Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Anatomia e Histologia do Sistema
Digestório Alto
Este material didático aborda a anatomia macroscópica e microscópica (histologia) do
sistema digestório alto, integrando conceitos fisiológicos fundamentais. O objetivo é
fornecer uma compreensão aprofundada das estruturas e funções envolvidas na
digestão inicial, desde a cavidade oral até o estômago, com base em referências
clássicas da fisiologia e histologia.
1. Organização Geral do Tubo Digestório
O tubo digestório, também conhecido como trato gastrointestinal, é uma estrutura
tubular contínua que se estende da boca ao ânus. Sua principal função é processar os
alimentos ingeridos, extrair nutrientes e eliminar resíduos. Para cumprir essa
complexa tarefa, o tubo digestório apresenta uma organização estrutural padronizada,
composta por camadas concêntricas que variam ligeiramente em suas características
ao longo de seu percurso.
1.1. Conceito de Tubo Digestório
O tubo digestório é um sistema orgânico que atua na digestão e absorção de
nutrientes. Ele é responsável pela ingestão, propulsão, digestão mecânica e química,
absorção e eliminação. É um sistema altamente regulado, com controle neural e
hormonal que coordena suas diversas funções.
1.2. Camadas Básicas
Independentemente da região específica, a parede do tubo digestório é geralmente
composta por quatro camadas concêntricas principais, que, de dentro para fora (do
lúmen para a periferia), são: a mucosa, a submucosa, a muscular própria e a serosa ou
adventícia. Cada camada possui componentes específicos que contribuem para as
funções gerais e especializadas do trato gastrointestinal.
1.2.1. Mucosa
A mucosa é a camada mais interna, em contato direto com o lúmen do tubo
digestório. É uma barreira seletiva que facilita a absorção de nutrientes e protege
contra agentes nocivos. É composta por três subcamadas:
Epitélio: Varia em tipo celular e função dependendo da região. Na cavidade oral,
faringe e esôfago, é estratificado pavimentoso, oferecendo proteção contra
abrasão. No estômago e intestinos, é simples colunar, especializado em secreção
e absorção.
Lâmina Própria: Uma camada de tecido conjuntivo frouxo que sustenta o
epitélio, contendo vasos sanguíneos, vasos linfáticos, nervos e células do sistema
imune (como linfócitos e plasmócitos).
Muscular da Mucosa (Muscularis Mucosae): Uma fina camada de músculo liso
que permite o movimento local da mucosa, auxiliando na mistura do conteúdo
luminal e na exposição da superfície absortiva.
1.2.2. Submucosa
A submucosa é uma camada de tecido conjuntivo denso irregular que se localiza
abaixo da muscular da mucosa. É rica em vasos sanguíneos e linfáticos, que
transportam os nutrientes absorvidos, e contém o plexo submucoso (de Meissner),
uma rede nervosa que regula a secreção glandular e o fluxo sanguíneo local. Além
disso, pode abrigar glândulas submucosas, como as glândulas esofágicas e duodenais.
1.2.3. Muscular Própria (Muscularis Externa)
A muscular própria é a principal camada responsável pelos movimentos peristálticos
e de segmentação que impulsionam e misturam o conteúdo alimentar. Geralmente, é
composta por duas subcamadas de músculo liso:
Camada Circular Interna: Contrai-se para diminuir o diâmetro do lúmen,
formando anéis de constrição.
Camada Longitudinal Externa: Contrai-se para encurtar o segmento do tubo
digestório.
Entre essas duas camadas, encontra-se o plexo mioentérico (de Auerbach), que
coordina a atividade contrátil da muscular própria. No estômago, uma terceira
camada oblíqua interna é adicionada, conferindo maior capacidade de mistura.
1.2.4. Serosa / Adventícia
A camada mais externa do tubo digestório pode ser uma serosa ou uma adventícia:
Serosa: É uma membrana serosa fina, composta por tecido conjuntivo frouxo e
revestida por um epitélio simples pavimentoso (mesotélio). Presente em órgãos
intraperitoneais, como o estômago e grande parte do intestino, a serosa reduz o
atrito entre os órgãos e a parede abdominal, facilitando o movimento.
Adventícia: É uma camada de tecido conjuntivo denso irregular que se funde
com o tecido conjuntivo circundante. Presente em órgãos retroperitoneais ou
que estão fixos a outras estruturas, como o esôfago torácico e o reto, a adventícia
tem a função de fixar o órgão em sua posição.
1.3. Plexos Nervosos Entéricos
O sistema nervoso entérico (SNE) é uma divisão do sistema nervoso autônomo que
opera de forma independente, mas é modulado pelo sistema nervoso central. Ele é
composto por dois plexos principais, que controlam as funções motoras e secretoras
do trato gastrointestinal.
1.3.1. Plexo Submucoso (de Meissner)
Localizado na submucosa, este plexo é responsável principalmente pela regulação da
secreção glandular, da absorção e do fluxo sanguíneo local na mucosa. Ele recebe
informações sensoriais do epitélio e coordena as respostas secretoras e vasomotoras.
1.3.2. Plexo Mioentérico (de Auerbach)
Situado entre as camadas circular interna e longitudinal externa da muscular própria,
o plexo mioentérico é o principal responsável pela coordenação dos movimentos
peristálticos e de segmentação. Ele controla a motilidade do tubo digestório,
garantindo a propulsão eficiente do alimento e sua mistura com as enzimas digestivas.
2. Cavidade Oral ‒ Anatomia
A cavidade oral, ou boca, é a porta de entrada do sistema digestório, onde se iniciam
os processos de ingestão, mastigação e insalivação. É uma estrutura complexa que
também desempenha papéis cruciais na fala e na percepção gustativa.
2.1. Limites da Cavidade Oral
A cavidade oral é delimitada superiormente pelo palato duro e mole, inferiormente
pelo assoalho da boca (formado principalmente pela língua e músculos supra-
hióideos), anteriormente pelos lábios, lateralmente pelas bochechas e posteriormente
pelo istmo das fauces, que a conecta à orofaringe.
2.2. Vestíbulo x Cavidade Oral Propriamente Dita
A cavidade oral é dividida em duas partes:
Vestíbulo da Boca: É o espaço em forma de fenda entre os lábios e as bochechas
externamente, e os dentes e gengivas internamente.
Cavidade Oral Propriamente Dita: É o espaço interno aos dentes e gengivas,
contendo a língua e se estendendo posteriormente até o istmo das fauces.
2.3. Palato Duro e Palato Mole
O palato duro forma os dois terços anteriores do teto da boca, sendo constituído por
processos palatinos da maxila e lâminas horizontais dos ossos palatinos, revestidos
por mucosa. O palato mole (ou véu palatino) é o terço posterior do teto da boca, uma
estrutura muscular e fibrosa, sem suporte ósseo, que se estende posteriormente e
inferiormente, terminando na úvula. Durante a deglutição, o palato mole eleva-se para
fechar a comunicação entre a orofaringe e a nasofaringe, impedindo que o alimento
entre nas vias aéreas superiores.
2.4. Úvula
A úvula é uma pequena projeção cônica de tecido mole que pende da margem
posterior do palato mole. Sua função é auxiliar no fechamento da nasofaringe durante
a deglutição e contribuir para a articulação de certos sons da fala.
2.5. Língua (Regiões)
A língua é um órgão muscular altamente móvel, essencial para a mastigação,
deglutição, fala e paladar. É dividida em duas partes principais:
Corpo (2⁄3 anteriores): Localizado na cavidade oral propriamente dita, é a
porção mais móvel e visível da língua. Sua superfície dorsal apresenta papilas
linguais.
Raiz (1⁄3 posterior): Fixada ao assoalho da boca e à epiglote, faz parte da
orofaringe e contém a tonsila lingual.
2.6. Dentes (Tipos)
Os dentes são estruturas duras e calcificadas, essenciais para a mastigação. Em
adultos, existem 32 dentes permanentes, divididos em quatro tipos, cada um com
funções específicas:
Incisivos: Dentes anteriores, com borda afiada, para cortar os alimentos.
Caninos: Dentes pontiagudos, para rasgar os alimentos.
Pré-molares: Dentes com duas cúspides, para triturar e moer.
Molares: Dentes posteriores, com múltiplas cúspides, para moer e esmagar os
alimentos.
2.7. Glândulas SalivaresMaiores
As glândulas salivares maiores são responsáveis pela produção da maior parte da
saliva, que lubrifica os alimentos, inicia a digestão de carboidratos e lipídios, e possui
propriedades antimicrobianas. Existem três pares principais:
Glândulas Parótidas: As maiores glândulas salivares, localizadas anteriormente
às orelhas. Produzem saliva serosa, rica em amilase salivar (ptialina).
Glândulas Submandibulares: Localizadas no assoalho da boca, abaixo da
mandíbula. Produzem saliva mista (serosa e mucosa), contribuindo com a maior
parte do volume salivar total.
Glândulas Sublinguais: As menores glândulas salivares maiores, localizadas
abaixo da língua. Produzem saliva predominantemente mucosa.
3. Cavidade Oral ‒ Histologia
A histologia da cavidade oral revela a complexidade de seus tecidos, adaptados para
proteção, sensação e secreção.
3.1. Epitélio da Mucosa Oral
A mucosa oral é revestida por um epitélio estratificado pavimentoso, que pode ser
queratinizado, paraqueratinizado ou não queratinizado, dependendo da região e da
função. A queratinização confere maior resistência à abrasão.
3.2. Mucosa Mastigatória, de Revestimento e Especializada
A mucosa oral é classificada em três tipos funcionais:
Mucosa Mastigatória: Encontrada em áreas sujeitas a atrito e pressão durante a
mastigação (gengivas e palato duro). Possui epitélio queratinizado ou
paraqueratinizado e lâmina própria densa, firmemente aderida ao periósteo.
Mucosa de Revestimento: Cobre as superfícies menos sujeitas a atrito (lábios,
bochechas, assoalho da boca, palato mole). Possui epitélio não queratinizado e
lâmina própria mais frouxa, permitindo maior mobilidade.
Mucosa Especializada: Restrita à superfície dorsal da língua, onde abriga as
papilas linguais e os botões gustativos, responsáveis pela percepção do paladar.
3.3. Papilas Linguais
As papilas linguais são projeções da lâmina própria da mucosa da língua, revestidas
por epitélio, que conferem à superfície dorsal da língua uma textura áspera e irregular.
Existem quatro tipos principais:
Papilas Filiformes: As mais numerosas, pequenas e cônicas, distribuídas por
toda a superfície dorsal. Possuem epitélio queratinizado e não contêm botões
gustativos. Sua função é mecânica, auxiliando na manipulação dos alimentos.
Papilas Fungiformes: Menos numerosas, em forma de cogumelo, dispersas
entre as filiformes, principalmente na ponta e nas laterais da língua. Possuem
epitélio não queratinizado e contêm botões gustativos em sua superfície
superior.
Papilas Circunvaladas (Valadas): As maiores, em número de 7 a 12, localizadas
na parte posterior da língua, formando um forma de “V” invertido. São
circundadas por um sulco profundo, onde se abrem as glândulas serosas de Von
Ebner, que lavam os botões gustativos. Contêm numerosos botões gustativos nas
paredes laterais.
Papilas Foliadas: Localizadas nas margens laterais posteriores da língua, são
pregas paralelas da mucosa. Contêm botões gustativos, mas são menos
desenvolvidas em humanos.
3.4. Botões Gustativos
Os botões gustativos são estruturas ovais especializadas na percepção do paladar,
localizadas principalmente nas papilas fungiformes, circunvaladas e foliadas, além de
outras áreas da cavidade oral e faringe. Cada botão gustativo é composto por cerca de
50 a 100 células, incluindo células gustativas (receptoras), células de suporte e células
basais. As células gustativas possuem microvilosidades apicais que se projetam para
um poro gustativo, onde entram em contato com as substâncias químicas dissolvidas
na saliva (gustatógenos), desencadeando a transdução do sabor.
3.5. Estrutura das Glândulas Salivares
As glândulas salivares são glândulas exócrinas que produzem saliva. Sua estrutura
histológica é composta por unidades secretoras (ácinos) e um sistema de ductos que
transporta a saliva para a cavidade oral.
3.5.1. Ácinos Serosos
Os ácinos serosos são unidades secretoras arredondadas, compostas por células
serosas que produzem uma secreção aquosa, rica em proteínas e enzimas, como a
amilase salivar. As células serosas possuem núcleo arredondado basal, citoplasma
basofílico e grânulos de zimogênio apicais.
3.5.2. Ácinos Mucosos
Os ácinos mucosos são unidades secretoras tubulares, compostas por células
mucosas que produzem uma secreção viscosa, rica em mucinas. As células mucosas
possuem núcleo achatado basal e citoplasma claro, devido à presença de grânulos de
mucinogênio que se dissolvem durante o processamento histológico.
3.5.3. Ácinos Mistos e Semiluas Serosas
Algumas glândulas salivares possuem ácinos mistos, que contêm tanto células
serosas quanto mucosas. Frequentemente, as células serosas formam uma estrutura
em forma de crescente na periferia dos ácinos mucosos, conhecida como semilua
serosa (de Giannuzzi). A secreção serosa dessas semiluas flui através de canalículos
intercelulares para o lúmen do ácino mucoso.
3.5.4. Sistema de Ductos
O sistema de ductos das glândulas salivares é complexo e modifica a composição da
saliva. Inclui:
Ductos Intercalares: Pequenos ductos revestidos por epitélio cúbico simples,
que se conectam aos ácinos.
Ductos Estriados: Ductos maiores, revestidos por epitélio colunar com
invaginações basais e mitocôndrias, conferindo um aspecto estriado. São
responsáveis pela reabsorção de sódio e cloreto e secreção de potássio e
bicarbonato, tornando a saliva hipotônica.
Ductos Excretores: Os maiores ductos, revestidos por epitélio colunar
estratificado ou pseudoestratificado, que transportam a saliva para a cavidade
oral.
4. Faringe
A faringe é um tubo muscular que serve como passagem comum para o ar e os
alimentos, conectando a cavidade nasal e oral ao esôfago e à laringe. Sua função é
crucial na deglutição e na respiração.
4.1. Anatomia da Faringe
A faringe é dividida em três regiões principais:
Nasofaringe: A porção superior, localizada posteriormente à cavidade nasal e
superior ao palato mole. É exclusivamente respiratória e contém as tonsilas
faríngeas (adenoides).
Orofaringe: A porção média, localizada posteriormente à cavidade oral,
estendendo-se do palato mole até a epiglote. É uma passagem comum para o ar
e os alimentos e contém as tonsilas palatinas e linguais.
Laringofaringe (Hipofaringe): A porção inferior, localizada posteriormente à
laringe, estendendo-se da epiglote até o esôfago. Também é uma passagem
comum para o ar e os alimentos, e se bifurca para o esôfago (posteriormente) e a
laringe (anteriormente).
4.2. Função Digestiva x Respiratória
A faringe desempenha um papel duplo no sistema digestório e respiratório. Durante a
respiração, ela permite a passagem do ar para a laringe e traqueia. Durante a
deglutição, uma série de eventos coordenados ocorre para garantir que o alimento
seja direcionado para o esôfago e não para as vias aéreas. O palato mole eleva-se para
fechar a nasofaringe, e a epiglote se dobra sobre a abertura da laringe, protegendo as
vias aéreas.
4.3. Histologia da Faringe
A histologia da faringe reflete sua dupla função e as diferentes condições às quais suas
regiões são expostas.
4.3.1. Epitélios da Faringe
Nasofaringe: Revestida por epitélio pseudoestratificado colunar ciliado com
células caliciformes, semelhante ao epitélio respiratório, devido à sua função
exclusivamente respiratória.
Orofaringe e Laringofaringe: Revestidas por epitélio estratificado
pavimentoso não queratinizado, que oferece proteção contra a abrasão
causada pela passagem dos alimentos.
4.3.2. Músculos da Deglutição
A parede da faringe é composta por músculos esqueléticos que são essenciais para o
processo de deglutição. Estes incluem os músculos constritores da faringe (superior,
médio e inferior), que impulsionam o bolo alimentar para o esôfago, e os músculos
elevadores da faringe, que elevam a faringe e a laringe durante a deglutição.
5. Esôfago ‒ Anatomia e Histologia
O esôfago é um tubo muscular que conecta a faringe ao estômago, transportando o
bolo alimentar atravésde movimentos peristálticos. Sua estrutura é adaptada para
essa função de transporte.
5.1. Anatomia do Esôfago
5.1.1. Trajeto e Divisões
O esôfago é um tubo de aproximadamente 25 cm de comprimento em adultos, que se
estende do nível da cartilagem cricoide (C6) até o cárdia do estômago (T11). Ele
atravessa o pescoço, o tórax (passando pelo mediastino posterior) e o diafragma
(através do hiato esofágico). É dividido em três porções principais: cervical, torácica e
abdominal.
5.1.2. Esfíncter Esofágico Superior (EES)
O esfíncter esofágico superior é uma zona de alta pressão localizada na junção
faringoesofágica, formada principalmente pelo músculo cricofaríngeo. Ele permanece
contraído em repouso para impedir a entrada de ar no esôfago durante a respiração e
relaxa durante a deglutição para permitir a passagem do bolo alimentar.
5.1.3. Esfíncter Esofágico Inferior (EEI)
O esfíncter esofágico inferior é uma zona fisiológica de alta pressão na junção
gastroesofágica, não sendo um esfíncter anatômico distinto, mas sim uma
combinação de fatores, incluindo o tônus intrínseco do músculo liso esofágico, a
pressão do diafragma e o ângulo de entrada do esôfago no estômago. Ele impede o
refluxo do conteúdo gástrico ácido para o esôfago.
5.1.4. Junção Gastroesofágica
A junção gastroesofágica é a transição entre o esôfago e o estômago. É um ponto de
mudança abrupta na histologia, onde o epitélio estratificado pavimentoso do esôfago
se encontra com o epitélio simples colunar do estômago. Esta junção é clinicamente
importante devido à sua suscetibilidade a condições como a doença do refluxo
gastroesofágico (DRGE) e o esôfago de Barrett.
5.2. Histologia do Esôfago
A parede do esôfago segue o padrão geral do tubo digestório, mas com algumas
especializações.
5.2.1. Epitélio Estratificado Pavimentoso
A mucosa esofágica é revestida por epitélio estratificado pavimentoso não
queratinizado, que oferece proteção contra a abrasão causada pela passagem dos
alimentos. A lâmina própria é rica em tecido linfoide.
5.2.2. Glândulas Esofágicas
O esôfago possui dois tipos de glândulas:
Glândulas Esofágicas Cardíacas: Localizadas na lâmina própria, principalmente
nas extremidades superior e inferior do esôfago. Produzem muco para
lubrificação e proteção.
Glândulas Esofágicas Próprias: Localizadas na submucosa, distribuídas ao
longo de todo o esôfago. Produzem muco neutro e bicarbonato, auxiliando na
lubrificação e na proteção contra o ácido gástrico que possa refluir.
5.2.3. Camada Muscular Própria
A composição da camada muscular própria do esôfago varia ao longo de seu
comprimento:
Terço Superior: Composto predominantemente por músculo estriado
esquelético, permitindo o controle voluntário da deglutição.
Terço Médio: Apresenta uma mistura de músculo estriado e músculo liso.
Terço Inferior: Composto exclusivamente por músculo liso, sob controle
involuntário do sistema nervoso entérico.
6. Estômago ‒ Anatomia Macroscópica
O estômago é um órgão em forma de “J” localizado na parte superior do abdome,
entre o esôfago e o duodeno. Sua principal função é armazenar alimentos, misturá-los
com sucos gástricos e iniciar a digestão de proteínas, formando o quimo.
6.1. Regiões do Estômago
O estômago é dividido em quatro regiões principais:
Cárdia: A região de transição entre o esôfago e o estômago, onde o esôfago se
abre para o estômago. Recebe esse nome pela sua proximidade com o coração.
Fundo: A porção superior e arredondada do estômago, localizada acima do nível
da abertura esofágica. Armazena gases e alimentos não digeridos.
Corpo: A maior parte do estômago, localizada entre o fundo e o antro pilórico. É
onde ocorre a maior parte da mistura e digestão.
Antro Pilórico: A porção inferior do estômago, que se estreita em direção ao
piloro. Responsável pela mistura e propulsão do quimo em direção ao duodeno.
Piloro: A região final do estômago, que se conecta ao duodeno. Contém o
esfíncter pilórico.
6.2. Curvatura Maior e Curvatura Menor
O estômago possui duas curvaturas:
Curvatura Maior: A margem lateral e inferior mais longa e convexa do estômago.
Curvatura Menor: A margem medial e superior mais curta e côncava do
estômago.
6.3. Esfíncter Pilórico
O esfíncter pilórico é um anel espesso de músculo liso localizado no piloro, que
controla a liberação do quimo do estômago para o duodeno. Ele se contrai para reter o
quimo no estômago para digestão e relaxa intermitentemente para permitir a
passagem de pequenas quantidades de quimo para o intestino delgado.
7. Camadas do Estômago (Histologia)
A histologia do estômago revela adaptações especializadas para suas funções de
armazenamento, mistura e digestão.
7.1. Túnicas do Estômago
A parede do estômago, como outras partes do tubo digestório, é composta pelas
quatro camadas básicas, mas com modificações importantes.
7.1.1. Mucosa
A mucosa gástrica é caracterizada por pregas longitudinais chamadas rugas gástricas
(que permitem a expansão do estômago) e por uma superfície irregular com pequenas
depressões chamadas fossetas gástricas (ou fovéolas gástricas). Na base das fossetas,
abrem-se as glândulas gástricas.
Epitélio Simples Colunar: Reveste toda a superfície luminal do estômago e as
fossetas gástricas. É composto por células mucosas superficiais que produzem
um muco alcalino e espesso, protegendo a mucosa do ambiente ácido do
estômago.
Lâmina Própria: Preenche os espaços entre as glândulas gástricas, contendo
tecido conjuntivo frouxo, vasos sanguíneos, linfáticos e células imunes.
Muscular da Mucosa: Consiste em duas ou três camadas finas de músculo liso,
permitindo o movimento da mucosa.
7.1.2. Submucosa
A submucosa gástrica é composta por tecido conjuntivo denso irregular, contendo
vasos sanguíneos e linfáticos, e o plexo submucoso (de Meissner). Não possui
glândulas submucosas, exceto na região da cárdia e do piloro.
7.1.3. Muscular Própria
A muscular própria do estômago é particularmente robusta e possui três camadas de
músculo liso, o que confere ao estômago uma grande capacidade de mistura e
trituração dos alimentos:
Camada Oblíqua Interna: A mais interna, orientada obliquamente, é exclusiva
do estômago e contribui para a ação de mistura.
Camada Circular Média: A camada intermediária, orientada circularmente, é a
mais espessa e responsável pela contração que mistura o quimo.
Camada Longitudinal Externa: A camada mais externa, orientada
longitudinalmente, contribui para o encurtamento do estômago.
7.1.4. Serosa
A serosa gástrica é a camada mais externa, composta por tecido conjuntivo frouxo
revestido por mesotélio, cobrindo a maior parte do estômago, que é um órgão
intraperitoneal.
7.2. Glândulas Gástricas e Células Gástricas
As glândulas gástricas são tubulares e se estendem da base das fossetas gástricas até a
muscular da mucosa. A composição celular dessas glândulas varia ligeiramente entre
as regiões do estômago (cárdia, fundo/corpo, piloro), mas as principais células
secretoras são:
Células Mucosas do Colo: Localizadas no colo das glândulas, produzem um
muco mais fluido e menos alcalino que as células mucosas superficiais. Também
podem ser precursoras de outras células glandulares.
Células Parietais (Oxyntic Cells): Células grandes e piramidais, localizadas
principalmente na porção superior das glândulas do fundo e corpo. Produzem
ácido clorídrico (HCl) e fator intrínseco, essencial para a absorção de vitamina
B12. Possuem uma extensa rede de canalículos intracelulares e muitas
mitocôndrias, refletindo sua alta atividade metabólica.
Células Principais (Chief Cells): Localizadas na base das glândulas do fundo e
corpo. Produzem pepsinogênio, um precursor inativo da pepsina (enzima
proteolítica), e lipase gástrica. Possuem um retículo endoplasmático rugoso
bem desenvolvido e grânulos de zimogênio.
Células Enteroendócrinas (Células G, Células D, etc.): Células dispersas entre
as outras células glandulares, que produzem hormônios e peptídeos
reguladores.Exemplos incluem as células G, que secretam gastrina (estimula a
secreção de HCl), e as células D, que secretam somatostatina (inibe a secreção
de HCl e gastrina).
Células-Tronco: Localizadas na região do istmo e colo das glândulas, são
responsáveis pela renovação contínua do epitélio gástrico, que tem uma alta
taxa de renovação devido ao ambiente ácido e abrasivo.
Referências
[1] Guyton, A. C., & Hall, J. E. (2021). Tratado de Fisiologia Médica (14ª ed.). Elsevier. [2]
Junqueira, L. C., & Carneiro, J. (2013). Histologia Básica (12ª ed.). Guanabara Koogan.

Mais conteúdos dessa disciplina