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INTERPRETAÇÃO PRÉ-VESTIBULAR 93PROENEM.COM.BR SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO03 Veja esta tira, de Luis Fernando Verissimo: (VERISSIMO, Luis Fernando. As Cobras. Porto Alegre: L&PM, 1997) Nesta tira, Verissimo utiliza o conceito da palavra “semântica” para criar humor. As palavras possuem certos sentidos que podem variar, dependendo do contexto em que são empregadas. Comumente, a Semântica é definida como o estudo do significado. No entanto, como se sabe, esse vocábulo abarca várias acepções. Ogden e Richards (1972), em “O significado de significado”, apontam para a ideia de que “o significado de qualquer frase é aquilo que o elocutor pretende que seja entendido, através dela, pelo ouvinte.” Tal definição deixa implícito um conceito acerca do processo linguístico: o sentido do texto está intrinsecamente ligado ao uso da língua em uma situação de comunicação. De fato, se a língua é um sistema que está em constante processo de construção, sendo constituída por diversas vozes, nas variadas práticas discursivas, é legítimo pensar que o mundo e o homem, que compõem esse processo de referências da língua, também se constroem e se mantêm em processo a cada enunciação. Sendo assim, analisar a língua sob o viés do discurso é trazer para a discussão linguística a interação do homem e seu mundo, atores que são, afinal, desse processo linguístico. Assim, aspectos semânticos envolvidos na construção do sentido como a polissemia, a denontação, a conotação, a homonímia, a sinonímia, a antonímia, a paronímia, e ainda os campos semânticos devem ser analisados sob o olhar discursivo, não podendo ser analisados sem se levar em conta, entre outros fatores, as condições de produção do texto que abarca tais aspectos. A POLISSEMIA Polissemia, como mostram os próprios componentes da palavra (poli + sema + ia), é a capacidade que o vocábulo apresenta de comportar várias significações. Uma das funções da polissemia na construção linguística é economizar as entradas lexicais numa língua, evitando a exacerbação de termos dentro de um sistema linguístico e valorizando, de certa forma, a captação de sentido através do contexto em que determinado signo está inserido. A linguagem publicitária emprega com certa regularidade a polissemia como recurso linguístico, interagindo com o contexto em que o produto está inserido. Neste anúncio, retirado do site do Clube de Criação de São Paulo, o termo “pulso”, como toda lógica discursiva, aponta para uma sequência que caminha em direção a um enfoque biológico: (In www.ccsp.com.br) Pelo direcionamento argumentativo da frase, tem-se a palavra “pulso” entendida como batimento, frequência respiratória. No entanto, quando se percebe que o texto é um anúncio do relógio Rolex, há uma ressignificação do termo “pulso”, que é, de fato, o local apropriado para o uso do relógio. O anúncio, de forma criativa, legitima duas leituras: a biológica e aquela em que o termo “pulso” amplia sua carga de sentido, ganhando expressividade dentro da especificidade do anúncio. CONOTAÇÃO / DENOTAÇÃO A denotação compreende a união do significante e do significado da palavra. A conotação possui outros significados acrescidos à palavra no plano de sua expressão. Pode-se dizer que, na forma denotativa, “dicionarizada”, há a significação objetiva, literal, referencial da palavra. Em contrapartida, a forma conotativa da palavra expressa o sentido subjetivo, figurado, emotivo da palavra. Os textos informativos possuem, predominantemente, a linguagem denotativa, enquanto as propagandas, músicas e poemas caracterizam-se, principalmente, pela linguagem conotativa. http://www.eitapiula.com.br/ A palavra “burro” é explorada em um significado diverso do uso comum: o dicionário é muito bom ou é bom para pessoas ignorantes. Vale lembrar que há um trocadilho intencional com a expressão “pai dos burros”, como se referem aos dicionários. • DENOTAÇÃO – significação específica – sentido comum, dicionarizado utilização do modo automatizado linguagem de uso comum, concreto R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP . PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR94 INTERPRETAÇÃO 03 SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO • CONOTAÇÃO – significação ampla – sentidos que ultrapassam o sentido comum, utilização do modo criativo – linguagem de uso expressivo, abstrato A AMBIGUIDADE E SUA EXPRESSIVIDADE As pesquisas sobre linguagem têm considerado a ambiguidade um fenômeno até certo ponto bem delineado: é um fenômeno ligado a traços discursivos do enunciado, ocorrendo sempre que uma mesma frase apresenta vários sentidos, sendo, então, suscetível a diferentes interpretações. As causas da ambiguidade podem ser de ordem fonética, gramatical ou lexical. A ambiguidade de ordem fonética acontece quando uma unidade sonora é pronunciada sem interrupção, tornando palavras diferentes potencialmente ambíguas. Em português, é o caso de “agosto” – oitavo mês do ano – e “a gosto” – locução adverbial. A ambiguidade gramatical pode ser originada de forma bipartida: em um primeiro caso, a ambiguidade se dá pelas formas gramaticais, em especial no emprego de prefixos e sufixos que possuem mais de um sentido, como o prefixo in-, que assume o sentido de negação em “inapropriado” e “incapaz”, por exemplo, e o sentido de introdução, de movimento para dentro, como em “influir”, “ingerir”. Em outro caso, a ambiguidade se dá pela combinação de palavras numa frase equívoca. Servem como exemplo frases como (1) e (2): (1) O pai trouxe este mapa da França para a filha. (2) Vi uma foto sua no metrô. A construção (1) torna-se ambígua na medida em que se podem observar duas leituras da frase: o mapa caracteriza o território francês ou o mapa foi trazido de lá. Sintaticamente, não está clara a relação estabelecida pelo termo “da França”, se se liga ao substantivo “mapa” ou à forma verbal “trouxe”. Para a construção (2), poderia haver até mais de duas leituras: 2.1 Eu estava no metrô quando vi uma foto em que você estava. 2.2 Eu estava no metrô quando vi a foto que você tirou. 2.3 Eu vi uma foto em que você estava no metrô. Este caso, gerado pela combinação equivocada das palavras na estrutura frasal, recebe o nome de ambiguidade sintática. A ambiguidade de ordem lexical, considerada a mais importante dentre os fatores de ambiguidade presentes na língua, assume duas formas diferentes – a polissemia e a homonímia: (3) Aquela carteira estava velha. A palavra “carteira” pode assumir duas leituras: a de um objeto utilizado para guardar documentos e um objeto utilizado para sentar-se, como uma carteira escolar. Há outro tipo de ambiguidade a que alguns autores chamam de ambiguidade discursiva. O duplo sentido, aqui, não reside na estrutura léxica, nem na construção frasal, mas no sentido implícito do enunciado: (4) Tenho 35 anos. Tal enunciado, solto, não permite saber se o sujeito falante se considera velho ou jovem. Fosse o sujeito um esportista, por exemplo, poderíamos considerá-lo velho, pelas exigências da prática de determinado esporte; fosse um professor, entenderíamos como a voz de um jovem com um futuro profissional pela frente. Apesar de, no ideário linguístico, o discurso ambíguo ser tomado com um fator negativo, a produtividade da ambiguidade, quando intencional, é um importante recurso textual, valendo-se da condição interpretativa do receptor. Um bom exemplo pode ser verificado nesta propaganda eleitoral “disfarçada” do ex-deputado Eduardo Paes, que foi matéria de O Globo, em dezembro de 2001: Foto tirada de um cartaz na cidade do Rio. Verifica-se que a proximidade fônica do nome do deputado e da mensagem gera uma ambiguidade intencional, reiterada, inclusive, pela marca da assinatura, que é a mesma em “Paes” e “paz”. Como a propaganda política, fora do período eleitoral, é considerada ilegal, os autores do cartaz souberam explorar as datas festivas do final de ano para mandaro “lembrete” aos eleitores: no discurso subentendido, “nas eleições de 2002, Paes.” Dessa forma, o duplo sentido é visto como fonte importante de expressividade no contexto linguístico e recurso muito utilizado na linguagem referencial, seja em propagandas, em letras de músicas ou em charges. Esse recurso que a língua oferece dá aos autores a possibilidade da exploração semântica de aspectos verbais e não verbais, atraindo a atenção do leitor–ouvinte. PROTREINO EXERCÍCIOS 01. Defina o conceito da palavra Semântica. 02. Conceitue conotação. 03. Conceitue denotação. 04. Conceitue denotação. 05. Defina polissemia e apresente um exemplo desse uso. R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP . PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR 03 SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO 95 INTERPRETAÇÃO PROPOSTOS EXERCÍCIOS 01. Conflitos de interação ajudam a promover o efeito de humor. No cartum, o recurso empregado para promover esse efeito é a a) intertextualidade, sugerida pelos traços identifi cadores do homem urbano e do homem rural. b) ambiguidade, produzida pela interpretação da fala do locutor a partir da variedade do interlocutor. c) conotação, atribuidora de sentidos fi gurados a palavras relativas às ações e aos seres. d) negação enfática, elaborada para reforçar o lamento do interlocutor pela perda da estrada. e) pergunta retórica, usada pelo motorista para estabelecer interação com o homem do campo. 02. (ENEM) No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fi m de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete: CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE A manchete tem um duplo sentido, e isso difi culta o entendimento. Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação: a) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase. b) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha. c) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência. d) A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase. e) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase. 03. (UERJ) Ideologia Meu partido É um coração partido E as ilusões estão todas perdidas Os meus sonhos foram todos vendidos Tão barato que eu nem acredito Eu nem acredito Que aquele garoto que ia mudar o mundo (Mudar o mundo) Frequenta agora as festas do “Grand Monde” Meus heróis morreram de overdose Meus inimigos estão no poder Ideologia Eu quero uma pra viver Ideologia Eu quero uma pra viver O meu prazer Agora é risco de vida Meu sex and drugs não tem nenhum rock ‘n’ roll Eu vou pagar a conta do analista Pra nunca mais ter que saber quem eu sou Pois aquele garoto que ia mudar o mundo (Mudar o mundo) Agora assiste a tudo em cima do muro Meus heróis morreram de overdose Meus inimigos estão no poder Ideologia Eu quero uma pra viver Ideologia Eu quero uma pra viver (Cazuza e Frejat – 1988 In: www.cazuza.com.br) Nos dois primeiros versos, a palavra “partido” é empregada com significados diferentes. Esta repetição produz, no texto, o seguinte sentido: a) revela o nível de alienação do sujeito poético. b) reafi rma a influência coletiva na esfera pessoal. c) acrescenta elementos pessoais a um tema social. d) projeta um sentimento de desencanto sobre a política 04. (UERJ) O sentido da charge se constrói a partir da ambiguidade de determinado termo. O termo em questão é: a) fora; b) agora; c) sistema; d) protestar. R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP . PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR96 INTERPRETAÇÃO 03 SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO 05. (FUVEST) (www.istoÉ.com.br) Considerando-se o contexto deste anúncio, o tipo de efeito de sentido que ocorre na expressão “deixa no ar” também se verifi ca em: a) Reflorestar as margens dos rios Pinheiros e Tietê. b) Melhorar a qualidade do ar. c) Consciência ecológica dos adultos e das futuras gerações. d) Em cada canto da cidade. e) Concreto aqui, só os resultados. 06. (FUVEST) Um dos traços marcantes do atual período histórico é (...) o papel verdadeiramente despótico da informação. (...) As novas condições técnicas deveriam permitir a ampliação do conhecimento do planeta, dos objetos que o formam, das sociedades que o habitam e dos homens em sua realidade intrínseca. Todavia, nas condições atuais, as técnicas da informação são principalmente utilizadas por um punhado de atores em função de seus objetivos particulares. Essas técnicas da informação (por enquanto) são apropriadas por alguns Estados e por algumas empresas, aprofundando assim os processos de criação de desigualdades. É desse modo que a periferia do sistema capitalista acaba se tornando ainda mais periférica, seja porque não dispõe totalmente dos novos meios de produção, seja porque lhe escapa a possibilidade de controle. O que é transmitido à maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde. (SANTOS, Milton. Por uma outra globalização.) Observe os sinônimos indicados entre parênteses: I. “o papel verdadeiramente DESPÓTICO (tirânico) da informação”; II. “dos homens em sua realidade INTRÍNSECA (inerente)”; III. “são APROPRIADAS (adequadas) por alguns Estados”. Considerando-se o texto, a equivalência sinonímica está correta APENAS em: a) I b) II c) III d) I e II e) I e III 07. (FUVEST) A característica da relação do adulto com o velho é a falta de reciprocidade que se pode traduzir numa tolerância sem o calor da sinceridade. Não se discute com o velho, não se confrontam opiniões com as dele, negando-lhe a oportunidade de desenvolver o que só se permite aos amigos: a alteridade, a contradição, o afrontamento e mesmo o conflito. Quantas relações humanas são pobres e banais porque deixamos que o outro se expresse de modo repetitivo e porque nos desviamos das áreas de atrito, dos pontos vitais, de tudo o que em nosso confronto pudesse causar o crescimento e a dor! Se a tolerância com os velhos é entendida assim, como uma abdicação do diálogo, melhor seria dar-lhe o nome de banimento ou discriminação. (BOSI, Ecléa, Memória e sociedade - Lembranças de velhos) Na avaliação da autora, o que habitualmente caracteriza a relação do adulto com o velho é: a) o desinteresse do adulto pelo confronto de ideias, expressando uma tolerância que atua como discriminação do velho; b) uma sucessão de conflitos, motivada pela baixa tolerância e pela insinceridade recíprocas; c) a inconsequência dos diálogos, já que a um e a outro interessa apenas a reiteração de seus pontos de vista; d) o equívoco do adulto, que trata o velho sem considerar as diferenças entre a condição deste e a de um amigo mais próximo; e) a insinceridade das opiniões do adulto, nas quais se manifestam sua divergência e sua impaciência. 08. (ENEM) O cartaz aborda a questão do aquecimento global. A relação entre os recursos verbais e não verbais nessa propaganda revela que: a) o discurso ambientalista propõe formas radicais de resolver os problemas climáticos; b) a preservação da vida na Terra depende de ações de dessalinização da água marinha; c) a acomodação da topografi a terrestre desencadeia o natural degelo das calotas polares; d) o descongelamento das calotas polares diminui a quantidade de água doce potável do mundo; e) a agressão ao planeta é dependente da posição assumida pelo homem frente aos problemas ambientais. 09. (ENEM) O termo (ou expressão) destacado que está empregado em seu sentido próprio, denotativo ocorre em a) (....) É de laço e de nó De gibeira o jiló Dessa vida, cumprida a sol (....) (TEIXEIRA, Renato. Romaria. Kuarup Discos. setembro de 1992.) b) Protegendo os inocentes é que Deus, sábio demais, põe cenários diferentes nas impressões digitais. (CARVALHO, Maria N. S. Evangelho da Trova. /s.n.b.) R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP. PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR 03 SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO 97 INTERPRETAÇÃO c) O dicionário-padrão da língua e os dicionários unilíngues são os tipos mais comuns de dicionários. Em nossos dias, eles se tornaram um objeto de consumo obrigatório para as nações civilizadas e desenvolvidas. (BIDERMAN. Maria T. Camargo. O dicionário-padrão da língua. Alfa (28), 2743, 1974 Supl.) d) (O Globo. O menino maluquinho. agosto de 2002.) e) Humorismo é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros. Há duas espécies de humorismo: o trágico e o cômico. O trágico é o que não consegue fazer rir; o cômico é o que é verdadeiramente trágico para se fazer. (Leon Eliachar. www.mercadolivre.com.br.acessado em julho de 2005.) 10. (ENEM) Revista Bolsa, 1986. In: CARRASCOZA, J. A. A evolução do texto publicitário: a associação de palavras como elemento de sedução na publicidade. São Paulo: Futura, 1999 (adaptado). Nesse cartaz publicitário de uma empresa de papel e celulose, a combinação dos elementos verbais e não verbais visa a) justifi car os prejuízos ao meio ambiente, ao vincular a empresa à difusão da cultura. b) incentivar a leitura de obras literárias, ao referir-se a títulos consagrados do acervo mundial. c) seduzir o consumidor, ao relacionar o anunciante às histórias clássicas da literatura universal. d) promover uma reflexão sobre a preservação ambiental ao aliar o desmatamento aos clássicos da literatura. e) construir uma imagem positiva do anunciante, ao associar a exploração alegadamente sustentável à produção de livros. 11. TEXTO 1 Criatividade em publicidade: teorias e reflexões Resumo: O presente artigo aborda uma questão primordial na publicidade: a criatividade. Apesar de aclamada pelos departamentos de Criação das agências, devemos ter a consciência de que nem todo anúncio é, de fato, criativo. A partir do resgate teórico, no qual os Conceitos são tratados à luz da publicidade, busca-se estabelecer a compreensão dos temas. Para elucidar tais questões, é analisada uma campanha impressa da marca XXXX. As reflexões apontam que a publicidade criativa é essencialmente simples e apresenta uma releitura do cotidiano. Depexe, S D. Travessias: Pesquisas em Educação, Cultura, Linguagem e Artes, n. 2, 2008. TEXTO 2 Os dois textos apresentados versam sobre o tema Criatividade. O Texto I é um resumo de Caráter Científi co e o Texto II, uma homenagem promovida por um site de publicidade. De que maneira O Texto II exemplifi ca o conceito de criatividade em publicidade apresentado no Texto I? a) Fazendo menção ao difícil trabalho das mães em criar seus fi lhos. b) Promovendo uma leitura simplista do papel materno em seu trabalho de criar os fi lhos. c) Explorando a polissemia do termo “criação”. d) Recorrendo a uma estrutura linguística simples. e) Utilizando recursos gráfi cos diversifi cados. 12. Lépida e leve Língua do meu Amor velosa e doce, que me convences de que sou frase, que me contornas, que me vestes quase, como se o corpo meu de ti vindo me fosse. Língua que me cativas, que me enleias os surtos de ave estranha, em linhas longas de invisíveis teias, de que és, há tanto, habilidosa aranha... R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP . PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR98 INTERPRETAÇÃO 03 SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO [...] Amo-te as sugestões gloriosas e funestas, amo-te como todas as mulheres te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor, pela carne de som que à ideia emprestas e pelas frases mudas que proferes nos silêncios de Amor!... MACHADO, G. In: MORICONI, I. (org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. o de Janeiro: Objetiva, 2001 (fragmento). A poesia de Gilka Machado identifica-se com as concepções artísticas simbolistas. Entretanto, o texto selecionado incorpora referências temáticas e formais modernistas, já que, nele, a poeta a) procura desconstruir a visão metafórica do amor e abandona o cuidado formal. b) concebe a mulher como um ser sem linguagem e questiona o poder da palavra. c) questiona o trabalho intelectual da mulher e antecipa a construção do verso livre. d) propõe um modelo novo de erotização na lírica amorosa e propõe a simplificação verbal. e) explora a construção da essência feminina, a partir da polissemia de “língua“, e inova o léxico. 13. A frase que não apresenta ambiguidade é: a) O coordenador informou ao grupo que sua proposta não tinha sido aceita. b) A briga entre Pedro e Miguel foi séria, por isso lhe disse que era melhor não insistir na viagem. c) De presente de aniversário, a menina pediu muito ousada fantasia de fada. d) Ator e diretor se desentenderam, mas, posteriormente, o ator reconheceu suas próprias falhas. e) Maria assinou o projeto e o orçamento, cujo prazo de entrega estava se esgotando. 14. Tristeza de Cronista A moça viera da cidade para os lados de Botafogo. No ônibus repleto, dois rapazes de pé conversavam, e sua conversa era ouvida por todos os passageiros. (Inconveniente dos hábitos atuais). Eram dois rapazes modernos, bem vestidos, bem nutridos. (Ah! Este excesso de vitaminas e de esportes!). Um não conhecia quase nada da cidade e outro servia-lhe de cicerone. Mostrava-lhe, pois, a avenida e os seus principais edifícios, a Cinelândia, o Obelisco, o Monumento dos Pracinhas, o Museu de Arte Moderna, o Aterro, o mar... O outro interessava-se logo pelas minúcias: qual o melhor cinema? Quantos pracinhas estão ali? que se pode ver no museu? Mas os ônibus andam tão depressa e caprichosamente que as perguntas e respostas se desencontravam. (Que fôlego humano pode competir com o de um ônibus?). Quanto ao Pão de Açúcar, o moço não manifestou grande surpresa: já o conhecia de cartões-postais; apenas exprimiu o seu receio de vir o carrinho a enguiçar. Mas o outro combateu com energia tal receio, como se ele mesmo fosse o engenheiro da empresa ou, pelo menos, agente turístico. Assim chegaram a Botafogo, e a atenção de ambos voltou-se para o Corcovado, porque um dizia: “Quando você vir o Cristo mudar de posição, e ficar de lado e não de frente, como agora, deve tocar a campainha, porque é o lugar de saltar”. O companheiro prestou atenção. Mas, enquanto não saltava, o cicerone explicou ao companheiro: “Nesta rua há uma casa muito importante. É a casa de Rui Barbosa. Você já ouviu falar nele?” O outro respondeu que sim, porém sem grande convicção. Mais adiante, o outro insistiu: “É uma casa formidável. Imagine que tudo lá dentro está conforme ele deixou!” O segundo aprovou, balançando a cabeça com muita seriedade e respeito. Mas o primeiro estava empolgado pelo assunto e tornou a perguntar: “Você sabe quem foi Rui Barbosa, não sabe?” O segundo atendeu ao interesse do amigo: “Foi um sambista, não foi?” O primeiro ficou um pouco sem jeito, principalmente porque uns dois passageiros levantaram a cabeça para aquela conversa. Diminuiu um pouco a voz: ”Sambista, não”. E tentou explicar. Mas as palavras não lhe ocorriam e ficou por aqui: “Foi... foi uma pessoa muito falada”. O outro não respondeu. E foi assim que o Cristo do Corcovado mudou de posição sem eles perceberem, e saltaram fora do ponto. Ora, a moça disse-me; “Você com isso pode fazer uma crônica”. Respondi-lhe: “A crônica já está feita por si mesma. É o retrato deste mundo confuso, destas cabeças desajustadas. Poderão elas ser consertadas? Haverá maneira de se pôr ordem nessa confusão? Há crônicas e crônicas mostrando o caos a que fomos lançados. Adianta alguma coisa escrever para os que não querem resolver?” A moça ficou triste e suspirou. (Ai, nós todos andamos tristes e suspirando!). Meireles, Cecília. Escolha o seu sonho.São Paulo: Círculo do livro, s/d. Das estruturas destacadas, a que apresenta ambiguidade é a) “A moça ficou triste e suspirou.” (§ 9º.) b) “... como se ele fosse o engenheiro da empresa ...” (§ 3º.) c) “Quando você vir o Cristo mudar de posição, e ficar de lado e não de frente,...” (§ 4º.) d) “... o Cristo do Corcovado mudou de posição sem eles perceberem, ...” (§ 7º.) e) “Foi ... foi uma pessoa muito falada.” (§ 6º.) 15. Políticas Públicas de Segurança no Brasil Parece que uma das razões do fracasso e da inexistência de políticas nessa área reside num plano puramente cognitivo. A proposição de políticas públicas de segurança, no Brasil, consiste num movimento pendular, oscilando entre a reforma social e a dissuasão individual. A ideia da reforma decorre da crença de que o crime resulta de fatores socioeconômicos que bloqueiam o acesso a meios legítimos de se ganhar a vida. Esta deterioração das condições de vida traduz-se no acesso restrito de alguns setores da população a oportunidades no mercado de trabalho e de bens e serviços, assim como na má socialização a que são submetidos nos âmbitos familiar, escolar e na convivência com subgrupos desviantes. Consequentemente, propostas de controle da criminalidade passam inevitavelmente tanto por reformas sociais de profundidade como por reformas individuais voltadas a reeducar e ressocializar criminosos para o convívio em sociedade. A par das políticas convencionais de geração de empregos e combate à fome e à miséria, ações de cunho assistencialista visariam minimizar os efeitos mais imediatos da carência, além de incutir em jovens candidatos potenciais ao crime novos valores através da educação, da prática de esportes, do ensino profissionalizante e do aprendizado de artes e na convivência pacífica e harmoniosa com seus semelhantes. Quando isto já não é mais possível, que se reformem então aqueles indivíduos que caíram no mundo do crime através do trabalho e da reeducação nas prisões. (Cláudio C. Beato Filho) R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP . PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR 03 SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO 99 INTERPRETAÇÃO Assinale a afirmativa em que há possibilidade de ambiguidade. a) “Parece que uma das razões do fracasso e da inexistência de políticas nessa área reside num plano puramente cognitivo". b) “A proposição de políticas públicas de segurança, no Brasil, consiste num movimento pendular, oscilando entre a reforma social e a dissuasão individual". c) “A ideia da reforma decorre da crença de que o crime resulta de fatores socioeconômicos que bloqueiam o acesso a meios legítimos de se ganhar a vida". d) “Quando isto já não é mais possível, que se reformem então aqueles indivíduos que caíram no mundo do crime através do trabalho e da reeducação nas prisões". e) “Esta deterioração das condições de vida traduz-se no acesso restrito de alguns setores da população a oportunidades no mercado de trabalho e de bens e serviços". 16. (CPS 2019) Leia o texto e a charge de Alberto Montt para responder à(s) questão(ões). Charles Baudelaire, poeta do século XIX, é autor do livro As Flores do Mal. Nele, seus poemas abordam temas que questionam as convenções morais da sociedade francesa, sendo, por isso, tachado como obsceno, como um insulto aos bons costumes da época. A partir dele, originaram-se na França os chamados “poetas malditos”. O título da charge retoma o título da obra de Baudelaire, As Flores do Mal. O autor, para construir o humor em seu texto, utiliza-se de a) metalinguagem, na representação das flores, que recitam versos compostos pelo poeta ao próprio Baudelaire. b) saudosismo, nas falas das flores, pois elas representam costumes morais inerentes à sociedade francesa do século XIX. c) metáfora, na representação do poeta como flores que apenas dizem verdades, indiferentes às regras morais da sociedade. d) polissemia do substantivo “flores”, uma vez que podem se referir às próprias flores representadas na charge ou aos desejos moralmente rejeitados pelo poeta. e) ambiguidade na locução adjetiva “do mal”, pois, no título original, a locução representa a temática dos poemas, mas, na charge, representa o conteúdo dos conselhos das flores. 17. (IFAL 2018) Os anúncios publicitários, em linhas gerais, têm como propósito estabelecer, no imaginário social, um desejo “inconsciente” pelo consumo de um produto. Em muitos casos, há uma nítida falta de preocupação entre o que está sendo divulgado e a norma culta da língua, já que esses exemplares de textos circulam em várias instâncias públicas, a exemplo deste acima, disposto no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, em set. de 2017. Assim, podemos verificar que a violação gramatical se deu no plano do(a): a) Segmentação de palavras. b) Sentido estabelecido entre as partes e o todo. c) Ambiguidade entre termos. d) Polissemia entre palavras homônimas e parônimas. e) Desrespeito ao Novo Acordo Ortográfico. 18. (MACKENZIE 2018) A arqueologia não pode ser 1desvencilhada de seu caráter aventureiro e romântico, 2cuja melhor imagem talvez seja, desde 3há alguns anos, as saborosas aventuras do arqueólogo Indiana Jones. Pois bem, quando do 4auge do sucesso de Indiana Jones, o arqueólogo brasileiro Paulo Zanettini escreveu um artigo no Jornal da Tarde, de São Paulo, intitulado “Indiana Jones deve morrer!”. Para ele, assim como para outros arqueólogos profissionais, envolvidos com um trabalho 5árduo, sério e distante das 6peripécias das telas, essa imagem aventureira é incômoda. O fato é que o arqueólogo, 7à diferença do historiador, do geógrafo ou de outros estudiosos, possui uma imagem muito mais atraente, inspiradora não só de filmes, mas também de romances e livros os mais variados. Bem, para usar uma expressão de Eça de Queiroz, 8“sob o manto 9diáfano da fantasia” escondem-se as histórias reais que fundamentaram 10tais percepções. 11A arqueologia surgiu no 12bojo do Imperialismo do século XIX, como um subproduto da expansão das potências coloniais europeias e dos Estados Unidos, que procuravam enriquecer explorando outros territórios. Alguns dos primeiros arqueólogos de fato foram aventureiros, responsáveis, e não em pequena medida, pela fama que se propagou em torno da profissão. Adaptado de Pedro Paulo Funari, Arqueologia R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP . PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR100 INTERPRETAÇÃO 03 SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO Assinale a alternativa correta. a) Encontra-se no texto o predomínio da conotação, uma vez que as palavras empregadas transmitem sentidos figurados com várias possibilidades de interpretação. b) O texto possui um caráter predominantemente estético, com os sentidos das palavras reinventados constantemente pelo seu autor, a aprofundar o valor literário do texto. c) A referência a um autor português reforça o caráter literário que o texto assume ao direcionar subjetivamente o teor das informações transmitidas. d) O domínio discursivo do texto apresenta um caráter instrucional, pois seu principal objetivo é transmitir um conhecimento ou um saber definido pelo seu autor. e) O texto apresenta todas as características de um texto oral, com marcas como hesitação, repetição, interação com o leitor, o que permite concluir que ele foi escrito para uma exposição oral, em uma palestra, por exemplo. 19. (CFTRJ 2016) A tira é um gênero que apresenta linguagem verbal e não verbal e, geralmente, propõe uma reflexão por meio do humor. No plano verbal, o humor da tira: a) tem como foco principal a imagem do carro para ilustrar a situação econômica do pai do personagem. b) baseia-se na polissemia do termo “crise”, ora relacionado à situação econômica, ora a uma fase da vida. c) baseia-se na linguagem não verbal, que apresenta dois amigos assustados com o tamanho do carro. d) está centrado na hipérbole, observada na fala do personagem Armandinho, quando usa a palavra “gigante”. 20. (UEG 2016) Em termos verbais, o humor da tira é construído a partir da polissemia presente na palavra a) engenheiro b) resolvido c) cadeira d) grande e) subir 05.APROFUNDAMENTO EXERCÍCIOS DE 01. (UNICAMP 2013) Leia a propaganda (adaptada) da Fundação SOS Mata Atlântica reproduzida abaixo e responda às questões propostas. a) Há no texto uma expressão de duplo sentido sobre a qual o apelo da propaganda é construído. Transcreva tal expressão e explique os dois sentidos que ela pode ter. b) Há também uma ironia no texto da propaganda, que contribui para o seu efeito reivindicativo, expressa no enunciado: “Aproveita enquanto tem água.” Explique a ironia contida no enunciado e a maneira como ele se relaciona aos elementos visuais presentes no cartaz. 02.(FUVEST 2010) Leia o seguinte texto: Um músico ambulante toca sua sanfoninha no viaduto do Chá, em São Paulo. Chega o “rapa”* e o interrompe: — Você tem licença? — Não, senhor. — Então me acompanhe. — Sim, senhor. E que música o senhor vai cantar? *rapa: carro de prefeitura municipal que conduz fiscais e policiais para apreender mercadorias de vendedores ambulantes não licenciados. Por extensão, o fiscal ou o policial do rapa. Para o efeito de humor dessa anedota, contribui, de maneira decisiva, um dos verbos do texto. De que verbo se trata? Justifique sua resposta. 03. (FUVEST 2017) Leia o seguinte texto, extraído de uma matéria jornalística sobre supercomputadores: Supercomputadores são usados para cálculos de simulação pesada. Um exemplo recorrente do uso desse tipo de equipamento é a de simulação climática: com quatrilhões por segundo de processamento, torna-se possível que um computador tenha capacidade de calcular as oscilações meteorológicas. Isso ajuda a prevenir desastres, ou a preparar políticas de apoio à agricultura, se antecipando a cenários os mais variados. Evidentemente, há outros usos, como pesquisas científicas que precisam também simular cenários, com uma ampla gama de variáveis. Estudos militares e de desenvolvimento de tecnologia também se beneficiam do poder computacional desse tipo de equipamento. www.techtudo.com.br, 24.06.2016. R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP . PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR 03 SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO 101 INTERPRETAÇÃO Reescreva o trecho “é a de simulação climática: com quatrilhões por segundo de processamento”, levando em conta a correção e a clareza. 04. (FGV 2016) Examine a seguinte mensagem publicitária de uma empresa do ramo de construção civil: a) Tanto a frase quanto a imagem que compõem essa propaganda estão divididas, visualmente, em duas partes. Explique resumidamente a relação de sentido que existe entre imagem e frase, em cada uma das duas partes. b) Identifique algum recurso expressivo, sintático ou semântico, presente na frase do anúncio. 05. (FUVEST 2015) Leia a seguinte mensagem publicitária de uma empresa da área de logística: A gente anda na linha para levar sua empresa mais longe Mudamos o jeito de transportar contêineres no Brasil e Mercosul. Através do modal ferroviário, oferecemos soluções logísticas econômicas, seguras e sustentáveis. a) Visando a obter maior expressividade, recorre-se, no título da mensagem, ao emprego de expressão com duplo sentido. Indique essa expressão e explique sucintamente. b) Segundo o anúncio, uma das vantagens do produto (transporte ferroviário) nele oferecido é o fato de esse produto ser “sustentável”. Cite um motivo que justifique tal afirmação. GABARITO EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. B 02. E 03. D 04. C 05. E 06. D 07. A 08. E 09. C 10. E 11. C 12. E 13. D 14. E 15. D 16. E 17. A 18. D 19. B 20. D EXERCÍCIOS DE APROFUNDAMENTO 01. a) Trata-se da expressão “Lavar as mãos” que pode ser interpretada no seu sentido literal, limpar as mãos com água, ou no sentido conotativo, não assumir responsabilidades. b) A imagem de uma torneira que verte uma gota de água “alimentada” pelas árvores enfileiradas sobre o cano a que está ligada sugere uma relação intrínseca entre o consumo dos recursos hídricos e a devastação da Mata Atlântica. Assim, a frase “Aproveita enquanto tem água” é irônica, pois alude à possibilidade de escassez de água até para lavar as mãos, se não se tomarem iniciativas que impeçam o desmatamento. 02. A polissemia do verbo acompanhar instaura o humor da anedota, pois o ambulante que tocava sanfona depreende que a ordem “Então me acompanhe” se refere à execução de um tema musical que deveria acompanhar o canto do policial e não ao sentido mais provável: ir junto. 03. O trecho, do modo como está redigido, possui problemas de coesão, já que sua clareza fica comprometida. São possíveis diversas redações, umas delas seria: “Um exemplo recorrente do uso desse tipo de equipamento é a simulação climática, que possui a capacidade de processar quatrilhões de dados por segundo, tornando possível que um computador calcule as oscilações meteorológicas”. 04. a) O anúncio faz uso de uma fotografia e de um desenho. A fotografia representa a realidade e o desenho representa o projeto, ou seja, a fotografia e o desenho representam duas coisas distintas, apesar da correlação imagética que há entre elas: a realidade (a fotografia) e o projeto (o desenho) que também pode ser entendido como um sonho, algo que se almeja construir. O slogan da campanha está escrito em letra de mão quando em cima do desenho, representando o projeto; em letra de tipografia quando está sobre a fotografia, que representa a realidade que “saiu do papel”. A ideia do anúncio é vender os serviços de alguma grande construtora, através da dicotomia sonho e realidade. b) A palavra “papel” adquire o sentido de “trabalho” ou “função” na primeira ocorrência e, na segunda, de material que serve de suporte ao desenho. Além da polissemia do termo, o quiasmo, figura de linguagem que resulta da disposição cruzada de elementos, reforça a expressividade do anúncio. 05. a) Para maior expressividade a palavra linha traz uma ambiguidade bastante pertinente, mencionando a expressão andar na linha que quer dizer fazer tudo de maneira correta e a ideia de linha de trem, já que a empresa oferece transportes em containers via férrea. b) Hoje sustentável ganhou um significado a mais, quer dizer de toda forma de trabalho que não prejudica o meio ambiente, o que acontece com os trens, eles não poluem o ar como outros meios de transporte e também são mais baratos. ANOTAÇÕES R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP . PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR102 INTERPRETAÇÃO 03 SEMÂNTICA I: POLISSEMIA, AMBIGUIDADE, DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO ANOTAÇÕES R ep ro du çã o pr oi bi da A rt . 1 84 d o CP .