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A StuDocu não é patrocinada ou endossada por nenhuma faculdade ou universidade Resumo completo - Dor torácica Clínica Médica (Universidade Estadual de Montes Claros) A StuDocu não é patrocinada ou endossada por nenhuma faculdade ou universidade Resumo completo - Dor torácica Clínica Médica (Universidade Estadual de Montes Claros) Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica https://www.studocu.com/pt-br/document/universidade-estadual-de-montes-claros/clinica-medica/resumo-completo-dor-toracica/19588877?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica https://www.studocu.com/pt-br/course/universidade-estadual-de-montes-claros/clinica-medica/4271767?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica https://www.studocu.com/pt-br/document/universidade-estadual-de-montes-claros/clinica-medica/resumo-completo-dor-toracica/19588877?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica https://www.studocu.com/pt-br/course/universidade-estadual-de-montes-claros/clinica-medica/4271767?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica Nathalia Braga Pereira EDEMA o Corresponde ao acúmulo de líquido no interstício ou em cavidades pré-formadas do organismo. o O líquido intersticial se origina da filtração do sangue na parte arterial dos capilares, circula entre as células e retorna à circulação sanguínea a partir da reabsorção na parte venosa dos capilares ou pelos vasos linfáticos. Esses processos dependem das forças de Starling, que se fazem presentes na microcirculação e na matriz extracelular. São elas: (1) Pressão hidrostática do sangue (PHs) → força a filtração; (2) Pressão oncótica do plasma (POp) gerada pelas macromoléculas → sentido contrário à pressão hidrostática. (3) Pressão hidrostática e oncótica da matriz extracelular (PHm e POm) → em condições normais são muito pequenas, mas podem aumentar com o aumento do líquido intersticial. o O edema se desenvolve em um contexto de fluxo constante de fluidos do espaço intravascular para o intersticial. Esta alteração associa-se aos seguintes eventos: (a) Aumento na pressão hidrostática intracapilar; (b) Drenagem linfática inadequada; (c) Redução na pressão oncótica do plasma; (d) Dano à barreira endotelial capilar; (e) Aumento na pressão oncótica do espaço intersticial. Força de filtração ou força de reabsorção = (PHs – PHm) – (POp – POm). o Lado arterial dos capilares: PHs é maior que a POp. Pressões na MEC são muito menores o que as do sangue. A equação acima revela força positiva, que corresponde à força de filtração do plasma para a matriz extracelular. o Lado venoso dos capilares: PHs é menor que a POp, resultando em força de reabsorção que força o líquido a retornar para a circulação sanguínea. o A pressão hidrostática é influenciada pela intermitência da abertura dos esfíncteres pré-capilares: • Quando se fecham a PHs se reduz, facilitando a reabsorção. • Quando estão abertos predomina a filtração. o A força de filtração gera filtrado composto de água, eletrólitos e pequenas moléculas orgânicas (carboidratos simples, aminoácidos, ácidos graxos etc), que atravessam os espaços interendoteliais juntamente com a água. Macromoléculas podem passar em pequena quantidade através de poros endoteliais e transcitose, entretanto, são reabsorvidas pelos vasos linfáticos, que possuem parede fenestrada e poros endoteliais. o Os vasos linfáticos apresentam pressão negativa em seu interior e presença de válvulas, fatores que permitem a drenagem do líquido em excesso e o carreamento de macromoléculas livres no líquido intersticial. o Macromoléculas da matriz extracelular podem passar para os vasos sanguíneos através de mecanismos de transporte ativo ou facilitado através da parede capilar ou de poros endoteliais. o O líquido acumulado na MEC ou nas cavidades pode ser de dois tipos: • Transudato → líquido constituído por água e eletrólitos, pobre em células e proteínas. É encontrado em edemas ocasionados por desequilíbrio das forças de Starling, acarretando volume de filtração superior à capacidade de reabsorção dos capilares sanguíneos e linfáticos. • Exsudato → líquido rico em proteínas e/ou células inflamatórias. É formado quando a permeabilidade vascular está aumentada, o que ocorre nas inflamações, traumatismos na microcirculação e em vasos malformados de neoplasias. o O edema pode ser localizado ou generalizado (anasarca). o Quando o edema ocorre em cavidades, o líquido é um transudato com aspecto citrino. o Edema na matriz extracelular provoca sua expansão, acarretando aumento de volume da região edemaciada. A consistência do tecido edemaciado varia de acordo com o tipo de líquido acumulado: 1 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica Nathalia Braga Pereira • Se transudato: tecido fica mais mole, facilmente compressível. • Se exsudato: área afetada com consistência mais firme e menos compressível. o Pele edemaciada: o líquido pode se acumular na matriz extracelular da derme e do subcutâneo → a compressão digital resulta em depressão que demora a voltar ao normal, caracterizando o sinal do cacifo. o Microscopicamente: expansão da matriz extracelular evidenciada pela separação das células e dos componentes fibrosos da matriz. o Edema pulmonar: o líquido acumula-se primeiramente nos septos alveolares, caracterizando o edema intersticial. Se a causa persistir, o líquido preenche os alvéolos (edema alveolar). Redução do volume arterial efetivo o Em alguns tipos de edema o volume efetivo do sangue arterial, que perfunde efetivamente os tecidos, encontra- se reduzido. Este achado pode ser consequência de uma redução de débito cardíaco e/ou da resistência vascular sistêmica, por acúmulo de sangue nas veias esplâncnicas e por hipoalbuminemia. Nesse contexto, a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona promove retenção de sódio e, consequentemente, de água, restabelecendo o volume arterial efetivo e intensificando o edema. Fatores renais e SRAA o A redução do fluxo sanguíneo renal estimula as células granulares justaglomerulares renais, localizadas ao redor da arteríola aferente, a liberarem renina. A renina é uma enzima que atua convertendo o angiotensinogênio em angiotensina I. Esta última é convertida em angiotensina II pela enzima conversora de angiotensina (ECA). o A angiotensina II apresenta propriedades vasoconstritoras generalizadas, principalmente nas arteríolas eferentes renais, o que diminui a pressão hidrostática nos capilares peritubulares favorecendo a reabsorção. A vasoconstrição da arteríola eferente também promove aumento da taxa de filtração no glomérulo, o que eleva a POp nos capilares glomerulares e, consequentemente,a reabsorção de sal e água nos túbulos proximais e no ramo ascendente da alça de Henle. 2 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 Nathalia Braga Pereira o A ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) aumenta a reabsorção de sódio e água pelo túbulo coletor através do estímulo à produção de aldosterona pelo córtex da suprarrenal, contribuindo para a formação do edema. → Bloqueio da conversão de angiotensina I em angiotensina II e o bloqueio do receptor de AII aumentam a excreção de sódio e água, reduzindo vários tipos de edema. Antagonistas da aldosterona (espironolactona ou eplerona) ou bloqueador dos canais epiteliais de sódio (amilorida) induzem diurese moderada nos estados edematosos. Arginina-vasopressina o A hipófise posterior secreta arginina-vasopressina (AVP) em resposta ao aumento da concentração osmolar intracelular. A AVP aumenta a reabsorção de água nos túbulos distais e ductos coletores renais. o Em pacientes com insuficiência cardíaca, a redução do volume arterial efetivo e a diminuição da complacência do átrio esquerdo aumentam a liberação de AVP. Dessa forma, esses pacientes não apresentam diminuição de AVP circulante em resposta à redução da osmolalidade, contribuindo para a formação de edema e hiponatremia. Endotelina-1 o É um vasoconstritor liberado pelas células endoteliais. Em pacientes com insuficiência cardíaca grave sua concentração plasmática é elevada, o que acarreta vasoconstrição renal e aumento da reabsorção de água e sódio. Peptídeos natriuréticos o Distensão atrial promove liberação do peptídeo natriurético atrial (ANP), que é armazenado em grânulos secretórios nos miócitos atriais. o O pré-pró-hormônio peptídeo natriurético cerebral (BNP) é armazenado nos miócitos ventriculares, sendo liberado quando a pressão diastólica ventricular aumenta. o ANP e BNP possuem o mesmo precursor. Se ligam ao receptor A-natriurético promovendo: • Excreção de sódio e água pelo aumento da taxa de filtração glomerular. • Inibição da reabsorção de sódio no túbulo proximal; • Inibição da liberação de renina e aldosterona. • Dilatação das arteríolas e vênulas antagonizando o efeito vasocontritor da angiotensina II, AVP e estimulação simpática. o Na insuficiência cardíaca e na cirrose com ascite ocorre aumento dos níveis circulantes de ANP e BNP, entretanto, esses peptídeos natriuréticos não são potentes o suficiente para prevenir a formação de edema. Nos estados edematosos pode ocorrer aumento da resistência às ações de peptídeos natriuréticos. CAUSAS CLÍNICAS DO EDEMA 1) EDEMA GENERALIZADO o Em geral, o ganho ponderal de vários quilos precede a manifestação clínica do edema generalizado. o Deriva de distúrbios cardíacos, renais, hepáticos ou nutricionais. o O edema pode ser generalizado desde o seu início, ou começar como um edema localizado que posteriormente se generaliza. 1.1) Insuficiência cardíaca o A insuficiência cardíaca direita é acompanhada de edema, que inicialmente é localizado nos membros inferiores, mas que tende a se generalizar sendo acompanhado de hidropericárdio, hidrotórax e ascite, resultando em anasarca. Mecanismo de generalização o A gênese do edema cardíaco está na redução do débito cardíaco em decorrência da falência do miocárdio. Consequentemente, ocorre aumento da pressão venosa sistêmica e redução simultânea do volume arterial efetivo (enchimento deficiente do leito vascular arterial). o O aumento da pressão venosa sistêmica acarreta distúrbio das forças de Starling nos capilares periféricos, prevalecendo a pressão hidrostática no interior dos vasos, que estimula a filtração (saída de líquido e íons para o interstício). o A perda de líquido no interior dos vasos reduz o retorno venoso, o que diminui o débito cardíaco e, consequentemente, a pressão de pulso nas arteríolas aferentes dos glomérulos. As células granulares justaglomerulares renais, localizadas ao redor da arteríola aferente, são estimuladas a liberar renina. o A ativação do SRAA acarreta liberação de aldosterona pelo córtex da suprarrenal. Ela atua nos túbulos renais aumentando a reabsorção de sódio, que estimula a retenção de água na circulação renal e aumenta a osmolalidade plasmática. Este último efeito é percebido pelos neurônios osmorreceptores do hipotálamo, que estimulam a liberação do hormônio antidiurético (ADH). O aumento da reabsorção de sódio também eleva a concentração deste eletrólito no interstício, aumentando a osmolaridade e a retenção de água. o O ADH atua nos túbulos renais aumentando a reabsorção de água, que pode levar à diluição do sódio plasmático (hiponatremia) o Desta forma, o organismo, ao tentar recuperar a volemia, agrava o edema, uma vez que o desequilíbrio das forças de Starling permanece e o líquido tecidual tende a aumentar. 3 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica Nathalia Braga Pereira Clínica o É um edema gravitário em decorrência da pressão venosa elevada nas extremidades, portanto, acentua-se com a ortostase, no decorrer do dia → edema vespertino. Ocorre melhora do edema ao decúbito, uma vez que a posição horizontal do corpo favorece o retorno venoso, diminuindo a pressão venosa periférica. o O diagnóstico de insuficiência cardíaca em um paciente com edema generalizado se dá pelos seguintes aspectos: (1) História de dispneia progressiva, com início aos grandes esforços culminando com ortopnéia; (2) Episódios de dispneia paroxística noturna; (3) Queixas de nictúria, hemoptise, tosse ou cianose; (4) Antecedentes pessoais de doenças cardíacas (chagas, doença isquêmica do miocárdio, miocardiopatia, hipertensão arterial e febre reumática etc.); (5) Achados do exame físico: taquicardia com ritmo de galope, 3ª bulha, desvio do ictus cordis, estase jugular, estertores pulmonares crepitantes, derrame pleural e hepatomegalia. Achados laboratoriais o Razão entre nitrogênio ureico e creatinina elevada comum. o Sódio sérico geralmente reduzido. o Peptídeos natriuréticos elevados. 1.2) Edema renal Edema nefrítico o Nas síndromes nefríticas agudas, que se manifestam com edema, hematúria e hipertensão, a gênese do edema se dá pela redução da taxa de filtração glomerular. A gravidade do edema é diretamente proporcional à redução da TFG, pois esta reduz a carga filtrada de sódio. Dessa forma, o sódio chega em pequena quantidade nos segmentos distais do néfron, o que estimula o aumento da reabsorção deste íon. o A retenção de sódio também promove retenção de água. Consequentemente, observa-se expansão do volume extracelular acarretando edema e hipertensão arterial. o A restrição dietética de sódio pode impedir a formação do edema, pois há equilíbrio entre a ingestão e a baixa excreção de sódio. o Nos casos de insuficiência renal aguda pode haver ou não formação de edema. Pacientes com esta condição geralmente estão em estado crítico, sujeitos a infusão de grandes volumes de líquidos ricos em sódio por via parenteral. Desta forma, pode ocorrer expansão do volume extracelular, aumento da pressão hidrostática do capilar e edema. Edema nefrótico – Síndrome nefrótica o A síndrome nefrótica pode ocorrer no curso de várias doenças renais, incluindo a glomerulonefrite,glomeruloesclerose diabética e reações de hipersensibilidade. o A lesão da membrana basal glomerular e/ou dos pedicelos das células epiteliais glomerulares acarreta aumento da permeabilidade glomerular às macromoléculas. Nesse contexto, proteínas plasmáticas são filtradas e excretadas em grande quantidade na urina (proteinúria). Clinicamente observa-se urina espumosa e edemas. o Na síndrome nefrótica, a hipoproteinemia deriva da proteinúria e do aumento do catabolismo da albumina. Dessa forma, ocorre redução da POp, que diminui a reabsorção do fluido intersticial na extremidade venosa do capilar, induzindo à formação do edema. Além disso, a redução da POp pode provocar redução do volume intravascular, que pode levar à redução do débito cardíaco e, consequentemente, da perfusão renal. Nesse sentido, ocorre ativação do SRAA, reduzindo a excreção renal de sódio, que passa a se acumular promovendo retenção de água. o A redução do volume plasmático ou a queda da PA podem estimular a liberação do hormônio antidiurético, que induz a retenção de água e hiponatremia (diluição do sódio plasmático). Consequentemente, haverá maior retenção de sódio e água pelos túbulos renais. 4 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 Nathalia Braga Pereira o Atividade antidiurética intensa pode promover retenção de água livre de solutos, que acarreta diluição do sódio e das proteínas plasmáticas culminando em hiponatremia e diminuição da POp, estímulos para a formação do edema. Clínica o O edema renal é caracterizado pela localização facial, com presença de edema palpebral. É matinal, com tendência à diminuir no decorrer do dia. Entretanto, com o passar das horas, o edema passa a predominar nos membros inferiores, correspondendo a um edema vespertino. o Pacientes nefróticos com albumina plasmática muito baixa podem apresentar edema generalizado, intenso e extenso (anasarca). Podem também cursar com derrames cavitários. Achados laboratoriais (1) Proteinúria (≥ 3,5 g/dia); (2) Hipoalbuminemia; (3) Hipercolesterolemia; (4) Hematúria microscópica. 1.3) Edema na hipoproteinemia o Condições que cursam edema por hipoproteinemia: cirrose e outras hepatopatias que reduzem a síntese de albumina, desnutrição proteico-energética grave e perda excessiva de albumina nas fezes ou na urina (síndrome nefrótica). o O processo cirrótico é uma resposta hepática a diversos tipos de agressão, que leva à fibrose e regeneração nodular do fígado, afetando a função hepática pelos seguintes mecanismos: (1) As lesões celulares alteram o funcionamento dos hepatócitos comprometendo a síntese de albumina. (2) Destruição da arquitetura lobular, canalicular e vascular dificultando o fluxo sanguíneo e linfático nos sinusóides hepáticos. Nesse sentido, ocorre aumento da pressão no território venoso (portal) e linfático (intra-hepático), caracterizando a hipertensão portal. A circulação colateral venosa surge como uma tentativa de aliviar a pressão no sistema porta, acarretando aprisionamento de sangue no território mesentérico. O sangue represado neste sistema prejudica o enchimento vascular arterial, causando redução do volume efetivo de sangue arterial. Além disso, a hipoalbuminemia reduz a pressão oncótica do plasma e, consequentemente, diminui a reabsorção de fluidos intersticiais, que se acumulam de forma sistêmica. A retenção de líquidos nos tecidos diminui a volemia, o que ativa o SRAA, contribuindo para agravar o edema. (3) Formação de shunts arteriovenosos. A insuficiência hepática é acompanhada de vasodilatação em decorrência da redução do metabolismo de várias substâncias vasodilatadoras, e do aumento da síntese de óxido nítrico. A redução da resistência vascular periférica reduz o volume efetivo de sangue arterial e, consequentemente, promove a retenção renal de água e sódio por meio da ativação do SRAA e do estímulo à hiperatividade simpática. o A hipertensão portal aumenta a PHs no leito esplâncnico, tornando-o mais vulnerável à hipoalbuminemia, que acarreta transudação de líquidos para a cavidade peritoneal, induzindo ascite. 5 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica Nathalia Braga Pereira Achados laboratoriais o Quando grave: reduções na albumina sérica, colesterol, outras proteínas hepáticas (transferrina, fibrinogênio). o A depender da causa e intensidade da lesão hepática: enzimas hepáticas elevadas. o Tendência à hipopotassemia, alcalose respiratória. o Macrocitose por deficiência de folato. 1.4) Edema por mecanismos complexos e pouco conhecidos Dengue hemorrágica e síndrome do choque da dengue o Ocorre perda considerável de plasma para a matriz extracelular. Provavelmente o endotélio é agredido por anticorpos de reação cruzada, induzindo aumento dos poros endoteliais e facilitando a saída de plasma. Edema das alturas; Edema pulmonar neurogênico o Acredita-se haver forte estimulação simpática, que acarreta aumento do fluxo sanguíneo pulmonar e redução na complacência do ventrículo esquerdo, o que eleva a PHs da microcirculação pulmonar e, consequentemente, a saída de líquido do espaço intravascular para o interstício. Edema por dose elevada de heroína 1.5) Edema induzido por fármacos o Os mecanismos são: vasoconstrição renal (AINEs e ciclosporina), dilatação arteriolar (vasodilatadores), aumento da reabsorção renal de sódio (hormônios esteroides) e lesão capilar. 2) EDEMA LOCALIZADO 2.1) Edema por aumento da permeabilidade vascular o Ocorre em inflamações agudas. Os mediadores inflamatórios aumentam a permeabilidade vascular principalmente das vênulas, ocorre, portanto, a passagem de macromoléculas para o interstício, reduzindo a POs. Consequentemente, ocorre aumento da passagem de água do meio intravascular para o interstício e formação do edema. o O edema das inflamações agudas é formado por exsudato rico em proteínas e células. o Edemas inflamatórios causados por agressões que induzem rápida liberação de mediadores de vasodilatação, como ocorre em queimaduras, traumatismos físicos, reações alérgicas ou picadas de inseto, instalam-se rapidamente e formam exsudatos pobres em células, por isso são mais moles e compressíveis do que aqueles provocados por agressões que induzem grande exsudação celular e de fibrina (é responsável pelo aumento da consistência dos edemas). o Edema angioneurótico → caráter hereditário. Localiza-se em lábios, pavilhão auricular e glote. Surge rapidamente após exposição a um alérgeno, mas a reação não é mediada por IgE. Esses pacientes apresentam deficiência congênita do inibidor do C1 do complemento. O C1, uma vez não inibido, ativa o C4 e o C2, com liberação de C2a, que produz aumento da permeabilidade vascular. 2.2) Edema por aumento da PHs 6 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 Nathalia Braga Pereira o É provocado pelo aumento da pressão intravascular em veias e vênulas, pode ser localizado ou generalizado. o Na forma localizada, o edema decorre de uma obstrução de veias por trombos ou compressãoextrínseca, ou por insuficiência de válvulas venosas (como em varizes). o A obstrução venosa acarreta hiperemia passiva e edema do território drenado. O aumento da pressão venosa leva à sobreposição da PHs sobre a POp. Se a circulação linfática não conseguir drenar o excesso de líquidos no interstício, ocorre acúmulo de transudato pobre em proteínas caracterizando edema compressível com sinal de cacifo evidente. 2.3) Edema por redução da drenagem linfática o Obstrução de vasos linfáticos gera edema na região drenada pelos vasos obstruídos. o Outros mecanismos: colapso do vaso linfático por destruição de fibras de MEC em decorrência da liberação de enzimas hidrolíticas durante o processo inflamatório; aumento da permeabilidade dos vasos linfáticos. o O edema linfático tem as seguintes características: • É mais duro, pois há acúmulo de proteínas na matriz extracelular, uma vez que não são drenadas pelo sistema linfático. • O edema linfático evolui com deposição de matriz extracelular estimulada por proteínas acumuladas, por isso é comum a formação de fibrose nos territórios acometidos por edema linfático crônico. o Nos membros inferiores, o linfedema crônico aumenta o volume, a espessura e a consistência da pele, que se torna dura e pregueada. Denomina-se elefantíase o aumento exagerado dos órgãos acometidos pelo linfedema crônico. o Os vasos linfáticos podem ser obstruídos nos seguintes contextos: (1) Surtos sucessivos de paniculites bacterianas de membros inferiores (erisipela) seguidos por reparo cicatricial. (2) Infiltração neoplásica → responsável pelo clássico aspecto “em casca de laranja” do linfedema cutâneo no carcinoma inflamatório de mama. (3) Tratamento de neoplasias malignas → retirada de linfonodos regionais. Ex.: linfedema de braço em mulheres após mastectomia com retirada de linfonodos axilares para tratamento de carcinoma da mama. (4) Tratamento radioterápico → causa bloqueio linfático por inflamação actínica com fibrose intensa, que comprime e atrofia os vasos linfáticos. (5) Parasitos no interior de vasos linfáticos (Ex.: filariose). ASPECTOS SEMIOTÉCNICOS o Na anamnese deve-se indagar sobre o tempo de duração, localização e evolução. o No exame físico, os seguintes parâmetros devem ser investigados: • Localização e distribuição; • Intensidade; • Consistência; • Elasticidade; • Temperatura da pele circunjacente; • Sensibilidade da pele circunjacente; • Outras alterações da pele 1) Localização e distribuição o Primeiramente deve-se distinguir se o edema é localizado ou generalizado. A localização mais frequente do edema é nos membros inferiores. Entretanto, deve-se investigar a face, principalmente as regiões subpalpebrais, e região pré-sacra, particularmente nos pacientes acamados, recém-natos e lactentes. 2) Intensidade o A intensidade é determinada pela compressão firme e sustentada, utilizando a polpa digital do polegar, de encontro a uma estrutura rígida, como a tíbia, o sacro ou os ossos da face. Se houver edema, será observada uma depressão (fóvea) no local comprimido ao retirar o dedo. o A intensidade é traduzida pela profundidade da fóvea, que deve ser graduada em cruzes. Outros métodos de avaliação: o Pesar o paciente diariamente 1X/dia, pela manhã ou à noite. Variações muito acentuadas do peso indicam retenção ou eliminação de água. Todo paciente que apresenta edema deve ser pesado diariamente. o Medir o perímetro da região edemaciada em dias sucessivos comparando com o lado não afetado. 3) Consistência o É avaliada com a mesma técnica utilizada para investigar a intensidade. Pode ser definida como o grau de resistência encontrado ao se comprimir a região edemaciada. o Edema mole: facilmente depressível. Traduz retenção hídrica. o Edema duro: observa-se maior resistência para obter a formação da fóvea. Traduz existência de proliferação fibroblástica, que ocorre nos edemas de longa duração ou que se acompanham de repetidos surtos inflamatórios. 4) Elasticidade o É indicada pelo retorno da pele à posição normal quando se termina a compressão. o Edema elástico: a pele retorna imediatamente (< 15 seg) à posição normal. É típico dos edemas inflamatórios. o Edema inelástico: a pele comprimida demora (> 15 seg) a voltar à posição normal. 5) Temperatura da pele 7 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica Nathalia Braga Pereira o Temperatura normal: frequentemente a temperatura da região edemaciada não se altera. o Pele quente: edema inflamatório. o Pele fria: traduz comprometimento da irrigação sanguínea da área edemaciada. 6) Sensibilidade o Edema doloroso → inflamatório. 7) Outras alterações da pele o Coloração: • Palidez → edemas que se acompanham de transtorno da irrigação sanguínea. • Cianose → indica perturbação venosa localizada. • Eritema → processo inflamatório. o Textura e espessura: • Pele lisa e brilhante acompanha o edema recente e intenso. • Pele espessa é identificada nos pacientes com edema de longa duração. • Pele enrugada surge quando o edema está sendo eliminado. Edema renal o Edema generalizado, predominantemente facial, que se acumula principalmente nas regiões subpalpebrais. Esse achado se torna mais evidente no período matutino. o Sd. Nefrótica → edema intenso (+++ a ++++) frequentemente acompanhado de derrames cavitários. o Sd. Nefrítica e pielonefrite → edema discreto ou moderado (+ a ++). o O edema renal é mole, inelástico, indolor, a pele adjacente mantém temperatura normal ou discretamente reduzida. Insuficiência cardíaca congestiva o O edema é um dos sinais cardeais da ICC. Caracteriza-se por ser generalizado, predominando nos membros inferiores. É mais observado no período da tarde após o paciente manter ortostase por períodos prolongados, por isso, diz-se que é vespertino. o O edema cardíaco varia de intensidade (+ a ++++), é mole, inelástico, indolor, e a pele adjacente pode apresentar-se lisa e brilhante. Cirrose hepática o O edema é generalizado, mas frequentemente discreto (+ a ++). Predomina nos membros inferiores e, geralmente, associa-se à ascite. É mole, inelástico e indolor. Edema da desnutrição proteica o É generalizado, predominando nos membros inferiores. É mole, inelástico, indolor e geralmente não é de grande intensidade (+ a ++). Edema alérgico o O principal fator relacionado à sua formação é o aumento da permeabilidade capilar. A reação antígeno-anticorpo induz a liberação de histamina e cininas, que agem no capilar sanguíneo alterando sua permeabilidade, permitindo a passagem de água do meio intravascular para o interstício. o O edema pode ser generalizado, mas costuma restringir- se a algumas áreas, principalmente a face. Instala-se de forma rápida e súbita, por este motivo, a pele se torna lisa e brilhante, podendo apresentar-se com aumento de temperatura e coloração avermelhada. É um edema mole e elástico. Edema medicamentoso o Predomina nos membros inferiores, mas, quando é mais intenso, pode ser facial. Edema localizado o Principais causas: varizes, flebites e trombose venosa, processos inflamatórios, afecções dos linfáticos e postura. o Edema varicoso: localiza-se nos membros inferiores, predominando em uma ou outra perna, acentua-se com a ortostase prolongada, não é muito intenso (+ ou ++), inicialmente é de consistência mole, mas nos casos mais crônicos torna-se mais endurecido, é inelástico.Com a progressão do quadro, a pele adquire tonalidade castanha ou mais escura, podendo tornar-se espessa e de textura mais grosseira. o Edema da trombose venosa: mole, pode ser intenso, a pele geralmente está pálida. o Edema da flebite: localizado, intensidade leve a mediana (+ a ++), elástico, doloroso, pele adjacente se apresenta lisa, brilhante, vermelha e quente. o Edema postural: acomete os membros inferiores de indivíduos em ortostase, ou com as pernas pendentes (longas viagens) por longos períodos. É localizado, discreto (+ a ++), mole, indolor e desaparece ao decúbito. 8 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 INSUFICIÊNCIA CARDÍACA o É uma síndrome clínica marcada pela incapacidade cardíaca de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas tissulares, ou só o faz sob condições de elevadas pressões de enchimento. Pode ser causada por anormalidades na função sistólica ou diastólica ou em ambas. o Os sinais e sintomas típicos desta condição são gerados pela redução do débito cardíaco e/ou pelas elevadas pressões de enchimento no repouso ou no esforço. EPIDEMIOLOGIA o Estima-se que a incidência de IC seja de aproximadamente 10 casos/1000 habitantes após os 65 anos, sendo que 75% dos pacientes com IC têm antecedente de hipertensão. o Aos 40, o risco de desenvolver IC para homens e mulheres é de 1:5, já acima dos 80 anos, é de 20%. o Aos 40, o risco de morrer de IC para quem não tem antecedente de infarto é de 1:9 para homens e 1:6 para mulheres. o Globalmente, cerca de 50% das pessoas diagnosticadas com IC morrerão dentro de 5 anos. o Essa enfermidade predomina em homens e idosos. o Estudo realizado no RJ apontou maior prevalência da IC com fração de ejeção preservada em mulheres com idade média de 61 anos, e maior prevalência da IC com fração de ejeção reduzida em homens, estando mais associada ao edema, doença coronariana, insuficiência renal crônica, uso de álcool, cigarro e hospitalizações. FISIOPATOLOGIA o É uma enfermidade progressiva, desencadeada pela lesão do músculo cardíaco, com consequente perda de massa muscular ou redução da contratilidade do miocárdio. O evento que gera a lesão (estresse parietal exagerado, alteração de pressões de enchimento e/ou perda de músculo cardíaco) pode ser clinicamente silencioso e insidioso, como uma cardiomiopatia hereditária ou adquirida, ou agudo e fulminante como a perda de grande massa muscular por infarto agudo do miocárdio. o Mesmo após a instalação da disfunção cardíaca, a maioria dos pacientes pode permanecer assintomática em decorrência da ativação de mecanismos adaptativos neuro-hormonais, como o sistema renina-angiotensina- aldosterona e sistema nervoso simpático. o Em longo prazo, outro mecanismo adaptativo desenvolvido por fatores neuro-hormonais, mecânicos e genéticos é o remodelamento ventricular, que, posteriormente, contribui para a deterioração da disfunção miocárdica. o A expressão clínica da IC se dá mediante falência dos mecanismos adaptativos. (1) Ativação neuro-hormonal o Na insuficiência cardíaca, independentemente da causa, ocorre queda do volume circulante efetivo, que é detectada pelo sistema barorreceptor renal e extrarrenal, acarretando ativação de agentes vasoconstritores e retenção de sódio. (2) Sistema renina-angiotensina-aldosterona o Inicialmente, a ativação do SRAA na IC é benéfica, uma vez que auxilia na manutenção do débito cardíaco. Entretanto, torna-se maléfica a longo prazo pela estimulação do remodelamento ventricular. o Há aumento da produção e liberação de renina. Consequentemente, observa-se aumento da Insuficiência cardíaca esquerda o É a mais comum. o A pressão venosa pulmonar aumenta. Dessa forma, a pressão capilar pulmonar excede a pressão oncótica, processo este que acarreta extravasamento líquido dos capilares para o espeço intersticial e alveolar. o Crepitações pulmonares, dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna. Insuficiência cardíaca direita o Geralmente secundária à insuficiência cardíaca esquerda. o Pode ser ocasionada por doenças pulmonares. o A pressão venosa sistêmica aumenta, gerando extravasamento de líquido e edema, principalmente nos tecidos dependentes (pés e tornozelos) e vísceras abdominais (ascite, fígado, estômago e intestino). o Edema de MMII, hepatomegalia, estase jugular, ascite, refluxo abdomino-jugular. 9 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica concentração de angiotensina II, um peptídeo que atua nos receptores AT1 e AT2, sendo a maior afinidade pelo AT1, que é responsável pelas principais ações no coração, nos vasos, nos rins e no cérebro. o Ações da angiotensina II: • Vasoconstrição → promove a morte celular; • Atua juntamente com o sistema nervoso simpático elevando a resistência vascular; • Aumenta a liberação de noradrenalina pelo SNS; • Estimula a secreção de aldosterona pela suprarrenal. • Juntamente com a aldosterona estimula a proliferação de fibroblastos, induzindo a fibrose tanto intersticial como perivascular. (3) Sistema nervoso autônomo o Na IC, em decorrência da queda da pressão arterial ou da diminuição do volume sistólico, ocorre menor estiramento dos mecanorreceptores situados no arco aórtico, nas artérias carótidas, nas arteríolas aferentes renais e no ventrículo esquerdo. Consequentemente, a inibição do sistema nervoso autônomo diminui e ocorre ativação das vias eferentes simpáticas, promovendo vasoconstrição periférica, aumento da contratilidade cardíaca e taquicardia. o A vasoconstrição periférica permite o redirecionamento de sangue para áreas nobres, como o cérebro e coração. o Efeitos deletérios da vasoconstrição generalizada: • Aumento da resistência vascular sistêmica; • Aumento da pós-carga ao ventrículo esquerdo, sobrecarregando-o; • Hipoperfusão da musculatura esquelética, levando ao metabolismo anaeróbico com consequente produção de ácido lático, que gera fraqueza e fadiga. • Hipoperfusão esplâncnica, que promove retenção de nitrogênio e sódio; • Disfunção hepática e isquemia mesentérica; o Hiperativação simpática promove diminuição tanto no número quanto na sensibilidade dos receptores beta-1- adrenérgicos miocárdicos, o que faz com que o miocárdio apresente resposta cada vez menor ao estímulo adrenérgico. o Aumento da concentração de noradrenalina pode contribuir para a hipertrofia e apoptose das células miocárdicas. (4) Vasopressina arginina o É um hormônio hipofisário liberado sob condições de elevação da osmolaridade plasmática. Está associado com o aumento dos níveis de renina e catecolaminas, que estimulam a secreção da vasopressina pela neuro- hipófise. o Nos pacientes com IC, este hormônio encontra-se constantemente elevado apesar da osmolaridade normal ou baixa. É liberado pelo estímulo dos barorreceptores arteriais que “percebem” a redução do enchimento do leito arterial. o A vasopressina acarreta vasoconstrição periférica, retenção de água livre e, consequentemente, hiponatremia dilucional. (5) Endotelina o Peptídeo vasoconstritor liberado pelas células endoteliais. Atua ligando-se aos receptores de endotelina tipo A, que causam vasoconstrição da musculatura lisa. o Sua produção é estimulada pela angiotensina II, a noradrenalina, a vasopressina arginina e a IL-1. o Estimula o crescimento e atua no remodelamento cardíaco. (6) Peptídeos natriuréticos o Existem 3 peptídeos natriuréticos: • Peptídeo natriurético atrial (ANP); • Peptídeo natriurético cerebral (BNP); • Peptídeo natriurético tipo-C → regulador local do tônusvascular. o O ANP é sintetizado nos átrios e liberado em resposta à distensão deles. o O BNP é sintetizado primariamente nos ventrículos e secretado sob condições de sobrecargas pressórica ou volumétrica. o Tanto o ANP quanto o BNP estão elevados na IC, mas o BNP se correlaciona melhor com o grau da IC. Funções: ➔ Vasodilatadora e natriurética. Entretanto, sua ação não é suficiente para se opor à vasoconstrição e à retenção hidrossalina na IC. o Nos rins, promovem vasodilatação da arteríola aferente e vasoconstrição da eferente, portanto, aumentam a pressão capilar e a TFG. o Atuam nas células mesangiais e aumentam a superfície de filtração. 10 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o Nos túbulos proximais: Inibem o efeito estimulatório nas bombas de Na+/H+. o No túbulo distal: atuam na bomba de Na+. o Nos túbulos coletores: atuam nos canais de Na+. o Inibem a ação vasoconstritora do SNS, SRAA, AVP e endotelina. o Agem no SNC modulando o tônus vasomotor, a sede e a liberação de AVP. (7) Neprilisina o É uma enzima responsável pela degradação dos peptídeos natriuréticos vasoativos. (8) Citocinas pró-inflamatórias o A IC é um estado de ativação imune e inflamação persistente, que se caracteriza pelo aumento dos níveis de várias citocinas pró-inflamatórias, como o TNF-alfa, a IL-1 e a IL-6. o A ativação imune na IC pode se dar por 2 mecanismos: • Estimulação antigênica direta, como ocorre na miocardite e no transplante cardíaco. • Secundariamente a lesão cardíaca, que expõe novos antígenos capazes de estimular uma resposta imune contra o tecido cardíaco, o que ocorre no infarto do miocárdio. o TNF-alfa, juntamente com a IL-1, IL-6 e IFN-gama associam-se à caquexia cardíaca e à miopatia esquelética. (9) Remodelamento cardíaco o A transição do quadro assintomático para IC sintomática acompanha-se de ativação crescente dos sistemas neuro- hormonal, adrenérgico e das citocinas, que levam à diversas alterações adaptativas em tamanho, forma e função do miocárdio, conhecidas como remodelamento do VE. o Trata-se de um processo inicialmente adaptativo, que visa manter a força contrátil e preservar o estresse da parede. Entretanto, com a progressão da degeneração miocárdica, esse processo contribui para a piora da IC. o É estimulado, primariamente, pelo estiramento mecânico, mas fatores inflamatórios e neuro-hormonais também contribuem. o É marcado pelas seguintes alterações: (1) hipertrofia de miócitos; (2) alterações das propriedades contráteis dos miócitos; (3) perda progressiva de miócitos em razão de necrose, apoptose e morte celular autofágica; (4) dessensibilização β-adrenérgica; (5) alterações energéticas do miocárdio e no metabolismo; e (6) reorganização da matriz extracelular com dissolução da estrutura organizada da trama do colágeno ao redor dos miócitos e substituição subsequente por matriz de colágeno intersticial incapaz de prover suporte estrutural aos miócitos. o A hipertrofia miocárdica ocorre pelo aumento de miofibrilas e mitocôndrias. A depender do tipo de estímulo recebido, o remodelamento ventricular pode ocorrer de duas maneiras: • Sobrecarga pressórica → estimula o remodelamento ventricular concêntrico, caracterizado pelo aumento da massa em relação ao volume ventricular → ICFEp • Sobrecarga volumétrica → estimula o remodelamento ventricular excêntrico, com maior aumento do volume ventricular em relação à massa → ICFEr. o O interstício cardíaco também é afetado pelos estímulos mecânicos, inflamatórios e neuro-hormonais que atuam nos miócitos. A fibrose intersticial provoca rigidez miocárdica e heterogeneidade mecânica e elétrica, o que propicia a instalação de arritmias e distúrbios de condução com deterioração das funções sistólica e diastólica. o Morte celular promove a perda de massa contrátil, com consequente hipertrofia das células miocárdicas e fibrose reparativa. A apoptose pode ser induzida por diversos fatores, dentre eles a isquemia, estiramento mecânico, estresse da parede, estimulação neuro-hormonal e citocinas. (10) Regeneração do tecido cardíaco o Em um contexto de injúria cardíaca, células do miocárdio são continuamente substituídas por novas populações CARDIOMIOPATIA CHAGÁSICA o A patogênese das lesões da doença de Chagas é explicada por duas teorias: (1) As lesões resultam da ruptura mecânica das células parasitadas com consequente desenvolvimento de processo inflamatório. (2) A agressão celular deriva de um processo autoimune baseado na reatividade cruzada entre o parasita e o hospedeiro, que é secundária ao mimetismo molecular entre antígenos do T. cruzi e células do hospedeiro. o A resposta inflamatória na doença de Chagas promove alterações microcirculatórias, deformações da matriz cardíaca e falência cardíaca. o Pacientes com boa resposta imunológica são capazes de conter a infecção e evoluir para a forma cardíaca indeterminada, caracterizada pela presença do parasita e ausência de manifestações relacionadas a lesões cardíacas ou digestivas. o Pacientes com resposta imunológica deficiente e/ou parasitemia elevada podem apresentar processo inflamatório intenso com lesão das células miocárdicas. 11 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica recém-formadas de miócitos, células musculares lisas vasculares e endoteliais. Células tronco cardíacas multipotentes detém a capacidade de se diferenciarem em diversas linhagens do miocárdio mantendo a homeostase cardíaca. o Quando há aumento da perda celular, as células-tronco são recrutadas em maior número. A progressão da disfunção ventricular ocorre por desbalanço entre a morte celular e a capacidade tecidual de regeneração. (11) Disfunção endotelial o Decorre da redução da produção do óxido nítrico (NO) e/ou de sua inativação pelo endotélio. o As principais causas são: aumento da concentração circulante de vários neuro-hormônios (angiotensina II, aldosterona, catecolaminas, endotelina I), expressão exagerada de citocinas pró-inflamatórias (fator de necrose tumoral alfa, IL-1 e 6), aumento da degradação do fator relaxante bradicinina, produção exagerada de radicais livres e lesão celular apoptótica. o Pode estar associada ao aumento crônico da concentração plasmática de sódio, que se liga às glicosaminoglicanas presentes no endotélio de diversos tecidos, alterando sua composição e, consequentemente, a estrutura endotelial, o que acarreta alteração da produção de óxido nítrico e, consequentemente, extravasamento de líquido para o interstício, o que explica o edema. CLASSIFICAÇÃO o A IC é classificada de acordo com a fração de ejeção (preservada, intermediária e reduzida), a gravidade dos sintomas (classificação funcional da New York Heart Association - NYHA), e o tempo e progressão da doença. DE ACORDO COM A FRAÇÃO DE EJEÇÃO o Os pacientes são definidos de acordo com a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE). o FEVE normal (≥ 50%) → IC com fração de ejeção preservada (ICFEp). o FEVE reduzida (< 40%) → IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr). o FEVE entre 40 e 49% → IC com fração de ejeção intermediária. o Pacientes classificados de acordo com a FEVE diferem quanto às principais etiologias da IC, às comorbidades associadas e, principalmente, à resposta terapêutica. DE ACORDO COM A GRAVIDADE DOS SINTOMAS (CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL) o É feita de acordo com a NYHA. o Baseia-se no grau de tolerância ao exercício e varia desde a ausência de sintomas até a presença de sintomas mesmo em repouso. o Pacientes classificados como NYHA III ou IV apresentamcondições clínicas progressivamente piores, internações hospitalares mais frequentes e maior risco de mortalidade. o Pacientes em NYHA II, apesar de apresentem sintomas mais estáveis e internações menos frequentes, podem morrer subitamente sem piora dos sintomas. O tratamento clínico deve ser otimizado da mesma forma que em pacientes com sintomas mais graves. DE ACORDO COM A PROGRESSÃO DA DOENÇA o Baseia-se no desenvolvimento e na progressão da doença. ICFEr o Ocorre depressão da função sistólica do VE em decorrência do prejuízo à capacidade de contração do miócito. o O relaxamento do miocárdio é um processo dependente de ATP, entretanto, a concentração desta molécula está reduzida na isquemia, o que acarreta retardo do relaxamento miocárdico. o Se o enchimento do VE for retardado por redução da complacência (hipertrofia ou fibrose), as pressões de enchimento do VE se manterão elevadas ao final da diástole. o O aumento da FC encurta o tempo de enchimento diastólico, o que pode levar ao aumento das pressões de enchimento do VE, principalmente nos ventrículos não complacentes. A elevação das pressões de enchimento do VE ao final da diástole culmina em aumento da pressão capilar pulmonar, contribuindo para a dispneia. 12 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 ETIOLOGIA o Qualquer condição que leve a alterações na estrutura ou função do ventrículo esquerdo (VE) pode predispor o paciente a desenvolver IC. o Nos países industrializados, a doença arterial coronariana é responsável por 65 a 75% dos casos de IC em homens e mulheres. A hipertensão arterial é a etiologia em 75% dos pacientes, incluindo a maioria dos portadores de doença arterial coronariana. Essas duas etiologias, assim como o diabetes mellito, interagem aumentando o risco de IC. o Em cerca de 20 a 30% dos casos de IC com redução da fração de ejeção, a etiologia não é esclarecida. Nesses casos, os pacientes são referidos como portadores de miocardiopatia dilatada, não isquêmica ou idiopática. o Infecção viral prévia e exposição à toxinas (álcool e quimioterápicos) também podem levar à miocardiopatia dilatada. o Muitos casos de miocardiopatia dilatada são secundários à alterações genéticas, principalmente em genes que codificam proteínas do citoesqueleto. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS o Os principais sintomas de insuficiência cardíaca são fadiga e dispneia. Dispneia o Nos primeiros estágios, a dispneia é observada apenas durante o exercício, entretanto, com a evolução do quadro este sintoma passa estar presente em atividades cada vez menos até, por fim, ocorrer inclusive durante o repouso. o Sua gênese é multifatorial, mais o mecanismo mais importante é a congestão pulmonar com acúmulo de líquidos no interstício ou dentro dos alvéolos, o que ativa os receptores justacapilares, estimulando a respiração rápida e superficial característica da dispneia cardíaca. Outros fatores que podem contribuir para a dispneia aos esforços incluem redução na complacência pulmonar, aumento da resistência nas vias aéreas, fadiga dos músculos ventilatórios e/ou diafragma e anemia. o Ortopneia: corresponde à dispneia que ocorre ao decúbito. Geralmente é uma manifestação mais tardia de IC. • É causada pelo aumento da pressão capilar pulmonar em decorrência do processo de redistribuição de volume da circulação esplâncnica e dos membros inferiores para a circulação central quando o paciente se deita. • A tosse noturna é uma manifestação comum. Geralmente é aliviada quando o paciente senta ou quando dorme recostado sobre muitos travesseiros. o Dispneia paroxística noturna: refere-se à episódios de dispneia e tosse que costumam ocorrer à noite. O paciente é despertado em cerca de 1 a 3 horas após deitar-se em decorrência desses sintomas. • Pode se manifestar na forma de tosse ou de sibilos, provavelmente em decorrência do aumento da pressão nas artérias brônquicas, acarretando compressão das vias aéreas e edema intersticial pulmonar, o que produz aumento da resistência das vias aéreas. • A tosse e o sibilo se mantêm mesmo quando o paciente adota a posição ereta. Respiração de Cheyne-Stokes o Ocorre em 40% dos pacientes com IC avançada. o Geralmente está associada ao baixo débito cardíaco. o É causada pela redução da sensibilidade do centro respiratório à pressão parcial arterial de CO2 e pelo tempo circulatório prolongado. o Observa-se uma fase de apneia, marcada pela queda da pressão parcial arterial de O2 e aumento da pressão parcial arterial de CO2. Essas alterações estimulam o centro respiratório, resultando em hiperventilação e hipocapnia, seguidas de apneia recorrente. EXAME FÍSICO Estado geral e sinais vitais 13 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o IC leve a moderada: paciente não aparenta dor em repouso, exceto se se estiver deitado em posição supina por alguns minutos. o IC grave: paciente pode apresentar dificuldade respiratória ao sentar-se ereto. Tal fato pode ser observado pela incapacidade de terminar frases por estar ofegante. o PAS pode estar normal ou elevada em pacientes com IC inicial. Entretanto, encontra-se reduzida nos casos avançados com disfunção grave do VE. o A pressão de pulso pode estar reduzida, refletindo redução do volume de ejeção sistólico. o Efeitos do aumento da atividade adrenérgica: taquicardia sinusal, vasoconstrição periférica (esfriamento das extremidades e cianose dos lábios e leitos ungueais). Veias jugulares o Permite estimar o valor da pressão atrial direita. o A pressão venosa central deve ser avaliada com o paciente deitado, com a cabeça inclinada a 45°. Pode ser estimada a partir da altura da coluna de sangue venoso acima do ângulo do esterno acrescida de 5 cm (normal ≤ 8 cm). o Onda v gigante → insuficiência tricúspide. Exame pulmonar o Ruídos respiratórios adventícios (estertores ou crepitação) decorrem da transudação de líquido do espaço intravascular para os alvéolos. o Edema pulmonar → estertores auscultados em ambos os campos pulmonares, às vezes acompanhados por sibilos expiratórios (asma cardíaca). o Estertores são sinais específicos de IC quando presentes em pacientes sem doença pulmonar concomitante. Entretanto, frequentemente estão ausentes nos pacientes com IC crônica. o O derrame pleural geralmente ocorre quando há insuficiência biventricular. Na maioria dos casos é bilateral, mas quando é unilateral ocorre mais frequentemente no espaço pleural direito. Exame cardiológico o Não acrescenta informações acerca da gravidade da IC. o Cardiomegalia: ictus cordis palpável geralmente deslocado inferiormente para posição abaixo do quinto espaço intercostal e/ou lateralmente para a linha hemiclavicular média. Hipertrofia grave de VE cursa com ictus sustentado. o B3 (galope protodiastólico) costuma ocorrer nos pacientes com sobrecarga volumétrica que apresentem taquicardia e taquipneia. Indica comprometimento hemodinâmico grave. o B4 não é indicador específico de IC, mas está presente nos pacientes com disfunção diastólica. Abdome e membros o Hepatomegalia, quando presente, cursa com dor à palpação hepática, e pulsação do órgão durante a sístole caso haja insuficiência tricúspide. o Ascite: é um sinal tardio. o Icterícia: achado tardio. Causada por disfunção hepática secundária à congestão do fígado e à hipoxemia hepatocelular. o Edema periférico: é uma das principais manifestações da IC, mas corresponde a um sinal inespecífico. Costuma ser simétrico e postural, localizando-se predominantemente nos tornozelos e na região pré-tibial dospacientes capazes de deambular. Nos pacientes acamados, o edema pode ser observado nas regiões sacral e escrotal. Caquexia cardíaca o Ocorre nos casos de IC crônica grave. o Indica prognóstico reservado. DIAGNÓSTICO o Os sinais e sintomas na IC resultam do baixo débito cardíaco e/ou congestão pulmonar ou sistêmica. Podem estar presentes em repouso ou aos esforços. o Pacientes crônicos geralmente apresentam poucos sinais e sintomas clínicos de congestão, o que se deve aos mecanismos adaptativos e à capacidade do sistema linfático de lidar com a congestão. o Terceira bulha e ortopneia são achados mais específicos para o diagnóstico de IC. 14 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS (1) Ecocardiograma transtorácico o Exame de imagem de escolha para diagnóstico e seguimento de pacientes com suspeita de IC. Permite avaliar os seguintes parâmetros: • Análise da FEVE; • Dimensões das cavidades cardíacas; • Espessura das paredes ventriculares; • Geometria das cavidades ventriculares; • Mobilidade parietal segmentar ventricular; • Anormalidades anatômicas ou funcionais das válvulas; • Avaliação do pericárdio; • Estimativa da pressão sistólica da artéria pulmonar; • Função sistólica do VD e análise da função diastólica; • Estimativa das pressões de enchimento do VE. o RM e TC podem ser utilizados quando o ecocardiograma for inconclusivo. o Não se recomenda a realização rotineira de ecocardiograma nos pacientes com IC, mas sugere-se repetição naqueles que apresentam mudança significativa de seu estado clínico, como descompensação da IC ou progressão dos sintomas. o Recomenda-se a realização de novo ecocardiograma 3 a 6 meses após a implementação do tratamento com medicações que modificam o prognóstico, a fim de avaliar o remodelamento reverso e a estratificação do prognóstico. (2) Peptídeos natriuréticos o BNP e NT-proBNP → utilizados quando há dúvida no diagnóstico da IC e para estratificação prognóstica. o Valores de BNP < 35 pg/mL ou NT-proBNT < 125 pg/mL praticamente excluem o diagnóstico de IC. Valores acima necessitam de avaliação clínica mais criteriosa. Caso haja dúvida diagnóstica com a avaliação clínica isolada, deve-se solicitar a ecocardiografia para confirmar o diagnóstico. o Após a instituição da terapêutica medicamentosa, espera- se redução dos valores dos peptídeos natriuréticos. Ausência desta redução ou aumento dos valores indicam mau prognóstico. *Pacientes em uso de sucubitril/valsartana devem ser monitorados por meio do NT-proBNP, pois o sacubitril inibe a degradação do BNP, aumentando seus valores. ** Não existem alvos terapêuticos definidos de peptídeos natriuréticos a serem alcançados com o tratamento. o Limitações: Podem elevar-se na presença de anemia, insuficiência renal crônica e idade avançada. Níveis mais baixos são observados na obesidade. o Nos pacientes com ICFEp, a dosagem dos peptídeos natriuréticos é utilizada como um dos critérios para diagnóstico deste subtipo (sinais e sintomas de IC; níveis elevados de peptídeos natriuréticos e sinais ecocardiográficos sugestivos de alteração estrutural e/ou disfunção diastólica). Níveis elevados associam-se à pior mortalidade ou hospitalização por IC. 15 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica EXAMES COMPLEMENTARES Avaliação laboratorial o Os exames laboratoriais a serem solicitados para pacientes com sinais e sintomas sugestivos de IC crônica devem ser voltados para avaliar a presença e a gravidade de lesão em outros órgãos-alvo, além de detectar comorbidades e verificar fatores agravantes do quadro clínico. o Solicita-se: hemograma completo, perfil de eletrólitos, dosagens de ureia sanguínea, creatinina sérica, enzimas hepáticas, análise de urina. o Alguns pacientes devem ser investigados para diabetes mellito (glicemia em jejum ou 2h após a ingestão de 75g de dextrosol, e HbA1c), dislipidemia (perfil lipídico em jejum) e disfunção tireoidiana (nível do TSH). o Função renal e eletrólitos devem ser monitorados ao longo do tratamento da IC. Eletrocardiograma em repouso o Realização de ECG de 12 derivações é recomendada na avaliação inicial de todos os pacientes com IC, a fim de avaliar sinais de cardiopatia estrutural como hipertrofia ventricular esquerda, isquemia miocárdica, áreas de fibrose, distúrbios de condução atrioventricular, bradicardia ou taquiarritmias. Alguns desses aspectos são marcadores prognósticos em várias cardiopatias. Teste ergométrico o Identifica quadros de isquemia silenciosa. Radiografia de tórax o É recomendada na avaliação inicial dos pacientes com sinais e sintomas de IC, para identificação de cardiomegalia e congestão pulmonar. o A sensibilidade deste método é muito limitada. o Pode identificar causas pulmonares de dispneia, como doença pulmonar intersticial, DPOC, neoplasia pulmonar e pneumonia. o Cardiomegalia é indicada pelo aumento do índice cardiotorácico (> 0,5). Ausência deste achado não exclui possibilidade de disfunção sistólica e/ou diastólica, uma que nas fases iniciais o tamanho cardíaco pode ser normal. o Sinais de congestão pulmonar: • Linhas B de Kerley (precoce) → pequenas linhas paralelas ao diafragma localizadas na região justapleural dos campos pulmonares inferiores. Representam os vasos linfáticos subpleurais ingurgitados. • Septos interlobares podem ficar espessados pelo edema. • Inversão da trama vascular pulmonar → os vasos sanguíneos ficam mais calibrosos nos ápices do que nas bases pulmonares, em decorrência do edema intersticial mais intenso nas regiões inferiores, que comprime os vasos basais. • Infiltrado intersticial inicialmente peri-hilar, que posteriormente se expande bilateralmente. Indica maior acúmulo de líquido. • Edema pulmonar avançado → infiltrado intersticial associado à infiltrado alveolar. o Pode evidenciar derrame pleural, que geralmente é bilateral, porém mais intenso à direita. o Tumor fantasma corresponde a uma forma de derrame pleural localizado nas cissuras interlobulares, que adquire formato arredondado. É mais frequente à direita. 16 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 Ecocardiograma transesofágico o Não é recomendado para avaliação rotineira dos pacientes com IC. o Indicações: doenças valvares que necessitem de melhor detalhamento anatômico ou funcional, suspeita de dissecção aórtica, investigação adicional em pacientes com endocardite infecciosa, cardiopatias congênitas complexas. Ressonância magnética cardíaca o É o método padrão-ouro para medidas de volumes, da massa miocárdica e da fração de ejeção de ambas as cavidades ventriculares. o Pode ser utilizada como método alternativo para avaliação estrutural e funcional nos pacientes em que o ecocardiograma se mostre inadequado pela pobre janela acústica. o Outras indicações: • Diagnóstico de etiologia isquêmica da IC em pacientes com fenótipo de miocardiopatia dilatada. • Guiar procedimentos de revascularização. • Caracterização tissular miocárdica. o Limitações: presença de próteses e implantes metálicos ferrimagnéticos, disfunção renal com clearance de creatinina < 30 (risco de fibrose sistêmica nefrogênica pelo uso do contraste). Teste de esforço cardiopulmonar (ergoespirometria) o Mede o consumo de volume de oxigênio no pico de esforço, a relação entre ventilação e produção do volume de dióxido de carbono, e a ventilação oscilatória durante o esforço. o É recomendado nos pacientes com IC avançada para triagem dos candidatos à transplante cardíaco.o Pode ser realizado em pacientes estáveis portadores de IC, que necessitam de avaliação mais acurada da capacidade funcional para definição da estratégia terapêutica, ou naqueles que necessitam de melhor investigação da dispneia ou intolerância aos esforços, a fim de definir se estão relacionadas a fatores pulmonares ou da musculatura esquelética. Outros biomarcadores o Marcadores de injúria miocárdica: troponinas T e I. Marcadores de inflamação e fibrose: galectina-3 e ST2. → Podem adicionar informações prognósticas, mas não são utilizados de rotina. TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO (1) Programas multidisciplinares de cuidados o Pacientes com IC devem ser acompanhados permanentemente por equipe multiprofissional, composta por médicos e enfermeiros especialistas em IC, além do médico comunitário de atenção primária, nutricionista, fisioterapeuta, farmacêutico, educador físico, psicólogo e assistente social. o Tanto o paciente quanto seus cuidadores devem ser informados sobre as causas da IC, seu tratamento, o potencial de progressão clínica e a importância do autocuidado diário (peso, atividade física, cuidados com dieta, uso regular dos medicamentos, monitorização dos sinais e sintomas de descompensação, como piora do cansaço, flutuações de peso e limitação funcional). o Pacientes internados por IC descompensada devem comparecer à avaliação médica/multidisciplinar em 7 a 14 dias após a alta. (2) Restrição de sódio o O consumo excessivo de sódio e de fluidos associa-se ao agravamento da hipervolemia, o que aumenta o risco de descompensação e hospitalização em pacientes com IC crônica sintomática. o Recomenda-se que todos os pacientes portadores de IC crônica evitem ingestão excessiva de sódio (> 7 g de sódio/dia). (4) Ácidos graxos poli-insaturados n-3 o Seu uso em pacientes com ICFEr ou ICFEp mostrou redução discreta, porém significante, na mortalidade por qualquer causa, e internações por doença cardiovascular. (5) Tabagismo e drogas ilícitas o Todos os pacientes com IC devem ser encorajados a parar de fumar, processo este que pode ser auxiliado por terapias de reposição de nicotina e/ou fármacos moduladores. (6) Bebidas alcoólicas o Pacientes com miocardiopatia dilatada de origem alcoólica devem ser aconselhados a se absterem completamente do uso de bebidas alcoólicas. 17 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica (7) Vacinação o Recomenda-se vacinação anual contra influenza para todos os pacientes com IC. Esta medida reduz as internações por doença cardiovascular dos pacientes que foram vacinados. o Pacientes portadores de IC devem ser vacinados contra pneumococo. (8) Reabilitação cardiovascular o O treinamento físico exerce efeitos benéficos na IC, modulando a atividade neuro-hormonal, reduzindo a atividade simpática e atividade inflamatória, e promove melhora função endotelial. o Recomenda-se exercício físico aeróbico regular, para ICFEr em classes funcionais II a III (NYHA), a fim de melhorar a qualidade de vida e a capacidade funcional. o Recomenda-se exercício físico aeróbico regular, para ICFEp em classes funcionais II a III (NYHA), a fim de melhorar a capacidade funcional e a função diastólica. o A atividade física deve ser supervisionada e com intensidade baseada na frequência submáxima de cada paciente. Para pacientes estáveis, o treinamento físico domiciliar é seguro. o O estímulo à prática de atividade física deve considerar a capacidade individual de cada paciente em realizar determinado esforço sem que haja piora dos sintomas. TRATAMENTO DA ICFEr Drogas que prolongam a sobrevida IECA E BB o A base da terapia consiste em bloquear a resposta neuro- hormonal, que leva ao remodelamento cardíaco. o Recomenda-se a associação: Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) + Betabloqueadores (BB). • Qualquer IECA pode ser utilizado. • Somente 3 BB apresentam benefício na redução da mortalidade na ICFEr: carvedilol, metoprolol, bisoprolol. o IECA + BB devem ser prescritos para todos os pacientes que apresentem queda significativa na FEVE (< 40%), incluindo aqueles que estão assintomáticos, pois evita a progressão do remodelamento cardíaco e o surgimento de futuros sintomas. o O reajuste de dose pode ser feito a cada 2 semanas. o Caso o paciente apresente franca congestão pulmonar, antes de iniciar o BB, deve-se controlar a hipervolemia com diuréticos de alça. Tal fato se deve ao efeito ionotrópico negativo (redução da FC) exercido pelos BB, o que piora a congestão pulmonar do paciente cuja função sistólica já está comprometida. o Pacientes que não toleram a introdução ou a titulação de doses dos IECA e BB geralmente apresentam grau mais avançado de disfunção ventricular, o que indica pior prognóstico. Bloqueadores do receptor AT1 de angiotensina II (BRA) o Podem ser utilizados em substituição aos IECA caso o paciente apresente intolerância exclusiva a estes últimos (tosse, presente em 20% dos usuários; angioedema, presente em 1%). o Também reduzem a mortalidade e não são inferiores aos IECA. Antagonistas da aldosterona o Devem ser associados aos IECA (ou BRA) + BB nos pacientes com ICFEr que permanecem sintomáticos apesar deste primeiro esquema. o Espironolactona pode ser usada em pacientes com ICFEr classe funcional NYHA II a IV. o Esta classe comprovadamente reduz a mortalidade, principalmente por morte súbita, bem como o número de hospitalizações. o Reduz a apoptose e a fibrose miocárdica relacionadas ao excesso de aldosterona. o Efeitos colaterais: hipercalemia (principalmente em pacientes portadores de DRC prévia). o Deve-se evitar o uso da espironolactona em pacientes com creatinina > 2,5 mg/dL ou K+ sérico persistentemente elevado. Vasodilatação balanceada o Baseia-se na combinação de hidralazina com nitrato. Este esquema é indicado para pacientes que não toleram o uso de IECA ou BRA. IMPORTANTE o Em pacientes que apresentem hipotensão arterial, IRA e/ou hipercalemia relacionadas ao uso de IECA ou BRA não se deve fazer a troca do medicamento entre essas duas classes, pois estes efeitos acontecem em ambas. Tolera-se aumento da creatinina de até 50% do valor basal, ou até um valor absoluto de 3 mg/dL, ou clearance de creatinina estimado > 25 ml/min sem necessidade de reduzir a dose dos IECA ou BRA. Se K+ sérico ultrapassar 5,5 mEq/L, creatinina > 3,5 mg/dl e/ou clearance de creatinina < 20 mL/min, as drogas devem ser suspensas. o Asmáticos e portadores de DPOC devem utilizar, preferencialmente, bisoprolol como BB. Tal fato se deve à maior seletividade deste fármaco para os receptores beta-1, acarretando menor chance de broncoespasmo. 18 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o O benefício desta modalidade na redução da mortalidade é inferior ao apresentado pelos IECA (ou BRA). Entretanto, na etnia negra este benefício é maior. o O esquema pode ser acrescido ao tratamento de pacientes persistentemente sintomáticos mesmo com o uso de IECA (ou BRA) + BB + antagonista de aldosterona. Inibidores da neprilisina o A neprilisina é uma enzima que degrada o BNP e a bradicinina. o O fármaco representante é o sacubitril. É utilizado em combinação com o valsatran (BRA). Esta associação é denominada LCZ-696 (comercial: Entresto) o Pode ser utilizado em substituição ao IECA nos pacientes que permanecem sintomáticos a despeito da terapia com IECA em dose plena. Entretanto, o paciente deve interromper o uso do IECA 36 horas antes de iniciar a terapia com sacubitril/valsatran. Drogas que não prolongam a sobrevida, masmelhoram os sintomas Diuréticos o A ICFEr é caracterizada pela hiperativação neuro- hormonal ininterrupta, que resulta na retenção de água e sódio, culminando em hipervolemia, manifestada por congestão pulmonar e sistêmica, com dispneia e edema periférico. Neste sentido, os diuréticos são úteis para manter o paciente euvolêmico. o Deve-se preferir aqueles que atuam na alça de Henle. A furosemida é a droga de escolha. o A administração parenteral, em bolus IV ou IM intermitente, ou em infusão IV contínua, deve ser reservada para casos mais graves. o Se o paciente apresentar refratariedade ao diurético de alça, pode-se utilizar a estratégia de bloqueio sequencial do néfron, que é feita acrescentando-se um diurético tiazídico (hidroclorotiazida 25-50 mg/dia). o Pacientes refratários à estratégia de bloqueio sequencial do néfron devem ser inseridos em programa de diálise e ultrafiltração. Glicosídeos cardíacos o Principal representante: digoxina. o É um agente com atividade inotrópica positiva “leve”, que também promove a atenuação da atividade dos barorreceptores carotídeos reduzindo o tônus adrenérgico. o Seu uso só é recomendado para pacientes que já estão recebendo terapia plena com todas as drogas anteriormente citadas, incluindo diurético, mas permanecem sintomáticos. DM2 o Comorbidade prevalente nos portadores de ICFEr. o Droga de primeira escolha para controle glicêmico: Metformina. o Os inibidores do SGLT-2 são as drogas de segunda linha para associação ou substituição à metformina. A empagliflozina se mostrou capaz de reduzir a mortalidade no paciente diabético portador de ICFEr. o As glitazonas são contraindicadas na ICFEr NYHA II ou IV → ativação do PPAR-gama nas células tubulares renais estimula a reabsorção de sódio, o que pode agravar a hipervolemia e descompensar a função cardíaca do paciente. o Saxagliptina (inibidor da DPP-IV) também deve ser evitada, pois associa-se a maior taxa de hospitalização por IC. 19 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica Reposição parenteral de ferro o Cerca de 50% dos portadores de ICFEr possuem ferropenia. Portando, deve-se dosar a cinética do ferro no sangue em todo paciente portador de ICFEr. o Considera-se ferropenia no portador de ICFEr: (1) Ferritina sérica < 100 mg/L ou (2) Ferritina sérica entre 100-299 mg/L com saturação de transferrina < 20%. o A ferropenia deve ser tratada com reposição parenteral de ferro e sua causa deve ser esclarecida. Drogas que não prolongam a sobrevida nem melhoram os sintomas Inibidores dos canais de cálcio o Utilizados para tratamento da HAS. o Podem ser usados quando é necessário reduzir a FC e nos pacientes que apresentam etiologia isquêmica da IC. Não podem ser utilizados como primeira escolha para tratamento da HAS para qualquer paciente portador de IC. TRATAMENTO DA ICFEp Controle da congestão pulmonar o Os sintomas referentes à congestão pulmonar são abordados com diureticoterapia. Entretanto, não se deve reduzir excessivamente a pré-carga ventricular, pois o ventrículo remodelado necessita de uma pré-carga adequada para produzir um débito cardíaco satisfatório. Nesse contexto, observa-se que esses pacientes são mais sensíveis à hipovolemia, uma vez que pequenas reduções nas pressões de enchimento ventricular podem diminuir drasticamente o débito cardíaco, acarretando hipotensão e síncope. Controle da hipertensão arterial o Facilita a ejeção de sangue do VE, diminuindo as pressões intracavitárias desta câmara, o que melhora a congestão venocapilar pulmonar. o Qualquer droga anti-hipertensiva pode ser utilizada. Prevenção/tratamento da taquicardia e manutenção do ritmo sinusal o Deve-se evitar a taquicardia, pois o aumento da frequência cardíaca acarreta redução do tempo de enchimento diastólico do VE e, consequentemente, aumento de pressão no átrio esquerdo, culminando na elevação da pressão venocapilar pulmonar. Tratamento das comorbidades o Especialmente a doença coronariana e a apneia obstrutiva do sono. PREVENÇÃO Estágio A (com fatores de risco e sem alteração na função e estrutura cardíacas) o Tabagismo aumenta o risco de IC independentemente da presença de doença arterial coronariana. o Uso de álcool pode induzir dano miocárdico e levar ao desenvolvimento da miocardiopatia alcoólica. Indivíduos do sexo masculino que fazem ingesta excessiva de álcool devem reduzir o uso a menos de 7 doses por semana. o Hipertensão arterial constitui fator de risco para o desenvolvimento de IC, uma vez que aumenta o risco de infarto do miocárdio e leva à anormalidades na estrutura e na função cardíacas, em decorrência do aumento d pós- carga arterial. O tratamento da hipertensão reduz o risco de hospitalização por IC ou IC fatal em indivíduos hipertensos previamente assintomáticos. o Nos casos que cursam com doença arterial coronariana indica-se o uso de estatinas, uma vez que estas reduzem a incidência de eventos cardiovasculares maiores. o Em pacientes com DM2 e elevado risco cardiovascular, a empagliglozina (inibidor do SGLT2) reduz a mortalidade e o risco de hospitalização por IC. Prevenção no estágio B (com alteração na estrutura e função cardíacas) o O uso de inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) em pacientes assintomáticos com fração de ejeção reduzida, de etiologia isquêmica ou não, reduz a chance de progressão para IC sintomática. o Betabloqueador pode ser adicionado ao IECA nos casos de disfunção do VE assintomática de etiologia isquêmica. 20 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AGUDA o É uma síndrome clínica definida como alteração funcional ou estrutural cardíaca que gera suprimento sanguíneo inadequado para atender às necessidades metabólicas do organismo ou o faz às custas de altas pressões de enchimento cardíaco. o A insuficiência cardíaca aguda é definida pelo aparecimento de IC com sintomas agudos em pacientes sem diagnóstico prévio, ou a descompensação aguda dos sintomas em pacientes com IC conhecida. o É uma das principais causas de internação hospitalar no Brasil e no mundo. EPIDEMIOLOGIA o No Brasil, estima-se que, anualmente, cerca de 190 mil pacientes são internados por IC aguda. o No primeiro registro brasileiro de IC aguda, o BREATHE, os pacientes apresentaram alta taxa de mortalidade intra- hospitalar (13%) e observou-se baixa taxa de prescrição de medicamentos baseados em evidências. A mortalidade em 1 ano dos pacientes com IC aguda foi 11% a 17%, e a necessidade de reinternação ocorreu em 44% a 66% dos casos. CLASSIFICAÇÃO o A insuficiência cardíaca aguda pode ser classificada de acordo com 4 aspectos: (1) Síndrome clínica de apresentação: • Insuficiência ventricular esquerda; • IC congestiva; • Choque cardiogênico; • Edema agudo de pulmão. (2) Tempo de evolução da doença: • IC aguda nova; • IC crônica agudizada. (3) Tipo de disfunção ventricular: • ICA com fração de ejeção preservada (FEVE > 50%); • ICA com fração de ejeção intermediária (FEVE entre 40 e 50%); • ICA com fração de ejeção reduzida (FEVE < 40%). o O modelo clínico-hemodinâmico, através do exame clínico avalia a presença de congestão ou baixo débito cardíaco, classificando o paciente em 4 categorias: • Quente-congesto: sem baixo débito com congestão; • Quente-seco: sem baixo débito e sem congestão; • Frio-congesto: com baixo débito e com congestão; • Frio-seco: com baixo débito e sem congestão. ABORDAGEM INICIAL o Recomenda-se que a avaliação sistemática do diagnóstico e prognóstico,bem como o estabelecimento de um plano terapêutico inicial, seja concluída nos primeiros 120 min do atendimento. 1) DEFINIÇÃO DE RISCO IMEDIATO À VIDA o Consideram-se os seguintes parâmetros para fazer a triagem de situações com risco iminente à vida: (a) O provável fator causal; (b) O estado clínico do paciente; (c) A presença de arritmias e/ou sinais de isquemia no ECG; (d) O aumento de marcadores de necrose miocárdica; (e) Parâmetros inflamatórios sistêmicos. o Se houver risco imediato à vida, deve-se estabelecer um tratamento para a condição identificada nos primeiros 30 min de atendimento. Insuficiência respiratória aguda Suporte ventilatório de acordo com a necessidade individual (Ex.: ventilação não invasiva ou invasiva; broncodilatadores inalatórios). IAM Angioplastia primária ou trombolítico. Choque cardiogênico Inotrópicos, balão intra-aórtico ou outros dispositivos de suporte circulatório mecânico. AVE, confusão mental ou desorientação Protocolo de AVE. Taqui ou bradiarritmia grave Taquiarritmia = cardioversão elétrica; Bradiarritmia = marca-passo transcutâneo provisório. Emergência hipertensiva Nitroprussiato de sódio ou nitroglicerina IV. Lesões mecânicas agudas Ecocardiograma transesofágico; Correção percutânea ou cirúrgica (Ex.: valvulopatias, comunicação interventricular). TEP Trombolítico. Sepse ou DM descompensado Protocolos específicos de sepse e/ou crise hiperglicêmica aguda. 2) FLUXOGRAMA DIAGNÓSTICO DE ICA o Define não somente a presença ou não da IC aguda, mas possibilita avaliar aspectos etiopatogênicos, fisiopatológicos, hemodinâmicos e prognósticos da IC aguda. o Deve ser realizado nas primeiras 2 horas após a admissão na sala de emergência. o O diagnóstico e a terapêutica estabelecidos na avaliação admissional podem ser alterados durante a internação, de 21 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica acordo com os resultados dos exames complementares ou com a evolução clínica. o As etapas de avaliação do fluxograma são: (1) Presença ou não de IC aguda o Através de dados obtidos pela anamnese e pelo exame físico, associados aos achados do RX de tórax, é possível identificar a presença de ICA utilizando o escore de Framinghan para ICA. o História clínica pregressa ou de internação por IC bem definidos, assim como a identificação do fator causal ou agravante, são fortes indicadores de diagnóstico positivo de IC aguda. o Outros exames que devem ser solicitados para complementar a avaliação diagnóstica inicial são: • Peptídeos natriuréticos; • Laboratório básico; • ECG; • Ecocardiograma; • USG de tórax; • Radiografia de tórax o Os peptídeos natriuréticos BNP ou NT-proBNP, se disponíveis, podem ser solicitados na avaliação rotineira dos casos suspeitos de ICA. Em situações clínicas de rápida instalação, como edema agudo de pulmão em flush, na insuficiência mitral aguda ou no cor pulmonale agudo, pode-se observar níveis não elevados de peptídeos natriuréticos. • Resultados negativos (BNP < 100 pg/mL ou NT- proBNP < 300 pg/mL) afastam a existência de ICA. • Resultados muito aumentados (BNP > 500 pg/ml ou NT-ProBNP > 900 pg/ml) possuem elevado valor preditivo positivo, confirmando o diagnóstico. • Resultados intermediários (BNP entre 100-500 pg/ ml ou NT-ProBNP entre 300-900 pg/ml) necessitam de correlação com dados adicionais para uma correta interpretação diagnóstica. ➔ Pacientes usuários de sacubitril/valsartana devem dosar preferencialmente o NT-ProBNP, pois o sacubitril, ao inibir a neprilisina, aumenta os níveis séricos de BNP, mas não os de NT-ProBNP. o Na emergência, deve-se solicitar os seguintes exames laboratoriais básicos: (1) Hemograma, (2) Função renal (ureia e creatinina), (3) Hepatograma, (4) Coagulograma (TAP e PTT), (5) Glicemia, (6) Eletrólitos (sódio, potássio e magnésio), (7) Gasometria venosa, (8) Lactato, (9) Proteína C-reativa, (10) Marcadores de necrose miocárdica, com preferência pelas troponinas cardioespecíficas, (11) TSH se > 60 anos ou suspeita de tireoidopatia (12) Proteínas totais e frações, (13) Transaminase glutâmico oxalacética (TGO), transaminase glutâmico pirúvica (TGP) e bilirrubinas. o O ECG permite suspeitar da etiologia da IC e da causa da descompensação. ECG normal exclui doença miocárdica crônica. o A radiografia de tórax deve ser realizada no leito nos pacientes de alto risco e, nos de baixo risco, recomenda- se a obtenção das incidências PA e perfil. Permite avaliar a área cardíaca e a congestão pulmonar. Auxilia na diferenciação das causas torácicas e pulmonares de dispneia. Entretanto, uma radiografia normal não afasta congestão pulmonar, principalmente nos pacientes com IC crônica agudizada. o Todos os pacientes devem realizar um ecocardiograma dentro das primeiras 48 hrs da admissão. Preconiza-se a realização tão precoce quanto possível deste exame quando mais grave for o quadro do paciente. Fornece informações que permitem esclarecer a etiologia, o grau de disfunção ventricular e de congestão pulmonar/sistêmica, bem como para a identificação de lesões mecânicas cardíacas que necessitam de intervenção cirúrgica emergencial. o A USG de tórax não substitui o ecocardiograma transtorácico, mas permite identificar congestão pulmonar e sistêmica, derrame pleural, além de possibilitar a estimativa do tipo e do grau de disfunção ventricular, e do diagnóstico do fator causal. Por ser portátil, permite repetidas reavaliações, fornecendo monitorização clínico, hemodinâmica em resposta à terapêutica. (2) Modelo fisiopatológico de apresentação o Deve-se diferenciar se o paciente é portador de uma IC crônica agudizada ou de uma IC aguda nova. 22 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 (3) Definição do fator etiológico e a presença do fator descompensador o Cerca de 50% dos pacientes apresentam um fator clínico responsável pela descompensação ou agravamento da insuficiência cardíaca. o Em alguns casos, o quadro clínico predominante pode ser do fator descompensador e não da IC aguda. o Deve-se identificar e tratar os fatores descompensadores, pois sua persistência pode ocasionar refratariedade ao tratamento da IC aguda. (4) Presença de comorbidades não cardiovasculares descompensadas o Cerca de 75% dos pacientes apresentam ao menos uma comorbidade não cardiovascular descompensada, sendo as mais frequentemente observadas o diabetes, DPOC, asma brônquica, hipotireoidismo, insuficiência renal crônica agudizada, ansiedade e depressão. o O controle terapêutico destas condições faz parte do tratamento da IC aguda, pois influenciam na resposta terapêutica desta última e no prognóstico intra-hospitalar. (5) Perfil clínico-hemodinâmico o É definido pela presença ou não de baixo débito cardíaco e congestão pulmonar. Existem 4 perfis possíveis: • Quente-congesto: presença de congestão e ausência de baixo débito cardíaco. → mais frequentemente observado e de melhor prognóstico. O tratamento é feito com diuréticos e vasodilatadores. • Frio-congesto: presença de congestão e baixo débito cardíaco. → pior prognóstico. Frequentemente necessitam de suporte inotrópico associado a diuréticos. • Quente-seco. • Frio-seco. o Há dificuldade de estabelecer com precisão esta classificação em decorrência da baixa acurácia do exame clínico em estimar a real condição clínico-hemodinâmica. Nos pacientes com baixo débito cardíaco, o exame clínico apresenta menor acurácia diagnóstica. o Utilização de ecocardiograma transtorácico ou ultrassom torácico em conjunto coma avaliação clínica auxilia de forma significativa na determinação do perfil clínico- hemodinâmico do paciente. o A monitorização invasiva com cateter de Swan-Ganz nos pacientes com IC aguda é indicada somente nas situações clínicas que evoluem com instabilidade hemodinâmica sem definição da condição volêmica ou de débito cardíaco. Permite melhor definição da estratégia terapêutica. (6) Perfil de risco admissional o A estimativa do risco admissional do paciente de mortalidade intra-hospitalar é estabelecida pelo perfil clínico de apresentação da IC aguda. Permite que os pacientes sejam alocados nos protocolos terapêuticos e na unidade de internação mais adequada. o Alguns indicadores clínicos, quando presentes, dividem os pacientes nas categorias “baixo” e “alto risco”. 23 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Outra forma de estimar este risco é a utilização de ferramentas validadas, como o escore ADHERE. o Pacientes de baixo risco ou intermediário baixo, com ausência de comorbidades cardiovasculares descompensadas podem ser tratados no próprio ambiente da emergência ou em leito de enfermaria. Apresentam possibilidade de 50% terem alta após atendimento sem necessidade de admissão, e até 80% terem alta hospitalar em até 72 horas. o Pacientes de alto risco devem ser encaminhados à unidade de terapia intensiva. Após a alta, estes pacientes devem ser reavaliados do ponto de vista clínico e laboratorial em até 7 dias. O perfil de risco destes pacientes deve ser reavaliado frequentemente, pois podem evoluir para uma condição de risco mais elevada, indicando necessidade de reavaliação da estratégia terapêutica. EDEMA AGUDO DE PULMÃO o É uma doença grave, frequentemente diagnosticada em ambientes de cuidados intensivos. Seu reconhecimento e tratamento devem ser imediatos, uma vez que pode acarretar morte por hipoxemia progressiva secundária à insuficiência respiratória aguda. o Decorre do acúmulo anormal de líquido nos compartimentos extravasculares dos pulmões, como os espaços intersticiais e alveolares, o que resulta em dispneia, hipoxemia, complacência pulmonar diminuída, trabalho respiratório aumentado e relação ventilação/perfusão anormal. o Está mais frequentemente associada à disfunção sistólica ventricular esquerda ou diastólica, podendo estar associada ou não à doença cardíaca de base. Várias condições ou eventos podem causar edema pulmonar cardiogênico quando não há doença cardíaca associada, como: sobrecarga primária de líquido (devido à transfusões sanguíneas), hipertensão grave, estenose de artéria renal e doença renal grave. o Edema pulmonar não cardiogênico é caracterizado pelo preenchimento difuso por líquido dos espaços alveolares quando não há aumento da pressão dos capilares pulmonares. FISIOPATOLOGIA o O endotélio dos capilares pulmonares é formado por células escamosas, que apresentam pequenas fendas entre si, sendo permeáveis à água e eletrólitos, mas não à proteínas séricas. Essas fendas podem se ampliar em contextos de elevação da pressão intravascular. o A capacidade de drenagem linfática pulmonar varia entre os pacientes e de acordo com a rapidez de instalação do edema. o Quando a pressão hidrostática no interior dos capilares pulmonares aumenta para valores > 25 mmHg, como pode ocorrer na falência ventricular esquerda aguda, ocorre a filtração de líquido e proteínas através do endotélio Sequência de acúmulo de líquido 1) Aumento do fluxo de líquido dos capilares para o interstício, sem que haja aumento do volume intersticial pulmonar, uma vez que há aumento compensatório da drenagem linfática. 2) O volume filtrado pelos capilares ultrapassa a capacidade de drenagem linfática máxima. Inicia-se o acúmulo de líquido no interstício, que ocorre inicialmente junto aos bronquíolos terminais. 3) O aumento do volume de líquido no espaço intersticial distende os septos interalveolares e promove a inundação dos alvéolos. 24 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 microvascular para o interstício, originando o edema intersticial. o A evolução do acúmulo de líquido acarreta edema peribrônquico, que promove o fechamento de pequenas vias respiratórias e diminuição dos volumes pulmonares. Posteriormente, ocorre a oclusão dos alvéolos, queda da complacência pulmonar e aumento do trabalho respiratório. o A inundação intersticial determina alterações na relação ventilação/perfusão pulmonar e ruptura da membrana alvéolo-capilar, que resultam em hipoxemia. o A frequência respiratória aumenta pelo estímulo de receptores J localizados no interstício pulmonar, levando à redução da PaCO2. Entretanto, a exaustão física pode provocar hipoventilação alveolar e retenção de CO2, que desencadeia a acidose respiratória. Mecanismos protetores o A parede do alvéolo pulmonar é formada por células epiteliais escamosas chamadas pneumócitos tipo I, e por células contendo grânulos em seu interior, chamadas pneumócitos tipo II. Estas últimas são responsáveis pela produção da membrana surfactante, que mantém a estrutura alveolar adequada para efetuar trocas gasosas. A presença de bombas Na+ K+ - ATPase na membrana dos pneumócitos tipo II em contato com o interstício pulmonar permite a reabsorção de líquidos intra-alveolares, de forma que não ocorra inundação dos alvéolos por líquidos provenientes do espaço intersticial, exceto nos estágios finais de progressão do edema pulmonar. o Em geral, o equilíbrio das forças de Starling permite transudação de apenas pequena quantidade de líquido dos capilares para o espaço intersticial, que é drenado pelo sistema linfático. o O acúmulo de líquido filtrado no interstício promove aumento da pressão hidrostática, que limita a continuidade de fluxo do meio intra para o extravascular. o A redução da pressão oncótica intersticial promove o retorno de líquido para o interior dos capilares sanguíneos. ETIOLOGIA 1) Edema pulmonar cardiogênico o O edema pulmonar decorre do aumento da pressão hidrostática capilar consequente à falência ventricular esquerda. o Pode ocorrer por dificuldade no esvaziamento atrial esquerdo (estenose e insuficiência mitral), por disfunção ventricular esquerda sistólica ou diastólica (aterosclerose coronária, hipertensão arterial, miocardiopatias), por sobrecarga volumétrica do VE (insuficiência aórtica ou retenção salina) ou ainda por obstáculo na via de saída do VE (estenose aórtica, miocardiopatia hipertrófica). 1.1) Disfunção sistólica o É a condição mais comum que leva ao EP cardiogênico. o Caracteriza-se por prejuízo da contratilidade do VE, acarretando redução do débito cardíaco. A redução do fluxo sanguíneo efetivo ativa o sistema renina- angiotensina-aldosterona e o sistema nervoso simpático, que levam à retenção de sódio e água e, consequentemente, ao edema pulmonar. o Pode ser causada por doença coronariana, hipertensão arterial, doença valvar, miocardiopatia dilatada, toxinas, doenças metabólicas (hipertireoidismo), miocardites virais. 1.2) Disfunção diastólica o Corresponde ao aumento da rigidez ventricular (redução da complacência) e prejuízo do relaxamento, que impede o enchimento ventricular na diástole. Consequentemente, há aumento na pressão diastólica final. o Pode ocorrer na hipertrofia do VE de qualquer etiologia, miocardiopatia hipertrófica ou restritiva, isquemia e crise hipertensiva. o Outros fatores que podem levar ao desenvolvimento de edema pulmonar em pacientes com disfunção diastólica são isquemia subendocárdia, e arritmia (principalmente a fibrilação atrial).o Em pacientes com fração de ejeção normal nem sempre o EP decorre de anormalidades na função diastólica. Outras causas são: sobrecarga de volume (insuficiência renal) e pós-carga aumentada (crise hipertensiva). 1.3) Obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo o Pode decorrer da estenose aórtica crítica, miocardiopatia hipertrófica, e/ou hipertensão grave sistêmica. o Associa-se à hipertrofia da parede do VE, que pode acarretar disfunção diastólica e/ou sistólica. 1.4) Estenose mitral o Geralmente decorre da doença reumática. o Acarreta aumento de pressão no átrio esquerdo. o A progressão lenta da doença possibilita adaptação gradual do átrio esquerdo às pressões aumentadas. Entretanto, condições que elevam a FC e diminuem o tempo de enchimento diastólico, como a FA mal controlada ou exercício, podem levar à elevações agudas das pressões do AE e edema pulmonar. 25 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica 1.5) Hipertensão renovascular o Pacientes portadores desta condição estão predispostos à disfunção diastólica, que leva à descompensação cardíaca, em decorrência da hipertensão crônica e da disfunção renal, que acarreta retenção de sódio e água pela ativação do SRAA. 1.6) Crise hipertensiva o Compreende diversas situações clínicas, que têm em comum elevação rápida, inapropriada, intensa e sintomática da PA, podendo evoluir com deterioração rápida dos órgãos alvo. Decorre do aumento desproporcional do volume intravascular ou da resistência vascular periférica, ou de ambos. o Muitos dos pacientes portadores desta condição apresentam fração de ejeção do VE preservada. Entretanto, o aumento expressivo da pós-carga, associado ou não à sobrecarga hídrica, pode precipitar a descompensação e formação do edema pulmonar. 1.7) Isquemia miocárdica ou infarto o Aparecimento agudo de isquemia miocárdica grave pode levar a prejuízo súbito da função sistólica e diastólica, resultando na redução do débito cardíaco, elevação das pressões e enchimento e desenvolvimento de edema pulmonar. 1.8) Insuficiência aórtica aguda o O aparecimento abrupto de insuficiência aórtica aguda leva a uma rápida elevação nas pressões cardíacas de enchimento devido a uma inabilidade do VE em adaptar- se imediatamente ao aumento rápido do volume diastólico final causado pelo sangue regurgitante. 1.9) Insuficiência mitral aguda o Nos pacientes com insuficiência mitral aguda, o AE frequentemente não está aumentado (pouco complacente). O fluxo regurgitante no AE não complacente durante a sístole do VE aumenta a pressão na circulação pulmonar. o Algumas vezes o EP sem causa aparente pode decorrer de uma insuficiência mitral secundária a isquemia miocárdica não detectável. 1.10) Obstrução aguda da via de saída do AE o A falência aguda da via de saída do AE para o VE pode causar pressões pulmonares aumentadas e, embora incomum, pode desencadear edema pulmonar. Alguns exemplos incluem: tumores do AE (p. ex., mixoma) e trombose da prótese valvar. o Na falência crônica (estenose mitral ou cor triatriatum), o EP é frequentemente precipitado quando uma frequência cardíaca elevada reduz o tempo de enchimento do VE. o O edema pulmonar pode também ser precipitado por aumento do volume intravascular como ocorre na gestação ou ingestão excessiva de sal. 1.11) Sobrecarga de volume o Sobrecarga do VE pode ocorrer por qualquer causa de aumento intravascular de volume, e também pela ruptura do septo interventricular ou insuficiência aórtica. 2) Edema pulmonar não cardiogênico o Se dá pelo aumento de permeabilidade dos capilares pulmonares secundário à agressão por neutrófilos, macrófagos, moléculas do complemento, elementos da coagulação, citocinas, metabólitos do ácido araquidônico e radicais livres de oxigênio. o Ocorre na síndrome do desconforto respiratório do adulto ou na síndrome da resposta inflamatória sistêmica. Síndrome da angústia respiratória do adulto o Corresponde à vários processos pulmonares difusos, agudos ou sub-agudos, que resultam em hipoxemia severa. o É a forma mais grave de edema pulmonar, pois há lesão da membrana alveolocapilar. o As agressões primárias à membrana alveolocapilar, geralmente, decorrem da exposição à agentes químicos, infecciosos, líquido gástrico ou gases tóxicos, que estão associados a destruição celular maciça. o Danos secundários à membrana alveolocapilar, ocorrem em contextos de pancreatite, trauma grave, politransfusões, etc. Há ativação de cascatas bioquímicas sistêmicas, com formação de agentes oxidantes, mediadores inflamatórios e enzimas, que promovem a destruição da membrana. o Existem 3 fases distintas na instalação da SARA: (1) Fase exsudativa → edema intersticial de alto teor proteico e rápida invasão alveolar, associada a hemorragia e subsequente formação de membrana hialina. (2) Proliferativa → organização do exsudato fibrinoso. (3) Fibrosante → regeneração do epitélio alveolar e espessamento dos septos interalveolares, resultando em graus variáveis de tecido cicatricial. o Inicialmente é pouco sintomática, mas pode evoluir rapidamente para dispneia progressiva, taquipneia e cianose. DIAGNÓSTICO CLÍNICO EP cardiogênico o Paciente mostra-se ansioso, dispneico, com tosse, taquipneia e, em alguns casos, cianose. A tosse pode ser seca, persistente e irritativa ou pode ser acompanhada de expectoração espumosa rósea abundante. Observa-se elevação da FC, palidez cutânea e sudorese fria e viscosa. 26 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o A PA pode estar elevada, principalmente nos casos em que a crise hipertensiva é o fator desencadeante. o Se a causa for um infarto agudo do miocárdio, o paciente pode referir dor precordial. o Na ausculta pulmonar detectam-se estertores crepitantes e subcrepitantes até os ápices pulmonares, que podem ser acompanhados de sibilos. o A ausculta cardíaca pode revelar ritmo de galope, sopros e, em alguns casos, arritmias. Pode ser dificultada pela presença dos ruídos adventícios pulmonares. EP por alteração de permeabilidade o Pode ocorrer em doenças pulmonares, como pneumonias infecciosas ou aspirativas, embolia gordurosa, ou surgir associadamente a doenças não cardíacas, como sepse, choque, pancreatite aguda, politraumatismo e queimaduras graves. o Observa-se um período de latência de até 72 hrs entre a instalação da doença de base e o quadro de insuficiência respiratória aguda devido ao edema pulmonar. Este intervalo resulta do tempo necessário para que os mediadores celulares e humorais ativados atuem gerando uma resposta inflamatória que acomete a membrana alvéolo capilar. o Exame clínico inicial: toxemia, agitação psicomotora, hipertermia, extremidades quentes e úmidas, com aumento da perfusão periférica. Pode haver discreta taquidispneia inicial, que pode progredir para um aumento importante da frequência respiratória. o Ausculta pulmonar: estertores subcrepitantes e crepitantes difusos, que podem estar localizados nas bases ou em todo o campo pulmonar. Muitas vezes é semelhante à observada no EP cardiogênico. o Ausculta cardíaca: taquicardia não acompanhada de sopros ou ritmo de galope. o Hipotensão pode indicar grave disfunção ventricular e choque cardiogênico iminente. o Avaliação do status de volume: • Pressão de pulso jugular aumentada → reflete pressões de enchimento elevadas do lado direito em decorrência da disfunção cardíaca direita ou esquerda. o As extremidades frequentemente estão normais. Se o paciente tiver história de ICC, pode-se observar edema periférico. EXAMES LABORATORIAIS COMPLEMENTARESo O diagnóstico do edema agudo de pulmão é clínico. Exames complementares são úteis para diferenciar as formas cardiogênica e não cardiogênica. o O tratamento não deve ser retardado pela espera dos resultados dos testes laboratoriais. 1) Gasometria arterial o Pode indicar a presença e o grau de hipoxemia e alcalose respiratória nos casos leves a moderados, norteando a indicação de ventilação assistida nos casos mais graves. o Recomendada em todos os pacientes com desconforto respiratório grave. 2) Hemograma, exames bioquímicos e enzimas cardíacas o O hemograma pode auxiliar na identificação de infecção ou anemia que podem ter precipitado o evento. o Exames bioquímicos podem identificar disfunção renal. o Enzimas cardíacas são úteis no contexto de EP secundário a um infarto agudo do miocárdio. 3) Eletrocardiograma (ECG) o Fornece informações importantes para determinar a etiologia do EP. o 10 a 20% dos pacientes portadores de infarto agudo do miocárdio apresentam o edema pulmonar agudo como primeira manifestação clínica. o Pode identificar condições predisponentes para insuficiência cardíaca como hipertensão ventricular esquerda, anormalidades atriais esquerdas, isquemia ou infarto miocárdico ou fibrilação atrial. o Síndrome coronariana aguda deve ser identificada pelo ECG e troponina cardíaca. o Ondas T gigantes, inversões da onda T e prolongamento do intervalo QT → podem representar isquemia, que pode ser a causa ou consequência do EP. Podem estar presentes em pacientes com EP devido a eventos não coronarianos, como na doença cerebrovascular. 4) Radiografia de tórax o Achados presentes tanto na forma cardiogênica quanto na não cardiogênica de EP. Perda da nitidez dos contornos hilares, acentuação da trama intersticial bilateral ou opacificação difusa interstício-alveolar. OBS.: A distribuição do edema em região peri-hilar indica origem cardiogênica. Distribuição periférica traduz forma não cardiogênica de EP. o Derrames pleurais geralmente estão ausentes. 5) Ecodopplercardiograma transtorácico o Auxilia na identificação de doenças cardíacas, como acinesias ou hipocinesias miocárdicas e valvulopatias, possibilitando estimar a função cardíaca. o É útil na caracterização do tipo (sistólica ou diastólica), gravidade e potencial causa da disfunção. o Fração de ejeção do VE reduzida (< 40%) → a causa da IC pode ser disfunção sistólica. o Fração de ejeção preservada → indica função sistólica normal → a causa da IC pode ser disfunção diastólica, disfunção sistólica transitória, outra causa de IC com FE preservada ou erro diagnóstico. 27 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Quando a doença de base é uma valvulopatia e/ou miocardiopatia, este exame é útil para confirmação diagnóstica. 6) TC o Útil para diferenciar EP cardiogênico e não cardiogênico. o EP não cardiogênico: condensação pulmonar distribuída de forma homogênea, e perda maciça de áreas aeradas com distribuição heterogênea. 7) Dosagem sérica do peptídeo natriurético tipo B – BNP e NT-proBNB o É utilizada para identificar se a causa do edema agudo de pulmão foi uma insuficiência cardíaca. o Os níveis do BNP correlacionam-se com a gravidade dos sintomas e com o prognóstico dos pacientes. o Valores > 100 pg/ml indicam diagnóstico de IC. 8) Cateter de Swan-Ganz o Utilizado nos pacientes em UTI para diagnosticar origem cardiogênica ou não cardiogênica do edema agudo de pulmão. Pressões médias de capilar pulmonar > 18 mmHg indicam origem cardíaca do edema. o Deve-se dar atenção especial aos casos de isquemia miocárdica, que podem provocar aumentos transitórios da pressão capilar pulmonar eventualmente não detectados pelo Swan-Ganz. o Entretanto, a pressão capilar pulmonar elevada nem sempre exclui a possibilidade de edema pulmonar não cardiogênico. TRATAMENTO Edema pulmonar cardiogênico o Baseia-se na adoção de medidas farmacológicas e não farmacológicas, seguidas da identificação e tratamento de fatores precipitantes. o A avaliação da cardiopatia de base deve ser feita com o paciente estável dos pontos de vista ventilatório e hemodinâmico. Medidas não farmacológicas o O paciente deve adotar a posição sentada, visando reduzir o retorno venoso dos membros inferiores com consequente redução da pré-carga, aumento da ventilação e da capacidade vital dos pulmões. Medidas farmacológicas o O tratamento farmacológico varia de acordo com a distribuição volêmica apresentada pelo paciente. (a) IC aguda nova: caracteriza-se pela congestão pulmonar sem hipervolemia periférica. O tratamento tem como objetivo redistribuir o volume da circulação pulmonar para a circulação periférica. Para isto, utilizam-se as seguintes estratégias: Suporte ventilatório o Pacientes com congestão pulmonar associada a desconforto respiratório e/ou hipoxemia (FC > 25 e SatO2 < 90%), sem melhora com a oxigenioterapia, devem receber suporte ventilatório com pressão positiva não invasiva de baixa pressão, a fim de reduzir o trabalho respiratório e a hipoxemia. Recomenda-se prescrição de oxigênio úmido, utilizando máscaras (CPAP) ou cateteres nasais. Não atua diretamente na redução da congestão pulmonar, mas oferece suporte ventilatório até que as medidas terapêuticas de redução da congestão promovam melhora ventilatória. o Metas: Redução do trabalho e desconforto respiratório e SatO2 > 90%. o Deve-se ter cautela com pacientes hipotensos (pressão positiva pode reduzir a PA) e em pacientes após IAM, que podem ter pior evolução. o Exaustão respiratória ou intolerância ao CPAP indicam necessidade de intubação orotraqueal do paciente e início da ventilação mecânica artificial. Obs.: Nos pacientes com edema agudo de pulmão associado a Infarto Agudo do Miocárdio, não há benefício comprovado para redução da mortalidade com o suporte invasivo. Vasodilatadores o O tratamento deve ser complementado com a prescrição de fármacos vasodilatadores, que melhoram a distribuição de volume ao reduzirem as resistências vasculares sistêmica e pulmonar. • Nitroprussiato de sódio: interfere na pré-carga e principalmente na pós-carga, determinando veno e arteríolo-dilatação. Estes efeitos reduzem a pressão capilar e aumentam o débito cardíaco. Seu uso é indicado principalmente nas emergências hipertensivas, na insuficiência aórtica e mitral agudas e nas comunicações interventriculares agudas. Deve ser empregado nas doses iniciais de 0,25 a 0,5 mcg/kg/min, aumentando-se 5 mcg por minuto a cada 5 min. A PA deve ser monitorada, uma vez que o principal efeito colateral indesejável é a hipotensão, acompanhada de palidez, sudorese fria e má perfusão periférica. • Nitroglicerina: atua principalmente na pré-carga, reduzindo o tônus venoso e o retorno sanguíneo ao coração. Dessa forma, reduz a pressão capilar pulmonar e as pressões de enchimento do VE. Atua sobre a circulação coronária, que pode estar comprometida. É utilizada na dose inicial de 5 mg/min, acrescentando-se 5 mg/min a cada 3 min até que se observe hipotensão arterial com níveis sistólicos inferiores a 100 mmHg. 28 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 Diuréticos o A redução da volemia deve ser complementada com diuréticos potentes, como a furosemida. Esta medicação também promove a vasodilatação antes mesmo do efeito diurético, uma vez que estimula a liberação de prostaglandinas. • Deve ser administrada por via IV, nas doses de 20 a 40 mg, em bólus, com intervalos de 4 a 6 horas. • Efeitos colaterais: hipovolemia, hipotensão arterial, hipopotassemia, hipocalcemia e alcalose hipoclorêmica.• Alvos clínicos da terapêutica diurética de descongestão: diurese (1 L nas primeiras 6 horas; 1,5 a 2,5 mL/kg/hora); ausência de ortopneia e esforço respiratório em 24 horas; ausência de dispneia aos mínimos esforços em até 72 horas; SatO2 > 90% em ar ambiente; frequência cardíaca < 100 ppm; frequência respiratória < 22 irpm; PAS 110 a 130 mmHg OBS.: Os opioides aliviam ansiedade e dispneia, mas o uso rotineiro não é recomendado, devido a riscos de efeitos adversos, como náusea, hipotensão, bradicardia e depressão respiratória, além de controvérsias a respeito do maior risco de mortalidade com seu uso. (b) IC crônica agudizada: corresponde à congestão pulmonar e sistêmica. O tratamento visa a redução da volemia, por meio do uso de diuréticos associados a vasodilatadores e, por vezes, inotrópicos. Em pacientes com sinais de baixo débito com hipotensão arterial, os inotrópicos são o tratamento de escolha e, em alguns casos, o suporte circulatório mecânico pode ser necessário. o Os inotrópicos positivos visam aumentar o débito cardíaco. Os principais representantes são os digitálicos, e os agentes simpaticomiméticos. São indicados nos casos de EP associados a arritmias cardíacas supraventriculares com elevada frequência de resposta ventricular. Promovem a redução da FC, aumentado o tempo de enchimento diastólico. • Na emergência, o digitálico ideal é o lanatosídeo C, que deve ser administrado por via IV na dose inicial de 0,2 a 0,4 mg, podendo ser repetida a cada 6 a 8 hrs sem ultrapassar 1,6 mg em 24 hrs. O principal efeito colateral é a intoxicação digitálica, que pode acarretar arritmias. • A dobutamina é o agente inotrópico simpaticomimético mais usado. Produz melhora hemodinâmica com aumento do débito cardíaco dose-dependente e não causa hipotensão arterial. Pode ser prescrita nas doses iniciais de 2,5 mg/kg/min aumentando-se até 7 a 9 mg/kg/min. Promove leve vasoconstrição. Seu principal efeito adverso são as arritmias cardíacas e a isquemia miocárdica. • A dopamina pode ser associada à dobutamina. Corresponde a outro agente simpaticomimético. Doses de 5 mg/kg/min têm ação dopaminérgica produzindo vasodilatação mesentérica e renal. Efeitos beta-adrenérgicos são obtidos com doses de 6 a 15 mg/kg/min e geram aumento da contração do coração, taquicardia e aumento do débito cardíaco. Doses superiores a 25 mg/kg/min provocam efeito alfa-adrenérgico, caracterizado por vasoconstrição sistêmica. Edema pulmonar não cardiogênico o A terapêutica deve ser direcionada para a correção dos distúrbios primários que provocaram a alteração da membrana alvéolo-capilar. o Esses pacientes necessitam receber medidas de suporte respiratório que visam manter oxigenação e ventilação adequadas. o Devem ser monitorados diariamente: sinais vitais (incluindo pressão ortostática), peso, ingestão e perda de líquidos, sinais e sintomas de congestão, eletrólitos, ureia e creatinina séricas, saturação de O2 até a estabilização, níveis de potássio e magnésio séricos (monitoração mais frequente quando diurese estiver rápida). o Indica-se avaliação do BNP ou NT-pro-BNP, função hepática, análise de urina e gases arteriais. 29 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO COM SUPRADESNÍVEL DE ST INTRODUÇÃO E EPIDEMIOLOGIA o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) corresponde à necrose de uma porção do músculo cardíaco. • IAM sem supra de ST (IAMSST) → é o IAM associado à oclusão subtotal de uma artéria coronária, geralmente causado por trombos “brancos”, que são ricos em plaquetas. Corresponde a cerca de 70% dos casos. • IAM com supra de ST (IAMST) → é o IAM associado à oclusão total de uma artéria coronária, geralmente causado por trombos “vermelhos”, que são ricos em fibrina. Corresponde a cerca de 30% dos casos. o O IAM é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. No Brasil são registrados cerca de 300.000 a 400.000 casos/ano e 60.000 mortes. o A taxa de mortalidade intra-hospitalar caiu de 30% para 6- 10% após a implementação das terapias de reperfusão coronariana. o A taxa de mortalidade geral (intra e extra-hospitalar) ainda é alta, correspondendo a cerca de 30%. Aproximadamente 50% dos óbitos ocorrem na primeira hora após o início do evento. A principal causa de óbito é a fibrilação ventricular. ANATOMIA 1) Artéria coronária esquerda o Entre o AE e o tronco da artéria pulmonar. o Irriga as seguintes estruturas: AE, grande parte do VE, pequena parte do VD, septo interventricular e nó sinoatrial (em 40% da população). o Principais ramos: • Ramo circunflexo: fornece sangue para a superfície posterior do coração. Percorre o interior do sulco atrioventricular do lado esquerdo. • Ramo interventricular: segue inferiormente no sulco interventricular em direção ao ápice cardíaco, onde se anastomosa com a artéria interventricular posterior. 2) Artéria coronária direita o Passa através do sulco atrioventricular para o lado direito seguindo em direção à superfície posterior do coração. o Irriga as seguintes estruturas: AD, maior parte do VD, porção do VE que se encontra e contato com o diafragma, áreas dos septos interatrial e interventricular, nó sinoatrial (em 60% da população) e o nó atrioventricular. o Principais ramos: • Ramo nodal sinoatrial; • Ramo marginal direito; • Ramo nodal atrioventricuçlar: irriga o nó atrioventricular; • Ramo interventricular: segue ao longo do sulco interventricular. ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA o Os IAM são causados por oclusões agudas nas coronárias epicárdicas. As três coronarianas principais (descendente anterior, circunflexa e coronária direita) possuem frequência semelhante de acometimento. o A principal causa é a aterotrombose, ou seja, a ruptura de uma placa de ateroma com formação de um trombo sobrejacente. Responde por cerca de 95% dos casos. O tipo de trombo formado depende da profundidade da ruptura sofrida pela placa de ateroma: rupturas superficiais geralmente levam à formação de trombos brancos; rupturas mais profundas, com maior exposição dos conteúdos fibrinogênicos da placa, resultam em trombos vermelhos. o A constituição do trombo formado afeta sua capacidade de oclusão: • “Trombos brancos” ricos em plaquetas → parcialmente oclusivo → causam o IAMSST. • “Trombos vermelhos” ricos em fibrina → totalmente oclusivo → causam o IAMST. o A probabilidade de ruptura da placa depende dos determinantes de vulnerabilidade: (1) Grau de inflamação intraplaca; (2) Magnitude do conteúdo lipídico da placa; (3) Espessura da capa de colágeno da placa. o Em menos de 5% dos casos a oclusão coronariana aguda pode ocorrer por outros processos patológicos: • Espasmo coronariano (angina de Prinzmetal); • Cocaína: trombose e/ou espasmo; • Embolia coronariana; • Dissecção coronariana; 30 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 • Síndrome do anticorpo antifosfolipídeo; • Síndromes trombofílicas (uso de ACOs; • Vasculite coronariana (doença de Kawasaki é uma importante causa de IAM em crianças e adolescentes); • Trauma coronariano (incluindo angioplastia). ISQUEMIA TRANSMURAL E DISFUNÇÃO VENTRICULAR o Após a oclusão coronariana aguda total inicia-se a “cascata isquêmica”. A primeira consequência é o déficit contrátil segmentar, que pode ocorrer como acinesia ou discinesia, considerados evidências de isquemia transmural. o O déficit contrátil segmentar pode ser visualizado facilmente pelo ecocardiograma. o O grau da isquemia determina diferentes consequências: • Se a área isquêmica for significativa (> 20-25%do miocárdio do VE) instala-se o quadro de insuficiência ventricular esquerda, que acarreta aumento na pressão de enchimento ventricular, podendo evoluir para edema agudo de pulmão. • Se houver isquemia em mais de 40% do miocárdio há aumento do risco de choque cardiogênico (altas pressões de enchimento associadas à baixo débito cardíaco, com hipoperfusão tecidual generalizada). OBS.: Em mais de 80% dos IAM não se observa insuficiência cardíaca ou choque. o Disfunção diastólica é mais precoce e mais comum que a disfunção sistólica, podendo ocasionar aumento na pressão de enchimento do VE e, consequentemente, congestão pulmonar. Presença de B4 à ausculta reflete a ocorrência de disfunção diastólica, caracterizada por redução da complacência ventricular. MIOCÁRDIO “ATORDOADO” o O déficit contrátil pode levar horas ou dias para se normalizar após adoção de medidas bem-sucedidas de reperfusão miocárdica. Dessa forma, os doentes permanecem com disfunção ventricular esquerda por alguns dias, mas evoluem com melhora espontânea. o O fenômeno do miocárdio “atordoado” é mais comum quando a reperfusão é tardia. o A principal teoria que explica este fenômeno é o efeito deletério do excesso de cálcio liberado dos cardiomiócitos em decorrência da reperfusão. NECROSE MIOCÁRDICA o Inicialmente, a necrose miocárdica atinge o subendocárdio da região isquêmica, mas se estende em direção ao epicárdio até que toda a área afetada sofra necrose, processo este que se inicia nos primeiros 30 min e se completa em cerca de 6 a 12 horas, gerando o infarto transmural. o Se a necrose não se estender por toda a parede caracteriza-se a necrose não transmural. o A evolução para a necrose é determinada pelas seguintes variáveis: • Eficácia da circulação colateral em suprir a demanda tecidual de O2, protegendo a área isquêmica; • Consumo de O2 pelo miocárdio em sofrimento isquêmico → a gravidade da isquemia é diretamente proporcional ao consumo miocárdico de O2 (MVO2), uma vez que a região miocárdica previamente irrigada pelas artérias coronarianas passa a receber suprimento apenas pela circulação colateral. O MVO2 é elevado principalmente durante a fase aguda do IAM, que é marcada pela hiperativação adrenérgica. • Reperfusão precoce → pode ocorrer espontaneamente em até 30% dos casos de IAM por ação do fibrinolítico endógeno. Quando mais precoce e bem-sucedida for a reperfusão, menor será a área de necrose. ➢ Sistema fibrinolítico endógeno: É composto principalmente pelo plasminogênio, que por ação do ativador tecidual do plasminogênio (tPA) é convertido em plasmina, uma enzima capaz de degradar fibrina. A fibrinólise resulta na formação dos produtos de degradação da fibrina, como o d-dímero. EXPANSÃO DA ÁREA INFARTADA o Nos infartos extensos, a região lesada pode sofrer remodelamento, tornando-se maior e mais fina, após cerca de 3 a 10 dias. Este evento promove a dilatação ventricular. o As áreas não infartadas tendem à hipertrofia, um mecanismo compensatório que visa manter a fração de ejeção estável. o O afinamento e a discinesia das áreas infartadas podem propiciar o desenvolvimento de aneurismas ventriculares, que podem se romper ou facilitar a formação de trombos. o O remodelamento cardíaco é prejudicial à função sistólica global, acarretando instalação de um quadro de insuficiência cardíaca dias após o IAM. Definições o Acinesia: é a perda total do movimento e do espessamento sistólico de um segmento miocárdico. o Discinesia: é o afinamento da parede, com abaulamento durante a sístole. o Isquemia transmural: afeta toda a espessura da parede miocárdica. 31 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Os principais determinantes do remodelamento pós- infarto são: • Pós-carga ventricular; • Perviedade da coronária responsável pelo IAM; • Efeito metabólico tóxico de mediadores humorais, como a angiotensina II. o Pacientes com disfunção sistólica do VE pós-IAM devem fazer uso de IECA, que inibem o remodelamento cardíaco através do bloqueio da angiotensina II, e reduzem a pós- carga ventricular promovendo a vasodilatação periférica. o Corticosteroides e AINEs devem ser evitados nas primeiras 4 a 8 semanas após o IAM, uma vez que essas drogas prejudicam a cicatrização miocárdica e favorecem o remodelamento, aumentando o risco de ruptura da parede infartada. QUADRO CLÍNICO o A principal manifestação clínica de um IAM é a dor torácica anginosa, tipicamente de forte intensidade, longa duração (> 20 min), e que não é aliviada com repouso ou nitrato sublingual. o Outros sintomas como dispneia, náuseas e vômitos, palidez, sudorese fria, ansiedade, e sensação de morte iminente podem estar presentes. o A dor pode irradiar para as seguintes regiões: • Epigástrica; • Dorso (diagnóstico diferencial com dissecção aórtica); • Membros superiores (principalmente o esquerdo); • Pescoço/mandíbula (sensação de sufocamento). OBS.: Não irradia para baixo do umbigo nem para os trapézios. A irradiação para os trapézios é mais característica da pericardite. o Em alguns casos, o IAM pode se manifestar de forma atípica com dor não anginosa ou mesmo sem qualquer tipo de queixa álgica. Nesse contexto, o paciente apresenta “equivalentes anginosos”, que decorrem da isquemia miocárdica grave. Exemplos: • Dor torácica “em queimação” ou “em facada”; • Dispepsia (epigastralgia, náuseas e vômitos); • Exaustão, lipotimia ou síncope → indicam baixo débito; • Déficit neurológico focal (AVE ou AIT); • Choque cardiogênico indolor; • Edema agudo de pulmão → causado por insuficiência ventricular esquerda aguda, insuficiência mitral aguda; • Morte súbita → geralmente por fibrilação ventricular. o 40 a 60% dos pacientes refere um fator desencadeante, como estresse físico ou emocional. o Em alguns casos de IAM existem pródromos, caracterizados por desconforto anginoso aos mínimos esforços ou em repouso. Entretanto, este desconforto pode não ser importante o bastante para levar o paciente a procurar um serviço médico, ou, se o faz, o paciente pode ser liberado devido a um ECG dentro da normalidade. o O IAM pode ser antecedido de uma sensação de mal-estar indefinido ou exaustão. o Os pródromos podem ter início até 4 a 6 semanas antes do evento, constituindo uma angina instável. EXAME FÍSICO o Na maioria dos casos o exame físico apresenta poucos achados. o Durante a fase aguda os principais achados são: (1) Bradicardia sinusal → principalmente no IAM inferior, por aumento reflexo da atividade vagal; (2) Taquicardia sinusal → principalmente no IAM anterior extenso, em decorrência da adaptação à queda na função sistólica do VE; (3) Hipertensão arterial → por amento da atividade simpática; (4) Surgimento da 4ª bulha → indica disfunção diastólica do VE. o Estertores pulmonares, hipotensão sistólica (PAS < 110 mmHg) e taquicardia sinusal indicam risco aumentado de eventos adversos nas próximas 72 horas. o Insuficiência ventricular esquerda aguda se manifesta com: dispneia, ortopneia, estertoração pulmonar e terceira bulha. Estertoração presente acima da metade inferior dos terços inferiores do tórax indica presença de edema agudo de pulmão. o Sinais de hipoperfusão orgânica generalizada (hipotensão arterial, pulsos finos, palidez, sudorese fria, oligúria e confusão mental) indicam choque cardiogênico. Classificação de Killip o Indica o prognóstico do paciente com IAM de acordo com os sinais e sintomas clínicos de insuficiência ventricular esquerda. o O prognóstico é pior quanto mais alta for a classe. Killip ISem dispneia, estertoração pulmonar ou B3 (não há evidências de IVE). Killip II Dispneia e estertoração pulmonar discreta, B2 ou turgência jugular patológica. Killip III Franco edema agudo de pulmão. Killip IV Choque cardiogênico. ALTERAÇÕES LABORATORIAIS INESPECÍFICAS o A necrose miocárdica gera resposta inflamatória, que é evidenciada pelos seguintes achados: (1) Leucocitose por volta do 2º ao 4º dia, geralmente entre 12.000 – 15.000/mm3; (2) Elevação da VHS; (3) Elevação da PCR. 32 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o Todas as frações do colesterol se reduzem após as primeiras 24 horas do início do infarto. Trata-se de uma pseudo-hipolipemia, que costuma se manter nos primeiros 30 dias após o IAM. Dessa forma, deve-se solicitar o lipidograma no momento da internação do paciente e repeti-lo 30 dias depois. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL o Os principais diagnósticos diferenciais são: o Deve-se excluir o diagnóstico de dissecção aórtica. Para isto, avalia-se a simetria dos pulsos periféricos e, caso haja suspeita, deve-se solicitar uma radiografia de tórax. Caso a radiografia evidencie achados sugestivos de dissecção, como o alargamento do mediastino, deve-se confirmar o diagnóstico pelo ecocardiograma transesofágico ou angioTC. CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA o A presença de pelo menos um dos seguintes critérios indica o diagnóstico de IAM: (1) Aumento e/ou queda dos marcadores de necrose miocárdica associado a pelo menos um dos seguintes achados: • Sintomas de isquemia miocárdica; • Desenvolvimento de onda Q patológica no ECG; • Desnivelamento de ST (supra ou infra) ou bloqueio de ramo esquerdo de 3º grau novo ou supostamente novo; • Imagem “nova” compatível com perda de miocárdio visível (ex.: acinesia/discinesia segmentar). (2) Evidências anatomopatológicas de IAM (Ex.: necrose de coagulação). o O diagnóstico de infarto antigo ou curado é confirmado por qualquer um dos seguintes achados: • Surgimento de onda Q patológica em ECGs seriados, na ausência de alteração dos marcadores de necrose miocárdica. O paciente pode ou não recordar a ocorrência de sintomas; • Evidências anatomopatológicas de miocárdio cicatrizado (fibrose). HISTÓRIA CLÍNICA o A anamnese criteriosa constitui a base do diagnóstico nos quadros clínicos típicos. o Os seguintes fatores associam-se a maior risco para IAM mascarado por sintomas “atípicos” (dor em queimação ou facada): idosos, sexo feminino, diabetes mellitus, insuficiência cardíaca, marca-passo definitivo, transplante cardíaco. ELETROCARDIOGRAMA o Em todos os casos suspeitos, deve-se obter e interpretar um ECG em até 10 min. o Ausência de sinais isquêmicos não descarta a possibilidade de SCA, uma vez que até 50% das isquemias miocárdicas agudas cursam com os primeiros ECGs dentro da normalidade. Nesse sentido, os ECGs devem ser repetidos a intervalos curtos (a cada 5 a 10 min) em todo paciente sintomático com ECG normal. Critérios eletrocardiográficos de IAMST o Supradesnível de ST ≥ 1 mm em duas derivações contíguas no plano frontal ou ≥ 1 mm em duas derivações contíguas (representam a mesma parede miocárdica) no precórdio, exceto V2-V3 (nestas, é necessário que o supra seja (1) ≥ 2 mm em paciente masculino ≥ 40 anos; (2) ≥ 2,5 mm em paciente masculino < 40 anos; (3) ≥ 1,5 mm em mulheres de qualquer idade) OU o Bloqueio completo de ramo esquerdo (novo ou supostamente novo). ➔ Supra de ST sugere oclusão coronariana total. Entretanto, não é patognomônico de IAM, podendo ocorrer agudamente na angina de Prinzmetal (vasoespasmo coronariano) e, cronicamente, na discinesia ou aneurisma ventricular, bem como na cardiopatia chagásica. Fases de evolução 1) Fase hiperaguda (primeiras horas) o Supradesnível de ST proeminente, com onda T positiva, gerando formato retificado ou côncavo do ST-T. o A onda R pode aumentar sua amplitude. o A onda Q patológica ainda não apareceu. 2) Fase subaguda (após as primeiras horas, até 4 semanas) 33 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o A onda T começa a se negativar, modificando o segmento ST que passa a ter formato de abóbada (convexo). o A onda R reduz de amplitude, podendo desaparecer. o Surge a onda Q patológica, que indica inatividade elétrica transmural. Quando se torna crônica, significa necrose transmural. Em geral possui largura maior que 40ms e amplitude maior que 0,2 mV. 3) Fase crônica ou infarto antigo (após 2 a 6 semanas) o O supra de ST desaparece. o A onda Q patológica permanece, representando área de necrose ou fibrose miocárdica. o As alterações na onda T podem persistir. Bloqueio de ramo e IAM o O bloqueio de ramo de 3º grau dificulta a identificação do IAMST no ECG, principalmente quando se trata de bloqueio de ramo esquerdo. o Alterações de segmento ST e onda T estão presentes nos bloqueios de ramo. o No BRE é comum a identificação de supradesnível de ST em precordiais direitas (V1, V2) e um infradesnível de ST em precordiais esquerdas (V5, V6). Os seguintes achados corroboram existência de IAMST nesta situação: • Supra de ST > 5 mm em V1/V2 ou infra de ST < 1 mm em V5/V6. IAM dorsal o A parede dorsal não está voltada para as derivações precordiais convencionais, mas sua atividade elétrica por ser captada em V1-V2, V1-V3, V1-V4 ou mesmo V1-V5, como uma imagem em espelho. Este achado é típico de infarto inferior e de parede lateral alta. o A imagem em espelho de uma onda Q com supradesnível de ST é uma onda R com um infradesnivel de ST. Nesses casos indica-se obtenção das derivações posteriores V7 e V8. o Em todo IAMST de parede inferior (D2, D3 e aVf) deve-se obter o traçado de derivações precordiais direitas (V3R e V4R) e derivações posteriores (V7 e V8). O infarto inferior relaciona-se à oclusão da coronária direita, o que pode causar infarto do VD e na região dorsal do VE. Nesse sentido, V3R-V4R permitem identificar o infarto do VD e V7-V8 identificam o infarto dorsal. MARCADORES DE NECROSE MIOCÁRDICA o A lesão dos cardiomiócitos libera macromoléculas intracelulares para o interstício. A persistência da isquemia faz com que essas moléculas sejam lentamente absorvidas pelo sistema linfático. Na vigência de reperfusão, o retorno do fluxo sanguíneo promove remoção mais rápida destas moléculas. o A curva dos marcadores de necrose miocárdica confirma o diagnóstico de IAM, avalia sua extensão e prognóstico e detecta a ocorrência de reperfusão. o Os seguintes marcadores são sugeridos para uso rotineiro: • Troponinas T ou I; • CK-MB massa. o A mioglobina pode ser usada em alguns casos. 1) Creatinoquinase e isoformas (CK total, CK-MB atividade e CK-MB massa). o A creatinoquinase (CK) é uma enzima presente em todos os tipos de músculo. CK-MM, CK-MB e CK-BB são as 3 isoformas principais. o CK-total é o exame que reflete os níveis das 3 isoformas. É sensível para detectar lesões musculares, mas não é específico para IAM, pois também se eleva na rabdomiólise em situações de trauma, convulsões, intoxicações e após injeções intramusculares. o Na IAM, os níveis séricos de CK-total aumentam a partir de 4 a 6 hrs do início do evento, atingindo pico em cerca de 24 hrs e voltando ao normal após 36 a 48 hrs. o A CK-MB predomina no músculo cardíaco, sendo mais específica do que a CK-total para diagnóstico de IAM. Existem duas metodologias para a sua dosagem: • CK-MB atividade → se altera em 4 a 6 hrs após o início do evento, com pico em 18 hrs e normalização após 48 a 72 hrs. A sensibilidade para o diagnóstico de IAM é de 93% após 12 h do início dos sintomas.Nas primeiras 6 hrs é muito pouco sensível. • CK-MB massa → se eleva em 3 a 6 hrs após o início do evento, com pico em 16 a 24 hrs e normalização em 48 a 72 hrs. A sensibilidade para diagnóstico de IAM é de cerca de 50% nas primeiras 3 hrs, atingindo 80% após 6hrs. o São considerados indicativos de necrose miocárdica os seguintes valores: ➔ CK-MB massa > 5 ng/ml; ➔ CK-MB atividade > 15-20 U/L. 2) Mioglobina o É uma hemoproteína encontrada no citoplasma de todos os miócitos. Seus níveis se elevam rapidamente na vigência de lesão muscular. o No IAM, eleva-se entre 1 a 2 hrs após o início dos sintomas, com pico em 6 a 9 hrs e normalização entre 12 a 24 hrs. o Sua dosagem é utilizada para diagnóstico de exclusão de IAM, uma vez que apresenta alto valor preditivo negativo. 3) Troponinas cardioespecíficas o Troponinas estão presentes na estrutura dos sarcômeros. As isoformas exclusivas do tecido miocárdico são: troponina I (cTnI) e troponina T (cTnT). o Seus níveis se elevam 4 a 8 hrs após o início dos sintomas, atingindo pico em 36 a 72 hrs, com normalização após 5 a 34 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 14 dias (cTnI permanece elevada por até 10 dias, e cTnT por até 14 dias). o São consideradas os marcadores de necrose miocárdica de escolha para diagnóstico de IAM. o Possuem a mesma sensibilidade que a CK-MB entre 12 a 48 hrs de evolução do IAM, entretanto, na vigência de condições que diminuem a especificidade da CK e suas isoformas (qualquer condição que gere rabdomiólise), as troponinas devem ser utilizadas para o diagnóstico. o Principais causas de troponina falso-positiva: (a) Formação de fibrina no soro; (b) Presença de anticorpos heterofílicos; (c) Reação cruzada com anticorpos humanos. o A troponina é o marcador de escolha para o diagnóstico de reinfarto (novo IAM que acontece em até 28 dias após o primeiro). O diagnóstico é obtido pela curva de troponina, de forma que deve-se dosá-la no momento dos novos sintomas, repetindo o procedimento em 3 a 6 horas depois. Aumento maior ou igual a 20% entre essas medidas confirma o reinfarto, independente do valor inicial da troponina (que pode estar elevado em decorrência do infarto índice). o Valores de referência: considera-se positivo um valor > 0,1 ng/mL. Para o diagnóstico de IAM em pacientes submetidos à angioplastia, o valor de um determinado MNM deve estar aumentado acima de 3X o limite superior da normalidade. Para o diagnóstico de IAM no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca, o valor de um determinado MNM deve estar aumentado acima de 5X o limite superior da normalidade. ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO o Todo paciente com SCA deve ser estratificado quanto ao risco de complicações cardíacas. o O IAMST constitui uma SCA de alto risco. o O principal escore utilizado é o TIMI risk para IAMST. Interpretação do TIMI-IAMST em pacientes submetidos à reperfusão o Escore < 2 (baixo risco) → mortalidade < 2%. o Escore = 5 (risco intermediário) → mortalidade = 10%. o Escore > 8 (alto risco) → mortalidade > 20%. LOCALIZAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DO INFARTO ECOCARDIOGRAMA o É o melhor exame para localizar e quantificar a extensão do infarto. Deve ser solicitado para todos os casos. o Avalia a função dos segmentos miocárdicos, localiza o IAM nas regiões que apresentam déficit contrátil, quantifica o tamanho do infarto, avalia a função ventricular diastólica e sistólica com cálculo da fração de ejeção, identifica complicações mecânicas (insuficiência mitral, coagulação intravascular, trombo mural, aneurisma e pseudoaneurisma. o A fração de ejeção do VE é um dos principais fatores que determinam o prognóstico após um IAM. Pacientes com FE < 35% são considerados como alto ricos. ELETROCARDIOGRAMA o Orienta a localização e permite estimativa do tamanho do IAM. 35 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o O número de derivações que apresentam supra de ST permitem estimar o tamanho da área infartada pelo ECG. TRATAMENTO o O IAMST em fase aguda é uma emergência médica. Todo paciente com SCA deve ser avaliado rapidamente através de anamnese e exame físico direcionados, e ECG de 12 derivações (acrescido das derivações V3R, V4R, V7 e V8 em caso de IAM de parede inferior), que deve ser feito e interpretado em, no máximo, 10 min. Caso o ECG seja inconclusivo, mas a suspeita clínica permaneça, deve-se monitorizar o paciente de forma contínua e realizar ECGs seriados (a cada 5 a 10 min). o As primeiras medidas terapêuticas devem ser adotadas, sendo elas: • Suporte de oxigênio; • Analgesia; • Nitrato; • Betabloqueador; • Antiplaquetários; • Reperfusão coronariana (trombolítico ou angioplastia); • Cirurgia de revascularização miocárdica; • Anticoagulação; • Antagonista dos canais de cálcio, inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona e estatinas; • Suporte nas complicações o Solicitar: hemograma, lipidograma, glicose, ureia, creatinina, eletrólitos, tempo de atividade da protrombina/tempo de tromboplastina parcial ativada (TAP/TPPa) e marcadores de necrose miocárdica. o Quando indicada, a terapia de reperfusão pode ser iniciada antes dos resultados desses exames. o Radiografia de tórax deve ser feita em, no máximo, 30 minutos. Entretanto, quando houver dúvida entre IAM e dissecção aórtica deve-se realizar este exame imediatamente, antes da administração de agentes antiplaquetários ou trombolíticos. o Presença de “supra de ST” ou bloqueio de ramo esquerdo de 3º grau novo ou supostamente novo indica reperfusão emergencial, podendo ser química ou mecânica a depender de cada paciente. ➔ O intervalo entre a chegada do paciente e a infusão do trombolítico deve ser de, no máximo, 30 minutos. Já o tempo entre a chegada do paciente e a angioplastia deve ser de, no máximo 90 min. Caso o hospital não disponha de serviço de hemodinâmica, a angioplastia permanece sendo o método de escolha para reperfusão se houver possibilidade de transferência do paciente para outro serviço em até 120 min. 1) Suporte de oxigênio o Pacientes portadores de SCA podem apresentar hipoxemia em decorrência da congestão pulmonar, que é secundária à disfunção sistólica e/ou diastólica do VE. o Caso a saturação de O2 em ar ambiente seja < 94%, deve- se fornecer oxigênio suplementar (O2 a 100% por meio de máscara ou cateter nasal, a 2-4 L/min). Nesses casos, a gasometria arterial deve ser realizada de forma seriada. Caso a hipoxemia seja refratária, indica-se o suporte ventilatório com pressão positiva, através de ventilação não invasiva ou intubação orotraqueal. 2) Analgesia o Para alívio da dor do IAMST utiliza-se morfina intravenosa, na dose de 2 a 4 mg repetidos a cada 5 a 15 min. Este fármaco deve ser administrado até o alívio da dor ou ocorrência de toxicidade (vômitos e hipotensão). o A morfina possui ação vasodilatadora, que diminui a pré- carga ventricular e, consequentemente, o consumo miocárdico de O2 (aumentado em decorrência do tônus adrenérgico estimulado pela dor do IAMST). o O uso de morfina é contraindicado em caso de alergia ao fármaco e no IAM de parede inferior (D2, D3 e aVF), pois IAM anterosseptal: V1 e V2; V1-V3; V1-V4; V1-V5; IAM anterolateral ou lateral: V5, V6, D1 e aVL; IAM anterior extenso: V1-V6 + D1 e aVL; IAM lateral alto: D1 e aVL; IAM inferior: D2, D3 e aVF; IAM dorsal: “imagem em espelho” em V1 e V2 ou V1-V5 (ou supra de ST em V7, V8); IAM inferodorsal: derivações do inferior + espelho dorsal (ou supra de ST em V7, V8); IAM laterodorsal: derivações do lateral alto + espelho dorsal(ou supra de ST em V7, V8); IAM inferolateral: D2, D3, aVF, V5 e V6; IAM de VD: V3R e V4R ± V1. 36 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 há aumento do risco de IAM de VD e/ou bradicardia reflexa nesse tipo de IAM, o que pode culminar em choque cardiogênico. 3) Nitratos o Existem 3 formulações sublinguais que podem ser utilizadas: nitroglicerina (0,4 mg), mono ou dinitrato de isossorbida (5 mg). o Promovem vasodilatação venosa e arterial, inclusive das coronárias, o que reduz a pré-carga, pós-carga e aumenta a perfusão miocárdica. o A via sublingual pode ser repetida de 5 em 5 minutos por até 3 vezes. o São os anti-hipertensivos de primeira escolha nas SCA. o A via intravenosa é reservada para os seguintes casos: (1) Dor persistente; (2) Hipertensão arterial; (3) Congestão pulmonar. o Nitratos não podem ser administrados por via intravenosa por mais de 48 hrs em decorrência do risco de tolerância. Após este período, deve-se trocar pela formulação oral a ser administrada de 8/8 hrs ou 6/6 hrs. o Contraindicações: • Hipotensão; • Bradicardia; • Infarto do VD; • Uso de inibidores da fosfodiesterase nas últimas 24 hrs, no caso do sildenafil, e 48hrs, no caso do tadalafil. 4) Betabloqueadores o Reduzem a frequência cardíaca, o inotropismo, a pressão arterial e, consequentemente, o consumo miocárdico de oxigênio. Aumentam o fluxo sanguíneo na circulação colateral e no subendocárdio, ou seja, aumenta a distribuição miocárdica de O2. o Reduzem a mortalidade e a morbidade do IAMST, a taxa de fibrilação ventricular primária e morte subida na fase aguda do evento isquêmico. o Contraindicações: • FC < 60 bpm; • PAS < 100 mmHg; • Asma ou DPOC grave; • Doença arterial periférica grave; • Intervalo PR > 240 ms; • Bloqueio atrioventricular de 2º ou 3º graus; • Disfunção de ventrículo esquerdo grave; • Killip II, III ou IV. o Na ausência de contraindicações, esses medicamentos devem ser utilizados de forma imediata. O uso tardio se caracteriza pelo início 24 hrs após o IAMST. o Pacientes que apresentem fatores de risco para choque cardiogênico nas primeiras 24 hrs (FC > 110 bpm, idade > 70 anos, PAS < 120 mmHg) não devem fazer uso imediato de beta bloqueadores. Nesses casos, deve-se reavaliar a possibilidade de introdução dessas drogas após as primeiras 24 hrs como estratégia de prevenção secundária. o A via preferencial de administração é a oral. A via intravenosa deve ser reservada para os casos refratários ou com crise hipertensiva ou taquiarritmia. o O esquema mais utilizado é: metoprolol 50 mg VO de 6 em 6 hrs no primeiro dia, e, posteriormente, 100 mg VO de 12 em 12 hrs. o Caso a via IV seja escolhida: metoprolol 5 mg IV de 5 em 5 min, por até 3 doses, seguindo-se com a via oral. o Nos casos de uso tardio, a dose de betabloqueador administrada deve ser titulada até que se atinja frequência cardíaca de 60 bpm. o Pacientes que não possuem indicação de uso de beta- bloqueadores por tempo indeterminado em decorrência de, por exemplo, disfunção sistólica do VE, devem manter o uso por pelo menos 1 ano após o IAMST. 5) Antiplaquetários o Ácido acetilsalicílico (AAS) é indicado em todas as formas de SCA. o Reduz a taxa de mortalidade e complicações. o Mesmo antes da confirmação diagnóstica, o AAS já deve ser administrado ao paciente. Recomenda-se dose de ataque inicial de 200 a 300 mg, e dose de manutenção de 100 mg/dia para o resto da vida do paciente. o Contraindicações: • Alergia; • Intolerância; • Hemofilia; • Sangramento ativo; • Úlcera péptica em atividade; • Hepatopatia grave. o Clopidogrel é uma tienopiridina, que inibe o receptor P2Y12 de ADP na superfície das plaquetas. Deve ser utilizado juntamente ao AAS, como parte da estratégia de dupla antiagregação empregada no tratamento do IAMST. O esquema de administração varia de acordo com a idade: (1) < 75 anos → dose de ataque, seguida de dose de manutenção de 75 mg/dia. A dose de ataque depende da terapia de reperfusão que será utilizada: • Angioplastia primária: 600 mg; • Trombólise química: 300 mg. (2) ≥ 75 anos (maior risco de hemorragia intracraniana) → não recebem dose de ataque, somente 75 mg/dia. → Nos pacientes submetidos à implantação de stent convencional, a dupla antiagregação deve ser mantida por no mínimo 1 mês. → Caso o stent seja “farmacológico”, a dupla antiagregação deve ser mantida por 6 a 12 meses. 37 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica Se o paciente necessitar de cirurgia cardíaca, o clopidogrel deve ser suspenso 5 dias antes do procedimento. Entretanto, caso a cirurgia seja de caráter urgente, indica-se a transfusão profilática de plaquetas. o Ticagrelor também inibe o receptor P2Y12 de ADP na superfície das plaquetas, mas não é uma tienopiridina. Pode ser usado em associação ao AAS no tratamento da IAMST. É mais potente e apresenta início de ação mais rápido que o clopidogrel, sem provocar aumento na taxa de sangramentos maiores. • Dose de ataque: 180 mg. • Dose de manutenção: 90 mg 2X ao dia. ➔ O uso de ticagrelor + AAS como estratégia de dupla antiagregação plaquetária só foi estudada em pacientes submetidos à angioplastia primária. Portanto, pacientes que serão submetidos à trombólise química não devem utilizar esta associação. Para eles indica-se AAS + clopidogrel. o Prasugrel é uma tienopiridina de 3ª geração, que tem início de ação mais rápido e é mais potente que o clopidogrel. Reduz a mortalidade no IAMST, mas aumenta a taxa de sangramentos maiores. É contraindicado em pacientes com histórico de AVE/AIT. Deve ser evitado em indivíduos com idade ≥ 75 anos e peso < 60 kg, pois estas condições potencializam o risco hemorrágico. • Dose de ataque: 60 mg. • Dose de manutenção: 10 mg/dia. ➔ Seu uso em associação ao AAS foi estudado somente em pacientes submetidos à angioplastia primária. Pacientes que receberão trombolítico não devem receber esta associação. o Inibidores da glicoproteína IIb/IIIa podem ser utilizados como parte do esquema de tripla antiagregação para tratamento do IAMST, mas somente em casos submetidos à angioplastia, com ou sem implante de stent, na vigência das seguintes condições: alta carga de trombos e lesão microvascular local (indicada lentidão de fluxo do contraste injetado pela microcirculação, mesmo após desobstrução do lúmen da coronária). Esses fármacos devem ser introduzidos durante o procedimento de trombólise mecânica. • Droga de escolha: abciximabe. 6) Terapias de reperfusão o Devem ser realizadas o mais precocemente possível, uma vez que reduzem a extensão do infarto e a mortalidade. o As principais estratégias de reperfusão são: trombolíticos e angioplastia com balão (com ou sem implante de stent). o Indicações: • Dor sugestiva de IAM com duração superior a 20 min e inferior a 12 horas, não responsiva a nitrato, e presença de supra de ST em pelo menos 2 derivações contíguas, ou bloqueio de ramo esquerdo novo ou presumivelmente novo. • Persistência da dor entre 12 a 24 hrs, desde que persistam alterações no segmento ST sugestivas de IAMST. ➔ Não se deve aguardar o resultado da curva de marcadores de necrose miocárdica para iniciar a reperfusão. 6.1) Trombolíticos o Estão disponíveis no Brasil 3 trombolíticos: • Estreptoquinase (SK); • Ativador tecidual do plasminogênio recombinante (rtPA ou alteplase); • Tenecteplase (TNK). o A SK ativa não apenas o plasminogênio ligado ao trombo, mas também o plasminogênio circulante. Já o rtPA e a TNK agem somente sobre o plasminogênio ligadoà rede de fibrina. o TNK pode ser administrada em bolus único. o O intervalo entre o início da dor e a aplicação do fármaco é denominado delta T. Tais drogas podem ser utilizadas com um delta T de até 12 h (ou entre 12 e 24 hrs na vigência de critérios de isquemia persistente). Entretanto, quando administrados nas primeiras 3 hrs do IAMST são observados maiores benefícios. 38 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o Em relação à SK, outra complicação além da alergia é a hipotensão arterial aguda. A conduta nesses casos é a interrupção temporária da SK e, se não houver congestão pulmonar, elevação dos membros inferiores (posição de Trendelenburg). Em casos refratários, deve-se expandir a volemia com solução salina IV, associando atropina se houver bradicardia. A SK pode ser retornada em uma taxa de infusão mais lenta. No caso de alergia, deve-se utilizar antialérgicos convencionais, mas corticoides não são recomendados. Escolha do trombolítico o Pacientes com < 75 anos → o trombolítico de escolha é o TNK. • TNK apresenta os mesmos benefícios que o rtPA, mas acarreta menos sangramentos não cerebrais que este último e pode ser utilizada em bolus único. Entretanto, possui custo elevado. o Pacientes com > 75 anos (maior risco de AVE hemorrágico) → a principal escolha é a SK, pois associa-se à menor frequência de sangramentos intracranianos. Entretanto, sua eficácia é inferior a dos trombolíticos fibrinoespecíficos. Posologia dos trombolíticos o Os pacientes devem ter recebido AAS e clopidogrel antes do início da trombólise. Após a infusão dos trombolíticos deve-se iniciar enoxaparina e manter por até 8 dias. Caso indisponível, prescrever heparina não fracionada somente por 48 hrs. A estratégia de dupla antiagregação com AAS + clopidogrel após trombólise química deve ser implementada por, no mínimo, 2 a 4 semanas. Critérios de reperfusão miocárdica o O mais utilizado é a redução de mais de 50% na altura do supra de ST na derivação onde o supra de ST era maior. o Outros critérios são: • Pico precoce na curva de marcadores de necrose miocárdica; • Arritmias de reperfusão ➢ Extrassístoles ventriculares, 39 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica ➢ Ritmo idioventricular acelerado (RIVA): É a arritmia de reperfusão mais comum, sendo definido como um ritmo ventricular – complexo QRS alargado – com frequência entre 60 e 100 bpm). Decorre do hiperautomatismo das fibras de Purkinje ventriculares. Trata-se de um ritmo benigno. Eventualmente, a arritmia responde à atropina • Desaparecimento súbito da dor. Patência da coronária após a trombólise o A angiografia permite estadiar, segundo a classificação TIMI, o grau de perfusão da coronária responsável pelo IAM. Classificação angiográfica TIMI para patência coronariana 0 Ausência de perfusão do contraste. 1 Alguma perfusão do contraste, porém sem atingir o leito distal. 2 Perfusão completa do contraste, porém com lentidão no leito distal. 3 Perfusão completa e rápida do contraste no leito distal. Conduta na reoclusão coronariana após o uso de trombolíticos o As principais evidências de reoclusão e reinfarto são: dor + elevação de ST ou bloqueio de ramo esquerdo novo. o Se a reperfusão química prévia for bem-sucedida, a nova deverá ser feita preferencialmente com angioplastia de resgate. Entretanto, se esta for indisponível, pode-se realizar um novo curso de trombólise. • Se o paciente fez uso de SK há mais de 5 dias, deve- se empregar uma droga fibrinoespecífica (rtPA ou TNK) em decorrência do risco de alergia ao SK. • Se a droga utilizada no primeiro evento foi o rtPA ou a TNK, elas podem ser utilizadas novamente. o O risco de hemorragias aumenta muito num segundo curso de trombólise química. o O trombolítico não deve ser repetido antes de 24 horas da última administração. Estratégia “fármaco-invasiva” o No Brasil existe carência de serviços de emergência capazes de realizar angioplastia primária. Dessa forma, implementou-se a estratégia “fármaco-invasiva” como tentativa de reduzir os índices de morbimortalidade associados ao IAM. Baseia-se nos seguintes pontos: • Paciente com IAMST de início há menos de 3 horas e sem possibilidade de ser encaminhado a um serviço de hemodinâmica para realização de angioplastia primária em menos de 60 minutos → administrar trombolítico + dupla antiagregação plaquetária + anticoagulação, na ausência de contraindicações. O paciente deve ser transferido para um serviço de hemodinâmica para realização de angioplastia em até 6 a 24 hrs da administração do trombolítico. • O trombolítico de escolha é a TNK, que deve ser infundida em bolus. A dose deve ser reduzida pela metade em pacientes com > 75 anos. 6.2) Angioplastia 6.2.1) Angioplastia primária o É a estratégia de reperfusão mais eficaz no IAMST. É superior aos trombolíticos na redução da mortalidade, reinfarto e complicações hemorrágicas. o Deve ser feita em um delta T inferior a 12 horas. o Torna-se primeira escolha em detrimento dos trombolíticos quando pode ser feita em até 90 min após o IAMST, quando há contraindicação aos trombolíticos e nos pacientes com choque cardiogênico. o É feita, preferencialmente, pelo cateterismo da artéria radial. Tal via associa-se a menores taxas de complicações hemorrágicas. o A angioplastia simples com balão associa-se à grande probabilidade de reestenose do vaso em curto prazo. A angioplastia com balão pode ser acompanhada da implantação de um stent, que reduz a probabilidade de reoclusão coronariana e a necessidade de revascularização futura do vaso, uma vez que o stent mantém o vaso pérvio. Entretanto, existem fatores que inviabilizam o implante de stents: (1) Estenose em ramo secundário calibroso (≥ 3 mm), no qual o implante de stent não for tecnicamente viável. (2) Grande quantidade de material trombótico no interior do vaso (extensão da falha de enchimento globular > 2X o diâmetro de referência do vaso). (3) Grave tortuosidade ou calcificação que impeça a progressão do stent até a lesão-alvo. o Existem 2 tipos de stent: • Convencional → não farmacológico. • Farmacológico → sua superfície interna é impregnada com substância antiproliferativa com objetivo de evitar uma reepitelização tardia exagerada do lúmen do stent, o que pode culminar em trombose aguda e novo IAM. o Após implante de qualquer tipo de stent, o paciente deve realizar dupla antiagregação plaquetária rigorosa até que o processo de reepitelização se complete. Após este período, o paciente pode passar a usar apenas um antiagregante (preferencialmente o AAS). • No stent convencional, a dupla antiagregação é obrigatória por no mínimo 1 mês. • No stent farmacológico de 1ª geração (sirolimus ou paclitaxel), a dupla antiagregação é obrigatória por no mínimo 1 ano. 40 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 • No stent farmacológico de 2ª geração (everolimus, biolimus ou zotarolimus), a dupla antiagregação deve ser feita por no mínimo 6 meses. OBS.: Os stents farmacológicos são preferíveis aos não farmacológicos, por garantirem maiores taxas de patência do lúmen vascular a longo prazo, uma vez que impedem o fenômeno de reepitelização exagerada e oclusão tardia. o O risco de trombose aguda do stent farmacológico é muito aumentado em situações que demandam suspensão dos antiagregantes antes do prazo estipulado. Tal fato se deve ao intenso estímulo trombogênico provocado pelo metal exposto à corrente sanguínea. Quanto menor for o tempo de uso do esquema de dupla antiagregação plaquetária,maior será o risco de IAM. o Os stents farmacológicos devem ser utilizados apenas em pacientes com boa perspectiva de adesão e manutenção do tratamento antiplaquetário pelo tempo preconizado. 6.2.2) Angioplastia de resgate o É aquela realizada quando há falência do trombolítico. o Define-se falha da trombólise como obtenção de fluxo TIMI 0 ou 1 à angiografia após 90 min da administração do trombolítico. Entretanto, o diagnóstico pode ser feito por critérios empíricos: o A angioplastia de resgate deve ser feita em menos de 180 min após a constatação de falha da trombólise. o Os pacientes que mais se beneficiam da angioplastia de resgate são aqueles com IAMST anterior extenso, com grande área miocárdica sob risco. OBS.: Não existem evidencias concretas do benefício da angioplastia de resgate em pacientes com IAMST inferior não complicado ou pequenos infartos. 6.2.3) Angioplastia eletiva o Todos os pacientes submetidos à fibrinólise, mesmo que aparentemente bem-sucedida, devem realizar a coronariografia entre 3 a 24 horas após a administração do trombolítico. Não deve ser realizada antes de 3h em decorrência do risco aumentado de sangramento, excetuando-se os casos de angioplastia de resgate em que não foram observados critérios de reperfusão. o A coronariografia identifica lesões residuais e falhas da fibrinólise que não podem ser reconhecidas clinicamente, permitindo a imediata intervenção por angioplastia eletiva. Essa abordagem diminui a ocorrência de reinfarto. 7) Cirurgia de revascularização miocárdica (CRVM) o Indicada de urgência quando há contraindicação ou falha das demais terapias de reperfusão (angioplastia e trombolítico), desde que o paciente possua anatomia coronariana favorável e apresente complicações como isquemia recorrente, choque cardiogênico e complicações mecânicas do infarto. o Idealmente, deve ser feita dentro de 4 a 6 hrs do início do IAMST. o Nos casos de choque cardiogênico em que a angioplastia for inviável, pode ser feita em até 18 hrs da instalação do choque. o CRVM pode ser feita de forma eletiva entre 3 a 7 dias após um IAMST nos casos de: (1) Lesão no tronco da coronária esquerda; (2) Doença trivascular; (3) Doença bivascular com oclusão proximal em ramo interventricular anterior; (4) Doença bivascular com disfunção do VE na impossibilidade de angioplastia. 8) Anticoagulação o O objetivo é garantir a patência da artéria coronariana ocluída na ocasião do IAM. o A anticoagulação diminui as taxas de reoclusão coronariana e reinfarto. Além disso, reduz a tendência à formação de trombos murais, trombose venosa profunda e embolia pulmonar. o Droga de escolha após trombólise química: enoxaparina (heparina de baixo peso molecular), deve ser mantida enquanto durar a internação hospitalar, ou até 8 dias. • < 75 anos: Bolus IV de 30 mg + injeções subcutâneas a cada 12h na dose de 1 mg/kg. • ≥ 75 anos: Não fazer bolus IV. Reduzir dose subcutânea para 0,75 mg/kg a cada 12h. Centros de referência para realização de angioplastia primária o Devem apresentar volume anual superior a 75 procedimentos/ano, sendo que, dentre estes, mais de 12 devem ser casos de IAM. o Devem apresentar uma equipe de cirurgia cardíaca de sobreaviso que possa chegar ao hospital em menos de 60 min. 41 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica • Insuficiência renal crônica (Clcr < 30 ml/min): Injeções subcutâneas de 1 mg/kg a cada 24h. o Droga de escolha após angioplastia: heparina não fracionada (HNF), deve ser mantida por apenas 48 horas. • Dose: Bolus de 60 U/kg, máximo 4.000 U, seguido de infusão contínua a 12 U/kg/h, máximo 1.000 U/h, ajustando-se a taxa de infusão para manter um PTTa entre 50-70 segundos (1,5-2x o controle). o Não há preferência por um tipo de anticoagulante em pacientes que não foram submetidos à terapia de reperfusão. o Em alguns casos deve-se adotar a estratégia de anticoagulação prolongada. Os cumarínicos devem ser associados como integrantes da terapia antitrombótica tripla até que se atinja a anticoagulação oral plena (RNI alvo entre 2,0-2,5). 8) Inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) o Todos os pacientes devem utilizar IECA durante a fase aguda do IAMST, desde que não apresentem contraindicações. As principais vantagens associam-se à redução da pós-carga, do remodelamento e da toxicidade direta da angiotensina II sobre os cardiomiócitos. o Principais efeitos colaterais: hipotensão arterial, azotemia (aumento transitório da creatininemia), hipercalemia (suspender se K+ > 5,5 mEq/L), tosse seca (entre uma semana a seis meses após início do uso, deve-se suspender se persistente) e angioedema (raro e grave, geralmente ocorre em via aérea superior). o Contraindicações: • Estenose bilateral da artéria renal (ou estenose em rim único). • Gravidez. • Angioedema com uso prévio. Diretrizes para uso dos IECA no IAM Fase aguda do IAM Uso de rotina em todos os casos desde as primeiras 24hrs desde que não haja contraindicações. Após a fase aguda do IAM Uso de rotina por tempo indeterminado na vigência de disfunção sistólica do VE, diabetes e/ou insuficiência renal crônica. Uso por no mínimo 5 anos se idade > 55 anos e pelo menos um dos seguintes: • HAS; • Hipercolesterolemia; • Redução do HDL-colesterol; • Tabagismo; • Microalbuminúria. Uso por no mínimo 5 anos caso sintomas e fatores de risco bem controlados com tratamento clínico, ou procedimento de revascularização bem- sucedido. 9) Bloqueadores do receptor AT1 de angiotensina II (BRA) o São considerados 2ª linha, sendo reservados para pacientes que não toleram os IECA por outros motivos que não a instalação de IRA e/ou hipercalemia. o Na fase aguda do IAMST (primeiras 24 hrs), podem ser indicados nas seguintes condições: (1) FE < 40% e sinais clínicos de insuficiência cardíaca ou (2) HAS associada. o Drogas de escolha: valsartan (início com 40 mg/dia, titular até 160 mg/dia) e telmisartan (início com 40 mg/dia, titular até 80 mg/dia). 10) Antagonistas da aldosterona o Espironolactona é indicada após o IAMST em associação aos IECA ou BRA se: (1) FE < 40% + sinais clínicos de insuficiência cardíaca; (2) FE < 40% + diabetes mellitus. OBS.: Pacientes com estes critérios, mas que apresentam insuficiência renal (Cr > 2,5 mg/dL em homens ou > 2,0 mg/dL em mulheres) não poderão utilizar este fármaco. 11) Estatinas o Devem ser iniciadas precocemente nas primeiras 24 horas e em dose máxima (ex.: atorvastatina 80 mg/dia). o Reduzem a morbimortalidade independentemente dos níveis prévios de colesterol do paciente. 42 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o Após 30 dias de uso do esquema inicial, deve-se solicitar um lipidograma e titular a dose de estatina a fim de manter o LDL < 70 mg/dL. o A resposta inflamatória sistêmica desencadeada pelo IAMST reduz de forma transitória os níveis de LDL e HDL. 12) Ansiolíticos o Utilizados apenas em indivíduos com ansiedade persistente. o Drogas empregadas: Diazepam 10 mg VO 12/12 horas durante a internação. 13) Antagonistas dos canais de cálcio (ACC) o ACCs não di-hidropiridínicos, como verapamil e diltiazem, atuam como cronotrópicos e inotrópicos negativos, podendo reduzir o consumo miocárdico de O2. Ambos podem ser utilizados em associação aos nitratos e beta- bloqueadores para tratar uma angina refratária, ou como alternativa nos indivíduos que apresentam contraindicações ou intolerância aos nitratos e/ou aos beta-bloqueadores. o Os ACC não são utilizados rotineiramente, pois não há comprovaçãode que reduzem a mortalidade ou a taxa de reinfarto. o Contraindicações: disfunção de VE grave, disfunção da condução átrio-ventricular, associação com BB nos pacientes com disfunção de VE leve-moderada. COMPLICAÇÕES DO IAM ARRITMIAS VENTRICULARES NO IAM o Cerca de 50% dos óbitos causados por IAM ocorrem antes de o paciente chegar ao hospital. A principal causa é a fibrilação ventricular primária. o O momento de maior risco para a ocorrência de fibrilação ventricular são as primeiras 4 horas. o A isquemia transmural de instalação súbita altera as propriedades eletrofisiológicas do miocárdio ventricular, tornando-o instável. Nesse contexto, observa-se alta frequência de extrassístoles ventriculares nas primeiras horas do IAM (fase aguda), e possível ocorrência de arritmias ventriculares graves e fatais, como a fibrilação ventricular primária e secundária e a taquicardia ventricular sustentada. Fibrilação ventricular primária o Ocorre nos pacientes em Killip I, ou seja, sem sinal de insuficiência cardíaca. o A maioria dos casos ocorre nas primeiras 24 a 48 horas. o Os principais preditores são: infarto prévio, potássio sérico < 4 mEq/L, maior área isquêmica. o É um marcador de mau prognóstico intra-hospitalar, provavelmente porque ocorre em pacientes com maior área isquêmica. o O mecanismo de óbito nesses pacientes geralmente é a insuficiência ventricular esquerda devido a infarto extenso, ou recidiva da FV. Fibrilação ventricular secundária o Ocorre nos pacientes em Killip II, III ou IV, ou seja, relaciona-se à disfunção ventricular esquerda e insuficiência cardíaca. o Geralmente ocorre nas primeiras 24 a 48 horas. Alguns casos podem ocorrer após 48 horas (FV tardia). o A mortalidade hospitalar desses pacientes é maior quando comparados àqueles portadores de FV primária. o Representa fator de mau prognóstico no primeiro ano após o IAM. Fibrilação ventricular tardia o É definida como FV que ocorre 48 horas após o início do IAM. o Nesta fase a área de necrose está em cicatrização. Taquicardia ventricular o O principal tipo é a taquicardia ventricular não sustentada (TVNS), que ocorre em 10 a 20% dos pacientes. o Quando ocorre nas primeiras 24 a 48 horas pode preceder uma FV primária. o Após 48 a 72 hrs, a presença de TVNS no ECG-Holter é considerada um critério de mau prognóstico e maior risco para morte cardíaca súbita e não súbita. o A taquicardia ventricular sustentada (TVS) pode ser de 2 tipos: • Polimórfica (TVPS) → geralmente é de mecanismo isquêmico. Acomete pacientes de alto risco, que apresentam isquemia residual significativa. Em geral é refratária à drogas. Pode ser prevenida com a revascularização miocárdica; • Monomórfica (TVMS) → é a mais comum nos pacientes com infarto prévio, ou na fase tardia (> 72 hrs) do IAM atual. É um sinal de mau prognóstico. O tratamento com antiarrítimicos é indicado e deve ser mantido a longo prazo, em decorrência da forte predisposição à fibrilação ventricular e morte súbita, principalmente nos primeiros 6 meses. Ritmo idioventricular acelerado o É uma arritmia definida como ritmo ventricular (complexo QRS alargado) com uma frequência entre 60-100 bpm. Medicamentos a serem suspensos o Anti-inflamatórios não esteroidais (AINE), exceto o AAS → aumentam o risco de morte, reinfarto e prejudicam o processo cicatricial nas zonas perinetróticas, o que eleva as chances de ruptura da parede miocárdica. 43 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Sua frequência é de 30% no IAM inferior, e 5% no IAM anterior. o Trata-se de uma arritmia benigna, associada ao processo de reperfusão, que não altera o prognóstico do paciente. ARRITMIAS SUPRAVENTRICULARES NO IAM o A taquicardia sinusal e a fibrilação atrial são as taquiarritmias supraventriculares mais frequentemente relacionadas ao IAM, com incidência de cerca de 10%. o A fibrilação atrial geralmente é aguda e constitui critério de mau prognóstico intra-hospitalar, principalmente por estar associada à maior disfunção ventricular. o Promovem aumento da extensão do infarto, uma vez que elevam o consumo miocárdico de O2. Devem ser revertidas precocemente com o uso de antiarrítmicos ou cardioversão elétrica. o Outras taquiarritmias supraventriculares: flutter atrial e taquicardia supraventricular paroxística. BRADIARRITMIAS o A bradicardia sinusal é a arritmia mais frequente nas primeiras 6 horas do IAM de parede inferior, causado pela oclusão da coronária direita ou circunflexa. o A lesão ou a distensão da parede inferior pode desencadear uma hiperativação vagal. Alguns pacientes na fase aguda do IAM podem apresentar síncope vasovagal desencadeada pela dor e estresse, acarreando hipotensão, bradicardia ou parada sinusal transitória. Bloqueio átrio-ventricular de 1º e 2º grau 1) BAV de 1º grau o Ocorre em 10% dos casos de IAM, geralmente no IAM inferior. Pode ser consequência do efeito vagal ou da injúria isquêmica do nódulo átrio ventricular. o Apresenta caráter transitório e, quando não se associa ao bloqueio de ramo, não agrava o prognóstico. 2) BAV 2º grau Mobitz I o Ocorre em 10% dos IAM, principalmente no IAM inferior. o Corresponde a 90% de todos os BAV de 2º grau no IAM. o Cursa com QRS estreito e fenômeno de Weckenbach. o Ocorre nas primeiras 48 a 72 horas do IAM, sendo causado por estímulo vagal ou injúria isquêmica do nódulo AV. o Não confere pior prognóstico aos pacientes com IAM inferior. 2) BAV 2º grau Mobitz II o Cursa com QRS alargado (bloqueio de ramo). o Tem baixa incidência, ocorrendo em 1% dos IAM. o É um importante sinal de mau prognóstico e alta chance de evolução para BAV total. o É mais comum no IAM anterior. Reflete a lesão do feixe de His (feixe de fibras presentes no septo interventricular, que conduzem a onda de despolarização ventricular gerada no nó sinoatrial, atingindo os ventrículos por meio das fibras de Purkinje) e/ou dos ramos e fascículos de condução intraventricular. o Associa-se à elevada mortalidade. 3) BAV total (BAV de 3º grau) o Incide em 5 a 15% dos pacientes com IAM. o Pode ocorrer tanto no IAM inferior quanto no IAM anterior. A porção alta do nó atrioventricular é suprida pela coronária direita, mas a porção mais baixa e o feixe de His são supridos pelos ramos septais da descendente anterior (coronária esquerda). o Os principais fatores de risco são: distúrbios de condução agudos do infarto, incluindo BAV de 2º grau e, no caso de IAM inferior, presença de infarto do VD. o BAVT relacionado ao IAM inferior (lesão isquêmica da porção alta do nódulo atrioventricular) geralmente se apresenta com QRS estreito e frequência cardíaca > 40 bpm. É um sinal de pior prognóstico, principalmente quando associado a infarto de VD. Geralmente é transitório, durando cerca de 5 a 7 dias. o BAVT relacionado ao IAM anterior é um sinal de extremo mau prognóstico, com mortalidade de 70 a 80%. Indica lesão extensa de todo o septo interventricular com acometimento do feixe de His, ramos e fascículos. 4) Bloqueio de ramo e hemibloqueio o Todos os tipos de bloqueio de ramo e hemibloqueio podem ocorrer agudamente no IAM. o São distúrbios de condução intraventricular agudos, que conferem pior prognóstico ao paciente. O mais benigno é o HBAE (hemibloqueio anterior esquerdo) isolado. O BRD (bloqueio de ramo direito) de início agudo é um importante preditor de BAVT, conferindo pior prognóstico tanto no IAM inferior quanto no anterior. o Bloqueios bifasciculares ocorrem quando há associação do BRD com o bloqueio de um dos fascículos do ramo esquerdo, geralmenteo fascículo anterior. o Associação de BRD com algum hemibloqueio indica alta probabilidade de evolução para BAVT e elevada mortalidade por disfunção ventricular. o Bloqueios trifasciculares representam pior prognóstico e maior incidência de BAVT. São definidos como: (1) bloqueio de ramo alternante; (2) BRD com hemibloqueio alternante e (3) bloqueio bifascicular com BAV de 1º grau. PÓS-IAM o Todos os pacientes vítimas de IAM devem ser acompanhados em ambulatório. As seguintes drogas 44 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 devem ser administradas indefinidamente para redução do risco de eventos cardiovasculares e morte: • AAS 100 mg/dia; • Betabloqueadores (exceto pindolol); • IECA; • Estatinas (manter LDL < 70 mg/dL). o Nitratos são indicados para pacientes pós-IAM que apresentam isquemia miocárdica residual. PACIENTES QUE EVOLUEM SEM COMPLICAÇÕES o Pacientes que evoluem em Killip I, sem complicações isquêmicas (angina pós-IAM) ou arritmias graves (taquicardia ventricular, fibrilação ventricular, BAVT, bloqueio de ramo) são considerados, a princípio, como baixo risco. Devem permanecer pelo menos 3 dias na Unidade Coronariana e receber alta hospitalar após 5 a 7 dias, após a realização de teste ergométrico com esforço submáximo. Testes provocativos de isquemia o O principal é o teste ergométrico submáximo, que deve ser feito com baixa carga. • Teste positivo é definido por infradesnível de ST ≥ 1 mm, retificado ou descendente. Indica necessidade de coronariografia e estratégia de revascularização miocárdica. o Outra opção: teste ergométrico convencional realizado no ambulatório, após 15 a 21 dias. Tem como objetivo testar a capacidade funcional do paciente além de encontrar alguma isquemia residual. o Cintilografia ou ecocardiograma de estresse podem ser utilizados nos pacientes que não podem fazer teste ergométrico, por incapacidade de andar na esteira ou ECG basal alterado. ➔ Pacientes não submetidos ao teste ergométrico pré- alta devem evitar esforço físico em casa até a realização do teste convencional após 15 a 21 dias. PACIENTES QUE EVOLUEM COM COMPLICAÇÕES o Pacientes que evoluem com complicações intra- hospitalares do tipo isquêmica (angina em repouso ou aos mínimos esforços), disfunção ventricular (clínica de insuficiência ventricular esquerda ou FE < 40% no ecocardiograma), ou taquiarritmia ventricular grave devem ser submetidos à coronariografia antes da alta hospitalar, com indicação de revascularização miocárdica. RISCO PRÉ E INTRA-HOSPITALAR o Fatores prévios de pior prognóstico: • Mulheres; • Diabéticos; • Infarto prévio; • Cardiopatia dilatada; • Idade > 70 anos. o Fatores intra-hospitalares de pior prognóstico: • Killip > II; • IAM anterior; • IAM inferior + VD; • Arritmias ventriculares do tipo TVNS, TV sustentada, FV; • Bradiarritmias e distúrbios de condução; • Angina pós-IAM ou reinfarto; • Disfunção de VE no ecocardiograma (FE < 40%). RISCO PÓS-HOSPITALAR o O risco pós-hospitalar depende dos seguintes fatores: (1) Função ventricular sistólica e sinais de IC o Todos os pacientes devem ser submetidos ao ecocardiograma, que fornece estimativa da fração de ejeção. Permanência da fração de ejeção inferior a 40% e presença de sinais e sintomas de IC indicam maior risco. (2) Presença de isquemia residual (3) Arritmogênese ventricular o Pacientes com FE < 35% devem ser submetidos a um ECG- Holter para avaliar a presença de taquicardia ventricular não sustentada, que representa alto risco de morte súbita. 45 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica TROMBOEMBOLISMO VENOSO INTRODUÇÃO E EPIDEMIOLOGIA o O tromboembolismo pulmonar (TEP) e a trombose venosa profunda (TVP) são doenças com uma mesma base fisiopatogênica, denominadas tromboembolismo venoso (TEV). Outras causas menos comuns de embolia pulmonar são: bolhas de gás, corpos estranhos, gotículas de gordura, líquido amniótico, células neoplásicas e êmbolos sépticos. o O tromboembolismo pulmonar decorre da fragmentação e migração para os pulmões de trombos formados no sistema venoso profundo, principalmente nos membros inferiores. o O TEV é a terceira doença cardiovascular mais comum. A TVP é 3X mais frequente que o TEP, mas este representa a principal complicação pulmonar aguda em pacientes hospitalizados. o A taxa de mortalidade intra-hospitalar para a TEP é de cerca de 7%. A maioria das mortes é causada pela insuficiência cardíaca direita decorrente da TEP inicial, ou a partir de TEP recorrente, apesar da anticoagulação adequada. o A TEP diminui a qualidade de vida e causa graves complicações a longo prazo, como TEV recorrente, hipertensão pulmonar tromboembólica crônica e síndrome pós-trombótica envolvendo os membros inferiores. o A frequência de TEP e TVP aumenta com a idade, mas também pode ocorrer em crianças e adolescentes. FATORES PREDISPONENTES o Os fatores clínicos e/ou cirúrgicos predisponentes ao TEV ganham grande importância no contexto de profilaxia inadequada. o Os principais mecanismos envolvidos no tromboembolismo compõem a tríade de Virchow: • Estase venosa; • Estados de hipercoagulabilidade (hereditária e/ou adquirida); • Lesão endotelial. o A restrição à mobilização dos membros inferiores é um dos principais fatores de risco. Fatores de risco para TEV TEV prévio o Os episódios de TEV podem ser classificados em não provocados ou provocados, quando um fator precipitante é claro. (1) TEP não provocados representam 20% dos casos. A probabilidade de haver uma trombofilia associada é maior. Têm 15% de chance de recidiva em 1 ano. (2) TEP provocados associam-se a fatores precipitantes limitados (cirurgias ou imobilidade temporária de um membro) ou persistentes (neoplasia maligna). Têm 5% de chance de recidiva em 1 ano. Imobilidade Risco aumenta dependendo da articulação imobilizada: cotovelo (mínimo), ombro, tornozelo, joelho e quadril (maioria). Imobilização de dois membros ou de todo o corpo implica maior risco. Obesidade Risco com IMC > 35 kg/m2. Idade Risco aumenta a partir dos 50 anos com aumento progressivamente maior até os 80 anos. Cirurgias recentes Risco aumenta em cirurgia longa, aberta e sem tromboprofilaxia. Cirurgias de maior risco incluem cirurgia abdominal por neoplasia, cirurgia de substituição de articulação e cirurgia em SNC em pacientes com déficits neurológicos. Neoplasias malignas Risco varia conforme fatores do hospedeiro, estágio e tipo do tumor. Quanto mais indiferenciado o tipo celular e maior a carga tumoral (especialmente metástase à distância), maior é o risco. Neoplasias malignas de maior risco incluem CA de pulmão, próstata, adenocarcinoma, glioblastoma, melanoma, linfoma e mieloma múltiplo, em seguida, câncer de pâncreas, estômago, ovário e células renais. O risco de TEV é mais alto durante a fase de indução da quimioterapia ou com o uso de eritropoietina. Quando o TEV é a primeira manifestação de uma neoplasia subjacente, os tumores mais prováveis são o CA de pâncreas e próstata. Tabagismo Não é um fator de risco independente, mas aumenta o risco em pacientes com neoplasia maligna, obesidade ou uso de anticonceptional oral. Gestação Risco aumenta discretamente. É mais comum no puerpério do que no período pré-natal, sendo maior nas pacientes submetidas à cesariana do que nas que tiveram parto normal, pois a cesárea implica maior restrição ao leito. 46 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 Os fatores causais são: (1) Estase (compressão da veia cava inferior pelo útero gravídico);(2) Lesão endotelial (traumatismo da superfície uteroplacentária durante o parto); (3) Hipercoagulabilidade (o estado hipercoagulável é uma resposta natural ao excesso de hormônios femininos). Repouso no leito Risco aumenta quando > 3 dias. Doenças clínicas significativas Condições como pneumonia ou sepse com necessidade de internação aumentam o risco em 2 a 9 vezes. Doenças inflamatórias não infecciosas como doença inflamatória intestinal, lúpus e síndrome nefrótica aumentam o risco. Trombofilias hereditárias Risco depende do tipo de trombofilia, mas o aumento de risco varia entre 2 a 9 vezes. Viagens aéreas Risco aumenta se > 6 a 8 horas. Uso de anticoncepcionais orais com estrogênio O período de maior risco é nos primeiros meses. Cateter venoso central Associados com 50% dos TEV em membro superior. Insuficiência Respiratória aguda Principalmente se intubação orotraqueal. Insuficiência cardíaca Risco correlacionado com grau de disfunção sistólica. Costuma ser mais associada com risco de evolução desfavorável do que com a ocorrência de TEP. Vida sedentária Atividades laborativas que impliquem longos períodos sentado podem favorecer a ocorrência de trombose, caso existam fatores de risco concomitantes. Fatores de risco para tromboembolismo pulmonar ETIOLOGIA o Mais de 90% dos êmbolos pulmonares se originam de trombos em veias profundas dos membros inferiores. A TVP com maior risco de embolia significativa é a iliofemoral, e a com menor risco é a TVP de panturrilha, pois gera êmbolos pequenos. Entretanto, a TVP de panturrilha é a principal causa de TVP iliofemoral, em decorrência do deslocamento ascendente do trombo. Trombose em veias pélvicas também representa alto risco de TEP. Trombofilias hereditárias o Podem ser caracterizadas por: (1) Excesso de fatores pró-coagulantes; 47 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica (2) Deficiência de fatores anticoagulantes; (3) Alterações qualitativas de componentes do sistema hemostático; (4) Combinações dessas anomalias. o Apesar de poderem cursar com TVP espontânea, na maioria das vezes isso não ocorre. O evento trombótico quase sempre é desencadeado por um fator de risco adquirido. Entretanto, presença de mais de uma mutação genética constitui exceção. Ex.: Pacientes homozigotos para o fator V de Leiden apresentam risco de trombose 80 vezes maior que a população geral, de forma que os episódios de TVP espontânea são comuns. 1) Resistência à proteína C ativada o É a síndrome trombofílica hereditária mais comum. o Resulta de mutação do fator V de Leiden, que não pode ser clivado pela proteína C ativada. Dessa forma, o fator não consegue exercer seu efeito anticoagulante. o O risco de trombose ao longo da vida é 7X maior que o da população geral. 2) Mutação G20210A no gene da protrombina o É a segunda síndrome hereditária mais frequente. o O sítio genético alterado é uma região indutora da transcrição gênica, acarretando aumento dos níveis de protrombina (fator II), potencializando a ocorrência de trombose. 3) Deficiências de antitrombina, proteína C e proteína S o São mais raras, mas acarretam os maiores riscos de TEV. Deve-se suspeitar de trombofilia nas seguintes condições o TEV recorrente em pessoas jovens (< 50 anos); o TEV sem fatores de risco evidentes; o TEV em locais inusitados: vasos cerebrais (seio sagital), vasos viscerais (veias mesentéricas, supra-hepáticas, porta). o História familiar de TEV (principalmente se TEV recorrente e sem fatores de risco evidentes em parentes de 1º grau). FISIOPATOLOGIA Consequências pulmonares o O tromboembolismo pulmonar ocorre quando o trombo, ou parte dele, se desloca de seu local de origem atingindo a circulação pulmonar. o Pacientes sem doença cardíaca ou pulmonar prévia geralmente começam a apresentar sintomas com obstrução de 20% da vasculatura pulmonar. o Grandes trombos geralmente impactam na bifurcação do tronco da artéria pulmonar, sendo chamados “em sela”. Este achado indica maior incidência de instabilidade hemodinâmica e mortalidade. O alojamento de trombos em ramos mais distantes da artéria pulmonar permite a classificação do TEP como lobar, segmentar ou subsegmentar, a depender da localização anatômica. Entretanto, necrópsias apontam que, na maioria das vezes, a embolização pulmonar é múltipla e afeta principalmente os lobos inferiores. Nesse contexto, infere- se que a maioria dos eventos embólicos pulmonares com Formação dos trombos o Os trombos venosos são formados por fibrina, glóbulos vermelhos, plaquetas e neutrófilos. Se desenvolvem em um ambiente de estase, baixa tensão de oxigênio, estresse oxidativo, aumento da expressão de produtos de genes pró-inflamatórios e de capacidade reguladora da célula endotelial diminuída. o Processos que cursam com inflamação e hipóxia induzem a ativação endotelial e a expressão de moléculas de adesão (P-seletina e E-seletina). Consequentemente, ocorre a ativação e adesão de plaquetas ao endotélio. o Plaquetas ativadas liberam micropartículas pró- coagulantes e mediadores pró-inflamatórios, intensificando o processo. o Leucócitos e fator tecidual também se ligam ao endotélio ativado e os leucócitos passam a expressar o fator tecidual, que atua na via extrínseca da coagulação contribuindo para formação de trombina, que converte o fibrinogênio em fibrina. o Todos estes processos contribuem para a ativação da cascata de coagulação e formação do trombo. 48 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 repercussões clínicas são precedidos por eventos despercebidos. o As repercussões hemodinâmicas do TEV dependerão dos seguintes fatores: • Percentual da área arterial pulmonar ocluída; • Reserva contrátil do VD; • Repercussão nos mediadores humorais plaquetários; • Comorbidade cardiopulmonar prévia. o A hipoxemia do parênquima pulmonar induz o desenvolvimento de áreas bem ventiladas e mal perfundidas, caracterizando aumento do “espaço morto”. o A isquemia alveolar acarreta liberação de diversos mediadores inflamatórios, como serotonina e tromboxano, que inibem a produção de surfactante pulmonar pelos pneumócitos tipo II. Dessa forma, áreas do parênquima distantes do território hipoperfundido sofrem atelectasia. Além disso, os mediadores inflamatórios induzem broncoespasmo difuso, prejudicando a ventilação. o As áreas de parênquima pulmonar bem perfundido desenvolvem atelectasia e broncoespasmo, tornando-se hipoventiladas. Nessas regiões ocorre o fenômeno de shunt direita-esquerda intrapulmonar, ou seja, o sangue desoxigenado permanece nesta condição mesmo após atravessar as áreas onde deveria receber oxigênio. ➔ Nota-se, portanto, que o tromboembolismo pulmonar é marcado por importante desequilíbrio na relação ventilação-perfusão (V/Q), acarretando hipoxemia. o Outra consequência da embolia pulmonar é a taquidispneia, que decorre da estimulação dos receptores J alveolares pelos mediadores inflamatórios liberados, desencadeando hiperventilação reflexa. Consequências cardiocirculatórias o A principal alteração é o aumento da resistência vascular pulmonar, que se deve aos seguintes mecanismos: • Obstrução mecânica pelos êmbolos; • Vasoespasmo secundário à liberação de mediadores inflamatórios; • Hipoxemia (a PaO2 baixa promove vasoconstrição). o O resultado é a hipertensão pulmonar aguda, que sobrecarrega o ventrículo direito. o O VD se dilata em decorrência do aumento da pós-carga, a fim de manter o débito cardíaco. Entretanto, se o aumento for muitointenso, o débito diminui em decorrência dos seguintes mecanismos: (1) O aumento da resistência pulmonar dificulta e ejeção do sangue; (2) Disfunção isquêmica do VD → A dilatação do VD aumenta a tensão em suas paredes, o que dificulta o fluxo sanguíneo coronariano e eleva a demanda metabólica do miocárdio, culminando em infarto agudo do VD. • Níveis séricos elevados de troponina e peptídeo natriurético tipo B (BNP se eleva em condições de dilatação das cavidades cardíacas) indicam insuficiência cardíaca direita, aumento do risco de choque circulatório e de morte. • Aumento de troponina associa-se ao aumento do risco de morte em 5,2 a 5,9 vezes. o A embolia maciça ocorre em condições de colapso circulatório agudo, marcado pela hipotensão e choque. Nesse contexto, observa-se redução do débito cardíaco, que se deve à redução do débito sistólico do VD associada ao abaulamento do septo interventricular em direção à cavidade do VE, reduzindo seu volume. Este quadro é denominado cor pulmonale agudo. o Os dois principais mecanismos de morte por TEP são a oclusão abrupta da artéria pulmonar e o efeito isquêmico no sistema de condução de His-Purkinje. Cerca de 1/3 dos sobreviventes apresenta disfunção cardíaca direita persistente e sintomas graves, e cerca de 5% evoluem com hipertensão pulmonar crônica e dispneia incapacitante. QUADRO CLÍNICO o Do ponto de vista hemodinâmico, os pacientes podem se apresentar instáveis ou estáveis. • A instabilidade é caracterizada por hipotensão arterial manifesta, com PAS < 90 mmHg ou queda da PAS em mais de 40 mmHg do basal durante mais de 15 min, ou hipotensão com necessidade de uso de inotrópicos. 49 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Os achados clínicos do TEP são muito variáveis, de forma que pacientes com embolizações semelhantes podem ter quadros clínicos muito diferentes por diversos fatores. o A principal forma de apresentação é a de dispneia não explicada por achados de ausculta, alterações no ECG ou radiografia de tórax. o A tríade clássica do TEP marcada por dispneia, dor torácica pleurítica e hemoptise ocorre na minoria dos casos. o A dispneia é o sintoma mais frequentemente relatado (80%), mas dispneia ao repouso ocorre somente em 50% dos pacientes. o O segundo sintoma mais comum é a dor torácica com caráter pleurítico (quando o trombo se aloja próximo à pleura) ou subesternal, simulando uma SCA (sobrecarga aguda e/ou isquemia do VD). o Infarto pulmonar nos segmentos basais pode se manifestar como dor referida no ombro ou dor similar à cólica ureteral. o 1 a 2% dos pacientes apresentam sintomas neurológicos, como convulsão ou confusão mental. Outros 17% podem apresentar síncope. Exame físico o Achados sugestivos de hipertensão pulmonar como B2 hiperfonética e sopro em foco tricúspide podem estar presentes. o Sinais vitais anormais, como taquicardia, taquipneia, pulso fino, baixa saturação de O2 na oximetria e, às vezes, febre baixa sugerem estresse cardiorrespiratório agudo. o Cerca de 10% dos pacientes com TEP apresentam temperatura > 38 °C e menos de 2% apresentam temperatura > 39°C. o A maioria dos pacientes têm pulmões limpos na ausculta. Sibilos ou estertores bilaterais permitem diagnóstico diferencial de broncoespasmo ou de pneumonia, mas não excluem TEP. Trombose venosa profunda o A clínica de TVP deve ser pesquisada. Geralmente manifesta-se por dor, edema, eritema em membros inferiores, e palpação de um cordão venoso endurecido (tromboflebite) na coxa e/ou na panturrilha. o Entretanto, a maioria dos casos não apresenta sinais e sintomas. o O sinal de Homans, caracterizado por dor à dorsiflexão do pé, apresenta baixa sensibilidade e especificidade. o TVP muito extensa pode evoluir como duas síndromes: • Phlegmasia Alba Dolens → quadro típico de TVP, marcado por dor, edema e empastamento, acompanhado de palidez do membro. • Phlegmasia Cerulea Dolens → caracteriza-se por cianose, causada pela estase sanguínea, que leva à hipóxia. Representa a evolução da Phlegmasia Alba Dolens. CLASSIFICAÇÃO 1) TEP maciço o Caracteriza-se por PAS < 90 mmHg, ou queda ≥ 40 mmHg na PAS basal durante mais de 15 min, não sendo explicada por outros motivos como hipovolemia, sepse ou arritmias. o É causado por obstrução, geralmente bilateral, em pelo menos 50% do leito arterial pulmonar. o Esses pacientes são suscetíveis a desenvolver choque cardiogênico e falência de múltiplos órgãos. o Insuficiência renal, disfunção hepática e alteração do estado mental são achados comuns. o A dispneia, geralmente, é o principal sintoma. Cianose transitória é comum, bem como hipotensão arterial sistêmica, com necessidade de suporte vasopressor. 2) TEP moderado a grave (submaciço) o Caracteriza-se por PA normal e presença de dilatação e hipocinesia do VD ao ecocardiograma. Observa-se elevação da troponina, ou BNP. o Normalmente, um terço ou mais da vasculatura arterial pulmonar encontra-se obstruído nestes pacientes. o A cintilografia de ventilação/perfusão geralmente mostra que cerca de 30% dos campos pulmonares não estão sendo perfundidos. o Disfunção do VD é marcador de mortalidade intra- hospitalar. o Esses pacientes podem apresentar TEP recorrente, mesmo com anticoagulação adequada. 3) TEP de baixo risco o Caracteriza-se por PA normal e ausência de disfunção do VD e de liberação de biomarcadores cardíacos. Não há marcadores de prognóstico adverso. 4) Infarto pulmonar o Caracteriza-se por dor torácica pleurítica, que pode ser persistente ou pode aumentar e diminuir subsequentemente. Hemoptise pode ser associada. 50 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o Nesses casos, o êmbolo aloja-se na árvore arterial pulmonar periférica, próximo à pleura. O infarto se desenvolve, normalmente, em 3 a 7 dias após a embolia. o Sinais e sintomas incluem febre, leucocitose, VHS elevada e evidência radiológica de infarto. 5) Embolia paradoxal o Pode manifestar-se com AVE repentino. o É causada por uma TVP que emboliza para o sistema arterial, geralmente através de um forame oval patente. EXAMES DIAGNÓSTICOS 1) INESPECÍFICOS o Devem ser solicitados para todo paciente com suspeita de TEP. 1.1) Radiografia de tórax o A maior parte dos casos de TEP evolui com alterações inespecíficas na radiografia de tórax, sendo comuns: cardiomegalia, atelectasia, derrame pleural, infiltrados no parênquima. o Sinais específicos de TEP raramente estão presentes, sendo, portanto, muito pouco sensíveis: • Sinal de Westermark: área em forma de cunha de oligoemia pulmonar. Geralmente indica obstrução completa da artéria lobar. • Corcova de Hampton: opacificação periférica em formato de cúpula. Indica infarto pulmonar. • Sinal de Fleichner (Palla): artéria pulmonar central distendida. 1.2) Eletrocardiograma o É útil para excluir a possibilidade de IAM. A alteração mais comum, porém inespecífica, é a taquicardia sinusal. o Anormalidades de onda T e do segmento ST também são frequentes. o Sinais indicadores de gravidade relacionam-se à sobrecarga do VD. o A síndrome S1 Q3 T3 (onda S em D1, onda Q em D3 e onda T invertida em D3) ocorre em 10 a 15% dos pacientes, 51 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica principalmente, naqueles com embolia pulmonar maciça e cor pulmonale agudo, indicando elevação de pressões em câmaras direitas. 1.3) Oximetria depulso e gasometria arterial o A oximetria de pulso média é menor em pacientes com TEP do que em pacientes sem TEP, embora possa ser normal mesmo em pacientes com a doença. o A maioria dos pacientes com TEP apresenta hipoxemia no sangue arterial, bem como hipocapnia, achados indicativos de alcalose respiratória por taquipneia (a ventilação minuto aumenta em 20 a 50% para compensar a perda de eficiência pulmonar secundária ao aumento do espaço morto). o A gasometria é normal em cerca de 30% dos casos. o Pacientes jovens, com boa reserva cardiopulmonar, podem desenvolver TEP e apresentar níveis normais de oxigênio. o No TEP maciço, com choque cardiogênico, é comum o achado de acidose mista, ou seja, de origem respiratória e lática. 1.4) Ecocardiograma o Não exclui o diagnóstico de TEP (valor preditivo negativo = 40 a 50%). É útil para estratificar o TEP. o Disfunção do VD identificada pelo ecocardiograma é um marcador de mau prognóstico. • Sinais típicos de sobrecarga aguda do VD: dilatação da cavidade e afinamento das paredes, hipocinesia e regurgitação tricúspide. São observados em 30 a 40% dos casos, sendo mais frequentes no TEP maciço. • Sobrecarga crônica do VD: hipertrofia miocárdica. • No cor pulmonale crônico, a hipocinesia do VD geralmente é difusa. Já no cor pulmonale agudo, apenas a parede basolateral está disfuncionante, enquanto o ápice se contrai normalmente (sinal de McConnell). o A maioria dos casos de TEP cursam com eco normal. o Presença de trombo na cavidade ventricular direita é um achado muito sugestivo de TEP, mas é incomum, sendo encontrado em apenas 4% dos casos. o Ecocardiograma transesofágico pode ser usado para demonstrar a presença de trombos tanto no tronco quanto nos principais ramos da artéria pulmonar. É útil principalmente nos pacientes instáveis, que não podem ser conduzidos ao aparelho de tomografia, pois permite confirmar o diagnóstico. 1.5) Marcadores bioquímicos Troponinas cardioespecíficas (TnI e TnT) e BNP o Não são utilizadas para diagnóstico de TEP, mas podem ser úteis na estratificação de risco dos pacientes com TEP confirmado. o Níveis elevados de troponinas cardioespecíficas indicam presença de microlesões miocárdicas na parede do VD, secundárias à sobrecarga aguda dessa câmara. Valores muito aumentados indicam mau prognóstico nos primeiros 30 dias. o Aumento de BNP relaciona-se à dilatação ventricular. Quando associado à altos níveis de troponina permite avaliar o prognóstico do paciente. • TnT > 0,07 mcg/L + BNP > 600 associam-se à mortalidade em 40 dias de 33%. • BNP < 600 ng/L associa-se à mortalidade próxima de 0. o Quando são observados níveis elevados de troponina associados à disfunção de VD identificada pelo ecocardiograma, recomenda-se o uso de drogas trombolíticas. D-dímero o Coágulos de sangue contêm fibrina em sua composição, que é degradada naturalmente por ação da plasmina liberando a proteína D-dímero no sangue. o A dosagem de D-dímero é o principal exame para excluir TEV, pois apresenta alta sensibilidade e baixa especificidade para o diagnóstico. Entretanto, apesar de sua alta sensibilidade, não pode ser utilizado isoladamente para confirmar o diagnóstico de TEV. o Os valores de D-dímero aumentam com a idade, de forma que o valor normal em pacientes com mais de 50 anos é: idade em anos X 10 µg/mL. o Causas de elevação dos níveis de D-dímero: • Hematomas subcutâneos; • Feridas cirúrgicas; • Necrose cutânea; • Queimaduras; • Efusões pleurais; • Ascite; • Neoplasias; • Isquemia coronariana; • Insuficiência renal; • Insuficiência hepática; • Eclâmpsia; • Cirurgias. TEP no paciente intubado o Pacientes graves apresentam alto risco de TEP, mesmo sob profilaxia adequada. o Se houver suspeita clínica, deve-se calcular o espaço morto alveolar pela seguinte fórmula: (PaCO2 – CO2 exalado) / PaCO2. - Quando aumentado (acima de 20%), indica oclusão na circulação arterial pulmonar. 52 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o O algoritmo YEARS permite excluir TEP com D-dímero menor que 1000 µg/mL em pacientes sem nenhum dos seguintes achados: (1) Sinais clínicos de TVP; (2) Hemoptise; (3) TEP não é a principal hipótese diagnóstica. 2) ESPECÍFICOS 2.1) Ecodoppler de membros inferiores o É o melhor exame para identificação de TVP iliofemoral. o O principal critério ultrassonográfico indicativo de obstrução venosa é a perda da compressibilidade vascular, reconhecida pelo não colabamento do lúmen vascular quando pressiona-se o transdutor contra a pele. o Em alguns casos é possível visualizar o trombo. Quando agudo tem aspecto hipoecoico e homogêneo. o A compressão da panturrilha tende a aumentar o fluxo venoso, que é analisado pelo doppler, entretanto, isso não ocorre nos casos de TVP importante. o Resultado normal de ecodoppler não exclui a possibilidade de TEP, pois o trombo pode ter se deslocado ou se localiza nas veias pélvicas, que não são analisadas por este método. o Este exame não é indicado para investigação de TEP, pois é positivo em apenas 30 a 50% dos pacientes. É reservado para pacientes com contraindicações para realizar a angiotomografia e/ou para complementar a cintilografia ou angiotomografia inconclusivas. 2.2) Cintilografia ventilação-perfusão (V/Q) o Atualmente, este exame serve como alternativa para pacientes que não podem receber contraste iodado ou se submeter à radiação como em gestantes, histórico de anafilaxia com contraste endovenoso, ou portadores de doença renal crônica. o A cintilografia de perfusão baseia-se na injeção intravenosa de albumina marcada com tecnécio radioativo, que serão retidos na rede capilar pulmonar indicando áreas de parênquima perfundidas adequadamente. o A cintilografia de ventilação é utilizada para aumentar a especificidade do teste. Consiste na inalação de xenônio radioativo. • Presença de áreas mal perfundidas devem ser avaliadas quando à ventilação. Se forem mal ventiladas, a baixa perfusão local provavelmente é justificada por uma doença do parênquima. • Presença de duas ou mais áreas centrais mal perfundidas em forma de cunha e bem ventiladas indicam presença de doença vascular pulmonar, provavelmente embólica. o A cintilografia normal exclui o diagnóstico de TEP na maioria dos casos, pois apresenta elevado valor preditivo negativo. Entretanto, nos casos de TEP maciço, que são provocados por êmbolos em sela, há comprometimento geral da perfusão pulmonar de forma que o exame não possibilita exclusão do diagnóstico desta patologia. o Presença de duas ou mais áreas segmentares mal perfundidas na cintilografia de perfusão, e cintilografia de ventilação demonstrando ventilação adequada dos dois campos pulmonares, configura exame de alta probabilidade para diagnóstico de TEP. Entretanto, tais achados também podem estar presentes correspondendo à sequelas de êmbolos antigos em pacientes com TEP prévio. Dessa forma, deve-se comparar o exame atual com exames prévios para definir a probabilidade diagnóstica. o O estudo PIOPED, que comparou a cintilografia V/Q com a arteriografia pulmonar, revelou que em 72% dos casos o resultado da cintilografia não confirmou ou excluiu o diagnóstico de TEP. Além disso, mesmo quando a cintilografia indica baixa ou média probabilidade de TEP, sua prevalência ainda pode ser elevada, principalmente quando a suspeita clínica é forte. 2.3) Angiotomografia de tórax o É o teste de escolha na investigação inicial do TEP. Sua sensibilidade é de cerca de 83%, e a especificidade é superior a 90%. o Sua realização é indicada em pacientes com probabilidade clínica pré-teste alta ou naqueles com D-dímero positivo. o Possibilita a identificação do coágulocomo um defeito de enchimento das artérias pulmonares com contraste. Além disso, permite a detecção de diagnósticos diferenciais, como pneumonia. 53 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica Nesta imagem é possível observar a falha de enchimento por contraste em ambas as artérias pulmonares, caracterizando TEP proximal. A hipertensão pulmonar é sugerida pelo calibre da artéria pulmonar maior que o da aorta. o A venotomografia permite detecção de TVP. o Além de possibilitar o diagnóstico, este exame também pode ser utilizado para determinar o prognóstico do paciente, uma vez que permite a identificação da dilatação do VD. o Complicações: • Anafilaxia ou edema pulmonar desencadeados por contraste; • Nefropatia por contraste; • Extravasamento de contraste em um membro, que pode causar dor, síndrome compartimental ou tromboflebite secundária. 2.4) Angiorressonância o Apresenta alta acurácia para detecção de TVP. o Entretanto, é de difícil realização em pacientes instáveis e demanda mais tempo em relação à TC. 2.5) Arteriografia pulmonar o Era o exame parão-ouro para diagnóstico de TEP, mas vem sendo substituído pela angiotomografia de artérias pulmonares. Atualmente é mais utilizado para guiar terapêuticas invasivas. o É um exame pouco disponível, caro e invasivo. o Baseia-se no cateterismo da artéria pulmonar, com injeção direta do contraste em seu lúmen. O TEP é identificado pela presença de uma falha de enchimento no leito arterial pulmonar, ou então pela interrupção abrupta de um vaso. o É indicada, principalmente, para confirmar o diagnóstico de pacientes candidatos à terapia intervencionista endovascular (embolectomia por cateter), uma vez que a arteriografia localiza o êmbolo com exatidão facilitando o posicionamento do cateter, que será utilizado para fragmentação e aspiração do material trombótico. ABORDAGEM DIAGNÓSTICA o Muitas vezes o diagnóstico é difícil, pois o quadro clínico é muito variável e depende da “carga embólica” e da função cardiorrespiratória basal do indivíduo. Desta forma, não há como confirmar ou excluir essa entidade apenas com dados clínicos, sendo necessários exames complementares. o Em todos os pacientes com suspeita de TEP, o primeiro passo é determinar a probabilidade clínica pré-teste desta enfermidade. o O escore de Wells avalia tanto a probabilidade pré-teste de TVP quanto de TEP. o Pacientes classificados como baixo risco apresentam probabilidade de 10 a 12% de apresentar TEP, moderado risco de 30%, e alto risco de 65%. Escore de Wells: probabilidade de TVP Pontuação Câncer atual, ou tratado nos últimos 6 meses. 1 Paralisia, paresia ou imobilização (ex.: gesso) no membro inferior. 1 Restrição ao leito por mais de 3 dias ou cirurgia nas últimas 12 semanas. 1 Dor localizada sobre o sistema venoso profundo. 1 Edema com cacifo. 1 Edema em todo o membro inferior. 1 Assimetria maior que 3 cm entre uma perna e outra (medida 10 cm abaixo da tuberosidade tibial). 1 Edema depressível confinado ao membro sintomático. 1 Circulação colateral não varicosa. 1 Um outro diagnóstico é mais provável que TVP. -2 ➔ Probabilidade baixa: 0. ➔ Probabilidade intermediária: 1-2 pontos. ➔ Alta probabilidade: 3 pontos ou mais. Escore de Wells: probabilidade de TEP Pontuação Clínica de TVP (dor, edema, eritema e palpação de cordão venoso no membro inferior). 3 Um diagnóstico alternativo é menos provável que TEP. 3 FC > 100 bpm. 1,5 Imobilização > 3 dias ou cirurgia nas últimas 4 semanas. 1,5 Episódio prévio de TVP/TEP. 1,5 Hemoptise. 1 Câncer (atual ou tratado nos últimos 6 meses). 1 ➔ Probabilidade baixa: 0-1. ➔ Probabilidade intermediária: 2-6. ➔ Probabilidade alta: ≥7. Pacientes com probabilidade pré-teste alta o Nos pacientes com probabilidade pré-teste alta, a primeira dose de anticoagulação deve ser administrada antes da confirmação diagnóstica. o Para diagnóstico de TVP o método não invasivo padrão- ouro é o ecodoppler de membros inferiores. o Para diagnóstico de TEP, o melhor método não invasivo é a angiotomografia de tórax com tomógrafo helicoidal, acompanhada ou não de uma venotomografia dos membros inferiores, para detectar TVP concomitante. A cintilografia V/Q é uma opção para pacientes gestantes, portadores de insuficiência renal ou com histórico de reação adversa prévia ao contraste. 54 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o A identificação de TVP nos membros inferiores quando se suspeita de TEP permite o início da terapêutica anticoagulante. Pacientes com probabilidade pré-teste moderada/baixa o No caso de probabilidade pré-teste baixa pode-se aplicar o escore PERC para descartar a suspeita de TEP. Quando a resposta for negativa para todos os fatores, a suspeita de TEP pode ser considerada descartada, com a probabilidade diagnóstica < 2%. o Se o diagnóstico de TEP não puder ser excluído com a regra PERC, deve-se realizar a dosagem do d-dímero. Níveis abaixo de 500 ng/dl tem alto valor preditivo negativo, permitindo excluir a possibilidade de TEP. ESTRATIFICAÇÃO APÓS CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA o Pacientes com TEP confirmado devem ser classificados e estratificados de acordo com a gravidade do quadro. Para tanto, deve-se calcular o escore PESI (Pulmonary Embolism Severity Risk). o PESI classe I e II → baixo risco. Podem receber tratamento domiciliar ou alta precoce, que é definida por alta antes de 5 dias de internação hospitalar. o Pacientes PESI III e IV devem realizar: • Dosagem de troponina e BNP; • Aferição de disfunção de VD a partir do ecocardiograma ou TC contrastada; ➔ Caso apenas um dos 2 acima venha alterado, o paciente é classificado como de risco intermediário- 55 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica baixo. Deve-se prosseguir a internação e monitorização. ➔ Caso os dois venham alterados, o paciente é classificado como risco intermediário alto. Além de internação e monitorização, deve-se atentar para sinais de descompensação hemodinâmica, que indica trombólise. o Os critérios HESTIA representam outra forma de selecionar pacientes de baixo risco que podem realizar o tratamento em regime ambulatorial. Se todas as respostas forem negativas, e o paciente for classificado como PESI I ou II, é possível indicar o tratamento ambulatorial. TRATAMENTO Em todos os pacientes com suspeita de TEP, deve-se assegurar o suporte hemodinâmico e respiratório. SUPORTE HEMODINÂMICO o A principal causa de morte no TEP é a falência de VD, que leva a baixo débito cardíaco, o As seguintes medidas são recomendadas: (1) Cristaloide em bolus de até 500 mL • Recomendado para pacientes hipotensos. • Pode ser utilizado como primeira tentativa para melhorar a hipotensão e o índice cardíaco antes da introdução de drogas vasoativas. • Reposição volêmica agressiva pode ser prejudicial e piorar o estresse de VD. (2) Drogas vasoativas → Melhoram o inotropismo cardíaco, elevam a PA e garantem perfusão tecidual adequada. • Norepinefrina (0,2 a 1,0 mcg/kg/min) → aumenta a PAS, melhora a perfusão coronariana e a função de VD. Seu uso deve ser limitado a pacientes com choque cardiogênico. • Dobutamina (2-20 mcg/kg/min) → indicada para pacientes com índice cardíaco reduzido. Geralmente é a primeira droga prescrita a fim de melhorar o débito de VD. • Pacientes sem resposta → recomenda-se o uso desuporte extracorpóreo (ECMO), entretanto, seu uso por mais de 5 a 10 dias pode levar a complicações como sangramento e infecções. SUPORTE RESPIRATÓRIO o Oxigenioterapia é indicada quando a saturação de O2 for inferior a 90%. o Técnicas como cânula nasal de alto fluxo ou VNI devem ser tentadas antes da instituição de ventilação mecânica invasiva. Entretanto, tais pacientes devem ser monitorizados de forma intensiva para não atrasar a indicação de intubação orotraqueal. o Se a ventilação mecânica for necessária, deve-se evitar o uso de drogas hipotensoras na sedação, dando preferência à quetamina se hipotensão importante ou choque. ANTICOAGULAÇÃO o Pacientes que não evoluem a óbito nas duas primeiras horas após o TEP geralmente o fazem posteriormente por recorrência da embolia. A anticoagulação evita a formação de novos coágulos e permite que a fibrinólise endógena continue. o As drogas mais utilizadas são heparina não fracionada e heparina de baixo peso molecular. A rivaroxabana por via oral também pode ser utilizada. Dabigatrana e edoxabana também podem ser usadas, mas necessitam de anticoagulação com heparina inicial. o Em pacientes com probabilidade pré-teste de TEP > 20%, recomenda-se a anticoagulação empírica. o O estado de anticoagulação plena deve ser atingido nas primeiras 24 horas de terapia. o Recomenda-se que pacientes com suspeita de TEP evitem a deambulação até que estejam plenamente anticoagulados. Na TVP isolada esta medida não é necessária. 1) Parenteral 1.1) Heparina de baixo peso molecular o Atua como inibidor do fator Xa. 56 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o É a primeira escolha em pacientes sem instabilidade hemodinâmica. Tem menor risco de sangramento maior e menor incidência de trombocitopenia induzida pela heparina. o Seu uso deve ser iniciado de forma conjunta ao cumarínico (varfarina). Uma vez atingido o efeito anticoagulante do cumarínico, que leva de 5 a 7 dias, deve-se suspender a heparina de baixo peso molecular. o Pacientes portadores de câncer que desenvolvem TEP devem ser tratados com heparina de baixo peso molecular em monoterapia indefinidamente, ou até que o paciente seja curado da neoplasia. o Não usar se clearance de creatinina < 30 mL/min. o Não é necessário monitorar a anticoagulação a partir da dosagem do PTTa, pois as moléculas de HBPM possuem biodisponibilidade relativamente uniforme ao longo do tempo. o Seu tempo de meia-vida é maior que o da HNF, correspondendo a 12 horas, o que dificulta a rápida reversão da anticoagulação caso seja necessário realizar um procedimento invasivo de urgência. Principais representantes: o Enoxaparina SC: 1,5 mg/kg de peso, uma vez ao dia. o Dalteparina: 200 unidades/kg de peso, uma vez ao dia (medicação mais validada em pacientes com neoplasia). o Nadroparina: 171 unidades/kg de peso, uma vez ao dia (evitar em pacientes com > 100 kg). o Tinzaparina: 175 unidades/kg de peso, uma vez ao dia (evitar em pacientes com > 70 anos de idade). ➔ O antifator Xa, que representa o componente ativo da HBPM e reflete seu efeito anticoagulante, deve ser dosado 4 hrs após a administração do fármaco nas seguintes situações: obesidade mórbida (> 150 kg), baixo peso (< 40 kg), gestantes, disfunção renal (aguda ou crônica). A posologia deve ser ajustada com o objetivo de manter os níveis séricos em torno de 0,6 a 1,0 U/mL. 1.2) Heparina não fracionada o É a primeira escolha para pacientes em diálise ou com doença renal crônica avançada (clearance de creatinina < 30 mL/min), instabilidade hemodinâmica, extremos de peso e idade e pacientes com alto risco de sangramento. o Sua administração deve ser feita em bomba infusora, ajustando-se a taxa de infusão contínua a partir do tempo de tromboplastina parcial ativada (PTTa), que deve ser mensurado a cada 6 hrs. Níveis de PTTa 1,5 a 2,5 vezes acima do valor do controle (60-80 segundos) indicam garantia da anticoagulação. o Deve ser utilizada no seguinte esquema: Dose de ataque de 80 UI/kg endovenosa (alternativa dose única de 5.000 U). Infusão contínua com dose inicial de 18 UI/kg/h e ajuste da dose pelo TTPA com objetivo de atingir valores de 1,5- 2,5. o A trombocitopenia induzida por heparina é a complicação mais grave associada ao uso deste fármaco. Geralmente ocorre a partir do 5º dia de uso. Decorre da produção de autoanticorpos contra o complexo heparina-fator IV plaquetário, que promove intensa ativação plaquetária e, consequentemente, induz tromboses arteriais e venosas. O principal sinal é a queda progressiva na contagem plaquetária, que deve ser dosada no 3º e no 5º dia de uso desses fármacos. O tratamento deve ser suspenso quando a contagem for < 100.000 cél/ml ou < 50% do valor basal. Nesses casos, nenhuma outra forma de heparina poderá ser utilizada em substituição à HNF. Deve-se obrigatoriamente utilizar outro tipo de anticoagulante. o Gestantes anticoaguladas por longos períodos com HNF podem desenvolver osteoporose, principalmente com uso de doses > 20.000 UI/dia durante mais de 30 dias. o A relação TTPA deve ser verificada inicialmente a cada 6 horas e depois diariamente. o O tratamento deve ser descontinuado quando o RNI estiver em níveis adequados (RNI = 2-3) por 2 dias consecutivos. 1.3) Fondaparinux o Atua inibindo diretamente o fator Xa. o Não deve ser usado em pacientes com clearance de creatinina < 30 mL/min. o É um fármaco de alto custo e pouco disponível no Brasil. Não existe antídoto contra essa droga. o Representa boa opção para pacientes alérgicos à heparina ou com plaquetopenia induzida pela heparina. o É utilizado nas seguintes doses: Peso menor do que 50 kg: 5 mg SC, 1x/dia. Peso 50-100 kg: 7,5 mg SC, 1x/dia. Peso maior que 100 kg: 10 mg SC, 1x/dia. 57 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica 2) Oral o Deve ser instituída precocemente, na maioria das vezes de forma concomitante à anticoagulação parenteral. 2.1) Varfarina (antagonista de vitamina K) o Iniciada concomitantemente à anticoagulação parenteral (HBPM ou fondaparinux) e mantida por cerca de 5 a 7 dias, exceto nos pacientes com alto risco de sangramento. o Se a HNF for utilizada, recomenda-se iniciar a varfarina somente após se atingir o nível alvo do PTTa. o O efeito anticoagulante desta droga é avaliado pela dosagem do RNI, que deve ser mantido entre 2 e 3. As drogas parenterais podem ser suspensas após 2 dosagens do RNI em dois dias consecutivos com valores dentro dos limites alvo. o Dose inicial de 5 mg/dia, reajustada conforme RNI. Pacientes obesos podem necessitar de 7,5 a 10 mg/dia, já aqueles desnutridos ou que foram submetidos a um longo curso de antibioticoterapia devem receber 2,5 mg/dia, pois é comum que apresentem deficiência de vit. K. o Necrose cutânea induzida por Varfarina: caracteriza-se pelo surgimento de placas eritematosas em mamas, coxas e abdome. As lesões progridem para bolhas e necrose cutânea. É explicada pela trombose dos vasos cutâneos, que é causada por um estado de hipercoagulabilidade induzido por este fármaco em pacientes heterozigotos para deficiência de proteína C. 2.2) Rivaroxabana o É indicada quando se deseja fazer a anticoagulação totalmente por via oral, sem necessidade de anticoagulação parenteral inicial. o Não necessita de monitoração laboratorial. o Dose de 15 mg VO a cada 12 horas, por 21 dias, seguido de 20 mg VO 1X/dia. 2.3) Apixabana o Dose: 10 mg VO a cada 12h, por 7 dias, seguidos de 5 mg VO a cada 12h. o Também pode ser utilizada para anticoagulação totalmente por viaoral. o Não necessita de monitoração laboratorial. Em caso de disfunção renal deve-se reduzir a dose pela metade. TROMBOLÍTICOS o A administração destes fármacos só deve ser iniciada após confirmação do diagnóstico de TEP. o A única indicação absoluta para o uso de trombolíticos no TEP é a presença de instabilidade hemodinâmica. o A heparina deve ser suspensa até o término da infusão do trombolítico. Após este período, o PTTa deve ser dosado: • Se o valor for inferior a 2X o limite superior da normalidade, a heparina deve ser reiniciada sem dose de ataque. • Se o valor for maior que o limite superior da normalidade, deve-se solicitar novo PTTa em 4 horas. o Associa-se à maior taxa de desfechos favoráveis quando realizada em até 48 horas, mas a janela de benefício terapêutico é de até 14 dias. o Em pacientes com suspeita de TEP e hemodinamicamente instáveis com dilatação de ventrículo direito ao ecocardiograma deve-se realizar angiotomografia de tórax; caso confirmado o diagnóstico de TEP, deve-se considerar a trombólise. Tempo de anticoagulação o Pacientes com TEP causado por cirurgia ou fator de risco transitório → 3 meses. o Pacientes sem fator precipitante de TEP → 3 meses. o Pacientes com um episódio seguido de TEV → risco moderado de sangramento: + de 3 meses / alto risco de sangramento: 3 meses. o Pacientes com neoplasia maligna ativa → até a neoplasia ser controlada. o Pacientes com TEV sem fator provocativo claro devem usar aspirina após a interrupção da anticoagulação. 58 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 FILTRO DE VEIA CAVA INFERIOR o É uma abordagem utilizada principalmente para pacientes com contraindicações a anticoagulação. o Impedem a recidiva do TEP em curto prazo, mas aumentam o risco de TVP em longo prazo. Dessa forma, devem ser posteriormente retirados sempre que possível. Indicações OBS.: Somente as duas primeiras são consensuais. TERAPIA INTERVENCIONISTA o Promove a desobstrução do leito arterial pulmonar a partir das seguintes abordagens: (1) Trombolítico intra-arterial; (2) Embolectomia succional; (3) Embolectomia por fragmentação; (4) Outros métodos. o Indicações: Pacientes com embolia maciça, instáveis hemodinamicamente e que apresentam contraindicações ao trombolítico ou refratariedade ao trombolítico. Conduta na embolia pulmonar maciça o Caracteriza-se por insuficiência respiratória, choque, dissociação eletromecânica ou assistolia. o Deve-se infundir solução salina, administrar aminas vasoativas para suporte pressórico e dobutamina. o IOT e trombolíticos são recomendados. o Pacientes com contraindicações à heparinização ou à trombólise devem ser abordados com embolectomia intervencionista. Filtro de veia cava deve ser instalado para evitar recorrências. 59 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica PREVENÇÃO PACIENTES CIRÚRGICOS o Os pacientes devem ser classificados em alto, intermediário e baixo risco. Pacientes de moderado ou alto risco o Devem receber profilaxia farmacológica, exceto na vigência de contraindicações, durante o período de internação ou enquanto persistirem os fatores de risco. o Os seguintes pacientes de alto risco devem manter profilaxia farmacológica durante 1 mês após a alta: • Artroplastia total de quadril; • Osteossíntese de fratura de quadril; • Ressecção de câncer abdominal ou pélvico. (a) Heparina não fracionada o 5000 UI SC 2 horas antes de procedimentos cirúrgicos de alto risco, seguindo-se 5.000 UI de 8/8 hrs. o Não é necessário monitorizar o PTT, somente a contagem plaquetária. (b) Heparina de baixo peso molecular o É a primeira escolha. o Representam risco de trombocitopenia induzida por heparina menor que a HNF. o Enoxaparina 40 mg SC 1X/dia. Contraindicações à heparina profilática Absolutas Relativas Hemorragia aguda a partir de feridas, drenos ou lesões. Coagulopatia com RNI > 1,5. Hemorragia intracraniana nas últimas 24 hrs. Lesão ou neoplasia intracraniana sem sangramento. Trombocitopenia induzida por heparina. Trombocitopenia < 50.000. Trauma grave em crânio, coluna ou extremidades. Hemorragia intracraniana nos últimos 6 meses. Anestesia epidural nas últimas 12 horas. Hemorragia gastrointestinal ou geniturinária nos últimos 6 meses. (c) Fondaparinux o É superior à HBPM na prevenção de TEV no pós-operatório de cirurgias ortopédicas, como artroplastias de quadril e joelho, além de cirurgia para correção de fratura de quadril. o Dose: 2,5 mg SC 1X/dia (d) Cumarínicos 60 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o Podem ser usados para profilaxia em cirurgias de alto risco. o Varfarina pode ser administrada imediatamente antes ou logo após um procedimento cirúrgico, uma vez que seu efeito anticoagulante pleno só será alcançado em 5 a 7 dias. o É um método menos eficaz para profilaxia em relação à heparina. (d) Compressão pneumática intermitente dos membros inferiores o Este método evita a estase venosa, pois a compressão aumenta o fluxo nas veias profundas dos membros inferiores. o A principal vantagem é a ausência relativa de efeitos colaterais. Não deve ser usado em pós-operatórios de cirurgias arteriais, pois pode levar à isquemia de membros, ou em pacientes acamados há mais de 72 horas sem profilaxia de TEV, uma vez que pode levar ao deslocamento de trombos já formados. o Este método pode ser utilizado concomitantemente à heparina em pacientes de alto risco. o Pacientes com contraindicações ao uso de anticoagulantes devem obrigatoriamente utilizar este método. (e) Novos anticoagulantes o Dabigatrana e rivaroxabana podem ser utilizados para prevenção do TEV em pacientes submetidos às cirurgias de artroplastia total de joelho e artroplastia total de quadril. o Dose rivaroxabana: 10 mg 1X/dia. PACIENTES CLÍNICOS o Os pacientes devem ser estratificados de acordo com o escore de PADUA, que determina as seguintes categorias de risco: (1) Baixo risco: 0-3 pontos (risco de TEV < 0,3%) → não há necessidade de proxilaxia; (2) Alto risco: ≥ 4 pontos (risco de TEV > 11%) → indicar profilaxia Métodos não medicamentosos (a) Movimentação dos membros o O estímulo à deambulação precoce e à movimentação periódica, ativa ou passiva, enquanto o paciente permanecer acamado é uma das mais importantes medidas preventivas. (b) Meias elásticas o Seu uso precoce associado à deambulação é a primeira medida profilática a ser adotada entre os pacientes hospitalizados e acamados. o Podem ser utilizadas durante o procedimento cirúrgico se não houver prejuízo à realização do ato. (c) Compressão pneumática intermitente o Consiste na compressão do membro inferior pela insuflação sequencial e intermitente com pressões de 35, 30 e 20 mmHg no tornozelo, joelho e coxa respectivamente. o Aumenta a velocidade do fluxo venoso femoral. 61 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica Métodos medicamentosos o Variam de acordo com a condição do paciente. No caso de hospitalização por doença aguda, recomenda-se o uso dos seguintes fármacos: o Heparina não fracionada – 5000 UI SC 2 a 3X/dia. o Enoxaparina 40 mg SC 1X/dia. o Fondaparinux 2,5 mg SC 1X/dia. o Meias de compressão graduada ou pneumática. 62 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 ASMAINTRODUÇÃO o A asma é uma síndrome caracterizada pela obstrução reversível das vias aéreas, com frequência e intensidade variável, manifestando-se como dispneia, sibilos, tosse e sensação de “aperto no peito”. Sua etiologia é desconhecida. o Os pacientes podem ser assintomáticos nos intervalos entre as crises, ou podem apresentar sintomas residuais contínuos. o Esta enfermidade é marcada por um processo inflamatório crônico das vias aéreas inferiores, que gera hipersensibilidade à diferentes estímulos, os quais desencadeiam broncoespasmo. A inflamação se estende por toda a árvore traqueobrônquica, predominando nos brônquios de médio e pequeno calibre, mas não atinge os alvéolos. o Em pacientes não tratados, a persistência do processo inflamatório crônico induz o remodelamento brônquico, que acarreta alterações estruturais irreversíveis, como estreitamento do lúmen brônquico por fibrose, hipertrofia/hiperplasia da camada muscular e das glândulas submucosas, que passam a hipersecretar muco. EPIDEMIOLOGIA o A asma é uma das doenças crônicas mais comuns no mundo, acometendo cerca de 300 milhões de pessoas. o Afeta de 1 a 18% da população em diferentes países. o No Brasil existem cerca de 20 milhões portadores de asma. o Nos países em desenvolvimento a prevalência tende a aumentar com a urbanização. Já nos países desenvolvidos, observou-se aumento da prevalência nos últimos 30 anos, com tendência à estabilização atual. o A maioria dos pacientes asmáticos é atópica, apresentando a “asma alérgica”. Nesses casos, os principais desencadeadores de sintomas são aeroalérgenos provenientes dos ácaros encontrados na poeira domiciliar, bem como pólens de plantas e pelos de animais de estimação (principalmente gatos). o Pode começar em qualquer idade, mas o pico de incidência ocorre aos 3 anos. o Na infância, é 2X mais comum no sexo masculino, mas a relação entre os dois sexos se iguala na idade adulta. o Adultos asmáticos raramente se tornam assintomáticos de forma permanente. A gravidade do quadro não varia de forma significativa entre os pacientes. o Os principais fatores de risco para mortalidade por asma são: doença mal controlada com utilização frequente de broncodilatadores inalatórios; adesão baixa ou ausente ao tratamento com corticoides inalatórios; e internações hospitalares pregressas com um quadro quase letal de asma. FENÓTIPOS ASMÁTICOS ASMA ALÉRGICA (“EXTRÍNSECA”) o Corresponde a mais de 80% dos casos. o Geralmente se inicia na infância em pacientes com história pessoal ou familiar de atopia (eczema, rinite, alergia a alimentos ou medicamentos). o A inflamação das vias aéreas é marcada pela infiltração de eosinófilos. o Muito responsiva aos corticoides inalatórios. ASMA NÃO ALÉRGICA (“INTRÍNSECA”) o Tem início tardio, acomete principalmente mulheres, e não está associada à atopia. Tais pacientes tem testes cutâneos negativos aos alérgenos inalatórios comuns e concentrações séricas normais de IgE. o A inflamação das vias aéreas pode ser marcada pela presença de neutrófilos, eosinófilos ou ter pouca celularidade (paucigranulocítica). o Esses pacientes frequentemente apresentam pólipos nasais e podem ser sensíveis ao AAS. Em geral, a doença é mais grave e persistente. o É menos responsiva aos corticoides inalatórios. ASMA COM OBSTRUÇÃO AÉREA FIXA o É a asma de qualquer tipo, com longa duração e tratamento inadequado. o Perda irreversível da função pulmonar aumenta o risco de complicações e óbito. ASMA RELACIONADA À OBESIDADE o O aumento do IMC aumenta a prevalência de asma. A etiopatogenia desta relação é desconhecida, mas a perda ponderal pode melhorar o quadro. FATORES DE RISCO o A asma é uma doença multifatorial, que deriva da interação entre fatores genéticos e ambientais. 1) Atopia o É o principal fator de risco para asma. o Pacientes asmáticos frequentemente apresentam outras doenças atópicas, principalmente rinite alérgica (presente em mais de 80% dos asmáticos) e dermatite atópica. o Entretanto, apenas um pequeno percentual dos indivíduos atópicos desenvolve asma. o A atopia é causada pela produção geneticamente determinada de anticorpos IgE específicos. Diversos pacientes apresentam história familiar de doenças alérgicas. 2) Predisposição genética o Ainda não se sabe se os genes que predispõem à asma são semelhantes ou diferentes dos que predispõem à atopia. 63 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Há evidências de que a gravidade da doença possa ser determinada geneticamente. o Atualmente, acredita-se que a asma seja uma doença poligenética, ou seja, com base na interação entre diversos polimorfismos genéticos. o Provavelmente, fatores ambientais presentes nos primeiros anos de vida dos pacientes atópicos determinam quais deles serão asmáticos. 3) Alérgenos o Alérgenos inalados desencadeiam os sintomas asmáticos e também induzem a sensibilização alérgica. o Exposição aos ácaros da poeira doméstica nos primeiros anos da infância constitui fator de risco para sensibilização alérgica e asma. o Animais domésticos, principalmente gatos, foram associados à sensibilização alérgica, mas exposição à estes animais nos primeiros anos de vida pode conferir proteção por indução de tolerância. 4) Exposição ocupacional o Asma ocupacional pode acometer até 10% dos adultos jovens. o Substâncias químicas como di-isocianato de tolueno e anidrido trimetílico podem causar sensibilização independente da atopia. o O paciente pode ser sensibilizado por diversos alérgenos presentes em seu local de trabalho. o Deve-se suspeitar de asma ocupacional quando os sintomas melhoram nos finais de semana e nos feriados. 5) Obesidade o A asma é mais frequente em pessoas obesas (IMC > 30 kg/m2) e geralmente é de difícil controle. Fatores controversos 1) Mecanismos epigenéticos o Evidências indicam que alterações epigenéticos atuam particularmente no desenvolvimento precoce da asma. Tais alterações podem ocorrer no feto como resultado de exposições ambientais maternas. 2) Infecções o A hipótese da higiene propõe que a raridade de infecções nos primeiros anos de vida preserve a reatividade dos linfócitos Th2 presente ao nascer. A exposição a agentes infecciosos e às endotoxinas provoca um desvio para o predomínio da resposta Th1 protetora, associada a menor frequência de alergias. o Crianças que residem em locais úmidos e infestados por fungos têm mais asma. 3) Dieta o Dietas pobres em antioxidantes (vit. A e C), magnésio, selênio e gorduras poli-insaturadas ômega-3, ou ricas em sódio e gorduras poli-insaturadas ômega-6, associam-se a risco mais alto de desenvolver asma. o Deficiência de vit. D pode predispor ao desenvolvimento da doença. o Estudos de intervenção com suplementação dietética não confirmaram que os fatores dietéticos desempenhem papel importante. o Obesidade é fator de risco independente para asma, principalmente entre as mulheres. 4) Poluição do ar o Poluentes do ar, inclusive dióxido de enxofre, ozônio e partículas emanadas do diesel, podem desencadear sintomas de asma, mas a participação destes elementos na etiologia da asma não está claramente estabelecida, apesar de serem desencadeantes conhecidos das crises de broncoespasmo. o Algumas evidências associam o tabagismo materno ao aumento do risco de desenvolvimento de asma pelos filhos. FATORES DESENCADEANTES o Atuam estimulando o estreitamento das vias aéreas, os sibilos e a dispneia dos pacientes asmáticos. 1) Alérgenos o Alérgenos inalados ativam mastócitos, e a IgE ligada a essas células podepromover a liberação imediata dos mediadores broncoconstritores, resultando na resposta inicial que pode ser revertida pelos broncodilatadores. o Os alérgenos que mais desencadeiam asma são a espécie Dermatophagoides de ácaros presentes na poeira doméstica. o Outros exemplos são: pólens, pelos de animais, baratas, fungos, substâncias químicas como perfumes e produtos de limpeza. OBS.: Grãos de pólen geralmente causam rinite alérgica, uma vez que são retidos nas vias aéreas superiores. Entretanto, quando rompidos em partículas menores podem desencadear asma. 2) Infecções virais o As células epiteliais da mucosa respiratória dos pacientes asmáticos secretam menos interferon. Dessa forma, são mais suscetíveis às infecções virais. o As infecções das vias aéreas superiores causadas por vírus como rinovírus, vírus sincicial respiratório e coronavírus representam a principal etiologia de crise asmática, que corresponde à uma forma de exacerbação grave da doença. 64 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 3) Fármacos o Beta-bloqueadores podem promover piora aguda da asma ao induzir acentuação da broncoconstrição colinérgica. O uso deste fármaco pode ser fatal. o Ácido acetilsalicílico pode agravar a asma em alguns pacientes. o Betabloqueadores, AAS e AINE não têm contraindicação absoluta em todos os asmáticos. Cada paciente deve ser avaliado individualmente, aqueles com história de piora dos sintomas após o uso dessas medicações devem evita- las. 4) Exercício físico o É um fator desencadeante comum da asma, principalmente nas crianças. o A hiperventilação estimulada pelo exercício físico aumenta a osmolalidade do líquido que recobre as vias aéreas, e desencadeia a liberação dos mediadores dos mastócitos, resultando em broncoconstrição. o A asma induzida por exercício geralmente começa após o final dos exercícios e melhora espontaneamente em cerca de 30 min. Piora em climas secos e frios. É mais comum em praticantes de corridas em campo aberto em dias frios, esqui em trilhas e hóquei no gelo. Pode ser evitada pela administração prévia de beta2-agonistas e de bloqueadores de leucotrienos. 5) Fatores físicos o Ar frio e hiperventilação podem desencadear asma, bem como crises de riso. o Alguns pacientes referem agravamento em clima quente e quando há alterações climáticas. Outros pioram quando são expostos a odores ou perfumes fortes. 6) Alimentos e dieta o Alguns aditivos alimentares podem desencadear asma. O metabissulfeto utilizado como conservante alimentar pode provocar a doença em razão da liberação do gás dióxido de enxofre no estômago. 7) Poluição do ar o Alta concentração ambiental de dióxido de enxofre, ozônio, partículas de diesel e óxidos de nitrogênio associam-se à exacerbação da asma. 8) Hormônios o Algumas mulheres apresentam agravamento pré- menstrual da asma. Os mecanismos, apesar de não serem completamente esclarecidos, relacionam-se à redução dos níveis de progesterona. o Tireotoxicose e hipotireoidismo podem piorar a asma. 9) DRGE o Refluxo gastroesofágico é comum nos pacientes asmáticos, uma vez que é acentuado pelo uso de broncodilatadores. Embora o refluxo gastroesofágico possa provocar broncoconstrição reflexa, isso raramente causa sintomas asmáticos. 10) Estresse o Muitos pacientes referem agravamento dos sintomas pelo estresse. o Fatores psicológicos podem provocar broncoconstrição por ativação das vias colinérgicas. PATOLOGIA o A principal alteração patológica da asma é a presença de um processo inflamatório crônico na mucosa das vias aéreas inferiores, marcado pela infiltração mucosa por linfócitos Th2, eosinófilos e mastócitos. o A intensidade da inflamação não está diretamente correlacionada com a gravidade da doença. o A inflamação crônica estimula a resposta regenerativa, que leva ao remodelamento brônquico. Observa-se o espessamento da membrana basal pela deposição de colágeno sob o epitélio, achados marcantes da inflamação eosinofílica, uma vez que os eosinófilos liberam mediadores fibrogênicos. o O epitélio geralmente está descamado ou friável, com quantidade aumentada de células epiteliais no lúmen das vias aéreas e exposição de terminações nervosas, que podem mediar reflexos colinérgicos broncoconstritores. o Células caliciformes (secretoras de mucoproteínas), glândulas submucosas e a camada muscular lisa sofrem hipertrofia e hiperplasia. Observa-se também vasodilatação e angiogênese. o Na asma fatal é comum a constatação de obstrução do lúmen das vias aéreas por tampões de muco, que são formados por glicoproteínas mucosas secretadas pelas células caliciformes e proteínas plasmáticas oriundas dos vasos brônquicos permeáveis. Nesses casos é possível observar espessamento e edema da parede das vias aéreas. o A patologia da asma é a mesma para os diferentes fenótipos da doença. o As alterações patológicas são encontradas em todas as vias aéreas, mas não se estendem ao parênquima pulmonar. Inflamação das vias aéreas periféricas é observada principalmente nos pacientes com asma grave. 65 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica FISIOPATOLOGIA Inflamação das vias aéreas o A asma é caracterizada pela inflamação da mucosa respiratória estendendo-se desde a traqueia até os bronquíolos terminais, com predomínio nos brônquicos. A resposta inflamatória é desencadeada pela hiper- reatividade das vias aéreas. o Em geral, trata-se de um distúrbio crônico, no qual a inflamação persiste por muitos anos. Episódios de agudização da inflamação são responsáveis pela exacerbação da asma. Células inflamatórias 1) Mastócitos o Iniciam as respostas broncoconstritoras agudas aos alérgenos e aos estímulos indiretos, como exercícios, hiperventilação e neblina. o Mastócitos ativados são encontrados nas superfícies das vias aéreas dos pacientes asmáticos, bem como na musculatura lisa das vias aéreas. O processo de ativação dessas células pelos alérgenos é mediado pela IgE, e acarreta liberação de mediadores broncoconstritores, como histamina, prostaglandina D2 e leucotrienos cistenílicos, além de citocinas, quimiocinas, fatores de crescimento e neurotrofinas. 2) Macrófagos e células dendríticas o Células dendríticas imaturas do trato respiratório fagocitam os alérgenos, processam-nos em peptídeos e migram para os linfonodos locais, onde apresentam tais peptídeos alergênicos aos linfócitos TH0. o As células epiteliais dos pacientes asmáticos liberam uma citocina denominada linfopoietina do estroma tímico (TSLP), que estimula as células dendríticas a secretarem quimiocinas atrativas para as células Th2. 3) Eosinófilos o Infiltração eosinofílica das vias aéreas é característica de pacientes asmáticos. o A inalação de alérgenos leva ao aumento dos eosinófilos ativados nas vias aéreas, que se associam ao desenvolvimento da hiper-reatividade. Além disso, secretam fatores de crescimento envolvidos no remodelamento das vias aéreas e nas exacerbações. 4) Neutrófilos o Podem ser encontrados nas vias aéreas de pacientes com asma grave, leve ou moderada. 5) Linfócitos o Linfócitos T coordenam a resposta inflamatória da asma ao secretarem padrões específicos de citocinas, que resultam no recrutamento e sobrevivência dos eosinófilos e na manutenção da população de mastócitos nas vias aéreas. o O padrão Th2 predomina nos pacientes asmáticos, sendo marcado pela liberação de IL-5, que estimula a inflamação eosinofílica, além de IL-4 e IL-13, que induzem o aumento da produção de IgE. o Foi descrita a presença de células T imaturas (ILC2)na mucosa respiratória dos pacientes portadores de asma não alérgica. Elas não expressam o receptor de células T (TCR) e secretam citocinas de padrão Th2 em resposta a citocinas como IL-25 e IL-33 produzidas localmente pelas células do epitélio respiratório. Esses pacientes apresentam hipersensibilidade local da via aérea, enquanto que a hipersensibilidade sistêmica é ausente. 6) Células estruturais o Na asma, as células estruturais das vias aéreas (células epiteliais, fibroblastos e células musculares lisas) são fontes importantes de mediadores inflamatórios responsáveis pela inflamação crônica. Mediadores inflamatórios o Mediadores derivados de mastócitos, como a histamina, a prostaglandina D2 e os leucotrienos cistenílicos, contraem a musculatura lisa das vias aéreas, aumentam o 66 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 extravasamento da microcirculação, estimulam a secreção de muco nas vias aéreas e atraem outras células inflamatórias. 1) Citocinas o Citocinas Th2 como IL-4, IL-5, IL-9 e IL-13 participam da inflamação alérgica, enquanto citocinas pró-inflamatórias como o TNF-alfa e a IL-1β amplificam a resposta inflamatória. o TSLP é uma citocina secretada pelas células epiteliais dos pacientes asmáticos. É responsável por coordenar a liberação das quimiocinas que atraem seletivamente as células Th2. o Citocinas como IL-10 e IL-12 são anti-inflamatórias e podem estar deficientes na asma. 2) Quimiocinas o Atraem células inflamatórias da circulação brônquica para as vias aéreas. o Eotaxina (CCL11) é expressa pelas células epiteliais dos pacientes asmáticos e atrai eosinófilos por meio do CCR3. o CCL17 (TARC) e CCL22 (MDC) são liberadas pelas células dendríticas em resposta à linfopoietina estimulada tímica (TSLP), que é secretada pelas células epiteliais em resposta à presença de alérgenos e vírus. CCL17 e CCL22 atraem células Th2 por meio do CCR4. o Alérgenos e infecções virais podem estimular a liberação de IL-25 e IL-33, que recrutam e ativam células linfoides inatas tipo 2 (ILC2). Th2 e ILC2 liberam IL-5, e as células epiteliais liberam CCL11 (eotaxina), que juntas levam ao recrutamento de eosinófilos para as vias aéreas. 3) Estresse oxidativo o Células inflamatórias ativadas como macrófagos, eosinófilos e neutrófilos produzem espécies reativas de oxigênio. o O estresse oxidativo é proporcional à gravidade da doença, podendo amplificar a resposta inflamatória e reduzir a responsividade aos corticoides. 4) Óxido nítrico o É produzido pelas NO-sintases em várias células das vias aéreas, principalmente nas células epiteliais e nos macrófagos. o Níveis elevados de NO podem contribuir para a vasodilatação brônquica observada na asma. o A concentração de NO no ar expirado pelos pacientes asmáticos é maior que o normal, estando relacionada com a inflamação eosinofílica. 5) Fatores de transcrição o Fatores de transcrição pró-inflamatórios promovem a expressão de genes inflamatórios, sendo ativados nas vias aéreas dos pacientes asmáticos. Dentre os fatores mais específicos envolvidos estão o fator nuclear das células T ativadas e o GATA-3, que regulam a expressão das citocinas Th2 das células Th2 e ILC2. Efeitos da inflamação 1) Epitélio das vias aéreas o O desprendimento do epitélio das vias aéreas pode ser provocado por diversos mecanismos, como exposição ao 67 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica ozônio, infecções virais, substâncias químicas sensibilizantes e alérgenos. A lesão epitelial pode contribuir para a hiper-reatividade das vias aéreas por diversos mecanismos, como perda da função de barreira permitindo a penetração de alérgenos, perda de enzimas que decompõem mediadores inflamatórios como a bradicinina, perda do fator relaxante derivado do epitélio, e exposição de terminações nervosas que podem desencadear efeitos neurais reflexos nas vias aéreas. 2) Fibrose o Em todos os pacientes asmáticos a infiltração eosinofílica promove fibrose subepitelial com deposição de colágeno dos tipos III e V, acarretando espessamento da membrana basal. o Nos pacientes graves, a fibrose se dá no interior das paredes das vias aéreas, o que contribui para o seu estreitamento irreversível. 3) Musculatura lisa das vias aéreas o Evidências sugerem que o processo inflamatório crônico altere o grau de excitabilidade das células musculares lisas das vias aéreas, tornando-as menos responsivas aos beta- agonistas. o Fator de crescimento derivado de plaquetas e a endotelina 1, que são liberados pelas células inflamatórias ou epiteliais, estimulam a hipertrofia e a hiperplasia das células musculares lisas. o Células da musculatura lisa das vias aéreas de pacientes asmáticos liberam diversos mediadores inflamatórios, principalmente citocinas e quimiocinas. 4) Respostas vasculares o Os fatores de crescimento, principalmente o fator de crescimento do endotélio vascular, promovem a intensificação da angiogênese nas vias aéreas dos pacientes asmáticos. Observa-se, portanto, aumento do fluxo sanguíneo na mucosa, o que pode contribuir para o estreitamento das vias aéreas. o Os mediadores inflamatórios podem estimular o extravasamento microvascular das vênulas pós-capilares, culminando em edema das vias aéreas e exsudação plasmática para o lúmen dessas estruturas. 5) Secreção aumentada de muco o O aumento da secreção de muco promove a formação de tampões de muco viscoso que obstruem as vias aéreas dos pacientes asmáticos, principalmente nos casos fatais. o Observa-se hiperplasia das glândulas submucosas das vias aéreas calibrosas, bem como aumento da quantidade de células caliciformes epiteliais. 6) Regulação neural o Na asma estão presentes diversas anormalidades do controle neural autonômico, que podem contribuir para a hiper-reatividade das vias aéreas. o As vias colinérgicas, ao liberarem acetilcolina que interage com os receptores muscarínicos, promovem broncoconstrição. Os mediadores inflamatórios podem ativar os nervos sensitivos e provocar broncoconstrição colinérgica reflexa ou liberação de neuropeptídios inflamatórios. o Produtos da inflamação também podem sensibilizar terminações dos nervos sensitivos do epitélio das vias aéreas tornando-os hiperalgésicos. o Neurotrofinas, que podem ser liberadas por diversos tipos de células das vias aéreas, como células epiteliais e mastócitos, induzem a proliferação e a sensibilização dos nervos sensitivos das vias aéreas. Remodelamento das vias aéreas o As alterações estruturais das vias aéreas características da asma são: aumento da musculatura lisa, fibrose, angiogênese e hiperplasia mucosa. Podem acarretar estreitamento irreversível das vias aéreas. Fisiologia o A redução do fluxo ventilatório é causada, principalmente, pela broncoconstrição relacionada à liberação de mediadores de mastócitos. O edema das vias aéreas, a congestão vascular e a obstrução intraluminal pelo exudato podem contribuir. o Nas exacerbações agudas e nos pacientes com asma grave persistente ocorre fechamento precoce das vias aéreas periféricas, o que causa hiperinsuflação pulmonar e aumento do volume residual. Hiper-reatividade das vias aéreas (HRVA) o Caracteriza-se pela resposta broncoconstritora exagerada a vários estímulos desencadeantes inalados. A acentuação da HRVA relaciona-se com a frequência dos sintomas de asma. o A broncoconstrição exacerbada é observada com broncoconstritores diretos, como histamina e metacolina, que contraem a musculatura lisa das vias aéreas, ou com estímulos indiretos, que promovem a liberação de mediadoresbroncoconstritores dos mastócitos ou ativam nervos sensitivos. o A maioria dos fatores desencadeantes de sintomas asmáticos atua pela via indireta. QUADRO CLÍNICO o Os sinais e sintomas típicos da asma são sibilos, dispneia, tosse e sensação de opressão torácica com intensidade variável. o Os sintomas podem piorar à noite ou no início da manhã, o que é explicado pela variação fisiológica circadiana do 68 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 tônus broncomotor, com predomínio do sistema colinérgico (broncoconstritor) durante o sono. o Os pacientes podem referir dificuldade para encher os pulmões de ar. Alguns apresentam produção exagerada de muco, que geralmente é espesso e difícil de expectorar. o Ao exame físico torácico pode haver sinais de hiperventilação, utilização dos músculos acessórios da respiração, fase expiratória prolongada, hipertimpanismo, frêmito toraco-vocal diminuído. À ausculta torácica podem estar presentes sibilos difusos e polifônicos, sua ausência indica gravidade e representa sinal de alerta para obstrução grave das vias aéreas. Outras características comuns são: • Taquipneia – 25 a 40 irpm; • Taquicardia e pulso paradoxal (queda exagerada da PAS durante a inspiração). • Oximetria de pulso: saturação próxima dos 90%. o Sintomas prodrômicos podem preceder uma crise e incluem prurido sob o queixo, desconforto interescapular ou medo inexplicável de morte iminente. o Alguns pacientes, principalmente crianças podem ter predomínio de tosse seca. o Quando a asma está controlada, o exame físico pode ser normal. o Em geral, o início ou piora dos sintomas ocorre após contato com desencadeantes típicos. o Achados relacionados a crises graves são: ansiedade, sudorese, tiragem intercostal ou supraesternal, inquietação, pulso paradoxal, alteração do nível de consciência e ausência de sibilos. DIAGNÓSTICO o Geralmente o diagnóstico de asma é evidente em razão dos sintomas de obstrução variável e intermitente das vias aéreas, mas deve ser confirmado pelas determinações objetivas da função pulmonar. o Os principais exames complementares utilizados baseiam- se na quantificação da obstrução reversível ao fluxo aéreo. 1) Provas de função pulmonar 1.1) Espirometria o A espirometria é o método de escolha para diagnóstico, devendo ser realizada sempre que possível. o Este exame é feito com o paciente sentado, respirando normalmente usando o volume corrente. Deve-se solicitar que ele realize uma inspiração máxima forçada e, em seguida, uma expiração com força máxima e esforço vigoroso durando pelo menos 6 segundos. Essa manobra deve ser realizada pelo menos 3 vezes. No exame são geradas as curvas de fluxo-volume. o Em pacientes asmáticos, a VEF1 diminui com a piora da obstrução aérea e aumenta com o tratamento bem- sucedido. Deve ser utilizada para determinar o grau de obstrução e acompanhar a evolução do paciente. o A VEF1/CVF é o parâmetro mais importante para detectar a limitação do fluxo aéreo. Entretanto, não é um bom parâmetro para acompanhar a evolução da doença. o A caracterização da obstrução se dá pela redução desproporcional do volume expiratório forçado no 1º minuto (VEF1) em relação à capacidade vital forçada (CVF). O GINA 2019 considera VEF1/CVF > 0,75 a 0,8 compatível com a normalidade. o A reversibilidade é demonstrada por aumento > 12% (ou > 200 mL) em relação ao basal do VEF-1 15 min após a inalação de um beta2-agonista de curta ação ou, em alguns casos, por prova terapêutica de 2 a 4 semanas com corticosteroides orais (prednisona ou prednisolona, 30 a 40 mg/dia). OBS.: Se o paciente já estiver em uso de agonistas beta-2 adrenérgicos, deve-se suspender a medicação pelo menos 4 horas antes, caso seja um agente de curta duração, ou 12 horas antes, no caso dos agentes de longa duração. OBS 2.: Durante infecções virais e exacerbações graves, a prova broncodilatadora pode apresentar um resultado falso-negativo, uma vez que a reversibilidade do broncoespasmo pode ser temporariamente perdida. Definições o VEF1 → Volume Expiratório Forçado no 1º segundo. Corresponde ao volume máximo de ar exalado no primeiro segundo de uma expiração forçada. Seu parâmetro de normalidade é > 80%. o CVF → Capacidade vital forçada, também conhecida como “volume expiratório forçado”. É o volume máximo de gás expirado com o esforço máximo, partindo do estado de inspiração máxima forçada. o VEF1/CVF → Índice de Tiffeneau. Representa a proporção do volume que o paciente expirou no primeiro segundo em relação ao tempo total da manobra. As medidas mais altas de VEF1 e CVF devem ser utilizadas para este cálculo, mesmo que venham de manobras diferentes. o PFE → Pico de Fluxo Expiratório. 69 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica 1.2) Medida de pico de fluxo expiratório o Apresenta menos acurácia que a espirometria, sendo utilizado quando esta não está disponível. o As medidas são feitas em equipamentos portáteis que documentam o fluxo em litros por minuto. o Medidas matinais e vespertinas são aferidas por uma a duas semanas em dois momentos do dia. Para o cálculo da variação diária média do PFE o menor valor de PFE é subtraído do maior, e o resultado é dividido pela média entre o maior e o menor PFE do dia. o Adultos: Variação diária média do PFE > 10% indica diagnóstico de asma. o Crianças: Variação diária média do PFE > 13% indica diagnóstico de asma. 1.3) Verificação da hiporresponsividade das vias aéreas o É utilizada para diagnóstico de asma em pacientes sintomáticos com espirometria normal ou sem resposta broncodilatadora significativa. o Pode-se medir a responsividade por inalação de substâncias broncoconstritoras (metacolina ou histamina) ou pelo teste de broncoprovocação por exercício. Queda do VFE1 ≥ 20% do basal indica diagnóstico de asma. o Apresenta alta sensibilidade e elevado valor preditivo negativo. 2) Exames de imagem o Radiografias de tórax geralmente são normais, mas podem indicar hiperinsuflação pulmonar nos casos mais graves. o Durante as exacerbações, pode haver indícios de pneumotórax. o A TCAR pode demonstrar áreas de bronquiectasia nos pacientes com asma grave, e pode haver espessamento das paredes brônquicas, entretanto, tais alterações não são específicas da asma. 3) Testes cutâneos o Testes cutâneos com infusão dos alérgenos inalatórios comuns, como ácaros de poeira doméstica, pelos de gato, pólen de grama, são positivos na asma alérgica e negativos na asma intrínseca, mas não auxiliam no estabelecimento do diagnóstico. o Sempre que houver correlação positiva entre exposição ao alérgeno e ocorrência de sintomas respiratórios, deve-se recomendar estratégias de evitação do alérgeno. 4) Óxido nítrico exalado o Atualmente, o teste da fração de óxido nítrico no ar exalado é utilizado como exame não invasivo para avaliar a infiltração eosinofílica das vias aéreas. Não é preconizado como método diagnóstico ou de acompanhamento da resposta terapêutica em todos os asmáticos. o Geralmente, níveis altos são reduzidos pelos corticoides inalatórios, de modo que este teste pode ser usado para avaliar a adesão ao tratamento. Também pode ser usado para demonstrar necessidade de ajuste da terapia anti- inflamatória e para a redução gradual dos corticoides inalatórios. 70 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL o Tumor ou edema de laringe podem gerar sintomas semelhantes aos da asma grave, mas os pacientes geralmente têm estridor localizado nas vias aéreas calibrosas.o Sibilos persistentes em uma área específica do tórax podem indicar obstrução endobrônquica por um corpo estranho. o Insuficiência ventricular esquerda pode causar sibilos, mas também há estertores crepitantes basais, que não estão presentes na asma. o Disfunção da prega vocal pode simular asma. o DPOC: os sinais e sintomas são menos variáveis, nunca regridem completamente e mostram menos responsividade aos broncodilatadores. o Pneumonias eosinofílicas, vasculites sistêmicas e poliarterite nodosa podem estar associadas a sibilos. ➔ Todos os diagnósticos diferenciais da asma podem coexistir com a asma. AVALIAÇÃO DA ASMA o Em todos os portadores de asma, os seguintes parâmetros devem ser sempre avaliados: (1) Grau de controle dos sintomas; (2) Risco de eventos adversos futuros. o Para avaliar o grau de controle dos sintomas o GINA Symptom Control Tool propõe 4 perguntas referentes às 4 últimas semanas a serem feitas ao paciente: - Presença de sintomas diurnos mais de 2X por semana? - Algum despertar noturno por causa da asma? - Necessidade de medicação de resgate mais de 2X por semana (exceto uso inalatório de agonista beta-2 adrenérgico de curta duração como profilaxia do broncoespasmo induzido por exercício)? - Alguma limitação nas atividades por causa da asma? • Asma controlada: Nenhuma resposta positiva; • Asma parcialmente controlada: 1-2 respostas positivas; • Asma não controlada: 3-4 respostas positivas. o A avaliação do risco de eventos adversos futuros é feita a partir da espirometria com a quantificação do VEF1. Recomenda-se que, sempre que possível, uma espirometria seja feita antes do início do tratamento, preferencialmente no momento do diagnóstico. Deve-se repeti-la em 3 a 6 meses do início do tratamento e, posteriormente, de forma periódica a depender da necessidade clínica. Em geral, asmáticos devem repetir a espirometria no mínimo a cada 1 a 2 anos. FATORES DE RISCO FUTURO RISCO DE EXACERBAÇÕES O principal fator de risco para exacerbações é a asma não controlada. Outros fatores, independentes do grau de controle são: o Uso excessivo de beta2-agonista inalatório de curta duração (> 1 frasco por mês); o Uso inadequado de corticoides inalatórios: não prescrito, má adesão, uso incorreto do inalador; o VEF1 < 60% do previsto; o Persistência de hiper-reatividade brônquica significativa (aumento de VEF 1 > 12% do basal e > 200 mL pós-prova broncodilatadora; o Problemas psicossociais ou socioeconômicos importantes; o Exposições continuadas: tabagismo, alérgenos/agentes irritantes (ex.: asma ocupacional); o Comorbidades: obesidade, rinossinusite crônica, alergia alimentar; 71 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Eosinofilia persistente (no sangue ou escarro); o Fração de óxido nítrico no ar expirado elevada; o Gravidez; o Uma ou mais exacerbações graves nos últimos 12 meses; o Intubação traqueal ou internação em CTI por causa da asma a qualquer tempo. RISCO DE DESENOLVER OBSTRUÇÃO FIXA AO FLUXO EXPIRATÓRIO o Parto prematuro, baixo peso ao nascer ou ganho excessivo de peso durante a infância; o Ausência de uso de corticoides inalatórios; o Exposições continuadas: tabagismo, alérgenos/agentes irritantes; o VEF1 inicial muito reduzido; o Hipersecreção crônica de muco; o Eosinofilia (no sangue ou escarro). RISCO DE EFEITOS COLATERAIS DO TRAMENTO Sistêmicos: Uso frequente de corticoide oral/venoso; uso prolongado de corticoide inalatório em altas doses; uso concomitante de drogas que inibem o citocromo P450, reduzindo a metabolização dos glicocorticoides. Locais: uso de corticoides inalatórios em altas doses. Uso incorreto do inalador. Classificação de gravidade da asma o É feita retrospectivamente. Só pode ser estabelecida após o controle da doença com uso da menor dose efetiva do tratamento de manutenção. TRATAMENTO CONTROLE DA ASMA o O tratamento da asma tem como objetivo atingir e manter o controle atual da doença e prevenir riscos futuros (exacerbações, instabilidade da doença, perda acelerada da função pulmonar e efeitos adversos do tratamento). o A base do tratamento medicamentoso consiste no uso de corticoide inalatório associado ou não a um beta 2 agonista de longa duração (LABA). o A escolha do fármaco, do dispositivo inalatório e da respectiva dosagem deve ser individualizada. o O tratamento de controle é dividido em 5 etapas, nas quais a dose de corticoide inalatório é aumentada progressivamente e/ou outros medicamentos de controle são adicionados. 1) Corticoides inalatórios (CIs) o A avaliação da resposta ao tratamento baseia-se em parâmetros clínicos e funcionais. o Após a obtenção e manutenção do controle da asma por um período de no mínimo 3 meses, a dose pode ser reduzida para uma dose mínima, objetivando utilizar a menor dose possível para manutenção do controle da asma. o Efeitos adversos locais: irritação da garganta, disfonia e candidíase. O risco diminui com o uso de inalador Etapa I o Tratamento inicial da asma em pacientes com menos de 2 episódios sintomáticos por mês e sem fatores de risco para exacerbação. o Pacientes com asma bem controlada em etapa 2 de tratamento podem regredir para a etapa I. Etapa II o 2 ou mais episódios sintomáticos ou necessidade de tratamento de resgate durante um mês, sem frequência diária. Etapa III o Presença de sintomas na maioria dos dias, ou acorda com sintomas de asma uma vez por semana ou mais, especialmente na presença de fatores de risco. Etapa IV o A asma se manifesta inicialmente com sintomas severos ou com episódios agudos de exacerbação. 72 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 pressurizado dosimetrado com espaçador e com higiene oral após a inalação de cada dose do CI. o Utilização de altas doses de CI por tempo prolongado aumenta o risco de efeitos adversos sistêmicos, como redução da densidade mineral óssea, infecções respiratórias, catarata, glaucoma e supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. o Na etapa I, indica-se a associação de baixas doses de CI com formoterol por demanda como tratamento preferencial para controle. o Na etapa II a recomendação de tratamento preferencial é opcional: CI em baixas doses continuamente ou CI + formoterol por demanda. 2) CI associado a LABA o Associação de CI com um LABA ou LABA de ultralonga duração é o tratamento de controle preferencial nas etapas III e V da asma, ou seja, quando o tratamento com CI isolado não é suficiente para atingir e manter o controle da doença. o O uso de LABA em monoterapia na asma está contraindicado por aumentar o risco de hospitalização e morte por asma. o Essa associação pode ser usada em dose fixa associada a um SABA de resgate, ou em dose variável com budesonida + formoterol ou beclometasona + formoterol de manutenção e resgate, usando um único inalador. o Na estratégia de manutenção e resgate com CI + formoterol, o ajuste da dose é feito pelo próprio paciente de acordo com sua percepção dos sintomas. Recomenda- se manter uma dose fixa, geralmente de 12 em 12 horas, e doses adicionais, se necessário, que podem ser aplicadas por até 6 vezes ao dia, com limite máximo de 12 inalações/dia. o A estabilidade é definida pelo controle atual e ausência de exacerbações graves em um ano. 3) Manejo da asma o O paciente deve ser reavaliado a cada 3 a 6 meses. o Na estratégia dose fixa, o ajuste do tratamento deve ser realizado periodicamente, aumentando ou reduzindo a dose conforme o nível de controle. o Em pacientes usando CI + LABA deve-se tentar reduzir a dosede CI sempre que possível, a fim de alcançar e manter o controle da doença com a mínima dose possível. o Se a asma não estiver controlada, ajusta-se a medicação subindo as etapas de tratamento. OPÇÕES ALTERNATIVAS PARA O TRATAMENTO DE CONTROLE 1) CI + SABA por demanda o Está indicada como opção de tratamento de controle nas etapas I e II. o É mais barata do que a combinação de CI + LABA. 2) Montelucaste o É um antagonista de receptores de leucotrienos que atua bloqueando a broncoconstrição e reduzindo a inflamação da via aérea. Tem efeito não inferior ao CI no controle da asma, mas seu efeito na redução das exacerbações é menor. o Montelucaste + CI é outra opção de tratamento nas etapas II a IV. o O montelucaste também pode ser adicionado à associação CI + LABA na tentativa de melhorar o controle da asma (etapa IV) e pode ser uma opção ao uso de SABA na asma induzida por exercício, devendo ser usado diariamente ou de forma intermitente. o Dose: - 2 a 5 anos: 4 mg 1X ao dia. - 6 a 14 anos: 5 mg 1X ao dia. - ≥ 15 anos: 10 mg 1X ao dia. 3) Tratamento de resgate com SABA o Na etapa I, SABA + CI constitui opção alternativa ao uso de doses baixas de CI + formoterol por demanda. o Em pacientes em uso de CI ou CI + LABA em dose fixa, o SABA é indicado como opção de medicação de resgate em todas as etapas do tratamento da asma. o O uso de SABA é eficaz no alívio imediato dos sintomas e na prevenção em curto prazo dos sintomas induzidos por exercício. o Uso excessivo de SABA (> 3 canisters no ano) associa-se a um maior risco de exacerbações, e o uso de > 1 canister/mês associa-se a um maior risco de morte por asma. Nesse sentido, a redução do uso de SABA é uma das metas do tratamento da asma. 73 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica 74 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 Etapa I o Tratamento preferencial de controle: CI em baixas doses + formoterol de acordo com a percepção do paciente a respeito de seus sintomas. o Outra opção de controle: SABA + CI em baixas doses quando o paciente sentir necessidade. o Tratamento de resgate: CI em baixas doses + formoterol. o Outra opção de resgate: SABA. Etapa II o Tratamento preferencial de controle: doses diárias baixas de CI ou CI + formoterol sob demanda. o Outra opção de controle: Montelucaste diariamente ou CI em baixas doses + SABA sob demanda. o Tratamento de resgate: IC em baixas doses + formoterol sob demanda. o Outra opção de resgate: SABA. Etapa III o Tratamento preferencial de controle: • Estratégia de dose fixa: CI em baixas doses + LABA diariamente. ➢ Resgate: SABA. • Estratégia de dose variável: CI em baixas doses + FORM diariamente. ➢ Resgate: CI em baixas doses + FORM. o Outra opção de controle: • IC em dose média diariamente ➢ Resgate: SABA • IC em dose baixa + montelucaste diariamente ➢ Resgate: SABA Etapa IV o Tratamento preferencial de controle: • CI em dose média + LABA diariamente ➢ Resgate: SABA • CI em dose média + FORM diariamente ➢ Resgate: CI em dose baixa + FORM de resgate o Outra opção de controle: CI em altas doses + tiotrópio ou montelucaste. ➢ Resgate: SABA. Etapa V – Asma grave o A asma grave é um subgrupo de difícil controle, definida por ausência de controle com o uso do tratamento máximo otimizado ou que necessita deste tratamento para que a doença se torne não controlada. o Define-se tratamento máximo por uso de doses altas de CI e de um segundo medicamento de controle no ano anterior ou o uso de CO em mais de 50% dos dias no ano anterior. o Para estes pacientes recomenda-se a associação de IC + LABA. Altas doses de IC estão associadas ao aumento do risco de efeitos colaterais, como supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, podendo ser usadas durante 3 a 6 meses quando não é possível alcançar o controle da asma com IC em doses médias + LABA e/ou montelucaste. Opções de fármacos adjuvantes: (a) Tiotrópio o Brometo de tiotrópio, na dose de 5 µg/dia, é indicado como terapia adjuvante para pacientes com idade > 6 anos portadores de asma não controlada nas etapas IV e V. o Deve ser associado ao CI + LABA. (b) Omalizumabe o É um anticorpo monoclonal humanizado anti-IgE. o É indicado na etapa V para o tratamento da asma alérgica grave em pacientes com idade ≥ 6 anos. o A dose varia de acordo com o peso (20-150 kg) e IgE sérica total (30-1500 UI/mL). Deve ser administrado por via subcutânea, a cada 2 a 4 semanas em ambiente com equipamento de monitorização e reanimação cardiopulmonar adequado. o A eficácia deve ser avaliada após 16 semanas de uso. (c) Mepolizumabe o Anticorpo monoclonal humanizado que inibe a IL-5 de se ligar aos seus receptores eosinofílicos, consequentemente, reduz a inflamação eosinofílica. o Está indicado para o tratamento da asma grave eosinofílica a partir de 6 anos de idade, na etapa V de tratamento. o Nos estudos, eosinofilia foi definida por presença de ≥ 150 células/µL no momento da avaliação ou ≥ 300 células/µL nos 12 meses anteriores. o Deve ser utilizado na dose de 100 mg por vis subcutânea a cada 4 semanas. Raramente causa reações de hipersensibilidade. (d) Benralizumabe o É um anticorpo monoclonal IgG1-kappa. Indicado como terapia adicional em portadores de asma eosinofílica grave. o Se liga ao receptor alfa da IL-5 e acarreta apoptose do eosinófilo. Leva a rápida e quase completa depleção dos níveis de eosinófilos séricos. o Os estudos caracterizaram asma grave eosinofílica por presença de ≥ 300 células/µL. o Está indicado a partir dos 18 anos de idade na etapa V do tratamento. A dose recomendada é de 30 mg, 75 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica administrados por via subcutânea, a cada 4 semanas durante as 3 primeiras doses e, em seguida, a cada 8 semanas. (e) Corticoide oral em baixas doses o CO está indicado como terapia adicional em pacientes com asma grave não controlada na etapa V. o Antes de iniciar o uso de CO de manutenção, deve-se rever todos os fatores que possam estar interferindo no sucesso da terapêutica, como medicações em uso, adesão, técnica inalatória, comorbidades e exposições. o Seu uso prolongado pode causar efeitos adversos graves, como retardo do crescimento em crianças, glaucoma, catarata, diabetes mellitus, osteoporose, infecções, bloqueio do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, o Após o uso prolongado (> 3 meses) o paciente deve ser monitorado permanentemente, devido ao risco de insuficiência adrenal aguda em casos de trauma, doenças agudas ou cirurgia. Nesses casos pode ser necessária a reposição de corticoide. (f) Outras drogas o Dupilumabe é um anticorpo monoclonal contra o receptor alfa da IL-4. É indicado para o tratamento da asma grave com inflamação Th2 alta, caracterizada por eosinófilos e/ou fração exalada de óxido nítrico elevados, para pacientes com > 12 anos de idade. • Ao ligar-se ao receptor da IL-4, o dopilumabe também inibe a atividade da IL-13. Reduz as exacerbações da asma, permite a redução gradual do uso de CO e melhora a função pulmonar. • Dose inicial recomendada: 400 mg por via subcutânea, seguida de 200 mg em semanas alternadas. Para pacientes em uso de CO ou com comorbidades (dermatite atópica, polipose nasal ou esofagite eosinofílica) recomenda-se uma dose inicial de 600 mg, seguida de 300 mg administradas a cada 2 semanas. VACINAS o Vacinação contra influenza éindicada para pacientes com asma. o Não há contraindicações para a vacinação de asmáticos. o Pacientes portadores de asma, principalmente aqueles com asma grave, são mais suscetíveis à infecção pneumocócica. As vacinas antipneumocócicas (polissacarídica 23-valente e conjugada 10-valente) estão disponíveis no SUS para indivíduos com asma persistente moderada e grave. A vacina conjugada 10-valente está disponível somente para crianças com até 1 ano e 11 meses. o SBPT recomenda o uso sequencial das vacinas anti- pneumocócicas: vacina 13-valente conjugada seguida da vacina polissacarídica 13-valente após 6 meses. TRATAMENTO DAS EXACERBAÇÕES o Exacerbações da asma são episódios caracterizados pelo aumento progressivo de sintomas como falta de ar, tosse, espirros ou sensação de aperto no peito e decaimento progressivo da função pulmonar, que representem mudança do estado basal do indivíduo justificando alterações na terapêutica. o As exacerbações podem ocorrer em pacientes com diagnóstico prévio de asma ou, ocasionalmente, como a forma de apresentação inicial da asma. o As exacerbações podem ser manejadas: (1) Pelos próprios pacientes/cuidadores em domicílio, seguindo um plano escrito de automanejo; (2) Pelo médico assistente, em nível ambulatorial; (3) Dentro do hospital, nos serviços de emergência ou centros de terapia intensiva. o Todo paciente portador de asma deve ser periodicamente avaliado quanto à existência de fatores de risco para asma fatal. Se um ou mais desses fatores estiverem presentes, o paciente deve ser orientado a se dirigir ao serviço médico na vigência de qualquer sinal de exacerbação. Tratamento domiciliar com plano escrito de automanejo o Pacientes bem instruídos e engajados em seu tratamento e na automonitorização dos sintomas devem receber um plano escrito sobre a identificação e manejo das exacerbações da doença. o O plano deve conter orientações quanto ao uso de drogas de resgate e critérios para aumento da terapia de controle, bem como recomendações acerca de quando o paciente deve ir ao hospital. o O primeiro passo consiste no uso do SABA inalatório ou IC + LABA (caso o tratamento de controle seja feito com este esquema). Se doses repetidas forem necessárias por mais de 1 a 2 dias, o paciente pode aumentar por conta própria o tratamento de controle. Outra condição na qual o paciente pode aumentar por conta própria o tratamento 76 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 de controle é quando este observa interferência significativa dos sintomas em suas atividades diárias, ou se PFR cair > 20% em relação ao basal por mais de 2 dias. • O aumento da terapia de controle pode ser feito dobrando-se ou quadruplicando-se a dose do CI durante 7 a 14 dias, com o objetivo de alcançar a dose alta. A dose de LABA também pode ser aumentada, desde que se respeite a dose máxima de formoterol, que é de 72 mcg/dia. o Se o PFE estiver < 60% do basal e/ou não houver resposta clínica após 48 hrs de intensificação do tratamento de controle, deve-se associar corticoide oral. O esquema consiste em prednisona (ou prednisolona) na dose de 1 mg/kg/dia (máximo = 50 mg/dia), por 5 a 7 dias para adultos e adolescentes. O paciente deve ser orientado a contactar seu médico sempre que o corticoide oral for iniciado. o Critérios que indicam necessidade de se dirigir ao serviço hospitalar são: (1) Deterioração progressiva apesar das medidas adotadas; (2) Desconforto respiratório súbito e intenso. o Mesmo que a estratégia de automanejo seja bem sucedida, o paciente deve ser avaliado em 1 a 2 semanas. Tratamento ambulatorial Critérios de Gravidade: Transferir do Consultório para a Emergência. Alterações do sensório (agitação, confusão, sonolência). “Tórax silencioso”: taquidispneia intensa com murmúrio vesicular universalmente reduzido/abolido e ausência paradoxal de sibilos. Só consegue pronunciar palavras isoladas. Uso de musculatura acessória para respiração. FR > 30 irpm FC > 120 bpm SpO2 em ar ambiente < 90% PFE ≤ 50% do basal. o Deve-se acionar o serviço de ambulância caso o paciente apresente critérios de gravidade. Todas as medidas terapêuticas cabíveis e disponíveis devem ser adotadas, como SABA inalatório, corticoide sistêmico precoce, suplementação de O2, monitorização contínua dos sinais vitais. o Exacerbações que não apresentem critérios de gravidade devem ser classificadas como leves ou moderadas. o No retorno, deve-se avaliar a duração da manutenção da terapia de controle intensificada. (1) Curto prazo: manter a terapia de controle intensificada por mais 2 a 4 semanas para pacientes com asma controlada antes da exacerbação. (2) Longo prazo: manter a terapia de controle intensificada para pacientes com asma não controlada antes da exacerbação. Tratamento no serviço de emergência o Pacientes com crises graves devem se dirigir ao serviço de emergência. o Idealmente, exames complementares capazes de quantificar a função ventilatória devem ser realizados imediatamente, como medida do PFE com fluxômetro portátil, ou medida do VEF1 com espirometria convencional. Os valores obtidos servirão de base para monitorizar a resposta terapêutica. o A gasometria arterial deve ser dosada nos seguintes casos: (1) PFE ou VEF1 < 50% do predito; (2) Ausência de resposta ao tratamento inicial; (3) Piora clínica progressiva. → A coleta deve ser realizada na vigência de O2 suplementar. pO2 < 60 mmHg e/ou pCO2 normal ou aumentada (principalmente quando > 45 mmHg) indicam insuficiência respiratória aguda e necessidade de intubação orotraqueal com ventilação mecânica invasiva. o RX de tórax deve ser solicitado nas seguintes condições: (1) Suspeita de complicações do broncoespasmo (ex.: pneumotórax); (2) Diagnósticos alternativos (ex.: insuficiência cardíaca, aspiração de corpo estranho, pneumonia). 77 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o A prescrição de antibióticos é reservada aos casos com indícios de infecção respiratória bactéria, como febre, tosse com escarro purulento, dor torácica pleurítica (dor à inspiração), RX com infiltrado pulmonar. o Após a alta do serviço de emergência ou internação hospitalar, o paciente deve ser reavaliado em 2 a 7 dias. 78 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA o É uma síndrome caracterizada pela obstrução crônica e difusa das vias aéreas inferiores, de caráter irreversível, com destruição progressiva do parênquima pulmonar. o Inclui enfisema, um distúrbio definido anatomicamente, que se caracteriza por destruição dos alvéolos pulmonares e dilatação dos espaços aéreos, bronquite crônica, uma condição definida clinicamente por tosse crônica e expectoração purulenta, e doença das pequenas vias aéreas, condição na qual os bronquíolos de pequeno calibre se encontram estreitados e são menos numerosos. Essas doenças estão presentes em graus variados nos diferentes pacientes com DPOC. EPIDEMIOLOGIA o A DPOC é uma doença que acomete a população mundial. A prevalência tem aumentado nas últimas décadas, principalmente no sexo feminino. o É uma doença característica de indivíduos mais velhos, manifestando-se na quinta ou sexta décadas de vida. o Predomina no sexo masculino, o que é explicado pela maior prevalência de tabagismo nos homens. o A mortalidade relacionada à DPOC vem aumentando progressivamente nos últimos anos, constituindo a terceira causa de morte nas estatísticas dos EUA. FATORES DE RISCO 1) Tabagismo o O tabagismo é o principal fator de riscopara a DPOC, sendo que 90% dos casos apresentam história tabágica. o Estima-se que 15% dos fumantes de um maço/dia e 25% dos fumantes de dois maços/dia terão DPOC futuramente se mantiverem o hábito de fumar. o As substâncias do tabaco causam diversas alterações nas vias aéreas: (1) Estimulam a produção de muco e a hipertrofia das glândulas submucosas; (2) Reduzem ou bloqueiam o movimento ciliar das células epiteliais; (3) Ativam macrófagos alveolares a secretar fatores quimiotáticos (principalmente o IL-8) que estimulam o recrutamento alveolar de neutrófilos; (4) Ativam neutrófilos, que passam a produzir mais enzimas proteolíticas, como a elastase; (5) Inibem a atividade da -1-antitripsina, enzima inibidora fisiológica da elastase. 2) Asma o Presença de hiper-reatividade brônquica na DPOC é frequentemente encontrada, sendo denominada síndrome de “sobreposição asma-DPOC”. o A inflamação das vias aéreas difere entre a asma e a síndrome de sobreposição asma-DPOC quando à base patogênica. Na asma a inflamação é dependente de linfócitos T CD4, eosinófilos, basófilos e mastócitos, havendo pouca ou nenhuma fibrose. Na síndrome de sobreposição a inflamação é dependente de linfócitos TCD8 citotóxicos, macrófagos e neutrófilos, estimulando a fibrose das vias aéreas. Alguns casos de asma, entretanto, podem evoluir com remodelamento das vias aéreas, levando à obstrução crônica progressiva por mecanismo fibrogênico. 3) Outros fatores de risco o Tabagismo passivo, poluição atmosférica extra e intradomiciliar (ex.: fogões a lenha), bem como exposição ocupacional a poeiras orgânicas (minas de carvão, ouro), fumaças e vapores. o Crianças expostas ao tabagismo materno, inclusive durante a gestação, apresentam crescimento pulmonar reduzido, o que é fator de risco para DPOC no futuro. o Baixo nível socioeconômico. 4) Deficiência de alfa-1-antitripsina o Doença genética autossômica recessiva que cursa frequentemente com enfisema pulmonar em pacientes jovens. o Em 10% dos casos ocorre hepatopatia crônica que evolui para cirrose hepática. o Indivíduos homozigotos para o gene Z (genótipo PiZZ) têm concentração de alfa-1-antitripsina menor que 10% do valor normal. Ausência de ação desta enzima permite que a elastase neutrofílica degrade paulatinamente o parênquima pulmonar. Quando suspeitar? o Enfisema em jovens (< 45 anos); o Enfisema predominante em bases pulmonares; o Forte história familiar de enfisema ou hepatopatia; o Doença hepática associada inexplicada; Carga tabágica o É calculada multiplicando-se a quantidade média de maços consumidos por dia pelo número de anos de tabagismo. o A maioria dos pacientes com DPOC possui carga tabágica superior a 40 maços/ano, sendo a doença incomum abaixo de 20 maços/ano. 79 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Enfisema em não tabagistas ou com pequena carga tabágica. 5) Câncer de pulmão o O tabagismo é o principal fator de risco para a DPOC e para o carcinoma broncogênico. Estudos sugerem que a DPOC é um fator de risco independente para este câncer. PATOGÊNESE o Alterações das vias aéreas de grande calibre provocam tosse e expectoração. Já as anormalidades das vias aéreas de pequeno calibre e dos alvéolos geram alterações fisiológicas. o Os estágios iniciais da DPOC estão primariamente associados com doença de vias aéreas de pequeno e médio calibres. A maioria das pessoas se enquadra nas classes 1 e 2 da GOLD, demonstrando pouco ou nenhum enfisema. o O desenvolvimento precoce de obstrução crônica ao fluxo de ar é desencadeado por doença de pequenas vias aéreas. o Os estágios avançados da DPOC (GOLD 3 e 4) são tipicamente caracterizados por enfisema extenso, mas há um pequeno número de pacientes com obstrução muito grave (GOLD 4) e praticamente sem enfisema. o Pacientes com maior risco de progressão da DPOC são aqueles com doença agressiva das vias aéreas e enfisema. Desse forma, a constatação de enfisema na TC de tórax sugere maior risco de progressão da doença. PATOLOGIA o A limitação do fluxo aéreo é a principal alteração fisiológica da DPOC, podendo advir de doença das pequenas vias aéreas e/ou das vias aéreas de grande calibre. (a) Bronquite obstrutiva crônica o É causada pelo acometimento das vias aéreas de grande calibre. o O tabagismo promove dilatação das glândulas mucosas e hiperplasia das células caliciformes, acarretando tosse e expectoração de muco. o As células caliciformes, uma vez expostas à fumaça do cigarro, aumentam em tamanho e em número. Nesse contexto, os brônquios sofrem metaplasia escamosa, o que predispõe à carcinogênese e à depuração mucociliar. (b) Bronquiolite obliterante o Causada pelo acometimento das vias aéreas de pequeno calibre. o Redução do lúmen das vias aéreas distais devido ao espessamento da parede brônquica por edema e fibrose. o As alterações celulares mais comuns são metaplasia das células caliciformes, que promove substituição das células exócrinas bronquiolares secretoras de surfactante por células secretoras de muco. A redução do surfactante acarreta estreitamento ou colapso das vias aéreas. Pode haver hipertrofia da musculatura lisa, estreitamento luminal por fibrose, excesso de muco, edema e infiltração celular. o A bronquiolite respiratória, que é caracterizada pelo acúmulo de células inflamatórias mononucleares nos tecidos das vias aéreas distais, pode acarretar destruição das fibras elásticas dos bronquíolos respiratórios e dos ductos alveolares, predispondo à instalação do enfisema. (b) Enfisema pulmonar o Ocorre pelo acometimento do parênquima pulmonar. o É definido como alargamento dos espaços aéreos distais aos bronquíolos, decorrente da destruição progressiva dos septos alveolares, de forma que as paredes alveolares tornam-se perfuradas e ocorre a coalescência das estruturas alveolares, originando grandes espaços aéreos enfisematosos. o O tipo patológico mais comum é o enfisema centroacinar, que está relacionado ao tabagismo. O alargamento e a destruição parenquimatosa ocorrem nos bronquíolos respiratórios, ou seja, na região central do ácino ou lóbulo pulmonar. Predomina nos lobos pulmonares superiores. o O segundo tipo patológico mais comum é o enfisema panacinar, típico da deficiência de alfa-1-antitripsina. Distribui-se uniformemente pelo ácino na região central e periférica. o O enfisema causa obstrução crônica das vias aéreas distais pelo fato de haver perda no tecido elástico de sustentação da parede brônquica, o que permite a redução do lúmen, principalmente na fase expiratória. 80 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 FISIOPATOLOGIA 1) Obstrução das vias aéreas e hiperinsuflação o A obstrução das vias aéreas é determinada pela espirometria. o A manutenção da abertura das vias aéreas depende da pressão gerada pelo fluxo de ar que, por sua vez, depende das forças inspiratórias e expiratórias. o Na inspiração o fluxo de ar não é limitado, uma vez que a força provém da musculatura respiratória. Entretanto, a força expiratória depende da elasticidade pulmonar, que está reduzida na DPOC, e a resistência das vias aéreas distais está aumentada pela redução do seu lúmen, o que ocorre por dois fatores: (1) Diminuição da elasticidade na parede dos alvéolos; (2) Edema e fibrose na parede dos pequenos bronquíolos. o Tais fatores, somados à pressão intratorácica progressivamente positiva, predispõem ao colapso das vias aéreas, o que impede a eliminação do ar armazenado nas porções distais do pulmão, resultando no fenômeno de aprisionamentode ar, que promove aumento do volume residual, da capacidade residual funcional e da capacidade pulmonar total. o O pulmão dos pacientes com DPOC está cronicamente hiperinsuflado, o que pode ser identificado na radiografia de tórax, ou no exame físico de portadores de DPOC avançada. o O aprisionamento aéreo e a hiperinsuflação pulmonar acarretam: (1) Pressão alveolar positiva no final da expiração, que pode aumentar o trabalho da musculatura respiratória na inspiração. (2) Alteração mecânica do diafragma, que apresenta tendência à retificação, prejudicando a função do diafragma durante a inspiração. Dessa forma, o paciente passa a utilizar com maior intensidade a musculatura acessória durante o influxo de ar, apresentando mais esforço para respirar. 2) Distúrbio da troca gasosa o A lesão enfisematosa e a lesão bronquítica comprometem a troca gasosa por promoverem a obstrução das vias aéreas acarretando ventilação inadequada dos alvéolos e hipoxemia. Tal fenômeno é denominado distúrbio V/Q. o Inicialmente, a hipoxemia ocorre apenas no exercício físico. Com a progressão da doença, a hipoxemia pode ocorrer durante o repouso, o que é um sinal de doença avançada e indica mau prognóstico. o O parâmetro mais sensível para avaliar o distúrbio V/Q é a diferença alvéolo-arterial de O2, que na DPOC pode encontrar-se elevada (> 15 mmHg) já nas fases iniciais. o Com a progressão da doença observa-se aumento da retenção de CO2, que pode ser explicada por 3 mecanismos: (1) Achatamento do volume corrente devido à hiperinsuflação, que indica aumento da capacidade pulmonar total; (2) Aumento do espaço morto fisiológico (áreas ventiladas sem perfusão); (3) Hipossensibilidade do centro respiratório bulbar ao CO2. o A retenção de CO2 leva à acidose respiratória crônica, que estimula o rim a reter bicarbonato. A gasometria apresenta altos níveis de PCO2, com bicarbonato e Base Excess elevados. Geralmente há discreta acidemia. o A descompensação do quadro é marcada por fadiga respiratória, que leva ao aumento agudo da PaCO2 e, consequentemente, à queda do pH. O paciente passa a apresentar desorientação, agitação e, posteriormente, sonolência, achados indicativos de acidose respiratória “crônica agudizada”. o Tais pacientes não podem receber oxigênio suplementar em altos níveis, pois a hipossensibilidade do centro respiratório bulbar ao CO2 pode torna-lo mais sensível à hipoxemia. Dessa forma, o aumento da concentração de oxigênio pode inibir o centro respiratório reduzindo a ventilação alveolar e fazendo o paciente reter mais CO2. O paciente, portanto, evolui com acidose respiratória agudizada. A hiperóxia também promove o agravamento do distúrbio V/Q e o aumento do espaço morto fisiológico, pois ao reverter a vasoconstrição nos alvéolos mal ventilados, ocorre o deslocamento de sangue dos alvéolos hiperventilados para aqueles, aumentando, portanto, o espaço morto, que resulta na maior retenção de CO2. 3) Cor pulmonale o Corresponde à disfunção do ventrículo direito secundária a um distúrbio pulmonar. o O principal mecanismo envolvido é a hipóxia alveolar generalizada crônica, que acarreta vasoconstrição da circulação pulmonar e, consequentemente, hipertensão arterial pulmonar (HAP). o Posteriormente, o agravamento da HAP ocorre pela hiperplasia endotelial e hipertrofia muscular, que levam 81 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica ao remodelamento da parede das pequenas artérias pulmonares. o Pressão arterial pulmonar sistólica > 50 mmHg aumenta excessivamente a pós-carga do ventrículo direito, o que leva à insuficiência ventricular direita. HISTÓRIA NATURAL o A função pulmonar aumenta progressivamente com o crescimento do indivíduo até os 20 anos, quando atinge seu pico. A partir dos 30 anos, a capacidade pulmonar diminui gradativamente. o O tabagismo acelera o declínio da função pulmonar. Nos pacientes não tabagistas, a velocidade de queda do VEF1 é, em média, 20 a 30 ml/ano, nos tabagistas é de cerca de 60 ml/ano. A cessação do tabagismo não promove recuperação da função pulmonar, mas faz com que a velocidade de queda do VEF1 retorne aos padrões dos pacientes não fumantes. o Os pacientes passam a manifestar sintomas quando atingem metade de do valor de seu VEF1 máximo. Portanto, a cessação do tabagismo em idade menos avançada promove mais benefício do que a interrupção depois de já ocorridas reduções significativas da função pulmonar. o A morte ou incapacitação causadas pela DPOC podem advir de uma taxa normal de declínio após uma fase de crescimento reduzida (curva C), de um início precoce do declínio da função pulmonar após um crescimento normal (curva B), ou de um declínio acelerado após um crescimento normal (curva D). QUADRO CLÍNICO HISTÓRIA CLÍNICA o A principal queixa dos pacientes é a dispneia aos esforços de evolução insidiosa, progressiva, marcada por pioras agudas desencadeadas por fatores descompensantes. o Com a progressão da doença, a dispneia passa a ser desencadeada por níveis menores de esforço. Em alguns casos pode haver ortopneia e dispneia, cujos principais mecanismos são: (a) Piora da mecânica diafragmática no decúbito dorsal; (b) Aumento da secreção brônquica pela hiperatividade vagal noturna. o A tosse é frequente nos pacientes com DPOC, sendo geralmente acompanhada de expectoração. Pode preceder o quadro dispneico. o A bronquite crônica é marcada pela tosse produtiva, predominante no período matinal, com duração de mais de 3 meses consecutivos de um ano e há mais de 2 anos. A principal causa é o tabagismo, que promove hipertrofia das glândulas submucosas e aumento expressivo da secreção de muco. O muco acumula-se nas vias aéreas, principalmente durante a noite, pois o tabagismo inibe a atividade ciliar do epitélio brônquico. EXAME FÍSICO o Os achados variam de acordo com a forma predominante da doença: efisematoso ou bronquítico. o Bronquite obstrutiva crônica: a ausculta pulmonar é marcada por diversos ruídos adventícios, como sibilos, roncos, estertores crepitantes e subcrepitantes, associados à redução do murmúrio vesicular. o Enfisema: ausculta pulmonar revela diminuição do murmúrio vesicular, sem ruídos adventícios. Observa-se redução da elasticidade e da expansibilidade pulmonar enquanto a percussão revela aumento do timpanismo. o A respiração dos pacientes com DPOC é marcada pelo prolongamento desproporcional da fase expiratória em relação à fase inspiratória. Nos pacientes dispneicos, observa-se maior esforço à expiração. o Nos casos mais avançados, o paciente pode mostrar-se pletórico, ou seja, com um tom de pele avermelhado. Tal achado é causado pela policitemia induzida pela hipoxemia crônica, que acarreta aumento da eritropoetina renal. A dessaturação da hemoglobina associada à eritrocitose leva à cianose. A sobreposição do aspecto avermelhado à coloração cianótica resulta na eritrocianose. o Em alguns casos, o aspecto do tórax pode revelar hiperinsuflação pulmonar, com aumento do diâmetro anteroposterior, achado que caracteriza o tórax em tonel. 82 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o Nos pacientes com cor pulmonale pode ser possível observar o edema de membros inferiores e a turgência jugular patológica. o A doença avançada pode ser acompanhada de caquexia, com perda significativa de peso, consumo bitemporal e perda difusa do tecido adiposo subcutâneo, que representam prognóstico desfavorável na DPOC. o Alguns pacientes com doença avançada apresentam movimentos paradoxais do gradil costal para dentro durantea inspiração (sinal de Hoover). o Baqueteamento digital não é sinal de DPOC. Caso esteja presente, deve-se investigar as prováveis causas que, nesses casos, frequentemente corresponde ao câncer de pulmão. o O exame físico pode permitir que os pacientes sejam classificados em dois tipos a depender do componente predominante da doença: 1) Pink puffers (sopradores róseos) o É o padrão característico dos pacientes enfisematosos. o Na inspeção, observa-se a pletora e o tórax em tonel. o Tais pacientes geralmente apresentam perda de peso, dispneia do tipo expiratória, mas sem sinais de cor pulmonale e hipoxemia significativa. o A ausculta pulmonar revela redução acentuada do murmúrio vesicular, sem ruídos adventícios. 2) Blue bloaters (inchados azuis) o É o padrão dos pacientes com bronquite obstrutiva crônica grave, que apresentam distúrbio intenso da troca gasosa e, consequentemente, hipoxemia significativa, manifesta como cianose. o A hipoxemia leva ao cor pulmonale e, portanto, ao quadro de insuficiência ventricular direita e congestão sistêmica. o Tais pacientes frequentemente são obesos e apresentam a síndrome da apneia do sono. o A ausculta pulmonar revela ruídos adventícios (sibilos, roncos, estertores). ➔ A maioria dos pacientes com DPOC apresenta graus variados de bronquite obstrutiva crônica e enfisema, apresentando um quadro misto. Portanto, o exame físico não permite diferenciação confiável dessas duas entidades. DIAGNÓSTICO EXAMES COMPLEMENTARES INESPECÍFICOS 1) Hemograma o Pode mostrar eritrocitose, definida por hematócrito > 55%. o O tabagismo pode atuar isoladamente como mecanismo da eritrocitose, o que ocorre na síndrome de Gaisbok, entretanto a hipoxemia deve ser afastada como mecanismo causal, uma vez que estimula a produção de eritropoetina pelos rins, levando ao aumento da hematopoese. 2) Gasometria arterial o A gasometria arterial pode estar cronicamente alterada na DPOC, principalmente nos casos mais avançados da doença. o O principal achado é a hipoxemia, que pode ser leve, moderada ou grave (PaO2 < 55 mmHg ou SatO2 < 88%). o Fases mais avançadas da doença são marcadas por hipercapnia com acidose respiratória crônica, caracterizadas por aumento compensatório do bicarbonato e do base excess. o O pH geralmente está discretamente baixo. Entretanto, nos estados de descompensação, pode haver piora importante da hipoxemia e da hipercapnia, levando, eventualmente, à acidose respiratória agudizada. o Deve-se solicitar a gasometria arterial nas seguintes condições: (1) Suspeita de hipoxemia/hipercapnia aguda. (2) Presença de VEF1 < 40% do previsto, mesmo sem descompensação. (3) Sinais de insuficiência do VD. 3) Eletrocardiograma o Deve-se buscar por alterações indicativas de cor pulmonale, ou seja, sinais da sobrecarga cardíaca direita: • Onda P alta e pontiaguda, medindo mais de 2,5 mm na amplitude → reflete aumento atrial direito; • Desvio do eixo do QRS para a direita; • Graus variados de bloqueio de ramo direito; • Relação R/S maior que 1 em V1. o Hipoxemia crônica associada à cardiopatia direita predispõe à taquiarritmias. As principais são extrassístoles atriais, ritmo atrial multifocal, flutter e fibrilação atrial. o A taquicardia atrial multifocal é a arritmia mais frequentemente associada ao DPOC. 4) Radiografia de tórax o Só está alterado nos casos mais avançados de DPOC. o Os sinais clássicos são: (1) Retificação das hemicúpulas diafragmáticas; (2) Hiperinsuflação pulmonar; (3) Hipertransparência; (4) Aumento dos espaços intercostais; (5) Redução do diâmetro cardíaco (coração em gota); (6) Aumento do espaço aéreo retroesternal no perfil; (7) Espessamento brônquico. o Deve-se buscar por sinais de complicações, como pneumonia, pneumotórax e tumor. PROVA DE FUNÇÃO PULMONAR 83 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o A espirometria deve ser feita por todo paciente diagnosticado ou com suspeita de DPOC, pois fornece informações que permitem identificar o grau de obstrução das vias aéreas. o As principais medidas a serem avaliadas são: VEF1 e relação VEF1/CVF. o A DPOC é diagnosticada pela relação VEF1/CVF inferior a 70% do previsto, sem alteração significativa após a prova broncodilatadora, achado que revela existência de obstrução das vias aéreas. o O grau de obstrução é quantificado pelo VEF1, que deve ser acompanhado de forma seriada nos portadores de DPOC. Recomenda-se a realização da espirometria pelo menos 1 vez ao ano, a fim de demonstrar a evolução da doença. o O VEF1 também reflete o prognóstico, uma vez que a redução de seus valores está associada à maior chance de exacerbação e maior mortalidade nos anos seguintes. Também é útil na avaliação do risco cirúrgico, pois estima o risco de complicações respiratórias. o O VEF 1 não prediz com acurácia a intensidade dos sintomas atuais, uma vez que o grau de obstrução não está diretamente correlacionado à gravidade dos sintomas. Tal fato se deve à correlação dos sintomas com o nível de atividade física diária do paciente. o O fluxo expiratório forçado (FEF) é o primeiro parâmetro a se alterar na DPOC. Portanto, é o marcador mais sensível de obstrução das vias aéreas, mas não permite a confirmação do diagnóstico. o Os volumes pulmonares, refletidos pelo volume residual, capacidade residual funcional e capacidade pulmonar total, são caracteristicamente aumentados. o O teste de difusão do monóxido de carbono, que avalia a extensão da superfície alveolar disponível para troca gasosa, está reduzido, principalmente quando há enfisema. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DE TÓRAX o A TC é o exame definitivo para demonstrar a presença ou não de enfisema nos pacientes com DPOC, permitindo a identificação de sua extensão e localização. o É indicada para avaliação dos pacientes candidatos à terapia cirúrgica da DPOC, pois orienta a ressecção da porção do parênquima mais afetada pelo enfisema. o Outras indicações: • Suspeitas de pneumonia; • Bronquiectasias; • CA de pulmão. EXACERBAÇÕES o Pacientes portadores de DPOC possuem baixa reserva pulmonar, por isso, qualquer insulto ao aparelho respiratório pode levar à piora do quadro clínico, acarretando exacerbação da dispneia e, eventualmente, insuficiência respiratória. o O principal fator de descompensação é a infecção respiratória, bacteriana ou viral. Tais infecções devem ser tratadas de forma precoce e eficaz. o Clinicamente, deve-se suspeitar de infecção bacteriana pelo aumento do volume do escarro e presença de pus em sua composição. o Outros fatores desencadeantes importantes são: hiper- reatividade brônquica (broncoespasmo), drogas depressoras do centro respiratório, insuficiência cardíaca, TEP e pneumotórax. CLASSIFICAÇÃO DA DOENÇA o A classificação da DPOC utiliza o sistema proposto pelo guideline GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), que avalia os seguintes parâmetros: 1) Intensidade dos sintomas o Os sintomas devem ser avaliados pelos seguintes questionários: • mMRC (Modified Medical Research Council Questionnaire) → avalia apenas a dispneia. • CAT (COPD Assessment Test) → reflete o impacto da dispneia e outras manifestações na vida do paciente. o O mais utilizado na classificação da DPOC é o CAT. mMRC Grau 0 Dispneia apenas com esforços extenuantes Grau 1 Dispneia quando anda com pressa em nível plano, ou quando sobe normalmente uma leve inclinação. Grau 2 Caminha mais lentamente do que pessoas da mesma idade em decorrência da dispneia ou necessidade de parar de andar por causa de dispneia,mesmo andando em seu próprio ritmo em nível plano. Grau 3 Para de andar por causa da dispneia após 100 m de caminhada ou após alguns minutos em nível plano. Grau 4 Dispneia que impede o indivíduo de sair de casa, ou que aparece com esforços mínimos como vestir ou tirar as próprias roupas. 84 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 2) Grau de obstrução das vias aéreas o O grau de obstrução ao fluxo aéreo é quantificado pela queda do VEF1 em relação ao previsto. OBS.: O VEF1 deve ser medido após a prova broncodilatadora. 3) Avaliação do risco de exacerbações o O principal fator de risco para exacerbações futuras da DPOC é a história de exacerbações prévias, principalmente quando estas levaram à internação hospitalar. 4) Presença de comorbidades o A presença de comorbidades, apesar de não interferir na classificação da DPOC, deve ser considerada, uma vez que a coexistência de outras doenças crônicas graves e progressivas afeta o prognóstico e pode modificar a conduta terapêutica. CLASSIFICAÇÃO INTEGRADA o O paciente pode ser classificado entre 4 grupos de gravidade crescente de acordo com a história de exacerbação e os escores obtidos pelos questionários CAT ou mMRC: o Grupo A → baixo risco e pouco sintomático. o Grupo B → baixo risco e muito sintomático. o Grupo C → alto risco e pouco sintomático. o Grupo D → alto risco e muito sintomático. TRATAMENTO o 3 condutas comprovadamente aumentam a sobrevida do paciente portador de DPOC: (1) Abstenção do tabagismo; (2) Oxigenoterapia domiciliar em pacientes com hipoxemia crônica e grave em repouso. (3) Cirurgia pneumorredutora em pacientes selecionados. TRATAMENTO DE MANUTENÇÃO 1) Abstenção do tabagismo o A interrupção do tabagismo desacelera o declínio da função pulmonar, de forma que a queda do VEF1 retorna para valores compatíveis com a normalidade cerca de 1 ano após a interrupção do tabagismo. o Todos os tabagistas portadores de DPOC devem ser desaconselhados a fumar. o Abstenção precoce associa-se à menores taxas de lesões pulmonares irreversíveis ou permite que estas sejam minimizadas. Já a abstenção tardia está relacionada à maior ocorrência de lesões pulmonares irreversíveis, sem retorno da função pulmonar, nesses casos a interrupção do tabagismo é benéfica pois promove estabilização da função pulmonar. Em ambas as situações, a abstenção duradoura do tabagismo promove aumento de sobrevida. o A abordagem farmacológica é indicada para os pacientes que desejam parar de fumar. As principais drogas utilizadas são: (1) Reposição de nicotina (goma de mascar, pastilhas, adesivo transdérmico, spray nasal ou inalador dosimetrado); (2) Bupropiona (150 mg 12/12 horas) → inibidor seletivo da recaptação de serotonina; 85 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica (3) Vareniclina (1 mg 12/12 horas) → é um agonista parcial dos receptores nicotínicos de acetilcolina no SNC. o Essas drogas podem ser administradas em monoterapia, ou combinadas nos pacientes com altos níveis de dependência. 2) Tratamento farmacológico crônico o Na fase estável da DPOC podem ser usados broncodilatadores e anti-inflamatórios, preferencialmente por via inalatória, a fim de reduzir sintomas e prevenir exacerbações. Broncodilatadores o Os de longa duração são preferíveis na terapia de manutenção, já os de curta duração devem ser utilizados para terapia de resgate. o Podem ser de dois tipos: (a) Agonistas beta-2 adrenérgicos o Curta ação → SABA / Longa ação → LABA. o Principais SABA: Salbutamol, fenoterol e terbutalina. o Principais LABA: Formoterol, salmeterol, indacaterol e olodaterol. (b) Antagonistas muscarínicos o Curta ação → SAMA / Longa ação → LAMA. o O principal subtipo do receptor muscarínico de acetilcolina inibido é o M3. o Principais SAMA: brometo de ipratrópio ou de oxitrópio. o Principais LAMA: tiotrópio, brometo de glicopirrônio, umeclidínio e brometo de aclidínio. São as drogas de escolha no paciente com maior risco de exacerbações. OBS.: A teofilina de liberação longa é um broncodilatadora de uso oral da classe das metilxantinas. Deve ser reservada para casos em que outras formas de tratamento não estejam disponíveis ou não sejam praticáveis em decorrência do custo ou impossibilidade de uso de medicação inalatória. Anti-inflamatórios o O principal representante é o CORTIDOIDE INALATÓRIO (beclometasona, budesonida, mometasona e fluticasona). o Não devem ser usados em monoterapia na DPOC, pois aumentam o risco de pneumonia. o O benefício terapêutico é obtido nos seguintes pacientes: • Pacientes com exacerbações persistentes apesar do uso de broncodilatador inalatório de longa ação; • Pacientes com contagens elevadas de eosinófilos no sangue periférico (≥ 300/microlitro). ➔ Nessas situações está indicado o uso da combinação LABA + CI. ➔ Nos casos refratários é possível combinar LAMA + LABA + CI. Inibidores da fosfodiesterase-4 o Roflumilaste → é um fármaco de uso oral, aprovado como terapia de adição para pacientes com obstrução respiratória grave ou muito grave (GOLD 3 ou 4) que apresentam bronquite crônica e exacerbações recorrentes apesar do uso de LABA + CI ou LAMA + LABA + CI. Possui efeito anti-inflamatório. Antibióticos macrolídeos o Possuem ação anti-inflamatória direta na via aérea. O principal representante associado à este efeito é a azitromicina (250 mg/dia ou 500 mg/3X/semana). o Pacientes ex-tabagistas com persistência das exacerbações apesar da terapia inalatória otimizada podem se beneficiar do uso de azitromicina oral por até um ano, com redução da frequência de exacerbações. o Principais efeitos colaterais: seleção de cepas microbianas resistentes e surgimento de disfunção auditiva. GRUPO A Usar algum broncodilatador inalatório (ação curta para sintomas eventuais, ação longa para sintomas mais frequentes) GRUPO B Usar algum broncodilatadora inalatório de ação longa (LABA ou LAMA) GRUPO C Usar LAMA GRUPO D Usar LAMA ou LAMA + LABA (se CAT ≥ 20) ou LABA + CI (se eosinófilos ≥ 300 e/ou asma concomitante) 3) Tratamento não farmacológico o O paciente deve receber instruções a cerca do automanuseio da doença, que consiste em: (1) Habilidades de uso correto das drogas inalatórias; (2) Eficiência na automonitorização dos sintomas; (3) Capacidade de modificar temporariamente a posologia (intensificação precoce do tratamento a fim de evitar a progressão de uma exacerbação inicial); (4) Adoção de estilo de vida saudável. o Os programas de reabilitação pulmonar, que se baseiam em fisioterapia respiratória, são indicados para pacientes nos grupos B, C e D. o Vacinação contra influenza e pneumococo é indicada para todos os portadores de DPOC. o Oxigenoterapia domiciliar contínua (> 15 h/dia) comprovadamente aumenta a sobrevida na DPOC, sendo indicada nas seguintes situações: • PaO2 ≤ 55 mmHg ou SaO2 ≤ 88% em repouso. • PaO2 > 55 mmHg e < 60 mmHg ou SaO2 de 88% na presença de cor pulmonale e/ou policitemia (hematócrito > 55%), em repouso. 86 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 OBS.: As alterações na PaO2 ou SaO2 devem ser confirmadas após 3 semanas com o paciente estável. ➢ O O2 deve ser ministrado por cânula nasal em baixo fluxo (1-3 L/min). A meta terapêutica é manter a SaO2 ≥ 90%. ➢ Após o início da oxigenoterapia domiciliar contínua recomenda-se reavaliar o paciente em 60 a 90 dias a fim de definir a eficácia desta estratégia, e se é necessário mantê-la ou não. 4) Suporte ventilatório o CPAP noturno é indicado paraos portadores de DPOC que apresentam apneia obstrutiva do sono. 5) Cirurgia pneumorredutora o Baseia-se na ressecção de partes do pulmão com perfusão superior à ventilação com o objetivo de reduzir a hiperinsuflação, melhorando a mecânica ventilatória, bem como o distúrbio V/Q. o As partes ressecadas são aquelas mais acometidas por enfisema, o que pode ser identificado pela TC, desde que não ultrapassem > 20-30% do volume pulmonar total. Idealmente, a ressecção deve ser feita nos lobos superiores. o É indicada para pacientes enfisematosos que apresentam hiperinsuflação pulmonar sintomática e refratária ao tratamento medicamentoso. o É contraindicada nas seguintes situações: • Enfisema difuso e VEF 1 < 20% do predito; • Capacidade de difusão do monóxido de carbono < 20%. o Pacientes que apresentam grandes bolhas de enfisema, principalmente quando estas são sintomáticas, causam infecções e/ou hemorragias recorrentes, podem ser submetidos à cirurgia de bolhectomia. o Pacientes com doença muito avançada e refratária podem ser considerados para o transplante de pulmão, desde que não apresentem contraindicações ao procedimento. Entretanto, esta abordagem não aumenta a sobrevida na DPOC. EXACERBAÇÕES o A exacerbação é definida como piora aguda dos sintomas respiratórios que requer tratamento adicional. o Exacerbações recorrentes aceleram a progressão da DPOC, traduzida pela maior velocidade de queda do VEF1. o Fatores de risco para exacerbações: • História de exacerbações no último ano; • Aumento no diâmetro da artéria pulmonar identificado pela TC → relação dos diâmetros artéria pulmonar/aorta > 1. • Doença do refluxo gastroesofágico. o As exacerbações são marcadas pelo aumento da inflamação nas vias aéreas inferiores, acompanhado de maior produção de muco e piora do aprisionamento aéreo. Tais alterações desencadeiam os sinais cardinais da exacerbação: (1) Piora da dispneia; • Ocorre pela hiperinsuflação pulmonar, que promove retificação das cúpulas diafragmáticas acarretando prejuízo à mecânica ventilatória e aumento do esforço envolvido na respiração. • O edema e o excesso de muco intensificam a obstrução das pequenas vias aéreas, o que aumenta a resistência da arvore respiratória ao fluxo de ar, justificando a presença de roncos e sibilos na ausculta. (2) Piora da tosse; (3) Piora da secreção → pode se tornar purulenta. → Pode ou não haver febre e outras manifestações sistêmicas, como mialgia, cefaleia, náuseas/vômitos e dor de garganta. o Os principais fatores desencadeantes das exacerbações são as infecções respiratórias, principalmente as virais. Presença de escarro purulento indica infecção bacteriana. • Na maioria dos casos, o quadro inicial é sugestivo de uma infecção respiratória viral, entretanto, a presença desta mesma infecção propicia a proliferação bacteriana nas vias aéreas inferiores. Consequentemente, ocorre a infiltração neutrofílica nas vias aéreas culminando na purulência do escarro. o Outros fatores desencadeantes: poluição ambiental e mudanças na temperatura ambiente. Esses fatores podem atuar isoladamente ou intensificando quadros desencadeados por uma infecção. Classificação das exacerbações o Leves: necessitam apenas de broncodilatadores de curta duração para controle sintomático. O tratamento é ambulatorial. o Moderadas: necessitam de broncodilatadores de curta duração + antibióticos e/ou corticoide sistêmico. O tratamento é ambulatorial. o Graves: necessitam de tratamento hospitalar (emergência, enfermaria ou CTI), geralmente com drogas intravenosas e monitorização contínua. O paciente pode necessitar de suporte ventilatório por apresentar critérios de insuficiência respiratória aguda. Avaliação 1) Anamnese o Deve buscar estimar o grau dos sintomas prévios. o Com base nos dados fornecidos é possível conhecer a magnitude da exacerbação do quadro. 87 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica 2) Exame físico o Deve-se definir: estado mental e grau de disfunção respiratória (frequência respiratória, uso de musculatura acessória, cianose). o Ausculta pulmonar: roncos e sibilos são frequentes. Pode identificar estertores vocais (pneumonia) ou assimetria do murmúrio vesicular (obstrução brônquica com atelectasia ou pneumotórax). 3) Exames complementares o Método de imagem (RX ou, preferencialmente, TC de tórax): • DPOC grave na fase estável ou crise aguda com critérios de gravidade, bem como na vigência de sinais focais no exame do tórax. o Gasometria arterial: • DPOC grave na fase estável ou crise aguda com critérios de gravidade. o Angio-TC de tórax: • Suspeita de tromboembolismo pulmonar. Tratamento o As drogas de escolha para tratamento da dispneia são os SABA. Nos casos mais graves ou refratários, pode-se associar SAMA. Os SABA podem ser administrados por via inalatória ou por meio de nebulização ou inaladores dosimetrados. o Geralmente, um puff (ou uma nebulização) a cada hora nas primeiras 2 a 3 horas, seguido de um puff (ou nebulização) a cada 2 a 4 horas a depender da resposta clínica, é suficiente. As drogas inalatórias de uso crônico (LAMA, LABA +/- CI) devem ser mantidas. o Glicocorticoide sistêmico (prednisona ou prednisolona 40 mg VO 1X/dia) deve ser prescrito por 5 a 7 dias. A via oral é sempre preferível, devendo-se reservar a via intravenosa para os casos mais graves em que o paciente não consegue utilizar a via oral. o Antimicrobianos são indicados na presença de: (1) Três sinais cardinais da exacerbação (aumento da dispneia, da tosse e do escarro); (2) Dois sinais cardinais, sendo um deles o aumento do escarro, que se torna purulento; (3) Necessidade de ventilação mecânica (invasiva ou não invasiva), independentemente de outros fatores. • As principais bactérias envolvidas são: Streptococcus pneumoniae, o Haemophilus influenzae e a Moraxella catarrhalis. • Geralmente, as drogas de escolha são: amoxicilina- clavulanato, macrolídeos (azitromicina) ou tetraciclinas. Esta indicação pode variar com o perfil local de resistência bacteriana. • A duração do tratamento deve ser de 5 a 7 dias. • Pacientes que apresentam exacerbações muito frequentes, VEF1 extremamente reduzido e/ou necessidade de ventilação mecânica, devem coletar culturas, com amostras de escarro e sangue, antes do início da antibioticoterapia empírica. • Em decorrência do maior risco de colonização desses pacientes por germes multirresistentes, o tratamento inicial pode ser feito com antibióticos de amplo espectro. Posteriormente, o espectro pode ser reajustado de acordo com os resultados das culturas. o Todos os pacientes que apresentem critérios de insuficiência respiratória aguda devem receber suporte ventilatório com pressão positiva nas vias aéreas. • A ventilação não invasiva é preferencial à ventilação mecânica invasiva. Pode-se utilizar CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) ou BiPAP (Bilevel PositiveAirway Pressure). Na DPOC descompensada, presença de confusão mental ou redução do sensório, em grau leve, não contraindica o uso de VNI, pois nesses casos as alterações do SNC podem ser rapidamente revertidas com a melhora da ventilação alveolar e queda da PaCO2. • Inicialmente, a suplementação de O2 pode ser feita através de cateter nasal ou máscara facial. A meta terapêutica é manter a SatO2 entre 88 e 92%. • Pacientes com boa resposta à VNI podem interromper abruptamente seu uso, sem necessidade de desmame, caso consigam tolerar, com conforto, pelo menos 4 horas de respiração espontânea. 88 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com)lOMoARcPSD|14703953 PNEUMONIA COMUNITÁRIA INTRODUÇÃO E EPIDEMIOLOGIA o A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é a principal causa de morte no mundo. Dentre os agentes etiológicos o Streptococcus pneumoniae é a bactéria de maior prevalência. o As taxas de mortalidade por PAC no Brasil apresentam tendência à queda, o que é resultado da melhora da situação socioeconômica, maior acesso a cuidados de saúde, disponibilidade nacional de antibióticos e políticas de vacinação. Entretanto, a PAC permanece como a terceira causa de mortalidade no Brasil. o Embora possa ocorrer em indivíduos hígidos, a PAC acomete principalmente indivíduos debilitados por outras patologias. o Do ponto de vista histopatológico, a pneumonia pode ser definida como preenchimento do espaço alveolar por infiltrado necroinflamatório. Os alvéolos são preenchidos por infiltrado inflamatório composto por leucócitos (principalmente neutrófilos) e exsudato purulento contendo debris celulares e bactérias. Obs.: A pneumonia deve ser diferenciada da pneumonite (alveolite), lesão caracterizada por infiltrado localizado principalmente nos septos alveolares, que constituem o interstício pulmonar. o Do ponto de vista clínico, define-se pneumonia como todo processo inflamatório agudo do parênquima pulmonar desencadeado pela infecção por algum micro-organismo. AGENTES ETIOLÓGICOS o O agente mais comum é o Streptococcus pneumoniae, também conhecido como pneumococo, que é um diplococo Gram-positivo. Estima-se que este agente responda por 30 a 40% das pneumonias em adultos. OUTROS AGENTES 1) Bactérias piogênicas aeróbicas (quadro clínico típico) o Streptococcus pneumoniae. o Haemophilus influenzae. o Moraxella catarrhalis. o Klebsiella pneumoniae. o Staphylococcus aureus. o Streptococcus pyogenes. o Pseudomonas aeruginosa. o O epitélio faríngeo de pacientes hígidos é revestido de fibronectina, uma proteína que favorece a adesão de aeróbios gram-positivos. o Estima-se que o S. pneumoniae é encontrado na nasofaringe de 5 a 10% dos adultos e 20 a 40% das crianças. O S. aureus coloniza a porção anterior das narinas de 20 a 40% da população 2) Bactérias anaeróbicas da cavidade bucal (pneumonia aspirativa) o Peptostreptococcus sp. (gram-positivo) o Fusobacterium nucleatum. (gram-negativo anaeróbio) o Prevotella sp. (gram-negativo anaeróbio) o Pseudomonas aeruginosa. o As bactérias anaeróbias são as principais colonizadoras do epitélio faríngeo. São importantes agentes da pneumonia aspirativa. 3) Germes atípicos (quadro clínico atípico ou típico) o Mycoplasma pneumoniae. o Chlamydia pneumoniae. o Legionella pneumophila. 4) Vírus respiratório (quadro clínico atípico) o Influenza. o Parainfluenza. o Adenovírus. 5) Outros (etiologia incomum) o Mycobacterium tuberculosis. o Hystoplasma capsulatum. o Paracoccidioides braziliensis. o Cryptococcus neoformans. o Pneumocystis jiroveci (HIV positivo). o Chlamydia psittaci (psitacose). o Coxiella burtnetii. 89 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica FISIOPATOLOGIA o A pneumonia decorre da proliferação dos patógenos microbianos nos espaços alveolares e da resposta do hospedeiro a esses agentes patogênicos. o Os microrganismos atingem as vias aéreas inferiores pelos seguintes mecanismos: • Aspiração das secreções orofaríngeas → principal mecanismo. Nesses casos, para infectar o pulmão, o microrganismo coloniza o epitélio faríngeo e, posteriormente é aspirado para as vias aéreas inferiores; ➢ Aspiração de volumes pequenos ocorre frequentemente durante o sono (principalmente nos idosos); ➢ Nos pacientes com níveis deprimidos de consciência. • Inalação de aerossol contaminado do ambiente (Legionella). • Em casos raros pode ocorrer por disseminação hematogênica ou por contiguidade dos espaços pleural ou mediastinal infectados. Mecanismos de defesa do hospedeiro: (a) Pelos e conchas nasais das narinas: retém partículas maiores inaladas para que elas não atinjam as vias aéreas inferiores. (b) Arquitetura ramificada da árvore traqueobrônquica retém microrganismos no revestimento das vias aéreas. Nessas regiões a atividade mucociliar e os fatores antibacterianos locais eliminam ou destroem os potenciais patógenos. O surfactante alveolar é rico em substâncias de efeito antibacteriano, como IgG, IgM, complemento, fibronectina, lisozimas e proteínas ligadoras de ferro. • O IgM ativa o sistema complemento, que promove a lise bacteriana; • O IgG reveste a superfície bacteriana opsonizando- a e permitindo seu reconhecimento pelos fagócitos alveolares. 90 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 (c) Reflexos do vômito e da tosse protegem contra aspiração. (d) A microbiota local aderida às células da mucosa da orofaringe impede que bactérias patogênicas se estabeleçam, reduzindo o risco de pneumonia bacteriana. o Quando essas barreiras são superadas ou quando os microrganismos são pequenos o suficiente para alcançarem os alvéolos, os macrófagos alveolares fornecem uma linha de defesa muito eficaz, eliminando e destruindo os patógenos. o As células epiteliais locais produzem proteínas (ex.: proteínas A e D do surfactante), que auxiliam os macrófagos. o Os macrófagos apresentam propriedades de opsonização ou atividade antibacteriana ou antiviral. Realizam a fagocitose dos patógenos e, mesmo que não promovam sua destruição, induzem a eliminação destes agentes através do sistema elevatório mucociliar ou pelos vasos linfáticos. o A pneumonia se instala quando a capacidade fagocítica dos macrófagos é superada. Nesses casos, os macrófagos ativam a resposta inflamatória, que é o principal fator desencadeante da síndrome clínica da pneumonia. • IL-1 e fator de necrose tumoral (TNF) → febre. • IL-8 e fator estimulador das colônias de granulócitos → liberação de neutrófilos e atração dessas células para o pulmão, acarretando leucocitose periférica e secreções purulentas aumentadas. Os neutrófilos perpetuam o processo inflamatório agudo. • Mediadores inflamatórios liberados de macrófagos e neutrófilos → extravasamento alveolocapilar (hemácias podem ultrapassar a membrana alveolocapilar, o que causa hemoptise). Tal evento é responsável pelos infiltrados radiográficos e pelos estertores detectáveis à ausculta. • O preenchimento alveolar por líquidos leva à hipoxemia e, consequentemente, ao aumento do drive respiratório, que é característico da síndrome de resposta inflamatória sistêmica induzindo alcalose respiratória. • Dispneia é causada pelos seguintes mecanismos: (1) Redução da complacência pulmonar secundária ao extravasamento capilar; (2) Hipoxeia; (3) Hiperestimulação do centro respiratório; (4) Secreções profusas; (5) Broncoespasmo desencadeado pela infecção. o Com o agravamento do quadro, as alterações da mecânica pulmonar decorrentes das reduções de volume e da complacência pulmonares somadas ao shunt intrapulmonar do sangue podem culminar em insuficiência respiratória e morte. o A microbiota alveolar normal é predominantemente gram- positiva. A idade avançada e algumas afecções debilitantes como DPOC, diabetes mellitus e alcoolismo podem modificar a microbiota colonizadora por reduzir a quantidade de fibronectina do epitélio, permitindo a exposição de receptores das células epiteliais para agentes gram-negativos aeróbios. Dessa forma, bactérias como Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis e Klebsiella pneumoniae podem colonizar as vias aéreas superiores e, eventualmente, as inferiores desses pacientes. ➔ As duas principais causas de alteraçãona microbiota alveolar são as infecções virais do trato respiratório superior e a terapia antibiótica. o Pneumopatias estruturais, como a fibrose cística e as bronquiectasias, permitem a colonização das vias aéreas inferiores por S. aureus e P. aeruginosa. Condições predisponentes à PAC Condição Mecanismo de predisposição Idade avançada Mecanismo desconhecido de imunodepressão. Aumenta a colonização faríngea por Gram- negativos. Tabagismo Inibe a atividade ciliar e a capacidade fagocítica dos macrófagos alveolares. DPOC Inibe a atividade ciliar e a capacidade fagocítica dos macrófagos alveolares. Aumenta a colonização da faringe e da árvore traqueobrônquica por gram- negativos. Alcoolismo Inibe a tosse e os reflexos glóticos; inibe a quimiotaxia de neutrófilos e o metabolismo oxidativo destas células. Aumenta a colonização faríngea por Gram-negativos. Diabetes mellitus Mecanismo desconhecido de imunodepressão. Aumenta a colonização faríngea por gram- negativos. Insuficiência cardíaca congestiva Mecanismo desconhecido. Uremia crônica Diminui a capacidade fagocítica; inibe a quimiotaxia de neutrófilos e o metabolismo oxidativo destas células. Infecções virais (principalmente Influenza) Lesão do epitélio traqueobrônquico (perda de atividade ciliar) Queda da consciência Inibição da tosse e dos reflexos glóticos, acarretando aspiração de grandes quantidades de material faríngeo ou gástrico. Doença cérebro- vascular Inibição da tosse e dos reflexos glóticos; distúrbio da deglutição. PATOLOGIA Pneumonia pelo S. pneumoniae 91 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Ao atingir os alvéolos a bactéria desencadeia uma reação inflamatória neutrofílica e passa a se multiplicar nos espaços alveolares, que se comunicam através dos poros de Kohn). o Estes microrganismos liberam substâncias com efeito vasodilatador e alto poder quimiotático para neutrófilos. o O processo pneumônico se instala e evolui em 4 fases: (1) CONGESTÃO o As bactérias se multiplicam rapidamente no interior dos alvéolos, os vasos se dilatam ingurgitando-se de sangue. o Exsudato fibrinoso, com poucos neutrófilos pode estar presente no espaço alveolar. (2) “HEPATIZAÇÃO” VERMELHA o Caracteriza-se pela exsudação de hemácias, neutrófilos e fibrina para o interior dos alvéolos preenchendo todo o seu espaço. o As hemácias constituem os componentes predominantes dos exsudatos, conferindo ao lobo pulmonar acometido aspecto macroscópico semelhante ao fígado. (3) “HEPATIZAÇÃO” CINZENTA o Corresponde à fase supurativa da pneumonia. As hemácias começam a se desintegrar e o exsudato passa a conter neutrófilos e debris celulares. o O aspecto macroscópico revela uma consolidação de cor cinza claro. (4) RESOLUÇÃO OU ORGANIZAÇÃO o O exsudato celular é substituído por um material semifluido e granulado, formado por debris de células inflamatórias. Este material é consumido pelos macrófagos até a resolução completa do processo. o Geralmente, a pneumonia pneumocócica não destrói os septos alveolares, ao contrário do que ocorre na pneumonia estafilocócica, por microrganismos gram- negativos entéricos e por anaeróbios. Tipos histopatológicos (a) Pneumonia lobar o Define-se pneumonia lobar como consolidação alveolar extensa, que ocupa uma grande área do parênquima pulmonar. 90 a 95% dos casos de pneumonia lobar comunitária são causados pelo S. pneumoniae. o A pneumonia lobar não é o tipo mais comum de pneumonia, mesmo no caso de infecção pelo pneumococo. (b) Broncopneumonia o O achado mais comum de pneumonia bacteriana é a broncopneumonia, que é caracterizada por múltiplos focos coalescentes de consolidação alveolar com predomínio na região peribrônquica. Se a coalescência dos focos broncopneumônicos for extensa, o infiltrado pode transformar-se em uma pneumonia lobar ou sublobar. o Este padrão pode ser provocado por qualquer agente causador de pneumonia. QUADRO CLÍNICO-LABORATORIAL TÍPICO Quadro clínico em adultos de meia-idade previamente hígidos o O quadro clínico clássico é representado pela pneumonia pneumocócica. o A doença se apresenta de forma hiperaguda (2 a 3 dias), com história de calafrios e tremores, seguidos de febre alta (39-40°C), dor torácica pleurítica e tosse produtiva com expectoração purulenta (esverdeada). o O exame físico pode revelar prostração, taquipneia (FR > 24 irpm), taquicardia (FC > 100 bpm) e hipertermia (Tax > 38 °C). o O exame do aparelho respiratório pode demonstrar achados desde simples estertores inspiratórios até uma síndrome de consolidação e/ou derrame pleural. • A síndrome de consolidação é caracterizada pela presença do som bronquial, aumento do frêmito toracovocal, submacicez, broncofonia e pectorilóquia fônica. • A síndrome do derrame pleural pode ser identificada pela abolição do murmúrio vesicular e do frêmito toracovocal, submacicez e egofonia. 92 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 Quadro clínico da pneumonia comunitária “típica” Sintomas Frequência Febre alta 80% Tosse 80% Expectoração purulenta 60-80% Calafrios 40-50% Dor torácica pleurítica 30% Tremores 15% Sinais Frequência Hipertermia 80% Estertoração pulmonar 80% Taquipneia (FC > 24%) 45-70% Taquicardia (FC > 100 bpm) 45% Síndrome de consolidação pulmonar: o Som bronquial; o Aumento do FTV; o Submacicez; o Broncofonia e pectorilóquia fônica 30% Síndrome de derrame pleural: o MV diminuído ou abolido; o FTV diminuído ou abolido; o Submacicez; o Egofonia. 10-15% Ausculta da voz Consolidação pulmonar: o Broncofonia = o paciente fala normalmente “33” e o som é auscultado nitidamente. O normal é que se ausculte um som abafado. o Pectorilóquia fônica = o paciente fala “33” em voz sussurrada e o som é auscultado nitidamente. Em condições normais a voz sussurrada não é audível na ausculta respiratória. Derrame pleural: o Egofonia = o paciente fala normalmente “33” e o som é auscultado de forma “anasalada”. Este som é auscultado externamente na borda superior do derrame pleural. Achados laboratoriais inespecíficos o Leucocitose neutrofílica entre 15.000 e 35.000/mm3, com desvio para a esquerda. o Hematoscopia: Presença de granulações grosseiras no citoplasma e/ou corpúsculos de Dohle indicam ativação dos neutrófilos. o Hematócrito, índices hematimétricos e plaquetas geralmente estão normais no início do quadro. o Leucopenia pode estar presente, indicando mau prognóstico. o A bioquímica na maioria dos casos está normal, mas pode mostrar hiponatremia leve a moderada em alguns casos. o Hiponatremia grave e elevação das enzimas hepáticas são mais comuns na pneumonia por Legionella pneumophila. o Aumento agudo das escórias renais sugere sepse ou nefrite intersticial pelo antibiótico utilizado no tratamento. o A gasometria arterial varia de acordo com a gravidade e extensão da pneumonia, bem como com a reserva cardiopulmonar do paciente. Os principais achados são a hipoxemia e a alcalose respiratória. Hipoxemia grave (PaO2 < 60 mmHg), acidose metabólica ou respiratória indicam mau prognóstico. Quadro clínico em idosos e pacientes com comorbidades o Pacientes idosos debilitados, ou aqueles que apresentam comorbidades (DPOC, insuficiência cardíaca, diabetes mellitus, alcoolismo, neoplasia, uremia, doença cerebrovascular), quando evoluem com um quadro inexplicado de desorientação e queda do estado geral ou simplesmente taquidispneia, mesmo na ausência de febre, tosse produtiva ou leucocitose, devem ser investigados para pneumonia bacteriana. o Radiografiade tórax deve ser solicitada e, se for observado infiltrado sugestivo de pneumonia, deve-se iniciar a antibioticoterapia empírica. Radiografia de tórax o Achados sugestivos de pneumonia: (1) Infiltrado pulmonar, geralmente do tipo alveolar broncopneumônico: múltiplas condensações lobulares coalescentes → É o achado mais frequente na pneumonia bacteriana; 93 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica (2) Broncograma aéreo; (3) Grande área de consolidação alveolar, constituindo a pneumonia lobar ou sublobar. o Situações em que há pneumonia, mas a radiografia é normal: (1) Infiltrado retrocardíaco, não sendo visualizado na incidência PA; (2) Infiltrado muito tênue para ser identificado pela radiografia. Nesses casos pode ser visualizado pela TC. (3) Técnica da radiografia incorreta. O exame clínico não define diagnóstico de pneumonia. A radiografia de tórax é essencial para confirmação ou exclusão de pneumonia. Este exame permite a definição da gravidade do quadro pela extensão do acometimento pulmonar, e possibilita a identificação de complicações, como derrame pleural, atelectasias, tuberculose, etc. o Padrões radiológicos sugestivos de agentes etiológicos: • Pneumonia lobar → quase sempre causada pelo pneumococo. Eventualmente, pode surgir de uma pneumonia estafilocócica ou por gram-negativos. ➢ Pneumonia do lobo pesado: é um tipo de pneumonia lobar causada pela Klebsiella pneumoniae, geralmente em alcoólatras ou diabéticos. Acomete mais frequentemente o lobo superior, e na radiografia observa-se abaulamento da cissura (pelo edema lobar inflamatório). • Pneumatoceles → cistos com paredes finas, geralmente múltiplos. São comuns na pneumonia por S. aureus. Decorrem de pequenas roturas bronquiolares com consequente passagem de ar para o interstício subpleural. • Pseudotumor → condensação de formato arredondado, mais frequente em crianças. Quase sempre é causada pelo S. pneumoniae. • Propensão à necrose parenquimatosa, com formação de cavitações caracteriza pneumonia por anaeróbios (pneumonia aspirativa), Klebsiella pneumoniae, S. aureus e S. pneumoniae sorotipo 3. ➢ Lesões cavitárias pequenas (< 2 cm) → pneumonia necrosante; ➢ Lesão cavitária grande (> 2cm), contendo nível hidroaéreo → abscesso pulmonar. 94 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 ATÍPICO Quadro clínico o O principal agente é o Mycoplasma pneumoniae, que geralmente acomete faixas etárias jovens, acima dos 5 anos e abaixo dos 40 anos de idade. o A instalação é subaguda. O sintomas iniciais geralmente são: dor de garganta, mal estar, mialgia, cefaleia, tosse seca, febre entre 38 e 39°C. o A tosse geralmente piora após a primeira semana, passando a representar o principal sintoma. Em alguns casos persiste por várias semanas. Na maioria dos casos é seca, interferindo no sono do paciente. Quando é produtiva, a expectoração geralmente é branca, mas em 30 a 50% dos casos é descrita como purulenta. Achados laboratoriais o Leucocitose neutrofílica está presente em 20% dos casos. o Observa-se importante dissociação clinicorradiológica nesses pacientes. Ou seja, enquanto o exame do aparelho respiratório é normal ou apresenta apenas discretos estertores crepitantes ou sibilos, a radiografia de tórax mostra um infiltrado pulmonar extenso. o O infiltrado por ser de dois tipos: • Broncopneumônico → típico de infecções por micoplasma ou clamídia; • Intersticial reticular ou reticulonodular → típico de viroses, mas qualquer agente causador de pneumonia atípica pode gerar este infiltrado. Agentes e apresentações o Pneumonia por Chlamydia pneumoniae se manifesta de forma semelhante à pneumonia por micoplasma, mas predomina na faixa etária dos 65 aos 80 anos. É o segundo agente mais comum de pneumonia atípica. o Legionella pneumophila (legionela) é considerada agente etiológico de pneumonia atípica por não ser facilmente identificada no gram de escarro, não crescer em cultura para germes comuns e não responder aos antibióticos betalactâmicos. A legionelose é uma doença de gravidade considerável, com início hiperagudo, marcada por febre alta e presença de áreas extensas de consolidação pulmonar de pneumonia lobar. MÉTODOS DIAGNÓSTICOS o Geralmente é feito pelo quadro clinico-laboratorial em conjunto com os achados na radiografia de tórax nas incidências PA e perfil. o O exame do escarro pode fornecer dados que corroboram o diagnóstico e sugerem o agente etiológico, entretanto, não é indicado de rotina para casos de pneumonia comunitária não grave tratada ambulatorialmente. o Coleta de material das vias aéreas inferiores é indicada nas seguintes situações: • Pacientes que não respondem ao tratamento empírico inicial; • Pacientes que se apresentam com quadros graves e necessidade de internação hospitalar. o Hemocultura e coleta do escarro para Gram e cultura → devem ser solicitados quando o paciente apresenta fatores de risco para pneumonia comunitária associada a agentes como MRSA e P. aeruginosa. • Fatores de risco: (1) História prévia de infecção por estes germes; (2) Hospitalização e uso de ATB IV nos últimos 90 dias. Pacientes tabagistas com mais de 50 anos, bem como aqueles com persistência dos sintomas ou achados focais ao exame físico pós-tratamento, devem repetir a radiografia de tórax em 6 semanas. O objetivo é avaliar a possibilidade de CA de pulmão (pneumonia pós-obstrutiva). o A ultrassonografia de tórax realizada à beira do leito pode ser utilizada como método diagnóstico de pneumonia. Permite a detecção de infiltrados pulmonares e complicações, como derrame pleural. É preferencial quando se trata de gestantes ou indivíduos acamados. ABORDAGEM INICIAL o Nos casos de pneumonia adquirida na comunidade, principalmente aqueles que serão abordados em regime ambulatorial, a escolha da antibioticoterapia é empírica. Em alguns casos são necessários ajustes em função de fatores de risco específicos ou situação epidemiológica. 95 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Nos pacientes com quadros graves ou com fatores de risco para MRSA e P. aeruginosa, que serão internados, deve-se colher hemoculturas e amostra de escarro para realização de gram e cultura, além de dosagens de antígenos urinários para Legionella pneumophila e S. pneumoniae. • Teste do antígeno urinário pneumocócico ➢ Vantagens: rapidez, simplicidade, capacidade de detectar o microrganismo mesmo após o início da antibioticoterapia. Sensibilidade: 50-80% / Especificidade: mais de 90%. ➢ Desvantagens: custo, ausência de antibiograma, falso-positivo em crianças com doença respiratória crônica colonizada pelo S. pneumoniae e em pacientes com episódio de PAC nos últimos 3 meses. • Teste do antígeno urinário da Legionella ➢ Sensibilidade de 70 a 90% e especificidade de 99%. O resultado é positivo desde o primeiro dia de doença e permanece por semanas. o Durante os períodos de maior circulação viral, bem como nos casos graves, recomenda-se a realização de testes moleculares para pesquisa de vírus respiratórios, como o influenza, que podem ser os agentes causais do quadro pneumônico, ou favorecer a instalação de infecções bacterianas mais graves e intensas ao danificarem os mecanismos de defesa das vias aéreas. Exames para diagnóstico em diferentes situações Situação Exames recomendados Tratamento ambulatorial Desnecessários Tratamentoem enfermaria Gram e cultura de escarro (escarro purulento, sem antibiótico prévio ou com falha a este). Duas hemoculturas (Casos mais graves ou sem resposta ao tratamento). Sorologia (Suspeita específica de algum agente, em surtos ou para estudos epidemiológicos) Antígeno urinário (pneumococo ou Legionella) – casos mais graves ou sem resposta ao tratamento. Toracocentese, se derrame pleural. Tratamento em UTI Todos os exames acima e broncoscopia ou aspirado traqueal com cultura em pacientes em ventilação mecânica. Etiologias mais frequentes o O conhecimento das prováveis etiologias de acordo com as diversas situações é importante na elaboração do esquema de antibioticoterapia empírica. Ambulatório S. pneumoniae Mycoplasma pneumoniae Vírus respiratórios (influenza A e B, adenovírus, vírus sincicial respiratório e parainfluenza) Chlamydophila pneumoniae Haemophilus influenzae Internados em enfermaria S. pneumoniae Mycoplasma pneumoniae Chlamydophila pneumoniae Vírus respiratórios (influenza A e B, adenovírus, vírus sincicial respiratório e parainfluenza) Haemophilus influenzae Legionella Internados em CTI S. pneumoniae Bacilos Gram-negativos Haemophilus influenzae Legionella sp. Staphylococcus aureus. Condições predisponentes a germes específicos DPOC Haemophilus influenzae (patógeno mais comum). Streptococcus pneumoniae (segundo mais comum). Moraxella catarrhalis. Alcoolismo Klebsiella pneumoniae. Pneumonia aspirativa: anaeróbios. Pós-influenza Streptococcus pneumoniae. Staphylococcus aureus. Usuários de drogas IV Staphylococcus aureus. Diabéticos, Uremia crônica Gram-negativos Doença cérebro- vascular Gram-negativos. Pneumonia aspirativa: anaeróbios. Queda da consciência Pneumonia aspirativa: anaeróbios. Dentes em mau estado de conservação Anaeróbios. Neutropenia < 1000/mm3 Enterobactérias (Escherichia coli, Enterobacter sp., Serratia sp.). Pseudomonas aeruginosa. Staphylococcus aureus. Fibrose cística Haemophilus influenzae. Pseudomonas aeruginosa. Staphylococcus aureus. Burkholderia cepacia. CONDUTA CLÍNICA LOCAL DE TRATAMENTO 96 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 o Todos os pacientes com diagnóstico de PAC devem ser avaliados quando à gravidade da doença a partir de escores validados, que incluem o PSI e o CURB-65. O mais utilizado é o CURB-65. o Nos casos em que os exames laboratoriais não estão disponíveis, pode-se utilizar a forma simplificada (CRB-65) sem a dosagem de ureia. o Além desses escores, a decisão clínica deve levar em consideração outros fatores, como a possibilidade de administração oral dos fármacos, o apoio que o paciente receberá durante seu tratamento ambulatorial, presença de comorbidades que podem ser descompensadas pela pneumonia (diabetes, IC, DPOC). Indicação de terapia intensiva o Para definir a indicação de admissão à UTI para pacientes hospitalizados, deve-se utilizar os critérios preconizados pela ATS/IDSA. o A presença de um dos critérios maiores ou de 3 ou mais critérios menores indica necessidade de cuidados intensivos. Predição de gravidade o Foram desenvolvidas as ferramentas SCAP e SMART COP para avaliar o risco de morte ou de admissão à UTI em pacientes hospitalizados. 1) SCAP o Pontuação maior ou igual a 10 indica maior probabilidade de necessidade de ventilação mecânica ou de drogas vasoativas. o Critérios maiores: < 7,30 (13 pontos) e pressão arterial sistólica < 90 mmHg (11 pontos). o Critérios menores: FR > 30 ciclos/min (9 pontos); PaO2/FiO2 < 250 (6 pontos); ureia > 30 mg/dl (5 pontos); alteração do nível de consciência (5 pontos); idade ≥ 80 anos (5 pontos); e presença de infiltrado radiológico multilobar ou bilateral (5 pontos). 2) SMART-COP o Pontuação superior a 3 identifica necessidade de uso de ventilação mecânica invasiva ou de drogas vasoativas. o Pressão arterial sistólica < 90 mmHg (2 pontos); envolvimento multilobar (1 ponto); albumina < 3,5 g/dl (1 ponto); FR ≥ 25 ciclos/min (1 ponto); FC > 125 bpm (1 ponto); confusão mental (1 ponto); SpO2 < 93% ou PaO2 < 70 mmHg (2 pontos); e pH < 7,30 (2 pontos). 97 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Pontuação > 3 indica maior chance de necessidade de ventilação mecânica invasiva ou de drogas vasoativas na evolução da PAC. BIOMARCADORES o Correspondem a qualquer molécula mensurável que sirva para auxiliar no diagnóstico ou na estimativa de prognóstico dos pacientes portadores de alguma condição clínica. o A procalcitonina é produzida pelas células parenquimatosas em resposta à toxinas bacterianas e citocinas pró-inflamatórias. Seus níveis se elevam dentro de 2 horas após o estímulo bacteriano. Pode ser utilizada como auxílio ao diagnóstico de PAC. o A proteína C reativa é secretada pelas células hepáticas em resposta à elevação de interleucinas 6,1β e TNF- . Pode ser utilizada para avaliar a resposta ao tratamento. ANTIBIOTICOTERAPIA PACIENTES AMBULATORIAIS o O tratamento antibiótico inicial deve ser definido de forma empírica. o Nesses casos menos graves de PAC a resistência à penicilina do pneumococo não deve ser uma preocupação. o Recomenda-se o uso de monoterapia com β-lactâmico ou macrolídeos para pacientes ambulatoriais, sem comorbidades, nenhum uso recente de antibióticos, sem fatores de risco para resistência e sem contraindicação ou história de alergia a essas drogas. o Risco de infecção por agentes patogênicos resistentes e de falha terapêutica são maiores nas seguintes condições: • História de uso de um antibiótico nos 3 meses anteriores; • Pacientes provenientes de regiões onde a taxa local de resistência aos macrolídeos é superior a 25%; • Presença de doenças associadas → DPOC, doença hepática ou renal, câncer, diabetes, insuficiência cardíaca congestiva, alcoolismo e imunossupressão. ➔ Nesses casos, recomenda-se para o tratamento ambulatorial associar macrolídeos a um β-lactâmico ou realizar monoterapia com uma fluoroquinolona respiratória por pelo menos 5 dias. PACIENTES INTERNADOS EM ENFERMARIAS o Recomenda-se o uso de uma fluoroquinolona respiratória isolada (levofloxacino, moxifloxacino ou gemifloxacino) ou uma associação de um β-lactâmico a um macrolídeo → boa cobertura para S. pneumoniae, M. pneumoniae, C. pneumoniae, H. influenzae ou Legionella sp. o A monoterapia com macrolídeos não é indicada pela alta prevalência de resistência do S. pneumoniae a esta classe de antibióticos. o Β-lactâmico em monoterapia pode ser utilizado se houver exclusão confirmada de Legionella sp. PACIENTES INTERNADOS EM UTI o Nos casos de PAC grave com indicação de admissão em UTI recomenda-se o uso de terapia combinada. O início da antibioticoterapia deve ser o mais precoce possível e deve incluir preferencialmente um macrolídeo e um β- betalactâmico. o As recomendações de antibioticoterapia inicial abaixo valem para todos os pacientes com PAC grave exceto para os casos em que as condições clínicas indiquem alta probabilidade de germes específicos como agentes causadores. TERAPIA ALVO-ESPECÍFICA o É recomendada para pacientes de risco para bactérias bastonetes gram-negativas, Staphylococcus aureus e outros germes potencialmente resistentes na comunidade. o Patógenos padrão: S. pneumoniae, H. influenzae, S. aureus, M. pneumoniae, Streptococcus sp. Grupo A, Legionella sp., Chlamydophila sp. e Moraxella catarrhalis. o Patógenos multirresistentes: CA-MRSA (S. aureus adquirida na comunidade e resistente à meticilina). Apresentação típica: pneumonia necrosante de rápidaevolução, podendo estar associada à lesão cutânea ou à prática de esportes coletivos em pacientes hígidos. • Medicamentos de escolha: clindamicina, linezolida ou vancomicina. Podem ser utilizados em monoterapia, associados entre si (linezolida e clindamicina ou vancomicina e clindamicina) ou à rifampicina no caso de cepas resistentes ou de dificuldade de penetração em tecido necrótico. • TTO de escolha: clindamicina, sulfametoxazol/trometoprim ou linezolida. o MRSA, enterobactérias produtoras de betalactamase de espectro expandido e Pseudomonas sp. → Fatores de risco: internação hospitalar em até 90 dias antes do episódio de pneumonia, uso prévio de antibióticos há 90 98 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 dias, imunossupressão, uso de bloqueador gástrico, alimentação enteral, hemodiálise e colonização intestinal prévia por bactéria multirresistente ou MRSA nasal. • MRSA → linezolida é superior à vancomicina em infecções graves, principalmente em pacientes em CTI. • Enterobactérias produtoras de betalactamase de espectro estendido → podem ser tratadas em regime ambulatorial com ertapenem. • Pseudomonas sp. resistentes → fluoroquinolonas, piperacilina/tazobactam, meropenem ou polimixina B, em monoterapia ou terapia combinada. o Pneumococo resistente a penicilina → usar: cefalosporinas (ceftriaxona, cefotaxima e cefepima). A ceftarolina é superior à ceftriaxona para o tratamento de pneumonia por pneumococo. TRATAMENTO ADJUVANTE COM CORTICOIDE o Durante o quadro infeccioso, o balanço adequado entre a ativação da resposta imune e o controle da inflamação é fundamental para o combate da infecção sem lesão tecidual adjacente. A ativação do eixo hipotálamo- Duração do tratamento o PAC de baixíssima gravidade e com tratamento ambulatorial → monoterapia por 5 dias. o PAC de moderada a alta gravidade → 7 a 10 dias. o O tratamento pode ser estendido até 14 dias a depender da evolução do paciente. Ausência de resposta/piora o Ausência de resposta ao tratamento ou piora clínica/radiológica em 48 ou 72 horas é considerada fracasso precoce. o Piora do quadro clínico após as 72 horas iniciais de tratamento é considerada falha tardia. o Principais causas de falha: antibioticoterapia inadequada / diagnóstico errado de pneumonia: embolia pulmonar, vasculites, pneumonia eosinofílica / Pneumonia por agentes pouco usuais: infecções fúngicas, pneumocistose, nocardiose, leptospirose / complicações: pulmonares (abscesso), extrapulmonares (empiema). 99 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica hipófise-adrenal é responsável pela produção do cortisol, um corticosteroide endógeno que, durante quadros pneumônicos, induz a expressão de proteínas anti- inflamatórias e a inibição de moléculas pró-inflamatórias. o Os corticoides são seguros e benéficos quando utilizados como adjuvantes no tratamento da PAC grave. Entretanto, seu uso deve ser reservado para indivíduos com maior propensão de benefícios clínicos, como aqueles com maior grau de inflamação sistêmica. Nesse contexto, a PCR pode ser considerada um biomarcador útil, identificando pacientes com maior risco de complicações relacionadas à PAC e que, consequentemente, podem se beneficiar da corticoterapia adjuvante. PREVENÇÃO 1) Vacina anti-influenza o Pneumonias bacterianas podem se estabelecer secundariamente às infecções pelo vírus Influenza. A vacinação reduz a intensidade dos sintomas, a necessidade de hospitalização e a mortalidade. o Duas vacinas são aprovadas pela ANVISA: (1) Vacina anti-influenza trivalente (A/H1N1, A/H3N2 e influenza B): disponível no SUS, nas unidades básicas de saúde durante as campanhas de vacinação. (2) Vacina anti-influenza tetravalente (A/H1N1, A/H3N2 e duas cepas de influenza B): disponível nas clínicas privadas. o Devem ser vacinados: • Adultos com idade igual ou superior a 60 anos • Paciente com enfermidades crônicas pulmonares, cardiovasculares (exceto hipertensão arterial sistêmica), renais, hepáticas, hematológicas e metabólicas • Adultos em estado de imunossupressão • Indivíduos com distúrbios neuromusculares, comprometimento funcional pulmonar e dificuldade para remover secreções • Gestantes e mulheres que planejam engravidar e mulheres que estejam em estado de amamentação • Residentes em lares de idosos • Potenciais transmissores dos vírus para indivíduos de maior risco • Profissionais de saúde • Cuidadores domiciliares de crianças (idade inferior a 5 anos) e de indivíduos adultos (idade superior a 50 anos) • População indígena e população privada de liberdade 2) Vacina antipneumocócica o 2 tipos de vacinas estão disponíveis: • Vacina polissacarídica 23-valente (VPP23) → contém antígenos de parede de 23 sorotipos pneumocócicos. • PCV10 (crianças até 2 anos) e PCV13 (crianças desde os 6 meses até adultos. Deve ser administrada em uma dose única em adultos com até 50 anos de idade ou mais, incluindo aqueles vacinados anteriormente com a vacina pneumocócica polissacarídica). o Esquema sequencial de PCV 13 e VPP23 está recomendado para indivíduos com 60 anos ou mais e para aqueles com algumas comorbidades. Deve-se iniciar com uma dose da PCV13 seguida de uma dose de VPP23 6 a 12 meses após, e uma segunda dose de VPP23 5 anos após a primeira. o Devem ser vacinados: • Adultos com idade igual ou superior a 60 anos • Indivíduos com idade entre 2 e 59 anos, com doença crônica cardíaca, pulmonar, doença falciforme, diabetes, alcoolismo, cirrose hepática, fístulas cérebro-espinhais ou implantes cocleares • Indivíduos com idade entre 2 e 59 anos, com doença ou condição imunossupressora, como doença de Hodgkin, linfoma ou leucemia, insuficiência renal, mieloma múltiplo, síndrome nefrótica, infecção por HIV ou AIDS, doença esplênica ou asplenia, e transplantados de órgãos • Indivíduos com idade entre 2 e 59 anos que utilizem drogas imunossupressoras, como tratamento com corticoides por longo prazo, drogas utilizadas no tratamento de câncer ou que tenham passado por radioterapia • Adultos entre 19 e 59 anos, tabagistas ou portadores de asma • Residentes em casas de saúde e asilos de longa permanência 100 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 DERRAME PLEURAL o A pleura visceral recobre os pulmões, e a pleura parietal recobre a parede torácica, o mediastino e o diafragma. O espaço entre elas é denominado espaço pleural. o A pleura visceral recebe suprimento sanguíneo da circulação brônquica. A pleura parietal recebe suprimento sanguíneo das artérias intercostais. o Em condições normais, uma fina lâmina líquida com 5 a 10 mL de líquido seroso presente no espaço pleural auxilia na lubrificação e facilita a movimentação do pulmão durante a inspiração e a expiração. o Os vasos linfáticos são responsáveis por remover o líquido pleural da cavidade. Em condições patológicas ocorre excesso de produção ou remoção insuficiente desse líquido, que passa a se acumular, determinando o surgimento do derrame pleural. o Nos EUA estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas desenvolvam derrame pleural anualmente. A principal causa é a insuficiência cardíaca, seguida pela pneumonia e pelo derrame pleural neoplásico. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a tuberculose é uma das principais causas, uma vez que o derrame pleural é a manifestação extrapulmonar mais comum da TB. ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA o A pressão no interior do espaço pleural é negativa (-3 a -5 cmH2O), sendo determinada pelo balanço entre as forças de retraçãopulmonar e expansão torácica. o Fisiologicamente a pleura atua como uma membrana elástica, que permite mudanças do formato do pulmão na inspiração e na expiração, e previne o colabamento alveolar ao final da expiração pela pressão negativa mantida no espaço pleural. o Os folhetos pleurais são cobertos por células mesoteliais metabolicamente ativas que produzem diversas substâncias, como ácido hialurônico, óxido nítrico e fator de crescimento tecidual β (TGF β). o O líquido pleural é produzido e reabsorvido na pleura parietal. Os vasos linfáticos conectados à pleura parietal são os principais responsáveis pela reabsorção do líquido pleural. o O derrame pleural clinicamente significativo só se desenvolve se a produção de fluidos superar a capacidade de drenagem dos vasos linfáticos, devido à alta produção, baixa reabsorção ou combinação dos dois fatores. o O derrame pode ser exsudativo ou transudativo. • Derrame exsudativo ocorre em contextos de alteração dos fatores locais, como inflamação do pulmão ou da pleura, que levam ao extravasamento capilar de líquido para o espaço pleural e/ou nos casos em que ocorre redução da drenagem linfática como em doenças proliferativas ou inflamatórias. • Derrames transudativos ocorrem por fatores sistêmicos, como aumento da pressão hidrostática (insuficiência cardíaca), redução da pressão oncótica (hipoproteinemia), aumento da pressão negativa intrapleural (atelectasia) ou movimento do líquido ascítico através do diafragma (hidrotórax hepático). MECANISMOS EXEMPLOS Aumento da produção de líquido pleural Aumento de líquido intersticial no pulmão. Insuficiência cardíaca, pneumonia, embolia pulmonar. Aumento da permeabilidade do capilar pleural. Câncer, tuberculose. Doenças inflamatórias acometendo a pleura. Aumento da pressão do capilar pleural. Insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar, síndrome da compressão da veia cava superior. Redução da pressão intrapleural. Atelectasia, encarceramento pulmonar. Redução da pressão oncótica sérica. Hipoalbuminemia. Aumento do fluido peritoneal. Cirrose, diálise peritoneal, síndrome de Meigs. Ruptura do ducto torácico. Quilotórax. Ruptura de vasos intratorácicos. Hemotórax. Redução da reabsorção do líquido pleural Obstrução da drenagem linfática. Neoplasias locais ou metástases, linfoma. Aumento da pressão intravascular sistêmica. Insuficiência cardíaca, síndrome da compressão da veia cava superior. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS o Derrames pleurais pequenos geralmente são assintomáticos. A sintomatologia tende a ser mais intensa em portadores de doenças cardiopulmonares prévias. o Principais queixas: dispneia, tosse seca, dor pleurítica ou trepopneia (dispneia que se alivia quando o paciente deita do lado do derrame). Os sintomas tendem a ser proporcionais ao tamanho da coleção, mas pacientes com doenças pulmonares (DPOC, linfangite carcinomatosa ou embolia pulmonar) podem desenvolver sintomas com derrames pequenos a moderados. OBS: Dor torácica tipo pleurítica indica existência de inflamação pleural. Geralmente desaparece quando o acúmulo de líquido afasta as pleuras parietal e visceral, anulando seu atrito. o Outros achados que orientam a formulação de hipóteses etiológicas: tosse, febre, ortopneia, artralgia, história de viagem recente, ocupação atual e prévia, medicações em uso, cirurgias recentes, neoplasia, lugar de residência. 101 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o Achados sugestivos no exame físico: redução ou abolição do murmúrio vesicular acima da área de derrame, macicez à percussão, frêmito toracovocal reduzido. Estes achados são encontrados em coleções maiores que 300 mL. OBS: Em caso de atelectasia compressiva do parênquima pulmonar subjacente pode ser possível identificar respiração brônquica (som alto e agudo, com nítida divisão entre as fases inspiratória e expiratória) e egofonia (paciente fala “i” e examinador e ausculta “e”, indica colabamento do espaço alveolar com brônquios pérvios). OBS 2: Nas pleurites iniciais (sem derrame significativo), pode-se perceber atrito pleural. o Deve-se pesquisar: turgência jugular, edema periférico, edema assimétrico de membros inferiores, estigmas e hepatopatia (rarefação de pelos, eritema palmar, ginecomastia, circulação colateral), deformidades articulares ou sinais de sinovite. EXAMES 1) Radiografia de tórax o A radiografia de tórax é o primeiro exame a ser solicitado na suspeita de derrame pleural. • Em ortostatismo, o líquido tende a se acumular na porção inferior. Derrames maiores que 200 mL geram uma imagem homogênea que oblitera o seio costofrênico ou altera sua angulação. • Na incidência em perfil são necessários mais de 75 a 100 mL de líquido para obliterar o seio costofrênico posterior. • Derrames muito volumosos são facilmente identificáveis, pois produzem a parábola de Damoiseau no RX. • Radiografia em decúbito lateral com raios horizontais (incidência de Lawrell) é mais sensível. Pode demonstrar coleção pleural de até 50 mL. O líquido corre por ação da força gravitacional. A espessura da lâmina líquida visualizada nessa incidência indica o momento que a toracocentese deve ser realizada: - > 10 mm → toracocentese deve ser realizada imediatamente, sem necessidade de métodos de imagem para guia-la. - Nos derrames loculados (aprisionamento do líquido por aderências pleurais) bem como nos derrames de menor volume, a toracocentese deve ser guiada por USG. • Na incidência AP, derrames grandes a moderados geram opacificação homogênea do campo pulmonar. A vasculatura ainda é visúvel. o A radiografia pode auxiliar no diagnóstico etiológico: • Derrames bilaterais sugerem insuficiência cardíaca, o que é corroborado por outros sinais como cefalização ou redistribuição da trama vascular, edema intersticial ou alveolar e aumento da silhueta cardíaca. Se a cardiomegalia não estiver presente, o diagnóstico diferencial deve incluir neoplasia, pleurite lúpica ou pericardite constritiva. • Derrames loculados sugerem inflamação pleural. Podem estar associados a empiema, tuberculose ou hemotórax. • Derrames gigantes estão mais comumente associados à malignidade (60% dos casos), derrame parapneumônico (20%) e menos comumente a hidrotórax hepático e tuberculose. 2) Tomografia computadorizada de tórax o É o método mais sensível para avaliar o derrame pleural, sendo capaz de detectar pequenos volumes. o É indicada para orientar o diagnóstico diferencial da doença de base, uma vez que permite a análise detalhada das estruturas torácicas. o Na suspeita de doença pleural pode-se injetar contraste iodado endovenoso. A pleurite é caracterizada pelo espessamento das pleuras visceral e parietal, que se impregnam pelo contraste, sendo separadas pelo conteúdo líquido do derrame. 102 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 3) Ultrassonografia o A ultrassonografia (USG) de tórax tem melhor capacidade de quantificar o volume de líquido pleural, permite melhor caracterização de septações pleurais, melhor diferenciação entre líquido pleural, espessamento pleural e consolidações pulmonares, além de possibilitar da distinção entre exsudatos e derrames malignos. o A USG pode ser utilizada durante os procedimentos de toracocentese, biópsia ou drenagem pleural, o que reduz os índices de complicações e aumenta as taxas de sucesso dos procedimentos, principalmente quando os derrames são pequenos e loculados. 4) Toracocentese diagnóstica o É o exame mais importante para esclarecer a etiologiade um derrame pleural. o É indicada em qualquer derrame pleural novo, sem causa aparente, que tenha mais de 1 cm na radiografia em decúbito lateral. o Este procedimento pode ser postergado nas seguintes situações: • Presença de evidências claras de derrame associado à insuficiência cardíaca congestiva; • Derrames parapneumônicos pequenos; • Derrames secundários à cirurgia de revascularização miocárdica. ➔ Nessas situações, se houver febre, dor pleurítica, tamanhos muito discrepantes ou ausência de regressão do derrame após tratamento inicial, indica-se a realização de toracocentese diagnóstica. o Em pacientes com franca insuficiência respiratória ou descompensação da função cardíaca, com derrame de grande volume, indica-se a realização de toracocentese de emergência, mas não se deve retirar mais do que 1500 mL de líquido pleural no primeiro momento, devido ao risco de edema pulmonar de reexpansão. o Radiografia de controle após toracocentese não é necessária rotineiramente, mas deve ser realizada nas seguintes situações: (1) Tosse após procedimento; (2) Dispneia após procedimento; (4) Dor torácica após procedimento; (5) Saída de ar na seringa de punção; (6) Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular abolido. 4.1) Aspecto do líquido pleural o Os aspectos macroscópicos do líquido pleural devem ser analisados no momento da coleta. Pode se apresentar seroso, serossanguinolento, hemorrágico ou purulento. • Líquido sanguinolento → comumente visto em derrames malignos, embolia pulmonar, trauma, relacionado a abesto, pós-cirurgia cardíaca, secundário à tuberculose ou parapneumônico complicado. • Fluido purulento → empiema. Pode mimetizar a aparência leitosa dos derrames lipídicos (quilotórax). o O odor pode ser fétido, sugerindo infecções por anaeróbios. Odor de amônia pode estar presente no urinotórax. DIAGNÓSTICO o Quando o líquido pleural possui aspecto seroso deve-se determinar se o derrame é de etiologia inflamatória ou não inflamatória, gerando respectivamente exsudato e transudato. Para fazer esta diferenciação, utilizam-se os critérios de Light, que determinam presença de derrame pleural inflamatório na vigência de um desses critérios: o Cerca de 25% dos transudatos são classificados erroneamente como exsudatos, principalmente nos pacientes com insuficiência cardíaca que receberam terapia diurética. Sempre que os dados clínicos sugerirem causa de derrame transudativo, mas a toracocentese diagnóstica mostrar derrame exsudativo pelos critérios de Light, deve-se utilizar o cálculo do gradiente soro-pleural de proteína. Este consiste na subtração do valor de proteína total do líquido pleural do valor de proteína total do sangue. Resultado > 3,1 g/dL confirma presença de transudato. 103 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica o A identificação de transudatos em pacientes com IC em uso de diureticoterapia pode ser feita pela dosagem do NT-proBNP sérico associada aos aspectos clínicos. TRANSUDATO EXSUDATO o Insuficiência cardíaca congestiva; o Cirrose hepática; o Síndrome nefrótica; o Diálise peritoneal; o Hipotireoidismo; o Síndrome da veia cava superior; o Pericardite constritiva; o Atelectasia (aguda); o Embolia pulmonar (20% dos casos). o Derrame parapneumônico (exsudato pleural que acompanha uma pneumonia bacteriana); o Infecções pleurais (bacterianas, micobacterianas, virais, fúngicas, parasitárias); o Câncer; o Embolia pulmonar (80% dos casos); o Colagenoses; o Asbestose; o Doenças pancreáticas; o Síndrome de Meigs (fibroma ovariano + ascite + derrame pleural. O líquido produzido pelo tumor é depositado no peritônio e atinge a cavidade pleural através de pequenas aberturas na musculatura diafragmática); o Uremia; o Atelectasia (crônica); o Quilotórax; o Sarcoidose; o Drogas; o Síndrome pós-injúria miocárdica (IAM, cirurgia cardíaca) PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS E EXAMES A SEREM SOLICITADOS o Para análise laboratorial, recomenda-se retirada de 50 a 60 mL de líquido pleural. Deve-se separar em tubos estéreis: para bioquímica (5 mL), para microbiologia (20 mL) e citologia (10 a 25 mL). o Os seguintes exames orientam a formulação de hipóteses diagnósticas e devem ser solicitados de acordo com a suspeita clínica: • Proteína total e DHL; • pH; • Glicose (sérica e do líquido pleural); • Celularidade (contagem de células mesoteliais, hemácias e leucócitos com diferencial); • Bacterioscopia (coloração de Gram) – se suspeita de infecção; • Culturas (bactérias comuns, fungos e bacilos de Koch) – se suspeita de infecção; • Citologia oncótica - se suspeita de neoplasia. • Outros: amilase, colesterol, triglicerídeos, ADA. CELULARIDADE E DIFERENCIAL o Contagem celular e diferencial com predomínio de neutrófilos (> 50%) sugere processo agudo. Já o predomínio de linfócitos (> 50%) indica processo crônico. o Diagnósticos diferenciais na presença de neutrofilia: derrame parapneumônico, pancreatite, embolia pulmonar, neoplasia, tuberculose em fase aguda. o Predomínio de linfócitos e macrófagos sugerem embolia pulmonar, neoplasia e tuberculose. Caso haja maior predomínio de linfócitos (> 80% de linfócitos), tuberculose, linfoma, artrite reumatoide ou sarcoidose são os diagnósticos mais prováveis. o Contagem de células > 50.000/mm3 ocorre no derrame pleural parapneumônico complicado. o Eosinofilia pode estar presente quando existe ar ou sangue no espaço pleural, mas é inespecífica, pois também pode ocorrer na paragonimíase, uso de medicamentos como nitrofurantoína, síndrome de Churg-Strauss, asbestose e punções pleurais de repetição. Valores de eosinófilos > 10% excluem o diagnóstico de tuberculose. GLICOSE E PH PLEURAL o Glicose consumida (< 60 mL/dL) e pH pleural baixo (< 7,2) geralmente ocorrem em conjunto, principalmente nos derrames parapneumônicos. Essas alterações resultam da produção de ácidos e metabólitos de células e bactérias no espaço pleural. o pH do líquido pleural < 7,2 sugere que a drenagem do líquido pleural é necessária para a resolução do processo infeccioso. Se houver pus na coleta, o material não deve ser enviado para medição do pH. o No contexto de derrame neoplásico, pH < 7,3 está associado a neoplasia mais avançada, menor expectativa de vida, maior taxa de positividade da citologia oncótica e menor taxa de sucesso da pleurodese. o pH < 7,2 associa-se a outras patologias: • Tuberculose pleural; • Ruptura do esôfago; • Artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico; • Neoplasias malignas; • Acidemia; • Paragonimíase; • Hemotórax; 104 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 • Urinotórax (pH < 6). CITOLOGIA ONCÓTICA o As causas mais comuns de derrame pleural maligno são carcinomas de pulmão, mama e o linfoma. o Cânceres como sarcomas e linfomas, carcinomas epidermoides e mesoteliomas apresentam menor positividade. o A imunocitoquímica pode ser usada e auxilia na distinção entre células mesoteliais benignas e malignas e entre mesoteliomas e adenocarcinomas. Em alguns casos é capaz de sugerir a neoplasia primária em derrames pleurais metastáticos. OUTROS TESTES o Bacterioscopia e cultura do líquido pleural só devem ser solicitadas na suspeita de infecção. Streptococcus pneumoniae, S. viridan e S. milleri são os patógenos mais comumente isolados de amostras de infecções adquiridas na comunidade, enquanto S. aureus (principalmente MRSA), Enterococcus e enterobactérias são mais comuns em infecções hospitalares. o O diagnóstico de hemotórax é indicado por hematócritodo líquido pleural maior que 50% do hematócrito do sangue periférico. o Aumento na amilase do fluido pleural, definido como um valor maior que o limite superior da normalidade da amilase sérica (VR = 100 a 300 U/L), ocorre em neoplasias, ruptura esofágica e doença pancreática. No caso das neoplasias e ruptura esofágica, observa-se aumento do subtipo salivar da amilase. Já nas doenças pancreáticas agudas ou crônicas, há aumento do subtipo pancreático. o Triglicérides podem ser dosados no líquido pleural na suspeita de extravasamento linfático. Valores maiores que 110 mg/dL sugerem quilotórax, enquanto menores que 50 mg/dL excluem este diagnóstico. Valores entre 50 e 110 devem ser testados para a presença de quilomícrons, que confirma o diagnóstico de quilotórax. o Na suspeita de tuberculose, indica-se a pesquisa de BAAR (baciloscopia), TRM-TB (Teste rápido molecular para tuberculose) e dosagens de ADA (adenosina deaminase) e/ou IFN-gama. A confirmação, entretanto, geralmente necessita da biópsia pleural. DERRAME PLEURAL SEM DIAGNÓSTICO o Caso não seja possível confirmar o diagnóstico da causa do derrame pleural após a coleta de história clínica minuciosa, exames de imagem, e análise do líquido pleural, pode-se utilizar 3 estratégias: (a) Observação; (b) Broncoscopia; (c) Biópsia da pleura. 105 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica ABORDAGEM – DERRAME PLEURAL PARAPNEUMÔNICO o Define-se derrame pleural parapneumônico como derrame exsudativo que se associa a um episódio de pneumonia. É a principal causa de derrame pleural inflamatório. o Quando há indícios de infecção do líquido pleural, o derrame é chamado de parapneumônico complicado. o Define-se empiema por aspecto macroscópico purulento do derrame parapneumônico. o Tanto no empiema quanto no derrame parapneumônico complicado a drenagem torácica deve ser realizado. o Pacientes idosos geralmente são oligossintomáticos, mesmo quando evoluem com empiema ou derrame pleural complicado, apresentando fadiga, anemia e ausência de melhora do quadro de base. Dessa forma, deve-se considerar presença de derrame complicado em pacientes idosos com pneumonia. Indicações de drenagem torácica: Antibioticoterapia o Deve ser guiada para Streptococcus sp. e germes anaeróbios, podendo ser reajustada após resultado de culturas do líquido pleural. o Os pacientes devem receber terapia nutricional e profilaxia para TEV. Diagnóstico diferencial o O diagnóstico diferencial do empiema e derrame pleural parapneumônico é uma complicação da TB pleural, denominada empiema tuberculoso, que corresponde a uma forma de derrame pleural decorrente da ruptura, para o espaço pleural, de uma lesão pulmonar com alta concentração de bacilos. o Os pacientes apresentam líquido purulento, que pode estar associado à infecção bacteriana secundária, principalmente se houver fístula broncopleural. o Diagnóstico é realizado por meio da pesquisa e/ou cultura de bacilos álcool-ácido resistentes, cultura para bactérias e/ou biópsia de pleura. A ADA pode estar elevada (> 40 U/L), mas não pode ser utilizada como critério para diagnóstico diferencial, pois também está aumentada no derrame pleural parapneumônico complicado. o Citologia demonstra grande número de neutrófilos. o Glicose é baixa. o DHL é elevado. o pH é inferior a 7,2. o A pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes e a cultura para TB são utilizados para monitoramento da efetividade do tratamento enquanto houver líquido. o Deve-se realizar drenagem pleural em sistema fechado. 106 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 ABORDAGEM – TRANSUDATOS PLEURAIS o O tratamento deve ser direcionado para o controle da doença de base. o Toracocentese terapêutica pode ser indicada se o paciente apresentar desconforto respiratório. Entretanto, se a doença de base não for controlada, o benefício deste procedimento será transitório. ABORDAGEM – DERRAME PLEURAL NEOPLÁSICO o Para a maioria dos tumores malignos, presença de derrame pleural neoplásico indica doença metastática incurável. o Adota-se a toracocentese terapêutica como estratégia para alívio dos sintomas. Se houver reacúmulo do derrame, deve-se optar entre: (a) Toracocenteses repetidas; (b) Pleurodese → procedimento que induz a fusão dos folhetos parietal e visceral da pleura após instilação de substâncias irritativas pelo dreno torácico, ou após abrasão mecânica ou instilação de talco durante a videotoracoscopia, induzindo fibrose; (c) Instalação de dreno tubular permanente. o Recomenda-se não drenar mais do que 1 a 1,5 L de derrame pleural crônico nas primeiras 24 horas, a fim de evitar a síndrome do desconforto respiratório agudo causada pelo edema pulmonar não cardiogênico. • Derrames pleurais muito volumosos provocam atelectasia do pulmão ipsilateral. • A reexpansão súbita do parênquima pulmonar cronicamente atelectasiado promove a liberação de citocinas pró-inflamatórias, que aumentam a permeabilidade da membrana alveolocapilar pulmonar, culminando no preenchimento do espaço aéreo com plasma extravasado. 107 Baixado por Auri Silva (j.aurilans@gmail.com) lOMoARcPSD|14703953 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=resumo-completo-dor-toracica