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APOSTILA DE APH 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BRASÍLIA – DF 
2021 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 2 
 
SUMÁRIO 
 
 
INTRODUÇÃO AO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR 3 
BIOSSEGURANÇA 10 
BIOMECÂNICA DO TRAUMA 14 
OXIGENOTERAPIA 20 
CHOQUE CIRCULATÓRIO 27 
FERIMENTOS EM TECIDOS MOLES 33 
MANIPULAÇÃO E TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 38 
AVALIAÇÃO DO PACIENTE 49 
TRAUMA CRANIOENCEFÁLICO 61 
TRAUMA RAQUIMEDULAR 63 
TRAUMA DE TÓRAX 65 
TRAUMA DE ABDÔMEN 68 
TRAUMA EM EXTREMIDADE 72 
REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA E OVACE 76 
EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES E CEREBROVASCULARES 86 
EMERGÊNCIAS ENDÓCRINAS: HIPOGLICEMIA E HIPERGLICEMIA 102 
EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS 106 
PARTO EMERGENCIAL 108 
QUEIMADURAS 115 
INCIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS 122 
CRISE CONVULSIVA 128 
INTOXICAÇÕES 132 
EMERGÊNCIAS EM SAÚDE MENTAL 140 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 3 
 
 
INTRODUÇÃO AO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR 
 
 
 Para iniciar o estudo do Atendimento Pré-Hospitalar (APH), é importante que o 
leitor entenda que esse serviço não pode ser visto ou entendido como um componente 
isolado na assistência ao paciente. O APH é integrante de uma rede de respostas às 
urgências e emergências, articulando-se de maneira constante e ininterrupta com a 
Atenção Básica (Unidades Básicas de Saúde e Estratégia de Saúde da Família), 
Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e rede hospitalar. 
O Atendimento Pré-Hospitalar é a assistência oferecida ao indivíduo acometido por 
quadros agudos de origem clínica, traumática, obstétrica ou em saúde mental fora do 
ambiente hospitalar e que devido a condição clínica apresentada estão sob risco de morte 
ou sequelas. O APH é definido como fixo quando oferecido por unidades ou equipes não 
hospitalares, tais como Unidades Básicas de Saúde, Unidades Não Hospitalares de 
Atendimento às Urgências e Emergências e equipes da Estratégia de Saúde da Família 
ou Programa de Agentes Comunitários de Saúde. Já o APH móvel é o atendimento que 
se desloca até a vítima e quem tem como serviços públicos aqueles realizados pelos 
Corpos de Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). 
 No Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), relatos de serviços de 
APH são observados ainda nos primórdios de sua implantação na capital federal, mas 
somente entre o final da década de 1980 e início da década de 1990 é que se percebe 
essa modalidade de assistência de maneira estruturada e orgânica, principalmente a 
partir da criação do primeiro curso de especialização em APH na corporação, o Estágio 
de Socorros de Urgência, em seguida substituído pelo Curso de Socorros de Urgência em 
Atendimento Pré-Hospitalar (CSU/APH). Um marco fundamental para a consolidação do 
APH como serviço ofertado pelo CBMDF foi à criação da 1ª e 2ª Companhias 
Independentes de Emergência Médica (CIAEM e em seguida CIEM), o que atualmente é 
o Grupamento de Atendimento de Emergência Pré-Hospitalar (GAEPH). 
 Durante décadas, os Corpos de Bombeiros voluntariaram-se em cobrir a lacuna 
deixada pelos setores da saúde na assistência pré-hospitalar. Entretanto, ao promulgar o 
Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência, o Ministério da 
Saúde reservou aos Corpos de Bombeiros um papel secundário no APH, demonstrando 
uma visão pouco regionalizada dos serviços pré-hospitalares já estabelecidos e 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 4 
 
consolidados em diversas corporações, tal como o caso do Distrito Federal. Cabe 
destacar ainda que, o APH ofertado pelo CBMDF possui previsão legal na Lei Federal nº 
8.255, de 20 de novembro de 1991, incluído pela Lei Federal nº 12.086, de 2009 e que já 
em meados da década de 1990, a Lei Distrital nº 891, de 26 de julho de 1995, já atribuía 
ao CBMDF a execução de atividades d Atendimento Pré-Hospitalar ao Trauma. 
Nos últimos 5 anos, esforços têm sido empreendidos para se adequar o serviço de 
APH do CBMDF ao preconizado na Portaria nº 2048, de 05 de novembro de 2002, do 
Ministério da Saúde, principalmente no que diz respeito às articulações com os 
componentes do serviço, definição de fluxos e referências da rede de atenção por meio 
da adesão à Central de Regulação Médica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. 
 
O PROFISSIONAL DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR 
 
 O profissional de atendimento pré-hospitalar é comumente denominado de 
socorrista. Ainda que frequentemente haja confusão entre os termos socorrista e 
emergencista, adotaremos o primeiro por ser o termo consagrado no serviço de APH. No 
CBMDF, socorrista é o profissional bombeiro militar capacitado e habilitado por meio de 
cursos de especialização e atualizações para realizar atividades de atendimento pré-
hospitalar em dois níveis de atuação: 
 
1. Responsável Técnico: possuidores do Curso de Técnico em Emergência (CTE) 
ou Curso de Socorros de Urgência em Atendimento Pré-Hospitalar para viaturas do 
tipo C (UR) ou Curso de Técnico em Enfermagem, com registro em conselho de 
classe, para viaturas do tipo B; 
2. Auxiliar de guarnição: todos os bombeiros militares com a formação básica em 
APH ministrada nos diversos cursos de formação do CBMDF. 
 
Assim como qualquer outro profissional, o socorrista deve possuir atributos 
específicos para o desempenho do APH. Dessa forma, espera-se do socorrista: 
 
✔ Capacidade de liderança; 
✔ Controle emocional; 
✔ Capacidade técnica; 
✔ Paciência e empatia. 
 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 5 
 
 Tais atributos criam condições mais propícias para que as ações desses 
profissionais sejam orientadas com a mais profunda observância de direitos e deveres, 
tanto os relativos à sua atuação, quanto os relacionados ao indivíduo atendido. 
 
Deveres do socorrista Direitos do socorrista Direitos do paciente 
● Utilizar equipamentos de 
proteção individual; 
● Gerenciar riscos e 
empreender ações de 
controle da segurança; 
● Respeitar os direitos 
humanos; 
● -Agir em conformidade 
com os protocolos 
estabelecidos no CBMDF; 
● Não agir além de sua 
competência profissional; 
● Trabalhar de maneira a 
cooperar com o COCB e 
Central de Regulação; 
● Não causar dano 
adicional ao paciente. 
● Ser respeitado; 
● Não sofrer qualquer tipo 
de violência física e/ou 
psicológica; 
● Agir somente dentro dos 
limites de sua 
competência técnica; 
● Ter à sua disposição os 
recursos necessários 
para o atendimento 
dentro dos limites de sua 
competência; 
● Não ser impedido de agir 
dentro dos limites dos 
protocolos estabelecidos 
pelo -CBMDF ou por 
orientação do médico 
regulador. 
● Recusar o atendimento se 
lhe couber o 
consentimento explícito; 
● Denunciar quem não lhe 
prestou atendimento 
quando deveria prestar ou 
violou normas de conduta, 
éticas e de direitos 
humanos; 
● Ter atendimento com 
qualidade; 
● Receber tratamento 
humanizado, respeitoso e 
sem discriminação de 
qualquer natureza. 
 
 
 
 A recusa pelo atendimento é um direito do paciente. Após a avaliação da vítima e 
observado que ela está lúcida e orientada e não está em risco de morte, ela poderá 
dispensar o atendimento da equipe de socorro. Todavia, situações onde há a negativa da 
assistência por parte dopaciente, traz consigo questionamentos éticos sobre até onde o 
socorrista deve agir nesses casos, já que a natureza de urgência e emergências dos 
eventos possuem potencial risco de morte. Dessa forma, é importante que sejam 
abordados conceitos de consentimento explícito e implícito. 
 
● Consentimento explícito: é o consentimento manifestado pelo paciente quando 
goza em plenitude de suas faculdades mentais, ou, em casos de impossibilidade, é 
manifestado por familiar ou responsável legal; 
● Consentimento implícito: é implícito o consentimento inferido em situações de 
grave perigo à vida ou risco de lesões adicionais e sequelas, em condições de 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 6 
 
inconsciência, alteração mental e ainda quando o atendimento é direcionado à menores 
sem a presença do responsável legal. 
 
O socorrista, quando em atuação no Atendimento Pré-Hospitalar, também está sujeito 
à observância de normas legais. Assim, poderá ser responsabilizado criminalmente 
quando agindo culposamente por imprudência, negligência ou imperícia se o resultado for 
danoso ao paciente. Vale ressaltar ainda que a culpa é a prática voluntária de uma 
conduta sem a devida atenção ou cuidado da qual, deflui o resultado previsto na lei como 
crime, não desejado nem previsto, mas previsível. E dolo é a conduta intencional de violar 
a lei por ação ou omissão com pleno conhecimento da criminalidade do que se está 
fazendo. 
 
 
A OCORRÊNCIA 
 As urgências e emergências pré-hospitalares resultam em ocorrências, que podem 
ser eventos de natureza acidental ou intencional, geradas por trauma ou condição 
patológica capaz de causar sofrimento e risco de lesões, sequelas e morte. Ao ser 
acionada para respondê-los, nem sempre temos a exata informação sobre o que se trata 
ou a magnitude da cena de emergência. Assim, é de suma importância que determinadas 
informações sejam o quanto antes confirmadas, tais como: local exato da ocorrência, com 
citação de pontos de referência, que auxiliem a localização; o tipo de emergência; número 
de vítimas e gravidade presumida. Dessa maneira a equipe de socorro, durante o 
deslocamento, será capaz de elaborar um planejamento prévio de suas ações iniciais. 
Seja qual for à natureza da ocorrência (trauma ou clínico) para o Atendimento Pré-
Hospitalar é imprescindível que a equipe de socorro empreenda ações que visem o 
gerenciamento da cena de emergência, com foco especial para riscos potenciais para a 
segurança da equipe, da vítima e de terceiros. 
O socorrista pode se valer de fitas de isolamento, cones, meios de fortuna (galhos 
de árvores etc.) ou “cordão” humano. O importante é que crie uma área de atuação 
segura e isolada da interferência de terceiros e que permita a atuação e disposição de 
materiais. 
Os acidentes de trânsito ou eventos que envolvam maior risco, a cena de 
emergência deve ser controlada a partir da divisão em três áreas distintas exemplificadas 
didaticamente da seguinte maneira: 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 7 
 
 
Zona quente: essa região compreende o foco do evento até o mínimo de 5 metros 
de raio. Nesse ambiente devem permanecer apenas bombeiros militares (APH, 
Salvamento e Combate a Incêndio) e outros profissionais atuantes no suporte direto à 
vítima, desde que autorizados. Sua delimitação é apenas virtual, não sendo necessária a 
utilização de material de isolamento. 
Zona morna: segue o fim da zona quente até o mínimo de 5 metros de raio. Essa 
área é destinada à disposição dos materiais e viaturas e deve ser delimitada com o uso 
de fitas ou cordas. Aqui permanecem apenas bombeiros militares e outros profissionais 
de assistência pré-hospitalar. 
Zona fria: segue o fim da zona morna até o mínimo de 5 metros de raio. Nessa 
área podem permanecer viaturas e profissionais de órgãos auxiliares, inclusive imprensa. 
Sua delimitação também é virtual. 
Figura 1: Desenho esquemático do palco de atendimento observando a delimitação de zonas 
 
 
 Os profissionais de APH que atuam na cena não devem ficar à mercê da 
irresponsabilidade ou imprudência de motoristas. Dessa forma, é necessário que o local 
do evento seja devidamente sinalizado, observando as orientações a seguir: 
 Pistas retas: a sinalização deve abranger uma distância mínima obtida em metros, 
acrescentando-se 50% ao valor de velocidade máxima permitida na via. Exemplo: Numa 
via com velocidade máxima permitida de 80 Km/h (80 m + 40 m = 120 m) os primeiros 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 8 
 
cones deverão ser dispostos 120 metros distantes da zona morna. Em pistas únicas a 
sinalização deve ser realizada nos dois sentidos. 
 Pistas sinuosas: quem trafega deve visualizar o primeiro cone de sinalização 
antes mesmo de visualizar o acidente, mesmo que a distância ultrapasse o previsto para 
pistas retas. 
 Aclive ou declive: seguem as mesmas orientações para pistas sinuosas 
reforçando a necessidade de medidas de precaução, tal como a utilização de freio motor 
e redução da velocidade em declives, tão logo se tome ciência do acidente. 
Outras condições adversas, tal como clima, a distância deve ser aumentada o 
suficiente para que se ofereça condições de segurança. Observadas todas essas 
condições e uma vez estabelecido o gerenciamento dos riscos, o socorrista deve iniciar a 
avaliação do paciente. 
 
Figura 2:Desenho esquemático da sinalização e isolamento da cena. 
 
Fonte: Curso de Resgate Veicular - CBMDF 
 
Outro fator de grande importância no atendimento é o registro do atendimento da 
ocorrência. Ela é finalizada no momento em que a equipe de APH transfere o paciente 
para a responsabilidade do médico no pronto socorro. Feito isso, é hora de registrar o 
atendimento, formalizando a atuação fazendo as anotações do socorro em formulário 
próprio. O CBMDF possui ficha própria para o registro de todas as suas atuações no 
serviço pré-hospitalar, com campos que devem, obrigatoriamente, ser preenchidos, 
conforme o evento e condição clínica do paciente. 
É fundamental que o socorrista compreenda que preenchimento da ficha de 
atendimento é um instrumento de fortalecimento de serviço de APH, à medida que 
oferece informações com forte potencial de subsidiar ações de gestão do serviço, bem 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 9 
 
como propiciar estudos e pesquisas sobre violência, morbimortalidade, condutas, além de 
outras informações sociodemográficas. 
As informações importantes para o registro são: 
✔ Sexo e idade; 
✔ Queixa principal da vítima; 
✔ Descrição do problema encontrado; 
✔ História médica passada; 
✔ Se está sob tratamento médico; 
✔ Alergias; 
✔ Outros problemas médicos, tais como: cardiopatias, diabetes, doenças 
pulmonares obstrutivas, etc.; 
✔ Nível de consciência e condições gerais da vítima; 
✔ Sinais vitais; 
✔ Tratamento ministrado pelo socorrista e procedimentos realizados. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
AMLS: atendimento pré-hospitalar às emergências clínicas. 1ª ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2014. 
Atendimento Pré-Hospitalar ao Traumatizado – PHTLS (NAEMT). 9ª ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2020. 
CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO DISTRITO FEDERAL. Apostila do curso de 
resgate veicular: Nível leve. Brasília: CBMDF. 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 10BIOSSEGURANÇA 
 
INTRODUÇÃO 
 
São frequentes os acidentes com material biológico com trabalhadores da área de 
urgência em emergência. No pré-hospitalar, condições desfavoráveis como a situação da 
cena de emergência, permanência em ambientes reduzidos e a pressão por um 
atendimento rápido são fatores que contribuem para a ocorrência desses acidentes. 
Dessa forma, é necessário que gestores e profissionais assistenciais dessa modalidade 
de atenção estejam imbuídos de comportamento promotor de segurança ocupacional. 
Para darmos continuidade à leitura, é necessária a compreensão de alguns 
conceitos: 
✔ Contaminação: é a presença de agentes infecciosos em determinada 
superfície ou ambiente. 
✔ Contágio: é a transmissão de uma doença de um indivíduo para outro. Ou 
seja, é a transmissão de uma moléstia infecciosa de um doente para uma 
pessoa sadia em relação àquela moléstia. 
✔ Infecção: é a invasão de microrganismos (vírus, parasitas, fungos ou 
bactérias) capazes de se multiplicarem e desenvolverem um estado 
patológico no organismo superior. 
 
DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS 
 
São doenças provocadas por agentes infecciosos invasores (bactérias, vírus, 
fungos, protozoários, etc.), que ao penetrarem o organismo, multiplicam-se e 
desenvolvem-se. No ambiente pré-hospitalar tal infecção ocorre após exposição a 
materiais biológicos e na presença de condição clínica do hospedeiro favorável ao 
desenvolvimento do organismo invasor. 
São diversas as possibilidades de infecção, mas em geral, percebe-se no 
socorrista uma maior preocupação com as infecções virais, principalmente as 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 11 
 
relacionadas ao HIV e Hepatites. A figura 4 apresenta doenças infecciosas possíveis no 
atendimento pré-hospitalar, com suas vias de transmissão e agentes etiológicos. 
 
 
Tabela 1:Doenças infectocontagiosas com potencial de infecção no ambiente pré-hospitalar. 
Doença Agente etiológico Meio de transmissão 
HIV/AIDS HIV-1, HIV-2 
● Sexual (esperma e secreção vaginal) 
● Sangue (via parenteral e vertical) 
● Leite materno 
Hepatite B HBV 
● Sexual 
● Sangue (parenteral e vertical) 
Hepatite C HCV 
● Sangue, principalmente por via parenteral 
● É possível a transmissão sexual por leite 
materno 
Influenza Vírus Influenza 
● Modo direto: contato pessoa a pessoa, por 
meio de gotículas expelidas ao falar, tossir ou 
espirrar 
● Modo indireto: contato com secreções do 
doente 
Meningite 
bacteriana 
Haemophilus 
Influenzae 
● Contato direto pessoa a pessoa, doente ou 
portador, por meio das vias respiratórias. 
Tuberculose 
M. tuberculosis 
(bacilo de Koch) 
● Contato pessoa a pessoa, principalmente por 
meio da fala, tosse ou espirro. 
COVID 19 Sars-Cov-2 
● Contato pessoa a pessoa, principalmente por 
meio da fala, tosse ou espirro. 
 
O QUE É BIOSSEGURANÇA? 
 
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), biossegurança é a 
condição de segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, 
controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a 
saúde humana, animal e o meio ambiente. Para que essa condição seja alcançada, é 
necessário que todos os envolvidos na assistência pré-hospitalar adotem os recursos 
disponíveis para que sejam alcançados os mais altos padrões de segurança e qualidade. 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 12 
 
Como uma atitude individual, é fundamental que o socorrista mantenha e incentive 
na equipe e entre os demais profissionais um comportamento que promova uma cultura 
de segurança no serviço. Para tanto, torna-se elementar que qualquer que seja o 
atendimento o socorrista deve seguir as medidas de segurança e precauções universais 
adotadas por todos os integrantes do serviço de APH. São elas: 
Utilizar os EPI: os equipamentos de proteção individual (EPI) padrões, são 
obrigatórios: luvas de látex, máscaras cirúrgicas, óculos de proteção, capacete e 
joelheiras. Além disso, preconiza-se na corporação que as mangas do uniforme estejam 
desdobradas. 
POP: Cumprir as definições e preconizações de segurança estabelecidas por 
procedimentos operacionais institucionais; 
Imunização: Manter atualizado o esquema de vacinação pessoal: Vacina 
antitetânica, anti-hepatite tipo B, anti-Rubéola, Febre Amarela e COVID-19; 
Lavagem das mãos: Higienizar sistematicamente as mãos conforme esquema 
abaixo; 
 
 
Descarte de materiais contaminados: Descartar materiais perfurocortantes em 
locais apropriados; descartar resíduos infectantes de forma correta em local apropriado 
(Lixo hospitalar); 
Limpeza e descontaminação dos materiais: Limpar e descontaminar a viatura e os 
materiais sob sua responsabilidade; 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 13 
 
 
 
PROCEDIMENTOS EM CASOS DE ACIDENTES DE TRABALHO 
1. Cuidados imediatos após exposição: lavagem exaustiva do local exposto com água 
e sabão nos casos de exposição percutânea ou cutânea. Nas exposições de 
mucosas lavar apenas com água ou solução salina fisiológica. 
2. Procedimentos que aumentam a área exposta (cortes, injeções locais) e a 
utilização de soluções irritantes como éter, hipoclorito ou glutaraldeído são 
contraindicados. 
3. Buscar atendimento médico para avaliação do acidente e orientação sobre 
medidas de quimioprofilaxia. 
4. A quimioprofilaxia está disponível para HIV e HBV. Quando indicada, a 
quimioprofilaxia deve ser iniciada o mais rápido possível após a exposição, sendo o 
prazo máximo 72 horas. Após esse intervalo não há mais eficácia. A duração da 
quimioprofilaxia é de 28 dias. 
5. As medidas administrativas incluem notificação e registro do acidente de trabalho e 
encaminhamento para assistência psicossocial para acidentes de trabalho. 
 
REFERÊNCIAS 
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de 
Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso / Ministério 
da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância 
Epidemiológica. – 8. ed. rev. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 444 
Cardoso EM, Costa M. Minidicionário de termos técnicos em saúde.1a ed. Goiânia (GO): 
AB editora, 2005. 
Costa IKF, Liberato SMD, Costa IKF, et al. Riscos ocupacionais em um serviço de 
atendimento móvel de urgência. Revista Pesquisa e Cuidado em Enfermagem 2014; 
6(3):938-947. 
Oliveira AC, Machado BCA, Gama CS, Garbaccio JL, Damasceno QS. Biossegurança: 
conhecimento e adesão pelos profissionais do corpo de bombeiros militar de Minas 
Gerais. Esc. Anna Nery; 2013; 17( 1 ): 142-152. 
Silva CRL, Viana DL. Dicionário ilustrado de saúde. 6a ed. Rio de Janeiro (RJ): Yendis; 
2010. 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS – CFP/BM – 2021 
 
SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 14 
 
BIOMECÂNICA DO TRAUMA 
 
A atuação da equipe de socorristas será facilitada à medida que sua conduta 
receba auxílio de conhecimentos oriundos de outros campos do saber, tal como a física, 
principalmente quando se relaciona com o estudo do movimento e suas consequências 
por meio da mecânica. Dessa fusão de saberes, surge a biomecânica do trauma, 
disciplina que busca estabelecer relação entre a aplicação de forças externas sobre o 
corpo humano e potenciais consequências danosas. 
Esse conhecimento adicional é de suma importância em qualquer evento 
relacionado ao trauma. A partir dele, o socorrista é capaz de inferir ou suspeitar de 
possíveis lesões, tendo como ponto de partida da sua análise a apresentaçãodo cenário 
de emergência, tais como avarias e danos presentes em veículos, sinais de violência, etc. 
Para melhor compreensão, iniciaremos a abordagem do conteúdo com alguns conceitos 
da física aplicáveis à biomecânica. 
 
LEIS E PRINCÍPIOS DA FÍSICA APLICADOS À MECÂNICA DO TRAUMA 
 
Primeira Lei de Newton – o princípio da inércia 
 
Inércia é a resistência de um corpo para alterar seu estado de movimento. Este 
princípio estabelece que, quando a resultante das forças externas que atuam sobre 
determinado corpo for nula, esse corpo permanecerá em repouso ou em movimento 
retilíneo uniforme. Em outras palavras, isso significa que qualquer corpo em repouso 
permanecerá em repouso ou em movimento permanecerá em movimento, a não ser que 
uma força atue sobre ele. 
A adoção da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança em automóveis tem sua 
ideia originada neste princípio. A colisão de um veículo contra um obstáculo (um poste, 
por exemplo), faz com que o veículo pare, mas seus ocupantes permanecem em 
movimento e são arremessados contra o pára-brisa ou exterior, caso não utilizem o cinto 
de segurança. 
 
Segunda Lei de Newton – princípio fundamental da dinâmica 
 
A força resultante que atua sobre um corpo é o resultado do produto de sua massa 
pela sua aceleração. 
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SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 15 
 
F= m.a. 
F: a resultante das forças que atuam sobre o corpo; 
m: a massa do corpo; 
a: a aceleração que o corpo adquire. 
 
Vemos dessa maneira, que quanto maior a força resultante, maior será a 
aceleração e quanto menor for a força, menor será a aceleração. Note também, que se a 
inércia é tida como a resistência que um corpo apresenta para alterar o seu estado de 
movimento, a segunda lei estabelece a massa como uma medida da inércia de um corpo, 
ou seja, quanto maior a massa de um corpo, maior deverá ser a força para alterar seu 
estado de movimento. 
 
Terceira Lei de Newton – princípio da ação e reação 
 
Se um determinado corpo aplicar uma força sobre um outro corpo, o primeiro 
receberá do segundo uma força de mesma intensidade, mesma direção e em sentido 
contrário. É o princípio da ação e reação, que diz que para toda ação existe uma reação 
correspondente. 
 
Princípio da Conservação da Energia 
 
Numa reação, a quantidade de energia não é criada ou perdida, mas sim 
transformada (em outra forma de energia). A energia cinética de um veículo em 
movimento, por exemplo, é transformada em energia mecânica quando em uma colisão e, 
por sua vez, pode provocar danos estruturais no veículo e ocupantes. 
 
Transferência de energia 
 
A compreensão dos mecanismos de transferência de energia entre corpos é um 
fator de grande importância na avaliação da biomecânica dos traumas. Para isso 
abordaremos agora dois fatores fundamentais: densidade e superfície. 
1. Densidade: a quantidade de energia transferida depende da densidade do tecido 
atingido. Quanto mais denso o tecido, maior será a quantidade de energia 
transferida. No corpo humano, a densidade varia conforme o órgão ou região 
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anatômica. Desse modo, a quantidade de energia transferida e as lesões dela 
resultantes, dependerá da região atingida no corpo humano. 
2. Superfície: a energia recebida pelo corpo, quando colide com algum objeto, 
depende da superfície atingida e também da energia do objeto agressor. Objetos 
com superfícies maiores atingirão maiores áreas do corpo humano e vice e versa. 
 
 
CARACTERÍSTICAS TÍPICAS EM FUNÇÃO DA NATUREZA DO TRAUMA 
 
Acidentes automobilísticos 
 
Em acidentes automobilísticos é possível observar a ocorrência de três tipos de 
impacto, que devem ser considerados pelo socorrista durante sua avaliação do evento. 
Primeiro impacto: é aquele que ocorre quando o veículo colide contra objetos e 
obstáculos e provoca danos em ambos. 
Segundo impacto: do corpo dos ocupantes contra estruturas do veículo, inclusive o cinto 
de segurança. 
Terceiro impacto: dos órgãos e estruturas internas dos ocupantes contra paredes de 
cavidades naturais do corpo ou outras estruturas internas. 
Além de ficar atento a possíveis lesões decorrentes dos tipos de impacto, é 
necessário que os padrões de colisões também sejam levados em consideração durante 
a avaliação da vítima. 
 
 
Colisão Mecanismo de lesão Principais lesões prováveis 
Frontal com 
movimento para 
cima 
Projeção do ocupante 
para cima e para frente 
● Face 
● Crânio 
● Tórax 
● Extremidades inferiores 
● Abdômen 
● Coluna vertebral 
Frontal com 
movimento para 
Deslizamento do ocupante 
para baixo do painel ou 
● Face, 
● Crânio 
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baixo coluna de direção ● Tórax 
● Extremidades inferiores 
● Abdômen 
● Pelve 
● Coluna vertebral 
Traseira O corpo do ocupante se 
desloca para frente e 
provoca hiperextensão do 
pescoço 
● Coluna vertebral 
 
Lateral Rotação do corpo do 
ocupante com colisão da 
cabeça contra partes 
internas 
● Coluna vertebral 
● Face 
● Crânio 
 
Capotamento Mecanismos diversos Lesões de difícil previsão 
 
 
Motocicletas 
 
O aumento de automóveis em circulação nas grandes cidades colaborou 
significativamente para que a opção por motocicletas crescesse no país. Esse panorama, 
aliado a uma precária educação no trânsito, fez com que os acidentes envolvendo 
motociclistas aumentassem significativamente nos últimos anos, com o número de óbitos 
passando de 1421 em 1996, para 14.666 em 2011. Assim como nos acidentes com 
automóveis, os com motocicletas apresentam padrões de colisão e impacto, que não 
devem ser negligenciados pela equipe de socorristas: 
Colisão frontal: quando uma motocicleta colide frontalmente com um obstáculo sólido, 
seu movimento é interrompido e o motociclista é projetado para frente sobre o guidão. 
Nessas situações é comum observar lesões de cabeça, tórax, abdômen e membros 
inferiores, principalmente com fraturas bilaterais de fêmur. 
Impacto angular: observam-se, com frequência, lesões de membros inferiores, já que 
essa região fica comprimida entre a motocicleta e o objeto que a atinge lateralmente. 
Ejeção: um padrão frequente gerador de lesões graves em motociclistas, os quais, após 
serem projetados, chocam-se com algum obstáculo (automóvel, poste, solo). 
 
 
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Atropelamentos 
 
Os padrões de impacto observados nos atropelamentos dependem, no geral, da 
idade da vítima. Além da diferença de altura, enquanto adultos tomam uma postura de 
proteção, encolhendo-se ou tentando fugir e dessa forma facilitando um impacto lateral ou 
posterior, crianças posicionam-se normalmente de frente, propiciando um impacto frontal. 
A figura 8 apresenta as fases do atropelamento. 
 
Fase Descrição 
1ª fase 
Após ser atingida nos membros inferiores, a vítima 
choca-se contra o para-choque. Observam-se, 
principalmente, lesões de membros inferiores e 
cabeça. 
 
2ª fase 
O tronco da vítima rola sobre o veículo. Enquanto o 
veículo continua seu movimento, fêmur, pelve, 
abdômen e tórax também são atingidos. 
3ª fase 
Após a sequência de colisões com o veículo, o 
corpo é lançado ao solo, com grande possibilidade 
de lesão de cabeça e coluna cervical. 
4ª fase Possível atropelamento secundário. 
Quedas de nível 
 
Nesses acidentes, os padrões de lesões são diversos, já que os impactos podem 
ser múltiplos.É importante que o socorrista avalie a altura da queda, a superfície onde se 
deu o impacto e tente determinar qual a primeira parte do corpo tocou o solo: 
 
1. A vítima cai em pé: Primariamente sofre lesões de membros inferiores (calcâneo, 
tíbia, fíbula, fêmur) e pelve; seguindo, secundariamente, de lesões por compressão 
da coluna vertebral. 
2. A vítima cai sobre as mãos: maior frequência de lesões de membros superiores 
(punho, rádio, ulna, úmero). 
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3. A vítima cai de cabeça: ocorre compressão da coluna vertebral, principalmente 
em nível cervical, provocando lesões de enorme gravidade. 
 
Explosões 
 
Explosões ocorrem tanto de maneira acidental, como deliberada e voluntariamente, 
casos de ataques terroristas. As explosões apresentam três tipos de lesões: 
1. Lesões primárias: causadas pelo contato da onda de choque com o corpo. 
2. Lesões secundárias: causadas por fragmentos primários, do próprio artefato 
explosivo, ou secundários (vidro ou outros materiais). 
3. Lesões terciárias: a onda de choque projeta a vítima contra algum obstáculo ou 
objeto. 
4. Lesões quaternárias: outros danos ou lesões provocadas pela explosão, tais 
como queimaduras e intoxicação por gases ou outras substâncias. 
 
Ferimentos penetrantes 
 
A magnitude e gravidade dos ferimentos penetrantes dependem, dentre outros 
fatores, da energia do objeto penetrante. 
 
Nível de energia Tipos de objetos Características 
Baixa energia 
Armas brancas (facas, 
punhais, estiletes) 
Poucas lesões 
secundárias 
Média energia 
Armas curtas, 
espingardas e alguns 
rifles 
Lesões de tecidos 
adjacentes 
Alta energia Fuzis Lesões extensas 
 
REFERÊNCIAS 
 
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Elsevier, 2014. 
Waiselfisz JJ. Mapa da Violência 2013: acidentes de trânsito e motocicletas. Centro 
Brasileiro de Estudos Latino Americanos. Rio de Janeiro, 2013. 
 
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OXIGENOTERAPIA 
 
O oxigênio é um importante componente nos processos metabólicos 
imprescindíveis à vida humana. Sua depleção no organismo causa hipóxia grave e 
constitui-se em grave risco à vida. O oxigênio está presente no ar atmosférico numa 
concentração de 21%. A quantidade de oxigênio presente na corrente sanguínea pode ser 
avaliada pela oximetria de pulso. 
No APH, a oximetria de pulso permite ao socorrista a monitorização da saturação 
periférica de oxigênio (%SpO2) e a detecção de hipoxemia. É considerado um método 
confiável de monitorização não invasiva, pelo qual se verifica o quanto a hemoglobina do 
sangue arterial periférico está saturada com oxigênio. Embora apresente alguma variação 
de precisão, os valores obtidos pela oximetria de pulso são considerados semelhantes 
aos obtidos por meio da gasometria arterial. 
As precauções a serem observadas para maior precisão na leitura do oxímetro 
estão descritas no quadro abaixo: 
 
Precauções Problemas que interferem na leitura 
● Use o equipamento adequado ao 
paciente. 
● Verifique se o alinhamento da luz do 
sensor esteja correto. 
● Evite colocar o sensor em membro 
lesionado (ferimentos, edemas). 
● Remova qualquer esmalte de unha ou 
outras substâncias que possam estar 
presentes. 
 
● Fazer a leitura com a viatura em 
movimento. 
● Sensores úmidos. 
● Colocar o sensor não adequado ao 
paciente. 
● Paciente em um quadro de hipotermia 
tendo uma má perfusão ou vasoconstrição. 
● Anemia. 
● Intoxicação por monóxido de carbono. 
 
Fonte: Prehospital Trauma Life Support, 8ª ed. 2016. 
 
Uma vez constatada a hipoxemia, o paciente deve ser submetido à oxigenoterapia. 
A oxigenoterapia é uma intervenção na qual se administra oxigênio suplementar a um 
indivíduo, numa concentração maior que o ar atmosférico, com o objetivo de aumentar a 
pressão parcial de oxigênio no sangue arterial. É um procedimento que, embora pareça 
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inofensivo, deve ser realizado com cautela para se evitar toxicidade e qualquer outro 
resultado deletério decorrente da sua utilização. 
No CBMDF, arbitrou-se como parâmetro de boa saturação periférica de oxigênio 
valores maiores ou igual a 95%. As concentrações e as formas de administração de 
oxigênio serão escolhidas conforme a condição clínica do paciente. Como o oxigênio é 
altamente inflamável, algumas precauções devem ser tomadas quando da sua utilização 
 
Precações para a utilização do oxigênio 
▪ Evitar chamas ou fumar em áreas onde o oxigênio esteja sendo 
manipulado. O oxigênio não é combustível, porém, é um comburente que 
favorece e mantém a combustão. 
▪ Evitar o contato com óleos ou graxas. Estes, com oxigênio em altas 
concentrações, podem ocasionar uma combustão. 
▪ Evitar quedas do cilindro. Um impacto que rompa a válvula pode fazer 
com que o cilindro seja impulsionado como um míssil. 
 
 
MATERIAIS E EQUIPAMENTOS PARA OXIGENOTERAPIA 
 
Cilindro de oxigênio com sua válvula: o oxigênio medicinal é acondicionado em 
cilindros de alumínio ou aço na cor verde, fixos ou portáteis. A válvula controla o fluxo de 
saída do cilindro. 
 
Equipamentos de oxigênio 
 
 
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Regulador de pressão com manômetro e fluxômetro: dispositivo que reduz a alta 
pressão no interior do cilindro para uma pressão adequada para a oferta. O manômetro 
indica a quantidade de oxigênio no interior do cilindro e o fluxômetro regula o fluxo 
ofertado ao paciente. 
 
 
Cânula orofaríngea: utilizada introduzida na boca do paciente com a finalidade de 
contenção da língua. Deve ser utilizada somente em pacientes inconscientes. 
 
A – Modelo Guedel; B – Modelo Berman 
 
 
 
Máscara de bolso (Pocket Mask): máscara portátil, de fácil moldagem no rosto no 
paciente e com válvula unidirecional e antirrefluxo. 
 
 
Reanimador respiratório do tipo bolsa-valva-máscara (BVM): constituído por uma 
bolsa reservatório de oxigênio, bolsa flexível para ejeção manual do ar, válvula 
unidirecional e antirrefluxo e máscara. 
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Filtro HME (heat and moisture exchangers): retém o calor e a umidade do gás 
expirado pelo paciente; o filtro HEPA tem função na filtração bacteriana e viral e os filtros 
FHME ou HMEF, são filtros que combinam troca de calor e umidade com filtração. 
 
 
 
 
Máscara facial: cobre boca e nariz do paciente. É utilizada com ou sem bolsa de 
reservatório de oxigênio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Cateter nasal: tubo plástico fino com duas pequenas cânulas acopladas que devem ser 
introduzidas e fixadas no nariz. Utilizada para baixos fluxos de oxigênio. 
 
 
 
Umidificador: Frasco reservatório para a colocação de água estéril ou soro fisiológico 
para umidificação do oxigênio, que sai seco do cilindro. Devido ao risco de contaminação 
do frasco, a umidificação é utilizada com restrição no APH. 
 
 
Aspirador manual ou elétrico: utilizado para manter as vias aéreas livres de secreções 
ou sangue. 
 
 
Procedimentos para utilização do oxigênio1. Retire a tampa protetora; 
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2. Limpe a válvula, abra e feche o registro (purgar); 
3. Alinhe e acople o regulador (fluxômetro); 
4. Abra o registro em sua totalidade, retornando meia volta; 
5. Conecte o acessório para administrar e regule o fluxo; e 
6. Coloque o acessório de administração ao paciente; 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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AMIB. Recomendações da Associação de Medicina Intensiva Brasileira para a abordagem 
do COVID-19 em medicina intensiva. 
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CHOQUE CIRCULATÓRIO 
 
 O choque é uma falha circulatória grave. Independentemente da sua causa, o 
sangue não está conseguindo circular fisiologicamente para o levar o oxigênio e 
nutrientes para o corpo, levando à falência gradual dos órgãos. 
Para que ocorra uma circulação sanguínea efetiva, é necessário que haja bom 
funcionamento do coração, volume sanguíneo adequado e vasos com pressão sanguínea 
suficiente. Qualquer que seja o agravo em um desses componentes, o resultado é o 
desequilíbrio da circulação, que, conforme o dano, assume proporções gravíssimas e leva 
ao óbito. 
Conforme a sua etiologia (origem), o choque circulatório é classificado em: 
 
1. Choque hipovolêmico: diz respeito ao volume de líquido circulante. Nesse caso, 
indica baixo volume. É subdivido em: 
a. Choque hemorrágico: é o choque mais presente no trauma. Até determinado 
volume de sangue perdido, o organismo é capaz de utilizar mecanismos 
compensatórios para retardar a evolução do choque. Entretanto, quando a 
perda sanguínea é elevada, o organismo entra em colapso. 
b. Choque não hemorrágico: é o resultado de intensa perda de líquidos e 
eletrólitos por meio de diarreias e vômitos constantes. Também acontece 
pela grande perda de plasma em grandes queimados. 
2. Choque cardiogênico: a origem desse choque é no coração. Falhas cardíacas 
graves, Infartos Agudos do Miocárdio extensos e Insuficiências Cardíacas são as 
principais causas. 
3. Choque distributivo: o sangue é ejetado (distribuído) e retorna ao coração por 
meio dos vasos sanguíneos. É justamente nesse componente cardiovascular que 
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se encontra o problema no choque distributivo. Para uma circulação efetiva, os 
vasos, principalmente as artérias, devem manter um calibre adequado. 
Determinados agravos são capazes de provocar intensa vasodilatação e 
consequentemente hipotensão severa. É subdivido em: 
a. Choque anafilático: causado por uma reação de hipersensibilidade a um 
agente alergênico com o qual o indivíduo tem contato. É o choque da 
alergia. O agente alergênico desencadeia uma resposta exacerbada do 
organismo que culmina em vasodilatação e hipotensão. Pode ser causado 
por medicações, alimentos, picadas de insetos, etc. 
b. Choque séptico: causado pela presença de microrganismos (bactéria, fungo) 
ou seus componentes e toxinas na corrente sanguínea. A resposta do 
organismo é uma intensa reação inflamatória, que tem, dentre outros 
resultados, vasodilatação e hipotensão. 
c. Choque neurogênico: é causado por lesão medular, que acarreta perda da 
inervação da musculatura vascular e consequentemente hipotensão nas 
regiões abaixo da lesão. É mais comum no trauma, porém pode ser 
resultado de acidentes em induções anestésicas. 
d. Choque obstrutivo: a circulação é afetada por pressão exercida ou no 
coração (tamponamento cardíaco) ou em grandes vasos do tórax 
(pneumotórax hipertensivo). Não é um choque que se desenvolve 
rapidamente. 
 
 
COMO RECONHECER 
 
 No ambiente pré-hospitalar, devido à incidência de ocorrências de origem 
traumática, o choque hipovolêmico de origem hemorrágica tem maior prevalência. Dessa 
forma, no atendimento ao paciente com trauma, a identificação e a contenção precoce de 
hemorragias exsanguinantes são prioridades. 
Devido à sua gravidade, o choque circulatório deve ser rapidamenteidentificado, 
para que dessa maneira as condutas apropriadas sejam empreendidas. 
No geral, as manifestações clínicas do choque são semelhantes, 
independentemente de sua etiologia, já que o resultado envolve má circulação em todos 
os casos. Contudo, alguns choques apresentam sinais específicos. 
 
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COMPENSADO DESCOMPENSADO 
Perda sanguínea (<1500ml): <30% Perda sanguínea (1500ml): >30% 
PA normal Hipotensão 
Taquicardia leve Taquicardia severa >140 bpm 
Ansiedade discreta/agressividade Letargia 
Reenchimento capilar <2s 
Reenchimento capilar >2s 
Pele fria e pegajosa 
Sudorese 
 
 Até certo ponto, conforme a oferta de nutrientes e oxigênio vai diminuindo, o corpo 
humano se utiliza de mecanismos compensatórios. Quando a causa do choque não é 
corrigida, essa compensação deixa de ser efetiva levando o corpo a uma situação grave 
de descompensação. 
 
CONDUTA PRÉ-HOSPITALAR 
 
Se houver sangramento externo grave o controle da hemorragia deve ser feito 
antes mesmo da avaliação da via aérea. Para a manutenção da permeabilidade das vias 
aéreas, pode ser necessária a aspiração de sangue e outras secreções da cavidade oral, 
além da realização de manobra de abertura, nos casos em que o paciente não seja capaz 
de manter permeabilidade. 
A avaliação da respiração inclui a inspeção e palpação do tórax e deformidades ou 
sinais de ferimentos que devem ser investigados. Deve-se procurar manter uma 
saturação periférica de oxigênio ≥95%. Uma saturação menor exige a administração de 
oxigênio suplementar em alta concentração (10 – 15 L/min). A oximetria de pulso deve ser 
de uso rotineiro. Embora não seja o padrão ouro para a avaliação da concentração de 
gases na corrente sanguínea, pode oferecer um parâmetro razoável sobre a saturação 
periférica de oxigênio. 
Por se tratar de uma emergência de origem circulatória, os cuidados com a 
circulação devem ser redobrados. Os sinais e sintomas do choque circulatório devem ser 
identificados precocemente e as intervenções realizadas o mais rápido possível. A 
qualidade do pulso radial é um bom preditor do estado circulatório. Quando ausente, 
estima-se uma pressão arterial sistólica menor que 90 mmHg. Em pacientes que 
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apresentem sinais de choque, mas sem sangramento visível, o socorrista deve suspeitar 
de sangramento interno. 
 
TÉCNICA PARA APLICAÇÃO DO TORNIQUETE 
Para a contenção de hemorragias externas, admite-se atualmente duas técnicas: 
1. Pressão direta sobre o ferimento: pressão realizada com a mão enluvada ou em 
associação com gazes, diretamente sobre o ferimento. É a primeira técnica que 
deve ser realizada em ferimentos controláveis. Deve ser realizada com pressão 
suficiente para a contenção da hemorragia. Em caso de múltiplos ferimentos ou 
quando seja necessária a realização de outros procedimentos, curativos 
compressivos poderão ser utilizados. 
 
 
 
 
2. Torniquete tático: deve ser aplicado quando há um sangramento de maior 
intensidade e ele não for controlado com uma pressão direta ou, como primeira 
intervenção, quando há um sangramento de grande intensidade (quando o sangue 
sai constantemente ou quando sai em jatos). Muitas vezes, o local do sangramento 
pode ser de difícil localização, principalmente a noite e quando o paciente está 
utilizando muitas roupas, por esse motivo, a utilização de um torniquete, de forma 
emergencial, deve ser realizado proximal à raiz do membro. Em um segundo 
momento, após localizar com precisão o local da hemorragia, um segundo 
torniquete pode ser aplicado proximal à lesão, substituindo o primeiro. 
 
 
Descritivo de realização do torniquete 
▪ Utilizar uma faixa de cerca de 10 cm de largura; 
▪ O torniquete deve ser posicionado na raiz ou proximal à lesão, 
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dependendo do caso. Quando proximal, deve ser aplicado cerca de 3 a 5 cm 
distante do ferimento; 
▪ Um primeiro nó é feito (meia volta) e um bastão resistente e com 
tamanho apropriado é posicionado sobre esse nó. Em seguida um segundo nó 
é realizado sobre o bastão; 
▪ O socorrista deve torcer o bastão até que haja o controle da hemorragia 
e então fixá-lo. Não desfazer a torção após o controle da hemorragia. 
▪ Anote a hora de realização no torniquete realizado; 
▪ O torniquete poderá ser realizado com o manguito do 
esfigmomanômetro ou dispositivos comerciais. 
Precauções 
▪ Não utilize cadarços, cordões ou outros materiais estreitos; 
▪ Uma vez controlada a hemorragia, a torção do torniquete deve ser 
interrompida; 
▪ Para melhor visualização de hemorragias recidivas, não cubra o 
torniquete; 
▪ O torniquete só deverá ser desfeito na unidade hospitalar de referência. 
 
 
Sequência para realização do torniquete tático 
 
 
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Sequência para realização do torniquete improvisado
 
FERIMENTOS EM TECIDOS MOLES 
 
O QUE É? 
 
Ferimentos em tecidos moles são rupturas estruturais dos tecidos flexíveis do 
corpo (músculos, vísceras, pele, etc.) e que ocasionam hemorragias. 
 
Ferimentos Fechados: Os ferimentos fechados são aqueles que não apresentam uma 
perda da continuidade da superfície cutânea, geralmente causados por impactos de 
objetos contundentes. Além disso, podem variar desde danos aos tecidos subcutâneos 
até a lesões consideráveis aos órgãos internos. De forma geral, são dolorosas e causam 
edemas (inchaços). 
 
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Contusão 
 
Ferimentos Abertos: Os ferimentos abertos são aqueles no qual ocorrem perdas da 
continuidade da superfície cutânea e, assim, o sangue extravasa para forma do 
organismo. São diversos tipos de ferimentos e serão apresentados conforme suas 
imagens a seguir: 
 
 
Incisão 
Escoriação ou abrasão 
Laceração 
 
Penetração 
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Transfixação 
Perfuração 
Avulsão ou amputação Evisceração 
 
 
Classificações das hemorragias 
 
Quanto à origem 
 
Arterial: Nas hemorragias arteriais, o sangue é ejetado de forma pulsátil, 
simultaneamente com cada contração do coração e ele apresenta-se com uma coloração 
de tom vermelho vivo. Essas são as mais difíceis de serem tratadas e requerem uma 
atenção especial. 
 
Venosa: Por sua vez, nas venosas, o sangue escorre pela ferida de forma contínua e 
lenta e ele é de tonalidade vermelho escuro. Esse tipo de hemorragia tem um grau 
mediano de complexidade, exigindo uma certa atenção, pois pode ser fatal se não for 
detectada. 
 
Capilar: Por fim, nas hemorragias capilares, as lesões são mais superficiais e são mais 
fáceis de serem tratadas. São comumente visualizadas em arranhões, pequenos cortes 
ou escoriações, geralmente localizados próximos à extremidade interna da pele e sua cor 
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é de um tom vermelho menos vivo em comparação ao sangue arterial. 
 
Quanto à relação com o organismo 
 
Externa: São mais facilmente observadas e reconhecidas uma vez que osangue 
extravasa para fora do organismo. 
 
Interna: Seu reconhecimento é um pouco mais complexo e pode ser subdividida em 
interna com fluxo externo quando acomete boca, nariz, ouvidos, ânus ou vagina; e oculta 
quando vísceras e cavidades são agredidas (para essas, a suas suspeitas são em função 
da biomecânica do trauma e por conta dos sinais e sintomas apresentados pela vítima). 
 
CONDUTA PRÉ-HOSPITALAR 
 
Para ferimentos fechados: Como o sangue não está extravasando para fora do 
organismo, os socorristas não conseguem conter a hemorragia facilmente de forma direta, 
porém eles podem realizar os seguintes procedimentos: mantenha a cena segura; utilize 
os EPIs completos; trate o choque (estar atento ao estado de consciência do paciente, 
aquecê-lo, etc.); retire anéis, relógios, pulseiras, colares, entre outros; não dê água para a 
vítima beber; preste suporte emocional; realize a regulação médica; por fim, transporte 
rapidamente o paciente. 
Para ferimentos abertos: No âmbito do CBMDF, são duas as principais técnicas 
utilizadas para a hemostasia (controle de hemorragia): uso da compressão direta e uso do 
torniquete. Além dessas duas condutas, também são importantes para um bom 
atendimento os seguintes procedimentos: trate o choque (estar atento ao estado de 
consciência do paciente, aquecê-lo, etc.); exponha o ferimento evitando agravá-lo; não 
lave, mas sim LIMPE a superfície do ferimento retirando apenas o excesso de sujidades; 
controle as hemorragias; previna a contaminação usando curativo, luvas estéreis; não dê 
água para a vítima beber; preste apoio emocional; realize a regulação médica; por fim, 
transporte rapidamente o paciente. 
 
Curativo compressivo: O curativo compressivo tem a mesma finalidade que uma 
bandagem de emergência, que é realizar compressão direta sobre a lesão. Inicialmente, 
um socorrista exerce uma pressão direta ou com o uso de gazes/compressas estéreis ou 
realiza a compressão somente com as mãos (principalmente em momentos em que esses 
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materiais ainda não estejam de fácil acesso). Se ainda não foram utilizadas, em um 
segundo momento, elas devem ser aplicadas, inclusive de forma a cobrir 
consideravelmente toda a extensão da ferida. Por fim, uma atadura deve ser desenrolada 
e deve envolver o membro lesionado de forma que exerça/mantenha uma certa pressão 
na região. 
 
 
 Alguns tratamentos são específicos para determinados tipos de ferimentos. Para 
esses, as lesões devem ser rapidamente reconhecidas e as seguintes condutas devem 
ser adotadas: 
 
Curativo para evisceração: Em primeiro lugar, as vísceras que estiverem para fora não 
devem ser introduzidas para o interior da vítima. Nesse contexto, elas devem ser cobertas 
por compressas umidificadas com de soro fisiológico e o curativo deve ser fechado com o 
uso de um recorte de plástico ou com um recorte de manta térmica. Se não dispor de 
esparadrapos, pode-se finalizar com o uso de ataduras sanfonadas. Fique alerta para a 
possibilidade de vômito. 
 
 
 
Objetos encravados e transfixados: Em primeiro lugar, como princípio geral, não 
remova o objeto encravado. Controle as hemorragias locais utilizando gazes ao redor da 
lesão e do objeto e estabilize esse agente causador com um curativo estabilizador 
(dispondo ataduras em formato de “fogueira” ou dispondo ataduras em formato de “roda”). 
Realize todos esses procedimentos na entrada e na saída do ferimento, se houver. Em 
caso de objeto encravado na região das bochechas e se o referido objeto estiver 
obstruindo as vias aéreas da vítima, ele deve ser retirado e a hemorragia deve ser 
controlada com uma atenção especial para a sua respiração. 
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Ferimentos no pescoço: O principal objetivo desse curativo é ter a capacidade 
conseguir conter a hemorragia (comprimindo a região lesionada) e ainda manter as vias 
aéreas pérvias. Para ferimentos na lateral do pescoço, o curativo deve ser realizado com 
uma atadura que, ao ser desenrolada, deve pressionará a região lesionada e deve passar 
por debaixo da axila contrária à região do trauma. 
 
 
 
Lesões de face e couro cabeludo: Para essas lesões, sempre suspeite de traumatismo 
crânio-encefálico (TCE) e de traumatismo raquimedular (TRM). Busque controlar as 
hemorragias e estar atento a não realizar fortes compressões diretas ou compressões 
puntiformes sobre a região lesionada (evitando assim o risco de que fragmentos da calota 
craniana atinjam o encéfalo). Nesse contexto, um curativo oclusivo (que apenas fecha 
sem comprimir fortemente) deve ser utilizado. Verificar se as vias aéreas estão 
desobstruídas e não impedir a saída de líquido cefalorraquidiano. 
 
Lesões nos olhos no caso de olho protuso: Este jamais deverá ser recolocado na 
órbita ocular. Além disso, não remova os objetos encravados e não exerça pressão direta 
no local da lesão. Deve-se envolver a região com gaze úmida, estabilizar e proteger o 
olho protuso (para isso, o socorrista pode, no sentido de acolher, fazer uso de um copo 
plástico ou de um fundo cortado de recipiente de soro fisiológico). Cubra também o olho 
não lesionado para reduzir a movimentação de ambos. 
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MANIPULAÇÃO E TRANSPORTE DE ACIDENTADOS 
 
Nenhum atendimento será eficaz sem a manipulação bem feita. A manipulação e o 
transporte no trauma são pontos cruciais para a garantia da qualidade da assistência. 
Socorristas devem ser constantemente treinados e atualizados em técnicas de 
manipulação e encorajados a manter atitude que promova o zelo com a movimentação de 
pacientes vítimas de trauma. É importante destacar, que a manipulação só deverá ser 
realizada quando houver justificativa para tal. 
Profissionais de APH tem o dever de realizar a manipulação e o transporte de 
pacientes com excelência. Rolamentos, elevações, arrastamentos e outras mobilizações 
devem ser realizados com estrita observância das técnicas preconizadas pelas 
instituições empregadoras. Neste capítulo, serão abordadas as seguintes técnicas de 
manipulação: colocação do colar cervical, rolamentos de 90º e 180º, elevação a cavaleiro, 
extricação veicular com o uso de colete de imobilização dorsal e extricação veicular 
rápida. Além da imobilização em prancha rígida longa para o transporte de pacientes. 
 
TÉCNICAS DE MANIPULAÇÃO 
 
Colar cervical 
O colar cervical é um dispositivo de imobilização da coluna cervical. Possuem a 
capacidade de limitar a flexão do pescoço em até 90% e a movimentação lateral e rotação 
em 50%. A aplicação de um colar cervical não dispensa a estabilização manual da coluna 
cervical. A estabilização manual só deverá ser retirada após a estabilização com 
estabilizadores laterais de cabeça na prancha rígida. O colar cervical só não deverá ser 
aplicado quando houver orientação médica contrária. 
São necessários 2 socorristas para a aplicação, um para a estabilização manual da 
coluna cervical e outro para realizar a colocação. O socorrista deverá realizar a inspeção 
e palpação de todo o pescoço, mandíbula e orelhas, além de mensurar o tamanho correto 
do colar cervical antes da aplicação. 
 
 
 
 
 
 
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Colar cervical 
 
 
 
Mensuração do colar cervical 
 
 
 
 
Colocação do colar cervical 
 
 
 
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Rolamento de 90º 
É a técnica de preferência para pacientes que estão em decúbito dorsal possuem 
lesões unilaterais (fraturas, entorses, luxações). Deve ser realizada por no mínimo 2 
socorristas, mas é idealmente executada por 3 socorristas. Para melhor compreensão das 
técnicas, os socorristas serão chamados de líder, socorrista nº 1 e socorrista nº 2. 
1. O socorrista nº 1 estabiliza a 
cabeça e a coluna cervical do paciente, 
que já está com colar cervical. É o 
socorrista nº 1 que dá as vozes de 
comando para a execução do 
rolamento. 
2. O líder, após posicionar o braço 
do paciente para o rolamento, se 
posiciona na altura do tronco do 
paciente com uma das mãos 
segurando o ombro e a outra a raiz da 
coxa do lado oposto do paciente. 
3. Após posicionar a prancha do 
lado oposto para onde se dará o 
rolamento, o socorrista nº 2 se 
posiciona na altura dos membros 
inferiores com uma das mãos 
segurando o quadril e a outra no terço 
médio da perna do lado oposto do 
paciente. 
4. Preconiza-se o comando: 
Atenção equipe (guarnição), todos 
prontos para o rolamento de 90º? Após 
 
 
 
 
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a resposta positiva comanda 1,2,3 e 
então a equipe realiza o rolamento, em 
monobloco. 
5. Enquanto o líder inspeciona e 
palpa toda a região dorsal e posterior 
dos membros inferiores, o socorrista nº 
2, sem sair de sua posição, traz a 
prancha para próximo do paciente. 
6. Para rolar o paciente para a 
prancha preconiza-se a seguinte voz 
de comando: Para o posicionar o 
paciente na prancha todos prontos? Ao 
sinal de positivo, é dado o comando 
1,2,3 e o paciente é posicionado com 
cuidado. Caso seja necessário, o 
paciente é movimentado novamente 
para atingir o correto posicionamento, 
sempre ao comando do socorrista nº 1. 
 
Rolamento de 180º 
Técnica de preferência para pacientes que se encontram em decúbito ventral. Via 
de regra, o rolamento deverá ser realizado para o lado da nuca do paciente. 
1. A prancha é colocada ao lado 
do paciente, no lado para onde se 
dará o rolamento. 
2. O socorrista nº 1 posiciona-se 
no mesmo alinhamento da prancha 
e em seguida, com os braços 
apoiados, realiza a estabilização 
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manual da coluna cervical. 
3. Após posicionar o braço do 
paciente (acima da cabeça) para o 
rolamento, o líder se posiciona na 
altura do tronco do paciente, no 
lado para onde se dará o 
rolamento. Uma de suas mãos 
segura o contrário e a raiz da coxa 
contrária. 
4. O socorrista nº 2 se posiciona 
na altura dos membros inferiores, 
no lado para onde se dará o 
rolamento. Uma de suas mãos 
segura o quadril e a outra o terço 
médio da perna contrária. 
5. O socorrista nº 1 diz: Atenção 
para o rolamento de 180º, tempo 1, 
todos prontos? Nas respostas 
positivas, ele comanda 1,2,3 e é 
realizado um primeiro rolamento de 
90º, em monobloco. Novamente 
comanda 1, 2, 3 e mais um 
rolamento de 90º é realizado para 
posicionar o paciente na prancha. 
Caso seja necessário uma nova 
movimentação poderá ser realizada 
para o correto posicionamento. 
6. O colar cervical é colocado 
após a correta colocação do 
paciente na prancha. 
 
 
 
 
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Elevação a cavaleiro 
É empregada para elevar o paciente quando há impossibilidade de realizar o 
rolamento de 90º, como, por exemplo, em fraturas bilaterais e locais estreitos. Deve ser 
realizada com 4 socorristas. 
1. O socorrista nº 1 estabiliza a 
cabeça e o pescoço do paciente, que 
já estará com colar cervical. 
2. O líder posiciona-se sobrepondo o 
paciente, como um cavaleiro, na 
altura do tórax. Flexiona seus joelhos 
e posiciona suas mãos de maneira a 
apoiar ombros e nuca. 
3. Após o líder garantir seu 
posicionamento, o socorrista nº 1 
poderá liberar a cabeça e pescoço do 
paciente. 
4. O socorrista número 2 posiciona-
se na altura da cintura pélvica do 
paciente, sobrepondo-o, como um 
cavaleiro. Flexiona seus joelhos e 
apoia com firmeza a cintura pélvica. 
5. As vozes de atenção e comando 
são executadas pelo líder. Atenção 
para a elevação a cavaleiro, todos 
prontos? Ao sinal de positivo, 
comanda 1, 2, 3 e a elevação é 
realizada em monobloco. 
 
 
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Retirada de capacete 
1. O socorrista nº 1 estabiliza a 
cabeça do paciente, apoiando, com 
leve tensão, o capacete e a 
mandíbula. 
2. O socorrista líder abre a viseira 
e libera as presilhas jugulares. 
Com uma das mãos (braço 
apoiado no solo) apoia a maior 
superfície possível da nunca do 
paciente e com a outra mão apoia 
a mandíbula, estabilizando assim a 
coluna cervical. 
3. Com o líder realizando a 
estabilização da coluna cervical, o 
socorrista nº1 inicia a retirada do 
capacete, liberando inicialmente a 
região occipital e em seguida a 
face. 
4. Feita a retirada, o socorrista nº 
1 retorna para a estabilização da 
coluna cervical. 
 
 
 
Capacetes não devem ser retirados no APH quando apresentar deformidades e 
rachaduras aparentes, objetos encravados ou quando ao menor toque no capacete, o 
paciente se queixar de dor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Colete de imobilização dorsal (KED®) 
Embora tenha sido adaptado para outros tipos de imobilização, esse dispositivo foi 
concebido para a extricação veicular, imobilizando toda a coluna vertebral antes de se 
retirar a vítima do veículo. Seu uso se restringe a pacientes não graves. 
 
 
1. O socorrista nº 1 estabiliza a 
cabeça do paciente. 
2. O socorrista líder avalia vias-
aéreas, respiração, circulação e 
estado neurológico. 
3. O socorrista nº 2 aplica o colar 
cervical com a ajuda do chefe. 
4. Após realizar a avaliação do 
paciente, os socorristas líder e nº 2 
com uma das mãos no dorso do 
paciente e a outra sob a articulação 
do joelho, reposicionam o paciente, 
afastando-o do encosto do banco. A 
movimentação é realizada ao 
comando do socorrista nº 1. 
5. Após a avaliação do dorso, o 
 
 
 
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socorrista nº 2 ou o chefe introduz o 
KED, de baixo para cima (se for 
possível) e ajusta a altura com base 
na cabeça do paciente. 
6. O socorrista nº 1 passa a apoiar 
a cabeça do paciente e as abas do 
dispositivo. Caso seja necessário, o 
espaço entre o dispositivo e a 
cabeça do paciente é preenchido 
com um coxim pelo socorrista nº 2. 
7. O chefe ou o socorrista nº 2 
rende o socorrista nº 1 para que 
este realize a colocação dos tirantes 
de cabeça. Após a colocação, o 
socorrista nº 1 volta a sua função 
inicial. 
8. O socorrista líder e o nº 2 
realizam o afivelamento dos 
tirantes, iniciando pelo central, 
seguido por inferior e superior. Por 
último, são afivelados os tirantes de 
coxa, passando-os de fora para 
dentro por baixo da perna. 
9. A movimentação do paciente é 
feita pelas alças de sustentação, 
levando-o até uma prancha rígida, 
com as pernas fletidas.10. O paciente deverá ser retirado 
preferencialmente por trás, em linha 
reta ou diagonal, evitando-se o giro 
da coluna cervical. 
 
 
 
 
 
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Extricação rápida - Chave De Rauteck 
É uma técnica empregada com apenas 1 socorrista em paciente graves e em 
situações de perigo iminente, tais como incêndios, riscos de novas colisões, etc. 
 
1. O socorrista posiciona-se do 
lado de fora do veículo e imobiliza a 
cabeça do paciente posicionando 
os dedos médios de ambas as 
mãos no zigomático, polegares na 
nuca e dedos anelar e mínimo na 
mandíbula. 
 
 
2. Com seu rosto apoiando o rosto 
do paciente, o socorrista 
movimenta-o, alinhando a coluna 
vertebral. 
 
3. Uma das mãos é apoiada por 
baixo da axila do paciente. A outra 
mão segura firmemente o punho do 
paciente trazendo-o contra seu 
corpo. 
 
4. Assegurada a firmeza da 
estabilização, o socorrista realiza 
uma rotação do paciente, voltando-
o para a porta do veículo. 
 
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5. Com as pernas afastadas e 
flexionadas, realize um movimento 
de elevação do paciente, utilizando 
para isso a musculatura das coxas 
(retorno do agachamento). Retire o 
paciente e coloque-o em local 
seguro. 
 
 
 
 
 
 
 
TRANSPORTE DE PACIENTES 
O transporte de pacientes vítimas de trauma é realizado com o paciente 
imobilizado na prancha rígida. A imobilização na prancha rígida é executada após a 
devida manipulação do paciente 
 
1. O socorrista líder rende o socorrista nº 1 na estabilização da coluna cervical do 
paciente. 
2. O socorrista nº 1 realiza a colocação dos estabilizadores laterais de cabeça, fixa-os 
com os tirantes de cabeça e dá o pronto para o líder. A partir desse momento a 
estabilização manual da coluna cervical não é mais necessária. 
3. A equipe de socorrista realiza a colocação dos tirantes em todos os seguimentos da 
prancha, imobilizando o paciente. São necessários pelo menos 3 tirantes (tórax, quadril e 
terço médio das pernas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AVALIAÇÃO DO PACIENTE 
 
Qualquer que seja a urgência ou emergência a ser atendida, toda conduta deverá 
ser precedida de uma avaliação criteriosa do paciente. É a partir dessa avaliação que o 
socorrista investiga e identifica possíveis riscos à vida, para em seguida empreender a 
assistência pré-hospitalar. No CBMDF essa assistência é sistematizada por meio das 
avaliações primária e secundária do paciente. 
Antes de iniciar seu atendimento, é fundamental, principalmente nos eventos 
relacionados ao trauma e ao paciente clínico, que a equipe de socorrista gerencie os 
riscos da cena. Esse gerenciamento deve ser pautado em três dimensões: riscos para a 
equipe de socorro, para o paciente e para terceiros. O atendimento não deve ser iniciado 
até que se consigam condições satisfatórias de segurança. Durante o gerenciamento e 
dimensionamento da cena de emergência, alguns elementos devem ser observados pela 
equipe de socorristas. São eles: 
1. O evento condiz com o repassado? 
2. É um evento clínico ou trauma? 
3. Qual a biomecânica envolvida? Ela é sugestiva de lesões? 
4. Qual o número de vítimas? São necessárias outras viaturas de APH no 
local? 
5. São necessárias viaturas de outras especializações no local? 
6. Preciso de auxílio de outras instituições? 
7. A cena é de crime? Existem ameaças? 
 
Condutas relativas à biossegurança e isolamento da cena de emergências são 
abordadas nos capítulos 2 e 3. 
 
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 
A avaliação primária tem como principal objetivo a identificação e correção de 
condições clínicas com potencial de ameaça à vida em curto prazo. Essas condições 
deverão ser investigadas logo no contato inicial com o paciente, momento em que o 
socorrista forma uma impressão geral do paciente, com atenção voltada para as 
condições respiratórias, circulatórias e estado neurológico. 
Durante esse contato inicial a avaliação é visual, entretanto, se for identificado 
alguma alteração, o socorrista deve interferir para tentar solucionar o problema. Como 
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exemplo temos o caso de um sangramento massivo, o socorrista deve, antes de qualquer 
coisa, providenciar a contenção antes de prosseguir com o resto da avaliação. 
Sendo feita essa impressão geral do paciente é feita a abordagem do paciente, 
verificando se o paciente está alerta, e se ele verbaliza. Um paciente que interage e se 
comunica com facilidade, respondendo bem às perguntas do socorrista, em geral, 
apresenta boas condições clínicas. Ao contrário, indivíduos com comunicação 
insatisfatória, com rebaixamento da consciência ou com agitação podem estar em 
sofrimento fisiológico. 
Caso o paciente não esteja alerta e não responda a estímulos verbais, o socorrista 
deve imediatamente verificar se o paciente respira e tem pulso, e a partir daí seguir os 
protocolos do Suporte Básico de Vida, que veremos em capítulos mais à frente. 
 
Para facilitar o aprendizado da avaliação primária, utilizaremos a sequência de 
prioridades XABCDE: 
 
X (exsanguinium) – Hemorragia massiva 
A (Airway) – Via aérea e estabilização da coluna cervical 
B (Breathing) – Ventilação 
C (Circulation) – Circulação 
D (Disability) – Estado neurológico 
E (Exposition) – Exposição e Ambiente 
 
Hemorragia Massiva 
O socorrista quando visualiza hemorragia massiva na impressão geral do paciente, 
conforme já foi comentado, deve tomar medidas para controlá-la. Ferimentos venosos e 
capilares podem ser controlados com pressão direta e curativo compressivo. 
Sangramentos arteriais com sangramento ativo e volumoso devem ser controlados com 
torniquetes. (Veja nos capítulos de choque circulatório e ferimentos) 
 
Vias-aéreas e estabilização da coluna cervical 
Pacientes que têm dificuldade de preservar suas vias-aéreas pérvias deverão 
receber manobras de abertura (figura 1), conforme a natureza do evento (trauma/clínico). 
Além disso, a coluna cervical deverá receber estabilização manual. 
Não há obrigatoriedade da colocação do colar nesse momento. O socorrista irá 
decidir entre a colocação do colar nesse momento (figura 2), ou se vai colocar após o 
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término da avaliação primária, ou, pode ainda, decidir colocá-lo apenas antes da 
manipulação para o transporte do paciente. 
 
Figura 1 – Abertura de vias-aéreas. A – Inclinação da cabeça com elevação do queixo 
(clinico); B – empurre mandibular (trauma) 
 
Fonte: Arquivo SeDEP/GAEPH 
 
 
 
Figura 2 – Mensuração do colar cervical. A: linha imaginária entre a mandíbula e o trapézio. B: 
mensuração realizada pelo posicionamento dos dedos. C: mensuração com o paciente deitado. D: 
ajuste do colar cervical. 
 
Fonte: Arquivo SeDEP/GAEPH 
Respiração 
A avaliação da respiração se dá pela inspeção dos movimentos respiratórios, 
observados através da elevação do tórax ou abdômen. Nesse momento a atenção se 
volta para a análise da qualidade e estimativa da frequência. Para isso, alguns aspectos 
devem ser verificados: 
1. O paciente respira? 
2. A respiração está lenta ou rápida? O socorrista não deve perder tempo 
identificando quantas ventilação por minuto o paciente apresenta; 
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3. É uma respiração superficial ou tem profundidade adequada? 
4. Inspecione o tórax. Existe alguma lesão aparente? 
5. Qual a saturação periférica de oxigênio? Utilize um oxímetro de pulso para 
monitorização. 
Em caso de ausência de respiração, manobras de reanimação respiratória devem 
ser adotadas imediatamente. Oxigênio suplementar deve ser administrado quando a 
saturação periférica de oxigênio for menor que 95% (10 – 15 L/min, com máscara facial) 
ou dificuldade/sofrimento respiratório mesmo com a saturação em níveis normais (2 – 5 
L/min). 
 
Circulação 
Anormalidades circulatórias devem ser identificadas precocemente e tentativas de 
correção devem ser empreendidas tão logo as identifique. São importantes as seguintes 
avaliações: 
1. O paciente apresenta sinais de circulação? Pacientes inconscientes devem 
ter a respiração e circulação avaliados concomitantemente. A presença ou não de 
circulação espontânea deve ser investigada por meio da avaliação de pulsos centrais, 
carotídeo em adultos e crianças, e braquial ou femoral em lactentes. Caso se detecte a 
parada cardiorrespiratória, tentativas de reanimação devem ser realizadas 
imediatamente. 
2. Existe sangramento externo? Em casos de sangramento, o socorrista 
deverá aplicar técnicas de contenção da hemorragia. 
3. O paciente apresenta sinais de choque circulatório? Neste momento a 
guarnição deve avaliar como está o pulso radial (presença, ritmo e qualidade), perfusão 
e pele (temperatura, coloração e umidade). 
Caso o paciente apresente sinais de choque e o socorrista não identifique 
ferimentos externos com perda de volume significante, o socorrista deve suspeitar de 
hemorragia interna de grande volume. O caso mais comum e que pode levar o paciente a 
óbito rapidamente são as lesões de pelve. Sendo assim, o socorrista deve avaliar essa 
região e realizar o tratamento da lesão neste momento, caso identifique uma suspeita de 
fratura, para evitar a evolução do paciente para um choque descompensado e possível 
PCR. 
 
Estado neurológico 
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Para uma efetiva checagem do estado neurológico do paciente, o socorrista deve 
utilizar a Escala de Coma de Glasgow – ECG, avaliando resposta ocular, verbal e motora 
do paciente, além de verificar a foto reação das pupilas. A falta da atividade pupilar resulta 
no valor -1 para cada uma das pupilas no escore total da ECG. 
 
 
 
 
 
 
 
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RESPOSTA PUPILAR 
 
Fonte: Arquivo SeDEP/GAEPH 
 
O escore da ECG é a soma de todos os valores obtidos para se ter a classificação 
da gravidade da lesão: 
 - 13 a 15 – leve ou inexistente 
 - 09 a 12 – moderado 
 - 01 a 08 – grave 
 
 
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Exposição e ambiente 
Nessa fase do atendimento, o socorrista volta a sua atenção para a queixa principal 
do paciente. As queixas são subjetivas, e variam conforme o evento e o paciente. 
 
Utilizamos o mnemônico ALICIA para avaliação da dor: 
- Aparecimento: Existe dor? Apareceu uma dor? 
- Localização: Qual a localização exata dessa dor? 
- Intensidade: Qual a intensidade dessa dor? Quando está doendo? 
- Cronologia: A quanto tempo existe essa dor? Quando ela surgiu? 
 - Incremento: Como essa dor se manifesta? (Constante? Pulsante? Etc.) 
 - Alívio: Qual a posição que ameniza a dor? Qual a posição que proporciona 
alívio? 
Para melhor avaliar, o socorrista deve expor (retirada de vestes) a região onde se 
localiza a queixa, para assim melhor avaliar e tratar o problema. Vestes só deverão ser 
retiradas caso de fato se vislumbre essa necessidade, e mesmo assim deve-se 
empreender meios de preservar o paciente quando possível. 
Após a exposição será feita a palpação. Se a queixa for em algum membro o 
socorrista deve apalpar da raiz até a extremidade e verificar pulso, perfusão, sensibilidade 
e motricidade do membro, conforme tratado na lição de Trauma em Extremidades. 
Lembrando que se houver necessidade, conforme avaliação do socorrista, nesse 
momento pode ser colocado o colar cervical. Entretanto, as indicações de colocação de 
colar cervical serão melhor trabalhadas no capítulo de Manipulação e Transporte de 
Acidentados. 
 
AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA 
A avaliação secundária é constituída por exame físico detalhado, obtenção de 
sinais vitais e anamnese. Ela pode ser realizada na cena de emergência ou durante o 
transporte, conforme a gravidade do estado clínico do paciente. 
 
 
 
 
 
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Exame físico 
Lesões adicionais são investigadas utilizando-se o exame físico, que deve ser 
realizado no sentido céfalo-caudal. 
 
Cabeça e pescoço 
▪ Inspecione e apalpe todo o crânio, observando se há presença de 
ferimentos, sangramentos ou deformidades; 
▪ Inspecione e apalpe nariz e orelhas; 
✔ Inspecione e apalpe o pescoço. Essa inspeção e palpação deve preceder a 
colocação do colar cervical. 
 
Tórax 
▪ Inspeção: investigue a presença de ferimentos, deformidades ou outras 
anormalidades estruturais; 
▪ Palpação: a palpação das costelas, esterno e clavículas pode evidenciar 
deformidades e crepitações; 
Abdômen 
▪ Inspeção: inspecione o contorno, forma, simetria e presença de sinais de 
lesões; 
▪ Palpação: palpe todos os quadrantes abdominais. A palpação não deve ser 
realizada quando houver objeto encravado no local. 
Pelve 
▪ Realize pressão lateral; 
▪ Pressione as vestes contra a pelve para investigar presença de 
sangramentos ou priapismo (homem). 
 
Membros inferiores e superiores 
▪ Inspecione e palpe cada membro investigando a presença de dor, 
deformidade, ferimentos e crepitações; 
▪ Avalie o pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade local. 
Dorso 
A menos que haja suspeita de lesão que indique avaliação rápida do dorso, o 
exame físico desse local deve ser realizado durante a manipulação para imobilização em 
prancha rígida. 
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Sinais Vitais 
A respiração e o pulso radial já foram previamente qualificados na avaliação 
primária, mas sem precisar quantificar suas frequências. Agora, serão novamente 
avaliados, acrescentando-se à avaliação, a temperatura e a pressão arterial. 
Temperatura 
● Avaliar sinais físicos que indicam temperatura anormal (tremor, tontura, pele 
quente/fria) 
● Erguer o braço do cliente, inserir o termômetro no centro da axila, abaixar o 
braço e aguardar de 3 a 5 minutos se o termômetro for de mercúrio. 
● Lembrar de enxugar a axila e sacudir o termômetro com movimentos 
circulares até que a coluna de mercúrio desça abaixo de 35ºC (caso o 
termômetro seja de mercúrio). 
 Figura 4 – Parâmetros para aferição de temperatura corporal 
Média oral/timpânica: 37ºC (36,5º a 37ºC) 
Média retal: 37,5ºC (37º a 37,5º) 
Média axilar: 36,5ºC (36º a 37ºC) 
Febre: febrícula 37,3º a 37,7ºC; hipertermia 38ºC; hiperpirexia 40ºC 
Hipotermia: leve 34º a 36ºC; moderada: 30º a 34º; acentuada: ≤30ºC 
 
Frequência cardíaca 
● Determine o acesso/localização do pulso. Utilize, preferencialmente, o pulso 
radial; 
● Avalie sinais e sintomas e a existência de fatoresque influenciam a 
frequência e o ritmo (exercícios, posição, medicações, temperatura e idade); 
● Coloque as pontas dos primeiros dois dedos (indicador e médio) de sua mão 
no sulco ao longo do lado radial, ou seja, do lado do polegar no punho do 
paciente. Estenda suavemente o punho do paciente com a palma da mão 
virada para baixo até que você perceba a pulsação mais forte; 
● Faça uma pressão da artéria contra o osso rádio, inicialmente realizando 
uma pressão maior para depois diminuir a pressão, de forma que a pulsação 
se torne facilmente palpável. 
● Após sentir um pulso regularmente, olhe para o relógio na outra mão e 
comece a contar a frequência. 
● Se o pulso está regular, tome a frequência durante 30 segundos e 
multiplique o total por dois. 
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● Se o pulso está irregular, tome a frequência durante 1 minuto. Avalie a 
frequência e o padrão da irregularidade. Compare os pulsos radiais 
bilateralmente 
Figura 5 - Variações aceitáveis da Frequência Cardíaca 
Idade 
Frequência cardíaca - 
BPM (batimentos por 
minutos) 
Lactente 120 – 160 
Criança 80 – 120 
Adulto 60 - 100 
 
Frequência ventilatória 
 
● Determine a necessidade de avaliar a respiração. Identifique fatores de risco 
para alterações, incluindo febre, dor, ansiedade, doenças na parede torácica 
ou pulmonar, lesão cerebral e traumas. 
● Observe o ciclo respiratório completo (inspiração e expiração). Utilize o 
relógio e comece a contar a frequência. 
● Se o ritmo estiver regular, conte o número de respirações em 30 segundos e 
multiplique por dois. 
● Se o ritmo estiver irregular, conte durante 1 minuto. 
● Observe a profundidade das respirações e o ritmo. Compare ambos os lados 
do tórax. 
Figura 6 - Variações aceitáveis da Frequência Respiratória 
Idade 
Frequência Respiratória - 
RPM (respirações por 
minuto) 
Lactente 30 - 60 
Criança 20 – 30 
Adulto 12 - 20 
 
Pressão arterial 
● Determine a necessidade de avaliar a pressão arterial, identificando fatores 
de risco como condições clínicas ou lesão traumática; 
● Obtenha a pressão arterial basal prévia do cliente, se disponível; 
● Selecione um manguito adequado para cada paciente (tamanho), se 
possível; 
● Faça o paciente permanecer sentado ou deitado. Com ele sentado ou 
deitado, posicione e examine o braço pesquisando alterações físicas e 
remova roupas apertadas. 
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● Palpe a artéria braquial (braço) e coloque o manguito centralizado acima da 
artéria. Posicione a seta marcada no manguito sobre a artéria. 
● Localize o pulso radial. Palpe a artéria enquanto infla o manguito 
rapidamente até o pulso desaparecer. Após o desaparecimento do pulso, 
posicione o diafragma do estetoscópio sobre a artéria braquial ou e infle 
mais 30mmHg. Solte lentamente o bulbo da válvula de pressão e deixe a 
agulha do manômetro cair a uma taxa de 2 a 3 mmHg/segundo. 
● O primeiro som claro é a pressão sistólica e o último som é a pressão 
diastólica. 
 
Figura 7 - Classificação da pressão arterial de acordo com a medida casual em consultório 
em indivíduos maiores de 18 anos. 
 
Fonte: VI Diretrizes Brasileira de Hipertensão, 2010. 
 
Anamnese 
A anamnese tem por objetivo a coleta de informações sobre o evento, condições 
do paciente no momento e história prévia. Abaixo são descritas algumas orientações para 
sua realização: 
▪ Chame o paciente pelo nome ou pela forma que ele solicitar. 
▪ Utilize perguntas claras e objetivas; 
▪ Não utilize linguagem técnica. Exemplo: Utilize pressão alta, no lugar de 
hipertensão, problema de coração, no lugar de cardiopatia. 
A anamnese pode ser orientada pelo método mnemônico SAMPLA, direcionando 
as perguntas para o histórico de saúde. 
Sintomas: quais são os sintomas relatados? Sente mais alguma dor além da 
queixa principal? 
Alergias: pergunte por alergias, principalmente a medicamentos. 
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Medicações: o paciente faz uso de medicações? 
Passado médico: possui histórico médico condizente com a queixa atual? Cirurgia 
recente? 
Líquidos e alimentos: pesquise se o paciente ingeriu líquidos ou alimentos 
recentemente. Essa condição pode aumentar o risco de vômito e aspiração. 
Evento: Condições que acarretaram o acionamento do serviço de emergência. 
 
Transporte e Reavaliação 
Terminada as avaliações primária e secundária o socorrista deve preparar o 
paciente para o transporte. Pacientes com suspeita de lesão na coluna vertebral devem 
ser transportados, imobilizados em prancha rígida. Pacientes clínicos com dispneia, 
angústia ou insuficiência respiratória devem ser mantidos em repouso e transportados até 
a viatura. 
Com o paciente pronto para o transporte deve-se realizar contato com a Central de 
Regulação para ratificar as condutas ou receber orientações do médico regulador. 
Durante o todo o atendimento o socorrista deve reavaliar constantemente as 
condições clínicas do paciente (avaliados na avaliação primária), além de verificar a cada 
3 a 5 minutos os sinais vitais do paciente. É importante também reavaliar constantemente 
a efetividade das manobras e intervenções realizadas durante o atendimento. 
Todas essas reavaliações devem permanecer até passar o paciente para o 
hospital, incluindo o período de transporte. 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
AMLS: atendimento pré-hospitalar às emergências clínicas. 1ª ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2014. 
 
Atendimento Pré-Hospitalar ao Traumatizado – PHTLS (NAEMT). 7ª ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2014. 
 
Colégio Americano de Cirurgiões – Comitê de Trauma. Suporte Avançado de Vida no 
Trauma para Médicos (ATLS). Manual do curso de alunos. 8. ed. 2008. 
Saraiva, HM. et al. Emergências clínicas: abordagem prática. 9ª ed. Barueri, SP: Manole, 
2014. 
 
Sundstrøm T, Asbjørnsen H, Habiba S, Sunde GA, Wester K. Prehospital use of cervical 
collars in trauma patients: a critical review. J Neurotrauma. 2014 Mar 15;31(6). 
 
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Sundstr%C3%B8m%20T%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=23962031
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Asbj%C3%B8rnsen%20H%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=23962031
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Habiba%20S%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=23962031
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Sunde%20GA%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=23962031
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Wester%20K%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=23962031
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Prehospital+Use+of+Cervical+Collars+in+Trauma+Patients%3A+A+Critical+Review
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TRAUMA CRANIOENCEFÁLICO 
 
O QUE É 
 
O trauma cranioencefálico (TCE) é aquele localizado no crânio e encéfalo. O TCE é 
causa de elevada mortalidade pré-hospitalar. As lesões neurológicas decorrentes devem 
ter seu avanço interrompido por uma abordagem otimizada por parte da equipe de 
socorristas, com reconhecimento e intervenções precoces e priorização do transporte 
para um hospital de referência. Embora mereça sempre grande atenção, nem todo trauma 
craniano acarreta lesão encefálica. 
O crânio é especialmente constituído para proteger o encéfalo. É formado em sua 
maior parte por ossos espessos e fundidos em uma única estrutura. Algumas regiões 
cranianas, como a temporal e etmoidal, são mais delgadas e, por isso, são mais propícias 
a fraturas. As fraturas cranianas podem ser fechadas e abertas.Nas fraturas fechadas 
não ocorre exposição do conteúdo craniano enquanto das abertas, é possível visualizar 
meninges e o encéfalo. 
Mesmo com grande proteção do crânio, impactos de grande energia são capazes 
de gerar lesões encefálicas catastróficas. Do ponto de vista fisiopatológico, as lesões 
encefálicas são consequência tanto do trauma encefálico direto (contusões, hemorragias) 
como também do agravo secundário ocasionado por isquemia, hipóxia, edema, 
hipertensão intracraniana ou condições fisiológicas sistêmicas capazes de agravar a o 
estado neurológico. 
 
COMO RECONHECER 
Para o reconhecimento do TCE, é fundamental que na avaliação do paciente a 
biomecânica seja considerada. Os sinais e sintomas do TCE incluem: 
● Dor localizada; 
● Náuseas e vômitos; 
● Alteração visual; 
● Alteração do nível de consciência; 
● Corte profundo, laceração ou hematoma no couro cabeludo, ou testa; 
● Deformidade no crânio; 
● Sinais de contusão; 
● Pupilas assimétricas; 
● Sangramento e/ou saída de líquor por ouvido e/ou nariz; 
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● Hematoma periorbitário; 
● Arroxeamento retroauricular (sinal de Battle); 
● Flexão e/ou extensão anormais. 
 
CONDUTA 
 
O nível de consciência deve ser avaliado por meio da Escala de Coma de Glasgow 
(ECG). O rebaixamento da consciência ou um estado de inconsciência podem ser 
decorrentes de hipóxia cerebral. A permeabilidade das vias aéreas e a capacidade do 
paciente de mantê-las permeáveis devem ser prontamente avaliadas. Se necessário, as 
vias aéreas devem ser mantidas abertas com manobra apropriada, com cuidado especial 
com a estabilização (manual e colar cervical) da coluna cervical. Lesões na face 
frequentemente causam sangramento na cavidade oral e por isso, a aspiração deve ser 
considerada nestes casos. 
Como visto, a hipóxia é causa de lesão encefálica secundária. Desse modo, é 
essencial que a função respiratória seja avaliada, incluindo a frequência respiratória, 
profundidade e efetividade da respiração, bem como a presença de lesões torácicas que 
possam prejudicar a respiração. A oximetria de pulso deve ser realizada e o oxigênio 
suplementar oferecido em alta concentração (10 – 15 L/min) se a %SpO2 estiver menor 
que 95%. 
É comum que o TCE seja acompanhado por choque circulatório. Na avaliação da 
circulação, sinais de choque devem ser precocemente identificados. A hipotensão 
sistêmica decorrente do choque causará diminuição do fluxo sanguíneo cerebral, 
provocando isquemia e hipóxia, agravando assim a lesão encefálica. Hemorragias devem 
ser contidas de imediato, com o cuidado de exercer pressão discreta na contenção de 
hemorragias no crânio. Sangramento e saída de líquor pelo nariz e ouvidos são 
indicativos de aumento da pressão intracraniana e por isso não devem ser contidas com 
pressão direta. 
Como visto na lição sobre Avaliação do paciente, a ECG deve ser cuidadosamente 
aplicada para avaliar o estado neurológico do paciente. 
Caso o estado de saúde do paciente permita (não grave) o exame secundário deve 
ser realizado no local para identificar e tratar as possíveis lesões adicionais. 
 
 
 
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TRAUMA RAQUIMEDULAR 
 
O QUE É 
 
O trauma vértebro-medular pode atingir não somente a coluna vertebral, como 
também a medula espinhal. Muitos desses traumatismos, que inicialmente lesionam 
apenas a coluna vertebral, acabam por lesionar a medula posteriormente devido a 
manipulações inadequadas. Além de contribuírem para uma morbimortalidade 
significativa, as lesões medulares são uma das principais causas da perda de 
independência em adultos jovens. 
As principais causas de lesões medulares no Brasil são as quedas, acidentes 
automobilísticos e com motocicletas, armas de fogo e acidentes de mergulho. Ainda que 
pacientes vítimas de algum trauma possam não apresentar lesões vértebro-medulares 
aparentes, a equipe de socorrista deve sempre considerar a biomecânica e energia 
envolvida no trauma. 
Desse modo, pacientes que tenham recebido impacto significativo na cabeça ou 
coluna vertebral, aceleração ou desaceleração bruscas, quedas de alturas significativas 
ou trauma por mergulho em águas rasas devem ter a coluna vertebral imobilizada. 
 
COMO RECONHECER 
 
Energias altas o suficiente para produzir lesão vértebro-medular são capazes 
também de gerar outros tipos de lesões graves e por isso esse possível panorama deve 
ser considerado pela equipe de socorristas. Como visto, em determinadas situações, tais 
como recebido impacto significativo na cabeça ou coluna vertebral, aceleração ou 
desaceleração bruscas, quedas de alturas significativas ou trauma por mergulho em 
águas rasas, a lesão vértebro-medular deve ser considerada. 
Uma possível perda da inervação da musculatura dos vasos sanguíneos causará 
vasodilatação e hipotensão. Nesse caso, os socorristas devem ficar atentos a um possível 
choque neurogênico, com apresentação ainda de bradicardia e pele quente nas 
extremidades. Além disso, devem ser considerados os seguintes sinais e sintomas: 
● Dor local; 
● Deformidade na coluna vertebral; 
● Arreflexia flácida; 
● Esforço respiratório; 
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● Responsividade a estímulos apenas acima da clavícula; 
● Paralisia total ou parcial de membros; 
● Formigamento ou fraqueza nas extremidades; 
● Priapismo (em caso de homens); 
● Respiração preponderantemente diafragmática 
 
 
CONDUTA 
 
Pacientes com trauma vértebro-medular podem apresentar dificuldade em manter a 
via aérea permeável e nessa situação deverão receber manobra de manutenção de 
permeabilidade de via aérea para trauma. Mais do que qualquer outro, esse paciente 
deve ter sua coluna cervical estabilizada com extrema cautela e um colar cervical deverá 
ser aplicado. 
Lesões vértebro-medulares altas podem produzir dificuldade respiratória. Dessa 
maneira, tanto a frequência respiratória como a profundidade das respirações devem ser 
avaliadas e oxigênio suplementar ofertado caso haja indicação da oximetri de pulso. Os 
socorristas devem seguir com a avaliação primária, investigando hemorragias ou sinais de 
instabilidade hemodinâmica, além de avaliar o estado neurológico do paciente. 
Após identificar e tratar anormalidades de potencial risco à vida, outras lesões, tais 
como fraturas, devem ser identificadas de tratadas. Por se tratar de trauma vértebro-
medular, o foco volta-se nesse momento para a manipulação e imobilização da coluna 
vertebral. Pacientes com esse tipo de lesão somente devem ser manipulados por equipe 
treinada. Nesses casos, após a escolha da manipulação mais adequada para o caso, o 
paciente deve ter sua cabeça, pescoço, tronco, quadril e membros totalmente 
imobilizados em prancha rígida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TRAUMA DE TÓRAX 
 
O QUE É 
 
A caixa torácica abriga grandes vasos sanguíneos, órgãos e componentes 
fundamentais do sistema cardiovascular e respiratório. Desse modo, traumatismos 
torácicos tem o potencial de gerar graves prejuízos à circulação, ventilação e oxigenação 
do ser humano. Por ser uma caixa óssea com grande revestimento muscular, lesões em 
órgãos torácicos normalmente são causadas por impactos de grande energia. 
Os traumatismos torácicos variam desde fraturas simples ou múltiplas de costelas, 
até lesões no coração, pulmões e grandes vasos.A maior parte dos traumatismos 
torácicos não requer grandes intervenções. Entretanto, determinadas lesões demandam 
cuidados imediatos com a ventilação, oxigenação e circulação, além de procedimento 
cirúrgico de emergência. 
 
COMO RECONHECER 
 
Os sinais e sintomas do traumatismo torácico dependerão da magnitude da lesão e 
das estruturas e órgãos atingidos. 
 
Caracterização dos traumatismos torácicos 
Lesão Definição Sinais e sintomas 
Fratura de 
costela 
Ruptura total ou parcial de 
uma costela 
Dor local 
Deformidade 
Hipersensibilidade 
Dispneia 
Respiração superficial 
 
Tórax instável 
Fratura de duas ou mais 
costelas adjacentes em 
pelo menos dois lugares 
Dor intensa 
Taquipneia 
Hipóxia 
Movimento torácico 
parodoxal 
Pneumotórax 
Fechado: Presença de ar 
no espaço pleural 
Dor 
Dificuldade respiratória 
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decorrente de ferimento 
fechado. 
Aberto: Presença de ar no 
espaço pleural decorrente 
de ferimento aberto. 
Hipertensivo: Ocorre 
quando o ar dentro do 
espaço pleural causa 
aumento da pressão 
intratorácica. 
Murmúrio vesicular 
diminuído no lado da lesão 
Ferimento aspirativo no 
tórax 
Timpanismo torácico 
Desvio do mediastino para 
o lado contrário à lesão 
(pneumotórax hipertensivo) 
Hemotórax 
Presença de sangue no 
espaço pleural. 
Dor torácica 
Dispneia 
Sinais de choque 
hipovolêmico 
Murmúrio vesicular 
diminuído. 
Abafamento de sons à 
percussão torácica 
 
Tamponamento 
cardíaco 
Presença de líquido no 
saco pericárdico 
Dor torácica 
Abafamento de bulhas 
Turgência jugular 
Hipotensão 
CONDUTA 
Os mecanismos do trauma torácico devem ser considerados na avaliação do 
paciente. Por se tratar de um trauma com impactos significativos na ventilação, 
oxigenação e circulação, a avaliação primária deve ser priorizada. 
A permeabilidade da via aérea deve ser avaliada e, se necessário, deve ter sua 
permeabilidade mantida por meio de manobra para trauma. A oximetria de pulso pode 
evidenciar má oxigenação. O oxigênio suplementar deve ser oferecido caso a %SpO2 
esteja em níveis inadequados (>95%) ou o paciente apresente sofrimento respiratório. 
Com frequência, o trauma torácico produz ferimentos abertos. Hemorragias devem 
ser contidas por meio da pressão direta sobre o ferimento. Caso o paciente não apresente 
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sangramento externo, mas apresente sinais de choque circulatório, o socorrista deve 
suspeitar imediatamente de hemorragia interna. A palidez ou cianose, rebaixamento do 
nível de consciência, perfusão periférica inadequada e ausência de pulso radial são sinais 
de alerta para a presença do choque. 
Caso a situação permita, o exame secundário poderá ser feito no local da 
emergência. Caso contrário, o exame físico completo, sinais vitais e anamnese devem ser 
realizados no interior da viatura, preferencialmente durante o deslocamento para o 
hospital de referência. Ferimentos devem ser tratados conforme o tipo de lesão. 
 
Condutas nos traumatismos torácicos 
Lesão Conduta 
Fratura de costela 
Uso de tipoia no braço do lado da 
lesão para evitar movimentação e 
assim minimizar agravos e dor. 
Tórax instável Suporte ventilatório. 
Pneumotórax 
Suporte ventilatório. 
Curativo de 3 pontas no pneumotórax 
com ferida aspirativa. 
Hemotórax Suporte ventilatório e circulatório. 
Tamponamento 
cardíaco 
Suporte ventilatório e circulatório. 
Objeto encravado 
Não retirar o objeto no pré-hospitalar. 
Estabilizar o objeto para evitar agravos 
na lesão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TRAUMA DE ABDÔMEN 
 
O QUE É 
 
O trauma abdominal é uma das principais lesões identificadas em vítimas de 
agravos por causas externas, principalmente decorrentes de acidentes de trânsito e 
perfuração por armas brancas e de fogo. Embora as estatísticas de lesões abdominais 
sejam imprecisas, é sabido que essa lesão é uma das principais causas de morte no 
trauma, principalmente devido ao choque decorrente da perda sanguínea. 
A lesão de órgãos sólidos e muito vascularizados como o fígado e baço e também 
de grandes vasos (aorta abdominal, principalmente), gera sangramento intenso, que pode 
culminar em choque hipovolêmico. Já o conteúdo dos órgãos ocos (estômago, intestino), 
quando em contato com a cavidade abdominal provoca inflamação do peritônio 
(peritonite) cujo os sinais e sintomas podem ser percebidos no exame físico. 
Além do choque hemorrágico gerado pela perda sanguínea maciça, o acúmulo de 
líquidos na cavidade abdominal aumenta muito a pressão interna nessa região e empurra 
o conteúdo do abdome em direção ao tórax e pode gerar rompimento do diafragma. Em 
consequência disso, o quadro clínico do paciente poderá ser agravado pela dificuldade de 
expansão torácica, tendo como reflexo prejuízos respiratórios e cardíacos. 
A partir do tipo de ferimento, o trauma abdominal é classificado em aberto, ou 
fechado. 
Trauma aberto: decorre geralmente de ferimentos causados por armas brancas e de 
fogo. Nesse caso, o projétil ou a lâmina avançam abdome adentro lesionando estrutura e 
órgãos por onde passa. 
Trauma fechado: é causado por forças de compressão ou cisalhamento. A compressão 
abdominal é comumente gerada pelo cinto de segurança ou impacto do abdome contra o 
volante ou painel de veículos. O cisalhamento, como visto no capítulo de biomecânica do 
trauma, ocorre quando forças são aplicadas no mesmo sentido, mas em direções 
opostas. Quando um corpo sofre desaceleração brusca e intensa, o órgão preso a uma 
estrutura abdominal é impulsionado para cima ou para frente ao passo que ao mesmo 
tempo está preso. Essas forças de mesmo sentido e direções opostas causam 
esgarçamento e laceração do órgão. 
 
 
 
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Estimativa de percentual de lesão em órgãos no trauma abdominal 
Órgão 
Trauma aberto 
Trauma fechado 
Arma branca Arma de fogo 
Fígado 40% 30% 35 – 45% 
Intestino Delgado 30% 50% 5 – 10% 
Cólon 15% 40% -- 
Diafragma 20% -- -- 
Vasos 
abdominais 
-- 25% -- 
Baço -- 40 – 45% 
 
COMO RECONHECER 
 
Ainda que o ferimento aberto evidencie o trauma abdominal, o trauma fechado 
pode ser de difícil identificação. Dessa forma, é fundamental que o socorrista tenha 
especial atenção com a biomecânica envolvida. Assim, é necessária a verificação de 
informações quanto ao tipo de colisão, utilização de cintos de segurança e magnitude dos 
danos. 
 
Sinais e sintomas no trauma abdominal 
 
Ansiedade 
Alteração do nível de consciência 
Taquicardia 
Taquipneia 
Hipotensão 
Pele fria e pálida 
Dor abdominal 
Posição de defesa 
Sinal de lesão por cinto de segurança 
Hematomas nos flancos abdominais ou ao redor do umbigo 
Distensão abdominal 
Rigidez da parede abdominal 
 
 
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CONDUTA 
 
Muitas situações que envolvem trauma abdominal estão associadas a tentativas de 
homicídios, onde o risco de novas agressões, inclusive à equipe de atendimento, é 
iminente. As complicações relacionadas à via aérea, respiração e circulação deverão ser 
prontamente verificadas. O choque circulatório predispõe alterações nas funções 
respiratória, cardiovascular e no estado neurológico.Dessa maneira o socorrista deverá 
intervir rapidamente em potenciais ameaças à vida. 
Lesões torácicas associadas agravaram o quadro respiratório. A monitorização da 
saturação periférica de oxigênio deverá ser realizada e oxigênio (10 – 15 L/min) ofertado 
caso a saturação esteja menor que 95% ou o paciente apresente algum desconforto 
respiratório. 
A avaliação do estado circulatório é de extrema importância, já que a perda intensa 
de sangue é comum no trauma abdominal. Hemorragias externas deverão ser controladas 
por pressão direta. O aspecto da pele, a qualidade do pulso periférico e o tempo de 
preenchimento capilar são parâmetros que também devem ser observados para 
identificação precoce do choque. 
Objetos encravados no abdômen não deverão ser retirados no pré-hospitalar, mas 
sim estabilizados para evitar maiores agravos durante o transporte. O choque de origem 
inexplicada também deve levar o socorrista a suspeitar dessa lesão. Nesse caso, o 
abdome deve ser exposto (vestes retiradas), inspecionado e palpado à procura de sinais 
e sintomas de lesão abdominal. 
É de fundamental importância que o socorrista compreenda que muitos traumas 
abdominais (perfuração profunda por arma branca ou arma de fogo, e outras que 
apresentem choque associado) demandam transporte rápido. Nessas situações, o 
transporte deve ser priorizado e as intervenções feitas no deslocamento para o hospital. 
A não ser que a situação exija, a avaliação secundária deverá ser realizada durante 
o deslocamento para o hospital. Uma avaliação física detalhada do abdome deve ser 
realizada. Os sinais vitais devem ser verificados com atenção à pressão arterial. 
 
 
 
 
 
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Procedimentos em situações especiais em trauma abdominal 
 
Objeto encravado Evisceração 
● Não retirar objetos 
encravados. Tentar estabilizá-
los; 
● Se houver sangramento ativo 
ao redor do objeto, realizar 
pressão direta com a mão ou 
compressa em volta do 
ferimento; 
● Não realizar palpação 
abdominal. 
● Oferecer suporte emocional. 
● Não tentar recolocar as 
vísceras na cavidade 
abdominal; 
● Cobrir as vísceras com 
curativo (limpo ou estéril) 
umedecidos com solução 
salina e sem seguida revestir 
com material plástico ou 
pedaço da manta aluminizada; 
● Realizar curativo sanfonado. 
● Oferecer suporte emocional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TRAUMA EM EXTREMIDADE 
 
 
O QUE É 
 
Os traumas em extremidades (membros superiores e inferiores) são lesões muito 
comuns no cenário pré-hospitalar. Fraturas, luxações e entorses ocorrerão conforme a 
energia envolvida no trauma. Mesmo que muitas dessas lesões sejam de fácil 
reconhecimento, devido à forma como se apresentam, em outras ocasiões sua 
confirmação só ocorrerá por meio de exames de imagem, fato que não deve implicar em 
assistência negligenciada. 
Fratura é a ruptura total ou parcial de um segmento ósseo (úmero, rádio, ulna, tíbia, 
fíbula, fêmur, etc.). Ela é fechada quando ocorre associada a ferimento fechado, ou seja, 
sem o rompimento da pele. A fratura é aberta, ou exposta, quando está presente um 
ferimento aberto, ou seja, a integridade da pele é comprometida, por vezes sendo 
possível visualizar o osso. 
Luxações e entorses são lesões que ocorrem em articulações (punho, cotovelo, 
ombro, joelho e tornozelo). Podem ou não ocorrer associadas a fraturas. Luxação é o 
desalinhamento das extremidades ósseas em uma articulação, tendo como consequência 
a perda do contato entre as superfícies articulares. A entorse é a distensão brusca de 
uma articulação, além do seu grau normal de amplitude. 
 
COMO RECONHECER 
Os sinais e sintomas das fraturas, entorses e luxações são semelhantes. É comum 
que essas lesões estejam acompanhadas de dor, deformidade, edema, impotência 
funcional no membro atingido e alterações motoras, sensitivas e vasculares. Em 
determinadas fraturas também é possível observar a exposição de fragmentos ósseos e 
perceber crepitação. 
 
Lesões em extremidades não devem ser avaliadas isoladamente. A magnitude de 
uma fratura, por exemplo, por vezes não determina a gravidade da condição clínica do 
paciente. Dessa forma, uma vez identificado o trauma em extremidades, o socorrista deve 
avaliar se: 
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1. Essa lesão está associada a risco de morte? Causou ou está causando grande 
perda sanguínea? 
2. Mesmo que o trauma em extremidade em si não apresente grandes riscos, 
existem condições sistêmicas desfavoráveis? O paciente apresenta sinais de 
choque? 
 
Trauma em extremidades. A – Fraturas fechada e aberta de úmero; B – Luxação de 
ombro; C – Entorse de tornozelo. 
 
 
CONDUTA 
A não ser que o trauma na extremidade ocasione uma condição clínica grave, 
como grande perda sanguínea, por exemplo, o socorrista deve ter sua atenção voltada 
para problemas prioritários relacionados às vias aéreas, respiração, circulação e estado 
neurológico. 
A biomecânica envolvida deve ser considerada na investigação de agravos 
adicionais. O socorrista deve proceder a avaliação do paciente e tratar a lesão na 
extremidade em momento apropriado. Em muitas situações, a equipe de socorristas 
reduzida pode ser um obstáculo para a imobilização ainda na cena de emergência. 
Quando for possível, recomenda-se que o tratamento das lesões nas extremidades 
seja realizado ao final da avaliação primária, logo após a exposição do paciente e a 
identificação de lesões a partir da queixa principal. Lesões adicionais poderão ser 
identificadas no exame físico detalhado, durante a avaliação secundária. 
A imobilização provisória de membros fraturados, luxados ou com entorses tem o 
potencial de minimizar a dor, restabelecer a função vascular, além de prevenir lesões 
adicionais e o agravo das já existentes. Embora as imobilizações possuam variações na 
sua forma de execução, alguns princípios devem ser seguidos: 
1. Hemorragias devem ser controladas e curativos realizados em ferimentos 
abertos; 
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2. Escolha do material mais adequado (tala de madeira? Tala moldável? Tala de 
tração?); Talas devem ser mensuradas, preferencialmente, no membro 
correspondente não lesionado; 
3. Avaliar a função vascular e sensitiva antes e após a imobilização do membro. A 
função motora somente deve ser avaliada antes da imobilização e, mesmo 
assim, apenas quando não houver evidências claras da lesão; 
4. Imobilizações devem ser realizadas por pelo menos dois socorristas. Um deles 
realiza a manipulação cautelosa do membro lesionado e o outro imobiliza; 
5. Sempre que possível o membro lesionado deve ser alinhado, principalmente 
quando o pulso distal estiver ausente. Essa conduta deve ser evitada em 
situações em que houver resistência ao movimento ou dor intensa. Lesões em 
articulações (luxações e entorses) devem ser imobilizadas na posição 
encontrada; 
6. O membro deve ser todo exposto para avaliação e imobilização; 
7. Para completa imobilização e redução da possibilidade de movimentação do 
segmento lesionado, sempre que a região do membro for propícia, as 
imobilizações devem ser realizadas de maneira a atingir uma articulação acima 
e outra abaixo da lesão. 
 
 
 
Imobilização de membro superior (tíbia e/ou fíbula) com a utilização de tala moldável e de 
tipoia paramelhor estabilização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Imobilização de membro inferior (fêmur) com a utilização de talas rígidas de madeira. 
 
 
 
 
 
 
 
Imobilização de entorse ou luxação do joelho, na posição encontrada, com a utilização de talas 
moldáveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA E OVACE 
 
 
O QUE É 
 
A parada cardiorrespiratória (PCR) é a cessação da atividade cardíaca. É um 
evento de extrema gravidade e que exige uma resposta assistencial rápida e organizada 
dos serviços de urgência e emergência. A PCR diz respeito à ausência de circulação e 
não ao movimento do coração em si, já que em determinados eventos, mesmo havendo 
atividade elétrica ou movimentos disformes, isso não é capaz de gerar circulação. 
Nas PCR’s, 4 ritmos são observáveis: fibrilação ventricular (FV), taquicardia 
ventricular sem pulso (TVSP), atividade elétrica sem pulso (AESP) e assistolia. A FV e a 
TVSP são ritmos que, quando tratados com terapia elétrica (desfibrilação) e reanimação 
cardiopulmonar (RCP) precoces, apresentam boas taxas de sobrevida. Já a AESP e a 
assistolia são ritmos em que a desfibrilação não é indicada e, nessas situações, a 
assistência deve ser focada na RCP de qualidade, administração de drogas e 
identificação de possíveis causas da PCR. 
Para a otimização e maior efetividade da assistência à PCR fora do hospital, 
preconiza-se que as condutas adotadas sejam interdependentes e unificadas em uma 
cadeia de sobrevivência. Para o pré-hospitalar, a cadeia de sobrevivência é composta 
por: 
Reconhecimento da PCR e acionamento rápido do serviço de emergência (1º 
elo): é recomendável que a população seja treinada para o reconhecimento rápido da 
PCR e também para o acionamento dos serviços de emergência. Nesse aspecto, também 
se faz necessário que os serviços de emergência possuam profissionais capacitados para 
orientar o reconhecimento e a RCP por telefone. Este serviço deve ser bem acessível 
para a população. 
RCP imediata e de qualidade (2º elo): espera-se que um indivíduo em PCR 
receba a RCP o mais precoce possível, seja de uma socorrista profissional, ou de um 
leigo. A RCP de qualidade é um ponto crucial para a obtenção de melhores taxas de 
sobrevida. 
Desfibrilação precoce (3º elo): Como visto, a FV e a TVSP são ritmos 
desfibriláveis. Locais de grande aglomeração e circulação de pessoas devem possuir 
desfibriladores externos automáticos (DEA), distribuídos em seus espaços físicos e de 
fácil acesso. 
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Serviços de atendimento às emergências: Suporte Avançado de Vida (SAV) 
(4º elo): equipes e recursos pré-hospitalares devem ser prontamente disponibilizados 
para o atendimento da PCR. Por meio do SAV a equipe de atendimento intervém com 
recursos invasivos a fim de se conseguir a reversão do quadro por tratamento direto da 
PCR ou de suas causas. 
Cuidados pós- PCR (5º elo): Após o retorno espontâneo da circulação, é 
fundamental que o indivíduo receba cuidados especializados para sua estabilização. 
Recuperação (6º elo): Compreende-se que, após o atendimento a reversão da 
PCR, é imprescindível a vigilância sobre fatores psicológicos para o sobrevivente a seus 
cuidadores; avaliação das alterações físicas, neurológicas, cardiopulmonares e cognitivas 
adquiridas pós PCR e; planejamento do retorno do paciente e seus cuidadores às 
atividades cotidianas. 
Cadeia de sobrevivência para a PCR extra hospitalar 
 
 
 
 
COMO RECONHECER 
 
Os sinais clássicos definidores da PCR são a arresponsividade, ausência de 
respiração, e ausência de circulação (pulso central). A arresponsividade pode ser 
constatada por falta de interação do paciente com o meio e de resposta a um estímulo 
verbal. A respiração é avaliada com a observação da ausência de movimentos 
respiratórios, ou de uma respiração não efetiva (gasping). Já a circulação é verificada pela 
palpação (dedos indicador e médio) de artérias centrais em um tempo máximo de 10 
segundos. A escolha da artéria a ser verificada depende da idade do paciente. 
▪ Adultos (depois da puberdade): pulso carotídeo 
▪ Crianças (de 1 ano de idade até a puberdade): pulso carotídeo 
▪ Lactentes (28 dias de vida até um ano de idade): pulsos braquial ou femoral. 
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CONDUTA 
As condutas adotadas pela equipe de socorristas do CBMDF devem ser 
executadas com a estrita observância dos limites de sua competência legal e profissional. 
Procedimentos invasivos apenas deverão ser realizados por profissionais habilitados para 
tal função. A atuação dos socorristas deve reforçar os elos da cadeia de sobrevivência 
naquilo que lhes dizem respeito. Abaixo é descrita a sequência de procedimentos de 
RCP: 
Gerencie riscos; 
1. Avalie o nível de resposta do paciente; 
2. Em pacientes sem resposta, avalie a respiração e o pulso simultaneamente, em no 
máximo 10 segundos; 
3. Solicite suporte avançado. 
 
Parada Respiratória (PR) 
Situação onde a circulação está presente, mas o paciente não respira, ou 
apresenta gasping. Nesse caso a conduta é direcionada para a reanimação respiratória, 
apenas com ventilações de resgate. 
Ventilações na reanimação respiratória 
Adulto Criança Lactente 
1 ventilação a cada 6 segundos, durante 2 
minutos (20 ventilações). Ao final, cheque 
novamente respiração e pulso. 
1 ventilação a cada 2 a 3 segundos, durante 2 minutos (40 e 60 
ventilações). Ao final, cheque novamente a respiração e pulso. 
▪ Após verificar novamente a respiração e o pulso, haja conforme o caso. Continue a reanimação respiratória 
caso a PR persista, ou inicie RCP na presença de PCR. 
▪ Para a realização de qualquer ventilação de resgate, socorristas do CBMDF devem utilizar algum dispositivo 
de barreira (BVM, Pocket Mask, etc.). 
▪ Cada ventilação deve ter a duração de 1 segundo. 
 
 
Parada cardiorrespiratória (PCR) 
Se durante a avaliação, não for constatado pulso presente, o paciente está em 
PCR. Desse modo, a RCP deve ser iniciada imediatamente, intercalando compressões 
com ventilações, em quantidades previamente arbitradas. A qualidade do suporte básico 
de vida é essencial para obtenção de uma RCP efetiva. Para tanto é necessário que: 
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▪ As compressões sejam realizadas com uma frequência de 100 a 120 
compressões por minuto; 
▪ A profundidade das compressões deve ser entre 5-6 cm em adultos, 5 cm em 
crianças e 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax em lactente. 
▪ Haja retorno do tórax, à posição inicial, após cada compressão; 
▪ As interrupções das compressões sejam minimizadas; 
▪ As ventilações sejam realizadas adequadamente. 
A RCP deve ser realizada em superfície plana e rígida. Colchões tem o potencial 
de dissipar a força das compressões. O socorrista deve ficar ajoelhado ao lado do 
paciente e posicionar suas mãos e braços corretamente, de acordo com a idade do 
paciente. Com os cotovelos estendidos, as mãos devem ser posicionadas na metade 
inferior do esterno em adultos e crianças. A utilização de uma ou duas mãos em crianças 
dependerá da compleição física do paciente. Em lactentes, as compressões são 
realizadas com dois dedos, posicionados logo abaixoda linha imaginária entre os 
mamilos, podendo também ser utilizado também o abraço torácico com o emprego de um 
socorrista exclusivo para compressão. Se o socorrista não conseguir alcançar a 
profundidade necessária durante as compressões em um lactente, há a possibilidade de 
realizar as compressões com uma mão. 
Posicionamento para as compressões e efeito. A – Adulto; B – Criança; C; Lactente; D – 
Efeito das compressões 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A alternância entre as compressões e as ventilações obedecerão ao estabelecido 
na figura abaixo. 
Relação entre compressões e ventilações 
Faixa-
etária 
01 socorrista 
Faixa-
etária 
02 socorristas 
Compressões Ventilações Ciclos Compressões Ventilações 
Ciclo
s 
Adulto 
30 
 
02 05 
Adulto 30 02 05 
Criança Criança 
15 02 10 
Lactente Lactente 
▪ A RCP deve ser iniciada imediatamente após ser constatada a ausência de pulso, começando pelas 
compressões. 
▪ O pulso deve ser checado após o 5º ou 10º ciclo (2 minutos). 
▪ Em situações onde um dispositivo de barreira para ventilação não esteja disponível, a RCP deverá ser 
realizada apenas com as compressões torácicas, durante 2 minutos. 
▪ A PCR em situações especiais será abordada em capítulos específicos (Emergências obstétricas e 
Afogamentos). 
 
DESFIBRILAÇÃO 
A desfibrilação precoce é o 3º elo da cadeia de sobrevivência. No suporte básico 
de vida pré-hospitalar, a desfibrilação é realizada utilizando-se um desfibrilador externo 
automático (DEA). Embora seja um dispositivo de fácil utilização, é necessário que tanto 
os socorristas quanto os leigos recebam treinamento adequado. 
O DEA deve ser instalado e utilizado assim que estiver disponível e é utilizado 
independente do ritmo cardíaco. Em casos de FV (Fibrilação Ventricular) e TVSP 
(Taquicardia Ventricular Sem Pulso), o desfibrilador indicará o choque. Caso o ritmo seja 
de atividade elétrica sem pulso (AESP) ou assistolia, ritmos não chocáveis, a assistência 
volta-se para a RCP de qualidade, administração de drogas e tratamento de possíveis 
causas quando o suporte avançado de vida está disponível. 
 
Desfibrilador Externo Automático 
 
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Fibrilação ventricular 
 
Algoritmo da PCR 
 
 
 
 
 
Tratamento pós PCR 
 
De acordo com a Associação Brasileira de Cardiologia (2013) deve-se ter alguns 
cuidados com paciente pós PCR ainda no atendimento pré-hospitalar. Portanto, caso ele 
retorne à consciência é importante: 
 
● Deixar as pás instaladas e não desligar o aparelho até a chegada ao hospital ou 
que o Suporte Avançado assuma o paciente; 
● Colocar o paciente em posição lateral de segurança (decúbito lateral esquerdo); 
● Monitoramento constante durante transporte. 
 
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Posição lateral de segurança 
 
 
 
 
 
OBSTRUÇÃO DE VIAS-AÉREAS POR CORPO ESTRANHO (OVACE) 
 
Diversas são as causas de obstrução de vias aéreas (língua, trauma, etc.), mas 
aqui a atenção especial é para aquela obstrução causada por um corpo estranho, como 
por exemplo, alimentos, dentes avulsionados, balas e chicletes. Uma OVACE, se não 
revertida rapidamente, pode trazer graves consequências, tais como uma parada 
respiratória ou cardiorrespiratória. 
Uma OVACE pode ser parcial ou total. Na parcial, as vias aéreas ficam mais 
estreitas, porém permite alguma passagem de ar e por isso o paciente ainda consegue 
respirar e até mesmo falar. Nesse caso, o socorrista deve apenas incentivar o paciente a 
tossir, para que o objeto obstrutor seja expelido. Na obstrução total, o ar não encontra 
espaço para passar e o paciente entra em sofrimento respiratório grave, apresentando 
angústia e, por vezes, cianose. O paciente deverá receber manobras de desobstrução 
imediatamente. 
No adulto e em crianças, utiliza-se a manobra de Heimlich, que consiste em 
compressões abdominais, com exceção de gestantes, que deverão receber compressões 
torácicas. Em lactentes as tentativas de desobstrução são realizadas intercalando-se 
tapotagem (tapas entre as escápulas) e compressões torácicas. As manobras devem ser 
realizadas até que ocorra a desobstrução ou o paciente fique inconsciente. Nesse caso, o 
paciente deverá receber manobras semelhantes à RCP. 
 
 
 
 
 
 
 
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Manobras de Heimlich. A e B – Adultos; C – Gestantes; D – Crianças 
 
 
 Desobstrução em lactentes 
 
 
 
 
 
 
 
CONDUTA EM OVACE 
 
Como foi dito anteriormente, o paciente poderá apresentar parada respiratória e, 
como consequência, parada cardiorrespiratória decorrente da obstrução das vias aéreas 
superiores. Diante disso, é necessário que o socorrista siga os seguintes procedimentos: 
 
● Abordagem do paciente: perguntar se pode ajudar, com intuito de descobrir se a 
obstrução é parcial ou total; 
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● Estimular o paciente a tossir: o movimento da tosse ajuda a exercer pressão e 
expelir o objeto ou alimento (exceto lactente) e, se a obstrução for total; 
● Manobra de Heimlich: posicione-se atrás do paciente, de forma lateralizada, com 
uma das mãos fechadas, face do polegar encostando entre o processo xifóide e a 
cicatriz umbilical, com a outra mão espalmada sobre a primeira; comprimir a região 
indicada, exercendo pressão na direção ântero/posterior e caudal/cranial 
(movimento em “J”) até que o objeto/alimento seja expelido ou o paciente fique 
inconsciente; 
● Paciente inconsciente (ausência de respiração, pulso presente): iniciar 30 
compressões, realizar abertura de vias aéreas e observar a presença do 
objeto/alimento, caso esteja visível, retirar o objeto pelo canto da boca, com os 
dedos em formato de pinça (adulto/criança) ou utilizando o dedo mínimo (lactente); 
● Viabilidade de via aérea: caso o objeto não esteja visível, realizar 02 ventilações, 
reposicionando as vias aéreas quando a primeira não for efetiva. Não sendo as 
duas efetivas, retornar para as compressões citadas anteriormente; 
● Quando a ventilação for efetiva, checar o pulso central; 
● Pulso presente e respiração ausente: iniciar o protocolo de PR; 
● Pulso ausente e respiração ausente: iniciar protocolo de PCR; 
● Cuidados pós desobstrução: posicionar o paciente em posição lateral de segurança 
(decúbito lateral esquerdo) e monitorização. 
 
 
 
Manobra de Heimlich 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
 
American Heart Association Guidelines Update for Cardiopulmonary Resuscitation and 
Emergency Cardiovascular Care. Circulation. v.132, 2015; 
American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and 
Emergency Cardiovascular Care. v.142, 2020; 
 
Costa MPF. Suporte Básico de Vida. In: Magalhães CC, Serrano Jr CV, Consolim-
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3 ed. Barueri-SP: Manole,2015. p. 995-1002. 
 
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EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES E CEREBROVASCULARES 
 
 
DOR TORÁCICA DE ORIGEM CARDÍACA ISQUÊMICA 
 
O QUE É 
A dor torácica é uma queixa frequente no APH. Pode ter diferentes etiologias e os 
resultados de sua complicação, tornam essa emergência merecedora de especial atenção 
por parte do socorrista. Nem toda dor torácica tem origem cardíaca ou isquêmica e por 
isso é necessário que o socorrista possua habilidades necessárias para investigá-la 
 
Etiologia da dor torácica 
CARDÍACA NÃO CARDÍACA 
Isquêmica Não isquêmica Doenças gastroesofágicas (ruptura do 
esôfago, refluxo esofágico, gastrite) 
Angina Pectoris Dissecção da aorta 
Causas psicogênicas (estresse, ansiedade) 
 
Infarto Agudo do 
Miocárdio 
 
Pericardite 
 
Causas musculoesqueléticas (dor da parede 
torácica, herpes-zóster) 
 Prolapso da valva 
mitral 
 
Causas pulmonares (embolia pulmonar, 
pneumotórax) 
 
Embora a causa da dor torácica não seja excludente de atenção, é a de origem 
cardíaca isquêmica que se apresenta com maior frequência no APH, gerando um 
potencial maior de preocupação, haja vista sua relação com a Síndrome Coronariana 
Aguda (SCA): infarto agudo do miocárdio (IAM) e angina instável. A SCA é causada pela 
interrupção do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias, geralmente provocada por placa 
aterosclerótica. 
 
COMO RECONHECER 
Cerca de 75% a 85% dos pacientes com SCA apresentam a dor torácica como 
principal sintoma. A dor de origem cardíaca isquêmica é geralmente precordial ou 
retroesternal, precipita-se com o esforço físico, irradia-se para mandíbula pescoço e 
membros superiores e é comumente prolongada (> 20 min). 
Os pacientes referem dor em opressão, aperto ou queimação. Idosos, diabéticos, 
mulheres, ou pacientes com doença psiquiátrica de base podem manifestar SCA 
sem apresentação de dor torácica. O conhecimento sobre a característica anginosa da 
dor pode auxiliar o socorrista em suas decisões. 
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Classificação da dor torácica 
Tipo de dor Característica da dor 
Definitivamente anginosa 
Dor ou desconforto precordial ou retroesternal, 
geralmente precipitada ao esforço físico, 
podendo irradiar para o ombro ou face interna 
dos braços, aliviada pelo repouso. 
Provavelmente anginosa 
Possui a maioria das características da dor 
definitivamente anginosa, mas não todas. 
Provavelmente não anginosa 
Possui poucas características da dor 
definitivamente anginosa. 
Definitivamente não anginosa 
Nenhuma característica da dor definitivamente 
anginosa, mesmo quando localizada na região 
precordial ou retroesternal. 
 
Outros sinais e sintomas podem estar presentes e fortalecer a suspeita de origem 
cardíaca isquêmica: dispneia, náuseas, síncope, sudorese e fatores de risco associados 
(histórico de doença arterial coronariana, tabagismo, diabetes, hipertensão, dislipidemia, 
obesidade, idade, abuso de drogas/estimulantes). 
 
CONDUTA 
O socorrista deve formar uma impressão geral do paciente e identificar potenciais 
ameaças à vida. Tratando-se de dor torácica de origem cardíaca isquêmica, a avaliação 
primária deve ser realizada em até 10 minutos. O paciente deve ser colocado em repouso 
e receber suporte emocional durante todo o atendimento. Manter o paciente calmo pode 
auxiliar no controle da frequência cardíaca e aliviar a dor. 
A avaliação do nível de consciência deve ser realizada constantemente. A parada 
cardiorrespiratória é uma possibilidade iminente e, por isso, é importante que o socorrista 
esteja preparado para realizar procedimentos de RCP, incluindo desfibrilação. 
O socorrista deve monitorizar a saturação periférica de oxigênio e iniciar a 
oxigenoterapia com oferta de 4 L/min caso a saturação esteja menor que 90%, devendo-
se titular esse fluxo para mais ou para menos, a depender da saturação ou sinais de 
congestão pulmonar e desconforto respiratório. A oferta excessiva, desnecessária e 
prolongada de oxigênio deve ser evitada, já que pode causar vasoconstrição com 
consequente redução do débito cardíaco. 
É importante ressaltar que o retardo no reconhecimento de uma possível SCA pode 
agravar a isquemia miocárdica e desencadear o choque cardiogênico. Cerca de 50% dos 
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pacientes com IAM que evoluem para esse tipo de choque morrem. Por isso, é 
fundamental uma avaliação criteriosa do estado circulatório do paciente. 
O paciente deve ser transportado preferencialmente com a cabeceira da maca 
elevada em 45°. Com vistas a evitar o aumento da dor e da demanda de oxigênio para o 
coração, a regra a ser observada é que a maca deve ir até o paciente e não o contrário. 
O termo “tempo é coração” é de fundamental importância na assistência pré-
hospitalar à dor torácica de origem cardíaca isquêmica. Essa compreensão busca diminuir 
a necrose do miocárdio e suas consequências, já que se confirmada uma obstrução 
coronária, o paciente deverá receber uma terapêutica de reperfusão o mais rápido 
possível. 
Neste sentido, é de suma importância que o socorrista tome nota do momento em 
que se iniciaram os sintomas isquêmicos, posto que tal conduta será decisiva para o 
prognóstico do paciente no ambiente intra-hospitalar. 
Após realizar a avaliação primária, o socorrista deve seguir com a secundária. 
Além da avaliação dos sinais vitais, uma entrevista é de grande importância para a 
investigação da dor torácica. Sua conduta a partir daí será facilitada com uma rápida 
entrevista objetiva. Para isso, utilize o método mnemônico SAMPLA para orientar a coleta 
de dados. 
Sintomas: quais são os sintomas relatados? Qual a queixa principal? 
Alergias: pergunte por alergias, principalmente a medicamentos. 
Medicações: o paciente faz uso de medicações? 
Passado médico: possui histórico médico condizente com a queixa atual? Cirurgia 
recente? 
Líquidos e alimentos: pesquise se o paciente ingeriu líquidos ou alimentos 
recentemente. Essa condição pode aumentar o risco de vômito e bronco aspiração. 
Ambiente: Condições que acarretaram o acionamento do serviço de emergência. 
 
Como geralmente a queixa principal é a dor torácica, conhecer suas características 
é fundamental para o atendimento. Utilize o método mnemônico ALICIA: 
Aparecimento: o que o paciente estava fazendo quando surgiu a dor torácica. 
Estava em repouso? Estava realizando atividade física? 
Localização: a dor é precordial ou retroesternal? Irradia para pescoço, mandíbula e 
membros superiores? 
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Intensidade: utilize a escala de dor e peça para o paciente relatar a intensidade da 
dor. Pergunte sobre a forma de apresentação dador. É em opressão, aperto ou 
queimação? 
Cronologia: há quanto o paciente está sentindo a dor? É uma dor prolongada (> 20 
min)? 
Incremento: o esforço piora a dor? Não é comum na SCA que a dor aumente com 
a palpação ou inspiração. Nesse caso, considere outras hipóteses. 
Alívio: o repouso alivia a dor? 
 
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DESCOMPENSADA 
 
O QUE É 
A insuficiência cardíaca (IC) é uma disfunção no coração que acarreta suprimento 
sanguíneo inadequado para órgãos e tecidos ou onde só se consegue esse suprimento 
às custas de elevadas pressões de enchimento. A IC é responsável por elevada 
morbidade em todo o mundo e é considerado um grave problema de saúde pública. 
Como a maioria dos portadores de IC são idosos, o envelhecimento populacional 
revela-se um potencial gerador de indivíduos em risco. No Brasil, em 2014, a IC foi causa 
de 224.290 internações hospitalares 
Internações por insuficiência cardíaca no Brasil em 2014 
Região Nº de internações 
Norte 11.894 
Nordeste 54.166 
Sudeste 93.796 
Sul 47.988 
Centro-Oeste 16.446 
Total 224.290 
Fonte: Sistema de Informações Hospitalares do SUS – Ministério da Saúde 
 
A insuficiência cardíaca pode apresentar-se de forma aguda, como no caso de um 
infarto agudo do miocárdio e miocardites, ou ser mantida de maneira crônica, resultado, 
dentre outros fatores, de doença arterial coronariana, hipertensão arterial sistêmica, 
diabetes, etc. Em muitos pacientes, fatores como a ingesta excessiva de sal, uso 
inadequado de medicamentos e esforço físico excessivo resultam numa exacerbação da 
falha cardíaca e levam a um estado de descompensação que requer atenção imediata 
desde o ambiente pré-hospitalar. 
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Fatores associados à descompensação na insuficiência cardíaca 
Ingesta excessiva de sal 
Uso inadequado de medicações 
Esforço físico excessivo 
Isquemia miocárdica 
Arritmias 
Disfunção renal 
Hipertensão arterial não controlada 
Uso de drogas (álcool, cocaína, etc.) 
 
COMO RECONHECER 
O sinal mais frequente na IC descompensada é a dispneia. Entretanto, muitos 
outros sintomas podem estar associados. Devido ao quadro fisiopatológico do paciente, o 
socorrista deve estar atento a sinais e sintomas que indicam estado de congestão e má 
perfusão tecidual. A partir do grau de congestão e de perfusão tecidual, o paciente é 
classificado em seco/úmido e frio/quente. 
Sinais e sintomas indicativos de congestão e/ou má perfusão periférica. 
Congestão Perfusão periférica 
Ortopneia 
Estase jugular 
Ascite 
Edema de membros inferiores 
Crépitos pulmonares 
 
 
Alteração do nível de consciência 
Sonolência 
Extremidades frias 
Reenchimento capilar lento 
Pressão de pulso estreitada 
Hipotensão 
 
 
Figura 6 - Classificação segundo a congestão e má perfusão periférica 
 Perfusão inadequada? 
 
Congestão em repouso? 
 
 Sim Não 
Sim Frio e úmido Frio e seco 
Não Quente e úmido Quente e seco 
 
CONDUTA 
A impressão geral auxiliará o socorrista a observar potenciais ameaças à vida. O 
repouso deve ser mantido, já que qualquer esforço poderá potencializar os sinais e 
sintomas. Monitore o nível de consciência e esteja preparado para empreender medidas 
de suporte básico caso o paciente desenvolva uma parada cardiorrespiratória. 
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A monitorização da saturação periférica de oxigênio é uma medida primordial, já 
que a dificuldade respiratória e a congestão pulmonar podem dificultar as trocas gasosas. 
Oferte 10 a 15 L/min caso a saturação esteja menor que 95%, ou sinais de congestão 
pulmonar e desconforto respiratório. 
O choque cardiogênico é uma realidade potencial na insuficiência cardíaca e é um 
complicador na sobrevida do paciente. Durante todo o atendimento, fique atento ao 
surgimento dos sinais e sintomas de má perfusão periférica. A elevação da cabeceira da 
maca de transporte em 45º pode trazer conforto respiratório para o paciente. Portanto, a 
não ser que o paciente refira uma posição diferente que lhe proporcione conforto 
respiratório, esta deverá ser a posição de transporte. O transporte deverá ser realizado 
com prioridade, preferencialmente para centro especializado em cardiologia. 
Além da avaliação dos sinais vitais, a obtenção da história do paciente é 
fundamental para o atendimento. Utilize o método mnemônico SAMPLA para orientar a 
obtenção de informações do paciente ou familiar. 
Sintomas: quais são os sintomas relatados? Qual a queixa principal? 
Alergias: pergunte por alergias, principalmente a medicamentos. 
Medicações: o paciente faz uso de medicações? 
Passado médico: possui histórico de cardiopatia ou outra disfunção cardíaca? 
Líquidos e alimentos: pesquise se o paciente ingeriu líquidos ou alimentos 
recentemente. Essa condição pode aumentar o risco de vômito e broncoaspiração. 
Ambiente: Condições que acarretaram o acionamento do serviço de emergência. 
 
A queixa principal, geralmente dispneia poderá ser melhor investigada por meio do 
método mnemônico ALICIA: 
Aparecimento: quando a queixa apareceu? 
Localização: onde a queixa se localiza? 
Intensidade: o quanto aquela sensação incomoda o paciente. 
Cronologia: há quanto tempo a queixa persiste? 
Incremento: algo intensifica a queixa? A dificuldade de respirar aumenta quando o 
paciente está deitado (Afeta ou altera a ortopneia)? 
Alívio: algo alivia a queixa? A dificuldade de respirar diminui quando o paciente 
está sentado ou em pé? 
 
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CRISE HIPERTENSIVA 
 
 
O QUE É 
A pressão arterial (PA), medida em mmHg (milímetros de mercúrio) é, de forma 
simplificada, a força que o sangue exerce na parede das artérias. Sua manutenção em 
níveis arbitrados como adequados, é fundamental para a homeostase do organismo. Em 
muitas condições, o indivíduo pode apresentar elevação dos níveis pressóricos. Contudo, 
a caracterização da hipertensão arterial (HA) se baseia na elevação constante e crônica 
desses níveis, tanto sistólico como diastólico. 
 
Classificação da pressão arterial de acordo com a medida casual no consultório (> 18 anos)* 
Classificação PA sistólica (mmHg) PA diastólica (mmHg 
Ótima < 120 < 80 
Normal < 130 < 85 
Limítrofe** 130 – 139 85 - 89 
Hipertensão estágio 1 140 – 159 90 - 99 
Hipertensão estágio 2 160 – 179 100 - 109 
Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110 
Hipertensão sistólica isolada ≥ 140 < 90 
Quando as pressões sistólica e diastólica situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificação 
da pressão arterial. 
*A natureza estressante do atendimento pré-hospitalar comumente provocará alteração nos níveis pressóricos. 
** Pressão normal-alta ou pré-hipertensão são termos que se equivalem na literatura. 
Fonte: Sociedade Brasileira de Hipertensão – VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. 
 
Embora outros autores estipulem limites pressóricos na categorização das crises 
hipertensivas, a Sociedade Brasileira de Hipertensão, na VI Diretrizes Brasileiras de 
Hipertensão não adota essa conduta, à exceção do valor de pressão diastólica na 
urgência hipertensiva. A crise hipertensiva é dividida em três categorias: 
Urgência hipertensiva: condição caracterizada por elevação crítica da pressão 
arterial (geralmente PAD ≥ 120 mmHg), porém sem comprometimento de órgão-alvo. 
Requer controle gradual da PA dentro de 24 horas com medicação oral. 
Emergência hipertensiva: condição clínica grave, resultado da elevação crítica da 
pressão arterial, com comprometimento de órgão-alvo (cérebro, coraçãoe rins). Requer 
controle imediato da PA com medicação parenteral. 
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Pseudocrises hipertensivas: situações em que a elevação da PA está 
relacionada com dor, ansiedade ou outros desconfortos. Apesar da PA elevada, não 
apresenta lesão de órgão alvo ou risco de lesão. Requer o tratamento da causa e 
medidas de controle da PA. 
 
Apresentações de emergências hipertensivas 
Neurológicas Cardiovasculares Renais Obstétricas 
AVCH 
AVCI 
Encefalopatia 
hipertensiva 
 
Edema Agudo de 
Pulmão 
Síndrome coronariana 
aguda 
Dissecção aguda da 
aorta 
Glomerulonefrite 
aguda 
P.O de transplante 
renal 
 
Eclâmpsia 
 
COMO RECONHECER 
Em geral, os pacientes em crise hipertensiva que acionam os serviços de 
atendimento pré-hospitalar podem apresentar, além a PA elevada: cefaleia, tontura, 
alteração visual, dispneia, náuseas, formigamentos nas extremidades, sangramento pelo 
nariz e dor torácica. Devido ao risco de lesão em órgãos-alvo envolvidos, o socorrista 
deve ficar atento a manifestações de emergências relacionadas, principalmente de 
acidente vascular encefálico e síndrome coronariana aguda. 
 
CONDUTA 
Os sinais e sintomas apresentados serão norteadores do atendimento. É 
importante que o paciente seja mantido em repouso e receba suporte emocional. A 
avaliação primária deve ser realizada a fim de se identificar algum risco imediato 
relacionado às vias aéreas, ventilação e circulação. 
 A monitorização da saturação periférica de oxigênio indicará a necessidade ou não 
de oxigênio suplementar. Caso a saturação esteja menor que 95%, oferta de 10 a 15 
L/min de oxigênio. A avaliação da circulação é importante para que se identifique 
possíveis anormalidades cardiovasculares decorrentes da elevação da PA. 
Em viaturas tripuladas por profissionais de saúde e vinculadas à uma central de 
regulação médica, a intervenção medicamentosa poderá ser iniciada no local do 
atendimento com posterior avaliação da melhora do quadro. Caso contrário, o socorrista 
deverá priorizar o transporte para que a intervenção medicamentosa seja realizada em 
um hospital de referência. 
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Os sinais vitais devem ser avaliados, com ênfase na pressão arterial. É importante 
que se obtenha a história do paciente. Utilize o método mnemônico SAMPLA. 
Sintomas: quais são os sinais identificados e os sintomas relatados? Eles são 
condizentes com a crise hipertensiva? Parece haver uma urgência ou emergência 
hipertensiva? 
Alergias: pergunte por alergias, principalmente a medicamentos. 
Medicações: A não ser que não tenha aderido ao tratamento, o indivíduo 
hipertenso crônico faz uso de medicação anti-hipertensiva ou outros cardiovasculares. O 
quadro 2 apresenta os fármacos mais utilizados no tratamento da hipertensão. 
Passado médico: possui histórico de cardiopatia ou outra disfunção cardíaca? Já 
passou por outra crise hipertensiva? 
Líquidos e alimentos: pesquise se o paciente ingeriu líquidos ou alimentos 
recentemente. Essa condição pode aumentar o risco de vômito e broncoaspiração. 
Ambiente: Condições que levaram ao acionamento do serviço de emergência. 
 
Principais anti-hipertensivos utilizados no tratamento da hipertensão arterial. 
Classe Fármaco 
Diuréticos 
Hidroclorotiazida 
Indapamina 
Furosemida 
Espironolactona 
Betabloqueadores 
Atenolol 
Propanolol 
Carvedilol 
Metoprolol 
Bloqueadores do canal de cálcio 
Diltiazem 
Verapamil 
Anlopidino 
NIfedipino 
Inibidores da Enzima Conversora de 
Angiotensina 
Captopril 
Enalapril 
Bloqueadores do receptor AT1 
Losartana 
Valsartana 
Inibidor direto da renina Alisquireno 
 
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Caso exista alguma queixa indicativa de lesão de órgão-alvo (dor torácica, 
formigamento ou paralisia de membros), investigue a fundo utilizando o método 
mnemônico ALICIA. 
 
ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL 
 
O QUE É 
O acidente vascular cerebral (AVC) é a segunda causa de morte no mundo, 
responsável por cerca de 5,7 milhões de óbitos por ano. Em 2010, no Brasil, as doenças 
cerebrovasculares foram responsáveis por cerca de 9% do total de óbitos e foi a primeira 
causa de mortes em mulheres. 
Número de óbitos por doenças cerebrovasculares, 2003 – 2013. 
Região 
Ano 
2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 
Norte 3.886 3.881 4.182 4.562 4.738 5.202 5.134 5.129 5.323 5.479 5.755 
Nordeste 20.43
6 
21.27
2 
23.17
9 
26.63
4 
26.81
5 
27.36
6 
27.14
7 
27.05
6 
28.183 28.621 28133 
Sudeste 43.12
9 
43.62
6 
41.59
5 
43.91
3 
43.07
2 
43.96
6 
44.28
9 
44.45
5 
44.200 43.332 43.493 
Sul 16.29
5 
16.69
5 
15.88
7 
16041 16.80
2 
16.67
9 
17.12
6 
17.23
6 
17.247 16.869 16.691 
Centro-Oeste 5.303 5.456 5.163 5.419 5.377 5.749 5.566 5.856 5.798 5.893 5.978 
Total 89.02
9 
90.93
0 
90.00
6 
96.56
9 
96.80
4 
98.96
2 
99.26
2 
99.73
2 
100.75
1 
100.19
4 
100.05
0 
Fonte: Sistema de informações sobre mortalidade – SIM/MS 
 
Recentemente houve a tentativa de adoção da terminologia Acidente Vascular 
Encefálico (AVE) sob a justificativa de melhor adequação aos danos resultantes nas 
estruturas encefálicas (cérebro, cerebelo e tronco encefálico), e não apenas nas 
cerebrais. No entanto, é preciso considerar que a terminologia Acidente Vascular Cerebral 
(AVC), amplamente difundida, possui excelente aceitação e é de fácil entendimento, 
embora o termo acidente seja questionável, uma vez que as causas, nesse caso, são em 
sua maioria possíveis de se prevenir. Dessa forma, entendemos ser conveniente a 
continuidade da adoção da terminologia AVC. 
O AVC é uma lesão cerebral decorrente da interrupção do fluxo sanguíneo cerebral 
(isquemia) ou ainda por ruptura de vaso (hemorragia). Ainda que popularmente seja 
referido como “derrame”, o AVC pode ser resultado tanto de uma obstrução de vaso 
sanguíneo, como de uma hemorragia cerebral. A partir disso, temos dois principais tipos 
de AVC, o isquêmico e o hemorrágico: 
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AVC isquêmico (AVCI): resulta da obstrução de um vaso cerebral por um trombo 
(trombótico) ou embolo (embólico) e correspondem a mais de 80% dos casos de AVC. No 
evento trombótico, o estreitamento do vaso causado pela placa de ateroma e a agregação 
plaquetária gera o desenvolvimento de coágulos, que dependendo de seu tamanho, 
obstruem o fluxo sanguíneo cerebral, culminando em isquemia e lesão celular. Já no AVC 
embólico a obstrução é causada por ar, gordura, líquido amniótico, ou coágulos 
desprendidos que viajam pela corrente sanguínea até os vasos cerebrais. 
AVC hemorrágico (AVCH): decorre de sangramento devido ao rompimento de 
vasos sanguíneos cerebrais enfraquecidos, presentes tanto na superfície (hemorragia 
subaracnóidea), como dentro do cérebro (hemorragia intracerebral). Assim como 
acontece no AVCI, o AVCH também resulta em isquemia e lesão celular. 
 
COMO RECONHECER 
Os sinais e sintomas em geral refletem o déficit neurológico decorrente do AVC. 
Ainda que determinados sinais e sintomas sejam indicativos de lesões em estruturas 
encefálicas específicas, para o atendimento pré-hospitalar interessam as manifestações 
clínicas em geral, sem no entanto, objetivar a diferenciação da estrutura acometida pela 
isquemia. 
As manifestações clínicas do AVC incluem: fraqueza súbita, confusão mental, 
paralisiae hemiplegia unilateral, cefaleia intensa, sudorese, dispneia, náuseas, episódios 
de vômitos, alteração visual e distúrbios da fala. 
O AVC é um evento “tempo-dependente” e por isso é fundamental que tanto os 
socorristas, como também familiares e populares reconheçam o quanto antes o seu 
surgimento. Assim como a expressão “tempo é coração” é útil na Síndrome Coronariana 
Aguda, no AVC “tempo é cérebro”. Em todo o mundo, os serviços de atendimento pré-
hospitalar se valem de escalas preditoras que indicam a probabilidade de ocorrência do 
AVC. No Brasil, a mais utilizada é a Escala Pré-Hospitalar de AVC de Cincinnati, 
apresentada no quadro 1. 
A identificação do início de aparecimento dos sinais e sintomas é fundamental para 
auxiliar a tomada de decisão sobre a conduta intervencionista a ser adotada, 
principalmente em relação à terapia fibrinolítica, que é associada a uma maior sobrevida. 
É preciso considerar a diferença entre o momento em que o paciente foi visto pela última 
vez agindo normalmente e o momento em que se descobriu os sinais e sintomas. O 
último momento em que o paciente foi visto sem os sinais e sintomas é considerado como 
início. 
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Escala de AVC de Cincinnati 
 
Sinal Como avaliar Normal Anormal 
Queda facial 
Pede-se ao paciente 
para sorrir ou mostrar 
os dentes. 
Os lados da face 
movem-se 
igualmente. 
Ocorre assimetria na 
movimentação. Um 
dos lados não se 
move tão bem quanto 
o outro. 
Debilidade dos 
braços 
Pede-se ao paciente 
para que feche os 
olhos e mantenha os 
braços estendidos por 
10 segundos. 
Os braços movem-se 
igualmente ou não se 
movem igualmente. 
 
Um dos braços não 
se move ou um dos 
braços sofre descaída 
em relação ao outro. 
Fala anormal 
Pede-se para 
paciente dizer uma 
frase (Ex: O céu é 
mais azul em Brasília) 
O paciente diz as 
palavras 
corretamente que 
pronuncia clara. 
O paciente não fala 
ou utiliza palavras 
incorretas. 
● A anormalidade de 2 parâmetros na escala de AVC de Cincinnati indica uma 
probabilidade de 72% de ocorrência de um AVC. A anormalidade em 3 parâmetros indica uma 
probabilidade de mais de 85%. 
● Embora a Escala de AVC de Cincinnati tenha sensibilidade alta (grande capacidade de 
identificar pessoas com AVC), sua especificidade (identificar pessoas que não tenham AVC) é 
moderada. Por isso, mesmo que o paciente não apresente anormalidade nos parâmetros, a 
suspeita de AVC não deve ser descartada na presença de outros sinais e sintomas; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONDUTA 
 
A avaliação do paciente e as condutas prioritárias devem ser tomadas em, no 
máximo, 10 minutos. A alteração do nível de consciência pode afetar a permeabilidade da 
via aérea e nesse caso o socorrista deve adotar medidas de manutenção da via aérea 
permeável. A aspiração da via aérea pode ser necessária devido ao acúmulo de saliva ou 
vômitos. 
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A avaliação da respiração e a monitorização da saturação periférica de oxigênio 
indicará a necessidade de ventilação assistida ou oxigênio suplementar. O oxigênio deve 
ser ofertado (10 – 15 L/min) se a saturação for < 95% ou o paciente apresentar 
desconforto respiratório. 
Disfunções circulatórias serão identificadas investigando-se o estado circulatório 
(pulso periférico, enchimento capilar, aparência e temperatura da pele). Um parâmetro de 
extrema importância na conduta perante o AVC é a avaliação do estado neurológico, já 
que o dano apresentado é em estruturas encefálicas. Para tanto, o socorrista utiliza da 
Escala de Coma de Glasgow, para se avaliar a extensão do déficit neurológico. 
É importante enfatizar que o paciente de AVC deve receber atendimento prioritário 
e deve ser transportado o quanto antes para um centro de referência neurológico. Tanto 
durante o atendimento, como durante o transporte, o paciente deve ser mantido em 
repouso, em decúbito dorsal e com a cabeça ligeiramente elevada. 
Uma vez avaliadas potenciais ameaças à vida, segue-se a avaliação secundária, 
com avaliação dos sinais vitais, anamnese e verificação da glicemia capilar. Profissionais 
habilitados deverão realizar a correção da hipoglicemia conforme orientação do médico 
regulador. A avaliação repetida da pressão arterial é de suma importância, já que muitos 
AVCs estão associados à hipertensão arterial. Realiza-se a anamnese com a utilização do 
método mnemônico SAMPLA. 
 
Sintomas: quais são os sinais identificados e os sintomas relatados? Investigue 
sobre quando foi o início. 
Alergias: pergunte por alergias, principalmente a medicamentos. 
Medicações: o paciente faz uso de medicações? 
Passado médico: existem fatores de risco? AVCs anteriores, bem como outras 
comorbidades como a hipertensão devem ser pesquisadas. 
Líquidos e alimentos: pesquise se o paciente ingeriu líquidos ou alimentos 
recentemente. Essa condição pode aumentar o risco de vômito e broncoaspiração. 
Ambiente: Condições que acarretaram o acionamento do serviço de emergência. 
 
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EMERGÊNCIAS ENDÓCRINAS: HIPOGLICEMIA E HIPERGLICEMIA 
 
 
 
 
Hipoglicemia 
 
O QUE É 
A hipoglicemia é definida como glicemia menor que 60 mg/dL, associada a sinais e 
sintomas, tais como sudorese, palidez, tontura, taquicardia, cefaleia, alteração do nível de 
consciência e até mesmo crise convulsiva. Como as células humanas são altamente 
dependentes de glicose para suas funções orgânicas, a hipoglicemia é uma emergência 
de considerável gravidade. 
Em pacientes diabéticos, a hipoglicemia é a emergência endócrina mais frequente. 
Nesses casos, geralmente, ela está associada a doses excessivas de insulina ou de 
hipoglicemiantes orais. Outras causas incluem ingesta deficiente de carboidratos, 
consumo excessivo de álcool, exercícios físicos extenuantes e insulinomas. 
 
COMO RECONHECER 
Indivíduos que apresentem alteração do nível de consciência, confusão mental, 
agressividade e convulsão sem causa aparente devem ser investigados para 
hipoglicemia. A definição do quadro leva em conta a hipoglicemia (< 60 mg/dL), sinais e 
sintomas de hipoglicemia e a melhora dos sinais e sintomas após a infusão de glicose. As 
manifestações clínicas estão descritas no quadro abaixo. 
 
 
Sinais e sintomas da hipoglicemia 
Alteração do nível de consciência Cefaleia 
Tremores Confusão mental 
Fraqueza Taquicardia 
Sudorese Convulsões 
Alterações Visuais Coma 
Glicemia < 60 mg/dL 
 
Em caso de hipoglicemia grave (em torno de 40 mg/dl) os pacientes geralmente 
apresentam rebaixamento de consciência, convulsão e coma. A diminuição contínua dos 
níveis de glicemia para valores abaixo de 30 mg/dl pode levar o paciente a morte 
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CONDUTA 
Muitos pacientes com hipoglicemia podem apresentar-se agressivos. Dessa forma, 
o socorrista deve ser cauteloso na abordagem, transmitir segurança e oferecer suporte 
emocional para tranquilizar o paciente. Como boa parte dos quadros hipoglicêmicos são 
decorrentes do controle glicêmico no diabetes, o socorrista deve sempre suspeitar de 
hipoglicemia em indivíduos com que apresentem os sinais e sintomas e tenham história 
de DM1ou DM2. 
O exame primário deve ser realizado e, se necessário, empreender intervenções, 
tal como proteção da via aérea e administração de oxigênio quando a saturação for menor 
que 95%. No exame secundário o socorrista deve aferir os sinais vitais e realizar a 
anamnese por meio do SAMPLA. É importante que se verifique o histórico de doenças, 
principalmente de diabetes e adesão ao controle glicêmico. Muitos pacientes 
desenvolvem hipoglicemia devido a doses excessivas de insulina e hipoglicemiantes 
orais. Uma anamnese bem minuciosa deve ser executada para identificar a possível 
causa da emergência. Em geral isso ocorre por um descuido ou quebra da rotina do 
paciente. 
Nem todo socorrista básico está habilitado para a mensuração da glicemia e 
administração de glicose. Caso possua habilitação, o socorrista deve mensurar a glicemia 
capilar e, se confirmada a hipoglicemia, administrar glicose endovenosa conforme 
prescrição do médico regulador. Uma opção pré-hospitalar viável para pacientes que 
tenham o nível de consciência preservado, é o oferecimento de açúcar (1 colher de sopa), 
suco de laranja ou refrigerante (150 ml). Após a administração de glicose, oral ou 
endovenosa, a melhora do quadro costuma ser observada em cerca de 10 a 15 minutos. 
O transporte a um hospital de referência deve ser verificado com o médico regulador. 
 
Hiperglicemia 
 
O QUE É 
Valor glicêmico maior ou igual a 126 mg/dL (jejum) ou acima de 200 mg/dL (até 
duas horas após ingestão de glicose) são utilizados para o diagnóstico de diabetes. 
Embora, esses valores constituam um quadro de hiperglicemia, as emergências 
relacionadas a níveis elevados de glicose, geralmente se manifestam a partir de níveis 
glicêmicos maiores ou iguais a 250 mg/dL, a exemplo da cetoacidose diabética (CAD) e 
maior que 600 mg/dL, um dos achados no estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH). 
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O CAD é responsável por elevada mortalidade em pacientes com diabetes tipo 1 
(DM1) com menos de 25 anos. Apesar da CAD ser mais frequente no DM1, também por 
ser uma complicação decorrente no diabetes tipo 2 (DM2). A mortalidade por EHH 
também é alta, cerca de 15 %. A hiperglicemia decorrente das duas situações é resultado 
da diminuição da insulina circulante associada à elevação de hormônios hiperglicemiantes 
(cortisol, catecolaminas, glucagon). 
 
COMO RECONHECER 
Na assistência pré-hospitalar, não é relevante a diferenciação entre a CAD e o 
EHH. Cabe nesse campo a identificação dos sinais e sintomas da hiperglicemia, ainda 
que variem entre a CAD e o EHH. Entretanto, é importante ressaltar que em se tratando 
de valores glicêmicos, a CAD costuma ocorrer com glicemia maior ou igual a 250 mg/dL e 
o EHH quando maior que 600 mg/dL. O quadro abaixo descreve os sinais e sintomas da 
hiperglicemia. 
 
Sinais e sintomas da hiperglicemia 
Náuseas e vômitos Sonolência 
Dor abdominal Fadiga 
Hálito cetônico Alteração do nível de consciência 
Poliúria Polidipsia 
Pele seca e com turgor diminuído** Taquicardia 
Hipotensão Taquipneia 
*Cetoacidose diabética: Glicemia ≥ 250 mg/dL mais sinais e sintomas. 
 *Estado hiperglicêmico hiperosmolar: Glicemia > 600 mg/dL mais sinais e sintomas. 
**Sinais de desidratação, comum na hiperglicemia acentuada. 
 
CONDUTA 
As crises hiperglicêmicas são situações graves e que requerem cuidados 
imediatos. No exame primário o socorrista deve avaliar condições que ameacem a vida. A 
broncoaspiração deve ser prevenida em caso de vômitos. O nível de consciência deve ser 
avaliado e monitorado já que é comum sua alteração. Proteja a via aérea se necessário e 
administre oxigênio (10 – 15 L/min) caso a saturação esteja menor que 95%. Socorristas 
habilitados devem hidratar o paciente com infusão de solução fisiológica sob prescrição 
do médico regulador. 
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Os sinais vitais devem ser verificados e a história clínica e outras informações 
coletadas com o auxílio do SAMPLA. Uma boa anamnese auxiliará o socorrista a 
diferenciar a crise hiperglicêmica de outras situações. Indivíduos que fazem uso excessivo 
de álcool costumam apresentar hálito cetônico semelhante ao do paciente com CAD. 
Comunique-se com o médico regular para definição do hospital de referência. Pacientes 
em crise hiperglicêmica geralmente precisam ser transportados para correção da crise. 
 
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EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS 
 
 
O QUE É 
 
Emergências respiratórias são muito comuns na assistência pré-hospitalar, 
principalmente em crianças e idosos, como consequência de doenças cardiovasculares 
ou exacerbações de afecções respiratórias (Asma, doença pulmonar obstrutiva crônica). 
Embora deva considerar a origem do distúrbio respiratório, equipes de atendimento pré-
hospitalar básico devem ter seu foco voltado para as intervenções capazes de evitar o 
agravamento do quadro clínico. 
Dentre as doenças respiratórias mais prevalentes, a asma e a doença pulmonar 
obstrutiva crônica (DPOC), são as que mais implicam em emergências respiratórias no 
APH. A diferenciação das duas patologias no pré-hospitalar é difícil, já que nos dois casos 
a inflamação das vias aéreas diminui o fluxo aéreo. Na asma, a inflamação causa 
estreitamento brônquico e aumento da sensibilidade a alérgeno ou partículas ambientais 
nocivas. A DPOC é caracterizada predominantemente por enfisema (alteração da 
superfície alveolar e espaços aéreos), com diminuição do volume expiratório. 
No mundo a principal doença respiratória é a asma, com cerca de 300 milhões de 
acometidos. A doença atinge 4,4% da população adulta brasileira. As DPOC foram 
responsáveis por mais de 123 mil internações no Brasil em 2015. 
 
COMO RECONHECER 
 
O surgimento e intensidade das manifestações clínicas dependerão da gravidade 
do caso. No geral, o paciente com uma emergência respiratória apresenta dispneia e, 
dependendo do quadro, taquipneia, uso da musculatura acessória, batimento de asas do 
nariz, tiragem intercostal e de fúrcula. Outros sinais e sintomas são: 
● Sibilância ou roncos; 
● Tosse, produtiva ou não; 
● Intolerância ao esforço; 
● Opressão torácica; 
● Diaforese; 
● Ortopneia. 
 
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CONDUTA 
 
Uma emergência respiratória pode ter sido causada por substâncias tóxicas, 
inclusive ambientais e, por isso, é importante que o socorrista avalie e gerencie os riscos. 
A dispneia pode ser evidenciada logo na impressão geral, tanto pelo relato de dificuldade 
de respirar, como pela identificação do uso da musculatura acessória que, junto com a 
respiração paradoxal e cianose indicam gravidade do caso. 
A via aérea de um indivíduo com uma emergência respiratória deve ser mantida 
pérvia, se necessário, com uso de manobra de posicionamento, por exemplo, a inclinação 
da cabeça com elevação do queixo para pacientes sem evidência de trauma na coluna 
vertebral. Caso haja dificuldade em manter a permeabilidade da via aérea, informe ao 
médico regulador para que seja providenciado suporte avançado de vida. 
A ventilação é o parâmetro mais afetado numa emergência respiratória. Além de 
uma avaliação prévia do ritmo ventilatório (rápido/lento), o socorrista deve realizar a 
inspeção do tórax, principalmente para verificar se há o uso da musculatura acessória. O 
oxigênio suplementar deve ser utilizado com cautela. Caso o paciente se apresente como 
asmático, oxigênio deve ser iniciado com %SpO2 de pelo menos 95%. Em pacientes com 
DPOC com saturação menor que 90% a oxigenoterapia não deve ultrapassar 1-3 L/min. 
Estudos têm demonstrado diminuição de intubação e tempo de internação quando a 
ventilação é realizada com pressão positiva contínua. Entretanto, a disponibilidade de 
dispositivos é pouco frequente. 
Avalie o estado circulatório, principalmente quando a dificuldade respiratória é de 
origem cardiovascular. Em muitos pacientes, a hipóxia pode gerar alteração do estado 
mental. Na avaliação secundária, priorize o exame de sinais vitais e a anamnese. Na 
avaliação primária, uma estimativa do ritmo ventilatório foi verificada. Nesse momento, 
identifique a frequência respiratória. Uma frequência respiratória acima de 30 e abaixo de 
6 ventilações por minuto indicam insuficiência respiratória. Nesta situação, indica-se a 
ventilação assistida. Utilize o SAMPLA para identificar histórico de patologias que possam 
ter associação com a emergência respiratória ou situações que possam ter desencadeado 
a situação. Evite com que o paciente caminhe, exerça qualquer esforço físico e ofereça 
suporte emocional, para que se previna agravamento do quadro clínico. 
 
 
 
 
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PARTO EMERGENCIAL 
 
O QUE É? 
O trabalho de parto é o momento em que a gestante inicia o processo de expulsão 
do feto viável através das vias genitais (parto normal) ou a extração por meio cirúrgico 
(parto cesárea). 
O feto passa por diversos níveis de desenvolvimento durante a gestação, de modo 
que ele se torna viável quando seu organismo apresenta condições de sobreviver fora do 
útero da mãe. Em geral, o feto é viável a partir de 22 semanas de gestação. De acordo 
com a idade gestacional podemos classificar o feto em: 
✔ Pré-termo: feto com menos de 37 semanas completas; 
✔ Termo: de 37 semanas até menos que 42 semanas completas; 
✔ Pós-termo: 42 semanas completas. 
 
Trabalho de parto se divide em 3 fases: 
 
1. Dilatação: inicia com as contrações e termina no momento em que o 
feto entra no canal do parto. 
2. Expulsão: do momento em que o feto está no canal do parto até o 
completo nascimento. 
3. Dequitação: do nascimento até a completa expulsão da placenta. 
 
Assim, o socorrista deve estar preparado para a assistência ao trabalho de parto 
nessas três fases, incluindo reconhecer as principais complicações que podem ocorrer em 
cada uma delas. As principais complicações e distocias (apresentação não cefálica) são: 
1. Apresentação de ombros; 
2. Apresentação da pelve; 
3. Apresentação do cordão umbilical (prolapso de cordão); 
4. Apresentação de membros e 
5. Hemorragia excessiva. 
 
Como reconhecer? 
 Na assistência ao trabalho de parto é importante reconhecer rapidamente a fase 
em que ele está e os sinais e sintomas de complicações. O socorrista deve realizar a 
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avaliaçãoprimária e secundária dando ênfase nos sinais vitais, na entrevista e no exame 
físico da vulva. 
 
Na entrevista o socorrista deve incluir: 
✔ Realização de pré-natal: solicitar o cartão e avaliar todas as informações. 
✔ Idade gestacional e/ou data provável do parto: com essa informação pode-
se prever o possível momento do parto. 
✔ Histórico de paridade (nº de filhos e tipos de parto): primíparas tendem a ter 
um parto mais lento, o que difere das multíparas, sendo o trabalho de parto com o tempo 
mais reduzido. 
✔ Perda vaginal atual (muco, sangue e líquido amniótico): pode indicar alerta 
de um parto iminente ou até mesmo de alguma complicação. 
✔ Presença de contração uterina (frequência e duração): é importante para 
definir em que fase se encontra o trabalho de parto. 
✔ Presença de comorbidades: pode indicar a necessidade de um transporte 
mais rápido ou a presença da equipe de Suporte Avançado no local; 
✔ Alergia: questionar se a parturiente tem alguma alergia, principalmente de 
medicação. 
✔ Uso de medicação: se alguma medicação foi indicada e se a mesma fez o 
uso; 
✔ Verificar os sinais vitais; 
✔ Realizar a inspeção da vulva: pesquisar se há abaulamento e coroamento. 
 
 
Após a avaliação da paciente o socorrista deve diferenciar o trabalho de parto em: 
✔ Trabalho de parto não expulsivo; 
✔ Parto iminente; 
✔ Parto consumado; 
✔ Parto distócico. 
 
 
 
 
 
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Parto não expulsivo 
 
 No trabalho de parto não expulsivo a idade gestacional é igual ou maior que 37 
semanas, há presença de contrações regulares em intervalos de 3 a 5 minutos, com 
duração maior que 30 segundos, porém não há partes fetais na vulva. 
 
Parto iminente 
Quando a mulher se encontra nas características de parto iminente, como: idade 
gestacional maior ou igual a 22 semanas, duas ou mais contrações em 10 minutos, 
duração acima de 30 segundos, abaulamento da vulva, coroamento, identificamos que o 
parto é iminente e deve ser realizado no local. 
É importante que todos os procedimentos sejam relatados e inclua a parturiente 
nesse processo. 
 
Parto consumado 
É aquele em que o recém-nascido com idade gestacional maior ou igual a 22 
semanas foi completamente expulso. 
 
Parto distócico 
Quando há os sinais e sintomas de parto iminente, mas a apresentação fetal não é 
cefálica (ombros, pelve, cordão umbilical ou membros) o parto é iminente distócico. 
 
 
Assistência ao parto e ao neonato 
- Coloque a parturiente na posição de maior conforto. Caso ela tenha 
insuficiência cardíaca, lateralize a esquerda, colocando a perna direita ligeiramente mais 
fletida que a esquerda, apoiada sobre a cama ou maca. 
- Higienize o períneo com soro fisiológico (SF) 0,9%, utilizando gazes ou 
compressas estéreis; 
- Troque as luvas de procedimentos por luvas estéreis; 
- Posicione os campos sob os glúteos, pernas e abdômen da paciente; 
- Proteger o períneo com uma das mãos com ajuda de uma compressa 
durante o avanço do neonato e controlar o desprendimento súbito do polo cefálico com a 
outra mão; 
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- Avaliar a região do pescoço em busca de circular de cordão umbilical, em 
caso de presença liberar e desfazer com o dedo indicador, se estiver tensa, clampear em 
dois pontos e cortar entre eles; 
- Acompanhar o desprendimento dos ombros; 
- Solicitar que os campos sejam trocados e que anotem a data, hora, local do 
nascimento e nome da mãe; 
- Apoiar o RN lateralizado sobre o abdômen da mãe, deixar em contato pele a 
pele; 
- Limpar a face do RN com gaze estéril; 
- Realizar movimentos circulares entre as escápulas na busca de choro; 
- Cobrir o RN totalmente com o campo, inclusive a cabeça (exceto a face) 
sem tracionar o cordão umbilical; 
- Realizar o clampeamento do cordão umbilical: 1º clamp: 15 a 20 cm a partir 
do abdomem do RN, 2º clamp: 3 a 4 cm em direção ao RN, cortar com lâmina de bisturi 
estéril, no sentido de baixo para cima, entre os dois clamps umbilicias; 
- Apresentar o RN para a mãe e para o pai, apresente-se, identificar mãe e 
RN com as pulseiras 
 
OBS: Realizar o clampeamento do cordão umbilical imediatamente do RN de 
qualquer idade gestacional nas seguintes situações: RN não inicia a respiração ou não 
apresenta tônus muscular em flexão e movimentos ativos; presença de sangramento 
vaginal excessivo durante o parto ou nó verdadeiro do cordão; parturiente tem alguma 
doença de transmissão vertical (HIV, sífilis) ou tem Rh sanguíneo negativo; parto gemelar. 
 
Assistência a puérpera 
- Informar a puérpera que a dequitação (expulsão da placenta) pode ocorrer 
entre 10 a 30 minutos; 
- Após expulsão da placenta, realizar a limpeza da região genital; 
- Colocar absorvente higiênico; 
- Realizar massagem abdominal para estimular a involução uterina; 
- Oferecer suporte emocional durante todo atendimento. 
 
Informações importantes 
Caso a paciente tenha enxoval do bebê à disposição, pode colocar touca na 
cabeça do RN e outra manta para aquecimento. É importante nessa primeira hora de 
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vida, que o RN em contato pele a pele com a mãe, o que favorece a regulação da 
frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura do RN, estimulação do colostro 
e vínculo entre mãe e filho. 
 
Parto não expulsivo 
● Preparar para o transporte, posicionando a paciente em decúbito lateral 
esquerdo ou posição mais confortável (sem comprimir a veia cava inferior); 
● Aquecer a vítimas; 
● Ofertar oxigênio caso seja necessário; 
● Fazer contato com a regulação médica e passar as informações de forma 
sistematizada; 
● Manter a atenção para evolução do parto. 
 
Parto consumado 
O socorrista deve de imediato realizar a avaliação primária da parturiente e do RN, 
com ênfase para o padrão respiratório e presença de hemorragias externas. Caso os 
pacientes estejam estáveis, fazer a avaliação secundária (igual no parto iminente), porém, 
acrescentando o tempo decorrido desde o nascimento. Na sequência, seguir os mesmos 
procedimentos do parto iminente. 
 
Distocias 
Prolapso de cordão umbilical 
 
É um tipo de distócia do cordão 
umbilical é uma complicação obstétrica de 
extrema importância, uma vez que é 
responsável por elevados índices de 
morbidade e mortalidade perinatais. Entende-
se por prolapso de cordão umbilical quando 
este anexo exterioriza-se pelo orifício externo 
do colo do útero (no interior da vagina ou 
saindo pela fenda vulvar). É a presença do cordão adiante da apresentação com bolsa 
rota. 
O acidente é mais frequente em multíparas do que em primigestas e geralmente a 
dilatação do colo uterino está completa na ocasião do prolapso. 
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Em situações de atendimento pré-hospitalar é interessante que coloque a paciente 
em posição de Trendelenburg ou genito-peitoral que favorece a descompressão do 
cordão durante o transporte para a unidade hospitalar. É recomendado que o parto seja 
realizado no ambiente intrahospitalar, devido ao suporte dado tanto para a parturiente 
como para o feto, aumentando as chances de sucesso e evitando morte perinatal. 
 
http://www.rnpedia.com/home/notes/maternal-child-nursing-notes/cord-prolapse> 
http://www.sogimig.org.br/wp-content/uploads/8-CESARIANA-CEO-2018.pdf 
 
 
Apresentação de membros 
 Não tentar colocar o membro de volta na cavidadeuterina. 
 
1. Colocar a paciente em posição lateral de segurança; 
2. Colocar almofada ou lençol entre os joelhos; 
3. Orientar quanto a respiração; 
4. Avaliação dos sinais vitais e evolução do parto durante transporte. 
5. Entrar em contato com a regulação médica, passar orientações e seguir 
recomendação do médico regulador. 
 
Hemorragia 
A hemorragia na paciente obstétrica pode ocorrer relacionada com a gestação 
(abortamento, gravidez ectópica, placenta prévia ou descolamento prematuro de 
placenta), o parto (lacerações de períneo e do canal de parto, ruptura uterina e inversão 
aguda do útero) ou o puerpério (hipotonia, atonia uterina e retenção placentária). 
Conduta 
 
1. Colocar a paciente em posição lateral de segurança (se acima de 20 
semanas de gestação); 
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2. Colocar absorvente higiênico ou panos limpos na região; 
3. Trocar caso seja necessário; 
4. Guardar todo material ensanguentado; 
5. Tratar choque, ofertando oxigênio e aquecimento da paciente; 
6. Entrar em contato com a regulação médica, passar orientações e seguir 
recomendação do médico regulador. 
7. Avaliação dos sinais vitais durante transporte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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QUEIMADURAS 
 
 
O QUE SÃO? 
São lesões traumáticas causadas por diversos agentes. Ocorrem principalmente 
sobre o revestimento do corpo e podem destruir pele e tecidos internos. Variam quanto ao 
grau de gravidade, e as mais extensas - que geralmente requerem cuidados pré-
hospitalares – podem causar repercussões sistêmicas. Com frequência, a pele é o órgão 
humano mais atingido. 
Pele 
A pele é o maior órgão do corpo humano, e cobre de 1 a 2 metros quadrados de 
superfície corporal em um adulto. Possui variadas funções como proteção, 
termorregulação, sensibilidade, excreção e metabolismo. É constituída por duas camadas: 
epiderme e derme. A mais externa é a epiderme, que é uma região vascularizada, 
formada por epitélio estratificado. Já a derme é mais interna e mais espessa, formada por 
tecido conjuntivo, colágeno e elastina. 
 
CAMADAS E ANEXOS DA PELE NORMAL (SEM LESÕES) 
 
Disponível em: http://dicas-enfermagem.blogspot.com/2012/02/entenda-como-e-pele.html 
 
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Quanto ao agente causador: 
 
 
⮚ Por agentes térmicos: causadas pelo contato do corpo humano perante materiais 
com variação excessiva de temperatura. 
⮚ Por agentes químicos: provocadas pelo contato da pele com substâncias químicas 
como ácidos, bases, produtos de limpeza concentrados, solventes, entre outros. 
⮚ Por eletricidade: ocasionadas por descargas elétricas no corpo do paciente. 
Ocorrem pela passagem de corrente elétrica através do corpo da vítima. Haverá 
queimaduras em dois pontos: um de entrada e um de da corrente elétrica saída. Quando 
esses pontos estiverem nas mãos, a corrente poderá ter passado pelo coração e poderá 
haver uma parada cardiorrespiratória. 
⮚ Por agentes radioativos: ocorrem por exposição a diversos tipos de radiação. 
Decorrem pela aproximação ou contato direto de uma pessoa com agentes emissores de 
partículas e/ou ondas que propagam energia. 
 
Quanto à profundidade: 
 
A profundidade das queimaduras é determinada a partir da camada da pele ou de 
outros tecidos atingidos e podem ser classificadas em primeiro, segundo ou terceiro grau: 
 
⮚ Primeiro grau (espessura superficial): Atinge apenas a epiderme e são 
caracterizadas por eritema, edema e dor local. Não são consideradas para o cálculo de 
superfície corporal total queimada (SCTQ); 
⮚ Segundo grau (espessura parcial): Atingem a epiderme e porções variadas da 
derme. São caracterizadas por eritemas, edemas, dores locais e flictenas – bolhas. Nas 
queimaduras de segundo grau superficiais a base da bolha é rósea e úmida e nas mais 
profundas a base é branca e seca. 
⮚ Terceiro grau: Atingem a camada mais profunda da derme e a tela subcutânea, 
podem chegar a músculos e ossos. A pele nessas queimaduras apresenta-se enrijecida, 
com presença de placas esbranquiçadas com textura semelhante ao couro. O paciente 
pode ter perda de sensibilidade por conta da possibilidade da destruição de células 
nervosas, mas vai relatar dor por conta das lesões adjacentes. 
 
 
 
 
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REPRESENTAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS SEGUNDO O 
CRITÉRIO DE PROFUNDIDADE. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disponível em: https://cepelli.com.br/tratamentos/queimaduras/ 
 
Ainda quanto à profundidade das queimaduras existem certas regiões que 
apresentam diferentes características celulares. São as zonas de lesão tecidual. E 
dependendo do tratamento, ou ausência dele, essas regiões podem se alterar com o 
passar do tempo. 
 
ZONAS DE LESÃO TECIDUAL 
 
⮚ Zona de coagulação (epicentro da lesão, região mais grave): setor de maior 
destruição celular, não há capacidade de recuperação como célula. 
⮚ Zona de estase: (faixa intermediária, média gravidade): células prejudicadas e 
certa estagnação sanguínea, porém possibilidade de recuperação celular. 
⮚ Zona de hiperemia: (extensão periférica e menos grave): presença de células 
menos prejudicadas e aumento da quantidade de sangue no local. 
 
 
https://cepelli.com.br/tratamentos/queimaduras/
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Quanto à extensão 
Para se estimar a Superfície Corporal Queimada (SCQ), um dos métodos mais 
utilizados é a regra dos nove (FIGURA 4). Nesse método admite-se que as principais 
regiões do corpo são representadas por áreas de 9% de superfície corporal. Embora 
ainda seja aplicada ao público obeso e infantil, a regra dos nove apresenta certas 
limitações quanto a esses públicos. Desprezando essas relativas imprecisões, de forma 
genérica, tanto para adultos, quanto para crianças a SCQ pode ser estimada em 
porcentagens. 
 
REGRA DOS 9 PARA CALCULAR A SUPERFÍCIE CORPORAL QUEIMADA 
 
 
 
Quanto à gravidade 
 
Serão consideradas queimaduras graves 
 
⮚ Lesões de 2° ou 3 graus com extensão maior que 20% da SQC em adultos; 
⮚ Lesões 2° ou 3° graus com extensão maior que 10% da SQC em crianças; 
⮚ Pacientes com idade menor que 3 anos e maior que 65 anos; 
⮚ Associada a violência, maus tratos, tentativa de suicídio; 
⮚ Politrauma e doenças prévias associadas; 
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⮚ Queimadura das vias aéreas; 
⮚ Queimadura por agentes químicos; 
⮚ Queimadura por agentes elétricos; 
⮚ Queimaduras em áreas especiais: olhos, orelhas, face, pescoço, mão, pé, 
região inguinal, grandes articulações (ombro, axila, cotovelo, punho, articulação 
coxofemoral, joelho e tornozelo) e órgãos genitais; 
⮚ Queimaduras profundas que atinjam olhos, músculos, nervos, e/ou vasos 
desvitalizados. 
 
Lesão por inalação de fumaça 
 
Deve-se considerar três elementos quando a vítima inala fumaça: queimadura 
térmica das vias aéreas, asfixias e lesões pulmonares tardias. Para APH, principalmente 
as duas primeiras situações. Atentar-se para vítimas que estavam em incêndios em 
ambiente confinado e sintomas como confusãoou agitação; queimaduras no rosto ou no 
tórax; sobrancelhas e pelos nasais chamuscados; fuligem no escarro e rouquidão, perda 
de voz ou estridor. Não negligencie essa possibilidade se não houver esses sintomas, 
pois podem se manifestar após a exposição. 
 
Conduta 
De modo geral, seja qual for o agente causador da queimadura, a equipe de 
socorristas deve ter atenção especial com a segurança da cena. Assim, tenha em mente 
que a fonte de calor, o agente químico, a radiação ou a fonte de energia são fatores de 
grande risco e por isso precisam ser prioritariamente gerenciados e controlados. Deve-se 
suprimir o agente causador, retirar as roupas acometidas por substâncias químicas com 
cautela e proteção, e lavar o corpo do paciente com água em abundância para eliminar 
todos os resquícios. 
Após isso, os cuidados devem ser voltados para o que é mais grave na vítima, não 
havendo hemorragias, trabalhe com o XABCDE (foco na abordagem sistemática, 
semelhante às demais vítimas de trauma). Nesse sentido, gases quentes ou irritantes, 
quando inalados, causam queimaduras ou irritações nas vias aéreas respiratórias, por 
isso, a avaliação dessa região deve ser realizada. Ainda que não exista objeto obstrutor, o 
edema nessa região causa estreitamento e aumenta a resistência ao fluxo de ar, podendo 
provocar parada respiratória. Pacientes com lesões por inalação de fumaça podem 
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apresentar suas vias aéreas pérvias, mas ao longo da ocorrência essa situação pode 
mudar e elas ficarem reduzidas. 
Conjuntamente, incluir a inspeção do tórax, pois queimaduras de amplitude 
circunferenciais sobre o tórax tendem a enrijecer os tecidos corporais e a dificultar a 
expansibilidade da parede torácica. Como consequência, o paciente poderá apresentar 
ventilações pouco efetivas e, assim, insuficiência respiratória e hipoperfusão. Indivíduos 
que apresentarem saturação periférica de oxigênio menor que 95% devem receber 
oxigênio suplementar com alto fluxo. 
Grandes queimados podem apresentar perda considerável do volume circulante e 
como consequência desenvolver choque circulatório. Desse modo, é fundamental que o 
socorrista esteja atento aos sinais e sintomas de instabilidade hemodinâmica. Nesse 
caso, a equipe deverá acionar recurso adicional capaz de realizar reposição volêmica 
conforme regulação médica. 
O paciente pode apresentar prejuízos neurológicos decorrentes de traumas 
associados. Por isso, a avaliação do déficit neurológico (ECG) não deve ser dispensada. 
 
Condutas em: 
 
⮚ Queimaduras por agentes térmicos: retire anéis, braceletes, pulseiras, 
brincos e cintos; caso seja uma queimadura menor (SCQ abaixo de 20% em adultos e 
abaixo de 10% em crianças) irrigue toda a área com água em temperatura ambiente ou 
soro fisiológico, queimaduras de maior extensão e gravidade não deverão ser irrigadas 
devido ao risco de hipotermia; não utiliza água fria ou gelo; cubra todas as lesões com 
curativo seco, limpo e estéril e não aderente; administre oxigênio suplementar com alto 
fluxo se a vítima estiver com saturação menor que 95%, principalmente se desconfiar de 
intoxicação por monóxido de carbono ou cianeto; tome cuidado para não romper bolhas; 
controle a temperatura corporal com a utilização de lençóis ou cobertores aluminizados; 
proteja as feridas do fluxo de ar; não utilize pomadas – mesmo antibióticas – ou outros 
produtos. 
 
⮚ Queimaduras por agentes químicos: retire todas as vestes contaminadas 
utilizando material de proteção e em seguida lave o local com água abundante por pelo 
menos 15 minutos, exceto se tiver certeza que o material contaminante reage com água; 
cubra toda a extensão da lesão com curativo seco, limpo, estéril e não aderente; em 
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queimaduras que atinjam os olhos, lave-os com água em abundância e cubra ambos com 
curativo seco, limpo, estéril e não aderente; considere o acionamento da equipe 
especializada em produtos perigosos; 
 
⮚ Queimaduras por eletricidade: avalie cuidadosamente a cena. Caso seja 
necessário, recursos adicionais (equipe de salvamento, empresa de energia) deverão ser 
acionados; certifique-se de que não há mais energização antes de abordar a vítima, fique 
atento a possível parada respiratória ou cardiorrespiratória e, nesses casos, inicie 
imediatamente as manobras de reanimação, cubra toda a extensão de ferimentos com 
curativos seco, limpo, estéril e não aderente. 
 
⮚ Queimaduras por agentes radioativos: acione imediatamente a equipe 
especializada em produtos perigosos; a vítima deverá ser retirada do local de 
contaminação por pessoal com equipamento de proteção apropriado; fora da área de 
contaminação, as vestes deverão ser removidas e a irrigação iniciada a fim de se remover 
qualquer vestígio de material contaminante; cubra todas as lesões com curativo seco, 
limpo, estéril e não aderente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INCIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS 
 
Na rotina de atendimentos ao trauma das equipes de atendimento pré-hospitalar 
incluem-se, na maior parte das vezes, ocorrências sem grande magnitude, mesmo 
havendo gravidade das vítimas envolvidas. Geralmente, nesses eventos, uma ou no 
máximo duas equipes de APH são suficientes para oferecer assistência adequada. 
Contudo, determinados cenários são caracterizados por grande quantidade de vítimas, 
que, juntamente com outros fatores associados, demandam uma resposta dos órgãos de 
emergências que inclua quantidade considerável de recursos humanos e materiais. 
No Brasil, diversos exemplos desses cenários foram noticiados nos últimos anos, a 
maior parte devido a intempéries climáticas e acidentes de trânsito. Em 2018 um acidente 
com um ônibus na BR 020 movimentou o CBMDF: “As informações preliminares informam 
que o ônibus transportava mais de 50 passageiros no momento do acidente, e que já está 
confirmado alguns óbitos no local. O Corpo de Bombeiro do Goiás e do DF trabalham em 
conjunto empregando 7 ambulâncias e 4 viaturas de resgate e com o helicóptero do 
CBMDF.”. Em janeiro de 2021, no Paraná, outro acidente com ônibus deixou 19 mortos e 
31 feridos. No incêndio da boate Kiss, Santa Maria/RS, 2013, foram 242 mortes e mais de 
145 pessoas hospitalizadas. Em 2008, 135 pessoas morreram vítimas de deslizamentos 
de terra em Santa Catarina. 
Além da gravidade e vultuosidade, todos esses eventos apresentam como 
característica a necessidade de grande resposta dos serviços de emergência, tanto em 
nível pré-hospitalar, como também intra-hospitalar, bem como de órgãos de apoio. 
Entretanto, é fundamental que tal resposta seja empreendida de maneira organizada, 
articulada e idealmente preestabelecida, por meio de planos de acionamentos municipais 
ou estaduais. É frequente a realização de simulados de preparação para incidentes com 
múltiplas vítimas organizados por uma única instituição, quando a realidade mostra a 
necessidade de articulação interinstitucional desde o treinamento. 
Para gerenciamento da resposta às situações de emergência de grande vulto, os 
órgãos no Distrito Federal utilizam o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), 
coordenado pela Secretaria de Segurança Pública. As ações do SCI são baseadas num 
staff composto por um comando centralizado/unificado, além de uma cadeia de divisão de 
responsabilidades: operações, planejamento, logística e finanças. Visto que diferentes 
órgãos poderão estar envolvidos,a efetividade do emprego dos recursos, por meio do 
SCI, se baseia em terminologia comum, comunicações integradas, comando unificado, 
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alcance de controle, plano de ação no incidente, instalações padronizadas, organização 
modular, cadeia de comando e manejo integral dos recursos. 
 
ESTRUTURA DO SISTEMA DE COMANDO DE INCIDENTES 
 
Fonte: SENASP/MJ – Curso Sistema de Comando de Incidentes 
 
TRIAGEM DE VÍTIMAS 
 
Triagem significa selecionar, escolher. Em atendimento pré-hospitalar, triar é um 
processo pelo qual se busca determinar qual paciente será atendido primeiro com base 
em sua gravidade. Escolher qual paciente tratar primeiro pode ser um desafio para a 
equipe de socorristas. Quem atender, quem resgatar primeiro? Em situações de 
normalidade, ou seja, ocorrências com poucas vítimas, já está pacificado que o 
atendimento prioritário é para aquela vítima que apresenta maior gravidade. Todavia, em 
incidentes com múltiplas vítimas (IMV), onde a quantidade de recursos é insuficiente para 
atender a todas, a prioridade passa a ser resgatar aquelas que apresentam maior chance 
de sobrevida e o maior número de pessoas. 
Apesar de não ser o único (outras possibilidades são o SALT e o MASS) o método 
de triagem pré-hospitalar conhecido como Simple Triage and Rapid Treatment, START 
(Triagem simples e tratamento rápido) é amplamente utilizado no brasil e permite a 
triagem de uma vítima em até 1 minuto, utilizando como parâmetros a respiração, a 
perfusão e o nível de consciência. Dessa forma, conforme os achados clínicos de cada 
paciente na cena de emergência, o paciente é classificado em: 
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● 1ª prioridade (Vermelho) – Pacientes que possuem condições ou lesões 
críticas, mas com boa chance de sobrevida. Necessitam de tratamento e transporte 
imediatos. 
● 2ª prioridade (Amarelo) – Pacientes, que apesar de alguma lesão grave, 
podem esperar o tratamento e o transporte. Não deambulam na cena. Exemplo: Trauma 
de extremidades. 
● 3ª prioridade (Verde) – Pacientes, que, mesmo com lesão, deambulam na 
cena. Podem ser utilizados para funções de baixa complexidade no atendimento, tal como 
auxílio no transporte, manutenção de abertura de via aérea e pressão direta em 
ferimentos com hemorragia. 
● Sem prioridade (Preto ou Cinza) – Pacientes com pouquíssima chance de 
sobrevida ou com morte evidente. 
 
Uma vez no cenário do incidente, a primeira equipe de triagem solicita que as 
vítimas que puderem andar se dirijam para alguma área pré-determinada. É importante 
que a área de concentração de vítimas seja montada o quanto antes, certificando-se que 
as vítimas triadas como verde não fiquem próximas de vítimas graves ou sem prioridade. 
As vítimas que permanecem na cena deverão ser abordadas e ter sua respiração 
imediatamente verificada. 
Se a vítima não respira, suas vias aéreas deverão ser posicionadas e caso 
continue sem respiração espontânea, é considerada como sem prioridade e recebe a cor 
preta ou cinza. Caso volte a respirar deve ser classificada como de 1ª prioridade 
imediatamente. A frequência respiratória deverá ser aferida naquelas vítimas que 
respiram espontaneamente. Indivíduos com respiração maior ou igual a 30 vpm são de 1ª 
prioridade e recebem a cor vermelha. Aqueles com frequência respiratória menor que 30 
vpm deverão ter seu estado circulatório verificado. 
A perfusão (estado circulatório) é verificada por meio do reenchimento capilar ou 
pulso radial. Socorristas podem ter dificuldade em verificar o reenchimento capilar em 
indivíduos de pele negra e, nesse caso, o estado circulatório é verificado por meio da 
palpação do pulso radial. Ambientes frios e escuros, também dificultam a verificação do 
reenchimento capilar. Vítimas com reenchimento capilar maior que 2 segundos, ou pulso 
radial ausente, ou sangramento ativo significativo, que deve ser controlado 
imediatamente, são de 1ª prioridade (vermelho). Vítimas que não apresentem 
anormalidades circulatórias, segundo o método START, terão seus estados neurológicos 
avaliados. 
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A avaliação do estado neurológico se baseia no cumprimento de ordem simples. 
Os que não cumprem ordem simples são de 1ª prioridade (vermelho) e os que cumprem 
são de 2ª prioridade (amarelo). Perceba que as vítimas de 2ª prioridade têm respiração e 
estado neurológico normais, mas por algum motivo, normalmente um trauma de membro 
inferior, não deambulam. 
 O ideal é que as vítimas, após triadas, tenham fixados em seus corpos um cartão 
de triagem. Esse cartão, além de identificar a prioridade da vítima, dispõe de campos para 
preenchimento de informações importantes, tais como: nome, idade, localização de 
lesões, sinais vitais, drogas recebidas, órgão responsável pelo transporte e hospital de 
destino. Caso esses cartões não estejam disponíveis, fitas coloridas deverão ser 
utilizadas e fixadas nas vítimas. 
ALGORITMO DO MÉTODO START 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ÁREA DE CONCENTRAÇÃO DE VÍTIMAS (ACV) E POSTO MÉDICO AVANÇADO 
(PMA) 
 
A área de concentração de vítimas (ACV) é um local disposto na zona fria da cena de 
emergência na qual serão fixados pontos de recebimento de vítimas, segundo sua 
classificação na triagem. Nesse local as vítimas receberão assistência, enquanto não 
se realiza o transporte. As zonas da ACV deverão ser coordenadas por um médico ou 
enfermeiro. Os pacientes devem ser constantemente reavaliados e reclassificados, pois 
podem agravar o quadro clínico inicial e também pode ter ocorrido possíveis erros de 
classificação na primeira triagem. 
 
O posto médico avançado (PMA) é uma estrutura coordenada por um médico e que 
engloba a ACV. O coordenador do PMA, tem, entre outras funções, a coordenação do 
fluxo de pacientes que entram e saem do PMA e manutenção do contato direto com o 
médico regulador do posto médico de regulação (PMR) para estabelecimento da 
unidade de saúde de destino. 
 
 
MODELO DE ESTRUTURA DO PMA E AVC 
 
 
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Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo – SP, 2014 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CRISE CONVULSIVA 
 
O QUE É 
 
A crise convulsiva é a manifestação clínica de descargas neuronais excessivas, 
provocadas por desequilíbrio entre o controle excitatório e inibitório. Geralmente essas 
crises têm etiologia em intoxicações agudas (drogas estimulantes) e os efeitos da 
abstinência, doenças neurológicas, principalmente a epilepsia não controlada, 
hipo/hiperglicemia, traumatismo cranioencefálico, acidente vascular cerebral e febre alta, 
mais comum em crianças até 5 anos de idade. Convulsão e febre em adultos, associada a 
cefaleia, alteração aguda de comportamento, pode ser originada em quadros infecciosos 
graves (meningite e/ou encefalite). 
As crises convulsivas podem ser geradas por anormalidades em áreas focais do 
córtex cerebral ou de maneira disseminada. Os locais de contração e de abalos 
musculares estão relacionados com a amplitude da área cortical atingida e dessa maneira 
classifica-se em: 
● Parcial simples: observa-se abalos em regiões localizadas do corpo (membros 
superiores ou inferiores, sem a perda da consciência). 
● Parcial complexa: embora os abalos se restrinjam a regiões localizadas do corpo, 
ocorre rebaixamento de consciência. 
● Generalizadas: são com abalos e contrações de cabeça, pescoço, tronco e 
membros, com perda da consciência. 
● Estado de mal epiléptico (status epilepticus): crises com duração maior que 5 
minutos ou crises recorrentes sem que haja recuperação do nível de consciência entre as 
crises. 
 
COMO RECONHECER 
 
A crise convulsiva expressa-se tipicamente por contrações musculares sustentadas 
e abalos rítmicos. Como frequentemente as crises são autolimitadas, ou seja, cessam 
sem qualquer tipo de intervenção, na maior parte das vezes os socorristas se deparam 
com uma vítima no período pós ictal (após a crise), confuso, sonolento, e sem se lembrar 
dos fatos ocorridos. 
As crises convulsivas podem ser caracterizadas somente por contração muscular 
sustentada, com membros estendidos (fase tônica). Uma outra característica bastante 
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marcante é a presença de abalos repetitivos e rítmicos (fase clônica). Em muitas crises 
tanto a fase tônica como a clônica estão presentes, quando se tem a crise convulsiva 
tônico-clônica. O quadro apresenta o conjunto de sinais e sintomas antes, durante e pós-
evento. 
 
Sinais e sintomas antes, durante e após a crise convulsiva. 
Antes (Aura) Durante Após (pós ictal) 
Visão de luzes 
Sensação gástrica 
Medo 
 
Rigidez muscular 
Abalos musculares 
Perda de consciência 
Mastigação despropositada 
Perda de esfíncteres. 
Trismo 
Cianose 
Sialorreia 
Sonolência 
Cefaleia 
Fadiga 
Mialgia 
 
 
 
 
 
 
 
CONDUTA 
Por vezes, indivíduos que estão em crises sofrem lesões decorrentes do impacto 
de membros e cabeça contra o solo ou objetos próximos. Assim, além de cuidar de sua 
segurança pessoal, o socorrista deve gerenciar riscos de lesões para o paciente. Tal 
medidas devem incluir a retirada de objetos, móveis ou outros artefatos com os quais o 
paciente possa se chocar. A colocação de um travesseiro, almofada ou lençol dobrado 
pode ajudar no amortecimento do contato da cabeça do paciente com o solo. 
Grande parte das crises convulsivas autolimitadas não requerem maiores cuidados 
e muitos desses pacientes sequer precisam ser transportados a um hospital de referência. 
Entretanto, crises prolongadas ou recorrentes, como por exemplo no estado de mal 
epilético merecem atenção especial do socorrista já que nesses casos o risco de morte é 
aumentado. Informações sobre o tempo de crise e a recorrência delas devem ser obtidas 
logo na chegada à cena. 
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É comum que pacientes tenham sialorreia durante a crise e, nesse caso, o paciente 
deve ser lateralizado com segurança para proteção das vias aéreas. Durante a crise, a 
cabeça deve ser apoiada, mas sem que haja resistência contra a coluna cervical, 
minimizando dessa forma riscos de lesões cervicais. Oxigênio suplementar (10 – 15 l/min) 
deve ser administrado se a oximetria indicar saturação menor que 95%. Pode ser 
necessário realizar controle de algum sangramento devido a ferimentos causados por 
uma possível queda ou choques contra o solo ou objetos. 
Cessada a crise, o exame secundário deve ser realizado. O SAMPLA auxiliará o 
socorrista na coleta de informações sobre o ocorrido. Informações de familiares e 
acompanhantes são importantes para uma avaliação mais segura. Muitos pacientes não 
lembram dos fatos ou não tem consciência de que passaram por uma crise convulsiva. 
Um suporte emocional eficaz propiciará conforto para pacientes nessa situação. Os sinais 
vitais deverão ser aferidos. 
Como um elevado número de crises convulsivas tem início devido à hipoglicemia, 
caso tenha habilitação técnica e equipamento adequado, o socorrista deverá verificar a 
glicemia do paciente. Como dito, nem todos os pacientes que passaram por uma crise 
necessitam ser hospitalizados. Por isso, o contato com um médico regulador se faz 
importante para verificar a necessidade de transporte. 
Em crises provocadas por intoxicação é recomendado a verificação da existência 
de antídoto para o agente intoxicante e utilizá-lo, caso esteja disponível e não haja 
contraindicação. 
Condutas gerais na crise convulsiva 
Durante a crise Após a crise 
Apoiar e proteger a cabeça 
Afrouxar roupas 
Lateralizar a cabeça se sialorreia 
Não conter os movimentos 
Afastar objetos 
Não introduzir objetos na boca da vítima 
Avaliar via aérea, ventilação e circulação 
Avaliar sinais vitais 
Avaliar a glicemia 
Anamnese 
Suporte emocional 
A conduta para convulsões febris não difere das demais. 
Monitore o tempo de crise. O Estado de mal epiléptico é caracterizado por crise 
convulsiva em tempo maior que 5 minutos ou crises recorrentes sem que o 
paciente recobra a consciência entre elas. 
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REFERÊNCIAS 
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INTOXICAÇÕES 
 
 
 
O QUE É 
Intoxicação é o prejuízo causado em sistemas orgânicos (nervoso, respiratório, 
cardiovascular etc.) devido à absorção de alguma substância. Enquanto algumas 
substâncias são capazes de causar efeitos deletérios com doses mínimas, para outras a 
intoxicação só ocorre a partir de quantidades maiores. As intoxicações podem ocorrer por 
ingestão, injeção, inalação ou contato. 
Em 2013, foram registrados 42.128 casos de intoxicações no Brasil. A maior parte 
dos casos ocorre em crianças na faixa etária de 1 a 4 anos, com exceção das 
intoxicações por alimentos, abuso de drogas e contato com animais. Em adultos o maior 
número de registros está nas intoxicações medicamentosas - geralmente relacionadas a 
tentativas de suicídio - ressalvadas as ocorridas por abuso de álcool, que são um caso a 
parte. 
No Brasil, o maior número de ocorrências relacionadas a intoxicações está ligada à 
ingestão excessiva de medicamentos e uso de drogas, principalmente o álcool e o crack. 
Além das repercussões sistêmicas diretamente ligadas à intoxicação, no caso específico 
do álcool observa-se significativa contribuição para o aumento dos casos de homicídio, 
agressões, quedas, suicídios, acidentes de trânsito e afogamentos. 
Nos últimos anos, o consumo de crack tem se tornado um grande desafio para 
órgãos de segurança e saúde. Estima-se que metade do consumo de cocaína na 
população brasileira é feito na forma de crack. Assim como o álcool, o consumo de crack 
tem forte relação com a violência e criminalidade, além de provocar enormes prejuízos à 
saúde. Como o consumo vem aumentando no país, espera-se o maior acionamento dos 
serviços de emergência em decorrência dessa intoxicação. 
 
COMO RECONHECER 
Os sinais e sintomas variam conforme a categoria da substância intoxicante. O 
quadro abaixo apresenta um panorama geral do quadro clínico nas principais alucinações. 
 
 
 
 
 
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Sinais e sintomas por tipo de intoxicação 
Classificação Substância Sinais e sintomas 
Opiáceos 
Heroína 
Morfina 
Bradicardia 
Hipotensão 
Alteração do nível de consciência 
Depressão respiratória 
Miose 
Estimulantes 
Cocaína 
Crack 
Anfetaminas – 
MDMA (Ecstasy) 
Taquicardia 
Hipertensão 
Taquipneia 
Ansiedade 
Hiperexcitabilidade 
Midríase 
Hiperemia 
IAM induzido 
Depressores do 
SNC 
Barbitúricos 
Benzodiazepínico 
Bradicardia 
Hipotensão 
Depressão respiratória 
Confusão 
Sonolência 
Nistagmo 
Etanol 
0,2 g/l: calor, relaxamento 
0,4 g/l: rubor, fala excessiva; 
0,5 g/l: vertigem, desinibição, 
capacidade de julgamento 
diminuída. 
0,6 g/l: julgamento prejudicado, 
tomada de decisão afetada. 
0,8 g/l: comprometimento da 
coordenação motora, diminuição 
de reflexos. 
1,5 g/l: prejuízo do equilíbrio e 
movimento. 
4,0 g/l: inconsciência. 
4,5 g/l: diminuição da frequência 
respiratória. 
5,0 g/l: Morte por depressão do 
centro respiratório. 
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Abstinência por 
álcool 
Confusão mental 
Irritabilidade 
Agitação 
Sudorese 
Febre 
Taquicardia 
Delírio e alucinações (delirium 
tremens) 
Convulsões 
Canabinoide Maconha 
Período inicial de euforia 
Relaxamento 
Sonolência 
Coordenação motora diminuída 
Hiperemia das conjuntivas 
Boca seca 
Aumento do apetite 
Alucinógenos 
LSD 
MDMA (Ecstasy) 
Sensação de frio 
Midríase 
Medo 
Angústia 
Modificação do tempo vivido 
Modificação do espaço 
Sensualidade e erotismo 
aumentados simbolicamente 
Alucinações. 
 
O QUE FAZER 
Cenários de emergência que envolvem intoxicação podem apresentar riscos à 
equipe de socorristas. Dessa forma, é fundamental que cuidados sejam empreendidos de 
forma a não ocorrer intoxicação acidental por parte dos socorristas, principalmente 
quando houver o envolvimento de gases. Dependendo do tipo de exposição, considere o 
acionamento de equipe especializada em produtos perigosos. 
A permeabilidade das vias aéreas deve ser garantida, principalmente quando 
houver rebaixamento do nível de consciência ou inconsciência. Oxigênio suplementar 
deve ser iniciado quando a oximetria de pulso indicar saturação periférica menor que 
95%. Ao avaliar a circulação, fique atento a manifestações clínicas de instabilidade 
hemodinâmica, em especial quando a intoxicação for por ingestão. 
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O estado neurológico deve ser avaliado quando houver trauma associado, como 
por exemplo em traumatismos cranioencefálicos decorrentes de desmaios pós- 
intoxicação. Vestes contaminadas deverão ser retiradas. Para isso, utilize equipamentos 
de proteção. A retirada de vestes também é importante para se avaliar lesões cutâneas. 
A descontaminação cutânea é necessária para se evitar o agravamento de lesões 
e a redução da absorção. Com exceção de exposição a ácidos e bases fortes, lave o local 
atingido com água em abundância. A mesma coisa deve ser feita em caso de exposição 
dos olhos. Em ingestões, caso a intoxicação não seja causada por ácidos e bases 
concentradas, cáusticos, não haja dor abdominal e o paciente estiver consciente, ofereça 
água para diluir a substância tóxica. 
A indução de vômitos está indicada para intoxicações recentes e que não seja porsubstância cáustica ou corrosiva. Em intoxicações por estimulantes do sistema nervoso 
central e alucinógenos é importante que o socorrista mantenha o ambiente calmo, com 
pouca iluminação e ruídos. Segue com o exame secundário, com ênfase nos sinais vitais 
e na anamnese. Procure identificar o agente intoxicante e o tempo de exposição. 
 
INTOXICAÇÃO POR MONÓXIDO DE CARBONO 
A intoxicação por monóxido de carbono (CO) tem sido associada à alta 
morbimortalidade em vítimas de incêndios com lesão inalatória. Embora não seja 
frequente acidentes com bombeiros militares, eles estão expostos a situações de grande 
risco quando em combate a incêndios em ambientes confinados. Falhas na vedação do 
equipamento de proteção respiratória ou esgotamento do ar comprimido podem levar o 
bombeiro militar à grande exposição ao CO e cianeto. Dessa forma, as orientações aqui 
contidas tanto servirão ao socorro de civis, como também de bombeiros acidentados. 
O CO é um gás inodoro e incolor, produto da combustão incompleta de 
hidrocarbonetos. Tem de 200 a 300 vezes mais afinidade pela hemoglobina que o 
oxigênio. Dessa forma, saturando a hemoglobina, impede a chegada de oxigênio em nível 
celular. Em baixas concentrações provoca cefaleia, fadiga, mialgia, náuseas e vômitos. 
Em intoxicações graves causa angina pectoris, depressão respiratória, inconsciência, 
convulsões e coma. 
Em oxímetros comuns, a oximetria pode se apresentar normal mesmo havendo 
intoxicação por CO. Atualmente já estão disponíveis aparelhos que aferem tanto a 
saturação de oxiemoglobina como também de carboxihemoglobina (COHb). Em 
indivíduos sadios, não fumantes, admite-se até 3% de COHb. Em fumantes o valor é de 5 
% ou mais. A intoxicação acontece em valores de COHb maiores que 10-15%. 
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Associação entre a concentração de COHb e manifestações clínicas 
na intoxicação por CO. 
% de COHb Manifestações clínicas 
10% 
Dificuldade visual 
Cefaleia 
20% 
Cefaleia 
Desmaio 
Dores abdominais 
30% 
Desmaios 
Paralisia 
Distúrbios respiratórios 
Colapso circulatório 
50% 
Bloqueio das funções respiratórias 
Coma 
Morte 
Fonte: Adaptado de Oga, Camargo e Batistuzzo – Fundamentos de Toxicologia, 3ª ed. 
 
A conduta pré-hospitalar imediata é retirada do intoxicado do ambiente hostil e 
oferta imediata de oxigênio suplementar em alta concentração, suporte ventilatório e 
hemodinâmico. O tempo de meia vida da COHb é de 5 horas. O oxigênio a 100% diminui 
a meia vida em cerca de 4 vezes em pressão atmosférica normal e para cerca de 13 
vezes quando em câmara hiperbárica a 3 atm. 
 
INTOXICAÇÃO POR CIANETO DE HIDROGÊNIO 
O cianeto de hidrogênio (HCN) é resultado da combustão incompleta de materiais 
nitrogenados, tais como plásticos, lã, seda, madeira e espumas. Sua afinidade com o 
ferro facilita seu transporte ligado à hemoglobina, chegando até as células e bloqueando a 
respiração celular. Níveis séricos de 0,5 mg/L são suficientes para causar intoxicação 
aguda. Entretanto, devido a sua gravidade, deve-se suspeitar de intoxicação por HCN 
sempre que pacientes expostos à fumaça em ambiente confinado apresentarem cefaleia, 
náuseas, vômitos, hiperventilação, ansiedade, convulsões, bradicardia e hipotensão. 
 
 
 
 
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Gravidade da intoxicação por HCN e manifestações clínicas. 
GRAVIDADE 
Grave Intermediária 
Sem toxicidade 
significativa 
ECG < 9, ou: 
Instabilidade hemodinâmica 
(FC ≤ 40 bpm, PAS < 90 
mmHg) 
ECG entre 10 e 13 com ou 
sem sinais vitais anormais. 
ECG entre 14 e 15 
Fonte: Secretaria de Atenção à Saúde – Ministério da Saúde 
 
Além dos cuidados com vias-aéreas, ventilação, circulação e estado neurológico, a 
oxigenoterapia em alta concentração (100%) é fundamental. Recomenda-se ainda a 
utilização de Kits de antídotos para o HCN. A hidroxocobalamina (cyanokit®) é o 
tratamento de escolha, contudo não está disponível comercialmente no Brasil. Em outubro 
de 2015 o Ministério da Saúde aprovou o Protocolo de Uso da Hidroxocobalamina na 
Intoxicação Aguda por Cianeto. 
Em virtude do incêndio ocorrido na boate Kiss na cidade de Santa Maria – RS em 
2013, o governo norte americano doou 140 kits de hidroxocobalamina para o Ministério da 
Saúde. Os kits não utilizados, 72, foram distribuídos para as cidades sede da Copa do 
Mundo de 2014. 
 
 
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EMERGÊNCIAS EM SAÚDE MENTAL 
 
 
 
 As emergências em saúde mental constituem um grupo de ocorrências em 
Atendimento Pré-Hospitalar (APH) que motivaram ao longo dos anos questionamentos de 
natureza técnica, social e moral entre os profissionais socorristas. Entre este grupo de 
profissionais é frequente o relato de que possuem pouca ou nenhuma capacitação para 
tal evento. 
 Contudo, é preciso levar em conta que o regulamento técnico dos sistemas 
estaduais de urgência e emergência, legislação norteadora das ações pré-hospitalares no 
Brasil, faz previsão da formação de auxiliares e técnicos em enfermagem, enfermeiros e 
médicos na temática e urgências psiquiátricas. É importante notar nesse mesmo 
regulamento que nesse mesmo regulamento que essa exigência não existe para os 
profissionais não oriundos da área da saúde, como é o caso dos bombeiros militares 
combatentes. Nesse sentido, os centros formadores que atualmente não dedicam parte 
da sua carga horária do seu curso para essa temática certamente estão negligenciando 
um campo do saber que estatisticamente ocupa lugar de destaque no APH. Segundo o 
relatório estatístico anual de ocorrências do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito 
Federal, as ocorrências de natureza psiquiátrica foram responsáveis por 16% dos 
atendimentos clínicos no ano de 2013. 
 No Distrito Federal, tradicionalmente o Corpo de Bombeiros tem assumido a 
responsabilidade de atendimento dessas urgências e emergências no ambiente pré-
hospitalar. Mesmo sem a previsão de carga-horária específica para o tema, como citado 
acima, porém entendendo ser necessária tal capacitação, o currículo de seus cursos 
sempre fez a previsão de capacitação de seus socorristas nas urgências e emergências 
psiquiátricas. 
 
Urgências e Emergências em Saúde Mental 
 
 Ainda que as definições conceituais de urgência e emergência procurem trazer 
diferenças entre um termo e outro, essa constatação nos parece ainda difícil. O Conselho 
Federal de Medicina define urgência como ocorrência imprevista de agravo à saúde com 
ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. Já 
a emergência é definida como a constatação médica de condições de agravo à saúde que 
impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento 
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SEÇÃO DE DOUTRINA, ENSINO E INSTRUÇÃO – SEDEI/GAEPH Página 141 
 
médico imediato. O fato é que pelos dois conceitos, tanto uma como a outra merecem 
atendimento médico imediato. 
 Assim como outros grupos, as urgências e emergências em saúde mental 
englobam uma diversidade de agravos: psicoses, crises depressivas, tentativas de 
suicídio, transtornos decorrentes do uso do álcool, crack e outras drogas etc. No Distrito 
Federal, além das dificuldades encontradas no trato com o próprio paciente, é frequente 
os relatos por parte dos socorristas de que encontram dificuldades na admissão do 
paciente nos hospitais. Em setembro de 2012 a Secretaria de Saúde do DF publicou a 
Portaria nº 185, que institui normas para o atendimento às emergências em Saúde Mental 
na dimensão hospitalar e pré-hospitalar. Dela destacamos os seguintes pontos: 
 
• terão prioridade pacientes que adentrem a rede de atenção por meio dos serviços de 
atendimento do CBMDF e SAMU; 
• contenções mecânicas só deverão ser retiradas após avaliação e autorização médica. 
 
Emergências em Saúde Mental 
 
 As emergências em Saúde Mental serão atendidas inicialmente pelas clínicas 
médica e pediátrica dos Hospitais Regionais. 
 Antes de abordarmos a conduta esperada dos socorristas em uma emergência em 
Saúde Mental, também é necessário que o profissional compreenda que sua assistência 
deve ser direcionada à integralidade do ser humano. As práticas profissionais em saúde 
no Brasil ainda são fortemente marcadas por uma visão estritamente biológica que, ao se 
afastar do ser humano integral, negligencia boas práticas de cultivo da assistência 
holística. 
 
Reconhecimento e Conduta nas urgências e emergências em saúde mental 
 
 É primordial que o socorrista fique atento à apresentação de sinais que indiquem a 
presença de crise: alvoroço, agitação, medo, choro, tristeza, insegurança, alterações da 
percepção da realidade. 
 
 
 
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A comunicação é um forte elemento resolutivo em situações de conflito. Lembre-se 
disso! 
 
• Avalie a segurança da cena; 
• Aproxime-se do local com sinais luminosos e sonoros desligados; 
• Defina um mediador. Ele será o responsável pela comunicação com o paciente; 
• No decorrer da ocorrência, caso julgue necessário, substitua o mediador; 
• Identifique-se, e informe o motivo de estar ali. Ofereça ajuda; 
• Seja receptivo ao paciente. Estabeleça a comunicação de maneira clara, tranquila e 
serena. Fique atento a linguagem verbal e não verbal do paciente; 
• Não demonstre duvidar de relatos apresentados pelo paciente; 
• Tente identificar eventos ou relações conflituosas que potencialmente possam ter 
desencadeado a crise; 
• Negocie formas de resolução da situação; 
• Considere: acolher familiares e pessoas envolvidas; limites da mediação; 
 
 Hiperatividade, inquietude, angústia, irritabilidade, verborreia e atitudes hostis 
podem indicar a possibilidade de violência. Nesse caso: 
 
• Avalie a segurança da cena; 
• Identifique objetos ou artefatos que podem ser utilizados para agressão ou 
autoagressão; 
• Em caso de utilização de armas (de fogo ou branca) é imperativa a necessidade da 
presença de órgão policiais. Solicite junto ao COCB; 
• Informe-se sobre os motivos de seu comportamento (com o paciente ou familiares); 
 
 Considere essas possíveis associações: 
 
• Raiva (hostilidade, fala exaltada, tensão muscular) – explicite que reconhece a raiva, 
mas dialogue em busca de outras soluções; 
• Euforia (hiperatividade, verborreia, ideia de grandeza, insônia) – mantenha o diálogo 
com atitudes claras, indicando limites e possibilidades, proporcionando um ambiente com 
poucos estímulos; 
• Medo (atitude de desconfiança; sensação de ameaça) – explicite que reconhece o 
medo, tenha atitude protetiva, escuta e fala acolhedoras; 
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• Confusão mental (desorientação, discurso incoerente). 
 
A contenção é uma possibilidade que deve ser sempre considerada como última 
medida. Em nenhuma hipótese ela deve ser utilizada como forma de punição ou 
disciplinarmente. 
 
 
CONTENÇÃO FÍSICA E MECÂNICA 
 
 As técnicas descritas abaixo visam a proteção de todos os indivíduos envolvidos no 
evento e suas formas de realização visam a contenção com o menor dano possível. 
 
Contenção Física• Somente iniciar a técnica quando o número mínimo de profissionais exigidos estiver 
presente; 
• Explicar aos familiares a decisão; 
• Realizar o controle do espaço. Posicionar a equipe em semicírculo em relação ao 
paciente com o mediador ao meio; 
• Decidir previamente uma palavra-chave que dará início à ação (start); realizar o 
comando sem alterar o tom de voz; 
• Dois bombeiros avançarão em direção aos membros superiores. Cada um segurará 
um dos punhos com as duas mãos e posicionará a articulação do cotovelo do paciente 
embaixo de sua axila, prendendo-o sob seu tórax; 
• Outros bombeiros avançarão em direção aos membros inferiores. Com o braço mais 
próximo o bombeiro envolverá a região posterior da coxa do paciente com a mão na 
região patelar. Com o outro braço estendido segurar o tornozelo contra o chão. 
• Após a imobilização dos membros o mediador se posiciona atrás do paciente e 
imobiliza a cabeça e o tórax. Um dos braços do mediador é direcionado por baixo da axila 
do paciente e fixado sob o tórax. A palma da outra mão é posicionada sobre a fronte do 
paciente. 
 
Contenção Mecânica 
 
• Imobilização na maca/ prancha (em posição anatômica); 
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• Membros inferiores – mantidos afastados com fixação de joelhos e tornozelos; 
• Membros superiores – imobilizados ao longo do corpo com a palma da mão para 
cima. Fixação dos punhos; 
• O mediador é o responsável pela passagem das faixas; 
• Introduzir a faixa por baixo das articulações e avançar até punhos e tornozelos. O nó 
deve ser confeccionado na parte anterior; 
• Tórax – é a última faixa a ser posicionada. Nos homens deve ficar na altura dos 
mamilos e em mulheres abaixo das mamas. Evitar compressão do tórax e posicionamento 
sobre o diafragma para não prejudicar a ventilação. A elevação natural do tronco não 
deve ultrapassar 30º. 
 
Lembre-se. No hospital, a contenção só deve ser retirada após avaliação e 
autorização médica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Curso de Formação de Praças – CFP Avaliação Prática 1 
 
 
AVALIAÇÃO PRÁTICA – AVALIAÇÃO DO PACIENTE – VC 1 
 
SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS 
1 - Avaliar e assegurar a cena da emergência 
2 - Utilizar proteção pessoal (Precauções Universais) 
3 -Avaliar Situação (o que aconteceu, quais os riscos, medidas a serem adotadas) 
SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS 
1 – Impressão Geral 
1.1 Respiração 
1.2 Hemorragias Exsanguinantes (X) 
1.3 Status Neurológico 
2 – Abordagem do paciente 
2.1 Tentar comunicar-se com o paciente 
2.2 Solicitar consentimento para socorrer 
2.3 Perguntar o nome e o que aconteceu 
3 – Abertura das vias aéreas sem comprometer a cervical 
3.1 Os dois joelhos apoiados no chão ou deitado 
3.2 Cotovelos apoiados nas coxas ou no chão 
3.3 Mãos estabilizando a cabeça do paciente 
3.4 Tocou o paciente somente após estar estabilizado 
3.5 Não realizou movimento brusco no paciente 
3.6 Avaliar Boca, Nariz e Traquéia 
4 – Ventilação 
4.1 Avaliar a qualidade da ventilação – Presença, ritmo e profundidade 
4.2 Colocação do oxímetro de pulso 
4.3 Preparar o oxigênio 
4.4 Regular a vazão de acordo com a necessidade 
4.5 Aplicar corretamente a máscara para ministrar O2 
4.6 Realizar a rendição do auxiliar para ministrar o oxigênio 
4.7 Voltar a promover a estabilização 
5 – Circulação 
5.1 Presença de pulso periférico 
5.2 Ritmo do pulso periférico 
5.3 Qualidade do pulso periférico 
5.4 Perfusão periférica 
5.5 Pesquisa visual por outras hemorragias 
5.6 Coloração da pele 
5.7 Umidade 
5.8 Temperatura 
5.9 Informar se há necessidade ou não de investigar sinais de fratura de pelve que possa estar causando o choque. Caso exista 
lesão, informar o tratamento. 
6 – Estado neurológico 
6.1 Verificar e pontuar abertura ocular 
6.2 Verificar e pontuar resposta e diâmetro pupilar 
6.3 Verificar e pontuar resposta verbal 
6.4 Verificar e pontuar melhor resposta motora bilateral 
6.5 Pontuar escore final e classificar ECG pontos leve moderado grave 
7. Exposição e ambiente 
7.1 Avaliar a queixa principal do paciente 
7.2 - Aparecimento 7.3 - Localização 7.4 Intensidade 
7.5 - Cronologia 7.6 - Incremento 7.7 Alívio 
7.8 Avaliar a necessidade de cortar as vestes 
7.9 – Expor o membro lesionado 
7.10 Avaliar a região de queixa – Exame físico – Apalpar da raiz até a extremidade. 
7.11 Pulso distal 7.12 Perfusão 
7.13 Sensibilidade 7.14 Motricidade 
7.15 Informar a necessidade de tratamento 
AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA 
8. Entrevistar o paciente - SAMPLA 
8.1 Sinais e Sintomas 
Curso de Formação de Praças – CFP Avaliação Prática 1 
 
 
 
8.2 Alergia 
8.3 Medicações 
8.4 Passado Médico e Antecedentes 
8.5 Líquido e Alimento 
8.6 Ambiente 
9. Exame físico 
9.1 Inspecionar couro cabeludo e crânio 
9.2 Inspecionar e apalpar as clavículas 
9.3 Inspecionar e apalpar escápulas 
9.4 Inspecionar e apalpar ombro 
9.5 Inspecionar parte lateral e anterior do tórax (Anteroposterior e látero-medial) 
9.6 Inspecionar e apalpar o esterno 
9.7 Inspecionar e 
apalpar 
QSD QSE QID QIE 
9.8 Inspecionar e apalpar a região pélvica (látero-medial) 
9.9 Inspecionar a genitália (hemorragias – masculino e feminino / priapismo – masculino) 
9.10 Inspecionar MMII (pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade) 
9.11 Inspecionar MMSS (pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade) 
10 – Sinais Vitais 
10.1 Aferir Temperatura 
10.2 Aferir Pulso 
10.3 Aferir Respiração 
10.4 Aferir Pressão Arterial 
11 - Colocação do colocar cervical (Decidir o melhor momento) 
11.1 Avaliar pescoço 
11.2 Avaliar Pavilhão auricular e retro auricular 
11.3 Avaliar Mandíbula 
11.4 Avaliar Maxilar 
11.5 Mensuração 
11.6 Colocação 
12 – Preparar para o transporte 
12.1 Rolamento adequado e avaliar região dorsal para colocar paciente na prancha 
12.2 Indicar que colocou cobertor térmico 
12.3 Posicionar os tirantes indicando os procedimentos corretos de colocação de tirantes 
12.4 Realizar a rendição do 01 e indicar que colocou os estabilizadores de cabeça 
12.5 Indicar que está pronto para transporte 
12.6 Realizar o contato com a regulação médica e seguir orientações 
13 – Avaliação continuada 
13.1 Ventilação 
13.2 Circulação 
13.3 Estado neurológico 
13.4 Sinais vitais 
13.5 Revisar tratamento realizado 
SOMA DE PONTOS OBTIDOS 
PENALIDADE POR DEMORA NA EXECUÇÃO DOS PROCEDIMENTOS 
14.1 Realizou todos os procedimentos em até 00:20:00 Tempo de prova: 
14.2 Realizou todos os procedimentos após 00:20:00 (diminuir 1 ponto a cada minuto ultrapassado) 
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
20.01-
21.00 
21.01-
22.00 
22.01-
23.00 
23.01-
24.00 
24.01-
25.00 
25.01-
26.00 
26.01-27.00 27.01-
28.00 
28.01-
29.00 
29.01-
30.00 
14.3 Abandonou a assistência ao paciente. (Multiplicar os pontos obtidos por 0) 
Nota final: Pontos obtidos + penalidade por demora 
 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS– CFP Avaliação Prática 2 
 
Avaliação Prática – OVACE Adulto – VC 2 
 
AVALIAÇÃO DA CENA 
01 - Avaliar e assegurar a cena da emergência. 
02 - Utilizar Equipamentos de Proteção Individual (Precauções universais). 
03 – Avaliar a situação (o que aconteceu, quais os riscos e medidas a serem adotadas). 
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 
04 – Impressão Geral (Respiração, Hemorragia exsanguinante e Status neurológico) 
05 – 5.1 Identificação do 
Socorrista 
5.2 Solicitar 
consentimento. 
5.3 Identificação da 
vítima (nome) 
5.4 O que aconteceu? 
Paciente responde de 
forma não verbal 
06 – Perguntar se está engasgado? 
07 – Estimular a tosse - não consegue tossir 
08 – Classificarem obstrução total ou parcial 
09 – Solicitar Suporte Avançado de Vida – SAV e DEA 
MANOBRA DE HEIMLICH 
10 – Explicar os procedimentos para o paciente e fornecer suporte emocional. 
11 - Posicionar-se atrás do paciente, com seu corpo lateralizado, apoiando a parte posterior do corpo da vítima. Posicionar um dos pés 
entre os pés do paciente e o outro distal a ele formando uma base e envolver a cintura do paciente com seus braços. 
12 – Posicionar uma das mãos de forma fechada, com a parte lateral do polegar, voltada para o abdômen do paciente. 
13 – Posicionar a outra mão sobre a primeira e realizar compressões abdominais com o movimento direcionado de fora para dentro e 
debaixo para cima, simultaneamente, até ocorrer a desobstrução ou o paciente ficar inconsciente. 
14 – Inconsciência: deitar o paciente com segurança em superfície plana e rígida 
MANOBRA DE DESOBSTRUÇÃO EM PACIENTE INCONSCIENTE 
15 - Posicionar as mãos no local correto de RCP (metade inferior do esterno). 
16 – Realizar 30 compressões torácicas com a técnica correta. 
17 - Abrir a boca e vias aéreas com a manobra de inclinação da cabeça e tração da mandíbula, observar a boca e tentar visualizar o 
objeto. (Objeto não encontrado) 
18 - Acoplar o oxigênio ao reanimador (vazão de 10 a15 litros por minuto). 
19 - Promover duas ventilações. Após a primeira ventilação, observar se há expansão torácica, caso não haja reposicionar a cabeça do 
paciente e a via aérea, revisando toda a técnica de utilização do BVM e fazer uma nova ventilação. (Não há expansão torácica.). 
20 - Realizar 30 compressões torácicas com a técnica correta. 
21 - Abrir as vias aéreas com a manobra de inclinação da cabeça e tração da mandíbula, observar a boca e tentar visualizar o objeto. 
(Objeto encontrado) 
22 – Retirar o objeto com dedo indicador pelo canto da boca e procurar por mais objetos. 
23- Promover duas ventilações. Após a primeira ventilação, observar se há expansão torácica, caso não haja reposicionar a cabeça do 
paciente e a via aérea e fazer uma nova ventilação. (Há expansão torácica nas duas ventilações). 
24 – Checar simultaneamente respiração e pulso carotídeo em até 
10seg. Tem pulso e respira. 
Indicar que o paciente foi desobstruído, respira e tem pulso. 
25 – Entrar em contato com a Regulação Médica, informar a situação e solicitar orientação. 
26 - Informar de que forma irá proceder com a avaliação continuada. 
27 - Posicionar o paciente na posição lateral de segurança 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS– CFP Avaliação Prática 2 
 
 
 
Avaliação Prática – OVACE Lactente – VC 2 
 
 
AVALIAÇÃO DA CENA 
01 - Avaliar e assegurar a cena da emergência. 
02 - Utilizar Equipamentos de Proteção Individual (Precauções universais). 
03 – Avaliar a situação (o que aconteceu, quais os riscos e medidas a serem adotadas). 
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 
04 – Impressão Geral ( Respiração, Hemorragia exsanguinante e Status neurológico) 
05 – 5.1 Identificação do 
Socorrista 
5.2 Solicitar 
consentimento ao 
responsável 
5.3 Identificação da 
vítima (nome) 
5.4 O que aconteceu? Responsável responde 
06 – Solicitar permissão ao responsável para assumir o paciente 
07 – Verificar sinais de obstrução (cianose, sonolência, ausência de sons). 
08 – Classificar em obstrução total ou parcial. (não consegue chorar livremente) 
09 – Solicitar Suporte Avançado de Vida – SAV e DEA 
MANOBRA DE TAPOTAGEM E COMPRESSÕES 
10 – Posicionar as mãos liberando as VAs do paciente (dedos em V ou C). 
11 – Posicionar o lactente em seu antebraço com o rosto voltado para baixo. Inclinar a criança para baixo em um ângulo próximo a 
45º e manter o antebraço apoiado na coxa, com cuidado para evitar a compressão de partes moles da garganta do lactente. 
12 - Com a mão espalmada, aplicar 5 golpes dorsais (tapotagens), entre as escápulas do lactente 
13 – Colocar a mão livre na parte posterior da cabeça do paciente, girando-o em monobloco, mantendo-o apoiado no antebraço de 
forma inclinada em um ângulo próximo a 45º e apoiar o antebraço na coxa. 
14 - Aplicará 5 compressões no tórax com dois dedos logo abaixo da linha intermamilar 
15 – Repetir procedimentos 10, 11, 12, 13 e 14 até a desobstrução ou inconsciência (paciente inconsciente). 
MANOBRA DE DESOBSTRUÇÃO EM PACIENTE INCONSCIENTE 
16 - Deitar o paciente com segurança em superfície plana e rígida e colocar um coxim entre as escápulas 
17 – Realizar 30 compressões torácicas com a técnica correta. 
18 – Abrir a boca e as vias aéreas do paciente e tentar visualizar o objeto. (Objeto não encontrado) 
29 - Acoplar o oxigênio ao reanimador (vazão de 5 a 7 litros por minuto). 
20 - Ajustar a válvula de pressão do BVM para não mais que 40 cmH2O. 
21 - Promover duas ventilações. Após a primeira ventilação, observar se há expansão torácica, caso não haja reposicionar a cabeça do 
paciente e a via aérea, revisando toda a técnica de utilização do BVM e fazer uma nova ventilação. (Não há expansão torácica.) 
22 – Realizar 30 compressões torácicas com a técnica correta. 
23 - Abrir a boca e as vias aéreas do paciente e tentar visualizar o objeto . (Objeto encontrado) 
24 – Retirar o objeto com dedo mínimo e procurar por mais objetos. 
25 - Promover duas ventilações. Após a primeira ventilação, observar se há expansão torácica, caso não haja reposicionar a cabeça do 
paciente e a via aérea e fazer uma nova ventilação. (Há expansão torácica nas duas ventilações). 
26 – Checar simultaneamente respiração e pulso Braquial ou 
femoral em até 10seg. Tem pulso e respira 
Indicar que o paciente foi desobstruído, respira e tem pulso. 
27 – Entrar em contato com a Regulação Médica, informar a situação, solicitar orientação. 
28 - Informar de que forma irá proceder com a avaliação continuada. 
29 - Posicionar o paciente na posição lateral de segurança 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS– CFP Avaliação Prática 2 
 
 
 
EMERGÊNCIA MÉDICA III SEDEI-GAEPH 
 
Avaliação Prática – Reanimação Cardiorrespiratória - RCP Adulto – VC 2 
 
 
 AVALIAÇÃO DA CENA 
 
01 - Avaliar e assegurar a cena da emergência. 
02 - Utilizar Equipamento de Proteção Individual (Precauções universais). 
03 – Avaliar a situação (o que aconteceu, quais os riscos e medidas a serem adotadas) e Recursos adicionais. 
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 
04 – Impressão Geral (Respiração, Hemorragias, e Status neurológico) 
05 - Abordagem ao paciente (Chamar o paciente) Paciente não responde 
Informar que o paciente está 
inconsciente 
 
 
06 - Verificar respiração e pulso carotídeo simultaneamente em até 10seg. (SEM 
respiração e pulso). 
Informar que o paciente está em 
PCR 
 
07 – Solicitar recurso adicional SAV e pedir o DEA. 
REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR - RCP 
 
08 - Posicionar as mãos no local correto (metade inferior do esterno). 
09 - Iniciar as 30 compressões imediatamente. 
10 - 1° Ciclo 30 compressões 15 a 18 segundos 
2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
DEA – OK 
11- 2º Ciclo 30 compressões 15 a 18 segundos 2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
DEA – OK 
12- A partir do 3º ciclo – DEA em atraso 
11 – Ligar e instalar corretamente o DEA 
Ligar o DEA Eletrodos corretos Interrupção atendida 
13 – Acoplar o oxigênio do Reanimador 
14 – Regular a vazão de 10 a 15 L por minuto 
15 - Posicionar corretamente a mascara facial. 
16 – Abrir vias aéreas. 
17 - Realizar corretamente a pegada e vedação da máscara do reanimador. 
18 - Afastar e não tocar no paciente de acordo com o comando do DEA. 
19 – Choque: Indicado - Executar 
20 – Reiniciar rapidamente as compressões. 
21 - Ciclos Compressões Duração 15 a 18 seg. Ventilações Interrupção 
22 - 1° Ciclo30 compressões seg. 
2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
23- 2º Ciclo 30 compressões 
seg. 2 ventilações 
efetivas Até 10 segundos 
24 - 3º Ciclo 30 compressões seg. 2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
25 - 4º Ciclo 30 compressões 
seg. 2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
26 - 5º Ciclo 30 compressões 
seg. 2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
27- Completar com alta qualidade o tempo de RCP, se necessário, até o DEA mandar parar as compressões. 
28 – Choque: Indicado - Executar 
29 – Realizar o revezamento do socorrista que terminou de fazer as compressões. 
30 – Reiniciar rapidamente as compressões. 
 
31- Ciclos Compressões Duração 15 a 18 seg. Ventilações Interrupção 
32- 1° Ciclo 30 compressões seg. 
2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
 
33- 2º Ciclo 30 compressões 
seg. 2 ventilações 
efetivas Até 10 segundos 
 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS– CFP Avaliação Prática 2 
 
 
 
EMERGÊNCIA MÉDICA III SEDEI-GAEPH 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 – 3º Ciclo 30 compressões seg. 2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
35 - 4º Ciclo 30 compressões 
seg. 2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
 
37 -5º Ciclo 30 compressões 
seg. 2 ventilações 
efetivas 
Até 10 segundos 
 
38- Completar com alta qualidade o tempo de RCP, se necessário, até o DEA mandar parar as compressões. 
39 – Choque: não indicado 
40 – Checar pulso e respiração por até 10 segundos 
(tem pulso e respira) 
Informar que o paciente foi reanimado 
 
41 – Realizar contato com a Central de Regulação (seguir orientação). 
TOTAL DE PONTOS 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS– CFP Avaliação Prática 2 
 
 
 
EMERGÊNCIA MÉDICA III SEDEI-GAEPH 
 
 
Avaliação Prática - Reanimação Cardiorrespiratória - RCP Lactente – VC 2 
AVALIAÇÃO DA CENA 
01 - Avaliar e assegurar a cena da emergência. 
02 - Utilizar Equipamento de Proteção Individual (Precauções universais). 
03 – Avaliar a situação (o que aconteceu, quais os riscos e medidas a serem adotadas). 
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 
04 – Impressão Geral ( Respiração, Circulação e Status neurológico) 
05 – Chamar o paciente (Paciente não responde) Indicar que o paciente está inconsciente 
06 – Checar simultaneamente respiração e pulso Braquial ou femoral em até 
10seg. Tem pulso mas não respira 
Indicar que o paciente está em PR 
07 – Solicitar recurso adicional SAV e pedir o DEA. 
REANIMAÇÃO PULMONAR - RP 
08 - Acoplar o oxigênio ao reanimador (vazão de 5 a 7 l/min). 
09 - Abrir vias aéreas (método de inclinação da cabeça e elevação da mandíbula ou método de empurre mandibular no caso de 
suspeita de trauma). Colocar coxim para garantir a posição neutra de cabeça. 
10 - Ajustar a válvula de pressão para não mais que 40 cmH2O. 
11 - Posicionar a máscara do BVM sobre a face do paciente, com a base entre a protuberância do queixo e o lábio inferior 
envolvendo a boca é o nariz. 
12 - Realizar vedação eficaz da máscara do BVM posicionando adequadamente o polegar na porção superior da máscara, o 
indicador na porção inferior os demais dedos ao longo da mandíbula. (pegada em pinça). Não pressionar tecidos moles. 
13 - Iniciar a respiração artificial imediatamente por 02 minutos, promovendo uma ventilação a cada 2 ou 3 segundos utilizando o 
BVM. 
14 - Realizar 40 a 60 ventilações efetivas. 
15 - Realizar as ventilações entre 1m50seg a 2min10seg. 
16 – Checar simultaneamente respiração e pulso Braquial ou femoral em até 10seg. 
Tem pulso e não respira 
Indicar que o paciente continua em PR 
17 – Realizar o revezamento dos socorristas 
18- Iniciar a respiração artificial imediatamente por 02 minutos, promovendo uma ventilação a cada 2 ou 3 segundos utilizando o 
BVM. 
19 - Realizar 40 a 60 ventilações efetivas. 
20 - Realizar as ventilações entre 1m50seg a 2min10seg. 
21 – Checar simultaneamente respiração e pulso Braquial ou femoral em até 10seg. Não 
tem pulso e não respira 
Indicar que está em PCR 
REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR – RCP 
22 - Posicionar 2 dedos no local correto (logo abaixo da linha intermamilar: não pressionar o Apêndice xifoide ). 
23 - Iniciar a RCP com 10 ciclos de 15 compressões torácicas seguidas de 2 ventilações imediatamente. 
Ciclos Compressões Técnica 
Duração 7 
a 9 seg. 
Ventilações Interrupção 
24 – 1° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
25 – 2° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
25 – 3° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
27 – 4° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
28 – 5° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
29– 6° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
30 – 7° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
31 – 8° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
32 – 9° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
33 – 10° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas - 
34 – Checar simultaneamente respiração e pulso Braquial ou femoral em até 
10seg. Não tem pulso e não respira 
Indicar que o paciente continua em PCR 
35 – Realizar o revezamento dos socorristas 
CURSO DE FORMAÇÃO DE PRAÇAS– CFP Avaliação Prática 2 
 
 
 
EMERGÊNCIA MÉDICA III SEDEI-GAEPH 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 - Reiniciar rapidamente as compressões. 
37 - Ciclos Compressões Técnica 
Duração 7 a 9 
seg. 
Ventilações Interrupção 
38 – 1° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
39 – 2° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
40 – 3° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
41 – 4° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
42 – 5° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
43 – 6° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
44 – 7° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
45 – 8° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
46 – 9° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas Até 10 seg 
47 – 10° ciclo 15 Compressões correta seg. 2 efetivas - 
48 - Checar simultaneamente respiração e pulso Braquial ou femoral 
em até 10seg. Tem pulso e respira 
 
Indicar que o paciente foi reanimado 
49 -Realizar contato com a Central de Regulação (seguir orientação). 
TOTAL DE PONTOS 
 
 Curso de Formação de Praças– CFP Avaliação Prática 3 
 
Atendimento ao Trauma – Queda de motocicleta – VC 3 
 
AVALIAÇÃO DA CENA 
SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS 
1 - Avaliar e assegurar a cena da emergência 
2 - Utilizar Equipamentos de Proteção Individual (Precauções Universais) 
3 -Avaliar Situação (o que aconteceu, os riscos, adoção de medidas, recursos adicionais) 
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 
SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS 
1 – Impressão Geral 
1.1 Respiração 1.2 Hemorragia exsanguinante 1.3 Status Neurológico 
2 – Abordagem ao paciente 
2.1 Identificação do 
Socorrista 
2.2 Solicitar consentimento 
2.3 Identificação da vítima 
(nome) 
2.4 O que aconteceu? 
3 – Manipulação do capacete 
3.1 Estabilização do capacete 3.2 Estabilização da cabeça 3.3 Liberação tirante jugular 
3.4 Rendição do 01 3.5 Reposicionamento 01 3.6 Retirada do capacete 
3.7 Estabilização pelo 01 3.8 Necessidade de coxim 3.9 Apoiar a cabeça 
4 – Abrir vias aéreassem comprometer a cervical 
 4.1 Pegada correta do chefe e alinhamento 
 4.2 Pegada correta do auxiliar 1, alinhamento e estabilização 
 4.3 Inspecionar Nariz e boca 
5 – Ventilação 
5.1 – Avaliar a qualidade da ventilação – Presença, ritmo, profundidade 
5.2 Colocar o oxímetro de pulso 
5.3 Acoplar a fonte de oxigênio à mascarilha 
5.4 Abrir o cilindro de O2 
5.5 Regular a vazão de acordo com a necessidade (10 a 15 L por minuto) 
5.6 Realizar a rendição do 01 para ministrar o oxigênio 
5.7 Voltar a promover a estabilização 
6 – Circulação - Avaliar pulso periférico 
6.1 Presença 6.2 Ritmo 6.3 Qualidade 
7 – Pesquisas por hemorragias graves e sinais de estado de choque 
7.1 Coloração da pele 7.2 Umidade 7.3 Temperatura 7.4 Perfusão 
 7.5 Tratamento da hemorragia (sangramento discreto MSD – palma da mão) 
7.6 Informar se há necessidade ou não de investigar sinais de fratura de pelve que possa estar causando o choque. Caso exista 
lesão, informar o tratamento. 
8 – Verificar a escala de coma de Glasgow – Pontuar cada item e classificar 
8.1 Ocular 8.2 Verbal 8.3 Motora 8.4 pupilas 8.5 Pontuação total 
9 – Avaliar queixa principal – ALICIA (expor, avaliar, tratar) 
9.1 
Aparição 
9.2 Localização 9.3 Intensidade 9.4 Cronologia 9.5 Incremento 
9.6 
Alivio 
9.7 Expor 
9.8 Avaliar - Apalpar da raiz até a extremidade 
9.9 Pulso Perfusão Sensibilidade Motricidade 
9.10. Informar a necessidade de tratamento 
9.12 Técnica foi aplicada corretamente? 
9.12 Houve cuidado na manipulação da área lesionada? 
AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA (na cena) 
SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS 
1 - Inspecionar couro cabeludo e crânio 
2 – Inspecionar e apalpar as clavículas (unilateralmente) 
3 - Inspecionar e apalpar escápulas (unilateralmente) 
4 - Inspecionar e apalpar ombro 
 
 Curso de Formação de Praças– CFP Avaliação Prática 3 
 
 
5 – Inspecionar parte lateral e anterior do tórax (Anteroposterior e látero-medial) 
6 – Inspecionar e apalpar o esterno 
7 – Inspecionar e apalpar o abdômen (04 quadrantes) 
7.1 QSD 7.2 QSE 7.3 QID 7.4 QIE 
8 – Inspecionar e apalpar a região pélvica 
9 - Inspecionar a genitália (hemorragias – masculino e feminino / priapismo – masculino) 
10 – Inspecionar MMII (pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade). 
11 – Inspecionar MMSS (pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade). 
12 – Entrevistar o paciente – SAMPLA 
12.1 Sinais e Sintomas 12.2 Alergia 
12.3 Medicações 12.4 Passado Médico 
12.5 Líquido e Alimento 12.6 Ambiente 
13 – Verificar Sinais Vitais - Aferir 
13.1 Temperatura 13.2 Pulso 13.3 Respiração 13.4 Pressão Arterial 
14 - Colocação do colocar cervical – Definir o melhor momento 
14.1 Avaliar pescoço 
14.2 Avaliar Pavilhão auricular e retro auricular, Mandíbula e Maxilar 
14.3 Mensuração 
14.4 Colocação 
15 –Preparar para o transporte o transporte 
15.1 Realizar o rolamento e avaliar a região dorsal para colocar paciente na prancha 
15.2 Colocar (Indicar) que colocou cobertor térmico 
15.3 Colocar os tirantes na ordem correta 
15.4 Realizar a rendição do 01 e colocar os estabilizadores de cabeça 
15.5 Indicar que está pronto para transporte 
15.6 Reportar-se à Central de Regulação/COCB. 
15.7 Indicar como proceder para realizar a avaliação continuada 
SOMA DE PONTOS OBTIDOS 
PENALIDADE POR DEMORA NA EXECUÇÃO DOS PROCEDIMENTOS 
 Realizou todos os procedimentos em até 00:12 min Tempo de prova: 
Realizou todos os procedimentos após 00:12 min (diminuir 1 ponto a cada fração de minuto ultrapassado) 
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
12.01-
13.00 
13.01-
14.00 
14.01 – 
15.00 
15.01- 
16.00 
16.01 – 
17.00 
17.01-
18.00 
18.01-
19.00 
19.01-20.00 20.01-
21.00 
21.01 – 
22.00 
 
Abandonou a assistência ao paciente. (Multiplicar os pontos obtidos por 0) 
Nota final: Pontos obtidos + penalidade por demora 
 
 
 
 Curso de Formação de Praças– CFP Avaliação Prática 4 
 
 
AVALIAÇÃO PRÁTICA – ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO – VC 4 
 
AVALIAÇÃO DA CENA 
SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS 
1 - Avaliar e assegurar a cena da emergência 
2 - Utilizar proteção pessoal (Precauções Universais) 
3 -Avaliar Situação (o que aconteceu, quais os riscos, medidas a serem adotadas) 
AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 
SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS 
1 – Impressão Geral 
1.1 Respiração 1.2 Hemorragia exsanguinante 
 
1.3 Status Neurológico 
2 – Abordagem 
2.1 Identificação da vítima (nome) 2.2 Identificação do socorrista 
2.3 Solicitar 
consentimento 
2.4 O que aconteceu? 
3 – Abrir vias aéreas sem comprometer a cervical 
 3.1 Pegada correta do chefe e alinhamento 
 3.2 Pegada correta do auxiliar 1, alinhamento e estabilização 
3.3 Inspecionar Nariz e boca 
4 – Respiração 
4.1 - Avaliar a qualidade da ventilação – Presença, ritmo, profundidade 
4.2 - Colocar o pulso-oxímetro 
5 – Oxigenar o Paciente 
 5.1Abrir o cilindro de O2, 
 5.2 Regular a vazão de acordo com a necessidade, 
 5.3 Realizar a rendição do auxiliar, 
 5.4 Aplicar corretamente a máscara para ministrar O2 
 5.5 Voltar a promover a estabilização 
6 – Avaliar pulso periférico – presença/ritmo/qualidade 
 6.1 Presença 6.2 Ritmo 6.3 Qualidade 
7 – Pesquisas por hemorragias graves e sinais de estado de choque 
 7.1 Pesquisa visual por hemorragias 
 7.2 Coloração da pele 7.3 Umidade 7.4 Temperatura 7.5 Perfusão 
 7.6 Informar se há necessidade ou não de investigar sinais de fratura de pelve que possa estar causando o choque. Caso exista lesão, 
informar o tratamento. 
8 – Verificar a escala de coma de Glasgow – Pontuar cada item e classificar ao final 
8.1 Ocular 8.2 Verbal 8.3 Motora 8.4 Pupilas 8.5 Escore 
9 – Avaliar queixa principal – ALICIA (expor, avaliar, tratar) 
9.1 
Aparição 
9.2 Localização 9.3 Intensidade 9.4 Cronologia 9.5 Incremento 
9.6 
Alivio 
9.7 Expor 
9.8 Avaliar 
9.9 Informar o tratamento 
AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA (na cena) 
SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS 
1 - Inspecionar couro cabeludo e crânio 
2 – Inspecionar e apalpar as clavículas (unilateralmente) 
3 - Inspecionar e apalpar escápulas (unilateralmente) 
4 - Inspecionar e apalpar ombro 
5 – Inspecionar parte lateral e anterior do tórax (Anteroposterior e látero-medial) 
6 – Inspecionar e apalpar o esterno 
7 – Inspecionar e apalpar o abdômen (04 quadrantes) 
 7.1 QSD 7.2 QSE 7.3 QID 7.4 QIE 
8 – Inspecionar e apalpar a região pélvica 
9 - Inspecionar a genitália (hemorragias – masculino e feminino / priapismo – masculino) 
10 – Inspecionar MMII (pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade) 
11 – Inspecionar MMSS (pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade) 
12 – Entrevistar o paciente – SAMPLA 
 12.1 Sinais e Sintomas 
 12.2 Alergia 
 
 Curso de Formação de Praças– CFP Avaliação Prática 4 
 
 
 12.3 Medicações 
 12.4 Passado Médico e Antecedentes 
 12.5 Líquido e Alimento 
 12.6 Ambiente 
13 – Verificar Sinais Vitais 
13.1 Temperatura 13.2 Pulso 13.3 Respiração 13.4 Pressão Arterial 
14 - Colocação do colocar cervical – Definir o melhor momento 
14.2 Avaliar pescoço 
14.3 Avaliar Pavilhão auricular e retro auricular, Mandíbula, Maxilar 
14.4 Mensurar e regular colar cervical 
14.5 Colocar adequadamente o colar cervical. 
15 –Preparar para o transporte 
15.1 Determinar a utilização do KED 
15.2 Posicionar adequadamente as mãos para apoiar o paciente (Articulação do joelho e Lombar/torácica). 
15.3 Movimentar o paciente afastando-o do encosto do banco do veículo (movimento em bloco/contagem) ou descer o encosto, 
apoiando as costas do paciente na região da lombar e torácica 
15.4 Posicionar corretamente o KED no dorso do paciente; 
15.5Ajustar altura e retornar o paciente para o encosto; 
15.6 Ajustar Abas do tronco; 
15.7 Afivelar os tirantes seguindo a sequência correta; 
15.8 Orientar ao paciente respirar profundamente expandindo o tórax para ajuste do tirante. 
15.9 Afivelar os tirantes da perna (de fora para dentro de baixo da perna); 
15.10 Apontar a necessidade de coxim de cabeça e ajustar as abas de cabeça; 
15.11 Colocação dos tirantes da cabeça; 
15.12 Reavaliação de todos os tirantes do KED na ordem correta 
15.13Orientar ao paciente respirar profundamente expandindo o tórax para ajuste do tirante; 
15.14 Determinar o local de retirada; 
15.15 Movimentação do paciente pelas alças de sustentação do KED para colocação na prancha rígida; 
15.16 Indicar que colocou cobertor térmico; 
15.17 Imobilizar o paciente em prancha longa; 
15.18 Fixação do Tirante Aranha Fixação dos Blocos de cabeça 
15.19 Indicar que está pronto para transporte 
 15.20 Reportar-se à Central de Regulação/COCB 
 15.21 – Indicar como proceder para realizar a avaliação continuada 
SOMA DE PONTOS OBTIDOS 
PENALIDADE POR DEMORA NA EXECUÇÃO DOS PROCEDIMENTOS 
 Realizou todos os procedimentos em até 
00:18min 
Tempo de prova: 
 
 
Realizou todos os procedimentos após 00:18min (diminuir 1 ponto a cada fração de minuto 
ultrapassado) 
 
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
18.01-
19.00 
19.01-
20.00 
20.01 – 
21.00 
21.01- 
22.00 
22.01 – 
23.00 
23.01-
24.00 
24.01-
25.00 
25.01-
26.00 
26.01-
27.00 
27.01 – 
28.00 
 
Abandonou a assistência ao paciente. (Multiplicar os pontos obtidos por 0) x 0,0 
Nota final: Pontos obtidos + penalidade por demora PO+PD 
 
 
 
 
 Curso de Formação de Praças – CFP 
 
 
ASSISTÊNCIA AO TRABALHO DE PARTO 
 
SEQUÊNCIA DE PROCEDIMENTOS 
1 - Avaliar e assegurar a cena da emergência 
2 - Utilizar proteção pessoal (Precauções Universais) 
3 -Avaliar Situação (o que aconteceu, riscos, medidas a serem adotadas, recursos adicionais) 
1 – Impressão Geral 
1.1 Respiração 
1.2 Circulação 
1.3 Status Neurológico 
2 – Abordagem do paciente 
2.1 Apresentar-se à paciente 
2.2 Solicitar consentimento 
3 – Realizar a entrevista 
3.1 Nome e Idade 
3.2 Pré-natal 
3.3 Idade gestacional e/ou data provável do parto 
3.4Histórico de partos (filhos e gestações) 
3.5Presença de contração uterina (frequência e duração) 
3.6 SAMPLA 
4 – Sinais Vitais 
4.1 Pulso 
4.2 Respiração 
4.3 Temperatura 
4.4 Pressão Arterial 
5 – Exame Físico 
5.1 Solicitar que a parturiente fique na posição ginecológica 
5.2 Identificar a presença de puxos espontâneos 
5.3 Identificar se há presença de pressão no períneo 
5.4 Identificar sinais de abaulamento ou coroamento 
5.5 Identificar sinais de ruptura do saco amniótico 
6 – Indicar se o parto é ou não iminente e preparar a mãe 
6.1 Realizar limpeza do períneo 
6.2 Trocar as luvas de procedimento por luvas estéreis 
6.3 Preparar a cena para o recém-nascido (5 campos) 
6.4 Orientar sobre os puxos (contrações, respiração) 
6.5 Posicionar-se em frente ao canal do parto 
7 – Assistência ao parto 
7.1 Realizar apoio da cabeça do bebê 
7.2 Checar circular de cordão 
7.3Acompanhar o desprendimento dos ombros do RN 
7.4 Apoio do RN durante a expulsão 
7.5 Posicionamento do bebê no mesmo nível do canal de parto ou sobre abdômen da mãe. 
7.6 Anotar informações referentes ao nascimento (nome da mãe, sexo do RN, hora e data) 
7.7 Solicitar a troca/limpeza dos campos 
8 – Atendimento Pré-Hospitalar do RN 
8.1 Limpeza da face e aspiração da boca e nariz do bebê 
8.2 Observar a respiração e realizar estímulos 
8.3 Aquecer o bebê (cobrir todo, exceto a face) 
 
 Curso de Formação de Praças – CFP 
 
8.4 Checar pulso do cordão umbilical 
8.5 Realizar o clampeamentotardio do cordão umbilical(1 a 3min) 
8.6 Realizar o corte do cordão umbilical 
9-0 Atendimento Pré-Hospitalar da mãe 
9.1 Orientar sobre contrações para dequitação 
9.2 Avaliar integridade da placenta, acondicionamento e anotações 
9.3 Controlar hemorragia (limpeza, absorvente, massagem abdominal) 
9.4 Oferecer suporte emocional à paciente durante todo o atendimento 
9.5 Fazer contato com regulação médica e indicar que está pronto para transportar a paciente

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