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O colo é a extensão inferior do corpo do 
útero e consiste em duas regiões 
anatômicas, a superior, que se inicia no 
istmo do útero e a inferior, porção 
vaginal da cérvice uterina que adentra a 
porção superior do útero. 
A cérvice é percorrida pelo canal 
cervical, conectando a vagina à cavidade 
uterina. O colo é recoberto por duas 
camadas: uma interna, chamada mucosa 
ou endocérvice, e outra externa, que 
equivale ao miométrio denominada 
ectocérvice. Esta consiste de um tecido 
conjuntivo denso e escassos feixes de 
células musculares lisas que correm em 
diferentes direções. 
A endocérvice, contém glândulas 
tubulares secretoras de muco revestidas 
por um epitélio simples cilíndrico 
mucossecretor com células ciliadas. As 
glândulas às vezes se tornam ocluídas e 
dilatadas, de modo a originar estruturas 
císticas denominados cistos de Naboth. 
A camada mucosa não tem artérias 
espiraladas, sofre pouca alteração de 
espessura durante o ciclo menstrual e não 
é descamada durante o período da 
menstruação. Durante o ciclo menstrual, 
porém, as glândulas cervicais sofrem 
importante alterações funcionais e estão 
relacionadas ao transporte dos 
espermatozoides dentro do canal. 
Durante a ovulação, o muco é menos 
viscoso e alcalino, duas condições que 
favorecem a penetração dos 
espermatozoides. Após a ovulação, o 
muco se torna viscoso e ácido, duas 
condições desfavoráveis para a 
penetração dos espermatozoides. 
O segmento externo da cérvice, a 
ectocérvice, é a porção do colo que se 
projeta até a vagina, e é revestido por um 
epitélio estratificado pavimentoso não- -
queratinizado. Além disso, apresente 4 
camadas celulares: 
→ Camada Superficial: apresenta 
células grandes, que parecem discos, 
com núcleos centrais e minúsculos, 
também denominada de camada 
descamativa, vai se descamar para dar 
origem à novas células. 
→ Camada Intermediária: apresenta 
células menores do que as da camada 
superficial, mas com núcleos mais 
evidentes, também denominada de 
camada descamativa, vai se descamar 
para dar origem à novas células. 
→ Camada Parabasal: composta de 
células ovoides de núcleo central. 
→ Camada Basal: mais interna, 
apresenta células minúsculas com o 
núcleo não evidente, essas células vão se 
diferenciar em outras camadas. 
O ponto onde o epitélio escamoso e o 
colunar se encontram é chamado de 
junção escamocolunar. 
No início da menarca, a produção de 
estrogênios pelo ovário estimula a 
maturação da mucosa escamosa cervical 
e vaginal e a formação de vacúolos de 
glicogênio intracelular nas células 
escamosas. À medida que essas células 
descamam, o glicogênio fornece um 
substrato para microrganismos vaginais 
endógenos aeróbios e anaeróbios, mas 
particularmente para os lactobacilos, que 
são a espécie microbiana dominante na 
vagina normal. 
Os lactobacilos produzem ácido lático, 
que mantém o pH vaginal abaixo de 
suprimindo o crescimento de outros 
organismos saprófitas e patogênicos. 
Além disso, em pH baixo, os lactobacilos 
produzem peróxido de hidrogênio 
(H2O2) bacteriotóxico. Se o pH se tornar 
alcalino devido a sangramento, relação 
sexual ou uso de ducha vaginal, a 
produção de H202 pelos lactobacilos 
diminui. A terapia com antibióticos que 
suprime os lactobacilos também pode 
fazer com que o pH aumente. Em cada 
uma dessas condições, o ambiente 
vaginal alterado promove o crescimento 
excessivo de outros microrganismos, o 
que pode resultar em cervicite ou 
vaginite. 
Contudo, infecções por gonococos, 
clamídia, micoplasma e vírus do herpes 
simples podem produzir cervicite aguda 
ou crônica significativa, e sua 
identificação é importante devido à sua 
associação com doenças do trato genital 
superior, complicações durante gravidez 
e transmissão sexual. Uma inflamação 
cervical pronunciada produz alterações 
reparadoras e reativas no epitélio e 
descamação de células escamosas de 
aparência atípica, e, portanto, podem 
causar um resultado anormal e 
inespecífico no exame de Papanicolaou. 
 
As HPVs de alto risco são de longe o 
fator mais importante no 
desenvolvimento do câncer de colo 
uterino. Os HPVs são vírus DNA. 
As infecções genitais por HPV são 
extremamente comuns; a maioria é 
assintomática e não causa qualquer 
alteração do tecido, não sendo, 
consequentemente, detectadas no teste 
de Papanicolaou. A prevalência do HPV 
nos esfregaços cervicais em mulheres 
com resultados normais no exame de 
Papanicolaou tem seu pico entre as 
idades de 20 e 24 anos, uma relação que 
tem conexão com o início da atividade 
sexual, enquanto a subsequente 
diminuição na prevalência reflete a 
aquisição de imunidade e a preferência 
por relações monogâmicas com a idade. 
Os HPVs infectam as células basais 
imaturas do epitélio escamoso em áreas 
de ruptura epitelial ou células escamosas 
metaplásicas imaturas presentes na 
junção escamocolunar. Os HPVs não 
infectam as células superficiais 
escamosas maduras que recobrem a 
ectocérvice, a vagina e a vulva. O 
estabelecimento da infecção por HPV 
nesses locais requer lesão do epitélio 
superficial, permitindo o acesso do vírus 
às células imaturas da camada basal do 
epitélio. O colo uterino, com suas áreas 
relativamente grandes de epitélio 
escamoso metaplásico imaturo, é 
particularmente vulnerável à infecção 
por HPV, quando comparado, por 
exemplo, com a pele e a mucosa da 
vulva, que são recobertas por células 
escamosas maduras. 
• Bizotto Thais Santana Gastardelo, et al. 
HISTOLOGIA: Texto e Atlas. 1st ed. 
São José do Rio Preto, SP: THS Editora; 
2021. 12, Sistema Reprodutor Feminino: 
Colo do Útero; p. 403 – 406. 
• Junqueira L. C., et al. Histologia Básica: 
Texto e Atlas. 12th ed. [place unknown]: 
EDITORA GUANABARA KOOGAN 
LTDA; 2013. 
• Kierszenbaum Abraham L., et al. 
Histologia e Biologia Celular: Uma 
Introdução à Patologia. 4th rev. ed. Rio 
de Janeiro: Elsevier Editora Ltda.; 2016. 
• Ross Michael H., et al. Ross Histologia 
Texto e Atlas: Correlações com Biologia 
Celular e Molecular. 7th rev. ed. Rio de 
Janeiro: EDITORA GUANABARA 
KOOGAN LTDA; 2016. 
• Livro - Robbins – Patologia: bases 
patológicas das doenças.

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