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A T E N D I M E N T O P R É H O S P I T A L A R EXPRESSÃO E REFERÊNCIA EM TREINAMENTOS 1 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com NUESE – NÚCLEO DE ENSINO EM SAÚDE E EMERGÊNCIA Coordenação técnica: Marcelo A. Cesar Enfermeiro Especialista em Atendimento Pré-Hospitalar Instrutor Internacional - National Safety Council (BLS / First Aid) Instrutor Internacional - Emergency Care Safety Institute (P. Socorros em Áreas Remotas) Instrutor Internacional Primeiros Socorros Pediátricos – Academia Americana de Pediatras Reinaldo Coelho M. Júnior Enfermeiro Especialista em Atendimento Pré-Hospitalar Coordenador de Enfermagem SAMU 192 Guarujá/SP Enfermeiro Intervencionista SAMU 192 Santos/SP Instrutor Internacional - National Safety Council (BLS / First Aid) Instrutor Internacional - Emergency Care Safety Institute (P. Socorros em Áreas Remotas) Instrutor Internacional Primeiros Socorros Pediátricos – Academia Americana de Pediatras Membro do Grupo Voluntário de Busca e Salvamento Pólo Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (GVBS Petar) Instrutor de Técnicas Verticais e Resgate de Locais de Difícil Acesso pelo UMAS/COBEEM (Colégio Brasileiro de Enfermagem em Emergência) 2 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com HISTÓRICO DO ATENDIMENTO PRÉ HOSPITALAR O Sistema Pré-Hospitalar Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, APH é: O atendimento que procura chegar precocemente à vítima após ter ocorrido um agravo de saúde (de natureza traumática ou não traumática, ou ainda psiquiátrica), que possa levar ao sofrimento ou mesmo a morte, sendo necessário prestar-lhe atendimento e/ou transporte adequado a um serviço de saúde devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde. Esse conceito engloba algumas das principais premissas de um sistema de APH: Chegada precoce à vítima; Deslocamento de pessoal treinado em ambulâncias especialmente equipadas; Possibilidade de realização de manobras e intervenções de manutenção da vida até a chegada a uma unidade hospitalar; Escolha de uma unidade hospitalar adequada e próxima. O atendimento a essas premissas abrevia o tempo para o início do socorro, evita o manuseio intempestivo da vítima, e possivelmente aumenta as chances de um resultado final de sobrevivência superior àquele que ocorre quando a vítima não recebe o mesmo cuidado. Relatos históricos do APH Apesar de seu modelo moderno e organizado ter pouco menos de 40 anos em todo o mundo, é possível perceber tentativas de realização de APH pela história mundial muito antes disso, quase sempre atrelado a ocorrência de grandes guerras ou conflitos e ao desenvolvimento do atendimento pré-hospitalar. Sua origem apoia-se na simples ideia de um ser humano ajudando outro. Na literatura há descrições de transporte de soldados feridos pelos anglo-saxões em 900dC e, em 1460, o Rei Ferdinando fez o mesmo no cerco de Málaga. No entanto, foi no século XVIII que o Barão Dominick Jean Larrey (1766-1842) cirurgião-chefe de Napoleão desenvolveu o que se pode chamar de “primeiro sistema organizado de socorro”. Não conformado com a longa espera que os feridos tinham que suportar para serem atendidos durante as batalhas, o cirurgião desenvolveu um modelo de assistência e transporte utilizando um veículo fechado, puxado por dois cavalos, com deslocamento rápido, que levava um médico, dois auxiliares e um “enfermeiro”, todos treinados a prestar cuidados e executar a retirada de feridos do campo de batalha, eram chamadas “ambulâncias voadoras”. 3 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Dominick Jean Larrey participou de mais de 60 batalhas, sempre criando e aperfeiçoando técnicas cirúrgicas. Descreveu a evolução do tétano e das lesões por frio, drenagem de tórax, controle efetivo das hemorragias e amputações, desenvolveu um método de triagem de vitimas, atendendo pela gravidade e não pela nacionalidade ou posição no exército, por isso é chamado “pai da cirurgia militar”. Pode-se também cultuar a participação de Florence Nightngale na Guerra da Criméia como um exemplo histórico de abordagem precoce ao trauma quando por volta de 1854, a memorável enfermeira organizou o atendimento aos feridos. No final do século XIX a cidade de Nova York foi a pioneira no atendimento a vítimas fora do hospital com ambulância com médicos. Impulsionados pela experiência americana, essa ideia foi então implementada pelos franceses, ajustada com a incorporação do princípio de regulação médica. No século XX, as experiências das Guerras da Coréia e do Vietnã, foram responsáveis pelo desenvolvimento da abordagem ao trauma e depois foram incorporadas ao APH. Mais recentemente temos as Guerras do Golfo e do Iraque, que trouxeram novas tecnologias que são utilizadas no APH urbano. Joseph D. “Deke”, o pai do APH moderno, após a publicação de um artigo em 1967, estimulou o desenvolvimento de um APH organizado, delineando normas e organização de serviços deste tipo, descrevendo materiais das ambulâncias e treinamento básico das equipes. Com essas idéias, na década de 70, utilizando profissionais não médicos treinados, criaram-se os Técnicos de Emergências Médicas. A partir desta experiência de sucesso, em 1982, o Colégio Americano de Cirurgiões e Associação Nacional dos Técnicos de Emergências Médicas, desenvolveram o primeiro curso voltado para profissionais “não médicos”. O curso hoje é mundialmente famoso: PHTLS – PreHospital Trauma Life Support. APH no Brasil No Brasil as primeiras experiências de implantação dos serviços de APH ocorreram em São Paulo (década de 70), Brasília (1982) e Rio de Janeiro (1986) sempre de maneira independente, com a participação ativa 4 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com do Corpo de Bombeiros dos respectivos estados e quase sempre voltados ao atendimento do trauma. Paralelamente surgiu em 1976 o serviço do Departamento de Estradas e Rodagem (DERSA) no Estado de São Paulo. No início dos anos 80, foi implantado em São Paulo o dígito 192, que a partir de 2003, se tornou o número nacional de acesso ao pré-hospitalar público. Outra inovação ocorreu em 1990 quando o Corpo de Bombeiros iniciou o sistema pré-hospitalar com ações de salvamento, chamadas de Resgate. Anos depois, este tipo de veículo existe em todo país, teve retificada a denominação de “Ambulância de Resgate” pela Portaria 2.048 do Ministério da Saúde. Em 2003, o governo federal deu origem a uma política nacional de enfrentamento as urgências e emergências, que definiu em todo território, as diretrizes para o funcionamento de sistemas de atendimento, sendo o “Serviço de Atendimento Móvel de Urgência” (SAMU) o braço pré hospitalar desse programa. Atualmente o SAMU 192 está presente em todos os estados brasileiros com 157 Centrais de Regulação Médica que abrangem 1.468 municípios. São mais de 110 milhões de pessoas que podem contar com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. ASPECTOS LEGAIS E ÉTICOS NO APH No Brasil, ao contrário de alguns países, não existem leis que regulamentem ou garantam as ações de primeiros socorros, executadas por pessoas treinadas. No entanto alguns conceitos devem estar perfeitamente claros e bem entendidos, para que não haja problema legal durante o atendimento a vítimas. CONSENTIMENTO EXPRESSO – O consentimento pode ser obtido por gestos ou por palavras de uma vítima que esteja consciente e apta a assumir responsabilidade por seus atos, por exemplo, menores de idade e pessoas com problemas de desenvolvimento mental não podem responder juridicamente por seus atos. O paciente deverá ser informado de que você é um Socorrista, com treinamento em Atendimento Pré-hospitalar. Além disso,e superficiais e associam-se ao estágio final de colapso circulatório e a má perfusão do tronco cerebral. Administrar oxigênio suplementar sob máscara com reservatório com fluxo de 10 a 15 l/min; Assistir respiração com BVM – bolsa-válvula-máscara – se indicado (gasping, respiração agônica, parada respiratória); Permitir ao paciente que assuma posição de conforto, geralmente o paciente vai optar por ficar semi-sentado. Não obrigar o paciente a deitar; Transferir a vítima para unidade de tratamento adequado; Ponderar Suporte Avançado; Avaliar a presença de obstrução de vias aéreas superiores, são sinais de obstrução incompleta de vias aéreas estridor e prolongamento da inspiração. A obstrução completa de vias aéreas altas caracteriza-se por respirações paradoxais (retrações intercostais inspiratórias), cianose, afonia, ausência de ruídos respiratórios; EMERGÊNCIAS METABÓLICAS Emergências metabólicas são as causadas por alterações do sistema endócrino, por aumento ou diminuição de secreção de hormônios vitais ao organismo. As emergências metabólicas mais comuns são a alteração da glicemia sanguínea, podendo causar aumento (hiperglicemia) ou diminuição (hipoglicemia). A hipoglicemia é a manifestação mais urgente. Se não tratada brevemente, pode levar ao óbito. Sinais e Sintomas: Sudorese, tremor, fome, ansiedade, náusea, tonteira, confusão, fala arrastada, turvação visual, letargia, crises convulsivas e coma. Conduta no APH: Abrir as vias aéreas caso o paciente esteja inconsciente ou sonolento; Administrar oxigênio sob máscara em todos os pacientes; Determinar imediatamente a glicemia capilar; 38 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Optar pela via oral na dose aproximada de 20 g de glicose em pacientes lúcidos; Transferência imediata. A hiperglicemia deve ser tratada com brevidade, porém é uma situação que avança mais lentamente, mas que pode ser potencialmente fatal. A hiperglicemia causa diurese osmótica e desidratação, hipotensão e taquicardia. A cetonemia causa acidose, vasodilatação e respiração de Kussmaul. Náusea, vômitos e dor abdominal são comuns. O diagnóstico é confirmado com glicemia > 250 mg%. Sintomas comuns: cansaço, visão borrada, vômitos, vermelhidão facial, dor abdominal, pele seca, inquietude, pulso rápido, podendo apresentar pressão baixa, hálito de maçã e progredir para o coma. Conduta no APH: Abrir as vias aéreas caso o paciente esteja inconsciente ou sonolento; Administrar oxigênio sob máscara em todos os pacientes; Determinar imediatamente a glicemia capilar; Transferência imediata. CONVULSÕES Convulsão é um fenômeno eletro fisiológico anormal temporário que ocorre no cérebro (descarga bio-energética) e que resulta numa sincronização anormal da atividade elétrica neuronal. Entre cinco e 10% da população apresenta um episódio de crise convulsiva ao longo da vida, com maior prevalência em crianças e em idosos. Podem ser precipitadas por: febre, hipoglicemia, hipoxemia, hiponatremia ou hipernatremia, toxinas e trauma craniano ou mesmo freqüentes como no mal epilético. Sinais e Sintomas: Perda da consciência ou alteração da mesma acompanhada por alterações de comportamento; presença de atividade motora involuntária, incluindo contrações tônico-clônicas e automatismos (piscar de olhos); Perda de tônus motor (resultando em queda) e incontinência esfincteriana. Geralmente são autolimitadas e de curta duração (menos de um minuto);diaforese, hipertensão, taquipnéia ou apnéia, taquicardia e salivação. O estado de mal epiléptico, ou seja, ocorrência de dois ou mais episódios de convulsão sem que a vítima recobre a consciência ou convulsões generalizadas com mais de trinta minutos de duração, constitui uma emergência médica, pois pode levar ao óbito por arritmias cardíacas ou dano cerebral devido à hipoxemia. No estado pós- comicial, deve ser analisado se a recuperação do paciente é imediata e se o mesmo já apresentava história prévia de epilepsia, pois são indicadores de bom prognóstico. Conduta no APH: No adulto jovem, procurar por sinais de: trauma, consumo de drogas ou envenenamento; Não introduzir objetos na boca do paciente durante as convulsões; Proteger a vítima de traumatismos. Evitando a contenção da vítima; 39 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Resfriar crianças febris com toalhas molhadas com água na temperatura ambiente; Abrir a via aérea empregando manobras manuais durante o estado pós comicial ou utilizando em paciente com trismo a cânula nasotraqueal; Assistir caso necessário a ventilação com máscara; Administrar oxigênio sob máscara 10 a 15 litros por minuto; Transferir a vítima para unidade de tratamento adequado; INTOXICAÇÕES EXÓGENAS São situações frequentes, pois grande número de pessoas faz uso de medicações ou estoca nas residências produtos potencialmente tóxicos com várias finalidades. O abuso de substâncias ilícitas também é comum. Pode ocorrer o vazamento de substâncias químicas perigosas em indústrias e nas áreas agrícolas existe o risco de exposição a inseticidas. A maioria das intoxicações ocorre nas residências, especialmente em crianças (66% dos casos), sendo acidentais em 90% dos casos. A exposição pode ser causada pela ingestão, inalação, administração parenteral ou absorção cutânea da substância. A forma mais freqüente de exposição é a ingestão da substância tóxica. Em geral não existem antídotos específicos para a maior parte dos produtos tóxicos, deste modo o tratamento deve ser voltado para a manutenção da vida da vítima. A descontaminação do paciente é utilizada para reduzir a absorção da substância. Devem ser identificados no ambiente os fatores presentes ou sobre a superfície corporal do paciente que ocasionem risco de vida para a equipe de resgate. Em determinados casos (por exemplo: acidentes industriais), o resgate do paciente pode exigir a utilização de vestes protetoras, aparato de respiração individual e medidas específicas de descontaminação. Examinar a cena, procurando garrafas de bebida vazias, frascos de medicamentos, seringas ou evidências de vazamento de produtos tóxicos. 40 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Conduta no APH: Adotar medidas de auto-proteção; Fazer contato com o Centro de Intoxicações (CEATOX) na suspeita de intoxicação exógena (0800-7226001); Manter as vias aéreas permeáveis; atentar para o vômito; Administrar oxigênio por máscara com reservatório dez a quinze litros por minuto; Assistir a ventilação em pacientes com respiração inadequada; Atentar para a ocorrência de arritmias cardíacas com instabilidade hemodinâmica; Não provocar vômitos se substâncias cáusticas ou ácidas; Não utilizar antagonistas principalmente em substâncias cáusticas ou ácidas; Se a contaminação for na pele ou olhos irrigar com soro fisiológico para diminuir a contaminação; Transferir a vítima para unidade de tratamento adequado; ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS Ofidismo é o acidente causado por picada de cobra venenosa. Em nosso país cerca de 90% dos acidentes são causados pela jararaca, serpente do gênero Bothrops. A jararaca apresenta a cor parda, possuindo fosseta loreal e escamas da cauda lisas. É geralmente encontrada em locais úmidos, sendo a jararaca bastante agressiva. Seu veneno é coagulante e proteolítico, causando dor e necrose no local da picada e coagulação intravascular disseminada (CIVD) com sangramentos difusos. As cascavéis (Crotalus), respondem por 9% dos acidentes ofídicos no Brasil. Estas serpentes possuem fosseta loreal, a extremidade da cauda possui um guizo característico e coloração amarelada. O veneno é neurotóxico e produz mionecrose levando a Insuficiência Renal Aguda. As alteraçõesno local da picada são discretas. O restante dos acidentes (1%) é causado pelas cobras corais verdadeiras (Micrurus) e surucucus (Laquesis). As cobras corais apesar de extremamente venenosas não possuem fosseta loreal. Seu veneno é de ação neurotóxica causando paralisia respiratória. Os sintomas no local da picada geralmente são de (parestesia) dormência. Conduta no APH: Administrar soro antiofídico é a prioridade. Encaminhar para hospital de referência (Na região temos como referência: Hospital Santo Amaro, Hospital Guilherme Álvaro, Hospital Municipal de Bertioga); Jararaca – Bothrops Cascavel – Crotalus Surucucu – Laquesis Coral – Micrurus 41 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Manter a vítima deitada e em repouso; Limpar o local; Afrouxar a roupa, remover anéis e braceletes que podem interromper a circulação da extremidade após desenvolvimento de edema (inchaço); Levar a serpente caso ela tenha sido morta, para identificação. Não assumir riscos desnecessários para efetuar este procedimento; Estar atento para o desenvolvimento de choque ou parada respiratória, secundária ao efeito do veneno; Jamais executar procedimentos como aplicação de torniquete, gelo e incisão da ferida para sugar o veneno. A sucção não remove o veneno e pode agravar o quadro; Aplicar uma bandagem compressiva com pressão de 40 a 70 mmHg em membros superiores e de 55 a 70 mmHg em membros inferiores em toda a extensão do membro afetado. Esta é uma medida eficaz para retardar a disseminação do veneno por reduzir o fluxo linfático. Araneísmo: A grande maioria das aranhas possui glândulas produtoras de veneno, porém poucas são perigosas para os seres humanos. Os envenenamentos graves são causados na maioria das vezes por aranhas fêmeas. Os machos, por sua vez, não são capazes de liberar quantidade de veneno suficiente para causar a morte. No Brasil, as principais aranhas de interesse médico pertencem ao gêneros Phoneutria, Loxosceles, Latrodectus e Lycosa. As aranhas do gênero Phoneutria, são responsáveis por cerca de 40% dos acidentes. São bastante agressivas e são chamadas como Aranha armadeira, aranha-da-banana ou aranha-dos-mercados-de-frutas. O local da picada pode evoluir com edema, e às vezes, podem estar presentes náuseas, vômitos, cefaléia e tremores musculares. O veneno tem efeito neurotóxico periférico, sendo a dor no local da picada de instalação imediata, com irradiação para todo o membro atingido. As aranhas do gênero Loxosceles, são chamadas Aranha Marrom e encontradas no interior de residências, nas grandes cidades e também na zona rural. Seu veneno possui atividades proteolítica (responsável pelas leões necróticas e isquêmicas no local da picada), hemolítica (produz hemólise intravascular) e coagulante (pode ocasionar coagulação intravascular disseminada). As aranhas do gênero Latrodectus, são chamadas de Viúva-negra, aranha- ampulheta ou flamenguinha. O veneno é neurotóxico central e periférico causando quadro clínico no local da picada e no sistema nervoso central. O quadro clínico caracteriza-se por dor intensa a partir do local da picada, com irradiação para o tronco. Em geral, acompanham as contraturas musculares generalizadas, com mialgia intensa, podendo haver evolução para convulsões tetânicas. As aranhas do gênero Lycosa, são chamadas de Tarântula, aranha-da-grama ou licosa. Seu tamanho é de aproximadamente 3 cm de corpo e até 5 cm de envergadura das pernas. O veneno é discretamente proteolítico e a picada é acompanhada de pouca ou nenhuma dor, podendo aparecer edema e eritema. O acidente é considerado de caráter benigno e não tem valor sanitário. As aranhas Caranguejeiras apresentam importância médica devido ao fato delas 42 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com poderem lançar pelos urticantes, situados no dorso do abdome. Esses pêlos podem causar reações de hipersensibilidade, com prurido cutâneo, mal- estar, tosse, dispnéia, broncoespasmo. Conduta no APH: Atentar para sintomas de manifestações graves: dispnéia, bradicardia. Esteja preparado para RCP; Limpeza Local; Transporte para hospital adequado pode ser necessário soro anti- aracnídico. Escorpionismo: Os escorpiões são artrópodes pertencentes à classe Arachnida, ordem Scorpiones. São conhecidas cerca de 1500 espécies e subespécies. A partir da implantação da notificação dos acidentes escorpiônicos no Brasil, em 1988, vem se verificando um aumento significativo no número de casos. São notificados anualmente, cerca de 8.000 acidentes, com uma letalidade variando em torno de 0,58%. O Tityus serrulatus é o maior causador de mortes no Brasil. Na sua grande maioria crianças com menos de 7 anos de idade. O escorpionismo grave caracteriza-se por falência cardiocirculatória, podendo cursar com edema pulmonar, sendo esta uma das causas mais comuns de óbito. Todos pacientes vítimas de escorpionismo devem ficar em observação, em ambiente hospitalar, entre 4 e 6 horas após a picada. São sinais de envenenamento grave: Vômitos profusos e freqüentes, náuseas, sialorréia, lacrimejamento, sudorese profusa, agitação, alteração da temperatura (geralmente hipotermia), taquicardia, hipertensão arterial, alteração do ECG, taquipnéia, tremores, espasmos musculares, paralisias e até convulsões. Pode haver evolução para casos mais graves, com bradicardia, bradipnéia, edema agudo pulmonar, colapso cardiocirculatório, prostração, coma e morte. Armadeira Aranha Marrom Viúva negra Tarântula Caranguejeira 43 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Conduta no APH: Atentar para sintomas de manifestações graves: dispnéia, bradicardia, insuficiência respiratória e PCR. Esteja preparado para RCP; Atentar para vômitos. Mantenha vias aéreas pérvias. Limpeza Local; Transporte para hospital adequado pode ser necessário soro escorpiônico. Acidentes por lepidópteros: Os acidentes causados por isentos pertencentes à ordem Lepidoptera, causada por contato com lagartas urticantes, provocada pelo contato com cerdas da mariposa Hylesia sp; ou Síndrome hemorrágica por Lonomia sp. São popularmente conhecidos por sauí, lagarta-de-fogo, chapéu armado, taturana-gatinho, taturana-de- flanela. Conduta no APH: Lavar a região com água fria ou corrente Compressa com gelo Decúbito elevado do membro Anfíbios: Todos os anfíbios secretam muco e outras substâncias pela pele. O muco tem a função de manter a pele úmida, requisito indispensável para estes animais com respiração cutânea. As outras substâncias, os populares “venenos”, são produzidas por glândulas especiais espalhadas por grandes áreas da pele e/ou concentradas em determinadas regiões do corpo, por exemplo, as glândulas paratóides dos sapos, situadas na região atrás dos olhos. Essas toxinas têm função antimicrobiana ou na defesa contra predadores. Nem sempre elas são venenosas. Sua toxicidade varia de espécie para espécie, podendo ser uma substância de odor e/ou sabor desagradável, como ocorre na rã – pimenta, até produtos irritantes e tóxicos, como nos sapos do gênero Bufo, ou mesmo alcalóides altamente tóxicos, como é o caso das rãs dendrobatas (ou dendrobatídeos). Quanto ao homem, os sapos podem ser manipulados, tomando-se o cuidado para não apertar suas glândulas de veneno (paratóides) e para não levar a secreção à boca ou aos olhos. A toxina também pode entrar no corpo através de lesões na pele. 44 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Animais Marinhos: Acidentes humanos provocados por peixes marinhos ou fluviais são denominados de ictismo. Algumas espécies provocam acidentes por ingestão (acidente passivo), enquanto outras por ferroadas ou mordeduras (acidente ativo). Poucose conhece sobre os órgãos produtores e os venenos dos peixes brasileiros. Os acidentes acantotóxicos (arraias, por exemplo) são de caráter necrosante e a dor é o sintoma proeminente. Os acidentes sarcotóxicos ocorrem pela ingestão de peixes e frutos do mar. Os baiacus (Tetrodontidae) produzem tetrodontoxina, potente bloqueador neuromuscular que pode conduzir a vítima à paralisia consciente e óbito por falência respiratória. No Brasil, não existe anti-veneno para o tratamento dos acidentes causados por peixes. O tratamento deve objetivar o alivio da dor. Conduta no APH: Lavar o ferimento com água ou solução fisiológica. Em seguida, imergir em água quente (temperatura suportável entre 30 a 45) ou colocar sobre a parte ferida compressa morna durante 30 ou 60 minutos. Esta tem por finalidade produzir o alívio da dor e neutralizar o veneno. Acidentes por Celenterados: São acidentes causados por anêmonas e corais, águas vivas, caravelas, hidras etc. O filo Celenterata é composto por animais simples, de estrutura radial, apresentando tentáculos que se inserem em volta da cavidade oral. Esses tentáculos capturam presas e apresentam células portadoras de um minúsculo corpo oval chamado nematocisto, capaz de injetar veneno por um microaguilhão que dispara quando a célula é tocada. A é sem dúvida a responsável pelo maior número e pela maior gravidade dos acidentes desse gênero no Brasil. As medusas também provocam acidentes. As mais rigorosas, capazes de matar um homem em minutos, são as do gênero Chironex (box jellyfish), encontradas na Austrália. Conduta no APH: Repousar o membro afetado; Retirada de tentáculos aderidos; Não usar água doce para lavar o local; Os tentáculos devem ser retirados suavemente levantando-os com a mão enluvada, pinça ou bordo de faca. O local deve ser lavado com água do mar; Usar ácido acético a 5% (vinagre comum), aplicado no local, por no mínimo 30 minutos inativa o veneno local; Retirada de nematocistos remanescentes: deve-se aplicar uma pasta de bicarbonato de sódio, talco e água do mar no local, esperar secar e retirar com o bordo de uma faca; Bolsa de gelo ou compressas de água do mar fria por 5 a 10 minutos. 45 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Acidentes com abelhas e vespas: Os acidentes causados por picadas de abelhas e vespas apresentam manifestações clínicas distintas, dependendo da sensibilidade do indivíduo ao veneno e o número de picadas. O acidente mais freqüente é aquele no qual um indivíduo não sensibilizado ao veneno é acometido por poucas picadas, causando uma reação inflamatória local, com pápulas eritematosas, dor e calor locais. Os acidentes causados por ataque múltiplo de abelhas (enxame), ocorrendo a inoculação de grande quantidade de veneno, devido a centenas ou milhares de picadas, pode levar à Síndrome do Envenenamento. Os doentes acometidos por milhares de picadas evoluem rapidamente para um quadro clínico grave de insuficiência respiratória e renal aguda. As reações de hipersensibilidade podem ser desencadeadas por uma única picada e leva o acidentado à morte, em virtude de edema de glote ou choque anafilático. O tratamento de poucas picadas de abelhas ou vespas, em indivíduo não sensibilizado, deve ser feito à base de anti-histamínicos sistêmicos e corticosteróides tópicos. O tratamento do acidente por múltiplas picadas de abelhas é sempre uma emergência médica e devendo o paciente ser encaminhado a um hospital. Marimbondo Cavalo No Brasil existem diversas espécies: Européia, Italiana, Africana e Mamangava. caravela (Physalia) Arraia 46 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com AFOGAMENTO Afogamento é a aspiração de líquido não corporal causada por submersão ou imersão. As principais complicações são: hipoxemia causada por asfixia ou pela lesão pulmonar aguda, hipotermia, arritmias cardíacas decorrentes de hipoxemia e aspiração pulmonar de água poluída ou contaminada. A associação com traumatismos, especialmente de coluna vertebral, é encontrada em afogamento após mergulho em água rasa ou após queda não intencional na água. As classificações dos graus de afogamento são como descritos: Conduta no APH: Manter as vias aéreas permeáveis; atentar para o vômito; Assistir a ventilação pulmonar com BMV se indicado utilizando oxigênio suplementar; Observar cuidados com a coluna cervical se houver suspeita de trauma (mergulho em águas rasas, trauma esportivo, etc.); Administrar oxigênio sob máscara em pacientes respirando espontaneamente com fluxo de 10 -15 litros por minuto; Evitar a utilização das compressões abdominais para esvaziar o estômago distendido, só aumenta o risco de aspiração pulmonar. Não tentar retirar a água dos pulmões ou do estômago. Prevenir a aspiração pulmonar em vítimas com respiração espontânea, colocando o paciente em decúbito lateral esquerdo (posição de segurança) caso ocorram vômitos; Iniciar a reanimação na ausência de pulso carotídeo mesmo em indivíduos que ficaram submersos por até quinze minutos; Tratar hipotermia. Aquecer passivamente com cobertor térmico de alumínio; Transportar pacientes em Grau I ou superiores para hospital de referência. http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADquido 47 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com HIPOTERMIA É a redução da temperatura corporal, que ocorre geralmente após exposição a baixas temperaturas. É mais comum em idosos, crianças, desnutridos, pacientes com traumatismos de medula espinhal, grandes queimados, indivíduos inconscientes e alcoolizados. Pode ser classificada em leve, moderada e grave, de acordo com a temperatura corporal. A imersão em líquidos com temperatura baixa acelera muito a perda de calor. A bradicardia é comum. Abaixo de 30º C a fibrilação atrial é frequente e temperaturas centrais inferiores a 28º C pode ocorrer a fibrilação ventricular. O surgimento da assistolia ocorre em temperaturas inferiores a 21º C. Os termômetros clínicos são não são acurados em temperaturas inferiores a 35º C e a temperatura cutânea não se correlaciona com a temperatura central. Um termômetro timpânico que detecta infravermelho é o método mais prático de aferir a temperatura no pré-hospitalar. Conduta no APH: Remover o paciente para um ambiente aquecido, para minimizar a perda de calor; Mobilizar cuidadosamente pacientes gravemente hipotérmicos devido ao risco de precipitar fibrilação ventricular; Tratar hipotermia. Aquecer passivamente com cobertor térmico de alumínio; Remover roupas úmidas ou molhadas e agasalhar o paciente com cobertores; Nunca mergulhar o paciente em líquido aquecido, massagear o paciente ou aplicar bolsas de água quente, devido ao risco de causar vasodilatação e queda da temperatura central; Manter a permeabilização das vias aéreas com cânula orofaríngea caso o paciente esteja inconsciente ou sonolento; Administrar oxigênio sob máscara em todos os pacientes preferencialmente aquecido; Assistir a ventilação caso necessário sem hiperventilar o paciente; Determinar imediatamente a glicemia capilar; Limitar as tentativas de desfibrilação ao 1º primeiro choque em pacientes gravemente hipotérmicos. Aquecer a vítima a cerca de 35º antes de desfibrilar; Durante a infusão de solução salina, utilizá-la preferencialmente aquecida. 48 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com PARTO DE EMERGÊNCIA A grande maioria dos partos se resolve espontaneamente. Haverá situações em que o parto acontecerá antes de a parturiente chegar ao hospital, ou mesmo a caminho dele. Nestes casos, deve-se estar preparado para assistir o parto. No final da gestação, a parturiente começa a apresentar sinais e sintomas que sãoindicativos do início do trabalho de parto. Identificação do parto iminente: Contrações regulares a cada 2 minutos; Visualização da cabeça do bebê no canal de nascimento; Saída de água pela vagina (ruptura da bolsa das águas); Gestante multípara, com vários partos normais (parto mais rápido). Procedimentos gerais: Sem expor a parturiente, ela deverá estar livre de todas as vestimentas que possam obstruir o canal de nascimento; Em hipótese alguma o processo de nascimento do bebê poderá ser impedido, retardado ou acelerado; Sempre o marido, os pais ou outro parente próximo deverá acompanhar o tempo todo, a parturiente; Não permitir a presença de curiosos. Procurar ser o mais discreto possível e manter ao máximo a privacidade da gestante; Não permitir que a gestante vá ao banheiro se constatados os sinais do parto iminente. Procedimentos específicos: Colocar a parturiente deitada de costas, com os joelhos elevados e as pernas afastadas uma da outra e pedir-lhe para conter a respiração, fazendo força de expulsão cada vez que sentir uma contração uterina; À medida que o parto progride, ver-se-á cada vez mais a cabeça do feto em cada contração. Deve-se ter paciência e esperar que a natureza prossiga o parto; nunca se deve tentar puxar a cabeça da criança para apressar o parto; À medida que a cabeça for saindo, deve-se apenas ampará-la com as mãos, sem imprimir nenhum movimento, que não o de sustentação; Depois de sair totalmente, a cabeça da criança fará um pequeno movimento de giro e, então, sairão rapidamente os ombros e o resto do corpo. Sustentá-lo com cuidado. Nunca puxar a criança, nem o cordão umbilical; deixar que a mãe expulse naturalmente o bebê; Após o nascimento da criança, limpar apenas o muco do nariz e a boca com gaze e realizar avaliação do recém nascido. Não há necessidade de cortar o cordão umbilical, se o transporte para o hospital demorar menos de 30 minutos. Cortando o cordão umbilical: o primeiro a aproximadamente quatro dedos da criança (10 cm) e o segundo nó distante a 5 cm do primeiro. Cortar entre os dois nós com uma tesoura, lâmina ou outro objeto esterilizado; O cordão umbilical sairá junto com a placenta, cerca de 20 minutos após o nascimento. 49 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Transportar a mãe e a criança ao hospital. Deve-se também transportar a placenta para o médico avaliar se ela saiu completamente. ASSISTÊNCIA AO RECÉM NASCIDO O preparo para atender o recém-nascido consiste inicialmente na realização de anamnese materna, na disponibilidade do material para atendimento e na presença de equipe treinada em reanimação neonatal. Alguns fatores chamam a atenção para fatores complicadores na gestação e condições perinatais associadas à reanimação neonatal: Idade 35 anos; Diabetes; Hipertensão na gestação; Idade Gestacional 41 semanas; Gestação múltipla; Uso de drogas ilícitas. Imediatamente após o nascimento, a necessidade de reanimação depende da avaliação rápida de quatro situações referentes à vitalidade do concepto, sendo feitas as seguintes perguntas: - Gestação a termo? - Ausência de mecônio? - Respirando ou chorando? - Tônus muscular bom? Se a resposta é sim a todas as perguntas, considera-se que o RN está com boa vitalidade e não necessita de manobras de reanimação. A reanimação depende da avaliação simultânea da respiração e da freqüência cardíaca (FC). A FC é o principal determinante da decisão de indicar as diversas manobras de reanimação. Logo após o nascimento, o RN deve respirar de maneira regular, suficiente para manter a FC acima de 100 bpm. Podendo o pulso ser verificado pela palpação na base do cordão umbilical. A avaliação da coloração da pele e mucosas do RN não é utilizada para decidir procedimentos na sala de parto. Naqueles que não precisam de procedimentos de reanimação ao nascer, a saturação de oxigênio com 1 minuto de vida se situa ao redor de 60-65%, só atingindo valores entre 87- 92% no quinto minuto. Assim, o processo de transição normal para alcançar uma saturação de oxigênio acima de 90% requer 5 minutos ou mais em recém-nascidos saudáveis que 5 respiram ar ambiente. O contato pele a pele com a mãe imediatamente após o nascimento, em temperatura ambiente de 26ºC, reduz o risco de hipotermia em recém- nascidos de termo, com boa vitalidade. Nesse momento, pode-se iniciar a amamentação. Todos os pacientes 10 85-95% 52 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS AVALIAÇÃO DA VÍTIMA TRAUMATIZADA: As cinco etapas envolvidas no exame primário são como descritas na sessão de avaliação da vítima e sua ordem de prioridade são as que seguem: A – atendimento das vias aéreas e controle da coluna cervical; B – respiração; C – circulação; D – incapacidade; E – exposição; BIOMECÂNICA DO TRAUMA É fundamental para o socorrista, em qualquer fase do atendimento, perceber e compreender os princípios da biomecânica ou mecanismos envolvidos na ocorrência da lesão. Sem percepção destes dados, lesões podempassar despercebidas. A lei da física de Newton demonstra a ocorrência de transferência de energias, estas que se propagam através de órgãos e podem sofrer lesões sem ferimento aparente. Existem muitos tipos de traumas fechados, mas colisões de veículos motorizados (automóveis e motocicletas) são os mais comuns. As colisões automobilísticas podem ser divididas em cinco tipos: Impacto frontal Impacto traseiro Impacto lateral Impacto angular Capotamento Embora exista variação de cada padrão, a identificação dos padrões poderá facilitar a compreensão da biomecânica envolvida. 53 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Durante um capotamento, o ocupante não contido pode ser total ou parcialmente ejetado para fora do veículo, ou pode bater violentamente em seu interior. Esta ação produz lesões múltiplas e um tanto imprevisíveis que geralmente são graves. Atropelamentos: Existem três etapas distintas na colisão entre pedestre e veículo. O trauma causado por ferimentos penetrantes podem ocorrer por armas brancas e projéteis que podem esmagar os tecidos que se encontram diretamente em seu trajeto. Uma cavidade é criada no rastro da bala. A parte esmagada é permanente. A expansão temporária também pode produzir lesão. No impacto lateral pode ocorrer compressão torácica com fratura de costelas, lesões por hiperpressão pulmonar. A ação sobre o fêmur empurra a cabeça através do acetábulo ou fratura a pelve. Podem ocorrer também lesões vertebrais por aceleração e rotação da cabeça. Fase 1: Quando o pedestre é atingido por um veículo. O impacto inicial ocorre nas pernas e às vezes, nos quadris. Fase 2: O tronco do pedestre rola sobre o capô do veículo. Fase 3: A vítima cai do veículo e atinge o solo. A criança pode não ser atirada para longe do veículo, mas pode ficar presa e ser arrastada pelo veículo. 54 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com LESÕES MÚSCULO ESQUELÉTICAS Revisão de anatomia dos principais ossos do corpo humano. 55 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com LESÕES MÚSCULO-ESQUELÉTICAS Frequentemente são as lesões mais evidentes no politraumatizado, possuindo potencial para desviar a atenção do socorrista de lesões mais graves. O exame e tratamento da vítima devem priorizar as condições que causem instabilidade: obstrução de vias aéreas, respiração ineficaz e instabilidade circulatória. As fraturas e luxações podem causar lesões vasculares e nervosas. As grandes artérias das extremidades ficam junto aos ossos, especialmente próximo às articulações. É obrigatória a palpação dos pulsos, a avaliação do enchimento capilar, sensibilidade e motilidade. Algumas fraturas como as de fêmur e pelve, podem produzir hemorragias graves levando ao choque hipovolêmico. Sinais e sintomas de fraturas: Dor intensa e constante; Incapacidade funcional; Deformidade do membro, com encurtamento e/ou aumento de volume; Em fraturas expostas o osso fraturado pode ser visualizado. Presença de palidez ou cianose; Crepitação. Conduta no APH: Imobilizar pacientes estáveis antes da remoção; Remover as roupas, anéis e pulseiras, que podem comprometer a vascularização da extremidade; Cobrir lesões abertas com bandagens estéreis; Verificar antes e depois da imobilização: pulsos distais, enchimento capilar, sensibilidade; Imobilizar a extremidade na posição em que foi encontrada no caso de uma luxação ou fratura de articulação; Não reduzir fraturas ou luxações; Tratar as fraturas com: Repouso, Imobilização, Gelo, Compressão e Elevação; Avaliar sinais de complicações: Dor, Parestesia, Paralisia, Palidez e Pulso. Encaminhar para centro de tratamento adequado. TRAUMA CRANIOENCEFÁLICO: A lesão cranioencefálica está associada à alta taxa de mortalidade. Mesmo um trauma cranioencefálico (TCE) leve pode evoluir para uma lesão significativa e colocar em risco a vida do doente. 40% dos traumatizados apresentam lesões do SNC. No atendimento ao TCE é necessário otimizar a oxigenação e ventilação, prevenindo lesões secundárias por hipóxia e hipovolemia. A avaliação da Escala de Coma de Glasgow (ECG) é um indicador importante e pode qualificar a lesão cerebral: Leve 13 – 15 Moderada 9 – 12 Grave 3 – 8 56 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com No TCE é necessário a avaliação secundária da cabeça, couro cabeludo e face para buscar por abrasões, contusões, fraturas, lacerações, edema, saída de líquor cefalorraquidiano, tecido cerebral, lesões do globo ocular, hematomas e hemorragias. Conduta no APH: Manter o alinhamento manual da coluna cervical até que a vítima esteja imobilizada por colar cervical rígido de extricação e fixado sobre a prancha longa com o estabilizador lateral (head block); Prover oxigênio suplementar sob máscara facial, se respiração for adequada e os reflexos de proteção a via aérea estiverem preservados; Assistir a ventilação com BVM e oxigênio sempre que apresentar dificuldade respiratória ou nível de consciência deprimido com Glasgow ≤ 8; Controlar sangramentos externos; Transportar se possível a vítima com a cabeceira elevada a 30º; Evitar hipotermia; Transportar para centro de tratamento adequado (ponderar necessidade de Tomografia Computadorizada). Esteja preparado para vômitos e crise convulsivas. TRAUMATISMO DE COLUNA VERTEBRAL Lesões de coluna vertebral podem ocasionar a morte ou incapacidade permanente. Aproximadamente 10% das lesões medulares ocorrem por manipulação incorreta das vítimas de trauma por socorristas ou pessoal hospitalar. A proteção da coluna cervical é uma das prioridades do tratamento pré-hospitalar, a não ser que outra situação esteja produzindo risco de vida iminente. As lesões medulares podem ser classificadas do ponto de vista clínico em completas e incompletas. As completas resultam em perda total de função, ao exame o paciente não tem movimentação ou sensações abaixo do nível de lesão, nas incompletas há preservação de algumas funções. Conduta no APH: Indicar estabilização da coluna cervical em todos os pacientes com história de trauma acima das clavículas; Abrir as via aéreas com a manobra de elevação da mandíbula; Imobilizar manualmente a cabeça e pescoço até a vítima estar fixada em dispositivo imobilizador; Estar preparado para lateralizar a prancha e efetuar a aspiração da via aérea em caso de necessidade; Ventilar com BMV e oxigênio vítimas apresentando insuficiência respiratória e depressão do sensório (Glasgow ≤ 8); Iniciar a ventilação sob pressão positiva, com bolsa e máscara utilizando oxigênio suplementar caso necessário; Manter a imobilização durante o transporte; Transportar para centro de tratamento adequado. 57 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com TÉCNICAS ESPECÍFICAS: IMOBILIZAÇÃO DA COLUNA CERVICAL: A escolha do colar cervical deverá ser feita com o pescoço da vítima em posição neutra, usando os dedos de uma mão para medir da base do pescoço (músculo trapézio) até a base da mandíbula da vítima. O espaçamento encontrado deve ser rebatido no plástico rígido da lateral fixa do colar cervical, sem levar em conta a espuma de acabamento, sendo, então, o de igual tamanho o correto para ser aplicado. Em vítimas com a coluna na posição horizontal, iniciamos a colocação do colar cervical pela parte do queixo, deslizando-o sobre o tórax da vítima até que seu queixo esteja apoiado firmemente sobre o colar (parte anterior). Em seguida passamos a parte posterior do colar por trás do pescoço da vítima até se encontrar com a parte anterior.Já em vítimas com a coluna na posição vertical, iniciamos a colocação do colar cervical passando sua parte posterior por trás do pescoço da vítima. Em seguida colocamos a parte anterior do colar cervical, encaixando no queixo da vítima de forma que esteja apoiado firmemente. Em ambos os casos, devemos ajustar o colar e prendê-lo com o velcro existente em sua parte anterior, observando uma discreta folga de 1 (um) dedo, entre o colar e o pescoço da vítima. Deve ser mantida a imobilização manual da cabeça até que se coloque um recurso material para tal (cobertor, imobilizador lateral). Lembrar que mesmo com o colar cervical, a vítima pode movimentar a cabeça, portanto a região cervical somente estará com imobilização completa com o uso do imobilizador lateral de cabeça. http://1.bp.blogspot.com/_ePcEtAaRqy8/SjV2gTRAyLI/AAAAAAAAAms/jGu2yrVBSrQ/s1600-h/1.jpg http://1.bp.blogspot.com/_ePcEtAaRqy8/SjV2gF-94yI/AAAAAAAAAmk/MsynNiV5agk/s1600-h/2.jpg http://4.bp.blogspot.com/_ePcEtAaRqy8/SjV2P-1FHOI/AAAAAAAAAmc/uzJ57lMyVi8/s1600-h/3.jpg http://3.bp.blogspot.com/_ePcEtAaRqy8/SjV2PmQNHAI/AAAAAAAAAmU/gM842eSzedo/s1600-h/4.JPG 58 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Rolar em bloco o paciente enquanto se mantém a estabilização manual, com mínimo movimento da coluna. O rolamento em bloco é indicado para colocar o paciente em prancha longa ou virar para examinar seu dorso. Enquanto um socorrista mantém a cabeça do paciente estabilizada em posição neutra e alinhada, o segundo socorrista coloca o colar cervical do tamanho adequado. Enquanto um socorrista mantém a cabeça do paciente estabilizada em posição neutra e alinhada, o segundo se ajoelha na altura da metade do tórax e um terceiro na altura dos joelhos. Rolar o paciente em bloco sobre seu lado. A prancha longa é posicionada, com a borda inferior na altura dos tornozelos e a borda superior além da altura da cabeça do paciente. Quando o paciente apresenta-se em posição prona, ou deitado de barriga para baixo,pode-se utilizar o método semelhante ao anterior, incorporando o mesmo alinhamento inicial dos membros, o mesmo posicionamento dos socorristas e a mesma responsabilidade para manutenção do alinhamento. Sempre que possível o paciente deve ser girado na direção oposta daquela em que sua face estiver direcionada. O paciente é rolado em bloco sobre seu lado. A cabeça roda menos que o tronco, de forma que no momento em que o paciente estiver perpendicular ao chão, a cabeça e tronco estejam alinhados adequadamente. A movimentação prossegue até que o paciente esteja sobre a prancha rígida. ROLAMENTO EM BLOCO: 59 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com PRANCHAMENTO EM PÉ: Os socorristas devem realizar a estabilização e o alinhamento manuais tanto pela frente como por trás do paciente. Deve-se então utilizar o colar cervical apropriado. A prancha longa é colocada atrás do paciente e pressionada contra ele, mantendo a estabilização e fixando o paciente na prancha. Cada socorrista insere a mão mais próxima sob a axila do doente, segurando a alça da prancha. A palma da outra mão é colocada contra a lateral da cabeça, mantendo a estabilização manual. O paciente é deitado juntamente com a prancha longa até o chão. IMOBILIZAÇÃO SENTADA: Este tipo de imobilização é utilizado quando é indicada a estabilização da coluna do paciente sentado, que não é portador de lesões com risco de vida imediato. Existem diversos tipos de dispositivos de retirada, o nome genérico é KED (“Kendrick Extrication Device”). A abordagem da coluna cervical com alinhamento e estabilização segue o mesmo princípio. É colocado o colar cervical e o paciente mantido de forma ereta. O KED é colocado atrás do paciente e as tiras das virilhas são abertas. As abas laterais são colocadas em torno do paciente e movimentadas até tocarem as axilas. Os tirantes do tronco são posicionados e ajustados, iniciando pelo tirante do meio do tórax, seguido do tirante inferior. Ajuste os tirantes. Cada tirante da virilha é ajustado. Coxins devem ser posicionados atrás da cabeça do paciente quando necessário para manter a posição neutra. A cabeça do paciente é fixada às abas laterais do KED. Posicione a prancha rígida abaixo das nádegas da vítima e em movimentos coordenados, gire e posicione para retirá-la do local. Uma vez que tenha sido girado e esteja posicionado no centro da prancha, mantenha o paciente com as pernas elevadas até que os tirantes da virilha tenham sido soltos. 60 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com REMOÇÃO DE CAPACETE: Pacientes que estão usando capacete fechado na frente devem ter o capacete retirado no início do processo de avaliação, para que seja possível tratar problemas na via aérea e ventilação, para avaliar possíveis sangramentos ocultos na parte posterior da cabeça e retificar para alinhamento em posição neutra da coluna cervical. Um socorrista se posiciona acima da cabeça do paciente e com a mão espalmada nas laterais estabiliza o capacete, mantendo o mais neutro possível. O segundo socorrista imobiliza na altura do ângulo da mandíbula. A outra mão é colocada por baixo do pescoço. O primeiro socorrista puxa levemente os lados do capacete e afasta-o com movimentos para cima e para baixo. Cuidado ao liberar o nariz do paciente. Uma vez removido, manter em posição neutra alinhada. TRAUMATISMOS DE TÓRAX Os acidentes automobilísticos são as causas mais comuns de trauma de tórax. Representam a causa direta do óbito em 25% das vítimas de trauma. A conseqüência dos traumatismos torácicos graves é a hipóxia tecidual que pode resultar dos seguintes fatores isoladamente ou em qualquer combinação: obstrução de vias aéreas, hipovolemia, alteração da relação ventilação/perfusão, alterações na pressão pleural e disfunção cardíaca. Em caso de acidente automobilístico verificar: tipo de veículo envolvido, posição da vítima, local do impacto, danos ocasionados ao veículo e uso de cinto de segurança ou capacete por parte da vítima. A presença de deformidades na barra de direção e painel sugere traumatismo torácico significativo. Queixas: a presença de dor torácica e dispnéia são os principais sintomas de traumatismos torácicos. As lesões torácicas que podem causar a morte do paciente ainda no ambiente pré-hospitalar e que devem ser detectadas na avaliação rápida do traumatizado são: Obstrução de vias aéreas; Pneumotórax aberto; Tórax instável; Pneumotórax hipertensivo; Tamponamento cardíaco e Hemotórax maciço. Conduta no APH: Avaliar permeabilidade das vias aéreas ao mesmo tempo em que se mantém a estabilização da coluna cervical. Intervir imediatamente caso seja detectada obstrução; Verificar a presença de respiração espontânea adequada e de ruídos respiratórios anormais. Observar coloração da pele, padrão respiratório e presença de feridas aspirativas de tórax (pneumotórax aberto); 61 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Observar coloração da pele e mucosas. Verificar intensidade do pulso radial e sua intensidade assim como o enchimento capilar; Exame do pescoço e tórax: A distensão das veias jugulares pode ocorrer no pneumotórax hipertensivo e no tamponamento cardíaco. O colabamento das jugulares quando associado a sinais de choque sugere hipovolemia. A traquéia pode estar centralizada ou desviada, o pneumotórax hipertensivo pode causar desvio da traquéia. A ausência de ventilação em um dos pulmões sugere pneumotórax ou hemotórax na vítima de trauma; Administrar oxigênio 10 a 15 litros por minuto; Em feridas aspirativas: Cobrir o ferimento com curativo de material impermeável (plástico); Transferirpara hospital de referência. TRIAGEM DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS Pela Organização Mundial de Saúde (OMS), catástrofe é um fenômeno ecológico súbito de magnitude suficiente para necessitar de ajuda externa. No atendimento pré-hospitalar, catástrofe é aquela situação em que as necessidades de atendimento excedem os recursos materiais e humanos imediatamente disponíveis, havendo necessidade de medidas extraordinárias e coordenadas para se manter a qualidade básica ou mínima de atendimento. É um desequilíbrio entre os recursos disponíveis e os prescindíveis para o atendimento, de modo que quanto maior for esse desequilíbrio, mais sérias serão as consequências às vítimas do evento. A catástrofe implica um envolvimento do meio-ambiente com prejuízo do abastecimento, da comunicação, dos transportes e do acesso ao local. Acidentes com múltiplas vítimas apresentam desequilíbrio entre os recursos disponíveis e as necessidades, e que, apesar disso, podem ser atendidos com eficiência desde que se adote a doutrina operacional protocolada. Como parâmetro de magnitude, consideramos acidente com múltiplas vítimas aqueles eventos com mais de cinco vítimas graves. O atendimento a acidentes com estas características é um desafio no qual os serviços de atendimentos pré-hospitalares e os hospitais se deparam com freqüência. O melhor esforço, ou seja, o melhor atendimento para a vítima mais grave deve dar lugar ao conceito de o melhor atendimento para o maior número possível de vítimas. Assim três princípios básicos no atendimento dessas situações são fundamentais: triagem, tratamento e transporte. Para que estes três princípios básicos sejam plenamente atendidos é necessário que haja comando, comunicação e controle, pontos capitais, indispensáveis para o sucesso do atendimento. Muitas organizações diferentes participam da resposta a um desastre. O sistema de comando de incidente (SCI) foi criado para possibilitar que diferentes tipos de entidades e múltiplas jurisdições de entidades como bombeiros, polícia e serviço médico de emergência trabalhem juntos, de modo efetivo, usando estrutura organizacional e linguagem comum. Porém mesmo após estas questões estruturais de comando estarem definidas, perdura o maior desafio para o socorrista: a triagem de múltiplas 62 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com vítimas. O sistema de triagem ocorre sempre quando: não há disponibilidade de recursos suficientes para todos os pacientes e excede a capacidade de recursos imediatos. Nessa situação o objetivo da triagem é assegurar a sobrevida do maior número de vítimas. Critérios a serem utilizados para a triagem (S.T.A.R.T. – Triagem Simples e Tratamento Rápido): O fluxograma foi criado na Califórnia, e tem por objetivo classificar as vítimas por critério de gravidade em quatro cores (verde, amarela, vermelha e preta). Não distingue vítimas fatais de críticos inviáveis. Existe uma variação de cores em relação às vítimas mortas: em alguns países se usa a cor cinza, branco ou laranja. Este método pode ser utilizado por qualquer profissional de saúde, bombeiros ou leigos desde que devidamente treinados. Classificação das vítimas de acordo com as cores: Cor Significado Prioridade Verde Pode aguardar Lesão leve ou sem lesão Quarta Amarelo Pode aguardar Lesão grave sem risco de vida imediato Segunda Vermelho Críticos recuperáveis Lesão grave ou risco de vida imediato Primeira Preto Críticos não recuperáveis Terceira Cinza/ Branco Mortos Quinta O START utiliza três avaliações simples para identificar as vítimas que tem maior probabilidade de morrer em decorrência das lesões. Geralmente o processo leva de 30 a 60 segundos por vítima. O START não necessita de ferramentas, equipamento médico especializado ou conhecimento específico. A primeira etapa é encaminhar todos os que conseguem caminhar para uma área segura pré determinada. A linguagem mnemônica “30-2-pode fazer” é utilizada como lembrete. O “30” refere-se a frequência respiratória, o “2” ao enchimento capilar e o “pode fazer” à capacidade de obedecer ordens. Qualquer vítima que tem frequência respiratória abaixo de 30, enchimento capilar menor que 2 e obedece ordens é classificada como leve (amarela). Vítimas inconscientes que tenham respiração rápida ou enchimento capilar retardado são classificadas como prioritárias (vermelha). Estando ao lado da vítima apenas duas medidas salvadoras são utilizadas: a abertura de vias aéreas e controle de hemorragia externa. Nas vítimas que ao realizar a abertura de vias aéreas voltem a respirar, é classificada como prioritária. Não deve ser feita RCP. Se a vítima não voltar, classifique-a como crítica irrecuperável (preta). Respirações Perfusão Nível de Consciência 30 2 Pode fazer 63 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Fluxograma de avaliação pelo método START: Exemplo de cartão de triagem 64 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Mapa da área e zonas de risco: Para que o atendimento local seja feito de forma adequada, rapidamente e sem atropelos, o planejamento a área do incidente deve ser dividida em três áreas distintas: Zona quente – na qual ocorreu o evento que gerou o desastre; Zona morna – área de menor risco que a zona quente, porém em contato direto com ela; Zona fria – área segura, totalmente afastada do risco do evento que gerou o desastre. A não ser em condições especiais o Posto médico avançado (PMA) e demais estruturas de comando devem ser localizados na zona fria. Entre a zona quente e fria deve ser traçado o corredor de acesso que permita transitar entre as duas de forma segura. O Posto médico avançado deve ficar preferencialmente em local de fácil acesso às vítimas trazidas de maca e que ao mesmo tempo proporcione uma rota livre e um fluxo unidirecional pra entrada e saída para viaturas de transporte. No local serão abertas as lonas coloridas (verde, vermelha, amarela, preta) ou identificadas através de bandeirolas das mesmas cores. No PMA existirão também equipes das mesmas cores e neste local será realizada a avaliação e reclassificação se necessário, tratamento adequado e transporte para centro de tratamento adequado. 65 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Souza ET AL. Atuação no Trauma – Uma abordagem para a enfermagem. Editora Atheneu, São Paulo, 2009. Prehospital Trauma Life Support Committee of National Association of Emergency Medical Technicians. PHTLS Prehospital Trauma Life Support 6 th edition, Ed Elsevier, 2007. American College of Surgeons Committee on Trauma. Advanced Trauma Life Support®, 8 th edition, American College of Surgeons, 2008. Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Divisão Técnica de Fiscalização, Comunicação e Informação. SAMU 192. Protocolos de Atendimento Pré-Hospitalar em Suporte Básico e Avançado de Vida, 4ª revisão, 2009. National Safety Council, Suporte Básico de Vida para Profissionais de Saúde e Resgate, Editora Randal Fonseca, 2007. Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado SBAIT, Atendimento a desastres – Manual de Treinamento, São Paulo, 2000. American Heart Association. Guideliness 2010 for Cardiopulmonary Ressucitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010. Cardoso et al. Animais Peçonhentos no Brasil, Ed. Sarvier, 2009. Society of Trauma Nurses © Copyright 2008 Advanced Trauma Care for Nurses® Student Manual, 2008 Edition. Jeffrey M. Caterino, Scott Kahan. Emergências Médicas, Editora Guanabara Koogan, 2006. Ministério da Saúde, Doenças Respiratórias Crônicas, 2010.Ministério da Saúde, Protocolos de Atendimento das Unidades de Emergência, 2008. Ministério da Saúde. Doenças Infecciosas e parasitárias, 2010. Susan M. Brigs; Raul Coimbra, Manual de Resposta Médica Avançada em Desastres, Distribuna Editorial, 2010. Carvalho, Marcelo Gomes de. Suporte Básico de Vida no Trauma. Livraria Médica Paulista, 2008. 66 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Ministério da Saúde. Portaria n.° 1.863, de 29 de setembro de 2003.Diário Oficial da União, 2003. Ministério da Saúde. Portaria n.° 1.864, de 29 de setembro de 2003.Diário Oficial da União, 2003. Ministério da Saúde. Portaria n.º 2048, de 5 de novembro de 2002.Diário Oficial da União, 2002. Ministério da Saúde. Regulação médica das urgências / Ministério da Saúde, Editora do Ministério da Saúde, 2006.é importante que o paciente saiba: A identificação do Socorrista; Por que determinados cuidados são necessários; Os procedimentos que estão sendo realizados. CONSENTIMENTO IMPLÍCITO – O consentimento estará implícito nos casos onde a vítima esteja inconsciente e sua vida esteja correndo riscos. Da mesma forma, se a vida de uma criança ou de uma pessoa com problema de desenvolvimento mental estiver correndo risco, o consentimento deverá ser assumido como implícito e o socorro poderá ser prestado se no local não estiver presente um responsável pela vítima que possa expressar o consentimento. Nunca deixe de prestar socorro a uma criança por não ter como obter consentimento de pais ou responsável. DIREITOS DA VÍTIMA – Como Socorrista você não poderá prestar cuidado a um paciente e depois comentar os detalhes do atendimento com 5 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com seus amigos, familiares ou pessoas da comunidade (incluindo imprensa ou outros órgãos de comunicação). Você não deverá identificar o paciente, dizendo o nome dele e ao comentar sobre o acidente, não deverá repetir o que foi dito pelo paciente ou descrever um comportamento inadequado ou qualquer aspecto da aparência pessoal. Ao cometer esta falta você transgredia a privacidade do paciente, quebrando o sigilo. A necessidade do sigilo não se aplica quando o Socorrista é questionado pelos policiais, pessoal do Resgate, médico responsável pelo atendimento do paciente ou ao testemunhar em cortes judiciais. Poderá ser solicitado que o Socorrista relate as informações obtidas junto ao paciente ou acompanhantes. ABANDONO – Abandono significa interromper o atendimento, antes que alguém com nível igual ou superior de conhecimento ao seu assuma a responsabilidade. Portanto, uma vez que você inicie o socorro deverá ficar ao lado da vítima até ser substituído por alguém que possua condições para o socorro. NEGLIGÊNCIA – Negligência significa atender uma vítima sem observar as técnicas adequadas e os protocolos estabelecidos, provocando com isso agravamento ou lesões adicionais. OMISSÃO DE SOCORRO (art. 135 do Código Penal) – “Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e eminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena – detenção de 01 a 06 meses ou multa”. É importante observar que o próprio texto da Lei deixa claro que o crime somente existe quando há possibilidade de fazer o socorro e a pessoa simplesmente deixou de agir. Nos casos em que o socorrista corre risco de vida ou não dispões dos equipamentos necessários, não há o que se falar em omissão de socorro. Por outro lado, deixa expresso que a falta de comunicação a um órgão público competente para efetuar o socorro já incorre no crime, pois se o local oferece risco de vida ao socorrista, nada há que se falar, mas se há algum meio de comunicação (celular, telefone público, rádio ou simplesmente outras pessoas passando pelo local) é obrigatório que o socorrista chame por ajuda especializada. Deve o socorrista agir de conformidade com as técnicas de atendimento pré-hospitalar estabelecidas para o seu nível de treinamento, estando ciente de que poderá ser responsabilizado nos casos de: Negligência: deixar de executar medidas de atendimento pré- hospitalar previstas para a condição do paciente; Imperícia: executar procedimentos acima de seu nível de treinamento – próprios da área médica ou de enfermagem – ou para o qual não foi devidamente habilitado; 6 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Imprudência: não seguir adequadamente os padrões de atendimento ou executá-lo sem o devido zelo, promovendo o agravamento do problema existente. CONCEITOS: PRIMEIROS SOCORROS – É o tratamento aplicado de imediato ao acidentado ou portador de mal-súbito, com o objetivo de estabilizar e preservar a vítima até a chegada do socorro especializado. URGÊNCIA: ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. EMERGÊNCIA: constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato. No dicionário da língua portuguesa, lê-se que emergência é relativo a emergir, ou seja, alguma coisa que não existia, ou que não era vista, e que passa a existir ou ser manifesta, representando, dessa forma, qualquer queixa ou novo sintoma que um paciente passe a apresentar. Assim, tanto um acidente quanto uma virose respiratória, uma dor de dente ou uma hemorragia digestiva, podem ser consideradas emergências. Este entendimento da emergência difere do conceito americano, que tem permanentemente influenciado nossas mentes e entende que uma situação de “emergência” não pode esperar e tem de ser atendida com rapidez, como incorporado pelo próprio Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM n.° 1.451, de 10/3/1995). Inversamente, de acordo com a nossa língua, urgência significa aquilo que não pode esperar (tanto que o Aurélio apresenta a expressão jurídica “urgência urgentíssima”). Assim, devido ao grande número de julgamentos e dúvidas que esta ambivalência de terminologia suscita no meio médico e no sistema de saúde, optamos por não mais fazer este tipo de diferenciação. Passamos a utilizar apenas o termo “urgência”, para todos os casos que necessitem de cuidados agudos, tratando de definir o “grau de urgência”, a fim de classificá-las em níveis, tomando como marco ético de avaliação o “imperativo da necessidade humana”. RESGATE – É o ato de retirar uma ou mais vítima de um local de difícil acesso, utilizando-se de técnicas, equipamentos e pessoal capacitado para esse tipo de ação. Uma pessoa que está presa nas ferragens de um automóvel não pode ser retirada de qualquer maneira para não agravar ou mesmo adicionar novas lesões. LEI DO BOM SAMARITANO - Lei que incentiva os indivíduos a ajudar voluntariamente uma pessoa ferida ou com um mal súbito ao reduzir ao máximo sua responsabilidade pelos erros cometidos ao prestar assistência de emergência de boa fé. SUPORTE BÁSICO DE VIDA - Ações que mantém a vida de uma vítima, através de manobras que permitem a oxigenação cerebral, até que o atendimento médico avançado seja possível. DIAGNÓSTICO DE MORTE – É importante que o atendente pré- hospitalar saiba identificar o momento em que ocorreu a morte, pois seus esforços não têm sentido nessa situação, apesar de que somente um médico pode constatar legalmente a morte de uma pessoa, mas ao chegar 7 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com ao local pode ser que a vítima já esteja em óbito, sendo certo que apenas em caso de morte óbvia o atendente pode eximir-se de adotar os procedimentos de socorro. Se houver a parada do atendimento sem a constatação legal da morte por médico, o atendente pré-hospitalar corre o risco de cometer o crime de “omissão de socorro”, respondendo legalmente por isso. MORTE CLÍNICA: Ausência dos sinais vitais (parada cardiorrespiratória) com possibilidade de reanimação. Somente o profissional médico tem competência técnica e legal para estabelecer este diagnóstico. MORTE BIOLÓGICA: É caracterizada pela ausência de funções cerebrais. Somente o profissional médico tem competência técnica e legal para estabelecer este diagnóstico. MORTE ÓBVIA: É aquela situação que apresenta elementos irrefutáveis de morte. São 07 situações em que isso ocorre: (1) decapitação, (2) carbonização ou calcinação, (3) seccionamento de tronco, (4) estado de putrefação ou decomposição, (5) rigidez cadavérica, (6) apresentação de manchas hipoestáticas e (7) esmagamento completo de cabeçaou tórax. TIPOS DE VIATURAS A Portaria do Ministério da Saúde n. º 2.048 definem os tipos de veículos para cada tipo de atividade desenvolvida no APH, sendo: TIPO A – Ambulância de Transporte: veículo destinado ao transporte em decúbito horizontal de pacientes que não apresentam risco de vida, para remoções simples e de caráter eletivo. EQUIPE: 2 profissionais, sendo um o motorista e o outro um Técnico ou Auxiliar de enfermagem. TIPO B – Ambulância de Suporte Básico: veículo destinado ao transporte inter-hospitalar de pacientes com risco de vida conhecido e ao atendimento pré-hospitalar de pacientes com risco de vida desconhecido, não classificado com potencial de necessitar de intervenção médica no local e/ou durante transporte até o serviço de destino. EQUIPE: 2 profissionais, sendo um o motorista e um técnico ou auxiliar de enfermagem. TIPO C – Ambulância de Resgate: veículo de atendimento de urgências pré-hospitalares de pacientes vítimas de acidentes ou pacientes em locais de difícil acesso, com equipamentos de salvamento (terrestre, aquático e em alturas). - EQUIPE: 3 profissionais militares, policiais rodoviários, bombeiros militares, e/ou outros profissionais reconhecidos pelo gestor público, sendo um 8 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com motorista e os outros dois profissionais com capacitação e certificação em salvamento e suporte básico de vida. TIPO D – Ambulância de Suporte Avançado: veículo destinado ao atendimento e transporte de pacientes de alto risco em emergências pré-hospitalares e/ou de transporte inter-hospitalar que necessitam de cuidados médicos intensivos. Deve contar com os equipamentos médicos necessários para esta função. EQUIPE: 3 profissionais, sendo um motorista, um enfermeiro e um médico. TIPO E – Aeronave de Transporte Médico: aeronave de asa fixa ou rotativa utilizada para transporte inter-hospitalar de pacientes e aeronave de asa rotativa para ações de resgate, dotada de equipamentos médicos homologados pelo Departamento de Aviação Civil - DAC. EQUIPE: o atendimento feito por aeronaves deve ser sempre considerado como de suporte avançado de vida e Para os casos de atendimento pré-hospitalar móvel primário não traumático e secundário, deve contar com o piloto, um médico, e um enfermeiro e para o atendimento a urgências traumáticas em que sejam necessários procedimentos de salvamento, é indispensável à presença de profissional capacitado para tal. TIPO F – Embarcação de Transporte Médico: veículo motorizado aquaviário, destinado ao transporte por via marítima ou fluvial. Deve possuir os equipamentos médicos necessários ao atendimento de pacientes conforme sua gravidade. EQUIPE: a equipe deve ser composta 2 ou 3 profissionais, de acordo com o tipo de atendimento a ser realizado, contando com o condutor da embarcação e um auxiliar/técnico de enfermagem em casos de suporte básico de vida, e um médico e um enfermeiro, em casos de suporte avançado de vida. As ambulâncias deverão dispor, no mínimo, dos materiais e equipamentos ou similares com eficácia equivalente conforme determinado pela Portaria do Ministério da Saúde 2.048, de 05/11/02. VEÍCULOS DE INTERVENÇÃO RÁPIDA - (também chamados de veículos leves, veículos rápidos ou veículos de ligação médica): Para transporte de médicos com equipamentos que possibilitam oferecer suporte avançado de vida nas ambulâncias do Tipo A, B, C e F. OUTROS VEÍCULOS: Veículos habituais adaptados para transporte de pacientes de baixo risco, sentados (ex. pacientes crônicos) que não se caracterizem como veículos tipo lotação (ônibus, peruas, etc.). Este transporte só pode ser realizado com anuência médica. MOTOLÂNCIA - A necessidade de uma resposta operacional rápida, eficaz e segura por parte do SAMU 192 inseriu na busca a excelência do 9 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com atendimento, pois seu tempo resposta é menor. A motocicleta escolhida é do tipo trail, de 250 cc, por possuir adequado torque para a maior parte das situações que requerem a intervenção. Quanto ao perfil do tripulante para as motocicletas, devem atender a algumas exigências mínimas: Carteira Nacional de Habilitação - Categoria A, com experiência em pilotagem no mínimo de 1 (um) ano; Curso obrigatório para Capacitação de Condutores de Veículos de Emergência. (Art. 145 - CTB. Resolução do CONTRAN Nº 168/2004.); Curso de Pilotagem Defensiva; É indispensável que o condutor da motocicleta tenha, adicionalmente, Curso de Suporte Básico de Vida de no mínimo 8 horas/aula, cujo conteúdo programático siga as orientações aceitas internacionalmente para Reanimação Cardio-Pulmonar (Diretrizes vigentes da AHA), sendo ministrado por entidade homologada. Quanto aos equipamentos e materiais, as Motolâncias, minimamente, deverão dispor de: Cilindro de oxigênio de alumínio; Colar cervical (P, M, G); Desfibrilador externo automático (DEA); Talas de imobilização de diversos tamanhos; Material de venopunção; cânula de Guedel, máscara de oxigênio com reservatório, cateteres de O2, ressuscitador manual adulto/infantil com reservatório. Medicamentos e soluções poderão ser utilizados, desde que sempre sob orientação do Médico Regulador da Central de Regulação das Urgências – SAMU 192 e de acordo com protocolos padronizados pelo serviço, a fim de propiciar o rápido início do atendimento no local até a chegada de outras equipes ou conforme o que for determinado pela regulação médica. UNIDADE DE TRANSPORTE NEONATAL – Considerada como suporte avançado de vida neonatal. Os pré-requisitos para a utilização da ambulância no transporte neonatal são: Altura do compartimento de pacientes suficiente para a acomodação da incubadora de transporte, com local seguro para sua fixação. • Presença de fonte de energia, luz e controle de temperatura. • Fonte de oxigênio e ar comprimido, com estoque de ambos os gases. • Espaço interno mínimo para a manipulação do recém-nascido em situação de emergência. • Cintos de segurança para a equipe de transporte. O equipamento mínimo necessário para o transporte neonatal inter ou intra-hospitalar constitui-se de: • Incubadora de transporte: transparente, de dupla parede, bateria e fonte de luz. • Cilindros de oxigênio recarregáveis (pelo menos dois). • Balão auto inflável com reservatório e máscaras ou respirador neonatal. • Monitor cardíaco e/ou oxímetro de pulso com bateria. • Material para intubação, venoclise e drenagem torácica. • Termômetro, estetoscópio, fitas para o controle da glicemia capilar. • Bomba perfusora. A nova resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) Nº 375/2011, Parágrafo Primeiro determina: A assistência de Enfermagem em qualquer tipo de unidade móvel (terrestre, aérea ou marítima) destinada ao Atendimento Pré-Hospitalar e Inter-Hospitalar, em situações 10 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com de risco conhecido ou desconhecido, somente deve ser desenvolvida na presença do Enfermeiro. AVALIAÇÃO DA CENA DE EMERGÊNCIA A Avaliação da Cena de Emergência é o estudo rápido dos diferentes fatores relacionados à ocorrência e indispensável para a tomada de decisão. Deve ser constante e não apenas no primeiro momento, pois os fatores podem alterar-se com facilidade e rapidez. Vários e importantes aspectos norteiam um atendimento de emergência. A análise da situação nos permite a tomada rápida de decisões quanto aos seguintes fatores: Ter uma visão global do acontecimento; Adotar providências imediatas que permitam uma ação segura ou o não agravamento da situação encontrada; Solicitação de recursos que possam atender a emergência. A inobservância de regras básica de segurança ao abordar um local de ocorrência pode acarretar sérios ferimentos oua morte de pessoas que se disponham a prestar o socorro, especialmente nos casos em que envolvem riscos elétricos, afogamento, local com incidência de gases tóxicos, etc. No local da ocorrência devem ser observadas algumas situações mesmo antes do desembarque da viatura ou da chegada à vítima, tais como o correto posicionamento da viatura e sinalização do local. É conveniente a utilização de cones sinalizadores na proporção de um (1) para cada quilômetro de velocidade da via. Inicia-se com um cone na distância de 15 metros da cena e o total dos restantes. Por exemplo: Marginal do Tietê (pista local): 70 km/h - 1º cone a 15 m + 7 cones a cada 10 m = 85 m (8 cones). 11 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com BIOSSEGURANÇA Biossegurança é o conjunto de normas e procedimentos considerados seguros e adequados a manutenção da saúde em atividades com possibilidades de se adquirir alguma doença contagiosa. As normas de biossegurança englobam todas as medidas que visam evitar riscos físicos (radiação ou temperatura), ergonômicos (posturais), químicos (substâncias tóxicas), biológicos (agentes infecciosos) e psicológicos (como estresse). Os riscos devem ser constantemente combatidos, prioritariamente de forma preventiva. Medidas de precaução geral envolvem: Lavar as mãos antes e posterior o contato com a vítima; em qualquer ocasião usar as luvas de procedimento, bem como máscaras e óculos de proteção e avental descartável – mesmo assim evitar ao máximo o contato com líquidos corpóreos, descontaminar o material e equipamento antes de atender outra vítima, usar material estéril para curativos em feridas abertas. Descarte corretamente todo o equipamento de proteção individual utilizados, em local apropriado, não deixando nenhum material jogado no local do acidente. A transmissão de doenças pode ocorrer através do contato com sangue, saliva, vômitos, transmissão aérea por gotículas de saliva ou através do ar. A imunização é um meio eficaz de prevenir doenças e está disponível gratuitamente na rede pública de saúde. Podemos ser vacinados contra Hepatite B, Hepatite A, Tétano, Difteria, Meningite, Influenza, H1N1 etc. Ainda existem riscos de contrair o vírus HIV ou Hepatite C, porém não existem ainda métodos de imunização para estes vírus. Como inovação na normatização de procedimentos de biossegurança, temos a criação da NR 32, de novembro de 2005. Ela regulamenta as atividades relacionadas à saúde e segurança do trabalhador da área da saúde e propostas que visam a melhoria da qualidade de vida do trabalhador da área da saúde, entre elas a prevenção dos riscos biológicos, 12 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com normatiza treinamentos dos trabalhadores, rotinas de higienização, descarte do material perfuro cortante. HEMORRAGIAS Hemorragia é a perda de sangue circulante de um vaso sanguíneo. As hemorragias podem ser classificadas como: Interna – aquela produzida dentro dos tecidos ou cavidades naturais; Externa – aquela cuja perda de sangue ocorre para o exterior do organismo. A severidade do sangramento depende de sua fonte, podendo ser proveniente da artéria, veia ou capilar, podendo ser reconhecido pelas características abaixo: FONTE COR VELOCIDADE EFEITO ARTÉRIA Vermelho-viva Rápida (pulsando) Muito rápido para coagular e de maior dificuldade de controle VEIA Vermelho-escura Fluxo estável Mais fácil de controlar CAPILARES Vermelho Lenta, fluxo uniforme ou gotejamento estável Coagulam de forma espontânea, causando pouca perda de sangue A hemorragia externa, muitas vezes, será de fácil visualização, porém poderão ocorrer casos em que o sangue não estará visível. Deve-se considerar que haverá uma hemorragia externa, se observar os seguintes sinais: Presença de sangue nas roupas da vítima; presença de sangue no local ou nas imediações onde a vítima se encontra; saída de sangue pelos ferimentos. Tratamento para controle de hemorragia externa A conduta indicada para o tratamento pré-hospitalar de hemorragia externa é: Expor o ferimento; Como primeira medida, fazer uma compressão direta e firme sobre o ferimento, com um pedaço de pano limpo ou gaze, até cessar o sangramento; Fixar um curativo, com auxílio de faixas, ataduras ou bandagem triangular; Se o sangramento persistir após a aplicação de um curativo, não o remova, aplique outro curativo sobre o primeiro exercendo maior pressão. Comprimir o ferimento, em caso sangramento persistente, utilizar nova compressa, sem retirar a anterior e fixar curativo com faixas e gazes 13 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Não existem evidências científicas suficientes para recomendar a técnica que se utilizava de elevação de membros e pressão em pontos arteriais (Guidelines AHA 2010). TORNIQUETE O torniquete é um recurso extremo que somente será utilizado nas situações em que for absolutamente impossível controlar um sangramento através da compressão direta, e quando for imprescindível para salvar a vida da vítima, como ocorre em catástrofes ou amputações de membros. Uma vez aplicado, não deve ser afrouxado antes de a vítima chegar ao hospital. Anotar a hora em que foi aplicado, e não afrouxá-lo até que a vítima esteja sob cuidados médicos. Hemorragias internas são aquelas que se manifestam desde simples hematomas até casos de grande perda de sangue, com acumulação em áreas internas do corpo, podendo causar estado de choque. Reconhecimento de hemorragia interna: A hemorragia interna, na maioria das vezes, será de difícil visualização, porém poderão ser observados os seguintes sinais indicadores de sua ocorrência: Presença de tosse e ou vômito com sangue; Presença de manchas arroxeadas na região do abdome; Rigidez da parede abdominal; Sinais e sintomas indicativos do estado de choque. Tratamento para hemorragia interna Ao atender uma vítima com suspeita de hemorragia interna deve priorizar o transporte. De qualquer forma, sempre será aconselhável a adoção das seguintes medidas: Manter a vítima em repouso; Manter a vítima aquecida; Estar alerta para a presença de vômito; Monitorar os sinais vitais. 14 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com ESTADO DE CHOQUE Embora tenha muitas definições, o choque é quase sempre considerado um estado de diminuição da perfusão generalizada no qual a liberação de oxigênio no nível celular é inadequada para atender as necessidades metabólicas. Com base nesta definição, o choque pode ser classificado em termos dos determinantes da perfusão e oxigenação celulares. Os determinantes principais da perfusão celular são: o coração, volume de líquidos, vasos sanguíneos e células do corpo. Existem diversos tipos de choque, dentre os quais podemos citar: Choque Hipovolêmico: Quando ocorre perda aguda de sangue em virtude de desidratação ou hemorragia. O volume sanguíneo apresenta-se insuficiente para suprimir a demanda metabólica. O choque hipovolêmico é a causa mais comum de choque no pré-hospitalar e a perda de sangue é a causa mais comum de choque no doente politraumatizado. Quando ocorre perda de sangue da circulação, o coração é estimulado a aumentar a frequência cardíaca, através da liberação de adrenalina, o que causa vasoconstrição periférica. Podemos perceber como sinais e sintomas: taquicardia (batimentos cardíacos acelerados), hipotensão (diminuição da pressão arterial) e pele fria e úmida. Ainda pode ocorrer agitação, confusão mental, cianose de extremidades (coloração arroxeada), sede e inquietação. O diagnóstico de choque é clínico. A avaliação do nível de consciência, coloração e temperatura da pele, pulso e pressãoarterial auxiliam na avaliação hemodinâmica da vítima. A classificação do choque segundo a perda volêmica é estimada da seguinte maneira: CLASSIFICAÇÃO DO CHOQUE CLASSE I CLASSE II CLASSE III CLASSE IV Perda sanguínea Até 750 ml 750-1500 ml 1500-2000 ml >2000 ml % de perda sanguínea Até 15% 15 a 30% 30 a 40% >40% Pulso 100 >120 >140 Pressão Arterial Normal Normal Diminuída Diminuída Pressão de Pulso Normal ou aumentada Diminuída Diminuída Diminuída Frequência respiratória 14-20 20-30 30-40 >35 Estado mental Levemente ansioso Moderadamente ansioso Ansioso, confuso Confuso, letárgico As fraturas podem causar hemorragias internas significativas, resultando em choque hipovolêmico, assim como descritas abaixo: 15 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Choque Séptico: O choque séptico ocorre em pacientes com infecções graves. Produzem-se leucócitos em resposta à infecção, lesando as paredes dos vasos sanguíneos, provocando vasodilatação periférica e extravasamento de líquido dos capilares para o espaço intersticial. Assim o choque séptico tem características do choque hipovolêmico. Choque Neurogênico: O choque neurogênico ocorre quando há lesão da medula no local de saída dos nervos do sistema nervoso simpático (região toracolombar). Por causa da perda da inervação simpática, que controla a musculatura lisa na parede vascular, os vasos periféricos abaixo do nível da lesão ficam dilatados. Em decorrência da vasodilatação, ocorre hipovolemia. Tanto choque hipovolêmico quanto o neurogênico levam a queda da pressão arterial, mas no choque neurogênico a pele fica quente e seca, principalmente abaixo da lesão. Ocorre normalmente bradicardia com o pulso fraco. Choque Psicogênico: Por estimulação do nervo vagal podem ocorrer vasodilatação periférica e hipotensão transitórias. Se a bradicardia e vasodilatação forem acentuadas ocorre insuficiência no fluxo sanguíneo cerebral. Quando o paciente perde a consciência, dizemos que ocorre síncope vasovagal (desmaio). No choque psicogênico, os doentes recuperam rapidamente a pressão arterial quando colocados na posição horizontal. Choque Cardiogênico: É a falha na atividade de bombeamento do coração. As causas podem ser: lesão do músculo cardíaco, arritmias, disfunções valvares ou tamponamento cardíaco. Tratamento do choque: Manter oxigenação adequada, pela permeabilização das vias aéreas; 16 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Suporte ventilatório com máscara facial com alta concentração de oxigênio; Controlar hemorragia da melhor maneira possível. Cada hemácia é importante; Evitar hipotermia; Monitorar sinais vitais. Transporte imediato para um centro de tratamento definitivo; FERIMENTOS Ferimento é uma lesão em qualquer tecido, como resultado de um trauma, causada por agentes externos de natureza diversa, cortantes, contundentes ou perfurantes. O tratamento inicial consiste na aplicação imediata de curativos, que são quaisquer materiais utilizados para cobrir ferimentos, visando a impedir a contaminação e controlar o sangramento. FERIMENTO EM ABDÔMEN ABERTO (EVISCERAÇÃO): Posicione a vítima deitada de costas. Afrouxe as roupas. A vítima deverá flexionar ligeiramente os joelhos, se esta ação melhorar a dor. Nunca reinsira órgãos eviscerados para dentro do abdômen. Cubra com compressa estéril úmida ou compressa seca não aderente. Não aplique pressão direta sobre o ferimento. Cubra a compressa com bandagem oclusiva grande ou com um plástico. Em seguida cubra a vítima com cobertor ou toalha para preservar temperatura corporal. Atenda a vítima para prevenir estado de choque. Monitore a vítima e esteja pronto para aplicar RCP. Irrigue o ferimento com soro fisiológico Use gaze para remover pequenas partículas ou sujidades. Seque a área. Não aplique medicamentos. Cubra a área com gaze estéril e bandagens 17 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com FERIMENTO EM BOCA: Posicione a vítima sentada, mantendo a cabeça inclinada para frente para permitir a drenagem de sangue. No caso de ferimento penetrante no lábio: Coloque um rolete de gaze entre o lábio e a gengiva. Mantenha uma segunda gaze pelo lado de fora do lábio. No caso de sangramento na língua: aplique gaze estéril sobre o ferimento e aplique pressão direta. Não lave repetidamente a boca. FERIMENTO NOS OLHOS: Se o olho estiver sangrando: Coloque gelo ao redor dos olhos por 15 minutos. Nunca aplique pressão direta sobre o olho. Cubra os dois olhos. Se houver objeto empalado: Não remova o objeto. Estabilize o objeto com gaze estéril. Cubra ambos os olhos. Se houver enucleação (olhos saltados): Não tentar recolocar; proceder como no caso de objetos empalados. Se disponível proteger com copo descartável. EPISTAXE (SANGRAMENTO NASAL): Posicione a vítima com a cabeça ligeiramente inclinada para frente, mantendo a boca abeta. Instrua a vítima para “pinçar” as narinas com os dedos por 10 minutos, logo abaixo da cartilagem do nariz. Peça para respirar pela boca e não falar, engolir, tossir ou espirrar. Aplique gelo (em caso de lesão). Alivie progressivamente a pressão sobre as narinas após 10 minutos. “Pince” novamente se o sangramento continuar. 18 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com OBJETO EMPALADO (TRANSFIXADO): Não remova o objeto, porque poderá causar mais sangramento e lesão adicional de órgãos adjacentes. Controle o sangramento aplicando pressão direta ao redor do objeto. Mantenha o objeto firme no local. FERIMENTO EM TÓRAX (FERIMENTO ASPIRATIVO): Caracteriza-se pelo movimento de ar entrando e saindo de um ferimento aberto no tórax; sons de aspiração produzidos no ferimento durante a inspiração. Cubra o ferimento com gaze estéril fina. Cubra a gaze com um saco plástico para produzir um lacre. Quando a vítima inspirar, fixe o curativo com fita adesiva apenas em três lados, deixando um lado para que o ar possa sair. AMPUTAÇÃO DE MEMBROS: O tratamento inicial deve ser rápido pela gravidade da lesão e pela possibilidade de implante do membro amputado. O controle da hemorragia é fundamental na primeira fase do tratamento. O membro amputado deve ser preservado sempre que possível, visando o implante. Existe uma tendência natural, ao espasmo e retração que explicam o menor sangramento nas amputações completas. Nas amputações parciais e nos desenluvamentos o sangramento é profuso. Conduta no APH: Suporte à vida com medidas gerais; 19 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Controle da hemorragia; Transporte para o centro de tratamento adequado; Cuidados com o membro amputado: Limpar o segmento amputado da sujeira grosseira sem imergi-lo em líquido. Envolver a extremidade em gaze seca ou compressa limpa. Colocar o membro amputado dentro de um saco plástico. Colocar o saco plástico contendo o segmento em recipiente com gelo ou água gelada. Não permitir que a extremidade fique em contato direto com gelo. Levar o segmento amputado ao hospital de referência. Preservar sempre que possível a extremidade amputada, porém a maior prioridade é a manutenção da vida. QUEIMADURAS Queimadura é uma lesão que não acomete apenas a pele. Pelo contrário, podem ser lesões extensas e multissistêmicas, capazes de repercussões com risco de vida sobre o coração, pulmões, rins, trato gastrointestinal e sistema imune. A causa mais comum da morte de uma vítima de incêndio não advém das complicações diretas da queimadura,mas das complicações da insuficiência respiratória. Causar uma queimadura é semelhante a fritar um ovo. Quando um ovo se quebra na frigideira quente, a princípio é líquido e transparente. À medida que o ovo é exposto a altas temperaturas, ele rapidamente fica opaco e se solidifica. Neste caso as proteínas são destruídas, este processo chama-se desnaturação. Anatomia da pele: A pele, o maior órgão do corpo, é a interface com o ambiente externo e serve como uma membrana de proteção. Ela controla a temperatura, mantém o equilíbrio hídrico e protege contra micro-organismos. É composta por três camadas de tecido – a epiderme, a derme e tecido subcutâneo. A camada mais externa, a epiderme é composta por células epiteliais sem vasos sanguíneos. Abaixo da epiderme está a derme, mais espessa. É composta por tecido conjuntivo, contém vasos sanguíneos, produtos do sangue, nervos e glândulas. A camada mais interna, o subcutâneo, é a combinação de tecido elástico e fibroso, bem como depósitos gordurosos e abaixo dela está a camada de músculos. 20 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Profundidade da queimadura: A estimativa da profundidade da queimadura pode ser difícil. Uma queimadura que parece ser de segundo grau pode manifestar-se como uma do terceiro grau em 24 a 48 horas. Queimaduras de Primeiro Grau: As queimaduras de primeiro grau afetam apenas a epiderme e caracterizam-se por serem avermelhadas e dolorosas. São de pouca importância, com exceção das grandes áreas de queimadura solar, onde o paciente sente muita dor corre risco de desidratação. Tipicamente estas lesões curam em uma semana e não deixam cicatrizes. Queimaduras de Segundo Grau: São as que envolvem a epiderme e partes variadas da derme subjacente. As lesões formam bolhas e são dolorosas. Essas feridas frequentemente curam-se em 2 a 3 semanas. Quando as lesões não são bem tratadas, a zona de estase pode progredir para necrose, tornando as lesões maiores e eventualmente convertendo para uma queimadura de terceiro grau. Queimaduras do Terceiro Grau: As queimaduras do terceiro grau podem ter várias aparências, mas geralmente aparecem como queimaduras espessas, secas, esbranquiçadas ou com aspecto de couro. Nos casos graves, a pele tem uma aparência carbonizada com trombose visível dos vasos sanguíneos. Muitos pacientes têm dor, porque as áreas de queimadura do terceiro grau geralmente são circundadas por queimaduras do segundo grau. Essas queimaduras podem ser incapacitantes e ter risco de vida. 21 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Fasciotomia ou escarotomia Queimaduras do Quarto Grau: As queimaduras do quarto grau são as que não somente atingem todas as camadas da pele, como também queimam o tecido adiposo, músculos, ossos ou órgãos internos subjacentes. Queimaduras circunferenciais do tronco ou membros podem por em risco a vida ou o membro. As queimaduras circunferenciais criam um efeito semelhante ao de um torniquete, o que pode abolir o pulso. Por conseguinte, todas as queimaduras circunferenciais devem ser tratadas como emergenciais. Estimativa do Tamanho da Queimadura: A estimativa do tamanho da queimadura é necessária para reanimar o paciente de maneira apropriada e evitar as complicações associadas ao choque hipovolêmico decorrente da queimadura. O método mais amplamente usado é conhecido como “regra dos nove”. Esse método aplica o princípio de que grandes regiões do corpo são consideradas como tendo 9% da área de superfície corporal. Crianças têm proporções diferentes dos adultos, isto porque a cabeça da criança é proporcionalmente maior que a dos adultos. REGRA DOS NOVE 22 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Queimaduras Químicas: Toneladas de materiais perigosos são transportados através de ambientes urbanos, por isso você deve estar preparado para o tratamento de lesões químicas. As lesões decorrentes de lesões químicas são, com freqüência, resultado de exposição prolongada ao agente agressor, diferente das lesões térmicas. A gravidade da lesão é determinada por quatro fatores: natureza da substância química, concentração da substância, duração do contato e mecanismo de ação da substância química. A prioridade deste tipo de atendimento é a segurança na cena. É necessário avaliar a necessidade de alguma roupa especial ou aparelho de respiração. Tente obter a identificação do agente envolvido. A Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) é um órgão responsável por emergências desta natureza. Se possível visualizar o número do DOU, solicitar informações sobre o mesmo. O Corpo de Bombeiros também pode auxiliar na identificação do produto. Tratamento Pré Hospitalar: Parar a queimadura – este processo consiste na irrigação com grande quantidade de água na temperatura ambiente. O uso de água fria ou gelo está contra indicado; Aplicar curativos secos, esterilizados e não aderentes. O curativo seco impede a continuação da contaminação ambiental ao mesmo tempo em que evita que o paciente sinta dor por causa do fluxo de ar sobre as terminações nervosas expostas; Não aplicar pomadas e antibióticos tópicos; Preservar permeabilidade das vias aéreas. O calor do fogo pode provocar edema das vias aéreas e ocluir a passagem de ar; Retirar roupas e jóias, esses itens podem continuar a lesar o paciente; Controlar hipotermia; Transportar para centro de tratamento apropriado; CHOQUE ELÉTRICO O choque elétrico é a reação do organismo à passagem da corrente elétrica. Eletricidade, por sua vez é o fluxo de elétrons de um átomo, 23 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com através de um condutor, que vem a ser qualquer material que deixe a corrente elétrica passar facilmente (cobre, alumínio, água, etc.). Por outro lado, isolante é o material que não permite que a eletricidade passe através dele: vidro, plástico, borracha, etc. As lesões provocadas pelo choque elétrico podem ser de quatro naturezas: eletrocução (fatal), choque elétrico, queimaduras e quedas provocadas pelo choque. Eletrocução é a morte provocada pela exposição do corpo a uma dose letal de energia elétrica. Os raios e os fios de alta tensão (voltagem superior a 600 volts) costumam provocar esse tipo de acidente. Também pode ocorrer a eletrocução com baixa voltagem (a) Corpo seco: 120 volts/100000 ohms = 0,0012 A = 1,2 mA (o indivíduo leva apenas um leve choque) b) Corpo molhado: 120 volts/1000 ohms = 0,12 A = 120 mA (suficiente para provocar um ataque cardíaco) c) Pele rompida: 1000 volts/500 ohms = 2 A (parada cardíaca e sérios danos aos órgãos internos). As queimaduras elétricas são lesões devastadoras que pode-se facilmente subestimar. Em muitos casos, a extensão da lesão não reflete com exatidão a magnitude da lesão. A destruição tecidual e a necrose são muito extensas em comparação com o trauma aparente, porque grande parte da destruição ocorre internamente. Os sinais e sintomas de queimaduras elétricas graves são: arritmias cardíacas, por liberação de potássio pelos músculos; Mioglobinúria, evidenciada por urina coloração de coca-cola; Contrações musculares intensas e prolongadas (tetania); lesões timpânicas; sangramento intracraniano. Além da intensidade da corrente elétrica, o caminho percorrido pela eletricidade ao longo do corpo (do ponto onde entra até o ponto onde ela sai) e a duração do choque, são os responsáveis pela extensão e gravidade das lesões. Quedas de altura. Os acidentes com eletricidade ocorrem de várias maneiras. Os riscos resultam de danos causados aos isolantes dos fios elétricos devido a roedores, envelhecimento, fiação imprópria, diâmetro ou material dos fios inadequados, corrosão dos contatos, rompimento da linha 24 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com por queda de galhos, falta de aterramento do equipamento elétrico, etc. As benfeitorias agrícolas estão sujeitas à poeira, umidade e ambientes corrosivos, tornando-as especialmente problemáticas ao uso da eletricidade. Prevenção de acidentes 1. Plugue e use os dispositivos elétricos de segurança disponíveis como, por exemplo, a tomada de 3 pinos. 2. Considere todo fio elétrico como "positivo", ou seja, passível de provocar um choque mortal. 3. Cheque o estado de todos os fios e dispositivos elétricos; conserte-os ou substitua-os, se necessário. Aprenda como dimensionar o fio elétrico. 4. Certifique-se de que a corrente está desligada, antes de operar uma ferramenta elétrica. 5. Se um circuito elétrico em carga tiver de ser reparado, chame um eletricista qualificado para fazê-lo. 6. Use ferramentas "isoladas", que fornecem uma barreira adicional entre você e a corrente elétrica. 7. Use os fios recomendados para o tipo de serviço elétrico a que ele vai servir. 8. Não sobrecarregue uma única tomada com vários aparelhos elétricos, usando, por exemplo, o "benjamin". Resumo: Lesões Sinais/ Sintomas Tratamento Leves Sensação estranha nas extremidades, confusão, amnésia, perda temporária de consciência, surdez ou cegueira, ruptura do tímpano Segurança da cena, ABCDE, história clínica e exame secundário, ECG, O2 e transporte das vítimas. Moderadas Desorientação, agitação, paralisia, fraturas, trauma fechado, ausência de pulso em membros inferiores, convulsões PCR temporária, coma. Segurança da cena, ABCDE, história clínica e exame secundário, ECG, O2,reanimação cardiorrespiratória, e transporte das vítimas. Graves Qualquer outro acima, otorréia, FV ou assistolia Anteriores + Suporte Avançado de Vida. http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/dimen.htm 25 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com AVALIAÇÃO DA VÍTIMA Avaliação é a pedra fundamental para o melhor tratamento do doente. As principais preocupações para a avaliação do doente são estabelecer prioridades de pensamento crítico, avaliação apropriada e atendimento sistematizado. Em resumo seguimos a sequencia de avaliação: Avaliação da Cena Dimensionamento da cena Exame primário Avaliação Inicial Exame secundário História e Exame Físico detalhados Monitoramento e reavaliação Avaliação continuada A avaliação do paciente começa com a avaliação de cena e inclui uma aparência geral do paciente, um exame primário e quando as condições do paciente e disponibilidade do socorrista permitem, um exame secundário. São itens da avaliação da vítima: Responsividade: Avaliar condição inicial da vítima. Tocar e chamar. A não obtenção de resposta já determina estado de inconsciência e requer intervenção do socorrista. Se a vítima não estiver respondendo e não estiver respirando ou apresentando respiração anormal (isto e, não respirando ou com gasping – respiração ruidosa ou dificultosa), já indica-se manobras de reanimação imediatas. Atendimento das vias aéreas: Quando a vítima está inconsciente, a base da língua pode ser causa de obstrução da hipofaringe. A “queda” da língua pode ser corrigida através de manobras de elevação do queixo (chin lift) e a anteriorização da mandíbula por meio da elevação simultânea de seus ângulos (jaw thrust). Reposicionada a língua, esta pode ser mantida através da colocação da cânula orofaríngea (guedel), que também auxilia na remoção de secreções. 26 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Respiração (Ventilação): Resume-se em constatação de movimentos respiratórios. Estão inclusos nesta etapa administração de oxigênio e controle da saturação periférica. A frequência respiratória pode ser dividida em cinco níveis: Apnéia Paciente não respira Lenta Freqüência 30 Circulação (Sangramento e Perfusão): Inclui-se a identificação de pulso arterial, identificação e controle de hemorragias externas. O tempo de enchimento capilar é a taxa de retorno de sangue aos leitos capilares. É útil para estimar o fluxo sanguíneo através da parte distal da circulação. Taxas de enchimento capilar (EC) maiores que 2 segundos, são maus indicadores como, por exemplo, estado de choque. Padrão para avaliação do pulso: Lento 100 Rápido > 120 Muito rápido > 140 Desfibrilação: A Desfibrilação Precoce é um dos elos da Cadeia de Sobrevivência. Ela permite uma despolarização completa do miocárdio, possibilitando assim, que os centros reguladores do ritmo cardíaco reassumam o controle da atividade elétrica cardíaca. A desfibrilação é o único tratamento eficaz contra a Fibrilação Ventricular (FV) – a mais grave arritmia – que se caracteriza pela presença de ondas irregulares, em amplitude e em frequência, definindo um ritmo cardíaco caótico. 27 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Nos casos de FV é necessário realizar a desfibrilação precocemente, pois a chance de um tratamento ser bem sucedido para esses casos diminui rapidamente com o passar do tempo cerca de 7 (sete) a 10 (dez) por cento a cada minuto. Caso não seja realizado, há uma tendência a progressão da FV para Assistolia. O Guideliness 2010 da American Heart Associaton recomenda o uso do DEA em casos de Parada Cardiorrespiratória (PCR) em todos os pacientes maiores de 1 ano. Seu uso deve ser realizado assim que este esteja disponível, dado a importância em diminuir o tempo entre a identificação de uma PCR por FV e a realização do tratamento adequado, a Desfibrilação. As pesquisas mais recentes indicam que a utilização dos desfibriladores bifásicos promovem um aumento do sucesso na reversão da FV após aplicação ainda do primeiro choque. A chance de se obter sucesso no tratamento da FV está estreitamente relacionada com dois aspectos: treinamento e o tempo gasto até a sua realização. Portanto, o conhecimento de todos sobre Suporte Básico de Vida permitiria uma intervenção muito mais precoce e eficaz nos casos de FV. Avaliação Neurológica: Estabelecer nível de consciência da vítima. Pode ser obtido através do método mnemônico: A – Alerta V – Verbal (resposta aos estímulosverbais) D – Dor (resposta aos estímulos dolorosos) I – Inconsciente (sem resposta) Existe um método simples e rápido para determinar a função cerebral. Este método chama-se Escala de Coma de Glasgow que atribui pontuação que varia entre 3 e 15. Recomenda-se que seja realizado na avaliação secundária. ABERTURA OCULAR Espontânea 4 pontos Solicitação verbal 3 pontos Estímulo doloroso 2 pontos Nenhuma 1 ponto MELHOR RESPOSTA VERBAL Orientada 5 pontos Desorientada/confusa 4 pontos Palavras desconexas 3 pontos Sons/gemidos 2 pontos Nenhuma 1 ponto MELHOR RESPOSTA MOTORA Obedece a comandos verbais 6 pontos Localiza e tenta remover o estímulo doloroso 5 pontos Reage a dor 4 pontos Flexão anormal à dor (decorticação) 3 pontos Extensão anormal à dor (descerebração) 2 pontos Nenhuma 1 ponto 28 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Exame das pupilas: Exposição: Remover as roupas da vítima para um exame global. Nesta etapa inclui-se a preservação do pudor e conservação do calor corporal. A hipotermia é um problema grave e deve ser evitado. A avaliação completa é sequenciada pelo completo e minucioso exame físico do paciente. É um exame da cabeça aos pés e mensuração de sinais vitais. O exame físico segue a sequencia: cabeça, pescoço, tórax, abdômen, pelve, membros inferiores, membros inferiores e dorso. São parte da avaliação também a história e dados da vítima. Para sistematização, utilizamos este método: A – Alergias; M – Medicamentos; P – Passado médico; L – Líquidos e alimentos ingeridos; A – Ambiente e eventos relacionados. OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO (OVACE) A obstrução das vias aéreas é uma situação de emergência que ameaça a vida eminentemente, porque a vítima não está conseguindo oxigênio. Uma vítima é identificada com engasgamento quando as vias aéreas foram obstruídas parcialmente ou totalmente. A vítima pode engasgar com alimentos ou objetos estranhos na boca; a própria língua, dentes (devido a alguma lesão), sangue, vômito etc. A obstrução completa das vias aéreas indica que a vítima não está recebendo nenhum oxigênio. Em geral, ela logo ficará inconsciente e seu coração sofrerá uma parada. No caso de obstrução parcial, poderá receber algum ar nos pulmões. Poderá ser capaz de tossir e 29 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com expelir o objeto ou com muita dificuldade e poderá ficar impossibilitada de tossir com força suficiente para expelir o objeto. Não interrompa a tosse nem as tentativas que a vítima faz para expelir o objeto; não dê tapas nas costas. O atendimento para engasgamento depende se a vítima está consciente ou inconsciente; para vítima consciente se a obstrução é parcial ou grave: Aplicar compressões abdominais para adultos ou crianças. Atendimento de engasgamento de bebê consciente: Apóie a cabeça do bebê em uma das mãos, com o corpo do bebê sobre seu antebraço e sua coxa. Aplique até 5 tapinhas nas costas entre as escápulas. Verifique se o objeto foi expelido. Se não estiver presente, continue o próximo passo; Com a outra mão na região posterior da cabeça do bebê, vire-o com a face para cima. Com os dois dedos posicionados logo abaixo da linha imaginária entre os dois mamilos aplique 5 compressões torácicas com dois dedos no esterno. Verifique se há objeto estranho na boca. Localize o umbigo e coloque o punho fechado logo acima. Com a outra mão acima, pressione para dentro e para cima com golpes rápidos. Continue até expelir o objeto ou a vítima ficar inconsciente. Em obesos e gestantes realize compressões no centro do tórax. Em crianças, utilize apenas uma das mãos. 30 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Repita os passos, alternando até que o objeto seja expelido ou o bebê fique inconsciente. Atendimento para engasgamento de adulto e criança inconsciente: Se a vítima não estiver respirando, coloque as mãos na linha imaginária intermamilar no centro do tórax e realize compressões torácicas. Aplique 30 compressões numa frequência de 100 por minuto. Olhe dentro da boca da vítima antes de aplicar as insuflações, após cada ciclo de compressões, e remova qualquer objeto que puder ver. Em seguida aplique duas insuflações. Prossiga com a RCP até que a vítima apresente movimentos; chegue suporte avançado ou até a exaustão. REANIMAÇÃO CARDIO PULMONAR (RCP) E DESFIBRILADOR AUTOMÁTICO EXTERNO (DEA) As Diretrizes da American Heart Association 2010 para RCP se baseiam em um processo internacional de avaliação de evidencias, envolvendo centenas de cientistas e especialistas em ressuscitação de todo o mundo que avaliaram, discutiram e debateram milhares de publicações revisadas por pares. Estas diretrizes mais uma vez, evidenciam a necessidade de uma RCP de alta qualidade, incluindo: Frequência de compressão mínima de 100/minuto, Profundidade de compressão mínima de 5 cm, em adultos, e de, no mínimo, um terço do diâmetro anteroposterior do tórax, em bebês e crianças (aproximadamente, 4 cm em bebes e 5 cm em crianças. Retorno total do tórax após cada compressão Minimização das interrupções nas compressões torácicas Evitar excesso de ventilação. Para reconhecimento das necessidades imediatas e ações sequenciadas que devem ser executadas, sistematizam-se a abordagem das vítimas por prioridades a serem impreterivelmente seguidas e que são interligadas. Esta interligação de ações é conhecida como “Corrente da Sobrevivência” 31 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com A RCP ajuda a manter a vítima viva por meio da circulação de sangue oxigenado para os órgãos vitais. As insuflações enviam oxigênio para os pulmões, que é captado pelo sangue. Na maioria das vezes o choque elétrico do DEA, ou outro procedimento de Suporte Avançado é necessário. Lembre-se que a RCP é apenas um dos elos da corrente de sobrevivência, e que devemos prosseguir até a chegada do DEA ou atendimento Avançado. O atendimento à RCP segue o algoritmo: Tão logo o profissional de saúde identifique que a vítima não responde, está sem respiração ou apresenta respiração anormal, deve-se acionar o serviço de emergência/urgência e buscar o DEA (ou encarregar alguém disso). O procedimento de verificação de responsividade é realizado tocando e chamando a vítima. O profissional de saúde não deve levar mais do que 10 segundos verificando o pulso e, caso não sinta o pulso em 10 segundos, deve iniciar a RCP e usar o DEA, se disponível. COMPRESSÕES: Encontre a posição sobre a metade inferior do osso esterno, entre os mamilos, em adultos e crianças. Em bebê a posição é logo abaixo da linha imaginária entre os mamilos. Coloque uma mão na posição correta, em seguida posicione a outra sobre a primeira e entrelace os dedos. Em crianças dependendo da força, use uma ou duas mãos. Em bebês use dois dedos. Compressões Comprima forte e rápido no centro do tórax. Vias Aéreas Mão na testa e dedos no queixo. Respiração Insufle até elevação do tórax. http://1.bp.blogspot.com/_wj8si01CvYk/TNmop9IKs3I/AAAAAAAAAqU/l4DBCsT4jJ8/s1600/CAB.jpg 32 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com A frequência de compressão é de no mínimo de 100 por minuto. A profundidade da compressão em adultos é de no mínimo, cerca de 5 cm. Se você estiver sozinho, alterne com a aplicação de insuflações na frequência de 30:2, para todas as vítimas. Na RCP de crianças e bebês, com dois profissionais utilize 15 compressões para cada 2 insuflações. Para todasas vítimas aplique insuflações de 1 segundo de duração. VIAS AÉREAS: Utilize as manobras de abertura de vias aéreas (chin lift e jaw thrusth). Vede a máscara contra o rosto da vítima. Manobra “C E” VENTILAÇÕES: Após as 30 compressões, realize imediatamente as ventilações. Para todas as vítimas aplique insuflações de 1 segundo de duração. Deve-se perceber a elevação no tórax. 33 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO - DEA A fibrilação ventricular (FV) é responsável por cerca de 85% das PCR. A chance de se obter sucesso no tratamento da FV está estreitamente relacionada com dois aspectos: treinamento e o tempo gasto até a sua realização. Portanto, o conhecimento de todos sobre Suporte Básico de Vida permitiria uma intervenção muito mais precoce e eficaz nos casos de FV. O DEA está indicado assim que estiver disponível. Caso não esteja prontamente disponível ou o tempo de início da Parada Cardiorrespiratória for maior que 4 minutos, deve-se realizar 5 (cinco) ciclos, após os quais deve-se novamente verificar se o paciente apresenta pulso e continuar as manobras até que chegue socorro especializado com o DEA. PASSOS NA UTILIZAÇÃO DO DEA: Ligar o equipamento Siga as instruções visuais e sonoras Acoplar os eletrodos no equipamento e no tórax do paciente conforme a ilustração abaixo: 34 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com A – Adultos e crianças maiores de 8 anos. B – Em crianças entre 1 e 8 anos. Os DEAs podem ser usados em bebês, se não houver um desfibrilador manual disponível. Observações: O socorrista deve abrir a camisa do paciente para acesso rápido ao tórax, verificar se este se encontra seco e se apresentar grande quantidade de pelos, necessita de tricotomia (raspagem dos pelos) para conseguir melhor contato dos eletrodos com o tórax do paciente, e fixar os eletrodos no tórax e no DEA. Aplique os eletrodos a, pelo menos, 3 (três) centímetros da borda de qualquer dispositivo implantado (Marcapasso, Cardioversor-Desfibrilador Implantável, entre outros); Caso haja adesivo de medicamentos transdérmicos no local de aplicação das pás, deve-se retirá- los e limpar o local antes da aplicação os eletrodos. Se o tórax do paciente estiver molhado é recomendado que o socorrista seque-o antes de conectar os eletrodos. Para Utilizar o DEA em crianças até 8 anos deve-se utilizar pás pediátricas. Não havendo pás pediátricas, pode-se utilizar pás de adultos, conforme demonstrado na ilustração acima. NÃO USE PÁS PEDIÁTRICAS EM ADULTOS. Em bebês (com menos de 1 ano de idade), e preferível um desfibrilador manual. Se não houver um desfibrilador manual disponível, aconselha-se um DEA com atenuação de carga pediátrica. Se nenhum dos dois estiver disponível, use um DEA sem atenuador de carga. Afaste-se para que o DEA analise o ritmo cardíaco. Deve-se evitar contato com o paciente para evitar interferências. Após a leitura o DEA indicará ou não a necessidade do choque. Caso indicado será dado a informação de voz e prosseguirá o som de carga do capacitor. O DEA prosseguirá o procedimento pedindo para disparar pressionando o botão de tratamento. Atenção: Afaste-se do paciente! Após o choque, o DEA informará: Tratamento realizado, reinicie a RCP. Caso o DEA informar: TRATAMENTO NÃO INDICADO e o paciente não respirar normalmente o socorrista deverá realizar RCP por 2 minutos ou 5 ciclos de 30:2. EMERGÊNCIAS CARDIOCIRCULATÓRIAS As doenças cardiovasculares incluem as doenças do coração e dos vasos sanguíneos. As doenças comuns incluem hipertensão e aterosclerose. As doenças cardiovasculares elevam os riscos de emergências cardiovasculares, como o Acidente Vascular Encefálico (AVE) e Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), que são duas das três principais causas de morte. 35 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: O IAM ou ataque cardíaco, resulta de uma súbita redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias que suprem o músculo cardíaco, geralmente decorrente de aterosclerose. É uma emergência que pode levar à PCR. Sinais e Sintomas: Os sinais e sintomas variam desde um desconforto no peito até uma dor intensa insuportável. Em geral os sintomas mais comuns são: Queixa de opressão, aperto ou desconforto no peito; dor intensa que irradia pelo pescoço, ombros ou braços; respiração curta; sensação de morte eminente; palidez; pele úmida; diaforese; náuseas. A angina pectoris é uma dor torácica que é causada geralmente após esforços físicos. A dor é sinal de que o músculo cardíaco está recebendo quantidades insuficientes de oxigênio devido ao estreitamento na paredes dos vasos sanguíneos. A dor é semelhante ao IAM, porém ela tende a passar após repouso. Se a dor persistir por mais de 10 minutos após o repouso, considere como IAM. Conduta no APH: Mantenha a vítima em repouso em uma posição confortável, tranquilizando-a; Providencie apoio de Suporte Avançado de Vida; Não de alimentos ou líquidos para a vítima; Administre oxigênio se disponível; Encoraje a ingestão de AAS (ácido acetil salicílico) se a mesma já fizer uso deste medicamento. Transporte prioritário para centro de tratamento especializado. ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO: O AVE (AVC), também chamado “derrame cerebral” é uma interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro, matando as células nervosas e afetando as funções da vítima. Sinais e Sintomas: O AVE geralmente causa fraqueza ou parestesia (dormência) súbita em face, braço, perna ou em um dos lados do corpo; tontura; confusão mental; dificuldade para falar ou engolir; problemas de visão; dor de cabeça; alterações do nível de consciência ou inconsciência. Os sinais e sintomas poderão varias dependendo da área do cérebro afetada. Para avaliação do AVE utilizamos a escala Pré Hospitalar de Cincinatti. 36 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com Caso exista alteração em algum destes itens da avaliação, podemos supor que é um AVE. Conduta no APH: Mantenha vias aéreas liberadas e fique atento para vômitos; Mantenha a vítima calma; Administre oxigênio; Não administre nada por via oral; Se inconsciente transportar em decúbito lateral na “posição de coma”; Determinar hora de início dos sintomas; Transporte rápido para o hospital mais próximo onde estiver disponível o tratamento definitivo. EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS As doenças respiratórias crônicas são doenças tanto das vias aéreas superiores quanto das inferiores. A asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) são as mais comuns e representam os maiores problemas de saúde mundialmente. A DPOC inclui a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, é a causa mais comum de insuficiência respiratória no adulto. O enfisema é 37 http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com identificado por dispnéia, hiperinsuflação pulmonar (tórax em barril), dispnéia, uso de musculatura acessória da respiração, cianose e respiração paradoxal. A dispnéia (falta de ar) pode ocorrer por diversos fatores: Insuficiência cardíaca, Pneumonia, Pneumotórax, broncoespasmo etc. As medidas emergenciais visam a melhora do quadro e prevenção do quadro de insuficiência respiratória e consequentemente, parada respiratória. Conduta no APH: Ter certeza que as vias aéreas estão abertas e que a respiração está adequada; Observar o tórax para avaliar a presença de respiração espontânea. Determinar o padrão respiratório: a respiração agônica é o padrão respiratório mais importante a ser reconhecido, pois não é capaz de sustentar a vida. As respirações agônicas são lentas