Prévia do material em texto
URGÊNCIA E EMERGÊNCIA Atualizado 01.2020 Professor _____________________________ _____/____/_____ Início Previsão de término ____/_____/____ “Realizar condutas de urgência e emergência com técnica e precisão, é desejo de todo o técnico de enfermagem. O estudo das condutas de urgência e emergência faz parte como carro chefe da construção de um bom profissional de enfermagem, para isto, é necessário toda dedicação e empenho para um aprendizado técnico e científico eficaz”. Elaboração Prof Enfª Juliana Targino Fontes Formatação, Edição e Revisão Prof Enfª Juliana Targino Direção Enfª Mônica de Moraes 3 Vamos conceituar! Primeiros socorros - são procedimentos utilizados para promover atenção imediata a uma pessoa cujo estado físico coloca em perigo a sua vida. O objetivo principal é manter as funções vitais e evitar o agravamento das lesões até que a vitima receba o atendimento pré- hospitalar (APH). Vítima: Nome que se dá à pessoa a quem sofreu o acidente; -Emergência: Risco de morte imediata, ou seja, não pode perder tempo no socorro. Ex: PCR (Parada Cárdio- respiratória); -Urgência: Risco de morte mediata, permitindo realizar os primeiros socorros de forma ágil. Ex: Fratura de MMII. Acidente: Fato inesperado do qual resulta, pessoas feridas e/ou mortas que necessitam de atendimento. Incidente: Fato ou evento desastroso do qual não resulta pessoas feridas ou mortas, mas que pode oferecer risco futuro. • Sinal: É o que podemos ver na vítima; • Sintoma: É o que a vítima relata ao socorrista. PHTLS- Suporte de Vida Pré-Hospitalar no Trauma Suporte de Vida Pré-Hospitalar. É reconhecido em todo o mundo como o programa de educação continuada para atendimento pré- hospitalar de emergência trauma. PHTLS promove a excelência na gestão de paciente com trauma através da educação global de todos os profissionais envolvidos na prestação de atendimento pré-hospitalar. ACLS- Suporte Avançado de Vida em Cardiologia. APH- O atendimento pré-hospitalar (APH) é a área que se refere às vítimas de traumas, violências urbanas, mal súbitos, distúrbios psiquiátricos e urgências/emergências clínicas. Visa estabilizar o paciente de forma eficaz, rápida e com equipe preparada para atuar em qualquer ambiente e remover o paciente para uma unidade hospitalar. SBV- O SBV consiste na preservação da vida, sem manobras invasivas, em que o atendimento é realizado por pessoas treinadas em primeiros socorros e atuam sob supervisão médica. SAV- Já o SAV tem como características manobras invasivas, de maior complexidade e, por este motivo, esse atendimento é realizado exclusivamente por médico e enfermeira e/ou equipe de enfermagem. Mas calma! Todos estes conceitos serão aprendidos espontaneamente na prática à medida que você for se familiarizando também com a prática. Conceituando Urgência e Emergência Urgência e Emergência Data ___/___/____ Ciclo Básico • • • Para darmos início a essa disciplina devemos prender alguns conceitos e entendermos que há uma diferença no atendimento do socorrista para o atendimento na unidade hospitalar que é o que vamos estudar nesse módulo. Os acidentes são eventos que não escolhem vítimas. Dessa maneira pode acometer crianças, adultos e idosos. Ocorrem de maneira inesperada, embora em alguns casos sejam perfeitamente previsíveis, geralmente devido a alguma falha – a inobservância de medidas de segurança, por exemplo – acabam ocorrendo. Acidentes podem ocorrer em casa, no trabalho ou na rua, exigindo uma intervenção imediata na tentativa de diminuir os danos que poderão colocar em risco a vida de suas vítimas. Estas intervenções são denominadas frequentemente como intervenções de emergência ou de urgência. Podendo ser clínicas ou cirúrgicas, dependendo da gravidade do comprometimento orgânico. 4 REDES ASSISTENCIAIS Organização de redes assistenciais A implantação de redes regionalizadas e hierarquizadas de atendimento, além de permitirem uma melhor organização da assistência, articular os serviços, definir fluxos e referências resolutivas, é elemento indispensável para que se promova a universalidade do acesso, a equidade na alocação de recursos e a integralidade na atenção prestada. Assim, torna-se indispensável envolver todos os níveis de complexidade e estruturar uma rede de assistência onde os diferentes serviços possam se reconhecer como parte de um todo, se referenciando para receber cliente com agravos de alta complexidade, e se contra referenciando para encaminhar este cliente no momento de sua alta hospitalar para reabilitação e assistência domiciliar. São componentes da rede de assistência às urgências: Pré-hospitalar fixo: Unidades Básicas de Saúde (UBSs); Estratégia de Saúde da Família (ESF); ambulatórios especializados, Unidade de Pronto Atendimento (UPA); serviços de apoio, diagnóstico e tratamento; Pré-hospitalar móvel: Rede Samu 192, Sistema Resgate e ambulâncias da iniciativa privada, entre outros. Rede hospitalar: Média e alta complexidade. Pós-hospitalar: Reabilitação e serviço de atenção domiciliar. Estes diferentes níveis de atenção devem relacionar-se de forma complementar com mecanismos organizados e regulados pelo sistema de referência e contra referência, sendo de fundamental importância que cada serviço se reconheça como parte integrante da rede de atenção, acolhendo e atendendo adequadamente a demanda que lhe acorre e se responsabilizando pelo encaminhamento quando não dispuser de recursos necessários a tal atendimento. Assim, a articulação do Estado, municípios e regiões de saúde deve permitir uma resposta equânime às necessidades de saúde da população. ATENDENDO O PACIENTE O objetivo principal deste atendimento é manter a vida do cliente e prevenir sequelas, estabelecendo prioridades ante os cuidados prestados. O atendimento se realiza antes mesmo do estabelecimento do diagnóstico, pois visa minimizar os efeitos dos agravos que colocam o cliente em risco de vida. Exemplificando: as manobras de ressuscitação cardiopulmonar devem ser imediatamente aplicadas, antes da exploração da causa da parada cardíaca. Consideram-se como atendimento de emergência as ações empregadas para a recuperação do cliente, cujo agravo à saúde implica risco de vida e exige atendimento imediato. Por sua vez, o atendimento de urgência caracteriza-se pelo cliente cujo agravo à saúde não apresenta risco de vida evidente, mas que também necessita de assistência imediata. Para que as células se mantenham vivas faz-se necessário que recebam o oxigênio e nutrientes transportados pelo sangue, e eliminem os produtos do seu metabolismo, ou seja, as substâncias nocivas. Isto é possível quando a circulação de sangue é normal e existe entrada de oxigênio nos pulmões pelas vias aéreas superiores livres de obstrução ou lesão. Havendo deficiência de oxigênio, ocorre a lesão ou morte das células, sendo que as células nervosas são as primeiras a se ressentirem da falta de oxigênio. O perfil do profissional de enfermagem que trabalha em urgência e emergência tanto clínica 5 quanto pré-hospitalar precisa ser empático, ético e principalmente de um diferenciado conhecimento técnico científico e de uma habilidade de tomadas de decisão ágil e assertiva. APH X UNDIADE DE PRONTO ATENDIMENTO O componente pré-hospitalar móvel foi estruturado e organizado para prestação de serviços de saúde à pessoa que necessita de socorro em locais como domicílios, vias públicas, estabelecimentos comerciais, entre outros. As equipes de saúde do APH são compostas por médico, enfermeiro, técnico e/ou auxiliar deem uma lesão, causando alteração estrutural ou funcional, em parte ou em todo o corpo. Acomete pessoas de todas as faixas etárias, mas incide frequentemente na população jovem, do sexo masculino, na plenitude produtiva. Com isso acarreta implicações sérias para o paciente durante o tratamento, pela necessidade de intervenções complexas, pela utilização de diversos métodos diagnósticos e ao tempo de internação, por vezes prolongado. Os familiares também sofrem as consequências dessa condição, pois a recuperação pode ser lenta e gerar sequelas, necessitando de acompanhamento multiprofissional para reabilitação ou reinserção social. Por fim, a sociedade também é atingida pelo alto custo no atendimento do indivíduo traumatizado, na redução da sua capacidade laboral e pelo reflexo nos anos potenciais de vida perdida. Classificação do trauma: Aberto ou penetrante: quando há perda da integridade da pele estabelecendo uma comunicação entre o meio externo e interno do corpo. As lesões são mais evidentes, facilitando a decisão rápida para intervenção e escolha do tratamento; Fechado: quando a integridade da pele é preservada. As lesões internas permanecem ocultas, condição que pode dificultar a identificação dos agravos, comprometendo a evolução e o prognóstico do cliente. Conhecer as informações detalhadas do histórico do evento e dos sujeitos envolvidos, utilização dos dispositivos de contenção como cinto de segurança, capacete é fundamental para a identificação dos agravos, para a prevenção de consequências ou sequelas secundárias ao trauma, cujas lesões nem sempre são evidentes, mas podem ser fatais. Estudos apontam que em cerca de 20% dos óbitos em acidentes de trânsito, as vítimas apresentavam lesões, que se tratadas em tempo hábil evitariam a morte. O atendimento sistematizado no local do evento, provendo cuidados imediatos para a manutenção da vida, seguido de transporte rápido do indivíduo ao serviço de saúde, pode ser proporcionado, preferencialmente, pelo serviço de atendimento pré-hospitalar móvel, visando aumentar as chances e a qualidade de sobrevida do indivíduo. Trauma de Face O trauma facial pode ser considerado uma das agressões mais devastadoras encontradas em centros de trauma, por causa das consequências emocionais ao afetar a auto-imagem e a auto- estima do paciente. A agressão na face não envolve apenas tecidos moles e ossos, mas também por extensão, pode acometer o cérebro, olhos e dentição. A etiologia mais comum são as situações de violência interpessoal, queda, acidentes no trânsito, acidentes esportivos e de trabalho. Trata-se de um trauma de abrangência multidisciplinar, envolvendo principalmente as especialidades de trauma, oftalmologia, cirurgia plástica, bucomaxilofacial e neurocirurgia, no diagnóstico e tratamento de lesões faciais. Urgência e Emergência do Trauma Urgência e Emergência Data ___/___/____ módulo x / cap x 33 A manutenção da permeabilidade das vias aéreas é essencial na assistência inicial; inspecionar cuidadosamente a face para a identificação das áreas afetadas, presença de epistaxe, edema, hematoma periorbital, laceração de tecidos moles, fratura dos ossos da face, lesão de boca e dos dentes. A confirmação diagnóstica pode ser facilitada pela radiografia da face ou tomografia computadorizada. O tratamento precoce das lesões visa restabelecer aspectos funcionais bem como a estética da face, para evitar sequelas graves e permanentes. Trauma Cranioencefálico A ação de uma força externa exercida na cabeça pode ocasionar danos leves, moderados ou graves, acometendo a caixa craniana apenas externamente ou comprometendo as estruturas internas, originando o traumatismo cranioencefálico (TCE). Entretanto, as alterações decorrentes do dano cerebral nem sempre se manifestam imediatamente ao acontecimento do trauma, exigindo do profissional a compreensão dos mecanismos de lesão por trauma, avaliando a extensão, o tipo de lesão, bem como as características gerais do cliente, faixa etária e antecedentes de saúde. Por que os pacientes com TCE apresentam complicações? Por causa do fluxo sanguíneo cerebral que está comprometido, diminuindo a circulação cerebral, e pela compressão de regiões do encéfalo (devido ao aumento da pressão intracraniana ou através do efeito “massa” formado por um hematoma intracraniano em progressão). O exame neurológico rápido e objetivo está relacionado ao nível de consciência, padrão de resposta motora, observação das pupilas e a Escala de Coma de Glasgow que também contribui na avaliação neurológica. Quanto à morfologia: Fraturas cranianas: calota craniana ou base do crânio. Lesões encefálicas: focais ou difusas. Quanto à gravidade: Leve: Escala de Glasgow entre 14 e 15. Moderado: Escala de Glasgow entre 09 e 13. Grave: Escala de Glasgow entre 03 e 08. Nas fraturas de calota craniana, o reconhecimento pode ser evidente ou não: um afundamento ou uma fratura exposta pode ser facilmente identificado; porém, fraturas lineares serão reconhecidas somente com RX de crânio. Na fratura de base de crânio, a observação de alguns sinais é importante para o reconhecimento: equimose periorbitária (“olhos de guaxinim”), saída de sangue pelo ouvido externo (otorragia), saída de líquor pelo ouvido (otoliquorréia), sangramento nasal (epistaxe), equimose em região mastóide (sinal de Battle). 34 Os exames complementares mais comuns em suspeita de TCE são radiografia e tomografia computadorizada de crânio. A detecção precoce das lesões, nem sempre evidentes, são essenciais no prognóstico do paciente. A deterioração neurológica relacionada a pequenas coleções sanguíneas exige que o paciente seja mantido em observação por determinado tempo. Em caso de hematomas e lesões expansivas, exigem um tratamento cirúrgico a fim de favorecer a descompressão craniana, evitar os efeitos deletérios do aumento de pressão intracraniana, necessitando neste último caso de monitorização e cuidados intensivos. Trauma de Tórax O aumento na gravidade e na mortalidade por trauma torácico está diretamente relacionado ao crescimento do número, poder energético e variedade dos mecanismos de traumas como a maior velocidade dos automóveis, a violência urbana e o alto poder lesivo dos armamentos. Nesse tipo de trauma podemos encontrar a contusão pulmonar, contusão miocárdica, fratura de costela, ruptura aórtica, ruptura traumática do diafragma, laceração traqueobrônquica e esofágica, obstrução das vias aéreas, pneumotórax hipertensivo, hemotórax maciço, tórax instável e tamponamento cardíaco. Assim sendo o trauma de tórax merece especial atenção por comprometer a capacidade respiratória e pelo risco de afetar o funcionamento cardíaco, elementos essenciais na manutenção da vida, além das consequências decorrentes da dificuldade respiratória e distúrbios no equilíbrio ácido- básico. O atendimento do paciente deve ser orientado segundo os critérios de prioridade, visando manter a ventilação e perfusão adequada, prevenindo as deficiências respiratórias, circulatórias e parada cardiorrespiratória. Assegurar a permeabilidade das vias aéreas observando sinais de insuficiência respiratória como tiragem de fúrcula, batimento da asa do nariz. Em pacientes com alteração do nível de consciência, verificar a necessidade de promover a aspiração das vias aéreas, observando sinais de obstrução e presença de corpo estranho. A avaliação do padrão respiratório visa investigar a simetria e expansibilidade, presença de enfisema subcutâneo, de fratura de arco costal e de respiração paradoxal (tórax instável). Considerar risco de pneumotórax hipertensivo e tamponamento cardíaco, pois são lesões letaisquando não identificadas e tratadas rapidamente. Avalie a oximetria e a necessidade de iniciar a oxigenoterapia; eventualmente esse paciente pode precisar de suporte ventilatório e procedimentos invasivos como punção pleural, drenagem torácica, toracotomia, punção pericárdica. Controlar a dor por meio de analgésicos e opiáceos é ação recomendável. As complicações mais frequentes nas vítimas de trauma torácico estão relacionadas à atelectasia ou quadro de dificuldade respiratória, principalmente em pacientes com doença pulmonar prévia. Outros órgãos afetados também devem ser avaliados, como o coração pelo risco de diminuição da função cardíaca, com o surgimento de insuficiência cardíaca e arritmias graves. TRAUMAS DE EXTREMIDADES Fratura É o rompimento parcial ou total de um osso. Pode lesar outras estruturas vizinhas, como nervos, vasos sanguíneos, músculos, articulações e tendões. Suas causas são diversas e podem estar presentes nas vítimas de acidentes de trânsito, trabalho, esportivos, quedas e esforço físico realizado de forma incorreta. As Fraturas podem se apresentar fechadas ou expostas. 35 Na fratura exposta a superfície fraturada comunica-se com o meio exterior através de um rompimento da pele. Na fratura fechada, como não apresenta rompimento da pele sobre o osso fraturado, é mais difícil de ser identificada. Em ambas, é realizado diagnóstico por imagem – a radiografia auxilia na confirmação da fratura fechada. Os sinais e sintomas característicos da fratura são: ➢ Dor – que piora com a palpação ou movimentação ➢ Edema, hematoma, perda da função, deformidade do segmento afetado e sentir, na palpação, o atrito das superfícies fraturadas. A compressão ou lesão de nervos e artérias pode provocar paralisia, paresia e isquemia do membro fraturado. Para o cliente, as medidas de primeiros socorros e os tratamentos médicos podem representar a diferença entre sua recuperação e/ou incapacidade. Como medidas de primeiros socorros, recomenda-se: movimentar o mínimo possível o membro afetado; verificar a presença de outras lesões (exemplo: hemorragia, trauma craniano e outros); não remover o cliente antes de imobilizar a área afetada e não tentar recolocar a articulação ou o osso para seu local correto, pois esse procedimento deve ser realizado em unidade hospitalar após exame de imagem, o realinhamento do membro as “cegas” poderia ocasionar uma lesão de musculatura, tendões ou até mesmo de uma artéria provocando ou agravando uma hemorragia. Para imobilizar o membro afetado faz-se necessário reunir o material específico: talas próprias ou improvisadas (com jornais, revistas, almofadas e tiras de pano). A técnica de imobilização varia de acordo com o tipo de fratura. Na fratura fechada, apoiar o membro fraturado na tala e fixá-lo com tiras de pano ou ataduras, sem apertar muito. Na fratura exposta, proteger o ferimento com gaze ou pano limpo; em seguida, imobilizar o membro, mantendo-o na posição em que se encontra. Antes e após a imobilização, observar as extremidades quanto à cor, temperatura e presença de pulso. No ambiente hospitalar, o osso fraturado é alinhado pela redução incruenta ou cruenta e imobilizado por aparelho gessado, associado ou não à tração cutânea ou esquelética. Ao transportar o cliente, alguns cuidados são necessários para prevenir acidentes, tais como evitar movimentos bruscos e segurar o membro gessado com as mãos espalmadas – para evitar depressão no gesso, o que pode vir a comprimir e/ou lesar nervos e vasos. Contusão É a lesão das partes moles, provocada por batida, sem solução de continuidade da pele. O 36 cliente queixa-se de dor local e observa-se edema, hematoma ou equimose. As medidas de primeiros socorros e de tratamento são elevação e não-movimentação da parte afetada, aplicação de compressas frias ou bolsa de gelo por 48 horas e, em seguida, aplicação de calor para auxiliar na reabsorção de líquidos extravasados. Pode haver a necessidade de ser posta uma bandagem compressiva. Entorse/distensão Entorse é o estiramento dos ligamentos adjacentes a uma articulação e a distensão refere-se ao estiramento dos músculos. A sintomatologia é semelhante: dor local, dificuldade de movimentação e edema. Como medida de primeiros socorros, a parte afetada é mantida elevada e em repouso, aplica-se compressas frias ou bolsa de gelo por 48 horas e, após, aplicação de calor. Dependendo da extensão e gravidade, é necessário imobilizar o membro ou, ainda, encaminhar o cliente para cirurgia - como nos casos de ruptura de ligamentos e lacerações. Luxação É o deslocamento das superfícies articulares entre os ossos e lesão das partes moles. O cliente apresenta dor intensa, perda das funções, deformidade e edema progressivo. Como medidas de primeiros socorros, faz-se a imobilização provisória da parte afetada e, a seguir, o tratamento médico - que inclui redução da luxação e imobilização com gesso. Pneumotórax: O pneumotórax é definido como o acúmulo de ar na cavidade pleural, restringindo o parênquima pulmonar e prejudicando a respiração. Pode ser classificado em: Aberto: é caracterizado pelo contato do espaço pleural com o meio ambiente (solução de continuidade entre a cavidade e o meio externo), levando a uma equivalência entre as pressões atmosférica e intratorácica, o que ocasionará em última instância o colapso pulmonar, queda da hematose e uma hipóxia aguda. O curativo de três pontas pode ser aplicado na lesão até a estabilização do paciente. Posteriormente o ferimento pode ser fechado com outro curativo oclusivo pouco permeável ao ar ou definitivamente, por drenagem torácica ou procedimento cirúrgico quando indicados. Simples: o pneumotórax simples tem sua etiologia baseada principalmente no trauma penetrante e na contusão torácica. O diagnóstico pode ser confirmado na vigência de dispneia intensa, hipersonoridade à percussão, diminuição ou ausência de murmúrio vesicular na ausculta e por meio de radiografia de tórax. O tratamento preconizado é a drenagem pleural; pode ser utilizada também a válvula de Heimlich. Hipertensivo: o pneumotórax hipertensivo é uma lesão grave que põe em risco imediato a vida do paciente e deve ser tratado com urgência. Ocorre quando há um vazamento de ar para o espaço pleural, geralmente por fratura do arco costal. O ar 37 entra para a cavidade torácica sem a possibilidade de sair, colapsando completamente o pulmão do lado afetado. O mediastino e a traqueia são deslocados para o lado oposto, diminuindo o retorno venoso e comprimindo o pulmão não afetado, causando hipóxia e óbito do paciente. As causas mais comuns de pneumotórax hipertensivo são pneumotórax espontâneo, o trauma contuso de tórax e a ventilação mecânica com pressão expiratória final positiva. Pode configurar-se numa iatrogenia nos procedimentos para inserção de cateter central em veia subclávia ou jugular interna. O diagnóstico é clínico, cuja sintomatologia caracteriza-se por dispneia intensa, taquicardia, hipotensão, desvio da traqueia, ausência de murmúrio vesicular unilateral, distensão das veias do pescoço (estase jugular), hipersonoridade, desvio do ictus e cianose tardia. O pneumotórax hipertensivo exige a descompressão imediata pela punção pleural do hemitórax afetado. Essa manobra converte a lesão em um pneumotórax simples, cujo tratamento definitivo consiste na inserção de um dreno de tórax. Hemotórax: O hemotórax é definido como o rápido acúmulo de mais de 1.500 ml de sangue na cavidade torácica. As causas mais frequentes são a lesão da artéria intercostal, laceração do parênquima pulmonar, lesões em vasos da base e lesão cardíaca.O hemotórax é assintomático até culminar em choque hipovolêmico. O diagnóstico é definido pela diminuição da expansibilidade torácica, dispneia, diminuição ou ausência de murmúrio vesicular e é complementado pela radiografia de tórax em posição ortostática. Para o tratamento pode ser realizada a punção pleural, a toracotomia ou a drenagem torácica que pode ser associada à bomba de autotransfusão. Contusão Cardíaca: Ocorre em trauma fechado devido à compressão do coração entre o esterno e a coluna ocasionando intensa dor torácica. O diagnóstico é feito pela avaliação clínica, ecocardiografia bidimensional, dosagem de biomarcadores cardíacos como TGO, CKMB, CPK e ECG. A elevação da pressão venosa central na ausência de uma causa óbvia pode indicar disfunção ventricular direita secundária à contusão. O tratamento baseia-se no repouso e na monitorização cardíaca em UTI. Tamponamento Cardíaco: O tamponamento cardíaco pode ser resultante de ferimentos penetrantes e contusão causando um derramamento de sangue no saco pericárdico e déficit da bomba cardíaca. A suspeita clínica é caracterizada pela tríade de Beck, que consiste na elevação da PVC, diminuição da pressão arterial e abafamento das bulhas cardíacas. Pode ocorrer também estase jugular, pulso paradoxal, dispnéia, taquicardia e cianose de extremidades. O diagnóstico pode ser confirmado pela avaliação clínica, radiografia de tórax, ECG, ecocardiograma. Se confirmado está indicada a pericardiocentese como tratamento imediato. 38 TRAUMA DE ABDOME A incidência de traumatismo abdominal vem aumentando progressivamente e a gravidade é determinada pela lesão de estruturas do abdome como o intestino, baço, rim, cujas lesões ocultas podem dificultar o diagnóstico, influenciando na evolução do quadro. A violência externa, sobretudo a agressão entre jovens do sexo masculino, pode ser apontada como causa mais freqüente dos traumas abdominais oriundos de ferimento por arma branca ou por contusão nos acidentes de trânsito. Em crianças, o trauma abdominal é relacionado com os acidentes nos brinquedos de recreação (parques) e quedas (de bicicletas, de altura). O quadro sintomático é caracterizado pela dor no local do trauma, dor abdominal difusa e rigidez de parede (abdome em tábua). Quando lesados, os órgãos sólidos e vasculares (fígado e baço- aorta e cava) sangram, originando o choque hipovolêmico e os órgãos ocos (intestino, vesícula 39 biliar e bexiga) derramam seu conteúdo dentro da cavidade peritoneal, desencadeando a peritonite. As medidas de atendimento em emergência se constituem em: avaliação do nível de consciência, monitorização dos parâmetros vitais, oximetria e administração de oxigênio, realização de venopunção e infusão de líquidos por via endovenosa para reposição volêmica, hemotransfusão e analgesia no controle da dor. Proceder ao exame físico avaliando as lesões; coletar material para exames laboratoriais (hemograma completo, coagulograma, tipagem sanguínea, bioquímica, amilase, gasometria arterial, urina I, βHCG em mulheres em idade fértil); passar SNG e SVD (lembre-se das contra- indicações); providenciar profilaxia anti-tetânica. Encaminhar para exames diagnósticos, como ultrassom abdominal, radiografia e/ou tomografia computadorizada de abdome, lavagem peritoneal diagnóstica (LPD); encaminhar ao centro cirúrgico quando indicado tratamento cirúrgico. Considerações na evisceração: O ferimento por arma branca pode provocar a evisceração, com a exteriorização de vísceras. Como cuidado específico é recomendável não reintroduzir os órgãos para o interior da cavidade abdominal, pois as estruturas em contato com o meio externo são consideradas contaminadas. Proteja as vísceras com uma cobertura de filme plástico específico para evisceração ou com compressas esterilizadas, umedecida em solução salina; monitorize os sinais vitais, realize a venopunção, prepare a infusão de fluidos e encaminhe o paciente para o centro cirúrgico. Considerações no empalamento: Consiste na presença de objetos em orifícios naturais, com risco de lesão de mucosa, esfíncter ou de hemorragias. O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico e radiografia. Nos casos em que o objeto permanece introduzido ou encravado em outra área, recomenda-se não remover para não piorar o sangramento. Se as condições o permitirem, o paciente é encaminhado para avaliação radiológica com o intuito de conhecer o tamanho, o trajeto e a posição da extremidade do objeto. Pode ser encaminhado ao centro cirúrgico para sua retirada sob procedimento cirúrgico. A situação por si pode ser constrangedora e cabe à equipe de profissionais prestar assistência em todos os aspectos, visando preservar a integridade física e emocional do cliente. Trauma abdominal em gestantes: Os mecanismos de trauma na gestante apresentam algumas diferenças importantes, pois o abdome protuberante se torna um alvo fácil. Freqüentemente é acometido por impactos em acidentes automobilísticos, ocasionando trauma fechado, risco de rotura uterina ou fratura dos ossos da bacia materna, principalmente no terceiro trimestre. A lesão no fundo do útero, devido ao ponto de inserção da placenta pode desencadear o seu descolamento. Em casos de fraturas de bacia e da coluna vertebral, o tratamento ortopédico pode trazer complicações no momento do trabalho de parto. A avaliação inicial da gestante vítima de trauma não difere dos padrões adotados, iniciando-se com a avaliação primária, assegurando a boa oxigenação materna. Quanto à avaliação das condições hemodinâmicas, considerar a hipervolemia fisiológica na gestação e possíveis alterações imperceptíveis da perfusão tecidual e sofrimento fetal, antes mesmo da manifestação dos sinais clínicos de hipovolemia. Ao exame físico identificar eventuais perdas de líquido amniótico ou sangramento, acompanhar a evolução da dinâmica uterina, a dilatação do colo uterino, os batimentos cardiofetais. Como método diagnóstico as radiografias só devem ser realizadas em indicações precisas para diminuir os riscos ao feto. No caso de lesão abdominal a ultrassonografia ou a lavagem peritoneal podem ser indicadas. As indicações cirúrgicas não mudam em função da gravidez e a laparotomia precoce é 40 indicada em caso de dúvida diagnóstica. Se a paciente entrar em trabalho de parto é indicada a cesariana. Em urgência, quando for necessária, privilegia-se a realização de uma histerectomia subtotal, pois a histerectomia total só é indicada quando o útero for um foco de infecção. A cesariana pós-morte é indicada em casos que há viabilidade fetal. O parto deve ser feito no menor tempo possível. A cesariana pós-morte também é indicada em caso de morte cerebral da mãe. Outras complicações do trauma musculo esquelético (Síndrome compartimental): Ocorre quando a pressão intersticial atinge um valor acima da pressão capilar, provocando colapso vascular e isquemia tecidual, resultando em paralisia permanente ou necrose. Pode ocorrer em apenas um ou mais compartimentos aponeuróticos, principalmente em perna ou antebraço. Tem evolução lenta para se estabelecer e as principais causas são: esmagamentos, fraturas, compressão mantida em extremidade de paciente comatoso, após restauração de fluxo em membro previamente isquêmico, e depois do uso de dispositivo pneumático antichoque. Os sinais e sintomas são: dor progressiva e intensa quando se movimenta passivamente os músculos acometidos, diminuição da sensibilidade, edema e endurecimento, fraqueza ou paralisia dos músculos envolvidos. Necessitam de tratamento cirúrgico: a escarotomia e fasciotomia de urgência. Síndrome de esmagamento (Rabdomiólise):Conhecida como rabdomiólise traumática é caracterizada pela compressão, esmagamento e destruição de tecido muscular. Provoca a liberação de potássio e mioglobina, uma proteína encontrada no músculo responsável por conferir a cor avermelhada ao tecido e servir como local de armazenamento intracelular de oxigênio. Quando a mioglobina é liberada do músculo pode provocar arritmias, lesão nos néfrons e insuficiência renal aguda. É essencial controlar o débito urinário e observar a coloração para identificar a mioglobinúria. A insuficiência renal pode ser prevenida com a infusão de grandes quantidades de fluidos por via parenteral (exceto a infusão de Ringer Lactato, devido à presença de potássio em sua composição) e administração de bicarbonato de sódio, visando à alcalinização da urina. Amputações traumáticas: Representam um risco significativo à vida por causa do sangramento e hipovolemia. O cuidado com o coto residual da extremidade é fundamental, prevendo as chances de reabilitação e adaptação de próteses posteriormente. Os primeiros cuidados específicos com a parte amputada consistem em controlar o sangramento da extremidade por compressão local com compressa estéril; colocar o segmento amputado em um saco plástico e então mergulhar o saco em uma caixa ou recipiente com gelo, a fim de aumentar sua viabilidade por resfriamento, até a avaliação dos especialistas e encaminhamento ao centro cirúrgico para reconstrução cirúrgica. 41 TIPOS DE IMOBILIZADORES: 1. Talas rígidas: seguem um formato no alinhamento do membro; 2. Talas moldáveis: permitem moldagem na forma do segmento lesado; 3. Prancha longa: imobilização de corpo inteiro em plano rígido; 4. Bandagens triangulares: fixador de talas e imobilizador para luxações e entorses de membros superiores; 5. Colete Imobilizador Dorsal, conhecido por KED - Kendrick Extrication Device. 6. Prancha curta. Acessórios de imobilização: Fita crepe; Atadura de crepe; compressas de gaze; Bandagem triangular. Regras gerais para imobilização: • Priorizar o atendimento das lesões que ameacem a vida, detectadas na análise primária. • Imobilizar fraturas antes de movimentar o acidentado, exceto, nos casos de risco iminente de vida para a vítima ou socorrista, a posição da vítima estiver obstruindo suas vias aéreas, sua posição impede a realização da análise primária ou para garantir acesso a uma vítima mais grave. Ex. explosão, local gaseado, risco de novos acidentes, etc. Não perder tempo com imobilizações muito elaboradas nas situações em que houver risco de vida imediato para o acidentado; • NUNCA tentar alinhar o ossofraturado. • NUNCA tentar reintroduzir um osso exposto. • Expor o local do ferimento e remover adornos como relógio, pulseiras e anéis das extremidades afetadas. • Cobrir ferimentos com gaze estéril seca, fixando com atadura de crepe ou bandagem triangular. Avaliar o pulso distal, perfusão capilar, cor, temperatura, sensibilidade; • Imobilizar o membro com o mínimo de movimentação possível, em posição mais próxima da anatômica. • Refazer exame da extremidade após imobilização; caso haja alterações vasculares ou neurológicas, refaça a imobilização. • Na dúvida, se há ou não fratura, sempre imobilizar. 42 TRAUMA RAQUI-MEDULAR É a secção da medula por um trauma grave, resultando no comprometimento neurológico e consequentemente fisiológico. RECONHECIMENTO: Observar a cinemática do trauma associando o acidente com a possibilidade da lesão (acidentes automobilísticos, atropelamentos, quedas de altura, mergulho raso, em fim, todo acidente em que a vítima recebeu alta descarga de energia); • Dor intensa no local (em forma de cinturão); • Deformação; • Perda da sensibilidade e/ou mobilidade nos membros; Somente respiração abdominal; • Perda de controle urinário e intestinal; • Vítima caída de costas com os braços mantidos estendidos acima da cabeça; • Em homens: PRIAPISMO (ereção persistente e sem estímulo sexual); • Sinais e sintomas do estado de choque neurogênico (ver estado de choque); • Inconsciência. Politrauma Ocorre geralmente em vítimas de atropelamento ou quedas de grande altura. 1- Suspeite de Politraumatismo pela cinemática do acidente; 2- Tratar as lesões de acordo com suas prioridades de gravidade; 3- Cheque continuamente os sinais vitais da vítima; 4-Empregar o Protocolo de Atendimento específico para cada uma das lesões, avaliando a gravidade total do trauma pela escala de trauma, informando ao médico; 5-Transporte urgente para hospital. ESCALA DE TRAUMA A escala de trauma leva em consideração os seguintes itens: frequência respiratória, pressão sistólica e escala de coma. Com base no valor de cada item, a cada um deles e atribuída pontuação de zero a quatro, cuja soma será o resultado da escala de trauma, que pode variar de zero a doze. INTERPRETACAO DO RESULTADO DA ESCALA DE TRAUMA: • Trauma grave: 0 a 06; • Trauma moderado: 07 a 10; • Trauma mínimo: 11 a 12. PRIORIDADE DE ATENDIMENTO: a) Prioridade I: Lesões Críticas: • Parada cardíaca; • Parada respiratória; • Grandes hemorragias; • Choque; • Grandes ferimentos no tórax e abdome; • Traumas violentos no crânio. b) Prioridade II: Lesões Sérias: • Suspeita de trauma na coluna; • Grandes e múltiplas fraturas • Queimaduras graves. c) Prioridade III: Lesões Leves • Fraturas simples; • Ferimentos em tecidos moles; • Queimaduras leves e moderadas. 43 QUEIMADURAS É uma lesão produzida nos tecidos de revestimento do organismo, causada geralmente por agentes térmicos, produtos químicos, eletricidade, radiação, sol, etc. As queimaduras podem lesar a pele, os músculos, os vasos sangüíneos, os nervos e os ossos. Principais causas 1. Térmicas – por calor (fogo, vapores quentes, objetos quentes) e por frio (objetos congelados, gelo). 2. Químicas – inclui vários cáusticos, tais como substâncias ácidas. 3. Elétricas – materiais energizados e descargas atmosféricas. 4. Substâncias Radioativas – materiais radioativos (irídio-192, cobalto-60, césio-137, promécio-147, criptônio-85, níquel-63, Amerício-231, polônio- 210) e raios ultravioletas (incluindo a luz solar). 5. Luz intensa – atinge principalmente os olhos. Classificação, sinais e sintomas Queimadura de 1º Grau – Atinge somente a epiderme (camada mais superficial da pele). Caracteriza-se por dor local e vermelhidão da área atingida. Queimadura de 2º Grau – Atinge a epiderme e a derme. Caracteriza-se por muita dor, vermelhidão e formação de bolhas. Queimadura de 3º Grau – Atinge todas as camadas (tecidos) de revestimento do corpo, incluindo o tecido gorduroso, os músculos, vasos e nervos, podendo chegar até os ossos. É a mais grave quanto à profundidade da lesão.Caracteriza-se por pouca dor, devido à destruição das terminações nervosas da sensibilidade, pele seca, dura e escurecida ou esbranquiçada, ladeada por áreas de eritema (vermelhidão). De acordo com a área queimada: A extensão da queimadura usou percentagens através da regra dos nove que permitem estimar a superfície corporal total queimada (SCTQ). Neste caso, analisamos somente o percentual da área corpórea atingida pela lesão, sem considerar sua profundidade (seus graus). A regra dos nove divide o corpo humano em doze regiões; onze delas equivalem a 9 % cada Queimaduras e emergências Clínicas Urgência e Emergência Data ___/___/____ módulo x / cap x 44 uma, e a última, a região genital equivale a 1 %, conforme segue: Uma queimadura de 3º grau não é dolorosa, mas a vítima geralmente queixa-se da dor nas bordas da lesão, onde a queimadura é de 2º ou 1º grau. Procedimento1. Avaliar as condições de segurança do local, identificando o tipo de acidente; 2. Interromper o contato da vítima com o agente lesivo (térmico, químico ou elétrico). Se necessário, remover a vítima para local seguro antes de prosseguir o atendimento; 3. Efetuar a análise primária e secundária e tratar os problemas em ordem de prioridade; 4. Vítimas de queimaduras podem apresentar outros tipos de trauma associados. Portanto, faça o exame físico detalhado e se necessário adote as condutas relativas ao atendimento de um politraumatizado. 5. Dê especial cuidado durante o transporte para evitar agravamento das lesões ou maior sofrimento para o acidentado; Nas queimaduras térmicas: 1. Se a vítima estiver com fogo nas vestes, envolva-a com um cobertor a partir do pescoço em direção aos pés; 2. Interromper a reação de calor, resfriando a vítima com soro fisiológico ou água em temperatura ambiente; 3. Retirar as vestes com delicadeza, sem arrancá-las cortando-as com a tesoura. Não arrancar o tecido se estiver aderido à pele, apenas resfriá-lo com soro fisiológico ou água na temperatura ambiente, deixando-o no local; 4. Remover das extremidades anéis, pulseiras, relógios ou jóias antes que o membro edemacie; 5. Avaliar as regiões do corpo acometidas, através da profundidade (1º, 2º e 3º grau) e extensão da lesão através da porcentagem da área corpórea (Regra dos Nove); 6. Caso haja acometimento da face (queimadura de pele, cabelos ou pêlos do nariz e das pálpebras) ou possibilidade de que a vítima tenha inalado fumaça ou gases, dar especial atenção ás vias aéreas e respiração, fornecendo oxigênio umidificado por máscara e cobrir os olhos da vítima com gaze umedecida em soro fisiológico ou água limpa; 7. Proteger as áreas queimadas com compressa de hidrogel, plástico de queimaduras estéril ou gaze umedecida e bandagens limpas; 8. Se houver queimaduras térmicas nos olhos, cubra-os com gaze umedecida em água ou soro fisiológico; 9. Se a área afetada envolver mãos e pés, separar os dedos com pequenos rolos de gaze umedecida em soro fisiológico antes de cobri-los ou utilizar a 45 compressa de hidrogel para esta finalidade existente no KIT de queimados, porém, não utilizar de forma circular e sim em escamas; Nas queimaduras químicas: 1. Antes de manipular qualquer vítima que ainda esteja em contato com o agente agressor, deve proteger-se de sua exposição, com luvas, óculos e vestimenta adequada; 2. Se possível identificar o agente agressor 3. Retirar as vestes da vítima que estiver impregnada pelo produto e irrigar a pele com água corrente, abundantemente. 4. Irrigar no mínimo cinco (05) minutos para ácidos; 5. Irrigar no mínimo quinze (15) minutos para álcalis; 6. Se o produto for seco (na forma de granulado ou pó) retirá-lo manualmente sem friccionar (com pano seco ou escova). Em seguida irrigar o local conforme recomendado; 7. Se a lesão for nos olhos, lateralizar a cabeça (para não atingir o olho íntegro), irrigá-los por no mínimo 10 minutos com água corrente ou soro fisiológico antes de transportar e manter a irrigação durante o transporte. Nas queimaduras por eletricidade: As lesões causadas por acidentes com eletricidade podem levar uma vítima a uma parada cardíaca, paralisação da respiração por contração dos músculos respiratórios e ocasionar queimaduras locais de limites bem definidos ou de grande extensão. A queimadura geralmente será de 3º grau, podendo, em alguns casos, provocar a carbonização da área afetada. CUIDADOS GERAIS AO PACIENTE QUEIMADO Uma vez identificada às causas das queimaduras e avaliada a extensão e a profundidade da lesão inicia-se a assistência e o tratamento visando: Monitorização: É necessário manter vigilância em relação aos parâmetros vitais, cujas medidas são facilitadas pela inovação tecnológica disponível. A precisão dos equipamentos não substitui o olhar cuidadoso e a capacidade de observação do profissional, ao atentar para sinais e sintomas sugestivos de alterações como variação do nível de consciência, do padrão respiratório, da pressão arterial, sinais de sangramento, humor e comportamento do paciente, promovendo uma assistência humanizada. Manutenção do equilíbrio hemodinâmico: A infusão de fluidos e eletrólitos por meio de venopunção é indicada para a reposição volêmica, em razão da perda significativa de líquidos. No paciente queimado a alteração do equilíbrio é significativa por causa do deslocamento do líquido intravascular para o interstício, justificando o aparecimento do edema, característico da queimadura. A observação rigorosa da evolução 46 do edema, em queimadura circunferencial é fundamental para suspeição e avaliação da Síndrome de Compartimento. Nas crianças, a necessidade de reposição hidroeletrolítica é mais acentuada, precisam de maior volume, com infusão controlada para não desencadear uma sobrecarga cardiocirculatória. Inversamente, nos idosos as necessidades hídricas não são tão acentuadas, porém não podemos nos esquecer da redução da velocidade metabólica própria da idade que favorece a ocorrência rápida de desidratação e colapso hipovolêmico. Em razão do risco de hipovolemia, é necessário manter o controle do débito urinário com a instalação de cateter vesical, facilitando a avaliação da função renal e acompanhamento das características da urina, principalmente em caso de mioglobinúria. O controle da dor em pacientes queimados é fundamental principalmente antes de procedimentos dolorosos como higiene corporal, curativos, movimentação e transporte para exames, mudança de decúbito. Controle da infecção: São utilizados antibióticos e medidas de precauções de contato, quarto privativo, lavagem das mãos, rigor na utilização das técnicas assépticas, utilização de material esterilizado evitando-se a contaminação na realização dos procedimentos. Suporte nutricional: A recuperação do paciente depende de vários fatores, inclusive do equilíbrio e suporte nutricional, por via enteral ou parenteral. Reabilitação e reinserção social: A reabilitação do paciente é promovida simultaneamente ao tratamento e não pode ser relegada apenas ao momento da alta hospitalar. É importante preparar o paciente para a movimentação diária, estimular a realização de exercícios ativos e passivos, contribuir no posicionamento adequado para evitar prejuízos decorrentes de contraturas e posicionamento não funcional, incentivar a independência na realização das atividades. O diálogo é essencial, assim como o apoio no enfrentamento dessa condição dolorosa, comprometedora da auto- imagem e da auto- estima. Para a superação desses problemas a participação do psicólogo é fundamental. Essa disposição, muitas vezes, remete ao campo familiar, cuja preocupação está relacionada à sobrevivência, as sequelas e a dificuldade para se reorganizar na dinâmica familiar, modificada pela nova condição. Nesses momentos a atuação do profissional vai para além da questão técnica. A aproximação com o paciente e o familiar, ouvindo-os e trocando conhecimentos, legitimam o seu papel e a qualidade da assistência à saúde. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE O CURATIVO NO PACIENTE QUEIMADO Dentre os inúmeros cuidados e procedimentos valiosos a serem prestados ao paciente vítima de queimadura, reservamos ao curativo uma especial atenção, pela sua importância na evolução do paciente, tanto os realizados na área queimada quanto em situações de enxerto, nas áreas doadoras e receptoras de pele. Nas diferentes realidades de trabalho, identificamos maneiras diversas de abordagem para o tratamento da lesão e na assistência ao cliente, inclusive na realização do curativo. Vários critérios como eficácia,disponibilidade, custo, são aplicados na análise técnicoeconômica para a decisão de aplicar um curativo do tipo passivo, com o uso tradicional de gaze de algodão, de atadura não aderente (rayon) ou um curativo avançado, com o uso de biomateriais, além da seleção do agente tópico a ser utilizado. A escolha do produto depende das características da lesão, do paciente, do conhecimento do profissional, da realidade institucional, entre outros, que podem influenciar no processo de cicatrização. Veja a seguir os agentes tópicos que podem ser aplicados na lesão: SINTÉTICOS Sulfadiazina de prata a 1%: creme composto de nitrato de prata e sulfadiazina de sódio, recomendada em queimaduras de 2º e 3º graus. Agente bactericida amplamente utilizado no tratamento de queimados. Promove também o desbridamento. Nitrato de cério: quando combinado com a sulfadiazina de prata, resulta em fina camada de 47 sais de cálcio sobre a lesão, formando uma barreira protetora e minimizando os riscos de infecção. Combate à infecção. Acetato de sulfanamida a 10%: produto utilizado antes do advento da sulfadiazina de prata. Pode causar dor na aplicação e acidose metabólica. Combate à infecção. Nitrofurazona: composto de nitrofurano influencia na multiplicação bacteriana e minimiza a infecção. Ao ser aplicado pode causar dor, ardor, prurido. Produto abolido nos Estados Unidos, ainda em uso no Brasil. Ação bacteriostática. Papaína: complexo de enzimas proteolíticas extraídas do látex do mamão papaia. A oxidação fácil exige cuidados no manuseio, conservação e armazenamento. Promove o desbridamento químico. INSOLAÇÃO É o conjunto de sintomas que acomete uma pessoa exposta demasiadamente ao Sol. Os sintomas podem incluir intensa falta de ar, dor de cabeça, náuseas e tontura; temperatura do corpo elevada; diarréia; pele quente, avermelhada e seca; extremidades arroxeadas, hipertermia, espasmos convulsivos, incapacidade motora, confusão mental e inconsciência. Não há suor. Para tratar de uma pessoa que sofreu insolação deve-se: • Levar a pessoa para um local fresco e arejado; Deitá-la com a cabeça elevada; • Colocar compressas frias sobre a cabeça e envolver o corpo da vítima com toalhas molhadas (água e vinagre); • Encaminhar o acidentado ao serviço médico; Beber muito líquido (água e suco natural). O que fazer: • O objetivo inicial é baixar a temperatura corporal, lenta e gradativamente até o momento da consulta médica. • Remova o acidentado para um local fresco, à sombra e ventilado. Se possível coloque-o numa sala com ar condicionado frio, ou sob o fluxo de um ventilador. • Remova o máximo de peças de roupa do acidentado. • Se o acidentado estiver consciente, mantenha-o em repouso e recostado (cabeça elevada). Ofereça bastante água fria ou gelada ou qualquer líquido não alcoólico para ser bebido. • Se possível borrife água fria em todo corpo do acidentado, delicadamente. • Aplique compressas de água fria na testa, pescoço, axilas e virilhas. Assim que possível coloque o acidentado imerso em banho frio ou envolto em panos ou roupas encharcadas. • É importante observar os sinais vitais do acidentado. No caso de parada respiratória, deve-se realizar respiração artificial, associada à massagem cardíaca. • Uma vítima de insolação não deve voltar ao ambiente da ocorrência imediatamente após a recuperação, ela ainda demonstrará sensibilidade à alta temperatura. INTOXICAÇÃO A intoxicação consiste em uma série de efeitos sintomáticos produzidos quando uma substância tóxica é ingerida ou entra em contacto com a pele, olhos ou membranas mucosas. As intoxicações podem ser por: gases, alimentos, medicamentos, plantas, substâncias químicas, etc. Por alimentos Até mesmo os alimentos consumidos diariamente podem provocar intoxicação, se estiverem deteriorados ou contaminados por alguma substância. Sinais e sintomas Enjôo, vômito, diarréia, sudorese, palidez, febre dor no abdome por irritação gástrica ou por 48 cólica intestinal. O que fazer? • Manter a vítima deitada após o vômito; • Não dar remédio para interromper a diarréia; Procurar orientação médica; • Iniciar o mais rápido possível a reidratação, com soro caseiro. POR MEDICAMENTOS Ocorre após ingestão excessiva de medicamento ou medicação vencida ou alergia a medicação. Sinais e sintomas Azia, náusea e vômitos, diarréia, sonolência, sensação de fraqueza, suor, palidez, inconsciência, dificuldade respiratória, parada cardiorrespiratória. O que fazer? • Manter a vítima aquecida; • Observar a respiração e a freqüência cardíaca; • Encaminhar ao médico o mais rápido possível, informando a medicação que foi tomada e a quantidade. POR SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS Pode ocorrer por ingestão ou por inalação e também através do contato direto com a pele. POR PLANTAS VENENOSAS A alergia a uma planta indica que a pessoa é sensível a todas as outras e a reação alérgica tende a agravar-se a cada contato. Sinais e sintomas Inchaço no local, salivação abundante, dificuldade e dor ao engolir; vômito, pele quente, seca e avermelhada, pulso rápido e fraco, vista embaçada, pupila reduzida, olhos e boca secos, comportamento alterado, eventualmente convulsões e inconsciência. O que fazer? Não force o vômito, ele deve ocorrer espontaneamente; Leve a vítima ao pronto-socorro e se possível informe o agente da intoxicação. Comigo ninguém pode, dedo do diabo, espirradeira, carvalho, etc. São exemplos de plantas venenosas. 49 MORDIDAS E PICADA DE ANIMAIS PEÇONHENTOS As mordidas ou picadas dos animais podem matar ou debilitar um organismo vivo, através da intoxicação ou envenenamento. Contraveneno- são substâncias fabricadas a partir do próprio veneno que serve como antídoto. CORPOS ESTRANHOS NO ORGANISMO A penetração de corpos estranhos no corpo humano é um tipo de acidente muito comum e pode ocorrer nas circunstâncias mais inesperadas. Vários tipos de objetos estranhos ao nosso corpo podem penetrar acidentalmente nos olhos, ouvidos, nariz e garganta. São pequenas partículas, de variada origem e constituição física que, muitas vezes, apesar de aparentemente inofensivas devido ao tamanho, podem causar danos físicos e desconforto sério. Nos olhos Os olhos são os órgãos que estão mais em contato com o trabalho e, portanto, mais susceptíveis de receber corpos estranhos. Qualquer corpo estranho que penetre ou respingue nos olhos de uma pessoa constitui um acidente doloroso, e muitas vezes, de conseqüências 50 desastrosas. A atividade de quem for prestar os primeiros socorros na remoção de corpos estranhos dos olhos de um acidentado deve-se limitar exclusivamente às manobras que serão explicadas a frente. O uso de instrumentos como agulhas, pinças, ou outros semelhantes só podem ser utilizados por profissional de saúde. Todo cuidado é pouco nas manobras de remoção de corpos estranhos dos olhos. Qualquer atendimento mal feito ou descuidado pode provocar lesões perigosas na córnea, conjuntiva e esclerótica. Sinais e sintomas Ardência, dor, lacrimejamento, vermelhidão, dificuldade para manter o olho aberto, sensação de calor. O que fazer? • Lave o olho atingido com água em abundância; Proteja com gaze ou com um pano limpo; • Cobrir o olho não atingido para evitar movimento do olho afetado; Encaminhar ao médico. NO OUVIDO Corpos estranhos podem penetrar acidentalmente também nos ouvidos, especialmente na área correspondente ao conduto auditivo externo. Estes acidentes são mais comuns com crianças. Insetos, sementes, grãos de cereais e pequenas pedras podem se alojar no ouvido externo. Muitas vezes, cerume endurecido é confundido com umcorpo estranho. Ele causa perturbação na função auditiva e desconforto. Devemos determinar com a maior precisão possível a natureza do corpo estranho. Todos os procedimentos de manipulação de corpo estranho no ouvido devem ser realizados com extrema cautela. Erros de conduta e falta de habilidade na realização de primeiros socorros podem ocasionar danos irreversíveis à membrana timpânica com conseqüente prejuízo da audição, temporário ou permanente. Sinais e sintomas Mal-estar por ouvir menos, irritabilidade, inquietação. O que fazer? Se inseto: puxe a orelha da vítima para trás e dirija um facho de luz para o canal auditivo, isso atrairá o inseto; caso permaneça pingue de três a quatro gotas de álcool e observe. Caso ainda permaneça, encaminhe o paciente ao atendimento médico para que se realize uma lavagem no ouvido e a retirada do inseto. Se grãos ou pequenos fragmentos: incline a cabeça da vítima para baixo e para o lado do ouvido atingido; com o punho, ou ela ou você deve dar leves toques na cabeça, no lado do ouvido afetado. Não tente retirar o corpo estranho, com contonete ou pinça ou outro instrumento qualquer, pois há risco de empurrá-lo ainda mais para dentro, o que pode afetar o tímpano e provocar até surdez. NO NARIZ Corpos estranhos no nariz também ocorrem com mais freqüência em crianças; geralmente causam dor, crises de espirro e coriza. Podem resultar em irritação se não forem removidos imediatamente. Insetos podem se alojar nas narinas de crianças e adultos, indiferentemente. Não usar instrumentos como pinça, tesoura, grampo ou similar. A conduta correta é comprimir com o dedo a narina não obstruída e pedir o acidentado para assoar, sem forçar, pela narina obstruída. Normalmente este procedimento ajuda a expelir o corpo estranho. Se o corpo estranho não puder sair com facilidade, devemos procurar auxílio médico imediatamente. Manter a vítima calma, cuidando para que não inale o corpo estranho. Não permitir que a vítima assue com violência. A vítima deverá aspirar calmamente pela boca, enquanto se aplicam as manobras para expelir o corpo estranho. O organismo rejeita esses intrusos e passa a produzir uma secreção amarela de odor desagradável após algum tempo que não foi percebido que estava lá. O que fazer? • Manter a boca da vítima fechada; Comprimir a narina que está livre; • Solicitar que a vítima tente expelir o ar pela narina obstruída. Esse movimento não deve ser feito com muita força, para não ferir a cavidade nasal; • Não introduza nenhum objeto a fim de retirar o corpo estranho, isso poderá empurrá-lo ainda mais para dentro; • Não conseguindo encaminhe a vítima ao socorro médico. 51 NA GARGANTA Um corpo estranho na garganta pode provocar obstrução parcial ou completa das vias aéreas. Na obstrução incompleta o ar continua passando pelas cordas vocais e a vítima consegue emitir sons e tossir. Já na completa, o ar não passa a vítima não emite sons e adquire uma coloração arroxeada pela falta de ar, s não for socorrida pode morrer. O que fazer? Obstrução incompleta: encorajar a vítima a tossir para expelir o corpo estranho, sem bater em suas costas; Encaminhar ao médico caso não resolva. NA PELE Corpos estranhos na pele provocam ferimentos que podem levar a infecções ou até a morte. Se for algo como uma farpa de madeira, tente removê-la com uma pinça limpa, desinfetada, desde que a ponta esteja para fora, depois lave o local com água e sabão e cubra com gaze. Se o objeto encravado for de difícil retirada, encaminhe a vítima ao médico. SITUAÇÕES ESPECIAIS PARTO É o nascimento de um ser vivo no caso do homem ele pode ser normal ou cesáreo. Procedimento: Acione o Médico regulador e o informe sobre a situação em que a parturiente se encontra; No caso da criança já ter coroado o procedimento deverá ser realizado no local onde a parturiente foi encontrada e, neste caso, sempre acionar a SAMU; • Posicione a parturiente deitada de costa na posição ginecológica e faça higienização da área genital com água e sabão ou soro fisiológico; • Não permita que a gestante vá ao banheiro, se são constatados os itens de parto iminente; • Observe o estado geral da parturiente, verificando se não apresenta indícios de algum distúrbio grave (convulsões, hemorragia, choque, etc.); • Cubra a gestante com lençóis limpos; • Se possuir, faca uso do Kit de parto da viatura; • Oriente a parturiente para respirar pela boca e fazer forca durante a contração descansando no período de relaxamento; • Durante a saída, apóie com a mão a cabeça do bebe, evitando que ele saia violentamente; Verifique se o cordão envolve o pescoço do bebe, retirando-o com o dedo; • Segure firme o bebe, apoiando seu corpo para evitar que ele caia; • Apos a saída envolva o bebe num pano limpo para aquecê-lo, colocando-o com a cabeça mais baixa que o corpo; • Limpe com um pano sua boca e nariz; • Após respirar posicione o bebe entre as pernas da gestante; • Se o transporte para o hospital demorar mais que 30 minutos, medir 04 dedos a partir da primeira amarração e realizar outra amarração. Em seguida, corte entre as amarrações; • Utilize sempre materiais esterilizados para o corte e amarração do cordão umbilical; • Utilize com cuidado a pêra de aspiração ou o material disponível mais adequado nas narinas e boca do bebe para retirar substancias que possam ocluir as vias respiratórias; • Após a saída da placenta verifique se saiu inteira. Guarde num saco plástico e conduza ao hospital; conduza ao hospital; • Se a placenta demorar mais de 20 minutos para sair, transporte a mãe urgente para hospital; 52 Controle a hemorragia da gestante; • Se o bebe não respira logo apos o nascimento, inicie suporte básico de vida pra recém-nascido; Deixe o bebe, apos cortado o cordão, sob os cuidados da mãe; • Não retire a cera que envolve o corpo do bebe apos o nascimento; Transporte, em todos os casos, a mãe, bebe e placenta ao hospital. CONTROLE DE HEMORRAGIA APOS O PARTO: 1- Coloque absorvente higiênico ou lençol limpo na vagina da mãe; 2- 2- Mantenha suas pernas unidas e elevadas; 3- Mantenha a mãe em repouso absoluto; 4- Faça massagens externas no útero e peca para ela continuar fazendo durante alguns minutos; 5- Dêem líquidos para beber, (na possibilidade da mãe ter de ser anestesiada para correção das causas da hemorragia não deixe que ela tome quaisquer substancias); 6- Se permanecer parte da placenta no interior do útero, a hemorragia não e controlada ou a vitima esta em choque, transporte urgente para hospital. CRISES HIPERTENSIVAS Apesar dos atuais conhecimentos sobre a fisiopatologia e a terapêutica da doença hipertensiva, sua evolução é eventualmente marcada por episódio de elevação súbita e acentuada da pressão arterial, representando uma séria e grave ameaça à vida. O aumento rápido e excessivo da pressão arterial pode evidenciarse pelos seguintes sintomas: • Encefalopatia. • Cefaléia intensa, geralmente posterior e na nuca. • Falta de ar. • Sensação dos batimentos cardíacos (palpitação). • Ansiedade, nervosismo. • Perturbações neurológicas, tontura e instabilidade. Zumbido. • Escotomas cintilantes (visão de pequenos objetos brilhantes). • Náusea e vômito podem estar presentes. Existem alguns fatores de risco predispõem pessoas não hipertensas, a terem crises hipertensivas, são eles: • Glomerulonefrite (inflamação no interior dos rins) • Pielonefrite (inflamação do sistema excretor renal) • Arteriosclerose • Diabete • sedentarismo e obesidade • liberação de catecolaminas secretadas por tumores das glândulas supra-renais (feocromocitomas) • ingestão de inibidor da monoaminoxidase • colagenose • toxemiada gravidez (pré-eclâmpsia leve e pré- eclâmpsia grave)]mulheres após a menopausa • fumo • dieta rica em sal e gorduras O que fazer? 1-Afrouxar as roupas e transmita segurança; 2-Rápida remoção da vítima; 3-Posicionar na maca, sem prancha, em decúbito dorsal com cabeceira elevada; 4-Não elevar os membros inferiores (o aumento de retorno do sangue venoso pode piorar a congestão pulmonar); 5-Administrar oxigênio a 15 l/min; 6-Monitorar a vítima com oxímetro de pulso, tentando manter saturação de oxigênio além de 94%; 7-Se a vítima possuir e fizer uso habitual de medicação anti-hipertensiva, e ainda não tiver usado a medicação, o socorreste pode auxiliar para sua administração; Observar sinais de insuficiência respiratória. Em caso de hipoxemia (saturação de oxigênio menor que 90%) associado a redução da frequência respiratória, proceder a administração 53 de ventilações com AMBU e oxigênio a 15 litros por minuto e solicitar apoio da unidade de suporte avançado de vida; 8-Observar se ocorrem sintomas neurológicos ou dor torácica. Solicitar apoio da unidade de suporte avançado de vida nestes casos; 9-Transportar a vitima ao encontro de uma unidade de suporte avançado ou proceder ao transporte para hospital de referencia, segundo orientação do médico regulador. DIABETES Doença metabólica caracterizada por hiperglicemia, resultante de defeito na secreção ou ação da insulina. RECONHECIMENTO DE COMPLICACOES AGUDAS São complicações agudas da diabetes a hipoglicemia, a hiperglicemiaintensa e a cetoacidose. Todas estas complicações podem levar ao coma e morte. Hipoglicemia: e acompanhada de tremores, sudorese intensa, palidez, palpitação, fome intensa, visão borrada, tontura, convulsões e perda da consciência. Hiperglicemia e a cetoacidose: poliúria e polidipsia intensas, desidratação, náuseas, vômitos, perda de consciência. A cetoacidose pode ser diferenciada por apresentar halitose característica (hálito de cetona). Procedimento 1-Avaliar nível de consciência; 2-Se inconsciente, solicitar o suporte avançado e proceder aos cuidados da via aérea, enquanto colhe historia sobre alimentação e uso de medicações hipoglicemiantes (comprimidos ou insulina); 3-Desobstruir as vias aéreas com a extensão da cabeça e elevação do queixo; 4-Inspecionar a via respiratória e avaliar a necessidade de retirada de secreção ou corpos estranhos; 5-Administrar oxigênio a 15 l/min; 6-Se consciente, colher historia sobre alimentação e uso de medicações hipoglicemiantes (comprimidos ou insulina); 7-Verificar a glicemia se possível; 8- Em caso de hipoglicemia e a vitima estiver consciente, se for pratico e estiver disponível, oferecer a vitima uma fonte de açúcar (líquidos doces, balas); 9- Posicionar na maca, sem prancha, em decúbito dorsal com cabeceira elevada, mantendo a via aérea aberta; 10- Em caso de vômitos, posicionar na maca na posição lateral de segurança (decúbito lateral esquerdo); 11- Monitorar a vitima com oximetro de pulso, tentando manter saturação de oxigênio alem de 94%; 54 INFARTO AGUDO MIOCÁRDIO Necrose do músculo cardíaco após isquemia por oclusão arterial coronariana aguda, ou seja, é um quadro clínico conseqüente à deficiência de fluxo sanguíneo para uma dada região do músculo cardíaco (miocárdio), cujas células sofrem necrose devido à falta de aporte de oxigênio. É uma manifestação de insuficiência coronariana e está relacionada, em cerca de 95% dos casos, com a arteriosclerose, um processo de obstrução por deposição de gorduras, que afeta as artérias coronarianas e outras artérias do corpo. Principais Causas Arteriosclerose; embolia coronariana e espasmo arterial coronário (angina pectória). Principal Complicação Parada cardíaca por fibrilação ventricular (parada em fibrilação). Óbito. Sintomas A maioria das vítimas de infarto agudo do miocárdio apresenta dor torácica. Esta dor é descrita classicamente com as seguintes características: a) Dor angustiante e insuportável na região precordial (subesternal), retroesternal e face anterior do tórax. b) Compressão no peito e angústia, constrição. c) Duração maior que 30 minutos. d) Dor não diminui com repouso. e) Irradiação no sentido da mandíbula e membros superiores, particularmente do membro superior esquerdo, eventualmente para o estômago (epigástrio). A grande maioria das vítimas apresenta alguma forma de arritmia cardíaca. Palpitação, vertigem, desmaio. Deve-se atender as vítimas com quadro de desmaio como prováveis portadoras de infarto agudo do miocárdio, especialmente se apresentarem dor ou desconforto torácicoantes ou depois do desmaio. • Sudorese profusa (suor intenso), palidez e náusea. Podem estar presentes vômitos e diarréia. • A vítima apresenta-se muitas vezes, estressado com "sensação de morte iminente". • Quando há complicação pulmonar, a vítima apresenta edema pulmonar caracterizado por dispnéia (alteração nos movimentos respiratórios) e expectoração rosada. • Choque cardiogênico. O que fazer? Muitas vezes, a dor que procede a um ataque cardíaco pode ser confundida, por exemplo, com a dor epigástrica (de uma indigestão). É preciso estar atento para este tipo de falso alarme. • Procurar socorro médico ou um hospital com urgência. • Não movimentar muito a vítima. O movimento ativa as emoções e faz com que o coração seja mais solicitado. • Observar com precisão os sinais vitais. • Manter a pessoa deitada, em repouso absoluto na posição mais confortável, em ambiente calmo e ventilado. • Obter um breve relato da vítima ou de testemunhas sobre detalhes dos acontecimentos. • Tranqüilizar a vítima, procurando inspirar-lhe confiança e segurança. • Afrouxar as roupas. • Evitar a ingestão de líquidos ou alimentos. • No caso de parada cardíaca aplicar as técnicas de ressuscitação cardío-respiratória. • Ver se a vítima traz nos bolsos remédios de urgência. Aplicar os medicamentos segundo as bulas, desde que a vítima esteja consciente. - Vasodilatadores coronarianos, comprimidos sublinguais. A confirmação da suspeita de quadro clínico de um infarto agudo do miocárdio só ocorre com a utilização de exames complementares, tipo eletrocardiograma (ECG) e exames sangüíneos (transaminase, etc), que deverão ser feitos no local do atendimento especializado. 55 AVC (Acidente Vascular Cerebral) Comprometimento súbito da função encefálica causado por alterações histopatológicas que envolvem um ou vários vasos sangüíneos dentro do crânio. Reconhecimento: A apresentação esta relacionada ao local de irrigação, pode ocorrer: Hemiparesias e/ou hemiplegias (paralisia ou diminuição da forca muscular da metade do corpo); Afasias e/ou disartrias (impossibilidade ou dificuldade de falar); Vertigens/sincopes (vertigens ou desmaios); Cefaléia, anisocoria (diferença de tamanho das pupilas), nistagmo (movimento ocular involuntário horizontal ou vertical repetitivo), ptose palpebral (queda da pálpebra); Rebaixamento do nível de consciência (coma). Procedimento: Verificar a consciência da vitima; Se consciente, proceder à avaliação rápida do estado neurológico: a) Ha paralisia de face? (peca para a vitima mostrar os dentes); b) Ha perda de forca no membro superior? (solicite que permaneça com os braços estendidos por 10 segundos); c) Ha dificuldade para falar? (verifique durante as etapas anteriores ou solicite que fale uma frase simples). Se algum dos itens for positivo, ha probabilidade de 70% de se tratar de acidente vascular encefálico; Se inconsciente, solicitar o suporte avançado e proceder aos cuidados da via aérea; Desobstruir as vias aéreas com a extensão da cabeça e elevação do queixo; Inspecionar a via respiratória e avaliara necessidade de retirada de secreção ou corpos estranhos; Administrar oxigênio a 15 l/min; Posicionar na maca, sem prancha, em decúbito dorsal com cabeceira elevada, mantendo a via aérea aberta; Em caso de vômitos, posicionar na maca na posição lateral de segurança (decúbito lateral esquerdo); Monitorar a vitima com oximetro de pulso, tentando manter saturação de oxigênio alem de 94%; Transportar a vitima ao encontro de uma unidade de suporte avançado ou proceder o transporte para hospital de referencia, segundo orientação do medico regulador. 56 AFOGAMENTO É a aspiração de líquido não corporal causado por submersão ou imersão. FISIOPATOLOGIA DO AFOGAMENTO O órgão alvo de maior comprometimento no afogamento é o pulmão. A função respiratória fica prejudicada pela entrada de líquido nas vias aéreas, interferindo na troca de oxigênio (O2) por gás carbônico (CO2) de duas formas principais: • Pela obstrução parciais (frequente) das vias aéreas superiores por uma coluna de líquido; • Pela inundação dos alvéolos com este líquido Classificação clínica do afogamento A Classificação Clínica do Afogado tem como objetivo facilitar a avaliação e a conduta médica das vítimas deste tipo de acidente. A classificação não tem caráter evolutivo, portanto deve ser estabelecida no local do afogamento ou no primeiro atendimento, relatando se houve melhora ou agravamento do quadro clínico. AFOGAMENTO GRAU 1 A vítima encontra-se responsiva. É representado pelas vítimas que aspiram quantidade mínima de água, suficiente para produzir tosse. 3. Presença de tosse sem espuma na boca/ nariz CONDUTA: AQUECER, TRANQUILIZAR REPOUSO COM CABECEIRA ELEVADA AFOGAMENTO GRAU 2 Vítimas que aspiraram uma pequena quantidade de água, suficiente para alterar a troca de O2 - CO2 pulmonar; Apresentam-se lúcidas, com tosse e pequena quantidade de espuma no nariz/ boca. Necessitam de atendimento de Suporte Avançado de Vida, oxigenioterapia, prevenção de hipotermia e apoio psicológico. TEM ESTERTORES, OBSERVAÇÃO DE 6 A 48H CABECEIRA ELEVADA E DLD AFOGAMENTO GRAU 3 Vítimas que aspiraram quantidade importante de água (geralmente mais do que 2 a 3 ml/Kg de peso); Apresentam tosse, grande quantidade de espuma na boca/ nariz e presença de pulso radial ainda é palpável; Por sua gravidade os casos grau III necessitam de cuidados de Suporte Avançado de Vida imediatos. OFERTA DE O2 em alto fluxo 15L/min DLD / CABECEIRA ELEVADA SAV O QUANTO ANTES AFOGAMENTO GRAU 4 A vítima nestes casos se apresenta em coma (não desperta nem com estímulos fortes); Apresenta-se com grande quantidade de espuma na boca/ nariz e pulso radial não palpável. O GRANDE DIFERENCIAL EM RELAÇÃO AO GRAU 3 É QUE NO 4 HÁ CHOQUE SAV O QUANTO ANTES PODE OCORRER PARADA AFOGAMENTO GRAU 5 1. A vítima nestes casos se apresenta em parada respiratória (apnéia), mas com pulso arterial carotídeo presente, indicando atividade cardíaca; 2. Encontra-se em coma leve a profundo (inconsciente), com cianose intensa, grande quantidade de secreção oral e/ou 57 nasal, e distensão abdominal frequente por ingestão excessiva de água; 3. Pode ser reanimado, se for atendido precocemente (de imediato) com o restabelecimento de sua função respiratória, através dos métodos de ventilação artificial. UTILIZAR O MNEMÔNICO A-B-C-D AFOGAMENTO GRAU 6 É a parada cardiorrespiratória (PCR). Existem fatores que atuando juntos ou isolados podem explicar os casos de sucesso na reanimação cardiopulmonar (RCP) de vítimas submersas por tempo maior do que cinco minutos: 1. Redução das necessidades metabólica devido à hipotermia nos acidentes em água fria; A continuação da troca gasosa de O2 e CO2 apesar da presença de líquido no alvéolo até ocorrer à interrupção da atividade cardíaca UTILIZAR O MNEMÔNICO A-B-C-D TRATAMENTO PRÉ-HOSPITALAR PARA VÍTIMAS DE AFOGAMENTO COM SINAIS VITAIS 1. Realizar a análise primária e secundária e tratar os problemas encontrados em ordem de prioridade; 2. Retirar as vestes molhadas e secar imediatamente todo o corpo da vítima 3. Mantê-la aquecida com cobertor ou manta aluminizada, mantendo apenas a face exposta e conduzi-la para ambiente aquecido. Ex. interior da UR; 4. Se não há indícios de que tenha sofrido lesão de coluna, posicioná-la e mante- la na posição de drenagem postural - decúbito lateral Direito - durante o atendimento e transporte; 5. Monitorá-la constantemente durante o transporte. CRISE ASMÁTICA Asma é uma doença inflamatória crônica caracterizada por hiper-responsividade das vias aéreas inferiores e limitação variável ao fluxo aéreo, reversível espontaneamente ou com tratamento. Causas da asma: Os alérgenos (pólen, ácaros, ...); Os irritantes químicos (tóxicos) ou poluentes; O esforço (corrida, esporte,...) ; Os fatores genéticos (hereditários); O fator psíquico (por exemplo, o medo de ter uma crise); As infecções; Os medicamentos; O ar frio. Sinais e sintomas: Sibilos expiratórios; Dispnéia; Sensação de aperto no peito; Tosse seca ou com expectoração. Procedimento 1- Mantenha a vítima calma; 2- Ajude-o a apoiar os braços levantados na parede, com a cabeça para baixo ou apoiar as mãos entrelaçadas sobre uma mesa e levantar os braços com os cotovelos para a frente de forma a facilitar a respiração; 3- Procure saber se utiliza habitualmente inalador e ajude-a a usá-lo; 4- Mantenha a vigilância da função respiratória até a frequência respiratória normalizar. Na crise asmática há uma redução da luz do brônquio, com presença de secreções e conseqüentemente uma redução da ventilação pulmonar. 58 Referências 1- http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/profae/pae_cad4.pdf 2- http://www.ifcursos.com.br/sistema/admin/arquivos/18-30-59- ap0stilaenfermagemememergencia.pdf 3-http://www2.ebserh.gov.br/documents/147715/0/Protocolo+Carro+de+emerg%2B¬ncia .pdf/edd8c0d1-1ea4-45db-8bbb-7b3e24993a76 4-https://eccguidelines.heart.org/wp-content/uploads/2015/10/2015-AHA-Guidelines- Highlights-Portuguese.pdf 5-https://www.editorasanar.com.br/blog/resumo-pratico-abcde-trauma-atendimento- primeiros-socorros-paciente-enfermagem-xabcde-atualizacao6- National Association of Emergency Medical Technicians (NAEMT). PHTLS: Atendimento pré-hospitalar ao traumatizado. 8ª edição. Editora Artmed. 2017. 1- Grupo Brasileiro de Classificação de risco. O Protocolo de Manchester de Classificação de Risco. Disponível em: . Acesso em 20 fev 2018. 2- Significado palavra “triagem”. Consulta em dicionário Michaelis Online. Disponível em: . Acesso em 20 fev 2018. https://www.editorasanar.com.br/blog/resumo-pratico-abcde-trauma-atendimento- 59enfermagem, que recebem habilitação específica para esta atividade2. É necessário que conheçam suas atribuições, normas e rotinas operacionais, bem como desenvolvam seu trabalho baseado em protocolos de atendimento. Cada veículo é equipado com materiais e equipamentos específicos, tripulado por profissionais com diferentes atribuições que compõem as equipes, segundo o tipo de atendimento destinado a prestar, no caso, suporte básico de vida (SBV) ou suporte avançado de vida (SAV). Os veículos de SAV são equipados com materiais médicohospitar, equipamentos e medicamentos, permitindo a estabilização do cliente e seu transporte para o hospital. Profissionais da área de segurança, como policiais rodoviários e bombeiros identificam situações de risco e realizam manobras de salvamento, resgate e, quando necessário, o suporte básico de vida (SBV)2. Já as unidades de emergência hospitalares ou pronto-socorros oferecem atendimento imediato e ininterrupto aos pacientes adultos ou crianças em estado crítico ou potencialmente crítico. O atendimento hospitalar é definido por grau de complexidade - tipo I, II e III2. Toda infraestrutura referente a recursos materiais, equipamentos e medicamentos deve estar de acordo com as normas e compatível com serviço de emergência. As áreas físicas são estruturadas conforme a complexidade do hospital, considerando-se os tipos I, II e III. Assim, hospitais que recebem clientes de maior complexidade oferecem recursos humanos, materiais e tecnológicos compatíveis com a OS 10 MANDAMENTOS DE UM SOCORRISTA • • • 1. Mantenha a calma. 2. Tenha em mente a seguinte ordem de segurança quando você estiver prestando socorro: PRIMEIRO EU (o socorrista) DEPOIS MINHA EQUIPE (Incluindo os transeuntes) E POR ÚLTIMO A VÍTIMA Isto parece ser contraditório a primeira vista, mas tem o intuito básico de não gerar novas vítimas. 3. Ao prestar socorro, é fundamental ligar ao atendimento pré-hospitalar de imediato ao chegar ao local do acidente. Podemos discar 193 (Corpo de Bombeiros, para os casos de trauma e incêndio) e 192 (SAMU, para os casos clínicos); 4. Sempre verifique se há riscos no local, para você e sua equipe, antes de agir no acidente. 5. Mantenha sempre o bom senso. 6. Mantenha o espírito de liderança, pedindo ajuda e afastando os curiosos. 7. Distribua tarefas, assim os transeuntes que poderiam atrapalhar lhe ajudarão e se sentirão mais úteis. 8. Evite manobras intempestivas (realizadas de forma imprudente, com pressa). 9. Em caso de múltiplas vítimas dê preferência àquelas que correm maior risco de vida como, por exemplo, vítimas em parada cárdio-respiratória ou que estejam sangrando muito. 10. Seja socorrista e não herói (lembre-se do 2º mandamento). 6 necessidade de cada caso. A unidade de emergência é caracterizada pelo fluxo intenso de pessoas que circulam nessa área, em razão da rotatividade dos pacientes que procuram o serviço devido à gravidade das condições em que se encontram, motivadas por trauma, afecções não traumáticas, alterações de comportamento, entre outras. A variedade dos agravos apresentados por esses pacientes justifica a diversidade de profissionais que atuam nessa unidade, com equipe multidisciplinar composta por profissionais de enfermagem, assistente social, fisioterapeuta, médicos de diferentes especialidades, entre outros, bem como a avançada tecnologia presente com equipamentos de alta precisão2. Um técnico de enfermagem legalmente e tecnicamente é capaz de atuar em ambas as situações emergenciais, intra-hospitalar ou extra- hospitalar. PRINCIPIOS BÁSICOS DE BIOSEGURANÇA PASSOS A SEREM SEGUIDOS USO DE EPI’S – EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL OBSERVAÇÃO: Em alguns instantes o socorrista deve observar a situação e começar a decidir com calma, mas rapidamente, o melhor a fazer; PROTEÇÃO: Individual e coletiva, isolamento da área, uso de roupas claras, luvas descartáveis e máscaras (se necessário), uso de luvas previne o contato do socorrista com o sangue e secreções da vítima, além de proporcionar mais qualidade ao atendimento. SINALIZAÇÃO: Coloque dispositivos de advertência (triângulo, pisca - alerta, folhagens, tochas pelo menos 50 metros antes do local, peça a outras pessoas para parar e ajudar; à noite, use roupas claras ou tenha sempre a mão um pedaço de tecido claro. ISOLAMENTO: Tem o objetivo de delimitar a área de ação dos socorristas, impedindo a interferência de curiosos. Pode ser feito com cordas ou uma barreira humana, aproveitando os próprios espectadores, esta barreira deve estar sempre voltada para a via e de costas para o acidente. LOCALIZAÇÃO: atenção na observação do local do acidente, nem sempre as lesões externas são as únicas, ou as vítimas que você visualiza inicialmente são as únicas. Faça uma busca procurando pistas. Ex.: Vítimas Projetadas do veículo, crianças sobre o veículo, vítimas presas nos bancos traseiros. QUANTAS PESSOAS ESTÃO FERIDAS? QUE TIPO DE FERIMENTO? No caso de iminente perigo de vida ao paciente que não consegue dar o seu consentimento e/ou a família ou responsável não se encontra presente, as normas de ética permitem que os profissionais de saúde prestem o atendimento de emergência. Essa conduta é considerada correta porque o valor da vida é maior do que a necessidade do consentimento. Quando o profissional não presta o socorro de urgência, esta situação é caracterizada como omissão de socorro. 7 CORRENTE DE SOBREVIVÊNCIA Com o objetivo de organizar o atendimento de forma lógica e mais efetiva possível, as principais ações foram dispostas na sequência conhecida como cadeia de sobrevivência. Na versão mais atual do Guidelines ganhou duas modalidades PCRIH (parada cardiorrespiratória intra-hospitalar) e PCREH (parada cardiorrespiratória extra-hospitalar). Em ambos os ambientes existe peculiaridades no atendimento4. Pacientes que têm uma PCREH dependem da assistência da comunidade. Os socorristas leigos precisam 1. Reconhecer a PCR, pedir ajuda, 2. Iniciar a RCP 3. Aplicar a desfibrilação (ou seja, ter acesso público à desfibrilação (APD) até que um time de serviço médico de emergência (SME) com formação profissional assuma a responsabilidade e, em seguida, transporte o paciente para um pronto-socorro e/ou um laboratório de hemodinâmica. 4. O paciente é finalmente transferido para uma unidade de cuidados intensivos, onde se dará continuidade ao tratamento4. Por outro lado, pacientes que têm uma PCRIH dependem de um sistema de vigilância adequado (por exemplo, resposta rápida ou sistema de alerta imediato) para evitar a PCR4. Ao ocorrer uma PCR, os pacientes dependem da interação harmoniosa dos vários departamentos e serviços da instituição e de um time multidisciplinar de profissionais, que inclua médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, entre outros4. 8 O CARRINHO DE EMERGÊNCIA3 O carro de emergência é uma estrutura móvel constituída por gavetas providas com materiais, medicamentos e equipamentos necessários para o atendimento do cliente em situações de urgências ou emergências médicas3. OBJETIVOS Tem por objetivo ser um instrumento ágil de armazenagem de matérias, medicamento de emergência, de forma organizada e padronizada para ser utilizada pela equipe em situações em que seja necessário intervenção rápida para pacientes hospitalizados ou ambulatoriais que necessitem de atendimento emergencial, tais como: parada cardiorrespiratória; comprometimento nas vias aéreas/ventilação; instabilidade hemodinâmica progressiva; choque; hemorragia intensa, erupções cutâneas com comprometimento de vias aéreas, perda súbita do nívelde consciência; convulsões; entre outros3. Responsabilidades Cada componente da equipe multidisciplinar que atua em situações emergências tem uma responsabilidade com o carrinho. Médico: Prescrever os medicamentos utilizados no atendimento, para a reposição do carro de emergência. Enfermeiro: Organizar o carro de emergência e seus componentes acessórios; Elaborar escala de serviço para limpeza do carro de emergência e de seus componentes acessórios; Monitorar o cumprimento das atividades pelos técnicos/auxiliares de enfermagem, conforme escala de serviço; Realizar a testagem funcional do laringoscópio e do desfibrilador; Conferir os lacres do carro de emergência (conferência diária dos medicamentos e dos materiais); Listar, quantificar e repor os medicamentos e materiais do carro de emergência que foram utilizados; Controlar periodicamente os materiais contidos no carro quanto a sua presença, quantidade e validade; Realizar checklist diariamente de seus componentes, assim como de seu lacre3. Técnico/Auxiliar de Enfermagem: Realizar a limpeza do carro de emergência e do desfibrilador (monitor, cabos e acessórios), conforme escala de serviço e/ou após o atendimento emergencial; Auxiliar o enfermeiro na organização do carro de emergência; Realizar checklist diariamente de seus componentes, assim como de seu lacre3. Farmacêutico/ Técnico em Farmácia: Dispensar os medicamentos padronizados para reposição do carro, mediante prescrição; Controlar periodicamente os medicamentos contidos no carro de emergência quanto a sua presença, quantidade, características físicas e validade3. Escriturário Hospitalar: Providenciar os medicamentos utilizados no atendimento emergencial, junto a Unidade de Farmácia. Organização e cuidados • O carro de emergência deverá constituir-se de um armário móvel com gavetas suficientes para a guarda de medicamentos, materiais e de equipamentos a serem utilizados em situações de emergência e de urgência. A composição do carro de emergência quanto a estrutura e componentes deverá seguir a preconizada por protocolo institucional: • O carro de emergência equipado deverá estar posicionado em local estratégico e de fácil acesso e mobilidade; • O carro de emergência deve permanecer sempre com suas gavetas lacradas. A retirada do lacre deverá ocorrer mediante situações de atendimento às urgências e emergências clínicas, ou quando conferência e/ou auditoria; • Os medicamentos e materiais utilizados no atendimento às urgências/emergências clínicas deverão ser repostos, no mesmo turno de trabalho; Imagem: ebserh.gov.br 9 Componentes básicos do Carrinho E ainda... • EPIs • Agulhas, seringas de vários tamanhos • Cateteres intravenosos de vários tamanhos • Equipos, sondas de aspiração, tubos endotraqueais • Soluções Cristalóides E muitos outros matérias. Laringoscópio Desfibrilador Torpedo de O2 Prancha rígida Ressuscitador Manual Medicações Primeira gaveta para fármacos Gaveta para soluções 10 DISPOSITIVOS DE VIAS AÉREAS Cateter nasal ➢ Características principais: baixo fluxo e baixa FiO2. ➢ FiO2 fornecida: 1 L/min – 21 a 24%; 2 L/min – 25 a 28%; 3 L/min – 29 a 32%; 4 L/min – 33 a 36%; 5 L/min – 37 a 40%; 6 L/min – 41 a 44%. ➢ -Limitações: fluxos acima de 4 lpm frequentemente causam ressecamento e irritação nasal. É pouco efetiva em pacientes com respiração predominantemente bucal. Máscara facial simples ➢ Características principais: baixo fluxo e baixa FiO2. ➢ FiO2 fornecida: 6 a 10 lpm, 35 a 60% FiO2. ➢ Limitações: não deve ser utilizada por pacientes com necessidade de alto fluxo e alta FiO2. Dispositivo análogo ao cateter nasal, mas mais bem tolerado e pode ser usado por pacientes com respiração predominantemente bucal. Máscara de Venturi ➢ Características principais: alto fluxo e FiO2 mais precisa. ➢ FiO2 fornecida: em cada válvula existe uma inscrição com determinada FiO2 para determinado fluxo. ➢ Limitações: FiO2 máxima de 50% a 15 lpm. Máscara com reservatório ➢ Características principais: alto fluxo e alta FiO2. ➢ FiO2 fornecida: 6 lpm – 60%, 7 lpm – 70%, 8 lpm – 80%, 9 lpm – 90%, acima de 10 lpm – próximo de 100%. ➢ Limitações: não pode ser usada com fluxo baixo, pois ele deve ser suficiente para manter o reservatório totalmente inflado para evitar recirculação do ar expirado. Máscara laríngea ➢ Características principais: dispositivo avançado de vias aéreas, posicionamento supraglótico, inserção às cegas, via alternativa para via aérea 11 difícil, pode ser utilizado por profissionais não médicos treinados. ➢ FiO2 fornecida: variável. ➢ Limitações: não é considerada uma via aérea definitiva, não deve ser utilizada em pacientes eletivos com estômago cheio ou com risco elevado de broncoaspiração, obesidade mórbida ou alterações anatômicas supraglóticas. Tubo traqueal ➢ Características principais: via aérea definitiva. ➢ FiO2 fornecida: variável. ➢ Limitações: intubação orotraqueal pode ser realizada apenas por médicos treinados e o procedimento pode ser realizado somente quando houver visualização direta das cordas vocais. Tubo esofagotraqueal ➢ Características principais: dispositivo avançado de vias aéreas, inserção às cegas, via alternativa para via aérea difícil e pode ser utilizado por profissionais não médicos treinados. ➢ FiO2 fornecida: variável. ➢ Limitações: não é considerada via aérea definitiva quando está na posição esofágica, não pode ser inserido em pessoas com altura menor que 1,40 m, patologia esofageana conhecida ou história de ingestão de substâncias cáusticas. Dispositivo bolsa válvula máscara ➢ Características principais: fornece ventilações a pressão positiva; a máscara deve ser transparente; e a bolsa tem aproximadamente 1 a 1,5 L. ➢ FiO2 fornecida: geralmente usada a 15 lpm, com FiO2 de aproximadamente 100%. ➢ Limitações: necessita de treinamento para ser utilizada com a técnica adequada. 12 Visa checar os sinais vitais da vítima e tratar as condições que o colocam em risco iminente de morte. Para melhor avaliação adota-se o processo mnemônico da sequência alfabética (X-A-B-C-D-E) VOCÊ CONHECE A HISTÓRIA DO XABCDE DO TRAUMA? Em 1976, ao sofrer um acidente com sua família, o cirurgião ortopédico Jim Styner pôde perceber as fragilidades dos cuidados em primeiros socorros de vítimas de traumas. Depois dessa experiência, o médico desenvolveu o protocolo ABCDE do trauma, que passou a ser empregado em diversas regiões do mundo a partir de 1978, sendo ministrado neste ano o primeiro curso sobre o tema5. A importância do método desenvolvido por Jim Styner não demorou a ser reconhecida pelas autoridades médicas, uma vez que só com esses cuidados é possível realmente estabilizar o paciente, deixando-o mais seguro para o transporte e para quaisquer outras intervenções que se façam necessárias5. Desde então várias versões do ABC do trauma foram adotadas oficialmente a nível global, até chegarmos ao que temos hoje, o X-A-B-C-D-E. Na teoria o XABCDE é um mnemônico que padroniza o atendimento inicial ao paciente politraumatizado e define prioridades na abordagem ao trauma, no sentido de padronizar o atendimento. Ou seja, é uma forma rápida e fácil de memorizar todos os passos que devem ser seguidos com o paciente em politrauma5. Ele foi pensado para identificar lesões potencialmente fatais ao indivíduo, e é aplicável a todos as vítimas com quadro crítico, independentemente da idade. O protocolo tem como principal objetivo reduzir índices de mortalidade e morbidade em vítimas de qualquer tipo detrauma5. E como o método funciona? QUAIS CONDUTAS DE SEGURANÇA NA FASE PRÉ-HOSPITALAR? Antes de iniciar a abordagem XABCDE ao paciente vítima de trauma é necessário atentar-se a itens essenciais para salvaguardar a vida da equipe, como: avaliação da segurança da cena segura, uso de EPI’s, sinalização da cena (Ex. dispor cones de isolamento na pista) como foi mencionado acima. Mas o que significa cada mnemônico? Vamos aprender os métodos de intervenção de cada uma dessas etapas. X Exsanguinação Contenção de hemorragia externa grave, a abordagem a esta, deve ser antes mesmo do manejo das vias aérea uma vez que, epidemiologicamente, apesar da obstrução de vias aéreas ser responsável pelos óbitos em um curto SBV e SAV Urgência e Emergência Data ___/___/____ módulo x / cap x 13 período de tempo, o que mais mata no trauma são as hemorragias graves5. A - Desobstrução das vias aéreas com controle da coluna cervical. 1- Checar Responsividade (Observe e pergunte a vitima): -Ei! Você está me ouvindo? O que aconteceu? A vítima responsiva possui vias aéreas desobstruídas, apresenta função respiratória, circulatória e perfusão cerebral. 2- Estabilizar a coluna cervical com as mãos, se necessário com os joelhos; 3- Desobstruir as vias aéreas: Usar a tração de mandíbula (Jaw Thrust) em vítimas de trauma; Elevação da mandíbula (Chin Lift); Hiperextensão do pescoço em casos clínicos; Usar cânula orofaríngea em vítimas inconscientes; Executar a manobra de Heimlinch em vítimas com Obstrução das Vias Aéreas por Corpo Estranho (OVACE). 4- Imobilizar a coluna cervical (pescoço) com o uso de colar cervical adequado em toda a vítima que recebeu descarga de energia (trauma) B - Avaliar respiração e frequência ventilatória: 1-Verificar a respiração da vítima através do VOS (Ver, Ouvir, Sentir); 2-Fornecer suporte ventilatório com oxigênio de 15 l/min; 3- Se for preciso iniciar reanimação ventilatória. C - Avaliar circulação e controlar hemorragias: 1-Verificar a Circulação: Checar pulso: Vítima consciente: Verifica-se pulso radial. Caso o mesmo não esteja presente, avaliar pulso carotídeo; Vítima inconsciente: Verifica-se pulso carotídeo. 2-Se for preciso iniciar reanimação cardíaca; 3-Verificar a perfusão capilar, enchimento normal menor que 2 segundos; 4- Efetuar o controle de hemorragias; 5- Prevenir e/ou tratar o Estado de Choque. 14 D - Avaliar o déficit neurológico - nível de consciência: 15 1- Avaliar as pupilas (observar tamanho, simetria e reação a luz), caso a vítima não esteja acordada, orientada e capaz de responder a comandos. AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA E - Exposição a procura de lesões 1- Realizar a exposição da vítima, retirando ou cortando as vestes no sentido da costura para melhor visualizar as lesões, tendo o cuidado de preservar o pudor da vítima e explicar procedimento que será efetuado; o porquê desse 2- Tratar as lesões de extremidades; 3- Realizar controle de temperatura para evitar hipotermia; 4- Realizar curativos evitando a contaminação. Só iniciar a abordagem secundária depois de completada a abordagem primária. Examinar todos os segmentos do corpo, sempre na mesma ordem (exame segmentar): crânio, face, pescoço, tórax, abdômen, quadril, membros inferiores, membros superiores e dorso. Nesta fase, realizar: pesquisa de hemorragias, fraturas, etc. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ 16 PCR - PARADA CÁRDIO - RESPIRATÓRIA A PCR consiste na cessação súbita da atividade cardíaca e da respiração, ocasionando a interrupção circulatória e privação tecidual de oxigênio e nutrientes, podendo levar à morte em poucos minutos. As causas mais comuns estão relacionadas a comprometimentos cardíacos, fluxo coronariano prejudicado, alterações do ritmo cardíaco, distúrbios respiratórios e hidroeletrolíticos, ao choque e trauma, entre outras. Ao presenciar a PCR, verifique os sinais e sintomas que confirmam o quadro de: ✓ Inconsciência: o paciente não responde a estímulos verbais; ✓ Apneia: ausência de movimentos respiratórios; ✓ Ausência de pulso; ✓ Alteração da atividade elétrica cardíaca: assistolia, atividade elétrica sem pulso (AESP), fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso. Reconhecer os sinais que precedem a PCR, bem como identificar as causas prováveis, é fundamental para o sucesso das manobras de reanimação cardiopulmonar cerebral (RCPC), pois os danos cerebrais decorrentes da ausência circulatória ocorrem de forma mais grave após 4 a 6 minutos de PCR. As chances de reversão do quadro são maiores quando os sinais e sintomas sugestivos da PCR são identificados precocemente ou quando o evento é presenciado e as manobras de reanimação são imediatamente iniciadas. As manobras de reanimação baseiam-se em protocolo internacional desenvolvido pela American Heart Association (AHA). São associadas a uma cadeia ou corrente de sobrevivência para o atendimento da PCR, de maneira que cada elo da corrente corresponde a uma determinada etapa, cuja ordem não pode ser alterada nem interrompida para não prejudicar a sequência das ações: Em correspondência a cada elo da cadeia, são estabelecidas as ações prioritárias no atendimento. São denominadas manobras de Suporte Básico de a (SBV) e manobras de Suporte Avançado de Vida (SAV). O SBV tem como principal característica a manutenção da vida para garantir a oxigenação tecidual e perfusão cerebral. São as ações básicas e prioritárias a serem realizadas como medidas iniciais no atendimento em parada cardiorrespiratória. As diretrizes estabelecidas no protocolo padrão internacional da American Heart Association orientam que essas ações obedeçam à sequência denominada C, A, B: C - Compressões torácicas Após identificada a PCR através da palpação do pulso central por 10 segundos, iniciar imediatamente a RCP de alta qualidade. No centro do tórax, na metade inferior do esterno Realizar de 100 a 120 compressões/min. Profundidade mínima de 5 cm e máxima de 6cm Permitir o retorno do tórax ao final de cada compressão. Minimizar as interrupções nas compressões (≤ 10 seg). Se houver DEA (dispositivo externo automático, acoplar imediatamente e seguir os passos). Alternar os profissionais a cada 2 min. 17 A - Airway = Abertura das vias aéreas A manobra de Chin lift é indicada em situações de emergência clínica, posiciona-se uma das mãos na testa para inclinar a cabeça para trás e com os dedos indicadores e médios da outra mão, colocamos sob o queixo do cliente, realiza-se a abertura das vias aéreas. A língua é uma das principais causas de obstrução no indivíduo inconsciente e com essas manobras é possível facilitar a desobstrução. A manobra de Jaw thurst, é indicada para abertura da via aérea em caso de trauma, pois nessa situação, a cabeça é mantida em posição neutra, visando à integridadeda coluna em região cervical. Ao apoiar as mãos na face, segurando bilateralmente, na articulação temporo- mandibular, é possível elevar a mandíbula promovendo a abertura da via aérea, quando necessário. Essa manobra é indicada apenas para profissionais da saúde, treinados e capacitados. Não é recomendada nem orientada aos leigos, pelo risco de provocar luxação mandibular. B- Breathing = Ventilação Há dispositivo para ventilação? Se sim.... Aplicar ventilações eficazes (boca- máscara/barreira ou bolsa válvula máscara) Administrar cada ventilação em 1 segundo Observando e elevação visível do tórax. “Relação compressão/ventilação 30:2 – 1 e 2 socorristas. Se optar por não ventilar, por falta de dispositivo de segurança ou falta de socorristas suficiente para as suas manobras, realize apenas as compressões de 100 a 120 compressões/min sem interrupção” A RCP deve ser iniciada mediante a ausência de pulso, verifique o fluxograma da página a seguir. A desfibrilação é a aplicação de uma corrente elétrica no coração de um paciente, com o objetivo de evitar a sua morte por parada cardíaca. O DEA (Desfibrilador Externo Automático), aparelho utilizado nesse procedimento, também é indicado para tratar problemas de arritmias, fibrilação atrial ou ventricu- lar e taquicardia. 18 O que difere o SBV para o SAV em PCR é que no SAV há utilização de procedimentos mais invasivos, como a intubação orotraqueal, (via aérea avançada), o acesso venoso para a infusão de drogas, o desfibrilador, ou comum, ou DEA sempre estará presente, entre outros. O SAV, pode acontecer tanto na unidade móvel, quanto em rotina de pronto atendimento, 19 desde que haja uma equipe multidisciplinar treinada, equipamentos e um protocolo estabelecido. O técnico de enfermagem atuante na equipe multidisciplinar participa de todo esse processo. Ele provê o acesso venoso, prepara as drogas conforme solicitação médica ou de enfermagem na presença de um protocolo pré- estabelecido. Auxilia a equipe na hora da intubação orotraqueal, sabe onde se encontra cada material, e se antecipa nas necessidades organizando e dando todo o suporte. As principais drogas da PCR A utilização de fármacos na PCR será sempre relativa ao distúrbio cardíaco que derivou o evento, o traçado será avaliado pelo desfibrilador ou pelo médico, que decidirá a droga mais adequada, porém algumas drogas são escolha primordial durante uma PCR e a após e PCR, são as chamada E-L-A (epinefrina, lidocaína e amiodarona) as drogas da parada. EPINEFRINA (adrenalina) LIDOCAÍNA AMIODARONA A ainda outras muito atuantes neste evento utilizadas conforme necessidade como: ➢ Atropina ➢ Bicarbonato de Sódio, ➢ Noradrenalina (norepinefrina), ➢ Dopamina, ➢ Dobutamina, ➢ Nitroprussiato de Sódio, ➢ Gluconato de Cálcio, Que atuam desde a parada até o pós-parada. Cuidados gerais Ao iniciar as manobras de reanimação fique atento ao posicionamento do cliente para favorecer a eficácia da intervenção: ✓ Posicione o paciente sobre uma superfície rígida. Isso permite uma eficácia maior das compressões torácicas, caso APH, a prancha poderá ser este superfície, caso intra-hospitalar o carrinho de emergência possui uma prancha que deverá ser utilizada; ✓ É preconizado pelo AHA a elaboração de times de resposta rápida (TRR) não componentes da equipe que são treinado para atuar sempre afrente da equipe em eventos de PCR; ✓ Isolar a cama ou a maca do paciente com biombos. ✓ Puncionar e fixar uma veia para administração e soluções e drogas prescritas o quanto antes, o ideal é um acesso de grosso calibre; ✓ Fazer anotações no prontuário, tais como: hora da parada, atendimento prestado, resultado e óbito; ✓ O técnico de enfermagem deve auxiliar ao médico em todos os procedimentos necessários; ✓ Somente interrompa a RCP quando retornar a respiração e os batimentos cardíacos ou após a constatação do óbito. ✓ Alivie a compressão sem perder contato da mão com o tórax: permita que o tórax retorne à posição original, antes de iniciar a compressão seguinte. Diante do sucesso das manobras dá-se prosseguimento aos cuidados pós-reanimação com a reavaliação geral do paciente, dos parâmetros vitais, manutenção da monitorização, e da assistência ventilatória. É importante verificar a drenagem de líquidos e secreções, providenciar a coleta de material para exames laboratoriais e preparar o paciente para exames radiológicos. 20 FIXANDO O ENTENDIMETO MÉTODO START “técnica de triagem de múltiplas vítimas utilizada no Atendimento Pré-Hospitalar” O método start de atendimento a múltiplas vítimas, é um instrumento para ser adotado em catástrofes, desabamentos, incêndios, ataque terrorista, ou qualquer evento em que haja muitas vítimas e necessidade de gerenciamento. Aloca recursos e hierarquiza o atendimento de vítimas de acordo com um sistema de prioridades, de forma a possibilitar o atendimento e o transporte rápido do maior número possível de vítimas. O atendimento Pré-Hospitalar prestado a uma única vítima possui princípios bem diferentes da atuação prestada em Incidentes de Múltiplas Vítimas (IMV) com uma ou poucas vítimas, todo recurso deve ser disponibilizado na tentativa de salvar a vida ou evitar sequelas. Múltiplas vítimas, por outro lado, exige a tentativa de salvar o maior número possíveis. Surge então a necessidade de definir prioridades por meio da triagem6-7-8. A palavra triagem, tem etimologia francesa e significa “selecionar, ato de escolher”. Consiste em um processo de classificação das vítimas por gravidade, com o objetivo de tratá-las maximizando os sobreviventes e reduzindo as sequelas. Para tanto, esse método de triagem de vítimas não preconiza o diagnóstico médico e, sim, a classificação das pessoas acidentadas com base nas necessidades de cuidados e chance de sobrevivência6-7-8. No método START, as vítimas são classificadas pelo estado de gravidade e cada categoria utiliza uma cor para fácil identificação no momento de evacuação e transporte da cena. MORTOS (CINZA / PRETO): vítimas que não respondem a procedimentos simples, como abertura de vias aéreas e com ferimentos críticos que indicam morte iminente. Exemplo: exposição de massa encefálica, paciente em parada cardíaca6-7-8. Figura 1: 2015-AHA-Guidelines-Highlights-Portuguese 21 IMEDIATA (VERMELHO): vítimas com ferimentos graves, porém com chance de sobrevida. Possuem prioridade elevada para atendimento, retirada da cena e transporte. Exemplo: Trauma torácico com tórax instável6-7-8. PODE AGUARDAR (AMARELO): vítimas com ferimentos moderados. Podem aguardar um tempo na cena até tratamento definitivo. Exemplo: membros fraturados. LEVE (VERDE): vítimas com ferimentos mínimos, que podem deambular e ajudar outras vítimas mais debilitadas. Essas vítimas são as que costumam causar alguns problemas, pois estão deambulando, assustadas e com dores. Deve-se investir apoio psicológico e orientação para que não sobrecarreguem o serviço terciário de saúde. Exemplo: escoriações difusas no corpo6-7-8. A categorização pode ser facilitada pelo uso de cartões nas cores vermelha, amarela, verde e preta (cinza). Esses instrumentos são colocados em cada vítima de acordo com a gravidade. Quando essas vítimas têm acesso ao tratamento definitivo? A continuidade do serviço pré-hospitalar e o tratamento definitivo ocorre no intra-hospitalar. Para que os acidentados tenham acesso a esse serviço, é realizado a triagem de evacuação. As vítimas graves e moderadas (vermelhas e amarelas) são encaminhadas, nessa sequência, pelas viaturas até o hospital.As vítimas leves (verdes) podem ir por meios próprios, sendo orientadas a procurar unidades de menor complexidade. E, por fim, as vítimas expectantes (cinzas) podem ser removidas, se necessário ainda, após a evacuação de todas as outras6-7-8. Esse cenário caótico que possui vítimas gritando, pessoas chorando, sangue, várias pessoas pedindo por socorro e socorristas precisando decidir quem serão os primeiros a serem socorridos, quem serão os mais graves, quem serão os ignorados em primeira instância. Vale ressaltar a importância de se respeitar as categorias definidas pelo método START e atendê- las conforme preconizado. Uma criança em PCR é classificada como código cinza e deve ser expectante até que tenha recurso suficiente para atender a todos. Provavelmente essa criança aumentará o número de óbitos do incidente, mas a sua conduta enquanto socorrista fará com que tantas outras vítimas sobrevivam. Decisões complexas! Então precisamos ser frios6-7-8? Negativo! Precisamos estar preparados tecnicamente. Basta respeitar o princípio básico do IMV: salvar o maior número de vítimas possível. OVACE (OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO) A introdução acidental de corpos estranhos nas vias respiratórias provoca crise de tosse, sufocação e engasgamento. Caso o corpo estranho não seja imediatamente removido, o cliente fatalmente morrerá se ocorrer obstrução total da laringe e traqueia. O quadro clínico varia conforme a localização e o grau de obstrução: tosse, respiração difícil e ruidosa, impossibilidade de falar, cianose, inconsciência e até parada respiratória. Os casos de engasgamentos podem e devem ser evitados mediante medidas simples de prevenção: não deixar objetos pequenos ao alcance das crianças; não oferecer alimentos ou guloseimas que “escorregam” pela boca e garganta (balas e drops de formato liso); evitar brincadeiras que facilitam a aspiração (correr com guloseimas na boca, assoprar com canudos grãos ou pedrinhas); não colocar objetos entre os dentes durante o trabalho, etc. Na ocorrência de engasgamento as condutas de primeiros socorros devem ser imediatas devido ao perigo de parada respiratória, e iniciam-se pela avaliação do grau de obstrução das vias aéreas superiores. Na obstrução parcial o cliente respira mal e tenta falar, com dificuldade e desconforto. Deve-se pedir para que tussa; caso não se obtenha êxito (expulsão do corpo estranho), encaminhá-lo imediatamente ao hospital – onde será sedado para a retirada do corpo estranho pelo broncoscópio, e realizadas manobras de reanimação cardiorrespiratória nos casos de PCR. 22 No caso de obstrução total o cliente não consegue respirar ou falar, e faz-se necessário tentar remover o corpo estranho o mais depressa possível. A manobra mais utilizada é a compressão abdominal (Heimlich), que expulsa o corpo estranho pelo aumento súbito da pressão intratorácica. Se o cliente tiver condições de permanecer em pé, o profissional deve posicionar- se atrás da vítima, cercar sua cintura com os braços, superpor uma mão sobre a outra fechada na altura do epigastro e aplicar uma compressão rápida. Se deitado, deve ser colocado em decúbito dorsal, com a cabeça lateralizada. O profissional deve posicionar-se lateralmente ou sentar sobre suas coxas e aplicar a compressão com as duas mãos sobrepostas na altura do epigastro e em direção ao tórax. Reconhecimento de OVACE em Vítima Consciente: A obstrução total das vias aéreas é reconhecida quando a vítima está se alimentando ou acabou de comer e, repentinamente, fica incapaz de falar ou tossir. Pode demonstrar sinais de asfixia, agarrando o pescoço, apresentando cianose e esforço respiratório exagerado. O movimento de ar pode estar ausente ou não ser detectável. A pronta ação é urgente, preferencialmente enquanto a vítima ainda está consciente. Em pouco tempo o oxigênio disponível nos pulmões será utilizado e, como a obstrução de vias aéreas impede a renovação de ar, ocorrerá à perda de consciência e, rapidamente, a morte. Reconhecimento de OVACE em Vítima Inconsciente: Quando um adulto for encontrado inconsciente por causa desconhecida, suspeitar de parada cardiopulmonar por infarto, acidente vascular ou hipóxia secundária à obstrução de via aérea. Ele será avaliado pensando-se em parada cardiopulmonar, deixando para fazer o manejo de desobstrução de vias aéreas apenas se o fato se evidenciar. Tratando-se de criança, devemos suspeitar imediatamente de OVACE. Desobstrução de Vias Aéreas Os métodos de desobstrução de vias aéreas dividem-se em dois tipos, conforme a natureza da obstrução: obstrução por líquido (rolamento de 90º e aspiração) ou obstrução por sólido (remoção manual e manobras de desobstrução). Obstrução por Líquido (Rolamento de 90º): Esta manobra consiste em lateralizar a vítima em monobloco, trazendo-a do decúbito dorsal para o lateral, com o intuito de remover secreções e sangue das vias aéreas superiores. Estando a vítima na cena do acidente, ainda sem intervenção do socorrista, ou seja, sem qualquer imobilização (colar cervical e tábua), havendo a necessidade da manobra, esta deverá ser realizada com controle cervical manual. Estando a vítima já imobilizada em tábua, proceder à manobra mediante a lateralização da própria tábua. Aspiração: A aspiração de secreções e sangue pode ser realizada ainda na cena do acidente, mediante uso de aspiradores portáteis, ou no interior da ambulância, pelo uso de aspira- dores fixos. Os aspiradores devem promover vácuos e fluxo adequado para sucção efetivada faringe, através de sondas de aspiração de vários diâmetros. A unidade de sucção fixa instalada deve ter potência suficiente para um fluxo de 30 litros por minuto na extremidade final do tubo de entrada e um vácuo acima de 300 mm de mercúrio quando o tubo é fechado. Controlar a pressão de sucção em crianças e vítimas intubadas. Para a sucção traqueal, utilizar um tubo em "V" ou ''T', com abertura lateral para controlar a aspiração intermitente. Quando aspirando a boca ou a faringe, mover o cateter de sucção de tal modo que atinja todas as áreas acessíveis, evitando que se fixe na mucosa e perca sua eficácia. A inserção pode ser continuada lentamente, com movimentos rotatórios do cateter, enquanto houver material a ser aspirado. Cuidado ao utilizar cateteres duros, para evitar trauma da laringe. Aplicar a sucção por períodos de no máximo 05 segundos de cada vez, alternando-a com o suporte ventilatório. 23 Obstrução por Sólido (Remoção Manual): Durante a avaliação das vias aéreas, o socorrista pode visualizar corpos estranhos, passíveis de remoção digital. Somente remo-ver o material que cause obstrução se for visível. É difícil o uso dos dedos para remover corpos estranhos das vias aéreas. Em muitos casos é impossível abrir a boca da vítima e inserir os dedos para esse propósito, a menos que a vítima esteja inconsciente. Em alguns casos, especialmente envolvendo crianças e lactentes, um dedo adulto pode aprofundar o corpo estranho, causando a obstrução completa. A técnica de remoção manual consiste em abrir a boca da vítima utilizando a manobra de tração da mandíbula ou a de elevação do mento (abordadas à frente) e retirar o corpo estranho com o indicador “em gancho”, deslocar e retirar o corpo estranho. Estando o corpo estranho mais aprofundado, existe a alternativa de utilizar os dedos indicadores e médios "em pinça". RN e lactente, utilizar o dedo mínimo em virtude das dimensões reduzidas das vias aéreas, somente tentar a remoção se o corpo estranho estiver visível; se não, está contraindicada a procura do material com os dedos. Manobras de Desobstrução de Vias Aéreasem Adultos São manobras realizadas manualmente para desobstruir vias aéreas de sólidos que lhe ficarem entalados. Para vítimas inconscientes deve ser aplicada a manobra de ressuscitação cardiopulmonar, pois as compressões torácicas forçam a expelição do corpo estranho e mantém a circulação sanguínea, aproveitando o oxigênio ainda presente no ar dos pulmões. Para vítimas conscientes usa-se uma das seguintes técnicas: Compressão Abdominal: Também chamada manobra de Heimlich, consiste numa série de quatro compressões sobre a região superior do abdome, entre o apêndice xifóide e a cicatriz umbilical. 24 Vítima em pé ou sentada: 1. Posicionar-se atrás da vítima, abraçando-a em torno do abdômen; 2. Segurar o punho da sua outra mão e aplicar compressão contra o abdome, entre o apêndice xifóide e a cicatriz umbilical no sentido superior (tórax), por quatro vezes; 3. Estando a vítima em pé, ampliar sua base de sustentação, afastando as pernas, e posicionar uma entre as pernas da vítima, para evitar-lhe a que do caso fique inconsciente. Vítima deitada: 1. Posicionar a vítima em decúbito dorsal; 2. Ajoelhar-se ao lado da vítima, ou a cavaleiro sobre ela no nível de suas coxas, com seus joelhos tocando-lhe lateralmente o corpo; 3. Posicionar a palma da mão (região tênar) sobre o abdômen da vítima, entre o apêndice xifóide e a cicatriz umbilical, mantendo as mãos sobrepostas; 4. Aplicar quatro compressões abdominais no sentido do tórax. Compressão Torácica: A compressão torácica é utilizada quando a compressão abdominal é inviável ou contraindicada, como nos casos de obesidade com circunferência abdominal muito larga e gestação próxima do termo. Consciente em uma série de quatro compressões torácicas sobre o terço inferior do esterno, logo acima do apêndice xifóide. Vítima em pé ou sentada: 1. Posicionar-se atrás da vítima, abraçando-a em torno do tórax; 2. Segurar o punho da sua outra mão e aplicar compressão contra o esterno, acima do apêndice xifóide, por quatro vezes; 3. Estando a vítima em pé, ampliar sua base de sustentação, afastando as pernas, e posicionar uma entre as pernas da vítima, para evitar-lhe a que do caso fique inconsciente. Manobras de Desobstrução de Vias Aéreas em Crianças A remoção manual de material que provoque obstrução sem ser visualizado não é recomendada. Para crianças maiores de um ano, aplicar a manobra de Heimlich, de forma semelhante à do adulto; nos lactentes, uma combinação de palmada nas costas (face da criança voltada para baixo) e compressões torácicas (face voltada para cima), sempre apoiando a vítima no seu antebraço; mantenha-o com a cabeça mais baixa que o tronco, próximo o seu corpo. Técnica: 1. Utilizar a região hipotênar das mãos para aplicar até 05 palmadas no dorso do lactente (entre as escápulas); 2. Virar o lactente segurando firmemente entre suas mãos e braços (em bloco); 3. Aplicar 05 compressões torácicas, como na técnica de reanimação cardiopulmonar (comprima o tórax com 02 dedos sobre o esterno, logo abaixo da linha mamilar). Os passos da manobra de Heimlich para crianças maiores e os da combinação de palmada nas costas com compressões torácicas para lactentes devem ser repetidos até que o corpo estranho seja xpelido ou a vítima fique inconsciente. Neste caso, proceder às manobras de abertura de vias aéreas, repetir os passos de desobstrução iniciar manobras de RCP. 25 HEMORRAGIAS Hemorragia é a perda maciça de sangue consequente ao rompimento de vasos sanguíneos, provocado por cortes, amputações, fraturas, ferimento por arma de fogo (FAF), por arma branca (FAB) e outras causas. A hemorragia externa é facilmente identificada pela mancha ou poça de sangue e pode ser classificada como: Hemorragia arterial – o sangue jorra de uma artéria. A cor é vermelho vivo, sai em jato, sincronizado com os batimentos cardíacos. Esta situação é muito grave, pois há perda de grande volume de sangue, e muito rapidamente; Hemorragia venosa – o sangue sai por uma veia. A cor é vermelho escuro; o fluxo é constante e também pode ser grande a perda sanguínea; Hemorragia capilar – o sangue escoa de uma rede capilar, a cor é vermelho menos vivo que o sangue arterial, o fluxo é lento como os que se apresentam nos arranhões e cortes superficiais. Hemorragia interna - (que não é visível) nos casos em que o cliente apresente quadro de choque hipovolêmico, inconsciência, história de forte compressão (batida) na cabeça, tórax e ou abdome, palidez, mucosa descorada, agitação, sudorese fria, pulso taquicardíaco e fino, respiração rápida e superficial, hipotensão arterial, sensação de sede, desmaio, hipotermia. A hemorragia interna é ocasionada por um trauma fechado, ou seja, causado por um objeto que não penetrou na pele; mas pode também ser provocada por rompimento de aneurisma (cerebral, torácico ou abdominal), de órgãos (fígado, baço e outros) ou da artéria aorta. Em muitos casos há grande perda de quantidade de sangue, o que coloca o cliente em risco iminente de vida. Como não aparecem sinais externos, é sempre mais difícil de ser identificada, necessitando de intervenção cirúrgica na maioria das vezes. Presta-se o atendimento inicial e encaminha-se o cliente, o mais rapidamente possível, a um PA onde será avaliada a necessidade de uma cirurgia de emergência. Hemorragia externa - quando a hemorragia é externa, pode-se, facilmente, notar a sua presença, pela exteriorização de sangue. Sua quantidade e intensidade dependem do tipo de vaso afetado, e se é uma região do corpo com muitos vasos. Por exemplo, cortes no couro cabeludo causam mais sangramento, mesmo sendo pequenos, pois é uma região muito vascularizada. O método mais eficaz de controlar os vários tipos de hemorragia é a compressão direta do ponto onde está ocorrendo, mantendo-se a compressão por cerca de 6 a 8 minutos, para que haja a coagulação. Nos casos de hemorragia externa de membros, a primeira conduta é deitar a vítima (se necessário), elevar o membro afetado acima do nível do coração, remover corpos estranhos da ferida (caso existam), resfriar e fazer compressão direta no local com os dedos ou por curativo compressivo. Lembrar que objetos transfixados não devem ser removidos e precisam ser imobilizados para evitar hemorragia na sua retirada acidental. Nas fraturas de extremidades e pessoas com suspeita de fratura de coluna cervical, não se deve fazer a elevação do membro afetado. No caso destas manobras falharem na contenção da hemorragia, pode-se fazer uma compressão indireta, ou seja, a compressão realizada acima do ferimento, em locais onde a artéria é superficial e está posicionada sobre um osso que serve de apoio para a pressão (na perna, pressione a artéria femoral; no braço, a artéria braquial). Algumas lesões podem necessitar de sutura para controlar o sangramento. Não se deve 26 esquecer a importância do controle do quadro de choque hipovolêmico por intermédio da reposição volêmica com solução fisiológica e/ou hemoderivados. Outros aspectos importantes são o uso de técnica asséptica para a limpeza da ferida, a antibioticoterapia para evitar infecções e a aplicação de vacina antitetânica para os clientes com esquema vacinal incompleto. Todos os casos de amputação traumática, esmagamento ou dilaceração de membros devem ser encaminhados para uma unidade cirúrgica em vista da necessidade de reconstituição dos tecidos lesados e controle do choque hipovolêmico. O método mais eficaz de controlar os vários tipos de hemorragia é a compressão direta do ponto onde está ocorrendo, mantendo- se a compressão por cerca de 6 a 8 minutos, para quehaja a coagulação. Nos casos de hemorragia externa de membros, a primeira conduta é deitar a vítima (se necessário), elevar o membro afetado acima do nível do coração, remover corpos estranhos da ferida (caso existam), resfriar e fazer compressão direta no local com os dedos ou por curativo compressivo. Lembrar que objetos transfixados não devem ser removidos e precisam ser imobilizados para evitar hemorragia na sua retirada acidental. Nas fraturas de extremidades e pessoas com suspeita de fratura de coluna cervical, não se deve fazer a elevação do membro afetado. No caso destas manobras falharem na contenção da hemorragia, pode-se fazer uma compressão indireta, ou seja, a compressão realizada acima do ferimento, em locais onde a artéria é superficial e está posicionada sobre um osso que serve de apoio para a pressão (na perna, pressione a artéria femoral; no braço, a artéria braquial). O TORNIQUETE Torniquetes têm sido frequentemente descritos no passado como a técnica de último recurso, porém segundo a 9ª Edição do PHTLS, se a hemorragia externa exsanguinante estiver presente, deve ser controlada antes mesmo da avaliação da via aérea (ou simultaneamente se possível), a hemorragia arterial exsanguinante de uma extremidade é melhor administrada mediatamente colocando um torniquete o mais próximo possível (isto é, perto da virilha ou da axila) da extremidade afetada. Outras medidas de controle de sangramento, tais como pressão direta e agentes hemostáticos, também podem ser usados, mas não devem atrasar ou tomar o lugar do posicionamento do torniquete em tais casos. Pressão direta, embalagem hemostática e curativos devem ser aplicados em casos não-arteriais, sangramento grave nas extremidades e sangramento grave em locais tronculares. Ocasionalmente, sangramento de região distal ou menor artéria, podem ser controlados com compressão direta focal de a artéria. No entanto, isso só deve ser feito se tal sangramento poder ser controlado com uma pressão aplicada rapidamente ou se houver operadores suficiente em cena, em que um prestador de cuidados pré-hospitalares possa manter pressão manual direta. Se não, um torniquete deve ser aplicado na extremidade afetada. Torniquetes são muito eficazes no controle de hemorragias graves e devem ser usados se houver possibilidade de pressão local, se um curativo de pressão não conseguir controlar a hemorragia de uma extremidade ou se não há operador suficiente disponível em cena para executar outros métodos de controle de sangramento. O uso de “elevação” e pressão sobre outros pontos não é recomendado devido a dados insuficientes que sustentam sua efetividade. Como observado anteriormente, no caso de risco de vida ou hemorragia exsanguinante, um torniquete deve ser aplicado em vez de concorrer com outras medidas de controle de sangramento (ou seja, um tratamento de primeira linha para este tipo de sangramento). 27 Observe também que os torniquetes improvisados podem ter eficácia mais limitada do que as versões comercialmente disponíveis. OUTROS TIPOS DE HEMORRAGIAS Epistaxe É um sangramento nasal, com origem diversa: pico hipertensivo, traumatismo, tumores, influência hormonal e outras. As medidas de primeiros socorros são: colocar o cliente sentado e orientá-lo para respirar pausadamente pela boca e expelir o sangue; pressionar a face lateral da narina sangrante contra o septo nasal e colocar bolsa de gelo ou compressas frias sobre o nariz. Sua cabeça não deve estar inclinada para trás, pois isto provoca a deglutição do sangue, ocasionando náuseas, vômitos e piora da epistaxe. No ambiente hospitalar pode ser administrado medicamentos coagulantes e realizado o tamponamento nasal. Neste caso, o cliente é orientado para realizar a higiene oral mais frequentemente e lubrificar com vaselina líquida ou similar os lábios ressecados em virtude da respiração bucal. Durante a alimentação, higiene oral e outras atividades o cliente deve tomar cuidado para não remover o tampão nasal. É importante manter o acesso venoso de grande calibre, bem como administrar os medicamentos prescritos e verificar os sinais vitais, principalmente o pulso e a respiração. Hemoptise É uma hemorragia pulmonar e pode ser sinal de trauma torácico ou edema agudo pulmonar (EAP), dentre outras patologias. Quando de sua ocorrência, faz-se necessário agir com rapidez, devido à piora rápida. Nessa circunstância, o cliente deve ser mantido calmo e orientado para respirar pausadamente, não falar e/ou se agitar. Deve ser mantido em repouso no leito, em posição de Fowler ou sentado, com as pernas pendentes para fora do leito, e receber administração de oxigênio por cateter nasal. A adoção dessas medidas melhora sua respiração e oxigenação, diminuindo o retorno venoso ao coração. Hematêmese/ Melena A hematêmese é a perda de sangue no vômito e a melena é a perda de sangue nas fezes. Suas causas mais prováveis são: traumas vasculares, rompimento das varizes esofágicas ou gástricas e úlcera gástrica perfurada. Nestes casos, deve-se deitar o cliente em decúbito dorsal e mantê-lo em jejum. Se a hemorragia das varizes esofágicas persistir, indica-se a passagem do balão esofágico ou Sengstaken-Blakemore. Se não houver esse tipo 28 especial de sonda para os casos de úlcera perfurada, deve-se introduzir uma sonda nasogástrica, para aspirar, e realizar lavagem gástrica com água ou solução fisiológica gelada. Faz-se necessária a reposição de volume e a administração de medicamentos coagulantes. Após o controle da hemorragia, manter a SNG aberta para drenagem de secreções; também está indicada a lavagem intestinal para retirar o sangue acumulado. CHOQUES É o quadro clínico que resulta da incapacidade do sistema cardiovascular em prover circulação sanguínea suficiente para os órgãos causando a hipoperfusão celular generalizada não atendendo as necessidades metabólicas do organismo. Tipos de choque Choque hipovolêmico: É caracterizado pela perda de líquido, externa ou internamente. Prevalece em casos de traumas com perda de sangue, queimaduras extensas, edema intersticial, casos severos de diarreias e vômitos. Choque cardiogênico: É caracterizado pela falência do coração como bomba cardíaca, pela diminuição da força de contração, diminuição do débito cardíaco, aumento da pressão venosa central, gerando a má perfusão tecidual. Causado como complicações de patologias cardíacas como infarto, arritmias, embolia, tamponamento cardíaco, contusão cardíaca, pós-operatório de cirurgia cardíaca, entre outros. Choque obstrutivo: É a incapacidade em manter um débito cardíaco adequado mesmo na vigência de volemia normal. É caracterizado nos quadros de obstrução mecânica como tromboembolismo pulmonar, dissecção de aorta, tamponamento cardíaco. Choque distributivo: O choque distributivo ocorre em situações de má distribuição de volume caracterizada no choque séptico, muito comum nas Unidades de Terapia Intensivas. Ocorre também a paralisia vasomotora por causa da liberação de toxinas pelos agentes causadores da infecção que normalmente são as bactérias e por vezes vírus e fungos. A causa básica é a infecção generalizada por vários tipos de agentes tais como Escherichia coli, Klebisiella, Neisseriameningitis, Stafilococcus aureus, entre outros. Dentro dessa classificação destacamos ainda o choque anafilático e o neurogênico. Choque anafilático: suas principais causas estão relacionadas à ingestão acidental ou não de medicamentos, alimentos, venenos, pólen ou outras substâncias alergênicas para o indivíduo. Ocorre uma reação exacerbada do sistema imunológico, com liberação de histamina e vasodilatação dos grandesvasos. Choque neurogênico: é a descontinuidade das fibras nervosas do sistema nervoso autônomo, apresenta tônus vascular inadequado levando a bradicardia e a vasodilatação. É comum em lesões medulares e casos de traumatismos cranioencefálicos. Sinais e sintomas Fraqueza, náusea com possível vômito, sede, hipotensão arterial, pulso taquicárdico, fino e de difícil percepção, aumento dos movimentos respiratórios, mucosas descoradas ou secas, palidez, cianose, extremidades frias, oligúria ou anúria, hipotermia (hipertermia no choque toxêmico), dispnéia e alteração do nível de consciência. 29 Fisiopatologia do choque A fisiopatologia do choque se inicia, em uma primeira etapa, no sistema nervoso simpático, com a liberação de uma descarga adrenérgica causando vasoconstrição periférica e renal, a fim de garantir o suprimento de sangue para os órgãos nobres como coração, pulmão e cérebro. Esse mecanismo é chamado compensatório. Na medida em que o quadro de choque evolui, outros fatores internos do organismo ocasionam a redução do débito cardíaco, levando à falência do coração como bomba e a inadequada relação perfusão / oxigenação tissular de caráter irreversível e por fim ao óbito. O principal objetivo do tratamento do choque é o restabelecimento da circulação e consequentemente, a perfusão tecidual dos órgãos e da perfusão periférica. Tratamento do choque: • Suporte ventilatório; • Monitorização hemodinâmica; • Antibioticoterapia; • Reposição volêmica: • Administração de antídotos; • Correção de distúrbios metabólicos ou intervenções cirúrgicas. A reposição volêmica é feita por meio da infusão de soluções intravenosas como ringer lactato, soro fisiológico 0,9%, albumina, outras soluções coloidais e hemoderivados. A atenção do técnico de enfermagem deve estar concentrada no balanço hídrico após punção de acesso venoso e administração dos líquidos. Quanto ao suporte ventilatório, assegurar a permeabilidade das vias aéreas uma vez que a entubaçãoorotraqueal é um procedimento realizado precocemente para melhorar a oxigenação, com o aumento da oferta de oxigênio. Caso o paciente necessite de sedação, é importante conhecer a ação e efeitos colaterais das drogas. O intuito é diminuir a agitação e o consumo de oxigênio. Auxiliar na coleta de exames laboratoriais e atentar para os resultados é fundamental para que as possíveis correções dos distúrbios eletrolíticos e ácidos básicos sejam realizadas prontamente, pois podem oferecer risco iminente de morte. A administração de antibióticos, anti- inflamatórios, antitérmicos faz parte do tratamento medicamentoso, principalmente nos casos de choque séptico. Outros cuidados são monitorização hemodinâmica, observação do nível de consciência, aquecimento do paciente, manutenção de acessos venosos, sondagens e cuidados especiais com drogas, inotrópicas e vasoativas, tais como estabilidade, incompatibilidade, fotossensibilidade. Por fim, a assistência de enfermagem visa colaborar na estabilização do paciente em estado de choque evitando o colapso e falência sistêmica. CONVULSÕES Descarga excessiva, sincrônica e súbita de um grupo neural cerebral que manifesta por meio de atividade motora anormal paroxística. As convulsões podem ser tônicas, clônicas ou mioclônicas. Tônicas • Convulsões generalizadas com hiperextensão dos membros ou do tronco e cabeça; • Convulsões focais limitadas a um segmento do corpo. Clônicas Trata-se de movimentos rápidos de contração e descontração muscular – três movimentos por segundo (os tremores são mais rápidos e interrompidos pela restrição ou reposicionamento dos membros). • Multifocais ou migratórias; • Focais (localizadas). Mioclônicas Interrupções abruptas dos movimentos, fazendo com que o cliente torne-se flácido e insensível. Tipos: • Epilepsia: afecção nervosa e cerebral que se manifesta periodicamente, por meio de acessos, convulsões, perturbações psíquicas, perda do sentido e da consciência; • Convulsão desencadeada por: infecções não provenientes do SNC, distúrbios toxico- metabólico, intoxicação hídrica, hipocalemia, hipomagnesemia, hipoglicemia, uremia, intoxicações acidentais, febril benigna, meningites e encefalopatias. 30 O sangue que aparecer na saliva ou na boca é decorrente de mordedura na língua. Características de uma convulsão Perda da consciência, queda ao solo, contrações. Procedimento: • Afastar a vítima de lugares perigosos; Retirar objetos como: óculos, colares, etc. • Amparar a cabeça da vítima (sem impedir seus movimentos) cerrada, JAMAIS forçar a abertura da boca; • COLOCAR A VÍTIMA NA P.L.S. (Posição Lateral de Segurança); • • Proteger a boca, observando se a língua não está sendo mordida. Caso os dentes estejam cerrados, nunca colocar a mão na boca da vítima que estiver convulsionando (não colocar objetos, como lápis, gravetos, talheres, etc); • Não há necessidade de puxar a língua da vítima. Estado pós-convulsivo: A pessoa pode ficar “perdida” confusa; Colocar a vítima em posição de recuperação; Palavras sem nexo; Sair caminhando sem direção. Atenção: • Em crianças de 1 a 4 anos, a convulsão em geral é provocada pela febre alta. • Resfriar crianças febris com toalhas molhadas com água na temperatura ambiente. • Providencie atendimento médico. • Encaminhar a vítima imediatamente para o médico quando: 31 • A duração da convulsão for maior que 10 minutos; • Houver suspeita de trauma da cabeça (antes ou durante a convulsão); • Dificuldade respiratória, em presença de consciência rebaixada, ou sendo este o primeiro episódio de convulsão (vítima com mais de 20 anos de idade). DESMAIOS Perda de consciência temporária, diminuição significativa ou interrupção momentânea do fluxo sanguíneo para o cérebro. Principais causas: • Emoções fortes (medo, angústia, surpresa); • Hipoglicemia; • Calor excessivo; • Anemia ou sangramento volumoso; Mudança brusca de posição. Sinais e sintomas: • Mal estar (tonturas); Escurecimento da visão; Suor abundante; • Perda de consciência; Relaxamento muscular; Palidez; • Respiração superficial. Procedimento • Afastar a vítima do local que proporcione perigo (escadas, janelas, etc ); • Deitá -la no decúbito dorsal e elevar as pernas acima do tórax; • Manter a cabeça de lado para facilitar a respiração e evitar a broncoaspiração; • Afrouxar as vestes; • Manter o local arejado; • Após retorno da consciência, a vítima deve permanecer pelo por pelo menos 10 minutos sentada, afim de não reaparecer um novo desmaio. O que não fazer • NÃO – Jogar água fria no rosto, para despertar; • NÃO – Oferecer álcool ou amoníaco para cheirar; • NÃO – Sacudir a vítima. Se o desmaio for provocado por hemorragia na parte superior do tronco ou na cabeça, jamais elevar os membros inferiores. (manter a vítima elevada, e a vítima em simi-fowler). 32 Oriunda do grego, a palavra trauma significa ferida e geralmente é associada a acontecimentos não previstos e indesejáveis. Integrando o grupo de causas externas, representa um problema de saúde pública de grande magnitude, constituindo-se na terceira causa de mortalidade no país. É considerada uma doença, pois em geral as causas são conhecidas e o evento pode ser prevenido. O trauma pode ser definido como um evento nocivo, intencional ou não intencional, relacionado à alteração tecidual decorrente da aplicação excessiva de energia no corpo humano. O impacto de formas de energia (mecânica, química, elétrica, térmica ou irradiação), resulta