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2 Didática Viviane Aparecia Bagio Maria das Graças do Espírito Santo Tigre Bagio, Viviane Aparecida B145 Didática/ Viviane Aparecida Bagio; Maria das Graças do Espírito Santo Tigre .[livro eletrônico]. Ponta Grossa : UEPG/NUTEAD, 2020. 83p. ; il.. E-book PDF Licenciaturas à Distância. Núcleo Comum. Universidade Estadual de Ponta Grossa. 1. Didática. 2. Organização - ensino. 3. Processo didático. 4. Sala de aula - gestão. I. Tigre, Maria das Graças do Espírito Santo. II. T. CDD : 378.17 Ficha catalográfica elaborada por Maria Luzia F. Bertholino dos Santos– CRB9/986 Ponta Grossa - 2020 CONTEXTUALIZAÇÃO DA DIDÁTICA • 1.1 - A DIDÁTICA EM SUAS ORIGENS: CONCEPÇÕES E PRESSUPOSTOS TEÓRICOS • 1.2 - HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DA DIDÁTICA 1.2.1 - PRIMÓRDIOS DA DIDÁTICA: PERÍODO DE 1549/1930 1.2.2 - PERÍODO DE 1930/1945: A DIDÁTICA É TRADICIONAL, CUMPRE RENOVÁ-LA 1.2.3 - PERÍODO DE 1945/1960: O PREDOMÍNIO DAS NOVAS IDEIAS E A DIDÁTICA 1.2.4 - PERÍODO PÓS-1964: OS DESCAMINHOS DA DIDÁTICA 1.2.5 - ANOS 1980 E INÍCIO DA DÉCADA DE 1990: PERÍODO SINGULAR DA HISTÓRIA DA DIDÁTICA • 1.3 - O ENSINO COMO OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA E SUAS ABORDAGENS • 1.4 - O PAPEL DA DIDÁTICA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: OS SABERES DAS DOCÊNCIAS A ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO DIDÁTICO • 2.1 - AS DIMENSÕES DO PROCESSO DIDÁTICO NA AÇÃO DOCENTE • 2.2 - RELAÇÃO PEDAGÓGICA : ASPECTO VITAL DA DIDÁTICA - O PROFESSOR COMO MEDIADOR • 2.3 - PLANEJAMENTO DO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM • 2.4 - NÍVEIS DE PLANEJAMENTO, PLANOS DE ENSINO E O TRABALHO COM PROJETOS NA SALA DE AULA • 2.5 - A AULA COMO FORMA DE ORGANIZAÇÃO DO ENSINO • 2.6 - OBJETIVOS: SUA IMPORTÂNCIA E AS PROPOSIÇÕES PARA O TRABALHO PEDAGÓGICO ESCOLAR • 2.7 - AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM: CONCEITOS, MODALIDADES E INSTRUMENTOS GESTÃO DA SALA DE AULA E A ORGANIZAÇÃO DO SEU ESPAÇO • 3.1- AS DIMENSÕES DA GESTÃO DA SALA DE AULA • 3.2 - ENSINO INDIVIDUAL, MÚTUO E SIMULTÂNEO NA DIDÁTICA ESCOLAR • 3.3 - O TRABALHO EM GRUPOS E AS ESTRATÉGIAS DE ENSINO NA SALA DE AULA REFERÊNCIAS NOTA SOBRE AS AUTORAS 4 unidade I Contextualização da Didática Na Unidade I, você terá uma introdução à Didática. Os conceitos apresentados aqui são baseados em concepções de vários autores e irão lhe ajudar a construir o seu próprio conceito e a perceber a Didática em ação no cotidiano escolar. Na sequência, uma retrospectiva histórica irá contextualizar as diversas perspectivas existentes sobre Didática. Você poderá observar que o ensino é uma ação historicamente situada e passível de ser questionado e reestruturado pelo professor através da mobilização dos seus saberes docentes. 1.1 A Didática em suas origens: concepções e pressupostos teóricos O que entendemos por Didática? Qual sua origem, sua história e como é concebida atualmente? Quais as contribuições da Didática para a formação e para o exercício profissional dos professores? Essas são questões importantes que irão desencadear nossas reflexões a respeito do assunto. A Didática é uma área de estudos da Pedagogia. Esta, enquanto ciência da educação, necessita, para fundamentá-la, do aporte de outras ciências, como a Sociologia, a Psicologia, a Filosofia, a História, a Política Educacional, entre outras. Nos cursos de formação de professores, a Didática é concebida como uma das disciplinas de formação pedagógica e sua especificidade é o estudo da problemática do ensino-aprendizagem, tendo a escola, em todos os seus movimentos, como locus para a ação pedagógica. 5 “A Filosofia e a História da Educação ajudam a reflexão em torno das teorias educacionais, indagando em que consiste o ato educativo, seus condicionantes externos e internos, seus fins e objetivos; busca os fundamentos da prática educativa. “A Sociologia da Educação estuda a educação como processo social e ajuda os professores a reconhecerem as relações entre o trabalho docente e a sociedade. Ensina a ver a realidade social no seu movimento, a partir da dependência mútua entre seus elementos constitutivos, para determinar os nexos constitutivos da realidade educacional. A par disso, estuda a escola como ‘fenômeno sociológico’, isto é, uma organização social que tem a sua estrutura interna de funcionamento interligada ao mesmo tempo com outras organizações sociais (conselhos de pais, associações de bairros, sindicatos, partidos políticos etc). A própria sala de aula é um ambiente social que forma, junto com a escola como um todo, o ambiente global da atividade docente organizado para cumprir os objetivos de ensino. “A Psicologia da Educação estuda importantes aspectos do processo de ensino e de aprendizagem, como as implicações das fases de desenvolvimento dos alunos conforme idades e os mecanismos psicológicos presentes na assimilação ativa de conhecimentos e habilidades. A Psicologia aborda questões como: o funcionamento da atividade mental, a influência do ensino no desenvolvimento intelectual, a ativação das potencialidades mentais para a aprendizagem, a organização das relações professor-alunos e dos alunos entre si, a estimulação e o despertar o gosto pelo estudo etc. [...] “A Estrutura e Funcionamento do Ensino inclui questões da organização do sistema escolar nos seus aspectos políticos e legais, administrativos, e aspectos do funcionamento interno da escola como a estrutura organizacional e administrativa, planos e programas, organização do trabalho pedagógico e das atividades discentes etc” (LIBÂNEO, 2013, p. 25-26, grifo nosso). Disciplina pedagógica de natureza teórico-prática, a Didática perpassa todo o processo de ensino e de aprendizagem dentro da escola: desde a organização do currículo, passando pelos métodos e pelas técnicas de ensino, pela relação teoria e prática e pelo planejamento, que compreende o planejamento de ensino realizado pelo professor (planos de aulas e planos de ensino), até o Projeto Político Pedagógico – documento maior da escola (CASTRO; REIS, 2018). Para Candau (2009, p. 46), a Didática “é uma matéria de estudo fundamental na formação profissional de professores e um meio de trabalho do qual os professores se servem para dirigir a atividade de ensino, cujo resultado é a aprendizagem dos conteúdos escolares pelos alunos.” Portanto, a especialidade da Didática é tornar compreensível ao aluno aquilo que o professor pretende explicar, pois seu objeto é o processo de ensino e aprendizagem. Desse modo, a Didática é denominada por Libâneo (2013) a “teoria do ensino”, por investigar os fundamentos, as condições e as formas de realização do ensino. Segundo o mesmo autor: A ela cabe converter objetivos sócio-políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos. [...] trata da teoria geral do ensino (LIBÂNEO, 2013, p. 25, grifo nosso). “A Pedagogia pode ser conceituada como a ciência e a arte da educação, a Didática é definida como a ciência e a arte do ensino” (HAYDT, 2006, p. 13). 6 A disciplina de Didática deve desenvolver a capacidade crítica dos professores em formação para que analisem de forma clara a realidade em que o ensino é desenvolvido. Articular os conhecimentos adquiridos sobre “como” ensinar e refletir sobre “para quem”, “o que” e o “por que” ensinar é um dos desafios daDidática (VEIGA, 2011). Uma vez que é papel do professor mediar intencionalmente, através do ensino, a relação entre o aluno e o conhecimento, a Didática é o elo comum da profissão professor. O professor didático é aquele que articula as dimensões humana, técnica e política na prática pedagógica escolar e assume que, como docente, é, ao mesmo tempo, um sujeito – com suas características pessoais –, um representante da escola e um adulto encarregado de transmitir o patrimônio humano e suas experiências às gerações mais novas (CHARLOT, 2005). Vejamos mais algumas definições sobre o termo, elaboradas por renomados estudiosos do assunto: • “O objeto de estudo da didática é o processo de ensino-aprendizagem. Toda proposta didática está impregnada, implícita ou explicitamente, de uma concepção do processo de ensino-aprendizagem” (CANDAU, 2009, p. 13, grifo nosso). • “Enquanto uma área da Pedagogia, a didática tem no ensino seu objeto de investigação. Considerá-lo como uma prática educacional em situações historicamente situadas significa examiná-lo nos contextos sociais nos quais se efetiva” (PIMENTA, 2015, p. 84, grifo nosso). • “A Didática é, pois, uma das disciplinas da Pedagogia, que estuda o processo de ensino por meio dos seus componentes – os conteúdos escolares, o ensino e a aprendizagem – para, com o embasamento na teoria da educação, formular diretrizes orientadoras da atividade profissional dos professores. É, ao mesmo tempo, uma matéria de estudo fundamental na formação profissional dos professores e uma ferramenta de trabalho da qual os professores se utilizam para dirigir a atividade de ensino, cujo resultado é a aprendizagem dos conteúdos escolares pelo aluno” (LIBÂNEO, 2013, p. 53, grifo nosso). • “A Didática é uma disciplina que, tendo como ponto de partida a reflexão sobre uma prática, ou, mais especificamente, o processo de ensino- aprendizagem, busca, na compreensão deste, elementos que subsidiem a construção de projetos de ação didática” (AZZI; CALDEIRA, 1997, p. 97, grifo nosso). Veremos a seguir que a Didática, ao longo da história, nunca foi monolítica [definição em separado: obra construída em uma única pedra], mas sempre assumiu um caráter polissêmico e serviu a diversos interesses. Para Castro (1991, p. 21), tomar consciência de que a Didática: [...] oscila entre diferentes paradigmas pode ser algo muito auspicioso para a comunidade pedagógica [...] o exame crítico de seus contornos, e sobretudo do núcleo de sua contribuição à Educação, tem a obrigação de evitar que se peça a essa disciplina que dê mais do que lhe compete produzir, ou bem menos do que dela se espera: inchar ou encolher não são sintomas de boa saúde. 7 O termo didática é conhecido desde a Grécia Antiga, com significação muito semelhante à atual, ou seja, indicando que seu objeto ou ação dizia respeito ao ensino, tanto no lar como na escola. Diversos procedimentos qualificados de didáticos tiveram lugar e são relatados na história da Educação. Portanto, a situação didática foi vivida e pensada antes de ser objeto de sistematização e de se constituir em referencial do discurso ordenado de uma das disciplinas do campo pedagógico. Somente no século XVII é que a Didática, na acepção que conhecemos hoje, foi sistematizada por Comênio. “A palavra Didática deriva da expressão grega techné didaktiké, que se traduz por arte ou técnica de ensinar. Foi apresentada oficialmente por Ratke, em 1617, na obra Introdução Geral à Didática ou Arte de Ensinar. A expressão foi, entretanto, consagrada por Comênio, quando escreveu a Didática Tcheca, obra esta que foi traduzida para o latim em 1633 com o título de Didactica Magna: tratado universal de ensinar tudo a todos (publicada em 1657). Essa obra é considerada um marco significativo no processo de sistematização da didática e popularizou-se na literatura pedagógica. O qualificativo Magna expressa o caráter universal das conquistas do homem no início da Idade Moderna. Já o termo tratado refere-se a um conjunto de princípios que orientariam o novo ensino. Arte em referência à imitação que os artesãos faziam, segundo os modelos da natureza. Universal no sentido de que a didática adquire a amplitude dos conhecimentos sociais para que fossem ensinados. Por fim, uma didática para ensinar tudo a todos (mulheres, homens, crianças e jovens, não privilegiando somente os filhos da nobreza)” (GASPARIN, 2004; OLIVEIRA, 1988 apud ZANON; ALTHAUS, 2009, p. 15, grifo do autor). Origem da palavra: Jan Amos Comenius (1592-1670) “Pai da Didática Moderna” Jan Amos Komenský é internacionalmente conhecido como Comenius e, em português, como João Amós Comênio. Foi um bispo protestante, educador, cientista e escritor tcheco. Como pedagogo, é considerado o fundador da Didática moderna (MARQUES, 2010). Para saber mais, assista ao vídeo sobre Comênio e a sua Didática Magna. Assista aos vídeos: - Comênio e sua Didática Magna https://www.youtube.com/watch?v=jOHSKZZmoWA - Didática Geral: a identificação da didática https://www.youtube.com/watch?v=pDMjytkuJJw Imagem disponível em: https://www.google.com/l?sa=i&sourc e=images&cd=&ved=2ahUKEwj2heTK1b3lAhWfH7kGHTGIB0EQ jRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.conhecimentogeral. inf.br%2Fcomenius%2F&psig=AOvVaw0whYts7K6touB- SPuTm7kV&ust=1572307891366957 https://www.youtube.com/watch?v=jOHSKZZmoWA https://www.youtube.com/watch?v=pDMjytkuJJw https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwj2heTK1b3lAhWfH7kGHTGIB0EQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.conhecimentogeral.inf.br%2Fcomenius%2F&psig=AOvVaw0whYts7K6touB-SPuTm7kV&ust=1572307891366957 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwj2heTK1b3lAhWfH7kGHTGIB0EQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.conhecimentogeral.inf.br%2Fcomenius%2F&psig=AOvVaw0whYts7K6touB-SPuTm7kV&ust=1572307891366957 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwj2heTK1b3lAhWfH7kGHTGIB0EQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.conhecimentogeral.inf.br%2Fcomenius%2F&psig=AOvVaw0whYts7K6touB-SPuTm7kV&ust=1572307891366957 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwj2heTK1b3lAhWfH7kGHTGIB0EQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.conhecimentogeral.inf.br%2Fcomenius%2F&psig=AOvVaw0whYts7K6touB-SPuTm7kV&ust=1572307891366957 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwj2heTK1b3lAhWfH7kGHTGIB0EQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fwww.conhecimentogeral.inf.br%2Fcomenius%2F&psig=AOvVaw0whYts7K6touB-SPuTm7kV&ust=1572307891366957 https://www.youtube.com/watch?v=jOHSKZZmoWA https://www.youtube.com/watch?v=pDMjytkuJJw 8 1.2 Histórico e evolução da Didática As primeiras abordagens sobre a Didática surgiram a partir dos estudos de Comênio e Ratíquio (Ratke) no século XVII, os quais, pautados por ideais ético-religiosos, acreditavam ter encontrado um método de “como ensinar” de modo rápido e agradável. Segundo Castro (1991), a busca por uma instrução popular era essencial para aquele momento histórico devido à Reforma Protestante recém-implementada, cujo sucesso dependia de uma didática que possibilitasse “ensinar tudo a todos”. Comênio escreveu a sua Didática Magna baseando-se nos princípios preconizados pelos didatas da época (principalmente, Francis Bacon) de que a natureza era um “grande livro” e os seus processos deveriam ser um modelo a ser imitado no momento do ensino, seguindo sempre do fácil ao difícil, das coisas às ideias e do particular ao geral, tudo a seu tempo, sem pressa. Numa época em que o latim dominava, ele propunha iniciar o ensino pela língua materna e por meio de livros ilustrados. A obra Didática Magna, ou Tratado da Arte Universal de Ensinar Tudo a Todos, pretende ser um método seguro de instituir, em todas as comunidades, escolas para a formação de jovens, independente de sexo ou classe social. Nesse sentido a proposta de Comenius se constitui pioneira na democratização do ensino, onde mulheres e os menos favorecidos socialmente [...] também são incluídos (SILVA, 2006, p. 2,grifo do autor). “A Didática Magna de Comênio se assentava nos seguintes princípios: 1. A finalidade da educação é conduzir à felicidade eterna com Deus, pois é uma força poderosa de regeneração da vida humana. Todos os homens merecem a sabedoria, a moralidade e a religião, porque todos, ao realizarem sua própria natureza, realizam os desígnios de Deus. Portanto, a educação é um direito natural de todos. 2. Por ser parte da natureza, o homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural, isto é, de acordo com as características da idade e capacidade para o conhecimento. Consequentemente, a tarefa principal da Didática é estudar essas características e os métodos de ensino correspondentes, de acordo com a ordem natural das coisas. 3. A assimilação dos conhecimentos não se dá instantaneamente como se o aluno registrasse de forma mecânica na sua mente a informação do professor, como reflexo num espelho. No ensino, em vez disso, tem um papel decisivo a percepção sensorial das coisas. Os conhecimentos devem ser adquiridos a partir da observação das coisas e dos fenômenos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos dos sentidos. 4. O método intuitivo consiste, assim, da observação direta, pelos órgãos dos sentidos, das coisas, para o registro das impressões na mente do aluno. Primeiramente as coisas, depois as palavras. O planejamento de ensino deve obedecer o curso da natureza infantil; por isso as coisas devem ser ensinadas uma de cada vez. Não se deve ensinar nada que a criança não possa compreender. Portanto, deve-se partir do conhecido para o desconhecido” (LIBÂNEO, 2013, p. 60-61). Posteriormente, novas concepções surgiram em torno da Didática. Contribuíram para esse avanço as idéias de Rousseau, Pestalozzi, Herbart, dentre outros, que assentaram a base do pensamento educativo europeu, difundido depois para todo o mundo, caracterizando as concepções pedagógicas hoje conhecidas como Pedagogia Tradicional e Pedagogia Renovada. 9 Conheça um pouco da biografia e ideias de pensadores que contribuíram no processo histórico da Didática e da Educação como um todo: ROUSSEAU Jean Jacques Rousseau (1712-1778) – pensador francês, autor da segunda grande revolução didática. Não é um sistematizador da Educação, mas sua obra dá origem a um novo conceito de infância. Propôs uma nova concepção de ensino, baseada nos interesses e necessidades imediatas da criança. Transforma o método num procedimento natural, exercido sem pressa e sem livros. Suas ideias foram expressas no livro Emílio ou Da Educação, contrapondo-se ao pensamento vigente sobre a natureza humana: enquanto se dizia que a natureza do homem é má, necessitando que a educação a transforme, ele defendeu a tese de que o homem é bom e a sociedade é que o corrompe. As ideias mais importantes de Rousseau são: “A preparação da criança para a vida futura deve basear- se no estudo das coisas que correspondem às suas necessidades e interesses atuais. Antes de ensinar Ciências, elas precisam ser levadas a despertar o gosto pelo seu estudo. Os verdadeiros professores são a natureza, a experiência e os sentimentos. O contato da criança com o mundo que a rodeia é que desperta o interesse e suas potencialidades naturais. Em resumo: são os interesses e necessidades imediatas do aluno que determinam a organização do estudo e seu desenvolvimento” (LIBÂNEO, 2013, p. 62). PESTALOZZI Henrique Pestalozzi (1746-1827) – pedagogo suíço. Deu dimensões sociais à problemática educacional. Para ele, o aspecto metodológico da Didática encontra-se, sobretudo, em princípios, e não em regras, com foco nas condições para o desenvolvimento harmônico do aluno. Defendia o ensino como meio de educação e desenvolvimento das capacidades humanas, como o sentimento, a mente e o caráter. Valorizava também a psicologia da criança como fonte do desenvolvimento do ensino. Elaborou um método (intuitivo) que era a base da sua prática pedagógica: primeiro, apresentava o conhecimento da forma mais simples e prática; em seguida, utilizava a observação através dos sentidos e, por fim, exercitava o conhecimento de forma gradual para fixá-lo. A concepção de ensino de Pestalozzi era de que a criança se desenvolve de dentro para fora e, com isso, era necessário o professor ter conhecimento do nível de desenvolvimento de seu aluno, para oferecer uma educação direcionada às suas necessidades e características, tendo como método pedagógico a natureza. Tanto Rousseau como Pestalozzi consideravam o homem muito influenciado pelo meio, o que prejudicaria o seu crescimento natural. HERBART Johann Friedrich Herbart (1776-1841) – filósofo e psicólogo alemão. Criador da Pedagogia Científica. Defendia a ideia da "Educação pela Instrução". Destaca-se a relevância do aspecto metodológico em sua obra. Teve muitos discípulos e exerceu influência importante na Didática e na prática docente. O “método dos passos formais” celebrizou o autor, que o considerava próprio a toda e qualquer situação de ensino. O método de ensino proposto por ele consistia em provocar a acumulação de ideias na mente da criança a partir de conhecimentos anteriores, graças aos quais se aglutinam os novos; seguia ordem e sequência invariáveis. Foi o precursor da Pedagogia Tradicional, a qual deu origem à escola tradicional no Brasil. 10 DEWEY John Dewey (1859-1952) – educador americano cujas ideias influenciaram o movimento Escola Novista. Dewey defendia o predomínio do aspecto psicológico sobre o lógico, colocando a criança como o centro do processo de ensino, considerando-a um ser ativo, que deve ter liberdade, iniciativa e autonomia. “Dewey e seus seguidores reagem à concepção herbartiana da educação pela instrução, advogando a educação pela ação. A escola não é uma preparação para a vida, é a própria vida; a educação é o resultado da interação entre o organismo e o meio através da experiência e da construção da experiência. A função mais genuína da educação é a de prover condições para promover e estimular a atividade própria do organismo para que alcance seu objetivo de crescimento e desenvolvimento. Por isso, a atividade escolar deve centrar-se em situações de experiência onde são ativadas as potencialidades, capacidades, necessidades e interesses naturais da criança. O currículo não se baseia nas matérias de estudo convencionais que expressam a lógica do adulto, mas nas atividades e ocupações da vida presente, de modo que a escola se transforme em um lugar de vivência daquelas tarefas requeridas para a vida em sociedade. O aluno e o grupo passam a ser o centro de convergência do trabalho escolar” (LIBÂNEO, 2013, p. 65). Imagens disponíveis em: https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwjs1MuE1r3lAhXbILkGHUuMB6sQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia. org%2Fwiki%2FJean-Jacques_Rousseau&psig=AOvVaw0GZhBNVzhQ00aytB2ykc5G&ust=1572308039619314; https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwjzrqip1r3lAhUsIbkGHWWiBXUQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia. org%2Fwiki%2FJohann_Heinrich_Pestalozzi&psig=AOvVaw3VnAWjS3UiNL3rMNEwkKu8&ust=1572308099897514; https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwiEpJTK1r3lAhWMJ7kGHbUQB1oQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fdemonstre.com%2Fherbart-e- educacao%2F&psig=AOvVaw15rZw23oIJMGaviUQar9pJ&ust=1572308165292586; https://www.google.com/l?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwinmPeK173lAhWdJLkGHemOAMYQjRx6BAgBEAQ&url=%2Furl%3Fsa%3Di%26sou rce%3Dimages%26cd%3D%26ved%3D2ahUKEwirstL91r3lAhW3IrkGHTPKCVYQjRx6BAgBEAQ%26url%3Dhttps%253A%252F%252Fpt.wikipedia.org%252Fwiki%252FJohn_ Dewey%26psig%3DAOvVaw3FNz_vvU2MTnP9uvpoGKvt%26ust%3D1572308291661306&psig=AOvVaw3FNz_vvU2MTnP9uvpoGKvt&ust=1572308291661306 No artigo da professora Maria Odete Vieira Tenreiro (2019), você poderá aprofundar seus conhecimentos sobre os autores clássicos da Didática e seus contemporâneos: https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/1882À luz da ideia de Didática, como concebida desde o século XVII e mediante a recuperação de aspectos do seu percurso histórico no Brasil, é possível “evidenciarmos nuanças e problemáticas enfrentadas pela Didática ao longo dos anos, cujo conceito teria sido obscurecido pelo conceito de método, o qual, por sua vez, também acreditamos ter sido obscurecido pelo conceito de técnica” (CASTRO; REIS, 2018, p. 106). Na trajetória do pensamento pedagógico brasileiro, Veiga (2002) analisa o movimento da Didática e destaca cinco períodos, a partir de suas relações com o contexto político e social mais amplo em que se insere a educação. São eles o período de 1549 a 1930, que teve os jesuítas como principais protagonistas; o período de 1930 a 1945, marcado por grandes transformações políticas, sociais e econômicas; o período de 1945 a 1960, que preconizou a Didática com enfoque conservador- tecnicista; o período pós-1964 (Ditadura Militar), caracterizado pelos “descaminhos da didática” e pautado pela tendência tecnicista; e anos 1980 e início da década de 1990, em que as pesquisas na área buscam “respostas comprometidas” (MELO; PIMENTA, 2018), rompendo com a racionalidade técnica à qual a Didática estava alinhada. Veremos abaixo as principais características de cada período. 1.2.1 Primórdios da Didática: período de 1549/1930 No Brasil, os jesuítas foram os principais educadores de quase todo o período colonial, atuando aqui de 1549 a 1759. Para Veiga (2002, p. 26), “a ação pedagógica dos jesuítas foi marcada pelas formas dogmáticas de pensamento, contra o pensamento crítico”. As principais características desse período são: https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwjs1MuE1r3lAhXbILkGHUuMB6sQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FJean-Jacques_Rousseau&psig=AOvVaw0GZhBNVzhQ00aytB2ykc5G&ust=1572308039619314 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwjs1MuE1r3lAhXbILkGHUuMB6sQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FJean-Jacques_Rousseau&psig=AOvVaw0GZhBNVzhQ00aytB2ykc5G&ust=1572308039619314 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwjzrqip1r3lAhUsIbkGHWWiBXUQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FJohann_Heinrich_Pestalozzi&psig=AOvVaw3VnAWjS3UiNL3rMNEwkKu8&ust=1572308099897514 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwjzrqip1r3lAhUsIbkGHWWiBXUQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FJohann_Heinrich_Pestalozzi&psig=AOvVaw3VnAWjS3UiNL3rMNEwkKu8&ust=1572308099897514 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwiEpJTK1r3lAhWMJ7kGHbUQB1oQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fdemonstre.com%2Fherbart-e-educacao%2F&psig=AOvVaw15rZw23oIJMGaviUQar9pJ&ust=1572308165292586 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwiEpJTK1r3lAhWMJ7kGHbUQB1oQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fdemonstre.com%2Fherbart-e-educacao%2F&psig=AOvVaw15rZw23oIJMGaviUQar9pJ&ust=1572308165292586 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwinmPeK173lAhWdJLkGHemOAMYQjRx6BAgBEAQ&url=%2Furl%3Fsa%3Di%26source%3Dimages%26cd%3D%26ved%3D2ahUKEwirstL91r3lAhW3IrkGHTPKCVYQjRx6BAgBEAQ%26url%3Dhttps%253A%252F%252Fpt.wikipedia.org%252Fwiki%252FJohn_Dewey%26psig%3DAOvVaw3FNz_vvU2MTnP9uvpoGKvt%26ust%3D1572308291661306&psig=AOvVaw3FNz_vvU2MTnP9uvpoGKvt&ust=1572308291661306 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwinmPeK173lAhWdJLkGHemOAMYQjRx6BAgBEAQ&url=%2Furl%3Fsa%3Di%26source%3Dimages%26cd%3D%26ved%3D2ahUKEwirstL91r3lAhW3IrkGHTPKCVYQjRx6BAgBEAQ%26url%3Dhttps%253A%252F%252Fpt.wikipedia.org%252Fwiki%252FJohn_Dewey%26psig%3DAOvVaw3FNz_vvU2MTnP9uvpoGKvt%26ust%3D1572308291661306&psig=AOvVaw3FNz_vvU2MTnP9uvpoGKvt&ust=1572308291661306 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwinmPeK173lAhWdJLkGHemOAMYQjRx6BAgBEAQ&url=%2Furl%3Fsa%3Di%26source%3Dimages%26cd%3D%26ved%3D2ahUKEwirstL91r3lAhW3IrkGHTPKCVYQjRx6BAgBEAQ%26url%3Dhttps%253A%252F%252Fpt.wikipedia.org%252Fwiki%252FJohn_Dewey%26psig%3DAOvVaw3FNz_vvU2MTnP9uvpoGKvt%26ust%3D1572308291661306&psig=AOvVaw3FNz_vvU2MTnP9uvpoGKvt&ust=1572308291661306 https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/1882 https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/1882 11 • Sociedade: economia agrário-exportadora-dependente, explorada pela metrópole, na qual a educação não era valorizada. • Educação: voltada para a catequização e instrução dos indígenas. • Plano de instrução: Ratio Studiorum, cujo ideal era a formação do homem universal, humanista e cristão. Esses eram os alicerces da Pedagogia Tradicional na sua vertente religiosa. Ratio Studiorum Coletânea privada, publicada em 1598, que buscava instruir rapidamente todo jesuíta docente sobre a natureza, a extensão e as obrigações do cargo. Surgiu para unificar o procedimento pedagógico dos jesuítas diante da explosão do número de colégios confiados à “Companhia de Jesus”. O Ratio Studiorum constitui-se numa sistematização da pedagogia jesuítica, contendo 467 regras, cobrindo todas as atividades dos agentes diretamente ligados ao ensino, e recomendava que o professor nunca se afastasse filosoficamente de Aristóteles e teologicamente de Santo Tomás de Aquino, que preconizavam a formação do homem universal, humanista e cristão. Os pressupostos didáticos diluídos no “Ratio” enfocavam instrumentos e regras metodológicas compreendendo o estudo privado, em que o mestre prescrevia o método de estudo, a matéria e o horário; as aulas ministradas de forma expositiva; a repetição visando decorar e expor em aula; o desafio, estimulando a competição; a disputa, outro recurso metodológico, vista como uma defesa de tese. Os exames eram orais e escritos, voltados para avaliar o aproveitamento do aluno. O enfoque sobre o papel da didática, ou melhor, da metodologia de ensino, como era denominada no código pedagógico dos jesuítas, está centrado no seu caráter meramente formal, tendo por base o intelecto; o conhecimento é marcado pela visão essencialista de homem. Imagem disponível em: https://www.google.com/ url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwiYsI3k1b3lAhXJH7kGHRbTDuYQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia. org%2Fwiki%2FRatio_Studiorum&psig=AOvVaw1AwgA-NjUKJp21VBKcEAo5&ust=1572307970235894 • Ação pedagógica: marcada pelas formas dogmáticas de pensamento, contra o pensamento crítico e privilegiando o exercício da memória e o desenvolvimento do raciocínio; ênfase no preparo dos padres-mestres. Após os jesuítas, não ocorreram no Brasil grandes movimentos pedagógicos. A reforma instituída por Marquês de Pombal representou um retrocesso pedagógico no sistema educativo, com a admissão de professores leigos para ministrar as “aulas régias”. Por volta de 1870: época da expansão cafeeira e da passagem de um modelo agrário-exportador para um urbano-comercial-exportador. O Brasil vive o seu período de “iluminismo”, com movimentos cada vez mais independentes da influência religiosa. No campo educacional: suprime-se o ensino religioso nas escolas públicas, passando o Estado a assumir a laicidade. Vertente pedagógica do período: Pedagogia Tradicional, caracterizada pela Didática centrada no intelecto, tendo o professor como centro do processo de ensino, o qual transmite aos alunos indistintamente a verdade universal e enciclopédica; relação pedagógica hierarquizada e verticalizada, na qual o aluno é concebido como um ser receptivo e passivo que segue a exposição do professor; método de ensino baseado nos cinco passos formais de Herbart, fórmula ainda muito utilizada por professores na atualidade. A disciplina é a forma de garantir a atenção, o silêncio e a ordem. https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwiYsI3k1b3lAhXJH7kGHRbTDuYQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FRatio_Studiorum&psig=AOvVaw1AwgA-NjUKJp21VBKcEAo5&ust=1572307970235894 https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwiYsI3k1b3lAhXJH7kGHRbTDuYQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FRatio_Studiorum&psig=AOvVaw1AwgA-NjUKJp21VBKcEAo5&ust=1572307970235894https://www.google.com/url?sa=i&source=images&cd=&ved=2ahUKEwiYsI3k1b3lAhXJH7kGHRbTDuYQjRx6BAgBEAQ&url=https%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FRatio_Studiorum&psig=AOvVaw1AwgA-NjUKJp21VBKcEAo5&ust=1572307970235894 12 Conheça o método tradicional e seus passos formais: HERBART (alemão) Método Tradicional (cinco passos formais) 1. Preparação: o professor recorda alguma coisa que os alunos já sabem. 2. Apresentação: nova matéria. 3. Assimilação: o professor compara matéria nova com matéria antiga para que o aluno assimile o novo em termos do velho. 4. Generalização: apresentação de casos semelhantes para enunciar uma regra ou princípio. 5. Aplicação: da regra ou dos princípios (tarefas para realizar em casa). Concepção de didática para a Pedagogia Tradicional: A Didática é compreendida como um conjunto de regras, visando assegurar aos futuros professores as orientações necessárias ao trabalho docente. A atividade docente é entendida como inteiramente autônoma face à política, dissociada das questões entre escola e sociedade. Uma Didática que separa teoria e prática (VEIGA, 2002, p. 28, grifo nosso). 1.2.2 Período de 1930/1945: a Didática é tradicional, cumpre renová-la Na década de 1930, a sociedade brasileira sofre profundas transformações socioeconômicas. A crise mundial da economia provoca no Brasil a crise cafeeira, que ocasiona a instalação do modelo econômico de substituição das importações. A Revolução de 30, desencadeada pelo movimento de reorganização das forças econômicas e políticas, constitui-se em um marco que indica uma nova fase na história da República do Brasil. No âmbito educacional, em 1930, Vargas cria o Ministério de Educação e Saúde Pública. Em 1932, é lançado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (Escola Nova), com ideias pautadas no pensamento de John Dewey: “O Manifesto explicitou a importância dos direitos dos cidadãos brasileiros no que se refere à educação, com ênfase na educação pública, na laicidade, gratuidade e obrigatoriedade da educação” (MELO; PIMENTA, 2018, p. 55). Os escolanovistas afirmavam que a pedagogia do ensino tradicional seria a grande responsável pelo insucesso da escola, a qual julgavam estar em descompasso com o mundo das ciências e da tecnologia, que eram o marco inovador da época. Os adeptos da Escola Renovada contestavam e se contrapunham às concepções da Escola Tradicional, por a considerarem antiga, advogando em favor de uma pedagogia pautada “em uma experiência aberta, em termos de programas e métodos, mas centrada em torno do ideal de uma ‘atividade espontânea, pessoal e produtiva’” (CASTRO, 1991, p. 20). Os anos de 1931 e 1932 foram marcados pela efetivação da Reforma Francisco Campos, com a organização do ensino comercial, a adoção do regime universitário para o ensino superior e a criação da primeira universidade brasileira (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo). 13 Em 1934, a Didática é incluída como disciplina em cursos de formação de professores para o ensino secundário, com o nome de “Metodologia do Ensino Secundário”. Em 1939, foi instituída como curso e disciplina, com duração de um ano (Decreto-lei nº 1.190/39). Em 1941, torna-se um curso independente, realizado após o término do bacharelado, no esquema “três mais um” (Padrão Nacional de cursos: três anos de estudos específicos – bacharel – e mais um ano de estudos pedagógicos – licenciado). A Didática passa a ser percebida como disciplina fundamental na formação do educador e absorve o ideário escolanovista, cujo foco está somente na dimensão técnica do processo ensino-aprendizagem e nos métodos de ensino, evidenciando uma justaposição entre teoria e prática. Em 1937, ao se consolidar no poder com auxílio de grupos militantes e apoiado pela classe burguesa, Vargas implanta o Estado Novo (regime ditatorial que durou até 1945). Nesse período os debates educacionais são paralisados. Entre 1930 e 1945, há um equilíbrio entre as influências da concepção humanista tradicional (representada pelos católicos) e a concepção humanista moderna (representada pelos pioneiros da Educação Nova). A concepção humanista moderna centra sua visão de homem na existência, na vida, na atividade; nela há um predomínio do aspecto psicológico sobre o lógico. O escolanovismo possui como principal característica a valorização da criança, vista como um ser dotado de poderes individuais, cuja liberdade, iniciativa, autonomia e interesses devem ser respeitados. Uma de suas principais limitações era preconizar que a solução dos problemas educacionais deveria se dar em uma perspectiva interna da escola, sem considerar os aspectos políticos, econômicos e sociais da realidade brasileira. O problema educacional passa a ser uma questão escolar e técnica. A ênfase recai no ensinar bem, mesmo que para uma minoria. O ensino é concebido como um processo de pesquisa, partindo do pressuposto de que os assuntos de que trata são problemas. Os métodos e técnicas mais difundidas pela Didática Renovada são: “centros de interesse, estudo dirigido, unidades didáticas, métodos dos projetos, a técnica de fichas didáticas, o contrato de ensino, etc” (CANDAU, 1982, p. 22 apud VEIGA, 2002, p. 31). Conheça o método escolanovista: J. DEWEY (americano) (Método de problemas) Método Escolanovista 1. Atividade: ponto de partida. 2. Formulação do problema. 3. Coleta de dados. 4. Construção de hipóteses. 5. Experimentação Método de problemas: 1. A criança está empenhada em uma atividade. 2. Surgiu um problema. 3. Busca de dados para solucionar o problema. 4. Utilizando esses dados e informações, formula-se uma hipótese. 5. Põe-se a hipótese a funcionar a fim de comprová-la. Método usado no laboratório científico, transferido para sala de aula. 14 Concepção de Didática para a pedagogia escolanovista: A Didática é entendida como um conjunto de ideias e métodos, privilegiando a dimensão técnica do processo de ensino, fundamentada nos pressupostos psicológicos e psicopedagógicos e experimentais, cientificamente validados na experiência e construídos em teoria, ignorando o contexto sócio-político- econômico. A didática, assim concebida, propiciou a formação de um novo perfil de professor: o técnico (VEIGA, 2002, p. 32). 1.2.3 Período de 1945/1960: o predomínio das novas ideias e a Didática A partir de 1945, o país sofre novas mudanças econômicas e políticas, e há uma aceleração e diversificação do processo de substituição de importações e penetração do capital estrangeiro. Instaura-se o Estado Populista Desenvolvimentista (representado por uma aliança entre o empresariado e setores populares, contra a oligarquia). No final desse período, ocorre uma polarização entre a tendência populista e a tendência antipopulista. Esse contexto se reflete na política educacional da época. Em 1946, o Decreto-Lei n°. 9.053 desobrigava o curso de Didática. Sob a vigência da Lei de Diretrizes e Bases, nº 4.024/61, o esquema de “três mais um” foi extinto pelo Parecer n°. 242/62, do Conselho Federal de Educação. A Didática perdeu seus qualificativos de geral e especial, e introduziu-se a prática de ensino sob a forma de estágio supervisionado. Entre os anos 1948 e 1961, desenvolvem-se lutas ideológicas em torno da oposição entre escola pública e particular. A disseminação das ideias novas ganha mais força com a ação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). As escolas católicas se inserem no movimento renovador, difundindo o método de Montessori e Lubienska. São disseminados também o Ginásio Orientado para o Trabalho (GOT), os Ginásios Pluricurriculares e os Ginásios Vocacionais. Paralelamente a essas iniciativas, outro direcionamento vinha sendo dado à Escola Renovada, fortemente marcada pela ênfase metodológica, que culminou com as reformas no sistema escolar brasileiro de 1968 a 1971. Na década de 1960, a crise da Escola Nova inaugura uma nova linha pedagógica: o enfoque “conservador-tecnicista”ou Tecnicismo, inspirado nas correntes pragmáticas, com foco nos processos de ensino, descontextualizados das dimensões políticas, sociais e econômicas (MELO; PIMENTA, 2018). O movimento escolanovista constitui-se no berço do Tecnicismo. Concepção de Didática na perspectiva tecnicista: O enfoque do papel da Didática a partir dos pressupostos da Pedagogia Tecnicista procura desenvolver uma alternativa não psicológica, situando-se no âmbito da tecnologia educacional, tendo como preocupação básica a eficácia e a eficiência do processo de ensino. Essa Didática tem como pano de fundo uma perspectiva realmente ingênua de neutralidade científica (VEIGA, 2002, p. 35). Teoria e prática se distanciam cada vez mais, descaracterizando a Didática, e os professores passam a absorver esse novo ideário alterando o foco do processo de ensino-aprendizagem, cuja principal preocupação passa a ser com os métodos e técnicas de ensino. 1.2.4 Período pós-1964: os descaminhos da Didática A ditadura militar, instaurada no Brasil em 1964, alterou a ideologia política e a forma de governo, refletindo na política educacional. O modelo 15 político-econômico tinha como característica fundamental um projeto desenvolvimentista que buscava acelerar o crescimento econômico do país, no qual a educação desempenhava importante papel na preparação de recursos humanos necessários ao pleno crescimento econômico e tecnológico da sociedade de acordo com a concepção economicista. O sistema educacional foi marcado pela influência dos Acordos MEC-USAID, que serviram de base para as reformas do ensino superior e posteriormente do ensino de 1º e 2º graus. O período entre 1960 e 1968 foi marcado pela crise da Pedagogia Nova e articulação da Tendência Tecnicista, assumida pelo grupo militar e tecnocrata. Os princípios defendidos pelo Tecnicismo, e que deveriam regular a escola, eram a neutralidade científica, a racionalidade técnica, a eficiência e a produtividade, tornando seu funcionamento semelhante ao de uma fábrica. A produtividade serviu como justificativa para a divisão do trabalho, propiciando a fragmentação do processo, acentuando as distâncias entre quem planeja e quem executa e evidenciando ainda mais os processos metodológicos em detrimento da própria aquisição do conhecimento. A Didática se voltava para as variáveis do processo de ensino sem considerar o contexto político-social, contribuindo para “acentuar o fosso entre a teoria professada nos cursos de formação de professores e a prática pedagógica escolar” (MELO; PIMENTA, 2018, p. 55). Concepção de Didática entre 1964 e o início da década de 1980: Na Didática Tecnicista, a desvinculação entre teoria e prática torna-se mais acentuada. O professor passa a ser um mero executor de objetivos instrucionais, de estratégias de ensino e de avaliação. Acentua-se o formalismo didático através dos planos elaborados segundo normas pré- fixadas. A Didática é concebida como estratégia para o alcance dos produtos previstos para o processo ensino-aprendizagem (VEIGA, 2002, p. 36). Predomina uma visão unilateral do processo de ensino-aprendizagem, centrado na técnica pela técnica. O enfoque do papel da Didática a partir dos pressupostos da Pedagogia Tecnicista procura desenvolver uma alternativa não psicológica, situando-se no âmbito da tecnologia educacional, tendo como preocupação básica a eficácia e a eficiência do processo de ensino. Neste enfoque, os conteúdos dos cursos de Didática centram-se na organização racional do processo de ensino, isto é, no planejamento didático formal, e na elaboração de materiais instrucionais, nos livros didáticos descartáveis. O processo é que define o que professores e alunos devem fazer, quando e como o farão (VEIGA, 2002, p. 35). A partir de 1974, quando se inicia a abertura gradual do regime político autoritário instalado em 1964, surgiram estudos empenhados em fazer a crítica da educação dominante, sua ideologia e o caráter reprodutor da escola, evidenciando as funções reais da política educacional, acobertada pelo discurso político-pedagógico oficial. Surgem os estudos denominados por Saviani (2003) de “teorias crítico- reprodutivistas”, que, apesar de considerarem a educação a partir dos seus aspectos sociais, concluem e denunciam que sua função primordial é reproduzir as condições sociais vigentes. 16 Passam a predominar os aspectos políticos em detrimento das questões didático-pedagógicas, e a teoria passou a ser mais valorizada do que a prática. Candau (1982, p. 28 apud VEIGA, 2002, p. 36) afirma que “junto com esta postura de denúncia e de explicitação do compromisso com o ‘status quo’ do técnico aparentemente neutro, alguns autores chegaram à negação da própria dimensão técnica da prática docente.” Com a contraposição entre competência técnica e política, os cursos de formação de professores davam ênfase ao discurso sociológico, filosófico e histórico, secundarizando a dimensão técnica, comprometendo a construção da sua identidade, acentuando uma postura pessimista e de descrédito relativo à sua contribuição para a prática pedagógica. Contudo, se, por um lado, as teorias crítico-reprodutivistas geraram uma distorção na concepção de ensino, por outro, fizeram com que começasse a germinar a semente da “crítica” e, consequentemente, uma postura crítica por parte dos professores, que foram pressionados a rever a sua própria prática pedagógica a fim de torná-la mais coerente com esse novo discurso pedagógico, fazendo surgir as “teorias críticas da educação”. A Didática passa a ser questionada, e os movimentos em torno de sua revisão apontam para a busca de novos rumos, surgindo a necessidade e o desejo de romper com a “perspectiva da racionalidade técnica” com a qual, até então, a Didática esteve alinhada (MELO; PIMENTA, 2018). 1.2.5 Anos 1980 e início da década de 1990: período singular da história da Didática A década de 1980 foi cenário de lutas sociais e políticas pela redemocratização do país. A situação socioeconômica dificultava a vida do povo brasileiro, com inflação elevada, alto índice de desemprego, agravado pelo aumento da dívida externa e pela política recessionista, orientada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Na primeira metade da década de 1980, instala-se a Nova República, iniciando nova fase de vida no país, com a ascensão de um governo democrático. A luta operária ganha força, e os professores se empenham para reconquistar o direito de participarem na definição da política educacional e na luta pela recuperação da escola pública. Um marco importante desse período foi a realização da I Conferência Brasileira de Educação, em 1980, espaço que discutiu e disseminou a concepção crítica (ou dialética) de educação. O seminário “A Didática em questão”, em 1982, foi um marco do movimento de educadores brasileiros, que questionavam a educação escolar, as políticas educacionais, as finalidades e compromissos sociais da escola. Para a concepção dialética de Filosofia da Educação, defendida pelos educadores na década de 1980, não existe um homem dado a priori. O interesse é pelo ser concreto. A tarefa da filosofia é explicitar os problemas educacionais e compreendê-los a partir de seu contexto histórico. A educação não está centrada no professor ou no aluno, mas na formação do homem e sua realização em sociedade. Essa pedagogia se compromete com os interesses das camadas desfavorecidas; a escola se organiza como espaço que nega a dominação, e não como mero instrumento reprodutor da estrutura social vigente. Nesse sentido, agir no interior da escola é contribuir para transformar a própria sociedade. A Didática, nesse contexto, precisa ir além de métodos e técnicas, procurando associar escola-sociedade, teoria-prática, conteúdo-forma, professor-aluno e contribuir para ampliar a visão do professor quanto 17 às perspectivas didático-pedagógicas mais coerentes com a realidade educacional. “Nesse momento histórico,as práticas pedagógicas e sua necessária contextualização passaram a se constituir objeto de análise crítica, do ponto de vista de sua dimensão política” (MELO; PIMENTA, 2018, p. 56). Na década de 1980, surgem os primeiros estudos em busca de alternativas para a Didática, a partir dos pressupostos da Pedagogia Crítica. Duas novas correntes pedagógicas buscavam contemplar esses ideais, a Pedagogia Libertadora (Paulo Freire) e a Pedagogia Histórico- Crítica (Dermeval Saviani). A Pedagogia Libertadora apresenta uma proposta de Educação Popular, priorizando temas sociais e políticos da realidade do aluno. O ensino não se centra em conteúdos sistematizados, mas no processo de diálogo e em ações práticas quanto à realidade social imediata. São valorizados os temas geradores, relatos de experiências e temas de interesse geral importantes na formação e na vida dos alunos. A Pedagogia Histórico-Crítica busca uma síntese superadora de traços significativos da Pedagogia Tradicional e da Escola Nova. Postula que a escola deve propiciar a todos os alunos o acesso e aquisição do conhecimento, por meio de conteúdos sistematizados, confrontando-o com as suas experiências e realidade. Os alunos devem ser capazes de interpretá-los e usá-los a favor dos interesses de sua classe social. Para a Pedagogia Histórico-Crítica, não bastam como conteúdo as questões sociais atuais, sendo necessário o domínio de conhecimentos, habilidades e capacidades mais amplas para que os alunos possam interpretar suas experiências de vida e defender seus interesses. Defende, portanto, a formação de um aluno crítico. Os estudos, então, passaram a ter como eixo “as relações entre Didática, a prática pedagógica e sua finalidade social mais ampla, como possibilidades de transformação da realidade social” (MELO; PIMENTA, 2018, p. 56). SAVIANI/GASPARIN (brasileiros) Síntese adaptada realizada por Farias et al (2011): 1º Passo: Prática Social Inicial – Nível de desenvolvimento atual do educando 1 – O que o aluno já sabe sobre o conteúdo? 2 – O que precisa e gostaria de saber mais? 2º passo: Problematização 1 – Listagens dos conteúdos: tópicos e subtópicos. 2 – Transformação do conteúdo em questões desafiadoras nas dimensões científica, cultural, política, econômica etc. 3º passo: Instrumentalização 1 – Ações docentes e discentes para a construção do conhecimento. 2 – Indicação dos recursos necessários para o trabalho docente e discente. 4º passo: Catarse 1 - Elaboração e expressão do conhecimento construído. 2 – Avaliação formal e informal da aprendizagem. 5º passo: Prática social final 1 - Plano de ação que evidencie uma nova postura e prática diante da realidade. Para aprofundar sua leitura a respeito da Didática para a Pedagogia Histórico-Crítica, veja também a proposta elaborada por Gasparin e Petenucci (2008): h t t p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m / a / e a d . u e p g . b r / f i l e / d / 1 - 7wBXPq8pMM1NNnNPv-lREnwnomwPFl-/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-7wBXPq8pMM1NNnNPv-lREnwnomwPFl-/view?usp=sharing 18 Em síntese, a Didática Crítica visa desenvolver um ensino atrelado aos objetivos sociopolíticos e pedagógicos, com conteúdos e métodos escolhidos e organizados mediante determinada postura em face do contexto das relações sociais vigentes na prática social. Segundo Veiga (2002, p. 39), ela: [...] auxilia no processo de politização do professor, levando-o a perceber a ideologia que inspirou a natureza do conhecimento usado e a prática desenvolvida na escola. Neste sentido, a Didática Crítica busca superar o intelectualismo formal do enfoque tradicional, evitar os efeitos do espontaneísmo escolanovista, combater a orientação desmobilizadora do tecnicismo e recuperar as tarefas especificamente pedagógicas, desprestigiadas do discurso reprodutivista. Procura, ainda, compreender e analisar a realidade social onde está inserida a escola. Nesse contexto, Candau (2009) apontou uma possibilidade de ruptura com a didática limitada à dimensão exclusivamente instrumental, própria do Tecnicismo, ao apontar como possibilidade a sistematização de uma Didática Fundamental, substancialmente vinculada às relações e contradições presentes entre a educação e a prática social mais ampla. A concepção de Didática Fundamental pressupõe ainda uma correlação entre as dimensões humana, técnica, política e social. O desafio seria superar a visão reducionista, “dissociada ou justaposta da relação entre as diferentes dimensões” (CANDAU, 2011, p. 16), e considerar que as conexões entre elas podem se constituir no eixo balizador dos processos de ensino-aprendizagem. Ao assumir que o processo ensino-aprendizagem deve ser analisado a partir da articulação entre as diferentes dimensões, a autora propõe a multidimensionalidade do processo de ensinar e aprender, cujos princípios são a intrínseca e indissociável relação entre o humano, o político e o técnico, mediatizados pelo contexto social, por meio de uma prática pedagógica que considera a natureza e a finalidade dos conteúdos na formação dos estudantes (MELO; PIMENTA, 2018). DIMENSÕES DA DIDÁTICA FUNDAMENTAL HUMANA O processo educativo se realiza através de relações interpessoais (professor x aluno, aluno x aluno, professor x professor x alunos x equipe de gestão); o componente afetivo é essencial. TÉCNICA Ensinar é uma ação intencional e sistemática. É preciso que o professor organize condições adequadas que mais bem propiciem a aprendizagem do aluno; o ensino possui (sim!) um aspecto instrumental, mas não se resume a ele. POLÍTICA-SOCIAL A prática educativa não é um processo neutro e precisa ser discutida de forma concreta e contextualizada; o ensino é historicamente situado e acontece em um tempo e cultura específica. Figura 1: As dimensões da Didática Fundamental Fonte: Elaborado pelas autoras. 19 A partir da década de 1990, houve intensas mudanças em nível global em todos os setores da vida humana. O mundo contemporâneo é marcado pela hegemonia Neoliberal e pelo Modelo Econômico de Mercado Emergente. Observa-se a ampliação das formas de exclusão social e cultural, o individualismo e a ideologia de classe dominante através do neoliberalismo, que favorece fortemente uma nova versão da perspectiva modernizadora e instrumental da educação e da Didática, indo na contramão do que propôs o movimento da Didática Fundamental. Atualmente, o momento pedagógico é dos piores que já vivemos. Exige-se mais uma vez que a Didática seja ressignificada, em busca de uma transformação da visão do ensino que está posto de forma seletiva e excludente. Nessa direção, Franco e Pimenta (2016) apresentam, considerando princípios epistemológicos de pesquisas e processos formativos que foram realizados ao longo dos últimos 20 anos, uma nova proposta conceitual, denominada Didática Multidimensional, que procura articular os princípios da Didática Fundamental, cuja proposição continua atual, com as Didáticas Específicas das demais áreas do conhecimento. [...] uma Didática que tenha como foco a produção de atividade intelectual no aluno e pelo aluno, articulada a contextos nos quais os processos de ensinar e aprender ocorrem. Algo que se paute numa pedagogia do sujeito, do diálogo, cuja aprendizagem seja mediação entre educadores e educandos (FRANCO; PIMENTA, 2016, p. 3). Na visão das referidas autoras, soma-se a esses aspectos a necessidade de instituir práticas vigorosas de formação de professores, capazes de contribuir para a construção dos saberes profissionais e da identidade docente. “Assim, a Didática Multidimensional se constituiria como campo próprio de conhecimento em articulação com as didáticas específicas e demais disciplinas e áreas, considerando que a formação pedagógica docente abarca princípios que são indissociáveis” (MELO; PIMENTA, 2018, p. 59). Dentre eles: a práxis educativo-pedagógica, o diálogo, ensinar com pesquisa, construir processosde mediação e considerar que os saberes de várias áreas sejam mobilizados nesse processo. A concepção de Didática é forjada pelos professores no enfrentamento das contradições de suas práticas pedagógicas nas últimas décadas. O professor mobiliza os seus saberes docentes para problematizar as experiências pedagógicas vividas, buscando a superação dos problemas postos pela prática. E, ao mesmo tempo em que avançam na solução dos problemas postos pela prática, fornecem elementos para a sistematização/construção de novos conhecimentos, deixando de ser apenas consumidores de teorias produzidas por outros (pesquisa-ensino). Assim, a Didática contribui para a problematização e explicação de propostas concretas de ação. Aponta-se, portanto, para um modelo aberto de Didática, em busca de novas práticas, mas sem perder de vista o conhecimento pedagógico fundamental, “não limitada à dimensão instrumental e aplicacionista, mas sendo apropriada e desenvolvida também em sua plenitude técnica, porém social” (CASTRO; REIS, 2018, p. 107). 20 Contreras (1990, p. 130) destaca que a Didática deve buscar: [...] a construção de uma nova realidade. Não nos encontramos frente a um objeto científico definitivamente criado, mas em contínua construção. Construção que se faz sempre em algum sentido: ou se repete sua história passada ou se transforma conforme novos planos; mas estes não nos vêm previamente determinados, nem construídos. Não adianta esperar da Didática mais do que ela pode oferecer. Mas sim conhecê-la profundamente e tomar consciência dos seus limites e possibilidades, impedindo que mais uma vez ela se torne objeto de manipulação, de violação de direitos e de repetição do passado que acabamos de apresentar. 1.3 O ensino como objeto de estudo da Didática e suas abordagens Nas discussões apresentadas até o momento, foi possível observar que o processo de ensino-aprendizagem é o elemento central da Didática e que ressignificá-la passa pela busca de uma transformação da visão desses conceitos. O que nos leva a questionar: como é concebido o ensino e, por consequência, a aprendizagem, no contexto atual? Num sentido geral, o ensino pode ser considerado uma ação (sistemática e intencional) dirigida a promover a aprendizagem. É o compromisso entre duas pessoas: uma que possui algum conhecimento ou habilidade e outra que precisa deles. Acontece numa relação que inicialmente é assimétrica no que se refere ao conhecimento: cabe à primeira pessoa (o professor) mediar o conhecimento à segunda (o aluno), que teoricamente “não sabe”. O processo de ensino põe em movimento os elementos constitutivos da Didática. Segundo Libâneo (2013, p. 98-99, grifo nosso), a ação didática se explicita pela: [...] ação recíproca de três componentes – os conteúdos, o ensino e a aprendizagem – que operam em referência a objetivos que expressam determinadas exigências sociopolíticas e pedagógicas e sob um conjunto de condições de uma situação didática concreta (fatores sociais, organização escolar, recursos materiais e didáticos, nível socioeconômico dos alunos, seu nível de preparo e de desenvolvimento mental, relações professor-aluno, etc.). Segundo Roldão (2007, p. 98), a função de ensinar nas sociedades atuais é caracterizada: [...] pela figura da dupla transitividade e pelo lugar de mediação. Ensinar configura-se assim, nesta leitura, essencialmente como a especialidade de fazer aprender alguma coisa (a que chamamos currículo, seja de que natureza for aquilo que se quer ver aprendido) a alguém (o ato de ensinar só se atualiza nesta segunda transitividade corporizada no destinatário da ação, sob pena de ser inexistente ou gratuita a alegada ação de ensinar). Nesses novos tempos, portanto, a função de ensinar não pode ser mais definida como a simples passagem do saber. A complexidade de ensinar está cada vez maior, e o papel do educador é ser mediador do conhecimento ao educando. Compreender o ensino como um processo de mediação requer uma redefinição do desempenho de papéis do professor e do aluno. O professor deve ser capaz de trazer ao aluno as informações e conhecimentos produzidos historicamente pela 21 humanidade (entretanto, não é um mero repasse), e os alunos devem apropriar-se crítica, criativa e significativamente desse conteúdo. Na atividade de ensinar como processo de mediação, o professor cria possibilidades para que o aluno chegue às fontes do conhecimento que estão à disposição na sociedade. Portanto, o professor resume, interpreta, valoriza a informação a transmitir. Sua ação é a de explicação do conteúdo científico, fazer perguntas sugestivas, dialogar, problematizar o conteúdo, indicar como o aluno deve iniciar e desenvolver as tarefas. A mediação pedagógica é definida por Masetto (2003, p. 21): [...] como sendo a atitude, o comportamento do professor que se coloca como um facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem, que se apresenta com a disposição de ser uma ponte entre o aprendiz e sua aprendizagem. O ensino por meio da mediação ocorre quando o professor: explica, organiza o trabalho a partir de um texto, mobiliza a classe para a construção de um mural, propõe situações-problema, passa exercícios, organiza a sala de aula (fila, círculo, grupos), faz perguntas, põe o pensamento do aluno em movimento, estimula os alunos a dialogarem. Melo e Pimenta (2018), citando Paulo Freire, ressaltam que aprender, ensinar e pesquisar são ações inerentes ao humano e suas relações com o mundo: Mulheres e homens, somos os únicos seres que, social e historicamente, nos tornamos capazes de apreender. Por isso, somos os únicos em quem aprender é uma aventura criadora, algo, por isso mesmo, muito mais rico do que meramente repetir a lição dada. Aprender para nós é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco (FREIRE, 2016, p. 68 apud MELO; PIMENTA, 2018, p. 54). Refletindo a respeito dos conceitos acima apresentados, o que significa ensinar e aprender para você? Como professor, a elaboração de uma concepção sólida a respeito desses dois termos é imprescindível para o desenvolvimento da sua ação didática, pois a partir dessas concepções será desencadeado o processo de planejamento e as escolhas que irá fazer. Vale relembrar que toda proposta didática contempla – implícita ou explicitamente – uma concepção de ensino e de aprendizagem (CANDAU, 2009). Problematizar “O que é ensinar?”, “O que é aprender?”, “Quais conteúdos ensinar?”, “Como ensinar?” e “Para que ensinar?” leva, segundo Farias et al. (2011, p. 22), ao reconhecimento do professor e da professora como sujeitos criativos, reflexivos, políticos, “autores e produtores de uma trajetória individual e coletiva e não meros espectadores da história e consumidores cegos dos estoques de técnicas de última geração” (FARIAS et al., 2011, p. 22). Veja no quadro a seguir as concepções de ensino e aprendizagem nas diversas abordagens apresentadas: 22 VISÃO ABORDAGEM Tradicional ABORDAGEM Escolanovista ABORDAGEMTecnicista ABORDAGEM Libertadora ABORDAGEM Histórico-crítica/Crítico-Social dos Conteúdos Escola Único local apropriado para a transmissão de conhecimentos. Função de preparar os indivíduos para a sociedade. Enfatiza o ensino centrado no aluno. “Aprender a aprender”. Promove um ambiente desafiador favorável à motivação intrínseca do aluno. Papel de treinar os alunos e regular o comportamento humano. Agência educacional. Modelo empresarial aplicado à escola. Divisão entre quem planeja e quem executa. Deve ser organizada e estar funcionando bem, para proporcionar os meios para que a educação se processe em seus múltiplos aspectos. Instrumento de luta das classes populares. Deve possibilitar de forma sistemática a apropriação de conteúdos escolares básicos, concretos e indissociáveis das realidades sociais dos alunos. Ensino- aprendizagem Os objetivos educacionais obedecem à sequêncialógica dos conteúdos. Os conteúdos são baseados em documentos legais, selecionados a partir da cultura universal acumulada. A inteligência constrói-se a partir da troca do organismo com o meio, pelas ações do indivíduo. Baseado no ensaio e no erro, na pesquisa, na investigação, na solução de problemas, facilitando o “aprender a pensar”. Ênfase nos trabalhos em equipe e jogos. Ênfase nos meios: recursos audiovisuais, instrução programada, tecnologias de ensino, ensino individualizado (módulos instrucionais), “máquinas de ensinar”, computadores, hardwares, softwares. Os comportamentos desejados são reforçados. Os objetivos educacionais são definidos a partir das necessidades concretas do contexto histórico- social no qual se encontram os sujeitos. Busca a consciência crítica. O diálogo e os grupos de discussão são fundamentais para o aprendizado. O aluno se reconhece nos conteúdos podendo ampliar sua própria experiência. O grau de desenvolvimento da aprendizagem depende tanto da prontidão do aluno quanto do professor e do contexto da sala de aula. Professor Detentor e transmissor do conhecimento; figura central do processo educativo, predomina como autoridade. É um facilitador da aprendizagem. Auxilia o desenvolvimento livre e espontâneo do aluno. Planeja e organiza as melhores técnicas para o ensino eficaz e competente. Relação pedagógica calcada na autonomia e reciprocidade. Mediada pelo diálogo. Professor e aluno são sujeitos do ato do conhecimento. Mediador. Intelectual. É o educador que direciona e conduz o processo ensino-aprendizagem. Relação centrada nos conteúdos de ensino. Aluno Visto como depósito de informações. Memoriza os conteúdos sem questionar. É um ser “passivo”. É um sujeito ativo, que aprende pela descoberta e por experiências de iniciativa pessoal. Aprende por meio de estímulos e reforço. É privado de senso crítico e deve seguir à risca manuais de instrução. Uma pessoa concreta, objetiva, que determina e é determinada pelo contexto histórico. Reconhece-se nos conteúdos. Ser concreto situado historicamente; determinado pelas condições socioeconômicas e culturais. Metodologia Aulas expositivas. Privilegia a lógica e a memorização. Repetição de exercícios enquanto maneira de garantir a memorização dos conteúdos. Respeita o ritmo individual de aprendizagem de cada aluno. Valoriza as experiências pessoais e o trabalho em grupo. Apresenta modelos a serem seguidos. O ensino é repetitivo e mecânico. Técnicas de ensino. Temas geradores extraídos da prática de vida dos educandos. Utilização de métodos que favoreçam a relação dos conteúdos com os interesses dos alunos. Problematização. Avaliação Busca respostas prontas. Impede o aluno de refletir e criar. É única e bimestral. Privilegia a autoavaliação e a busca de metas pessoais. Feita em duas etapas. Verifica o aluno antes e depois de aprender. O objetivo é alcançar metas. Avaliação da prática vivenciada entre estudante e professor no grupo. Autoavaliação realizada considerando os compromissos assumidos com a prática social. Deve ser permanente e contínua. Avaliando-se o aluno também se avalia o professor. Preocupação com a superação do senso comum para obtenção da consciência crítica. Quadro 1: Síntese das principais abordagens de ensino 23 1.4 O papel da Didática na formação de professores: os saberes da docência Partindo do pressuposto de que o ato de ensinar e aprender, em um contexto histórico e socialmente situado, é complexo, faz-se necessário que os professores construam e mobilizem diferentes saberes para que possam dar conta dessa tarefa. Pois, como foi possível perceber na análise do histórico da Didática, as competências exigidas dos professores não apenas se modificam, mas também se tornam cada vez mais complexas. Para atender a tantas demandas, que não param de surgir, a formação desses docentes merece ocupar um papel de destaque no cenário social, não somente educacional. Melo e Pimenta (2018, p. 65) salientam: No contexto da Didática Multidimensional o docente é valorizado como quem produz saberes e os mobiliza, intencionalmente, para alcançar os objetivos de ensino. Esta perspectiva afasta a ideia conservadora de que, os professores são consumidores apáticos de saberes produzidos por pesquisadores na academia. Segundo as autoras, os professores constroem, atribuem sentido e reelaboram seus saberes cotidianamente em função dos desafios postos pela prática pedagógica, sempre em construção. Por isso é muito importante oportunizar uma formação inicial e continuada consistente a esses professores, para que nesse contexto da formação os saberes sejam ampliados, confrontados e ganhem sentido. Segundo Freitas e Pacífico (2015, p. 3), com fundamento em Imbernón (2011): Os saberes docentes não se limitam ao conhecimento de conteúdos específicos, são variados e heterogêneos e se estendem a um conjunto muito mais amplo de conhecimentos relativos aos contextos social, econômico e político e à prática pedagógica, ou seja, compreendem um sentido mais amplo do saber fazer e saber ser. Devido a isso, “o docente raramente se prende a uma só teoria ou concepção pedagógica, pois o bom profissional, conforme as suas necessidade e dificuldades encontradas, busca as soluções em diferentes teorias” (FREITAS; PACÍFICO, 2015, p. 9). Segundo Tardif, mesmo que isso possa parecer contraditório para os pesquisadores da educação, para os professores, “sua relação com os saberes não é de busca de coerência, mas de utilização integrada no trabalho, em função de vários objetivos que procuram atingir simultaneamente” (TARDIF, 2010, p. 14). 24 Veja o quadro síntese dos saberes docentes necessário à prática pedagógica, propostos por Pimenta (2005), Tardif (2010), Gauthier et al. (1998). Conheça as diferentes compreensões sobre os saberes docentes. Para mais informações, sugerimos a leitura do artigo de Freitas e Pacífico (2015): “Formação docente e os saberes necessários à prática pedagógica” (disponível em: http://www.periodicos.unir.br/index.php/EDUCA/article/viewFile/1620/1481). Pimenta (2005) propõe que os saberes docentes específicos ao exercício profissional de professores são divididos em: • Científicos: corpo de conhecimentos específicos sobre a área que o professor ensina. • Pedagógicos: mobilizados pela reflexão dos conhecimentos educacionais, didáticos e pedagógicos. • Da experiência: construídos a partir das experiências vivenciadas. Tardif (2010) ᅮ Saberes da formação profissional: conjunto de saberes transmitidos pelas instituições de formação de professores. ᅮ Saberes disciplinares: conhecimento produzido pela ciência da educação. ᅮ Saberes curriculares: correspondem aos discursos, objetivos, conteúdos e métodos a partir dos quais a instituição escolar categoriza e apresenta os saberes sociais por ela definidos. O professor os adquire ao longo da carreira. ᅮ Saberes experienciais: saber desenvolvido e criado pelo próprio professor ao pôr em prática a sua função docente. Gauthier et al. (1998) ᅮ Saberes disciplinares: ligado aos saberes acadêmicos, ou seja, produzidos pela ciência. ᅮ Saberes curriculares: refere-se às transformações dos saberes acadêmicos em programas escolares. ᅮ Saberes das ciências da educação: um conjunto de saberes relativos à escola: conhecimento sobre a sua organização estrutural, hierárquica e administrativa, conselho escolar, regimento interno e outros. ᅮ Saberes da tradição pedagógica: relativo à forma de como se dar aulas. ᅮ Saberes experienciais: relacionados às funções do exercício da docência e adquiridos através da experiência. ᅮ Saberes da ação pedagógica: saber experiencial, testado por meio das pesquisas em educação. http://www.periodicos.unir.br/index.php/EDUCA/article/viewFile/1620/1481 http://www.periodicos.unir.br/index.php/EDUCA/article/viewFile/1620/1481) 25 unidade II A organização do ProcessoDidático Nesta unidade, iremos nos dedicar a conhecer o que é o processo didático, bem como três aspectos que se associam a ele e que compõem o cotidiano docente: a relação pedagógica, a aula e o planejamento do processo de ensino e aprendizagem. 2.1 As dimensões do processo didático na ação docente Na unidade anterior, você aprendeu a respeito das origens da Didática e seu papel na formação docente e que o ensino é o objeto de estudo desse campo de conhecimento. Além disso, veremos que o processo de ensino envolve quatro aspectos: professor, aluno, conhecimento e situações didáticas (NADAL; PAPI, 2007). Para discutir o que é o processo didático, vamos ter como referência os sujeitos do ensino, respondendo às seguintes questões: a. Quem deve encaminhar o processo de ensino? b. Quem é o responsável por articular os sujeitos envolvidos no processo de ensino? c. Quem define a intencionalidade do processo de ensino? Se você respondeu “professor” para as três perguntas, você está no caminho certo em seu raciocínio didático! Como o processo de ensino, o processo didático só acontecerá se a ação docente aproximar o aluno da construção do conhecimento, numa intencionalidade que supera a aprendizagem mecânica e o ensino desenvolvido numa abordagem tradicional, pautado tão somente no processo de transmissão via aulas expositivas. 26 Veiga (2004), pesquisadora brasileira do campo da Didática nas Licenciaturas, afirma que o processo didático constitui-se de quatro dimensões: ENSINAR, APRENDER, PESQUISAR e AVALIAR; e “desenvolve-se mediante a ação recíproca e interdependente das dimensões fundamentais. Integram-se, são complementares” (VEIGA, 2004, p. 13). A autora destaca ainda que o processo didático é um “espaço-tempo em que se dão as relações diretas e imediatas do ensinar, aprender, pesquisar e avaliar, não existe em si mesmo e por si, mas na correlação, na dinâmica interna de sala de aula, lugar social” (VEIGA, 2004, p. 15). Realize a leitura do texto “O processo didático e suas dimensões”, de Ilma Veiga. Esse texto foi sintetizado para a Semana Pedagógica proposta pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná: http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/sem_pedagogica/ fev_2018/anexo1_professores_processo_didatico.pdf A figura 2 apresenta os quatro elementos do processo didático e também as conexões que devem ser feitas entre esses elementos. Perceba que, nesse sentido, ensinar, aprender, pesquisar e avaliar (e seus pares didáticos) são ações que devem ser realizadas tanto pelo professor quanto pelo aluno. Em outras palavras, tanto o professor as realiza como também deve estimular o aluno a realizá-las. Figura 2: Processo didático. Fonte: Veiga (2004, p. 14). http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/sem_pedagogica/fev_2018/anexo1_professores_processo_didatico.pdf http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/sem_pedagogica/fev_2018/anexo1_professores_processo_didatico.pdf http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/sem_pedagogica/fev_2018/anexo1_professores_processo_didatico.pdf 27 Sujeitos do processo de ensino Cada dimensão do processo didático possui pares didáticos. Exemplo: Avaliar o que se ensina; avaliar o que se pesquisa; avaliar o que se aprende; avaliar o que se avalia. Para aproximar duas dimensões há conexões que as aproximam. Em caso de dúvidas na identificação dos elementos, observe a figura com as marcações: Na figura 2, temos os pares didáticos e, no quadro 1, vamos observar uma síntese de cada um deles. É importante que você faça a leitura indicada acima, para compreender o que é cada dimensão e depois o modo como elas se relacionam nos pares didáticos: Quadro 2: Síntese sobre os pares didáticos. Par didático Contribuição ENSINAR a ensinar Orientar aprender Construir conhecimentos pesquisar Estimular a criatividade avaliar Desenvolver a dimensão crítica APRENDER a ensinar Capacidade de organizar e selecionar conhecimentos aprender Incorporar novas modalidades de aprendizagem pesquisar Incorporar novas experiências educativas avaliar Acompanhar sua aprendizagem PESQUISAR o que se ensina Elevar a qualidade do ensino aprende Ampliar o conhecimento pesquisa Pesquisar o que se produz e a partir do que se produziu avalia Reflexão constante AVALIAR o que se ensina Capacidade de reflexão (e autocrítica) aprende Fornecer diagnóstico para refletir sobre o processo pesquisa Exercício de compreensão avalia Para revisar processos Fonte: elaborado pelas autoras com base em Veiga (2004). 28 As conexões do processo didático são: desenvolver estratégias individuais de aprendizagem e investigação, além dos caminhos didático e investigativo e da relação pedagógica. As estratégias de aprendizagem e investigação são importantes elementos de conexão entre o APRENDER e o PESQUISAR, pois é com a “produção, apreensão e consolidação dos conhecimentos curriculares, [que o sujeito] por meio de sua própria atividade, organiza, elabora e produz o conhecimento” (VEIGA, 2004, p. 28). Assim, quando o professor estimula diferentes formas de aprendizado e de pesquisa, contribui de modo ímpar no desenvolvimento do aluno. Observe a figura neste quadro. Ela apresenta as oito inteligências múltiplas (linguística, lógico-matemática, espacial, corporal- cinestésica, musical, interpessoal, intrapessoal e naturalista) apresentadas por Howard Gardner a partir de 1980. Apenas estimulando uma estratégia para a aprendizagem/ pesquisa, estaremos incluindo todos os nossos alunos com suas potencialidades e dificuldades? Link da imagem: http://tsukimi. com.br/inteligencias-multiplas/ Os caminhos didático e investigativo são importantes para desenvolver criticamente o processo de ensino como um todo. Nesse sentido, quando professor e aluno investigam a respeito da avaliação ou pesquisa, desenvolvem a crítica, a curiosidade e a criatividade sugerida por Freire (2016) e fortalecem todo o processo didático. O caminho didático não apenas aproxima o aluno do ensinar e do avaliar, mas aproxima essas dimensões que, por vezes, podem estar separadas. Por exemplo: um processo de ensino-aprendizagem ativo, participativo, porém com avaliação que cabe apenas ao professor, sem permitir que o aluno reflita, se autoavalie, aponte suas percepções ou seu olhar para determinada atividade. A última conexão do processo didático é a relação pedagógica, a qual é imprescindível para o desenvolvimento do processo didático e para nos tornarmos professores mediadores. Vamos discuti-la aprofundadamente na próxima seção. Convidamos você a fazer a leitura de um texto: “As dimensões do processo didático na ação docente”, de Ilma Veiga (2004), em que a autora discute detalhadamente sobre essa temática tão importante para a construção do conhecimento e desenvolvimento da dimensão crítica e criativa do professor e do aluno. https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-DXQ8fIt5I8Vw- eyU9tBQzcWF_rT1-XO/view?usp=sharing http://tsukimi.com.br/inteligencias-multiplas/ http://tsukimi.com.br/inteligencias-multiplas/ https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-DXQ8fIt5I8Vw-eyU9tBQzcWF_rT1-XO/view?usp=sharing 29 2.2 Relação pedagógica: aspecto vital da Didática – o professor como mediador Saint-Onge (2007, p. 211), pesquisador canadense dedicado às questões sobre o ensino, afirma que “ensinar é essencialmente trabalhar para estabelecer [...] uma relação que guia uma pessoa na aquisição de novas capacidades. A relação pedagógica estabelece-se graças a três relações distintas, mas em interação”. Observe a figura 2, que apresenta os componentes da relação pedagógica: Figura 3: Relação pedagógica. Fonte: Saint-Onge (2007, p. 212). Vamos compreender juntos o que significa cada relação que compõe a relação pedagógica e porque ela é um aspecto vital da Didática, conforme o título desta seção: Relação didática: se estabelece entre professor e conhecimento e “engendra umprocesso de reorganização dos conhecimentos com fins pedagógicos” (SAINT-ONGE, 2007, p. 213-214). Essa relação também é conhecida como transposição didática, proposta por Chevallard (1991 apud PAIS, 2012). Exemplo: para ensinar as quatro operações, o professor possui uma bagagem enorme sobre esse conteúdo (problemas, material dourado, operações mentais, teorias, exemplos etc.), e é a partir disso que, pensando no aluno, vai definir didaticamente quais conteúdos serão o ponto de partida ou de retomada. A figura 3 exemplifica essa relação: Figura 4: Relação didática. Fonte: elaborado pelas autoras. CONHECIMENTOS PROFESSOR/PROFESSORA ALUNO RELAÇÃO DIDÁTICA RELAÇÃO DE MEDIAÇÃORELAÇÃO DE ESTUDO CONHECIMENTO CIENTÍFICO CONHECIMENTO A SER ENSINADO RELAÇÃO DIDÁTICA TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA 30 • Relação de estudo: é o momento do contato direto entre o aluno e o conhecimento, para que sejam retomados, aprofundados e praticados os conteúdos construídos em aula. Segundo Saint- Onge (2007), não é uma relação facultativa, mas imprescindível para a continuidade do processo de ensino-aprendizagem, devendo ser prevista pelo(a) professor(a). • Relação de mediação: é a principal relação que aproxima professor e aluno, na construção coletiva do conhecimento. Leia o ebook da professora Maiza Althaus (2015): “Didática: a relação mediadora do professor no processo de ensino e aprendizagem”. Realize anotações sobre as seguintes questões: a) O que é ser professor mediador? b) Quais as características do professor mediador? https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1- 0xJ2tSN6rIpqdK5oXrRsoW_wlDzYsIp/view?usp=sharing A relação de mediação acontece quando o professor é mediador. Thadei (2018, p. 91) nos provoca à construção desse conceito, comparando o “professor transmissor de informações” ao “professor mediador”, pois ambos possuem práticas opostas. O professor transmissor tem influência de modelos tradicionais, ausência de relação entre a teoria e a prática ou entre o conhecimento científico e o vivido e tem grande preocupação apenas com o conteúdo “dado”. O autor destaca que o termo “mediador” comumente envolve a moderação de relações e situações e “está entre as partes envolvidas, não apenas geograficamente, mas no sentido de promover avanços na situação inicial” (THADEI, 2018, p. 92-93, grifo do autor). O professor mediador “está” entre aluno e conhecimento, sendo uma ponte entre ambos, ou seja, não basta apenas mostrar ao aluno o conhecimento, mas é necessário instigá-lo à pesquisa e à criticidade. Além disso, o professor funciona como uma “ponte”, despertando o interesse, utili- zando diferentes estratégias de ensinar e planejando suas aulas de acordo com o diagnóstico feito do ambiente. “O professor assume, nesse contexto, o papel de mediador entre o sujeito e o objeto de conhecimento, criando possibilidades para que o aluno chegue às fontes do conhecimento que estão a sua disposição na sociedade” (NADAL; PAPI, 2007, p. 20). https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-0xJ2tSN6rIpqdK5oXrRsoW_wlDzYsIp/view?usp=sharing 31 A seguir, elencamos algumas características do professor mediador: • Para a aprendizagem: ele orienta, facilita, provoca o aluno a pensar, desperta seu interesse, articula conhecimento científico e vivenciado. • Com os alunos: valoriza seu contexto, ouve, dialoga, incentiva à participação, tira as dúvidas, acolhe, respeita e valoriza o aluno e suas produções. Além disso, cuida com a linguagem que utiliza, para fazer-se compreendido, e desenvolve relações afetivas e humanas com os alunos. • Com a sua profissão: considera-se um eterno aprendiz, pois segundo Freire (2016, p. 25) “aprende ao ensinar e [...] ensina ao aprender” (ALTHAUS, 2015; THADEI, 2018). O termo mediação/mediador está ancorado nos estudos de Vygostky, que entendia que o aluno (na maioria dos casos) não consegue construir sozinho seus conhecimentos, apesar de possuir zonas de desenvolvimento real e potencial. No entanto, com a mediação, fortalece a zona de desenvolvimento proximal para transcender da zona de desenvolvimento real para a potencial (BECKER, 2003; THADEI, 2018). Assim, considerando o contexto em que o aluno está inserido e as capacidades já desenvolvidas, “a mediação adquire diferentes particularidades, com intenções e sistematizações, ou seja, as interações estão carregadas de intencionalidade, de planejamento” (PINTO; GOUVÊA, 2014, p. 58). Cordeiro (2007, p. 97) define a relação pedagógica como o “conjunto de relações humanas, e consequentemente, sociais e históricas, [...] que engloba o conjunto de interações que se estabelecem entre o professor, os alunos e o conhecimento”, ou seja, entre os sujeitos do processo de ensino-aprendizagem. Autores como Oliveira (2014, fundamentada em HOUSSAYE, 1987) denominam a relação pedagógica de triângulo pedagógico, e as relações que o contemplam de “Pedagogias”. Assim, temos as Pedagogias do ensinar (par professor-conhecimento), do aprender (par aluno-conhecimento) e do formar (relação professor-aluno). Adaptamos a figura de Saint-Onge (2007) para que você compreenda essa outra organização: Figura 5: Triângulo Pedagógico. Fonte: adaptado pelas autoras de Saint-Onge (2007) e Oliveira (2014). Para que se desenvolva o ensinar, o aprender e o formar, não podemos desprezar cinco características que possuem influência direta sobre o modo como a mediação e a relação pedagógica se desenvolverão: espaciais, temporais, linguísticas, pessoais e cognitivas (CORDEIRO, 2007, 2011). O quadro 3 detalha cada uma dessas dimensões: CONHECIMENTOS PROFESSOR/PROFESSORA ALUNO PEDAGOGIA DO “ENSINAR” PEDAGOGIA DO “FORMAR”PEDAGOGIA DO “APRENDER” Triângulo Pedagógico 32 Quadro 3: Dimensões da relação pedagógica. Determinantes Dimensão Descrição O rg an iza çã o do te m po e d o es pa ço ESPACIAL O espaço em que a relação pedagógica se desenvolve influencia no modo como as relações vão acontecer, porém ele não as determina totalmente. TEMPORAL O tempo cronológico (distribuição da carga horária e horários escolares) e o tempo pedagógico (maior aproveitamento do tempo para ampliar possibilidades de aprendizagem) possuem influência significativa. Re la çõ es h um an as e c og ni tiv as LINGUÍSTICA Diz respeito ao discurso/linguagem utilizada e ao modo como o diálogo é estabelecido. A maneira como o professor mobiliza a linguagem, as explicações, perguntas, participação etc. pode denotar uma perspectiva tradicional ou mediadora de ensino. Além disso, essa dimensão pode demonstrar a autoridade ou autoritarismo exercido no ambiente escolar, quando “a linguagem é mobilizada pelo professor apenas para reforçar essa sua posição de autoridade” (CORDEIRO, 2011, p. 73). PESSOAL Refere-se às relações interpessoais e de afetividades estabelecidas, que possuem influência direta sobre a aprendizagem; os vínculos estabelecidos entre professor e alunos, a partir das relações de afetividade. COGNITIVA São as relações estabelecidas com o conhecimento, a partir da compreensão dos contextos históricos, sociais, políticos, econômicos e culturais dos sujeitos, para facilitar a associação de novos conhecimentos. Para Cordeiro (2007), o modo como os alunos se relacionam com o ambiente escolar depende da mobilização para ir à escola e da realizada na escola, o que culmina no estudar ou não ou, ainda, no êxito ou fracasso. Fonte: elaborado pelas autoras a partir de Cordeiro (2007, 2011). 33 Essas múltiplas dimensões que envolvem todo o processo didático, e particularmente a relação pedagógica, justificam o que autores como Pimenta (2015, p. 84) afirmam sobre o ensino ser “uma práxis social complexa”, seja pela forma como os sujeitos se relacionam, pelos tempos e espaço oportunizados ou pela finalidade do ensino. No entanto, essa práxis é prevista, sistematizada e organizada a partir do planejamento. Na próxima seção, vamos nos concentrar em planejar os momentosde “ensinar” e “aprender”. Por isso nos dedicaremos ao Planejamento do processo de ensino e aprendizagem e em como a dimensão do “formar”, com base na mediação, pode favorecer a aprendizagem e o desenvolvimento dos sujeitos envolvidos. Assista ao vídeo “Relação Pedagógica” e reflita sobre a importância dela no cotidiano escolar: https://www.youtube.com/watch?v=ia5r2Ff-5kc 2.3 Planejamento do processo de ensino e aprendizagem Quando Pimenta (2015, p. 90) declara que ser professor é “um ato político, com intencionalidades formativas, planejadas e com estratégias mobilizadoras”, é importante inicialmente entendermos que tais afirmações são resultados não apenas da ação, mas do planejamento e do plano elaborado para desenvolver o processo de ensino e aprendizagem, pois é nesse momento que nossas intencionalidades são expostas e sistematizadas à luz de nossas concepções. Assista ao vídeo da Alice no País das Maravilhas. Reflita sobre a frase “Não há ventos favoráveis para quem não sabe onde navega”: a. Qual a importância do planejamento da ação docente? b. Planejar significa prever imprevistos e criar ideias? c. É necessário possuir um objetivo para planejar um ensino e uma aprendizagem significativos e contextualizados? https://www.youtube.com/watch?v=ISt-Dx7nBNE Sugerimos a leitura de dois textos: um capítulo de Farias et al. (2011) e texto de Klosouski e Reali (2008). Ambos discutem o planejamento de modo claro e apresentam diversas definições sobre o ato de planejar e os níveis de planejamento (que discutiremos na próxima seção). https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/11A- XGZujZEMs9zj79WugyUJbZi0MLvL-/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/11HCapY_kjS11BoxNUnXpSGzzzY-6yhKJ/ view?usp=sharing https://www.youtube.com/watch?v=ia5r2Ff-5kc https://www.youtube.com/watch?v=ISt-Dx7nBNE https://www.youtube.com/watch?v=ia5r2Ff-5kc https://www.youtube.com/watch?v=ISt-Dx7nBNE https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/11A-XGZujZEMs9zj79WugyUJbZi0MLvL-/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/11HCapY_kjS11BoxNUnXpSGzzzY-6yhKJ/view?usp=sharing 34 Planejar é uma atividade inerente ao ser humano. Planejamos uma festa, mudar de emprego, construir uma casa, comprar um carro, viajar etc. E, assim como na vida cotidiana, a ação docente também deve ser planejada, a fim de refletir sobre a prática a partir do contexto em que estamos inseridos, experimentar ideias e elaborar estratégias (GIMENO SACRISTÁN, 1998). Luckesi (2011, p. 24) define planejar como a ação de “clarear os desejos e, com base neles, estabelecer metas práticas assim como os recursos que as viabilizem”. Por isso, é uma “ação reflexiva, viva, contínua. [...] É um ato decisório, portanto, político, pois nos exige escolhas, opções metodológicas e teóricas. Também é ético, uma vez que põe em questão ideias, valores, crenças e projetos que alimentam nossas práticas” (FARIAS et al., 2011, p. 111, grifo nosso). Além de ato político e ético, é um ato técnico, ou seja, diz respeito à execução e a “saber fazer a atividade profissional. No caso da prática do planejamento educacional, o saber técnico determina a competência para organizar as ações que serão desenvolvidas com [sic] visando à aprendizagem dos alunos” (LARCHERT, 2010, p. 60). Para que você compreenda o processo que se inicia com os nossos pensamentos e culmina na ação docente, elaboramos o esquema da figura 5: Figura 6: O planejamento como elemento imprescindível para tomada de decisão. Fonte: elaborado pelas autoras. Pensar o planejamento compreende entender os momentos em que ele está estruturado. De modo ampliado, dizemos que são cinco momentos que o compõem, em um processo contínuo: • Diagnóstico: conhecer a realidade (as necessidades e possibilidades) do espaço onde vamos atuar; • Planejamento: momento de tomada de decisão e previsão da ação (aqui fica implícita a elaboração do plano, porém cabe lembrar que ele é a documentação da sistematização da ação); • Execução: ação docente; PRÁTICAPLANOPLANEJARPENSAMENTOS Ação: Ensinar Previsão da ação Organização da ação Confecção de um documento Resultado da ação de planejar Espaço intermediário entre Momento de decisão e reflexão Atividade intencional que não é neutra Nossas experiências, conhecimentos, trocas de ideias, pesquisas, documentos, novas ideias, etc. 35 • Avaliação: reflexão sobre a ação desenvolvida, adequação do planejamento elaborado e análise dos resultados (se o processo de ensino foi desenvolvido de modo suficiente, se a aprendizagem foi do modo objetivado etc.) • Replanejamento: momento de retomada, revisão do planejamento para reestruturar a ação docente. De modo sintético, Luckesi (2011) estrutura esses momentos no denominado ato pedagógico, que “inicia-se com o estabelecimento de metas, com o planejamento. Sob sua guia, segue a execução, que dialeticamente, soma-se à avaliação, para que produza o resultado desejado” (LUCKESI, 2011, p. 19, grifo nosso). Perceba que o autor compreende o diagnóstico e o planejamento como integrados, pois não se planeja sem se conhecer o contexto em que a ação será desenvolvida, e o replanejamento como recomeço do ato pedagógico. Além disso, perceba que a avaliação integra todos os momentos do planejamento, sendo uma atividade-meio do planejamento: ela cumpre a função diagnóstica no diagnóstico e replanejamento; formativa, no planejamento, execução e replanejamento; e de resultados, quando se avalia a ação estruturada para decidir replanejar ou não (FARIAS et al., 2011; LUCKESI, 2011; ZANON; KAILER, ALTHAUS, 2016). Para que esse ato pedagógico seja estruturado, é necessário seguir alguns princípios (ou características) no momento do planejamento. Leia atentamente o quadro 3: Quadro 4: Princípios/características do planejamento docente. Princípio Descrição Objetividade Tanto o planejamento como o plano devem possuir objetivos alcançáveis aos alunos que participarão do processo. A objetividade articula todo o contexto ao tempo, espaços e recursos, preservando as intenções a curto e a longo prazo. Participação Envolve a possibilidade de partilhar ideias com os colegas e, ainda, inserir os alunos no planejamento, no sentido de incorporar ideias sugeridas. A participação possibilita ampliar as capacidades criativas e inovadoras, clareando novas ideias e estimulando o professor. Entretanto, para facilitar a troca de ideias entre os docentes, é necessário sempre formalizar o planejamento. Formalização O planejamento deve ser formalizado/registrado para tomar forma, adequando- se ao tempo disponível e à possibilidade de posteriormente ser compartilhado e readequado para outras situações. Assim, deve ser preciso, detalhado e claro, a fim de especificar com os enunciados o que se objetiva, possibilitando a construção de uma memória do que foi realizado e a socialização do trabalho, a partir do princípio da participação. Flexibilidade Refere-se à possibilidade de readequação do planejamento e do plano aos imprevistos e surpresas que podem ocorrer, como, por exemplo, fatores relacionados ao espaço-tempo e aos próprios sujeitos e recursos, permitindo a alteração do que foi planejado sem interferir no objetivo a ser alcançado. Ela indica que o plano e o planejamento não são camisas de força que engessam a prática, mas guias e referenciais para a ação, podendo ser readequados/replanejados. Coerência Indica a necessidade de conexão entre o objetivo proposto e os meios utilizados. No que se refere ao plano traçado, significa articular os objetivos com os conteúdos, estratégias metodológicas (de ensino e aprendizagem) e avaliativas. Farias et al. (2011) indicam que é “uma relação de concordância que envolve a reciprocidade entre diferentes elementos que compõem um mesmo plano [...] os vários planos de ensino entre si (de curso, de unidade e de aula); os planos de ensino e o Projeto Político-Pedagógico”. Ousadia Assimcomo o refrão de pagode, o planejamento expressa a possibilidade de mudança e inovação; assim: “O nosso lema é ousadia e alegria”. Esse princípio reforça a necessidade de o planejamento ser um momento crítico-reflexivo, criativo e de pesquisa. Fonte: elaborado pelas autoras com base em Farias et al. (2011) e Haydt (2006). 36 A partir desse panorama sobre o planejamento, quais são os requisitos para planejar? Vejamos: é importante partir da realidade que se possui. Também é necessário ser coerente com o que se pretende ensinar, além de ser fundamental utilizar exemplos da realidade para articular o conhecimento científico com o conhecimento vivido. Além desses requisitos, destacam-se, de modo especial, o domínio do conteúdo e de metodologias para desenvolvê-los e a importância de trabalhar na perspectiva mediadora de ensino. Se, com o planejamento, “esperamos prever ações e condições; racionalizar tempos e meios; fugir do improviso e da rotina, assegurar unidade, coerência, continuidade e sentido ao nosso trabalho” (FARIAS et al., 2011, p. 111), além de inovar e criar novas estratégias de ensino e aprendizagem, é necessário que essas ideias tomem forma, ou seja, sejam organizadas e sistematizadas no plano. Para Gimeno Sacristán (1998, p. 197-198), o plano: [...] indica a confecção de um apontamento, rascunho, croqui, esboço ou esquema que representa uma ideia, um objeto, uma ação ou sucessão de ações, uma aspiração ou projeto que serve como guia para ordenar a atividade de produzi-lo efetivamente [...] [e] representa, em alguma medida, a prática que resultará. Entretanto, antes de darmos forma ao plano, é importante conhecermos um requisito fundamental de qualquer planejamento docente: não basta apenas planejar a ação, ela deve estar direcionada a partir das necessidades formativas requeridas pela sociedade e expressas também na postura adotada pela instituição escolar. Assim, o planejamento docente deve estar fundamentado nas leis, resoluções e diretrizes normativas e também nos documentos da escola. Por isso, na próxima seção, primeiramente vamos estudar os níveis de planejamento, para depois compreendermos como elaborar um plano de aula e trabalhar com projetos, valorizando a participação de outros sujeitos no nosso planejamento. 2.4 Níveis de planejamento, planos de ensino e o trabalho com projetos na sala de aula Retome os textos indicados na seção anterior e leia atentamente os tópicos “4.4 Os sujeitos do planejamento”, do capítulo de Farias et al. (2011), e “Conceitos de planejamento”, do artigo de Klosouski e Reali (2008). Para aprofundar sua leitura, indicamos o texto de Haydt (2006) “2.Os tipos de planejamento na área da educação”, no capítulo “O planejamento da ação didática”. https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-Ntj1O2DzKj5jIN_ LmFcArRhMrKn8vwB/view?usp=sharing No cotidiano escolar, em diversos momentos o planejamento é requisitado como função docente. No início do ano, antes de começar as atividades com os alunos, também durante as semanas pedagógicas, em que é necessário o detalhamento de todas as atividades para que o processo de ensino-aprendizagem se efetive. Muitas vezes, em semanas pedagógicas, os professores estão dialogando, discutindo e propondo ações conjuntamente. Além disso, as diretrizes curriculares e as orientações que são encaminhadas pelas Secretarias de Educação (municipal, estadual etc.) também estão presentes no dia a dia docente. https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-Ntj1O2DzKj5jIN_LmFcArRhMrKn8vwB/view?usp=sharing 37 Nesta seção, iremos enfocar, detalhadamente, os diferentes níveis de planejamento com que os professores estão envolvidos no seu trabalho. A ação de planejar, que culmina na escrita de um plano, desenvolve-se em dimensões interligadas. De modo geral, os diversos níveis de planejamento estruturam-se em três bases: as políticas educacionais, os documentos da instituição escolar (aqui temos dois níveis: a instituição de modo global e o trabalho das equipes docente e pedagógica) e o planejamento docente. Para facilitar sua visualização e entendimento dos níveis, optamos por sistematizá-los no quadro 5: Quadro 5: Níveis de planejamento. Nível Descrição Sujeitos envolvidos Planejamento do Sistema Educacional Abrange as diversas esferas governamentais (federal, estadual e municipal), expressando as políticas educacionais adotadas. São elaboradas e implementadas por leis, resoluções, planos, diretrizes, parâmetros, referenciais etc. relacionados ao sistema educacional em questão, considerando a autonomia dos estados e municípios, sem descumprir o mínimo estabelecido pelas leis federais. Exemplo: Nível Federal: LDB 9.394/96; Diretrizes Curriculares Federais; Plano Nacional de Educação etc. Órgãos governamentais. Por exemplo: no âmbito federal, temos o MEC (Ministério da Educação) e o CNE (Conselho Nacional de Educação). Planejamento Escolar Expressa o planejamento global da instituição: suas concepções e referenciais sobre a educação articuladas às propostas pedagógicas para operacionalizar as ações que serão desenvolvidas, tendo como ponto de partida o diagnóstico da comunidade atendida. Envolve um processo de tomada de decisão sobre o funcionamento escolar, que é expresso no Projeto Político Pedagógico (PPP). Toda comunidade escolar (equipes pedagógica, administrativa, docente, de funcionários, além dos pais, alunos e representantes da comunidade). Planejamento Curricular A partir dos dois níveis anteriores, organiza o currículo das disciplinas (seus objetivos, sequência dos conteúdos, metodologias e avaliação), tendo como referência o exposto nos documentos oficiais, porém adequando à realidade escolar expressa no PPP. O planejamento curricular pode ser denominado, por exemplo, de “Proposta pedagógica da disciplina” ou “Proposta Pedagógica Curricular”. A forma como esse documento será elaborado depende da instituição escolar, a qual pode organizá-lo por área ou disciplina de conhecimento, módulos, núcleos de competência, ciclos, projetos, eixos etc. Na Educação Básica, a organização mais comum é em disciplinas e por ano/série. Equipe pedagógica e docente Planejamento Didático (ou de Ensino) Refere-se à previsão da ação docente, ou seja, quais procedimentos e estratégias serão utilizados para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, tendo como referência os níveis anteriores. Aqui, no Planejamento Didático (ou de Ensino) são os próprios professores os responsáveis diretos por organizar, sistematicamente, o processo de ensino que será desenvolvido e que está articulado com os outros níveis descritos. Sua concretização ocorre, portanto, em quatro modalidades de planos distintos, mas articulados entre si, a saber: • Plano anual: também denominado de Plano de Curso ou Plano de Trabalho Docente (na rede estadual de ensino do Paraná, é conhecido como PTD), o qual pode organizar-se em diferentes períodos de tempo (bimestral, trimestral, semestral etc.). Vale destacar que algumas instituições denominam esse plano “Programa de ensino” ou “Programa da disciplina” (ou seja, percebam que há várias denominações); • Plano de unidade: consiste num desmembramento em unidades temáticas extraídas do plano anual. Também são chamados de “Sequências didáticas”; • Plano de aula: consistem na organização cotidiana dos professores em planejar, didaticamente, suas aulas; • Projetos: mais adiante vamos tratar sobre os Projetos. Professor Fonte: elaborado pelas autoras. 38 Sobre o planejamento escolar, queremos ressaltar que, segundo Vasconcellos (2013), o PPP é um projeto pela constante necessidade de revisão e retomada (devido às alterações das necessidades e recursos); é político, pois é uma dimensão da ação docente e educativa; e é pedagógico por organizar e delimitar a ação docente que será estruturada nos níveis seguintes (VASCONCELLOS, 2013). Na figura 6, apresentamos uma síntese sobre os elementosque constituem o PPP: Figura 7: Constituição do Projeto Político-Pedagógico. Fonte: adaptado pelas autoras de Vasconcellos (2013, p. 33) e Veiga (1998). No marco referencial, apresentam-se os posicionamentos políticos e pedagógicos, ou seja, o plano ideal a respeito das finalidades do trabalho educativo, a respeito da visão de mundo, homem, sociedade, educação, ensino e aprendizagem dos atores da instituição escolar. No marco situacional, segundo Veiga (1998, p. 23), é descrita “a realidade na qual desenvolvemos nossa ação; é o desvelamento da realidade sociopolítica, econômica, educacional e ocupacional”. Assim, nesse ato, é realizado o diagnóstico da realidade educacional, em face da análise das necessidades e possibilidades para o desenvolvimento da ação. Finalmente, de posse das concepções teóricas e das necessidades reais, é elaborada a proposta de ação para transformar a realidade apresentada. O momento da elaboração da proposta de ação possui diversas nomenclaturas e as mais conhecidas são Plano de Ação e Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE). Frisamos que aqui temos uma operacionalização do PPP, elaborado a partir dos outros dois atos. Essa etapa é importante, porém nosso desafio enquanto educadores é a articulação das diretrizes mais gerais (nível macro) que balizam a proposta da escola com a organização do trabalho pedagógico (nível micro). Assim, defendemos a necessidade do PPP enquanto documento coletivo e norteador do trabalho docente e não apenas do PDE, o qual é apenas uma das etapas do plano global da instituição. Para aprofundar essa temática, indicamos a seguinte leitura: http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/otp/docs_pdf/proj_polit_pedag.pdf Para conhecer mais sobre o PDE e como ele operacionaliza o PPP e os marcos conceitual e situacional, indicamos as seguintes leituras: ftp://ftp.fnde.gov.br/web/fundescola/publicacoes_manuais_tecnicos/pde_escola.pdf http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a04v2361.pdf Referencial Diagnóstico Necessidades Possibilidades Proposta de ação Ação transformadora Marco conceitual Marco situacional Marco operacional http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/otp/docs_pdf/proj_polit_pedag.pdf ftp://ftp.fnde.gov.br/web/fundescola/publicacoes_manuais_tecnicos/pde_escola.pdf http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a04v2361.pdf http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/otp/docs_pdf/proj_polit_pedag.pdf ftp://ftp.fnde.gov.br/web/fundescola/publicacoes_manuais_tecnicos/pde_escola.pdf http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a04v2361.pdf 39 Veiga (1998) apresenta uma figura que sintetiza esse processo e ressalta a necessidade da sua avaliação, a qual definirá os indicadores para mudança no PPP. Figura 8: Processo de construção e avaliação do projeto político- pedagógico. Fonte: Veiga (1998, p. 27). A avaliação, assim como vimos nos momentos do planejamento, é uma ação necessária e parte integrante do processo, sendo “a garantia do êxito do projeto [...] e compreendida como responsabilidade coletiva” (VEIGA, 1998, p. 27). Com relação ao planejamento didático, ele estrutura e organiza o trabalho docente, sistematizando todos os pressupostos definidos nos demais níveis. Ele pode ser expresso em quatro tipos distintos de planos: anual, de unidade e de aula, além dos projetos. Os projetos (também conhecidos como projetos de trabalho ou pedagogia de projetos) conectam o conhecimento científico à realidade social, tornando os alunos protagonistas da aprendizagem e conectando a pesquisa e a investigação ao processo de ensino e aprendizagem. Assim, as disciplinas (Matemática, Geografia, Ciências, Língua Portuguesa etc.) são uma referência para orientação do processo investigativo e não o ponto de partida e de chegada, permitindo sua superação, na direção de um viés inter e transdisciplinar. Além disso, com o desenvolvimento de projetos, há uma modificação natural na organização do tempo e do espaço (que vimos na seção 2.2) e a possibilidade do trabalho em classes de níveis e idades diversas, num processo de ensino colaborativo e de superação do “pensamento e resposta única” para uma visão crítica. (HERNÁNDEZ, 1998). No vídeo, Clarissa Bezerra (2017) explica o que é (e o que não é) a pedagogia de projetos, além de alguns benefícios para a aprendizagem em uma concepção globalizante: https://www.youtube.com/watch?v=Cst3AYZqEsk https://www.youtube.com/watch?v=Cst3AYZqEsk https://www.youtube.com/watch?v=Cst3AYZqEsk 40 Hernández (1998) destaca diversas diferenças entre o trabalho com as disciplinas específicas e com projetos, dentre elas, que os projetos fundamentam-se em temas ou problemas (e não em conceitos disciplinares), sendo centrado na realidade a partir da investigação e de perguntas; o conhecimento é utilizado para a pesquisa e não como um fim em si mesmo. Com fundamento em Dewey (1989 apud HERNÁNDEZ, 1998, p. 68, grifo do autor), os projetos podem ser compreendidos como “uma atividade coerentemente ordenada, na qual um passo prepara a necessidade do seguinte, e na qual cada um deles se acrescenta ao que já se fez e o transcende de um modo cumulativo”. Desse modo, é necessário o interesse do aluno para o seu desenvolvimento, além de as atividades não serem triviais, mas com problemas que instiguem o aluno a pesquisar, sendo necessário para tal um tempo (cronológico) de duração variável (dias, semanas, meses etc.). Na figura 8, apresentamos de modo sintetizado as etapas do desenvolvimento de um projeto, bem como o quadro de cognição (ou seja, as questões que permeiam o desenvolvimento do projeto). Figura 9: Questionamentos a serem respondidos durante o desenvolvimento do projeto. Fonte: elaborado pelas autoras. Segundo Queiroz (2009, p. 75), o ponto de partida de um projeto é um tema ou um problema que desperte o interesse: “Os alunos partem de suas experiências [...] ou procedem de uma experiência comum, originada de um fato da atualidade, ou surgida de um problema proposto pelo professor”. Esse tema/problema pode ser proposto: • pelos próprios alunos a partir de suas vivências. Exemplo: um aluno relata que vivenciou grandes diferenças de temperatura na viagem que fez pelo Paraná, e os alunos pesquisam as influências dos planaltos, relevos e nível do mar na amplitude térmica; • pelo professor, na sua disciplina ou articulada a outras. Por exemplo: o desenvolvimento da noção de mosaico pelos professores das disciplinas de Matemática, Ciências e Arte, cada um trabalhando um aspecto: proporcionalidade, presença na natureza e prática e histórico artístico; • pela escola: são sistematizados no PPP e envolvem toda escola. Exemplo: Feira de Ciências, Gincana Cultural, Semana de Teatro etc. O plano anual, também conhecido como Plano de Trabalho Docente, é a organização ampla da disciplina e especifica os objetivos gerais de trabalho, além dos conteúdos, metodologia e avaliação previstos para o período. Tal documento é uma obrigatoriedade, não apenas legal, mas para organizar a sistemática de trabalho, expresso na LDB 9.394/96, no artigo 13: “elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino” (BRASIL, 1996). Mileski e Aprigio (2017, p. 3) destacam que o PTD “se destina a representar o planejamento de conteúdos curriculares, que devem ser Tema/Problema Hipóteses/O que se sabe sobre Busca de informações Análise conjunta e síntese O que queremos saber? O que já sabemos? Como vamos pesquisar? Como vamos responder nosso problema? Quais nossas conclusões? 41 O plano anual pode seguir diferentes modelos/organizações. O importante é você (re)conhecer os elementos e saber como estruturar o texto a partir do roteiro fornecido pela instituição escolar, porém, para facilitar a visualização dos itens, em geral ele é organizado em um quadro. A seguir, você pode observar alguns exemplos. http://www.toojardimmaracana.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/27/2790/2032/arquivos/File/PDT/MATEMATICA/Prof_ Selma_Vanelli_9_A.pdf h t t p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m / a / e a d . u e p g . b r / f i l e / d / 1 - PffpFII3Z7ok3rpjKOA-aPz4hw5znBm/view?usp=sharing h tt p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m /a /e a d . u e p g . b r / f i l e / d / 1 - T _ TIdA5tKFAxxvMym-TzR-OvCArW1cG/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-_WvjxeG0HSofG- 7wiUZhVS4zmk54lN7/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-pD81hQA7FIwH- L1QPB9dSjcz_65oaT3/view?usp=sharing https://docplayer.com.br/29083138-Plano-de-trabalho-docente- ptd.html ministrados em uma determinada turma e durante um determinado tempo”. Assim, ele não apenas especifica a organização dos conteúdos, mas apresenta os objetivos a longo prazo, ou seja, os objetivos gerais a serem alcançados ao final do período. Dessa forma, ele não é um documento burocrático, mas um “instrumento essencialmente pedagógico, que expressa justificadamente a necessidade de sua elaboração e cumprimento, [...] para a melhoria do ensino e da aprendizagem de seus alunos” (MILESKI; APRIGIO, 2017, p. 13). Em geral, os elementos que compõem esse plano são: • Dados institucionais (instituição, professor, disciplina, turma e período de tempo); • Justificativa e/ou objetivos da disciplina (apresentam as razões para o ensino dessa disciplina, além dos resultados de aprendizagem que se espera alcançar); • Conteúdos (organizados em unidades didáticas); • Metodologia/encaminhamentos metodológicos e recursos didáticos (especifica, em linhas gerais, os procedimentos e os materiais que serão utilizados nas aulas); • Avaliação (apresenta os instrumentos avaliativos e critérios de avaliação, com vistas a alcançar os objetivos gerais estabelecidos, levando em consideração os conteúdos e estratégias metodológicas); • Referências bibliográficas (PARANÁ [2008?]). O plano de unidade é um desdobramento do plano anual, em unidades temáticas que serão desenvolvidas, sequencialmente, num período maior de tempo. Podemos defini-lo como a organização minuciosa de duas ou mais aulas. O plano de unidade, conhecido também como sequência didática ou unidade didática, apresenta a http://www.toojardimmaracana.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/27/2790/2032/arquivos/File/PDT/MATEMATICA/Prof_Selma_Vanelli_9_A.pdf http://www.toojardimmaracana.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/27/2790/2032/arquivos/File/PDT/MATEMATICA/Prof_Selma_Vanelli_9_A.pdf http://www.toojardimmaracana.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/27/2790/2032/arquivos/File/PDT/MATEMATICA/Prof_Selma_Vanelli_9_A.pdf https://docplayer.com.br/29083138-Plano-de-trabalho-docente-ptd.html https://docplayer.com.br/29083138-Plano-de-trabalho-docente-ptd.html http://www.toojardimmaracana.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/27/2790/2032/arquivos/File/PDT/MATEMATICA/Prof_Selma_Vanelli_9_A.pdf https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-PffpFII3Z7ok3rpjKOA-aPz4hw5znBm/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-T_TIdA5tKFAxxvMym-TzR-OvCArW1cG/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-_WvjxeG0HSofG-7wiUZhVS4zmk54lN7/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-pD81hQA7FIwH-L1QPB9dSjcz_65oaT3/view?usp=sharing https://docplayer.com.br/29083138-Plano-de-trabalho-docente-ptd.html 42 organização das aulas em torno de um conteúdo comum, possibilitando o desenvolvimento de uma proposta metodológica em várias aulas. Cuidado: ele não é um projeto, pois não necessariamente contará com os itens que são os componentes de um projeto. Quadros (2011, p. 39) destaca: A elaboração de planos de unidade não substitui o planejamento de cada aula. Ele apenas une (por isso o nome unidade) um conjunto de aulas em que os assuntos representam uma unidade compreensiva e significativa. Compreensivas no sentido de serem constituídas de assuntos afins, que apresentem relações entre si. E significativas no sentido de serem úteis e funcionais para os estudantes. Vamos exemplificar: no PTD de Geografia indicado anteriormente no ícone “Atenção” deste e-book, (http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/ conteudo.php?conteudo=898),a professora Elisangela descreveu que, no 1º trimestre, para a turma do 2º E, serão tratados quatro conteúdos básicos: “Mundo na Guerra Fria”; “Grandes atores da geopolítica no mundo atual”; “Globalização e redes da economia mundial”; “Globalização, comércio mundial e blocos econômicos”. Para facilitar a organização das aulas, ela poderia estruturá-las na unidade “Grandes atores da geopolítica no mundo atual”, e essa unidade comportaria os conteúdos específicos a ela, bem como os diversos objetivos específicos a serem alcançados. Vamos navegar e descobrir o que seria, então, um plano de unidade ou uma sequência didática. Você verá que esse tipo de plano de ensino envolve um conjunto de aulas, e não somente uma aula isoladamente. Confira acessando: http://www.educacao.pr.gov.br/ modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1300. Agora que você observou o que é um plano de unidade ou sequência didática, vamos discutir sobre o plano de aula, tema de grande relevância para nós. O plano de aula refere-se à organização minuciosa de uma aula. Pautado no plano anual, o plano de aula especifica conteúdos e objetivos a serem alcançados em uma aula, os quais contribuirão para chegar aos objetivos gerais estruturados para o processo de aprendizagem. Assim como no PTD, um plano de aula conta com diversas formas de organização, porém é importante que você reconheça os quatro elementos essenciais de um plano: objetivos, conteúdos, metodologia e avaliação (FARIAS et al., 2011). Lembre-se de que, na elaboração do plano de aula, é necessário que ele esteja articulado aos níveis e princípios de planejamentos que aprendemos anteriormente. Em linhas gerais, os elementos de um plano de aula são: • Dados institucionais: instituição, professor, disciplina, turma, data e tempo; • Objetivos: algumas instituições apresentam o objetivo geral – retirado do PTD – e os objetivos específicos, que serão estabelecidos para a aprendizagem dos alunos na aula planejada (trataremos desse assunto no item 2.6); • Conteúdo programático: apresenta os subtemas do conteúdo que será trabalhado; http://www.educacao.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1300 http://www.educacao.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1300 43 • Momentos da aula ou Desenvolvimento metodológico ou Metodologia: apresenta toda a descrição da aula que será desenvolvida, organizada em momentos constitutivos. Os momentos da aula, articulados entre si e adotados por pesquisadores da Didática que orientam professores e estudantes das Licenciaturas são: ᅮ Mobilização para a aprendizagem: também intitulado como momento da Introdução da aula ou Incentivação para a aprendizagem, em alguns livros de Didática. Trata- se do momento inicial da aula, em que se busca situar os alunos na proposta da aula, bem como envolvê-los, de modo participativo, na proposta que será desenvolvida. Usualmente, os professores buscam apresentar aos alunos os objetivos para as aprendizagens, ou seja, os professores comunicam as expectativas que possuem para os alunos, tanto no plano coletivo como individualmente, pois um plano de aula pode conter atividades diversificadas. Faz-se também um levantamento prévio dos saberes dos alunos sobre os conteúdos propostos. Mais adiante, quando você pesquisar em vários planos de aula, perceberá como os professores descrevem esse momento da Mobilização/Introdução nos planos de aula, envolvendo atividades planejadas para que o aluno seja protagonista desde o momento inicial da aula. ᅮ Aprofundamento/Desenvolvimento da aula: no desenvolvimento da aula, o professor apresenta como será trabalhado o conteúdo proposto para a aula, detalhando as atividades propostas, a fim de que os alunos percorram os objetivos para as aprendizagens.ᅮ Síntese Integradora: trata-se do momento ao final da aula. Com a maior quantidade possível de detalhes, é importante que você especifique as perguntas que fará oralmente aos alunos, as ações que você e os alunos farão, ou seja, como você organizou toda a aula, pois imagine que ao ler um plano de aula, pelo princípio da participação, uma pessoa deve conseguir realizá- lo, com as devidas adaptações, sem que você precise explicar várias vezes toda a sequência (ALTHAUS; BAGIO, 2017). • Recursos didáticos: todos os materiais que serão utilizados na aula, a partir do desenvolvimento metodológico que você elaborou; • Avaliação da aprendizagem: nesse tópico, você vai descrever a modalidade de avaliação utilizada (diagnóstica, formativa e/ou somativa), além dos instrumentos e critérios avaliativos da aula (na seção 2.7, trataremos sobre esse tema); • Referências bibliográficas: lista das obras e materiais consultados para a elaboração da aula; • Anexos (se necessário): Caso você proponha uma lista de exercícios, uma metodologia diferenciada, um jogo, uma leitura etc., para não tornar o desenvolvimento metodológico exaustivo, pode apenas citar e apresentar toda a sua descrição nesse item. Exemplo: Os alunos serão convidados a participar do jogo “Caça ao Tesouro” (Anexo A) em grupos... Em síntese, os elementos de um plano de aula são: dados institucionais; objetivos; conteúdo programático; desenvolvimento metodológico; recursos didáticos; avaliação da aprendizagem e referências. 44 Como já mencionado, o plano de aula possui diferentes modelos. O importante é você (re)conhecer os elementos e lembrar de colocar a maior quantidade possível de detalhes, sem tornar exaustiva sua descrição. A seguir, você pode observar alguns exemplos de roteiros: https://escolaeducacao.com.br/wp-content/uploads/2015/06/ planejamento-de-aula.jpg Plano de aula adotado pela Secretaria de Educação de Ponta Grossa: h t t p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m / a / e a d . u e p g . b r / f i l e / d / 1 - qGzG2K3hvKVdGzg1fW8nRjqdiq9zZtb/view?usp=sharing Roteiro elaborado pela professora Maiza Althaus: https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-rr8zNy3cMNJA- mn7Esioy48SO-1VALK/view?usp=sharing Modelo que utilizaremos em nossas atividades: https://dr ive.google.com/a/ead.uepg.br/f i le/d/1-v7-m- DClF4NNWnao874PRp_u_1wYZHv/view?usp=sharing O modelo que utilizaremos em nossas atividades, apresentado também com pontuações e dicas para facilitar a produção do seu plano de aula: h t t p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m / a / e a d . u e p g . b r / f i l e / d / 1 - yYbvWtyBt9Zz9cfK0Ao6OXUURc7-_4h/view?usp=sharing Nas próximas seções, estudaremos a aula e, posteriormente, os objetivos e a avaliação, para que você possua elementos teóricos suficientes para estruturar um processo de ensino-aprendizagem na perspectiva mediadora e crítica de ensino. 2.5 A aula como forma de organização do ensino A partir do que já tratamos anteriormente, é provável que você, em algum momento de estudo e leitura, tenha pensado algo como: “Eu consigo pensar em tudo isso quando eu for o mediador da aula?”, “E se fosse na sala de aula que eu frequentei no ensino médio?”, “E se fosse naquela sala de aula da escola?”. Observe a sequência de imagens da figura 9, a seguir, e procure reconhecer quais expressam uma aula, a partir das suas compreensões sobre o assunto: Textos recomendados para leitura: Massabni (2017) e Veiga (2011). https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-ypVcOMK_ e6VaihGY2lS6ngLM0QAlcLw/view?usp=sharing https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3205897/mod_resource/ content/3/Cap%C3%ADtuloIlmaPassosAlencastroVeiga.pdf https://escolaeducacao.com.br/wp-content/uploads/2015/06/planejamento-de-aula.jpg https://escolaeducacao.com.br/wp-content/uploads/2015/06/planejamento-de-aula.jpg https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3205897/mod_resource/content/3/Cap%C3%ADtuloIlmaPassosAlencastroVeiga.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3205897/mod_resource/content/3/Cap%C3%ADtuloIlmaPassosAlencastroVeiga.pdf https://escolaeducacao.com.br/wp-content/uploads/2015/06/planejamento-de-aula.jpg https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-qGzG2K3hvKVdGzg1fW8nRjqdiq9zZtb/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-rr8zNy3cMNJA-mn7Esioy48SO-1VALK/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-yYbvWtyBt9Zz9cfK0Ao6OXUURc7-_4h/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-v7-m-DClF4NNWnao874PRp_u_1wYZHv/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1-ypVcOMK_e6VaihGY2lS6ngLM0QAlcLw/view?usp=sharing https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3205897/mod_resource/content/3/Cap%C3%ADtuloIlmaPassosAlencastroVeiga.pdf 45 Figura 9: Exemplos de sala de aula. Fonte: Imagens disponíveis em: http://allcet.com.br/reforco/wp-content/uploads/2014/06/professores_em_sala_de_aula-671879-519d0d91d40bc.jpg; https://cptstatic.s3.amazonaws.com/imagens/enviadas/materias/materia25081/sala-de-aula-uov.jpg; https://ciberneticando.files.wordpress.com/2015/10/8035ea8c4afc0e03ba52543430fbd6d1-1.jpg; https://cptstatic.s3.amazonaws.com/imagens/enviadas/materias/materia11435/demonstrativa-1-cursos-cpt.jpg; https://3.bp.blogspot.com/-ezxu2dPLHLc/XHUEzqwu5tI/AAAAAAACzn0/QuEndqqNVik9TSdPO-E3swReYOihqPNDACLcBGAs/s320/Ensino%2Bdomestico. jpg;https://ep01.epimg.net/brasil/imagenes/2017/01/25/economia/1485379003_135429_1485451815_noticia_normal_recorte1.jpg Acreditamos que você reconheceu todas como uma aula, por contarem com um professor e/ou aluno(s). Entretanto, essas imagens representam diferentes abordagens de ensino e de métodos de ensino. Em caso de dúvidas, retome a Unidade I ou avance até a Unidade III, que trata da questão de sala de aula, tipos de ensino e métodos. Você já viu na Unidade I as diferentes abordagens de ensino, e já tratamos da perspectiva mediadora de ensino. Então, o viés que aqui trabalhamos é o paradigma do ensino como produção do conhecimento (CUNHA, 1996). Concordamos com Corrêa e Behrens (2014, p. 51-52) que: “O professor e a professora precisam entender que a partir da sua intervenção em sala de aula os alunos passam a aprender a aprender para a vida, mas, para tanto, necessita superar práticas que levem a decorebas sem sentido focadas na reprodução do conhecimento”. Nesse sentido, destacamos que a aula não é apenas o momento de concretização do plano, mas o momento em que o conhecimento pode ser construído ou reproduzido e, pelas relações estabelecidas, pode haver uma formação humana e crítica ou apenas para decorar e mecanizar a aprendizagem. Assim, a primeira noção sobre a aula é que, na perspectiva atual de sociedade, “uma aula não é algo que se dá, mas algo que se faz, ou melhor, que professores e alunos fazem, juntos” (RIOS, 2011, p. 75, grifo do autor). Observe o esquema da figura 10, o qual apresenta diferentes concepções de aula, e realize anotações a respeito da seguinte questão: “O que essas concepções possuem em comum sobre a noção de aula?”: Figura 11: Compreensões de aula. Fonte: (FARIAS et al., 2011; MARTÍNEZ, 2011; CAMPOS, 2013; LIBÂNEO, 2013, MASSABNI, 2017). AU LA “espaço-tempo coletivo de formulação de saberes” (FARIAS et al., 2011, p. 164). “é processo interpessoal e intersubjetivo [...] marcada por um contexto, situada por determinadas circunstâncias” (CAMPOS, 2013, p. 39). “A aula é parte da cultura escolar e pode ser concebida como o recorte espaço- temporal da escola, previsto para o aprendizado, no qual se pleiteia a partilha do conhecimento entre as pessoas, professores e alunos, em geral, com o apoio de recursos didáticos, como livros, cadernos, lousa e projetor multimídia” (MASSABNI, 2017, p. 11). “é toda situação didática na qual se põe objetivos, conhecimentos, problemas, desafios, com fins instrutivos e formativos, que incitam as crianças e jovens a aprender” (LIBÂNEO, 2013, p. 196). “espaço social concreto integradopor professores e alunos, onde, por excelência, produz-se a aprendizagem escolar” (MARTÍNEZ, 2011, p. 115, grifo do autor) http://allcet.com.br/reforco/wp-content/uploads/2014/06/professores_em_sala_de_aula-671879-519d0d91d40bc.jpg https://cptstatic.s3.amazonaws.com/imagens/enviadas/materias/materia25081/sala-de-aula-uov.jpg https://ciberneticando.files.wordpress.com/2015/10/8035ea8c4afc0e03ba52543430fbd6d1-1.jpg https://cptstatic.s3.amazonaws.com/imagens/enviadas/materias/materia11435/demonstrativa-1-cursos-cpt.jpg https://3.bp.blogspot.com/-ezxu2dPLHLc/XHUEzqwu5tI/AAAAAAACzn0/QuEndqqNVik9TSdPO-E3swReYOihqPNDACLcBGAs/s320/Ensino%2Bdomestico.jpg https://3.bp.blogspot.com/-ezxu2dPLHLc/XHUEzqwu5tI/AAAAAAACzn0/QuEndqqNVik9TSdPO-E3swReYOihqPNDACLcBGAs/s320/Ensino%2Bdomestico.jpg https://ep01.epimg.net/brasil/imagenes/2017/01/25/economia/1485379003_135429_1485451815_noticia_normal_recorte1.jpg 46 O que possuem em comum as noções de aula apresentadas por Farias et al. (2011), Campos (2013), Massabni (2017), Libâneo (2013) e Martínez (2011)? As compreensões acima sugerem algumas percepções: • Uma aula acontece com professor e aluno e necessita de uma intencionalidade; • É um processo comunicativo cuja finalidade é a aprendizagem, tendo como referência objetivos traçados; • Necessita de um espaço social para acontecer e envolve um determinado tempo. Em qual espaço social “normalmente” ouvimos falar que acontece a aula? A sala de aula (convencional, com as carteiras enfileiradas e voltadas à mesa do professor ou ao quadro de giz): por muito tempo o único espaço para acontecer uma aula. Campos (2013) defende que é na sala de aula que se demarca o território da profissão docente para a realização de suas práticas pedagógicas, porém destaca: “O fato de a sala de aula existir como um lugar de aprendizagem não significa que a tarefa da educação escolar deve se limitar a quatro paredes” (CAMPOS, 2013, p. 43). Xavier e Fernandes (2011, p. 239) destacam que a aula pode ocorrer em espaços formais e informais, pois ela “está presente nos múltiplos espaços da sociedade, para além das convencionais salas de aula das escolas, faculdades e universidades. O espaço da aula é aquele onde se ensina e onde se aprende algo”. Seja num museu, no parque, numa cozinha, fábrica, igreja, hospital, laboratório ou campo, desde que relacionada à intencionalidade de aprendizagem, a aula não apenas será diversificada como estará intrinsecamente relacionando os conhecimentos científicos aos vivenciados, propiciando o interesse, a curiosidade e a pesquisa. Assim, cabe ressaltar: Ainda que possa ser lúdica, dialogada ou menos formal, tarefas inerentes às aulas, requerem envolvimento intelectual na relação com o conhecimento. [...] O ajuste ao contexto passa a ser, assim, fundamental na prática docente, dado que um grupo de alunos é diferente do outro, as situações diferem em cada escola, e uma aula necessita se adequar às necessidades de cada grupo de alunos, em cada sala de aula, o que depende da idade, de conhecimentos prévios e propósitos educacionais para o nível de ensino a que se destina, entre outras (MASSABNI, 2017, p. 13-14). De modo geral, as aulas podem ser categorizadas em duas: expositiva e expositiva dialogada. Isso considerando os momentos em que a exposição é necessária, porém na Unidade III você aprenderá outras possibilidades. Na aula expositiva, o professor é o centro do processo e compreende que as informações repassadas são transferidas e absorvidas pelo aluno do modo como foram ditas, sem a necessidade de refletir, comparar ou pesquisar outras informações. Para Massabni (2017, p. 14), a crítica a esse tipo de aula está relacionada não apenas a estar assentada numa concepção de ensino tradicional, mas porque “a criatividade, a reflexão, a autonomia no pensar do aluno permanecem desvalorizadas em prol de um conhecimento elaborado e tido como acabado, sem oportunidade de ser questionado e modificado”. 47 Para compreender mais sobre a Aula expositiva dialogada, realize a leitura a seguir, de Anastasiou e Alves (2006). https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10- YnJ2GaQyrg8Pr3UpoppMrcgsH8cieb/view?usp=sharing A aula expositiva dialogada, por sua vez, considera e valoriza a participação do estudante, o questionamento, e assenta-se num viés crítico e mediador de ensino, por ter como pressuposto norteador o diálogo (ANASTASIOU; ALVES, 2006). Concordamos com Xavier e Fernandes (2011) que uma aula, atualmente, é independente de uma sala. Na aula se desenvolverá o ato educativo, a partir das intencionalidades, e envolvendo os sujeitos na construção do conhecimento. Pensar a aula, segundo Veiga (2011), requer pensar nos elementos que a estruturam. A autora destaca que, quando o professor organiza a aula, ele precisa considerar os conhecimentos que os alunos já possuem, analisar as diretrizes, orientações e referenciais curriculares, sistematizar articulações com a realidade, no sentido de “atentar para as necessidades formativas de seus alunos, a fim de perceber quais interesses atende ao propor determinadas atividades a seus educandos. [...] A realidade é o ponto de partida e de chegada (só que já transformada)” (VEIGA, 2011, p. 273). A autora pontua ainda que: “A organização da aula é um projeto de ação imediata, articulado ao projeto pedagógico de curso; contextualiza e orienta as atividades didáticas de professores e alunos de uma disciplina. [...] é a antecipação do que se pretende realizar” (VEIGA, 2011, p. 274). São nove os elementos que estrutura uma aula. Observe na figura a seguir quais são e a que questionamentos eles estão relacionados quando pensamos na aula: O que esses nove elementos indicam a respeito de uma aula? Como e qual a necessidade de eles se inter-relacionarem? Figura 12: Elementos estruturantes da organização didática da aula Fonte: VEIGA (2008, p. 275) https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10-YnJ2GaQyrg8Pr3UpoppMrcgsH8cieb/view?usp=sharing 48 Quando discutimos a relação pedagógica (seção 2.2), vimos que o tempo e o espaço influenciam em como ela se desenvolve. E, do mesmo modo, quando pensamos em como fazer uma aula com nossos alunos, esses dois condicionantes também definem como será a aprendizagem e a postura docente (em geral, tradicional ou mediadora). É importante frisar que “quem” organiza a aula é o professor, para o aluno. Por isso, a aula é para o discente, do mesmo modo que a intenção (ou objetivo/expectativa) que será desenvolvida nela. Por isso, denominamos de intenção/expectativa/objetivo de aprendizagem. Em toda aula deve haver um conteúdo ou conhecimento relacionado. Cada professor, com sua personalidade, experiências, conhecimentos, estratégias metodológicas e compreensões, desenvolve a metodologia da aula de um modo distinto e utilizando recursos didáticos diferentes. Assim, a avaliação, a qual envolve um conteúdo (o quê) que foi desenvolvido por um determinado professor (quem) a partir de uma metodologia (como), deve ser realizada por esse sujeito de modo coerente ao que foi sistematizado e ser uma atividade-meio, integrando todo o processo. Nas próximas seções, vamos nos debruçar sobre dois elementos importantes que aparecem em nosso plano de aula: os objetivos e a avaliação. No esquema anexo, sintetizamos as nossas discussões sobre os níveis de planejamento, as compreensões sobre o planejamento didático, a aula e seus elementos estruturantes e os elementos essenciais do plano: h t t p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m / a / e a d . u e p g . b r / f i l e / d/101VA69huxKFkM23xASf82cnRC1eJj98-/view?usp=sharing Para aprofundar suas compreensões, sugerimos a leitura de uma parte do texto de Gasparin (2010) sobre os objetivos de ensino e de aprendizagem: https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/106E8aOeZ542vdYwi9 Ot1hWx3vTJl3O9q/view?usp=sharing 2.6 Objetivos: sua importância e as proposições para o trabalho pedagógico escolar Iniciamosesta seção com a metáfora criada por Jerome Bruner a respeito dos “andaimes”. Para Bortoni-Ricardo (2008, p. 44), utilizar essa metáfora na sala de aula permite associá-los “às iniciações de um evento de fala pelo professor e suas avaliações das respostas dos alunos”. Reis e Silva (2005) destacam que a ideia dos andaimes permite estruturar um processo de aprendizagem com base na colaboração mútua (entre professor e aluno ou entre os próprios alunos), no desenvolvimento da atividade ou proposta apresentada. O que a analogia dos andaimes tem a ver com os objetivos de aprendizagem? https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/101VA69huxKFkM23xASf82cnRC1eJj98-/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/106E8aOeZ542vdYwi9Ot1hWx3vTJl3O9q/view?usp=sharing 49 Perceba que os andaimes indicam que o pensamento ou o conjunto de conhecimentos vão sendo estruturados ao longo do processo. Do mesmo modo, a densidade dos objetivos vai sendo ampliada à medida que o aluno sistematiza aquele(s) conhecimento(s) específico(s) proposto(s) para ser(em) alcançado(s). O termo “objetivo” pode ter como sinônimos as terminologias intenção ou expectativa. Em alguns planos, observamos que, ao invés dessas denominações, consta: “Ao final da aula o(a) aluno(a) será capaz de...” ou ainda “O que o(a) aluno(a) poderá aprender com esta aula”. Lembrando que, assim como vimos no tópico anterior, uma vez que a aula é para o aluno, os seus objetivos também serão, por isso são denominados objetivos de aprendizagem. Uma vez que expressam as intenções de aprendizagem, eles revelam as intencionalidades de uma aula, de uma unidade, de um curso etc. e, ainda, orientam o professor na seleção de conteúdos e desenvolvimento das atividades. Além disso, eles expressam, no plano ideal, o resultado da aprendizagem e não as ações do professor (senão teríamos objetivos de ensino). É importante frisar que objetivo é diferente de atividade a ser realizada. Assista ao vídeo para refletirmos sobre essa questão: Assista ao vídeo “A fila”, e vamos refletir juntos sobre a diferença entre um objetivo e uma atividade: https://www.youtube.com/watch?v=6SRTQbBjrFs Qual a sua interpretação sobre o sujeito na fila? Para diferenciar objetivo e atividade, vamos pensar a respeito do vídeo: qual seria o objetivo do sujeito? Que atividade ele deveria ter realizado para atingir esse objetivo? Podemos dizer que, por um lado, o objetivo do sujeito no final desse processo poderia ser: “Conseguir tirar suas dúvidas” ou “Completar o atendimento referente a algum procedimento” etc. Por outro lado, a atividade que o sujeito deveria fazer a partir do que o vídeo exibe é: “Permanecer na fila com os documentos que porventura sejam necessários”. Uma vez que o sujeito não realiza adequadamente a atividade, ele não atinge o objetivo. Isso evidencia as confusões que por vezes fazemos sobre a diferença entre objetivo e atividade. No que se refere ao ensino, para clarificar ainda mais essa diferença, vamos expressar alguns exemplos: Quadro 6: Exemplos de objetivos e atividades OBJETIVO ATIVIDADE Diferenciar, utilizando cores diferentes, as regiões brasileiras no mapa político. Pintar o mapa das regiões brasileiras. Compreender o contexto histórico e os fatores implicantes da 2ª Guerra Mundial. Elaborar um texto dissertativo sobre a 2ª Guerra Mundial. Construir uma maquete sobre a célula, evidenciando suas organelas e funções. Criar em equipe, utilizando materiais recicláveis, uma célula a partir do que foi estudado. Participar ativamente do debate sobre bullying, respeitando a opinião dos colegas. Debater com os colegas a respeito do bullying. https://www.youtube.com/watch?v=6SRTQbBjrFs https://www.youtube.com/watch?v=6SRTQbBjrFs 50 Os objetivos aparecem nos diferentes níveis de planejamento e não apenas no plano de aula. Quando estão expressos nos referenciais do sistema educacional, do PPP, da Proposta Pedagógica Curricular e do PTD, são denominados de objetivos gerais. Os objetivos do sistema educacional revelam as finalidades educativas e os da escola estabelecem “princípios e diretrizes de orientação do trabalho escolar com base num plano pedagógico-didático que represente o consenso do corpo docente em relação à filosofia da educação e à prática escolar” (LIBÂNEO, 2013, p. 135). Por sua vez, os objetivos do Plano de Trabalho Docente (ou anual ou de curso) denotam a previsão da ação docente para a concretização do processo de ensino tendo em vista as dimensões e níveis anteriores. Assim, os objetivos gerais referem-se à previsão “para um determinado grau ou ciclo, uma escola ou uma certa área de estudos, e [...] serão alcançados a longo prazo” (HAYDT, 2006, p. 114). Em outras palavras, um objetivo geral não é imediato ou de fácil constatação/verificação. Observe os exemplos a seguir: • “(EF09LP04) Escrever textos corretamente, de acordo com a norma- padrão, com estruturas sintáticas complexas no nível da oração e do período” (BRASIL, 2017, p. 189) objetivo geral da Língua Portuguesa para o 9º ano; • “(EF06MA06) Resolver e elaborar problemas que envolvam as ideias de múltiplo e de divisor” (BRASIL, 2017, p. 303) objetivo geral da Matemática para o 6º ano; • “Relacionar o presente com o passado, o cotidiano com o político e o econômico, e de que forma essas categorias perpassam o nosso cotidiano” (PARANÁ, 2015, p. 183) objetivo geral da disciplina de História em uma Proposta Pedagógica Curricular; • “Entender o processo de mundialização e suas repercussões nas diferentes escalas do espaço geográfico” (ASCARI, 2018, p.1) objetivo geral da disciplina de Geografia para o 2º ano do Ensino Médio em um PTD. Consegue perceber a amplitude desses objetivos e quanto tempo (cronológico) será necessário para alcançá-los? Ao planejar nossas aulas cotidianamente, nós devemos nos fundamentar nesses objetivos, pois expressam os fins da nossa ação docente. Porém, como eles são a longo prazo, utilizamos de uma outra categoria de objetivos: os objetivos específicos. Eles são a operacionalização dos objetivos gerais e “expressam, pois, as expectativas do professor sobre o que deseja obter dos alunos no decorrer do processo de ensino” (LIBÂNEO, 2013, p. 139). Quando tratamos dos elementos essenciais de qualquer plano, afirmamos que eles são os objetivos, conteúdos, metodologia e a avaliação. Para manter os princípios de planejamento, particularmente a coerência, devemos estar atentos à sua inter-relação e ao objetivo que traçamos no plano da aula (metodologia/desenvolvimento metodológico), o qual deve ser possível de analisar se foi alcançado com os instrumentos, critérios e modalidades de avaliação propostos. Ao escrevermos os objetivos, devemos pensar se ele se refere à aquisição ou associação de conhecimentos, habilidades, valores ou ainda se é possível admitir distintos resultados ou possibilidades de aprendizagem. Isso significa, de modo simples, que os objetivos são elaborados a partir de uma classificação. 51 A primeira, e possivelmente menos usual, é a classificação de Elliot Eisner. Vejamos o quadro a seguir: Quadro 7:Objetivos de aprendizagem de acordo com Eisner Objetivos de acordo com a classificação de Elliot Eisner Tipo Descrição Exemplo de objetivo ABERTO (ou expressivo) Evidenciam um amplo rol de respostas e, portanto, de resultados de aprendizagem. Assim, ele oferece várias possibilidades para explorar, interessar-se ou aprofundar-se nas proposições. Ele é aberto em virtude da multiplicidade de resultados de aprendizagem Por exemplo: nem todo aluno vai debater do mesmo modo e alcançar a mesma densidade de conhecimento. Exemplo de verbos: debater, desenvolver, interpretar, opinar, expressar-se etc. - Interpretar a música “Asa Branca”; - Debater a respeito da violência e drogas no século XXI; PROVOCATIVO Esse grupo de objetivos visa oportunizar o desenvolvimento da criatividade, pois ofereceao aluno diversas possibilidades para a aprendizagem. Castanho (1989, p. 61) destaca que “é um objetivo que especifica a condição e o critério, mas não o desempenho”. Por exemplo: para compor uma paródia, há muitas possibilidades de fazer a mesma atividade cumprindo as condições, critérios e conhecimentos propostos. Exemplo de verbos: construir, propor, criar, organizar, compor etc. - Construir a representação de uma célula. - Criar um poema que relacione ciência, tecnologia e sociedade Fonte: elaborado pelas autoras com base em Castanho (1989). Além da classificação proposta por Eisner, podemos utilizar a Taxionomia de Bloom. Essa forma de organizar os objetivos é mais usual por compreender o indivíduo como um todo, que pensa, se relaciona e desenvolve habilidades. Observe no esquema a seguir, os domínios propostos por Bloom e sua área de efetivação: Fonte: elaborado pelas autoras a partir de Ferraz e Belhot (2010). Esses domínios indicam uma inter-relação com a proposição de Antoni Zabala a respeito da classificação dos conteúdos. Zabala (1998) indica que os conteúdos a serem trabalhados podem ser organizados em quatro tipologias: factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais. Isso significa que, por exemplo, ao valorizar o desenvolvimento do conteúdo “poluição da água” sob o olhar atitudinal, desenvolve-se um objetivo afetivo em relação ao desenvolvimento de uma postura consciente e de preservação. Isso não ocorreria se esse mesmo COGNITIVO • Desenvolvimento intelectual de um conhecimento • Relaciona-se ao SABER AFETIVO • Desenvolvimento de relações, posturas, atitudes e sentimentos • Relaciona-se com o SER/CONVIVER PSICOMOTOR • Desenvolvimento de habilidades físicas • Relaciona-se ao FAZER Figura 13: Domínios da Taxionomia de Bloom 52 conteúdo fosse desenvolvido de modo conceitual (promovendo a aprendizagem apenas dos conceitos sobre esse assunto). No quadro a seguir, apresentamos essas correspondências e alguns exemplos: Quadro 8: Correspondência entre as classificações de objetivos e conteúdos Objetivos segundo a Taxionomia de Bloom Tipologia dos conteúdos segundo Zabala (1998) Exemplos COGNITIVOS FACTUAIS Referem-se ao “conhecimento de fatos, acontecimentos, situações e fenômenos concretos e singulares” (p. 41) enquanto algo pontual, exato, original e preciso, de modo que sua reprodução é perfeita. Identificar fatos relacionados ao “descobrimento” do Brasil. Citar os cinco períodos históricos da humanidade. Listar diferentes formas geométricas regulares. CONCEITUAIS Estão relacionados à aprendizagem de conceitos e princípios, de forma que “esta aprendizagem implica uma compreensão que vai muito além da reprodução de enunciados mais ou menos iguais” pela possibilidade de ampliar/aprofundar esses conhecimentos. Relacionar os eventos históricos que contribuíram para a Queda do Muro de Berlim. Analisar as relações entre área e perímetro em figuras regulares. Descrever, com suas palavras, as regras de concordância verbal. AFETIVOS ATITUDINAIS Referem-se às atitudes, normas e valores, os quais podem ocorrer de modo relacionado com a aprendizagem cognitiva ou apenas atitudinal. Acompanhar atentamente a apresentação dos colegas, respeitando suas opiniões. Opinar a respeito da influência das redes sociais na língua portuguesa. PSICOMOTORES PROCEDIMENTAIS “Um conteúdo procedimental – que inclui entre outras coisas as regras, as técnicas, os métodos, as destrezas ou habilidades, as estratégias, os procedimentos – é um conjunto de ações ordenadas e com um fim, quer dizer, dirigidas para a realização de um objetivo” (p. 43). Repetir os movimentos da dança da quadrilha realizados pela professora. Concluir a planificação do decágono. Combinar figuras de linguagem na composição da poesia concreta. Fonte: elaborado pelas autoras com base em Althaus (2017), Gil (2015) e Zabala (1998). Além de diferenciar os domínios, Bloom propôs ainda uma ordenação em níveis. Isso significa que, por exemplo, no domínio cognitivo, há uma progressão da densidade dos objetivos, passando de algo mais simples, como definir um conceito x; passando por outras etapas, como analisar esse conhecimento x em situações aplicadas; até julgar a respeito de outras relações. Os domínios, segundo Gil (2015) e Althaus (2017), seguem a seguinte ordem progressiva de categorias: • COGNITIVO: Conhecimento Compreensão Aplicação Análise Síntese Avaliação • AFETIVO: Recepção Resposta Valorização Organização Caracterização • PSICOMOTOR: Imitação Manipulação Precisão Articulação Naturalização 53 Observe no resumo a seguir a síntese explicativa a respeito de cada categoria, com exemplos de verbos a serem utilizados. Lembrando que um verbo pode ser utilizado em mais de uma categoria/domínio, pois o que os diferenciará é o complemento do objetivo. Agora que conhecemos os tipos de objetivos (geral e específico) e suas diferentes categorizações (de Eisner e Bloom), nós lhe questionamos: como elaboramos um objetivo? Como reconhecemos se ele se refere a um objetivo de aprendizagem? Para auxiliar você a reconhecer, elaborar e analisar um objetivo, vamos lhe indicar algumas orientações precisas para auxiliar seu estudo. Confira: • A escrita do objetivo sempre tem um verbo no infinitivo, pois indica ação futura. A redação pode iniciar com o verbo (Exemplo: Compreender a função da concordância verbal e nominal na elaboração de um texto) ou não (Exemplo: Em duplas, diferenciar animais peçonhentos de não peçonhentos, colaborando com o colega para a produção do painel que será exposto). Nesse último caso, primeiro tem-se a condição e depois o verbo, mas o verbo sempre está lá, pois é uma ação, algo que se pretende que seja concretizado ao longo do processo. • Para verificar se a escrita desse objetivo está correta, podemos colocar à frente do objetivo a frase “Ao final dessa aula o aluno será capaz de...” ou a pergunta “Quem?” (cuja resposta deve ser aluno, pois é um objetivo de aprendizagem – caso a resposta seja “professor”, é necessário revisar a escrita). Veja os exemplos retirados do quadro anterior: ᅮ Ao final dessa aula, o aluno será capaz de opinar a respeito da influência das redes sociais na língua portuguesa. ᅮ Ao final dessa aula, o aluno será capaz de repetir os movimentos da dança da quadrilha realizados pela professora. ᅮ Quem vai analisar as relações entre área e perímetro em figuras regulares? Resposta: O aluno. ᅮ Quem vai descrever, com suas palavras, as regras de concordância verbal? Resposta: O aluno. Para descontrair, propomos que você assista ao seguinte vídeo: “muito desgaste sem planejamento”. Assista ao vídeo indicado, divirta-se, e na sequência retomamos nossos conteúdos: https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=LOyX-vgdQGQ Além disso, sugerimos uma lista de verbos elaborada por Normam Groulund (1975) segundo algumas tipologias de comportamentos a serem desenvolvidos. https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/11LVAUfdKR05camqbRfLPtd8APoVy8a9c/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/11HiwDox4Kn3Zdko9ueFO0o9o_H9SjIvy/view?usp=sharing https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=LOyX-vgdQGQ https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/11HiwDox4Kn3Zdko9ueFO0o9o_H9SjIvy/view?usp=sharing https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=LOyX-vgdQGQ https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/11LVAUfdKR05camqbRfLPtd8APoVy8a9c/view?usp=sharing 54 Esse porquinho do vídeo é esfomeado e muito persistente, não é? Você percebeu que ele tinha claro o seu objetivo? Pegar o pote de biscoitos. Porém, o que não estava claro eram as suas estratégias e a avaliação desse processo que, como você viu, careceu de análise e reflexão. Fazendo uma analogia com o porquinho, além da clareza dos objetivos para a aprendizagem dos alunos, devemos refletir sobre as estratégias metodológicas e também sobre a importância da avaliação nesse processo,a fim de analisar se é necessária alguma retomada ou todos estão atingindo os objetivos propostos. Por isso, na sequência, vamos compreender a respeito da avaliação do processo de ensino e aprendizagem, a qual é um dos elementos essenciais do planejamento e desenvolvimento do ato pedagógico. 2.7 Avaliação do processo de ensino e aprendizagem: conceitos, modalidades e instrumentos Utilizamos muitas vezes a palavra “avaliação” ao longo dos nossos estudos. Até agora, quando falamos no planejamento, essa “avaliação” poderia envolver algum aspecto sobre a aprendizagem, mas era a partir do olhar reflexivo sobre o processo. Nesse momento, nos dedicamos exclusivamente a pensar a avaliação da aprendizagem, que é um componente essencial do plano e um elemento para analisar se o objetivo traçado foi concretizado. Wachowicz (2012) destaca que, etimologicamente, avaliar é a composição de a + valiar, sendo que “a” refere-se a “não” e “valiar”, a “atribuir valor a algo”. Desse modo, avaliar é não valorar algo, ou seja, quando dizemos que vamos avaliar a aprendizagem, não significa a expressão de uma nota/valor, pois esse não é o seu objetivo, mas descrever a aprendizagem e suas manifestações. Por isso, fazemos uma síntese da aprendizagem, sem atribuir julgamento, pois, segundo a autora, “seria arbitrário, uma vez que a aprendizagem é muito complexa e, por sua natureza, não nos permite resumi-la numa nota, conceito ou resultado” (WACHOWICZ, 2012, p. 135-136). Observe, na figura a seguir, algumas compreensões a respeito da avaliação da aprendizagem: AV AL IA ÇÃ O DA AP RE ND IZ AG EM “processo de coleta e análise de dados tendo em vista verificar se os objetivos propostos foram atingidos” (HAYDT, 2006, p. 288) “o objetivo principal da avaliação é o de facilitar e favorecer a aprendizagem, e não o de pretender saber quanto o aluno sabe” (BOTH, 2011, p.16) “ato de investigar a qualidade do seu objeto de estudo e, se necessário, intervir no processo de aprendizagem, tendo como suporte o ensino, na perspectiva de construir os resultados desejados” (LUCKESI, 2011, p. 149-150, grifo do autor) “A avaliação é um processo que, além de incluir a verificação, abrange também o julgamento que se faz a partir de um padrão estabelecido de rendimento (objetivos) e a tomada de decisão, a qual vai indicar o que fazer após a análise e apreciação das verificações (RIBAS, 2007, p.150) “sua principal função: a de diagnosticar ou constatar o nível de aprendizado que se atingiu e a de indicar onde é possível ou necessário melhorar” (CATANI; GALEGO, 2009, p. 12). Figura 14: Compreensões sobre a avaliação da aprendizagem Fonte: elaborado pelas autoras 55 O que você percebe de regularidade nessas definições? Vamos pensar juntos(as): • A avaliação possui íntima relação com os objetivos; • A avaliação investiga/facilita/favorece a aprendizagem (e não o conteú-do), por isso está preocupada com a qualidade (e não quantidade); • A avaliação é um processo e, por isso, dizemos que ela é uma atividade-meio, ou seja, é realizada ao longo do processo de ensino-aprendizagem e não apenas no final, para verificar e atribuir uma nota/valor/conceito. Essas constatações sugerem que avaliar é diferente de testar/ medir/examinar. E mais: se a avaliação é um processo, ela é mais abrangente que apenas um teste pontual. Vejamos o esquema sobre essas duas compreensões: DISTINÇÃO ENTRE TESTAR E AVALIAR - abrangente + abrangente TESTAR/EXAMINAR AVALIAR Verificar o desempenho em situações pontuais Interpretar dados quantitativos ou qualitativos para obter um julgamento de valor tendo como base critérios estabelecidos Desempenho sobre a aprendizagem que já ocorreu Desempenho sobre a aprendizagem que está ocorrendo Evidenciam os “problemas” resultantes do processo de ensino-aprendizagem Evidencia problemas de aprendizagem, mas busca as soluções para eles Expectativa nos resultados/produto Centra-se no processo e no produto Realidade simplificada (por observar apenas os resultados positivos ou negativos) Realidade complexificada (diversas variáveis e situações articuladas ao processo) É seletivo É inclusivo É autoritário É dialógico Fonte: adaptado pelas autoras de Haydt (2006, p. 291) e Luckesi (2011, p.181-203). Podemos dizer, então, que os testes mais usuais (questionário, avaliação objetiva etc.) avaliam, mas são pouco abrangentes, pois são pontuais e esporádicos. Por isso, defendemos que o ato de avaliar deve, além de ser processual, com vistas a acompanhar a aprendizagem e concretização dos objetivos, pensar o aluno integralmente, contemplando os diferentes objetivos, para além apenas do domínio cognitivo. Quadro 9: Distinção entre testar e avaliar 56 • Em linhas gerais, a avaliação envolve diferentes pressupostos e princípios, como destacam Haydt (2006) e Santos Guerra (2007): • É contínua e não se encerra em si mesma, mas é um recurso para compreender como está ocorrendo o processo de aprendizagem; • É funcional, por ser pautada nos objetivos previstos; • É orientadora, para progredir, retomar, revisar ou auxiliar na aprendizagem e dificuldades, ou seja, auxilia a conhecer os alunos, identificar suas dificuldades e aperfeiçoar o processo de aprendizagem; • É integral, pois avalia e valoriza todos os domínios (cognitivo, afetivo e psicomotor), tomando o aluno e sua aprendizagem como um todo integrado, utilizando-se para tal de diversos instrumentos avaliativos. É modificando essa compreensão de que a avaliação “serve” apenas à nota que contribuímos para romper com algumas “culturas e normas” colocadas no ambiente escolar, desde os primórdios do tradicionalismo, como: a avaliação subordina o aluno ao professor, é competitiva e voltada ao resultado, é um artifício na relação professor- aluno, traz medo ou, ainda, é imediatista. Assim, se a ideia é de uma educação crítica, cabe um olhar de que, enquanto parte do processo de aprendizagem, a avaliação não é para punir, acertar contas ou pessoalizar, pois diversificando os instrumentos e com critérios previamente estabelecidos, ela contempla as diversas personalidades, desenvolvendo os diferentes domínios, de modo ético e profissional. Para que possamos refletir a respeito das modalidades de avaliação da aprendizagem, convidamos você a refletir sobre o vídeo do “Burro Teimoso”: Assista ao vídeo “O Burro Teimoso” para refletirmos sobre a importância da avaliação formativa para alcançar os objetivos e, portanto, a aprendizagem. https://www.youtube.com/watch?v=hepIiFKG54Q Gostou do vídeo? Engraçado? Preocupante? Você consegue perceber que o vendedor tinha um objetivo claro? “Subir a montanha até o vilarejo para vender os peixes”. Porém, com a falta de interesse do burrinho, ele encontra um instrumento para chegar ao vilarejo: a música. Entretanto, como ele só olhou para o resultado final, sem avaliar o processo de subida da montanha, ele deu-se conta de que não adiantou a música e atingir parte do objetivo e não chegar com os peixes. Em nível teórico, o que o vídeo nos diz? Devemos avaliar inicialmente as condições do cumprimento do objetivo, ou seja, fazer uma avaliação diagnóstica, e devemos acompanhar o processo. A avaliação formativa auxilia não apenas no acompanhamento, mas em como o objetivo está sendo atingido e se são necessárias pausas, retomadas, revisões ou progressões antes de concluir o processo. Por isso, ambas dizem respeito à qualidade da aprendizagem, no processo. O resultado, produto ou quantidade é expresso na avaliação somativa, que visa classificar e atribuir nota ao processo já realizado. Por isso, assim como no vídeo do “Burro Teimoso”, se focalizamos apenas no produto, corremos o grave risco de termos que retomar https://www.youtube.com/watch?v=hepIiFKG54Q https://www.youtube.com/watch?v=hepIiFKG54Q 57 todo o processo. Observe atentamente as compreensõese diferenças entre as três modalidades: Quadro 10: Síntese das modalidades de avaliação da aprendizagem MODALIDADES DE AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM Diagnóstica Formativa Somativa É o ponto de partida, pois visa analisar as capacidades e conhecimentos já possuídos. Desse modo, ela qualifica a realidade. Está no desenvolvimento do processo, a fim de informar sobre os resultados e o processo de aprendizagem das estratégias já sistematizadas. É o ponto final, pois classifica e determina em que medida os objetivos foram atingidos, atribuindo valor. Permite planejar pré-requisitos para a aprendizagem, a partir da identificação das aptidões e interesses, para determinar os conteúdos e estratégias mais adequadas. Tem como finalidade orientar, apoiar, reforçar e corrigir o processo de aprendizagem e “ajuda o aluno a aprender e o professor a ensinar. A ideia base é bastante simples: a aprendizagem nunca é linear, procede por ensaios, por tentativas e erros, hipóteses, recuos e avanços” (PERRENOUD, 1993, p. 173 apud RIBAS, 2007, p. 157). Tem como finalidade certificar, classificar e/ou conferir certificação. Processo e qualidade da aprendizagem. Produto e quantidade de aprendizagem. Avaliação de acompanhamento da ação, em três fases: “descrever, qualificar e intervir na realidade, se necessário” (LUCKESI, 2011, p. 175). Avaliação de certificação em dois passos: “descrever e qualificar a realidade” (LUCKESI, 2011, p. 175). É abrangente. É pontual. É inclusiva. É excludente. Fonte: elaborado pelas autoras com base em Gil (2015), Haydt (2006), Both (2011) e Luckesi (2011). No vídeo “Avaliação da aprendizagem: formativa ou somativa” você poderá aprofundar suas compreensões: https://www.youtube.com/watch?v=G5VEkMf5DRk&t=15s Com base na compreensão sobre as modalidades da avaliação da aprendizagem, necessitamos ainda conhecer os instrumentos e critérios de avaliação. Por instrumentos avaliativos, entendemos “os recursos que empregamos para captar informações sobre o desempenho do educando” (LUCKESI, 2011, p. 299). Luckesi (2011) explica que, por serem definidos a partir dos objetivos, os instrumentos avaliativos devem ser “elaborados, aplicados e corrigidos segundo especificações decorrentes dessas decisões prévias à ação. Elas definem os resultados almejados, e, então, a avaliação existe para informar se eles foram atingidos ou não e, com que qualidade” (LUCKESI, 2011, p. 296). Autores como Masetto (2003), Ribas (2007), Haydt (2006), Depresbiteris e Tavares (2009) e Libâneo (2013) pontuam alguns instrumentos comumente utilizados: • Prova objetiva (com questões do tipo verdadeiro ou falso, múltipla escolha e/ou de preenchimento de lacunas); • Prova descritiva/dissertativa; • Prova oral ou entrevista; https://www.youtube.com/watch?v=G5VEkMf5DRk&t=15s 58 Indicamos que você realize a leitura de Masetto (2003), Zanon e Althaus (2009) e Luckesi (2011) para conhecer alguns dos instrumentos de avaliação citados, sua conceitualização, o que esse instrumento avalia, suas limitações, além de exemplos de como elaborá-los. Disponível em: h t t p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m / a / e a d . u e p g . b r / f i l e / d/106PQ143EMsM0apky2qEihhlKYXq-Coqb/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10CXDrkEvsrqoKEIXDk 2cL55ibg0K_9EW/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10H3GF0nhDqwg4w7 LI97V9nGuNqiLLu9e/view?usp=sharing • Prova criativa (contempla atividades que permitem a consulta a fontes de pesquisa, como sínteses, relatórios, comentários escritos etc.); • Prova prática; • Produções individuais ou coletivas; • Produção de mapas conceituais; • Análise de casos; • Registro da observação ou Registro de incidentes críticos; • Lista de verificação; • Diário de curso; • Portfólio; • Trabalho com projetos; • Autoavaliação etc. No momento em que planejamos nossas aulas, pensando nos elementos essenciais do plano (objetivo, conteúdo, metodologia e avaliação), devemos considerar que não é apenas a avaliação que define se o aluno atingiu o objetivo proposto, mas como a aula será desenvolvida. Isso porque a avaliação comumente é desenvolvida durante a aula. Assim, além do instrumento, você deve definir de antemão quais serão os critérios de avaliação. Um critério de avaliação, em seu sentido etimológico, “indica uma regra que se aplica para julgar a verdade. [...] De forma simplificada, podemos dizer que critério de avaliação é um princípio que se torna como referência para julgar alguma coisa” (DEPRESBITERIS, 1994, p. 67). Depresbiteris (1994) destaca algumas características dos critérios de avaliação, como: serem elaborados de acordo com níveis de especificidade (perfil do aluno ou do curso), considerando a qualidade da aprendizagem, tomando cuidado com os preconceitos (oriundos do bom/mau comportamento e da limpeza/ordem/capricho do aluno ou do cansaço e indisposição do professor) que tornam injusta a prática avaliativa. A autora destaca que os critérios podem: a. oferecer julgamentos, um pouco mais objetivos, mais justos para os alunos; b. esclarecer o que é desejado, tanto para o aluno como para o professor; c. homogeneizar procedimentos de avaliação; d. permitir a análise dos desempenhos desenvolvidos, e e. oferecer uma orientação mais precisa em caso de problemas e sucessos (DEPRESBITERIS, 1994, p. 70). https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/106PQ143EMsM0apky2qEihhlKYXq-Coqb/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10CXDrkEvsrqoKEIXDk2cL55ibg0K_9EW/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10H3GF0nhDqwg4w7LI97V9nGuNqiLLu9e/view?usp=sharing 59 Para aprofundar a sua compreensão, sugerimos o tópico “A importância dos critérios de avaliação” (p. 67-70) do texto de Depresbiteris (1991). h t t p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m / a / e a d . u e p g . b r / f i l e / d/10LT8VXcX0PJYbzYL7yFmuZ3y-9SkKPk5/view?usp=sharing Os critérios de avaliação, além de auxiliarem na concretização dos objetivos, são os subsídios para avaliar de maneira impessoal e de acordo com a modalidade em que se avalia. Masetto (2003, p. 156) destaca: São os objetivos que dizem “o que avaliar”, “de que forma avaliar”, “qual instrumento ou técnica utilizar para avaliar”, “o que registrar e de que forma”, “como discutir o aproveitamento da atividade” e “qual o encaminhamento” a ser combinado com o aluno tendo em vista o reiniciar do processo de aprendizagem. Nesse sentido, o autor nos traz à atenção que o objetivo de aprendizagem traçado nos auxilia a pensar a avaliação da aprendizagem. Veja os exemplos a seguir, em que pontuamos um objetivo, indicamos uma possibilidade de modalidade, instrumento e critério de avaliação, as quais não se encerram em si mesmas: Objetivo de aprendizagem Avaliação da Aprendizagem Modalidade Instrumento Critério Reconhecer os tipos de figuras geométricas regulares Diagnóstica Observação Associação e especificação das figuras geométricas regulares, sua representação e características; representação, usando desenho, das figuras geométricas conhecidas. Debater sobre os impactos ambientais das queimadas Formativa Debate Participação coerente com a temática estudada; respeito à posição dos colegas; demonstrar domínio do conteúdo. Compor um soneto utilizando figuras de linguagem Formativa Prova prática Demonstrar conhecimento das figuras de linguagem; criatividade; utilizar da estrutura de um soneto. Identificar e descrever os biomas brasileiros Somativa Prova objetiva Descrever características de cada bioma; listar os biomas e regiões de abrangência. Para aprofundar a compreensão a respeito de como elaborar instrumentos e critérios de avaliação, sugerimos também o capítulo “Procedimentos essenciais para a elaboração de um instrumento de avaliação” de Depresbiteris e Tavares (2009). As autoras apresentam diversos exemplos que você poderá utilizar como inspiraçãopara os seus planos de aula. Vale a pena conferir! h t t p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m / a / e a d . u e p g . b r / f i l e / d/10NOm1YWWjWIntw_ZS6YeHaxB17BIsUzo/view?usp=sharing Quadro 11: Exemplos de objetivos e sua relação com a avaliação da aprendizagem Fonte: elaborado pelas autoras https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10LT8VXcX0PJYbzYL7yFmuZ3y-9SkKPk5/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10NOm1YWWjWIntw_ZS6YeHaxB17BIsUzo/view?usp=sharing 60 Wachowicz (2012, p. 139) destaca que: “Avaliação é o processo de tornar consciente a aprendizagem, pela seleção de significados. Pode ser externa, como no caso do sistema sobre nós mesmos, e pode ser interna, como no caso da autoavaliação”. A autora traz outros dois modos avaliativos que cabe mencionarmos: a autoavaliação e a avaliação externa. A autoavaliação, segundo Rios (2005, p. 2), valoriza o autocontrole, a metacognição e a reflexão: “O primeiro corresponde a uma avaliação contínua, despertando o olhar crítico sobre o que se faz, durante o processo. A segunda desencadeia um processo mental através do qual o sujeito toma consciência das atividades cognitivas em desenvolvimento”. Depresbiteris e Tavares (2009) destacam a existência de alguns níveis de avaliação: internacional, nacional, institucional e de sala de aula. Para Afonso (2009), essas avaliações são entendidas em uma perspectiva mega, macro, meso e microssociológica, respectivamente. Na perspectiva megassociológica, estão as avaliações desenvolvidas por organismos internacionais, como por exemplo a Prova PISA - Programa Internacional de Avaliação de Alunos. O nível macrossociológico, desenvolvido em âmbito nacional por organismos externos à escola, segundo Brandalise (2010, p. 317), “tem como objetivo verificar a qualidade do ensino e da educação no país. No Brasil, há o INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, que coordena os processos de avaliação externa às escolas”. Como exemplos de avaliação externa, temos a Prova Brasil e o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). A autora destaca que a avaliação institucional é realizada em nível mesossociológico e integra a “instituição escolar na sua totalidade, ou seja, engloba todos os componentes do processo educacional” (BRANDALISE, 2010, p. 37). Os resultados da avaliação institucional aparecem detalhados no PPP, tanto no marco diagnóstico como no operacional. Finalmente, o nível microssociológico é a avaliação da aprendizagem, de responsabilidade do professor, a qual discutimos nesta seção e que, segundo as nossas compreensões, “deve ter caráter fortemente formativo, ser contínua e baseada na reflexão do processo ensino-aprendizagem” (BRANDALISE, 2010, p. 37). Na próxima unidade, vamos discutir algumas questões relacionadas à organização do espaço e à gestão da sala de aula, aspectos que lhe auxiliarão a pensar as estratégias metodológicas da sua ação docente. 61 unidade III Gestão da sala de aula e a organização do seu espaço 3.1 As dimensões da gestão da sala de aula Quando refletimos a respeito da noção de aula enquanto um espaço-tempo para a produção de saberes, problematizamos, de modo implícito, o desenvolvimento do processo de ensino e do processo didático e, além disso, em uma perspectiva mediadora, a vivência e o estabelecimento da relação pedagógica. Entretanto, quando pensamos na ação docente, mesmo com um excelente planejamento, uma situação pode ser recorrente: como estabelecer a gestão de sala de aula de modo que facilite a aprendizagem? Vamos primeiramente compreender o que significa essa terminologia. Gestão, de modo simples, significa administrar, organizar e, no contexto escolar, estabelece uma marca política da escola, no sentido de que essa “administração” pode ser democrática, autocrática, liberal etc. Então, podemos inferir que a gestão de sala de aula refere-se ao “[c]onjunto de atividades que, planificadas, organizadas possibilitam consolidar o espaço da sala de aula com atividades educativas, desencadeadoras de interesse coletivo” (ZANON; ALTHAUS, 2010, p. 6). Arends (2008) ressalta que ela é nosso maior desafio cotidiano. Gauthier et al. (1998) destacam que a gestão da classe, juntamente com a gestão da matéria, representam as duas grandes funções pedagógicas e necessitam do ato pedagógico (planejamento, intervenção com os alunos e avaliação) para serem compreendidas e aprimoradas. Eles a definem como um “conjunto de regras e de disposições necessárias para criar e manter um ambiente ordenado favorável tanto ao ensino quanto à aprendizagem” (GAUTHIER et al., 1998, p. 240). 62 Sobre as questões relativas à disciplina e indisciplina, sugerimos que você aprofunde seus estudos a partir dos textos de André et al. (2010) e Paula et al. (2019): https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10WWtAyBuOgvPMeVwG3 hYO4LTlYWKKLFu/view?usp=sharing https://revistas.cesmac.edu.br/index.php/administracao/article/view/1042/804 Sugerimos que você assista ao vídeo do professor Celso Vasconcellos tratando dessa temática: https://www.youtube.com/watch?v=0E3GtWyDdjE&t=1087s Os autores destacam ainda que a gestão da classe depende do contexto em que a ação docente se desenvolve. Por isso, “a definição da ordem muda segundo as atividades propostas, o tempo disponível, a organização material e social, assim como em função do padrão de comunicação privilegiado” (GAUTHIER et al., 1998, p. 240). Nesse sentido, rompemos com a ideia tradicional de que a ordem e a disciplina equivalem ao silêncio absoluto em sala de aula. Desse modo, o trabalho em grupos e o aumento da conversa que ele gera podem ser sinônimo de disciplina, do mesmo modo que um momento pontual de explicação de um raciocínio lógico que necessite do silêncio. Nesse mesmo sentido, um aluno que conversa e aprende ativamente não é indisciplinado se comparado a outro que permanece em silêncio mas não realiza as atividades. Vasconcellos (2009, p. 89-90) afirma que, para ele, a disciplina e a indisciplina estão relacionadas: [...] mais no sentido da organização da coletividade de sala de aula e da escola, portanto, no sentido ético e moral, embora não se possa fazer uma ruptura com o epistemológico/intelectual, visto que é conatural ao trabalho docente e ambos estão mutuamente implicados. A disciplina escolar está associada à questão da produção de sentido, que naturalmente remete a saberes organizados, a certa episteme. Em outros termos, precisamos da disciplina (enquanto ordem de saberes) para compreender e fazer disciplina (enquanto postura). O mesmo autor esclarece que o fundamento da (in)disciplina está nos vínculos estabelecidos, os quais estão estruturados em diferentes dimensões, dentre as quais destacamos a afetiva, ética e moral. Quando Roldão (2009, p. 55-56, grifo do autor) define o ensino como uma “ação intencionalmente dirigida a promover uma aprendizagem (de um qualquer conteúdo curricular) em alguém”, o termo “dirigida” possui relação intrínseca com a gestão de sala de aula ou, ainda, com o que diferentes autores denominam de “manejo da sala de aula”. Ambas as noções se referem ao ato de organizar como será desenvolvido o processo de ensino-aprendizagem. Canário (2013, p. 77) destaca que “a relação com os alunos impregna a totalidade do ato educativo, não pode ser ensinada mas, apenas, aprendida e engloba de modo inextrincável as dimensões intelectual e afetiva”. É nesse sentido que muitos professores destacam a importância da relação entre professor e alunos e, particularmente, a questão do comportamento em sala de aula. https://revistas.cesmac.edu.br/index.php/administracao/article/view/1042/804 https://www.youtube.com/watch?v=0E3GtWyDdjE&t=1087s https://www.youtube.com/watch?v=0E3GtWyDdjE&t=1087s https://revistas.cesmac.edu.br/index.php/administracao/article/view/1042/804 https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10WWtAyBuOgvPMeVwG3hYO4LTlYWKKLFu/view?usp=sharing 63Segundo Wragg (1998), controle sobre o comportamento é apenas um dos aspectos do que o autor compreende como manejo em sala de aula. O comportamento do aluno é resultado não apenas do modo como o processo de ensino-aprendizagem ocorre, mas também do comportamento do professor, pautado em sua personalidade e preferências individuais, o qual em geral é autoritário ou permissivo. Por um lado, o comportamento autoritário evidencia a concepção do professor de que ele deve: [...] tomar muitas das decisões sobre o conteúdo e procedimentos, talvez com menos explicações ou justificativas quanto às razões de tais decisões. Pode haver menos permissão para o movimento ou conversas com outros alunos. Mais ordens seriam dadas com o intuito de serem executadas (WRAGG, 1998, p. 19). Por outro lado, o comportamento permissivo seria o polo oposto ao autoritário, a fim de desenvolver a autonomia, pois “os professores são menos dados a dar ordens. Fazer repressões ou a dar punições e a liberdade de movimento é mais permitida” (WRAGG, 1998, p. 20). Gauthier et al. (1998, p. 250) definem que o clima do ambiente também é compreendido a partir das atitudes dos professores, com a adoção de adjetivos como “solidário, caloroso, agradável, justo, democrático, pessoal, simpático, afável”. Por isso, o clima do ambiente da aula é uma das estratégias importantes para desencadear a aprendizagem, uma vez que ela decorre de modo mais fácil, seguro e sem medo de erro e julgamento, “quando existem relações positivas entre o professor e a classe e entre os alunos” (WRAGG, 1998, p. 20). Podemos destacar que, no relacionamento interpessoal, está presente a relação professor-aluno e aluno-aluno, a qual é imprescindível para o processo de ensino, e que, segundo Althaus (2015), é um trabalho extremamente complexo, porque é feito com seres humanos. Canário (2013, p. 77-78) destaca: [...] reconhecer que a relação professor-aluno impregna a totalidade da ação profissional do professor, implica reconhecer, também, que os professores, necessariamente, aprendem no contato com os alunos e serão melhores professores quanto maior for a sua capacidade para realizar essa aprendizagem. Com fundamento em Freire (1994), Vasconcellos (2014) destaca que o diálogo, o compromisso com a aprendizagem, o respeito, a empatia e o amor devem ser construídos e cultivados e não impostos ou inventados. Por isso, cabe a reflexão sobre a postura de autoridade ou de autoritarismo, assim como a análise sobre o espaço para o diálogo, participação e como despertar a motivação e o interesse por aprender. O clima do ambiente da sala de aula está diretamente relacionado à organização do espaço da sala de aula e, para que essa organização possa ser diferenciada (conforme veremos na seção 3.3 desta unidade), devem existir regras definidas para estruturar o relacionamento entre os partícipes do processo de ensino-aprendizagem. As regras podem ser de vários tipos e expressas em diferentes documentos. De modo explícito, as regras, bem como direitos e deveres, aparecem no PPP e concretizam-se no contrato didático. Segundo Brousseau (1996, p. 38 apud BELTRÃO; SOUZA; SILVA, 2010), os combinados da 64 Nós, professoras autoras do material, sugerimos que você faça a leitura da síntese das habilidades didáticas de Cunha (1996). Elas foram organizadas de duas formas: um mapa conceitual e um quadro. Fique à vontade para estudar o que você preferir: h t t p s : / / d r i v e . g o o g l e . c o m / a / e a d . u e p g . b r / f i l e / d/10X3xxjHt2JoOUra0h8DG_LzA8sXES_eb/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10aTyOEJt3GFXRPiTBr OSOZlYMJLgabf4/view?usp=sharing classe ou o contrato didático são entendidos como “um conjunto de comportamentos (específicos) do professor que são esperados pelos alunos, e um conjunto de comportamentos do aluno que são esperados pelo professor”, podendo ser tanto de forma escrita como combinada oralmente. Arends (2008) destaca alguns procedimentos que funcionam como gestão preventiva da sala de aula: • o ensino intencional para o estabelecimento e cumprimento de regras e procedimentos; • valorizar formas diferenciadas de organizar os alunos; • cuidar das conversas dos alunos: por meio de regras, organizam- se os períodos de conversa entre eles, além das relacionadas ao discurso em sala, como erguer a mão para falar, esperar sua vez, ouvir os colegas etc.; • prestar atenção nos “tempos mortos”: para o autor (ARENDS, 2008, p. 181), eles “ocorrem quando as aulas são concluídas antes do tempo ou quando os alunos estão à espera de acontecimentos iminentes, como ir para outra aula ou ir para casa”; • prevenir que ações fiquem pendentes, fragmentadas ou insistir em tópicos desnecessários, para não dispersar a atenção, interesse e concentração dos alunos, como, por exemplo: começar uma atividade e não concluí-la, fragmentar outra demasiadamente, retomar muitas vezes algo que os alunos já sabem. O uso de algumas habilidades didáticas, conforme já descreveu Cunha (1996), como a linguagem utilizada, o incentivo à participação, além de variar os estímulos aos alunos e, ainda, o uso de feedbacks, elogios e reforços, podem contribuir para a gestão da sala de aula. Arends (2008, p. 191) ratifica: “O elogio é a recompensa mais facilmente disponível para os professores”. Entretanto, ele deve ser usado de maneira adequada e pontual para ser eficaz, além de ser verdadeiro. Concluímos então que: Para aprender é indispensável que haja um clima e um ambiente adequados, constituídos por um marco de relações em que predominem a aceitação, a confiança, o respeito mútuo e a sociedade. A aprendizagem é potencializada quando convergem as condições que estimulam o trabalho e o esforço (ZABALA, 1998, p. 100). Logo, quanto à gestão da instrução ou trabalho com o conhecimento, ela diz respeito tanto à perspectiva mediadora de desenvolver os momentos da aula (mobilização/incentivação para a aprendizagem, aprofundamento e síntese integradora) como sobre a participação e https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10X3xxjHt2JoOUra0h8DG_LzA8sXES_eb/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10aTyOEJt3GFXRPiTBrOSOZlYMJLgabf4/view?usp=sharing 65 Para aprofundar seus estudos a respeito desse tema, sugerimos a leitura de textos referentes à relação professor-aluno, temática que nem sempre é valorizada no trabalho de gestão da sala de aula e mediação. Arends (2008): https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10fDgwt5M5B TOo8YMkOA57EUWC6lt7q3X/view?usp=sharing Cunha (2004): https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10j_ qpF483ISaWM_8baa0Lx6h2T4_6Bz1/view?usp=sharing Morales (2006): https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/ d/10jbdKYT7SbkbAALCBorDQLZtFI-nU1bw/view?usp=sharing Soligo (2001): http://www.ocesc.org.br/cooperjovem/arquivos/leitura.pdf envolvimento dos estudantes, fundamentada nos outros dois vieses da gestão da sala de aula. Levando em consideração a heterogeneidade da classe e os diferentes tempos pedagógicos, trabalhar com o conhecimento demanda uma pedagogia diferenciada com estratégias diversificadas que possibilitem estruturar a aprendizagem psicomotora, cognitiva e afetivamente (GOMES, 2011). Exemplo disso é, na organização do espaço, propiciar o trabalho com o conhecimento a partir de técnicas e estratégias individuais e em grupos, as quais discutiremos posteriormente. Sugerimos alguns vídeos de pesquisadores importantes do campo da Didática: Antoni Zabala, Maria do Céu Roldão e Raquel Lotan. Eles tratam da pedagogia diferenciada como uma possibilidade na gestão da sala de aula e no processo de ensino-aprendizagem. Conheça! Assista! Aprofunde seus estudos! Finalizamos esse tópico com a afirmação de Gauthier et al. (1998, p.261), destacando que “os bons gestores de classe supervisionam o movimento, o ritmo e a duração das atividades da sala de aula”. Devemos estar sempre atentos ao interesse, participaçãoe envolvimento nas atividades propostas para adaptá-las/modificá-las seguindo o princípio da flexibilidade do planejamento e do plano para que os alunos não se dispersem por estarem desinteressados. 3.2 Ensino individual, mútuo e simultâneo na Didática escolar Nesta seção, vamos conhecer e compreender algumas das modalidades de ensino, utilizadas ao longo do tempo: ensino individual, mútuo e simultâneo. O ensino individual, como o próprio nome diz, era realizado por um preceptor, normalmente na casa da família, a fim de educar intelectual e moralmente a criança ou o adolescente. Quando Rousseau (1995), no século XVII, propôs uma educação naturalista para Emílio em Emílio ou da Educação, ele detalha o processo de ensino-aprendizagem entre o preceptor e um aluno por vez. http://www.ocesc.org.br/cooperjovem/arquivos/leitura.pdf https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10fDgwt5M5BTOo8YMkOA57EUWC6lt7q3X/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10j_qpF483ISaWM_8baa0Lx6h2T4_6Bz1/view?usp=sharing https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10jbdKYT7SbkbAALCBorDQLZtFI-nU1bw/view?usp=sharing http://www.ocesc.org.br/cooperjovem/arquivos/leitura.pdf 66 Sobre o ensino individual, veja o que Silva (2008, p. 26, grifo do autor) destaca: “A modalidade de ensino individual vigeu até os fins do século XVIII [...]. A metodologia adotada nas aulas para o ensino individual tinha por base a relação intersubjetiva de um mestre com seu aluno, para o ensino da leitura, da escrita e dos cálculos matemáticos, individualmente, o que impedia a sua aplicação em classes numerosas”. Como essa modalidade desenvolveu-se na transição da Idade Média para a Moderna, com a Revolução Industrial (1789), as críticas sobre ela aumentaram, por ser um processo moroso e demorado; além disso, “não apresentava resultados desejados no que concerne ao atendimento a um maior número de alunos [...]” (SILVA, 2008, p. 26). Diante da necessidade da formação de mão de obra para as fábricas que estavam surgindo e com a ineficácia do ensino individual, adotou-se o ensino mútuo ou monitorial, no início do século XIX, com a influência do método desenvolvido por Joseph Lancaster (conhecido como método lancasteriano). Nesse tipo de ensino, “a relação dos alunos com o professor é mediada por alunos-monitores que se encontram num nível relativamente superior aos demais alunos e que, portanto, são considerados capazes de ensinar” (ARAÚJO, 2010, p. 88). Segundo o autor, o professor orientava e transmitia os conhecimentos aos monitores, que eram os alunos que se destacavam na classe, sendo que eles percorriam a sala acompanhando e atendendo os colegas e, se o seu rendimento caía, eram substituídos. Silva (2008) e Araújo (2010) destacam que a inviabilidade desse ensino foi sendo constatada pela precária formação dos professores, presença de alunos de várias idades e níveis de ensino e falta de disponibilidade de materiais adequados, pois os bancos não tinham encosto, os quadros de giz substituíram os livros e havia ainda o estrado com degraus para elevar a mesa do professor (relação entre professor e alunos era hierarquizada). No início do século XIX, surge também o ensino simultâneo, o qual vigora até os dias de hoje. Esse ensino foi idealizado pelo padre francês João Batista de La Salle. Em contrapartida ao ensino mútuo, o professor se dirige a um grupo de alunos, transmitindo simultaneamente o conhecimento a todos. Araújo (2006, p. 28) afirma: Tal como no ensino individual, ao professor cabe o papel central na atividade de ensino, mas diferentemente do individual, o simultâneo implica em uma ação coletiva, e é desenvolvido centralmente em tomo das relações de um grupo de quarenta alunos - como é comum hoje - com um professor. Nessa direção, trata-se, a um só tempo, de atender as exigências individuais dos alunos sem perder de vista a dimensão coletiva do trabalho docente. Podemos perceber que, ainda nesse momento histórico, o ensino simultâneo estava pautado no método tradicional, seja pela centralidade do professor no processo ou pela passividade dos alunos. Então, se o ensino simultâneo é válido ainda hoje, devemos repensar em nosso cotidiano docente em qual método ele está fundamentado: no tradicional ou no ativo. 67 Na Unidade I, vimos que Herbart foi o precursor da Pedagogia Tradicional. Araújo (2006, p. 5) destaca que: “Desde que a educação foi intencionada, aí estava presente o método. Dessa forma, a imitação, a disciplina, a repetição, a memória, a autoridade, o hábito, o verbalismo, o intelectualismo são, entre outras, pilastras de tal método”. Esse autor destaca ainda que o método ativo possui suas raízes na Escola Nova de Dewey, com a participação ativa do aluno: Com relação ao método ativo ou experimental, ele se expressa pelo fazer do aluno, seja pelo estímulo à sua atividade, seja pela auto atividade do aluno, o que envolve a sua iniciativa. [...] Os métodos ativos são vários, envolvendo seja apenas individual ou coletivamente os alunos, seja combinando o trabalho individual e o coletivo. Há também o método de trabalho por grupos, que se insere entre as modalidades de método ativo (ARAÚJO, 2006, p. 30). É a partir da compreensão de um ensino simultâneo, porém pautado no método ativo, e na compreensão da aula como um espaço-tempo coletivo da produção de saberes que, a seguir, pontuamos algumas estratégias metodológicas para o ensino, além de proposições sobre o trabalho em grupos em sala de aula. Para auxiliar você a articular as diferenças entre os métodos, sugerimos a leitura do artigo de Althaus e Bagio (2017). Particularmente, observe os dois quadros em que as autoras apresentam as diferenças entre os métodos tradicional e ativo: https://periodicos.ufmg.br/index.php/rdes/article/view/2342/1440 3.3 O trabalho em grupos e as estratégias de ensino na sala de aula Chegamos à última seção do nosso percurso juntos(as). E esta seção estrutura muitas coisas que já apontamos anteriormente, como, por exemplo, a sua compreensão sobre o ensino, a relação de mediação (presente na relação pedagógica), além da previsão e organização da ação docente, que reflete na sua concepção de aula e avaliação, bem como nos objetivos que você vai elaborar para desenvolver o processo de ensino-aprendizagem. E mais: o trabalho em grupos e as estratégias de ensino nos ajudam na gestão da sala de aula. Inicialmente, vamos apresentar a diferença entre estratégia, técnica e dinâmica: Estratégia: do grego strategia e do latim strategia, é a arte de aplicar ou explorar os meios e condições favoráveis e disponíveis, com vista à consecução de objetivos específicos. Técnica: do grego technikós, relativo à arte. Refere-se à arte material ou ao conjunto de processos de uma arte, maneira, jeito ou habilidade especial de executar ou fazer algo (ANASTASIOU; ALVES, 2006, p. 68-69). Quando as autoras destacam essas três possibilidades para a ação docente, é importante destacar que uma técnica de ensino pode ser uma estratégia, desde que tenha intencionalidade e esteja relacionada ao objetivo que se quer alcançar. Além disso, apesar de possuir caráter instrumental, toda técnica visa ao desenvolvimento de diferentes competências socioafetivas (cooperação, respeito, responsabilidade, autonomia, coletividade etc.) e fortalecem a relação professor-aluno https://periodicos.ufmg.br/index.php/rdes/article/view/2342/1440 https://periodicos.ufmg.br/index.php/rdes/article/view/2342/1440 68 e aluno-aluno. Assim, Veiga (2006, p. 8) destaca que as técnicas são mediações, porque: [...] são meios, nunca fins. [...] As técnicas devem ser utilizadas pelo professor de forma consciente e permeadas pela intencionalidade. As técnicas direcionadas para a busca de intencionalidade deixam de dar ênfase exclusiva à ação docente para propiciar a participação do aluno. Desse modo, elas não são um retrocesso ao tecnicismo, se utilizadas como estratégias de atividadedo aluno e de acordo com os objetivos do que se propõe, porque estão permeadas de intencionalidade mediadora, a qual não é neutra e, nesse caso, visa ao desenvolvimento crítico. Segundo Sant’Anna e Menegolla (2013) e Gasparin (1994), método advém do latim métodos e significa caminho. O método que temos defendido ao longo desse livro é o ativo, em que o aluno torna-se sujeito da aprendizagem, desenvolve a autonomia e aprende interativamente. Esse método supera o tradicional (oriundo da pedagogia herbartiana em que o professor é o centro do processo) e o intuitivo (sistematizado a partir da psicologia da forma ou Gestalt) (HAYDT, 2006). Para Moran (2018, p. 6), a aprendizagem possui significância e é contextualizada “quando motivamos os alunos intimamente, quando eles acham sentido nas atividades que propomos, quando consultamos suas motivações profundas, quando se engajam em projetos para os quais trazem contribuições, quando há diálogo sobre as atividades”. Edgar Dale elaborou em 1969, a pirâmide da Aprendizagem e já naquela época destacava a importância da atividade e autonomia do aluno no processo, conforme demonstra a figura a seguir: Fonte: Camargo e Daros (2018, p. 17). Se o método é o caminho, as técnicas de ensino são os veículos que conduzem a aprendizagem por esse caminho e, para tal, devem ser adequadas a ele. No método ativo, elas são “o conjunto de atividades sistematicamente organizadas e que têm por objetivo propiciar ao aluno uma aprendizagem eficaz, contribuindo para seu aperfeiçoamento individual e/ou grupal” (SANT’ANNA; MENEGOLLA, 2013, p. 49). As técnicas de ensino são classificadas em individualizante, socializante e socioindividualizante. No quadro a seguir, apresentamos uma síntese sobre a classificação dessas técnicas, além de possibilidades de realização: Figura 15: Pirâmide da aprendizagem 69 Para você conhecer algumas técnicas de ensino, sugerimos a leitura do capítulo de Anastasiou e Alves (2006). As autoras descrevem as técnicas, evidenciando as operações de pensamento que elas mobilizam, além de como realizá-las e avaliá-las. Você pode criar também outras estratégias que estejam relacionadas ao que você propõe para o processo de aprendizagem, adaptando ao seu contexto ou, ainda, à criação, autonomia e reflexão coletiva. https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10t6c_ET77stY-L_ kO91IGMZDNEvMgT7J/view?usp=sharing Sugerimos também a leitura do capítulo 2 do livro de Fonseca e Fonseca (2016): http://md.intaead.com.br/geral/didatica/pdf/Did%C3%A1tica%20Geral.pdf Técnicas Descrição Exemplos In di vi du al iza nt es Elas valorizam as diferenças individuais e o ritmo de aprendizagem de cada aluno, oportunizando a autonomia, reflexão e relação entre o conhecimento vivenciado e o científico. Trabalho com fichas; Estudo dirigido; Estudo de texto; Estudo de caso (realizado individualmente); Ensino programado; Aula expositiva dialogada; Sala de aula invertida (flipped classroom). So ci al iza nt es São tão importantes quanto as individualizantes, pois valorizam a interação, ou seja, a aprendizagem em grupo. Trabalho em grupos; Dramatização; Estudo de caso (realizados em grupos); Jogos e dinâmicas; Seminário; Tempestade cerebral ou brainstorming; Diálogos sucessivos; Painel integrado; GVGO (Grupo de verbalização e grupo de observação); Peer instruction (instrução por pares); Painel com interrogadores, Júri simulado; Discussão em pequenos grupos. So ci oi nd iv i- du al iza nt es São os que combinam as duas modalidades, individualizante e socializante, alternando-as. PBL (Problem basic learning); Projetos; Método da descoberta; Unidades didáticas. Fonte: Haydt (2006) e Althaus, Bagio e Zanon (2018). Fonseca e Fonseca (2016), assim como Anastasiou e Alves (2006), detalham diferentes técnicas de ensino, seguindo a organização de Haydt (2006) sobre os métodos socializantes, individualizantes e socioindividualizantes, conforme o quadro apresentado a seguir, descrevendo algumas das aplicações/habilidades desenvolvidas em cada técnica: Quadro 12: Tipologia das técnicas de ensino http://md.intaead.com.br/geral/didatica/pdf/Did%C3%A1tica Geral.pdf https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/10t6c_ET77stY-L_kO91IGMZDNEvMgT7J/view?usp=sharing http://md.intaead.com.br/geral/didatica/pdf/Did%C3%A1tica%20Geral.pdf 70 MÉTODO TÉCNICAS APLICAÇÕES IN DI VI DU A- LIZ AN TE Estudo dirigido Estimular método de estudo e pensamento reflexivo. Conduzir à autonomia intelectual e atender à recuperação de estudos. Instrução programada Apresentação de informações em pequenas etapas e numa sequência lógica. Atribui recompensa imediata e reforço. Proporciona que o estudante se desenvolva em seu ritmo individual. SO CI AL IZ AN TE Estudo de caso Troca de ideias e opiniões face a face, Resolução de problemas. Procura de informações. Assumir decisões. PAINEL (com interrogadores e debate) Definir pontos de acordo e desacordo. Debate, consenso e atitudes diferentes (assuntos polêmicos). Painel integrado Troca de informações. Integração total (das partes num todo). Novas oportunidades de relacionamento. Grupo de cochicho Máximo de participação individual. Troca de informações. Funciona como meio de incentivo. Facilita a reflexão. Discussão dirigida Solução conjunta de problemas. Participação de todos os alunos. Tempestade cerebral Criatividade e Participação. Seminário Estudo aprofundado de um tema. Coleta de informações e experiências. Pesquisa, conhecimento global do tema. Reflexão crítica. Simpósio Divisão de um assunto em partes visando o seu estudo. Apresentação de ideias de maneira autêntica. O grande grupo confere o que foi apresentado. Grupo na berlinda (ou GVGO) Verbalização. Objetividade na discussão de ideias. Capacidade de análise e síntese. Entrevista Troca de informações. Apresentação de fatos, opiniões e pronunciamentos significativos. Diálogo Exposição mais informal de ideias relevantes. Sistematização do conteúdo. Comunicação direta com a totalidade dos discentes do grupo. Dramatização Representação de situações da vida real. SO CI O IN DI VI - DU AL IZ AN TE Método de projetos Possibilita a realização de ações concretas. Motiva a resolução de problemas. Relacionado a trabalho em grupo e atividades individuais. Resolução de problemas Desenvolve os pensamentos reflexivos e científicos. Fonte: Adaptado pelas autoras de Fonseca e Fonseca (2016, p. 48). Quadro 13: Técnicas de ensino 71 •Ajuda a todos nas tarefas, sendo responsável pela busca de respostas no grupo para as problemáticas propostas. COORDENADOR •É o responsável pela busca, organização e disponibilização dos materiais que serão utilizados nas tarefas. ENCARREGADO DO MATERIAL •É o monitor do grupo, verificando o desenvolvimento das atividades e registrando os processos já realizados. AUXILIAR DE COORDENAÇÃO •Este aluno fica responsável por recolher os materiais e reorganizar o espaço utilizado pelo grupo. REORGANIZADOR DO AMBIENTE •É o responsável por zelar da segurança de todos informando o professor no caso de alguma situação de perigo, com objetos cortantes ou fogo, por exemplo. RESPONSÁVEL PELA SEGURANÇA •Sua responsabilidade é relatar as experiências do grupo, informando as aprendizagens, descobertas e percepções do grupo, no desenvolvimento das atividades realizadas. RELATOR Uma estratégia muito utilizada pelos professores e que, como você viu, é recorrente nos métodos socializantes de ensino, é o trabalho em grupos. Amaral (2006, p. 51) destaca que é uma técnica didática que objetiva a promoção da aprendizagem em suas diferentes dimensões, pois engloba as naturezas cognitiva, afetiva e psicomotora. Além disso, uma das funções do trabalho em grupos, além da possibilidade de acompanhamento diferenciado da aprendizagem, é a função de socialização, para que os alunos percebam não apenas que podem aprender juntos, mas que dependemos uns dos outros na coletividade dosespaços sociais. No que se refere à delegação de responsabilidade aos alunos, ela não exime o professor de acompanhar o processo, nem diminuiu o controle do processo de ensino-aprendizagem, mas contribui para o aprimoramento da autonomia. Amaral (2006, p. 62) defende que o professor deve atribuir papeis diferenciados aos alunos ao trabalharem em pequenos grupos, conforme o esquema a seguir: Fo nt e: A da pt ad o de A m ar al (2 00 6, p . 6 2) e Z an on e A lth au s ( 20 09 , p . 1 16 ). Figura 16: Os diferentes papeis que podem ser assumidos pelos alunos no trabalho em grupos 72 É importante mencionar que os papeis são distribuídos de acordo com a necessidade da atividade (atividades que não necessitam de materiais ou não possuem riscos não precisam de encarregado de material ou responsável pela segurança, por exemplo) e que o professor deve alternar as funções dos alunos, para maximizar as potencialidades desenvolvidas, proporcionando “a cada um e a todos a oportunidade de desenvolvimento de diferentes habilidades, além de eliminar possíveis preconceitos” (AMARAL, 2006, p. 63). Reis (2011) ratifica que aprender e trabalhar com outras pessoas contribui para o desenvolvimento da inteligência interpessoal, a partir de práticas colaborativas, as quais devem ser diferentes, dependendo da idade ou da capacidade que se quer promover/aprimorar, como destacamos no quadro a seguir: Alunos mais novos Alunos mais velhos Capacidades de comunicação interpessoal Complementar, elogiar e encorajar os colegas; Contribuir com ideias. Escutar de forma ativa e posicionar-se de forma constritiva; Solicitar ideias aos colegas. Capacidades de gestão do grupo Ficar com o grupo compartilhando os materiais quando necessário; Participar das atividades, mantendo um nível de ruído apropriado. Organizar-se no tempo disponível, não fugindo da temática proposta; Observar e informar o grupo, encorajando a participação de todos. Capacidades de Resolução de Conflitos Explicitar seu posicionamento, respeitando a opinião dos colegas; Contribuir na busca de soluções. Ouvir os posicionamentos dos colegas, resumindo e aceitando pontos de vista diferentes do seu; Valorizar a competência pessoal e esforços dos colegas. Capacidades de Liderança Explicar o que deve ser feito; Manter os colegas concentrados na tarefa; Assegurar a disponibilidade dos materiais; Funcionar como ligação aos outros grupos e ao professor. Conduzir o grupo; Manter os colegas concentrados na tarefa; Procurar os recursos necessários ao grupo; Gerir o plano/agenda. Quadro 14: Desenvolvimento de práticas colaborativas Fonte: elaborado pelas autoras com base em Reis (2011) 73 O texto “Competências Básicas para ensinar” destaca competências relacionadas ao professor que desperta, dialoga e problematiza, conscientiza, facilita o pensamento e a tomada de decisões e se comunica; de Sant’Anna e Menegolla (2013). https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1170L8G4dg3FypIh wIzIjew1RH4pK0s7C/view?usp=sharing Reis (2011), assim como Amaral (2006), destaca o desenvolvimento da capacidade de liderança, valorizando outras habilidades no relacionamento interpessoal: a comunicação, a gestão do grupo e a resolução de conflitos. Essas situações, quando planejadas pelo professor, contribuem não apenas para uma aprendizagem diferenciada, mas para o desenvolvimento da dimensão humana na formação dos indivíduos, para além apenas da cognitiva. Para aprofundar-se na compreensão sobre o trabalho em grupos, sugerimos a leitura do texto de Reis (2011): “A gestão do trabalho em grupo”. O autor discute temáticas como a importância desse tipo de estratégia metodológica, além de como estimular a aprendizagem colaborativa e como resolver eventuais problemas. https://www.academia.edu/17931638/A_gest%C3%A3o_do_trabalho_em_grupo Finalizamos esta unidade e também o livro com a certeza de que foram feitas diferentes provocações sobre a docência, o processo de ensino-aprendizagem e o “repensar” de práticas que incorporamos ao longo das vivências no ambiente escolar e que podem não ser mais interessantes para as necessidades formativas da sociedade atual. Como reflexão, propomos a leitura de mais um texto sobre as competências para ensinar, as quais estão relacionadas à importância de sermos mediadores num espaço que necessita da formação de seres pensantes, críticos, autônomos, mas, sobretudo, humanos. https://www.academia.edu/17931638/A_gest%C3%A3o_do_trabalho_em_grupo https://www.academia.edu/17931638/A_gest%C3%A3o_do_trabalho_em_grupo https://drive.google.com/a/ead.uepg.br/file/d/1170L8G4dg3FypIhwIzIjew1RH4pK0s7C/view?usp=sharing 74 Referências AFONSO, A. J. Avaliação educacional: regulação e emancipação. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2009. ALTHAUS, M. T. M. Didática: a relação mediadora do professor no processo de ensino e aprendizagem. Guarapuava: UNICENTRO, 2015. Disponível em: http://repositorio.unicentro.br:8080/ jspui/bitstream/123456789/522/5/SANDINI%2c%20S.%20P.%20 Did%c3%a1tica..pdf ALTHAUS, M. T. M. Objetivos. 2017. 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Avaliação da aprendizagem e o planejamento didático: o que revelam os pedagogos e professores sobre as reflexões e discussões de um Programa de Desenvolvimento Profissional. Educação em Debate, Fortaleza, v. 38, n. 71, p. 44-56, 2016. 82 Viviane Aparecida Bagio Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Mestre em Educação em Ciências e em Matemática. Licenciada em Pedagogia. Bacharela e licenciada em Matemática. Professora colaboradora da Universidade Estadual de Ponta Grossa, lotada no Departamento de Pedagogia, área de Didática atuando em cursos de graduação (licenciaturas). Atua na equipe gestora e na formação pedagógica dos projetos voltados para o desenvolvimento da docência universitária do Programa DES (UEPG). Atua como professora convidada no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas na disciplina de Prática em Docência. Suas temáticas de pesquisa envolvem a docência universitária, a didática e a formação docente. E-mail: vivibagio@gmail.com. Maria das Graças do Espirito Santo Tigre Doutora em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Mestre em Educação, Especialista em Psicologia da Educação e Licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Professora de Didática, lotada no Departamento de Pedagogia da UEPG. Tem experiência na área da Educação, desenvolvendo pesquisas envolvendo os seguintes temas: didática, violência e indisciplina na escola, juventude e prática pedagógica. E-mail: mdgtigre@yahoo.com.br. Nota sobre as autoras sumário unidade II unidade I unidade III referencias autores Botão8: Botão 3: Página 2: Página 4: Página 5: Página 6: Página 7: Página 8: Página 9: Página 10: Página 11: Página 12: Página 13: Página 14: Página 15: Página 16: Página 17: Página 18: Página 19: Página 20: Página 21: Página 22: Página 23: Página 24: Página 25: Página 26: Página 27: Página 28: Página 29: Página 30: Página 31: Página 32: Página 33: Página 34: Página 35: Página 36: Página 37: Página 38: Página 39: Página 40: Página 41: Página 42: Página 43: Página 44: Página 45: Página 46: Página 47: Página 48: Página 49: Página 50: Página 51: Página 52: Página 53: Página 54: Página 55: Página 56: Página 57: Página 58: Página 59: Página 60: Página 61: Página 62: Página 63: Página 64: Página 65: Página 66: Página 67: Página 68: Página 69: Página 70: Página 71: Página 72: Página 73: Página 74: Página 75: Página 76: Página 77: Página 78: Página 79: Página 80: Página 81: Página 82: retroceder: Página 2: Página 4: Página 5: Página 6: Página 7: Página 8: Página 9: Página 10: Página 11: Página 12: Página 13: Página 14: Página 15: Página 16: Página 17: Página 18: Página 19: Página 20: Página 21: Página 22: Página 23: Página 24: Página 25: Página 26: Página 27: Página 28: Página 29: Página 30: Página 31: Página 32: Página 33: Página 34: Página 35: Página 36: Página 37: Página 38: Página 39: Página 40: Página 41: Página 42: Página 43: Página 44: Página 45: Página 46: Página 47: Página 48: Página 49: Página 50: Página 51: Página 52: Página 53: Página 54: Página 55: Página 56: Página 57: Página 58: Página 59: Página 60: Página 61: Página 62: Página 63: Página 64: Página 65: Página 66: Página 67: Página 68: Página 69: Página 70: Página 71: Página 72: Página 73: Página 74: Página 75: Página 76: Página 77: Página 78: Página 79: Página 80: Página 81: Página 82: vai para sumário: Página 2: Página 4: Página 5: Página 6: Página 7: Página 8: Página 9: Página 10: Página 11: Página 12: Página 13: Página 14: Página 15: Página 16: Página 17: Página 18: Página 19: Página 20: Página 21: Página 22: Página 23: Página 24: Página 25: Página 26: Página 27: Página 28: Página 29: Página 30: Página 31: Página 32: Página 33: Página 34: Página 35: Página 36: Página 37: Página 38: Página 39: Página 40: Página 41: Página 42: Página 43: Página 44: Página 45: Página 46: Página 47: Página 48: Página 49: Página 50: Página 51: Página 52: Página 53: Página 54: Página 55: Página 56: Página 57: Página 58: Página 59: Página 60: Página 61: Página 62: Página 63: Página 64: Página 65: Página 66: Página 67: Página 68: Página 69: Página 70: Página 71: Página 72: Página 73: Página 74: Página 75: Página 76: Página 77: Página 78: Página 79: Página 80: Página 81: Página 82: Botão 10: Botão 9: retroceder 2: unidade II: Botão 12: unidade III: Botão 95: Botão 120: Botão 121: Botão 96: Botão 97: Botão 118: Botão 122: Botão 33: Botão 34: Botão 36: Botão 37: Botão 38: Campo de texto 3: Botão 44: Botão 45: Botão 46: Botão 47: Botão 48: Botão 49: Botão 52: Botão 53: Botão 54: Botão 55: Botão 56: Botão 57: Botão 58: Botão 59: Botão 60: Botão 99: Botão 100: Botão 101: Botão 103: Botão 102: Botão 104: Botão 119: Botão 68: Botão 116: Botão 117: Botão 71: Botão 72: Botão 73: Botão 123: Botão 74: Botão 75: Botão 76: Botão 77: Botão 78: Botão 79: Botão 83: Botão 115: Botão 114: Botão 112: Botão 113: Botão 108: Botão 109: Botão 110: Botão 111: Botão 107: Botão 105: Botão 106: Botão 93: Botão 94: retroceder 3: