junto aos seus herdeiros. g) Princípio da humanidade das penas (art. 5º XLVII, CF/88): A pena não pode atentar contra a dignidade da pessoa humana, sendo proibidas pela Constituição, 5 (cinco) espécies de pena: mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação,baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 4 - Pena de morte, salvo em caso de guerra declarada; Pena de caráter Perpétuo; Pena de banimento; Penas Cruéis; Penas de trabalhos forçados; #OBSNOVIDADE.: Pequenos aborígenis afoitos, muito CUIDADO! O pacote anticrime (Lei 13.964/2019) alterou o art. 75 do Código Penal (que previa/limitava o cumprimento da pena privativa de liberdade em regime fechado a 30 anos). Com a recente alteração legislativa, o limite AUMETOU PARA 40 ANOS! – Já sabem, né? Vai DESABAR nas provas!! #OBSDOABORÍGENI.: Para o concurseiro aborígeni ingênuo seria redundância, mas vamos lá (rsrs). Com essa alteração recente, como fica o prazo máximo para o cumprimento das medidas de segurança? Hum??!! Calma, vamos lá. Os indivíduos inimputáveis, que não podem cumprir pena privativa de liberdade nos estabelecimentos prisionais comuns, ao serem condenados, possuem sua pena privativa de liberdade substituída por uma medida de segurança, a ser cumprida em um hospital de custódia. O dilema é que o princípio da humanidade das penas veda a prisão em caráter perpétuo e, caso o indivíduo não possua condições em retornar para a sociedade, por quanto tempo ele pode/deve ficar no hospital de custódia? O STJ (Superior Tribunal de Justiça) entende que o tempo máximo será a pena máxima em abstrato aplicado ao crime – Entendimento da súmula 527, STJ. Já o STF (Supremo Tribunal Federal) entende que o tempo máximo seria o período limite, que o indivíduo poderia cumprir a pena privativa de liberdade em regime fechado que, com o pacote anticrime (lei 13.964/19), passou a ser de 40 anos. h) Princípio do ne bis in idem: Não pode haver dupla punição pelo mesmo fato criminoso, ou seja, duplo processo pelo mesmo crime, nem dupla execução pela mesma pena. OBS.: Prestem atenção neste princípio, quando falarmos sobre lei penal no espaço, especificamente no princípio da extraterritorialidade – da aplicação da lei penal de forma incondicionada! i) Princípio da Individualização da pena (art. 5°,XLV, CF/88) A pena deve ser individualizada ao crime e ao criminoso, o que ocorre em três fases: 1. Na cominação (deve ser observado pelo legislador); 2. Na aplicação (deve ser observado pelo Juiz, ao Julgar o réu); 3. Na execução (deve ser observado pelo Juiz da execução, na execução da pena pelo condenado). Desta maneira, o STF tem decidido, reiteradamente, pela inconstitucionalidade de institutos que impedem a individualização da pena em uma de suas fases como, por exemplo, o regime inicial ou integralmente fechado e a vedação a substituição da pena. mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 5 2. Lei Penal No Tempo Vamos lá monstro. Já vencemos a parte Principiológica inicial e vamos para o conteúdo da lei penal no tempo, que por sua vez, sempre é cobrada nos concursos, entretanto, antes de passarmos para o assunto de forma específica é necessário que tenhamos o “macete” LUTA em nossa mente, para somente então, dominarmos os conteúdos de lei penal no tempo e no espaço, vejamos: L ugar U biquidade/Mista T empo A tividade/Ação Professor, “tendi” nada disso aí. Calma, vamos entender juntos! Toda vez que se tratar do tema LEI PENAL NO TEMPO – Para saber o tempo do crime, o código penal adotou a Teoria da Atividade ou Ação. Quando se tratar do tema LEI PENAL NO ESPAÇO – Para saber o lugar do crime, o código penal adotou a Teoria da Ubiquidade ou Mista. A medida em que formos estudando cada tema, aprofundaremos no estudo das teorias, mas, por hora, tenha esse “macete” em mente. Já que estamos no tópico de lei penal no tempo, vamos lá. A teoria da atividade pode ser encontrada no art. 4° do código penal e ensina o seguinte: “Tempo do crime Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado” Desta forma, considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, pouco importando o momento do resultado. Mas professor, o que isso tem haver, do ponto de vista prático? Calma, aborígeni. Isso muda tudo. Inclusive qual lei aplicar, quando estivermos diante de uma sucessão ou alteração legislativa, mas antes, vamos analisar o exemplo abaixo, para compreendermos melhor a teoria da atividade/ação, vejamos. “Imagine que AMÁVEL PINTO, ao encontrar seu desafeto ROLINDURA, efetua 3 (três) disparos com arma de fogo em sua direção, com a finalidade em matá-lo. Os projéteis atingem a vítima, que é socorrida no local e levada ao hospital, no qual ficou internado na UTI por 15 dias, mas não resistiu e veio a óbito, devido ao ferimentos provocados pelos disparos de arma de fogo, efetuados por AMÁVEL.” mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 6 Com base na situação apresentada, bem como a teoria adotada pelo CP, em seu artigo 4°, qual seria o tempo do crime? R= “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão (...)”. Perceba, no caso em tela, considera praticado o delito, no momento em que AMÁVEL realizou os disparos contra a vítima e, o fato desta ter morrido somente 15 dias depois, não influencia no tempo/momento do crime. Ah, professor. Entedi, entendi.. (rsrs). Calma, imagine que no momento dos disparos realizados por AMÁVEL, a pena do crime de homicídio fosse de 6 a 20 anos, mas no momento em que a vítima morreu, outra lei já tinha entrado em vigor, alterando a pena do crime de homicídio para mínima de 10 anos e máxima de 30 anos. E agora, qual lei deve-se aplicar? R= É justamente para situações como essas, que utilizamos o instituto da Lei Penal no Tempo. Vamos lá, a REGRA é sempre aplicar lei do momento do crime, ou seja, no caso apresentado, aplicaríamos a pena de 6 – 20 anos, pois era a lei vigente no momento/tempo do crime. Ademais, ainda dentro do Princípio da Atividade, abordaremos alguns temas que se desdobram do referido princípio. 2.1. Princípio da Atividade da LEX GRAVIOR (novatio legis in pejus) Expressão em latim que significa “LEI MAIS GRAVE/SEVERA”. a) Irretroatividade da Lei Penal: Obs¹.: Trata-se de princípio constitucional expresso no art. 5º, XL da CF/88; Obs².: A lei que for nova e de qualquer modo prejudicar o agente, não retroage, ou seja, não se aplica a fatos praticados antes de sua vigência. Obs³.: Este pressuposto não possui qualquer exceção! Em outras palavras, referidas observações ensinaram que, caso uma lei nova (que trate de matéria penal) seja criada, referida lei não poderá “voltar no tempo” para tutelar fatos/crimes praticados antes de sua vigência, conforme demonstrará o exemplo a seguir: Em 1999, “THULE” praticou o crime de homicídio simples, que por sua vez era punido com pena de reclusão de 6 a 20 anos. Ocorre que no ano de 2003 surgiu uma lei nova, alterando a pena do crime de homicídio para 30 anos. Com base nesta situação hipotética poderia esta nova lei ser aplicada a “THULE”? mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presentecurso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 7 R= Não, justamente porque a Irretroatividade da lei penal não permite que lei nova venha a tutelar fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor, caso referida lei nova seja mais prejudicial ao autor do crime e, na situação narrada restou demonstrado que lei de 2003 (lei nova) era mais gravosa ao agente, tendo em vista trazer uma pena maior para o crime em que ele praticou. b) Não Ultratividade da Lei Penal: Obs.: A lei mais grave não continua se aplicando a fatos praticados em sua vigência, depois que tiver sido revogada por outra lei mais benéfica. Para entendermos melhor, vamos demonstrar através da seguinte situação hipotética: Imagine que a Lei “A” determine pena de 5 a 10 anos pelo crime de furto, entretanto, no ano de 2014 sobreveio uma nova lei “B” (mais benéfica) revogando a lei anterior, tal como determinando que a pena para o delito de furto passaria a ser de 1 a 4 anos. Com base nesta situação, seria possível que a lei “A” (mais gravosa), apesar de revogada, ainda pudesse tutelar fatos que ocorreram durante sua vigência? R= Via de regra, NÃO. Isto porque, conforme ensina o pressuposto aqui abordado, lei mais severa, quando devidamente revogada por outra lei, não poderá continuar a ser aplicada, ainda que o crime tenha sido cometido durante sua vigência. Na situação hipotética narrada anteriormente, a partir do momento que a lei “B” (mais benéfica) revogou a lei “A” (mais gravosa), esta lei perde sua aplicabilidade, não podendo ser aplicada no “futuro”, ainda que o crime tenha sido cometido no “passado”, durante a sua vigência, conforme estabelece a NÃO ULTRATIVIDADE DA LEI PENAL. #ObsOrdinária!!! Muito cuidado, concurseiro, pois aqui existe uma EXCEÇÃO!! º LEI EXCEPCIONAL: Esta lei só vigora durante determinada situação anormal, ou seja, uma vez acabada referida situação anormal, esta lei se autorevoga; º LEI TEMPORÁRIA: Esta lei só vigora durante determinado prazo preestabelecido. Cessado o prazo, a lei se autorevoga; Tanto a lei Excepcional, quanto a Temporária são ULTRATIVAS, ainda que mais severas. Quer dizer que elas continuam aplicando-se aos fatos praticados na sua vigência, mesmo após sua autorevogação. Mais uma vez, com a intenção de compreender melhor o conteúdo, vamos imaginar a seguinte situação hipotética: mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 8 Imaginemos que durante a Copa do Mundo - 2014 (FIFA) de futebol, o Brasil tivesse criado uma Lei Temporária, na qual informava que se o indivíduo (ambulante/camelô), vendesse qualquer produto alimentício sem a devida autorização, estaria cometendo crime, com pena de 1 a 4 anos de reclusão. Caso algum cidadão venha a cometer este crime e, por se tratar de lei temporária, que por sua vez tem prazo certo para se autorevogar, poderia esta lei, mesmo depois de autorevogada, continuar a tutelar os fatos ocorridos durante a sua vigência? R= SIM. Pois aqui estaríamos diante de uma exceção, haja vista que Lei Excepcional e Temporária são Ultrativas, ou seja, continuam a ser aplicadas aos fatos ocorridos durante a sua vigência, mesmo após sua autorevogação, conforme explicado anteriormente. 2.2. Princípio da Atividade da LEX MITIOR (novatio legis in mellius) Expressão em latim que significa “lei mais benéfica” a) Retroatividade da Lei Penal: Obs.: A lei nova, que de qualquer modo favorecer o agente, retroage, ou seja, aplica-se aos fatos praticados antes de sua vigência, ainda que já decididos por sentença transitada em julgado. Ocorre quando, da sentença judicial, não for possível interpor recurso por nenhuma das partes do processo. Em outras palavras, a retroatividade da lei penal ensina que, se uma lei nova, de qualquer modo venha a favorecer o autor do delito, referida lei deve ser aplicada a ele, ainda que no momento/tempo do crime, outra lei é quem estava em vigor, não importando, inclusive, se o processo penal já transitou ou não em julgado. Imagine a seguinte situação hipotética: João Cometeu o crime de Homicídio Qualificado (art. 121, § 2º, II, CP), no ano de 2015, com pena de 12 a 30 anos, além de ser considerado um crime hediondo. Em 2018, o processo penal de João transita em julgado. Se em 2020, vier uma lei nova, informando que homicídio qualificado não é mais crime hediondo, assim como reduzindo a pena para o prazo máximo de 10 anos de reclusão, ainda assim, poderia esta nova lei ser aplicada ao processo de João? R= SIM. Isto porque, conforme demonstra o pressuposto da Retroatividade da Lei penal, “LEI NOVA”, que de qualquer forma favorecer o autor do delito, deve ser aplicada a este de forma retroativa (volta no tempo), ainda que o processo já tenha transitado em julgado. Na situação demonstrada acima, a nova lei era mais benéfica para João, tendo em vista que referida lei não considera mais o crime praticado por ele mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 9 como hediondo, além de ter reduzido a pena em abstrato do crime de homicídio qualificado. Logo, por ser muito mais benéfica, a lei nova DEVE ser aplicada a João. #ObsOdinária!!! Muito cuidado, pois aqui também teremos uma EXCEÇÃO! º LEI EXCEPCIONAL: Esta lei só vigora durante determinada situação anormal, ou seja, uma vez acabada referida situação anormal, esta lei se autorevoga; º LEI TEMPORÁRIA: Esta lei só vigora durante determinado prazo preestabelecido. Cessado o prazo, a lei se autorevoga; Se os fatos foram praticados durante a vigência de lei excepcional ou temporária, neste caso, a nova lei NÃO IRÁ RETROAGIR, AINDA QUE SEJA MUITO MAIS BENÉFICA, justamente porque toda lei excepcional e temporária são ULTRATIVAS. b) Caros colegas concurseiros, os Senhores já ouviram falar na expressão em latim “Abolitio Criminis”? É a lei nova que deixa de considerar o fato como criminoso, cessando em virtude dela a pena e os efeitos penais da sentença condenatória. Significa dizer que o instituto do “Abolitio Criminis”, por meio de uma nova lei (mais benéfica) deixa de considerar determinado fato como criminoso, cessando todos os efeitos penais (pena, antecedentes etc), ainda que o processo já tenha transitado em julgado. No Brasil, existem exemplos famosos de condutas que um dia já foram consideradas criminosas, contudo, em virtude do “Abolitio Criminis”, hoje não são mais, como exemplo, podemos citar os antigos crimes de Adultério, Sedução e Mendicância. #ObsOrdinária!! Não haverá “Abolitio Criminis”, mas sim Continuidade normativa típica, se a conduta foi deslocada para outro tipo penal. Ocorre quando a conduta delituosa, antes prevista em um artigo, se transporta para outro artigo. mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 10 Imagine o exemplo que ocorreu no Brasil: Antigamente existia o crime autônomo de Atentado violento ao pudor, mas hoje, a condutado referido crime já está contida dentro do tipo penal de Estupro (art. 213, CP), conforme demonstra a imagem a seguir: Art. 214,CP Art. 213,CP Atentado Violento Ao Pudor Estupro 2.3. Lei Penal no Tempo x Crimes Permanentes e/ou Continuados #obstenebrosa º Crime Permanente: É aquele cuja ação ou consumação se protrai/prolonga no tempo; º Crime Continuado: É uma fixação, ou seja, o agente pratica vários crimes, mas serão tratados como um crime só; Aplica-se a LEI MAIS SEVERA ao crime permanente ou ao crime continuado,desde que tenha entrado em vigor antes de cessada a continuidade ou permanência do crime. (entendimento da Súmula 711 do STF). Com a finalidade de explicar de forma mais pontuada o entendimento do STF, vamos utilizar o um exemplo de crime permanente (seqüestro), no exemplo e gráfico a seguir: JOÃO seqüestra MARIA em 15/03/2016. Este crime possui pena de 1 a 3 anos de reclusão. Em 10/10/2016 surge uma lei nova (mais severa) aumentando a pena máxima em abstrato do crime de seqüestro para 10 anos. Somente em 12/12/2016 MARIA conseguiu ser libertada pela polícia e JOÃO fora preso. mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 11 º 15/03/16 JOAÕ SEQUESTRA MARIA; º 10/10/16 SURGE NOVA LEI MAIS SEVERA; º 12/12/16 MARIA É LIBERTADA; - Com base na situação acima descrita, JOÃO deverá responder pelo crime de seqüestro, sendo tutelado por qual Lei? R = JOÃO responderá pelo crime de seqüestro, sendo tutelado pela Lei nova, ainda que esta seja mais gravosa, justamente porque aqui estamos diante de uma exceção. Perceba, o que irá definir a aplicação da lei nova é se, no momento da entrada em vigor de referida lei nova, o autor do crime ainda esteja praticando a conduta. No caso apresentado, JOÃO começou a seqüestrar MARIA em 15/03/16, em 10/10/16 surge a nova lei e JOÃO ainda continua praticando o crime, tendo em vista que MARIA ainda está sendo seqüestrada. A partir de agora, pouco importa quando MARIA será libertada, uma vez que a Lei nova entrou em vigor durante a execução do crime por JOÃO e isso já é o suficiente para que ele responda pelo crime, conforme a nova lei. 2.4. “Novatio Legis Incriminadora” Muito cuidado. É comum as provas quererem confundir este instituto com a “lex mitior” ou até mesmo a “Lex gravior”. mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 12 “Novatio legis incriminadora” ocorre quando uma lei nova incrimina determinada conduta, que antes não era considerada criminosa, ou seja, não havia crime caso alguém praticasse aquela conduta. Recentemente tivemos um exemplo de “novatio legis incriminadora”, com a criação do crime de Importunação sexual. OBS.: Calma. Já sei no que você está pensando (...) – “Professor, qual a diferença entre “novatio legis incriminadora” e “novatio legis in pejus”? Ta vendo?! Rsrsrs – A diferença é justamente porque a “novatio legis incriminadora” vem a tornar crime, conduta que antes não era considerada delituosa. Já a “novatio legis in pejus” vem a PREJUDICAR (tornar pior, mais severa), de alguma forma, conduta que JÁ ERA CONSIDERADA CRIME. O que ocorre na “novatio legis in pejus” é justamente piorar/tornar mais severo determinado crime. 2.5. Lei Intermediária Como o próprio nome já diz, a lei intermediária é intermediária (rsrsrs). Calma. É a lei que não é nem a da data do fato, nem a lei da data da sentença. Ou seja, é aquela lei que entra em vigor após a prática do crime, mas que é revogada antes do cumprimento da pena. Seria a hipótese da vigência de três leis sucessivas, em que se deve aplicar sempre a mais benéfica, vejamos: HERMANOTEU praticou um crime na vigência da lei “A”. Enquanto respondia ao processo entrou em vigor a lei “B”, mas antes de HERMANOTEU começar a cumprir sua pena, já estava em vigor à lei “C”. E agora professor, aplico qual lei? Deverá ser aplicada a lei mais benéfica! OBS.: O julgador não poderá aplicar parte de uma lei e parte de outra, pois, se assim o fizesse, estaria legislando, o que fere o princípio da separação dos poderes. Assim, cabe ao Juiz aplicar, na íntegra, a lei mais benéfica. 5. Conjugação/Combinação de Leis (LEX TERTIA) Esta nomenclatura é sinônimo de “conjugação”, “cumulação” ou “combinação” de leis, que em latim também é conhecido no Direito como “LEX TERTIA” Este instituto visa atender o princípio da extra-atividade benéfica, ou seja, cabe ao julgador extrair de duas leis, uma revogada e outra vigente, dispositivos que interessem ao agente cumulá-los, a fim de se chegar a “combinação mais benéfica ao réu”. mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 13 Ocorre que tal instituto causa uma grande discussão na doutrina penalista e até hoje não temos unanimidade sobre o tema, o que não impede de analisarmos tal assunto. Aqui, recairíamos naquela velha discussão, é possível ao Juiz combinar leis? O único exemplo prático que tivemos na legislação é o caso das leis de drogas. Antes da atual lei de drogas (Lei 11.343/06) vigorava a lei 6.368/76. A lei antiga previa pena de três a quinze anos para o crime de tráfico de drogas, enquanto que a atual legislação prevê pena de cinco a quinze anos. Neste sentido, a atual lei de drogas prevê uma causa de diminuição de pena, para aqueles que cometem o famigerado “tráfico privilegiado”. Assim, seria possível aplicar essa diminuição de pena para aquelas pessoas que praticaram o crime na vigência da lei 6.368/76, porém se manter a pena mínima da lei antiga, ou seja, usar a diminuição de pena da lei nova, mas manter a pena da lei já revogada. Seria possível? O Código penal não aborda esse tema, já o Código Penal militar prevê, expressamente, em seu art. 2°, § 2°, CPM, que não é admitida a cumulação de leis, mas isso é no Código Penal Militar (CPM). O STJ analisou a situação da lei de drogas e entendeu que o Juiz NÃO PODE cumular leis, chegando à edição da Súmula 501, STJ, vejamos: “É cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis” (grifos nosso). Por todo o exposto, nossa jurisprudência entende que a “Lex Tertia” não é admitida em nosso ordenamento jurídico. 2.7. Diferença: Lei Penal no Tempo x Lei Processual Penal no Tempo Existem algumas diferenças entre a lei penal e lei processual penal no tempo, vamos lá. Diferentemente do que ocorre com a lei penal, a lei processual penal, uma vez inserida no mundo jurídico, possui aplicação imediata, atingindo, inclusive, os processos que já estão em curso, pouco importando se traz ou não situação gravosa ao réu, haja vista que sofre influência do princípio do efeito imediato ou aplicação imediata. Mas professor, os atos já praticados na vigência da lei antiga precisam ser refeitos? mailto:%7Cayllanreis1@gmail.comATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 14 Os atos anteriores continuam válidos. Prestem atenção! A lei processual penal nova se aplica do dia em que entrou em vigor, para frente. Os atos passados, ocorridos na vigência da lei antiga continuam válidos e não precisam ser refeitos. Já a lei penal (aquela que interfere diretamente no direito de punir do Estado) é completamente diferente. Ela só se aplica aos fatos já ocorridos, se for para beneficiar o réu, vejamos o exemplo a seguir: HERMANOTEU praticou crime na vigência da lei “A”, com pena de reclusão de um a três anos. No curso do processo, entrou em vigor a lei “B”, que revogou a lei “A” e trouxe a pena de reclusão de dois a cinco anos (lei nova mais gravosa), para o crime já praticado por HERMANOTEU. Assim, seria possível retroagir a nova lei, para aplicar ao crime cometido por Hermanoteu? Se for uma lei de natureza penal, claro que NÃO. Trata-se de lei nova mais gravosa e esta nunca retroage, pois prejudica o agente. #OBS.: Pequenos Aborígenes. Se a nova lei do exemplo trazido, fosse uma lei processual penal, poderíamos aplicar ao processo de HERMANOTEU, mesmo sabendo que o crime já ocorreu? SIM! A lei processual penal tem aplicação imediata, atingindo, inclusive, os processos que já estão em curso. Professor, professor?! Diga, pequeno gafanhoto de olhos remelentos. (rsrs) “É que eu estava estudando e vi que a lei processual penal pode ser híbrida, mas e aí, como se aplica?” Justamente sobre isso que vamos abordar, vamos lá. Lei Penal Híbrida: Trata-se de lei que aborda tanto os aspectos penais, quantos os aspectos processuais penais, a exemplo da lei de drogas (traz quais são os crimes, mas também traz o procedimento processual a ser adotado). E agora, como faço para aplicar uma lei penal híbrida no tempo? Já que não pode haver cisão na lei, no caso da lei híbrida prevalece o aspecto/parte penal, ou seja, se a lei híbrida tiver o aspecto penal benéfico deve retroagir, mas a parte processual terá aplicação imediata, devendo ser preservado os atos processuais já praticados na vigência da lei antiga. Caso a parte/aspecto penal for prejudicial, a nova norma não retroage e o processo iniciado, todo ele, será regido pela lei antiga, ou seja, pela lei revogada. mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas no presente curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 15 Para facilitar, vamos ver a tabela seguinte: LEI PENAL HÍBRIDA BENÉFICA LEI PENAL HÍBRIDA GRAVOSA ° Deve retroagir, mas a parte processual terá aplicação imediata, devendo ser preservado os atos processuais já praticados na lei antiga; ° A nova norma não retroage e o processo iniciado, todo ele, será regido pela lei antiga; #OBSIMPORTANTE: Muito alunos me perguntam a diferença entre “ab-rogação” e “derrogação”. Segue tabela explicando. ab-rogação derrogação ° É a regovação total de uma lei por outra; ° É a revogação parcial; mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com ATENÇÃO: Não será permitido, em qualquer situação, baixar, ceder, transmitir ou permitir acesso ao presente material, a pessoas não matriculadas neste curso. Este compartilhamento constitui violação de direitos autorais, nos termos da Lei 9610/98. Professor: Ayllan Macêdo Reis |ayllanreis1@gmail.com | 73.988392971 sasarg sgadgr mailto:%7Cayllanreis1@gmail.com