Prévia do material em texto
1. Os estudos provenientes de diferentes áreas do conhecimento, e não somente das humanidades, têm apontado muitas informações sobre as sociedades pré-colombianas. Leia o excerto a seguir, retirado de uma pesquisa sob uma perspectiva bioarqueológica: “Em síntese, o panorama do estilo de vida dos primeiros habitantes do continente mostra diversidade de rituais mortuários, com presença de manipulação do corpo e acompanhamentos funerários. Ao mesmo tempo, o padrão de subsistência dessas populações é muito mais diversificado do que se imaginava há algumas décadas, incluindo estratégia tropical de uso intensivo de plantas e estratégia mais voltada ao consumo de carne animal em regiões temperadas e frias.” Sobre a religião e os costumes e hábitos alimentares das sociedades pré-colombianas, são feitas as seguintes afirmações: I – A introdução de rituais religiosos frente à morte se deu a partir do contato com os europeus, pois a morte era um fenômeno corriqueiro nas sociedades pré-colombianas. II – O consumo de carne animal dava-se exclusivamente pela pesca, pois os habitantes do continente não conheciam a caça. III – A diversidade quanto aos costumes e hábitos alimentares é explicada pela necessidade de adaptação às condições climáticas e geográficas das diferentes regiões ocupadas. Qual(is) está(ão) correta(s)? Resposta correta. C. Apenas III. Os rituais funerários eram muito importantes para as sociedades pré-colombianas, pois as almas e os espíritos tinham grande significado para esses povos, e a preparação do corpo fazia parte dessas crenças antes do contato com os europeus. A carne animal poderia ser obtida por meio da pesca, mas também da caça, que era praticada em todos as regiões da América, desde grandes mamíferos até pequenos animais. Quanto à diversidade de hábitos alimentares, há uma estreita correlação entre essa diversificação e a necessidade de adaptação às condições de vida das regiões ocupadas. 2. O território da Mesoamérica é marcado pela diversidade na unidade. Existe um núcleo comum de características que permite agrupar diferentes povos, com diferentes culturas, pelo mesmo termo, “mesoamericanos”, sem necessariamente fazer referência ao espaço geográfico. Assinale a alternativa que apresenta corretamente duas características da unidade cultural da Mesoamérica: Resposta correta. B. Existência de um calendário ritual e um solar e culto aos antepassados com sacrifícios animais e humanos. A diversidade das sociedades mesoamericanas no período pré-colombiano se traduz em diferentes etnias, línguas, organizações econômicas e políticas. Contudo, algumas características comuns podem ser elencadas, o que confere ao termo “Mesoamérica” um aspecto cultural. Dentre essas características, podem ser citadas: a existência de um calendário ritual e um solar e o culto aos antepassados com sacrifícios animais e humanos. As construções líticas dessas sociedades eram de grande complexidade, como as pirâmides escalonadas, e as práticas alimentares implicavam o cultivo da terra e a troca e a venda dos excedentes, não sendo uma cultura de subsistência. 3. Para a escrita da história, os historiadores valem-se de diferentes vestígios do passado que, a partir de suas interrogações, transformam-se em fontes primárias. A seguir, são feitas diferentes afirmações sobre o uso dessas fontes para o estudo das sociedades pré-colombianas. Assinale V, para as alternativas verdadeiras, e F, para as alternativas falsas. ( ) A arqueologia é a única fonte disponível para o estudo das sociedades mesoamericanas, pois eram todas ágrafas. ( ) Os escritos dos colonizadores e religiosos europeus podem ser utilizados como fontes primárias, desde que problematizados quanto à sua autoria. ( ) A cultura material encontrada em sítios arqueológicos permite compreender apenas as dinâmicas das sociedades nômades e pouco complexas. ( ) Os relatos orais podem ser utilizados como fontes primárias para o estudo de sociedades que têm a cultura de transmissão geracional de tradições por meio da oralidade. A ordem correta de preenchimento das lacunas, de cima para baixo, é: Resposta correta. A. F – V – F – V. A arqueologia permite que se conheça mais informações sobre todos os tipos de sociedades a partir de sua cultura material, não somente das sociedades nômades e com baixa complexidade organizativa. Da mesma forma, não é o único recurso para o estudo das sociedades mesoamericanas pré-colombianas, pois muitas tinham escrita e foram descritas pelos colonizadores e por religiosos, que, em seus escritos, aportam informações relevantes sobre essas sociedades. Entretanto, essa fonte deve ser utilizada com cuidado, lembrando que se trata do olhar do outro. Por fim, é possível utilizar os relatos orais em sociedades em que e 4. Na década de 1970, foi encontrada na região de Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais, um esqueleto de uma mulher, anteriormente explorado, no século XIX, pelo naturalista Peter Lund. Com os recursos tecnológicos disponíveis no final do século XX, foi possível constatar que esse esqueleto, que recebeu o nome de Luzia, tinha, aproximadamente 12 mil anos de idade. Essa descoberta impactou o conhecimento sobre a ocupação da América. Sobre esse acontecimento, assinale a alternativa correta: Você acertou! A. O estabelecimento da idade de Luzia pôs em xeque as datações para a chegada dos seres humanos ao continente americano, pois esses grupos teriam chegado na região Sudeste do continente muito antes do estipulado por sítios arqueológicos estadunidenses. Os estudos envolvendo a datação de Luzia não puseram em xeque a teoria da dispersão dos hominídeos a partir da África nem que a migração para o continente americano ocorreu pelo Estreito de Bering. Entretanto, suscitaram problematizações e questionamentos no meio científico quanto às datações dessas migrações, estipuladas por achados de cultura material em sítios estadunidenses, que foram explorados cientificamente. Ou seja, a ocupação do território teria se iniciado muito antes das datas fornecidas por esses sítios. 5. Os inuits são uma etnia que ocupa a região do Ártico e fazem parte do rol de populações nativas do território da América do Norte do período pré-colombiano. Há poucos estudos publicados em português sobre esses povos, que formaram sua cultura e sua organização social a partir da relação com um meio ambiente muito hostil. Leia o relato a seguir sobre a relação dos inuits com os animais: “Os animais entre os inuits são concebidos como “aqueles que vivem” (uumajuit) e, assim como na língua inglesa e na portuguesa (nas quais o estatuto de animalidade pode ser atribuído aos humanos), entre os inuits a categoria uumajuit pode ser atribuída também aos seres não animais (como aos humanos) – desde que o determinado ser compartilhe o estatuto da vida. Para sobreviverem, os inuits estão sempre em relação de dependência para com os animais, e aqueles que são transformados em comida depois de serem caçados são particularmente valorizados. Em geral, as relações com os animais são percebidas pelos inuits como fundamentais para a sua própria existência enquanto grupo.” A partir dessa análise e de seu conhecimento sobre as sociedades do Ártico, assinale a alternativa correta: Você acertou! E. Os inuits acreditavam que os animais tinham alma ou espírito, e eram muito respeitados, como forma de manutenção de um equilíbrio do bem-estar geral, ainda que a caça e a pesca fossem suas principais fontes de alimentos. A base da dieta alimentar dos inuits era a caça de mamíferos e a pesca de peixes e grandes mamíferos, como baleias e focas. Eventualmente, em determinadas regiões e de acordo com as condições climáticas, é possível acrescentar à dieta certos alimentos vegetarianos, mas se trata de uma exceção. Como os animais, assim como os seres inanimados, são considerados como possuidores de alma ou espírito pelos inuits, sempre foram tratados com dignidade e respeito, em prol da manutenção do equilíbrio do bem-estargeral, em sua compreensão de uma interligação entre seres humanos, animais e ambiente. 1. Quando se fala em "caribe", muitos acreditam ser referência ao conjunto de ilhas que vai de Cuba às Antilhas Menores. Contudo, ao estudar a história da região desde o período pré-colombiano, entende-se que a palavra "caribe" tem acepções além das geográficas. Assinale a alternativa que apresenta outros sentidos corretos para a palavra "caribe": Resposta correta. E. Do ponto de vista étnico, “caribe” faz referência a grupos de indígenas que migraram para a região insular no período pré-colombiano. “Caribe” é uma palavra utilizada para se referir a grupos étnicos indígenas que habitavam as ilhas da região e que praticavam rituais antropofágicos. Para o conjunto da população nativa, foi dado o nome de “índios”, em função da crença de terem alcançado as Índias. Os “caciques” eram posições de liderança em determinados grupos. Quanto à religiosidade e à economia, não há nenhuma relação específica com a palavra “caribe”. 2. Atualmente, consideramos o Caribe um arquipélago com uma imensa variedade cultural, seja pelos diferentes grupos indígenas que ocupam aqueles territórios, seja pelos processos colonizadores, ou ainda pela presença de descendentes de africanos escravizados. A seguir, são feitas algumas afirmações sobre esse território antes da chegada dos espanhóis, em 1492. I – Para compreendermos a ocupação do território insular do Caribe, é fundamental que estudemos os grupos étnicos que ocupavam as regiões litorâneas continentais, com as quais esses povos mantinham relações. II – Cada ilha era ocupada por apenas um grupo étnico, o que possibilitou a coexistência pacífica entre diferentes povos ao longo do tempo. Esse equilíbrio foi rompido somente com a chegada dos espanhóis. III – A variedade étnica existente nas ilhas caribenhas no período pré-colombiano explica-se pelas diferentes levas migratórias, bem como pelas trocas culturais estabelecidas entre diferentes grupos, a partir da convivência próxima, de alianças políticas ou de matrimônios. Qual(is) está(ão) correta(s)? Resposta correta. D. Apenas a I e a III. A ocupação do território insular da América Central se deu por meio da migração de povos que ocupavam as costas litorâneas continentais. Os povos das ilhas guardam relações étnicas com esses grupos e com eles estabeleceram relações políticas e de troca. Em muitos lugares, principalmente nas Antilhas Maiores, as ilhas eram divididas por mais de um grupo étnico, e nem sempre as relações eram amistosas, havendo muitos conflitos intertribais. Por fim, a variedade étnica se explica em função das diferentes origens continentais dessas populações, bem como pela formação de novas culturas a partir do contato e da interação entre grupos que viviam próximos ou que estabeleceram relações entre si. 3. As formas de organização política e social dos povos que ocupavam a região do Caribe no período pré-colombiano foram distintas. Nas citações abaixo, há informações sobre duas diferentes formas de organização social presentes no território caribenho: “Os caribes não se encontravam organizados em estruturas hierárquicas sob as ordens de um chefe [...]. As comunidades caribes estavam constituídas geralmente por vários grupos com laços parentais estabelecidos por linha materna” (GUANCHE; CORRAL; VIAN, 2017). “Os cacicados seriam caracterizados por um sistema de chefia centralizada; pela existência de um chefe supremo, com poder sobre os distritos e as aldeias governados por chefes hierarquicamente subordinados ao contrário de um Estado, porém, não existiria corpo de funcionários administrativos, nem exército permanente. [...] A sociedade seria estratificada com distinção entre nobreza (formada por chefes, seus parentes e os grandes guerreiros), os comuns e os escravos (os cativos de guerra)” (FAUSTO, 2005). A partir da leitura dos dois trechos, pode-se afirmar que: Resposta correta. A. os caribes não se organizavam por meio do sistema de cacicado, já que não tinham uma estrutura hierárquica política e social. A partir da leitura de ambos os trechos e da análise das formas diferentes de organização política e social ali descritas, podemos afirmar que os caribes não adotavam o sistema de cacicado, que pressupõe hierarquização social e centralização do poder, o que não ocorria nos povos daquela etnia. O cacicado não tem qualquer relação com a organização de família estendida, nem com a proximidade por linhagem familiar, mas valoriza a existência de uma hierarquia e a centralização do poder secular e espiritual. 4. A economia dos povos indígenas que ocupavam a região caribenha no período pré-colombiano tinha características próprias por diversos fatores. Sobre esse aspecto, são feitas as seguintes afirmações. Assinale V para as afirmações verdadeiras e F para as afirmações falsas. ( ) As práticas econômicas das comunidades caribenhas pré-colombianas sofriam influência do clima e da geografia, havendo diferenciações entre regiões altas e baixas, continentais e insulares. ( ) A agricultura não era praticada nas ilhas, devido ao fato de exigirem grandes quantidades de terras e solo fértil, o que não era encontrado nas Antilhas Maiores e Menores. ( ) A pesca era realizada apenas nas regiões das ilhas, nos mares, e era a base da alimentação da maior parte dos povos indígenas pré-colombianos, que desenvolveram a agricultura após o contato com os europeus. ( ) A caça de certos animais era uma prática reservada à elite, que também se encarregava de criar locais de armazenamento para os alimentos a fim de garantir as práticas de celebração e rituais importantes para certos povos. Assinale a alternativa que indica corretamente a ordem de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo: Resposta correta. C. V – F – F – V. O clima e a geografia influenciaram as práticas econômicas e de cultivo dos povos indígenas pré-colombianos, tanto aqueles que viviam nas ilhas quanto os que habitavam o continente. Por exemplo, nas regiões altas, a agricultura era praticada no formato de terraços escalonados, diferentemente do que ocorria nas ilhas, que eram regiões mais planas. A pesca era realizada nos mares e nos rios, com uma ampla variedade de peixes e de outros animais que viviam no entorno. Ainda que a caça fosse largamente utilizada por esses povos, certos animais somente poderiam ser caçados por uma elite, que também se ocupava do armazenamento de alimentos para a realização de rituais e celebrações. 5. Os povos caribenhos pré-colombianos estabeleceram entre si redes de relacionamento e de interação que envolviam atividades econômicas, mas também aspectos diplomáticos, como alianças e guerras. Do ponto de vista das trocas econômicas, é correto afirmar que: Resposta correta. B. as trocas estabelecidas entre as diferentes etnias tinham mais caráter de reforçar alianças diplomáticas e políticas do que caráter econômico. As sociedades caribenhas pré-colombianas não tinham a mesma compreensão econômica dos povos europeus. As práticas econômicas não estavam orientadas para o enriquecimento ou o lucro, mas sim como formas de estabelecer relações e redes e, assim, fortalecer alianças ou rivalidades entre grupos. Essa relação se dava pela troca e não havia a utilização de moedas. As rotas podiam ser terrestres ou marítimas, pois certos povos tinham grande experiência de navegação. 1. Os astecas ou mexicas tinham um relato próprio, mítico, para sua chegada na região do Vale do México, após partirem de Aztlán. Ao confrontar essa narrativa com outras fontes primárias, sabe-se que os astecas se estabeleceram nessa região a partir de alianças e confrontos com outros povos que a ocupavam anteriormente. Assentados no Lago Texcoco, desenvolveram uma complexa organização social. Leia o texto abaixo, que trata da sociedade asteca pré-colombiana: A sociedade asteca era uma sociedade _______, com fortes características _______. Na estrutura social, a elite era composta pelos ____________ e _____________. Assinalea alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto. Resposta correta. C. hierárquica – guerreiras – guerreiros e sacerdotes – existia a escravidão. A sociedade asteca era organizada de forma hierárquica e estratificada, pertencendo à elite os guerreiros e os sacerdotes. No estrato inferior estava o restante da população e, em seguida, estavam os escravos, que poderiam ter sido escravizados por diferentes motivos, já que a condição não era hereditária. Por isso, não é possível falar em uma sociedade comunal, até mesmo porque alguns estratos tinham direito à propriedade privada da terra. Em função das diferentes alianças e confrontos que os astecas enfrentaram em sua migração para a região central do México, eles desenvolveram uma cultura extremamente guerreira, o que não permite afirmar que eram pacifistas. 2. Os astecas ou mexicas e os maias são dois exemplos de sociedades que se desenvolveram na Mesoamérica no período pré-colombiano. Sua cultura material demonstra a complexidade de sua organização cultural, econômica, política e social, e todos os anos atrai milhões de turistas para diferentes regiões da América Central. A seguir, são feitas afirmações sobre os astecas e os maias. Preencha os parênteses abaixo, utilizando os seguintes códigos: I – Astecas ou II – Maias. ( ) Os estudiosos conhecem informações sobre essa sociedade por meio da cultura material, mas também de registros escritos, como o Popol Vuh. ( ) O poder secular e religioso máximo era desempenhado pelo huey tlatoani, ao qual os tlatoani regionais deviam obediência. ( ) Trata-se de um povo com uma longa história, que, em diferentes períodos, ocupou diferentes zonas da Mesoamérica, chegando à península de Yucatán. ( ) Seu maior período de expansão ocorreu durante o reinado de Motecuhzoma II, colocando sob domínio de Tenochtitlán quase toda a região central do atual México. Assinale a alternativa que apresenta a ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo. Resposta correta. C. II – I – II – I. Os astecas tiveram seu maior período de expansão durante o reinado de Motecuhzoma II, e a submissão de outras cidades e regiões a Tenochtitlán gerou muitos descontentamentos, que foram aproveitados pelos espanhóis como forma de derrotar os astecas durante a conquista. O líder máximo dos astecas era o hueu tlatoani, que acumulava funções seculares e religiosas e, na organização política asteca, as demais cidades e regiões possuíam, cada uma, seu tlatoani, que desempenhava as funções de governante na localidade. Quanto aos maias, muitas informações sobre sua cultura são conhecidas através da arqueologia, da etno-história e da linguística, por meio do estudo da cultura material, mas também de seus escritos, como o Popol Vuh, o livro sagrado maia. Durante a secular história dos maias, ocuparam diferentes regiões da América Central, até se estabelecerem na península de Yucatán. 3. O conhecimento da organização cultural, econômica, política e social dos maias teve inúmeros avanços nas últimas décadas, em função de novas descobertas arqueológicas e tecnologias empregadas na pesquisa científica. Sabe-se, portanto, que os maias enfrentaram diferentes desafios ao longo de sua existência secular. Leia o texto a seguir, que trata de uma dessas dificuldades estruturais: “Existem poucos exemplos na história da humanidade de uma civilização surgida dentro de um meio natural tão pouco propício como Petén [...]. Tendo um subsolo essencialmente calcário, revestido de uma fina camada de humo, o relevo enrugado e frequentemente tortuoso apresenta aqui e ali bajos ou pântanos sazonais, aguadas ou pontos de água frequentemente remanejados pelo homem, uns raros lagos ou lagunas e um número ainda menor de cursos de água. [...] Some-se a isso a escassez de recursos naturais, assim como a penúria total deste produto necessário à vida que é o sal, trazido de muito longe, junto com outras tantas matérias-primas [...].” SOUSTELLE, Jacques. A civilização asteca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. p. 20. A partir da leitura do trecho acima, é possível afirmar que as soluções encontradas pelos maias foram: Resposta correta. E. realizar adaptações nas práticas de cultivo, como os terraços e a irrigação, e praticar o comércio de longa distância com outras regiões. As condições climáticas e geográficas dos territórios ocupados pelos maias fizeram com que essa sociedade aplicasse nas práticas agrícolas certas técnicas que possibilitassem o cultivo, como o plantio em terraços e sistemas de irrigação. Além disso, a ausência de certos produtos e a inexistência de uma média produtiva fizeram com que o comércio de longa distância fosse muito importante, complementando a alimentação dos maias e satisfazendo as elites em seus bens de consumo. 4. Na sociedade asteca clássica e pós-clássica, a cobrança de tributos desempenhou uma função muito importante, levando à criação de certas instituições e cargos responsáveis pelo controle de pagamento e fiscalização. Sobre a tributação entre os astecas, são feitas as seguintes afirmações: ( ) Boa parte do controle e domínio de Tenochtitlán sobre as demais cidades e regiões do Vale do México dava-se pela cobrança dos tributos. ( ) Os tributos poderiam ser pagos em mercadorias ou serviços, e eram pagos coletivamente pelas cidades ou regiões. ( ) A tributação foi instituída como forma de financiar o luxo das elites astecas, já que as obras públicas eram realizadas a partir do trabalho escravo. ( ) Tenochtitlán distribuía de forma equânime os rendimentos dos tributos entre as cidades e regiões sob seu domínio, um dos reflexos de sua organização comunal e igualitária. Marcando V para verdadeiro e F para falso, assinale a alternativa que apresenta a ordem correta de preenchimento das lacunas, de cima para baixo. Resposta correta. D. V – V – F – F. A cobrança de impostos foi muito importante para a sociedade asteca. Além de sua principal fonte de riqueza, era por meio da tributação que se dava o controle e domínio de Tenochtitlán sobre as demais cidades e regiões da área central do México. Os tributos não eram pagos em dinheiro, nem individualmente, mas em mercadorias e serviços, pelas cidades ou outras organizações administrativas. Essa riqueza era utilizada para a manutenção das elites astecas, mas também para financiar obras públicas e outros serviços. Como a sociedade asteca era hierarquizada e estratificada, as formas de distribuição dos valores arrecadados eram diferentes entre as cidades aliadas, e não igualitária. 5. A religiosidade mesoamericana expressava-se por meio de mitos da origem do universo e dos seres humanos, de um calendário de celebrações e ritos e de certas práticas como a adivinhação, os jogos e os sacrifícios humanos. Leia as afirmações a seguir, que tratam desse tema: I – Astecas, maias e outros povos tinham em sua cosmogonia a figura de Quetzalcóatl, às vezes com outro nome, o que demonstra uma base comum cultural compartilhada na Mesoamérica. II – Nas sociedades asteca e maia, os sacerdotes eram figuras com muito prestígio por seu saber, fazendo parte das elites de ambas as sociedades. III – Os sacrifícios humanos eram praticados apenas pelos astecas, uma sociedade extremamente belicosa, que demonstrava seu poder pelo extermínio dos inimigos. Assinale a alternativa que apresenta as assertivas corretas. Você acertou! D. Apenas I e II. Quetzalcóatl é uma imagem totêmica nas sociedades mesoamericanas, manifestando-se na cosmogonia de diferentes povos, com variações de nome e de representação. Esse traço comum é uma evidência do compartilhamento de aspectos culturais, seja pela origem ou pela inter-relação entre os diferentes grupos. Nas sociedades asteca e maia, os sacerdotes eram membros da elite e contavam com grande prestígio social, realizando adivinhações e revelando premonições, além de organizar as celebrações e os rituais, que eram estruturantes dessas sociedades. Quanto aos sacrifícios humanos, eles eram praticados por diferentes povos, não somente pelos astecas,e envolviam outros aspectos que não apenas o sacrifício de prisioneiros de guerra: dependendo do ritual ou da necessidade, mulheres e crianças também poderiam ser sacrificadas. 1. Os incas foram uma sociedade expansionista e militarizada, que garantiu a larga extensão do Tawantinsuyu ao longo do tempo. Porém, para a manutenção dessas conquistas, os incas promoveram ações em relação aos povos conquistados. Assinale a alternativa que apresenta corretamente duas dessas ações: Resposta correta. D. O deslocamento de populações, e as relações de reciprocidade e redistribuição. Os incas mantiveram seu poder em todo seu extenso domínio por meio de relações de reciprocidade e redistribuição, em que os chefes locais recebiam benefícios e presentes do Inka, em troca de uma boa administração da força de trabalho e das terras. Além disso, no caso de populações recém-subjugadas ou que tivessem organizado revoltas, elas eram deslocadas até regiões já pacificadas, em que um ou mais ayllus poderiam estabelecer o controle. Não havia a prática da escravização ou do extermínio por si só dos subjugados, e os não incas eram mantidos na sociedade, apenas em uma hierarquia social mais baixa que os incas “puros”. 2. A principal atividade produtiva dos incas era a agricultura, que resultava no cultivo de diferentes produtos, de acordo com a região do império, que tinha grande diversidade. Em relação ao cultivo realizado em grandes altitudes, são feitas as seguintes afirmações: I – Era realizado de forma escalonada, em terraços construídos nas encostas das montanhas, acompanhando as curvas de nível do terreno. II – Tinha grande limitação em função da inexistência de sistemas de aquedutos e irrigações. III – Configurava uma determinada “ilha” ou “ecologia” de produção, que, em comunicação com outras “ilhas” ou “ecologias”, conformava o sistema de produção dos incas. Qual(is) está(ão) correta(s)? Você acertou! D. Apenas I e III. O cultivo em regiões de grandes altitudes, na parte montanhosa dos Andes, era realizado por meio da construção de “terraços”, que, escalonados e acompanhando as curvas de níveis, garantiam a produção dessas regiões. Esses “terraços” poderiam ser abastecidos com aquedutos e sistemas de irrigação, que transportavam água de glaciares ou permitia o escoamento do acúmulo produzido pelas chuvas. O “império”, por ter uma larga extensão, englobava diferentes “ilhas” ou “ecologias” de produção, cada uma especializando-se em determinados cultivos, permitindo uma grande variedade alimentar e comercial para os incas. 3. O ayllu era uma forma de organização econômica, política e social utilizada pelos incas; seu estudo permite que se compreenda a complexidade da sociedade incaica e de suas relações sociais. Sobre o ayllu, são feitas as seguintes afirmações: I – Era formado por famílias ligadas exclusivamente por laços de parentesco, preservando a pureza do grupo inca. II – As terras eram divididas entre os membros do ayllu, que também deveriam realizar outros trabalhos, como cultivar outras terras como forma de pagamento de tributos. III – O kuraka era o chefe do ayllu, e a ele competia a organização do trabalho e da distribuição das terras. Qual(is) está(ão) correta(s)? Você acertou! E. Apenas II e III. O ayllu era formado por famílias que se uniam a partir de laços de parentesco, mas também por meio de alianças com outras etnias ou outros grupos, não constituindo clãs ou linhagens específicas. O líder do ayllu era chamado kuraka, tutelado por uma divindade que protegia a localidade, e a ele competiam funções administrativas do trabalho e da distribuição das terras. Essas terras eram distribuídas entre as famílias, que também deveriam, como forma de tributo, trabalhar em terras do Estado ou nas construções de obras públicas. 4. O conhecimento sobre os povos pré-colombianos nunca é dado como terminado, já que novos achados arqueológicos e novas intepretações históricas permitem, frequentemente, suprir lacunas de conhecimento ou desvendar certas práticas das sociedades. Leia o texto abaixo, referente a uma possível descoberta sobre os incas, realizada no ano de 2003: “Eles construíram o maior império de sua era, com uma vasta rede de estradas e armazéns. Ainda assim, os incas, dinastia fundada por Manco Qapac que durou de 1200 a 1532, não tinham linguagem escrita. Era o que se achava. Um estudioso da antiguidade sul-americana, no entanto, acredita que os incas possuíam uma forma de comunicação não verbal, codificada numa linguagem binária semelhante à dos computadores de hoje. Gary Urton, professor de antropologia da Universidade Harvard, reanalisou o complicado sistema de nós usados como ferramentas contábeis pelos incas, os "quipu", e descobriu que eles contêm um código binário de sete bits, capaz de processar mais de 1.500 unidades separadas de informação. Em busca de uma prova definitiva de sua descoberta, que será detalhada num livro, Urton acredita que está perto de encontrar a "Pedra de Rosetta" da América do Sul, um "quipu" que tenha sido traduzido para o espanhol cerca de 500 anos atrás. [...] Se Urton estiver certo, isso significa que os incas não só inventaram uma forma de código binário 500 anos antes da invenção do computador, mas também que eles a usaram como parte da única linguagem escrita tridimensional do mundo. "Eles podem tê-los usado para representar um monte de informações", afirma. (CONNOR, Folha de S. Paulo, 24 jun. 2003.) O texto faz referência a uma nova interpretação dada ao quipu ou kipu, um instrumento utilizado pelos incas, extremamente importante para a vida cotidiana deles. Acredita-se que ele tenha sido utilizado: Resposta correta. D. para a realização de censos populacionais, que tinham uma implicação tributária direta na cobrança de impostos. Existe um consenso entre os pesquisadores de que o quipu ou kipu teria sido utilizado nos censos demográficos realizados pelos funcionários do império, objetivando, dessa forma, saber o número de trabalhadores disponíveis para o cultivo das terras e, assim, organizando a cobrança de impostos em força de trabalho e a própria distribuição de lotes cultiváveis. Não se tratava de uma conta do número de súditos, ou da cobrança de dízimo, que era inexistente, assim como da quantidade de famílias (o que correspondia ao kuraka) ou de aqllas, que eram em número restrito por pertencerem aos incas “puros”. 5. Os conquistadores espanhóis registraram em suas narrativas as celebrações, as lendas e os mitos incas, permitindo que se conheça seu universo cosmogônico e religioso. Sobre a religiosidade incaica, são feitas as afirmações a seguir. Assinale V para as afirmações Verdadeiras e F para as afirmações falsas. ( ) A principal divindade da sociedade inca era o Sol, cultuado em templo específico; por isso, pode-se afirmar que era um povo monoteísta. ( ) Os deuses incas relacionavam-se aos fenômenos astronômicos e da natureza, que eram celebrados por diferentes festividades ao longo do ano. ( ) Os kurakas eram sacerdotes que exerciam os poderes religiosos nas províncias e deviam obediência ao Inka. ( ) A cultura religiosa incaica formou-se por meio do culto ao Sol e do sincretismo com outras divindades de cultos de sociedades pré-incaicas. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: Você acertou! B. F – V – F – V. Os incas eram uma sociedade politeísta, em que a divindade mais importante era o Sol. Essa religiosidade formou-se por meio do sincretismo entre o culto a esse astro e outros deuses celebrados por outros povos pré-incaicos, também relacionados a fenômenos astronômicos e da natureza. Os kurakas, embora se acreditasse que fossem tutelados por uma divindade local ou regional, não tinham atribuições religiosas, que ficavam a cargo de feiticeiros e outros sacerdotes. 1. O descobrimento da América foi, ao mesmo tempo, causa e consequência de diversas transformações que ocorreram no continente europeu entre os séculos XV e XVI. Por isso, é preciso compreender as experiências e as mentalidadesque essas pessoas estavam inseridas, para analisar a conquista e a colonização da América. Do ponto de vista religioso, pode-se afirmar que esse processo significou: Você acertou! A. uma continuidade com o espírito cruzadista e de reconquista experimentado na Península Ibérica nas guerras de reconquista, já que era necessário converter para dominar. Entre outros aspectos reproduzidos no processo de conquista e de colonização da América Espanhola, está a religião que, inspirada pelos ideais cruzadistas e de reconquista desenvolvidos na luta contra os islâmicos estabelecidos na Península Ibérica, transpunha esses valores para a conversão dos indígenas e para a dominação de seu território. Dessa forma, garantia-se a hegemonia da Igreja Católica na Colônia. Não houve uma fuga de muçulmanos para o Novo Mundo - afinal, as navegações foram posteriores às guerras de reconquista -, bem como a limitação dos poderes do Santo Ofício não impediu a reprodução dessa mentalidade na América. 2. As navegações empreendidas por Portugal e por Castela, bem como as descobertas resultantes dessas explorações, levaram os dois reinos a firmarem, por intermédio papal, diversos acordos, estabelecendo delimitações das zonas de influência e de exploração. Sobre esse tema, leia as afirmações a seguir. I – A Bula inter caetera, assinada em 1493, foi uma iniciativa do reino de Portugal, para proteção de seus territórios na América. II – O principal interesse de Portugal na assinatura desses documentos foi a preservação da navegação no Atlântico Sul, principalmente de suas rotas marítimas para a Ásia. III – Com o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, houve uma retificação da Bula inter caetera, ampliando os limites das possessões lusitanas no Atlântico. Qual(is) dela(s) está(ão) correta(s)? Você acertou! E. Apenas II e III. Espanha e Portugal assinaram inúmeros acordos desde o início da expansão marítima, assegurando zonas de influência e navegação. A Bula inter caetera, assinada em 1493, foi uma proposição do reino de Castela, em razão do “descobrimento” da América, para garantir sua posse e as práticas religiosas nesse território. Portugal, que desde o século XV buscou uma rota marítima para a Ásia realizando viagens pela costa da África, procurava garantir seu domínio no Atlântico Sul, bem como o monopólio sobre elas. A partir de reivindicações lusas, a Bula inter caetera foi modificada pelo Tratado de Tordesilhas, ampliando os domínios portugueses no Atlântico, incluindo parte da América. 3. Cristóvão Colombo, navegador responsável pela descoberta do continente a Oeste, realizou quatro viagens transcontinentais, cuja narrativa foi registrada em seu diário. Leia, a seguir, a apresentação da quarta e última viagem realizada por Colombo ao Novo Mundo (COLOMBO, 1998, p. 183): “A quarta e última viagem de Colombo às Índias teve início de maio de 1502. Com 51 anos, o Almirante era um home fatigado, obscurecido pela sombra do fracasso. Seu título de Vice-Rei Geral era mera etiqueta. Mesmo assim, conseguiu reunir quatro embarcações, leves e de menor preço, que demonstram a diminuição de seu prestígio e a intenção exploratória da expedição, que Colombo batizou de ‘Alto Viaje’ devido ao sonho de encontrar uma passagem para o Oriente. A miragem persistia... O Atlântico foi cruzado em 21 dias apenas. Depois de explorar novamente as Antilhas, Colombo atingiu a costa do Panamá se, é claro, encontrar a passagem para a China. De volta à Espanha, em 1504, não passava de um marinheiro entre outros. Com a morte de sua protetora, a Rainha Isabel, seu prestígio caiu ainda mais. Em breve, o Almirante não mais sonharia.” A partir desse texto e de seus conhecimentos sobre as viagens empreendidas por Colombo, é correto afirmar que: Resposta correta. C. as ideias de Colombo, em relação às premissas e às técnicas para navegar, eram partilhadas com outras pessoas na época, em uma conjuntura de constantes iniciativas de navegação. Sua administração na América fracassou e morreu acreditando ter alcançado a Ásia na viagem de circum-navegação. Colombo era um navegador que, além de acumular conhecimentos na prática, realizou formações em um ambiente onde circulavam discussões sobre a esfericidade da Terra e a possibilidade de viagens de circum-navegação, ou seja, eram ideias partilhadas por outros navegadores, em uma conjuntura na qual muitos se aventuravam pelos mares e oceanos. Seu governo na América fracassou (em parte pelo ineditismo da experiência) e, ao morrer, em 1506, acreditava ter chegado à Ásia. 4. A conquista das sociedades asteca (mexica) e incaica pelos espanhóis pode surpreender, em um primeiro momento, frente à superioridade numérica dos indígenas e a seu militarismo, que garantiu a hegemonia desses grupos em suas regiões. Sabe-se que a identificação dos imperadores com deuses e a sua derrota foram fatores importantes na desestabilização dos indígenas, somados: 4. A conquista das sociedades asteca (mexica) e incaica pelos espanhóis pode surpreender, em um primeiro momento, frente à superioridade numérica dos indígenas e a seu militarismo, que garantiu a hegemonia desses grupos em suas regiões. Sabe-se que a identificação dos imperadores com deuses e a sua derrota foram fatores importantes na desestabilização dos indígenas, somados: 5. A Igreja Católica exerceu um papel fundamental no processo de conquista e de colonização da América Espanhola, sendo uma das instituições mais antigas ainda presentes no território americano. Sobre esse protagonismo, marque com V as afirmações verdadeiras ou com F as falsas. ( ) A nomenclatura de reis católicos e a relação estabelecida entre o reino da Espanha e o papado após o descobrimento da América demonstraram a importância da dimensão religiosa na sociedade espanhola e no processo de conquista. ( ) A religião católica forneceu legitimidade para o processo de conquista, e os aspectos econômico-religiosos da colonização da América Espanhola eram indissociáveis. ( ) O Tribunal do Santo Ofício não teve relevância na América Espanhola, já que os indígenas estavam fora de sua jurisdição e todos os colonos eram católicos. ( ) As universidades criadas pelas ordens religiosas eram locais democráticos que permitiam o ingresso de todas as classes sociais e etnias, promovendo espaços plurais de aprendizagem. A ordem de preenchimento das lacunas, de cima para baixo, é: Resposta correta. C. V – V – F – F. A união do reino espanhol se deu pelo Catolicismo, frente a uma região de heterogeneidade cultural e histórica. Os reis católicos evidenciavam como a unidade do reino se deu pela religião, sendo que a intermediação e a legitimidade papais referentes às descobertas eram mais uma prova da força da Igreja Católica na Espanha. Dessa forma, pode-se afirmar que a religião católica é parte fundamental do processo de conquista e de colonização da América, sendo indissociável dos interesses econômicos. A presença do Catolicismo não estava somente nas igrejas e nas missas: o Tribunal do Santo Ofício tinha um papel muito importante na vigilância e na repressão dos colonos praticantes de outras religiões; as universidades, mais do que espaços democráticos de formação universal, eram locais de formação para os religiosos. 1. Durante séculos, as comunidades indígenas desenvolveram e mantiveram suas próprias sociedades. Isso significa que sua cultura, sua religião e sua forma de explorar os recursos naturais por meio do trabalho apresentavam características singulares, não encontradas em outros grupos. Igualmente, muitos elementos de outras sociedades não existiam entre esses povos. No entanto, a partir da chegada dos europeus e da posterior conquista colonial, mudanças abruptas ocorreram no seio das sociedades pré-colombianas. Levando em consideração esse panorama, quais são os principais elementos trazidos pelos europeus que suplantaram os valores, as crenças e as tradições dos nativos? Resposta correta. C. Os constantes conflitos armados, as novas condições de trabalho impostaspelos europeus, a evangelização dos índios e as doenças desconhecidas trazidas da Europa. Os europeus causaram um impacto muito importante na cultura dos povos indígenas. As guerras constantes, assim como as doenças trazidas da Europa, atingiram em cheio essas sociedades, causando forte queda populacional, inclusive com o extermínio completo de alguns povos. A forma de trabalhar também foi alterada, embora muitas vezes tenha mantido traços originais pré-colombianos, como a encomienda e o repartimiento. Porém, a riqueza era apropriada pelos europeus por meio dos colonos. Por fim, um fator determinante para a transformação da cultura indígena foi o advento do cristianismo, com os trabalhos dos missionários, que tinham como função evangelizar os índios. 2. A ocupação colonial realizada pelos espanhóis nas Américas promoveu a criação de novos espaços políticos e administrativos desconhecidos no continente. Esses novos entes burocráticos e hierárquicos serviram para que a administração colonial consolidasse o poder da Coroa espanhola sobre suas novas possessões. Assim, novos territórios foram demarcados, sendo esses espaços articulados ao desenvolvimento econômico perseguido pela metrópole. Tendo em vista esses novos espaços, representados por meio de duas formas diferentes, como eles podem ser nomeados e classificados? Resposta correta. E. Os vice-reinados eram responsáveis pelo governo, finanças, justiça e defesa; as capitanias gerais eram desmembramentos dos vice-reinados em regiões de forte resistência indígena. Administrar as enormes terras controlados pela Espanha no Novo Mundo se mostrou uma atividade extremamente complexa. Dessa forma, uma ampla cadeia administrativa foi criada para viabilizar a dominação indígena, a produção e o estabelecimento dos colonos. Em primeiro lugar, foram criados os vice-reinados, em que a figura do vice-rei representava o monarca espanhol na colônia em extensos territórios, responsabilizando-se pela justiça, pelas finanças, pela defesa e pelo governo. Como a resistência indígena aparecia mais feroz em alguns territórios, foi necessário o desmembramento de alguns vice-reinados, que ficaram conhecidos como capitanias gerais, comandadas por um capitão geral responsável por reprimir as revoltas dos índios. Nos vice-reinados, eram extraídos metais preciosos e produzidos cacau, café, algodão, açúcar etc. Diferentemente das capitanias hereditárias, típicas do Brasil, as capitanias gerais tinham como objetivo principal a defesa, para em seguida viabilizar a produção. 3. Nas Américas do Norte e portuguesa, o trabalho escravo africano correspondeu à principal fonte de riquezas para as metrópoles e proprietários locais durante a etapa colonial e mesmo após a independência dos Estados Unidos e do Brasil. Contudo, na América hispânica, essa modalidade de exploração do trabalho obteve menor aderência, sendo mais característico das regiões sob domínio espanhol o trabalho compulsório indígena. Não por acaso, na América espanhola foram criadas formas diferentes de trabalho daquelas existentes nas outras colônias, como a encomienda e o repartimiento, por exemplo. Levando em conta as características do trabalho escravo, quais as diferenças existentes entre essa forma de exploração da mão de obra e o regime de encomienda? Você acertou! A. O indígena sob o regime de encomienda não era considerado uma mercadoria como o escravo e assemelhava-se a um servo, tendo que pagar tributos além de fornecer seu trabalho. Uma particularidade importante da escravidão moderna imposta aos povos africanos é que ela tinha um caráter eminentemente racial, do qual não se podia escapar. Portanto, o escravo era escravo para sempre. Já em relação aos indígenas, havia uma liberdade maior, embora eles atuassem como servos, vinculados a uma determinada terra e a um único proprietário rural, que tinha o direito de explorar o trabalho e arrecada tributos. Logo, os indígenas não eram considerados meras mercadorias, mesmo que não tivessem direitos políticos e nem recebessem salário pelo trabalho. 4. O trabalho indígena na América espanhola variou de acordo com a região e a época. Isso significa que formas de trabalho diferentes coexistiram, como a escravidão africana utilizada nas plantations e os modelos compulsórios de trabalho indígena. Por outro lado, regimes de trabalho diferentes se sucederam em etapas que demonstram claramente alterações na forma como a Coroa espanhola atuava administrativamente em suas colônias. Dessa maneira, considerando o seu período de implantação, quais foram, em ordem cronológica, as modalidades de exploração do trabalho nas colônias hispânicas? Resposta correta. D. Plantation, encomienda e repartimiento. Logo no início da colonização espanhola, a escravidão africana foi implantada no sistema de plantation somente na região caribenha. Essa modalidade perdurou por algumas décadas, existindo simultaneamente às outras formas de exploração do trabalho, como a encomienda e o repartimiento. A primeira assemelhava-se à servidão clássica, existente na Europa. Contudo, devido às suas duras condições, gerava alta taxa de mortalidade entre os índios. Para resolver este problema e proteger a produção, a Coroa espanhola criou o repartimiento que, contudo, acelerou ainda mais o processo de degradação das culturas originárias no continente. 5. A complexa estrutura administrativa montada pelos espanhóis em suas colônias era organizada de maneira rígida e hierárquica. Dessa forma, os órgãos instalados nas Américas reportavam diretamente a uma instituição sediada na cidade de Sevilha, na Espanha, um dos mais relevantes portos espanhóis no período. Era uma forma de centralizar o comando dos negócios hispânicos na América e atender aos interesses de uma determinada classe social. Considerando estas informações, qual é o nome do órgão criado para controlar as colônias e de qual classe social ele expressava os interesses? Resposta correta. B. Casa de Contratação, vinculada à burguesia marítima e mercantil espanhola. O órgão se chamava Casa de Contratação, criado a partir das pressões da burguesia marítima e mercantil da Espanha. Essa classe social controlava os navios que partiam e chegavam ao porto de Sevilha, exigindo que esse fosse o único porto autorizado ao tráfego atlântico entre colônias e metrópole. Dessa forma, os negócios lucrativos que a burguesia possuía tanto nas colônias quanto na ligação marítima com estas se tornavam praticamente um monopólio, aumentando significativamente os ganhos. 1. A partir do final do século XV, os europeus iniciaram um movimento de expansão marítima que gerou uma era de grandes navegações. O conhecimento europeu acerca dos outros continentes era relativamente pouco, se comparado ao obtido nos séculos que se seguiram. No entanto, a Europa já mantinha contatos comerciais com o norte da África, com o Oriente Médio e com as chamadas Índias. Esse comércio era realizado por meio de rotas terrestres ou pelo Mediterrâneo. No entanto, com bloqueios estabelecidos pelos muçulmanos nessas rotas, tornou-se imperioso para os europeus a descoberta de uma rota marítima alternativa para a Ásia. Nesse contexto é que Portugal assume grande protagonismo, descobrindo a primeira rota pelo mar até as Índias. Levando em consideração o contexto político da Europa, bem como sua localização geográfica, quais razões contribuíram para que o reino de Portugal se tornasse pioneiro nas grandes navegações? Resposta correta. D. Centralização política, situação dos países europeus centrais e a localização geográfica. Portugal foi o primeiro reino europeu a desenvolver uma monarquia centralizada, antecipando o absolutismo que teria seu auge somente no século XVII. Dessa forma, a centralização política portuguesa colaborou para maior rapidez nas decisões no sentido de buscar uma rota alternativa para as Índias. Um aspecto importante para que essa forma de governo prevalecesse foi a militarização de Portugal que, embora sem guerrear com outros reinos, passou a ver em seu monarca um líderinconteste, além de reforçar o catolicismo e impedir a adoção do islamismo como religião oficial. Nesse momento ainda não se buscavam colônias, mas a criação de feitorias. Da mesma forma, a situação dos outros reinos europeus que se encontravam em crise, como resultado da peste negra e de conflitos bélicos, favoreceu o comando das grandes navegações a Portugal, sem que precisasse mudar sua sociedade e fechar acordos comerciais. Contudo, contraditoriamente, Portugal ainda não possuía manufaturas têxteis e nem regulação mercantil. Por fim, a posição do país na Península Ibérica, voltado para o Atlântico, aumentou as chances de Portugal realizar ensaios exploratórios em algumas ilhas e no norte da África. 2. A Dinastia de Avis (1385-1580) foi uma das mais importantes e poderosas da história de Portugal. Durante a sua vigência, o reino encontrou grande prosperidade e avanços em diversas áreas, sendo as mais importantes aquelas que dizem respeito à navegação e à expulsão dos árabes. Portanto, a modernização colocada em prática naquele período acabou resultando na expansão ultramarina do reino, que foi planejada e executada pelo rei D. João I, primeiro da Casa de Avis. A primeira grande façanha da Dinastia de Avis, em termos de expansão marítima, foi a conquista de Ceuta, no norte da África, em 1415. A historiografia tem determinado esse momento como o ponto inicial das grandes navegações portuguesas, que chegaram ao Oriente e ao Brasil. Considerando o contexto de Portugal no século XV, quais foram os principais objetivos do rei D. João I na conquista de Ceuta? Resposta correta. E. Conquistar uma cidade muçulmana e um ponto estratégico para a navegação na costa africana. D. João I tinha como principais objetivos ao conquistar Ceuta a dominação de um território árabe e a criação de um porto estratégico para os portugueses fora da Europa. A criação do porto era, portanto, fundamental para a intermediação do comércio transatlântico. Em primeiro lugar, isso era importante devido à secular invasão árabe na Península Ibérica que estava, finalmente, sendo rechaçada por Portugal. Dessa forma, conquistar uma cidade moura significava uma afirmação de poder do reino português sobre os árabes. Logo, a intenção de Portugal não era debelar revoltas coloniais, mas sim instalar suas próprias colônias, especialmente na África, onde não possuía nenhuma. Por outro lado, Ceuta se localiza em uma região muito privilegiada do ponto de vista da navegação. Assim, o porto instalado ali serviria como ponto de partida de expedições que navegariam até a costa africana em busca de locais para exploração comercial, aproveitando o fato de que os outros reinos europeus que rivalizavam com Portugal ainda não exploravam o Atlântico. 3. Inicialmente, a coroa portuguesa implementou, no Brasil, um sistema administrativo baseado nas capitanias hereditárias, que possuíam relativa autonomia. Porém, ao perceber que esse modelo não estava desenvolvendo a colônia conforme esperado, um novo regime administrativo foi adotado. Dessa vez, foi criado o governo-geral, uma forma centralizada de administração do território português na América, que visava a protegê-lo mais eficientemente contra invasões estrangeiras, por exemplo. Considerando essa situação, que era dificultada por outros problemas de segurança da colônia, quais outros desafios precisavam ser enfrentados pelo governador-geral? Resposta correta. C. Os conflitos com os indígenas e a proximidade dos espanhóis. A colônia começava a gerar cada vez mais riqueza por meio da produção dos engenhos de cana de açúcar que utilizavam trabalho escravo. Embora o clima fosse muito quente, esse fato não era impeditivo para a grande produção, já que os escravos eram forçados a trabalhar nas condições mais adversas. Mesmo com muitas semanas de navegação, Portugal conseguia manter-se corretamente informada sobre o desenvolvimento da colônia e sobre os problemas a serem resolvidos. A situação com os capitães donatários não apresentava muitos problemas, uma vez que eram politicamente leais ao rei. Contudo, a proximidade dos espanhóis, que haviam descoberto prata no Peru, era motivo de preocupação, já que eles poderiam tentar invadir o território brasileiro em busca de metais preciosos. Outro problema grave eram os constantes ataques indígenas, que causavam prejuízos e traziam insegurança para os colonos. 4. A chegada dos europeus à América ocorre pouco antes da Reforma Protestante de Martinho Lutero, evento que atingiu de maneira significativa o catolicismo. No contexto da contrarreforma, colocada em marcha pelo Papa, novas ordens religiosas foram criadas e, junto com outras já existentes, foram enviadas para as Américas. Dentre as ordens, destaca-se a Companhia de Jesus, que teve papel muito importante na estrutura montada pelos colonizadores. Considerando ambos contextos, qual o principal interesse da Igreja ao enviar missionários para as Américas? Resposta correta. B. Conquistar novos fiéis como resposta à perda de seguidores para o protestantismo. Ao tomar ciência da enorme população nativa, o clero católico viu nesse fato uma oportunidade para conseguir novos fiéis, tendo em vista que na Europa, devido à Reforma, uma quantidade considerável de pessoas havia abandonado a Igreja Católica em prol do luteranismo. Nesse contexto, os padres jesuítas muitas vezes protegeram os indígenas das incursões dos bandeirantes, que visavam a escravizá-los. No entanto, para atingir o objetivo de catequização, a Companhia de Jesus autorizava o uso da força contra os indígenas. Em suma, o objetivo dos missionários não era analisar a cultura indígena em nome da Coroa Portuguesa, nem construir igrejas quando não houvesse arquitetos, mas conquistar novos fiéis para a Igreja. 5. O sistema de capitanias hereditárias foi responsável pelo grande desenvolvimento da produção de açúcar na colônia. Basicamente, a produção era realizada pela mão de obra escrava (inicialmente indígena e em seguida africana) em grandes extensões de terras pertencentes a um único proprietário, em um sistema que é denominado de plantation. Refletindo acerca desses dois elementos típicos da formação social colonial brasileira, quais aspectos podem ser encontrados no Brasil atual que remontam suas origens na sociedade do século XVI? Você acertou! A. Racismo e latifúndios. A escravidão africana teve grande impacto na formação do Brasil contemporâneo, sobretudo no que tange à desigualdade social, traço que ainda permanece no Brasil atual. A população negra ainda hoje tem menos acesso à instrução formal e também tem menor renda per capita. Além disso, a violência atinge mais a população negra do que a população branca. Dessa forma, é possível afirmar que existe racismo estrutural no país, que teve sua origem na separação entre brancos livres e escravos negros no período colonial. Os latifúndios, em detrimento da pequena propriedade rural, também remontam ao período das capitanias hereditárias, com seus proprietários de grandes faixas de terra. A concentração de terras entre poucos ainda é uma realidade no Brasil. As especiarias, que se situaram no contexto de “descoberta” do Brasil, não tiveram importância econômica na colônia e, portanto, não deixaram vestígios históricos nos dias de hoje. A população da América Portuguesa era relativamente alta, se pensar em termos dos indígenas, porém baixa em relação aos imigrantes. Nada que se compare aos mais de 200 milhões de brasileiros na atualidade, que vivem em uma sociedade profundamente desigual. Apesar disso, o país possui relativa industrialização e potencial para criação de tecnologia, algo impensável na colônia, até mesmo porque seria um anacronismo. Outra característica formada no período colonial é a religião. Segundo levantamentos recentes, em torno de 90% dos brasileiros professam alguma fé. 1. No início da colonização do Brasil, os portugueses decidiram que a escravidão seria a melhor forma de trabalho a ser implantada na colônia. O baixo custo do trabalhador escravo foi um dos fatores determinantespara que ocorresse, em um primeiro instante, a escravização dos indígenas e, posteriormente, a dos africanos. No entanto, um outro aspecto, dessa vez relacionado ao contexto europeu, esteve na base da opção pelo trabalho escravo na América portuguesa. Levando em consideração esse cenário, que conecta Europa, África e Américas, por qual razão os portugueses não utilizaram a mão de obra europeia em sua colônia? Resposta correta. D. A escassez de trabalhadores devido à baixa populacional causada pela Peste Negra e pelas guerras. Uma das causas mais importantes para a indisponibilidade de mão de obra europeia para as colônias estava na queda vertiginosa da população da Europa após a Peste Negra e dos grandes conflitos do período. Assim, os poucos trabalhadores do continente acabavam ficando na Europa, pois não havia muitos atrativos para que emigrassem para as colônias, onde o trabalho era duro e sem nenhuma garantia de prosperidade. Embora os colonos, desde a época do pau-brasil, tentassem obter trabalhadores livres brancos para o desenvolvimento econômico da colônia, essas tentativas se mostraram, na maioria das vezes, infrutíferas, estimulando o tráfico de escravos africanos. 2. A escravidão indígena, embora tenha continuado a existir em quase todo o período colonial brasileiro, foi duramente combatida já nas primeiras décadas de colonização. A Companhia de Jesus, ordem religiosa criada no contexto da contrarreforma católica, teve um papel muito importante na proteção dos indígenas contra a escravidão. Considerando a relação entre os padres jesuítas e os índios, mediada pelo cristianismo, qual motivo pode ser apontado como determinante para que os índios não fossem escravizados? Resposta correta. B. O status de cristãos adquirido pelos indígenas após a conversão. Ao se tornarem cristãos, como resultado do esforço catequético dos padres jesuítas, os indígenas deixavam de ser “pagãos” e, assim, tornavam-se imunes à escravidão. Tanto os jesuítas espanhóis quanto os portugueses insistiam nesse ponto de vista, pois na Europa a escravidão dos povos não europeus era aceita com naturalidade. Mesmo com o comércio de escravos indígenas tendo continuado a existir, realizado sobretudo pelos bandeirantes, o fato de muitos índios terem aceitado a fé cristã gerava certas garantias contra a sua escravização. 3. O período colonial brasileiro experimentou muitos momentos atribulados, nos quais conflitos internos e externos precisavam ser enfrentados pela coroa portuguesa. A instalação de uma verdadeira indústria do açúcar no Brasil não foi tranquila, pois envolvia o choque de grupos sociais diferentes, tais como indígenas, escravos africanos e colonos brancos. Ao mesmo tempo, a produção açucareira se revelava extremamente lucrativa, atraindo também os olhares de outros países da Europa. Nesse contexto, ocorreram invasões da América portuguesa por parte de franceses e holandeses. Estes, após a invasão, estabeleceram-se em Pernambuco, onde realizaram muitas transformações. Tendo em vista o cenário descrito, no qual houve a interferência cultural e política holandesa, de viés diferente do apresentado por Portugal em diversos temas, quais são as contribuições deixadas pela Holanda no Nordeste do Brasil? Resposta correta. C. Urbanização, estímulo às artes e à ciência e tolerância religiosa. O período holandês no Nordeste, principalmente durante o governo de Maurício de Nassau, destacou-se pelas obras arquitetônicas e pela urbanização. Da mesma forma, artistas e cientistas foram estimulados a estudarem a natureza brasileira e os costumes coloniais, gerando conhecimentos e obras ainda existentes. Além disso, houve grande liberdade religiosa, sendo instalada nessa época, em Recife, a primeira sinagoga das Américas. Essas foram as grandes contribuições dos holandeses, pois em todo o resto mantiveram similaridades com Portugal, seja na produção de açúcar ou na opressão de índios de negros, bem como a manutenção da região submetida a uma metrópole europeia. 4. No século XVI, Portugal chega ao Brasil e passa a explorar as suas potencialidades econômicas. Dessa forma, ao longo dos séculos seguintes, a metrópole torna-se cada vez mais dependente de sua colônia. De maneira geral, costuma-se atribuir somente à colônia a relação de dependência, no caso de sua metrópole. No entanto, no caso existente entre Brasil e Portugal, a dependência se constituiu na forma de uma via de mão dupla, sendo uma dependente da outra. Essa estrita dependência de Portugal daquilo que era produzido no Brasil causou alguns problemas para a metrópole, que acabava se tornando excessivamente exposta a qualquer crise no mercado internacional. Observando esse fenômeno, no qual certos produtos, muito importantes no contexto do mercantilismo, acabavam tendo seus valores determinados por causas fora do controle de Portugal, qual é o tripé sobre o qual a economia colonial se assentava? Resposta correta. E. Latifúndio, monocultura e escravidão. O latifúndio foi a forma de propriedade rural característica da colônia, surgida a partir das capitanias hereditárias. A produção colonial se dava basicamente em torno da monocultura da cana-de-açúcar, voltada para o mercado externo e baseada no trabalho escravo africano. Essas relações eram formas híbridas entre o feudalismo e o capitalismo, com ênfase no segundo. É importante destacar que as manufaturas não existiam na colônia e, posteriormente, devido às rendas obtidas na América, seriam muito enfraquecidas em Portugal, abrindo espaço para a produção manufatureira inglesa. 5. Em meados do século XVI, chegam ao Brasil os primeiros escravos trazidos da África. Em pouco tempo esse tipo de mão de obra se torna a mais utilizada na colônia, desenvolvendo grandemente os engenhos de açúcar do Nordeste. Os escravos eram encaminhados principalmente para os estados da Bahia e de Pernambuco, que rapidamente se tornaram os mais ricos da colônia. Portanto, torna-se evidente a relação entre a exploração do trabalho escravo negro e o crescimento econômico da colônia. Logo, é possível afirmar que a escravidão assumiu um papel central na América portuguesa. Considerando esse quadro, no qual os escravos negros eram responsáveis pela maior parte das tarefas, quais eram as principais atividades realizadas pelos escravos em um engenho de açúcar? Resposta correta. A. Plantio da cana-de-açúcar, colheita, transporte e transformação dela em açúcar. O trabalho escravo era utilizado em todas as etapas da produção do açúcar, desde o plantio da cana, a sua colheita, o transporte até os engenhos e a transformação da planta em açúcar. Nos engenhos, os escravos eram utilizados somente para esses trabalhos, eventualmente, também de forma secundária para os trabalhos domésticos. No entanto, não tinha nenhuma tarefa que exigisse conhecimentos mais especializados, tais como a administração dos negócios gerais do engenho. 1. “Há uma razão maior que domina todas as outras e que, depois que todas elas foram expostas, prevalece por si só na balança. O povo americano, considerado como massa, não só é o mais esclarecido do mundo, mas - o que eu coloco bem acima dessa vantagem - é aquele cuja educação política prática é a mais avançada. É essa verdade, na qual acredito firmemente, que faz nascer em mim a única esperança que tenho para a felicidade futura da Europa” (Alexis de Tocqueville). Ao longo do século XIX, o povo norte-americano construiu para si narrativas e forjou identidades que os fizeram acreditar ser um povo escolhido por Deus para conquistar novos territórios, marchar para o Oeste e subjugar os povos dos territórios anexados. Qual foi o nome que se deu a esse entendimento de predestinação do povo norte-americano? Você acertou! B. Destino Manifesto. As ações expansionistas do povo do território original das Treze Colônias foram justificadas pela mística chamada de “Destino Manifesto”. Essa expressão veio da ideia de existirem povos escolhidos e abençoados por Deus que deveriam tomar posse dos territórios “selvagens”, civilizando-os.Big Stick foi um termo usado em outro contexto e significa “o grande porrete”. Foi uma política adotada por Theodore Roosevelt (1901-1909) em consonância com a Doutrina Monroe. Supremacia racial é uma expressão usada em contexto totalmente distinto, sendo relacionada à Segunda Guerra Mundial e ao entendimento fascista de Hitler de existir uma raça superior a outra. Destino divino e povo escolhido são expressões do imaginário cristão para designar aqueles que seguem a doutrina de Jesus Cristo. A alternativa correta, nesta questão, é “Destino Manifesto”. 2. “América para os americanos” foi uma expressão cunhada no século XIX que esteve relacionada a um evento histórico que repercutiu e ainda hoje repercute nas ações dos Estados Unidos em se firmar como grande potência no continente americano. Esse fato histórico, ocorrido na primeira metade do século XIX, foi identificado, por vezes, como um “pan-americanismo”, ou seja, a afirmação da hegemonia dos Estados Unidos no continente americano frente a outras nações e ao posicionamento e liderança desse país no continente. Qual foi o nome que se deu a esse pacto internacional que ainda hoje é referenciado na história dos Estados Unidos? Resposta correta. A. Doutrina Monroe. A “Doutrina Monroe” está associada ao discurso do presidente James Monroe ao Congresso dos Estados Unidos, em 1823, que estabeleceu diretrizes para consolidar a percepção de uma totalidade do continente americano em relação à Europa. Não existiu uma “Doutrina de Jefferson”, e o "Destino Manifesto" foi uma ideologia mística que justificava as ações imperialistas de dominação de territórios pelos norte-americanos. Já a Independência dos Estados Unidos ocorreu em 1776, quando as Treze Colônias se declararam independentes da Inglaterra. A Guerra hispano-americana ocorreu em 1898, entre a Espanha e os Estados Unidos, por causa da independência de Cuba dos domínios espanhóis. 3. “Os ventos de liberdade de 1776 tinham cor branca”, Leandro Karnal. A independência das Treze Colônias norte-americanas, ocorrida efetivamente no ano de 1776, foi produto de um processo de fortalecimento das colônias norte-americanas e da rejeição destas ao domínio colonial inglês após das medidas implementadas com o fim da Guerra dos Sete Anos. Sobre a independência dos Estados Unidos, assinale a alternativa cuja afirmação é correta. Resposta correta. E. Não existia uma ideia de Estados Unidos como pátria unificada quando ocorreu a Declaração de Independência. Os Treze Estados construíram essa ideia de nacionalidade única e coesa ao longo do século XIX. Ao se tornar independente em 1776, não existia a ideia dos Estados Unidos como uma nação única. A identidade foi construída a partir do final do século XVIII e ao longo do século XIX. Os negros escravizados não tiveram participação no processo de independência. Embora a Inglaterra, de fato, quisesse expandir seu comércio, o processo de emancipação das Treze Colônias não foi pacífico e sem lutas. A Inglaterra intencionava aumentar e implementar novas taxações para obter mais lucro com suas colônias ao Norte da América. A França contribuiu para o processo de emancipação dos Estados Unidos, porém a Revolução Francesa ocorreu depois (em 1789), e não antes, da Independência dos Estados Unidos. 4. Nos filmes de faroeste norte-americanos, a chamada “Marcha para o Oeste” é representada de diversas formas. A que predomina é a dos norte-americanos como heróis que lutam contra selvagens (normalmente indígenas) e que precisam exterminá-los para ocupar o território e civilizar o povo que restou. Sobre a “Marcha para o Oeste”, assinale a alternativa cuja afirmação é correta. Resposta correta. C. A Marcha para o Oeste nasceu como marco de expansão do modo de vida da nova república nacionalista dos norte-americanos. Leandro Karnal considera que a Marcha para o Oeste nasceu como símbolo de expansão do modo de vida da nova república nacionalista dos norte-americanos. A Marcha para o Oeste nada teve a ver com reforma agrária, que não estava na pauta do século XIX, ou com a procura de terras férteis e mananciais aquíferos. Ela não ocorreu de forma pacífica e cordial, ao contrário, foi extremamente violenta e sangrenta, exterminando todos que estavam no caminho dos norte-americanos com ideais contrários a eles. Certamente, os filmes feitos pelos Estados Unidos mostram o ponto de vista dos norte-americanos, e não dos povos dominados ou exterminados. Não havia boas intenções para com os povos ou territórios ocupados, a boa intenção era apenas para os norte-americanos, de expandir seus territórios e de se firmar como grande potência na América. 5. Durante a Guerra de Secessão, ou Guerra Civil norte-americana (1861-1865), morreram mais de 600 mil pessoas. Considera-se que morreram, nessa guerra, mais norte-americanos do que em todas as guerras juntas em que os norte-americanos perderam suas vidas. Ao final do conflito, os Estados do Norte estavam fortalecidos, enquanto que os do Sul contavam seus mortos, lamentando a derrota. Um fator de organização social esteve no centro das discussões entre Confederados e Federados. QUe fator foi este? Resposta correta. A. A abolição do sistema de trabalho escravocrata estava no centro da disputa entre os Estados do Norte e do Sul. A abolição do sistema de trabalho escravocrata foi a pauta central das disputas entre o Norte, mais industrializado, e o Sul, agrário, senhorial e que tinha a escravidão humana como base de sua mão de obra. A independência do México ocorreu em outro contexto e não estava na pauta das discussões da guerra travada entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos. Tampouco a Guerra Hispano-Americana estava em evidência, já que ocorreu algumas décadas depois. Embora os partidos tenham tomado parte no conflito, pois a vitória de Abrahan Lincoln, pelo Partido Republicano, foi o gatilho para a guerra, este não foi o mote principal. 1. Ao fim da Guerra dos Sete Anos, os atritos entre a metrópole inglesa e as colônias norte-americanas se multiplicaram. Um desses pontos diz respeito ao avanço dos colonos em direção ao Oeste. Ora, com a retirada dos franceses do território, os colonos pensavam que a região conquistada estaria à sua disposição. Todavia, para a Coroa britânica, tal deslocamento deveria ser realizado de maneira gradual. Assinale a alternativa que descreve corretamente o interesse inglês em frear a expansão para o Oeste: Resposta correta. B. Para a metrópole, uma expansão criaria conflitos com os povos indígenas nesses territórios. Além disso, fica claro que, para a Inglaterra, o desenvolvimento de novas comunidades dificultariam ainda mais o controle sobre as colônias. Ao final da Guerra dos Sete Anos, a França já não era mais uma ameaça aos colonos, tendo em vista que suas possessões ficaram nas mãos da Inglaterra. A Grã-Bretanha saiu do conflito tendo um grande Império para administrar como resultado de sua vitória. Fica claro que o mecanismo colonial aplicado até o momento estava obsoleto e que novas maneiras de faturamento deveriam ser empregadas. Primeiramente, era necessário controlar o poder econômico e político da colônia ao reprimir suas aspirações por expansão, especialmente aquelas rumo ao Oeste. Um território contido facilitava o domínio da autoridade inglesa. O segundo passo foi a criação de leis que determinassem a cobrança de taxas e o estabelecimento de um mercado consumidor dos produtos elaborados na metrópole. Em síntese, a coroa via nas colônias inglesas da América do Norte a possibilidade de reestabelecer suas finanças. 2. O início da colonização dos Estados Unidos é marcado pela divisão do território entre a Companhia de Londres e a de Plymouth. A região da Costa Leste foi repartida, com a Companhia de Londres ocupando a região mais ao norte, onde, hoje, fica Nova Iorque. Plymouth fixa assentamentos mais ao sul, a partir do rio Potomac, e se estende até a Flórida. Essas regiões, porém, eram ocupadas por comunidades indígenas, que acabaram entrando em contato com os colonos europeus. Sobrea relação entre os europeus e os povos originários, assinale a alternativa correta: Resposta correta. E. Os povos originários guerrearam contra o avanço dos imigrantes em seus territórios. Nesses combates, tiveram sucessos e insucessos a depender do conflito, porém nunca houve total extermínio dos povos indígenas. Os colonos se mantiveram relativamente distantes dos indígenas, os quais eram tratados como inimigos ou aliados. Até o momento, não se tem o conhecimento de uma legislação da época que estabelecesse como deveriam ser as relações entre eles, sobretudo em se tratando do tema da miscigenação, já que, em meio aos colonos e nativos, havia certo distanciamento. Colonos católicos, nesse ambiente, constituíam um pequeno grupo e, diferentemente do que ocorria nas colônias portuguesas e espanholas, a ideia da catequese ou evangelização não se concretizou. Os indígenas se destacaram por serem guerreiros e atuarem no comércio de peles e armas de fogo. No princípio, entre alguns setores desses grupos, existia o interesse da manutenção de relações amistosas, porém, após certo tempo, os colonos entraram em conflitos com as tribos que divergiam dos seus interesses. Apesar da promoção de verdadeiros genocídios contra os nativo-americanos, eles resistiram à opressão e, hoje, estão presentes em todo o território do país. Atualmente, foram reconhecidos mais de 560 governos tribais, que têm os mesmos direitos que os Estados que constituem os Estados Unidos. Ainda assim, continuam os movimentos em prol da reivindicação de direitos rumo à sua autodeterminação. 3. O ano de 1619 marca a chegada de pessoas escravizadas à Virgínia, trazidas pelos holandeses para o trabalho na colônia. O sistema escravocrata rapidamente tomou amplas proporções, se mostrando uma alternativa em relação ao sistema de servidão e, a cada ano, mais africanos eram tomados de suas regiões e levados para as Américas. Assinale a resposta correta referente ao sistema escravista colonial: Resposta correta. D. Na Virgínia, pelo menos até 1660, servos e escravos gozavam quase dos mesmos direitos e deveres dos outros virginianos. Ganhavam seu próprio dinheiro, compravam, vendiam e criavam gado. Às vezes, compravam a própria liberdade. O Condado de Northampton, que tem uma série de registros completos, informa que, em 1668, existia, pelo menos, dez famílias negras livres. Sabe-se, no entanto, que, gradativamente, foram criadas leis escravocratas que tinham como base o racismo e defendiam que as liberdades e os direitos deveriam restringir-se a pessoas de pele clara. Sendo assim, a colônia produziu um aparato jurídico específico para lidar com os sujeitos escravizados. Esse aparato legitimava a prática da violência e a desumanização de homens pretos e mulheres pretas, tratados como meras mercadorias. Os escravizados ocupavam majoritariamente postos de trabalho nos latifúndios ao sul, principalmente na colheita de monoculturas como algodão ou tabaco. No período que antecede a Declaração de Independência dos Estados Unidos, inúmeras vozes haviam se posicionado em favor da abolição. Além disso, as diferentes formas de resistência empreendidas pelos escravizados denunciavam as mazelas desse sistema. Incluem-se no panorama da resistência ações micropolíticas como “lentidão no trabalho, doenças fingidas, fugas, incêndios, assassinatos, automutilações e as temidas rebeliões”. (KARNAL, 2007, p. 61). 4. A partir da segunda metade do século XVIII, os ingleses iniciam uma escalada na criação de novas regras, que são chamadas de “leis de ruptura” e marcam o crescimento do descontentamento dos colonos frente à metrópole, assim como a gênese do processo de independência. Quais eram os objetivos dessas leis? Resposta correta. A. Tais leis tinham como objetivo tributar certos produtos que proviriam um saldo lucrativo da balança comercial para a Inglaterra, princípios estes baseados no mercantilismo. A metrópole também tinha como objetivo um controle mais próximo dos assuntos na colônia. Com o término da Guerra dos Sete Anos, travada entre a Inglaterra e a França, que teve participação também de outras nações, a Inglaterra viu-se na contingência de angariar recursos para equilibrar as suas finanças, fortemente abalada pelo custo do conflito. Articulou, então, a taxação do comércio interno e externo e implementou a Lei do Selo para apreender as relações de consumo, em especial quanto a jornais e livros. Essas leis foram consideradas ilegítimas pelas colônias, especialmente pelo fato de que elas não estavam representadas no Parlamento que as instituiu. Já a Lei da Hospedagem determinava que os soldados da coroa britânica deveriam ser recebidos e alimentados pelos colonos em suas próprias casas. As desavenças para com os soldados se deram em razão da corrupção preponderante pelo fato de extorquir famílias mais pobres e falar em público de modo inapropriado. Em relação à imprensa, jornalistas e editores viam o deficiente sistema de comunicação intercolonial como um problema para a difusão de suas publicações. A principal tese levantada pelo panfleto Common Sense, de Thomas Paine, era a independência das colônias em relação à metrópole como uma solução positiva para o futuro dos norte-americanos. 5. A Inglaterra passou por rupturas internas que reverberaram no processo de colonização da América do Norte. Marcam esse período a Guerra Civil no século XV, a ascensão da Dinastia Tudor e uma reforma religiosa. Esses acontecimentos influenciaram as expedições coloniais. Marque a alternativa que indica os motivos que fizeram com que uma parcela dos ingleses emigrasse de seu país de origem em busca de melhores condições de vida: Resposta correta. C. Perseguições religiosas na Inglaterra se intensificam durante o século XVI. Aliam-se a isso o crescimento populacional constante e a escassez de terras. Pessoas viam o Novo Mundo como uma rota de escape e uma oportunidade de prosperar. O início da exploração inglesa na América ocorreu no século XVII, dois séculos após o fim da Guerra dos Cem Anos. Alguns ingleses desejavam sair da Grã-Bretanha por conta da perseguição religiosa presente no território. A monarquia havia se declarado protestante, mas, com a emergência de novas crenças, a intolerância religiosa era uma constante. Outro elemento que se soma às motivações para sair da Inglaterra era o grande contingente populacional que tomava as ruas das cidades, preconizando uma crise demográfica. No período medieval, a terra era propriedade dos senhores e os camponeses, que estavam hereditariamente ligados a ela, forneciam aos seus superiores parte dos produtos de seu trabalho. Gradativamente, essas terras passaram a ser cercadas e vendidas, obrigando os camponeses a dirigirem-se a outras regiões do país. Da zona rural para a zona urbana, eles partiram em busca de melhores oportunidades nas desconhecidas regiões na América do Norte. Em um primeiro momento, a Inglaterra não estava interessada em desenvolver e tutelar um projeto colonial. Suas atividades, no tocante ao assunto, voltavam-se para a ação dos corsários, que atacavam os navios espanhóis. O processo de colonização da Índia se inicia apenas a partir do século XIX. 1. No início do século XV, teve início um processo histórico que é conhecido por colonialismo e que está na base da formação do modo de produção capitalista. Nesse processo vigorou, durante séculos, a escravidão negra. Portanto, as origens dessa remontam a um período histórico em que, de forma pioneira, os portugueses passaram a realizar navegações cada vez mais ousadas pelo oceano Atlântico, estabelecendo uma rota marítima até as Índias e chegando ao Brasil. Levando em consideração esse quadro, qual é a relação que pode ser estabelecida entre a expansão ultramarina portuguesa e os primórdios da escravidão africana nas Américas? Resposta correta. A. Ao navegarem pela costa africana em direção ao Sul do Atlântico, os portugueses estabeleceram feitorias que deram início à escravização dos africanos. As grandes navegações portuguesas se deram ao longoda costa africana. Assim sendo, ao instalarem suas feitorias no litoral da África, os portugueses foram os primeiros a explorar a escravidão negra, levando esse tipo de força de trabalho para suas colônias recém-criadas. A escravidão negra era desconhecida pelos europeus, porém já existia no interior da África, surgindo como oportunidade de negócios para portugueses e demais países europeus. Para facilitar esse processo, também foi utilizada a religião católica, que, de acordo com interpretações bíblicas, conferia um status de inferioridade aos negros. Não havia a menor possibilidade de os africanos, a partir do início da escravização feita pelos portugueses, atuarem na sociedade colonial de outra forma que não fosse como escravos, sendo apenas transportados de navio para as Américas na condição de mercadorias. 2. Ao falar em escravidão africana, refere-se ao processo de escravização dos nativos da África colocado em marcha pelos europeus a partir do século XV. Contudo, quando lá chegaram, os conquistadores se depararam com determinados tipos de escravidão que já existiam nas culturais locais. Os dois modelos escravagistas apresentavam diferenças muito relevantes, que, em última análise, favoreciam ao cativo obter a liberdade em um deles e, no outro, a permanecer para sempre escravo. Considerando esse contexto, onde duas formas de escravidão se interconectam, qual é a principal diferença entre a escravidão africana efetuada pelos europeus e aquela já encontrada em certas sociedades africanas? Você acertou! B. A diferença é que na escravidão cultural africana a raça não tinha importância, enquanto a criada pelos europeus é do tipo racial. A escravidão que os europeus impuseram sobre os africanos era de tipo racial, ou seja, o indivíduo escravizado por pertencer à raça negra não tinha a possibilidade de deixar de ser escravo, ou, ao menos essa era muito remota. No entanto, a escravidão preexistente na África apresentava vários tipos: por dívidas, por venda de familiares ou prisioneiros de guerra. Nas Américas, a emancipação do negro era virtualmente impossível, tornando-se relativamente mais fácil a partir do século XIX. Todavia, na África, os escravos, assim que pagassem a dívida pela qual tinham sido escravizados, podiam se tornar livres novamente. Nas Américas, não importava o quanto o escravo produzisse, pois esse fato não impactava em sua liberdade. Nas duas formas de escravidão, famílias inteiras eram escravizadas, não havendo nenhum impeditivo para isso. 3. O trabalho escravo africano foi utilizado em praticamente toda a extensão das Américas. Dessa forma, os tipos e as condições de trabalho apresentaram grande variedade. Porém, o trabalho negro gerou mais riqueza nos sistemas de “plantation”, isto é, os grandes latifúndios monocultores que tinham a sua produção voltada exclusivamente para o mercado externo. As duas maiores monoculturas do período colonial foram as plantações de algodão, na América do Norte, e as lavouras de cana-de-açúcar, nas Antilhas e na América portuguesa. Considerando a importância do trabalho escravo nesse contexto, no qual eles participavam de todas as etapas de produção, quais são as etapas mais relevantes tanto na produção do algodão quanto do açúcar? Resposta correta. C. Plantio, colheita e processamento. Os escravos eram responsáveis pelo plantio, pela colheita e pelo processamento do algodão e da cana, de forma que eles pudessem ser vendidos pelos proprietários, que eram responsáveis pelo planejamento do cultivo e pela negociação do produto final. Da mesma forma, era vedado ao escravo participar de atividades como importação de insumos, exportação de produtos ou importação de mão de obra e sua negociação no mercado. Além disso, os escravos não participavam do faturamento dos produtos nem de atividades financeiras, muito por conta de não serem alfabetizados. A atividade dos escravos se resumia ao trabalho braçal da produção. 4. A partir do século XVI, a escravidão se tornou um dos pilares da sociedade colonial, tanto na colônia inglesa da América do Norte, que viria a se tornar os Estados Unidos, quanto na América portuguesa, que se tornaria o Brasil. Um dos impactos duradouros foi o surgimento de uma grande população negra em ambos os países que, contudo, apresenta características sociais muito diferentes. Enquanto que nos Estados Unidos a miscigenação entre brancos, negros e índios foi ínfima, no Brasil, ela ocorreu de maneira generalizada. Dessa forma, é possível perceber a contribuição diversa que os escravos negros levados às América deram ao formato étnico dos dois países. Tendo em vista esse cenário, que conecta a escravidão africana às características étnicas atuais dos Estados Unidos e do Brasil, qual fator no período colonial brasileiro facilitou a miscigenação entre brancos e negros? Você acertou! D. A ausência de legislação – existente nos Estados Unidos – que proibisse os matrimônios entre pessoas de diferentes etnias. Nos Estados Unidos houve dura repressão ao casamento entre pessoas negras e brancas, sendo proibido por lei. Tanto os casais quanto os pastores ou padres que realizassem tais uniões eram punidos com a prisão. No Brasil nunca houve lei e tal tipo, favorecendo que negros, brancos e índios formassem famílias multiétnicas. Contudo, nunca houve, de maneira inversa, o estímulo por parte do Estado para que isso ocorresse. Seria contraditório e anacrônico afirmar que houve a organização, por parte da sociedade, de movimentos que exigissem liberdade para o casamento em uma colônia escravista. A Igreja muito menos teria estimulado isso, pois aceitava a escravidão negra, embora realizasse os casamentos. 5. A Revolução de São Domingos (Haiti) se trata de um grande evento da passagem do século XVIII para o XIX, em função de ter realizado a primeira revolta de escravos bem-sucedida da história e proclamado a independência do Haiti. A colônia de São Domingos era, naquele momento, a mais rentável da França, sendo responsável pela maior parte do seu comércio ultramarino. Assim sendo, tinha uma população de aproximadamente 500 mil escravos, dez vezes maior que a população branca, responsável pela grande produção açucareira da ilha. Entretanto, no contexto da Revolução francesa, de 1789, os escravos se rebelaram e deram início a um processo revolucionário que duraria mais de dez anos, acabando por fim na independência do Haiti. Levando em conta o impacto mundial da Revolução francesa, por que a historiografia classifica os revolucionários de São Domingos como “jacobinos negros”? Resposta correta. E. Essa classificação se dá pelo fato de que os jacobinos foram a ala mais radical da Revolução francesa, intransigentes na defesa da liberdade e da igualdade. A historiografia classifica os revolucionários de São Domingos como jacobinos negros, pois eles aderiram completamente aos ideais dos jacobinos franceses, em busca da completa igualdade e liberdade dos negros escravizados na ilha. Portanto, a relação se dá no campo intelectual e político, sem que os haitianos tenham desenvolvido uma teoria própria nem estabelecido qualquer aliança com os seus correspondentes franceses. Da mesma forma, eles não tinham contato direto com os jacobinos, sabendo de sua luta por meio de publicações. Os jacobinos franceses se opunham à burguesia marítima francesa, que explorava o açúcar da colônia, portanto, eles não tinham interesses comerciais nesse produto. 1. A escravidão indígena nas Américas tem seu início no contexto do processo de colonização do continente pelos europeus. Inicialmente, espanhóis e portugueses comandaram o andamento da captura e escravização dos povos indígenas, processo esse que apresentou algumas diferenças entre as duas Coroas. No entanto, houve um ponto de contato entre espanhóis e portugueses que facilitou a legitimação do instituto da escravidão no Novo Mundo. Qual foi esse elemento histórico? Resposta correta. A. A longa tradição do escravismo na Europa. Todos os povos apresentam características próprias em suas sociedades como resultadoda história, portanto não se pode naturalizar determinados aspectos de diferentes culturas, como as da Espanha e de Portugal. Mesmo com idiomas semelhantes e histórias convergentes, a posição dos dois reinos se apresentou diversa em torno da escravização indígena. Portugal não teve tantos pudores em escravizá-los, enquanto os espanhóis tenderam a aplicar modos de serviço relacionados à servidão. Embora no período da colonização esses dois países fossem majoritariamente católicos, a Igreja desde muito cedo se manifestou de maneira contrária à escravização dos índios. Outro elemento que dificultou o processo é que era necessário realizar expedições em busca dos índios, que não eram uma mão de obra abundante. O fator principal que fez com que Espanha e Portugal adotassem durante algum tempo a mão de obra escrava indígena pode ser recuperado na longa tradição de escravidão da Europa, desde a Antiguidade greco-romana até o período medieval, com eslavos e muçulmanos. 2. No início da conquista das Américas pelos europeus, houve, simultaneamente, a edificação de um aparato muito complexo envolvendo a escravização dos indígenas e dos africanos. Contudo os dois processos se revelaram muito diferentes. Elementos jurídicos e políticos fizeram com que a escravidão indígena fosse quase que integralmente abandonada em favorecimento da escravidão africana. Quais características da relação entre as metrópoles europeias com a África e a América nos ajudam a compreender por que isso ocorreu? Resposta correta. D. Enquanto os indígenas viviam em território agora pertencente aos europeus, os africanos viviam em território somente explorado e não ocupado pelos reinos da Europa, fazendo com que os europeus preferissem escravizar os africanos. A diferença na decisão de privilegiar a escravidão africana em vez da indígena nada tem a ver com um racismo maior em relação aos negros. Na verdade, os povos africanos eram tidos como infiéis pela Igreja, enquanto os ameríndios eram enquadrados na categoria de pagãos, portanto passíveis de serem convertidos. As diferentes culturas e sociedades de cada um dos povos não foi levada em consideração. Na verdade, a opção pela escravidão africana em vez da indígena assentou-se sobre aspectos políticos e jurídicos muito práticos. Na África, os europeus estabeleciam apenas feitorias. Portanto, não eram terras ocupadas. Dessa forma, se tornava mais fácil apenas aprisionar os negros e levá-los para outro continente. Na América, houve uma situação inversa. Com o continente colonizado, os indígenas, de alguma forma faziam parte daquela sociedade, tendo um status jurídico diferenciado. 3. Os espanhóis se estabeleceram nas Américas ao oeste do Tratado de Tordesilhas. Nas regiões que lhes couberam, encontram grandes jazidas de metais preciosos, sobretudo prata. Assim, passaram a explorar essa riqueza utilizando o trabalho indígena. Em alguns momentos o trabalho foi escravo, em outros assumiu a forma de servidão ou até mesmo em sistemas semelhantes ao trabalho assalariado. Em comparação à América portuguesa, os espanhóis obtiveram muito mais êxito na utilização do trabalho indígena. Qual é a razão principal para que isso ocorresse? Resposta correta. B. Enquanto os portugueses encontraram sociedades indígenas que não estavam divididas em classes sociais nem tinham Estados, os espanhóis se depararam com civilizações mais complexas habituadas à exploração do trabalho. O fator mais importante para a concretização do trabalho escravo ou da servidão na América hispânica está nas características das formações sociais encontradas pelos espanhóis no continente. Diferentemente dos povos encontrados pelos portugueses, os espanhóis se depararam com sociedades compostas por classes sociais e estados centralizados e rígidos que controlavam e organizavam o trabalho social. Dessa forma, os espanhóis exerceram uma espécie de transposição. Os indígenas tiveram o seu antigo Estado esfacelado, e no seu lugar entrou outro, no caso, a Coroa espanhola. Portanto, nem o tipo de produto, nem qualquer tipo de capacidade de persuasão foram responsáveis pela escravização indígena na América espanhola. A submissão desses povos, que não ocorreu sem resistência, já que não desejavam atuar como servos de novos senhores, foi fruto das condições históricas encontradas pelos colonizadores no continente. 4. Muitos missionários que chegaram às Américas durante o período colonial contestaram as práticas de escravização dos índios colocadas em marcha pelos conquistadores. Uma das ordens religiosas mais importantes nesse sentido foi a Companhia de Jesus, fundada em 1543 por Inácio de Loyola em Paris. Os jesuítas, como ficaram conhecido os membros dessa ordem, estabeleceram aldeamentos indígenas por todo o continente, chamados de missões, com o objetivo de catequizar os índios e impedir sua escravização. Qual acontecimento do início do século XVI na Europa se conecta ao trabalho dos missionários religiosos nas Américas? Resposta correta. E. A Reforma Protestante (1517), que abalou o poder da Igreja Católica e fez com que se tornasse cada vez mais importante a evangelização dos povos do Novo Mundo para compensar a perda de fiéis. O fato que desencadeou novas ordens religiosas na Europa do século XVI foi a Reforma Protestante. Para combatê-la, a Igreja católica criou a Contrarreforma, uma série de medidas visando a resguardar o poder do papa e da Igreja. Ao mesmo tempo, surgia no horizonte europeu o Novo Mundo, com milhões de habitantes não batizados. A Igreja não demorou a perceber a oportunidade e enviou os jesuítas para catequizar os nativos. O trabalho foi feito em paralelo ao realizado no Extremo Oriente. Os jesuítas conseguiram permissão para fazer o trabalho de evangelização, dividindo o contato com os indígenas com exploradores, mercenários, militares, etc. Eles buscavam proteger os índios da escravidão, porém nem sempre foram bem recebidos, enfrentando resistência muitas vezes violenta por parte dos índios. Além disso, o relacionamento dos jesuítas com as metrópoles nem sempre foi pacífico, tendo sido expulsos de terras nas quais realizavam seus aldeamentos. 5. Rituais que se realizavam desde 3 mil anos atrás na região do atual México ainda sobrevivem nos dias de hoje. Mas foi a civilização Asteca, que estava em seu esplendor quando da chegada dos espanhóis, que deixou o maior legado para a cultura mexicana atual. Um dos feriados mais importantes e conhecido internacionalmente do país tem suas origens na religião dos astecas e passou por um processo de sincretismo até chegar na forma atual, ficando conhecido como Dia dos Mortos. No que consiste o sincretismo nesse contexto? Resposta correta. C. A fusão entre elementos religiosos astecas e católicos, como o Dia de Finados, gerando uma nova celebração religiosa e cultural. Sincretismo é uma palavra que significa a mistura de elementos de diferentes religiões que são ressignificados criando uma nova forma de culto. No caso do México, o legado asteca foi incorporado ao catolicismo, muitas vezes como forma de os missionários se aproximarem dos indígenas. O Dia de Finados, tradicional entre os católicos, ganhou um equivalente asteca, já que na religião desse povo havia um momento no calendário dedicado ao culto aos mortos. Portanto, é possível enxergar o sincretismo nessa situação como um ato de resistência dos astecas, que viam sua cultura ser desfigurada pelos conquistadores. O Dia dos Mortos é um eco do passado asteca que ressoa ainda nos dias de hoje. 1. No que tange ao estudo histórico da América colonial, existem várias correntes historiográficas. Como o estudo da História se transforma ao longo do tempo, sendo ele também histórico, é normal que diferentes abordagens e conclusões, não raramente opostas, sejam apresentadas pelos historiadores em períodos distintos. Especificamente em relação à história da América colonial, duas grandes tradições se consolidaram, sendo uma chamada de cientificista, e a outra, de lascasiana. Levando em consideração que essas duas correntesmaiores viriam a abrigar as principais tendências historiográficas sobre o período colonial das Américas, qual ponto pode ser apontado como o de maior diferença entre elas? Resposta correta. E. A cientificista tende a considerar que os indígenas foram beneficiados pelo contato com a civilização europeia, e a lascasiana enfoca somente o sofrimento dos nativos a partir da violência colonial. A corrente cientificista tem origem nos trabalhos de Ranke, que defendia a necessidade de o trabalho histórico ser um discurso científico. Com base em seus escritos, a história da conquista da América é a história do choque entre civilização (Europa) e barbárie (América). Por sua vez, Bartolmeu de Las Casas, frade espanhol que defendia os direitos dos índios, ao recortar a questão dando ênfase ao sofrimento indígena, influenciou a criação de correntes historiográficas que descartam a resistência indígena aos invasores. Portanto, embora ambas utilizem variadas fontes produzidas no período colonial, suas perpectivas diferem muito. 2. Bartolomeu de Las Casas foi um frade dominicano espanhol que conduziu projetos missionários logo no início do processo de colonização da América hispânica. Produziu muitos escritos que permitem conhecer com detalhes as relações entre o clero, os índios e os conquistadores espanhóis no século XVI. Reconhecido como um dos grandes defensores dos direitos dos índios, sua voz destoava dos colonizadores, que enxergavam os indígenas apenas como uma massa útil para o trabalho escravo ou servil. É sabido que Las Casas, ao defender a integridade dos índios, argumentava a partir de perspectivas religiosas e humanitárias, mas qual era o pano de fundo que conectava essas duas questões? Resposta correta. A. O frade tinha como objetivo transferir o controle da questão indígena das mãos do Estado espanhol para as da Igreja. Os índios eram entendidos pela Igreja como potenciais fiéis que deveriam ser catequizados e submetidos ao controle eclesiástico. Bartolomeu de Las Casas, de fato, defendia os direitos indígenas, mas também disputava o poder com os colonizadores, embora fizesse parte da empreitada colônia. O que o incomodava era o fato de que os espanhóis tratavam os nativos com extrema violência, o que considerava um erro, não fazendo parte da vontade de Deus. Portanto, a ideia era de que os índios não fossem escravizados e fizessem parte dos fiéis católicos. 3. Em todo o período colonial foram escritos relatos por viajantes, missionários, conquistadores e colonos sobre o continente americano. Esses escritos são importantíssimos para o estudo da história da América colonial, já que se apresentam como fontes muito ricas que revelam detalhes e características do processo colonial. Esses relatos ficaram conhecidos como crônicas coloniais, herdeiras de um estilo literário tradicional na Espanha. Contudo, é possível afirmar que não houve a simples transposição desse formato da Espanha para as colônias, surgindo, no continente americano, novos objetos a serem descritos. Levando isso em consideração, acerca da aparição de novas inspirações para os cronistas, quais foram os principais temas abordados por eles nessas crônicas coloniais? Resposta correta. B. As crônicas abordaram, na maior parte das vezes, a natureza, a vida cotidiana, os povos indígenas e o processo de conquista e colonização em si. É evidente que em um período de vários séculos e com todo tipo de autores, as crônicas colonias apresentavam para os leitores europeus uma gama enorme de temas. Contudo, é possível identificar alguns eixos principais que permeavam esses escritos: a fauna, a flora e a topografia do novo continente, altamente diferentes das encontradas na Europa, foram um tema recorrente; a vida cotidiana dos vilarejos e cidades também foi objeto dos escritores, bem como a descrição dos costumes indígenas e das suas relações com os colonos. Obviamente, o desenrolar do processo de colonização também esteve representado nessas páginas. 4. Em relação aos modelos de urbanização implementados durante o período colonial, é possível efetuar uma distinção entre aqueles encontrados na América hispânica e os vistos na América portuguesa. Portanto, está claro que determinações locais atuaram no sentido de promover esta ou aquela forma de construir cidades, vilarejos e obras arquitetônicas. De que maneira a analogia criada pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda sobre o semeador e o ladrilhador, usada para ressaltar a diferença do urbanismo português e hispânico nas Américas, colabora para a compreensão desse tema? Resposta correta. C. A urbanização portuguesa ocorreu de forma assistemática, como um semeador que joga suas sementes, enquanto que a hispânica obedeceu a planos urbanísticos, como faz um ladrilhador ao assentar ladrilhos. A metáfora cunhada por Holanda se refere aos diferentes modelos de urbanização colocados em prática nas Américas e que têm ligação direta com o tipo de local encontrado pelos colonizadores. Os portugueses se depararam com uma terra que oferecia diversos tipos de riqueza quase ao alcance das mãos, com um clima pouco hostil. Assim, houve a tendência de baixa urbanização, e quando esta era realizada, não havia um maior planejamento, funcionando como um semeador que apenas joga as sementes. Já na América hispânica, devido à topografia e ao clima mais hostil encontrados, os espanhóis transpuseram modelos urbanos utilizados em seu país, que requeriam planejamento e racionalidade na disposição dos espaços públicos. 5. A partir do século XVIII, com as reformas postas em prática pelo Marquês de Pombal, novas propostas urbanísticas foram desenvolvidas na América portuguesa. As chamadas “reformas pombalinas” tinham como um dos seus objetivos reforçar a autoridade dos portugueses sobre a sua maior colônia. Dessa forma, ao se constatar que os centros urbanos eram vitais em um empreendimento desse tipo, Pombal buscou realizar o que de mais moderno havia em termos urbanos e arquitetônicos, trazendo racionalidade para essa área no Brasil. Portanto, é evidente que resultados importantes decorreram desse movimento. Refletindo a respeito desse processo de alteração urbanística, qual principal resultado prático das medidas adotadas nas cidades brasileiras naquele período pode ser apontado? Resposta correta. D. Foram desenhados novos traçados urbanos, determinando claramente espaços destinados à Igreja, praça central, cadeia, prédios públicos e pelourinho. O principal resultado foi uma maior racionalidade na organização das cidades, inicialmente no Nordeste do país. Novos traçados foram utilizados, organizando espacialmente os prédios das principais instituições coloniais. Contudo, não houve a mera transposição dos modelos portugueses e europeus para o Brasil, havendo a criação de novos modelos urbanos e arquitetônicos, embora inspirados nos modelos da Europa. As condições de higiene tenderam a melhorar, já que houve um cuidado com a abertura de vias mais largas e construções mais arejadas. No entanto, esses novos modelos ficaram restritos a poucas regiões, invariavelmente próximas ao litoral. 1. O mercantilismo foi um conjunto de práticas e ideias econômicas adotadas pelos reis, que tinham os burgueses endinheirados como parceiros comerciais, para fortalecer o Estado e ampliar o poderio econômico da burguesia. Sobre o mercantilismo, é correto afirmar, no que diz respeito a Portugal, Espanha e suas colônias na América: Você acertou! A. a exploração de metais preciosos nos territórios conquistados foi uma das bases do sistema mercantilista, assim como a manutenção de colônias lucrativas para as Coroas, com a permanência de um sistema de monopólio de consumo de produtos fornecidos exclusivamente pelas metrópoles. As bases do sistema mercantilista foram: conquistar e manter os territórios conquistados para exploração das terras e das pessoas; explorar, até o esgotamento, o ouro e os metais preciosos nas colônias; e monopolizar o comércio entre metrópole e colônia para garantir a maior rentabilidade possível para as Coroas.Não havia abertura dos portos, pois o comércio era monopolista com a metrópole e inexistia equilíbrio financeiro e comercial, já que a os lucros eram dirigos à metrópole. O fornecimento de matérias-primas das colônias para a metrópole persistiu durante todo o período colonial, e os altos impostos pagos, enviados às Coroas, fizeram com que diversas revoltas exigissem o fim do período colonial. 2. Estima-se que no final do século XV existiam 100 milhões de habitantes na América colonial (indígenas de várias etnias e troncos linguísticos). No final do século XVI, os indígenas contavam pouco mais de 10 milhões, ou seja, em um século, 90% dos habitantes originários da América foram exterminados. Nos séculos seguintes, o massacre prosseguiu dizimando tribos e troncos inteiros. Sobre a relação existente entre os colonizadores ibéricos e os indígenas de ambos os lados da fronteira, é correto afirmar que: Resposta correta. E. a relação existente entre colonizadores e indígenas foi de dominação dos europeus sobre os indígenas. Quando havia resistência indígena em relação à dominação europeia, os índios eram mortos e suas aldeias destruídas. Houve imposição da religião, da língua e da cultura europeias sobre a indígena. O massacre dos povos indígenas durante o período colonial espanhol e português na América é considerado o maior genocídio da humanidade. A relação existente entre colonizadores e indígenas foi de dominação e de superioridade dos europeus sobre os indígenas e de destruição de sua cultura e de seus costumes. A resposta à resistência de dominação era o extermínio de homens, mulheres e crianças. O conquistador impôs sua cultura, religião, língua, modos de viver e costumes. Os indígenas não tiveram qualquer alternativa a não ser a submissão. Não houve qualquer relação de respeito ou de empatia pelos habitantes originários das colônias. Na América portuguesa, houve maior uso da mão de obra de africanos escravizados, enquanto que nas colônias espanholas, escravizaram mais indígenas do que africanos. 3. A descoberta de ouro no interior do território colonial português aconteceu no final do século XVII. O primeiro registro de descoberta significativa de ouro na região das minas data da década de 1690, decorrente da expedição organizada por Antônio Rodrigues Arzão. Marque a alternativa que melhor descreve as principais mudanças que ocorreram na colônia portuguesa após a descoberta das minas de ouro. Você acertou! C. Deslocou o eixo econômico para o Centro-Sul do Brasil. A capital Salvador perdeu seu posto para o Rio de Janeiro, em 1763. Houve corrida migratória para a região das minas e aumento do tráfico de pessoas da África para trabalhar na mineração. A populacional aumentou muito e ocorreu maior interiorização territorial. As principais mudanças ocorridas na América portuguesa foram: deslocamento do eixo econômico para o Centro-Sul do Brasil com a decadência do setor açucareiro e descoberta das minas de ouro; corrida migratória intensa para a região das minas; intensificação do tráfico de africanos para serem escravizados na mineração; interiorização territorial e criação de vilas e cidades no entorno das minas. O monopólio comercial entre Portugal e a colônia (Brasil) se manteve durante todo o período colonial. A Inglaterra não era parceira comercial de Portugal nem do Brasil, e os portos se mantiveram fechados para outras nações até 1816. A Coroa portuguesa enriqueceu com o ouro proveniente do Brasil e com os altos impostos pagos pela retirada do metal precioso. 4. “Nos cubículos dos negros, jamais vi uma flor: é que lá não existem nem esperanças nem recordações”, escreveu o francês Charles Ribeyrolles ao passar pelo Brasil, em 1858. Sobre a escravidão negra no Brasil, é correto afirmar que: Você acertou! A. enquanto durou o período da escravidão, até 1888, cerca de 4 milhões de homens, mulheres e crianças foram trazidos à força do continente africano. A formação cultural do Brasil foi fortemente marcada pela presença africana, tanto na religião quanto na música, dança, alimentação e língua. Entre os séculos XVI e XIX, cerca de 4 milhões de homens, mulheres e crianças foram trazidos à força do continente africano. Essa miscigenação étnica proporcionou ao Brasil um amálgama de culturas que foi fortemente marcada pela presença africana, tanto na religião quanto na música, dança, alimentação e língua. A abolição ocorreu em 1888, e não houve qualquer processo de integração dos ex-escravizados aos sistemas de trabalho ou de habitação. Esses homens e mulheres buscaram locais não habitados para construírem suas casas e viverem, surgindo, assim, as periferias. Não há registros de retorno para a África após a abolição; eles já eram brasileiros, a maioria nascida no cativeiro. Os imigrantes estrangeiros foram trazidos para o Brasil no final do século XIX, após a abolição. 5. Os tropeiros eram proprietários ou homens que se empregavam na condução de tropas de muares, responsáveis pelo abastecimento e pelas redes de troca de informações e de negociações no Brasil Colônia. Percorriam o território colonial de uma ponta à outra, promovendo integração entre as colônias. Sobre os tropeiros, marque a alternativa correta. Você acertou! B. O surgimento da atividade dos tropeiros está diretamente ligado à mineração. Grande parte do ouro e do diamante transportada das regiões mineradoras era escoada pela Estrada Real nos lombos dos muares conduzidos pelos tropeiros até o porto do Rio de Janeiro. Não há registros de mulheres atuando na atividade tropeira. O surgimento dessa atividade está relacionado à mineração, pois foi necessária uma maior integração regional e escoamento dos metais preciosos, além de abastecimento com remédios, roupas e outros produtos nas regiões mineradoras. A atividade não ficou restrita ao Sul e ao Sudeste, embora estas tenham sido regiões de trânsito intenso de tropas. 1. A Revolta de Tupac Amaru II foi um movimento rebelde ocorrido na região Andina entre 1780-1781. Tupac Amaru e os que com ele lutaram desejavam romper com as diversas formas de exploração colonial, e essa rebelião foi antecedente das lutas de independência. Sobre a Revolta de Tupac Amaru II, é correto afirmar que: Resposta correta. C. Tupac Amaru II era um líder indígena descendente da família real Inca e o movimento rebelde liderado por ele encontra-se no contexto das reformas bourbônicas implantadas pela coroa espanhola nas colônias americanas. Tupac Amaru II foi um grande líder indígena descendente da família real Inca. O movimento rebelde liderado por ele ocorreu na região Andina e encontra-se no contexto das reformas bourbônicas implantadas pela coroa espanhola nas colônias americanas. A dinastia dos Bourbon ocupou o lugar dos Habsburgo, em 1700, e implementou uma série de leis e taxações na América colonial espanhola, na segunda metade do século XVIII, visando a aumentar a arrecadação para a metrópole. 2. “O termo Iluminismo indica um movimento de ideias que tem suas origens no século XVII, mas que se desenvolve especialmente no século XVIII, denominado, por isso, o "século das luzes". (...) O Iluminismo é, então, uma filosofia militante de crítica da tradição cultural e institucional; seu programa é a difusão do uso da razão para dirigir o progresso da vida em todos os aspectos. Esse movimento visa a estimular a luta da razão contra a autoridade, isto é, a luta da "luz" contra as "trevas" (BOBBIO, 1998). Nesta unidade você estudou o Iluminismo e a repercussão dessas ideias e do movimento iluminista na América espanhola entre os escravizados e os colonos. Marque a opção que reúne o maior número de informações corretas sobre o que foi o movimento conhecido como Iluminismo. Resposta correta. D. O Iluminismo foi um movimento amplo com abrangência política, científica e cultural ocorrido entre os séculos XVII e XVIII. O objetivo fundamental dos que comungavam com os ideais Iluministas era superar as práticas políticas, econômicas e sociais do Antigo Regime. O Iluminismo foi um movimento filosófico, econômico,científico e cultural, ocorrido entre os séculos XVII e XVIII na Europa, que tinha como objetivo fundamental superar as práticas políticas, econômicas e sociais do Antigo Regime e se tornou a principal influência para as Revoluções e as Independências na América. As mais significativas historicamente foram a Independência dos Estados Unidos, em 1776, e a Revolução Francesa, na França, em 1789. O Iluminismo pode ser definido como o liberalismo econômico e político e se desenvolveu na Inglaterra e na França nos séculos XVII e XVIII, com influência e abrangência nas Américas coloniais: América espanhola, portuguesa e norte-americana. 3. Foi um movimento da população local, ocorrido no Vice-Reino de Nova Granada. Neste movimento houve ampla participação da comunidade colonial. Grandes fazendeiros criollos, pequenos agricultores, populações indígenas, negros escravizados, pequenos comerciantes, tropas e criollos fiéis à coroa estiveram todos frente a frente, ora unidos, ora em desacordo. As insatisfações com a coroa espanhola e os desdobramentos das reformas bourbônicas foram os estopins para a deflagração dessa insatisfação generalizada que resultou no levante rebelde contra as administrações coloniais locais. A qual Revolta ou Movimento esses fatos estão relacionados? Resposta correta. E. Movimento Comunero. O enunciado se refere ao Movimento Comunero, ocorrido no Vice-Reino de Nova Granada, em 1781. A Revolta de Tupac Amaru II aconteceu na região andina, e não no Vice-Reino de Nova Granada. A Guerra dos Sete Anos ocorreu na Europa e na América do Norte e durou entre 1756 e 1763. O arrocho colonial inglês foi um conjunto de medidas e leis, e não uma revolução ou evento isolado. A independência das Treze Colônias aconteceu em 1776, na América do Norte, e não na América colonial espanhola. 4. Leandro Karnal escreveu que: “De muitas formas, a Guerra dos Sete Anos é a mais importante de todas as guerras do século XVIII. Deixou evidente o que já aparecera em outras guerras: os interesses ingleses nem sempre eram idênticos aos dos colonos da América. A derrota da França afastou o perigo permanente que as invasões francesas representavam na América, deixando os colonos menos dependentes do poderio militar inglês para sua defesa. Além disso, os habitantes das 13 colônias tinham experimentado a prática do exército e o exercício da força para conseguir seus objetivos e haviam tido, ainda que fracamente, sentimentos de unidade contra inimigos comuns” (2007, p. 74). Após a Guerra dos Sete Anos, um conjunto de leis foi aplicado pela Grã-Bretanha em suas Treze Colônias norte-americanas, durante o processo que ficou conhecido como arrocho colonial inglês. Marque a opção que apresenta corretamente quais leis foram essas: Você acertou! B. A Lei do Selo (1765), A Lei do Chá (1767) e as Leis Intoleráveis (1774). As três principais leis impostas pela Grã-Bretanha em suas Treze Colônias na América do Norte, que provocaram revoltas e estavam inseridas no contexto do chamado arrocho colonial inglês, foram: A Lei do Selo (1765); a Lei do Chá (1767) e as Leis Intoleráveis (1774). A Lei do Ventre Livre (1871) aconteceu no Brasil, no século XIX, e não teve relação com o arrocho colonial inglês, assim como a lei que impôs ao Brasil o fim do tráfico negreiro, em 1850. Outras leis citadas não existiram: a Lei de fechamento dos Portos (1750), a Lei de Boston (1750) e a Lei da dinastia Bourbon (1780). Quanto a esta, o que existiu foram as reformas bourbônicas, porém em outro contexto, o da colonização espanhola. 5. Norberto Bobbio acredita que a filosofia do Iluminismo é a filosofia da burguesia. Para ele, o burguês é o homem novo, que luta pelas reformas progressivas contra o obscurantismo e os privilégios da aristocracia e do clero. A filosofia Iluminista seria a da libertação, a liberdade de comércio, a abolição dos privilégios e das imunidades das outras duas classes, a divulgação da cultura e a revisão do sistema fiscal. Ou seja, o rompimento com o Antigo Regime e a implantação de reformas modernas nos Estados. Considerando as características principais do Antigo Regime, no contexto histórico do Iluminismo, é correto afirmar que: Resposta correta. B. No Antigo Regime, o poder estava centralizado nas mãos do Rei; o mercantilismo ditava as práticas econômicas; a estrutura social era estamental; e a religião obrigatória da sociedade era a do Estado. O Antigo Regime se refere a um conjunto de práticas e organização política, social, econômica e cultural da Europa dos séculos XVI ao XVIII. O poder estava centralizado nas mãos do rei. Na economia, o mercantilismo ditava as práticas econômicas. A estrutura social era estamental. A religião predominante na sociedade deveria ser a do Estado. O poder não estava nas mãos da burguesia ou do povo e a estrutura social não era democrática, ao contrário, era absolutista. Não havia liberdade de cultos e a religião predominante era a do Estado. 1. A expansão ultramarina europeia foi resultado de uma troca de conhecimentos náuticos e cartográficos entre diversos povos. Esse processo deu gênese ao processo expansionista europeu culminando na conquista e na colonização do território americano. Quais fatores foram determinantes nesse contexto? Assinale a alternativa correta. Resposta correta. E. A descoberta de instrumentos e de técnicas de navegação desconhecidos pelos europeus, como a bússola, o quadrante e o astrolábio, que foram desenvolvidos e aprimorados por chineses e árabes, facilitou a expansão ultramarina. Os europeus ampliaram gradativamente seu conhecimento náutico, desenvolvendo técnicas de cartografia e utilizando instrumentos que auxiliavam na navegação. Bússola, astrolábio e quadrante, desenvolvidos por árabes e chineses, foram fundamentais na expansão ultramarina europeia. O conhecimento técnico específico, as trocas entre os povos e as condições históricas influenciaram o processo expansionista e colonizador europeu, conseguindo atravessar o Oceano Atlântico no final do século XV. 2. O grande historiador britânico Eric Hobsbwam afirmou que, entre os anos de 1789 e 1848, o mundo passaria por uma onda revolucionária, período denominado por ele como a Era das Revoluções. O final do século XVIII foi responsável por uma onda revolucionária que atingiu o mundo atlântico. Quais características a seguir definem corretamente o surgimento e os desdobramentos desses eventos? Você acertou! D. A Revolução Industrial, surgida na Inglaterra, ao longo do século XVIII, modifica as relações de produção existentes na sociedade. A Revolução Americana, finalizada em 1783, enfrenta o domínio colonial existente nas Américas, e a Revolução Francesa, de 1789, ataca o modelo do antigo regime. A Revolução Industrial altera as relações de produção existentes na sociedade, fortalecendo a burguesia como classe dominante. Por sua vez, a Revolução Americana e a Revolução Francesa são eventos que compartilham o ideal de liberalismo e de republicanismo, respectivamente, lançados ao mundo e interpretados de maneiras distintas por vários povos ao redor do globo. 3. Em 1927, o pintor mexicano Diego Rivera finaliza o quadro La sangre de los mártires revolucionarios ferlización la tierra (O sangue dos mártires da revolução fertilizando a terra), no qual são retratados os corpos de revolucionários como Emiliano Zapata semeando os ideais revolucionários latino-americanos. A partir desse contexto, pode-se afirmar que a independência da América espanhola é um processo de longa duração, iniciado no século XIX e finalizado no século XX. Qual alternativa a seguir se encaixa nas características oriundas desse fenômeno? Resposta correta. B. O processo de independência das colônias espanholas foi fruto da ação dos criollos, a elite colonial americana, em oposição aos chapetones, espanhóis que exerciam funções administrativas nas colônias. O processo de independência da América espanhola é um processo percebido na longa duração. Iniciado em 1811, com a independência do Paraguai e finalizado com a independência de Cuba,em 1909. De maneira geral, esse processo foi fruto da ação da elite criolla, insatisfeita tanto com as ações da coroa espanhola quanto com as atitudes da elite chapetone. Entretanto, esse fenômeno tem que ser entendido com base nos interesses dos grupos sociais que participaram desse processo, pois interesses distintos levam a participações e a motivações diferenciadas, e nem todas foram atendidas no processo revolucionário. 4. "O Terror é a luta da liberdade contra seus inimigos." (Maximilien de Robespierre - líder jacobino). “Salvei a minha pátria. Vinguei a América... Nunca mais um colono europeu porá o pé neste território com o título de amo ou de proprietário.” (Jean Jaques Dessalines - líder da Revolução Haitiana). Os gritos de liberdade, igualdade e fraternidade ecoaram por todo o mundo atlântico de maneira diversificada, sendo ouvidos e interpretados de diversas formas por indivíduos distintos, que ocupavam posições sociais diversificadas e realizaram revoluções a partir do seu lugar social. Qual alternativa a seguir se encaixa, em concordância com os eventos históricos, com os reflexos de 1789 no continente americano? Resposta correta. D. Na Ilha de São Domingos, ocorreu o modelo mais extremo dos ideais revolucionários. Liderados por Toussaint L'Overture, os escravizados assassinam a população branca declarando a independência do Haiti. Os ideais revolucionários foram percebidos de diversas formas no mundo atlântico. Iniciados com a Revolução Americana, em 1776, que pôs fim ao domínio colonial, seguido pela Revolução Francesa, em 1789, atacando o antigo regime. Esses ideais serviram de modelo para os mais variados contextos políticos e sociais. No Brasil, os ideais republicanos serviram de modelo tanto para a Inconfidência Mineira (1789-1792), mas nesse modelo não havia necessidade de rompimento com a ordem escravista, como para o ideal federalista dos pernambucanos, que se revoltaram contra o domínio português, em 1817, e depois, no pós-independência, formaram a Confederação do Equador, em 1824. Na América espanhola, a elite criolla se aproxima dos ideais revolucionários e luta contra o domínio espanhol, sobretudo nas figuras de Simón Bolívar e José de San Martín, buscando criar modelos autônomos de repúblicas para os recém-independentes. Mas de todos, o modelo mais extremo de revolução foi o caso da ilha de São Domingos, quando a população escravizada, liderada por Toussaint L'Ouverture, massacra a população branca e declara independência da ilha, criando a República do Haiti, em 1804. 5. "As elites brasileiras que tomaram o poder em 1822 compunham-se de fazendeiros, comerciantes e membros de sua clientela, ligados à economia de importação e exportação e interessados na manutenção das estruturas tradicionais de produção cujas bases eram o sistema de trabalho escravo e a grande propriedade. [...] Formados na ideologia da Ilustração, expurgaram o pensamento liberal das suas feições mais radicais, talhando para uso próprio uma ideologia essencialmente conservadora e antidemocrática. A presença do herdeiro da Casa de Bragança no Brasil ofereceu-lhes a oportunidade de alcançar a Independência sem recorrer à mobilização das massas." (Emília Viotti da Costa, em Da Monarquia à República). Na introdução da obra Da Monarquia à República, a historiadora Emília Viotti da Costa analisa a gênese do processo de independência realizado pela elite brasileira, expondo suas características e os grupos que tomaram a frente do carro-chefe revolucionário brasileiro. A independência do Brasil, ocorrida em 1822, teve seu pontapé a partir dos eventos iniciados entre 1807 e 1808, em Portugal. Com base nos seus conhecimentos sobre o período, qual alternativa a seguir é verdadeira? Resposta correta. E. A independência do Brasil foi um processo ocorrido sem grandes mudanças sociais. Houve uma independência política de Portugal, mas as bases da sociedade foram mantidas, como o sistema monárquico, a grande lavoura e o trabalho escravo. A transferência da corte portuguesa para o Brasil, ocorrida em 1808, transforma o modelo administrativo luso-brasileiro. Apesar da presença do Rei, algumas medidas tiveram que ser realizadas para modernizar o aparelho burocrático. Entre essas medidas estão a liberação de criação de manufaturas, a criação da imprensa régia e abertura de estradas, objetivando um contato maior entre as províncias. Já existia, tanto em Portugal como no Brasil, medidas que pensavam na possibilidade da transferência da corte e uma administração do Império ultramarino português do lado ocidental do Atlântico. O contato com uma elite portuguesa gerou ressentimentos na elite local, que se viu em uma posição em que a balança de poder foi equilibrada novamente. No final do processo, houve uma independência política de Portugal, mas sem revoluções na estrutura, sendo mantida a ordem anterior, com a grande propriedade e o modelo escravista.