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Cost Deployment 31 Cost Deployment 2.1 O que é O Cost Deployment é um método que inova os sistemas de Administração e Controle dos estabelecimentos, introduzindo uma forte ligação entre individualização das áreas a ser melhoradas e os resultados de melhoramento dos desempenhos, obtidos através da aplicação dos pilares técnicos do WCM, medidos através dos devidos KPI. Isso, portanto, constitui um meio confiável para programar a reali zação do orçamento (budget). O Cost Deployment permite definir os programas de melhoramento que tiveram impacto na redução de perdas e de tudo o que pode ser classificado como desperdício ou sem valor agregado de maneira sistemática. Além disso, assegura a colaboração entre as Unidades de Produção e a função de Administração e Controle. Isso se realiza através: do estudo das reações entre os fatores de custo, os processos que geram desperdícios e perdas seus vários tipos; da procura da relação entre redução de desperdício e perdas, e a redução dos custos corres pondentes; da verificação do know-how para a redução de desperdícios e perdas: se já está disponível ou se deve ser adquirido; da definição por prioridade dos projetos de redução de desperdícios e perdas conforme as priori dades derivadas de uma análise de custos / benefícios; do monitoramento contínuo do progresso e dos resultados dos projetos de melhoramento. O Cost Deployment reside na capacidade de transformar as perdas em custos, quantificando em medidas físicas: horas, Kwh, números de unidade de material, etc. Figura 2.1 Cost Deployment: percurso lógico 2. O fundamento da metodologia é a identificação sistemática dos desperdícios e das perdas da área em exame, a avaliação e a transformação em valores. Isso é possível porque compara desperdícios e perdas resultantes com as suas causas e origens, permitindo uma definição completa da perda. Além disso, o CD orienta na individualização do melhor método técnico para remover a causa e avaliar detalhadamente os custos das atividades de remoção e o relativo melhoramento do desempenho. Pe rd as Pe rd as c au sa is Pe rd as c au sa is Pr oj et os Pe rd as p rin ci pa is Pe rd as p rin ci pa is Pr oj et os Processos Metodologia soluções Projetos Budget Perdas resultantes Custo Evolução MATRIZ A Localização das perdas MATRIZ B Identificação das perdas causais MATRIZ C Valorização das perdas MATRIZ D Definição da metodologia para eliminar as perdas MATRIZ E Custo/Benefício e ICE MATRIZ F Plano de ação MATRIZ G Ligação projetos/ budget Pilares Técnicos 32 As perdas e os desperdícios que acontecem durante a realização de um processo de produção são imputados às máquinas, pessoas e materiais. O olhar do Cost Deployment, porém, é mais profundo, não parando apenas na perda resultante como acontece no jeito tradicional de gerenciar a manufatura, mas tenta procurar a causa daquela perda. Por exemplo, as perdas de mãode obra podem vir de paradas de máquinas que podem ter originado de problemas de componentes. Esses eventos podem originarse em subprocessos ou processos mesmo longe daquele em que se evidencia a perda efetiva. 2.2 Motivações A aplicação do Cost Deployment permite uma forte aceleração dos resultados e o alcance de vanta gens impor tantes na redução das perdas. Esse método constitui a bússola que orienta e guia os projetos de melhoramento constante, permitindo enfocar as áreas em que são colocadas as maiores perdas casuais que fornecem as possibilidades de maior eficiência e eficácia na redução / eliminação, de agilizar a escolha das metodologias e dos pilares técnicos a ser ativados para a remoção das causas de perda, permitindo uma fácil avaliação de custos e benefícios. O Cost Deployment permite também ligar as performances operativas, normalmente mensuradas com indicadores como eficiência, disponibilidade, números de defeitos, horas de dessaturação, etc., muitas vezes nãocomparáveis entre si, com performances econômicas, valorizadas em termos de custo, com isso fornecendo aos estabelecimentos uma linguagem comum e permitindo uma definição eficaz das prioridades para o melhoramento. 2.3 Tipos de desperdícios e perdas Nas fábricas existem muitos desperdícios e muitas perdas provenientes geralmente de problemas de máquinas; operações de setup como troca de ferramentas e regulagens, defeitos, microparadas, faltas no fornecimento de materiais, ausência dos operadores. A individualização do que é a perda e o desperdício e a sua mensuração, e a distinção entre causa resultante e causa de origem são os objetivos principais do Cost Deployment. Em um processo de produção que tem como característica gerar um output a partir de um input, a eficiência é dada pela capacidade de produzir um output (constante) e um input mínimo; então o desperdício definese como excesso de input. Como a eficácia é dada da capacidade de produzir um output máximo com um input constante, a perda definese como input não utilizado. Na impostação do Cost Deployment se começa considerando que em um processo de produção podem ser identificadas 18 grandes perdas, agrupadas em termos de equipamentos, pessoas e materiais / energia. As grandes perdas ligadas às máquinas são identificadas como perdas que têm impacto sobre a eficiência global do equipamento (oito perdas) e como perdas de tempo de disponibilidade do equipamento (duas perdas). A respeito das perdas das máquinas, nem sempre o Cost Deployment consegue visualizar de imediato porque um determinado equipamento é critico em termos de eficácia. A propósito pode ser útil ter como referência o OEE, que permite visualizar a estrutura das perdas de um equipamento, levando em consideração o aspecto da eficiência técnica, o aspecto gerencial e o qualitativo. OEE (Overall Equipment Effectiveness) ou eficácia global do equipamento é um indicador que mede de maneira global a taxa de qualidade, a eficiência da prestação e a disponibilidade técnica da máquina. Freqüen temente, existe a tendência de enfocar só um dos três objetivos, por exemplo, é possível pensar em maximizar a qualidade prejudicando a eficiência da prestação e a disponibilidade do equipamento. Cost Deployment 33 Figura 2.2 Definição de eficiência global dos equipamentos (OEE) Em outros casos pensase em maximizar os output prejudicando a qualidade e a disponibilidade do equipamento ou também otimizar a disponibilidade da máquina prejudicando a qualidade e a eficiência. Uma manufatura de sucesso deve otimizar todos os três parâmetros. OEE é um indicador que usa as três métricas para alcançar performances WCM. Figura 2.3 Como se calcula a eficiência global do equipamento (OEE) Os tipos de perdas ligadas às máquinas, usam, portanto, os parâmetros desse indicador para medir os impactos das perdas na eficiência global do equipamento. As perdas ligadas às máquinas que atrapalham a eficiência global dos equipamentos são: Perdas que interferem na disponibilidade técnica ou no tempo de produção efetivo Perda por quebra do equipamento. Perda por troca de tipo (perda causada pela parada do estabelecimento por troca tipo/molde devido ao plano de produção). Perda por setup (tempo em que a estrutura não produz peças boas por problemas de execuções variadas devido à mudança de tipo). Perda por troca de utensílios (perda causada pela parada do equipamento por consumo dos utensílios). Perda por ligar/ parar o equipamento (período de tempo em que a linha deve ser preparada ao iniciar/parar da produção, portanto não produz aos níveispadrão). • Perdas por avarias • Perdas por setup / ajuste • Perdas por Start Produção / parada do equipamento • Perdas por micro paradas • Perdas por falta de aperto • Perdas por defeitos de qualidade e retrabalho Overall equipment effectiveness= disponibilidade x eficiência x qualidade Disponibilidade = ____________________________________________________ x 100 Tempo de produção perda por parada Tempo de produção Performance = _______________________________________________________ x 100TC ideal x n. de peças Tempo operativo Qualidade = __________________________________________________________ x 100n. peças produzidas n. peças n. peças total Tempo de produção Tempo operativo Tempo operativo líquido Tempo de valor agregado P erdas por perform ance P erdas por defeito P erdas por paradas 1. Avaria do equipamento 2. Setup e ajustes 3. Troca de tipo 4. Start up 5. Micro paradas 6. Falta de aperto 7. Defeito / reparação Overall equipment effectiveness = disponibilidade x eficiência x qualidade Equipamento As sete maiores perdas Pilares Técnicos 34 Perdas que atrapalham a eficiência da prestação: são perdas que atrapalham o tempo de produção efetivo líquido. Perdas por microparadas e espera do equipamento (sensores de bloqueio/desbloqueio. Não são exatamente estragos, e sim pequenos problemas que podem causar muitas paradas e comprometer a eficiência dos equipamentos). Perdas por tempo de ciclo atrasado (devido ao fato de que o tempo de ciclo do equipamento é superior ao teórico do projeto). Perdas que atrapalham o nível de qualidade: são perdas que prejudicam o tempo efetivo de produção de valor. Perdas por defeitos (porque o equipamento não produz peças qualitativamente aceitáveis). Perdas por retrabalhos (reciclo). Perdas dos equipamentos que não influem no OEE: são perdas imputáveis a perdas de tempo de disponibilidade teórica dos equipamentos. Perdas por equipamentos inativos, planificada por parada produtiva devida à falta na alimentação das máquinas (ex.: Falta de materiais diretos, falta de mãodeobra, falta de energia). Perda por equipamentos não utilizados (por fechamento programado, domingo, feriados, turnos não utilizados, etc.). As perdas derivadas das pessoas podem ser agrupadas em cinco grandes perdas: Perdas de gestão Espera de instruções/materiais a linhas paradas. Falta (por exemplo, porque a empresa paga custos extras no caso de ausência por doença). Greve (ineficiência no uso da mãodeobra em caso de greve parcial). Treinamento e formação. Perdas nos movimentos operativos (Operating Motion Losses): NVAA (Not Value Added Activities, em português, atividades sem valor agregado) Observar. Andar. Agachar. Controlar. Perdas por organização da linha (Line Organization Losses) Dessaturação (perda devida à diferença entre a cadência impostada da linha e tempo de ciclo das operações designadas). Perdas por falta automação. Perdas de mão-de-obra por defeitos de qualidade (Defect Quality Losses) Retrabalhos (tempo para consertar os defeitos produzidos). Falta de controle automático. Medição e execução. Erros humanos. Cost Deployment 35 Figura 2.4 Atividade com valor agregado, com valor agregado parcial, sem valor agregado. As perdas derivadas dos materiais são agrupadas em 3 grandes perdas. Perdas na utilização de materiais diretos e de consumo (para uso de materiais ou componentes com defeitos qualitativos, por descarte de material na entrada, por descarte de produto ou semi acabado, para uso maior do que a norma, por start up). Perdas no uso da energia: elétrica por start up, sobrecarga, perdas de temperatura, perdas de área compressa / vapor por vazamentos ou dispersões. Perdas nas trocas de manutenção (por consumo de peças e materiais de manutenção). 2.4 O percurso de implementação A lógica do percurso de realização do Cost Deployment é a seguinte: a partir dos custos totais de transformação do estabelecimento e da análise de sua estrutura e composição, estabelecemse as metas de redução de custos (step 1); identificamse as perdas e os desperdícios de modo qualitativo, colocandoos nos processos em que acontecem (Matriz A – Perdas / Processos) (step 2); Identificase a relação entre perdas causais e todas as perdas resultantes (Matriz B – Causais / Resultantes) (step 3); transformamse as dimensões das perdas e dos desperdícios individualizados como causas originais de custos (Matriz C – Custos / Perdas) (step 4); selecionamse metodologias (WCM Pilares) para remover as causas originais das perdas e dos desperdícios e estabelecemse prioridades (Matriz D Perdas/Métodos) (step 5); estimamse os custos de implementação dos Projetos para a remoção das causas e as vantagens em termos de redução de custos que comportam (Matriz E Custos/Benefícios (step 6); implementamse, enfim, os planos de melhoramento, recolhendo os resultados (step 7) e fazendo follow-up. Pilares Técnicos 36 Os step de 1 a 4 são constituídos por atividades preparatórias que servem para estabelecer prioridades e deixar realmente eficazes as atividades com valor agregado dos steps de 5 a 7. Especificamente, os primeiros três passos têm como objetivo calcular e quantificar as perdas a partir de dados de budget do estabelecimento, de dados sobre os custos do estabelecimento e de dados operativos. O quarto e quinto passo têm o propósito de definir o programa de economia, através da estratificação das perdas, a avaliação de projetos de economia, a priorização de projetos, a quantificação das economias em termos de custos e de impactos para o melhoramento dos KPI relativos, a definição de Plano dos Projetos. O sexto e sétimo steps têm como objetivo assegurar a elaboração de relatórios e a monitoração dos resultados através do progresso trimestral dos desempenhos operativos e o cálculo das economias em termos de custos e de melhoramento dos KPI do estabelecimento. Após a conclusão do step 7 as atividades de Cost Deployment devem começar pelo step 5, levando novamente em consideração a Matriz A dos custos e das perdas, com o propósito de selecionar outras perdas evidenciadas, que não tinham sido atacadas por falta de recursos e a ser atacadas com outros projetos que possam utilizar os recursos liberados conseqüentemente aos resultados de eficiência do ciclo de projetos concluídos. A sugestão de duração para cada projeto é de três meses: se os projetos forem complexos e necessitarem de um tempo maior, é aconselhável dividilos em subprojetos com metas intermediárias, de menor duração. Figura 2.5 Os sete steps do Cost Deployment STEP 1 STEP 3 STEP 4 STEP 5 STEP 6 STEP 7 • Quantificar custos totais de transformação do Estabelecimento • Estabelecer objetivos de redução de custos • Separar custos totais de produção por processo • Identificar os custos e as perdas qualitativamente • Quantitativamente perdas e desperdícios com base nas medições efetuadas anteriormente • Separar perdas causais das perdas resultantes • Calcular os custos das perdas e desperdícios identificados Identificar métodos para recuperar perdas e desperdícios • Estimar custos para melhoramento e a correspondente redução de perdas e desperdícios • Estabelecer e implementar plano de melhoria • Follow up Matriz A Perdas / Localização Matriz B Causais / Resultantes Matriz C Custos / Perdas Matriz D Perdas / Métodos Matriz E Custos / Ganhos Matriz F Resultados / FollwupSTEP 2 Cost Deployment 37 Assim que os dois ciclos de execução de projetos estiverem concluídos (cerca de seis meses), e depois de ser consuntivados os projetos, o Cost Deployment deve ser repetido a partir do step 1, para individualizar novas perdas e novas relações entre as perdas que no Cost Deployment precedente não foram individualizadas. Realizase, assim, um processo periódico de refinamento na capacidade de enxergar e individualizar novas perdas. Atenção Para melhorar continuamente a capacidade de enxergar as perdas e os desperdícios, é necessário que os estabelecimentos realizem cuidadosamente a análise qualitativa das perdas (MatrizA) e a individualização das causas de origem das perdas (Matriz B), sem pensar em “saber de tudo” e pular para o cálculo dos custos das perdas através da realização da Matriz C. 2.5 Os steps 2.5.1 Step 1 Identificar os custos de transformação e estabelecer as metas de redução de custos. Atividade Identificar os custos totais de transformação. Definir as metas de redução de custos. Geralmente a meta de redução fica entre 6% e 10% anual dos custos de transformação. Dividir os custos totais de transformação sobre processos para permitir sucessivamente a identificar as áreas/ equipamentos chave. Figura 2.6 A estrutura dos custos de transformação. Exemplo Atores Os dados são fornecidos pela Função Administração e Controle. As decisões sobre a meta são apanhadas pela direção do estabelecimento. Input Custos de transformação do estabelecimento (custos para a realização dos produtos). Balanço econômico anual, consuntivo para os três meses antecedentes e média mensal. Pode também ser levado em consideração um mês só, com exclusão de janeiro, agosto e dezembro, meses atípicos, em que acontecem fenômenos excepcionais. Pilares Técnicos 38 Output Custos de transformação por processo/ Unidade Operativa. Meta anual de redução de custos. Figura 2.7 A estrutura dos custos de transformação do estabelecimento de Termini Imerese, auditoria junho 2007. Atenção O perímetro do Cost Deployment deveria compreender tudo o que contribui para determinar o custo de transformação. A análise não deveria ser efetuada somente nos processos centrais da manufatura e da logística, que cobrem geralmente cerca de 90% dos custos de produção, mas também nos processos de suporte, tais como Recursos Humanos e Qualidade. Naturalmente para tratar destes processos é preciso definir o que são perdas e desperdícios nas atividades desses processos. Resulta, então, compreensível que nas primeiras aplicações do Cost Deployment o enfoque seja nos custos de transformação dos processos chave e somente em seguida sejam enfrentados também os processos de suporte. 2.5.2 Step 2 Individualizar qualitativamente as perdas Atividade Identificar as perdas segundo o tipo das grandes perdas provenientes de máquinas / equipamentos, mãodeobra e materiais. Individualizar onde situam as perdas, em que processos (Unidades Operativas) e subprocessos (por exemplo, no processo de Pintura os subprocessos são cataforese, sigilatura, fundo e esmalte). Classificar as perdas em elevadas (vermelho), significativas (amarelo) e mínimas (verde). Realizar a Matriz A – Perdas / Processos. Atores A direção atua em uma primeira macroindividualização das perdas e das respectivas alocações nos processos. O time da Unidade Operativa formado pelo Responsável de UO, pelo Gestor Operativo, pelo Responsável das Tecnologias ou de Engenharia de Produção, pelo Responsável da Manutenção, pelo Controlador e pelos 24 Chefes de UTE, individualiza de modo analítico as perdas da Unidade Operativa e as define utilizando como suporte os tipos de perdas típicas. Cost Deployment 39 Input Conhecimentos e experiências passadas do administrador a respeito dos principais desperdícios. Tipos de perdas típicas. Output Matriz A – Perdas / Processos. Atenção É preciso superar a tendência a esconder as perdas ou supor saber sobre tudo para se perguntar de modo transparente, aberto, com atenção aos detalhes e com a paixão pelo desafio da procura constante: “é necessário melhorar a aptidão de enxergar”. Por isso, os estabelecimentos de maior sucesso são geralmente aqueles que individualizam o maior número de perdas e que a cada ciclo de Cost Deployment aumentam as perdas individualizadas: têm mais olho para enxergar. Figura 2.8 Matriz QA do Cost Deployment – Estabelecimento Termini Imerese, auditoria junho 2007 Pilares Técnicos 40 Perda por avaria Perda por avaria Perda por materiais indiretos Perda de energia Perda por materiais indiretos Perda de energia Perda por expectitativas Perda de energia Perda de materiais diretos Perda por não descarregamento Perdas causais Perdas resultantes Defeitos g Custo de trabalho direto Custo de amortização g Custo de materiais indiretos Processos Sistema Enquanto máquina forçada 1 j1 j Sj+1 J 2.5.3 Step 3 Separar as perdas resultantes daquelas causais. Atividade Por cada perda anotada na Matriz A é necessário definir se foi resultante ou causal. Do ponto de vista da atacabilidade, uma perda resultante não é atacável se não for reconduzida a relativa perda causal. Além disso, a perda causal pode existir em outros processos / subprocessos diferentes daqueles em que se evidencia a perda resultante. É, portanto, importante analisar bem o processo inteiro, incluindo para cada perda causal de processo todas as perdas resultantes de todos os processos interligados. No exemplo aqui exposto é visível como uma perda causal de dano no equipamento originado dentro de um processo pode comportar perdas resultantes nos processos sucessivos, por exemplo, uma parada forçada da máquina (que pode gerar defeitos), com perdas por falha na descarga, perda por materiais indiretos e perda de energia. No sistema inteiro haverá uma perda de energia e uma perda de materiais diretos ligados aos defeitos do produto. Figura 2.9 Realizar a Matriz B – Causais / Resultantes. Realizar a Matriz B Causais/Resultantes. Input Matriz A do Cost Deployment. Análise acurada por parte dos times do estabelecimento e de processo / Unidade Operativa. Output Matriz B Causais/Resultantes. g Custo de trabalho indireto Custo de manutenção g Custo de trabalho direto Custo de amortização g Custo de trabalho indireto g Custo de energia g Custo de energia g Custo de trabalho direto Custo de amortização g Custo de energia g Custo de materiais diretos Cost Deployment 41 Figura 2.10 Figura 2.11 Matriz Preparatória da Matriz B classificação das perdas causais e resultantes – Estabelecimento di Tychy, outubro 2007 Matriz B estratificação – Estabelecimento Tychy, auditoria outubro 2007 Pilares Técnicos 42 Atenção Ao se examinar as perdas pode se constatar que uma perda inicialmente considerada causal seja, na verdade, uma perda resultante. Caso isso aconteça, é necessário voltar à definição da Matriz A. Às vezes uma perda pode ser tanto causal quanto resultante. Por exemplo, uma perda por acionamento do equipamento pode ser definida como causal se acontecer no começo do turno ou depois das pausas (períodos não trabalhados, feriado, férias). Pode ser definida como resultante se acontecer após uma parada por estrago do mesmo equipamento ou de outros. 2.5.4 Step 4 Calcular os custos de perdas e desperdícios Definir a estrutura de custo das perdas Coletar os dados que definem as perdas resultantes, ligandoos à perda causal em termos físicos, envolvendo as engenharias, o pessoal de manutenção e o pessoal de operação (condutores, gerente operativo, chefes UTE, team leader e membros da linha) Traduzir os parâmetros físicos em custos (a partir da estrutura dos custos do estabelecimento, recolher as tarifas dos custos da mãodeobra – tarifas horárias das prestações de mãodeobra direta, indireta e externa, dos custos de energia – força eletromotriz, iluminação, ar, água dos custos dos materiais – materiais diretos dos fornecedores e de outros estabelecimentos, materiais indiretos, dos custos de outras despesas Definir os drivers de custo, ou seja, a variável que determina o custo (ex. número de pessoas, número de robôs, potências instaladas) Calcular os custos da perda causal incluindo todos os custos das perdas totais interligadas. (como definido na Matriz B) Analisar os dados produzidos pela Matriz C através da estratificação por tipo de perdas, por processo, subprocesso,UTE, até individualizar a fonte de perda mais crítica que possa ser atacada com uma metodologia ou instrumento adequado Atividade Figura 2.12 Matriz C Relação da perda e custos. Exemplo Perda por avaria Tempo de parada do equipamento Termpo de reparação N. de posicionados Consumo horário de energia N. de manutentores envolvidos Tempo de parada dos posicionados X X X X X X X Tarifa horária da mão deobra direta Tarifa horária da energia Tarifa de amortização Tarifa horária da energia Custo do trabalho (direto) = = = = Custo da energia Custo da amortização Custo do trabalho (indireto) Tempo de parada do equipamento Tempo de reparação Cost Deployment 43 Atores Para a coleta de dados que permitam definir as perdas em termos físicos, os atores envolvidos são as engenharias, o pessoal de manutenção e os de operação: os condutores, os team leader e os membros da linha. A coleta de dados deve ser efetuada em nível de UTE, equipamento/máquina. A tradução dos parâmetros físicos em custos deve ser feita pelo responsável da Administração e Controle do estabelecimento usando as tarifas em uso no estabelecimento. O responsável da Administração e Controle cuida da construção do sistema do estabelecimento para a coleta de dados e monitoramento constante do sistema. Input Matriz B. Estrutura de custos do estabelecimento Tarifas relativas aos custos do estabelecimento Exemplos de mensuração das perdas causais e resultantes por parâmetros físicos Exemplos de transformação das medições físicas em medidas de custo (ex. Manuais para a avaliação das perdas, produtos dos estabelecimentos por Unidades Operativas) Output Matriz C – Perdas Causais/Custos A Matriz Perdas Causais/Custos serve para evidenciar os custos provenientes das perdas dos vários processos É executada a partir das perdas causais e das relativas perdas resultantes definidas pela Matriz B É aconselhável que tenha como referência uma base homogênea (ex. registrando os valores em euro / mês) Pilares Técnicos 44 Figura 2.13 Matriz C – Exemplo Cost Deployment 45 Pilares Técnicos 46 A Matriz C produz um conjunto de dados que devem ser analisados pela estratificação em diferentes formas para fornecer informações relativas ao tipo e ao valor das perdas geradas, a localização das perdas, a relação entre custos de transformação e a estrutura de custos das perdas. Figura 2.14 Ferramentas Estratificação - Diagrama de Pareto. A estratificação é um instrumento que permite analisar os dados disponíveis explodindoo até o último nível possível(4). 2.5.5 Step 5 Identificar o know-how necessário para a redução das perdas e dos desperdícios Uma vez identificadas as perdas de maior valor econômico, é necessário escolher as medidas apropriadas para reduzilas ou eliminálas. Existem em geral dois jeitos de abordálas com ferra mentas próprias específicas. A abordagem do melhoramento focalizado é orientada para a solução de temas específicos e univocamente identificáveis, concentrandose no problema em si e obtendo resul tados em tempos breves. O processo de melhoramento sistemático é orientado para a soluções de problemas de caráter geral e não univocamente identificáveis, requer um tempo maior, mas tem um impacto mais estendido e prevê ao longo do tempo o acontecimento de outras perdas. Os instrumentos típicos desse processo são organizados nos pilares técnicos do WCM: Segurança, Manutenção Autônoma, Workplace Organization, Manutenção Profissional, Quality Control, Logística, Desenvolvimento de Pessoas. Atividade Identificar quais são as perdas atacáveis, baseandose em uma avaliação das perdas por impacto, custo, facilidade (easiness) (Matriz ICE) Escolher o método apropriado para atacar as perdas (4) Para uma explicação mais aprofundada do Diagrama de Pareto cf. capítulo Focused Improvement deste Guia. Output da Matriz C – Estabelecimento Maserati, auditoria 2007 Cost Deployment 47 Figura 2.15 Avaliar o impacto sobre o KPI Preencher a Matriz D Perdas Causais / Know-how Input A Matriz C do Cost Deployment O conhecimento das metodologias enfocadas e dos métodos sistemáticos para atacar as perdas Os KPI da estabelecimento Output Matriz D Ferramentas Método ICE O método ICE permite examinar as mais importantes perdas causais identificadas pela Matriz C, avaliando os impactos, os custos e a facilidade de ataque. O impacto expressa qualitativamente com um ranking de um a cinco o valor econômico da perda individualizada. O custo expressa qualitativamente com um ranking de um valor mínimo até um valor máximo o valor econômico dos custos a ser enfrentados pela atuação do melhoramento. A facilidade expressa qualitativamente com um ranking de um a cinco o nível de facilidade em enfrentar a perda (tempos e recursos). ICE = I x C x E, expressa qualitativamente com um ranking de um a 125 o nível de atacabilidade da perda. Análise da perda a partir da causa raiz e identificações dos metodos para removê-lo DETERIORAÇÃO INCREMENTO STRESS FORÇA INSUFICIENTE PERDA (avaria) CAUSA RAIZ Avaria devido a falta da manuteção das condições de base Avaria devido a falta da observação das condições operativas Avaria devido a reparação do maquinário Avaria devido a ponto fraco do projeto Avaria Desenvolvimento de Pessoas Melhoramento Focado / EEM Manutenção Profissional Desenvolvimento de Pessoas Manutenção Autônoma Avaria devido a falta de competência dos operadores e Falta de competência do dos manutentores Pilares Técnicos 48 Figura 2.16 2.5.6 Step 6 Estimar os custos dos Projetos de Melhoramentos escolhidos para ser implementados Atividade Após a identifição das melhores metodologias para reduzir as perdas maiores dos vários processos, é necessário executar um balanço econômico entre os custos de implementação da nova metodologia os benefícios derivados da redução da perda. Para isso utilizase a Matriz E. Baseandose, então, na análise de custos / benefícios é possível, escolher as iniciativas de melhoramento para começar. As economias são, por definição, estimadas com base na estrutura de custo do estabelecimento, as tarifas, as condições de produção de referência, mas requerem um processo de conclusão certificado pela função Administração e Controle. Matriz D Unidade Operativa Montagem – Estabelecimento Tychy, fevereiro 2007 Cost Deployment 49 Figura 2.17 Matriz E – Estabelecimento de Melfi, auditoria abril 2007 Cost Deployment Melhores Práticas 50 2.5.7 Step 7 Implementados os projetos de melhoramentos, efetuarem a monitoração e o follow-up. Atividade Redigir o Plano de melhoramento ou Matriz F. Gerenciar os progressos do Plano de melhoramento através dos progressos da Matriz F. ·. Figura 2.18 Juntar os saving realizados e com os devidos tempos ao budget do estabelecimento e realizar a Matriz G. Figura 2.19 Matriz F – Estabelecimento de Termini Imerese, auditoria junho 2007 Matriz G – Estabelecimento de Termini Imerese, auditoria junho 2007 Cost Deployment 51 2.6 Melhores Práticas – Regras de avaliação das perdas – Guia para o cálculo das perdas. Estabelecimento de Termini Imerese Figura 2.20 O Guia contém as regras para avaliar as perdas e os desperdícios identificados pelos steps 1, 2 e 3 do método do Cost Deployment. Após a individualização qualitativa das perdas principais através da Matriz A e a evidência das relações entre as perdas causais e as perdas resultantes através da Matriz B, é necessário valorizar as perdas causais em termos econômicos; o guia é o instrumento de base para a realização da Matriz C (step 4). Existem tipos diferentes de perdas individualizadas: perdas causais e perdas resultantes; perdas dinâmicas e perdas estáticas. Perda causal. É uma perda causada por um problema de processo ou estabelecimento. Perda resultante. É uma perda de materiais, mãodeobra,energia, etc, resultante de a uma perda de outro processo ou equipamento. Perdas dinâmicas. São aquelas perdas cuja causa origem provoca uma parada da linha no ciclo diário de produção. São problemas então expressáveis dimensionalmente em termos de tempo ou veículos perdidos por parada de linha. Perdas estáticas. São todas aquelas perdas cuja causa de origem não provoca uma parada da linha. São ligadas às decisões de impostação gerencial das linhas e ao número de veículos a ser produzidos na unidade de tempo de observação. Têm uma só resultante: a mãodeobra direta. Exemplos de perdas dinâmicas: perdas por quebras; perdas por greve; perdas por reelaborações perdas por falta; perdas por falta de Materiais; perdas por microparadas; etc. Guia para cálculo das perdas Melhores práticas Cost Deployment Melhores Práticas 52 Exemplos de perdas estáticas: perdas por NVAA (Not Value Added Activity); perdas por Testes e Controles; perdas por Dessaturação; perdas por RCL (capacidade de trabalho reduzida) zero utilização; etc. Um exemplo típico de perda dinâmica é a perda por danos; são considerados danos todos aqueles eventos de parada superior a 10 minutos. Essa perda, como todas as causais dinâmicas, aparece na Matriz C e compõese de muitas resultantes. Figura 2.21 A perda por quebra gera as seguintes perdas resultantes: materiais diretos: o valor será determinado calculando os descartes de material direto dos produtos de mau funcionamento dos equipamentos por causa de quebras. A determinação do valor total de perdas é fortemente ligada ao tipo de quebras e às avaliações do responsável da engenharia; não é, portanto, possível ter fórmulas matemáticas padronizadas; materiais indiretos (e de consumo): o total da perda é calculado na seguinte maneira: materiais de manutenção (trocas): o total da perda é calculado pelo produto: chefes e dependentes (Salários): o total da perda é calculado na seguinte maneira: Com base no tempo perdido por estrago, teremos na coluna “Mãodeobra direta”: mão-de-obra indireta: o total da perda se extrai do produto: handling: o total da perda é originado pelo produto: Perdas por avarias M at er ia l d ire to M at er ia l i nd er et o (e de c on su m o) M at er ia l d e m an ut en çã o (r ep os iç ão ) Lí de re s e em pr eg a do s (s al ár io s) M ão d e ob ra d ire ta M ão d e ob ra in di re ta H an dl in g M an ut en çã o Li m pe za té cn ic a A ca ba m en to ru im O ut ra s de sp es as E ne rg ia e se rv om ez zi F. E .M . Perda por avarias • • • • • • • • • • • • • Cost Deployment 53 manutenção (prestações): o total da perda será dado pelo produto: limpezas técnicas: o total da perda será dado pelo produto: eliminação lixo: o total da perda será dado pelo produto: outras despesas: o total da perda será dado pelo produto: energias e servomezzi: o total da perda é calculado da seguinte maneira: perdas por F.E. M: o total da perda é calculado da seguinte maneira: N.B. A quantidade de perdas resultantes individualizadas e as fórmulas usadas para a valorização econômica delas, constituem o “estado da arte” no Grupo FIAT, mas não um padrão. O refinamento constante da capacidade de individualizar sempre novas perdas pode levar a um posterior incremento do número de perdas individualizadas, assim como o melhoramento do sistema de coleta de dados deve permitir a definição e a aplicação de fórmulas para converter as perdas em custos cada vez com mais precisão. Legenda: F.E.M.= força eletromotriz MDO= mãodeobra direta n.° add_UTE(i)= número membros da UTE iesima n.° manut_pronto_Intervento= número do pessoal da manutenção de pronta intervenção Prest_man= prestações de manutenção std= standard Tcausale_UTE(i)= tempo causal na UTE iesima Assim que as perdas estiverem quantificadas, cada Unidade Operativa construirá um Pareto geral que permitirá a individualização das mais relevantes entre as identificadas (portanto potencialmente atacáveis). Melhores práticas Cost Deployment Melhores Práticas 54 Figura 2.22 Individualizadas as principais perdas, será feita uma sua posterior estratificação das mesmas subdividindoas por Equipamento, UTE ou Processo em que se manifestaram. Figura 2.23 Em alguns tipos de perdas são efetuadas análises posteriores. Por exemplo, em caso de perda por NVAA, procedese com a verificação por UTE de qual a parte da perda é imputável ao observar, caminhar, se movimentar, etc. Isso fornecerá as Engenharias da Unidade informações preciosas para fins de realizar projetos de ataque às perdas; será, portanto, possível atacar a perda não somente onde ela mais se manifestou, mas focandose na sua componente principal. Exemplo de pareto geral das perdas Unidade Operativa Montagem Exemplo de pareto com estratificação das perdas por NVAA na Unidade Operativa Montagem Cost Deployment 55 0. Não se tem uma real compreensão, definição e medição das perdas e dos desperdícios. 1. O primeiro CD (Cost Deployment) está completo. As perdas e os desperdícios são definidos e identificados de forma aproximada. Alguns projetos e atividades (AM/PM/ FI/QC) surgiram de uma transformação aproximada das perdas e dos desperdícios em custos. Não existe cooperação entre a Administração (Financeira) e a Produção. Os resultados dos melhoramentos não foram certificados pelos entes administrativos (Financeiro). 2. Todas as principais perdas e desperdícios são identificados com a colaboração entre administração (Financeiro) e Produção. Os desperdícios e as perdas foram transformados em custos muito próximo do correto. O CD está completo (cobre mais de 80% dos custos de base do estabelecimento, isto é, os custos totais menos a depreciação e os custos logísticos externos). Em base ao CD, projetos e programas estão em andamento e obtendo bons resultados. Clara compreensão da localização dos maiores custos (estratificar). Necessidade de implementar os padrões exigidos. 3. As matrizes do CD A, B, C, D, E e F são usadas corretamente nas principais áreas e foram obtidas reduções consistentes de custo. 4. O CD foi feito para ser considerado no budget. É evidente a ligação entre o budget e a Matriz E. O CD é bem usado por quem fez a Matriz G para estabelecer o budget anual, que é corretamente seguido. 5. Mesmo tendo obtido melhorias, existe a filosofia da busca contínua de opor tunidades para reduzir custos e aumentar a produtividade. Por isso, 30% do custo de transformação são considerados como desperdícios e perdas, e são feitos esforços contínuos para identificar outros desperdícios e perdas (provavelmente escondidos). As perdas externas e o seu impacto sobre o estabelecimento são visíveis e identificadas (ex.: para os fornecedores) e os programas de melhoramento são desenvolvidos e implementados. Novas oportunidades de melhoramento são desenvolvidas e implementadas. Novas oportunidades de economia são constantemente identificadas. Sempre que se obtêm resultados na redução de perdas e desperdícios, é realizada a difusão horizontal do melhoramento sobre outras áreas. OS NÍVEIS DE DESENVOLVIMENTO D0 COST DEPLOYMENT