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EXPRESSÃO E REFERÊNCIA EM TREINAMENTOS 
 
 
 
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http://nuesetreinamentos.blogspot.com – nuesetreinamentos@gmail.com 
 
 
 
NUESE – NÚCLEO DE ENSINO EM SAÚDE E EMERGÊNCIA 
Coordenação técnica: 
 
Marcelo A. Cesar 
Enfermeiro Especialista em Atendimento Pré-Hospitalar 
Instrutor Internacional - National Safety Council (BLS / First Aid) 
Instrutor Internacional - Emergency Care Safety Institute (P. Socorros em Áreas Remotas) 
Instrutor Internacional Primeiros Socorros Pediátricos – Academia Americana de Pediatras 
 
Reinaldo Coelho M. Júnior 
Enfermeiro Especialista em Atendimento Pré-Hospitalar 
Coordenador de Enfermagem SAMU 192 Guarujá/SP 
Enfermeiro Intervencionista SAMU 192 Santos/SP 
Instrutor Internacional - National Safety Council (BLS / First Aid) 
Instrutor Internacional - Emergency Care Safety Institute (P. Socorros em Áreas Remotas) 
Instrutor Internacional Primeiros Socorros Pediátricos – Academia Americana de Pediatras 
Membro do Grupo Voluntário de Busca e Salvamento Pólo Parque Estadual Turístico do Alto 
Ribeira (GVBS Petar) 
Instrutor de Técnicas Verticais e Resgate de Locais de Difícil Acesso pelo UMAS/COBEEM 
(Colégio Brasileiro de Enfermagem em Emergência) 
 
 
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HISTÓRICO DO ATENDIMENTO PRÉ HOSPITALAR 
 
O Sistema Pré-Hospitalar 
 Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, APH é: 
O atendimento que procura chegar precocemente à vítima após ter ocorrido 
um agravo de saúde (de natureza traumática ou não traumática, ou ainda 
psiquiátrica), que possa levar ao sofrimento ou mesmo a morte, sendo 
necessário prestar-lhe atendimento e/ou transporte adequado a um serviço 
de saúde devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de 
Saúde. 
 Esse conceito engloba algumas das principais premissas de um 
sistema de APH: 
 Chegada precoce à vítima; 
 Deslocamento de pessoal treinado em ambulâncias especialmente 
equipadas; 
 Possibilidade de realização de manobras e intervenções de 
manutenção da vida até a chegada a uma unidade hospitalar; 
 Escolha de uma unidade hospitalar adequada e próxima. 
 O atendimento a essas premissas abrevia o tempo para o início 
do socorro, evita o manuseio intempestivo da vítima, e possivelmente 
aumenta as chances de um resultado final de sobrevivência superior àquele 
que ocorre quando a vítima não recebe o mesmo cuidado. 
 
Relatos históricos do APH 
 Apesar de seu modelo moderno e organizado ter pouco menos 
de 40 anos em todo o mundo, é possível perceber tentativas de realização 
de APH pela história mundial muito antes disso, quase sempre atrelado a 
ocorrência de grandes guerras ou conflitos e ao desenvolvimento do 
atendimento pré-hospitalar. Sua origem apoia-se na simples ideia de um 
ser humano ajudando outro. Na literatura há descrições de transporte de 
soldados feridos pelos anglo-saxões em 900dC e, em 1460, o Rei 
Ferdinando fez o mesmo no cerco de Málaga. 
 No entanto, foi no século XVIII que o Barão Dominick Jean 
Larrey (1766-1842) cirurgião-chefe de Napoleão desenvolveu o que se pode 
chamar de “primeiro sistema organizado de socorro”. Não conformado com 
a longa espera que os feridos tinham que suportar para serem atendidos 
durante as batalhas, o cirurgião desenvolveu um modelo de assistência e 
transporte utilizando um veículo fechado, puxado por dois cavalos, com 
deslocamento rápido, que levava um médico, dois auxiliares e um 
“enfermeiro”, todos treinados a prestar cuidados e executar a retirada de 
feridos do campo de batalha, eram chamadas “ambulâncias voadoras”. 
 
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 Dominick Jean Larrey participou de mais de 60 batalhas, sempre 
criando e aperfeiçoando técnicas cirúrgicas. Descreveu a evolução do tétano 
e das lesões por frio, drenagem de tórax, controle efetivo das hemorragias 
e amputações, desenvolveu um método de triagem de vitimas, atendendo 
pela gravidade e não pela nacionalidade ou posição no exército, por isso é 
chamado “pai da cirurgia militar”. 
 Pode-se também cultuar a participação de Florence Nightngale na 
Guerra da Criméia como um exemplo 
histórico de abordagem precoce ao trauma 
quando por volta de 1854, a memorável 
enfermeira organizou o atendimento aos 
feridos. 
 No final do século XIX a cidade de 
Nova York foi a pioneira no atendimento a 
vítimas fora do hospital com ambulância 
com médicos. Impulsionados pela 
experiência americana, essa ideia foi então implementada pelos franceses, 
ajustada com a incorporação do princípio de regulação médica. No século 
XX, as experiências das Guerras da Coréia e do Vietnã, foram responsáveis 
pelo desenvolvimento da abordagem ao trauma e depois foram 
incorporadas ao APH. Mais recentemente temos as Guerras do Golfo e do 
Iraque, que trouxeram novas tecnologias que são utilizadas no APH urbano. 
 Joseph D. “Deke”, o pai do APH moderno, após a publicação de um 
artigo em 1967, estimulou o desenvolvimento de um APH organizado, 
delineando normas e organização de serviços deste tipo, descrevendo 
materiais das ambulâncias e treinamento básico das equipes. Com essas 
idéias, na década de 70, utilizando profissionais não médicos treinados, 
criaram-se os Técnicos de Emergências Médicas. A partir desta experiência 
de sucesso, em 1982, o Colégio Americano de Cirurgiões e Associação 
Nacional dos Técnicos de Emergências Médicas, desenvolveram o primeiro 
curso voltado para profissionais “não médicos”. O curso hoje é 
mundialmente famoso: PHTLS – PreHospital Trauma Life Support. 
 
APH no Brasil 
No Brasil as primeiras experiências de implantação dos serviços de 
APH ocorreram em São Paulo (década de 70), Brasília (1982) e Rio de 
Janeiro (1986) sempre de maneira independente, com a participação ativa 
 
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do Corpo de Bombeiros dos respectivos estados e quase sempre voltados ao 
atendimento do trauma. Paralelamente surgiu em 1976 o serviço do 
Departamento de Estradas e Rodagem (DERSA) no Estado de São Paulo. No 
início dos anos 80, foi implantado em São Paulo o dígito 192, que a partir 
de 2003, se tornou o número nacional de acesso ao pré-hospitalar público. 
 Outra inovação ocorreu em 1990 quando o Corpo de Bombeiros 
iniciou o sistema pré-hospitalar com ações de salvamento, chamadas de 
Resgate. Anos depois, este tipo de veículo existe em todo país, teve 
retificada a denominação de “Ambulância de Resgate” pela Portaria 2.048 
do Ministério da Saúde. 
Em 2003, o governo federal deu origem a uma política nacional de 
enfrentamento as urgências e emergências, que definiu em todo território, 
as diretrizes para o funcionamento de sistemas de atendimento, sendo o 
“Serviço de Atendimento Móvel de Urgência” (SAMU) o braço pré hospitalar 
desse programa. 
Atualmente o SAMU 192 está presente em todos os estados 
brasileiros com 157 Centrais de Regulação Médica que abrangem 1.468 
municípios. São mais de 110 milhões de pessoas que podem contar com o 
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. 
 
ASPECTOS LEGAIS E ÉTICOS NO APH 
 
No Brasil, ao contrário de alguns países, não existem leis que 
regulamentem ou garantam as ações de primeiros socorros, executadas por 
pessoas treinadas. No entanto alguns conceitos devem estar perfeitamente 
claros e bem entendidos, para que não haja problema legal durante o 
atendimento a vítimas. 
CONSENTIMENTO EXPRESSO – O consentimento pode ser obtido 
por gestos ou por palavras de uma vítima que esteja consciente e apta a 
assumir responsabilidade por seus atos, por exemplo, menores de idade e 
pessoas com problemas de desenvolvimento mental não podem responder 
juridicamente por seus atos. 
O paciente deverá ser informado de que você é um Socorrista, com 
treinamento em Atendimento Pré-hospitalar. Além disso,e superficiais e 
associam-se ao estágio final de colapso circulatório e a má perfusão do 
tronco cerebral. 
 Administrar oxigênio suplementar sob máscara com reservatório com 
fluxo de 10 a 15 l/min; 
 Assistir respiração com BVM – bolsa-válvula-máscara – se indicado 
(gasping, respiração agônica, parada respiratória); 
 Permitir ao paciente que assuma posição de conforto, geralmente o 
paciente vai optar por ficar semi-sentado. Não obrigar o paciente a 
deitar; 
 Transferir a vítima para unidade de tratamento adequado; 
 Ponderar Suporte Avançado; 
 Avaliar a presença de obstrução de vias aéreas superiores, são sinais de 
obstrução incompleta de vias aéreas estridor e prolongamento da 
inspiração. A obstrução completa de vias aéreas altas caracteriza-se por 
respirações paradoxais (retrações intercostais inspiratórias), cianose, 
afonia, ausência de ruídos respiratórios; 
 
 
 
EMERGÊNCIAS METABÓLICAS 
 
 Emergências metabólicas são as causadas por alterações do sistema 
endócrino, por aumento ou diminuição de secreção de hormônios vitais ao 
organismo. As emergências metabólicas mais comuns são a alteração da 
glicemia sanguínea, podendo causar aumento (hiperglicemia) ou diminuição 
(hipoglicemia). 
 A hipoglicemia é a manifestação mais urgente. Se não tratada 
brevemente, pode levar ao óbito. Sinais e Sintomas: Sudorese, tremor, 
fome, ansiedade, náusea, tonteira, confusão, fala arrastada, 
turvação visual, letargia, crises convulsivas e coma. 
 
Conduta no APH: 
 
 Abrir as vias aéreas caso o paciente esteja inconsciente ou sonolento; 
 Administrar oxigênio sob máscara em todos os pacientes; 
 Determinar imediatamente a glicemia capilar; 
 
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 Optar pela via oral na dose aproximada de 20 g de glicose em pacientes 
lúcidos; 
 Transferência imediata. 
 
A hiperglicemia deve ser tratada com brevidade, porém é uma 
situação que avança mais lentamente, mas que pode ser potencialmente 
fatal. A hiperglicemia causa diurese osmótica e desidratação, hipotensão e 
taquicardia. A cetonemia causa acidose, vasodilatação e respiração de 
Kussmaul. Náusea, vômitos e dor abdominal são comuns. O diagnóstico é 
confirmado com glicemia > 250 mg%. Sintomas comuns: cansaço, visão 
borrada, vômitos, vermelhidão facial, dor abdominal, pele seca, 
inquietude, pulso rápido, podendo apresentar pressão baixa, hálito 
de maçã e progredir para o coma. 
 
Conduta no APH: 
 
 Abrir as vias aéreas caso o paciente esteja inconsciente ou sonolento; 
 Administrar oxigênio sob máscara em todos os pacientes; 
 Determinar imediatamente a glicemia capilar; 
 Transferência imediata. 
 
 
CONVULSÕES 
 
Convulsão é um fenômeno eletro fisiológico anormal temporário que 
ocorre no cérebro (descarga bio-energética) e que resulta numa 
sincronização anormal da atividade elétrica neuronal. Entre cinco e 10% da 
população apresenta um episódio de crise convulsiva ao longo da vida, com 
maior prevalência em crianças e em idosos. Podem ser precipitadas por: 
febre, hipoglicemia, hipoxemia, hiponatremia ou hipernatremia, toxinas e 
trauma craniano ou mesmo freqüentes como no mal epilético. 
 Sinais e Sintomas: Perda da consciência ou alteração da mesma 
acompanhada por alterações de comportamento; presença de atividade 
motora involuntária, incluindo contrações tônico-clônicas e automatismos 
(piscar de olhos); Perda de tônus motor (resultando em queda) e 
incontinência esfincteriana. Geralmente são autolimitadas e de curta 
duração (menos de um minuto);diaforese, hipertensão, taquipnéia ou 
apnéia, taquicardia e salivação. O estado de mal epiléptico, ou seja, 
ocorrência de dois ou mais episódios de convulsão sem que a vítima recobre 
a consciência ou convulsões generalizadas com mais de trinta minutos de 
duração, constitui uma emergência médica, pois pode levar ao óbito por 
arritmias cardíacas ou dano cerebral devido à hipoxemia. No estado pós-
comicial, deve ser analisado se a recuperação do paciente é imediata e se o 
mesmo já apresentava história prévia de epilepsia, pois são indicadores de 
bom prognóstico. 
 
Conduta no APH: 
 
 No adulto jovem, procurar por sinais de: trauma, consumo de drogas ou 
envenenamento; 
 Não introduzir objetos na boca do paciente durante as convulsões; 
 Proteger a vítima de traumatismos. Evitando a contenção da vítima; 
 
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 Resfriar crianças febris com toalhas molhadas com água na temperatura 
ambiente; 
 Abrir a via aérea empregando manobras manuais durante o estado pós 
comicial ou utilizando em paciente com trismo a cânula nasotraqueal; 
 Assistir caso necessário a ventilação com máscara; 
 Administrar oxigênio sob máscara 10 a 15 litros por minuto; 
 Transferir a vítima para unidade de tratamento adequado; 
 
 
INTOXICAÇÕES EXÓGENAS 
 
São situações frequentes, pois grande número de pessoas faz uso de 
medicações ou estoca nas residências produtos potencialmente tóxicos com 
várias finalidades. O abuso de substâncias ilícitas também é comum. Pode 
ocorrer o vazamento de substâncias químicas perigosas em indústrias e nas 
áreas agrícolas existe o risco de exposição a inseticidas. A maioria das 
intoxicações ocorre nas residências, especialmente em crianças (66% dos 
casos), sendo acidentais em 90% dos casos. 
A exposição pode ser causada pela ingestão, inalação, administração 
parenteral ou absorção cutânea da substância. A forma mais freqüente de 
exposição é a ingestão da substância tóxica. Em geral não existem 
antídotos específicos para a maior parte dos produtos tóxicos, deste modo o 
tratamento deve ser voltado para a manutenção da vida da vítima. A 
descontaminação do paciente é utilizada para reduzir a absorção da 
substância. Devem ser identificados no ambiente os fatores presentes ou 
sobre a superfície corporal do paciente que ocasionem risco de vida para a 
equipe de resgate. Em determinados casos (por exemplo: acidentes 
industriais), o resgate do paciente pode exigir a utilização de vestes 
protetoras, aparato de respiração individual e medidas específicas de 
descontaminação. Examinar a cena, procurando garrafas de bebida vazias, 
frascos de medicamentos, seringas ou evidências de vazamento de 
produtos tóxicos. 
 
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Conduta no APH: 
 
 Adotar medidas de auto-proteção; 
 Fazer contato com o Centro de Intoxicações (CEATOX) na suspeita de 
intoxicação exógena (0800-7226001); 
 Manter as vias aéreas permeáveis; atentar para o vômito; 
 Administrar oxigênio por máscara com reservatório dez a quinze litros 
por minuto; 
 Assistir a ventilação em pacientes com respiração inadequada; 
 Atentar para a ocorrência de arritmias cardíacas com instabilidade 
hemodinâmica; 
 Não provocar vômitos se substâncias cáusticas ou ácidas; 
 Não utilizar antagonistas principalmente em substâncias cáusticas ou 
ácidas; 
 Se a contaminação for na pele ou olhos irrigar com soro fisiológico para 
diminuir a contaminação; 
 Transferir a vítima para unidade de tratamento adequado; 
 
 
ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS 
 
Ofidismo é o acidente causado por picada de cobra venenosa. Em 
nosso país cerca de 90% dos acidentes são causados pela jararaca, 
serpente do gênero Bothrops. A jararaca apresenta a cor parda, possuindo 
fosseta loreal e escamas da cauda lisas. É geralmente encontrada em locais 
úmidos, sendo a jararaca bastante agressiva. Seu veneno é coagulante e 
proteolítico, causando dor e necrose no local da picada e coagulação 
intravascular disseminada (CIVD) com sangramentos difusos. As cascavéis 
(Crotalus), respondem por 9% dos acidentes ofídicos no Brasil. Estas 
serpentes possuem fosseta loreal, a extremidade da cauda possui um guizo 
característico e coloração amarelada. O veneno é neurotóxico e produz 
mionecrose levando a Insuficiência Renal Aguda. As alteraçõesno local da 
picada são discretas. O restante dos acidentes (1%) é causado pelas cobras 
corais verdadeiras (Micrurus) e surucucus (Laquesis). As cobras corais 
apesar de extremamente venenosas não possuem fosseta loreal. Seu 
veneno é de ação neurotóxica causando paralisia respiratória. Os sintomas 
no local da picada geralmente são de (parestesia) dormência. 
 
 
Conduta no APH: 
 
 Administrar soro antiofídico é a prioridade. Encaminhar para hospital 
de referência (Na região temos como referência: Hospital Santo Amaro, 
Hospital Guilherme Álvaro, Hospital Municipal de Bertioga); 
Jararaca – Bothrops Cascavel – Crotalus Surucucu – Laquesis Coral – Micrurus 
 
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 Manter a vítima deitada e em repouso; 
 Limpar o local; 
 Afrouxar a roupa, remover anéis e braceletes que podem interromper a 
circulação da extremidade após desenvolvimento de edema (inchaço); 
 Levar a serpente caso ela tenha sido morta, para identificação. Não 
assumir riscos desnecessários para efetuar este procedimento; 
 Estar atento para o desenvolvimento de choque ou parada respiratória, 
secundária ao efeito do veneno; 
 Jamais executar procedimentos como aplicação de torniquete, gelo e 
incisão da ferida para sugar o veneno. A sucção não remove o veneno e 
pode agravar o quadro; 
 Aplicar uma bandagem compressiva com pressão de 40 a 70 mmHg em 
membros superiores e de 55 a 70 mmHg em membros inferiores em 
toda a extensão do membro afetado. Esta é uma medida eficaz para 
retardar a disseminação do veneno por reduzir o fluxo linfático. 
 
 
Araneísmo: A grande maioria das aranhas possui glândulas produtoras de 
veneno, porém poucas são perigosas para os seres humanos. Os 
envenenamentos graves são causados na maioria das vezes por aranhas 
fêmeas. Os machos, por sua vez, não são capazes de liberar quantidade de 
veneno suficiente para causar a morte. No Brasil, as principais aranhas de 
interesse médico pertencem ao gêneros Phoneutria, Loxosceles, Latrodectus 
e Lycosa. As aranhas do gênero Phoneutria, são responsáveis por cerca de 
40% dos acidentes. São bastante agressivas e são chamadas como Aranha 
armadeira, aranha-da-banana ou aranha-dos-mercados-de-frutas. O local 
da picada pode evoluir com edema, e às vezes, podem estar presentes 
náuseas, vômitos, cefaléia e tremores musculares. O veneno tem efeito 
neurotóxico periférico, sendo a dor no local da picada de instalação 
imediata, com irradiação para todo o membro atingido. As aranhas do 
gênero Loxosceles, são chamadas Aranha Marrom e encontradas no 
interior de residências, nas grandes cidades e também na zona rural. Seu 
veneno possui atividades proteolítica (responsável pelas leões necróticas e 
isquêmicas no local da picada), hemolítica (produz hemólise intravascular) e 
coagulante (pode ocasionar coagulação intravascular disseminada). As 
aranhas do gênero Latrodectus, são chamadas de Viúva-negra, aranha-
ampulheta ou flamenguinha. O veneno é neurotóxico central e periférico 
causando quadro clínico no local da picada e no sistema nervoso central. O 
quadro clínico caracteriza-se por dor intensa a partir do local da picada, com 
irradiação para o tronco. Em geral, acompanham as contraturas musculares 
generalizadas, com mialgia intensa, podendo haver evolução para 
convulsões tetânicas. As aranhas do gênero Lycosa, são chamadas de 
Tarântula, aranha-da-grama ou licosa. Seu tamanho é de 
aproximadamente 3 cm de corpo e até 5 cm de envergadura das pernas. O 
veneno é discretamente proteolítico e a picada é acompanhada de pouca ou 
nenhuma dor, podendo aparecer edema e eritema. O acidente é 
considerado de caráter benigno e não tem valor sanitário. As aranhas 
Caranguejeiras apresentam importância médica devido ao fato delas 
 
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poderem lançar pelos urticantes, situados no dorso do abdome. Esses pêlos 
podem causar reações de hipersensibilidade, com prurido cutâneo, mal-
estar, tosse, dispnéia, broncoespasmo. 
 
 
Conduta no APH: 
 
 Atentar para sintomas de manifestações graves: dispnéia, bradicardia. 
Esteja preparado para RCP; 
 Limpeza Local; 
 Transporte para hospital adequado pode ser necessário soro anti-
aracnídico. 
 
Escorpionismo: Os escorpiões são artrópodes pertencentes à classe 
Arachnida, ordem Scorpiones. São conhecidas cerca de 1500 espécies e 
subespécies. A partir da implantação da notificação dos acidentes 
escorpiônicos no Brasil, em 1988, vem se verificando um aumento 
significativo no número de casos. São notificados anualmente, cerca de 
8.000 acidentes, com uma letalidade variando em torno de 0,58%. O 
Tityus serrulatus é o maior causador de mortes no Brasil. Na sua grande 
maioria crianças com menos de 7 anos de idade. O escorpionismo grave 
caracteriza-se por falência cardiocirculatória, podendo cursar com edema 
pulmonar, sendo esta uma das causas mais comuns de óbito. Todos 
pacientes vítimas de escorpionismo devem ficar em observação, em 
ambiente hospitalar, entre 4 e 6 horas após a picada. São sinais de 
envenenamento grave: Vômitos profusos e freqüentes, náuseas, sialorréia, 
lacrimejamento, sudorese profusa, agitação, alteração da temperatura 
(geralmente hipotermia), taquicardia, hipertensão arterial, alteração do 
ECG, taquipnéia, tremores, espasmos musculares, paralisias e até 
convulsões. Pode haver evolução para casos mais graves, com bradicardia, 
bradipnéia, edema agudo pulmonar, colapso cardiocirculatório, prostração, 
coma e morte. 
 
Armadeira Aranha Marrom Viúva negra Tarântula Caranguejeira 
 
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Conduta no APH: 
 Atentar para sintomas de manifestações graves: dispnéia, bradicardia, 
insuficiência respiratória e PCR. Esteja preparado para RCP; 
 Atentar para vômitos. Mantenha vias aéreas pérvias. 
 Limpeza Local; 
 Transporte para hospital adequado pode ser necessário soro 
escorpiônico. 
Acidentes por lepidópteros: Os acidentes causados por isentos 
pertencentes à ordem Lepidoptera, causada por contato com lagartas 
urticantes, provocada pelo contato com cerdas da mariposa Hylesia sp; ou 
Síndrome hemorrágica por Lonomia sp. São popularmente conhecidos por 
sauí, lagarta-de-fogo, chapéu armado, taturana-gatinho, taturana-de-
flanela. 
 
 
 
 
 
Conduta no APH: 
 Lavar a região com água fria ou corrente 
 Compressa com gelo 
 Decúbito elevado do membro 
 
Anfíbios: Todos os anfíbios secretam muco e outras substâncias pela pele. 
O muco tem a função de manter a pele úmida, requisito indispensável para 
estes animais com respiração cutânea. As outras substâncias, os populares 
“venenos”, são produzidas por glândulas especiais espalhadas por grandes 
áreas da pele e/ou concentradas em determinadas regiões do corpo, por 
exemplo, as glândulas paratóides dos sapos, situadas na região atrás dos 
olhos. Essas toxinas têm função antimicrobiana ou na defesa contra 
predadores. Nem sempre elas são venenosas. Sua toxicidade varia de 
espécie para espécie, podendo ser uma substância de odor e/ou sabor 
desagradável, como ocorre na rã – pimenta, até produtos irritantes e 
tóxicos, como nos sapos do gênero Bufo, ou mesmo alcalóides altamente 
tóxicos, como é o caso das rãs dendrobatas (ou dendrobatídeos). Quanto ao 
homem, os sapos podem ser manipulados, tomando-se o cuidado para não 
apertar suas glândulas de veneno (paratóides) e para não levar a secreção 
à boca ou aos olhos. A toxina também pode entrar no corpo através de 
lesões na pele. 
 
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Animais Marinhos: Acidentes humanos provocados por peixes marinhos 
ou fluviais são denominados de ictismo. Algumas espécies provocam 
acidentes por ingestão (acidente passivo), enquanto outras por ferroadas ou 
mordeduras (acidente ativo). Poucose conhece sobre os órgãos produtores 
e os venenos dos peixes brasileiros. Os acidentes acantotóxicos (arraias, 
por exemplo) são de caráter necrosante e a dor é o sintoma proeminente. 
Os acidentes sarcotóxicos ocorrem pela ingestão de peixes e frutos do 
mar. Os baiacus (Tetrodontidae) produzem tetrodontoxina, potente 
bloqueador neuromuscular que pode conduzir a vítima à paralisia consciente 
e óbito por falência respiratória. No Brasil, não existe anti-veneno para o 
tratamento dos acidentes causados por peixes. O tratamento deve objetivar 
o alivio da dor. 
Conduta no APH: 
Lavar o ferimento com água ou solução fisiológica. Em seguida, imergir 
em água quente (temperatura suportável entre 30 a 45) ou colocar sobre a 
parte ferida compressa morna durante 30 ou 60 minutos. Esta tem por 
finalidade produzir o alívio da dor e neutralizar o veneno. 
Acidentes por Celenterados: São acidentes causados por anêmonas e 
corais, águas vivas, caravelas, hidras etc. O filo Celenterata é composto por 
animais simples, de estrutura radial, apresentando tentáculos que se 
inserem em volta da cavidade oral. Esses tentáculos capturam presas e 
apresentam células portadoras de um minúsculo corpo oval chamado 
nematocisto, capaz de injetar veneno por um microaguilhão que dispara 
quando a célula é tocada. A é sem dúvida a responsável pelo maior número 
e pela maior gravidade dos acidentes desse gênero no Brasil. As medusas 
também provocam acidentes. As mais rigorosas, capazes de matar um 
homem em minutos, são as do gênero Chironex (box jellyfish), encontradas 
na Austrália. 
Conduta no APH: 
 Repousar o membro afetado; 
 Retirada de tentáculos aderidos; 
 Não usar água doce para lavar o local; 
 Os tentáculos devem ser retirados suavemente levantando-os com a 
mão enluvada, pinça ou bordo de faca. O local deve ser lavado com 
água do mar; 
 Usar ácido acético a 5% (vinagre comum), aplicado no local, por no 
mínimo 30 minutos inativa o veneno local; 
 Retirada de nematocistos remanescentes: deve-se aplicar uma pasta de 
bicarbonato de sódio, talco e água do mar no local, esperar secar e 
retirar com o bordo de uma faca; 
 Bolsa de gelo ou compressas de água do mar fria por 5 a 10 minutos. 
 
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Acidentes com abelhas e vespas: Os acidentes causados por picadas de 
abelhas e vespas apresentam manifestações clínicas distintas, dependendo 
da sensibilidade do indivíduo ao veneno e o número de picadas. O acidente 
mais freqüente é aquele no qual um indivíduo não sensibilizado ao veneno é 
acometido por poucas picadas, causando uma reação inflamatória local, 
com pápulas eritematosas, dor e calor locais. Os acidentes causados por 
ataque múltiplo de abelhas (enxame), ocorrendo a inoculação de grande 
quantidade de veneno, devido a centenas ou milhares de picadas, pode 
levar à Síndrome do Envenenamento. Os doentes acometidos por 
milhares de picadas evoluem rapidamente para um quadro clínico grave de 
insuficiência respiratória e renal aguda. As reações de hipersensibilidade 
podem ser desencadeadas por uma única picada e leva o acidentado à 
morte, em virtude de edema de glote ou choque anafilático. O tratamento 
de poucas picadas de abelhas ou vespas, em indivíduo não sensibilizado, 
deve ser feito à base de anti-histamínicos sistêmicos e corticosteróides 
tópicos. O tratamento do acidente por múltiplas picadas de abelhas é 
sempre uma emergência médica e devendo o paciente ser encaminhado a 
um hospital. 
 
Marimbondo Cavalo 
No Brasil existem diversas 
espécies: Européia, Italiana, 
Africana e Mamangava. 
caravela 
(Physalia) 
Arraia 
 
46 
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AFOGAMENTO 
 
Afogamento é a aspiração de líquido não corporal causada por 
submersão ou imersão. As principais complicações são: hipoxemia causada 
por asfixia ou pela lesão pulmonar aguda, hipotermia, arritmias cardíacas 
decorrentes de hipoxemia e aspiração pulmonar de água poluída ou 
contaminada. A associação com traumatismos, especialmente de coluna 
vertebral, é encontrada em afogamento após mergulho em água rasa ou 
após queda não intencional na água. 
As classificações dos graus de afogamento são como descritos: 
 
Conduta no APH: 
 
 Manter as vias aéreas permeáveis; atentar para o vômito; 
 Assistir a ventilação pulmonar com BMV se indicado utilizando oxigênio 
suplementar; 
 Observar cuidados com a coluna cervical se houver suspeita de trauma 
(mergulho em águas rasas, trauma esportivo, etc.); 
 Administrar oxigênio sob máscara em pacientes respirando 
espontaneamente com fluxo de 10 -15 litros por minuto; 
 Evitar a utilização das compressões abdominais para esvaziar o 
estômago distendido, só aumenta o risco de aspiração pulmonar. Não 
tentar retirar a água dos pulmões ou do estômago. 
 Prevenir a aspiração pulmonar em vítimas com respiração espontânea, 
colocando o paciente em decúbito lateral esquerdo (posição de 
segurança) caso ocorram vômitos; 
 Iniciar a reanimação na ausência de pulso carotídeo mesmo em 
indivíduos que ficaram submersos por até quinze minutos; 
 Tratar hipotermia. Aquecer passivamente com cobertor térmico de 
alumínio; 
 Transportar pacientes em Grau I ou superiores para hospital de 
referência. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADquido
 
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HIPOTERMIA 
 
É a redução da temperatura corporal, que ocorre geralmente após 
exposição a baixas temperaturas. É mais comum em idosos, crianças, 
desnutridos, pacientes com traumatismos de medula espinhal, grandes 
queimados, indivíduos inconscientes e alcoolizados. Pode ser classificada em 
leve, moderada e grave, de acordo com a temperatura corporal. A imersão 
em líquidos com temperatura baixa acelera muito a perda de calor. A 
bradicardia é comum. Abaixo de 30º C a fibrilação atrial é frequente e 
temperaturas centrais inferiores a 28º C pode ocorrer a fibrilação 
ventricular. O surgimento da assistolia ocorre em temperaturas inferiores a 
21º C. Os termômetros clínicos são não são acurados em temperaturas 
inferiores a 35º C e a temperatura cutânea não se correlaciona com a 
temperatura central. Um termômetro timpânico que detecta infravermelho é 
o método mais prático de aferir a temperatura no pré-hospitalar. 
 
 
Conduta no APH: 
 
 Remover o paciente para um ambiente aquecido, para minimizar a 
perda de calor; 
 Mobilizar cuidadosamente pacientes gravemente hipotérmicos devido ao 
risco de precipitar fibrilação ventricular; 
 Tratar hipotermia. Aquecer passivamente com cobertor térmico de 
alumínio; 
 Remover roupas úmidas ou molhadas e agasalhar o paciente com 
cobertores; 
 Nunca mergulhar o paciente em líquido aquecido, massagear o paciente 
ou aplicar bolsas de água quente, devido ao risco de causar 
vasodilatação e queda da temperatura central; 
 Manter a permeabilização das vias aéreas com cânula orofaríngea caso 
o paciente esteja inconsciente ou sonolento; 
 Administrar oxigênio sob máscara em todos os pacientes 
preferencialmente aquecido; 
 Assistir a ventilação caso necessário sem hiperventilar o paciente; 
 Determinar imediatamente a glicemia capilar; 
 Limitar as tentativas de desfibrilação ao 1º primeiro choque em 
pacientes gravemente hipotérmicos. Aquecer a vítima a cerca de 35º 
antes de desfibrilar; 
 Durante a infusão de solução salina, utilizá-la preferencialmente 
aquecida. 
 
 
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PARTO DE EMERGÊNCIA 
 
A grande maioria dos partos se resolve espontaneamente. Haverá 
situações em que o parto acontecerá antes de a parturiente chegar ao 
hospital, ou mesmo a caminho dele. Nestes casos, deve-se estar preparado 
para assistir o parto. 
No final da gestação, a parturiente começa a apresentar sinais e 
sintomas que sãoindicativos do início do trabalho de parto. 
Identificação do parto iminente: 
Contrações regulares a cada 2 minutos; Visualização da cabeça do 
bebê no canal de nascimento; Saída de água pela vagina (ruptura da bolsa 
das águas); Gestante multípara, com vários partos normais (parto mais 
rápido). 
 Procedimentos gerais: 
 Sem expor a parturiente, ela deverá estar livre de todas as vestimentas 
que possam obstruir o canal de nascimento; 
 Em hipótese alguma o processo de nascimento do bebê poderá ser 
impedido, retardado ou acelerado; 
 Sempre o marido, os pais ou outro parente próximo deverá acompanhar 
o tempo todo, a parturiente; 
 Não permitir a presença de curiosos. Procurar ser o mais discreto 
possível e manter ao máximo a privacidade da gestante; 
 Não permitir que a gestante vá ao banheiro se constatados os sinais do 
parto iminente. 
 
Procedimentos específicos: 
Colocar a parturiente deitada de costas, com os joelhos elevados e as 
pernas afastadas uma da outra e pedir-lhe para conter a respiração, 
fazendo força de expulsão cada vez que sentir uma contração uterina; 
À medida que o parto progride, ver-se-á cada vez mais a cabeça do 
feto em cada contração. Deve-se ter paciência e esperar que a natureza 
prossiga o parto; nunca se deve tentar puxar a cabeça da criança para 
apressar o parto; 
À medida que a cabeça for saindo, deve-se apenas ampará-la com as 
mãos, sem imprimir nenhum movimento, que não o de sustentação; 
Depois de sair totalmente, a cabeça da criança fará um pequeno 
movimento de giro e, então, sairão rapidamente os ombros e o resto do 
corpo. Sustentá-lo com cuidado. Nunca puxar a criança, nem o cordão 
umbilical; deixar que a mãe expulse naturalmente o bebê; 
Após o nascimento da criança, limpar apenas o muco do nariz e a boca 
com gaze e realizar avaliação do recém nascido. 
 Não há necessidade de cortar o cordão umbilical, se o transporte para 
o hospital demorar menos de 30 minutos. 
Cortando o cordão umbilical: o primeiro a aproximadamente quatro 
dedos da criança (10 cm) e o segundo nó distante a 5 cm do primeiro. 
Cortar entre os dois nós com uma tesoura, lâmina ou outro objeto 
esterilizado; 
O cordão umbilical sairá junto com a placenta, cerca de 20 minutos 
após o nascimento. 
 
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Transportar a mãe e a criança ao hospital. Deve-se também 
transportar a placenta para o médico avaliar se ela saiu completamente. 
 
 
 
 
ASSISTÊNCIA AO RECÉM NASCIDO 
O preparo para atender o recém-nascido consiste inicialmente na 
realização de anamnese materna, na disponibilidade do material para 
atendimento e na presença de equipe treinada em reanimação neonatal. 
Alguns fatores chamam a atenção para fatores complicadores na gestação e 
condições perinatais associadas à reanimação neonatal: Idade 35 anos; Diabetes; Hipertensão na gestação; Idade Gestacional 41 semanas; Gestação múltipla; Uso de drogas ilícitas. 
 Imediatamente após o nascimento, a necessidade de reanimação 
depende da avaliação rápida de quatro situações referentes à vitalidade do 
concepto, sendo feitas as seguintes perguntas: - Gestação a termo? - 
Ausência de mecônio? - Respirando ou chorando? - Tônus muscular bom? 
Se a resposta é sim a todas as perguntas, considera-se que o RN está com 
boa vitalidade e não necessita de manobras de reanimação. A reanimação 
depende da avaliação simultânea da respiração e da freqüência cardíaca 
(FC). A FC é o principal determinante da decisão de indicar as diversas 
manobras de reanimação. Logo após o nascimento, o RN deve respirar de 
maneira regular, suficiente para manter a FC acima de 100 bpm. Podendo o 
pulso ser verificado pela palpação na base do cordão umbilical. A avaliação 
da coloração da pele e mucosas do RN não é utilizada para decidir 
procedimentos na sala de parto. Naqueles que não precisam de 
procedimentos de reanimação ao nascer, a saturação de oxigênio com 1 
minuto de vida se situa ao redor de 60-65%, só atingindo valores entre 87-
92% no quinto minuto. Assim, o processo de transição normal para alcançar 
uma saturação de oxigênio acima de 90% requer 5 minutos ou mais em 
recém-nascidos saudáveis que 5 respiram ar ambiente. 
O contato pele a pele com a mãe imediatamente após o nascimento, 
em temperatura ambiente de 26ºC, reduz o risco de hipotermia em recém-
nascidos de termo, com boa vitalidade. Nesse momento, pode-se iniciar a 
amamentação. 
Todos os pacientes 10 85-95% 
 
 
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EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 
 
AVALIAÇÃO DA VÍTIMA TRAUMATIZADA: 
 
 As cinco etapas envolvidas no exame primário são como descritas na 
sessão de avaliação da vítima e sua ordem de prioridade são as que 
seguem: 
 
A – atendimento das vias aéreas e controle da coluna cervical; 
B – respiração; 
C – circulação; 
D – incapacidade; 
E – exposição; 
 
BIOMECÂNICA DO TRAUMA 
 
 É fundamental para o socorrista, em qualquer fase do atendimento, 
perceber e compreender os princípios da biomecânica ou mecanismos 
envolvidos na ocorrência da lesão. Sem percepção destes dados, lesões 
podempassar despercebidas. 
 A lei da física de Newton demonstra a ocorrência de transferência de 
energias, estas que se propagam através de órgãos e podem sofrer lesões 
sem ferimento aparente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Existem muitos tipos de traumas fechados, mas colisões de veículos 
motorizados (automóveis e motocicletas) são os mais comuns. As colisões 
automobilísticas podem ser divididas em cinco tipos: 
 Impacto frontal 
 Impacto traseiro 
 Impacto lateral 
 Impacto angular 
 Capotamento 
 
Embora exista variação de cada padrão, a identificação dos padrões 
poderá facilitar a compreensão da biomecânica envolvida. 
 
 
 
 
 
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Durante um capotamento, o ocupante não contido pode ser total ou 
parcialmente ejetado para fora do veículo, ou pode bater violentamente em 
seu interior. Esta ação produz lesões múltiplas e um tanto imprevisíveis que 
geralmente são graves. 
Atropelamentos: Existem três etapas distintas na colisão entre pedestre e 
veículo. 
 
 
 
 
 
 
O trauma causado por ferimentos penetrantes podem ocorrer por 
armas brancas e projéteis que podem esmagar os tecidos que se 
encontram diretamente em seu trajeto. Uma cavidade é criada no rastro 
da bala. A parte esmagada é permanente. A expansão temporária 
também pode produzir lesão. 
 
 
 
 
No impacto lateral pode 
ocorrer compressão torácica 
com fratura de costelas, 
lesões por hiperpressão 
pulmonar. A ação sobre o 
fêmur empurra a cabeça 
através do acetábulo ou 
fratura a pelve. Podem 
ocorrer também lesões 
vertebrais por aceleração e 
rotação da cabeça. 
 
Fase 1: Quando o pedestre é atingido por um veículo. 
O impacto inicial ocorre nas pernas e às vezes, nos 
quadris. 
Fase 2: O tronco do pedestre rola sobre o capô do 
veículo. 
Fase 3: A vítima cai do veículo e atinge o solo. A 
criança pode não ser atirada para longe do veículo, 
mas pode ficar presa e ser arrastada pelo veículo. 
 
 
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LESÕES MÚSCULO ESQUELÉTICAS 
 
 
Revisão de anatomia dos principais ossos do corpo humano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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LESÕES MÚSCULO-ESQUELÉTICAS 
 
Frequentemente são as lesões mais evidentes no politraumatizado, 
possuindo potencial para desviar a atenção do socorrista de lesões mais 
graves. O exame e tratamento da vítima devem priorizar as condições que 
causem instabilidade: obstrução de vias aéreas, respiração ineficaz e 
instabilidade circulatória. As fraturas e luxações podem causar lesões 
vasculares e nervosas. As grandes artérias das extremidades ficam junto 
aos ossos, especialmente próximo às articulações. É obrigatória a 
palpação dos pulsos, a avaliação do enchimento capilar, 
sensibilidade e motilidade. Algumas fraturas como as de fêmur e pelve, 
podem produzir hemorragias graves levando ao choque hipovolêmico. 
Sinais e sintomas de fraturas: 
 Dor intensa e constante; 
 Incapacidade funcional; 
 Deformidade do membro, com encurtamento e/ou aumento de volume; 
 Em fraturas expostas o osso fraturado pode ser visualizado. 
 Presença de palidez ou cianose; 
 Crepitação. 
 
Conduta no APH: 
 Imobilizar pacientes estáveis antes da remoção; 
 Remover as roupas, anéis e pulseiras, que podem comprometer a 
vascularização da extremidade; 
 Cobrir lesões abertas com bandagens estéreis; 
 Verificar antes e depois da imobilização: pulsos distais, enchimento 
capilar, sensibilidade; 
 Imobilizar a extremidade na posição em que foi encontrada no caso de 
uma luxação ou fratura de articulação; 
 Não reduzir fraturas ou luxações; 
 Tratar as fraturas com: Repouso, Imobilização, Gelo, Compressão e 
Elevação; 
 Avaliar sinais de complicações: Dor, Parestesia, Paralisia, Palidez e 
Pulso. 
 Encaminhar para centro de tratamento adequado. 
 
TRAUMA CRANIOENCEFÁLICO: 
 
 A lesão cranioencefálica está associada à alta taxa de mortalidade. 
Mesmo um trauma cranioencefálico (TCE) leve pode evoluir para uma lesão 
significativa e colocar em risco a vida do doente. 40% dos traumatizados 
apresentam lesões do SNC. No atendimento ao TCE é necessário otimizar a 
oxigenação e ventilação, prevenindo lesões secundárias por hipóxia e 
hipovolemia. 
 A avaliação da Escala de Coma de Glasgow (ECG) é um indicador 
importante e pode qualificar a lesão cerebral: 
 
Leve 13 – 15 
Moderada 9 – 12 
Grave 3 – 8 
 
 
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No TCE é necessário a avaliação secundária da cabeça, couro 
cabeludo e face para buscar por abrasões, contusões, fraturas, lacerações, 
edema, saída de líquor cefalorraquidiano, tecido cerebral, lesões do globo 
ocular, hematomas e hemorragias. 
 
Conduta no APH: 
 Manter o alinhamento manual da coluna cervical até que a vítima esteja 
imobilizada por colar cervical rígido de extricação e fixado sobre a 
prancha longa com o estabilizador lateral (head block); 
 Prover oxigênio suplementar sob máscara facial, se respiração for 
adequada e os reflexos de proteção a via aérea estiverem preservados; 
 Assistir a ventilação com BVM e oxigênio sempre que apresentar 
dificuldade respiratória ou nível de consciência deprimido com Glasgow 
≤ 8; 
 Controlar sangramentos externos; 
 Transportar se possível a vítima com a cabeceira elevada a 30º; 
 Evitar hipotermia; 
 Transportar para centro de tratamento adequado (ponderar necessidade 
de Tomografia Computadorizada). 
 Esteja preparado para vômitos e crise convulsivas. 
 
 
TRAUMATISMO DE COLUNA VERTEBRAL 
 
Lesões de coluna vertebral podem ocasionar a morte ou incapacidade 
permanente. Aproximadamente 10% das lesões medulares ocorrem por 
manipulação incorreta das vítimas de trauma por socorristas ou pessoal 
hospitalar. A proteção da coluna cervical é uma das prioridades do 
tratamento pré-hospitalar, a não ser que outra situação esteja produzindo 
risco de vida iminente. As lesões medulares podem ser classificadas do 
ponto de vista clínico em completas e incompletas. As completas resultam 
em perda total de função, ao exame o paciente não tem movimentação ou 
sensações abaixo do nível de lesão, nas incompletas há preservação de 
algumas funções. 
 
Conduta no APH: 
 
 Indicar estabilização da coluna cervical em todos os pacientes com 
história de trauma acima das clavículas; 
 Abrir as via aéreas com a manobra de elevação da mandíbula; 
 Imobilizar manualmente a cabeça e pescoço até a vítima estar fixada 
em dispositivo imobilizador; 
 Estar preparado para lateralizar a prancha e efetuar a aspiração da via 
aérea em caso de necessidade; 
 Ventilar com BMV e oxigênio vítimas apresentando insuficiência 
respiratória e depressão do sensório (Glasgow ≤ 8); 
 Iniciar a ventilação sob pressão positiva, com bolsa e máscara utilizando 
oxigênio suplementar caso necessário; 
 Manter a imobilização durante o transporte; 
 Transportar para centro de tratamento adequado. 
 
 
 
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TÉCNICAS ESPECÍFICAS: 
 
IMOBILIZAÇÃO DA COLUNA CERVICAL: 
A escolha do colar cervical deverá ser feita com o pescoço da vítima 
em posição neutra, usando os dedos de uma mão para medir da base do 
pescoço (músculo trapézio) até a base da mandíbula da vítima. O 
espaçamento encontrado deve ser rebatido no plástico rígido da lateral fixa 
do colar cervical, sem levar em conta a espuma de acabamento, sendo, 
então, o de igual tamanho o correto para ser aplicado. Em vítimas com a 
coluna na posição horizontal, iniciamos a colocação do colar cervical pela 
parte do queixo, deslizando-o sobre o tórax da vítima até que seu queixo 
esteja apoiado firmemente sobre o colar (parte anterior). Em seguida 
passamos a parte posterior do colar por trás do pescoço da vítima até se 
encontrar com a parte anterior.Já em vítimas com a coluna na posição 
vertical, iniciamos a colocação do colar cervical passando sua parte 
posterior por trás do pescoço da vítima. Em seguida colocamos a parte 
anterior do colar cervical, encaixando no queixo da vítima de forma que 
esteja apoiado firmemente. 
Em ambos os casos, devemos ajustar o colar e prendê-lo com o velcro 
existente em sua parte anterior, observando uma discreta folga de 1 (um) 
dedo, entre o colar e o pescoço da vítima. Deve ser mantida a imobilização 
manual da cabeça até que se coloque um recurso material para tal 
(cobertor, imobilizador lateral). 
Lembrar que mesmo com o colar cervical, a vítima pode movimentar a 
cabeça, portanto a região cervical somente estará com imobilização 
completa com o uso do imobilizador lateral de cabeça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Rolar em bloco o paciente enquanto 
se mantém a estabilização manual, com 
mínimo movimento da coluna. O rolamento 
em bloco é indicado para colocar o paciente 
em prancha longa ou virar para examinar 
seu dorso. 
Enquanto um socorrista mantém a 
cabeça do paciente estabilizada em posição 
neutra e alinhada, o segundo socorrista 
coloca o colar cervical do tamanho 
adequado. Enquanto um socorrista mantém 
a cabeça do paciente estabilizada em 
posição neutra e alinhada, o segundo se 
ajoelha na altura da metade do tórax e um 
terceiro na altura dos joelhos. Rolar o 
paciente em bloco sobre seu lado. A 
prancha longa é posicionada, com a borda 
inferior na altura dos tornozelos e a borda 
superior além da altura da cabeça do 
paciente. 
 Quando o paciente apresenta-se 
em posição prona, ou deitado de barriga 
para baixo,pode-se utilizar o método 
semelhante ao anterior, incorporando o 
mesmo alinhamento inicial dos 
membros, o mesmo posicionamento dos 
socorristas e a mesma responsabilidade 
para manutenção do alinhamento. 
Sempre que possível o paciente deve ser 
girado na direção oposta daquela em 
que sua face estiver direcionada. 
 O paciente é rolado em bloco 
sobre seu lado. A cabeça roda menos 
que o tronco, de forma que no momento 
em que o paciente estiver perpendicular 
ao chão, a cabeça e tronco estejam 
alinhados adequadamente. A 
movimentação prossegue até que o 
paciente esteja sobre a prancha rígida. 
ROLAMENTO EM BLOCO: 
 
 
 
 
 
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PRANCHAMENTO EM PÉ: 
Os socorristas devem realizar a estabilização e o alinhamento 
manuais tanto pela frente como por trás do paciente. Deve-se então utilizar 
o colar cervical apropriado. A prancha longa é colocada atrás do paciente e 
pressionada contra ele, mantendo a estabilização e fixando o paciente na 
prancha. Cada socorrista insere a mão mais próxima sob a axila do doente, 
segurando a alça da prancha. A palma da outra mão é colocada contra a 
lateral da cabeça, mantendo a estabilização manual. 
O paciente é deitado juntamente com a prancha longa até o chão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 IMOBILIZAÇÃO SENTADA: 
 
Este tipo de imobilização é utilizado quando é indicada a estabilização 
da coluna do paciente sentado, que não é portador de lesões com risco de 
vida imediato. Existem diversos tipos de dispositivos de retirada, o nome 
genérico é KED (“Kendrick Extrication Device”). A abordagem da coluna 
cervical com alinhamento e estabilização segue o mesmo princípio. É 
colocado o colar cervical e o paciente mantido de forma ereta. O KED é 
colocado atrás do paciente e as tiras das virilhas são abertas. As abas 
laterais são colocadas em torno do paciente e movimentadas até tocarem 
as axilas. Os tirantes do tronco são posicionados e ajustados, iniciando pelo 
tirante do meio do tórax, seguido do tirante inferior. Ajuste os tirantes. 
Cada tirante da virilha é ajustado. Coxins devem ser posicionados atrás da 
cabeça do paciente quando necessário para manter a posição neutra. A 
cabeça do paciente é fixada às abas laterais do KED. Posicione a prancha 
rígida abaixo das nádegas da vítima e em movimentos coordenados, gire e 
posicione para retirá-la do local. Uma vez que tenha sido girado e esteja 
posicionado no centro da prancha, mantenha o paciente com as pernas 
elevadas até que os tirantes da virilha tenham sido soltos. 
 
 
 
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REMOÇÃO DE CAPACETE: 
 
Pacientes que estão usando capacete fechado na frente devem ter o 
capacete retirado no início do processo de avaliação, para que seja possível 
tratar problemas na via aérea e ventilação, para avaliar possíveis 
sangramentos ocultos na parte posterior da cabeça e retificar para 
alinhamento em posição neutra da coluna cervical. 
Um socorrista se posiciona acima da cabeça do paciente e com a mão 
espalmada nas laterais estabiliza o capacete, mantendo o mais neutro 
possível. O segundo socorrista imobiliza na altura do ângulo da mandíbula. 
A outra mão é colocada por baixo do pescoço. O primeiro socorrista puxa 
levemente os lados do capacete e afasta-o com movimentos para cima e 
para baixo. Cuidado ao liberar o nariz do paciente. Uma vez removido, 
manter em posição neutra alinhada. 
 
 
TRAUMATISMOS DE TÓRAX 
 
Os acidentes automobilísticos são as causas mais comuns de trauma 
de tórax. Representam a causa direta do óbito em 25% das vítimas de 
trauma. A conseqüência dos traumatismos torácicos graves é a hipóxia 
tecidual que pode resultar dos seguintes fatores isoladamente ou em 
qualquer combinação: obstrução de vias aéreas, hipovolemia, alteração da 
relação ventilação/perfusão, alterações na pressão pleural e disfunção 
cardíaca. Em caso de acidente automobilístico verificar: tipo de veículo 
envolvido, posição da vítima, local do impacto, danos ocasionados ao 
veículo e uso de cinto de segurança ou capacete por parte da vítima. A 
presença de deformidades na barra de direção e painel sugere traumatismo 
torácico significativo. Queixas: a presença de dor torácica e dispnéia são 
os principais sintomas de traumatismos torácicos. As lesões torácicas que 
podem causar a morte do paciente ainda no ambiente pré-hospitalar e que 
devem ser detectadas na avaliação rápida do traumatizado são: Obstrução 
de vias aéreas; Pneumotórax aberto; Tórax instável; Pneumotórax 
hipertensivo; Tamponamento cardíaco e Hemotórax maciço. 
 
Conduta no APH: 
 Avaliar permeabilidade das vias aéreas ao mesmo tempo em que se 
mantém a estabilização da coluna cervical. Intervir imediatamente caso 
seja detectada obstrução; 
 Verificar a presença de respiração espontânea adequada e de ruídos 
respiratórios anormais. Observar coloração da pele, padrão respiratório 
e presença de feridas aspirativas de tórax (pneumotórax aberto); 
 
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 Observar coloração da pele e mucosas. Verificar intensidade do pulso 
radial e sua intensidade assim como o enchimento capilar; 
 Exame do pescoço e tórax: A distensão das veias jugulares pode ocorrer 
no pneumotórax hipertensivo e no tamponamento cardíaco. O 
colabamento das jugulares quando associado a sinais de choque sugere 
hipovolemia. A traquéia pode estar centralizada ou desviada, o 
pneumotórax hipertensivo pode causar desvio da traquéia. A ausência 
de ventilação em um dos pulmões sugere pneumotórax ou hemotórax 
na vítima de trauma; 
 Administrar oxigênio 10 a 15 litros por minuto; 
 Em feridas aspirativas: Cobrir o ferimento com curativo de material 
impermeável (plástico); 
 Transferirpara hospital de referência. 
 
 
 
 
 
TRIAGEM DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS 
 
Pela Organização Mundial de Saúde (OMS), catástrofe é um 
fenômeno ecológico súbito de magnitude suficiente para necessitar de ajuda 
externa. No atendimento pré-hospitalar, catástrofe é aquela situação em 
que as necessidades de atendimento excedem os recursos materiais e 
humanos imediatamente disponíveis, havendo necessidade de medidas 
extraordinárias e coordenadas para se manter a qualidade básica ou mínima 
de atendimento. É um desequilíbrio entre os recursos disponíveis e os 
prescindíveis para o atendimento, de modo que quanto maior for esse 
desequilíbrio, mais sérias serão as consequências às vítimas do evento. A 
catástrofe implica um envolvimento do meio-ambiente com prejuízo do 
abastecimento, da comunicação, dos transportes e do acesso ao local. 
Acidentes com múltiplas vítimas apresentam desequilíbrio entre os recursos 
disponíveis e as necessidades, e que, apesar disso, podem ser atendidos 
com eficiência desde que se adote a doutrina operacional protocolada. 
Como parâmetro de magnitude, consideramos acidente com múltiplas 
vítimas aqueles eventos com mais de cinco vítimas graves. O atendimento a 
acidentes com estas características é um desafio no qual os serviços de 
atendimentos pré-hospitalares e os hospitais se deparam com freqüência. O 
melhor esforço, ou seja, o melhor atendimento para a vítima mais grave 
deve dar lugar ao conceito de o melhor atendimento para o maior número 
possível de vítimas. Assim três princípios básicos no atendimento dessas 
situações são fundamentais: triagem, tratamento e transporte. Para que 
estes três princípios básicos sejam plenamente atendidos é necessário que 
haja comando, comunicação e controle, pontos capitais, indispensáveis para 
o sucesso do atendimento. 
Muitas organizações diferentes participam da resposta a um desastre. O 
sistema de comando de incidente (SCI) foi criado para possibilitar que 
diferentes tipos de entidades e múltiplas jurisdições de entidades como 
bombeiros, polícia e serviço médico de emergência trabalhem juntos, de 
modo efetivo, usando estrutura organizacional e linguagem comum. 
Porém mesmo após estas questões estruturais de comando estarem 
definidas, perdura o maior desafio para o socorrista: a triagem de múltiplas 
 
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vítimas. O sistema de triagem ocorre sempre quando: não há 
disponibilidade de recursos suficientes para todos os pacientes e 
excede a capacidade de recursos imediatos. Nessa situação o objetivo 
da triagem é assegurar a sobrevida do maior número de vítimas. 
Critérios a serem utilizados para a triagem (S.T.A.R.T. – Triagem 
Simples e Tratamento Rápido): 
 O fluxograma foi criado na Califórnia, e tem por objetivo classificar as 
vítimas por critério de gravidade em quatro cores (verde, amarela, 
vermelha e preta). Não distingue vítimas fatais de críticos inviáveis. Existe 
uma variação de cores em relação às vítimas mortas: em alguns países se 
usa a cor cinza, branco ou laranja. Este método pode ser utilizado por 
qualquer profissional de saúde, bombeiros ou leigos desde que devidamente 
treinados. 
Classificação das vítimas de acordo com as cores: 
Cor Significado Prioridade 
Verde Pode aguardar 
Lesão leve ou sem lesão 
Quarta 
Amarelo Pode aguardar 
Lesão grave sem risco de vida 
imediato 
Segunda 
Vermelho Críticos recuperáveis 
Lesão grave ou risco de vida 
imediato 
Primeira 
Preto Críticos não recuperáveis Terceira 
Cinza/ 
Branco 
Mortos Quinta 
 
 O START utiliza três avaliações simples para identificar as vítimas que 
tem maior probabilidade de morrer em decorrência das lesões. Geralmente 
o processo leva de 30 a 60 segundos por vítima. O START não necessita de 
ferramentas, equipamento médico especializado ou conhecimento 
específico. A primeira etapa é encaminhar todos os que conseguem 
caminhar para uma área segura pré determinada. A linguagem mnemônica 
“30-2-pode fazer” é utilizada como lembrete. O “30” refere-se a frequência 
respiratória, o “2” ao enchimento capilar e o “pode fazer” à capacidade de 
obedecer ordens. Qualquer vítima que tem frequência respiratória abaixo de 
30, enchimento capilar menor que 2 e obedece ordens é classificada como 
leve (amarela). Vítimas inconscientes que tenham respiração rápida ou 
enchimento capilar retardado são classificadas como prioritárias (vermelha). 
Estando ao lado da vítima apenas duas medidas salvadoras são utilizadas: a 
abertura de vias aéreas e controle de hemorragia externa. Nas vítimas que 
ao realizar a abertura de vias aéreas voltem a respirar, é classificada como 
prioritária. Não deve ser feita RCP. Se a vítima não voltar, classifique-a 
como crítica irrecuperável (preta). 
Respirações Perfusão Nível de Consciência 
30 2 Pode fazer 
 
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Fluxograma de avaliação pelo método START: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplo de cartão de triagem 
 
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Mapa da área e zonas de risco: 
 
 Para que o atendimento local seja feito de forma adequada, 
rapidamente e sem atropelos, o planejamento a área do incidente deve ser 
dividida em três áreas distintas: 
Zona quente – na qual ocorreu o evento que gerou o desastre; Zona 
morna – área de menor risco que a zona quente, porém em contato direto 
com ela; Zona fria – área segura, totalmente afastada do risco do evento 
que gerou o desastre. A não ser em condições especiais o Posto médico 
avançado (PMA) e demais estruturas de comando devem ser localizados na 
zona fria. Entre a zona quente e fria deve ser traçado o corredor de acesso 
que permita transitar entre as duas de forma segura. 
 O Posto médico avançado deve ficar preferencialmente em local de 
fácil acesso às vítimas trazidas de maca e que ao mesmo tempo 
proporcione uma rota livre e um fluxo unidirecional pra entrada e saída para 
viaturas de transporte. No local serão abertas as lonas coloridas (verde, 
vermelha, amarela, preta) ou identificadas através de bandeirolas das 
mesmas cores. No PMA existirão também equipes das mesmas cores e 
neste local será realizada a avaliação e reclassificação se necessário, 
tratamento adequado e transporte para centro de tratamento adequado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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enfermagem. Editora Atheneu, São Paulo, 2009. 
 
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Emergency Medical Technicians. PHTLS Prehospital Trauma Life 
Support 6 th edition, Ed Elsevier, 2007. 
 
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Life Support®, 8 th edition, American College of Surgeons, 2008. 
 
Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. Divisão Técnica de 
Fiscalização, Comunicação e Informação. SAMU 192. Protocolos de 
Atendimento Pré-Hospitalar em Suporte Básico e Avançado de Vida, 
4ª revisão, 2009. 
 
National Safety Council, Suporte Básico de Vida para Profissionais de 
Saúde e Resgate, Editora Randal Fonseca, 2007. 
 
Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado SBAIT, 
Atendimento a desastres – Manual de Treinamento, São Paulo, 2000. 
 
American Heart Association. Guideliness 2010 for Cardiopulmonary 
Ressucitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010. 
 
Cardoso et al. Animais Peçonhentos no Brasil, Ed. Sarvier, 2009. 
 
Society of Trauma Nurses © Copyright 2008 Advanced Trauma Care for 
Nurses® Student Manual, 2008 Edition. 
 
Jeffrey M. Caterino, Scott Kahan. Emergências Médicas, Editora 
Guanabara Koogan, 2006. 
 
Ministério da Saúde, Doenças Respiratórias Crônicas, 2010.Ministério da Saúde, Protocolos de Atendimento das Unidades de 
Emergência, 2008. 
Ministério da Saúde. Doenças Infecciosas e parasitárias, 2010. 
Susan M. Brigs; Raul Coimbra, Manual de Resposta Médica Avançada 
em Desastres, Distribuna Editorial, 2010. 
Carvalho, Marcelo Gomes de. Suporte Básico de Vida no Trauma. 
Livraria Médica Paulista, 2008. 
 
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Ministério da Saúde. Portaria n.° 1.863, de 29 de setembro de 
2003.Diário Oficial da União, 2003. 
Ministério da Saúde. Portaria n.° 1.864, de 29 de setembro de 
2003.Diário Oficial da União, 2003. 
Ministério da Saúde. Portaria n.º 2048, de 5 de novembro de 2002.Diário 
Oficial da União, 2002. 
Ministério da Saúde. Regulação médica das urgências / Ministério da 
Saúde, Editora do Ministério da Saúde, 2006.é importante que 
o paciente saiba: 
 A identificação do Socorrista; 
 Por que determinados cuidados são necessários; 
 Os procedimentos que estão sendo realizados. 
CONSENTIMENTO IMPLÍCITO – O consentimento estará implícito 
nos casos onde a vítima esteja inconsciente e sua vida esteja correndo 
riscos. Da mesma forma, se a vida de uma criança ou de uma pessoa com 
problema de desenvolvimento mental estiver correndo risco, o 
consentimento deverá ser assumido como implícito e o socorro poderá ser 
prestado se no local não estiver presente um responsável pela vítima que 
possa expressar o consentimento. Nunca deixe de prestar socorro a uma 
criança por não ter como obter consentimento de pais ou responsável. 
DIREITOS DA VÍTIMA – Como Socorrista você não poderá prestar 
cuidado a um paciente e depois comentar os detalhes do atendimento com 
 
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seus amigos, familiares ou pessoas da comunidade (incluindo imprensa ou 
outros órgãos de comunicação). 
Você não deverá identificar o paciente, dizendo o nome dele e ao 
comentar sobre o acidente, não deverá repetir o que foi dito pelo paciente 
ou descrever um comportamento inadequado ou qualquer aspecto da 
aparência pessoal. Ao cometer esta falta você transgredia a privacidade do 
paciente, quebrando o sigilo. 
A necessidade do sigilo não se aplica quando o Socorrista é 
questionado pelos policiais, pessoal do Resgate, médico responsável pelo 
atendimento do paciente ou ao testemunhar em cortes judiciais. Poderá ser 
solicitado que o Socorrista relate as informações obtidas junto ao paciente 
ou acompanhantes. 
ABANDONO – Abandono significa interromper o atendimento, antes 
que alguém com nível igual ou superior de conhecimento ao seu assuma a 
responsabilidade. Portanto, uma vez que você inicie o socorro deverá ficar 
ao lado da vítima até ser substituído por alguém que possua condições para 
o socorro. 
NEGLIGÊNCIA – Negligência significa atender uma vítima sem 
observar as técnicas adequadas e os protocolos estabelecidos, provocando 
com isso agravamento ou lesões adicionais. 
OMISSÃO DE SOCORRO (art. 135 do Código Penal) – “Deixar de 
prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à 
criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, 
ao desamparo ou em grave e eminente perigo; ou não pedir, nesses 
casos, o socorro da autoridade pública: Pena – detenção de 01 a 06 
meses ou multa”. 
É importante observar que o próprio texto da Lei deixa claro que o 
crime somente existe quando há possibilidade de fazer o socorro e a pessoa 
simplesmente deixou de agir. Nos casos em que o socorrista corre risco de 
vida ou não dispões dos equipamentos necessários, não há o que se falar 
em omissão de socorro. 
Por outro lado, deixa expresso que a falta de comunicação a um órgão 
público competente para efetuar o socorro já incorre no crime, pois se o 
local oferece risco de vida ao socorrista, nada há que se falar, mas se há 
algum meio de comunicação (celular, telefone público, rádio ou 
simplesmente outras pessoas passando pelo local) é obrigatório que o 
socorrista chame por ajuda especializada. 
Deve o socorrista agir de conformidade com as técnicas de 
atendimento pré-hospitalar estabelecidas para o seu nível de treinamento, 
estando ciente de que poderá ser responsabilizado nos casos de: 
 Negligência: deixar de executar medidas de atendimento pré-
hospitalar previstas para a condição do paciente; 
 Imperícia: executar procedimentos acima de seu nível de 
treinamento – próprios da área médica ou de enfermagem – ou para o qual 
não foi devidamente habilitado; 
 
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 Imprudência: não seguir adequadamente os padrões de 
atendimento ou executá-lo sem o devido zelo, promovendo o agravamento 
do problema existente. 
 
CONCEITOS: 
PRIMEIROS SOCORROS – É o tratamento aplicado de imediato ao 
acidentado ou portador de mal-súbito, com o objetivo de estabilizar e 
preservar a vítima até a chegada do socorro especializado. 
URGÊNCIA: ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem 
risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica 
imediata. 
EMERGÊNCIA: constatação médica de condições de agravo à saúde 
que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, 
portanto, tratamento médico imediato. 
No dicionário da língua portuguesa, lê-se que emergência é relativo a 
emergir, ou seja, alguma coisa que não existia, ou que não era vista, e que 
passa a existir ou ser manifesta, representando, dessa forma, qualquer 
queixa ou novo sintoma que um paciente passe a apresentar. Assim, tanto 
um acidente quanto uma virose respiratória, uma dor de dente ou uma 
hemorragia digestiva, podem ser consideradas emergências. Este 
entendimento da emergência difere do conceito americano, que tem 
permanentemente influenciado nossas mentes e entende que uma situação 
de “emergência” não pode esperar e tem de ser atendida com rapidez, 
como incorporado pelo próprio Conselho Federal de Medicina (Resolução 
CFM n.° 1.451, de 10/3/1995). Inversamente, de acordo com a nossa 
língua, urgência significa aquilo que não pode esperar (tanto que o Aurélio 
apresenta a expressão jurídica “urgência urgentíssima”). 
Assim, devido ao grande número de julgamentos e dúvidas que esta 
ambivalência de terminologia suscita no meio médico e no sistema de 
saúde, optamos por não mais fazer este tipo de diferenciação. Passamos a 
utilizar apenas o termo “urgência”, para todos os casos que necessitem de 
cuidados agudos, tratando de definir o “grau de urgência”, a fim de 
classificá-las em níveis, tomando como marco ético de avaliação o 
“imperativo da necessidade humana”. 
RESGATE – É o ato de retirar uma ou mais vítima de um local de 
difícil acesso, utilizando-se de técnicas, equipamentos e pessoal capacitado 
para esse tipo de ação. Uma pessoa que está presa nas ferragens de um 
automóvel não pode ser retirada de qualquer maneira para não agravar ou 
mesmo adicionar novas lesões. 
LEI DO BOM SAMARITANO - Lei que incentiva os indivíduos a ajudar 
voluntariamente uma pessoa ferida ou com um mal súbito ao reduzir ao 
máximo sua responsabilidade pelos erros cometidos ao prestar assistência 
de emergência de boa fé. 
SUPORTE BÁSICO DE VIDA - Ações que mantém a vida de uma 
vítima, através de manobras que permitem a oxigenação cerebral, até que 
o atendimento médico avançado seja possível. 
DIAGNÓSTICO DE MORTE – É importante que o atendente pré-
hospitalar saiba identificar o momento em que ocorreu a morte, pois seus 
esforços não têm sentido nessa situação, apesar de que somente um 
médico pode constatar legalmente a morte de uma pessoa, mas ao chegar 
 
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ao local pode ser que a vítima já esteja em óbito, sendo certo que apenas 
em caso de morte óbvia o atendente pode eximir-se de adotar os 
procedimentos de socorro. Se houver a parada do atendimento sem a 
constatação legal da morte por médico, o atendente pré-hospitalar corre o 
risco de cometer o crime de “omissão de socorro”, respondendo legalmente 
por isso. 
 MORTE CLÍNICA: Ausência dos sinais vitais (parada 
cardiorrespiratória) com possibilidade de reanimação. Somente o 
profissional médico tem competência técnica e legal para estabelecer este 
diagnóstico. 
 
 MORTE BIOLÓGICA: É caracterizada pela ausência de funções 
cerebrais. Somente o profissional médico tem competência técnica e legal 
para estabelecer este diagnóstico. 
 
 MORTE ÓBVIA: É aquela situação que apresenta elementos 
irrefutáveis de morte. São 07 situações em que isso ocorre: (1) 
decapitação, (2) carbonização ou calcinação, (3) seccionamento de tronco, 
(4) estado de putrefação ou decomposição, (5) rigidez cadavérica, (6) 
apresentação de manchas hipoestáticas e (7) esmagamento completo de 
cabeçaou tórax. 
 
 
TIPOS DE VIATURAS 
 
A Portaria do Ministério da Saúde n. º 2.048 definem os tipos de veículos 
para cada tipo de atividade desenvolvida no APH, sendo: 
 
 TIPO A – Ambulância de Transporte: veículo destinado ao 
transporte em decúbito horizontal de pacientes que não apresentam 
risco de vida, para remoções simples e de caráter eletivo. EQUIPE: 2 
profissionais, sendo um o motorista e o outro um Técnico ou Auxiliar 
de enfermagem. 
 
 TIPO B – Ambulância de Suporte Básico: veículo destinado ao 
transporte inter-hospitalar de pacientes com risco de vida conhecido 
e ao atendimento pré-hospitalar de pacientes com risco de vida 
desconhecido, não classificado com potencial de necessitar de 
intervenção médica no local e/ou durante transporte até o serviço de 
destino. EQUIPE: 2 profissionais, sendo um o motorista e um técnico 
ou auxiliar de enfermagem. 
 
 TIPO C – Ambulância de Resgate: veículo de atendimento de 
urgências pré-hospitalares de pacientes vítimas de acidentes ou 
pacientes em locais de difícil acesso, com equipamentos de 
salvamento (terrestre, aquático e em alturas). - EQUIPE: 3 
profissionais militares, policiais rodoviários, bombeiros militares, e/ou 
outros profissionais reconhecidos pelo gestor público, sendo um 
 
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motorista e os outros dois profissionais com capacitação e 
certificação em salvamento e suporte básico de vida. 
 
 TIPO D – Ambulância de Suporte Avançado: veículo destinado ao 
atendimento e transporte de pacientes de alto risco em emergências 
pré-hospitalares e/ou de transporte inter-hospitalar que necessitam 
de cuidados médicos intensivos. Deve contar com os equipamentos 
médicos necessários para esta função. EQUIPE: 3 profissionais, sendo 
um motorista, um enfermeiro e um médico. 
 
 TIPO E – Aeronave de Transporte Médico: aeronave de asa fixa 
ou rotativa utilizada para transporte inter-hospitalar de pacientes e 
aeronave de asa rotativa para ações de resgate, dotada de 
equipamentos médicos homologados pelo Departamento de Aviação 
Civil - DAC. EQUIPE: o atendimento feito por aeronaves deve ser 
sempre considerado como de suporte avançado de vida e Para os 
casos de atendimento pré-hospitalar móvel primário não traumático e 
secundário, deve contar com o piloto, um médico, e um enfermeiro e 
para o atendimento a urgências traumáticas em que sejam 
necessários procedimentos de salvamento, é indispensável à 
presença de profissional capacitado para tal. 
 
 TIPO F – Embarcação de Transporte Médico: veículo motorizado 
aquaviário, destinado ao transporte por via marítima ou fluvial. Deve 
possuir os equipamentos médicos necessários ao atendimento de 
pacientes conforme sua gravidade. EQUIPE: a equipe deve ser 
composta 2 ou 3 profissionais, de acordo com o tipo de atendimento 
a ser realizado, contando com o condutor da embarcação e um 
auxiliar/técnico de enfermagem em casos de suporte básico de vida, 
e um médico e um enfermeiro, em casos de suporte avançado de 
vida. 
As ambulâncias deverão dispor, no mínimo, dos materiais e 
equipamentos ou similares com eficácia equivalente conforme 
determinado pela Portaria do Ministério da Saúde 2.048, de 
05/11/02. 
 
VEÍCULOS DE INTERVENÇÃO RÁPIDA - (também chamados de 
veículos leves, veículos rápidos ou veículos de ligação médica): Para 
transporte de médicos com equipamentos que possibilitam oferecer suporte 
avançado de vida nas ambulâncias do Tipo A, B, C e F. 
OUTROS VEÍCULOS: Veículos habituais adaptados para transporte 
de pacientes de baixo risco, sentados (ex. pacientes crônicos) que não se 
caracterizem como veículos tipo lotação (ônibus, peruas, etc.). Este 
transporte só pode ser realizado com anuência médica. 
MOTOLÂNCIA - A necessidade de uma resposta operacional rápida, 
eficaz e segura por parte do SAMU 192 inseriu na busca a excelência do 
 
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atendimento, pois seu tempo resposta é menor. A motocicleta escolhida é 
do tipo trail, de 250 cc, por possuir adequado torque para a maior parte das 
situações que requerem a intervenção. Quanto ao perfil do tripulante para 
as motocicletas, devem atender a algumas exigências mínimas: 
 Carteira Nacional de Habilitação - Categoria A, com experiência em 
pilotagem no mínimo de 1 (um) ano; 
 Curso obrigatório para Capacitação de Condutores de Veículos de 
Emergência. (Art. 145 - CTB. Resolução do CONTRAN Nº 168/2004.); 
 Curso de Pilotagem Defensiva; 
 É indispensável que o condutor da motocicleta tenha, adicionalmente, 
Curso de Suporte Básico de Vida de no mínimo 8 horas/aula, cujo 
conteúdo programático siga as orientações aceitas internacionalmente para 
Reanimação Cardio-Pulmonar (Diretrizes vigentes da AHA), sendo 
ministrado por entidade homologada. 
Quanto aos equipamentos e materiais, as Motolâncias, minimamente, 
deverão dispor de: Cilindro de oxigênio de alumínio; Colar cervical (P, M, 
G); Desfibrilador externo automático (DEA); Talas de imobilização de 
diversos tamanhos; Material de venopunção; cânula de Guedel, máscara de 
oxigênio com reservatório, cateteres de O2, ressuscitador manual 
adulto/infantil com reservatório. Medicamentos e soluções poderão ser 
utilizados, desde que sempre sob orientação do Médico Regulador da 
Central de Regulação das Urgências – SAMU 192 e de acordo com 
protocolos padronizados pelo serviço, a fim de propiciar o rápido início do 
atendimento no local até a chegada de outras equipes ou conforme o que 
for determinado pela regulação médica. 
UNIDADE DE TRANSPORTE NEONATAL – Considerada como 
suporte avançado de vida neonatal. Os pré-requisitos para a utilização da 
ambulância no transporte neonatal são: 
Altura do compartimento de pacientes suficiente para a acomodação da 
incubadora de transporte, com local seguro para sua fixação. 
• Presença de fonte de energia, luz e controle de temperatura. 
• Fonte de oxigênio e ar comprimido, com estoque de ambos os gases. 
• Espaço interno mínimo para a manipulação do recém-nascido em 
situação de emergência. 
• Cintos de segurança para a equipe de transporte. 
O equipamento mínimo necessário para o transporte neonatal inter ou 
intra-hospitalar constitui-se de: 
• Incubadora de transporte: transparente, de dupla parede, bateria e 
fonte de luz. 
• Cilindros de oxigênio recarregáveis (pelo menos dois). 
• Balão auto inflável com reservatório e máscaras ou respirador neonatal. 
• Monitor cardíaco e/ou oxímetro de pulso com bateria. 
• Material para intubação, venoclise e drenagem torácica. 
• Termômetro, estetoscópio, fitas para o controle da glicemia capilar. 
• Bomba perfusora. 
 
A nova resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) Nº 
375/2011, Parágrafo Primeiro determina: A assistência de Enfermagem 
em qualquer tipo de unidade móvel (terrestre, aérea ou marítima) 
destinada ao Atendimento Pré-Hospitalar e Inter-Hospitalar, em situações 
 
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de risco conhecido ou desconhecido, somente deve ser desenvolvida na 
presença do Enfermeiro. 
 
AVALIAÇÃO DA CENA DE EMERGÊNCIA 
 
A Avaliação da Cena de Emergência é o estudo rápido dos diferentes 
fatores relacionados à ocorrência e indispensável para a tomada de decisão. 
Deve ser constante e não apenas no primeiro momento, pois os fatores 
podem alterar-se com facilidade e rapidez. Vários e importantes aspectos 
norteiam um atendimento de emergência. A análise da situação nos permite 
a tomada rápida de decisões quanto aos seguintes fatores: 
 Ter uma visão global do acontecimento; 
 Adotar providências imediatas que permitam uma ação segura ou o 
não agravamento da situação encontrada; 
 Solicitação de recursos que possam atender a emergência. 
A inobservância de regras básica de segurança ao abordar um local de 
ocorrência pode acarretar sérios ferimentos oua morte de pessoas que se 
disponham a prestar o socorro, especialmente nos casos em que envolvem 
riscos elétricos, afogamento, local com incidência de gases tóxicos, etc. 
 
 
 
No local da ocorrência devem ser observadas algumas situações mesmo 
antes do desembarque da viatura ou da chegada à vítima, tais como o 
correto posicionamento da viatura e sinalização do local. 
É conveniente a utilização de cones sinalizadores na proporção de um (1) 
para cada quilômetro de velocidade da via. Inicia-se com um cone na 
distância de 15 metros da cena e o total dos restantes. Por exemplo: 
Marginal do Tietê (pista local): 70 km/h - 1º cone a 15 m + 7 cones a cada 
10 m = 85 m (8 cones). 
 
 
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BIOSSEGURANÇA 
 
Biossegurança é o conjunto de normas e procedimentos considerados 
seguros e adequados a manutenção da saúde em atividades com 
possibilidades de se adquirir alguma doença contagiosa. As normas de 
biossegurança englobam todas as medidas que visam evitar riscos físicos 
(radiação ou temperatura), ergonômicos (posturais), químicos (substâncias 
tóxicas), biológicos (agentes infecciosos) e psicológicos (como estresse). Os 
riscos devem ser constantemente combatidos, prioritariamente de forma 
preventiva. 
 Medidas de precaução geral envolvem: Lavar as mãos antes e 
posterior o contato com a vítima; em qualquer ocasião usar as luvas de 
procedimento, bem como máscaras e óculos de proteção e avental 
descartável – mesmo assim evitar ao máximo o contato com líquidos 
corpóreos, descontaminar o material e equipamento antes de atender outra 
vítima, usar material estéril para curativos em feridas abertas. Descarte 
corretamente todo o equipamento de proteção individual utilizados, em local 
apropriado, não deixando nenhum material jogado no local do acidente. 
 A transmissão de doenças pode ocorrer através do contato com 
sangue, saliva, vômitos, transmissão aérea por gotículas de saliva ou 
através do ar. A imunização é um meio eficaz de prevenir doenças e está 
disponível gratuitamente na rede pública de saúde. Podemos ser vacinados 
contra Hepatite B, Hepatite A, Tétano, Difteria, Meningite, Influenza, H1N1 
etc. 
Ainda existem riscos de contrair o vírus HIV ou Hepatite C, porém 
não existem ainda métodos de imunização para estes vírus. 
Como inovação na normatização de procedimentos de biossegurança, 
temos a criação da NR 32, de novembro de 2005. Ela regulamenta as 
atividades relacionadas à saúde e segurança do trabalhador da área da 
saúde e propostas que visam a melhoria da qualidade de vida do 
trabalhador da área da saúde, entre elas a prevenção dos riscos biológicos, 
 
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normatiza treinamentos dos trabalhadores, rotinas de higienização, 
descarte do material perfuro cortante. 
 
HEMORRAGIAS 
 
Hemorragia é a perda de sangue circulante de um vaso sanguíneo. 
As hemorragias podem ser classificadas como: 
Interna – aquela produzida dentro dos tecidos ou cavidades 
naturais; 
Externa – aquela cuja perda de sangue ocorre para o exterior do 
organismo. 
A severidade do sangramento depende de sua fonte, podendo ser 
proveniente da artéria, veia ou capilar, podendo ser reconhecido pelas 
características abaixo: 
 
FONTE COR VELOCIDADE EFEITO 
ARTÉRIA Vermelho-viva 
Rápida 
(pulsando) 
Muito rápido para 
coagular e de maior 
dificuldade de controle 
VEIA Vermelho-escura Fluxo estável Mais fácil de controlar 
CAPILARES Vermelho 
Lenta, fluxo 
uniforme ou 
gotejamento 
estável 
Coagulam de forma 
espontânea, causando 
pouca perda de sangue 
 
A hemorragia externa, muitas vezes, será de fácil visualização, porém 
poderão ocorrer casos em que o sangue não estará visível. Deve-se 
considerar que haverá uma hemorragia externa, se observar os seguintes 
sinais: Presença de sangue nas roupas da vítima; presença de sangue no 
local ou nas imediações onde a vítima se encontra; saída de sangue pelos 
ferimentos. 
Tratamento para controle de hemorragia externa 
 A conduta indicada para o tratamento pré-hospitalar de hemorragia 
externa é: 
 Expor o ferimento; 
 Como primeira medida, fazer uma compressão direta e firme sobre o 
ferimento, com um pedaço de pano limpo ou gaze, até cessar o 
sangramento; 
 Fixar um curativo, com auxílio de faixas, ataduras ou bandagem 
triangular; 
 Se o sangramento persistir após a aplicação de um curativo, não o 
remova, aplique outro curativo sobre o primeiro exercendo maior pressão. 
 
Comprimir o ferimento, em caso sangramento persistente, utilizar nova 
compressa, sem retirar a anterior e fixar curativo com faixas e gazes 
 
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 Não existem evidências científicas suficientes para recomendar a 
técnica que se utilizava de elevação de membros e pressão em pontos 
arteriais (Guidelines AHA 2010). 
 
TORNIQUETE 
O torniquete é um recurso extremo que somente será utilizado nas 
situações em que for absolutamente impossível controlar um sangramento 
através da compressão direta, e quando for imprescindível para salvar a 
vida da vítima, como ocorre em catástrofes ou amputações de membros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Uma vez aplicado, não deve ser afrouxado antes de a vítima chegar 
ao hospital. Anotar a hora em que foi aplicado, e não afrouxá-lo até que a 
vítima esteja sob cuidados médicos. 
 
Hemorragias internas são aquelas que se manifestam desde simples 
hematomas até casos de grande perda de sangue, com acumulação em 
áreas internas do corpo, podendo causar estado de choque. 
Reconhecimento de hemorragia interna: 
A hemorragia interna, na maioria das vezes, será de difícil 
visualização, porém poderão ser observados os seguintes sinais indicadores 
de sua ocorrência: 
 Presença de tosse e ou vômito com sangue; 
 Presença de manchas arroxeadas na região do abdome; 
 Rigidez da parede abdominal; 
 Sinais e sintomas indicativos do estado de choque. 
 
Tratamento para hemorragia interna 
Ao atender uma vítima com suspeita de hemorragia interna deve 
priorizar o transporte. De qualquer forma, sempre será aconselhável a 
adoção das seguintes medidas: 
 Manter a vítima em repouso; 
 Manter a vítima aquecida; 
 Estar alerta para a presença de vômito; 
 Monitorar os sinais vitais. 
 
 
 
 
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ESTADO DE CHOQUE 
 
 Embora tenha muitas definições, o choque é quase sempre 
considerado um estado de diminuição da perfusão generalizada no qual a 
liberação de oxigênio no nível celular é inadequada para atender as 
necessidades metabólicas. Com base nesta definição, o choque pode ser 
classificado em termos dos determinantes da perfusão e oxigenação 
celulares. Os determinantes principais da perfusão celular são: o coração, 
volume de líquidos, vasos sanguíneos e células do corpo. 
 Existem diversos tipos de choque, dentre os quais podemos citar: 
Choque Hipovolêmico: Quando ocorre perda aguda de sangue em virtude 
de desidratação ou hemorragia. O volume sanguíneo apresenta-se 
insuficiente para suprimir a demanda metabólica. O choque hipovolêmico é 
a causa mais comum de choque no pré-hospitalar e a perda de sangue é a 
causa mais comum de choque no doente politraumatizado. 
 Quando ocorre perda de sangue da circulação, o coração é estimulado 
a aumentar a frequência cardíaca, através da liberação de adrenalina, o que 
causa vasoconstrição periférica. Podemos perceber como sinais e sintomas: 
taquicardia (batimentos cardíacos acelerados), hipotensão (diminuição 
da pressão arterial) e pele fria e úmida. Ainda pode ocorrer agitação, 
confusão mental, cianose de extremidades (coloração arroxeada), sede 
e inquietação. 
 O diagnóstico de choque é clínico. A avaliação do nível de 
consciência, coloração e temperatura da pele, pulso e pressãoarterial 
auxiliam na avaliação hemodinâmica da vítima. 
 A classificação do choque segundo a perda volêmica é estimada da 
seguinte maneira: 
 
CLASSIFICAÇÃO DO CHOQUE 
 CLASSE I CLASSE II CLASSE III CLASSE IV 
Perda sanguínea Até 750 ml 750-1500 ml 1500-2000 ml >2000 ml 
% de perda 
sanguínea 
Até 15% 15 a 30% 30 a 40% >40% 
Pulso 100 >120 >140 
Pressão Arterial Normal Normal Diminuída Diminuída 
Pressão de 
Pulso 
Normal ou 
aumentada 
Diminuída Diminuída Diminuída 
Frequência 
respiratória 
14-20 20-30 30-40 >35 
Estado mental 
Levemente 
ansioso 
Moderadamente 
ansioso 
Ansioso, confuso 
Confuso, 
letárgico 
 
As fraturas podem causar hemorragias internas significativas, 
resultando em choque hipovolêmico, assim como descritas abaixo: 
 
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Choque Séptico: O choque séptico ocorre em pacientes com infecções 
graves. Produzem-se leucócitos em resposta à infecção, lesando as paredes 
dos vasos sanguíneos, provocando vasodilatação periférica e 
extravasamento de líquido dos capilares para o espaço intersticial. Assim o 
choque séptico tem características do choque hipovolêmico. 
 
Choque Neurogênico: O choque neurogênico ocorre quando há lesão da 
medula no local de saída dos nervos do sistema nervoso simpático (região 
toracolombar). Por causa da perda da inervação simpática, que controla a 
musculatura lisa na parede vascular, os vasos periféricos abaixo do nível da 
lesão ficam dilatados. Em decorrência da vasodilatação, ocorre hipovolemia. 
Tanto choque hipovolêmico quanto o neurogênico levam a queda da pressão 
arterial, mas no choque neurogênico a pele fica quente e seca, 
principalmente abaixo da lesão. Ocorre normalmente bradicardia com o 
pulso fraco. 
 
Choque Psicogênico: Por estimulação do nervo vagal podem ocorrer 
vasodilatação periférica e hipotensão transitórias. Se a bradicardia e 
vasodilatação forem acentuadas ocorre insuficiência no fluxo sanguíneo 
cerebral. Quando o paciente perde a consciência, dizemos que ocorre 
síncope vasovagal (desmaio). No choque psicogênico, os doentes 
recuperam rapidamente a pressão arterial quando colocados na posição 
horizontal. 
 
Choque Cardiogênico: É a falha na atividade de bombeamento do 
coração. As causas podem ser: lesão do músculo cardíaco, arritmias, 
disfunções valvares ou tamponamento cardíaco. 
 
Tratamento do choque: 
 Manter oxigenação adequada, pela permeabilização das vias aéreas; 
 
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 Suporte ventilatório com máscara facial com alta concentração de 
oxigênio; 
 Controlar hemorragia da melhor maneira possível. Cada hemácia é 
importante; 
 Evitar hipotermia; 
 Monitorar sinais vitais. 
 Transporte imediato para um centro de tratamento definitivo; 
 
FERIMENTOS 
 
Ferimento é uma lesão em qualquer tecido, como resultado de um 
trauma, causada por agentes externos de natureza diversa, cortantes, 
contundentes ou perfurantes. O tratamento inicial consiste na aplicação 
imediata de curativos, que são quaisquer materiais utilizados para cobrir 
ferimentos, visando a impedir a contaminação e controlar o sangramento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FERIMENTO EM ABDÔMEN ABERTO (EVISCERAÇÃO): 
 
 Posicione a vítima deitada de costas. Afrouxe as roupas. A vítima deverá 
flexionar ligeiramente os joelhos, se esta ação melhorar a dor. 
 Nunca reinsira órgãos eviscerados para dentro do abdômen. Cubra com 
compressa estéril úmida ou compressa seca não aderente. Não aplique 
pressão direta sobre o ferimento. 
 Cubra a compressa com bandagem oclusiva grande ou com um plástico. 
 Em seguida cubra a vítima com cobertor ou toalha para preservar 
temperatura corporal. 
 Atenda a vítima para prevenir estado de choque. 
 Monitore a vítima e esteja pronto para aplicar RCP. 
 
 
 
 
 
 
 Irrigue o ferimento com soro fisiológico 
 Use gaze para remover pequenas partículas ou 
sujidades. 
 Seque a área. Não aplique medicamentos. 
 Cubra a área com gaze estéril e bandagens 
 
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FERIMENTO EM BOCA: 
 
Posicione a vítima sentada, mantendo a cabeça inclinada para frente 
para permitir a drenagem de sangue. 
No caso de ferimento penetrante no lábio: Coloque um rolete de gaze 
entre o lábio e a gengiva. Mantenha uma segunda gaze pelo lado de fora do 
lábio. 
No caso de sangramento na língua: aplique gaze estéril sobre o 
ferimento e aplique pressão direta. Não lave repetidamente a boca. 
 
 
FERIMENTO NOS OLHOS: 
 
Se o olho estiver sangrando: Coloque gelo ao redor dos olhos por 15 
minutos. Nunca aplique pressão direta sobre o olho. Cubra os dois olhos. 
 
Se houver objeto empalado: Não remova o objeto. Estabilize o objeto 
com gaze estéril. Cubra ambos os olhos. 
 
Se houver enucleação (olhos saltados): Não tentar recolocar; 
proceder como no caso de objetos empalados. Se disponível proteger com 
copo descartável. 
 
 
 
EPISTAXE (SANGRAMENTO NASAL): 
 
Posicione a vítima com a cabeça ligeiramente inclinada para frente, 
mantendo a boca abeta. Instrua a vítima para “pinçar” as narinas com os 
dedos por 10 minutos, logo abaixo da cartilagem do nariz. Peça para 
respirar pela boca e não falar, engolir, tossir ou espirrar. Aplique gelo (em 
caso de lesão). Alivie progressivamente a pressão sobre as narinas após 10 
minutos. “Pince” novamente se o sangramento continuar. 
 
 
 
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OBJETO EMPALADO (TRANSFIXADO): 
 
Não remova o objeto, porque poderá causar mais sangramento e 
lesão adicional de órgãos adjacentes. Controle o sangramento aplicando 
pressão direta ao redor do objeto. Mantenha o objeto firme no local. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FERIMENTO EM TÓRAX (FERIMENTO ASPIRATIVO): 
 
 Caracteriza-se pelo movimento de ar entrando e saindo de um 
ferimento aberto no tórax; sons de aspiração produzidos no ferimento 
durante a inspiração. 
 Cubra o ferimento com gaze estéril fina. 
 Cubra a gaze com um saco plástico para produzir um lacre. Quando a 
vítima inspirar, fixe o curativo com fita adesiva apenas em três lados, 
deixando um lado para que o ar possa sair. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AMPUTAÇÃO DE MEMBROS: 
 
O tratamento inicial deve ser rápido pela gravidade da lesão e pela 
possibilidade de implante do membro amputado. 
O controle da hemorragia é fundamental na primeira fase do 
tratamento. O membro amputado deve ser preservado sempre que 
possível, visando o implante. Existe uma tendência natural, ao espasmo e 
retração que explicam o menor sangramento nas amputações completas. 
Nas amputações parciais e nos desenluvamentos o sangramento é profuso. 
 
Conduta no APH: 
 
 Suporte à vida com medidas gerais; 
 
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 Controle da hemorragia; 
 Transporte para o centro de tratamento adequado; 
 Cuidados com o membro amputado: 
 Limpar o segmento amputado da sujeira grosseira sem imergi-lo em líquido. 
 Envolver a extremidade em gaze seca ou compressa limpa. 
 Colocar o membro amputado dentro de um saco plástico. 
 Colocar o saco plástico contendo o segmento em recipiente com gelo ou 
água gelada. 
 Não permitir que a extremidade fique em contato direto com gelo. 
 Levar o segmento amputado ao hospital de referência. 
 Preservar sempre que possível a extremidade amputada, porém a maior 
prioridade é a manutenção da vida. 
 
 
 
QUEIMADURAS 
 
 Queimadura é uma lesão que não acomete apenas a pele. Pelo 
contrário, podem ser lesões extensas e multissistêmicas, capazes de 
repercussões com risco de vida sobre o coração, pulmões, rins, trato 
gastrointestinal e sistema imune. A causa mais comum da morte de uma 
vítima de incêndio não advém das complicações diretas da queimadura,mas das complicações da insuficiência respiratória. 
 Causar uma queimadura é semelhante a fritar um ovo. Quando um 
ovo se quebra na frigideira quente, a princípio é líquido e transparente. À 
medida que o ovo é exposto a altas temperaturas, ele rapidamente fica 
opaco e se solidifica. Neste caso as proteínas são destruídas, este processo 
chama-se desnaturação. 
 
Anatomia da pele: 
 
A pele, o maior órgão do corpo, é a interface com o ambiente externo 
e serve como uma membrana de proteção. Ela controla a temperatura, 
mantém o equilíbrio hídrico e protege contra micro-organismos. É composta 
por três camadas de tecido – a epiderme, a derme e tecido subcutâneo. A 
camada mais externa, a epiderme é composta por células epiteliais sem 
vasos sanguíneos. Abaixo da epiderme está a derme, mais espessa. É 
composta por tecido conjuntivo, contém vasos sanguíneos, produtos do 
sangue, nervos e glândulas. A camada mais interna, o subcutâneo, é a 
combinação de tecido elástico e fibroso, bem como depósitos gordurosos e 
abaixo dela está a camada de músculos. 
 
 
 
 
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Profundidade da queimadura: 
 
A estimativa da profundidade da queimadura pode ser difícil. Uma 
queimadura que parece ser de segundo grau pode manifestar-se como uma 
do terceiro grau em 24 a 48 horas. 
 
Queimaduras de Primeiro Grau: 
 As queimaduras de primeiro grau afetam apenas a epiderme e 
caracterizam-se por serem avermelhadas e dolorosas. São de pouca 
importância, com exceção das grandes áreas de queimadura solar, onde o 
paciente sente muita dor corre risco de desidratação. Tipicamente estas 
lesões curam em uma semana e não deixam cicatrizes. 
 
Queimaduras de Segundo Grau: 
 São as que envolvem a epiderme e partes variadas da derme 
subjacente. As lesões formam bolhas e são dolorosas. Essas feridas 
frequentemente curam-se em 2 a 3 semanas. Quando as lesões não são 
bem tratadas, a zona de estase pode progredir para necrose, tornando as 
lesões maiores e eventualmente convertendo para uma queimadura de 
terceiro grau. 
Queimaduras do Terceiro Grau: 
 
 As queimaduras do terceiro grau podem ter várias aparências, mas 
geralmente aparecem como queimaduras espessas, secas, esbranquiçadas 
ou com aspecto de couro. Nos casos graves, a pele tem uma aparência 
carbonizada com trombose visível dos vasos sanguíneos. Muitos pacientes 
têm dor, porque as áreas de queimadura do terceiro grau geralmente são 
circundadas por queimaduras do segundo grau. Essas queimaduras podem 
ser incapacitantes e ter risco de vida. 
 
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Fasciotomia ou escarotomia 
 
Queimaduras do Quarto Grau: 
 
 As queimaduras do quarto grau são as que não somente atingem 
todas as camadas da pele, como também queimam o tecido adiposo, 
músculos, ossos ou órgãos internos subjacentes. 
 
 Queimaduras circunferenciais do tronco ou membros podem por em 
risco a vida ou o membro. As queimaduras circunferenciais criam um efeito 
semelhante ao de um torniquete, o que pode abolir o pulso. Por 
conseguinte, todas as queimaduras circunferenciais devem ser tratadas 
como emergenciais. 
 
 
 
 
 
 
 
Estimativa do Tamanho da Queimadura: 
 
A estimativa do tamanho da queimadura é necessária para reanimar 
o paciente de maneira apropriada e evitar as complicações associadas ao 
choque hipovolêmico decorrente da queimadura. O método mais 
amplamente usado é conhecido como “regra dos nove”. Esse método aplica 
o princípio de que grandes regiões do corpo são consideradas como tendo 
9% da área de superfície corporal. Crianças têm proporções diferentes dos 
adultos, isto porque a cabeça da criança é proporcionalmente maior que a 
dos adultos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REGRA DOS NOVE 
 
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Queimaduras Químicas: 
 Toneladas de materiais perigosos são transportados através de 
ambientes urbanos, por isso você deve estar preparado para o tratamento 
de lesões químicas. As lesões decorrentes de lesões químicas são, com 
freqüência, resultado de exposição prolongada ao agente agressor, 
diferente das lesões térmicas. A gravidade da lesão é determinada por 
quatro fatores: natureza da substância química, concentração da 
substância, duração do contato e mecanismo de ação da substância 
química. A prioridade deste tipo de atendimento é a segurança na cena. É 
necessário avaliar a necessidade de alguma roupa especial ou aparelho de 
respiração. Tente obter a identificação do agente envolvido. A Associação 
Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) é um órgão responsável por 
emergências desta natureza. Se possível visualizar o número do DOU, 
solicitar informações sobre o mesmo. O Corpo de Bombeiros também pode 
auxiliar na identificação do produto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tratamento Pré Hospitalar: 
 Parar a queimadura – este processo consiste na irrigação com grande 
quantidade de água na temperatura ambiente. O uso de água fria ou 
gelo está contra indicado; 
 Aplicar curativos secos, esterilizados e não aderentes. O curativo seco 
impede a continuação da contaminação ambiental ao mesmo tempo 
em que evita que o paciente sinta dor por causa do fluxo de ar sobre 
as terminações nervosas expostas; 
 Não aplicar pomadas e antibióticos tópicos; 
 Preservar permeabilidade das vias aéreas. O calor do fogo pode 
provocar edema das vias aéreas e ocluir a passagem de ar; 
 Retirar roupas e jóias, esses itens podem continuar a lesar o 
paciente; 
 Controlar hipotermia; 
 Transportar para centro de tratamento apropriado; 
 
 
CHOQUE ELÉTRICO 
 
O choque elétrico é a reação do organismo à passagem da corrente 
elétrica. Eletricidade, por sua vez é o fluxo de elétrons de um átomo, 
 
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através de um condutor, que vem a ser qualquer material que deixe a 
corrente elétrica passar facilmente (cobre, alumínio, água, etc.). Por outro 
lado, isolante é o material que não permite que a eletricidade passe através 
dele: vidro, plástico, borracha, etc. 
As lesões provocadas pelo choque elétrico podem ser de quatro 
naturezas: eletrocução (fatal), choque elétrico, queimaduras e quedas 
provocadas pelo choque. 
Eletrocução é a morte provocada pela exposição do corpo a uma dose 
letal de energia elétrica. Os raios e os fios de alta tensão (voltagem superior 
a 600 volts) costumam provocar esse tipo de acidente. Também pode 
ocorrer a eletrocução com baixa voltagem (a) Corpo seco: 120 volts/100000 ohms = 0,0012 A = 1,2 mA (o indivíduo 
leva apenas um leve choque) 
b) Corpo molhado: 120 volts/1000 ohms = 0,12 A = 120 mA (suficiente 
para provocar um ataque cardíaco) 
c) Pele rompida: 1000 volts/500 ohms = 2 A (parada cardíaca e sérios 
danos aos órgãos internos). 
As queimaduras elétricas são lesões devastadoras que pode-se 
facilmente subestimar. Em muitos casos, a extensão da lesão não reflete 
com exatidão a magnitude da lesão. A destruição tecidual e a necrose são 
muito extensas em comparação com o trauma aparente, porque grande 
parte da destruição ocorre internamente. Os sinais e sintomas de 
queimaduras elétricas graves são: arritmias cardíacas, por liberação de 
potássio pelos músculos; Mioglobinúria, evidenciada por urina coloração 
de coca-cola; Contrações musculares intensas e prolongadas 
(tetania); lesões timpânicas; sangramento intracraniano. 
Além da intensidade da corrente elétrica, o caminho percorrido pela 
eletricidade ao longo do corpo (do ponto onde entra até o ponto onde ela 
sai) e a duração do choque, são os responsáveis pela extensão e gravidade 
das lesões. 
Quedas de altura. Os acidentes com eletricidade ocorrem de várias 
maneiras. Os riscos resultam de danos causados aos isolantes dos fios 
elétricos devido a roedores, envelhecimento, fiação imprópria, diâmetro ou 
material dos fios inadequados, corrosão dos contatos, rompimento da linha 
 
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por queda de galhos, falta de aterramento do equipamento elétrico, etc. As 
benfeitorias agrícolas estão sujeitas à poeira, umidade e ambientes 
corrosivos, tornando-as especialmente problemáticas ao uso da eletricidade. 
 
 
Prevenção de acidentes 
 
1. Plugue e use os dispositivos elétricos de segurança disponíveis como, 
por exemplo, a tomada de 3 pinos. 
2. Considere todo fio elétrico como "positivo", ou seja, passível de provocar 
um choque mortal. 
3. Cheque o estado de todos os fios e dispositivos elétricos; conserte-os ou 
substitua-os, se necessário. Aprenda como dimensionar o fio elétrico. 
4. Certifique-se de que a corrente está desligada, antes de operar uma 
ferramenta elétrica. 
5. Se um circuito elétrico em carga tiver de ser reparado, chame um 
eletricista qualificado para fazê-lo. 
6. Use ferramentas "isoladas", que fornecem uma barreira adicional entre 
você e a corrente elétrica. 
7. Use os fios recomendados para o tipo de serviço elétrico a que ele vai 
servir. 
8. Não sobrecarregue uma única tomada com vários aparelhos elétricos, 
usando, por exemplo, o "benjamin". 
 
Resumo: 
 
Lesões Sinais/ Sintomas Tratamento 
Leves 
Sensação estranha nas extremidades, 
confusão, amnésia, perda temporária de 
consciência, surdez ou cegueira, ruptura do 
tímpano 
Segurança da cena, ABCDE, 
história clínica e exame 
secundário, ECG, O2 e transporte 
das vítimas. 
Moderadas 
Desorientação, agitação, paralisia, fraturas, 
trauma fechado, ausência de pulso em 
membros inferiores, convulsões PCR 
temporária, coma. 
Segurança da cena, ABCDE, 
história clínica e exame 
secundário, ECG, O2,reanimação 
cardiorrespiratória, e transporte 
das vítimas. 
Graves 
Qualquer outro acima, otorréia, FV ou 
assistolia 
Anteriores + Suporte Avançado de 
Vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/dimen.htm
 
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AVALIAÇÃO DA VÍTIMA 
 
 Avaliação é a pedra fundamental para o melhor tratamento do 
doente. As principais preocupações para a avaliação do doente são 
estabelecer prioridades de pensamento crítico, avaliação apropriada e 
atendimento sistematizado. 
 Em resumo seguimos a sequencia de avaliação: 
 
Avaliação da Cena  Dimensionamento da cena 
Exame primário  Avaliação Inicial 
Exame secundário  História e Exame Físico detalhados 
Monitoramento e reavaliação  Avaliação continuada 
 
 A avaliação do paciente começa com a avaliação de cena e inclui uma 
aparência geral do paciente, um exame primário e quando as condições do 
paciente e disponibilidade do socorrista permitem, um exame secundário. 
 São itens da avaliação da vítima: 
Responsividade: Avaliar condição inicial da vítima. Tocar e 
chamar. A não obtenção de resposta já determina estado de inconsciência 
e requer intervenção do socorrista. Se a vítima não estiver respondendo e 
não estiver respirando ou apresentando respiração anormal (isto e, não 
respirando ou com gasping – respiração ruidosa ou dificultosa), já indica-se 
manobras de reanimação imediatas. 
Atendimento das vias aéreas: Quando a vítima está inconsciente, 
a base da língua pode ser causa de obstrução da hipofaringe. A “queda” da 
língua pode ser corrigida através de manobras de elevação do queixo (chin 
lift) e a anteriorização da mandíbula por meio da elevação simultânea de 
seus ângulos (jaw thrust). 
 
Reposicionada a língua, esta pode ser 
mantida através da colocação da cânula 
orofaríngea (guedel), que também auxilia na 
remoção de secreções. 
 
 
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Respiração (Ventilação): Resume-se em constatação de 
movimentos respiratórios. Estão inclusos nesta etapa administração de 
oxigênio e controle da saturação periférica. 
A frequência respiratória pode ser dividida em cinco níveis: 
Apnéia Paciente não respira 
Lenta Freqüência 30 
 
 
Circulação (Sangramento e Perfusão): Inclui-se a identificação de 
pulso arterial, identificação e controle de hemorragias externas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O tempo de enchimento capilar é a taxa de retorno de sangue aos 
leitos capilares. É útil para estimar o fluxo sanguíneo através da parte distal 
da circulação. Taxas de enchimento capilar (EC) maiores que 2 segundos, 
são maus indicadores como, por exemplo, estado de choque. 
Padrão para avaliação do pulso: 
 
Lento 100 
Rápido > 120 
Muito rápido > 140 
 
 
Desfibrilação: A Desfibrilação Precoce é um dos elos da Cadeia de 
Sobrevivência. Ela permite uma despolarização completa do miocárdio, 
possibilitando assim, que os centros reguladores do ritmo cardíaco 
reassumam o controle da atividade elétrica cardíaca. A desfibrilação é o 
único tratamento eficaz contra a Fibrilação Ventricular (FV) – a mais 
grave arritmia – que se caracteriza pela presença de ondas irregulares, em 
amplitude e em frequência, definindo um ritmo cardíaco caótico. 
 
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Nos casos de FV é necessário realizar a desfibrilação 
precocemente, pois a chance de um tratamento ser bem 
sucedido para esses casos diminui rapidamente com o 
passar do tempo cerca de 7 (sete) a 10 (dez) por cento a 
cada minuto. Caso não seja realizado, há uma tendência a 
progressão da FV para Assistolia. O Guideliness 2010 da 
American Heart Associaton recomenda o uso do DEA em 
casos de Parada Cardiorrespiratória (PCR) em todos os pacientes maiores 
de 1 ano. Seu uso deve ser realizado assim que este esteja disponível, dado 
a importância em diminuir o tempo entre a identificação de uma PCR por FV 
e a realização do tratamento adequado, a Desfibrilação. As pesquisas mais 
recentes indicam que a utilização dos desfibriladores bifásicos promovem 
um aumento do sucesso na reversão da FV após aplicação ainda do primeiro 
choque. 
A chance de se obter sucesso no tratamento da FV está estreitamente 
relacionada com dois aspectos: treinamento e o tempo gasto até a sua 
realização. Portanto, o conhecimento de todos sobre Suporte Básico de Vida 
permitiria uma intervenção muito mais precoce e eficaz nos casos de FV. 
 
Avaliação Neurológica: Estabelecer nível de consciência da vítima. 
Pode ser obtido através do método mnemônico: 
A – Alerta 
V – Verbal (resposta aos estímulosverbais) 
D – Dor (resposta aos estímulos dolorosos) 
I – Inconsciente (sem resposta) 
 
Existe um método simples e rápido para determinar a função 
cerebral. Este método chama-se Escala de Coma de Glasgow que atribui 
pontuação que varia entre 3 e 15. Recomenda-se que seja realizado na 
avaliação secundária. 
 
ABERTURA OCULAR 
Espontânea 4 pontos 
Solicitação verbal 3 pontos 
Estímulo doloroso 2 pontos 
Nenhuma 1 ponto 
MELHOR RESPOSTA VERBAL 
Orientada 5 pontos 
Desorientada/confusa 4 pontos 
Palavras desconexas 3 pontos 
Sons/gemidos 2 pontos 
Nenhuma 1 ponto 
MELHOR RESPOSTA MOTORA 
Obedece a comandos verbais 6 pontos 
Localiza e tenta remover o estímulo doloroso 5 pontos 
Reage a dor 4 pontos 
Flexão anormal à dor (decorticação) 3 pontos 
Extensão anormal à dor (descerebração) 2 pontos 
Nenhuma 1 ponto 
 
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Exame das pupilas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exposição: Remover as roupas da vítima para um exame global. 
Nesta etapa inclui-se a preservação do pudor e conservação do calor 
corporal. A hipotermia é um problema grave e deve ser evitado. 
A avaliação completa é sequenciada pelo completo e minucioso 
exame físico do paciente. É um exame da cabeça aos pés e mensuração de 
sinais vitais. 
O exame físico segue a sequencia: cabeça, pescoço, tórax, abdômen, 
pelve, membros inferiores, membros inferiores e dorso. São parte da 
avaliação também a história e dados da vítima. Para sistematização, 
utilizamos este método: 
A – Alergias; 
M – Medicamentos; 
P – Passado médico; 
L – Líquidos e alimentos ingeridos; 
A – Ambiente e eventos relacionados. 
 
 
OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO (OVACE) 
 
A obstrução das vias aéreas é uma situação de emergência que 
ameaça a vida eminentemente, porque a vítima não está conseguindo 
oxigênio. 
Uma vítima é identificada com engasgamento quando as vias aéreas 
foram obstruídas parcialmente ou totalmente. A vítima pode engasgar com 
alimentos ou objetos estranhos na boca; a própria língua, dentes (devido a 
alguma lesão), sangue, vômito etc. A obstrução completa das vias aéreas 
indica que a vítima não está recebendo nenhum oxigênio. Em geral, ela logo 
ficará inconsciente e seu coração sofrerá uma parada. No caso de obstrução 
parcial, poderá receber algum ar nos pulmões. Poderá ser capaz de tossir e 
 
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expelir o objeto ou com muita dificuldade e poderá ficar impossibilitada de 
tossir com força suficiente para expelir o objeto. Não interrompa a tosse 
nem as tentativas que a vítima faz para expelir o objeto; não dê tapas nas 
costas. O atendimento para engasgamento depende se a vítima está 
consciente ou inconsciente; para vítima consciente se a obstrução é 
parcial ou grave: Aplicar compressões abdominais para adultos ou crianças. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atendimento de engasgamento de bebê consciente: 
 
Apóie a cabeça do bebê em uma das mãos, com o corpo do bebê 
sobre seu antebraço e sua coxa. Aplique até 5 tapinhas nas costas entre as 
escápulas. Verifique se o objeto foi expelido. Se não estiver presente, 
continue o próximo passo; Com a outra mão na região posterior da cabeça 
do bebê, vire-o com a face para cima. Com os dois dedos posicionados logo 
abaixo da linha imaginária entre os dois mamilos aplique 5 compressões 
torácicas com dois dedos no esterno. Verifique se há objeto estranho na 
boca. 
 
 
 
 
 
 
 
Localize o umbigo e coloque o punho 
fechado logo acima. Com a outra mão 
acima, pressione para dentro e para 
cima com golpes rápidos. Continue até 
expelir o objeto ou a vítima ficar 
inconsciente. 
Em obesos e 
gestantes realize 
compressões no 
centro do tórax. 
Em crianças, 
utilize apenas 
uma das mãos. 
 
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 Repita os passos, alternando até que o objeto seja expelido ou o bebê 
fique inconsciente. 
 
Atendimento para engasgamento de adulto e criança inconsciente: 
 
 Se a vítima não estiver respirando, coloque as mãos na linha 
imaginária intermamilar no centro do tórax e realize compressões torácicas. 
Aplique 30 compressões numa frequência de 100 por minuto. Olhe dentro 
da boca da vítima antes de aplicar as insuflações, após cada ciclo de 
compressões, e remova qualquer objeto que puder ver. Em seguida aplique 
duas insuflações. Prossiga com a RCP até que a vítima apresente 
movimentos; chegue suporte avançado ou até a exaustão. 
 
 
REANIMAÇÃO CARDIO PULMONAR (RCP) E 
DESFIBRILADOR AUTOMÁTICO EXTERNO (DEA) 
 
 As Diretrizes da American Heart Association 2010 para RCP se 
baseiam em um processo internacional de avaliação de evidencias, 
envolvendo centenas de cientistas e especialistas em ressuscitação de todo 
o mundo que avaliaram, discutiram e debateram milhares de publicações 
revisadas por pares. Estas diretrizes mais uma vez, evidenciam a 
necessidade de uma RCP de alta qualidade, incluindo: 
 Frequência de compressão mínima de 100/minuto, 
 Profundidade de compressão mínima de 5 cm, em adultos, e de, no 
mínimo, um terço do diâmetro anteroposterior do tórax, em bebês e 
crianças (aproximadamente, 4 cm em bebes e 5 cm em crianças. 
 Retorno total do tórax após cada compressão 
 Minimização das interrupções nas compressões torácicas 
 Evitar excesso de ventilação. 
 
Para reconhecimento das necessidades imediatas e ações 
sequenciadas que devem ser executadas, sistematizam-se a abordagem das 
vítimas por prioridades a serem impreterivelmente seguidas e que são 
interligadas. Esta interligação de ações é conhecida como “Corrente da 
Sobrevivência” 
 
 
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 A RCP ajuda a manter a vítima viva por meio da circulação de sangue 
oxigenado para os órgãos vitais. As insuflações enviam oxigênio para os 
pulmões, que é captado pelo sangue. Na maioria das vezes o choque 
elétrico do DEA, ou outro procedimento de Suporte Avançado é necessário. 
Lembre-se que a RCP é apenas um dos elos da corrente de sobrevivência, e 
que devemos prosseguir até a chegada do DEA ou atendimento Avançado. 
 O atendimento à RCP segue o algoritmo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tão logo o profissional de saúde identifique que a vítima não 
responde, está sem respiração ou apresenta respiração anormal, 
deve-se acionar o serviço de emergência/urgência e buscar o DEA (ou 
encarregar alguém disso). 
O procedimento de verificação de responsividade é realizado tocando e 
chamando a vítima. O profissional de saúde não deve levar mais do que 10 
segundos verificando o pulso e, caso não sinta o pulso em 10 segundos, 
deve iniciar a RCP e usar o DEA, se disponível. 
 
COMPRESSÕES: 
 Encontre a posição sobre a metade inferior do osso esterno, entre os 
mamilos, em adultos e crianças. Em bebê a posição é logo abaixo da linha 
imaginária entre os mamilos. Coloque uma mão na posição correta, em 
seguida posicione a outra sobre a primeira e entrelace os dedos. Em 
crianças dependendo da força, use uma ou duas mãos. Em bebês use dois 
dedos. 
 
 
 
Compressões 
Comprima 
forte e rápido 
no centro do 
tórax. 
Vias Aéreas 
Mão na testa e 
dedos no 
queixo. 
Respiração 
Insufle até 
elevação do 
tórax. 
 
http://1.bp.blogspot.com/_wj8si01CvYk/TNmop9IKs3I/AAAAAAAAAqU/l4DBCsT4jJ8/s1600/CAB.jpg
 
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 A frequência de compressão é de no 
mínimo de 100 por minuto. A profundidade da 
compressão em adultos é de no mínimo, cerca 
de 5 cm. 
 Se você estiver sozinho, alterne com a 
aplicação de insuflações na frequência de 30:2, 
para todas as vítimas. Na RCP de crianças e 
bebês, com dois profissionais utilize 15 
compressões para cada 2 insuflações. Para todasas vítimas aplique insuflações de 1 segundo de 
duração. 
 
VIAS AÉREAS: 
 
 Utilize as manobras de abertura de vias aéreas (chin lift e jaw 
thrusth). Vede a máscara contra o rosto da vítima. Manobra “C E” 
 
 
 
 
 
 
 
 
VENTILAÇÕES: 
 
 
 Após as 30 compressões, realize imediatamente as ventilações. Para 
todas as vítimas aplique insuflações de 1 segundo de duração. Deve-se 
perceber a elevação no tórax. 
 
 
 
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DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO - DEA 
A fibrilação ventricular (FV) é responsável por cerca de 85% das PCR. 
A chance de se obter sucesso no tratamento da FV está estreitamente 
relacionada com dois aspectos: treinamento e o tempo gasto até a sua 
realização. Portanto, o conhecimento de todos sobre Suporte Básico de Vida 
permitiria uma intervenção muito mais precoce e eficaz nos casos de FV. O 
DEA está indicado assim que estiver disponível. Caso não esteja 
prontamente disponível ou o tempo de início da Parada Cardiorrespiratória 
for maior que 4 minutos, deve-se realizar 5 (cinco) ciclos, após os quais 
deve-se novamente verificar se o paciente apresenta pulso e continuar as 
manobras até que chegue socorro especializado com o DEA. 
PASSOS NA UTILIZAÇÃO DO DEA: 
 Ligar o equipamento 
 Siga as instruções visuais e sonoras 
 Acoplar os eletrodos no equipamento e no tórax do paciente conforme a 
ilustração abaixo: 
 
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A – Adultos e crianças maiores de 8 anos. B – Em crianças entre 1 e 8 
anos. Os DEAs podem ser usados em bebês, se não houver um 
desfibrilador manual disponível. 
Observações: O socorrista deve abrir a camisa do paciente para acesso 
rápido ao tórax, verificar se este se encontra seco e se apresentar grande 
quantidade de pelos, necessita de tricotomia (raspagem dos pelos) para 
conseguir melhor contato dos eletrodos com o tórax do paciente, e fixar os 
eletrodos no tórax e no DEA. Aplique os eletrodos a, pelo menos, 3 (três) 
centímetros da borda de qualquer dispositivo implantado (Marcapasso, 
Cardioversor-Desfibrilador Implantável, entre outros); Caso haja adesivo de 
medicamentos transdérmicos no local de aplicação das pás, deve-se retirá-
los e limpar o local antes da aplicação os eletrodos. Se o tórax do paciente 
estiver molhado é recomendado que o socorrista seque-o antes de conectar 
os eletrodos. Para Utilizar o DEA em crianças até 8 anos deve-se utilizar pás 
pediátricas. Não havendo pás pediátricas, pode-se utilizar pás de adultos, 
conforme demonstrado na ilustração acima. NÃO USE PÁS PEDIÁTRICAS 
EM ADULTOS. Em bebês (com menos de 1 ano de idade), e preferível um 
desfibrilador manual. Se não houver um desfibrilador manual disponível, 
aconselha-se um DEA com atenuação de carga pediátrica. Se nenhum 
dos dois estiver disponível, use um DEA sem atenuador de carga. 
 
 Afaste-se para que o DEA analise o ritmo cardíaco. Deve-se evitar 
contato com o paciente para evitar interferências. 
 Após a leitura o DEA indicará ou não a necessidade do choque. Caso 
indicado será dado a informação de voz e prosseguirá o som de carga 
do capacitor. 
 O DEA prosseguirá o procedimento pedindo para disparar pressionando 
o botão de tratamento. Atenção: Afaste-se do paciente! 
 Após o choque, o DEA informará: Tratamento realizado, reinicie a RCP. 
 Caso o DEA informar: TRATAMENTO NÃO INDICADO e o paciente 
não respirar normalmente o socorrista deverá realizar RCP por 2 
minutos ou 5 ciclos de 30:2. 
 
 
EMERGÊNCIAS CARDIOCIRCULATÓRIAS 
 
 As doenças cardiovasculares incluem as doenças do coração e dos 
vasos sanguíneos. As doenças comuns incluem hipertensão e aterosclerose. 
As doenças cardiovasculares elevam os riscos de emergências 
cardiovasculares, como o Acidente Vascular Encefálico (AVE) e Infarto 
Agudo do Miocárdio (IAM), que são duas das três principais causas de 
morte. 
 
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INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: 
 
 O IAM ou ataque cardíaco, resulta de uma súbita redução do fluxo 
sanguíneo nas artérias coronárias que suprem o músculo cardíaco, 
geralmente decorrente de aterosclerose. É uma emergência que pode levar 
à PCR. 
 
Sinais e Sintomas: 
 Os sinais e sintomas variam desde um desconforto no peito até uma 
dor intensa insuportável. Em geral os sintomas mais comuns são: 
Queixa de opressão, aperto ou desconforto no peito; dor intensa que 
irradia pelo pescoço, ombros ou braços; respiração curta; sensação 
de morte eminente; palidez; pele úmida; diaforese; náuseas. 
 A angina pectoris é uma dor torácica que é causada geralmente após 
esforços físicos. A dor é sinal de que o músculo cardíaco está recebendo 
quantidades insuficientes de oxigênio devido ao estreitamento na paredes 
dos vasos sanguíneos. A dor é semelhante ao IAM, porém ela tende a 
passar após repouso. Se a dor persistir por mais de 10 minutos após o 
repouso, considere como IAM. 
 
Conduta no APH: 
 
 Mantenha a vítima em repouso em uma posição confortável, 
tranquilizando-a; 
 Providencie apoio de Suporte Avançado de Vida; 
 Não de alimentos ou líquidos para a vítima; 
 Administre oxigênio se disponível; 
 Encoraje a ingestão de AAS (ácido acetil salicílico) se a mesma já fizer 
uso deste medicamento. 
 Transporte prioritário para centro de tratamento especializado. 
 
ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO: 
 
 O AVE (AVC), também chamado “derrame cerebral” é uma 
interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro, matando as 
células nervosas e afetando as funções da vítima. 
 
Sinais e Sintomas: 
 O AVE geralmente causa fraqueza ou parestesia (dormência) 
súbita em face, braço, perna ou em um dos lados do corpo; tontura; 
confusão mental; dificuldade para falar ou engolir; problemas de 
visão; dor de cabeça; alterações do nível de consciência ou 
inconsciência. Os sinais e sintomas poderão varias dependendo da área do 
cérebro afetada. 
 Para avaliação do AVE utilizamos a escala Pré Hospitalar de Cincinatti. 
 
 
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 Caso exista alteração em algum destes itens da avaliação, podemos 
supor que é um AVE. 
 
Conduta no APH: 
 
 Mantenha vias aéreas liberadas e fique atento para vômitos; 
 Mantenha a vítima calma; 
 Administre oxigênio; 
 Não administre nada por via oral; 
 Se inconsciente transportar em decúbito lateral na “posição de coma”; 
 Determinar hora de início dos sintomas; 
 Transporte rápido para o hospital mais próximo onde estiver disponível 
o tratamento definitivo. 
 
 
EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS 
 
 As doenças respiratórias crônicas são doenças tanto das vias aéreas 
superiores quanto das inferiores. A asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva 
Crônica (DPOC) são as mais comuns e representam os maiores problemas 
de saúde mundialmente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A DPOC inclui a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, é a causa 
mais comum de insuficiência respiratória no adulto. O enfisema é 
 
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identificado por dispnéia, hiperinsuflação pulmonar (tórax em barril), 
dispnéia, uso de musculatura acessória da respiração, cianose e respiração 
paradoxal. A dispnéia (falta de ar) pode ocorrer por diversos fatores: 
Insuficiência cardíaca, Pneumonia, Pneumotórax, broncoespasmo etc. As 
medidas emergenciais visam a melhora do quadro e prevenção do quadro 
de insuficiência respiratória e consequentemente, parada respiratória. 
 
Conduta no APH: 
 
 Ter certeza que as vias aéreas estão abertas e que a respiração está 
adequada; 
 Observar o tórax para avaliar a presença de respiração espontânea. 
Determinar o padrão respiratório: a respiração agônica é o padrão 
respiratório mais importante a ser reconhecido, pois não é capaz de 
sustentar a vida. As respirações agônicas são lentas

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