Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

CAFÉ FILOSÓFICO |
01/03/2026 | A EXCLUSÃO DA
LOUCURA - EDUARDO TORRE
Lido
→ Temos uma constante contradição: de um lado, a visão da loucura como
doença mental, como um erro a ser corrigido, um defeito a ser extirpado. De
outro, a concepção de que loucura faz parte da condição humana, de que ela é
uma parte fundamental da nossa existência — olhando para o fenômeno da
loucura com muito cuidado para que possamos aurir formas de pensamentos,
sensibilidades que enriquecem as experiências individuais e coletivas.
→ Nessa segunda concepção que a reforma psiquiátrica vem construindo esse
processo de abertura antimanicomial. Brasil foi um dos maiores países do
mundo com instituições exilares, milhares de pessoas internadas em condições
sub-humanas. Esse processo remonta à época do império, no mundo isso
ocorre na modernidade. 
→ Nietzsche e Foucault como chaves interpretativas fundamentais para que a
gente possa separar o joio do trigo, entender como a psiquiatria capturou a
experiência da loucura do conceito de doença mental e de como podemos
desconstruir esse conceito de doença mental.
→ Nietzsche nos dá essa visão através de uma história não-linear, com o
conceito de Genealogia. Uma história não linear, uma história feita por rupturas.
E ela desafia a historiografia tradicional. 
→ Tradicionalmente no ocidente, construiu-se essa ideia de que a história seria
uma jornada evolucionista linear, em direção a uma sociedade mais avançada.
Claramente é uma visão colonizatória que precisamos desconstruir. Através da
genealogia podemos fazer isso, entender que a história não é feita de uma
linha contínua, de conhecimentos que se superam em direção ao
conhecimento total. 
→ No lugar de uma história não linear, pensamos numa história por rupturas.
Pensamos em pequenos começos, como diz Foucault: melhor método para
entender meu pensamento é o método de Nietzsche. Nietzsche é um contra
filósofo. 
CAFÉ FILOSÓFICO | 01/03/2026 | A EXCLUSÃO DA LOUCURA - EDUARDO TORRE 1
→ No auge do pensamento científico e consolidação do capitalismo, Nietzsche
olhou para a filosofia e permitiu que víssemos esse pensamento ocidental —
platônico e socrático — essa filosofia que ele chamou de metafísica, que pensa
através de verdades absolutas, valores morais absolutos, a ideia de que seria
possível através da razão encontrar as verdade ocultas, o ordem na natureza…
toda essa concepção filosófica é questionada frontalmente através da
genealogia. 
→ Nietzsche olha para o ocidente e diz que somos uma civilização decadente.
Porque ele diz que todo pensamento que busca a verdade absoluta é um
pensamento que enfraquece a humanidade. Portanto, precisamos de um
pensamento nômade, um pensamento que seja afirmativo da vida, um
pensamento que não pense por verdade absolutas, mas que pense pelo
contínuo questionamento das verdades. Não para negar todas as verdades,
mas para afirmar verdades como verdades provisórias. Isso transforma nossa
relação com o conhecimento, porque nos coloca a possibilidade de que todas
as teorias que conhecemos são formas de interpretação da realidade, de
compreensão da existência, que não são verdade absolutas, são interpretações
possíveis, sempre associadas a um tempo histórico e uma determinada
dinâmica social. Como diz Foucault, as épocas pensam apenas aquilo que
podem e não mais do que isso. 
→ Os pequenos começos são esses momentos históricos em que existe a
invenção de formas de olhar um fenômeno e a ruptura com a forma anterior. A
grande novidade da genealogia em Nietzsche e Foucault, é permitir que a
gente entenda que todas as interpretações da realidade são invenções sobre a
realidade, e não descobertas de uma essência da natureza.
→ Isso nos coloca diante de um grande desafio, pois envolve repensar todos
os 25 séculos de filosofia ocidental e produzir novas bases para o
conhecimento contemporâneo. Isso vem acontecendo nas últimas décadas.
→ Se a história é feita de rupturas, precisamos localizar em que momento
nasce a ideia de doença mental na história moderna. E fazer um crítica a
psiquiatria como uma suposta ciência que descobriria a verdade sobre a
loucura. 
→ Para isso, lanço mão do texto de Foucault �Nietzsche, a genealogia e a
história), aonde vamos encontrar o foucault com dois termos:
���Ursprung → Origem
��� Erfindung → Invenção
CAFÉ FILOSÓFICO | 01/03/2026 | A EXCLUSÃO DA LOUCURA - EDUARDO TORRE 2
→ Genealogia é esse pensamento que pensa através da invenção e faz uma
crítica da ideia de origem. 
→ Toda a história da ciência e filosofia ocidental foi lastreada pela ideia de
origem. Que vai da origem ao conhecimento total no futuro. Aonde a ciência
resolveria todos os problemas, traria conforto para todos, medicina curaria
todas as doenças, a psiquiatria curaria a loucura… mas o que encontramos no
cenário contemporâneo? Inúmeras contradições ao pensamento científico.
→ O pensamento científico, por um lado, produziu enorme benesses… de
outro, tornou-se um pensamento de imposição de hegemonia, de dominação,
de imposição de uma visão colonizatória. Quando a ciência se torna dogmática,
ela se torna estéril e se torna instrumento de dominação. 
→ A ideia de invenção contraposta a ideia de origem do pensamento
genealógico nos lança diversas possibilidades de reinvenção da ciência e
também nos campos de saúde dos conceitos de saúde e doença. 
https://youtu.be/lF6xzmL9mqE?si=sXSJBslPbvF_6XxD
CAFÉ FILOSÓFICO | 01/03/2026 | A EXCLUSÃO DA LOUCURA - EDUARDO TORRE 3

Mais conteúdos dessa disciplina