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OS PRÉ-SOCRÁTICOS 1. Características 2. O Binômio: unidade/multiplicidade de opiniões 3. Heráclito 4. Parmênides ADRIANO DONIZETE RODRIGUES 1. Características A filosofia pré-socrática se caracteriza pela preocupação com a natureza do mundo exterior. Cosmogonia - típica do pensamento mítico explica como do caos surge o cosmo - deuses- forças da natureza. Cosmologia - as explicações rompem com a religiosidade - arché (princípio) não está no mito, mas princípio teórico. 3. Heráclito de Éfeso O Eleatismo - 2º os historiadores é que teria inaugurado explicitamente tanto a problemática lógica quanto a ontológica: especulações entre o conhecer e o ser. Heráclito e Parmênides apresentam explicações diferentes acerca do ser e de sua percepção. 3. Heráclito/ 4. Parmênides A filosofia perguntava-se sobre o origem do mundo e as causas da transformação da natureza. Qual era o fundo eterno e imutável que permanecia sempre idêntico a si mesmo, apesar da multiplicidade e da transformação das coisas, ou seja: Qual era o ser subjacente a todos os seres? Com Parmênides, a filosofia se tornou uma ontologia, isto é, um conhecimento ou um saber sobre o ser. Para HERÁCLITO, a natureza (o mundo, a realidade) era fluxo perpétuo: todas as coisas estavam submetidas à mudança contínua. Tudo se transforma em seu contrário, tal e qual a chama de uma vela que transforma a cera em fogo, o fogo em fumaça e a fumaça em ar. O dia vira noite, o novo velho, o quente esfria... 1. Histórico Nasceu em Éfeso na Jônia (544- 484 a.C), tal como seus contemporâneos pré-socráticos, busca compreender a multiplicidade do real. Ao contrário deles, não rejeita as contradições, quer apreender a realidade na sua mudança, no seu devir. Portanto, não há de ser estático, e o dinamismo pode bem ser representado pela metáfora do fogo: forma visível de instabilidade, símbolo da eterna agitação do devir. “o fogo que ora se acende e ora se apaga”. HERÁCLITO “Se todas as coisas não cessam de transformar, como podemos explicar que nossa percepção nos ofereça as coisas como se fossem estáveis e permanentes?” Tema central em Heráclito: Indica a diferença que nossos sentidos nos oferecem e o conhecimento que o nosso pensamento alcança: Nossos sentidos nos oferecem a imagem da estabilidade e nosso pensamento alcança a verdade como mudança contínua. Heráclito chama atenção para a perene mobilidade de todas as coisas que são: nada permanece imóvel e nada permanece em estado de fixidez e estabilidade, mas tudo se move, tudo muda, tudo se transforma, sem cessar e sem exceção. Heráclito exprime essa verdade pelo exemplo da imagem do fluir de um rio: De quem desce ao mesmo rio vêm ao encontro águas sempre novas. O devir de Heráclito Nada permanece e tudo devém, ou seja, apenas o devir das coisas é permanente, no sentido de que, para Heráclito, as coisas não tem realidade senão o devir. (o eterno vir a ser). Todavia, a filosofia de Heráclito está bem longe de se reduzir à mera proclamação do fluxo universal das coisas: para ele esta é a constatação de partida para umas inferências muito mais agudas e profundas, que agora devemos tentar individualizar e precisar. Os opostos nos quais o devir se desdobra e sua oculta harmonia O devir de que falamos é caracterizado por um contínuo fluir das coisas de um contrário ao outro: “As coisas frias se aquecem, as coisas quentes de esfriam, as coisas úmidas secam, e assim por diante.” O devir é um contínuo conflito de contrários que se alternam, uma perene luta de um contra o outro. O fogo como princípio de todas as coisas O fogo é o elemento fundamental (arque) e todas as outras coisas não são mais que transformações do fogo. O fogo é vida que vive da morte do combustível, é incessante transformação em fumaça e cinzas. Segundo Heráclito: “ O raio governa todas as coisas” E o raio é, justamente, o fogo divino; e ao fogo-Deus, Heráclito parece também atribuir uma função escatológica de juiz supremo: “ Sobrevindo o fogo, julgará e condenará todas as coisas” De acordo com os fragmentos: “ A natureza humana não possui conhecimentos, a natureza divina sim”, e “Só existe uma sabedoria: reconhecer a inteligencia que governa todas as coisas através de todas as coisas.” Fica claro que este princípio de lógos, o que, como muitos sustentam, se não quer dizer propriamente razão e inteligencia, mas antes, regra segundo a qual todas as coisas se realizam e lei comum a todas as coisas e que a todas governa — inclui racionalidade e inteligencia. Para Heráclito o ser é MULTIPLO. Por estar constituído de oposições internas. O que mantém o fluxo do movimento não é simples aparecer de novos seres, mas a luta de contrários, pois a “guerra é pai de todos, rei de todos”. É da luta que nasce a harmonia, como síntese dos contrários. Pode-se dizer que Heráclito teve a intuição lógica da dialética a ser elaborada por Hegel e depois por Marx no século XIX. PARMÊNIDES Só podemos pensar sobre aquilo que permanece sempre idêntico a si mesmo, ou seja, que o pensamento não pode pensar sobre as coisas que não são, ou seja, que ora são de um jeito e ora são de outro (invariáveis). Para Parmênides: conhecer é alcançar o idêntico, o imutável. Pensar é o mesmo que dizer o que um ser é, em sua identidade profunda e permanente. PARMÊNIDES “Perceba que tanto Heráclito, quanto Parmênides afirmam que perceber e pensar são diferentes. Mas Parmênides o dizia em sentido oposto ao que dizia Heráclito: Para Parmênides percebemos mudanças impensáveis e devemos pensar identidades imutáveis. Formulou pela primeira vez o princípio de identidade, segundo ele o que está fora do ser não é ser, o não-ser é nada, portanto o ser é um. ( o UNO) Sua principal e única obra conhecida e da qual ainda restam fragmentos, é um longo poema filosófico em duas partes e 150 versos, Da natureza ou Sobre a verdade, onde dois terços se referem à metafísica e um terço à física. Defendia a forma esférica da Terra.