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Brasil: Da colonização à educação
contemporânea
Filoso�a e História da Educação
1. Brasil Colonial
No início da colonização do Brasil, percebeu-se a enorme lacuna histórica entre a Metrópole
(Portugal) e a Colônia (Brasil). A partir de 1530, teve início a colonização e, enquanto na Europa “os
ventos da modernidade exorcizavam a tradição medieval, no Brasil, implantavam-se formas de
economia pré-capitalistas, com grandes proprietários de terra” (ARANHA, 2011).
A economia do Brasil colonial girou em torno do engenho de açúcar e do trabalho escravo,
inicialmente trabalho dos índios, e depois, dos negros africanos.
Com esse modelo de economia, a educação não podia ser diferente, pois não era meta prioritária, já
que o Brasil era uma colônia de economia agrícola e não precisava de pessoas com formação
especial.
Mesmo assim, as metrópoles europeias enviaram religiosos para o trabalho missionário e
pedagógico, com o objetivo de fazer com que as pessoas não se desviassem da fé católica (ARANHA,
2011).
Os jesuítas foram os missionários que vieram de Portugal para catequisar índios, educar colonos e
seus filhos e formar novos sacerdotes.
Os missionários jesuítas criaram as “missões”.
Brasil
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Segundo Lima e Trevisan (2011), as missões eram
“[...] povoados indígenas criados e administrados por padres jesuítas no Brasil Colônia, entre
os séculos 16 e 18. O principal objetivo era catequizar os índios. A catequização, no entanto,
tinha efeitos colaterais que não interessavam aos conquistadores portugueses. Para que
adotasse a fé cristã, a população indígena tinha de ser instruída e ganhava conhecimentos de
leitura e escrita. Além disso, os índios reunidos nesses aldeamentos não eram escravizados,
como geralmente ocorria em outros lugares. Eles viviam do cultivo da terra, se valendo de
técnicas agrícolas ensinadas pelos religiosos. Com o tempo, muitas missões prosperaram e
acabaram virando uma ameaça à centralização de poder pretendida pela Coroa. Resultado:
em 1759, os jesuítas foram expulsos do Brasil, acusados de controlar um “Estado dentro do
Estado” e de insuflar os guaranis contra o domínio português”.
Desse modo, o modelo de educação jesuíta passava por brancos e mestiços, contudo, não
privilegiava negros e mulheres, que eram totalmente excluídos da educação.
O modelo a ser seguido na colônia era de uma cultura padrão europeia homogênea e que, para os
colonizadores, no início, os índios mereciam o “aperfeiçoamento da educação, mas, depois, “na
medida que os temiam, os segregavam como “ferozes” e “inferiores” e que, portanto, deveriam ser
submetidos à força” (ARANHA, 2011).
Você sabe o que foram as “missões”?
2. O Brasil na Era Pombalina
A reforma do Marquês de Pombal foi um importante marco para a História da Educação Brasileira.
Em 1759, O Marquês de Pombal foi o principal representante da expulsão dos jesuítas no Brasil.
Assim, culminou com a extinção do único sistema de ensino existente no país.
Para Aranha (2011),
“[...] após a expulsão dos jesuítas, os bens dos padres foram confiscados, muitos livros e
manuscritos importantes destruídos. Segundo alguns historiadores, de início, o
desmantelamento da estrutura educacional foi prejudicial, porque, de imediato, não se
substituiu o ensino regular por outra organização escolar, enquanto os índios, entregues à sua
própria sorte, abandonaram as missões”.
Por um lado, a educação saiu das mãos dos jesuítas e passou a ser responsabilidade do Estado.
Nesse sentido, várias medidas foram tomadas para tentar a implantação do ensino público oficial.
Marquês de Pombal
Você sabe quem foi o Marquês de Pombal?
Sebastião José Carvalho e Melo, conhecido como Marquês de Pombal, nasceu em Lisboa no dia 13
de maio de 1699, foi o primeiro-ministro português no governo do rei João I.
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A partir de 1772, foi estabelecido o sistema de aulas régias de disciplinas isoladas, nos mesmos
moldes da implantação na metrópole. Para o pagamento dos professores, “o governo instituiu o
subsídio literário, a fim de gerar recursos que nem sempre foram aplicados na manutenção das
aulas”.
Ainda segundo Aranha (2011), as vantagens desse ensino “decorriam da intenção de oferecer aulas
de línguas modernas, como o francês, além de desenho, aritmética, geometria, ciências naturais”,
no sentido de experimentar novos tempos e ir de encontro ao dogmatismo da tradição dos jesuítas.
Por outro lado, as tentativas pombalinas não surtiram efeito de imediato na colônia e ocasionaram
uma desorganização na estrutura educacional brasileira construída pelos jesuítas.
3. Brasil: De Colônia a Império
Com a vinda da família Real para o Brasil, em 1808, várias foram as mudanças e transformações
culturais.
No período de D. João VI, conhecido como período joanino, foram as seguintes transformações no
campo cultural, segundo Aranha (2011):
1. Imprensa Régia;
2. Surgimento da Biblioteca Nacional;
3. Jardim Botânico do Rio (1810);
4. Museu Real (1818), depois Museu Nacional;
5. Missão cultural francesa;
6. Academia Real da Marinha e Academia Real Militar;
Bandeira Imperial do Brasil (1822-1889)
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7. Cursos médico-cirúrgicos;
8. Diversos cursos avulsos de economia, química e agricultura, também na Bahia e no Rio.
Durante o Império, podemos citar três níveis de ensino: o ensino elementar, o ensino secundário e
o ensino superior.
3.1. O ensino elementar
No século XIX, o ensino elementar era bastante caótico.
Segundo Aranha (2011),
“Sem a exigência de conclusão do curso primário para o acesso a outros níveis, a elite educava
seus filhos em casa, com preceptores. Outras vezes, os pais se reuniam para contratar
professores que dessem aulas em conjunto para seus filhos em algum lugar escolhido.
Portanto, sem vínculo com o Estado”.
3.2. O ensino secundário
Tanto o ensino primário quanto o secundário estavam funcionando de forma improvisada, seus
currículos eram desconexos e não havia nenhuma exigência “de se completar um curso para iniciar
o outro” (ARANHA, 2011).
Com a criação do Ato Adicional de 1834, uma emenda à Constituição, a educação brasileira ficou
ainda pior. Veja, nas palavras de Aranha (2011):
“Essa reforma descentralizou o ensino, atribuindo à Coroa a função de promover e
regulamentar o ensino superior, enquanto às províncias (futuros estados) foram destinadas a
escola elementar e secundária. Desse modo, a educação da elite ficou a cargo do poder central
e a do povo, confiada às províncias”.
3.3. O ensino superior
O ensino superior era mais valorizado do que todos os outros nesta época do Império. A atenção
especial dada ao ensino superior “reforçava o caráter elitista e aristocrático da educação brasileira
que privilegiava o acesso aos nobres, aos proprietários de terra e uma camada intermediária”
(ARANHA, 2011).
Na segunda metade do século XIX, os cursos de Direito eram os que mais atraíam os jovens.
Segundo Aranha (2011), a camada intermediária procurava esses cursos,
“[...] não só para seguir a atividade jurídica, mas para ocupar funções administrativas e
políticas ou dedicar-se ao jornalismo. Além disso, o diploma exercia uma função de
“enobrecimento”. Letrados e eruditos, com ênfase na formação humanística, cada vez mais se
distanciavam do trabalho físico, “maculado” pelo sistema escravista”.
4. Novos tempos republicanos: a organização
escolar
Quando findou o período do Império, percebeu-se um aumento do interesse pela educação, pois o
projeto “político republicano visava a implantar a educação escolarizada, oferecendo educação a
todos”, mesmo sabendo que era uma educação dualista, na qual a elite dava continuidade dos
estudos, enquanto o ensino elementar e profissional ficava restrito ao povo (ARANHA, 2011).
Segundo Aranha (2011), as décadas de 1920 e 1930 “foram férteisem discussões sobre educação e
pedagogia”. Muitos grupos opunham-se e fomentavam diversos interesses entre liberais e
conservadores.
De acordo com Aranha (2011),
“[...] os conservadores eram representados pelos católicos defensores da pedagogia
tradicional, não propriamente a jesuítica, mas aquela influenciada por Herbart. Os liberais
democráticos eram os simpatizantes da Escola Nova, e seus divulgadores estavam imbuídos da
esperança de democratizar e de transformar a sociedade por meio da escola”.
Ainda sobre a Escola Nova, no Brasil, foi assinado um Manifesto chamado Manifesto dos Pioneiros
da Educação Nova, que teve como principais elaboradores Fernando de Azevedo e Anísio Teixeira.
Este documento, assinado em 1932, “defendia a educação obrigatória, pública, gratuita e leiga como
dever do Estado, a ser implantado em programa de âmbito nacional” (ARANHA, 2011).
De acordo com Aranha (2011), o objetivo fundamental deste Manifesto
“[...] era a superação do caráter discriminatório e antidemocrático do ensino brasileiro, que
destinava a escola profissional para os pobres e o ensino acadêmico para a elite. Ao contrário,
propunha a escola secundária unitária, com uma base comum de cultura geral para todos, em
três anos, e só depois, entre os 15 e os 18 anos, o jovem seria encaminhado para a formação
acadêmica e profissional”.
Esse Manifesto foi muito importante, pois foi considerado o “divisor de águas”, afirmando a
necessidade de o Estado assumir a responsabilidade da educação, “que se achava em defasagem
com as exigências do desenvolvimento” (ARANHA, 2011).
Segundo artigo do Portal da Educação (2018), na década de 20
“[...] a Escola Nova é fortemente criticada pelos católicos conservadores que, na época,
detinham o monopólio da educação elitista e tradicional no país. Com o Estado Novo (1937 a
1945), a Escola Nova perde sua força, e somente volta à tona na década de 50, com o objetivo
de ampliar os ideais do liberalismo brasileiro, como a ampliação da escolarização e a
formação de trabalhadores para a indústria, em plena ascensão no Brasil”.
Quer ler sobre o filósofo alemão Johann Friedrich Herbart? Clique aqui para saber mais.
E sobre a Escola Nova? Você sabe algo a respeito?
A Escola Nova nasceu na Europa e nos Estados Unidos, criticando a educação tradicional.
https://novaescola.org.br/conteudo/1775/herbart-o-organizador-da-pedagogia-como-ciencia
5. A Constituição de 1988
Com a Constituição de 1988, vários pontos foram importantes para a educação brasileira. A saber,
de acordo com Aranha (2011),
A Constituição do Brasil.
“gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
ensino fundamental obrigatório e gratuito;
extensão do ensino obrigatório e gratuito, progressivamente, ao ensino médio;
atendimento em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos;
acesso ao ensino obrigatório e gratuito como direito público subjetivo, ou seja, o seu
não oferecimento pelo poder público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade
da autoridade competente (podendo ser processada);
valorização dos profissionais de ensino, com planos de carreira para o magistério
público;
autonomia universitária;
aplicação anual pela União de nunca menos de 18% e pelos estados, Distrito Federal e
municípios de 25%, no mínimo, da receita resultante de impostos, na manutenção e
desenvolvimento do ensino;
distribuição dos recursos públicos assegurando prioridade no atendimento das
necessidades do ensino obrigatório nos termos do plano nacional de educação;
recursos públicos destinados às escolas públicas podem ser dirigidos a escolas
comunitárias confessionais ou filantrópicas, desde que comprovada a finalidade não
lucrativa;
plano nacional de educação visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em
seus diferentes níveis e à integração das ações do poder público que conduzam à
erradicação do analfabetismo, universalização do atendimento escolar, melhoria da
qualidade do ensino, formação para o trabalho, promoção humanística, científica e
tecnológica do país”.
6. Conclusão
Nos estudos deste tópico, observamos a história desde a colonização do Brasil até a
contemporaneidade. Também percebemos que a educação sempre esteve atrelada aos interesses de
uma elite em detrimento dos escravos, negros e pobres.
O Brasil desenvolveu-se a passos lentos enquanto Portugal e os países europeus estavam
progredindo em todos os campos: cultura, arte, política, economia e educação. Como Colônia, o
Brasil ficou com um modelo agrário e de cultivo de cana de açúcar, padrão que ficou aquém dos
países europeus industrializados.
Com a sistema contemporâneo da educação do século XX, várias mudanças foram implementadas,
com o surgimento de novas Leis, Manifestos e Decretos. Mesmo assim, a visão elitista da educação
continuava imperando, com contradições de interesses que mantêm o dualismo escolar (ARANHA,
2011).
Com a Constituição de 1988, o Estado passou a ser responsável pelo ensino público e arcar com
todas as consequências, caso o mesmo apresente problemas (educação como direito subjetivo).
Até breve!
Como foi sua compreensão do conteúdo deste tópico?
7. Referências
ARANHA, M. L. de A. História da Educação e da Pedagogia. São Paulo: Moderna, 2011.
A Tendência Escola Nova. Portal Educação. Disponível em:
<https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/a-tendencia-escola-
nova/32642>. Acesso em: 02 nov. 2018.
CAMBI, Franco. História da Pedagogia. São Paulo: UNESP, 1999.
LIMA, E.; TREVISAN, R. Para que serviam as missões jesuíticas? Disponível em:
<https://novaescola.org.br/conteudo/2447/para-que-serviam-as-missoes-jesuiticas>. Acesso em:
01 nov. 2018
YouTube. (2016, Novembro, 04). História em Perspectiva. ESCOLA NOVA: o Pragmatismo de
John Dewey (1859-1952). 3min56seg. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?
v=zoWuww7chsA>. Acesso em: 02 nov. 2018.

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