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Dinâmica Celular Citoesqueleto Citoesqueleto e nucleoesqueleto, englobam um complexo sistema de fibras do citoplasma e do núcleo fundamentais para a organização e função celular. O citoesqueleto estabelece, modifica e mantém a forma das células. É o responsável pelos movimentos celulares e deslocamento de organelos, cromossomas, vesículas e diversos grânulos. A sua composição varia tendo em conta o tipo de célula: Eucarióticas - filamentos de actina, filamentos intermédios e microtúbulos; Procarióticas – filamentos intermédios e crescentin análoga As fibras do citoesqueleto dão forma e permitem a locomoção. Tanto os filamentos de actina como os microtúbulos localizados à volta das células dão forma e estrutura à. Estes possuem proteínas motoras que permitem puxar a célula e transportá-la (através de vesiculas). Pode ocorrer o transporte de bactérias através das proteínas. Fibras do citoesqueleto Diâmetro Organização Filamentos de actina ou Microfilamentos (MFs) 7-8 nm Polímero filamentosos, dupla hélice aparente Filamentos Intermédios (FIs) 10 nm Estrutura em “Corda” Microtúbulos (MTs) 24 nm Estrutura tubular com interior oco; Paredes formadas por justa posição de protofilamentos A proteína FtsZ e a proteína MreB são subunidades dos filamentos presentes no citoesqueleto nos procariotas. Proteína FtsZ: homóloga da tubulina (incluindo ligação a GTP) mas tem função idêntica à actina-miosina na cintura contráctil; está localizada à volta do anel de divisão celular, o que sugere que a mesma participe na divisão celular. Esta proteína pode ser polimerizada em protofilamentos, mas estes não se assemelham aos microtúbulos intactos. Proteína MreB: é uma proteína homóloga da actina presente nas bactérias que apresenta semelhanças na estrutura terciária e conserva a sequência de nucleótidos (posteriormente gera um peptídeo); é responsável pela largura da bactéria em forma de bastonete. Nas células eucarióticas, estes filamentos do citoesqueleto estão, geralmente, concentrados em locais distintos. Por exemplo, as células epiteliais absortivas presentes no lúmen do intestino, apresentam uma abundante quantidade de microfilamentos de actina na região apical pois estão associadas com junções célula a célula e suportam um denso tapete de microvilosidades. A diferença das ligações covalentes e das não-covalentes está relacionada com a força das mesmas ligações. Ou seja, nas ligações covalentes, a força destas é superior às interações intermoleculares, ou seja, mais forte. Enquanto que as ligações não covalentes, tais como as pontes de hidrogénio, são mais fracas permitindo a associação e dissociação celular (processos de dinâmica). É então importante que os Nota: a tubulina marca os microtúbulos e possui um papel ativo na divisão celular filamentos do citoesqueleto possuam subunidades unidas por ligação não-covalente pois facilitam os processos de dinâmica celular. Os monómeros de actina, ao polimerizarem formam microfilamentos (MFs), isto é, são homopolímeros. Os filamentos intermédios (FIs) são heteropolímeros pois são compostos por várias proteínas (ex.: lamins, desmin, queratina, etc.). Os microtúbulos (MTs) são dímeros de alfa e beta-tubulina. Em suma, Citoesqueleto e nucleosqueleto - um sistema de fibras citoplasmáticas e do núcleo, fundamentais para: •mobilidade celular; • migração de células individuais ou de grupos de células (e.g. defesa celular) • alterações morfológicas (e.g. contração muscular); • movimentos intracelulares (e.g. separação de cromossomas; transporte de vesículas); • suporte e estrutura celular (e.g. posicionamento de estruturas celulares). Algumas componentes do citoesqueleto: Actina: início da extensão muscular; Redes de filamentos, MFs e FIs: estrutura celular; Motores de miosina: transporte, contractilidade, associados a FIs; Agregados de actina e FIs: adesão celular; Redes de lamin (FI): estrutura nuclear. Todos os movimentos celulares são uma manifestação de trabalho mecânico, requerendo ATP e proteínas que convertem energia armazenada em movimento. Estrutura da Actina Nos humanos há 6 genes para codificar a actina, ou seja, há 6 codificações de proteína isoforma. Designa-se por isoforma uma vez que possuem uma estrutura e função muito semelhante. As possíveis pequenas diferenças entre as seis está relacionada com a sequência de aminoácidos (associações de a.a. - estrutura primária) e a interação/afinidade entre os aminoácidos (estrutura secundária). Isoformas: 4 𝜶-actina: em células musculares; associadas a funções de estrutura e contractilidade; ex.: sarcómeros são constituídos por filamentos da alfa-actina 1 𝜷-actina: lidera o topo da polimerização dos filamentos, em células não musculares, mas que se movem); 1 𝜸-actina: em filamentos de fibras de stress (são fibras de tensão onde exercessem força e sustentação nos nossos tecidos, gama- actina. Algumas plantas têm mais de 60 genes para actina, apesar de alguns serem pseudogenes (sequência de nucleótidos que não é transcrita e/ou traduzida – não conseguem produzir proteínas). Quando várias proteínas monoméricas se juntam por ligações não covalentes, formam um filamento de actina (F-actina quando finaliza a polimerização). Apesar de ser monomérica há zonas que são distintas umas das outras. F-actina + as proteínas ligantes: Cadeia linear de subunidades G-actina Hepatócito: actina a vermelho, está sempre presente na célula; extremamente importante na citocinese (divisão da célula) e no transporte.; Na imagem está realçada a cintura contrátil (eixo central), que vai contraindo a célula devido à presença de miosinas e filamentos de actina. Filamentos de actina podem ser associados com outros filamentos de actina ou com as suas proteínas motoras criando miosina. Cada molécula de actina contém um ião Mg2+ complexado com ATP ou ADP (energia que varia com a quantidade do grupo fosfato associado). Portanto existem 4 tipos de estado de actina: ATP-G-actina, ADP-G-actina, ATP-F-actina e ADP-F-actina. Nota: o ciclo hidrólise/fosforilação para a transformação de ATP/ATP é muito importante para a associação e dissociação celular; Actina está separada por 2 lóbulos devido à presença de uma fenda (visível em microscopia eletrónica). Os lóbulos e a fenda compõem a dobra de ATPase, ou seja, o local onde a ATP e a o ião de magnésio se ligam. Quando ATP e ADP estão associadas a G-actina, a conformação da molécula é alterada. Sem esta ligação nucleotídica, G- actina desnatura rapidamente. A G-actina possui um terminal positivo e outro negativo (é uma estrutura polarizada). As microvilosidades estão sempre voltadas para o interior do intestino e isto indica uma orientação. Do lado da fenda temos o terminal negativo. Então um filamento de actina irá possuir 2 polos positivos e 2 polos negativos. Domínio I: é composto pelo N- terminus e C-terminus, terminais amímicos e carboxílicos; por norma os 2 terminais são zonas regulatórias. Neste mesmo domínio é possível realizar-se a ligação cruzada de proteínas, incluindo proteínas que formam feixes de fimbrina e 𝛼- actina ou então proteínas maiores tais como espectaria, distrofina e filamina. Nota: Fenda é como se fosse o local ativo da enzima, onde se liga o ATP. Este local é muito importante para os processos de associação e dissociação. A proteína de actina funcional para estar aptaa polimerizar requer que haja ATP colocado nesta fenda. Terminal negativo Entre os domínios II e IV encontra-se a fenda que é composta pelo ATP e o ião de magnésio. ATP + Cofator (magnésio) + actina = enzima A adição de iões (Mg2+, K+, Na+) a uma solução de G-actina induz a polimerização da mesma em F-actina (filamentos de actina), isto indica que a polimerização é proporcional à quantidade de iões disponível na solução. Este é um processo reversível uma vez que a F-actina despolimeriza quando a força iónica da solução diminui. A presença de ATP-G-actina e de ADP-G-actina vai condicionar o crescimento dos filamentos. Isto porque a polimerização de ATP-G-actina é muito mais rápida que ADP-G- actina. Ou seja, sabendo que a polimerização é proporcional à quantidade de iões e que a ATP-G-actina possui mais iões fosfato, esta será consequentemente mais rápida devido à maior força iónica. O contrário se verifica na dissociação, ou seja, menor quantidade de iões leva a que a F-actina se despolimerize (menor força iónica) logo a ADP-G-actina irá dissociar-se mais rapidamente que ATP- G-actina. Associação: é favorecida no terminal positivo e desfavorecida no terminal negativo; Dissociação: é favorecida no terminal negativo e desfavorecida no terminal positivo; O “pólo +” polimeriza 5-a-10 vezes mais rápido que o “pólo -”. Fatores que controlam a associação e a dissociação: o Fatores iónicos; o A presença de ATP G-actina; o Nucleação. Neste esquema temos a polimerização da G-actina em F-actina que inicia com: o a fase de nucleação em que os monómeros de ATP-G-actina são agregados em pequenos e instáveis oligômeros. Posteriormente, quando atingir um certo comprimento (3 ou 4 subunidades) formam, lentamente, complexos estáveis de actina. o 2ª fase envolve o alongamento dos núcleos pela adição de subunidades em ambas as extremidades do filamento. Com o crescimento dos filamentos de F-actina, a concentração de monómeros de G-actina diminui à medida que se atinge o equilíbrio entre filamentos e monómeros. o Na 3ª fase, os terminais do filamento de actina estão num estado estável com mos monómeros de ATP-G-actina. Após a sua incorporação no filamento, estas subunidades hidrolisam lentamente para formar o composto estável, a F-actina. É de notar que a fenda de ATP-binding de todas as subunidades encontra-se sempre orientada na mesma direção dentro da F-actina. Nota: Quando NÃO adicionamos núcleo, é necessário esperar que se forme um núcleo espontaneamente para depois crescer. O curso de tempo da reação de polimerização in vitro (curva rosa) revela o período inicial de latência. Se alguns fragmentos de filamentos de actina são adicionados no início da reação para atuar como núcleos, o alongamento prossegue imediatamente sem qualquer período de latência (curva roxa). O que temos de reter desta experiência é que a presença de núcleos favorece o crescimento dos filamentos. Quando atinge um dado tamanho o crescimento e o alongamento só vão depender do número de monómeros livres no citoplasma. Quando se atinge a fase estável, a concentração de subunidades não agregadas é designada por concentração crítica (Cc). Este é um parâmetro de dissociação constante que mede a concentração de G-actina onde a taxa de subunidades de associação é igual à taxa de dissociação de unidades. Dadas as diferenças na Cc, que afetam o crescimento dos filamentos de actina, para o (+) end e para o (-) end, pode concluir-se: [ATP-G-actina] < Cc+ (0.1): não há́ crescimento de filamentos; Cc+ (0.1) < [ATP-G-actina] < Cc- (0.6): o crescimento só́ se verifica no (+) end; Entre estas concentrações pode verificar-se o fenómeno de treadmilling. [ATP-G-actina] > Cc- (0.6): crescimentos nos dois terminais (end) mas mais rápido no (+) end que no (-) end. Neste caso o comprimento do filamento de actina é constante: as subunidades que são adicionas no terminal positivos, atravessam a totalidade do filamento até atingirem o polo negativo onde são dissociadas. Proteínas que afetam a polimerização da actina: Endógenas: Cofilin – Proteína que se liga à F-actina e que aumenta a taxa de dissociação da G-atina a partir de (-) end; Gelsolin – Liga-se à F-actina e pode quebrar o filamento dividindo-o em duas partes e/ou bloquear o (+) end de modo a evitar a adição de subunidades; CapZ– Conecta-se ao (+) end do filamento (independentemente de Ca2+ ???) impedindo adição ou perda de G-actina; Profilin – promove a formação do complexo ATP-G-actina que, consequentemente, aumenta a taxa de polimerização de F-actina; Arp2/3 – inicia a polimerização dos filamentos (regulada por Rho GTPases) pois serve de nucleação; Thymosin β4 – é um tampão para a G-actina uma vez que, ligada a ATP- G-actina impede a sua polimerização. Toxinas: • Cytochalasin D – é um alcaloide fúngico que despolimeriza os filamentos de actina através da sua ligação a (+) end onde bloqueia a adição de subunidades, mas promove a dissociação no (-) end; • Latrunculin – é uma toxina secretada por esponjas que se liga G-actina e inibe a sua ligação ao filamento; • Jasplakolinode – uma toxina de esponja liga-se a F-actina impedindo a sua dissociação • Phalloidin - (isolada de Amanita phalloides) liga-se a F-actina, juntando mais que um monómero e impede a sua dissociação. Ambas aumentam o reservatório de G-actina e, consequentemente, alteram a forma e função celular. Proteínas que organizam microfilamentos em agregados e redes Os filamentos de actina organizam-se em feixes (bundles) e redes (networks), requerendo proteínas específicas (actin cross- linking proteins). A organização destas proteínas com F-actina determina a estrutura resultante, feixe ou rede. Proteínas que ligam microfilamentos à membrana A distrofina liga a actina (dos miofilamentos) a uma série de proteínas da membrana plasmática e matriz extracelular. Suporta a força gerada. Ausência de distrofina reduz a rigidez muscular, aumenta a deformabilidade do sarcolema e compromete a estabilidade mecânica. Focal adhesions (adesões focais): local de ligação da membrana a largos feixes de MFs (stress fibers, fibras de stress) que permitem ligação à ECM. Envolve a síntese de proteínas (transmembranares) encapsuladas e são movidas para a membrana, tendo uma componente dentro da membrana e outra extracelular (quando são excretadas). Com a componente exterior, aderida a outras proteínas da matriz celular de outra célula, há adesão. A parte interior é associada a filamentos de actina e filamentos intermédios que são movimentados ao sabor do deslocamento. Adherent junctions (junções aderentes): região de contacto célula-célula, formando uma estrutura em “cinto” que mantém a integridade celular. O contacto entre células é feito por proteínas transmembranares, e.g., cadherins e catenins. Movimentos intracelulares e alterações na forma celular conduzidos por polimerização de actina Ex. 1) Uma plaqueta, exposta a agentes coagulantes, estende vários filopódios (projeções citoplasmáticas delgadas que se estendem além da borda) e, de seguida, espalha-se. 2) Um macrófago, durante a fagocitose de uma célula tumoral, altera- se por lamelipodia (projeção de actina) e por pseudopodia (novas estruturas citoplasmáticas). IMPORTANTE: 1. A montagem, comprimento e estabilidade dos filamentos de actina são controlados por proteínas especializadas ligantes a actina que conseguem separar e/ou tapar os terminais do filamento em causa; 2. As ações complementares de Thymosin β4 e do profilin são críticas para regular o citoesqueleto da actina perto da membrana da célula; 3. A polimerização regulada da actina pode gerar forças capazes de movercertas bactérias e vírus ou causar alterações na forma dos mesmos. Motores da miosina Miosinas são Mg2+-ATPases ativadas por uma actina que usam energia química proveniente da hidrólise de ATP para realizarem trabalho mecânico e moverem-se ao longo dos filamentos de actina (enzimas mecânico-químicas ou proteínas-motor). Compõem uma vasta família de proteínas ditas proteínas-motor, todas compostas por 3 domínios: • cabeça (head); • pescoço (neck); • cauda (tail). Conhecem-se 18 classes distintas de miosina, de acordo com variações de aa do domínio motor. Humanos: 40 genes diferentes de miosina (representando 12 classes); Nemátodos: 17 genes diferentes de miosina (representando 7 classes); Mosca: 13 genes diferentes de miosina (representando 8 classes); Fungos: 5 genes diferentes de miosina (representando 3 classes); As miosinas de plantas são distintas das miosinas de animais. (saber miosina I, miosina II saber bem) O deslocar das cabeças de miosina ao longo dos filamentos de actina causa o movimento do filamento porque a cauda da miosina encontra-se imobilizada. A cauda da miosina liga-se à membrana de uma vesícula enquanto que a cabeça avança pelo filamento. Os tamanhos dos passos de miosina estão relacionados com a tamanho do pescoço da molécula, contudo não é uma correlação direta. Por exemplo: miosina II, passo de 5-10 nm (5nm corresponderia a ligar-se a todas as actinas da cadeia); miosina V, passo de 36 nm (correlação directa); miosina VI, passo 30 nm, apesar de o seu pescoço ser menor que de miosina II. A força gerada por miosina II, durante um passo, é de 3-5 pN (força similar à exercida por gravidade numa bactéria). Miosina II possui mais força logo dá passos maiores Função das miosinas Transporte de vesículas Miosina IA: pequenas vesículas do citoplasma; Miosina IC: na membrana plasmática e em vacúolos contrácteis (vesícula que regula a osmolaridade do citossol fundindo com a membrana plasmática). Miosina V: implicada no transporte de vesículas secretoras (abundante em cérebro de vertebrados); Miosina VI: implicada na formação de vesículas endocitóticas e no transporte das vesículas formadas ao longo do citoplasma. Moléculas de Miosina I (monómeros), cujas caudas se ligam a uma vesícula “carregando-a” ao longo de um filamento de actina. Miosina I move-se para (+) end. Nota: As missionas citoplasmáticas movem-se sem se dissociarem do filamento devido a um elevado “dutty ratio”, isto é, permanece firmemente ligada à F-actina por mais que 90% do ciclo actomiosina. Divisão de citoplasma (citocinese) Actina e miosina II formam feixes contrácteis em células não-musculares que podem ser transitórios ou permanentes. Tal como no músculo, F-actina está inter-digitada com filamentos bipolares de miosina II (15-20 moléculas de M II, por filamento). Na citocinese, após divisão nuclear, forma-se um anel contráctil constituído por F-actina e miosina II, promovendo a divisão da célula em duas. Este exemplo de citocinese demonstra que a miosina II (laranja) está concentrada no sulco de clivagem enquanto que, a miosina I (verde) está concentrada nos polos da célula. Contração e regulação muscular Células musculares: apresentam forma cilíndrica (l=1-40 mm; w=10-50μm), são multinucleadas e são constituídas por miofibrilas. As miofibrilas, constituídas por feixes cilíndricos de 2 tipos de filamentos: miosina (d=15 nm) e actina (d=7 nm), são cadeias organizadas de unidades contrácteis - os sarcómeros (l≈2μm, repouso). Banda A- anisotrópica e é alternada com banda I (isotrópica); F-actina liga-se ao disco Z via 𝛼-actinina No Z disk há proteínas capsZ. A contração muscular é regulada por cálcio (Ca2+) e por proteínas que ligam actina (actin-binding proteins). A concentração citoplasmática de Ca2+ ([Ca2+]C) influencia a interação de 4 proteínas-acessórias com o filamento de actina. Tropomiosina liga-se a F-actina, no correr de todo o filamento. Cada tropomiosina está ligada a troponina (Tn) que é um complexo de 3 polipeptídeos: troponina C (liga Ca2+), troponina I (local inibitório) e troponina T (liga tropomiosina). A libertação de Ca2+ do retículo sarco-plasmático (RS) eleva a [Ca2+]c de 10-7 para 10-5 M. A variação na [Ca2+]c regula a atividade muscular. Um sistema on-off uma vez que, o aumento de concentração de cálcio citoplasmático aumenta exigindo a contração e, quando diminui essa mesma concentração, o músculo entra em relaxamento. Nota: o complexo tropomiosina-troponina mantém ligado ao filamento quer o músculo esteja contraído ou relaxado. Contração de células do músculo liso e não musculares Importante: Importante: 1. O anel contrátil, o feixe transitório de actina e miosina II é formado na divisão celular e aperta a célula de modo a separá-la em duas metades; 2. Nas células musculares esqueléticas, os filamentos finos de actina e filamentos grossos de miosina são organizados numa estrutura ordenada, designada por sarcómeros. O (+) end dos filamentos finos está anexada ao disco Z (a desmarcação entre os sarcómeros adjacentes). Ativação de miosina II por processo dependente de Ca2+: A contração do musculo esquelético liso é regulado por um processo de fosforilação e desfosforilação. Quando a cadeia leve de regulação está desfosforilada, a miosina II esta inativada. O músculo liso contrai quando a mesma cadeia sofre fosforilação pela enzima miosina LC kinase. A enzima é ativada pelo complexo cálcio- calmodulin (CaM) Após a ativação da enzima, o músculo liso contrai e a miosina fica ON (ativada). Algumas moléculas sinalizadoras (e.g. nor-epinefrina, angiotensina, histami-na ...) modulam a atividade de músculo liso elevando a [Ca2+]C A fosfatase desinibe a miosina II (relaxamento muscular) Ativação da miosina II por Rho Cinase: Estimula a atividade da miosina por duas formas: o Fosforilação da enzima fosfatase da miosina LC por Rho cinase, inibindo- a. Aumento do nível de miosina LC fosforilada; o Rho cinase, ativa diretamente a miosina, fosforilando a regulatory LC. o Ca2+ não desempenha qualquer papel na regulação da atividade de miosina regulada por Rho cinase. Moléculas que ativam a via das Rho cinases (e.g. ácido lisofosfatídico). Locomoção celular Todas as células que se movem apresentam polaridade. A iniciação do movimento celular faz-se por formação de uma larga protuberância na membrana celular, essencialmente devida a polimerização de actina, formando estruturas características: lamelipodia (vertebrados), pseudopodia (amebas), etc. Extensão: polimerização de actina; Adesão: ligação da membrana ao substrato, Translocação: mecanismo por esclarecer “Descolagem”: quebra dos locais de adesão, a membrana liberta-se e é retraída. Migração celular Para suster o movimento numa direcção em particular, a célula necessita de sinais que lhe indiquem a sua polaridade e que coordenem o movimento. Esses sinais podem ser: 1. fatores de crescimento; 2. moléculas que medeiam quimiotactismo (chemotactic molecules); 3. Gradientes de moléculas químio-atractivas (chemoattractants), coincidentes com activação de proteínas G e Ca2+. Fatores de crescimento: (em fibroblastos, desenvolvimento de células embrionárias, e em metástases) ligam-se a recetores tirosina-cinase, mediando a activação de proteína G intracelulares (Rac, Rho, Cdc42) ⇒ desencadeando o rearranjo do citoesqueleto. Ligação a recetores superficiais: activação de vias de sinalização intracelular ⇒ remodelação do citoesqueleto. Em algumas situações, moléculas extracelulares(insolúveis ou solúveis) guiam a locomoção da célula. A migração de células ao longo de um gradiente de concentração, designa-se por quimiotactismo. Ex.: Amebas, Dictyostelium, ao longo de gradiente crescente de AMPc; Leucócitos são guiados por tripetidos segregados por várias bactérias; Gradiente de Ca2+ intracelular: contribui para o turnover de filamentos de actina em células migradoras (Amebas, leucócitos). Ex.: Apesar de uma distribuição uniforme de recetores, na ameba, verifica-se a nível intracelular um gradiente de proteínas G associado a um gradiente de Ca2+ (maior concentração de Ca2+ na frente da célula). Filamentos Intermédios (FIs) Os filamentos intermédios são proteínas encontradas no núcleo ompostas de laminas (proteínas fibrosas nos filamentos intermédios do tipo V, cuja função é regular a transcrição no núcleo da célula e também proporciona uma função estrutural). Devido à sua origem na combinação de proteínas, estes filamentos podem ser expressos preferencialmente em certos tecidos: por exemplo, filamentos contendo queratina em células epiteliais, filamentos contendo desmina nas células musculares, e filamentos contendo vimentação nas células mesenquimais. Filamentos intermédios de lamina sustentam a membrana nuclear interna. A ausência de proteínas com filamentos intermédios homólogos são evidencias que os filamentos intermédios aparecem mais tarde na evolução do sistema citoesqueletico. Exemplo : primeira proteína IF a surgir foi uma lamina nuclear. Algumas características : ⇒ Presentes em quase todas as células animais; ausentes em plantas e fungos. ⇒ Extremamente estáveis e permanecem intactos (independentes das concentrações de ph e iões); de muito baixa solubilidade (a pH e força iónica fisiológica). ⇒ As subunidades de FIs, bastões em α-hélice, associam-se em estruturas tipo corda (ropelike). ⇒ A associação de subunidades não envolve hidrólise de ATP ou GTP. ⇒ Não contribuem para a motilidade celular nem para movimentos intracelulares. ⇒ Essencialmente, conferem suporte mecânico ou estrutural, fazendo arranjos com a membrana plasmática ou nuclear ou arranjos no citoplasma. Associação e Estrutura proteica A associação de filamentos intermédios com o núcleo e com as membranas plasmáticas sugerem que a sua principal função é a função estrutural. Ex: No epitélio os filamentos fornecem suporte mecânico para a membrana plasmática, onde entra em contacto com outras células ou com a matriz extracelular. Os filamentos intermédios tem um diâmetro de 10 nm- menos que os microtúbulos (24nm) mas maiores que os filamentos de actina (7 nm). a) De acordo com a sua homologia de sequencia (SHC): No genoma humano, uma vasta família de genes codifica as proteínas de IFs. Actualmente, mais de 65 genes diferentes estão identificados, os quais codificam as 5 categorias diferentes (SHC I, II, III, IV e V). Os padrões de expressão são específicos da célula e do tecido. As associações de filamentos requerem interacções entre tipos específicos de proteínas. Exemplo: filamentos de queratina exigem sempre heterodímeros (SHC I + SHC II). Proteínas tipo SHC III podem associar-se em filamentos contendo unicamente dímeros* de vimentin ou dois tipos de proteínas tipo III (vimentin + desmin). Os neurofilamentos (SHC IV) são heteropolímeros compostos pelos NF-L, NF-M e NF-H (para light, medium, e heavy). Enquanto, NF-L pode formar um homopolímero, NF-H e NF-M geralmente associam-se a NF-L. As lamins (SHC V) associam-se, in vivo, em homopolímeros. *dímeros→paralelo→ Nh2-----COOH → Estão em hélice (enroladas) Nh2----COOH GRUPO 1 (keratins): formam heterodímeros de queratinas acídicas (SHC I) e alcalinas (SHC II). A associação lateral e longitudinal ocorre a velocidades similares. GRUPO 2: 1º dímeros de vimentin e/ou desmin associamse lateralmente com muita facilidade (D), formando tetrâmeros (anti-paralelos) e agregados de tetrâmeros (d=16nm; l≈60nm). Na 2ª fase, associam-se longitudinalmente, formando filamentos (de l≈250nm) muito sólidos (E). 3ª fase, compactação radial (F e G, d=11 nm). D-G, barra 0,1 µm. GRUPO 3 (lamins): 1º formam dímeros (l≈50nm) que se associam head-to-tail em protofilamentos (A), depois associam lateralmente (B e C) formando uma camada (paralela (C) ou cruzada (1)). A-C, barra 0,1 µm. Classificação em categorias (classes/ Grupos) b) De acordo com a sua distribuição celular: A superfamília é dividida em quatro grupos com base em semelhanças na sequência e seus padrões de expressão nas células. Ao contrário da actina e isoformas de tubulina, as várias classes de proteínas IF são amplamente divergentes na sequência e variam muito em peso molecular. O grupo mais onipresente dos filamentos intermédios são as laminas, sendo encontradas exclusivamente no núcleo. Das 3 laminas nucleares, 2 são produtos emendados alternativamente codificado por um gene comum, enquanto o terceiro é codificado por um gene separado (é possível encontrar um gene assim no genoma da Drosophila) . Nota: As células epiteliais expressam queratinas ácidas e básicas. Elas se associam em uma proporção de 1: 1 para formar heterodímeros*, que se reúnem em filamentos de queratina heteropolimérica. Nenhum tipo sozinho pode se juntar em um filamento de queratina. As queratinas são as mais diversas classes de proteínas IF, com um grande número de isoformas de queratina sendo expressas. Essas isoformas podem ser divididas em dois grupos: cerca de 10 queratinas são específicas para tecidos epiteliais "duros", que dão origem a unhas, cabelos e lã, e cerca de 20 chamadas citoqueratinas, são mais geralmente encontrados nos epitélios que revestem as cavidades corporais internas. Quatro proteínas são classificadas como proteínas IF tipo III. As queratinas do tipo III podem formar filamentos intermédios heteropoliméricos. ❖ O mais amplamente distribuído de todas as proteínas IF é a vimentina, que normalmente é expressa em leucócitos, células endoteliais de vasos sanguíneos, algumas células epiteliais e células mesenquimais, como fibroblastos . Sendo que a vimentina é associada a microtúbulos. ❖ Os filamentos de desmina nas células musculares são responsáveis por estabilizar os sarcômeros na contração muscular. ❖ A proteína glial fibrilar ácida forma filamentos nas células gliais que circundam os neurônios e nos astrócitos. ❖ A periférica foi encontrada em neurônios do sistema nervoso periférico. Temos agora a classe dos neurofilamentos (NFs), onde o núcleo dos axónios neurais é preenchido pelos mesmos. Cada heteropolimero é composto por 3 polipeptídeos – NF- L, NF-M e NF.H . Neurofilamentos são responsáveis pelo crescimento radial de um axônio e, portanto, determinar o diâmetro axional, que está diretamente relacionado com a velocidade em conduz impulsos. Com isto é importante salientar que as Proteina IF são uteis no diagnóstico e tratamento de certos tumores. Ex: os tumores malignos mais comuns da a mama e o trato gastrointestinal contêm queratinas e carecem de vimentina. c) Equilíbrio Dinâmico PROCESSO: • Marcou-se queratina tipo I com biotina e micro-injectou-se em fibroblastos As células foram fixadas e coradas com anticorpos fluorescentes para biotina e para queratina, em alturas especificas (e.g. 20 min e 4h). • 20 min: biotin-queratina em focos bem identificados (esq.), e não integrada no citoesqueleto de queratina (dir). • 4 horas: padrões similares para biotina-queratina e filamentos de queratina ⇒ inserção de queratina nos filamentos. Equilíbrio Dinâmico entre Proteínas e Filamentos d) Proteínas associadas (IFAPs) Itermediate filament-associated proteins (IFAPs), são proteínas que permitem a ligação cruzada (cross-link)de FIs entre si, formando redes e feixes (bundles), e com outras estruturas celulares. Das que se conhecem: ▪ nenhuma serve de proteína-motor; ▪ nenhuma inicia ou termina polimerização; ▪ nenhuma sequestra proteínas de IF para um reservatório insolúvel; Desempenham papel fundamental na: organização do citoesqueleto de FIs; integração do citoesqueleto de FIs com o de MFs e de MTs; associação (ligação) de FIs com a membrana nuclear e plasmática. Proteínas que permitem a ligação cruzada, exemplos: Plakins (ligação de FIs com MTs ou MFs): plectin, Receptor de lamin B (ligação de lamin B com a membrana nuclear). Têm a função de unir FIs entre si, ou FIs com outros elementos do citoesqueleto Estrutura proteica Todas as proteínas IF têm um domínio central conservado e são organizados da mesma forma em filamentos. Além de ter em comum uma capacidade de formar filamentos 10 nm de diâmetro, todas as proteínas subunidades IF têm uma estrutura principal comum: um núcleo central- helicoidal ladeado por globular , domínios n e c-terminal. O domínio helicoidal núcleo, que é conservado entre todas as proteínas IF, consiste em quatro longos helices separadas por três regiões não-liosiológicas, "espaçadoras". Em micrografias eletrônicas, um dimero de proteína IF aparece como uma molécula de rodlike com domínios globulares nas extremidades; Dois dímero associam lateralmente em um tetrâmero .Os resultados da rotulagem de experimentos com anticorpos para o domínio n ou terminal C indicam que as cadeias do polipeptideo são paralelas em um dimero, enquanto os dimeros em um tetrâmero tem uma orientação antiparalelo. Curiosamente, po tetramero é simétrico, um filamento intermediário tem uma polaridade, assim como um filamento de actina ou um microtúbulo. Embora o núcleo -helicoidal seja comum a todas as proteínas IF, os domínios n-e-terminal de diferentes tipos de proteínas IF variam muito em peso molecular e sequência. Os resultados de vários subsequentes experimentos, no entanto, provaram que essa hipótese era parcialmente incorreta. Por exemplo, se o domínio n-terminal de uma proteína IF for encurtado, seja por proteólise ou por mutagênese de exclusão, a proteína truncada não pode se reunir em filamentos. A visão predominante agora é que o domínio n-terminal desempenha um papel importante na montagem da maioria dos filamentos intermediários. Embora o domínio do terminal C seja dispensável para montagem IF, ele parece afetar a organização de citoesqueletos IF em uma célula. Assim, esses domínios podem controlar interações laterais dentro um filamento intermediário, bem como interações entre filamentos intermediários e outros componentes celulares. Estruturas formadas po Fis e sua função Lamina nuclear→ Confere suporte mecânico e fornece locais de ligação de porros nucleares e cromossomas em interfase. Organização do conteúdo nuclear. Sistema reticulado que liga o núcleo à membrana plasmática, dando forma, suporte mecânico e resiliência ao citoplasma. FIs: queratina (citopl); lamin (núcleo). No músculo, desmin liga a membrana plasmática via IFAPs (paranemin, ankyrin). Desmin desempenha papel essencial em manter a integridade do sarcámero. Suporte e integridade estrutural, conseguidos por junções âncora: ->desmossomas - adesão célula- célula; ->hemi-desmossoma - adesão da célula à matriz extracelular. Microtúbulos São polímeros de subunidades de tubulina globular de estrutura cilíndrica. O design tubular cilíndrico dá capacidade de gerar forças de locomoção logo, os microtúbulos participam nos movimentos celulares. Ex.: bater de cílios e flagelos, transporte de vesículas no citoplasma, movimento de cromossomas e no fuso mitótico na mitose Presentes em todas as células eucarióticas e participam ativamente na meiose e na mitose porque são estruturalmente mais rijos que os MFs e FIs. Os microtúbulos estão divididos em duas populações: 1. Estáveis e duradoiras: em células não divisíveis (e.g. feixes de MTs em cílios e flagelos; feixes de MTs ao longo do axónio); 2. Instáveis e de vida curta: em células que sofrem rápida divisão celular. Na maioria das células, uma elevada percentagem de MTs, encontra-se ligada (pelos seus (-) end a uma estrutura designada por Microtubule-Organizing Center (MTOC). A subunidade da tubulina é composta por um hétero-dímero composto por 𝛼- tubulina e 𝛽-tubulina. Todos os eucariotas possuem 55 000 monómeros e a sua sequência é conservada. Genes diferentes para cada monómero α, β e γ-tubulina. Cada molécula de tubulina liga duas moléculas de GTP, perante o local de ligação temos duas formações: GTP-(α-tubulin): ligação irreversível ⌦ não há ́hidrólise de GTP GTP-(β-tubulin): ligação reversível ⌦ hidrólise de GTP → GDP Associação de dímeros α/β-tubulina 1) Os protofilamentos estão instáveis e são rapidamente associados lateralmente formando camadas curvas estáveis; 2) Associação de protofilamentos para formar a parede do microtúbulo; 3) Adição de mais subunidades alongando o microtúbulo. Na organização de subunidades de tubulina num microtúbulo é possível verificar que as subunidades estão alinhadas, de ponta e ponta, em protofilamentos e, cada protofilamentos posto lado a lado forma a parede do microtúbulo. Os dois tipos de tubulina (alfa e beta) estão alinhados nesta mesma parede. O microtúbulo apresenta polaridade estrutural: no (+) end há adição preferencial no lado positivo onde os monómeros de β-tubulina estão expostos. Associação e dissociação Cada protofilamento apresenta polaridade (-) end, no início, e o (+) end, no término, de acordo com preferência em polimerizar. Há associação preferencial no (+) end. A Concentração crítica de αβ-tubulin (C+C) é igual 0,03 μM (≈100x menor que a concentração na célula), ou seja: • [α, β-tubulina] < Cc+ (0.3): despolimerização de MTs; • Cc+ (-) end < [α, β-tubulina] < Cc- (+ end): verificar-se o fenómeno de treadmilling, isto é, há adição de subunidades numa ponta e na outra ponta oposta, há dissociação de subunidades. • [α, β-tubulina] > Cc- (0.3): polimerização de MTs com preferência no (+) end. A associação e estabilidade dos microtúbulos depende da temperatura: Caso haja arrefecimento até aos 4oC, há despolimerização e libertação dos dímeros; No tubo singular, a composição é de 13 protofilamentos. Certos neurónios de Nemátodos têm MTs com 11 ou 15 protofilamentos. No microtúbulo duplo, é adicionado um conjunto de 10 protofilamentos formando um túbulo secundário por fusão da parede deste à parede do microtúbulo singular. (23 protofilamentos) – cílios e flagelo Na estrutura tripla, foi fundido ao microtúbulo um outro túbulo de 10 filamentos. (33 protofilamentos) – centríolos e corpos basais Quando aquecidos a 37oC na presença de GTP, há polimerização e formação de microtúbulos. Nos ciclos de aquecimento e arrefecimento são importantes para a purificação de microtúbulos e a sua associação a proteínas do extrato celular. Instabilidade Dinâmica Em condições in vivo inapropriadas, alguns microtúbulos oscilam entre fases de associação e dissociação individuais, principalmente os microtúbulos cistólitos e mitóticos. Como, a maior parte dos MTs se encontra ligado a MT-Organizing Centers pelos (-)end, nesses MTs, a instabilidade está associada ao (+)end. Fatores que influenciam a estabilidade dos MTs: 1. Taxa de crescimento; 2. Taxa de encurtamento; 3. Frequência catástrofe: de proteínas que se ligam aos microtúbulos e que tem a capacidade de os dobrar ou proteínas que se ligam aos dímeros e os impedem de polimerizar (leva ao encurtamento dos microtúbulos); 4. Frequência de salvamento: proteínas que se anexam ao s microtúbulos percorrendo a estruturado microtúbulo e servem de cola entre os dímeros e mantem a estrutura fixa. A presença de GTP ou GDP no local de ligação na β-tubulina no (+) end. Como a taxa de dissociação do dímero GDP-tubulina é muito mais rápida do que a do dímero GTP-tubulina, o microtúbulo é destabilizado e despolimeriza rapidamente se o (+) end ficar limitado pelas subunidades que contém GDP-β-tubulina em vez de GTP-β-tubulina. Esta situação ocorre quando o microtúbulo é reduzido rapidamente, expondo o GDP-β-tubulina nas paredes do mesmo ou quando um microtúbulo cresce debagar e a hidrolise da β-tubulina converta GTP em GDP antes que haja adição de subunidades no (+) end do microtúbulo. Proteínas que regulam a dinâmica dos MTs MAPs: proteínas associadas a microtúbulos: compostas por 2 domínios, em que um é responsável pela ligação proteína-microtúbulo que ocorre no (-) end e o outro é uma projeção acídica. A ligação no domínio I neutraliza a carga de repulsão entre subunidades de tubulina dentro do microtúbulo, estabilizando-o. Estas MAPs estabilizadoras são incapazes de se ligarem a MTs quando desfosforiladas, ou seja, a repulsão não será controlada e dá-se a dissociação. A MAP cinase regula a fosforilação de MAPs via de sinalização importante aquando a ativação de recetores de tirosina cinase (RTKs) e de citocinese. Nota: Apesar de os microtúbulos possuírem várias proteínas que estabilizadoras, é sempre o balanço entre a quantidade proteica estabilizadora e o efeito da temperatura que importa. Isto porque durante um certo tempo essas proteínas conseguem estabilizar esses microtúbulos e ainda sincronizar as divisões celulares, se a temperatura baixar bastante vai destabilizar apesar da presença das proteínas. Moléculas exógenas que regulam a sua dinâmica: Naturais: a) Colciquina (colchicine): funciona como inibidor mitótico, liga especificamente tubulina e inibe a polimerização dos MTs. b) Taxol: estabiliza os MTs, impedindo a sua desagregação e bloqueia a divisão celular. O taxol (um alcaloide e anfipática – interage com a água) tem a capacidade de parar as células a nível celular. Verificou-se que quando administrado, ele entra nas células insere-se na subunidade beta do dímero da tubulina e fica aqui anexado a esta estrutura, mas não é a altera. Os dímeros mantem a capacidade de polimerização, contudo quando se adiciona um outro dímero, a ligação não covalente entre os dímeros é muito mais Op18 liga-se a dímeros de tubulina, impedindo a polimerização. Esta é inativada por fosforilação, ou seja, é inibido o seu efeito desestabilizador Quebra MTs do citoplasma, por um processo dependente de ATP. Também é fosforilada por um ciclo dependente de kinase (relevante no ciclo celular) Desagregação de MTs por ligação de uma droga a tubulina. Desloca o equilíbrio. forte do que quando não tem taxol. Os microtúbulos não conseguem despolimerizar, forma-se o fuso, mas a seguir não há divisão celular. Sintéticos: c) Colcemid (análogo de colciquina): liga especificamente tubulina; d) Vincristine e Vinblastine: usadas em quimioterapia, inibem mitos MTs- Organizing center (MTOC) Microtúbulo organizing center é qualquer estrutura que seja capaz de organizar e estabilizar microtúbulos pelos seus polos negativos (cílios e flagelos). Centrossoma: é um MTOC dalgumas células em interfase. Serve de iniciação para a polimerização de MTs e de âncora para os MTs pelo (-) end. Nestes pode haver um par de centríolos (ausentes em plantas e fungos), estruturas cilíndricas, (9 tripleto de MTs), dispostos no centro do MTOC. Não contactam com o (-) end. γ-tubulina: importante para a nucleação estabilização do terminal negativo e para a integridade dos microtúbulos. É a proteína chave do MTOC. Organiza-se em anéis de 10 a 13 γ- tubulinas. O material pericentriolar contém vários tipos de proteínas essenciais para iniciar a associação de tubulina em MTs, incluindo γ-tubulina e pericentrina. Estas proteínas estão também presentes em células com falta de centríolos. Há anticorpos anti γ- tubulina que bloqueiam a associação de microtúbulos, isto revela a importância da γ- tubulina como um fator de nucleação da polimerização das subunidades tubulina. Aproximadamente 80% da γ-tubulina faz parte de um complexo (complexo 25S), γ-tubulin-ring complex (γ-TuRC), contendo 8 polipeptídeos e de 25 nm de diâmetro. γ-TuRC consegue nuclear diretamente a associação do microtúbulo em condições em que a concentração de tubulina não é crítica, ou seja, com a presença deste complexo não é necessário se verificar esta condição [α, β-tubulina] > Cc- (0.3), pois haverá polimerização com valores inferiores de concentração. γ-TuRC está em contacto com a (-) end de um microtúbulo. Proteínas-motor e direção de movimento Proteínas motoras são enzimas mecânico-químicas que precisam sempre de ATP (fonte de energia química) para promoverem o crescimento. Também têm locais de ligação ao microtúbulo. A zona do pescoço é uma zona regulatória e também é uma zona que define o tamanho do passo destas proteínas. Cauda é local ao qual se ligam as vesículas ou outras atividads da função destas proteínas. Classificação de Kinesins segundo a localização do domínio motor: se localizado no terminal N (tipo-N), terminal C (tipo-C) ou no meio (tipo-M): Kinesinas Tipo-N e Tipo-M: são motores direcionados para o (+) end; Kinesinas Tipo-C: são motores direcionados para o (-) end. As kinesinas descolocam-se maioritariamente para o terminal positivo, mas a minoria para o terminal negativo. Esta diferença está relacionada com a estrutura das proteínas. Dyneins são um conjunto de proteínas mais complexas estruturalmente, mas funcionam da mesma forma. Na cabeça temos o domino motor, um local de ligação de nucleótidos e possuem locais de ligação aos microtúbulos no pescoço e cauda. A proteína em si tem muitas proteínas acessórias que são fundamentais para que fique funcional. Direcionadas para o polo negativo. Dyneins vai para o polo negativo e uma leva a carga agarrada, uma kinesina (proteína motora) que, dependo da posição da carga, pode ser deslocado em sentido contrário. Tem um intuito funcional que é permitir a deslocação de vesiculas entre os dois sentidos apesar de termos vias que só tem um sentido. ????? Cílios e flagelos Os cílios e flagelos são extensões membranares flexíveis que conseguem ser projetadas por certas células. Todos os cílios e flagelos de eucariotas possuem feixes centrais de microtúbulos, designados por axonemas, que consistem nos 9 microtúbulos duplos em torno do par central singular de microtúbulos. Um arranjo “9 + 2”. Orientação de MTs: (-) base → (+) extremidade Os motores mitóticos todas as proteínas motoras que se associam aos microtúbulos com a finalidade de promover a mitose e a meiose Motores citosólicos são todas as proteínas motoras que operam no citoplasma da célula e ao longo dos axónios e das dendrites com o intuito principal de fazerem o transporte de vesiculas e organelos. Motores do axonema é corpo dos cílios e dos flagelos. São as proteínas motoras que fazem bater os cílios e os flagelos. São todas dyneins outer/inner-arm dyneins. Motores direcionados para o polo negativo Os flagelos são mais longos e os cílios mais pequenos. Cada dupleto está reunido por proteínas de ligação que permitem ligação cruzada entre MTs e a estabilização de MTs. Conectado a estas duplas têm proteínas- motor, as outer- (3 cabeças) e ineer-arm dyneins (duas cabeças). O par central de singulares está envolvido por proteínas de perseveração da integridade do microtúbulo e serve de ponto de ligação para outras proteínas (ancorarem a proteína). O batimentode cílios e flagelos é caracterizado por uma série de dobras que são originadas na base da estrutura e propagadas em direção à ponta. As dobras resultam do deslizamento entre microtúbulos duplos e movem-se no fluido impulsionando a célula para a frente ou movendo o fluido através de um epitélio fixo. O movimento dos microtúbulos duplos depende de ATP e é restringido pelas proteínas de ligação cruzada de modo a que o deslizamento seja convertido na dobra de um axonema. axonemal dynein, uma proteína dependente de ATP. Aparelho mitótico Possui 3 tipos de microtúbulos: Astral MTs: irradiam em direção ao córtex celular. Posicionam o aparelho mitótico e definem o plano para citocinese. kinetochore MTs: ligam-se aos cromossomas pelos kinetochores. Diferentes proteínas estão envolvidas. Polar MTs: não interagem com cromossomas, mas sobrepõem-se com MTs do polo oposto. Esta imagem corresponde ao diagrama da metáfase numa célula com os 3 conjuntos de microtúbulos. Todos os microtúbulos têm os (-) end nos centrómeros. Os MTs astrais projetam em direção do córtex e ligam-se a estes. Os kinetochore MTs estão conectados aos cromossomas. Os MTs polares projetam em direção ao centro da célula com os seus (+) end sobrepostos. Nota: Microtúbulos importantes para definir o posicionamento dos cromossomas para seus os braços não se prenderam uns aos outros e não haver a perda informação genética no movimento entre eles. Quando os centrossomas duplicados ficam alinhados, a formação do fuso prossegue, impulsionada por eventos simultâneos nos centrossomas e cromossomos. O centrossoma facilita a formação do fuso por nucleação da montagem dos microtúbulos do fuso. Além disso, as extremidades (-) dos microtúbulos são reunidas e estabilizadas no polo pela dineína-dinactina em conjunto com a proteína do aparelho nuclear/mitótico. O papel da dineína é a formação do polo do fuso. A adição de anticorpos contra a dineína citosólica liberta e espalha os microtúbulos do fuso, mas deixam os microtúbulos astrais centrossomais em posição A instabilidade dinâmica dos microtúbulos do fuso na (+) end é crítica para a captura de cromossomos durante a prófase tardia, quando a membrana nuclear começa a se quebrar. Contacto de m cinetocoro com microtúbulo: Cinetocoro entra em contato com o lado de um microtúbulo e desliza ao longo do mesmo até a (+) end, um processo que inclui dineína citosólica e cinesinas mitóticas no cinetocoro; Quer um cromossomo se fixe à extremidade (+) de um microtúbulo do fuso por um golpe direto. Em ambos os casos, o cinetocoro “cobre” a extremidade (+) do microtúbulo. Eventualmente, o cinetocoro de cada cromatídeo irmão do cromossoma é capturado por microtúbulos que surgem dos polos mais próximos do fuso. Cada braço cromossômico vai ligar-se a microtúbulos adicionais conforme a mitose progride em direção à metáfase. Movimento regulado entre cinesinas e dineínas promove o crescimento e encurtamento dos MTs.