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PARCELAMENTO DO SOLO URBANO E RURAL Caro(a) aluno(a), A Universidade Candido Mendes (UCAM), tem o interesse contínuo em proporcionar um ensino de qualidade, com estratégias de acesso aos saberes que conduzem ao conhecimento. Todos os projetos são fortemente comprometidos com o progresso educacional para o desempenho do aluno-profissional permissivo à busca do crescimento intelectual. Através do conhecimento, homens e mulheres se comunicam, têm acesso à informação, expressam opiniões, constroem visão de mundo, produzem cultura, é desejo desta Instituição, garantir a todos os alunos, o direito às informações necessárias para o exercício de suas variadas funções. Expressamos nossa satisfação em apresentar o seu novo material de estudo, totalmente reformulado e empenhado na facilitação de um construto melhor para os respaldos teóricos e práticos exigidos ao longo do curso. Dispensem tempo específico para a leitura deste material, produzido com muita dedicação pelos Doutores, Mestres e Especialistas que compõem a equipe docente da Universidade Candido Mendes (UCAM). Leia com atenção os conteúdos aqui abordados, pois eles nortearão o princípio de suas ideias, que se iniciam com um intenso processo de reflexão, análise e síntese dos saberes. Desejamos sucesso nesta caminhada e esperamos, mais uma vez, alcançar o equilíbrio e contribuição profícua no processo de conhecimento de todos! Atenciosamente, Setor Pedagógico Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 3 SUMÁRIO PARCELAMENTO DO SOLO: SURGIMENTO, DEFINIÇÕES, LEGISLAÇÃO E TIPOS ........... 4 SURGIMENTO E DEFINIÇÃO .............................................................................................................. 4 LOTEAMENTO URBANO E RURAL ................................................................................................... 7 DESMEMBRAMENTO RURAL ............................................................................................................ 8 TIPOS DE PARCELAMENTO ................................................................................................................ 8 ÁREAS DE RECREIO E RESERVA FLORESTAL ............................................................................. 11 CONTRATO-PADRÃO DE PARCELAMENTO DO SOLO ............................................................... 14 LOTEAMENTO URBANO ................................................................................................................... 15 DESMEMBRAMENTOS: URBANO E RURAL .................................................................................. 19 DESMEMBRAMENTO DE IMÓVEIS URBANOS ......................................................................... 20 DESMEMBRAMENTO DE IMÓVEIS RURAIS ............................................................................. 22 LEGISLAÇÃO SOBRE A RETIFICAÇÃO DE ASSENTO IMOBILIÁRIO .................................... 26 CLASSIFICAÇÃO DE ERROS DE REGISTROS ............................................................................... 31 A IMPORTÂNCIA DA ABERTURA DA MATRÍCULA .................................................................... 37 LEGITIMIDADE E NATUREZA JURÍDICA ...................................................................................... 44 LEGITIMIDADE PARA PROPOR RETIFICAÇÃO DO TÍTULO ...................................................... 44 NATUREZA JURÍDICA DA AÇÃO DE RETIFICAR ......................................................................... 46 O PROCESSO DE RETIFICAÇÃO DO REGISTRO IMOBILIÁRIO .............................................. 49 EFEITOS E IMPORTÂNCIA DA RETIFICAÇÃO ............................................................................. 57 EFEITOS DA RETIFICAÇÃO .............................................................................................................. 57 IMPORTÂNCIA DA RETIFICAÇÃO DO REGISTRO IMOBILIÁRIO ............................................. 58 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 61 Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 4 PARCELAMENTO DO SOLO: SURGIMENTO, DEFINIÇÕES, LEGISLAÇÃO E TIPOS O crescimento urbano desenfreado durante todo o século XX, principalmente a partir de meados da década de 40, tem propiciado inúmeros problemas territoriais, socioeconômicos e ambientais à sociedade brasileira. Os processos de exclusão social e segregação espacial são resultados dessa urbanização rápida, que representa um dos maiores fenômenos globais do século XX (HORN, 2008). Nessa linha de constatação é que veremos como a questão do parcelamento do solo se faz importante no direito registral imobiliário, principalmente devido aos inúmeros reflexos em igualmente inúmeros setores da sociedade. No mais, são vários os ramos do direito, tanto público como privado que influenciam e são influenciados pela questão do parcelamento do solo. SURGIMENTO E DEFINIÇÃO Como principais problemas ou questões pontuais que levaram o direito a se preocupar com o disciplinamento do parcelamento do solo, podem ser citados: a urbanização desorganizada e acelerada gerando processos de exclusão social, de crise habitacional, segregação espacial, violência e degradação ambiental. De um modo geral, Letícia Marques Osório (2003, p. 97) resume o reflexo da lamentável falta de sistematização legal durante o processo intensivo de urbanização, o que prejudicou consideravelmente a ordenação das cidades: Assim mesmo as leis vigentes sobre o desenvolvimento urbano tiveram impactos no processo de crescimento das cidades, tanto sob a ótica da inclusão quanto da exclusão, uma vez que elas têm influência nas condições prevalecentes de acesso à terra e à habitação e de provisão de bens e serviços, no estabelecimento dos direitos e deveres urbanos dos cidadãos, na orientação da ação dos agentes que constroem e produzem a cidade, na definição da abrangência e intensidade da ação estatal na produção socioeconômica do espaço urbano, e na imposição de limites ao direito de propriedade privada. No processo brasileiro de expansão urbana, o qual segregou seriamente a população pobre na periferia, prevalecem os interesses privados de reprodução do capital imobiliário, que continuam a sustentar a sobrevivência da noção de direito de propriedade exclusivamente privada prevista no Código Civil. E a legislação urbanística, durante os 60 anos de sua existência, não foi instrumento qualificado para reconhecer e legitimar as formas múltiplas e diversificadas de ocupação da cidade, mantendo o paradigma da “cidade ideal” que, traduzido em padrões urbanísticos, provoca o aumento do preço da terra e dificulta seu acesso para a população de baixa renda. A dimensão social desta legislação sempre foi marginal. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 5 As palavras acima são nosso mote para introduzir a questão do parcelamento do solo, mas que no foco do curso, será dada ênfase aos seus aspectos voltados ao direito registral. Nos dizeres de Hely Lopes Meirelles (2006, p. 557-8): o parcelamento do solo urbano tem por finalidade distribuir o espaço urbano destinado à habitação. O loteamento e o desmembramento constituem modalidades de parcelamento do solo, sendo o loteamento a divisão voluntária em unidades edificáveis, com abertura de vias públicas, e o desmembramento constitui a simples divisão de área urbana com aproveitamento das vias públicas já existentes. O parcelamento do solo tem como escopo o desenvolvimentode atividades urbanas, orientando o desenvolvimento urbano, sendo que a planta e o projeto devem ser antecipadamente aprovados. Celso Antônio Pacheco Fiorillo (2003, p. 260) assevera que o parcelamento do solo, sob o aspecto urbanístico, “tem por finalidade efetivar o cumprimento das funções sociais da cidade, estabelecendo regramentos para o melhor aproveitamento do espaço urbano”. O parágrafo único do art. 3º da Lei nº 6.766 determina onde não será possível o parcelamento do solo: Art. 3º Somente será admitido o parcelamento do solo para fins urbanos em zonas urbanas ou de expansão urbana, assim definidas por lei municipal. Parágrafo único - Não será permitido o parcelamento do solo: I - Em terrenos alagadiços e sujeitos a inundações, antes de tomadas as providências para assegurar o escoamento das águas. Il - Em terrenos que tenham sido aterrados com material nocivo à saúde pública, sem que sejam previamente saneados. III - Em terrenos com declividade igual ou superior a 30% (trinta por cento), salvo se atendidas exigências específicas das autoridades competentes. IV - Em terrenos onde as condições geológicas não aconselham a edificação. V - Em áreas de preservação ecológica ou naquelas onde a poluição impeça condições sanitárias suportáveis, até a sua correção. A expressão “definidas por lei municipal”, contida no caput do art. 3º, ora comentado, não exprime a indicação de que ao Município caiba estabelecer critérios de definição de zonas urbanas ou de expressão urbana, e sim a competência para definir os seus contornos, ou seja, Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 6 para delimitá-las de modo específico e concreto no âmbito de seu território (MUKAI; ALVES; LOMAR, 1987, p. 18). Para que o parcelamento do solo urbano seja considerado regular, deve o projeto de sua constituição ser aprovado pelo Poder Público e haver o respectivo registro no Cartório de Registro de Imóveis competente (no caso de não ser respeitado um dos requisitos citados, este será considerado irregular), pois, como assevera Carlos Alberto Dabus Maluf (2005, p. 183) era muito comum a empresa loteadora adquirir uma gleba bruta de terra, sem qualquer infraestrutura, e vendê-la como se já houvesse um loteamento aprovado pelo Poder Público. O terceiro de boa- fé adquiria um lote através da propaganda enganosa feita pela empresa em questão, a partir daí não conseguia obter a escritura definitiva do terreno nem o desdobro do imposto individual na municipalidade, que lançava o tributo sobre a área bruta. Em princípios de 1999, depois de percuciente análise visando-se mais harmonia social, a Lei nº 6.766/79 sofreu importantes alterações via Lei nº 9.785, de 29 de janeiro, patente se tornando a seriedade com que o legislador pátrio ainda enfrenta a questão. Deixou-a mais completa e abrangente, retirando ou acrescentando vários tópicos, dilatando prazo, que já não era minguado, claramente continuando a prestigiar o lado social da nação, e, principalmente, as camadas mais carentes da sociedade. E não poderia ser de maneira diversa. Dos seus 55 artigos, 18 foram afetados pelo novo preceito, num total de 28 modificações, atingindo, assim, quase 1/3 da sua estrutura, inclusive uma delas dispensando até mesmo “título de propriedade quando se tratar de parcelamento popular, destinado às classes de menor renda, em imóvel declarado de utilidade pública, com processo de desapropriação judicial em curso e imissão provisória na posse, desde que promovido pela União, Estados, Distrito Federal, Municípios ou suas entidades delegadas, autorizadas por lei a implantar projetos de habitação” (art. 18,§ 4º). Nota-se que o legislador está atento às mudanças, às solicitações da sociedade, às vezes veladas, ou em demonstrações públicas de assenhoreamento forçado (REZENDE, 2004). Como diz Washington Carlos De Almeida (2013), por meio da aplicação da legislação sobre parcelamento do solo, que é possível o desenvolvimento urbano com aproveitamento do uso do solo. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 7 LOTEAMENTO URBANO E RURAL O loteamento é regido pela Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, tendo como tipo mais comum de loteamento urbano, aquele destinado à construção de residências. Para Helita Custódio Barreira (1977, p. 458), considera-se loteamento, o processo de divisão de terrenos rurais ou urbanos em lotes destinados à exploração ou à edificação de qualquer natureza, mediante a observância das formalidades legais e regulamentares, visando à saúde, ao bem-estar e à melhoria da vida humana. A lei distingue o que significa lote de gleba. O lote “significa a utilização da característica da divisibilidade de uma coisa, para dela obter outras de tamanho ou área menor, visando, o loteador, lucro na venda dos lotes ou parcelas” (SODERO, 1977, v. 50, p. 457). O loteamento forma-se por subdivisão de gleba e, lotes para a edificação urbana. A lei faz nítida distinção entre gleba e lote e essa distinção é de grande valia e importância para a interpretação e aplicação de seus dispositivos (MUKAI; ALVES; LOMAR, 1987, p. 10). O loteamento urbano, além de ser uma forma de parcelamento do solo, é, basicamente, um processo de urbanização que envolve aspectos urbanísticos-administrativos, civis e penais, tal como encarado pela Lei nº 6.766/79. O loteamento é um fato social, a par de ser operação de caráter econômico, sobre o qual incidem interesses públicos e particulares, que devem ser encarados com o máximo de cautela e respeito (MUKAI; ALVES; LOMAR, 1987, p. 10). Quanto à espécie, o loteamento pode ser urbano ou rural. O loteamento urbano se dá na divisão de terrenos em lotes destinados à construção, observadas as normas legais. O loteamento rural é o processo de divisão de terrenos em lotes destinados à exploração agrícola (BARREIRA, 1977, v. 50, p. 465). Para os efeitos da Lei nº 4.504/64, segundo consta no artigo 4º, I, define-se “Imóvel rural”, o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração de extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 8 DESMEMBRAMENTO RURAL O desmembramento rural está disciplinado pelo art. 65 do Estatuto da Terra: “O imóvel rural não é divisível em áreas de dimensão inferior à constitutiva do módulo de propriedade rural”. Este artigo sofreu ampliação e foi complementado pelo art. 8º da Lei nº 5.868, de 12/12/1972: Art. 8º. Para fins de transmissão, a qualquer título, na forma do art. 65 da Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, nenhum imóvel rural poderá ser desmembrado ou dividido em área de tamanho inferior a do módulo calculado para o imóvel ou da fração mínima de parcelamento fixado no § 1º deste artigo, prevalecendo a de menor área. Após essa complementação, houve a promulgação do Decreto nº 62.504, de 05/04/1968: Art. 1º. Os desmembramentos disciplinados pelo art. 65 Lei nº 4.504, de 30/11/1968; e pelo art. 11 do Decreto-lei nº 57, de 18/11/1966, são aqueles que implicam a formação de novos imóveis rurais. Art. 2º. Os desmembramentos de imóvel rural que visem a constituir unidades com destinação diversa daquela referida no inciso I do artigo 4º da Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, não estão sujeitos às disposições do art. 65 da mesma lei e do art. 11 do Decreto-lei nº 57, de 18 de novembro de 1966, desde que, comprovadamente, se destinem a um dos seguintes fins: I -Desmembramentos decorrentes de desapropriação por necessidade ou utilidade pública (...). II - Desmembramentos de iniciativa particular que visem a atender interesses de Ordem Pública na zona rural (...). TIPOS DE PARCELAMENTO A Lei nº 6.766/79 foi inovatória ao determinar que as normas urbanísticas para aprovação dos parcelamentos fossem objeto de registro em órgão competente. O parcelamento ilegal engloba o parcelamento clandestino e o parcelamento irregular. Segundo Diógenes Gasparini (1999), a diferença entre a clandestinidade e a irregularidade, encontra-se na existência ou não da aprovação do parcelamento do solo; havendo esta, tem-se um parcelamento irregular, inexistindo a mesma, tem-se um parcelamento clandestino. O parcelamento, loteamento ou desmembramento, é clandestino na medida em que Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 9 o Poder Público competente (Município ou Distrito Federal) não tem, qualquer conhecimento oficial do plano de aprovação, ou seja, é clandestino quando da inexistência da aprovação, que pode decorrer tanto da omissão de solicitação, quanto em decorrência do indeferimento do pedido, que podem ser parcelamentos clandestinos executados e não executados, desde que, ausente à aprovação do Poder Público. Vicente de Abreu Amadei (1997, p. 65) também contribui a respeito ao inferir que nossa doutrina distingue o parcelamento clandestino do parcelamento irregular, considerando a circunstância de que aquele foi implantado de fato sem aprovação urbanística, enquanto este não carece desse vício, mas sim de outro, sendo, ambas espécies, gênero do parcelamento ilegal. O parcelamento ilegal abrange duas categorias: a) Parcelamento aparente e substancialmente ilegal. b) Parcelamento aparentemente legal, mas substancialmente ilegal. (AMADEI, 1997, p.65). O parcelamento aparentemente legal é aquele aprovado e registrado, porém com vício (substancialmente ilegal). Pode ser considerado um exemplo os loteamentos com registro, mas sem licença urbanística (AMADEI, 1997, p. 65). A Lei nº 6.766/79 regulamentou o registro do parcelamento ilegal da seguinte forma: Art. 38. Verificado que o loteamento ou desmembramento não se acha registrado ou regularmente executado ou notificado pela Prefeitura Municipal, ou pelo Distrito Federal quando for o caso, deverá o adquirente do lote suspender o pagamento das prestações restantes e notificar o loteador para suprir a falta. § 1° Ocorrendo a suspensão do pagamento das prestações restantes, na forma do caput deste artigo, o adquirente efetuará o depósito das prestações devidas junto ao Registro de Imóveis competente, que as depositará em estabelecimento de crédito, segundo a ordem prevista no inciso I do art. 666 do Código de Processo Civil, em conta com incidência de juros e correção monetária, cuja movimentação dependerá de prévia autorização judicial. § 2° A Prefeitura Municipal, ou o Distrito Federal quando for o caso, ou o Ministério Público, poderá promover a notificação ao loteador prevista no caput deste artigo. § 3° Regularizado o loteamento pelo loteador, este promoverá judicialmente a autorização para levantar as prestações depositadas, com os acréscimos de correção monetária e Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 10 juros, sendo necessária a citação da Prefeitura, ou do Distrito Federal quando for o caso, para integrar o processo judicial aqui previsto, bem como audiência do Ministério Público. § 4º Após o reconhecimento judicial de regularidade do loteamento, o loteador notificará os adquirentes dos lotes, por intermédio do Registro de Imóveis competente, para que passem a pagar diretamente as prestações restantes, a contar da data da notificação. § 5º No caso de o loteador deixar de atender à notificação até o vencimento do prazo contratual, ou quando o loteamento ou desmembramento for regularizado pela Prefeitura Municipal, ou pelo Distrito Federal quando for o caso, nos termos do art. 40 desta Lei, o loteador não poderá, a qualquer título, exigir o recebimento das prestações depositadas. Quanto ao parcelamento clandestino, podemos creditar sua origem no aumento populacional que contribui para que os municípios cresçam desordenadamente, gerando com isso inúmeros desses parcelamentos, que abrigam um abundante contingente de pessoas, o que agrava a crise habitacional. O administrador público não pode silenciar diante da proliferação de loteamentos clandestinos e irregulares, cabendo a ele a aplicação séria das leis de zoneamento e de uso e ocupação do solo, fiscalizando e fazendo uso de seu poder de polícia, enfim, implementando políticas públicas de modo a resguardar as condições mínimas de moradia à população daquela localidade (SANTOS, 2000, p. 244). A desordenada ocupação do solo com a implantação dos loteamentos clandestinos, sem a devida observância das normas urbanísticas, acarreta a propagação de habitações construídas sem critérios técnicos, o que produz impactos no meio ambiente e na saúde (FREITAS, 2000, p. 338). Os parcelamentos clandestinos ocorrem quando não são reconhecidos pelo Poder Público e nem possuem projeto previamente aprovado. Nos dizeres de José Carlos De Freitas (2000), trata-se de “loteamento feito às ocultas”, mas clandestino não é, apenas, o loteamento feito às ocultas. Tanto é aquele desconhecido oficialmente pelo Poder Público, porque inexistente solicitação de aprovação, quanto o que deriva do indeferimento do respectivo pedido, por não atender às exigências legais. Num e noutro caso, sempre sem a chancela oficial, ele é implantado fisicamente pelo loteador, com a abertura de ruas, demarcação de quadras e lotes e com a edificação de casas Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 11 pelos adquirentes (...). Também são considerados loteamentos clandestinos os casos em que a gleba não tenha sofrido qualquer fragmentação (FREITAS, 2000, p. 335). O mesmo autor acima ainda leciona que para a implementação lícita de um loteamento são necessárias, pelo menos, três etapas, a administrativa, que se processa perante os órgãos públicos (aprovações e licenças); a civil e registrária, caracterizada pelo ingresso do projeto de loteamento e do contrato- padrão no ofício predial; e a urbanística, consistente na execução das obras de infraestrutura (FREITAS, 2000, p. 334). Sobre o parcelamento/ocupação irregular do solo, podemos considerá-lo um dos principais problemas urbanos, pois eles não afetam apenas a população neles residente, mas estendem-se para toda a população, seja pela ampliação desnecessária dos custos de urbanização, seja pelas externalidades negativas decorrentes de fenômenos como a contaminação e o assoreamento dos recursos hídricos e a disseminação de doenças contagiosas. O mais grave é que muitos desses assentamentos localizam-se em áreas de risco ou de preservação ambiental e não podem ser regularizados. São comuns, em todo o país, os assentamentos em áreas de proteção de mananciais, encostas sujeitas a desmoronamentos e várzeas alagáveis realizados clandestinamente, mas totalmente eletrificados (PINTO, 2012). O parcelamento irregular é aquele que se dá quando não está em conformidade com a autorização da Prefeitura e em desacordo com outras normas. ÁREAS DE RECREIO E RESERVA FLORESTAL As reservas florestais estão disciplinadas pela Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, na qual foi instituído o Código Florestal e são definidas como: [...] II - área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2º e 3º destaLei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. Em se tratando das florestas brasileiras, a implantação da legislação ocorreu um pouco tarde. Giuliano Deboni (2003, p. 84), assevera que (...) embora a proteção legislativa tenha sido Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 12 implementada relativamente tarde, iniciou praticamente no despertar anterior da consciência preservacional, mais especificamente, com a edição do Código Florestal – Lei nº 4.771, de 15/09/1965. Ou seja, não obstante tenha iniciado antes mesmo da vigência da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), concretizaram-se posteriormente as reais necessidades, visto que o cultivo desenfreado de florestas e as suas grandes derrubadas iniciaram quando as matas naturais foram sendo consumidas em diferentes usos ou quando foram destruídas na busca de áreas agricultáveis. A Reserva Florestal Legal (RFL) é um elemento importante na propriedade. Constitui uma área cujo percentual é definido por lei, variando conforme as condições ecológicas específicas de cada uma das regiões geopolíticas brasileiras, e não pode ser utilizada economicamente da forma tradicional, ou seja, na reserva florestal não é permitida a atividade destinada à produção de madeira ou qualquer outra atividade que dependa derrubada de árvores (como a produção de papel, por exemplo). A Reserva Florestal Legal se diferencia das Áreas de Preservação Permanente; a primeira é consequência de normas legais que limitam o Direito de Propriedade (arts. 16 e 44 do Código Florestal): Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, ll, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 50 e 60, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I - recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II - conduzir a regeneração natural da reserva legal; e, Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 13 III - compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. As normas de Reserva Florestal Legal incidem sobre o domínio privado e as das Áreas de Preservação Permanente são normas que recaem sobre o domínio privado e público. Ambas as áreas existem com o objetivo de impedir o uso aleatório e indiscriminado da terra e promover a preservação ambiental no território nacional. O Código Florestal sofreu inúmeras modificações buscando a proteção das florestas. Estas áreas, conforme doutrina de Édis Milaré (s.d apud DEBONI, 2003, p. 89), consistem em uma faixa de preservação de vegetação estabelecida em razão da topografia ou do relevo, geralmente ao longo dos cursos d'água, nascentes, reservatórios e em topos e encostas de morros, destinadas à manutenção da qualidade do solo, das águas e também para funcionar como corredores de fauna. A competência da legislação em matéria de proteção florestal incide sobre a União, os Estados e os Municípios. Nesse sentido vale registrar que o Cadastro Ambiental Rural (CAR) indubitavelmente configura uma das principais novidades no Código Florestal ao criar no âmbito do Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (SINIMA), e é, registro público eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento (MELO, 2012). A inscrição do imóvel rural no CAR deverá ser feita, preferencialmente, no órgão ambiental municipal ou estadual, que, nos termos do regulamento, exigirá do possuidor ou proprietário (§ 1º do art. 29, com a redação dada pela Medida Provisória nº 571, de 2012). O cadastro exclui, expressamente, eventual reconhecimento do direito de propriedade (§ 2º, art. 29), o que não poderia ser diferente em razão da atribuição constitucional prevista no art. 236 da Constituição Federal, mas, numa primeira impressão, rompe a vinculação entre cadastro e registro constante do Código Florestal anterior (§ 8º do art. 16 do Código Florestal, redação dada pela Med. Prov. 2.166-67/2001). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 14 O artigo 18 do novo Código Florestal determina que a área de Reserva Legal deverá ser registrada no órgão ambiental competente por meio de inscrição no CAR. Já o § 4º do referido art. 18 disciplina que “o registro da Reserva Legal no CAR desobriga a averbação no Cartório de Registro de Imóveis”. Ao disciplinar o imóvel rural, o cadastro ambiental deixou também de expressamente definir qual conceito de imóvel atribuir para fins de cálculo e cômputo dos espaços territoriais especialmente protegidos. Espera-se que o regulamento trate do assunto, ou seja, se o imóvel é o definido na matrícula do Registro de Imóveis ou o utilizado no cadastro rural do INCRA, respeitando o critério de aproveitamento rural da área. Para nós, ao exigir a vinculação entre matrícula do imóvel e cadastro rural, como veremos melhor adiante, bem como ainda existir a previsão de averbação no Registro de Imóveis, a autoridade ambiental deverá necessariamente utilizar o conceito de imóvel-matrícula, que difere do conceito econômico (aproveitamento) e não admite seccionamentos e descontinuidade (MELO, 2012). CONTRATO-PADRÃO DE PARCELAMENTO DO SOLO O parcelamento deve ser registrado no Registro de Imóveis e, entre os documentos que devem ser depositados, está o contrato padrão. Flauzilino Araújo Dos Santos (1999, p. 164) define o contrato padrão como o protótipo do instrumento que vai regular as futuras relações entre o parcelador e o adquirente do lote. Fiscalizado pelo Poder Público, através do Oficial Registrador, presentes as cláusulas obrigatórias, o contrato padrão é o paradigma da contratação. O interessado poderá ir ao Registro Imobiliário e previamente conhecer todas as condições da contratação que fará, como expresso no art. 26, onde diz que “os compromissos de venda e compra, as cessões ou promessas de cessões poderão ser feitos por escritura pública ou por instrumento particular, de acordo com o modelo depositado na forma do inciso VI do art. 18. O art. 18, inciso VI, da Lei nº 6.766/1979 preceitua que, aprovado o projeto de loteamento, o mesmo deverá ser submetido ao registro Imobiliário juntamente com o contrato padrão: Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 15 Art. 18 Aprovado o projeto de loteamento ou dedesmembramento. O loteador deverá submetê-la ao Registro Imobiliário dentro de 180 (cento e oitenta) dias, sob pena de caducidade da aprovação, acompanhado dos seguintes documentos: (...) VI - exemplar do contrato padrão de promessa de venda, ou de cessão ou de promessa de cessão, do qual constarão obrigatoriamente as indicações previstas no art. 26 desta Lei. LOTEAMENTO URBANO Na Legislação brasileira, os loteamentos começaram a ser disciplinados pelo Decreto- Lei nº 58 de 1937. Essa Legislação tratava o parcelamento do solo de maneira muito indefinida (ALMEIDA, 2013). O loteamento era constituído, por parte do proprietário, na divisão de terras em parcelas, com o objetivo de vendê-las ou alugá-las. Isso era o que conceituava o projeto francês de 1924 (VIANA, 1985, p. 50). O Decreto-Lei nº 58, de 10 de dezembro de 1937, que disciplinava os loteamentos urbanos e rurais, continha essencialmente normas civis, regulando as relações entre o loteador e os adquirentes de lotes, com poucas disposições de ordem administrativa, sem nenhuma pauta de caráter penal. Por esta razão, e diante do desenvolvimento socioeconômico do país, com a ampliação notável dos núcleos urbanos, aquele diploma já não mais cumpria sua missão de resguardar o interesse público contido no ato de parcelar o solo urbano (MUKAI; ALVES; LOMAR, 1987). Após esse Decreto, seguiram-se outros, que também não acrescentavam nada de inovador, até a edição do Decreto-Lei nº 271, de 1967, que disciplinou o loteamento urbano, a responsabilidade do loteador e a concessão de uso e espaço aéreo. Seu art.1º preleciona o seguinte: Art .1º O loteamento urbano rege-se por este Decreto-lei. § 1º Considera-se loteamento urbano a subdivisão de área em lotes destinados à edificação de qualquer natureza que não se enquadre no disposto no § 2º deste artigo. § 2º Considera-se desmembramento a subdivisão de área urbana em lotes para edificação na qual seja aproveitado o sistema viário oficial da cidade ou vila sem que se abram novas vias ou logradouros públicos e sem que se prolonguem ou se modifiquem os existentes. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 16 § 3º Considera-se zona urbana, para os fins deste Decreto-lei, a da edificação contínua das povoações, as partes adjacentes e as áreas que, a critério dos Municípios, possivelmente venham a ser ocupadas por edificações contínuas dentro dos seguintes 10 (dez) anos. Note-se que esse Decreto-Lei distinguiu o loteamento do desmembramento, afastando a probabilidade de que os loteamentos pudessem se dar nos espaços destinados à área rural, pois o § 3º definiu o conceito de zona urbana (ALMEIDA, 2013). Esse Decreto apenas foi revogado quando publicada a Lei nº 6.766, de 1979, que em seu § 1º conceitua o loteamento como a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação das vias existentes. Segundo José Afonso Da Silva (2006, p. 26), “loteamento é a divisão das quadras em lotes com frente para logradouro público”. Só há loteamentos, portanto, quando uma gleba é subdividida em lotes para edificação. Se houver subdivisão de uma gleba em parcelas de terras não destinadas à edificação, com finalidades rurais, por exemplo, dela não resultarão lotes, para os efeitos da Lei, mas sim novas glebas (MUKAI; ALVES; LOMAR, 1987, p. 10). Para a implantação de um loteamento, a Lei nº 6766/1979, nos arts. 4º e 5º, dispõem de requisitos que deverão ser observados: Dos Requisitos Urbanísticos para Loteamento: Art. 4º. Os loteamentos deverão atender, pelo menos, aos seguintes requisitos: I - As áreas destinadas a sistemas de circulação, a implantação de equipamento urbano e comunitário, bem como a espaços livres de uso público, serão proporcionais à densidade de ocupação prevista pelo plano diretor ou aprovada por lei municipal para a zona em que se situem. (NR) (Redação dada pela Lei nº 9.785, 29/01/1999). II - Os lotes terão área mínima de 125 m2 (cento e vinte e cinco metros quadrados) e frente mínima de 5 (cinco) metros, salvo quando a legislação estadual ou municipal determinar maiores exigências, ou quando o loteamento se destinar a urbanização específica ou edificação de conjuntos habitacionais de interesse social, previamente aprovados pelos órgãos públicos competentes. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 17 III - Ao longo das águas correntes e dormentes e das faixas de domínio público das rodovias, ferrovias e dutos, será obrigatória a reserva de uma faixa non aedificandi de 15 (quinze) metros de cada lado, salvo maiores exigências da legislação especifica. IV - As vias de loteamento deverão articular-se com as vias adjacentes oficiais, existentes ou projetadas, e harmonizar-se com a topografia local. § 1º. A legislação municipal definirá, para cada zona em que se divida o território do Município, os usos permitidos e os índices urbanísticos de parcelamento e ocupação do solo, que incluirão, obrigatoriamente, as áreas mínimas e máximas de lotes e os coeficientes máximos de aproveitamento. (NR) (Redação dada pela Lei nº 9.785, 29/01/1999). § 2º. Consideram-se comunitários os equipamentos públicos de educação, cultura, saúde, lazer e similares. Art. 5º. O Poder Público competente poderá complementarmente exigir, em cada loteamento, a reserva de faixa non aedificandi destinada a equipamentos urbanos. Parágrafo único. Consideram-se urbanos os equipamentos públicos de abastecimento de água, serviços de esgotos, energia elétrica, coletas de águas pluviais, rede telefônica e gás canalizado. Os loteamentos devem seguir uma norma e ser previamente aprovados pelo Poder Público. A título de exemplo, Washington Carlos de Almeida (2013) cita que no Estado de São Paulo, o projeto de loteamento é apreciado pela Secretaria de Estado da Habitação - Graprohab, que tem como objetivo centralizar e agilizar o trâmite de projetos habitacionais. Tratando-se de loteamento rural, deverá ser apreciado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). No caso de Minas Gerais, segundo consta no seguinte endereço eletrônico: <http://www.urbano.mg.gov.br/images/stories/anuencia/interior/rotina_anuencia_parc_lot.pdf>, o trâmite do projeto de loteamento, ou seja, processo de análise e concessão de anuência prévia para projetos de parcelamento do solo acontece via Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana, a saber: 1) Antes da elaboração do projeto de parcelamento do solo, o interessado encaminhará ao responsável técnico (registrado e regularizado no CREA-MG) o Roteiro para a elaboração de Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 18 projetos de parcelamento do solo e o Decreto nº 44.646/07, disponíveis no site da SEDRU (www.urbano.mg.gov.br). 2) Para dar início ao processo, o INTERESSADO apresentará requerimento à Prefeitura Municipal, solicitando informações para proceder ao parcelamento da gleba. 3) A PREFEITURA MUNICIPAL abrirá o processo, definirá as diretrizes municipais e encaminhará uma cópia de toda a documentação listada no art. 18 do Decreto nº 44.646/07 à SEDRU. 4) A SEDRU, de posse de toda a documentação, irá analisar os dados e emitir as diretrizes estaduais no prazo máximo de 03 (três) meses. Obs.: No momento da solicitação de diretrizes estaduais, o INTERESSADO deverá comprovar o recolhimento dos valores referentes à cobrança pela prestação de serviços técnicos, por meio de Documento de Arrecadação Estadual – DAE,de acordo com a Resolução nº 93 de 04 de agosto de 2008. 5) A SEDRU encaminhará à PREFEITURA MUNICIPAL as diretrizes definidas. As diretrizes terão validade de 04 (quatro) anos para a proposta apresentada. 6) A PREFEITURA MUNICIPAL encaminhará as diretrizes estaduais ao INTERESSADO, que irá elaborar o projeto de acordo com as definições municipais e estaduais e observando o disposto no Decreto nº 44.646/07. 7) O INTERESSADO apresentará à PREFEITURA MUNICIPAL o anteprojeto em duas vias impressas e, caso a PREFEITURA MUNICIPAL esteja de acordo com a proposta apresentada, deverá enviar à SEDRU uma cópia do anteprojeto para verificação. É necessário que a Prefeitura Municipal envie nessa etapa, mediante ofício, uma declaração de conformidade do parcelamento proposto com a legislação municipal. 8) A SEDRU procederá à análise do processo e, estando de acordo, solicitará as vias restantes e emitirá a anuência. Obs.: No momento da solicitação de concessão de anuência prévia, o INTERESSADO deverá comprovar o recolhimento dos valores referentes à cobrança pela prestação de serviços técnicos, por meio de Documento de Arrecadação Estadual – DAE, de acordo com a Resolução nº 93 de 04 de agosto de 2008. 9) A SEDRU arquivará uma via do processo e remeterá as vias restantes novamente à PREFEITURA MUNICIPAL, juntamente com ofício declarando a anuência, para aprovação municipal. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 19 10) A PREFEITURA MUNICIPAL, estando de acordo, aprovará o projeto e encaminhará à SEDRU, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, uma cópia do ato de aprovação. 11) Após a anuência prévia e a aprovação municipal, o INTERESSADO deverá submeter o projeto ao registro imobiliário no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, sob pena de caducidade da aprovação. Dispõe o art. 6º da Lei nº 6.766/1979: Antes da elaboração do projeto de loteamento, o interessado deverá solicitar à Prefeitura Municipal, ou ao Distrito Federal quando for o caso, que defina as diretrizes para o uso do solo, traçado dos lotes, do sistema viário, dos espaços livres e das áreas reservadas para equipamento urbano e comunitário (...). DESMEMBRAMENTOS: URBANO E RURAL O desmembramento constitui a divisão de terras, “desde que operado dentro do sistema urbanístico” (VIANA, 1985, p. 51). Os desmembramentos, em certos aspectos, tornam-se, mais problemáticos que os loteamentos, porque, dependendo da finalidade a que se destina a divisão da gleba, o vulto ou a densidade da ocupação futura poderá levar ao colapso do sistema viário ou dos serviços e equipamentos urbanos pré-instalados, eventualmente não dimensionados no uso futuro (VIANA, 1985, p. 51). A Lei nº 6.766, de 1979, reza em seu parágrafo 2º: § 2º Considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes. (...) Art. 10. Para a aprovação de projeto de desmembramento, o interessado apresentará requerimento à Prefeitura Municipal, ou ao Distrito Federal quando for o caso, acompanhado de certidão atualizada da matrícula da gleba, expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis competente, ressalvado o disposto no § 4° do art. 18, e de planta do imóvel a ser desmembrado contendo: (NR) (Redação dada pela Lei nº 9.785, 29/01/1999). I - A indicação das vias existentes e dos loteamentos próximos. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 20 II - A indicação do tipo de uso predominante no local. III - A indicação da divisão de lotes pretendida na área. A diferença entre loteamento e desmembramento é de grande importância, pois disto difere o tratamento legislativo. Para que haja o desmembramento, é necessário o requerimento do interessado, instruído com certidão da prefeitura (FERREIRA, 1984, p. 113). A legislação que rege os desmembramentos é a Lei Federal nº 6.766/1979 que, em seu § 2º, define o desmembramento: considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes. O desmembramento, pelas suas repercussões no meio urbano, passou a ser contemplado pela nova Lei como ato de urbanização, haja vista as várias regras que disciplinam essa forma de parcelamento urbano. Além do mais, os efeitos jurídicos do desmembramento, previstos pela Lei, são equiparados aos do loteamento (MUKAI; ALVES; LOMAR, 1987, p. 12). Com a Lei nº 6.766, de 19/12/1979, que dispõe sobre o parcelamento do solo para fins urbanos, foram editadas normas urbanísticas para o loteamento e o desmembramento de glebas destinadas à urbanização, mas com a ressalva de que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão estabelecer normas complementares relativas ao parcelamento do solo municipal para adequar o previsto nesta Lei às peculiaridades regionais e locais (art. 1º parágrafo único) (MEIRELLES, 2006, p. 559). DESMEMBRAMENTO DE IMÓVEIS URBANOS A delimitação da zona urbana deve ser elaborada pela legislação municipal. O traçado urbano é o desenho geral da cidade, mas, nem sempre será efetivado pelo Município, notadamente nos loteamentos particulares, mas dependerá sempre da aprovação da Prefeitura, para seu ajustamento às vias públicas já existentes, ao plano diretor do Município e às normas urbanísticas pertinentes (MEIRELLES, 2006, p. 546). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 21 Por área urbana entende-se a que estiver fixada no perímetro urbano do município (ALMEIDA, 2013, p. 162). O desmembramento é a divisão da área urbana com o aproveitamento das vias públicas existentes, “o desmembramento é apenas uma repartição da gleba, sem atos de urbanização” (MEIRELLES, 2006, p. 558). O desmembramento urbano pode ocorrer pela vontade do proprietário ou por imposição judicial. A ocupação do solo urbano constitui competência municipal e, por isso, está presente nas diretrizes do plano diretor do município. O art. 12, da Lei nº 6.766/1979, diz que: O projeto de loteamento e desmembramento deverá ser aprovado pela Prefeitura Municipal, ou pelo Distrito Federal quando for o caso, a quem compete também afixação das diretrizes a que aludem os artigos 6º e 7º desta Lei, salvo a exceção prevista no artigo seguinte. A Lei nº 9.785/1999 modificou o parágrafo único do referido artigo: “O projeto aprovado deverá ser executado no prazo constante do cronograma de execução, sob pena de caducidade da aprovação. Hélio Lobo Júnior (1999, p. 77) assevera que a Lei do Parcelamento do Solo Urbano nos seus arts. 3º ao 17, comprova que o legislador, ao definir as diretrizes para o desenvolvimento urbano, promoveu também a conservação da natureza, preocupando-se com o meio ambiente e com os recursos naturais. O desmembramento apenas se tornará legal após ser submetido a registro no Cartório Imobiliário. O registro gera consequências como: 1º) os lotes passam a existir automaticamente; (...) as consequências são diversas, pois se cria uma nova realidade jurídico-registrária com a abertura de matrícula para cada unidade física - lote - desvinculada da anterior, que descrevia o todo. Desse modo, se houver, por exemplo, uma desapropriação, o imóvel a ser considerado será o lote, com o seu valor unitário, não se podendomais falar em toda a gleba. Almeida (2013) explica que para quem trabalha no mercado Imobiliário, fácil é entender a diferença de valor entre um alqueire de terras os metros quadrados de um lote. Se, por Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 22 exemplo, alguém pretender penhorar o todo, não mais poderá fazê-lo, devendo a constrição incidir sobre cada lote, com o registro na respectiva matrícula; 2º) há separação das vias públicas e demais espaços livres, que passam a integrar o domínio do município (art. 22 da Lei nº 6.766/1979); (...) apesar de alguma divergência quanto ao momento em que as vias públicas e espaços livres passam a integrar o domínio do município, em face do princípio da destinação, cujo principal ato, de aceitação pelo Poder Público, já implica a transferência de domínio, desde que os bens públicos não estão sujeitos ao Registro Imobiliário no cartório competente, o que mais se acentua diante dos dispostos nos arts. 17 a 23, ambos da Lei nº 6.766/1979, força é convir que, desprezada a polêmica, o registro do parcelamento altera a própria titular idade das áreas destinadas à municipalidade e, geralmente, não permite qualquer reversão, incidindo, ademais, todas as limitações pertinentes às áreas públicas. 3º) há, com o registro, a subordinação à Lei nº 6.766/1979: No momento do registro, pois, a legislação aplicável aos contratos, entre o parcelador e o adquirente, a que regula o loteamento e o desmembramento (LOBO JÚNIOR, 1999, p. 79-80). O desmembramento produz consequências jurídicas transitórias, pois, consumado o registro de escritura, passam a prevalecer as normas relativas a contratos de imóveis regidas pelo Código Civil (LOBO JÚNIOR, 1999, p. 80). A ocupação do solo urbano vem sendo tratada com o objetivo de estabelecer diretrizes de modo a harmonizar e equilibrar os interesses da coletividade e do meio ambiente. DESMEMBRAMENTO DE IMÓVEIS RURAIS Os imóveis rurais podem ser desmembrados para fins de projetos de colonização agrícola, formação de outros imóveis, execução de partilhas (DINIZ, 1998, v. 2, p. 100). Os imóveis rurais são diferenciados dos imóveis urbanos: 1) Pela localização (urbanos são os prédios localizados no perímetro da cidade). 2) Pelo estado (sendo urbano o terreno onde houver construção). 3) Pela destinação econômica (considerando-se o imóvel rural o destinado à exploração rural, e o urbano à edificação) (FERREIRA, 1984, p. 118). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 23 Os loteamentos rurais permanecem disciplinados pelo Decreto-lei nº 58, de 10 de dezembro de 1937, pelo Estatuto da Terra - Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, e pela Instrução nº 17-B/1969 do INCRA. No rol de documentos para depósito no Registro Imobiliário em caso de loteamento rural também se exige o contrato-tipo de compromisso de venda de lotes (Decreto-lei nº 58/37, art. 1º, III). O desmembramento rural, por sua vez, está disciplinado pelo art. 65 do Estatuto da Terra, retificado pelo art. 8 da Lei nº 5.868, de 12/12/1972, que assim dispõe: Art. 8° Para fins de transmissão, a qualquer título, na forma do art. 65, da Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, nenhum imóvel rural poderá ser desmembrado ou dividido em área de tamanho inferior à do módulo calculado para o imóvel ou da fração mínima de parcelamento fixada no § 1º deste artigo, prevalecendo a de menor área. Ao desmembramento rural para fins de transmissão, aplica-se disposições do art. 4º, inciso III, do Estatuto da Terra, o qual calcado no conceito de “propriedade familiar” como sendo o imóvel rural que, direta e pessoalmente explorado pelo agricultor e sua família, lhes absorvesse toda a força de trabalho, garantindo-lhes a subsistência e o progresso social e econômico, fixou o Módulo Rural para cada município (SANTOS, 1999, p. 161). Pelo § 2º, da Lei nº 9.393, relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, “considera-se imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município”. Imóvel rural, grosso modo, é todo prédio rústico de área contínua, localizado na zona rural do município, em que se aplique ou se possa aplicar a exploração extrativa agrícola, pecuária, ou agroindustrial. A Constituição Federal traz a definição de imóveis rurais e urbanos utilizando, para tanto, somente o critério da localização (v.g., art. 191 da CF/1988). O Código Civil também adotou o critério da localização (v.g., arts. 1.239, 1.276, § 1º, e 1.303, todos do CC/2002). O Estatuto da Terra exprime, ao contrário, o critério da destinação do imóvel para defini-lo como rural, independentemente de sua localização, importando, apenas, que se destine às suas explorações agrárias (art. 4º, inciso l, da Lei Federal nº 4.504/1964) (ALMEIDA, 2013). Este conceito do Estatuto da Terra, além de aplicar-se apenas para os efeitos desta Lei (art. 4º, caput, do Estatuto), não foi recepcionado pela atual Constituição Federal, pelo menos no que tange à hipótese do georreferenciamento. A título ilustrativo, cumpre informar que para fins Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 24 tributários (ITR e IPTU), o critério da destinação econômica é admitido pela jurisprudência (vide, por exemplo, o REsp nº 492.869 do STJ, julgado em 15/02/2005) (OLIVEIRA, 2012). Em relação ao parcelamento dos imóveis rurais, a Instrução nº 17-B, de 22 de dezembro de 1980, em suas disposições preliminares afirma: 1. São formas de parcelamento do solo, o loteamento e o desmembramento. 1.2. Considera-se loteamento, a divisão de gleba em lotes, com abertura de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação das vias existentes. 1.3. Considera-se desmembramento, a divisão de gleba em lotes, com aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes. (...) 3.1. O parcelamento, para fins urbanos, de imóvel rural localizado fora de zona urbana ou de expansão urbana, assim definidas por lei municipal, rege-se pelas disposições do art. 96, do Decreto nº 59.428, de 27/10/1966, e do art. 53, da Lei nº 6.766, de 19/12/1979. 3.2 Em tal hipótese de parcelamento, caberá, quanto ao Incra, unicamente sua prévia audiência. A LRP em seu art. 176,§ 3º, dizia que: Em casos de desmembramento, parcelamento ou remembramento de imóveis rurais, a identificação prevista na alínea a, do item 3, do inciso II, do § 1º, será obtida a partir de memorial descritivo, assinado por profissional habilitado e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais, georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro e com precisão posicional a ser fixada pelo lNCRA, garantida a isenção de custos financeiros aos proprietários de imóveis rurais cuja somatória da área não exceda a quatro módulos fiscais (Incluído pela Lei nº 10.267, de 2001). A legislação agrária prevê o desmembramento rural com os seguintes pressupostos: 1) Tanto o imóvel a ser parcelado, como os lotes subsequentes a serem formados, devem apresentar natureza rural. 2) O desmembramento deverá se fazer sem prejuízo do módulo especificado para o imóvel. Como se observou ao longo do módulo, são várias as leis que interferem no parcelamento do solo urbano, de todo modo, podemos perceber que as leis que regulam a propriedade no Brasil tiveram como finalidade a busca por umasociedade igualitária e a paz social, e concordamos com Costa (2012) quando infere que por isso o processo de evolução Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 25 legislativa é constante, no intuito de erradicar as desigualdades sociais e encontramos no notário e registradores, personalidades importantes para sanar dúvidas e orientar os proprietários quando se fizer necessário para que o registro lhe seja sempre um ato seguro. Enfim: o registro visa dar autenticidade, segurança, publicidade e eficácia real à aquisição de um imóvel; o cadastro finaliza à arrecadação de impostos. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 26 LEGISLAÇÃO SOBRE A RETIFICAÇÃO DE ASSENTO IMOBILIÁRIO A Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1.916 (Código Civil revogado) foi a primeira que se referiu à retificação do registro de imóveis, contendo no seu artigo 860, o seguinte dispositivo: “Se o teor do registro de imóveis não exprimir a verdade, poderá o prejudicado reclamar que se retifique”. O Código Civil em vigência (Lei nº 10.406/2002) trouxe dispositivo correspondente em seu artigo 1.247, acrescentando ainda o parágrafo primeiro, determinando que: Art. 1.247. Se o teor do registro não exprime a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente. A Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/73), no Título V, Registro de Imóveis, inicialmente reservou tão-somente os artigos 212 e 213 para tratar da Retificação de Registro, embora o direito seja relevante. O pedido de retificação de área, antes fundamentado nos artigos 212 e 213 da referida Lei, era o meio adequado para a alteração documental da área, quando a verdade física não correspondia à verdade jurídica (HUBER, 2012). Com o advento da Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004, que no seu artigo 59 alterou os artigos 212 a 214, da Lei de Registros Públicos, criou-se, inclusive, procedimento administrativo opcional, conforme dispositivos contidos no artigo 213. A norma do art. 212 da Lei nº 6.015/73 admite a retificação se o teor do registro ou averbação for omissa, ou não exprimir a verdade, e o artigo 213 determina o procedimento de retificação ou da averbação, enquanto que o artigo 214 prevê as nulidades de pleno direito do registro, que provados, invalidam-no, independentemente de ação direta. O artigo 213 sofreu alterações através da Lei nº 12.424 de 16 de junho de 2011, alterando o item I do parágrafo 11 e acrescendo os itens, III, IV e V no mesmo parágrafo e acrescentou parágrafo 16, cuja atualização segue na descrição dos artigos 212 e 213. Os dispositivos insculpidos nos artigos invocados assim se expressam: Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 27 Art. 212. Se o registro ou a averbação for omissa, imprecisa ou não exprimir a verdade, a retificação será feita pelo Oficial do Registro de Imóveis competente, a requerimento do interessado, por meio do procedimento administrativo previsto no art. 213, facultado ao interessado requerer a retificação por meio de procedimento judicial. Parágrafo único. A opção pelo procedimento administrativo previsto no art. 213 não exclui a prestação jurisdicional, a requerimento da parte prejudicada. Art. 213. O oficial retificará o registro ou a averbação: I - de ofício ou a requerimento do interessado nos casos de: a) Omissão ou erro cometido na transposição de qualquer elemento do título. b) Indicação ou atualização de confrontação. c) Alteração de denominação de logradouro público, comprovada por documento oficial. d) Retificação que vise a indicação de rumos, ângulos de deflexão ou inserção de coordenadas georreferenciadas, em que não haja alteração das medidas perimetrais. e) Alteração ou inserção que resulte de mero cálculo matemático feito a partir das medidas perimetrais constantes do registro. f) Reprodução de descrição de linha divisória de imóvel confrontante que já tenha sido objeto de retificação. g) Inserção ou modificação dos dados de qualificação pessoal das partes, comprovada por documentos oficiais, ou mediante despacho judicial quando houver necessidade de produção de outras provas. II - a requerimento do interessado, no caso de inserção ou alteração de medida perimetral de que resulte, ou não, alteração de área, instruído com planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de anotação de responsabilidade técnica no competente Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), bem assim pelos confrontantes. § 1º Uma vez atendidos os requisitos de que trata o caput do art. 225, o oficial averbará a retificação. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 28 § 2º Se a planta não contiver a assinatura de algum confrontante, este será notificado pelo Oficial de Registro de Imóveis competente, a requerimento do interessado, para se manifestar em quinze dias, promovendo-se a notificação pessoalmente ou pelo correio, com aviso de recebimento, ou, ainda, por solicitação do Oficial de Registro de Imóveis, pelo Oficial de Registro de Títulos e Documentos da comarca da situação do imóvel ou do domicílio de quem deva recebê-la. § 3º A notificação será dirigida ao endereço do confrontante constante do Registro de Imóveis, podendo ser dirigida ao próprio imóvel contíguo ou àquele fornecido pelo requerente; não sendo encontrado o confrontante ou estando em lugar incerto e não sabido, tal fato será certificado pelo oficial encarregado da diligência, promovendo-se a notificação do confrontante mediante edital, com o mesmo prazo fixado no § 2º, publicado por duas vezes em jornal local de grande circulação. § 4º Presumir-se-á a anuência do confrontante que deixar de apresentar impugnação no prazo da notificação. § 5º Findo o prazo sem impugnação, o oficial averbará a retificação requerida; se houver impugnação fundamentada por parte de algum confrontante, o oficial intimará o requerente e o profissional que houver assinado a planta e o memorial a fim de que, no prazo de cinco dias, se manifestem sobre a impugnação. § 6º Havendo impugnação e se as partes não tiverem formalizado transação amigável para solucioná-la, o oficial remeterá o processo ao juiz competente, que decidirá de plano ou após instrução sumária, salvo se a controvérsia versar sobre o direito de propriedade de alguma das partes, hipótese em que remeterá o interessado para as vias ordinárias. § 7º Pelo mesmo procedimento previsto neste artigo, poderão ser apurados os remanescentes de áreas parcialmente alienadas, caso em que serão considerados como confrontantes tão-somente os confinantes das áreas remanescentes. § 8º As áreas públicas poderão ser demarcadas ou ter seus registros retificados pelo mesmo procedimento previsto neste artigo, desde que constem do registro ou sejam logradouros devidamente averbados. § 9º Independentemente de retificação, dois ou mais confrontantes poderão, por meio de escritura pública, alterar ou estabelecer as divisas entre si e, se houver transferência de área, com Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 29 o recolhimento do devido imposto de transmissão e desde que preservadas,se rural o imóvel, a fração mínima de parcelamento e, quando urbano, a legislação urbanística. § 10. Entendem-se como confrontantes não só os proprietários dos imóveis contíguos, mas, também, seus eventuais ocupantes; o condomínio geral, de que tratam os arts. 1.314 e seguintes do Código Civil, será representado por qualquer dos condôminos e o condomínio edilício, de que tratam os arts. 1.331 e seguintes do Código Civil, será representado, conforme o caso, pelo síndico ou pela Comissão de Representantes. § 11. Independe de retificação: I - a regularização fundiária de interesse social realizada em Zonas Especiais de Interesse Social, promovida por Município ou pelo Distrito Federal, quando os lotes já estiverem cadastrados individualmente ou com lançamento fiscal há mais de 10 (dez) anos; (alterado pela Lei nº 12.424/2011). II - a adequação da descrição de imóvel rural às exigências dos arts. 176, §§ 3º e 4º, e 225, § 3º, desta Lei. § 12. Poderá o oficial realizar diligências no imóvel para a constatação de sua situação em face dos confrontantes e localização na quadra. III- a adequação da descrição de imóvel urbano decorrente de transformação de coordenadas geodésicas entre os sistemas de georreferenciamento oficiais; (introduzido pela Lei nº 12.424/2011). IV - a averbação do auto de demarcação urbanísticas e o registro decorrente de projeto de regularização fundiária de interesse social de que trata a lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009; e (introduzido pela Lei nº 12.424/2011). V - o registro de parcelamento de glebas para fins urbanos anterior a 19 de dezembro de 1979, que esteja implantado e integrado à cidade, nos termos da Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009 (introduzido pela Lei nº 12.424/2011). § 13. Não havendo dúvida quanto à identificação do imóvel, o título anterior à retificação poderá ser levado a registro desde que requerido pelo adquirente, promovendo-se o registro em conformidade com a nova descrição. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 30 § 14. Verificado a qualquer tempo, não serem verdadeiros os fatos constantes do memorial descritivo, responderão os requerentes e o profissional que o elaborou pelos prejuízos causados, independentemente das sanções disciplinares e penais. § 15. Não são devidos custas ou emolumentos notariais ou de registro decorrentes de regularização fundiária de interesse social a cargo da administração pública. § 16. Na retificação de que trata o inciso II do caput, serão considerados confrontantes somente os confinantes de divisas que forem alcançadas pela inserção ou alteração de medidas perimetrais (introduzido pela Lei nº 12.424/2011). Quanto às inovações da Lei nº 10.931/2004, sua edição trouxe à realidade jurídica pátria uma inovação nas atribuições dos oficiais de registro. De certa forma, tal inovação pode e deve ser enquadrada dentro de uma análise conjuntural, em que há uma redefinição do papel do Estado-Juiz e um necessário desafogamento deste em relação a matérias que orbitam no estrito campo da vontade de partes maiores e capazes, notadamente em quadro de inexistência de lide, bem como se enquadra historicamente em um momento de retomada do crescimento econômico, busca da geração de empregos e ampliação do crédito imobiliário (CASTELLO, 2004). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 31 CLASSIFICAÇÃO DE ERROS DE REGISTROS Embora o foco seja a questão da retificação de área, quando falamos em erros, também nos reportamos a toda sorte de erros de registro que pode ser cometido, não somente em relação a área. O artigo 213 da Lei nº 6.015/73 (Lei de Registros Públicos), classificava os erros de registros em três categorias: a) Erro evidente (informal). b) Erro cuja retificação não acarrete prejuízo a terceiros (formalíssimo). c) Erro que, se retificado, pode acarretar prejuízos a terceiros (formal). Erro evidente ou acidental: é aquele normalmente cometido pelo próprio registrador. É o erro percebido à primeira vista, não exigindo exame ou maior exame para sua constatação. É erro que pode ser corrigido de ofício pelo próprio oficial registrador ou mediante a apresentação de documento ou certidão expedida por autoridade competente, ou cópias reprográficas autenticadas de tais documentos ou certidões. São erros evidentes, e com os quais constantemente nos deparamos, a troca ou nome errado das partes, omissão do regime de casamento, estado civil de algumas partes, erro ou omissão do cadastro de pessoas físicas junto ao Ministério da Fazenda e outros (HUBER, 2012). A retificação de tais erros normalmente era feita com a apresentação, novamente, do título já registrado, como Escritura Pública de Venda e Compra, Formal de Partilha ou Certidão, documento original ou cópia autenticada que comprove o erro. Esta retificação é necessária, uma vez que na apresentação de um novo documento, constando os dados corretos, não terá acesso ao Registro em decorrência dos dados divergentes. Como vimos na unidade anterior, a Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004, no seu artigo 59, introduziu profundas alterações na Lei de Registros Públicos, notadamente no que tange à retificação de registros e averbações, face a nova redação conferida aos artigos 212 e 213, sendo que a Lei nº 12.424/2011, alterou o inciso I e acrescentou os incisos III, IV e V do parágrafo II e introduziu o parágrafo 16. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 32 Com a nova redação do artigo 213 da Lei de Registros Públicos, deixou de constar os erros de registros classificados em erro evidente, erro cuja retificação não acarrete prejuízo a terceiros, e, erro que, se retificado, pode acarretar prejuízos a terceiros. A Lei nº 10.931/2004, ante a nova redação conferida aos artigos 212 e 213, da Lei nº 6015/73, conferiu o legislador ao Oficial Registrador a atribuição de retificar os registros e averbações, nos casos de omissão, imprecisão ou incorreção “se o registro ou averbação for omissa, imprecisa ou não exprimir a verdade, a retificação será feita pelo Oficial de Registro de imóveis”, ainda que, no caso da inserção ou alteração de medida perimetral resulte ou não alteração de área (inciso II do art. 213). Ocorrem hipóteses que a retificação poderá ser promovida de ofício pelo Registrador, ex officio, ou seja, sem provocação, por força do ofício exercido ou a requerimento do interessado, nos termos do contido nas letras “a” a “s”, inciso I, do artigo 213. O inciso II deste artigo, determina os atos a serem praticados pelo Registrador, somente a requerimento do interessado, inclusive em se tratando de áreas públicas (§ 8º do artigo 213 da Lei de Registros Públicos), bem como na apuração de áreas remanescentes parcialmente alienadas (§ 7º). A correção do erro encontrado ou o suprimento da omissão de qualquer dado vai depender da produção de prova, seja ela documental ou testemunhal; que por sua natureza, deve ser aferida pelo registrador ou julgador (HUBER, 2012). O exemplo mais comum é o caso de uma pessoa titular de direito real imobiliário, cujo nome verdadeiro é diferente daquele constante no registro, porém, é mais conhecido por este. O artigo 213, da Lei nº 6.015/73, antes da alteração introduzida pela Lei nº 10.931/04 estabelecia que: “A requerimento do interessado, poderá ser retificado o erro constante do registro, desde que tal retificação não acarrete prejuízo a terceiro”, complementado pelo seu § 1º: “A retificação será feita mediante despacho judicial, salvo no caso de erro evidente, o qualo oficial, desde logo, corrigirá com a devida cautela”. O erro concreto ou intercorrente era aquele previsto no § 2º do artigo 213, da lei nº 6.015/73 em cuja retificação pode resultar alteração da descrição das divisas ou da área do imóvel, podendo assim acarretar prejuízos a terceiro, motivo pelo qual eram processados judicialmente, embora sob a forma administrativa. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 33 Nesse caso, era obrigatória a citação de todos os confrontantes para se manifestarem sobre a retificação, no prazo de dez dias, concordando ou não com a retificação, além dos alienantes ou seus sucessores. A Lei nº 9.039, de 9 de maio de 1995, que modificou a redação do § 2º do artigo 213 da Lei de Registros Públicos, antes da vigência da Lei nº 10.931/04, dispensava a citação dos alienantes e eventuais sucessores, desde que a propriedade objeto de retificação pertencesse ao requerente há mais de 20 (vinte) anos, comprovado por título aquisitivo. O parágrafo 16 acrescentado pela Lei nº 12.424/2011 determina que serão considerados confrontantes somente os confinantes de divisas que forem alcançadas pela inserção ou alteração de medidas perimetrais. Os erros mais constantes verificam-se nas alienações “ad corpus”. A doutrina ministrada pelo mestre ORLANDO GOMES (1979), define que, a venda ad corpus é a que se faz com indicação de imóvel como coisa certa e discriminada, sem determinação de sua área ou estipulação do preço por medida de extensão. O imóvel é vendido como corpo certo, individualizado por suas características e confrontações, e também, por sua denominação, quando rural. Nota-se que a referência a dimensões não descaracteriza a venda 'ad corpus', se não tem função de condenar o preço. A descrição do imóvel na transação “ad corpus” é meramente enunciativa, sem a indicação correta da área e a menção correta das medidas; razão porque carrega em seu título diversos erros, exigindo muito mais vezes a necessária retificação do assento imobiliário, pois a sua descrição não permite qualquer desmembramento ou fusão, sem antes proceder a retificação para inserir as medidas e a área total (HUBER, 2012). Ainda é comum encontrarmos nos assentos imobiliários, mesmo em matrículas abertas na vigência da Lei nº 6.015/73, descrições contendo expressões como “mais ou menos”, confrontando “com quem de direito”, com “fulano de tal”, “ou seus sucessores” e diversas outras expressões, que atualmente não são mais permitidas. Os defeitos da descrição do imóvel continuam, ainda que transportado para a matrícula, uma vez que o Inciso I, do parágrafo primeiro do artigo 176 determina que: “cada imóvel terá Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 34 matricula própria, que será aberta por ocasião do primeiro registro a ser feito na vigência desta lei”. Esse primeiro registro pode ser por iniciativa do proprietário mediante requerimento ou com a apresentação de um título para registro (escritura, instrumento particular de compra e venda, mandado de penhora, contrato de financiamento, etc.). O artigo 176 foi alterado pela Lei nº 10.267, de 28 de agosto de 2001 e, posteriormente, introduzidos os parágrafos 5º, 6º e 7º pela Lei nº 11.952/2009 e parágrafo 8º pela Lei nº 12.424, de 16 de junho de 2011, contendo a seguinte redação. Art. 176. O Livro nº 2 - Registro Geral - será destinado à matrícula dos imóveis e ao registro ou averbação dos atos relacionados no art. 167 e não atribuídos ao Livro nº 3. § 1º A escrituração do Livro nº 2 obedecerá às seguintes normas: I - cada imóvel terá matrícula própria, que será aberta por ocasião do primeiro registro a ser feito na vigência desta Lei. II - são requisitos da matrícula: 1) O número de ordem, que seguirá ao infinito. 2) A data. 3) A identificação do imóvel, que será feita com indicação: a) Se rural, do código do imóvel, dos dados constantes do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR), da denominação e de suas características, confrontações, localização e área. b) Se urbano, de suas características e confrontações, localização, área, logradouro, número e de sua designação cadastral, se houver. (Redação dada ao item pela Lei nº 10.267, de 28.08.2001, DOU 29.08.2001). 4) o nome, domicílio e nacionalidade do proprietário, bem como: a) Tratando-se de pessoa física, o estado civil, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda ou do Registro Geral da cédula de identidade, ou, à falta deste, sua filiação. b) Tratando-se de pessoa jurídica, a sede social e o número de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 5) O número do registro anterior. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 35 III - são requisitos do registro no Livro nº 2: 1) A data. 2) O nome, domicílio e nacionalidade do transmitente, ou do devedor, e do adquirente, ou credor, bem como: a) Tratando-se de pessoa física, o estado civil, a profissão e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda ou do Registro Geral da cédula de identidade, ou, à falta deste, sua filiação. b) Tratando-se de pessoa jurídica, a sede social e o número de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 3) O título da transmissão ou do ônus. 4) A forma do título, sua procedência e caracterização. 5) O valor do contrato, da coisa ou da dívida, prazo desta, condições e mais especificações, inclusive os juros, se houver. § 2º Para a matrícula e registro das escrituras e partilhas, lavradas ou homologadas na vigência do Decreto nº 4.857, de 9 de novembro de 1939, não serão observadas as exigências deste artigo, devendo tais atos obedecer ao disposto na legislação anterior. § 3º Nos casos de desmembramento, parcelamento ou remembramento de imóveis rurais, a identificação prevista na alínea a do item 3 do inciso II do § 1º será obtida a partir de memorial descritivo, assinado por profissional habilitado e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais, georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro e com precisão posicional a ser fixada pelo INCRA, garantida a isenção de custos financeiros aos proprietários de imóveis rurais cuja somatória da área não exceda a 4 (quatro) módulos fiscais. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.267, de 28.08.2001, DOU 29.08.2001). § 4º A identificação de que trata o § 3º tornar-se-á obrigatória para efetivação de registro, em qualquer situação de transferência de imóvel rural, nos prazos fixados por ato do Poder Executivo. (NR) (Parágrafos 3º e 4º acrescentados pela Lei nº 10.267, de 28.08.2001, DOU 29.08.2001). § 5º Nas hipóteses do § 3º, caberá ao INCRA certificar que a poligonal objeto do memorial descritivo não se sobrepõe a nenhuma outra constante de seu cadastro Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 36 georreferenciado e que o memorial atende ás exigências técnicas, conforme ato normativo próprio (Incluído pela Lei nº 11.952/2009). § 6º A certificação do memorial descritivo de glebas públicas será referente apenas ao seu perímetro originário (Incluído pela Lei nº 11.952/2009). § 7º Não se exigirá, por ocasião da efetivação do registro do imóvel destacado de glebas públicas, a retificação do memorial descritivo da área remanescente, que somente ocorrerá a cada 3 (três) anos, contadosa partir do primeiro destaque, englobando todos os destaques realizados no período (Incluído pela Lei nº 11.952/2009). § 8º O ente público proprietário ou imitido na posse a partir da decisão proferida em processo judicial de desapropriação em curso poderá requerer a abertura de matrícula de parte de imóvel situado em área urbana ou expansão urbana, previamente matriculado ou não, com base em planta e memorial descritivo, podendo a apuração de remanescente ocorrer em momento posterior. (Incluído pela Lei nº 12.424/2011). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 37 A IMPORTÂNCIA DA ABERTURA DA MATRÍCULA A matrícula é o cerne do registro imobiliário e, portanto, da propriedade imóvel e da sua segurança jurídica, toscamente, a matrícula é uma folha de papel, em um livro ou uma ficha, que tem um número e só se refere a apenas um imóvel em particular. Na mesma medida, o imóvel possui uma só matrícula. Por isso, a matrícula é a “carteira de identidade do imóvel”, uma vez que a matrícula identifica o imóvel (SILVA, 2011). Em tempo, nas próximas unidades discorreremos sobre a legitimidade e natureza jurídica para propor retificação de título, o processo de retificação em si e os seus efeitos e importância, mas antes precisamos falar um pouco sobre a abertura da matrícula, a saber: De acordo com o Capítulo VI – da matrícula – Lei nº 6.015/73 temos: Art. 228 - A matrícula será efetuada por ocasião do primeiro registro a ser lançado na vigência desta Lei, mediante os elementos constantes do título apresentado e do registro anterior nele mencionado (Renumerado do art. 225 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975). Art. 229 - Se o registro anterior foi efetuado em outra circunscrição, a matrícula será aberta com os elementos constantes do título apresentado e da certidão atualizada daquele registro, a qual ficará arquivada em cartório. (Renumerado do § 1º do art. 225 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975). Art. 230 - Se na certidão constar ônus, o oficial fará a matrícula, e, logo em seguida ao registro, averbará a existência do ônus, sua natureza e valor, certificando o fato no título que devolver à parte, o que o correrá, também, quando o ônus estiver lançado no próprio cartório. (Incluído pela Lei nº 6.216, de 1975). Art. 231 - No preenchimento dos livros, observar-se-ão as seguintes normas: (Incluído pela Lei nº 6.216, de 1975). I - No alto da face de cada folha será lançada a matrícula do imóvel, com os requisitos constantes do art. 176, e no espaço restante e no verso, serão lançados por ordem cronológica e em forma narrativa, os registros e averbações dos atos pertinentes ao imóvel matriculado. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 38 II - Preenchida uma folha, será feito o transporte para a primeira folha em branco do mesmo livro ou do livro da mesma série que estiver em uso, onde continuarão os lançamentos, com remissões recíprocas. Art. 232 - Cada lançamento de registro será precedido pela letra “R” e o da averbação pelas letras “AV”, seguindo-se o número de ordem do lançamento e o da matrícula (ex: R-1-1, R-2-1, AV-3-1, R-4-1, AV-5-1, etc.) (Incluído pela Lei nº 6.216, de 1975). Art. 233 - A matrícula será cancelada: (Renumerado do art. 230 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975). I - Por decisão judicial. II - Quando em virtude de alienações parciais, o imóvel for inteiramente transferido a outros proprietários. III - Pela fusão, nos termos do artigo seguinte. Art. 234 - Quando dois ou mais imóveis contíguos pertencentes ao mesmo proprietário, constarem de matrículas autônomas, pode ele requerer a fusão destas em uma só, de novo número, encerrando-se as primitivas. (Renumerado do art. 231 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975). Art. 235 - Podem, ainda, ser unificados, com abertura de matrícula única: (Incluído pela Lei nº 6.216, de 1975). I - Dois ou mais imóveis constantes de transcrições anteriores a esta Lei, à margem das quais será averbada a abertura da matrícula que os unificar. II - Dois ou mais imóveis, registrados por ambos os sistemas, caso em que, nas transcrições, será feita a averbação prevista no item anterior, as matrículas serão encerradas na forma do artigo anterior. III - 2 (dois) ou mais imóveis contíguos objeto de imissão provisória na posse registrada em nome da União, Estado, Município ou Distrito Federal. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). § 1º Os imóveis de que trata este artigo, bem como os oriundos de desmembramentos, partilha e glebas destacadas de maior porção, serão desdobrados em novas matrículas, juntamente com os ônus que sobre eles existirem, sempre que ocorrer a transferência de 1 (uma) Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 39 ou mais unidades, procedendo-se, em seguida, ao que estipula o inciso II do art. 233. (Redação dada pela Lei nº 12.424, de 2011). § 2º A hipótese de que trata o inciso III somente poderá ser utilizada nos casos de imóveis inseridos em área urbana ou de expansão urbana e com a finalidade de implementar programas habitacionais ou de regularização fundiária, o que deverá ser informado no requerimento de unificação. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). § 3º Na hipótese de que trata o inciso III, a unificação das matrículas poderá abranger um ou mais imóveis de domínio público que sejam contíguos à área objeto da imissão provisória na posse. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). O artigo 176 da Lei de Registros Públicos disciplina a abertura de matrícula, indicando que o Livro nº 2 - Registro Geral - será destinado à matrícula dos imóveis e ao registro ou averbação dos atos relacionados no art. 167 e não atribuídos ao Livro nº 3. Nos termos dos referidos dispositivos, citados anteriormente, a matrícula é o primeiro ato a ser praticado na nova sistemática. Consiste na individualização do imóvel levado ao registro, porém, este só ocorre após a abertura da matrícula. Aberta a matrícula, a descrição do imóvel não irá se repetir mais. Observe-se, todavia, que averbações posteriores poderão conter a retificação de elementos da descrição ou de toda a descrição. Assim, nem sempre a descrição que abre a matrícula é a definitiva. As Normas de Serviço da Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo, no Capítulo XX, por exemplo, determinam regras precisas para a identificação e caracterização do imóvel urbano e rural, além da qualificação do proprietário, visando com isso maior segurança e credibilidade dos Registros Públicos, notadamente o Registro de Imóveis (HUBER, 2012). Os titulares do domínio, no momento em que for aberta a matrícula, deverão estar de acordo com a transcrição ou a matrícula anterior. Será o da matrícula anterior quando tiver havido, por exemplo, desmembramento, loteamento, unificação de matrículas e ou transcrições; a simples matrícula, sem nenhum registro, tem a eficácia do artigo 1.245 do Código Civil vigente, porque ao consignar o nome do proprietário, o oficial nada mais faz que transportar o que consta da transcrição (ou da matrícula) anterior. Ela assume a eficácia do registro anterior. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 40 O artigo 167, no Inciso I determina os atos de registros, sendo que os números 36 e 42 passaram a ter a seguinte redação, introduzida pela Lei nº 12.424/2011. 36. da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados,ao Distrito Federal, aos Municípios ou às entidades delegadas, e respectiva cessão e promessa de cessão. 42. da conversão da legitimação de posse em propriedade, previstas no art. 60 da Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009. Por outro lado, o Inciso II do mesmo artigo 167, determina os atos de averbações, sendo que o item 27, passou a ter nova redação e foram introduzidos os itens 28 e 29 pela Lei nº 12.424-2011, nos seguintes termos: 27 - da extinção da legitimidade de posse; 28 - da extinção da concessão de uso especial para fins de moradia; 29 - da extinção da concessão de direito real de uso. A exigência tem a ver com o princípio da continuidade, mantido e revigorado nos artigos 195, 195-A e 195-B, com seus respectivos Incisos e parágrafos, 237 e 237-A, com seus respectivos Incisos e Parágrafos da Lei nº 6.015/73, introduzidos e modificados pela Lei nº 12.424/2011. Art. 195. Se o imóvel não estiver matriculado ou registrado em nome do outorgante, o oficial exigirá a prévia matrícula e o registro do título anterior, qualquer que seja a sua natureza, para manter a continuidade do registro; Art. 195-A. O Município poderá solicitar ao registro de imóveis competente a abertura de matrícula de parte ou da totalidade de imóveis públicos oriundos de parcelamento do solo urbano, ainda que não inscrito ou registrado, por meio de requerimento acompanhado dos seguintes documentos: (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). I - planta e memorial descritivo do imóvel público a ser matriculado, dos quais constem a sua descrição, com medidas perimetrais, área total, localização, confrontantes e coordenadas preferencialmente georreferenciadas dos vértices definidores de seus limites; (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). II - comprovação de intimação dos confrontantes para que informem, no prazo de 15 (quinze) dias, se os limites definidos na planta e no memorial descritivo do imóvel público a ser matriculado se sobrepõem às suas respectivas áreas, se for o caso; (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). III - as respostas à intimação prevista no inciso II, quando houver; e (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 41 IV - planta de parcelamento assinada pelo loteador ou aprovada pela prefeitura, acompanhada de declaração de que o parcelamento se encontra implantado, na hipótese deste não ter sido inscrito ou registrado. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). § 1º Apresentados pelo Município os documentos relacionados no caput, o registro de imóveis deverá proceder ao registro dos imóveis públicos decorrentes do parcelamento do solo urbano na matrícula ou transcrição da gleba objeto de parcelamento. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). § 2º Na abertura de matrícula de imóvel público oriundo de parcelamento do solo urbano, havendo divergência nas medidas perimetrais de que resulte, ou não, alteração de área, a situação de fato implantada do bem deverá prevalecer sobre a situação constante do registro ou da planta de parcelamento, respeitados os limites dos particulares lindeiros. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). § 3º Não será exigido, para transferência de domínio, formalização da doação de áreas públicas pelo loteador nos casos de parcelamentos urbanos realizados na vigência do Decreto-Lei nº 58, de 10 de dezembro de 1937. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). § 4º Recebido o requerimento e verificado o atendimento aos requisitos previstos neste artigo, o oficial do registro de imóveis abrirá a matrícula em nome do Município. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). § 5º A abertura de matrícula de que trata o caput independe do regime jurídico do bem público. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). Art. 195-B. A União, os Estados e o Distrito Federal poderão solicitar ao registro de imóveis competente a abertura de matrícula de parte ou da totalidade de imóveis urbanos sem registro anterior, cujo domínio lhe tenha sido assegurado pela legislação, por meio de requerimento acompanhado dos documentos previstos nos incisos I, II e III do art. 195-A. (Incluído pela Lei nº 12.693, de 2012). § 1º Recebido o requerimento na forma prevista no caput, o oficial de registro de imóveis abrirá a matrícula em nome do requerente, observado o disposto no § 5o do art. 195-A. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). § 2 O Município poderá realizar, em acordo com o Estado, o procedimento de que trata este artigo e requerer, em nome deste, no registro de imóveis competente a abertura de matrícula de imóveis urbanos situados nos limites do respectivo território municipal. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011). Art. 237. Ainda que o imóvel esteja matriculado, não se fará registro que dependa da apresentação de título anterior, a fim de que se preserve a continuidade do registro. Art. 237-A. Após o registro do parcelamento do solo ou da incorporação imobiliária, até a emissão da carta de habite-se, as averbações e registros relativos à pessoa do incorporador ou referentes a direitos reais de garantias, cessões ou demais negócios jurídicos que envolvam o empreendimento serão realizados na matrícula de origem do imóvel e em cada uma das matrículas das unidades autônomas eventualmente abertas. (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 42 Segundo Cloves Huber (2012), vale lembrar que, mesmo os títulos anteriores ao Código Civil, que provam a propriedade independentemente de registro, devem ser apresentados e registrados no sistema da lei nº 6.015/73, para que o proprietário possa dispor. O título anterior ao Código Civil prova a propriedade, mas, sem registro, não permite a disponibilidade, como mostram os dispositivos citados. É o mesmo que ocorre com a transmissão causa mortis, cuja eficácia prescinde do registro, necessário apenas para exercício da disponibilidade. Se o imóvel cuja matrícula está sendo aberta é objeto de hipoteca inscrita, constará da AV. 1 o ônus, com menção do número da inscrição e especificação do Livro 2 (v.g., Livro 2-F). Não importa que sejam vários os ônus. A averbação de transporte será uma única. Como manda a lei, os atos são numerados em ordem crescente e lançados em sequência cronológica, pouco importando se são de registro ou averbação. A numeração é antecedida das letras que indicam a natureza do ato. Assim, Av. 1, R. 2, R. 3, Av. 4, R. 5, etc. Para o registro de qualquer ato que constitui direito real torna-se necessário, primeiramente, a abertura da matrícula e ato contínuo ao registro do ônus constituído sobre o imóvel. Assim, “a matrícula será efetuada por ocasião do primeiro registro a ser lançado na vigência desta lei, mediante os elementos constantes do título apresentado e do registro anterior nele mencionado” (artigo 228). A interpretação é que o registro a ser feito é unicamente aquele mencionado no título e não qualquer outro alheio ao negócio que enseja a abertura da matrícula (HUBER, 2012). Quando do registro, o oficial deve acercar-se de todos os cuidados com relação ao negócio e com o título a ser registrado já na nova matrícula, ficando-lhe vedado a consulta de outros assentamentos existentes relacionados com negócios de terceiras pessoas para modificar a matrícula, pois, a indicação do artigo 228 é clara: “A matrícula será efetuada por ocasião do primeiro registro a ser lançado na vigência desta Lei, mediante os elementos constantes no título apresentado e do registro anterior nele mencionado”. O registrador, quando da abertura da matrícula, deve observar o princípio da continuidade, ou seja, “os registros têm de observar um encadeamento subjetivo”.“A cadeia registral, jamais deverá ser interrompida, salvaguardando infinitamente a preexistência do Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 43 imóvel objeto do negócio jurídico no patrimônio do transmitente” (BALBINO FILHO, 1985, p. 58). No momento da abertura da matrícula, o oficial deve observar todos os dados constantes da transcrição ou registro existente, bem como as informações constantes do título levado a registro, sendo que estes dados não poderão alterar os dados primitivos e os registros do imóvel transacionado. Qualquer dado que por ventura venha a ser alterado pelo novo título, constitui óbice para o registro, a não ser que se proceda à necessária retificação e sua averbação na transcrição ou matrícula existente. Sendo a matrícula a expressão da individualidade do imóvel, enquanto centro das demais referências da história de suas mutações objetivas e subjetivas, indispensável quando de sua abertura, constar a completa identificação dos atuais titulares e comunheiros do imóvel (HUBER, 2012). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 44 LEGITIMIDADE E NATUREZA JURÍDICA LEGITIMIDADE PARA PROPOR RETIFICAÇÃO DO TÍTULO Na retificação de assento não se discute posse e título. A ação retificatória versa tão- somente sobre mera descrição, na qual as divisas são definidas, certas e conhecidas. Porém, faltando elementos necessários para a sua perfeição, tais como, medidas, rumos magnéticos, área total e os confrontantes atuais, a sua inserção na matrícula, ou ainda, transcrição, só é possível mediante retificação (HUBER, 2012). Já vimos que o artigo 212 da LRP diz que: Se o registro ou a averbação for omissa, imprecisa ou não exprimir a verdade, a retificação será feita pelo Oficial do Registro de Imóveis competente, a requerimento do interessado, por meio do procedimento administrativo previsto no art. 213, facultado ao interessado requerer a retificação por meio de procedimento judicial (Redação dada pela Lei nº 10.931 de 2004). Igualmente vimos que no artigo o “caput” do artigo 213 determina: “O oficial retificará o registro ou a averbação”. Os referidos dispositivos não fazem menção de proprietários, mas sim de interessado, não excluindo, entretanto, a prestação jurisdicional, a requerimento da parte prejudicada, daí o entendimento de Cloves Huber (2012) de que qualquer pessoa prejudicada ou interessada pode promover a necessária retificação. A legitimidade no caso, não fica restrita apenas àqueles portadores dos títulos do imóvel. Admite também o pedido por aquele que realmente demonstre o seu interesse na retificação, comprovando de forma inequívoca que está sendo prejudicado pelo erro existente ou omissão. Na prática, a maioria das retificações é promovida pelos proprietários titulares do domínio que, através do procedimento retificatório, procuram sanar os erros existentes no título, suprindo eventuais omissões ou acrescentando dados essenciais para melhor identificação do imóvel. Embora não comum e muitas vezes aceito por eméritos juristas e estudiosos do registro público, entendendo ser possível a retificação de assento imobiliário por terceiro que realmente tem interesse na retificação. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 45 Em diversas ocasiões, o autor citado teve a oportunidade de promover a necessária retificação em nome de pessoas que, embora não sendo titulares do domínio, obrigaram-se a proceder à retificação para que a sua escritura pública de compra e venda tivesse acesso ao registro imobiliário. Os casos mais comuns verificados ocorrem quando os vendedores falecem e o comprador ainda não levou o seu título ao registro e, ao apresentá-lo, constata-se erro que impede o seu ingresso no folio real. Nesse caso, o detentor do título (comprador) tem interesse em proceder à retificação em nome dos vendedores para regularização, pois é o único prejudicado, se não conseguir registrar o título de compra e venda. É comum, em caso de doação, na qual, os donatários não levam a escritura de doação ao registro, só o fazendo quando do falecimento do doador. Apontado o título, se este apresenta erro e, em consequência, seja impedido o seu acesso no registro, toma-se necessário a retificação para a correção do erro impeditivo. Também ocorrem tais erros quando da realização do inventário ou arrolamento, e o registro só é possível mediante a retificação de assento imobiliário de algum imóvel, para que o Formal de Partilha tenha acesso ao Cartório de Registro de Imóveis da comarca onde os bens inventariados estão situados. O artigo 212 da Lei de Registros Públicos, com a alteração introduzida pela Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004, prevê a retificação, por meio de procedimento administrativo, facultando ao interessado requerer a retificação por meio de procedimento judicial. Ainda que se trate de normas públicas, a intervenção do Ministério Público faz-se desnecessário em qualquer procedimento retificatório, administrativo ou judicial, em decorrência da nova redação dos artigos 212 a 214, introduzida pela Lei nº 10.931/04. A atuação do Ministério Público tinha caráter fiscalizador, visava no decorrer do processo o cumprimento das disposições legais aplicáveis à espécie. Sua participação no processo era obrigatória sob pena de nulidade, mas suas exigências, se infundadas, poderiam ser indeferidas pelo juiz, bem como sua manifestação contrária ao pedido não impedia o deferimento da retificação pelo juiz (MACEDO; SEHBE, 2011; HUBER, 2012). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 46 NATUREZA JURÍDICA DA AÇÃO DE RETIFICAR É importante lembrarmos que o advento do novo Código Civil, o novo disciplinamento da sociedade civil brasileira também refletiu na propriedade imobiliária como um todo. No que tange aos registros públicos, foram ampliados na lei civil, sem embargos da manutenção dos já tradicionais, os princípios norteadores dos registros imobiliários, ratificando- se a presunção de veracidade das inscrições dos álbuns imobiliários. Igualmente a Lei nº 10.931 de 2004 em seu artigo 59 trouxe alterações quanto aos registros imobiliários que deram nova redação aos arts. 212, 213 e 214 da LRP como vimos. Segundo Luciano Lopes Passarelli (2008, p. 79): a retificação de registro imobiliário colima, em sua faceta teleológica, fazer com que o registro espelhe fielmente a situação fática e a realidade jurídica do imóvel, ou no dizer de Afrânio de Carvalho, o registro tem por objetivo estabelecer uma correspondência tão exata quanto possível entre a situação registral e a realidade externa, sejam quais forem as vicissitudes por que passe o imóvel. A ação de retificação do registro no aspecto jurídico ocorre por falta de requisitos legais e pela falta do título causal, refletindo-se o resultado no registro. A retificação de registro imobiliário é uma ação de direito real, visando a tutela de um direito real e, consequentemente, o domínio decorrente do defeito existente no registro e finalmente, o seu reparo (HUBER, 2012). Na ação de retificação não há discussão da posse ou do domínio, o que se pretende é a retificação de um erro constante no registro. Caso ocorra impugnação fundamentada à pretensão do requerente, a ação de retificação torna-se contenciosa e segue-se o rito ordinário. O princípio da presunção e da fé pública, atribuídos ao registro,só pode ser por meio de ação ordinária. O artigo 216 da LRP preceitua que o registro poderá também ser retificado ou anulado por sentença em processo contencioso, ou por efeito do julgado em ação de anulação ou de declaração de nulidade de ato jurídico, ou de julgado sobre fraude à execução. Permanecendo o registro subsistem também os seus efeitos legais. O registro imobiliário recepciona os atos de registros e averbações dos títulos apresentados para registro ou dos atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintivos de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em lei, não importando ser por atos “inter vivos” ou Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 47 “causa mortis”, quer para a sua constituição, transferência e extinção, quer para a sua validade em relação a terceiros, quer ainda para a sua disponibilidade (artigo 172, da Lei de Registros Públicos). O código Civil Brasileiro de 1.916 reportava sobre a aquisição da propriedade imóvel e sua transferência no registro de do imóvel, nos artigos 530 a 553. No atual Código Civil (Lei 10.406/2002), a aquisição da propriedade imóvel está disciplinada nos artigos 1.228 a 1.259. Assim, adquire-se a propriedade imóvel “entre vivos mediante a transcrição do título translativo no Registro de Imóveis”, (artigo 1.245). A aquisição por acessão de dá: I - Por formação de ilhas. II - Por aluvião. III - Por avulsão. IV - Por abandono de álveo. V - Por plantações ou construções, nos termos do artigo 1.248 do Código Civil. Todos os títulos translativos da propriedade imóvel por ato entre vivos estão sujeitos a registro no respectivo Cartório de Registro de Imóveis, da situação do imóvel (artigo 1.245, caput). Além dos atos entre vivos, serão também transcritos no registro: a) Os julgados, pelos quais, nas ações divisórias, se puser termo à indivisão. b) As sentenças, que, nos inventários e partilhas, adjudicarem bens de raiz em pagamento das dívidas da herança. c) A arrematação e as adjudicações em hasta pública. Considera-se transferido o domínio somente na data em que ocorrer a transcrição (registro), artigo 1.245, do Código Civil. O artigo 167 da Lei nº 6.015/73, no Inciso I, especifica todos os atos de registro, enquanto que o Inciso II, determina os atos sujeitos a averbação. O registro tem por finalidade assegurar a eficácia do ato contra terceiros, ou seja, “erga omnes”, cujos atributos são: a) Publicidade do ato, conferida pelo Estado, através do seu órgão competente, que é o registro imobiliário. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 48 b) Força probante, fundada na fé pública inerente ao registro, pois a lei presume pertencer o direito real à pessoa em cujo nome foi ele transcrito. c) Sua legalidade, decorrente do exame feito pelo oficial do registro de todos os documentos apresentados para a transcrição, opondo as dúvidas que caso ocorrerem. d) Sua obrigatoriedade, devendo ser efetuada no cartório da situação do imóvel. O registro de imóveis é fonte de informação e segurança da propriedade imobiliária, acompanham a vida dos direitos reais sobre os bens imóveis, conhecidos como “bens de raiz”, pois, no registro devem constar as eventuais alterações, inclusive as constrições judiciais, quando determinadas ou requeridas (HUBER, 2012). Por processo administrativo, entende-se ser aquele que se instala no juízo gracioso sem forma e figura de litígio, para resolver ou normalizar, pela vontade e concordância das partes, certa situação jurídica, ou coordenar, conciliar e proteger interesses opostos não contestados. Por processo contencioso, compreende-se aquele promovido por uma das partes e com contestação de outra, o que se traduz por via de ação ordinária e um processo de conhecimento, concluindo com a sentença constitutiva declaratória. No caso de inserção ou alteração de medida perimetral de que resulte, ou não, alteração de área, o requerimento do interessado deverá ser instruído com planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de Anotação de Responsabilidade Técnica no competente Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, bem assim pelos confrontantes. Não ocorrendo a assinatura do confrontante na planta e memorial, o mesmo será notificado pelo Oficial de Registro de Imóveis competente, desde que requerido pelo interessado, para se manifestar em 15 (quinze) dias. Com as alterações nos artigos 212 a 214 da Lei de Registros Públicos, dada pelas Leis nº 10.931/2004 e nº 12.424/11, é expressamente dispensada a citação ou intimação do alienante e seus sucessores, ainda que o procedimento retificatório seja judicial. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 49 O PROCESSO DE RETIFICAÇÃO DO REGISTRO IMOBILIÁRIO A Lei de Registros Públicos no seu artigo 212 permitia a retificação do registro quando este não exprimir a verdade: “Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o prejudicado reclamar sua retificação, por meio de processo próprio”. O Código Civil (Lei nº 3.071, de 1° de janeiro de 1.916) no seu artigo 860, já autorizava a retificação do registro do imóvel, quando o teor não exprimir a verdade. Assim, o artigo 212 da Lei de Registros Públicos, conservou os mesmos princípios. O parágrafo único do artigo 860 do Código Civil conservava a responsabilidade do alienante, que continuava como dono, enquanto o título não for levado a registro, nos seguintes termos: Se o teor do registro de imóveis não exprimir a verdade, poderá o prejudicado reclamar que se retifique. Parágrafo único. Enquanto se não transcrever o título de transmissão, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel, e responde pelos seus encargos. Relembremos que o processo retificatório do registro do imóvel previsto desde a vigência do Código Civil de 1917, foi introduzido no Decreto nº 4.857/39, artigos 227 e 228 e conservado pela atual Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/73). O atual Código Civil (Lei nº 10.406/2.002), em vigência a partir de 11 de janeiro de 2003, em seu artigo 1.247 manteve o procedimento retificatório dispondo que “se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. § único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente”. Novamente temos que a retificação visa o conserto do erro existente no registro, de modo a adequar a situação fática do imóvel e evitar prejuízos futuros ao proprietário ou interessado. Quando imperfeito o título, é previsto a retificação para a correção do “erro constante do registro”, conforme regra os artigos 212 e 213, com a nova redação introduzida pelas Leis nº 10.931, de 2 de fevereiro de 2.004 e Nº 12.424 de 16 de junho e 2011. Lembremos ainda que os princípios fundamentais que regem o registro imobiliário são os da publicidade, conservação e responsabilidade dos oficiais de registro. Pelos atos registrários, Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 50 seus assentos são de acesso a qualquer interessado. A conservação permite o arquivo permanente do histórico imobiliário. Pelo princípio da responsabilidade, os oficiais respondem pelos prejuízos causados por culpa ou dolo, pessoalmente ou por seus prepostos. Acrescentemos ainda a fundamental força probante de fé pública em todos os registros. O código de 1916 referia-se à transcrição comoprimeira hipótese de aquisição da propriedade imóvel. Na verdade, o vocábulo não exprimia a realidade porque não se transcrevia integralmente o título no registro, isto é, não ocorria sua transposição pura e simples, como ainda hoje sucede. A lei registrária vigente refere-se apenas a registro e averbação, que são feitos na matrícula do imóvel, onde deve ser inserida toda a vida jurídica do bem. Com a introdução da matrícula em nosso sistema imobiliário, passou-se a tomar como base o próprio imóvel no registro, que no diploma anterior levava em conta o titular de direito (VENOSA, 2005). Voltemos à promulgação da Lei dos Registros Públicos em 1973, que regra todos os atos notariais e registrais do Brasil, quando foi disciplinada a retificação dos assentos dos registros públicos que aqui nos interessam especificamente os artigos 212, 213 e 216 (registros imobiliários). Os artigos 212 e 213 são voltados a regular a intervenção judicial na correção dos registros, excetuada a hipótese de erro evidente. O artigo 216 contempla a hipótese de retificação como consequência de sentença proferida em processo contencioso ou que tivesse por objeto anulação ou declaração de nulidade de ato jurídico ou de julgado sobre fraude à execução (MACEDO; SEHBE, 2011). Parece que estamos indo e vindo, nos artigos e interesse, mas é importante frisar essa situação da retificação que não é a substituição de um registro por outro e muito menos o cancelamento da transcrição ou matrícula do imóvel. A retificação é feita através de averbação nos registros existentes, podendo ser à margem da transcrição, quando o registro permanece transcrito no Livro “3” ou na matrícula, quando ocorreu a sua abertura em decorrência de qualquer ato praticado na vigência da Lei nº 6.015/73. Atualmente é aberta nova Matrícula para o imóvel retificado constando inicialmente a área certa e retificada, fazendo a necessária averbação na matrícula anterior e seu encerramento (HUBER, 2012). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 51 Os artigos 212 e 213 da Lei nº 6.015/73, alterados pelas Leis nº 10.931/04 e nº 12.424/11, permite a retificação pelo procedimento administrativo, diretamente ao Oficial do Registro de Imóveis, onde se localiza o imóvel, a requerimento do proprietário ou da parte prejudicada. Nos termos dos novos dispositivos, as divergências encontradas entre o título apresentado e o registro existente podem ser retificadas administrativamente pelo Oficial de Registro de Imóveis, ou pelo procedimento judicial junto ao juízo da comarca onde localizar o imóvel retificando. Segundo Luiz Henrique Ferreira Sacchetto (2012), as retificações do registro de imóveis bipartem-se em dois grupos, o das retificações judiciais e o das retificações administrativas, lembrando que, embora já previstas na legislação anteriormente, as retificações administrativas eram notadamente mais restritas. Retificação judicial, como se depreende do nome, é a retificação feita por ordem de um juiz, através de processo próprio, podendo ser contenciosas ou não contenciosas, conforme o conflito de interesses envolvido, e as retificações administrativas. Retificação administrativa, por sua vez, é a feita por despacho do próprio registrador, também chamadas “extrajudiciais”, podendo ser unilaterais, com participação unicamente do interessado, e bilaterais, quando dependem também da intervenção de terceiros. As retificações administrativas podem ser feitas ainda de ofício, diretamente pelo registrador, em caso de comprovado “erro evidente”, nas hipóteses previstas na Lei n° 6.015/73. Convém esclarecer que a expressão “retificação de registro”, embora assim consagrada pela doutrina, referindo-se a princípio apenas a “registro”, aplica-se também às averbações e às matrículas dos imóveis, mesmo se estas não possuírem nenhum registro ou averbação. Neste caso, tem o termo “registro”, portanto, sentido lato. A retificação, propriamente dita, é feita, contudo, por ato de averbação na matrícula, vedadas formas simplificadas como “em tempo”, “nota” ou quaisquer outros adendos (SACCHETTO, 2012). Os instrumentos ou meios para a retificação do registro imobiliário podem ser resumidos nos seguintes: Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 52 1ª) voluntariamente pelas partes, v.g., através de Escritura Pública de re-ratificação, que depois será levada a registro: Esse tipo de retificação geralmente acontece quando as partes outorgantes e outorgados comparecem novamente no Cartório de Notas e retificam os erros verificados quando da lavratura da primeira e ratificam os demais atos. Essa retificação não é usada para consertar erros existentes no registro, e sim para consertar os erros constantes nas escrituras por não observação dos dados corretos existentes no Registro de Imóveis. Não há processo judicial ou administrativo de retificação de escritura (HUBER, 2012). Por outro lado, ocorre caso de retificação de erro de medidas ou aumento de área nos imóveis podem ser resolvidos, mediante escritura de re-ratificação, devendo dela participarem as mesmas pessoas que compareçam no ato da celebração do negócio instrumentalizado. Com o advento da Lei nº 10.931/2004, que acrescentou o parágrafo nono no artigo 213 da Lei de Registros Públicos, autorizou entre os confrontantes, por meio de escritura pública alterar ou estabelecer as divisas entre si, nos seguintes termos: § 9º Independentemente de retificação, dois ou mais confrontantes poderão, por meio de escritura pública, alterar ou estabelecer as divisas entre si e, se houver transferência de área, com o recolhimento do devido imposto de transmissão e desde que preservadas, se rural o imóvel, a fração mínima de parcelamento e, quando urbano, a legislação urbanística. 2ª) Administrativamente, por iniciativa do próprio Oficial do Registro, de ofício: A lei faculta a possibilidade da correção do erro constante no registro pelo Oficial quando houver de sua parte, na matrícula ou na transcrição, erro evidente, podendo desde logo, corrigir o erro com a devida cautela (artigo 213, inciso I, letras “a” a “g”). A Lei de Registros Públicos não especifica quais são os equívocos evidentes que deverão ser corrigidos de ofício. Entre os equívocos evidentes citamos o erro de dados no momento do registro, sendo que neste caso o erro deverá ser corrigido de ofício, restabelecendo assim, a fidelidade do título registrado. Tais erros em geral são corrigidos com a apresentação de prova hábil, de modo a comprovar a divergência. Entre os equívocos mais comuns estão os que ocorrem com o número da Cédula de Identidade ou Cadastro de Pessoas Físicas e estado civil. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 53 3ª) Administrativamente, a requerimento do interessado, com ou sem notificação de terceiros, com ou sem decisão judicial. 4ª) Administrativamente a requerimento dos confrontantes. 5º) Judicialmente, em processo contencioso (ação ordinária) conforme art. 216 da LRP, não alterado pela Lei nº 10.931/04, a requerimento de qualquer interessado (PAIVA, 2004). Jamais pode-se processar por via administrativa. Neste tipo de retificação há necessariamente um conflito de interesses instalado. Uma das partes quer a retificação e a outra a repele: se para uma delas o registro se encontra preciso e regular, para outra pode se encontrar inadequado ou omisso, cabendo ao juiz determinar o correto (SACCHETTO, 2012). Muitas vezes, uma retificação administrativa pode se converter em retificação judicial. Como exemplo, podeser citado o caso da retificação de área de que trata o art. 213, inciso II, da Lei nº 6.015/73. A parte interessada na retificação de área a propõe ao registrador imobiliário da circunscrição do imóvel; este, por sua vez, exige, dentre outras providências, a anuência expressa de todos os confrontantes do imóvel a ser retificado; não havendo a anuência de um deles, o registrador notifica o omisso para eventual impugnação, a ser apresentada perante o registro predial. Como prevê o § 6º do mesmo dispositivo, não havendo transação amigável e insistindo o notificado na manutenção da impugnação, não cabe mais ao registrador a conclusão do processo, devendo este efetuar a remessa ao juiz competente. A retificação, antes administrativa, passa, então, à esfera judicial. O que aconteceu foi que o legislador ampliou os poderes do Oficial do Registro de Imóveis para a simplificação do procedimento de retificação do registro e elencou as hipóteses em que o Sr. Oficial poderá atuar “de ofício”, retirando tanto quanto possível a intervenção do Juiz no processo retificatório. O objetivo foi simplificar o sistema, normando algumas questões que já vinham sendo objeto de posicionamento pelo Judiciário. Retificação quanto ao promovente pode ser feita: a) De ofício, pelo Oficial de Registro de Imóvel (213, I, “a” e “e”). b) Pelo interessado, pessoa em cujo nome consta o registro (213, I, “a” a “g” e II). c) Pelos confrontantes (213, II, in fine). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 54 d) Pelo terceiro prejudicado (CF 5, XXII, XXXIII, XXXV, XXXVI, LIV e LV)). A redação do atual art. 213 norma as hipóteses da retificação poder ser feita “de ofício” e a “requerimento do interessado”; todavia, o artigo foi subdividido em dois itens, sendo que no “item I” constam as hipóteses de retificação pelo “oficial e a requerimento do interessado” e no “item 2” as hipóteses de retificação somente a “requerimento do interessado”; o mais técnico, o mais correto seria que no “item I” estivessem relacionadas as hipóteses em que o Oficial do Registro possa fazer a retificação “de ofício” e no “item 2” as hipóteses em que o interessado possa pedir a retificação através de “requerimento”. Quanto à forma, o novo sistema permite que a retificação obedeça os seguintes procedimentos: a) Procedimento administrativo simplificado, de ofício. b) Procedimento administrativo simplificado a requerimento do interessado ou dos confrontantes. c) Procedimento administrativo com notificação de terceiros. d) Procedimento administrativo, com impugnação sem acordo e decisão do Juiz Corregedor. e) Procedimento judicial, pelas vias ordinárias, garantido o contraditório. Quanto ao procedimento, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.931/04, temos os seguintes meios para promover as retificações: a) Por escritura pública, levada depois a registro. b) Por ato do oficial, de ofício. c) Por processo administrativo simplificado, tanto a requerimento do interessado como de ofício, com ou sem decisão judicial. d) Por processo judicial contencioso (ação ordinária). Quanto ao foro, a retificação do registro pode processar-se: a) Diretamente no Cartório, perante o Oficial do Registro no foro da localização do imóvel. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 55 b) Perante o Juiz Corregedor ao qual está subordinado o respectivo Cartório Registral, quando a ele remetido pelo Oficial nas hipóteses previstas no art. 213 e seus §§. c) Na Justiça comum, perante o Juiz de Direito da Comarca onde se situa o imóvel referido no registro. O art. 212 deu ao interessado, pessoa em cujo nome está feito o registro, a oportunidade de requerer ao Oficial do Registro de Imóveis competente, por meio do procedimento administrativo a retificação, que também poderá ser feita por meio de procedimento judicial (PAIVA, 2004). O que deve ficar claro é que essas modificações se prestam à melhor realização dos serviços de registro, por possibilitar que a retificação dos dados se dê, em certos casos, no próprio âmbito cartorário, tornando despicienda a morosa via judicial (OLIVEIRA, 2007). Mais uma vez, vale lembrar que a retificação não enseja a substituição de um registro por outro, e nem tampouco o cancelamento do registro, mas opera tão-somente a correção do erro constatado. Quanto à retificação total, esta ocorre quando implica no desaparecimento do registro, tirando do mundo jurídico a eficácia do assento imobiliário. Os casos mais conhecidos e praticados de desaparecimento de eficácia são aqueles de cancelamento de registro e fusão de matrículas. Neste caso, estas deixam de existir porque a sua eficácia é transportada para uma nova matrícula aberta, na qual foram incorporados dois ou mais imóveis, que antes eram autônomos, tornando-se único com a fusão. A fusão só é possível quando os imóveis são contíguos, podendo em um só processo serem retificados e ao final a sua fusão, nascendo assim um único imóvel e, em consequência, desaparecendo aqueles. Para validade do ato, deve ser respeitado os princípios da especialidade e continuidade, bem como os mesmos proprietários. A Lei de Registros Públicos, nos artigos 234 e 235, disciplinam o procedimento, sendo ao final encerradas as matrículas dos imóveis objetos de fusão e aberto nova matrícula para o imóvel no seu todo, oriundos das referidas matrículas. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 56 A retificação parcial corrige apenas a inexatidão do registro, sem contudo, eliminá-lo, portanto, mantendo-o na íntegra. Ocorre quando se retifica a descrição do imóvel, do nome do proprietário, da área, do acréscimo do usufruto omitido, da averbação de abertura de rua, etc. O cancelamento de diversos atos no registro também pode ser parcial. Cancela-se a cláusula de inalienabilidade, sem, contudo, cancelar a cláusula de incomunicabilidade. Cancela- se também a penhora, o usufruto, sem proceder qualquer alteração com relação à descrição do imóvel e os seus respectivos proprietários (HUBER, 2012). Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 57 EFEITOS E IMPORTÂNCIA DA RETIFICAÇÃO EFEITOS DA RETIFICAÇÃO A retificação do registro imobiliário, nos termos do artigo 172 do Código Civil vigente, em se tratando de negócio anulável, pode ser confirmada pelas partes, salvo direito de terceiro. A confirmação de negócio anulável retroage a data da celebração do ato, portanto, com efeito “ex tunc”, ou seja, retroativo, tornando válido o negócio desde a sua formação, resguardando-se entretanto, direitos já constituídos de terceiros (HUBER, 2012). Realizada a retificação, desaparece a nulidade do ato viciado, o qual não poderá mais ser invocada, uma vez que deixou de existir, face a irrevogabilidade do ato retificatório e a validade da obrigação em definitiva. A arguição de nulidade só pode ser invocada única e exclusivamente pelos prejudicados com o negócio ou por seus representantes legítimos, não podendo ser decretado “ex officio” pelo juiz e também consertado “ex officio” pelo Oficial do Registro sem a posse do título original para comprovar a sua omissão. A retificação do nome no Cartório de Pessoas Naturais não se confunde com a retificação do nome no Registro Imobiliário. Aquele refere-se a retificação do nome no assento de nascimento, portanto, é ato relativo à pessoa. Este refere-se ao erro do nome constante no Registrode Imóveis, ou seja, diferente do nome constante no assento de nascimento ou casamento, ou seja, o nome que figura no Cartório de Registro Civil, devendo, entretanto, fazer prova que se cuida da mesma pessoa que figura no título. No caso trata-se de retificação de natureza tipicamente administrativa, mediante requerimento do interessado. Como se vê, existe um único interessado ou titular do direito, sem envolvimento de outras pessoas no registro. Refere-se à inserção ou modificação de dados de qualificação pessoal das partes, a qual deverá ser comprovada por documentos oficiais, ou mediante despacho judicial quando houver necessidade de produção de outras provas. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 58 IMPORTÂNCIA DA RETIFICAÇÃO DO REGISTRO IMOBILIÁRIO Segundo CLOVES HUBER (2012), a disposição retificatória prevista na Lei nº 6.015/73 e disposições anteriores, fundamentam-se nos Códigos alemão e suíço. O artigo 894 do Código alemão dispõe: Quando o teor do Livro Imobiliário, relativamente a um direito real imobiliário, a um direito gravando em igual direito, a uma restrição do direito de dispor da espécie indicada no artigo 892, 1ª alínea, não concorda com a verdadeira situação jurídica, aquele cujo direito não está inscrito, ou não o está exatamente, ou se encontra indevidamente onerado de um encargo ou restrição realmente inexistente, pode pedir ao que tem o seu direito atingido pela retificação para que consinta nesta retificação. O Código Civil suíço dispõe no art. 975: Aquele cujos direitos reais estiverem lesados por uma inscrição feita ou por inscrições modificadas ou canceladas sem causa legítima pode exigir o cancelamento ou a modificação. Permanecem ressalvados os direitos adquiridos pelos terceiros de boa-fé pela inscrição, assim como todas as perdas e danos. O Código Civil Brasileiro de 1916, no artigo 530, estabelecia que: adquire-se a propriedade imóvel, pela transcrição do título de transferência no Registro de Imóvel. Referia ainda o artigo 531, que: estão sujeitos à transcrição, no respectivo registro, os títulos translativos da propriedade imóvel, por ato entre vivos. O artigo 1.245 do atual Código Civil em vigência manteve o mesmo entendimento determinando que: “Transfere-se entre vivos a propriedade mediante a transcrição do título translativo no Registro de Imóveis”. Entende-se como registro o ato de transcrição e inscrição, de acordo com as normas civis, sendo o primeiro os títulos de transmissão ou de declaração da propriedade imobiliária, enquanto que a inscrição refere-se aos títulos que constituem ônus reais. O antigo Código Civil em seu artigo 550 indicava a usucapião como forma de adquirir o domínio do imóvel, desde que possuía como seu por 20 (vinte) anos, sem interrupção, nem oposição, podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual lhe servirá de título para a transcrição no Registro de Imóveis. No atual Código Civil, ocorreram diversas mudanças com relação à aquisição da propriedade imóvel por usucapião, estabelecendo no artigo 1.239 que “Aquele que, não sendo Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 59 proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinquenta hectares, tomando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade”. Completa os artigos 1.240, 1.241 e 1.242 que: Art. 1240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil § 2º o direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. Art. 1241. Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapião, a propriedade imóvel. Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste artigo constituirá título hábil para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Art. 1242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos. Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico. Assim, o registro do imóvel volta a ser referenciado no Código Civil de 2.002 no artigo 1.245, enquanto que o artigo 1.247 dispõe sobre a retificação do registro de imóveis, se o seu teor não exprimir a verdade, poderá o prejudicado reclamar que se retifique. O direito de retificação do registro de imóvel que não exprimir a verdade é resguardado desde a vigência do Código Civil Brasileiro, em 10 de janeiro de 1917. Além do direito de retificação do registro quando não exprimir a verdade o Código Civil revogado, já determinava no seu art. 967: Se, aquele, que indevidamente recebeu o imóvel, o tiver alienado, deve assistir o proprietário na retificação do registro, nos termos do art. 860 sendo que estes dispositivos determinavam que o alienante deve assistir o proprietário na retificação do registro. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 60 O Código Civil em vigência não faz menção, quanto a responsabilidade daquele que indevidamente recebe e, sendo alienado, deverá assistir o proprietário no processo de retificação. O artigo 1.247 autoriza o interessado reclamar que se retifique ou anule, se o registro não exprimir a verdade. Se cancelado o registro, autoriza o proprietário reivindicar o imóvel, independente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente. O artigo 216 da Lei nº 6.015/73 completa o procedimento a ser tomado ao regrar que: “O Registro poderá também ser retificado ou anulado por sentença em processo contencioso ou por efeito de julgado em ação de anulação ou de declaração de nulidade de ato jurídico, ou de julgado sobre fraude à execução”. Conforme se verifica o registro imobiliário não é imutável, no caso de não exprimir a realidade jurídica ou a veracidade dos fatos, poderá, no caso, ser modificado a pedido do prejudicado e com audiência da parte interessada (Lei nº 6.015/73, artigos 212,213 e 216). Existe a possibilidade da retificação e da anulação do registro, que deve ser sempre feito judicialmente, sendo apenas admitido à retificação administrativa prevista no artigo 213 da Lei nº 6.015/73, desde que não prejudique terceiro. A Lei de Registros Públicos, no entanto, não faz qualquer referência ao alienante ou seus sucessores na retificação de registro, dispensando inclusive a sua notificação para manifestar sobre o requerimento, quando da retificação, mesmo que resulte alteração da descrição das divisas ou da área do imóvel retificando (HUBER, 2012). De todo modo, Miguel Maria De Serpa Lopes (1997, p. 318) é categórico ao afirmar que a ação de retificação tem caráter real, sendo semelhante a ação negatória, de vez que se destina a desfazer uma lesão do direito, lesão esta consistente na inexatidão do registro, e assim, reconhecendo um direito, fazer ordenar por meio de julgamento ao Oficial do Registro de Imóveis, queproceda às modificações necessárias. Na prática, o procedimento retificatório de registro permite a correção de eventuais erros existentes nos assentos registrais, visando assim, a exatidão do ato, em cumprimento ao princípio da especialidade, de modo a ensejar confiança aos interessados na publicidade imobiliária, já que o registro de imóveis deve ser fiel, exato, preciso, não podendo conter erros ou falhas que o desnaturem nem lhe diminuam o valor probante da garantia patrimonial da pessoa. Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 61 REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS BÁSICAS ALMEIDA, Washington Carlos de. Direito Imobiliário. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. HUBER, Clóves. Retificação de área: o novo procedimento da ação de retificação do registro no assento imobiliário, introduzido pelas leis ns. 10.931/04 e 12.424/11. Leme (SP): BH Editora, 2012. REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES ALVARENGA, Luiz Carlos. 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