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É uma doença inflamatória muscular que pertence às doenças mistas do tecido conjuntivo. Possui caráter autoimune, etiologia desconhecida e ocorre envolvimento principalmente da musculatura proximal de cintura escapular e pélvica, gerando fraqueza muscular. Também pode ter acometimento sistêmico. ✓ Polimiosite: envolvimento apenas do sistema musculoesquelético; ✓ Dermatomiosite: envolvimento do músculo e do tecido epitelial. É uma doença muito rara: 5 casos a cada 1 milhão de habitantes. Predomínio de pacientes do sexo feminino (3 mulheres : 1 homem). Tem 2 picos, que podem acontecer: ✓ Criança: entre 5 e 15 anos (preferencialmente dermatomiosite); ✓ Adultos: entre 50 e 60 anos (tanto polimiosite quanto dermatomiosite). No adulto, ocorre prevalência de polimiosite. Também pode ser associada a outras doenças mistas do tecido conjuntivo, como lúpus e esclerodermia. ✓ Fatores genéticos: HLA B8, DR3, DR1, DR5. ✓ Agentes infecciosos: caxumba e adenovírus. ✓ Auto-anticorpos: anti-Jo1, anti-RNP, anti-Ro, anti-La, anti- Mi. Manifestações clínicas comuns tanto para polimiosite quanto para dermatomiosite: ✓ Fraqueza muscular proximal: acomete as cinturas pélvica e escapular de forma simétrica. A fraqueza é o achado principal e o paciente apresenta quadro muscular e álgico. ✓ Início insidioso: demora semanas ou meses para se instalar e o paciente começa a apresentar dificuldades para realização das AVDs (ex.: movimento acima da cabeça/dificuldade para levantar – levantar miopático ou escalonante). ✓ Processo evolutivo: aumento de dificuldade para realização das AVDs, apresenta marcha bamboleante ou anserina (não tem dissociação de cinturas). Apresenta mialgia e hipotrofia muscular. ✓ Indivíduo pode ter teste de Tremdelemburg positivo: fraqueza de glúteo médio do membro contralateral. ✓ Alterações cardíacas: alteração eletromiográfica/arritmia. É muito comum porque o coração é rico em músculo estriado e pode ser acometido. Além disso, podem acontecer miocardiopatias (miocardite, endocardite e pericardite). ✓ Alterações no esôfago: disfagia alta precoce. É comum acontecer, já que na região há músculos que atuam na deglutição. O paciente pode apresentar regurgitação e dificuldade de deglutir. Em alguns casos, pode evoluir para pneumonia aspirativa, levando a óbito. ✓ Alterações respiratórias: insuficiência de ventilação (ataca músculos intercostais internos e externos), pode gerar hipertensão pulmonar e doença intersticial restritiva. ✓ Artrite/altralgia: branda, migratória, acomete qualquer articulação e passa rápido. ✓ Alterações vasculares: Fenômeno de Raynaud/vasculite. ✓ Alterações intestinais: má absorção. ✓ Alterações gerais: febre, inapetência, fadiga generalizada. Manifestações cutâneas: exclusivas da dermatomiosite Essas manifestações acometem 1/3 dos pacientes com polidermatomiosite. ✓ Heliotropo: eritema violáceo que aparece na face. Rash malar, pálpebra superior e inferior e sulco nasal. Polidermatomiosite ✓ Pápulas de Gottron: eritema avermelhado descamativo comum nas extremidades de mãos e pés. ✓ Rash cutâneo: comum na região da face e do tronco. É não urticarinosa (indivíduo não apresenta coceira). ✓ Alterações ungueais A escala de Rose Walton é utilizada para classificação dos graus de fraqueza muscular: 1. Sem anormalidade ao exame. 2. Sem anormalidade ao exame, mas com fatigabilidade (baixa tolerância ao exercício). 3. Grau mínimo de hipotrofia de um ou mais grupos musculares proximais. 4. Marcha bamboleante, incapacidade de correr, capaz de subir e descer escadas. 5. Marcha bamboleante, lordose acentuada, incapacidade de subir e descer escadas sem ajuda. 6. Incapacidade para andar sem ajuda. Os critérios de diagnóstico elaborados por Hudgeon e Peter são: 1. Fraqueza muscular proximal com ou sem quadro cutâneo. 2. Aumento da CPK (uma enzima muscular). 3. EMG com alterações compatíveis. 4. Biópsia muscular com necrose e inflamação. Se o paciente apresentar esses 4 critérios, é considerado um diagnóstico definitivo. Se apresentar 3, é um diagnóstico provável e se apresentar 2 é um diagnóstico possível. ✓ PCR; ✓ VHS; ✓ Anticorpos anti-nucleares (AAN ou FAN): possui 95% de especificidade para essa patologia; ✓ Avaliação das enzimas musculares: os pacientes apresentam altas concentrações de TGO, CPK, DHL e aldose. ✓ Biópsia muscular: encontra traços de degeneração, regeneração e necrose. 1) Anti-inflamatórios não hormonais (AINH): favorecem o alívio dos sintomas e, junto a eles, podem ser combinados analgésicos para o alívio das dores. Ex.: Ácido carboxílico, ácidos acéticos, ácidos enólicos, Colecoxib, Etoricoxib (Arcoxia) 2) Glicocorticoides: favorecem o alívio dos sintomas, são mais potentes que os anti-inflamatórios e reduzem as alterações radiográficas, agindo mais diretamente nas consequências da artrite. Ex.: Predinisona (Meticorten). 3) Drogas modificadoras do curso da Doença Convencional (DMCDs): essas drogas podem ser chamadas de anti-reumáticas de ação lenta (ARAL). Elas demoram a fazer efeito e, por isso, é recomendado associar a outras drogas. Promovem o alívio dos sintomas, a redução da inflamação e a redução dos danos articulares. Ex.: Metotrexato, Cloroquina, Hidroxicloroquina, Sulfassalazina, Leflunomida, Sais de ouro. 4) Agentes biológicos ou novas drogas modificadoras do curso da doença: atuam através da inibição de citocinas como IL-1, IL- 6 e TNF-α, além de serem bloqueadores de células T e B. Promovem alívio dos sintomas, redução da inflamação e, principalmente, redução dos danos articulares e progressão da doença. Ex.: Etanercepte, Infliximabe e Adalimumabe (TNF-α), Anquimira (IL-1 e IL-6), Abatacepte (células T), Retuximabe (células B). São drogas injetáveis e medicamentos caros (4/5mil a dose), mas são disponibilizados pelo SUS.