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ÉTICA, RESPONSABILIDADE 
SOCIAL E AMBIENTAL 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.a Olívia Resende 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá você já imaginou como seria a responsabilidade das organizações em 
um mundo cada vez mais globalizado? Como seriam suas ações em meio a 
consumidores cada vez mais conscientes da sua responsabilidade com um 
mundo melhor? Consumidores estes com mais acesso a informação e produtos 
diferenciados? Como as organizações se mantêm em um cenário assim? Pense 
e reflita sobre estas perguntas. 
Nesta aula, vamos tentar responder a estas perguntas e mais 
especificadamente, iremos aprofundar nas Ferramentas de Gestão que 
direcionam as empresas na busca de resultados sustentáveis. 
CONTEXTUALIZANDO 
A responsabilidade social empresarial é, segundo o Ethos, “uma forma de 
gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos 
os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas 
empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, 
preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, 
respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. 
A Responsabilidade da Empresa surge em um contexto, onde o Estado, 
as empresas e a sociedade civil estão envolvidos diante das pressões 
internacionais que coloca todos num campo de incertezas; com relação aos seus 
projetos, fazendo com que outras formas de controle dos respectivos destinos 
sejam objeto de pesquisa e de utilização de novas certificações, metodologias e 
sistemas de apoio à decisão. 
Algumas ferramentas gerenciais contribuem para a implementação e 
fiscalização de práticas de Responsabilidade Social Empresarial. Com a 
globalização das práticas de RSE, entende-las e aplica-las de maneira adequada 
é de extrema importância. 
No que diz respeito ao papel do gestor na construção da responsabilidade 
social da organização devem ter especial atenção, pois os projetos que não 
levarem essas questões em consideração estarão fadados ao fracasso. Da 
mesma forma, o desconhecimento progressivo do processo de governança local 
 
 
3 
e das dinâmicas locais sobre o desenvolvimento de processos de intervenção 
tecnológica tem trazido inúmeros problemas: para as comunidades, os governos, 
os organismos internacionais e os órgãos de fomento internacional, no âmbito 
da gestão dos respectivos projetos, entre eles os projetos de responsabilidade 
social. 
Nesta rota buscaremos refletir sobre a Gestão Empresarial e a 
Responsabilidade Social Empresarial em meio a um cenário de globalização, 
apresentaremos algumas ferramentas, normas e práticas que devem ser objeto 
dos programas de responsabilidade social empresarial, as quais poderão ser 
utilizadas para que a sua empresa seja considerada responsável, dentre eles 
daremos enfoque ao Investimento Comunitário Estratégico, além disto 
apresentaremos o marketing 3.0, um novo conceito para o desenvolvimento de 
estratégias de marketing que está totalmente relacionado às estratégias de 
Sustentabilidade e de Responsabilidade Social. Para tanto buscaremos 
responder as seguintes perguntas: 
 
 
 
 
 
Para responder a esta e outras perguntas, começaremos abordando a 
relação entre a Globalização e a Responsabilidade Social Empresarial. 
TEMA 1 DA ROTA: A GLOBALIZAÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL E O 
PRINCÍPIO DA INCERTEZA 
Com a globalização estamos há algumas décadas vivendo um movimento 
internacional denominado “neoliberalismo”. O neoliberalismo defende que o 
Estado deixe de ser agente controlador da economia, ou seja, defende a pouca 
intervenção do governo no mercado de trabalho, a política de privatização de 
empresas estatais, a livre circulação de capitais internacionais e ênfase na 
O que a globalização tem a ver com a 
Responsabilidade Social Empresarial? 
 
Existem formas de gerir uma empresa voltada para 
sua Responsabilidade Social? 
 
 
 
4 
globalização, a abertura da economia para a entrada de multinacionais, a adoção 
de medidas contra o protecionismo econômico, a diminuição dos impostos e 
tributos excessivos, dentre outros, passando o estado a exercer um reduzido 
número de atividades, delegando, através de diferentes mecanismos e leis, parte 
das suas atividades para outros segmentos da sociedade. 
Assim, algumas atividades que antes eram exclusivas do Estado 
passaram a ser confiadas às empresas. Que através da Responsabilidade Social 
Empresarial, se transformaram em grande parte, em agentes de 
desenvolvimento local, através das parcerias público-privadas. 
Neste cenário, as empresas passaram a ter mais responsabilidades. 
Quando nos remetemos ao “princípio da incerteza”, estamos nos referindo ao 
grande número de exigências, normas, projetos, controle e monitoramentos que 
as empresas passam nesse momento e que precisam ser revistos através de 
análise prospectiva para que seus objetivos sejam atingidos. 
Podemos então dizer que a Responsabilidade Social Empresarial, surge 
neste contexto internacional neoliberal, como mudança de perspectiva do 
sistema econômico e de regime de Estado. 
No aspecto neoliberal, o Estado cria todas as condições para se dedicar 
às suas novas funções. Entretanto, deixa de ser um “agente de controle” das 
atividades econômicas para ser um “agente de fiscalização” dos processos, 
produtos e serviços que foram terceirizados, privatizados e realizados através de 
parcerias público-privadas (setor privado) ou termos de parceria (terceiro setor). 
Em relação às organizações da sociedade civil, o Estado as dota de 
natureza privada com personalidade jurídica de instituição pública, garantindo 
que estas possam receber recursos de instituições públicas ou de empresas, 
com dedução de imposto de renda, para desenvolvimento de projetos. 
Nesse contexto, empresas, comunidades, mercados nacionais e 
internacionais, agências de certificação e projetos diversos passam a fazer parte 
das agendas das empresas responsáveis e dos seus respectivos setores e 
profissionais. 
 
 
5 
Destarte, o papel dos diferentes atores sociais está assim definido: 
 o Estado passa a ser agente fiscalizador das atividades que 
atribuiu para empresas e organizações da sociedade civil, através das 
agências de regulação; 
 a sociedade civil, estruturada em organizações da 
sociedade civil de interesse público, será o agente público para projetos 
na área social, sob tutela e controle do Ministério da Justiça; 
 o Ministério Público, seja ele federal ou estadual, passa a 
ser agente de controle dos bens de interesse difuso e coletivo de todo tipo 
de relação estabelecida entre o Estado, as empresas; 
 as empresas passam a ser agentes de desenvolvimento 
local, numa perspectiva de sustentabilidade social, ambiental, cultural, 
econômica e financeira. 
Para Ferraz (2007), a responsabilidade social, nada mais é que um dos 
pressupostos da função social da Empresa: o de atender aos anseios da 
sociedade onde está inserida, por meio de práticas sociais e éticas, o amparo 
aos direitos do trabalhador envolvido com a produção, bem como o 
reconhecimento dos valores desse trabalhador por meio de investimentos 
intelectuais e culturais, e enfim, a responsabilização, ambiental, social e moral. 
Assim, como analisamos em outras rotas e aqui reforçado, a 
responsabilidade social vem assumindo relevância considerável a partir das 
intervenções realizadas pelas empresas em diversas situações em que o Estado 
não se faz mais presente. 
Não basta implantar práticas para solução de desafios empresariais, é 
necessário que elas possam também ser avaliadas. Da mesma forma, é preciso 
saber qual tipo de prática a ser adotada vai tornar possível que os resultados 
sejam atingidos. 
Segundo Zocolaro (2013), em linhas gerais, as empresas têm 
desenvolvido práticas na área de: governança, direitos humanos, público interno,6 
meio ambiente, cadeia de valor, comunidade e sociedade, governo e mercado 
consumidor. 
Gonçalves (2011) entende que as ações de responsabilidade social estão 
cobrindo as áreas de educação, meio ambiente, capacitação de mão de obra, 
gênero e diversidade social, sexual e racial, emprego e renda e orientações para 
o mercado, as empresas passam a ter uma ação muito mais extensiva. 
Atualmente, as empresas passam a incorporar funções governamentais, 
quando gradualmente vão assumindo áreas e projetos, que efetivamente não 
são a sua atividade fim, fazendo com que internamente todo o seu público alvo 
esteja também envolvido nessas atividades. 
Para se implantar a responsabilidade social empresarial, foram 
desenvolvidas várias ferramentas, normas e seus respectivos sistemas de 
gestão que, ao serem aplicados e sistematizados pelos diferentes públicos-alvo, 
garantem a certificação a responsabilidade social de todos os procedimentos 
descritos nos planos a serem desenvolvidos. 
A responsabilidade social empresarial envolve temas e demandas 
diversos, que só podem ser suficientemente inseridos em uma organização por 
meio de várias ferramentas de gerenciamento. Entre as ferramentas de gestão 
mais utilizadas, temos o balanço social, que é uma ferramenta de comunicação 
dos resultados das atividades das empresas e de seus projetos nessa 
perspectiva. 
O balanço social é um tipo de demonstração de resultados parecido com 
as demonstrações financeiras publicadas anualmente, no qual as empresas 
apresentam um conjunto de informações sobre os projetos, os benefícios e as 
ações sociais dirigidas aos empregados, aos investidores, aos analistas de 
mercado, aos acionistas e à comunidade. 
Relatório de Sustentabilidade Empresarial, Balanço Social Corporativo, 
Relatório Social e Relatório Social-Ambiental são outros nomes utilizados pelas 
organizações, especialistas e acadêmicos para designar o material informativo 
sobre a situação da organização em relação a questões sociais e ambientais. 
(OLIVEIRA, 2008). 
 
 
7 
A função principal do balanço social é tornar pública a responsabilidade 
social empresarial, construindo maiores vínculos entre a empresa, a sociedade 
e o meio ambiente. 
Leitura Obrigatória 
Rico, E. M. A responsabilidade social empresarial e o Estado: uma 
aliança para o desenvolvimento sustentável. Perspec. vol.18 no.4, São Paulo 
2004 
Saiba mais 
Assista o vídeo da Fundação Grupo Boticário e da responsabilidade 
assumida pela empresa. O Brasil é um país maravilhoso, rico em florestas 
tropicais e em reservas de água doce. O trabalho da Fundação Grupo Boticário 
é proteger o patrimônio natural do nosso país, que além de ser maravilhoso, 
possui a maior biodiversidade do planeta. Assista a este vídeo e conheça os 
projetos da Fundação! 
https://www.youtube.com/watch?v=DVE19y5znGA 
TEMA 2 DA ROTA: FERRAMENTAS GERENCIAIS NO PROCESSO DE 
RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL 
Atualmente, a responsabilidade das empresas passa a ser o centro das 
discussões das principais economias do mundo, associado ao conceito de 
desenvolvimento sustentável, um modelo de progresso econômico e social que 
permitirá que todos os seres humanos atinjam boas condições de vida, sem 
comprometer a capacidade do ser humano de se manter continuamente no 
planeta. 
Na tentativa de dar resposta a esse anseio mundial, surgem códigos, 
princípios e normas que regulamentam essas práticas. Alguns exemplos são o 
Pacto Global da ONU, já visto em nossas aulas, o Sustainability Index do Dow 
Jones, e as normas SA8000 (focada prioritariamente nas relações de trabalho) 
e AA1000 (com foco no diálogo com partes interessadas), que desafiam as 
corporações a atingir um patamar mais alto de desempenho. No Brasil, a 
Bovespa lançou em 2005 o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), 
https://www.youtube.com/watch?v=DVE19y5znGA
 
 
8 
resultado da análise de uma carteira de ações de empresas reconhecidamente 
comprometidas com a sustentabilidade. Atualmente, o GRI –Global Reporting 
Initiative, foi criada com o objetivo de elevar as práticas de relatórios de 
sustentabilidade de empresas a um nível de qualidade equivalente ao dos 
relatórios financeiros. 
Estes códigos, princípios e normas que regulamentam as práticas de 
Responsabilidade Social Empresarial, contribuem demonstrando para todos qual 
é a postura da empresa e seus dirigentes e da qualidade do produto ou serviço 
oferecido. Como vimos, o Estado ajuda apenas na identificação e na formulação 
de políticas públicas, deixando a responsabilidade para as empresas. 
Segundo a Global Reporting, um relatório de sustentabilidade é um 
relatório que divulga o desempenho econômico, ambiental, social e de 
governança da organização relatora. Cada vez mais, organizações querem 
tornar suas operações mais sustentáveis e estabelecer um processo de 
elaboração de relatório de sustentabilidade para medir desempenhos, 
estabelecer objetivos e monitorar mudanças operacionais. Um relatório de 
sustentabilidade é a plataforma fundamental para comunicar os impactos de 
sustentabilidade positivos e negativos bem como para obter informações que 
podem influenciar na política, estratégia e nas operações da organização de uma 
forma contínua. 
Vamos apresentar alguns relatórios. Iniciamos com os Indicadores Ethos, 
que segundo o Instituto Ethos são ferramentas de gestão que visam apoiar as 
empresas na incorporação da sustentabilidade e da responsabilidade social 
empresarial (RSE) em suas estratégias de negócio, de modo que esse venha a 
ser sustentável e responsável. A ferramenta é composta por um questionário que 
permite o auto diagnóstico da gestão da empresa e um sistema de 
preenchimento on-line que possibilita a obtenção de relatórios, por meio dos 
quais é possível fazer o planejamento e a gestão de metas para o avanço da 
gestão na temática da RSE/Sustentabilidade. 
Ainda para o Instituto Ethos, a atual geração dos Indicadores Ethos, que 
será continuamente aprimorada, apresenta uma nova abordagem para a gestão 
das empresas e procura integrar os princípios e comportamentos da RSE com 
 
 
9 
os objetivos para a sustentabilidade, baseando-se num conceito de negócios 
sustentáveis e responsáveis ainda em desenvolvimento. Além de ter maior 
integração com as diretrizes de relatórios de sustentabilidade da Global 
Reporting Initiative (GRI), com a Norma de Responsabilidade Social ABNT NBR 
ISO 26000, CDP, e outras iniciativas. Os Indicadores Ethos para Negócios 
Sustentáveis e Responsáveis têm como foco avaliar o quanto a sustentabilidade 
e a responsabilidade social têm sido incorporadas nos negócios, auxiliando a 
definição de estratégias, políticas e processos. Embora traga medidas de 
desempenho em sustentabilidade e responsabilidade social, esta ferramenta não 
se propõe a medir o desempenho das empresas nem reconhecer empresas 
como sustentáveis ou responsáveis. 
O Global Report Initiative (GRI) é outro instrumento gerencial para 
avaliação das práticas de responsabilidade social através de relatórios que 
deverão ser enviados para os organismos credenciados. (Indicadores Ethos de 
Responsabilidade Social Empresarial, 2007) 
Já a norma ISO 14063 define comunicação ambiental como sendo o 
processo de compartilhar informação sobre temas ambientais entre 
organizações e suas partes interessadas, visando construir confiança, 
credibilidade e parcerias para conscientizar os envolvidos e para utilizar as 
informações no processo decisório. A norma está organizada para propor o 
alinhamento entre os princípios, a política, a estratégia e as atividades de 
comunicação ambiental (CAMPOS, M. K. S., 2007). 
As organizações devem construir sua comunicação ambiental com base 
em princípios: utilizar transparência no processo, ser relevante no conteúdo 
comunicado, garantir credibilidade das informações, ser responsivo aos 
stakeholders e adotar clareza nalinguagem. 
O Projeto SIGMA foi lançado em 1999 com o apoio do Departamento de 
Indústria e Comércio do Reino Unido. Visando construir a capacidade das 
empresas de alcançarem seus objetivos de negócio e institucionais tratando, de 
modo mais eficaz, os dilemas, ameaças e oportunidades nos campos 
econômico, social e ambiental. As diretrizes do Projeto SIGMA oferecem 
soluções flexíveis e viáveis que podem ser implementadas em uma ampla gama 
10 
de setores, tipos de organização e funções. Integração e melhoria de 
desempenho são palavras chaves no Projeto SIGMA. Ele reúne temas sociais, 
ambientais e econômicos, ao mesmo tempo em que incentiva as empresas a 
integrar essas áreas na gestão organizacional. É a síntese de vários modelos e 
instrumentos no campo da responsabilidade social empresarial. Ele pode ser 
usado sozinho ou em conjunto com outras iniciativas e permite às organizações 
definirem seu próprio processo de acordo com suas necessidades, visando 
sempre à melhoria do desempenho. (Instituto Willis Harman House, Antakarana) 
O Guide 72 (ISO, 2001) é um documento informativo sobre conceitos, 
processos e metodologias para sistemas de gestão que deverão ser objeto de 
uso pelas empresas para implantação dos processos de certificação e de 
padronização de sistemas de gestão. 
A norma PAS 99 (BSI, 2006) é a primeira norma mundial que integra os 
diferentes sistemas de gestão da qualidade (qualidade, meio ambiente, higiene, 
saúde e segurança do trabalho). Nesse procedimento padrão não foram 
incluídas as normas de ética e responsabilidade social. O modelo usado na PAS 
99 (BSI, 2006) tem como base o Guide 72 (ISO, 2001) com algumas 
modificações, já tendo sido testado na prática. Todo o processo do sistema 
integrado de gestão segue o mesmo princípio do sistema PDCA como 
mecanismo de gestão das diferentes normas de qualidade. 
Assim, o primeiro passo deve ser a identificação das necessidades do 
negócio. Se a empresa não vê benefícios com a integração, então não deverá 
fazê-la – embora seja difícil imaginar uma organização que não veja. 
Leitura Obrigatória 
RODRIGUES et al. A prática da Responsabilidade Social Empresarial 
através do Programa Miniempresa da Junior Achievement em Macapá/AP. 
Saiba mais 
Assista os vídeos da norma 26000 e a entrevista sobre Sistema de Gestão 
Ambiental e fique por dentro. 
11 
https://www.youtube.com/watch?v=pp_ERQAaEko 
https://www.youtube.com/watch?v=0wZIm-E5yOM 
TEMA 3 DA ROTA: INVESTIMENTO COMUNITÁRIO ESTRATÉGICO (ICE) 
O aumento vertiginoso da pobreza, aliado aos processos de 
redemocratização de diversos países, intensifica a pressão social exercida pela 
sociedade junto ao setor privado. O resultado é a ampliação do alcance da visão 
das empresas sobre sua responsabilidade, que passam a ir além das 
expectativas de acionistas, funcionários, fornecedores e clientes. As empresas 
começam então a perceber a necessidade de geração de valor para todos 
os stakeholders, e a serem questionadas na sua missão e objetivos, em seus 
processos produtivos e nos impactos que geram no meio ambiente, na 
sociedade dentre outros. (Aliança Grupo Capoava, 2010) 
Recentemente, a Corporação Financeira Internacional, objetivando 
ampliar e melhorar os resultados da cadeia de valor dos investimentos realizados 
em programas e projetos de responsabilidade social, desenvolveu outro 
programa, que já está em andamento, denominado Investimento Comunitário 
Estratégico. 
Os novos desafios impostos as empresas, exigem que estas se tornem 
sujeito de transformação social, tanto da comunidade onde está inserida, quanto 
do país, assim, o Investimento Comunitário Estratégico, quando executado de 
maneira estratégica, ou seja, alinhado às diretrizes de responsabilidade social e 
sustentabilidade e às estratégias de negócio da empresa, integrando a 
perspectiva interna à perspectiva externa do negócio, e gerando valor para a 
empresa e sociedade, contribui para que estes desafios sejam alcançados. 
No Brasil ainda pouco se fala do Investimento Comunitário Estratégico 
(ICE), onde é praticamente desconhecido da maior parte das instituições e 
empresas. Convém ressaltar que todas as considerações realizadas nesse item 
foram extraídas do único manual da CFI em língua portuguesa que trata dessa 
questão no País. 
https://www.youtube.com/watch?v=pp_ERQAaEko
https://www.youtube.com/watch?v=0wZIm-E5yOM
 
 
12 
Segundo Pimentel (2011), atualmente, a grande maioria dos investidores 
sociais privados são fundações, associações empresariais e empresas, e não 
pessoas físicas, fundações familiares ou comunitárias. Isso significa dizer que, 
de forma geral, estes investimentos são administrados tendo como pano de 
fundo a lógica empresarial. Assim, parece natural que os investimentos sejam 
executados por meio do desenvolvimento de programa próprio, ou seja, sejam 
focados em determinados temas definidos pela empresa em um horizonte mais 
curto de tempo. 
Mas em que consiste o ICE? 
O ICE consiste, por um lado, em contribuições ou ações voluntárias por 
parte das empresas para ajudar comunidades localizadas em suas áreas de 
operação a resolver suas prioridades de desenvolvimento; e, por outro, em 
aproveitar as oportunidades criadas pelo investimento privado de maneira 
sustentável que respaldem os objetivos do negócio (IFC, 2010). 
Vale ressaltar que o ICE não deve ser confundido com as obrigações das 
empresas de mitigarem ou compensarem as comunidades locais pelos impactos 
ambientais e sociais causados por projetos em desenvolvimento. 
Essas questões são tratadas de forma isolada pelos “Padrões de 
Desempenho Socioambiental” da IFC. Entretanto, as duas são componentes 
interligadas de uma abordagem da gestão dos relacionamentos empresa–
comunidade. 
As empresas estão mudando as suas formas de gestão socioambiental, 
passando de “doadoras filantrópicas” e de “práticas pontuais” para adotantes de 
“programas estratégicos de planejamento” centrados em investimento 
comunitário orientado para plano de negócios. 
Segundo o Instituto Ethos, o ICE, através da gestão dos riscos e das 
oportunidades, cria valor compartilhado pela articulação dos objetivos e das 
competências do negócio, com as prioridades de desenvolvimento das partes 
interessadas locais. 
 
 
13 
Através do ICE, as empresas apoiam diversos tipos de atividades: 
capacitação, desenvolvimento de formas de sustento, transferência de 
conhecimento, acesso a serviços sociais e infraestrutura, frequentemente em 
contextos onde os níveis de pobreza, risco social e expectativa são altos e onde 
empresas e comunidades competem pelo uso da terra e dos recursos naturais. 
A estrutura de um programa de ICE passa pelas seguintes etapas: avaliar 
o contexto empresarial; avaliar o contexto local; avaliar o processo de 
envolvimento comunitário; e avaliar a necessidade de capacitação. Depois 
dessas etapas, é necessário definir os parâmetros, o modelo de implementação 
e o processo de mensuração e comunicação dos resultados. 
A noção dos conceitos de desenvolvimento, inovação, mudança e 
progresso poderá ter diferentes significados em razão dos contextos 
historicamente produzidos, que definiram elaborações e apropriações cognitivas 
pelos diferentes grupos e comunidades, no local onde as empresas e instituições 
desenvolvem as suas atividades. 
A construção de um modelo cognitivo integra: a história pessoal e 
comunitária com conceitos e significados; a formação dos conjuntos de relações 
que definem formas de pensar, agir e se comportar diante das diferentes 
relações que se estabelecem diariamente com as coisas, os outros, o mundo, os 
objetos; e, por conseguinte, as implicações das atividades das empresas quando 
pretendem implantar programas de responsabilidade social e de investimento 
comunitário estratégico. 
Concomitantemente, para a identificação da estrutura do modelo cognitivo 
das comunidades de projeto,os gestores devem levar em consideração: 
Variáveis culturais; Variáveis ambientais; Variáveis sociais; variáveis políticas; 
Variáveis econômicas; Variáveis financeiras. 
As Variáveis culturais, na maior parte dos projetos de empreendimentos 
civis, a variável cultural não é levada em consideração, já que, praticamente, a 
legislação que regula a possibilidade de realização de um empreendimento não 
privilegia essa questão como fator de realização deste; 
 
 
14 
Variáveis ambientais, existe uma grande diferença entre a compreensão 
do que seja um aspecto (variável promotora do impacto) em relação a um 
impacto ambiental (fatores resultantes da ativação de um aspecto); 
Variáveis sociais, a maior parte dos empreendimentos não se integra aos 
locais onde são instalados, tanto da perspectiva de sua manutenção (uso de mão 
de obra local) quanto dos grupos sociais que irão utilizá-los; 
Variáveis políticas, a falta de conhecimento das atividades a serem 
desenvolvidas pelos empreendimentos pode gerar uma ação reativa em termos 
de organização local contra estes, como já vem acontecendo em várias partes 
do planeta; 
Variáveis econômicas, refere-se a um conjunto de grandezas 
determinadas pelo funcionamento do sistema econômico, onde estão incluídos, 
por exemplo, os preços, as quantidades transacionadas no mercado, a riqueza 
produzida, as taxas de juros, as taxas de câmbio, a legislação trabalhista, as 
taxas de desemprego, entre outras; 
Variáveis financeiras, as variáveis financeiras são aquelas relacionadas 
aos valores e ao orçamento de capital, à avaliação do retorno e do risco 
financeiro, à análise da estrutura de capital, às possibilidades de financiamentos 
de longo ou curto prazo e à administração de caixa do empreendimento em 
desenvolvimento. 
De uma forma geral, os programas de ICE acabam se tornando um 
aspecto (agente promotor do impacto) que evitará um impacto (resultado da ação 
de um aspecto) passivo (custo de recuperação de um impacto) e um dano 
ambiental (infringência legal produzida por um impacto ambiental). 
Leitura Obrigatória 
http://commdev.org/wp-
content/uploads/2015/05/P_SCI_Quick_Guide_Portugese.pdf 
Saiba mais 
http://commdev.org/wp-content/uploads/2015/05/P_SCI_Quick_Guide_Portugese.pdf
http://commdev.org/wp-content/uploads/2015/05/P_SCI_Quick_Guide_Portugese.pdf
 
 
15 
Leia o artigo do Instituto Iris sobre a diferença entre os conceitos de 
Responsabilidade Social e Investimento Social. 
http://institutoiris.org.br/artigo/a-diferenca-entre-os-conceitos-de-
responsabilidade-social-e-investimento-social/ 
TEMA 4 DA ROTA: SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL E SUAS RELAÇÕES 
COM A GESTÃO DA MUDANÇA E MARKETING 
Já vimos que a Sustentabilidade Corporativa está sendo discutida em 
empresas de todos os portes e segmentos. Porém, nem sua implantação nem o 
acompanhamento dos seus resultados vêm sendo tratados como deveriam. Os 
efeitos das ações de Sustentabilidade somente serão sentidos ao longo do 
tempo. Por isso, uma estratégia mal definida e mal implantada pode causar 
desânimo nos stakeholders, fazendo com que os envolvidos se sintam 
desestimulados e percam a confiança nos efeitos do processo. Em resumo, um 
projeto de Sustentabilidade malconduzido pode provocar efeitos contrários aos 
esperados, desencorajando, assim, a sua adoção. 
É nesse cenário que a Gestão da Mudança, com enfoque na constante 
necessidade de adaptação das organizações contemporâneas, torna-se o 
elemento que, com boa margem de segurança e em relação às práticas de 
Sustentabilidade, permitirá à empresa sair do estado atual para o estado 
desejado. Podemos definir a mudança organizacional como um processo que 
pode acarretar desde o direcionamento estratégico até mudanças culturais na 
organização. Embora seja um processo natural ao longo da existência de uma 
organização, para que ele tenha sucesso, cada etapa envolvida deve ser 
gerenciada e acompanhada. 
Como a Sustentabilidade é um conceito novo e que envolve mudança de 
comportamento, neste caso, a mudança deve ocorrer, em um primeiro momento, 
por meio da conscientização. Somente assim as chances de resultados efetivos 
e duradouros serão maiores. Conscientizar alguém a respeito de algo, ao 
contrário do que parece, nem sempre é uma tarefa fácil. 
A conscientização remete ao engajamento, que, por sua vez, remete ao 
fortalecimento das ações corporativas sustentáveis. Nesse sentido, trabalhar a 
http://institutoiris.org.br/artigo/a-diferenca-entre-os-conceitos-de-responsabilidade-social-e-investimento-social/
http://institutoiris.org.br/artigo/a-diferenca-entre-os-conceitos-de-responsabilidade-social-e-investimento-social/
 
 
16 
mudança organizacional e coletiva passa a ser um fator decisivo. Contudo, deve-
se ter em mente que, quando implantadas, as mudanças geram resistências, e 
é aí que a Gestão da Mudança assume um papel fundamental, pois é por meio 
de suas metodologias que as resistências serão minimizadas. 
Assim como em todas as áreas, a Sustentabilidade deve ser encarada e 
conduzida como um projeto no qual devem ser consideradas, no mínimo, as 
seguintes etapas: Planejamento e estudo de cenários; Implantação com base 
em análises; Acompanhamento e divulgação de resultados. 
A etapa de planejamento, que é o ponto de partida para a implantação de 
mudanças, deve levar em conta as questões culturais e comportamentais e os 
riscos e impactos gerados por uma mudança organizacional. Definir metas e 
ferramentas de mensuração de resultados pode ser considerada como uma boa 
tática de engajamento e de comprometimento dos colaboradores envolvidos. 
Na etapa de implantação, o que prevalece é a transparência na 
comunicação, ou seja, a forma pela qual os resultados obtidos ao longo do 
processo são demonstrados e, mais ainda, pela qual os participantes são 
envolvidos nas mudanças. 
Já na etapa de acompanhamento e divulgação de resultados, os 
responsáveis devem mensurar as mudanças ocorridas, definindo os ajustes 
necessários para melhorias no processo e comunicando esses pontos aos 
envolvidos. 
Após tudo o que apresentamos até agora, podemos nos perguntar: como, 
efetivamente, as empresas devem direcionar as questões de marketing quando 
o assunto é Sustentabilidade e Responsabilidade Social? 
O marketing 3.0 surge como uma resposta possível a essa questão, 
buscando acompanhar as mudanças mais profundas pelas quais o mercado tem 
passado. 
O que é o marketing 3.0? 
O marketing 3.0 vai de encontro aos novos desafios do mundo globalizado 
partindo da premissa de que o ser humano deve ser considerado em suas três 
 
 
17 
dimensões: corpo, mente e espírito – de acordo com Kotler. Deve levar em conta, 
portanto, os valores humanos e os anseios individuais e coletivos por tornar o 
mundo um lugar melhor e mais justo para todos. 
Assim segundo Kotler (2010), “a missão do marketing 3.0 nas empresas 
consiste em estabelecer um elo com o cliente, promover a sustentabilidade no 
planeta e melhorar a vida dos pobres. Se você criar um caso de amor com os 
seus clientes, eles próprios farão a sua publicidade”. 
No relacionamento com os stakeholders, as estratégias fundamentadas 
nesse conceito apresentam um vínculo profundo com a ética, atentando para as 
questões relacionadas à Sustentabilidade e à Responsabilidade Social – por 
isso, também é conhecido como Marketing de Valores. Mais substancialmente, 
porém, o marketing 3.0 busca restabelecer a confiança no exercício e nas 
estratégias de marketing colocando em prática, diante dos consumidores e da 
sociedade, conceitos como respeito e compromisso, assumindo essas posturas 
efetivamente, não como mero jargão mercadológico. 
O marketing 3.0, em suma, é aquele que deve colocar as questões 
culturais e socioambientais no centro do modelo de negócios da empresa, 
demonstrando sua preocupação com as comunidades ao seu redor 
(consumidores, colaboradores, parceirosde canal e acionistas) e minimizando, 
assim, as implicações da globalização. Devemos observar, contudo, que ele não 
pretende transformar o modelo empresarial em um modelo social, mas sim 
demonstrar que os resultados e a perpetuação do negócio estão correlacionados 
aos impactos socioambientais que desestabilizam a própria economia. 
A seguir, apresentamos sete ações de sustentabilidade desenvolvidas a 
partir dos pressupostos do marketing 3.0 para serem consideradas e inseridas 
no planejamento empresarial: Identificar os pontos intangíveis e mapear os 
processos da empresa desde a cadeia produtiva até o relacionamento com os 
agentes externos; Elaborar um Plano de Sustentabilidade; Estabelecer políticas 
de contratação de funcionários e fornecedores; Criar projetos de inteligência 
coletiva que envolvam funcionários, comunidade, clientes, fornecedores, ONGs 
(organizações não governamentais), governos e universidades; Definir 
indicadores (econômicos, ambientais, sociais, trabalhistas e de direitos 
 
 
18 
humanos, dentre outros) e métricas; Buscar certificações de órgãos balizadores, 
o que agrega valor à marca; Comunicar, de forma eficaz, as ações e os seus 
resultados, tanto interna como externamente. 
É lícito pensarmos que o ambiente de negócios, cada vez mais afetado 
por mudanças que exigem uma readaptação das estratégias e mesmo da cultura 
da empresa, precisará de uma estratégia de marketing que considere essas 
mudanças e que ofereça ferramentas efetivas para que a empresa opere dentro 
dessas condições um tanto instáveis. Nesse sentido, a tendência que é a de uma 
migração definitiva para o marketing 3.0, o que não significa, porém, que essa 
migração será repentina, visto que uma readaptação de estratégias e de cultura 
empresarial requer um embasamento em análises e estudos que precisam de 
tempo hábil para serem realizados de maneira a assegurar seus resultados. 
Sendo assim, embora a adoção do marketing 3.0 seja algo praticamente certo e 
mesmo esperado, durante algum tempo as estratégias do marketing 1.0 (foco 
nos produtos) e 2.0 (foco nos clientes) conviverão com as do 3.0. 
Em relação as metas do milênio, muitas empresas têm se amparado 
nessas metas para se posicionar como empresas socialmente responsáveis, 
diferenciando-se pela preocupação com a sustentabilidade e definindo-se como 
marca preocupada com a continuidade e a melhoria da qualidade de vida das 
pessoas (clientes e colaboradores). Dentre elas, podemos citar a P&G e a 
Danone, empresas que, alinhadas às metas do milênio e às estratégias 
sustentáveis e socialmente responsáveis do marketing 3.0, desenvolvem 
produtos e firmam parcerias no intuito de suprir as necessidades de 
comunidades e populações carentes. 
Leitura Obrigatória 
Rezilda Rodrigues Oliveira. Responsabilidade social corporativa: afinal, 
quem são os interessados? Acesso em: 
http://periodicos.pucminas.br/index.php/economiaegestao/article/viewFile/61/54 
Saiba mais 
Assistam os vídeos do canal Meio Ambiente que fala sobre empresas 
sustentáveis. 
http://periodicos.pucminas.br/index.php/economiaegestao/article/viewFile/61/54
 
 
19 
https://www.youtube.com/watch?v=KAPVEJo9nss 
https://www.youtube.com/watch?v=y8IMfn45LUQ 
TEMA 5 DA ROTA: AS ORGANIZAÇÕES E A SUSTENTABILIDADE 
Vimos no decorrer desta disciplina que a empresa é parte viva da 
sociedade, e como tal, tem responsabilidades para o Desenvolvimento 
Sustentável e o Local. 
Assim, entendemos que as dimensões da sustentabilidade empresarial, 
de maneira geral, pressupõem, que as tecnologias ambientais, além de tornarem 
possível a administração dos impactos ambientais, não devem se transformar 
num aspecto passivo, ou dano, ou gerar conflitos ambientais em toda a cadeia 
produtiva das empresas e instituições. 
Cada vez mais, observa-se que nem todas as soluções de base 
tecnológica são as melhores alternativas para questões relativas à 
sustentabilidade social, econômica e ambiental. 
Algumas tecnologias propostas como soluções para a manutenção da 
sustentabilidade, entre elas a sustentabilidade empresarial, acabaram por se 
constituir em passivos ambientais, onerando sensivelmente empresas e 
instituições, na sua destinação final, quando cumpriram a sua função 
operacional, na respectiva etapa do ciclo de vida dos processos produtivos 
(extração de matérias-primas, produção, distribuição, circulação, troca, consumo 
e disposição final). 
As tecnologias ambientais devem estar orientadas para gerar benefícios 
sociais, resultados econômicos e redução dos impactos ambientais. Esses 
critérios deverão ser utilizados para que a solução tecnológica adotada através 
da seleção de uma tecnologia ambiental traga os melhores resultados tanto para 
o público interno quanto para o público externo das empresas. 
Para que seja possível, é necessário que, antes de adotar uma solução 
proposta por uma tecnologia ambiental, sejam verificadas várias questões na 
relação com a sustentabilidade e seu grau de obsolescência tecnológica. Isso 
https://www.youtube.com/watch?v=KAPVEJo9nss
https://www.youtube.com/watch?v=y8IMfn45LUQ
 
 
20 
quer dizer que devemos avaliar se a tecnologia a ser adotada não foi suplantada 
por outra que apresenta melhor desempenho. 
Muitas empresas atualmente estão revendo formas de aquisição de 
tecnologias ambientais, entre as quais podemos citar a terceirização de algumas 
das suas atividades mais complexas e com maior impacto ambiental, com o 
objetivo de eximir-se da corresponsabilidade pelos danos ambientais das 
empresas subcontratadas que lhes prestam serviços. 
Desse modo, algumas ações estão sendo discutidas para resolver essas 
questões: 
a) formas de contratação de tecnologias ambientais; 
b) terceirização de etapas de processos produtivos para empresas de 
tecnologias ambientais; e 
c) investimento em pesquisas básicas e recuperação de soluções 
ambientais a partir de conhecimentos tradicionais. 
Um dos maiores desafios para empresas e instituições é avaliar qual a 
melhor forma de promover a gestão dos aspectos, impactos, passivos, danos e 
conflitos ambientais decorrentes das tecnologias ambientais utilizadas em seus 
processos produtivos. 
Normalmente, as empresas compram tecnologias ambientais por pressão 
ou exigência de órgãos de licenciamento ou em decorrência da natureza de sua 
atividade, para fins de controle ambiental. Entretanto, na maior parte das vezes, 
as empresas e instituições não fazem avaliação da relação custo-benefício, entre 
as soluções existentes, para verificar qual é a tecnologia mais adequada para 
determinados tipos de projetos. 
Essa ausência de avaliação das tecnologias ambientais faz com que os 
processos de suas respectivas aquisições passem necessariamente por 
avaliações com base em alguns critérios. 
Certos critérios devem ser adotados na avaliação tecnológica, tais como: 
a relação custo da tecnologia x benefícios em relação ao seu ciclo de vida; 
 
 
21 
situação em processo de descarte; processo de montagem e desmontagem; 
utilização de componentes; reciclagem de partes de sua estrutura; amortização; 
e se configurasse como tecnologia limpa (tecnologia ambiental sem produção de 
aspectos ambientais). 
Muitas empresas utilizam diferentes formas de terceirização: umas 
subcontratam outras empresas para desenvolver atividades potencialmente 
poluidoras; e outras criam as condições para que seus funcionários estabeleçam 
firmas a fim de que as referidas atividades sejam executadas pela nova empresa, 
na condição de subcontratada. As duas possibilidades promovem a redução dos 
graus de responsabilidade sobre os impactos ambientais. 
Da mesma forma, nos processos de fusão e incorporação de empresas, 
equipamentos e tecnologias ambientais entram no processo de avaliação das 
auditorias do tipo due dilligence. Nessas auditorias, as tecnologias ambientais 
assam por alguns tipos de acordos, entre as empresascompradoras x empresas 
vendedoras, em termos de compensações financeiras, por assumir ou não um 
passivo ambiental. 
Em alguns casos, a dedução ou compensação acionária, decorrentes 
dessas relações comerciais, fazem-se presentes em contratos específicos. Até 
os órgãos ambientais são envolvidos, para que as transações tenham 
legitimidade legal diante de todos os processos implicados nas transações. 
Num contexto de terceirização dos processos produtivos, não basta que 
empresas e instituições realizem esses processos de modo simplificado. 
Torna-se necessário que se estabeleça um processo de qualificação das 
empresas terceirizadas para prestação dos serviços, numa perspectiva de 
atendimento à qualidade desejada pela empresa cedente dos processos, 
produtos e serviços a serem desenvolvidos. 
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) 
desenvolveu um Programa de Capacitação de Fornecedores, com oito critérios 
de excelência de gestão baseados na Fundação Nacional da Qualidade 
 
 
22 
(FNQ): liderança; estratégias e planos; clientes; sociedade; informações 
e conhecimento; pessoas; processos; e resultados. 
O programa é articulado entre empresas e instituições com o Sebrae, e 
cada um fará o seu investimento no programa. Assim, micro e pequena 
empresas terão acesso às melhores tecnologias e treinamentos com custo bem 
reduzido. 
Afora as questões relativas ao processo de terceirização dos produtos e 
serviços, os projetos de responsabilidade social têm procurado integrar outras 
perspectivas às dimensões da sustentabilidade empresarial. 
Assim, pudemos entender que os aprimoramentos são necessários e 
devem ser constantes nas organizações. 
Leitura Obrigatória 
SEBRAE. Gestão Sustentável na Empresa. 
Saiba mais 
Assista o vídeo e reflita. 
https://www.youtube.com/watch?v=MWUHurprTVA 
NA PRÁTICA 
“Em Ha Tien Plain, uma remota região do sudoeste do Vietnã, a população 
experimentou o influxo de mão-de-obra emigrante nos últimos 15 anos, com 
pessoas buscando oportunidades econômicas para o cultivo de arroz e camarão 
e trabalho nas fábricas de cimento locais. Uma dessas fábricas de cimento, a 
Holcim Vietnam, foi financiada pela IFC. As mudanças no uso da terra como 
resultado da fábrica resultaram em uma perda significativa e crescente do habitat 
natural local — uma combinação complexa de pastagens sazonalmente 
inundadas, pantanais, torres de pedra calcária, encostas de arenito e mangues 
— apesar da crescente conscientização do valor da biodiversidade da área. À 
medida que o projeto progrediu, ficou claro que qualquer intervenção eficaz na 
conservação do habitat necessitaria de uma agenda comum e da colaboração 
dos principais grupos interessados. Em 2002, tiveram início as discussões a 
https://www.youtube.com/watch?v=MWUHurprTVA
 
 
23 
respeito do papel de cada um desses grupos de interessados: o poder de 
convocação da IFC; a influência local da empresa de cimento Holcim; o 
conhecimento técnico das ONGs locais e dos acadêmicos; a autoridade 
mandatória do governo local; e o apoio ativo da população local. Todos esses 
interessados seriam necessários para assegurar um resultado bem-sucedido. ” 
Fonte: 
http://www.ifc.org/wps/wcm/connect/6dfcd90048855597b744f76a6515bb18/IFC_StakeholderEn
gagement_Portuguese.pdf?MOD=AJPERES 
Imagine que você é o gestor da empresa responsável por resolver estes 
problemas, o que faria neste caso? 
Comentários 
Com base no que foi estudado e para a solução do problema, deve-se 
elaborar um planejamento elaborado a partir de um projeto baseado em um 
modelo para alcançar o resultado desejado de gestão e conservação de recursos 
sustentáveis. Após o planejamento, a implementação do modelo/projeto 
envolvendo todos os stakeholders com monitoramento dos resultados e da 
evolução. 
SÍNTESE 
Nesta rota trabalhamos questões que dizem respeito a Globalização da 
Responsabilidade Social, fator fundamental para entendermos o atual cenário 
imposto às empresas. Uma vez abordada a responsabilidade das empresas 
sobre suas externalidades, estudamos como e quais são as ferramentas 
gerenciais mais utilizadas no processo de Responsabilidade Social Empresarial. 
 Abordamos também questões sobre o Investimento Comunitário 
Estratégico (ICE), e por fim estudamos a Sustentabilidade Empresarial e suas 
Relações com a Gestão da Mudança e Marketing e as organizações e a 
sustentabilidade. 
http://www.ifc.org/wps/wcm/connect/6dfcd90048855597b744f76a6515bb18/IFC_StakeholderEngagement_Portuguese.pdf?MOD=AJPERES
http://www.ifc.org/wps/wcm/connect/6dfcd90048855597b744f76a6515bb18/IFC_StakeholderEngagement_Portuguese.pdf?MOD=AJPERES
 
 
24 
 
REFERÊNCIAS 
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2008. 
FERRAZ, A. C. S. L., A Responsabilidade Social como Estratégia 
Empresarial de Desenvolvimento. Universidade de Marília, 2007. Acesso em: 
http://dominiopublico.mec.gov.br/download/teste/arqs/cp062626.pdf 
GLOBO, O que são relatórios Global Reporting Initiative (GRI). Acesso 
em: http://oglobo.globo.com/economia/rio20/o-que-sao-relatorios-global-
reporting-initiative-gri-4714286 
GRI, Relatórios de Sustentabilidade da GRI: Quanto vale essa jornada? 
Acesso em: https://www.globalreporting.org/resourcelibrary/Portuquese-
Starting-Points-2-G3.1.pdf 
INSTITUTO ETHOS, Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e 
Responsáveis. Acesso em: 
http://www3.ethos.org.br/conteudo/iniciativas/indicadores/#.VtQvhH0rK1s 
INSTITUTO ETHOS, Indicadores Ethos de Responsabilidade Social 
Empresarial. Acesso em: http://www3.ethos.org.br/wp-
content/uploads/2013/07/IndicadoresEthos_2013_PORT.pdf 
CAMPOS, M. K. S. – Fiesp – Seminário Internacional “Tendências da 
ISO em normalização ambiental internacional e as ações do Brasil”, A 
Comunicação Ambiental no Brasil e o potencial de aplicação da norma ISO 
14063, Acesso em: http://www.fiesp.com.br/ambiente/pdf/iso/11_marcelo.pdf 
 
http://dominiopublico.mec.gov.br/download/teste/arqs/cp062626.pdf
http://oglobo.globo.com/economia/rio20/o-que-sao-relatorios-global-reporting-initiative-gri-4714286
http://oglobo.globo.com/economia/rio20/o-que-sao-relatorios-global-reporting-initiative-gri-4714286
https://www.globalreporting.org/resourcelibrary/Portuquese-Starting-Points-2-G3.1.pdf
https://www.globalreporting.org/resourcelibrary/Portuquese-Starting-Points-2-G3.1.pdf
http://www3.ethos.org.br/conteudo/iniciativas/indicadores/#.VtQvhH0rK1s
http://www3.ethos.org.br/wp-content/uploads/2013/07/IndicadoresEthos_2013_PORT.pdf
http://www3.ethos.org.br/wp-content/uploads/2013/07/IndicadoresEthos_2013_PORT.pdf
http://www.fiesp.com.br/ambiente/pdf/iso/11_marcelo.pdf
 
 
25 
ISO, ISO Guide 72:2001Guidelines for the justification and development 
of management system standards. Acesso em: 
http://www.iso.org/iso/catalogue_detail?csnumber=34142 
Aliança Grupo Capoava: Responsabilidade Social Empresarial: Por 
que o guarda-chuva ficou pequeno? (2010) 
IFC, Investimento Estratégico Comunitário. Acesso em: 
http://commdev.org/wp-
content/uploads/2015/05/P_SCI_Quick_Guide_Portugese.pdf 
INSTITUTO ETHOS, Gestão de impactos sociais nos 
empreendimentos: riscos e oportunidades. Acesso em: 
http://www3.ethos.org.br/cedoc/gestao-de-impactos-sociais-nos-
empreendimentos-riscos-e-oportunidades/#.VtRKBn0rK1s 
ZOCOLARO, S. Responsabilidade Social Corporativa. 2013. Acesso 
em: 
http://www.businessreviewbrasil.com.br/l%C3%ADderesempresariais/274/Resp
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INSTITUTO ETHOS, Empresas e Direitos Humanos na Perspectiva do 
Trabalho Decente.http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0-A-
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FUNDAÇÃO GRUPO BOTICÁRIO. Relatório Anual, 2014. Acesso em: 
file:///C:/Users/Home/Downloads/Relatorio%20Atividades%202014.pdf 
INSTITUTO ATKWHH, Grã-Bretanha - Sigma Project BSI, FFF e 
ACCOUNTABILITY. Acesso em: 
http://www.institutoatkwhh.org.br/compendio/?q=node/98SEBRAE. Gestão Sustentável na Empresa. Acesso em: 
file:///C:/Users/Home/Downloads/Cartilha%20Gest%C3%A3o%20Sustent%C3
%A1vel%20nas%20Empresas.pdf 
 
http://www.iso.org/iso/catalogue_detail?csnumber=34142
http://commdev.org/wp-content/uploads/2015/05/P_SCI_Quick_Guide_Portugese.pdf
http://commdev.org/wp-content/uploads/2015/05/P_SCI_Quick_Guide_Portugese.pdf
http://www3.ethos.org.br/cedoc/gestao-de-impactos-sociais-nos-empreendimentos-riscos-e-oportunidades/#.VtRKBn0rK1s
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http://www.businessreviewbrasil.com.br/l%C3%ADderesempresariais/274/Responsabilidade-Social-Corporativa
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http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0-A-cb3MarcoDeReferenciaCOMPLETO.pdf
http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0-A-cb3MarcoDeReferenciaCOMPLETO.pdf
file:///C:/Users/Home/Downloads/Relatorio%20Atividades%202014.pdf
http://www.institutoatkwhh.org.br/compendio/?q=node/98
file:///C:/Users/Home/Downloads/Cartilha%20Gestão%20Sustentável%20nas%20Empresas.pdf
file:///C:/Users/Home/Downloads/Cartilha%20Gestão%20Sustentável%20nas%20Empresas.pdf
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ÉTICA, RESPONSABILIDADE 
SOCIAL E AMBIENTAL 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.a Olívia Resende 
 
 
2 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Olá, caro aluno! Preparado para nossa quinta aula? 
Nesta aula vamos tratar mais profundamente da Sustentabilidade 
Empresarial, indicando seus impactos, forças e megaforças por meio de um 
estudo realizado pela consultoria KPMG, focando na questão do conhecimento 
e da conscientização dos indivíduos para o sucesso de práticas de 
Responsabilidade Social Empresarial que afetem positivamente a 
Sustentabilidade Empresarial. 
Iremos detalhar, também, a diferença entre Responsabilidade Social 
Empresarial, Sustentabilidade Empresarial e Desenvolvimento 
Sustentável. 
CONTEXTUALIZANDO 
Os indivíduos estão diante de um novo desafio, seja dentro de uma 
organização ou na sua vida cotidiana particular. A conscientização de que 
devemos ser parte integrante do processo do Desenvolvimento Sustentável é 
fator determinante para o futuro das próximas gerações. No cunho profissional, 
o indivíduo está diante de desafios que envolvem suas atividades. Esse 
profissional estará, cada vez mais, diante de avaliações decorrentes das 
exigências e considerações relativas aos resultados sustentáveis de todas as 
suas decisões e consequentes implicações em relação aos diferentes públicos-
alvo da empresa ou instituição em que ele trabalha. 
A Sustentabilidade Empresarial como fenômeno social deve proporcionar 
uma compreensão integral do que ocorre (investigação), do que fazer 
(intervenção) e dos resultados atingidos. 
Nessa perspectiva, o profissional deve dotar-se de recursos que 
propiciem a efetividade da Sustentabilidade Empresarial. Diferentes visões, 
formações e áreas fazem parte de uma organização, cada um contribui com sua 
área específica, pensando, porém, de forma sistemática. 
 
 
3 
Quando tratamos de sustentabilidade empresarial, a perspectiva não é 
setorial, mas integrada. Ou seja, é preciso constatar que há um conjunto de 
ocorrências objetivas e transcendentes (acontecendo na realidade) que 
independem do profissional de determinada área. Essas variáveis acontecem de 
forma integrada e precisam ser identificadas, pois corremos o risco de não 
atingirmos a sustentabilidade das ações desenvolvidas. 
Assim, seu maior desafio como profissional será desenvolver uma 
compreensão das implicações sustentáveis sobre as suas ações, não a partir da 
visão disciplinar sob a qual você foi treinado, mas a partir da forma como os 
fenômenos ocorrem no dia a dia da sua empresa ou instituição. 
Para que possamos verificar essa questão, veremos a distinção entre os 
conceitos de Desenvolvimento Sustentável, Sustentabilidade Empresarial e 
Responsabilidade Social Empresarial, colocando o conhecimento e a visão 
sistêmica como fatores relevantes para o sucesso dessas práticas. 
TEMA 1: SUSTENTABILIDADE 
O que é Sustentabilidade? 
Como surgiu o conceito de Sustentabilidade? 
Existe diferença entre Desenvolvimento Sustentável e 
Sustentabilidade? 
Com a queda do comunismo na última década, o capitalismo emergiu 
como a ideologia econômica dominante no mundo. Infelizmente, os 
resultados produzidos em dez anos de capitalismo global não têm sido 
uniformemente positivos. A saturação dos mercados desenvolvidos, a 
ampliação do fosso entre ricos e pobres, o crescimento dos níveis de 
degradação ambiental e a preocupação de que o mundo desenvolvido 
possa estar perdendo o controle sobre sua própria densidade 
populacional, vêm se combinando e criando entraves à economia 
global (HART; MILSTEIN, 2004, p. 65). 
 
Os primeiros movimentos em torno do Desenvolvimento Sustentável 
surgem já nas décadas de 1970 e 1980, frutos da insatisfação com as 
desigualdades sociais e com a degradação ambiental decorrentes de falhas dos 
mercados e das externalidades negativas que foram compreendidas depois dos 
 
 
4 
grandes desequilíbrios e crises no cenário mundial. Esses movimentos 
entendem que os padrões de produção e consumo nas sociedades capitalistas 
não poderiam ser mantidos, tendo em vista que os recursos do planeta são 
finitos. 
Assim, segundo HART (2006), o termo sustentabilidade compreende 
muitas ideias, questões, conceitos e práticas. Alguns pesquisadores atribuem o 
surgimento do conceito a partir do grave acidente ocorrido em 1986 na usina 
nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, quando a explosão de um dos reatores lançou 
uma quantidade de radiação equivalente a 500 bombas atômicas de Hiroshima 
na atmosfera, levando à evacuação de uma área de mais de 140 mil quilômetros 
quadrados. Esse grave acidente provocou danos em mais de 65 mil pessoas e 
causou aproximadamente 15 mil óbitos, afetando direta ou indiretamente a 3,5 
milhões de habitantes. 
A Organização das Nações Unidas (ONU), já alertava desde 1972, na 
Conferência de Estocolmo (a ECO-72), sobre o comportamento predatório em 
relação ao meio ambiente e ao planeta, lançando, então, o Relatório de 
Brundtland, intitulado “Nosso Futuro Comum” em 1987. No relatório, a ONU tece 
severas críticas à postura dos países desenvolvidos que, em prol do 
desenvolvimento econômico, desconsideravam fatores essenciais à 
sobrevivência dos recursos do planeta e à segurança populacional. 
O relatório frisa que o principal objetivo do desenvolvimento é 
satisfazer às necessidades e aspirações humanas. Inclui-se nas 
necessidades a ideia básica de atendimento aos mais pobres, que 
necessitam receber prioridade. Segundo o relatório Brundtland, para 
que haja um desenvolvimento sustentável, é preciso que todos tenham 
as suas necessidades básicas atendidas e lhes sejam proporcionadas 
oportunidades de concretizar suas aspirações a uma vida melhor. As 
necessidades são determinadas social e culturalmente e o 
desenvolvimento sustentável requer a promoção de valores que 
mantenham os padrões de consumo dentro do limite das possibilidades 
ecológicas a que todos podem, de modo razoável, aspirar (CMMAD, 
1991). 
 
O efeito provocado pelo alerta da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente 
e Desenvolvimento deu início a movimentos vinculados a causas sociais e 
ambientais no mundo todo, tornando-se uma preocupação de toda a sociedade 
e uma responsabilidade para o mundo empresarial. 
 
 
5 
No Brasil, o movimento tornou-se mais intenso a partir da ECO-92, 
realizada no Rio de Janeiro, e da Rio +10, realizada em Johanesburgo. 
Recentemente, também no Rio de Janeiro, realizou-se a Rio +20, reunião 
a partir da qual foram desenvolvidas metas específicas, saindo das rodas dos 
ambientalistas, abrangendo toda a sociedade preocupada com o 
desenvolvimento de ações e estratégias, como o consumosustentável, a 
redução da poluição atmosférica e a proteção dos oceanos. 
Para tornar o Desenvolvimento Sustentável um conceito aplicável e 
palpável, a estratégia foi desagregar seus elementos constitutivos em 
dimensões. Ignacy Sachs subdividiu o Desenvolvimento Sustentável em cinco 
dimensões: 
Sustentabilidade social 
Trata da consolidação de processos que promovam a equidade na distribuição 
dos bens e da renda para melhorar os direitos e as condições de subsistência 
da população e reduzir as distâncias entre os padrões de vida dos indivíduos. 
Sustentabilidade econômica 
Possibilita a alocação e a gestão eficiente de recursos produtivos, bem como o 
fluxo regular de investimentos públicos e privados. 
Sustentabilidade ecológica 
Refere-se às ações para aumentar a capacidade de carga do planeta e evitar 
danos ao meio ambiente. 
Sustentabilidade espacial 
Refere-se a uma configuração rural-urbana equilibrada e a uma melhor 
solução para assentamentos humanos. 
Sustentabilidade cultural 
Refere-se ao respeito pela pluralidade de soluções particulares 
apropriadas às especificidades de cada ecossistema de cada cultura. 
 
 
6 
Porém, como mola propulsora do capitalismo, as organizações deveriam 
ser inseridas no processo de mudança para que pudéssemos absorver 
efetivamente os benefícios desse novo processo e o conceito saísse do papel e 
fosse efetivamente aplicado. 
Uma organização sustentável é aquela que procura incorporar os 
conceitos e objetivos relacionados com o Desenvolvimento Sustentável nas suas 
políticas e práticas de modo consistente. É a que, simultaneamente, procura ser 
eficiente em termos econômicos, respeitar a capacidade de suporte do meio 
ambiente e ser instrumento de justiça social, promovendo a inclusão social, a 
proteção às minorias e grupos vulneráveis, o equilíbrio entre os gêneros dentre 
outros. Contribuir para o desenvolvimento Sustentável é o objetivo dessa 
empresa e a responsabilidade social, o meio para tornar sua contribuição efetiva 
(BARIBIERI e CAJAZEIRA, 2012, p. 68) 
As organizações comprometidas com o Desenvolvimento Sustentável, 
apresentam relatórios corporativos que, por enquanto, são voluntários. 
Atualmente, na Europa Ocidental, 68% das multinacionais fazem esse tipo de 
relatório e, nos Estados Unidos, mesmo a percentagem sendo menor (41%), há 
um crescimento vertiginoso. Em todos os casos, as empresas que apresentam 
esta conta tripla de resultados perceberam, antes de outras, que no futuro 
imediato o consumidor se tornará cada vez mais responsável e exigirá saber qual 
é o impacto econômico, ambiental e social que geram os produtos que compra. 
 
 
7 
 
A Sustentabilidade Empresarial, como não poderia ser diferente, adota 
medidas de desempenho que levam conta alguns indicadores, objetivos e metas. 
Os indicadores empresariais de sustentabilidade estão atualmente divididos em 
categorias (indicadores ambientais, econômicos, sociais e institucionais), mas o 
assunto é bastante abrangente. 
No Brasil, dentre as medidas e relatórios mais conhecidos constam os 
indicadores do Instituto Ethos, os indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia 
e Estatística (IBGE) e os Indicadores de Sustentabilidade (ORBIS). 
Além desses indicadores, existe, ainda, o Índice de Sustentabilidade 
Empresarial (ISE), que foi criado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) 
em 2005 e busca oferecer aos investidores uma opção de carteira composta por 
ações de empresas reconhecidamente comprometidas com a responsabilidade 
social e a sustentabilidade empresarial. 
TEMA 2: IMPACTOS, FORÇAS E MEGAFORÇAS 
Conforme vimos, a Sustentabilidade Empresarial busca suprir falhas de 
mercado, sendo que em seus objetivos visa à busca de soluções para atender 
às demandas sociais, ambientais e econômicas do mercado, tendo como alvo 
 
 
8 
final todos os stakeholders, ou seja, todos aqueles que se relacionam com a 
empresa. 
A questão social vem sendo uma preocupação mundial, e, nesse 
sentido, as empresas são chamadas a resolver problemas globais que o 
Estado não conseguiu resolver sozinho. 
Embora a Sustentabilidade Empresarial ainda não seja uma preocupação 
central na maioria das organizações (principalmente por ser vista como algo que 
provoca um aumento nos custos de operação e nos preços de venda), o próprio 
comportamento do consumidor, preocupado com as questões socioambientais, 
tem sido o gatilho para que o assunto seja prioritário nas agendas de muitas 
corporações pelo mundo. 
Mas, o que é a Responsabilidade Social Empresarial? 
De acordo com a Fundação Prêmio Nacional da Qualidade, 
Responsabilidade Social Empresarial é o relacionamento ético e transparente da 
organização com os stakeholders, visando o desenvolvimento sustentável da 
sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras, 
respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. 
Porém, o conceito de Responsabilidade Social Empresarial não diz 
respeito à filantropia que muitas empresas praticavam antes do surgimento dos 
novos e estratégicos conceitos. A ênfase, hoje, recai sobre a forma como as 
empresas conduzem seus negócios, tornando-se parceiras e corresponsáveis 
no desenvolvimento social. 
A Filantropia não prevê retorno, apenas doação. Já a Responsabilidade 
Social Empresarial, diz respeito às atitudes tomadas tendo em vista todos os 
stakeholders (acionistas, colaboradores, prestadores de serviço, fornecedores, 
consumidores, comunidade e governo), promovendo a cidadania e o 
desenvolvimento social e transformando a forma pela qual os negócios são 
conduzidos, de forma a preservar os recursos ambientais e a buscar o equilíbrio 
das diferenças sociais. Desse ponto de vista, podemos então dizer que a 
Filantropia está muito aquém da Responsabilidade Social Empresarial. 
 
 
9 
Segundo estudo realizado em 2012 por uma consultoria norte-americana, 
a KPMG, existem dez megaforças que podem causar impactos significativos nos 
negócios até aproximadamente 2032, aumentando, assim, a complexidade do 
ambiente de negócios. Conheça, a seguir, cada uma das dez megaforças: 
1. A primeira megaforça pode impactar diretamente em todas as 
demais. As estimativas de perdas anuais devido às mudanças climáticas 
variam de 1% a 5% ao ano, se os formuladores de políticas não agirem 
rapidamente. Essas perdas afetam diretamente a empresa, bem como a 
humanidade. As perdas não são apenas empresariais. Afetam o indivíduo 
como um todo. 
2. No que diz respeito à segunda megaforça, entendida como 
energia e combustíveis, os mercados de combustíveis fósseis tendem a se 
tornar mais voláteis e imprevisíveis, devido à maior demanda global por 
energia; às mudanças no padrão geográfico de consumo; às incertezas de 
fornecimento e consumo e ao aumento de intervenções regulatórias 
relacionadas às mudanças climáticas. Esse mercado precisa inovar para que, 
num futuro próximo, possamos sobreviver sem sua utilização em massa. 
3. No que diz respeito à escassez, podemos ter escassez de 
recursos materiais e de água. A escassez de recursos materiais pode ser 
entendida a partir do aumento do consumo e da demanda pelos insumos na 
produção. Como os países em desenvolvimento se industrializam 
rapidamente, a demanda global por recursos materiais deve aumentar 
drasticamente. Os negócios devem enfrentar restrições comerciais 
crescentes e intensa competição global por uma ampla gama de recursos 
que se tornam menos disponíveis. Porém, a escassez também proporciona 
possibilidades de inovação, otimizando a utilização desses materiais e sua 
substituição ou, ainda, sua recuperação a partir de resíduos. 
4. Já no que diz respeito a escassez de água, a previsão é de que, 
em 2030, a demanda global por água fresca excederá as provisões em 40%. 
As empresas estarão vulneráveis ao racionamento de água, à queda da 
qualidade da água, àvolatilidade dos preços da água e a riscos de reputação. 
5. O crescimento da população é a quinta megaforça e estima-se 
que a população mundial deva alcançar 8,4 bilhões em 2032, afetando as 
megaforças da escassez. Dessa forma, deixará os ecossistemas e o 
 
 
10 
fornecimento de recursos naturais (como comida, água, energia e materiais) 
sob pressão intensa. Se, por um lado, isso é uma ameaça aos negócios, 
também há oportunidades de crescimento do comércio, de geração de 
empregos e de criação de inovações para atender às necessidades de 
agricultura, saneamento, educação, tecnologia, finanças e saúde da 
população. 
6. A sexta megaforça é a riqueza. Estima-se que a classe média 
global (definida pela OCDE como indivíduos com rendimento disponível entre 
US$ 10 e US$ 100 per capita ao dia) cresça 172% entre 2010 e 2030. O 
desafio para as empresas é atender a esse novo mercado de classe média 
em uma época em que os recursos tendem a ser mais escassos e voláteis. 
7. A urbanização é a sétima megaforça. Até 2030 estima-se que 
todas as regiões em desenvolvimento – incluindo a Ásia e a África – devem 
ter a maioria de seus habitantes vivendo em áreas urbanas. Praticamente 
todo o crescimento populacional, nos próximos 30 anos, será nas cidades. 
Essas cidades exigirão melhorias extensas na infraestrutura, incluindo 
construção, fornecimento de água e saneamento, eletricidade, gestão de 
resíduos, transporte, saúde, segurança pública e conectividade de Internet e 
telefonia. 
8. A segurança alimentar é a oitava megaforça. Nas próximas duas 
décadas, o sistema global de produção de alimentos estará sob crescente 
pressão das “megaforças”, incluindo o crescimento populacional, escassez 
de água e desmatamento. Os preços globais de alimentos devem aumentar 
de 70% a 90% até 2030. Em regiões com escassez de água, os produtores 
agrícolas provavelmente terão que competir por provisões com outras 
indústrias que exigem muita água (como utilidades elétricas e mineração) e 
com consumidores. Será necessária uma intervenção para reverter o 
crescimento da escassez localizada de alimentos (o número de pessoas 
cronicamente subnutridas subiu de 842 milhões, no final dos anos 1990, para 
mais de 1 bilhão, em 2009). 
9. A nona megaforça é o declínio do ecossistema. Historicamente, 
o principal risco para os negócios no declínio dos serviços de biodiversidade 
e ecossistema tem sido a reputação das corporações. No entanto, como 
ecossistemas globais mostram crescentes sinais de colapso e estresse, um 
número maior de companhias está percebendo o quanto suas operações 
 
 
11 
dependem dos serviços críticos que esses ecossistemas fornecem. O 
declínio dos ecossistemas está tornando os recursos naturais mais escassos, 
mais caros e menos diversificados, aumentando os custos da água e 
intensificando o dano causado por espécies invasivas em setores como 
agricultura, pesca, alimentação, bebidas, medicamentos e turismo. 
10. Por fim, a décima megaforça é o desmatamento. Florestas são 
grandes negócios: produtos de madeira movimentaram US$ 100 bilhões por 
ano entre 2003 e 2007 e o valor de outros produtos derivados das florestas 
(em sua maioria alimentos) foi estimado em US$ 18,5 bilhões em 2005. No 
entanto, a OCDE prevê que as áreas florestais irão diminuir 13%, entre 2005 
e 2030, principalmente no sul da Ásia e da África. Pressão por parte dos 
órgãos regulamentadores e da sociedade pode impor mudanças 
comportamentais nessas empresas. Oportunidades de negócios devem 
surgir a partir do desenvolvimento de mecanismos de mercado e incentivos 
econômicos para reduzir o desmatamento. 
Conforme apontado pelo estudo, no período entre os anos de 2002 e 
2010, os custos ambientais externos de empresas de onze setores subiram 
cerca de 50% (de US$ 566 bilhões para US$ 846 bilhões). Além disso, se fossem 
pagar todo o custo ambiental de sua produção, as empresas perderiam, a cada 
dólar ganho, cerca de US$ 0,41. Transformada em números – e diante da noção 
da não perenidade dos recursos naturais – a Responsabilidade Social, 
diferentemente de um modismo qualquer, assume o aspecto de uma forma de 
investimento que, no final, poderá assegurar o futuro das organizações! 
Sem ação e planejamento estratégicos, os riscos se multiplicarão e 
serão perdidas oportunidades. As corporações estão reconhecendo 
que há valor e oportunidade na responsabilidade que vai além dos 
resultados do próximo trimestre, e que o que é bom para as pessoas e 
para o planeta também pode ser bom para os resultados no longo 
prazo e para a geração de valor aos acionistas, avalia Yvo de Boer no 
relatório da KPMG. 
 
Assim, soluções para as megaforças devem ser aprimoradas e 
identificadas pelas organizações. 
TEMA 3: SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL E A GESTÃO DO 
CONHECIMENTO 
 
 
12 
Pudemos entender que a Sustentabilidade Empresarial é fator importante 
para o sucesso da organização, bem como os desafios que se apresentam nos 
dias atuais. Para tanto, colaboradores, comunidade, dentre outros, devem 
conhecer seu potencial transformador, entrando em cena a Gestão do 
Conhecimento. Assim, entendemos que a Gestão do Conhecimento afeta 
positivamente a Sustentabilidade Empresarial podendo obter resultados 
positivos, tanto no curto quanto no longo prazo. 
O fato é que, se, por um lado, o grande desafio desse século é promover 
o desenvolvimento sustentável, tema ainda recente em nosso contexto 
globalizado, por outro, a própria falta de conhecimento e de dados históricos é 
um desafio. A gestão do conhecimento é um termo amplamente utilizado pelas 
empresas para referir-se à tomada de decisões estratégicas, e, em se tratando 
das práticas sustentáveis, será necessário aplicá-lo cada vez mais. 
O conhecimento é um elemento importante no processo de transformação 
das empresas, sob qualquer ótica, principalmente a partir do momento que a 
competitividade ficou bastante acirrada diante do papel presente e efetivo da 
globalização no processo produtivo, em que praticamente inexistem diferenças 
em relação ao preço e à qualidade (RODRIGUEZ, 2002). 
Para SABBAG (2007) podemos definir Gestão do Conhecimento como um 
sistema integrado que desenvolve saberes e competências coletivas, utilizáveis 
pelas organizações e pessoas, visando ampliar o capital intelectual. 
Um dos maiores desafios nos dias atuais é formar gestores sustentáveis, 
que tenham em suas práticas de Responsabilidade Social Empresarial a visão 
sustentável como uma estratégia que esteja alinhada com o lucro, ou seja, que 
colabore com o lucro. 
Por meio de um processo orientado à gestão do conhecimento, as 
empresas poderão capturar, organizar, utilizar e disseminar informações 
voltadas à transformação social. Dessa forma, terão como analisar e decidir 
questões que envolvam a necessidade de capacitação de funcionários e de 
implementação de indicadores, tecnologias e inovações. 
 
 
13 
Neste ponto, podemos destacar que o ponto fundamental pode ser 
caracterizado como aquele relacionado a mudanças culturais nas empresas – e, 
neste ponto, os investimentos em capacitação e treinamento são fatores 
importantes. Podemos destacar a importância das palestras de conscientização 
social, ambiental e econômico e até mesmo treinamentos específicos acerca da 
inovação e sustentabilidade – fatores fundamentais, inclusive, para a 
disseminação do conhecimento e do engajamento corporativo. 
Existem ferramentas que auxiliam na Gestão do Conhecimento e na sua 
maioria, as empresas têm utilizado as chamadas “melhores práticas” como uma 
das primeiras fases para a implementação de um processo de Gestão do 
Conhecimento. 
Podemos destacar que as “Melhores Práticas” são algumas ferramentas 
que auxiliam na Gestão do Conhecimento. Assim, incialmente, tem-se a 
definição destas melhores práticas visando contribuir para a organização nos 
seguintes requisitos: otimização de recursosque poderão ser direcionados para 
novas práticas, aumentando assim a produtividade; identificação e substituição 
de práticas organizacionais pouco ou nada eficientes e improdutivas, reduzindo 
assim o índice de retrabalho; equiparação do conhecimento, propiciando que 
funcionários de menor nível ou rendimento aprendam com aqueles que já 
adotaram práticas mais eficientes. 
A Gestão do Conhecimento visando a contribuição para uma cultura 
sustentável dentro das organizações vem se tornando uma prática de 
Governança Corporativa, por meio da qual as empresas extrapolam suas 
preocupações com a viabilidade econômica e passam a se preocupar com todos 
os stakeholders a ela ligados ou por ela afetados. 
De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC): 
Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organizações são 
dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos 
entre proprietários, Conselhos de Administração, diretorias e órgãos de 
controle. As boas práticas de governança corporativa convertem 
princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a 
finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando 
seu acesso ao capital e contribuindo para a sua longevidade (IBGC, 
2010). 
 
 
 
14 
A governança está relacionada com a autogestão de uma empresa e 
representa três elementos principais: a preocupação com a prestação de contas, 
a transparência nos resultados e a proteção de acionistas minoritários. Assim 
sendo, uma empresa sustentável é aquela que gera lucros para seus acionistas 
e melhora a qualidade de vida de todos os stakeholders. 
Segundo relatório da Bovespa (2009), do ponto de vista da governança, 
as empresas podem ser enquadradas em dois níveis: 
 As de nível 1 devem adotar práticas que favoreçam a transparência e 
o acesso às informações pelos investidores; 
 As de nível 2, além das características contidas no nível 1, devem 
adotar um conjunto amplo de práticas de governança e de direitos 
adicionais para os acionistas minoritários. 
Assim, podemos dizer que a Gestão do Conhecimento contribui para a 
Sustentabilidade na medida em que, como medida de mudança cultural, as 
organizações dotam-se da Governança Corporativa e da melhoria contínua, 
contribuindo com a Responsabilidade Social Empresarial. Podemos perceber, 
então, que a governança corporativa é forte aliada da Sustentabilidade. 
TEMA 4: SUSTENTABILIDADE NAS ESTRATÉGIAS EMPRESARIAIS 
A organização Uniethos, em meados de 2012 lançou, na Conferência 
Internacional Ethos os resultados da pesquisa “Estratégias empresariais para a 
sustentabilidade no Brasil”, realizada em 2011 com as 100 maiores empresas do 
país e com o conjunto de organizações associadas ao Instituto Ethos, 
caracterizado como uma organização da sociedade civil de interesse público que 
tem como objetivo mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus 
negócios. 
Na pesquisa foram analisadas 250 empresas de todos os portes e 
segmentos na tentativa de mapear o processo de incorporação da 
Sustentabilidade em suas estratégias de negócios, avaliando a profundidade e 
abrangência das estratégias adotadas. 
 
 
15 
Dada a importância dessas estratégias na competitividade, nos custos 
etc. os principais resultados foram: 
 15% das empresas avaliam os impactos que as ações sustentáveis 
têm sobre os custos; 
 20% medem os impactos na competitividade; 
 69% entendem que a inserção da sustentabilidade no planejamento 
estratégico é uma necessidade; 
 68% desenvolvem algum tipo de relacionamento com os grupos de 
interesse de seu setor; 
 23% desenvolvem projetos sustentáveis de forma contínua, fazendo 
parcerias, discutindo novos produtos ou detendo-se em processos 
efetivamente mais engajados. 
Na tentativa de identificar qual o impacto dessas estratégias em ações 
que geraram inovação, os resultados foram: 
 14% das empresas promoveram inovações em sustentabilidade; 
 36% do total de empresas pesquisadas criaram sistemas integrados 
de gestão para coordenar as ações de sustentabilidade em todas as 
áreas; 
 60% das empresas criaram comitês para alinhar as áreas de negócios 
com as de sustentabilidade. 
A pesquisa do Instituto Ethos possibilitou clarear a direção no Brasil da 
inserção da sustentabilidade no planejamento estratégico das empresas, 
demonstrando que há um avanço significativo e que o tema tem sido considerado 
nos negócios corporativos. Percebemos que o Brasil tem avançado, seguindo 
algumas tendências internacionais. 
Hoje, há a preocupação em ir ao encontro dos interesses da sociedade e 
dos consumidores, atendendo-os em suas demandas com uma estratégia de 
 
 
16 
inovação e redução de custos por meio de processos mais eficientes, 
possibilitando que as empresas se tornem mais competitivas. 
Assim, percebemos que a adoção de estratégias voltadas para a 
Sustentabilidade, se implementadas adequadamente, em conjunto com a 
adoção de inovações que proporcionem redução de custo, tornam as empresas 
mais competitivas. 
Porém fica a pergunta: 
Que tipos de estratégias as empresas estão utilizando? 
No Guia EXAME 2015, foram apresentadas 68 empresas consideradas 
modelo de Sustentabilidade e de Responsabilidade Social Empresarial, com 
destaque especial para as companhias com as melhores práticas em cada um 
dos setores analisados. Além disso, a revista EXAME destacou as companhias 
com as melhores práticas em 10 categorias: 
1. Governança de Sustentabilidade; 
2. Direitos Humanos; 
3. Mudanças Climáticas; 
4. Relação com a Comunidade; 
5. Relação com Clientes; 
6. Gestão de Fornecedores; 
7. Gestão de Água; 
8. Gestão de Biodiversidade; 
9. Gestão de Resíduo; 
10. Ética e Transparência. 
 
Alguns destaques foram: 
Agronegócio: Bunge 
 
 
17 
O agronegócio é uma atividade sedenta por água, um recurso cada vez 
mais escasso. Atenta à questão, a Bunge resolveu investir em duas frentes para 
reduzir o consumo do insumo. Apostou em programas de educação, como o 
“Colaborador Sustentável”, que busca conscientizar os funcionários, e no uso de 
água de reuso em caldeiras e torres de resfriamento em Jaguaré. 
Resultado: entre 2012 e 2014, o projeto-piloto ajudou a reduzir em 40% o 
consumo de água no processo produtivo. Uma mudança positiva que já está 
sendo adotada em outras fábricas da empresa. 
 
 
Farmacêutica: Eurofarma 
O laboratório Eurofarma pesquisa uma solução para descontaminar 
plásticos e vidros de remédios classificados como perigosos a fim de viabilizar a 
reciclagem desses materiais. 
No ano passado, 91% dos resíduos do processo produtivo foram 
fornecidos a cimenteiras para alimentar fornos e gerar energia. Na dimensão 
social, a empresa investe em projetos culturais, esportivos e educacionais. Um 
dos mais relevantes é o centro técnico de enfermagem que custeia até três anos 
de formação de jovens carentes. 
Mas, para que essas estratégias possam possibilitar retorno para a 
organização e para a sociedade, adotar o pensamento sistêmico em conjunto 
com a visão estratégica torna-se primordial. O pensamento sistêmico busca 
inserir na visão estratégica o todo, ou seja, existe ligação entre a ciência (a 
razão), a arte (a sensação), a filosofia (o sentimento) e a transcendência (a 
intuição), já que tudo está ligado a tudo. 
Nesse sentido, o Pensamento Sistêmico é a abordagem fundamental para 
pensar fora do padrão, pois a formação de uma visão integrada de produção, 
economia, sociedade, cultura e ambiente natural envolve inúmeras variáveis. 
 
 
18 
Pensar sistemicamente é olhar para todo o processo e não as para partes 
dele. É medir todos os impactos que uma determinada ação ou decisão 
empresarial causa, considerando presente, passado e futuro por meio das lições 
aprendidas e da adoção de melhorias. É levar em conta não somente os 
interesses empresariais, mas de todos,inclusive da sociedade. 
Vamos apresentar o caso da Natura, para analisarmos qual seria o 
desempenho e a aplicabilidade do pensamento sistêmico aplicado na prática? 
De acordo com a Natura, o pensamento sistêmico permeia todas as suas 
decisões e ações estratégicas. A empresa acredita que os resultados 
sustentáveis foram atingidos por meio das relações de qualidade que 
estabeleceu em todos os níveis nos quais atua e com todos os públicos com os 
quais mantém contato – consultores, fornecedores e sociedade, incluindo aí os 
seus consumidores. Segundo a empresa, seus dirigentes e funcionários buscam 
criar valores para a sociedade como um todo, gerando resultados integrados nas 
dimensões econômica, social e ambiental. 
Seus maiores desafios corporativos a serem sistematicamente pensados 
são: maximização do lucro, recomposição dos recursos naturais finitos e 
distribuição da riqueza. O modelo de negócios da Natura é baseado em uma 
promoção do crescimento econômico de forma compatível com o 
desenvolvimento social e o uso responsável dos recursos ambientais. 
Ainda no que diz respeito à responsabilidade social, a Natura estimula o 
desenvolvimento pessoal, material e profissional de suas consultoras, 
encorajando-as a tornarem-se agentes de transformação, contribuindo, portanto, 
para a disseminação do conceito de bem-estar e para a construção de uma 
sociedade mais próspera, justa e solidária. Assim, podemos perceber que a 
Natura, ao se preocupar com suas consultoras transformando-as em agentes de 
transformação, contribui com o todo e não apenas com as partes. 
O pensamento sistêmico, de uma forma geral, pode ser definido como 
uma nova forma de percepção da realidade. Segundo CAPRA (1996) quanto 
mais são estudados os problemas de nossa época, mais se percebe que eles 
não podem ser entendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, o que 
significa que estão interligados e são interdependentes. 
 
 
19 
Deve-se sempre partir do princípio de que o todo é mais do que a soma 
das partes, tendo o sistema como um todo integrado cujas propriedades 
essenciais surgem das inter-relações entre as partes. 
Entender a realidade sinteticamente significa colocá-la dentro de um 
contexto e estabelecer a natureza de suas relações. 
Um passo importante a ser dado em nossa sociedade é a aceitação do 
pensamento sistêmico, uma vez que o ser humano e a própria ciência criaram 
preconceitos com a visão holística e sistêmica e, com isso, estabeleceram 
divergências difíceis de serem superadas. 
Porém é necessária uma ruptura nesse modo de pensar para que 
possamos de fato agir dentro das exigências de um mundo sustentável! 
TEMA 5: RELAÇÕES ENTRE AS ÁREAS DE CONHECIMENTO E 
RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL 
O Pensamento Sistêmico deve ser o pensamento norteador das 
diferentes áreas de uma organização. Dentro de um contexto de 
Sustentabilidade Empresarial, a Responsabilidade Social Empresarial deve 
envolver as diferentes áreas para atender às demandas de seu público interno 
(empresa) e externo (agentes de interesse e de pressão das empresas). 
A relação entre as implicações das diferentes áreas do conhecimento com 
o pensamento sistêmico, atendendo os diversos públicos-alvo, no âmbito da 
Responsabilidade Social Empresarial, busca estabelecer e demonstrar a relação 
entre ética, Responsabilidade Social Empresarial e Sustentabilidade Empresarial 
como princípios norteadores da profissão. 
Cabe destacar que a ausência de compromisso na eficiência (utilização 
dos recursos), na eficácia (tempo adequado) e na efetividade (mudanças 
esperadas) dos resultados das intervenções no campo profissional compromete 
seriamente os resultados almejados pelas instituições e organizações no que diz 
respeito à Responsabilidade Social Empresarial e à Sustentabilidade 
Empresarial. 
 
 
20 
Essa situação vem se estabelecendo devido à adoção da perspectiva 
neoliberal, na qual o Estado assume funções mínimas e repassa para várias 
instituições parte de suas funções sociais, com alguns benefícios fiscais e 
tributários. Assim, essa perspectiva estabelece a relação entre ética e 
responsabilidade social e estabelece a responsabilidade não apenas com o 
social, mas também com o socioambiental. 
A área de Engenharia tem relação direta com a Responsabilidade Social 
Empresarial no âmbito dos programas que estão sob sua gestão. Segundo DA 
SILVA FILHO et al (2011), Engenharia é a ciência e a profissão que deve 
absorver conhecimentos matemáticos, técnicos e científicos para aplicá-los no 
mundo em que vivemos, a fim de suprir nossas necessidades e favorecer o 
nosso desenvolvimento. 
Um engenheiro deverá ser capaz de criar mecanismos, produtos, 
processos e estruturas para poder transformar recursos naturais e não naturais 
para satisfazer as necessidades humanas. 
Já na área da Administração, que coordena programas em suas 
diferentes áreas, atuam sobre a Responsabilidade Social Empresarial em cada 
área de sua responsabilidade. Essas áreas e programas, por sua vez, têm 
relação direta com seu público interno em termos de orientações gerais dos 
processos e produtos e serviços para que os clientes estejam satisfeitos; com os 
fornecedores de produtos, diferenciando-se da concorrência e cumprindo todas 
as legislações relativas à natureza da sua atividade em conformidade com o 
meio ambiente. 
Além disso, parte dos investimentos realizados nessa área acabam 
retornando para a comunidade, por exemplo: o Planejamento e Controle da 
Produção (PCP) como está organizado para que todas as atividades da empresa 
ocorram em conformidade com as metas de responsabilidade social em termos 
de impactos ambientais. 
Segundo TINOCO e ROBLES (2006), em Ciências Contábeis a 
Responsabilidade Social Empresarial deve estar relacionada à 
redução/eliminação de passivos ambientais, sociais e das dimensões da 
sustentabilidade que tenham impactos na qualidade de vida do público interno, 
 
 
21 
na comunidade, no meio ambiente, num contexto de otimização econômico-
financeira dos processos, produtos e serviços, desenvolvidos nas diversas 
unidades das empresas, instituições e organizações, ou seja, reduzir custos de 
insumos e matérias-primas em processos produtivos e operacionais a partir de 
sua integração com o processo produtivo. 
Na área da Gestão de Recursos Humanos, a Responsabilidade Social 
Empresarial deverá desenvolver projetos que tenham como foco de atuação 
programas de desenvolvimento profissional, visando integrar conhecimentos, 
competências e habilidades em estruturas em que atitudes orientadas venham 
a promover a sustentabilidade das ações dos diferentes públicos-alvo. 
Em que medida os programas de gestão de RH levam em consideração 
qualidade de vida, valorização do ser humano, público interno (empregados) e 
externo (comunidade, fornecedores, consumidores, acionistas), inter-relações 
entre a organização e estes públicos e as demandas do mercado nos seus 
processos de capacitação que redundem num melhor produto e uma melhor 
visibilidade da Responsabilidade Social Empresarial da empresa para os seus 
diferentes públicos-alvo? 
Na área da Gestão de Tecnologia da Informação, a responsabilidade 
social deverá desenvolver projetos que tenham por objetivo de atuação 
programas de comunicação corporativa e de divulgação, para os diferentes 
públicos-alvo possam tomar decisões acerca dos seus diversos nichos de 
mercado numa perspectiva estratégica. 
Segundo BRITTO (2005), os sistemas empresariais dão suporte, em 
essência, para três camadas da organização, ou seja, as camadas de suporte 
tático, gerencial e operacional. Sendo o primeiro aquele que permite respostas 
ágeis e acertadas no campo das estratégias organizacionais, o segundo, 
possibilita uma melhor integração e colaboração de dados infra e 
interdepartamentais, melhorando as respostas de gerenciamento e, por fim, a 
terceira que admiteum melhor controle interno de todas as atividades 
organizacionais. 
Assim, os projetos de TI devem ser realizados de modo integrado com o 
conhecimento de especialistas ou devem ser realizados administrativamente, 
 
 
22 
para cobrir problemas operacionais que não impactam na responsabilidade 
social e na sustentabilidade da empresa. 
Ao analisarmos a relação entre as áreas de conhecimento e sua atuação 
na Responsabilidade Social Empresarial, podemos compreender que a inter-
relação é um fator determinante para o sucesso das práticas adotadas e que a 
visão sistêmica do todo, colabora com os resultados. 
TROCANDO IDEIAS 
Você já comprou um produto ou serviço no qual a empresa é eticamente 
responsável e adote práticas de Responsabilidade Social Empresarial? 
Você pesquisa sobre as ações das empresas antes de comprar um 
produto? 
Você já comprou produtos em sites especializados em produtos de 
procedência da China? 
Provavelmente muitas respostas serão negativas, ou seja, os indivíduos 
não pesquisam muito sobre a procedência dos produtos que compram. Porém, 
se em um noticiário uma empresa for pega praticando atos ilícitos você 
continuaria comprando os produtos? Deixe sua opinião no fórum disponível no 
AVA! 
 
NA PRÁTICA 
Samarco, Vale e BHP Billiton são denunciadas em evento 
internacional 
Leia a reportagem abaixo de fevereiro de 2016, onde a Samarco e duas 
controladas Vale e a anglo-australiana BHP Billiton foram denunciadas pelo 
rompimento da barragem em Mariana – MG, que segundo a jornalista Mariana 
Medeiros, seria o maior crime socioambiental do Brasil. Os danos do rompimento 
da barragem, segundo a reportagem, já afetam mais de um milhão de pessoas 
da bacia do Rio Doce. 
 
 
23 
“A denúncia ao exterior foi feita pelo Frei Rodrigo Peret, da Ação Franciscana de Ecologia e 
Solidariedade (Afres), durante o evento Alternative Mining Indaba, realizado, na cidade do Cabo, 
África do Sul. [...] Desde o dia do rompimento da barragem, em cinco de novembro de 2015, 
representantes da sociedade civil organizada fazem alertas e denúncias sobre as violações de 
direitos humanos decorrentes do maior desastre da história da mineração no País. [...] Em 
relatório divulgado pela Justiça Global, com o título “Vale de Lama”, entidades apontam que as 
empresas têm falhado em fornecer respostas rápidas e efetivas nas questões que envolvem o 
direito à vida, à água, à moradia, ao trabalho, à saúde e ao meio ambiente. São também relatadas 
situações de hostilidade e criminalização de defensores e defensoras de direitos humanos e 
movimentos sociais”. 
Fonte: http://seculodiario.com.br/27223/10/samarco-vale-e-bhp-billiton-sao-denunciadas-em-
evento-internacional. Acesso em: 31/05/2016 
A sociedade brasileira ficou indignada com esse crime ambiental, que 
poderia ter sido evitado – e isso seria de responsabilidade do poder público, da 
empresa e dos funcionários envolvidos. O poder público tem o dever de 
fiscalizar; a empresa, de manter políticas com padrões de segurança e os 
funcionários envolvidos devem ter consciência de suas ações, de modo que a 
denúncia sempre pode ser realizada. 
Reflita: 
Os dirigentes e funcionários da Samarco e o poder público poderiam ter 
evitado esta tragédia? 
Quais serão as possíveis consequências deste rompimento para os lucros 
e imagem da empresa? 
SÍNTESE 
Nesta aula que está chegando ao fim estudamos alguns aspectos da 
Sustentabilidade – seus impactos, forças e megaforças; a Sustentabilidade 
Empresarial e a Gestão do conhecimento; a sustentabilidade nas estratégias 
empresariais e as relações entre as áreas de conhecimento e a responsabilidade 
social. 
Conforme vimos, há distinção entre os conceitos de Desenvolvimento 
Sustentável, Sustentabilidade, Sustentabilidade Empresarial e 
http://seculodiario.com.br/27223/10/samarco-vale-e-bhp-billiton-sao-denunciadas-em-evento-internacional
http://seculodiario.com.br/27223/10/samarco-vale-e-bhp-billiton-sao-denunciadas-em-evento-internacional
 
 
24 
Responsabilidade Social Empresarial, mas todas abrangem a ética, a 
consciência da garantia de sobrevivência das próximas gerações, dentre outras 
questões. Por fim, ainda apresentamos a importância do conhecimento e da 
conscientização para a efetividade das ações, além de analisarmos o impacto 
de uma visão sistêmica. 
REFERÊNCIAS 
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empresarial e a empresa sustentável: da teoria à prática. 2. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2012. 
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world. Disponível em: 
http://www.kpmg.com/Global/en/IssuesAndInsights/ArticlesPublications/Docum
ents/building-business-value.pdf. Acesso em 31/05/2016. 
BOVESPA. Nível 1 de Governança Corporativa. 2011. Disponível em: 
http://www.bmfbovespa.com.br/Pdf/Folder_Nivel1.pdf. Acesso em 31/05/2016. 
BOVESPA. Nível 2 de Governança Corporativa. 2011. Disponível em: 
http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/servicos/download/Regulamento-de-
Listagem-do-Nivel-2.pdf. Acesso em 31/05/2016. 
BRITTO, B. N. Ética e Responsabilidade Social Empresarial na 
utilização da Tecnologia da Informação. SEGeT – Simpósio de Excelência em 
Gestão e Tecnologia. 2007. Disponível em: 
http://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos07/1413_Etica%20e%20RSE%20no%
20uso%20da%20TI.pdf. Acesso em 31/05/2016. 
CAPRA, F. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas 
vivos. São Paulo, 1996. 
COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E 
DESENVOLVIMENTO. Relatório Brundtland: nosso futuro comum. 2. ed. Rio 
de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991. 
http://www.kpmg.com/Global/en/IssuesAndInsights/ArticlesPublications/Documents/building-business-value.pdf
http://www.kpmg.com/Global/en/IssuesAndInsights/ArticlesPublications/Documents/building-business-value.pdf
http://www.bmfbovespa.com.br/Pdf/Folder_Nivel1.pdf
http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/servicos/download/Regulamento-de-Listagem-do-Nivel-2.pdf
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http://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos07/1413_Etica%20e%20RSE%20no%20uso%20da%20TI.pdf
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25 
DA SILVA FILHO, N. G. et al. A responsabilidade social na vida de um 
engenheiro. 2011. 
HART, S. L.; MILSTEIN, M. B. Criando valor sustentável. RAE 
Executive, v. 3, n. 2, p. 65-79, maio/jul. 2004. 
HART, S. L. O capitalismo na encruzilhada: as inúmeras oportunidades 
de negócios na solução dos problemas mais difíceis do mundo. Porto Alegre: 
Bookman, 2006. 
IBCG. Código das melhores práticas de Governança Corporativa – 
2010. Disponível em: 
http://www.ibgc.org.br/userfiles/Codigo_julho_2010_a4.pdf. Acesso em 
31/05/2016. 
KPMG. Relatório de sustentabilidade – 2012. Disponível em: 
http://www.kpmg.com/br/pt/estudos_analises/artigosepublicacoes/documents/ci
dadania-corporativa/relatorio_sustentabilidade_final_port_completo.pdf. Acesso 
em 31/05/2016. 
RODRIGUEZ, M. V. R. Gestão Empresarial – Organizações que 
aprendem. Rio de Janeiro: Qualitymark: 2002. 
SABBAG, P. Y. Espirais do conhecimento: ativando indivíduos, grupos 
e organizações. São Paulo: Saraiva, 2007. 
 
 
http://www.ibgc.org.br/userfiles/Codigo_julho_2010_a4.pdf
http://www.kpmg.com/br/pt/estudos_analises/artigosepublicacoes/documents/cidadania-corporativa/relatorio_sustentabilidade_final_port_completo.pdf
http://www.kpmg.com/br/pt/estudos_analises/artigosepublicacoes/documents/cidadania-corporativa/relatorio_sustentabilidade_final_port_completo.pdf
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ÉTICA, RESPONSABILIDADE 
SOCIAL E AMBIENTAL 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.a Olívia Resende 
 
 
2 
 
CONVERSA INICIAL 
Nas aulas anteriores vimos que viver em sociedade é um ato complexo 
de respeito mútuo, e que a ética é um tema importantíssimo para uma 
convivência em sociedadecom equidade e harmonia. Vimos também que, no 
ambiente empresarial, essa convivência também é assunto primordial, uma vez 
que uma organização nada mais é que um conjunto de indivíduos vivendo a 
maior parte de suas vidas em busca de um objetivo. 
Nos dias atuais a preocupação com questões éticas nas organizações 
tem proporcionado várias discussões e estudos também na área acadêmica. 
Outros temas surgiram, como: desenvolvimento econômico, desenvolvimento 
sustentável, responsabilidade social empresarial, sustentabilidade dentre outros. 
E apesar do foco, a premissa do lucro nas organizações ainda é determinante, 
uma vez que é esta a finalidade de uma empresa. 
A partir desta rota de aprendizagem, iremos discutir questões éticas nas 
empresas como um negócio, discussão que abrange a ética em si, a 
responsabilidade social, o código de ética e seus desdobramentos. 
CONTEXTUALIZANDO 
Nesta aula, refletiremos sobre o discurso ético apresentado pelas 
empresas e o desenvolvimento de mecanismos que proporcionem olhares 
críticos para a problemática. Também vamos analisar se as empresas que se 
dizem éticas desenvolvem, de fato, essa característica com responsabilidade ou 
se apenas aproveitam esse discurso para obter mais lucro. 
Conforme afirma SOUSA (2005), o sistema capitalista, no qual nossa 
sociedade vive nos dias atuais, apresenta-se deficiente, necessitando recriar-se 
constantemente. As organizações, com a finalidade de obtenção de lucro, 
dotavam-se da confiança de que recursos naturais e humanos eram capazes de 
suprir todos os insumos para a produção demandada e receber todos os refugos 
de produção e lixos dessas demandas. A problemática da degradação ambiental 
não era levada em consideração em estudos econômicos. 
 
 
3 
Na medida em que a exploração de recursos naturais e humanos não 
estava sendo tratada com a devida seriedade, houve necessidade de o sistema 
de produção capitalista se reinventar, se adequando às limitações impostas. 
Inovações foram implementadas na tentativa de gerar resultados positivos sobre 
a problemática, uma vez que, cada vez mais, a opinião pública tem cobrado 
posicionamento das empresas. 
No âmbito social, o sistema capitalista também se mostrou deficiente. De 
acordo com o Banco Mundial, em 2008 cerca de 1,29 bilhão de pessoas viviam 
abaixo da linha da extrema pobreza, ou seja, viviam com menos de US$1,25 
dólar por dia; 1,18 bilhões de pessoas vivem na fronteira, entre extrema pobreza 
e pobreza, que são os que vivem com US$1,25 à US$ 2,00; e no total 2,471 
bilhões de pessoas viviam abaixo do patamar de US$2,00. Isso implica dizer que 
mais de um terço da população mundial encontra-se em condições indignas de 
sobrevivência, passando por privações de toda espécie. Esse estado de 
privação e marginalização dá origem a tensões sociais e violência (BANCO 
MUNDIAL, 2008). 
Desemprego, subnutrição, crises econômicas e fragilidade nos sistemas 
educacional, de saúde, previdenciário etc. são fatores que têm sido agravados 
pela crescente desigualdade social e econômica, não apenas em países 
subdesenvolvidos e em desenvolvimento, mas na realidade de cada nação. Esse 
quadro tem sido evidenciado anualmente pelos relatórios do Programa das 
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 
2009). 
Para SACHS (2008), o desenvolvimento sustentável pressupõe a 
existência de critérios de sustentabilidade social, ambiental e de viabilidade 
econômica, entendendo que apenas soluções que abarcam esses três 
elementos podem obter denominação de desenvolvimento. A relevância do 
papel das organizações na sociedade e, mais especificamente, nos dias atuais, 
forçam-nas a buscar formas de amenizar as externalidades negativas sobre a 
sociedade e o meio ambiente, empregando conceitos e práticas do 
Desenvolvimento Sustentável, mediante a implantação de atributos de 
Responsabilidade Social Empresarial (RSE), em sua estratégia de gestão. 
 
 
4 
A RSE “é a forma de gestão que se define pela relação ética e 
transparente da empresa com todos os públicos com as quais ela se relaciona e 
pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o 
desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e 
culturais e promovendo a redução das desigualdades sociais” (INTITUTO 
ETHOS, 2012). 
Para que possamos verificar essa questão, veremos os fatores que 
englobam a responsabilidade social nas empresas em sua dimensão ecológica, 
social e humana, apontando também para as relações interpessoais dentro 
dessas instituições. Como ferramenta de aplicação, apresentaremos uma 
proposta sobre o código de ética e suas funções. Vamos lá? 
 
TEMA 1: ÉTICA COMO NEGÓCIO 
Tratar de questões éticas nas organizações é um assunto 
demasiadamente delicado, por envolver interesses pessoais e sociais. Em um 
contexto que envolve ética versus lucro, a ética, como dito antes, é um jogo com 
regras nem sempre claras e objetivas e uma competição em que os interesses 
pessoais muitas vezes se sobrepõem aos interesses comuns. Nesse sentido, 
algumas práticas vêm sendo desenvolvidas para minimizar a sobreposição 
destes interesses. 
Com relevância, o tema Responsabilidade Social é uma dessas práticas 
que decorre de um crescente envolvimento das organizações com a 
Responsabilidade Social Empresarial (RSE) nos últimos anos. A capacidade de 
determinar a relação, as características das empresas socialmente responsáveis 
e os fatores internos e sistêmicos que podem influenciar o resultado é um pré-
requisito para o desenvolvimento e análise de políticas que visem a incentivar o 
desenvolvimento sustentável. 
Porém, podemos perceber que algumas empresas podem construir uma 
imagem eticamente correta, dando visibilidade à dimensão ambiental, social e, 
ao mesmo tempo, esconder suas transgressões. A bandeira ética pode ser um 
grande slogan para marqueteiros e empresários mal-intencionados. 
 
 
5 
Neste contexto, a ética no ambiente organizacional adquiriu uma posição 
peculiar no campo da ética aplicada. Além disso, falar sobre a ética e seus 
dilemas não é algo novo, porém, hoje tenta-se aplicá-la ao contexto empresarial. 
Inicialmente Sócrates já tentava desenvolver o senso ético nas pessoas a partir 
da seguinte pergunta: 
Como devemos viver nossa vida? 
O ser humano tenta responder a essa mesma pergunta há muitos séculos. 
Podemos inferir que essa pergunta é feita desde que o ser humano se entende 
como parte de uma sociedade. Contudo, hoje a ética ultrapassa os limites da 
filosofia, da sociologia, da psicologia e da teologia e vem ganhando cada dia 
mais espaço no campo empresarial. O que de fato intriga é o fato de não 
sabermos se a dimensão ética nas empresas é mesmo desenvolvida e 
respeitada ou se é puro discurso de marketing para alcançar o lucro. 
Algumas empresas podem construir uma imagem eticamente correta, 
dando visibilidade à dimensão ambiental, social e, ao mesmo tempo, esconder 
suas transgressões. A bandeira ética pode ser um grande slogan para 
marqueteiros e empresários mal-intencionados. 
As questões éticas e de Responsabilidade Social Empresarial no âmbito 
das organizações devem ser muito mais do que uma propaganda empresarial 
ou uma ação de marketing, bem-remunerada e segura: devem possibilitar a 
realização de um trabalho em equipe com cooperação e integridade de 
indivíduos capazes de se motivarem para agir de maneira correta, com atitudes 
voltadas para o bem e para fazer o que é correto. 
A ética nas empresas deve estar associada à integridade da pessoa física 
com a pessoa jurídica, pois uma empresa ética, harmoniosa, bem-sucedida e 
estável é constituída por pessoas exercendo sua liberdade. 
Para entendermos uma mudança comportamental nas organizações, o 
colaborador deve agir como membro ativo do seu ambiente de trabalho, ou seja, 
da empresa, fazendo a opção pelo que é bom, justo e correto.6 
Segundo a Terceira Lei de Newton (1643-1727), “para cada ação há uma 
reação igual e em sentido contrário” (NEWTON, 1687). O indivíduo que exerce 
ações éticas deixa visível em sua atuação profissional os valores cultivados em 
sua vida pessoal e vice-versa. Isso vale também para as empresas: toda ação 
empresarial implica em uma reação ou uma consequência, ou seja, para cada 
ato ético ou antiético praticado, haverá uma consequência. Essa é uma asserção 
muito forte, pois se aplica a cada ação em qualquer lugar e em qualquer tempo. 
Assim, é imperativo que a empresa não trate a ética apenas como mais 
um negócio, mas como uma atitude que irá desencadear benefícios para os 
stakeholders, para a própria empresa e para a sociedade como um todo. 
Para fixar o conteúdo desta aula, façamos a leitura do capítulo que trata 
sobre ética no livro de Mário Alencastro: “Ética Empresarial na prática: liderança, 
gestão e responsabilidade corporativa”. 
Boa leitura! 
Percebemos, ao final deste tema, que muitas empresas se dotam de 
atitudes éticas apenas se valendo dos benefícios que vão adquirir. Por isso, 
entender questões como humanização, relacionamento interpessoal e ética é 
importantíssimo. 
TEMA 2: ÉTICA E RSE 
A educação ética dos funcionários é uma responsabilidade da empresa. 
Sendo assim, caso os colaboradores não tenham tido uma formação para a ética 
na vida pessoal, também é responsabilidade da empresa encontrar um caminho 
para que se possa colaborar no cultivo de valores, por meio de treinamento e 
formação apropriados. Já que os indivíduos são parte viva da organização, os 
colaboradores deverão se comprometer com o código de ética da empresa. 
Assim, é importante a relação ética com as práticas de Responsabilidade 
Social Empresarial. Segundo SROUR (2003), essas práticas, vão além ao 
afirmar que a responsabilidade social acontece dentro e fora da empresa, pois 
representa a constituição de uma cidadania organizacional dentro da empresa e 
com a realização de direitos sociais fora dela. 
 
 
7 
CARROLL (1979) define RSE como uma prática que incorpora categorias 
econômicas, legais, éticas e discricionárias de desempenho do negócio. Essas 
quatro categorias básicas refletem uma visão de responsabilidade social 
empresarial que está relacionada com algumas das definições oferecidas 
anteriormente, mas que classifica as responsabilidades sociais das empresas de 
uma forma mais exaustiva. Divide-se, assim, a RSE em quatro níveis: 
econômico, legal, ético e discricionário, iniciando pela obrigatoriedade e 
chegando à responsabilidade assumida pela própria vontade e escolha. 
 
A responsabilidade econômica é a base para todas as outras e reflete 
a necessidade de a empresa zelar por sua saúde financeira e estratégica para 
garantir sua sobrevivência e crescimento. 
Já a responsabilidade legal significa que a empresa deve ser 
responsável pela adequação de suas ações à legislação vigente, incluindo sua 
relação com o governo, consumidores, fornecedores e outros stakeholders, em 
especial aqueles cujas relações sejam regulamentadas pela lei. Atender a esses 
dois níveis de responsabilidade significa cumprir os requisitos da sociedade, de 
suas normas e leis para viabilizar o funcionamento da organização. 
A responsabilidade ética não é exigida, mas é algo esperado da 
empresa pela sociedade como um todo. Traduz-se em escolhas organizacionais 
que estejam de acordo com princípios éticos e morais vigentes na cultura social 
onde a empresa está inserida, levando-a a atuar num patamar acima do mínimo 
requerido por lei, no que se refere ao atendimento dos interesses coletivos. 
Responsabilidade 
descricionária
Responsabilidade ética
Responsabilidade legal
Responsabilidade 
econômica
 
 
8 
O quarto e último nível, responsabilidade discricionária, abriga as 
iniciativas da empresa em se envolver e buscar soluções para os problemas 
sociais de maneira voluntária, que depende de sua escolha e vontade. Não é um 
envolvimento exigido e nem sempre é esperado, mas é desejado pela sociedade. 
É no nível discricionário que a empresa aporta, voluntariamente, recursos 
humanos, materiais e financeiros para a melhoria das condições sociais 
coletivas. Esse nível é também denominado de filantropia. 
Responsabilidade Social Empresarial é uma forma de gestão que se 
define pela relação ética e transparente da empresa com todos os 
públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de 
metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável 
da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as 
gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução 
das desigualdades sociais (INSTITUTO ETHOS). 
 
Assim, entendemos que o conceito de responsabilidade social 
empresarial tem na ética seu fundamento, delimitando ações e relações com 
todos os stakeholders − representados por cada pessoa ou grupo de pessoas 
com interesse nas ações e no desempenho de uma organização, ou seja, 
colaboradores, funcionários, clientes, consumidores, acionistas, fornecedores 
etc. 
Porém, este fundamento não é simples e cabe a pergunta: 
Como é praticada a Responsabilidade Social Empresarial nas 
relações entre as organizações e seus stakeholders? 
 
 
 
9 
Não podemos deixar de lado, o aspecto mais importante das práticas de 
Responsabilidade Social Empresarial, estas ultrapassam o aspecto legal da 
empresa, do uso da filantropia ou de uma ação social, podendo proporcionar 
uma mudança de atitude significativa por meio da gestão empresarial, em uma 
perspectiva sobre os valores sociais, ambientais e econômicos para além dos 
muros da instituição. 
A Responsabilidade Social Empresarial pressupõe consciência e 
compromisso das empresas com mudanças sociais. Impõe que elas 
reconheçam sua obrigação não só com acionistas e clientes, mas 
também com os seres humanos, com a construção de uma sociedade 
mais justa, honesta e solidária, uma sociedade melhor para todos. 
Assim, ela é uma prática orientada pela ética, que vai além das 
obrigações legais e econômicas, rumo às sociais, respeitando-se a 
cultura e as necessidades e desejos das pessoas (PASSOS, 2004, p. 
166). 
 
Assim, quando abordamos o assunto, Responsabilidade Social 
Empresarial, não devemos nos esquecer do tema que está em destaque 
atualmente em todos os empreendimentos: o desenvolvimento sustentável. 
Três pilares do Desenvolvimento Sustentável: 
 
FONTE: elaborado a partir de CMMAD (1987) 
A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) 
apresentou os três pilares para o Desenvolvimento Sustentável: Ambiental, 
Econômico e Social. Na ocasião da publicação do Relatório Brundtland − 
documento intitulado “Nosso Futuro Comum” −, definiu desenvolvimento 
 
 
10 
sustentável da seguinte forma: “satisfazer as necessidades das gerações 
presentes sem comprometer as possibilidades das gerações futuras para 
atender as suas próprias necessidades” (CMMAD, 1987). 
Para que uma empresa atenda aos pilares do Desenvolvimento 
Sustentável, deve ser economicamente viável, socialmente justa e responsável 
ambientalmente. Para tanto, deve adotar a ética como parâmetro e prática, bem 
como a Responsabilidade Social Empresarial. 
Já fez a leitura do livro de apoio desta disciplina, o “Ética Empresarial na 
prática: liderança, gestão e responsabilidade corporativa”? Aproveite o 
momento! 
TEMA 3: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E RESPONSABILIDADE 
SOCIAL EMPRESARIAL 
Vamos entender um pouco mais sobre esses dois conceitos muito 
importantes e que têm como premissa a ética? O Desenvolvimento 
Sustentável e a Sustentabilidade ainda confundem muitas pessoas, pois 
parecem ser conceitos parecidos, mas têm significados diferentes. 
A sustentabilidade se apresenta na atualidade como conceito fundamental 
para um desenvolvimento econômico, social e ambiental equilibrado, requerendo 
transformações em diversasesferas da sociedade. Nas empresas a 
sustentabilidade se destaca na forma de objetivos a serem alcançados e valores 
a serem criados. 
Para haver um Desenvolvimento Sustentável efetivo, as empresas e 
organizações têm um papel fundamental no que tange a adoção de medidas que 
minimizem os impactos de suas operações, seja na dimensão econômica – 
reduzindo custos e aumentando lucros – ou na social, reduzindo as 
externalidades negativas oriundas de suas operações sobre as comunidades, e 
ainda, na dimensão ambiental, contribuindo efetivamente com a redução dos 
níveis de extração, poluição e rejeitos. Às empresas, caberá a implementação 
de inovações na gestão que visem ao uso racional das matérias-primas, à 
eliminação do desperdício e à utilização de práticas responsáveis em relação 
aos stakeholders e shareholders. 
 
 
11 
Para ELKINGTON (1994), tornou-se cada vez mais claro que as 
empresas devem desempenhar um papel central na concretização de objetivos 
e de estratégias para o desenvolvimento sustentável, enfatizando que a opinião 
pública tem sido determinante nessas iniciativas. Como exemplo, ele aponta 
que, em 1992 uma pesquisa de opinião pública, realizada em 22 países com 
cerca de 22.000 pessoas mostrou que “a preocupação com o meio ambiente se 
tornou um fenômeno mundial”. 
Porém, como já vimos, isso não é tão simples, uma vez que a empresa 
visa o lucro e adotar estas práticas pode se tornar inviável para a organização. 
HART e MILSTEIN (2004), no trabalho intitulado “Criando Valor 
Sustentável”, apresentam um modelo baseado na criação de valor ao acionista, 
no qual esse valor é um construto multidimensional. O modelo é fundamentado 
em duas dimensões bem conhecidas que são fontes de tensão criativa para as 
empresas. 
Se você tiver a oportunidade, não deixe de fazer a leitura desse trabalho! 
Observe os três pilares do Desenvolvimento Sustentável: 
 
Fonte: elaborado a partir de HART e MILSTEIN (2004) 
Para HART e MILSTEIN (2004), o eixo vertical no modelo reflete a 
necessidade simultânea que a empresa tem de manter os negócios atuais e de 
criar a tecnologia e os mercados de amanhã. Essa dimensão captura a tensão 
 
 
12 
experienciada pela necessidade de alcançar resultados de curto prazo ao 
mesmo tempo em que pensa no crescimento futuro. 
O eixo horizontal reflete a necessidade de crescimento da empresa e de 
proteger as habilidades e os potenciais organizacionais internos, e, ao mesmo 
tempo, de infundir na empresa novas perspectivas e conhecimentos vindos de 
fora. Essa dimensão reflete a tensão experienciada pela necessidade de 
proteger a essência técnica a fim de que ela possa operar sem interferência, ao 
mesmo tempo em que permanece aberta a novas perspectivas e a novos 
modelos e tecnologias. 
Em cada quadrante do modelo, HART e MILSTEIN (2004) especificam um 
foco que a empresa deve dar: 
 No quadrante inferior esquerdo, o foco se direciona em fatores de 
desempenho interno como redução de custo e risco. 
 Já o quadrante inferior direito foca no desempenho ampliado, inserindo 
os stakeholders externos como fornecedores e clientes na cadeia de 
valor imediata, bem como órgãos de regulação e comunidades. 
Nos quadrantes superiores, o futuro é vislumbrado não apenas a curto 
prazo: 
 No quadrante superior esquerdo do modelo, a empresa deve não 
apenas ter um desempenho eficiente nos negócios atuais, mas 
também deve estar constantemente preocupada com a criação de 
produtos e serviços do futuro. 
 O quadrante superior direito foca nas dimensões externas associadas 
ao desempenho futuro e atuação em camadas sociais menos 
favorecidas economicamente. 
 
Para que haja maximização da Criação de Valor ao Acionista ao longo do 
tempo, as empresas devem ter um bom desempenho simultâneo em todos os 
quatro quadrantes do modelo e em uma base contínua. 
 
 
13 
Percebe-se que a implementação das estratégias abordadas no modelo 
propicia a criação de valor ao acionista e exige inovações que devem pensar o 
Desenvolvimento Sustentável em todos os quadrantes. Assim, para atingir o 
ponto central, as organizações necessitam, inicialmente, considerar em seus 
planejamentos e estratégias para o atual momento em que se encontram e 
também para o futuro, bem como para seus ambientes internos e externos. A 
adoção das estratégias que compõem o modelo possibilitará às organizações 
criar valor sustentável aos seus stakeholders, a partir de processos de 
conscientização, assimilação, acomodação, adaptação, experimentação e 
aprendizagem da organização com relação às estratégias componentes do 
modelo. 
Em resumo, a sustentabilidade é um conceito complexo, 
multidimensional, que não pode ser equacionado por meio de uma única ação 
corporativa. A criação de valor sustentável requer que as empresas levem em 
conta cada um dos quatro conjuntos abrangentes de motivadores. 
1. Primeiro, as empresas podem criar valor reduzindo o nível de 
consumo de matéria-prima e de poluição, associado com a rápida 
industrialização. 
1. Segundo, as empresas podem criar valor ao operar com níveis 
mais amplos de transparência e responsabilidade, uma vez que são 
impulsionadas pela sociedade civil. 
2. Terceiro, as empresas podem criar valor por meio do 
desenvolvimento de novas e revolucionárias tecnologias que tenham o potencial 
para reduzir os danos do homem ao planeta. 
3. Finalmente, as empresas podem criar valor ao atender às 
necessidades dos indivíduos localizados no extremo inferior da pirâmide de 
renda do mundo – e isso de uma forma que facilite a criação e distribuição de 
renda inclusiva. 
A criação de valor é um fator de extrema relevância para a sobrevivência 
das empresas e contribuição ao Desenvolvimento Sustentável. Podemos 
entender que a responsabilidade Social Empresarial, conforme conceituada 
 
 
14 
anteriormente, vem ao encontro de necessidades primordiais do 
Desenvolvimento Sustentável. 
TEMA 4: CÓDIGO DE ÉTICA 
Como desenvolver atitudes éticas e práticas de Responsabilidade Social 
Empresarial dentro das organizações? 
Só uma moral que reconhece normas válidas sempre e para todos, 
sem qualquer exceção, pode garantir o fundamento ético da 
convivência social tanto nacional como internacional (Encíclica 
Veritatis Splendor, João Paulo II). 
 
Com estas palavras do Papa João Paulo II vamos começar nossa reflexão 
sobre a importância de se definir uma norma de conduta ética para as 
organizações. 
A relevância de se adotar normas nas organizações advém do conflito de 
interesses. A incorporação de elementos e princípios sociais e ambientais nas 
práticas organizacionais podem gerar conflitos de interesses políticos, culturais, 
econômicos, entre outros. 
Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH, 2010), a 
contribuição à diminuição das desigualdades socioeconômicas, da redução da 
pobreza é dever de diferentes organizações da sociedade, independentemente 
de seu caráter público ou privado, incluindo governos que desempenham papel 
fundamental na elaboração de políticas públicas. Atualmente, muitas empresas 
– e até mesmo conselhos profissionais – estabelecem códigos de ética (ou 
códigos de conduta empresarial/profissional). Esses códigos têm por objetivo 
concretizar os princípios, a visão e a missão da empresa ou da profissão. 
O Código de Ética é um instrumento/norma/documento elaborado em 
formato de texto com diversas diretrizes que norteiam os indivíduos quanto a 
suas posturas e atitudes ideais, moralmente aceitas ou toleradas pela empresa 
e sociedade como um todo. Essa norma enquadra os indivíduos a uma conduta 
aceita e alinhada com a boa imagem da entidade ou da profissão a qual pretende 
ocupar. Visa, dentre outras atitudes, o incentivo à voluntariedade e à 
humanização, em vista da criação de algumas atividades profissionais. É 
 
 
15 
redigido, analisado e aprovado pela sua entidade de classe,organização ou 
governo competente, de acordo com as atribuições da atividade desempenhada, 
proporcionando benefícios éticos para a sociedade. 
Para o Instituto de Ética nos Negócios, o Código de Ética pode ser definido 
como 
a declaração do conjunto de direitos, deveres e responsabilidades 
empresariais para com os stakeholders, refletindo a cultura, os 
princípios, os valores, a atuação socioambiental e o conjunto das 
normas de conduta para dirigentes, executivos e colaboradores, bem 
como para as empresas integrantes da cadeia produtiva, mediante os 
quais atuam as premissas que enriquecem os processos decisórios da 
empresa e orientam o seu comportamento. Além disso, deve ser o 
principal instrumento da Governança Corporativa e da gestão 
estratégica para se tornar um aliado das empresas no caminho que 
levará ao Desenvolvimento Sustentável. 
 
No sentido de orientar as pessoas, o Código de Ética determina normas 
que fixam alguns regulamentos acerca dos comportamentos dos colaboradores 
dentro de uma organização. Apesar de a ética não implicar em penas legais, o 
código de ética supõe uma normativa interna de cumprimento obrigatório. Essa 
norma dá respaldo aos gestores para identificarem possíveis falhas na conduta 
dos indivíduos. 
Embora não sejam normas que implicam em penas legais, podem estar 
vinculadas às normas legais como por exemplo, discriminar que é um crime 
punido por lei. Essas normas têm como principal objetivo determinar uma linha 
de conduta uniforme, dentro de determinado setor, categoria ou empresa. 
Existindo instruções por escrito, não há necessidade de os dirigentes explicarem 
constantemente quais são as obrigações que têm os funcionários. 
Um código de ética deve levar em consideração o setor de atuação da 
empresa, a categoria dos profissionais que ali trabalham e os anseios da própria 
empresa. Assim, respeitando os interesses do setor, das categorias e da 
empresa, o código de ética apresenta proibitivos com a intenção de orientar 
ações que colaborem na atitude social da empresa frente aos diferentes públicos 
com os quais se relaciona. 
Para a construção do código de ética, além das considerações já 
mencionadas, é de extrema importância que seu conteúdo suscite reflexão e 
participação de todos os envolvidos, envolvendo desde a diretoria geral até o 
 
 
16 
último colaborador contratado, pois todos têm a responsabilidade de colocá-lo 
em prática em seu dia a dia. O conteúdo deve ser claro e objetivo, facilitando a 
compreensão de todos e reduzindo o risco de interpretações errôneas ou 
subjetivas no que se refere ao caráter moral e ético. 
O Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios publicou em sua revista Ética 
nos Negócios, Ano IV – n. 13 de março de 2014, um artigo que faz a seguinte 
pergunta: 
Para que servem os códigos de ética? 
A professora Maria Cecília Coutinho de Arruda argumentou alguns fatores 
justificam o código de ética. Segundo ARRUDA (2014), programas de educação, 
sensibilização e incentivo à atuação ética estão sendo cada vez mais 
desenvolvidos nas empresas. Os executivos do topo começam a perceber que 
o custo de controles, auditoria e compliance, assistência jurídica, prevenção à 
lavagem de dinheiro, corrupção e risco ultrapassam valores que se classificariam 
como aceitáveis. Assim, entendem que a ética vale a pena. 
Ainda para ARRUDA (2014), o código de ética dá visibilidade à empresa, 
indica que há valores sobre os quais se estruturam premissas e compromissos 
para com diferentes grupos de interesse, dentro e fora da organização. Esse 
registro sempre configura ou pressupõe relações de seriedade e 
responsabilidade – condições favoráveis a bons negócios. 
Em 2006, o Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, apresentou três 
funções básicas do código de ética, que são: 
Função de legitimação moral 
Os direitos e as responsabilidades da empresa para com os stakeholders, 
expressos no Código de Ética, oferecem os termos com base nos quais todos 
os stakeholders podem reconhecer que as suas legítimas expectativas serão 
tratadas equitativamente. O critério de equilíbrio das expectativas torna-se a 
base para um acordo e uma cooperação mutuamente vantajosa. 
 
 
 
17 
Função cognitiva 
Através da enunciação de princípios abstratos e gerais e de regras de 
comportamento preventivo, o código de ética, permite reconhecer os 
comportamentos não éticos (oportunistas) e esclarecer o exercício apropriado 
(não abusivo) da autoridade, da arbitrariedade, da delegação e da autonomia 
decisória de cada participante da empresa e de cada stakeholder. 
Função de incentivo 
O Código de Ética gera incentivos à observância dos princípios e dos 
valores corporativos e também das normas de conduta nele contidas, pois da 
sua observância depende a formação da reputação da empresa e o 
estabelecimento de relações de confiança reciprocamente vantajosas entre a 
empresa e os seus stakeholders. 
Podemos perceber que a ética empresarial proporciona a difusão de 
diversos valores dentro do mundo empresarial, em uma perspectiva quase 
sempre comportamental, sendo capaz de assegurar o sucesso com bons 
resultados de maneira clara e determinada. Diversas empresas adotaram um 
código de ética, com o intuito de agir frente a valores éticos, especificando seu 
exemplo de conduta em sua estrutura organizacional. 
TEMA 5: PACTO GLOBAL 
Aprendemos, no tema anterior, que a ética empresarial proporciona a 
difusão de diversos valores dentro do mundo empresarial em uma perspectiva 
quase sempre comportamental; porém, ela necessita de instrumentos para 
avaliar e mobilizar a comunidade empresarial no que diz respeito a suas práticas 
de Responsabilidade Social Empresarial. Neste sentindo, o Pacto Global vem 
ao encontro de necessidades éticas e de Responsabilidade Social Empresarial. 
Em meio ao cenário de crescente inquietação sobre os efeitos dos 
aumentos dos mercados, do consumo, da população mundial e de um mundo 
cada vez mais globalizado, o ex-Secretário-Geral da Organização das Nações 
Unidas (ONU), Kofi Annan, propôs o Pacto Global no Fórum Econômico Mundial, 
em 31 de janeiro de 1999, com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial 
 
 
18 
internacional para adoção, em suas práticas de negócios, de valores 
fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, 
relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção refletida em 10 
princípios. 
Para tanto, convocou líderes empresariais, de sindicatos, de ONGs e 
outros atores da sociedade civil a se unirem e criarem ações e parcerias em prol 
de um mercado global mais inclusivo, igualitário e sustentável, contribuindo para 
o avanço das práticas de Responsabilidade Social Empresarial. 
Hoje, há mais de 5.200 organizações signatárias articuladas por 150 
redes ao redor do mundo. (OLIVEIRA et al, 2008). Porém, o Pacto Global não 
tem como objetivo ser um instrumento regulador, ele não vigia e não gera 
obrigações comportamentais ou de ações e práticas gerenciais das empresas, 
apenas visa a ser uma iniciativa de ação voluntária de cidadania empresarial, 
que procura fornecer diretrizes para a promoção do crescimento sustentável e 
da cidadania, mediante lideranças corporativas, comprometidas e inovadoras. 
o Global Compact confia no interesse próprio e esclarecido das 
empresas, das entidades do trabalho e da sociedade civil para iniciar e 
compartilhar uma ação substantiva na busca dos princípios nos quais 
se baseia o Global Compact (REDE BRASILEIRA DO PACTO 
GLOBAL, 2012). 
 
Os princípios a seguir são baseados na Declaração Universal de Direitos 
Humanos, na Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre 
Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, na Declaração do Rio sobre o 
Meio Ambiente e Desenvolvimento e na Convenção das Nações Unidas Contra 
a Corrupção. 
A partir dessas declarações, definiram-se dez Princípios Universais parao Pacto Global, estando relacionados “às quatro áreas de direitos humanos, 
direitos do trabalho, proteção ao meio ambiente e combate à corrupção, 
escolhidas por possuírem um potencial efetivo para influenciar e gerar mudança 
positiva” (REDE BRASILEIRA DO PACTO GLOBAL, 1999). 
 
 
 
 
19 
Princípios do Pacto Global 
Os dois primeiros princípios dizem respeito aos direitos humanos. Desta 
maneira, o Pacto Global pretende promover o desenvolvimento humano 
sustentável focando atenções à vida longa e saudável, acesso ao conhecimento 
e padrão de vida decente. 
Direitos Humanos 
1. As empresas devem apoiar e respeitar a proteção dos direitos 
humanos reconhecidos internacionalmente; 
2. Assegurar-se de sua não participação em violações destes 
direitos; 
 
Na dimensão trabalho, observam-se quatro princípios: 
Trabalho 
3. As empresas devem apoiar a liberdade de associação e o 
reconhecimento efetivo do direito à negociação coletiva; 
4. A eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório; 
5. A abolição efetiva do trabalho infantil; 
6. Eliminar a discriminação no emprego; 
 
No que diz respeito à dimensão sobre o meio ambiente, os princípios 
enumerados visam a promover maior responsabilidade ambiental, que não 
agrida a natureza, sendo uma abordagem preventiva e não corretiva, além de 
unir esforços no sentido de promover a gestão do ciclo de vida dos produtos. 
 
 
20 
Meio Ambiente 
7. As empresas devem apoiar uma abordagem preventiva aos desafios 
ambientais; 
8. Desenvolver iniciativas para promover maior responsabilidade 
ambiental; 
9. Incentivar o desenvolvimento e difusão de tecnologias 
ambientalmente amigáveis; 
 
O princípio referente à última dimensão se posiciona contra a corrupção: 
Contra a Corrupção 
10. As empresas devem combater a corrupção em todas as formas, 
inclusive extorsão e propina. 
 
O PG é um instrumento de livre iniciativa das empresas, sindicatos e 
organizações da sociedade civil, que busca fornecer diretrizes para a promoção 
do desenvolvimento sustentável, por meio de lideranças corporativas 
comprometidas e inovadoras. A organização que adere ao PG admite 
voluntariamente o compromisso de implantar os dez princípios (que você acabou 
de conhecer) em suas atividades cotidianas e prestar contas à sociedade, com 
publicidade e transparência, dos progressos que está realizando no processo de 
implantação dos princípios mediante Comunicações de Progresso (COP). 
A adesão ao Pacto Global não configura obrigação e não é monitorada; 
contudo, alguns compromissos devem ser assumidos pelas empresas ao 
aderirem. A adesão de uma empresa ou entidade ao Pacto Global implica 
comprometer-se com a implantação gradual dos dez princípios. Espera-se que 
os signatários alcancem uma série de mudanças em suas atividades, de modo 
que o Pacto Global e seus princípios façam parte de sua estratégia, cultura e 
atividades diárias. 
O signatário também deve ser transparente, ou seja, informar 
publicamente e de maneira contínua (anualmente) os progressos realizados na 
implantação dos princípios (por meio da apresentação de Comunicações de 
 
 
21 
Progresso) e manter um diálogo com os grupos de stakeholders (grupos de 
interesse da empresa). 
O compromisso também sugere a seleção de fornecedores, de modo que 
todos aqueles que fornecem à empresa também cumpram com os princípios do 
Pacto Global. Em casos específicos de empresas grandes, médias ou pequenas 
que têm atividade global, o compromisso do Pacto é global, ou seja, para todas 
as suas operações no mundo. 
Entidades que participam do Pacto e não são empresas têm um papel 
específico, no qual se espera que promovam o Pacto em todo seu âmbito de 
influência. 
De acordo com o Pacto Global, as empresas, grupos de empresas e 
outras organizações participam da rede de forma voluntária e, por isso, terão que 
enviar ao Secretário-Geral da ONU uma carta assinada pelo seu executivo 
principal e, quando possível, pelo Conselho de Administração, manifestando o 
compromisso empresarial com o Global Compact e seus princípios. 
Segundo Oliveira et al (2008), as empresas participantes deverão: 
 Impulsionar mudanças nas suas operações, de maneira que os 10 
princípios do Pacto Global se tornem parte da estratégia, da cultura e 
das operações rotineiras; 
 Defender publicamente o Pacto Global e seus princípios através dos 
meios de comunicação de que dispõe, tais como comunicados à 
imprensa, discursos, relatórios etc.; 
 Publicar em seu relatório anual (ou outro relatório similar) uma 
descrição das maneiras pelas quais a empresa está apoiando o Pacto 
Global e seus 10 princípios (OLIVEIRA et al, 2008). 
O Brasil, em 2009, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística, IBGE (2012), em seus Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, 
apresentava uma tendência de declínio no grau de desigualdade na distribuição 
de renda desde 1992. Porém, o índice de Gini – que, segundo o Instituto de 
 
 
22 
Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mede o grau de concentração de renda 
em determinado grupo, apontando diferenças entre os rendimentos dos mais 
pobres e dos mais ricos – permaneceu elevado em 2009 (0,524), indicando que, 
apesar da redução, as desigualdades socioeconômicas persistem. 
A proporção de domicílios com rendimento mensal domiciliar per capita 
de até ½ salário mínimo sofreu um decréscimo no período observado, passando 
de 24,4%, em 1992, a 19,1% em 2009; cerca de 9,7% da população de 15 anos 
de idade ou mais eram ainda analfabetos, correspondendo a, aproximadamente, 
14,1 milhões de pessoas (IPEA, 2012). 
Por outro lado, por várias razões, o Brasil desponta como uma possível 
potência da economia verde e inclusiva. Mais de 48% da matriz energética 
brasileira eram de fonte renovável em 2009 (EPE/MME, 2010). O Brasil dispõe 
de mais de 20% do solo arável do planeta e felizmente conta com insolação e 
disponibilidade de água. Isso, somado a uma cultura colaborativa e a uma classe 
empresarial cada vez mais engajada, consciente das suas responsabilidades e 
que quer atuar como protagonista, permite ao país ir muito mais além, ou seja, 
desenvolver-se de forma sustentável (PACTO GLOBAL, 2012). 
Assim, as empresas brasileiras signatárias do Pacto Global cada vez mais 
percebem que são parte da solução para a promoção de uma economia verde e 
inclusiva! 
TROCANDO IDEIAS 
O que você sabe sobre o “Projeto Ortópolis”? 
Pesquise sobre o contexto em que esse projeto foi desenvolvido e o que 
ele agregou à população de Barroso, município de Minas Gerais. Em seguida, 
compartilhe com seus colegas o resultado de sua pesquisa, pois esses dados 
serão muito importantes para o desenvolvimento prático de nosso estudo! 
NA PRÁTICA 
Uma empresa multinacional adquire uma planta de uma empresa 
brasileira em uma cidade do interior de Minas. Para a implementação de suas 
 
 
23 
práticas, a reestruturação é necessária para a incorporação desta unidade fabril 
com as políticas e diretrizes da organização. Com a reestruturação, vários 
funcionários foram demitidos causando insatisfação na comunidade, uma vez 
que, essa empresa era o maior empregador da cidade. 
Vamos para Barroso, interior de Minas Gerais, em 2003. A população 
prepara uma carta para a direção da Holcim na Suíça e no Brasil, reclamando 
da nova política da companhia, principalmente quanto à redução de postos de 
trabalho e terceirização. A comunidade, unida pela primeira vez, questiona por 
que a Holcim não dá mais empregos aos barrosenses. Também reclama da 
retirada das chaminés da fábrica, consideradas símbolo local. As lideranças 
solicitam ações que visem fortalecer a sociedade. 
Com a carta assinada e enviada aos diretores da empresa, a busca pela 
solução se inicia. O Professor e Consultor Edgar Ricardo von Buettner expõe a 
ideia de planejar e implementar, de forma sistêmica e participativa,uma “cidade 
correta”. 
Com a autorização para implementar o projeto, o consultor Edgar 
procurou o Sebrae RJ e posteriormente marcaram encontro com as lideranças 
da comunidade para solucionar os problemas e começar o planejamento da 
Ortópolis. Compartilha que gostaria de criar um programa para reduzir o impacto 
dessas ações e fomentar o desenvolvimento das comunidades locais: “Se nós 
queremos resolver todos os problemas da comunidade, precisamos mudar de 
comportamento. A comunidade tem que mudar o comportamento”. 
Neste encontro identificaram grandes problemas: geração de renda, 
saúde, educação, a questão do meio ambiente e, o principal, a comunidade 
precisava modificar o comportamento não só em relação à cidade, mas à 
dinâmica das mudanças que aconteciam. Ficou claro que todas as ações 
deveriam partir da própria população. Foram traçados os objetivos do projeto, os 
resultados a serem alcançados, as demandas da cidade. Surgiram os nove eixos 
temáticos: 
1. Mudança comportamental assumida e realizada; 
2. Modelos de políticas públicas elaborados; 
 
 
24 
3. Empreendedorismo difundido e implementado; 
4. Agronegócio desenvolvido e implementado; 
5. Econegócio desenvolvido e implementado; 
6. Plano estratégico urbano elaborado e implementado; 
7. Melhoria da infraestrutura instalada; 
8. Gestão ambiental municipal implementada; 
9. Cidade embelezada (arquitetura e paisagismo). 
Assim o Projeto Ortópolis teve como Visão ser um município formado por 
pessoas que detinham uma postura cidadã consistente e cooperativa, que 
constituíam os poderes públicos, instituições sociais e organizações 
empresariais de excelência, articulados e comprometidos com o 
desenvolvimento sustentável, que resultasse em resgate da autoestima, boa 
qualidade de vida e justiça social, com respeito ao meio ambiente, à cultura e 
aos valores éticos. 
E tinha como Missão possibilitar mudança comportamental que resultasse 
na participação de todos os setores da sociedade na construção de uma 
comunidade responsável, justa, solidária e ética, buscando boa qualidade de 
vida para todos. 
Com base nestas informações, reflita: esta seria a melhor opção para a 
comunidade? Teriam outras possibilidades? 
SÍNTESE 
Nesta aula estudamos alguns aspectos da ética como negócio, a ética e 
a responsabilidade social, o Desenvolvimento Sustentável e a Responsabilidade 
Social Empresarial, o código de ética e o Pacto Global. 
Segundo SOUSA (2006), o sistema capitalista, no qual nossa sociedade 
vive nos dias atuais, apresenta-se deficiente e necessita recriar-se 
constantemente. As organizações, com a finalidade de obtenção de lucro, 
 
 
25 
dotavam-se da confiança de que recursos naturais e humanos eram capazes de 
suprir todos os insumos para a produção demandada e receber todos os refugos 
de produção e lixos dessas demandas. A problemática da degradação ambiental 
não era levada em consideração em estudos econômicos. 
Na medida em que a exploração de recursos naturais e humanos não 
estavam sendo tratadas com a devida atenção, houve necessidade do sistema 
de produção capitalista se reinventar, se adequado às limitações impostas. 
Inovações foram implementadas na tentativa de gerar resultados positivos sobre 
a problemática, uma vez que, cada vez mais a opinião pública tem cobrado 
posicionamento das empresas. 
Nesta aula refletimos sobre o conceito e como se desenvolveram os 
estudos do Desenvolvimento Sustentável, da Sustentabilidade e da 
Responsabilidade Social Empresarial, na busca de mecanismos que minimizem 
os impactos negativos das empresas na sociedade. 
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27 
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. 
Relatório 2004. Disponível em: http://www.pnud.org.br/. Acesso em: 28 fev. 
2016. 
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. 
Relatório 2005. Disponível em: http://www.pnud.org.br/. Acesso em: 28 fev. 
2016. 
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. 
Relatório 2006. Disponível em: http://www.pnud.org.br/. Acesso em: 28 fev. 
2016. 
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. 
Relatório 2007. Disponível em: http://www.pnud.org.br/. Acesso em: 28 fev. 
2016. 
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. 
Relatório 2008. Disponível em: http://www.pnud.org.br/. Acesso em: 28 fev. 
2016. 
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. 
Relatório 2009. Disponível em: http://www.pnud.org.br/. Acesso em: 28 fev. 
2016. 
RELATÓRIO de desenvolvimento humano. A verdadeira riqueza das 
nações: vias para o desenvolvimento humano. 2010. Disponível em: 
http://www.pnud.org.br/HDR/Relatorios-Desenvolvimento-Humano-
Globais.aspx?indiceAccordion=2&li=li_RDHGlobais#2010. Acesso em: 28 fev. 
2016. 
SACHS, I. Desenvolvimento includente, sustentável, sustentado. Rio 
de Janeiro: Garamond, 2008. 
SOUZA, N. J. Desenvolvimento econômico. 5. ed. rev. São Paulo: Atlas, 
2005. 
SROUR, R. H. Ética Empresarial: a gestão da reputação. Rio de Janeiro: 
Campus, 2003. 
 
 
28 
 
ÉTICA, RESPONSABILIDADE 
SOCIAL E AMBIENTAL 
AULA 3 
Prof.a Olívia Resende 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Você já parou para refletir o que seria viver em uma sociedade em que as 
empresas agissem única e exclusivamente em busca de benefício dos 
acionistas, ou seja, em benefício próprio, agindo de tal forma que seu processoprodutivo beneficiasse apenas a produtividade, deixando de lado, a comunidade, 
o meio ambiente, dentre outros? Ou numa sociedade em que todas as empresas 
sem exceção levassem em consideração em suas decisões os stakeholders 
(partes interessadas pelas práticas de determinada empresa), o meio ambiente, 
antes de realizar algo? 
Nesta aula, abordaremos a ética nos negócios e analisaremos a corrida 
pelo lucro e sua grande influência no mundo empresarial. Refletiremos sobre o 
conceito de ética empresarial, bem como suas etapas de formação e seus 
dilemas. 
CONTEXTUALIZANDO 
Já vimos que para o convívio em sociedade, a ética é um assunto 
importante e cada dia mais difundido e necessário. Nas práticas empresariais 
isso não é diferente, uma vez que toda empresa é parte viva de uma determinada 
comunidade. 
Nos dias atuais, em pleno século XXI, fala-se muito em ética empresarial 
e isso vem se difundindo de maneira mais veemente nos últimos anos. Assim, o 
tema é relativamente recente. 
O autor Mario Alencastro (2013) afirma que a ética empresarial começou 
a ser debatida com mais intensidade no final dos anos 1960, depois de uma série 
de escândalos acontecidos no mundo empresarial norte-americano. Na década 
de 1980, ocorreu uma série de seminários sobre ética nos negócios, sempre com 
cursos dirigidos a executivos, com o intuito de conscientizá-los sobre a 
importância desse tema. Mais tarde, o mesmo aconteceu na Bélgica, Itália, 
Espanha, França e Inglaterra. 
No Brasil, o movimento de valorização da responsabilidade social 
empresarial ganhou forte impulso na década de 90, através da ação de entidades 
não governamentais, institutos de pesquisa e empresas sensibilizadas para a 
 
 
3 
questão, tais como o trabalho do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e 
Econômicas (IBASE) na promoção do Balanço Social, baseado em princípios 
éticos elevados (ETHOS, 2008). 
Nesta aula, buscaremos refletir sobre o conceito e como se 
desenvolveram os estudos da ética empresarial. Além disso, apresentaremos as 
etapas da formação ética de uma empresa e os dilemas que envolvem o tema. 
Para tanto buscaremos responder as seguintes perguntas: 
 O que é ética empresarial? 
 A ética empresarial pode fazer diferença na sociedade? 
Para responder a estas e outras perguntas, começaremos abordando a 
ética nos negócios e alguns aspectos históricos sobre a ética empresarial. 
TEMA 1: A ÉTICA NOS NEGÓCIOS 
Há uma grande diferença entre grandes empresários e homens de 
negócios. Segundo Arruda e Vasconcellos (1989), quando se estuda a vida de 
grandes empresários, com frequência se observa que essas pessoas são 
dotadas de uma natureza profundamente espiritual. Em contrapartida, os 
homens de negócios que não primam pela honestidade e moralidade em sua 
atuação, cedo se tornam conhecidos por suas deficiências, e seu prestígio pode 
ser mais drasticamente abalado do que aconteceria em outras profissões. 
Nos dias atuais, fala-se muito em ética nos negócios, responsabilidade 
social empresarial e sustentabilidade, porém, concretiza-se pouco em relação ao 
respeito aos valores humanos e da comunidade. Empresários buscam a 
primazia dos processos atuando de maneira ética, porém, ainda se tem muito o 
que fazer para que seja efetivo o atendimento aos direitos humanos. 
Mas o que é ética nos negócios ou ética empresarial? 
Para Moreira (1999), a ética nos negócios, ou ética empresarial, é 
“comportamento da empresa entendida como lucrativa quando age de 
conformidade com os princípios morais e as regras do bem proceder aceitas pela 
coletividade (regras éticas)”. 
 
 
4 
Em diversos países o tema ética nos negócios evoluiu, e têm se tornado 
primordial para a garantia do sucesso das empresas, uma vez que, cada vez 
mais, os consumidores estão empoderados de sua condição de agente de 
mudança e cobrando atitudes proativas por parte das empresas no que diz 
respeito à consciência dos direitos sociais. Segundo Alencastro (2013), a 
pressão exercida pelos consumidores, por exemplo, tem feito com que as 
empresas ultrapassem o campo das obrigações legais – o que é determinado 
pela justiça – e passem também a ter preocupações éticas. 
Como já abordamos, a ética nos negócios ou ética empresarial foi 
inicialmente inserida nos debates nos Estados Unidos e posteriormente na 
Europa, ganhando impulso no Brasil na década de 90. 
Segundo Arruda e Vasconcellos (1989), na década de 60, o Prof. 
Baumhart, um dos pioneiros da Ética Aplicada aos Negócios, realizou nos 
Estados Unidos uma pesquisa junto a 2000 empresários de várias filiações 
religiosas e ideológicas. Concluiu que existia uma necessidade imperiosa de 
humanização da tecnocracia dominante. 
Na Europa, havia uma visão humanista do homem e a preocupação social 
tanto de estudantes quanto de empresários. Para Arruda e Vasconcellos (1989), 
o europeu normalmente se mostra muito aberto para discutir problemas de 
ordem ética, tem uma formação filosófica básica que o habilita para isso, tem 
ideias claras sobre os temas em questão e chega intelectualmente a soluções 
profundas. Custa-lhe apenas a decisão de mudar sua forma de ser quando 
necessário. 
Hoje na Europa, com a globalização e internacionalização dos negócios 
cada vez mais forte, a concorrência e o rápido desenvolvimento da inovação 
tecnológica e o persistente nível de desemprego, a ética empresarial tornou-se 
um dos temas mais debatidos. Porém, essa temática não é simples, pois envolve 
vários olhares e maneiras de ver o mundo, torna-se evidente a complexidade e 
reúne empresários e acadêmicos para discussões que visam a unir as 
responsabilidades éticas e a eficácia empresarial. 
Pode-se perceber casos reais de empresas públicas e privadas em várias 
nações, por constituírem testemunhos positivos de que a ética e o sucesso são 
 
 
5 
compatíveis, atribuindo peso ao estudo da ética nos negócios na Europa, pois 
empresários de renome não hesitam em expor, com clareza e profissionalismo, 
a trajetória percorrida e o êxito final. 
O Brasil (considerado em 2015 um dos países mais corruptos do mundo, 
segundo o site do Estadão, na classificação que abarca 175 países) subiu três 
posições desde 2014, passando da 72ª posição para a 69ª sem corresponder a 
mudanças reais. Essa problemática não parece de pouca monta. Já havia 
problemas apontados pelos autores Arruda e Vasconcellos em fins da década 
de 80 e início de 90, antes mesmo da atual crise política e econômica que 
atravessa nosso país. Segundo esses autores, a falta de credibilidade em 
relação a inúmeras ocupações, posições e profissões cresce com rapidez e o 
mundo empresarial não se exclui dessa questão. Numa tentativa de reforçar 
padrões morais de comportamento, latentes em grande número de jovens 
brasileiros, faz-se necessário e urgente aprofundar-se nos sistemas éticos de 
análise dos negócios. 
Porém, toda empresa visa o lucro, até mesmo para sua sobrevivência, e 
aliar os interesses dos acionistas e da comunidade nem sempre são temas fáceis 
de serem resolvidos. Para Lipovetsky (2005), o universo da empresa se deixará 
sempre guiar pelos cálculos da eficácia e da rentabilidade. Agora, porém, sai ao 
encalço da alma, da “business ethics” (ética nos negócios), a última moda nos 
meios empresariais. 
Então, como compreender a ética empresarial num contexto 
marcado pela corrida em busca do lucro? 
Na contemporaneidade, para que as empresas se mantenham 
competitivas, não basta apenas oferecer produtos com qualidade, garantia, 
baixo custo e boa logística; é necessário apresentar outras qualidades, afinal, o 
cliente está cada vez mais exigente. 
Assim, pode-se perceber um diferencial nos negócios: a aplicação de uma 
conduta ética nas empresas que possa ser capaz de contribuir com melhores 
resultados em todos os campos: desde a relação individual com os 
colaboradores até a dimensão financeira. 
 
 
6 
Leitura obrigatóriaPara aprofundar seus conhecimentos, faça a leitura do capítulo 2 – A 
Ética no mundo da empresa – do livro: ALENCASTRO, M. Ética Empresarial 
na prática: liderança, gestão e responsabilidade corporativa. Curitiba: 
Intersaberes, 2013. 
TEMA 2: CONCEITUANDO A ÉTICA EMPRESARIAL 
 O que é um negócio? 
 O que constitui uma empresa? 
 O que torna uma pessoa empresária ou empreendedora? 
 
A palavra negócio pode ser compreendida através de sua etimologia, 
tendo origem do latim “negotium”, que significava trabalho, ocupação, labuta − 
da conexão entre o advérbio “nec” (não) com o substantivo “otium”, otium é ócio, 
descanso, lazer, e a partícula nec é um advérbio de negação. Praticar o não-ócio 
é negociar. 
Assim, negócio pode ser entendido como uma atividade humana, 
realizada por indivíduos que se unem em prol de um objetivo e não se trata única 
e exclusivamente de uma relação financeira. 
Na Economia, um negócio trata-se de uma relação comercial e ou 
financeira, que é administrada por indivíduos com fins de captação de recursos 
para gerar bens e serviços, gerando capital de giro entre os diversos setores. 
Resumidamente, podemos afirmar que entende-se por negócio toda e qualquer 
atividade econômica com o objetivo de gerar lucro. 
Existe possibilidade de ser ético buscando o lucro? 
A etimologia da palavra empresa vem do Italiano “impresa” (atividade a 
que uma pessoa se dedica ou, ainda, a ação de imprimir algo), e do latim 
“emprehendere”, formado por “em” + “prehendere” (pegar, capturar, levar diante 
de si, segurar), referindo-se àquele que se apodera. Outros derivados são 
 
 
7 
“empreendedor” e “empreendedorismo”. Hoje, podemos entender uma empresa 
como a célula-base da economia moderna, caracterizada pela formação de 
pessoas jurídicas, de caráter legal e constitutivo, tendo como objetivo a prática 
de uma atividade pública e econômica capaz de gerar lucro. 
Na Economia, temos dois tipos de lucro: o contábil e o econômico. O lucro 
contábil é basicamente o confronto entre receita realizada e custo consumido, é 
respaldado pelo conservadorismo, convenção da objetividade e Princípios 
Contábeis Geralmente Aceitos. Já o lucro econômico, que é o incremento do 
valor presente do patrimônio líquido, envolve aspectos subjetivos, mas é superior 
ao lucro contábil (FUGI, 2004). 
Na sociedade capitalista, caracterizada pela propriedade privada, o lucro 
é a remuneração pelos fatores de produção, terra, capital e trabalho. O lucro, 
portanto, é a recompensa e a motivação para a instalação e continuidade de um 
empreendimento. 
J. R. Hicks, na obra Value and Capital (1946), definiu lucro como "a 
quantia que uma pessoa pode consumir durante um período de tempo, estando 
essa pessoa tão bem no final do período como estava no início". Portanto para 
o autor, o lucro está relacionado com a manutenção da riqueza ou do capital do 
indivíduo. 
Portanto, podemos perceber que para um negócio, o lucro é o fator mais 
relevante. Assim, vamos procurar compreender um pouco mais a historicidade 
do lucro através da leitura de um trecho do livro de Octávio Gouveia de Bulhões, 
Dois conceitos de lucro. 
Durante a Idade Média, a ética religiosa foi um poderoso impedimento a 
práticas gananciosas e especulativas nas relações econômicas ocidentais. Com 
o crescimento do comércio e o advento do Mercantilismo, essa ética foi deixada 
de lado, mas ainda não se apercebia do lucro a ser causado pela expansão 
econômica e aumento da capacidade produtiva. O empenho existente era pelo 
monopólio imposto pelos comerciantes marítimos e pelas proibições de 
exportação de matérias-primas e importação de produtos manufaturados pelos 
industriais. Somente com a influência de Adam Smith, que se posicionaria contra 
essas práticas defendendo a liberdade de comerciar e consumir, com o bem-
 
 
8 
estar de todos garantido pela expansão do processo produtivo, é que o quadro 
antigo começaria a se alterar. Otávio Gouveia de Bulhões afirma que no 
Mercantilismo "o lucro está subordinado à valorização ou desvalorização do 
produto". O autor assinala também que, durante a Revolução Industrial, Karl 
Marx defendeu que o lucro seria a parcela não paga ao assalariado, enquanto a 
"Escola Austríaca", através de Böhm-Bawerk, teorizou que o produto acabado 
tem maior valor do que o alcançado pelos fatores de produção, pois acreditavam 
na ideia de que os produtos do presente possuem mais valor do que os produtos 
futuros. Bulhões chama o primeiro de "lucro-confisco (advindo da transferência 
de renda)" e o segundo de "deságio". Conclui que o "lucro de investimento, como 
soma adicional de renda" somente seria compreendido no século XX. Segundo 
Bulhões, foi Knut Wicksell que, a partir de 1934, "deu ênfase à mudança de 
escala de produção como característica do investimento e assinalou o acréscimo 
de produtividade como fonte de lucro (BULHÕES, 1969). 
O lucro, porém, causa uma disparidade entre o salário pago ao 
trabalhador e o valor do trabalho produzido por ele, chamado de “mais valia”. A 
mais valia definida por Karl Marx (1818 – 1883) é a diferença entre o valor do 
objeto produzido e a soma do valor dos meios de produção e do valor do trabalho 
(valor da mercadoria + valor dos meios de produção + valor do trabalho) como 
base do lucro no sistema capitalista. 
Nesse contexto, as perguntas feitas anteriormente precisam ser 
elucidadas. Lucro x ética. 
É no contexto dessa reflexão que a ética empresarial está envolvida: em 
um jogo com regras nem sempre claras e objetivas e uma competição em que 
os interesses pessoais muitas vezes se sobrepõem aos interesses comuns. 
Leitura obrigatória 
Para mais informações, leia os capítulos 2 do livro: ALENCASTRO, M. 
Ética Empresarial na prática: liderança, gestão e responsabilidade corporativa. 
 
 
 
9 
TEMA 3: ETAPAS DA FORMAÇÃO ÉTICA DE UMA EMPRESA 
Para compreender a ética nos negócios, precisamos entender as etapas 
da formação de uma empresa em busca de sua autonomia. Assim, é necessário 
antes compreender o processo da formação pessoal de cada um de nós em 
busca de amadurecimento, ou seja, autonomia. 
Nascemos éticos ou antiéticos? De que maneira se dá a formação da 
nossa consciência ética e moral? Como acontece o processo de 
amadurecimento do ser humano? O que nos torna pessoas maduras? 
Antes de iniciarmos esse estudo, é imprescindível compreender a 
etimologia da palavra autonomia, que significa o poder de dar a si a própria 
lei, autós (por si mesmo) e nomos (lei). Não se entende esse poder como algo 
absoluto e ilimitado, também não se entende como sinônimo de autossuficiência. 
Indica uma esfera particular, cuja existência é garantida dentro dos próprios 
limites que a distinguem do poder dos outros e do poder em geral, mas apesar 
de ser distinta, não é incompatível com as outras leis. 
Para Kant (1724 – 1804), a autonomia “designa a independência da 
vontade em relação a qualquer desejo ou objeto de desejo e sua capacidade de 
determinar-se em conformidade com uma lei própria, que é a da razão” 
(ABBAGNANO, 2000). 
Há várias formas de entender a palavra autonomia ao longo do tempo. 
Porém, tanto pela etimologia quanto pelo pensamento kantiano, a palavra 
autonomia significa autogoverno, governar a si próprio. Assim, um indivíduo 
autônomo é aquele que governa a si próprio, tomando a vida nas próprias mãos. 
O que hoje entra no debate é o processo dialógico contido na filosofia 
grega, que prioriza a capacidade de o indivíduo buscar respostas para as 
próprias perguntas, exercitando, portanto, sua formação autônoma. 
Segundo o psicólogo e filósofo Jean Piaget (1896-1980), existem algumas 
etapas de formação da nossa consciência ética e moral em busca de autonomia. 
Araújo (1996), com base nos estudos de Piaget sobre o juízo moral, apresentou 
as seguintes definições: anomia e heteronomia em direção à autonomia. 
 
 
10 
Podemos perceber queentre as três terminologias citadas anteriormente, 
o sufixo grego “nomia” (regras) é comum: anomia – “a” (negação) + “nomia” − 
refere-se a um estado de ausência de regras ou à pessoa que age de acordo 
com o que considera certo pelos seus interesses pessoais; heteronomia – 
“hetero” (vários) + “nomia” − refere-se a perceber a existência de muitas regras 
que são impostas por outros que exercem autoridade; por fim, a autonomia – 
“auto” (si mesmo, próprio) + “nomia” − refere-se à capacidade de discernir e fazer 
escolhas por si mesmo, governar a própria vida. 
A autonomia de um indivíduo não é construída de um dia para o outro; ela 
passa por um processo que tem diferentes etapas de desenvolvimento, começa 
desde muito cedo e continua se desenvolvendo no decorrer da existência do ser 
humano, nas diferentes decisões que tomamos, como um sistema de evolução 
e tomada de consciência. 
Na empresa, que é levada a efeito por uma ou mais pessoas, não é 
diferente: podemos tentar entender o processo de formação autônomo, ético e 
moral de uma empresa se compreendemos que a ética empresarial também é 
uma evolução que passa por diversas etapas, as quais vão sendo construídas 
aos poucos. 
Analisar o desenvolvimento empresarial, levando em consideração a 
aproximação e a analogia entre o desenvolvimento humano, foi exposto pela 
autora norte-americana Linda Starke em 1999, que especificou cinco etapas 
para a evolução moral de uma empresa: 
 Corporação amoral: nesse estágio, a empresa busca o sucesso a 
qualquer custo e é capaz de violar normas e valores sociais sem 
qualquer consideração com seus colaboradores, desconsiderando a 
individualidade das pessoas e considerando-as apenas como parte 
econômica de produção da empresa. Podemos citar como exemplo o 
caso da Film Recovery Systems, que extraia prata de velhas chapas 
de raios-X, utilizando cianido, até que foi fechada em 1983 depois que 
um empregado morreu intoxicado por esta substância. 
 Corporação legalista: nesse estágio, o modelo de corporação é 
completamente adepto da lei, mas não de seu espírito, ou seja, baseia-
 
 
11 
se sempre na lei, adotando códigos de conduta que se parecem com 
produtos de departamentos legais. Buscam adotar algumas posturas 
éticas, apenas para evitar problemas legais. Apegada à lei ao pé da 
letra, a corporação legalista tem por finalidade definir a sua conduta, 
adotando códigos e outras regras em um alto legalismo. 
 Corporação receptiva: nesse estágio, a empresa está interessada 
em mostrar-se responsável porque isso é conveniente, não porque é 
certo. Começam a entender que as decisões éticas podem ser do 
interesse da companhia a longo prazo, ainda que envolvam perdas 
econômicas imediatas. Os códigos de conduta das corporações 
receptivas começam a tomar forma de “códigos de ética”. 
 Corporação ética que aflora: a corporação ética que aflora (ou ainda 
chamada de “nascente”) está em um estágio mais desenvolvido e 
reconhece a condição de um contrato social entre os negócios e a 
sociedade, além de procurar difundir essa postura em todos os setores 
da empresa, dando início a uma estabilidade entre os fatores éticos e 
a lucratividade. É o caso da Jonhson & Jonhson, excelente exemplo, 
pela forma com que equilibra preocupações éticas e lucratividade. A 
maneira com que solucionou o caso Tylenol é uma ótima referência. 
 Corporação ética: nesse estágio, a empresa consegue deixar a ética 
e os lucros em uma mesma dimensão, alcançando um perfeito 
equilíbrio entre ambos. Essa etapa de formação simboliza um 
empresário que treina seus colaboradores desde o início, a fim de que 
eles se afastem de ações que possam comprometer o código de ética 
da empresa. 
Leitura obrigatória 
Você poderá obter mais informações sobre o assunto com a leitura do 
capítulo 2 do livro: ALENCASTRO, M. Ética Empresarial na prática: liderança, 
gestão e responsabilidade corporativa. 
 
 
 
12 
TEMA 4: LIDERANÇA ÉTICA 
Como vimos anteriormente, para compreender a ética nos negócios, 
precisamos entender que a construção do processo ético é, principalmente, 
pessoal. Nesse momento, iremos refletir sobre a conduta pessoal de um 
profissional ético e que sabe como liderar. 
Historicamente, na construção das sociedades, a liderança fez parte de 
grandes eventos, afinal, desde sempre tivemos pessoas que se apresentaram 
frente ao seu tempo, construindo impérios, nações, provocando revoluções, 
conduzindo movimentos sociais, arrastando multidões etc. A religião tem uma 
grande representatividade de líderes como Jesus Cristo, Moisés, Maomé e Buda 
sendo considerados os maiores líderes da história. Eles viveram e morreram há 
séculos e, mesmo assim, ainda hoje possuem vários seguidores no mundo 
inteiro. 
Quando falamos de liderança, recordamo-nos de vários personagens 
importantes e famosos, como Gandhi, Papa Francisco, Hitler, Abraham Lincoln, 
Mandela, Roosevelt, Madre Tereza de Calcutá, entre outros. Pessoas que, ao 
longo da história, construíram e modificaram a realidade da sociedade. 
Warren Bennis realizou pesquisas sobre liderança e, depois de pesquisar 
sobre centenas de líderes de sucesso, chegou à conclusão de que existe mais 
diversidade do que pontos em comum nesses líderes. Mesmo assim, na 
divergência de cada líder e na medida em que Bennis foi aprofundando os seus 
estudos, ele começou a detectar alguns pontos em comum entre eles. 
Para Bennis (1998), as habilidades pessoais são um dos mais importantes 
pontos em comum que significam a capacidade que os líderes de sucesso têm 
de usar muito bem os seus pontos fortes e de trazer à tona o que têm de melhor 
para as pessoas à sua volta (BENNIS, BBC World Service). 
Assim, as habilidades pessoais que proporcionam líderes ideais 
concentram sua energia: 
 Em seus pontos fortes; 
 Nos pontos fortes das pessoas que lideram; 
 
 
13 
 E nos pontos fortes da própria empresa. 
De acordo com Bennis, as habilidades pessoais podem ser 
compreendidas através de quatro fatores: 
1. Expectativas; 
2. Equilíbrio; 
3. Habilidades pessoais; 
4. Sonhos e esperanças. 
Expectativas 
O cargo de gestor geralmente está sob um “fogo cruzado”. Afinal, o líder 
representa a empresa diante da equipe e a equipe diante da empresa. O líder 
eficaz espera o melhor das pessoas e faz de tudo para ajudá-las a atingir o seu 
máximo, inclusive testando-as. Faz também com que seus colaboradores se 
sintam importantes e se sintam bem só de estarem perto do líder. Esse é o efeito 
direto de se considerar as pessoas de forma absolutamente positiva. Porém, o 
líder também falha, afinal, é um ser humano. Assim, lidar com suas próprias 
falhas faz parte do dia a dia de um líder de sucesso. 
Equilíbrio 
Um líder emocionalmente equilibrado não reprime suas emoções. Ele 
aprende a administrá-las de modo a liberá-las na hora certa, com a pessoa certa 
e da forma mais adequada possível. Consegue se acalmar quando está nervoso, 
se automotiva e têm uma razoável percepção de si e dos outros. Pode-se dizer 
que se trata de um profissional protegido pelo otimismo e pela esperança, com 
positivas expectativas de que as coisas darão certo, apesar dos reveses e das 
dificuldades. 
Habilidades pessoais 
“Fator Wallenda”: Karl Wallenda (1905 -1978) foi um famoso equilibrista 
que viveu durante muito tempo apenas para o trabalho. Ele costumava dizer: 
“Para mim, andar na corda bamba é viver; todo o resto é meramente esperar”. 
 
 
14 
Depois de muitos anos, pela primeira vez, Wallenda pensou na 
possibilidade de cair e teve uma queda fatal. Ao invés de se concentrar em 
caminhar na corda, ele havia começado a concentrar sua energia em não cair. 
Bennis relaciona o caso Wallenda ao fato de que, dentre as centenas de 
líderes que estudou, nenhum deles jamais mencionou a palavra fracasso. Os 
líderes eficazes concentram a energia deles na busca do sucesso, ao invés de 
desperdiçá-latentando evitar o fracasso. É importante conhecer o que se tem de 
melhor e lutar para alcançar seus objetivos. 
Leitura obrigatória 
Para consolidar seus estudos, leia o capítulo 3 – A ética no mundo da 
empresa – do livro: ALENCASTRO, M. Ética Empresarial na prática: liderança, 
gestão e responsabilidade corporativa. 
 
TEMA 5: RELAÇÕES HUMANAS E ÉTICA NO TRABALHO 
As relações humanas decorrem da interação entre indivíduos, ou seja, 
entre duas ou mais pessoas, sendo que essa relação pressupõe o respeito 
mútuo. 
Como visto no tema anterior, as habilidades pessoais para um líder são 
de extrema importância e nas relações humanas não é diferente. Apesar de 
decorrerem da interação entre dois ou mais indivíduos, precisamos apresentar o 
que se trata por competência intrapessoal e interpessoal. 
 Intrapessoal: capacidade de compreender a si mesmo, tanto 
sentimentos e emoções quanto estilos cognitivos e inteligência. 
Segundo Silva (2016), competência intrapessoal é o diálogo interno, 
conhecendo, percebendo e identificando as crenças, atitudes, 
sentimentos, valores pessoais, entre outros. 
 Interpessoal: relativo a ou que envolve relação entre duas ou mais 
pessoas. A competência interpessoal é onde se envolve e ocorre a 
 
 
15 
interação entre duas ou mais pessoas; é a habilidade de lidar 
eficazmente com outras pessoas. 
Em um ambiente de trabalho não é diferente, faz-se necessário o 
relacionamento interpessoal e, quando não ocorre sintonia de uma ou mais 
pessoas, provoca-se o estresse, a desmotivação pelo trabalho, dificultando o 
bom andamento do trabalho/grupo. 
Em uma relação humana, a contribuição individual é fator indispensável. 
Em uma organização não é diferente: respeito entre os colegas e superiores, 
evitar fofocas, saber ouvir, colaborar e ajudar os colegas/pares mesmo nos 
momentos difíceis, apresentar soluções aos problemas sem atacar os colegas, 
respeitar raças, gostos e opiniões, principalmente se colocando no lugar do 
outro. Silva (2016) entende que o indivíduo deve propiciar clima que favoreça as 
relações, desta forma, formando equipes com os mesmos objetivos, pessoas 
motivadas cumprindo suas tarefas em harmonia, propiciando crescimento não 
só da equipe, mas da área, da Organização como um todo. 
Nessas relações, a humanização é uma questão de vital importância, pois 
somos seres de relação (seres sociais) em constante conexão com outras 
pessoas, seja no campo pessoal ou profissional. Essa humanização/socialização 
deve estar atrelada à ética, fundada em valores como o respeito, a solidariedade, 
a empatia e a ajuda mútua, lembrando sempre que o meu direito termina quando 
começa o do outro. 
Cabe uma pergunta: como podemos criar essa socialização entre as 
pessoas que constituem um ambiente organizacional? 
Criar essa socialização não é nada fácil, pois a convivência humana em 
si é difícil e desafiante, porque cada um reage de maneira diferente quando está 
inserido em um grupo de trabalho. Segundo Barbosa (2011), profissionais 
competentes individualmente podem render muito abaixo de sua capacidade por 
influência do grupo e das situações de trabalho. 
Pessoas convivem e trabalham com pessoas e portam-se como 
pessoas, isto é, reagem às outras pessoas com as quais entram em 
contato: comunicam-se, simpatizam, e sentem atrações, antipatizam e 
sentem aversões, aproximam-se, afastam-se, entram em conflito, 
competem, colaboram, desenvolvem afeto. O processo de interação 
 
 
16 
humana é constituído através dessas reações voluntárias ou 
involuntárias, intencionais ou não- intencionais (MOSCOVICI, 2008). 
 
Segundo Tourinho (1982), as relações humanas dentro de um ambiente 
organizacional geram uma necessidade de proximidade entre as pessoas que 
nele trabalham, configurando uma percepção entre e sobre os indivíduos. 
Tanto as relações humanas pessoais quanto profissionais devem 
colaborar para que possamos perceber o outro além de suas características 
físicas, bem como em sua essência. Quando vemos o outro em sua 
individualidade, conseguimos ter uma ligação positiva com essa pessoa. Boas 
relações desencadeiam afinidades baseadas em respeito mútuo e cordialidade 
entre os colaboradores. 
Na contramão, quando adotamos relações enfraquecidas, podemos 
enxergar o outro a partir de estereótipos criados em nossa imaginação, gerando 
um comportamento aético e hostil entre essas pessoas. 
A maior questão é como saber lidar bem com os outros, nas organizações 
não é diferente, trabalhar bem com os outros para que seu desempenho seja 
satisfatório, produtivo e consiga colocar em prática todo conhecimento em prol 
da empresa, com desempenho e serviços de alta qualidade. 
Leitura obrigatória 
Para saber mais, leia o capítulo 3 do livro: ALENCASTRO, M. Ética 
Empresarial na prática: liderança, gestão e responsabilidade corporativa. 
NA PRÁTICA 
Leia a reportagem sobre o caso da Volkswagen e a ética das grandes 
empresas: 
Volkswagen foi pega em fraude nos controles antipoluição, num 
teste de emissões de NOX (óxido de nitrogênio) nos Estados Unidos 
 
 
 
17 
O fato é grave e chamou a atenção para outros casos de má 
administração e falhas nos controles corporativos das grandes empresas. Mas 
também mostrou a incompetência ou a inadequação dos órgãos públicos de 
controle da poluição na Europa e nos Estados Unidos. Ao manipular os índices 
de emissões de NOx de 482.000 carros com motores 4 cilindros “clean diesel” 
(em versões dos VW Passat, Jetta, Golf, Beetle e Audi A3), a montadora alemã 
deu margem a estimativas de que 11 milhões de automóveis do grupo estejam 
jogando entre 237.161 e 948.691 toneladas de NOx por ano no planeta. 
Fonte: UOL Notícias. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/luiz-
felipe-alencastro/2015/09/30/o-caso-volkswagen-e-a-etica-das-grandes-empresas.htm> Acesso 
em 05/05/2016. 
Veja a versão completa da notícia a seguir: 
O caso Volkswagen e a ética das grandes empresas 
Os desdobramentos da fraude dos controles antipoluição praticada pela 
Volkswagen nos Estados Unidos suscitaram uma série de interrogações e de 
polêmicas. Quem iniciou e deu cobertura à trapaça? Embora o CEO e vários 
outros altos responsáveis da empresa tenham se demitido ou mandados para a 
rua, ainda há pontos obscuros. 
Mais importante proprietário da VW, com 20% de ações que lhe dão um 
direito de veto na direção da firma, o Estado da Baixa Saxônia (um dos 16 
Estados da Alemanha), não sabia de nada, conforme declarou o ministro da 
Economia do Estado (Lander). 
O fato é grave e chamou a atenção para outros casos de má 
administração e falhas nos controles corporativos das grandes empresas. Mas 
também mostrou a incompetência ou a inadequação dos órgãos públicos de 
controle da poluição na Europa e nos Estados Unidos. 
Na realidade, quem levantou a pista sobre as práticas delituosas da VW 
foi a ICTT, uma pequena ONG americana de parcos recursos. Como explicou 
um de seus diretores, a descoberta se deu quase por acaso: "nós não 
esperávamos achar alguma coisa" no teste. Só depois da denúncia da ICTT é 
que os organismos oficiais de controle americanos fizeram a investigação mais 
http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/luiz-felipe-alencastro/2015/09/30/o-caso-volkswagen-e-a-etica-das-grandes-empresas.htm
http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/luiz-felipe-alencastro/2015/09/30/o-caso-volkswagen-e-a-etica-das-grandes-empresas.htm
 
 
18 
aprofundada que desembocou na denúncia da firma alemã. Agora, na 
Alemanha, na França, nos Estados Unidos e em vários outros países, as 
autoridades e as agências governamentais de controle, admitindo implicitamente 
que falharam, prometem mais meios e mais rigor para os testes antipoluição. 
No meio tempo, apareceram propostas mais criativas e mais 
transparentes de vigilância sobre as manipulações dos fabricantes de 
automóveis. A mais interessante consisteem obrigar as fabricantes de carro a 
usar um código aberto (open source), permitindo o acesso dos usuários à caixa 
preta informática (proprietary code) que pauta o funcionamento de cada carro. 
Foi nessa caixa preta que a VW ocultou o software que lhe permitiu escapar aos 
controles antipoluição. 
Naturalmente, a proposta pode parecer utópica, visto que a 
confidencialidade do proprietary code é a alma do negócio na indústria do 
automóvel e de muitos outros setores. Porém, os prejuízos da VW e dos outros 
fabricantes de carros a diesel atingem tais proporções que poderão incitar à 
adoção do open source por uma parte das indústrias. 
Como escreveu no seu blog David Bollier, um ativista pela 
democratização da informática, se os organismos governamentais quiserem 
impedir estragos no meio ambiente e na segurança antes dos desastres, eles 
devem impor aos industriais a obrigatoriedade do código aberto em suas 
máquinas. 
Fonte: UOL Notícias. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/blogs-e-
colunas/coluna/luiz-felipe-alencastro/2015/09/30/o-caso-volkswagen-e-a-etica-das-grandes-
empresas.htm> Acesso em: 05/05/2016. 
Caso Volks vai além da questão ética e escancara a "Sociedade de 
Risco" 
O escândalo dos motores a diesel, que abalou a imagem da Volkswagen 
no mundo inteiro, pode sepultar a hipocrisia dos limites de emissão de gases 
tóxicos e abrir caminho para os carros elétricos 
 
http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/luiz-felipe-alencastro/2015/09/30/o-caso-volkswagen-e-a-etica-das-grandes-empresas.htm
http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/luiz-felipe-alencastro/2015/09/30/o-caso-volkswagen-e-a-etica-das-grandes-empresas.htm
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19 
 
Volkswagen e-Golf: 3.328 vendas na Europa e 357 nos Estados Unidos no ano passado 
Desde que foi pega traindo a confiança do consumidor num teste de 
emissões de NOx (óxido de nitrogênio) nos Estados Unidos, a Volkswagen está 
sendo tratada como uma espécie de Geni da indústria automobilística. Ao 
manipular os índices de emissões de NOx de 482.000 carros com motores 4 
cilindros “clean diesel” (em versões dos VW Passat, Jetta, Golf, Beetle e Audi 
A3), a montadora alemã deu margem a estimativas de que 11 milhões de 
automóveis do grupo estejam jogando entre 237.161 e 948.691 toneladas de 
NOx por ano no planeta. 
Como o NOx é mais danoso (a curto prazo) ao ser humano do que o 
CO2 (dióxido de carbono), que é responsável pelo aquecimento global, a 
derrapada ética da Volkswagen provocou a ira da imprensa alemã. A revista 
semanal Der Spiegel fez uma capa demolidora. Transformou um Fusca em 
esquife, carregado por seis homens de luto, e foi lacônica no título: “Der 
Selbstmord” (O Suicídio). Mas, apesar da indignação alemã pela maneira 
irresponsável como alguns dirigentes trataram um ícone do país, a Volkswagen 
vai continuar vendendo carros em todo o planeta. É difícil prever o tamanho do 
estrago que os testes de emissões podem provocar nas vendas da Volks, 
embora seu valor de mercado já tenha recuado quase 40% em duas semanas. 
Suas ações na Bolsa de Frankfurt, que eram vendidas a 167,60 euros no dia 
17/09, estavam cotadas 102,00 euros no dia 1º/10. De qualquer forma, a 
companhia ainda valia 46,672 bilhões de euros no final da semana passada – e 
muitos ainda apostam que ela não foi a única a mentir para os especialistas. 
O escândalo do “dieselgate” dá margem para inúmeras interpretações. 
Por isso, apesar da má conduta ética da montadora, quero lançar um olhar mais 
http://editora3-cdnmed-idin.agilecontents.com/resources/jpg/1/2/1444068320621.jpg?keepThis=true&TB_iframe=true&height=480&width=720
 
 
20 
abrangente sobre o caso. Na minha opinião, a Volkswagen mergulhou fundo 
demais no ideal capitalista de produzir e vender cada vez mais. Afinal, em 2014 
o Volkswagen Group (9.496.891 veículos vendidos) já era maior que o Toyota 
Group (8.657.903) e a General Motors Company (7.362.897). Com um 
crescimento de 5,1% em relação a 2013 (quando também terminou na 
liderança), o Volkswagen Group detinha 12,98% do mercado global de 
automóveis no final do ano passado, contra 11,83% do Toyota Group e 10,02% 
da GM Company. Mas Wolfsburg queria mais. Pelo menos até antes do 
escândalo dos motores a diesel, o objetivo da empresa era transformar a marca 
Volkswagen na líder mundial de vendas de automóveis até 2018. Contando só 
os modelos que trazem os logotipos VW, a marca terminou a temporada de 2014 
em segundo lugar, com 6.022.625 emplacamentos, contra 6.384.760 da líder 
Toyota. A Ford aparecia em terceiro, com 5.413.255, e a Chevrolet em quarto, 
com 4.108.397. 
Evidentemente, a Volkswagen não tinha como objetivo intoxicar pessoas, 
mas sim vender mais carros. E na ânsia de vender mais e mais e mais, sempre 
e sempre e sempre, inúmeras empresas do mundo inteiro (também de todos os 
segmentos) estão envenenando o planeta. A emissão de CO2 – principal vilão 
do aquecimento global – tem subido a um ritmo sem precedentes desde 1984. 
Mas, segundo um relatório do órgão americano EIA (Energy Information 
Administration), o uso de motores a gasolina e a diesel para transporte nos 
Estados Unidos resultou, em 2014, na emissão de 1,075 bilhão de toneladas e 
444 milhões de toneladas de CO2, respectivamente, totalizando 1,519 bilhão de 
toneladas de CO2. Isso equivale a 83% do total de emissões de CO2 por todo o 
setor de transporte dos EUA. Entretanto, essa poluição absurda representou 
apenas 28% de todo o dióxido de carbono que o setor industrial de Tio Sam 
jogou na atmosfera no ano passado. 
E por que isso acontece? Porque no ritmo industrial dos últimos 40 ou 50 
anos, os países se convencionaram a seguir um padrão de aceitação de 
venenos, pesticidas, gases, acidentes e até assassinatos que levou nosso modo 
de vida (e morte) a se transformar naquilo que o filósofo alemão Ulrich Beck 
batizou de Sociedade de Risco. Na visão de Beck, a definição de limites de 
tolerância ou a estipulação de valores máximos levou à criação de uma indústria 
do risco: 
 
 
21 
Limites de tolerância para vestígios poluentes e tóxicos “admissíveis” no 
ar, na água e nos alimentos têm, em relação à distribuição de riscos, um 
significado comparável ao que tem o princípio de desempenho para a 
distribuição desigual de riqueza: eles simultaneamente admitem as emissões 
tóxicas e legitimam-na dentro dos limites que estipula. Quem quer que limite a 
poluição, estará fatalmente consentindo com ela. Aquilo que ainda é admissível 
e, por sua definição em termos sociais, “inofensivo” – independente do quão 
daninho seja. 
Particularmente, enquanto todo mundo atira contra a Volks, vejo uma 
oportunidade para que a indústria automobilística seja repensada. Afinal, por 
mais que a tecnologia se modifique (e agora ficou comprovado isso), os motores 
a diesel nunca conseguirão ser menos poluentes do que os alimentados por 
gasolina. O diesel é largamente utilizado nos carros de passeio dos Estados 
Unidos e da Europa porque é mais barato. E todo mundo quer gastar menos 
(não necessariamente poluir menos). Mas, com a emissão de 1,075 bilhão de 
toneladas métricas de CO2 a cada ano só nos Estados Unidos, está claro que 
os motores a gasolina também não resolvem a questão ambiental. Por isso, a 
verdadeira guinada nessa questão não será apenas uma exemplar punição à 
Volkswagen, mas sim a adoção de políticas de incentivo real à produção e 
comercialização de veículos elétricos. Só assim estaríamos falando de carros 
que não poluem. 
Modelos que circulam sem poluir a atmosfera já são comuns em muitas 
marcas, mas os números são ridiculamente pequenos quando comparados aos 
poluidores. Tanto nos Estados Unidos (30.200 emplacamentos em 2014) quanto 
na Europa (15.158), o carro elétrico mais vendido é o Nissan Leaf. Nos EUA,ele 
é seguido pelo Chevrolet Volt (18.805 emplacamentos) e pelo Tesla Model S 
(18.480). No mercado europeu, logo atrás do Leaf vêm o Renault Zoe (11.090 
vendas) e o Tesla Model S (8.841). Com relação à Volkswagen, o e-Golf vendeu 
apenas 357 unidades em território americano no ano passado. Na Europa, seu 
desempenho com carros elétricos é melhor, ocupando o quarto lugar com o e-
Up (5.450 vendas) e o sexto com o e-Golf (3.328). 
Portanto, o risco à saúde humana só desapareceria (teoricamente) se a 
tolerância à poluição fosse reduzida a zero. Como eu já disse, Beck identificou 
22 
uma indústria do risco, pois é preciso engenharia e investimentos para que os 
níveis de NOx ou CO2 que saem dos escapamentos dos carros passem de, 
digamos, 100 g/km para 80 g/km. Para movimentar a economia, portanto, o risco 
é ótimo. Em seu livro Futuros Imaginários: das Máquinas Pensantes à Aldeia 
Global, Richard Barbrook afirma que “o presente é compreendido como o futuro 
embrionário e o futuro ilumina o potencial do presente”. Partindo dessa premissa, 
um professor da Universidade Mackenzie, Vinícius Prates, escreveu em 2013 
uma tese que talvez exemplifique a forma como olhamos para os automóveis 
que desejamos (ou como as montadoras querem que a gente os veja): 
Apesar dos muitos milhões de carros poluentes fabricados por ano, a 
indústria automobilística se caracteriza do ponto de vista do enunciador por este 
futuro que ilumina e explica o presente: ou seja, ela é figurada como sustentável 
pelo que um dia ocorrerá. Assim, não importa quantas unidades movidas a 
gasolina sejam fabricadas (e as consequentes críticas dos ambientalistas 
antagonistas), o enunciador consegue tamponar a falta constitutiva da crise 
ambiental por uma operação de deslizamentos de sentidos – os milhões de 
carros “sujos” (que vemos com nossos olhos) saindo das fábricas apenas 
preparariam o glorioso porvir de um capitalismo sem sintomas (que vemos com 
nossa ideologia), repleto de máquinas ecologicamente limpas. 
Se liderar uma cruzada mundial de incentivo aos veículos elétricos, 
a Volkswagen tem uma chance de propor um mundo melhor, renascer depois do 
“suicídio” e voltar a dizer um dia, em qualquer língua: “Você conhece, você 
confia”. 
Fonte: Isto É. Disponível em: <https://www.istoedinheiro.com.br/caso-volks-vai-alem-da-
questao-etica-e-escancara-a-sociedade-de-risco/>. Acesso em 05/06/2021.
A imprensa alemã, indignada, divulgou reportagens sobre o 
assunto, porém, apesar da indignação alemã pela maneira irresponsável 
como alguns dirigentes trataram um ícone do país, a Volkswagen vai 
continuar vendendo carros em todo o planeta. Fica a pergunta: os dirigentes 
da Volkswagen foram éticos em sua decisão? 
 
 
23 
SÍNTESE 
Neste material didático estudamos alguns aspectos da ética nos negócios, 
as etapas de formação de uma empresa ética, a liderança ética, as relações 
humanas e a ética no trabalho. Conforme vimos, para o convívio em sociedade, 
a ética é um assunto importante e cada dia mais difundido e necessário. Nas 
práticas empresariais isso não é diferente, uma vez que toda empresa é parte 
viva de uma determinada comunidade. O movimento ético nas organizações 
teve impulso a partir dos anos 90 com a valorização da responsabilidade social. 
Mas para que este movimento seja eficaz, antes o desenvolvimento de 
indivíduos éticos é necessário e, para tanto, é necessário existir regras, leis e 
normas que regulem o relacionamento humano no trabalho e sirvam de 
orientação quanto ao que é certo ou errado, justo ou injusto, lícito ou ilícito, 
permitido ou proibido. Nesta aula, refletimos sobre o conceito e como se 
desenvolveram os estudos da ética empresarial, além de apresentarmos as 
etapas da formação ética de uma empresa e os dilemas que envolvem o tema. 
REFERÊNCIAS 
ABBAGNANO. N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 
2000. 
ALENCASTRO, M. Ética Empresarial na prática: liderança, gestão e 
responsabilidade corporativa. Curitiba: Intersaberes, 2013. 
ARAÚJO, U. O ambiente escolar e o desenvolvimento do juízo moral 
infantil. São Paulo. Casa do Psicólogo. 
ARRUDA, M. C. C., VASCONCELLOS, H. A ética nos negócios. Revista 
de Administração de Empresas. vol.29. n.3, São Paulo. 1989. 
BENNIS, W. Líderes: estratégias para assumir a verdadeira liderança. 
São Paulo: Harbra, 1998. 
BULHÕES, O. G. Dois conceitos de lucro. Rio de Janeiro: Apec Editora 
S.A., 1969. 
FUJI, A. H. O conceito de lucro econômico no âmbito da contabilidade 
aplicada. Revista Contabilidade e Finanças. vol.15 n. 36, São Paulo, 2004. 
 
 
24 
HICKS, J. R. Value and capital. Oxford: Clarendon Press. 1946. 
LIPOVETSKY, G. A sociedade pós-moralista: o crepúsculo do dever e 
a ética indolor dos novos tempos democráticos. Barueri: Manole, 2005. 
MOREIRA, J. M. A ética empresarial no Brasil. São Paulo: Pioneira, 
1999. 
MOSCOVICI, F. Desenvolvimento interpessoal. Rio de Janeiro: José 
Olympio, 2008. 
MOSCOVICI, S. Psychoanalysis: Its image and its public. Cambridge: 
Polity, 2008. 
TOURINHO, N. Chefia, Liderança e Relações Humanas. 2.ª ed. São 
Paulo: Ibrasa, 1982. 
 
 
ÉTICA, RESPONSABILIDADE 
SOCIAL E AMBIENTAL 
AULA 2 
Prof.a Olívia Resende 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Para darmos continuidade à disciplina, vamos refletir sobre algumas 
teorias éticas, seus conceitos, e acompanhar numa dimensão histórica o 
caminho percorrido pela humanidade em busca de uma sociedade mais justa. 
Uma sociedade mais justa se faz com cidadãos mais justos. Mas o que é 
um cidadão justo? Vamos fazer você pensar um pouco na complexidade desse 
assunto e por que gera tanta discussão entre filósofos e teóricos há tanto 
tempo. 
Você já pensou se é justo, ético ou antiético furtar um remédio, cujo 
valor você não pode pagar, para salvar a vida de alguém por quem você tem 
muito apreço? Ou ainda, se é ético ou antiético ficar com uma carteira que 
alguém esqueceu no parque, num dia de domingo? E caso o valor encontrado 
na carteira esquecida no banco do parque seja o valor exato para comprar o 
remédio que aquela pessoa que você ama precisa para sobreviver? Podemos 
perguntar também sob um outro viés: o indivíduo deve privilegiar o valor da 
vida (salvar alguém da morte) ou o valor da propriedade privada (não roubar 
nem se apoderar do que não é seu)? 
Nesta aula, vamos tentar esclarecer essas e outras perguntas sobre 
questões éticas e como o homem vem desenvolvendo seus pensamentos 
sobre o assunto. 
CONTEXTUALIZANDO 
O convívio em sociedade é sempre um assunto intrigante, pois deve-se 
levar em consideração questões antropológicas, culturais, éticas, morais e 
legais daquela sociedade em questão, não há como generalizar. Quando 
analisarmos uma determinada atitude, devemos nos ater ao nosso mundo, ao 
mundo do outro e respeitar essa relação também, porque o que é certo para 
mim, pode não ser certo para o outro. 
Ao longo dos tempos, desde que o homem se reconheceu como um ser 
racional, deparamo-nos com diversas teorias éticas que surgiram nas 
diferentes sociedades, sempre tentando responder aos dilemas das relações 
de convivência entre os indivíduos. Pegaremos como base a descrição 
 
 
3 
colocada por Alencastro (2013) em seu livro Ética empresarial na prática, no 
qual o autor divide a ética de forma didática e em função de suas motivações 
básicas, como: Ética das Virtudes, Ética Religiosa, Ética do Dever, Finalismo e 
Utilitarismo. Analisaremos e refletiremos sobre cada uma dessas funções da 
ética. 
Podemos colocar a dificuldade dessa relação exemplificando com a 
questão do aborto. Conforme podemos analisar no mapa, regiões em verde 
são países em que o aborto é livre e, em contrapartida, nas regiões em 
vermelho o aborto é condenado e há leis restritivas. Quais são os fatores que 
proporcionam essa liberdade e ou restrição? Aqui, podemos tentar estabelecer 
um elo entre questões culturais, educacionais,econômicas, éticas, dentre 
outras, e as leis que deixam livre e as que restringem. Podemos perceber que, 
mesmo em países em que as leis são mais “duras”, existem aqueles indivíduos 
que defendem e os que condenam o ato, como é o caso do Brasil. Aqui temos 
pessoas que defendem o direito de decisão da mulher e pessoas que 
defendem o direito do feto de viver. Essa é uma questão delicada e que 
envolve ética e justiça. 
Figura 1 – O aborto no mundo: liberdade e leis restritivas 
 
Fonte: Elástica. Disponível em: <http://elastica.abril.com.br/o-aborto-deve-acontecer-
em-um-unico-caso-quando-a-mulher-quiser> Acesso em 19/04/2016. 
Podemos perceber que o convívio em sociedade não é uma questão 
simples, mas envolve ética, moral e direito e foi tratada de diversas maneiras 
no decorrer da existência das relações humanas. 
Dito isso, nesta aula, buscaremos refletir sobre as teorias éticas 
apresentando a ética das virtudes, ética religiosa, ética do dever, finalismo e 
http://elastica.abril.com.br/o-aborto-deve-acontecer-em-um-unico-caso-quando-a-mulher-quiser
http://elastica.abril.com.br/o-aborto-deve-acontecer-em-um-unico-caso-quando-a-mulher-quiser
 
 
4 
utilitarismo. Trabalharemos alguns dos vários significados e interpretações, que 
tratam do assunto, inserindo questões contemporâneas para contextualizarmos 
os aspectos éticos. 
 Para tanto buscaremos responder as seguintes perguntas: 
 
 
 
 
Para responder a esta e outras perguntas, começaremos abordando 
questões históricas e contemporâneas da ética, buscando inseri-las em suas 
motivações mais básicas. 
TEMA 1: O QUE É ÉTICA? 
O conceito de ética admite vários significados e interpretações, sendo 
ela normalmente definida como “ciência da conduta humana”. 
Falar sobre ética não é algo novo, pois o estudo da ética é bastante 
antigo. Sócrates (470-399 a.C.), “pai da ética”, desenvolvia o senso filosófico 
nas pessoas por meio de uma pergunta: como devemos viver nossa vida? 
Desde então, estamos há mais de 25 séculos tentando responder a 
mesma pergunta: como viver? 
O ser humano, desde sua origem e ser social que é, aderiu à 
convivência em comunidade para preservar sua vida e minimizar as 
dificuldades com a manutenção de sua sobrevivência. Ao aderir à vida em 
comunidade para ter maiores chances de sobrevivência, trouxe consequências, 
como a aquisição e construção de valores acerca do bem e do mal, do justo e 
do injusto, do certo, do incerto e do errado que, por força da habitualidade, 
tornam-se costumes, regras aceitas, obedecidas por toda a comunidade e 
transmitidas sucessivamente de geração para geração, que constituem o 
domínio da ética e da moral. 
O que é ser um indivíduo ético ou aético? 
 
O que é ser essencialmente justo? 
As diferentes maneiras de entender a ética fazem diferença na vida dos 
indivíduos? 
5 
A palavra ética, no entanto, teve seu uso indiscriminado ao longo dos 
anos, e nos dias atuais ainda persiste, como ressalta Nalini (1997): 
A ética permeia todos os discursos. A propósito das condutas 
humanas ainda capazes de chocar uma sociedade já acostumada a 
todos os desatinos, levantam-se as vozes dos moralistas a invocar a 
necessidade de um repensar comportamental. Ética, infelizmente, é 
moeda em curso até para os que não costumam se portar 
eticamente. Não é raro que as proclamações morais de maior ênfase 
provenham de pessoas que nunca poderiam ser rotuladas éticas. 
Compreensível, por isso, que para servir a objetivos os mais diversos, 
nem todos eles compatíveis com o núcleo conceitual que a palavra 
pretende transmitir. Além disso, a utilização excessiva de certas 
expressões compromete o seu sentido, como se o emprego frequente 
implicasse em debilidade semântica. Ética, no Brasil, sofre de 
anemia. Já se disse que ela é anoréxica! 
Para Silva (2013), partindo do pressuposto de que tudo gira em torno do 
homem e de sua posição de destaque no mundo, conceito que vem permeando 
toda a história moderna do mundo ocidental e, ao mesmo tempo, 
menosprezando a todos os outros seres imputados como irracionais e, dessa 
forma, não capazes de mudar o ambiente em que estão inseridos, o que mais 
se busca é entender que temos um homem, diagnosticado como racional, 
fazedor de cultura e que, de certa forma, é considerado um ser social. 
Materializa-se como ético, na medida em que se busca, na ética, a justiça 
social. 
O que Silva (2013) tenta expor é que a ética é uma construção humana 
e, dessa forma, considerada como um instrumento capaz de realçar as 
relações sociais, bem como criar todos os meios para garantir a justiça social. 
Ser ético, portanto, é voltar-se para o outro, e para o éthos, que pressupõe 
voltar-se para o conjunto de costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do 
comportamento e da cultura, característicos de uma determinada comunidade, 
época ou região. Nesse sentido, podemos considerar que a justiça é a luta não 
violenta pelos excluídos. 
Assim, entende que o homem se constitui como ser ético na medida em 
que vai construindo a sua socialização e, ao mesmo tempo, passa a 
desempenhar alguns papéis para a dinâmica do grupo no qual está inserido. 
(SILVA, 2013). 
6 
O conteúdo dos papéis, em cada sociedade, tem sido caracterizado de 
maneiras distintas, tornando difícil tratar ou descrever esses papéis de maneira 
única, pois eles são relativos. Em cada sociedade e/ou comunidade, em função 
da organização específica em torno da vida dos indivíduos que estão inseridos, 
do trabalho, da produção da vida material, organiza-se também o tipo de 
comportamento “desejável” para cada pessoa. 
A resposta à pergunta de Sócrates (470-399 a.C.), “pai da ética”, sobre 
como devemos viver nossa vida vai depender em parte do contexto em que o 
indivíduo está inserido. 
Na contemporaneidade, essa pergunta ultrapassa os limites da filosofia 
e esbarra em outras fontes de conhecimento, como as da psicologia, da 
sociologia, da medicina, da biologia e de outras ciências. Entretanto, todas elas 
ainda remetem ao campo da ética, e é uma questão que essa disciplina 
procura responder até os dias de hoje. Sendo assim, podemos afirmar que a 
ética e suas questões estão presentes em todos os setores − em tudo aquilo 
que nos rodeia. 
Segundo Silva (2013), a ética é uma das áreas que maior interesse 
desperta atualmente em toda e qualquer área, particularmente no campo da 
filosofia e da política, sobretudo porque diz respeito à nossa experiência 
cotidiana, ainda mais quando sentimos que cada vez mais vivemos numa crise 
ética. 
Desde a Grécia Antiga até a atualidade, muitas teorias foram 
construídas para explicar o comportamento ético das pessoas no convívio em 
sociedade. Conforme mencionado anteriormente, pode-se dividir a ética de 
forma didática em função das motivações básicas da seguinte forma: Ética da 
Virtude; Ética Religiosa; Ética do Dever; Finalismo; Utilitarismo. 
Leitura obrigatória 
Para aprofundar seus conhecimentos, faça a leitura do capítulo 1 do 
livro: ALENCASTRO, M. Ética empresarial na prática: liderança, gestão e 
responsabilidade corporativa. Editora Intersaberes, 2013. Esse capítulo 
também servirá de base para os outros temas desta aula. 
7 
TEMA 2: ÉTICA DA VIRTUDE 
Etimologicamente, a palavra virtude deriva do latim virtus (“força ou 
qualidade, essência”), que indica uma qualidade positiva e própria do ser 
humano de fazer o bem (para si e para os outros), ou ainda, no contexto da 
moral, a qualidade ou ação que dignifica o homem. A origem dessa 
terminologia deu-se pelos filósofos gregos. E qual é essa qualidade ou ação 
que dignifica o homem? 
Podemos perceber diversas interpretações sobre este tema, mas 
basicamente, é a prática constante do bem com liberdade e 
responsabilidade moral. Portanto, são consideradas virtudes a polidez, a 
prudência, dentre outros. 
Assim, podemos perceber que a virtude corresponde ao uso da 
liberdade com responsabilidadeem busca do bem comum. Já o oposto da 
virtude é o vício, que se fundamenta no hábito da prática do mal, 
correspondendo ao uso da liberdade sem responsabilidade. 
A ética da virtude tem seu foco no caráter mais que na ação do 
indivíduo, e está interessada na questão de saber quais as ações que estão 
certas ou erradas e as várias maneiras de tratar a questão. 
Figura 2 – Ações certas e erradas 
Fonte: Pelos caminhos da evangelização. Disponível em: 
<http://peloscaminhosdaevangelizacao.blogspot.com> – Acesso em 19/04/2016. 
http://elastica.abril.com.br/o-aborto-deve-acontecer-em-um-unico-caso-quando-a-mulher-quiser
http://elastica.abril.com.br/o-aborto-deve-acontecer-em-um-unico-caso-quando-a-mulher-quiser
8 
Segundo Bettencourt (2014), a ética da virtude pensa assim sobre o 
gênero de pessoa que deveremos ser, que ações deveremos tomar, quais as 
qualidades que tornam a vida boa e quais os vícios e qualidades negativas que 
devemos evitar. O núcleo desse gênero de ética é o Eudaimonia, que se 
poderá traduzir como “Felicidade”. 
Historicamente, a ética da virtude teve suas raízes na Grécia antiga, e 
sua origem está nos filósofos gregos. 
Sócrates (469-399 a.C.) defendia a ideia de que as causas éticas 
pessoais só poderiam ser definidas com o conhecimento de si mesmo. O 
filósofo tinha como seu lema: “conhece-te a ti mesmo”. Desta forma, uma vez 
alcançado tal objetivo (conhecer-se), o homem teria uma percepção de suas 
virtudes, agindo, então, de forma correta. 
Já Platão (429-347 a.C.) aperfeiçoou a visão de Sócrates apresentando 
uma divisão geral das virtudes em quatro princípios: a prudência, a fortaleza, a 
temperança e a justiça. Santo Ambrósio fez uso desses fundamentos de 
Platão, chamando-os mais tarde de virtudes cardeais: 
■ Prudência: também chamada de sabedoria, é a virtude racional e é 
peculiar da classe dirigente ou dominante; característica peculiar a 
indivíduos que se comportam evitando perigos e problemas; 
precaução.
■ Fortaleza: chamada de valentia, é a virtude do entusiasmo, dos 
impulsos volitivos e afetos, regrando o coração e é peculiar da classe 
militante ou guerreira; força; vigor; robustez. 
http://peloscaminhosdaevangelizacao.blogspot.com/2011/06/valorizacao-da-propria-vida_23.html
9 
■ Temperança: chamada de autodomínio, é a virtude da vida impulsiva, 
instintiva e é peculiar da classe trabalhadora; característica do 
indivíduo que equilibra suas próprias vontades.
■ Justiça: resulta da colaboração igualitária de todas as virtudes, 
garantindo a harmonia entre elas; particularidade daquilo que se 
encontra em correspondência (de acordo) com o que é justo; modo de 
entender e/ou de julgar aquilo que é correto. 
Segundo Alencastro (2013), a coragem, a justiça, a prudência e a 
temperança são exemplos das virtudes aristotélicas. Deriva-se daí a 
importância da promoção de hábitos sociais através dos quais se desenvolva 
nas pessoas um modo de ser maduro e que se convertam na fonte principal de 
seu agir moral. Uma vez apropriados de forma pessoal, dão lugar a um modo 
de ser que expressa uma conformidade aos costumes, a marca de um 
indivíduo de caráter, aquele capaz de agir de forma livre e responsável. 
Aristóteles (384-322 a.C.), em seu livro Ética a Nicômaco, questiona: 
“Em que consiste o bem para o homem?” Ao que se responde: “Uma atividade 
da alma em conformidade com a virtude”. 
O filósofo compreendia que existem duas espécies de virtude, a 
intelectual e a moral, e que o bem próprio da pessoa é a inteligência e que o 
homem devia viver de acordo com a razão. E, ainda, que somente pela razão 
se pode chegar às virtudes. Para Aristóteles, ser feliz é usar a razão com 
propriedade e o fazer de tal modo que isso se torne uma virtude. 
Aristóteles apresentou a virtude como um traço de caráter exposto na 
ação do homem. Para ele, a virtude seria uma propriedade do caráter humano 
apresentada de diversas maneiras, como: paciência, benevolência, justiça, 
compaixão, coragem, tolerância, afabilidade, generosidade, honestidade, 
sensatez, lealdade, equidade etc. 
 
 
10 
As virtudes eram tidas como fundamentais para o filósofo, pois o homem 
virtuoso, aquele que tem a capacidade de refletir sobre suas escolhas e 
escolhe o que é mais apropriado para si e para as pessoas que convivem com 
ele em sociedade viveria bem, tendo uma vida melhor. 
Leitura obrigatória 
Vamos continuar aprofundando nossos conhecimentos? Então faça a 
leitura do artigo a seguir: Noções introdutórias sobre a ética das virtudes 
aristotélica. 
http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conjectura/article/download/179
6/1127 
Saiba mais 
Entenda um pouco do que Leonardo Boff, um grande filósofo brasileiro, 
entende sobre Virtude assistindo ao vídeo a seguir: 
https://www.youtube.com/watch?v=vydv0R9Pd54 
TEMA 3: ÉTICA RELIGIOSA 
A ética religiosa é regida por princípios e regras estabelecidos pelas 
distintas religiões. A ética cristã é um bom exemplo do que seria uma ética 
religiosa, visto que apregoa a obediência aos deveres religiosos. Sendo assim, 
é delimitada por parâmetros (princípios e regras) religiosos: os mandamentos 
de Deus têm o caráter de imperativos supremos. Na concepção cristã, o ato de 
matar ou de roubar, por exemplo, não se justificariam, pois seriam contrários 
aos mandamentos bíblicos universais (“não matarás”, “não roubarás”), que 
devem ser obedecidos. 
Assim, a ética religiosa tem características como os mandamentos – 
conjunto de leis ditadas por Deus e que devem ser seguidas. São elas: 
■ Dogmas: crenças e doutrinas estabelecidas que não admitem 
contestação, ou seja, uma verdade absoluta, definitiva, imutável, 
infalível, inquestionável e segura, nas quais não pairam dúvidas; 
http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conjectura/article/download/1796/1127
http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conjectura/article/download/1796/1127
https://www.youtube.com/watch?v=vydv0R9Pd54
 
 
11 
■ Normas: regras que regem o comportamento dos indivíduos, sempre 
com caráter de ordem suprema, englobando nelas diversas religiões, 
seitas, confissões de fé, entre outros. 
Podemos começar a perceber que na maioria das vezes os indivíduos 
pensam em ética religiosa enquanto delimitação de normas e comportamentos 
religiosos. Logo, pensam em Deus (entendido como ser absoluto e 
transcendente) e remetem a Ele uma dupla função: a de legislar e a de 
sancionar tudo o que se refere ao que é bem ou mal, bom ou ruim. Esse Deus, 
como juiz, julga quem escolhe o mal e premia quem escolhe o bem. 
O “olho de Deus” que tudo vê é um símbolo utilizado pelo cristianismo. E 
significa o olho que está em nós mesmos nos impedindo de cometer atos 
antiéticos e não o olhar de Deus que está no céu vigiando tudo e todos. 
Figura 3 – O “olho de Deus”, símbolo cristão 
 
Fonte: Spreadshirt. Disponível em: <http://pt.depositphotos.com/21339873/stock-photo-
all-seeing-eye-of-god.html> Acesso em 20/04/2016 
Questões religiosas são responsáveis, historicamente, por grandes 
conflitos mundiais que ocorreram ao longo dos séculos, e que persistem nos 
dias de hoje. É bom ressaltar que existem fatores de caráter político, 
econômico, territorial, geopolítico, histórico, entre outros, que também 
desencadeiam os conflitos, mas as questões religiosas e o radicalismo sempre 
são motivos elencados como um dos principais. 
Atualmente existem inúmeras religiões sendo praticadas no mundo, as 
principais são: 
http://pt.depositphotos.com/21339873/stock-photo-all-seeing-eye-of-god.html
http://pt.depositphotos.com/21339873/stock-photo-all-seeing-eye-of-god.html
 
 
12 
■ Cristianismo: historicamente é a religião com 
maior número de seguidores, sendo que atualmente conta 
com mais de 2,2 bilhões de adeptos no mundo. Os cristãos, 
como são chamados, creem que Jesus Cristo é filho de 
Deus e veio ao mundo como mortal para trazer salvação, 
foi morto e ressuscitou. Religião monoteísta (adoraçãoa 
apenas um deus) e tem a bíblia como o livro sagrado. 
■ Islamismo: trata-se de uma religião 
monoteísta que surgiu no século VII, criada por Maomé, 
seu líder supremo. O Corão é o livro sagrado. Atualmente 
existem cerca de 1,6 bilhão de adeptos no mundo e é a que 
mais cresce. Está difundido especialmente na Ásia e África, 
mas existem diversos seguidores em países como a 
Inglaterra e a Espanha. 
■ Budismo: trata-se de uma religião criada por 
um príncipe indiano chamado Sidarta Gautama, conhecido 
como Buda. Surgiu na Índia, no século VI a.C. No budismo 
não há hierarquia, existe a figura de um líder espiritual, que 
é o Buda e não há um deus. Atualmente existem 
aproximadamente 376 milhões de adeptos. O principal livro 
sagrado budista consiste no Tripitaka, livro 
compartimentado em três conjuntos de textos que 
compreendem os ensinamentos originais de Buda, além do 
conjunto de regras para a vida monástica e ensinamentos 
de filosofia. 
■ Judaísmo: considerada a primeira religião 
monoteísta, tendo como crença a existência de apenas um 
deus, o criador de tudo. Para os judeus, Deus fez um 
acordo com os hebreus, fazendo com que eles se 
tornassem o povo escolhido e prometendo-lhes a terra 
prometida. Seu patriarca é Abraão. Conta atualmente com 
aproximadamente 15 milhões de adeptos e tem a bíblia 
como o livro sagrado. 
 
 
13 
A maioria das religiões pregam o amor, o respeito e a dignidade, porém, 
entre seus adeptos, as diferenças de crença acabam sendo as responsáveis 
pelos grandes conflitos mundiais. 
Podemos ressaltar que os primeiros filósofos cristãos buscavam conciliar 
fé e razão como instrumento de análise e reflexão. Segundo Valls (1994), a 
filosofia insurge no campo da ética cristã, na tentativa de justificar seus 
princípios e normas de comportamento, se submetendo à lei divina revelada 
pelos livros sagrados, mediante uma disciplina específica: a teologia 
dogmática. 
Ao falarmos em ética na dimensão religiosa, fechamos o discurso, uma 
vez que nos atemos para uma proposta de livre escolha e decisão, pois tudo já 
vem subjugado por algo maior e determinante. 
Com o avanço das ideias do Iluminismo, a humanidade deixou de lado o 
Teocentrismo (Deus como centro de todas as decisões) e colocou o próprio 
homem no lugar Dele, fazendo nascer o Antropocentrismo (o homem como 
centro de tudo). 
No período iluminista − conhecido como a “Era da Luz” − o homem 
passou a representar o ser absoluto dele próprio, deixando de lado as 
afirmações categóricas, dogmáticas, autoritárias e suas distorções da vontade 
criadas pela concepção de pecado. 
Fazendo uma análise entre ética frente a ética religiosa, entendemos 
que na primeira o indivíduo tem a livre escolha de seus atos, enquanto a ética 
religiosa está atrelada à fé. Ir de encontro com a ética religiosa é afirmar que a 
moral está na conformidade com a vontade de Deus e que o mal é ir contra 
essa vontade absoluta. 
Leitura obrigatória 
Quer saber mais? Então não deixe de ler os textos indicados a seguir: 
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/529499-a-etica-do-papa-francisco-
artigo-de-giannino-piana 
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/529499-a-etica-do-papa-francisco-artigo-de-giannino-piana
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/529499-a-etica-do-papa-francisco-artigo-de-giannino-piana
14 
http://www.recantodasletras.com.br/redacoes/3427313 
Saiba mais 
Para entendermos um pouco mais as questões éticas no contexto 
religioso, leia a resenha realizada por Wilson Ricardo Buquetü Pirotta do livro: 
COMPARATO, F. K. Ética: Direito, moral e religião no mundo moderno. São 
Paulo: Companhia das Letras, 2006. 
https://www.revistas.usp.br/rdisan/article/download/80651/84301/111104
TEMA 4: ÉTICA DO DEVER 
Para entendermos a ética do dever, devemos inicialmente entender 
alguns conceitos estudados por grandes filósofos ao longo do tempo. Segundo 
artigo produzido pela PUC/Rio, o homem é concebido como um indivíduo, 
como um ser que, por essência, não precisa pertencer a uma comunidade. É 
verdade que, de fato, os homens vivem e precisam mesmo viver, por questões 
de proteção, com outros homens, mas esse conviver não faria parte do que é o 
homem. 
Ainda, acresce-se à noção de indivíduo uma outra característica: a de 
igualdade. Se pesquisarmos no dicionário e em alguns livros, a igualdade é 
a falta de diferenças entre duas coisas, que possuem o mesmo valor ou são 
interpretadas a partir do mesmo ponto de vista, em comparação a 
outra coisa ou pessoa. A palavra igualdade tem relação com o conceito de 
uniformidade, de continuidade, ou seja, quando há um padrão entre todos os 
sujeitos ou objetos envolvidos. Ainda segundo o artigo da PUC/Rio, por 
princípio os homens são todos iguais. Isso significa que não mais se assume 
que o ser humano possua um papel na cadeia de seres, na estrutura da 
natureza, nem que se possa, no interior do grupo humano, falar de diferentes 
funções de homens, como afirmava Platão na Politeía. 
Por fim, um terceiro ponto característico do homem moderno, segundo o 
artigo da PUC/Rio, consiste no fato de ele ser concebido como livre. Ele é, 
também por princípio, tanto livre de restrições impostas a ele por instâncias 
externas, quanto livre para seguir o curso de vida que melhor lhe aprouver. A 
esse aspecto da liberdade, associa-se a autonomia e a capacidade do homem 
http://www.recantodasletras.com.br/redacoes/3427313
https://www.revistas.usp.br/rdisan/article/download/80651/84301/111104
 
 
15 
de atribuir-se, ele próprio a si próprio, as regras pelas quais pautará sua vida e 
suas ações. 
Percebe-se que diante de tal visão do homem, cada indivíduo determina 
para si mesmo o curso de vida que quer seguir. As ideias de bem, de boa vida, 
ficam deixadas à deliberação de cada um. Fica a pergunta: Como conviver 
entre humanos de modo a evitar conflitos? 
Essa pergunta nos remete à ética do dever que tem início com o filósofo 
alemão Immanuel Kant (1724-1804), que afirmou que “a moral propriamente 
dita, não é doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos 
tornar-nos dignos da felicidade”. Segundo Kant, a ética do dever centrou-se na 
razão humana, deixando de lado muitos dos conceitos e formulações da ética 
religiosa, colaborando para que a pessoa fosse autônoma e, 
consequentemente, livre. 
Uma vez que o homem pensa, abre-se perante ele a possibilidade de 
seguir por sua própria razão, sem se deixar enganar pelas crenças, tradições e 
opiniões alheias. O indivíduo é um ser sensível por natureza, uma vez que é 
condicionado por suas disposições naturais. Porém, por outro lado, é um ser 
racional, alguém capaz de se regular por leis que impõe a si mesmo. A essa 
imposição chamamos de dever: não é uma obrigação externa, e sim a 
expressão da lei moral em nós, ou seja, o senso moral inato ao ser humano e 
não derivado da experiência sensorial ou religiosa (SANTOS e MORUJÃO, 
2001). 
Figura 3 – Immanuel Kant 
 
Fonte: A Filosofia. Disponível em: <http://www.afilosofia.com.br/post/immanuel-
kant/436> Acesso em 20/04/2016. 
http://www.afilosofia.com.br/post/immanuel-kant/436
http://www.afilosofia.com.br/post/immanuel-kant/436
 
 
16 
 
Para Kant, o indivíduo deve agir o mais perfeitamente que puder, eis o 
fundamento primário de toda obrigação de agir. Assim, a ética do dever vem do 
reconhecimento do que a própria pessoa faz de si mesma e que, pela razão, 
chega à necessidade obrigatória de obedecer a certas regras: os imperativos 
categóricos. 
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) expôs essa ideia de que todos os 
seres humanos têm a capacidade de distinguir o bem do mal e que, pela razão, 
todas as pessoas são chamadas a cumprir o seu dever, como base de toda a 
ética do dever de Kant, o qual também sofreu grande influência do Iluminismo. 
Para Kant, a razão deve ser submetida a uma análise sobre as diversas 
possibilidades de ação, ou seja, é pela razão queo ser humano se distingue do 
animal, conferindo-lhe a qualidade de pensar por si próprio. É por ela que a 
pessoa se torna autônoma e livre. 
A seguir, alguns exemplos dos chamados imperativos categóricos de 
Kant: 
Princípio da autonomia de Kant 
"Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, 
lei universal da natureza." 
Imperativo Universal de Kant 
"A máxima do meu agir deve ser por mim entendida como uma lei 
universal, para que todos a sigam." 
Imperativo Prático de Kant 
"Age de tal modo que possas usar a humanidade, tanto em tua pessoa 
como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim ao mesmo tempo e 
nunca apenas como um meio." 
 
 
17 
Saiba mais 
Jürgen Habermas é filósofo do Instituto de Pesquisa Social, em Frankfurt 
(Alemanha). O texto a seguir foi apresentado na Conferência do Mês 
(IEA/USP): "Zum pragmatischen, ethischen und moralise hen Gebrauch der 
praktischen Vernunft", realizada em outubro de 1989. Boa leitura! 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-
40141989000300002&script=sci_arttext 
 
TEMA 5: FINALISMO E UTILITARISMO 
Finalismo 
Ao se tratar do tema finalismo, é primordial se ater ao uso da 
terminologia em si, pois esta aceita diversos sentidos, oferecendo algumas 
possibilidades de equívocos devido às palavras fim e finalidade. Porém, para 
evitar enganos, aqui trataremos especificamente da dimensão ética como o 
princípio que admite uma finalidade. 
Para Japiassú e Marcondes (2008), o finalismo é doutrina que transpõe 
o princípio de finalidade para a ordem da metafísica, com o objetivo de explicar 
os fenômenos do mundo material ou moral, tanto pela intervenção de um 
espírito criador e providencial quanto em função de um futuro "apocalipse" que 
virá justificar tudo o que se passou anteriormente. 
Segundo Alencastro (2013), os finalistas não partem de regras, mas de 
objetivos, e avaliam as suas ações à medida que favorecem esses objetivos. 
Assim, para se definir o rumo certo de uma ação, inicialmente deve-se escolher 
um fim acertado e depois decidir sobre o meio para alcançá-lo. 
Dentre os teóricos que trataram da ética, Aristóteles tem como 
especificidade ser finalista, ou seja, entende que o homem, em todas as suas 
ações, tem por finalidade alcançar algo (um bem final). Esse bem final, que em 
uma escala hierárquica é o maior de todos os outros, é a felicidade. 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141989000300002&script=sci_arttext
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141989000300002&script=sci_arttext
 
 
18 
Para os finalistas, a felicidade se focaliza no bem, no efeito da ação, 
sempre como um fim a ser obtido pelo indivíduo e não por meio da observância 
de determinações ou mandamentos. 
Assim, podemos nos remeter ao pensamento elaborado por Nicolau 
Maquiavel no século XV em seu livro O príncipe, expondo um modelo de 
governo norteado por um princípio segundo o qual, na política, “os fins 
justificam os meios”. 
Portanto, para Aristóteles, “a natureza de uma coisa é o seu estágio 
final, porquanto, o que cada coisa é quando seu crescimento se completa, nós 
chamamos de natureza de cada coisa, quer falemos de um homem, de um 
cavalo, de uma família, ou até mesmo da política. Mais ainda: o objetivo para o 
qual cada coisa foi criada – sua finalidade – é o que há de melhor para ela, e a 
autossuficiência é uma finalidade e o que há de melhor” (ARISTÓTELES, 
Política, I, 1253b, 15) 
Para todos os filósofos finalistas os objetivos são as finalidades e não 
partem de regras. Para eles, deve-se primeiramente escolher um objetivo − um 
fim apropriado – e, depois, decidir sobre a maneira como alcançá-lo. 
Utilitarismo 
Para Japiassú e Marcondes (2008), o utilitarismo é a doutrina ética 
defendida sobretudo por J. Bentham e J. S. Mill. Na definição de Mill, "as ações 
são boas quando tendem a promover a felicidade, más quando tendem a 
promover o oposto da felicidade". As ações, boas ou más, são consideradas 
assim do ponto de vista de suas consequências, sendo o objetivo de uma boa 
ação, de acordo com os princípios do utilitarismo, promover em maior grau o 
bem geral. As críticas ao utilitarismo geralmente apontam para a dificuldade de 
se estabelecer um critério de bem geral, e para o fato de que, em nome deste 
bem geral, essa doutrina aceita o sacrifício de uma minoria, sem considerar as 
intenções e motivos nos quais a ação se baseia, levando em conta apenas os 
seus efeitos e consequências (JAPIASSÚ e MARCONDES, 2008). 
O utilitarismo surgiu em meados do século XVIII, na Inglaterra, tendo sua 
gênese nos filósofos Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-
 
 
19 
1873), situando a prática das ações de acordo com sua utilidade, ou seja, 
relacionaram o útil ao bom, baseando-se para tal em preceitos éticos. Bentham 
e Stuart Mill entendem então, que uma ação é eticamente correta se ela tiver 
por objetivo alcançar a felicidade, não no sentido meramente individual, mas no 
aspecto coletivo, de forma não egoísta, a fim de evitar atitudes humanamente 
impulsivas. Desse modo, a ética utilitarista rejeita o egoísmo. 
Assim, conforme Mário Alencastro (2013), o utilitarismo vê o bom como 
aquilo que é útil para a maioria, tornando-se assim uma espécie de altruísmo 
ético, sempre admitindo a possibilidade do sacrifício individual a favor da 
coletividade. 
Portanto, uma atitude só deve ser concretizada se for para o bem de um 
grande número de pessoas. Assim, antes da efetivação de uma ação, ela deve 
ser avaliada sob o ponto de vista dos seus resultados práticos. 
O princípio básico da teoria ética do utilitarismo é: “se é útil, é porque é 
bom”. 
O utilitarismo se diferencia de outros princípios éticos de caráter bom ou 
mal, pois, de acordo com o utilitarismo, é possível que uma ação boa seja 
resultado de uma motivação ruim, ou seja, a ação não depende da motivação 
de quem a pratica, afinal, uma intenção negativa pode gerar consequências 
úteis e benéficas a um coletivo maior. 
De acordo com John Stuart Mill: “O credo que aceita a Utilidade ou 
Princípio da Maior Felicidade como fundamento da moral, sustenta que as 
ações são boas na proporção com que tendem a produzir a felicidade; e más, 
na medida em que tendem a produzir o contrário da felicidade. Entende-se por 
felicidade o prazer e a ausência de dor; por infelicidade, a dor e a ausência de 
prazer” (MILL, 1962). 
Os utilitaristas entendem que o objetivo da ética é proporcionar o 
máximo de felicidade para o maior número de pessoas. Segundo Alencastro 
(2013), esse seria o princípio da “maior felicidade” ou “maior utilidade”. Neste 
sentido, a felicidade estaria na procura do máximo prazer e no mínimo de dor, 
20 
o bem está na maior felicidade ao maior número de indivíduos, e as ações
positivas são aquelas que a produzem. 
Para Mill (1962), “A felicidade é o único fim da ação humana e sua 
consecução, o critério para julgar toda conduta”. 
NA PRÁTICA 
Leia o trecho a seguir, para aprofundar seus conhecimentos sobre o Islã, 
sua origem (a civilização que se ergueu sobre a base da fé islâmica), crenças e 
principais tradições. Uma parte fala sobre como esses indivíduos lidam com a 
influência ocidental sobre suas vidas. 
“[...] McDonalds no Líbano – Os extremistas, que enxergam o mundo pela 
oposição entre Jesus e Maomé, se ressentem da avassaladora influência ocidental 
sobre o planeta – nos costumes, nos hábitos de consumo, no modo de vida. Tanto 
que, em países dominados por radicais islâmicos, especialmente os talibãs do 
Afeganistão, tudo o que lembra a cultura ocidental é proibido e severamente punido. 
Mas, de novo, isso não é uma regra. No Irã, há grandes anúncios de produtos 
ocidentais pelas ruas de Teerã, existem mulheres procurando cirurgiões plásticos, 
num sinal de vaidade antes inadmissível, e é muito expressivo o contingente feminino 
que frequenta a universidade – uma raridade em algumasnações islâmicas que 
confinam a mulher aos limites do lar. "Há aspectos do capitalismo ocidental que são 
plenamente aceitos pelas populações muçulmanas", diz um diplomata brasileiro que 
serviu por oito anos no Líbano. "As cadeias de fast food, como o McDonald's, fazem 
sucesso do Marrocos ao Líbano," diz ele. [...]” 
“[Os extremistas] são mulçumanos que integram algumas ramificações 
da religião, como os do Sunitas do Afeganistão e os xiitas do Líbano, porém a 
maioria dos mulçumanos repudia suas ações, por exemplo, os ataques 
suicidas. O primeiro equívoco comum entre ocidentais e cristãos é considerar 
todo islâmico um extremista suicida e, por extensão, um terrorista em 
https://www1.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=939383
https://www1.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=939383
potencial", adverte a historiadora Maria Aparecida de Aquino, da Universidade 
de São Paulo. [...]” 
Fonte: Veja on-line. 
Como a maioria condena algumas ações dos extremistas, aderir a uma 
cultura diferente pode ser menos complicado. Levando em consideração o que 
estudamos, os extremistas são éticos em suas ações? 
SÍNTESE 
Nesta aula, trabalhamos questões que dizem respeito as mudanças e 
evolução das teorias sobre a ética empresarial, pois é de fundamental 
importância conhecer e analisar algumas das diversas teorias que vêm 
norteando a ética no decorrer da história, com suas mudanças e evoluções 
conceituais. Assim, percorremos um caminho histórico e conceitual de algumas 
das teorias éticas mais importantes no curso da história da filosofia, assim 
vistas: Ética das virtudes (a.C. − Sócrates, Platão, Aristóteles etc.); Ética 
religiosa (Era Cristã); Ética do dever (Kant 1724-1804); Finalismo (século XV) e 
Utilitarismo (Bentham e Stuart Mill). 
Pudemos perceber que as teorias são concebidas e se desenvolvem 
nos mais diversos tipos de sociedade, sempre respondendo aos conflitos e aos 
problemas de cada época nas relações entre as pessoas em convivência 
dentro dela. 
REFERÊNCIAS 
ALENCASTRO, M. Ética empresarial na prática: liderança, gestão e 
responsabilidade corporativa. Curitiba: Intersaberes, 2013 
ARISTÓTELES. Política. Trad. Mário da Gama Kury. 3. ed. Brasília: 
UnB, 1997. 
__________. Ética a Nicômaco. Trad. Leonel Vallandro e Gerd 
Bornheim da versão inglesa de W. D. Ross. São Paulo: Nova Cultural, 1996. 
21 
 
 
22 
BETTENCOURT, P. Ética da virtude? Disponível em: 
<www.portalcoimbra.com/portal/o-que-e-etica-da-virtude-aristoteles> Acesso 
em 20/04/2016. 
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<http://www.portalconscienciapolitica.com.br/products/filosofia-etica-e-
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COTRIM, G. Fundamentos de Filosofia. 15.ª Ed. São Paulo: Saraiva, 
2004. 
JAPIASSÚ, H. MARCONDES, D. Dicionário básico de Filosofia. 5. ed. 
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MORUJÃO, A. F. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. Disponível em: 
<http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/Cr%C3%ADtica-da-
Raz%C3%A3o-Pura-Kant.pdf> Acesso em 20/04/2016. 
LEVENE, L. Penso, logo existo: tudo o que você precisa saber sobre 
Filosofia. Tradução de Debora Fleck. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013. 
MILL, J.S. On liberty. Edited with an introduction by Mary Warnock. 
Nova York: Meridian Book, 1974. 
MONDIN, B. Introdução à Filosofia: problemas, sistemas, autores, 
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NALINI, J. R. Ética geral e profissional. Curitiba: Revista dos Tribunais, 
1997. 
Portal Coimbra. Disponível em: <http://www.portalcoimbra.com/portal/o-
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PUC/RIO. Temas Fundamentais da Arquitetônica do Pensamento 
Ético-Filosófico de Lima Vaz. Disponível em: <http://www.maxwell.vrac.puc-
rio.br/3744/3744_3.PDF> Acesso em 20/04/2016. 
http://www.portalcoimbra.com/portal/o-que-e-etica-da-virtude-aristoteles
http://www.portalconscienciapolitica.com.br/products/filosofia-etica-e-sociedade/
http://www.portalconscienciapolitica.com.br/products/filosofia-etica-e-sociedade/
http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/Cr%C3%ADtica-da-Raz%C3%A3o-Pura-Kant.pdf
http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/Cr%C3%ADtica-da-Raz%C3%A3o-Pura-Kant.pdf
http://www.portalcoimbra.com/portal/o-que-e-etica-da-virtude-aristoteles/
http://www.portalcoimbra.com/portal/o-que-e-etica-da-virtude-aristoteles/
http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/3744/3744_3.PDF
http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/3744/3744_3.PDF
 
 
23 
RODRIGUES, F. Ética do bem e ética do dever. Disponível em: 
<http://www.oquenosfazpensar.com/adm/uploads/artigo/etica_do_bem_e_etica
_do_dever/fernando_rodrigues_247-265.pdf> Acesso em 20/04/2016. 
VALLS, A. L. M. O que é ética. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994. 
 
http://www.oquenosfazpensar.com/adm/uploads/artigo/etica_do_bem_e_etica_do_dever/fernando_rodrigues_247-265.pdf
http://www.oquenosfazpensar.com/adm/uploads/artigo/etica_do_bem_e_etica_do_dever/fernando_rodrigues_247-265.pdf
ÉTICA, RESPONSABILIDADE 
SOCIAL E AMBIENTAL 
AULA 1 
Prof.a Olívia Resende 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Você já se perguntou como seria viver em uma sociedade na qual cada 
indivíduo faz o que bem entende, da maneira que pensa ser melhor para si 
próprio, ou faz apenas aquilo que lhe traz benefício sem pensar no outro ou 
nas consequências que suas atitudes trazem para a vida de outro indivíduo? 
Ou como seria uma sociedade em que as pessoas em suas atitudes e ações 
individuais pensem no coletivo, no outro, na comunidade, antes de fazer algo? 
Em uma sociedade com equidade e harmonia? 
Nesta aula, vamos discutir esses questionamentos na sociedade ao 
longo do tempo e o desenvolvimento de teorias que tentam contribuir para que 
a vida em comunidade seja boa para todos, com ética, moral e direitos de cada 
cidadão. 
Vamos começar? Bons estudos! 
CONTEXTUALIZANDO 
Para o convívio em sociedade, a Ética é um assunto importante e cada 
dia mais difundido e necessário. São frequentes as queixas acerca da falta de 
ética na sociedade, na política, nas empresas e até mesmo nos meios culturais 
e religiosos. 
Segundo Alencastro (1997), na sociedade contemporânea valorizam-se 
comportamentos que praticamente excluem qualquer possibilidade de cultivo 
de relações éticas, como o consumo. Para o autor, é fácil verificar que o desejo 
obsessivo na obtenção, possessão e consumo da maior quantidade possível 
de bens materiais é o valor central na nova ordem estabelecida no mundo e 
que o prestígio social é concedido para quem consegue esses bens. Na 
contramão de atitudes éticas que respeitem a individualidade, o 
companheirismo, entre outros, o sucesso material passou a ser sinônimo de 
sucesso social e o êxito pessoal devendo ser adquirido a qualquer custo. 
Prevalece o desprezo ao tradicional, o culto à massificação e mediocridade que 
não ameaçam e que permitem a manipulação fácil das pessoas. 
Por exemplo, em uma sociedade cada vez mais inserida em redes 
sociais através da internet, fica nítido o que o professor e autor Mário 
Alencastro afirmou em 1997, quando o acesso à internet estava começando no 
Brasil. Nessa sociedade hoje conectada, podemos perceber indivíduos 
 
 
3 
alienados, agressivos, que prezam o ter e muito pouco o ser, ostentando nas 
redes sociais, viagens, festas, coisas, fruto da busca por “curtidas”. 
Nesta aula, buscaremos refletir sobre a etimologia, o conceito e como se 
desenvolveram os estudos da ética ao longo dos tempos, apresentando os 
principais filósofos que se preocuparam com o assunto. Além disso, 
apresentaremos a sociedade contemporânea e suas transformações sob um 
olhar ético, analisando os atores sociais presentes, seus conflitos, interesses, 
valores e posicionamentos ideológicos e discutiremos os dilemas éticos. Para 
tanto, buscaremos responder as seguintes perguntas:O que é ética e o que é moral? 
O que é ser essencialmente humano? 
A ética faz diferença na vida dos indivíduos? 
 
Para responder a estas e outras perguntas, começaremos abordando a 
distinção entre ética e moral e alguns aspectos filosóficos e históricos sobre a 
ética. 
 
TEMA 1: ETIMOLOGIA, HISTORICIDADE E O CONCEITO DE ÉTICA 
 
O que quer dizer ética? 
Posso dizer que ética é igual à moral? 
 
A palavra ética pode ter duas origens distintas e são abordadas por 
diferentes autores. A primeira é a palavra grega “ethos”, com “e“ curto, que 
pode ser traduzida por “costume”. Em contrapartida, a segunda também se 
escreve “ethos”, porém, o “e” é longo e tem o significado de “propriedade de 
caráter”. As duas são importantes e contribuem para o que abordaremos nesta 
aula. 
Na Roma antiga, o termo foi traduzido do grego “ethos” para o latim 
“mos” (ou no plural “mores”), que expressa costume, dando origem à palavra 
 
 
4 
moral. A primeira que pode ser traduzida como costume, entende-se que serviu 
de base para a tradução latina de Moral. Já no que diz respeito à segunda, 
propriedade de caráter é o que de alguma forma orienta a utilização atual que 
tem a palavra Ética (MOORE,1975, p. 4). 
Percebe-se, portanto, que tanto “ethos” (caráter) quanto “mos” (costume) 
referem-se ao comportamento propriamente humano. Destarte, ética e moral, 
segundo sua etimologia e historicidade, estão relacionadas a uma realidade 
essencialmente humana, construída de forma social nas relações entre os 
seres humanos, norteando toda a vida em sociedade, desde o nascimento até 
a morte. 
 
“Ética é a investigação geral sobre aquilo que é bom” (MOORE, 
1975). 
 
Podemos também expor a definição de Motta (1984) sobre a ética, que 
para o autor pode ser entendida como um bloco de valores que conduz o 
comportamento humano na sociedade, com fins de garantir o bem-estar geral. 
Segundo Cortella (2007), ética é um conjunto de valores e princípios que 
as pessoas usam para decidir três grandes questões importantes, que são: 
quero, devo e posso. Ética é o conjunto de valores apropriados para cada 
indivíduo, a fim de definir essas questões e os princípios da sociedade, sendo 
esses valores religiosos ou não, por meio de padronizações. 
Portanto, segundo a etimologia e historicidade das palavras ética e 
moral, ambas estão relacionadas a uma realidade essencialmente de 
percepção da conduta humana, suscetível de qualificação do ponto de vista do 
bem e do mal. Mas mesmo que haja uma relação entre ética e moral, essa 
relação não iguala as duas terminologias, sendo ética diferente de moral. 
A moral que aqui abordamos tem sua base na obediência a normas, 
mandamentos, costumes e tabus, em uma dimensão um pouco mais religiosa. 
E a ética busca dar fundamento ao bom modo de viver, entre humanos em 
sociedade. 
No estudo da filosofia clássica com relação à etimologia da palavra ética, 
vemos que essa terminologia não se resumia ao conceito de moral (entendida 
 
 
5 
como "costume" ou "hábito", vindo do latim “mos”, ou do plural “mores”), pois 
investigava a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e 
conviver em sociedade, ou seja, procurava um melhor estilo de vida dentro da 
sociedade, tanto na vida pessoal quanto na vida pública. 
A filosofia moral ou a ética nasce quando, além das questões sobre os 
costumes, também se busca compreender o caráter de cada pessoa, isto é, o 
senso moral e a consciência moral individuais” (CHAUI, 2008, p.310). 
Assim, o estudo da ética incluía diversas disciplinas que não eram 
contempladas no estudo da física, da retórica, da dialética nem da estética e da 
lógica. Portanto, a ética ganhava abrangência nos mais diversos campos 
filosóficos, os quais hoje conhecemos como: psicologia, pedagogia, 
antropologia, sociologia, entre outros. São áreas que estão direta ou 
indiretamente ligadas à nossa maneira de viver e ao nosso estilo de vida. 
Devemos ter cuidado para não confundir ética com lei, mesmo que, 
geralmente, a lei encontre na ética suas bases e seus princípios. 
Com a moral e a ética instaurou-se também o direito, que são as regras 
obrigatórias de determinada sociedade. Para entendermos melhor, vamos 
analisar as relações entre a Ética, a Moral e o Direito, determinando a ação do 
indivíduo. 
Figura 1 – Relações entre a Ética, a Moral e o Direito 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Adaptado do site da UFRGS. Disponível em 
<http://www.ufrgs.br/bioetica/fundamen.htm> Acesso em 13/04/2016. 
 
ÉTICA 
MORAL 
 
DIREITO 
 
AÇÃO 
JUSTIFICATIVA 
NORMA POR ADESÃO REGRA OBRIGATÓRIA 
http://www.ufrgs.br/bioetica/fundamen.htm
6 
Pense por um momento no local onde você trabalha: alguém fundou 
essa empresa (e esse alguém pode ter sido você mesmo, caso seja autônomo 
ou empresário), que hoje atende uma série de clientes, lida com diversos 
fornecedores e consegue gerar receita. Essa receita paga salários que serão 
usados para comprar outras coisas e pagar por outras contas, gerando receita 
também para outras pessoas. Assim, no local em que você trabalha, existe a 
preocupação ética de todos os envolvidos no processo? Ou seja, o que justifica 
a ação? Ou apenas a preocupação moral, por adesão? Ou apenas se 
cumprem as leis do direito, as regras obrigatórias? Tanto a ética e a moral 
quanto o direito estão intimamente ligados à ação do indivíduo. Adiante, 
entenderemos um pouco mais das caraterísticas e focos da ação ética. 
Leitura obrigatória 
Para aprofundar seus estudos, faça a leitura indicada a seguir: 
SILVA, R. N. da. Ética e paradigmas: desafios da psicologia social 
contemporânea. In: PLONER, KS. et al., org. Ética e paradigmas na 
psicologia social. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 
2008. pp. 39 a 45.
TEMA 2: ASPECTOS FILOSÓFICOS E HISTÓRICOS SOBRE A ÉTICA 
Dentro dos aspectos filosóficos e históricos sobre a ética, podemos 
entender que surgem teorias éticas em diferentes sociedades como resposta 
aos dilemas das relações entre as pessoas. Segundo Mário Alencastro (2013), 
na condição de indivíduos, os humanos realizam sua existência na 
convivência com os outros, pois, já ao nascerem encontram-se sempre diante 
de uma comunidade já constituída, e para seu desenvolvimento não podem 
dispensar o apoio dessa comunidade (ALENCASTRO, 2013, p. 29).
https://www.youtube.com/watch?v=9r996PBbbpI
7 
 
Assim, o estudo da ética não é novo, sua historicidade é marcada por 
fatores importantes, através dos quais se percebem diversas condições morais 
em inúmeros dados do passado, com forte apelo na contemporaneidade. 
Alencastro (2013) afirma que, já na Grécia Clássica, Sócrates (470-399 a.C.) 
afirmava que a pergunta “como devemos viver nossas vidas?” era a principal 
questão a ser respondida pela filosofia. Assim, um dos pontos fundamentais da 
historicidade da ética está na Grécia Antiga, com as teorias dos séculos IV e V 
a.C. Continue a leitura para saber mais sobre elas!
Pólis, cidade-estado 
A pólis foi uma importante forma de organização, conhecida como 
cidade-estado, e que motivou entre os gregos a formação de experiências 
políticas e sociais das mais diversas. O surgimento da pólis marca um dos mais 
importantes aspectos do desenvolvimento da civilização grega. 
Nas pólis, os cidadãos viviam e participavam de forma ativa na vida das 
pessoas, dando início a uma dimensão mais clara de sociedade, que seria a 
base da civilização ocidental, sendo um modelo das antigas cidades gregas. 
Marcou o início da organização política, desde o período arcaico até o período 
clássico. O que significava naquela época, para o grego, viver em uma pólis? 
Segundo Moraes (2012), significava poder conviver com os outros da 
maneira mais livre possível. O cidadão grego que vivia na pólis não deveria se 
ocupar com a sua sobrevivência. Por outro lado, viver em uma pólis significava, 
positivamente, viver entre iguais. Issoindica que ninguém estava obrigado a 
prestar reverência a ninguém, que ninguém necessita colocar-se a serviço de 
ninguém, a não ser em época de guerra. Isso fazia com que todos os assuntos 
fossem tratados por meio do diálogo e da persuasão. Essas duas condições 
são até hoje dificílimas de serem satisfeitas em qualquer época histórica. 
Os sofistas 
Foram os sofistas que quebraram com a tradição pré-socrática dos 
filósofos da natureza e iniciam ataques e críticas aos costumes e tradições até 
então praticados na sociedade ateniense. Para eles, o ser humano não deve 
se moldar a padrões externos de beleza, de comportamento, de crenças. O 
 
 
8 
homem só deve se moldar a sua própria personalidade, ou seja, a sua 
liberdade. Para os sofistas, a moral e a lei somente serviam para bloquear o 
livre desenvolvimento do homem. 
Os sofistas foram os primeiros a defender a filosofia do relativismo, 
negando a existência da verdade absoluta. Além disso, também criticavam tudo 
aquilo que não era natural ao ser humano. Para eles, a existência das leis e do 
Estado eram algo completamente antinatural ao homem e, portanto, deveria 
ser destruído. Para os sofistas, o que existe são opiniões boas e más, 
melhores e piores, mas jamais falsas e verdadeiras. Assim, a ética também não 
é absoluta e, sim, relativa, segundo a qual, o valor mais elevado para qualquer 
cidadão era atingir o prazer supremo. Os sofistas consideravam que a ética 
não passava de mera convenção social. 
Sócrates 
Sócrates é considerado o “pai da ética”, pois revelou uma necessidade 
de se refletir, de forma sistemática, sobre conceitos que antes eram dados de 
forma automática, como o bem, a virtude a justiça. 
Para Sócrates, a identidade entre os interesses individuais e os 
comunitários era o caminho para a felicidade. Defendia a moderação dos 
apetites, a busca pelo conhecimento e a bondade como um dom que merecia 
ser valorizado. 
Sócrates trouxe à tona os ideais de uma cidade que fosse moralmente 
perfeita. Isso incluía harmonia entre os diversos interesses, tanto individuais 
quanto coletivos. Assim, entendia que os princípios éticos que deveriam reger 
as instituições eram aqueles que continham elevados valores de cidadania. 
Os sofistas defendiam o relativismo, Sócrates, ao contrário, defendia a 
ideia de valores eternos. Suas pesquisas iniciais giraram em torno do núcleo da 
alma humana. Para ele, todas as pessoas tinham a obrigação de procurar o 
conhecimento, pois dotadas de conhecimento acerca do bem e do mal, buscam 
fazer o bem, sendo justas umas com as outras e vivendo em sociedades 
regidas pelos valores éticos. 
Platão 
Platão foi adepto de Sócrates e mestre de Aristóteles, sendo um dos 
principais filósofos gregos da Antiguidade. Defendia o bem como valor supremo 
9 
e afirmava que as pessoas deveriam ir em busca da razão, desprezando seus 
instintos e paixões. 
Em uma época de mudanças, entre os valores antigos e um novo mundo 
que emergia, Platão conseguiu absorver e gerar uma riqueza de ideias sem 
igual. Abordava os mais diversos temas, com a força da paixão e da 
criatividade artística sem levar muito em conta a lucidez da razão. 
Para o filósofo, a sociedade então vigente deveria ser reorganizada e o 
poder confiado aos sábios, evitando, portanto, que a ignorância prevalecesse e 
corrompesse as almas, sendo assim dominadas pelos instintos e paixões. 
Aristóteles 
Na medida em que seu mestre Platão trabalhava com construções 
sociais imaginárias, utópicas, por projeções sobre qual o melhor futuro para a 
humanidade, Aristóteles tratou das coisas reais, dos sistemas políticos 
existentes na sua época. Assim, os revolucionários e doutrinários da sociedade 
perfeita foram inspirados por Platão, já os grandes juristas e pensadores 
políticos, mais inclinados à ciência e ao realismo, foram influenciados por 
Aristóteles. Como Platão, Aristóteles apresentou a necessidade de “reorganizar 
a sociedade”. Deste modo, a ética e a política caminhariam sempre juntas. 
Para Aristóteles, o homem tem por finalidade a busca pela felicidade e 
apresentou a questão do valor supremo da felicidade. Para tal, o indivíduo 
deveria seguir sua própria natureza, evitando os exageros, caminhando pela 
justa medida, uma vez que nenhuma pessoa consegue ser feliz sozinha. 
Leitura obrigatória 
 Continue ampliando seus conhecimentos com a leitura do capítulo 1 do 
nosso livro base: “Ética Empresarial na prática: liderança, gestão e 
responsabilidade corporativa”. Esse capítulo também servirá de base para os 
estudos dos outros temas desta aula.
 
 
10 
Saiba mais 
Entenda um pouco mais dos aspectos filosóficos e históricos sobre a 
ética com os vídeos a seguir: 
https://www.youtube.com/watch?v=809bdDKp1BA 
https://www.youtube.com/watch?v=tL36cKPQzsw 
https://www.youtube.com/watch?v=kkHJce9-oLE 
 
TEMA 3: ÉTICA E MORAL SOCIAL, ÉTICA E VALORES HUMANOS 
Iniciaremos este tema expondo a anedota que a professora Andréa 
Vieira Zanella escreveu em seu artigo intitulado Reflexões sobre a pesquisa 
em psicologia, método(s) e “alguma” ética. 
A professora expõe a seguinte pergunta: “por que o frango cruzou a 
estrada?” e nos apresenta respostas, advindas de interlocutores variados 
espacialmente e temporalmente. 
Para Zanella (2008), assim respondem: 
■ Professora primária: “Porque queria chegar do outro lado da estrada”. 
■ Poliana: “Porque estava feliz”. 
■ Platão: "Porque buscava alcançar o bem”. 
■ Aristóteles: “É da natureza dos frangos cruzar a estrada”. 
■ Nelson Rodrigues: “Porque viu sua cunhada, uma galinha sedutora, do 
outro lado”. 
■ Marx: “O atual estágio das forças produtivas exigia uma nova classe 
de frangos, capazes de cruzarem a estrada”. 
■ Moisés: “Uma voz vinda do céu bradou ao frango: “Cruza a estrada!” 
E o frango cruzou a estrada e todos se regozijaram”. 
■ Maquiavel: “O frango cruzou a estrada. A quem importa o porquê? 
Estabelecido o fim de cruzar a estrada, é irrelevante discutir os meios 
que usou para isso”. 
■ Darwin: “Ao longo de grandes períodos de tempo, os frangos têm sido 
selecionados naturalmente, de modo que, agora, têm uma 
predisposição genética a cruzarem estradas”. 
https://www.youtube.com/watch?v=809bdDKp1BA
https://www.youtube.com/watch?v=tL36cKPQzsw
https://www.youtube.com/watch?v=kkHJce9-oLE
 
 
11 
■ Einstein: “Se o frango cruzou a estrada ou a estrada se moveu sob o 
frango, depende do ponto de vista. Tudo é relativo”. 
■ Kant: “O frango seguiu apenas o imperativo categórico próprio dos 
frangos. É uma questão de razão prática”. 
■ ACM: “Estava tentando fugir, mas já tenho um dossiê pronto, 
comprovando que aquele frango pertence a Jorge Amado. Quem o 
pegar vai ter que se ver comigo!”. 
■ Sócrates: “Tudo o que sei é que nada sei”. 
■ Dorival Caymmi: “Eu acho (pausa)... — Amália, vai lá ver pra onde vai 
esse frango pra mim, minha filha, que o moço aqui tá querendo saber”. 
 
Nesta anedota que a Professora Andréa escreveu, fica claro que diante 
de uma ação, pessoas em diferentes lugares e tempos, pensam diferente. 
Assim como vimos, questões éticas são discutidas a séculos e hoje a 
discussão ainda é forte. Com acesso à internet e mídias sociais, os indivíduos 
julgam as situações conforme o que acreditam, dentro do que lhes é colocado 
em distintas situações. Cabem aqui algumas perguntas: 
 
Nos dias atuais, fala-se muito em ética. Você sabe por quê? 
Há distinção entre ética e moral? 
A ética e/ou moral afetam nosso cotidiano? 
 
Pode-se entender a ética como uma reflexão sobre o agir humano e 
abarca a moral, pois lhe é mais ampla. A ética existe como referência para os 
indivíduos que vivem em uma determinada sociedade, possibilitando que a 
sociedade possa se tornar cada vez mais humana. Assim, o indivíduo deve 
possuir um senso ético, pois como humanos, vivemos em comunidade e somos 
continuamente avaliados e julgados por nós mesmos epelos outros, a fim de 
identificar em nossas ações atitudes boas ou más, certas ou erradas, justas ou 
injustas. 
A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados 
legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, tradição 
cultural etc. Estabelece os valores efetivos a serem seguidos por determinada 
 
 
12 
sociedade. É, portanto, provisória, muda com o passar do tempo, pois os 
costumes e hábitos de um povo mudam também (SIMON, 2009). 
As relações dos indivíduos na sociedade, são reguladas por um conjunto 
de normas, leis, costumes e hábitos. Mas o que é esse conjunto de normas, 
leis, costumes e hábitos? Podemos afirmar que esse conjunto de regras é a 
moral. 
As sociedades mudam constantemente e, historicamente, podemos 
observar que uma sociedade sucede a outra. Da mesma maneira, as morais 
concretas de uma sociedade, se sucedem umas às outras. Por exemplo, na 
sociedade feudal, que tinha como perspectiva de horizonte ético a salvação da 
alma e a preparação para a vida eterna e cujas explicações baseavam-se na 
religião e na fé, cede lugar à sociedade moderno-burguesa, cujos valores 
fundamentais são ligados a questões materiais e cujas explicações têm como 
fundamento o próprio homem, concebido como ser dotado de racionalidade, e 
capaz de autodeterminar-se sem interferência externa. 
A moral pode variar em determinado tempo e lugar. As regras morais 
são determinadas pelas formas como as pessoas organizam sua convivência e 
conforme estabelecem as condições de sobrevivência e trabalho. 
As normas morais podem estar estabelecidas de forma escrita, ou 
podem aparecer como costumes arraigados na cultura, por exemplo, as 
decisões de um indivíduo baseando-se única e exclusivamente em normas 
preestabelecidas, tais como não ultrapassar o sinal vermelho, não se atrasar 
em seus compromissos, não furar fila, não estacionar na vaga preferencial. São 
tidas como uma decisão ou ato moral, que geralmente são os deveres que o 
sujeito deve cumprir em seu dia a dia. 
 De acordo com Vasquez (2000): “A função social da moral é a de 
regular as ações dos indivíduos nas suas relações mútuas, ou as do indivíduo 
com a comunidade, visando a preservar a sociedade no seu conjunto ou, no 
seio dela, a integridade de um grupo social”. 
Cada indivíduo, comportando-se moralmente, se sujeita a determinados 
princípios, valores ou normas morais, sendo que o indivíduo não pode inventar 
os princípios ou normas nem modificá-los por exigência pessoal. O normativo é 
algo estabelecido e aceito por determinado meio social. Na sujeição do 
 
 
13 
indivíduo a normas estabelecidas pela comunidade se manifesta claramente o 
caráter social da moral (VASQUEZ, 2000). 
O comportamento moral é tanto comportamento de indivíduos quanto de 
grupos sociais humanos. Mesmo quando se trata da conduta de um indivíduo, 
a conduta tem consequências de uma ou outra maneira para os demais, sendo 
objeto de sua aprovação ou reprovação. Mas, os atos individuais que não têm 
consequência alguma para os demais indivíduos não podem ser objeto de uma 
qualificação moral. 
O campo da ética é um pouco mais amplo do que isso. A ética procura 
estabelecer uma reflexão sobre o agir humano que ultrapassa o simples 
cumprimento do que está escrito. 
Saiba mais 
Leia a notícia a seguir sobre os atentados que ocorreram em Paris em 
novembro de 2015, e tente relacionar com os conteúdos lidos até agora. 
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/11/1706236-policia-francesa-
registra-tiroteio-e-explosao-em-paris.shtml 
 
TEMA 4: ÉTICA, MORAL, DIREITO E SEUS DILEMAS 
Atuamos em sociedade conduzidos por uma reflexão sobre o que é certo 
ou errado, ou sob algo que nos obriga constantemente a agir corretamente e 
que nos pune em caso de deslizes? Em outras palavras, é a ética ou a lei que 
orientam as nossas ações corretas? (ALENCASTRO, 2013, p.45) 
Antes de respondermos a estes questionamentos, precisamos entender 
alguns conceitos. 
São nas relações sociais que ideias e normas se desenvolvem em 
sintonia com uma necessidade social. Para Vasques, a função social da moral 
consiste na regulação das relações entre os homens visando manter e garantir 
uma determinada ordem social, ou seja, regular as ações dos indivíduos nas 
suas ações mútuas ou as do indivíduo com a comunidade, visando preservar a 
sociedade no seu conjunto e a integridade de um grupo social. 
Segundo Oliveira e Azevedo, os valores morais são aqueles ligados à 
natureza do comportamento moral dos homens. Um comportamento 
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/11/1706236-policia-francesa-registra-tiroteio-e-explosao-em-paris.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/11/1706236-policia-francesa-registra-tiroteio-e-explosao-em-paris.shtml
 
 
14 
moralmente aceitável é definido por um código de conduta de grupo. Esse 
código muitas vezes está implicitamente gravado na memória coletiva em 
função da cultura, do meio e da história de um povo. Outras vezes, esse código 
de comportamento está também estabelecido nas leis de uma nação. Kohlberg 
(1969) acredita que o desenvolvimento moral é baseado primariamente num 
raciocínio moral e segue uma série de estágios. 
Já o direito garante o cumprimento do estatuto social em vigor através 
da aceitação voluntária ou involuntária da ordem social juridicamente 
formulada, ou seja, o direito garante a aceitação externa da ordem social. A 
moral tende a fazer com que os indivíduos harmonizem voluntariamente, de 
maneira consciente e livre, seus interesses pessoais com os interesses 
coletivos (VÁSQUEZ, p.69, 2000). 
No que se refere à ética, esta tem um caráter mais generalizado do que 
a moral e o direito, sendo empregada para justificar e legitimar as normas 
morais e jurídicas, bem como criticá-las em caso de não estarem adequadas às 
reais necessidades da sociedade. Sendo assim, ela sempre indaga sobre o 
que é o certo, o bom e o obrigatório, preocupando-se em desenvolver e 
fundamentar tais conceitos, tomando-os como princípio geral, retirando ao 
assim proceder os juízos normativos. 
Figura 2– Nível do plano normativo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Podemos entender de maneira mais simples, fazendo uma analogia com 
círculos concêntricos, conforme mostra o professor Mário Alencastro. Por 
exemplo, a discussão sobre a idade penal e a corrupção que são assuntos de 
Direito 
Moral 
Ética 
 
 
15 
natureza ética mais abrangente, mas que têm implicações no campo da moral 
e do direito. 
O que podemos perceber é que com o avanço da liberdade individual e 
das conquistas do homem, há, hoje, uma geração muito preocupada com os 
seus direitos em detrimento dos seus deveres. 
Os valores individuais são importantes para que o indivíduo adote uma 
postura, e entende-se que valores são um conjunto de procedimentos, atitudes, 
e até mesmo visão de mundo (influenciados ou não pela cultura, herança 
familiar e meio) que faz o indivíduo agir e interagir com o mundo em que vive. 
Araújo (2002) define valores como sendo as qualidades presentes nas 
coisas e que pode ser essencial para a existência dessas coisas. Podem ser 
acidentais, secundárias e muitas vezes as próprias coisas em si. São valores, 
uma vez que são essenciais para a existência, não só do homem, mas para a 
existência do universo. 
Assim, os valores éticos são determinantes para as atitudes humanas, 
cabendo ao direito a ação sobre atitudes que não condizem com o que a 
sociedade necessita. 
Saiba mais 
Entenda um pouco mais dos conceitos de ética, moral e direito num 
exemplo aplicado à administração pública. Assista ao vídeo a seguir: 
https://www.youtube.com/watch?v=NVdgp7XZl2w 
 
TEMA 5: A VERDADE, A RESPONSABILIDADE, A LIBERDADE E OS VALORES 
ÉTICOS 
O filósofo contemporâneo espanhol Fernando Savater expõe em seu 
livro intitulado Ética para meu filho, a seguinte questão: o que é ética? Aqui, 
vamos trabalhar sobrea verdade, a responsabilidade, a liberdade e os valores 
éticos de uma forma gostosa na leitura de um breve trecho da resposta do 
autor para seu filho adolescente. 
 “Há ciências que estudamos por simples interesse de saber coisas 
novas; outras, para adquirir uma habilidade que nos permita fazer ou utilizar 
alguma coisa; a maioria, para conseguir um trabalho e ganhar a vida com ele. 
https://www.youtube.com/watch?v=NVdgp7XZl2w
 
 
16 
Se não sentirmos curiosidade nem necessidade de realizar esses estudos, 
poderemos prescindir deles tranquilamente. Há uma infinidade de 
conhecimentos muito interessantes, mas sem os quais podemos nos arranjar 
muito bem para viver. Eu, por exemplo, lamento muito não ter nem ideia de 
astrofísica ou de marcenaria, que dão tanta satisfação a outras pessoas, 
embora essa ignorância nunca me tenha impedido de ir sobrevivendo até hoje. 
E você, se não me engano, conhece as regras do futebol, mas é bem fraco em 
beisebol. Não tem maior importância, você desfruta os campeonatos mundiais, 
dispensa olimpicamente a liga americana e todo o mundo sai satisfeito. 
O que eu quero dizer é que certas coisas, podem ser apreendidas ou 
não, conforme a vontade da pessoa. Como ninguém é capaz de saber tudo, o 
remédio é escolher e aceitar com humildade o muito que ignoramos. É possível 
viver sem saber astrofísica, marcenaria, futebol e até mesmo sem saber ler e 
escrever: vive-se pior, decerto, mas vive-se. No entanto, há outras coisas que é 
preciso saber porque, por assim dizer, são fundamentais para nossa vida. É 
preciso saber, por exemplo, que saltar de uma varanda do sexto andar não é 
bom para a saúde; ou que uma dieta de pregos (perdoem-me os faquires!) e 
ácido prússico não nos permitirá chegar à velhice. Também não é aconselhável 
ignorar que, se dermos um safanão no vizinho cada vez que cruzarmos com 
ele, mais cedo ou mais tarde haverá consequências muito desagradáveis. 
Pequenezas desse tipo são importantes. Podemos viver de muitos modos, mas 
há modos que não nos deixam viver. 
Em resumo, entre todos os saberes possíveis existe pelo menos um 
imprescindível: o de que certas coisas nos convêm e outras não. Certos 
alimentos não nos convêm, assim como certos comportamentos e certas 
atitudes. Quero dizer, é claro, que não nos convêm se desejamos continuar 
vivendo. Se alguém quiser arrebentar-se o quanto antes, beber lixívia poderá 
ser muito adequado, ou também cercar-se do maior número possível de 
inimigos. Mas, de momento, vamos supor que preferimos viver, deixando de 
lado, por enquanto, os respeitáveis gostos do suicida. Assim, há coisas que 
nos convêm, e o que nos convém costumamos dizer que é “bom”, pois nos cai 
bem; outras, em compensação, não nos convêm, caem-nos muito mal, e o que 
não nos convém dizemos que é “mau”. Saber o que nos convém, ou seja, 
distinguir entre o bom e o mau, é um conhecimento que todos nós tentamos 
adquirir – todos, sem exceção – pela compensação que nos traz. 
 
 
17 
Como afirmei antes, há coisas boas e más para a saúde: é necessário 
saber o que devemos comer, ou que o fogo às vezes aquece e outras vezes 
queima, ou ainda que a água pode matar a sede e também nos afogar. No 
entanto, às vezes as coisas não são tão simples: certas drogas, por exemplo, 
aumentam nossa energia ou produzem sensações agradáveis, mas seu abuso 
contínuo pode ser nocivo. Em alguns aspectos são boas, mas em outros são 
más: elas nos convêm e ao mesmo tempo não nos convêm. No terreno das 
relações humanas, essas ambiguidades ocorrem com maior frequência ainda. 
A mentira é, em geral, algo mau, porque destrói a confiança na palavra – e 
todos nós precisamos falar para viver em sociedade – e provoca inimizade 
entre as pessoas; mas às vezes pode parecer útil ou benéfico mentir para obter 
alguma vantagem, ou até para fazer um favor a alguém. Por exemplo, é melhor 
dizer ao doente de câncer incurável a verdade sobre seu estado, ou deve-se 
enganá-lo para que ele viva suas últimas horas sem angústia? A mentira não 
nos convém, é má, mas às vezes parece acabar sendo boa. Procurar briga 
com os outros, como já dissemos, em geral é inconveniente, mas devemos 
consentir que violentem uma garota diante de nós sem interferir, sob pretexto 
de não nos metermos em confusão? Por outro lado, quem sempre diz a 
verdade – doa a quem doer – costuma colher a antipatia de todo o mundo; e 
quem interfere ao estilo Indiana Jones para salvar a garota agredida tem maior 
probabilidade de arrebentar a cabeça do que quem segue para casa 
assobiando. O que é mau às vezes parece ser mais ou menos bom e o que é 
bom tem, em certas ocasiões, aparência de mau. Haja confusão! [...] 
Resumindo: ao contrário de outros seres, animados ou inanimados, nós 
homens podemos inventar e escolher, em parte, nossa forma de vida. 
Podemos optar pelo que nos parece bom, ou seja, conveniente para nós, em 
oposição ao que nos parece mau e inconveniente. Como podemos inventar e 
escolher, podemos nos enganar, o que não acontece com os castores, as 
abelhas e as formigas. De modo que parece prudente atentarmos bem para o 
que fazemos, procurando adquirir um certo saber-viver que nos permita 
acertar. Esse saber-viver, ou arte de viver, se você preferir, é o que se chama 
de ética.” 
Assim, podemos perceber que quando se fala em comportamento 
humano, no que diz respeito às escolhas a serem feitas entre o bem e o mal, o 
certo e o errado, o permitido e o proibido, há o envolvimento de questões 
18 
éticas, morais e de direitos que devemos nos atentar, fazendo com que a 
verdade, a responsabilidade a liberdade e os valores, sejam cerceados pelos 
três conceitos. 
Saiba mais 
Para complementar seus estudos, leia o artigo A liberdade em Jean-
Paul Sartre: responsabilidade, angústia e má-fé, disponível a seguir: 
https://colunastortas.wordpress.com/2015/08/20/a-liberdade-em-jean-
paul-sartre-responsabilidade-angustia-e-ma-fe/ 
TROCANDO IDEIAS 
Muito bem! Chegou o momento de trocar ideias com seus colegas de 
turma no fórum desta disciplina. Para a discussão de hoje, acesse o Ambiente 
Virtual de Aprendizagem e responda as seguintes questões, retiradas do livro 
de Alencastro: 
1. Os grupamentos humanos têm mesmo a necessidade de
adotarem regras de conduta para poderem sobreviver? 
2. Há mesmo lugar para a ética nas atividades práticas
cotidianas? Há espaço para a ética, por exemplo, no mundo dos 
negócios? 
https://colunastortas.wordpress.com/2015/08/20/a-liberdade-em-jean-paul-sartre-responsabilidade-angustia-e-ma-fe/
https://colunastortas.wordpress.com/2015/08/20/a-liberdade-em-jean-paul-sartre-responsabilidade-angustia-e-ma-fe/
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/cunha-aceita-pedido-de-impeachment-contra-dilma
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/cunha-aceita-pedido-de-impeachment-contra-dilma
20 
SÍNTESE 
Estudamos neste material didático alguns aspectos da ética, da moral e 
do direito. Entende-se que a convivência em sociedade deve ocorrer em ordem. 
Para tanto, devem existir regras, leis e normas que regulem o relacionamento 
humano e sirva de orientação quanto ao que é certo ou errado, justo ou injusto, 
lícito ou ilícito, permitido ou proibido. Vários filósofos se preocuparam com a 
Ética, tendo sido Sócrates o que deu início a uma reflexão sistemática da 
virtude e da justiça. Fechamos com o filósofo contemporâneo Fernando 
Savater, que aborda a verdade, a liberdade e os valores éticos com uma 
resposta para seu filho adolescente. 
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Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. p. 46-58. Disponível em: 
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